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Como antigas esculturas, objetos infláveis possuem volume. Mas ao contrário destas (que se mantêm em pé graças à sua massa), infláveis sustentam-se pela combinação da tênue espessura dos materiais de que são feitos e do elemento gasoso e informe do ar que contêm. A essas qualidades (volume, massa e leveza aérea, comuns a esse tipo de objetos) O Grande Azul, inflável especialmente criado por Suzana Queiroga para a área externa da Casa França-Brasil, soma outras: a possibilidade de acolher pessoas em sua parte interna e a transparência do material de que é feito (plástico). Mas a despeito de semelhanças morfológicas entre infláveis e esculturas é preciso não perder de vista que os Blimps e Velofluxos (em que se inscreve O Grande Azul – intencionalmente titulado por sua cor pela artista) têm por ponto de partida a pintura cujas questões atravessam e esclarecem o conjunto de sua produção. O trabalho de Suzana floresceu na década de 80, época em que a defesa da pintura ultrapassou mundialmente o âmbito das escolhas pessoais para tornar-se uma posição artístico-ideológica. Tratava-se de uma reação à hegemonia do experimental, dos novos meios tecnológicos e à chamada desmaterialização da arte (conceitual) que preterira o fazer manual em nome da invenção poética – ou da ideia. O projeto de redimensionar o sentido cultural da artesania e atualizar o ofício pictórico mobilizou críticos e jovens pintores internacionalmente. Foi também uma convocação para disputar com a produção contemporânea (comumente não oficinal) a hegemonia sobre o mundo das artes. No entanto, a despeito do teor reativo destes discursos (fundados em pressupostos hedonistas e anti-intelectualistas), deve-se ressalvar que a inegável qualidade do trabalho de muitos pintores que floresceram neste período não pode ser atribuída ao ideário da nova pintura. O compromisso da nova pintura com vivências pessoais suscitava a narrativa e a figuração. Queiroga, no entanto, interessava-se por questões que estavam totalmente à margem de tais características. Longe de corresponder ao teor icônico e expressional que especificava esta abordagem, o trabalho da artista sempre investigou sua inscrição no espaço real,

preocupação que pode ser remetida (somente nesse aspecto) à experiência neoconcreta. Em depoimento escrito pela artista para Glória Ferreira (março de 2004) a respeito do projeto In Between, mostrado nas Cavalariças do Parque Lage, Suzana observa que:

Governo do

Exposição / Exhibition

The Rio de Janeiro

Presidente | President

Curadoria | Curatorship

Government

Evangelina Seiler

Fernando Cocchiarale

Governador | Governor

Assessora | Advisor

Direção Geral | General Coordination

quarta-feira, 10 de outubro de 2012, às 18h30

Sérgio Cabral

Fátima Santiago

Amanda Bonan

Wednesday, October 10, 2012, at 6:30 pm

Nara Reis /

com / with

Coletiva Projetos Culturais

Suzana Queiroga Artista / Artist

15 de setembro de 2012, às 16h

plástico com o espaço. Talvez seja um desdobramento

Vice-governador | Vice Governor

Coordenadora de Projetos

das questões e problemas pensados por mim a partir

Luiz Fernando Pezão

Project Coordinator

porém, partindo de uma situação específica, que já foi abordada na série Tropeços em Paradoxos, de 2002. A ideia dos paradoxos me foi importante por subsumir o que então denominei de fixo e fluxo – termos passíveis de serem substituídos por permanência e transitoriedade. O desafio era: como trazer para a obra e

Jeanine Toledo

Metrópolis Produções Culturais, 2008. p. 107).

As respostas ao desafio não foram dadas (necessariamente) pela introdução do movimento explícito (cinético) nos trabalhos. Elas não foram, por conseguinte, formuladas do ponto de vista dos objetos (obras), mas da dinâmica experiencial ─ situações transitivas (em “trânsito / fluxo”) que apontam, primeiramente, para o “público” entendido como centro da experiência e não como observador estético stricto sensu (de objetos “fixos / permanentes”). O Grande Azul inscreve-se no filão poético investigado nestes últimos anos por Suzana (Velofluxos). Concebido como memória do sítio original à beira-mar em que foi construída a Praça do Comércio de D. João VI (atual Casa França-Brasil), o penetrável de plástico inflado, por meio da transparência e da cor (azuis e verdes) dos materiais de que é feito, evoca mar e céu. Cria uma ambiência cromática que articula cor (objeto) com circulação, encontros e relaxamento (visitantes). É, portanto, simultaneamente, filtro de luz que colore (azula) o olhar daqueles que o penetraram e, volume cujo interior é visível pelos que, de fora, o observam como escultura que contém vida em sua entranha ambiental.

FERNANDO COCCHIARALE

Fernando Cocchiarale Crítico de Arte / Art Critic Fotografia | Photography Mario Grisolli

Secretária de Estado de Cultura

visitação / VISITATION 16 de setembro a 21 de outubro de 2012

State Secretary of Culture

Assistente de Projetos

Adriana Scorzelli Rattes

Project Assistant

Design

terça a domingo, das 10h às 20h

Daniel Jablonski

Fernando Leite /

September 16 to November 21, 2012

Verbo Arte e Design

Tuesday through Sunday, 10 am to 8 pm

Produção Executiva

Rua Visconde de Itaboraí, 78 Centro – RJ CEP 20010-060 tel. 21 2332 5120 www.casafrancabrasil.rj.gov.br www.cultura.rj.gov.br info@casafrancabrasil.rj.gov.br bicicletário no local

Subsecretária de Relações Institucionais | Institutional

Comunicação | Communications

Relations Undersecretary

Thiago Freitas

Olga Maria Esteves Campista

para o ambiente esse paradoxo?” (Pedra e rio / fluxo. In DUARTE , Paulo Sérgio. Rio de Janeiro: Contracapa /

September 15, 2012, at 4 pm MESA-REDONDA / ROUND TABLE

“(...) o enfrentamento do espaço – a relação do objeto

de 2000 e 2001: a expansão da pintura. Expansão,

INAUGURAÇÃO / OPENING

Casa França-Brasil

Rio de Janeiro

Executive Production Equipe Administrativa

Izabel Ferreira

Subsecretária de Ação Cultural

Administrative Team

Undersecretary of Cultural Action

Fabiana Oliveira

Execução | Execution

Beatriz Caiado

Fernando Seabra

Bruno Schwartz /

Sandra Helena da Silva

Air Show

Subsecretário de Planejamento e

Tânia Santana

Gestão | Undersecretary of

Valdeci Costa Lima

Mário Cunha Superintendente de Artes

Revisão de Texto | Proofreading Rachel Ades

Planning and Management Estagiários | Interns Eloiza dos Reis Assis

Tradução | Translation

Lívia Martins Ferraz

Alex Forman

Mediadores | Art Educators

Assessoria de Imprensa | Press Services

Ioná Ricobello de Souza

Raquel Silva

Superitendents of the Arts Eva Doris Rosental

Ricardo Pessoa Desenho de Som | Sound design Zé Luiz Rinaldi Bruno LT Agradecimentos | Acknowledgements Paulo A W Vieira Antônio Bernardo Herrmann

Patrocínio

produção

SUZANA QUEIROGA O GRANDE AZUL


Like ancient sculpture, inflatable objects possess volume. But unlike ancient sculptures (which remain upright due to their mass), inflatables self-sustain due to the tenuous pressure of the materials they are made of against the gaseous elements and air that they contain. To these qualities (volume, mass, airy lightness, common among these objects) O Grande Azul, especially created by Suzana Queiroga for the outdoor area surrounding Casa França-Brasil, adds others: being able to gather people inside and the transparency of the (plastic) material from which it is made. Despite the morphological semblances between inflatables and sculpture, it is necessary to bear in mind Queiroga’s Blimps and Velofluxos (which make up O Grande Azul –  titled by the artist intentionally to reflect its color) begin in paintings, where she explores and clarifies issues belonging to the set in production. Suzana Queiroga’s work flourished in the 80s, a period in which the global defense of painting overshadowed personal choices and became an artistic ideology; a reaction to the hegemony of the experimental qualities of new technologies and the so-called dematerialization (conceptualism) of art, which negated the handmade in favor of poetic invention –  or the idea. Critics and young painters mobilized internationally to reinvest meaning in artisanal culture and to reinvigorate the field of painting. It was also convocation to compete with hegemonic contemporary production (non-officially) about the art world. Meanwhile, despite the reactivity of these discourses (based in anti-intellectual hedonistic presuppositions), the undeniable high quality of work by painters flourishing then cannot be attributed to the ideology of new painting. The commitment of new painting to personal experience gave rise to narrative and figuration. Queiroga, meanwhile, was interested in issues completely at the periphery of these characteristics. Far from corresponding to the iconic and expressionistic qualities specific to this approach, her work investigates her entry into the real, a preoccupation that can be related, but only in this regard, to the neo-concretist

experience. In an artist statement written for Glória Ferreira (March 2004), regarding her project In Between, exhibited in the Calvariças of Parque Lage, Queiroga observed: “[…] confrontation with the space – the relationship of the plastic object with the space. Perhaps it is an unfolding of the issues and questions I have been thinking about since 2000 or 2001: the expansion of painting. Expansion, however, from a specific situation that was already approached in the series Tropeços em Paradoxos, 2002. Paradoxes were important to subsume what I called fixo and fluxo [literally, fixed and flux], passive terms easily interchangeable with permanence and transience. The challenge was how to bring paradox into the work and the environment.” (Pedra e rio / fluxo. In DUARTE, Paulo Sérgio. Rio de Janeiro: Contracapa / Metrópolis Produções Culturais, 2008. p. 107).

The answer to this challenge was not (necessarily) provided by the introduction of an explicit (kinetic) movement to her work. Nor was it consequently formulated from the point of view of the objects (artworks). It came from the experiential dynamic –  transitive situations (in “transit /flux”) that point, first, to the “public,” understood as the center of experience, and not merely aesthetic observer stricto sensu (of “fixed / permanent” objects). O Grande Azul is part of a poetic vein Suzana Queiroga has been investigating over recent years (Velofluxos). Designed to be a memory of the original seaside site of Dom João VI’s Praça do Comércio (the current Casa França-Brasil), as the visitor transverses the transparency and color (blues and greens) of the materials in which it is made, the penetrable inflated plastic evokes ocean and sky. It creates a chromatic environment that articulates color (object) with circulation, encounters, and relaxation (visitors). It is, therefore, a light filter that colors (blues) the sight of those who penetrate it, and a volume whose interior is visible to those outside, who observe it like a sculpture that contains life in its environmental insides.

FERNANDO COCCHIARALE

O Grande Azul, 2012 estudos | sketches


Folder O Grande Azul