Skip to main content

Eleições 2014 - 19 de outubro de 2014

Page 1

Especial

Eleições 2014 MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014

politica@emtempo.com.br

(92) 3090-1019

Candidatos mantêm troca de ataques em programas

Nesta primeira semana, Braga apresentou o projeto de desconstrução da imagem de Melo. Já o governador manteve o perfil IONE MORENO

Após concentrar ataques ao governo no 1º turno, Braga se volta agora para a imagem de Melo RAPHAEL LOBATO Equipe EM TEMPO

A

primeira semana da propaganda eleitoral, após o primeiro turno destas eleições, já caracterizou as estratégias eleitas pelo senador Eduardo Braga (PMDB) e o governador José Melo (Pros) para aumentar a diferença apertada vista na votação do último dia 5. Enquanto o senador peemedebista concentra esforços para desconstruir a imagem e o discurso de José Melo, o candidato à reeleição mantém o arsenal usado no primeiro turno, mas apresenta mais ataques ao adversário. Após concentrar os ataques aos setores do governo Melo no primeiro turno, a campanha do PMDB agora aposta na desconstrução da imagem alavancada pelo governador durante primeira etapa da disputa. A campanha peeme-

debista diagnosticou que o discurso construído por Melo a respeito das “origens e da humildade” do governador teve sucesso na campanha do adversário e contribuiu para a surpresa nas urnas, ante o que vinha sendo apontado pelas pesquisas. A primeira ofensiva produzida pela campanha do PMDB no programa do segundo turno foi a peça em que Melo é intitulado como candidato “bonzinho” e Braga como “bom”, ironizando o discurso do adversário e questionando se o eleitor escolherá “o bom ou o bonzinho”. Braga também combateu o discurso de Melo, que o acusa de “arrogante”, alavancando peças publicitárias em que o senador aparece humanizado, em convívio com a família. Já a partir da última quinta-feira (16), a campanha peemedebista subiu o tom e escalou novamente o depu-

tado Marcos Rotta (PMDB) para apresentar novos ataques. Rotta apresentou uma peça em que Melo é acusado de ter trabalhado para a ditadura militar e associa a imagem do governador à busca pelo poder. Aconselhado pela base aliada, José Melo deverá repetir as estratégias do primeiro turno, mas subirá o tom às ofensivas do PMDB. O governador continuará explorando as imagens do prefeito Arthur Virgílio Neto (PSDB) e do ex-governador eleito para o Senado, Omar Aziz (PSD). A campanha do Pros diagnosticou ainda que obteve sucesso no discurso da “humildade contra a arrogância” e deverá continuar alavancando a tática. José Melo rebateu as primeiras críticas de Braga em relação a sua ausência no debate da Band afirmando que o senador já havia faltado a debates em eleições anterio-

IONE MORENO

Buscando a reeleição, Melo preferiu manter a tônica do seu discurso de mais humanizado

res. O governador também tenta desconstruir a nova estratégia do adversário peemedebista, que se apresenta mais humanizado. Na peça, a campanha de Melo diz que Braga “tenta se mostrar calmo e humilde”, mas a população “conhece” a realidade. Já na última sexta-feira (17), a campanha de Melo também subiu o tom e inaugurou uma peça em que diz que Braga foi eleito para o Senado “pelo povo” e que agora quer deixar a cadeira, “sem concluir o mandato”. A peça repercute o fato e questiona ainda se o senador “quer mesmo” governar o Estado. Novas peças publicitárias em tom de ataques estão programadas para esta semana

Eduardo Braga mira eleitorado de Ramos ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

Ramos ficou em terceiro lugar no pleito, com 180 mil votos

Tendo alcançado o terceiro lugar no primeiro turno, com 180 mil votos, o eleitorado do deputado estadual Marcelo Ramos (PSB) é alvo de um pacote de acenos do senador Eduardo Braga. Com peças publicitárias repaginadas para criar um aspecto mais jovem, o candidato do PMDB tem focado grande fatia do programa intitulado “encontro com os jovens” para destacar propostas para o público adolescente. Para evitar a migração dos votos de Ramos para o adversário, a campanha de Braga tem abordado temas como o fortalecimento da Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e programas sociais voltados para adolescentes. Na sua página do Facebook,

Braga chegou a defender o Passe Livre para estudantes, proposta que era um dos carros-chefe da campanha da ex-presidenciável do PSB, Marina Silva. Já a campanha do Pros não levou, até agora, o anúncio de apoio do PSB de Ramos ao governador, nem a declaração do deputado de que votará em Melo, ao programa do candidato à reeleição. Sem Ramos, o partido anunciou o apoio “incondicional” no último diz 8, sob forte resistência do deputado, que fez críticas à postura da sigla e descartou engajamento na campanha de Melo. O parlamentar, no entanto, confirmou o voto no governador.

ATAQUES BUSCAM CARTADA FINAL

“O objetivo das “As pesquisas acusações é evimostram que essa dente: acertar o tática não está soco decisivo que tendo efeito. Acho vai definir as elei- que eles deveriam ções. O efeito de tentar um debate cartadas como mais ideológico. essa é imprevisível. A população até A fase de descons- curte uma briga, trução do advermas não curte sário é a última o tempo todo. A de uma campanha linha se divide eleitoral. Já no ter- da campanha de ceiro estágio, que proposta e outra em geral coincide de ataques. O que com o segundo há é um desequiturno, é hora de líbrio, em que a tentar manchar a proposta passa a imagem do adverser uma mínima sário”, disse. discussão”, avalia. Carlos Manhanelli, professor e especialista em marketing político

Afrânio Soares, empresário e consultor político


2

Eleições 2014

MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014

Fim de expediente para 11 deputados estaduais

DIEGO JANATÃ

Sem conseguir conquistar o retorno à Assembleia Legislativa do Estado, parlamentares correm para tentar “emplacar” projetos Os deputados Marcelo Ramos e Conceição Sampaio vão deixar a Aleam no ano que vem

C

om a legislatura 2010/2014 chegando ao final, os 11 deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) que não conquistaram nenhum mandato público no último pleito já iniciaram as articulações para emplacar seus projetos de lei em tramitação na casa. O receio é que as matérias fiquem pendentes e acabem sendo arquivadas na próxima legislatura, já que de acordo com o as regras impostas pelo regimento interno da Aleam, elas só podem ser apreciadas com a presença de seus autores. Alçada ao cargo de deputada federal, Conceição Sampaio (PP) acredita que ainda existe tempo hábil para que os projetos com pareceres expedidos pelas comissões específicas sejam levados pela presidência à votação em plenário. A corrida contra o tempo para agilizar o andamento dos 37 projetos formulados ao longo do último ano de mandato, segundo Sampaio, começou logo após o resultado nas urnas. Levantamento “Já reuni com a minha equipe para fazer o levantamento de todos os nossos projetos, também vou conversar com o deputado Davi Almeida, que é presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), para ver se conseguimos dar celeridade ao andamento dos projetos. É claro que, em alguns casos, a CCJ apontará a existência de algum vício ou ilegalidade, mas é atribuição dela iden-

tificar essas situações. Mas vale lembrar que esse projeto, que com certeza reflete um desejo social, não precisa necessariamente ser arquivado, seu autor pode transformá-lo em indicação ao governo, e é isso que vou fazer com os meus”, ressaltando que foi a partir de uma indicação que o projeto recém-implan-

MEDOS

O receio, é que as matérias fiquem pendentes e acabem sendo arquivadas na próxima legislatura, já que o regimento interno da Aleam diz que elas só podem ser apreciadas, com a presença de seus autores tado pelo governo, intitulado Ronda Maria da Penha, para atender mulheres vítimas de violência doméstica, foi criado. O socialista Marcelo Ramos, que acabou como terceiro colocado na disputa em primeiro turno pelo governo do Estado, também se despede do parlamento estadual, com o objetivo de emplacar o máximo possível dos 73 projetos de sua autoria, em tramitação. Em conversa com a reportagem, o parlamentar disse que apelará ao presidente da casa, deputado Josué Neto (PSD), para que por uma atitude de lealdade, coloque todas as suas propostas em

pauta de votação. “Vou pedir que ele faça isso, nem que seja para derrubar. Porque entendo que derrubar é democrático, já não votar é que não é”, destacou. Engavetados Para que seus projetos não venham a ser esquecidos e arquivados, Marcelo Ramos destacou que pedirá ajuda de Serafim Corrêa (PSB), que ocupará um das 24 cadeiras do legislativo entre 2015 e 2019. “É óbvio que pedirei ao Serafim que reapresente esses projetos, o importante é que eles não se percam por falta de propositor”, falou. Um dos projetos ao qual Ramos tem dedicado atenção é o que prevê repasse de 5% do Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviço e Interiorização do Desenvolvimento do Estado do Amazonas (FTI) para a construção e manutenção de aterros sanitários pelo Estado. Chico Preto Em processo de levantamento dos projetos de lei em tramitação originados do seu gabinete, o deputado estadual Chico Preto (PMN), que como Marcelo Ramos ficou sem mandato, após optar por concorrer ao Executivo Estadual, comentou que vem chamando a atenção da mesa diretora, para que projetos importantes venham a ser apreciados, sob pena de acabarem arquivados. Reconhecendo que é impossível que todos os projetos acabem aprovados, Chico Preto frisou que, em algumas situações, será inadmissível entender, caso eles não cheguem a

ser apreciados. “Em alguns casos, como o da Proposta de Emenda Constitucional (PEC), apresentados ainda em 2011, por mim e pelo deputado Luiz Castro (PPS), que determina o repasse mínimo de 2,5% da receita do Estado, para políticas voltadas para o setor primário, todos os pareceres necessários já foram expedidos e nada impede que ela entre em votação”, disse. Chico Preto defende que matérias com esse tempo de maturação recebam atenção especial da presidência da Alem, que é responsável por decidir quais as matérias que entraram na pauta, ou não. “Não será ético que assuntos tão importantes sejam deixados para a próxima legislatura enfrentar, lembrando que foram os deputados da atual que iniciaram o debate”, ponderou. Bisneto O deputado Arthur Bisneto (PSDB) declarou que, durante sua atuação na Assembleia Legislativa do Amazonas, apresentou inúmeros projetos de lei, e que 40 ainda estão em processo de tramitação na casa. Para não deixar que suas propostas passem em vão, o parlamentar tucano vai tentar contar com a colaboração dos colegas para limpar todas as pendências. “Vamos tentar aprovar tudo ainda esse ano, se for possível, dentro da normalidade do trâmite da casa, não vou pedir foro privilegiado. E se algum ficar pendente, vou tentar sensibilizar algum colega para que ele dê prosseguimento na nova legislatura”.

Josué quer retomar votação Durante a semana, o presidente da Aleam, Josué Neto, chegou a comentar com a imprensa que existia interesse dos parlamentares em começar a votar os projetos ainda na semana passada. A promessa era que a última quinta-feira (16) seria marcada pela retomada de votações, após o primeiro turno das eleições, mas nenhum projeto foi votado aquele dia. Josué Neto enfatizou que a Assembleia está com a tramitação dos projetos atualizada. “Os nossos projetos estão em dia, como já havíamos informado na

semana passada, não existem projetos pendentes, pois praticamente 90% são deste ano de 2014”, disse. O presidente garantiu que, até o final do ano, a pauta de projetos da Assembleia Legislativa vai ficar enxuta, dentro dos prazos de tramitação, e que logo após o segundo turno da eleição, a Mesa Diretora volta a trabalhar com a informação antecipada sobre os dias de votação. De acordo com Josué Neto, se for preciso, a mesa fará uma votação de pauta grande por semana até o final do ano, a fim de não deixar projetos pendentes. DIVULGAÇÃO

JOELMA MUNIZ Equipe EM TEMPO

Josué Neto quer votar projetos antes do fim do ano


Eleições 2014

MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014

3

Arthur BISNETO

‘Eu sei O NÍVEL DE responsabilidade deste meu NOVO MANDATO’

E Se o Aécio for o presidente do Brasil, será melhor para o Amazonas e para o país. A Dilma prometeu repasse de R$ 400 milhões para a prefeitura em praça pública e até hoje nunca mandou um centavo”

leito o deputado federal mais votado do Amazonas, com 250,8 mil votos, Arthur Virgílio do Carmo Ribeiro Bisneto (PSDB) vai fazer carreira política agora em Brasília. Carregando o peso do nome da família, que fez história no parlamento nacional, Bisneto circulará no Congresso sob os olhares da mídia, e principalmente da oposição. Filho do atual prefeito de Manaus e ex-senador da República, Arthur Neto, e neto do também ex-senador Arthur Virgílio Filho, aos 35 anos, Arthur Bisneto admite que será um grande desafio, mas garante que irá creditar a confiança dos seus eleitores. Eleito vereador em 2001 e deputado estadual em 2003, cargo em que permanece até o fim deste ano, quer ir para capital do país com bandeiras que desenvolvam o crescimento turismo do Amazonas, reabertura do Centro de Biotecnologia da Amazônia, fortalecimento do Polo Industrial, por meio da quebra dos gargalos que prejudicam tanto a questão dos aeroportos, dos portos, das hidrovias, da BR-319, da telefonia Uma semana após divulgação do pleito, Bisneto recebeu a equipe do EM TEMPO, onde conversou sobre seus projetos, de como está sua preparação para estrear na Câmara Federal, sua carreira política e também o apoio do seu partido, PSDB, ao candidato ao governo José Melo (Pros) e ao presidenciável Aécio Neves. EM TEMPO – Você está indo para Brasília com uma grande responsabilidade, pois carrega o nome da família, que sempre teve forte atuação no parlamento. Como está se preparando para isso? Arthur Bisneto – Já estou estudando bastante, eu sei da responsabilidade deste man-

FOTOS: ALBERTO CÉSAR ARAÚJO

dato. Existe uma expectativa muito grande nesta minha atuação, até pela votação que tive e a volta de um Arthur Virgílio a Brasília, que sempre foi sinônimo de orgulho e segurança para o Estado do Amazonas. Mas encaro com tranquilidade essa nova missão, apesar de saber do nível de responsabilidade que tenho com esse mandato. EM TEMPO – Em 2015, teremos uma nova legislatura, com a renovação de boa parte da bancada. Como será sua relação com seus colegas de parlamento? AB – Eu vou chegar a Brasília pregando a união. Tem deputado federal que mal senta-se à mesa com outro, e isso, com uma bancada pequena de apenas oito deputados federais e três senadores, é péssima. Somos poucos para colocarmos qualquer tipo de divergência pessoal à frente dos interesses do Estado. Assim que acabar esse clima quente de campanha vou procurar os deputados e senadores para que a partir daí possamos avaliar uma coesão clara em relação as questões voltadas para o Amazonas. Disponhome a participar ativamente deste processo. EM TEMPO – Caso o Aécio, que é presidente nacional do seu partido, o PSDB, for eleito presidente da República, isso será bom aos tucanos. O senhor vai lutar por uma liderança de governo ou de bancada lá em Brasília? AB – A primeira coisa que se faz quando se chega a Brasília é fincar o pé. Demonstrar a que veio, e a partir deste momento as coisas vão se definir com tranquilidade. Estou firme e sereno e sei que não chegamos lá em Brasília como um deputado qualquer, as pessoas vão prestar atenção no nosso mandato.

Essa questão da liderança será definida com o tempo. Eu já conversei com alguns deputados tucanos sobre o assunto, e combinados de sentar para definirmos. Ainda é muito cedo para falarmos sobre isso. O foco agora é outro. Agora é claro que se o Aécio for presidente será bom para o Amazonas como um todo. A presidente Dilma Rousseff (PT) prometeu muita coisa para o Estado em plena praça pública, disse que enviaria quase R$ 400 milhões à prefeitura e não veio um real. Esse dinheiro seria investido em asfaltamento, reconstrução da área urbana da cidade e construção de casas populares. Se ser amigo é fazer como ela fez, imagina o que ela não faz com um inimigo. O Aécio vai tratar o Amazonas de uma forma diferente. Além da relação pessoal que ele tem, é um homem de compromisso, e assumiu que iria se dedicar ao nosso Estado. Vamos trazer coisas boas para o Amazonas. EM TEMPO – Agora, se a candidata petista ganhar o pleito, como será o seu posicionamento? AB – Farei a oposição claramente. Eu não pulo de galho em galho. Não sou aquele tipo de político que durante o pleito está de um lado e ao abrir as urnas vira para outro lado. Tenho minhas posições muito firmes. Vou respeitar a questão constitucional como sempre, sem ser raivoso, apenas com embates calorosos. Já fiz oposição ao governo de Eduardo Braga uma vez e tivemos confrontos duros, mas nunca deixei de votar um projeto de governo que fosse favorável ao Amazonas. Mas não vou fazer oposição a Dilma porque tenho a convicção de que o Aécio vai ganhar esta eleição. EM TEMPO – E quais serão as bandeiras

que o senhor vai levar para Brasília? AB – Investimento em turismo, reabertura do Centro de Biotecnologia da Amazônia, fortalecimento do Polo Industrial, através da quebra dos gargalos que prejudicam tanto a questão dos aeroportos, dos portos, das hidrovias, da BR-319, da telefonia. São gargalos que prejudicariam a competitividade do PIM. Eu vou trabalhar com firmeza para que os nossos inimigos não sejam só os externos, e sim que possamos eliminar os inimigos internos. EM TEMPO – E como ficarão os projetos que foram elaborados na sua gestão aqui na Assembleia Legislativa do Amazonas após sua ida para Brasília? AB – Vamos tentar aprovar tudo este ano se for possível, dentro da normalidade do trâmite da casa, não vou pedir foro privilegiado. E se algum ficar pendente, vou tentar sensibilizar algum colega para que ele dê prosseguimento na nova legislatura. EM TEMPO – O PSDB tem feito uma campanha intensa na cidade em apoio ao presidenciável Aécio. E ao governo do Amazonas, Jose Melo continua como o candidato dos tucanos? AB – Sim, o nosso candidato é o Melo. O prefeito Arthur Neto precisa de parcerias, está governando praticamente só. Tendo o governo federal e estadual ao lado é claro que Manaus ficará em uma situação melhor. Estivemos na semana passada em Brasília e vamos seguir mantendo a nossa bandeira para o Aécio. Sei do potencial do Aécio, se fosse um candidato ruim, mesmo sendo do meu partido, eu não apoiaria. Minha primeira bandeira é o Amazonas e a segunda é o Brasil. Sei que o Aécio irá fazer um mandato verdadeiro.

Em Brasília, vou trabalhar em investimentos no turismo, reabertura do Centro de Biotecnologia da Amazônia e também no fortalecimento do Polo Industrial de Manaus”

O Candidato do PSBD ao governo do Amazonas é o José Melo. O prefeito Arthur Neto precisa de parcerias, pois está governador praticamente só”


Eleições 2014

4

MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014

REPRODUÇÃO

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Para lançar candidato em 2018, o partido precisa estar unificado MICHEL TEMER, PRESIDENTE LICENCIADO DO PMDB, tentando reverter o “racha” na Câmara

Petrolão: 34 deputados envolvidos foram reeleitos Dos 49 políticos envolvidos no escândalo do Petrolão, citados na delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, 34 deputados federais foram reeleitos para a Câmara ou eleitos para outros cargos, inclusive de governador. Entre os envolvidos no esquema de recebimento de dinheiro sujo estão políticos de partidos governistas como PT, PP e PMDB, e os oposicionistas PSB e PSDB. Dinheiro sujo Quase todos os políticos enrolados no Petrolão irão responder pelo recebimento de dinheiro sujo para financiar suas campanhas. A verdade Investigadores avaliam que Paulo Roberto e Youssef não mentem em seus depoimentos, pela coincidência de nomes, valores e datas. Sem combinação O ex-diretor da Petrobras e o megoleiro Alberto Youssef não mantêm contato, por isso não poderiam combinar seus depoimentos. Pareceu estranho Em julho, preso, o ex-diretor Paulo Costa pediu à Justiça para arrolar Eduardo Campos e Fernando Bezerra Coelho como testemunhas. Lava Jato: governadores podem não tomar posse Fontes ligadas às investigações da operação Lava Jato afirmaram, sem citar nomes, que “alguns governadores” eleitos no último dia 5, em primeiro turno, podem não tomar posse em 1º de janeiro, em razão da gravidade do envolvimento

deles no esquema de corrupção e lavagem de dinheiro chefiado pelo megadoleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, presos há sete meses. Tem mais Há políticos disputando o 2º turno, segundo fontes da investigação, que também podem ser alçadas pela Justiça, no escândalo da Lava Jato. Pânico geral Tira o sono de muita gente a suspeita de que o ministro Teori Zavascki vai liberar, antes do 2º turno, a lista dos políticos enrolados na delação.

Jornalista

a influência do antecessor será bem menor. Contumaz As denúncias de doações milionárias providenciadas por Paulo Roberto Costa para campanhas de Pernambuco não surpreende políticos. O ex-diretor da Petrobras visitava o Estado ao menos uma vez por mês. Rei Mandão Candidato ao governo de Goiás, Íris Rezende (PMDB) comemorou o sucesso da animação do personagem Rei Mandão, sobre Marconi Perillo (PSDB). O assunto foi Trending Topic no Twitter, esta semana.

Guerra Ocorrências policiais mostram que carros com adesivos “Fora Dillma” têm sido atacados em Brasília. Quebram faróis, lanternas, retrovisores.

Campanha tucana Gerou irritação no Planalto e no PT a entrevista do líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), criticando erros de Dilma e informando que a bancada na Câmara está dividida no apoio ao governo.

Tem que parecer Dica de veterano político pernambucano ligado a Eduardo Campos: em vez de apenas afirmar indignação contra mentiras da adversária, Aécio Neves (PSDB) precisa demonstrar indignação, nos próximos debates.

Corrupção em Rondônia O ex-secretário adjunto de Saúde de Rondônia José Batista da Silva fechou acordo de delação premiada para acusar o governador Confucio Moura (PMDB), cuja campanha teria sido paga com dinheiro da Saúde.

Desembarque? Em conversas com lulistas próximos, aos palavrões, quinta-feira (16), Lula começou a culpar Dilma pelos problemas na campanha e nas pesquisas, queixandose de que ela não o aciona como deveria.

Vai dar rolo O PSDB prepara denúncia à Justiça Eleitoral: emissora educativa e católica, a rádio Padre Cícero FM, de Juazeiro do Norte(CE), fez de sua programação um comício. Pede votos abertamente para o PT.

Descolando Lula também desconfia de que Dilma quer experimentar “o gostinho” de se reeleger sem sua ajuda. Para ele, é o primeiro passo para formar um governo em que

Pergunta no Petrolão As autoridades americanas que investigam corrupção na compra da refinaria de Pasadena, da Petrobras, batizaram o escândalo de “big Petrol”?

PODER SEM PUDOR

Judas, o carioca Estava pesado o clima na cidade de Lauro Muller, na campanha eleitoral de 1960. A UDN era representada pelo Sebastião Neto Campos, que tinha como adversário o agressivo vereador Antônio Gaiteiro. Durante um comício, Gaiteiro atacou o adversário e exortou a população: - Vamos expulsá-lo da nossa cidade! Ele é o Judas carioca do povo! Alguém lembrou, interrompendo-o, que Sebastião Neto Campos nada tinha de carioca. Era catarinense da gema. Gaiteiro insistiu: - Ele é Judas carioca, sim. É aquele do Evangelho, que traiu Cristo.

DIVULGAÇÃO

A presidente teve uma súbita queda de pressão e foi hostilizada em postagem de um médico

Médico que xingou Dilma já agrediu até um colega Após Dilma passar mal, no debate do SBT, profissional postou uma mensagem mandando a candidata procurar um cubano

O

médico Milton Simon Pires, funcionário do Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre (RS), causou indignação ao xingar a candidata à presidência da República Dilma Rousseff (PT) e ironizar sua queda de pressão após o debate veiculado pelo UOL, SBT e rádio Jovem Pan. Em sua página no Facebook, o médico postou a seguinte mensagem: “Tá se sentindo mal? A pressão baixou? Chama uma médico cubano, sua grande f* da p*!”. A postagem rapidamente se espalhou pelas redes sociais e foi alvo de críticas dos internautas que questionavam ética profissional de Pires. Dono do blog “Ataque Aberto”, Pires tornou-se uma figura controversa na comunidade médica gaúcha. Em setembro deste ano, uma colega de trabalho registou um boletim de ocorrência contra o médico por agressão verbal e física, e a direção do hospital optou por afastá-lo de suas funções na UTI do hospital,

onde trabalha como concursado desde 2010. No entanto, o médico diz em seu blog que é vítima de perseguição política e que seu afastamento teria sido motivado por suas críticas à administração

RECLAMAÇÃO

Dono do blog “Ataque Aberto”, o médico tornou-se uma figura controversa na comunidade médica gaúcha, inclusive uma colega de trabalho registou um boletim de ocorrência contra ele do hospital, que é vinculada ao Ministério da Saúde. Suas postagens fazem ataques ao PT e o PCdoB, que segundo ele são responsáveis pelo hospital, ao governo Dilma e ao programa Mais Médicos. A reportagem conversou com

a assessoria jurídica do hospital sobre o caso e foi informada que o médico ainda faz parte do quadro e que continua a receber salário, mas que seu afastamento foi solicitado até que o caso de agressão seja julgado. “O que nos consta é que a agressão à colega foi um desentendimento de trabalho. Nem tínhamos conhecimento do blog dele e das críticas que fazia à administração até esse caso chegar a até nós. Nestes quatro anos, ele já teve outros desentendimentos com colegas, sempre por causa de procedimentos técnicos, mas desta vez houve ocorrência policial e tivemos de afastá-lo”, conta a assessora jurídica Angelita da Rosa. A reportagem tentou contato com o médico, mas até o fechamento da reportagem não conseguiu localizá-lo.

Repórter percebeu mal-estar A repórter do SBT Simone Queiroz desconfiou que a presidente Dilma Rousseff (PT) não se sentia bem, pouco antes de levá-la ao ar no início do telejornal SBT Brasil, que começou logo após o debate entre os presidenciáveis promovido por UOL, SBT e Jovem Pan, na noite da quinta-feira (16). “Perguntei a ela se estava tudo bem e ela me disse que sim”. Na conversa que precedeu a entrevista, a repórter disse que avisou “duas vezes” a presidente de que a entrevista entraria ao vivo no telejornal. Durante as suas consi-

derações sobre o debate, em determinado momento, Dilma se atrapalhou com a resposta e sugeriu que começassem novamente, sem perceber que a transmissão era em tempo real. Nesse momento, Dilma comunicou à repórter que não se sentia bem e que teve uma queda de pressão. Imediatamente, Simone a conduziu a uma cadeira e foi oferecida água à presidente. Dilma tentou retornar à entrevista, mas foi interrompida, pois já havia falado pelo mesmo tempo destinado ao seu adversário, Aécio Neves, que havia sido entre-

vistado pouco antes. Na sexta-feira (17), a presidente cancelou as agendas que teria amanhã, no Rio de Janeiro. Ela se encontraria com os candidatos Luiz Fernando Pezão (PMDB) e Marcelo Crivella (PRB). Dilma foi aconselhada a descansar e as agendas serão remarcadas na próxima semana. O cancelamento, informou a assessoria da presidente, não ocorreu por determinação médica. Hoje, Dilma e Aécio voltam a se encontrar, em debate promovido pela TV Record, o penúltimo antes da eleição.

DIZ AÉCIO

‘Quero ser lembrado pelo Nordeste’

Em cidade do Nordeste, Aécio disse que quer ser lembrado como um presidente generoso

O candidato à Presidência pelo PSDB, Aécio Neves, foi a Campina Grande no final de semana dizendo que, se eleito quer ser lembrado como o “presidente mais generoso com a região do Nordeste”. Em uma rápida coletiva no saguão do aeroporto, onde abriu espaço para apenas duas perguntas de veículos locais, ele afirmou que pretende ampliar projetos sociais, como Bolsa Família.

“Vamos lutar pela diminuição da violência e implementar um choque de infraestrutura”. O tucano não fez, durante a entrevista, qualquer referência ao PT ou a sua adversária, Dilma Rousseff. Ao lado do candidato ao governo da Paraíba pelo PSDB, Cássio Cunha Lima, ele se comprometeu a terminar as obras de transposição do rio São Francisco, caso vença a eleição no dia 26. “Vamos

concluir todas as obras em andamento”, disse. Logo depois, em evento realizado na cidade, o candidato do PSDB pediu ajuda dos militantes para encerrar o ciclo de governo do PT no comando do País. “Até o dia 26 de outubro, que cada um de vocês seja a minha voz, a minha determinação e a minha coragem para tirar o PT do governo”, afirmou Aécio.


Eleições 2014

MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014

5

Eleitor jovem é o que mais apoia Aécio, diz Datafolha conseguiu se colocar como uma resposta a esse anseio de mudança”, diz. A pesquisa Datafolha tem um ponto que corrobora a análise de Fornazieri. Entre os jovens, 64% avaliam como ótimo ou bom o desempenho de Aécio no horário eleitoral gratuito – o maior percentual nessa leitura entre todas as faixas etárias. No caso de Dilma, ocorre o contrário: só 46% consideram seu desempenho ótimo ou bom, o pior resultado nessa leitura entre todas as faixas. Partidários “Esse jovem não é partidário e tem menos memória do governo Fernando Henrique Cardoso, por isso a propaganda que compara o governo petista com o dele tem menos efeito para esse eleitorado”, diz o professor. Também está nessa faixa o maior percentual de eleitores de Aécio que afirmam conhecê-lo bem: 94%. O valor, no entanto, não é maior que os 99% que Dilma tem entre seus apoiadores da mesma idade.

Rejeição Também é entre os mais jovens que a rejeição ao tucano é menor: 33% afirmaram que não votariam nele de jeito nenhum, o menor percentual medido pelo Datafolha. Na mesma faixa, a rejeição a Dilma é de 42%. Os escândalos na Petrobras podem explicar parte dessa alta rejeição. Mais da metade (55%) dos eleitores de até 24 anos afirmam que as denúncias que envolvem a estatal têm influência sobre a decisão de seu voto. Esse também é o maior percentual entre todas as faixas etárias.

Aécio, segundo o Datafolha, tem maior identificação com os jovens

HÁ 15 DIAS

COMPOSIÇÃO

Investigação sobre Correios está parada

CÂMARA DOS DEPUTADOS ELEITOS 2010

PARTIDOS

ELEITOS 2014

28 15 18 1 0 71 3 40 6 32 10 20 2 0 24 12 45 44 0 0 3 88 3 18 0 0 8 22

DEM PC DO B PDT PEN PHS PMDB PMN PP PPS PR PRB PROS PRP PRTB PSB PSC PSD PSDB PSDC PSL PPSOL PT PT DO B PTB PTC PTN PV SD

22 10 19 2 5 66 3 36 10 34 21 11 3 1 34 12 37 54 2 1 5 70 1 25 2 4 8 15

-6 -5 +1 +1 +5 -5 --4 +4 +2 +11 -9 +1 +1 +10 --8 +10 +2 +1 +2 -18 -2 +7 +2 +4 --7

Novo presidente terá problemas com Câmara Sem maioria definida, Dilma Rousseff, do PT, e Aécio Neves, do PSDB, vão precisar buscar novas alianças no Congresso Nacional para garantir a aprovação de projetos importantes, como as reformas tributária e política. Além disso, a composição mais conservadora das bancadas deve dificultar a discussão de temas como a liberação do aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ou seja: um dos maiores desafios do futuro presidente será lidar com os deputados e senadores. São 28 partidos representados no Congresso, o maior número desde 1994 - PSDC, PSL, PTC, PTN, PHS e PRTB conseguiram eleger parla-

Empate O tucano perde nas faixas de 25 a 34 anos e de 35 a 44 anos, mas a margem de erro - inclusive nas faixas seguintes - o coloca em empate técnico com Dilma. Ou seja, é apenas entre os mais novos que ele tem preferência clara do eleitor. Considerando todas as faixas etárias, o Datafolha apontou que, a menos de duas semanas da eleição, os dois candidatos continuavam empatados, ele com 51% dos votos válidos; ela, com 49%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, configurase empate técnico.

mentares desta vez. Apesar da diminuição da bancada, o PT ainda é o maior partido da Câmara dos Deputados, com 70 eleitos a partir de 2015 – eram 88 atualmente. O partido que teve o maior crescimento foi o PRB, de Edir Macedo, impulsionado pelos votos de Celso Russomanno, em São Paulo. A legenda ocupará 21 cadeiras, contra 10 atualmente. PSDB e PSB também aumentaram suas bancadas em 10 deputados, com 54 e 34 eleitos, respectivamente. O número de mulheres cresceu de 45 para 51, mas ainda assim é bem pequeno em comparação com os homens 462.

A ação que pede a investigação eleitoral da presidente da República e candidata do PT para um novo mandato no comando do Palácio do Planalto, Dilma Rousseff, por suposto uso da máquina pública no caso envolvendo os Correios, entre outras acusações, está parada há quase 15 dias no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e não será finalizada antes do segundo turno. O pedido da coligação de Aécio Neves (PSDB) para investigar denúncias contra a campanha do PT à Presidência e ao governo de Minas Gerais foi distribuída no final da noite do dia 2 de outubro à Corregedoria-Geral Eleitoral do TSE e não teve andamentos desde o último dia 3. O próprio corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro João Otávio de Noronha, admite que, dada a complexidade do caso e o total de envolvidos, a investigação não será concluída até o dia 26 de outubro e pode se estender até o próximo ano. Na ação, os tucanos pedem que os registros de candidatura ou diplomas de Dilma Rousseff e do vice, Michel Temer, sejam cassados após o fim das apurações e que todos os nomes citados sejam declarados inelegíveis. A distribuição de panfletos de candidatos do PT sem a devida chancela da estatal foi revelada pelo jornal “O Estado de S. Paulo”. O advogado Flávio Costa, da campanha de Aécio, não se surpreende com a demora na solução do caso. “É uma grande quantidade de provas a serem produzidas, oitiva de testemunhas a ser realizada. Porém, também temos a expectativa de que isso não se eternize, dada a natureza de agilidade da Justiça eleitoral”, disse.

REPRODUÇÃO

O

eleitor mais jovem, que passou a maior parte da vida com o PT no Palácio do Planalto, é o que mais quer mudanças no comando do governo federal, mostra pesquisa Datafolha. Segundo o levantamento, 47% dos eleitores de 16 a 24 anos votariam em Aécio Neves (PSDB), caso as eleições fossem naquele dia. É a faixa etária em que o tucano mais se sobressai contra a rival Dilma Rousseff (PT). Nessa faixa, a petista tinha 38% das intenções de voto quando a pesquisa foi feita. Em votos válidos, Aécio tinha 55%, e Dilma, 45%. Para o professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo Aldo Fornazieri, isso ocorre porque os jovens, nesta eleição, estão mais identificados com a perspectiva de mudança, tão defendida pelo tucano. “É decorrência natural dos protestos de junho de 2013”, afirma. Segundo ele, o PT não conseguiu dialogar com o movimento que levou milhares de jovens às ruas do país e perdeu a chance de “capturar” a massa para o diálogo. “O PT, num primeiro momento, identificou aquilo como um movimento conservador, mas os protestos foram espontâneos. O Aécio, na campanha,

DIVULGAÇÃO

Segundo o levantamento, 47% dos eleitores de 16 a 24 anos votariam no tucano, pela perspectiva de mudança já

Suposto uso dos Correios em campanha de Dilma Rousseff deveria estar sendo investigado

Petrobras também está na mira Os tucanos propõem investigação também contra a Petrobras, Correios e Caixa Econômica Federal, mas o entendimento de parte do tribunal é de que Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) não pode ser proposta contra pessoa jurídica. A previsão é de que antes de notificar os envolvidos, o corregedor-geral eleitoral, ministro João Otávio de Noronha, despache ainda neste mês para excluir da investigação nomes que não deveriam estar lá. O advogado da campanha tucana aponta que a intenção foi abarcar todas

as possibilidades existentes para dar andamento à ação, pois a decisão sobre incluir ou não pessoas jurídicas é passível de discussão no TSE. Só depois da notificação, todos os envolvidos terão prazo para defesa, bem como o Ministério Público deverá se manifestar e, a partir daí, o corregedor deve iniciar a etapa de recolhimento de provas. A declaração de inelegibilidade pode causar a cassação não só de candidatura, mas também de diploma, caso as apurações constatem abuso de poder econômico e político. Além

de suposto favorecimento das campanhas de Dilma e do governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel, o PSDB lista outras práticas que ensejariam a investigação eleitoral, como o uso pelo PT de ministros na campanha eleitoral, bem como de bens e servidores públicos em propaganda eleitoral; a veiculação de propaganda eleitoral no site da Central Única dos Trabalhadores (CUT); a publicidade institucional no período vedado por lei, com uso da Petrobras; uso indevido dos meios de comunicação.


6

Eleições 2014

MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014

Partidos: benção e maldição com alianças no pós-eleição A

existência de coligações nas eleições para deputado federal - um subproduto do “mercado” do tempo de propaganda na TV - é uma das principais responsáveis pela fragmentação das bancadas partidárias na Câmara dos Deputados, fenômeno que atingiu níveis inéditos na eleição deste ano. Cálculos feitos por analistas políticos concluem que, se as coligações fossem proibidas, o número de partidos com assento na Câmara na próxima legislatura cairia de 28 pra 22. Além disso, haveria uma ampliação do peso dos maiores partidos. PMDB, PT e PSDB, que elegeram pouco mais de um terço dos deputados, ganhariam nada menos que 84 cadeiras e controlariam 53% da casa. Dezoito partidos perderiam vagas sem a existência das coligações. O principal beneficiado por essa mudança (já cogitada em discussões sobre reforma política) seria o PMDB: sua bancada cresceria de 66 eleitos para 102. O PT ficariam com 31 representantes a mais, passando de 70 para 101. E o PSDB, em vez de 54 deputados, elegeria 71. Os números evidenciam que as alianças nas eleições para deputados são sempre um mau negócio

para os partidos grandes e uma bênção para os médios e pequenos. O que leva então as maiores legendas a aceitar esse tipo de acordo?

FENÔMENO

Além de contribuir com a fragmentação partidária, o fenômeno das coligações na eleição para deputado também geram distorções na representação da vontade do eleitor brasileiro Aí é que entra o fator tempo de televisão. A única forma de candidatos a governador ou presidente ampliarem sua presença no palanque eletrônico é fechar alianças com outros partidos, absorvendo, assim, o tempo de propaganda a que cada sigla tem direito. Em contrapartida, os nanicos exigem que a aliança para o cargo majoritário se reproduza na disputa proporcional.

DIVULGAÇÃO

As coligações, responsáveis pela fragmentação das bancadas na Câmara dos Deputados, atingiram níveis inéditos nas eleições

Má notícia vem do quociente Isso acontece porque os partidos menores têm dificuldades para atingir o quociente eleitoral, número de votos necessários para ganhar uma vaga na Câmara. Sozinho, um partido só elege um deputado se sua lista de candidatos obtiver o equivalente ao dobro do quociente eleitoral. Em São Paulo, onde o quociente eleitoral foi de 299 mil votos, seriam necessários 600 mil votos para conquistar duas vagas, por exemplo. A regra das coligações, porém, permite que esse total de votos seja obtido não apenas pelos partidos, mas também por coligações. Assim, uma legenda pode eleger dois representantes mesmo sem alcançar 600 mil votos - basta que sua coligação o faça.


Eleições 2014

7 DIVULGAÇÃO

MANAUS, DOMINGO, 19 DE OUTUBRO DE 2014

Programa de transferência de renda é, também, de votos nas eleições

Campanha: peso do Bolsa Família é maior em 2014 Pesquisa em cidades atendidas pelo programa revela que relação entre beneficiários e votação de Dilma supera 2006 e 2010 de votar, os resultados indicam que, quanto maior a parcela de famílias beneficiadas, maior a probabilidade de a presidente ganhar na cidade analisada. Segundo o estudo, um em cada cinco votos em Dilma está relacionado ao mais famoso programa de transferência de renda dos governos petistas. A extrapolação dos resultados, porém, sugere que a presidente teria recebido votações expressivas nos locais mais pobres, mesmo sem o programa. A análise de Zucco leva em conta variáveis socioeconômicas - como a pujança da economia do município, medida pelo Produto Interno Bruto, e

o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) -, para especificar municípios semelhantes a serem comparados entre si. São levados em conta ainda fatores políticos, como o partido a que pertencem o prefeito e o governador do Estado em que está localizada a cidade. É por isso que é possível isolar o efeito eleitoral do Bolsa Família quando comparado ao impacto das outras variáveis. Vizinhos O cientista político ressalta, no entanto, que não se pode afirmar que os votos extras de Dilma nas cidades com maior cobertura do programa venham necessariamente dos beneficiários. “Pode ser que mesmo o eleitor que não receba o Bolsa Família veja o efeito do benefício em um vizinho e decida, assim, votar no candidato do governo”.

Benefícios começaram com FHC Em 2002, ainda durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), quando o programa de transferência de renda do governo era o Bolsa Escola, o então candidato da situação, José Serra, recebeu, em média, 0,17 ponto porcen-

tual a mais em sua votação para cada ponto porcentual adicional de cobertura daquele programa. Quatro anos depois, em 2006, o Bolsa Família deu a Lula cerca de 0,15 ponto porcentual de votos válidos para cada ponto porcentual na

cobertura do programa - índice que se manteve praticamente estável na eleição seguinte, de 2010, em benefício da candidata petista Dilma Rousseff: 0,18. Só agora, em 2014, esse índice passou dos 0,3 ponto porcentual. AE

O

Bolsa Família, principal programa de transferência de renda do país, teve em 2014 o maior impacto eleitoral desde sua criação, segundo estudo do cientista político Cesar Zucco, da Fundação Getúlio Vargas, feito em parceria com o Estadão Dados. A análise indica que cada ponto porcentual de cobertura do Bolsa Família em um município rendeu, em média, 0,32 ponto porcentual na votação de Dilma naquela cidade - o dobro do que foi verificado em 2010. O estudo compara o desempenho da presidente em municípios de perfis socioeconômicos semelhantes, mas com diferenças nos porcentuais de atendimento do Bolsa Família. Embora não permitam dizer exatamente como beneficiários e não beneficiários do programa se comportam na hora

Quando Lula assumiu a Presidência, ele unificou os programas sociais iniciados com FHC

EXPEDIENTE EDIÇÃO Isabella Siqueira de Castro e Costa e Náis Campos

REPORTAGEM Raphael Lobato, Joelma Muniz e Assessorias

REVISÃO Gracycleide Drumond e João Alves

DIAGRAMAÇÃO Adyel Vieira, Leonardo Cruz, Marcelo Robert, Mário Henrique Silva e Pablo filard

TRATAMENTO DE FOTOS Adriano Lima


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Eleições 2014 - 19 de outubro de 2014 by Amazonas Em Tempo - Issuu