Especial
Eleições 2014 MANAUS, DOMINGO, 7 DE SETEMBRO DE 2014
politica@emtempo.com.br
(92) 3090-1019
Eles nunca ganham, mas também jamais desistem RAPHAEL LOBATO Equipe EM TEMPO
H
á anos na política amazonense, eles não são equipados de grandes estruturas de campanha, não costumam receber apoios partidários, mas nunca desistem de tentar o tão sonhado mandato eletivo. Incansáveis, os candidatos ao governo Luiz Navarro (PCB), Herbet Amazonas (PSTU) e a candidata ao parlamento federal, Riogocelia Costa (PRP), a “Mulher de Branco”, são exemplos de políticos que levam, há anos, ideologias que não são respondidas com vitória nas urnas. Figura lendária da política amazonense, o falecido professor Raimundo de Freitas Barboza, que ficou conhecido como “Barbozão”, ilustra também o espírito incansável de políticos que não desistem das disputas. Sem grandes estruturas, “Barbozão” repetiu em suas diversas candidaturas ao parlamento a mesma fórmula pela qual ficou conhecido e respeitado: Um fusca branco e um boneco carnavalesco gigante. Às vezes, para ir até os ribeirinhos, usava uma canoa. Discípulos de “Barbozão”, a disputa pelo governo nestas eleições reúne dois candidatos que tentam um mandato eletivo há pelo menos nove anos. Luiz Manoel Navarro (PCB), conhecido apenas como “Navarro”, dissemina os seus ideais esquerdistas desde 1986. Em 2006, estreou nas disputas se candidatando ao Senado e continuou tentando em 2008, na disputa pela prefeitura, em 2010, pelo governo, e em 2012, novamente candidato à prefeitura. Em todas as disputas de que participou, Navarro nunca chegou nem ao terceiro lugar, tendo ficado em quinto (2008), quarto (2010) e oitavo (2012), sucessivamente. Presidente estadual do partido, o candidato, todos os dias, agenda reuniões com grupos comunitários e conversa com populares da capital. Neste ano, Navarro achou que precisava reforçar a campanha no interior e então fez um
FOTOS: DIVULGAÇÃO
Veja as histórias dos tradicionais candidatos a cargos eletivos no Amazonas que estão há décadas na disputa eleitoral empréstimo de R$ 30 mil para enviar panfletos aos municípios. “Nesse ano resolvi fazer diferente, fiz esse empréstimo para levar os panfletos para o interior. Mas nós não temos recursos para ir às ruas, viajar ao interior, nos limitamos à campanha no interior”, disse. O candidato, no entanto, diz que parar de disputar eleições não está nos seus planos prioritários. Segundo ele, é necessário, primeiro, encontrar um talento na juventude do parti-
BARBOSÃO
Figura lendária da política amazonense, Barbosão ficou conhecido por atuar nas campanhas políticas sempre carregando um boneco de orelhas grandes na mala do seu carro pela cidade Luiz Navarro na primeira foto de campanha, feita em 1986
Herbert Amazonas diz que não deverá desistir dos seus ideais
do que possa substituí-lo. Também na disputa pelo governo, o funcionário dos Correios, Herbert Amazonas (PSTU), tem registros de candidaturas no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) desde 2006, quando foi candidato ao governo. Desde lá, o militante do movimento operário foi candidato a vereador (2008), não tendo figurado nem entre os 40 mais votados, ao governo novamente (2010), atingindo o quinto lugar e a prefeitura, em 2012. Parte da ala de políticos que não recebe financiamento para as campanhas, o militante, então, busca entre ativistas e operários do Polo Industrial de Manaus (PIM) as doações para manter as atividades. “Nossos amigos nos ajudam com R$ 100 ou R$ 50 reais, é o que eles podem”, afirma. Desistir das disputas também não está nos planos do candidato, mas, segundo ele, é hora de disputar “um cargo menor”.
Famoso por seu boneco, Barbozão nunca ganhou um pleito
Mulher de Branco ainda persiste Taxista há 46 anos, Riogocelia Costa (PRP), conhecida como a “Mulher de Branco”, por pouco não desistiu de novamente disputar estas eleições. Segundo ela, a candidatura a deputada federal só se tornou realidade por muita “insistência do partido”. Conhecida por ter adotado o exótico nome fictício, ela disputou por três vezes uma vaga no parlamento municipal: em 1996, 2000 e 2004, sem sucesso em todas as tentativas. A “Mulher de Branco” diz que o nome adotado não tem nada a ver com a lenda da mulher que assombra noites escuras. “Um dia eu simplesmente resolvi me vestir toda de branco e então todos os meus colegas taxistas resolveram me chamar assim, gritando esse nome na rua. Minha mãe dizia que esse meu gosto por roupas brancas é de família. Meu pai foi dentista e ele sempre só usava branco”, afirmou a candidata. Candidata à disputada vaga no parlamento federal, a taxista diz que, neste ano, está mais confiante na vitória. “Eu tenho o apoio dos taxistas, e estou muito confiante”, declarou. Mulher de Branco tenta agora, pela primeira vez, uma cadeira em Brasília e diz estar confiante
2
Eleições 2014
MANAUS, DOMINGO, 7 DE SETEMBRO DE 2014
‘Falta de concorrência eleva tarifa de passagens aéreas’ Alto custo das passagens aéreas dentro do Estado é o tema proposto esta semana pelo EM TEMPO aos candidatos ao governo RAIMUNDO VALENTIM
O custo dos preços das passagens dentro do Estado chega, em certos casos, a ser mais elevado do que valores pagos em vôos para outros locais do país e até do exterior MOARA CABRAL Equipe EM TEMPO
A
s pessoas que pretendem ou precisam viajar de avião de Manaus para cidades do interior do Amazonas pagam uma tarifa mais cara do que sair de Manaus para outros lugares para o exterior, como Miami. Diante dessa realidade do cidadão amazonense, o EM TEMPO buscou conhecer com os candidatos ao governo do Estado se há propostas para tentar baratear esses vôos ao interior do Estado. Os candidatos justificaram a baixa concorrência como um dos fatores para o elevado preço das tarifas aéreas regional. Para o governador do Estado e que busca à reeleição, José Melo (Pros), a concorrência no mercado é o principal indutor da baixa de preços no setor de aviação no Amazonas. Segundo ele, para que novas empresas apostem no mercado de vôos regionais, é preciso melhorar a infraestrutura dos aeroportos, medida que inclui a efetivação de investimentos anunciados pelo governo federal na adequação de aeroportos em 18 municípios e a construção de novos terminais em sete cidades do interior. “O governo federal tem que cumprir esse compromisso
feito com o povo do Amazonas para que a gente tenha segurança e esses aeroportos possam ser homologados. Acontecendo isso, acredito que as empresas serão atraídas, uma vez que oferecemos alíquota diferenciada de ICMS no combustível para vôos regionais. Penso que incentivos tributários também podem vir do governo federal e defendo que a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) avalie a abertura de novas linhas para gerar concorrência, porque é somente assim que a passagem baixa. É mais barato ir a Miami que para Eirunepé e isso precisa mudar”, disse. Melo lembrou que, durante o governo Omar Aziz (PSD), a aviação aérea interestadual ganhou incentivo com a aprovação pelo Conselho de Desenvolvimento do Amazonas (Codam), responsável pela análise de novos negócios a serem instalados no Estado com incentivos fiscais, do projeto da empresa MAP Linhas Aéreas. O projeto da empresa foi aprovado em reunião presidida por José Melo, à época vice-governador.
Voos domésticos no AM podem ser barateados O candidato pelo PSB, deputado Marcelo Ramos, criticou o governo Braga, o qual beneficiou, à época, apenas uma empresa para atuar no Amazonas. Para ele, a questão da concorrência também será responsável para diminuir essa alta dos voos domésticos na região. “O governo de Eduardo Braga criou uma lei alfaiate que só beneficiou uma empresa e permitiu a constituição de um monopólio na aviação regional”, disse. Marcelo acrescentou ainda que, como deputado, apresentou projeto que
mudou essa realidade e que com ação conjunta com o governo federal será possível executar reformas e manutenção nos aeroportos. “Como deputado, mudei a lei e hoje outras empresas têm acesso ao incentivo e, com isso, alguns municípios já têm mais de uma empresa operando e isso aumenta a frequência de voos e reduz o preço. Vamos estimular a concorrência atraindo mais empresas para a aviação regional. Também vamos executar, em conjunto com a nossa presidente Marina (Silva), obras de reformas
e manutenção dos aeroportos do interior, com recursos do Programa Federal de Auxílio aos Aeroportos (Profaa), para garantir segurança, conforto e frequência de voos. Alto custo O senador Eduardo Braga (PMDB), candidato ao governo pela coligação Renovação e Experiência, alega que o alto custo da aviação regional se dá pelas deficiências na infraestrutura aeroportuária. Segundo ele, é preciso irradiar o desenvolvimento econômico do Estado, por
meio dos modais de transporte rodoviário, portuário, aeroportuário e hidroviário, visando justamente reduzir os custos e elevar a competitividade dos bens e serviços. Como plano de governo, Braga pretende implantar infraestrutura aeroportuária de pequeno porte, incluindo a sinalização da pista e do pátio de estacionamento, em parceria com a Infraero e prefeituras. O candidato pretende implantar também o Programa de Formação de Brigadas Especiais de Combate a Incêndios em Aeródromos (Beca).
Tributos estaduais ajudam a elevar os preços Já para o candidato pelo PMN, deputado Marco Antonio Chico Preto, os tributos estaduais ainda são grandes causas dos valores elevados entre voos de Manaus para cidades do interior do Estado. Para ele, somente a partir da desoneração desses tributos, a população
amazonense poderá contar com passagens mais baratas. “Desonerar os tributos estaduais e estimular a competição entre as empresas que operam nos roteiros autorizados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Dessa forma trabalharemos para que a população tenha
uma tarifa aérea regional mais barata”, explicou. Hoje, as passagens entre o trecho de Manaus para o município de Eirunepé, distante a 1.159 quilômetros e Manaus, estão em torno de R$ 2.5 mil ida e volta, enquanto que ir de Manaus para Miami, que tem o dobro
de distância (3.880 km), são encontrados vôos em baixa temporada de pouco mais de R$ 1 mil. A reportagem tentou contato com o candidato Abel Alves (Psol), pelo telefone celular 99XX-XX21, mas as chamadas não foram atendidas.
Eleições 2014
MANAUS, DOMINGO, 7 DE SETEMBRO DE 2014
3
Marcelo SERAFIM
‘IREMOS derrotar AS velhas OLIGARQUIAS’ FOTOS: DIEGO JANATÃ
JOELMA MUNIZ Equipe EM TEMPO
P
Eu serei senador pelo Estado do Amazonas, e permanecerei no cargo durante os oito anos para defedender que o Brasil tenha escola de Tempo Integral. Serei senador para brigar para que os medicamentos não tenham impostos altos”
residente estadual do Partido Socialista Brasileiro no Amazonas (PSB-AM), exdeputado federal e atualmente vereador na Câmara Municipal de Manaus (CMM), Marcelo Serafim é o primeiro dos candidatos ao Senado Federal que serão convidados a marcar presença na série do “Com a Palavra”, reservada para a apresentação de propostas eleitorais. Com a carreira política iniciada por meio de militância em movimentos estudantis, Marcelo Serafim é filho do ex-prefeito Serafim Corrêa e junto com o pai e o candidato do grupo ao governo do Estado, Marcelo Ramos, diz que encampou a missão de trabalhar no palanque pró-Marina Silva, (candidata à Presidência da República), para dar uma nova cara ao país e especialmente ao Amazonas. Defendendo a renovação política, Marcelo Serafim sustenta coerência na defesa de seus projetos e ressalta que com calma derrotará velhas oligarquias instaladas durante décadas no Estado. “Nós iremos derrotar as velhas oligarquias que estão no poder. Essa campanha é para senador, e tem candidato ao Senado que não sabe nem o que faz um senador”. EM TEMPO - O senhor já foi deputado federal, agora exerce o mandato de vereador em Manaus. O que lhe motiva a brigar pela única vaga disponível ao Estado no Senado? Marcelo Serafim - Quando fui deputado federal tive um bom trabalho, bem avaliado na capital e no interior do Estado. Uma eleição de deputado federal é extremamente difícil, e complicada, não fui reeleito, mas fiquei como 1º suplente. Depois disso, o prefeito Arthur Virgílio Neto me chamou e conversou comigo sobre a possibilidade de eu voltar para Brasília, caso ele nomeasse o deputado federal da nossa coligação como secretário municipal, mas eu disse que não queria. Meu objetivo era reconstruir a minha vida política a partir do parlamento municipal. No mês de março o exgovernador de Pernambuco, meu amigo Eduardo Campos, me chamou no Rio de Janeiro e pediu que disputasse a eleição para o Senado, que desse a ele a oportunidade de ter um palanque aqui dentro do Estado. Então, eu acatei e passei a disputar a candidatura para o Senado.
Quando a Marina se uniu à nossa chapa e me fez o mesmo pedido. Infelizmente, tivemos todos os acontecimentos tristes com o Eduardo, mas eu vou continuar levantando a bandeira da ética e moralidade, que as nossas candidaturas majoritárias sempre levantaram. EM TEMPO - Muitos dão como ganha a candidatura de um dos seus principais oponentes, o ex-governador Omar Aziz. O senhor enxerga essa uma luta entre David e Golias? MS - Com muita tranquilidade derrotarei o Omar Aziz e o Francisco Praciano nas urnas. A nossa candidatura representa coerência política dentro do Estado. Nós não mudamos de lado, o nosso lado sempre foi o lado das oposições, eu e Serafim Corrêa, Marcelo Ramos e tantos outros companheiros continuamos na mesma trincheira de batalha. Nós iremos derrotar as velhas oligarquias que estão no poder. Essa campanha é para senador, e tem candidato ao Senado que não sabe nem o que faz um senador. Tem candidato que já defendeu em entrevistas que o Senado deveria ser extinto, mas quer ser senador. Eu serei senador pelo Estado do Amazonas, e serei senador durante os oito anos de mandato para defender que o Brasil tenha escola de tempo integral, uma realidade que o Eduardo Campos implantou em seu Estado, e que precisa ser estendida para o restante da República. Serei senador para brigar com o governo federal, para que os medicamentos não tenham impostos, que as pessoas tenham direito de descontar do seu imposto de renda os valores gastos com medicamentos. EM TEMPO - O senhor tem mantido contato com a candidata Marina Silva. Quais os apontamentos dela para a campanha do PSB aqui no Amazonas? MS - Falei com ela ao telefone durante o final de semana. E ela me dizia da importância do Amazonas me levar para o Senado. E por essa afinação que estamos mantendo, temos confianças da vitória no dia 5 de outubro. EM TEMPO - O PSB no Amazonas vem com candidatos em várias frentes, e o que o eleitor pode considerar o carro-chefe do
partido nesse momento eleitoral? MS - A nossa meta principal é levar Marina Silva à Presidência da República. Eu e o Marcelo Ramos estamos focados não só nas nossas campanhas, mas em ajudar a Marina a passar por essa disputa. Tenho convicção que o Brasil não vive uma pequena onda de Marina Silva, o Brasil vive uma onda pela ética, pela moralidade, pela coerência na política. Os nossos adversários ao Senado demonstram ao longo da vida vários momentos de incoerência. A principal delas é de um candidato que sempre combateu os corruptos e que agora está com duas muletas ao seu lado. De um lado, Eduardo Braga e do outro Amazonino Mendes. Esses mesmos políticos que o Francisco Praciano tanto condenou ao longo da sua vida pública. EM TEMPO - Nossa bancada federal sempre foi bastante criticada e por vezes intitulada de inoperante. Caso eleito, como o senhor pretende se relacionar com os demais pares? O senhor almeja obter o posto de líder do grupo? MS - Sempre tive uma ótima relação com todos os setores da bancada amazonense quando fui deputado federal. Essa ótima relação perdura até hoje, chegando a Brasília não tenho a pretensão de ser líder de uma bancada, minha pretensão é de ajudar a presidente Marina a governar esse país. Com esse foco, com essa pretensão, nós chegaremos lá, conscientes de que é preciso unir o Estado do Amazonas. As duas candidaturas que são diretamente minhas adversárias para o Senado são duas candidaturas que desunem o nosso Estado. Não produzem a união, um brigando com A e outro brigando com B. Eu atuando na linha propositiva chegarei ao Senado para fazer a grande união que o Estado precisa. EM TEMPO - A palavra renovação faz parte da linha defendida amplamente pelo Partido Socialista Brasileiro. Mas, além de novos nomes, como o PSB pretende trabalhar a renovação no Estado? MS - O momento pede renovação e nós pedimos uma chance para fazê-la. Não adianta nós irmos aos milhares para as ruas, há um ano, e hoje não darmos a resposta nas urnas. O PSB é um partido de resistência, não se coligou aquelas velhas
raposas políticas que nada fizeram. Por isso representamos a renovação e por isso pedimos essa chance. EM TEMPO - Como o senhor, como senador, pretende trabalhar em prol do crescimento social e econômico do interior do Amazonas? MS - O interior é algo que conheço de maneira muito abrangente, quando fui deputado federal todos os meses do meu mandato, viajava pelo menos duas vezes para uma calha de rio do interior. As cidades do interior estão abandonadas e não é de hoje, estão abandonadas desde a época do terceiro ciclo, implantado pelo governador Amazonino Mendes. O abandono é geral, não há uma política desenvolvimentista para o interior do Estado. Não defendo a devastação da floresta amazônica, defendo que a pessoa no interior tenha a oportunidade de viver do extrativismo e da exploração sustentável da madeira que nós temos. Não dá para as pessoas continuarem passando fome e abandonadas, por conta de regras ambientais. O Amazonas tem um potencial hídrico enorme, um potencial de piscicultura enorme e nós não produzimos peixe. A nossa farinha é uma das mais caras do país, a famosa farinha Uarini, chegou a R$ 12 o quilo e isso aconteceu por conta de uma política equivocada do governo estadual, que vem desde a época de Eduardo Braga. Ele entregou a secretaria da Produção Rural nas mãos de um partido político e o Omar Aziz manteve o erro. EM TEMPO - Recentemente, o EM TEMPO realizou um levantamento sobre a qualidade dos projetos elaborados pelos parlamentares em Brasília. No estudo dos dados disponibilizados pelos portais da transparência mantidos pela Câmara Municipal e Senado Federal, observamos que em boa parte dos projetos faltou qualidade. Caso eleito, quais serão suas primeiras iniciativas na casa? MS - Nossos primeiros passos serão em prol do desconto no Imposto de Renda dos seus gastos integrais com a educação dos seus filhos e com medicamentos. O Brasil não fornece para a sociedade brasileira educação de qualidade que ela almeja, então ela tem que escapar para a educação particular. O senador é senador da República e não só do seu Estado, temos que discutir grandes temas brasileiros.
Os nossos adversários ao Senado demostram ao longo da vida vários momentos de incoerêncoa. Temos até um candidato que combatia corruptos e agora está com duas muletas”
O momento é de renovação e nos pedimos uma chance de fazê-la. O PSB é um partido de resistência e não se coligou com velhas raposas da política”
Eleições 2014
4
MANAUS, DOMINGO, 7 DE SETEMBRO DE 2014
DIVULGAÇÃO
Cláudio Humberto COM ANA PAULA LEITÃO E TERESA BARROS
www.claudiohumberto.com.br
Nenhuma das negociações de hoje passa a ter credibilidade” AÉCIO NEVES, sobre a demissão do ministro da Fazenda 4 meses antes de sair do cargo
Liberação de inibidores pode ser lobby de Youssef Documentos apreendidos pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, aos quais esta coluna teve acesso, revelam grande interesse de uma empresa investigada, Piroquímica, no sal químico sibutramina, inibidor de apetite. O mega-doleiro Alberto Youssef fazia lobby para reverter a proibição desse comércio bilionário. Investigadores suspeitam que ele está por trás da liberação de inibidores, definida pelo Senado no dia 2.
folha. O PT lidera em quatro Estados, o PSB de Marina Silva não lidera, mas pode levar três.
Proibição Por oferecerem riscos à saúde, os inibidores tiveram a comercialização proibida em 2011, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Mão na taça No Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB) lidera com folga espantosa, em relação ao rival Renato Casagrande (PSB), o atual governador.
Arrumadinho O laboratório Labogen, de Youssef, importava químicos, revendia à Piroquímica, que revendia a outra empresa, que vendia ao governo.
Aero-corrupa Chegam a ser engraçados os codinomes utilizados pelos envolvidos no escândalo de corrupção revelado pela Operação Lava Jato. Há emissários batizados de “Grandão” e “Careca”, que faziam o transporte do dinheiro sujo, em jatos, para o exterior e de lá para o Brasil.
A favorita A empresa Labogen é uma das principais investigadas na Operação Lava Jato, envolvendo inclusive o deputado André Vargas (ex-PT-PR). Eles sabem mais Os senadores alegaram que a Anvisa “extrapolou” ao proibir inibidores de apetite. A Anvisa, na verdade, exerceu suas prerrogativas. PMDB pode conquistar oito governos estaduais Maior aliado do governo Dilma, o PMDB pode ser o grande vencedor da eleição 2014, nos Estados. Se os cenários previstos nas pesquisas se mantiverem, o partido de Michel Temer pode eleger até oito governadores, dois a mais que o PSDB, segundo colocado nas projeções das pesquisas de Ibope e Data-
Quatro no Nordeste No Nordeste, o PMDB tem grande chance de eleger Renan Filho (AL), Eunício Oliveira (CE), Henrique Alves (RN) e Jackson Barreto (SE). Três no Norte No Norte, são favoritos Eduardo Braga (AM) e Marcelo Miranda (TO). Helder Barbalho (PA) não lidera, mas tem chance. Todos do PMDB.
Rigidez Uma das empreiteiras investigadas pela Policia Federal na Operação Lava Jato também tem nome esquisito: Rigidez. Nome que certamente não foi inspirado na atitude eticamente rígida dos responsáveis. Figurões na escuta A Operação Lava Jato leva pânico a vários figurões do Paraná que aparecem em escutas, ora em conversas indecorosas com o megadoleiro Alberto Youssef, ora com o deputado André Vargas (ex-PT). Lula candidato? Os aliados do governo no
Jornalista
Nordeste, inclusive petistas, estão se lixando para a candidatura de Dilma à reeleição. Nem usam sua imagem, nem pedem votos para ela. Só querem saber de Lula. PT lipoaspirado O PT deve eleger a 2ª maior bancada de deputados federais, segundo políticos experientes. A Operação Lava Jato inibiu o “caixa 2” e Dilma não abriu o cofre. O PMDB sairá das urnas com a maior bancada. Propaganda enganosa O Itaú anunciou redução para 0,99% ao mês os juros do financiamento de veículos, até o dia 10. No rodapé do anúncio, em letras miúdas, a real: a taxa soma 12,55% ao ano, mas, somadas tarifas e otras cositas, vai a 27,66%, mais que o dobro. E 27,66% ao ano são 2,06% ao mês. Vassalagem Ao atacar Marina Silva (PSB), apostando na sua “derrubada”, caso eleita, o governador do Ceará, Cid Gomes (Pros), prestava vassalagem à presidenta Dilma. Na visita a Fortaleza, ela desabafou que não se sentia bem atacando Marina. Ele se prontificou a fazer o serviço. Desconstrução Os ataques do ex-ministro Ciro Gomes a Marina fazem parte do “pacote” oferecido à presidente Dilma pelo irmão governador. Até se dispôs a percorrer o país tentando “desconstruir” a candidata do PSB. Últimos a saber Se Lula demitiu Cristovam Buarque da Educação por telefone e Dilma demitiu Guido Mantega pela imprensa, os ministros devem ficar ligados para não serem demitidos por sinais de fumaça.
PODER SEM PUDOR
Conversa de pescador Nos tempos de ditadura, dois candidatos da Arena disputavam a prefeitura de Conceição do Mato Dentro (MG), onde vivia Chiquito, cabo eleitoral particularmente esperto. Na campanha, ele não hesitou em subir no palanque e pedir votos para Sebastião Soares, da Arena 2, mas uma semana depois lá estava ele no outro palanque, de José Mascarenhas, da Arena 1, implorando os votos dos conterrâneos. Um deles, curioso, questionou a repentina mudança. Chiquito não se fez de rogado: - Eu não mudei, pesquei. Joguei o anzol no ceveiro do Soares, esperei e não deu peixe. Joguei no ceveiro do Mascarenhas, logo veio peixe.
PROMESSA
Dilma diz que não vai desempregar A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que tem compromisso com a meta da inflação, de 6,5%, mas que para isso não vai desempregar o “povo brasileiro”. A presidente criticou aqueles que, segundo ela, sugerem que a pressão inflacionária pode ser causada pelo pleno emprego. Na última sexta-feira, dia 5, o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), divulgou a inflação dos últimos 12 meses, que chegou em 6,51% em agosto. O teto da meta é de 6,5%. “Meu compromisso é com a meta de inflação. Eu procurarei sistematicamente buscar o centro da meta. Agora, para isso, não vou desempregar o povo brasileiro porque muitas vezes o que está por trás dessa discussão é: ‘vocês não
acham necessário desempregar um pouco, porque está muito alto o emprego? ”, disse a presidente. “A verdade é que no período de mais ou menos nos 15 anos em que temos meta de inflação, em nove anos sempre estivemos pouco acima do centro da meta. Nunca estivemos sistematicamente no centro, a não ser em três anos se não me engano”.
Candidato declarou que uma das prioridades dele será o combate à violência contra idosos
Marcelo Ramos debate sobre segurança pública
Candidato ao governo apresentou suas propostas para o ramo da segurança pública e o combate ao tráfico de drogas
O
candidato ao governo Marcelo Ramos (PSB) participou do programa “Segurança Agora”, da TV EM TEMPO, onde entre outros assuntos falou sobre a questão da violência contra o idoso. De acordo com o candidato, um governo tem que combater todos os tipos de violência, entretanto, salientou que existem grupos mais vulneráveis, como LGBT, mulheres, crianças e idosos. “Temos que reconhecer que esses grupos precisam de tratamento diferenciado”, disse. Num eventual governo, Marcelo Ramos salientou que os Distritos de Policia serão
transformados num Centro com ações transversais com psicólogos, assistentes sociais e médicos, além de atender as famílias em casa. “Transformaremos os DIPs em centros de atenção aos idosos com interação com as famílias”, afirmou, completando que quando há violência contra os idosos as famílias também tem que ser tratadas. Sobre segurança na fronteira, Ramos avaliou que nas áreas internas das cidades
que fazem fronteira com ouros países, a obrigação de garantir segurança é do governo estadual e completou que o sistema penitenciário no Amazonas precisa ser humanizado. “O preso entra num presídio e sai muito pior do que entrou porque não existem projetos para ele. No nosso governo investiremos em programas para ficar ocupado”, disse. Também voltou a argumentar que o programa “Ronda no Bairro” não combate tráfico de droga, crime organizado e homicídio e completou que o programa deve ser reformulado restabelecendo a sua lógica de polícia comunitária.
Eleições 2014
MANAUS, DOMINGO, 7 DE SETEMBRO DE 2014
5
Marina Silva diz ter vida ‘vasculhada’ por rivais A
candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, disse que está sofrendo “perseguição em todos os níveis” e que no momento “há quase que CPIs paralelas, informais vasculhando a minha vida em todos os lugares”. A candidata deu a declaração ao ser questionada sobre palestras que proferiu. O tema levantado por reportagem do jornal “Folha de S. Paulo”, segundo a qual entre março de 2011 e junho de 2014 a candidata recebeu R$ 1,6 milhão em palestras, o que, conforme o jornal, foi mantido “em segredo” por Marina. “Isso é um factóide que o PT está criando, é uma atitude lamentável, é uma verdadeira perseguição em todos os níveis. Neste momento tem quase que CPIs paralelas informais vasculhando a minha vida em todos os lugares mas eu tenho a consciência livre e tranquila com relação à minha honestidade”, afirmou. Marina disse ainda que os adversários estão “quase em desespero” e que, por serem “tão grandes e poderosos, conseguem ocupar todos os espaços para dizer inverdades a meu respeito”. “O que está acontecendo é que há uma situação quase que de desespero por parte dos meus adversários [...] Obviamente que eles são tão grandes e poderosos que conseguem ocupar todos os espaços para dizer inverdades a meu respeito. Eu não tenho a mesma estrutura que eles têm. A presidente Dilma tem 11 minutos de programa de televisão, o governador Aécio tem quase cinco. Eu tenho apenas dois minutos”, afirmou. Agronegócio Na entrevista, a candidata também foi questionada sobre o agronegócio. Ela disse que
DIVULGAÇÃO
Candidata socialista à Presidência diz que há quase CPIs paralelas informais fiscalizando sua vida em todos os lugares o país deve ter ganho de produção com aumento da produtividade. A candidata afirmou defendeu ainda a agricultura sustentável. “Nós queremos é incentivar, sim, a agricultura brasileira. Porque ela é muito importante para o nosso país e para o suprimento de alimento, a segurança alimentar, de boa parte do mundo. E o que nós queremos é com o investimento, com crédito, com o apoio à ciência e tecnologia, inovação, que a gente possa aumentar a produção por ganho de produtividade. Os regramentos para que se tenha uma agricultura sustentável em todos os aspectos devem ser observados”, disse.
DESESPERO
Marina disse ainda que os adversários estão quase em desespero e que, por serem tão grandes e poderosos, conseguem ocupar todos os espaços para dizer inverdades ao seu respeito Marina Silva disse que situação está sendo ocasionada por conta do desespero dos seus adversários no pleito deste ano
Setor de energia A candidata foi questionada sobre críticas de que em sua gestão no Ministério do Meio Ambiente licenciamentos ambientais demoraram para serem liberados e que isso pode ter contribuído para uma crise no setor energético. Marina negou que tenha atrasado licenciamentos e alegou ter saído do governo em 2008, por isso não pode ser responsabilizada por problemas que acontecem na gestão atual.
Candidata diz que falta ‘visão estratégica’ Ela também disse que falta “visão estratégica” ao governo ao não combinar diversos tipos de energia, como a eólica, a solar e a de biomassa. “O problema é que nós temos uma situação em que a falta de visão estratégica está nos levando a poucas fontes de
relação. E quando não tem as chuvas, que não é culpa de ninguém, aí a gente fica na dependência apenas das termoelétricas tradicionais, que precisam ser acionadas para complementar o suprimento de energia”, concluiu. “Quantos anos já fazem que eu saí? Os licenciamentos
mais difíceis foram dados durante a minha gestão. Quando eu cheguei no ministério, existiam 40 hidrelétricas, 40 licenças que estavam paralisadas e algumas delas com questionamento do Ministério Público. [...] O setor elétrico é responsabilidade dela há 12 anos, Como
chefe da Casa Civil e como presidente da República. Ela esteve nos espaços de poder mais importantes para a agenda de energia. Como podem dizer que a responsável pelos problemas que têm no setor elétrico é uma pessoa que saiu do governo desde 2008?”, questionou.
Agenda dos candidatos EDUARDO BRAGA
JOSÉ MELO
Candidato faz visitas a comunidades do Médio Solimões.
MARCELO RAMOS
Candidato faz caminhada em bairros da Zona Sul de Manaus.
CHICO PRETO
Candidato pela manhã faz “adesivaço” da candidata Marina Silva na praia da Ponta Negra. À tarde, faz caminhada no município de Itacoatiara.
HERBERT AMAZONAS
Candidato não divulgou agenda.
NAVARRO
Candidato não divulgou agenda.
Candidato fará visita ao município de Presidente Figueiredo.
ABEL ALVES Candidato não divulgou agenda.
6
Eleições 2014
MANAUS, DOMINGO, 7 DE SETEMBRO DE 2014
Por delação premiada, 61 políticos são denunciados
Redução de pena Delação premiada ou colaboração com a Justiça é a figura jurídica que prevê a redução de pena quando um réu fornece informações que possam esclarecer outros crimes. Costa decidiu fazer uma delação premiada no último dia
22, depois que a Polícia Federal fez buscas em empresas de suas filhas, de seus genros e de um amigo dele, todas no Rio de Janeiro. Em uma das empresas, a Polícia Federal encontrou indícios de que Costa tem mais contas no exterior.
DISTRIBUIÇÃO
Os políticos receberiam, segundo o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberta Costa, 3% do valor dos contratos da Petrobras na época em que ele era diretor de distribuição da estatal, entre 2004 e 2012 Em junho, a Suíça comunicou às autoridades brasileiras que Costa e seus familiares tinham US$ 23 milhões em contas secretas naquele país. O ex-diretor havia negado à polícia que tinha recursos no exterior.
A existência das contas na Suíça foi o motivo alegado pelo juiz federal Sergio Moro para decretar a prisão de Costa pela segunda vez, em 11 de junho. Costa também estava em pânico com a perspectiva de ser condenado a mais de 30 anos de prisão. A delação do ex-diretor da Petrobras é sigilosa e o teor de todos os depoimentos não foi revelado até agora. Operação Lava Jato A “Folha de S.Paulo” revelou que a prioridade dos procuradores da Operação Lava Jato era descobrir como o esquema de desvio na Petrobras alimentava políticos e como as empreiteiras operavam para fazer os recursos chegaram até os parlamentares. Costa foi responsável pela obra mais cara da Petrobras, a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, cujo preço final pode ultrapassar R$ 40 bilhões. Segundo a Polícia Federal, os contratos eram superfaturados e o sobrepreço era repassado pelas empreiteiras ao doleiro Alberto Youssef. O doleiro, por sua vez, cuidaria da distribuição do suborno aos políticos.
Paulo Roberto Costa foi beneficiado por ter relacionado políticos envolvidos com a Petrobras
MÁRIO ADOLFO/ADYEL VIEIRA
O
ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa deu o nome de 12 senadores, 49 deputados federais e um governador na parte de sua delação premiada que trata de políticos, segundo a reportagem apurou. Os envolvidos seriam de três partidos, ainda de acordo com a apuração da reportagem: PT, PMDB e PP. Costa dizia na cela em que está preso na Polícia Federal em Curitiba que não teria eleições neste ano se ele revelasse tudo o que sabe. Os políticos receberiam, segundo Costa, 3% do valor dos contratos da Petrobras na época em que ele era diretor de distribuição da estatal, entre 2004 e 2012. O depoimento chegou no começo desta semana ao STF (Supremo Tribunal Federal) para que o ministro Teori Zavascki homologue o acordo.
EBC
Ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa entregou à PF o nome de parlamentares que se beneficiavam com a Petrobras
S
ó não vale chutar na canela! Mas discutir propostas, programas de governo, dar respostas às demandas apresentadas pela sociedade, discutir os problemas do nosso Estado e apontar as possíveis soluções, isso pode!
única para que a sociedade conheça o potencial dos homens que querem governar o Amazonas. Eleição é coisa séria, debate também. Ao conhecer as propostas e perfis dos candidatos em 2h30 de debate, o eleitor vai identificar o seu potencial como gestor e suas qualidades, como Por entender que o momento eleitoral é crucial a inteligência e a experiência. para o futuro do Amazonas, a TV EM TEMPO/SBT, do Grupo Raman Neves de Comunicação, que Agende esse programa. Depois do Debate TV será realizado dia 9 de setembro às 21h30, vai EMTEMPO/SBT, que terá como mediador o jornacolocar José Melo (Pros), Eduardo Braga (PMDB), lista Marcelo Torres – âncora do Jornal do SBT –, Marcelo Ramos (PSB), Chico Preto (PMN) e Abel você terá maior convicção para digitar o número Alves (Psol) frente à frente. Será uma oportunidade de seu candidato e a tecla CONFIRMA!
Eleições 2014
MANAUS, DOMINGO, 7 DE SETEMBRO DE 2014
7
Aborto, maconha e religião segundo os presidenciáveis REPRODUÇÃO
Candidatos à Presidência da República debatem assuntos controversos e dão sua opinião sobre temas polêmicos
Pesquisa com 10 dos 11 candidatos à Presidência da República responderam questões consideradas polêmicas e que são controversas entre os eleitores brasileiros
C
om o início da campanha eleitoral, temas controversos passaram a fazer parte do debate político e os candidatos são instados
a todo momento a se posicionar sobre polêmicas. Dez dos 11 candidatos à Presidência da República falam sobre alguns assuntos acalorados, como a
descriminalização da maconha, do aborto e o ensino religioso obrigatório. Os candidatos também foram questionados sobre a redução da maioridade
penal, o fim da reeleição, a ampliação do Bolsa Família, a diminuição do número de ministérios e aspectos da economia como a reforma tributária, a meta de inflação
ideal e a independência do Banco Central. As respostas foram colocadas em ordem alfabética pelo nome do candidato. O candidato Rui Costa Pimen-
ta (PCO) ainda não havia respondido à solicitação de entrevista até a publicação desta reportagem.
CANDIDATOS SE POSICIONAM, OU NÃO, SOBRE TEMAS CONSIDERADOS CONTROVERSOS E POLÊMICOS » Descriminalização do aborto
» Descriminalização da maconha
Aécio Neves (PSDB) É contra.
Aécio Neves (PSDB) É contra.
“Sou a favor da legislação atual, sem mudanças”, afirmou o tucano em entrevista a uma revista em junho de 2013.
Dilma Rousseff (PT) É contra.
“Defendo a manutenção da legislação atual sobre o assunto”, afirmou em 2010, quando era candidata ao Planalto.
Marina Silva (PSB) Afirma “não defender” a descriminalização do aborto, mas diz ser favorável à realização de um plebiscito sobre o tema. Eduardo Jorge (PV) É a favor.
Defende a legalização do aborto, estabelecendo regras e limites de idade gestacional. “Não estimulamos a prática do aborto, pois ele sempre é traumático para a mulher... Porém, não podemos ignorar essa realidade de muitas mulheres que por algum motivo recorrem a ele a cada ano. Não concordamos em criminalizá-las”, diz o programa de governo do PV.
Eymael (PSDC) É contra.
“A posição da democracia cristã é a manutenção das três hipóteses que hoje existem (para o aborto): o estupro, o perigo de vida [para a mulher] e o feto destituído de cérebro”.
A posição difere daquela adotada por FHC, seu padrinho político.
assunto.
Marina Silva (PSB) Pessoalmente, se diz contrária ao uso da maconha. Apesar disso, defende a realização de plebiscitos para que a população se posicione sobre a possibilidade de descriminalização da droga.
Marina Silva (PSB) Embora, na campanha presidencial de 2010, tenha defendido o ensino religioso nas escolas, atualmente se coloca contrária à obrigatoriedade. “Tive 16 anos de atividade parlamentar e ninguém me viu apresentar nenhum projeto de lei defendendo a religião; respeito o Estado laico”.
Eduardo Jorge (PV) É a favor.
Defende a legalização da maconha para uso medicinal e recreativo, outras drogas mais pesadas devem ter estratégias para reduzir os danos de uso. Acredita que o uso da maconha deve ser tratado como o uso do tabaco e do álcool.
Eymael (PSDC) É contra.
“[A descriminalização] é um equívoco. A maconha é a porta de entrada da droga”.
José Maria (PSTU) A favor.
Levy Fidelix (PRTB) É contra.
Levy Fidelix (PRTB) É contra.
Luciana Genro (PSOL) A favor.
“Eu vejo que a gente precisa descriminalizar, para quê? Para acabar com essa hipocrisia e possibilitar uma discussão franca sobre o tema da maternidade, da contracepção”.
Mauro Iasi (PCB) É favorável.
”O aborto é um direito da mulher. Dessa forma, ele deve ser realizado na rede pública de saúde”.
Pastor Everaldo Pereira (PSC) É contra.
“Defendo os princípios cristãos, defendo a vida a partir da concepção, e sou a favor de todas as leis civis e penais que defendam o direito à vida. A criminalização do assassinato de vida intrauterina é tão importante quanto a criminalização do assassinato de vida extrauterina. As exceções que hoje constam no direito brasileiro já são mais do que suficientes para regular a questão”.
Aécio Neves (PSDB) Não se pronunciou sobre o
assunto.
Dilma Rousseff (PT) Afirmou ser contra nas eleições de 2010, quando era candidata. Na campanha atual, não se pronunciou.
José Maria (PSTU) É contra.
“Sou a favor que a legislação permaneça como está. Hoje é permitido fazer aborto em casos de anencefalia, risco de vida [à mãe]. No caso de estupro, não. Violenta o moral dela, mas não [pode] matar a criança”.
» Ensino religioso obrigatório
“Maconha? Pra mim, maconheiro, prendia todos. Todo mundo.”
Luciana Genro (Psol) A favor.
“Nós achamos que o primeiro passo, no sentido de se acabar com essa guerra às drogas que na verdade se transformou em guerra aos pobres, é a descriminalização da maconha porque a maconha é uma droga que causa tão mal quanto o álcool e o cigarro e deve ser tratada no mesmo patamar”.
Mauro Iasi (PCB) É favorável.
“Quem acaba sofrendo com a criminalização é exatamente a população pobre”.
Pastor Everaldo Pereira (PSC) Não respondeu diretamente.
Disse que “devemos reforçar o combate ao tráfico e ao consumo de drogas, pois está comprovado cientificamente que essas substâncias criam dependência química, distúrbios psicológicos e até psiquiátricos. Mais do que se preocupar com a descriminalização da maconha, o desgoverno atual deveria se preocupar com o crescimento do tráfico de drogas e a explosão de cracolândias”.
Dilma Rousseff (PT) Não se pronunciou sobre o
Eduardo Jorge (PV) É contra.
“O Estado brasileiro é laico. Proponho ensino da história das religiões como um exercício de tolerância e respeito à diversidade. Deus está onde o amor está (Tolstói)”.
Eymael (PSDC) Para ele, deve ser seguida a Constituição. “A Constituição diz que é possível. [Mas] não obrigatório”.
José Maria (PSTU) É contra. “A escola tem que ser laica”,
diz.
Levy Fidelix (PRTB) A favor.
“Tem que ter. Agora, naturalmente que não sou a favor que seja apenas pela maioria (religiosa). Hoje a Igreja Católica tem cerca de 70% dos brasileiros, nós temos os evangélicos... Deve se permitir que, dentro do colégio, a pessoa opte, digamos, pela sua fé”.
Luciana Genro (Psol) Não se pronunciou sobre o assunto.
Mauro Iasi (PCB) É contra.
Pois acredita que, em uma sociedade socialista, o Estado deve ser totalmente laico.
Pastor Everaldo Pereira (PSC) É contra.
“Somos a favor da descentralização do ensino público e liberdade educacional, respeitando-se um conteúdo onde o foco, nos ensinos fundamental e médio, deva ser o ensino de língua portuguesa e matemática. Escolas que tenham interesse em oferecer ensino religioso devem ser livres para fazê-lo, sem obrigatoriedade, mas com liberdade”.
Eleições 2014
8
MANAUS, DOMINGO, 7 DE SETEMBRO DE 2014
‘Guerra dos artistas’ entra nos bastidores da política Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) tentam explorar o apoio das classes artísticas e intelectuais
Rapper Rappin’ Hood já declarou seu voto em Dilma Rousseff
Estrelam: Zezé Di Camargo com a filha Wanessa, Chitãozinho e Xororó, Renato Teixeira, Chrystian (da dupla com Ralf), integrantes da banda Skank, Beto Guedes, Cris do Morro, Velha Guarda da Mangueira e outros. E cantam: “A força que o Brasil precisa, chamou / Aé, Aé, Aécio, eu vou”. A ideia dos marqueteiros do PSDB é dar roupagem mais pop aos programas de rádio e TV, que devem exibir imagens de apoiadores incensados ao menos duas vezes por semana. Em março deste ano, foi veiculada uma série de vídeos em homenagem ao aniversário do candidato com manifestações, inclusive, do jogador Ronaldo. Os ‘marineiros’ Desde 2010, Marina Silva contou com forte apoio de artistas, o que ajudou a disseminar sua candidatura, que tinha menos de um minuto de propaganda eleitoral. Agora, já exibe em suas redes sociais a adesão dos cantores Caetano Veloso, Lenine e Adriana Calcanhoto e do ator Caio Castro, por exemplo.
Marina Silva tem o apoio do ator da rede Globo, Caio Castro FOTOS: DIVULGAÇÃO
O
s candidatos à Presidência Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) deram início à “guerra dos artistas”. Começaram a explorar o apoio das classes artística e intelectual às suas candidaturas nas redes sociais, em atos de campanha e até no programa eleitoral. Os petistas preparam um evento político com famosos no Rio de Janeiro, previsto para o dia 15 de setembro, e devem contar também com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os convites já começaram a ser feitos, mas ainda não há confirmações. Na corrida presidencial deste ano, já declararam publicamente apoio a Dilma personalidades como o teólogo Leonardo Boff, o cantor Otto, o cartunista Ziraldo, o cineasta Jorge Furtado e os atores José de Abreu e Henry Castelli. Aécio Neves já adotou estratégia mais agressiva e exibiu em seu programa eleitoral de TV na quinta-feira (4) um videoclipe com cantores famosos entoando jingle de sua campanha.
Zezé Di Camargo demonstrou que irá votar em Aécio Neves
Frejat encabeça organização em apoio aos artistas no país
Artistas enviam carta pública O Grupo de Articulação Parlamentar Pró-Música (Gap), formado por nomes como Frejat, Leoni, Ivan Lins e Fernanda Abreu, enviou esta semana aos candidatos à Presidência da República uma carta aberta com propostas à política cultural defendida nos programas de governo de cada um. Acusando os candidatos de silenciar sobre seus respectivos projetos para a cultura na campanha feita até o momento, os artistas e produtores que assinam o documento pedem a aprovação da PEC 150; o cumprimento da lei 11.769/2008, que determina o ensino da música nas escolas; a criação de um Instituto Brasileiro de Direitos Autorais (IBDA) e de uma Agência Nacional da Música; a ampliação de programas de fomento para a música;
a reforma da Lei Rouanet; entre outras propostas. “Até agora, nenhum candidato falou sobre suas propostas para a cultura, o que é muito preocupante. Nossa intenção é justamente que eles falem, que apresentem seu pensamento em relação a questões fundamentais como o Direito Autoral ou Lei Rouanet”, argumentou Frejat, sobre os motivos que levaram os músicos a formular o documento. “Queremos fazer isso também na esfera estadual. É importante deixar claro que o grupo não vota fechado, mas nós já estamos há um bom tempo atuando junto ao Estado para defender nossas posições. Até o momento, nenhum candidato se manifestou em relação à carta”, disse o cantor.
EXPEDIENTE EDIÇÃO Isabella Siqueira de Castro e Costa e Náis Campos
REPORTAGEM Moara Cabral, Joelma Muniz, Rapahel Lobato e Assessorias
REVISÃO Dernando Monteiro e João Alves
DIAGRAMAÇÃO Marconos Freire, Klinger Santiago, Marcelo Robert e Mário Henrique Silva
TRATAMENTO DE FOTOS Adriano Lima