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PECUÁRIA EM ALTA

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PALAVRA DO DIRETOR

Já chegamos no meio de 2018. Metade do ano já se passou e qual a reflexão que você faz do que viveu? Não podemos nos orgulhar do momento que estamos vivendo em nosso país. Tenho certeza também que você tem as suas ideologias e convicções de como podemos ter um país melhor, mas quais são suas ações? Você está fazendo a sua parte? Acredito que vale a pena refletir sobre isso. Nós, e somente nós, podemos mudar o Brasil. Da mesma forma que utilizo a política para fazer um balanço da metade do ano que se passou, convido-o agora para fazer outra reflexão: e o seu negócio? Como está? Sei que não temos muito controle do que acontece no mercado e na política por exemplo. Mas, tenho certeza que da porteira para dentro, quem decide e resolve, é você. E agora, qual a reflexão que faz? Conseguiu melhorar os números? Ou melhor, pelo menos anotá-los? O planejamento que você fez no ano passado, está sendo seguido? Foi necessária correção de rota? Ou mudança de foco? Te aconselho não só a refletir. É melhor agir. Buscar mais todos os dias. E é para isso que a Alta está aqui, para te oferecer mais. Mais genética, mais fertilidade, mais produtividade e principalmente, mais informações para que você tenha cada vez mais possibilidade de melhorar seus resultados. Essa revista traz para você isso: informação. A ideia aqui não é que você siga tudo que está escrito aí adiante, mas, que você reflita. Que você pense um pouco em nossas sugestões e possa trazer algo novo para o seu negócio. É como sempre digo, oferecer genética de qualidade é nossa obrigação. O que nos faz diferentes é a forma como trabalhamos. Por isso, ao longo das próximas páginas nossos técnicos e parceiros vão trazer orientações sobre a melhor maneira de se utilizar essa genética. As novas formas de manejo, nutrição, ambiente, gestão, enfim, todos os processos que vão fazer com que o animal expresse, em sua totalidade, todo seu potencial genético. Nunca tivemos a intenção de ter o melhor touro de alguma raça, mas sim, termos melhores touros para as várias características, buscadas nos diversos sistemas de produção que possuímos no Brasil. A nossa filosofia sempre será: buscar nos quatro cantos do mundo a melhor genética e que melhor se adeque a seu rebanho e seus objetivos. Espero que goste desta leitura, e que ela possa trazer algo de útil para seu negócio.

Heverardo Carvalho Diretor Alta Brasil

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ÍNDICE EXPEDIENTE Diretor Heverardo Rezende de Carvalho Gerente de Mercado Tiago Carrara - tcarrara@altagenetics.com

06 ESPECIAL

ABCGIL/EMBRAPA E PMGZ LEITE DIVULGAM AVALIAÇÕES 2018 Dois grandes programas de avaliação lançaram os resultados das avaliações anuais durante a Expozebu

Coordenadora de Comunicação Camilla Lazak - camilla.rodrigues@altagenetics.com Jornalista Responsável Renata Paiva (MTB 12.340) renata.paiva@altagenetics.com Colaboradores desta edição Alexandre Scarpa, Ana Flávia Mariano, Bruna Quintana, Fábio Fogaça, Fernanda Borges, Guilherme Marquez, José Eduardo Guedes, Júlia Gazoni, Luiza Mangucci, Rafael Azevedo, Rafael Mazão, Rafael Oliveira, Rehagro, Rodrigo Rodrigues e Tiago Ferreira Diagramação e arte Ana Paula S. Alves - paula.alves@altagenetics.com Marketing/Comercial comunicacao@altagenetics.com.br Fotos Francisco Martins - fjunior@altagenetics.com José Maria Matos - jmmatosfotografo@gmail.com Edição e revisão de texto Indiara Ferreira Assessoria de Comunicação indiara@indiaraassessoria.com.br Tiragem 5 mil exemplares

Missão Construir relacionamentos de longo prazo, criar valor para nossos clientes, melhorar a lucratividade de cada rebanho e entregar genética de confiança, além de produtos e serviços de manejo com alta qualidade. Visão Tornar-se a marca global que seja a melhor escolha para produtores progressivos dos segmentos de leite e corte. Valores: Foco, pessoas e competências, coesão, dinamismo, relacionamento, comunicação e ética.

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ALTA NEWS

FAZ A ROTA DA GENÉTICA 10 SHOWCASE EM GOIÁS E MATO GROSSO 2.500 quilômetros rodados em busca de conhecimento em dois estados do Brasil

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2º ALTA BEEF SHOWCASE BRASIL PROMOVE INTERCÂMBIO ENTRE BRASILEIROS E ARGENTINOS Grupo de brasileiros e argentinos visitam diferentes sistemas e tecnologias para otimização da pecuária

LEITE AVALIAÇÕES GENÉTICAS 14 NOVAS PARA SAÚDE Novas características ligadas a saúde são destaques nas avaliações genômicas e prometem produzir vacas mais saudáveis

20 VAMOS RESFRIAR AS NOSSAS VACAS?

O que pode ser feito para reduzir os efeitos do estresse térmico e como avaliar a eficácia destas ferramentas

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CAPA GIROLANDO, A SOLUÇÃO PARA OS PAÍSES TROPICAIS Raça apresenta animais cada vez mais produtivos, férteis e longevos


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PROGRAMAS E SERVIÇOS 2ª EDIÇÃO DO AltaU NO BRASIL É SUCESSO Grupo de produtores progressistas buscaram o curso para absorver mais conhecimento e compartilhar informações

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GIRO NO CAMPO Nossa equipe técnica e clientes mostrando os resultados Alta pelos diversos cantos do país

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COLOSTRATRAGEM EFEITO DA SUPLEMENTAÇÃO DE COLOSTRO EM PÓ NA SAÚDE DAS BEZERRAS E NO USO DE ANTIBIÓTICOS Suplementação auxilia na saúde das bezerras durante a fase de aleitamento

RAÇAS

CASOS DE SUCESSO

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AGRINDUS

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FAZENDA PALMITAL

Um exemplo de lucratividade e sustentabilidade

A paixão pela atividade leiteira atravessa gerações

IMPACTO ECONÔMICO NA UTILIZAÇÃO DE TOUROS MELHORADORES Como identificar e fazer um plano de produção utilizando touros melhoradores obtendo retorno financeiro

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ALTA CELEBRA RESULTADOS IMPORTANTES NA EXPOZEBU Touros e progênies da Alta são consagrados conquistando premiações importantes nas principais categorias

KAYAK TE MAFRA Touro foi destaque absoluto nas pistas de julgamento da Expozebu

“OS FORA DA CURVA” SELEÇÃO E MELHORAMENTO GENÉTICO EM GADO DE CORTE Dados precisos revelam a evolução da pecuária e do mercado

EVENTOS

CORTE

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ENTREVISTA SANDRA GESTEIRA A especialista na criação de bezerras no Brasil

ANCP COMEMORA 30 ANOS COM NOVO SUMÁRIO Divulgação das avaliações genéticas comprovam a liderança dos touros Alta

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ESPECIAL

ABCGIL/EMBRAPA E PMGZ LEITE DIVULGAM AVALIAÇÕES 2018 Dois grandes programas de avaliação lançaram suas avaliações anuais, durante a ExpoZebu, em Uberaba (MG). A Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGIL) e Empresa Brasileira de

Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apresentaram o resultado do Programa Nacional de Melhoramento do Gir Leiteiro (PMNGL), com novidades para o mercado, em 29 de abril. Já no dia 4 de maio, foi

a vez do Sumário de Touros, com o resultado da Avaliação Genética Nacional das Raças Zebuínas de Aptidão Leiteira, por meio do Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ).

Teste de Progênie ABCGIL/EMBRAPA Desde o início da execução do programa nota-se um expressivo aumento nas médias das produções de leite até 305 dias de lactação. Em 1988, a média era de pouco mais de 2.000 litros e, hoje, em 2018, acima de 4.500 kg, ou seja, nesse período, houve uma duplicação na quantidade de leite. Desde 2016, a genômica vem sendo usada para indicar os jovens touros candidatos ao programa e, hoje, foi incorporada definitivamente nos programas sendo a Gir, a primeira raça zebuína leiteira a ter essa informação. Além disso, três inovações foram feitas: retirada da restrição quanto ao ano de nascimento das filhas dos touros, adoção do modelo de repetibilidade (uso de múltiplas lactações por vaca) e implementação da avaliação genômica para produção de leite e para idade ao primeiro parto. Agora, são 103.611 lactações, 63.028 vacas avaliadas, 38.819 filhas de touros em teste e 24.402 companheiras contemporâneas. Os compostos também foram incluídos: Composto corporal: Altura de garupa −10%, Perímetro torácico − 30%, Compri-

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mento corporal – 20%, Comprimento de garupa – 12%, Largura de ísquios − 8%, Largura de ílios – 8%, Ângulo de garupa – 12%. Composto de pernas: Ângulo de cascos – 35%, Pernas vista lateral – 35%, Pernas vista por trás – 30%. Composto de úbere: Ligamento de úbere anterior – 30%, Largura de úbere posterior – 20%, Profundidade de úbere − 20%, Comprimento de tetos – 15%, Diâmetro de tetos – 15%. A média de confiabilidade das informações aumentou significativamente. Conheça os TOP 10% da bateria Alta para algumas características: TOP 10% para idade ao primeiro parto: Líder para a característica - Sônico FIV da Palma e o Vice-líder - Kalika FIV Vila Rica. Nesse composto, outros touros da Alta se destacaram, como: Help FIV F. Mutum, Fargo TE Kubera, Gabinete Silvania, Panambi FIV Kubera, Casper TE Kubera, Midas FIV Kubera, Sumauma Elo TE, Hábil FIV. F Mutum, Fomento Giroeste, Procan FIV da Palma, Marcante PATI Cal e Dragão TE. TOP 10% para produção de gordura:


3º melhor touro - Tabu TE da Cal, seguido por Casper TE Kubera, Hábil FIV Mutum, Dragão TE, Jutaí FIV Kubera, Faraó de Brasília, Midas FIV Kubera, Fomento Giroeste, Hargo Kubera, Panambi Kubera, CA Coronel, Diego BJS, Imperador MAMJ, Espelho, Bagda, Fidalgo e Astro. TOP 10% para produção de proteína: 4º melhor touro - Tabu Cal, seguido por Casper TE Kubera, Faraó FIV de Brasília, Hábil, CA Coronel, Bagdá, Fomento, Dragão TE, Espelho TE de Brasília, Jutaí Kubera, Panambi Kubera e Imperador MAMJ. TOP 10% para produção de sólidos totais: Tabu Cal é o 4º melhor touro. TOP 10% para composto corporal: Atlântico TE, Lácteo CLA, Campestre Cal e Vaidoso da Silvania. TOP 10% para composto de pernas e pés: Barbante TE Kubera, Pioneiro BF Cal, Eldorado FIV Kenyo, Nobre Cal e Faraoh Kubera. TOP 10% para composto de úbere: Vale Ouro da Silvania, Espelho TE de Brasília, Hábil FIV Mutum, Único da Cal, Tabu TE da Cal e Bagdá de Brasília. TOP 10% para composto de manejo: Líder da característica - Urânio TE Silvania, Vice-líder - Tabu TE Cal e o 3º melhor - Vaidoso da Silvania.

Touros destaque

Kalika FIV Vila Rica Vice-líder no ranking dos 10% melhores animais com avaliação genética para idade ao primeiro parto, pela ABCGIL/EMBRAPA 2018, além de estar entre os 10% melhores da população para PTA leite, pela ABCZ/PMGZ 2018

Hábil FIV Mutum Está entre os melhores animais para a categoria leite no ABCZ/ PMGZ 2018. No sumário ABCGIL/EMBRAPA 2018 é destaque para idade ao primeiro parto, produção de gordura, produção de proteínas, produção de sólidos totais, composto de pernas e pés e composto de úbere

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ESPECIAL

PMGZ O Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ) é desenvolvido pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), desde 1992, graças ao serviço de controle leiteiro e registro genealógico das raças zebuínas. Para participar do programa, os animais da raça Gir e Gir Mocha devem seguir os seguintes critérios: • Ter, no mínimo, três filhas com lactações em três rebanhos • Confiabilidade mínima de 0,50 para PTA leite • Idade máxima de 30 meses Os resultados das avaliações genéticas consistem na habilidade provável de transmissão (PTA) das características leite, com produção acumulada de 305 dias de lactação (P305), percentual de gordura no leite (Gordura%), percentual de proteína no leite (%Proteína), pico da lactação, persistência de lactação e características morfológicas do sistema linear de avaliação. Para definir a intensidade de uso do PTA por característica de um determinado touro, é necessário considerar a confiabilidade, que varia de 0,01 a 0,99 e dependerá do número de filhas com informações válidas, a distribuição em rebanhos e a herdabilidade (h2). Dessa forma, quanto maior a confiabilidade da característica, maior será a segurança de uso do touro de acordo com o objetivo de seleção da propriedade. O diferencial do sumário deste ano é a divisão das características em categorias genéticas representadas por baldes, bar8

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Touros destaque Vibração Cal Filha Lácteo

Lácteo TE Cal Está entre os melhores animais na categoria genética gordura e composto de manejo (ABCZ/PMGZ 2018)

Pradesh dos Poções Está entre os 10% melhores da população para PTA proteína (ABCZ/PMGZ 2018). Único filho do touro Lindsey dos Poções em Central

ras de manteiga e queijos, variando de ½ a cinco imagens. A seguir, quanto maior o número

de figuras ilustrativas da característica, maior será a avaliação do animal.


Categoria Genética Leite: Representa o PTA leite e varia de ½ a cinco baldes. TOUROS ALTA DESTAQUES DA CATEGORIA:

• • • •

Casper TE Kubera Astro Morada dos Ventos Hábil FIV F. Mutum Kalika FIV Vila Rica

Categoria Genética Gordura: Representa o PTA gordura e varia de ½ a cinco barras de manteiga. TOUROS ALTA DESTAQUES DA CATEGORIA:

• Lácteo TE Cal • Tabu TE Cal

Categoria Genética Proteína: Representa o PTA proteína e varia de ½ a cinco barras de queijo. TOUROS ALTA DESTAQUES DA CATEGORIA:

• • • •

Pradesh dos Poções Guardião TE Gavião Gálio TE F. Mutum Major TE dos Poções

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ALTA NEWS

SHOWCASE FAZ A ROTA DA GENÉTICA EM GOIÁS E MATO GROSSO Cerca de 2.500 quilômetros rodados sem busca de conhecimento e genética em dois estados brasileiros, visitando dois importantes fornecedores de genética da raça Nelore para a Alta: Tulipa Agropecuária, no município de Campinorte (GO), e a Fazenda Vera Cruz, em Barra do Garças (MT). O “Show Case”foi realizado pela Alta entre os dias 14 e 17 de maio, reunindo técnicos da empresa, gerentes regionais, vendedores e clientes.Nas duas propriedades, os participantes conheceram todo o sistema de produção, manejo, seleção genética, além da produção de importantes touros que compõem a bateria nelore Alta. “Sem dúvida, o mais importante de toda essa visita é conhecermos profundamente o produto que vamos disponibilizar para o mercado. A partir do momento que a nossa equipe visita os fornecedores de genética, vê o trabalho que eles estão fazendo, como estão selecionando e todo o sistema de produção, nos dá uma segurança muito grande para transmitirmos as informações corretas para o nosso cliente e ofertar o produto adequado para cada criador”, afirma o diretor da Alta Brasil, Heverardo Carvalho. Na primeira parada, o gru-

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po foi recebido por Rodrigo Brüner, proprietário da Tulipa Agropecuária. Ao longo da visita, o grupo conheceu o trabalho de evolução genética desenvolvido pela fazenda e a intensificação do projeto, realizada por meio de uma criteriosa seleção. Também foi

“Sem dúvida, o mais importante de toda essa visita é conhecermos profundamente o produto que vamos disponibilizar para o mercado” possível acompanhar a produção de novilhas, cada vez mais precoces sexualmente. Além de melhorar a rentabilidade da fazenda, a inclusão de novas categorias de fêmeas permitiu o aumento do desfrute do rebanho, melhor qualidade da carne, melhoria da eficiência do empreendimento, maior giro de capital, diminuição da idade de abate e a modificação da estrutura do rebanho. São desenvolvidas estratégias de alimentação com a integração lavoura-pecuária e a partir do potencial genético animal. “Abrimos realmente as porteiras para o evento. Mos-

tramos todos os nossos animais, desde as nossas vacas mais velhas, para que todos tivessem uma ideia de onde saímos, aonde chegamos e onde pretendemos chegar. Apresentamos nosso projeto atual, com lotes que exemplificaram desde a novilha desmamada, desafiada precocemente. Vimos essa novilha um ano mais tarde, já com o bezerro ao pé. Também mostramos as que reconceberam posteriormente, como secundíparas, com apenas três anos e meio de idade. O objetivo foi mostrar a evolução do nosso rebanho”, explica Rodrigo. O pecuarista Guilherme Mituaki Shigueno trabalha com cria no estado de Rondônia e ficou impressionado com o profissionalismo da propriedade. “A fazenda Tulipa direciona realmente a atividade como uma empresa. Isso eu vou levar para casa. Quero mudar cada vez mais a minha mentalidade, profissionalizar, buscar tecnologias, trabalhar com genética e dar condições para que ela se potencialize”, afirma Guilherme. O pecuarista Luciano Afonso Ferreira é cliente Alta pela regional Goiânia, há quase 20 anos, e ficou muito impressionado com o que viu. “Aprendi muito com o sistema de produção da Tulipa. A evolução do rebanho do Rodrigo des-


pertou muito a minha atenção. Uma visita como essa, promovida pela Alta, é fundamental não só para conhecermos de onde vem a genética que a gente utiliza, mas para aprendermos novos conceitos e tecnologias para levarmos para dentro dos nossos rebanhos”, destaca Luciano. Saindo de Goiás, o destino foi a Fazenda Vera Cruz, no Mato Grosso. O proprietário, Jairo Machado, tem mais de 25 anos de seleção. Importante fornecedora de genética para a Alta, a propriedade tem um trabalho pautado por avaliações em uma constante busca por animais altamente eficientes e funcionais. Os animais são reconhecidos por carregar em sua genética: eficiência reprodutiva, velocidade de crescimento, precocidade sexual e termina-

ção. “A Alta é uma empresa muito preocupada com a qualidade do produto que ofe-

“A fazenda Tulipa direciona realmente a atividade como uma empresa. Isso eu vou levar para casa” rece. Por isso, nós, da Vera Cruz, ficamos muito honrados em recebê-los para apresentar um pouco do nosso trabalho de seleção. É importante mostrar que a gente não vende somente o indivíduo: vendemos todo um trabalho de seleção e melhoramento genético focado no lucro do nosso cliente”, afirma Jairo.

Ao longo do dia, Jairo e a equipe apresentaram os novos conceitos do projeto e os rumos tomados na seleção em busca da precocidade, seja ela sexual, de acabamento ou de terminação de carcaça. Edivaldo Junqueira Vilela é pecuarista no município de Piranhas (GO) e cliente Alta, há quase 20 anos, na regional Rio Verde. Mesmo já conhecendo o trabalho Nelore Vera Cruz, fez questão de voltar à propriedade para acompanhar as novidades. “Todas as vezes que venho à fazenda do Jairo me impressiono com a evolução dos animais. Valeu muito a pena deixar, por um dia, a minha propriedade, aprender mais e levar novos conhecimentos para desenvolver ainda mais o meu rebanho”, finaliza o pecuarista.

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ALTA NEWS

2º ALTA BEEF SHOWCASE BRASIL PROMOVE INTERCÂMBIO ENTRE BRASILEIROS E ARGENTINOS A Alta promoveu um intercâmbio para mostrar os diversos tipos de sistemas de produção existentes no Brasil e na Argentina, demonstrando as diferentes tecnologias implantadas em cada propriedade para otimizar o ciclo da pecuária. Brasileiros recepcionaram argentinos, e vice-versa, entre 21 e 25 de maio. No Brasil No Brasil, o 2º Alta Beef Showcase Brasil começou na empresa de melhoramento genético, Genética Aditiva, localizada em Terenos (MS). Para que os argentinos conhecessem o melhor do nelore brasileiro, foram apresentados lotes de primíparas super precoces e secundíparas, demonstrando que não há problema na preconcepção dos animais da categoria super precoce, quando se possui um manejo adequado para cada categoria presente na fazenda. Durante toda a visita, os especialistas ressaltaram a importância da utilização de touros jovens para o progresso genético. A segunda parada foi na Fazenda São João da Papaiz, no município de Ribas do Rio Pardo, também no Mato Grosso do Sul. A propriedade possui

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sistema de cria, recria e engorda, buscando alternativas para maior rotatividade e, consequentemente, maior lucratividade. Iniciou o cruzamento industrial das vacas Nelore com o Hereford, porém o mercado foi soberano e começou a exigir animais de pelagem preta, o que o levou a trabalhar com o cruzamento do Zebu com o Aberdeen Angus, mas sem-

“Foi realizado um desfile, na central da Alta, com a presença de 16 touros, das raças Nelore Padrão, Nelore Mocho, Tabapuã, Sindi, Brahman e Senepol” pre se preocupando com sua reposição de Nelore, base do rebanho. No mesmo dia, o grupo também acompanhou uma palestra promovida pela empresa Global Gen, representante da Alta, no sudoeste do Mato Grosso do Sul. A trajetória da empresa foi apresentada, bem como o gerenciamento da equipe de campo, que insemi-

na mais de 30 mil vacas por ano. Também foram demonstrados os tipos de protocolos trabalhados, com resultados comparativos dentro da estação, além de apresentar alguns dados iniciais da utilização do Doppler. No terceiro dia,a visita foi na Fazenda Terra Boa, em Guararapes (SP), conhecida pela seleção da raça Nelore e de Brangus. Em ambas as raças, há um criterioso trabalho de avaliação e identificação dos melhores animais. Também houve visita ao confinamento JBS, localizado em Guaiçara (SP). No local há um Boitel, com capacidade de suporte local de 13 mil animais estáticos. Para finalizar, foi realizado um desfile na central da Alta Genetics Brasil, em Uberaba (MG), com a presença de 16 touros, das raças Nelore Padrão, Nelore Mocho, Tabapuã, Sindi, Brahman e Senepol. Os animais demonstraramo padrão racial e as várias utilizações de cada raça no país. Houve também palestra com o gerente de Programas Especiais de Corte da Alta, Manoel Francisco de Sá Filho. Ele apresentou alguns trabalhos com resultados de diferentes protocolos, enfatizou o progra-


ma Concept Plus, salientando a importância da seleção fundamentada na fertilidade e na avaliação genética. Na Argentina Na Argentina, a primeira parada foi no Mercado de Liniers, uma referência pela logística de vendas. São comercializados mais de 130 mil cabeças por mês. “No Mercado Liniers, o mais interessante é que os animais são ‘leiloados’ e disputados entre diversos frigoríficos, valorizando o produto, que segue direto para o abate”, enfatiza o gerente de Mercado da Alta, Tiago Carrara. Na parte da tarde, o grupo foi à fazenda Três Cruces, reconhecida mundialmente pela qualidade de animais da raça Brangus. Atualmente, são

“No Mercado Liniers, o mais interessante é que os animais são ‘leiloados’ e disputados entre diversos frigoríficos, valorizando o produto, que segue direto para o abate” mais de 2 mil hectares, produzindo mais de 2 mil animais melhoradores de cria e recria. A fazenda realiza um processo rigoroso de acompanhamento dos animais, aferindo medidas de peso ao nascimento, à desmama e aos 18 meses, identificando, assim, animais

superiores, com tamanho moderado aliado à uma boa estrutura. Também são selecionados indivíduos com elevada fertilidade e alta adaptação. No segundo dia, o grupo visitou a Alta Ciale e desfrutou de um desfile de touros das raças Aberdeen Angus, Red Angus, Brangus, Braford e Red Brangus. Também houve visita à Cabanha La Pastoriza, berço do raçador Brigadier. No local, foi apresentado o processo de seleção das raças Aberdeen e Red Angus. A La Pastoriza conta com um rebanho adaptado e rústico, com foco de seleção em características de fertilidade, ganho de peso e baixo peso ao nascer. Entre os objetivos da propriedade estão a ótima caracterização racial, o volume de carcaça e a qualidade das fêmeas.

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LEITE

NOVAS AVALIAÇÕES GENÉTICAS PARA SAÚDE por Fábio Fogaça, gerente de Leite Importado O gado leiteiro está suscetível a eventos comuns de saúde que afetam a lucratividade. Os custos adicionais podem incluir diagnóstico, tratamento, mão de obra adicional, leite descartado, maior mortalidade e abate, bem como perdas devido à redução da produção, crescimento e qualidade do produto. Um animal que passa por um caso relacionado à saúde, posteriormente é mais propenso a experimentar outros eventos. Porém nosso mercado está pronto para dar mais um salto na capacidade de produzir vacas ainda mais saudáveis, a partir do lançamento de novas avaliações genômicas para seis características de saúde. Lançada, no último mês de abril, uma nova publicação de provas dos touros. A pesquisa e o desenvolvimento dessas novas

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PECUÁRIA EM ALTA

avaliações de saúde são possíveis pela colaboração contínua entre o CDCB (Councilon Dairy Cattle Breeding) e o USDA AGIL (Animal Genomicsand Improvement Laboratory). Por meio dessa cooperação - um sólido banco de dados genotípico e fenotípico nacional e uma sólida pesquisa de base - produtores poderão incorporar essas novas características em seus planos genéticos para ajudar a melhorar continuamente a saúde das vacas. Para facilitar o entendimento, a seguir se encontram algumas perguntas que costumam ser usuais. As respostas são baseadas em informações disponibilizadas pelo CDCB. Quais são as novas características ligadas à saúde, que passaremos a ter a par-

tir de abril/2018? - Hipocalcemia (MFEV): geralmente ocorre após o parto, devido a baixos níveis totais de cálcio no sangue, também conhecida como Febre do Leite. - Deslocamento de Abomaso (DA): aumento do abomaso com fluído e/ou gás, causa movimento para o lado esquerdo ou direito da cavidade abdominal e geralmente requer intervenção veterinária. - Cetose (KETO): acumulação de corpos cetônicos, que, normalmente, ocorre devido ao equilíbrio energético negativo na lactação inicial. - Mastite (MAST): doença infecciosa que causa inflamação da glândula mamária, uma das doenças mais comuns e dispendiosas em gado leiteiro. - Metrite (METR): infecção do endométrio ou revestimento do útero, após o parto. - Retenção de Placenta (RETP): retenção das membranas fetais, com mais de 24 horas após o parto. Porque a opção por essas seis características? O CDCB selecionou seis dos eventos de saúde, que são os mais dispendiosos e comumente afetam rebanhos leiteiros. Outros fatores de decisão incluíram pesquisa preliminar, taxa de incidência, consistência de dados, custo e herdabilidade.


Como estas avaliações genéticas são analisadas? As características são definidas como resistência à doença. As avaliações de saúde serão apresentadas como pontos percentuais de resistência do evento acima ou abaixo da média da raça, com avaliações de vacas nascidas no ano base com uma média de zero. Valores favoráveis à resistência ao evento receberão valores positivos. Vamos usar um exemplo com mastite. Avaliações de resistência à mastite serão apresentadas como percentagem de resistência acima ou abaixo da média da raça,assumindo que a resistência para a mastite clínica é de 90%, o que seria 10% de taxa de incidência. Se o touro X tem um PTA de +3,0 para resis-

tência a mastite, filhas do Touro X seriam, na média,três pontos percentuais mais resistentes à mastite do que a média da população. A taxa de resistência das filhas do touro X, em média, seria 93% (90 + 3), dado a um número significante de filhas que tinham registros acumulados no Controle Leiteiro Americano (DHI); ou, também, pode

Para quais raças estarão disponíveis as novas características de saúde? Inicialmente, animais Holandeses terão avaliações. Para as outras raças,poderão ser fornecidas avaliações à medida que os dados se tornarem disponíveis.

no Controle Leiteiro (DHI) dos rebanhos americanos. Foi feito um rigoroso filtro para garantir que somente os dados mais confiáveis fossem incluídos para

Qual é a fonte de dados para as avaliações de saúde? As avaliações dessas características de saúde foram desenvolvidas usando dados coletados por meio de informações obtidas

CARACTERÍSTICAS

ser interpretado como taxa de incidência igual a 7%. Verifiquemos outro exemplo: vamos assumir que o touro Y tenha um PTA de -4,0 para resistência a mastite. Poderíamos prever que suas filhas tenham uma resistência média igual a 86% (90 - 4) pelas observações acumuladas, ou, inversamente, uma taxa de incidência de mastite de 14%. % RESISTÊNCIA DA POPULAÇÃO

Hipocalcemia A

99%

Deslocamento Abomaso

98%

Cetose

96%

Mastite

90%

Metrite

94%

Retenção de Placenta

96%

CARACTERÍSTICAS

o desenvolvimento dessas avaliações genéticas. Esses registros de saúde são usados com informações de lactação disponíveis no banco de dados do CDCB. Nr. Registros

Nr. Vacas

Hipocalcemia(MFEV)

1,2 M*

0,7 M

Deslocamento Abomaso (DA)

1,9 M

1,0 M

Cetose (KETO)

1,3 M

0,7 M

Mastite (MAST)

2,5 M

1,4 M

Metrite(METR)

2,0 M

1,2 M

Retenção de Placenta (RETP)

2,0 M

1,1 M

*M = Milhões

PECUÁRIA EM ALTA

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LEITE

Quais são as expectativas de confiabilidade dessas características na raça Holandesa? Dependendo da característica, a confiabilidade genômica média varia de 40 a 49 em animais CARACTERÍSTICAS

Provados

Progênie

Animais

Jovens

Tradicional

Genômico

Tradicional

Genômico

Hipocalcemia (MFEV)

20

44

11

40

Deslocamento Abomaso (DA)

26

47

15

42

Cetose (KETO)

24

46

13

41

Mastite (MAST)

33

56

18

49

Metrite (METR)

28

48

15

42

Retenção Placenta (RETP)

26

47

14

42

Quais são as herdabilidades dessas características? A herdabilidade foi calculada na escala observada, o que resulta em menor herdabilidade quando comparadas com estimativas equivalentes na escala de tendência básica (uso de filtros mínimos e máximos).

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jovens, e de 44 a 56 em animais provados pela progênie. Os valores de confiabilidade deverão aumentar à medida que mais dados estiverem sendo acumulados.

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CARACTERÍSTICAS

Custo Direto Estimado (por caso)

Hipocalcemia (MFEV)

0,6%

Deslocamento Abomaso(DA)

1,1%

Cetose (KETO)

1,2%

Mastite (MAST)

3,1%

Metrite(METR)

1,4%

Retenção de Placenta (RETP)

1,0%


Como essas novas características se correlacionam com as características atualmente disponíveis? Muitas características de saúde apresentam correlações significativas com a Vida Produtiva (PL), Durabilidade (LIV), Taxa de Prenhez das Filhas (DPR) e Taxa de Concepção da Vaca (CCR). A correlação mais forte é entre o Escore de Célu-

las Somáticas (SCS) e a Mastite (MAST). O Deslocamento de Abomaso (DA) tem maior correlação com Durabilidade (LIV), o que significa que os animais com deslocamento de abomaso são muito menos propensos a sobreviver no rebanho. Não existem correlações significativas com PTAP (volume proteína).

Proteína

PL

LIV

SCS

Hipocalcemia (MFEV)

0,18

0,15

0,19

-0,29*

Deslocamento Abomaso(DA)

0,23

0,35*

Cetose (KETO)

0,03

Mastite (MAST) Metrite(METR)

CARACTERÍSTICAS

Retenção Placenta (RETP)

CCR

HCR

0,003 0,01

0,02

0,47* -0,13

0,32*

0,28*

0,24

0,33

0,27

0,59*

0,49*

0,07

0,06

0,39*

0,22* -0,68*

0,20*

0,21*

0,06

0,05

0,32*

0,26* -0,09

0,46*

0,41*

0,23*

-0,03

0,17*

0,13* -0,10

0,14*

0,13*

0,12*

-0,19

DPR

*Valores com P < 0,05

PECUÁRIA EM ALTA

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LEITE

As características de saúde serão incorporadas no NM$ ou em outros índices? A data para incorporar as novas características de saúde no Mérito Líquido ainda não foi determinada. No momento, o foco inicial é para lançamento, análise e aspecto educacional dessas características, individualmente. Como podemos descrever o impacto econômico dessas características? Pesquisa publicada em 2017 fornece as estimativas de custo direto, que variam de US$34, por caso de Hipocalcemia, até US$197 para deslocamento de abomaso. Essas estimativas não incluem os custos associados já contabilizados no NM$, como declínios na produção ou fertilidade.

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PECUÁRIA EM ALTA

CARACTERÍSTICAS

Custo Direto Estimado (por caso)

Hipocalcemia

$34

Deslocamento Abomaso

$197

Cetose

$28

Mastite

$75

Metrite

$112

Retenção de Placenta

$68

*Fonte: Liang et al., 2017; Donnelly.

Fábio Fogaça gerente de Leite Importado da Alta Zootecnista pela USP (Universidade de São Paulo). Pós-graduado em Reprodução e Gerenciamento de Saúde de Rebanho, na International Livestock Management Schools no Canadá


Foto: Roberto Mattos

R|C

PRODUTIVIDADE COM RAÇA

05.AGO.2018 PATROCÍNIO

AVALIAÇÃO

CONSULTORIA

LEILOEIRA

DOMINGO ÀS 12H FAZENDA RESSACA CÁCERES MT

TRANSMISSÃO

PROMOÇÃO

(66) 3468 6600

W W W . N E L O R E G R E N D E N E . C O M PECUÁRIA . B R EM ALTA 19


LEITE

VAMOS RESFRIAR AS NOSSAS VACAS? por Alexandre Scarpa, técnico de Leite da Alta, e Tiago Ferreira, gerente técnico de Leite da Alta

Vaca com stress térmico

Na última edição, apresentamos os efeitos do estresse térmico para as vacas e seus impactos diretos e indiretos na produção de leite. Aqui, vamos demonstrar os mecanismos possíveis de reduzir os efeitos do estresse térmico e como avaliar se as ferramentas utilizadas são eficazes para o melhor desempenho dos animais. O constante aumento no nível de produção, junto com os efeitos do aquecimento global, agrava muito a queda no desempenho das vacas de leite, ainda mais em fazendas leiteiras de produção intensiva, localizadas em regiões

20

PECUÁRIA EM ALTA

quentes e de baixa altitude. Quando avaliamos os índices zootécnicos de uma fazenda de leite e isolamos os efeitos de verão/inverno, notamos diferenças impactantes nos índices produtivos/reprodutivos. Diante desses números, as fazendas adotaram sistemas de resfriamento com objetivo de minimizar perdas. No entanto, para alcançar o ótimo, os sistemas de resfriamento precisam ser adequadamente instalados e operados, bem como adaptados especificamente para a região de cada fazenda e para as condições especiais de manejo.

Sistemas de resfriamento As principais ferramentas de resfriamento disponíveis para as vacas de leite de alta produção, com foco no combate ao estresse calórico, incluem o uso de aspersores de baixa pressão, nebulizadores de alta pressão ou placas de resfriamento evaporativo. Todos esses sistemas realizam o resfriamento do animal, evaporando a água. O sistema de aspersor de baixa pressão evapora a água por meio do calor da pele da vaca. O sistema de nebulizadores de alta pressão e o sistema de placas de resfriamento evaporativo utilizam a energia do ar, melhorando a sensação do ambiente. Todos esses sistemas de resfriamento evaporativos adicionam umidade ao ar e aumentam a umidade relativa. A troca de ar por meio de uma boa ventilação é importante para trazer um ar mais seco e evitar níveis excessivos de umidade relativa. Os tipos de resfriamento são divididos em resfriamento direto (em que as vacas são resfriadas sem mudar a temperatura do ambiente - barracão) e resfriamento indireto (no qual o resfriamento da vaca é alcançado, reduzindo a temperatura do ar do galpão onde as vacas ficam - túnel de vento e cross ventilation). O sistema de resfriamento di-


reto, normalmente, é o método mais barato e mostrou ser eficaz em todos os tipos de clima (seco e úmido). As vacas são diretamente resfriadas, evaporando água de sua superfície, normalmente por uma combinação de umidade e ventilação forçada intensiva. A quantidade e a intensidade (horas de resfriamento por dia) são proporcionais ao nível de produção e à intensidade do estresse calórico de cada região, altitude, temperatura e umidade. Resfriar as vacas consiste em sequências de ventilação forçadas contínuas (velocidade do vento de, no mínimo, três metros por segundo), e sessões curtas de umidade (20-30 segundos, dependendo da vazão do bico de aspersão), que podem durar cerca de 30 ou 45 minutos, tempo suficiente para baixar a temperatura dos animais. É recomendado repetir essas sessões de acordo com o desafio. A ventilação deve estar ligada. A aspersão vai alternar entre ligar e desligar. É muito importante medir a temperatura das vacas para ajustar o tempo adequado de ventilação e água. Na prática, é molhar rapidamente, e bem, os animais e “secar” o mais rápido possível, retirando o calor. Quanto mais vezes repetir esse procedimento, por sessão, mais efetivamente se conseguirá baixar a temperatura do animal. O sistema de resfriamento indireto, normalmente, é um método de custo mais alto de instalação e de rotina. Um dos grandes limitadores desse processo seria a melhor implantação em regiões de mais baixa umidade, onde o método se mostra mais eficien-

te. Galpões fechados, por exemplo, têm potencial para reduzir a temperatura no seu interior em 14ºC, ou seja, de 32ºC para 18ºC, quando a umidade relativa do ar no exterior está 20%; porém há temperatura de galpão que caiu somente 3ºC e 1ºC, quando a umidade relativa externa estava 70% e 80%, respectivamente. O resfriamento indireto, em que resfria-se o ambiente e não a vaca, também é indicado para regiões de baixa altitude, em que as noites são quentes. O animal começa o dia em estresse térmico, o que dificulta a baixar as temperaturas. Interação Alta x cliente As vacas mostram sinais de estresse térmico aumentando a taxa de respiração (acima de 60 respirações/minuto) e temperatura corpórea (acima de 39ºC). A Alta, em parceria com uma fazenda localizada no Triângulo Mineiro, realizou um experimento utilizando termômetros intra-

vaginais, com dados registrados a cada cinco minutos para monitorar continuamente a temperatura corpórea da vaca. O monitoramento frequente desses parâmetros indicará ao produtor quando começar e quando parar o tratamento de resfriamento, bem como avaliar a eficácia do sistema utilizado. Foram avaliados dois lotes com mais dificuldade de perder calor, lote de alta produção com dias em lactação (DEL) baixo e lote de pré-parto. Lote de alta produção com DEL baixo Foram avaliados 20 animais no lote de alta produção, alojados em um Compost Barn, que passaram por dois tratamentos: o de rotina da fazenda, que resfriava as vacas apenas antes da ordenha (três vezes ao dia), e o experimental, em que os animais foram resfriados mais uma vez, além dos de rotina, sempre por volta de meio dia.

Gráfico 1 - Média de temperatura dos animais avaliados

PECUÁRIA EM ALTA

21


LEITE

Gráfico 2 – Temperatura das vacas em lactação

Gráfico 3 - Média de temperatura de vacas em estresse térmico

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PECUÁRIA EM ALTA


Lote pré-parto Já no lote de pré-parto foram avaliados 15 animais, que ficam em um piquete com uma

boa oferta de sombra, e passaram por três tipos de manejo: sem resfriamento; resfriamento

uma vez ao dia e resfriamento duas vezes ao dia, por volta de 9h30 e às 16h.

Gráfico 4 - Média de temperatura dos animais no pré-parto, por hora

Gráfico 5 - Animais no pré-parto em estresse térmico (≥39°C)

PECUÁRIA EM ALTA

23


LEITE

Todo esse experimento mostrou que resfriar diretamente as vacas, várias vezes por dia, pode permitir que elas mantenham normal a temperatura corpórea durante 17,7 horas do dia, no lote de alta produção, durante um dia típico de verão, em que a temperatura do ambiente externo excede os 30 ºC. Ainda não é possível apontar a melhor maneira de solucionar o problema de estresse térmico dos animais com eficácia, mas já sabemos como amenizá-lo. Levando em consideração a estrutura da fazenda, podemos observar, na sala de resfriamento, que os ventiladores são baixos, podendo prejudicar a ventilação dos animais mais distantes. No lote de alta produção, 24

PECUÁRIA EM ALTA

tivemos bom resultado com apenas um resfriamento a mais durante o dia. Analisamos que passar para dois resfriamentos extra, com o total de cinco resfriamentos/dia, pode ser eficiente, sem grandes investimentos com estrutura. Mas, se for questão de estrutura, podemos levantar a sala de resfriamento para melhorar a eficiência de ventilação ou colocar aspersores na linha de cocho dos animais. Porém, ainda não podemos afirmar qual terá um melhor resultado. O lote pré-parto merece maior atenção nesse ponto. Devemos priorizar a alimentação e o bem-estar. Apesar de o piquete parecer muito favorável para os animais, em relação à sombra, com a interação do termômetro, vale

ressaltar que apenas 48% dos animais estavam sem estresse térmico e que não houve diferença significativa apenas com um resfriamento (pode ser pela distância entre o piquete e a sala de resfriamento). Com dois resfriamentos, houve melhora, porém, longe do ideal para esse lote. Animais no pré-parto com estresse térmico podem ter interferência negativa na própria lactação e na lactação da filha, se comparados com animais que não sofreram estresse durante essa fase. Devemos identificar a melhor maneira de manter todo o lote com a temperatura abaixo de 38,9°C, seja no piquete mais próximo da sala de resfriamento ou no Compost Barn, para facilitar o processo e


melhorar os dados produtivos e reprodutivos da fazenda. Vacas de alta produção em climas quentes sofrem severamente com o estresse calórico. O objetivo do resfriamento de vacas é impactar positivamente a produção de leite, o tempo de vida das vacas leiteiras e aumentar a produtividade. Também é importante que as fêmeas mantenham boa saúde e fertilidade. Vários foram os avanços em sistemas eficientes de resfriamento de vacas, porém precisamos avaliar se foram bem-sucedidos nas fazendas leiteiras. Além de muitos benefícios para as vacas, o resfriamento traz retorno

e aumenta as chances de lucratividade e competitividade ao produtor, pois, com o resfriamento bem instalado e operado de forma apropriada, espera-se um aumento de 10% na produ-

Alexandre Scarpa, técnico de Leite da Alta Formado em Zootecnia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho da Universidade de São Paulo (Unesp/USP – Botucatu) e Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Goiás (UFG – Jataí), trabalha como consultor técnico na área de Produção de Leite da Scarpa Consultoria e como técnico de Leite Alta

ção anual e na eficiência nutricional, reduzindo os custos de produção de leite, melhorando consideravelmente a receita anual por vaca e a rentabilidade da propriedade.

Tiago Ferreira, gerente técnico de Leite da Alta Veterinário pela Universidade de Uberaba (Uniube), especialista em Reprodução de Vacas Leiteiras, pela Newton Paiva e Rehagro, também especialista em Nutrição de Vacas de Leite pelas Faculdades Integradas de Uberaba (Fazu) e Rehagro. Atua como gerente técnico de Leite na Alta

PECUÁRIA EM ALTA

25


26

PECUÁRIA EM ALTA


PECUÁRIA EM ALTA

27


CAPA

GIROLANDO, A SOLUÇÃO PARA OS PAÍSES TROPICAIS RAÇA APRESENTA ANIMAIS CADA VEZ MAIS PRODUTIVOS, FÉRTEIS E LONGEVOS por, Guilherme Marquez, gerente de Leite Nacional e Julia Gazoni, técnica de Leite 28

PECUÁRIA EM ALTA


Desde 1870, data das primeiras importações de zebuínos no Brasil, técnicos e produtores trabalham juntos para criar alternativas para encontrar o animal ideal: aquele que tenha a maior força de sobrevivência em um país tropical como o Brasil. Ao longo dos anos, a entrada dos 6.300 zebuínos, bem como os mais de 1 milhão de animais taurinos, proporcionou uma variedade de possibilidades para o cruzamento entre raças, distantes ou próximas geneticamente. A heterose desse cruzamento criou uma raça capaz de expressar toda a produtividade que o clima brasileiro exige, a raça Girolando. Proveniente do taurino Holandês e zebuíno Gir, o Girolando surpreende por sua força de sobrevivência. São animais que conseguiram chegar a uma homeostasia (equilíbrio) quase frequente entre a fisiologia e ambiência. Assim, a genética criou um animal adaptado aos diversos sistemas de produção existentes no Brasil, com capacidade de produzir e reproduzir com mais continuidade. A evolução do processo de seleção fez com que, após as primeiras tentativas, técnicos aprimorassem inicialmente a aptidão das raças mães. Assim, o Gir conhecido pela sua rusticidade, incorporou leite em seu processo de seleção e o Holandês, além da sua produtividade, provou que pode também se adequar à realidade brasileira, sendo cada vez mais adaptado. O Gir, chamado desde 1960 de Gir Leiteiro, teve sua seleção voltada para leite. Desde os primórdios a raça que já valorizava

“A Alta garante assim, uma bateria de touros Girolando reconhecida no mercado e comemorada por todos, pois, os melhores touros para leite fazem parte da bateria da Alta” Guilherme Marquez, gerente de Leite nacional

a sua rusticidade ao nosso bioma, mostrando uma força de sobrevivência aprovada para parasitas, climas e desafios. A intensidade de seleção foi enorme nesse proposito. Algumas fazendas

inclusive, encararam esse novo modelo e construíram nos últimos 40 anos, uma raça respeitada em produção de leite. Para se ter uma ideia, a raça evoluiu de aproximadamente 2.000 kg de leite por lactação de filhas de touros Gir Leiteiro para quase 5.000 kg. Em 2018, são cerca de 3.000 mil kg de leite a mais, resultando uma conquista enorme de evolução para produção. Além do volume, a raça selecionou proteínas do leite, doenças hereditárias, características de conformação e manejo, e atualizando em uma seleção genômica aumentando a confiabilidade das predições dos valores genéticos, principalmente para os animais jovens. Já a raça Holandês, com seus mais de 2.000 anos de seleção possui bons registros de Brasil. Umas das primeiras raças a desembarcar em nosso país, o holandês construiu uma história

Touro destaque

J.E.L. Rancho Grande Iota Júpiter TE

PECUÁRIA EM ALTA

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CAPA

rica e extensa em território brasileiro. Através do Herd Book, o livro genealógico que contempla todos os registros da raça, foi possível possuir cada vez mais informações. No Brasil, essa metodologia se fortaleceu em meados dos anos 30. Sendo indiscutivelmente a raça de maior produção de leite em volume do mundo, no Brasil teve a importância fundamental para a consolidação da raça Girolando. Através da abertura contínua das importações de sêmen pelas centrais, o Brasil possui as mesmas possibilidades dos programas de melhoramento do mundo, onde ao mesmo tempo do lançamento de um touro americano nos Estados Unidos, podemos tê-lo no Brasil, por exemplo.

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PECUÁRIA EM ALTA

Crescimento da Raça Com todo esse aparato, a evolução da raça Girolando está a todo vapor. Desde a sua oficialização em 1996, passou de uma média de produção de 3.700 kg de leite para 5.464 kg de primíparas em aproximadamente 300 dias de produção. São mais de 70.000 lactações avaliadas no Programa de Melhoramento Genético da raça. As avaliações pela Associação, bem como da EMBRAPA, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, trazem ainda uma pré-seleção dos animais que irão participar do Programa de Melhoramento Genético, uma informação genômica de produção de leite, sendo que todos os animais participantes,

do ano de 2017 para cá, são positivos para leite. Mas, então como utilizar todas ferramentas e criar um Girolando mais produtivo, mais fértil e mais longevo? Esse desafio já vem sendo motivo de várias discussões entre a equipe técnica da Alta. Uma das primeiras ações foi criar um critério de seleção para contratação de touros. Alguns pontos são fundamentais e levados a risco nesse primeiro processo, são eles: 1) Avaliação dos antecessores, tanto da linhagem materna quanto da linhagem paterna, buscando animais com mais de duas gerações conhecidas; 2) Avaliação de lactação, mãe e 2ª mãe acima da média nacional; 3) Avaliação do PTA de


Leite do Pai, sendo sempre positivo de acordo com a prova; 4) Impreterivelmente que o touro esteja participando de um programa de Melhoramento Genético. “A Alta garante assim, uma bateria de touros Girolando reconhecida no mercado e comemorada por todos, pois, os melhores touros para leite fazem parte da bateria da Alta”, afirma o gerente de Produto Leite Nacional da Alta, Guilherme Marquez. Jacuba Titanio é o líder 5/8, Alfy Cayuaba Iridio é o líder do 3/4 e IPA Bochecho é o líder do P.S. Além disso, os touros jovens seguem planos genéticos para o Brasil, dando ênfase em leite e vida produtiva. “Já no Holandês e Gir Leiteiro, estamos a cada dia utilizando as raças mães para criar touros segmentados em características bem como equilibrados nas demais”, completa Guilherme. Para isso, no caso do leite, a Alta já possuiu touros filhos de AltaDay, o número um Holandês para PTA Leite do mundo, com mais de 3600 libras para leite. No Gir Leiteiro, utilizando vacas filhas de Dragão TE, Gabinete, Kalika Vila Rica, bem como de touros jovens. “Assim, produzindo um holandês mais rústico e um Gir Leiteiro mais produtivo, com certeza, teremos um Girolando muito mais funcional e lucrativo”, finaliza.

Touros destaque

Imperador Baxter Volta Fria

Jacuba Titânio Benfeitor Celsius

PECUÁRIA EM ALTA

31


CAPA

Por que utilizar o Girolando? O uso do Girolando oferece flexibilidade ao sistema, ou seja, eficiência produtiva em diferentes tipos de manejo e clima pois mantem rusticidade, precocidade, longevidade, fertilidade, capacidade de aproveitamento de pastagens grosseiras, resistência a doenças e parasitas, ou seja, maior força de sobrevivência em um país tropical! Além disso, quando unimos herança genética e ambiente (genótipo e fenótipo) promovemos animais adaptados as diversas condições ambientais com um menor custo de produção e melhor produção por

hectare (ha), dessa forma a raça consegue expressar o seu potencial produtivo em diversas condições ambientais. Com os avanços genéticos, podemos utilizar estratégias de cruzamento, selecionando para as características de interesse, fisiológicas e morfológicas, proporcionando melhor eficiência reprodutiva, produtiva, alimentar, maior capacidade e suporte de úbere, tamanho de tetas, pigmentação, capacidade termorreguladora, aprumos e pés fortes, controle da endogamia e as interações gênicas responsáveis pela heterose, que afeta características particulares, não apenas o indivíduo.

Planejamento Genético A ferramenta mais rápida para alcançar a evolução Os touros mais “famosos” no mercado (os melhores de TPI, NM$, LPI, NVI, etc.) nem sempre serão as melhores escolhas para o objetivo do produtor. O mercado, localização, manejo e situação são muito particulares, por isso, devem corresponder às metas da propriedade. Vizinhos de cerca tem objetivos diferente de solução. Por isso, a Alta há vários anos criou um programa para identificar o melhor touro para cada produtor. O Plano Genético foi criado por uma equipe técnica altamente capacitada, e através de uma análise minuciosa do rebanho e dos objetivos da propriedade, vão traçar juntamente com o pecuarista, estratégias genéticas para atingir os resultados financeiros desejados. “Com o universo de informações que possuímos hoje, o plano genético é a solução para evoluirmos com segurança os nossos rebanhos. Com ele conseguimos identificar as características mais importantes para estabelecer uma meta genética realista para cada característica. Assim podemos selecionar os touros, planejar os acasalamentos corretivos ou complementares e finalmente acumular o ganho genético por meio das futuras gerações”, afirma Guilherme.

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PECUÁRIA EM ALTA

Julia Gazoni, técnica de Leite Nacional da Alta

Zootecnia pelo Instituto Federal do Triangulo Mineiro (IFTM), capacitada em gestão da pecuária leiteira pelo Rehagro

Guilherme Marquez, gerente de Produto Leite Nacional da Alta Especialista em Pecuária de Leite e em Gestão de Agronegócios pela Reagro – certificada pelas Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu) e pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ); possui também MBA em Marketing pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e é Diretor Internacional da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando


RESÍDUO S

XICO

TÓ NÃO

LIVR E

LIVR E

DE

DE

RESÍDUO S

XICO

TÓ NÃO

PECUÁRIA EM ALTA

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PROGRAMAS E SERVIÇOS

2ª EDIÇÃO DO AltaU NO BRASIL É SUCESSO “O curso trouxe para a sala de aula produtores que tiram 100 litros de leite por dia e produtores que tiram 50 mil litros, ambos em busca de conhecimento. Isso nos mostra que temos que sempre buscar mais. Não é porque uma empresa já é considerada de sucesso que não precisa de mais informações”. O dono dessas palavras é o gerente da Fazenda São José, José Victor Lima de Souza. Ele faz parte do seleto grupo de 16 pessoas que aceitou o desafio, e por uma semana, deixaram 34

PECUÁRIA EM ALTA

suas atividades no campo para em uma sala de aula absorver conhecimento e compartilhar informações. Duas palavras descrevem o Universidade Alta no Brasil esta semana: dedicação e determinação. Mesmo com todas as dificuldades das paralisações e greves no Brasil, entre os dias 28 de maio e 1º de junho, produtores progressistas de norte ao sul do Brasil estiveram na central da Alta em Uberaba/MG, para participar do “AltaU”, um curso promo-

vido pela Alta com o objetivo de aumentar o conhecimento de liderança e gerenciamento dos participantes, melhorar as habilidades de diagnóstico e tomada de decisões no dia-a-dia das propriedades e identificar as oportunidades existentes em cada sistema de produção. “O AltaU é uma oportunidade única projetada especificamente para proprietários e administradores de rebanhos leiteiros progressistas. Cada turma do AltaU é limitada, a fim de garantir um ambiente


de aprendizado interativo e otimizar a experiência educacional dos participantes. Todas as instruções são fornecidas por especialistas universitários e líderes da indústria de laticínios”, afirma Gláucio Lopes, Gerente do AltaU. Este ano, a segunda edição do curso aqui no Brasil abordou temas como: criação de bezerras, problemas de casco, genética, genômica, reprodução, sanidade, nutrição e gestão. No último tema, a gestão destacou não só a gestão dos números das propriedades, mas, principalmente a gestão de mão-de-obra, um dos assuntos que mais interessou a participante Roberta Bertin Barros, da Fazenda Floresta. Segundo ela, um dos grandes desafios que ela encontra hoje em sua propriedade é lidar com os funcionários, “Os temas abordados no curso foram todos muito

“O curso trouxe para a sala de aula produtores que tiram 100 litros de leite por dia e produtores que tiram 50 mil litros, ambos em busca de conhecimento. Isso nos mostra que temos que sempre buscarmos mais. Não é porque uma empresa já é considerada de sucesso que não precisa de mais informações” José Victor Lima de Souza, gerente da Fazenda São José

pertinentes. Mas, a gestão de pessoas realmente me surpreendeu. Vou chegar na fazenda agora com outra visão, sabendo analisar cada pessoa, se ela está certa no setor que ela está e com isso trazer mais harmonia para o dia-a-dia da propriedade e consequentemente, mais produção”, afirma. A turma, com uma dedicação poucas vezes vista aproveitou cada momento para fazer perguntas e trocar experiências. “Muitas vezes a gente sabe o que é o certo, mas, não faz. O curso me mostrou a importância de cada ponto e como colocar em prática. Em cada aula eu já ia anotando no meu caderno várias informações novas. Agora, é o desafio de chegar em casa e montar um plano de ação para executar tudo”, diz Stieven Elgersma, da Chácara Lodewijka que fica no Paraná.

PECUÁRIA EM ALTA

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GIRO NO CAMPO

Participe e envie sua foto para pecuariaemalta@altagenetics.com.br

O gerente distrital da Alta Darci D´Anúncio juntamente com o pecuarista José Humberto Villela e sua esposa, Edilza Martins, em visita a Fazenda Camparino (MT)

Criadores Alagoanos em visita a Fazenda Relva parceira da Genetica Aditiva 36

PECUÁRIA EM ALTA

Nosso Gerente Distrital Rodrigo Rodrigues juntamente com nosso Regional de Itapetininga Márcio Delfino e nosso vendedor Alexander Veludo, de Uberaba, em visita na Fazenda Vera Cruz em Barra do Garça MT

Nossa Técnica de Corte, Bruna Quintana e o touro REM DULLDOG


@anaflafm

@dansas5

@fer_elias

@gabbs.nunes

@marquezguilherme

@meireroncolato

@neloreemfoco

@renapaiva

@wapecuaria

PECUĂ RIA EM ALTA

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EVENTOS

ALTA CELEBRA RESULTADOS IMPORTANTES NA EXPOZEBU BEDUÍNO FIV AL CANAÃ, ROLEX FIV DA ZOLLER E KORO FIV VILA RICA RECEBERAM PREMIAÇÃO Toda a cadeia produtiva da pecuária brasileira em busca de genética, inovação e conhecimento se reuniu na ExpoZebu, maior feira zebuína do mundo, realizada entre 28 de abril e 6 de maio, no Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG). Promovida pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), a 84ª edição do evento marcou os 80 anos de registro das raças zebuínas e levantou a bandeira da valorização da carne e do leite. A bateria de touros da Alta teve mais um ano de resultados importantes, conquistando as

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PECUÁRIA EM ALTA

principais premiações nas categorias Nelore, Nelore Mocho e Gir Leiteiro, com os reprodutores Beduíno FIV Al Canaã, Rolex FIV da Zoller e Koro FIV Vila Rica, respectivamente. A empresa comemora os resultados positivos que reforçam o compromisso em oferecer a melhor genética para seus parceiros e clientes. “Estamos muito contentes com mais uma edição da ExpoZebu, de grandes conquistas para nossa empresa. O objetivo é continuar trabalhando para entregar sempre genética de alta qualidade”, destaca o di-

retor da Alta no Brasil, Heverardo Carvalho. Nelore Na categoria Nelore, quem levou o título de Grande Campeão da ExpoZebu 2018 foi Beduíno FIV AL Canaã, filho de Heroíco de Naviraí na doadora Grauda da Fortaleza VR (filha do Big Ben na Bruna da Zebulândia VR, família da Miose VR, mais importante família dos 100 anos de seleção VR). Proveniente de dois criatórios importantes, Fazenda Nelore Paranã e Nelore Canaã,


“Estamos muito contentes com mais uma edição da ExpoZebu, de grandes conquistas para nossa empresa. O objetivo é continuar trabalhando para entregar sempre genética de alta qualidade” Beduíno integra a bateria Alta. Além de Grande Campeão da ExpoZebu 2018, o reprodutor também foi coroado como Campeão Touro Sênior da mesma exposição e Campeão Touro Jovem Expoinel 2017. Outro destaque foi no Nelore Mocho. Rolex FIV da Zoller, filho de Vencius RG em matriz Basco da SM, sagrou-se Grande Campeão mocho na feira. O reprodutor já acumulava os títulos de Campeão Bezerro, na Expoinel Nacional 2017, Grande Campeão na Expo Londrina 2018, Campeão pelo Julgamento de Carcaça na Expo Londrina pelo Método Z (feito pela ultrassonografia de carcaça, aliando melhor racial, aprumo e biótipo), além de Campeão Modelo Frigorífico, na ExpoZebu 2018. Outro destaque da bateria Nelore da Alta é Kayak TE Mafra, considerado uma máquina de produzir campeões, que tinha 37% da genética expos-

ta no ExpoZebu. Em todos os campeonatos disputados na exposição havia, pelo menos, um filho de Kayak concorrendo. Kayak é líder do ranking da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) e Top 2% no sumário PMGZ (Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos). Neste ano, teve seus filhos como Reservados Grandes Campeões Nacionais, nas categorias fêmea e macho, com RIMA FIV Nike 2 e RIMA

FIV Magistrado, além de diversas outras premiações das suas progênies na feira. “Kayak transmite a sua progênie carcaça moderna e bem revestida, além de muita beleza racial. As inúmeras características desse touro fazem com que seus filhos sejam realmente diferenciados e alcancem o pódio de diversas exposições, em diferentes categorias”, afirma o gerente de Produto Corte Zebu da Alta, Rafael Oliveira.

ROLEX FIV DA ZOLLER

BEDUÍNO FIV AL CANAÃ PECUÁRIA EM ALTA

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EVENTOS

Gir Leiteiro Os julgamentos da raça Gir Leiteiro também consagraram grandes reprodutores da bateria Alta. Koro FIV Vila Rica se tornou o Grande Campeão da mais importante feira agropecuária das raças zebuínas. O reprodutor é filho de Radar dos Poções e traz muita harmonia em seu fenótipo. O touro também recebeu a premiação de Campeão Sênior, na ExpoZebu, como o melhor animal da raça. Koro já havia sido condecorado 13 vezes em outras exposições e, agora, é o recordista de grandes campeonatos Gir Leiteiro. A Alta ainda conquistou outras premiações na pista. Na categoria bezerras, três matrizes da central foram eleitas campeãs: Urla FIV Vila Rica - filha de Rilton FIV Vila Rica; Finlândia JM - descendente de PH Uísque; e Quibella FIV F Mutum - filha de Gabinete Silvânia. Já nas pistas dos machos, além do Koro FIV Vila Rica, o reprodutor 238 San Giorgio recebeu o título de Campeão Touro Adulto. Durante a ExpoZebu também foram divulgados os resultados do Programa Nacional de Melhoramento do Gir Leiteiro (Resultado do PMNGL) que, neste 40

PECUÁRIA EM ALTA

ano, trouxe novidades. A Alta conquistou a maior bateria de touros provados da raça Gir Leiteiro do mercado. Na categoria Top 10% para manejo, a Central dominou a liderança com Urânio TE Silvânia; Tabu TE Cal foi o vice-líder e Vaidoso da Silvânia foi o terceiro melhor do programa. Liderança confirmada na categoria Top 10% para Idade ao Primeiro Parto: Sônico FIV da Palma foi o líder e Kalika FIV Vila Rica ficou com o título de vice. No Top 10% para Produção de Gordura, a Alta ficou com a terceira posição,com o touro Tabu TE da CAL, seguido por Casper TE Kubera, Hábil FIV Mutum, Dragão TE, Jutaí FIV Kubera, Faraó de Brasília, Midas FIV Kubera, Fomento Giroeste, Hargo Kubera, Panambi Kubera, CA Coronel, Diego BJS, Imperador MAMJ, Espelho, Bagdá, Fidalgo e Astro.

KORO FIV VILA RICA

Contratações na feira A ExpoZebu foi ainda palco de contratações. A Alta e o criador Samir Jorge investiram na compra de reprodutor Gir Leiteiro, Ivã de Brasília. O touro é filho de CA Sansão, na matriz Nascente TE de Brasília, uma grande aposta para 2019, quando os resultados das avaliaçõesdele deverão sair. “Decidimos investir no Ivã, pois acreditamos na genética Brasília e estamos entusiasmados com o bom momento da raça Gir Leiteiro. Com certeza, o touro entra na prateleira de cima da bateria de touros da Alta como ótima opção para uso em vacas Jaguar, Radar e Benfeitor e, mais ainda, na raça Girolando, colocando leite e bons úberes nos animais, com uma pelagem altamente forte”, afirma Guilherme Marquez, Gerente de Produto Leite Nacional da Alta.


touros PO

25

100% com Registro Definitivo e Avaliação de Carcaça

2 0 1 8

agosto SÁBADO • 13H Dantas Leilões Xinguara-PA

TRANSMISSÃO

ASSESSORIAS

AVALIAÇÕES

LEILOEIRA

Informações: Faz.: (94) 3426-1053 | Esc.: (63) 3421-2070 |

RETRANSMISSÃO

(63) 98111-2939 PECUÁRIA EM ALTA

41


RAÇAS

KAYAK TE MAFRA UMA MÁQUINA DE PRODUZIR CAMPEÕES

Destaque nas pistas de julgamento e Grande Campeão da Expozebu 2014, Kayak TE Mafra comprova o ditado popular “A fruta não cai longe do pé”. Filho de uma lenda da raça Nelore, Basco da SM, o reprodutor segue os 42

PECUÁRIA EM ALTA

passos do pai e se apresenta ao mercado como a grande máquina de fazer campeões da atualidade. Em 2016, seus filhos começaram a escrever o seu legado nas pistas. Sua filha, Rima FIV Kaia 1, conquistou o título de Grande

Campeã da Expozebu daquele ano, e seu filho, Mandarim FIV CASS, sagrou-se como Reservado Campeão Bezerro Jovem da feira. Já em 2017, também na ExpoZebu, foram quase dez categorias de campeões entre novilhas, cate-


Machos

Fêmeas

goria júnior, bezerras e bezerros. No mesmo ano, na Expoinel, além de conquistar diversas categorias com seus filhos e filhas, Kayak foi o responsável por fazer os dois grandes campeões da feira: Rima FIV Magistrado e Nali IDM. “Kayak transmite a sua progênie: carcaça moderna e bem revestida, além de muita beleza racial. As inúmeras características desse touro fazem com que seus filhos sejam realmente diferenciados e alcancem o pódio de diversas exposições em diferentes categorias”, afirma o gerente de produto Corte Zebu da Alta, Rafael Oliveira. Kayak integra a bateria nelore da Alta desde maio de 2017 e, de lá para cá, já foram enviadas doses do reprodutor para 18

“Em todos os campeonatos disputados na Expozebu 2018 havia um filho ou filha de Kayak sendo julgado” estados brasileiros. Isso comprova que a Alta fez a aposta certa e o mercado acredita no touro. A maior prova são os resultados obtidos na ExpoZebu 2018. O Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG), se transformou em um encontro de filhos e filhas de Kayak. Dos animais expostos no parque, 37% tinham sangue do touro. Para se ter uma ideia,

em todos os campeonatos disputados na Expozebu 2018 havia um filho ou filha de Kayak sendo julgado. Seus filhos foram Reservados Grandes Campeões Nacionais: Rima FIV Nike 2 e Rima FIV Magistrado. O touro não é destaque apenas nas pistas. Kayak é líder do Ranking da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), nas categorias Reprodutor e Reprodutor Jovem, além de ser TOP 2% no sumário do Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ). É conhecido também pela forte caracterização racial, estrutura e pelo alto desempenho de ponderal. Acompanhe, a seguir, todas as premiações das suas progênies na ExpoZebu 2018:

Categoria

Animal

Campeã Bezerra Jovem Campeã Bezerra Reservada Campeã Bezerra Campeã Novilha Menor Reservada Campeã Novilha Menor Campeã Fêmea Jovem Reservada Campeã Fêmea Jovem Reservada Grande Campeã Nacional

Ermida FIV Luc 2L Julieta FIV Carthago Bela Vista FIV CRL Rima FIV Nike 2 Noruega FIV St. Cruz Nali IDM Allegra FIV da RS I Rima FIV Nike 2

Categoria

Animal

Campeão Progênie Jovem de Pai Campeão Progênie de Pai Reservado Campeão Progênie de Pai Nova Geração Reservado Campeão Bezerro Jovem Campeão Bezerro Reservado Campeão Junior Menor Campeão Junior Maior Campeão Touro Jovem Reservado Campeão Touro Sênior Reservado Grande Campeão Nacional

Kayak TE Mafra Kayak TE Mafra Kayak TE Mafra Rima FIV Neon Prince Te Bar Imobille FIV HVP Nobre FIV AGEO Rima FIV Magistrado Mistério FIV CASS Rima Fiv Magistrado

PECUÁRIA EM ALTA

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CORTE

IMPACTO ECONÔMICO NA UTILIZAÇÃO DE TOUROS MELHORADORES por Fernanda Borges, técnica de Corte da Alta

O desempenho de um indivíduo, também chamado de fenótipo, é o resultado de uma equação clássica do melhoramento genético: genética + ambiente + interação genótipo-ambiente. Nessa equação, a genética é herdada de seus descendentes, sendo que pai e mãe contribuem 44

PECUÁRIA EM ALTA

igualmente com a quantidade de genes. Portanto, as matrizes têm papel fundamental na contribuição genética para formação de um animal superior. O problema está na identificação da superioridade dessa matriz, já que, ao longo da sua vida reprodutiva, a mesma pode deixar cerca de oito

a dez filhos, possuindo baixa confiabilidade. Já os touros podem ser pais de dezenas de animais por ano, possibilitando intensidade maior de seleção e facilidade na identificação daqueles que possuem maior valor genético transmissível a suas progênies. Alguns pesquisadores citam que um touro é responsável por mais de 80% do ganho genético de um plantel; sendo assim, o sistema de produção só terá maior sucesso com a escolha assertiva dos reprodutores utilizados. Antes de escolher o touro a ser utilizado, é imprescindível que a fazenda estabeleça um objetivo claro de produção, de acordo com seu sistema produtivo, seus recursos naturais e financeiros, as necessidades da população, o mercado consumidor e as preferências do pecuarista. Existem diversos critérios que podem ser adotados para eleger os touros superiores para cada propriedade, como: - Conformação frigorífica - Fertilidade - Libido - Características raciais Mas o primeiro critério a ser seguido deve ser a avaliação genética, que é a predição do mérito genético do touro, ou seja, determina o potencial de produção


que seus filhos terão nas diversas características, de forma estatística, eliminando as inúmeras intercorrências ambientais. A característica de maior facilidade para compararmos o potencial genético de touros é o peso ao desmame, pois possui alta herdabilidade (facilidade de transmissão de pais para filhos), além de ter valor comercial estabelecido. Segundo o Sumário da Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP), de maio de 2018, a média de Diferença Esperada na Progênie (DEP) para peso aos 210 dias (desmame) é 2,37 kg, com variação de -21,90 a 22,78 kg. Para comparar os touros, seguindo suas avaliações genéticas, é importante relembrar que a DEP nada mais é do que comparações de desempenho dos touros e seus filhos e só pode ser usada observando animais que estão na mesma base genética, ou seja, no mesmo sumário. Confira a comparação entre o touro mediano da ANCP para DEP P210, em relação a um touro TOP 0,1% no mesmo sumário: TOUROS

DEP P210 ANCP 5/2018

TOURO A TOURO B

2,37 Kg 14,41 Kg

DIFERENÇA

12,04 Kg

Significa que, se tivermos um grande número de filhos dos touros A e B, acasalados com vacas em uma mesma população, em média, os filhos do touro B pesarão 12 kg a mais do que os filhos do touro A, ao desmame, com sete meses de idade. Traduzindo em valores Com 1.000 filhos de cada touro, e considerando que o mercado, atualmente, paga cerca de R$5,80/kg de bezerro, podemos concluir que, financeiramente, o touro B pode ser, aproximadamente, R$70.000,00 mais lucrativo que o touro A. “Boi de boiada” Muitas propriedades não levam a avaliação genética como critério para escolha de seus reprodutores e terminam por utilizar aqueles que conhecemos como cabeceira de boiada, bezerros sem

registro ou informação genética, que se destacaram no peso e são eleitos como reprodutores. Normalmente, esses animais possuem valor genético negativo, próximo ao encontrado pela ANCP nos touros pior avaliados. Assumindo que o “boi de boiada” tem uma DEP igual ao pior touro avaliado no Sumário Maio 2018 ANCP para DEP P 210, podemos concluir: TOUROS

DEP P210 ANCP 5/2018

Boi de Boiada TOURO B

-21,90 Kg 14,41 Kg

DIFERENÇA

36,31 Kg

Portanto, os filhos dos touros líderes de sumário podem agregar quase 40 kg em relação aos “bois de boiada”. Traduzindo isso em valores Com 1.000 filhos de cada touro, e considerando que o mercado, atualmente, paga cerca de R$5,80/ kg de bezerro, podemos concluir que, financeiramente, o touro B pode ser R$ 210.000,00 mais lucrativo que o boi de boiada. Com esse valor, é possível investir em melhorias estruturais na fazenda, além de realizar mais de 3.000 Inseminações Artificiais em Tempo Fixo (IATFs), considerando investimento em sêmen, protocolo de sincronização e mão de obra especializada do médico veterinário. A escolha do touro pode impactar de forma gigantesca na saúde financeira da propriedade. Não somente pelo incremento no crescimento dos animais, mas a fazenda também pode eleger outros critérios de seleção, agregando em precocidade sexual, fertilidade, melhoria de qualidade da carne e maior rendimento de carcaça.

Fernanda Borges, técnica de Corte da Alta Formada em Zootecnia pelo Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM). Ingressou na Alta como estagiária por meio do programa Jovens Talentos, em 2012

PECUÁRIA EM ALTA

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CORTE

ANCP COMEMORA 30 ANOS COM NOVO SUMÁRIO por Bruna Quintana, técnica de Corte da Alta Em comemoração aos 30 anos de fundação, a Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP) realizou a 24ª edição do Seminário Nacional de Criadores e Pesquisadores. O evento reuniu cerca de 300 representantes de centrais de Inseminação Artificial, pecuaristas, pesquisadores, professores, acadêmicos e executivos de diversas empresas do agronegócio de todo o Brasil, no mês de maio. Também estiveram presentes delegações dos Estados Unidos, da Bolívia, do Paraguai e da Venezuela. Os participantes acompanharam o lançamento de mais uma edição do sumário impresso da ANCP e a disponibilização das novas avaliações genéticas dos animais. Dentre os 15 primeiros colocados do sumário na consulta pública, 12 são integrantes da Bateria Nelore Alta. Na liderança, o grande reprodutor REM DANUT (MGTe 28,39), seguido por Doutor Terra Brava (MGTe 27,68), REM Vokolo (MGTe 27,37), REM Dheef (MGTe 25,45), CEN 8818 Elton (MGTe 25,24), REM Diablu (MGTe 24,69), 992 Mistério Terra Brava (MGTe 24,66), REM Donno (MGTe 24,59), REM Estaladho (MGTe 24,52), REM Dulldog (MGTe 24,35), REM Espião (MGTe 24,26) e REM Científico (MGTe 24,15). Ao todo, foram 26 touros 46

PECUÁRIA EM ALTA

da bateria Alta com MGTe TOP 0,1%. A Alta também apresentou reprodutores com avanços em suas avaliações genéticas e desempenho de produção. Do conceituado criatório da Genética Aditiva, que realiza um forte trabalho de seleção focado em precocidade sexual, tanto dos machos quanto das fêmeas, os reprodutores REM Diablu, REM Dulldog, REM USP e REM Vokolo obtiveram destaques positivos em suas avaliações genéticas, principalmente para as características maternais e de crescimento.

“Estamos colhendo os frutos de um trabalho extremamente sério, realizado pelos nossos técnicos, em parceria com grandes criatórios focados no trabalho de seleção” Outro parceiro, fornecedor de genética para Alta e responsável por disponibilizar ao mercado a genética de touros de alto valor agregado, é o criatório Terra Brava Agropecuária. Os touros Mistério Terra Brava e Sobera-

no FIV Terra Brava mostraram evolução para as características de crescimento, perímetro escrotal, stayability e probabilidade de partos precoces. Já os touros Faraó FIV FVC, Truck da Alô Brasil e Mukesh FIV COL mostraram por que foram os líderes em vendas da Alta Genetics no ano de 2017. Os reprodutores provados e identificados no programa de fertilidade da Alta, Concept Plus, Faraó e Truck, apresentam avaliação genética forte e equilibrada. Destacaram-se também para as características maternais, de peso ao sobreano, stayability e acabamento de carcaça. O touro Mukesh, por sua vez, não deixou a desejar com DEP’s para peso ao sobreano, stayability e acabamento de carcaça. Reprodutor muito utilizado, tanto nos rebanhos Puros de Origem (PO) quanto em rebanhos comerciais, tem tudo para fazer de 2018 mais um ano de surpresas positivas. “Esses resultados mostram o porquê da liderança da Alta. Estamos colhendo os frutos de um trabalho extremamente sério, realizado pelos nossos técnicos, em parceria com grandes criatórios focados no trabalho de seleção, apresentando genética para os mais exigentes selecionadores do Brasil”, afirma o gerente de Produto Corte Zebu da Alta, Rafael Oliveira.


Os 12 primeiros colocados da bateria da Alta

Bruna Quintana, técnica de Corte da Alta Zootecnista, graduada na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) em Jaboticabal

PECUÁRIA EM ALTA

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CORTE

“OS FORA DA CURVA”

SELEÇÃO E MELHORAMENTO GENÉTICO EM GADO DE CORTE por Rafael Mazão, Técnico Corte da Alta Você já tomou remédio para ficar mais ou menos curado? Ou, quando esteve com muita sede, se saciou somente com a metade do copo d’água? É exatamente assim que temos que começar a enxergar a pecuária de corte. Nenhum resultado na média favorece o melhoramento genético e a rentabilidade da atividade. Se analisarmos a realidade da pecuária nacional quanto aos índices zootécnicos e de produtividade básicos, nos deparamos com um cenário crítico, em que a atividade está cada vez mais pressionada pela agricultura de alta tecnologia. A pecuária de precisão é a alternativa sólida para estabelecer as deficiências e fortalezas dos projetos, sejam eles de cria, recria ou terminação, ou mesmo ciclo completo, extensivos ou intensivos, e determinar os “caminhos” para atingir os objetivos com maior facilidade. Certo é que, fazer por fazer ou objetivar “a média” não está mais no planejamento de quem busca eficiência. Os pecuaristas têm à disposição inúmeras ferramentas que podem auxiliar na atividade de corte: Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), touros melhoradores provados, 48

PECUÁRIA EM ALTA

programas de melhoramento genético, software de avaliações intra-rebanho, softwares de Gestão, técnicos qualificados, etc.

“Quando se trata de melhoramento genético, é mais comum ver batalhadoras picaretas perdendo tempo e dinheiro do que retroescavadeiras em obra!” Vamos cavar uma valeta? Temos a opção de usar uma picareta ou uma retroescavadeira. Qual ferramenta vamos utilizar para terminar a tarefa mais rapidamente e com maior êxito? A analogia parece medíocre, não é? Quando se trata de melhoramento genético, é mais comum ver batalhadoras picaretas perdendo tempo e dinheiro do que retroescavadeiras em obra! A ferramenta correta realiza de forma mais rápida sua tarefa e de forma menos “custosa”.

É por aí que devemos seguir na pecuária, escolhendo as ferramentas corretas para os objetivos planejados. Já que temos um ciclo longo de produção, qualquer ganho em tempo representa muito lucro. Imagina ganhar, além do tempo, também na genética inserida no rebanho, com maior rapidez! Por isso, temos que ir além da média, sempre. Identificar os animais melhoradores, que levam ao rebanho ganho genético e produtivo além da média da população, significa sentar numa Ferrari e andar de 0 a 100 km/hora, em 2,8 segundos, deixando de lado o tradicional Fusca, que talvez nem chegue aos 100 km/hora. “Os fora da curva”, aqueles que sempre estão muito acima da média de produção, fazem muita diferença. Vamos simular alguns “Fora da Curva” (Touro A) em relação aos “Mediões” (Touro B). Apesar da sátira acima, os exemplos utilizados serão de touros melhoradores provados (com filhos avaliados), Nelore Padrão, atuais no mercado, com nomes não expostos, comparados em relação às Diferenças Esperadas na Progênie (DEP’s) e com mesmo nível de acurácia (confiabilidade genética).


Imagine um criatório de 100 produtos desmamados, com diferença de 8 kg por produto, com valor de mercado R$6,00 kg (bezerro extra). Estamos estimando rendimento a mais, “desta safra”, em R$4.800,00, somente pelo fato de ter escolhido um Touro Melhorador “Fora da Curva” para peso a desmama.

PECUÁRIA EM ALTA

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CORTE

Fazenda Terra Verde - Carlos Lopes

Já para adiantar a conta anterior, para cada duas unidades da Diferença Esperada na Progênie para Área de Olho de Lombo (DEP AOL) se estabelece o ganho de 1% de rendimento de carcaça. Imagine um pecuarista com 100 produtos abatidos, com diferença de 2,5% de rendimento de carcaça. Mesmo que tivesse o mesmo desempenho de 600 kg de peso vivo, ou seja, 20 arrobas, simulando que, no abate, os filhos do Touro B teriam 54% de rendimento, os filhos do Touro A “Fora da Curva” teriam 56,5% de rendimento. Com valor da arroba em R$140,00 ou R$4,66/kg (Araçatuba, maio 2018), teríamos, nas progênies do Touro A 50

PECUÁRIA EM ALTA

“Fora da Curva”, mais 15 kg de carne, ou R$69,90 de ganho financeiro, e ganho extra, pela “safra”, de R$6.990,00. Poderia dar vários outros exemplos de simulação de ganho com touros melhoradores, mas, como a maioria dos processos termina na desmama ou ao abate, para ficar mais simples, usei um para cada final de ciclo. Fica claro que devemos sempre identificar qual a melhor genética por meio de touros provados, “Fora da Curva”, para se obter melhores resultados. A utilização de touros melhoradores é imprescindível para a evolução da seleção dos rebanhos, da pecuária e do mercado. Com a continuidade “atacando” um rebanho com genética de

ponta, o efeito aditivo evolui no decorrer das gerações. Por mais que parte da produção seja comercializada (bezerros, machos para abate, matrizes descarte), as fêmeas selecionadas “carregam” os princípios da seleção objetivada e, a cada nova safra, ganham em produtividade e rentabilidade.

Rafael Mazão técnico de Corte da Alta Zootecnista, jurado da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), especialista em Julgamento das Raças Zebuínas e em Melhoramento Genético Gado de Corte e consultor do Departamento Técnico Corte da Alta


O NELORE QUE O BRASIL PRECISA!

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COLOSTRAGEM

EFEITO DA SUPLEMENTAÇÃO DE COLOSTRO EM PÓ NA SAÚDE DAS BEZERRAS E NO USO DE ANTIBIÓTICOS por Rafael Azevedo, gerente de Produto Colostro da Alta DURANTE A FASE DE ALEITAMENTO DAS BEZERRAS, A INCLUSÃO DE COLOSTRO EM PÓ, JUNTO COM O LEITE OU SUCEDÂNEO, NOS PRIMEIROS DIAS DE VIDA, PODE TRAZER RESULTADOS POSITIVOS NA REDUÇÃO DA INCIDÊNCIA DE DIARREIA E NO DESEMPENHO DAS BEZERRAS. ALÉM DISSO, ESSE MANEJO PODE REDUZIR A UTILIZAÇÃO DE ANTIBIÓTICOS PARA O TRATAMENTO DE DOENÇAS COM AS RECÉM-NASCIDAS Alternativas aos antibióticos são uma preocupação global Resultados de pesquisas indicam que o fornecimento do leite transição (secreção produzida durante a transição do colostro para o leite) ou do leite/sucedâneo enriquecido com colostro em pó, como complemento nutricional, após 24 horas de vida, melhora a saúde geral da bezerra e reduz o uso de antibióticos durante o período de aleitamento, conforme diferentes estudos científicos. Recentemente, as agências reguladoras dos Estados Unidos e da Europa aumentaram as medidas restritivas ao uso de antibióticos na produção animal. No entanto, o desenvolvimento de novos antibióticos para bovinos é insignificante e

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PECUÁRIA EM ALTA

as perdas por morbidade e mortalidade associadas a doenças infecciosas ainda são comuns em todo o mundo. Sendo assim, existe necessidade evidente do desenvolvimento de alternativas para reduzir o uso de antibióticos na bovinocultura. Estudo recente publicado no Journal of Dairy Science demonstrou os efeitos benéficos da complementação do sucedâneo com o colostro bovino em pó (Saskatoon Colostrum) para bezerros leiteiros em aleitamento, sobre a ocorrência de doença e redução do uso de antibióticos. Metodologia da pesquisa Durante 14 dias, um grupo recebeu somente sucedâneo de leite e o outro recebeu colostro em pó juntamente com o suce-

dâneo de leite, duas vezes ao dia. Duzentos e dois bezerros da raça Holandesa, com um dia de idade, foram distribuídos nos dois grupos. Os bezerros atribuídos ao grupo de controle (n = 100) receberam sucedâneo (28% de proteína bruta e 20% gordura), sem inclusão de colostro em pó. Bezerros atribuídos ao grupo de tratamento (n = 102) receberam 150 g de colostro em pó, adicionados ao sucedâneo, duas vezes ao dia, durante os primeiros 14 dias de idade. Os bezerros foram avaliados diariamente até o desmame (56 dias de vida) para sinais de doença clínica, bem como para qualquer tratamento com antibióticos. A apresentação de doença clínica e de tratamento com antibiótico foi registrada diariamente.


Resultados da pesquisa Os bezerros suplementados com colostro em pó ficaram mais bem protegidos contra diarreia, doença respiratória e doença umbilical. Para os bezerros que receberam o colostro em pó, a probabilidade de ter diarreia, doença respiratória, depressão e doença umbilical foi de 85%, 54%, 79% e 82% menor, respectivamente, do que os bezerros que não receberam o colostro em pó como suplemento. Isso indica um efeito protetor do colostro em pó na ocorrência não apenas de diarreia, mas, também, de doença respiratória e umbilical. Além disso, esses resultados sugerem que, alcançar altos níveis de imunoglobulinas G (IgG), a partir de colostro materno, nem sempre resulta em prote-

“Os bezerros suplementados com colostro em pó ficaram mais bem protegidos contra diarreia, doença respiratória e doença umbilical”

ção completa contra patógenos infecciosos e que fatores como a pressão de patógenos e imunidade específica podem desempenhar um papel importante na proteção clínica da doença. O uso de antibióticos para bezerros suplementa-

dos com colostro em pó foi menor que nos bezerros do grupo controle Com relação ao uso de antibióticos, a probabilidade de receber pelo menos um tratamento com antibiótico para bezerros que receberam o colostro em pó foi 93% menor do que os bezerros que não receberam o suplemento. Isso indica um efeito importante da suplementação com colostro em pó na redução do uso de antibióticos em bezerros leiteiros. Estudo nacional Trabalho a campo realizado no Brasil demonstrou que a utilização de 100 g de colostro em pó, por dia, nos primeiros quatro dias após a colostragem, também proporciona ótimos resultados de saúde e de desempenho.

A

B PECUÁRIA EM ALTA

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COLOSTRAGEM

FAZENDA LAGEADO Lagoa Formosa/MG – JAN/MAR 2018

Por que o colostro é benéfico após o dia um? Acreditamos que os efeitos locais e possíveis efeitos sistêmicos de alguns dos componentes do colostro em pó, como a lactoferrina, fator de crescimento epidérmico e outros, podem ter proporcionado proteção adicional por meio de melhores respostas imunes contra agentes entéricos e respiratórios nos bezerros suplementados. A redução da ocorrência geral de doença nos bezerros suplementados

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PECUÁRIA EM ALTA

provavelmente resultou em uma menor necessidade de tratamento com antibióticos. Os produtos de substituição de colostro são defendidos como uma alternativa para evitar falhas na transferência de imunidade passiva em bezerros, quando a disponibilidade de colostro materno é baixa ou quando a qualidade do colostro materno é comprometida devido a níveis baixos de IgG ou a presença de patógenos transmitidos pelo colostro. O seu uso, após o fechamento da

absorção intestinal e o primeiro dia de vida das bezerras, vem mostrando resultados cada vez mais benéficos!

Rafael Azevedo, gerente de produto Colostro da Alta Zootecnista, mestrado em Ciências Agrárias pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com doutorado em zootecnia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e pós-doutorado em Zootecnia pela UFMG


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CASOS DE SUCESSO

GENÉTICA DE SUCESSO AGRINDUS EVOLUÇÃO GENÉTICA EM BUSCA DE MAIS PRODUTIVIDADE

A Agrindus é uma empresa agropecuária familiar, com sede na Fazenda Santa Rita, no município de Descalvado (SP). Fundada em 1945, atualmente é conduzida por Roberto Jank, Roberto Jank Júnior e Jorge Jank. O pai e os dois filhos trabalham juntos, dedicando-se às pecuárias de corte e leiteira, avicultura e plantação de laranja. A atividade leiteira ocupa 500 dos 2 mil hectares da propriedade. Donos do maior rebanho holandês registrado no Brasil, a Agrindus possui 1,8 mil vacas em lactação, de um total de 3,6 mil fêmeas holandesas puras de ori56

PECUÁRIA EM ALTA

gem (jovens e adultas), com pedigree na Associação Brasileira da Raça Holandesa (ABCBRH). A produção anual gira em torno de 22 milhões de litros de leite (63 mil litros/dia). Essa produção faz a fazenda ocupar o terceiro lugar no ranking das maiores produtoras do Brasil. “Perseverança, consistência e visão nos detalhes são fatores obrigatórios nessa atividade complexa, que é a produção de leite. São diversas as variáveis que necessitam de analise diária, incluindo o clima, o preço das commodities e do leite, os índices técnicos de eficiência alimentar, reprodutiva, patrimonial,

o endividamento, etc. Produzir leite não é para quem gosta de sossego. Buscamos a intensificação da produção por área e, por consequência, o ganho de escala, ambos itens fundamentais para o sucesso dessa atividade. Também buscamos agregar valor com a evolução genética e a verticalização da produção”, afirma Roberto Júnior. As vacas em lactação são mantidas confinadas em free-stall, divididas em lotes de acordo com o status reprodutivo e ordenhadas três vezes ao dia. A ordenha comporta 60 animais por vez (2x30 paralelo). Todas as vacas são rastreadas por meio de um colar, que emite um sinal de radiofrequência (transponder), identificando o início da ordenha, a produtividade e o tempo de cada animal. “O rebanho da Agrindus se destaca pelo dinamismo. Buscamos melhorias constantes, sempre usando touros importados e genética melhorada, nos preocupando para que a geração seguinte seja melhor que a anterior. A fazenda conta com modernas ferramentas de reprodução, como fertilização in vitro, provas sexadas e Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), o que permite replicar um rebanho com facilidade”, explica o gerente técnico de Leite da Alta, Tiago Ferreira. Durante o período de janeiro de 2015 e agosto de 2017,


“Buscamos melhorias constantes, sempre usando touros importados e genética melhorada, nos preocupando para que a geração seguinte seja melhor que a anterior” foram avaliadas as lactações das primíparas e a taxa de prenhez. Comparando a média de parentesco de três gerações com essas características, chegaram a importantes resultados. Os 25% piores animais para Capacidade Prevista de Transmissão (PTA) de leite, na média de parentesco, foram de 14 libras e a lactação desses 359 animais chegou a 9.737 kg de leite em 305 dias. Os 25% melhores animais, obtiveram 843 libras e as 364 filhas produziram 10.157 kg de leite. O esperado da diferença genética, em libras, foi de 829 libras; convertendo para Kg, o esperado era 377 Kg. A diferença real foi de 420 kg de leite.

Touros destaque

AltaKARMA

AltaKERSHAW

PECUÁRIA EM ALTA

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CASOS DE SUCESSO

PTA LEITE X PRODUÇÃO LEITE PTA LEITE

N

LACTAÇÃO

PIOR 25%

14

359

9.737

TOP 25%

843

364

10.157

Dif Libras

829

Dif KG

377

Para ficar mais claro, em um rebanho de 100 vacas, isso representa 42.000 Kg de leite a mais no ano. O mesmo foi observado para taxa de prenhez das filhas (DPR). A diferença na média de parentesco do grupo pior com o melhor foi de três

420

pontos percentuais, e, nas filhas no campo, essa diferença foi 6%. Isso significa dizer que, se temos dois rebanhos, com 100 vacas aptas a cada 21 dias, um consegue emprenhar 12 e o outro, 18. No final de um ano, a quantidade de animais que

vão parir mais cedo é significativamente maior no rebanho de 18% de taxa de prenhez. Isso impacta muito no índice dias em lactação (DEL) médio do rebanho e, consequentemente, na produção de leite média do mesmo.

TAXA DE PRENHEZ DAS FILHAS DPR

N

TX PRENHEZ

PIOR 25%

-1,3

359

12

TOP 25%

1,8

364

18

Diferença

3

6

Sobre a regional A Regional São João da Boa Vista é parceira Alta desde 1997, desenvolvendo serviços de planejamento genético de alto nível. Gerenciada pelo médico veterinário José Roberto Sala, presta serviços de melhoramento genético e reprodução em rebanhos de Leite e Corte. Atua no estado de São Paulo e sul de Minas Gerais, com profissionais parceiros, prestadores de serviço em Reprodução nas áreas de Inseminação Artificial de Tempo Fixo (IATF) e produção de embriões de Fertilização In Vitro (FIV), em várias raças bovinas. Os telefones de contato são (19) 99717-8387 e (19) 99207-6569.

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PECUÁRIA EM ALTA


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PECUÁRIA EM ALTA

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CASOS DE SUCESSO

FAZENDA PALMITAL A PAIXÃO PELA ATIVIDADE LEITEIRA ATRAVESSA GERAÇÕES A Fazenda Palmital atravessa gerações na busca pela produção de leite de qualidade. Localizada no município de São João Evangelista (MG), a propriedade deu início à atividade leiteira há 80 anos, com Waldir Pascoal, mais conhecido na região como “senhor Nô”. Além de leite, a Fazenda Palmital produzia café, milho, feijão, cachaça e tinha um criatório de porcos. Após a morte do “senhor Nô”, o filho, Andrelino Pascoal, tomou frente dos negócios. Foram 40 anos de dedicação. Após o falecimento de Adrelino, a filha dele, Letícia Pascoal, graduada em Veterinária, assumiu as reponsabilidades da fazenda. Há 10 anos, por meio do amigo e consultor técnico José Eduardo Martins Guedes, da Regional Alta de Governador Valadares, foi elaborado um planejamento genético específico para o plantel. “O plano genético nos direciona às melhores opções de

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touros para o nosso rebanho. Notamos a padronização do grau de sangue (3/4 e 5/8 Holandês) e a evolução significativa no aumento da produção e saúde de nossos animais”, afirma Letícia.

“O plano genético nos direciona às melhores opções de touros para o nosso rebanho” Os resultados são interessantes. Há quatro anos, a média de leite era de 11 litros por vaca. Seguindo a orientação do veterinário Adriano Duarte, do representante da Alta, José Eduardo, e do agrônomo da Via Verde Consultoria Agropecuária, Gabriel Lara, alguns animais que estavam abaixo da média da fazenda foram vendidos. “Somen-

te com esta ação, nossa média subiu para 14 litros diários por vaca. Estávamos com um rebanho grande. Não tratávamos direito, então, as fêmeas não expressavam todo seu potencial, já que genética nós temos. Com isso, nosso fornecimento de concentrado melhorou e o manejo também”, explica. Outra ação que aumentou significativamente a produção de leite na propriedade foi seguir criteriosamente o plano genético traçado. O planejamento era que, em 2018, estariam com média de 18 litros diários por vaca, mas isso já aconteceu em 2016. No ano passado, a média subiu para 21 litros. Para este ano, a meta é alcançar 23 litros diários por vaca e produzir quatro mil litros de leite por dia. “Sempre acreditei no potencial da fazenda. Quero ainda chegar aos cinco mil litros por dia. Esse sonho eu compartilhava com o papai, que sempre me incentivou, e, hoje, compartilho com a minha mãe e a minha irmã, sempre companheiras e amigas”, completa. O plano genético na fazenda está ajustado em 20% para produção, 50% para saúde e 30% para conformação. No rebanho, hoje, são utilizados touros Holandeses, como AltaDAY e Jake. Já os touros Gir Leiteiro, são Gabinete e Kalika. “Os touros que mais me surpreenderam foram Verdict e Juneau. Pudemos observar animais mais produtivos, com mais saúde e longevos”, explica Letícia.


“Sempre acreditei no potencial da fazenda. Quero ainda chegar aos cinco mil litros por dia”

Touros destaque

A taxa de concepção na propriedade, atualmente, é de 45% em vacas e 48% nas novilhas. Já a taxa de prenhez gira em torno de 25% nas vacas e 15% em novilhas. Sistema de produção No sistema de produção da propriedade, as bezerras ficam com as mães até atingirem 90100 dias de idade (com leite, mais ração à vontade). Após a desmama, consomem 2,5 kg de concentrado até 180 kg e 1 kg até atingirem 330 kg, quando se tornam aptas para a inseminação. As vacas consomem, em média, 7 kg de ração, por dia. Após a ordenha e no período de seca, é fornecida, no vagão forrageiro, a dieta total: silagem de milho e silagem de capim Mombaça mais ração. Os tratos são realizados duas vezes ao dia, nos seis lotes de produção. Os lotes são definidos criteriosamente por meio dos dois controles leiteiros, do controle reprodutivo e do balanceamento da dieta, elaborados pelo veterinário Adriano e pelo agrônomo Gabriel, conforme o planejamento anual e com a supervisão dos demais membros da equipe coordenada por Letícia. As metas são definidas, hoje, a partir dos dados do software Ideagri.

Charmoso Wildman Tannus

AltaVERDICT

Sobre a regional A Regional Governador Valadares é parceira da Alta, desde 1998. Gerenciada pelo empresário José Eduardo Martins Guedes, a equipe é composta por 15 veterinários e pela equipe do escritório. Mais informações sobre o trabalho, pelos telefones (33) 3221-9007 ou (33) 98861-7329.

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ENTREVISTA

SANDRA GESTEIRA A GRANDE ESPECIALISTA NA CRIAÇÃO DE BEZERRAS NO BRASIL Percebi que tinha uma lacuna nessa área. No Brasil, a gente estudava muito nutrição, reprodução animal, mas muito pouco sobre criação de bezerras. No meu doutorado, tive a oportunidade de trabalhar na área, por isso, a ideia fortaleceu ainda mais a minha convicção de que seria bom me dedicar a esta área. Percebia que, no campo, os produtores melhoravam cada vez mais na nutrição e na reprodução, mas as crias que vinham desse trabalho não tinham bom desenvolvimento e muitas morriam. Então decidi me dedicar a essa área.

Sandra Gesteira Coelho é médica veterinária, possui mestrado na área de Reprodução e doutorado em Ciência Animal, na área de Nutrição,pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É professora titular da Escola de Veterinária na mesma instituição e também conselheira do programa Alta Cria. Dentre tantas áreas na produção de leite, porque se especializar na área de criação de bezerras? 62

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“A maior parte das maternidades que a gente visita, principalmente no verão chuvoso, apresenta condições de higiene muito ruins”

O que nos diferencia tanto do sistema de criação de bezerras nos EUA? No Brasil, temos praticamente duas formas de criação de bezerras: uma, muito parecida com a dos Estados Unidos, que está implantada nas grandes fazendas, que é a criação de forma individualizada; e outro sistema, com bezerros criados em grupos e sem muita atenção, em que as dificuldades são muito grandes e a mortalidade é muito alta. Nos dois sistemas ainda temos muito a fazer e melhorar. Em muitos países a cria-recria é terceirizada. A senhora acredita que esse seja o futuro para o Brasil? Acredito que sim. Nós va-


mos ter que aprender a trabalhar com isso. O grande desafio vai ser entregar esse bezerro, para essas fazendas de cria e recria, em condições de serem recriados, porque vários produtores ainda falham muito em executar uma boa cura do umbigo e colostragem, que são pontos básicos para a cria e recria adequadas. Se as primeiras horas de vida desse animal não forem bem cuidadas, você já estará, automaticamente, comprometendo a vida dele. Então, o produtor tem que ter em mente o seguinte: que ele precisa dar um passo inicial muito bom; caso contrário, as coisas não vão seguir bem. Quais as principais dificuldades que o produtor brasileiro possui para melhorar a criação de bezerras? Além da cura do umbigo e da colostragem, que são ações iniciais básicas, temos outro desafio, que é a tristeza parasitária. Temos taxas de mortalidade muito altas por causa dessa doença, que nos exige muita observação desses animais, uma vez que nós ainda não temos vacinas efetivas para isso. Quais os principais erros encontrados no pré-parto? A maior parte das maternidades que a gente visita, principalmente no verão chuvoso, apresenta condições de higiene muito ruins. Nós temos um bezerro que, imediatamente após o nascimento, está sujo e se contaminando. Por isso, precisamos mudar principal-

“Água precisa estar à disposição do bezerro assim que ele nasce”

mente as condições de higiene nas maternidades. Vaca e bezerro precisam estar limpos após o parto e nascimento. Além disso, precisamos dar sombra e conforto para essa vaca. Muitas vezes, o produtor trabalha bem o bezerreiro, mas esquece a maternidade. Com isso, a vida do bezerro já começa comprometida. Existe um modelo ideal para o bezerreiro? Não existe a instalação ideal. Temos, no Brasil, uma diversidade muito grande de formas de criação e de regiões diferentes. É preciso considerar a capacidade econômica dos produtores para montar um projeto de sistema de criação. Acredito que devemos basear tudo em ganho de peso e taxas de mortalidade. O ideal é que a gente trabalhe com taxas de mortalidade abaixo de 5% até 60 dias e ganho de peso de 600 a 800 gramas por dia. Se estivermos conseguindo isso, independente da instalação, estamos criando bem. Muitas fazendas investem em áreas de berçário, onde o bezerro permanece no período mais crítico da sua vida, antes de ir para o

bezerreiro. Qual a sua opinião sobre a iniciativa? O berçário é uma alternativa muito boa. Até os 30 primeiros dias de vida, os bezerros enfrentam seus primeiros desafios: sobreviver às diarreias. Para tratar a diarreia, o produtor precisa medicar esse animal imediatamente, mas ele também precisa estar confortável e livre de estresse térmico, tanto pelo frio quanto pelo calor. No berçário isso será possível. É uma atenção individualizada, por meio da qual a bezerra vai receber conforto e terá a possibilidade de se recuperar. Há quase dois anos, possuímos no Brasil um importante produto para auxiliar os pecuaristas, o colostro bovino em pó, produzido com colostro de vacas criteriosamente selecionadas no Canadá, processado e transformado em pó. Quais resultados a senhora tem visto no campo? O resultado no campo é inicial, mas temos muitos relatos positivos, mostrando que as taxas de mortalidade não aumentaram; na verdade, até reduziram um pouco e os dias em doença reduziram também. O colostro em pó é uma importante ferramenta que traz agilidade. Os tratadores conseguem preparar rapidamente esse produto e oferecer ao animal. Tão importante quanto ser rápido é dar um produto limpo e com higiene. Isso é facilmente obtido com esse produto. PECUÁRIA EM ALTA

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ENTREVISTA

É sabido que o colostro em pó auxilia muito no controle da diarreia. Existe algum estudo ou estimativa de custo do tratamento de uma bezerra com a doença? Não conheço nenhum específico, mas é simples: basta o produtor fazer as próprias contas. Quantas horas ele gasta com um tratador de bezerros medicando os animais? Quanto gasta com a solução de fluido para reposição de perdas com a diarreia, antibiótico e anti-inflamatório? Além disso, os custos indiretos, como a taxa de ganho de peso que caiu ou ficou negativa. Esses custos somados vão indicar os prejuízos, além do risco de morte de fêmeas, que não é pequeno. Se na minha propriedade eu tinha 70% de animais com diarreia,e essa porcentagem cair para 60% com o uso do colostro em pó, estou ganhando. Se os animais ficavam doentes seis dias, e esse número cair para três, já estou ganhando. Então, na verdade, precisamos primeiro quantificar, mas não tenho dúvidas de que todas as ferramentas para reduzir o número de diarreia e os dias em diarreia trazem retorno financeiro ao produtor. Há produtores receosos em utilizar o colostro bovino em pó pelo fato de o produto ser importado do Canadá, onde as vacas possuem desafios diferentes do nosso e não têm contato com a tristeza pa64

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“O ideal é que a gente trabalhe com taxas de mortalidade abaixo de 5% até 60 dias e ganho de peso de 600 a 800 gramas por dia. Se estivermos conseguindo isso, independente da instalação, estamos criando bem” rasitária. Qual a sua opinião? Todos nós ficamos receosos quando o produto chegou no Brasil. A primeira coisa que estamos vendo é o que a prática está nos mostrando: o uso do produto não provocou aumento de mortalidade. Os primeiros números do uso do colostro em pó estão nos mostrando resultados muito bons. Mas, sobre a tristeza parasitária, temos que aprofundar muito nossos conceitos. Ainda temos muitas dúvidas de qual a imunidade é mais importante: a colostral ou a celular. Todas as duas são passadas pelo colostro, mas essa ausência de conhecimentos mais profundos não permite que a gente tire muitas conclusões. O fornecimento de água

para as bezerras ainda é algo que muitos produtores erram ao deixar de fornecer? Água precisa estar à disposição do bezerro assim que ele nasce. O colostro possui 23% de sólidos, o leite é 12,5% de sólidos. A gente vê a diferença de matéria seca que o bezerro está ingerindo e que ele vai precisar da água. Muita gente pensa que o leite possui muita água, mas essa água não vai ao rúmen, que é onde a gente precisa de ambiente umidificado para o desenvolvimento das bactérias e para que elas possam digerir os alimentos. Além disso, quando os animais têmdiarreia, eles precisam de água para reposição das perdas. Se o pecuarista não deixar água à disposição, eles vão se desidratar rapidamente e caminharão mais rápido para o óbito. Por isso, a água é fundamental. Existe uma dieta específica para acelerar o desenvolvimento das bezerras e ajudar essa futura produtora de leite? O que a gente quer para acelerar o desenvolvimento é dar uma quantidade de leite adequada. Então, hoje, a gente sabe que até os 30 dias de vida o mínimo é seis litros de leite por dia. Desde o terceiro dia,devemos trabalhar com um concentrado muito bom, que seria com valores de proteína de 20% a 22%, valores de energia próximos a 80% de NDT e com granulometria alta. Assim, vamos nutrir bem os animais com leite e forçá-los a ingerir


o concentrado. Vamos acelerar o desenvolvimento do animal. Outro ponto importante é tentar evitar as doenças porque qualquer problema vai fazer com que o animal perca peso e desacelere o desenvolvimento. O que podemos esperar de avanços científicos na criação de bezerras no mundo? Nós já caminhamos muito. O que temos que trabalhar agora é para entender os mecanismos que fortalecem a imunidade. Entender melhor porque os nossos animais são tão suscetíveis à diarreia é um desafio. Precisamos criar ferra-

“Os primeiros números do uso do colostro em pó estão nos mostrando resultados muito bons”

mentas para diagnóstico precoce de todas as doenças.Com isso, vamos ter formas de evitar as altas taxas de mortalidade de bezerras. O segundo desafio é entender a tristeza parasitária e ter alguma ferramenta que nos auxilie, além da observação.

A área de bem-estar animal vem cada vez crescendo mais e as restrições estão sendo cada vez mais severas. Como a senhora avalia os impactos na criação de bezerras? Essa é uma exigência do mercado que quer, cada vez mais, animais bem tratados. É nosso dever e nossa obrigação criar bem os animais, dar conforto a eles e fazer com que eles produzam. Se alguém pensa que essa é uma exigência, e que ela não é boa, está equivocado. Todo animal que está confortável ganha mais peso e, com isso, todos temos melhor retorno financeiro.

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ENTREVISTA

A utilização de medicamentos como preventivos nas bezerras é preocupante? Bastante. Principalmente o uso indiscriminado dos antibióticos. Os produtores e técnicos precisam ter mais critério para utilizar esses produtos. Eles são fundamentais, mas precisam ser utilizados com cuidado e critério. A pesquisa mostra muito claramente que animais que são medicados desnecessariamente, além de provocar gastos financeiros, têm alta taxa de mortalidade. Então precisamos ter muita consciência e, principalmente, prevenção, o que vai nos ajudar a reduzir o uso desses produtos. No último ano, a Alta lançou o Alta Cria para levantar números, medir e avaliar fases da criação de bezerras. Como conselheira do programa, quais pontos já foram apresentados? Primeiramente levantar os números, porque nós não tínhamos. Todas as nossas discussões são em cima de números americanos. Agora, começamos a ter um volume de dados muito grande e poderemos ver pontualmente quais são os problemas e em que tipo de sistemas eles existem. É um programa que veio ajudar muito o país, as universidades, os centros de pesquisas e trazer retorno para o produtor que o utiliza. Um dos pontos mais importantes é o benchmarking. Entender porque alguns produtores têm resultados melhores que outros. Na divulgação de 2017, 66

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alguns números me chamaram a atenção pelo lado positivo. Muitos produtores fazem a colostragem adequadamente, dentro das primeiras horas após o nascimento, quando o parto acontece de dia. No entanto, a colostragem falha nos partos noturnos. Os números apontaram taxas maiores de ganho de peso em novilhas para o gado mestiço que para o puro. É preciso verificar estes números. No levantamento deste ano, teremos muito mais números e poderemos ver melhor a evolução e as falhas do sistema para apontarmos melhor as oportunidades. Como a senhora projeta a criação de bezerras no Brasil daqui a 10 anos? Acredito que nas fazendas que executam atividade de forma profissional. Seguramente, vamos estar melhor do que os americanos, com taxas mais baixas de mortalidade e evoluiremos muito. O nosso sistema de criação, principalmente nos primeiros dois meses de vida, oferece menos estresse e menos desafios do que nos Estados Unidos, onde as temperaturas são muito baixas. Acredito que precisamos apenas ajustar algumas coisas e vamos surpreender o mundo, pelo menos até 60 dias. Depois já é outra coisa. Tem a tristeza parasitária, mas vamos avançar. A pecuária de precisão, ou melhor, a pecuária de decisão vai nos mostrar as ferramentas para ajudar a detectar essa doença mais precocemente e reduzir taxa de mortalidade.


A ESTRADA DO SUCESSO NÃO É LONGA. É INFINITA. TERRAVIVA: VENCEDOR DO PRÊMIO LIDE AGRONEGÓCIOS 2017 NA CATEGORIA COMUNICAÇÃO.

Nós, do Canal Terraviva, acreditamos no agronegócio. Por isso, desde o primeiro dia, investimos numa estrutura de TV de verdade. E nunca mais paramos. Só nos últimos dois anos, criamos uma plataforma de eventos, ampliamos a nossa cobertura, renovamos o site e acabamos de inaugurar uma estrutura completa no Rio Grande do Sul. Afinal, a gente sabe que, quando o país precisa ampliar horizontes, plantar é ainda mais importante que colher.

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Pecuária em Alta Edição 18 - Junho/Julho 2018  

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