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Eleições 2014 - 21 de setembro de 2014

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Especial

Eleições 2014 MANAUS, DOMINGO, 21 DE SETEMBRO DE 2014

politica@emtempo.com.br

(92) 3090-1019

Público gay no centro dos debates políticos RAIMUNDO VALENTIM

Candidatos ao governo do Estado debatem o tema e apresentam suas propostas para atender um público que está no centro

CASAMENTO GAY DO NORTE

Com o primeiro casamento homoafetivo realizado no Amazonas, o debate sobre a questão gay passa a ser tema nas discussões dos postulantes ao cargo de governador do AM JOELMA MUNIZ Equipe EM TEMPO

C

om as relações homoafetivas no centro das discussões da disputa presidencial, as cobranças por políticas públicas de inclusão do segmento eleitoral, tomam mais espaço e chegam ao Executivo e Legislativo Estadual. Mesmo não tendo atribuições jurídicas, para legislar diretamente sobre o tema, os candidatos ao cargo de governador do Amazonas, marcam posição é apresentam o que pensam e como pretendem inserir o público gay, em seus mandatos. Candidato pelo PMN, o deputado estadual, Chico Preto, afastou qualquer possibilidade de permitir que um dos agentes públicos participantes da sua gestão, imponha qualquer tipo de constrangimento a um homem ou mulher por conta da sua orientação sexual. “Não é a orientação sexual de uma pessoa que vai fazer com que

a prestação do serviço público seja diferente. Como governador afirmo isso, não tolero atos de homofobia, eu respeito convicções, mas não tolero atos de homofobia”, destacou. Governador do Estado e lutando pela reeleição, José Melo (PROS), ressaltou já no mandato que compartilhou com Omar Aziz (PSD), as diversidades foram tratadas com respeito e com o espaço. O Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CEDDPH), segundo Melo, é o símbolo dessa preocupação e deve continuar a existir caso seja alçado ao cargo mais uma vez. “O CEDDPH é imprescindível para a promoção e divulgação do conteúdo e significado de cada um dos Direitos da Pessoa Humana, assim como para propor medidas destinadas a assegurar a proteção dos direitos humanos e sociais e as garantias das liberdades individuais e coletivas”, comentou.

Vulnerabilidade Marcelo Ramos, que representa o partido de Marina Silva (PSB), constantemente bombardeada, sob a acusação de permitir a influência de pastores da igreja Evangélica, nas diretrizes do seu plano de governo para o segmento, diz que o primeiro ponto a ser combatido em seu mandato, será a vulnerabilidade dos gays e lésbicas no Amazonas. Para o candidato, que também é deputado estadual, faltam políticas especiais para o público em setores como educação, saúde e segurança. “Admitindo que o segmento sofre e muito com a vulnerabilidades nesses três eixos, vamos pensar de modo diferenciado nos problemas dessas pessoas. Entendo que, falta tolerância e é essa tolerância que plantaremos em nosso governo. Vamos dialogar, com os representantes LGBT no Amazonas, fortaleceremos as atividades do núcleo que existe no Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana. A ideia é fortalecer esses laços”.

Diálogo será ponto de partida Na vertente dos demais candidatos, o comunista Luiz Navarro (PCB), assegura que o diálogo será um dos pontos principais da relação de seu governo com os homossexuais. Navarro, diz que será por meio do Conselho Popular de Saúde, que integra o conjunto de propostas da sua campanha, que a relação será intensificada. “A escolha sexual é algo de cada um, e nós temos que aceitar. Mas, é lógico que determinadas doenças vem crescendo muito dentre o segmento, por isso temos que olhar de modo especial para a questão. No nosso governo, também vamos combater veementemente a violência e o preconceito contra eles”, ponderou.

A reportagem tentou contato com os candidatos Herbert Amazonas (PSTU) e Abel Alves (PSOL), mas até o fechamento da edição

NAVARRO

Para o candidato Navarro será por meio do Conselho Popular de Saúde, que integra o conjunto de propostas da sua campanha, que a relação homoafetiva será intensificada com o governo não teve as ligações atendidas. A demanda foi enviada ao candidato Eduardo Braga (PMDB), mas também não foi respondida.

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Presidenciáveis discutem o assunto

Um dia após lançar programa de governo em que defendia a aprovação de projetos e emendas constitucionais que assegurassem o casamento civil entre homossexuais, a campanha da candidata do Partido Socialista Brasileiro (PSB) à Presidência da República, Marina Silva, recuou. Agora, a nova redação não defende alterações na legislação. Ressalta apenas a garantia “de direitos oriundo da união civil entre pessoas do mesmo sexo”, o que já

foi reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Também foi suprimido o trecho em que o PSB fazia menção à aprovação da PLC 122/06, que torna crime a homofobia. Em nota publicada, o PSB comunicou que o programa divulgado oficialmente “não retrata com fidelidade os resultados do processo de discussão sobre o tema durante as etapas de formulação do plano de governo”. O partido garante que, apesar da mo-

dificação, continua apoiando a causa. “Convém ressaltar que, apesar desse contratempo indesejável, tanto no texto com alguns equívocos como no correto, permanece irretocável o compromisso irrestrito com a defesa dos direitos civis dos grupos LGBT e com a promoção de ações que eduquem a população para o convívio respeitoso com a diferença e a capacidade de reconhecer os direitos civis de todos”. O pastor Silas Malafaia, da

Assembleia de Deus Vitória em Cristo, ameaçou fazer um discurso duro contra Marina Silva. O texto do programa de governo da candidata Dilma Rousseff (PT) protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) causou manifestações de descontentamento na comunidade gay. O motivo está na página 20 do documento, que trata da questão dos direitos humanos. O texto utiliza a expressão “opção sexual” ao se referir

a lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. A expressão utilizada em organizações internacionais de direitos humanos é “orientação sexual”. Quem ainda recorre ao termo “opção” são sobretudo fundamentalistas religiosos, defensores da chamada “cura gay”. Já o presidenciável Aécio Neves disse: “Sou favorável ao casamento de pessoas do mesmo sexo. Isso já está incorporado ao mundo moderno”, disse o político.


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Eleições 2014

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Parlamento jovem aposta na renovação da Aleam RAIMUNDO VALETIM

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ste será o ano da renovação do parlamento amazonense. Pelos menos é isso que dizem os jovens de menos de 35 anos que disputam o parlamento estadual e federal. De diferentes matrizes ideológicos, pensamentos e classes sociais, eles garantem que a sociedade brasileira, em especial a amazonense, quer renovação de seus líderes políticos e que este será o momento em que os eleitores darão este recado nas urnas. Inseridos no advento das mídias digitais, afinados com a juventude que se mobilizou pela internet para sair às ruas nos protestos de junho de 2013, os jovens Candidatos dizem empunhar bandeiras como o fim da corrupção, mais investimentos na educação, saúde, segurança pública e qualidade dos serviços públicos. Eles lembram que a juventude brasileira tem sido esquecida pelo poder público nestes últimos anos. Filiada ao PSDC há cerca de três meses, Diana Antonielle, de 20 anos, ainda nem terminou o ensino médio, mas já se lançou candidata a deputada estadual. A estudante diz que o fez por um motivo maior que a inspirou a começar a tentar entrar na vida pública. A adolescente sofreu abuso sexual no passado e agora quer levar o combate a esse tipo de crime como sua bandeira no parlamento. Segundo ela, o poder público “fecha os olhos” para o assunto. “Com a minha coragem, eu quero encorajar outras vítimas. Já tenho inclusive alguns projetos de lei sobre a questão. Na campanha, recebo muito apoio, muita gente me manda mensagens apoiando a minha causa. Essa é uma questão social e é preciso que alguém definitivamente concentre as atenções nesse

TIAGOCORREA/DIRCOM

Engajados cada vez mais cedo no meio político, candidatos jovens entram na briga por uma cadeira na Assembleia assunto. É preciso encorajar as vítimas”, disse Diana. Há também os jovens candidatos que estréiam na disputa após um longo período ao redor da política. O advogado João Vitor, de 23 anos, é filiado ao PSB desde 2012, quando conheceu o deputado e atual candidato do partido ao governo, Marcelo Ramos. João Vitor então passou a trabalhar na assessoria jurídica de Ramos,

MUDANÇA

De diferentes matrizes ideológicas, pensamentos e classes sociais, os jovens estão garantido na sociedade seu espaço. Aposta é no conceito de renovação que a sociedade vem pregando Na disputa pela primeira vez, Diana quer defender as mulheres

serviço que durou até meses atrás, quando o advogado se desligou do cargo para se dedicar a disputa pelo parlamento estadual. “Eu, mesmo na faculdade, sempre me interessei por direito eleitoral, esse sempre meu foco. Portanto, a convivência com Marcelo me encorajou muito a tentar a carreira pública. Meu objetivo no parlamento é manter a linha combativa, a exemplo de Ramos. Principalmente contra casos de corrupção e desperdício de dinheiro público, algo que já tem desgastado muito a credibilidade na política”, disse o candidato. Além de João Victor e Diana, outros jovens como Reizo Castelo Branco, Arthur Bisneto, Henrique Oliveira Filho.

Vereador mais votado na CMM, Reizo almeja carreira da Aleam

No AM, jovens são 21,2% do eleitorado Público estratégico da campanha dos candidatos ao governo nestas eleições, o eleitorado jovem do Amazonas, entre 16 e 24 anos, aumentou 7% desde as últimas disputas estaduais, em 2010. Fatia do eleitorado que registra forte desânimo com a política, os jovens amazonenses representam hoje 21,6% de todo o colégio eleitoral do Estado, mais que o dobro do grupo de eleitores considerados tradicionais, de 60 anos para cima.

Dados disponibilizados pelo relatório virtual do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) revelam que apesar do aumento de 7% do número de eleitores jovens em relação a 2010, a representatividade dessa fatia do eleitorado registra sucessivas quedas desde 2006. Naquele ano, o grupo somava 25,2% de todo o colégio eleitoral. Nas eleições seguintes, em 2010, o percentual encolheu para 22%. Agora, a parcela registra o menor ín-

dice dos últimos oito anos, de 21,2%. Somente 2% dos candidatos são jovens Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que somente 2% dos candidatos à eleição de 2014 são considerados jovens. Ao todo, de 24.899 candidaturas registradas no TSE, apenas 502 são de pessoas com menos de 25 anos. Pela classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é considerada jovem qualquer pessoa

com menos de 25 anos. Pelos números do TSE, 148 pessoas com menos de 25 anos são candidatas ao cargo de deputado federal, outras 345 candidatas a deputado estadual e outras nove a deputado distrital (cargo existente apenas no Distrito Federal). Destes 502 jovens, apenas 23 pessoas que se candidataram a cargos eletivos nas eleições de 2014 tem menos de 20 anos. A candidata mais jovem do Brasil tem 16 anos e mora no Rio de Janeiro.

Agenda dos candidatos EDUARDO BRAGA

JOSÉ MELO

Candidato fará visita na região do Baixo Amazonas.

MARCELO RAMOS

Candidato realiza comícios e caminhadas em municípios do Alto Solimões.

CHICO PRETO

Candidato realiza às 8h caminhada na região Centro-Oeste, e à noite participa de comício da candidata Marina Silva.

Candidato não divulgou agenda.

HERBERT AMAZONAS

NAVARRO

Candidato não divulgou agenda.

Candidato não dovulgou agenda.

ABEL ALVES Candidato fará caminhada no bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste e no fim da tarde caminhada no núcleo 16 do bairro Cidade Nova, Zona Norte.


Eleições 2014

MANAUS, DOMINGO, 21 DE SETEMBRO DE 2014

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Omar AZIZ

‘Nunca envergonhei O POVO DO AMAZONAS’

FOTOS: DIEGO JANATÃ

ISABELLA SIQUEIRA Equipe EM TEMPO

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Passei quatro ano no governo e aprendi muito administrando uma região do tamanho que é o Amazonas. Conheço de perto as necessidades que temos aqui. E estou preparado para defender nossos direitos lá no Senado Federal, em Brasília”

leito em 2013 o governante brasileiro com maior aprovação popular pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope). Omar José Abdel Aziz é um político nato. Ex-líder estudantil nos anos da ditadura, Aziz iniciou sua carreira política no começo da década de 80, como diretor do Centro Acadêmico de Engenharia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e participou também de vários movimentos visando a redemocratização do País, entre eles o das “Diretas Já”. Nascido numa família de descendências árabe e italiana, já exerceu mandatos de vereador e deputado estadual, foi eleito vice-prefeito de Manaus na chapa com Alfredo Nascimento e, em 2000, reelegeu-se viceprefeito, novamente com Alfredo Nascimento, mas em maio de 2002 deixou o cargo para concorrer ao governo do Amazonas. Após dois mandatos na administração do Estado, licenciou-se do cargo em 2008 para se candidatar a prefeito de Manaus, ficando na terceira colocação. Em março de 2010, com a renúncia de Eduardo Braga, que foi disputar o Senado, Omar Aziz assumiu o governo do Amazonas e, em seguida, concorreu à reeleição onde recebeu mais de 940 mil votos, quase 64% do eleitorado amazonense. Ao lado de Nejmi Aziz, pai de quatro filhos, Omar disputa a única vaga de senador do Amazonas nestas eleições. Disparado nas pesquisas, ele dispensa o rótulo de “já ganhou” e diz que diariamente vai às ruas ouvir a população e apresentar suas propostas. EM TEMPO – O que lhe diferencia dos demais candidatos que estão na disputa ao Senado? Omar Aziz – Passei quatro anos no governo do Estado e aprendi muito administrando uma região do tamanho que é o Amazonas, conheço de perto as necessidades que temos aqui. E estou preparado para defender nossos direitos lá no Senado Federal, em Brasília. Temos demandas que podem ser resolvidas com a atuação firme de um senador que não seja subserviente e que não seja passivo. Uma coisa é apoiar um governo, outra é ser subordinado, deixando de defender os direitos do seu Estado só porque tem compromissos políticos que

o impedem de colocar a cara para defender propostas. Isso não acontecerá comigo. Quero ir à Brasília sabendo o que precisamos fazer em todos os segmentos, como na saúde, na educação, infraestrutura, logística e outros. Temos um polo industrial fortíssimo, mas com um alto custo portuário. Temos a construção de um porto aprovado pelo Governo Federal para ser construído na extinta Siderama há quatro anos e não vemos um parlamentar defender a construção deste porto. Outra coisa é que não se pode ir ao Senado achando que prejudicando o governador estará se beneficiando politicamente. Em primeiro lugar, está a população. EM TEMPO - Uma das reclamações do prefeito Arthur Neto é a não liberação de recursos federais para Manaus, por causa a divergências partidárias. Como o senhor avalia isso? Omar Aziz – Isso não é um prejuízo para o Arthur Neto, mas para Manaus. Temos que separar a questão política da administrativa. A Prefeitura precisa da ajuda dos governos estadual e federal. Quando estava à frente do Governo, fiz uma parceria positiva com a prefeitura. Se hoje temos água nas zonas Leste e Norte foi porque eu e o Arthur nos despimos de vaidades e colocamos os projetos em prática. É fácil falar da falta d’água, se temos água em casa. Hoje, essa questão não entra nos debates políticos porque já foi resolvida. A questão da mobilidade urbana, que é tão discutida, já poderia ter sido amenizada. Sabemos que a prefeitura não tem condições financeiras de resolver sozinha, mas se o Governo Federal não viabilizar esses recursos, aí é que não conseguiremos resolver o problema. Serei um senador atento às questões das necessidades do Estado. EM TEMPO – Se eleito, como será a sua relação com o seu colega de bancada, seja Eduardo Braga, Sandra Braga ou Lírio Parisotto? Omar Aziz – Será Eduardo, pois o José Melo é quem será o nosso governador. A minha relação com a bancada será meramente política. EM TEMPO – Durante o período da votação da PEC da Zona Franca de Manaus (ZFM), o senhor era governador do Estado e teve uma participação importante da aprovação da matéria.

Caso seja eleito senador, o que o senhor fará para se destacar? Vai lutar para ser líder de bancada? Omar Aziz – Eu ainda estou pensando nas eleições do dia 5 de outubro, quero dar um passo de cada vez. Não tenho esse alvoroço de ser líder ou buscar destaque. Quero sim, fazer o meu papel. Ninguém se elege para ser líder, se elege para ser senador. E eu serei senador com conhecimento do Amazonas. Quero honrar a confiança do povo. EM TEMPO – Na sua administração, uma das questões mais debatidas foi a segurança pública. E nas últimas semanas estamos acompanhando fatos que têm dado à população uma sensação de medo. O senhor acredita que esses acontecimentos têm caráter eleitoreiro? Omar Aziz – A forma como estão tratando, sim. Quem está abordando esse assunto teve a oportunidade de fazer algo em 8 anos. Se me apontarem um programa, projeto ou ideia que o Eduardo Braga tenha tido nesta área, eu não conheço. O reflexo hoje é menor do que se não tivéssemos feito investimentos no período que estive à frente do Governo. Quando eu assumi o mandato de governador, a criminalidade tinha aumentado em 86% e nós reduzimos para 22%, mesmo sem o Programa Ronda no Bairro. Com o Ronda no Bairro, o número de presos também dobrou. Agora fazem críticas ao programa? É normal haver falhas. Todo projeto precisa se adequar, mas sem dúvida, ele é muito bom. Outro investimento que fiz foram as construções de Distritos Integrados de Polícia (DIPs). Foram 13 no total, aumentando o número de delegacias para 30, só na capital. Implantei, além do Ronda no Bairro, o programa Galera Nota Dez. Dobramos para R$ 1,3 bilhão os investimentos para esse setor, valorizamos o policial, que muitas vezes trabalhava até sem armamento adequado, e com as viaturas que eram empurradas. Não tem nem como comparar. Agora, não avançamos ainda mais devido a omissão de algumas pessoas, que estão junto com a presidente Dilma Rousseff e não tomaram providências. Agora, estão falando em providências. EM TEMPO – Na semana passada, tivemos mudanças na cúpula da Polícia Militar, em meio a uma crise interna. A que o se-

nhor atribui isso? Omar Aziz – Temos que oxigenar sempre. O comando da PM é muito estressante, o coronel Almir David assumiu com muita altivez a sua função, mas precisou sair. Quando eu assumi o governo, o comandante era o Dan Câmara, que foi um ótimo técnico. A instituição não pode ser a pessoa. EM TEMPO – O senhor tem sofrido ataques de adversários constantemente, mas tem se mantido neutro. Por quê? Omar Aziz – A população não quer saber desse bateboca e sim do que você irá falar em nome dela. Esse confronto não constrói um Amazonas melhor. O que considerar injusto eu vou buscar meus direitos na Justiça, pedindo direitos de resposta, o que já fiz nesta campanha. Não vou ficar batendo boca com ninguém. EM TEMPO – Um dos projetos implantados no seu governo, que vem sendo criticado, é a criação da Cidade Universitária. Isso tem lhe tirado o sono? Omar Aziz – As pessoas que têm criticado esse projeto são contra o conhecimento do Estado do Amazonas. A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) levou 35 anos para ser construída. Estamos criando o maior centro de conhecimento para o futuro do Amazonas em uma área onde será possível fazer pesquisas. Agora, é claro, isso não é obra para um ano e sim para uma década. Quem fala mal é gente de visão medíocre, que pensa somente na próxima eleição. Ali, iremos formar o futuro do Estado. Fui eu quem democratizou a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e não retirei nenhum recurso para aquela instituição. Fiz o Plano de Cargos Carreiras e Salários para os servidores. Fiz eleição direta para Defensoria Pública do Estado (DPE) também. Só eu sei o quanto sofri tendo apenas uma arqueóloga para avaliar uma obra do tamanho que será a Cidade Universitária. Os senadores amigos da Dilma poderiam ter visto isso, pedindo mais mão-de-obra, mas o pior é o melhor para eles. Tenho a consciência de que meu governo fez muita coisa, entre elas, pagamos a construção da Ponte Rio Negro e fizemos um evento de Copa do Mundo excelente, com a Arena da Amazônia o estádio mais bonito do mundial. Demos uma “tapa com luva” na cara de muita gente.

Meu colega de bancada no Senado será o Eduardo Braga, pois José Melo será o governador. E nosso relacionamento será político”

As pessoas que têm criticado esse projeto da Cidade Universitária são contra o conhecimento das pessoas que moram no Amazonas. Quem fala mal é gente de visão medíocre”


Eleições 2014

‘Na essência, Marina é do PT’, diz Aécio Neves

Cláudio Humberto

www.claudiohumberto.com.br

Se a campanha cometeu equívoco, vai prestar conta

Tucano compara história de adversárias e aponta semelhanças

Jornalista

DILMA (PT) sobre o uso da estrutura dos Correios para distribuir seus ‘santinhos’

Governo já sabe seus envolvidos no Petrolão O governo federal dá como certo que personagens das gestões de Lula e Dilma foram citados na delação premiada do exdiretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Ao pressionar pela obtenção de cópia dos depoimentos, o governo acabou por confirmar, pela via informal, o envolvimento de políticos aliados, inclusive do PT, outros ministros, além de Edison Lobão (Minas e Energia), e figurões da Presidência. Íntimo do poder O ex-diretor tinha relações próximas com o petismo: Lula o chamava de “Paulinho” e guarda um macacão da Petrobras autografado por ele. Convidado especial Além de também ter macacão autografado por Paulo Roberto, Dilma o teria incluído na seleta lista de convidados para o casamento da filha. Resolvedor-geral Paulo Roberto era “resolvedor-geral” de problemas dos poderosos, da compra de imóveis ao pagamento de despesas pessoais. Autonomia Diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa tinha “carta branca” do Planalto para agir com autonomia nos negócios da Petrobras. Campanhas gastam mais que STF e CNJ em 1 ano A previsão de gastos dos candidatos a presidente, nos três meses de campanha, é maior que os orçamentos anuais do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça

somados. Os R$ 916,3 milhões que os presidenciáveis disseram ao Tribunal Superior Eleitoral que vão gastar representam quase o dobro do orçamento do STF (R$ 564,1 milhões) e quatro vezes maior que o do CNJ (R$ 219,2 milhões. Campeões Só o gasto da candidata petista, Dilma Rousseff (RS 298 milhões), e do tucano Aécio Neves (R$ 290 milhões) já bancam um ano de Supremo. Com ajudinha Para bancar o CNJ por um ano, seriam suficientes os R$ 150 milhões de Marina (PSB) somados aos R$ 90 milhões de Eduardo Jorge (PV).

entre elas. “É colocar o PT de novo no governo”, alertou

DIVULGAÇÃO

COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

MANAUS, DOMINGO, 21 DE SETEMBRO DE 2014

da Petrobras: Corcunda de Notre Dame e Goonies. Verborragia Lula debochou do senador Pedro Simon (PMDB-RS), em visita ao Rio Grande do Sul, e pegou mal. Simon é respeitado no Estado. Dilma ficou irritada. “Isso mais atrapalha do que ajuda”, disse a assessores. Briga na Bahia A avaliação no DEM é que a vitória de Paulo Souto estaria consolidada. Na briga pelo Senado, Geddel Vieira Lima (PMDB) estabilizou e Oto Alencar, candidato do governador Jaques Wagner (PT), cresceu.

Nanicos? Os R$ 50 milhões a serem gastos pelo Pastor Everaldo, R$ 12 milhões de Levy Fidelix e R$ 25 milhões de Eymael dão uma mega-acumulada.

Vai dar rolo A cúpula da Globo, no Rio, colocou sob observação a sua filiada no Ceará, acusada de ignorar uma ordem do TRE para não veicular comerciais do candidato do PT ao governo, Camilo Santana.

Missão impossível O presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado Ricardo Izar (PSDSP), duvida de quórum, a 5 dias da eleição, para votar parecer do relator sobre a cassação de Luiz Argôlo: “Ninguém vai aparecer”.

Siga o mestre No Rio Grande do Norte, Henrique Alves (PMDB) e Robinson Faria (PSD) contam com Dilma no 2º turno, mas com PMDB e PT em lados opostos, é provável que ela não dê as caras, como fez Lula antes.

Ei, você aí Alvo de processo de cassação Conselho de Ética, Luiz Argôlo (SD-BA) – acusado de ser sócio do megadoleiro Alberto Youssef – segue na campanha pela reeleição, como se nada tivesse ocorrido.

P de Petrobras O edital do novo concurso da Petrobras trouxe nova definição do termo PPP. Em vez de Parceria Público-Privada, ideia que raramente dá certo em gestões petistas, PPP na estatal virou Pessoa Preta ou Parda.

Veneno na CPMI Responsável pela compra superfaturada da refinaria de Pasadena, nos EUA, o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró ganhou dois apelidos maldosos na CPMI

Pergunta no tribunal O que é mais suspeito: convidar o ex-diretor para o casamento da filha ou pressionar a Justiça para saber o que ele contou, na delação premiada?

Durante evento em Belo Horizonte, Aécio Neves disse que sua candidatura é a única viável

O

candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou ontem em evento de campanha em Belo Horizonte que trocar a presidente Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, por Marina Silva, presidenciável do PSB, é como trocar “seis por meia dúzia”. O tucano voltou a afirmar que a sua candidatura é a única que viabilizará uma “mudança consistente” e que, na sua avaliação, está crescendo nas pesquisas de intenção de voto. “A única candidatura que cresce de forma consistente no plano nacional é a nossa candidatura, porque a população está chegando a uma conclusão muito simples, porque trocar a Dilma pela

Marina é trocar seis por meia dúzia. É colocar o PT de novo no governo, o que não queremos”, disse Aécio. O presidenciável também fez comparações da participação de Dilma e Marina no governo do PT. “Eu respeito todas as candidaturas, mas a Marina é, na essência, do PT. Quando nós estávamos lá atrás, brigando para acabar com a inflação, essa inflação que a Marina diz hoje que quer domar, ela estava no PT votando contra o Plano Real e contra a Lei de Responsabilidade Fiscal”, disse.

“Quando nós estávamos denunciando o mensalão, e cobrando que a Justiça botasse na cadeia aqueles que desviaram dinheiro público, Marina e Dilma eram colegas de ministério do PT. E lá estavam”, completou. O candidato do PSDB conversou com jornalistas após fazer caminhada por dois quarteirões da região de Venda Nova, na Zona Norte de Belo Horizonte. Ele disse ter uma candidatura construída “ao longo de 30 anos de dedicação” a Minas Gerais, seu Estado de origem, e pediu o voto dos eleitores mineiros. “Existe uma candidatura que significa uma mudança clara no Brasil e o início de um novo ciclo. E essa candidatura é uma candidatura mineira”, disse.

ACUSAÇÃO DIVULGAÇÃO

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PODER SEM PUDOR

Deputado plural O falecido deputado Luiz Eduardo Magalhães (PFL-BA) presidia as sessões da Câmara com instantes de bom humor. Certa vez, ele se dirigiu assim ao deputado Fernando Gabeira (RJ), na época o único representante do PV: - Deputado, use a palavra para orientar sua bancada! - Presidente – respondeu Gabeira – minha bancada sou apenas eu, uma pessoa muito dividida. Nem sempre posso me orientar bem...

CORTES

‘CGU está vivendo na penúria’ Responsável pelo combate à corrupção no governo federal, o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage, afirmou ontem, que a redução de R$ 7,3 milhões no orçamento do órgão em 2014, em relação ao ano passado, gerou uma situação de “penúria orçamentária” na pasta. Segundo o ministro, o corte no orçamento comprometeu o pagamento de despesas básicas, como água, luz e telefone, além de diárias e passagens aos

auditores encarregados de fiscalizar a aplicação dos recursos federais no país, o que, afirmou, pode dificultar a identificação de eventuais irregularidades na administração pública. Na semana passada, o Sindicato Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacom Sindical) promoveu, em Brasília e em 14 Estados, atos de protesto contra o “enfraquecimento” da CGU. Em Brasília, cerca de 25 servidores se reuniram nesta quinta em frente à

sede do órgão para reivindicar a liberação de verbas para o custeio dos serviços essenciais. Atribuições Entre as atribuições da CGU, está o combate à corrupção no serviço público federal, a auditoria pública e a aplicação das ferramentas de transparência. O órgão também exerce o papel de corregedor e ouvidor do governo federal, além de garantir o acesso às informações públicas.

MP diz que Renan enriqueceu de forma ilícita e teve evolução patrimonial incompatível

Renan acusado de improbidade A Procuradoria da República, no Distrito Federal, informou, na última sextafeira (19), que apresentou à Justiça ação civil contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), por suposto recebimento de propina da construtora Mendes Junior quando era presidente da casa (2005 a 2007). O órgão acusa o senador de improbidade administrativa e defende a perda de mandato. A ação é um desdobramento na área cível de um inquérito aberto em 2007, para investigar suspeitas de que Renan teria despesas pessoais pagas pela em-

AÇÃO A ação é um desdobramento na área cível de um inquérito aberto em 2007, para investigar suspeitas de que Renan teria despesas pessoais pagas pela empreiteira em troca de verbas do orçamento preiteira em troca de verbas do orçamento, liberada por emendas parlamentares, que beneficiariam a Mendes Junior. Na época, ele renunciou ao cargo de presidente do Senado.

Segundo informou a assessoria de imprensa do Ministério Público Federal em Brasília, a ação afirma que o senador teve despesas de um relacionamento extraconjugal pagas pela Mendes Júnior. O órgão aponta que Renan enriqueceu ilicitamente, forjou documentos para comprovar sua renda e teve evolução patrimonial incompatível com o cargo. Os fatos são os mesmos analisados na esfera penal, que ainda não foi julgada pela Justiça. O Supremo Tribunal Federal (STF), a quem cabe julgar parlamentares por suposto cometimento de crimes.


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Ex-presidente da Câmara faz ‘extra’ lavando carros Alvo de escândalo na década de 1990, César Bonfim afastou-se da vida pública e hoje vive como professor e lavador de carros RAIMUNDO VALENTIM

O professor e lavador de carros, César Bomfim, diz que apesar de toda perseguição deverá tentar voltar ao cenário político em 2016 e brigar novamente por uma cadeira na Cãmara Municipal CARLOS EDUARDO MATOS Equipe EM TEMPO

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casa de dois andares com varanda herdada pelos pais é simples, antiga, localizada na rua Santos Dumont, bairro Praça 14, Zona Sul de Manaus. Parece que não recebe reparos há muito tempo, por conta das rachaduras e paredes com vergalhões expostos. Na garagem, um pequeno compressor, algumas esponjas e sabão fazem do local um lava a jato, frequentado por vizinhos e alguns taxistas que fazem ponto ali perto. A placa de isopor no pé da castanholeira, com um escrito a pincel, indica que ali se lava carros. Mas, quem passa em frente a esta casa, não imagina que ali reside um ex-vereador, que durante seu mandato foi vice-presidente e presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM). César Roberto Cerqueira Bonfim, 56, homem que marcou a história política local na década de 1990, hoje é professor de matemática formado pela Universidade

Federal do Amazonas (Ufam) e atualmente dá aulas no Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) na avenida André Araújo, bairro Aleixo, também na Zona Sul, nos altos de uma agência bancária. A vida parlamentar ele deixou para trás. Bonfim mora na casa antiga com o irmão mais novo, de 50 anos, que não é casado. Casouse duas vezes, separou das duas esposas e tem três filhos adultos. “Eles vêm aqui, com frequência, me visitar. Estou sozinho, mas feliz”, disse. Bomfim recebeu a reportagem do EM TEMPO no pátio da casa antiga que ele usa como lava a jato. “Não estou falido, não. Meu mundo é este e sei tirar bom proveito dele. Não adianta ganhar o mundo e perder alma”, salientou. Bonfim entrou jovem na política, sendo vereador de Manaus aos 31 anos, no

período entre 1988 a 1996. No primeiro mandato, viveu uma época de forte turbulência, que resultou na cassação do mandato e, consequentemente, na perda da credibilidade. Na época, durante a administração do então prefeito Arthur Neto, ele foi alvo de escândalos por suspeita de desvio de recursos da Câmara Municipal. O principal deles foi o uso indevido de um fundo para cobrir gastos pessoais dos vereadores com saúde, já que o parlamento não oferecia plano. Enquanto esteve na presidência, alguns parlamentares usaram recibos falsos para terem acesso ao dinheiro, que, na época, foi descoberto que era usado até mesmo para pagar academia de ginástica. Houve caso em que um vereador usou o recibo de um ginecologista para pedir o ressarcimento. O escândalo durou mais de três anos e uma CPI resultou na cassação do mandato de César Bonfim, já no segundo mandato, na administração do prefeito Amazonino Mendes. “Maioria dos vereadores envolvidos nesse golpe

ressarciu os cofres públicos, mas permanecem no poder até hoje e nunca foram apontados como culpados. Não fizeram a mesma ‘caça às bruxas’ com eles. Esse escândalo envolvia vários parlamentares, porém, fui o único alvo”, lamentou. Bonfim contou que, enquanto esteve à frente da presidência da Câmara

EX-VEREADOR César Roberto Cerqueira Bonfim, 56, homem que marcou a história política local na década de 1990, hoje é professor de matemática e faz bico lavando carros na porta da sua casa na Praça 14 Municipal, não era aliado de Arthur Neto. “Projetos que não eram do interesse da população não tinham o meu apoio. Isso incomodou. Como presidente, tinha de ser submisso ao prefeito e eu não fui”, disse. Ele citou que, na época, comandou a votação de um projeto

de lei, de autoria do Poder Executivo, que previa o aumento em dobro do valor do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Numa manobra, maioria dos vereadores votou contra. Também à frente da presidência, ele determinou a dispensa de mais de 2 mil servidores “celetistas” da casa, ou seja, contratados por meio das Consolidações das Leis do Trabalho (CLT), e extinguiu o plano de aposentadoria à vereadores que exerceram mais de três mandatos, o que beneficiaria vários colegas. “Fui contra muita coisa suja e paguei caro por preservar meu caráter. Certo dia, em meio a minha cassação, um colega vereador, antes amigo meu, disse: ‘Me desculpa, mas a ordem de cima era ferrar com você’. Acho que nenhum político desse Estado apanhou tanto quanto eu”, contou. Os escândalos envolvendo César Bonfim o tiraram da vida pública. Ele não assumiu nenhum cargo político em órgãos municipais ou estaduais. Reservado, nos últimos anos ele tem se dedicado ao lava-jato e à

única cadeira de professor da rede estadual de ensino e dá aulas à tarde. “Não dá para viver só com salário de professor”, comentou ele. Bonfim não considera esta vida um declínio, mas uma forma que ele arranjou de viver e reconstruir o que o passado político destruiu. “Aqui, ninguém segura meu braço, me obriga a nada. Faço o que eu quero, meus filhos me amam, tenho muitos amigos e assim levo uma vida tranquila, feliz, sem ambições”, ressaltou. O professor de matemática disse que agora está limpo na Justiça e no Tribunal de Contas do Estado (TCE), onde respondeu a processo por vários anos, pensa em candidatar-se a vereador, em 2016. “Quem votou em mim naquela época, vai votar de novo. Fui eleito pela pessoa de bom caráter que sou. Não precisei comprar votos, na época, para entrar na Câmara Municipal. Tenho muitos amigos e vou precisar deles daqui a dois anos. Eu voltaria à política, sim, mas desta vez tentando me proteger dos espinhos”, afirmou.


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FOTOS PÚBLICAS

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‘Imprensa não investiga e sim divulga informações’ Presidente Dilma vai pedir informações ao STF sobre caso da Petrobras. Ela afirmou que não pode agir “com base em disse me disse” da imprensa

Em entrevista no Palácio do Planalto, Dilma se irritou com as pressões da imprensa

ço na revista “Veja” e nem em nenhum órgão de imprensa o status que tem a PF, o MP e o Supremo. Críticas Não é função da imprensa fazer investigação e sim divulgar informações. Agora, ninguém diz que a informação é correta. Não prejulgo, mas também não faço outra coisa: não comprometo prova. Porque o câncer que tem nos processos de corrupção é que a gente investiga, investiga, investiga e ainda continua impune”, disse Dilma, acrescentando: “ Não é possível que a revista “Veja” saiba de uma coisa e o governo não saiba quem é que está envolvido. Pedi primeiro para a PF, que me disse: não posso entregar, a investigação está em curso e peça ao MP. E o MP me disse a mesma coisa: se ele me disser, ele contamina a prova. Se ele me disser, ele contamina a prova. E reiterou, irritada: “Quando sai uma denúncia na “Veja” ou em qualquer outro jornal, eu não tomo medida, porque

sou presidente da República, baseada no disse me disse. Tomo medida baseada inclusive naquilo que sou a favor, que é da investigação absoluta. Vamos deixar uma coisa clara aqui: Quem é que descobre as práticas de corrupção no Brasil? A PF. Porque a PF tem hoje uma autonomia integral para investigar quem quer que seja. Sempre que vazam informações que estão em investigação, sabe o que acontece? Compromete-se a prova”. Vazamento Para Dilma, os crimes ficam impunes no Brasil por causa do vazamento de informações. “O que queria saber? Queria saber sim, para eu tomar providências. O que eles me dizem? Se entregar a prova para você, estarei comprometendo a investigação. Acho que nessa investigação, ela está sendo diferente. A própria revista Veja diz que o inquérito, os depoimentos, a delação estão criptografados e guardados num cofre. Isso significa que nenhuma das falas é garantida. Ninguém sabe o que é”, disse a presidente, afirmando que tem um “imenso compromisso contra a impunidade”.

Costa: suborno chegava a 3% Na série de depoimentos que vêm prestando na condição de delator, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa fez uma revelação que surpreendeu os investigadores. Segundo eles, Costa disse que a propina paga pela estrutura da corrupção gira em torno de 3% sobre o lucro das empresas e não sobre o valor global dos contratos entre essas empresas e a Petrobras. Costa disse ainda que o lucro das empresas que executam obras ou prestam serviços para a estatal

fica entre 18% e 20% em cada contrato. Nesses valores estariam embutidos os gastos com a propina para políticos e para os intermediários dos contratos entre as empresas e a Petrobras. Para os investigadores do caso, a propina incluída no lucro seria uma espécie de refinamento da corrupção. As empresas conseguiam pagar a propina e, ao mesmo tempo, obter altos lucros porque, como disse Paulo Roberto Costa, o setor estaria cartelizado. As empresas

faziam combinações prévias de preços e, com isso, podiam ampliar as margens de lucros sem sofrer contestações. O superfaturamento, prática comum em casos de corrupção em obras públicas, estaria sendo minimizado porque é mais fácil de ser identificado pelos órgãos de fiscalização. “O problema não é mais o superfaturamento de tubos e outros equipamentos. Isso teria sido ultrapassado. O problema estaria na combinação de preços”, informou um investigador. DIVULGAÇÃO

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presidente Dilma Rousseff disse que vai pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) acesso ao depoimento do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, dentro do processo em que ele é beneficiado pela delação premiada. Enfática, Dilma disse que “não é possível” a imprensa ter informações e que, como presidente da República, não pode tomar providências com base no “disse me disse”. A petista disse que vai fazer o pedido ao ministro Teori Zavascki, que é o relator do caso no STF. Para a candidata, o papel da imprensa “não é de investigar e sim de divulgar informações”. A reação de Dilma ocorreu porque o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, negou acesso ao depoimento de Paulo Roberto Costa. Ela disse que não faz prejulgamentos e que, sem as informações oficiais, não pode “tomar providências”. Para Dilma, a impunidade é o maior mal do país atualmente. “Pedirei ao ministro Teori a mesma coisa: quero ser informada se no governo tem alguém envolvido. Não tenho porque dizer que tem alguém envolvido, porque não reconhe-

Tolerância zero com impunidade A presidente se irritou ao ser perguntada sobre a declaração de Paulo Roberto de que teria recebido R$ 1,5 milhão de propina no processo de compra da refinaria Pasadena. Ela já tinha encerrado a entrevista e voltou para falar sobre o assunto. “Se você me disser para quem ele disse, quem disse e como é que disse, eu respondo. Recebo informações de juiz, de procurador e de delegado da PF. Sou a favor de investigar, nada colocar para debaixo do tapete. Acho que

o maior mal atual é a impunidade. Se investiga, descobre o mal feito e não condena, cria a sensação de que não teve pena nenhuma. Sabe por que protege com a impunidade? Porque você não prende, não pune e só tem um jeito: tem que punir. Por isso é que se diz: tolerância zero”, disse ela, irritada e falando enquanto caminhava na rampa interna do Palácio da Alvorada. Dilma ainda criticou a especulação na Bolsa de Valores e no mercado financeiro com base no resultado de

pesquisas eleitorais. “Acho ótima a reação da Bolsa. Quando a Bolsa cai, eu falo: será que eu subi? Tá ficando ridículo isso. Especulação tem limite! E acho que tem gente ganhando com isso. Eu não sou, eu perco, tá? Acho desagradável o fato de acharem que uma coisa está vinculada à outra. Quando sobe, ou quando desce. Não comentei e não comento pesquisa nem quando sobe e nem quando desce. Nunca comentei na vida”, disse, irônica.

Paulo Roberto Costa disse, em depoimento, que lucros da Petrobras eram desviados


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SILOVA/EBC

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Marina: não vou entrar em ‘valetudo’ para ganhar Candidata diz não estar preocupada com pesquisas e que quer continuar apresentando ao país suas propostas

Marina Silva (PSB) diz que sua queda nas pesquisas não é preocupante

DIZ DATAFOLHA

Eleitores não sabem em quem votar De cada 10 eleitores, 7 não sabem em quem irão votar para deputado federal nem estadual. É o que mostra pesquisa Datafolha finalizada no final de semana, a pouco mais de duas semanas da eleição. O grupo com maior taxa de gente sem candidato a federal é o dos jovens. Entre os que têm 16 a 24 anos, 80% ainda não escolheram. No caso dos estaduais, a maior taxa está entre os que têm ensino fundamental: 75% estão sem nome definido para votar. Em todas as regiões do país essas taxas estão sempre acima de 60%. Os valores são muito altos se comparados com os da eleição presidencial, por exemplo. Na disputa pelo Planalto, segundo a mesma pesquisa, 67% citam algum nome quando o instituto pergunta ao eleitor em quem ele irá votar e pede uma resposta espontânea (sem a apresentação dos nomes dos candidatos). Há várias hipóteses para explicar essa disparidade. Uma delas é a coincidência de cinco eleições na mesma

ocasião. Além das disputas para as Assembleias Legislativas, para a Câmara e para o governo central, há ainda as eleições de governador e de senador. Ofuscadas Como a da Presidência e as de governadores natural-

TAXAS

Maior taxa de gente sem candidato a federal é a dos jovens. Entre os que têm 16 a 24 anos, 80% ainda não escolheram. No caso dos estaduais, a maior taxa vem de quem não tem ensino fundamental mente recebem muito mais destaque e atenção, as eleições parlamentares acabam sendo ofuscadas. Outra hipótese é o desalento dos eleitores com o Congresso e com as Assembleias. Em pesquisas de confiança e credibilidade, os parlamentos invariavelmente têm as piores notas.

Sistema não ajuda na decisão do eleitor O sistema eleitoral brasileiro também não ajuda o eleitor na hora da escolha. O modelo de voto proporcional em lista aberta faz com que cada votante tenha que escolher um entre centenas de candidatos inscritos em cada Estado. Em São Paulo, por exemplo, há mais de mil opções, somando os candidatos dos mais de 30 partidos. Uma oferta tão gigantesca pode mais atrapalhar do que ajudar. Ideias como voto em lista fechada (o eleitor só pode votar no número do partido, que apresenta uma relação de nomes antes) ou distrital (só pode votar nos candidatos de sua região) minimizaria esse problema. O mais provável é que a alta taxa de eleitores sem candidatos seja uma combinação de todos esses fatores. O Datafolha fez 5.340 entrevistas em 265 municípios entre nos dias 17 e 18 de setembro. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou para menos.

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candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, afirmou que não está “preocupada” com sua queda nas pesquisas e que não vai “entrar em vale-tudo para ganhar as eleições” de outubro. “Não estou preocupada (com a queda nas pesquisas) porque, para mim, estamos dando uma contribuição cidadã”, disse Marina, em entrevista a jornalistas em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. “Vamos continuar apresentando nossas propostas e fazendo uma campanha limpa. Não queremos entrar no jogo de que vale de tudo para ganhar as eleições. Não vamos sacar mentiras e boatos a quem quer que seja”, completou.

O comitê de Dilma Rousseff, por outro lado, comemorou os números. Com o resultado, coordenadores da campanha petista querem ampliar a operação para ‘’desconstruir’’ a candidata do PSB, explorando na TV e nas redes sociais o que chamam de ‘’dubiedades’’ e ‘’fragilidades’’ da concorrente. Pesquisa Pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (19) mostrou Marina com 30% das intenções de voto, sete pontos atrás da presidente Dilma Rousseff (PT), que tem 37%. Aécio Neves (PSDB), com 17%, está em terceiro lugar. Nas projeções para o segundo turno, a diferença entre Marina e Dilma caiu de dez para dois pontos nos últimos dias. As duas aparecem agora empatadas tecnicamente: Marina com 46% e Dilma com 44%. A pessebista voltou a falar que é vítima de ataques

“mentirosos” dos adversários e que PT e PSDB “estão unidos pela primeira vez na história do país em uma cruzada” contra ela. “O PT quer permanecer no mesmo lugar, com inflação alta que ameaça as conquistas da sociedade. Voltar atrás com PSDB é o mesmo temor”, disse Marina, cobrando ainda que a presidente Dilma explique os dados do Pnad divulgados nesta quinta-feira (18), que apontam para uma estagnação da queda na desigualdade social do Brasil. Estratégias de defesa No comitê de campanha a ordem é “resistir”. A avaliação é a de que a perda de substância de Marina nas pesquisas chegou ao limite e que o tom emocional, como o programa de TV em que a candidata falou da fome que passou na infância teve efeito positivo e deve se repetir. De acordo com aliados de Marina, o confronto direto com o PT ou com o PSDB não é a melhor estratégia para a presidenciável. Marina tem apenas dois minutos de propaganda na TV, contra onze de Dilma e pouco mais de quatro minutos de Aécio.


Eleições 2014

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Jovens são apenas 6,8% dos candidatos nestas eleições Candidatos com menos de 29 anos somam 6,8% do total, enquanto essa faixa etária responde por mais de 50% da população

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SEGMENTO

Apesar da baixa representatividade desse segmento, entre os que disputam a corrida eleitoral, a assessora política do Inesc, Carmela Zigoni, afirma que há sinais positivos nos dados levantados de negros (45,4%) e mulheres (52,3%). “A gente acredita que tem um caminho de maior equidade acontecendo nas candidaturas”, afirmou, apesar de reconhecer que a participação ainda é inexpressiva. “Muitas vezes isso acontece porque a juventude não compreende o sistema político como representativo de suas demandas e busca outras formas de organização política”, completou a pesquisadora. A distância entre o perfil da população brasi-

leira - que será representada por alguns destes nomes - e o perfil dos possíveis representantes identificados no levantamento também confirmou o desequilíbrio em relação às candidaturas de mulheres. Apesar do sexo feminino representar a maior parte da população, elas são apenas 30,7% entre os candidatos a deste pleito. De acordo com os pesquisadores do instituto, os partidos “somente cumprem as cotas de 30% previstas em lei” e o resultado é que as candidatas pretas, pardas e indígenas “permanecem invisibilizadas entre as candidaturas majoritárias”.

Brancos, negros e indígenas A composição das candidaturas de mulheres brancas, mulheres negras e indígenas que têm a menor representação no pleito é superada inclusive pelas de homens negros que já estão em desvantagem em termos de candidaturas. Dos quase 26 mil candidatos registrados, 38,6% são homens brancos e 30% são homens negros, enquanto 16,5% são mulheres brancas e 14,2% mulheres negras. “Ao que tudo indica, na hora do voto, a dupla discriminação opera

– a de gênero, raça e cor – uma vez que contam-se nos dedos as parlamentares mulheres negras presentes hoje no parlamento. No caso das mulheres indígenas, a situação é mais grave: o Congresso Nacional não conta com nenhum representante desse grupo da população”, concluíram os pesquisadores. Os dados do levantamento serão divulgados hoje, em um encontro em Brasília, aberto ao público. Todas as informações foram reunidas em uma publicação

que será distribuída gratuitamente no local. No período da tarde, representantes de diversas organizações sociais vão discutir como a sub-representação pode ser solucionada em uma reforma política mais completa do que as que vêm sendo propostas no Congresso.

A baixa representatividade dos jovens como candidatos não preocupa especialistas

DIVULGAÇÃO

presença de candidatos jovens entre os 25.919 nomes que vão concorrer neste ano a 12 cargos federais e estaduais ainda está muito abaixo do esperado, segundo o levantamento da Sub-representação de Negros, Indígenas e Mulheres: Desafio à Democracia lançado na sexta-feira, pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), em Brasília. O estudo feito a partir de dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral destaca que os candidatos com menos de 29 anos somam 6,8% do total, enquanto essa faixa etária responde por mais de 50% da população, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da baixa representatividade desse segmento entre os que disputam a corrida eleitoral, a assessora política do Inesc, Carmela Zigoni, afirma que há sinais positivos nos dados levantados. Como esta é a primeira eleição em que os candidatos tiveram que declarar - além do sexo, raça e cor, a partir do corte usado pelo IBGE, foi possível identificar que entre os candidatos jovens está a maior participação

EXPEDIENTE EDIÇÃO Isabella Siqueira de Castro e Costa e Náis Campos

REPORTAGEM Joelma Muniz, Raphael Lobato, Carlos Eduardo Matos e Assessorias

REVISÃO Gracycleide Drumond e João Alves

DIAGRAMAÇÃO Adyel Vieira, Kleuton Silva, Klinger Santiago, Leonardo Cruz e Mário Henrique Silva

TRATAMENTO DE FOTOS Adriano Lima


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