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EDIÇÃO COMEMORATIVA


EDIÇÃO COMEMORATIVA

PREFEITURA MUNICIPAL DE MARABÁ Prefeito João Salame Neto FUNDAÇÃO CASA DA CULTURA DE MARABÁ (FCCM) Presidente da Fundação Casa da Cultura de Marabá Noé von Atzingen NÚCLEO EDITORIAL REVISTA Coordenação Noé von Atzingen Criação e edição de conteúdo Adriele Sales, Breno Pompeu, Bruno Scherer, Catia Weirich, Maria Augusta Luz, Maria Betania Furtado, Maria Virginia Bastos de Mattos, Marlon Prado, Ramon Cabral, Rosilan Rocha Sobrinho, Noé von Atzingen Projeto Gráfico Amaury Aquino Revisão Maria Virginia Bastos de Mattos Tratamento de imagens Ricardo Borges Fotos Antonia Muniz, Breno Pompeu, Marciano Grokaliski, Noé von Atzingen, Raimundo Mesquita, Arquivo Fotográfico Manoel Domingues Impressão Halley Gráfica e Editora - Tiragem 1.000 exemplares Distribuição gratuita


Apresentação A Fundação Casa da Cultura de Marabá, em seus 30 anos de existência, é uma referência para pesquisadores, turistas, estudantes, artistas, enfim para todos que quiserem conhecer melhor este Sudeste paraense. Quase todos os eventos culturais que aconteceram em Marabá nestes seis lustros foram de sua responsabilidade. A divulgação do nome de nossa cidade, seus valores, sua tradição, suas linguagens, bens culturais, materiais e imateriais, suas surpreendentes descobertas científicas - arqueológicas, espeleológicas, botânicas, zoológicas, entomológicas - têm alcançado grande repercussão, no Brasil e fora dele. O Boletim Técnico é uma publicação respeitada e seus artigos são citados em outros documentos. Pensando no passado, nos primeiros passos dados, pensamos em como uma pequena cidade do interior da Amazônia conseguiu abrir uma janela para o futuro, para o mundo, apenas oficializando e dando apoio ao sonho de um grupo de jovens estudantes. Acreditar na juventude e em sua visão lúcida: esse o legado das autoridades municipais daquela época, no início dos anos de 1980. Vamos comemorar, sim, mas não só recordando o que foi feito: vamos apontar os rumos, traçar as rotas deste BARCO de CULTURA para os próximos 30 anos. Sim, porque essa Casa, hoje, reúne jovens que, como há seis lustros, continuam sonhando...


Sumário 03 Apresentação do Gestor do Município............................................................ 06 As Sementes da Cultura ................................................................................. .08 Antônio Bastos Morbach..................................................................................10 Como era Marabá em 1984?........................................................................... 11 Projeto Jacundá................................................................................................ 12 Organograma................................................................................................... 14 Arqueologia ..................................................................................................... 16 Arquivo Histórico .............................................................................................18 Bibliotecas de Marabá......................................................................................20 Botânica........................................................................................................... 24 Casa do Castanheiro .......................................................................................28 Escola de Música .............................................................................................30 Espeleologia......................................................................................................34 Museu Histórico ..............................................................................................36 Pinacoteca...............................................................................,.........................38 Zoologia............................................................................................................40 Ballet Stagium...................................................................................................42 Parque Serra das Andorinhas..........................................................................44 Patrimônios Tombados.....................................................................................46 Apresentação ....................................................................................................


51 No Tempo dos Festivais.....................................................................................52 A Casa da Cultura o a Apoio à Publicações .................................................. 55 A História do Penta...........................................................................................56 Literatura de Cordel .........................................................................................58 Mostra Cultural Indígena..................................................................................60 As Memórias de um Combatente.....................................................................62 Estudo do Clima................................................................................................65 Premio Rodrigo Melo Franco de Andrade........................................................66 Apoio à Novas Casas.........................................................................................68 Projeto Interiorização.......................................................................................70 Projeto Memória ..............................................................................................72 Projeto Paleocanal ............................................................................................74 Proler..................................................................................................................77 Reserva Ambiental Murumuru.........................................................................78 Arborização da Estrada do Murumuru...........................................................80 Centenário de Marabá......................................................................................82 Balsa de Buriti...................................................................................................84 Mapas de Atuação ...........................................................................................88 Apoio a Entidades Culturais............................................................................ 90 Linha do Tempo................................................................................................ 92 Futuro da Casa..................................................................................................98 Participação em Conselhos .............................................................................


FCCM, 30 anos: cidadania e a sustentabilidade andando juntas

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m dos grandes pensadores do século XX, Claude Lévi-Strauss, tornou-se conhecido por sua abordagem que considera cultura como sistemas estruturais e simbólicos, definindo assim um conjunto de mecanismo de controle, planos, receitas, regras, instruções para gerir o comportamento de uma sociedade. Jamais podemos pensar que uma sociedade reúne apenas um tipo de cultura ou padrão de comportamento social. Pelo contrário, uma das maiores características de nossa sociedade é justamente a sua diversificação cultural, a sua capacidade de reunir os mais diversos tipos de pessoas, com crenças, costumes, cores e gostos completamente diferentes. É nesse contexto que incluímos a Fundação Casa da Cultura de Marabá (FCCM) como importante estuário de preservação de nossa memória, que amplia pesquisas e resgata a nossa diversidade cultural. Ao completar 30 anos de existência, a FCCM é hoje, certamente, a maior e mais bem estruturada instituição do gênero, desempenhando, além de ensino e pesquisa, funções de museu histórico, antropológico e natural, impondo-se como uma das entidades mais respeitadas do norte e nordeste do Brasil, no âmbito da pesquisa. Sendo filho de Marabá, é com imenso orgulho que festejamos esse evento como uma dádiva de Deus, já que Ele está permitindo que sejamos o Prefeito de nosso Município por ocasião da passagem das três décadas de nossa querida fundação. A FCCM nos prova, através de seus anos de existência, ser perfeitamente possível tirar proveito das diferenças culturais de cada região que integra o sul e sudeste do Pará.

Marabá passou a ter seus períodos históricos tateados nas áreas de Antropologia, Arqueologia, Botânica, Geologia, Zoologia, graças aos estudos e pesquisas de nossa querida instituição, que não apenas realiza pesquisas, como estimula a formação de mão de obra especializada. Ao longo desses anos, quantos jovens cursaram ensino superior naquelas áreas, graças aos bons exemplos soprados de dentro das salas de trabalho da Fundação? Analisando as diversas atuações dessa instituição, não é difícil afirmar que ela trabalha a cultura como direito universal dos cidadãos e componente fundamental para formação do sentimento de pertencimento a uma sociedade e da cidadania plena. Tal compromisso orientou as diversas ações iniciadas com o objetivo de possibilitar o acesso da população não apenas aos espaços culturais, mas, também, ao fazer artístico. Ações inclusivas, promovidas pelos centros de cultura, bibliotecas, museus, entre outros equipamentos, orientadas, ainda, para promover a universalização do atendimento. Por isso, nosso intenso contentamento em registrar os 30 anos da Fundação da Casa da Cultura de Marabá, reconhecendo essa bela trajetória, construída passo a passo com o respaldo da população e a participação do setor cultural. E entendendo ser nossa responsabilidade, ao reconhecer tais conquistas, manter e aprimorar essas ações e, além disso, avançar na construção dessa cidade onde a diversidade, a memória, a criatividade, a cidadania e a sustentabilidade. possam andar juntas. João Salame Neto Prefeito de Marabá

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As Sementes da Cultura Por Maria Virgínia B. de Mattos

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interesse pelos aspectos culturais não surge num repente; ele traduz uma ideia que vai ganhando corpo no decorrer dos anos. Assim foi em Marabá, esta cidade criada com um nome que reportava ao grande poeta maranhense Gonçalves Dias: “Eu vivo sozinha, chorando mesquinha, que sou Marabá!” Nascida sob o signo da poesia, a nova cidade abrigou cantadores e poetas-barqueiros; era uma região de homens valentes vindos de longes terras, que encontravam nas canções, nas rimas, uma forma de sublimar a saudade e de enfrentar os perigos dos rios e da floresta. Viajantes como Ignacio Moura e Lysias Rodrigues registraram as canções, os versos, a musicalidade sempre presente na vida dos ribeirinhos. A literatura de cordel também surgiu nesses primeiros tempos, restando para nós O BARQUEIRO DO TOCANTINS, de Romualdo Ferreira dos Santos, impresso em 1921. Bem antigas também são as organizações visando aproximar os literatos, promover e divulgar a cultura: em 1919 surgia o Grêmio Literário Esperança, por iniciativa de Cândido Pereira de Souza Bispo. Foi entidade de pouca duração, mas chegou a publicar um quinzenário denominado O Fiscal. Mais marcante, entretanto, foi a Associação Marabaense de Letras, fundada em 1925 pelas pessoas ilustres da cidade. Atuante, com reuniões periódicas e tertúlias em que se declamavam versos e textos em prosa, e se divulgavam os grandes autores, essa

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Associação editou uma revista, Marabá. Desta importante entidade fez parte o jovem Antonio Bastos Morbach, conhecido como Sinhozinho. Já se revelava aí, com pouco mais de 20 anos, o pertinaz defensor de nossos valores culturais. Foi ele o diretor e redator do jornal A Safra, entre 1948 e 1951; da bela revista Itatocan, de 1952 até 1956, e depois de 1966 até 1972. Começou a organizar o Arquivo Público, em 1973, mas seu trabalho perdeu-se pelo desconhecimento de sua importância, por parte do executivo municipal. Sinhozinho faleceu em 1983, mas as sementes estavam lançadas, faltando surgir quem as colhesse e continuasse a semear. No mesmo ano de 1973 foi criada a Biblioteca Pública “Almirante Tamandaré”, a pedido do prefeito Pedro Marinho; sua organização inicial e registro junto ao INL foram de responsabilidade das equipes de biblioteconomia do Campus Avançado da USP em Marabá. No ano de 1976 chegou a Marabá, para assumir o Campus Avançado, o biólogo Noé von Atzingen. Atento observador das características regionais e das riquezas naturais, começou ele a pesquisar sítios arqueológicos, a coletar e classificar os triatomíneos transmissores da Doença de Chagas (em projeto coordenado pelo Instituto de Ciências Biomédicas da USP), a coletar amostras de borboletas e outros insetos, a preparar exsicatas, a anotar as expressões idiomáticas... Enfim, diante de um território tão original, totalmente desconhecido para esse jovem paulista, sua atitude foi a do cientista que busca o conhecimento mais profundo do mundo que o rodeia.


Capa da Revista da Associação Marabaense de Letras.

Em 1981 Noé fundava, com outros jovens preocupados com a mudança agressiva de um ambiente até então pouco destruído, a Associação Marabaense de Proteção à Natureza, AMPN. Alguns artigos, um cordel sobre o corte de castanheiras, uns poucos embates: um ano depois esta entidade se dissolvia. Mas todo bom fruto deixa alguma semente: com alguns remanescentes, forma-se o GEMA. Assim, em 1982 nasce o Grupo Ecológico de Marabá, GEMA, reunindo jovens, boa parte deles estudantes, preocupados com a rápida des-

truição da natureza: devastação de castanhais, açaizais, matas ciliares; aterramento de igarapés; corte irresponsável de matas inteiras; poluição pelo fogo; emprego do mercúrio nos garimpos. O Gema passa a realizar mostras de temas regionais, buscando sensibilizar a população. Organiza e participa de eventos: Semana do Índio, Semana da Castanha. Publica artigos, faz manifestos, expõe-se em praças. Torna-se visível, desperta a atenção das autoridades. É a semente mais resistente, da qual nasce a Fundação Casa da Cultura de Marabá.

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Antônio Bastos Morbach O Sinhozinho * Texto extraído do Livro inédito de Mª Virgínia B. de Mattos “Marabá em Prosa e Verso”.

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o dia 5 de maio de 1904 nascia em Itaguatins aquele que se revelaria grande jornalista, cronista da nossa história, poeta talentoso, homem preocupado com a preservação da memória e com o resgate de nossas tradições culturais: Sinhozinho Morbach. Ele era irmão de Augusto Bastos Morbach, o artista plástico que deu início à escola de nanquim em nossa Marabá. Ainda muito jovem, com apenas 20 anos, lançou-se no jornalismo, com um periódico manuscrito que circulou na então acanhada Marabá: A Espada. No ano seguinte, 1925, foi Sinhozinho um dos fundadores da Associação Marabaense de Letras, que publicou a bela revista Marabá; Sinhozinho ali publicou alguns trabalhos, utilizando o pseudônimo “José do Tocantins”. Por essa época ele era professor, dando aulas na escola masculina, dirigida por Leônidas Gonçalves Duarte. Sinhozinho foi diretor e redator do jornal A Safra, que circulou entre 1948 e 1951. Mas a grande realização jornalística de Morbach foi a criação da excelente revista Itatocan, publica-

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da de outubro de 1952 a maio de 1956, retornando em 1966, com a publicação de números mais esparsos, até 1972. Foi colaborador dos periódicos: Folha do Norte, A Província do Pará, O Marabá, Notícias de Marabá, Aratocan e Correio do Tocantins. Publicou o livreto Cachimbo do Caipora, conto folclórico tocantino, em 1943, tendo sido louvado por Bruno de Menezes, que se referiu ao trabalho na revista Pará Ilustrado. Depois, em 1973, é publicado seu livro Canteiro, de poemas e prosa poética. Com características modernistas, os poemas de Sinhozinho foram apreciados por seus contemporâneos, inclusive pelo grande poeta Manoel Bandeira. Participando do governo municipal de Pedro Marinho de Oliveira, Sinhozinho deu início, em 1973, a um Arquivo Público, infelizmente perdido. Sinhozinho faleceu com 79 anos, em sua querida Marabá, no dia 3 de agosto de 1983. Numa justa homenagem a esse pioneiro da valorização e resgate da cultura regional, a Casa da Cultura de Marabá recebeu o nome de “Casa da Cultura Antonio Bastos Morbach”.


Como era Marabá em 1984? Por Maria Virgínia B. de Mattos

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m 84 Marabá abrigava cerca de 150.000 habitantes, pois incluía ainda Parauapebas e Curionópolis (separados somente em 1988, junto com o ainda inexistente Eldorado de Carajás). A população havia aumentado subitamente, a partir de 1980, com a eclosão do garimpo de ouro na Serra Pelada. A Nova Marabá tinha ainda poucas Folhas e quase nenhum asfalto. O transporte no bairro era precário, o comércio ainda inexpressivo, poucos serviços públicos. Tudo ainda dependia da Marabá Pioneira. O trem da Vale começou a circular nesse ano de 1984, mas ainda só para transporte de minérios. A ponte sobre o rio Tocantins era uma novidade recente, e o bairro de São Félix estava perdendo Sua importância como ponto de travessia, com suas balsas e barcos. A Cidade Nova também era reduzida, mas a primeira ponte sobre o rio Itacaiúnas já ligava as suas margens desde novembro de 1981. Nesse ano de 84 iniciou-se a longa luta pela formação do bairro Liberdade (legalizado somente em 1988). Marabá ainda não tinha cursos universi-

tários, nem estações de rádio: esses equipamentos só apareceram em 1987. Desde 1970 Marabá era área de segurança nacional, por decreto do governo ditatorial: a população não tinha liberdade de escolher seus prefeitos, nomeados pelo regime militar; somente no ano seguinte, 1985, com a redemocratização do País, Marabá passou a eleger seus representantes no Executivo. A Serra Pelada estava em pleno funcionamento, a febre do ouro atraindo gente de toda parte, desequilibrando a economia, fragmentando famílias, enfim, trazendo poucos benefícios e muitos problemas para nossa cidade. A Marabá Pioneira, recém-saída da maior enchente de sua história – a de 1980 – tentava recuperar os prejuízos, reerguer-se. Nessa época não havia a orla com seus restaurantes e mesas ao ar livre. A Avenida Marechal Deodoro, sem o cais e sem calçamento, era quase intransitável. A praia de Tucunaré ainda não recebia um fluxo muito grande de banhistas, nos meses de verão. A cidade era muito movimentada, como sempre foi, mas não oferecia atração especial para os turistas. Ah! E ainda era produtora de castanha-do-pará!

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P Projeto

Jacundá Por Noé von Atzingen

onto de partida da criação da Casa da Cultura de Marabá - FCCM, foram comemorados, neste mês de julho, os 30 anos do Projeto Jacundá. Desenvolvido pelo Grupo Ecológico de Marabá – GEMA, criado em 1982 por ex-integrantes da Associação Marabaense de Proteção a Natureza - AMPN, o GEMA foi a segunda entidade ambientalista de Marabá, estando ambas entre as primeiras da região amazônica. O grupo era composto principalmente por universitários que, na época, estudavam em Belém, atuando no GEMA nos períodos de férias (julho, dezembro e janeiro). O grande objetivo do grupo era concretizar a criação de um espaço museológico visando conservar, expor e discutir o vasto acervo natural e cultural da região. Nos dois primeiros anos de sua criação, os integrantes do grupo trabalhavam recolhendo material de importância artística, histórica, científica, folclórica, dentre outros. Estes ateriais foram utilizados em exposições que aconteceNoé von Atzingen fazendo salvamento no sítio arqueológico Taurizinho.

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ram nas escolas públicas, praças, ruas e na sede da Prefeitura Municipal de Marabá, localizada, na época, no Palacete Augusto Dias. Foram essas exposições que mostraram à sociedade a diversidade cultural existente e a importância de preservá-la para as futuras gerações. Em julho de 1984, com o objetivo de intensificar suas ações em prol da preservação do meio ambiente e cultura da nossa região, o GEMA iniciou o Projeto Jacundá, que visava principalmente coletar dados e matérias de valor histórico, cultural e científico na área que seria inundada pela represa da Hidrelétrica de Tucuruí, compreendida pelos municípios de Itupiranga, Ipixuna, Jacundá, Jacundazinho e Jatobal. Na época o projeto teve grande repercussão regional, através de vários manifestos e artigos polêmicos que ecoaram pela região, até chegarem aos jornais da capital do Estado. O então prefeito da cidade, Bosco Jadão, conta que se lembra claramente do grupo de universitários: “Eu me lembro que eles queriam fazer um projeto pra preservar a memória da área

de inundação, e eu só pensei em como poderia ajudar, já que todo aquele projeto era importante para a posteridade”. O ex-prefeito ainda faz uma revelação interessante sobre a criação da FCCM: “Quando vi o emprenho e dedicação do Noé von Atzingen naquele projeto, eu logo decidi que ele seria o gestor da Casa da Cultura, e não errei na escolha; já são trinta anos de uma decisão que deu certo”. O rico material coletado através do projeto, juntamente com o que o GEMA vinha coletando desde a sua criação, deram base para o acervo inicial da Fundação Casa da Cultura de Marabá, que agora completa 30 anos, sendo considerada uma das maiores e mais bem organizadas entidades culturais e ambientais da Amazônia. Foram participantes do Projeto Jacundá: Antônio Malaquias, Gentil Cardoso, João Juca Neto, Kátia Malaquias, Manoel dos Reis, Marcelo Flores, Márcio Mazzini, Noé von Atzingen, Rosane Ferreira, Wander Sampaio, Amado Sinésio, Célia Maria Rodrigues e Lúcio Rodrigues.

Equipe do projeto Jacundá em Jatobal (cidade inundada pela U.H.E Tucuruí). Da esquerda para direita: Marcio Mazini, Kátia Malaquias, Rosane Ferreira, (no alto) Noé von Atzingen, Gentil Cardoso e Marcelo Flores.

Embarcação do Projeto Jacundá.

Equipe do projeto na saida de Marabá.

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Organograma FCCM

Presidência

Fundação Casa da Cultura de Marabá Relações Públicas

Procuradoria Jurídica

Administração

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Biblioteca

Financeiro

Comunicação Social

Recursos Humanos

Licitação

Setor Operacional

Contabilidade

SESMT

Convênios

Captação de Recursos

Tesouraria

M.H.M: Museu Histórico de Marabá M. Min: Museu de Mineração M.A.E: Museu de Arqueologia e Etnologia M.H.N: Museu de História Natural NEPAM: Núcleo de Educação Patrimonial e Ambiental

Difusão Cultural Coordenação Musical

Escola de Música


Vice Presidência

Conselho Diretor

Conselho Curador

Conselho Fiscal

Campus de Pesquisa

Arquivo Histórico

Museu

Pinacoteca

Laboratório de Restauração

M.H.M

Geologia

Museologia

NEPAM

M.A.E

M.Min

M.H.N

Arqueologia

Zoologia

Etnologia

Botânica

Espeleologia


Arqueologia

Foto de campo.

O pioneirismo em Marabá e o Projeto Jacundá Por Marlon Prado

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pioneirismo dos trabalhos de arqueologia na região de Marabá inicia-se mesmo antes da criação da Fundação Casa da Cultura. As pesquisas iniciais tiveram como marco inicial a data de 1978, com a identificação do sítio arqueológico Espírito Santo (PA-AT-10), no município de Marabá, à margem esquerda do rio Tocantins, próximo à Vila de mesmo nome por Noé von Atzingen. Tal feito incentivou novas pesquisas e descobertas de outras áreas com ocorrência de material arqueológico. No início da década de 80 aconteceu o Projeto Jacundá, desenvolvido pelo Grupo Ecológico de Marabá (GEMA). Entre diversas outras linhas de pesquisa, houve os trabalhos de registro de sítios arqueológicos, ampliando o conhecimento da ocupação pretérita da região. A partir de 1985, a Fundação passou a contar com o apoio e a parceria do Museu Paraense Emilio Goeldi – MPEG nas pesquisas arqueológicas e em 1987 foi criado o Setor de Arqueolo-

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gia, que passou a centralizar esses estudos. Em 1999, face ao aumento de atividades e da área de atuação, foi criado o Núcleo de Arqueologia de Marabá – NAM, que assumiu as atividades e o acervo do antigo Setor de Arqueologia. Outra grande pesquisa que impulsionou os trabalhos e o acervo arqueológico da Fundação foi o Projeto Martírios do Araguaia, em 1987. Este Projeto foi desenvolvido na Serra das Andorinhas, sudeste do Pará, local onde foi encontrada uma das maiores concentrações de gravuras rupestres do Brasil. Em novembro de 1999 a FCCM recebeu, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, o Prêmio Rodrigo Mello Franco de Andrade, pelos estudos e trabalhos sobre conservação do acervo e dos valores natural, cultural, histórico e arqueológico da região, realizados com o apoio e participação ativa da comunidade. Ao longo destes anos de pesquisa, o NAM tem desenvolvido um extenso trabalho de docu-


Análise de material arqueológico em laboratório no antigo núcleo de arqueologia – FCCM.

mentação e proteção aos sítios arqueológicos, bem como de geração de conhecimentos sobre a ocupação pré-histórica da região. Atualmente, o Núcleo de Arqueologia e Etnologia de Marabá conta com um acervo com mais de quatrocentos mil artefatos arqueológicos, que incluem cerâmicas, líticos e ósseos, além da identificação e registro de aproximadamente 500 sítios arqueológicos nos Estados do Pará, Maranhão e Tocantins. É importante frisar que todas essas conquistas não são frutos do acaso, mas refletem um trabalho sério e constante; assim, ao longo destas três décadas, conseguimos o apoio de importantes aliados, entre os quais destacamos: o Museu Paraense Emílio Goeldi, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, a Prefeitura Municipal de Marabá, a VALE, a Scientia Consultoria Científica, o Museu Nacional do Rio de Janeiro – UFRJ, a Universidade Federal do Pará e a sociedade de toda essa região do Sul e Sudeste do Pará, que sempre procura a FCCM quando identifica material arqueológico em algum local. Na Fundação Casa da Cultura de Marabá há uma exposição sobre arqueologia regional, com amostras de artefatos de cerâmica, de lítico, ossos, gravura rupestre. As informações sobre arqueologia regional são complementadas por painéis e fotos que mostram detalhadamente a ocupação pré-histórica da região,o que surpreende os visitantes, pois a grande maioria das pessoas não imagina que nossa região foi habitada desde 9.000 anos atrás, o que ficou evidenciado com os estudos em cavernas na região de Carajás, ou seja: muito antes das

Laboratório de Análise de cerâmica.

pirâmides serem construídas no Egito, já havia grupos pré-históricos vivendo em nossa região! Para os próximos anos, a Reserva Técnica e o Laboratório de Arqueologia estarão se ampliando para atender a grande área de pesquisas que a FCCM está alcançando. Também vêm aumentando os apoios institucionais e as parcerias com outras entidades de arqueologia do Pará.

Análise do antiplástico na cerâmica.

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Restauração de documento

Arquivo Histórico Por Mª Augusta R. da Luz

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m dos setores de apoio à pesquisa na Fundação Casa da Cultura de Marabá, é o Arquivo Histórico Manoel Domingues (antigo Arquivo Público). O setor recebe anualmente pesquisadores de várias regiões do país e até do exterior, que buscam estudar a região conhecida mundialmente por suas riquezas minerais. Dentre os diversos temas procurados estão os ciclos econômicos, o patrimônio cultural, conflitos sociais, migrações, entre outros que caracterizam a região. Iniciado com 545 documentos manuscritos e impressos, recolhidos junto à comunidade marabaense, o Arquivo Histórico de Marabá preserva a documentação histórica/cultural escrita e visual do município. É uma forma de resguardar a memória social dos povos da região. Hoje o Arquivo Histórico de Marabá conta com mais de 17 mil registros, que o torna um dos maiores da Região Amazônica.

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Discos antigos

Visita de pesquisadores ao arquivo. Foto: Ederson Oliveira


Depoimentos de usuários “Conheci o Arquivo da Fundação Casa da Cultura de Marabá quando da realização de minha pesquisa de campo, no primeiro semestre do ano de 2005, para a elaboração da dissertação de mestrado em história pela Universidade Federal Goiás, intitulada “Migração e Cultura no sudeste do Pará: Marabá (1968 – 1988)”. Considero que a existência e a possibilidade de pesquisa no Arquivo Público foram fundamentais para viabilizar meu estudo. A pesquisa em jornais, especialmente de períodos anteriores à década de 1980, bem como de jornais extintos, somente foi possível através do acervo organizado e sob a guarda do Arquivo Público. Para a elaboração de minha tese de doutorado em história será imprescindível a continuidade da pesquisa e revisão de documentos encontrados no acervo do Arquivo Público.”

“Agradeço o pessoal da Casa da Cultura de Marabá. Devo muito a estes e a outros tantos amigos que não estão citados aqui.” Deusdedith Alves Rocha Júnior. A Guerrilha do Araguaia (1972 - 1974). Dissertação de Mestrado em História, apresentado ao Departamento de História da Universidade Nacional de Brasília,1995.

Idelma Santiago da Silva Marabá, 13 de julho de 2006

“Without the gracious help of the employees of the City of Marabá’s Cultural House (Casa da Cultura), especially Augusta Luz and her assistant Eliane, who work in the archive there, I would not have been able to complete this work”. Stephen Peter Aldrich, in, Largeholder Deforestation and Land conflict in the eastern Brazilian Amazon. Dissertation submitted to Michigan State University in partial Fulfillment of the requeriments. For the degree of Doctor of Philosophy Geography 2009

Tradução: “Sem a graciosa ajuda dos servidores da Casa da Cultura da cidade de Marabá, especialmente a Augusta Luz e sua assistente Eliane, que trabalham no Arquivo, eu não teria sido capaz de concluir este trabalho”.

“Em Marabá, deixo o meu agradecimento especial à Fundação Casa da Cultura, na pessoa de seu diretor Noé von Atzingen, que em muito facilitou o trabalho de pesquisa às fontes primárias, a um importante material fotográfico e a toda bibliografia referente à história local. A instituição abriga o Arquivo Manoel Domingues, com um precioso acervo documental que nos foi disponibilizado. Deixo também um agradecimento à pessoa responsável pela organização do mesmo”. José Jonas de Almeida. Mestre em História Econômica - USP 2008.

Stephen Peter Aldrich. Desmatamento e Conflitos Fundiários no Leste da Amazônia Brasileira. Dissertação submetida à Universidade do Estado de Michigan na realização parcial dos requerimentos para o grau de Doutor em Filosofia - Geografia, 2009.

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Bibliotecas em Marabá Contribuição da Fundação Casa da Cultura de Marabá. Por Lúcia Cristina Gomes dos Santos

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constante preocupação com o crescimento intelectual, econômico - com consciência sustentável - da região e de sua população, fez com que a Fundação Casa da Cultura de Marabá implantasse, em várias escolas dos núcleos da cidade, Bibliotecas, para atender aos alunos e a comunidade do seu entorno. Essa inquietação, no sentido de dar acesso ao conhecimento a toda a comunidade, se traduziu em ações que levaram a transformar a primeira Biblioteca Pública Municipal de Marabá, a “Almirante Tamandaré”, criada 1973, em um Sistema de Bibliotecas que foi coordenado durante 12 anos por esta Fundação. Nesse período, o Sistema de Bibliotecas possuía uma estrutura dinâmica e atuante, pois trabalhava em conjunto com as escolas onde estavam inseridas, com o objetivo de atender as demandas da comunidade estudantil. As bibliotecas ofereciam informações de interesse geral e/ou específico, com um calendário de exposições sobre os mais diversos temas, que serviam para estimular a reflexão crítica, não apenas dos discentes, mas de toda a população. O Sistema de Bibliotecas coordenado pela Casa da Cultura era composto por 10 bibliotecas, sendo 1 Central e as demais ramais. A Biblioteca Central localizava-se, até março de 1997, na Casa da Cultura, e depois, a partir de 5 de abril de 1997, na Escola Rio Tocantins – CAIC, recebendo o nome do jornalista Frederico Carlos Fontenelle Morbach. Para atender aos seus usuários a Biblioteca Central dispunha de:

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1. Sala Amazônia

Era todo o acervo referente a esta região, documentos sobre Marabá desde a sua fundação, passando pelos fatos mais importantes de sua história. Esse acervo era composto por aproximadamente 1.500 títulos, entre livros, revistas, folhetos, relatórios e hemeroteca.

2. Hemeroteca

A biblioteca dispunha de arquivos com recortes de jornais e revistas de circulação Mundial, Nacional e Local sobre diversos temas, entre os quais: saúde, meio ambiente, educação, transporte, Amazônia, Serra Pelada, entre outros. A hemeroteca possuía um número aproximado de 5000 pastas.

3. Salão de Pesquisa e Leitura

Esse espaço era constituído por Obras de Referência (dicionários, enciclopédias), livros didáticos e paradidáticos, literatura brasileira, literartura estrangeira traduzida e livros de temática variada para as pesquisas estudantis. Este acervo, de aproximadamente 4000 exemplares, era organizado seguindo a Classificação Decimal de Dewey – CDD.

4. Sala “Franklin Roosevelt Rocha”

Com aproximadamente 2000 exemplares, este setor da biblioteca era composto por livros, dicionários, enciclopédias, literaturas, e fitas cassete para cursos de línguas; todo esse acervo em língua inglesa e francesa. 5. Sala Infantil Com o intuito de disponibilizar literatura infantil, para as crianças da escola e da comunidade em geral, foi criada a sala infantil, que possuía em seu acervo obras literárias infantis, dentre as quais se pode citar a coleção completa de Monteiro Lobato, literatura infanto-juvenil e gibis. Este espaço realizava diversas atividades com as crianças: contação de histórias, teatro de fantoches, oficinas de leitura, trabalhos de pintura, desenho, reciclagem de papel e colagem, tudo pensado para auxiliar a leitura e a escrita dos pequenos leitores. Também eram desenvolvidas ações segundo o calendário escolar e em parceria com as escolas. O acervo era de aproximadamente 1.500 exemplares.

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Biblioteca Olavo Bilac

As Bibliotecas Ramais estavam localizadas nos seguintes locais: 1. Biblioteca “Maria Ilan R. Jadão” Escola José Mendonça Vergolino – Marabá Pioneira; 2. Biblioteca “Avanir Tenório Ramos” Escola Jonathas Pontes Athias – Folha 22, Nova Marabá; 3. Biblioteca “Gonçalves Dias” Escola Salomé de Carvalho - Folha 16, Nova Marabá; 4. Biblioteca “Olavo Bilac” Escola Luzia Nunes Fernandes - Folha 28, Nova Marabá; 5. Biblioteca “São Félix” Escola Jarbas Passarinho – Bairro São Félix; 6. Biblioteca “Frei Gil” Escola Gabriel Salles Pimenta - Morada Nova; 7. Biblioteca “Érico Veríssimo” Escola Elinda Simplício Costa – Bairro Laranjeiras; 8. Biblioteca “Paulo Freire” Escola Liberdade – Bairro Liberdade; 9. Biblioteca “Aziz Nacib Ab’Saber Sede da Fundação Casa da Cultura.

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Biblioteca Almirante Tamandaré


Biblioteca Aziz Nacib Ab’Saber

Biblioteca Infantil

No início deste milênio o sistema de bibliotecas, coordenado pela FCCM, foi transferido para a SEMED, Secretaria de Educação de Marabá. Todo o acervo, composto até então por 32.000 livros, 35 mil folhetos e recortes organizados em pastas e 11 títulos de periódicos, bem como todos os equipamentos e servidores, passaram a ter a gerência daquela Secretaria. Até aquele momento o Sistema de Bibliotecas atendia a 42 mil leitores/pesquisadores por ano, número muito expressivo para uma cidade do interior de um país pouco habituado à leitura. Atualmente a Fundação tem somente uma biblioteca: a “Aziz Nacib Ab’Saber”. Inicialmente esta Biblioteca era especializada em meio ambiente, com acervo de apenas 67 livros, 1500 periódicos e 320 folhetos; hoje, porém, para atender a uma demanda da sociedade marabaense, o seu acervo é multidisciplinar. Assim, a FCCM continua enveredando-se pelos caminhos do livro, da leitura, do letramento e da cultura, dando sempre o melhor de si, para valorizar seu maior patrimônio: o povo de Marabá. Biblioteca Érico Veríssimo

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Reposição de naftalina

Botânica Por Adriele Sales

B

otânica é a ciência que se ocupa do estudo dos vegetais sob todos os seus aspectos. Trata, basicamente, da morfologia das plantas, seu funcionamento, suas relações mútuas e com o meio que as circunda e dos processos que determinaram seu atual grau de evolução. O Setor de Botânica, integrante do Museu Municipal de Marabá, situado na Fundação Casa da Cultura, há 30 anos atua em atividades relacionadas à taxonomia vegetal, organização e inclusão de amostras vegetais nas coleções. Também fornece apoio a alunos de ensino médio, acadêmicos e pesquisadores que através de consultas ao acervo se orientam para a realização de seus trabalhos. Promove pesquisa, coleta, manutenção e acondiciona espécies de representantes da flora regional, destacando-se as seguintes áreas estudadas: Murumurú, Serra das Andorinhas e Paleocanal do Tocantins. O trabalho do setor iniciou-se em 1982, com a coleta de exemplares botânicos feita por integrantes do GEMA – Grupo Ecológico de Marabá. É composto por Exposição, Laboratório, Reserva Técnica e Orquidário. A exposição pode ser visitada no Salão de Exposições da Fundação, onde o público pode conhecer a diversidade da flora, fungos, fósseis, e frutos regionais, além da abordagem de variados temas como: “A Castanheira”; “Frutas nativas”; “Palmeiras da região”; “Plantas venenosas”; “Ecossistemas regionais”; “Belezas ocultas da floresta tropical - Árvores da Amazônia” e “Orquídeas regionais”.

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Preparando ficha de coleta de exemplares

Troca de naftalina

Herbário Municipal de Marabá Herbário é uma coleção dinâmica composta por plantas desidratadas (secas) prensadas, de onde se extrai, se utiliza e se adiciona informação sobre cada uma das populações e/ ou espécies conhecidas e sobre novas espécies de plantas. Serve como registro de informação sobre a grande biodiversidade da flora de determinada área, tais como conservação, fisiologia, farmacologia e agronomia, entre outros. Carpoteca (Local destinado ao armazenamento de uma coleção dinâmica, com frutos e sementes etc) - A coleção de materiais catalogados no Herbário da FCCM é composta principalmente por espécies da Amazônia com diferentes tipos de troncos; caules; cipós; fungos; frutos; sementes. A coleção do Herbário é importante fonte de informação para o pesquisador, estudante ou acadêmico, auxiliando em seus trabalhos. Atualmente o Herbário possui em seu acervo 7.103 (Sete mil cento e três) exsicatas; 1.249 (Mil duzentas e quarenta e nove), exemplares botânicos diversos, totalizando uma coleção de 8.352 (Oito mil trezentos e cinquenta e dois) exemplares.

Catalogação de Excicatas

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Orquidário Margaret Mee O orquidário recebe esse nome em homenagem a Margaret Mee (1909-1988), uma artista botânica inglesa que dedicou sua vida à exploração da floresta tropical, se especializando em plantas da Amazônia brasileira. O orquidário foi fundado em Abril de 1992 pela SOM (Sociedade de Orquidófilos de Marabá), com o objetivo de manter as espécies coletadas que estavam em áreas de risco de queimadas e derrubadas. Assim surgiu o Projeto Salvamento de Orquídeas, que durante anos tem resgatado e repovoado áreas degradadas. O orquidário é mantido na Fundação Casa da Cultura de Marabá, com cerca de 1100 orquídeas, para apreciação pública. Realiza anualmente a Exposição de Orquídeas de Marabá, que tem como objetivo difundir o conhecimento sobre o cultivo de orquídeas, além de conscientizar a população sobre a importância da preservação da natureza. Atrai grande público todos os anos e já está na sua 12ª versão.

10ª Exposição de Orquídeas

Orquidário Margaret Mee

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9ª exposição de Orquídeas

2ª Exposição de Orquídeas

Exposições de Orquídeas A primeira exposição de orquídeas foi realizada no ano de 2001, no shopping Verdes Mares. A ideia da exposição nasceu de uma parceria da Casa da Cultura com a Eletronorte. Durante a criação da reserva ambiental da Eletronorte, a equipe observou que havia muitas orquídeas na área, nesse período a Casa da Cultura já tinha em andamento o projeto de salvamento de orquídeas. As duas iniciativas culminaram na 1ª Exposição de Orquídeas de Marabá, que tinha como objetivos levar a população da região a conhecer mais sua flora, uma vez que esta é riquíssima; e despertar nestes mesmos sujeitos o interesse pela preservação dos recursos naturais, principalmente a flora. Essa primeira exposição contou com cerca de 50 micro-orquídeas, tendo um público estimado em 500 pessoas. Além das orquídeas expostas havia cartazes informativos sobre a flora da região, orquídeas, áreas que vinham sendo degradas e sobre o projeto de salvamento de orquídeas. A cada ano a exposição atrai um número maior de expositores e visitantes que apreciam a beleza das orquídeas e a delicadeza de suas exuberantes formas. O evento, que começou com poucos apreciadores de orquídeas, ganhou proporções gigantescas, passando

a fazer parte do calendário de eventos da cidade. O ano de 2014 trouxe inovações para o público que prestigiou a exposição, uma das novidades foi a realização da exposição no Shopping Pátio Marabá. A exposição continuou com o objetivo de disseminar o conhecimento sobre a arte de cultivar orquídeas, bem como promover a conscientização sobre o meio ambiente e importância de preservar a natureza. Havia 15 expositores marabaenses que expuseram 105 orquídeas floridas, e aproximadamente 5 mil exemplares de orquídeas destinadas à venda, que foram comercializadas pela Sociedade de Orquidófilos de Goiânia e pelo orquidário K.S Orchids, de São Paulo. Paralelamente à venda de orquídeas houve a venda de substratos, artesanatos regionais, móveis rústicos, quadros de pintores marabaenses, além de apresentação cultural com a banda de música “Waldemar Henrique”. O evento fez parte das comemorações dos 101 anos de Marabá e durante os 3 dias houve aproximadamente 10 mil visitantes. Há vários anos a mostra é aguardada com ansiedade pelos expositores, assim como pelo público apreciador de orquídeas.

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Casa do Castanheiro Obra em nanquim.

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Casa do Castanheiro Por Maria Virgínia B. de Mattos

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urgiu por iniciativa do GEMA, em 1982, a réplica de uma típica palhoça erguida na mata, para abrigar os coletores de castanha, durante a safra. Nas exposições feitas em praças, espaços públicos e escolas, a Casa do Castanheiro sempre esteve presente. Depois, com a criação da Casa da Cultura, em novembro de 1984, a Casa do Castanheiro esteve montada nos altos do Grupo J. M. Vergolino, a seguir no antigo prédio dos Correios, no bairro Francisco Coelho, e afinal, a partir de outubro de 1986, na Velha Casa, a primeira construção do espaço hoje definitivo da Casa da Cultura, na Folha 31. Ao longo dos anos a Casa do Castanheiro foi muitas vezes refeita, com troca de materiais, e ao mesmo tempo foram acrescentados todos os objetos de uso do castanheiro. Em novembro de 2002 a Casa do Castanheiro foi mais uma vez refeita, agora em espaço ao ar livre, entre as ocas da Aldeia da Cultura.

“A mata é fria que é danada. A chuva umedece o chão, molha as folhas, encharca tudo. E a barraca é feita sem outro piso que não o do chão molhado...” (Morbach, Sinhozinho, 1953).

Como era a casa do Castanheiro? Era um rústico abrigo, geralmente feito de palha, próximo ao igarapé de servia de estrada e que fornecia a água para o banho, para a alimentação e para lavar as castanhas. Não oferecia conforto algum: só protegia precariamente – das chuvas e dos animais da selva – o limitado arsenal de que se valiam os castanheiros para sobreviverem por 5 ou 6 meses. Não havia mesa, nem cadeiras: um tronco valia como assento, um rústico girau servia de suporte para o cofo de farinha, latas com sal, café e açúcar, alguma meisinha para as febres, uma lamparina. Fazendo as vezes de armário, ganchos ou estacas pelas paredes, para pendurar alguma carne de caça, uma muda de roupa (camisa folgada, calção); e, enfiados por entre as palhas, o “boi de fogo”, o abano, o “rabo de tatu”, um cachimbo de tucum, o colim (terçado), o abano para avivar o fogo. Encostados nas paredes, um ou dois paneiros com suas alças de couro, o “pé de bode”, uma paxiba para ralar a castanha, a bacia para desmanchar o cupu com o leite de castanha. Como fogão, usavam a trempe de pedras para suportar a panela de ferro; ali por perto uma boda, se o lugar era de muito mosquito. Para o descanso noturno apenas uma pequena rede, envolvida pelo mosquiteiro apropriado, de tecido em trama fechada, que evitava a entrada de insetos e abrigava um pouco do frio e da umidade das madrugadas.

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Hino de Marabรก


Escola de Música

Moisés Araújo 21 Anos de Harmonia Por Rosilan Rocha Sobrinho

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Casa da Cultura de Marabá sempre atraiu crianças e jovens para visitar o acervo e realizar trabalhos escolares. Depois, muitos ficavam pelo pátio da Casa, sedentos de outras atividades

culturais. Um contato da equipe paraense da Campanha Criança-Esperança/UNICEF despertou um sonho acalentado pelo professor Noé von Atzingen. Com a ajuda técnica de Deyse Botelho, foi preparado um projeto de ensino musical que contemplou a aquisição de flautas doces e outros equipamentos para aulas de música. Além disso a Fundação Carlos Gomes, de Belém, através de sua Superintendente, professora Glória Caputo, nos concedeu apoio técnico. No dia 29 de novembro de 1993 iniciaram-se as aulas - teoria musical, flauta doce e coral, para 60 alunos -ministradas numa palhoça atrás da “Casa Velha” (o antigo prédio de madeira da Vale), sob a regência das professoras Júlia Lino Barbosa e Maria Madalena Silva Santos. A seguir nasceu a Banda de Música “Waldemar Henrique”, tendo como regente o professor Amarildo Silva Coelho. Os ensaios da Banda eram feitos sob as árvores, no espaço da Casa da Cultura. Motivados pelo poder que a música exer-

ce no desenvolvimento harmonioso do indivíduo, inclusive na formação do caráter, o “projeto de educação musical” veio a transformar-se na “Escola Municipal de Música Maestro Moisés Araújo”. Sua principal perspectiva era oferecer, ao público infanto-juvenil, possibilidades para que pudessem desenvolver suas potencialidades, contribuindo para que as desigualdades sociais fossem amenizadas. O papel desta instituição não é somente educacional, mas também social, dando carinho e oportunidades além do estudo musical. Em busca de patrocínio para aquisição de instrumentos de Banda, várias apresentações foram realizadas, na ACIM- Associação Comercial e Industrial de Marabá, em lojas e supermercados da cidade. Dessa maneira, a escola foi divulgando o trabalho musical e social desenvolvido com as crianças e assim conquistando seu espaço na cidade. Graças a essas parcerias e à captação de recursos, junto à FUNARTE, Vale, Petrobrás, Assembleia Legislativa do Estado do Pará e Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, hoje possuímos um acervo de 358 instrumentos, distribuídos em: 84 de prática de banda, 81 cordas, 11 de teclas, 81 de percussão e 101 sopro/musicalização.

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Esse acervo instrumental fica à disposição dos discentes regularmente matriculados nos vários cursos que a escola oferece:- Teoria Musical, Flauta Doce, Violão, Violino, Viola, Violoncelo, Musicalização Infantil, Teclado, Prática de Banda e Contrabaixo Elétrico e Acústico. A escola de música tem feito grande diferença na vida daqueles que souberam aproveitar a formação de qualidade que lhes foi oferecida. Os frutos alcançados têm sido muito animadores, pois estamos contribuindo também para que jovens conquistem seu espaço no mercado de trabalho. Temos como exemplo, alunos que estudaram na escola e hoje são professores, monitores em escolas de música de Marabá e região, tocam em Bandas de Música de Igrejas, Polícia Militar e do Exército. Alguns cursaram Licencia-

tura Plena em Música na UEPA – Belém, estudaram no Conservatório Carlos Gomes, e hoje temos ex-alunos cursando doutorado. Em janeiro de 2000 a Escola de Música Moisés Araújo firmou parceria com a Fundação Cristã de Amparo ao Menor Carente (FUNCAD), no Bairro do Amapá. A professora Júlia Lino Barbosa implantou naquela Instituição o Projeto de Música que até hoje exibe resultados positivos. O projeto Tocando Vidas começou em 2007, através do pastor Wagns Felix de Melo, que semanalmente trazia crianças para participarem do curso de Musicalização na sede da Casa Cultura. Surgiu a idéia e necessidade da criação de uma nova extensão, contemplando um público de 120 alunos em Morada Nova, distribuídos

Rony Ramos da Silva teve sua base musical na escola da FCCM. Fez licenciatura plena e hoje é professor regente de Banda de Musica em Marabá.

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Sonhos a concretizar nos cursos de Teoria Musical, Flauta Doce e Violão. Essa iniciativa continua progredindo e hoje temos também o curso de teclado. Em 2009, Júlia Furtado, coordenadora pedagógica da Escola Municipal de Ensino Fundamental de Santa Rosa II, preocupada com a marginalidade que ronda os jovens e com intuito de afastá-los desse meio e envolvê-los com atividades educativas, trouxe 90 crianças e adolescentes da referida instituição para estudarem música. Porém, foram tantos os obstáculos enfrentados para a realização do transporte destes alunos, que a Escola de Música abriu uma extensão naquela localidade, para suprir a necessidade musical de cerca de 100 alunos, nos cursos de teoria musical e flauta doce. Em 2011, com o patrocínio da Petrobrás pudemos expandir o ensino musical com o curso de violão.

A Escola de Música há vinte anos desperta o interesse de milhares de alunos que aqui estudaram e contribui de forma significativa para o desenvolvimento do movimento musical em Marabá. Uma quantidade significativa de pessoas envolvidas na área musical, em Marabá e região, almeja a formação acadêmica; por isso a implantação de um Curso de Licenciatura em Música possibilitaria a qualificação profissional na área. Também estamos buscando parcerias para a realização de cursos técnicos de orquestra e de banda, pois almejamos formar uma orquestra, algo ainda inexistente no sudeste do Pará. Já possuímos estrutura física, instrumentos e alunos musicalizados.

Diones Rodrigues Marinho foi um dos primeiros alunos e também foi professor na FCCM. Hoje é dono da “Escola Musical” e ministra aula de vários instrumentos.

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Espeleologia A Descoberta da maior caverna em minério de ferro do mundo Por Bruno Scherer

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oi durante os levantamentos das áreas de botânica, zoologia, arqueologia e antropologia realizados no Parque Estadual Serra das Martírios/Andorinhas em 1989, pela equipe Fundação Casa da Cultura de Marabá, que foram descobertas as primeiras cavidades naturais subterrâneas, através do projeto Martírios do Araguaia. No decorrer dos trabalhos foram sendo encontradas dezenas de cavernas e isso fomentou a ideia de criar o Grupo Espeleológico de Marabá (GEM), que surgiu em 8 de agosto 1989, atuando nas áreas de prospecção, documentação e topografia de cavidades naturais subterrâneas (abrigos, grutas e cavernas). No início enfrentamos muitas dificuldades, no entanto, foram tão emocionantes as descobertas de cavernas que não conseguimos mais parar. No ano de 2006, após 17 anos de pesquisa, foi criado o Núcleo Espeleológico de Marabá (NEM) por iniciativa da Fundação Casa da Cultura de Marabá (FCCM) e com o apoio do Grupo Espeleológico de Marabá (GEM). O núcleo tem como principais objetivos a sistematização, análise, processamento e elaboração dos Relatórios técnico-científicos dos Estudos oriundos dos levantamentos espeleológicos em campo. Atualmente, FCCM, NEM e GEM são destaques no cenário nacional, tanto pela descoberta e documentação de mais de 2.600 cavernas nos Estados do Pará, Tocantins e Maranhão,

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Caverna em Estreito/MA. Foto: Noé von Atzingen


São Geraldo do Araguaia - PA, Agulhas de Pedra Foto: Acervo FCCM

A maior caverna de ferro do mundo. Foto: Rafael Scherer

o que torna o GEM um dos grupos com maior número de cavidades documentadas no Brasil) como por realizarem um dos melhores cursos de introdução à espeleologia, visando capacitar ou formar novos espeleólogos. O curso tem uma carga horária de 200h e grade curricular que aborda vários temas relacionados à espeleologia, tais como: Ética Profis-

sional, Trabalho em equipe, Bioespeleologia, Morcegos, Cavidades Geológicas e Geoespeleologia, Espeleotemas, Equipamentos, Uso de GPS / Bússola / Orientação, Cartografia e uso de mapa, Prospecção e caminhamento, Reconhecimento de Ecossistemas, Legislação Ambiental, Arqueológica e Espeleológica. Durante os trabalhos de prospecção espeleológica na Serra dos Carajás, especificamente no extremo oeste do município de Canaã dos Carajás, sudeste Paraense, na Vila conhecida como Racha Placa, o Grupo Espeleológico de Marabá (GEM), em parceria com a Fundação Casa da Cultura de Marabá (FCCM) descobriram, em abril de 2008, a maior caverna em minério de ferro conhecida no mundo. Esta foi nomeada como Labirinto de Máfica devido a sua rocha encaixante e tem aproximadamente 1.550 metros de desenvolvimento. 35


Museu Histórico

Museus de Marabá

Por Cátia Weirich

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Um museu é uma constituição permanente desprovida de fins lucrativos, a serviço da comunidade e de seu desenvolvimento, aberta ao público, e que coleta, conserva, pesquisa, comunica e exibe - para fins de estudo, educação e recreação - evidências materiais do homem e seu ambiente. Assim é a definição adotada pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM) para regularizar essas fascinantes, complexas e diversificadas entidades que se constituem um dos mais nobres preitos da inquestionável evolução do conhecimento humano. Assim, o museu atual não é mais o templo das artes, nem o sótão das reminiscências e menos ainda o gabinete de curiosidades; ele não só coleta, conserva e exibe, como lhe é próprio, mas, além disso, atua eficazmente como instrumento social, metamorfoseando-se em uma universidade - instituição de aprendizado e recreação para todos os homens. E é desta forma que o Museu Municipal de Marabá vem criando cada vez mais raízes, estendendo-se na História, Ciências Naturais, Mineralogia e Arqueologia, criando vínculos com a sociedade marabaense e de toda a região, sendo um ponto - quiçá o único ponto

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de referência da memória de vários municípios da região de Carajás. Situado dentro da Fundação Casa da Cultura de Marabá, ganha cada vez mais espaço e atende cada dia a mais pessoas, batendo o recorde de público em 2013: cerca de 250 mil visitantes. Nossa vontade é que consigamos desmembrá-lo, para que possamos aprofundar ainda mais seu acervo e serviços, formando assim 4 outros museus, além da pinacoteca: Museu de História Natural Museu Histórico “Francisco Coelho” (já aprovado em lei) Museu de Arqueologia Museu de Mineralogia Pinacoteca Municipal “Pedro Morbach” (já existente). “Os museus são casas que guardam e apresentam sonhos, sentimentos, pensamentos e intuições que ganham corpo através de imagens, cores, sons e formas. São pontes, portas que ligam e desligam mundos, tempos, culturas e pessoas diferentes.” Nossa perspectiva para todos estes museus em Marabá é fundamental, pois, trabalharemos permanentemente o patrimônio cultural regional e as manifestações materiais e imateriais, por meio de acervos e exposições colocados à disposição da sociedade, com o intuito de promover e ampliar o campo de possibilidades da construção identitária da cidade de Marabá, de forma crítica; e ainda oportunizará a produção de conhecimento e lazer. Museu Histórico noite

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Pinacoteca Municipal

Pedro Morbach Por Cátia Weirich

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ascida após uma exposição realizada no Clube da Maçonaria em 09 de outubro de 1984, a Pinacoteca Municipal Pedro Morbach assim foi nominada em homenagem ao ilustre poeta e artista plástico marabaense. Com a doação de dez obras de sua autoria, todas elaboradas com a técnica bico-de-pena em nanquim, iniciou-se o acervo da primeira instituição de arte marabaense. Criada oficialmente pelo Decreto Legislativo nº 340/98 de 22 de junho de 1998, atualmente a PMPM possui um acervo de 786 obras, dentre as quais se encontram trabalhos elaborados nas

mais diversas técnicas, tendo como destaque sua maior coleção, na técnica bico-de-pena em nanquim. Exposições periódicas, individuais e coletivas, com obras dos artistas regionais são as principais atividades da Pinacoteca Municipal Pedro Morbach. Ademais, orientações de pesquisas sobre arte, empréstimo de obras para órgãos e instituições publicas, promoção de oficinas de artes visuais (desenho, pintura, escultura) e monitoração de visitantes complementam as tarefas do setor. A Pinacoteca Municipal Pedro Morbach conta hoje com cerca de 90 artistas plásticos das

Artistas maranhenses reunidos na Exposição Marabaense Nanquim Amazônico - São Luiz/MA.

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Oficina Técnica de Nanquim - Projeto Funarte

mais variadas linhas de trabalho, cadastrados em nosso sistema, com os quais mantemos parcerias para desenvolvermos oficinas, exposições, rodas de conversa e palestras em Marabá e região. Desenvolvemos vários projetos de apoio à disseminação e desenvolvimento das artes plásticas, principalmente o Bico de pena/nanquim, a respeito do qual temos o orgulho de dizer que somos uma Escola. Dentre estes projetos estão “Rede Pará-Maranhão de Artes Visuais”, financiada pela FUNARTE, o qual levou a São Luiz e a Imperatriz, no estado do Maranhão, uma exposição com 42 obras de 7 artistas marabaenses, bem como oficinas referentes a esta técnica.

Dentre seus objetivos e finalidades principais estão: 1. A difusão da cultura e produção artística regional, com a utilização de obras que integram um significativo acervo; 2. O fomento à criatividade e ao exercício da cidadania através da arte; Entrega de certificado da Oficina de Nanquim no Museu Histórico do Maranhão.

3 O estímulo aos visitantes e público em geral a tornarem-se conhecedores, pesquisadores, admiradores e colaboradores do saber artístico-cultural de Marabá e região.

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Zoologia Por Maria Betania Furtado

O

setor de Zoologia do Museu Municipal de Marabá foi criado oficialmente em 1984; com acervo formado principalmente pela coleção entomológica doada por Noé von Atzingen (sua coleção particular, contendo exemplares colecionados desde 1970). O enriquecimento do seu acervo foi promovido, inicialmente, através de expedições de grupos ambientalistas, coordenados por Noé von Atzingen em importantes projetos, como o Projeto Jacundá e o Projeto Martírios do Araguaia; através de doações de terceiros e por meio de intercâmbio com outras instituições. O acervo da Coleção é composto por exemplares inteiros ou partes anatômicas de espécies dos vários grupos zoológicos, como mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes, insetos e outros invertebrados, bem como trabalhos de animais (ninhos, casulos, edificações etc.), conservados intactos, taxidermizados, em via seca ou úmida. Atualmente, esse acervo é de mais de 11.000 exemplares representantes da fauna regional. É uma coleção modesta, se comparada ao acervo de grandes instituições, mas representa um verdadeiro testemunho da riqueza de nossa biodiversidade, guardando memória de espécies outrora tão abundantes em nossa região, mas que infelizmente estão se extinguindo localmente.

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Exposição do setor de zoologia

Ao longo desses anos de atuação, nossos trabalhos de pesquisa resultaram na descoberta de novas espécies, descritas em parceria com outras instituições. Essas espécies derivam do grupo dos insetos, com a descoberta de duas espécies de triatomíneos pertencentes aos gêneros Rhodnius e Alberprosenia, sendo estas: R. jacundaensis e A. malheiroi, descritas em parceria com o Instituto de Ciências Biomédicas da USP; e uma espécie de Phlebotomíneo (Micropygamyia (sauromyia) vonatzingeni), descrita em parceria com a Faculdade de Saúde Pública da USP. Um dos projetos realizados pelo setor com maior destaque é o “Projeto Doença de Chagas”, que teve início em meados da década de 70, pro-

Preparação de um exemplar de crocodiliano para ser incorporado ao acervo

movido pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo. A partir de 1984 esse Projeto passou a ser executado pelo Setor de Zoologia do Museu Municipal de Marabá - FCCM. O Projeto consiste na coleta de triatomíneos em ecotopos naturais (palmeiras, ninhos de aves, cavernas, tocas de animais silvestres, etc.), em áreas domiciliares e peridomiciliares e também em exames parasitológicos das fezes dos barbeiros, para detecção de infestações por trypanosoma. Em mais de trinta anos de pesquisa foram registradas ocorrências de nove espécies de triatomíneos na região, incluindo as duas novas espécies dos gêneros Alberprosenia e Rhodnius.

Exemplar do morcego Phyllostomus hastatus

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Marika Gidali - Diretora do Ballet Stagium

O dia em que Marabá parou para assistir

Ballet Stagium

A convite da Casa da Cultura, Ballet Stagium veio a Marabá e fez apresentação para milhares de pessoas

E v

m agosto de 1988, uma das companhias de ballet mais tradicionais do País viria a Carajás para apresentação no teatro da vila, sob patrocínio da então Companhia Vale do Rio Doce. Ao ficar sabendo antecipadamente do evento, o presidente da Fundação Casa da Cultura, Noé von Atzingen, avaliou que o grupo poderia estender sua apresentação também a Marabá. Noé relembra que naquela época, a Casa da Cultura não administrava apenas os museus e os outros departamentos de hoje, mas também a promoção de eventos culturais da cidade, como o FECAM, por exemplo, porque ainda não havia uma Secretaria de Cultura nos moldes de hoje. Segundo Noé, foi preciso uma boa conversa com a direção da Vale para convencê-los a trazer o Ballet Stagium a Marabá porque a logística era grande para trazer uma companhia com vários bailarinos e cenários variados. “Eu já conhecia os diretores do ballet, Marika Gidali e o esposo Décio Otero, então foi fácil articular a vinda deles de Carajás para Marabá”, recorda Noé. Como em Marabá não havia um espaço fechado, como teatro, ficou acertado que a apre-

sentação ocorreria no Estádio Zinho Oliveira, apesar de o grupo tradicionalmente só se apresentar em locais fechados. “Mas eles (Marika e Décio) tinham uma proposta de levar o ballet para o interior e isso me deixou mais feliz.” Havia uma temeridade da organização em relação ao público. Como o marabaense não tinha costume com ballet, muitas pessoas acreditavam que o estádio ficaria vazio e não haveria plateia para assistir ao espetáculo de dança e até mesmo com o comportamento de quem fosse ao evento. Uma das peças que eles dançaram era de uma música de Villa Lobos, a ‘Floresta Amazônica’, e usavam roupas de indígenas, então houve uma identidade com o público. “É verdade que foi de graça, mas o estádio lotou, e o público aplaudiu de pé no final. Foi algo especial, muito bonito. Após a apresentação, a Marika veio conversar comigo e disse que tínhamos um público muito educado”, recorda Noé. “Depois da experiência de Marabá, o ballet dançou em muitos estádios de futebol, em reservas indígenas, mas foi depois de terem vindo a Marabá e percebido que isso era possível uma apresentação fora do palco de um teatro”.

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Entrevista

Parque Estadual Serra das Andorinhas

Entrevista do PENTA com Noé von Atzingen PENTA: Como se deu esse trabalho na Serra das Andorinhas? Noé - A nossa relação com a Serra das Andorinhas começou em 1985, um ano depois que a Casa da Cultura foi fundada. Fomos convidados pelo museu Emílio Goeldi, que por sua vez havia sido convidado pela Eletronorte para fazer os estudos na área do rio Araguaia, porque estavam cogitando construir uma hidrelétrica em Santa Isabel. Eu fui para Belém com algumas pessoas do GEMA, participamos de treinamentos na área de arqueologia, no museu Goeldi, que era para formar pessoal para trabalhar no projeto do rio Araguaia. Ficamos quase um ano aprendendo, nos informando. Mas depois, em 1986, soubemos que não iria ter mais o projeto. Nos reunimos com o pessoal que havia sido treinado e concluí-

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mos que os trabalhos foram cancelados, mas que um dia iriam fazer essa barragem. E decidimos que iríamos lá dar uma olhada. PENTA: Essa “olhada” não foi tão rápida assim? Noé – É, esse projeto Serra das Andorinhas durou uns 10 anos! Fizemos 12 etapas de campo de 1 mês cada etapa, íamos com uma turma grande, ficávamos na vila Santa Cruz trabalhando no rio Araguaia, nas questões de fauna, flora, arqueologia e espeleologia. PENTA: Quem financiava o Projeto? Noé - Era financiado em parte pela Prefeitura de Marabá e por pessoas em particular que doavam comida, emprestavam o ônibus para nos levar.


Foi mais ou menos no mesmo molde do Projeto Jacundá. PENTA: E quais foram os resultados? Noé - Esses estudos realizados ao longo de 10 anos propiciaram embasamento para a criação do Parque Estadual Serra dos Martírios/Andorinhas; o Parque só existe hoje porque a Casa da Cultura fez esses estudos desde 1986. PENTA: O que encontram de mais relevante? Noé - O que capitaneou os estudos foi a arqueologia, pois nós pesquisamos a Ilha dos Martírios e encontramos mais de 5 mil gravuras rupestres. Nessa ilha nós trabalhamos 6 anos, copiando as gravuras, fotografando, documentando. Esse material resultou em parte o livro “Arte rupestre no Pará” da Drª Edithe Pereira do Museu Emilio Goeldi , uma boa parte do livro fala dessa área dos Martírios. PENTA: Também houve descobertas no campo da espeleologia? Noé - Sim, o que encontramos de mais interessante foi a caverna Serra das Andorinhas, que é uma caverna com mais de 1 km, porque até então só tínhamos visto cavernas pequenas. Serra das Andorinhas. Nascente Riacho fundo Agulhas de Pedra 2006. Foto: Noé von Atzingen

Xambioá e Agulhas de Pedra

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Patrimônios Tombados em Marabá Por Mª Augusta R. da Luz

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cidade de Marabá, fundada por Francisco Coelho da Silva em 1898, desenvolveu-se à jusante dos rios Tocantins/Itacaiúnas. Teve como marco inicial o Burgo do Itacaiúnas, colônia agrícola fundada em 1895, pelo coronel Carlos Gomes Leitão, goiano da cidade de Boa Vista, e mais uma centena de pessoas oriundas do Estado de Goiás, suas seguidoras. A região onde se instalaram os pioneiros pertencia, à época, ao município de Baião, e o acesso só era possível através da navegação pelos rios Araguaia e Tocantins. Até 1935, o único meio de transporte nesta região era o fluvial, mas nesse ano foi introduzido o transporte aéreo, com a inauguração de uma pista para pouso de aeronaves, no bairro Amapá. A descoberta do caucho em 1896, pelos habitantes do Burgo, começou a atrair comerciantes de outras regiões, principalmente do nordeste brasileiro, em especial do Maranhão. Entre os comerciantes migrantes, vindos para a região, destacou-se Francisco Coelho da Silva (Grajaú/ MA), que após algumas viagens ao Burgo do Itacaiúnas, instalou-se no encontro dos rios Tocantins e Itacaiúnas erguendo um barracão onde negociava o caucho com os extratores do produto e também promovia festas. Nomeou o barracão comercial de Casa Marabá, de onde surgiu a vila, transformada em município em 1913 e posteriormente a cidade sede municipal em 1923, com a mesma denominação. Marcada por diversas atividades econômicas, a região sempre ofereceu grandes oportunidades de negócios aos comerciantes, que

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cada vez mais eram atraídos para Marabá. Com a diminuição do caucho, por volta dos anos 20, iniciou-se a extração da castanha-do-pará, impulsionando a economia local, chegando até mesmo à exportação para outros países. Durante o período econômico da castanha, ergueram-se as primeiras construções. Em meados da década de 1920 surgiu a primeira igrejinha da cidade (igreja de São Félix de Valóis), destruída pela enchente de 1926 e reconstruída posteriormente no mesmo local; na mesma década, em 1927, teve início à construção do Mercado Municipal, o primeiro da cidade bem próximo da igreja, hoje transformado em Biblioteca Municipal Orlando Lobo. Nos anos 30, foi construída a primeira sede do governo Municipal no centro da Marabá Pioneira (primeiro núcleo urbano de Marabá), o Palacete Augusto Dias. Ali por muitos anos funcionaram os três poderes do município, posteriormente desmembrados para suas sedes próprias: primeiro o Fórum se instalou na Folha 30 e a sede da Prefeitura na Folha 31, ambas na Nova Marabá. O Poder Legislativo permaneceu no local por mais de 70 anos, tendo mudado para sua nova sede, na Agrópolis do INCRA (núcleo Cidade Nova), em 2010. Hoje o Palacete Augusto Dias está projetado para ser o Museu Histórico de Marabá Francisco Coelho da Silva. Devido a sua importância histórica, esses edifícios foram arrolados em 1993, como patrimônios componentes da história do município de Marabá e tombados pelo Conselho Municipal do Patrimônio, criado pela Lei Nº 9.269, de 28/12/1987.


Palacete Augusto Dias Foi a primeira sede do governo municipal, construída entre os anos de 1937 e 1939, na administração do Prefeito Augusto de Figueiredo Dias. Ali funcionaram os três Poderes constituídos de Marabá: Prefeitura e secretarias; a Câmara Municipal e o Fórum. Em 1993, o Palacete foi arrolado e tombado juntamente com outros patrimônios de interesse histórico do município. Com a mudança dos três Poderes para suas novas sedes, o Palacete Augusto Dias está projetado para ser o Museu Histórico de Marabá Francisco Coelho da Silva. O Palacete Augusto Dias, futuro Museu Histórico de Marabá, está localizado na Praça Alfredo Monção, na Marabá Pioneira.

Palacete Augusto Dias

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Igreja de São Félix de Valóis Primeira Igreja edificada em Marabá foi construída pelo Sr. Francisco Acácio de Figueiredo, procedente de Goiás e habitante da região de Areão; chegou ao povoado de Marabá em 1922. Tinha ele feito uma promessa à virgem de Nazaré, no lugar em que escolhesse para morar construiria uma igreja. Chegando a Marabá escolheu o lugar próximo à margem do rio Tocantins; ali construiu uma capela toda de palha. Mais tarde, percebendo as enchentes periódicas dos rios, mudou a capela para o lugar mais alto; movimentou a população para melhorar a capela e tornou-se seu zelador. Essa construção foi destruída pela enchente de 1926. Logo em seguida foi construída uma nova igreja no mesmo local. Conforme informações dos pioneiros, foi o próprio Francisco Acácio que escolheu São Félix de Valóis para ser o padroeiro de Marabá, tendo encomendado a imagem do Santo em Lis-

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Igreja de São Félix

boa, mas não chegou a recebê-la, pois faleceu em 1924, antes da chegada da imagem. Além da Igreja de São Félix de Valóis, Francisco Acácio também fundou a primeira farmácia de Marabá, Farmácia São Félix. Da função de zelador da igreja ele foi substituído pela professora Maria Judith Gomes Leitão.

Fontes: Carta da senhora Maria de Lourdes Lima Monteiro de 05/02/89 – D. 315; CONDREAU, Henri. Viagem a Itaboca e ao Itacaiúnas. Belo Horizonte: Itatiaia, 1980. p. 111. L142; FCCM/Arquivo Histórico de Marabá.


Mercado Municipal Foi o Mercado Municipal projetado e construído na gestão do intendente Cel. João Anastácio de Queiroz (1927-1930) e inaugurado em 03 de outubro de 1931, pelo interventor Ascendino Monteiro Nunes (1930 -1932), como parte das comemorações do primeiro aniversário da Revolução de 1930. Reformado em 1934 com recurso do governo estadual de Magalhães Barata, o velho mercado, situado na Praça São Félix, na Cidade Pioneira, serviu à comunidade marabaense durante várias décadas, com venda de carnes e gêneros alimentícios como: arroz, feijão, farinha, verduras e legumes, temperos etc. Em 1993, recebeu nova reforma e foi tombado pelo Conselho Municipal do Patrimônio (Lei Nº 9.269, de 27 de dezembro de 1987), juntamente com outros bens arquitetônicos, na gestão do prefeito Haroldo da Costa Bezerra (1993-1996).

Em 2003 foi feito pela Fundação Casa da Cultura de Marabá, um Projeto de Revitalização para esse patrimônio, que se encontrava bastante degradado. A convite do Prefeito Municipal de Marabá, Sebastião Miranda Filho, em 2005 a Fundação Casa da Cultura elaborou outro Projeto de Revitalização do imóvel, visando a sua conservação e proteção. Finalmente, em 2008 e na mesma gestão, o Mercado foi reestruturado internamente, ganhando acomodações modernas, preservando sua estrutura exterior e vindo a se tornar a Biblioteca “Orlando Lima Lobo”, sendo referência como ponto turístico e de excursões escolares, com acervo bibliográfico uma área virtual com dez computadores com acesso à Internet, uma sala de projeção com capacidade para doze pessoas, ampla área de pesquisa e área externa abrangente para eventos.

Biblioteca Orlando Lobo

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Burgo do Itacaiúnas

Burgo do Itacaiúnas O Município de Marabá tem no Burgo do Itacaiúnas um capítulo especial. Explorada pelos portugueses no Século XVI, a região permaneceu sem ocupação durante quase 300 anos; a ocupação definitiva se consolidou com a implantação do Burgo do Itacaiúnas, a 5 de agosto de 1895, pelo Coronel Carlos Gomes Leitão político foragido da cidade de Boa Vista do Tocantins/GO (atualmente, Tocantinópolis/TO). Para implantar o “Burgo” Carlos Leitão recebeu apoio financeiro do então governador do Estado do Pará, Lauro Sodré para fixar ali cerca de 100 pessoas, a 11 milhas abaixo da foz do rio Itacaiúnas, onde se desenvolveu a colônia agrícola. Identificado como local de importância histórica da região, o BURGO DO ITACAIÚNAS está entre os bens históricos de Marabá tombados em 1993. Na ocasião do tombamento, a 5 de abril de 1993, o Burgo do Itacaiúnas recebeu da Prefeitura de Marabá e Fundação Casa da Cultura uma placa de identificação, com a seguinte descrição:

NESTE LOCAL INSTALOU-SE, EM 1895, UMA COLÔNIA AGRÍCOLA – O BURGO DO ITACAIÚNAS. HOMENAGEM DE MARABÁ AOS PIONEIROS DA COLONIZAÇÃO DESTAS TERRAS TOCANTINAS: Carlos Gomes Leitão Athanasio Gomes Leitão Antonio Pimentel Hermínio Pimentel Raimundo Maravilha João da Cruz Raymundo Rocha Heliodoro de Barros Ricardo Maranhão Fortunato Bandeira Francisco Acácio de Figueiredo Francisco Coelho da Silva Francisco Casemiro de Souza Prefeitura de Marabá, 5 de abril de 1993. Esta placa desapareceu Por iniciativa da Fundação Casa da Cultura de Marabá e parcerias do Exército e do SBT, em 2003 foi elaborado um Projeto de revitalização para o Burgo do Itacaiúnas, mas até hoje esse projeto não avançou, por falta de investimento. Marabá, 20/05/2014 Arquivo Histórico de Marabá Manoel Domingues

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Participação

em Conselhos Por Bruno Scherer e Mª Virgínia B. de Mattos.

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envolvimento da Casa da Cultura com a comunidade marabaense levou a Fundação a participar de diversos Conselhos, Comitês, Comissões, Fóruns. Já fizemos parte do Comitê Intermunicipal de Saúde (primeira manifestação da participação popular no âmbito da saúde, que hoje é estruturada em Conselhos de Saúde nas várias esferas – local, municipal, estadual e nacional; do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, da Comissão Pró-Estado de Carajás. O Conselho Municipal de Cultura, com mais de 10 anos de existência, foi criado no seio da Casa da Cultura de Marabá, tendo sido ali a sua sede durante alguns anos. Na área ambiental estamos presentes

no Conselho Consultivo da Flora Tapirapé, no Conselho Consultivo do Rebio Itacaiúnas, no Conselho Gestor da APA São Geraldo do Araguaia, no Conselho Gestor do Parque Estadual Serra dos Martírios – Andorinhas, no Conselho Municipal de Meio Ambiente. Ligado ao mesmo tema, compomos também o Conselho Gestor do Plano Diretor de Marabá. Participamos ainda do Conselho Municipal de Turismo, do Fórum Permanente de Turismo Araguaia Tocantins, do Conselho Municipal de Assistência Social, do Conselho de Educação Escolar Indígena e do Comitê PROLER. Participar da comunidade regional através de instâncias de representação: eis uma maneira de contribuir para o desenvolvimento desta boa terra!

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Clauber Martins, 1º Lugar no XV FECAM, 2009

No Tempo dos Festivais Por Rosilan Rocha Sobrinho

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m 1980, um grupo de jovens integrantes do Movimento da Juventude Marabaense em Cristo, desejando suprir a falta de um espaço musical, onde os artistas pudessem mostrar seus talentos, realizaram o I CAFRE (Canto Aberto em Festival Regional). O evento foi realizado na quadra de esportes “Ozorinho”, com público de 800 pessoas. O 1º lugar coube à música “Stattus Elite”, de Cândido Mesquita e Moisés de Castro, com interpretação de Antonio Morbach Neto. Ainda em outubro do mesmo ano, o grupo realizou o II CAFRE, este já no estádio “Zinho Oliveira”, sede definitiva do Festival. Em 1981, 1982 e 1983, o grupo JUMA (Jovens Unidos de Marabá), realizaram o III, IV e V CAFRE, este último com público estimado em 3 mil pessoas. Em 1985 aconteceu o Festival Privê, realizado na casa noturna com o mesmo nome; o vencedor foi Zeca Tocantins.

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Depois o Festival retornou em 1986, com o nome de Festival de Verão de MPB, com intuito de incentivar e promover um melhor entrosamento entre os artistas, uma vez que o festival era um espaço para divulgar trabalhos musicais ainda não conhecidos. Vencedor Xavier Santos, com a música “Peixe Menino”. Em 1987, deu-se continuidade ao festival com o I FECAM – Festival da Canção Marabaense, A música vencedora foi “Marabá”, de autoria de Belim Amoury, interpretada por João de Barros. II FECAM - Realizado no final de julho de 1988. A campeã foi a música “Lembranças”, composição do poeta José Herênio e interpretação de João Brasil Filho, que ganhou também o prêmio de melhor intérprete; III FECAM - Aconteceu em julho de 1989. “Prisma”, de autoria e interpretação de Carlinhos Velos, de Imperatriz, foi a música ven-


cedora, levando também os prêmios de melhor letra e arranjo. Convém lembrar que, até a realização deste, os festivais visavam apresentar somente artistas da região. IV FECAM – Realizado durante três dias, em julho de 1990, passou a chamar-se Festival da Canção em Marabá, pois deixou de ser regional para receber concorrentes de outros Estados. A vencedora foi Tânia Rosário da Silva, com a música “Congo”; mineira de Belo Horizonte, residia em Marabá havia dez meses. V FECAM - realizado em julho de 1991, passou a ser coordenado pela Fundação Casa da Cultura de Marabá consecutivamente por seis anos. O vencedor foi Dalvan Marabá, com a música “Memórias”. Muito aplaudido na época, Dalvan levou também os troféus de Aclamação Popular e Melhor Intérprete; VI FECAM - realizado nos dias 30 de julho a 01 de agosto de 1992. A música vencedora foi “Historieta Para Sílvia”, de Francisco Aafa, de Goiânia; VII FECAM - realizou-se no final de julho de 1993. “Valsa Para Ana Clara” foi a música vencedora, interpretada por Sebastiana Moraes, de Belém; VIII FECAM – Realizado em julho de 1994. Cláudio Pinheiro, de São Luis, foi o vencedor, com a música “Tocaia”; Cláudio classificou-se também com melhor letra, arranjo e interpretação; IX FECAM –Também realizado no final de julho de 1995. Venceu a música “Arisco”, de Pedrinho Calado, interpretada por Albinha Matos, que levou ainda os troféus de melhor intérprete e Arranjo. X FECAM – Realizou-se no início de agosto de 1996. Mais uma vez a música vencedora foi de Belém: “O Dono da Terra”, de autoria de Clodoaldo Ferreira, interpretada por ele e Edílson Moreno.Em agosto de 1996, após a realização do X festival, foi gravado, no auditório da Universidade Federal do Pará em Marabá, o CD daquele festival; porém o mesmo não foi lançado, por falta de patrocínio. Existe uma cópia dessa gravação na Escola Municipal de Música Moisés Araújo, na Fundação Casa da Cultura de Marabá. Neste CD também estão inclusas: “MARABÁ”, tema de abertura do festival, de Tinnôko

Costa, e “ARISCO”, com letra de Pedrinho Calado, sendo interprete Albinha Matos (Campeã do 9º FECAM – 1995). XI FECAM - Realizado nos dias 01 e 02 de agosto de 1997. A música vencedora foi “Feliz”, composição e interpretação da mineira Ivânia Catarina; XII FECAM - Realizado nos dias 30 de julho a 01 de agosto de 1998. “Noturna”, de autoria e interpretação de Alfredo Reis, de Belém, foi a música vencedora, e levou ainda o troféu de Melhor Letra; XIII FECAM - Realizou-se nos dias 30 e 31 de julho de 1999. A vencedora foi Carina Ninini, com a música ”Canção do Arvoredo”; Marabá ficou com as premiações de: melhor música, conquistada por Nilva Burjack, com a “Canção Minas”; e Melhor Letra: “Encantamentos”, do poeta marabaense Ademir Braz, interpretada por Ricardo Smith; aclamação popular ficou para Nenzinha, interpretando “Merengue Marabá”, autoria do também marabaense Zequinha. XIV FECAM – Esta edição do Festival denominou-se FECAM das ARTES, sendo realizado nos dias 22 a 29 de julho de 2001. Venceu o marabaense Marcelo Morhy, intérprete da música “Urbano Blues”, que também arrebatou o prêmio de aclamação popular. O autor da letra e música de “Urbano Blues” é Néviton Carlos Ferreira, com arranjo de Dauro Antonio Remor. O evento teve por objetivo resgatar e valorizar a arte regional e amazônica, dando oportunidade para transformar Marabá em um pólo cultural do Pará. O resultado do festival foi recebido com muita alegria pela maior parte do público presente no Estádio Municipal Zinho Oliveira, porque há dez anos os artistas locais não venciam uma disputa, no máximo alcançavam melhor letra, melhor música, o segundo ou terceiro lugares. Essa experiência deveria ser repetida, por ser mais acessível aos cofres públicos, por ter dado maior espaço aos artistas regionais mostrarem seus trabalhos. Para muitos o festival era o único espaço que tinham para mostrar o resultado de anos a fio de dura batalha para o aprimoramento musical. XV FECAM - Após oito anos desativado, ressurge para estimular a criação, a produção e

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a difusão musical em Marabá. O evento aconteceu no período de 20 a 22 de novembro de 2009, realizado em frente ao Ginásio Olímpico “Renato Veloso”, na Folha 16, Nova Marabá. Os músicos marabaenses arrebataram grande parte das premiações: o cantor Clauber Martins foi o grande vencedor com a música “Roda D’água”, de sua autoria. Ele também ganhou o prêmio de

gunda colocada foi “Canto do Barqueiro”, da cantora Nilva Burjack, também de Marabá. XVII FECAM – Realizado na Orla do Tocantins, próximo à Colônia Z-30 ,no período de 21 a 28 deste. A música Senzala, interpretada por Thimeraçuí, de Colinas do Tocantins (TO), foi a campeã do festival. O cantor Javier de Mayaba foi escolhido como melhor intérpre-

Nilva Burjack - 2º lugar no XVI FECAM, 2011

melhor letra. Em 2º lugar, melhor intérprete e melhor música marabaense: ficou Nilva Burjack, interpretando “Cidade Morena”, de sua autoria e em 3º lugar: Zé Roberto Correa, com a música “Corpo e Alma”, também de sua autoria. Aclamação Popular: ganhou a música “Pelo Cabelo Seco”, interpretada por Marcelo Melo. XVI FECAM – Foi realizado na Praça São Félix do Valois - Orla do rio Tocantins, em fins de julho de 2011. A música “Ventania” de Clauber Martins foi a campeã e também levou os prêmios de melhor letra, melhor música por aclamação e melhor música Marabaense. A se-

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te do festival e Felismar Rodrigues ganhou o prêmio por aclamação popular. O Festival da Canção em Marabá, em suas várias edições, mostrou o lado oculto desta cidade; por alguns dias todos os olhares estavam voltados, não para a violência que assola esta região, mas sim para a arte, para a realização de algo belo, que reunia pessoas de muitos Estados brasileiros. Muitos talentos aqui se revelaram, trazendo a Marabá novos amigos, novos horizontes e fazendo desta terra um foco de resistência cultural tão necessária quanto importante.


A Casa da Cultura e o Apoio às Publicações Por Maria Virgínia B. de Mattos

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esmo em períodos de grandes dificuldades, a Fundação Casa da Cultura de Marabá não deixou de lado o interesse pela divulgação dos estudos que permitissem um conhecimento mais profundo da rica cultura da nossa região. Assim é que, em 1984, apoiou a publicação de O Dom da Palavra, de Marcelo Flores; em 1992 conseguiu o patrocínio da CVRD para o lançamento do livreto Situação Ecológica do Sul do Pará, de Raimundo Liberalino Maya; em 1996, deu todo o apoio para que fosse publicada a História de Marabá, de Maria Virgínia Mattos; em 1998, duas obras importantes: Antologia Tocantina, sob a responsabilidade de Ademir Braz, e Pelas Trilhas de Marabá, que reúne as memórias de Almir Queiroz de Moraes; apoiou ainda, em 2000, a publicação do livro de Vânia Andrade e outros, Marabá e suas lendas; em 2003, vem a lume Rebanho de Pedras & Essa Terra, poemas de Ademir Braz; em 2011 lança um interessante Calendário Cultural de Marabá; em 2013 as obras se multiplicaram: Marabá, Ontem e Hoje, História de Marabá, de Maria Virgínia Mattos, em 2ª edição, e Revista do Patrimônio Arqueológico de Marabá (este com apoio da Vale). Mas a história da produção editorial da FCCM só se completa com as publicações periódicas. Comecemos com O Penta, que nasceu pequeno, sem recursos, e anda desbravando igarapés esses anos todos, desde 1987, tendo já números publicados. Depois vem a realização do projeto mais importante: um Boletim que expusesse um pouco do trabalho de pesquisas da Fundação e de outros estudiosos que quisessem ver seus trabalhos divulgados. Assim surgiu o Boletim Técnico, com o primeiro número em 1999, estando já com sete números lançados, o último deles em 2013.

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A História do Penta Por Maria Virgínia B. de Mattos

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nosso periódico O PENTA saiu dos “estaleiros” em outubro de 1987. Os primeiros “pilotos” foram o escritor e jornalista Paulo Von Atzingen e o professor José Brandão, com arte de Rildo Brasil. Depois, lá pelo número 5, vieram Jorge Augusto Paul Gruda, Jone Carlos e Virgínia Mattos, com desenhos de Valdimar Lopes. Era ainda uma publicação datilografada, ilustrada e depois fotocopiada, com tiragem insignificante. Até meados de 1992 foi assim, 23 números publicados em processo todo artesanal. Para quem recebia esse jornalzinho, mas não era da região, era preciso explicar a razão do nome. Em Marabá denomina-se PENTA às embarcações com motor de popa, de 4,5 a 30 HP. Os pentas solucionaram o problema de transporte de castanha, entre os igarapés e Marabá, trechos difíceis para os antigos e lentos batelões; nos garimpos forneceram transporte rápido de garimpeiros e suprimentos; enfim, de uma maneira geral, garantiram as comunicações, o transporte de passageiros e o de cargas entre as principais cidades da região, num tempo em que estrada não existia. Então o nosso periódico, transportando cultura, enfrentando todo tipo de dificuldade, passando por “rebojos” e “impucas”, só poderia ter o nome do valente e ligeiro barco com motor de popa: “O Penta”! Depois de 1992 as coisas melhoraram, e

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Edicão do Penta nº 1 e última edição, nº 62.


passamos a ter números d’O PENTA impressos, mas apenas em preto e branco. Por esse tempo assumiram Olívia Crisóstomo, Fátima Scherer, Rosilan Rocha Sobrinho, Andréa Maciel, Noé von Atzingen, Demétrius Souza Araújo, com artes de Valdimar, Danilo Miranda e Edson Dias Souza. Assim chegamos à edição de número 40, em 2003. A partir de 2005 passamos a ter O PENTA em cores, com tiragem de 2000 exemplares.

Os pilotos foram então Luiz Coimbra Nunes, Marcilene Caldas, Walter Jr., Genival Crescêncio, Léia Lino Barbosa, Mirtes Emília Lima, Ademir Braz e Ederson Oliveira. Enfim, em novembro de 2013, O PENTA número 61 se apresentou com 12 páginas, com boa qualidade de impressão e tiragem de 3000 exemplares. O redator foi Breno Pompeu e a responsabilidade editorial do jornalista Ulisses Pompeu. Anúncio da Empresa Penta - 1920

Mas afinal, Por que o motor chama-se Penta? Muitas pessoas afirmavam que PENTA era a marca dos primeiros motores que aqui chegaram. E que se chamavam PENTA por terem uma potência de CINCO HP. Recentemente, pesquisando com maior cuidado, descobrimos uma história curiosa sobre o nome desse motor, que em nossa Marabá se generalizou como sinônimo de um tipo de barco. Vamos à história. No início do século 20, na Suécia, uma empresa de fundição e de equipamentos para serrarias, agricultura e cozinhas, a Gjuteriet (“Fundição”, em sueco), juntou-se à empresa de engenharia de Fritz Egnell, para criar um motor de ignição por compressão de um cilindro, com 3 HP (Cavalos de potência). O motor recebeu provisoriamente o nome de “B1”, mas formou-se um comitê para inventar um nome que fosse criativo e atraente. Esse comitê fracassou, não chegando a um consenso sobre o nome a ser dado; mas como era composto por cinco pessoas, o nome do novo motor passou a ser PENTA. Portanto, a origem do nome PENTA não é a potência do motor, nem qualquer outra característica dele, e sim o número de componentes do comitê que deveria escolher um nome! Em 1916 a Gjuteriet comprou a Egnell e mudou o nome da empresa para AB Pentaverken, em que “verken” significa empresa, planta – portanto, AB Indústrias Penta. A produção concentrou-se em motores, especialmente marítimos. Nos inícios dos anos de 1920, época difícil, logo após a Primeira Guerra, a empresa produziu um motor de popa de 2 cilindros, chamado U-2. Melhorado em 1926, renomeado U-21, foi produzido até 1962, sendo exportando para o mundo todo. Provavelmente foi esse o tipo dos primeiros motores que chegaram, por volta de 1940, a Marabá, em caixas onde se destacava o nome “PENTA”. Em 1935 a PENTA tornou-se uma subsidiária da Volvo. Em 1973 a Volvo Penta comprou o Arquimedes, outro motor sueco respeitado. Em 2010 a Volvo Penta e a Yamaha Motors assinaram um acordo de parceria tecnológica. A Volvo Penta está em 130 países, com cerca de 4 mil revendedores. Tem suas fábricas instaladas na Suécia e nos Estados Unidos. Até hoje é uma conceituada marca de motores marítimos.

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Literatura de Cordel Por Cátia Weirich

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literatura de cordel é a poesia popular que é impressa e divulgada através de folhetos ilustrados com xilogravuras. Ganhou o nome de cordel, pois, em Portugal, os folhetos eram expostos amarrados em cordões, tendo chegado ao Brasil no século XVIII. Este tipo de literatura é encontrado principalmente no Nordeste do Brasil, onde é escrita em forma rimada, sendo estes pequenos livros vendidos pelos próprios autores. Geralmente apresentam tons humorísticos, e abordam assuntos ligados à política, educação, história, problemas sociais, dentre outros, retratando fatos da vida cotidiana da cidade ou da região. Neste sentido, a literatura de cordel retrata a cultura do povo nordestino através da expressão de seus valores. Os autores recitam seus versos de forma melodiosa e cheia de ritmo, utilizando uma linguagem acessível, além de fazerem as leituras ou declamações muito empolgadas e animadas, para conquistar os possíveis compradores. A linguagem oral é precursora da escrita e, impulsionado pela constante transformação tecnológica vivida em nossos tempos, a literatura de cordel evoluiu, passando da comunicação oral para a comunicação escrita, e atualmente para o mundo digital, onde é denominada de cibercordel. Embora a literatura de cordel apresente um enorme potencial, sendo fonte de informação e um meio de comunicação de

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2º Encontro de Cordelistas

Declamação do Cordelista Vicente de Paula

linguagem acessível, é escasso o número de folhetos disponíveis nas bibliotecas. Em função da miscigenação popular encontrada em Marabá, temos grande influência do povo nordestino.No aspecto da literatura de cordel, Marabá conta, hoje, com cerca de 85 cordelistas, todos com suas origens no nordeste. Para preservar essa literatura de pequena tiragem e registrada em papéis frágeis, reunimos um acervo de 363 folhetos catalogados no Arquivo Histórico “Manoel Domingues”, na Fundação Casa da Cultura de Marabá. Esse material encontra-se disponível para pesquisa. Como incentivo aos autores e para divulgação deste tipo de literatura, promovemos anualmente o Encontro de Cordelistas, nos quais são feitas apresentações de autores, declamações, concurso de cordel, venda de livretos; soma-se a isso a venda de comidas típicas do nordeste, tudo na perspectiva de dialogar e integrar a comunidade escolar às raízes da literatura de cunho popular do nosso município.

Repentistas. Homenagem Encontro de Cordelistas

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Mostras Culturais Indígenas

Kyikatêjê

Por Ramon Cabral

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atalogar e conservar os Patrimônios Ambientais, Artísticos, Históricos e Culturais, de Marabá e região: essas são atividades constantes da Fundação Casa da Cultura de Marabá. Além disso, busca-se a valorização desses patrimônios, através de atividades educativas. Dentre essas atividades destacamos a atenção especial dada à cultura indígena, de grande importância por seus representantes serem os habitantes mais antigos da região, e responsáveis por vários traços culturais que hoje compõem nossos hábitos, costumes, vocabulário e alimentação. Esse fenômeno cultural em que se dá a absorção e transferência desses elementos de um grupo para outro é chamado por Roberto Cardoso de Oliveira de fricção interétnica, que

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ocorre durante o contato de dois grupos diferentes. Em oposição ao conceito de aculturação, de Darcy Ribeiro, no qual prevê uma cultura dominante e uma inferior, e a relação de imposição, na fricção interétnica as culturas são colocadas no mesmo nível e numa relação de troca dos traços culturais. Apesar de ser comum inclusive entre nós, muitos não percebem, ou por discriminação não admitem que os índios também passem por esse processo; assim exige-se que a cultura indígena permaneça intacta e mantenha o formato que tinha há séculos. O “não-índio”, de modo geral, exerce sobre o indígena uma cobrança exacerbada, criando preconceituosamente perfis que, ao seu ver, os mesmos deveriam seguir para manterem sua identidade. Não levando em consideração que a cultura é algo dinâmico e está sempre em trans-


Parkatêjê

formação. Além do mais, não é a mudança de um elemento que destruirá o conjunto, de um hábito que destruirá uma cultura. Foi com a intenção de valorizar a cultura indígena e educar a população sobre ela, que criamos a “Mostra Cultural Indígena de Marabá”, realizada anualmente durante o mês de abril, em comemoração ao dia nacional do índio (19/04). Em 2014 realizamos sua 9ª Edição. Contamos com exposições fotográficas, textos sobre as etnias da região, grafismos de pinturas corporais realizadas pelos indígenas, apresentação de danças, de cantos, corridas de tora, seções de vídeo, etc. O público é a comunidade em geral, mas especialmente alunos e professores das escolas públicas e particulares do município, estudantes universitários e pesquisadores. Os Parkatêjê, os dois grupos da etnia Kyikatêjê, os Xikrin do Kateté e os Suruí têm participação garantida no evento. Deixam evidente a manutenção das tradições com suas danças, exibição de arcos e flechas, burdunas, cocás, maracás, suas pinturas, vocabulário e, principalmente, orgulho de sua cultura. Grande chefe Gavião Krohokrenhum na FCCM

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As Memórias

Passeata contra Fumaça

de um Combatente Noé von Atzingen relembra algumas ações em defesa do meio ambiente

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ouve um tempo aqui em Marabá, nas décadas de 80, 90, até o ano 2000, que no período da seca havia muita queimada ao redor, não só queimada dentro da cidade. Eu costumo dizer que marabaense adora um foguinho, fogo no lixo, num capim qualquer, as pessoas gostam de por fogo. Então, além desse fogo aqui da cidade, que causava fumaça, pior do que esse existia o fogo ao redor da cidade, todo mundo queimava tudo, floresta, pastagem, enfim, tudo que tinha era queimado, ficava uma fumaceira total. Eu me lembro de vezes em que, passando na ponte do Tocantins, não se via o meio da ponte, quem estava do lado de lá não via quem estava do lado de cá, aquele arco no meio da ponte, nem isso se enxergava, sumia no meio da densa e imensa nuvem de fumaça! A cidade de Marabá desaparecia e de longe via-se aquela nuvem marrom com tons de cinza sobre a cidade.

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Passeata contra Fumaça

A Culpa não é de São Pedro.

Manifestação contra a Poluição

Noé participando do entendimento com a presidente do Ibama

Era um terror, todo mundo com problema respiratório, os hospitais cheios de crianças em crise, realmente foi um período muito ruim, eu me recordo que em várias ocasiões os aviões não conseguiam pousar em Marabá, pois não achavam o aeroporto por causa da fumaça, isso era comum acontecer. Esse cenário nos levou a fazer uma passeata, que saiu da Casa da Cultura e foi até a sede do IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal), não era IBAMA ainda, e tinha sede na Cidade Nova. Nós saímos em direção ao IBDF; um grupo de gente com máscaras, percorrendo a Transamazônica, ainda sem asfalto, acabou chamando a atenção e muita gente se uniu a nós, no caminho. Fizemos um abaixo-assinado, que era para o IBDF tomar alguma atitude. Mas nós entregamos esse documento para gestora e ela, ao receber o documento, disse: “vocês estão reclamando para o órgão errado, reclamem para São Pedro, para fazer chover e acabar com a fumaça”. Aquilo foi uma decepção tão grande, porque aquele movimento todo para provocar o órgão responsável pelo meio ambiente, e o IBDF não estava nem aí: queimavam tudo e éramos nós que tínhamos que reclamar para São Pedro. Enfim, foi uma mobilização muito grande da comunidade, muita gente participou e se uniu em tornou da preservação do meio ambiente.

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Greenpeace

Acorrentado à Preservação Percebemos que existiam muitas serrarias que serravam o mogno nativo, aqui da região de Rio Maria, Redenção e arredores. Então eu fiz um convite ao Greenpeace, que resolveu fazer uma intervenção para chamar a atenção das autoridades; a ideia era que se proibisse o corte do mogno, para assim tentar preservar o que restou dele. Os ativistas ficaram na Reserva Ambiental Murumuru durante 5 ou 6 dias fazendo os treinamentos de como seria, o que a gente ia fazer. A escolha de hospedá-los na Reserva foi motivada pelo fato de que, se eles ficassem em algum hotel da cidade, logo chamariam a atenção das autoridades locais, que com certeza impediriam a ação. Seguimos então em direção a Rio Maria, onde escolhemos uma serraria, uma grande serraria de mogno e a invadimos. Plantamos mudas de mogno em todo o pátio da serraria, nos amarramos com correntes às grandes serras de corte e assim todo o trabalho na empresa parou. Toda a ação foi documentada por um grupo de jornalistas do sul e sudeste brasileiro, além de estrangeiros, que foram avisados pelo próprio Greenpeace. Provavelmente as mudas devem ter sido arrancadas; após o protesto o trabalho deve ter

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sido retomado, mas todo aquele ato simbólico deu resultados, valeu e muito na luta pelo meio ambiente e pela preservação da madeira na Amazônia, tanto que depois surgiu a lei proibindo corte de mogno. A exploração ilegal de mogno tem sofrido forte pressão de ambientalistas em todo o mundo. O Greenpeace tem sido uma das instituições mais ativas nessa pressão no contexto de sua campanha mundial de proteção de florestas primárias. A campanha mundial envolve o combate contra a exploração descontrolada de florestas primárias em todo o mundo, incluindo florestas tropicais, temperadas e boreais. A ação do Greenpeace tem envolvido desde a documentação da exploração ilegal de mogno até campanhas contra o comércio ilegal. No Brasil, o Greenpeace tem, ao mesmo tempo, pressionado o governo federal a aumentar o controle sobre a exploração do mogno e colaborado com o governo oferecendo informações sobre a exploração ilegal. No âmbito internacional, as pressões do Greenpeace têm influenciado adecisão de muitos países em suspender a compra do mogno do Brasil. (MOGNO NA AMAZÔNIA BRASILEIRA: Ecologia ePerspectivas de Manejo).


Estudo do Clima Por Maria Virgínia B. de Mattos

A

questão ambiental sempre foi um assunto que preocupou o Biólogo Noé von Atzingen, com relação às mudanças que aconteciam na região desde que ele aqui chegou. Isso acabou gerando várias ações, várias atividades, como a própria criação da Associação Marabaense de Proteção à Natureza, do GEMA (Grupo Ecológico de Marabá), reflexos dessa preocupação com a questão ambiental e com a questão do clima. Desde que se estabeleceu na Reserva Ambiental Murumuru (RAM), isso já há trinta e seis anos, interesse do Noé pela pesquisa o levou a instalar um termômetro, um pluviômetro e uma régua pluviométrica para medir o nível do igarapé Murumuru. Ele explica que “normalmente as pessoas dizem que está chovendo muito esse ano ou que nesse ano não está chovendo” e não se lembram se em anos anteriores chovia menos, ouse era mais quente, tanto que as pessoas sempre falam assim: Ah! eu acho que está mais quente, ou eu acho que está mais frio, eu acho que está chovendo mais ou está chovendo menos, mas ninguém tem certeza. Você só pode ter certeza se fizer medições, se tiver dados (estatísticas), porque para a ciência o “eu acho” não serve para nada. Foi então que, para dar veracidade ao estudo e assim comprovar ou desmitificar as

afirmações populares, o curioso pesquisador passou a anotar diariamente a temperatura máxima e mínima, a quantidade de chuva e o nível do igarapé Murumuru. Com isso constatou-se que, até 15 anos atrás, o volume de chuva era muito superior ao dos dias atuais: havia períodos chuvosos bastante intensos, e as temperaturas também se mantinham regulares, a máxima e a mínima não apresentavam grandes diferenças. Já no Igarapé, percebeu-se que no passado existiam cheias maiores, muito em função do volume de chuvas que era maior, as cheias que havia naquele tempo passavam do último nível da régua, todo ano. Nos últimos 15 anos, no entanto, isso nunca mais aconteceu, nunca mais houve uma enchente como aquelas. “A gente pode ver isso pela ponte do Murumuru, aquela ponte volta e meia era arrastada pelo rio, o rio levava a ponte; nunca mais aconteceu isso, a água nunca mais nem mesmo passou por cima da ponte” relata um morador da área que há muito vive no local. Olhando com calma o relatório desse estudo de décadas, Noé observou que as temperaturas mínimas hoje são mais baixas e as máximas estão mais altas; ele explica que “as máximas que chegavam a 30oC, 31oC, hoje chegam a 34oC, 35oC nos dias mais quentes”. Todos esses resultados podem ser aplicados à região, isso comprova e ressalta o valor desse estudo climático desenvolvido na RAM.

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Noé von Atzingen recebendo o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade

Prêmio

Rodrigo Melo Franco de Andrade

Depois de 15 anos a Casa concorre a Prêmio Nacional Por Maria Virginia B. de Mattos

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urante os 30 anos de Fundação Casa da Cultura, muitos foram os gestos de reconhecimento prestados à Instituição, por seus serviços e ações que engrandeceram a cultura regional. Mas, provavelmente o maior de todos tenha sido o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, recebido em 1999. O Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, de caráter nacional, é promovido pelo IPHAN desde 1987, em reconhecimento às ações de preservação do patrimônio cultural brasileiro que, em razão da sua originalidade, vulto ou caráter exemplar, mereçam registro, divulgação e reconhecimento público. No ano em que recebeu a premiação, a

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indicação partiu do Museu Emílio Goeldi, na pessoa da Dra. Edite Pereira. Ela entendeu que, embora a Casa da Cultura só tivesse 15 anos de existência, tinha um papel fundamental para o Pará e para o Brasil. A entrega da placa que selava a premiação ocorreu no Teatro Nacional em Brasília. junto com ela foi entregue, também, uma quantia em dinheiro que, naquele mesmo ano, custeou o primeiro Boletim Técnico da FCCM, já hoje em sua oitava edição. Noé von Atzingen, presidente da Fundação na época e coordenador do projeto vencedor, “Preservação do Patrimônio Histórico e Cultural”, foi pessoalmente receber as honras pelo


“Agora com 30 anos de Casa da Cultura conquistamos novamente o Premio através do projeto “Balsa de Buriti”, é uma honra pra todos nós, declara Noé.”

Troféu Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade

trabalho. Ele explica o significado daquele dia, na história da Casa e da cidadede Marabá: “Foi muito importante, para nós, o reconhecimento nacional da Casa da Cultura, pois levou o nome de Marabá a nível nacional, já que só se falava de Marabá sobre enchentes, violência, mortes; a visibilidade ainda era muito negativa. Então isso ajudou bastante a divulgar a Casa da Cultura e o trabalho que nós temos feito, como também divulgou a cidade de Marabá de uma maneira positiva”. Além do reconhecimento momentâneo, ao receber as honras e o dinheiro em Brasília, o melhor do prêmio veio depois: o reconhecimento pelo trabalho sério e de qualidade que a Casa sempre desempenhou rendeu-nos muitas parce-

rias e projetos que só tiveram as portas abertas após o ano de 1999, e que hoje basicamente mantêm o funcionamento da instituição. Desde então houve uma ampliação da visão e das ações, no sentido de preservação da cultura e da memória. As atividades se intensificaram ao ponto de, mais uma vez, 15 anos depois da primeira honraria, a Casa da Cultura de Marabá estar concorrendo novamente ao prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade: “Agora com 30 anos de Casa da Cultura conquistamos novamente o Premio através do projeto “Balsa de Buriti”, é uma honra pra todos nós, declara Noé.”

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Entrevista

Apoio à novas Casas O PENTA resolveu entrevistar o Professor Noé, para saber da atuação da FCCM no sentido de estimular, apoiar a formação de Casas da Cultura em outros municípios. A entrevista foi conduzida por Breno Pompeu. PENTA – Professor Noé von Atzingen, fale um pouco sobre a importância da Fundação para outras casas de cultura, em outras regiões do Estado ou até mesmo em outros Estados. Prof. Noé - Uma das maiores preocupações nossas, desde o começo desta Casa da Cultura, era de que o exemplo da nossa Casa e nossa experiência servissem de motivação para que outros municípios e outras localidades também criassem seus espaços de memória e espaços culturais, e para isso fazemos palestras estimulando as pessoas, os municípios, para que eles criem seus espaços. PENTA – Por que?

Noé von Atzingen

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Prof. Noé - Porque é muito preocupante o que a gente observa em nosso município, no norte e no nordeste do país de um modo geral: o desinteresse na questão da conservação da memória, das tradições, da cultura. O que a gente vê é que tudo que tem 10 anos já não tem mais interesse pra ninguém. Ninguém quer saber de história, ninguém quer saber do passado nem de seus antepassados, poucas pessoas ainda querem se envolver com isso. E isso é ruim porque é a partir do passado que construímos o nosso presente, logo ele é muito importante, por exemplo, para que não cometamos os mesmos erros já cometidos e para que se aproveitem as coisas boas do passado e as repliquem no futuro. Então, como a Casa da Cultura de Marabá é um exemplo que deu muito certo - afinal já estamos há 30 anos na estrada, vivendo essa questão de cultura - a gente vem ao longo do tempo trabalhando com os municípios que nos procuram e a gente estimula de alguma maneira, para que eles criem seus espaços. A gente sabe da dificuldade, porque esses espaços passam obrigatoriamente pelo poder público, e o poder público de um modo geral tem pouco interesse, porque sempre passa por questões politicas e financeiras.


PENTA – Sempre há outras prioridades? Prof. Noé- Sim, as prioridades sempre são outras e a cultura é deixada em segundo plano, ou terceiro, às vezes. Mas mesmo assim, alguns municípios lutam pela manutenção desses espaços. Existem alguns lugares onde a gente já trabalhou que já tem algumas coisas implantadas, com dificuldade, mas que funcionam. Um exemplo é Tasso Fragoso (Maranhão,divisa com Piauí), nos estivemos lá recentemente, mas estivemos primeiramente há 12 ou 13 anos atrás, quando estávamos indo fazer uma visita á Serra da Capivara; passamos por esse município e acidentalmente tivemos que dormir lá porque já estava muito tarde, em uma vilinha, cidade muito pequena, do tamanho de Morada Nova, e vimos que ali tem um potencial grande - arqueológico, espeleológico - na ocasião conhecemos um fotógrafo de lá, que se chamava Agnaldo, mas era conhecido vulgarmente como Lirô. Ele ficou entusiasmado com o que começamos a falar, então, no retorno do Piauí, paramos lá alguns dias, e começamos a pesquisar a região; depois disso já tivemos a alegria de ir três vezes lá, ampliar os estudos de arqueologia e de caverna. Nesse meio tempo, desde a primeira vez que estivemos lá, a gente estimuloua criarem um espaço, então criaram o que chamamos de Museu do Cerrado, que é um museu pequeno, mas é o museu depositário de tudo o que a gente ajudou a fazer, e outras coisas que eles também vêm levantando. É algo parecido com a Casa da Cultura, coleções de antropologia, arqueologia, espeleologia, porém não tem muito de botânica e zoologia, mas tem história, e outras coisas mais. Mas tudo engatinhando ainda, afinal tem 10 anos, e a gente tem 30, mas veja que a cidade é muito pequena. Ultimamente estivemos lá trabalhando em um projeto para apresentar para a prefeitura visando conseguir recursos, porque até então é uma coisa que sai do bolso do próprio “Lirô” e é uma dificuldade “danada”. PENTA – O senhor pode citar outras experiências como essa? Prof. Noé - Bom, outro espaço é em Jacundá, também existe o museu de lá, que já tem seus dois anos de existência. Procuramos estimular e eles criaram uma biblioteca e um museu; é uma coisa pequena, mas que está indo para frente, está funcionando, graças ao apoio da Casa da Cultura de Marabá. Eles estiveram aqui, e a gente já foi até lá ajudar. Outra experiência foi em Canaã dos Carajás, eles implantaram uma casa de cultura, e isso já tem uns 10 anos ou até mais um pouco, com apoio nosso. Eles estiveram aqui, vi-

ram nossos estatutos, conheceram a casa, e então a casa serviu de modelo para a implantação. Nós também estivemos lá, em alguns momentos, para ajudar na estruturação da casa e para idealizar como seria. Já em Parauapebas temos uma discussão que já tem seus 10 anos; o museu foi criado por lei e está em fase de implantação. De todos esses, Parauapebas é o que tem uma melhor estrutura, pelo fato de possuir mais recursos, mais apoio e uma estrutura maior. Em Itupiranga trabalhamos na implantação de uma casa de cultura que funcionou por algum tempo, porém, infelizmente, pelo que sei, esta casa está fechada. Em São Geraldo do Araguaia a gente ajudou na implantação do Museu da Guerrilha, que começou com algo particular. Em Tucuruí não é museu, mas a gente ajudou a implantar um orquidário (Orquidário Municipal de Tucuruí). Em Carajás nós ajudamos a implantar o orquidário de Carajás. Também em Brejo Grande do Araguaia, ajudamos a implantar uma casa de cultura. São os lugares que a gente trabalhou diretamente. Claro que muitos outros lugares atendemos por e-mail, ou as pessoas vêm aqui nos visitar e levam essas ideias para os seus lugares, para tentar fazer alguma coisa por lá. PENTA - Pelo que estou percebendo, a grande maioria parte de uma iniciativa quase que privada, de alguém que se “empolga” e que busca fazer alguma coisa, e depois que vai se desenvolvendo acaba se tornando público. Qual a diferença que o senhorvê de projetos como o de Tasso Fragoso, que começoupelo Lirô, uma empolgação privada, e agora está se tornando público, de outras que acabaram tendo insucesso, como a de Itupiranga? Qual é a grande diferença? Prof. Noé - A grande diferença é a seguinte: de um modo geral, quando é uma iniciativa particular, ela se apoia na comunidade. É a ideia de uma pessoa, mas essa ideia se apoia na comunidade, com isso a instituição tem mais respaldo para sobreviver. Quando ela é única e exclusivamente do interesse da prefeitura, ela nem sempre tem esse respaldo popular e da comunidade, e quando muda o prefeito, muda tudo e acaba fechando o espaço, porquefoi o prefeito anterior que criou. Então, o que a gente sempre aconselha, é que seja uma coisa mista, que tenha um conselho, pessoas de várias entidades, que a comunidade participe, porque é uma maneira de garantir a sobrevivência. Se for uma coisa única e exclusivamente do poder publico, corre-se muito esse risco partidário, “ah foi o prefeito “x” que inventou isso! Nós somos de outro partido e não queremos dar continuidade!”.

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Projeto de Interiorização

Escola Raquel de Queiroz - Vila Patauá

Por Creuzani Maria S. Costa e Leia Lino Barbosa

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m município enorme, com mais de 15 mil quilômetros quadrados: é pouco menor que o Estado de Sergipe! Assim é o município de Marabá! Marabá abriga uma população de quase 240 mil habitantes, sendo que cerca de 62 mil pessoas se distribuem por 65 Vilas, Povoados, Assentamentos e Projetos de Assentamento. Na área urbana está a maior parte: 171 mil habitantes, mas o que se considera área urbana abrange distâncias significativas. Se pensarmos a Casa da Cultura como o centro irradiador de conhecimento e de troca de saberes, temos enormes distâncias até os extremos do Complexo Cidade Nova, ou até Morada Nova, ou Novo São Félix. Para muitas dessas pessoas, principalmente crianças e jovens, é muito difícil deslocar-se até o centro urbano; há muitos da zona rural que nunca estiveram na cidade, e mesmo os da zona urbana têm dificuldades para chegar até a Fundação Casa da Cultura.

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Como atender a toda essa população, urbana e rural, permitindo o acesso a informações e a troca de conhecimentos? Como provocar a integração entre os diferentes saberes de uma população oriunda de diversas regiões brasileiras, fazendo com que valorizem suas raízes e participem da intensa miscigenação que forma a cultura marabaense?

O Projeto de Interiorização Uma ideia que está em execução desde 1994 é o PROJETO DE INTERIORIZAÇÃO: equipes da Casa da Cultura se deslocam até as comunidades, levando materiais (exposições, banners, vídeos, livros) e grupos culturais (de música, de dança, de contação de história) para divulgar os trabalhos de pesquisa da Casa, difundir arte, história, ciência e artesanato. Através de palestras e vídeos, busca-se propagar o potencial turístico, ambiental e econômico da nossa região. Ao mesmo tempo as equipes estimulam nos moradores a mostrarem seus saberes, o que leva à valorização dos próprios conhecimentos.


Escola Raquel de Queiroz - Morada Nova

Agitando os finais de semana

Resultados Positivos

As ações se desenvolvem geralmente no espaço das escolas, em finais de semana definidos junto às comunidades, visando atingir o maior número de pessoas. Os temas das palestras são escolhidos de acordo com as necessidades e interesses de cada comunidade: Sítios Arqueológicos e Cavidades Naturais; Conservação do Patrimônio Público; Serpentes; Pontos Turísticos de Marabá; Exposição Centenário de Marabá (história do município, em 20 painéis); Escola de Música; Lendas Regionais; Academia de Letras, entre outros. As atividades incluem: mostras de vídeo, difusão e produção literária, contação de histórias, atividades lúdicas para crianças e adultos, artes, artesanato, reciclagem. Para cada comunidade é feita a doação de um conjunto de publicações da Fundação: livros, periódicos, cd com os hinos oficiais, vídeo do Projeto Balsa de Buriti.

Já atingimos 40 vilas ou povoados da zona rural, e 38 escolas da zona urbana: isso representa uma população de cerca de 70.000 pessoas! Os objetivos propostos têm sido alcançados, com difusão e interação de conhecimentos empíricos e científicos. Já tivemos casos de comunidades que forneceram importantes informações sobre a existência de Sítios Arqueológicos, Cavidades Naturais, espécies vegetais e da fauna, existentes nas comunidades beneficiadas.

Escola Raquel de Queiroz São João do Araguaia

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Projeto Memória Por Ramon Cabral

C

om a intenção de registrar e valorizar a história e cultura de Marabá e região a partir da memória, saberes populares e conhecimentos tradicionais de seus moradores, o GEMA (Grupo Ecológico de Marabá), desde 1982, e posteriormente a FCCM, desde sua criação em 1984, vem realizando entrevistas e reunindo depoimentos, fotos e objetos antigos, que contam essa história. Em 1985 o vereador Pedro de Oliveira apresentou um projeto à Câmara Municipal de Marabá intitulado “Fórum Marabaense”, cujo objetivo era a procura de pessoas que ajudaram a construir a história, a cultura e a realidade dessa região. O fórum idealizado e apresentado pelo vereador não teve grande atenção por parte da sociedade local, e por fim, acabou por ser esquecido. Diante da necessidade de resgatar a história oral dos antigos moradores e da urgência que se faz de coletar esses dados, fonte de alto valor para a compreensão da história e da trajetória desta região (e que de modo geral não são contemplados pela história oficial), nasce o Projeto Memória, dentro das atividades desenvolvidas pela Fundação Casa da Cultura de Marabá. Assim transformamos histórias orais e narrati-

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vas de vida em conhecimento histórico, possível de ser utilizado por alunos de escolas públicas e privadas, além de pesquisadores de diversas áreas. Em 2008 o Projeto sofre uma reestruturação, passando a contar com a participação de outros setores da Casa da Cultura, como Etnologia, Arqueologia, Arquivo Público Manoel Domingues e Arquivo Fotográfico Miguel Pereira. Tendo despertado o interesse da população regional, no segundo semestre do ano de


2009 a empresa UNIMED Sul do Pará assina um termo de acordo/convênio com a FCCM, cedendo materiais e equipamentos para a continuação e principalmente melhoramento do projeto, o qual passa a utilizar como recurso de registro, além de áudio e fotografia, também o vídeo. Preocupada em compartilhar e valorizar a história e cultura da região com a população, a Casa da Cultura ao longo desses anos vem acumulando dados e construindo um acervo que conta com 1500 fotografias impressas (doadas por moradores), 300 fotografias digitalizadas (emprestadas por moradores para a realização de cópia digital), 500 fotografias digitais (fotografias doadas em meio digital e fotografias realizadas em máquina fotográfica digital durante as entrevistas) e 139 entrevistas (parte em vídeo e parte apenas em áudio), que estão disponíveis para a consulta da comunidade.

Dona Joaninha

Maria Ligia Mota

Hiran Bichara Gantus

João Brasil

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Monotagma densiflorum

Projeto

Paleocanal do Tocantins Artigo escrito por Virgínia Mattos, a partir de entrevista feita com Noé

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ma área original, diferente do seu entorno, riquíssima em ecossistemas, fauna, flora; um registro do antigo leito do Tocantins: assim é a região identificada pelo professor e geógrafo dr. Aziz Nacib Ab’Sáber (1924-2012) como PALEOCANAL DO RIO TOCANTINS. A descoberta desta interessante formação deu-se pela curiosidade natural do prof. Noé. Relata ele que, desde que chegou a Marabá, em 1975, observou um trecho da PA-150, entre São Félix e Morada Nova, com vegetação muito diferente das matas de castanhais e mesmo da cobertura vegetal das beiras de rios; viu que havia árvores baixas, solo de areias brancas e formações lacustres. Em 1984 a Casa da Cultura convidou o prof. Ab’Sáber para fazer uma palestra, durante a Semana do Meio Ambiente. O professor ficou uns dois dias, indo com Noé até a Serra dos Carajás, a Murumuru e ao sítio deste último. Ao

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passar pela PA70, Noé mostrou a área para o geógrafo; este analisou a região e verificou que ela compunha o antigo leito do rio Tocantins, quando ele era bem mais largo, com nível mais alto de água, que posteriormente foi drenando, reduzindo-se ao leito atual. O rio teria uma largura de 10 ou 15 km: uma coisa imensa! Isso talvez há 40 mil anos, no período de degelo. Em fotos de satélite é possível ver a área de inundação atual, com os lagos que restaram nas partes mais fundas. Hoje sabemos que há mais de 70 lagos, indo desde a Vila Espírito Santo até Itupiranga. Por sua originalidade e interesse científico, indicamos para que na Lei Orgânica do Município de Marabá, a área deveria ser de conservação, mas até agora nada foi feito para que seja preservada. É uma região alagadiça, pois o lençol freático está quase na superfície. No períodos de cheia, a população que se instalou nessas áreas (como o bairro Tiradentes, por exemplo)


Noé observando o Formigueiro aéreo

fica muito prejudicada. Em outras áreas os lagos emendam (como o Lago Preto e o Lago do Deserto). O solo arenoso é resultado da lavagem pela água do rio; com poucos nutrientes, esse solo permitiu a formação de vegetação baixa, denominada campina. Tanto a flora como a fauna daquela região são diferentes das outras áreas. Por todos esses motivos o Projeto Paleocanal do Tocantins tem sido desenvolvido, desde 1985. Já foram publicados trabalhos sobre a fauna, a flora, lagos e arqueologia, havendo outros estudos em andamento. Com os avanços tecnológicos, acompanhados de treinamento da equipe da FCCM, os estudos do Paleocanal do rio Tocantins têm obtido mais precisão, com planejamentos e registros de melhor qualidade. “Não raro, têm sido encontrados na Amazônia sítios híbridos que possuem valor geológico e geomorfológico e importantes relictos de vegetação do tipo dos Minibiomas(...)”. “Importantes trechos de campinas e campinaranas ocorrentes em diversos setores da Amazônia merecem preservação representativa”. “Paleocanais arenosos de grandes rios que mudaram de posição no entorno de tabuleiros necessitam de igual proteção, sob planejamento inteligente: o paleocanal do Tocantins, a leste de Marabá, e o paleocanal do Araguari, no Amapá.” (Ab’Sáber, A.N. Zoneamento fisiográfico e ecológico do espaço total da Amazônia Brasileira. Estudos Avançados, 24(68), 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ea/v23n68/04.pdf. Acesso em 24.06.2014).

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LOCALIZAÇÃO DO PALEOCANAL O Paleocanal do Tocantins localiza-se ao longo desse rio, sendo uma parte dentro do município de Marabá e continuando no município de Itupiranga. São seus limites: na direção SE, o rio Flecheira partindo de sua foz no rio Tocantins, subindo por este até chegar à rodovia BR-222; segue desse ponto, margeando a estrada até Morada Nova. Em Morada Nova limita-se com a estrada para o Murumuru, até o igarapé Cajueiro; desce por este até sua foz no igarapé Grota Preta; este faz a divisa, no sentido WN, por 4 km e neste ponto traça uma linha reta na direção WN até a nascente do igarapé do Lago. No mesmo sentido WN segue pela margem deste igarapé, até o igarapé Cametaú Grande, descendo por este no sentido WN até a sua foz no rio Tocantins. Da margem do rio Tocantins traça uma linha no sentido WS, atravessando esse rio até a foz do igarapé Vermelho; sobe por este último até a rodovia Transamazônica; segue essa estrada no sentido SE até a foz do igarapé Burgo; desce por este até sua foz no rio Tocantins. Atravessa o rio Tocantins no sentido E, alcançando do outro lado a foz do Lago do Carrapato; segue pela margem direita do rio Tocantins até a foz do igarapé Geladinho.

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Lago Grande

Entenda a palavra “Paleocanal” “PALEO” é prefixo de origem grega que significa “velho”, “antigo”. Então paleocanais são os leitos pretéritos dos atuais cursos d’água. PARA SABER MAIS Boletim Técnico nº 1: Orquídeas do Paleocanal, p. 34; Núcleo arqueológico de Marabá, p. 25 (cita sítios arq. no Paleocanal); Boletim Técnico nº 2: Fauna no Paleocanal, p. 136; Lagos do paleocanal, p. 129; Novos sítios arqueológicos, p. 21 (cita sítios arq. no Paleocanal); Boletim Técnico nº 3: Novas ocorrências de Orchidaceae no Estado do Pará, p. 100 (cita novas orquídeas do Paleocanal. IDESP. Pará Desenvolvimento. Belém, jun. 1992, edição especial. VAL, Adalberto Luis. Apresentação amazônica. Cienc. Cult., São Paulo, v. 61, n. 3, 2009. Disponível em: <http:// cienciaecultura.bvs.br/scielo>. Acesso em 23 jun. 2014.


Proler

Curso de Contação de Estória

Programa de incentivo à leitura Por Cátia Weirich PROLER - Programa de Incentivo à Leitura é um projeto de valorização social da leitura e da escrita, vinculado à Fundação Biblioteca Nacional e ao MINC – Ministério da Cultura. Presente em todo o país desde 1992, o PROLER, através de seus Comitês, organizados em cidades brasileiras, vem se firmando como presença política atuante, comprometida com a democratização do acesso à leitura. No estado do Pará o PROLER está presente apenas no município de Marabá. O primeiro termo de Convênio de Cooperação Técnica entre Fundação Biblioteca Nacional-FBN e Fundação Casa da Cultura de Marabá-FCCM foi firmado em 2000, incluindo os representantes de 09 bibliotecas para a formação do Comitê Proler Marabá. Ao longo do tempo, o comitê desenvolveu suas atividades no município e região, apoiando e incentivando a leitura, já que seu objetivo é realizar ações de incentivo à cultura e à literatura, formação continuada de professores e agentes de bibliotecas e ações culturais com leitores e dinamizadores de ações de formação de novos leitores, além de incentivar a criação e ampliação de bibliotecas públicas e escolares. Esteve à frente da caravana Monteiro Lobato, do “Médicos da alegria”, levando a leitura até os hospitais, além de Saraus, Rodas de leitura, Hora do Conto, Exposições Literárias, Feira do Livro, Palestras inerentes à importância da leitura. A implantação do Comitê PROLER em Marabá surgiu da necessidade de incentivo à leitura, na busca de melhorias para as bibliotecas públicas, tanto para os leitores como para os responsáveis por ações de incentivo à leitura.

Roda de Leitura com o escritor Ademir Brás

1º Encontro de Formação de Mediadores de Leitura

Hoje o comitê PROLER/Marabá apoia, além das bibliotecas públicas, escolares e salas de leitura de nosso município, outros municípios de nossa região, como Rondon do Pará, Nova Ipixuna, Jacundá, Itupiranga, Parauapebas, Abel Figueiredo, Bom Jesus do Tocantins, Canaã dos Carajás, Eldorado, São João do Araguaia, São Geraldo, São Domingos do Araguaia, além das salas de leituras das aldeias indígenas Parkatêjê, Krykatêjê, Akrankrykatêjê, Xikrin e Suruí. Firmamos Parceria com a SEMED, através do projeto Marabá Leitora, onde desenvolvemos atividades mensais com bibliotecários, professores e mediadores de leitura, visando resgatar o interesse e o gosto pela leitura.

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Reserva Ambiental

Murumuru Por Noé von Atzingen

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ra muito fácil se perder na imensidão do verde amazônico, décadas atrás, mas também era muito fácil perder o verde. O desmatamento tomava conta das florestas e muitas áreas foram perdendo sua cor e vida originais. Uma dessas áreas grandemente afetadas, é a atual Reserva Ambiental Murumuru - RAM. Em 1978, Noé von Atzingen comprou a primeira parte da área da reserva. Em 1980, 1991 e 1996, outras pequenas parcelas foram compradas e anexadas à primeira. Hoje a área total soma 40 hectares. Quando foi adquirida, boa parte da área era de juquirão, bastante degradado. Ao longo dos anos, o capim foi sendo arrancado e cerca de 10.000 mudas de árvores nativas foram plantadas. No lugar da de-

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Preguiça

vastação há hoje uma bela floresta em franca regeneração. Na reserva há dois ecossistemas distintos: Floresta de Terra Firme e Floresta de Várzea. Em 1989 foi criado o orquidário Guido Pabst. Na Reserva já foram identificadas 220 espécies de aves, 46 de mamíferos, 4 de quelônios, 28 de lacertílios, 70 de peixes, 26 de anfíbios e 45 espécies de ofídios, somando cerca de 450 espécies! Há também 25 espécies de orquídeas nativas, inclusive algumas raras como Lygeophila sp, Stenorhynchus pedicelatus e Habenaria repens. A casa da reserva, de estilo rústico e feita com materiais da região, foi construída em 1981. Ela abriga uma boa biblioteca com 3.000 exemplares: além de literatura em geral, contém livros que tratam principalmente de temas ligados à flora, fauna, arqueologia,


Macaco Prego

história e antropologia amazônicas. Existem hoje quatro trilhas abertas à visitação de escolas/universidades. Em 2014, a Reserva foi o tema central da Semana Mundial do Meio Ambiente. Maquetes foram preparadas para reproduzir com fidelidade 3 fases da RAM: a primeira mostra como era quando foi adquirida; a fase intermediária de recuperação; a fase atual, com vegetação bastante restaurada. O conjunto de maquetes mostra, assim, todo o processo de recuperação, provando que a ação do homem pode beneficiar o ambiente. Noé, o morador ilustre da Reserva, dedica grande parte do seu tempo fazendo com que o local permaneça bem cuidado e preservado. Além disso, mantém há mais de 30 anos o registro das alterações climáticas na área.

Igarapé Murumuru

Casa do Noé von Atzingen

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Arborização na

Estrada do Murumuru Por Maria Virgínia B. de Mattos

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uem conheceu a região de Marabá há algumas décadas e retorna agora, sem dúvida percebe muitas diferenças: o tamanho da cidade, o aumento da população, as indústrias que chegaram e acharam aqui também uma moradia; mas principalmente se percebe, quase que instantaneamente, que o clima mudou. As Árvores nativas que eram abundantes, não importando para qual lado se voltasse o olhar, agora são tesouros escondidos no meio de pastagens e casas. Recentemente, em visita à cidade para lançamento da segunda edição do livro “História de Marabá”, a escritora Virgínia Mattos, que está há aproximadamente 18 anos longe do município, declarou “a gente sente que ficou mais quente mesmo na cidade, ficou mais difícil para as pessoas aguentarem o clima e isso é chocante”. Por conta de constatações como essa, a Casa da Cultura lançou há dois anos o Projeto de Arborização da Estrada do Murumurú. No caso desse trecho específico do município, os impactos são ainda mais sensíveis, em função da proximidade com uma das reservas ambientais mais importantes da cidade, que é a Reserva Ambiental Murumuru (RAM). Noé von Atzingen, antigo morador daquela região e líder do projeto, conta que há 20 anos a estrada cortava uma floresta e hoje só o que se vê é pasto, dos dois lados da estrada. Além disso, a estrada é

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muito utilizada por praticantes de caminhada, corrida e ciclismo, mas elessão muito castigados pela falta de sombra, de arborização, fazendo com que a sensação térmica no local seja extremamente quente. O projeto que já começou grande, com o plantio de 600 mudas de Ipê doadas pelas Secretarias de Agricultura e a de Meio Ambiente, logo atraiu não só os olhares de curiosos, mas também as mãos ajudadoras de gente com a mesma visão de preservação ambiental de Morada Nova como o grupo Arbovida. As comunidades de Morada Nova e Murumurú abraçaram o projeto, que recentemente recebeu o reforço dos desbravadores e dos alunos da Obra Kolping. O número total de mudas de Ipê plantadas na estrada do Murumurú pelo projeto chegou a 1.000, na última etapa. Além de “colocar a mão na massa”, os estudantes tiveram a oportunidade de conhecer a RAM, participando de trilhas ecológicas com o acompanhamento do próprio Noé, profundo conhecedor da área. Em virtude do sucesso do projeto, novos desafios já estão sendo traçados. “Isso é uma coisa muito eficaz e simples de fazer, todo mundo sente a diferença do projeto, e já surgiram discussões sobre outros locais que poderiam passar pelo mesmo processo, como o perímetro entre Morada Nova e a Eletronorte”, conta Noé, que é grande defensor e ativista da causa ambiental na região de Marabá.


Trilha Ecol贸gica

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Abertura da Exposição do Centenário de Marabá

Centenário de Marabá: A Exposição Por Cátia Weirich

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arabá, cidade miscigenada, com vertentes culturais diversificadas, confunde-se em suas tradições e costumes. Toda sua população traz consigo um pedacinho de seu estado e agrega conhecimentos e costumes adquiridos aqui. Foi com o intuito de resgatar o que a cidade tem de melhor, principalmente sua história real, sua memória, é que a equipe da Fundação casa da Cultura de Marabá uniu forças para conceber uma exposição que trata de todas as abordagens, desde história, cultura, costume, memória... E principalmente informação, pois nossa população anseia por informações. Bruno dos Santos Scherer, Cátia Weirich, Maria Augusta Luz, Marlon Prado e Noé von Atzingen conceberam a idéia e contaram com o apoio de Felipe Martins, Maria Virgínia Bastos de Matos, Patrícia Padilha, Raimundo Herculano Rodrigues, Raimundo Mesquita e Ramon Cabral, para a pesquisa e elaboração de 20 painéis que tratam dos temas:

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Pré - História na Região Povos Indígenas na Região Cronologia

Exposição do Centenário vai à escolas da zona Rural

Da Guerra da Boa Vista à Fundação do Burgo do Itacaiunas em 1895 Evolução Territorial de Marabá Implantação de Marabá Poema Marabá A Lei 1.278 de 27 de fevereiro de 1913 Intendentes e Prefeitos de Marabá 1913 a 2013 O Caucho e a Castanha Diamante e Ouro Pecuária

Esta exposição, realizada em comemoração ao Centenário de Marabá, deu-se em três coleções iguais, as quais percorreram todos os bairros e vilas da cidade. Em um período de 8 meses, ela se deslocou pelos bairros e vilas, acompanhada de palestras abordando os temas dos painéis, dando ênfase à importância de nossa história, nossos costumes, conquistas e memórias. Neste percurso, atingimos cerca de 54.350 pessoas em 52 localidades da zona rural e 30 localidades da zona urbana. Um recorde de público em nossas exposições!

Transporte As Enchentes em Marabá A Guerrilha do Araguaia Principais eventos de Marabá Hino de Marabá Expansão Urbana de Marabá

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Os vogueiros davam o ritmo da viagem

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A Balsa que marcou o centenário Projeto idealizado pela Fundação Casa da Cultura resgatou a história do meio de transporte mais importante na formação de Marabá

Por Ulisses Pompeu

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ntre as comemorações do Centenário de Marabá, em 2013, uma das mais marcantes e que mobilizaram milhares de pessoas foi a expedição Balsa de Buriti, projetada e desenvolvida pela Fundação Casa da Cultura de Marabá. A viagem iniciaria em Carolina-MA, cidade de onde partiram centenas de balsas carregadas de mantimentos para Marabá até meados do século passado, mas em função da barragem do Estreito-MA, não foi possível a saída da cidade-mãe de Marabá. Mas uma cerimônia foi realizada em Carolina no dia 17 de abril de 2013, com a participação de autoridades das duas cidades, entre as quais o vice-prefeito Luiz Carlos Pies e a presidente da Câmara, Júlia Rosa. No dia 18, um grupo de 16 pessoas embarcou na balsa em Estreito e iniciou a viagem de dez dias pelo Rio Tocantins a uma velocidade média de 4 km por hora, tendo como propulsão a correnteza do rio. Em cada cidade por onde a balsa passava, uma comitiva aguardava a balsa com festa e fazia homenagens à embarcação e seus tripulantes.

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A expedição passou pelas cidades de Estreito, Tocantinópolis-TO, Ribamar-TO, Itaguatins-TO, Imperatriz-MA, Sampaio-TO, São Sebastião-TO, São Pedro da Água Branca-MA, São João do Araguaia e Marabá. A partir de São João, a balsa foi acompanhada por embarcações diversas até Marabá, onde atracou na colônia Z-30, no bairro Santa Rosa, no sábado, dia 27 de abril. Ali, cerca de 2 mil pessoas aguardavam a expedição e receberam os tripulantes com fogos de artifícios, aplausos, encenações de grupos teatrais e discursos de autoridades, que reconheceram a importância do resgate da memória pelo projeto realizado pela FCCM. A viagem realizada exatamente no mês do Centenário de Marabá acabou aumentando o interesse popular por onde a balsa passava. Noé von Atzingen avalia que o impacto que a embarcação rudimentar causou por onde passou superou as expectativas dele, por-

As corredeiras eram o grande desafio da viagem

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que não achava que chamaria tanto atenção das pessoas nas cidades e entre os ribeirinhos. A Fundação Casa da Cultura preparou também uma exposição móvel sobre a história da balsa de buriti, a qual percorreu todas as nove cidades por onde passou. “Mas a balsa era realmente a vedete da viagem. Ela se transformou em um museu vivo, flutuando sobre o Rio Tocantins e eu não tinha me dado conta disso”, confessa Noé. Mas mesmo depois de terminada a viagem, o sucesso da balsa do centenário continuou. Ela ficou em exposição no Rio Tocantins durante uma semana, sendo vista por centenas de pessoas. Depois, foi retirada e colocada em um caminhão, sendo conduzida para a Fundação Casa da Cultura de Marabá, onde ganhou um espaço para visitas e pesquisas. Em setembro do mesmo ano, em parceria com a mineradora Vale, a balsa foi levada para exposição no Pátio Shopping Marabá, onde permaneceu durante um mês,


tendo sido visitada por milhares de curiosos. Paralelamente, a exposição sobre a balsa através de banners percorreu dezenas de vilas da zona rural do município, onde os estudantes e moradores também tiveram a oportunidade de conhecer a história da embarcação que contribuiu com a formação do município de Marabá.

EXPEDIÇÃO EM NÚMEROS

“A balsa era realmente a vedete da viagem. Ela se transformou em um museu vivo, flutuando sobre o Rio Tocantins e eu não tinha me dado conta disso”.

Saiba Mais

Noé von Atzingen, Presidente da Fundação Casa da Cultura de Marabá.

360 Km percorridos 16 participantes na expedição 9 cidades visitadas 7 mil pessoas prestigiaram a viagem 600 quilos de alimentos consumidos

Um fato interessante é que na confecção da balsa de buriti, na cidade de Estreito-MA, não foi utilizado nenhum prego. A madeira foi amarrada com cipó, como acontecia no passado. Galinhas, carne seca, abóboras, azeite de coco babaçu, rapadura e sacos de arroz completaram o cenário dentro da Balsa de Buriti que desceu o Rio Tocantins em comemoração ao Centenário de Marabá.

Chegada arrastou multidão à Orla de Marabá

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Atuação FCCM

Mapa de Atuação da Fundação Casa da Cultura de Marabá

LEGENDA

Atuação da Fundação Casa de Cultura desde 1984 Assunto: Atuação da Fundação Casa de Cultura no estado do Pará desde 1984 Técnico Responsável: Bruno Scherer / Diagramação: Maria de Jesus Almeida Data do processamento: 14.05.2014 / Datum: SAD 1969 / Fuso 22S

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Ao longo de 30 anos de atuação a Fundação Casa da Cultura de Marabá expandiu suas atividades para 14 estados brasileiros, porém deu-se maior ênfase no desenvolvimento de ações no estado do Pará, abrangendo em suas ações 46 municípios. A nível mundial esta Fundaçåo também realizou palestras, exposições e convênio com a Suiça, Alemanha, Bélgica, Itália e Áustria.


Entrevista Um trabalho de grande impacto é o apoio que a Fundação Casa da Cultura de Marabá destina a grupos, associações e outras entidades de cunho cultural. Em diálogo com o professor Noé, pudemos constatar a amplitude desse apoio. PENTA: Professor Noé, qual foi a importância do GEMA para Marabá?

Apoio a Entidades

Culturais Por Noé von Atzingen

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Noé: O GEMA, Grupo Ecológico de Marabá, foi criado aqui na região em 1981, sendo o segundo grupo ambientalista criado em Marabá, pois o primeiro foi a AMPN, Associação Marabaense de Proteção à Natureza, que teve pequena duração e deu origem ao GEMA. Este teve também uma vida mais ou menos curta, mesmo porque um dos principais objetivos do GEMA era criar um espaço com um museu, um espaço de memória e cultura. E quando isso foi atingido, que foi a criação da Casa da Cultura, ele passou a não ter razão de existir e acabou morrendo. Se não fosse o GEMA, a Casa da Cultura não existiria.


PENTA: Além do GEMA, qual outro grupo recebeu suporte da FCCM? Noé: Ao longo do tempo nós fomos apoiando e criando outras instituições, então criamos o GEM, Grupo Espeleológico de Marabá, que é um dos únicos grupos de estudos de caverna do Norte e Nordeste do Brasil. O GEM tem hoje tem uma importância muito grande, porque nós temos técnicos formados por esse grupo e pela Casa da Cultura espalhados pelo Brasil inteiro, trabalhando em espeleologia no Brasil todo, que saíram dos cursos de espeleologia ministrados pelo GEM e Casa da Cultura. PENTA: O GEM já recebeu reconhecimento nacional por esse trabalho? Noé: Sim, foi um reconhecimento por um grande grupo de estudos de espeleologia de Minas Gerais, que é a CAST, eles reconheceram a Casa da Cultura como uma entidade importantíssima no cenário nacional de estudo de caverna, e não só no estudo de caverna, mas também na formação de pessoas, pois é um dos únicos grupos que realmente forma pessoas para trabalhar. Então o GEM tem um papel fundamental nessa questão de estudo de espeleologia. PENTA: O senhor poderia citar mais alguma entidade apoiada pela FCCM? Noé: Temos, por exemplo, a SOM, que é a Sociedade de Orquidófilos de Marabá, sociedade que criou o orquidário Margaret Mee, instalado na Aldeia Cultural. A SOM também tem o apoio da Casa da Cultura até hoje; com reuniões mensais, onde se discutem questões de plantio de orquídeas, trocas de espécies, e apoio à exposição anual de orquídeas. PENTA: GEMA, GEM, SOM. Haveria mais algum apoio a destacar? Noé: Vamos falar da entidade mais recente, a Academia de Letras do Sul e Sudeste do Pará, que já está indo para o quarto ou quinto ano de

vida. Foi uma ideia originada do João Brasil, primeiro presidente da Academia e que ocupa a cadeira número um. Ele trouxe essa ideia para a FCCM, nós achamos uma ideia valiosa, pelo tamanho da cidade e pelo desenvolvimento cultural desta região, pela existência de muitos escritores. A ideia inicial dele era de uma academia de Marabá, mas nós avaliamos a necessidade de ampliar esse conceito: por que não criar umaentidade da região? Já que se fala tanto no Estado de Carajás, vamos criar uma para toda esta área o que é o Estado de Carajás; no futuro, se o Estado for criado, vai ser academia de letras do Carajás. Então reunimos mais algumas pessoas e criamos essa Academia. PENTA: Qual é o estado atual da ALSSP? Noé: A Academia de Letras tem hoje 15 ou 18 membros efetivos, tendo sua sede na Casa da Cultura, onde estão seus arquivos e onde se realizam as reuniões. Vários municípios estão representados aqui: Tucurui, Curionópolis, Jacundá, Itupiranga, Parauapebas, Rondon do Pará, Xinguara, Água Azul. PENTA: São muitas e importantes entidades! Podemos encerrar por aqui, ou há algo mais a acrescentar? Noé: Talvez fosse bom fechar essa história lembrando que a primeira reunião para a criação do Estado de Carajás foi na Casa da Cultura, formando-se uma comissão, embrião da comissão Brandão, foi a primeira vez que as pessoas se reuniram para falar da possibilidade do desmembramento dessa região do Estado do Pará, criando o Estado de Carajás. Quero lembrar ainda que esses órgãos e entidades que foram criados, ainda apoiam outros grupos; por exemplo, a gente vê que a SOM teve apoio da Casa da Cultura para a sua criação, mas a própria SOM dá suporte a outros criadores de orquídeas aqui da região. A Academia de Letras tem essa mesma função, de não só agregar os escritores, mas também incentivar os outros escritores.

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1980

Linha do Tempo

1981

1982

1983

Fundação da Associação Marabaense de Proteção da Natureza.

Formação do Grupo GEMA, integrado por vários remanescentes da AMPN, que se encerrou neste ano.

I e II Mostras de Temas Regionais.

Semana de Proteção da Natureza.

Semana da Castanha. Falecimento de Antonio Bastos Morbach, o “Sinhozinho” (1904 – 1983): jornalista, historiador, poeta, defensor de nossa cultura.

Divulgado um Cordel sobre a venda de pés de castanha para as serrarias.

1987

1988

Casa da Cultura é transformada em FUNDAÇÃO CASA DA CULTURA DE MARABÁ (Lei Mun. 9271, de 28/12/1987).

Apoio da Fundação Emílio Goeldi para treinamento de técnicos e realização de pesquisas científicas

Criação da Secretaria Municipal de Cultura (Lei 9268, de 28/12/1987). São criados o Departamento de Patrimônio Histórico e o Setor de Arqueologia. Lançado o nº 1 de O PENTA, informativo da Casa da Cultura de Marabá (outubro). A VALE (então CVRD) cede à Fundação Casa da Cultura o prédio e terreno de seu escritório na Folha 31, em regime de comodato. Primeira expedição de equipe da Casa da Cultura à região da Serra das Andorinhas, dentro do PROJETO MARTÍRIOS DO ARAGUAIA, que ao longo dos anos desenvolveu 14 etapas de campo (janeiro).

Coordenação da Feira do Livro e da Ciência. A Casa da Cultura traz para Marabá o Balé Stagium, que se apresenta no Estádio Zinho Oliveira (agosto). Organização e administração da Rede de Bibliotecas, que chegou a contar com a Biblioteca Central e 11 Bibliotecas Ramais, espalhadas pelos três Núcleos urbanos, além de São Félix e Morada Nova. A Casa da Cultura promove a 1ª apresentação de danças indígenas dos índios Gavião, para o público da cidade de Marabá. Tem início o 1º Curso de Violão da Casa da Cultura, pelo músico João de Barros (novembro). FCCM publica artigos alertando sobre a produção de carvão e destruição dos castanhais.

1991

1992

Lançado o periódico PEDRA ESCRITA, voltado para as atividades da equipe na Serra dos Martírios/Andorinhas

Criação do Orquidário Margaret Mee (abril).

Com apoio da FCCM é lançada a cartilha “Cadê o Nosso Verde?”, de Rildo Brasil. Coordenação do 5º FECAM – Festival da Canção em Marabá A FCCM participa do Fórum Estadual de Cultura, em Belém. Uma passeata contra as queimadas na região repercute na imprensa (setembro).

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Semana do Índio.

Do Cadastro Nacional de Entidades Ambientalistas constam a FCCM, o GEM e a Fundação Serra das Andorinhas.

Criação da Sociedade dos Orquidófilos de Marabá (SOM). Participação na I Feira Cultural de Marabá, com exposições e palestras. Coordenação do 6º FECAM (julho). A Casa da Cultura lidera a criação da “COMISSÃO QUEIMADAS NÃO”, que reuniu mais de 30 Instituições e atuou até 1995. Publicação do livreto “Situação Ecológica do Sul do Pará”, de Raimundo L. Maya, com patrocínio da CVRD. Promoção do PROJETO “O ESCRITOR NA CIDADE”, criado pelo Departamento

Nacional de Bibliotecas, que trouxe vários escritores paraenses e de outros Estados para realizarem palestras em escolas locais, com o intuito de incentivar o gosto pela leitura. Realização do 1º Recital de Música Semierudita, com a apresentação de instrumentistas locais (19 de novembro). Início de pesquisas espeleológicas no Estado do Tocantins, em Xambioá, com a documentação de uma caverna em calcário (novembro). A FCCM participa do Fórum Estadual de Cultura, em Belém.


1984 No dia 15 de novembro, a convite da Prefeitura, é oficializada a criação da CASA DA CULTURA e o Museu Municipal (no 2º andar do Grupo J.M.Vergolino). 1ª exposição de Artes Plásticas (na Loja Maçônica da Praça Duque de Caxias). Semana do Índio.

1985

1986

Início da parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi (Belém) para estudo e documentação de Sítios Awrqueológicos.

Mudança da Casa da Cultura para sua área definitiva, no prédio cedido pela Vale (outubro).

Participação na Feira dos Municípios (Belém).

Mudança da Casa da Cultura para o antigo prédio dos Correios, na Rua 5 de abril, bairro Francisco Coelho.

Participação na elaboração do livro “Marabá”, publicado pela Prefeitura.

Início do Projeto Paleocanal do Tocantins.

Semana do Meio Ambiente. Realização do PROJETO JACUNDÁ (22 a 29 de julho).

A Casa da Cultura incorpora a Biblioteca Municipal “Almirante Tamandaré” e dá início à criação da rede de Bibliotecas (outubro). Início do PROJETO MARTÍRIOS DO ARAGUAIA.

Na Casa da Cultura é criado o Arquivo Fotográfico.

Apoio na publicação do livro de Marcelo Flores, “O Dom da Palavra”.

1989 Criação do GEM – Grupo Espeleológico de Marabá (8 de agosto) É criado o Laboratório Fotográfico. A FCCM divulga e abre discussão a respeito do projeto de criação do Estado de Carajás (jan./março). As primeiras reuniões da Comissão formada para esse projeto foram na Casa da Cultura. Preocupada com a poluição e destruição das matas, a FCCM lança artigos e faz exposição sobre queimadas. Realiza-se o 1º Curso de Desenho a Nanquim, ministrado pelo artista Antonio Morbach Neto.

1990

1990 Exposições sobre Marabá e a Casa da Cultura, na Alemanha e na Suíça. A FCCM participa do Fórum Estadual de Cultura, em Belém.

Realiza-se um curso de confecção de Boi Bumbá. Festa de encerramento do 1º Curso de Violão da Casa da Cultura (14 de abril). A FCCM participa do Fórum Estadual de Cultura, em Belém. Participação no II Encontro Marabaense em Defesa do Meio Ambiente, promovido pelo CEPASP (junho).

1993

1994

Desenvolvimento do PROJETO “ENSINO MUSICAL PARA JOVENS”, com apoio da UNICEF.

A Vale faz a doação definitiva da casa de madeira e do terreno para a Fundação Casa da Cultura.

Criação da Escola de Música “Moisés da Providência Araújo”. Graças ao empenho da FCCM, são tombados três bens históricos: o Palacete Augusto Dias, o Mercado Municipal e a Igreja de São Félix de Valois (5 de abril). PROJETO READAPTAÇÃO E SOLTURA DE ANIMAIS SILVESTRES. Publicação do folheto “Casa da Cultura”. Coordenação do 7º FECAM (julho).

Coordenação do 8° FECAM (julho). A FCCM participa do Fórum Estadual de Cultura, em Belém. A FCCM participa - com o Greenpeace - de uma manifestação contra o corte ilegal de mogno.

1995 Retomada do PROJETO DOENÇA DE CHAGAS, iniciado em 1976 pela USP Trabalho de documentação de cavidades naturais em Xambioá - TO, afetadas pela extração de calcário (abril). Coordenação do 9º FECAM (julho). Edita-se uma cartilha comemorativa dos 10 anos de criação da FCCM.

Participação da FCCM em pesquisas sobre a Flora Orquidológica da Serra dos Carajás. O Conselho Municipal de Cultura é criado pela Lei 13148 (4 de outubro), e fica sediado na Casa da Cultura, que dá o apoio logístico e institucional.

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1996

1997

1998

O Conselho Municipal de Cultura continua sediado na Casa da Cultura.

A Fundação Casa da Cultura é declarada instituição de Utilidade Pública.

A Pinacoteca Municipal recebe o nome de “Pinacoteca Pedro Morbach”, através do Decreto nº 340/98.

Coordenação do 11º FECAM (julho/agosto).

Inicia-se o PROJETO SALVAMENTO DE ORQUÍDEAS NA SERRA DOS CARAJÁS (março).

Exposição de obras de artistas marabaenses em Berlim, na Alemanha.

PROJETO DIFUSÃO CULTURAL: onze exposições internas e externas.

A Casa da Cultura promove pela última vez os festejos juninos da cidade. Coordenação do 10º FECAM (julho). Como resultado do PROJETO MARTÍRIOS DO ARAGUAIA, foram criados o Parque Estadual da Serra dos Martírios/Andorinhas e a Área de Proteção Ambiental de São Geraldo do Araguaia (Leis Estaduais 5982 e 5983 de julho de 1996).

É criada, na sede da FCCM, a Biblioteca Ecológica “Aziz Nacib Ab’Saber”.

Lançamento do Livro “História de Marabá”, de Virgínia Mattos, elaborado com apoio da Secretaria Estadual de Educação.

Escola de Música é beneficiada pela assinatura de Convênio de Cooperação Técnica entre a FCCM e a Fundação Carlos Gomes, de Belém. Apoio à realização do 12º FECAM (julho/agosto). Apoio à publicação dos livros “Pelas Trilhas de Marabá”, de Almir Queiroz de Moraes, e “Antologia Tocantina”, de Ademir Braz.

2001

2002

Apoio à Área de Proteção Ambiental da Eletronorte.

Inaugurada a primeira etapa da ALDEIA DA CULTURA (setembro).

Período crítico para a FCCM, motivado pelo afastamento arbitrário do Noé von Atzingen da Presidência da Fundação.

A Biblioteca da FCCM recebe doações de obras de autores paraenses (da Biblioteca Pública do Pará, da Biblioteca da UFPA e do poeta Paes Loureiro). Em Murumuru são desenvolvidas ações de preservação, envolvendo a FCCM, GEM, SOM e a comunidade local. Realizada a 1ª Exposição de Orquídeas de Marabá, no Shopping Verdes Mares. Em evento sobre Educação Patrimonial organizado pela Secretaria de Patrimônio Histórico e Artístico do Distrito Federal, em Brasília, Noé faz palestra sobre a FCCM e suas pesquisas espeleológicas (4 de julho). A FCCM é representada por Noé Von Atzingen no Colegiado (constituído pelo Ministério da Educação) que realiza a avaliação e seleção de obras de literatura para alunos do ensino fundamental de todo o País. Inaugurada uma nova Casa do Castanheiro, agora ao ar livre (novembro). Cria-se o Conselho Municipal do Meio Ambiente. O vice-presidente é Noé von Atzingen (agosto).

2005

2006

O NAM (Núcleo de Arqueologia de Marabá) passa a chamar-se Núcleo de Arqueologia e Etnologia de Marabá, resultado da fusão dos setores de Antropologia e Arqueologia e da necessidade de mais dinamismo na parceria com a Vale.

Há uma grande reestruturação física, com a inauguração de duas ocas, orquidário, refeitório e biblioteca (5 de abril).

Lançado o nº 3 do Boletim Técnico da FCCM. Realiza-se a 3ª Exposição de Orquídeas de Marabá (27 a 29 de maio). XVII Curso de Introdução à Espeleologia e Trabalho de Campo, para alunos da Universidade Estadual do Pará (22 de abril a 2 de maio). Curso de Topografia de Cavidades Naturais, para técnicos da Casa. Realiza-se a II Mostra de Música Indígena, com a participação dos povos Suruí do Sororó e Assurini do Trocará (19 de abril).

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Criado o Núcleo Espeleológico de Marabá – NEM. Realiza-se a 4ª Exposição de Orquídeas de Marabá (27 e 28 de maio). Firmado convênio, na área de educação ambiental, com o grupo TBE – Transmissoras Brasileiras de Energia, responsável pela Linha de Transmissão de energia entre Tucuruí e o sul do Maranhão. O Boletim Técnico nº 3 é lançado na 25ª Reunião Brasileira de Antropologia, em Goiânia (11 a 14 de junho). A FCCM e o GEM se destacam no cenário da Espeleologia nacional por apresentar sua experiência ao IBAMA, em Brasília (junto a pesquisadores de renome, em reunião do CECAV): foram 978 cavidades documentadas.


2000

2000

1999 FCCM recebe o Prêmio “Rodrigo Mello Franco de Andrade”, do Instituto Histórico e Artístico Nacional – IPHAN – na categoria “Preservação do Patrimônio Natural e Arqueológico Regional”, graças aos estudos e trabalhos sobre conservação do acervo e dos valores natural, cultural, histórico e arqueológico da região.

Lançado o 1º número do Boletim Técnico da Casa da Cultura.

Palestras sobre Marabá na Áustria, Suíça, Alemanha, Bélgica e Portugal, por Noé Von Atzingen.

Apoio para publicação do livro de charges de Rildo Brasil, “Ri do Brasil”.

Início do PROJETO DE INTERIORIZAÇÃO, em que equipes da FCCM vão para bairros e comunidades isoladas do município, promovendo exposições e diversas atividades culturais.

Apoio ao 13º FECAM (julho).

A revista Orquidário divulga artigo “Carajás: uma iniciativa de preservação”, sendo o Noé um dos autores.

Criação do Núcleo de Arqueologia de Marabá (NAM)

A revista “O Mundo das Orquídeas” divulga artigo de Noé sobre o Projeto Salvamento de Orquídeas em Carajás (novembro).

Publicação do livro “Marabá e suas lendas” de Vânia Ribeiro de Andrade e outros. Assinatura do convênio PROLER (Programa Nacional de Incentivo à Leitura) com a Biblioteca Nacional. Passamos a sediar o único Comitê PROLER do Estado do Pará. Encontro “Leitura e escrita”, organizado pelo PROLER, MEC e FCCM (11 a 13 de setembro).

2003

2004

É montado o Laboratório de Arqueologia.

É lançado o “Vocabulário Regional de Marabá”, de Noé von Atzingen (30 de abril).

Início da parceria com a empresa Scientia Consultoria, com aval do IPHAN (janeiro).

Lançado o nº 2 do Boletim Técnico da FCCM.

Desenvolve-se o PROJETO DE REVITALIZAÇÃO da área do Burgo do Itacaiúnas.

A 2ª Exposição de Orquídeas de Marabá realiza-se com a participação da Sociedade dos Orquidófilos de Anápolis, GO (16 a 18 de abril).

Faz-se a divulgação do estágio atual das pesquisas e trabalhos de preservação da Reserva Natural do Murumuru, que mantém convênio com o IBAMA e a FCCM.

Início do convênio da FCCM com a Vale, para a identificação do potencial espeleológico das áreas de atuação da empresa no sudeste paraense.

Com incentivo da FCCM, a Usimar Cultural publica “Rebanho de Pedras & Esta Terra”, de Ademir Braz.

2007 Tem início o PROJETO MÚSICA INDÍGENA, em parceria com a FUNAI de Marabá e as comunidades indígenas. O NAM registra a Festa das Mulheres, na aldeia Xikrin “Djudjêkô”. A FCCM e a UFPA selam um acordo de cooperação técnico-científica. A FCCM participa do 29º Congresso Brasileiro de Espeleologia, em Ouro Preto, MG (junho); da 59ª Reunião da SBPC, em Belém (8 a 13 de julho); da Conferência Estadual de Cultura, em Belém (5 a 7 de julho); do II Simpósio Latino-americano de Bibliotecas Públicas e XII Encontro Nacional do PROLER (Programa de Incentivo à Leitura), no Rio de Janeiro (4 a 8 de novembro).

Realiza-se a 5ª Exposição de Orquídeas de Marabá (26 e 27 de maio). Realiza-se o Recital de Coral e Banda, no Cine Marrocos, como encerramento do curso prático de bandas, ministrado pelo maestro Jacob Cantão, numa parceria da FCCM e Fundação Carlos Gomes (30 de junho). A FCCM, através do Núcleo de Educação Patrimonial e Ambiental, realiza oficinas de capacitação em ações a favor do meio ambiente, nos Estados do Pará e Maranhão, junto a multiplicadores. O apoio é da TBE, Transmissoras Brasileiras de Energia.

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2008 Inicia-se o PROJETO MEMÓRIA, sob a responsabilidade do NAM, com o objetivo de resgatar a memória da região através do relato dos moradores locais. Com o apoio da FCCM, é criada a Academia de Letras do Sul e Sudeste Paraense (26 de setembro). Oficinas de capacitação para auxiliares de bibliotecas do município (maio). Realiza-se a 6ª Exposição de Orquídeas de Marabá (7 e 8 de junho). Através do IBICT, a FCCM fechou parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, que passa a disponibilizar, via Internet, o acesso ao acervo bibliográfico daquele Instituto. O Museu Municipal passa a integrar o Sistema Brasileiro de Museus, recebendo do Ministério da Cultura o certificado de adesão.

Participação no I Fórum Paraense de Museus, em Belém (16 a 19 de junho); 26ª Reunião Brasileira de Antropologia, em Porto Seguro, BA (junho); I Encontro Internacional de Arqueologia Amazônica, em Belém (2 a 5 de setembro). Palacete Augusto Dias passa para a responsabilidade da FCCM, que ali fará um grande Centro Cultural. A Banda da Escola de Música é selecionada pela FUNARTE e Ministério da Cultura para participar do Programa Nacional de Bandas de Música. Exposição sobre a Comunidade Indígena Xikrin do Cateté. Oficializada parceria da FCCM com a Associação Indígena Porekrô, que defende a comunidade Xikrin do Cateté. FCCM integra o Projeto Caravana da Leitura, da Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil – FNLIJ, que divulgou as obras de Monteiro Lobato. Oficina de capacitação de mediadores do PROJETO MESTRES DO FUTURO, resultado da parceria TBE e FCCM.

2010

2010

Lançado o 5º Boletim Técnico (21 de maio). Realiza-se a 8ª Exposição de Orquídeas de Marabá (abril). FCCM, em parceria com a SEVOP, realiza trabalhos de Arqueologia Preventiva na área de duplicação da Transamazônica. Oficina de confecção de bolsas ecológicas a partir de banners reciclados. Criação do Fórum Permanente de Arte, Cultura e Cidadania. Oficina “Da Argila à Cerâmica”, pela pesquisadora do Museu Goeldi Elisângela Regina de Oliveira, para capacitar funcionários do laboratório de arqueologia. Programa “Medicina da Alma”, pelo PROLER em parceria com a Biblioteca

Orlando Lobo, para crianças e demais pacientes internados no Hospital Municipal. 5ª Mostra Cultural Indígena (abril). Participação no Encontro Nacional de Mediadores de Leitura, no Rio de Janeiro (setembro); Fórum de Cidades Lusófonas, em Salvador, BA; Semana Nacional de Museus; Congresso Brasileiro de Geologia, em Belém; Workshop de Arqueologia, em Carajás; Workshop de Espeleologia, em Belo Horizonte, MG; I Seminário de Documentação para a História da Ciência na Amazônia, em Belém; 7º Congresso Estadual de Profissionais de Engenharia, em Belém; II Encontro Internacional de Arqueologia Amazônica, em Manaus, AM; Plenárias Estaduais sobre Política Nacional de Cultura, em Belém; 4º Fórum Nacional de Museus, em Brasília; Seminário Internacional de Catalogação e Conservação de Acervos Museológicos, no Rio de Janeiro; Projeto Inovacine para difusão do Cinema. Participação nas festividades de instalação do Ponto de Cultura, na Aldeia Xikrin

2013 Ano de comemoração do Centenário de Marabá. Lançado o PROJETO BALSA DE BURITI (março). A Fundação é representada por Noé no Congresso Anual do IBE, Instituto de Estudos Brasil-Europa (março). A Exposição Centenário de Marabá, uma parceria da FCCM com a Vale e a ALPA, percorre bairros e localidades do interior do município ao longo do ano. Realizada a expedição Balsa de Buriti, que refaz a viagem fluvial dos pioneiros, entre Estreito, MA e Marabá (18 a 27 de abril). Lançado o livro “Marabá: Ontem e Hoje” (4 de abril).

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FCCM identifica as primeiras inscrições rupestres dentro do município de Marabá, nas proximidades da Vila Quatro Bocas. Ocorre a 8ª Mostra Cultural Indígena (4 A 15 de abril). Realizada a 11ª Exposição de Orquídeas de Marabá (24 a 26 de maio). Curso de Formação para Mediadores de Leitura, juntamente com Comitê PROLER, Semed, Secult e Biblioteca Orlando lobo (23 a 25 de outubro). Lançado o 7º Boletim Técnico (22 de novembro). Lançada a 2ª edição do livro “História de Marabá”, de Virgínia Mattos (22 de novembro). Lançamento da Revista do Patrimônio Arqueológico de Marabá, produzida pela FCCM e Vale (27 de novembro).


2009 Descoberto o 1º sítio paleontológico no interior paraense, em Jacundá, fruto do trabalho conjunto da FCCM com a UFPA. Realiza-se a 7ª Exposição de Orquídeas de Marabá (4 e 5 de abril). Publica-se o 4º Boletim Técnico (maio) Comemoram-se os 25 anos do PROJETO JACUNDÁ, com reunião dos participantes, descerramento de placa comemorativa, apresentação de documentário e exposição (10 de julho). A FCCM cria uma extensão da Escola de Música no bairro Santa Rosa (Marabá Pioneira), ajudando a afastar adolescentes da marginalidade.

O GEM recebe reconhecimento nacional, por ser apontado como a instituição nacional que mais realiza cursos de capacitação e estudos de Cavernas, e a mais ativa da Amazônia, segundo a empresa de consultoria CARSTE. PROJETO MEMÓRIA ganha força graças ao convênio de patrocínio assinado entre a FCCM e a Unimed Sul do Pará. Realização da 4ª Mostra Cultural Indígena (abril). Programa “Medicina da Alma”, pelo Comitê PROLER, com leitura, contação de histórias e lazer para crianças internadas no Hospital Municipal. Realizada a escolha popular do nome do Espaço Cultural a ser instalado no Palacete Augusto Dias, vencendo o nome “Francisco Coelho” (set. e outubro).

Realização do 1º Sarau Cultural, promovido pelo comitê PROLER em parceria com a SEMED (19 de março).

2011

2012

Lançado o Calendário Cultural de Marabá. Início da digitalização do acervo do Arquivo Histórico.

Realizada a 7ª Mostra Cultural Indígena de Marabá (10 a 30 de abril).

Realizada a 9ª Exposição de Orquídeas de Marabá (1 a 3 de abril).

É lançado o Boletim Técnico nº 6.

Tem lugar a 6ª Mostra Cultural indígena (13 a 29 de abril).

Realização do 2º Encontro de Cordelistas (24 de agosto).

FCCM termina o trabalho de Arqueologia Preventiva e faz entrega do relatório ao IPHAN. Aprovado pela Petrobrás Distribuidora o PROJETO ALDEIA MUSICAL da FCCM, em parceria com o Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente, para realização de 25 oficinas de formação musical. Realização do 1º Encontro de Cordelistas (julho)

A FCCM participa, com palestra e divulgação do Boletim Técnico, do 63º Congresso Nacional de Botânica, em Joinville, SC (novembro). Realizada a 10ª Exposição de Orquídeas de Marabá.

Recital Musical de Verão, com jovens alunos da Escola de música (julho). Em parceria com a Fundação Curro Velho, de Belém, a FCCM realizou oficina de serigrafia com tema “A Castanheira” (agosto).

2014 Com 60 alunos, realiza-se o 1º Encontro de Formação para auxiliares de Bibliotecas (março). “Por trás das Letras” é a exposição em homenagem aos escritores da Academia de Letras do Sul e Sudeste Paraense (março). Realizada a 12ª Exposição de Orquídeas de Marabá, desta vez no Shopping Pátio Marabá (4 a 6 de abril). Acontece a 9ª Mostra Cultural Indígena (24 de abril a 30 de maio). A FCCM, representada por pequena equipe, refaz a viagem de Henri Coudreau pelo rio Itacaiúnas (julho).

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O Futuro da Casa Por Noé von Atzingen

A

trajetória da Casa da Cultura certamente pode ser definida como uma trajetória de vitórias. As conquistas são lembradas e eternizadas em projetos, estruturas, materiais e ajudam a projetar um futuro de uma instituição que cresceu e se solidificou. A Fundação que começou com pequenos espaços cedidos evoluiu bastante estruturalmente, paralelamente a isto, as pesquisas e acervos cresceram ainda mais. Visualizando esse cenário o conselho da Fundação já projeta várias obras estruturais para que a instituição continue crescendo e atendendo com qualidade aos que a ela recorrem. Pretende-se também, em médio prazo, desmembrar o Museu Municipal de Marabá em algumas unidades museais: Museu da Mineração, Museu de Arqueologia e Etnologia e Museu Histórico.

Museu Histórico

O projeto para abrigar o Museu Histórico foi incluído nas condicionantes da ALPA e já tem local definido. Ele será implantado no Palacete Augusto Dias, onde funcionava a Câmara Municipal de Marabá. O prédio foi doado pela Prefeitura de Marabá e após a restauração, o Palacete será transformado em Museu Histórico “Francisco Coelho”. Ele vai abrigar também a Pinacoteca Pedro Morbach e os arquivos Fotográfico e Histórico sobre Marabá, acervos que atualmente encontram-se à disposição da população na Fun-

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dação Casa da Cultura de Marabá, que será a responsável pela gestão do museu.

Museu da Mineração Muitas pessoas procuram a Casa da Cultura para pesquisar e conhecer mais sobre os ciclos econômicos que fizeram parte da formação de Marabá, que a partir dos anos 80 passou a viver um novo ciclo, o da mineração. Então, nenhum local seria mais apropriado para acolher esse projeto que o da “Casa Velha” (prédio de madeira no centro da Fundação), que no inicio desse período recebeu o primeiro escritório da então Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) em Marabá. O prédio será revitalizado para receber o museu da mineração e deve também receber a biblioteca que começou ali naquele mesmo prédio.

Reserva Técnica e Museu de Arqueologia e Etnologia Ainda dentro das dependências da Fundação, há espaço para ampliação, pretende-se construir até o final do primeiro semestre de 2015 a nova reserva técnica do Núcleo de Arqueologia e Etnologia (NAM). O prédio está projetado para ter três andares para que comporte também o material coletado em Belo Monte, fruto da construção da barragem. Todo o acervo existente fará parte do novo museu, que será instalado no mezanino sobre o Salão de Exposições do museu municipal.


Prefeitura Municipal de Marabรก

Revista 30 anos Fundação Casa da Cultura de Marabá  
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