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Especial

MANAUS, SÁBADO, 1º DE MARÇO DE 2014

diadia@emtempo.com.br

Campeã de 2013, a escola de Samba Mocidade Independente de Aparecida entrará no Sambodrómo às 1h20 de domingo, em busca do bicampeonato, com 3,8 mil componentes

Um espetáculo pelo título

H

oje acontece o ponto máximo do Carnaval amazonense, quando as oito escolas do Grupo Especial – Mocidade Independente de Aparecida, Reino Unido da Liberdade, Vitória Régia, Andanças de Ciganos, Balaku Blaku, Unidos do Alvorada, Sem Compromisso e A Grande Família – entrarão na passarela do samba para disputar o título de 2014. A disputa acontece a partir das 20h e prossegue até o amanhecer de domingo. Cada agremiação está preparada para lutar com suas comissões de frente, alegorias, alas e a alegria de milhares de brincantes para conquistar o público e os jurados. A apuração acontecerá na Quarta-feira de Cinzas (5).

Andanças de Ciganos Localizada no centro comercial de Manaus, a rua Marechal Deodoro será o enredo da escola Andanças de Ciganos, que abrirá as apresentações do Grupo Especial, com o enredo “Vou às compras, que legal, meu destino é a Marechal”. “Falar da rua Marechal Deodoro, fazer homenagem ao coração do comércio popular em nossa cidade, falar do povo, da simplicidade, da alegria, das festas, do sentimento de presentear, da superação de quem viveu muitas dificuldades como grandes incêndios e mostrar a criatividade de uma rua que cada ano supera as grandes dificuldades com o apoio popular. Esse é nosso objetivo”, comenta o presidente da escola, Vilson Benayon Filho. Fundada em 1975 na Cachoeirinha por um grupo de amigos, a escola teve seu primeiro título no Grupo Especial em 1984 e possui 20 títulos de campeã e oito de vice-campeã. Na passarela do samba, a escola levará para o sambódromo quatro carros alegóricos, 3,3 mil brincantes em 22 alas, 60 baianas, 200 ritmistas e 14 bailarinos na comissão de frente, que representarão os comerciantes do mundo chegando à nossa cidade.

Unidos da Alvorada “José Aldo: prata da casa, ouro do mundo” é o enredo que a Unidos do Alvorada levará para a passarela do samba neste sábado, a partir das 21h20. Em busca do seu primeiro titulo, a escola fará uma homenagem ao filho ilustre do bairro Alvorada, o lutador da categoria dos Penas do UFC, José Aldo Júnior. O lutador nascido em Manaus cresceu no bairro Alvorada, partindo aos 16 anos para o Rio de Janeiro, onde morou por algum tempo na própria academia onde treinava. Com ajuda de amigos também lutadores, foi dando os passos na carreira, chegando em 2010 a ser considerado o melhor lutador de MMA do mundo dentre todas as categorias. A Unidos do Alvorada aposta na riqueza do enredo e na história de vida do lutador amazonense com quatro carros alegóricos, três tripés, 3,2 mil brincantes divididos em oito alas, 300 ritmistas, 100 baianas e quatro casais de mestre sala e porta bandeira. “Entraremos no sambódromo para surpreender, com vontade de ganhar. Levaremos a história de um guerreiro, de um ídolo mundial ”, comenta o presidente da escola, Haroldo Linhares. Fundada em 15 de maio de 1995, a escola teve sua estreia na passarela no samba em 1998, no grupo de acesso, e em 1999 já estava participando do Grupo Especial. Desde então, vem lutando para conseguir o tão sonhado campeonato, ficando em segundo lugar em 2013 com o enredo “A beleza está nos olhos de quem vê”.


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A Grande Família O grêmio recreativo A Grande Família, o “Galo da Zona Leste”, exaltará este ano Ednelza Sahdo, dama do teatro amazonense com mais de 50 anos de carreira e que durante 30 anos carregou a responsabilidade de ser porta-bandeira de várias escolas de samba de Manaus – e deixou claro que o amor à primeira vista aconteceu pela Mocidade de Aparecida. Ela é considerada a maior porta-bandeira de todos os tempos do Carnaval amazonense. Terceira escola a desfilar no sambódromo em 1º de março, às 22h40, A Grande Família levará para a avenida do samba o enredo “Ednel-

za Sahdo – uma estrela em cena”. Com orçamento de R$ 850 mil, a escola apresentará uma mega estrutura com seis carros alegóricos, um tripé, 26 alas, 280 ritmistas, 90 baianas e 21 componentes na comissão de frente. Segundo o carnavalesco Luizinho Andrade, a escola investiu pesado na emoção pelo fato de ser “uma história linda, uma história culturalmente rica, de uma mulher 100% cultura”. “Os pontos altos do desfile ficarão por conta da bateria e comissão de frente”, disse. O carnavalesco comentou que a bateria virá à frente do carro abre alas. “Será a primeira vez que isso acontece

no Carnaval de Manaus e será a grande aposta d’A Grande Família”, disse Luizinho. A escola foi fundada em 1986 como bloco de enredo. Em 1994, foi convidada pela Associação do Grupo Especial das Escolas de Samba de Manaus a desfilar. Nessa ocasião destacou-se com o enredo que versava sobre a lenda do guaraná. Conquistou seu primeiro titulo em 2001 com o enredo “As Amazonas: mulheres guerreiras e figurativas. Zona Leste circuito da alegria”. Atualmente, guarda cinco títulos de campeã no Grupo Especial e tenta ganhar mais uma taça para a comunidade vermelha e branca.

A escola foi fundada em 1986 como bloco de enredo. Em 1994, foi convidada pela Associação do Grupo Especial das Escolas de Samba de Manaus a desfilar

Balaku Blaku Quarta escola a desfilar no sambódromo a partir da meia noite de domingo (2), a escola Balaku Blaku, com o enredo “Marapatá, a ilha encantada dos mitos, portal de Manaus, passarela dos mitos”, mostrará em quatro atos, divididos em blocos os mistérios e os mitos que envolvem a ilha de Marapatá. Uma ópera indígena vai narrar a história de um índio denominado Marapatu. Lançado por sua mãe nas águas do rio para se salvar da grande destruição feita por um pajé do mal, o grande guerreiro Marapatu encontrará a força nas cidades do interior do Amazonas: de Parintins, será a força dos índios e dos bumbás Garantido e Caprichoso; de Itacoatiara, dos poetas;

Em meio as cores vermelha e branca, a Balaku Blaku levará à avenida uma ópera índigena, contada em quatro atos, pelos 3,2 mil brincantes

de Presidente Figueiredo, das cachoeiras; e de Maués, a força vem do guaraná. Com um orçamento de R$ 600 mil, a escola levará para a avenida do samba, quatro carros alegóricos, um tripé, 3,2 mil brincantes, três casais de mestre-sala e porta-bandeira, 230 ritmistas, 21 alas e 100 baianas. “Traremos algo inovador e surpreendente, coisas assustadoras, carros escuros, algo nunca visto no Carnaval de Manaus e nem do Rio de Janeiro. A escola passou por uma grande transição. Mesmo com todas as dificuldades, unimos as forças para fazer um grande Carnaval. Seremos ousados e diferentes, vamos brigar pelo título”, disseram os membros da co-

missão de arte da escola, formada por Betinho, Marco Jr. e Irlene Mourão. A escola que tem como o símbolo a águia com a cores vermelha e branca foi fundada em 22 de outubro de 1977, no Centro, entre as ruas Isabel e Lima Bacuri. A Balaku Blaku teve sua primeira participação no Grupo Especial em 1992, e em 2001 conquistou seu primeiro titulo com o enredo em homenagem a Nilton Lins, dividindo o título com mais três escolas. Inovando a cada ano, a escola homenageou a banda paraense Calipso em 2007, e no ano seguinte homenageou um dos maiores bailarinos brasileiros, conhecido internacionalmente, o amazonense Marcelo Mourão.


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Aparecida Com o enredo “Centro de amor, Centro de vida: História e alma de um povo”, a escola Mocidade Independente de Aparecida, que já arrebatou 19 títulos desde sua criação em 1980, fará uma homenagem ao Centro da cidade, que acolhe em torno de 200 mil pessoas, principalmente, durante as festas de fim de ano. Além de apontar a importância econômica do Centro, a Aparecida também vai ressaltar a importância do respeito ao espaço público. “Este é um tema bastante oportuno, o Centro está na alma do manauense. Lá é onde tudo começou, passa hoje por revitalização, mas queremos apontar suas mazelas, queremos fazer um alerta sobre o que o Centro está precisando e

Colecionando 19 títulos desde a sua criação a Mocidade Independente de Aparecida vai em nusca do bicampeonato

Reino Unido Mais de três décadas de participação da escola Reino Unido da Liberdade no Carnaval amazonense será narrado pela própria agremiação durante o desfile no domingo, a partir das 2h40. Segundo a diretoria, o enredo “No reino do carnaval já sorri, chorei, sambei, e a liberdade conquistei”, será defendido por pelo menos quatro, cinco mil brincantes, espalhados em 28 alas e com cinco carros alegóricos. “O ‘Morro’ este ano faz uma auto-homenagem. Levaremos para avenida nossa própria história. São 33 anos de samba, é uma homenagem merecida”, ressaltou o presidente Ney Rodrigues. Segundo Rodrigues, a

escola do Morro trabalha com orçamento de aproximadamente R$ 390 mil repassados pelo Estado e pela prefeitura. Na avenida, a agremiação promete surpreender o público, com novidades na bateria e comissão de frente. Sem revelar muitos detalhes, o presidente apenas adiantou que a comissão virá com o máximo de integrantes permitidos nas normas, ou seja, 15 bailarinos. Com um histórico de oito títulos conquistados e oito vice-campeonatos, a Reino Unido da Liberdade já sonha com a conquista da vitória deste ano. A escola nasceu em 1981, como um bloco no bairro

Morro da Liberdade, na Zona Sul de Manaus, em uma brincadeira de amigos na rua Santa Rosa. Cinco anos depois se transformou em escola e em 1987 entrou para o Grupo Especial. Em 1989, conquistou o primeiro título com o samba enredo “Mãe Zulmira, o amanhecer de uma raça”, e em 1990 veio o bicampeonato com “Vem a mais de mil”. O último título da escola do Morro da Liberdade veio em 2012, com a homenagem ao padre salesiano Dom Bosco, “Um menino, um sonho, uma obra - o amor de Dom Bosco virou realidade”. As cores da escola são verde e branco e tem uma coroa como símbolo.

Reino Unido levará 4,5 mil brincantes para a passarela do samba, para conquistar o título deste ano, falando sobre a própria escola

todas as coisas que precisam ser feitas para o manauense sentir orgulho do Centro da cidade”, ressaltou o presidente Luiz Pacheco. Neste ano, a escola verde e branco vai desfilar às 1h20 de domingo com 3,8 mil componentes divididos em 20 alas, cinco carros alegóricos, dois tripés. Haverá 80 baianas, 260 ritmistas na bateria, quatro casais de mestre-sala e portabandeira, e 15 componentes na comissão de frente. Segundo o presidente, a escola deverá inovar na comissão de frente e bateria. “A Aparecida sempre inova na avenida. Este ano não será diferente. Teremos uma comissão de frente diferenciada, a bateria tem desenvolvido um ritmo e cadência inovadora e o resto só assistindo porque é segredo”,

ressaltou Pacheco. Diferente de outras escolas, o presidente apontou que os trabalhos no barracão iniciaram cedo, em agosto de 2013. “A Aparecida, escola de vanguarda, começou um pouco mais cedo para evitar qualquer atraso”, assegurou. Ele ressaltou que o adiantamento do início dos trabalhos, a interdição dos barracões durante 10 dias requerida pelo Ministério público do Estado (MPE) no mês de janeiro - não influenciou no cronograma da escola. Entre a verba repassada pelo governo, prefeitura e patrocinadores, o desfile da “Pareca” custará cerca de R$ 800 mil. “Não desfilamos por desfilar e sim para disputar o título. A Aparecida nasceu vitoriosa”, apontou.


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Sem Compromisso Em torno de 3 mil brincantes da Sem Compromisso, a escola do tucano preto e amarelo, vão levar para a avenida, a partir das 4h de domingo, a história das motocicletas. O enredo “Máquinas da liberdade, que incendeiam os corações: a história da motocicleta, desde Leonardo Da Vinci”, terá o cantor Arlindo Júnior como intérprete. A história do veículo de duas rodas irá tomar a avenida ao longo das 22 alas, com cinco carros alegóricos, 250 ritmistas na bateria, 120 destaques e quatro casais de mestre -sala e porta-bandeira. O diretor de Carnaval Ge-

túlio Lobo explicou que adaptou o tema sugerido pelo vereador Bosco Saraiva. Segundo Lobo, o andamento dos trabalhos sofreu atraso por conta da morosidade do repasse da verba da prefeitura e do Estado. Além de problemas no repasse do município, uma parcela do Estado ficou retida, atrapalhando um pouco o cronograma. “Ainda tivemos também a interdição do sambódromo. Acho que falta mais apoio à cultura popular, o folclore, o Carnaval, às coisas nossas. Ajudaria se o edital tivesse sido liberado em julho de 2013 e não em novembro

como foi, para adiantar o trabalho. Mas acreditamos que no final, tudo deu certo. O amazonense está acostumado a tirar leite de pedra”, defendeu. A escola surgiu no Centro, como bloco em 1978, numa brincadeira entre amigos da rua Comendador Clementino. Já conquistou dois títulos, 12 pratas e 13 bronzes. O primeiro título foi conquistado em 1986 com o samba enredo de Aníbal Beça, “Joana Galante: axé dos orixás”. Neste ano, os ensaios foram transferidos para a quadra no bairro Nova Cidade, na Zona Norte de Manaus.

Apesar das dificuldades enfrentadas por conta dos repasses, a escola levará três mil brincantes para a passarela do samba, neste domingo

Vitória Régia A extinção das senzalas e do trabalho escravo no Amazonas, quatro anos antes que o resto do Brasil, serão contados na avenida pela Vitória Régia. Em torno de 4,5 mil componentes defenderão o enredo “Da África ao Amazonas, da escravidão à liberdade – 130 anos da abolição da escravatura”, pela escola que irá encerrar os desfiles do Grupo Especial, às 5h30 de domingo (2). O desfile da verde e rosa será em 28 alas e cinco carros alegóricos, e deverá explorar diversos elementos da cultura afro. De acordo com o presidente, Ivan Martins, mesmo o dinheiro não tendo sido repassado integralmente, a escola não amargou atrasos

Verde e rosa usou recursos próprios para levar a escola para a avenida e disputar o título de campeã do Carnaval de 2014

no cronograma. “Tivemos um adiantamento bom, os carros estão bonitos, não reaproveitamos nada, compramos ferro novo, tudo novo. A escola gastou o que não tem, mas ficou bonita e as fantasias também”, salientou o presidente. Ele explicou que os investimentos da agremiação ficaram na faixa de R$ 800 mil, e mesmo sem ter recebido todo repasse do governo, o grupo está confiante com o trabalho que foi desenvolvido no barracão, nos ensaios com os artistas e, claro, apostando na vitória. “Estamos usando o nosso dinheiro mesmo. Tem que fazer, se não fizermos vamos passar vergonha. Menos que R$ 800 mil não dá

para fazer. Nosso objetivo é ganhar. Não gosto de entrar para perder. Tem que respeitar a Vitória Régia, essa nova diretoria não veio para brincar”, afirmou o presidente. Fundada em 1975 pelos moradores do bairro Praça 14, Zona Sul, a escola já acumulou 12 vitórias e seis segundos lugares. A última conquista foi em 2010 com o enredo “Cantando o Pensamento na Amazônia, a Verde e Rosa Saúda os Imortais”. Nos últimos três anos, a escola conquistou a 6ª posição, em 2011 e 2012 e a 7ª no ano passado, com o enredo “O centenário do Nacional em verde e rosa no nosso Carnaval”.


Carnaval 2014 - 1 de março de 2014  

Carnaval 2014 - Caderno especial do carnaval 2014 do jornal Amazonas EM TEMPO

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