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PECUÁRIA EM ALTA

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PECUÁRIA EM ALTA


PALAVRA DO DIRETOR

Entramos no último trimestre de 2019. Na pecuária, um ano de muito desenvolvimento para o nosso país. Novas tecnologias sendo lançadas e pecuaristas cada vez mais focados na rentabilidade de suas propriedades. Com a Alta, essa situação não é diferente. A cada dia, buscamos maneiras de orientar nossos clientes a obter o máximo de resultados em suas produções. Na capa desta edição, apresentamos a vocês os resultados preliminares da facilidade de parto, uma nova Diferença Esperada de Progênie (DEP), desenvolvida pela Alta, em parceria com a Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP) e equipe da Melhora +, que começou a ser avaliada na raça Nelore. Com abrangência nacional, o projeto visa trazer novas respostas ao mercado, reduzir perdas e aumentar a eficiência nos sistemas produtivos de ciclo curto. Essa DEP foi criada a partir da observação de algumas correlações genéticas de características intensamente selecionadas nos últimos anos, somada a outras questões que nos conduziram para novos desafios. A exposição de fêmeas precoces para reprodução causou uma maior incidência de problemas de parto dentro das fazendas, ocorrências que podem gerar prejuízos consideráveis para os nossos clientes. Por isso, a Alta decidiu encabeçar essa nova pesquisa. Além disso, nesta edição, tratamos de vários outros assuntos, que vão orientá-los a produzir cada vez mais com menos. Espero que gostem do que preparamos. É uma edição elaborada com muito conteúdo técnico para que vocês tenham ainda mais sucesso na sua atividade. Ótima leitura.

Heverardo Carvalho Diretor Alta Brasil

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ÍNDICE EXPEDIENTE Diretor Heverardo Rezende de Carvalho

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Jornalista Responsável Renata Paiva (MTB 12.340) renata.paiva@altagenetics.com Colaboradores desta edição Adnan Darin, Ana Luiza Galvão, Bárbara Alves, Carlos Henrique Paiva Camisa Nova, Fábio Fogaça, Fernando Baldi, Guilherme Marquez, José Aurélio Bergmann, Júlia Gazoni, Lorenna Santos, Luiza Mangucci, Manoel Sá Filho, Marcos Inácio Marcondes, Miguel Abdalla, Pedro Monteiro, Polyana Pizzi Rotta, Vinícius de Sena Sales Viana, Rafael Azevedo, Rafael Mazão, Roberta Gestal e Tiago Ferreira

INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL Alta ministra cursos de Inseminação Artificial (IA) em bovinos em dez estados brasileiros

Gerente de Mercado Tiago Carrara - tcarrara@altagenetics.com Coordenadora de Comunicação Camilla Lazak - camilla.rodrigues@altagenetics.com

ESPECIAL

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GIRO NO CAMPO

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ARTIGO

Veja nossa equipe e clientes pelo Brasil

PROTOCOLOS DE INDUÇÃO DE PUBERDADE EM NOVILHAS A associação dos protocolos de indução de puberdade e IATF contribuiu para melhorar a eficiência reprodutiva das novilhas

Diagramação e arte Ana Paula S. Alves - paula.alves@altagenetics.com Marketing/Comercial comunicacao@altagenetics.com.br Fotos Francisco Martins - fjunior@altagenetics.com Capa: JM Matos - jmmatos1@terra.com.br Edição e revisão de texto Indiara Ferreira Assessoria de Comunicação indiara@indiaraassessoria.com.br Tiragem: 5 mil exemplares

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Visão Tornar-se a marca global que seja a melhor escolha para produtores progressivos dos segmentos de leite e corte. Valores: Foco, pessoas e competências, coesão, dinamismo, relacionamento, comunicação e ética.

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PECUÁRIA EM ALTA

FACILIDADE DE PARTO EM NOVILHAS PRECOCES Resultados preliminares da ANCP para o desenvolvimento de uma nova DEP para a raça nelore

Impressão: Gráfica 3 Pinti Missão Construir relacionamentos de longo prazo, criar valor para nossos clientes, melhorar a lucratividade de cada rebanho e entregar genética de confiança, além de produtos e serviços de manejo com alta qualidade.

CAPA

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PROGRAMAS E SERVIÇOS POR QUE FALAR EM ESTRESSE TÉRMICO? Consulte um técnico de confiança na busca por alternativas viáveis com o intuito de melhorar o conforto térmico e o bem-estar do animal


CORTE

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SEMENTE CERTIFICADA - PRODUTIVIDADE E RENTABILIDADE NO CICLO COMPLETO Touros melhoradores são a “semente certificada” da pecuária

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COMO PRODUZIR UMA VACA DE 4 EVENTOS

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O PROGRESSO DO MELHORAMENTO GENÉTICO DA RAÇA GIROLANDO As informações do PMGG estão sendo utilizadas para orientar os acasalamentos e selecionar os animais geneticamente superiores USO DE DDG EM DIETAS PARA VACAS LEITEIRAS A procura por alimentos alternativos e de baixo valor comercial

CORTE

34

A IMPORTÂNCIA DA GENÉTICA JOVEM PARA O CRUZAMENTO INDUSTRIAL As avaliações genéticas são o melhor caminho para tomar a decisão de qual indivíduo utilizar no cruzamento industrial

EVENTOS TOUROS QUE VALEM OURO Alta Conquista A Liderança Nos Principais Sumários E Se Destaca Na Expogenética

LEITE

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OTIMISMO DO SETOR ALAVANCA NEGÓCIOS DA ALTA NA EXPOINTER 2019 Em busca de genética superior, os pecuaristas movimentaram o estande da Alta na 42ª Expointer, em Esteio (RS)

LEITE

Essa vaca só tem 4 Eventos relevantes na sua vida produtiva: parto; inseminação; prenhez e seca. Conheça seu segredo!

EVENTOS

CASOS DE SUCESSO

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FAZENDA ONÇA Quatro pontos são os pilares para o sucesso: genética do rebanho, alimentação, bem-estar do animal e equipe

ENTREVISTA JOSÉ AURÉLIO GARCIA BERGMANN Um consultor a serviço da genética

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ESPECIAL

INSEMINAÇÃO ARTIFICIAL ALTA OFERECE CURSOS EM DEZ ESTADOS BRASILEIROS O melhoramento genético figura entre as estratégias indispensáveis para tornar o rebanho mais eficiente em larga escala. Com a diversidade de raças, é possível aproveitar os atributos por meio da seleção e/ou do cruzamento genético, melhorando características específicas dos animais, como rusticidade (adaptação ao clima, resistência aos parasitas), eficiência produtiva e reprodutiva, taxas de crescimento, habilidade materna, características morfológicas, desempenho 6

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de itens relacionados à saúde, entre outros.

“Nossa proposta é oferecer ao mercado qualificação e a melhor orientação técnica” Pensando em todos esses benefícios, a Alta ministra cursos de Inseminação Artificial

(IA) em bovinos em dez estados brasileiros: Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Tocantins. O objetivo é treinar e capacitar técnicos, estudantes, criadores e interessados em promover o melhoramento genético nos rebanhos bovinos. “Nossa proposta é oferecer ao mercado qualificação e a melhor orientação técnica. A Alta conta com uma equipe especializada, atenta à realidade e que busca


as melhores opções para cada perfil de produtor”, destaca o técnico de Leite da Alta, Reginaldo Santos. A Inseminação Artificial é uma ótima alternativa para quem deseja melhorar a qualidade do rebanho com baixo custo de investimento. As propriedades podem comprar sêmen de bons animais para promover o melhoramento genético e aumentar a produção, sem precisar gastar uma alta quantia com reprodutores caros e nem sempre melhoradores. “Os touros de Central são provados, ou seja, temos as informações do que eles podem entregar. Isso é uma grande vantagem ao pecuarista, que pode fazer um investimento mais atrativo e de retorno garantido. Dessa forma, com a IA conseguimos democratizar e maximizar a utilização de animais superiores”, explica Santos. Além do uso de touros provados, que é uma grande segu-

“Os touros de Central são provados, ou seja, temos as informações do que eles podem entregar”

rança para o aumento da produtividade, outra vantagem da Inseminação Artificial é a possibilidade de combinar características específicas dos animais, promovendo evolução mais rápida dos rebanhos, de acordo com as necessidades de cada fazenda e da realidade de mercado. Nesse sentido, a programação do curso da Alta inclui todas as informações necessárias para que os participantes possam realizar a Inseminação Artificial com qualidade e de forma profissional. As aulas contam com ensinamentos

de anatomia e de fisiologia do aparelho reprodutor da fêmea bovina; o passo a passo da inseminação artificial; noções sobre boas práticas de criação de animais; técnicas para a criação de bezerras; observação de cio em gado de leite e corte; manejo do botijão de sêmen; montagem do aplicador; descongelamento do sêmen e passagem do aplicador pela cérvix. Os cursos seguem padrão da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) e são realizados durante o ano, por todo o Brasil, variando de quatro a cinco dias, com o mínimo de 32 e o máximo de 36 horas, sendo, em média, 8h teóricas e 24h práticas. As vagas são limitadas. Mais informações podem ser obtidas no website da Alta. A empresa também promove cursos, durante todo o ano, diretamente em propriedades, com treinamentos ministrados pelos representantes regionais.

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GIRO NO CAMPO

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@andreg.martins

@bcalvess

@bcmateus

@danillorodr

@francisco.alta

@haltiane

@jugazoni

@lourencosena

@marquezguilherme

PECUĂ RIA EM ALTA


@meireroncolato

@produziragropecuaria

@rafaelzoo

@rodrigohgpe

@ruralgen

@setor.zoo

@thallescf

@ tiagocarrara

@tiagomoraesferreira PECUĂ RIA EM ALTA

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ARTIGO

PROTOCOLOS DE INDUÇÃO DE PUBERDADE EM NOVILHAS por Bruno Gonzalez de Freitas

Dentre as categorias a serem trabalhadas na estação de monta, as novilhas são consideradas um grande desafio, pois apresentam ampla variação de resultados, que podem estar associados a diversos fatores. A puberdade é um dos fatores que impactam o desempenho reprodutivo desta categoria e vem sendo pesquisada há vários anos. De maneira resumida, novilhas pré-púberes possuem bloqueio no eixo reprodutivo, exercido pelo estradiol, o qual impede a liberação de hormônio liberador de gonadotrofina 10

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(GnRH) e, consequentemente, hormônio folículo-estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH), não promovendo o crescimento final do folículo dominante, comportamento de cio e a ovulação. Conforme a novilha se torna mais velha e se aproxima do peso corporal adulto, esse bloqueio reduz gradativamente até o momento em que a primeira ovulação acontece, ocorrendo então a puberdade. Entre as formas de antecipar a primeira ovulação estão os protocolos hormonais de indução de puberdade. Os protoco-

los para indução de puberdade à base de progesterona e estradiol possuem duração de 10 a 12 dias de tratamento com dispositivo ou progesterona injetável. Reunimos algumas pesquisas científicas publicadas recentemente utilizando protocolos para indução de puberdade à base de progesterona. O manejo reprodutivo adotado após a indução pode ser Inseminação Artificial (IA) convencional ou Inseminação Artificial de Tempo Fixo (IATF), podendo ser utilizado um intervalo longo ou curto para o início do protocolo de IATF.


Tabela 1. Resultado resumido dos experimentos que avaliaram a associação entre o protocolo de indução de puberdade e o protocolo de IATF Nr de Novilhas

Intervalo indução - IATF

IATF

A) Rodrigues, 2012

2.288

12 dias

B) Rodrigues, 2014

472

C) Sá Filho, 2015 D) Neto, 2016

Referência

P/IA Controle

Tratamento

somente nas ciclando

47%

47%

10 a 12 dias

somente nas ciclando

52%

52%

640

30 dias

somente nas ciclando

44%

52%

557

12 dias

somente nas ciclando

50%

51%

A) Controle = novilhas já púberes no início do estudo / tratamento = novilhas pré-púberes induzidas B) Intervalo entre a indução de puberdade e o início do protocolo de IATF 10 a 12 dias C) Controle = novilhas que entraram na puberdade durante o estudo / tratamento = novilhas pré-púberes induzidas D) Controle = indução com dispositivo de P4 / Tratamento = indução com P4 injetável

O tratamento com progesterona e estradiol em novilhas pré-púberes é capaz de induzir a puberdade, entretanto a resposta da novilha é condicionada à raça, genética, ao peso, à idade e ao regime nutricional. Nos trabalhos avaliados, a taxa de indução oscilou entre 50% e 90%. Nos trabalhos, vimos que o protocolo de indução de puberdade proposto, associado ou não à IATF, aumentou as taxas de prenhez das novilhas, por aumentar a quantidade de novilhas aptas a receber o protocolo de IATF. Avaliando apenas os trabalhos que associaram indução de puberdade e IATF, não há dúvidas quanto ao benefício desse manejo, entretanto, não foi realizado nenhum trabalho em que comparasse um intervalo longo ou curto entre indução e IATF. Analisando os resultados de prenhez de cada trabalho individualmente, temos resultados satisfatórios quanto à taxa de prenhez na IATF, o que sugere que um intervalo curto ou longo entre o protocolo de indução e IATF possui efetividade

satisfatória. Além disso, os especialistas demonstram não haver diferença quando o protocolo de indução utilizou dispositivo ou P4 injetável. Devemos ressaltar que nos trabalhos citados, a IATF foi realizada apenas nas novilhas que apresentavam corpo lúteo no início do protocolo de IATF. Há pesquisas que indicam que o grupo de novilhas que não foram tratadas para indução foi avaliado no D0 e apenas as novilhas com CL foram sincronizadas para IATF. Alguns autores relatam que nas novilhas tratadas para indução e que não

responderam ao protocolo a taxa de prenhez na IATF oscilou entre 25% e 30%. Em fazendas onde não é realizada a avaliação pós-indução, o sucesso da IATF pode estar relacionado à resposta ao protocolo de indução de puberdade. Exemplificamos, com bases científicas, o resultado esperado na IATF de acordo com a resposta ao protocolo de indução, se todas as novilhas forem sincronizadas, estimando uma taxa de prenhez na IATF de 50% para as novilhas que respondem e de 25% para as que não respondem ao protocolo de indução.

Tabela 2 – Expectativa de concepção na IATF de acordo com o percentual de resposta ao protocolo de indução Taxa de indução

P/IATF

20-35%

32%

40-55%

37%

60-75%

42%

80-100%

49%

Sincronizando 100% das novilhas induzidas

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ARTIGO

A associação dos protocolos de indução de puberdade e IATF contribuiu para melhorar a eficiência reprodutiva das novilhas, otimizando o manejo desta categoria. A utilização do protocolo de indução de puberdade em 100% das novilhas previamente ao protocolo de IATF impacta positivamente no desempenho reprodutivo, sendo que a expectativa de prenhez na IATF está condicionada à quantidade de novilhas que responderam ao protocolo de indução, conforme exemplificado. Uma discussão frequente, que gera controvérsia nas propriedades, é a necessidade de avaliação ginecológica das novilhas após o protocolo de indução, ou seja, antes do início da sincronização para IATF, realizando o protocolo somente nas novilhas ciclando. Neste sentido, as possíveis sugestões de manejo poderiam ser: 1) Fazendas nas quais estão iniciando os trabalhos de IATF

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“A associação dos protocolos de indução de puberdade e IATF contribuiu para melhorar a eficiência reprodutiva das novilhas, otimizando o manejo desta categoria”

em novilhas desconhecem o potencial genético das mesmas e/ ou possuem grande desafio nutricional. É importante avaliar a resposta ao protocolo de indução antes de iniciar a IATF; 2) Fazendas com adequado histórico reprodutivo em novilhas, adequada condição nutricional, ficando a cargo do corpo técnico da fazenda a decisão de

protocolar ou não as novilhas que não responderam. Ressalta-se que, independentemente da decisão em avaliar as novilhas após a indução, deve-se ter de maneira clara o destino das novilhas que permaneceram pré-púberes, pois atrasos excessivos têm impacto significativo na eficiência geral do sistema. Esse impacto negativo pode ser maior do que a menor expectativa de prenhez ao primeiro serviço no início da estação reprodutiva.

Bruno Gonzalez de Freitas Mestre em Reprodução Animal pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP), atualmente é especialista técnico em reprodução animal na Ourofino Saúde Animal


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CAPA

FACILIDADE DE PARTO EM NOVILHAS PRECOCES RESULTADOS PRELIMINARES DA ANCP PARA O DESENVOLVIMENTO DE UMA NOVA DEP PARA A RAÇA NELORE

por Fernando Baldi, José Aurélio Bergmann, Rafael Espigolan, Raysildo B. Lobo e Rosiane Silva 14

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Tradicionalmente, o Nelore tem sido caracterizado como uma raça que apresenta baixa frequência de partos difíceis, situação comumente definida pelo termo distocia. Contudo, nos últimos anos, com o aumento na proporção de novilhas precoces parindo antes dos 30 meses, os relatos de problemas ao parto nesta categoria vem se tornando constantes em alguns rebanhos melhoradores. Como consequência do maior número de partos assistidos em novilhas precoces, há o aumento nos custos veterinários e de mão de obra, fatores que comprometem o bem-estar animal, ampliam o descarte de fêmeas precoces e agravam os problemas de reconcepção em fêmeas primíparas precoces. Estratégias como o uso de touros com baixa Diferença Esperada de Progênie (DEP) para peso ao nascer e/ou uma alimentação moderada das novilhas no último terço de gestação têm sido implementadas com o objetivo de diminuir a frequência de partos assistidos ou com problemas em novilhas precoces. É importante ressaltar que a frequência dos partos distócicos, em alguns rebanhos, pode chegar de 20% a 25%. Contudo, a adoção dessas estratégias não tem sido suficiente para diminuir os problemas ao parto em novilhas precoces, uma vez que até agora não existe disponível uma DEP que permita avaliar diretamente a característica facilidade de parto. Em função dessa problemática, a equipe de trabalho da Associação Nacional de Cria-

“A frequência dos partos distócicos, em alguns rebanhos, pode chegar de 20% a 25%” dores e Pesquisadores (ANCP), em parceria com a equipe da Alta Genetics do Brasil, vem desenvolvendo um projeto que visa quantificar a variabilidade genética da facilidade de parto em novilhas precoces da raça Nelore e avaliar a viabilidade técnica de desenvolver DEPs genômicas para esta característica. Para a realização do projeto, iniciamos um estudo piloto com dados de parto de novilhas precoces, que pariram antes dos 30 meses e pertencentes a duas fazendas (Nelore Naviraí e Genética Aditiva), que participam do programa de melhoramento genético Nelore Brasil da ANCP. Foram utilizados 1.296 dados de facilidade de parto definidos como parto normal (sem assistência) ou anormal (com assistência) e informações

de 1.211 animais genotipados. Considerando a natureza da característica avaliada, a qual possui expressão binária, isto é, presença de parto normal ou anormal, utilizamos um modelo animal de limiar, que é comumente empregado para esse tipo de característica, e, por meio da metodologia do passo único (atualmente implementada na avaliação genômica da ANCP), as análises para facilidade de parto foram realizadas. No modelo de análise, consideramos os efeitos de grupo de contemporâneos, efeitos genéticos direto e materno e a covariável peso do bezerro ao nascimento, com o objetivo de corrigir a influência que o peso ao nascer possui sobre a facilidade de parto. Na matriz de parentesco, geramos DEPs genômicas para 6.511 animais, que estão presentes na avaliação genética. Os resultados preliminares mostraram que existe variabilidade genética suficiente para selecionar animais com base na facilidade de parto em novilhas precoces da raça Nelore, uma vez que as estimativas de her-

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CAPA

dabilidade para o efeito direto e materno foram 0,12 e 0,26, respectivamente. Esses resultados indicam que o componente genético maternal foi mais importante que o componente genético direto na determinação da facilidade de parto, ou seja, a decisão de qual touro utilizar como pai da novilha é mais importante que a escolha do touro a ser utilizado. Entretanto, existe uma maior dificuldade em selecionar para o componente maternal, dado que a avaliação confiável dessa característica, caso não utilizemos genômica, somente é possível após a parição das progênies do touro. A DEP genômica direta e materna para facilidade de parto foi estimada como probabilidade de parto sem problemas ou parto normal, semelhante à forma que expressamos a avaliação de STAY e 3P na ANCP. O intervalo de DEP direta e materna para facilidade de parto variou de 35 até 70% e de 24 até 84%, respectivamente. Isso demonstra que existe variação genética entre animais para essa característica. Em outras palavras, há grandes diferenças genéticas, tanto para o efeito direto na seleção de reprodutores com finalidade de produção de bezerros, como para o efeito materno na seleção de reprodutores para a produção de novilhas precoces. Por fim, o componente genético direto e maternal influencia a facilidade de parto em novilhas precoces. O peso ao nascer não é o único fator que afeta a facilidade de par16

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“O processo é único no mercado mundial por apresentar precisão em isolar a contribuição do touro na determinação da taxa de prenhez, isolando a fertilidade dos reprodutores” to. Os resultados desse estudo preliminar apontam que a avaliação genômica da facilidade de parto é tecnicamente viável. Contudo, é necessário um maior volume de dados fenotípicos para implementar uma avaliação genômica comercial em larga escala. Além disso, ainda ficam algumas perguntas ou questionamentos, como, por exemplo: qual é o valor econômico da característica facilidade de parto, tendo em vista avaliar o impacto econômico dessa característica no sistema de produção?

Fernando Baldi Agrônomo, mestre em Genética e Melhoramento Animal, pós-doutor em Melhoramento Animal. Professor Titular da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista (UNESP). Pesquisador nível 1D do CNPq, responsável por Pesquisas e Desenvolvimento como Membro do Conselho administrativo da ANCP.

José Aurélio Bergmann Médico veterinário e mestre em zootecnia pela UFMG, Doutor pelo Instituto Politécnico da Virgínia e Universidade Estadual (em Virgínia, Nos Estados Unidos) onde também concluiu pós-doutorado

Rafael Espigolan Zootecnista, Mestrado e Doutorado em Genética e Melhoramento Animal pela Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (UNESP). Atualmente é Pós-Doutorando na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA/USP)

Raysildo B. Lobo Graduado em Medicina Veterinária pela Universidade Estadual do Ceará, tem especialização em Genética pela Universidade de São Paulo, Mestrado e Doutorado pela Universidade de São Paulo, Pós-Doutorado pela Universidade da Flórida, Pós-Doutorado pelo Universidade de Ohio e Universidade da Georgia. Participou da fundação do Programa de Melhoramento Genético da Raça Nelore, atualmente programa Nelore Brasil e da fundação da Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP), da qual ocupa o cargo de Presidente.

Rosiane Silva Graduada em Letras pela Universidade Federal de Uberlândia. Mestrado Ciências Veterinária pela UFU. Cursando Doutorado em Zootecnia pela Universidade de São Paulo - FZEA.


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PROGRAMAS E SERVIÇOS

POR QUE FALAR EM ESTRESSE TÉRMICO? A IMPORTÂNCIA DE UM BOM SISTEMA DE RESFRIAMENTO por Lorenna Santos, técnica de Leite da Alta, e Tiago Ferreira, gerente técnico de Leite da Alta A maioria dos animais possui uma zona de conforto térmico em que a temperatura do corpo se mantém constante com um mínimo de esforço fisiológico, mas, quando a temperatura do ambiente está acima dessa zona de conforto, esses animais passam a ganhar mais calor do que conseguem perder e entram em estresse. O estresse térmico é bastante estudado nos animais de produção, especialmente nas vacas leiteiras, por ser um dos fatores de maior impacto econômico na eficiência do rebanho, tendo efeitos negativos tanto na repro-

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PECUÁRIA EM ALTA

dução quanto na produção atual e futura desses animais. Segundo especialistas, o estresse térmico acarreta em uma diminuição de 6% a 30% na ingestão de matéria seca (-894 kg/ vaca/ano) e 15% a 20% na produção de leite (-1.803 kg/vaca/ ano). Além disso, um estudo da Flórida mostrou que, nos meses mais quentes do ano, associados ao estresse térmico, o índice de falha da detecção de cio chegou a 75%-80%. Isso porque o calor reduz tanto a duração do cio quanto o número de montas, impactando negativamente na taxa de serviço. Nesse período,

também pode acontecer a diminuição das taxas de fecundação, viabilidade e desenvolvimento embrionário, levando a uma queda na taxa de prenhez. Com isso, o impacto econômico na propriedade é alto, devido à queda nos índices reprodutivos gerar mais problemas de pós-parto, aumentando, dessa forma, o intervalo entre partos e a taxa de descarte, em consequência dos baixos desempenhos produtivos e reprodutivos. Outra categoria animal que sofre com os efeitos do estresse térmico são os animais alojados no pré-parto. Estudos apontam que bezerras filhas de vacas estressadas nascem mais leves, pois 60% do peso ao nascimento é acumulado durante os últimos meses da gestação. Além disso, apresentam menor absorção de imunoglobulinas durante a colostragem, estando em maior risco de sofrer falha na transferência de imunidade passiva. Dados analisados na Flórida também mostraram que novilhas nascidas de mãe que passaram por estresse térmico tiveram maior descarte involuntário (geralmente por doença, má-formação ou crescimento retardado), menor probabilidade de completar a primeira lactação,


maior número de serviços para concepção e produziram 5,1 kg a menos de leite por dia na primeira lactação. Com isso, na tentativa de diminuir o impacto sofrido pelo excesso de calor, resfriou-se os animais com aspersores e ventiladores, o que mostrou um aumento na ingestão de alimento (entre 7,1% e 9,2%), na produção de leite (7,1% a 15,8%) e na diminuição da temperatura retal (até 0,5°C) e da frequência respiratória (17.6% a 40.6%).

“É muito importante consultar um técnico de confiança na busca por alternativas viáveis e adaptadas a cada realidade com o intuito de melhorar o conforto térmico do animal, o bem-estar e estimular um maior consumo de alimento”

Como saber se o resfriamento da sua propriedade está sendo efetivo? A temperatura retal de uma vaca adulta, em lactação, é em torno de 38,5% a 39,4°C. Sabendo disso, vários trabalhos foram realizados por técnicos da

Alta, mostrando a importância de um bom resfriamento, pois,

se o pecuarista conseguir diminuir a temperatura retal de um lote, isso quer dizer que o seu sistema está sendo efetivo. Teoricamente, um grupo de animais, ao se deslocar sem nenhuma estratégia de resfriamento para a sala de espera, automaticamente irá aumentar a temperatura vaginal, sendo comum se construir uma sala de resfriamento e não medir efetivamente se ela traz resultado, ou não, do ponto de vista de diminuir a temperatura corporal das vacas, ou seja, há investimento, mas não resultado. No gráfico abaixo mostramos que, quando os animais eram resfriados três vezes ao dia, 49% deles permaneciam com temperatura acima de 39,5°C; já quando aumentamos para cinco resfriamentos ao dia, esse número caiu para 24%.

Temperatura animal x hora 40,5 31

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27

39,5

25 39

TEMP. AMBIENTE

TEMP. VACA

40

23 38,5 21

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38 0

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9

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HORA Média de TEMP - 3 BANHOS

Média de TEMP - 5 BANHOS

Média de T. AMBIENTE - 3 BANHOS

Média de T. AMBIENTE - 5 BANHOS

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PROGRAMAS E SERVIÇOS

No gráfico mostramos outra forma de avaliação do sistema de resfriamento, em que comparamos 1 minuto de água para 5 minutos de ventos, 2 minutos de água para 10 minutos de vento e 1 minuto de água para 10 minutos de vento, para saber qual o mais eficiente nesse caso. Temperatura animal x resfriamento 39,7 39,6 39,5

TEMP. AMBIENTE

39,4 39,3 39,2 39,1 39

38,9 38,8 0

1

2

3

4

5

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RESF 1/5 - Média de TEMP

O gráfico mostra diferentes temperaturas médias das vacas com estratégias de resfriamento diferentes, o que possibilita uma

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RESF 2/10 - Média de TEMP

discussão dentro da fazenda para saber qual a melhor alternativa de resfriamento. É muito importante consultar um técnico de confiança na busca por alternativas viáveis e adaptadas a cada realidade, com o intuito de melhorar o conforto térmico e o bem-estar do animal e estimular um maior consumo de alimento. Sabemos que o custo-benefício do combate ao estresse térmico é positivo, pois essas medidas aumentam os índices zootécnicos, além da produção de leite, repercutindo em maior rentabilidade da atividade leiteira para o produtor. Procure um consultor da Alta para se informar mais sobre a interação de Estresse Térmico, oferecida pela empresa pelo programa Alta Advantage.

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RESF 1/10 - Média de TEMP

Lorenna Francys Santos técnica de Leite da Alta Médica Veterinária pela Universidade de Uberaba (UNIUBE) e Técnica em Zootecnia pelo Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM). Atualmente cursa pós graduação em Pecuaria de leite da Rehagro.

Tiago Moraes Ferreira, gerente técnico de Leite da Alta Médico Veterinário pela Universidade de Uberaba (Uniube), especialista em Reprodução de vacas leiteiras pela Newton Paiva e Rehagro, Especialista em Nutrição de vacas de leite Faculdades Integradas de Uberaba (FAZU) e Rehagro, jurado oficial da Girolando e presidente do CDT da raça Girolando


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LEITE

COMO PRODUZIR UMA VACA DE 4 EVENTOS por Bárbara Campos Alves, Trainee Comercial de Leite São cada vez maiores os desafios encontrados nos mais diversos sistemas de produção do nosso país, mas o maior deles talvez seja lidar com vacas que manifestam variados problemas durante a sua vida na fazenda. São corriqueiras as manifestações de doenças e contratempos devido a diversos fatores ambientais, o que culmina na queda da lucratividade com onerosos tratamentos e perdas. Tendo em mente todos esses 24

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infortúnios aos quais os produtores estão expostos diariamente, é que se observou a necessidade de intensificar o trabalho para produzir vacas que sejam produtivas, lucrativas e que não gerem nenhuma despesa em tratamentos diversos, nem apresentem problemas metabólicos, além de serem capazes de produzir bezerros saudáveis. Analisando todos esses fatores, a Alta criou a campanha denominada Vaca de 4 Eventos. O

que faz com que uma vaca seja reconhecida como uma Vaca de 4 Eventos é a sua ficha individual no programa de acompanhamento do rebanho da propriedade. Na ficha só consta que essa vaca passou por 4 Eventos relevantes numa lactação: 1. parto; 2. inseminação; 3. confirmada prenhez e 4. seca. O Evento 1 indica que a vaca pare um bezerro vivo sem problemas. Além do mais, durante o pós-parto não apresenta febre


do leite (hipocalcemia), cetose ou retenção de placenta. Nenhum outro problema metabólico que atrasa após o parto e, ao evitar esses problemas, torna-se uma vaca econômica, porque não gera nenhum gasto com tratamentos. Já os Eventos 2 e 3 se referem à reprodução de forma mais direta, isso porque uma Vaca de 4 Eventos da Alta confere na ficha individual apenas uma inseminação para ser confirmada prenhe, reforçando ainda mais o quão econômica essa vaca é para a propriedade em que vive. O Evento 4 é o último da lactação e informa se a vaca foi “seca”. Quando ela não apresenta nenhum evento relevante dentro desse período, significa que finalizou a lactação sem manifestar nenhuma ocorrência mais grave ou enfermidade, o que costumamos chamar de vaca livre de problemas. Sendo assim, ela continuou a sua produção normalmente até o momento da secagem, para, então, se preparar para a sua próxima lactação. É importante ressaltar que a ficha individual apresenta alguns outros eventos, mas estes são apenas os rotineiros que qualquer outra vaca lactante passaria, como casqueamentos rotineiros, mudanças de lotes, vacinações e rechecagens de prenhez. O mais importante é que na ficha de uma Vaca de 4 Eventos não constam contratempos que, muitas vezes, podem ser dispendiosos, demorados e que exigem mão de obra especializada. Isso porque esta vaca não desenvolve mastite, não tem claudicações graves e não aborta o seu bezerro duran-

“Uma das maneiras mais fáceis de se produzir mais Vacas de 4 Eventos para o seu futuro rebanho é promover uma seleção genética em características de saúde, sendo que a de maior importância talvez seja a Vida Produtiva (PL)”

te a prenhez, além de não contrair doenças diversas, infecções e não manifesta problemas que causam dores de cabeça, mesmo para os maiores produtores de leite. Uma das maneiras mais fáceis de se produzir mais Vacas de 4 Eventos para o seu futuro rebanho é promover uma seleção genética em características de saúde, sendo que a de maior importância talvez seja a Vida Produtiva (PL). A explicação para isso se dá pelo fato de que essa característica tem uma alta correlação com as demais ligadas à saúde, além do que vacas com PL alta apresentam-se como as mais resistentes, saudáveis e fáceis de manejar. Por exemplo, uma vaca que seja filha de um touro que apresentou em sua prova de abril do ano de 2019 uma PL de +5,6 significa que ela irá permanecer produtiva na propriedade por cerca de 5,6 meses a mais do que outras vacas desse mesmo

rebanho, filhas de touros com valor 0,0 de PL. Isso quer dizer que touros com PL mais elevada são capazes de produzir vacas mais saudáveis e livres de problemas, sendo essas algumas das particularidades das Vacas de 4 Eventos. A seleção para essa característica pode ser realizada juntamente com um consultor da Alta, por meio da elaboração de um Plano Genético personalizado, que irá guiá-los no momento da escolha dos touros, de forma a considerar a realidade atual do rebanho em direção aos objetivos previamente traçados. Uma maneira de se garantir ainda mais o progresso genético da propriedade é fazer parte do programa Alta Advantage. Com este plano, os parceiros que o compõe têm acesso prioritário e exclusivo aos melhores touros do mundo, de acordo com o seu Plano Genético personalizado. Os Eventos 2 e 3, como já citado anteriormente, estão diretamente correlacionados com a reprodução. Outra característica relevante para se considerar no momento da escolha dos touros a serem utilizados na inseminação é a fertilidade do mesmo. Dentre os programas da Alta, podemos destacar o Concept Plus. Este programa já existe há praticamente 20 anos e os seus resultados, atualmente, baseiam-se na soma de mais de 40 milhões de diagnósticos de prenhezes. Todos esses números fazem desse programa de avaliação de fertilidade de touros o mais preciso do mercado. Além do mais, o programa confere flexibilidade em criar PECUÁRIA EM ALTA

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LEITE

prenhezes oriundas do uso tanto de doses convencionais quanto de doses sexadas. Isso porque as avaliações são realizadas tanto para doses convencionais a serem utilizadas em vacas e novilhas, quanto para doses sexadas a serem utilizadas em novilhas virgens. Em números absolutos, os touros que possuem o selo Concept Plus para doses convencionais têm um incremento de dois a cinco pontos percentuais acima da média de todos os touros do mercado. Aqueles que possuem o selo para sêmen sexado têm esse incremento elevado para quatro a nove pontos percentuais. Posteriormente à escolha dos touros, feita juntamente com um representante da Alta, é recomendado que se faça ainda o acasalamento direcionado do rebanho com outra ferramenta extremamente importante da Alta, que é o Alta GPS. Este programa

realiza o acasalamento direcionado dos touros com as fêmeas da propriedade considerando o Plano Genético personalizado da propriedade. Os dados de “pedigree” das vacas possibilitam que ele busque até 15 gerações dessas fêmeas, de forma a impedir que haja endogamia e, também, a manifestação de alelos e haplótipos indesejados, que causam

“Uma maneira de se garantir ainda mais o progresso genético da propriedade é fazer parte do programa Alta Advantage” prejuízos e perdas. A produção de leite, sem dúvida, tem também uma enorme

importância no processo de incrementar a rentabilidade de determinado rebanho. Por isso, além de termos esse mérito genético, podendo entrar na seleção genética de um rebanho, é válido ressaltar que a Vaca de 4 Eventos da Alta terá muito mais facilidade de demonstrar todo o seu potencial de produção, por não apresentar problemas que comumente são obstáculos à produtividade de uma vaca. E, por último, mas não menos importante, precisamos destacar que todo o processo pode ser acompanhado pelos consultores técnicos da Alta. Eles recebem treinamentos intensos e especializados nas áreas de genética, reprodução e manejo de rebanhos leiteiros. Por esses treinamentos, compartilhamos o poder de fazer mais Vacas de 4 Eventos da Alta. É importante destacar que uma Vaca de 4 Eventos não é uma vaca comum. Ela é uma vaca lucrativa. Isso se explica pelo fato de que o proprietário economizará tempo e dinheiro. Essa campanha é ainda mais impressionante e atraente se pensarmos nos benefícios que trará não exclusivamente em um animal, mas se ampliarmos isso para um rebanho repleto de Vacas de 4 Eventos.

Bárbara Campos Alves, Trainee Comercial de Leite Graduada em Zootecnia pelo IInstituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM) – Campus Uberaba, em 2018. Hoje atua na pasta Leite Importado na Alta Brasil

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PECUÁRIA EM ALTA

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LEITE

O PROGRESSO DO MELHORAMENTO GENÉTICO DA RAÇA GIROLANDO por Júlia Gazoni, técnica de Leite da Alta O Programa de Melhoramento Genético da Raça Girolando (PMGG) vem construindo uma história de muito sucesso desde 1996, ano do primeiro registro oficial. Desde então, as informações geradas pelo programa estão sendo utilizadas para orientar os acasalamentos e, também, selecionar os animais genetica-

mente superiores. Com a intenção de promover mais avanços na pecuária leiteira, o programa da raça passou a utilizar as informações genômicas com o objetivo de aumentar a confiabilidade na previsão dos valores genéticos de 34% para 50% a 67%. Dessa forma, os valores genéticos obtidos pelas

informações de fenótipo, pedigree e genótipo são mais precisos, principalmente para os touros jovens, promovendo ganhos genéticos mais acelerados, como mostra na figura abaixo a média de Capacidade Prevista de Transmissão (PTA) do leite de acordo com o grupo de touros do teste de progênie.

MÉDIA PTA LEITE (KG)

1000 800 600 400 200 0 10

11

12

13

14

15

16

17

18

19

20

21

-200

Dentro do grupo 21º do teste de progênie, temos alguns touros de destaque na bateria pelo alto valor genômico:

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PECUÁRIA EM ALTA


Atualmente, o desempenho produtivo de vacas da raça Girolando é de 4.941 kg de leite em 305 dias (PL305) e uma média de produção total de leite de 5.476 kg (PLTOT), com 265 dias em lactação (DEL). Nos índices reprodutivos das vacas, a média para idade ao primeiro

parto (IPP) é de 34 meses com um intervalo entre partos de (IEP) 438 dias. Quando comparamos os dados de 1989 a 2018, é possível perceber a evolução na produção e, também, nos índices reprodutivos, promovendo maior eficiência produtiva e reprodutiva.

Ano

PLTOT (kg)

1989

IPP

IEP

Júlia Gazoni, Técnica de Leite da Alta Graduada em Zootecnia pelo Instituto Federal do Triangulo Mineiro (IFTM), capacitada em gestão da pecuária leiteira pelo Rehagro

DEL

(meses)

(dias)

(dias)

1.990

38

473

240

1992

3.323

33

423

278

1998

3.335

32

419

280

2000

3.558

32

418

287

2003

4.403

35

457

289

2006

4.407

33

457

286

2008

4.700

34

450

283

2010

4.761

35

469

280

2011

4.776

36

463

281

2012

4.819

36

458

284

2013

5.061

35

434

283

2014

5.035

34

435

271

2015

5.175

35

435

275

2016

5.229

34

436

276

2017

5.264

34

438

264

2018

5.476

34

438

265

PECUÁRIA EM ALTA

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LEITE

USO DE DDG EM DIETAS PARA VACAS LEITEIRAS por Polyana Pizzi Rotta, Vinícius de Sena Sales Viana, Carlos Henrique Paiva Camisa Nova e Marcos Inácio Marcondes Na nutrição animal, milho e soja são os principais ingredientes utilizados nas formulações de dietas como fontes de energia e proteína, respectivamente. No entanto, ambos são alimentos com alta demanda e o valor desses produtos no mercado é alto, principalmente, devido ao fato de serem componentes da alimentação humana. Assim, são produtos com alto valor comercial. Considerando os elevados custos de obtenção desses insumos, a busca por ingredientes alternativos para a nutrição animal que apresentem alta disponibilidade, baixo custo de obtenção e facilidade de armazenamento tem sido constante nas pesquisas para bovinos leiteiros. Em sistemas intensivos da atividade leiteira, os gastos com a alimentação dos animais podem representar de 50% a 80% do custo total de produção, incentivando ainda mais a procura por alimentos alternativos e de baixo valor comercial, como os coprodutos e subprodutos agrícolas, como uma forma de minimizar os gastos com alimentação e aumentar a rentabilidade da propriedade leiteira. A demanda pela geração de energia a partir de fontes renováveis tem levado países a desenvolverem tecnologias alternativas

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PECUÁRIA EM ALTA

aos combustíveis fósseis. Com a preocupação em reduzir a emissão de poluentes e gerar energia de forma mais sustentável, pesquisas têm relatado a grande utilidade e benefício da substituição da fonte de energia fóssil por biocombustíveis. O constante crescimento do interesse global por energia limpa e recursos renováveis visando aprimorar a sustentabilidade torna essa tendência cada vez maior. Dentre as alternativas para a produção de energia a partir de biomassa, a produção mundial de etanol tem apresentado aumento crescente. Segundo dados do Ministério da Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção total de etanol no Brasil em 2019 será em torno de 34,5 bilhões de litros, apresentando um acréscimo de 4% em comparação com a produção em relação ao ano de 2018. As principais matérias-primas utilizadas para a obtenção de etanol são cana-de-açúcar, milho, aveia, arroz, cevada, trigo e sorgo. Atualmente no Brasil, a cana-de-açúcar é a principal matéria-prima utilizada para a produção de etanol. No entanto, fontes alternativas à cana-de-açúcar têm sido exploradas em pesquisas e aplicações na indústria para a produção de etanol. Uma das

opções que começam a chamar a atenção do mercado é a produção do biocombustível a partir do milho. O rendimento de etanol a partir da cana-de-açúcar considerando a produtividade por área é maior que o rendimento a partir do milho, porém, a colheita de cana-de-açúcar é concentrada, não apresentando disponibilidade constante no mercado para o abastecimento das usinas o ano todo. Assim, o milho aparece como uma estratégia vantajosa para as usinas de etanol, no caso de escassez para a obtenção de cana-de-açúcar. Além disso, em algumas regiões do Brasil é possível ter de duas a três safras de milho, tornando essa matéria-prima muito interessante para a produção de etanol. O milho A utilização do milho para a obtenção do etanol é bastante difundida desde a década de 1980 nos Estados Unidos. O Brasil já possui dez usinas ativas produzindo etanol a partir do milho, com cinco delas localizadas no estado do Mato Grosso, sendo duas do tipo “full” (100% do etanol proveniente do milho) e três, do tipo “flex” (operam tanto com o milho quanto a cana-de-açúcar para obter o etanol). Além dessas, mais três plantas estão em


construção no mesmo estado. As outras cinco em operação no país são do tipo “flex” e estão localizadas nos estados de Goiás, Paraná e São Paulo. As usinas do tipo “flex” apresentam consideráveis vantagens, pois fazem com que a indústria possua alternativas para gerar produto e renda na entressafra, evitando prejuízos pela interrupção da produção na falta de matéria-prima. Os subprodutos produzidos após o processo de obtenção do etanol a partir de grãos de milho são conhecidos como grãos secos de destilaria, ou, mais popularmente, chamados de DDG. No entanto, DDG é um dos tipos de resíduos produzidos nes-

“Em sistemas intensivos da atividade leiteira, os gastos com a alimentação dos animais podem representar de 50% a 80% do custo total de produção, incentivando ainda mais a procura por alimentos alternativos e de baixo valor comercial”

se processo. Outros ingredientes também são obtidos, como, por exemplo, os grãos secos de destilaria com solúveis adicionados (DDGS) e grãos úmidos de destilaria (WDG). Todos esses coprodutos são excelentes fontes de proteína, energia e minerais, podendo ser usados na alimentação animal, pois, além de apresentarem baixo custo, quando comparado ao de fontes proteicas mais utilizadas na alimentação animal, são resíduos da indústria que não geram competição com a alimentação humana.

Fluxograma para a obtenção de DDG e WDG após o processo de obtenção de etanol

PECUÁRIA EM ALTA

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LEITE

Fluxograma para a obtenção de DDGS e WDGS após o processo de obtenção de etanol

A utilização do WDG é limitada pelo tempo de conservação, resistindo de cinco a sete dias sem sinais de deterioração exposto ao ambiente. Após esse período, são observadas proliferações fúngicas. Além disso, o excesso de umidade pode limitar o consumo dos animais, sendo indicadas inclusões de até 30% na ingestão de matéria seca diária. A maneira mais acessível de preservar o WDG é ensilando esse subproduto. Estudos apontam a viabilidade de ensilagem somente do WDG, como também em conjunto com outros alimentos, como, por exemplo, silagem de milho e casquinha de soja. Testes de DDGS Em relação ao uso de DDGS, os pesquisadores testaram por dois anos o uso de casca de soja e DDGS na alimentação de novi32

PECUÁRIA EM ALTA

lhas. Os animais foram alimentados por 190 dias antes do parto e durante a lactação. Os autores

“Os subprodutos produzidos após o processo de obtenção do etanol a partir de grãos de milho são conhecidos como grãos secos de destilaria, ou, mais popularmente, chamados de DDG” observaram que houve uma melhora no ganho de peso dos animais alimentados com DDGS. A

ocorrência de ciclo estral pós-desmame foi observada em maior porcentagem nas novilhas que consumiram DDGS. Em trabalhos realizados com vacas leiteiras, foram testados os níveis de 22%, 32% e 42% de inclusão do DDGS na dieta. A maior produção de leite (24,0 kg) foi com a inclusão de 32%. Já com 42% houve um declínio na produção diária. O mesmo trabalho ainda avaliou a composição do leite e observaram que a porcentagem de sólidos apresentou seu maior valor na dieta sem DDGS (controle) e a quantidade de gordura atingiu a maior porcentagem com a inclusão de 32% de DDGS na dieta. Já a proteína e lactose foram maiores tanto nas dietas controle quanto na dieta com 22% de inclusão de DDGS. No entanto, pesquisas indicam uma redução do teor de gordura


do leite. A utilização de grãos destilados necessita de mais estudos para aprimorar a empregabilidade na dieta de vacas leiteiras, principalmente no Brasil, pois ainda é um novo ingrediente a ser explorado de forma mais ampla. Além disso, esses coprodutos apresentam variabilidades na composição química, dependendo da época do ano, forma de industrialização e do cultivo do milho, sendo que a produtividade, cultivar, tipo de processamento, temperatura, tempo de secagem e formas de armazenamento podem promover alterações no produto. Poucas pesquisas incluindo o DDG na dieta de vacas de leite foram realizadas no Brasil. Além disso, como a produção de etanol utilizando o milho como matéria-prima é uma nova tendência no

país, também surgem diferenças quanto aos mecanismos de processamento utilizados pelas usinas brasileiras, assim como, a própria composição do milho utilizada no Brasil para a produção do etanol. Tendo em vista a carência de estudos avaliando a inclusão do DDG para os rebanhos leiteiros brasileiros, pesquisas vêm sendo desenvolvidas pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), com o objetivo de validar a utilização de DDG e reduzir custos de produção. Na UFV já existem estudos em execução testando níveis de inclusão para gado de corte e gado de leite. No início de 2019, um experimento foi executado pela Unidade de Ensino, Pesquisa e Extensão em Gado de Leite (UEPE-GL) da UFV, avaliando diferentes níveis de inclusão (0%,

Produção de leite em diferentes níveis de inclusão de DDG na dieta

20% e 40%) de DDG na dieta de vacas em lactação. Dados parciais do estudo comprovaram que vacas da raça Holandesa com média diária de produção de 30 kg de leite não apresentaram diferença de produção de leite com a inclusão de até 20% de DDG na dieta, que possui mais de 50% de redução da utilização de farelo de soja na dieta, quando comparadas com as que receberam tratamento sem adição de DDG. Quando a inclusão foi de 40% na dieta, houve uma queda de 20% na produção de leite. Esse estudo fará a análise econômica do uso do DDG para identificar se é vantajoso usar o nível de 40% de DDG na dieta, mesmo com a queda na produção de leite, visto que o DDG é mais barato que o milho e a soja, que foram os alimentos substituídos pelo coproduto. Vinícius de Sena Sales Viana e Carlos Henrique Paiva Camisa Nova Mestrandos em Produção e Nutrição de Ruminantes do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Viçosa (UFV)

Marcos Inácio Marcondes Zootecnista pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e mestre pela mesma universidade em 2007, sendo parte de seu doutorado em Texas A&M University. Atualmente é professor associado em bovinocultura leiteira na UFV e está em período sabático na University of Florida trabalhando com economia de sistemas de produção de leite

O estudo ainda está na fase das análises laboratoriais e em breve será finalizado, para estimar consumo, digestibilidade, parâmetros ruminais, produção e composição do leite e viabilidade econômica do DDG para vacas Holandesas de alta produção.

Polyana Pizzi Rotta Zootecnista pela Universidade Estadual de Maringá. Mestrado na Universidade Federal de Viçosa (UFV). Doutorado na Universidade Federal de Viçosa (UFV), com período de treinamento na Colorado State University. Atualmente é Professora Adjunta de Produção e Nutrição em Bovinocultura de Leite da UFV

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CORTE

A IMPORTÂNCIA DA GENÉTICA JOVEM PARA O CRUZAMENTO INDUSTRIAL por Luiza Mangucci, técnica de Corte da Alta Cada vez mais, os resultados a campo nos demonstram que as avaliações genéticas são o melhor caminho para tomar a decisão de qual indivíduo utilizar no cruzamento industrial. O conceito básico do melhoramento diz que os filhos de-90 vem ser melhores que os pais.80 Sendo assim, esse conceito deve ser utilizado juntamente70 com todas as ferramentas dis60 poníveis para trabalhar o melhoramento genético, inclusive50 com o cruzamento industrial. Engana-se quem pensa que40 ao fazer cruzamento não está30 trabalhando com genética. Pelo contrário, está trabalhan-20 do com a genética de qualidade 10 em prol de produção de carne, porém a metodologia para0 se trabalhar com essa seleção deve ser mais bem estruturada. Assim como aqueles que têm um planejamento genético para fazer base de rebanho e/ ou produção de touros, o produtor de carne deve trabalhar com um planejamento genético para produzir o produto que o mercado demanda e, assim, aumentar sua rentabilidade. A utilização da genética jovem pode ser um excelente caminho para acelerar os ganhos produtivos, seja ela em raça 34

PECUÁRIA EM ALTA

pura, seja para cruzamento industrial. Mas qual o impacto da não utilização dessa genética jovem no cruzamento industrial na lucratividade do pecuarista? Analisando as avaliações de desmama dos animais jovens

da raça Aberdeen Angus (nascidos depois do ano de 2015) versus animais consagrados (nascidos antes de 2012), percebemos um total de 21 libras de diferença esperada na progênie (DEP). 77 66

56

<2012

2013-2014

>2015


Quando colocamos essa diferença na valorização do bezerro, temos:

DIFERENÇA: 21 LIBRAS

CONVERTENDO PARA QUILOS: 9,54 KG

PREÇO DO QUILO DO BEZERRO: R$6,50

9,54 kg x R$ 6,50 = R$ 62,01 DEIXOU DE GANHAR: R$ 62,01/bezerro

PECUÁRIA EM ALTA

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CORTE

O mesmo se aplica para os dados de peso e rendimento de carcaça quando observamos a evolução genética para tais características. A segurança na utilização dos touros mais utilizados limita a utilização de touros jovens, mas, como demonstrado acima, os ganhos que essa genética pode proporcionar para pecuária não podem ser ignorados ou utilizados de forma tardia. O cruzamento industrial é uma excelente ferramenta para otimizar a eficiência produtiva da pecuária, porém, para que seja realmente efetivo, deve ser utilizado de forma estruturada e objetiva, preconizando animais

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PECUÁRIA EM ALTA

“A utilização da genética jovem pode ser um excelente caminho para acelerar os ganhos produtivos, seja ela em raça pura, seja para cruzamento industrial” melhoradores para seu respectivo sistema de produção e objetivo de seleção. Para isso, a genética de touros jovens vem para o mercado

com um nível de acurácia mais elevada. Hoje, a genômica garante maior segurança na sua utilização e reforça a importância de se trabalhar com essa genética dentro dos principais rebanhos que buscam uma produção eficiente.

Luiza Mangucci, técnica de Corte da Alta Graduada em Zootecnia no Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM) de Uberaba, Especialista em Melhoramento Genético em Bovinos de Corte e Ciências Agrárias pelas Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu) e atua como técnica de Corte da Alta


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DECA 1

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MBAPPE FIV DA TERRA BRAVA

SULTÃO FIV DA TERRA BRAVA x BACANA DA MN MGTe 15,20 iABCZ 19,36 IQG 30,87 TOP 4%

DECA 1

TOP 1%

MISTÉRIO DA TERRA BRAVA AVESSO DA BELA x MACUNI DO SALTO MGTe 23,03 iABCZ 20,05 IQG 27,76 TOP 0,1%

DECA 1

TOP 1%

IMPACTO FIV DA TERRA BRAVA MAIA FIV MAT x JAYAMU DA MAT MGTe 9,34 iABCZ 13,43 IQG 21,60 TOP 18%

DECA 1

TOP 3%

2299 FIV DA TERRA BRAVA 1070 DA TERRA BRAVA x FAO DO IZ MGTe 14,62 iABCZ 14,16 IQG 23,20 TOP 5%

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FORASTEIRO FIV DA TERRA BRAVA SULTÃO FIV DA TERRA BRAVA x FAO DO IZ MGTe 23,10 iABCZ 13,07 IQG 26,43 TOP 0,1%

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SULTÃO FIV DA TERRA BRAVA CAMPEÃO DA MN x TECELÃO DA SM MGTe 15,43 iABCZ 15,99 IQG 36,14 TOP 4%

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HALTRIUM DA TERRA BRAVA MACUNI DO SALTO x QUARK COL MGTe 14,96 iABCZ 22,18 IQG 30,87 TOP 4%

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PECUÁRIA EM ALTA

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CORTE

SEMENTE CERTIFICADA PRODUTIVIDADE E RENTABILIDADE NO CICLO COMPLETO por Rafael Mazão, técnico de Corte da Alta A Estação de Monta, uma das etapas mais importantes do sistema de produção, está iniciando ou até já foi iniciada em alguns criatórios. Fundamental etapa do sistema de cria, que, além de conter todas as principais ações reprodutivas, representa a produção da futura geração e gera informações das matrizes quanto ao processo de seleção primário, a fertilidade. Os bovinos necessitam de luminosidade e calor para que tenham maior manifestação do estro (cio). Aliados à boas condições nutricionais para “alimentar nossa indústria de bezerros”, as matrizes e os bezerros têm melhor desempenho quando nascem no período mais seco do ano. Em termos gerais, de agosto a dezembro, na maior parte do Brasil, a estação de monta se inicia, mas, muitas vezes, sem o planejamento adequado. A estação de monta reduzida, além de proporcionar a seleção de matrizes que produzem um bezerro por ano, centraliza os nascimentos no melhor período, concentra o manejo reprodutivo e operacional, otimiza o 38

PECUÁRIA EM ALTA

desempenho das crias, elimina do rebanho as matrizes vazias e já desmamadas antes da próxima seca e fecha o ciclo com maior eficiência e rentabilidade.

“A análise do solo e a escolha dos insumos equivalem à avaliação do rebanho, ou seja, à demanda genética necessária para produzir mais na próxima safra” Já parou para pensar que na agricultura moderna, nesse mesmo período, trabalha-se a próxima safra e não se realiza qualquer plantio sem análise de solo? Da mesma forma, a escolha dos insumos e das ações agrícolas é criteriosamente planejada, a fim de elevar a produtividade e reduzir os custos de produção. A análise do solo e a escolha dos insumos equivalem à avaliação do rebanho, ou seja, à demanda genética necessária para

produzir mais na próxima safra. A pecuária moderna exige as mesmas seletivas escolhas. Determinar os touros melhoradores que irão impactar no sistema de produção é determinante para o sucesso do projeto. Evoluir os ganhos para fertilidade, habilidade materna, peso à desmama para os projetos de cria e, ainda, aumentar a produtividade também no peso final da boiada com maior precocidade e rendimento de carcaça para os projetos de ciclo completo exigem planejamento da estação de monta por meio da escolha da “semente certificada” da pecuária, que são os touros melhoradores. Identificar os touros ideais para cada projeto potencializa o ganho e diminui o intervalo do produto final, tempo este tão precioso na pecuária, custosa pelo grande intervalo entre gerações. O mercado nos oferece excelentes opções de touros melhoradores que, por via da inseminação artificial, otimizam e democratizam o uso da genética adequada para qualquer sistema de produção. O importante é identificar qual a melhor “se-


mente” para “colher” os melhores resultados. A genética está cada vez mais difundida. De acordo com pesquisas realizadas neste ano pelo Departamento de Reprodução Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ/USP), a Inseminação

Artificial em Tempo Fixo (IATF), no ano passado, representou 86,3% do volume das operações dos rebanhos que utilizaram inseminação artificial. Em 2002, esse índice representava só 1%. Falando sobre a proporção do rebanho inseminado no mesmo período (2002 a 2018), a evolução foi de 6% para 14%

utilizando-se Inseminação Artificial (IA). Mas o que isso significa? Significa aumento de tecnologia e democratização genética, que pulveriza o melhoramento genético e evolui os resultados zootécnicos da pecuária. Andando junto à evolução da IA e IATF estão outros indicadores de produtividade.

Perfil da pecuária nacional do ano 2000 a 2017 2000

BRASIL

2017

REBANHO BOVINO

140 milhões cab.

230 milhões cab.

ÁREA DE PASTAGEM

185 milhões de ha

165 milhões de ha

PRODUÇÃO / HA

2,3 @ / ha / ano

4,3 @ / ha / ano

PESO DE ABATE

15 @

17 @

BOVINOS ABATIDOS

12 milhões cab.

30 milhões cab.

VOL. DE CARNE PRODUZIDA

6,5 milhões t

9,8 milhões t

VOLUME EXPORTADO

0.6 milhões t

1,8 milhão t

Fonte: USDA, 2017

PECUÁRIA EM ALTA

39


CORTE

Fica a pergunta: produzir mais para quem? Por quê? Para quem. Em 50 anos, teremos demanda de 100% do que se produz de alimento, conforme pesquisas realizadas em 2010 pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Mencionam que 70% desses alimentos deverão ser produzidos pelo aumento de tecnologia e produtividade, mostrando-nos que a intensificação deverá ser cada vez mais presente na realidade do pecuarista. O perfil de consumo “per capita” dos principais exportadores de carne mundial e do principal importador da carne brasileira, a China, vem sinalizando a grandeza do mercado mundial quando os países emergentes e de grandes populações aumentarem o consumo de carne bovina. Por quê? Aumentar a produtividade e diminuir o ciclo de produção implicam em maior rapidez de giro financeiro, com redução de custos, otimizando os sistemas. É fundamental escolhermos a melhor genética a ser incorporada anualmente por meio da IATF, em conjunto com a seleção das matrizes, com objetivos bem definidos para obtermos os melhores resultados. A utilização de touros melhoradores, comprovados pelas Diferenças Esperadas na Progênie (DEPs) Genômicas, é o que nos dá respaldo de que teremos maiores ganhos em todas as características de interesse econômico: - Habilidade materna - Peso à desmama e ao sobreano - Precocidade sexual - Stayability - Rendimento de carcaça. Além de termos a preocupação pela qualificação, é importante termos informações quanto à fertilidade dos touros, a comprovação quanto à eficiência nos índices de concepção para chancelar a “semente certificada”. Os touros certificados Concept Plus nos dão ainda mais certeza de que escolher o touro correto para determinado sistema de produção é “tiro certeiro” para a próxima safra. Boa colheita, pessoal!

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PECUÁRIA EM ALTA

Consumo de carne bovina kg / habitante / ano

PAÍSES

BRASIL

37,7

ESTADOS UNIDOS

37,2

AUSTRÁLIA

26,2

CHINA

5,7 Fonte: USDA / FAO, 2019

Rafael Mazão, Técnico de Corte Zootecnista especialista em Melhoramento Genético e em Julgamento das Raças Zebuínas pelas Faculdades de Zootecnia de Uberaba (Fazu), diretor técnico da empresa Dstak Assessoria Pecuária, jurado efetivo da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) há mais de 10 anos, atua como consultor técnico de corte pela Alta desde 2014


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EVENTOS

OTIMISMO DO SETOR ALAVANCA NEGÓCIOS DA ALTA NA EXPOINTER 2019 PECUARISTAS INVESTEM EM GENÉTICA E IMPULSIONAM CRESCIMENTO DE 35% NOS NEGÓCIOS DA CENTRAL Em busca de genética superior, os pecuaristas movimentaram o estande da Alta na 42ª Expointer, em Esteio (RS). Com clima de otimismo do setor, a Central registrou crescimento de 35% nos negócios em comparação ao último ano. “A Expointer confirmou, mais uma vez, a posição de liderança da Alta no mercado de melhoramento genético bovino e, também, foi fundamental para estabelecermos novos relacionamentos e fortalecermos os laços que já temos com a cadeia”, destaca o gerente Distrital da Alta, Jorge Duarte. Não foi apenas nas comer42

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cializações que vieram os bons resultados. A bateria taurina da empresa também se destacou em importantes sumários e disputas nas pistas. Na divulgação do Sumário de Touros Hereford Promebo, a liderança ficou, pelo segundo ano consecutivo, com o reprodutor Lord, da seleção Estância Mauá, em coleta na Alta. “Lord é considerado o melhor touro para as características índice final, índice desmama, conformação, precocidade, musculatura e tamanho à desmama e ao sobreano, ganho de peso da desmama ao sobreano e, ainda, para perímetro escrotal”, lembra o gerente de Corte Taurino da

Central, Miguel Abdalla. Também no Sumário Promebo, o touro Chivas foi consagrado líder da raça Red Angus (PO). Excelente combinação de “pedigree” Argentino com Nacional, o reprodutor é filho de Black Watch, na matriz EPV Paloma 886. Outra importante conquista veio da raça Angus. Dos dez touros Deca 1, no Sumário Promebo Angus, que possuem sêmen em centrais, 60% estão na Alta. “É uma grande satisfação ter nossa liderança comprovada mais uma vez. Estamos em constante busca de animais superiores para entregarmos sempre a melhor genética para cada estratégia de


rebanho”, acrescenta Abdalla. Houve ainda a consagração do reprodutor Roger como melhor touro Angus para índice de desmama no Sumário Promebo. Roger é originário da Cia Azul, renomada cabanha na criação da raça, e foi selecionado no Teste de Progênie de 2017. O touro Umbu, da bateria taurina na Alta, também foi condecorado pelo segundo ano consecutivo com mérito Difusão Genética Nacional pela raça Angus, na premiação concedida pela Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares (ANC). Umbu, de Ângelo Bastos Tellechea, foi o touro que mais registrou animais da raça neste ano. Nas pistas, os filhos da genética da Alta também conquistaram

“É uma grande satisfação ter nossa liderança comprovada mais uma vez. Estamos em constante busca de animais superiores para entregarmos sempre a melhor genética para cada estratégia de rebanho” posições de destaque. Na raça Angus, o Campeão Terneiro Menor foi o touro São Bibiano Líder 7995, filho do consagrado Curú,

do criatório JYA Blanco Villegas, em coleta na Central. Na categoria Angus Rústicos, o Melhor Macho PC foi o reprodutor Tradição 2450, da Estância Tradição, filho do notável Retruco, também da bateria Alta, eleito Melhor Touro PC, na Exposição Nacional de Rústicos (Expointer 2015). Já na raça Brangus, a vaca Juquiry Black TE8369 Arandu TE7089, filha do reprodutor Arandú, da bateria taurina, conquistou o título de Reservada Grande Campeã Adulta. Além disso, pelo segundo ano consecutivo, a Alta/Progen promoveram no estande “workshops” sobre temas relacionados à bovinocultura de corte, levando informações técnicas para os clientes aprimorarem, cada vez mais, os resultados.

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EVENTOS

TOUROS QUE VALEM OURO

ALTA CONQUISTA A LIDERANÇA NOS PRINCIPAIS SUMÁRIOS E SE DESTACA NA EXPOGENÉTICA Celeiro das raças zebuínas, o Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG), recebeu de 17 a 25 de agosto, a 12ª da ExpoGenética. O evento destaca os principais avanços do melhoramento genético de bovinos no país. Entre grandes leilões, divulgação de sumários e contratações de peso, a Alta mostrou, em mais um ano, a força da bateria Zebu. Nos dois principais sumários anunciados no evento, da Associação Nacional dos Criadores e Pesquisadores (ANCP) e do Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ), a empresa conquistou a liderança. Entre os 15 primeiros colocados na divulgação da ANCP, 60% estão contratados pela Alta, inclusive o líder: Coral MAT, com Mérito Genético Total Econômico (MGTe) de 31,86. O reprodutor do criatório Rancho da Matinha é filho de REM Armador, em matriz Backup, e conquistou o maior MGTe da história do programa 44

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ANCP e o segundo maior Índice Real Matinha. Outro importante resultado deste ano foi alcançar o topo também no Sumário PMGZ com o touro REM Esteio, do criatório Genética Aditiva. Esteio possui em sua genealogia paterna REM Atolo, em matriz REM Ricket, confirmando-se com uma interessante opção para o melhoramento genético da raça. No PMGZ, a Alta também fez oito animais entre as 15 primeiras colocações. “É mais um ano de grandes resultados para Alta. Nossa busca constante por touros de qualidade é reflexo dessas vitórias. Durante a ExpoGenética, nossa Central recebeu mais de três mil visitantes e criadores importantes em busca de novidades, ou seja, touros jovens que possam agregar valor aos seus criatórios”, destaca o gerente de Corte Zebu, Rafael Oliveira. O 2º Leilão de Novilhas e Touros Genética Aditiva Agro-

pecuária também coroou outro grande reprodutor da bateria, REM Dulldog, que teve 50% da cota comercializada, sendo avaliado em sua totalidade em mais de R$1.300.000. O touro é filho de REM Armador, reconhecido como um dos touros que mais têm auxiliado o avanço genético do Nelore. Tem ainda REM Ricket em sua linha materna. “Sua produção vem se destacando em vários criatórios, apresentando filhos com ótimo ganho de peso, conformação e fertilidade e filhas precoces e férteis, comprovando toda a força em sua avaliação genética”, acrescenta Oliveira. Durante a ExpoGenética, a Alta também contratou 12 touros Nelore PO, três touros Nelore Pintado e um reprodutor mocho. Além disso, mais de 30 touros integraram o programa Prestação de Serviços, atingindo o montante de mais 70 mil doses contratadas.


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CASOS DE SUCESSO

GENÉTICA DE SUCESSO FAZENDA ONÇA EVOLUÇÃO GENÉTICA X RESULTADOS RENTÁVEIS

Localizada na cidade de Patos de Minas (MG), a Fazenda Onça iniciou as atividades na pecuária leiteira em 1975, vendendo apenas nove litros de leite por dia. Ao longo desses quase 45 anos, a propriedade se desenvolveu bastante. Por meio da genética e das novas tecnologias, construiu um alicerce para ampliar o rebanho e a lucratividade. “Nasci e cresci no meio da pecuária leiteira. Sempre busco ser eficiente na atividade e gerar receita dentro do meu perfil, pois minha renda familiar é toda retirada da pecuária leiteira. Sempre reflito até que ponto vale a pena acordarmos cedo todo dia, enfrentarmos todos os desafios impostos pela atividade, mas, quando vejo o quanto tenho crescido e o perfil do meu rebanho hoje, sinto que vale a pena todo esse esforço”, diz o proprietário da fazenda, José Paula. O projeto da fazenda é estabilizar entre 3.000 e 4.000 litros de 46

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“O grande diferencial da fazenda Onça são as pessoas, que fazem tudo com muito amor e dedicação e sempre buscam ótimos resultados” leite diários no próximo ano. Atualmente, os 110 hectares da propriedade são divididos: 46 hectares de silagem de milho, 25 de pastagem para gado de leite (lote de vaca seca, lote de vaca de leite, piquetes para novilhas e bezerras desmamadas), 35 hectares para gado de corte e 4 hectares para construções (casa e benfeitorias). São 92 vacas que produzem média de 3.200 litros por dia. No sistema de produção, 80% dos animais estão fechados em Compost

Barn e 20%, semiconfinados. O plano genético está ajustado em 50 para produção, 30 para saúde e 20 para conformação. “O plano genético foi montado com a ajuda da equipe da Alta, pensando nas principais características que levam ao descarte de animais da fazenda, com o objetivo de melhorar o rebanho e reduzir as principais falhas. Outro norteador na montagem do plano genético foi a necessidade de aumentar a produção de leite em sistemas confinados, mas, ao mesmo tempo, continuar agregando vida produtiva e taxa de prenhez das filhas, já que são características de muito impacto financeiro dentro do meu sistema”, explica o proprietário. Para a fazenda, quatro pontos se tornaram os pilares para o sucesso na atividade leiteira: genética do rebanho, alimentação, bem-estar do animal (conforto) e a equipe. “O grande diferencial da fazenda Onça são as pessoas, que fazem tudo com muito amor e dedicação e sempre buscam ótimos resultados em todos os setores da propriedade, como, por exemplo, posso citar a qualidade do leite que reflete bem isso: Proteína, 3,19; Gordura, 3,77; CCS, 95, e CBT, 2. Eles são um exemplo de pessoas que vivem da atividade leiteira e, portanto, sabem o quanto é importante monitorar os indicadores de todos os setores da propriedade, para que, assim, possam fazer uma


gestão cada vez mais profissional do negócio”, afirma o gerente Regional da Alta em Patos de Minas, Rui Fernandes. Para o proprietário, o avanço genético também fez toda a diferença para chegar à produção atual. “Comecei com a Alta e até hoje continuo parceiro dela, pois sempre tive uma boa assistência e vejo que é uma empresa que se preocupa com o resultado e a evolução do meu negócio. Sempre trabalhamos com o acasalamento visando maximizar o investimento feito na compra de sêmen e evitar problemas de endogamia no rebanho. Além disso, sempre utilizamos o plano genético para ranquear e selecionar os melhores touros, de acordo com meu objetivo. Tudo isso para aumentar a produção de leite e a saúde do rebanho, para continuar sendo competitivo nesse mercado”, finaliza o proprietário.

Gráfico de evolução genética do rebanho por ordem de parto 1200 1100 1000 900 800 700 600 500 400 300

152

200 100

19

187

265

103

0 Lact 3+

Lact 2

Lact 1

46

35

34

Lact=0+>1 Lact=0+<13 47

31

Sobre a regional A Regional Patos de Minas (Geplan) é parceira desde o início das atividades da Alta. Atua na região do Alto Paranaíba e parte do noroeste de Minas, prestando serviços nas áreas de melhoramento genético de gado de leite e, recentemente, na criação de bezerras leiteiras. Possui um curso mensal de Inseminação Artificial, desde 1993, com o compromisso forte de não deixar os clientes sem inseminadores nas propriedades. O telefone de contato da Geplan é (34) 3821-0779.

AltaRecoil - taxa concepção: 35%

AltaOscar - taxa concepção: 50%

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ENTREVISTA

JOSÉ AURÉLIO GARCIA BERGMANN

UM CONSULTOR A SERVIÇO DA GENÉTICA José Aurélio Garcia Bergmann é médico veterinário e mestre em Zootecnia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), doutor e pós-doutor pela Virginia Tech. Foi professor titular de Genética e Melhoramento da Escola de Veterinária da UFMG por 37 anos. Após se aposentar, atua como consultor para área de genética e melhoramento em sua própria empresa, a JAG Bergmann Consultoria Genética. No Fórum da Pecuária Eficiente, realizado pela Alta durante a ExpoGenética, lançamos uma nova Diferença Esperada da Progênie (DEP), a facilidade de parto, que será incorporada ao sumário da Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP). Qual a importância dessa característica para o melhoramento genético bovino? A importância econômica da característica facilidade de partos veio à tona a partir da intensificação dos sistemas de produção de alguns rebanhos da raça Nelore, com a crescente adoção da incorporação reprodutiva das fêmeas na era de 12-16 meses para terem o primeiro parto na era de dois anos. Por outro lado, para os sistemas tradicionais de entrada da fêmea Nelore na reprodução na era de dois anos 48

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para o primeiro parto aos três anos, os índices de problemas relatados ao parto não diferiam muito dos tradicionais, 4%-6% relatados para fêmeas de outras eras (primíparas, secundíparas, multíparas). No caso do parto precoce (antes de 27-30 meses de idade), os relatos de necessidade de intervenção são muito variados entre os rebanhos. Em alguns casos, chegam a ser preocupantes, 15%, 20%.


Qual a real importância dessa característica para a raça Nelore e quais são os principais fatores que influenciam a utilização da DEP? A importância surgiu a partir do encurtamento em um ano na entrada em reprodução da fêmea Nelore. A DEP a ser publicada pela ANCP vai ter dois componentes: direto e materno. Para o selecionador de animais Nelore, aquele que vende genética, os dois componentes devem ser considerados como critérios de seleção na otimização dos acasalamentos. Devemos ter em mente que não basta apenas utilizarmos touros cujos bezerros teriam adequada facilidade ao parto, mas também touros que vão produzir novilhas e vacas que deverão apresentar partos sem complicações. Por outro lado, para o produtor comercial que destina toda sua produção à terminação e ao abate, a consideração do componente direto passa a ser importante. Qual é a contribuição do touro e das vacas para definição da DEP para facilidade de parto? Segundo a literatura, na raça Angus, a fêmea, mãe do bezerro, é duas vezes mais importante do que o touro, pai do bezerro, na facilidade de seu parto. Qual a diferença entre seleção para facilidade de parto direta e a materna? Pensemos assim, quando se escolhe um touro pela DEP direta para a facilidade de partos, estamos focados na pró-

“Devemos ter em mente que não basta apenas utilizarmos touros cujos bezerros teriam adequada facilidade ao parto, mas também touros que vão produzir novilhas e vacas que deverão apresentar partos sem complicações” xima estação de nascimentos, nos bezerros que esse touro vai produzir, se eles serão oriundos de partos fáceis ou de partos difíceis. Quando se escolhe um touro pela DEP materna para facilidade de partos, estamos focados na próxima geração de fêmeas do plantel, se as filhas desse touro vão apresentar partos fáceis ou partos difíceis. Essa DEP pode ser aplicada em todas as categorias de fêmeas dos rebanhos? Sim, é uma DEP que não deve ser considerada apenas para novilhas ditas “precoces”, embora a ocorrência de partos difíceis seja maior para elas. Essa é uma DEP que nos seus dois componentes (direto e materno) deve ser considerada para todas as categorias. Nós devemos ter sempre em mente que a reposição de fêmeas e de machos de um plantel é oriunda de vacas progenitoras e de touros progenitores

de todas as idades. Qual caminho mais seguro para selecionar para facilidade de parto? Antes mesmo da DEP para a característica facilidade de partos existe uma ferramenta de seleção muito eficiente, a seleção natural. Nesse caso, a seleção natural está do nosso lado! Em geral, a fêmea que apresenta algum grau de distocia perde seu bezerro ou ele fica prejudicado de forma a não servir para reposição. A fêmea que apresenta algum grau de distocia tem dificuldades para reconcepção e tende a ser descartada. Se isso não acontece pela seleção natural, oriento a todos os criadores que façam de forma artificial o descarte de fêmeas que apresentam algum grau de distocia. Com os resultados preliminares, como é avaliada a viabilidade de utilização da DEP? No primeiro momento, como foi dito acima, na otimização dos acasalamentos, fazendo uso de DEP direta e DEP materna, com ênfase específica para cada sistema de produção. No segundo momento, creio que a consideração mais adequada para esse novo critério, essa nova DEP, deve ser por meio de índices econômicos. Como a facilidade de partos está muito associada ao peso ao nascimento – e esse peso está associado aos pesos em outras idades (para os quais temos dado muita ênfase na seleção) – e ainda como a facilidade de partos está associada a outras características de muita importância econômica, como, por exemplo, Stayability (longePECUÁRIA EM ALTA

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ENTREVISTA

vidade produtiva), não tenho dúvidas de que incorporar a DEP (direta e materna) para facilidade de partos em um índice econômico seja o mais adequado. A facilidade de parto está ligada ao tamanho do bezerro? Se formos elencar uma característica de maior impacto para facilidade de partos, essa é o peso do bezerro ao nascimento. Mas o peso ao nascer não é o único responsável. Outros fatores inerentes aos bezerros (conformação, por exemplo), às

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“Não tenho dúvidas de que incorporar a DEP (direta e materna) para facilidade de partos em um índice econômico seja o mais adequado” fêmeas e ao manejo (principalmente alimentar) do plantel de fêmeas têm sua quota de participação.

As precocinhas fazem parte de uma categoria com uma exigência nutricional bem maior, principalmente quando parem a primeira vez. Essa dieta pode interferir de alguma maneira na facilidade de parto? Essa não é muito minha área, mas, sim. A oferta exagerada de nutrientes, notadamente no terço final da gestação da novilhota Nelore, em grande parte é transferida para o bezerro e realizada no maior peso ao nascimento deste, o que pode aumentar a possibilidade de parto distócico.


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Pecuária em Alta - Edição 24 (Outubro, Novembro e Dezembro de 2019)  

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