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PALAVRA DO DIRETOR

Em um momento em que sobra corrupção, roubalheira, crise e incompetência administrativa no Brasil, começamos o ano de 2017 com críticas grotescas ao nosso agronegócio. Na verdade, o nosso produtor rural deveria ser reverenciado e aplaudido, de pé, por salvar a nossa economia há anos. O nosso agronegócio foi responsável, no último ano, por 38% das exportações brasileiras, correspondendo a 22% do PIB nacional. Sozinho, o agronegócio é responsável por 30% dos empregos deste país. Sem ele, milhões de brasileiros perderiam seus empregos. Imaginem o impacto disso para o Brasil. Tudo isso, com 61% de nossas matas nativas preservadas, contra uma média mundial de 25%. Os nossos heróis anônimos - representados por homens, mulheres e jovens - prosperam vendo crescer a vida, em diferentes formas e culturas, não em uma avenida de carnaval. Eles constroem, em silêncio, a grandeza de uma nação. Folhear esta revista é mergulhar um pouco mais na história e nos avanços do nosso setor. Nesta edição, apresentamos notícias e informações que exemplificam o nosso crescimento pelos vários sistemas de produção inseridos em nossa pecuária, seja no corte ou no leite. Casos reais de sucesso para orientar pecuaristas sobre a melhor maneira de se utilizar genética, aliando manejo, nutrição, ambiente, gestão, sustentabilidade, enfim, todos os processos para que o rebanho expresse todo o seu potencial genético. É assim que pretendemos começar o nosso ano: com o entusiasmo de uma equipe que nunca perdeu seus princípios, que sempre está unida e que tem a missão de buscar sempre o melhor para os seus clientes, para que eles sejam extremamente eficientes. Um ano repleto de sonhos realizados, metas atingidas e sabedoria para crescer sempre, com a humildade de aprender com os erros e aprimorar os acertos. Uma ótima leitura.

Heverardo Carvalho Diretor Alta Brasil

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ÍNDICE EXPEDIENTE

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Diretor Heverardo Rezende de Carvalho Gerente de Mercado Tiago Carrara - tcarrara@altagenetics.com Coordenadora de Comunicação Camilla Lazak - camilla.rodrigues@altagenetics.com

ELAS NÃO EMPRENHARAM: O QUE FAZER COM AS FÊMEAS VAZIAS? E agora? Descartar ou não?

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ALTA NEWS

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ARTIGO

Jornalista Responsável Renata Paiva (MTB 12.340) - renata.paiva@altagenetics.com Colaboradores desta edição Alcides Torres, Amauri Piva, Armando Pereira da Silva, Daniela Cecília, Erich Botan, Fábio Fogaça, Fernanda Borges, Flávia Fontes, Glauco Carvalho, Guilherme Marquez, Leonardo Alencar, Luiza Mangucci, Marcos Labury, Marcos Longas, Miguel Abdalla, Rafael Oliveira, Rodrigo Peixoto, Rosangela Cristina Marucci, Sérgio Barone e Tiago Carrara.

ESPECIAL

Premiações, visitas, treinamentos e campanhas sociais, fique por dentro dos últimos acontecimentos da empresa.

MANEJO DAS CIGARRINHAS DAS PASTAGENS Medidas de controle para combater as cigarrinhas-das-pastagens

Diagramação e arte Ana Paula S. Alves - paula.alves@altagenetics.com Marketing/Comercial comunicacao@altagenetics.com.br Fotos Francisco Martins - fjunior@altagenetics.com Revisão de texto Indiara Ferreira Assessoria de Comunicação LTDA ME indiara@indiaraassessoria.com.br Tiragem 7 mil exemplares

Missão Construir relacionamentos de longo prazo, criar valor para nossos clientes, melhorar a lucratividade de cada rebanho e entregar genética de confiança, além de produtos e serviços de manejo com alta qualidade. Visão Tornar-se a marca global que seja a melhor escolha para rodutores progressivos dos segmentos de leite e corte. Valores: Foco, pessoas e competências, coesão, dinamismo, relacionamento, comunicação e ética.

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LEITE ESTRESSE TÉRMICO EM REBANHOS LEITEIROS Falta de conforto animal gera ineficiência reprodutiva e redução na produção de leite


CORTE

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A IMPORTÂNCIA DA HABILIDADE MATERNA EM REBANHOS NELORE

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Seleção garante o aumento no desempenho dos bezerros para plantéis que precisam fazer reposição de fêmeas

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GIRO NO CAMPO Nossos cliente e leitores destacam a qualidade dos filhos e filhas dos touros Alta espalhados por todo o Brasil

FAZENDA SANTA BARBARA CONQUISTA O TRICAMPEONATO NO CIRCUITO BOI VERDE Progênie de CEN Austero é avaliada como a melhor carcaça da competição

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PROGRAMAS E SERVIÇOS SISTEMA DE PLANEJAMENTO GENÉTICO AUXILIA PRODUTOR NA GESTÃO DA FAZENDA Alta GPS - Programa garante o destino correto do rebanho

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O que podemos esperar para a pecuária este ano?

TRICROSS Raças sintéticas e seus benefícios no cruzamento industrial

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CASOS DE SUCESSO

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ENTREVISTA

CAPA 2017: ANO DE REFLEXÃO, DE OPORTUNIDADES E DE COLOCAR A CASA EM ORDEM

RAÇAS

Parceiros Alta - Fazenda Marajoara - Star Milk

Leonardo Alencar, Gerente Executivo de Inteligência de Mercado na Minerva Foods, fala sobre o mercado frigorífico em 2017

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ESPECIAL

ELAS NÃO EMPRENHARAM: O QUE FAZER COM AS FÊMEAS VAZIAS? por Marcos Labury, técnico de Corte da Alta guidas (primavera e outono); Habilidade materna - Vacas que desmamam bezerros 20% mais leves que a média da desmama (correção para sexo, primíparas e raça); Morfologia - Vacas morfologicamente inferiores à média do rebanho; Idade - Vacas velhas, de 10 ou 12 anos.

Estabelecer uma estação de monta (EM) em uma propriedade requer avaliação de alguns pontos como, por exemplo, a condição corporal das fêmeas, a escolha dos touros que serão os pais da próxima geração, a preparação dos pastos, a formação de lotes e a definição do período. Mas, mesmo com tudo checado e avaliado, no final da estação de monta, algumas fêmeas apresentaram prenhêz negativa. E agora? O que fazer com as vacas vazias? Em princípio, todas as fêmeas vazias ao final da estação de monta devem ser descartadas do rebanho, lembrando que isso se aplica no término da EM, independentemente da duração. Mas precisamos nos atentar aos motivos que leva6

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ram uma fêmea a ficar vazia ao final da estação. Isso se deu por razões dela ou por outros motivos inerentes a ela? Se não foi por causa dela, vale a pena que ela permaneça no rebanho? Ela faz falta? Você sabe qual o custo de uma fêmea que não deixou uma cria na propriedade? O valor arrecadado com o descarte de animais dentro de uma propriedade entra como receita no caixa e deve ser levado em conta quando das previsões de despesas x receitas? É importante relembrar os motivos pelos quais fazemos os descartes de fêmeas na propriedade: Perdas - vacas que abortaram ou que absorveram; Fertilidade - vacas que ficaram vazias no final da estação de monta ou por duas montas se-

“Precisamos nos atentar aos motivos que levaram uma fêmea a ficar vazia ao final da estação. Isso se deu por razões dela ou por outros motivos inerentes a ela?” Lembramos que sempre devemos considerar o início e o término da estação de monta; se vamos usar touros ou Inseminação Artificial de Tempo Fixo (IATF); se será feita IATF com repasse de touros; quantas IATFs serão; se usaremos touros de repasse. Respondidas estas questões, podemos partir para o planejamento.


Uma estação de monta

Duas estações de monta

- Ao usarmos touros a campo, devemos calcular corretamente o número de animais suficientes para dar conta de emprenhar as fêmeas sob sua responsabilidade. - Se usarmos IATF, elas serão em número previamente definido por quem de direito, ou seja, se uma, duas ou até tres IATFs. - No caso de duas ou mais IATFs, feito o toque, as vazias serão encaminhadas ao touro de repasse até o final da EM. Lembrando que, neste caso, dificilmente elas serão aproveitadas porque ficarão fora da próxima estação. - Se foi feito como planejado, ao final da estação, é importante descartar as vazias.

Quem trabalha com este sistema deve estar ainda mais bem preparado para a questão nutricional do rebanho. - Aproveite as novilhas que, por pouca idade, ficaram fora da estação normal e que agora estão aptas a serem trabalhadas antes da próxima EM normal. - Aproveite as boas matrizes que, por qualquer motivo válido a ser considerado, não ficaram prenhes e dê a elas uma segunda chance. O que considerar - Clima adverso intenso no ano. - Mudança do plantel para outra região.

- Aborto acidental devido a manejo errado. - Compra em idade que não combina com a entrada em EM. Meio sangue e cruzamento industrial - As considerações são as mesmas tanto para rebanhos puros quanto para as meio sangue e as de cruzamento industrial? Em princípio não. O cruzamento industrial também é, na verdade, uma forma de se praticar o melhoramento, desde que seja bem conduzido. Já sabemos onde chegamos. Num passado recente, confundimos cruzamento industrial com “mestiçamento” e os resultados não foram bons. Como cruzamento, devemos considerar o acasalamento

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ESPECIAL

rose. Hoje, temos conhecimento de fêmeas ½ sangue Angus x Nelore conseguirem preços de machos, com mais 10% de bonificação, em determinados mercados. Assim como também temos notícias de mercados que se recusaram a premiar boas fêmeas com este mesmo sangue. Neste caso, elas não se destinam à reprodução e são, automaticamente, descartadas.

de uma base de fêmeas de uma determidada raça com outra, a mais distante possível. No caso de rebanhos com uma única raça básica zebuína de fêmeas, deve-se considerar: - Reposição: Identificar as mais precoces e usar touros da mesma raça para a primeira IATF. Por exemplo, faço zebu x zebu na intensidade necessária para a reposição, sem considerar touros de repasse com a mesma raça. a) Faço com elas a segunda e/ou terceira IATF com um taurino, com a raça mais adequada aos meus objetivos e mercado. b) Faço com elas a segunda IATF com um taurino, com a raça mais adequada aos meus objetivos e mercado, e faço repasse com touros da mesma raça zebuína. Ao final da EM, as vazias são descartadas. 8

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- Cruzamento industrial: fazer em todas as fêmeas do rebanho. Aqui, é necessário considerar que você vai deixar de trabalhar as melhores fêmeas jovens do rebanho como base de reposição e vai usá-las para obter bons animais de cruzamento. Neste caso, fará a reposição do rebanho com fêmeas adquiridas em outro rebanho e que, não necessariamente, serão do mesmo nível das que foram produzidas na propriedade, simplesmente porque quem vende dificilmente disponibiliza para o mercado suas melhores fêmeas. Ao final da EM, as vazias são descartadas. Rebanhos com fêmeas F1, o que fazer? Normalmente, o mais indicado foi sempre abater machos e fêmeas. Os resultados nos permitem, comumente, conseguir o máximo de expressão da hete-

Quero usar estas fêmeas também como matrizes Neste caso, também vamos precisar de fêmeas zebuínas para reposição do rebanho. As opções são várias dentro do mercado de cada propriedade, inclusive podendo fazer uso de touros Brangus ou Braford, com opções de obter fêmeas para rebanhos puros destas raças ou abater, com bons resultados, toda a produção; ou seja, todas as fêmeas vazias serão descartadas. Seria, então, mais uma categoria na fazenda, independentemente de estarem prenhes. Como vimos, as opções são muitas conforme a realidade de cada local. O importante é termos consciência de que uma propriedade deve ser sempre lucrativa, a não ser que ela seja apenas um hobby.

Marcos Labury, gerente técnico de Corte da Alta Zootecnista pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), pós-graduado em Gado de Corte. Jurado efetivo do Colégio de Árbitros da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ)


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ALTA NEWS

ALTA É RECONHECIDA PELA NELORE COMO A MELHOR EMPRESA DE IA DO RIO

A Associação dos Criadores de Nelore do Rio de Janeiro (Nelore-Rio) realizou almoço na Fazenda Santa Edwiges, de Rafael Coutinho, em 9 de dezembro. Produtores, técnicos e representantes de várias empresas homenagearam os melhores de 2016. Diferentes setores da cadeia

produtiva no Estado foram premiados: qualidade do sêmen ofertado, técnico de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), melhor protocolo, criador do melhor bezerro, expositor em pista, frigorífico e também supermercado (representando a ponta da cadeia e homenageando o estabeleci-

mento que ofereceu a melhor carne ao cliente final). A Alta recebeu o título de melhor central de Inseminação Artificial. O gerente distrital Marcos Longas recebeu a premiação. Ele, juntamente com o gerente regional Márcio Padão, realizam juntos, há 20 anos, o trabalho comercial no Rio. Eles conquistaram 58% do mercado. “Esta é uma importante iniciativa da associação. Parabéns ao presidente Luiz Adilson Bon, por promover esta importante interação entre toda a cadeia produtiva do Rio. Receber este prêmio coroa todos os anos que dedicamos ao estado, oferecendo material genético de qualidade, orientando pecuaristas por meio da assistência técnica, criando valor ao negócio dos nossos clientes e, principalmente, entregando resultados econômicos satisfatórios”, diz Longas.

REPRESENTANTES DO GOVERNO DO SUDÃO VISITAM A ALTA Representantes do governo do Sudão, situado no norte do continente africano, estiveram no Brasil no fim de 2016. A delegação integra o projeto Nacional de Produção Animal e Hortícula do Sudão e veio conhecer o sistema de produção de sêmen na central 10

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da Alta, em Uberaba (MG). O grupo também visitou fazendas que trabalham com Girolando e Gir Leiteiro para compreender a experiência brasileira de produção animal e avaliar oportunidades de investimento com empresas brasileiras.


NATAL SOLIDÁRIO DA ALTA ARRECADA CINCO TONELADAS DE ALIMENTOS Por definição, a palavra doar significa oferecer um bem próprio a outra pessoa ou instituição. Mas essa simples palavra pode significar muito mais. Para a equipe da Alta, representa conquistar o sorriso de uma criança ao receber um caderno e a caixinha de lápis de cor, contribuir com um pai que poderá oferecer alimento à família, saber que um idoso poderá tomar banho com um sabonete cheiroso. Com estes sentimentos, os colaboradores promoveram o Natal Solidário Alta. Para arrecadar donativos, a Gincana do Bem foi realizada com três equipes, durante 30 dias. O resultado surpreendeu. Foram arrecadadas cinco toneladas de alimentos

e mais de quatro mil itens, entre material escolar, produtos de higiene pessoal e limpeza. As instituições que receberam os donativos foram: Centro Amor Cristão, da Associa-

ção Espírita Caminhos da Luz - Centro João Urzedo, Sanatório Espírita, Asilo Lar da Esperança, Casa Daniele, Oásis, Centro Espírita Poder Divino, dentre outras.

TREINAMENTO DO PROGRAMA ALTAGPS É REALIZADO NA COLÔMBIA Uma equipe de consultores técnicos do Panamá, Equador, Colômbia e Paraguai participou de treinamento para novos usuários do programa AltaGPS, coordenado pelo diretor Internacional da Alta, Manuel Avila Chytil. O evento aconteceu na Colômbia, entre 28 de novembro e 2 de dezembro. A consultora técnica da AltaGPS no Brasil, Daniela Cecília, se encarregou do treinamento teórico e prático. “Realizamos avaliações técnicas e financeiras para a realidade de cada país participante. Tivemos uma visita técnica na

propriedade de um cliente 100% Alta. Andre Klots, há 11 anos, trabalha na pecuária leiteira e, nos últimos três, conta com a orientação do programa e dos consultores técnicos da Colômbia”, expli-

ca Daniela. Na oportunidade, os técnicos fizeram a avaliação linear de filhas de touros Alta, como: AltaROSWELL, AltaAVALON, AltaTOYOTA, AltaBOSS, AltaESQUIRE, dentre outros.

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ARTIGO

MANEJO DAS CIGARRINHAS DAS PASTAGENS por Rosangela Cristina Marucci, do departamento de Entomologia da Universidade Federal de Lavras O complexo das cigarrinhas das pastagens inclui diversas espécies: Deois incompleta, importante na região norte do país; Notozulia entreriana (Figura 1C); Deois schach (Figura 1B) e Aeneolamia selecta, importantes para o nordeste; e Deois flavopicta (Figura 1A), que, juntamente com Notozulia entreriana, predominam nos estados do Brasil central, norte do Paraná e na região leste. Outras espécies ainda podem aparecer em menores densidades populacionais, como Maha-

A- Deois Flavopicta

narva fimbriolata (Figura 1D) e Kanaina vittata. No Brasil, avalia-se que, atualmente, as cigarrinhas estão presentes em cerca de 10 milhões de hectares de gramíneas, provocando prejuízos variáveis entre 10 e 100%, dependendo das espécies, do tipo de gramíneas, das condições de tempo e do manejo das pastagens, e gerando grandes prejuízos para a pecuária de leite e de corte. As cigarrinhas dos gêneros Mahanarva, Deois e Notozulia, de ocorrência anual, são respon-

B- Deois Schach

D- Mahanarva Fimbriolata

C- Notozulia Entreriana

E- Mahanarva Posticata (macho e fêmea)

Figura 1. Espécies de cigarrinhas-das-pastagens que infestam pastagem e cana-de-açúcar Fonte: Entomologia Agrícola (Fealq, 2002)

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sáveis pela redução de até 60% na capacidade de suporte de milhões de hectares de pasto e estima-se uma redução na produção de massa verde em cerca de 15%. Em consequência, danificam uma área de pastagem que poderia alimentar alguns milhões de bovinos por ano. O problema com cigarrinhas também tem se tornado cada vez mais frequente na cultura da cana-de-açúcar, em que se destacam duas espécies principais: a cigarrinha-das-raízes, Mahanarva frimbriolata, e a cigarrinha-da-folha, Mahanarva posticata (Figura 1 E). Tem-se observado que, com o predomínio da colheita mecanizada da cana e a ausência das queimadas, o nível de infestação da cigarrinha-da-raiz está aumentando gradativamente. Esse problema também tem se tornado mais frequente nas fazendas leiteiras que produzem cana para a alimentação dos animais.


Os surtos populacionais das cigarrinhas ocorrem em função das estações climáticas, que variam de acordo com as diferentes regiões do país. A alta precipitação pluvial aliada à temperatura elevada são condições que propiciam a explosão populacional da praga, comum no último trimestre do ano. As cigarrinhas causam dois tipos de danos às forrageiras. Primeiramente, quando o solo é fraco, com baixa retenção de umidade e sob superpastejo, as ninfas (formas jovens), ao sugarem constantemente a seiva, causam um amarelecimento, que começa pela base e se estende a toda planta. O segundo tipo de dano é causado pela cigarrinha adulta, que se alimenta nas partes verdes e nas poucas brotações da planta, causando uma fitotoxicidade, que varia entre as espécies de gramíneas utilizadas nas pastagens. Esta fitotoxicidade promove redução nos teores de proteína bruta, ácidos graxos e minerais, com consequente queda na qualidade nutricional da forragem. Os danos do inseto variam de acordo com a gramínea atacada. Existem espécies de plantas que possuem características morfofisiológicas que afetam negativamente o desenvolvimento do inseto. Na cana-de-açúcar, a cigarrinha-da-folha pode acarretar, por meio da sucção de seiva, a “queima” das folhas, que se manifesta pelas estrias longitudinais de coloração amarelada em seu limbo, com as pontas enroladas, dando a impressão de crestamento por falta d’agua. Devido ao seu

ataque, os colmos definham, diminuindo consideravelmente o espaço internodal e ficando com um aspecto semelhante ao da palmeira. Entretanto, o maior prejuízo causado pela cigarrinha, deve-se à perda de açúcar. Para o controle do complexo de cigarrinhas recomenda-se o Manejo Integrado de Pragas (MIP), utilizando-se do consórcio de vários métodos: controle biológico, resistência de plantas, controle cultural e, em último caso, o controle químico.

“No Brasil, avalia-se que, atualmente, as cigarrinhas estão presentes em cerca de 10 milhões de hectares de gramíneas, provocando prejuízos variáveis entre 10 e 100%” a) Controle biológico: os inimigos naturais das cigarrinhas podem ser divididos em: predadores (pássaros, formigas, percevejos, mosca Salpingogaster nigra); parasitoides de ovos e agentes patogênicos (microrganismos), que ocorrem naturalmente no ambiente. A espuma produzida pela ninfa da cigarrinha, sob a qual ela se abriga, confere-lhe uma proteção muito eficiente contra seus inimigos naturais. No entanto, os pássaros, a mosca S. nigra e o fungo

Metarhizium anisopliae se mostram eficientes no controle da fase jovem (ninfa). Cerca de 17 empresas comercializam M. anisopliae, em doses, variando de 2x1012 a 5x1012 conídios/ha, que deve ser aplicado num volume de calda de 200 a 300 L de água/ha quando se encontram de 5 a 7 espumas/ m², 5 a 10 ninfas/m² ou 3 a 5 adultos/m². Esse tipo de controle tem se mostrado bastante promissor, sendo utilizado em aproximadamente 50.000 ha, ao custo de US$10 por hectare (Figura 2).

Figura 2. Cigarrinha-das-pastagens infectada pelo fungo Metarhizium anisopliae Fonte: Entomologia Agrícola (Fealq, 2002)

As aplicações podem ser preventivas ou curativas. Como preventivo, o fungo pode ser aplicado em áreas previamente infestadas, com ovos em dormência. Como curativo, as aplicações devem ser executadas com o aparecimento da segunda e terceira gerações de ninfas. As pulverizações podem ser executadas com pulverizadores terrestres ou com aviões. O tratamento torna-se mais eficiente quando efetuado em pastagens de 25 a 40 cm de altura, para evitar a ação indesejável da radiação ultravioleta sobre o fungo. Elevada umidade seguida de veranicos e temperatura na faixa de 25 a 27 centígrados são condições indispensáveis para obtenção de bons resultados de controle. PECUÁRIA EM ALTA

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ARTIGO

b) Resistência de plantas: as cigarrinhas podem viver em quase todas as gramíneas. Existem, no entanto, espécies que possuem características de resistência à praga. A constituição fisiológica das plantas forrageiras pode ser uma barreira física ao ataque da cigarrinha, impedindo ou dificultando a penetração do seu aparelho bucal. Algumas forrageiras mostram-se resistentes por apresentarem características que dificultam a propagação da praga, como pilosidade, rigidez dos tecidos do colmo e produção de alomônios de alimentação. As espécies de Brachiaria decumbens e Brachiaria ruziziensis são consideradas suscetíveis à maioria das espécies de cigarrinhas. Como táticas de controle recomenda-se manter com altura elevada as pastagens de capins suscetíveis, ou seja, realizar pastejos leves nas épocas de ocorrência ou implantar pastagens de capins resistentes que suportam o maior peso do pastejo. c) Controle cultural: uma estratégia importante é o manejo adequado de cada tipo de capim, controlando a altura por meio do pastejo, fazendo com que haja uma menor relação: número de ninfas de cigarrinhas / quilograma de matéria verde. Há outras medidas culturais, tais como: nas pastagens em formação, realizar adubação de formação e manutenção; consorciar, na área, gramíneas nativas ou resistentes com gramíneas suscetíveis; manter as gramíneas a uma altura em torno de 25 cm, evitando su14

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“Tem-se observado que, com o predomínio da colheita mecanizada da cana e a ausência das queimadas, o nível de infestação da cigarrinha-da-raiz está aumentando gradativamente”

perpastejo; preservar matas ou faixas de vegetação nativa para abrigar e multiplicar os inimigos naturais das cigarrinhas; diversificar as pastagens na propriedade, com a inclusão de gramíneas resistentes às cigarrinhas, visando à redução dos níveis populacionais; manejo de pastagens adequado à carga-animal, de modo a evitar sobra de pasto, a fim de reduzir os níveis populacionais das cigarrinhas pela diminuição da altura da gramínea e da quantidade de palha acumulada no solo - resultando em condições desfavoráveis ao desenvolvimento e à sobrevivência de ovos e ninfas de cigarrinhas. d) Controle químico: como medida exclusiva para o controle das cigarrinhas, torna-se antieconômico em grandes áreas, em decorrência da baixa eficiência desses produ-

tos sobre ninfas do inseto e do número elevado de aplicações que devem ser executadas. Além disso, existe o problema da poluição ambiental ocasionada pelo depósito de inseticidas no meio ambiente. Muitas vezes, ocorre persistência dos produtos químicos no solo, que podem ser absorvidos pelas plantas, consequentemente, resultando no aparecimento de resíduos no leite e na carne. No caso de alta infestação por adultos, deve-se reduzir a população na primeira geração aplicando um inseticida seletivo ao fungo e a outros inimigos naturais da cigarrinha. Quando o controle químico se faz necessário como medida emergencial, o mais indicado é a utilização de produtos de baixa toxicidade, pouco agressivos ao meio ambiente (Tabela 1) e, se possível, seletivos aos inimigos naturais. Esse tipo de controle deve ser evitado em área total, podendo ser usado em áreas destinadas à produção de sementes. Somente deve ser usado em casos de extrema necessidade e nos focos de infestação, a fim de evitar a dispersão do inseto. No entanto, acredita-se que o manejo bem-sucedido das cigarrinhas-das-pastagens esteja condicionado a um conjunto de medidas de controle que leve em consideração a garantia da qualidade da forragem a ser oferecida aos animais, a preservação do meio ambiente e o equilíbrio biológico e ecológico e, acima de tudo, a garantia de alimento (carne e leite) saudável aos consumidores.


Cultura

200 ml/ha

Pastagem

Cana-deaçúcar

Espécie de cigarrinha

Deois flavopicta

Mahanarva fimbriolata

Produto comercial

Grupo químicos

Classificação Toxicológica

Dose

Eforia

Piretróide + neonicotinóide

III

200 ml/ha

Engeo Pleno

Piretróide + neonicotinóide

III

200 ml/ha

Platinun Neo

Piretróide + neonicotinóide

III

200 ml/ha

Actara 10 GR

Neonicotinóide

III

20-25 Kg/ha

Actara 250 WG

Neonicotinóide

III

1 Kg/ha

Curbix 200 SC

Fenilpirazol

III

2,5-3 L/ha

Tabela 1: Inseticidas indicados para o controle das cigarrinhas Mahanarva fimbriolata e Deois flavopicta em cana-de-açúcar e em pastagem Fonte: AGROFIT (2016)

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LEITE

ESTRESSE TÉRMICO EM REBANHOS LEITEIROS por Rodrigo Peixoto, técnico de Leite da Alta O estresse térmico é um dos fatores de maior impacto econômico em fazendas leiteiras, tendo efeitos negativos diretos sobre a produção de leite, em tempo real, como também indiretos, prejudicando a eficiência reprodutiva do rebanho e, consequentemente, a redução da produção de leite futura. Segundo o jornal Dairy Science, os efeitos negativos do estresse térmico chegam a representar um preju16

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ízo de U$ 897 milhões por ano, nos Estados Unidos. E isso, considerando que as fazendas possuem sistemas de resfriamento de vacas/ambientes. No Brasil, ainda não temos conhecimento do tamanho dessa cifra, mas, se colocarmos aqui, apenas para termos uma noção do tamanho do impacto, se o estresse térmico influenciasse negativamente em 10% da produção de leite no Brasil, estaríamos falando de

algo em torno de 3,5 bilhões de litros por ano, ou em torno de R$ 3 bilhões de reais. Veremos nesse artigo como o estresse térmico impacta na saúde da fazenda de leite e como podemos prevenir ou minimizar seus efeitos. O que é? Estresse térmico é um termo que se aplica quando a temperatura do ambiente excede a zona de conforto térmico de


um rebanho. Na zona de conforto térmico, a vaca não precisa exercer nenhum mecanismo para aumentar a eficiência de dissipar calor ao ambiente. Quando em estresse térmico, o status fisiológico da vaca muda, ou seja, todo seu corpo trabalha de forma diferente, o que afeta a produção de leite e a eficiência reprodutiva. Outros fatores ambientais que afetam diretamente o animal incluem a umidade relativa do ar, a velocidade do ar, o grau de radiação solar, a radiação térmica e a perda de umidade. Apenas por curiosidade, existem dois mecanismos pelos quais os bovinos procuram dissipar calor para o ambiente: os não evaporativos e os evaporativos. Os mecanismos não evaporativos são os meios de dissipação de calor pela radiação, convecção e condução e os mecanismos evaporativos são os meios de dissipação de calor pelo suor e pela respiração. Em temperaturas altas (acima de 21,1ºC), os mecanismos evaporativos são os mais importantes para a transferência de calor ao ambiente, segundo os autores Shearer e Beed, no artigo Thermoregulação e respostas fisiológicas de gado leiteiro em tempo quente, publicado em 1990. Assim, aqui no Brasil, onde as temperaturas ambientais são elevadas na maior parte do ano em quase todas as regiões, o suor e a respiração são os mais importantes meios de dissipação de calor para o ambiente. E agora, você, leitor, começa a entender o porquê que uma vaca aumenta a frequência respiratória quando

está com calor excessivo. Legal né! Uma forma de enxergar se um lote de vacas está sofrendo de estresse térmico é observar a frequência respiratória delas. Se estiverem com mais de 80 movimentos respiratórios por minuto em 70% do lote, o mesmo está sofrendo de estresse calórico.

“Quando em estresse térmico, o status fisiológico da vaca muda, ou seja, todo seu corpo trabalha de forma diferente, o que afeta a produção de leite e a eficiência reprodutiva” Os mecanismos evaporativos são muito importantes, mas pouco eficientes e com grande limitação em situação de alta umidade relativa do ar. Nessa condição, o meio ambiente está saturado com vapor de água, o que reduz a possibilidade de evaporação (perda de calor) do animal para o ambiente. Existe diferença entre animais zebuínos, taurinos e seus mestiços para a zona de conforto térmico. Jonas Carlos Campos Pereira, em seu artigo Fundamentos de bioclimatologia aplicados à produção animal, cita que, para zebuínos, a zona de conforto térmico varia entre 10º e 27ºC. Para os taurinos, entre 0ºC e 16ºC. Já para animais mestiços, essa faixa de

zona de conforto térmico está entre 5ºC e 31ºC. Mesmo em um confinamento em que as vacas não pegam luz solar quando estão em produção de leite, se não existir um eficiente sistema de resfriamento do ambiente e/ou de vacas, estas entrarão em estresse térmico em alguma parte do ano, na maioria das regiões brasileiras. Matrizes leiteiras zebuínas ou mestiças também entrarão em estresse térmico em algum momento do ano na maioria das regiões no Brasil, caso não se tenha um eficiente sistema de resfriamento das matrizes que auxilie os mecanismos de evaporação de dissipação de calor para o ambiente. Mas é claro que animais europeus são mais susceptíveis ao estresse térmico do que os zebuínos ou mesmo os mestiços. Por isso a importância de, sempre que for estruturar uma fazenda de leite, levar em consideração os fatores ambientais e as raças utilizadas dentro do sistema de produção. Para aquelas fazendas que já estão em funcionamento deve haver a preocupação da adequação por meio da genética das raças ou graus de sangue a serem utilizados que melhor se adaptam ao sistema de produção e ao ambiente da propriedade. Vale lembrar também que, atualmente, temos vacas mestiças e até mesmo zebuínas que são altamente eficientes em produzirem muito leite. Assim, estas vacas estarão produzindo muito calor endógeno e isso culmina em sofrimento por estresse térmico mais facilmente. PECUÁRIA EM ALTA

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LEITE

Consequências do estresse térmico Como consequências ao estresse térmico, podemos citar uma série de cascatas fisiológicas e homeostáticas, mas vamos nos atentar à praticidade e ao que realmente nos importa aqui: Redução da ingestão alimentar: Ocorre inibição do apetite por causa do aumento da temperatura corporal, seguido por redução da ingestão de alimentos. Essa é uma defesa do próprio animal para não aumentar o metabolismo basal e a temperatura. Em 1975, os autores Ingram e Mount observaram queda de 20% na ingestão de alimentos de vacas holandesas sob temperatura ambiente de 32ºC. Sob temperatura ambiente de 40ºC, o consumo de alimentos foi a zero. Redução da eficiência reprodutiva: A redução da ingestão de alimentos é parte da explicação da redução da eficiência reprodutiva. Sabemos que altera-

ções endócrinas, redução de absorção de nutrientes, falta de padrão e frequência da ruminação, deslocamento do fluxo sanguíneo do útero e ovários para os tecidos periféricos são efeitos também causados pelo estresse térmico e que têm como consequência a redução da eficiência reprodutiva, conforme especialistas. Alguns pesquisadores identificaram redução de assustadores números de 40 a 50% na eficiência reprodutiva em vacas com estresse térmico. Já foi demonstrada redução de cerca de 40% no tempo da vaca em cio quando a mesma está sob o efeito do estresse térmico, além da redução do número de aceitação de montas, refletindo diretamente na dificuldade de achar as vacas em cio, levando à diminuição da taxa de serviço. Também ocorre influência direta sobre a qualidade dos folículos e oócitos, qualidade de corpo lúteo e desenvolvimento embrionário, de acordo com o Jornal Animal Reproduction Science, reduzindo

Sob estresse térmico

Normal

Taxa de concepção

20%

35%

Taxa de serviço

40%

50%

Taxa de prenhez

8%

18%

Leite

Sob estresse térmico

Normal

Diferença

Período de serviço (dias)

262

132

130

IEP projetado (meses)

18

14

4

DEL médio (dias)

241

176

65

Perda de leite/vaca/dia (L)

18

exponencialmente a taxa de concepção; ou seja, todas estas influências participam de forma agravante sobre a redução da taxa de prenhez do rebanho. Redução da produção de leite em consequência da redução da eficiência reprodutiva: Um dos maiores prejuízos às fazendas leiteiras está associado à baixa eficiência reprodutiva. Como visto anteriormente, o estresse térmico leva à perda de produção, de forma direta, por diminuição do consumo de alimentos; e indireta, por redução da eficiência reprodutiva, que acomete a futura produção de leite da fazenda. Esta última praticamente não é calculada nas fazendas e, pode acreditar, é muito mais grave, pois se refletirá cerca de um ano depois e é muito mais difícil de ser revertida. Para que fique mais claro, segue um quadro exemplificando a perda de leite futura em consequência da redução da eficiência reprodutiva.

5,27

Perda de leite/dia (L)

527,49

Perda de leite/ano (L)

192.532,04

Perda de leite/ano (R$)

250.291,65

PECUÁRIA EM ALTA


Rebanho confinado em sistema de Free Stall

Nesse quadro, consideramos um rebanho de 100 vacas de leite, com produção média entre 5.500 e 6.500 litros de leite corrigidos para 305 dias. Estas vacas, sob estresse térmico, deixaram de ter 35% de taxa de concepção e 50% de taxa de serviço e passaram a ter estas taxas na casa dos 20 e 40%, respectivamente. Dessa forma, a taxa de prenhez passou de 18 para 8%. Somente com a redução da eficiência reprodutiva do rebanho causado pelo estresse térmico, a fazenda passará a produzir, a menos, 5,27 litros de leite/matriz/dia. Considerando as 100 matrizes em lac-

tação e que o leite é pago pelo laticínio a R$ 1,30, teríamos 192.532,04 litros de leite e R$ 250.291,65 a menos, por ano. É de assustar, não é mesmo? Redução da produção de leite: Além da redução de leite, como visto anteriormente, também ocorre perda imediata da produção de leite devido ao sofrimento causado pelo estresse térmico. A redução do apetite e a ingestão de alimentos leva à redução da produção de leite, de forma direta. Afinal de contas, todos sabemos que vaca que não come não produz. Mas, além disso, alguns pesquisadores já demonstraram que vacas

de leite precisam deitar, descansar e ruminar para ter alta produção de leite. O estresse térmico também afeta o tempo de descanso da vaca. Se não há sombreamento suficiente e de qualidade que a incentive a deitar e a permanecer deitada descansando, a mesma ficará em pé por mais tempo durante o dia e assim a produção de leite se declinará. Tem-se dados de redução na produção de leite de até 30%. Como minimizar os efeitos do estresse térmico Para evitarmos ou minimizarmos os efeitos deletérios do

PECUÁRIA EM ALTA

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LEITE

estresse térmico, algumas estratégias são utilizadas. Uma delas é alterar o ambiente para reduzir a intensidade do estresse térmico e permitir que as vacas expressem seu potencial genético para produção de leite e reprodução. Seguem algumas medidas de atuação dentro desse contexto: a) Disponibilidade de água suficiente e de boa qualidade para os animais beberem, principalmente após a ordenha e nas horas mais quentes do dia. O ideal é que haja bebedouros com 10 a 15 cm/matriz, considerando 20% do lote. É preciso ter em mente que vacas bebem grande volume de água de uma só vez e que, por isso, deve-se ter fluxo contínuo e vazão suficiente para encher rapidamente o cocho para que outra vaca venha beber imediatamente após a anterior. b) Sistemas de resfriamento automatizados para molhar as matrizes e secar, com ventilação mecanizada, são muito eficientes. Em sala de espera, esse sistema, bem conduzido, pode oferecer resfriamento das matrizes por até cinco horas.

“Existem dois mecanismos pelos quais os bovinos procuram dissipar calor para o ambiente: os não evaporativos e os evaporativos”

c) No ambiente em que as matrizes estarão descansando, pode-se utilizar sombras naturais ou artificiais na proporção de cinco a seis metros quadrados/matriz. Como árvores demoram muito tempo para atingirem altura que forneça sombra suficiente, as sombras artificiais estão sendo cada vez mais utilizadas. Como exemplo de sombra artificial temos o sombrite (tela de fibra sintética), que deve ter eficiência de acima de 80% de sombra. d) As ordenhas devem ser

feitas em horários mais frescos do dia. Sabe-se que o momento que a vaca de leite mais sente calor é na hora da ordenha. e) Evitar manejos como vacinação, casqueamento, pesagem, inseminação artificial e outros nos horários mais quentes do dia. É uma medida de redução do estresse térmico. Outra estratégia muito eficiente é adequar raças ou graus de sangue de acordo com o sistema de produção da fazenda e com o ambiente em que o sistema está inserido. A Alta possui um programa denominado Plano Genético. Os técnicos vão até a fazenda e avaliam ambiente, matrizes, sistema de produção e objetivo do proprietário, a fim de propor soluções.

Rodrigo Peixoto, técnico de Leite da Alta graduação em Medicina Veterinária pela PUC-MG, mestrado em zootecnia, área de concentração “produção animal”, com projeto de pesquisa relacionado com metabolismo e reprodução de bovinos de leite

Referências bibliográficas: Ingram, D. L.; Mount, L. E. Man and animals in hot envoirenment. New York: Springer – Verlag New York Inc, 1975. 185p., citado por http://rehagro.com.br/plus/modulos/noticias/ler.php?cdnoticia=1466. Pereira, J. C. C. Fundamentos de bioclimatologia aplicados à produção animal. Belo Horizonte: FEPMVZ, 2005. 195p. Shearer, J. K., Beede, D. K. Thermoregulation and plysiological responses of dairy cattle in hot weather. Agric. Prat., v.11, n.4, p.8¬17, 1990, citado por http://rehagro.com.br/plus/modulos/noticias/ler.php?cdnoticia=1466. Shehab-El-Deen M. A. M. M., Leroy J. L. M. R. , Fadel M. S. , Saleh S. Y. A., Maes D., Van Soom A. Biochemical changes in the follicular fluid of the dominant follicle of high producing dairy cows exposed to heat stress early post-partum. Animal Reproduction Science, 2010; 117: 189-200. Pierre, N.R., Cobanov, B., Schnitkey, G. Economic losses from heat stress by U.S. livestock industries. Journal Dairy Science, 2003; 86: 52-77.

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PECUÁRIA EM ALTA


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PECUÁRIA EM ALTA

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CORTE

A IMPORTÂNCIA DA HABILIDADE MATERNA EM REBANHOS NELORE por Fernanda Borges, técnica de Corte da Alta

Os especialistas chamam de ciclo pecuário a metodologia de análise do mercado de corte, a qual gira ao redor de dois principais fatores: o preço do bezerro e a oferta de matrizes para o abate. O início do ciclo é marcado pela fase de contração, quando o bezerro está barato e o pecuarista começa a liquidar as matrizes, gerando diminuição na produção/oferta de bezerros e consequente queda no preço da arroba do boi gordo. Já a fase seguinte, dita expansiva, representa o momento em que as vacas estão escassas para abate, pois são direcionadas ao aumento na produção de bezerros, elevando o preço da arroba do boi. Esse ciclo pecuário tem duração próxima de quatro anos, quando se inicia, então, um novo ciclo. Com o crescimento do cru22

PECUÁRIA EM ALTA

zamento industrial no Brasil, a reposição de fêmeas Nelore ficou prejudicada nos últimos três anos. Dados da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) comprovam que, desde 2013, a raça Aberdeen Angus comercializa mais material genético do que a raça Nelore. Nos últimos seis anos, a raça Angus teve um crescimento de 150%, enquanto o gado de corte cresceu 50%, segundo a Associação de Criadores de Angus. Considerando que o grande mercado de inseminação de touros Angus é sob fêmeas Nelore, precisamos entender a importância de aprimorar a seleção de matrizes Nelore para reposição do plantel. Uma forma eficiente de selecionar os indivíduos para a produção de fêmeas com qualidade superior é por meio da Diferen-

ça Esperada de Progênie (DEP) para habilidade materna, encontrada em todos os programas de melhoramento animal. Essa DEP leva em consideração o peso aos 120 dias de idade dos netos dos reprodutores, ou seja, avalia a capacidade das filhas de produzirem leite suficiente para manutenção e desenvolvimento dos bezerros. Animais com DEPs elevadas têm maior potencial produtivo nessa característica. O Programa da Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP) divulgou um estudo, no qual separou a população de matrizes em três grupos (alto, médio e baixo valor genético para MP120 – Habilidade Maternal para Peso aos 120 dias de idade). Eles observaram que os filhos de matrizes com alto valor genético para essa característica pesaram 10 quilos a mais do que a média da população, enquanto os filhos de matrizes com baixo valor genético para MP120 pesaram sete quilos a menos em relação à população. Isso demonstra que a característica tem alto impacto econômico, já que o peso aos 120 dias tem alta correlação com o peso em outras idades, como a desmama ao sobreano e também ao peso final.


Análise DEP materna Filhos Quantidade de matrizes

TOP% Matrizes

Média DEP MP120 (kg)

Quantidade de Filhos

Média P120 (kg)

Média DESC GC 120 (kg)

492

0,1-5%

3,32

3324

146,2

10,26

391

50-70%

0,23

2498

132,0

-0,81

501

80-100%

-1,09

3177

124,5

-7,55

Nos diversos programas de melhoramento temos os melhores touros para produção de fêmeas com alto valor genético para habilidade materna. ANCP Touro

DEP

TOP (%)

CEN 3348 Lambisco

9,04

0,1

General MN

6,00

0,1

Quaraçá 10

5,61

0,1

PMGZ Touro

DEP

TOP (%)

REM Torixoréu

5,62

0,1

Barac S. Nice

5,37

0,1

469 Soberano T. Brava

4,37

0,1

GENEPLUS Touro

DEP

TOP (%)

D1484 Huno da MN

5,84

0,1

REM Usp

4,22

0,1

9936 Boeng do JHV

3,70

0,1

PECUÁRIA EM ALTA

23


CORTE

Além da DEP para habilidade materna, é possível selecionar as matrizes fazendo uma avaliação intrarrebanho. Com um grupo de manejo bem determinado e a partir da mensuração para peso ao desmame, pode-se descartar matrizes que apresentem filhos pesando 20% abaixo da média da propriedade, matrizes que têm bezerros muito fracos (guaxos), matrizes que apresentam filhos com conformação frigorífica fraca e/ou matrizes que não conseguem desmamar bezerros com pelo menos 40% de seu peso vivo. Um grande exemplo de que a seleção para habilidade materna tem grande retorno e é capaz de se fixar em um rebanho é o trabalho da Agropecuária Colonial. Localizada no Norte de Minas Gerais, a fazenda descarta as matrizes menos produtivas, desde 1988, e, a partir de 1996, passou a utilizar também as informações genéticas para auxiliar nesse descarte. Touros como Quark COL representam essa seleção para habilida-

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PECUÁRIA EM ALTA

“Selecionar touros e matrizes melhor avaliados para habilidade materna é fundamental para fixar essa característica no rebanho e, consequentemente, aumentar os ganhos” de materna. Após 21 anos de seu nascimento, Quark ainda é melhorador para MP120 (3,90/ TOP 1%), com confiabilidade de 93% e mais de nove mil netos nascidos. É considerado um raçador, com oito filhos e 15 netos na bateria Alta, mostrando a capacidade de seleção e multiplicação dos genes para produção de leite na raça Nelore. Selecionar touros e matrizes

melhor avaliados para habilidade materna é fundamental para fixar essa característica no rebanho e, consequentemente, aumentar os ganhos em desempenho dos bezerros, especialmente para plantéis que precisam fazer reposição de fêmeas. É sempre importante ressaltar que essa é apenas uma característica para avaliar a funcionalidade de uma matriz. Além de habilidade materna, é importante levar em consideração precocidade sexual (3P, PE365, ACAB, IPP), longevidade (STAY) e ganho de peso (PD, P210), além de outras características que também podem ser incluídas no plano genético, dependendo do objetivo e da realidade de cada fazenda.

Fernanda Borges, Técnica de Corte da Alta Formada em Zootecnia pelo Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM). Ingressou na Alta como estagiária por meio do programa Jovens Talentos, em 2012


PECUÁRIA EM ALTA

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CORTE

FAZENDA SANTA BÁRBARA CONQUISTA O TRICAMPEONATO NO CIRCUITO BOI VERDE

CIRCUITO BOI VERDE Um é pouco, dois é bom e três é melhor ainda. Este ano, a Fazenda Santa Bárbara, propriedade de Sandra Massi, localizada em Ivinhema (MS), conquistou, pela terceira vez, o título de Melhor Carcaça do Circuito Boi Verde, promovido pela Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB). A vitória da fazenda carrega o peso de fomentar a raça Nelore no país e no exterior, evidenciando seu potencial de produção de carne de qualidade. A carcaça campeã é de um filho do touro CEN Austero, já desaparecido, cria de Carlos Eduardo Novaes, da Nelore CEN, e, 26

PECUÁRIA EM ALTA

hoje, de propriedade de César Brugnera, Marco Pedrosa e Gilberto Pires. No lote abatido no Circuito Boi Verde de julgamento de carcaças (7ª Etapa Nova Andradina - MS) concorreram aproximadamente 500 animais, sendo que 110 pertenciam à fazenda Santa Bárbara. Os 78,2% (86 animais) abatidos da fazenda apresentaram idade cronológica de 0 (zero) dentes (18 meses), e 21,8% (24 animais) dois dentes (24 meses), com o peso de 18 a 20 arrobas, com acabamento, na sua totalidade, de médio a uniforme. Participaram desse circuito cinco propriedades. No circuito nacional, a fazenda atingiu a maior pontuação, per-

manecendo, assim, em primeiro lugar, com nota 9,73. CEN Austero, que morreu no início de 2016, foi identificado pelo programa Qualitas de melhoramento genético como o primeiro reprodutor PO/CEIP do mercado, garantindo aumento de produtividade para a maior parte dos plantéis nacionais. O reprodutor foi amplamente usado desde sua contratação pela Alta e seus filhos são reconhecidos pelo alto desempenho em ganho em peso e boa conformação frigorífica. Outros títulos O primeiro título foi conquistado no ano de 2008 e, posteriormente, em 2015, com a carcaça de um touro também cria de Carlos Eduardo Novaes, o reprodutor CEN Adonis, conhecido por produzir machos de alto valor agregado e fêmeas extremamente férteis e funcionais. “A genética ajuda a diminuir a idade de abate, produz animais de melhor qualidade e aumenta o peso de desmama. São animais com melhor produção de carne e cobertura”, afirma o médico


“A genética ajuda a diminuir a idade de abate dos animais, produz animais de melhor qualidade e aumenta o peso de desmama. São animais com melhor produção de carne e cobertura”

Touros destaques

CEN 6884 Adonis TE

veterinário e administrador da Fazenda Santa Bárbara, Reinaldo Ledesma. A carcaça, que foi avaliada em um lote com outros 110 animais, obteve nota 9,45 em cronologia, enquanto a média geral do abate foi 9. Já na característica peso, a nota foi 9,72, enquanto a média geral foi 8,82, e, no acabamento, a nota foi 9,68 e a média geral 8,68. Adonis, além de transmitir ganho de peso e funcionalidade aos seus filhos, tem a garantia de fertilidade através do Concept Plus, um programa idealizado pela Alta para avaliar o potencial de concepção dos touros de sua bateria. A fazenda Crioula, de propriedade de Carlos Eduardo Novaes (Nelore CEN), há mais de 40 anos desenvolve um trabalho de melhoramento genético, com o intuito de produzir animais Nelore condizentes com a realidade do mercado nacional, demonstrando, assim, em dois anos consecutivos, a melhor carcaça do Brasil.

CEN Austero

PECUÁRIA EM ALTA

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CORTE

Sobre a Santa Bárbara Há 10 anos, Sandra Maria Massi, filha de Reinaldo Massi, recebeu, de herança, a Fazenda Santa Bárbara, que pertencia à Fazenda Someco, no município de Ivinhema, no Mato Grosso do Sul. Na divisão, Sandra ficou com 11.936 hectares, mais 596 da Fazenda Experimental (arrendada para cana). Hoje, a Fazenda Santa Bárbara destina-se à pecuária e possui um reba-

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PECUÁRIA EM ALTA

nho de 15 mil cabeças Nelore, sendo seis mil de fêmeas para reprodução. No último ano, a taxa de prenhez foi de 89%. A Inseminação Artificial de Tempo Fixo (IATF) é feita em todas as matrizes, com repasse após 15 dias com o touro. A maior parte do sêmen utilizado é de touros para o cruzamento industrial, da raça Red Angus. A fazenda, também, possui um confinamento para cinco mil cabeças. No último ano,

foram confinadas mil vacas vazias, 500 novilhas, três mil garrotes de 12 a 24 meses e 500 garrotes de desmama de cruzamento, com 11 meses. “Hoje, na fazenda, não são abatidos animais com mais de 24 meses”, explica Reinaldo. Das 1.500 fêmeas vazias abatidas no último ano, parte vem das outras fazendas, do município de Água Clara (MS). As fazendas Cangalhas, San Remo e Queixada totalizam mais 11.600 hectares. “Em Água Clara, temos um rebanho de 7.500 cabeças, sendo 3.500 fêmeas para reprodução. Fazemos IATF em 2.500, com repasse de touros em 15 dias, da mesma forma que na Santa Bárbara: parte Nelore e parte cruzamento. Lá, com esse sistema, temos obtido 87% de prenhez”, afirma. As novilhas de 15 meses, 1/2 sangue Red Angus são entouradas (250 novilhas em Água Clara e 350 em Ivinhema). As crias são desmamadas e as novilhas enviadas para o confinamento e abatidas. Desde a divisão da fazenda, há dez anos, Sandra e Reinaldo contam com o apoio do veterinário Armando Pereira da Silva, da regional Alta, em Campo Grande. “O Armando me ajuda escolhendo o sêmen de touros melhoradores, me atualizando e mandando vídeos dos bezerros produzidos. Ele é um dos responsáveis pela genética do gado que temos hoje”, completa. A equipe do Armando também presta serviço de IATF na fazenda, além de realizar, juntamente com os funcionários, cursos de reciclagem e de inseminação.


PECUÁRIA EM ALTA

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PROGRAMAS E SERVIÇOS

SISTEMA DE PLANEJAMENTO GENÉTICO AUXILIA PRODUTOR NA GESTÃO DA FAZENDA ALTA GPS GARANTE MAIS RENTABILIDADE PARA OS PRODUTORES DE LEITE Foi-se o tempo em que a vaca produtora de leite se chamava simplesmente “Mimosa” e sua produção gerava resultados satisfatórios para manter uma família. A visão progressiva do homem do campo tem gerado transformações. O empresário do meio rural investe em planejamento, acredita em tecnologias, trabalha com áreas menores e mais produtivas e aposta em genética superior, que responde com maior produção em volume e melhor qualidade. Uma das etapas primordiais para que uma propriedade seja competitiva com outros setores é o estabelecimento claro dos objetivos de seleção: definir e estudar cuidadosamente quais características impactarão, de forma economicamente significativa, o negócio. Mas, tão importante quanto definir as metas e os objetivos é trabalhar de forma coerente e executar um planejamento bem feito para alcançar resultados. Pensando no propósito de ajudar o pecuarista brasileiro a construir um plano genético de acordo com os objetivos e necessidades de cada propriedade, a Alta pos-

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PECUÁRIA EM ALTA

sui o programa Alta GPS (Sistema de Planejamento Genético) direcionado para fazendas com produção de leite, em todo o Brasil, que usam as raças Holandesa, Jersey e Pardo-Suíço.

“Nosso compromisso é ajudar o produtor a atingir o objetivo desenhado para a fazenda” O Alta GPS, como o próprio nome já diz, direciona o planejamento genético, garantindo rentabilidade. Este processo é realizado por meio de um plano personalizado para maximizar tanto o melhoramento genético como o Retorno sobre o Investimento (ROI). Com a elaboração de um planejamento personalizado, o programa ranqueia os melhores touros e fêmeas, conforme os objetivos determinados pelo produtor, e busca harmonizar as melhores combinações entre os pares para maximizar

investimento e produtividade. “Nossa proposta é oferecer um software que auxilie no processo de seleção das melhores genéticas, para que o produtor consiga atingir seu alvo. Além disso, queremos despertar o interesse em planejamento, visto que o melhoramento genético possui resultados de longo prazo”, explica o gerente de Leite Importado da Alta, Fabio Fogaça. Segundo Fogaça, o produtor sustenta o negócio de produção de leite em três pilares: Produção, Saúde e Conformação. “Avaliamos, em conjunto com o produtor, qual destes setores precisa de mais ênfase. Muitas vezes, ele procura dividir de igual maneira entre todos, mas a genética não funciona assim. É uma ciência que demanda pressão de seleção: se eu quero chegar a um objetivo, preciso saber qual ponto tem mais importância e nele focar”. Entre os benefícios do Alta GPS estão o ranqueamento dos touros, o foco na rentabilidade a longo prazo, as melhores recomendações de acasalamento, a


capacidade de gerir índices das fêmeas presentes no rebanho para a identificação dos melhores animais e o cálculo sobre o retorno do investimento. “O segredo para um melhoramento genético rápido é a pressão de seleção, a acurácia de dados, tentando diminuir a variabilida-

de e o intervalo entre gerações. Nosso software processa e avalia tudo isso, de forma a gerar informações precisas que resultarão em ações eficientes”, destaca o gerente. O Alta GPS é gratuito para os pecuaristas que desejam investir no plano genético. “Nosso com-

promisso é ajudar o produtor a atingir o objetivo desenhado para a fazenda. Genética é um dos componentes trabalhados e o nosso programa prevê auxiliar nisso. Queremos que o pecuarista tenha sucesso e rentabilidade. É bom para ele, para o setor e para a Alta”, finaliza.

Aqui na Fazenda Tambo São Valentim nós usamos a Alta há muito tempo. Hoje, todo rebanho é de filhas de touros Alta. Nós usamos o GPS e, anteriormente, usávamos o AltaMate. O que nós podemos observar é que temos vacas cada vez mais padronizadas e atendendo ao nosso objetivo principal, que é ter vacas com muito leite e saúde, ou seja, que batem o cartão todo dia e pagam a conta ERMES FRONZA, DA FAZENDA TAMBO SÃO VALENTIM, É CLIENTE 100% ALTA, DESDE 2002. A PROPRIEDADE EM TUCUNDUVA (RS) CONTA COM 100 VACAS NA ORDENHA E PRODUÇÃO DE 3.350 LITROS DIA, EM DUAS ORDENHAS

Possuímos 120 vacas em ordenha, com uma produção média de 4.100 litros/ dia. Desde que iniciamos a parceria, a regional Alta de Santa Rosa nos presta a assistência técnica na propriedade, nas áreas de reprodução, nutrição e manejo. Utilizar o GPS nos trouxe animais que produzem bastante e que aguentam o nosso sistema. Os resultados obtidos ao longo desses 14 anos são muito satisfatórios. Conseguimos um rebanho produtivo e que já começa a mostrar a saúde que buscamos. Para se ter ideia, nossos índices hoje são 3,9 % de gordura; 3,2% de proteína; CCS 264.000 e CBT 7000. A taxa de concepção é de 32%; a de serviço, 65%; e a de prenhez, 20,8% ELIAS ADAM, DA AGROPECUÁRIA ADAM, LOCALIZADA EM SANTA ROSA (RS) TAMBÉM UTILIZA EM SEU REBANHO 100% DE GENÉTICA ALTA, DESDE 2002

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CAPA

2017: ANO DE REFLEXÃO, DE OPORTUNIDADES E DE COLOCAR A CASA EM ORDEM Em 2016, o agronegócio foi responsável por 38% das exportações brasileiras, contribuindo para o equilíbrio da balança comercial (saldo de US$ 72 bilhões). Para se ter noção maior do crescimento, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor cresceu 3%, frente à retração de 3,5% do PIB do Brasil. As perspectivas para 2017

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PECUÁRIA EM ALTA

são ainda mais promissoras, principalmente para a pecuária. O grande desafio do pecuarista será a correta administração da propriedade. Tratar a fazenda como empresa, realizando investimentos superiores aos tradicionais em mão de obra, nutrição, sanidade e genética. Antes de pensar em produzir, o pecuarista deve realizar um diag-

nóstico coerente da situação atual da propriedade, em todos os seus setores. Os mercados mundial, nacional e regional precisam ser analisados, assim como as tendências de consumo, as políticas de exportação e as preferências do mercado local. Desta forma, é possível identificar os setores e as características que merecem mais aplicação de recursos, evitar


prejuízos financeiros e realizar, de forma correta, os investimentos, para produzir e lucrar. A revista Pecuária em Alta entrevistou alguns dos mais renomados especialistas em mercado da pecuária de leite e de corte para que você comece o ano muito bem informado sobre o setor. Pecuária de Corte O diretor da Scot Consultoria, especialista em estudos dedicados ao agronegócio nacional e internacional, Alcides Torres, explica que, em 2016, o pecuarista aprendeu lições importantes: não ignorar ambientes mercadológicos de risco, garantir margem e deixar de olhar somente preço de venda - prática comum no setor. Aprendeu também a focar na rentabilidade e, para garantir margem, além de lançar mão de ferramentas de garantia de preços, a conhecer o custo de produção, algo não muito comum entre os produtores. “Em 2016, houve oportunidade, por exemplo, de travamento de preços da arroba do boi gordo no mercado futuro em R$167,00, para outubro e novembro, patamar R$17,00/@ acima do que o mercado físico precificou nestes meses. Os sinais foram claros, desde o começo do ano, de que não existiria espaço para altas desta dimensão no mercado físico. Não foram poucos os pecuaristas que deixaram essa oportunidade passar”, explica o especialista. Outro exemplo veio no momento em que as margens das indústrias se recuperaram fortemente em razão do aumento de preço da carne, sem que houves-

se suporte do consumo. “Isso fez muita gente segurar boi no pasto, em plena seca, o que aumentou o custo. Acharam que o caminho estivesse aberto para a tão esperada valorização da arroba. Resultado: a alta bateu no varejo, não foi repassada, encurtou a margem dos varejistas de 70,0% para 50,0% e nada de aumentar o preço da arroba, já que não havia necessidade de intensificar as compras de boiadas”, completa. Na atividade de cria, por exemplo, o pecuarista passou por bons momentos, com ótimos preços do bezerro, mas o ciclo da pecuária mudou. De acordo com Alcides, a queda de preço do bezerro em 2016 foi resultado da falta de interesse do recriador/ invernista em repor o rebanho. Os preços menos atrativos da arroba, associados aos preços elevados dos animais mais jovens, reduziram a demanda. “Além disso, a seca, que reduziu mui-

to a capacidade de suporte das pastagens, fez criadores facilitarem as vendas, e compradores, interessados em repor, adiarem os negócios. O que ocorreu em 2016 com o mercado destas categorias para reposição do rebanho foi resultado da queda na demanda. A diminuição da participação de fêmeas no abate começou em 2015 e, portanto, a primeira safra maior de bezerros deste ciclo começará em 2017, embora o aumento deva ser pequeno”, diz. No ciclo pecuário é normal, nos primeiros meses do ano, o mercado apresentar uma queda de preços na arroba devido à grande oferta de fêmeas descartadas na estação de monta, além do fato de que este é um período no qual a população está menos capitalizada, devido às “contas” do início do ano. Mesmo com indicações de como será o mercado em 2017, ainda não é

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CAPA

possível prever os efeitos. “Não temos certeza nem mesmo da recuperação econômica e a que ponto isso ajudará o consumo de carne. O boletim Focus do Banco Central chegou a indicar um crescimento de 1,5% no PIB, em 2017 e, no final da primeira quinzena de dezembro, após seguidas revisões, indicava uma melhora modesta, de 0,7%. Mas, além do aumento sazonal na oferta de fêmeas e da queda no consumo de carne, nos primeiros meses de 2017, as indústrias podem receber ainda os animais que, eventualmente, seriam confinados em 2016, se o resultado desta operação tivesse sido atraente. Isso pode ajudar na compra de matéria-prima e ser mais um fator a exercer papel baixista no mercado. Sem contar que, com preços do bezerro com menor força, que é o que acreditamos que deverá ocorrer no próximo ano, pode ser que o aumento normal da oferta de fêmeas no primeiro trimestre ganhe algum reforço de oferta”, completa. Com este cenário, mais do que nunca o pecuarista precisa se conscientizar de que o investimento é fundamental, em especial, em tecnologia. A propriedade precisa

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estar em crescimento contínuo, como qualquer negócio.

“Não temos certeza nem mesmo da recuperação econômica e a que ponto isso ajudará o consumo de carne” Segundo a Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec), as exportações brasileiras de carne bovina encerraram 2016 com um faturamento de aproximadamente US$ 5,5 bilhões, uma queda de 6,8%, em comparação com os US$ 5,9 bilhões arrecadados em 2015. E, claro, a queda de faturamento é prejudicial para os frigoríficos. A indústria menos capitalizada tem menor poder de compra de matéria-prima, mas o impacto direto para o pecuarista é uma redução de volume, já que significa redução na pressão de compra de boiadas; além de poder haver aumento de faturamento mesmo que haja queda no volume se o preço da tone-

lada embarcada aumentar. “Mas, em 2016, tivemos uma combinação de queda dos dois parâmetros, volume e faturamento. Ou seja, além de um mercado interno ruim, destino de aproximadamente 80% da produção nacional de carne bovina, as exportações, que são alternativa de venda - que para alguns grandes grupos frigoríficos é o principal canal de escoamento - também decepcionou. Ou seja, as demandas interna e externa foram ruins em 2016 e o resultado final dessa associação, foi prejudicial para toda cadeia”, alerta Alcides. Analisando o confinamento, 2016 trouxe o aumento dos insumos e o setor perdeu bastante força. Segundo o especialista, ainda é cedo para traçar uma projeção para o confinamento em 2017. Primeiro, porque, embora os custos puxados pelo milho devam ser aparentemente menores, tudo pode mudar. Uma valorização cambial, não descartada por agentes do setor, pode tornar o produto brasileiro competitivo e, mesmo com a supersafra norte-americana, isso faria os embarques brasileiros crescerem, acarretando alta de preços. Além disso, enquanto a safra não for colhida, muita coisa pode acontecer. Tem ainda as incertezas quanto aos preços da arroba do boi gordo. Por fim, embora o ano deva ser de preços menores para os animais de reposição, o que ajuda a operação do confinamento, já que ao redor de 70,0% do custo total fica por conta da aquisição de animais, todos os demais pontos ainda incertos, somados, serão decisivos.


com uma crise macroeconômica e política sem precedentes na história brasileira recente. “Foram anos de oferta restrita de leite, quebrando o círculo virtuoso de crescimento da produção de leite até então vigente. Em 2016, houve uma forte oscilação nos preços relativos entre leite e insumos, demanda interna fraca, restrição de oferta, mercado internacional com preços mais baixos e taxa de câmbio volátil. Os setores que vendem insumos para a pecuária de leite sentiram os reflexos dessa tempestade. A indústria de laticínios passou por sinalizações confusas aos produtores, causando mais volatilidade nos preços. A falta de organização e coordenação da cadeia produtiva do leite ficou bem evidente”, salienta o pesquisador. Mercado internacional A abertura do mercado norte-americano deu ao Brasil a possibilidade de conseguir novos parceiros comerciais para a carne bovina nacional. Além do Japão, cujas tratativas estão avançadas, Coreia do Sul é outro mercado “bom pagador”, ao qual o Brasil terá possibilidade de acesso em 2017. Estes dois países estão entre os dez maiores importadores do mundo, além de pagarem os melhores preços médios por tonelada. Por fim, o acesso aos Estados Unidos pode permitir o avanço em países do continente americano, já que muitos deles seguem as normas e diretrizes deste país quando o assunto é importação de carne bovina.

Pecuária de leite A pecuária de leite é uma das atividades mais complexas do agronegócio, envolvendo uma série de conhecimentos técnicos em agricultura, pecuária e gestão. O planejamento e a gestão da produção demandam atenção constante e minuciosa. Não é raro se deparar com oscilações fortes de preço de leite e insumos, escassez de mão de obra e outras adversidades diárias inerentes à atividade. Conforme o economista e pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) - Gado de Leite, Glauco Rodrigues Carvalho, os anos de 2015 e 2016 ilustraram bem essa complexidade, que contou também com um cenário econômico adverso,

Retrospectiva Analisando a produção de leite no período de 2004-2016, estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na pesquisa trimestral do leite (leite inspecionado adquirido), observa-se um crescimento robusto, até 2014. A Região Sul do Brasil mostrou um vigor acima da média nacional e fez sua participação atingir 35,3% da produção brasileira ante 24,7%, em 2004. “Uma característica interessante que chamou a atenção durante esse período foi a robustez apresentada pelo setor brasileiro de leite e derivados”, diz Glauco. Nestes últimos 10 anos, ocorreram inúmeras fusões e aquisições na indústria de laticínios no PECUÁRIA EM ALTA

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CAPA

Brasil, novas empresas entraram e saíram do mercado, laticínios passaram por recuperação judicial, fraudes mostraram fragilidades na indústria e na fiscalização, laticínios fecharam, produtores deixaram de receber pelo produto entregue, dentre muitos outros acontecimentos marcantes. Todavia, a oferta nacional

“Será um ano de recuperação de safra, já que a relação preço de leite e insumo, na média, tende a ser melhor”

se manteve em expansão, não recuando em nenhum momento. O cenário dos últimos dois anos, no entanto, foi diferente. O crescimento da produção começou a desacelerar já no final de 2014, acentuando-se em 2015 e 2016. Portanto, a produção caiu, houve abate de vacas e produtores abandonaram a atividade.

Produção de leite sob inspeção no Brasil: em bilhões de litros

Fonte: IBGE. Pesquisa Trimestral do Leite. Adaptado Embrapa (2016) *E: Estimativa Embrapa Gado de Leite

O cenário de rentabilidade foi adverso para o produtor, sobretudo até o final do primeiro semestre de 2016. O custo de produção de leite, representado pelo Índice de Custo de Produção de Leite (ICPLeite) da Embrapa seguiu uma trajetória de alta, que se acentuou em 2015 e descolou do preço do leite recebido pelo produtor. Concentrados e sais minerais ficaram entre os insumos com maior elevação de preços ao longo do 36

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último ano. As margens ficaram muito apertadas. O índice de relação de troca (preço recebido dividido pelo custo) ilustra uma tendência de queda no final de 2013, que se aprofundou em meados de 2014, justamente quando a produção começou a perder força. A média anual da relação de troca, em 2015, foi a pior da série histórica, cujo início deu-se em 2006, quando o índice de custo de produção começou a ser acompanhado.

“Essa piora na rentabilidade foi a principal causa da redução da produção nacional de leite, o que refletiu em uma forte alta dos preços em meados de 2016. A combinação de preços internos mais altos, preço internacional de leite em pó mais baixos e a oferta restrita impulsionaram as importações de leite e derivados, atingindo um déficit superior a 400 milhões de dólares, em 2016”, pondera o pesquisador da Embrapa.


Índice de preço recebido pelo leite e índice de custo de produção (jan/2012=100)

Fonte: Cepea; Embrapa Gado de Leite

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CAPA

Perspectivas É preciso olhar para frente e buscar entender o que poderá acontecer nos próximos meses. Uma tarefa difícil, mas necessária para o planejamento econômico de qualquer atividade. “Para 2017, espera-se um volume de produção superior ao registrado em 2015 e 2016, mas sem excesso de oferta. Será um ano de recuperação de safra, já que a relação preço de leite e insumo, na média, tende a ser melhor. O custo de concentrado em 2016 foi o principal vilão entre os insumos, devido à forte quebra da safrinha brasileira de milho. Em 2017, espera-se aumento das safras de milho (verão e inverno), contribuindo para uma queda nas cotações, sobretudo a partir do segundo trimestre. Portanto, para os custos de produção, a expectativa é de preços de insumos mais baixos, na média”, alerta Glauco. Analisando o consumo, a tendência é também de melhora gradual, o que é favorável para os preços do leite pagos aos produtores. Ainda que o cenário econômico e político siga instável, alguns indicadores já estão melhorando. “As perspectivas de inflação, taxa de juros e PIB indicam patamares um pouco mais animadores do que em 2016, o que é positivo para o poder de compra da população e do consumo”. As recentes medidas do Governo relacionadas a impostos, juros, crédito e desburocratização favorecem o ambiente de negócios. A perspectiva é que os setores de petróleo e energia elétrica voltem a investir, contribuindo 38

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para a retomada do crescimento econômico, ainda que de forma modesta.

safra brasileira tendem a reduzir a pressão por leite importado.

“Mantenhase bem acima da média, com gestão e inovação tecnológica. Afinal, vivemos na era da informação e no mundo da tecnologia”

Independentemente das oscilações conjunturais, vale destacar que existem transformações importantes acontecendo na cadeia produtiva do leite no Brasil. A gestão das propriedades, ainda muito aquém do padrão de grandes produtores mundiais, está melhorando. Existem muitas mudanças acontecendo na produção primária. “O leite é constantemente rotulado como o segmento do agronegócio responsável por acolher produtores de baixa tecnologia, pouco eficientes. O alto custo de oportunidade da terra, o aumento do preço da mão de obra e a exigência por ganhos de produtividade nas fazendas têm contribuído para mudar essa realidade. É preciso que o setor industrial também amadureça, que melhore a coordenação na cadeia produtiva, que haja avanços na pauta das lideranças do setor, com objetivo de olhar mais para as questões estruturais e menos para as conjunturais”, enfatiza Glauco.

No mercado internacional, o preço do leite em pó está subindo enquanto a oferta de leite segue mais apertada. As previsões de mercado futuro, publicadas no Global Dairy Trade, mostram o leite em pó no patamar de 3.5003.600 dólares por tonelada. É bom lembrar que, se observamos um passado bem recente, os preços estavam em torno de 2.000 dólares por tonelada, o que não está no radar para 2017. Portanto, preços internacionais mais elevados e uma recuperação da

Alguns desafios


Os dados de 2015 do IBGE mostraram uma queda de 5,5% das vacas leiteiras, ou seja, os animais de pior genética foram descartados. O Sul brasileiro tem mostrado ganhos importantes de produtividade e maior velocidade na mudança tecnológica. A produção, por vaca, no Sul, é a maior entre as regiões brasileiras e existem microrregiões com produção, por vaca, no padrão europeu. Em 1990, dos 100 municípios de maior produção média por vaca, 28 estavam no Sul. Em 2015, o Sul detinha 92 dos 100 municípios. Questões climáticas, culturais e de organização da estrutura produtiva fazem do Sul uma região diferenciada no leite. No entanto, um importante fator de sucesso está na maior propensão da gestão do negócio ser pautada na inovação tecnológica. Ainda que a organização social e

o ambiente sejam mais favoráveis que o observado em outras regiões brasileiras, sua cadeia produtiva sofre com as importações da Argentina e do Uruguai. Isso cria uma pressão adicional por competitividade e inovação tecnológica. Fechar a importação não é a solução para a pecuária de leite nacional, mas gestão e tecnologia, sim. Afinal, queremos ou não ser um exportador? O Brasil tem hoje o menor custo de produção do mundo em milho e soja, tem terra, calor e água com relativa abundância, tem uma população continental e um potencial de consumo tremendo. Exemplo disso é que, não raro, multinacionais do setor aportam aqui. Existem vantagens competitivas que podem ser melhor aproveitadas e muitos produtores estão, de fato, aproveitando. “Existem muitos empresários do

leite com boa remuneração, mas precisamos avançar na agenda de prioridades do setor, intensificar a adoção de tecnologias, reduzir o custo dos equipamentos, melhorar o uso dos fatores de produção, melhorar a produtividade da terra, das vacas e da mão de obra. Também é importante lembrar que produzir leite exige gestão, dedicação e tecnologia, como em todas as atividades econômicas. Os que conseguem unir essas características são produtores acima da média nacional. São empresários que vão continuar tendo sucesso na atividade, garantindo uma boa remuneração e uma produção cada vez mais sustentável economicamente. Portanto, mantenha-se bem acima da média com gestão e inovação tecnológica. Afinal, vivemos na era da informação e no mundo da tecnologia”, finaliza.

Localização dos 100 municípios brasileiros de maior produção, por vaca, no ano

Fonte: IBGE. Adaptado Embrapa (2016)

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GIRO NO CAMPO

Viaje pelo país e conheça os animais que se destacaram nas diferentes paisagens do Brasil. Os clientes, juntamente com os

técnicos da Alta, apresentam o sucesso dos vários sistemas de produção. E você? Tem algum animal de destaque no reba-

nho? Envie uma foto dele para o e-mail da Pecuária em Alta, pois ela poderá ser o destaque da próxima edição!

Participe e envie sua foto para pecuariaemalta@altagenetics.com.br

João Carlos Araújo da fazenda Brilho de Ouro em Centralina (MG)

Ayrton Trentin, gerente regional da Alta em Araçatuba (SP), juntamente com o técnico de corte, Rafael Mazão em visita a Fazenda Bonsucesso, acompanhados do gerente Anderson Freitas da Silva

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Dia de reprodução na propriedade de Elias Adam registrado pelo regional da Alta em Santa Rosa, Valério Avelar

O técnico de leite da Alta, Ângelo Roberti juntamente com o gerente regional Menelau Murilo Matos em Castro no Paraná, em visita ao cliente Marco Noordegraaf da Fazenda Conde


@ferborgesoliveira

@francisco.alta

@girolandas

@marcos.tiao.santos

@marquezguilherme

@mauro_jr_

@rodrigohgpe

@xandeveludo

@rafaelvidal773776

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RAÇAS

TRICROSS CRUZAMENTO COM RAÇAS SINTÉTICAS ACELERAM CICLO PECUÁRIO E AUMENTAM A LUCRATIVIDADE DO PECUARISTA por Miguel Abdalla, gerente de produto Corte Taurino da Alta, e Luiza Mangucci, trainee Corte Taurino

O crescimento da inseminação artificial em tempo fixo (IATF) tem permitido uma intensificação do cruzamento industrial, principalmente na região centro sul do país, onde se concentram os grandes polos da pecuária brasileira. A forma de utilização das raças tem sido um assunto bastante ressaltado nos fóruns de discussão, com o objetivo de buscar melhor aproveitamento e rendimento das mesmas no momento do cruzamento. Atualmente, a utilização do cruzamento permite um giro de produção mais rápido, além de maior aproveitamento por hectare, fazendo 42

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dessa ferramenta um ótimo caminho para a alta lucratividade. Dessa forma, percebemos que a precocidade é fundamental para a sustentação desse sistema. Os animais advindos do cruzamento possuem o desempenho acelerado para ganho de peso, tanto nos machos quanto nas fêmeas, além de emprenharem mais cedo, característica que é fundamental para quem deseja fazer o tricross, cruzamento usado nas fêmeas F1, touro ou sêmen de uma terceira raça pura, na premissa de se manter bom nível de heterose e introduzir características desejáveis.

As fêmeas ½ sangue, além de emprenharem mais cedo, possuem a capacidade de desmamar bezerros mais pesados sem grandes perdas no escore corporal. Por isso, manter essas fêmeas no rebanho tornou-se um negócio viável, trazendo grandes vantagens, haja vista que, além de deixar uma média de sete arrobas a mais na fazenda, em forma de bezerro, ela é abatida, podendo receber bonificação por ser um produto diferenciado e se tornar uma renda a mais na propriedade. Além do mais, flexibiliza a entrada de caixa na propriedade por se encaixar em várias temporadas de abate, ou seja, na


desmama, recria ou engorda. Assim, uma das formas mais indicadas de utilização dessas fêmeas ½ sangue é trabalhar com raças compostas ou sintéticas, que são formadas pelo cruzamento entre animais das espécies Bos Taurus e Bos Indicus, visando combinar rusticidade e adaptabilidade com produtividade e qualidade do produto. Existem três principais raças sintéticas que são utilizadas no Brasil: Brangus, Braford e Canchim, as quais

possuem suas particularidades de utilização. Segundo o relatório da Asbia 2015, dentre todas as raças de corte, a raça Braford foi a que mais cresceu entre as sintéticas (49,68%), seguida pela Brangus, que cresceu 47,81%, e Canchim, que cresceu 22,14%. Estas ocupam 4º, 5º e 19º lugar, respectivamente, no ranking de volume de comercialização, posições de destaque que se devem ao fantástico desempenho nos campos.

É uma raça que congrega fertilidade, habilidade materna, precocidade, volume e qualidade da carne do Hereford, com a capacidade de adaptação aos trópicos, resistência aos ectoparasitas, rusticidade e rendimento de carcaça dos zebuínos, além do benefício indiscutível da heterose, que qualifica ainda mais sua carne. O Braford pode ser usado em cima da fêmea ½ sangue Hereford ou, ainda, em cima da ½ sangue Angus, a qual promoverá

maior ganho por efeito heterose, porém, só deverá ser utilizada quando o produtor não participar de nenhum programa de certificação Carne Angus. Brangus Em meados de 1940, o Ministério da Agricultura iniciou um cruzamento com a raça Angus e Zebu, que resultou na raça Ibagé, visto que esses se deram na região de Bagé (RS). Com o

Braford A história da raça Braford tem início no ano de 1967, quando o criador Rubem Silveira Vasconcelos, de Rosário do Sul (RS), começou a importar zebuínos americanos da raça Brahman, com o intuito de fazer o cruzamento com animais da raça Hereford, visando a formação de uma nova raça. Logo após o ponta pé inicial do Sr. Rubem, vários criadores da região iniciaram a utilização deste tipo de cruzamento, ilustrado a seguir.

passar dos anos e com a melhoria do cruzamento, esses animais alcançaram desempenho próximo aos animais americanos, os quais já faziam esse cruzamento desde 1912, assim, alterando o nome para Brangus Ibagé. Com o tempo e com a mudança da associação para Campo Grande (MS), o nome passou a ser somente Brangus, que é conhecida atualmente. Para formação dessa raça, o seguinte cruzamento era feito: PECUÁRIA EM ALTA

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RAÇAS

Essa raça, diferentemente da raça Braford, possui variação de pelagem, o que reflete, consequentemente, no nome, sendo que os animais pretos, advindos do cruzamento com Aberdeen Angus, são os chamados Brangus e os advindos de cruzamento com Red Angus são chamados Red Brangus. Alia o que há de melhor

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no zebu com o Angus, obtendo como características principais: altos pesos na desmama e no sobre-ano; grande ganho de peso, tanto em pasto como em confinamento; fêmeas de reposição com puberdade precoce, enxertando aos 15 meses; além de carne suculenta e macia. Para quem participa de programas de certificação e deseja

fazer o tricross, ambas as raças (Braford e Brangus) são uma excelente opção, pois quando utilizadas em cima de animais meio sangue britânico, produzirão um animal com 56% de grau de sangue britânico, o que permite a participação em seus respectivos programas de carne, obtendo assim uma bonificação.


Canchim Por fim, e não menos importante, temos a raça Canchim, a única que vem de um cruzamento entre o zebu e uma raça continental, ou seja, são animais que recebem destaque para alto peso de carcaça. O seu cruzamento está ilustrado abaixo. É uma raça

que possui uma associação desde 1972, demonstrando a consistência da raça, apresentando como características principais a precocidade no ganho de peso, precocidade na maturidade sexual e alto peso de carcaça. Podemos notar o alto ganho que se tem quando optamos pelo uso de qualquer uma das raças citadas

nesse texto; logo, temos que estar sempre atentos ao nosso sistema produtivo para que possamos escolher a que melhor atenderá as necessidades. Além disso, cada animal, dentro de cada raça, poderá potencializar o ganho fazendo com que haja um aumento significativo na lucratividade e na produtividade do pecuarista.

Miguel Abdalla, Gerente de Produto Corte Taurino Formado em Medicina Veterinária pela Universidade de Uberaba (UNIUBE) e possui MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV)

Luiza Mangucci, Trainee Corte Taurino da Alta Formada em Zootecnia pelo Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM)

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CASOS DE SUCESSO

GENÉTICA DE SUCESSO Nesta primeira edição de 2017, a Pecuária em Alta destaca dois importantes parceiros. O primeiro deles, a Fazenda Marajoara, localizada no município de Campo Verde (MT), desde

2013 realiza intenso trabalho de seleção, com a orientação da regional e técnicos da Alta, tanto no corte, quanto no leite. A outra parceira, a Star Milk, localizada no município de Céu

Azul, região oeste do Paraná, está entre os maiores produtores de leite do país, produzindo 19 mil litros diários. Duas histórias de empreendedores brasileiros, que valem a pena.

FAZENDA MARAJOARA INVESTIMENTO EM GENÉTICA SUPERIOR ACELERA O PROGRESSO DOS REBANHOS tes, realizado durante a ExpoGenética, em Uberaba (MG). Na ocasião, ele conheceu o trabalho de apartação de grupos e orientação de acasalamentos, desenvolvido pelo técnico de Corte da empresa, Marcos Labury. A partir de então, ele assessora os trabalhos realizados na fazenda”, explica Eduardo. Busca pela genética Filha Meteor Fiv

A Fazenda Marajoara, localizada no município de Campo Verde (MT), foi escolhida, em 1992, por Mauro Gasparelli e irmãos, para iniciar as atividades na agricultura. Juntamente com as lavouras veio a pecuária. O intuito foi diversificar a atividade e aproveitar as áreas onde não era possível cultivar soja e milho. Anos mais tarde, o gado seguiu para as fazendas Mata Grande e Bananal, no município de Planalto da Serra. Mauro iniciou, então, o trabalho com gado Puro de Origem (PO), com a aquisição de algumas vacas na liquidação de um criador vizinho. Em 2014, vie46

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ram as novilhas adquiridas da marca Nelore Mocho OB. “A parceria com a Alta iniciou ainda em 2013, quando Eduardo Montemor, agrônomo e administrador das fazendas, participou do curso para geren-

Produtos de Fiv Meteor e Impacto

Sempre em busca de animais mais produtivos, o criador investe em melhoramento genético. Inicialmente, o plano genético traçado pelo técnico Marcos Labury utilizou touros superiores, como Sudão MN, Major JHV, Apache JHV, Bibliógrafo, Quaraçá 10 de Bacuri e Pakayr da


EAO. Houve também a inserção no Programa Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ), realizado pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), com o intuito de avaliar o rebanho, descartando as fêmeas menos produtivas. Para o rebanho comercial, há o uso dos touros Concept Plus, Graco da Rancho Alegre, e, no cruzamento industrial, o touro Baine. Com a visão de acelerar os resultados e o avanço genético do rebanho, Mauro adquiriu, em 2014, no Leilão Naviraí Camparino, o touro Major JHV. O reprodutor é contratado pela alta e destaque de vendas da bateria de Nelore Mocho. Juntamente com esta aquisição, também foram adquiridas 14 doadoras do rebanho Camparino, entre elas, Influência de Naviraí, mãe do touro Boeng Fiv Camparino, também da bateria da Alta. “A intenção do investimento foi adquirir vacas superiores para acelerar o melhoramento genético do rebanho, através de Fertilização In Vitro (FIV), com os melhores touros da bateria da Alta”, explica Mauro.

“A intenção foi adquirir vacas superiores para acelerar o melhoramento genético do rebanho, através de FIV, com os melhores touros da bateria da Alta”

dos machos Nelore e meio sangue Angus, que hoje são comercializados na desmama”.

Atividade Leiteira Ainda com o intuito de diversificar as atividades e aproveitar os resíduos da agricultura, Mauro mantém um rebanho de vacas Holandesas, Girolando e Jersey, que produzem cerca de 1.000 litros diários, em 15 hectares. Neste rebanho foi definido um plano genético com foco em produção e saúde. Atualmente, estão sendo utilizados os touros Meteor, Haley, Impacto, Jubileu, Valente e Jacuba Titânio. A assessoria no rebanho de leite é realizada pelo técnico da Regional Alta Cuiabá Sul, Luís Mauro Mon-

Bezerros acasalamento safra 2015

Recria das fêmeas A recria das fêmeas Nelore é feita no manejo de integração lavoura-pecuária, durante o período de seca, com suplementação proteica, chegando ao início da estação de monta pesando acima de 350 kg, antes dos dois anos de idade. “Faz parte do projeto, também, utilizar as áreas de integração para recria dos touros PO e para a terminação

Bezerros acasalamento safra 2015

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CASOS DE SUCESSO

teiro. Todo o leite produzido é entregue na cooperativa local, a Cooperativa Mista Agropecuária de Juscimeira (Comaju), que avalia qualidade e volume.

Touros destaques

Projetos Todos os investimentos realizados por Mauro Gasparelli têm propósito. No gado PO, o objetivo é consolidar um rebanho de 250 vacas de alto padrão genético, que, além de suprir a necessidade do próprio rebanho, disponibilizará ao mercado local reprodutores de qualidade. Já as fazendas Mata Grande e Bananal têm como meta constituir um rebanho comercial de 2.000 fêmeas, produzindo bezerros diferenciados e terminados nas áreas de integração lavoura-pecuária. “Quando vemos os resultados obtidos com o trabalho desenvolvido nas propriedades do senhor Mauro, utilizando as tecnologias como a FIV e a vitrificação de embriões, em que são alcançados resultados acima de 50% de prenhez, percebemos o quanto ainda podemos avançar na pecuária de corte, aumentando a lucratividade dos rebanhos dos nossos clientes. Nas fazendas, observamos também o aumento nos pesos médios a desmama, em torno de 7 kg ao ano, decorrentes dos trabalhos de apartação de grupo e cruzamento industrial. Outro diferencial é o índice de aproveitamento do rebanho PO, através dos acasalamentos dirigidos pelo técnico Marcos Labury”, diz Amauri Piva, gerente regional da Regional Alta, Cuiabá Sul. 48

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MAJOR JHV

BAINE

Sobre a Regional A regional Cuiabá Sul, sediada em Cuiabá (MT), está sob a gerência de Amauri Antônio Piva, desde 1995. Os clientes são orientados quanto ao melhoramento genético, IATF e venda de sêmen. Ao todo, 10 técnicos integram a equipe da Alta em toda a região sul do Estado. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (65) 3623-5524.


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CASOS DE SUCESSO

STAR MILK PROPRIEDADE ESTÁ ENTRE AS 25 MAIORES PRODUTORAS DE LEITE DO PAÍS Localizada no município de Céu Azul, região oeste do Paraná, a Star Milk possui hoje 550 alqueires de área agricultável, desempenhando atividades em agricultura, pecuária de leite e reflorestamento. Atualmente, são 1.100 animais confinados, sendo 510 em lactação, com produção média de 19.000 litros de leite por dia. A Star Milk está entre as cinco maiores produtoras de leite do Estado e entre as 25 maiores do Brasil. Com visão progressista, capacitam funcionários, assegurando os processos de produção em busca da perfeição. O rigoroso sistema de controle zootécnico e financeiro da Star Milk reflete em um banco de dados completo, com o histórico dos animais, do nascimento até a saída da fazenda. “Desde o nascimento, os cuidados com sanidade, alimentação e coleta de dados são intensos para que possamos produzir animais superiores em pro-

dução e conformação”, explica o gerente da fazenda, Sandro Luis Viechnieski.

“Desde o nascimento, os cuidados com sanidade, alimentação e coleta de dados são intensos para que possamos produzir animais superiores em produção e conformação” Rotina Assim que nascem, as bezerras são assistidas e recebem o colostro, testado para assegurar a qualidade, além de leite em pó importado. Toda a alimentação é

Erich Botan, Gerente Regional Alta em Marechal Candido Rondon (PR), Mário Sossella Filho e Sandro Luiz Viechnieski, ambos médicos veterinários e gerentes da Star Milk

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controlada por sistemas que fornecem automaticamente o leite, mensurando desde o número de mamadas até a quantidade de leite recebida diariamente. Após 70 dias, em média, são desmamadas e recebem dieta balanceada conforme seu peso e desenvolvimento. “As vacas que estão na maternidade, cerca de 30 dias antes do parto, também recebem atenção especial para que o nascimento ocorra da maneira mais natural possível, com bem-estar para a mãe e para a cria. Construímos, há quatro anos, um moderno ambiente de parto. O objetivo é oferecer total conforto a esta categoria de animais”, explica. As vacas secas e as novilhas prenhes ficam alojadas no barracão de compostagem, o Compost Barn, especialmente projetado para elas. Quando iniciam a lactação, são levadas a um moderno barracão de Free Stall, onde permanecem durante toda a lactação. “Lá, os cuidados continuam minuciosos e a atenção ao bem-estar animal chega ao ápice. Elas possuem escovas gigantes para se coçar, alimentação balanceada fornecida três vezes ao dia, comida disponível e água tratada 24h”, completa Sandro. Estes barracões possuem sistema de climatização, com ventiladores e aspersores, que conferem resfriamento eficiente. “Temos também um cuidado muito especial com o casco, assim como ultrassom, insemina-


ção artificial e manejo sanitário. A cama do Free Stall também é renovada diariamente para que os animais possam se deitar da melhor maneira possível”, diz Sandro, salientando que os dejetos são manejados de maneira automática por meio de scrapers, ou seja, o ambiente está sempre limpo e confortável. As vacas são monitoradas com pedômetros que, automaticamente, trazem a identificação na ordenha, realizam a separação pelos portões e também contabilizam, diariamente, as horas que elas ficam deitadas. O equipamento mostra ainda quando a vaca está no cio. Outro diferencial da Star Milk é a ordenha, realizada três vezes por dia. O leite é armazenado em tanques de resfriamento com capacidade para até 40 mil litros. A cada dois dias, o leite é levado, pela própria transportadora da fazenda, para o laticínio em que será processado. Reutilização dos dejetos Com uma produção diária de 180 toneladas de dejetos, a fazenda investiu na instalação de biodigestores. A produção de energia proveniente do gás metano corresponde a 2/3 da necessidade da fazenda. Há, ainda, um processo ambientalmente responsável que garante aproveitamento dos resíduos para lavagem dos pisos e canaletas, além da fertilização de áreas próximas.

o produto por até 1 ano e três meses. A ração e feno também são produzidos na própria fazenda.

“Os técnicos da Alta nos aconselharam acertadamente a trabalhar primeiro com a conformação das vacas, para melhorar a qualidade fenotípica dos animais” Evolução genética A parceria com a Alta ficou mais forte em 2011, após uma viagem aos Estados Unidos para conhecer algumas propriedades que integram o programa do Alta Advantage. O objetivo de Sandro era conhecer as instalações e o manejo de vacas no período de transição e analisar o trabalho da Alta nas propriedades. “O

que mais me chamou a atenção foi a simplicidade com que a Alta trabalhava nestas fazendas, de maneira contínua e com rotina, principalmente”, explica. A partir da viagem, a Star Milk entrou para o programa Alta Advantage e, juntamente com a Alta, iniciou um intenso trabalho de melhoramento genético. Ficou definido que trabalhariam com vacas mais longevas. “Por causa das várias compras que fizemos durante 10 anos seguidos, os técnicos da Alta nos aconselharam acertadamente a trabalhar primeiro com a conformação das vacas, para melhorar a qualidade fenotípica dos animais. Com isso, melhoraríamos a longevidade neste primeiro momento”. Ainda segundo o gerente da fazenda, a Alta oferece segurança ao recomendar touros de qualidade genética superior conforme os objetivos da propriedade. “O Alta Advantage garante o uso dos melhores touros que estão sendo utilizados por todos os criadores do mundo”, salienta. Os resultados se comprovam com os números da Star Millk.

Produção de alimentos Toda a silagem de milho da fazenda é produzida em uma ou duas safras anuais. Os silos possuem capacidade para armazenar

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CASOS DE SUCESSO

Informação histórica de produção - R201 Empresa: Mario Sossela Filho - Fazenda Iguaçu Período 15/05/2013 - 14/06/2013

TABELA 01: Produção em 2013

A tabela 01 representa a situação da fazenda antes de entrar no Alta Advantage. É possível perceber que a média de produção das vacas gira em torno de 31,8 Kg/dia e que o DEL (média de dias em lactação) das vacas estava em 236 no ano. Outro número importante é o EQA (equivalente adulto), que aponta a equação algorítmica para corrigir a produção de uma vaca de primeiro parto, para uma vaca de terceiro parto. Gráfico 01: Eficiência reprodutiva de Matrizes/DPP

Outra importante constatação está no gráfico 01, que mostra a curva de sobrevivência das vacas do rebanho. Vemos que 20% das vacas chegavam vazias aos 400 dias em lactação. Depois de muito trabalho, rotina constante dentro da fazenda, e também da utilização de touros superiores para produção e fertilidade, a Star Milk tem conseguido resultados cada vez melhores. 52

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Informação histórica de produção - R201 Empresa: Mario Sossela Filho - Fazenda Iguaçu Período 04/11/2016 - 04/12/2016

TABELA 02: Informação História de Produção em 2016

Na tabela 02, a melhoria é ainda mais perceptível. “O que nos chamou mais a atenção foi o resultado em relação ao EQA nas primíparas. Ganhamos mais de 3000 kg de leite. Os dados mostram claramente que o processo de seleção genética escolhido pela Alta, em nossa propriedade, foi correto”. Gráfico 02: Eficiência reprodutiva de Matrizes/DPP

Outro destaque foi a melhoria na fertilidade, como mostra o gráfico 2. Saltaram de 20% de vacas vazias para apenas 7%, em 380 dias em lactação. “Isto mostra como foi importante a seleção de touros que também são positivos para a reprodução da fazenda (fertilidade das filhas) e, principalmente, nos dá a confiança e a segurança de que estamos rumo ao caminho certo, ao lado da Alta”, finaliza. PECUÁRIA EM ALTA

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CASOS DE SUCESSO

Touros destaques

Alta1STCLASS

AltaGENUINE

Sobre a Regional Representada por Erich Botan, parceiro da Alta desde 1.996, a regional Marechal Candido Rondon, atua no Oeste Paranaense e tem sua equipe integrada por técnicos, veterinários e zootecnistas treinados e capacitados pela Alta. Além de oferecer genética diferenciada aos seus cliente prestam também serviços de IATF, nutrição, cursos de inseminação, acasalamentos direcionados e nitrogênio. Mais informações pelos telefones (45) 3254 1588 e 99911-1907.

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ENTREVISTA

LEONARDO ALENCAR UM ESPECIALISTA EM BRAZILIAN BEFF ATENTO AO MERCADO EXTERNO Leonardo Alencar é formado em Zootecnia, pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) – campus de Jaboticabal, tem especialização na área de mercado agropecuário, gestão de risco e estratégias de precificação de commodities agrícolas. Possui experiência em consultoria agropecuária e no segmento de derivativos da BM&FBovespa. Possui MBA em Inteligência de Mercado e, atualmente, cursa MBA em Big Data. Ocupa o cargo de gerente executivo de Inteligência de Mercado na Minerva Foods. Qual o balanço de 2016, analisando a cadeia de carne no Brasil? O ano de 2016 foi extremamente conturbado. Por inúmeras vezes, as discussões específicas do setor foram substituídas por análises políticas, em uma tentativa de antecipar os efeitos adversos que poderiam afetar a produção e o consumo. Além da política, o clima não ajudou, com quebra da safra de grãos, pecuaristas com falta de pasto e, também, por conta do câmbio, custos mais altos da engorda. Em um ano normal, haveria uma tentativa de repasse do maior custo para o preço de venda, quando a indústria tentaria repassar ao varejo, e este, ao consumidor final. Sem espaço para subir preço da carne ao

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consumidor final, todo o setor teve de se ajustar, inclusive com redução no abate. Com a atual demanda mundial por carne, quais as expectativas em torno do boi gordo, em 2017? O cenário de demanda doméstica é incerto. A carne bovina, assim como as outras proteínas, possui elasticidade de renda; portanto, a melhora no poder de compra da população, via queda da taxa de desemprego, redução da inflação e da taxa de juros, vai voltar a puxar o consumo. Entretanto, os números devem começar a melhorar apenas ao final do primeiro semestre de 2017. Historicamente, a reação do consumo dos alimentos é mais rápida do que dos outros setores, mas ainda há risco de recessão em 2017 e isso poderia frustrar as expectativas, semelhante ao que houve em 2016. A saída do Brasil é aumentar a participação das exportações. Hoje, estamos presos na faixa de 20 a 25% da produção que é exportada, mas, mesmo em momentos de câmbio a R$ 4,00, o Brasil apenas pontualmente marcou os 30% e, em seguida, voltou a 20%. O maior potencial de consumo para a carne bovina brasileira depende da população de outros países emergentes, alguns já conhecidos, como Rússia, Egito, Irã, Venezuela, Chile... A lista é longa e temos muito a explorar no mundo asiático. O apetite

chinês, por exemplo, ainda é modesto. Em média, cada chinês consome apenas 5 kg per capita/ano, frente aos cerca de 30 a 35 kg dos brasileiros. O que podemos esperar para as exportações de carne bovina em 2017? O cenário esperado para 2017 faz parte de uma tendência em curso há alguns anos, em que os maiores produtores, importadores e exportadores estão reduzindo seus rebanhos, com exceção dos países da América do Sul, especialmente o Brasil. A demanda, por outro lado, segue aquecida. O movimento de urbanização (deslocamento da população do campo para as cidades), ocidentalização (mudança no perfil de consumo), aumento da população e aumento no poder de compra são os drivers que puxaram a demanda nos últimos anos e vão continuar a puxar nos próximos. Nesse cenário, o Brasil segue em vantagem, não apenas para fornecer volume aos consumidores de todo o mundo, mas, também, qualidade, nosso maior desafio hoje. O mercado interno registrou queda no consumo de carne bovina com a redução do poder de compra. Em 2017, podemos esperar um cenário diferente? A expectativa era de que o consumidor brasileiro reduzisse


o consumo de produtos mais caros, como os cortes grill do bovino, aumentando o consumo de cortes da roda e do dianteiro, e também deslocando o consumo para frango e suíno. Entretanto, com a disparada nos preços dos grãos, a indústria de aves e suínos foi forçada a reduzir a produção; portanto, o deslocamento no consumo ocorreu em menor escala. Dados recentes mostram que o consumo de carne de frango também caiu em 2016. O saldo foi que todas as proteínas sofreram queda em 2016 e a retomada do consumo de todas está dependente da melhora da economia.

“A carne bovina, assim como as outras proteínas, possui elasticidade de renda; portanto, a melhora no poder de compra da população, via queda da taxa de desemprego, redução da inflação e da taxa de juros, vai voltar a puxar o consumo” Quais os impactos na cadeia produtiva da carne em razão da abertura de mercado no ano passado? Em 2016, ocorreu a abertura do mercado dos Estados Unidos, algo esperado há anos. O ponto positivo dessa abertura vai além

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ENTREVISTA

do volume e preço, uma vez que outros mercados utilizam os EUA como referência de protocolos para importação, o que deve facilitar o trabalho do Brasil. O foco agora é abrir Canadá, México, Japão e Coréia do Sul. Antes dos EUA, acessávamos menos de 50% do mercado mundial; com os EUA, passamos dos 60%, e, com esses outros mercados, vamos acessar praticamente todo o mundo. Ao analisar a matriz exportadora do Brasil, com exceção do mercado europeu, o restante dos países aos quais o Brasil tem acesso segue o perfil commodity, ou seja, não compram produto de valor agregado e, portanto, não há diferenciação. Mesmo no caso dos Estados Unidos, não há diferenciação de matéria-prima. Por outro lado, dependemos de mais mercados para passar dos 25% exportados. O ponto de atenção é que, cada vez mais, entraremos em mercados de maior valor agregado, mais exigentes em qualidade e processos. As novas fronteiras comerciais podem diminuir o impacto do consumo interno na determinação do preço da arroba? O Brasil realmente precisa exportar mais do que 20-25% porque o consumo interno deve começar a melhorar no segundo semestre de 2017. Mas, mesmo assim, existem inúmeros cortes que podemos conseguir precificações melhores em outros mercados. Podemos aumentar o consumo de contrafilé, de coxão mole ou lagarto, mas temos de valorizar os miúdos e os subprodutos também. 58

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“Antes dos EUA, acessávamos menos de 50% do mercado mundial; com os EUA, passamos dos 60%, e, com esses outros mercados, vamos acessar praticamente todo o mundo” Quais as exigências de qualidade da carne impulsionadas pelo consumo? A qualidade da carne bovina do Brasil vem melhorando nos últimos anos, uma vez que todos os investimentos feitos

para ganhos de produtividade têm reflexo na qualidade também, como aumento no peso médio, suplementação, investimento em genética, etc. Por outro lado, ao olhar o curral de um frigorífico, em um único dia, fica evidente o problema da nossa pecuária: heterogeneidade! Temos animais jovens, velhos, brancos, coloridos, gordos, leves... Isso reflete na qualidade da nossa carne, na imagem institucional e perante os clientes do Brazilian Beef. Conseguimos produzir gado Angus para protocolos premium. Mas, mais importante do que isso é melhorar a qualidade média da nossa produção, o que vai possibilitar atender clientes de países mais exigentes e, também, aumentar o consumo no mercado interno.

Unidade de abate e processamento do grupo Minerva na Cidade de Palmeiras de Goiás, no estado de Goiás


NÃO TEM NADA MAIS BONITO QUE UM PÔR DO SOL NO CAMPO. E OLHA QUE A GENTE JÁ VIU MAIS DE TRÊS MIL SEISCENTOS E CINQUENTA. Depois de dez anos, a gente ainda vibra a cada safra de sucesso e arrepia a cada geada. Ainda sorri com o rebanho gordo e sente um nó na garganta a cada bezerro que não vinga. Depois de dez anos, a gente sente que já viveu muita coisa. Mas sabe que a nossa história tá só no começo.

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Edição 11 - Fevereiro/Março Pecuária em Alta  

Edição 11 - Fevereiro/Março Pecuária em Alta

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