Skip to main content

Eleições 2014 - 14 de setembro de 2014

Page 1

Especial

Eleições 2014 MANAUS, DOMINGO, 14 DE SETEMBRO DE 2014

politica@emtempo.com.br

(92) 3090-1019

Zona rural sobre a falta de estímulos na política

Candidatos ao governo apresentam propostas para o setor primário. Área que ainda enfrenta carência de infraestrutura RICARDO OLIVEIRA

Os sete candidatos ao governo do Estado propõem projetos arrojados visando o resgate e a modernização de atividades como as da agroindústrias, bioindústria, fruticultura e artesanato JOELMA MUNIZ Equipe EM TEMPO

O

desafio de levar o Amazonas além da Zona Franca de Manaus, com a exploração de diferentes potenciais econômicos, tem feito parte dos planos de governo ao longo de muitas décadas eleitorais. Entretanto, sem êxitos relevantes, as intenções divulgadas por candidatos, de um modo especial pelos que concorrem ao governo do Estado, ainda deixam carente o setor primário, que sofre com a falta de estímulos e de políticas claras para o seu desenvolvimento. Somente a área rural do Estado abriga 2.755.490 habitantes, conforme dados do Censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2010. Existência, que representou, em 2013, um montante de R$ 4 bilhões aos cofres do Estado, como divulgou para a imprensa o ex-secretário de Produção Rural do Amazonas, Eron Bezerra. Levando em conta o expressivo número de eleitores, em 2014, os sete candidatos à vaga, ocupada por José Melo (Pros), propõem projetos arrojados visando o resgate e a modernização de atividades como as da agroindústria; bioindústria; fruticultura; artesanato; mineração; madeira e mobiliário; pesca e piscicultura; turismo e cerâmica. Marcelo Ramos (PSB) aposta em seis ações para implementar novos modelos econômicos nas áreas rurais do Estado. O candidato socialista apresenta como urgente a formulação

e um zoneamento ecológico econômico do Amazonas. Para ele é fundamental identificar a vocação de cada região. “Esse será o primeiro passo do nosso governo. Somente com esse mapeamento, poderemos prestar assistência técnica e subsidiar financiamento para os produtores e pequenos empresários”, explicou. Agilizar os processos de regularização fundiária e a aprovação de planos de manejo, que permitam o trabalho dentro das regras ambientais vigentes, também fazem parte das propostas de Marcelo Ramos. “A última década foi perdida para o nosso setor primário. Já chegamos a representar 6,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do Amazonas, atualmente um pouco mais de 5%. Sintonizar os trabalhos de órgãos como Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal do Amazonas (Idam) e Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam) também construirão nosso projeto para a economia do interior do Estado”, comentou. Na campanha defendida pelo peemedebista Eduardo Braga, que concorre ao cargo pela terceira vez, o tema é tratado como desafio, pela necessidade de alinhar consumo e produção com o uso sustentável dos recursos naturais. Em seu plano de governo, Eduardo Braga, remete os entraves do setor ao problema de gestão e de planejamento estratégico. Braga reconhece o baixo acesso do cidadão à regularização fundiária, a burocratização do licenciamento ambiental, a

reduzida prestação técnica de serviços de assistência técnica aos produtores, a baixa incorporação de tecnologia, além da deficiência na infraestrutura dos ramais de transporte. Como ações de governo, Eduardo Braga, sinaliza a aceleração da regularização fundiária e ambiental, implantado centros multifuncionais em áreas estratégicas do interior. Garantir a elevação do orçamento do setor produtivo, estabelecendo metas. Além de construir e priorizar a agricultura familiar nas compras regulares dos órgãos do governo esta-

CRESCIMENTO

Somente a área rural do Estado abriga 2.755.490 mil habitantes, conforme os dados do Censo em 2010. Existência que representou, em 2013, um montante de R$ 4 bilhões ao Estado dual. Priorizar a produção de milho, para reduzir a dependência da importação, fazem parte da lista de intenções do candidato, que contam com um total de 21 ações. Presente nas discussões, o deputado estadual e candidato ao governo pelo Partido da Mobilização Nacional (PMN), Chico Preto, pontua a necessidade de aumentar o repasse orçamentário do setor em pelo menos 2,5%. A reestruturação dos ramais que servem para escoamento das cargas, uma gestão técnica e

não político/ partidária da Secretaria de Produção Rural são apontadas por ele como essenciais para o aquecimento da economia rural. “Tivemos a Sepror comandada durante anos por um partido, nesse período anterior não conseguimos transformar o Amazonas no maior exportador de peixes do país. No meu governo, pretendo mudar essa realidade, em 10 ou 15 anos isso vai acontecer, frisou. Responsável por administrar o Estado e visando a reeleição, José Melo (Pros), destaca que durante a gestão que fez ao lado de Omar Aziz (PSD), ampliou as linhas de crédito dos produtores rurais, com financiamentos na ordem de R$ 207 milhões. “Até o final do ano R$ 150 milhões estarão disponíveis 2,5 mil famílias foram beneficiadas com a regularização fundiária e outras 8,6 mil devem ter suas propriedades legalizadas. Expandimos o Programa de Regionalização da Merenda Escolar-Preme, de 39 para todos os 62 municípios. Implantamos nove unidades de produção de alevinos e um Centro de Tecnologia de Aquicultura”. Dentre as promessas para um novo governo, Melo salienta o programa Terra Produtiva, que visa expandir a produção de peixe, açaí e outras culturas. Transformar o lago de Balbina, área de produção de peixe em tanque rede; realizar concurso público em órgãos como o Ipaam.

Esquerda também tem proposta Pelo Partido Comunista do Brasil (PCB), Luiz Navarro salienta que o modelo Zona Franca apenas tem enriquecido os industriais e nada tem colaborado para a formação de uma economia consolidada no interior. “É necessário que com conselhos de desenvolvimento econômico, nós possamos encontrar uma forma de fazer com que os empresários passem a pagar melhores salários, passem a contribuir com o desenvolvimento do Estado. Precisamos reforçar por meio da Agência de Fomento do Amazonas (Afeam), o setor primário. Voltarmos à vista para os nossos processos antigos de exportação de castanha, juta, borracha. Temos que nos voltar ao extrativismo, que é onde está nossa riqueza. Queremos incentivar a exploração do nióbio, que por sinal tem jazida incomensurável. Não entendo o porquê o governo não coloca isso às claras, parece até que o nióbio está sendo explorado as escondidas”, pontuando que no plano de governo comunista, é destaque a intenção de uma “reforma agrária radical no Estado”. A intensificação da reforma agrária, com a regula-

rização da legalização de terras, está incluso nos planos de Herbert Amazonas (PSTU). Com a pretensão de entregar o comando do Estado aos trabalhadores, o candidato de esquerda espera que ao criar um terminal pesqueiro os problemas com o escoamento do peixe pescado no Amazonas, seja resolvido. Amazonas visa ainda, a construção de feiras municipais, onde os produtores poderão ter a oportunidade de vender seus produtos sem intermediação. Candidato ao governo do Amazonas, pela primeira vez, Abel Alves (Psol) sustenta no slogan “O Amazonas soberano com o povo no comando”, seu desejo de fortalecer o interior. Reconhecendo que é difícil o desafio de levar o progresso econômico ao interior, o candidato promete desenvolver a agricultura, por meio da economia solidária. Alves pretende promover a produção agrícola regional. “Podemos ver que as festas regionais como a da banana, não existem mais, pois o produto agora está sendo importado de outros Estados”, reclamou em reunião com empresários da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL/Manaus).


2

Eleições 2014

MANAUS, DOMINGO, 14 DE SETEMBRO DE 2014

Números que já foram sucessos em outras eleições estão de volta Candidatos usam números que foram usados por adversários na tentativa de ganhar uma vaga parlamentar nas próximas eleições MOARA CABRAL Equipe EM TEMPO

A

muleto, superstição ou apenas acaso, alguns candidatos que concorrem ao pleito deste ano terão em suas legendas números de políticos que já foram eleitos em eleições anteriores. O candidato ao governo do Estado do Amazonas, senador Eduardo Braga (PMDB), que disputa a vaga pela coligação Renovação e Experiência, usa o número 15, que já foi de um dos maiores caciques da política baré, o exgovernador Gilberto Mestrinho, que conquistou o terceiro e último mandato como governador do Amazonas em 1983, usando o número 15. Mestrinho usou o mesmo número que representa a sigla do PMDB (15) nas duas últimas vezes, das três que disputou as eleições ao governo do Estado e conquistou a vitória. No primeiro mandato, o “Boto” pertencia ao PTB. (1º mandato: 1959-1963, 2º mandato: 1983-1987 e 3º mandato: 1991-1995). Além do senador Eduardo Braga, outros candidatos tentam vencer as eleições de 2014 com números pertencentes a políticos que conquistaram a vitórias nas urnas. A deputada estadual Conceição Sampaio (PP), por exemplo, está usando

o mesmo número (1122) na disputa a vaga de deputada federal que levou a vitória do atual governador e candidato a reeleição, José Melo (Pros), quando disputou a vaga em 1994 e foi eleito pelo (PPR) com 45.104 mil votos. Assim também, o número deu sorte e vitória para Rebecca Garcia (PP), candidata à vice na chapa de Eduardo Braga, nas eleições de 2006 para a Câmara Federal. Outro número conhecido, o 4545, que no pleito deste ano é usado pelo deputado estadual Arthur Bisneto (PSDB), o qual disputa uma das oito vagas na Câmara Federal. O número acompanhou o atual prefeito de Manaus, Arthur Neto, quando venceu as eleições em 1994 com 69.924 mil votos ao cargo de deputado federal. Número da esposa Candidato à vaga de deputado federal pelo PCdoB, o ex-secretário de Produção Rural, Eron Bezerra, está com o mesmo número (6565) utilizado por sua esposa, a senadora Vanessa Grazziottin (PCdoB), nas eleições de 2008, 2002 e 2006, quando foi eleita e reeleita ao cargo de federal.

O candidato Carlos Porta (PSB), que disputa pela primeira vez uma vaga a Câmara Federal com o número 4040, tenta a mesma sorte que teve o atual vereador e candidato ao Senado, Marcelo Serafim, em 2006, quando conquistou a vaga com pouco mais de 92 mil votos. Também novato na disputa, o candidato Zé Nascimento disputa a vaga pelo PT com o número 1313, a qual levou a vitória de Francisco Praciano, que disputa uma vaga no Senado. “Praça” foi o mais votado no pleito de 2010 com o número 1313, o qual arrastou mais de 166 mil votos. Coincidência ou não, os números tiveram resultados positivos aos políticos, os quais, alguns deles permaneceram no cargo por mais de um mandato, resta saber se os atuais postulantes dos números terão a mesma sorte de seus antecessores.

Agenda dos candidatos EDUARDO BRAGA

JOSÉ MELO

Pela manhã, o candidato tem reunião marcada com sua coordenação de campanha e à tarde grava programa para o horário eleitoral gratuito.

MARCELO RAMOS

O candidato cumpre agenda em Barreirinha e, à tarde, em Boa Vista do Ramos. À noite estará em Maués.

CHICO PRETO

Às 8h, o candidato faz caminhada no bairro Cidade de Deus, na Zona Norte e, às 9h, caminhada em Tabatinga.

HERBERT AMAZONAS

NÃO DIVULGOU AGENDA.

NAVARRO

NÃO DIVULGOU AGENDA.

Candidato participa de reunião com moradores de Petrópolis, na Zona Sul da cidade.

ABEL ALVES NÃO DIVULGOU AGENDA.


Eleições 2014

MANAUS, DOMINGO, 14 DE SETEMBRO DE 2014

3 FOTOS: IONE MORENO

Francisco PRACIANO

‘Ou eu ACEITAVA a aliança, OU PEGARIA um pijama’

RAPHAEL LOBATO Equipe EM TEMPO

C

Nossa aliança com o PMDB é lógica. O partido mantém a governabilidade de Lula e Dilma, inclusive o Eduardo Braga é líder da presidente no Senado. Ou eu aceitaria essa aliança ou iria colocar o pijama e teria que ir para casa dormir”

earense, 62 anos, o deputado federal Francisco Praciano (PT) circula a política amazonense pelo menos desde o início da década de noventa. Eleito vereador por quatro mandatos consecutivos, Praciano estreou na Câmara Federal em 2006 e foi reeleito em 2010, com recorde de votações. Antes disso, em 2008, o petista havia tentado emplacar a Prefeitura de Manaus, mas ficou em quarto lugar no placar, atrás do seu atual adversário na disputa pelo Senado, o ex-governador Omar Aziz (PSD). Neste ano, o deputado viabilizou a sua candidatura ao Senado vestindo-se da campanha do PMDB, do senador Eduardo Braga, candidato que já foi alvo dos seus ataques no passado próximo a militância esquerdista. A aliança que surpreendeu aliados próximos, segundo ele, foi uma “consequência lógica”. Aos petistas, Praciano reserva o que chama de “fidelidade”, mas não esconde contradições ao partido e diz combater as “incoerências”. EM TEMPO - O senhor é presidente da Comissão de Combate à Corrupção da Câmara, onde pelos menos 300 projetos sobre o assunto estão encalhados há 6 anos. Faltou articulação política para destravar essas pautas? Francisco Praciano Colocar esses assuntos na pauta não faz o perfil do Congresso, dos deputados. Lá, de cada cinco parlamentares, um responde à processo. Não são mais de 300, são mais de 500 projetos desse tipo. Buscamos a mídia nacional, o presidente da Câmara, do Senado, mas a coisa não anda. Tenho reclamado incansavelmente disso nos rádios, mas isso é

tudo que podemos fazer. EM TEMPO - O senhor costuma culpar o governo federal pela falta de engajamento nesse assunto e até já votou contra a presidente Dilma na Câmara em pauta de corrupção. No entanto, o senhor se diz fiel ao PT e a presidente, mesmo reconhecendo essa postura. Não é contraditório? FP- O governo federal está sendo mal traduzido nesse assunto. Quero dizer que, no governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), a Polícia Federal fez somente 20 grandes operações contra corrupção. Já no governo Dilma e Lula esse número saltou para mais de duas mil. O que acontece é que a sensação de corrupção aumentou. A PF ficou livre, sem amarras. Temos mensalão em todos os partidos e em todos os lugares. O que eu defendo é que fosse feito um pacto para combater a corrupção, que reside na fragilidade do Estado. Os três poderes deveriam se unir, fortalecendo os órgãos de controle. EM TEMPO - E o que garante que depois de 6 anos com essas pautas da comissão na Câmara, o senhor poderá destravar esse debate no Senado? FP - No Senado a coisa é mais rápida. São somente 81 senadores. A comunicação é mais próxima e eficaz com a sociedade. Exemplo disso é a Rádio Senado, que dá um show de comunicação e proximidade com a sociedade. A voz no Senado é mais ouvida. E nós não temos nenhum senador insistindo nessa pauta no Senado, esse é o lugar que eu vou ocupar. A mídia, sem dúvida, dará ouvidos a esse assunto. EM TEMPO - Recentemente, ao lado do ex-presidente Lula e do senador Eduardo Braga (PMDB), o senhor, durante discurso,

sugeriu que a população devesse aceitar propina em troca de votos para candidatos. Essa é uma postura condizente com o seu discurso contra a corrupção? FP - Eu quis dizer que isso é uma imoralidade, praticada nos quatro cantos do país. Eu quis dizer que se um safado qualquer oferecesse dinheiro, a população deveria aceitar e ser esperta, mas não votar no candidato. O dinheiro que eles oferecem vem dos cofres públicos. A população deveria deixar o cara liso e ainda sem o mandato. Foi isso mesmo. EM TEMPO - O senhor, por diversas vezes, já criticou o financiamento privado das campanhas políticas e defende o financiamento público dos gastos com campanha. No entanto, a campanha da sua coligação é a que mais arrecadou, até agora, com os empresários locais e nacionais. O senhor defende mesmo essa bandeira? FP - Eu acho que o jogo é esse. Ou você faz esse jogo, ou sai dele. A reforma política, que eu defendo, tem que ser ampla. Eu acho que ou deveriam permitir só o financiamento público, com limites, ou só o privado, mas sem as empresas, com indivíduos. Essa questão entra na minha proposta de acabar com as coligações, que hoje misturam alhos e bugalhos. As ideias partidárias acabam fincando em segundo plano. Hoje, você tem um amontoado de partidos, onde os candidatos se misturam entre fichas-sujas e limpas. A coerência política tem que ser maior. EM TEMPO - O senhor, neste ano, se posiciona diferente do registrado ao longo da sua vida política, sempre mais ligado à militância radical e esquer-

dista. O senhor inclusive já chegou a apresentar denúncias contra o seu atual candidato ao governo, Eduardo Braga. O que o fez mudar de ideia quanto ao seu perfil criado ao longo da carreira? FP - A nossa aliança com o PMDB é lógica. O partido mantém a governabilidade de Lula e Dilma. Braga inclusive é líder de Dilma, uma liderança forte no PMDB. Ou eu aceitaria a aliança, ou pegaria um pijama e iria para casa dormir. Eu não quis vestir o pijama, então aceitei. Não dá para sair avulso, essa aliança é lógica. Eu fiz sim oposição ao Eduardo, como já fiz ao Arthur, ao Serafim, ao Alfredo e ao Amazonino, que hoje pedem votos para mim. O meu papel é fiscalizar e quem é denunciado tem direito de se defender. Sou Lula e Dilma e não abro mão. Sempre fui muito coerente. EM TEMPO - Quais são as principais propostas que o senhor planeja levar para o Senado caso seja eleito? O senhor pode falar de pelo menos cinco. FP - Já falei um pouco sobre a reforma política, que ainda está engatinhando no Congresso. Essa reforma política inclui a questão do financiamento das campanhas. Também defendemos a reforma tributária, mas precisamos, primeiro, reduzir a sonegação fiscal no Brasil. O país tem todos os anos um prejuízo de mais de R$100 bilhões com sonegação. Também queremos rever para baixo os impostos sobre os remédios, que são essenciais para a população. Os impostos sobre os alimentos também precisam de cortes. O Brasil é um dos maiores produtores alimentícios do mundo, não há porque o povo pagar mais caro. Para os aposentados, queremos defender o fim do fator previdenciário.

Quero ir para o Senado porque lá as coisas andam mais rápido. São somente 81 senadores. A comunicação é mais próxima com a sociedade. A voz do Senado é mais ouvida”


Eleições 2014

4

Melo anuncia programa para as microempresas

Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS

www.claudiohumberto.com.br

Petistas querem tirar o foco da roubalheira usando a causa gay” PASTOR SILAS MALAFAIA, em mensagem no Twitter contra os métodos da campanha do PT

Protógenes acha que atentado matou Eduardo Conhecido por haver prendido o banqueiro Daniel Dantas, o delegado federal e deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP) suspeita que a morte de Eduardo Campos nada teve de acidental, foi um atentado, segundo segredou a colegas da PF. Ele chegou a Santos logo após a tragédia, colheu indícios e depoimentos e os enviará à Procuradoria-Geral da República, com o pedido para aprofundar as investigações. Estranho Protógenes disse a policiais ter ficado intrigado porque o local nem sequer foi preservado. Delegados da PF somente apareceriam à noite. Aí tem coisa Entre os objetos colhidos, o delegado Protógenes encontrou na lama a capa de um livro do piloto, intacta, mas sem as páginas internas. Reencontro No dia da tragédia, Protógenes estava na expectativa de rever Eduardo Campos, com quem se encontrou em 1o de maio e na Semana Santa. Levando a sério A hipótese de atentado contra Eduardo sempre foi mencionada, mas ninguém a levou tão a sério quanto o delegado Protógenes Queiroz. Dilma agora fala mal dela, mas já foi Marina Não é de hoje que o nome Marina ronda a vida da presidente Dilma. Sua ficha na operação Bandeirantes (a temida Oban, um dos mais cruéis órgãos de repressão da ditadura militar) revela que Dilma Vana Rousseff Linhares, quando militava na

organização clandestina Var Palmares, usava os nomes falsos “Maria Lucia Santos” e “Marina de Castro”, além dos já conhecidos codinomes “Vanda” ou “Luiza”. Só falta puxar cabelos Arlindo Chinaglia (SP) e Marco Maia (RS) se engalfinham para serem o candidato do PT à sucessão do presidente da Câmara, Henrique Alves. Disputa de egos O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha, briga com Marco, filho do enrolado ex-governador Sergio Cabral, pelo título de mais votado. Pré-candidato O governador cearense Cid Gomes presta serviço a Dilma, comprando brigas contra adversários, para se credenciar a cargo no ministério. Espelho meu Nossos leitores sabem desde 12 de agosto que o megadoleiro Alberto Youssef deu ao deputado baiano Luiz Argôlo um helicóptero. A “Folha de S. Paulo” noticiou o fato na sexta-feira (12), um mês depois, citando revelação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Sem protelação Relator do processo de cassação de Luiz Argôlo no Conselho de Ética, o deputado Marcos Rogério (PDTRO) não revela as conclusões do parecer, que já está nos finalmentes. Mas garante: “entrego nesta terça”. Até Cerveró O Senado nega combinação, até porque criou a CPI para fazê-la acabar em pizza, mas o ex-diretor Nestor Cerveró contou ter sido submetido a “treinamento” pago pela Petrobras antes de depor.

Jornalista

A grande novidade prometida pelo candidato será a criação do Banco do Povo, que irá oferecer financiamento ao povo DIVULGAÇÃO

Dinheiro desaparecido O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) sustenta aos colegas de Senado que não ficou com os recursos arrecadados e que deveriam ter sido divididos com a bancada. Mas a cúpula do PMDB não acredita. Azul é sério Habituada a vestir vermelho, Dilma guarda ternos azuis para ocasiões especiais. Como a entrevista para o Jornal Nacional e a estreia da temporada de ataques a Marina Silva (PSB), seus maiores temores. Culpa dos partidos A construtora Andrade Gutierrez informou que as doações eleitorais “são feitas conforme a legislação” e direcionadas aos partidos, responsáveis por definir para quem a verba é encaminhada. Mordeu a isca A campanha de Dilma comemorou o fato de Marina Silva ter mordido a isca sobre a autonomia do Banco Central e sobre pré-sal. A candidata do PSB abandona a ofensiva e perde tempo reagindo às acusações. Somos tão jovens Condenado na Justiça Eleitoral por irregularidades na campanha de 2010, o deputado mais jovem da legislatura, Wilson Filho (PTB-PB), desistiu da reeleição. Cedeu a vaga ao irmão William Santiago, 21. Fumacê O governador cearense Cid Gomes passou a defender a legalização da maconha. Deve ter fumado a mesma coisa que FHC, pioneiro na asneira.

PODER SEM PUDOR

Ah, bom Candidato ao Senado pelo PMDB do Paraná em 1990, Waldyr Pugliesi convocou coletiva para explicar que era injusta sua fama de “pavio curto”. Na coletiva, um militante do PMDB puxou uma conversa cabulosa e ele a encerrou com um soco na mesa. Refeito, contou que só perdeu a cabeça uma vez, em Arapongas, quando esmurrou um vereador que o criticara. Mas observou: - Aquele soco foi com o braço democrático... DIVULGAÇÃO

MANAUS, DOMINGO, 14 DE SETEMBRO DE 2014

Candidato deverá investir na criação da Secretaria de Estado para as Micro e Pequenas Empresas

O

governador José Melo (Pros), candidato à reeleição, divulgou esta semana seu plano de governo dedicado às microempresas e ao incentivo a novos negócios. A grande novidade é a criação do programa Banco do Povo para oferta de crédito e consultoria de atividades econômicas de pequeno porte. Outras dez medidas para o segmento fazem parte do pacote, entre elas a criação da Secretaria de Estado da Micro e Pequena Empresa. Com o Banco do Povo, Melo pretende facilitar o acesso ao crédito concedido através da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam) oferecendo financiamento exclusivo para trabalhadores autônomos e acompanhamento empresarial. As operações terão juros de 3% ao ano, sete vezes menor que as condições dos bancos privados. Outra facilidade é a dispensa de consulta aos órgãos de restrição de crédito, como SPC e Serasa. “É um banco comunitário onde a gente garante mais facilidade na hora de acessar os recursos e menos burocracia. Aliado a isso, haverá um acompanhamento especializado para que o trabalhador consiga sobreviver na fase que é a mais sensível para um novo empreendimento que é a inicial”, ressalta José Melo. Na área urbana, a expectativa é atender com o Banco do Povo pequenos empreendimentos de bairros, como salões de beleza, lanchonetes, bancas de churrasco e

confecções. No setor rural, os recursos podem atender a compra de insumos, combustíveis, motores, material de pesca e sementes, por exemplo. Unidades do Banco serão instaladas nos bairros de Manaus. No interior, o atendimento será feito através da Casa do Produtor, outra novidade de Melo para o setor primário que vai reunir em um só lugar todos os órgãos ligados à assistência ao produtor. Os empréstimos podem chegar a até R$ 15 mil por pessoa, de acordo com o perfil do negócio. A expectativa é financiar

EXPECTATIVA

A proposta do Banco do Povo será atender pequenos empreendimentos de bairros, como salão de beleza, lanchonete e bancas de churrasco. No setor rural, recursos será para compra de insumos 70 mil empreendimentos em todo o Estado, investimentos que devem alcançar R$ 1,2 bilhões em quatro anos de governo. O plano para fortalecer e impulsionar novos empreendimentos inclui ainda linha de crédito diferenciado para mulheres empreendedoras, o financiamento de cooperativas de cadeias produtivas, o fomento a incubação de empresas inovadoras e o aumento da participação das micro e pequenas empresas nas compras governamentais. Melo

também propôs articular a implantação de um Fundo de Aval para Pequenas Empresas e aumentar o percentual do FMPES. Para reduzir a burocracia, a proposta do plano de governo de José Melo é informatizar procedimentos e criar uma Central de Negócios Compartilhados, uma espécie de PAC (Pronto Atendimento ao Cidadão) direcionado ao setor empresarial que vai reunir órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Sefaz e a Jucea. Outro ponto do programa de Melo para o setor é a implantação de cursos voltados ao empreendedorismo na Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e a inclusão de disciplinas sobre o assunto no ensino médio. Outra medida para fortalecer o setor e incentivar o surgimento de empreendimentos é a criação da Secretaria de Estado para as Micro e Pequenas Empresas e a ampliação das unidades do Núcleo de Apoio ao Empreendedor, em diferentes zonas da capital. “Temos uma economia muito forte e pretendo trazer essas pessoas para a formalidade. Para tanto, preciso de políticas públicas. Vou criar uma secretaria que cuide especificamente disso. A empresa quando vem para a formalidade tem muitas vantagens. Criar uma economia que formule políticas públicas”, afirmou.

SENADO

Investimento no Mais Médicos

Projeto quer tornar o programa muito mais transparente

Senadores querem melhorar o desempenho e tornar mais transparentes os gastos e a execução das ações do programa Mais Médicos. Para isso, estão analisando propostas que alteram a lei nº 12.871/2013. O Mais Médicos é apontado pelo governo federal como parte de um amplo pacto de melhoria do atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). O programa

prevê mais investimentos em infraestrutura de hospitais e unidades de saúde e busca levar mais médicos para regiões onde há escassez de profissionais. A grande maioria dos profissionais é de estrangeiros, principalmente cubanos. O projeto prevê também a expansão do número de vagas nos cursos de residência médica e graduação em Medicina, além do aprimoramento da formação

médica no Brasil. Uma das propostas que tratam do Mais Médicos foi apresentada pelo senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) com o objetivo de dar mais transparência ao programa (PLS 266/2014). O texto estabelece a obrigação de, a cada seis meses, ser enviado um relatório para o Conselho Regional de Medicina (CRM) de cada Estado com o número do registro

único dos médicos intercambistas participantes e o nome e a inscrição no CRM do supervisor e dos tutores acadêmicos. A proposta está em análise na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), onde aguarda o recebimento de emendas. Se aprovada, poderá seguir diretamente para a Câmara dos Deputados, se não for apresentado recurso para votação em Plenário.


Eleições 2014

MANAUS, DOMINGO, 14 DE SETEMBRO DE 2014

5

Chico da Silva D

izem que santo de casa não faz milagre. Talvez seja verdade, pois se o Amazonas respeitasse seus artistas, o parintinense Chico da Silva seria recebido com tapete vermelho. Sua saga de compositor fez história entre os bambas do samba e suas toadas de boi cruzaram fronteiras e hoje são tocadas nos mais longínquos lugares do mundo. Onde houver uma camisa da cor vermelha, lá vai estar o refrão “meu coração é vermelho/ hey, hey. hey/ de vermelho vive o coração...”, da antológica toada “Vermelho”, composta em 1989 para o boi bumbá Garantido. Aos 65 anos, o compositor já deixou seu nome gravado para sempre na constelação de estrelas da MPB. Agora parte para um novo desafio, o batismo das urnas, disputando uma vaga para a Assembleia Legislativa pelo Partido Verde, um sigla que defende a vida, o planeta Terra, seus índios, florestas, rios e animais, como as toadas que escreveu sobre universo amazônico, onde foi curumim mergulhando nas águas do Rio Amazonas. Chico da Silva é querido por seu povo. Demonstra isso nos shows em que continua fazendo. Ultimamente, um vídeo com Os Trapalhões, onde ele canta “Esquadrão do Samba”, enquanto Didi, Dedé, Muçum e Zacarias fazem palhaçadas com a bola, vem fazendo o maior sucesso no YouTube, já tendo sido curtido por mais de 50 mil internautas. — Estou entrando na política porque temos que acreditar que podemos melhorar muito, com boas ideias e bons projetos de políticas públicas – diz Chico da Silva, candidato a deputado estadual com o número 43433. Confira a entrevista completa:

NO RITUAL DAS URNAS MÁRIO ADOLFO Equipe EM TEMPO

EM TEMPO – O que leva um artista que tem alma de poeta a se meter em política, em princípio uma atividade criticada pela sociedade? Chico da Silva – Sempre defendi a renovação das ideias e dos quadros da política. Sendo assim, sou também, por vocação, um ser político. EM TEMPO – Qual o foco de sua campanha? Chico da Silva – Minha intenção, com mandato de deputado estadual, é atuar na área cultural. Fortalecer a cultura na vida do cidadão amazonense, especialmente na vida dos jovens e crianças. EM TEMPO – Concorda com o slogan do Tiririca, “pior do que tá não fica”? Chico da Silva – Não, sou otimista. O Brasil é um país em desenvolvimento e cabe a nós brasileiros procurar e encontrar soluções para melhorar as nossas condições de vida. Temos que acreditar que podemos melhorar muito, com boas ideias e bons projetos de políticas públicas. EM TEMPO – Todos os artistas que se meteram com política saíram frustrados: Moacir Franco, Gilberto Gil, Agnaldo Timoteo,

Beth Mendes. Você acha que isso pode acontecer com você? Chico da Silva – A frustração advém de algum fracasso do ser humano. Talvez eles não conseguiram colocar suas ideias em prática ou não tinham boas ideias para transformá-las em projetos que beneficiassem a sociedade, daí a frustração. Tenho um conjunto de ideias que eu quero transformar em grandes projetos que possam vir de encontro aos anseios da sociedade. Isso é possível, basta ter vontade política e o apoio do povo que mudar, de verdade, o estado de coisas que ainda impedem o crescimento do país, como a corrupção, a falta de ética e os desmandos administrativos. EM TEMPO – Você fez um jingle para sua própria campanha? Chico da Silva – Sim. Mas não veiculei no Amazonas, porque não tenho tempo no programa de TV – meu tempo é de somente 1 minuto –, e não tenho dinheiro para pagar carros de som que possam rodar com o jingle. Mas está tocando bem em Parintins, executada por amigos que não me cobram nada e sendo conhecido por meus irmãos que acreditam no meu trabalho e na minha vontade de dar o melhor de mim pro meu povo. Parintins é o meu planeta verde, a minha casa, a minha vida. Aliás, o refrão diz o que eu penso da ilha: “43 433/ Parintins com altivez...”

EM TEMPO – Você acha que o eleitor brasileiro amadureceu ou ainda vota pela máxima de São Francisco “É dando que se recebe”? Chico da Silva – Acredito que, com o exercício do voto, com as informações políticas mais acessíveis, o eleitor vem amadurecendo, embora ainda eleja muito ficha suja que não merecia estar no Congresso, ou em nossa casas legislativas. Mas, aos poucos está havendo uma conscientização, com a ajuda da imprensa que vem passando o país a limpo, já é possível votar em nomes de políticos honestos. Hoje, só elege ficha suja quem quer, as informações existem. Com isso, a prática do “toma lá, da cá” está perdendo, mas ainda existe infelizmente. EM TEMPO – Qual o candidato a presidente, em sua avaliação, tem compromisso com a Amazônia? Chico da Silva – Um presidente da República é o representante máximo de um país, acredito que ele não deve ter preferências por esse ou aquele Estado, deve tratar todos igualmente. EM TEMPO – Todo mundo conhece o compositor, mas qual o perfil político de Chico da Silva? Chico da Silva – Me considero um social-democrata que respeita as opiniões. A opinião é a verdadeira liberdade, tanto a minha quanto a sua.

“Hoje, só elege ficha suja quem quer, as informações existem. Com isso, a prática do toma lá, da cá está perdendo, mas ainda existe, infelizmente”


Eleições 2014

MANAUS, DOMINGO, 14 DE SETEMBRO DE 2014

FOTOS: DIVULGAÇÃO

6

Políticos do país ignoram o grito da juventude Desconfiança e a sensação de distanciamento dos jovens em relação ao sistema político foram expressas durante as manifestações de junho

Pedidos das ruas ainda é ignorado pelos programas políticos

G

overnantes e políticos ainda não foram capazes de responder às demandas, vindas principalmente de jovens, por mais representatividade na política, segundo analistas. Para eles, a desconfiança e a sensação de distanciamento dos jovens em relação ao sistema político, expressas principalmente durante as manifestações de junho de 2013, ainda estão presentes a três semanas do primeiro turno das eleições. Para David Fleischer, professor de ciência política da Universidade de Brasília, a incapacidade de implementar os pedidos das ruas fez com que o sentimento de frustração com as instituições políticas evidenciado em 2013, especialmente entre as gerações mais novas, continuasse neste ano. “Esse foi o grande grito do ano passado: eu não me sinto representado. Os políticos ensaiaram fazer algumas reformas no sistema político, mas não deu em nada, não reformou nada”, disse Fleischer. Segundo Benedito Tadeu César, professor de ciência política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, a juventude se sente distante das formas institucionais de política. “Esta juventude se sente órfã. O jovem não tem interesse por essa política que está aí. Ela não se reconhece nesses instrumentos”, disse, acrescentando que o atual modelo é fruto da sociedade industrial do século 19. Reforma política As demandas por novas formas de representatividade e participação políticas estavam no centro das manifestações de 2013 juntamente com reivindicações por melhorias na saúde, transporte e

educação. Durante as manifestações, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, propôs a convocação de um plebiscito que autorizasse uma constituinte exclusiva para a reforma política. Mas a proposta recebeu forte oposição no Congresso e acabou

FRUSTRAÇÃO

Para David Fleischer, a incapacidade de implementar os pedidos das ruas fez com que o sentimento de frustração com as instituições políticas evidenciado em 2013 continuasse neste ano

‘É no Facebook que se fala o que se pensa’ Diante da insatisfação com o que percebem como promessas não cumpridas, da desconfiança em relação aos políticos e da crescente demanda por representação, os jovens estão buscando outras formas de participação política, inclusive por meio da internet e redes sociais. “Você tem uma enorme massa com anseios (por mudança). (Eles) passaram a ter direitos e estão cobrando esses direitos, mas não têm canal de expressão disso”, disse Tadeu César. Isso, diz ele, faz com que o engajamento político da

juventude seja fragmentado, em um processo que não ocorre apenas no Brasil, mas também em outras partes do mundo. “O grande palanque hoje virou as redes sociais, onde cada um vai e diz o que bem entende”, disse ele. “É muito Facebook, eu vou lá, eu digo o que está me incomodando”. Isso não significa o fim do distanciamento dos jovens com a política. Apesar do interesse deles ter crescido com os protestos, “a alienação continua”, com “uma grande maioria que continua apática e afastada”, disse Fleischer.

Eleições Para Fleischer, estas características do eleitor mais jovem se refletem também na disputa pela Presidência, em que a candidata Marina Silva (PSB), que diz representar “novas formas de fazer política”, é a maior beneficiada. “Os governos não entenderam muito bem essas demandas. Então, essa frustração continua. Em parte, nós vemos isso desaguar num grande tsunami de apoio a Marina Silva”, disse. De fato, segundo pesquisa espontânea feita pelo Datafolha, na qual o nome dos candidatos não é apresen-

tado ao entrevistado, Marina tem 28% das intenções de voto entre os eleitores de 16 a 24 anos. Dilma (PT) tem 23% e Aécio Neves (PSDB) tem 10% das intenções. A pesquisa, divulgada no dia 4, tem margem de erro de dois pontos percentuais. Mas ainda é difícil prever se isso se refletirá nas urnas. “Você tem uma insatisfação que não está mais latente, está manifesta. E me parece que está se expressando nessas eleições. A Marina tem sido beneficiada por isso, mas não sei por quanto tempo isso se mantém”, diz Tadeu César.

não progredindo. “Fizemos um compromisso com a reforma política. Enviamos para o Congresso essa reforma política, não foi aprovada. Aliás, eu acredito que reforma política no Brasil vai exigir a participação popular e a consulta popular por meio de um plebiscito”, reiterou Dilma durante o primeiro debate presidencial desta campanha, transmitido pela TV Bandeirantes no dia 26 de agosto. A voz das redes A necessidade da reforma política foi um ponto levantado por leitores nas redes sociais. O leitor Daniel Lopes afirmou que, se o “sistema não mudar”, novas manifestações podem ocorrer, enquanto que Gean Claudio Araujo chegou a propor até mesmo a extinção dos partidos políticos.

Maioria dos jovens passaram a utilizar as redes sociais como ferramenta de protesto contra a política praticada no país


Eleições 2014

MANAUS, DOMINGO, 14 DE SETEMBRO DE 2014

7

Eles gastam o equivalente a 1,6 mil casas populares DIVULGAÇÃO

Dilma, Aécio e Marina já gastaram mais de R$ 103 milhões ou 1,6 mil unidades do programa Minha Casa, Minha Vida

Dilma, que busca a reeleição e está em situação de empate técnico com Marina nas pesquisas, gastou até agora R$ 53,8 milhões. Depois vem Aécio (R$ 34,9 milhões), seguido por Marina (R$ 15,1 milhões)

O

s três candidatos à Presidência da República mais bem colocados nas pesquisas, Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB), já gastaram mais de R$ 103 milhões na campanha eleitoral deste ano, o equivalente a quase 1,6 mil unidades do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Só a petista gastou mais da metade desse total. Os valores estão na segunda parcial da prestação de contas, divulgada no sábado (6) pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Dilma, que busca a reeleição e está em situação de empate técnico com Marina nas pesquisas, gastou até agora R$ 53,8 milhões. Depois vem Aécio (R$ 34,9 milhões), seguido por Marina (R$ 15,1 milhões). O valor médio de uma unidade habitacional do Minha Casa, Minha Vida - que beneficia famílias de todo o Brasil com renda mensal de até R$ 1.600 - é de R$ 65 mil.

Os gastos dos presidenciáveis até agora

Custos dos presidenciáveis Para chegar ao total gato por cada campanha, foram somados os custos dos próprios candidatos e de seus respectivos comitês financeiros. No caso da Marina, que ainda não possui despesas registradas em seu nome, os custos reportados pelo candidato Eduardo Campos, morto em acidente aéreo no mês passado, foram adicionados à conta. Os outros oito candidatos à Presidência, Eduardo Jorge (PV), Pastor Everaldo (PSC), Eymael (PSDC), Luciana Genro (Psol), Zé Maria (PSTU), Levy Fidelix (PRTB), Mauro Iasi (PCB) e Rui Costa Pimenta (PCO)- somam R$ 3,56 milhões em despesas, equivalente a 3% dos gastos de todos os presidenciáveis (R$

107 milhões). Valores A maior parte desse valor (R$ 2,3 milhões) foi

PROPAGANDA

2,3 MILHÕES

foi gasto por Eduardo Jorge; Rui Costa que está no outro extremo da campanha eleitoral gasto por Eduardo Jorge. Rui Costa Pimenta está no outro extremo, tendo destinado apenas R$ 10.450 à campanha.

Grande parte dos custos dos três presidenciáveis mais bem colocados é destinada à execução de propagandas eleitorais para TV e rádio, vistas como fundamentais para conquistar votos de eleitores indecisos. Dilma, por exemplo, utilizou R$ 25 milhões, 46% do que gastou até agora, para a produção de programas de rádio, televisão ou vídeo. O montante foi pago à empresa Polis Propaganda & Marketing, do marqueteiro João Santana, responsável pelas campanhas eleitorais do PT. Com 11 minutos e 24 segundos, Dilma tem o maior tempo entre os candidatos para se apresentar na TV e no rádio. Aécio, por sua vez, gastou pelo menos R$ 6,98 milhões

(19% do orçamento) com esse mesmo tipo de despesa - o tucano conta com quatro minutos e 35 segundos de propaganda eleitoral. Marina Silva,

PRODUÇÃO

Dilma, por exemplo, utilizou R$ 25 milhões, 46% do que gastou até agora, para a produção de programas de rádio, televisão ou vídeo. O montante foi pago à empresa Polis Propaganda & Marketing que dispõe de dois minutos e três segundos no horário político, utilizou R$ 2,79 milhões (18% dos seus custos) para essas despesas.

Entre os outros custos, destacam-se a encomenda de pesquisas e testes eleitorais, além da produção e impressão de material publicitário, como faixas, panfletos, placas e cavaletes. No caso de Aécio, o candidato do PSDB também se concentrou nas atividades de militância e mobilização de rua, destinando R$ 2,4 milhões para esse fim. Os comitês e as contas dos presidenciáveis também repassam doações a outros candidatos de suas respectivas coligações, que aparecem na prestação enviada ao TSE. A reportagem, no entanto, descontou esses valores do montante total por não considerar os repasses como gastos efetivos na campanha.

DIVULGAÇÃO

Propaganda domina orçamento

Maioria dos gastos dos presidenciáveis foram destinados às produções de programas de TV


Eleições 2014

8

MANAUS, DOMINGO, 14 DE SETEMBRO DE 2014

Impasse sobre fichas-sujas pode provocar nova eleição DIVULGAÇÃO

Impasse em torno dessas candidaturas pode ser resolvido apenas depois das eleições e TRE pode convocar até nova eleição

Pela legislação eleitoral, não há prazo máximo para que o TSE julgue os recursos, daí o “limbo” jurídico que se forma. A ordem de julgamentos é definida pelo presidente da Corte, ministro Dias Toffoli

P

olíticos considerados “ficha-suja”, ou seja, que já foram condenados por tribunais superiores e não poderiam tentar se eleger por causa da Lei da Ficha Limpa, continuam em campanha mesmo após terem as candidaturas barradas pela Justiça e podem até tomar posse, caso sejam eleitos. Se enquadram nesta situação deputados federais como Paulo Maluf (PPSP) e Jaqueline Roriz (PMN-DF), que tentam a reeleição. Um dos candidatos, o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda (PR), que tenta voltar ao governo, teve um dos recursos negado pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) no dia 9. O imbróglio acontece porque políticos que tiveram o registro de candidatura negado pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) podem manter a campanha enquanto estiverem recorrendo ao Tribunal Superior

Eleitoral (TSE) para tentar reverter a cassação. O impasse em torno dessas candidaturas pode ser resolvido apenas depois das eleições e, dependendo do entendimento do TSE ou do Supremo Tribunal Federal (STF), novas eleições podem ser convocadas ou políticos derrotados nas urnas podem garantir uma vaga no tapetão. Sem prazo Pela legislação eleitoral, não há prazo máximo para que o TSE julgue os recursos, daí o “limbo” jurídico que se forma. A ordem de julgamentos é definida pelo presidente da Corte, ministro Dias Toffoli. Para o advogado Luciano Santos, especialista em direito eleitoral e membro do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), um dos formuladores da Lei da Ficha Limpa, a norma está sendo aplicada corretamente e “tem funciona-

do muito bem”. “Quando um candidato ‘ficha-suja’ mantém sua campanha e seu recurso é indeferido, ele faz isso por sua conta e risco. Se ele vai até o final, prejudica o partido, o processo político e a própria eleição”, afirmou Santos. Garantia de recorrer O advogado explica que o direito a recorrer é garantido pela legislação brasileira, que permite que o candidato tente reverter as decisões de cassação em instâncias superiores. Esses recursos já valiam para outros casos de inelegibilidade mesmo antes da aprovação da Lei da Ficha Limpa. “É importante ressaltar o que essas impugnações provocam no eleitor, pois levanta-se o debate sobre a necessidade de se ter a ficha limpa. É um processo que não ocorre de um dia para o outro, mas vem melhorando”, defendeu Santos.

TSE contabiliza irregularidades O TSE ainda não fez um balanço sobre quantos recursos de cassação de registro com base na Ficha Limpa chegaram até o tribunal. Também não confirmou se irá apresentar o número de recursos e decisões julgadas até o final das eleições. Os TREs têm até o dia 21 deste mês para concluir os julgamentos de registro de candidatura, então, novos casos de recursos ainda podem chegar ao TSE. No final de agosto, o Ministério Público Eleitoral divulgou um balanço parcial com os pedidos de impugnações com base na lei. Foram 497 ações, sendo a rejeição

das contas do candidato o motivo de maior incidência, com 254 questionamentos de registros. Os candidatos que estão ameaçados de perder a candidatura, mas que aguardam recursos, podem renunciar até 15 de setembro. Se o candidato for substituído, os dados e a foto da urna serão atualizados a tempo do primeiro turno das eleições, no dia 5 de outubro, conforme o TSE. Também de acordo com o TSE, não há restrições para que cônjuges assumam as candidaturas de “fichas-sujas” que renunciaram. Neste caso, a mulher ou o marido do candidato ou candidata

“ficha-suja” precisa ser filiada ao partido que tem direito à vaga e ser elegível, ou seja, não ser enquadrada nos mecanismos barrados pela Lei da Ficha Limpa, por exemplo. O mecanismo já foi utilizado em eleições passadas. Em 2010, o ex-governador do DF Joaquim Roriz (PRTB), que é “ficha-suja”, colocou sua mulher, Weslian Roriz (PRTB), no seu lugar da candidatura ao governo do DF a nove dias do pleito. Apesar de experiência nenhuma com a política e o pouco tempo de campanha, Weslian chegou ao segundo turno, mas perdeu para o petista Agnelo Queiroz (PT).

EXPEDIENTE EDIÇÃO Mário Adolfo e Isabella Siqueira de Castro e Costa e Náis Campos

REPORTAGEM Moara Cabral, Joelma Muniz, Raphael Lobato Assessorias

REVISÃO Dernando Monteiro e João Alves

DIAGRAMAÇÃO Adyel Vieira, Leonardo Cruz, Klinger Santiafo, Kleuton Silva, Pablo Filard e Mário Henrique Silva

TRATAMENTO DE FOTOS Adriano Lima


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Eleições 2014 - 14 de setembro de 2014 by Amazonas Em Tempo - Issuu