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PALAVRA DO DIRETOR

Gosto muito de repetir uma frase: a Alta é muito mais que genética. Tenho orgulho em dizer isso porque nossas atitudes mostram que essa é a mais pura verdade. Manter a liderança de mercado no Brasil por quase dez anos, em constante crescimento, não é ao acaso. Somos uma empresa totalmente focada nos resultados dos nossos clientes. Quando digo que a Alta é muito mais que genética, tenho que assumir: a genética não consegue resultados sozinha. Por isso, investimos muito, inovamos sempre e buscamos cada vez mais programas e serviços que nos mantenham na direção do resultado mais eficiente e lucrativo para o seu negócio. Ao longo dos anos, assumimos muitos desafios e um deles ilustra a capa desta edição: investir em touros jovens há quase dez anos, numa época em que quase ninguém acreditava que poderia dar certo. No melhoramento genético, as novas gerações devem ser sempre melhores que as anteriores. Por isso, nós pensamos: por que não diminuir ainda mais o intervalo entre essas gerações e acelerar a evolução genética dos rebanhos com a utilização de touros jovens? Na raça Nelore, já são quase dez anos seguindo essa filosofia, procurando parceiros com trabalhos sérios, investindo em técnicos capacitados e identificando touros melhoradores para oferecer ao mercado. Esta edição da nossa revista conta essa história. Trazemos também informações técnicas, tanto no leite quanto no corte, para mantê-lo informado sobre as novas tecnologias, com o intuito de aumentar a produtividade do seu rebanho e o lucro do seu negócio. Espero que goste da leitura e de conhecer um pouco mais sobre o trabalho que estamos desenvolvendo. Até a próxima edição.

Heverardo Carvalho Diretor Alta Brasil

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ÍNDICE EXPEDIENTE Diretor Heverardo Rezende de Carvalho Gerente de Mercado Tiago Carrara - tcarrara@altagenetics.com

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Coordenadora de Comunicação Camilla Lazak - camilla.rodrigues@altagenetics.com Jornalista Responsável Renata Paiva (MTB 12.340) renata.paiva@altagenetics.com Colaboradores desta edição Alexandre Scarpa, Bruna Quintana, Cléverson Machado, Clóvis Corrêa, Márcio Delfino, Rafael Oliveira, Rafael Azevedo, Rodolffo Assis, Rodrigo Meneses, Rodrigo Peixoto e Tiago Ferreira Diagramação e arte Ana Paula S. Alves - paula.alves@altagenetics.com

Edição e revisão de texto Indiara Ferreira Assessoria de Comunicação indiara@indiaraassessoria.com.br Tiragem 5 mil exemplares

Missão Construir relacionamentos de longo prazo, criar valor para nossos clientes, melhorar a lucratividade de cada rebanho e entregar genética de confiança, além de produtos e serviços de manejo com alta qualidade. Visão Tornar-se a marca global que seja a melhor escolha para produtores progressivos dos segmentos de leite e corte. Valores: Foco, pessoas e competências, coesão, dinamismo, relacionamento, comunicação e ética.

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PECUARIA BRASILEIRA EM EVIDÊNCIA Criadores latino-americanos visitam o Brasil para conhecer nossa genética

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NOVIDADES Fique por dentro de todos os acontecimentos da Alta

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Marketing/Comercial comunicacao@altagenetics.com.br Fotos Francisco Martins - fjunior@altagenetics.com José Maria Matos - jmmatosfotografo@gmail.com

ESPECIAL

ARTIGO DESAFIOS DA LIDERANÇA Você sabe como conduzir bem sua equipe?

LEITE ALTA GESTÃO: PROGRAMA

16 EVOLUI E ENTREGA RESULTADOS Programa da Alta apresenta resultados precisos

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EFEITO DO ESTRESSE CALÓRICO NO DESEMPENHO E NA PRODUÇÃO DAS VACAS DE LEITE A importância para o desempenho das vacas em produção

PLANEJAMENTO GENÉTICO Quais estratégias você tem utilizado na produção e reprodução?


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CORTE ACASALAMENTOS DIRIGIDOS: MELHORAMENTO GENÉTICO PLANEJADO E SUSTENTÁVEL Conheça mais essa estratégia para o melhoramento genético planejado e sustentável

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DE OLHO NO FUTURO

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DOUTOR DA TERRA BRAVA Criatório desafia a raça e produz o touro mais precoce do nelore

CASOS DE SUCESSO

1º módulo do encontro de gerentes e capatazes busca pecuária cada vez mais sustentável

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GIRO NO CAMPO

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Nossos clientes e leitores destacam a qualidade dos filhos e filhas dos touros Alta espalhados por todo Brasil

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RAÇAS

PROGRAMAS E SERVIÇOS PECUÁRIA DE PRECISÃO

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UTILIZAÇÃO DA SONDA ESOFÁGICA PARA A COLOSTRAGEM OU PARA A HIDRATAÇÃO ORAL EM BEZERRAS Os cuidados com a aplicação da sonda esofágica

CAPA Alta investe em touros jovens e constrói a bateria mais sólida da raça nelore no mercado

COLOSTRAGEM

EVENTOS EXPOINEL MINAS E 1ª EXPOGIROLANDO Feiras abrem calendário de exposições de Uberaba

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BSB AGROPECUÁRIA Um exemplo de lucratividade e sustentabilidade FAZENDA QUERÊNCIA DO GUAÇU Combinação que deu certo: força familiar e empreendedorismo

ENTREVISTA ANDRÉ RABELO O olhar preciso de quem conhece os avanços da raça Gir Leiteiro

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ESPECIAL

PECUÁRIA BRASILEIRA EM EVIDÊNCIA

ALTA RECEBE VISITANTES DE VÁRIOS PAÍSES E MOSTRA A FORÇA DA GENÉTICA DO BRASIL

O Brasil é um país de dimensões continentais. A diversidade ambiental e climática possibilita que cada região tenha suas características próprias dentro da pecuária. Os vários sistemas de produção, a eficiência produtiva e a evolução genética dos rebanhos têm despertado o interesse de criadores de outros países em busca de uma pecuária cada vez 6

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mais lucrativa e sustentável. A equipe da Alta Brasil, juntamente com o diretor internacional da Alta, Manuel Ávila, percorreu cerca de dois mil quilômetros para acompanhar produtores, técnicos e representantes da empresa em visitas a fazendas brasileiras. O Showcase Brasil foi realizado, durante os dias 19 a 23 de

março, participantes da Colômbia, Bolívia, Venezuela, Equador, Uruguai, Paraguai e Panamá conheceram a genética brasileira. “Essa semana foi muito importante para compartilharmos experiências e, principalmente, para mostrar todo o potencial genético do Brasil nas raças zebuínas. A grande força dessas raças vem do melhoramento gené-


tico que o criador brasileiro tem desenvolvido de forma fantástica. Visitar algumas das fazendas que fornecem essa genética para nós faz total diferença”, afirma o diretor da Alta, Manuel. No roteiro fazendas, diferentes realidades e foco de seleção. O tour teve início em uma das propriedades do Grupo Mafra, em Uberaba (MG). O grupo conheceu todo o trabalho de melhoramento genético realizado há quase 20 anos, além de conferir uma importante palestra sobre o programa exclusivo de fertilidade da Alta, Concept Plus. No município Jubaí (MG), conheceram a Fazenda Boa Fé, referência em produção e genética das raças Girolando e Holandês. Conferiram os detalhes do trabalho de integração lavoura-pecuária da propriedade, como também o importante trabalho realizado com foco no conforto animal, além de entenderem mais sobre o sistema de criação de bezerras da propriedade, com

Manuel Ávila, diretor internacional da Alta

“Essa semana foi muito importante para compartilharmos experiências e, principalmente, para mostrar todo o potencial genético do Brasil nas raças zebuínas”

destaque para a importância do fornecimento do colostro para o desenvolvimento dos animais. “Em visitas técnicas a fazendas é muito importante ter tempo para falar da criação das bezerras. No bezerreiro está o futuro genético da propriedade. Durante a visita à Boa Fé, tivemos a oportunidade de conversar sobre todos os cuidados iniciais com os recém-nascidos e, também, demonstramos o sucesso da utilização do colostro bovino em pó na fazenda”, explica o gerente de Produto Colostro Alta, Rafael Azevedo. O segundo dia de visitas começou com um desfile de genética na central da Alta, em Uberaba. Durante toda a manhã, os participantes visitaram a sede, onde estão alojados cerca de 300 touros, de diversas raças, e conferiram um desfile com os principais expoentes. Após o almoço, seguiram para Uberlândia (MG), onde foram recebidos na Fazenda Xape-

Participantes do Showcase Brasil na Fazenda Mutum em Alexânia (GO)

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ESPECIAL

tuba, uma empresa familiar com foco em inovação e produtividade, tanto nas atividades agrícolas quanto pecuárias. Houve palestras sobre Planejamento Genético e Índices Reprodutivos do Rebanho. “Foi uma excelente oportunidade para conhecer o país, as novas tecnologias e os diferentes sistemas produtivos. As fazendas que visitamos nos mostraram uma eficiência surpreendente. Nós, da Colômbia, temos muitas coisas para avaliar e, quem sabe, copiar para o nosso país”, salienta o técnico Jorge Quiceno. O terceiro dia de evento foi no estado de Goiás, mais precisamente na cidade de Rio Verde. Na parte da manhã, o grupo vi-

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Jorge Quiceno, técnico na Colômbia “Nós, temos muitas coisas para avaliar e, quem sabe, copiar para o nosso país.”

sitou a Reunidas Baumgart, conhecida internacionalmente pelo intenso processo de produção de carne de qualidade e o cruzamento industrial. Logo após, a Fazenda Girolando Rio Verde, uma propriedade que trabalha de uma maneira simples, porém

funcional, na produção de leite a pasto com genética da raça Girolando. A fazenda carrega importantes títulos em pista, com animais premiados em várias categorias. Edson Chaves veio da Bolívia e ficou impressionado com a


qualidade genética dos animais dos criadores brasileiros. “A Bolívia tem um clima muito parecido com o do Brasil. Para mim, foi importante entender os critérios e a metodologia que os criadores têm utilizado aqui. Tirei todas as minhas dúvidas e entendi um pouco mais sobre como produzir mais a campo com animais de alto valor genético agregado”, reforça o pecuarista. Ainda em Goiás, o grupo seguiu para a Fazenda Mutum, no município de Alexânia. A propriedade possui vários recordes com as raças Gir e Girolando. São originárias de Mutum importantes produtoras de leite, como Fase, Endora, Fécula e Cinta. Há também importantes touros da bateria Alta, como Gálio, Fardo, Hábil, Jacto dentre vários outros. No último dia, para encerrar o evento, a visita foi na Fazenda Vila Rica, no município de Co-

O

Fabian Pita, criador no Equador “A Alta nos proporcionou um evento de grande valia, que vai somar muito com o nosso trabalho em melhoramento genético no Equador.”

calzinho, também no estado de Goiás. O foco em produtividade trouxe para a propriedade importantes títulos em pista e em torneios leiteiros. São do plantel Hada Vila Rica, Dayane, Amendoa e Africana, além dos touros Kalika e Koro, considerados ícones da bateria Alta. “A Alta nos proporcionou um evento de grande valia, que vai somar muito com o nosso traba-

TO

lho em melhoramento genético no Equador. Conhecemos importantes propriedades que trabalham com confinamento, semiconfinamento e, também, de produção a pasto. Pudemos trocar experiências com produtores de outros países e conhecer de perto a genética que a Alta oferece para esses diferentes sistemas de produção”, diz o criador Fabian Pita, do Equador.

MT

BA GO MG

MS SP

ES

RJ

PR Cidades visitadas durante o Showcase Brasil

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ALTA NEWS

TOUR DE CORTE REÚNE CRIADORES E TÉCNICOS NO MT E MS Os estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul reúnem alguns dos grandes projetos pecuários do mundo, por isso, a Alta, em parceria com as suas regionais realiza em vários períodos do ano, visitas técnicas em propriedades para conhecer o trabalho que os pecuaristas estão desenvolvendo. No mês de abril, as Regionais Rondônia e Cuiabá Sul reuniram no Mato Grosso, cerca de 40 pessoas, entre clientes e técnicos, para conhecer três criatórios fornecedores de genética para a Alta: Nelore Grendene, Fazenda Batuque e Fazenda Camparino. Em todas essas propriedades, conheceram o processo de seleção, os critérios utilizados no melhoramento genético, o manejo nutricional, a produção de touros de Central, os touros para comercialização e os touros de repasse das fazendas e, principalmente, conferiram a evolução genética ao longo das gerações. Para o gerente Distrital da Alta, Darci D’Anúncio, foram três dias de muita troca de experiência e conhecimento. “Aprendemos muito com pessoas que estão há tantos anos trabalhando no mercado. Nesses momentos, a troca de experiências é de grande valia. Voltamos para casa com mais vontade de trabalhar e

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inovar”, finaliza. Já no Mato Grosso do Sul a parceria foi com a Regional Goiânia, que reuniu cerca de 50 participantes, entre técnicos e clientes para visitar a Genética Aditiva, grande fornecedora de touros nelore para a central e maior vendera de sêmen do Brasil. Durante três dias percorreram todas as propriedades da empresa no estado. Em

todas elas viram progênies dos touros da bateria Alta e conheceram o projeto de melhoramento genético que desenvolvem, voltado para precocidade sexual, fertilidade e desempenho. Na oportunidade visitaram o rebanho do criatório JMachado, referência no estado pelo importante trabalho genético que desenvolve na raça nelore e com a integração lavoura-pecuária.


ALTA NEWS

CONVENÇÃO DE VENDAS TEM COMO TEMA “TRANSFORMAÇÃO: VOCÊ FAZ A MUDANÇA ACONTECER” “Imagine um lugar dentro de você, um lugar onde você guarda todas as grandes qualidades as quais nunca teve coragem de mostrar”. Essa mensagem norteou a Convenção Anual de Vendas da Alta de 2018. A transformação foi o tema do ano, com a perspectiva de apresentar uma nova visão do futuro, hora de fazer uma limpeza na mente e renovar as atitudes. “Precisamos parar de colocar a culpa das coisas que acontecem conosco e com outras pessoas. O erro está na gente e a transformação precisa partir de nós mesmos. Ninguém pode me transformar, só eu posso fazer isso e não vou conseguir fazer isso se eu não agir, se eu não me transformar”, diz o gerente da Regional de Maceió (AL), André Ramalho. Para o diretor da Alta Brasil, Heverardo Carvalho, o tema da convenção veio ao encontro da realidade que estamos vivendo. “O mundo está se transformando tanto e tão rapidamente que precisamos correr atrás. Na verdade, melhor ainda, correr na frente. É o que a Alta sempre procurou fazer: inovar, fazer diferente e melhor. Para isso, buscamos novas tecnologias, pesquisas, entender cada vez mais o negócio do nosso cliente e levar para ele as melhores soluções”, afirma.

O objetivo do tema foi mostrar aos participantes que a transformação vem de dentro, ou seja, a própria pessoa precisa querer mudar, se reinventar. A transformação não necessariamente precisa virar a vida da pessoa do avesso para ser considerada uma mudança. Simples iniciativas podem fazer com que velhos hábitos sejam esquecidos e novas atitudes iniciem o seu processo de transformação. Por isso, durante toda a programação, a equipe era lembrada: “para qualquer transformação, é necessária uma ação”. “Em 2018, realmente aconteceu uma transformação na Alta. O clima está muito melhor, a equipe está mais leve e os temas abordados foram todos passados de uma maneira diferente, transformada”, afirma Claumi Pio, da Regional Alta, em Carmo do Rio Claro (MG). Na programação de três dias, muita troca de experiências, apresentação de programas e serviços oferecidos

pela Alta e novas informações sobre os projetos e rumos da empresa. “A convenção foi realmente diferente. A ideia de tirar o foco do produto para focar em pessoas e em programas foi realmente transformadora. Acredito que essa visão faz a Alta se manter na liderança há tantos anos”, salienta o diretor da Progen, da Regional Alta em Dom Pedrito (RS), Fábio Barreto. O evento reuniu a equipe de vendas de todo o Brasil para motivar, orientar, interagir, trocar ideias, transmitir novidades, alinhar estratégias, mas, também, para descontrair. Todos os dias, após a maratona de palestras, houve descontração, com atividades sociais. “É um momento em que a gente tem de relaxar, fazer novas amizades, conhecer a realidade das outras regiões, trocar experiências e, principalmente, descontrair”, ressalta o integrante da Regional Rio Verde Leite (GO), Rômulo Borges.

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ARTIGO

DESAFIOS DA LIDERANÇA 7 DICAS PARA ESTAR PRÓXIMO DE SUA EQUIPE por Clóvis Corrêa, diretor Rehagro À medida que a empresa cresce, o gestor assume mais responsabilidades. A comunicação ocorre de forma intensa, aumentando o número de tarefas urgentes. Neste momento, a falta de tempo pode ser um problema na vida do líder ou empresário. Para contornar a situação, é necessário dimensionar e priorizar as atividades de acordo com o período disponível para finalizá-las. Um gestor sobrecar12

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“Muitas vezes, o liderado não progride na realização de seus trabalhos porque o superior não está presente para sinalizar o caminho adequado a ser percorrido”

regado se torna omisso. Quando a pessoa tem o poder de decisão, determinados processos são concluídos somente após a autorização desse indivíduo. Muitas vezes, o liderado não progride na realização de seus trabalhos porque o superior não está presente para sinalizar o caminho adequado a ser percorrido. A omissão gerada pela sobrecarga causa desmotivação. O liderado se


sente desprestigiado e não produz como gostaria. O risco de ser omisso e não perceber se agrava caso a equipe não tenha espaço para fornecer feedback. Dessa maneira, o próprio líder se torna um obstáculo, mas os colaboradores não têm coragem de dizer. Quando o líder não percebe

que está sendo omisso, pode criar um ambiente desfavorável para a equipe expor insatisfações. Isso gera distanciamento. O líder precisa estar aberto ao feedback e ter proximidade real com seu time. Além disso, precisa estar mais preocupado em servir do que ser servido. É muito importante ter proximi-

dade real com os colaboradores; quebrar a relação de hierarquia entre líder e liderado. O gestor não pode ser visto como “o todo-poderoso”. A equipe precisa perceber que consegue acessá-lo como pessoa, de igual para igual, embora com respeito à hierarquia e aos processos da empresa.

Como se aproximar das pessoas? Esteja aberto ao feedback. É necessário ouvir o outro; interessar-se verdadeiramente por aquilo que ele quer dizer e estar disposto a entender que você não acerta em todas as situações. Isso gera proximidade humana. O líder precisa ter a convicção de que sua verdade não é absoluta e que está em desenvolvimento. Isso o ajudará a ser humilde, propiciando um ambiente favorável para que o liderado se sinta à vontade para dar feedback. Dê feedback. O líder deve ser exemplo ao dar feedback. Além de ensinar por meio do

exemplo, o líder que dá feedback regularmente aos seus liderados favorece a criação da cultura de que o feedback é algo construtivo. É muito importante compreender que, quando se dá feedback, você está fazendo isso pelo outro, e não para desabafar ou ficar livre de sua raiva ou indignação. Ao chamar alguém para desabafar, se estiver com raiva ou nervoso por alguma situação específica, o feedback deixa de ser um ato de solidariedade. Lembre-se: feedback verdadeiro é uma atitude genuína de amor ao próximo.

Maneiras de fazer com que o feedback seja produtivo: • Escolha o momento adequado. Espere esse momento, se for preciso, e faça sua parte de forma deliberada para construir o momento adequado. • Não faça quando estiver irritado. • Seja específico. Pontue situações reais e quais comportamentos ou atitudes da pessoa o levaram a ter a percepção apresentada. Se possível, apresente impactos concretos de tal atitude. Isso permitirá que o outro receba de forma mais consciente. • Evite fazer julgamentos da intenção do outro e tente dizer o que certa atitude gerou em você. Exemplo: “No dia X, seu comportamento Y, naquele momento específico, você disse tal frase, e isso gerou tal impacto em mim (fiquei desmotivado/ofendido/magoado)”. É difícil o outro contestar algum sentimento seu, dizendo, por exemplo:

“Não, você não ficou com raiva naquele dia”. Isso facilita a recepção do feedback e é bem diferente de você dizer, por exemplo: “Aquele dia você quis me prejudicar!”. Essa frase, sim, dá margem a contestações e resistência, pois você está tirando uma conclusão sobre a intenção do outro.

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ARTIGO

Seja humilde. Saiba que suas verdades são frágeis. A raiz da humildade está em saber que o ser humano é imperfeito. Se você se entende como humanamente imperfeito, evita julgar o outro e percebe que erra tanto quanto qualquer pessoa. Se essa filosofia está, de verdade, dentro do gestor e ele permeia em sua rotina, isso é transmitido para a equipe, gerando aproximação e liberdade para o outro se expressar. A proximidade faz com que o gestor enxergue a empresa e a equipe com mais precisão. Seja coerente. A maior parte da comunicação é não verbal e as pessoas recebem essa comunicação todo o tempo. Elas observam umas às outras e formam a percepção sobre cada um de acordo com o que veem todos os dias. Ao expressar suas crenças, é importante ser coerente a elas, pois isso gera confiança. Se o indivíduo expressa sempre uma proposta, mas faz outra coisa no seu dia a dia, as pessoas percebem, e isso acarreta perda de credibilidade. A coerência é um dos elos para criar relações mais sólidas. Saiba delegar e apoiar. É preciso delegar atividades às pessoas certas, de forma clara, comunicando adequadamente o porquê da ação, o objetivo final e tudo que for necessário para que a tarefa possa ser executada com qualidade e atenda às expectativas. Não pense que o colaborador produzirá da mesma maneira que você, pois é o outro quem está realizando, e não você mesmo. É preciso ser capaz de admitir que 14

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o colaborador fará de forma diferente e que o resultado pode ser ótimo e muitas vezes melhor do que aquele que você conseguiria entregar. Aproxime-se da rotina do liderado quando perceber que ele está precisando, lembrando sempre que, possivelmente, ele tem mais conhecimentos sobre a operação do que você. Ao buscar soluções para algum problema, dê oportunidade para as pessoas se expressarem.

“É muito importante ter proximidade real com os colaboradores; quebrar a relação de hierarquia entre líder e liderado” Alguém pode ter uma ideia brilhante e guardar consigo porque ninguém perguntou sua opinião. É necessário entender que o indivíduo possui vários conhecimentos para que possa valorizá-lo de verdade. Reconheça sua equipe. Cuidado com a vaidade. Orgulhar-se do sucesso da equipe pode ser mais justo do que acreditar que aquela vitória é sua. Não adianta pensar que é o “todo-poderoso” e fingir que se orgulha de sua equipe. Isso precisa estar de verdade em você. No processo de liderança é importante ter prazer com o sucesso do outro e estar atento para não cair na armadilha de se envaidecer

com cada conquista esquecendo que ela nunca é apenas sua. Empodere sua equipe. Um líder sobrecarregado não tem condições de dar atenção adequada à sua equipe e não promove o crescimento da empresa. Para a organização evoluir e evitar sobrecarga, é necessário delegar poder. É importante que o gestor seja hábil para delegar de verdade. Não distribua tarefas, dê poder às pessoas. Para isso, avalie adequadamente os méritos, demonstre sua confiança nas pessoas certas, deixe os objetivos claros para todos e deixe que conduzam as coisas da sua forma. É muito importante que os valores da empresa sejam claros e vividos de forma coerente por todos, inclusive por você. Isso será um importante norteador capaz de gerar padrão para as decisões, respeitando a forma de pensar de cada um. É importante lembrar que a liderança é exercida por todos no dia a dia das empresas e da vida. Qualquer que seja sua posição profissional, você exerce liderança todos os dias. Fazer isso de maneira mais responsável e consciente provavelmente potencializará seus resultados.

Clóvis Eduardo Sidnei Corrêa, diretor do Rehagro Clóvis Eduardo Sidnei Corrêa é diretor do Rehagro, médico veterinário, doutor em Ciência Animal pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), gestor do projeto de Produção de Leite da True Type – Fazenda São João, em Inhaúma (MG)


RESÍDUO S

XICO

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LEITE

ALTA GESTÃO: PROGRAMA COMPARA FAZENDAS E APONTA OPORTUNIDADES por Tiago Moraes Ferreira, gerente técnico de Leite Exclusivo da Alta, o Alta Gestão é um programa de gerenciamento de reprodução que oferece aos clientes Alta o conhecimento dos índices reprodutivos de fazendas leiteiras com o intuito de melhorar a taxa de prenhez, aumentar a produtividade do rebanho e, consequentemente, a lucratividade da propriedade. O sistema é muito simples e rápido e pode ser instalado em qualquer computador; funciona off-line para cadastro das informações reprodutivas da

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fazenda e on-line para analisar e gerar listas, gráficos e relatórios, que são traduzidos em respostas rápidas, oferecendo confiança e precisão na tomada de decisões. Após um ano e meio do lançamento do software, podemos observar alguns resultados que geram várias oportunidades de melhora. A tabela mostra resultados gerados através de um Benchmarking entre as propriedades que participam do programa, ou seja, um comparativo de todos os dados levantados. A

única forma de fazer um Benchmarking confiável é ter os conceitos claros, pois a taxa de prenhez (quantas vacas aptas se conseguem emprenhar a cada 21 dias) engloba dois importantes índices: a taxa de concepção e a taxa de serviço. A taxa de serviço significa a porcentagem de vacas inseminadas em relação ao total de vacas aptas no período de 21 dias. A taxa de concepção é a porcentagem de vacas gestantes em relação ao total de vacas inseminadas. Os dados do Alta Gestão mostram que a taxa de serviço pode aumentar muito, principalmente nas fazendas que estão começando a conhecer seus números. A tabela mostra-nos, também, a evolução das fazendas que estão no TOP 25% no período de seis meses e suas médias, que se enquadram entre as melhores do programa. Com esses números, avaliamos que a grande oportunidade está na taxa de serviço, ou seja, no número de vacas aptas a serem servidas ou inseminadas. Mas, para que esse número aumente e reflita nas outras taxas – de concepção e, posteriormente, de prenhez –, alguns pontos devem ser avaliados.


Muitas fazendas do programa já trabalham com médias acima de 60% na taxa de serviço, comprovando para nós que isso é possível. O ponto comum entre as mais eficientes é que em todas elas existe uma rotina reprodutiva definida. Por exemplo, realizam diagnóstico quinzenal, sincronizando todas as vacas aptas e/ou que estão saindo do PEV (Período de Espera Voluntário), aproveitando o CIO de retorno. Outra opção são os adesivos do AltaID, um programa que visa trazer ferramentas de auxílio para a identificação de cio, aumentando a eficiência reprodutiva do rebanho e, consequentemente, a taxa de serviço. Hoje, a Alta trabalha com dois adesivos, o Fasco Ap e o Estrotect, que ajudam a identificar as vacas que estão em estro, melhorando os tempos de prenhez, as taxas de serviço e reduzindo o intervalo entre partos.

O autoadesivo é de fácil observação devido às cores fluorescentes, devendo ser aplicado na garupa, à frente da inserção da cauda. A cor fluorescente começará a ser visualizada depois da primeira monta e o animal deverá ser inseminado quando a cor de base fluorescente predominar, o que significa que houve várias montas, perdendo assim a cor cinza devido ao atrito. A fazenda média do Alta Gestão tem 66 vacas, considerando, também, vacas de 6.000 quilos, perda de prenhez 15% e PEV (Período Voluntário de Espera) de 40 dias. Para se ter uma ideia, um aumento de 9% para 17% de taxa de prenhez, por exemplo, significa que serão 100.00 kg de leite a mais no período de um ano. Assim, fica claro o aumento de produtividade na fazenda, através das informações disponíveis pelo programa, gerando

melhorias para os clientes que utilizam o Alta Gestão. Outro resultado importante para o programa está no DEL (Dias em Lactação). Quanto menor melhor, porque as vacas recém-paridas têm mais potencial produtivo que os animais de DEL alto, ou seja, ter uma taxa de prenhez alta significa que terá, consequentemente, mais partos contribuindo para baixar o DEL. As taxas de prenhez das 25% melhores fazendas já mostram uma melhora no DEL na primeira inseminação. Isso quer dizer que existe uma preocupação de inseminar as vacas aptas mais cedo, dando mais oportunidade de ficar gestante. Além disso, vale ressaltar os 52% de taxa de serviço. Incrementar essa taxa é o caminho mais curto para as propriedades que querem aumentar a taxa de prenhez.

Itens

Set/17

Mar/18

Top 25%

PEV(Período voluntário de espera) dias

44

44

40

DEL (Dias em lactação) médio ao 1* serviço (dias)

82

85

71

Intervalo entre DG (dias)

43

42

35

Serviços em vacas (diagnosticados)

5.551

6934

Serviços em vacas diagnosticados positivos

1.893

2301

Taxa concepção de vacas

34%

33%

33%

Taxa serviço de vacas

28%

27%

52%

Taxa de prenhez

10%

9%

17%

IEP estimado (dias)

430

428

417

-

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LEITE

Manejo reprodutivo Aproveito para deixar uma sugestão de manejo reprodutivo que irá permitir que você agende a visita do seu veterinário responsável durante todo o ano. Na primeira segunda-feira, o veterinário inicia o protocolo de todas as vacas aptas e as que estão saindo do PEV. Na quinta-feira da semana seguinte, as vacas serão inseminadas. Quinze dias após a primeira visita, já é possível iniciar a formação do

Domingo

Segunda

grupo 2. Na semana em que se inicia o protocolo do grupo 3, podem-se usar as informações de repetição de cio do Alta Gestão para verificar quais vacas possivelmente repetiram cio e marcá-las para facilitar a observação do estro. Esse é um esquema simples que, bem executado e aproveitando o cio de retorno, pode garantir uma taxa de serviço acima dos 60%. Além disso, com a utilização do Alta Gestão e as informações geradas a seu favor, com

Terça

Quarta

Quinta

certeza seu negócio e as suas vacas estarão no caminho certo.

Tiago Moraes Ferreira, gerente técnico de Leite Médico veterinário pela Universidade de Uberaba (Uniube), especialista em Reprodução de Vacas Leiteiras, pela Newton Paiva e Rehagro, também especialista em Nutrição de Vacas de Leite pelas Faculdades Integradas de Uberaba (Fazu) e Rehagro. Atua como gerente técnico de Leite na Alta.

Sexta

Visita Vet. Inicia Ptc G1 IATF G1 Visita Vet. Inicia Ptc G2 IATF G2 Visita Vet. Inicia Ptc G3

Intensicar a observação de cio do G1 IATF G3

Visita Vet. - DG G1 Inicia Ptc G4

Intensicar a observação de cio do G2 IATF G4

Visita Vet. - DG G2 Inicia Ptc G5

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PECUÁRIA EM ALTA

Intensicar a observação de cio do G3

Sábado


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LEITE

EFEITO DO ESTRESSE CALÓRICO NO DESEMPENHO E NA PRODUÇÃO DAS VACAS DE LEITE por Alexandre Scarpa, técnico de Leite Alta e Tiago Ferreira, gerente Técnico de Leite

O termo estresse pode ser aplicado a qualquer mudança no comportamento de um animal. Na pecuária de leite, a homeostasia, ou, melhor dizendo, a estabilidade da qual o organismo necessita para realizar suas funções adequadamente para o equilíbrio do corpo, tem sido muito estudada. Qualquer mudança ambiental ou na rotina pode alterar totalmente o equilíbrio de uma vaca 20

PECUÁRIA EM ALTA

em lactação. Se ela sai da zona de conforto térmico, por exemplo, importantes aspectos podem ser afetados, como a produção e a reprodução. Há uma significativa diferença entre animais zebuínos, animais taurinos (europeus) e seus mestiços. A zona de conforto térmico para zebuínos está entre 10ºC e 27ºC, e a de taurinos, entre 0ºC e 16ºC. Para os mestiços, há ci-

tações menos definidas, com valores entre 5ºC e 31ºC. O gasto calórico de um animal eleva-se substancialmente quando a produção de leite aumenta. Raças especializadas em produção de leite, como a holandesa, demandam maior consumo de matéria seca e, consequentemente, aumentam o metabolismo, gerando mais calor. Infelizmente, esses animais são pouco eficientes em evitar a elevação da temperatura corporal (hipertemia), ou seja, têm pouca capacidade de resfriamento evaporativo (capacidade de suar), sendo muito dependentes do aumento da frequência respiratória. Os fatores que mais contribuem para a dificuldade em dissipação de calor pelo animal são a temperatura do ambiente e sua umidade. Por isso, para avaliar a influência da variação do ambiente no conforto dos animais, foi criado o índice de temperatura e umidade (THI), uma ferramenta que mensura o nível de estresse térmico das vacas de leite, o qual correlaciona as duas características; quanto maior o número encontrado na tabela, maior o desconforto animal.


THI ºC 22.0 23.0 23.5 24.0 24.5 25.0 25.5 26.0 26.5 27.0 28.0 25.5 29.0 29.5 30.0 30.5 31.0 31.5

UMIDADE RELATIVA DO AR (%) 0 64 65 65 66 66 67 67 67 68 68 69 69 70 70 71 71 72 72

5 65 65 66 66 67 67 68 68 69 69 69 70 70 71 71 72 72 73

10 65 66 66 67 67 68 68 69 69 70 70 71 71 72 72 73 73 74

15 65 66 67 67 68 68 69 69 70 70 71 71 72 72 73 73 74 75

20 66 66 67 68 68 69 69 70 70 71 71 72 73 73 74 74 75 75

25 66 67 67 68 69 69 70 70 71 72 72 73 73 74 74 75 76 76

30 67 67 68 68 69 70 70 71 72 72 73 73 74 75 75 76 76 77

35 67 68 68 69 70 70 71 71 72 73 73 74 75 75 76 77 77 78

40 67 68 69 69 70 71 71 72 73 73 74 75 75 76 77 77 78 79

45 68 68 69 70 71 71 72 73 73 74 75 75 76 77 78 78 79 80

50 68 69 70 70 71 72 73 73 74 75 75 76 77 78 78 79 80 80

55 69 69 70 71 72 72 73 74 75 75 76 77 78 78 79 80 81 81

60 69 70 70 71 72 73 74 74 75 76 77 78 78 79 80 81 81 82

65 69 70 71 72 73 73 74 75 76 77 77 78 79 80 81 81 82 83

70 70 71 71 72 73 74 75 76 76 77 78 79 80 81 81 82 83 84

75 70 71 72 73 74 74 75 76 77 78 79 80 80 81 82 83 84 85

80 70 71 72 73 74 75 76 77 78 78 79 80 82 82 83 84 85 86

85 71 72 73 74 75 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 86

90 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 84 85 86 87

95 72 73 74 75 76 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88

100 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89

Fonte: Valores propostos por Collier e Zimbleman (2012)

Principais alterações em vacas com estresse térmico Devemos observar, rotineiramente, os animais nos horários mais quentes do dia, momento em que é mais fácil visualizar o estresse térmico. A primeira alteração ou comportamento do animal é se levantar para facilitar a troca de calor. Juntamente com esse ajuste, aumenta a frequência respiratória desse animal, que fica com a respiração ofegante, boca aberta e língua para fora, na tentativa de trocar calor com o ambiente. Em resposta a esse comportamento, o animal aumenta a frequência respiratória para mais de 80 movimentos por minuto (observar se em 70% dos animais do lote ocorre essa alteração); diminui a produção de leite de 10% a 20%; a temperatura retal ultrapassa os 39,0ºC (importante saber não somente se atinge 39 graus, mas também observar por quanto tempo – por mais de 16 horas segui-

das torna-se muito preocupante); reduz pelo menos 10% a 15% na ingestão de alimentos e aumenta o consumo de água. Efeitos do estresse térmico Além da queda no consumo de alimentos e da eficiência alimentar, outro fator nutricional importante que deve ser observado é a acidose ruminal. Devido às consequências do estresse, o animal baba mais, perdendo bicarbonato – componente que ajuda no controle da acidose ruminal –, além de ruminar menos devido à menor ingestão de alimentos. O mecanismo pelo qual o estresse térmico impacta a produção de vacas leiteiras pode ser explicado parcialmente pela redução na Ingestão de Matéria Seca (IMS), em torno de 45%. Pesquisadores já publicaram que onde fixaram a mesma ingestão de matéria seca para grupos estressados termicamente e grupo

sem estresse a produção de leite foi maior no grupo sem estresse, mostrando que outras alterações fisiológicas, e não somente a queda na IMS, interferem na queda da produção de leite dos animais em estresse térmico. Além da queda no consumo de alimentos e eficiência alimentar, o produtor que recebe a mais por bonificação na qualidade do leite é completamente afetado em sua produção. Estima-se uma queda em porcentagem tanto de gordura quanto de proteína, além de aumento na Contagem de Células Somáticas (CCS). Vários fatores são observados em todas as fases na vida da fêmea. O gráfico mostra um experimento realizado em vacas no pré-parto, apresentando um aumento de mais de 6 quilos de leite por dia de vacas que foram resfriadas durante esse período em relação a vacas não resfriadas, colocadas no mesmo manejo após o parto. PECUÁRIA EM ALTA

21


LEITE

Produção de leite kg/d

50 45 40 35 30 25 20

6.3 Kg

15 10 5 0

|

| |

1

|

5

| |

|

| |

9

|

| |

|

13

| |

|

17

| |

|

| |

21

|

| |

|

25

| |

|

29

| |

| |

|

33

| |

|

37

| |

|

|

41

Semanas em lactação Durante o período de transição, as vacas em estresse térmico tendem a ter o tempo de gestação mais curto em quase 10 dias em relação a vacas sem estresse térmico, além de retenção de placenta bem maior (chegando ao dobro em algumas fazendas). A performance reprodutiva de

22

PECUÁRIA EM ALTA

um rebanho leiteiro é mensurável, principalmente pela taxa de prenhez, calculada por meio de outras duas taxas: a de concepção e a de serviço. O estresse térmico pode interferir em todas elas. Na taxa de serviço, devido à vaca em estresse térmico demonstrar menos cio (20 horas de cio animais em conforto contra

Fonte: Tao et al (2012)

11 a 14 horas em animais em estresse térmico), a dificuldade de detecção de estro acontece porque o calor reduz tanto a duração do estro como o número de monta. São vacas menos ativas, menos dispostas a montar. Na taxa de concepção, os rebanhos tendem a ter quedas de 30% até 50% dos índices em épocas mais frescas do ano. O principal fator que afetaria a concepção seria a mortalidade precoce do embrião, pois vacas expostas a estresse térmico tipicamente apresentam elevação da temperatura corporal, que passa a ser alta o bastante para danificar diretamente o oócito ou matar o embrião. Além disso, os níveis séricos de progesterona, hormônio responsável pela manutenção da prenhez, podem estar reduzidos em vacas submetidas ao estresse térmico.


CONSEQUÊNCIA DO STRESS TÉRMICO

IMPACTO FISIOLÓGICO

Decréscimo de IMS: 6 a 30%

- 894 kg/vaca/ano

Decréscimo de produção de leite: 15 a 20%

- 1.803 kg/vaca/ano

Decréscimo na eficiência reprodutiva: 40 a 50%

+ 59.2 dias intervalo parto – concepção + 7.99 de descarte devido a problemas reprodutivos

Aumento de mortalidade Aumento nas incidências e severidade de mastites

+ 1.72% mortalidade

Adaptada de Pierreet al., 2003

Estudo na Fazenda Joinha Localizada em Tupaciguara, no Triângulo Mineiro, a Fazenda Joinha produz, hoje, cerca de 4.500 litros de leite por dia, com 180 vacas em lactação da raça Girolando. No final de 2017, técnicos da Alta fizeram um estudo para avaliar o estresse térmico das vacas e o efeito da instalação de um túnel de vento para melhorar o conforto animal e, também, a produção de leite.

Com termômetros intravaginais, que monitoram e registram continuamente a temperatura corpórea, foram medidas 26 fêmeas, antes e depois da instalação do túnel. No mesmo ambiente do túnel de vento, foram monitoradas temperaturas retais acima de 39ºC, principalmente após a ordenha. Como a fazenda não possui um sistema de resfriamento na sala de espera, os

animais se aglomeram, gerando calor e aumentando as chances de estresse térmico. O monitoramento frequente desses parâmetros nos dias de verão (mais quentes), com os termômetros intravaginais, indicará ao produtor qual estratégia de resfriamento adotar na propriedade, quando começar e quando parar, bem como avaliar a eficácia do sistema em uso.

PECUÁRIA EM ALTA

23


LEITE

Comparação antes x depois do túnel de vento 40 39,66

Temperatura ºC

39,27

39,5

39,34

39,48

39,5

39,43 38,88

39,17

39,02

38,94

39,96

38,71

38,88

39,32

39,36

38,74

39,28

38,74

39,36

39,06

39,53 39,53

39,2

38,79

38,94

39

38,98

38,5

38,85 38,78

38,04 38,77 38,36

38,61

38,98

38,89 39,07

38,67

38,7

38,97

38,84 38,94

38,9

38,92

38,78

38,93

38,73 38,84

38,54

39,03

38,69

38,59

38 Antes

Porcentagem de tempo em que os animais ficaram com temperatura maior ou igual a 39ºC (antes do túnel de vento)

Depois

Porcentagem de tempo em que os animais ficaram com temperatura maior ou igual a 39ºC (depois do túnel de vento)

36%

36% 64% 64%

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Superior ou igual a 39ºC

Superior ou igual a 39ºC

Inferior ou igual a 38,5ºC

Inferior ou igual a 38,5ºC

PECUÁRIA EM ALTA


Comparativos Com essa diferença de ambiente, refletindo diretamente na temperatura retal dos animais, fizemos uma comparação entre os animais que pariram no ano de 2017, na época do verão (janeiro a abril) e na época do inverno (maio a agosto). Essa diferença encontrada na fazenda foi de 2,9 kg de leite por dia em lactação. Acreditamos que essa diferença possa ser mantida no sistema de túnel de vento, ou seja, realizando o aumento de produção no rebanho de mais de 500 litros a mais por dia.

É cada vez mais impactante o efeito do estresse calórico no desempenho e na produção das vacas de leite, interferindo diretamente na rentabilidade da atividade ao produtor. É muito importante a integração entre técnicos, pesquisadores e produtores na busca por alternativas viáveis e adaptadas a cada realidade. Alternativas que melhorem o conforto térmico do animal, o bem-estar e estimulem maior consumo de alimentos. Esse conjunto resultará em aumento dos índices zootécnicos, como a produção de leite e índices

reprodutivos, repercutindo em maior rentabilidade da atividade leiteira.

Alexandre Scarpa, técnico de Leite da Alta Formado em Zootecnia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho da Universidade de São Paulo (Unesp/USP – Botucatu) e Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Goiás (UFG – Jataí), trabalha como consultor técnico na área de Produção de Leite da Scarpa Consultoria e como técnico de Leite Alta

PECUÁRIA EM ALTA

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PECUÁRIA EM ALTA


PECUÁRIA EM ALTA

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LEITE

PLANEJAMENTO GENÉTICO

OPÇÕES ESTRATÉGICAS AUMENTAM GANHOS NA PRODUÇÃO E REPRODUÇÃO DE REBANHOS

Rodrigo Peixoto, técnico em manejo racional da Alta

Qual é o grau de importância da reprodução para se ter sucesso em um sistema de produção de leite, seja ele a pasto ou em confinamento? Se sua resposta é “muito importante”, você está gerindo os indicadores de forma precisa? Espero que esteja, pois sem gestão implacável da reprodução em uma fazenda de leite não existe sobrevida. Em décadas passadas não conhecíamos a fundo a fisiologia e dinâmica folicular ovariana dos 28

PECUÁRIA EM ALTA

bovinos, além de que, claro, não tínhamos ferramentas importantes como as que temos atualmente, por exemplo: • a ultrassonografia para diagnosticarmos vacas vazias precocemente e atuarmos para emprenhá-las rapidamente; • protocolos hormonais para sincronizarmos vacas em um período ou momento ideal; • a IATF para podermos inseminar várias vacas ao mesmo tempo sem a necessidade de ob-

servação de cio, • e ferramentas como bastão marcador e “cartões colantes de raspadinhas” que nos auxiliam absurdamente na identificação de cio. Aliás, falando em identificar cio, aquela recomendação, que vem de décadas atrás, de que o vaqueiro responsável deve ficar observando cio por uma hora em cada lote de vacas e novilhas, de manhã e à tarde, já caiu por terra. Sabemos que é praticamente impossível exercer essa atividade, já que outras prioridades sempre ocorrem e a observação de cio fica prejudicada, culminando em baixa taxa de inseminação e, por consequência, em baixa taxa de prenhez. Era usualmente comum terceirizar a reprodução para o touro e os únicos indicadores de sinalização da eficiência reprodutiva era contabilizar a relação de vacas em lactação em relação ao total de vacas do rebanho e, também, quando se percebia que havia poucas bezerras novas na fazenda. Assim, a ação a se tomar, de forma muito tardia, era descartar o(s) touro(s). Dessa forma, a produção de bezerras, o progresso genético e a produtividade leiteira ficavam extremamente prejudicados em tempo real e para o futuro, já que o reflexo da eficiência reprodutiva hoje começa a refletir sobre a fazenda a partir de quase um ano mais tarde.


Atualmente, o negócio produção de leite é extremamente desafiador, pois o lucro líquido na atividade leiteira é estreito por unidade de produto comercializado e é imprescindível ter-se consciência disso e ser extremamente eficaz em todos os setores da fazenda. Como a reprodução está diretamente ligada à produção de bezerras, ao progresso genético, à produtividade e à produção to-

tal, é muito relevante que o pecuarista se envolva na mensuração e tomada de decisões rápidas em todos os quesitos relacionados à reprodução. Então, na pecuária moderna, torna-se inadmissível terceirizar a reprodução para o touro e esperar que os índices melhorem, ou mesmo acreditar que assim a fazenda gere lucro. Veja abaixo, na figura 1, a demonstração do que ocorre com

a margem bruta (receita com venda de leite – custo alimentar) ao longo dos Dias em Lactação (DEL) médio de um rebanho leiteiro. Observamos, claramente, que quanto menor o DEL médio do rebanho, maior é a produtividade média das vacas que compõem o rebanho e, consequentemente, maior se torna a margem bruta desse rebanho. E a reprodução tem tudo a ver com isso.

Produção de Leite

$ $ $$ $ $$$ $ $ $ $$$ $ $ $ $ $ $ $ $$$$$ $$ $ $$ $$$ Custo de alimentação

0

20

40

60

IEP

12.1

80

100

$ Margem bruta

$$$ $ $ $ $ $ $$ $

12.7

13.4

14.1

14.9

15.5

16.0

16.7 17.3

120

140

160

180

200

220

240

260

Dias em Leite Figura adaptada Fonte: Dr. Dave Galligan, Upenn Slide fornecido por Glaucio Lopes

Compreendendo os dados Para explicar como a reprodução tem tudo a ver com isso, farei um comparativo entre duas situações em uma mesma fazenda. Na situação A, a fazenda não focava na reprodução e obtinha taxa de prenhez média de 16%. Na situação B, a fazenda passou a dar muita atenção para a reprodução e conseguiu passar a taxa de prenhez para 28%. Antes de dar o próximo passo, tenho que esclarecer que taxa de prenhez não é a mesma coisa de taxa de concepção.

3º Lactação, 9.000 Kg

Taxa de prenhez é a velocidade em que as vacas emprenham a cada 21 dias após ser liberadas para a reprodução. Essa taxa é a multiplicação da taxa de concepção com a taxa de inseminação. Já a taxa de concepção é medida simplesmente pelo resultado da quantidade de vacas que emprenharam sobre a quantidade de vacas inseminadas em certo período. Vamos retornar às análises da Figura 1. Na mesma figura, porém repetida a seguir, inseri uma seta amarela demonstrando

que a fazenda exemplo, na situação A, estava com 13,6 meses de Intervalo de Partos (IP). A seta verde inserida demonstra a fazenda após ter intensificado a gestão sobre a reprodução (situação B) e reduzido o IP médio para 12,1 meses. Observe como a posição da curva de lactação média do rebanho se deslocou para mais perto do pico de lactação, ou seja, o DEL médio reduziu. Dessa forma, a fazenda aumentou a produção diária somente com a melhora da reprodução. PECUÁRIA EM ALTA

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LEITE

Produção de Leite

$ $ $$ $ $$$ $ $ $ $$$ $ $ $ $ $ $ $ $$$$$ $$ $ $$ $$$ Custo de alimentação

0

20

40

60

$ Margem bruta

$$$ $ $ $ $ $ $$ $

IEP

12.1

12.7

13.4

14.1

14.9

15.5

16.0

16.7 17.3

80

100

120

140

160

180

200

220

240

260

Dias em Leite

No quadro que veremos a seguir, podemos demonstrar o aumento real em produção de leite da fazenda exemplo acima quando passamos a taxa de prenhez da fazenda de 16% para 28%.

O aumento de produtividade foi de pouco mais de 2 litros de leite/vaca/dia. Calculando-se para um rebanho de 100 vacas em lactação, temos um incremento de mais de R$ 80 mil por ano na receita da fazenda.

Fazenda exemplo com 100 vacas em lactação: Comparativo Situação A (16% de taxa de prenhez) x Situação B (28% de taxa de prenhez)

Taxa de concepção Taxa de serviço Taxa de prenhez

IEP projetado DEL médio

SITUAÇÃO A

SITUAÇÃO B

45,0% 35,0% 16%

50% 55% 28%

SITUAÇÃO A

SITUAÇÃO B

DIFERENÇA

13,6 145

12,1 100

2

Leite extra/vaca/dia (L)

45 2,03

Leite extra/dia (L)

203,00

Leite extra/ano (L)

74.095,00

Leite extra/ano (R$)

81.504,50

Espero que tenham entendido até aqui a grande importância de trabalharmos a reprodução com muita gestão. Existem vários fatores que influenciam na reprodução e aqui quero expor duas delas que muitas

30

PECUÁRIA EM ALTA

vezes são pouco lembradas, sendo: - Utilização de sêmen de touros ConceptPlus (touros provados por emprenharem mais do que a média); - Taxa de prenhez das filhas (DPR).


Utilização de sêmen de touros ConceptPlus O ConceptPlus é um programa de altíssima confiabilidade de identificação de touros provados estatisticamente serem superiores em taxa de concepção em relação aos outros touros do mercado. Os touros que recebem o tão cobiçado selo ConceptPlus incrementam entre dois e cinco pontos percentuais na taxa de concepção média do rebanho. Os pecuaristas podem confiar no uso de touros ConceptPlus para aumentar as taxas de concepção e, por consequência, aumentar a lucratividade da fazenda. Taxa de prenhez das filhas (DPR) Porcentagem de vacas que se tornam prenhes durante cada período de 21 dias. Cada um ponto positivo de DPR prediz que filhas desse touro talvez tenham um ponto percentual a mais na taxa de prenhez do que filhas de um touro DPR zero. Dessa forma, podemos utilizar touros que se destacam em DPR para inserir genes favoráveis à fertilidade e, assim, manter progresso genético direcionado à reprodução. Na figura a seguir, um exemplo real de melhora da reprodução de um rebanho que comparou filhas de touros fortes e fracos para DPR. No exemplo real da figura, estamos vendo que as filhas do touro +3,3 para DPR (High DPR) apresentaram incríveis nove pontos percentuais de incremento na taxa de prenhez do rebanho quando comparadas

Prova de números Taxa de concepção das primiparas podem ser preditas com base no DPR do touro? DPR do Pai

Qtd das vacas

Taxa de prenhez

Taxa de Serviço

Taxa de concepção

Alta DPR

229

32

66

47

Baixa DPR

130

23

67

36

9

-1

11

Diferença

1 ponto DPR = 1 Ponto de melhora na taxa de prenhez ou 4 dias a menos em aberto

às filhas do touro -1 para DPR (Low DPR). Na mesma figura, podemos observar que o resultado da genética na fazenda foi muito melhor do que o esperado (nove pontos percentuais de incremento contra 4,3 do que era estimado). Isso ocorre quando o ambiente é propício à expressão gênica da fertilidade. É importante trabalhar geneticamente o rebanho para ter incremento da fertilidade do rebanho. É apenas uma das diversas opções estratégicas de melhoramento genético na área de reprodução. Se a fazenda tem interesse em escolher touros que transmitam características genéticas voltadas para incremento da fertilidade, deve levar em consideração que essas características têm correlação negativa com a produção de leite. E, também, é importante saber que a herdabilidade de características de fertilidade é bastante baixa e, assim, o ambiente influencia muito no resultado da característica. O ideal é criar um planejamento genético persona-

lizado para a fazenda, identificando como a propriedade e o rebanho estão atualmente e qual a meta estipulada para alcançar o objetivo em médio e longo prazos. Conte com os consultores técnicos da Alta para auxiliar você a elaborar um planejamento genético personalizado para sua fazenda e utilize os touros focados em melhorar as características que mais se adequam à sua realidade e aos seus objetivos. Assim, maximizamos o retorno financeiro sobre a inseminação artificial e lucratividade da fazenda.

Rodrigo Peixoto, técnico em manejo racional da Alta Médico veterinário graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC/ MG) e mestre em Zootecnia, na área de Produção Animal, com projeto de pesquisa relacionado com Metabolismo e Reprodução de Bovinos de Leite

PECUÁRIA EM ALTA

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CAPA

DE OLHO NO FUTURO ALTA INVESTE EM TOUROS JOVENS E CONSTRÓI A BATERIA MAIS SÓLIDA DA RAÇA NELORE DO MERCADO

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PECUÁRIA EM ALTA


A pecuária de corte passa por constantes transformações. Seja pelo aumento da demanda de carne, devido ao crescimento do poder aquisitivo dos brasileiros e aumento das exportações, ou pela profissionalização dos pecuaristas, pressionados pela máxima eficiência produtiva para ser competitivos com outros setores, como a agricultura. Ao logo dos 22 anos, a Alta construiu no Brasil uma história de vanguarda e pioneirismo na pecuária, sempre de olho no futuro, enxergando oportunidades, inovando e já prevendo importantes mudanças no comportamento do mercado. Em 2008, veio a consagração, com a conquista da liderança do mercado de inseminação no país. De lá para cá, o trabalho tem sido ainda mais intenso. “Sempre digo que conquistar a liderança não é o difícil, mas o desafio é se manter na liderança há quase uma década e estar em constante crescimento. A Alta é muito mais que genética. Somos uma empresa focada nos resultados dos nossos clientes, por isso, inovamos sempre e buscamos, cada vez mais, programas e serviços que nos mantenham na direção certa”, afirma o diretor da Alta Brasil, Heverardo Carvalho. A raça Nelore, antigamente, tinha como modelo de seleção animais premiados em pista. Esse mercado representava em torno de 95% das vendas de sêmen até o ano de 2009. “Em 2010, esse cenário mudou e a valorização dos animais oriundos de rebanhos focados em números e avaliações genéticas validadas pelos sumários passou a ter

Roberta Gestal, Técnica de Corte Alta “Os rebanhos que possuírem processos de melhoramento genético bem feitos serão as principais fontes de touros jovens e melhoradores”

maior importância no mercado, representando, hoje, em torno de 96% das vendas de sêmen da raça Nelore”, explica o gerente de Produto Corte Zebu, Rafael Oliveira. O foco da bateria sempre foi investir em parcerias com fornecedores de genética, voltados para trabalhos consistentes de melhoramento. Grandes parceiros, como Genética Aditiva, Agropecuária Naviraí, Bonsucesso, Bela Alvorada, Colonial, Nelore CEN, entre outros impor-

tantes melhoradores, posicionaram a Alta como a dona da bateria mais completa do país. “Foi um momento de muitos desafios, porém de muita visão da Alta, já que o mercado olhava apenas o fenótipo e o desempenho nas pistas. Um touro Grande Campeão Nacional saía com 30.000 doses reservadas. Hoje não é mais assim; o mercado está de olho, cada vez mais, nas avaliações dos touros. Tem touro vendendo mais de 100.000 doses em um único ano, como é o caso

REM Dheef

PECUÁRIA EM ALTA

33


CAPA

do REM USP”, enfatiza Rafael. O princípio do melhoramento genético é claro: novas gerações devem ser melhores que as anteriores. Partindo dessa premissa, a Alta, então, diminuiu o intervalo entre essas gerações e acelerou ainda mais a evolução genética dos rebanhos. “O surgimento de programas de melhoramento genético da raça, as avaliações e os resultados comprovaram para o mercado que estávamos no caminho certo”, salienta Heverardo. O primeiro passo para essa nova fase da empresa foi buscar no mercado jovens touros para integrar a bateria Alta. “Esse trabalho foi marcado pela seleção minuciosa dentre os fornecedores de genética parceiros da Alta, analisando dados intrarrebanho, com a avaliação genética e pedigree dos jovens reprodutores candidatos a ingressarem na bateria da raça Nelore da Alta. Nossa preocupação é oferecer o que há de melhor e mais consistente dentro de cada rebanho”, completa Rafael. Dentro da equação do ganho genético, a utilização de touros jovens com alta confiabilidade em suas informações ajuda a encurtar os intervalos de gerações e, consequentemente, os ciclos de produção de carne, ou seja, são animais mais jovens, mais produtivos e com maior resultado. Hoje, a Alta é a central de inseminação artificial que mais investe na bateria de tourinhos jovens, exatamente por acreditar no potencial da pecuária brasileira e confiar na qualidade genética dos plantéis fornecedores de genética. 34

PECUÁRIA EM ALTA

Rafael Oliveira, Gerente de Produto Corte Zebu “O mercado passou a entender a importância de diminuir o intervalo de gerações e a investir em um material genético mais consistente e de melhor resultado a campo”

Artilheiro FVC

Astral da Vick


Impacto da utilização dos touros jovens Em um programa de melhoramento genético eficiente, os animais mais jovens são superiores aos mais velhos. Quanto mais jovens são os reprodutores (machos e fêmeas), menor é o intervalo de gerações. Quanto menor o intervalo de gerações (L), maior o ganho genético anual (ΔG). Entretanto, a confiabilidade (acurácia) das DEPs (valores genéticos) dos animais mais joIntensidade de seleção

Valor Genético

G=

vens, geralmente, é menor que a acurácia dos valores genéticos dos animais mais velhos, por causa da quantidade de informações disponíveis na base de dados para eles. A acurácia também é um componente da equação do ganho genético, mas quando se dá ênfase exagerada a ela, visando a utilização de touros provados, ocorre o aumento do intervalo de gerações e o ganho genético anual fica comprometido.

Acurária

Variabilidade genética

i x h2 x L Intervalo de gerações

As ferramentas genômicas surgem com uma nova perspectiva para os programas de melhoramento para acelerar o ganho genético anual. Por outro lado, exigem mudanças de pensamento e de atitudes dos pecuaristas. Um trabalho publicado em 2016 sobre o impacto da seleção genômica em gado de leite (Holandês), nos Estados Unidos, permite entender como essas ferramentas podem acelerar o ganho genético anual. Segundo os pesquisadores, a seleção genômica realmente funciona. Os ganhos genéticos anuais aumentaram entre 50% e 100% para características produtivas (produção de leite, gordura e proteína) e entre 300% e 400% para características de baixa herdabilidade (escore de células somáticas, vida útil produtiva e taxa de prenhez nas filhas). Esses aumentos são relativos aos ganhos anuais obtidos antes da utilização da seleção genômica. A redução do intervalo de gerações e o au-

mento do diferencial de seleção foram os elementos decisivos para esse aumento no ganho genético anual. Com a predição dos valores genômicos dos candidatos à seleção ainda jovens e com a utilização dos reprodutores o mais rápido possível, reduziu-se a idade média dos touros que são pais, de 7 para 2,5 anos. A mesma pesquisa traz a idade média das vacas que são mães de touros, de 4 para 2,5 anos. “O processo atual é colher sêmen, distribuir sêmen, inseminar, acompanhar gestação, parto, cria, recria, inseminar novamente, esperar outra gestação, mais um parto, coletar e enviar os dados para o programa de melhoramento genético, fazer avaliação genética e esperar a divulgação dos valores genéticos, para decidir, depois de tudo isso, quais touros serão utilizados dentro de um rebanho”, orienta a técnica de Corte da Alta, Roberta Gestal. Será importante realizar a avaliação do

PECUÁRIA EM ALTA

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CAPA

maior número possível de candidatos (jovens) e utilizar aqueles que forem superiores imediatamente. A coleta de dados das progênies dos touros vai continuar sendo essencial para retroalimentar o sistema de avaliação genômica, para calibração das equações de predição de componentes de variância e avaliação da eficiência do processo. “Mas, quando um touro

Como identificar um touro jovem? Quando um técnico da Alta vai a uma propriedade para fazer a seleção de touros para ingressar a bateria, muitas vezes já os conhece desde bezerros, pois há visitas periódicas aos parceiros, pelo menos duas vezes ao ano, acompanhando a desmama e o sobreano. São épocas em que a escolha é realizada, aumentando ainda mais a confiança na contratação e indicação aos clientes. Em 2017, foram contratados 28 touros, sendo 24 deles com idade inferior a 26 meses de idade, todos com forte desempenho intrarrebanho, média de avaliação genética top 0,5% na Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP) e 0,1% no Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ), além de possuir pedigree moderno e de altíssima consistência. Hoje, a bateria Alta já é representada por quase 35% de touros com menos de três anos de idade, mostrando o investimento na contratação de touros jovens e a preocupação constante na renovação da bateria. “Apoiamos muito os programas que incentivam a utilização de touros jovens, como é o caso da Reprodução Programada da ANCP, em que somos a central 36

PECUÁRIA EM ALTA

REM El Toro

REM Ethios

possuir muitos filhos com dados registrados, ele já terá sido substituído por outro superior. Os rebanhos que possuírem processos de melhoramento genético bem feitos serão as principais fontes de touros jovens e melhoradores. O selecionador que for eficiente em produzir touros melhores a cada ano vai continuar prosperando”, completa Roberta.


que mais tem touros contratados e a que mais distribui doses. Já no Programa Nacional de Avaliação de Touros Jovens (PNAT), realizado pela Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), a Alta é, historicamente, a central com o maior número de touros que passaram pelo programa, inclusive, com touros recordistas de distribuição de doses, como Logan do Di Gênio e 1070 da Terra Brava”, reforça Rafael. Além disso, a Alta possui uma parceria com o Geneplus da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Todos os touros integrantes da Avaliação de Touros Jovens (ATJ) saíram de grandes vendedores de sêmen, como Barac Sta. Nice. “Treinamos e capacitamos a nossa equipe para acreditar em uma genética jovem e mais moderna; com isso, o aumento da indicação dos touros jovens foi natural. O mercado passou a entender a importância de diminuir o intervalo de gerações e a investir em um material genético mais consistente e de melhor resultado a campo”, detalha Rafael. Esse cuidado na escolha dos touros jovens que ingressam na bateria é refletido em vendas. Touros jovens, com pedigree moderno, boa avaliação genética e fenótipo voltado para a produção estão valorizados. No passado, muito se falava que o ideal seria utilizar em torno de 20% de genética de touros jovens, mas, com um trabalho sério na seleção desses touros e um treinamento da equipe, muitos clientes já utilizam uma porcentagem superior a 40% de touros jovens por estação de monta. A busca é por desempenho em ganho de peso, precocidade sexual, fer-

tilidade e pedigree de maior consistência genética. São filhos de touros de destaque intrarrebanho, como REM Torixoréu, REM Armador, REM USP e Faraó FVC.

Os filhos seguiram os caminhos dos pais e se destacaram tanto no desempenho na fazenda como na produção de seus filhos e, consequentemente, em vendas.

Rodolffo Assis, Técnico de Corte Alta “Assim como já ocorre nas raças taurinas leiteiras, em pouco tempo os touros jovens de corte com avaliação superior serão mais valorizados que os demais”

REM El Dourado

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CAPA

Palavra de quem investe em touros jovens Com um plano genético focado nas características econômicas da raça Nelore, o pecuarista Francisco de Salles Ribeiro utiliza hoje touros jovens na estação de monta, tanto no gado Puro de Origem (PO) quanto no comercial. A Fazenda Itaituba, localizada em Bujari, no estado do Acre, vai desafiar 12 mil novilhas de gado PO, utilizando touros jovens em 70% delas. “Não acredito em evolução genética sem diminuir o intervalo de gerações dos animais. Agora, para utilizar touros jovens, eles têm que ser de criatórios confiáveis, que realmente possuem um criterioso trabalho de seleção”, afirma o pecuarista. Todos os anos, Francisco acasala as fêmeas sob a orientação técnica da equipe Alta. “A Alta sempre esteve na ponta do melhoramento genético, buscando touros novos e bem avaliados de programas sérios, contribuindo para chegarmos mais rápido ao animal desejado, que, aqui na Fazenda Itaituba, precisa ser uma fêmea fértil, precoce, que todo ano nos deixe um bezerro, que desmame seus filhos com 45% a 50% do seu peso, além de ter um bom maternal e temperamento”, conclui. Uma das regionais da Alta que mais têm utilizado touros jovens, nos últimos anos, está localizada em Campo Grande (MS). Em 2007, os dez touros da raça Nelore, líderes em preferência pelos criadores, possuíam média de 7,5 anos de idade e, entre eles, três possuíam mais de dez anos de idade. Em 2017, a média dos dez principais touros da raça na regional caiu para 6,2 anos e nenhum deles havia atingido dez anos de 38

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Francisco de Salles Ribeiro, Fazenda Itaituba (AC) “Para utilizar touros jovens, eles têm que ser de criatórios confiáveis, que realmente possuem um criterioso trabalho de seleção”

Jairo Machado, Fazenda Vera Cruz (MT) “Num programa de seleção bem feito, os filhos serão melhores que os pais e, com a genômica, temos mais acurácia nas informações”

idade. Esses números mostram como os touros jovens têm se tornado importantes para a pecuária. “A vantagem na utilização de touros jovens ficou restrita, durante muito tempo, a apenas baixar o preço médio da compra. Nos últimos anos, graças ao avanço na assertividade de identificação desses touros, pecuaristas que priorizam o melhoramento genético têm aumentado muito a utilização deles. Atualmente, há muito menos riscos ao se utilizar um touro jovem, fruto de um trabalho sério. Assim como já ocorre nas raças taurinas leiteiras, em pouco tempo os touros jovens de corte com avaliação superior serão mais valorizados que os demais”, afirma o técnico de Corte da Alta, Rodolffo Assis, responsável pela Regional Campo Grande, juntamente com o pai, Jair Assis. Outro exemplo de plantel com utilização de touros jovens, em busca da evolução do rebanho,

vem da Fazenda Vera Cruz, localizada em Barra do Garças (MT). O grupo trabalha com ciclo completo da pecuária de corte. Há 26 anos, decidiu buscar precocidade sexual e animais com mais rendimento de carcaça. “Só escolhemos touros identificados de trabalhos que respeitam grupos contemporâneos, com avaliação interna e informações de carcaça”, pondera o proprietário da fazenda, Jairo Machado Filho. Desde a criação da DEP Genômica, o pecuarista decidiu investir e intensificar a utilização de touros jovens na propriedade. Hoje, cerca de 80% do rebanho é inseminado com touros jovens. “Num programa de seleção bem feito, os filhos serão melhores que os pais e, com a genômica, temos mais acurácia nas informações. Não só usamos touros jovens como também coletamos bezerras com eles, para um maior progresso genético”, finaliza.


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PROGRAMAS E SERVIÇOS

PECUÁRIA DE PRECISÃO 1º MÓDULO DO ENCONTRO DE GERENTES E CAPATAZES BUSCA PECUÁRIA CADA VEZ MAIS SUSTENTÁVEL O sucesso ou o fracasso de uma empresa depende de vários aspectos e, principalmente, da gestão. No agronegócio, em alguns casos, o conservadorismo ainda limita a implementação de inovações nas propriedades, sejam relacionadas à tecnologia, ao manejo ou à genética. Analisando essa importante realidade da pecuária brasileira, a Alta, juntamente com empresa de Consultoria e Administração Rural (COAR), realizou, pelo quarto ano, o 1º Encontro de Gerentes e Capatazes de 2018. O objetivo foi desenvolver habilidades e oferecer ferramentas gerenciais fundamentais para a gestão das propriedades. “Com mais conhecimento, o produtor consegue produzir mais e, consequentemente, ganhar mais dinheiro. 40

PECUÁRIA EM ALTA

Esse curso tem essa missão de levar conhecimento para gerentes, capatazes e proprietários, para que tenham condição de aplicar

“A gente faz muitos treinamentos dentro da fazenda, só que não tem a amplitude de informações que tem em um curso como esse” Caio Baccarat, Fazenda Guanabara

na fazenda o que aprenderam aqui e colher ainda mais resultados. A pecuária precisa de pessoas mais eficientes e comprometidas com os resultados”, afirma o

gerente de Mercado da Alta Brasil, Tiago Carrara. Gerentes e capatazes são responsáveis diretos pela sobrevivência e pelo sucesso da propriedade. Por meio dessa liderança, os colaboradores se motivam. “Acredito que a principal dificuldade que a pecuária encontra hoje é mudar; aceitar que a atividade precisa mudar para ser mais eficiente e precisa. Então, o curso pretende capacitar. Só assim as mudanças acontecerão. Na minha opinião, essa turma é diferenciada. Só de estarem aqui já mostram que estão em busca de mudanças e melhorias. Estamos aqui para fazer isso acontecer, tornar os alunos cada vez melhores e deixar a pecuária mais competitiva”, ressalta o proprietário da COAR, Fernando Andrade.


Gente que faz A primeira etapa do Encontro Gerentes e Capatazes reuniu, de 8 a 10 de março, na central da Alta, em Uberaba (MG), cerca de 130 participantes e contou com palestras sobre: Gestão prática de uma fazenda de gado de corte, Melhoramento genético e interpretação de sumários, A importância de ter um objetivo de produção, Preparação e manejo de pastos para a seca, Correção de solo, Reforma de pastagens e Gestão de pessoas. “A gente faz muitos treinamentos dentro da fazenda, só que não tem a amplitude de informações que tem em um curso como esse”, afirma o proprietário da Fazenda Guanabara, Caio Baccarat. Caio veio participar do curso juntamente com 14 colaboradores da fazenda, localizada em Paranapoema, no Paraná. “Aqui, você consegue concentrar um volume de informações de diferentes lugares e experiências profissionais e atingir seus funcionários com esse conhecimento. Uma oportunidade dessas é fundamental. Tem que existir e temos que participar”, completa. O curso recebeu participantes de 11 estados brasileiros e até de outros países, como foi o caso do gerente da Fazenda Sinuelo, do Paraguai, Willian Oliveira. Filho de brasileiros, mas nascido no Paraguai, Willian fez a inscrição no curso assim que teve conhecimento do evento e imediatamente chamou o patrão para participar. “Quando a gente fala alguma coisa para o patrão, é uma coisa, mas quando a gente traz para um curso dessa amplitude, para ele presenciar a realidade, o resulta-

“Aqui, nós conseguimos transferir a bagagem que temos nas pesquisas para o conhecimento aplicado, realmente na prática” Moacir Corsi, Professor do curso

do é outro. No Paraguai, não tem cursos como esses, com tantos especialistas”, afirma Willian. A satisfação foi tanta que o patrão já fez outra solicitação. “Ele já me pediu para ver quando será o próximo curso para trazermos mais pessoas da nossa equipe. São 1.200 quilômetros de viagem até Uberaba, claro que temos o custo de estar aqui, mas considero realmente um investimento, que vai nos trazer muitos resultados positivos, lá na frente”, finaliza.

Dinâmica do conhecimento Para encerrar o encontro, os alunos acompanharam um desfile de genética com os principais touros da bateria de corte da Alta e, juntamente com os técnicos, puderam aprender, na prática, com alguns estudos de caso, a identificar os melhores touros para cada sistema de produção apresentado com o uso do plano genético. “Encontros como esse favorecem muito a dinâmica do conhecimento. Aqui, nós conseguimos transferir a bagagem que temos nas pesquisas para o conhecimento aplicado, realmente na prática. Vemos a importância real do conhecimento”, afirma um dos professores do curso, Moacir Corsi. Ao final do encontro, todos os participantes receberam certificado dessa primeira etapa. O segundo módulo será realizado entre 16 e 18 de agosto. Para mais informações, basta enviar um e-mail para: lourenco.sena@altagenetics.com

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GIRO NO CAMPO

Participe e envie sua foto para pecuariaemalta@altagenetics.com.br

Cléverson Machado, da Regional Alta em Goiânia (GO), juntamente com os técnicos Cleiton Nunes e Renato Lopes, na Fazenda Santa Ana (MT)

Gerente de Produto Leite Nacional da Alta, Guilherme Marquez, em visita à Fazenda Vila Rica, no município de Cocalzinho (GO)

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PECUÁRIA EM ALTA

Gerente regional da Alta em Paragominas (PA), Marcelo Neri; consultor técnico Alta, Rodrigo Peixoto; gerente da Fazenda Mogi Guaçu, Marcos Vieira, mais o auxiliar administrativo, Gilberto Vieira de Souza, e o consultor de Vendas da Alta do município de Rondon do Pará (PA), Willians de Aquino Júnior

Técnico de Corte da Alta, Marcos Labury, juntamente com a equipe da Katayama Agropecuária, em mais um dia de trabalho


@alvespaulinha

@alyssonoliveira

@anapazzeto

@blogdascarolas

@fabianajustus

@flahhpng

@giuliafricke

@marianarcs

@naylima1

PECUĂ RIA EM ALTA

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EVENTOS

EXPOINEL MINAS E 1ª EXPOGIROLANDO FEIRAS ABREM CALENDÁRIO DE EXPOSIÇÕES EM UBERABA Uberaba (MG) recebeu a Feira Estadual de Gado Nelore (Expoinel Minas), conhecida por reunir os principais criadores e animais da raça, entre 17 e 24 de fevereiro, no Parque de Exposições Fernando Costa. “É uma feira tradicional em que a genética da Alta sempre se destaca. Boa parte dos animais expostos é cria de touros da central”, enfatiza o gerente de Produto Corte Zebu, Rafael Oliveira. Um dos grandes destaques da feira deste ano foi o reprodutor Kayak TE Mafra, com várias filhas em pista. Kayak é

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PECUÁRIA EM ALTA

filho do consagrado Basco de Naviraí, atual líder do ranking da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) e sua mãe, Liaka, considerada uma das principais doadoras da raça Nelore. Foi Grande Campeão da ExboZebu 2014 e seus filhos têm ganhado destaque nas pistas de prova, em todo o país. Na ExpoZebu 2017, fez dois grandes campeões. “É uma genética que tem comprovado sua eficiência, nos últimos anos, fazendo diversos filhos e filhas campeões. Com certeza, teremos mais um filho

premiado na Expoinel 2018”, diz Oliveira. Outro destaque foi o touro Nasik FIV da Perboni, Grande Campeão da Expoinel 2012 e destaque do Ranking da ACNB. Nasik apresentou diversas progênies em destaque também na ExpoZebu 2017. A Alta também traz em sua bateria Nelore o reprodutor Alarme EDTO, Grande Campeão da ExpoZebu 2012, utilizado em grande escala nos animais de pista por transmitir sua progênie: muito comprimento, musculatura e beleza racial.


1ª ExpoGirolando A 1ª Exposição Interestadual de Girolando – Circuito Megaleite Etapa Sul/Sudeste – foi organizada pela Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, em parceria com a Associação Mineira dos Criadores de Nelore (AMCN) e com a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). A feira, também promovida no Parque Fernando Costa, aconteceu paralelamente à Expoinel Minas e a outras exposições das raças zebuínas Gir Leiteiro, Indubrasil e Tabapuã. Com mais de 200 animais, a feira retomou as competições da raça Girolando no município. “Estamos muito felizes com essa oportunidade. Minas é um Estado leiteiro e voltar a ter competições Girolando em Uberaba é uma ótima oportunidade de os criadores conhecerem os animais ao vivo e trocar experiências com nossa equipe técnica”, afirma o gerente de Produto Leite Nacional da Alta, Guilherme Marquez. A Central apresentou muita genética da pista, mostrando que a confirmação dos animais da bateria está equilibrada. Entre os destaques esteve o reprodutor Jagunço VIII FIV Shottle Alegre, um dos mais requisitados touros jovens Girolando 5/8. Sua mãe, Colônia, foi recorde de vendas ¼ e é a primeira vaca clonada da raça. Os criadores também puderam conhecer Imperador Baxter Volta Fria, líder de vendas em touros jovens da Alta, um dos animais mais consagrados nas Exposições por todo o Brasil. Ele foi duas vezes Grande Cam-

peão Nacional da Raça Girolando. Suas filhas possuem produções médias acima de 25kg/dia e muita força leiteira. Também destaque da bateria Girolando, a Alta apresentou Charmoso Wildman Tannus, considerado “rei” da raça Girolando ¾ e líder de vendas na Alta. O animal é provado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pela qualidade de suas filhas, que

apresentam forma leiteira, úberes espetaculares e muito leite. Outra genética de filhas premiadas é Demétrio Felicidade Braxton Nova Terra, filho de Braxton na matriz 1/4 Felicidade FIV Everest Volta Fria. Sua mãe, Felicidade, destaca-se pelo ótimo composto de úbere, com VGA de Leite de 574 kg e lactação de 7.721 kg. É um touro de muita força de anterior e ótimos aprumos. PECUÁRIA EM ALTA

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CORTE

ACASALAMENTOS DIRIGIDOS: MELHORAMENTO GENÉTICO PLANEJADO E SUSTENTÁVEL por Rodolffo Assis, técnico de Corte Alta mas a verdade é que essa ferramenta vai muito além disso e se torna fundamental no processo de melhoria nos principais fornecedores de genética do mundo.

Apesar de ainda pouco aplicado, o melhoramento genético tem se firmado como uma forma imprescindível para o incremento na rentabilidade da pecuária nacional. Há duas ferramentas que podem promover esse melhoramento: seleção e acasalamento. Muito se comenta sobre seleção e sua utilização tem sido facilitada nos últimos anos com 46

PECUÁRIA EM ALTA

adventos em identificação e mensuração dos animais. Já o acasalamento direcionado, na maioria das vezes, ou não é empregado ou é utilizado de forma menos eficaz do que se poderia. Quando se fala em acasalamento dirigido, muitos imaginam que o objetivo seja apenas correções morfológicas, como orelhas, pigmentação, marrafa e chanfro,

Seleção É importante que haja um levantamento da situação atual do rebanho, dos objetivos e dos critérios de seleção para que a escolha dos reprodutores que serão utilizados seja eficiente. A partir de uma minuciosa análise, devem-se escolher os touros e as quantidades que cada um deles deverá ser utilizado. Após essa etapa, já é possível a verificação da média da próxima safra. Caso essa etapa seja negligenciada, mesmo com um ótimo direcionamento de acasalamento, não será possível atingir os objetivos. Há a possibilidade de se definir a quantidade de utilização após o acasalamento individual. Isso dá maior liberdade para o acasalamento, mas deve se tomar cuidado para que não se concentrem acasalamentos com touros que, entre os selecionados, estejam entre os piores, o que é comum acontecer quando o acasalamento prioriza muito a correção morfológica dos animais. Nessa situação, o ganho genético esperado não seria alcançado.


-

Gráfico de projeção da safra 2018 Nelore Mocho CV, resultado de mais de 2.000 acasalamentos dirigidos realizados na estação 2017

Objetivos dos acasalamentos dirigidos Entre os quatro objetivos citados, os dois últimos necessitam que os animais possuam avaliação genética: • Controle de consanguinidade

• Ajustes morfológicos

Sabe-se que animais com alto coeficiente de endogamia (resultado do cruzamento entre parentes próximos) são menos produtivos. Esse fato é conhecido como depressão endogâmica e afeta, principalmente, a fertilidade e a sobrevivência. Hoje, praticamente todos os programas de melhoramento dispõem de softwares, que calculam o coeficiente de endogamia dos possíveis acasalamentos e permitem limitar esse valor. Em geral, recomenda-se que esteja abaixo de 6,25.

O direcionamento individualizado dos acasalamentos é utilizado, há muito tempo, para essa finalidade. Consiste em encontrar o reprodutor adequado para corrigir um ou mais pontos morfológicos inadequados de uma matriz. O resultado esperado é a maior quantidade de produtos adequados a um padrão, seja ele estabelecido por uma raça ou pelo próprio selecionador. Como exemplos, podemos citar possíveis ajustes em frame, umbigo, pigmentação, garupa, boca, ossatura, caráter mocho, etc. Apesar de essas características, em geral,

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CORTE

possuírem alta herdabilidade (muita influência genética), devemos salientar que ocorrem muitos equívocos por serem informações, na maioria das vezes, de origem subjetiva. • Correções genéticas

• Obtenção de animais com avaliações genéticas extremas Esse é o maior objetivo dos rebanhos de seleção. Baseia-se em priorizar o acasalamento dos melhores machos com as melhores fêmeas e, automaticamente, dos piores machos com as piores fêmeas (entre os já selecionados). A esse sistema é dado o nome de acasalamento entre semelhantes. Quando se utiliza esse tipo de estratégia, há uma maior variabilidade genética da safra, o que é muito importante para se obterem animais “fora da curva”, objetivo primário dos selecionadores. Em geral, quanto mais se adota essa estratégia, mais se aumenta a quantidade de animais extremos e diminui a quantidade de medianos.

Número de animais

Nesse sentido, o acasalamento funciona para corrigir alguma deficiência genética que o animal tenha. Em matrizes que sejam negativas para peso ao sobreano, por exemplo, seriam utilizados touros muito bons para essa característica, resultando, assim, em produtos positivos. Esse tipo de acasalamento pode ser chamado de corretivo ou compensatório. Para isso, os atuais programas de melhoramento trabalham com possibilidade de filtros nas projeções das avaliações dos acasalamentos, ou seja, pode-se excluir acasalamentos que resultem em características piores que um valor predeterminado. Quando é realizada a seleção prévia para os reprodutores e suas respectivas quantidades e se priorizam os acasalamentos corretivos, há um aumento na homogeneidade da próxima safra, podendo-se ter menos descartes por

avaliações muito ruins, mas dificilmente serão produzidos animais de excepcional genética. Seguindo o exemplo acima, utilizaríamos as doses de sêmen de que dispomos de um touro com excepcional peso ao sobreano para corrigir as matrizes mais fracas nessa característica e teríamos que utilizar um touro inferior nesse quesito nas matrizes superiores.

Valor genético Laranja: matrizes Azul: resultado de acasalamentos prioritariamente corretivos Verde: resultado de acasalamentos prioritariamente entre semelhantes

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PECUÁRIA EM ALTA


O gráfico anterior mostra como se comportaria uma safra resultante do acasalamento entre os mesmos animais, diferenciando apenas a estratégia desse acasalamento. Nesse exemplo, a média dos touros é superior à média das matrizes e cada um deles é utilizado na mesma quantidade. Verificamos que, caso os touros sejam utilizados na mesma quantidade, a média da safra independe da estratégia. O que determinaria qual estratégia devemos adotar seria ligado ao objetivo: - Homogeneidade dos produtos e obtenção de poucos animais com avaliação muito fraca: Acasalamento corretivo - Produção de animais de excelente avaliação: Acasalamento entre semelhantes Novidades Os programas de melhoramento têm desenvolvido várias ferramentas para auxiliar o processo de acasalamento. Há pouco mais de um ano, a Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP), por exemplo, lançou o MaxPAG, um programa que sugere acasalamentos otimizados, os quais, além de controlar consanguinidade, têm a função de aumentar a variabilidade genética, resultando em maior ganho genético a médio e longo prazo.

Outro exemplo de inovação na área vem do programa Embrapa Geneplus. Em sua ferramenta de pré-acasalamento, há a possibilidade de se classificarem as indicações pelo “Nível de Problema”. Com essa classificação, são priorizados os acasalamentos com réguas de Diferenças Esperadas de Progênie (DEPs) mais equilibradas, e não apenas por um índice final padrão, o que poderia “esconder” animais com características negativas indesejadas. Também deverão estar disponíveis, em breve, programas que vão possibilitar o controle de consanguinidade por meio de avaliação genômica, o que será ainda mais preciso que o método de análise que possuímos atualmente. Longe de ser apenas uma ferramenta para ajustes estéticos, o acasalamento direcionado tem se tornado uma peça fundamental para o melhoramento genético planejado e sustentável. Realizá-lo de forma eficiente pode gerar uma significativa redução no tempo necessário para se atingirem os objetivos de seleção. Rodolffo Assis, consultor técnico de Corte da Alta Médico veterinário pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), especialista em Produção de Gado de Corte pelo Rehagro, técnico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) ligado ao programa Geneplus.

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COLOSTRAGEM

UTILIZAÇÃO DA SONDA ESOFÁGICA PARA A COLOSTRAGEM OU PARA A HIDRATAÇÃO ORAL EM BEZERRAS por Rafael Azevedo, gerente de Produto da Alta,e Rodrigo Melo Meneses, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) A sonda esofágica é uma ferramenta que pode nos ajudar para tratar bezerras doentes, que necessitam de hidratação, ou para administrar colostro para as recém-nascidas. A sua utilização de forma adequada, porém, é fundamental para o sucesso, pois ela pode causar danos ao animal se for usada de maneira inadequada. É muito

“Antes de utilizar a sonda, realize a inspeção para ver se ela está limpa e não danificada” importante que, ao utilizá-la, a pessoa esteja tranquila e confiante do que irá fazer, sem desesperar e estressar o animal no momento do fornecimento do soro ou do colostro. A sonda para as bezerras, usualmente, é de aço inoxidável

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PECUÁRIA EM ALTA

ou de plástico, com uma esfera de aço inoxidável ou de plástico em sua ponta, seguida de um tubo de plástico de fixação, o

qual é acoplado a uma bolsa ou garrafa de plástico reutilizável, onde será colocado o fluido a ser fornecido às bezerras.

Modelo de sonda esofágica para bezerras


Antes de utilizar a sonda, Distância que precisamos medir para saber quanto realize a inspeção para ver se da sonda oral pode ser introduzida nas bezerras ela está limpa e não danificada. Muitos técnicos preferem utilizar a sonda com tubo de aço, pois ela tem menor chance de torcer. O comprimento do tubo e o tamanho da bezerra é que vão determinar o tanto que podemos inserir a sonda na cavidade oral da bezerra. Para isso, precisamos medir a distância entre a boca da bezerra e o final do pescoço. Essa deve ser a distância aproximada à qual o tubo deve ser inserido, ou seja, marcar essa distância no tubo nos ajuda a saber o quanto da sonda é necessário introduzir, especialmente, para bezerras recém-nascidas. A bezerra deve ser posicionada preferencialmente em pé, com o pescoço estendido e reto em relação ao corpo. Para isso, segure a cabeça do animal entre as pernas e deixe que ele apoie a parte traseira, oferecendo-lhe mais segurança e evitando estresse. Caso a bezerra não consiga ficar em pé, procure mantê-la em posição esternal (deitada normalmente) e segure a cabeça dela entre as pernas. Maneiras corretas de se utilizar a sonda em um animal em pé (A) ou deitado (B)

A

B PECUÁRIA EM ALTA

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COLOSTRAGEM

Para começar, abra a boca da bezerra, colocando os dedos na lateral da boca (ao redor das bochechas), e introduza a sonda. A extremidade arredondada, ao chegar à garganta, irá estimulá-la a engolir. Caso isso não ocorra de primeira, volte um pouco a sonda e a introduza novamente, fazendo-a tocar na garganta da bezerra de novo, estimulando, mais uma vez, a deglutição. Seja paciente. Uma vez que a bezerra engoliu essa extremidade da sonda, deslize o tubo suavemente pelo esôfago até chegar à marca que foi colocada anteriormente no tubo.

Antes de administrar o fluido, verifique se você consegue sentir o tubo passando pelo esôfago, no lado esquerdo do pescoço da bezerra. Normalmente, apenas a traqueia é palpada como uma estrutura tubular firme com vários anéis. Quando há a passagem da sonda esofágica, porém, sente-se uma estrutura tubular do lado esquerdo do pescoço ao lado da traqueia. É fácil identificar a esfera da extremidade da sonda. Você pode mover o tubo para a frente e para trás para identificá-lo no esôfago. Se nesse momento a bezerra se sentir muito incomodada ou começar a tossir, retire a sonda calmamente, pois ela pode ter seguido para o local errado.

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PECUÁRIA EM ALTA

Abertura da boca para iniciar o processo de utilização da sonda

Verificação da presença da sonda no local correto


Após essa verificação, administre calmamente o fluido elevando o recipiente acima da cabeça da bezerra, permitindo que o fluido escorra pela gravidade. A bezerra começará a se mover quando sentir pressão de enchimento no seu rúmen. Não remova o tubo até que o fluido tenha tido tempo suficiente para chegar ao rúmen, a não ser que fluido esteja retornando pela boca do animal. Para retirar a sonda, é importante garantir que nenhum fluido atinja a boca da bezerra e possa chegar aos pulmões. Para isso, a bolsa ou a garrafa de plástico deve ser removida do tubo antes de retirá-lo ou este só poderá ser retirado quando tivermos certeza de que todo o conteúdo já tenha sido administrado. Finalizando, lave imediatamente o tubo e o recipiente com água quente e sabão. Faça, também, uma lavagem com cloro e enxague com água quente. A limpeza e a desinfecção adequadas da sonda são muito importantes.

Adaptado da publicação: “Proper Use of the Bovine Esophageal Feeder: Tubing a Calf”, escrito por Ragan Adams e Eric McPhail, do centro de Extensão da Universidade Estadual do Colorado.

Fornecimento do fluido, seguindo a gravidade

Rodrigo Melo Meneses Médico veterinário e especialista em Clínica e Cirurgia Veterinárias pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), mestre e doutor em Ciência Animal pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Rafael Azevedo, gerente de produto colostro da Alta Zootecnista, mestrado em Ciências Agrárias pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com doutorado em zootecnia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e pós-doutorado em Zootecnia pela UFMG

PECUÁRIA EM ALTA

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RAÇAS

DOUTOR DA TERRA BRAVA LIDERANÇA GENÉTICA E PRECOCIDADE EM UM SÓ TOURO

A Terra Brava Agropecuária dedica-se à seleção de gado Nelore PO e à recria e engorda de gado comercial há mais de 40 anos. O rebanho é líder em fertilidade e ganho de peso, tendo como média atual o índice de 90% de prenhez. O foco da seleção visa a maximizar o ganho ge-

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nético dos animais a pasto para características economicamente importantes, que integraram o elenco dos critérios de seleção do plantel. Parceira de longa data da Alta, a Terra Brava é a responsável pelo feito histórico de produzir o touro mais novo da raça

a entrar em uma central de inseminação. Aos 12 meses, Doutor da Terra Brava destaca-se pela precocidade sexual elevada e alta taxa de fertilidade. “Aos 12 meses, congelamos o sêmen do bezerro. Com ele, foram feitas várias Inseminações Artificiais em Tempo Fixo (IATFs) e uma grande Fertilização In Vitro (FIV), que resultou em várias prenhezes. Em agosto deste ano, já vamos ter vários filhos e filhas nascidos dele”, afirma o proprietário do animal, Eduardo Campos. Doutor é um reprodutor completo, equilibrado e, hoje, é o animal mais precoce da raça Nelore, com extraordinário Mérito Genético Total Econômico (MGTe) de 27.68. Além de ter um fenótipo muito forte e bonito, é o único indivíduo com genética fechada na grande doadora Diaconia, matriarca da família mais consistente da fazenda, produzindo sempre animais superiores em cada safra e presente no pedigree de diversos touros de central. “Quando a gente pensa em precocidade sexual, tem o costume de olhar sempre para a fêmea. Esquecemos que o outro lado da composição da safra futura está no macho. Doutor preenche essa lacuna, comprovando ser um animal muito precoce e fértil”, explica o professor responsável pelas avaliações intrarrebanho da Terra Brava, José Aurélio Bergmann. O reprodutor é fruto do aca-


salamento do Sultão FIV da Terra Brava, touro mais bem votado PNAT 2015 e com prova consistente em três sumários da raça, com a matriz Harpa I FIV Terra Brava, uma das melhores fêmeas avaliadas dentro do Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ) e consagrada Matriz Modelo em 2017, durante a Expogenética, com o prêmio Cláudio Sabino. Harpa também produziu o touro 1070 Terra Brava, líder para peso na bateria Nelore Alta, que agrada muito por suas características fenotípicas e pelos excelentes números nos sumários, incluindo o da Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP), onde é TOP 0,1%. “A contratação do Doutor é um marco para a Alta, uma vez que, além de todo o apelo genético, confirmado por suas DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie), ele alia a precocidade sexual comprovada por filhos que irão nascer antes do touro completar 22 meses”, salienta o gerente de Produto Corte Zebu da Alta, Rafael Oliveira.

“Quando a gente pensa em precocidade sexual, tem o costume de olhar sempre para a fêmea. Esquecemos que o outro lado da composição da safra futura está no macho”

A consistência genética que se espera de um grande reprodutor é observada nas avaliações genéticas do Doutor, que é ranqueado TOP 0,1% no MGTe (ANCP), Índice ABCZ e IQG (Geneplus), consolidando-o entre os líderes nos três principais sumários de touros PO da raça Nelore. “Outro ponto que chamou muita atenção no touro é o temperamento. Essa característica ajudou no nosso trabalho, por ser um touro de manejo muito

fácil. Fizemos as coletas por eletroejaculação e ele permaneceu calmo, no tronco, durante todo o tempo, o que reforça um sêmen de qualidade muito boa”, detalha a veterinária Adriana Mendes, responsável pelas coletas do touro antes de ele entrar na central. Doutor foi o melhor touro da safra na avaliação intrarrebanho, com destaque na ANCP em todas as características de interesse econômico, como ganho de peso nas diferentes idades (TOP 0,1%), perímetro escrotal nas diferentes idades (TOP 0,1%) e total materno (TOP 0,1%). O que mais chama atenção na avaliação genética do animal é a rara combinação de seu potencial para Ingestão de Matéria Seca e Consumo Alimentar Residual. “Essa particularidade do Doutor o coloca entre os animais mais interessantes da raça para quem busca selecionar animais eficientes, que consomem pouco e convertem muito o alimento em carne. Touros como esse contribuirão para o sucesso de sistemas que carecem de muita eficiência produtiva”, finaliza Rafael.

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CASOS DE SUCESSO

GENÉTICA DE SUCESSO BSB AGROPECUÁRIA PRODUÇÃO DE CARNE LUCRATIVA E SUSTENTÁVEL

A precocidade sexual e o rendimento de carcaça norteiam o trabalho da BSB Agropecuária, localizada em Jussara (GO). A propriedade de Elson Castilho é gerenciada pelo médico veterinário José Abel e Silva Júnior. O projeto contempla a recria intensiva (no período seco), no núcleo PO/CEIP (Puro de Origem/Certi56

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ficado Especial de Identificação e Produção), e o rebanho PO/CEIP e Comercial são trabalhados em manejo de pastos rotacionados com suplementação estratégica no período chuvoso “Esse manejo tem nos possibilitado uma média de lotação nesse período de duas unidades animal (UA) por hectare”, explica José Abel.

No núcleo de animais PO/ CEIP, quando falamos em machos, o objetivo é que todos já tenham finalizado seu ciclo aos 24 meses, seja na comercialização, como tourinhos, ou abatidos, no frigorífico. Já com as fêmeas, o objetivo é que tenham o primeiro parto aos 24 meses, desmamem bem o bezerro e continuem prenhes. O projeto é arrojado e precisa ser muito bem conduzido para que os resultados apareçam. O foco na precocidade trouxe vários desafios e oportunidades para a BSB Agropecuária. Um deles foi o desafio das novilhas, expostas na reprodução, aos 14 meses de idade. “Das nossas fêmeas, 100% são inseminadas nesta idade. Na última estação de monta, atingimos um índice de 73% de prenhes, nessa categoria, que hoje faz a reposição total do nosso rebanho PO/CEIP”. A partir deste ano, toda a reposição do rebanho será feita com fêmeas nessa idade. Resultado possível aliando três pontos básicos: o manejo adequado para a realidade da região, a nutrição – com uma dieta balanceada adaptada a cada categoria e à genética. Nesse terceiro ponto, a fazenda já utiliza a genética da Alta há mais de 10 anos, com o apoio da Regional Goiânia,


“Sempre utilizamos os melhores reprodutores da bateria, tendo como foco a precocidade sexual. Nosso rebanho tem mostrado os melhores resultados” com a empresa Cria Fértil. “A parceria da Cria Fértil com a BSB consolidou-se a partir do alinhamento técnico da nossa equipe com os objetivos do projeto que foram definidos pelo José Abel. A proposta é utilizar uma genética de ponta para atender o mercado de compradores de touros, com animais superiores, de boa caracterização racial, precocidade sexual e desempenho de ganho de peso”, afirma o proprietário da Cria Fértil e Regional Alta, Ricardo Passos. Segundo o gerente da fazenda, a genética fez toda a diferença no negócio, encurtando o ciclo de produção e possibilitando aos animais expressarem o máximo do seu potencial com o sistema de produção da fazenda. “Nossa parceria com Alta é longeva. Sempre utilizamos os melhores reprodutores da bateria, tendo como foco a precocidade sexual. Nosso rebanho tem mostrado os melhores resultados”, finaliza José Abel.

Touros destaque

Faraó FIV FVC

REM Atolo

Sobre a regional A Cria Fértil atua na área de produção de bezerros de qualidade, desde 1994. Tem uma parceira sólida com a Alta Genetics, desde maio de 2000. Atualmente, atua no Centro Norte de Goiás, Sul do Tocantins e a região do Vale do Araguaia e Xingu, no Mato Grosso, em grandes projetos pecuários. Para mais informações, o telefone de contato é: (62) 3233-3002.

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CASOS DE SUCESSO

FAZENDA QUERÊNCIA DO GUAÇU REFERÊNCIA EM EMPREENDORISMO E FORÇA FAMILIAR NO AGRONEGÓCIO Localizada no município de Pilar do Sul, interior de São Paulo, a Fazenda Querência do Guaçu iniciou suas atividades na produção de leite há cerca de 50 anos, com 10 vacas Girolando. A princípio, era o hobby de João de Carvalho. Filho dele, João Marcos Diniz Carvalho, entrou para o negócio e decidiu expandir, então, o rebanho e os negócios da família. No ano 2000, investiu num laticínio para beneficiar parte da produção. “Com muita dedicação, João Marcos teve rápida evolução no rebanho, com extrema qualidade, sem nunca comprar animais de fora. O foco sempre foi melhorar geneticamente os animais da propriedade, buscando exemplares produtivos, com bons úberes e saudáveis”, explica o gerente da Regional da Alta em Itapetininga (SP), Márcio Delfino, que há dois anos é respon-

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sável pela genética da fazenda. A propriedade utiliza os acasalamentos direcionados pelo Alta GPS, com plano genético voltado para a saúde. O rebanho conta com 490 fêmeas, sendo 250 vacas em lactação. Em 2017, a Querência Guaçu atingiu a média anual de 39,8 litros de leite por dia. A produção é para atender o laticínio. Dos 70 hectares da fazenda, 50 são destinados a duas safras anuais para a produção de silagem de alta qualidade. É realizado um trabalho de confinamento das vacas em sistema de Compost Barn e um novo barracão está em construção para oferecer mais conforto aos animais e aumentar a produção de leite. Recentemente, a propriedade incluiu como protocolo a utilização do colostro bovino em pó para as bezerras. O objetivo é garantir melhor imunização nas

primeiras horas de vida e mais saúde às futuras produtoras de leite. A Querência Guaçu também investe no Alta Cria, um programa exclusivo da Alta que levanta os principais índices zootécnicos na fase de cria, auxiliando no gerenciamento e permitindo um panorama da criação nacional de bezerros leiteiros. “A fazenda possui uma equipe bem focada, sempre atenta, com o olhar e direcionamento do Rafael Mazzer, que é filho e, também, o veterinário responsável pela pecuária. Eles sempre estão em busca do melhor para a atividade e, por isso, despontam na pecuária com ótimos resultados. São, também, extremamente progressistas. Estudam novas formas de beneficiar a produção no laticínio, agregando mais valor no produto e, com certeza, novidades virão”, finaliza Márcio.


Touros destaque

AltaMARLON

AltaJAKE

Sobre a regional A Regional Itapetininga, gerenciada por Márcio Delfino, conta com uma região diversificada, com rebanhos de corte e leite. Atua junto ao cliente com as melhores opções, em busca dos resultados para maior lucro final. O telefone para contato é: (15) 9 9716-4014.

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ENTREVISTA

ANDRÉ RABELO O OLHAR PRECISO DE QUEM CONHECE OS AVANÇOS DA RAÇA GIR LEITEIRO to nos últimos anos. Os propulsores dessa evolução foram, dentre outros fatores, a implantação e o desenvolvimento do Programa Nacional de Melhoramento do Gir Leiteiro (PNMGL). A produtividade dos animais aumentou e a raça evoluiu em características morfológicas ligadas à funcionalidade e longevidade. Muito já foi feito, mas existe ainda um longo caminho a ser percorrido. A raça passa por um momento de fixação de suas virtudes, como animal produtivo e funcional para os trópicos. O principal objetivo é ser protagonista de uma pecuária leiteira sustentável e economicamente viável.

André Rabelo é zootecnista pelas Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu), com Mestrado em Sanidade e Produção Animal nos Trópicos pela Universidade de Uberaba (Uniube). Atualmente, é superintendente técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGIL), jurado efetivo da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) e professor de Zebuinocultura na instituição na qual se graduou. Como avalia a evolução do Gir Leiteiro, nos últimos anos? O Gir Leiteiro evoluiu mui60

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“A raça passa por um momento de fixação de suas virtudes, como animal produtivo e funcional para os trópicos. O principal objetivo é ser protagonista de uma pecuária leiteira sustentável e economicamente viável”

A genética brasileira tem sido cada vez mais buscada por criadores de países latino-americanos. A ABCGIL busca atender essa demanda crescente? A ABCGIL tem buscado relacionar-se com o mercado internacional. Somos associados ao Brazilian Cattle Genetics e sempre recebemos delegações estrangeiras para mostrar aos visitantes as virtudes do Gir Leiteiro, bem como o que tem sido feito pelo seu melhoramento. A associação tem, também, parceria técnica com a Bolívia e inicia uma conversa com outros países que utilizam a raça para a produção de leite. O mercado valoriza a uti-


lização de touros jovens e o encurtamento do intervalo de gerações. Quais as medidas da ABCGIL para acompanhar essa tendência? A utilização de touros jovens é uma mostra na confiança no trabalho de seleção que vem sendo feito pelos criadores de Gir Leiteiro. É possível diminuir o intervalo de gerações por meio do aumento da pressão de seleção que o programa de melhoramento vem proporcionando nos últimos anos. A associação trabalha há nove anos na detecção de jovens reprodutores que, uma vez aprovados na prova de pré-seleção, vão entrar em teste de progênie mais precocemente. Nosso objetivo é, cada vez mais rápido, detectar os futuros reprodutores das próximas gerações. A genômica também será de fundamental importância nesse processo. Como é feito o pré-teste e como ele ajuda na identificação dos touros divulgados no sumário da raça? Desde 2009, a parceria entre a Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGIL), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e as Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu) é pioneira na implantação e condução da Prova de Pré-Seleção de Touros para o Teste de Progênie, trazendo ao mercado de genética novas ferramentas para a seleção de animais candidatos ao Programa Nacional de Melhoramento do Gir Leiteiro (PNMGL). Nesta prova são avaliadas características reprodutivas li-

“Pretendese formar um banco de dados consistente na parte reprodutiva de machos, o que possibilitará posteriores estudos de associação genética com características produtivas e reprodutivas, visando o aumento da acurácia e funcionalidade na seleção do Gir Leiteiro”

gadas à produção comercial de sêmen nos tourinhos candidatos ao teste de progênie, características funcionais, como temperamento, libido, e característica de conformação. Com isso, pretende-se formar um banco de dados consistente na parte reprodutiva de machos, o que possibilitará posteriores estudos de associação genética com características produtivas e reprodutivas, visando o aumento da acurácia e funcionalidade na seleção do Gir Leiteiro. Qual o principal ganho da raça com a pré-seleção? A prova de Pré-Seleção vem se consolidando, ano após ano,

como a forma mais segura e eficiente de ingresso de jovens reprodutores no Teste de Progênie ABCGIL/Embrapa. Os reflexos dessa prova, que neste ano completa sua nona edição, são visíveis, na logística e operacionalização das centrais de coleta e processamento de sêmen. Do ponto de vista técnico, espera-se que a maior pressão na seleção para fertilidade e as características funcionais dos touros candidatos ao teste de progênie possam refletir em ganhos nessas características para as futuras gerações de vacas descendentes desses animais. Desde o ano passado, o resultado do teste de progênie já conta com touros que participaram há oito anos e foram aprovados na prova de Pré-Seleção. A genômica é uma aliada da raça? Com certeza. Com a genômica, poderemos aumentar nossa intensidade de seleção com a escolha mais acertada de jovens reprodutores candidatos ao teste de progênie. Ela também será muito utilizada como ferramenta para aumentar a acurácia das avaliações genéticas, além de propiciar uma infinidade de informações paralelas, como, por exemplo, a identificação de defeitos genéticos. Qual a indicação quanto à utilização de touros jovens nos rebanhos? Recomendamos aos criadores que façam uma utilização mesclada de touros provados e de touros jovens em teste. Os touros jovens em teste tendem PECUÁRIA EM ALTA

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ENTREVISTA

a ser o futuro da raça, pois são provenientes do acasalamento direcionado entre pais melhoradores. Outro fator importante é a grande pressão exercida com relação aos jovens touros que entram em teste. Teoricamente, eles são o que há de melhor, geneticamente falando, na população Gir Leiteiro. Qual a avaliação sobre o trabalho desenvolvido pelas centrais de inseminação artificial? As centrais de inseminação artificial têm um papel fundamental na difusão do material genético das raças bovinas. São o elo da

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“Com o aprimoramento da pré-seleção e do sumário de touros, os usuários de genética Gir Leiteiro poderão, cada vez mais, melhorar seus plantéis, tornando-os mais produtivos e eficientes”

cadeia que efetua o fluxo genético, de forma democrática e acessível entre programas de melhoramento e usuários de genética. Para um futuro próximo, o que podemos esperar na evolução genética da raça Gir Leiteiro? Um progresso cada vez mais acelerado, com o desenvolvimento de novas ferramentas de seleção, como a genômica, por exemplo. Com o aprimoramento da pré-seleção e do sumário de touros, os usuários de genética Gir Leiteiro poderão melhorar seus plantéis, tornando-os mais produtivos e eficientes.


A ESTRADA DO SUCESSO NÃO É LONGA. É INFINITA. TERRAVIVA: VENCEDOR DO PRÊMIO LIDE AGRONEGÓCIOS 2017 NA CATEGORIA COMUNICAÇÃO.

Nós, do Canal Terraviva, acreditamos no agronegócio. Por isso, desde o primeiro dia, investimos numa estrutura de TV de verdade. E nunca mais paramos. Só nos últimos dois anos, criamos uma plataforma de eventos, ampliamos a nossa cobertura, renovamos o site e acabamos de inaugurar uma estrutura completa no Rio Grande do Sul. Afinal, a gente sabe que, quando o país precisa ampliar horizontes, plantar é ainda mais importante que colher.

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Pecuária em Alta Edição 17 - Abril/Maio 2018  

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