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Fazer música é a nossa Festa FNM|1


Obrigado, Po

56 horas de música ao vivo 1.000 artistas e participantes 200 mil pessoas na plateia A Festa Nacional da Música está orgulhosa de ter levado a palcos e espaços públicos da capital dos gaúchos o melhor da música regional e nacional. Consolidada como o mais importante encontro da música brasileira, o evento ganhou as ruas de Porto Alegre em uma programação aberta ao público: a Cidade da Música. Durante 10 dias, Porto Alegre respirou e viveu música, cujos acordes puderam ser ouvidos em shows gratuitos em parques, ruas e teatros. No coração dos porto-alegrenses, a Festa Nacional da Música veio para envolver público e artistas em torno da arte mais popular do Brasil.

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orto Alegre! Foto: Cristine Rochol/PMPA

s em palcos e espaços públicos

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Editorial Fernando Vieira Organizador da Festa Nacional da Música

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epois de 11 anos acontecendo em Canela, na Serra Gaúcha, a Festa Nacional da Música conquistou um novo palco: Porto Alegre. De 9 a 19 de outubro, a capital dos porto-alegrenses respirou música e cultura em uma programação renovada e ampliada. Consolidada como o mais importante encontro da música brasileira, a Festa manteve a proposta de reunir grandes nomes da música nacional, músicos e bandas de diferentes gêneros e estilos, profissionais do show business, técnicos e produtores. Também seguiram na programação as principais atividades realizadas nas últimas edições, como a noite de homenagens, o Gre-Nal dos Artistas, shows espontâneos, palestras e bate-papos sobre a indústria fonográfica – além da sempre convidada da honra: a diversão. Neste ano, porém, o evento ganhou as ruas de Porto Alegre em uma programação aberta ao público: a Cidade da Música. Como uma espécie de aquecimento para as atrações já tradicionais, as atividades foram gratuitas e reuniram mais de 200 mil pessoas em parques, ruas e

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teatros, em 56 horas de música ao vivo, números que nos enchem de orgulho e nos fazem querer fazer sempre mais e melhor. Toda esta intensa programação está registrada nesta revista que você tem em mãos. São shows, homenagens, reencontros e abraços apertados, debates acalorados sobre direito autoral e a música digital, enfim, temas relevantes que preocupam a Classe Artística. Para que as ideias se tornassem realidade foi necessária uma dose generosa de ousadia, algo que, confesso, nunca nos faltou. Afinal, em ano de crise conseguimos superar desafios e ampliar nossa Festa Nacional da Música. As iniciativas e os empreendimentos culturais sofreram duros golpes em vários níveis, fazendo com que a produção deste megaprojeto tivesse que se esmerar ao máximo para conseguir realizá-lo. Dificuldades de todas as ordens aconteceram, mas nós acreditamos firmemente na importância de mantê-lo vivo e sem interrupção. A todos uma boa leitura e um 2017 com muita música!


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Jackson Ciceri/FNM

Opinião

A Festa é nossa Roque Jacoby*

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empre tive a certeza de que a Festa Nacional da Música, esta bela ideia tornada realidade pelo talento e pela persistência de Fernando Vieira, seria um grande sucesso ao ser trazida para Porto Alegre.

çar, desfrutou do que existe de melhor na música de nosso país. Repertórios executados pelos mais experientes e famosos se integraram aos que foram oferecidos pelos que recém começam a apostar neste sonho.

Acompanhei mais de uma edição do evento, lá em Canela, e a cada visita mais eu me convencia de que toda aquela pujança não apenas artística, mas de convívio e harmonia, só teria a ganhar vindo para a capital. E foi o que se viu neste outubro de 2016, quando as ruas de Porto Alegre foram inundadas de sons das mais diversas origens e estilos.

Por isso, afirmo que essa festa democrática e generosa será importante para sempre, fazendo com que a Região Metropolitana abrigue a cada vez mais músicos brasileiros, permitindo que o maior número de pessoas possível conviva com seus ídolos e com a arte.

A multiplicidade de ações criou uma onda de alegria e aplausos que se propagou por vários recantos do Centro da cidade. Esta onda nasceu da reação do público de todas as idades e gostos que, sem precisar pagar um centavo para ouvir, cantar e, claro, dan-

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Em Canela, atingiam-se três mil pessoas a cada edição. Em Porto Alegre, ao longo de dez dias, mais de 200 mil moradores e turistas fizeram da rua sua grande casa de espetáculos gratuitos. A Secretaria da Cultura de Porto Alegre, com suas coordenações, abraçou o que é muito mais que uma iniciativa: abraçou uma causa, dando

aproveitamento total e inteligente a todas as estruturas locais, multiplicando as atividades culturais da cidade. Porto Alegre é, em definitivo, a sede da Festa Nacional da Música: aqui, é possível que os músicos de todo o Estado convivam com colegas de outras regiões de modo muito mais intenso e proveitoso. Aqui, a mídia nacional se rendeu à importância real do evento, dando-lhe a dimensão merecida em sua divulgação. Por isso reafirmo: é importante que a Festa Nacional da Música em Porto Alegre tenha continuidade nas ruas de Porto Alegre, e se insira no calendário oficial de eventos da capital. Parabéns, caro Fernando e equipe, e muito obrigado. Roque Jacoby, secretário da Cultura de Porto Alegre


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Opinião

O sonho transformado em realidade Victor Hugo*

Existem grandes ideias que, para sempre, serão apenas isso: ideias, no campo do imaginário, do provável... um eterno “e se”: “e se tivéssemos feito”, “e se a coragem fosse maior que a dúvida”, “e se...”. Como é bom quando elas deixam de ser apenas bonitos sonhos para se tornarem uma realidade de sucesso. Isso é a Festa Nacional da Música. Um grande evento que ganha força a cada ano e cresceu de uma maneira que, lá no início, certamente era inimaginável. Quase utópica. A cada ano supera expectativas e não apenas volta os olhares do cenário musical para o Rio Grande do Sul pelo aspecto artístico, senão também comercial, de bons debates 12|FNM

e definição de rumos. É mais que glamour. É trabalho. Minha felicidade, como Secretário de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, é saber que colaboramos com isso. Este ano, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, conseguimos financiar quase R$ 700 mil para a realização do evento, incluindo a Cidade da Música, programação paralela que fez o maior sucesso. Porto Alegre ganhou e muito com essas programações, de uma grandeza ímpar, que movimentaram a cidade e seus mais variados públicos. Foi maravilhoso ver o encontro de gerações, a valorização da cultura

gaúcha em consonância com o cenário nacional. Afinal, tivemos em um mesmo palco nomes consagrados no mundo. Hoje estou secretário, mas também sou artista e sei que é na espontaneidade desses encontros que, muitas vezes, surgem as grandes parcerias e criações de sucesso. Então, vida longa à Festa Nacional da Música. E comemoremos: felizes somos pelas grandes ideias que deixam a imaginação e o papel para se tornarem obras que entram para a história. Victor Hugo é Secretário Estadual da Cultura do RS


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Expediente A Revista da Festa Nacional da Música é uma publicação especial da VF Editora Ltda Coordenação Executiva: Manoela Vargas Vieira e Fernando Vargas Vieira Coordenação Comercial: Manoela Vargas Vieira Edição: Claudia Kovaski (reg. prof. 7973) Textos: Camila Rocha, Karen Espinosa, Matheus Passos Beck, Renate Melgar, Claudia Kovaski e Gustavo Victorino

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Editorial Opinião Palco Cidade da Música - Música gaúcha Festival de Bandas Marciais Painel de Bandas Marciais Palco Cidade da Música - A nova cena do Rock gaúcho Painel “O Novíssimo Mercado da Música no RS” Aquece para a Descida da Borges Festa da Música na Descida da Borges Painel “Música e Carnaval” Concerto de abertura da Ospa Jovem Palco Cidade da Música – Abramus Música na Rua Banda Saldanha Dança: arte para todos

Fotos: Jackson Ciceri, Betina Carcuchinski, João Mattos, assessorias de imprensa e arquivo pessoal dos artistas Projeto Gráfico, diagramação e arte-final: Paulinho Bom Ambiente Impresso na Gráfica Odisseia www.graficaodisseia.com.br

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VF Editora Ltda Av. Dom Pedro II, 1610, conj. 405 Porto Alegre – RS vfeditora@vfeditora.com.br www.festanacionaldamusica.com.br 14|FNM


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Show para estudantes no Araújo Vianna Estúdio Áudio Porto Congresso de Abertura Primeira noite de homenagens Homenageados 2016 Segunda noite de homenagens Homenageados 2016 Vivo: música como inspiração para transformar A Música em sintonia com o meio Toyota em sintonia com a cultura Painel “Música Digital: Streaming já é uma Realidade” De Luca lança “Pão e Circo” Celebridades 2016 MC Guimê e Lexa Domingo Gospel Painel “A Nova Música Cristã: De Onde Viemos, Para Onde Iremos?”

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Sem Reznha:Talento, juventude e amor à música Celebridades 2016 UBC: Informação e atenção ao mercado The Fevers: sucessos que atravessam gerações Bixo da Seda Ninho da Criação Palco Cidade da Música: 50 anos Rádio Caiçara Mumuzinho, revelação do samba João Bosco & Vinícius: sucesso sertanejo Celebridades 2016 Ecad: O Futuro da Música no Ambiente Digital Lulli Chiaro: romantismo em alta Marco Bavini investe na carreira solo Jam Sessions: a música não pode parar Mostra de Instrumentos Ivan Lins e Geraldo Flach: amizade de quase 50 anos vira CD Renato Vianna lança EP Cláudio Lins, no teatro e na música Lupi sempre Gre-Nal dos Artistas Barra da Saia: Multitalento

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Gaúchos de todas as qu Fotos Jackson Ciceri/FNM

Show na Redenção reuniu grandes nomes da música tradicionalista

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m belíssimo domingo com sol e calor no Parque Farroupilha, a Redenção, emprestou seu brilho para um show de músicos gaúchos “de todas as querências”, sob o comando de Neto Fagundes, apresentador do programa Galpão Crioulo, da RBS TV. A apresentação integra as atividades da Festa Nacional da Música e serviu para a gravação de dois programas comemorativos aos 34 anos da atração.

O baile a céu aberto começou com o Tchê Guri, responsável pela base instrumental de todas as apresentações do show no Palco Cidade da Música, programação da 12ª edição da Festa Nacional da Música. A levada da vaneira de “Costela Gaúcha” fez todo mundo dançar com o grupo, que completou 26 anos de carreira em 2016. O Tchê Guri lançou seu 18º CD e, depois de seis anos, pôde contar novamente com a voz de Fabinho Vargas, um de seus fundadores. Com seus irmãos Lê Vargas e Alex Vargas, e os demais integrantes – Tiaguinho Neto, Marcelinho, Cris Teixeira, Loló e Leo Xavier – ele alegrou o público. “Eu amo esses caras”, destacou o artista, que hoje é referência no cenário da música gospel. Neto Fagundes arriscou uns passinhos de dança

Com o Tchê Guri como banda base, show foi um desfile com o melhor da música gaúcha

Tatiéle Bueno logo despontou no Palco Cidade da Música. A cantora latino-americana interpretou “Horizontes”, um clássico composto por Flávio Bicca Rocha. Indicada ao Prêmio Açorianos de 2016, ela esbanjou carisma. Sua apresentação foi seguida pela primeira “aparição” do Guri de Uruguaiana, personagem do humorista Jair Kobe. Arrancando salvas de palmas da plateia e confessando que “manda nudes” pelo WhatsApp, o humorista entremeou todo o show com suas piadas, tornando a tarde no parque ainda mais divertida.

Indicada ao Prêmio Açorianos de 2016, Tatiéle Bueno interpretou “Horizontes”

Em seguida, Cristiano Quevedo, com a canção “Gaúcho de Coração”, mostrou sua “alma guerreira” ao público. “A gente tem que colocar o coração na garganta quando se fala em música. Música e cultura farão parte de uma virada que nós vamos ter que dar nesse mundo para entregá-lo para os nossos e aos nossos netos cheio de paz e cheio de amor”, assinalou.

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Délcio Tavares cantou o sucesso “Oh! De Casa”

A pequena prenda Marina Simões comemorou seu aniversário de 6 anos no show acompanhada da avó e do irmão

Ele deu lugar para que Délcio Tavares tomasse conta do palco com o sucesso “Oh! De Casa”. O cantor fez a plateia cantar e celebrar o momento: “É a Festa Nacional da Música, é o Galpão Crioulo, é a música, é a tradição gaúcha”. A presença do cantor era uma das mais esperadas.

Também empolgado com a festa, da qual participou pilchado, como mandam as tradições gaúchas, Jair Bellomo, 57, celebrou três décadas de união com Regina Pontes de Souza, 58. “Viemos ao show especialmente para comemorar nossos 30 anos de casados. Nunca tínhamos vindo a um show desses. Estamos muito felizes”, revelou. E o baile seguiu trazendo ao palco mais um astro do tradicionalismo. Luiz Carlos Borges, com seu acordeon azul, cantou “Não Chore Não”, envolvendo a todos em uma só voz, e ainda saudou o encontro. “A Festa Nacional da Música é um dos maiores eventos da arte musical do país que agora vem para Porto Alegre, para o coração do Rio Grande do Sul, a nossa capital. Sinto-me orgulhoso”, destacou o artista que, em 2016, foi homenageado pela Festa. Homenageado na Festa da Música, Luiz Carlos Borges também se apresentou na Redenção

Samuca do Acordeon fez um show instrumental

Mantendo a empolgação do público, Samuca do Acordeon apresentou seu show instrumental, e Rodrigo Munari cantou “Ela é minha namorada”, trilha sonora da novela “Êta Mundo Bom!”. A dupla sertaneja de Novo Hamburgo, Lucas & Felipe, rendeu homenagem ao tradicionalismo cantando “É Disso que o Velho Gosta”, um clássico. Eles animaram fãs de todas as idades, como a pequena prenda Marina Simões, que comemorou seu aniversário de 6 anos no show acompanhada da avó, Marlene Simões, 55, e do irmão, Gustavo Simões, 9. “Sempre trago meus netos para assistir aos eventos de música nativista. Quem gosta, gosta!”, garantiu a avó.

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Daniel Torres cantou “Liberdade”, acompanhado do violonista Dhouglas Umabel

O Tchê Guri, mais uma vez, sacudiu o parque com o sucesso: “Bonitão do Bailão”. E deu passagem para Daniel Torres tomar conta do palco, acompanhado do jovem violonista Dhouglas Umabel, e emocionando a plateia com a canção “Liberdade”. “Manifestações artísticas de diferentes linhas musicais são muito importantes para um encontro como a Festa Nacional da Música”, registrou Torres.

Cantor e compositor Antonio Villeroy

Essa multiplicidade do Palco Cidade da Música, na Redenção, foi representada pelo cantor e compositor Antonio Villeroy. Com o sucesso “Pra Rua Me Levar”, o gaúcho de São Gabriel mostrou a diversidade de talentos da sua terra. Dupla sertaneja Lucas & Felipe entrou no ritmo tradicionalista

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Músicos de todos os cantos do Rio Grande se apresentaram no palco Cidade da Música

Entre uma música e outra, Guri de Uruguaiana fazia “aparições” no palco, arrancando risos da plateia


Cantor Rodrigo Munari se apresentou na Redenção

Shana Müller fez uma das primeiras apresentações após dar à luz

A cantora e também apresentadora do “Galpão Crioulo”, Shana Müller, exibiu seu canto no evento, uma das suas primeiras apresentações após ter dado à luz a seu primogênito, Gonçalo. “Foi muito bom cantar e, de uma certa maneira, retornar ao palco na Festa da Música, depois da minha gravidez”, observou.

Com a canção “Gaúcho de Coração”, Cristiano Quevedo emocionou a plateia

Hoje dedicado à música gospel, Fabinho Vargas tocou com o Tchê Guri, grupo que ajudou a fundar Em dupla, Teixeirinha Neto e Teixeirinha Filho cantaram "Querência Amada" Elton Saldanha fez todos cantarem ao som de “Eu Sou do Sul”

Outra referência do tradicionalismo, Elton Saldanha participou do show fazendo todos cantarem “Eu Sou do Sul”, sua composição mais emblemática, enchendo de orgulho o peito de cada gaúcho presente na Festa. Em dupla, Teixeirinha Filho e Teixeirinha Neto cantaram “Querência Amada”, um dos símbolos do amor ao Rio Grande do Sul. Assim, os descendentes de um dos maiores astros da música no Rio Grande do Sul encerraram o evento, marcado no coração de todos como um dos mais expressivos da Festa Nacional da Música 2016. FNM|21


Multiplicidade musical Repertório roqueiro para completar o domingo com a banda The Dogs. O grupo se apresentou na Redenção depois do show de música gaúcha

Depois do show tradicionalista, o palco da Redenção recebeu a banda The Dogs. Comandada pelo pianista e professor de música das Faculdades EST Daniel Hunger, Luciano “Lucky” Alves, na bateria e no vocal, Marcelo Marinoni, na guitarra e voz, e Rodrigo Ruivo, no baixo e também na voz, o grupo ofereceu um novo show para o público na Redenção. Repleto de grandes sucessos, como “Shake Your Tail Feather”, trilha do filme “The Blues Brothers”, “Can’t Buy Me Love”, canção épica dos Beatles, e “Amigo Punk”, da gaúcha Graforreia Xilarmônica, os roqueiros mostraram que quando o assunto é música, no Rio Grande do Sul “tudo o que se planta cresce”.

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Parabéns à

FESTA NACIONAL DA

MÚSICA

Consulta a banco autoral e execuções musicais nas rádios do Brasil.

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www.crowley.com.br FNM|23


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aróis, surdos, trompetes, tubas, tenores, pratos e bumbos reunidos são alguns dos instrumentos que demarcam as marchas das bandas marciais. O estilo musical que tem um histórico militar passou a fazer parte da rotina escolar do país há cerca de cinco décadas e, entre altos e baixos, retoma seu papel como um dos veículos para a iniciação musical dos jovens nas escolas. A mudança ficou clara no Festival de Bandas Marciais promovido pela Festa Nacional da Música, no Parque Farroupilha, a Redenção, no dia 12 de outubro. Ao longo de cinco horas, 32 canções foram executadas por mais de 200 músicos de todas as idades dedicados aos seus grupos musicais. Um show de técnica e de sensibilidade artística foi oferecido ao público pela Banda do 3º Batalhão de Polícia do Exército, criada em 1933. Regido pelo primeiro-tenente

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Banda do 3º Batalhão de Polícia do Exército executou o Hino Nacional

Daniel Sábio Meirelles, o grupo teve uma das apresentações mais marcantes do dia, executando com maestria o Hino Nacional. A Banda Marcial Mario Quintana, fundada em 1999, trouxe até mesmo um xilofone para incrementar os sons em sua apresentação alegre. “Aztec Fire”, de Jay Bocook, e “Counting Stars”, da banda OneRepublic, fizeram parte de seu repertório.

Fotos Jacckson Ciceri/FNM

Desfile de tradição musical


Já a Banda Municipal de Porto Alegre sacudiu o público com “Happy”, de Pharrell Williams, e uma série de clássicos nacionais, como “Copacabana”, de Braguinha e Alberto Ribeiro. E a Banda Marcial São Marcos, de Alvorada, marchou com imponência até a frente do palco executando “O Nobre Cavaleiro”, de Maurício Passos, entre outras canções. Por sua vez, a Orquestra de Metais da Banda Marcial La Salle São João impressionou a todos com seu “Tributo a Amy Winehouse”. Já a Banda Marcial Juliana, do Colégio Júlio de Castilhos, o Julinho, executou sucessos do grupo Abba. De São Leopoldo, a Banda Marcial Gusmão Britto relembrou sonhos de criança com “Superfantástico”, sucesso do grupo Balão Mágico. Para encerrar a festa, a Banda de Música da Brigada Militar executou um medley de Raul Seixas e fez o público dançar com uma coletânea de sucessos de Tim Maia. A empolgação que tomou conta da plateia também agitou o palco, fazendo seu maestro, o tenente Zonir Pereira Menezes, assumir a bateria do grupo, exibindo todo o seu talento musical.

Banda Mario Quintana abriu os desfiles do feriado de 12 de outubro

Banda Municipal é uma das mais tradicionais de Porto Alegre

Banda Marcial São Marcos é de Alvorada Orquestra de Metais da Banda Marcial La Salle São João fez um tributo a Amy Winehouse

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Banda Juliana é formada por integrantes do Colégio Júlio de Castilhos, o Julinho

Banda da Brigada Militar fez o público dançar com um medley de Raul Seixas e Tim Maia

Instrumentos de sopro fizeram a música na Redenção

Público pôde relembrar os antigos desfiles de bandas marciais

Paixão por bandas Os donos dessa festa, os músicos, são pessoas que têm prazer em dedicarse às bandas marciais. Eles preservam o vigor e a tradição do estilo, cultuado dos anos 1960 até a década de 1980, quando ocorriam pomposos desfiles na Redenção e nos bairros das escolas que formavam os seus músicos na Capital. Entre esses apaixonados está Egon Frik, 65 anos. Toca trompete flügelhorn na Banda Juliana há dez anos. Na infância, fez parte da Banda La Salle São João, a mais antiga e premiada de Porto Alegre. A formação musical na banda marcial contribuiu para que fizesse parte de conjuntos de rock, bandas de baile e passasse seu amor à música às filhas, que tocam trompete, saxofone, flauta e piano.

Egon Frik, 65 anos, toca trompete na Banda Juliana

“Ainda criança, resolvi trabalhar para custear meus estudos no Colégio La Salle São João só para fazer parte da banda. Consegui o trabalho, mas também uma formação completa e o conhecimento musical que carrego até hoje”, contou. Outro exemplo é Andrieli Chaves, 16 anos, que toca trompete na Banda São Marcos, instrumento que já domina há quatro anos. “Queria aprender um instrumento, por isso fiz parte da Banda Municipal de Alvorada. Queria ter mais amigos, perder a timidez. Por isso estou aqui hoje”, destacou. O espírito de grupo e a beleza das apresentações também atraíram a atenção de Mariane Javiel Aresi, 7 anos, que há um ano é uma das mascotes da Banda Gusmão Britto. “Quando crescer quero ser mor”, confessou. O papel de mor – figura que tem a função de orientar os músicos durante o trajeto percorrido – desta banda atualmente é Nicole Leal Timponi, 13 anos. Ela viu uma apresentação da Banda Gusmão Britto e decidiu participar. “Encanteime”, disse. Já Vanessa Souza Gasparetto, 12 anos, filha do presidente da Associação dos Componentes da Banda Marcial São João, toca trompete e garante que o amor à banda marcial “está no sangue”. “Nasci na banda. Acompanho desde os quatro dias de vida as apresentações de meu pai. Faz parte da minha vida”, frisou.

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Andrieli Chaves, 16 anos, integra a Banda São Marcos

Mascote da Banda Gusmão Britto, Mariane Javiel Aresi (à direita) tem 7 anos


Fotos: Jackson Ciceri/FNM Objetivo do painel foi fortalecer as bandas marciais e musicais para que possam desempenhar seu papel na comunidade

Banda da cidadania e inclusão Painel Gestão de Bandas Marciais e Musicais colocou em debate o futuro da iniciação musical nas escolas

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a véspera da abertura oficial da Festa Nacional da Música, ocorreu um debate profundo sobre o incentivo às Bandas Marciais. O gênero, reconhecido como espaço embrionário para o desenvolvimento de novos artistas, é fomentado, principalmente, nas escolas e nas Forças Armadas. Os dois entes foram representados no painel sobre “Gestão de Bandas Marciais e Musicais”, realizado no Julinho, o Colégio Estadual Júlio de Castilhos, respectivamente por André Mastrascusa, presidente da Associação da Banda Marcial Juliana, e pelo primeiro-tenente regente da Banda do 3º Batalhão de Polícia do Exército, Daniel Sábio Meirelles. Ambos ressaltaram a importância das bandas, seu papel educativo e a sua capacidade de formar profissionais em música.

les grandes momentos das bandas marciais. “Estamos plantando uma semente para que, já em 2017, possamos criar em Porto Alegre um grande festival, que possa nos trazer de volta as magníficas manhãs de domingo em que tínhamos aqueles desfiles tradicionais de bandas marciais”, apontou Vieira. Presidente da Associação da Banda Marcial Juliana, André Mastrascusa

Esse desejo também foi expresso pelo presidente da Associação da Banda Marcial Juliana, André Mastrascusa; o analista de projeto da secretaria de Cultura do RS, Mateus Dalla Rosa; a diretora do Julinho, Fernanda Schmidt Gaieski; o mediador, jornalista Gustavo Victorino; e o coordenador de música da Secretaria Municipal de Cultura, Jorge André Brites. Primeiro-tenente regente da Banda do 3º Batalhão de Polícia do Exército Daniel Sábio Meirelles

O coordenador da Festa Nacional da Música, Fernando Vieira, afirmou que a meta é reeditar aqueFNM|27


Depois de dar boas vindas, Fernanda observou que a Banda Juliana recomeçou suas atividades há dez anos, com muito esforço. Mastrascusa explicou que, com o apoio da comunidade, o trabalho foi reativado e sua importância como instrumento de inclusão social tem de ser valorizado na rede de ensino. “Tentamos demonstrar uma ação inovadora. Queremos dar aos jovens condições de terem uma linha de trabalho”, reivindicou. Para tanto, Dalla Rosa esclareceu que há linhas de financiamento público, tanto na esfera municipal quanto estadual. “Existem sistemas de apoio às atividades culturais. A LIC – Lei de Incentivo à Cultura –, que funciona o ano todo para qualquer projeto cultural e ocorre através do recebimento de financiamento de empresas que terão isenção fiscal, e o FAC [Fundo e Apoio à Cultura], que pode ser acessado através de editais da Secretaria Municipal de Cultura”, descreveu.

Coordenador da Festa Nacional da Música, Fernando Vieira

Segundo ele, com o FAC, as produções classificadas podem ter acesso a recursos de até 250 mil reais, mas até hoje somente dois projetos de bandas marciais foram contemplados, mas não conseguiram captar a verba. As dificuldades para acesso a recursos foram apontadas por professores que trabalham com a formação musical nas escolas, como Maria Luiza Oliveira da Cruz, que é professora desde 1975. Ela dá aula na Escola Elpídio Ferreira Paes e coordena a Banda do Cristal, uma atividade que desempenha há 32 anos. “Precisamos de orientação para ter acesso a recursos, instrumentos melhores e mais interesse”, disse.

Analista de projeto da Secretaria de Cultura do RS, Mateus Dalla Rosa

“Queremos fazer a lei funcionar melhor para mais pessoas terem acesso ao fundo”, sustentou Dalla Rosa. Ele apontou também que há cadastro para que pessoas físicas possam acessar os valores disponibilizados pela Prefeitura de Porto Alegre. “Há necessidades de bons projetos na área. Estamos de portas abertas para auxiliar e resolver essa demanda das bandas marciais. Podemos mostrar os caminhos e as exigências para ter acesso aos recursos”, afirmou. Público participou ativamente do debate sobre bandas marciais e musicais

Diretora do Julinho, Fernanda Schmidt Gaieski

Mediador, jornalista Gustavo Victorino

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Coordenador de música da Secretaria Municipal de Cultura, Jorge André Brites

As questões relativas às leis de financiamento despertaram interesse da plateia

O presidente da Associação Gaúcha de Saxofonistas, Fábio Granero Stone, destacou que os projetos aprovados na área devem prever a compra de instrumentos de qualidade e que o ensino de música deve incluir técnica para a preservação desses materiais. “Há projetos que preveem a obrigatoriedade de aquisição de instrumentos nacionais, que são péssimos, mas há opções. Porém, o importante é que as pessoas que fazem parte do universo das bandas marciais se organizem para que projetos sejam aprovados e os seus propósitos alcançados.”

Presidente da Associação Gaúcha de Saxofonistas, Fábio Granero Stone

“O objetivo [de se fazer música] é um só: tocar bem, tocar fundo e tocar coletivamente”, definiu em sua explanação o produtor, arranjador, técnico de som e consultor da área Pedrinho Figueiredo, apontando que as bandas marciais possibilitam a conquista desta meta. Ele acrescentou que dados da Funarte (Fundação Nacional de Artes) apontam que existem 2,6 mil bandas no País, mas este número pode ser ainda maior. “Falta divulgação do trabalho das bandas para um levantamento fiel”, declarou.

Produtor e arranjador Pedrinho Figueiredo

Figueiredo também exaltou o quanto a educação musical pode ser positiva para a formação de cidadãos, que podem, a partir de uma série de conhecimentos musicais, aplicarem na vida a “flautosofia”, uma forma de viver com mais solidariedade.

Professora da Escola Estadual Elpídio Ferreira Paes e coordenadora da Banda do Cristal, Maria Luiza Oliveira da Cruz

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A nova cena do M

ais de 15 mil pessoas passaram pelo palco Cidade da Música, no feriado de 12 de outubro, para assistir aos principais nomes da nova cena rock do Rio Grande do Sul. Embora o ápice de público tenha sido nos shows de bandas já consagradas como Bidê ou Balde e Papas da Língua, em nenhum instante o espaço ao lado do Monumento ao Expedicionário, no Parque da Redenção, ficou desértico. A plateia cíclica é a maior representação do cenário musical atual e como as pessoas estão se relacionando com os ídolos.

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Fotos: Jackson Ciceri/FNM

rock gaĂşcho

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Identidade Rock de Galpão

Quando o Rock de Galpão abriu as apresentações, em uma tarde nublada, a versão blueseira de “Eu Reconheço que Sou um Grosso”, de Gildo de Freitas, não era entoada apenas pelos mais velhos. Jovens e adolescentes ecoavam o “la la la” da valsinha, mesmo que a letra estivesse apenas na memória de seus pais, alguns metros mais para trás. Pois, no encerramento, foi a vez de eles guiarem a milonga-rock “Amigo Punk”, da Graforreia Xilarmônica. “Salve o que for do Rio Grande do Sul. Do reggae, do rock, se for gaúcho, tá valendo”, sintetizou Tiago Ferraz, vocalista e guitarrista do grupo, e um dos curingas das jam sessions da Festa Nacional da Música.

Reaproximação parecida com que a Gelpi precisou ter com sua terra natal para se reafirmar no Rio Grande do Sul. Ela nasceu quando o vocalista e guitarrista Bolívar ainda morava em Burleigh Heads, subúrbio de Queensland, na Gold Coast australiana. Fascinado pelo novo folk rock que surgia, ele reuniu os irmãos Laura e Pedro e fundou a banda sobre este estilo. Porém, embora o público tenha ficado encantado com as autorais “Relieved” e “Away From Home” assim como com os covers de Phillip Phillips, The Lumineers, Mumford and Sons e Vance Joy, o intuito do grupo é não ficar refém a uma etiqueta. “Pretendemos não ficar presos a um estereótipo”, diz Bolívar. “A música não pode ter fronteiras. Isso limita. Com o acesso facilitado, as pessoas estão se tornando mais ecléticas e receptivas, e isso resulta em uma aceitação muito legal.”

Gelpi

Gelpi

NEC

A experiência dos músicos que fazem o encontro do tradicionalismo com o rock and roll contrastou com o rock melódico da banda NEC. O quarteto sucedeu o Rock de Galpão no palco e embalou o público jovem com hits radiofônicos, como “Estação” e “Palavra Exata”, que já ocuparam espaço cativo na programação da Rádio Atlântida, uma das promotoras do show. Formado em São Paulo, o grupo gaúcho celebrou o retorno a Porto Alegre como um reencontro com seu público. 32|FNM

Sinergia semelhante é alcançada entre a banda Identidade e a plateia, seja ela ocasional ou reincidente. Apesar de ter quase 20 anos de estrada, é provável que o carisma do vocalista Evandro Bitt atraia novos fãs cada vez que observam-no subindo nas estruturas do palco e cantando e dançando de maneira irreverente. Além disso, os demais integrantes, como o guitarrista Lucas Hanke, são engajados na estruturação da cena alternativa do Rio Grande do Sul, o que faz com que sejam queridos também pelos semelhantes. “It’s a Long Way to the Top (If You Wanna Rock ‘n’ Roll)” não foi apenas um cover de AC/DC executado no bis. Foi uma sentença do pedregoso caminho trilhado por eles no pampa gaúcho.


Vitor Kley

Dingo Bells

Outro tipo de relação entre artista e público é a de Vitor Kley com seus fãs, a maioria composta por meninas adolescentes. Ele mantém suas redes sociais atualizadas constantemente, interagindo à medida do possível e mantendo fieis aquelas que são objeto de seu trabalho. Enquanto ele se preparava para subir ao palco, e até tietava Serginho Moah e outros artistas, as meninas só tinham olhos para ele. Tanto que, depois de seu pocket show somente com violão e voz, dezenas delas rumaram ao backstage para garantir a selfie com o ídolo.

“O sucesso, pra mim, não é um número”, afirma o músico de 21 anos, referindo-se ao número de visualizações no YouTube, que beiram 1 milhão de acessos ao seu canal. “Me considero um sucesso quando conquisto um sorriso na rua ou alguém me pede para tirar uma foto. Hoje, estamos todos muito expostos, em uma linha muito próxima entre o bom e o ruim. Por isso, gosto de mostrar a minha essência e criar essa conexão com os fãs. Eles são nossa razão de existir.”

Nove bandas passaram no palco Cidade da Música

Com estratégia similar mas modelo distinto, a Dingo Bells alcançou reconhecimento de público e crítica sem seguir a fórmula mercadológica. A banda demorou mais de 10 anos para lançar o disco “Maravilhas da Vida Moderna”, disponibilizado na internet em 2015, mas colheu todos os frutos nesses dois anos. Três músicas ocuparam o ranking das mais tocadas no Spotify em Porto Alegre. O trio ainda foi convidado a participar de festivais do porte de Lollapalooza e Planeta Atlântida. Mesmo sem bater ponto nas rádios e fornecendo gratuitamente o álbum para download, a Dingo Bells garante um coro uníssono em “Dinossauros”, “Bahia” ou “Eu Vim Passear”, por exemplo, por onde quer que passem. “A arte é muito maior do que o formato”, define o baterista e vocalista Rodrigo Fischmann. “É claro que foi importante que o Porã (Bernardes, comunicador) tocasse nosso single na Atlântida. Mas não vamos fazer nada para nos adequarmos a este ou aquele formato. Fazemos o som mais sincero, em que toda nossa criatividade está apostada.”

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A ideia é corroborada pelo radialista: “O meio digital permite que pessoas de todos os lugares escutem, enquanto que a rádio atinge o maior número de pessoas ao mesmo tempo”, explica Porã. “Mas algumas coisas não mudam, como ir pra estrada e tocar em lugares vazios para formar público. Por isso a Dingo Bells conseguiu se tornar a maior expoente atual do rock gaúcho sem ser necessariamente rock.” Um exemplo desta aceitação foi a transição do show deles para o da Good Samaritans. O reggae do trio animou a plateia com suas canções próprias e as versões de “Sozinho”, de Peninha, e “Velha Infância”, dos Tribalistas. Aliás, formatar-se a um selo, “rock gaúcho”, serviu em certo momento, nos anos 1980 e 1990, como oposição às cenas musicais de São Paulo e Brasília. Atualmente, contudo, entrou em desuso, como os shows da Cidade da Música provaram. Vocalista do Bidê ou Balde, Carlinhos Carneiro, outro fã da Dingo Bells, discorda do rótulo – ainda que seu grupo tenha integrado um projeto chamado Acústico MTV: Bandas Gaúchas. “Para ser um estilo, precisa de uma coesão estética, e isso em momento nenhum existiu”, opina. “O que temos que vibrar é pela pluralidade. Tem algo heterogêneo no rock do Rio Grande do Sul.” Good Samaritans

Dingo Bells

De Bidê ou Balde a Dingo Bells, o rock gaúcho se desprende do rótulo

Assim, com seu jeito despojado e caótico, incendiou o público da Redenção com as clássicas “Bromélias” e “Mesmo que Mude”. Carlinhos pulou a grade e levou o microfone à boca do público, exultando a todos que já viam o sol se pôr. O jovem Leonardo Salles, de 22 anos, que tem distrofia muscular, acompanhou e foi acompanhado da irmã, Giovana, de 12 anos, no setor especial para cadeirantes: “Nós ficamos mais próximos porque mostrei as músicas da Bidê a ela. Elas têm uma mensagem de alegria”, resumiu Leonardo. Bidê ou Balde

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Carlinhos Carneiro, vocalista da Bidê ou Balde


Serginho Moah, vocalista do Papas

Quando a noite caiu, o Papas da Língua soube encerrá-la com exuberância passeando pelo repertório de “Blusinha Branca” até “Eu Sei”. O coro pedindo mais uma foi mera formalidade para uma tarde/noite que já havia entrado para a história da Festa Nacional da Música.

Papas da Língua

Orquestra da esperança A

casa de Marlene Arruda, no bairro Bom Jesus, em Porto Alegre, era o abrigo de muitas crianças que buscavam tranquilidade em meio a um ambiente conturbado e violento. Como coração de mãe, sempre cabia mais uma. Para mantê-los e não perdê-los para a realidade externa, Marlene criou o Movimento por uma Infância Melhor (MIM), um projeto de inclusão através da música.

Elas aprendem mais do que isso. São aulas de teatro, artesanato e esporte. Mas os instrumentos musicais e seu poder de encantamento levaram à possibilidade de criar uma orquestra com 46 pequenos músicos de 6 a 14 anos. A Orquestra da Cidadania, como é chamada, estreou em frente a uma multidão no Palco Cidade da Música, na Redenção. E, apesar do nervosismo evidente, não houve outra retribuição senão aplausos.

A Orquestra da Cidadania é formada por 46 crianças de 6 a 14 anos

“Este projeto teve oito meses de duração”, afirma a criadora. “Precisamos de mais parcerias para conseguirmos dar continuidade e melhorar.” O pedido é por apoio para a aquisição de instrumentos, como violão, flauta, percussão e teclado. Eles são a base para duas aulas semanais que dão mais do que conhecimento artístico. Eles dão esperança a dezenas de crianças.

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Do mainstream ao underground Mediador Lucio Brancato, Sarah Brito, Jonas Bender Bustince, Rodrigo Garras de Andrade, Lucas Hanke e Paulo Zé Barcellos

Não só de artistas consagrados, produtores renomados e executivos de grandes gravadoras é feita a Festa Nacional da Música. O evento cumpre uma importante missão de organizar e articular encontros entre protagonistas da cena underground da música e colocar projetos alternativos em pontos de intersecção. Foi com este intuito que, entre os dois dias de cerimônia no Centro de Eventos, ocorreu o painel “O Novíssimo Mercado da Música no RS”, reunindo dezenas de artistas dos mais distantes rincões do Rio Grande do Sul e resumindo em cinco mandamentos o que seguir para tornar este novo ambiente sustentável. O relógio marcava 10h e a sala Imbuia, no hotel Plaza São Rafael, já estava praticamente lotada. Nenhum sinal indicava que, poucas horas antes, a poucos metros dali, jam sessions embalavam a madrugada. Agora, a preocupação dos músicos era outra. Eles buscavam um entendimento mútuo sobre questões de gestão de suas carreiras e administração de seus mercados. Trocar experiências e buscar a harmonia na luta pelo espaço de todos era, conforme a gestora da Puro Movimento e braço de gestão e captação de projetos da Marquise 51 Hub Criativo, Sarah Brito, subverter a “lógica do it yourself”, do faça você mesmo: “Ou faz todo mundo junto ou morre todo mundo junto”, declarou. 36|FNM

Artistas e produtores se reuniram na sala Imbuia, do hotel Plaza São Rafael


Fotos Jackson Ciceri/FNM Sarah Brito é produtora cultural

Paulo Zé Barcellos é o idealizador do Festival Morrostock

Por isso, uma mesa com pelo menos cinco nomes experientes nesta empreitada e outros tantos entusiastas na plateia compuseram o grupo que pretende desbravar o microuniverso da música fora do mainstream. O primeiro objetivo, segundo eles, é desvincular a ideia de que, para atingir uma audiência expressiva, é necessário ocupar os grandes centros. “O produto a ser descoberto está no interior, está no Brasil profundo, está fora das capitais”, afirma Paulo Zé Barcellos, produtor e idealizador do Festival Morrostock. “A questão é globalizar a oportunidade.”

considerado paradigmático por um de seus fundadores, o artista e produtor Jonas Bender Bustince. De acordo com Bustince, o posicionamento online do grupo permitiu que fosse garimpado por Danger Mouse, um dos principais produtores contemporâneos. O DJ, ex-Gnarls Barkley, produziu artistas como Gorillaz, The Black Keys e Beck, e tem cinco prêmios Grammy. Para a coletânea 30th Century Records Compilation Volume I, Danger Mouse convidou a Bike para incluir a canção “Enigma do Dente Falso”.

O festival ocorria tradicionalmente em Sapiranga, no interior do Rio Grande do Sul. Neste ano, em sua 10ª edição, foi para Santa Maria, ainda distante da capital, mas já em uma região mais populosa. Apesar disso, não é, para Barcellos, uma contradição, e sim um movimento natural para atingir lugares ainda inexplorados. Entre eles, o meio que compõe o segundo objetivo: perscrutar o ambiente digital. O exemplo da banda paulista Bike e sua trajetória dentro da Honey Bomb, gravadora transmídia, é

“É uma banda com grande consciência”, garante Bustince. “Nunca precisamos ser uma ‘mãe’ e fazer tudo por eles.” Este exemplo converge com o terceiro mandamento: procurar fontes alternativas de incentivo. Assim como a Bike foi premiada por sua atuação independente, ficar restrito ao financiamento público não é a saída ideal. Neste ponto, aconteceu o único princípio de divergência. A produtora Sarah Brito reclamava que o bolo era muito pequeno para que fosse fatiado em muitos pedaços e que, no sistema atual, é inevitável a batalha por editais. FNM|37


Rodrigo Garras está à frente do 180 Selo Fonográfico

Jonas Bender é um dos fundadores do selo Honey Bomb

Ao expor isso, foi interpelada da plateia pela diretora do Instituto Estadual de Música, Cida Pimentel, que sugeriu outra forma de enxergar a situação. Embora as fatias sejam realmente pequenas, pois a massa das agências financiadoras de cultura no país é realmente magra, dividi-las igualmente pode significar a sobrevivência para muitos artistas e um sopro de vida no mercado cultural.

gital, permite que se faça barulho sem estar em grandes centros.”

“O que temos é que tirar da cabeça que somos concorrentes”, afirma Cida. “Somos uma nação de artistas. Tem que se juntar com amor, não com guerra”, completa. Resolvido o impasse, um quarto item foi adicionado ao rol das soluções a serem buscadas: testar formatos variados. E isso não se aplica apenas ao universo digital. O retorno dos vinis e até mesmo das fitas cassete é um exemplo bem-sucedido de como revigorar um mercado esfriado. Rodrigo Garras de Andrade lança discos de vinil pelo seu selo fonográfico independente (o 180 Selo Fonográfico), que tem no catálogo artistas como O Terno, Marcelo Gross e Cachorro Grande. Para ele, conciliar os suportes físicos da música com os movimentos online ajuda a corrigir discrepâncias geográficas e aproveitar a oportunidade citada anteriormente por Barcellos: “Antes, era um êxodo rural. Não se falava em rock gaúcho, era rock de Porto Alegre. Hoje, as redes, o mercado di38|FNM

Também por conta das redes, o quinto mandamento parece ser o mais assimilado: não segmentar, mas incluir. O acesso mais fácil à música via streaming ou download permite que o público desenvolva um gosto mais eclético. Na internet, a aproximação de artistas aparentemente distintos em um mesmo ambiente evita uma audição mais restrita. A divisão por estilos em projetos e festivais, por consequência, pode ser um tiro no pé. “A galera não quer mais rótulo, quer ouvir o que for. Já vi gente ir até o chão com Anitta antes de curtir Fela Kuti”, exemplifica Sarah, descrevendo uma festa em que a trilha variou da funkeira brasileira ao multi-instrumentista nigeriano. A reunião de pouco mais de uma hora não gerou um documento. Tampouco os mandamentos foram entalhados em pedra. Contudo, o encontro alcançou uma coesão de pensamento e, democraticamente, promoveu aproximações. Em vez de dispersarem-se, os ministrantes e a audiência seguiram para os estandes, em outra dependência do hotel, para estender a discussão. Que, todos sabem, não cessará com o fim da Festa, mas, a partir dela, pôde ter início e apontar caminhos a serem seguidos.


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Festa da Música abre O

carnaval 2017 de Porto Alegre começou no dia 14 de outubro no mesmo lugar onde nasceu: no Centro da Capital. Pela primeira vez na Festa Nacional da Música, a folia se reencontrou com as origens para renascer na cultura popular gaúcha. Mais do que uma data, o carnaval deste ano será celebrado ao longo de cinco meses. Aliás, ele já começou! O Palco Cidade da Música, montado no Largo Glênio Peres, ao lado do Mercado Público, começou a atrair o público por volta das 18h. Em meio aos artistas de rua, a curiosidade dos porto-alegrenses era sobre quem faria o show. E ela foi sanada quando o grupo Bom Partido subiu e os primeiros acordes do cavaquinho começaram a soar.

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Por uma hora, o sexteto tocou canções próprias e clássicos do samba, aquecendo o local, com o pôr do sol, para os foliões que chegavam aos poucos. Foi registrado um público de mais de 10 mil pessoas naquela tarde/noite.

Depois das 19h, a Velha Guarda da Bambas da Orgia levou sua bateria, passistas e intérpretes para mostrar alguns enredos antigos da própria escola e sambas eternizados por outras vozes. Pouco mais de 30 minutos depois, a Banda Saldanha

Grupo Bom Partido abriu as apresentações no Largo Glênio Peres


Fotos: João Mattos/FNM

alas para o carnaval levou seu espetáculo de aniversário de 38 anos, completados um par de dias antes. Entre os hinos, uma homenagem à madrinha Leci Brandão com “Zé do Caroço” e outros sucessos.

Como que atraída pelo som, uma pequena multidão se formou em frente ao palco. A explicação era simples. A comunidade do samba, um vasto grupo em Porto Alegre, acompanharia de maneira inédita em um local público o sorteio da ordem

Velha Guarda da Bambas da Orgia mostrou enredos antigos da escola e sambas eternizados por outras vozes

de apresentações no desfile de 2017. “Pela primeira vez ocorre em um ambiente aberto. Vocês poderão ver a lisura e transparência do processo”, anunciou o apresentador oficial da folia, Odir Ferreira. O profissionalismo do processo era comentado – e celebrado – pelos representantes das escolas das três séries (ouro, prata e bronze) que chegavam ao local. Enquanto as porta-estandartes entravam e se posicionavam ao fundo, os colaboradores da Liga Independente das Escolas de Samba de POA (Liespa) organizavam os papeis e angariavam assinaturas, ressaltando a isonomia do procedimento. As presenças do Rei Momo Mauricio Melo e das princesas Tayná Pires e Aline Melo confirmaram: o carnaval havia iniciado. FNM|41


nos dias 10 e 17, a travessia se repete. Fincar o pé naquela que já foi a passarela do samba gaúcho é considerado essencial para os foliões.

Banda Saldanha apresentou seu espetáculo de aniversário de 38 anos

“O mais importante é que nosso carnaval é exemplo de disciplina nos eventos públicos”, afirmou Juarez Gutierres de Souza, o presidente da Liespa.

à Embaixadores do Ritmo. Duas das mais tradicionais, Estado Maior da Restinga e Imperadores do Samba, entrarão uma seguida da outra, em 4º e 5º lugares.

Para entender como é importante a ordem do desfile, a vencedora em 2016, a Imperatriz Dona Leopoldina, escolheu ser a 6ª a entrar na pista do Porto Seco, repetindo a posição fortuita da edição passada. A abertura caberá

A programação oficial da folia foi anunciada no início de novembro, embora ainda possa sofrer alterações. A abertura acontece no dia 3 de fevereiro, com a repetição da tradicional Descida da Borges. Nas duas semanas seguintes,

Bambas da Orgia levou sua bateria, passistas e intérpretes para o centro de Porto Alegre

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Uma das vozes que mais valorizam o carnaval de Porto Alegre, o jornalista Cláudio Brito exaltou esta característica e agradeceu a preocupação do organizador da Festa Nacional da Música, Fernando Vieira, por incluir a Descida da Borges no calendário da Festa. Em um painel sobre a folia no Capitólio, no dia seguinte ele falou: “A Festa Nacional da Música não precisava ter a preocupação que teve. Ela dá credibilidade e visibilidade, nacional e internacionalmente, para o nosso carnaval”. O desfile da série prata ocorre no dia 10 de março, sexta-feira. No sábado, dia 11, é a vez da série ouro. A apuração acontece no domingo (12). O desfile da série bronze e das tribos ocorrem no dia 17, na véspera do desfile das campeãs. O estandarte de ouro será anunciado no dia 8 de abril.

Apresentador oficial da folia, Odir Ferreira


Sorteio da ordem dos desfiles

Confira a ordem das apresentações das escolas de samba no carnaval de Porto Alegre de 2017: Série Ouro: 1ª - Embaixadores do Ritmo 2ª - Bambas da Orgia 3ª - União da Vila do IAPI 4ª - Estado Maior da Restinga 5ª - Imperadores do Samba 6ª - Imperatriz Dona Leopoldina 7ª - Acadêmicos de Gravataí 8ª - Império da Zona Norte

Rei Momo Mauricio Melo e as princesas Tayná Pires e Aline Melo

Série Prata: 1ª - Unidos do Capão 2ª - Vila Isabel 3ª - Copacabana 4ª - Academia de Samba Puro 5ª - Império do Sol 6ª - Academia de Samba Praiana 7ª - Realeza 8ª - Unidos de Vila Mapa

Série Bronze: 1ª - Escola de Samba da Glória 2ª - Protegidos de Princesa Isabel 3ª - Filhos da Candinha 4ª - Moc. Ind. da Lomba do Pinheiro 5ª - Fidalgos e Aristocratas 6ª - Unidos do Guajuviras 7ª - Acadêmicos da Orgia 8ª - União da Tinga

Presidente da Liespa, Juarez Gutierres de Souza

Lucena adiantou que a abertura do carnaval 2017 será no dia 3 de fevereiro, com a repetição da tradicional Descida da Borges

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Fotos: João Mattos/FNM

Festa da Música na Descida da Borges

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Esperada para o início da noite de 14 de outubro, a Descida da Borges invadiu a madrugada do dia 15, trazendo mais de 20 mil pessoas ao centro da Capital para assistir aos desfiles das escolas favoritas na disputa do título de campeã do carnaval de Porto Alegre em 2017. A folia começou com o desfile das porta-estandartes das mais de 20 agremiações que integram o universo carnavalesco local. Um show de luxo e de cores tomou conta da avenida, revitalizando, pelo 11º ano consecutivo, o sentimento de alegria dos desfiles realizados no coração da cidade, como ocorria nos anos 1960. “O espírito do carnaval no Centro não pode se apagar e deve ser permanentemente renovado. A Borges de Medeiros é um marco do carnaval”, destacou o coordenador de Manifestações Populares da secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, Joaquim Lucena.

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Desfile de porta-estandarte e a corte abriram a Descida da Borges

A garra dos puxadores da Bambas

Jackson Ciceri/FNM

Puxadores cantaram o samba-enredo campeão de 2016

Mestre-sala e porta-bandeira da Imperadores do Samba

Escola Império do Sol, de São Leopoldo, trouxe para a avenida o casal de mestre-sala e porta-bandeira

Com essa missão, Império do Sol, Bambas da Orgia, Imperadores do Samba e Imperatriz Dona Leopoldina alegraram o público, que não abandonou a rua até os desfiles terminarem. “A Descida da Borges é um ponto de encontro de amigos. Gosto desse fuzuê, da alegria, por isso não perco a descida”, garantiu a estudante de Direito Tassia Ohana, 19 anos, uma das fãs do movimento do samba no centro de Porto Alegre.

E a vencedora do chamado “Grupão”, em 2016, iniciou o agito na Borges. Entre “gritos de guerra” e o resgate de seu samba vitorioso, “Quicumbis e Maçambique: A Resistência de um Povo, Salve a Mãe África”, a escola de São Leopoldo mostrou uma bateria potente e belas alas.

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Jackson Ciceri/FNM Fernando Vieira na Descida da Borges

A segunda a passar pela avenida foi a Bambas da Orgia, que presenteou o público com um belo show de sons e cores, no qual seu enredo foi cantado do início ao fim pelos foliões e todas as alas evidenciaram a beleza e o luxo que a escola reserva ao carnaval. A “nação azul e branco” conseguiu apresentar com maestria a letra do enredo que vai embalar seu desfile em 2017: “Num Piscar de olhos tudo pode acontecer!”.

Com seu novo samba-enredo “Sou Resistência e Não Me Kahlo Frida: Sou México em Flores, Cores, Amores, Diva entre Imperadores”, a Imperadores do Samba pairou sobre a pista. Mas não sem antes de começar a desfilar também provocar uma reação entusiasmada de seus adoradores com o chamado “Eu sou Imperador até morrer!”.

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Orgulho e alegria da porta-estandarte

Jackson Ciceri/FNM

Fotos Jackson Ciceri/Festa da Música

Passistas mostram ritmo na avenida

Porta-estandarte e a ala das baianas da Bambas

Belas passistas da ala “Jóias da Coroa” desfilaram na avenida

Alegria dos ritmistas da Azul e Branco

Alegria e beleza na tradicional Descida da Borges

Jackson Ciceri/FNM

Investindo também em uma bateria “de arrasar”, a campeã do desfile do carnaval de 2016, a Imperatriz Dona Leopoldina, cheia de brilho e pompa, desceu a Borges de Medeiros. Suas belas passistas da ala “Jóias da Coroa” foram uma atração à parte e a bateria marcou sua batucada campeã com muito ritmo e “paradinhas” para fazer o público dançar e cantar ao ritmo do samba.

Porta-estandarte da Império do Sol

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A mobilização do centro da cidade em torno do carnaval foi classificada pelo presidente da Imperadores do Samba, Rodrigo Costa, como uma vitória. “O carnaval não pode morrer, por isso fazemos essa festa”, registrou, agradecendo ainda ao coordenador da Festa Nacional da Música, Fernando Vieira, o espaço para a maior festa popular do Brasil e de Porto Alegre dedicado pelo evento.

Jackson Ciceri/FNM

Mestre-sala e Porta-bandeira da Imperatriz Dona Leopoldina

Evolução contagiante do casal de mestre-sala e porta-badeira azul e branca Casal real da Imperadores do Samba

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Fotos: Jackson Ciceri/FNM

O carnaval se reencontra com o passado Capitólio sediou o painel “Música e Carnaval”

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uis o destino que, no primeiro ano da Festa Nacional da Música em Porto Alegre, o carnaval se reencontrasse com suas origens na tradicional Descida da Borges. Foi ali, no encontro da Avenida Borges de Medeiros com a Rua Demétrio Ribeiro, sob os holofotes alaranjados do Capitólio, que os foliões da capital chegaram à conclusão: é preciso devolver a festa do povo ao povo. No painel “Música e Carnaval”, representantes das escolas de samba e blocos de rua se encontraram com os carnavalescos do Rio de Janeiro Maria Augusta Rodrigues e Milton Cunha. Mediado pelo advogado, jornalista, radialista e comentarista de carnaval Cláudio Brito, o evento serviu para que todos reconheces-

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sem a importância do espaço público na significação do carnaval. O que parece evidente, mas não é na cidade que deslocou sua festa para longe do Centro Histórico.

Em sua fala de apresentação, Brito contou uma história de seu tempo de rádio. Segundo ele, em uma ocasião, durante seu programa ao vivo na Rádio Gaúcha, participantes

Claudio Brito, Fernando Vieira e Juarez Gutierres de Souza


do Acampamento Farroupilha (evento tradicionalista que ocorre em setembro, no Rio Grande do Sul) entraram em conflito ideológico com os carnavalescos reclamando sobre uma suposta “carnavalização” do movimento tradicionalista gaúcho. Integrantes de centros de tradição gaúcha (CTGs) criticaram o jornalista por defender o envolvimento de artistas do carnaval com a festa sul-riograndense. Ele rebateu, no ar, e a rusga foi criada. Eis que, enquanto o debate acontecia, o folclorista Paixão Côrtes – nada menos que o fundador do primeiro CTG e modelo para a escultura do Monumento ao Laçador – adentrou o estúdio exigindo o direito à fala. “Deixamos ele falar, mas fiquei meio receoso”, relembra Brito. “Então ele me disse que, no início da década de 1940, antes de iniciar o resgate da cultura gaúcha, ele descia a Borges de Medeiros com seu bloco de carnaval. A cultura do carnaval é anterior ao Tradicionalismo. E me deu o aval para seguir defendendo meu pensamento”, concluiu.

“Os maiores carnavais do mundo são à beira d´água”, diz. “Existe uma relação estreita com a fertilidade, com ritos agrários. Essas cidades têm invernos rigorosos, o que prejudica o plantio. As festas buscam recuperar a terra destruída pelo frio. A relação com a terra é fundamental”, conclui, aludindo à origem do carnaval de Porto Alegre, que, ao contrário da folia carioca, migrou do centro, ao lado do rio, para a Zona Norte.

Jackson Ciceri/Festa da Música

A anedota serviu para que todos entendessem a lógica de que o encontro acontecesse naquele lugar, e não no Centro Cultural Porto Seco, onde ocorre o carnaval atualmente. Incisivo, Cláudio Brito foi taxativo ao reprovar a mudança do cenário dos desfiles: “O Porto Seco não existe. É o túmulo do carnaval de Porto Alegre. Esconderam-no, enquanto outros eventos seguem aqui na região central”, comparou, arrancando aplausos dos presentes.

Campeã pela Salgueiro, em 1974, com o enredo “O Rei de França na Ilha da Assombração”, e comentarista da TV Globo por vários anos, Maria Augusta é consultada para oferecer luz sempre que as passarelas do samba parecem anuviadas. Foi o que ela tentou atender com uma apresentação de 35 minutos. Ela destacou semelhanças e diferenças entre os principais carnavais do mundo, e sugeriu que Porto Alegre busque soluções para seus problemas como o Rio de Janeiro buscou. Assim como Nice, na França, inspirou os cariocas com seus carros alegóricos, a capital gaúcha pode usar o exemplo do Rio para fazer o seu renascer.

Carnavalesca Maria Augusta sugeriu que Porto Alegre busque soluções para seus problemas

Se aquele não era o assunto principal, tornou-se naquele momento. Tanto que a carnavalesca Maria Augusta, encantada com a decoração feita com estandartes e sopapos, reverenciou e fez eco ao seu antecessor no púlpito: “Vocês têm que sair de lá. A sede de uma agremiação é fundamental para sua sobrevivência”.

Comentarista da Globo, Milton Cunha foi um dos convidados do painel

Apimentando a discussão, o carnavalesco Milton Cunha precisou de apenas sete minutos para fazer um fuzuê na cabeça dos presentes. Estudioso do filósofo russo Mikhail Bakhtin, o cenógrafo e comentarista da TV Globo recuperou o termo “carnavalização” citado minutos antes por Cláudio Brito para mostrar como o carnaval se apropriou do termo e deu novo sentido no Brasil. FNM|51


Guaracy Feijó é um dos carnavalescos mais experientes da Capital gaúcha Nei Barbosa é da Associação de Blocos do Carnaval de Rua do RJ

Conforme o artista, ele se sustenta sobre três pilares: a quebra do paradigma naturalista, das leis da ciência, do real; o jogo dos opostos, das inversões, entre homem e mulher, vida e morte; e o corpo grotesco. “Ele representa um movimento artístico que se verifica no cinema, na literatura, no teatro”, cita Cunha. “A democracia de uma escola de samba inclui tudo isso e prova que o tempo está passando e que todos são dignos de respeito”, sublinha. Nei Barbosa, diretor da Sebastiana – Associação de Blocos do Carnaval de Rua do RJ – e criador da Carnavália (Feira de Negócios do Carnaval Brasileiro), também usou o exemplo dos blocos de rua cariocas para dar subsídios sobre como os foliões gaúchos podem se apropriar dos espaços públicos: “O carnaval de rua acontece nos bairros. Não

adianta tirá-los dali e tentar colocar em outro lugar”. Ouvir os mestres falarem deu segurança aos sambistas porto-alegrenses a fazerem suas reivindicações. Ian Angeli, da Turucutá – Batucada Coletiva Independente, representando a Liga das Entidades Burlescas, garantiu que há um grupo jovem fazendo sua parte nesta preservação: “O carnaval está vivo na Cidade Baixa. A gente luta pelo direito de estar naquele solo, de fazer o carnaval onde vivemos para nossa família”. “Eu aplaudo esses blocos que seguram o Carnaval por lá”, elogiou prontamente Guaracy Feijó, um dos carnavalescos mais experientes da Capital. Até mesmo o presidente da Liga

Joaquim Lucena defende o centro de Porto Alegre como o “celeiro do samba”

Independente das Escolas de Samba de Porto Alegre (Liespa), Juarez Gutierres, destacou uma identificação maior do povo com as ruas do Centro e da Cidade Baixa do que com o Porto Seco: “O entorno tem que ser mais bem cuidado, serviços melhores têm que ser oferecidos”, cobrou. “Não podemos chamar de complexo cultural. É uma pista de desfiles com barracões.” Joaquim Lucena, coordenador de Manifestações Populares da Secretaria Municipal de Cultura, concorda: “Nós precisamos estar no Centro. Ali é o celeiro do samba. Ali, as crianças aprendem as músicas. É da nossa gente.” Foliões, representantes de escolas de samba e de blocos de rua foram conferir as palestras dos carnavalescos

Ian Angeli, da Turucutá, garantiu que o carnaval na Cidade Baixa está vivo

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Juarez Gutierres, da Liespa, destacou uma identificação maior do povo com as ruas do Centro e da Cidade Baixa, do que com o Porto Seco


de 6 a 10 de marรงo de 2017

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Concerto da Ospa Jovem emociona na abertura oficial da Festa da Música

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m concerto eclético, que passou dos clássicos internacionais aos populares brasileiros, marcou a abertura oficial da Festa Nacional da Música, no Parque da Redenção, em Porto Alegre. Um grande público prestigiou a apresentação dos 70 instrumentistas da Ospa Jovem, na manhã do dia 9 de outubro, e gostou do que ouviu. A cada música apresentada as pessoas se empolgavam, aplaudiam, e foi assim até o final do espetáculo.

Fotos: Jackson Ciceri/FNM

Cerca de 70 jovens executaram repertório que foi do popular ao erudito

“Uma viagem musical entre épocas e estilos”, assim definiu o espetáculo o maestro Arthur Barbosa, que regeu a gurizada. A primeira música apresentada foi a “Quinta Sinfonia de Beethoven” (4º Movimento e Allegro), seguindo com “Carmen”, de Georges Bizet. A plateia levantou com a execução de “Balaio”, do folclore brasileiro, seguido por “Feira de Mangaio”, de Sivuca e Glorinha Gadelha. O ponto alto do concerto foi o clássico de Ary Barroso, “Aquarela do Brasil”, que Barbosa chamou de “um dos hinos nacionais brasileiros”. O bis foi uma versão animada de “Tico Tico no Fubá” com interação dos músicos. A abertura foi feita pelo diretor da Escola de Música da Ospa, Diego Grendene. Ele destacou a satisfação de levar os jovens da Fundação Ospa – que oferece educação musical gratuita – a se apresentarem na abertura da Festa Nacional da Música. “É uma alegria estar aqui hoje, com estes jovens. Agradecemos o convite e a oportunidade de mostrar o trabalho realizado pela Ospa com a comunidade”, comentou. Segundo ele, o projeto atende 200 alunos entre 8 e 25 anos visando uma educação musical de alto nível.

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Diretor da Escola de Música da Ospa, Diego Grendene


Júlia Reis toca violino desde os 10 anos

Thayane Cruz, 15 anos, escolheu o violoncelo

Alexandre Garcia, 15 anos, toca flauta transversal

Júlia Reis, 16 anos, que toca violino há seis anos e está no projeto há dois, estava empolgada em participar do concerto. “É uma ótima oportunidade de mostrarmos o nosso trabalho. Toda a apresentação vem sendo construída desde o início do ano e sabemos que hoje muita gente vai nos assistir. Estamos animados, na expectativa de um ótimo espetáculo”, comentou, pouco antes

de subir ao palco.

Alexandre Garcia, 15 anos, toca flauta transversal desde os 10 anos. Começou com violão na escola da tia, que é regente de coral, e passou para flauta. Ele entrou na Ospa em 2016 e estava ansioso antes do espetáculo. “Estou muito feliz em me apresentar hoje. Principalmente fazer a abertura da Festa Nacional da Música. Estou até um pouco nervoso!”, confessou.

Já Thayane Cruz, 15 anos, escolheu o violoncelo. Ela começou com violino, mas trocou de instrumento após assistir ao filme “O som do coração”, em 2010. “Fiquei fascinada pelo violoncelo, mas na época não tinha vaga. Fiquei três anos no violino, e quando abriu vaga passei pro violoncelo e nunca mais larguei.”

Maestro Arthur Barbosa regeu o concerto

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Talento e disciplina Os músicos estudam seus instrumentos na Escola da Ospa e se preparam para fazer parte da Ospa Jovem, cuja rotina e disciplina são iguais a de uma orquestra profissional, mostrando aos adolescentes a real responsabilidade de seguir a carreira profissional. “Muitos aqui serão músicos

profissionais. Queremos com esta apresentação mostrar também ao público geral a importância do incentivo à música, às artes como um todo, já que, hoje, infelizmente, há uma polêmica discutindo a extinção dessas disciplinas na grade escolar”, lamenta o maestro Arthur Barbosa.

O projeto atende 200 alunos visando uma educação musical de alto nível

A estudante Jennifer Menezes gosta de boa música, independente do estilo

A estudante Jennifer Menezes, 18 anos, que usava uma bolsa da banda AC/DC, estava lá prestigiando o concerto também. “Gosto muito de música, independentemente do estilo. Toco em banda marcial, estudo trompete e toco escaleta numa banda de fanfarra. Que mais jovens tenham contato e se interessem pela música”, desejou ela.

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Simone e Gilberto foram assistir ao filho se apresentar na Ospa Jovem

Na primeira fila estavam a auxiliar administrativa Simone Bacelar e o marido, Gilberto Amarante, que é porteiro. Eles estavam assistindo ao filho Nycolas, 16 anos, que toca viola há um ano e estava no palco. “Estou muito orgulhosa e satisfeita. Ele estuda, gosta, está sempre procurando se aprimorar, aprofundar-se no estudo da música. Isso dá uma tranquilidade para gente. No final de semana está sempre ensaiando. Isso mantém o jovem com a cabeça boa, ligado na música e sempre com muita responsabilidade”, festeja a mãe orgulhosa.

Talento e disciplina são requisitos na Escola da Ospa

Médica cearense Iolanda Luporini com o neto curtindo o concerto na Redenção

Quem estava encantada com o concerto era a médica cearense Iolanda Luporini. Ela mora em Campinas (SP) e estava na cidade visitando o netinho Benjamin, de 1 ano. “Achei essa ideia do concerto gratuito ao céu aberto uma ideia brilhante. Estou surpresa com a grande quantidade de público e vejo pessoas aqui de todas as idades. Isso é maravilhoso”, observa.


Fotos: Jackson Ciceri/FNM

Palco Cidade da Música movimenta Porto Alegre A

rtistas de diferentes estilos, idades e etapas na carreira se encontraram no Palco Cidade da Música, no Largo Glênio Peres, no dia 14 de outubro. As 12 atrações que passaram por lá fazem parte da Abramus (Associação Brasileira de Música e Artes). O show integrou a programação gratuita da Festa Nacional da Música, que levou a arte pela cidade dentro das atividades oficiais do evento. Airton dos Anjos, o Patineti

Para o representante da Abramus no Rio Grande do Sul, Ayrton dos Anjos, o Patineti, esta é a grande oportunidade que a Festa da Música oferece à classe artística gaúcha. “Essa nova geração vem batalhado com muita dificuldade. Poder se apresentar num palco como esse, grande, iluminado, com o público ali, perto, para poder prestigiar, é um privilégio muito grande”, opina. O intercâmbio entre os veteranos e quem está começando foi o maior destaque da tarde de apresentações. Essa troca entre gerações ficou clara quando Klaus Neher, batalhando carreira autoral, cantou na Festa Nacional da Música pela primeira vez ao lado do pai, Bruno Neher, integrante do grupo Três Xirús e que tem mais de 50 anos de trajetória musical.

ensinou tudo o que sei e que sempre foi minha inspiração, está sendo demais.” Para Bruno, a satisfação é ainda maior. “Tenho quatro filhos, mas só esse resolveu seguir carreira de músico. Isso me enche de felicidade. Mas sabe que eu também estou estreando hoje? Nunca havia cantado em show aberto no Centro de Porto Alegre”, revela o músico veterano. Klaus Neher e o pai, Bruno Neher, do grupo Três Xirús

“Estrear na Festa e ainda cantando ao lado do meu pai, que me FNM|57


Lara Rossato

Mariana Marques

Mariana Marques também representou a música tradicionalista gaúcha no palco. “Está sendo muito bom para nós, artistas, esse show descentralizado e diversificado. Aqui mostramos toda riqueza da nossa música.” Essa diversidade foi destacada por outro músico, Edu Garcya que estava estreando na Festa da Música. “Essa união do tradicionalismo gaúcho com o pop rock, isso tudo no centro da cidade, onde passa todo mundo, está sendo demais.”

Festejando a oportunidade estava Lara Rossatto que, interpretando sucessos do pop internacional, animou o público. “É a primeira vez que me apresento no centro da cidade. Está sendo um presente. É mágico para mim que sou do interior de Dom Pedrito. Estou aqui trocando figurinhas com os colegas, combinando outros shows.”

Público conferiu os artistas no Largo Glênio Peres

Edu Garcya

Daniel Torres

Artista consagrado da música latina, com mais de 30 anos de carreira, Daniel Torres também subiu ao palco para prestigiar a Abramus e presentear quem passava pelo local para ouvir a sua música. “Mesmo veterano, estar aqui hoje é um presente para mim também. Muitas pessoas ouviram a voz, vieram para rua e disseram: é o Daniel Torres, e pararam. O carinho do público para mim é tudo”, conta ele.

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Jef

Kadinho, do grupo Senzala fã clube é Jef, Quem tem menos tempo de carreira, mas já tem um grande que cantou músicas próprias. “Bem legal esse novo formato, espalhado pela cidade. Chegamos a mais gente, nos aproximamos do público, que é o nosso principal objetivo”, completa ele. O músico Kadinho, do grupo Senzala, representou o samba e o pagode no palco da Abramus, cantando sucessos do grupo e divulgando sua carreira solo. “É muito legal para as pessoas que estão passando serem surpreendidas por esse palco e esse showzão”.

Rodrigo Munari, que emplacou o sucesso “Ela é Minha Namorada”, trilha

Rock de Galpão

“Apresentações como essa deveriam acontecer uma vez por mês. Essa união faz uma grande diferença. Essa é a principal importância da Festa Nacional da Música, mostrar música para tantas pessoas”, afirma. Adriana Deffenti cantou “Es-

Danadões

Litoral Norte, tem estilo que mistura música e humor com uma pitada teatral, e foram responsáveis pelo primeiro pedido de bis da tarde.

Rodrigo Munari

sonora do casal Mafalda e Zé dos Porcos na novela “Êta Mundo Bom”, da Rede Globo, também fez a festa. “O palco é maravilhoso e dá a oportunidade para essa geração que está surgindo, que tem muito talento, mas tem dificuldade de tocar com uma estrutura boa. Sem falar na visibilidade que uma apresentação no coração da cidade nos dá”, analisa. Quem subiu no palco e arrasou foram os Danadões, formado por Robson Almeida e Marcelo Astiazara. Batalhando para o lançamento do primeiro CD, a dupla de Tramandaí, no

“Fiquei surpreso e muito feliz. Acho que isso se deve ao físico do Marcelo”, brinca Robson, fazendo referência ao colega, que faz uma performance imitando Freddie Mercury, com o lendário figurino calça branca sem camisa, eternizado pelo showman. “Para nós era um sonho pensar em um show no Centro de Porto Alegre. Agora vamos trabalhar para mostrar mais músicas em um show maior”, diz Marcelo, que completa: “Sobre o pedido de bis, me falaram que teve, eu não vi, não era eu... O Freddie Mercury baixou em mim, era ele que estava ali”, brinca. O vocalista do Rock de Galpão, Tiago Ferraz, saiu do palco empolgado.

Adriana Deffenti

tranha Loucura”, música da grande homenageada Alcione, e a canção “Controversa”, que ela fez pensando na voz da cantora. Adriana destacou a vinda da Festa Nacional da Música para Porto Alegre, após anos sendo realizada em Canela, na Serra Gaúcha, o que, segundo ela, facilita o acesso dos músicos e do público. “Espaços públicos possibilitam o acesso de mais pessoas. Os artistas chegando ao público, dialogando com a classe artística sobre temas pertinentes de carreira e dialogando também com as pessoas. A festa é completa!”, diz.

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Fotos: Jackson Ciceri/FNM

Porto Alegre respira música nas ruas Cidade entra no clima musical com apresentações gratuitas

Trio Matizes: Vagner dos Reis, no acordeon; Rogério dos Reis, no violão; e Dhouglas Umabel, no violino

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esmo antes da tão esperada chegada dos artistas nacionais à cidade, a capital dos gaúchos já estava no clima da Festa Nacional da Música. Quem circulava pelo Centro Histórico de Porto Alegre, no dia 13 de outubro, mais precisamente pelo Mercado Público e pelo Terminal Parobé, teve uma grata surpresa. Pôde apreciar um repertório musical eclético, que passou do tradicionalista gaúcho ao nordestino, passeando por clássicos nacionais e internacionais, e finalizando com um toque erudito. A programação iniciou bem no coração do Mercado Público com a apresentação dos músicos Fábio Boscardino, no saxofone, e Josué Cruz, no violão. Quando começou a apresentação, as pessoas pararam para apreciar. O trio ficou empolgado com a aceitação do público. “Para nós, quanto mais inusitado, melhor”, comentou Boscardino.

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Festa da Música espalhou seu som pelas ruas da capital gaúcha


Coralito Villa-Lobos na escadaria da Prefeitura de Porto Alegre

Eles mostraram um repertório popular que foi de Tom Jobim a Kenny G. “Participar da Festa Nacional da Música nos dá a oportunidade de levar a música às pessoas e, assim, também levar alegria. Ainda mais nesse momento tão conturbado que o país está passando. As pessoas precisam de música”, completou Josué Cruz.

Música entrou nos ônibus da capital gaúcha

Do popular passamos ao tradicionalista gaúcho com Trio Matizes, que tem os irmãos Vagner dos Reis, no acordeon, ao lado de Rogério dos Reis, no violão, acompanhados pelo sobrinho, Dhouglas Umabel, no violino. Tocando clássicos como “Eu Sou do Sul”, eles também mostraram um pouco da música do Uruguai, da Argentina, chegando em “Asa Branca”, hino nordestino e brasileiro. Voltando ao Mercado Público, Dhouglas Umabel – além de fazer parte do Trio Matizes ele toca na Orquestra Jovem da Ospa – se apresentou novamente ao lado dos amigos Daniel Castilhos (acordeon) e Lucas Araújo (violão) que são professores de música. Com essa formação, eles mostraram seu repertório erudito.

Músicos Fábio Boscardino, no saxofone, e Josué Cruz, no violão

À tarde, foi a vez do Coralito Villa-Lobos encantar o público. As crianças, sob a regência da professora Fernanda Nóvoa, interpretaram repertório popular na escadaria da Prefeitura de Porto Alegre. O Coralito iniciou as atividades em março de 2010, dentro do Projeto “Orquestra Villa-Lobos”, na Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre. É formado por crianças da Escola Villa-Lobos e também da comunidade local. FNM|61


Fotos: João Mattos/FNM

Música em todo lugar

Painel reuniu no auditório da Famecos André Abujamra, Silvio Marques e Ricardo Mello Antes do painel foi exibido o documentário “Rock Grande do Sul 30 Anos”

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o dia 13 de outubro de 2016, quando o músico Bob Dylan recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, o mundo da cultura acordou agitado. Uma sacudidela que fez com que todos se perguntassem: existe algum limite para a arte? Ela precisa, ainda, ser enquadrada de acordo com formatos pré-concebidos? Um compositor não pode expressar-se artisticamente em outro suporte sem ser refém dele? Naquela mesma noite, em um encontro que reuniu os músicos André Abujamra e Sílvio Marques, e o gerente da Abramus (Associação Brasileira de Música e Artes), Ricardo Mello, ficou evidente que a resposta a todas essas questões é: não. O trio foi convidado a debater dentro do painel “Trilha Sonora no Cinema, Game e Publicidade”, no

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auditório da Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS. O evento fez parte da programação oficial da Festa Nacional da Música e foi mediado pelo produtor cultural Claudinho Pereira. Os convidados não puderam se esquivar de perguntas nesse sentido. A música pode estar em todo lugar, mas ela anda sozinha? “Não”, diz André Abujamra. “O Bob Dylan não é só um compositor ou um poeta. Ele é diretor, ator, escritor. É daqueles menestréis medievais”, completa Abu.

forma de medir o que é “maior” ou “menor” no universo artístico. Preferências, obviamente, ele possui, mas acredita ser possível compor grandes obras em outros meios. O mercado dos games, por exemplo, já atraiu compositores da estirpe de Gustavo Santaolalla, ganhador de dois Oscar e compositor de trilha sonora para o jogo “The Last of Us”, ambiente que também atrai Abujamra: “Sou viciado em vídeo game. Tenho um filho de 12 anos e jogo mais do que ele. Mas nunca fiz trilha. Dizem que tá dando dinheiro pra caramba”, comenta.

O compositor tem 50 longas-metragens no currículo (“Carandiru”, “Domésticas”, “Bicho de Sete Cabeças”), além de trilhas sonoras para desenhos (“O Show da Luna”), programas infantis (“Castelo Rá-Tim-Bum”) e comerciais (Guaraná Antárctica), e não enxerga uma

Já dos trabalhos em publicidade ele mantém certo distanciamento. Não que rejeite convites ou renegue nada que fez. Enquanto concedia entrevistas, até cantarolou o jingle que compôs para um comercial da “Folha de S.Paulo”. No entanto,


distingue-o dos demais: “Tem alguns trabalhos dos quais me orgulho muito. O ratinho da ‘Folha’ foi uma coisa que pegou. Mas é uma em um milhão. São espasmos. O cinema, não. Ele é a união de todas as artes. Daqui a 300 anos, não sei qual será o formato, se um alfinete ou um pendrive para enfiar na testa, mas o filme vai existir.” Para os autores, a composição também é um trabalho. Não apenas o lado criativo, mas também seu viés laboral. As classificações são consequências. O que não significa que isso afete no processo de criação. Ex-integrante do Musical Saracura e autor de composições diversas para programas da TV Globo, Sílvio Marques define seu método em 3D: “É divertimento, dificuldade e desafio”, brinca. “Eu gasto meu tempo fazendo. Não penso muito. Faço quantidades [de composições] e me fixo no que acho melhor. Aí disponibilizo para o diretor como em um bandeja”, revela. Unanimidade entre eles é a compreensão de que, além de uma obra de arte única, a música faz parte de produtos culturais, e isto não tem como ser evitado. Ela é pano de fundo no cinema, objeto de persuasão na publicidade, componente atrativo do vídeo game. Ela tem um viés mercadológico inegável e recente na assimilação dos artistas. A maioria admite que reconheceu tardiamente seus direitos – até por não ser esta a preocupação principal – e aprendeu a reivindicá-los.

Músico André Abujamra

Compositor Sílvio Marques

Para o gerente de Relações Institucionais da Abramus, Ricardo Mello, desconsiderar este lado é desrespeitar o artista: “Hoje, vocês fazem desse jeito. Estão tomando banho e têm uma ideia genial. Mas quantos anos de aperfeiçoamento e dedicação vocês puseram nisso? Então, não sai algo em cinco minutos, é uma vida inteira, e vocês merecem ser reconhecidos por isso”. Se vai ganhar um Nobel por isso um dia, André Abujamra é humilde: “De literatura, não”. Mas nem tanto: “De balé ou física quântica, talvez.” Música como produto cultural foi tema de painel na Famecos

Gerente da Abramus, Ricardo Mello

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divulgação

Multitalento André Abujamra é um criador ambulante. “Como artista, eu lavo, passo e cozinho”, diz. “Vejo som em tudo. Tudo é música.” Até por isso, estar em turnê com algum espetáculo não significa não estar produzindo algo à parte. No momento, ele está em cartaz com “O Homem Bruxa”, seu último álbum solo, uma homenagem ao pai, o ator Antonio Abujamra, que ganhou outro significado com sua morte, em 2015. “Fiz ´O Homem Bruxa´ pro meu pai antes de ele morrer. Escrevi um texto (“Espelho do Tempo”) para ele, que fala sobre a morte, e três semanas depois ele morreu. O disco já era em homenagem, mas potencializou-se com isso”, conta. Ao mesmo tempo, Abu produz o próximo disco, intitulado “Omindá”, um projeto ambicioso que envolverá 40 músicos no palco e outros 25 artistas projetados virtualmente. A inspiração, desta vez, é a mãe, a atriz Cibélia Abujamra: “Todos os meus trabalhos têm humor, são engraçados, mas este será hiper-ultra-triper sério. Omindá significa a união das almas do mundo pela água. É um pouco sobre ela, que morreu três anos atrás.” Simultaneamente, ele organiza a reunião dos integrantes do Karnak para a celebração dos 25 anos da banda. Seu intuito é criar uma ópera-rock ao estilo de “Tommy”, do The Who, com material totalmente inédito. “Já estamos escrevendo. Será a história de um rei que transformava as coisas que não existem em coisas que existem”, antecipa, sem entrar em detalhes.

No momento, está em cartaz com o espetáculo “O Homem Bruxa”, mas Abu prepara um ópera-rock com o Karnak

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O que ele garante, no entanto, é que será um trabalho desvencilhado de amarras, como tudo em sua obra. Uma liberdade comedida, por assim dizer, em amor à música: “A liberdade é terrível”, afirma. “É uma coisa delicadíssima. Não ter limite é lindo, mas é muito perigoso. Eu vivo isso, da liberdade total, sem regras. Se eu quiser colocar um anão pelado tocando sanfona, eu coloco. Se for pela arte, pelo amor, eu posso.”


Plaza

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Foto divulgação

O samba não pode parar

Fruto de um encontro de amigos no bairro Menino Deus nos anos 1970, Banda Saldanha completa 38 anos

R

eza a lenda que a Banda Saldanha saiu pela primeira vez às ruas em outubro de 1975, no Cete (Centro Estadual de Treinamento Esportivo), no bairro Menino Deus, em Porto Alegre, para comemorar o aniversário de Pedro Diogo da Fonseca, seu fundador, depois de um churrasco seguido de uma pelada entre amigos, regada a muito chope.

Assim, a cada aniversário de Fonseca, o grupo começou a sair pelas ruas, reunindo músicos talentosos, alegria e muito samba. Em 1976, já saiu do bar da rua Saldanha Marinho, 204. Mas foi somente em 1978 que a banda foi oficialmente fundada, mantendo o agito. Ficou concentrado no bar da Saldanha Marinho até 1979, ano em que, no dia 1º de janeiro, a banda invadiu a Avenida Getúlio Vargas e tomou 66|FNM

conta do bairro primeira vez. A venda do ponto do bar que era o encontro dos músicos, em 2002, desencadeou a luta para a conquista de uma sede para os integrantes do bloco. O prêmio veio em 2005, quando foi obtida a área da quadra onde a Banda ensaia e promove uma série de shows, na Avenida Padre Cacique, bem ao lado do estádio do Sport Club Internacional. “A Banda Saldanha é o maior expoente de samba do Rio Grande do Sul, representando o gênero há mais de 38 anos em Porto Alegre”, garante o gerente comercial da agremiação, Diego Derman. Esse passo foi conquistado em 2007, com um convite da Associação de Blocos e Bandas da Zona Sul do Rio de Janeiro. Hoje, ela faz parte do Calendário Oficial de Eventos do Rio

de Janeiro e desfila todos os anos em Copacabana. A pulsação do grupo também marcou presença na Festa da Música 2016 durante o “Aquece para a Descida da Borges”, outra manifestação popular e querida da comunidade do samba no RS. Mostrando todo o seu know how reunido ao longo de quase quatro décadas, ela apresentou de Tim Maia a Nando Reis, passando por um bela homenagem a Leci Brandão, com “Zé do Caroço”, no Palco Cidade da Música montado no Largo Glênio Peres, no centro de Porto Alegre. “A Banda é composta por um mix de ritmos contagiantes embalada pela forte percussão de sua bateria, instrumentos de sopro, harmonia e dois cantores”, explicou o dirigente. Por isso, seu samba “não pode parar”.


Arte para todos

“A

dança é para todos”, sentencia Cleber Veiga, coordenador geral da escola Primeiro Ato, responsável pelo encerramento das apresentações do Palco Cidade da Música, na Redenção. Ela deixou o rock, reggae, pop e folk para trás para demonstrar a multiplicidade cultural por meio do corpo.

Em seis atos, foi do balé clássico ao jazz, passando pela dança de salão, o tango moderno e a dança acrobática. No balé clássico de repertório, um casal de bailarinos apresentou Pas de Deux de “Paquita” e “O Corsário”. Os duos misturaram a MPB de Maria Bethânia com o pop do britânico Ed Sheeran. Uma versão de Tango de Roxanne, do filme “Mouling Rouge”, fechou a noite. A dança é, mesmo, para todos.

Fotos Jackson Ciceri/FNM

Balé de repertório apresentou “Paquita” e “O Corsário”

“Há uma diferença quando você está dançando ao som da música que você ama e quando há uma união entre a música e o bailarino(a) como se fosse um só. Essas são as experiências pelas quais vivemos.” MPB de Maria Bethânia com o pop do britânico Ed Sheeran embalaram a dança

Alicia Alonso, bailarina

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Fotos: Betina Carcuchinski/FNM

Um show

para alegrar e emocionar Auditório Araújo Vianna foi o cenário para estudantes da rede municipal de ensino cantar e dançar

“A

s crianças são o melhor termômetro de um trabalho, porque quando criança gosta, gosta. É certo que é sucesso.” Com essa frase, Gisa Nunez definiu o clima no Auditório Araújo Vianna durante o Show Musical para estudantes, promovido pela Festa Nacional da Música. Cerca 2,5 mil alunos, de 8 a 15 anos, de 16 escolas de Porto Alegre, assistiram aos shows de Mirella, De Luca, MC Jean Paul, Gisa Nunez, Carlinhos de Jesus e Vinicius D’Black. A atração também teve a presença de Tuta Guedes, Rappin Hood, Del Sarto, Sem Reznha, Guri de Uruguaiana, Fabinho Vargas, que comandou a festa, e até ganhou uma bênção especial do padre e cantor Antonio Maria. A atividade foi um prêmio pelo esforço e talento dos alunos na realização de uma série de trabalhos sobre música, segundo assessora em Educação Musical da Smed, Cristina Rolim Wolffenbuttel. Inclusive, 68|FNM

dez estudantes que elaboraram as melhores composições musicais entre as escolas da rede municipal, tiveram a chance de conhecer os artistas que vieram para a Festa, no Hotel Plaza São Rafael. A professora da Escola Municipal Senador Alberto Pasqualini Maria Angélica Leal explicou ainda que o evento seria tema de novas tarefas em sala de aula. “O show vai servir de inspiração. Eles vão trabalhar Mirella

com as informações colhidas aqui depois, vão fazer comparações”, afirmou.

Shows marcantes Independentemente das exigências em sala de aula, cada jovem aproveitou a experiência com paixão. Com Mirella, o refrão de “Hit The Road Jack” – “Don’t you come back no more, no more, no more, no more” – foi cantado junto com a plateia. De Luca trouxe ao palco “Fio Maravilha”. Gisa Nunez comprovou que letra de “50 Reais” é sucesso entre as crianças, assim como “O Nosso Santo Bateu”. O maior dançarino do Brasil, Carlinhos de Jesus, deu uma aula de forró para os estudantes, mostrando todo seu ritmo, destreza e elegância, tendo Gisa como par. D’Black mostrou sua nova canção, “Você Quer”, e o grupo Sem Reznha trouxe ao auditório seu hit “Faz Assim”.


De Luca

A chegada de MC Jean Paul incendiou o público. O funkeiro gaúcho, dono de grandes sucessos como “O Grande Amor”, “Noite de Verão” e “Toca DJ”, fez todo mundo dançar com um medley de hits da temporada, como “Partiu”, de MC KeKel, e “Bumbum Granada”, entre outros. Quem estava sentado correu para a frente do palco, mostrando a força do funk. O que não dispensou uma reflexão do cantor. “O funk é o som dessa gurizada. Mas concordo que as músicas ainda têm muitas letras machistas e que não deveriam ser ouvidas ao lado de uma criança”, frisou. Ele ainda emocionou a todos fazendo uma homenagem aos professores. “O que seria de nós sem os professores? Qualquer profissão necessita de um professor. Valorizem os seus mestres”, pediu. E ainda deixou conselhos aos pequenos. “Seja forte. Seja correto. E cresça livremente, pois os sonhos existem para serem realizados”, assinalou o funkeiro, que trouxe flores para presentear as professoras que acompanharam suas turmas para a festa.

Del Sarto, D’Black, Tuta Guedes e Sem Reznha

Festa no palco e na plateia E o funk foi o responsável pela grande confraternização ocorrida entre os artistas e o público no final do show. Capitaneados por Del Sarto, Rappin Hood e pela cantora sertaneja Tuta Guedes, todos as estrelas que passaram pelo show se uniram no palco para dançar “Malandramente”, uma das canções mais executadas nas rádios e na internet em 2016. Foi um momento de total alegria para as crianças que corresponderam à animação do palco com muitos gritos e, claro, muita dança. MC Jean Paul distribuiu rosas à plateia

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Em sintonia com os estudantes, Rappin Hood emocionou os artistas. “Onde estão os Erês, eu quero estar com eles”, registrou o músico. “As crianças são o futuro do país e podem ser os futuros fãs que quero conquistar hoje”, apontou Tuta. “Eu lembro de tudo o que assisti na escola e como aquilo mudou minha visão de mundo. Temos a oportunidade de contribuir dessa forma nesse show”, observou o ator e cantor Del Sarto. “A música salva”, falou Rafael, do Sem Reznha. “O público infantil é um presente de Deus. Estamos diante do futuro”, concluiu o Padre Antonio Maria.

Sem Reznha

Rappin Hood e uma selfie com os estudantes

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Pe Antonio Maria fez uma bênção especial ao público

Vinícius D´Black

Pé de valsa: Carlinhos de Jesus e Gisa Nunez

Gisa Nunez Guri de Uruguaiana


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ÁUDIO PORTO Novo núcleo de produção musical traz tecnologia e história (por Gustavo Victorino)

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esde 11 de dezembro de 2016, Porto Alegre tem as portas abertas para o mais novo estúdio e núcleo de produção musical do sul do país. Mesclando raridades em equipamentos vintage e altíssima tecnologia, a Áudio Porto coloca Porto Alegre no mapa dos melhores estúdios do Brasil. Sem foco exclusivo nas demandas tradicionais, o espaço foi preparado para receber eventos, shows com streaming, cursos, filmagens, reuniões de desenvolvimento e outros projetos vinculados ao áudio profissional. E tudo isso num confortável espaço com mais de 900m2. Criada no espaço de uma tradicional e histórica fábrica de enfeites de Natal sediada em Porto Alegre, a Áudio Porto nasceu da gênese das indústrias Wanda Hauck, fundada em 1942 e de longa vida produzindo objetos voltados a decoração e motivos natalinos. A transformação da fábrica 72|FNM

em estúdio foi a forma da família ampliar e preservar o legado e a vocação cultural e histórica do prédio. O estúdio, inaugurado no fim de 2016, já disponibilizou agenda em suas salas maiores e promete novidades nos preços durante o primeiro semestre de 2017. Este espaço foi batizado de “Estúdio Fábrica” e conta com a Técnica A (com 36m2 e 2 salas de máquinas), pronta para mixagens em estéreo e em surround. O espaço A conta com 104m2 com pé direito de 6,2m e grid de iluminação para shows e eventos. O espaço B tem 50m2 e pé direito de 4,1m proporcionando nos dois espaços ampla área de aproveitamento técnico e artístico. Todas as salas são integradas por complexo sistemas digitais e analógicos com visualização por aquários virtuais equipados com projetores silenciados através de um sistema de vídeo Black Magic e câmeras full HD de padrão internacional de broadcasting.

Tudo isso possibilita também a conexão pelo sistema streaming, abrindo condições técnicas de utilização da comunicação por vídeo para workshops e produções remotas. O sistema elétrico é totalmente isolado e tratado com carga auxiliar de até 2 horas em caso de queda de energia, podendo ser ainda acionados os geradores para casos extremos. O aterramento e o desempenho elétrico do sistema foram testados em nível laboratorial para garantir a segurança dos equipamentos e dos backups. O sistema de ar condicionado silencioso tem renovação de ar constante em todas as salas de produção. O cabeamento de áudio e vídeo é Belden e Mogami, garantindo qualidade e segurança na transmissão de dados pelas múltiplas interfaces do sistema totalmente integrado. Com a mesa Euphonix CS3000 com 52 canais, sendo 104 de pré amps e equalizadores, e ainda 24 moving faders e 40 canais dinâ-


micos, o sistema usa total recall e completa automação com acesso a 8 auxiliares, 12 submasters, e ainda o sistema Cube com mais 32 saídas auxiliares. A monitoração e pelo sistema PMC MB2-XBD surround completo, com crossover e amplificação Bryston, além de caixas Genelec 8260A e Yamaha NS10. Para os músicos, o retorno fica por conta do novo sistema digital da Aviom, com 12 controladores independentes e entradas individuais para ensaios, ou ainda uma alternativa de uso direto da mesa analógica por até 36 músicos. O PA e de retornos de chão têm caixas Renkus-Heinz, com entradas digitais e analógicas, tudo com processamento interno inteligente para divisão de frequências. Na lista de equipamentos ainda tem conversores Horus (24 canais DSD/PCM com pré-amps) e Prism Dream, módulo Pyramix, e sistema Pro Tools HDX, Nuendo, Logic e Ableton. O sistema analógico é MCI 2’’ JH16 24 canais com transformadores de entrada e saída, Studer 1’’ A827 de 8 canais e Studer A80 ½’’ de 2 canais. No item instrumentos, a Áudio Porto dá também um show disponibilizando um autêntico piano Steinway & Sons Nova Iorque, guitarras, baixos e baterias das melhores marcas do mundo, além de teclados analógicos, sintetizadores e baterias eletrônicas originais das décadas de 60 até a atualidade. Instrumentos vintage para qualquer um sonhar acordado... A amplificação é tão rica quanto o set de instrumentos e tem uma longa lista de cabeçotes e caixas

para baixos, guitarras e outros instrumentos. Não bastasse tudo isso, a novidade ainda tem a Clínica de Instrumentos Cheruti com assistência técnica aos instrumentos 24 horas por dia, além de uma equipe de manutenção interna especializada em equipamentos eletrônicos raros. Nos microfones, mais um show à parte, com microfones vintage raros, em perfeito estado de manutenção e funcionamento, com destaque para os espetaculares AKG ELA 251E e o C24, o Telefunken U47, os Neumann U47 FET, U67, U87, e o raríssimo RCA 44BX, entre muitos outros. Nos periféricos e processadores, um master de 8 canais de pré amps e equalização originais da Focusrite modelo ISA 110, o console Focusrite Forté original que pertenceu ao estúdio Metropolis, de Londres, além de compressores Neve 2254E e 32264a originais do console 1073. Destaque ainda para os processadores dinâmicos da Urei, Pultec, Manley, Millenia, API, Focusrite, Maselec, Shadow Hills, SSL, DBX e Teletronix. O rack de processadores de efeitos conta com uma coleção extensa que vai dos clássicos da Roland, incluindo delays de fita, efeitos de mola da Orban, Lexicon 480L, Bricasti M7, Eventide H8000 e TC Electronics TC6000 MKII Music & Master. Com décadas de experiência no mercado nacional e internacional, a equipe técnica da Áudio Porto está preparada para suprir todas as necessidades de produção, recebimento e integração de produções externas com excelência e qualidade superior. A boa novidade que veio para ficar.

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Renovada e ampliada, Festa da Música desembarca em Porto Alegre A importância do ensino de música nas escolas e a valorização dos autores estiveram na pauta do Congresso de Abertura

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mbora a Festa Nacional da Música tenha iniciado as suas atividades no dia 9 de outubro, a abertura nacional ocorreu na noite de 17 de outubro, no Hotel Plaza São Rafael. A grande novidade da edição 2016 foi mudança de cidade. Saindo de Canela, na Serra, e vindo para a Capital. Com a alteração, ficou facilitado o acesso dos artistas e a participação da comunidade. “Saímos da Serra para podermos levar a música a mais gente”, diz Fernando Vieira, organizador do evento. E o objetivo foi mais que cumprido. Para envolver toda a cidade no evento, foram montados palcos em diferentes locais da cidade, mobilizan-

Fernando Vieira, organizador do evento

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Da esquerda para a direita: gestora da carteira de economia criativa do Sebrae, Denise Marques; cantor e compositor Ivan Lins; produtor musical Carlos de Andrade; secretário estadual de Cultura do RS, Victor Hugo; diretor do setor de música da Funarte, Marcos Lacerda; cantor Sergio Reis; deputado federal Marco Maia; superintendente do Ecad, Gloria Braga; e violonista Robson Miguel

Congresso de Abertura da Festa da Música reuniu representantes de entidades e músicos para abordar temas discutidos durante o evento

do mais de 300 artistas que movimentaram toda Porto Alegre desde os primeiros dias da Festa. “A cidade respirou música nestes dias. Colocamos música no Mercado Público, nos parques, dentro dos ônibus, vocês, que não estavam aqui, não têm ideia do que nós fizemos. Tivemos shows com 30 mil pessoas. O envolvimento até me surpreendeu”, conta Vieira à plateia formada por artistas, empresários do show business e produtores, vindos de várias cidades do Brasil. O diretor executivo da UBC (União Brasileira de Compositores), Marcelo Castello Branco, destacou a importância da Festa Nacional da Música para o mercado fonográfico. “Comecei na Festa da Música e esse é um momento importantíssimo para o nosso meio. Não podemos desistir de nos

Diretor da UBC, Marcelo Castello Branco

Superintendente do Ecad, Glória Braga


Fotos João Mattos/FNM

encontrar e falar sobre a relevância social do nosso trabalho”, afirma. A superintendente do Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), Glória Braga, destacou que a Festa Nacional da Música tem espaço para as discussões relevantes à classe artística. Dessa vez, o órgão discutiu “O Futuro da Execu-

Coordenador da LIC – RS (Lei de Incentivo à Cultura), Rafael Bali

Ator e cantor Cláudio Lins

ção Pública no Ambiente Digital” com grande adesão dos músicos em dois dias de bate-papo. “A música é o maior bem cultural de um país. Contemplamos cada vez mais novos criadores de música. E o nosso papel é arrecadar e distribuir em todo Brasil, que é enorme. Estar na Festa é a oportunidade de conversar com vocês sobre diferentes temas”, comenta Glória.

estudar 10 autores brasileiros, e criarem composições a respeito destes compositores. Os melhores trabalhos foram destacados em sala de aula e os alunos convidados a visitar o Hotel Plaza São Rafael, local do evento, para conhecerem os músicos de perto. “Isso é uma coisa maravilhosa. Nada é mais importante que a formação. Vocês estão de parabéns aqui em Porto Alegre”, elogiou Carlos de Andrade, produtor musical.

Música na escola A rede municipal de Porto Alegre possui um diferencial que tem tudo a ver com a Festa. Cem por cento das escolas tem educação musical, 48 mil crianças que estudam na rede têm aula de música. Elas foram incentivadas a conhecer e

Ivan Lins entregou o troféu à secretária de Educação de Porto Alegre, Cleci Maria Jurach

Rafael Bali, coordenador da LIC – RS (Lei de Incentivo à Cultura), destacou que a LIC existe há 20 anos por edital público e que muitos se interessam em receber o incentivo. “Temos projetos financiados em todas as regiões do Rio Grande do Sul, o que muito nos alegra.” Segundo ele, o Secretário de Cultura do Estado, Vitor Hugo, por ser músico, tem prazer em incentivar os projetos que contemplem essa arte.

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Para reconhecer o trabalho feito pela Prefeitura, que é parceira da Festa da Música, foi chamada ao palco para uma homenagem a secretária de Educação de Porto Alegre, Cleci Maria Jurach, que recebeu a honraria das mãos de Ivan Lins. “Não há país mais musical que o nosso. Só precisamos investir, chegar nessas pessoas. Eu viajo o Brasil inteiro e vejo tanto talento em escolas, em projetos sociais, em lugares remotos. Precisamos encontrar esses talentos. A música tira da marginalidade, a música salva, a música cura. Essa iniciativa de Porto Alegre precisa ser copiada em todo o Brasil”, exaltou o músico. Cleci agradeceu o reconhecimento e destacou que o sucesso do projeto é resultado de investimento. “Tudo foi muito bem planejado. Nossos professores de música são concursados e formados em música. Começamos com o ensino a partir dos 2 e 3 anos e agora já passando para o berçário, nos bebês a partir dos 4 meses. E temos também a música no contraturno. Nossas escolas são, na sua maioria, periféricas. Temos que dar um jeito de deixar a escola mais atrativa que o tráfico, que todos os dias oferece um caminho de ganho fácil”, com-

Presidente da Abramus, Roberto Mello

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parou ela. Ela relatou ainda que muitos alunos do projeto de música estão seguindo carreira, o que, segundo a secretária, é ainda mais gratificante. “Temos ex-alunos fazendo mestrado na Alemanha, especializando-se em instrumentos de música clássica. Por meio das artes podemos mudar mais e mais vidas”, finalizou. O ator e cantor Cláudio Lins falou da importância da educação musical. “Não só para formar bons músicos, mas para formar seres humanos melhores.” Destacou também a importância da Festa da Música. “Juntar a participação em tantas discussões importantes com o prazer de estar aqui. Sou um privilegiado em ter acesso a este meio sendo filho do Ivan Lins, artistas consagrados de um meio que eu também escolhi”, diz. O presidente da Abramus (Associação Brasileira de Música e Artes), Roberto Mello, destacou a atividade de resgate cultural feito com os alunos. “A cultura liberta, e é importante a classe se unir para lutar pela divulgação da cultura. Tem adolescente de hoje em dia que nunca ouviu falar de Dorival

Caymmi, por exemplo. Temos que defender a integridade do repertório brasileiro.”

Novidade Depois de sair de Canela e ir para Porto Alegre, a Festa quer ir ainda mais longe. Está programado para maio de 2017 um evento, também de música, em Fernando de Noronha. “Não será outra edição da Festa, pois seria complicado. Mas preparem-se que iremos desembarcar com muitas novidades por lá de cuia e espeto em Fernando de Noronha”, antecipou Fernando Vieira.

Produtor musical Carlos de Andrade

Plateia do Congresso de Abertura é formada por artistas, empresários do show business e produtores vindos de várias cidades do Brasil


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Festa de geraçþes e estilos imortais 78|FNM


Jackson Ciceri/FNM

M

ais do que artistas, marcas ou segmentos, o ecletismo foi celebrado na primeira noite de homenagens da Festa Nacional da Música, que ocorreu no Centro de Eventos do Hotel Plaza São Rafael, em 17 de outubro. Foi a cerimônia do rock poético de Frejat e das marchinhas-chiclete de João Roberto Kelly. Do suingue brasileiro de Paula Lima e Turma do Pagode e do virtuosismo regional (ou seria universal?) de Luiz Carlos Borges. Do encontro geracional entre Marcos & Belutti e Milionário & Marciano e da infindável malemolência de Carlinhos de Jesus. Da poesia de Luiz Coronel, da verve criativa de Edson Erdmann, do engajamento de Roger Lerina e do olhar visionário da empresa Casio. A noite da música foi a noite de todas as formas de música. FNM|79


João Mattosi/FNM

Fotos: Jackson Ciceri/FNM Sérgio Reis cantou acompanhado do filho, o cantor Marco Bavini, e dos violonistas Diego Figueiredo e Marcellus Meirelles

Yuri Menezes e Luiz Carlos Borges

Ela começou legitimada por um dos artistas mais cativantes entre os próprios músicos. O cantor Sérgio Reis subiu ao palco assim como se manteve ambos os dias – sustentado por uma inseparável bengala. Debilitado, ele evitou esforços exagerados. Menos quando a exigência era cantar seus clássicos, como “O Menino da Porteira”. Mesmo sentado, sua voz projetou-se pelo Centro de Eventos e emocionou quem chegava ao salão. Na apresentação, ele estava acompanhado do filho, o cantor Marco Bavini, e dos violonistas Diego Figueiredo e Marcellus Meirelles.

A música de raiz também teve seu representante. O segundo a subir ao palco para receber suas honrarias foi Luiz Carlos Borges, um dos principais nomes da música regional do Rio Grande do Sul. Por sua importância para o tradicionalismo gaúcho ou para o jazz universal, o acordeonista Luiz Carlos Borges foi agraciado com o prêmio da Festa Nacional da Música, entregue pelo cantor e compositor Nando Cordel. Luiz Carlos Borges foi ovacionado por artistas de todos os cantos do Brasil, e teve sua virtuose reconhecida ao interpretar duas canções no palco.

Sob uma chuva de aplausos, coube à mestre de cerimônias, a jornalista Vera Armando, iniciar as homenagens pelo Sul do Brasil. Poeta, escritor, compositor e publicitário, Luiz Coronel abriu a lista de honrarias. O prêmio foi entregue pela cantora Rosemary. Embora conhecida de um público mais restrito, sua faceta musical é consagrada. Ele é o autor de letras de canções regionalistas, como “Amanhã Será Setembro”, com Mario Barbará, e “Canto de Morte de Gaudêncio Sete Luas”, com Marco Aurélio Vasconcelos.

Outro gaúcho a receber láureas foi o diretor artístico Edson Erdmann, prêmio entregue por Lê Vargas, do grupo Tchê Guri. Com indicações ao Emmy, Erdmann esteve à frente de projetos como Criança Esperança, Carnaval Globeleza, Garota Verão e Planeta Atlântida, além de shows como José Carreras, Roberto Carlos e Luciano Pavarotti.

Poeta e compositor Luiz Coronel e Rosemary

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Edson Erdmann e Lê Vargas, do Tchê Guri


João Mattosi/FNM

Fotos: Jackson Ciceri/FNM Vocalista do Papas da Língua e o jornalista Roger Lerina

Completando o quarteto gaúcho de profissionais da cultura, Roger Lerina, a famosa assinatura da Contracapa do Segundo Caderno, do jornal Zero Hora, recebeu o troféu das mãos de Serginho Moah. A longevidade da coluna e a receptividade foram destacadas pelo músico. Lerina, por outro lado, ressaltou a humildade da produção em reconhecer outros especialistas na área além dos artistas: “O Fernando [Vieira, organizador e idealizador da Festa Nacional da Música] e sua equipe tiveram a sensibilidade de perceber que existem outros apaixonados pela música que contribuem de outras maneiras.” A Festa continuou com as diversas formas de expressão de brasilidade. Paula Lima recebeu sua homenagem do cantor Péricles e representou o empoderamento feminino com sua presença marcante e com suas canções: “Temos obstáculos, mas pisamos no palco, a música começa e percebemos que isso é a coisa mais gostosa que tem”. Cantora Paula Lima

Coreógrafo Carlinhos de Jesus

Na sequência, o samba desceu dos quadris da cantora para os pés de Carlinhos de Jesus. Ele lembrou da infância difícil e dos desafios de viver da dança. “Em um país altamente preconceituoso, consegui erguer a bandeira da dança. A isso, agradeço a vocês, meus mestres”, afirmou o “Fred Astaire brasileiro” – título dado pelo NY Times, como lembrou o carnavalesco Milton Cunha, ao entregar o prêmio – referindo-se aos artistas presentes. O encontro de gerações ocorreu quando João Bosco & Vinícius fizeram a entrega do prêmio para as lendas do cancioneiro popular Milionário & Marciano, que após a morte dos parceiros formaram a nova dupla. “É uma alegria enorme estar aqui hoje. Nós nascemos no interior, eu plantava café com meu pai”, conta Marciano. Milionário destacou a saudade de Porto Alegre e a beleza das mulheres gaúchas. “Aqui tem as mulheres mais bonitas do mundo.” Com o prêmio nas mãos, eles emocionaram a todos cantando sucessos das antigas duplas – “Estrada da Vida” e “Ainda Ontem Chorei de Saudade” – transformando a plateia em um enorme coral. Milionário & Marciano

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Fotos: Jackson Ciceri/FNM Turma do Pagode

Bruno, do grupo Sorriso Maroto, e o gerente nacional de vendas e de marketing da Casio, Flávio Desenzi

Quem também lembrou dos artífices da música foi a Turma do Pagode, que recebeu o prêmio das mãos de Dodô, do grupo Pixote. “Fomos homenageados no ano passado, essa emoção eu senti também”, diz Dodô. A Turma do Pagode agradeceu interpretando o clássico “Trem das Onze”, de Adoniran Barbosa, junto a seu sucesso “Deixa em Off”. “Estamos vivendo um sonho de criança, estarmos aqui no meio de tantos artistas que admiramos. Se estamos ganhando este prêmio, cada um de vocês tem parte nisso”, reconheceu o vocalista Leíz.

A empresa de instrumentos musicais Casio foi representada pelo gerente nacional de vendas e de marketing, Flávio Desenzi. “É um privilégio duplo estar aqui como representante de vendas e de marketing e quero pedir que vocês continuem contando conosco para continuar levando música boa até as pessoas.” Ele recebeu o prêmio do vocalista do Sorriso Maroto, Bruno, que contou uma história particular com a marca: “Na nossa primeira formação, o teclado era um Casio”, revelou. “É muito bom homenagear empresários que se preocupam com a formação de novos artistas. Todo mundo fala dos músicos, mas ninguém lembra que, se não tivermos um bom instrumento, nada existe.”

O novo sertanejo foi marcado pelas vozes de Marcos & Belutti. Recebendo o troféu das mãos de Michael Sullivan, os cantores mostraram que o talento não se resume no hit “Aquele 1%”. “Na primeira vez que viemos, éramos desconhecidos, e hoje somos homenageados. Viemos de uma turnê maravilhosa aqui. Somos sempre muito bem recebidos”, contou Marcos. “A música cura muitas vidas e tira muita gente da tristeza. Vamos cantar a isso”, anunciou Belutti, antes de tocar os primeiros acordes de “Romântico Anônimo”. Marcos & Belutti

A partir daí, a emoção tomou conta. O cantor gospel Eli Soares agradeceu a Deus pela oportunidade, e levou muitos às lágrimas com seu louvor. Ele interpretou duas canções apenas com o violão a tiracolo, “Me Ajude a Melhorar” e “Tudo Que Eu Sou”, deixando a sensação de paz ao Centro de Eventos. “É com muito respeito que subo ao palco da Festa Nacional da Música. É uma alegria que não cabe no peito e uma responsabilidade enorme levar o nome daquele que me chamou, que é Deus.”

João Mattosi/FNM

Cantor Eli Soares

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Fotos: Jackson Ciceri/FNM João Roberto Kelly apresentou uma nova marchinha: “Ele Não Sabia de Nada”

Frejat deu o seu recado com “Amor pra Recomeçar” e a clássica “Pro Dia Nascer Feliz”

Da emoção à alegria, João Roberto Kelly fez todos os convidados se levantarem das cadeiras. Primeiro, para aplaudi-lo pelo prêmio e pela carreira como um dos maiores hitmakers do Brasil, como Glória Braga, superintendente do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) classificou. Depois, para cantar as marchinhas inesquecíveis “Cabeleira do Zezé” e a recente “Ele Não Sabia de Nada”, arrancando risos e mais aplausos: “A maior glória de um artista é ver sua música passar de geração para geração. Mas acho que vocês exageraram um pouquinho na homenagem”, brincou Kelly.

Encerrando a noite, Ivan Lins entregou o troféu a Frejat enaltecendo seu lado humano e artístico. “Este é um cara que se preocupa com todos vocês”, disse, destacando o engajamento político do ex-guitarrista do Barão Vermelho na luta pelos direitos autorais. Lisonjeado, Frejat exaltou a necessidade de manter a união dos compositores pela preservação da classe. Porém, foi com sua “Amor pra Recomeçar” e a clássica “Pro Dia Nascer Feliz” que o recado maior foi dado: “É muito bom celebrarmos simplesmente por fazermos música”, afirmou. Simples assim.

João Mattosi/FNM

Lexa e MC Guimê se emocionaram com a apresentação de Eli Soares

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Jackson Ciceri/FNM

Pagode da Turma

Grupo recebeu homenagem e celebrou 15 anos de sucesso

Dodô, do Pixote, entregou o troféu aos amigos da Turma do Pagode

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ompletando 15 anos em 2016, a Turma do Pagode coroou o sucesso no palco da Festa Nacional da Música, onde foi homenageada. “Todos os anos em que participamos, assistimos às homenagens a grandes nomes da música brasileira, como Ivan Lins, Sérgio Reis, Sandra de Sá... Por isso é uma grande honra sermos homenageados. A gente fica esperando esse evento durante o ano inteiro e, quando nos encontramos na estrada, sempre comentamos sobre a Festa e a expectativa para a próxima edição”, revela Marcelinho TDP. O troféu foi recebido das mãos de um amigo do grupo, o cantor Dodô, do grupo Pixote.

Leiz, vocalista

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Era com canções antigas acompanhadas de coreografias que eles sacudiam as noites de segunda-feira e as feijoadas de sábado do disputadíssimo Consulado da Cerveja, onde faziam as filas dobrarem quarteirões apenas para vê-los tocar. “Em 2000, fazíamos esse pagode de mesa em São Paulo, que era um sucesso! Foi quando conhecemos o Netinho de Paula e ele teve a ideia de transformar o pagode de mesa em CD e sugeriu que o nome fosse ‘Turma do Pagode’. Nós gostamos e aposentamos o antigo nome”, conta Thiagão.

Fotos divulgação

Sambaàpaulista

Amigos desde a infância, essa turma já embalou muitas rodas de samba com outro nome: Arte de Amar. “Nós todos crescemos na Zona Norte de São Paulo. Em 1994, formamos esse grupo e começamos a tocar na noite”, lembra Thiagão. Adolescentes na época, Leiz, Fabiano, Neni, Caramelo, Leandro, Rubinho, Thiagão e Marcelinho cresciam ao som de Arlindo Cruz e, tendo o sambista como uma de suas principais referências, pegaram a contramão do pagode romântico que as rádios costumavam tocar.

Arlindo Cruz é um dos convidados especiais do álbum comemorativo “Turma do Pagode XV”

Com Leo Santana e Sorriso Maroto Com Thiaguinho

Com Luciano Com Harmonia, Anitta e Ludmila

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Depois de ganhar as rádios nacionais com singles como “Já Virou Rotina”, “A Gente Já Não Rola” e “Greve de Amor”, o grupo emendou um projeto musical no outro e se consolidou ainda mais com sucessos como “Lancinho” e “Pente e Rala”. Em 2015, os oito amigos lançaram o álbum comemorativo “Turma do Pagode XV” – o nono da carreira –, que traz participações pra lá de especiais, como o padrinho Netinho, o ídolo Arlindo, o amigo Thiaguinho e a banda Aviões do Forró na faixa “Puxa, Agarra e Beija”. “Quando recebemos essa música, já estávamos com o repertório praticamente fechado e ela quase ficou de fora. Depois de algumas audições, achamos a cara deles [do Aviões do Forró] e fizemos o convite. Mal nos conhecíamos e não esperávamos que fosse rolar uma química tão rápida e tão boa como foi. Foi tão fácil que até parecia que já tínhamos gravado e feito outros trabalhos juntos”, diz Marcelinho. Se olhando de fora forró e pagode parecem não dar liga, para eles não há dúvidas de que a mistura é das boas. “O Brasil é um país miscigenado e a música brasileira também é. O samba é genuinamente brasileiro e o forró também. As pessoas às vezes se espantam, mas é normal misturar pagode com forró, pagode com sertanejo, pagode com funk, funk com sertanejo, rock com funk... A gente, por exemplo, toca Jota Quest no show em ritmo de pagode e é um dos momentos mais fortes do show. O Brasil é isso e tem que misturar, sim, mas sem deixar de lado suas características e sua identidade”, completa o músico. Com Preta Gil, Buchecha e Thiaguinho

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Fotos: Divulgação Netinho, o padrinho musical do grupo

Com MC Guimê Lucas Motta/Divulgação

Misturabrasileira

Ali, assim como em outras badaladas casas noturnas de São Paulo, foi que a turma conquistou seus primeiros fãs, que depois do primeiro CD, batizado “Turma do Pagode Ao Vivo”, ultrapassaram as fronteiras paulistas. “Hoje, temos fãs por todo o país e eles sempre querem se aproximar, tirar fotos, pedir autógrafos, conversar... Tem os que fazem tatuagens, nos seguem em vários shows. Nós sabemos a importância que eles têm no nosso trabalho e procuramos dar atenção total”, garante Marcelinho.

Aviões do Forró participa da faixa “Puxa, Agarra e Beija”, do novo trabalho


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João Mattos/FNM

Dirigindo emoções

Edson Erdmann assina produções artísticas, como o Natal Luz e Criança Esperança

Edson Erdmann e Lê Vargas, do grupo Tchê Guri

Edson Erdmann é uma marca nos grandes musicais. Assina direção executiva e artística do maior evento turístico do Rio Grande do Sul, o Natal Luz, que movimenta cerca de 2 milhões de turistas nos 20 dias de programação, em Gramado. Assumiu esta grande responsabilidade o ano passado, quando o evento natalino completava 30 anos de sucesso e buscava ser totalmente reformulado.

com Roberto Carlos e preparou a superaguardada festa dos 50 anos da emissora.

Começou coordenando os eventos gaúchos como Garota Verão, Galpão Crioulo, Planeta Atlântida e foi convidado para ir ao Rio de Janeiro desenvolver os projetos musicais da Rede Globo. Dirigiu o show sertanejo Amigos, o Criança Esperança, o Especial de final de ano

Com o compromisso de acertar sempre, o trabalho de Erdmann atravessou fronteiras. Fez o show do tenor espanhol José Carreras nas Missões, no Rio Grande do Sul, e o dueto do tenor italiano Luciano Pavarotti com Roberto Carlos, também em solo gaúcho.

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“Gosto de criar sentimentos únicos. Eu me obrigo a acertar sempre. Nós descobrimos como emocionar em grande escala. Naquele momento eles são teus. Eles precisam ser presenteados e eu preciso fazer com que eles nunca mais esqueçam dessa emoção.”


Fotos Arquivo pessoal

Além do currículo artístico invejável e do talento, Erdmann conta ainda, segundo ele, com uma parceria bem importante: o universo. “Tudo que eu quis fazer, eu fiz. A vontade que tu desejas de verdade e tu jogas pro universo, tu realizas. Eu queria muito fazer o Natal Luz e fiz. Queria a minha vida inteira fazer a Olimpíada. Fui chamado dois dias antes para fazer o acendimento da pira”, conta ele. Quando a parceria com o universo não parece suficiente, ele tem uma conversa séria com o céu e o papo tem surtido resultado. “Uma vez entrei numa capelinha e pedi pro Papai do Céu: ‘Meu velho, se tu achares que eu posso trabalhar pra ti, me chama. E em alguns dias me ligaram para fazer o flash mob do Papa.’ O evento foi em 2013, durante a Jornada Mundial da Juventude, que ocorreu no Rio de Janeiro, mobilizando com a vinda do Papa Francisco mais de 2 milhões de pessoas, e se tornou o maior fash mob do mundo.

Show Musical Anchieta, em 1976

João Mattos/FNM

E Edson cogitou não aceitar essa missão, que tanto desejou, pois estava passando por um momento pessoal complicado. O filho Erik, hoje com 5 anos, havia começado 15 dias antes o tratamento de um câncer. Mas estar perto do Papa lhe fez não desistir. “Eu saía dos ensaios e corria pro hospital. Quando me encontrei com o Papa eu disse pra ele. ‘Estou aqui pelos seus ideais. Eu tenho essa missão e não consegui desistir’. Contei pra ele o que eu estava passando e ele pediu uma foto do meu filho, colocou a mão em cima da foto e nós rezamos juntos. E ele disse: ‘Ele vai se curar’. Foi um momento muito especial. A vida é muito generosa comigo. Imagina, eu rezei com o Papa”, conta ele. Edson é casado com Valéria Chalegre e tem outra filha, Elena, de 8 anos.

Show Musical Anchieta 50 anos

Com a família Aragão

Com Marciano Com o Rei Roberto Carlos

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Na direção do Criança Esperança

Edson Erdmann com a esposa e os dois filhos

Os musicais começaram aos poucos na vida de Erdmann. A ideia inicial era ser músico e a música esteve sempre presente na sua vida. “A família da minha vó era de músicos, 17 irmãos. Todos músicos que tocavam no cinema mudo. Nasci ouvindo música na família da vovó. Tinham violino, piano, gaita, flauta transversa.” Incentivado pela sua tia Zeni, que era professora do Instituto Belas Artes, entrou para o Show Musical Anchieta com 6 anos de idade. “Em 13 anos de Anchieta eu aprendi a cantar, dançar e a tocar.” O grupo completou 50 anos em 2016 e Edson Erdmann dirigiu o espetáculo comemorativo às bodas de ouro. De lá pra cá, a música nunca mais saiu da vida dele. “Minha vontade era de ser músico e me tornei diretor de grandes musicais. É interessante, pois sempre começo a pensar os meus projetos pela trilha sonora”, analisa ele. E para ouvir música ele é eclético. “Escuto ópera, pop, rock, reggae, música tradicionalista gaúcha, música folclórica do Brasil inteiro, músicas sacras. Adoro música diferente de lugares remotos. A música fala muito de um lugar, da cultura, sobre as pessoas. A história da música é uma das coisas mais legais que tem.” Por toda essa história musical, Edson se tornou um dos homenageados da Festa Nacional da Música 2016. Ele recebeu o troféu das mãos de Lê Vargas, do grupo tradicionalista gaúcho Tchê Guri. “Ser homenageado na Festa Nacional da Música é uma honra! Estou encontrando colegas e amigos que a gente trabalha o tempo todo para que eles sejam homenageados, então, se estou aqui, sendo homenageado, tenho que agradecer a eles. Porto Alegre merece um evento desse porte e a Festa da Música é o único evento do país para os músicos.”

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Com Carlinhos Brown e Deny

Com Claudia Leitte Com a esposa Valéria Chalegre


João Mattos/FNM

O sucesso do sertanejo Depois da morte dos parceiros José Rico e João Mineiro, a dupla preparou um novo começo para alegria dos milhares de fãs

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em sempre a despedida é o fim. Às vezes pode significar o desafio de um novo começo. E foi assim que os ícones do sertanejo nacional encararam a tristeza de perder seus parceiros de longa jornada musical. E com projeto novo e muitos planos, foram homenageados na Festa Nacional da Música 2016. “Estou muito feliz de depois de tantos anos de carreira estar nesse lugar graças à música. Deus abençoe a Festa da Música”, emocionou-se Marciano. “Eu estava com muita saudade de Porto Alegre. E pela primeira vez estou participando da Festa da Música. Estarmos aqui hoje é obra de Deus e eu agradeço esse reconhecimento

principalmente a Ele”, completou Milionário. A homenagem, mais que merecida, premia a nova dupla, mas principalmente uma longa história de sucesso de Milionário & José Rico e João Mineiro & Marciano. Essas duas duplas foram muito marcantes, pois conseguiram manter o estilo musical e ainda conquistar o carinho e admiração de diversas pessoas. Além do gênero, foram eles que iniciaram um novo padrão de vestimenta entre os artistas sertanejos. Passaram a usar anéis, correntes e acessórios diferentes que marcaram uma época.

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Fotos: Arquivo pessoal

Juntos, representam uma trajetória que soma 47 milhões de cópias vendidas. Discos que foram lançados na época em que faziam parte das antigas duplas. Na vasta lista de grandes sucessos destes dois artistas estão canções como “Ainda Ontem Chorei de Saudade” e “Estrada da Vida”, hits populares que ultrapassaram gerações e integram a coletânea da nova dupla.

Juntos, Milionário & José Rico venderam 35 milhões de discos

João Mineiro faleceu em 2012 e José Rico, em 2015. O desconserto inicial com a perda dos grandes amigos se transformou no projeto “Lendas”, que une os dois ícones da música e compreende CD, DVD e turnê de shows que rememora os grandes sucessos para alegria dos milhares de fãs. “Voltar aos palcos é um desafio diário. Estou com a sensação de recomeço, ainda sinto aquele frio na barriga como há 45 anos”, descreve Milionário. “Reencontrar nossos fãs e dividir o palco com um ídolo é uma sensação indescritível. Me sinto jovem novamente”, complementa Marciano.

O incentivo para a união dos dois cantores veio das novas duplas, que têm os sertanejos como grande exemplo e não se conformaram com o final deste trabalho tão importante e que abriu as portas do cancioneiro popular para os novos ícones. “A ideia veio do Sorocaba [da dupla Fernando & Sorocaba] e do Marquinhos [da dupla Marcus & Belutti]. A gente não havia mais se encontrado, moram longe. Eles marcaram o nosso encontro. A gente conversou e um mês e pouco depois que a gente havia conversado a nova dupla foi formada”, conta Marciano.

“Estrada da Vida” está entre os sucessos da dupla

Milionário & José Rico ficaram juntos por 44 anos

Romeu Januário de Matos, o Milionário José Marciano Compositor de talento, Marciano é autor de hits como “Fio de Cabelo” e “Crises de Amor”

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João Mineiro & Marciano foram um dos precursores do sertanejo romântico


Os artistas venderam mais de 12 milhões de cópias, sendo 10 discos de ouro, cinco de platina e dois de platina duplo. Realizaram shows por todo o país, além de turnê internacional nos Estados Unidos. Em 1993, Marciano resolveu seguir carreira solo, na qual permaneceu por mais de 20 anos viajando o mundo inteiro com seus sucessos.

João Mattos/FNM

Projeto Lendas

Com criação e direção artística de Marcos Frota, o cenário do show foi inspirado no circo, local onde Milionário & Marciano começaram a cantar há mais de 45 anos.

José Marciano nasceu em 1951 na cidade de Bauru, interior de São Paulo. Começou a carreira musical ainda criança cantando com o seu pai e hoje já são quase 50 anos de carreira. Dono de uma voz inconfundível, ficou conhecido como “O Inimitável” por conta de sua parceria com João Mineiro. A dupla João Mineiro & Marciano foi, junto com Milionário & José Rico, uma das precursoras do sertanejo romântico. Além disso, Marciano é reconhecido por ser um compositor de muito talento. Sucessos como “Fio de Cabelo”, “Crises de Amor” e “Paredes Azuis” são de sua autoria.

Marciano

Com ingressos esgotados, Milionário & Marciano gravaram em setembro de 2015 o DVD do projeto Lendas, idealizado por Fernando & Sorocaba, no Citibank Hall, em São Paulo. Com produção de Fernando Zor, o repertório contou com 16 canções intercalando sucessos das duplas Milionário & José Rico e João Mineiro & Marciano e uma canção inédita intitulada “Localizador”.

O CD e o DVD foram lançados em abril de 2016. Desde então, já conquistaram um lugar entre os cinco artistas que mais venderam discos no em 2016 e estão percorrendo o Brasil com um espetáculo que alia música e arte circense.

Foram 44 anos de parceria com José Rico e mais de 35 milhões de exemplares em 29 discos. O mais famoso sucesso e que deu nome ao LP “Estrada da Vida” chegou a vender mais de dois milhões de cópias e rendeu até um filme e turnê internacional na China, em 1985. Eles sempre lotavam os shows e chegaram a tocar para um público de 180 mil pessoas.

No encontro de gerações, João Bosco & Vinícius entregaram o troféu para Milionário & Marciano divulgação

Milionário

Romeu Januário de Matos nasceu em 1940 em Monte Santo de Minas, Minas Gerais. Sua mãe tinha uma escola musical e foi ali que ele aprendeu a cantar. Cantor desde criança, teve diversas duplas antes de conhecer José Rico, em 1973, em São Paulo. Surgiu então “Os Gargantas de Ouro”, dupla que se consagrou com o sertanejo romântico.

União dos dois ícones da música resultou no projeto Lendas

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João Mattos/FNM

Lerina sem sintetizadores Jornalista cultural foi homenageado na Festa Nacional da Música

Parceiros de caminhada, Serginho Moah entregou o troféu ao amigo Roger Lerina

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ara os artistas consagrados, um panteão a ser alcançado. Para os jovens músicos, um atestado de relevância. Para os leitores, um guia para os caminhos da cultura atual. Cada centímetro da Contracapa do Segundo Caderno, de “Zero Hora”, é precioso. Uma das razões é porque ela é assinada, há 17 anos, pelo jornalista Roger Lerina. Prestes a chegar à maioridade, a coluna e seu editor receberam o troféu da 12ª Festa Nacional da Música por sua

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contribuição para o cenário musical do Rio Grande do Sul. Através de Lerina, todos os jornalistas culturais e promotores das culturas gaúcha e brasileira foram homenageados. Quem fez questão de ressaltar este critério na escolha foi o próprio jornalista: “Este prêmio é um reconhecimento aos profissionais de imprensa que, de alguma maneira, se sentem participantes dessa Festa da Música”, destacou, horas antes da cerimônia, e repetiu o discurso no palco.


Fotos Arquivo Pessoal

Com Tulipa Ruiz

Com o Guri de Uruguaiana na Festa da Música 2015

Com Paula Toller

Ele aproveitou o momento para relembrar a juventude, nos anos 1980, quando acompanhava os primórdios do evento, ainda chamado de Festa do Disco e celebrado em Canela, na Serra gaúcha. “Era um garoto ainda, nem pensava em ser jornalista”, recorda. “Eu via nos jornais e na televisão, e me admirava como aquele sujeito, Fernando Vieira, conseguia reunir a nata da música brasileira, os grandes executivos das gravadoras, os grandes produtores do país, e a imprensa nacional de TV, rádio e jornal. Depois, quando comecei a trabalhar na área, especialmente quando comecei a cobrir o evento, entendi mais claramente como isso acontecia. O Fernando e sua equipe supercompetente têm a sensibilidade de entender que a paixão pela música não é compartilhada apenas pelos músicos. Tem um monte de gente que não necessariamente toca ou canta – como eu, por exemplo, para a felicidade de vocês – que ama a música. São os produtores, aqueles que trabalham na divulgação das gravadoras, os que trabalham na arrecadação de direitos autorais, a imprensa. Entre o artista e o público, tem um monte de gente que faz com que essa comunicação torne-se mais fluida.”

parceiro de grande parte de sua caminhada: “O Roger não é simplesmente um homem da cultura”, disse. “Ele sempre carregou o piano da classe artística. Está sempre na luta conosco. A carreira desse cara é calcada pela justiça”, definiu.

Jackson Ciceri/FNM

Com Thunderbird

Roger Lerina subiu ao palco para receber o troféu das mãos de Serginho Moah, vocalista do Papas da Língua, banda que completou 22 anos em 2016. O músico exaltou a escolha e afirmou estar honrado em entregar o prêmio ao

As palavras emocionaram Lerina, que precisou se ambientar devido à troca de função. Quem, em outras ocasiões, foi para entrevistar os artistas e buscar informações exclusivas, nesta edição precisou mudar de lado e responder as perguntas dos colegas e admiradores. Não que estivesse incomodado com a posição. Mas agora era, ele mesmo, alvo de olhares e aplausos. “A Festa tem uma importância fundamental em tornar mais forte a ligação entre artistas, produtores, divulgadores, técnicos e imprensa”, avalia. “É o único evento no Brasil que consegue reunir essa gama variadíssima de artistas, dos mais variados gêneros e das mais variadas épocas, e promover esse encontro, que é geracional, que é de estilos, que é de visões de mundo. Eu já tive a oportunidade de juntar em uma mesma entrevista Yamandu Costa e Tico Santa Cruz, dois músicos de universos completamente diferentes, mas que estão ali com o mesmo intuito. Às vezes parcerias nascem ali, e testemunhar isso é absolutamente gratificante para quem ama a música”, confessa o jornalista.

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Fotos: Arquivo Pessoal

Rosa Marcondes

Jackson Ciceri/FNM

Com Lenine

Em ação na Festa da Música 2014

Com os amigos Daniel Torres e Oswaldir

Além de repórter cultural ligado à música, Roger Lerina é crítico de cinema. Pela Artes & Ofícios Editora, editou, entre outros títulos, a coletânea “Cinema – Um Zapping de Lumière a Tarantino” (1995), de Luiz Carlos Merten, do jornal O Estado de S. Paulo. Foi roteirista de quatro episódios da série de documentários para a televisão “Sul sem Fronteiras” (2000), sobre aspectos da cultura e da história gaúchas, produzida pela Zeppelin Produções e veiculada nacionalmente pela TVE, e corroteirista das atividades oficiais do 43º Festival de Cinema de Gramado, em 2015. Também é corroteirista da minissérie de documentários “Tá no Sangue – Os Fagundes”, veiculada pela RBS TV.

Na televisão, apresentou o “Programa do Roger”, na extinta TVCOM, entre dezembro de 2011 e junho de 2015. E no teatro, tem contribuições como a autoria do livro “Mauro Soares – A Luz no Protagonista” (2015), volume da coleção Gaúchos em Cena, publicada pelo festival de artes cênicas Porto Alegre Em Cena.

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Com Borghettinho


João Mattos/FNM

O trabalhador e o poeta Paralelo aos shows e gravações, Frejat realiza intenso trabalho na defesa dos diretos autorais

Ivan Lins e Frejat na defesa do direito dos autores

N

em todos sabiam de sua presença, porém, quando Frejat desceu do elevador, na primeira noite de evento (17), e atravessou o hall principal do Hotel Plaza São Rafael, uma certeza se consolidou no ar: a 12ª Festa Nacional da Música estava acontecendo. Ele havia retornado depois de 33 anos desde sua última participação. Foi difícil controlar o assédio, embora, ressalte-se, ele

não tenha se negado a atender fãs e amigos. Participou de uma transmissão ao vivo da Rádio Atlântida no saguão do hotel, atravessou a Avenida Alberto Bins posando para os fotógrafos e respondeu a uma entrevista no caminho de acesso ao Centro de Eventos, onde aconteceria a cerimônia. Seu troféu seria o último a ser entregue, conforme a programação, mas ele fazia questão de prestigiar todos os colegas desde o início. Porque Roberto Frejat não era apenas um dos homenageados. Sua presença legitima tudo que está no escopo da Festa. FNM|97


uma obra, como termos um retorno financeiro para isso.” Este viés foi o mais ressaltado por Ivan Lins, que entregou o prêmio ao amigo. Em discurso, o compositor destacou, emocionado, o trabalho não do ídolo da geração do rock nacional dos anos 1980, mas, principalmente, do batalhador diário dos direitos à geração atual: “Este homem aqui trabalha em prol de todos, principalmente em relação aos nossos direitos autorais no meio digital”, frisou. “Com as regras que foram criadas lá fora, se não forem mudadas, os autores brasileiros estão condenados ao extermínio. Foram para o final da fila. Vocês, produtores da matéria-prima, têm

STF/divulgação

Em audiência pública no STF para debater sobre direitos autorais, em 2014

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Reprodução

Divulgação

Como o cantor, compositor e guitarrista do Barão Vermelho, que há 35 anos iniciou a carreira na música, era a convicção de uma apresentação memorável no palco. Como ativista do meio artístico, era o chamariz para as discussões sobre direitos autorais e novos mercados que ocorriam nos estandes, discussão que lhe é muito cara: “Não é um trabalho. É uma obrigação que todos nós temos que ter no sentido de aprimorar as relações profissionais”, diz, referindo-se à classe artística. “Quem faz música, cria conteúdo. É muito importante que a gente tenha consciência de que criamos uma obra e isso tem que ser valorizado, tanto no sentido de as pessoas reconhecerem que é

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Com Cazuza

Antiga formação do Barão Vermelho

Frejat na Comissão de Cultura para tratar da isenção de imposto para instrumentos musicais

que estar no início. Por isso, estou entregando este prêmio a um grande pensador, que não pensa apenas em sua música, mas pensa em todos vocês”, destacou Ivan Lins. Frejat agradeceu aos produtores e ex-companheiros de banda, e colocou um asterisco na fala do companheiro de batalhas: “O digital é o futuro e ele está nas nossas mãos. Estamos mudando de formato e esse formato não está pronto. Está na hora de botarmos a mão, porque, se a gente não puser a mão agora, não vamos conseguir tão cedo. Fiquem atentos”, alertou.


As articulações de bastidores, no entanto, são apenas uma faceta do artista. As mensagens de Frejat são muito mais fortes na música. Na primeira noite, tocou versões acústicas da sua “Amor pra Recomeçar” e de “Pro Dia Nascer Feliz”, da época do Barão Vermelho. Na segunda, participou do debate “O futuro da execução pública no ambiente digital”, no Espaço Ecad, e subiu ao palco para dividi-lo com os ídolos Flávio Venturini, Sá e 14-Bis. “Dá muito orgulho participar de uma Festa da Música, e não estar disputando quem foi melhor disso ou daquilo. Me agrada muito esse formato, em que você é homenageado porque faz música e as pessoas reconhecem isso”, assinalou Frejat.

O que ainda falta fazer? “Muita música”, responde. Mas dá indícios do convite que aceitaria: “Gostaria de fazer mais trilha sonora de filmes. É um mundo que me agrada”, completa, sorrindo. Frejat segue fazendo turnês em dois modelos: com banda completa e apenas voz e violão. Disponibilizou online uma coletânea com 15 canções, duas delas totalmente inéditas: “Na Sala de Espera do Paraíso”, parceria com Leoni, e “Você Vem”, em conjunto com Chacal. Ainda bem que não apenas o poeta, mas também o trabalhador da música, está vivo. Impulsionando a grande roda da história e mudando o mundo com seus moinhos de vento.

Divulgação

Fotos Reprodução

Há algum tempo, ele afirmou que não pensa em lançar álbuns em formatos físicos. A exceção seria alguma edição especial prensada em vinil ou com algum projeto gráfico específico: “Não sou um cara que faça discos conceituais”, aponta. Isso não significa que esteja satisfeito com as plataformas digitais e que todos os

seus problemas estejam corrigidos: “Elas [ferramentas digitais], como modelo de consumo de música, são muito interessantes. Mas não um bom modelo de negócio. Porque o músico está sendo muito mal remunerado”, sentencia.

Victor Nomoto/divulgação

Barão Vermelho com Guto Goffi, Rodrigo Santos, Roberto Frejat, Peninha (falecido em setembro de 2016) e Fernando Magalhães

Em show da turnê “A Tal Felicidade”, de 2011

Lenine, Frejat e Leoni: show em São Paulo contra o fim do MinC

Cantor no Rock in Rio 2013

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João Mattos/FNM

Conquistando o Brasil Levar música de qualidade à casa das pessoas é a meta da Casio, empresa homenageada na Festa Nacional da Música Prêmio foi entregue à Casio pelo cantor Bruno, do grupo Sorriso Maroto

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oi das mãos do vocalista do grupo Sorriso Maroto, Bruno Cardoso, que o gerente nacional de Vendas & Marketing da Casio Brasil, Flávio Desenzi, recebeu o troféu da Festa Nacional da Música. ”É um privilégio duplo receber o prêmio das mãos de Bruno e, como gerente de marketing, ver reconhecido o trabalho que está sendo feito pela empresa”, registrou o executivo.

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A homenagem reservada à empresa, que opera diretamente no Brasil desde 2012, após 30 anos de atividade através de um distribuidor, revela a importância de seus produtos para o meio artístico. “É um privilégio para nós levar mais música para a casa das pessoas”, destacou Desenzi.


Fotos reprodução

Sede da Casio no Japão

Sede da Casio no Brasil

Jackson Ciceri/FNM

João Mattos/FNM

Tadao Kashio, fundador da Casio

Vermelho, da banda 14 Bis, aprovou o som de piano e também o “peso” das teclas do PX-5S da Casio

Jackson Ciceri/FNM

Jackson Ciceri/FNM

João Roberto Kelly e suas marchinhas no Celviano da Casio

Diversão de Alexandre Pio e Gustavo Victorino no piano e no teclado da marca

Atualmente, os pianos e teclados da marca se transformaram em objetos de desejo de profissionais de todos os estilos musicais. Celviano, a sua nova linha de pianos híbridos, tem se destacado por combinar as vantagens dos pianos digitais e acústicos oferecendo ao mesmo tempo o desempenho de um piano de cauda em relação ao tom, qualidade do teclado e conforto ao tocar.

No palco principal, Vinicius D’Black e o som de um Celviano

E seus teclados são uma referência em qualidade para músicos de diferentes estilos e de todas as épocas. É o caso de Vermelho, da banda 14 Bis, um dos grupos que representa o movimento Clube da Esquina.

“Estou encantado não só com o som de piano, mas também com o ‘peso’ das teclas do PX-5S da Casio, que nos traz um teclado inovador, que mantém a tradição do som deste instrumento tão universal e atemporal, com o que mais moderno existe em termos de sons de synth, layers, extensa polifonia, controles real time, interfaces MIDI USB, pen drive etc. Tudo com preço acessível e apenas 11 quilos de peso”, elogiou o músico.

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Fotos reprodução João Mattos/FNM

Artístas Casio

Sérgio Brito

Luiz Schiavon

DJ Negralha

Flávio Desenzi é gerente nacional de Vendas & Marketing da Casio Brasil

João Fera

Cleberson Horsth

Entre os sintetizadores, a empresa dispõe dos modelos XW-G1 e XW-P1, com tecnologia de ponta desenvolvida para impressionar os ouvidos dos amantes da música na sua mais perfeita riqueza sonora. São sintetizadores equipados com seis osciladores e efeito looper, com reprodutor de sampler e modo HexLayer, além do recurso de órgão com controles do tipo drawbar. Um sonho para os amantes dos clássicos.

A Casio é uma multinacional japonesa, criada em 1946 por Tadao Kashio, um engenheiro especializado em produção tecnológica. Atualmente, a companhia fatura mais de 2 bilhões de reais em todo o mundo com a produção de seus inúmeros artigos de alto padrão de qualidade.

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História

Ricardo Feghali

No Brasil, comercializa de projetores multimídia a relógios, além das calculadoras, um produto que foi lançado pela empresa, que é detentora de uma série de marcas patenteadas. Além disso, a Casio se transformou em uma referência no universo artístico quando o assunto são instrumentos musicais.

A empresa também tem papel importante na evolução da produção musical do País, uma das mais ricas de todo o planeta.


O O M M O O C C M M I I S S ASA S S A A T T S S I I T T R R A A S S OO

Billy Billy Forghieri Forghieri

BLITZ BLITZ

XW-G1 XW-G1

SURPREENDA-SE SURPREENDA-SECOM COMCASIO CASIO Cleberson Cleberson Horsth Horsth

Ricardo Ricardo Feghali Feghali

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XW-P1 XW-P1

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João Mattos/FNM

Balanço, suingue e sensibilidade Com mais de dez anos de carreira, Paula Lima é voz marcante na música brasileira Paula Lima e Péricles

D

ona de uma voz aveludada e extensiva, Paula Lima tempera o samba, o jazz, a bossa nova e o funk com balanço, suingue e sensibilidade – sua assinatura em cada interpretação. Totalmente sintonizada à Festa Nacional da Música, onde esteve em outras edições, a cantora voltou ao evento em 2016 como homenageada. “A Festa é um encontro maravilhoso sobre e para a música! São artistas e músicos de todo o Brasil, de diferentes estilos, que se reencontram, se conhecem e se identificam. Existe respeito, sensibilidade e carinho! Criam-se laços!”, garante a paulista, que recebeu a homenagem das mãos de Péricles.

Participante da Festa da Música no ano passado, Paula Lima derrete-se com as lembranças. “Tive o prazer, a sorte de reencontrar amigos como Ana Carolina, Péricles, Jorge Vercillo e Fafá de Belém. Ouvir do Ivan Lins e do maestro João Carlos Martins que eles adoravam meu trabalho. Conhecer novos parceiros, como Diego Figueiredo, Mazeron e Leo Gandelman. Ouvir coisas lindas de Andre Midani ao lado da querida Marina Lima. Algo único no Brasil e talvez no mundo. Um projeto de união em prol da música, inteligente, ousado e apaixonante! Um presente para a música brasileira.”

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“Já com a música na minha vida desde sempre, conheci as pessoas da banda Unidade Móvel. Quando cheguei ao estúdio, ouvi os músicos, depois fui para o palco, não tive dúvida. A verdadeira paixão se revelou. Aconteceu a magia da vida”, lembra Paula, que durante a graduação trabalhou no Tribunal de Justiça enquanto cantava paralelamente. “Quando já me apresentava com o ‘Funk Como Le Gusta’, que foi um sucesso em São Paulo, percebi que poderia viver de música. Depois disso lancei seis trabalhos solo e aqui estou, com os batimentos acelerados, fazendo música apaixonadamente.”

Rosa Marcondes

Movida à música desde o berço, Paula não enxergava, até certa idade, sua musicalidade como profissão. “Aos 3 anos, eu acordava cantando. Dos 7 aos 17, estudei piano erudito e me formei. Cantei nos festivais do colégio. Gostava de criação e estudei Publicidade por um ano na FAAP [Faculadde de Comunicação e Marketing]. Era muito apaixonada também por Direito e Justiça. Me formei em direito na Mackenzie”, conta ela, que no terceiro ano de faculdade despertou para sua maior vocação.

Momento selfie com Marcos & Belutti e Frejat

Com o cantor Afrika Bambaataa

Com Seu Jorge

Negra Li, Pathy Tresemmé e Thaíde

Fotos: reprodução

Com Milton Nascimento

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Com Zeca Lima, Lucilene Caetano e Moacyr Franco Com o maestro João Carlos Martins


Com o projeto de um EP a todo vapor, a cantora lançou duas canções: “Fiu Fiu” e “Mil Estrelas”. A primeira, que integra a trilha de “Malhação” como tema da personagem de Deborah Secco, na TV Globo, aborda o assédio sofrido pelas mulheres e marca seu reencontro ao balanço soul. Já a segunda revela o lado romântico de Paula. “‘Fiu Fiu’ é uma composição de Pretinho da Serrinha, Gabriel Moura e Leandro Fab, feita sob medida pra mim, e ‘Mil Estrelas’ é meu mais recente single, escrito por Ivo Mozart e Zeider Pires com produção do Kassin. A receptividade tem sido surpreendente”, conta Paula.

Com o projeto de um EP a todo vapor, a cantora lançou duas canções: “Fiu Fiu” e "Mil Estrelas"

Ela adianta os planos de gravar um possível DVD nos próximos meses. “Estou sempre respirando música e revisitando quem me inspirou, pesquisando o que há de novo, buscando compositores e coisas que mexam com a minha sensibilidade e criatividade. Quando estou na estrada com shows, estou sempre criando, afinal, o som não pode parar. E esse é meu ofício, minha missão.”

Batina Carcuchinski/FNM

Com os ouvidos sempre grudados nas canções de seus ídolos musicais, a sambista com um quê de bossa e levada black acabou, no decorrer do caminho, dividindo microfone, palcos e estúdios justamente com quem sempre admirou. “Jorge Ben é a minha maior influência e foi marcante o nosso primeiro encontro. Gravei música inédita, feita especialmente para mim depois disso, e inúmeros shows aconteceram. Vivi um sonho. Seu Jorge, da minha geração, também foi outra feliz parceria. Com sintonia, química, shows, trilhas e composições”, comemora a cantora, que também cita o produtor Bid, Thaíde e DJ Hum como nomes importantes em sua trajetória carregada de inspirações. “Adoraria ter feito parceria com Tom Jobim. Gostaria ainda de cantar numa produção do Quincy Jones e do Drake. Também adoraria ver Ella Fitzgerald ao vivo”, diz, aos risos.

Sérgio Reis e a esposa, Ângela Marcia, e Paula Lima e o marido, Ronaldo Bomfim

Com Jorge Ben Jor

Com Wilson Simoninha e Diogo Nogueira Com Marcelo D2

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João Mattos/FNM

A dança como performance na vida Bailarino e coreógrafo, Carlinhos de Jesus foi homenageado em Porto Alegre Carnavalesco Milton Cunha entregou o troféu a Carlinhos de Jesus

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om uma naturalidade tal qual respirar, Carlinhos de Jesus incorpora a dança à vida como se viver fosse, de fato, o mesmo que dançar. Explorando sua arte maior da maneira mais híbrida, o coreógrafo transita pelas mais diferentes funcionalidades da dança, enquanto a mesma, volta e meia, confunde-se lindamente com outras artes, como a música.

108|FNM

“A música é fundamental na minha vida; fonte de inspiração e criação”, diz o mestre da dança de salão, que, por transbordar musicalidade a cada passo riscado por bailarinos em suas criações, foi homenageado na 12ª edição da Festa Nacional da Música, onde esteve pela primeira vez em 2015. “Fiquei emocionado. Isto representa o reconhecimento e valorização do meu trabalho em prol da cultura popular brasileira. É um momento ímpar. Estou muito agradecido e lisonjeado”, agradece.


Sua relação com o carnaval também vem de muito cedo. Aos 8 anos já frequentava a escola de samba do bairro onde morava e, aos 10, desfilava como passista. “Me defino como um profissional do carnaval. O que preciso é de diálogo, parceria e respeito para que este trabalho seja bem desenvolvido e possamos criar um grande espetáculo. O clima é intenso, mas não pode ser tenso”, reflete Carlinhos.

Jackson Ciceri/FNM Na Festa da Música, em 2015

Ele dedica pelo menos seis meses de cada ano para a criação de novas montagens para os desfiles do Rio. “Os trabalhos coreográficos iniciam com a escolha do enredo. Neste primeiro momento o trabalho é de pesquisa, sonho, ‘piração’. Os ensaios iniciam com a definição do samba-enredo e neste segundo momento tentamos viabilizar a coreografia.”

Carlinhos de Jesus como mestre-sala da São Clemente, no carnaval de 1993 Fotos Arquivo pessoal

Carnaval

A intimidade com que trata cada detalhe das coreografias parece ter nascido com ele, que, aos 4 anos, já chamava a atenção pelas performances nas festas dançantes, muito comuns no subúrbio do Rio de Janeiro. “Cresci, me dediquei e tive muitos trabalhos que foram sucesso. Um deles, ao qual devo muito, é o trabalho desenvolvido com Elba Ramalho, que naquele período fazia em média 22 shows por mês. E eu estava em todos eles”, conta o carioca, que dançou com a cantora de 1988 a 1994 por todo o Brasil e pelo mundo. “Esta foi uma parceria determinante para minha projeção artística. Posso dizer que o meu domínio de palco, conhecimento de iluminação, disciplina e profissionalismo veio deste trabalho. Elba é muito correta e extremamente generosa. Foi uma grande escola e vitrine para mim.”

Na quadra da Mangueira

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Jackson Ciceri/FNM Carlinhos de Jesus e Elba Ramalho

Cena do filme “Ópera do Malandro”

À frente de uma companhia de dança que leva seu o nome, duas casas de dança – uma no Rio e outra em São Paulo –, o Lapa 40 Graus Sinuca & Gafieira e o quadro “Camarote do Samba” no programa de rádio Samba Social Clube, Carlinhos acumula funções em uma agenda lotada. “Minha rotina é pesada e ajuda a manter o corpo”, diz ele, aos risos.

“Acordo cedo, faço ginástica diariamente, minha alimentação é balanceada e a partir das 11 horas já estou pronto para o trabalho, que inclui reuniões, ensaios, gravações.” Entre as atividades de empresário, coreógrafo, preparador corporal, diretor geral e artístico, Carlinhos ainda abre espaço para trabalhos intensos em grandes eventos, como a festa de abertura dos Jogos Olímpicos 2016, da qual foi um dos coreógrafos.

“A música é fundamental na minha vida; fonte de inspiração e criação”, diz Carlinhos de Jesus

À frente do Lapa 40 graus Sinuca & Gafieira Na minissérie Chiquinha Gonzaga Com Marília Pêra, no espetáculo “A Estrela Dalva”, em 1987, no Teatro João Caetano, no Rio Com o ator norte-americano e ex-governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger

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Com Carlinhos, produtor da Festa da Música

Com Thiaguinho Com a bailarina Ana Botafogo

Com a Cia Corpo em Movimento Com Sérgio Loroza e Mariane de Castro

Formado em Pedagogia, Carlinhos criou uma metodologia especial para o ensino da dança de Salão, abrangendo aulas para deficientes. “Minhas aulas são bastante simples. Uso movimentos do dia a dia e toda a minha didática é baseada nas técnicas aprendidas na faculdade de Pedagogia”, revela o coreógrafo, que é pioneiro no ensino de dança de salão para paraplégicos e pessoas com Síndrome de Down. Com a dança como instrumento, Carlinhos realiza diversos trabalhos sociais, como a inclusão de adolescentes de comunidades de risco no Rio de Janeiro. “Muitos desses garotos já fizeram e fazem parte da Cia de Dança Carlinhos de Jesus e viajaram por todo país e pelo mundo dançando. Através da dança, vimos a disciplina e a autoestima deles aumentarem e a sua aceitação pela sociedade se tornar uma realidade”, analisa o bailarino. “Sem dúvida, a dança, por ser uma atividade social que pode ser praticada por qualquer pessoa dos 8 aos 80 anos, aproxima a todos, independentemente da classe social, credo e raça.”

Com Zeca Pagodinho Com Roberto Carlos

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O Zezé, a Maria e a Mulata

Ao longo de cinco décadas, João Roberto Kelly eternizou histórias comuns em clássicos do carnaval

João Roberto Kelly recebeu o troféu da superintendente do Ecad, Glória Braga, e do diretor geral da Abramus, Roberto Corrêa de Mello

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arioca da Gamboa, João Roberto Kelly é o último compositor de marchinhas clássicas ainda em atividade. Criador de canções que já embalaram 53 carnavais, ele foi homenageado na 12ª edição da Festa Nacional da Música, em Porto Alegre. “Esta Festa é uma homenagem que a gente comemora com o coração. Trata-se de um momento importante para a Música Popular Brasileira, um momento da mais alta relevância para a cultura do nosso país”, diz ao receber o troféu da superintendente do Ecad, Glória Braga, e do diretor geral da Abramus, Roberto Corrêa de Mello, e ser aplaudido de pé. De um tempo em que a matéria-prima para compor 112|FNM

era feita de assuntos hoje considerados intocáveis por, de alguma maneira, agredirem esse ou aquele grupo da sociedade, Kelly não poupou piadas ao criar clássicos para as folias. “Me inspiro no cotidiano, no dia a dia das pessoas, em suas curiosidades e seus modismos. Esta tendência do politicamente correto é ridícula em se tratando de marchinha de carnaval, onde a sátira é o ponto forte”, defende o compositor, que assina hinos carnavalescos como “Maria Sapatão”, “Bota a Camisinha” e “Joga a Chave, Meu Amor”. Ainda com humor, talento e sátira afiados, Kelly apresentou sua nova marchinha: “Ele Não Sabia de Nada”. A música, uma provocação ao expresidente Lula, arrancou aplausos e risadas do público.


Fotos Arquivo pessoal

Suas letras enraizaram-se tanto na memória popular que não há quem não associe o carnaval às suas marchinhas. A primeira foi “Cabeleira do Zezé”, que fez um estrondo em 1964 e até hoje é uma das mais tocadas em bailes de clubes. “Na ‘Cabeleira do Zezé’, eu retratei, na figura de um garçom da noite dos anos 1960, que se trajava imitando os Beatles, a onda jovem que surgia no mundo inteiro”, revela

o letrista. Em seguida veio “Mulata Bossa Nova”, ou “Mulata Iê-Iê-Iê”, que ele mesmo destaca em seu repertório. “’A Mulata Bossa Nova’ foi feita inspirada numa linda Miss Brasil mulata que fazia um desfile incrementado, mais puxado para as discotecas jovens do que para uma escola de samba.”

Obra eternizada

João Roberto Kelly, em 1965

Curiosidades como essas não vão ficar somente nas lembranças do autor, que conta detalhes sobre as origens de suas músicas no curtametragem e no livro “Cabeleira do Zezé e Outras Histórias”. “Primeiro foi o curta, com roteiro e direção de André Weller. No filme, eu conto um pouco de minha vida, toco piano e recebo amigos como Elza Soares e Grande Otelo. O curta inspirou o livro, escrito por mim e pelo mesmo André Weller”, explica o carioca. “No livro, eu conto a minha história na televisão, dos programas que musiquei – Times Square, Praça Onze, etc –, relembro a história de todas as minhas marchinhas e ainda falo de passagens interessantes da minha vida artística e amorosa.”

Para eternizar sua arte, Kelly lançou um livro e um curta-metragem

Artista é autor de sucessos como “Cabeleira do Zezé", "Mulata Bossa Nova” e “Maria Sapatão”

Com Clementina de Jesus no Programa João Roberto Kelly

Com Wilson das Neves Com Benício e Vilma da Portela no Programa Rio dá Samba

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João Mattos/FNM

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Kelly é recordista de execuções de música de carnaval, segundo o Ecad

Com Carlinhos de Jesus na Festa da Música 2016

Na sacada da vida, de onde observa com clareza um dos festejos mais populares do Brasil, Kelly se alegra em assistir à retomada do carnaval de rua – deixado de lado por muitos anos. “O carnaval de rua voltou espontaneamente sem nenhum incentivo oficial. Novas bandas e novos blocos foram surgindo, satisfazendo a vontade de um punhado de gente que queria brincar o carnaval sem regras e sem compromisso. Foi, antes de tudo, um movimento jovem, democrático. Sou muito convidado e ainda topo sair de vez em quando, apesar de já ter dobrado a casa dos 70”, brinca o compositor, aos 78 anos.

Kelly, que põe letra em música e música em letra com a mesma facilidade, tem espírito folião e trata cada uma de suas marchinhas como filhos – não tem preferência, não consegue escolher uma. Sobre a efemeridade das atuais composições do gênero, ele responde sem titubear: falta incentivo. “Fui jurado no Concurso de Marchinhas da Fundição Progresso no Rio de Janeiro e vi, com prazer, vários valores promissores. O que falta a eles é uma divulgação maior, mais consistente”, garante o mestre.

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Com a Orquestra Popular Céu na Terra

Com Fernando Vieira e Glória Braga

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João Mattos/FNM

Baile de Fronteira

Há mais de 50 anos Luiz Carlos Borges propaga o cancioneiro típico das barrancas do Rio Uruguai

Luiz Carlos Borges recebeu a homenagem de Nando Cordel

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om 54 anos de carreira e mais de 30 discos gravados, é impossível separar a música da história de Luiz Carlos Borges. Considerado um embaixador cultural do Rio Grande do Sul, o cantor, compositor e acordeonista foi homenageado na Festa Nacional da Música, onde já esteve em outras edições. “Quando recebi o convite das mãos do idealizador, o Fernando Vieira, comecei a lembrar de algumas coisas que vi, presenciei, babei – e nem me atrevi a dar canja –, numa noite em uma sala do Hotel Laje de Pedra, em Canela. Numa roda de música estavam Cenair Maicá, Jamelão, Jayme Caetano Braun, Ovelha, Rui Biriva, João de 116|FNM

Almeida Neto, e eu ali, pasmo, emocionado com o que via e ouvia. Inesquecível”, relembra ele. “Ser homenageado num evento cuja proposta é elevar o nível dessa arte, unir um pouco mais os comprometidos com ela e valorizar o sonho de cada um de nós, operários dessa digna profissão, é motivo suficiente para muita emoção, alegria e comprometimento com a cultura”, diz o autor de clássicos gauchescos como “Tropa de Osso”. E se a proposta é unir músicos e música, não importando a geografia, o trabalho já começou a ser feito na entrega da homenagem, quando Luiz Carlos Borges recebeu o troféu das mãos do compositor pernambucano Nando Cordel.


Fotos Arquivo pessoal Aos 9 anos talento de berço

Com Adelar e Honeide Bertussi

Com Dominguinhos

A trajetória musical de Luiz Carlos Borges iniciou ainda na infância, aos 9 anos, quando formou o grupo “Irmãos Borges” e gravou seus três primeiros álbuns. “Acho que a música sempre esteve comigo. Como se diz na campanha: ‘trouxe de berço’! Aos 3 anos de idade, já comecei a mostrar intimidade com ritmo, ao decorar enormes poesias e interpretálas no padrão dos declamadores da época. Logo comecei a cantar quadrinhas, sempre instruído pelas manas maiores, Izolete e Irenita”, conta o gaúcho de Santo Ângelo, que quando criança despertava de madrugada e corria até o velho rádio para ouvir música caipira

ao lado do pai. “Ali os primeiros chamamés começaram a povoar minha cabeça”, revela o compositor, um dos maiores propagadores do gênero.

ritmo chamamecero, que o faria enfrentar, sem medo, as restrições de alguns CTGs mais radicais anos mais tarde, desde 1960 até meados de 1980. “A verdade é que não sou o primeiro a tocar chamamé na querência gaúcha. Os gaiteiros da região costeira, das barrancas do rio Uruguai, por exemplo, tocavam com muita naturalidade porque sempre fez parte de sua cultura ribeirinha. Acontece que, para um menino que não havia nascido nessa zona de barranca, o chamamé não era comum, e sim uma coisa nova, estranha, misteriosa, a qual eu tive de ir buscando conhecer mais e aprender diretamente na sua origem”, diz o instrumentista.

Quando viajava para além da região missioneira com os irmãos, tocando em bailes por todo o Rio Grande e também outros estados do Brasil, público e imprensa notavam nele a habilidade para esse cancioneiro típico dos países vizinhos, como Argentina e Paraguai. Diziam “o gurizinho do conjunto Irmãos Borges toca bem aquelas músicas da fronteira, do outro lado do rio Uruguai”, enquanto Luiz Carlos se enveredava pelo

Com o grupo Irmãos Borges gravou seus três primeiros álbuns

Ensinando o filho Gregório

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Luiz Carlos, que, ao sair em uma viagem de carro, liga o som muito antes de dar a partida no motor, relembra as últimas cinco décadas com a certeza de que realizou seus sonhos mais desejados, e que não o fez sozinho. “Vários grandes momentos marcaram minha vida, como a persistência de meu pai com relação ao que ele queria fazer de mim quando se deu conta de que eu era músico por natureza. Ele, um homem simples, humilde, analfabeto e com poucos recursos, não mediu esforços para facilitar-me tudo aquilo que

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1- Com Sérgio Reis 2- Com Oswaldir & Carlos Magrão 3- Com Yamandu Costa 4- Com Samuca e Adelar Bertussi 5- Com Mercedes Sosa 6- Com Lenine 7- Com Daniel Torres 8- Com Neto Fagundes e Shana Müller 9- Com Humberto Gessinger

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Autor de mais de 600 canções, entre cantadas e instrumentais, Luiz Carlos Borges foi além da composição e interpretação, tornando-se uma referência em incentivo à cultura no Estado gaúcho. “Não consigo ficar mais que um ano sem inventar um novo projeto, mesmo que muitos deles sejam pequenos, mais acanhados,

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mas com certeza todos verdadeiros e bem intencionados”, diz o músico, que entre uma extensa lista de ações culturais criou o Projeto Musicanto Sul-Americano de Nativismo, em 1983. “Se tivesse que destacar um sonho que ainda desejo concretizar, seria o de ver o dia em que o país, como um todo, especialmente o eixo Rio-São Paulo, reconhecesse e desse o verdadeiro valor que a música regional gaúcha e seus intérpretes merecem”, diz o criador de obras como “Noites, Penas e Guitarra”, “Vidro dos Olhos”, “Baile de Fronteira”, “Cavalo Crioulo” e “Missioneira”.

imaginava ser útil ao iniciante de cinco anos”, afirma o cantor, que se formou em Música pela Universidade de Santa Maria, em 1980. “Aprendi muito: no palco e na faculdade”, garante ele.

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João Mattos/FNM

100% de talento Dupla Marcos & Belutti conquistou o título de “artistas mais tocados do Brasil” Compositor Michael Sullivan entregou o troféu para Marcos & Belutti

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sucesso pode ser traduzido em números, e os que revelam as conquistas de Leonardo Prado de Souza e Bruno Belucci Pereira, ou melhor, Marcos & Belutti, são expressivos. A dupla que iniciou sua caminhada em 2007, sob as bênçãos dos padrinhos Bruno & Marroni, e hoje tem seis CDs e quatro DVDs gravados, já vendeu mais de 300 mil cópias de seus álbuns. Soma também mais de 650 milhões de visualizações de vídeos na internet, um fenômeno nacional. O motivo: a união de grandes talentos com hits imbatíveis. Este sucesso foi celebrado na Festa Nacional da

Música 2016, evento no qual Marcos & Belutti foram homenageados. No discurso de agradecimento, eles atribuíram o sucesso a Deus e lembraram dos momentos difíceis que passaram antes da fama. “É uma honra estar mais uma vez na Festa Nacional da Música. Na primeira vez, éramos desconhecidos. Hoje, estamos voltando homenageados”, comemorou Belutti ao receber o troféu do compositor Michael Sullivan. “Agradecemos a Deus e a toda a galera do Rio Grande do Sul, que foi o primeiro Estado em que nossa música estourou”, contou Marcos, referindo-se ao megahit “Domingo de Manhã”.

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Fotos: Reprodução

Participação especial do cantor Marciano na gravação do DVD Acústico

Fernando & Sorocaba fizeram uma participação especial na faixa “Fica Comigo” do DVD “Acústico”

Com Munhoz & Mariano no programa “Legendários”

“Domingo de Manhã”, conforme dados do Spybat, foi durante cinco meses seguidos a música mais tocada do Brasil. “Aquele 1%”, com a participação do cantor Wesley Safadão, é uma das mais executadas desde o final de 2015, segundo a agência Crowley, que elegeu a dupla como “os artistas mais tocados de 2016”, com canções executadas 74.456 vezes, entre 1º de janeiro e 30 de junho do ano. “Romântico Anônimo”, lançada em fevereiro de 2016, foi a mais tocada no primeiro semestre de 2016. E a canção de trabalho, “Tão Feliz”, desde seu lançamento, em agosto de 2016, ficou entre as cinco mais pedidas nas rádios. “A música tem o poder de unir as pessoas. Ela envolve, motiva, alegra. Tem gente que se identifica com as letras, vemos muito disso”, refletem os artistas, que também podem creditar seu sucesso ao intenso trabalho. Eles atravessam o país realizando de 15 a 20 shows ao mês, acompanhados por uma equipe de 28 pessoas. É a força do ritmo sertanejo, que segundo a dupla é um gênero “sem preconceitos”. “A música sertaneja quebrou muitas barreiras. Nasceu no campo e hoje caiu no gosto popular. É um gênero sem preconceitos. Conseguimos unir o funk, o samba, o rock, tudo no sertanejo, mas sem perder sua essência. E quem ganha com isso é o público. A tendência é se manter como o ritmo mais escutado do País”, afirmam. Na 12ª Festa Nacional da Música, eles comemoraram o seu sucesso. “Essa foi a primeira edição que

Divulgação

Jackson Ciceri/FNM

Com Pe Antonio Maria e Sergio Reis na Festa da Música

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Betina Carcuchinski/FNM

estivemos presentes como dupla, e nós adoramos, queremos vir nas próximas. É uma junção de ritmos. Reencontramos amigos, fizemos novos, cantamos outros estilos. É um tempo que tiramos para nos divertir, mas continuamos respirando música”, garantem.

Carreira

Os dois subiram pela primeira vez no palco no dia 24 de março de 2008. O cenário foi a Villa Country, uma das maiores casas sertanejas do Brasil, na capital paulista. A estreia perante o grande público foi um sucesso e ficou registrada no primeiro DVD da dupla – “Ao Vivo em São Paulo”. Desde então, os sertanejos vêm trilhando um caminho de sucesso que os mantém no topo das paradas.

Simpatia com os fãs: dupla posou para fotos e distribuiu autógrafos

Marcos & Belutti são donos de hits como “Domingo de Manhã“ e “Aquele 1%” Fotos Jackson Ciceri/FNM

Marcos & Belutti possuem, separadamente, trajetórias musicais intensas. Marcos, que começou cantando em bailes e bares, se destacou no mercado fonográfico compondo sucessos para grandes nomes da música sertaneja. Já Belutti começou a cantar profissionalmente aos 11 anos. Cresceu cantando em bandas de bailes nas casas noturnas de São Paulo. Gravou diversos jingles e trilhas e lançou, em 2003, um CD independente

João Mattos/FNM

Marcos e a esposa, Lu Marchioto Uma selfie com Paula Lima e Eli Soares para registrar o momento

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João Mattos/FNM

O lado black music do gospel Ícone de seu estilo, Eli Soares é homenageado na Festa Nacional da Música Cantor recebeu o troféu do presidente da Universal Music, Paulo Lima

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“Acho que finalmente a música gospel alcançou o lugar que sempre mereceu estar. Tem qualidade como todos os outros segmentos e carrega uma história de muito sucesso”, afirma.

Mas o crescimento e abertura do estilo que revelou ele e tantos outros nomes são festejados por Eli Soares, que hoje tem mais visibilidade para mostrar o seu trabalho e fazer o que mais gosta: divulgar a palavra de Deus.

Atualmente, a música Gospel ocupa o terceiro lugar no mercado fonográfico, atrás apenas do Sertanejo (1º) e da MPB (2º). “A música gospel é, hoje, uma das principais armas usadas no Reino de Deus, entra onde um paletó e uma gravata não entrariam. Muitas pessoas têm resistência ao entrar em uma Igreja e assim nunca ouviriam a mensagem da cruz. Em casos assim, a música evangélica no carro, no celular, em casa, na TV, entra como um canal de Deus direto ao coração dessas pessoas”, diz.

le é a simpatia em pessoa. E esse jeito de menino carismático, que para muitos pode ser considerado um diferencial positivo, para Eli Soares, ícone do Gospel nacional, atrapalha um pouco. “Sou de uma época em que a Igreja era muito fechada. Eu, com esse meu jeito, sorrisão no rosto, tinha o cabelo maior e a minha música já tinha suingue, cantava e tocava black music, soul... E os cantores gospel conhecidos não tinham nada em comum comigo”, relembra ele.

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João Mattos/

“Esta homenagem é fruto de muito trabalho e de muitas lágrimas”, diz Eli Soares Fotos divulgação

Em 2014, cantor passou a fazer parte do casting da Universal Music

Betina Carcuchinski/FNM

Hoje com 24 anos, Eli Soares começou a cantar ainda criança no coral da Igreja

Esta é a terceira participação de Eli Soares na Festa da Música

Esta é a terceira vez que ele participa da Festa Nacional da Música e considera o evento importante para o mercado fonográfico. “A Festa da Música valoriza todos os estilos. O evento construiu pontes ao invés de muros, e esse é o grande diferencial. A música é um presente que Deus mandou do céu e ela não está dentro de uma caixinha. Deus está na música, independentemente do ritmo.” Este ano, Eli Soares participou do evento de uma maneira especial, como um dos homenageados. “Foi uma surpresa muita linda! Estar no meio de tanta gente boa é uma alegria que não cabe no peito. É um privilégio e uma responsabilidade muito grande, levar o nome Daquele

CD e DVD “Luz do Mundo” traz, em sua maioria, músicas autorais

que me chamou, que é Deus. Não esperava este presente, que para mim significa muito, pois não foi fácil chegar até aqui, mas hoje vejo que valeu a pena acreditar e não desistir. Esta homenagem é fruto de muito trabalho e de muitas lágrimas. Não tenho muito a dizer, somente agradecer a Deus e a todos que acreditaram em mim”, completa. Eli Soares, 24 anos, começou ainda criança em Belo Horizonte (MG). Filho de uma família cristã, começou a cantar na igreja e depois em pequenos shows pela cidade. No início, para garantir plateia, convidava a família, que sempre o prestigiava. “Nós morávamos em um terreno grande com quatro casas. Tinha minhas irmãs, meus avós, tias, primas, ao todo umas 15

pessoas, e todo mundo ia a tudo. Os primeiros eventos lotavam só com os mais chegados”, diverte-se ele. E a primeira grande oportunidade veio a partir dessas apresentações. Em 2009, participou do “Festsêmani”, festival de música Gospel realizado pela Igreja Batista Getsêmani, e conquistou jurados e público. No mesmo ano venceu o “Showveiro”, concurso realizado pela TV Rede Super de Belo Horizonte (MG) em que o grande prêmio era a gravação de um CD Demo. “Ali eu tive certeza de que queria viver de música.” O CD, na verdade um disco experimental, foi a primeira experiência profissional dele. Gravado em 2010, já começou a repercutir positivamente e conquistando público. FNM|123


Fotos divulgação Com a esposa Kesia; empresário GA; presidente da Universal, Paulo Lima; Label da Universal, Renata Cenízio; produtor da Universal, Victor Kelly

Com Carlinhos, produtor da Festa da Música

Na gravação do DVD ao Vivo, cantor reuniu mais de 6 mil pessoas na plateia

Em 2013, lançou o CD “Casa de Deus”, que tinha como música de trabalho “Me Deixa Te Sentir”, que contabilizou mais de 30 mil cópias vendidas. “Este trabalho abriu as portas para voos mais altos”, conta ele. No ano seguinte, assinou com a gravadora Universal Music e relançou o trabalho. E, em 2015, gravou o DVD “Luz do Mundo”, ao vivo no Rio de Janeiro, para mais de 6 mil pessoas. Das 18 faixas do DVD, 17 são composições próprias. O trabalho tem o CD com mesmo nome, com 13 faixas.

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Cantor já superou 15 milhões de acessos em seu canal no YouTube

Ao longo de sua curta e próspera carreira, Eli Soares coleciona sucessos. As músicas “Meu Amanhã”, “Me Ajude a Melhorar”, “Tudo que Eu Sou”, “Morada” e “Eu Sou” são algumas das prediletas do público. Dos hits do cantor, muitos estão entre os preferidos dos jogadores de futebol. O casal sensação do funk, MC Guimê e Lexa, são fãs declarados das composições de Eli Soares. “Os compositores gospel precisam entender que não existem fronteiras para a música. E não podemos limitar a ação de Deus em nossas canções. Só assim conseguiremos transmitir a verdadeira essência do Evangelho por meio da música”, garante Eli.

O cantor também coleciona recordes. Já superou 15 milhões de acessos em seu canal no YouTube, que conta com mais de 91 mil inscritos. Sua página oficial do Facebook tem mais de 280 mil curtidas e em sua conta do Instagram, são mais de 165 mil seguidores. “A minha música sempre veio de Deus. Ele é o criador de todas as coisas e merece honra em tudo que fazemos. Nunca pensei em cantar algo diferente disso. Eu amo muito o que faço! E quero continuar sendo um canal de Deus para as pessoas, levando o amor Dele por meio da música. Todas as outras coisas são consequências disso”, conclui.


João Mattos/FNM

Papel, caneta e paixão

Munido da paixão por escrever, Luiz Coronel reflete em sua obra a versatilidade de sua poesia

Compositor e escritor, Luiz Coronel recebeu o troféu Festa Nacional da Música da cantora Rosemary

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rtista de múltiplos talentos e caminhos, Luiz Coronel empresta, há mais de 50 anos, as mais belas palavras à literatura, à música e à publicidade – carreiras que sempre percorreu a bordo de sua escrita apaixonada. Com 70 livros editados, cerca de 50 composições gravadas e uma

estante cheia de prêmios, o escritor foi homenageado na 12ª edição da Festa Nacional da Música. “Ser homenageado aqui é um Oscar sonoro, uma distinção que impulsiona. Entendo, cada vez mais, que ser premiado é tornar-se um símbolo de um empenho coletivo de criação ou diverso desempenho.

Não diz respeito tão somente ao agraciado, mas amplia-se a todos que se consagram a idêntico ofício criativo, interpretativo, ou ao que lá venha se referir”, disse o gaúcho natural de Bagé, que recebeu a premiação da cantora Rosemary.

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Fredy Vieira

Fotos reprodução

Patrono da Feira do Livro de Porto Alegre em 2012

Com Fafá de Belém

Letrista premiado, Coronel é autor de clássicos regionalistas modernos como “Amanhã Será Setembro”, com Mario Barbará, “Canto de Morte de Gaudêncio Sete Luas” e “Cordas de Espinhos, com Marco Aurélio Vasconcellos, e “Desvalidos”, com Celso Bastos. “Estive, durante alguns anos, vivendo um certo distanciamento da música regional, da MPG [Música Popular Gaúcha], talvez por acreditar que a distância de meu trabalho criativo o colocaria por fora das correntes dominantes, épicas, telúricas, e por meu trabalho ser, antes de tudo, lírico, comedido, sem grandes arroubos grandiloquentes”, revela o compositor. “Hoje faço a trilha de regresso, antes que seja tarde e o boné fique no cabide, sem que eu tenha dado os passos fundamentais de organização de meu trabalho criativo como um todo.”

Com Moacyr Scliar e Luis Fernando Verissimo

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Bacharel em Direito, Sociologia e Política, o poeta que se desmembrou ativamente por diversas profissões teve, em todas elas, os mesmos instrumentos: papel, caneta e paixão por criar. “Seja para escrever estorinhas infantis (94 mil exemplares da Coleção Esquilo), crônica política, causo de humor gaúcho, letra de música, o que importa é afinar o ouvido, seguir o diapasão da sensibilidade, colher os eventuais dividendos da aprendizagem do oficio de escrever sempre”, garante o escritor, sem qualquer dúvida sobre o que move sua criatividade. “Antes e acima de tudo, me unge, tange e abrange a poesia. Há uma diferença de ‘família’ entre o poema enquanto literatura e enquanto letra musical. Uma diferença de forma, não de conteúdo. A poesia deve engravidar o poema e a letra, bem entendidos.”

Personagem Dom Quixote está no livro infantil de Luiz Coronel

Com Fernanda Carvalho Leite e Deborah Finochiaro


Com 78 anos, engana-se quem pensa que o poeta se aposentou dos versos. Recentemente, Fafá de Belém gravou, sob a regência do maestro Evandro Matté, arranjos de Alexandre Ostroviski e os músicos da Ospa (Orquestra Sinfônica de Porto Alegre) e da Orquestra Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos), os “10 Cantos de Leontina das Dores”, uma espécie de balé sobre a alma da mulher gaúcha. “Quero, além dos ‘10 Cantos de Leontina das Dores’, gravados agora por Fafá, continuar a organização de meu trabalho enquanto compositor. Almejo gravar um ‘Luiz Coronel na MPB’, com músicas de teor urbano, para tirar um pouco a marca na paleta de regionalista e tão só regionalista. Jeronimo Jardim, Caradipia, Mario Barbará e Sérgio Rojas estarão nesse trabalho”, adianta o compositor.

reprodução

Foi de casa, ainda criança, que Coronel herdou essa verve criativa que o faz íntimo das letras, do texto. Por meio das irmãs mais velhas, que tinham intensa vida cultural no interior, em Bagé, que ele se debruçou logo cedo na poesia de Drummond e Manoel Bandeira. “Com 7 anos eu já escrevia versos aos colegas e às professoras, como sempre acontece, nossos primeiros deslumbramentos. Também a música popular chegava à minha casa com vivacidade”, lembra o autor, que quando menino colocava letras em canções de sucesso e, assim, ensaiava, sem saber, um dos seus ofícios futuros. “Na esquina de minha casa havia um alto-falante que invadia a noite chuvosa. De meu leito eu ouvia Noel, Pixinguinha, Atahualpa Yupanqui e suas milongas. O bolero, o tango, o samba canção constituem meu batismo musical. O rock vai chegar com os Beatles”, recorda ele.

Fotos João Mattos/FNM

Com Paixão Côrtes

Edson Erdman, Luiz Coronel, Roger Lerina, Vera Armando e Fernando Vieira Jackson Ciceri/FNM

Com a filha, Melina Coronel Luiz Coronel é cidadão emérito das cidades de Porto Alegre e Piratini

Com a cantora Paula Lima

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Segunda noite de homenagens a grandes artistas da MPB faz Festa da Música transbordar de emoção 128|FNM


Jackson Ciceri/FNM

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lássicos da música tradicionalista gaúcha nas vozes de um power grupo formado por Cristiano Quevedo, Daniel Torres, Neto Fagundes, Tatiéli Bueno e Tchê Guri deram início à segunda noite de homenagens da Festa Nacional da Música. A catarse coletiva foi apenas a primeira causada por muitos encontros inesquecíveis que entrariam pela madrugada. A beleza do show realizado no Centro de Eventos do Hotel Plaza São Rafael foi partilhada com uma plateia repleta de grandes nomes da MPB. Eles vieram a Porto Alegre para conferir a 12ª edição do encontro mais importante do mercado fonográfico do país, partilhar suas experiências, dúvidas sobre o mercado e o prazer de fazer arte. FNM|129


Jackson Ciceri/FNM Os Serranos Padre Antonio Maria

Todos, unanimemente, aplaudiram o primeiro homenageado, mesmo que não seja um habitué deste meio. Padre Antonio Maria foi agraciado com o troféu pelas mãos do ator e acordeonista Chambinho, que lhe recebeu com um versinho: “É de jipe, é de jegue, não há transporte que o padre não pegue”. Com essa descontração, o padre Antonio Maria apresentou sua versão cantada do Salmo 38, cantou um sambinha em “Em Tudo Dai Graça” e agradeceu com um trocadilho: “Festa começa com fé. Obrigado por vivermos neste ambiente a fé e a festa”, brincou. A sintonia perfeita da voz aveludada de Paula Lima com a magia do saxofone de Leo Gandelman em “Emoriô”, sucesso de Gilberto Gil e João Donato, deu continuidade. Ela encerrou a homenagem ao virtuoso instrumentista, presenteado por Flávio Venturini com o troféu da Festa da Música. Sucinto nos agradecimentos, Gandelman preferiu dar seu obrigado musicalmente, performando “Solar”, seu maior sucesso, com mais de 100 mil cópias vendidas – algo descomunal para um instrumentista no Brasil. Paula Lima e Leo Gandelman

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Empunhando seus acordeons, Edson Dutra, Everton Dutra, Daniel Hack e William Hengen, juntamente com o baterista Cândido Mendes Júnior, o violonista Alex Morais, o baixista Jeferson Madruga e o backing vocal Walter Jeger Júnior, causaram euforia tocando “Bailanta do Tibúrcio”, “Tordilho Negro”, “Serrano Cantor” e fazendo até um duelo instrumental. “É um orgulho estar aqui, diante de tantos artistas que são referência ao nosso país. Viva a Festa da Música”, saudou Edson Dutra. Alcione, a grande estrela da noite, subiu ao palco em seguida. Protagonista de um dos momentos mais esperados da Festa, a diva do samba recebeu seu troféu como homenageada diretamente das mãos de Mumuzinho. O pagodeiro, com toda pompa e carinho, contou sobre a influência da cantora em sua vida. “Uma tia minha me disse: ‘Se você quer cantar, cante isso’. E me deu um disco da Alcione”, relatou. A estrela retribuiu a deferência com um “Gosto de ti pra caramba” e um “Eu sou doida por ti”, arrancando risos e aplausos em um dueto inesperado mas não menos emocionante. Ela ainda registrou a importância da Festa da Música desde o início de sua carreira. Mumuzinho e a diva Alcione


Fotos: João Mattos/FNM

“O primeiro prêmio que recebi foi na Festa da Música, sob o comando do Fernando Vieira”, relembrou. E empolgou a plateia com canções inesquecíveis. “Juízo Final”, “Autonomia” (uma composição do saudoso Cartola), “A Loba” (interpretada com Mumuzinho) e “Não Deixe o Samba Morrer” fizeram parte da coletânea que mostrou um pouco de toda a história da Marrom na MPB. Também homenageada na noite, Paula Fernandes recebeu seu troféu das mãos do músico Marco Bavini, filho de Sérgio Reis – considerado um “paizão” pela cantora. “Esse prêmio é nosso, meu e dos meus fãs”, frisou. Em um momento intimista, Paula cantou à capela “Pássaro de Fogo”, um de seus grandes sucessos.

Rosemary

Presença cativa na Festa, Rosemary subiu ao palco para reafirmar o valor do evento. “Essa festa é o único momento que nós, que vivemos de música, temos a oportunidade de estarmos todos juntos. Fernando [Vieira], é pra você e para a sua família nosso agradecimento”, sustentou. “Espero que a nossa Festa da Música ainda possa viajar pelo Brasil inteiro, mostrando o que é a força da Música Popular Brasileira por esse país afora.” Em seguida, cantou “Vitória”, música da novela de mesmo nome que foi sucesso da Rede Record em 2014. Seguindo a programação de shows da noite, o grupo Barra da Saia, que mistura chamamé, sertanejo e rock, e espalha essa energia por todo Brasil, tocou com Luiz Carlos Borges. O show reuniu tradicionalismo e invejável qualidade técnica na execução de “Para Tudo que Eu Cheguei”, “Menino da Porteira”, “Marvada Pinga”, “O Rio de Piracicaba” e “Mercedita”. Barra da Saia e Luiz Carlos Borges

Paula Fernandes

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Fotos: João Mattos/FNM 14 Bis com Sá, Leo Gandelman e Kadica Souto

O 14 Bis apresentou mais do que um show. O sucesso “Noites com Sol”, marcado pela voz de Flávio Venturini, foi seguido de “Caçador de Mim”, um clássico que a turma do Clube da Esquina, interpretado ao lado de Sá, da dupla Sá e Guarabyra, que é um dos compositores da música, também assinada por Carlos Magrão. Frejat, um dos homenageados da noite anterior, uniu-se ao conjunto para cantar “Mais Uma Vez”, música criada por Venturini e Renato Russo. Com o refrão “Quem acredita sempre alcança”, a comoção tomou conta da festa. “Linda Juventude” também fez parte do setlist, e ainda teve Kadica Souto no baixo. Uma nova formação no palco, evidenciando a confraternização entre artistas.

Tuta Guedes

O metal deu espaço ao sertanejo, e a cantora Tuta Guedes cantou “Telefone Mudo”, do Trio Parada Dura. Ela abriu caminho para a banda The Fevers brilhar. Com “Mar de Rosas” e “Guerra dos Sexos”, eles fizeram todos reviverem a Jovem Guarda.

O saxofonista do Kid Abelha, George Israel, fez seu show com a proposta de “misturar a galera toda”. Ao lado do guitarrista Robertinho de Recife, ele fez todos dançarem com “Ska”. Logo, Robertinho se apresentou com sua banda, o MetalMania, e mostrou seu heavy metal e hard core com “Gata” e “Erva Venenosa”, na voz de Lucky Leminski.

Michael Sullivan e Paulo Massadas também subiram ao palco e, com “Whisky a Go-Go”, celebraram a grande amizade com The Fevers. Eles cantaram “Uni-Duni-Tê”, que desde 1985 conquista crianças de todas as idades e fez a plateia formar um animado trenzinho que percorreu o Centro de Eventos.

George Israel

Paulo Massadas e Michael Sullivan

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Fotos: Jackson Ciceri/FNM Chambinho do Acordeon

Ao som da Tribo Cordel, Tuta Gudes e Carlinhos de Jesus ensaiam alguns passos

Tribo Cordel, com “Delícia”, empolgou a plateia e levou ao palco Tuta Guedes e Carlinhos de Jesus, que dançaram animados. Del Sarto, com “Pense Muito Bem” e “2, 3, 4, 5, meia, 7, 8”, mostrou sua sonoridade na festa. Frejat retornou diante da plateia para comover a todos com “Faz Parte do Meu Show” e o “O Tempo Não Para”, do ex-companheiro de Barão Vermelho Cazuza, um dos grandes poetas do Brasil. Detonautas e George Israel seguiram a homenagem cantando “Brasil” e, ao final da performance, a plateia bradou: “Por que parou? Parou, por quê?”

A atração seguinte da noite foi Chambinho do Acordeon, que interpretou o clássico “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga. “Estou muito feliz em estar aqui”, agradeceu o músico paulista mas que se mudou ainda criança para o Piauí. O apresentador Gustavo Victorino completou. “Fico espantado. Ele é muito parecido com o Gonzagão quando ele tinha uns 20 anos.” Devido à enorme semelhança, Chambinho, inclusive, interpretou Luiz Gonzaga no filme “Gonzaga – De Pai Pra Filho” em homenagem ao músico pernambucano. Outro dos maiores poetas de nossa música, o gaúcho Lupicínio Rodrigues, teve suas letras interpretadas em forma de rap pelo Rafuagi. “Loucuras” e “Felicidade” foram as escolhidas pelo grupo formado por Rafa, Rick e DJ Kroco. Na segunda música, contaram com a participação especial de Negra Jaque. João Mattos/FNM

Sá, da dupla Sá e Guarabyra, e Frejat

Rafuagi e Negra Jaque

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Lupicínio Rodrigues Filho, o Lupinho, estava na plateia e aplaudiu a iniciativa. “Achei a ideia deles maravilhosa. Temos uma dificuldade enorme de administrar uma obra de um século e assim podemos eternizá-la para o próximo século, pois os jovens escutam rap. Mudar o meio de transporte da música é fazer com que ela ande ao longo do tempo.” E não foi só Lupinho que adorou a novidade. Serginho Moah, Claudinho Pereira e o diretor da UBC, Ronaldo Bastos, também foram dar parabéns aos garotos de Esteio, depois da apresentação. Longe de acabar, a noite prometia muitas surpresas musicais. Estreando na Festa Nacional da Música, De Luca interpretou “Absurdiário”, faixa de seu mais recente CD, “Pão e Circo”. “Foi sensacional subir num palco com um público apaixonado por música e ainda na presença de pessoas que admiro, grandes artistas, produtores. Que venha a próxima festa”, comemorou o artista.

Vinícius D’Black

Velho conhecido da Festa da Música, Vinicius D’Black interpretou o sucesso “Sem Ar” no piano, arrancando suspiros e gritos efusivos da plateia. Com a madrugada já avançada e o Centro de Eventos ainda em festa, um animado Ovelha sobiu ao palco para homenagear o ícone brega Wando, ao som de “Fogo e Paixão”. Ele ganhou a parceria de Gisa Nunez e D’Black e cantaram outro hit, “Morango do Nordeste.” A plateia se transformou em um grande coral e, emocionado, Ovelha desabafou ao microfone: “Eu amo brega!” De Luca

E nesse astral, com todos em pé, dançando, cantando, terminou a segunda noite de homenagens e shows da Festa Nacional da Música 2016. Pelo ótimo clima até daria para perguntar ao Ovelha: “E quem não ama?” Ovelha, Gisa Nunez e D’Black se juntaram a outros músicos e encerram a noite com uma homenagem à música brega

Sucesso “Uni-Duni-Tê” cantado por Sullivan e Massadas deu origem a um animado trenzinho

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João Mattos/FNM

João Mattos/FNM Robertinho de Recife com Lucky Leminski e Renato Rocha, do Detonautas

Fotos: Jackson Ciceri/FNM

Cristiano Quevedo, Daniel Torres, Neto Fagundes, Tatiéli Bueno e Lê Borges, do Tchê Guri abriram a noite com um show de música gaúcha

Flávio Venturini e Vermelho

Del Sarto e o percussionista Berbel

The Fevers

João Mattos/FNM

Detonautas

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A alma de bamba de Marrom Em 45 anos de carreira, Alcione acentuou João Mattos/FNM

o samba com seu timbre inconfundível

Mumuzinho entregou o troféu para a diva Alcione

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m seus shows não podem faltar sucessos como “Estranha Loucura”, “Sufoco”, “Meu Ébano” e “Você Me Vira a Cabeça”. E não é preciso citar mais de duas ou três canções para que qualquer amante da música nacional saiba que se trata de Alcione. Aos 69 anos, a maranhense, que há tempos já se tornou um pouco carioca, foi homenageada na edição 2016 da Festa Nacional da Música. “No início da minha carreira, Fernando Vieira convidou a mim e a Simone para sermos homenageadas, portanto, é muito bonito voltar a uma festa que sempre prestigiou o artista e a música brasileira”, lembra

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Marrom, que recebeu o troféu Festa Nacional da Música das mãos de Mumuzinho, com quem fez um dueto memorável. Conhecido por imitar com fidelidade o tom de voz da estrela, ele cantou a música “A Loba” junto com Alcione, arrancando risos e aplausos da plateia. Nascida e criada em um berço musical, Alcione foi alfabetizada nos sons junto às letras. Filha de um compositor e professor de música, que também era mestre da banda da Polícia Militar de São Luís, ela aprendeu ainda na infância a tocar diferentes instrumentos de sopro, como trompete e clarinete.


Marcos Hermes Estrela da MPB lembrou que no início da carreira recebeu o prêmio Festa da Música

Maria Bethânia entregou o primeiro Disco de Ouro a Marrom

Aos 18 anos, formou-se professora normalista e, justamente em função da música, foi demitida dois anos depois. “Tudo o que Deus traçou foi bom demais. Aprendi até com os desacertos. A música tem o poder de te modificar pra melhor e pra vida. Graças a Deus”, diz ela, que foi mandada embora por ensinar trompete aos alunos – estratégia para mantê-los disciplinados.

Com Martinho da Vila

Jair Rodrigues foi quem a levou para gravar seu primeiro disco

À frente do selo Marrom Music, Alcione não para. “Dá muito trabalho, mas essa situação de artista virar empresário também te dá outro aprendizado”, reflete ela, que aponta Mumuzinho, Mart’nália, Ferrugem, Mariene de Castro e Maria Gadú como expoentes da nova geração, enquanto aposta na força de compositores da velha guarda. “Espero mais espaço para Cartola, Nelson Cavaquinho, Milton Nascimento, Silas de Oliveira, Ismael Silva e tantos outros da nossa música”, completa.

Fotos: Arquivo pessoal

Augusto César Vanucci foi o primeiro diretor do programa “Alerta Geral”, apresentado por Alcione na Globo

Artista e empresária

Ao se mudar para o Rio de Janeiro, em 1976, a cantora caiu no samba – e o samba caiu de amores por ela. Entre muita batalha e muito trabalho, ela foi se tornando parte de um seleto grupo de sambistas da época, como Candeia, João Nogueira, Beth Carvalho, Martinho da Vila e Clara Nunes – ícones musicais de todos os tempos. “Jair Rodrigues foi quem me levou para gravar meu primeiro disco, Maria Bethânia foi quem entregou meu primeiro Disco de Ouro, Augusto César Vanucci foi meu primeiro diretor no programa ‘Alerta Geral’, que apresentei na Globo durante dois anos”, destaca Alcione, entre incontáveis momentos inesquecíveis da carreira.

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Contemplada com mais de 27 Discos de Ouro, Alcione coleciona mais prêmios do que o já extenso tempo de carreira. Dona de um acervo de troféus que guarda mais de 350 peças, entre títulos e honrarias, ela foi imbatível em algumas das maiores premiações do Brasil, como o Prêmio Sharp de Música – hoje Prêmio Tim de Música –, o qual ganhou nove das 11 edições na categoria Melhor Cantora de Samba. Na bagagem, ela leva também distinções que poucos alcançaram, como a Ordem do Rio Branco – a mais alta comenda do país, além de méritos e medalhas internacionais. Apesar do currículo invejável construído ao longo de 45 anos de trabalho, Marrom segue concretizando sonhos de carreira. No mês anterior à Festa da Música, ela realizou um projeto antigo: a gravação do CD e DVD “Alcione Boleros”, em show ao vivo na Cidade das Artes, no Rio. Sob medida para o romantismo aflorado da cantora, o álbum traz canções extremamente emocionais e ressuscita obras como “Risque”, de Ary Barroso, “Segredo”, de Herivelto Martins, “Que Queres Tu de Mim”, de Jair Amorim e Evaldo Gouveia, “Gracias a La Vida”, de Violeta Parra, e “Corsário”, de João Bosco e Almir Blanc. 1- Com Mart’nália 2- Com João Nogueira 3- Com Clara Nunes 4- Com Milton Nascimento 5- Com Tim Maia e Beth Carvalho 6- Com Arlindo Cruz e Jorge Aragão 7- Com Maria Gadú 8- Com Chacrinha 9- Com Cartola 10- Com Jamelão 11- Com Zeca Pagodinho e Djavan 12- Com Gonzaguinha 13- Com Roberto Carlos 14- Com Ferrugem


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João Mattos/FNM

Entre o clássico e o popular Saxofonista Leo Gandelman foi homenageado na Festa Nacional da Música

Flávio Venturini entregou o troféu a Leo Gandelman

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eferência quando o assunto é saxofone, Leo Gandelman estreou na Festa Nacional da Música em 2015 com um envolvimento de quem já frequenta o encontro musical há anos. Em plena sintonia com a proposta do evento, o instrumentista mostrou que o som de seu sax conversa muito bem com qualquer gênero, deixando todos boquiabertos com sua desenvoltura diante do samba até o rock. “Achei um lindo encontro da classe, onde tive a oportunidade de rever amigos, reencontrar profissionais que foram tão importantes para a minha carreira, convivendo alguns dias na maior descontração e alegria”, lembra ele, que foi homenageado na edição 2016. 140|FNM

Virtuose da música, Gandelman imprimiu desde cedo essa versatilidade, transitando naturalmente entre o clássico e o popular. “Essa é a minha história”, diz ele, que passou pelo piano, a flauta doce e até a viola de gamba do Barroco antes de eleger o saxofone como companheiro de estrada. “Não existe o rótulo ‘música instrumental’. Esse nome apenas define a ausência de letra numa música. A música é uma árvore cheia de galhos, de caminhos, vertentes. E a nossa música é muito rica em estilos. É difícil falar em nome de uma diversidade musical tão grande”, reflete ele, que toca soprano, alto, tenor e barítono.


Fotos Aquivo pessoal

Futuros artistas: Leo Gandelman com o violoncelista Jaques Morelenbaum e o pintor Sergio Rabinovitz, na escola Pro Arte, em 1965

Com a mãe, uma pianista clássica

Antes de se dedicar ao saxofone, aprendeu flauta doce e piano

Berço musical

Turma do colégio primário Eliezer Steiberg, em Laranjeira (RJ)

Filho de musicistas – uma professora de piano e um maestro –, o saxofonista praticamente nasceu dentro da Escola Clássica, o que o transformou em solista da Orquestra Sinfônica Brasileira aos 15 anos. Mas a infância e adolescência embaladas por canções eruditas não o impediram de, mais tarde, despertar para outras sonoridades. “O interesse pela música popular e pelo jazz me levaram a estudar teoria e composição em uma escola jazzística, a Berklee College of Music, em Boston. Iniciei minha carreira profissional na noite, tocando em orquestras de gafieira, e depois fui trabalhar em estúdio como músico, arranjador e produtor”, recorda Gandelman, que lançou seu primeiro disco solo e autoral em 1987. “Acho que meu trabalho é um filtro de toda essa formação e vivência profissional que tive.”

Leo Gandelman em Boston, em 1978

Em um eterno namoro entre dois segmentos que passeiam fora do mainstream, Gandelman percorre seu caminho musical ciente de que o cenário está sempre se modificando. “Qualquer tipo de arte alternativa navega contra a maré. Hoje o sucesso popular no Brasil depende dos oligopólios de comunicação. Até a MPB já virou arte alternativa com pequeno espaço na mídia. A luta do artista é pela visibilidade. Acredito que exista bastante espaço para todos”, garante. Com Raphael Rabello em 1987

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Com uma estante cheia de prêmios e um currículo diverso construído ao longo de 30 anos de carreira solo, o músico não cansa de se reciclar a cada novo público que surge. “Um trabalho artístico é uma constante procura. Olhando para trás, vejo que trafeguei em diferentes estilos e já toquei para uma vasta audiência. O que me incentiva é o reconhecimento que recebo dos novos músicos, a influência que pude exercer e a necessidade de me reinventar dentro de um mundo onde a realidade muda muito rápido. O melhor ainda está para ser feito.”

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Saxofonista foi homenageado na Festa da Música 2016

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1- Com Alcione 2- Com Lincon Olliveti 3- Com Pepeu Gomes 4- Com Dori Caymmi e Zé Renato 5- Com Ney Matogrosso 6- Com Milton Nascimento 7- Com Paula Lima 8- Com Bossa Cuca Nova 9- Com Serginho do Trombone 10- Com Hamilton de Holanda 11- Com o então presidente norte-americano Bill Clinton 12- Com João Donato


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João Mattos/FNM

De músico a sacerdote

Em 40 anos de sacerdócio, a música nunca saiu da vida de Pe Antonio Maria

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uem vê padre Antonio Maria cantando pode pensar que ele é um padre que virou músico, mas na verdade ele é um músico que virou padre. Desde muito cedo, com 7 a 8 anos, ele queria cantar. “Diziam que eu cantava bem e eu acreditava. Participava de concursos de calouros e ganhava.” Incentivado pela irmã que o levava até a Rádio Nacional para tentar se apresentar nos programas de auditório, conheceu Cauby Peixoto, Angela Maria, todo mundo muito jovem, começando na carreira.

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A família era religiosa, ele foi inclusive coroinha, mas não pensava em ser padre. “Queria era ser cantor.” Com apenas 15 anos começou a ouvir o chamado para o sacerdócio. Tentou descartar, mas, com 16 anos, veio para o Rio Grande do Sul estudar para ser padre. “Vim para o Vale Vêneto, em Santa Maria, que hoje se chama São João do Polêsine. Fiquei seis anos no Seminário no RS”, lembra. Do interior gaúcho foi para a Europa, estudou mais oito anos na Alemanha e voltou padre. Passou um tempo em Portugal e lá formou sua primeira banda, fez os primeiros shows e gravou o primeiro disco.


“Eu adequava a leitura do evangelho do dia em música e as pessoas passaram a pedir, pois começou a fazer bem para os fiéis. Às vezes pediam, ‘canta tal música hoje, vou levar meu marido na missa, ele está muito afastado da igreja’. Eu evangelizo cantando. A música é um instrumento maravilhoso que penetra na alma”, completa.

Nas primeiras missas como padre, ele levava o violão e cantava na hora do sermão, da homilia. Fazia uma missa diferente e, aos poucos, suas celebrações começaram a se tornar populares, com pessoas indo especialmente para vê-lo cantando.

Em maio de 1981, voltando ao Brasil, passou por Roma, e teve a graça de conhecer pessoalmente o Papa João Paulo II. Nessa ocasião, padre Antonio Maria concelebrou com ele na capela privada do pontífice. E, ao conversar com João Paulo II, recebeu palavras de incentivo em sua missão de evangelizar pelo canto.

Fotos: Arquivo pessoal

Já de volta da Europa, em São Paulo, na cerimônia de ordenação, o bispo, quando foi lhe consagrar padre, lhe chamou para cantar. “Eu quis ser cantor. Deus quis que eu fosse padre. Juntamos os dois”, brinca ele. No dia 25 de setembro de 2016, padre Antônio Maria completou 40 anos de sacerdócio.

Nas missas, o violão ajuda a evangelizar

Depois do seminário no RS, estudou mais oito anos na Alemanha

“Eu evangelizo cantando. A música é um instrumento maravilhoso que penetra na alma”

No seminário no RS

Aos 16 anos, foi estudar no seminário em São João do Polêsine, no RS

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João Mattos/FNM

reprodução

Com o cantor Péricles

Fotos Jackson Ciceri/FNM

Com Roberto Carlos

Troféu foi entregue ao sacerdote pelo ator e acordeonista Chimbinha

Dos sucessos musicais, o padre destaca “Beija-Flor” e “Pegadas na Areia”, que Michael Sullivan compôs para ele. Também estão, entre os sucessos, “Cura Senhor”, que gravou com Roberto Carlos, e “Nossa Senhora”, que cantou com o Rei também. Fez ainda duetos com Angela Maria e Agnaldo Rayol. Quem lê esta matéria pode pensar que o padre só escuta músicas religiosas, mas não. Ele, que nasceu Antonio Moreira Borges há 71 anos, gosta de todos os ritmos e confessa: “Minha queda é por samba, sou carioca”, decreta. Mas

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Com Ivan Lins

ele ouve forró, sertanejo e rock. “O importante é que passe uma boa mensagem”, opina. A premiação na Festa da Música de 2016 veio celebrar uma vida inteira dedicada à música. “Fico muito feliz de estar aqui. Após 40 anos como evangelizador, receber esse reconhecimento é uma alegria. Eu agradeço muito, mas quero dizer que estes aplausos são para Deus. Estou aqui em nome Dele. Tenho um sentimento de gratidão muito grande em estar aqui”, comenta ao receber o troféu das mãos do ator e acordeonista Chimbinha.

Sobre a Festa, padre Antonio Maria destaca a grande quantidade de músicos presentes, todos unidos pela música. “Cada um aqui é um dom, eu vim buscar esse entrosamento, e ver essa união é muito bom. Tem gente começando, gente que está na estrada há muitos anos. Sou um padre que canta, mas amo a classe de músicos, amo esse mundo dos artistas. Todos aqui são uma bênção. É, sem dúvida, um encontro de muitas bênçãos. Deus está na música”, conclui.


João Mattos/FNM

A força do tradicionalismo gaúcho Evento homenageou as quatro décadas de sucesso do grupo Os Serranos Troféu foi entregue por Neto Fagundes a Edson Dutra

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riado em 1968, o grupo Os Serranos trilhou o caminho do sucesso na música tradicionalista gaúcha com muito trabalho. No início, o conjunto originário de Bom Jesus, na Serra Gaúcha, contava somente com a dupla de acordeonistas formada por Edson Becker Dutra e Frutuoso Luis de Araújo. Eles gravaram o primeiro disco, um compacto duplo, em 1969, na gravadora Copacabana, tendo como padrinho e apoiador Honeyde Bertussi, que já era um artista destacado na época. Os sucessos deste primeiro disco foram “Minha

Querência” (xote em homenagem a Bom Jesus) e a valsa “Suspiro de uma Saudade”, de autoria da dupla. Três anos mais tarde, produziram o LP “Nostalgia Gaúcha”, emplacando hits como “Terol do Tio Domingos” e a milonga “Chimarreando”. Somando hoje 29 discos, já transformados em CDs, dois DVDs e a uma rotina de, em média, 18 shows ao mês pelo Brasil e nos países vizinhos, o conjunto agita o público de grandes bailes, especialmente com as letras divertidas cantadas em ritmo de xote, bugio, fandango e vanerão. FNM|147


Fotos: Arquivo pessoal Apresentação de Os Serranos em baile no início dos anos 1970

Formação antiga de Os Serranos

Primeiro baile realizado em Porto Alegre

Show do grupo em 1981

O grupo mantém em sua formação Edson Dutra (acordeão e voz) e seu irmão, Everton Dutra (baixo e vocal), e conta com Walter Jeger Junior, o Kiko (voz e vocal), Daniel Hack (acordeão e vocal), Alex Sandro Morais (guitarra e voz), Cândido Mendes Júnior (bateria), Jeferson Braz, o Madruga (baixo e voz solo), e William Hengen (acordeão e voz solo). E se transformou em um exemplo de dedicação às raízes do Rio Grande do Sul. No Programa do Jô

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Essa trajetória foi homenageada na Festa Nacional da Música com o troféu do evento, entregue pelo também músico Neto Fagundes. Um momento único para os artistas, comemorado com um medley de sucessos, entre eles “Bailanta do Tibúrcio”, uma das músicas mais tocadas do grupo. “Foi uma sensação ótima. Ver nosso trabalho ser reconhecido por uma Festa de tamanha envergadura foi, realmente, uma realização”, destacou Edson Dutra, o líder do grupo.

“A gente que pesquisa, ensaia, que deixa os familiares em casa para fazer seu trabalho, se sente responsável pelas pessoas que gostam da nossa música”, frisou o cantor, reafirmando a gratidão de Os Serranos pelo prêmio. O grupo é formado por Edson Dutra, Everton Dutra, Kiko, Daniel Hack, Alex Sandro Morais, Cândido Mendes Júnior, Madruga e William Hengen


Grupo completa quatro décadas de sucesso

Os Serranos receberam a Calhandra de Ouro em 1980 e 1982.

Grupo soma hoje 29 discos e uma rotina de, em média, 18 shows ao mês pelo Brasil e nos países vizinhos

Indicados duas vezes ao Grammy Latino – em 2009 e em 2013 –, donos de três discos de ouro e contabilizando cerca de 2 milhões de cópias vendidas, Os Serranos revelam o segredo do êxito e da

Show em Newark, Estados Unidos

longevidade. “Gosto pelo trabalho, profissionalismo, organização, visão, estudo, dedicação e amor à tradição gaúcha”, lista Dutra. “Também não posso deixar de citar a parceria com muitos colegas que, com seu trabalho e talento, somaram-se a nós”, completa. Essa satisfação com a arte e com a vida foi registrada com poesia na

música “Serrano, Sim Senhor”. “Me orgulho em ser serrano/ Pisador de geada fria/ Domador de ventania/ Para-peito pro Minuano/ Sou gaiteiro veterano/ Sapecador de pinhão/ No mundo que é meu galpão/ Sou monarca soberano”, sustenta o refrão da canção, que reforça o amor ao tradicionalismo expressado pelo grupo ao longo de quatro décadas de intenso trabalho.

No Programa Galpão Crioulo

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Jackson Ciceri/FNM

“Nunca fui um produto”, diz Paula Fernandes

Cantora voltou à Festa Nacional da Música como homenageada Paula Fernandes recebeu o troféu das mãos de Marco Bavini, sete anos após se apresentar na Festa pela primeira vez

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ano é 2009. O cantor sertanejo Zezé Di Camargo sobe ao palco da 5ª Festa Nacional da Música e convida uma jovem artista para acompanhá-lo em uma música: “Quero que vocês conheçam a voz mais bonita do Brasil”, anuncia. Ela vai ao encontro do ídolo e improvisa os versos de “Pássaro de Fogo”, arrancando palmas e assobios da plateia. Zezé encerra a apresentação dizendo: “Podem escrever este nome: Paula Fernandes.” Agora, estamos em 2016. A canção já se tornou um clássico, o nome ocupa os rankings musicais do país e aquela cantora, uma desconhecida convidada, volta como 150|FNM

Paula Fernandes, uma das homenageadas na 12ª edição do evento. A cantora encerrou a segunda noite de homenagens no Centro de Eventos do Hotel Plaza São Rafael. Desta vez, dispensando apresentações. Era a mais requisitada para fotos com os fãs, aos quais não se negou a atender. Foi a recordista de menções nas redes sociais por sua participação. Uma ascensão meteórica em meros sete anos que separam aquela aparição desta última, em que recebeu o troféu por sua contribuição à música nacional.


A entrega do prêmio veio das mãos do músico Marco Bavini, que representou seu pai, Sérgio Reis. Mais que um padrinho musical, Paula considera-o um “paizão”. Como o cantor não pôde estar presente na premiação, coube ao filho transmitir suas palavras: “Ele disse que, se você precisar, quando precisar, ele vai estar sempre presente”.

“O mais importante é ser original. Eu nunca fui um produto fabricado para a venda. Sou uma artista que nasceu artista e que queria viver da música”, afirma a mineira de 32 anos. “Não lutei para ser famosa. Sempre quis viver do meu trabalho. É diferente. A fama vem como consequência de você ser reconhecida por suas músicas.”

Fotos Reprodução

A resposta foi em forma de canção, nas asas do mesmo “Pássaro de Fogo”, que chegou em um novo improviso, mas que despertou a mesma ovação do público. “Estou emocionada, porque o Sérgio Reis é uma pessoa muito especial. Ele tem um coração maior do que ele próprio”, brincou Paula. “Esse prêmio é nosso – meu e de todos os meus fãs.”

Cantora, compositora e instrumentista, Paula Fernandes busca, hoje, transcender o rótulo do sertanejo. Embora seu último álbum, “Amanhecer” (2015, Universal Music), tenha vencido o Grammy Latino como melhor álbum de música sertaneja, suas obras cada vez se aproximam mais de outros estilos. Em 24 anos de carreira (pois considera que começou ainda novinha, aos oito anos de idade), já vendeu mais de 4,5 milhões de cópias e tem no currículo parcerias com Shania Twain, Michael Bolton, Taylor Swift e Alejandro Sanz.

Muito além do sertanejo

“É uma sensação de missão cumprida”, confessa. “Muita coisa aconteceu nesse período. Eu não poderia deixar de vir e prestigiar meus amigos. Ser homenageada é uma grande honra. Foi uma noite muito especial e espero estar aqui outras vezes.”

Com Michel Teló

Com Mario Domm e Pablo Hurtado em prêmio de música em Las Vegas

Paula Fernandes, Claudia Leitte, Sandy e Gaby Amarantos Cantora participa da faixa “Tristeza do Jeca”, no DVD “Amizade Sincera”, ao lado de Renato Teixeira e Sergio Reis

Com Leonardo

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“A internet, de certa forma, é muito positiva para quem quer divulgar seu trabalho, para que o artista leve seu nome adiante”, comenta. “Mas as pessoas estão confundindo um pouco. Sou uma pessoa discreta, que gosto de preservar minha vida íntima e tem uma vida comum como a de qualquer outra pessoa. Só que o trabalho tomou outra proporção, e acabam inventando muita coisa, dizendo inverdades. O que eu sempre falo é: o importante é procurar fontes seguras. Tenho site, página no Facebook, Instagram e Twitter. Lá, passo realmente a

Com Roberto Carlos

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verdade da Paula Fernandes. O restante fica para os fofoqueiros.” Embora desconsidere se preparar para isso, Paula domina seu universo ao redor por meio das redes sociais. Utiliza-se das ferramentas digitais como poucos, e faz isso por conta própria. No Instagram, por exemplo, possui dois milhões de seguidores, e brinda-os com atualizações diárias de sua agenda. Esta é, para ela, a melhor maneira de aproximar-se dos fãs e encurtar o distanciamento entre artista e público: “Às vezes, a gente vê a pessoa na TV e acha até que não é humana. Ali [nas redes sociais], eu mostro que às vezes estou bem, às vezes não estou. Que tenho enxaqueca, que faço minhas coisas em casa. Isso humaniza e aproxima”, afirma. “Quando comecei a despontar, as pessoas faziam perguntas do tipo: ´Como que ela é? Já levanta maquiada?´ É, de certa forma, [enxergar] um personagem. Eu não acordo maquiada com laquê no cabelo. Esta é uma forma interessante de mostrar que sou humana como eles. Tenho um trabalho, que acaba sendo trabalhar com a magia, com a fantasia, mas que eu não vivo dentro desse mundo”, completa Paula.

Jackson Ciceri/FNM

As escusas são necessárias porque suas aparições costumam ser acompanhadas por polêmicas. Na saída da entrega do prêmio, a cantora participou do quadro Botecão do Pânico, do programa Pânico na Band, em que foi entrevistada pelos humoristas Gui Santana e Rodrigo Scarpa. Ela entrou na brincadeira, ameaçou beber cachaça e explicou o episódio do dueto com o tenor Andrea Boccelli. O caso ganhou repercussão pois Paula cantou apenas um trecho de uma música, deixando um silêncio em outra parte na qual uma soprano supostamente faria sua interpretação.

Na Festa da Música em 2009, com Zezé Di Camargo

Paula Fernandes aos 10 anos, em vinil que divulgava em shows por circos e escolas de MG

Com Julio Iglesias


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Fotos Vivo/divulgação

Música como inspiração para transformar

Joanes Ribas é diretora de Sustentabilidade da Vivo

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m sintonia com o poder transformador da cultura, da inclusão social e do meio ambiente, a Vivo apoia iniciativas com caráter educativo, que promovem a democratização do acesso à cultura, deixam um legado social ou, ainda, que utilizam mecanismos digitais para o desenvolvimento cultural da localidade na qual estão inseridos. Em 2016, foram mais de 100 projetos apoiados pela Vivo, que beneficiaram diretamente mais de 1,5 milhão de pessoas em diferentes regiões do país. Para 2017 a empresa pretende fortalecer ainda mais o incentivo a projetos que tenham a música como ferramenta para transformação social, potencializando a aplicação de recursos para beneficiar um número cada vez maior de pessoas em diferentes regiões. Entre os projetos já confirmados estão o MiniDocs, em São Paulo, a Enxaguada do Bonfim, em Salvador, e o Dia da Música, que acontece em diferentes cidades brasileiras.

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“Há diversas formas de promover transformação social por meio da música. Na Vivo, investimos em projetos pautados na educação musical para jovens de comunidades menos favorecidas, na democratização do acesso à música, com ingresso solidário ou de baixo custo e também em projetos que utilizam mecanismos digitais como ferramenta para o desenvolvimento cultural e social”, explica Joanes Ribas, diretora de Sustentabilidade da Vivo. “Como exemplo, podemos citar o Bituca, em Minas Gerais, o Prêmio Caymmi de Música, em Salvador, o Coral da Gente, do Instituto Baccarelli, em São Paulo, ou ainda a Festa Nacional da Música de Porto Alegre, que promove a integração de artistas de todo Brasil e dos mais variados gêneros musicais.” Em 2016, a Vivo criou o Prêmio Vivo Música que Transforma, que promove e reconhece projetos, apoiados ou não pela empresa, que evidenciem novos talentos e valorizem a cultura brasileira. Já em sua primeira edição, o prêmio re-

cebeu mais de 360 inscrições. Os vencedores nas quatro categorias – Música para Todos, Música que Conecta e Música que Ensina e Voto Popular – foram reconhecidos em cerimônia realizada no teatro Vivo, em São Paulo. Na Votação Popular, o vencedor foi Cultura, Arte, Educação e Cidadania, de Aracaju, projeto que oferece aulas de música para crianças de escolas públicas e de uma comunidade quilombola em Sergipe. A categoria Música Para Todos, voltada a projetos que promovem a democratização do acesso à música e abertura de palcos para novos artistas, teve como vencedor o Dia da Música. Com shows gratuitos em mais de 30 cidades de todo o Brasil, o festival é inspirado em um movimento francês, a Fête de la Musique. O ganhador na categoria Música Que Ensina, voltada a iniciativas que utilizam a educação musical para promover a transformação, foi Sons do Caeté, do Pará. O projeto acolhe crian-


ças, adolescentes e jovens e propõe a inclusão por meio da formação profissional e cultural no Pará. Além de oferecer aulas de música e cidadania, e cursos para a fabricação de instrumentos musicais. Na categoria Música Que Conecta, o vencedor foi Street Music Map. A iniciativa é uma ferramenta de mapeamento colaborativo de músicos de rua de todo o mundo, que pode ser acessada via site ou aplicativo. Todas as iniciativas trazem impacto relevante para a comunidade. Além da música, a companhia apoia as artes cênicas. “A Vivo é a única empresa privada a apoiar continuamente o teatro brasileiro”, observa Joanes. No último ano foram 272 sessões em 18 cidades de 13 estados brasileiros, com mais de 68 mil espectadores.

Sustentabilidade Com o compromisso de desenvolvimento sustentável, a Vivo busca reduzir o impacto de suas operações no planeta e gerar retorno positivo para a sociedade. “Promovemos o desenvol-

vimento sustentável em ações que geram benefícios econômicos, ambientais e culturais para a sociedade”. São iniciativas como o “Dialogando”, plataforma digital que promove o diálogo e a geração de conteúdo relevante para uso consciente das tecnologias. “Por meio da plataforma, buscamos estimular um novo olhar em favor do desenvolvimento sustentável deste mundo multiconectado”, analisa a diretora de Sustentabilidade. Em breve seu conteúdo estará disponível para Espanha e outros 13 países de língua latina. Outro projeto é o “Vivo a Praça”, que estimula o empoderamento do cidadão comum para transformar espaços públicos. O projeto nasceu em 2014, em São Paulo, e revitalizou 21 praças em diferentes regiões do país. Todos os espaços são recuperados de acordo com o desejo dos moradores e permanecem preservados de forma permanente e sustentável. Somente em 2016, foram mais de 400 mil pessoas beneficiadas. A Vivo também acredita no poder transformador das mulheres. Em 2016,

a empresa tornou-se signatária do pacto ONU Mulheres do Brasil e membro da Associação Movimento +Mulher 360, que contribui para o empoderamento econômico da mulher brasileira em uma visão 360 graus em atividades estratégicas. Já as iniciativas socioambientais da Vivo vão do controle dos indicadores de ecoeficiência e utilização de energia renovável, até o programa de reciclagem de celulares e utilização da fatura digital. De forma inovadora, em 2016, a empresa trouxe para o Brasil o “Ecorating”, ranking que considera critérios de sustentabilidade na produção, consumo e destinação final dos aparelhos celulares. Com metodologia desenvolvida em conjunto com a ONG Forum for the Future, do Reino Unido, especialista no tema, a classificação é gerada a partir de respostas a mais de 100 critérios de avaliação sociais e ambientais. Além de monitorar os impactos ambientais em nossa cadeia de fornecimento, a iniciativa torna o processo de tomada de decisão mais transparente para o cliente no momento da aquisição do seu smartphone.

Prêmio Vivo Música que Transforma evidencia novos talentos e valoriza a cultura brasileira

Comprometida com o desenvolvimento sustentável, a Vivo busca reduzir o impacto de suas operações no planeta

Projeto “Vivo a Praça” já revitalizou 21 praças em diferentes regiões do país

Somente em 2016, o “Vivo a Praça” beneficiou mais de 400 mil pessoas

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A música em sintonia com o meio

sobre seu estranhamento ao se sentir isolado e distante, fisicamente do Rio Grande do Sul e, ao mesmo tempo, culturalmente distante de Copacabana. Também faz um paralelo entre clima frio do RS, a melancolia das letras e músicas das canções gaúchas e o calor e a efervescência do carnaval e a alegria que desperta. A partir dessa reflexão, Ramil traz outro questionamento. Relata que sempre perguntam a ele por que a música produzida pelos gaúchos chega tão pouco ao resto do Brasil – ou, quando chega, é sempre através de artistas isolados, nunca de um movimento artístico? Segundo Adriana, o artista de Porto Alegre poderia aproveitar essa diversidade, que faz parte de sua riqueza cultural, ao invés de dividi-la como ocorria, conforme Ramil, quando roqueiros odiavam nativistas e nativistas odiavam roqueiros. As justificativas eram de que o regionalismo era careta e ultrapassado, ou era de que o rock destruía as nossas raízes.

Artigo publicado por Adriana Donato e João Vicente Ribas aborda a relação entre a canção popular produzida no RS e a sua interface com as relações midiáticas

Adriana Donato é produtora cultural e parecerista do Ministério da Cultura

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presentado em 2016, durante o 12º Encontro Internacional de Música e Mídia, em São Paulo, o artigo “Cancionistas ao sul da alegre Música Popular Brasileira” traça um paralelo entre a música feita no RS, mais especificamente a canção, e a atenção recebida pela mídia. No texto – escrito pelo jornalista e doutorando em Comunicação João Vicente Ribas, e pela especialista em Economia da Cultura e mestranda em Comunicação Adriana Donato – os autores buscam compreender melhor a alegria e o entretenimento como fatores que determinariam as relações midiáticas na MPB. O estudo é feito com base em manifestos publicados pelos cantores e compositores gaúchos Vitor Ramil e Antonio Villeroy.

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Estimulados por pesquisas sobre as emoções na comunicação, Ribas e Adriana perceberam certas ambiências ou estados de espírito conflitantes entre a música brasileira que domina os espaços midiáticos e a sulina. Enquanto o país tem uma representação cultural hegemônica pautada pela alegria (carnaval, calor, festa), a canção do Sul tem se pautado pela melancolia e pela introspecção. Esta diferença está registrada no manifesto “A Estética do Frio”, escrito por Ramil em 1992. Nele, o artista expõe suas reflexões musicais e culturais, desde o momento em que havia se mudado de Porto Alegre para o Rio de Janeiro, nos anos 1980. Naquele texto, Ramil discorre

“Mas claro que esse Manifesto de Vitor Ramil foi só o ponto de partida para o nosso artigo, pois é muito mais complicado que isso. Um antagonismo simples não explica nada sobre questões que gostaríamos de compreender, como certa dificuldade de exposição na grande mídia por parte dos compositores do Rio Grande do Sul”, observa João Vicente Ribas. Para o jornalista, seria equivocado chegar à conclusão de que o Sul é diferente e, por isso, não haveria facilidade na comunicação com o Norte do país. “Se continuarmos no exemplo de Vitor Ramil, notaremos que além de expressar uma diversidade de características regionais, ligadas à região do Prata (que seria “estrangeira” para os brasileiros), o compositor investe na complexidade harmônica, nos arranjos de violão e canta de uma forma contida e precisa que são, sem dúvida, tributários da tradição da canção brasileira.” Já Nelson Coelho de Castro, por exemplo, sempre dialogou esteticamente mais com o samba e a MPB do que com o Prata e nem por isso sua


mas ao mesmo tempo uma ironia sutil ao apego a coisas ditas gaúchas e à representação do Sul pelo frio. Vale notar que esse show é apresentado em pleno verão escaldante da capital.

Show “Juntos” reuniu os artistas gaúchos Nelson Coelho de Castro, Bebeto Alves, Antonio Villeroy e Gelson Oliveira

música foi alçada automaticamente ao rol dos nomes de maior profusão midiática do país. Por outro lado, todos estes cancionistas citados, e muitos outros de outras gerações, como Marcelo Delacroix, Monica Tomasi e Raul Ellwanger, têm em comum apostar todas as fichas na canção, em sua forma poética mais pura, que requer um ouvinte atento. “Talvez a turma aqui do Rio Grande do Sul tenha perdido o bonde da MPB quando estourou e acabou seguindo carreira de forma independente. Então, se o reconhecimento pretendido significa vender milhares de cópias, estão longe disso. Mas se considerarmos o reconhecimento para a constituição da identidade e da cultura contemporâneas, o protagonismo destes cancionistas é irrevogável”, avalia Ribas. A complexidade das letras do cancionista gaúcho também é apontada por Adriana Donato como um dos fatores que explicam a dificuldade de

a música do RS cruzar as divisas do Estado. “As letras são relacionadas às raízes. Elas têm características específicas, construção de ideias próprias, o que pode ser considerado melancólico para o restante do Brasil. No entanto, são diferenças culturais. Nossas letras falam de beleza, costumes e também de alegrias, o que nem sempre é compreendido por quem não vive esta cultura específica”, avalia a especialista, que também é pesquisadora de políticas culturais. Outro artista foco de estudo dos autores foi AntonioVilleroy. Em 2015, ele publicou no Facebook um post que era um manifesto estético. Nele, o compositor falava sobre a sua experiência entre viver no Sul e no centro do país. Naquele mesmo ano, o artista estreava em Porto Alegre, junto com Bebeto Alves, Gelson Oliveira e Nelson Coelho de Castro,a segunda temporada do show “Juntos”, em pleno verão. Segundo os autores, no espetáculo é possível notar um certo regionalismo, valorizando a cena local,

Vitor Ramil publicou em 1992 o manifesto “A Estética do Frio”

Além desta proposta coletiva, de reunir quatro cancionistas, a nova investida ganhou a temática d’O borogodó dos cafundó. Justificando o nome do show, Villeroy escreveu no manifesto que “todo mundo reconhece que temos um borogodó”. Referia-se aos músicos gaúchos, desde Lupicínio Rodrigues, compositor de samba-canção que teve projeção nacional. Adriana também destaca o poder de envolvimento da música e a sua capacidade de despertar emoções. “A música exerce grande poder no público pela sua fruição, consegue atrair e se comunicar melhor junto à sociedade, despertar alegrias e sentimentos. Além de acompanhar as pessoas a todos os lugares, podendo ser acessada no celular, no carro, em casa.” Esta democratização da música por meio da internet é analisada por Adriana Donato como fundamental para a disseminação da cultura. “A ampliação do acesso é importante para a divulgação do trabalho do artista e também para a integração cultural entre as regiões. Um bom exemplo, é a disponibilização na internet, dos registros audiovisuais dos espetáculos, isso facilita o acesso ao conteúdo produzido e é visto com simpatia pelo Ministério da Cultura na hora de avaliar um projeto cultural”, explica Adriana, que é parecerista do Ministério da Cultura.

Compositor e cantor Antonio Vileroy

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Diretor de Relações Públicas da Toyota do Brasil, Ricardo Bastos

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esde 2014, a Toyota apoia a Festa Nacional da Música. A montadora japonesa, além de divulgar sua marca e os grandes lançamentos de carros do ano, coloca em prática a sua política de fomento à cultura brasileira, uma ação gratificante, segundo Ricardo Bastos, diretor de Relações Públicas da Toyota do Brasil. Durante a Festa realizada em Porto Alegre, o execu158|FNM

tivo revelou o quanto a empresa está em sintonia com o maior encontro de artistas e representantes da indústria fonográfica do País. “A Festa Nacional da Música é um evento muito importante na cultura brasileira e a Toyota conheceu esse evento em 2014. Foi o nosso primeiro ano de apoio ao evento e gostamos muito”, declarou.

João Mattos/FNM

Toyota em sintonia com a Cultura


Fotos: Jackson Ciceri/FNM

Betina Carcuchinski/FNM

Betina Carcuchinski/FNM Fred Baggio, da Printer Press; Otacílio Nascimento, relações públicas da Toyota; e Erick Boccia, gerente de Comunicação da Toyota

Em grande estilo, cantora Alcione chega à Festa Nacional da Música

Paula Fernandes desembarcou em um Lexus da Toyota

O executivo ainda abordou o quanto foi positiva a mudança do evento para a Capital dos gaúchos.

“Então, se já estávamos muito felizes com o evento em Canela, em Porto Alegre ainda mais”, frisou Bastos.

“Ficamos muito felizes com a vinda do evento para Porto Alegre, principalmente pela forma espontânea com que ele acontece, por essa mistura cultural de todos estilos, de cantores, de artistas de todo o Brasil”, apontou.

A Festa realizada na Capital também fez parte de uma estratégia de divulgação bem-sucedida da empresa. Segundo ele, “permitiu que a gente divulgasse produtos, como o novo Prius, um veículo híbrido, que tem menos emissões de poluentes. Ele emite a metade da poluição de um automóvel normal. É um carro com uma ‘pegada ecológica’, grande eficiência energética – faz mais de 30 quilômetros por litro – e é um veículo diferente, um automóvel que a gente dirige curtindo. Então, pensamos que ele tem tudo a ver com a festa”, revelou.

A Toyota do Brasil e a Fundação Toyota incentivam a cultura, a educação e a preservação ambiental através de movimentos culturais e ações sociais e, segundo o executivo, a Festa Nacional da Música se enquadra nesse universo.

E completa: “Eles vêm aqui exatamente para confraternizar e para criar um ambiente muito harmônico, muito agradável. E acho que Porto Alegre trouxe essa interação. A população pôde participar do evento de forma mais intensa”.

“Agregamos valor à marca, algo mais do que apenas ensinar e repassar informações. Temos de cultivar mensagens positivas dentro de um ambiente cultural como o da Festa Nacional da Música. Encontramos isso no evento. Está dentro do DNA da empresa, daquilo que queremos, ou seja, falar de cultura, falar de meio ambiente e sustentabilidade de uma forma feliz e alegre”, registrou.

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Debate reuniu o diretor do Deezer no Brasil, Bruno Vieira; o presidente da Universal Music, Paulo Lima; o diretor de Serviços Digitais e Inovação da operadora Vivo, Fernando Luciano Pereira; e o CEO e cofundador da Superplayer, Gustavo Goldschmidt Paulo Lima

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o princípio era o verbo, e o verbo “tocava” nas rádios. Paródias bíblicas à parte, ainda hoje relacionamos o ouvir música com escutar rádio. Mas essa mídia mudou. Migrou para a internet. Como tudo o que “cai” na rede mundial de computadores, o rádio cada vez mais se distancia de seu formato original. E o que se apresenta como o seu real substituto é o streaming. Esta tecnologia é uma forma de transmissão instantânea de dados de áudio e de vídeo através de redes de computadores. Por meio dela, é possível assistir a filmes ou escutar música sem a necessidade de fazer download, o que torna mais rápido o acesso aos conteúdos online. Isso fez dessa ferramenta um serviço, cada vez mais rentável.

Para descrever como essa mudança está afetando o Brasil, a Festa Nacional da Música reuniu em um debate acalorado o diretor do site de músicas (em streaming) Deezer no Brasil, Bruno Vieira; o diretor de Serviços Digitais e Inovação da operadora Vivo, Fernando Luciano Pereira; o CEO e cofundador da rádio online Superplayer, Gustavo Goldschmidt; e o presidente da Universal Music, Paulo Lima. Como mediador do encontro, Lima introduziu o assunto fazendo um histórico da “passagem” da música para os meios digitais, recordando que a grande revolução do meio, a criação dos arquivos em MP3, começou nos anos 1990, passando pela revolução do Napster. O programa permitiu o compartilhamento gratuito de músicas e causou o primeiro choque da indústria da música com as novas formas de consumir seu produto, passando por mais um divisor de águas: o lançamento do iPod, feito por Steve Jobs em 2001. 160|FNM

Fotos Jackson Ciceri/FNM

Novo mercado gera euforia na indústria fonográfica e dúvida nos artistas


Bruno Vieira

Gustavo Goldschmidt

Fernando Luciano Pereira

Superintendente do Ecad, Gloria Braga, acompanhou o painel

“Criou-se o hábito da compra [de músicas]. Foi nessa época que nasceu a expressão ‘ripar’ [copiar arquivos de CD ou DVDs para outras mídias]”, expôs. Ele não deixou de se referir a outra revolução, o surgimento do iTunes. “Foi a criação de um modelo novo, disruptivo. Mudou-se a venda do suporte físico. Nasceu a loja de música na internet. A indústria sofreu com a mudança.” O presidente da Universal Music destacou ainda que, em 1997, o mercado da música chegou a comercializar 100 milhões de CDs, número reduzido para 12 milhões hoje. Segundo Lima, 2014 foi o ano em que as vendas de música digital tiveram o mesmo faturamento daquelas em meios físicos em todo o mundo, e que, desde essa época, a receita da Universal Music com streaming no Brasil já aumentou 56%. “O desafio agora é de barreira de entrada. Usuários de streaming devem

ter smartphones, o principal meio pela qual a internet é acessada hoje”, ressaltou. “Mas as quatro operadoras baixaram preços [de aparelhos e de plataformas de streaming]. O hábito de consumo de música por streaming no Brasil vai crescer com celulares baratos e com facilitação do acesso.” Além disso, ele frisou que, hoje, a média de gasto com consumo de música por streaming gira em torno de 12 a 14 reais – um valor acessível para ampliar o número de consumidores. Um novo conceito do que é prioridade para o cliente e a apresentação de um produto exclusivo para o nicho do streaming foram apresentados pelo executivo da Vivo. “O usuário quer o conteúdo musical everytime [todo o tempo] e anywhere [em qualquer lugar]. Em casa ele deve ter a possibilidade de desligar o celular e ligar a TV acessando a mesma playlist de canções que tocava em seu carro. Desligou a TV, deseja que as músicas toquem no

computador. Essa mudança está acontecendo com música, com vídeo, com Netflix e vai acontecer com videogame. Essa ‘usabilidade’ é o futuro. Ela deve ser fácil e simples e é o que a Vivo deseja oferecer”, destacou Pereira. Um exemplo é o serviço OTT (over-the-top) de vídeos musicais WatchMusic. Essa plataforma de streaming se propõe a oferecer acesso ilimitado a shows ao vivo e gravados, festivais, videoclipes e também tem a função de apenas áudio. É o primeiro fruto da parceria global entre a Telefónica, grupo espanhol detentor da Vivo, e a francesa Vivendi, ex-controladora da GVT. O lançamento do serviço ocorreu em Porto Alegre, durante o show da cantora Paula Fernandes, “Amanhecer”. “Música é o produto mais fácil de vender porque não tem rejeição. É incrível como é fácil vender música, por isso queremos vender com prazer e entregá-la de todas as formas”, assinalou o executivo. FNM|161


Produtor musical Carlos de Andrade

Preocupação com o novo formato Apesar da euforia com as novas possibilidades de oferecer música, ainda há a preocupação com a baixa remuneração dos artistas e com a pirataria, como expôs Vieira, do Deezer. “Mudaram, sim, as formas de se ouvir música. E se criou o hábito de consumir música de graça. Temos de lutar para acabar com a pirataria. O acesso a sites piratas ainda é muito grande. É necessário fazer a migração do ‘pirata’ para o ‘legal’”, apontou. Nesse cenário, ele descreveu um dos produtos de sua empresa, o TIMmusic by Deezer – serviço de streaming de música da TIM em parceria com a Deezer, uma das maiores plataformas de música do mundo, que pode ser adquirido por 14,90 reais ao mês. Porém, chamou a atenção para o fato de que os downloads de música geram gastos dos pacotes de internet, o que é uma exigência do Marco Civil da Internet. As operadoras não podem diferenciar o tráfego de dados para não gerar favorecimento de determinados serviços. “Seria benéfico para o

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Flávio Venturini atento ao debate

usuário final, que não estaria pagando mais pelo serviço de streaming”, comentou. “De qualquer forma, o grande desafio da minha companhia é fazer com que todo mundo consuma música [paga] de forma legalizada”, reforçou. A postura da Vivo diante desse fato, segundo Pereira, é sempre cobrar pelo tráfego de dados. “A Vivo não faz zero rating [permitir o acesso de forma gratuita, ou sem cobrar o tráfego de dados móveis a alguns serviços online, como apps de rede sociais e mensagens]. Essa é uma decisão estratégica da empresa”, revelou. “E a facilidade dos downloads nos tranquilizou, pois 70% dos usuários ‘baixam’ as músicas em casa, em rede wi-fi, e depois conseguem ouvir sem gastar seu pacote de dados”, comentou. Explorando outra ótica sobre o assunto, a mesa trouxe à discussão o case de êxito da rádio online Superplay. O serviço oferece ao usuário acesso a listas de músicas feitas por especialistas, organizadas por gêneros, atividades, sentimentos e outros temas especiais, diferente da simples

reprodução de álbuns realizada nas principais plataformas de execução de canções. Essa oferta de seleções de músicas conquistou o mercado nacional. “O Superplay nasceu da crença de que música é para qualificar a vida das pessoas e o nosso objetivo é ser um produto de lifestyle. Criamos vários momentos das vidas das pessoas imitando o rádio. E temos a intenção de monetizar rápido esse serviço. Já temos 1 milhão de ouvintes ao mês”, contou Gustavo Goldschmidt. “Conseguimos nos adaptar rápido à necessidade de grandes mercados”, completou. Ele lembrou que o Superplayer foi criado em parceria com a empresa brasileira Movile, responsável pelo iFood, e está em um momento de reinvenção. “A inovação está na base do nosso DNA”, destacou. “Somos uma empresa brasileira, um player ágil. Somos a primeira a entrar no Android Auto [sistema operacional para carros do Google], a primeira a investir em chatbot [robô que conversa com usuários]”. Lançado em maio, o Zak, robô musical do Superplayer, foi o primeiro no âmbito da música no Facebook Messenger.


Cantor e compositor Ivan Lins critica baixos valores repassados aos autores

Em tempo recorde, um mês somente, conseguiu sugerir 4 milhões de músicas a usuários. “Temos muita flexibilidade”, enumerou. A assinatura do Superplayer sai por 5,90 reais mensais ou 49 reais anuais.

Prejuízo aos artistas Apesar da oferta imensa de músicas e, como exemplificou Lima, o “streaming ser uma loja aberta 24 horas”, os artistas que dão vida a essas obras estão insatisfeitos com a remuneração que esse tipo de serviço está repassando à classe. Um dos porta-vozes dessa insatisfação foi o cantor e compositor Ivan Lins. “Há uma década minha remuneração com a execução pública de músicas chegava a 400 mil reais ao ano, em média. Agora, reduziu muito. E a renda com a internet alcança somente 200 reais”, registrou. A também cantora e compositora Marina Lima trouxe à tona o fato de o rapper americano Jay-Z ter criado uma plataforma de streaming, o Tindal, como reação à má remuneração de outra plataforma, o Spotify. Entretanto, os palestrantes apontaram que a iniciativa acumula um prejuízo milionário.

Insatisfeita com a remuneração dos artistas, Marina Lima questionou a mesa: “Então, vai ficar tudo a preço de tomate?”.

“Todas as plataformas de música pagam mais ou menos a mesma coisa pelos serviços, mas ainda dão prejuízos. Se a gente sabe que todo mundo precisa de música, por que eu vou oferecer para um e não para outro? Tocar música só em uma plataforma é prejudicial. Por isso o negócio do Jay-Z não funcionou”, refletiu Paulo Lima. Pereira, da Vivo, alertou que com o streaming ocorre uma inversão entre consumo e remuneração. “A remuneração do streaming é ‘pra rata’ [dividida proporcionalmente, rateada]. Só com programação da audiência que se pode ter lucro.” Vieira, do Deezer, ainda acrescentou: “Jay-Z esqueceu que a conta era igual para todo mundo, inclusive para as gravadoras, para se poder executar músicas. Streaming não é um negócio para qualquer um brincar, mas tem potencial de crescimento de receita”. Marina ainda desafiou a mesa, lançando mais uma dúvida: “Então, vai ficar tudo a preço de tomate?”. Diante da provocação, Paulo Lima insistiu na defesa da ideia de que o aumento do volume de execuções de canções,

mesmo que remuneradas com “centavinhos”, poderá resgatar os valores pagos aos músicos. “A indústria fonográfica voltou. Muito forte e sem limites. Os serviços de streaming pagos crescem a taxas superiores a 100%. O Brasil nunca teve tanta chance de exportar talento para o mundo como agora, com o streaming. E há 250 milhões de celulares no país. Na hora em que se massificar o streaming no Brasil vão ser ampliados os ganhos”, projetou o executivo da Universal. “Vivemos uma fase de transição. Não se vende mais música, mas serviços de música. E cada vez haverá mais serviços na rua. São camadas a mais de serviços que estão surgindo, sem barreiras, porque o digital não tem barreiras. Todos os envolvidos, gravadoras, editoras e artistas estão em busca de uma remuneração melhor, mas estou bastante animado com o futuro do streaming. Esse momento é disruptivo, desestabilizado, mas um dia tudo se acomoda e a realidade se readapta. Nunca vi tanta oportunidade de crescimento exponencial para todo mundo”, vaticinou Paulo Lima.

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Jackson Ciceri/FNM

Multimusical, De Luca lança “Pão e Circo”

Zé Natálio, Serginho Moah, Fernando Pezão e Léo Henkin na Festa da Música 2015 De Luca se apresentou na Festa Nacional da Música

O disco, que traz 11 faixas inéditas e autorais, tem como ponto alto a riqueza das letras e os arranjos rebuscados, além de ser esteticamente inspirado em temas literários como “Alice no País das Maravilhas”, “A Roupa Nova do Rei” e contos do escritor e ícone argentino Jorge Luis Borges. 164|FNM

Em Porto Alegre pela primeira vez, De Luca se mostrou entusiasmado com a receptividade de seu trabalho. “Participar da Festa Nacional da Música foi uma experiência fantástica e enriquecedora na minha carreira. Apresentar o ‘Pão e Circo’ e obter boas respostas, inclusive de artistas que sempre admirei, foi alegria e combustível para seguir produzindo e explorando.” Ex-líder da Banda Marraio, que atuou no cenário independente do Rio entre 2007 e 2014, o brasiliense radicado no Rio de Janeiro já tocou em algumas das principais casas de shows cariocas, como Canecão, Teatro Rival, Casarão Ameno Resedá e Rio Rock & Blues.

Para 2017, ele já anuncia um novo trabalho. “Tenho umas dez canções prontas para entrar em estúdio com a banda que tem me acompanhado ao vivo. Um time de feras. Ano que vem promete ótimos projetos”, finaliza. E que todo sentimento e vontade sejam transformados em arte. Livio Campos/divulgação

M

úsico e compositor, De Luca reflete toda a bagagem musical em seu primeiro álbum solo, intitulado “Pão e Circo”, no qual assume sem receios seu lado multi-instrumentista e incorpora desde a baglama – um instrumento musical de cordas do Oriente Médio – até violões de vários tipos e pianos com timbres variados.

Cantor apresenta seu primeiro álbum solo, “Pão e Circo”


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Celebridades 2016

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Celebridades 2016

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Celebridades 2016

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Celebridades 2016

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Fotos Jackson Ciceri/Festa da Música

“Não podemos criar muros entre os estilos”, diz MC Guimê MC Guimê e Lexa estrearam na Festa Nacional da Música

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les são o casal da vez. Eles cantam, são bonitos, ricos e famosos. E o início do namoro também está ligado à música. MC Guimê, 24 anos, convidou Lexa, 21 anos, para ser estrela do clipe da música “Fogo”, feito em janeiro de 2015. O fogo das imagens virou comentário da imprensa especializada e alguns meses de-

pois veio a confirmação: era namoro. E a parceria musical continua. Lexa estrela o clipe “Fato Raro”, que faz parte do primeiro CD do artista, lançado em novembro de 2016. Além de Lexa, o trabalho, que se chama “Filho da Lua”, conta com as participações especiais de outros artistas como Marcelo D2, Cláudia Leitte, Emicida e Negra Li.

MC Guimê e Lexa se apresentam no Palco Cidade da Música

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Filipe Pascual e Fernando Magalhães


João Mattos/FNM

Fotos: Jackson Ciceri/FNM

MC Guimê está na música há mais tempo. Compositor desde criança, tem como foco o funk ostentação que destaca o dinheiro, as mansões, os carrões, como fica claro nos clipes “Plaquê de 100” e “Queira ou Não Queira”. “Fiz minha primeira composição aos 11 anos já no rap, já usava boné, nesse mesmo estilo de hoje. Com 15 anos comecei a ver que ia dar certo”, conta.

Representantes do funk: Mr. Catra e MC Guimê

Apesar do estilo marcante, estranhamente a música dele que mais fez sucesso foi “País do Futebol”, que esquece um pouco a ostentação e retrata a realidade na favela e o sonho de mudar de vida pelo futebol ou pela música, apresentadas como únicas alternativas possíveis para quem vive na periferia. No clipe, participações superespeciais de Emicida e Neymar. Já Lexa tem como maior sucesso “Posso Ser”, do álbum de estreia “Disponível”. Atualmente, a cantora está no ar na Rede Globo participando do quadro Saltibum no programa Caldeirão do Huck. “Sou uma artista que veio da internet. Surgi da divulgação de músicas na rede. Com a internet temos mais facilidade de chegar nas pessoas. Quando atingi 1 milhão de visualizações comecei a me tornar conhecida e vieram os convites”, conta. O principal deles foi o interesse do compositor Michael Sullivan, que prepara com ela um novo projeto, mas que ainda está em segredo. Pela primeira na vez na Festa Nacional da Música, eles destacam a mistura de ritmos e gerações que o evento propicia. “Estou muito feliz de estar presente. Primeiro por ter sido convidado. Esta Festa é uma parada especial que reúne estilos diferentes, de épocas diferentes, com histórias que emocionam. Não tenho dúvida de que este é um momento muito especial”, opina MC Guimê. “É incrível estar aqui e encontrar artistas que você escuta desde criança na casa da sua vó e também artistas que meus filhos irão com certeza ouvir”, diz Lexa. Para MC Guimê, o principal legado que a Festa da Música deixa, por misturar tantos estilos e gerações, é o respeito. “Música é música. Desde criança escuto um bom rock, pop, sertanejo, mas claro que mais funk e rap. Essa mistura é muito boa pois o respeito tem que vir antes de qualquer coisa, não podemos criar muros entre os estilos”, diz MC Guimê.

Cantores se conheceram na gravação do clipe “Fogo”, e atualmente estão noivos

Betina Carcuchinski/FNM

Lexa e Guimê são fãs de Eli Soares e se emocionaram durante a apresentação do cantor gospel

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Show Gospel atrai milhares de pessoas Mau tempo não intimidou os fãs que lotaram o Largo Glênio Peres, no Centro de Porto Alegre

A abertura foi feita pela Banda Karmel, de São Leopoldo. Para abrir o tempo, a primeira música que

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cantaram foi “O Sol”, seguido por “Linda Casa”. “Estamos encantados com a presença do público. Mostraram muita perseverança em estarem aqui para fazer parte desse momento”, diz o vocalista Michel Leite. Já o baterista Dudu Oliveira destaca que o sucesso do Domingo Gospel tem a ver com o momento que o estilo passa atualmente. “O Gospel está crescendo e nosso público, sem trocadilhos, é fiel.” Banda Karmel

Divulgação

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o dia 16 de outubro ocorreu o já tradicional Domingo Gospel, um dos momentos mais esperados da programação oficial da Festa Nacional da Música. Neste ano, o show teve uma convidada a mais: a chuva! Mas mesmo com ela marcando presença durante toda a tarde, o público nem tomou conhecimento, mantendo-se firme e animado. A organização calcula que mais de 18 mil pessoas prestigiaram o show realizado no Largo Glênio Peres, bem no Centro de Porto Alegre, e que uniu o melhor da música gospel nacional.

Cerca de 18 mil pessoas lotaram o Largo Glênio Peres para o Domingo Gospel


Divulgação

Fotos João Mattos/FNM

Opus Dei

Fabinho Vargas foi o segundo a subir ao palco. Ele cantou “Ele não desiste de você” em ritmo de vanerão, animando o público, e seguiu com “Galileu” e outros sucessos. Fabinho, além de apresentar os músicos, é o coordenador da área gospel da Festa Nacional da Música e um dos idealizadores da tarde de shows reservadas ao estilo. Ele era só alegria com o sucesso de mais uma edição do Domingo Gospel. “O que temos aqui hoje é muito mais que um show, é um grande culto. Todos envolvidos numa mesma atmosfera, não há espaço para medo da chuva, para mau humor, estas 18 mil pessoas estão aqui com a proposta de amor incondicional”, empolgou-se ele. Fabinho Vargas

A Opus Dei, que completa 25 anos de carreira em 2016, deu segmento à série de shows. O guitarrista Marquinhos estava emocionado, pois a banda foi recepcionada pelo público cantando o sucesso “Ora que Melhora.” Mesmo com a longa trajetória, foi a primeira vez deles na Festa da Música. O Pastor Paulo Figueiró chamou o evento de “uma grande festa”. Ele cantou, entre outros sucessos, “Vamos Louvar Teu Santo Nome” e “Teu Amor Não Falha”.

Banda Tanlan

O vocalista da banda gaúcha Tanlan, Fábio Sampaio, estava muito feliz em tocar no Domingo Gospel da Festa Nacional da Música e explica. “A gente sempre comenta na banda que em todos os nossos shows mais importantes, chove. Talvez essa chuva toda seja culpa nossa”, brinca ele, que estava emocionado com a presença das milhares de pessoas. “Louco Amor” foi o hit deles que levantou o público. A Tanlan, com 13 anos, foi a primeira banda gaúcha a assumir o estilo gospel. FNM|173


Salomão

Pastor Lucas

O pastor Lucas, estreando na Festa da Música, cantou a música de trabalho de seu segundo CD, “Deus de Detalhes”, segunda música gospel mais tocada do Brasil. Salomão, com seu estilo reggae, também esteve pela primeira vez na Festa. “Para mim é um privilégio poder ser usado por Deus e estar aqui. É Ele que nos restaura, sempre.” Paulo César Baruk também está estreando. “Já conhecia a Festa e fiquei muito feliz e honrado com o convite e aqui estou reencontrando muitos amigos.” Paulo César Baruk

Daniela Araújo

Anayle Sullivan e Michael Sullivan

O casal Anayle Sullivan e Michael Sullivan cantou junto “Socorro Jesus”, que tem se destacado do repertório deles. “Tem sido uma grande bênção. As pessoas são realmente o exército do Senhor e estar aqui hoje é a escolha do povo Dele, dando aqui em Porto Alegre esse testemunho”, comenta Anayle. Já Michael Sullivan destacou a vinda do evento para Porto Alegre. “A Festa Nacional da Música é a nossa Copa do Mundo. Esperamos o ano todo por esse evento que é o maior da música brasileira e agora ainda maior sendo realizado numa das maiores capitais da América Latina.” 174|FNM

Daniela Araújo, que encerrou o Domingo Gospel de 2015, estava impressionada com a animação do público. “O povo gaúcho é muito valente. Eles sabem da importância da Festa. Da grande oportunidade que é estar aqui hoje, vendo seus cantores de perto, e aproveitam”, comenta ela. Geraldo Guimarães também destacou a garra gaúcha. “No Nordeste, não faz muita diferença se tem chuva ou sol, mas aqui, com frio e o povo prestigiar nos alegra muito.”


Geraldo Guimarães

Juninho Black

Preto no Branco

O show teve um significado ainda mais especial para Juninho Black, que integra, ao lado de Clóvis Pinho e Weslei Santos, o Preto no Branco, e que lançou na Festa Nacional da Música a sua carreira solo. “Estou muito feliz em trazer essa novidade para cá, iniciar na Festa da Música esta minha nova fase. Não falo em saída do grupo pois estamos e estaremos sempre juntos”, explica ele, que agora terá uma pegada mais groove, soul, sem perder o tom de adoração já conhecido do público.

PG

Em sua quarta participação na Festa da Música, PG sempre apoiou a inclusão da música cristã na programação. “Música é música. Ela é boa ou não. Temos que cada vez mais nos misturar e cada um mostrar a sua verdade”, opinou.

Mau tempo não afastou o público, que se manteve animado do início ao fim das apresentações

Delino Marçal

Delino Marçal, depois de emplacar vários sucessos como compositor na voz de outros cantores, estava feliz de trazer para Porto Alegre seu primeiro sucesso como cantor, “Deus é Deus”. “Pela primeira vez estou tendo esse privilégio e é extraordinário, não tem explicação. Estou encontrando com pessoas que são referência para mim.” FNM|175


Eli Soares O mais aguardado foi Eli Soares, que fechou a tarde de shows. Ele está em sua

terceira Festa da Música, mas neste ano com um motivo especial, foi um dos homenageados. “Foi uma surpresa muito linda ser homenageado. Estar no meio de tanta gente boa.. É uma alegria que não cabe no peito. É um privilégio estar aqui e agora uma responsabilidade a mais. Levando o nome daquele que me chamou, que é o Senhor Deus.” Dos seus sucessos, os mais festejados foram “Tudo que Eu Sou”, “Eu Sou” e “Me Ajude a Melhorar”.

Pastor Gaúcho

DJ Guga

Intervenções

Nos intervalos entre um show e outro, o DJ Guga animava a galera. E além dos shows, tiveram duas intervenções teatrais na tarde. A primeira foi a Companhia Ágape de Teatro e Dança, que ambienta histórias bíblicas em outras épocas com figurinos inspirados nos castelos do século XVIII. Eles abordam temas como família, desenvolvimento humano, salvação e qualidade de vida para os casais. “Fizemos um mix dos nossos espetáculos para demonstrar para o público”, explica a diretora do grupo, Aline Pimentel. A segunda participação teatral foi um stand up de comédia com o Pastor Gaúcho, que se diz um Tchêólogo. Interpretado por Anderson Alves, fala de fé com humor e levou o público a dar boas risadas. “Pastor que não tem ovelha não é pastor e ovelha que não tem pastor aqui no Sul vira churrasco”, foi uma de suas piadas. 176|FNM

Cia Ágape de Teatro e Dança

Pastor Paulo Figueiró


Fotos: Jackson Ciceri/FNM

Gravadoras e ícones do gospel debatem mercado O futuro da música cristã, carreira e ministério foram abordados no painel O futuro da música gospel e a polêmica entre carreira e ministério foram os temas debatidos em um painel focado no mercado de música cristã que ocorreu no Centro de Eventos do Hotel Plaza São Rafael, no dia 17 de outubro, dentro da programação oficial da Festa Nacional da Música. “A nova Música Cristã: De onde viemos, para onde iremos?” foi o primeiro tema abordado no painel que contou com as intervenções de Claudia Fonte (Som Livre), Renata Cenízio (Universal Music), Alomara Andrade (MK) e com os cantores Eli Soares, PG, Paulo César Baruk e Pastor Lucas. A mediação foi feita por Fabinho Vargas.

“O painel Gospel é a possibilidade que nós temos de falar sobre vários temas que interessam o nosso segmento. Ouvir as experiências de cada um. Nosso país é continental, é muito grande”, comenta Fabinho, que coordena o encontro gospel há cinco anos. Eli Soares exemplificou a questão das diferenças que existem no país e comemora o crescimento do mercado para poder fazer suas músicas, ligadas ao pop. “Quando comecei a cantar as pessoas só adoravam a Deus ao som da sanfona. E esse não era o meu estilo, o que para mim era um problema. Eu sempre tive cabelo grande, tinha suingue, e em uma época isso não era aceito. A igreja pregava a união, mas construía muros ao invés de pontes,

e hoje isso é diferente”, compara. Respondendo à pergunta/ tema, Alomara Andrade opina que a música cristã veio do susto e por assim ser está sempre mudando, se aprimorando, aberta a melhorar. “Estávamos nas nossas igrejas e saímos daquelas quatro paredes, sem planejar muito, e as gravadoras se interessaram. Para onde vamos, eu não sei. Sei que o CD existe e, embora digam que vai morrer, não vai, e estamos convivendo bem com outras possibilidades, com os downloads, o streaming e outras”, conta ela.

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Renata Cenízio, da Universal Music

Claudia Fonte, da gravadora Som Livre

Alomara Andrade, da gravadora MK

Renata Cenízio concorda com Alomara. Ela afirma que em 2013 entrou para a gravadora Eli Soares e que em pouco tempo já tem uma legião de fãs. “A música cristã está crescendo muito. O interesse das pessoas e o mercado também.” De acordo com as representantes das gravadoras, a música Gospel é a terceira em interesse de mercado, atrás do sertanejo, em primeiro lugar, e da MPB, em segundo.

Para Cláudia Fonte, o cantor gospel começou a falar de Deus na igreja e foi para fora. Para isso, precisou se aprimorar, estudar, investir, e isso teve um custo. “Estamos investindo, crescendo e a tendência é aumentar mais”, avalia.

Eli Soares

Paulo César Baruk

Alomara acredita ainda que esta é uma fase de experimentação. “Não vamos nos fechar, vamos experimentar o novo. Passamos da hipocrisia de discutir que vender música gospel é comercializar a fé. Hoje temos uma grande divulgação da música, que é entretenimento sim, mas temos que ter mais cuidado e vê-la como cultura. A nossa música trata a nossa verdade. Quem quiser consumir, consome, e viva a democracia!” Fabinho Vargas

Carreira artística ou ministério O segundo painel levantou a questão do papel do cantor gospel: se ele tem carreira artística ou ministério? A mesa foi formada por Paulo Cezar Baruk, Pastor Lucas, Geraldo Guimarães, Delino Marçal, Fábio Sampaio, da Tanlan, Eli Soares, Clóvis Pinho e Weslei Santos, do Preto no Branco, Daniela Araújo e PG, com mediação de Fabinho Vargas.

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Painel contou com a participação de artistas e representantes de gravadoras

Pastor Lucas

Delino Marçal

PG

O Pastor Lucas defende seu ponto de vista. “Carreira é o que a gente busca concretizar na música e ministério foi o que Deus designou na cruz para nós e está escrito.” Para Clóvis Pinho, do Preto no Branco, a carreira pode ter sucesso ou não. O ministério já é um sucesso. “Somos corpo e espírito. O ministério é alma, é espírito e a carreira é a nossa atividade.”

Para Delino Marçal, as duas nascem juntas: “Há cinco anos eu lavava carros e já escrevia as minhas músicas. Fico feliz de hoje continuar evangelizando, mas agora tendo uma carreira estruturada.” Já Geraldo Guimarães explica que a carreira não descredencia o ministério: “Não me preocupo com quem tem ministério e carreira. Me preocupo com quem diz que tem carreira e se afasta do ministério, ou esquece que o seu bem maior é Deus”, opina.

O cantor PG, que está há 24 anos na igreja, explica que se profissionalizou como cantor cristão e hoje sabe que é um artista, independentemente de algumas vertentes não gostarem dessa designação: “Eu uso meu trabalho para evangelizar. Tenho uma carreira de músico, mas minha música está sempre dentro da igreja e nosso público sempre vai estar lá, mesmo quando nossa música sai dela.”

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Daniela Araújo

Fabio Sampaio, da banda Tanlan

Geraldo Guimarães

Paulo Cezar Baruk conta que conversa bastante com os jovens da sua igreja, pois eles ainda perguntam se ele é artista ou adorador. “Ainda me perguntam e o pastor acha que me elogia quando me diz que eu não sou artista. Houve esse divórcio entre arte e ministério. Nós, artistas cristãos, servos de Deus temos que alinhar o nosso discurso. Se formos bons modelos dessa tolerância acredito que já vai melhorar.”

está fazendo o mesmo.” Eli Soares contou que já sofreu em apresentações com pastores muito ortodoxos. “Aqui ninguém toca de barba! Canta uma música de crente! Aqui quem manda sou eu! Foram alguns dos absurdos que eu ouvi cantando em igreja”, conta ele.

verdadeiro dentro da igreja.

Fabinho conta que o Movimento Tradicionalista Gaúcho, do qual fez parte, tem uma Carta de Princípios. “No MTG é assim: ou segue ou sai. Às vezes parece que a igreja

Na plateia do painel estavam cantores gospel com carreira já consolidada e outros em início. Os iniciantes pediam dicas para gravar CD e estruturar uma carreira de sucesso. Tanto as representantes das gravadoras, quanto os cantores aconselharam a cantar sem focar no sucesso, e acreditar que ele vem como consequência de um trabalho

“Se tu amas o que tu faz, vais fazer sempre, feliz, até o fim! Se tu conseguires viver disso, melhor e tu vais ficar ainda mais feliz”, comentou PG. Baruk complementa. “Mercado é consequência. Busca o Reino e ele vai vir. Mantém os olhos abertos. Quando a oportunidade passa a gente precisa estar atento.” Eles também aconselharam a aproveitar todas as facilidades que existem hoje em dia para dar visibilidade ao trabalho, utilizando com sabedoria o YouTube e redes sociais

Painel gospel terminou em música cantada em coro pela plateia

Weslei Santos e Clovis Pinho, do Preto no Branco

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divulgação

Talento, juventude e amor à música

Rafa Grego, Douglas Nogueira e Lucas Falaschi integram o grupo de pagode Sem Reznha

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riado há quatro anos em um circuito de escolas de Campinas, em São Paulo, o grupo Sem Reznha pisou pela primeira vez no tapete vermelho da Festa Nacional da Música 2016. Formado pelos jovens músicos Rafael Grego, de 21 anos, no pandeiro, Douglas Nogueira, 22, que é o vocalista, e Lucas Falaschi, 23, no cavaquinho, o trio aterrissou em Porto Alegre para mostrar toda a sedução do seu pagode alegre, romântico e sem “enrolação”. “Somos pagodeiros. Respiramos samba desde pequenos. Começamos participando das rodas de 182|FNM

samba na escola”, contou Nogueira. Essa vocação fez com que os amigos investissem com força na carreira. O resultado: uma agenda disputada. A canção autoral da banda, “Tô Numa Boa”, estourou nas rádios em 2012 e deixou uma lição para os jovens músicos: a importância de dar ao trabalho uma identidade própria. “As pessoas querem saber o que o artista pensa, como ele se expressa. A composição é uma das formas de oferecer isso ao público”, defende o vocalista. O novo CD, “Vem com Tudo”, é recheado de letras de outros compositores, mas

foram reservadas quatro das 12 faixas para expor as suas próprias letras. Para divulgar o trabalho, eles usam e abusam da internet e das redes sociais. “A gente faz parte da geração que respira tecnologia. A internet é onde temos o maior contato com os fãs, que têm a facilidade de acessar todo nosso material online”, descreve Grego. “Por isso, todas as terças-feiras lançamos um clipe novo em nosso canal no YouTube”, revelam os donos de outro hit: “Vem Comigo Ser Feliz”.


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Celebridades 2016

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Celebridades 2016

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Celebridades 2016

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Somos líder em liberação de Retidos Deixe seus créditos fluírem na UBC Com ferramentas exclusivas de Bussiness Intelligence desenvolvidas por nós, a UBC é líder na liberação de créditos retidos. De janeiro a novembro, a nossa associação liberou, sozinha R$ 57,8 milhões em créditos retidos de direitos autorais musicais ou 55% do montante de todas as associações que compõem o Ecad.

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UBC/divulgação

Informação e atenção ao mercado Espaço UBC na Festa da Música destaca atuação da entidade e participação dos artistas na sociedade de gestão coletiva

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om mais de sete décadas de atuação na valorização da produção musical e dos direitos autorais, a UBC (União Brasileira de Compositores) inaugurou seu espaço nesta edição da Festa da Nacional da Música. O Espaço UBC promoveu um ambiente que estimulou a troca de ideias sobre os novos rumos e os atuais desafios na arrecadação de direitos autorais de música. Além de oferecer informação e orientação sobre direitos autorais, mídias digitais e créditos retidos, também teve café quentinho, muitas conversas e, claro, boa música. Houve encontros musicais memoráveis com Sérgio Reis, Marina Lima, Mr. Catra, Rappin Hood, Leo Gandelman, Serginho Moah, Tchê Guri, Grupo do Bola e muitos outros. Usando diversas mídias para se comunicar, a associação disponibilizou revistas e materiais audiovisuais, que exibiam depoimentos de seus associados, como Guilherme Arantes, Thalles Roberto, Paulinho Moska e também a presidente da UBC, Sandra de Sá. “Vamos continuar abertos às inspirações mais lindas do mundo porque não existe vida sem música”, dizia Sandra em um vídeo que também está disponível na fanpage da associação no 188|FNM

Facebook. Marcelo Castello Branco, diretor executivo da UBC, destaca a importância da Festa Nacional da Música. “Eventos que promovam a música, sua rede e suas responsabilidades e oportunidades dentro de novas realidades, cada vez mais dinâmicas, serão sempre objeto de apoio e colaboração da UBC”. No início de 2016, Marcelo assumiu o cargo e levou, com sua trajetória de empreendedorismo, comprometimento e planejamento estratégico, assegurando continuidade ao histórico de confiabilidade e pioneirismo da UBC, trazendo dinamismo e agilidade frente ao cenário de constante mudança que a música enfrenta. Não foi apenas durante a Festa que associados puderam participar das principais discussões recentes do mercado. Durante o ano, a UBC promoveu encontros entre seus diretores com artistas associados para trocas de ideias e proposições para os desafios que as novas formas de uso da música trazem à arrecadação de autorais nos meios digitais. O encontro, intitulado “Novos Meios Novos Rumos” passou por lugares como Salvador, Vitória, Niterói, Belo Horizonte, São Paulo,

Campo Grande, Goiânia e chegará em novas cidades em breve.

Importantes ‘players’ do mercado escolhem a UBC A editora Warner e a gravadora Som Livre se afiliaram à UBC recentemente e reforçaram o time de associados. Importantes artistas como Caetano Veloso, Zeca Pagodinho e Alexandre Pires também escolheram a UBC como sua nova casa, assim como Lucinha Araújo que deixou o repertório de seu filho Cazuza aos cuidados da associação. “A Sociedade Viva Cazuza vive dos rendimentos dos direitos autorais do repertório do Cazuza, então temos certeza que na UBC teremos um reconhecimento maior e que essa mudança certamente vai trazer uma gestão mais eficiente deste legado”, declarou a mãe do poeta.

UBC identifica e libera R$ 57 milhões em créditos retidos Um dos principais motivos de comemoração por parte da UBC está na eficiência em resgatar rendimentos que ficam bloqueados por falta de informação, os chamados créditos retidos. Isso tudo é possível graças a


ferramentas de Business Intelligence (BI) exclusivas que foram desenvolvidas pela própria UBC. Elas permitem o cruzamento automático de dados e, consequentemente, a depuração mais rápida e eficiente das informações. “Usar a tecnologia com eficiência para cuidar do repertório dos associados UBC é a nossa busca diária e acredito que estamos no caminho certo, pois contra resultados não há argumentos. Investimos tempo e recursos em projetos de BI para administrar bem os direitos autorais dos nossos associados e para obter o destaque que conquistamos frente à concorrência. Por isso somos líderes no mercado”, explica Fábio Geovane, gerente de operações da UBC. Mais da metade (55%) de todos os valores reti-

dos no Ecad que foram identificados e distribuídos entre janeiro e novembro de 2016 são fruto do trabalho da UBC para beneficiar seus associados (são sete o total de sociedades arrecadadoras). Este feito totaliza mais de 57 milhões distribuídos a músicos, compositores, intérpretes, editores e produtores fonográficos.

Avaliação Positiva A UBC vem experimentando uma boa avaliação por parte de seu público. Uma pesquisa de satisfação realizada em julho de 2016 revelou que 83% recomendam a associação. Entre os associados, 92% têm opiniões favoráveis sobre a entidade.

Entre os entrevistados, 81% avaliaram positivamente o atendimento recebido dos funcionários, sendo que 52% o descreveram como excelente, e 29%, como bom. “As críticas também são bem-vindas, estamos atentos e vamos utilizá-las para melhorar cada vez mais nosso serviço. A UBC sabe ouvir muito bem o retorno sobre o nosso trabalho seja ele um elogio ou uma reclamação”, pondera Márcio.

Diretores da UBC e o advogado da associação, Sydney Sanches, no encontro em Belo Horizonte

Fotos: UBC/divulgação

Equipe UBC na Festa da Música 2016 com Fernando Vieira

“Ficamos muito satisfeitos com o resultado da pesquisa. Acredito que o principal motivo deste sucesso é a nossa equipe que, além de gostar muito do que faz e ter um bom relacionamento interno e com os associados, não se contenta em fazer o suficiente”, comenta Márcio Ferreira, gerente de Atendimento da UBC.

Presidente da UBC, Sandra de Sá, no encontro “Novos Meios Novos Rumos” em Salvador

Fafá de Belém, Sandra e Sá e Daniel César Spadella/UBC/divulgação

César Spadella/UBC/divulgação

Daniel e Isabela Taviani em “Novos Meios”, em São Paulo

Espaço UBC na Festa Nacional da Música

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divulgação

Sucessos que atravessam gerações

Grupo é formado por Luiz Cláudio, Liebert Ferreira, Miguel Ângelo, Rama e Otávio Henrique

A

s novas gerações, que curtem música pela internet e medem o sucesso pelo número de visualizações, talvez não tenham a noção da quantidade de hits que a banda The Fevers levou ao público ao longo de 51 anos de carreira. Canções que atravessaram épocas e que estão na ponta da língua dos brasileiros até hoje. “É Preciso Saber Viver”, “Cândida”, “Vem me Ajudar”, “Hey Girl”, “Hey Jude”, “Uni Dune Tê”, entre tantas outras. Essa é apenas uma pequena amostra das mais de cem obras, entre originais e compilações. “Começamos com a Jovem Guarda em 1965 e em 1971/1972 ganhamos Disco de Platina. Eram dois LPs por 190|FNM

ano. Era uma época boa”, recorda Liebert Ferreira, um dos fundadores do grupo e, assim como Luiz Cláudio, está até hoje em turnê. São mais de 60 lançamentos, entre vinil, cassete, CD e DVD, inúmeras músicas em trilhas e aberturas de novelas, uma vendagem superior a 14 milhões de cópias. Liebert conta que nesta longa trajetória musical já perderam a conta de quantas vezes participaram da Festa Nacional da Música. “Aqui a gente se encontra com todos os caminhos da música. Revê os amigos e consegue interagir, conviver, pensar projetos, falar de lei, de tudo. Somos assíduos desde a época da Festa do Disco, imagina!” Sobre a mudança

da Festa para Porto Alegre, Liebert considera um crescimento. “A Festa com isso ficou mais acessível, maior. Na noite de premiação, me senti em Los Angeles, o tapete vermelho, o palco, as luzes, lindo demais!” Mas o grupo não vive de passado, não. Formado por Luiz Cláudio (vocais), Liebert Ferreira, (baixo), Miguel Ângelo (teclados), Rama (guitarra e violões) e Otávio Henrique (bateria), The Fevers faz uma média de cem shows por ano. E, recentemente, a Polydisc lançou mais um álbum com superhits da banda que segue 2016 na turnê Vem Dançar. Para 2017, está sendo preparado um livro com o resgate da história do grupo.


João Mattos/FNM

Bixo mais vivo do que nunca Na Festa da Música 2016, Mimi Lessa e Marcos Lessa posam com Frejat

A Bixo é uma das primeiras responsáveis para o surgimento da expressão “rock gaúcho”. Recentemente, foram reapresentados a um público bem mais jovem do que seu primeiro em shows no Beco, em Porto Alegre, ou em festivais como o Morrostock. Embora os momentos sejam diferentes, os desafios permanecem os mesmos:

“Enfrentamos uma ditadura na época, em que as bandas se superavam para ocupar algum espaço na mídia retrógrada, que manipulava a informação e tinha medo do novo”, diz o baixista. “Tenho muito orgulho de fazer parte desse elo de informação musical que foi fundamental para a evolução do rock brasileiro.”

Bixo da Seda na década de 1970

reprodução

É

comum, e até aceitável, que os exemplos recorrentes sobre o rock and roll brasileiro dos anos 1960 e 1970 sejam Os Mutantes e Secos e Molhados. Inadmissível é ignorar que um dos sons mais originais daquela época foi criado no Rio Grande do Sul, influenciando atitude e sonoridade das gerações seguintes. Até por isso os integrantes do Bixo da Seda – ou, antes, Liverpool – não precisam pedir licença para entrar em qualquer Festa Nacional da Música. Com a mesma vitalidade de outrora, Marcos (baixo) e Mimi Lessa (guitarra) transitam por todos os ambientes sem se sentirem deslocados. “Um encontro deste nível de integração, com representantes de todos os segmentos da música brasileira, é muito significativo e estimulante”, diz Marcos. “É o único no Brasil a reunir um universo tão variado de influências musicais e artistas de todos os estados no mesmo palco felizes, pois sabem da grandeza do evento.”

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Pela primeira vez aberto ao público, evento apresentou compositores que falam sobre o processo criativo de suas músicas e da batida perfeita

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onhos de infância, romances, retratos de uma época, histórias da vida real. A música tem a capacidade de servir de pano de fundo para cada uma dessas situações, e a sensibilidade de gênios compositores, que captam cada sentimento que pode ser traduzido em poemas e notas, é revelada no Ninho da Criação. O encontro dos músicos Nando Cordel, Marcos Sabino, Sá, da dupla Sá e Guarabyra, Paulo Massadas e Michael Sullivan, promovido pela Festa Nacional da Música, sempre encanta os espectadores de suas histórias. Em 2016, o encontro foi aberto ao público, que contou com um contingente predominantemente feminino – as integrantes da Anapps (Associação Nacional dos Aposentados e Pensionistas da

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Previdência Social). Elas testemunharam um momento em que história, música e emoção se confundem. Sob o comando da cantora mineira Gisa Nunez, tocando “Me Dê Motivo”, a dupla Sullivan e Massadas fez aflorar doces lembranças dos artistas e do público. A canção foi composta para se tornar um sucesso na voz de Tim Maia. “O Tim era uma figura que, se você ficasse com ele meia hora, escreveria um livro. Eu aprendi a tocar violão e compor praticamente com Tim Maia”, relembrou Ivanilton de Souza Lima, o nome de batismo de Sullivan, um pernambucano que, aos 17 anos, se mudou para o Rio de Janeiro e, assim, conheceu todo o cenário musical local do final dos anos 1960.

Cantora mineira Gisa Nunez apresentou o Ninho da Criação

Fotos Jackson Ciceri/FNM

Ninho de talentos


Junto com Guarabyra, Sá compôs sucessos como “Roque Santeiro” e “Dona”

Pernambucano Nando Cordel é autor do sucesso “De Volta Pro Aconchego”

Paulo Massadas é o autor de “Deslizes”, hit na voz de Fagner

“Leva”, outra obra marcante na voz de Tim, feita por Sullivan ao lado de Massadas, também veio à tona. “Essa música era um jingle. Era o som da [rádio] Bandeirantes de São Paulo. E o Tim ouviu e disse: ‘Eu vou gravar’. Eu disse ‘Não, Tim. Não deve. Quem é que vai querer tocar essa música? Um jingle que está estourado’. Mas ele insistiu”, disse Sullivan. “Ele começou a lamentar que tinha problemas com a esposa, que saiu de casa, que o cachorro morreu e que essa música era linda, e que estava no Rio e tinha muito que gravar a canção. Eu expliquei que ele deveria, então, colocar um outro tom. Aí, ele mudou de voz e disse: ‘Meu irmão, eu te ensinei a cantar, e você tá me falando que eu não consigo cantar no teu tom? Ivanildo, tenha dó, né? Você não canta mais que o Tim Maia!”, relembrou. “Essa é apenas uma das histórias do Tim. A saudade é grande”, confessou.

“Sullivan contou que aprendeu a tocar com o Tim. E eu aprendi a gostar de música com ele”, afirmou Massadas. “O que eu jamais poderia imaginar é que a gente, Sullivan e Massadas, iria fazer parte da história do Tim. Com três canções altamente atômicas, como foi também ‘Um Dia de Domingo’”, descreveu Massadas.

eu fazia, nem minha mãe comprava o disco”, brincou. “Eu morava em uma pensão, no Rio de Janeiro, e estava tão sem dinheiro, que a dona do lugar disse: ‘Tu vai morar debaixo da escada’. Mas o Michael Sullivan me levou para um hotel e disse: ‘Nando, um mês tá bom para você fazer 12 ou 13 músicas?” Depois de comer bem e tomar banho de piscina, ele começou a compor. “Peguei o violão e fui fazer música, como ele me pediu, mais simples, mais comercial”, contou. Foi assim que nasceu “É de Água na Boca”. “Nesse dia, eu fiz 14 músicas em uma tarde. Era para fazer 12. Aí, eu fiquei com medo de ligar pra ele, e ele me tirar do hotel!”, divertiu-se o dono de clássicos como “Isso Aqui tá Bom Demais” e “De Volta Pro Aconchego”, um dos temas mais marcantes da novela “Roque Santeiro”.

As lembranças provocaram a comoção da plateia. Maria Edelmira Ferreira, 61 anos, chorou durante a apresentação dos músicos diversas vezes. “Estar aqui e reviver sentimentos, ter uma série de lembranças, é um privilégio, uma felicidade”, registrou. E a amizade continuou dando o tom à conversa. O pernambucano Nando Cordel recordou que Sullivan foi quem o ajudou a deslanchar na carreira. “Com o tipo de música que

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Michael Sullivan relembrou histórias vividas ao lado de Tim Maia

Autor de “Reluz”, Fernando Sabino mostrou sua nova música, “Dia Simples”

Sá também foi um dos compositores que brindou esse folhetim com grandes composições, entre elas “Roque Santeiro”, escrita por Dias Gomes, criada como um poema ABC, comum na literatura de cordel. “O [produtor musical] Mariozinho Rocha ligou e disse: ‘A gente precisa de uma música para abrir a novela, que contasse a história do herói. O Guarabyra, que é nordestino, tinha a ideia do ABC, porque o folclore nordestino está cheio de ABC”, explicou. Mas os produtores da TV Globo, que veiculou a novela, não aprovaram a ideia. Guarabyra, então, ligou diretamente para o autor e o convenceu do valor da música. “A gente gravou a música e até hoje tem de tocar no show, senão somos postos para fora do palco.” Sá & Guarabyra ainda emplacaram na mesma novela a música “Dona”, gravada pelo grupo Roupa Nova.

Marcos Sabino contou que compôs “Reluz” aos 15 anos. E ele estourou quando tinha 22. Também lembrando de Mariozinho Rocha, Sabino disse que ele não gostou da música. “Meu produtor na época chegou até a se desentender com ele por isso. Mas eu gravei assim mesmo. E foi a música que aconteceu. Na verdade, não tem lógica essa coisa do sucesso. Ele vem da alma e é o público que escolhe”, definiu.

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Nando Cordel ainda recordou de “Gostoso Demais”, eternizada por Maria Bethânia, e Sá, de “Caçador de Mim”, que é sempre creditada a Milton Nascimento, cantor que também a gravou. E seus versos feitos com Sérgio Magrão conquistaram um canto suave da plateia. Sabino ainda divertiu a todos lembrando que gravou “Anjo Azul”, uma compo-

sição de Sá, no entanto o material se perdeu depois que sua ex-gravadora, a Top Tape, fechou. Autor de “Ursinho Blau Blau”, Massadas contou que compôs a música depois de ver um documentário sobre pessoas que dormem com ursinhos. E, para premiar a plateia, ele e Sullivan também tocaram “Amor Perfeito”, um hit na voz de diversos artistas e que, segundo Massadas, “deve ter sido gravado até pelo Mickey Mouse”. Como Sá confessou que estava comemorando seu aniversário, Sullivan o homenageou com o “Parabéns da Xuxa”, fazendo todos voltarem a ser criança.


Público formado por integrantes da Associação Nacional dos Aposentados se emocionou no evento

Nando Cordel lembrou que Elba Ramalho o inspirou a fazer “Doida” em um telefonema, quando a cantora confessou que seu disco novo tinha músicas boas, mas “precisava de um sucesso e estava ficando doida”. A música ficou na última faixa do LP, entretanto, também estourou. “Aconteceram muitas coisas boas com Elba. Toda vez que ela me pedia uma música, eu acertava na veia”, assinalou.

Sullivan, Lexa, MC Guimê, Marcos & Belutti, Thaeme & Thiago e o grupo Sorriso participarão do projeto, formatado em uma série de vídeos

para a internet. “Isso tudo também será para o pessoal da ‘terceira infância’”, definiu Massadas, encerrando mais um Ninho da Criação.

Parceiros em composições por 16 anos, Sullivan e Massadas foram responsáveis pela criação de memoráveis hits da MPB

O encontro ainda teve um momento intimista, em que Sabino apresentou sua nova música, “Dia Simples”, brindando o público com a primeira execução de mais um futuro sucesso. Para finalizar o evento, Sullivan e Massadas fizeram todos dançarem ao som de “Whisky a Go-Go” e ‘É de Chocolate”, música que fará parte de uma coletânea dos 40 anos de sucesso da dupla, repleta de sucessos infantis. Conforme 195|FNM


Festa da Música celebra aniversário de 50 anos da Rádio Caiçara Anfiteatro Pôr do Sol recebeu atrações musicais para o aniversário da Rádio Caiçara

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huva torrencial, ameaça de granizo e ventos acima de 100 km/h. Não foram poucos os artifícios para tentar afastar o público da festa de 50 anos da Rádio Caiçara. Porém, nem isso fez com que os fãs arredassem o pé da frente do Palco Cidade da Música, no Anfiteatro Pôr do Sol, no dia 16 de outubro. Contra todas MC Dudinha

as previsões para aquele domingo, o evento aconteceu e levou muita música aos milhares de presentes. “Se tivesse uma, dez, cem ou 100 mil pessoas aqui, esta festa aconteceria”, anunciou o comunicador Sérgio Zambiasi, por volta das 16h, após o aval do Corpo de Bombeiros para a continuidade dos shows. Os radialistas subiram ao palco para receber a ovação da plateia e iniciar a maratona de apresentações. E nada levantaria mais o astral do público do que o hit “Fala na Cara”, da MC Dudinha. A funkeira levou este e o sucesso “Quem Não Quer Sou Eu” – ambos com quase 2 milhões de visualizações no YouTube – para terem os passinhos copiados pelos adolescentes. Em seguida, foi a vez de outro fenômeno jovem gaúcho, mas de segmento diverso. O sertanejo Gabriel Farias, de 21 anos, precisou apenas dos primeiros acordes de “Vamos Ficar de Boa” para arrancar gritos do público e algumas

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lágrimas das fãs mais à flor da pele. Justifica-se. Em seu canal oficial, já são mais de 3 milhões de visualizações em seus vídeos – 500 milhões apenas no clipe de seu maior sucesso. Na mesma toada country, a cantora Carolina Branco deixou os covers para o meio digital e levou “A Flor e o Beija-Flor” para ser executada ao vivo. A morena esbanjou simpatia e arrebatou os corações dos apaixonados, mesmo Gabriel Farias


Carolina Branco

Rodrigo Ferrari

Kelly Santiago

no momento em que a chuva caía mais forte. Ela deixou o palco para dar lugar ao terceiro sertanejo da tarde. O cantor Rodrigo Ferrari, conhecido por sua parceria com MC Jean Paul em “Tá Soltinha”, provocou o público com seu “Vuco Vuco”. Este hit tem uma versão do clipe gravado em Las Vegas, marcando a consolidação do artista que não quer ficar restrito ao sertanejo, e flerta com o romântico e o arrocha.

foi executada no Centro de Eventos na primeira noite de cerimônias. Extasiadas, as fãs deliraram quando o vocalista Leíz desceu e levou seu microfone para ser disputado pela galera.

estendida – já que, naquela madrugada, havia iniciado o horário de verão –, o funkeiro MC Guimê entrou como um raio. Simultaneamente, as nuvens se abriram e permitiram que o sol desse as caras pela primeira vez no dia, sem interrupção. De pronto, o cantor declamou os versos de “Plaquê de 100”, incendiando o público. Entre os agradecimentos, emendou “País do Futebol”, hit consagrado com a participação do craque Neymar, do Barcelona e da Seleção Brasileira, e do rapper Emicida.

O pagode chegou em grande estilo com a Turma do Pagode. Os sambistas seriam homenageados no dia seguinte, então brindaram o público com “Lancinho” e “Deixa em Off” – esta, inclusive,

Alternando os estilos, foi a vez da catarinense Kelly Santiago mostrar o sertanejo herdado do pai, o cantor Rony, da dupla Rony & Robson. Criada no Sarandi, em Porto Alegre, a loira de 32 anos mostrou o talento inscrito no DNA com suas composições. Se o tempo foi um dos protagonistas do dia, coube aos astros cumprirem seu papel no roteiro. No fim da tarde

MC Guimê

Turma do Pagode

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MC Guimê e Lexa

“Desde o começo do meu trabalho, sempre fui um cara que gosta de se misturar, de buscar experiências novas, e pude conhecer muitas pessoas da música de quem sou fã, pessoas mais antigas, que me representam”, falou o MC, que lançou seu primeiro álbum no formato físico em novembro. “É muito legal essa junção [da Festa Nacional da Música]. Tem que estar cada vez mais junto.” O evento foi especial também por outro motivo “astrológico”. Sua noiva, a estrela pop Lexa, apresentou-se ao seu lado. O hit “Fogo” celebrou o ótimo momento na carreira da artista. A letra repetida pela boca dos fãs foi o exemplo consolidado disso, o que valeu, também, o primeiro convite para a participação na Festa Nacional da Música: “Estou bem animada, bem ansiosa. Nunca participei. Acho que será uma excelente experiência. É sempre muito legal dividir o palco com uma galera tão legal”, resumiu a cantora. Os Federais

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Ana Paula Aragana

Depois do show, Guimê e Lexa também foram responsáveis pela formação de um halo de fãs em torno deles na lateral do palco. Dezenas de jovens correram para garantir a selfie e declarar seu amor aos ídolos. O carinho ajudou o casal a superar uma experiência ruim. Horas antes, o voo que os trouxe a Porto Alegre passou por uma forte turbulência e os artistas relataram o ocorrido nas redes sociais. Logo, agradeceram o afeto demonstrado por todos com suas chegadas à capital gaúcha.

na música sertaneja atual, Ana Paula Aragana apresentou seu vozeirão. Os dançarinos mostraram, com os corpos, como a sensualidade pode ser traduzida de várias formas pela música. Em seguida, Os Federais começaram seu show, também incrementado com uma dupla de dançarinos. Com seu “forronejo”, Vivi e Jefferson Ginga arrepiaram os fãs, que também comemoraram o retorno de César Moreno ao grupo. O trio de vozes emocionou com “Saudade de Você” e “Nada Mudou”.

“Sempre é uma felicidade enorme [vir ao Rio Grande do Sul]”, afirmou Guimê, logo após o show. “Não tem nada mais gratificante do que você ver o reconhecimento, o respeito e o carinho do público. Graças a Deus, aqui, a criançada, os jovens, as pessoas mais velhas, em geral, curtem, pedem uma foto, falam da música. Fico muito feliz com isso tudo aqui.”

Carlinhos Weiss foi o responsável pela mistura mais apimentada da tarde. Primeiro, levou seu rock and roll de raiz. Depois, convidou a mineira Nayra Days para demonstrar como funciona a viola caipira. E, embora a dupla tenha executado os clássicos “Evidências” e “Saudade da Minha Terra”, de Chitãozinho & Xororó, Nayra mostrou que é possível aproximar sertanejo com o rock experimentando riffs de “Satisfaction”, dos Rolling Stones. “Cresci ouvindo Tião Carreiro e Milionário & José Rico ao mesmo tempo que Pink Floyd e Iron Maiden. A música sempre foi muito forte na minha vida, não só o estilo sertanejo. Sempre gostei de outros estilos e tento trazer isto para a minha música”, diz a jovem de 25 anos.

Confirmando a excelência feminina Carlinhos Weiss e Nayra Days


Zueira

Gisa Nunez

Grupo do Bola

O pagode retornou com o Grupo Zueira. Veteranos no evento, a banda chegou à quinta participação na Festa Nacional da Música em 17 anos de carreira. A primeira, no entanto, após a guinada vertiginosa com a disputa do “Superstar”, reality show musical da TV Globo. “[A televisão] é outro universo”, define o vocalista Denilson. “O que aprendemos musicalmente com os produtores de lá é fantástico. Conseguimos chegar em muitos lugares do Brasil. Recebemos mensagens do Recife, Maranhão, Ceará, lugares que não atingíamos antes. Tive o prazer de ser elogiado pela Rita Lee, por exemplo, e isso é uma coisa que ficará marcada para sempre.”

Apesar disso, eles não mudam a maneira de se comportar e fazem questão de estarem presentes em todas as Festas a que são convidados. O evento é uma oportunidade de, segundo Denilson, aprender sobre a parte burocrática do trabalho e a encontrar ídolos: “Tive o prazer de conhecer o Chorão [ex-vocalista do Charlie Brown Jr]”, conta. “Sou mais um fã da música e da Festa do que propriamente um convidado. É um encontro gigantesco.”

Gisa Nunez cantou seus hits, mas realmente levou o público ao delírio com o supersucesso de Naiara Azevedo, “50 Reais”, e divertiu a plateia até a chegada do Grupo do Bola. Suingue, balanço, samba e rock se misturam no estilo dos músicos gaúchos, mostrando que a cena musical gaúcha está na pauta nacional. Com “Papo Reto”, do Charlie Brown Jr., até “Descobridor dos Sete Mares”, um dos hinos do imortal Tim Maia, a galera encerrou o evento com uma explosão de alegria. Antes da noite cair e bem depois da chuva, o público fiel voltou para casa com as expectativas atendidas. Palmas para eles.

Comunicadores da Rádio Caiçara: Paulo Josué, César Manoel, André Araújo, Oliveira Júnior, Leandro Maia, Sérgio Zambiasi e Amanda Block

O aniversário da Rádio Caiçara também foi marcado por uma ação social e de promoção à saúde que mobilizou o campo ao redor do Anfiteatro Pôr do Sol. Foi o evento “Sesc Estar Bem”, promovido pelo Sesc e pelo Senac, que também ofereceu atividades culturais e recreativas para crianças. Ao todo, 3.636 jovens e crianças puderam aproveitar os 15 brinquedos, salão de jogos eletrônicos e parede para escalada montados na área. No local, 388 pessoas também puderam realizar exames de medição de glicose no sangue, pressão arterial e obter encaminhamento oftalmológico. No estande montado para mostrar as vantagens do reaproveitamento de materiais, como tecidos, foram realizados 181 atendimentos e a biblioteca montada no local recebeu 411 visitantes. “Foi uma ação que atraiu muitas pessoas, foi muito procurada. Descontando a interrupção do trabalho em função da chuva, o Sesc Estar Bem foi um sucesso”, descreveu o coordenador da atividade e gerente da Unidade Sesc Redenção, Edson Domingues.

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Revelação do samba

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árcio da Costa Batista, o Mumuzinho, fez sua estreia na Festa Nacional da Música em 2016. Ele chegou à cidade para integrar a legião de músicos que dão vida à Festa e mostram seu talento em todos os palcos do evento. Entretanto, ele pisou no Hotel Plaza São Rafael com uma grande missão: participar da homenagem à diva do samba de todos os tempos Alcione, passando às mãos da cantora a maior distinção do evento, o Troféu Festa Nacional da Música 2016. A meta foi cumprida com afinco e muita emoção. “Comecei no Rio de Janeiro cantando em barzinhos. E a vida me deu algo lindo: poder entregar esse prêmio”, declarou diante da mestra, emocionado. “Lembro que uma tia me falou: ‘Se você quer cantar música boa, vou te mostrar um disco’. Ela me entregou um disco da Alcione”, lembrou Mumuzinho, iniciando o que seria também uma declaração de amor à Marrom. “Minha tia ainda falou: ‘O dia em que você aprender a cantar essas músicas, você estará pronto para seguir. E eu estou aqui, pela primeira vez, na Festa Nacional da Música e estou muito feliz”, descreveu.

O tributo do cantor, que já faz parte da constelação dos grandes artistas do cenário do samba do País, ainda foi completado com um dueto, divertido, comovente e de alta qualidade técnica com Alcione na interpretação de “A Loba”.

Jackson Ciceri/Festa da Música

A música integra o leque de sucessos interpretados por esse artista polivalente, que além de tocar cavaquinho é ator e, há seis anos, faz parte do elenco do programa “Esquenta”. “Mande um Sinal”, “Já Faz Tempo”, “Curto Circuito”, “Estonteante”, “Baratinar”, “Te Amo”, “Se Eu Tivesse Poder”, “Preliminares” e “Ministério da Saúde” podem ser somadas em sua lista repleta de hits, que evidenciam sua qualidade vocal e personalidade marcante.

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E a carreira paralela de ator de Mumuzinho ainda pode render mais frutos com sua participação na nova versão de “Os Trapalhões”, no papel de “Mussum”. Assim, com muitos projetos, histórias e surpresas, o artista de 32 anos, que nasceu em Realengo, na zona oeste do Rio, marcou presença na Capital dos gaúchos, definindo a experiência em uma só palavra: única.


Em 2015, João Bosco & Vinícius se apresentaram na Festa Nacional da Música

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omenageados em 2015, João Bosco & Vinícius retornaram à Festa Nacional da Música para mais uma vez brilhar no palco. Desta vez, eles entregaram o prêmio que expressa o reconhecimento da importância no cenário musical brasileiro à nova e experiente dupla Milionário & Marciano.

O trabalho, repleto de participações especiais de estrelas da grandeza de César Menotti & Fabiano, Jorge & Mateus e Henrique & Juliano, tem ainda regravações de hits, celebrando a beleza de composições sertanejas feitas pela dupla que é considerada a pioneira do estilo “sertanejo universitário”.

Os sertanejos, que já possuem 23 anos de carreira, compartilharam o palco com dois cantores que reúnem mais de 50 anos de sucessos. “Quando formamos a dupla, eu tinha 12, o Vinícius tinha 13, lá no Mato Grosso do Sul, em uma cidade chamada Coxim”, relembrou João Bosco.

“O nome ‘sertanejo universitário’ foi um rótulo que o pessoal colocou no nosso trabalho, porque éramos universitários quando surgimos na música [João foi aluno de odontologia e Vinícius, de fisioterapia], e 80% do nosso público vinha das universidades”, contou João.

Em 2016, os cantores lançaram uma série de vídeos com novas canções no YouTube, entre elas “Respeita” (“Deixa a Gente Quieto”), que já ultrapassou as 500 mil visualizações na internet. Ela integra os novos álbum e DVD intitulados “Céu de São Paulo”.

Público este que já foi diversificado e ampliado, uma vez que os cantores têm milhares de fãs dos mais diferentes estratos sociais em todo o país. No repertório da dupla, estão canções consagradas, como “Chora, Me Liga”, “Final de Semana”, “Tarde Demais” e “Falando Sério”. FNM|201

Mauro Vieira/FNM

Sucesso sertanejo


Celebridades 2016

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Celebridades 2016

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Betina Carcuchinski/FNM

O futuro da música no ambiente digital

Executivos do Ecad mostraram o cenário atual da execução de canções na internet e orientaram os artistas sobre o tema

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Futuro da Execução Pública no Ambiente Digital” foi o tema que o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) levou à discussão dos artistas, nos dias 17 e 18 de outubro, no já tradicional espaço montado pela entidade durante a Festa Nacional da Música. O Ecad é responsável pela proteção dos direitos autorais dos compositores e propôs o debate com 204|FNM

grande presença de intérpretes e compositores. A superintendente do Ecad, Glória Braga, iniciou mostrando alguns números do setor. O streaming tem 100 milhões de assinaturas em 2016, com expectativa de subir para 200 milhões em 2017 e completando 500 milhões em 2020. Segundo ela, todas as novidades causam desconfiança. “Como já ocorreu

com a TV por assinatura, algo que hoje todo mundo tem”, comparou. Ela apresentou dados do Spotify, Apple Music, Google, YouTube e outras tecnologias de acesso online à música que devem ganhar o gosto do público e esquentar a discussão da remuneração dos compositores nas execuções públicas nos ambientes online nos próximos anos.


Jackson Ciceri/FNM

Fotos: Betina Carcuchinski/FNM Superintendente do Ecad, Glória Braga apresentou alguns dados do Spotify, Apple Music, Google e YouTube

Jackson Ciceri/FNM

Frejat alerta que as novas tecnologias deixam os músicos desassistidos

Marina Lima defende a busca de uma solução para a remuneração do artista

Para o cantor e compositor Frejat, as novas tecnologias deixam os músicos desassistidos. “No streaming, o músico, o cara que toca a música, vai deixar de receber. O autor recebe do Ecad, o intérprete recebe da gravadora. Se é o que deve, se é o que é justo, não vamos discutir agora, mas a classe de músicos vai deixar de receber.” A maior questão em jogo é a remuneração e o controle desse acesso, além da polêmica sobre o que é execução pública e privada, já que muitos defendem que acessar a internet é privado. Teoria que o compositor e cantor Ivan Lins rechaçou. “O argumento de que na internet a pessoa não está em um

Ivan Lins e a advogada Clarisse Escorel, do jurídico do Ecad, concordam que a internet é um ambiente público

local público é falso e safado”, criticou. A advogada Clarisse Escorel, do jurídico do Ecad, completou. “A internet é coletiva por excelência!” O ator e cantor Cláudio Lins, que estava ao lado do pai e interessado na temática, questiona como a lei é cumprida em outros países como França e Alemanha, por exemplo. Glória Braga alerta que nos outros países essas execuções online também não remuneram os compositores. “Cada país, a seu modo, busca uma brecha na lei para não pagar.” Ivan Lins, que é compositor de muitas canções que atravessaram época, é o mais desesperançado com a Internet. “Pensei que minhas músicas seriam uma herança que

eu ia deixar para meus filhos e netos. Mas, hoje, o compositor está fadado à extinção. Ele é o último a receber. A matéria-prima, que é a música, que faz esse mercado, que dá emprego, que movimenta o mercado, está no final da fila. Se o compositor não cantar, não fizer show, não tiver outras formas de renda, está fadado a abrir uma padaria ou virar uber.” A cantora Marina Lima considera o cenário desfavorável, mas é menos enfática. “Não sou tão cética como o Ivan Lins, acho que teremos que encontrar uma forma, um equilíbrio”, opina.

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Fotos: Betina Carcuchinski/FNM Jackson Ciceri/FNM

Executivos do Ecad apresentaram informações sobre a distribuição de direitos autorais

Cantor e deputado federal, Sérgio Reis se colocou à disposição para levar os temas ligados à classe para a Câmara

O compositor Michael Sullivan comenta que o Google está pagando aos músicos que buscam seus direitos via judicial. “Todos que eu sei que entraram na justiça estão ganhando!” Ele comenta também a negociação feita por Zeca Pagodinho diretamente com o YouTube, que venceu e tem recebido pelas execuções de suas músicas no canal online. Porém, segundo Glória, esses processos independentes não são vantajosos aos artistas e enfraquecem a classe. “O que o YouTube está pagando para as causas individuais é menos do que a metade que o Ecad busca conseguir. Eles apresentam um número de execu-

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Claudio Lins afirma que ainda há uma alienação muito grande sobre as perdas da classe

ções que o artista confia às cegas. Sem saber se é verdade ou mentira”, alerta ela. Frejat comenta que alguns amigos começaram a discutir com o Google, mas desistiram. “Viram que não seria vantajoso.” Ivan Lins considera o YouTube a “maior pirataria legalizada do mundo”, pois, segundo ele, ganha dinheiro em cima do trabalho dos outros. “São infratores. O princípio do direito autoral passa por autorização. Eles são um contrassenso jurídico. Gravam meu show, postam lá sem autorização e ganham dinheiro com as visualizações”, critica.

Claudio Lins acrescenta que discutir esse tema na Festa Nacional da Música, onde há muitos compositores e músicos interessados, é a chance de se fazer uma ação alinhada e unificada, buscando ganhar força em busca desse objetivo. “Aqui, podemos conversar, debater e pensar em uma ação organizada que busque nossos objetivos de forma amigável e efetiva.” Segundo ele, ainda há uma alienação muito grande sobre as perdas da classe em não participar da discussão. “Não poderíamos caber nesse lounge. O tema é tão relevante que deveríamos estar num auditório com 500 lugares, lotado”, completou ele.


Fotos: Jackson Ciceri/FNM Artistas estavam atentos ao debate

Cumpadre Washington considera salutar o debate

Marina Lima considera a união da classe uma utopia. “Teremos que resolver esse problema de alguma forma, mas não acredito nesta mobilização.” O cantor Sérgio Reis, que também é deputado federal, se colocou à disposição para levar os temas ligados à classe para a Câmara dos Deputados. Cumpadre Washington, cantor e compositor do É o Tchan, estava atento às discussões. “É muito bom o Ecad levantar estas questões. É bom a gente se reunir pra pensar, conversar sobre estes temas tão importantes a nós, artistas.” O compositor João Roberto Kelly

Armando Pittigliani, Glória Braga, João Roberto Kelly, Maria Helena, Paulo Massadas e Sandra Massadas

concorda. “As pessoas precisam se conscientizar mais. Essas novas tecnologias dificultam a ação dos órgãos de mercado. A música é o nosso direito e independe das associações, depende de nós.” Ivan Lins se considera um privilegiado por fazer parte de outra época. “Eu ainda tive o meu direito preservado. Já esses compositores que fazem esses hits que viralizam, que são descartáveis e que ganham muito dinheiro com essas composições estão acabando com nosso mercado. Vão ter que fazer shows até os 103 anos, de bengala ou cadeira de rodas. Senão não

vão ter renda.” Sérgio Reis diz que este controle por parte dos órgãos não é de hoje. “Agora sofremos com a internet. Há muito tempo que eu quero enumerar meus discos, mas a gravadora nunca deixou, justamente para eu não poder ter o controle da minha obra.” A cantora Rosemary completa. “Nessa época ainda recebíamos o incentivo da gravadora para gravar, recebíamos certo respaldo. E hoje que entregamos o CD pronto na mão da gravadora. Está tudo muito pior”, avalia ela.

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Divulgação

Romantismo em alta Lulli Chiaro lança seu segundo CD pela Sony Music

Lulli Chiaro é um dos líderes em vendas do selo Sony Music

“Fra Le Nuvole” é carregado de romantismo, acentuado pela efervescência do idioma italiano em canções como “Fra Le Nuvole”, “E Tutto Più Di Me”, “Mi Mancherai”, “Quando Si Ama Come Noi” (versão de “When a Man Loves a 208|FNM

Woman”), “Anos Solidões”, trilha de abertura da novela “Escrava Mãe”, da Rede Record, e “Ti Voglio Bene”. Esta última canção é tema do filme “Jogos Clandestinos”, uma nova incursão artística de Lulli, que além de pianista, cantor e compositor, se aventurou na dramaturgia. “O diretor Caco Milano me convidou para representar o personagem Salvatore e de início bateu

aquele friozinho no estômago. Mas à medida que as cenas foram acontecendo não teve como, respirei fundo e encarei o inimigo de frente.” A inspiração para a música tema do filme veio à pedido do diretor. “Uma certa noite o Caco me disse: ‘Lulli, una bella canzone per il nostro film’, aí nasceu ‘Ti Voglio Bene’. “Jogos Clandestinos” tem previsão de lançamento para o início de 2017 pela Nation e MGM.

Cantor se apresentou com Rosemary na Festa da Música de 2015 Jackson Ciceri/FNM

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epois da popularidade de seu CD de estreia, lançado em 2015, com um Disco de Ouro, o cantor, pianista e compositor Lulli Chiaro mergulhou de corpo e alma na produção de seu novo álbum. Mais uma vez assinado pela Sony Music, o trabalho vai trazer 12 faixas, sendo sete músicas inéditas autorais e cinco versões de clássicos em italiano. “Este trabalho tem me entusiasmado sobremaneira e guarda muitas surpresas que, espero, agradem a todo o meu público”, explica o artista. A expectativa é repetir o sucesso do primeiro disco, “Fra Le Nuvole”, que é o terceiro álbum mais vendido da gravadora, perdendo apenas para Roberto Carlos e Padre Marcelo Rossi.


Marco Bavini investe na carreira solo sem abandonar a raiz roqueira e o universo sertanejo

Marco Bavini cantou ao lado do pai, Sergio Reis, na noite de abertura da Festa da Música

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úsico desde os 14 anos, Marco Bavini, 46, já fez parte do cenário underground com a banda de rock Anjos da Noite, que marcou seu espaço nas noites paulistas dos anos 1990. E, em 2008, iniciou uma nova trajetória com o grupo Tork, que ainda está na estrada. Mesmo navegando nas ondas do rock há quase 30 anos, o paulistano não abriu mão de seu laço com a música sertaneja. Como? Investindo em uma carreira de produtor musical, que lhe reser-

vou quatro indicações ao Grammy Latino e a conquista de duas estatuetas da premiação, com o álbum “Coração Estradeiro” (2008), e com o DVD “Amizade Sincera II” (2015). Os dois trabalhos foram feitos lado a lado com o seu pai, o cantor Sérgio Reis. Entretanto, o convívio com o universo regional e sertanejo não afastou Bavini de sua raiz roqueira. “Sou roqueiro. Mas esse negócio de rótulo nunca me impediu de tocar 15 anos viola com o meu pai. Também gravo samba no meu estúdio

de produção musical. Na verdade, eu sou músico. A minha banda toca rock, mas a gente já gravou tanta coisa”, desabafa. E o folk foi inserido nessa paleta de estilos que circundam a vida de Bavini. No momento em que ele apresenta ao público um inédito CD solo. “Este trabalho revela um show, totalmente acústico com orquestras, piano e tem a viola dita caipira, de dez cordas, que eu inseri no universo pop tocando Beatles. Afinal, nada me impede disso. Qual o problema?”, provoca. FNM|209


A música não pode parar...

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ozes de cinco grupos diferentes embalando o público com as músicas mais tocadas do momento, roqueiro unido a um funkeiro para cada um soltar a voz com toda a força levando o público ao delírio, reunião de amigos de som e de alma para festejar a alegria de tocar e cantar. Esses são alguns dos cenários que foram conferidos nas jams sessions da Festa Nacional da Música que invadiram as madrugadas do Hotel Plaza São Rafael na edição 2016, em Porto Alegre. A alegria e a espontaneidade de cada encontro de músicos, seja nos palcos espalhados pelos salões do hotel, seja pelos corredores do local, mantiveram em alta voltagem a energia do evento, que durante dois dias se tornou quase uma “festa sem fim”.

Fotos João Mattos/FNM

O palco que recebeu o samba transbordou talentos. Grupo do Bola, Sorriso Maroto, Turma do Pagode, Grupo Zueira, Bom Gosto e Pixote se revezavam nos microfones e nos instrumentos levando muita animação cantando “Logo Eu”, “Mande um Sinal”, com o “auxílio luxuoso” de Mumuzinho, que chegou à festa enlouquecendo quem estava na pista com seu sucesso “Estonteante”.

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O reduto do samba abriu espaço para o sertanejo. Bruno Belutti, da dupla Marcos & Belutti, foi recepcionado por Dodô, do Pixote, no palco para uma canja descontraída. Uma soma de estilos que resultou em mais diversão. E ainda presenteou os convidados da festa com um axé original da Bahia, na voz Felipe Pezzoni, que está à frente da Banda Eva, um dos grupos mais queridos do Brasil. Sua interpretação de “Não Precisa Mudar” fez os casais se aproximarem, inspirando abraços apertados em um clima romântico. E o astral se manteve em alta na pista, mas na cadência do pagode. A poucos passos ao lado, eram o rock e os sons do interior do país que invadiam o ambiente. Kauan Rodrigues mandou o recado com “Xeque Mate” e “Bará Bere”, defendendo o sertanejo, e Tico Santa Cruz, do Detonautas Roque Clube, e Jéf soltaram a voz em uma “somzeira” fenonemal.

Dodô, Belutti e Leiz

Do rock gaúcho, com “Cachorro Louco”, ao som que se transformou no hino de uma geração, “Que País é Esse”, passeando por Cazuza, os roqueiros atraíram a turma da banda gaúcha LPM4. Paulo Jr, Marcio Melo, Giovane Camões e Lucas Rodrigues fizeram a base para que a balada ganhasse um toque internacional. Sucessos de Ramones, Rolling Stones, Steppenwolf e Talking Heads tiraram o fôlego de quem se aproximou para cantar e dançar. Com destaque para as versões improvisadas de “Psycho Killer” e de “Born To Be Wild” (da trilha do clássico “Easy Rider”), mostrando que o melhor do rock atrai todas as gerações.

Paulinho e Tico Santa Cruz

Tico Santa Cruz e LPM4

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Quebrando a rotina e aumentando o volume do som, Mr. Catra se uniu a Tico Santa Cruz. A dupla, que poderia parecer inusitada, mostrou que funk e rock têm a mesma vibração e deu um show à parte. Catra, assumindo um status de showman, ainda circulou pelos demais palcos da Festa Nacional da Música 2016. Mas marcou presença em um cantinho que se tornou o atrativo do final das madrugadas. Foi o corredor de acesso à sala da Abramus (Associação Brasileira de Música e Artes). Acompanhado por Ivo Meirelles e Daniel Del Sarto, o funkeiro mostrou seu talento para criar versões mais picantes de uma série de canções, e também emprestou a sua voz para “Sorri, Sou Rei”, da Natiruts, e “Morena Tropicana”, de Alceu Valença, formando um grande coro à volta do núcleo de artistas. Ivo, com sua energia contagiante, ainda fez todo mundo cantar sucessos de Tim Maia. “Descobridor dos Sete Mares” e “Do Leme ao Pontal” foram alguns dos hits cantados por fãs e famosos unidos em uma mesma corrente para celebrar a alegria de dividir o mesmo espaço em um momento especial. O som atraiu Neni, da Turma do Pagode, e Guto, da Brother Charlie. Mais músicos fazendo muito som para animar quem parava para conferir o agito.

Catra e Tico Santa Cruz

Ivo Meirelles, Catra e Del Sarto

Ivo Meirelles

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A festa não tem fim No segundo dia de jams sessions, o cantor Ovelha fez uma parada obrigatória no palco sertanejo da festa. O ator do programa “Pânico na Band” Gui Santana aproveitou o espaço para extravasar a vontade de cantar, sem desapontar a quem parou para assistir “músicas de raiz”. O espaço também foi o ponto de encontro da cantora e violeira mineira Nayra Days – um dos novos nomes da música regional que desponta no cenário nacional e já encontrou espaço para seu trabalho na Festa da Música – com Tiago Ferraz, da banda gaúcha Estado das Coisas, a base do projeto Rock de Galpão. A mistura surpreendeu, agradou e estabeleceu um novo elo entre o Rio Grande e Minas Gerais, superando qualquer fronteira através da música.

Cantor Ovelha

Já o reduto do pagode recebeu velhos conhecidos: Pinha, ex-Exaltasamba, Lucas Morato, o herdeiro do cantor Péricles, e o genial violonista Diego Figueiredo. Com “todo mundo se sentindo em casa”, o pagode atravessou a noite e selou velhas e novas amizades entre os músicos. Como um dos “cicerones do palco”, Dodô abriu espaço para Thiago Martins brilhar diante plateia. O ator, que já tem uma longa estrada como cantor, entrou no embalo da MPB e do samba ao lado de Saimon, o vocalista do Grupo do Bola.

Nayra Days, Carlinhos Weiss e Tiago Ferraz

Ao mesmo tempo, Mumuzinho e Bruno Cardoso, do Sorriso Maroto, acompanhados de Morato, compuseram um novo trio divertido, romântico e totalmente aprovado pelos fãs. E novamente voltou ao chão do pagode Mr. Catra, dessa vez acompanhado de Del Sarto e Nards, do Zueira, com o mesmo fôlego da noite anterior.

Tiago Martins e Dodô

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Sob o comando de Sérginho Moah, o cantor nativista Daniel Torres, o jovem violonista Dhouglas Umabel, o às da viola Marcellus Meirelles, o roqueiro Tiago Ferraz, o guitarrista Kadica Souto, Mumuzinho e o saxofonista da banda Kid Abelha, George Israel, tomaram conta do espaço Abramus. E um “sarau” ao som de MPB foi instalado no local.

Daniel Torres, Dhouglas Umabel, Marcellus Meirelles, Tiago Ferraz, Kadica Souto, Serginho Moah, Mumuzinho, George Israel

A confraternização musical contou ainda com Daniel San, ou melhor, Sandamí, como assina agora um dos “inventores do rock-samba”. E a pegada foi de sedução, com o sax “temperando” o pop, o samba, o rock e até o soul envolvendo cada um que se aproximava da roda para integrar a aura de descontração que invadiu o Hotel Plaza São Rafael. E assim, a música, em todas as suas formas, mostrou mais uma vez que é um dos elementos essenciais para se alcançar a felicidade, principalmente para os músicos, profissionais que dedicam sua energia vital para fazer das canções um elemento fundamental no cotidiano de todos que as escutam. Verdadeiros gênios que trabalham e encantam enquanto se divertem, e muito, como foi possível conferir na Festa Nacional da Música.

Catra e Ovelha

Mumuzinho, Sorriso Maroto e Diego Figueiredo

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Mostra de Instrumentos

As novas tecnologias e os clássicos

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omo tradição de quase uma década, a Mostra de Instrumentos da Festa Nacional da Música também foi ponto de referência na nova casa do evento e se mostrou ainda mais inovadora. Ela reuniu as novidades do segmento e os clássicos que fizeram a história do instrumento musical como objeto de desejo e paixão de instrumentistas, cantores e produtores. O melhor dos melhores, a tecnologia de ponta, os equipamentos dos sonhos de profissionais de todos os segmentos da música, tudo isso sob a supervisão de técnicos

e especialistas de algumas das maiores empresas do segmento de instrumentos, áudio e acessórios do mundo. Sonotec, Casio e Harman deram um show ao apresentar na Mostra e nos muitos palcos espalhados pelo evento o que de melhor se produz na construção de equipamentos tecnologicamente inovadores e futuristas, além de instrumentos clássicos que contribuíram para a magia da música em sua essência. Provocar sonhos com objetos de desejo foi mais uma vez a tônica de uma

Leo Gandelman buscando novidades na mostra

das mais importantes atrações da Festa Nacional da Música. Renovada a cada ano e com mais novidades tecnológicas do que nunca, a Mostra de Instrumentos da Festa 2016 recria sempre a eterna simbiose entre músico e instrumento, ou seja, a perfeita conjugação entre o artista e sua ferramenta de trabalho. E as empresas participantes mais uma vez fizeram sucesso entre os artistas disponibilizando instrumentos e equipamentos em todos os palcos do maior encontro da música brasileira.

Detonautas na mostra

Rafa Shuler, do Rock de Galpão e o poderoso Borne Gladiator

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Casio A grande homenageada mostra sua força

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estaque como homenageada em 2016, a Casio trouxe novamente a força da marca que conquistou o Brasil e hoje consolida sua posição como uma das maiores grifes mundiais no segmento de tecnologia musical. A linha de produtos da Casio faz do universo sonoro um forte motivo para uma viagem pelos muitos modelos de sintetizadores e pianos profissionais que fazem a alegria dos tecladistas e pianistas de todos os estilos ao redor do mundo. A variedade de modelos com múltiplos recursos e aplicações que foram mostrados na Festa confirmam a Casio como uma eterna fonte de curiosidade e admiração desde sua primeira participação, no ano de 2012. As novidades são de deixar de queixo caído os pilotos de teclas. A empresa mostrou muitas novi-

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dades na sua extensa linha de teclados voltados a todos os segmentos, atendendo profissionais e aficionados para qualquer necessidade ou situação. Conquistando ano após ano mais espaço no mercado brasileiro, a empresa incorpora uma filosofia de suporte a profissionais, que associada a uma política agressiva de preços, tornam cada vez maior a participação da Casio no concorrido segmento de teclas. A Casio levou para a festa alguns dos seus modelos mundiais e mais uma vez justificou a evolução calcada em sua longa história que começou no Japão em 1957 e virou sinônimo de qualidade e confiabilidade. Desde 1980 a capacidade de expansão da marca Casio ao redor do planeta se mostra significativa a ponto de também no segmento musical ela dar indícios de que busca a liderança.

João Roberto kelly num Casio

Ao longo de décadas, a Casio desenvolveu e aperfeiçoou vários recursos que ampliaram ainda mais com a chegada da tecnologia digital no final do século XX. Inovadora e vanguardista, a empresa investiu pesado em tecnologia e expandiu o seu foco ampliando continuamente a classe de instrumentos digitais. Sempre com o foco na tecnologia, a Casio Computer Co Ltd é um dos fabricantes que lideram o mercado mundial de produtos eletrônicos ao consumidor, incluindo soluções em equipamentos empresariais e portáteis de uso pessoal. Na Festa 2016 a empresa equipou todos os palcos do evento com alguns dos modelos que fazem tecladistas suspirar de prazer ao tocar. Com a linha Privia, a Casio já impressiona pelo acabamento e a


Flávio Venturini e Vermelho, do 14 Bis, pilotando Casio

D’Black e o novíssimo Celviano Casio MZ-X500

Alexandre Pio e Gustavo Victorino na ilha de teclados da Casio

dinâmica acima da média. Dotados de recursos praticamente ilimitados, os PX-A800BN e o prático PX5SWE são alguns dos modelos mais cortejados. Já o novo 560 é o que podemos chamar de “all in one”, ou seja, completíssimo em tudo. Teclas balanceadas, 88 teclas, reprodutor multimídia, gravador, auto arranjer, fonte sonora com modernos de pianos para todos os estilos, faz do modelo o superteclado da atualidade, ou seja, tudo num lugar só. Ao lado dos Privia, a classe e o charme da linha Celviano... A começar pelo novíssimo Celviano Grand Hybrid que equipou o palco principal do evento e fez os pianistas suspirarem fundo. A beleza e o acabamento do instrumento combinam com um som inacreditável de piano calcado na ação de martelo e nos recursos digitais que fazem desse instrumento sério candidato a um dos melhores lançamentos do mundo em 2016.

O inacreditável Casio Privia 560M

Com um móvel de linhas impecáveis, os classudos pianos digitais da série Celviano tem uma pista de teclado com ação de martelo numa escala longa que dispara a poderosa máquina sonora AiR. No segmento de pianos digitais compactos a Casio impressiona também pela praticidade e timbragem refinada, além do componente mais importante responsável pela conquista de mercado e aplausos de músicos... o preço. No segmento de sintetizadores, a nova série MZ-X é um achado em termos de recursos, tamanho e preço final ao consumidor. A série dotada de 61 teclas é rica em recursos e equipada com o melhor da síntese Casio. Tem ainda os modelos XW-G1 e XW-P1, com uma tecnologia de ponta desenvolvida para impressionar os ouvidos dos amantes da música na sua mais perfeita riqueza sonora através de uma síntese também

moderna e inovadora. São sintetizadores equipados com seis osciladores e efeito looper, com reprodutor de sampler e modo HexLayer, além do recurso de órgão com controles do tipo drawbar. Um sonho para os amantes dos clássicos. Na Festa 2016 a equipe Casio foi coordenada pelo técnico João Fantini e teve ainda o suporte do especialista de produto Alberto Junior e do endorser Andi Moraes, que deram um show de atendimento e agilidade na logística dos muitos palcos do evento. Na noite de homenagens, o troféu Festa Nacional da Música 2016 foi recebido por seu diretor, Flávio Desenzi, que agradeceu aos artistas e lembrou da importância da Casio na cena musical mundial. E agora também como homenageada, a empresa mais uma vez saiu aplaudida da Festa. FNM|219


Harman Estreia de luxo A

mais nova parceria da Festa Nacional da Música fez sua estreia na nova casa do evento e equipou os palcos do Hotel Plaza São Rafael com a marca dos sonhos de qualquer amante do áudio de qualidade. Destaque para a grife JBL que se fez presente mostrando a força de um produto que faz parte da história no seu segmento profissional. Responsável pelo desenvolvimento, fabricação e comercialização de uma ampla linha de soluções de áudio, acessórios e periféricos voltados ao mercado profissional e consumidor final, a Harman do Brasil detém algumas das maiores marcas mundiais e líderes de mercado, entre elas AKG, Harman Kardon, Infinity, JBL, Lexicon e Mark Levinson, o que faz da empresa motivo de admiração e respeito dos

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profissionais ligados ao show business. O desempenho e confiabilidade dos seus equipamentos conquistaram isso... Com mais de 50 anos de história, a Harman equipa também mais de 20 milhões de automóveis espalhados pelo mundo com os seus sofisticados sistemas de áudio liderados pela iconoclasta marca JBL. Empregando mais de 11 mil pessoas no mundo inteiro, a empresa ocupa com destaque os mercados das Américas, Europa e Ásia. Nos últimos doze meses a Harman registrou mais de US$ 3,5 bilhões em vendas e suas ações são negociadas na Bolsa de Nova York sob o símbolo NYSE:HAR, ou seja, blueship. A Harman está presente no Brasil

Richar Powel, da Harman, mostra os novos pedais Digitech ao Renato, dos Detonautas

desde junho de 2010 quando adquiriu a empresa Selenium, transformada em Harman do Brasil, com sede na cidade de Nova Santa Rita, no Rio Grande do Sul, e com uma filial em Manaus, no Amazonas. Segundo o ranking da NAMM, a Harman Professional é a maior empresa do mundo voltada ao desenvolvimento e manufatura de sistemas de áudio para profissionais, sendo formada pelas empresas AKG, BSS, Crown, Dbx, JBL, Lexicon, Soundcraft e Studer. Estas marcas lideram o mercado mundial de produtos de áudio profissional para gravação, transmissão, periféricos para músicos, cinema, touring e som comercial. Essa potência esteve nos corredores da Festa 2016 mostrando sua extensa linha de produtos. Os destaques foram para os consagrados


microfones da AKG e para as espetaculares mesas Soundcraft Vi1 que equiparam o palco principal do evento, além das caixas JBL que junto com as mesas Soundcraft fizeram o sucesso das jam sessions. Vedete da Harman no evento, a Soundcraft Vi1 é uma mesa digital com sonoridade e recursos que impressionam com seus 64 canais de mixagem e processamento interno controlando 32 entradas físicas XLR e 27 saídas (24 auxiliares e LCR). Os 64 canais totais recepcionam 16 faders inteligentes para controle de entradas e mais oito faders para controle das saídas, além de LRC. São 32 entradas físicas mono (local) com expansão por stage box através do protocolo MADI e 24 busses de saída (auxiliares, grupos ou matrix) e mais as saídas LCR e 8 grupos de VCA.

Essa mesa de sonho tem ainda equalizador gráfico de 30 bandas BSS em todas as saídas e quatro processadores de efeitos estéreo Lexicon com filtros passa alta e passa baixa, delay, equalizador paramétrico de quatro bandas, gate, compressor e limiter, tudo isso por canal de entrada e ainda mais equalizador paramétrico de quatro bandas, compressor, limiter e delay em todas as saídas. Já com a marca Digitech, a Harman revoluciona com uma linha que equilibra o clássico e o inovador. Os pedais de efeitos da Harman atravessaram o tempo e consagraram timbres únicos e históricos de músicos perfeccionistas. Entre as novidades, o novíssimo pedal TRIO é inacreditável em seus recursos e possibilidades de criação. Ele

Soundcraft Vi1_2

coloca uma banda aos seus pés sem que você precise fazer mais nada. Ele “lê” o que o guitarrista está tocando e coloca uma bateria e um baixo tocando junto. Só vendo para crer... O melhor em tecnologia de áudio e periféricos no mundo equipando a Festa Nacional da Música 2016 foi a certeza de que a parceria com a Harman frutificou ainda mais o que de melhor tem a rica e multifacetada cultura de nosso país... A música brasileira. A Harman esteve representada pelo especialista técnico Richard Powel e pelo marketing com Alessandra Pedro e Fernanda Vieira. Que venha 2017, a Harman estará lá... A Harman trouxe os novos fones da série K da AKG

Microfone AKG P5 foi destaque nos palcos

Harman levou os novos e os clássicos

Os pedais de sonho da Digitech

O inconfundível som clássico do AKG C414, da Harman

Caixas JBL sonorizaram o encontro

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Sonotec disponibilizou os instrumentos de corda da Festa 2016

Sonotec

Tiago Ferraz, do Rock de Galpão, e Takamine

O sucesso da pioneira da Festa

E

m seu retorno à Festa Nacional da Música, a Sonotec mostrou mais uma vez a força do seu catálogo e a qualidade dos seus produtos nos muitos palcos do evento.

som diferenciado com tocabilidade e beleza.

Com uma história marcada pelo sucesso ao longo de décadas, a Sonotec se notabilizou pela extrema capacidade de se reinventar em momentos de dificuldades do mercado e, com isso, mostra ainda mais arrojo na conquista de espaço no competitivo mercado brasileiro.

Os novos modelos com a tecnologia solid thermal top EF-340S-TT e EF360S-TT deixam violonistas sonhando acordado.

Com sede em Presidente Prudente, São Paulo, a empresa faz parte do complexo empresarial Renaer, liderado por Renato Silva e do qual fazem parte também a Staner, a Musimax e a Eros. Como o braço internacional do Grupo Renaer, a Sonotec distribui no Brasil o violão profissional mais vendido do país e um dos mais vendidos no mundo, os espetaculares Takamine, símbolo de qualidade em instrumento musical. Eles equiparam todos os palcos da Festa com seus melhores modelos e como previsto, a marca provocou frisson entre artistas que buscam um

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Afinal quem não quer tocar num Takamine?

A marca Strinberg também teve destaque pela qualidade dos novos modelos de guitarras, baixos e violões para todos os gostos e estilos. A Strinberg foi criada há mais de duas décadas pela Sonotec para dar ainda mais personalidade à sua linha internacional de instrumentos de cordas e, desde então, virou também uma das líderes de mercado no segmento. A proposta de qualidade a preço competitivo fez da marca Strinberg uma referência com o reconhecimento do mercado e a conquista de uma significativa participação na fatia comercial desse disputado mercado. E se para muitos gerou surpresa, para todos ficou a certeza de que a marca identificada como popular pelo

Guitarra Strinberg

Guitarra Danelectro Classic 12 cordas

Takamine TSF48C

Guitarra Charvel


Takamine e Strinberg dominaram os palcos Strinberg, Overtone e Staner na Festa 2016

preço acessível é também sinônimo de qualidade no acabamento e sonoridade dos seus produtos. Os novos modelos de guitarras, baixos e violões impressionam pelo acabamento e beleza. Parte integrante desse cast estão ainda as guitarras americanas da Charvel e a icônica marca Danelectro, responsáveis por alguns modelos que vão do vanguardismo e sofisticação em luthelaria, ao simbólico e histórico design de guitarras que fazem a história dessas marcas nos EUA e no resto mundo. São instrumentos cobiçados e importados com exclusividade para o mercado brasileiro pela Sonotec que oferece assim o mais completo catálogo de instrumentos de corda para atender a todos os gostos e bolsos. As baterias da marca Gretsch fazem outro capítulo à parte na participação da Sonotec na Festa de 2016. Elas continuam sendo também

Paulo Massadas, Michael Sullivan e Takamine Bateria Gretsch

motivo de sucesso e se coloca hoje como a mais vendida do país ao conquistar o mercado pela qualidade e história da marca. Quem não sonha em tocar com uma bateria Gretsch? A série Catalina é sucesso de público e vendas, mas não custa sonhar com uma Renew, afinal instrumento top faz tão bem à alma quanto ao coração. Destaque também para os novos micros pedais da Overtone voltados para quem gosta de ataque e consistência no seu som de guitarra sem ter que carregar muita coisa para isso. Tecnologia pura... A Sonotec distribui ainda, com exclusividade para o Brasil, as marcas Axis, Concert, Genz Benz, Karsect, Kat, Madrid, Kick Port, Premium, Snark, Soultone, Vokal, Zeus e Overtone.

Bateria Digital Kat

Completando a sempre consistente participação do Grupo Renaer, a marca Staner equipou os palcos internos do Hotel Plaza São Rafael com os amplificadores de baixo e guitarra da série Ruby e Stage Dragons, duas poderosas linh as de amplificadores combo desenvolvidas pela marca e que deram um sabor especial às jam sessions. Primeira parceira e participante da Festa Nacional da Música, a Sonotec retornou em 2016 ao evento e teve no comando de suas operações o seu gerente de Marketing, Northon Vanalli, e os técnicos Danilo Athayde e Samuel Passarello. FNM|223


Amplificadores de instrumentos Um capítulo à parte na Festa 2016 C

onvidadas a equipar os palcos da Festa Nacional da Música, a Staner, Equipo e Borne marcaram presença no evento com alguns dos melhores amplificadores fabricados no Brasil e no mundo.

A Staner apresentou seus novos combos das séries Ruby, Stage Dragon e Shout mostrando o poder da compactação de seus novos e poderosos amplificadores para guitarra e baixo. A Equipo mandou os espetaculares Laney (guitarra) e Hartke Systems (baixo) que dispensam apresentações por sua aclamação unânime ao redor do mundo como alguns dos melhores amplificadores para instrumentos de todos os tempos. A novata Borne mandou uma das surpresas da Festa, o devastador Gladiator 2500, um amplificador composto de caixa e cabeçote que impressionou a todos e colocou a nova marca brasileira com um pé na elite do show business. Todos queriam saber que amplificador era aquele.

A Borne fez sua estreia na Festa 2016

A presença dessas empresas equipando os palcos da Festa consagrou a máxima de que no maior encontro da música brasileira, a melhor amplificação de instrumentos precisa se fazer presente para completar o brilho do encontro. E isso aconteceu...

Hartke, Borne e Strinberg Laney no palco

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Hartke, Borne e Strinberg

Laney Iron Heart


Jackson Ciceri/FNM

Amizade de quase 50 anos vira CD Ivan Lins, Angela Flach e Claudio Lins no lançamento do CD “Muito Bom Tocar Junto”

O

compositor e músico Ivan Lins e a viúva do pianista gaúcho Geraldo Flach, Angela Flach, fizeram o lançamento do CD “Muito Bom Tocar Junto” no dia 18 de outubro, dentro da programação da Festa Nacional da Música. Flach faleceu, vítima de câncer, em 2011, em Porto Alegre, aos 65 anos. A obra tem 12 faixas gravadas ao vivo em 1990, 1998 e 2009 na capital gaúcha, além de uma série de fotos que mostram os 47 anos de amizade entre os dois músicos. “A foto da capa foi tirada na Festa Nacional da Música, em Canela, há uns 10 anos. O lançamento dessa

condensação, dessa amizade de 47 anos, tinha que ser aqui”, conta Ivan Lins. O lançamento é do selo Discobertas, do carioca Marcelo Fróes, que estava presente no evento.

amizade. Eles se conheceram nos festivais universitários. Fomos atrás e tinha muito material bom, daria para fazer três CDs de tanta coisa boa que tem de obra do Ivan com arranjo do Flach”, conta Angela.

Mesmo com tanto tempo de parceria, Lins e Flach nunca fizeram uma obra juntos. “Oficialmente não existe nada, esse é o primeiro registro, um momento musical de excelência. O CD é, acima de tudo, o registro de um amor fraternal, uma grande amizade e isso não tem preço”, comenta o ator e músico Cláudio Lins, filho de Ivan Lins.

No lançamento do CD, Lins e Angela relembraram momentos inesquecíveis vividos pelos dois amigos. Como um show no Theatro São Pedro com a Orquestra de Câmara. O primeiro concerto deles juntos em 1989 juntamente com Fernando do Ó. “Este show foi com a Ospa em homenagem ao Dia do Amigo e o Gonzaguinha estava na plateia”, relembra Ivan Lins.

“Foi uma vida inteira de

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Betina Carcuchinski/FNM

Renato Vianna lança EP F

oco das avaliações rígidas e de uma série de elogios dos jurados do programa The Voice Brasil, o vencedor do concurso de talentos em 2015, Renato Vianna, desembarcou em Porto Alegre para a sua primeira participação na Festa Nacional da Música. “Queria muito conhecer o evento e estou feliz de estar aqui”, confessou. E estar em solo gaúcho é parte da concretização de um desejo maior do jovem cantor de 22 anos. “Meu sonho é levar minha música para todo o país”, afirmou.

Ele começou a traçar essa meta muito cedo, aos 7 anos, cantando na igreja. Foi dentro do estilo gospel que ele já lançou dois discos: “Para sempre” e “Estrangeiro”. No entanto, seu talento transbordou em direção a outros ritmos. MPB, sertanejo, soul, rock, pop, e foi buscando novos espaços, chegando à TV. “Sou uma mistura de estilos. Amo música e essa é minha arte”, garante. Foi assim que, em 2010, participou do concurso “Jovens Talentos”, do programa Raul Gil, no SBT, e chegou na final. 226|FNM

Vencedor do The Voice 2015, Renato Vianna prepara o lançamento de um novo disco

Em 2012, foi o vencedor da ação online da Nextel “No Embalo da Rede”, ganhando a oportunidade de cantar ao lado de Maria Gadú. Nesta competição, ele cantou “João de Barro” e virou sensação na internet. Atualmente, o vídeo de sua interpretação da música tem quase 5 milhões de visualizações no YouTube. A nova fase do cantor leva ao público seu lado mais romântico, mas ainda pulsante, integrado ao casting de grandes nomes do sertanejo da FS Produções Artísticas. Em agosto, Renato Vianna lançou seu primeiro EP digital, com a produção

de Fernando Zor, que faz dupla com Sorocaba. “Açúcar”, a canção deste trabalho, foi lançada em todas as plataformas digitais e nas rádios. Nova música, novo direcionamento da carreira, novo CD com participações especiais de Fernando & Sorocaba e de Michel Teló. Dessa forma, Renato Vianna segue mostrando a beleza de sua voz em todos os espaços. “Estou muito feliz. A gente está trabalhando devagar para tudo sair perfeito. Posso adiantar que tem muita novidade boa”, projeta o artista.


João Mattos/FNM

Artista, no teatro e na música C

E foi além. Fundiu suas duas principais formas de expressão produzindo, atuando, dirigindo e compondo para musicais. “Estou totalmente inserido no mercado do teatro musical. Minha carreira tem ido para essa direção”, explicou.

Claudio Lins está em cartaz com dois musicais, “Garota de Ipanema” e “O Beijo no Asfalto”

“Garota de Ipanema – O Amor é Bossa” e o “O Beijo no Asfalto – O Musical”, Claudio Lins abriu um espaço na agenda para estar da Festa Nacional da Música, sua primeira participação, apesar de seu pai ser uma presença cativa e esperada no Na Festa da Música, ao lado do pai, Ivan Lins

Para ele, o teatro musical retornou ao posto que um dia já ocupou no cenário artístico brasileiro, que teve o teatro de revista como precursor. “Temos uma tradição com o teatro musical, que ao longo dos anos se perdeu, mas nos 1970 começou a ser retomada, muito em função do trabalho de Chico Buarque [com a “Ópera do Malandro”] e, a partir dos anos 1990, realmente o musical voltou a ter a importância no cenário teatral”, avaliou. Mesmo sob as luzes dos palcos, simultaneamente, nos musicais

evento. “Aqui só falamos em música. É uma curtição. Troquei ideias com Rosemary, João Roberto Kelly, Rappin Hood e outros nomes. É uma grande festa. Vivo mais como ator, mas a música faz parte da minha história e da minha expressão como artista”. diz. Rosa Marcondes

láudio Lins testemunha o “fazer música” desde a infância. Filho do cantor e compositor Ivan Lins e da cantora e atriz Lucinha Lins, o artista desde criança estudou piano e se dedicou à teoria musical, vivendo em um universo em que as canções faziam parte de seu dia a dia. Mesmo tendo decidido, aos 18 anos, também tornar-se ator, sua formação musical ainda rendeu frutos: dois CDs, gravados com uma década de intervalo – o primeiro, intitulado “Um”, é de 1999, e seu segundo álbum, “Cara”, foi lançado em 2009.

Elton Saldanha na Homenagem a Fernando Brant

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João Mattos/FNM

Lupi sempre Lupi Filho foi assediado por artistas como o cantor Péricles, ao lado do produtor Claudinho Pereira

desta qualidade, percebem isso na música dele. A música do pai não tem novos artistas. A música do pai tem os artistas”, define. Em seguida, acompanhado do produtor Claudinho Pereira, sugeriu a Rappin Hood que fizesse uma versão em rap de “Nervos de Aço”, e declama parte da letra em compasso ritmado: “Você sabe o que é ter um amor, meu senhor? Ter loucuras por uma mulher?”, cantarola. “Só me diz a hora e o local que

estarei lá. Vai acontecer”, garantiu Rappin Hood. Quem já se apropriou disso e fez seu show foi o grupo gaúcho Rafuagi. Na segunda noite, o trio subiu ao palco do Centro de Eventos acompanhado de Negra Jaque, Bruno Vargas e Pedro Dom, para apresentar suas versões de Lupicínio. Esses moços mostraram que, mesmo com outra roupagem, o Lupi de nervos de aço sempre terá uma cadeira vazia para ocupar na mesa sagrada da música brasileira.

Rafuagi e Negra Jaque apresentaram versões de Lupicínio em hip hop Jackson Ciceri/FNM

H

oras antes do que seria a primeira noite da Festa Nacional da Música, no Plaza São Rafael, quando os artistas já se dispersavam ou se encaminhavam para seus quartos, um pequeno grupo se formou no fim do corredor principal em torno de um senhor engravatado. Longe dos olhares curiosos da rua, a figura notável do cantor Péricles se destacava envolvendo-o com seus braços. Ao seu lado, o rapper Rappin Hood arregalava os olhos de surpresa e encantamento por saber quem era ele, e não se conteve em abraçá-lo firmemente. Quem, afinal, era o homem digno de tanta atenção? Lupicínio Rodrigues Filho. Este breve encontro de novos artistas com o herdeiro de um dos maiores compositores da história da música brasileira explica o fascínio que Lupi, seu pai, exerce em todas as gerações. Lisonjeado e orgulhoso com a adulação, Lupi Filho não enxerga distância entre as canções de seu pai e os novos tempos: “A obra do pai transmite o impacto de corpos na hora. Artistas desta candura, 228|FNM

Zueira nas rodas de samba do Hotel Laje de Pedra junto com o violonista Robson Miguel, Cezinha do Sem Abuso, Fabiano TdP e Paulinho Bom Ambiente


Fotos João Mattos/FNM

A estrela que brilha para a dupla Gre-Nal

Ator jogou o primeiro tempo com a branca do Colorado e o segundo, com a tricolor, do Grêmio – e marcou pelos dois times

Caio Castro veste as duas camisas, marca dois gols e é o artilheiro do clássico

D

esde as primeiras horas do dia 18, terça-feira, o clima de Gre-Nal já imperava no Hotel Plaza São Rafael. Ivan Lins desfilava pelos corredores com sua camisa branca do Grêmio, número oito às costas. Ivo Meirelles, com a tricolor, provocava os colorados: “Vão perder este ano de novo.” Enquanto isso, os pagodeiros aliciavam os atores Thiago Martins e Caio Castro para atuarem pelo Internacional, preenchendo os nomes em um quadro no lobby do hotel. E assim, cinco dias antes do dérbi na Arena, pelo Brasileirão, os músicos partiram para o estádio Passo D’Areia para o já clássico Gre-Nal dos Artistas. O evento, tradicional na progra-

mação da Festa Nacional da Música, deu a oportunidade a dois fãs para atuarem lado a lado com os astros da música. Em parceria com a Rádio Atlântida, o metalúrgico Eder Lopes e o empresário Diego Jahn puderam conviver com os ídolos no saguão do hotel, no ônibus e no vestiário. Para manter o nível da disputa, o clube anfitrião São José cedeu os goleiros Rair e Matheus, e o atacante Cláudio. A única igualdade estava nas casamatas, com as presenças das musas de ambas as equipes. De resto, todos buscavam a superioridade em cada detalhe. Ivan e Ivo não participaram da peleja. Coube aos roqueiros do Detonautas e aos sambistas do Grupo

do Bola formarem a base do Tricolor, reforçado pelo músico Bruninho e pelo comunicador da Rádio Atlântida Duda Garbi: “Nós temos o Luiz Mário, o Papa-Léguas, campeão da Copa do Brasil, em 2001, pelo Grêmio, então vamos jogar em função dele”. Já o Colorado reuniu integrantes da Turma do Pagode, do Pixote, o sertanejo João Bosco, Suel, Pinha, André Marinho, Lucas, da Identidade, Biel, Alexandre Moraes e Lelê, também da Atlântida, entre outros empresários, produtores e artistas. “A estratégia do Inter é colocar o Bruno [Cardoso, do Sorriso Maroto] pra cantar, para que todo mundo pare pra olhar e a gente faça o gol”, brincou o ator Thiago Martins, que dividiu o meio campo com Caio Castro. FNM|229


Equipe do Grêmio Thiago Martins

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E foi Thiago quem concentrou as ações coloradas no começo de partida, com uma tentativa frustrada de dar um chapéu no adversário e um chute desviado por cima do gol. Luiz Mário e Duda Garbi também ameaçaram, mas foi Cláudio quem abriu o placar para o Grêmio. No minuto seguinte, o Papa-Léguas escorou com o peito um cruzamento da direita para fazer 2 a 0. E Tico Santa Cruz, pela esquerda, chutou cruzado para marcar o terceiro. Com três gols em três minutos, o Grêmio aproveitou para substituir alguns jogadores, e o Internacional cresceu na partida. Caio Castro descontou dois minutos mais tarde. Aos 30, Leandro Filé, da Turma do Pagode, converteu a cobrança de pênalti. Antes de terminar a primeira etapa, Thiago Martins deixou tudo igual no placar: 3 a 3. “Gre-Nal pegando fogo. O jogo está duro, mas vamos pro segundo tempo ver no que vai dar”, avaliou,

Duda Garbi


Equipe do Inter

no intervalo, o cantor André Marinho. “O Grêmio está melhor. A zaga estava um pouco pesada, mas vai ajustar agora”, respondeu o produtor Daltinho Medeiros.

Camisa 10 em todas as artes

Suel, do grupo Imaginasamba

Foi aí que a direção tricolor resolveu agir nos bastidores. O ex-vice de Futebol Cesar Pacheco convenceu Caio Castro a jogar a segunda etapa pelo Grêmio, dando-lhe a camisa 10. O ator assumiu a responsabilidade e, logo no começo do segundo tempo, tocou com categoria por cima do goleiro Matheus para fazer 4 a 3. “É uma confraternização, um jogo de amigos. Ano que vem estou dentro de novo, sem dúvida”, prometeu. Esta foi a segunda passagem do agora também escritor pela capital gaúcha em menos de 10 dias. Pouco mais de uma semana antes, Caio lançou seu livro “É Por Aqui Que Vai Pra Lá” na Saraiva Mega Store. A mudança no ambiente artístico, da televisão

para a literatura, ainda surpreende um pouco o artista: “Fiquei muito surpreso com a notícia de que se tornou um best-seller”, admite. “Não é minha intenção virar escritor.” O livro, na verdade, é uma compilação de fotografias, e o texto vem como complemento para situar o leitor naquela atmosfera”, explica. Até por isso, Caio Castro se considera um outsider no circuito. Sua arte principal ainda é a teledramaturgia. Caio Castro

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“Apesar da repercussão absurda, vamos com calma. Um passo de cada vez”, diz. E onde entra a música nisso tudo? Ele mesmo responde: “A música é uma ferramenta para a minha construção, para o meu trabalho diário”.

Clássico que já se tornou clássico Se faltou gás ou se todos pouparam esforços – já que ainda tinha a segunda noite de homenagens no Centro de Eventos –, ninguém admite. O certo é que os jogadores preferiram não abusar das divididas na última meia hora de jogo. Assim, o Grêmio assegurou a vitória por mais um ano, para a alegria de Tico Santa Cruz, gremista assumido: “Sempre me identifiquei com o hino do Grêmio, com a camisa, com o time. Sempre que estou aqui [em Porto Alegre] e posso, vou ao estádio”, disse o vocalista do Detonautas, que estendeu o respeito ao lado vermelho também. “Quando começamos a viajar com a banda, um dos primeiros lugares que fomos foi o Rio Grande do Sul. A identificação é com todo o estado”, afirmou. “O jogo foi legal pra caramba! Todo mundo tirou onda. O mais importante é a resenha que acontece todo ano. Agora, vou te falar: o Caio é um fominha. Jogou conosco, depois foi para o outro time e ainda fez o gol da vitória, acabando com a nossa vida. Mas ano que vem estaremos de volta e venceremos”, garantiu o vocalista do Pixote, Dodô.

Tico Santa Cruz

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Momento selfie de Datinho Medeiros com o trio de arbitragem

Dodô e o jogador Matheus, do clube São José

Leiz, da Turma do Pagode

Bruno, do Sorriso Maroto


O multitalento das meninas do

Barra da Saia

Grupo se apresentou ao lado de Luiz Carlos Borges

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istura é a palavra que mais define as meninas do grupo Barra da Saia. Elas são lindas, multitalentosas e combinam em suas composições instrumentos inusitados, como violino, bandolim, guitarra, viola caipira, sanfona e teclado. Assim, criaram um estilo único. Essa miscelânea cultural resultou em um novo tipo de música, o Roça´n Roll, cujas referências têm raízes no sertanejo, country e rock. Pela primeira vez na Festa da Música, o grupo paulista Barra da Saia se apresentou na segunda noite de premiação da Festa Nacional

da Música e teve no palco o reforço de Luiz Carlos Borges, um dos homenageados da primeira noite. “Estamos felizes de estar aqui. A estrutura é muito boa e melhor ainda encontrar todos os estilos e tanta gente que nós admiramos”, disse a guitarrista Dede Soares. Para a gaúcha Eliza Marin, participar do evento teve um significado ainda maior. “Muito bom poder tocar ao lado do Luiz Carlos Borges, que é um amigo querido, que acompanho desde criança e que é uma referência também”, conta. Na apresentação, clássicos como “Menino da Porteira” e “Mercedita”.

Formada por Adriana Sanchez (sanfona, teclado e voz), Carol Duarte (violino e bandolim), Dede Soares (guitarra, viola caipira, violão e voz) e Eliza Marin (voz e violão), a banda começou em 1999 com uma proposta diferente. “Nossa ideia era ser uma banda feminina, tocando de verdade, num mercado sertanejo, que tem na sua maioria homens”, conta Adriana. O objetivo foi totalmente alcançado. Além dos instrumentos diferentes e misturados, o grupo também investe nas vozes. “Apostamos na harmonia. Nossas vozes também são muito diferentes, mas são complementares”, explica ela.

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Festa Nacional da Música | 2016  

Edição 2016 da Revista FNM

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