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PECUÁRIA EM ALTA

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PALAVRA DO DIRETOR

Um período de muitas novidades, lançamentos de novos programas, feiras importantíssimas para a nossa pecuária e movimentação do mercado mostrou que começamos a nos reerguer e estamos superando a principal crise política que o Brasil enfrenta em sua história. Assim foram os últimos meses da nossa pecuária. As chuvas começaram a cair, a estação de monta já está aí e, com certeza, o caminho fica cada vez mais azul para nós, mas é importante sempre lembrarmos que cada criador tem necessidades e objetivos diferentes. Um grande diferencial da Alta é possuir programas e serviços individualizados para cada cliente, tanto no leite quanto no corte. Por isso, nós, da Alta, não medimos esforços para conquistar uma equipe treinada e capacitada para atender seus reais objetivos, aliando genética, manejo, nutrição, ambiente, gestão, enfim, todos os processos que vão fazer com que o animal expresse seu potencial genético. Por falar em genética, a capa traz uma reportagem para desmistificar algumas informações do passado. O mito de que o Nelore é uma raça tardia é um deles. Na nossa opinião, a raça tinha esse título porque não era testada e, menos ainda, desafiada. Ao longo dos anos, vários desafios foram impostos para a Nelore e ela respondeu com resultados surpreendentes. Prova disso é o touro que ilustra a capa desta edição, REM Espião 007. Este jovem reprodutor é resultado de um projeto de precocidade sexual desenvolvido pela Genética Aditiva, desde o início dos anos 90. REM Espião é o primeiro touro a congelar sêmen aos 14 meses de idade e já emprenhar 50 vacas, ou seja, aos dois anos de idade, ele já terá filhos nascidos. É um marco na história da pecuária moderna e, principalmente, na história da raça Nelore, que prova, cada dia mais, suas condições de oferecer importantes resultados para o nosso mercado. Além disso, nesta edição, tratamos de vários outros assuntos, que vão orientar nossos pecuaristas que buscam produzir cada vez mais com menos, sempre com a missão de garantir a todos os nossos clientes que eles encontrem em nossa bateria o produto adequado para as necessidades de cada sistema produtivo. Espero que gostem do que preparamos, uma edição elaborada com muito conteúdo técnico para que vocês tenham ainda mais sucesso na sua atividade. Ótima leitura.

Heverardo Carvalho Diretor Alta Brasil

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ÍNDICE EXPEDIENTE Diretor Heverardo Rezende de Carvalho

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Gerente de Mercado Tiago Carrara - tcarrara@altagenetics.com Coordenadora de Comunicação Camilla Lazak - camilla.rodrigues@altagenetics.com Jornalista Responsável Renata Paiva (MTB 12.340) renata.paiva@altagenetics.com Colaboradores desta edição Ana Flávia Mariano, Bruna Quintana, Camila Flávia de Assis Lage, Eliane Vianna da Costa e Silva, Fábio Fogaça, Guilherme Marquez, Gustavo Almeida, Luiz Antônio Josahkian, Luiz Carlos Cesar da Costa Filho, Lourenço Sena, Neimar Severo, Rafael Azevedo, Rafael Mazão, Reginaldo Santos, Roberta Gestal, Rodrigo Peixoto, Rodrigo Ribeiro e Tiago Ferreira Diagramação e arte Ana Paula S. Alves - paula.alves@altagenetics.com

Edição e revisão de texto Indiara Ferreira Assessoria de Comunicação indiara@indiaraassessoria.com.br Tiragem 5 mil exemplares

Missão Construir relacionamentos de longo prazo, criar valor para nossos clientes, melhorar a lucratividade de cada rebanho e entregar genética de confiança, além de produtos e serviços de manejo com alta qualidade. Visão Tornar-se a marca global que seja a melhor escolha para produtores progressivos dos segmentos de leite e corte. Valores: Foco, pessoas e competências, coesão, dinamismo, relacionamento, comunicação e ética.

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COLOSTRO BOVINO EM PÓ GANHA ESPAÇO EM FAZENDAS NO PARANÁ Confira os primeiros resultados

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ALTA NEWS GIRO As últimas realizações da Alta você confere aqui!

ARTIGO

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COMO IMPLODIR SUA SELEÇÃO EM 10 LIÇÕES 10 lições para o sucesso

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CUIDADOS NO MANUSEIO DO SÊMEN CONGELADO Cuidados garantem bons resultados da inseminação artificial

Marketing/Comercial comunicacao@altagenetics.com.br Fotos Francisco Martins - fjunior@altagenetics.com

ESPECIAL

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LEITE ALTA GESTÃO E SEUS RESULTADOS Programa aumentar a taxa de prenhez do rebanho QUAIS OS BENEFÍCIOS AO SE

24 RESFRIAR AS VACAS NO PRÉ-PARTO? Programa aumentar a taxa de prenhez do rebanho

CORTE E LEITE MANEJO RACIONAL E SUA

28 IMPORTÂNCIA SOBRE A REPRODUÇÃO Técnica alia bem-estar animal e produtividade


32 PROGRAMAS E SERVIÇOS FALHAS NA DETECÇÃO DE CIO INFLUENCIAM DIRETAMENTE NOS ÍNDICES REPRODUTIVOS DO REBANHO Ações derrubam os índices reprodutivos dos rebanhos

EVENTOS

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EXPOINEL ENCERRA O RANKING DA NELORE DE 2017 Vários touros da Alta, com filhos e filhas, são premiados em pista

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ALTA APRESENTA DESTAQUES DA BATERIA NA EXPOINTER 2017 A empresa apresentou a melhor da genética e as raças de maior destaque no estado

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ALTA LEVA OS MELHORES PROGRAMAS PARA A AGROLEITE 2017 Plano Genético e Colostro Bovino em Pó são destaques na feira

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CAPA PRECOCIDADE SEXUAL NOS MACHOS QUAL A VANTAGEM?

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EXPOGENÉTICA 2017

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RAÇA

Evolução das pesquisas garante a melhoria da eficiência reprodutiva e econômica

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GIRO NO CAMPO QUALIDADE EM FOCO O sucesso dos filhos e filhas dos touros Alta de Norte a Sul do Brasil

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CORTE

Plano Genético de Corte é lançado na feira

A RAÇA GIROLANDO E SUA HISTÓRIA Uma linha do tempo mostra a importância do plantel para o Brasil

CASOS DE SUCESSO

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AGROPECUÁRIA POLYANA

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FAZENDA SERTÃOZINHO

Rebanho superior é fruto da garra das equipes

Inovação revoluciona a atividade leiteira

ALTA E SUA FORÇA NOS SUMÁRIOS Alta assume a frente em três principais sumários de Nelore SELEÇÃO DA PORTEIRA PRA DENTRO E DA PORTEIRA PRA FORA Identificação de animais superiores gera melhores resultados

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ENTREVISTA ANDRÉ LASMAR GUIMARÃES Diversas ferramentas para avaliar a eficiência alimentar em bovinos

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ESPECIAL

COLOSTRO BOVINO EM PÓ GANHA ESPAÇO EM FAZENDAS NO PARANÁ Alcançar um consumo adequado e rápido de colostro com qualidade é o fator mais importante para determinar a sobrevivência e a saúde dos bezerros. É comprovado cientificamente que uma boa colostragem traz inú6

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meros benefícios a curto e longo prazo para um rebanho, sendo de suma importância que a propriedade pratique a boa colostragem aos recém-nascidos. Porém, pontos fundamentais durante a colostragem - como tempo de forneci-

mento, quantidade de anticorpos e qualidades sanitárias e nutricionais - devem ser corretamente seguidos, evitando prejudicar toda a vida produtiva do animal, o que, muitas vezes, pode dificultar o sucesso dessa prática.


Como nem todas as vacas do rebanho conseguem produzir colostro materno de alta qualidade - do ponto de vista nutricional, imunológico e sanitário - e como sabemos da dificuldade de manejo de coleta e avaliação do colostro o mais rápido possível após o parto, a utilização de substituto do colostro que apresente qualidade, segurança e homogeneidade em sua constituição pode ser uma ferramenta muito interessante para auxiliar o dia a dia de uma fazenda. Em visita técnica ao Estado do Paraná, o gerente de produto Colostro da Alta Brasil, Rafael Azevedo, verificou que várias fazendas estão utilizando o produto com bons resultados. Segundo o gerente, existem dois perfis diferentes de utilização do colostro bovino em pó: protocolo e/ou como banco de colostro. As fazendas que utilizam o produto como protocolo possuem como meta a padronização e a agilidade no fornecimento de um colostro de alta qualidade a todos os animais. Já a utilização do

“Mesmo que alguns animais apresentem diarreia, possivelmente por contaminação ambiental, eles têm uma recuperação muito rápida”

produto como banco de colostro é uma escolha estratégica para a fazenda fornecer colostro de excelente qualidade nas seguintes situações: quando a matriz não produz colostro em quantidade ou qualidade ideais, em partos noturnos e/ou em crias de novilhas ou receptoras de FIV, por exemplo. Facilidade do manejo de colostragem, eficiência e praticidade do produto e redução de doenças são os pontos mais relatados pe-

los produtores. “Outro ponto interessante relatado é que, mesmo que alguns animais apresentem diarreia, possivelmente por contaminação ambiental, eles têm uma recuperação muito rápida, sendo controlada somente com uma correta hidratação dos mesmos, sem a necessidade de utilização de medicamentos”, salienta Rafael. É importante lembrar que um pacote de colostro bovino em pó possui 470g de produto. Para fornecê-lo aos recém-nascidos, basta diluir o produto em um litro de água filtrada ou mineral, morna (entre 43 e 49ºC), utilizando um bom misturador. Após diluído, deve ser fornecido em mamadeiras. “Assim, você vai oferecer ao recém-nascido um produto homogêneo, consistente, com quantidade de anticorpos uniforme (mínimo de 100g de IgG), livre de organismos que causam transmissão de doenças, além da conveniência pela facilidade de uso do produto”, completa o gerente.

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ESPECIAL

Ana Paula Dinies, Fazenda 4D, município de Castro (PR) “Atualmente, em nossa propriedade, possuímos 200 vacas em lactação, produzindo média de 6.200 litros de leite por dia. Uma bezerra bem colostrada é a nossa vaca do futuro, por isso, a colostragem adequada é de extrema importância. Assim que conhecemos o Colostro em Pó, percebemos que ele seria uma ferramenta de excelente qualidade, para nos proporcionar muitos benefícios para a atividade. Começamos a utilizar, há cerca de três meses, e o produto já se tornou um protocolo na fazenda. Utilizamos em todas as bezerras nascidas de primíparas e estamos com resulta-

dos excepcionais. Posso dizer, com tranquilidade e confiança, que a saúde e a imunidade dos animais estão bem melhores. Pela praticidade do produto, na utilização e preparo, estamos fornecendo às bezerras que nascem à noite também. Mesmo que, às vezes, aconteçam casos de diarreias, a recuperação dos animais é muito rápida.”

Marios Bronkhorst, Fazenda Nova Esperança, município de Arapoti (PR) “O Colostro Bovino em Pó chegou na hora certa para nós. Funciona muito bem. Hoje, 90% das minhas bezerras são saudáveis, graças ao produto. Antes, este percentual era bem menor. Criamos um protocolo para utilizá-lo nas bezerras nascidas de primíparas e, em algumas bezerras, filhas de vacas de segundo e terceiro parto. Outra vantagem do produto é a praticidade. É muito fácil preparar e fornecer às recém-nascidas.”

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Maria Andreza Arving Moroz, Fazenda Frank’anna, município de Carambeí (PR) “Desde a origem, a Fazenda Frank’anna busca produzir com a máxima eficiência, aliando equilíbrio com o meio ambiente e produção com sustentabilidade. Atualmente, são 700 vacas em lactação, em sistema 100% confinado, em quatro ordenhas diárias e média, por vaca, de 37,5 litros. Trabalho a fazenda, atualmente, na área de manejo. Sou recém-formada em Medicina Veterinária e, para o meu projeto de conclusão do curso, decidi, com o consentimento dos proprietários, realizar um estudo para verificar a eficiência do colostro bovino em pó. Fizemos um experimento com 10 bezerras recém-nascidas, em que o parto foi acompanhado, e fornecemos o colostro em

pó até duas horas após o nascimento. Oferecemos o produto às bezerras, de acordo com as instruções, e o objetivo era avaliar se seria eficiente. O Colostro Bovino em Pó superou as expectativas e conseguiu suprir as necessidades das bezerras. Fizemos o exame de proteínas totais e o produto realmente possui tudo que diz. É numa excelente opção para a criação de bezerras.”

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ESPECIAL

Stieven Elgersma, Fazenda Lodewjka, município de Arapoti (PR) “O trabalho com a Alta tem sido feito por gerações. Começou com meu avô, depois meu pai e, hoje, eu dou segmento ao negócio, sempre junto da Alta. Quando conheci o Colostro em Pó, no final de abril, começamos a oferecer o produto para as bezerras e os resultados são muito bons. Iniciamos o trabalho apenas para conhecer o produto, mas, hoje, já virou protocolo. Ainda não desmamei as bezerras que tomaram o colostro em pó, mas é visível o desenvolvimento delas perante as demais. O desempenho é bem melhor.”

Artur Kassies, Chácara Bonança, município de Castro (PR) “No meu projeto atual, são 150 animais em lactação em sistema semi-confinado. Há quatro meses, conheci o produto e decidi utilizá-lo, pela praticidade de ser em pó e poder diluir, além de conseguir ter um banco de colostro com garantia de qualidade. Antigamente, eu tinha um banco de colostro em freezer, em garrafas de plástico, mas não tinha a segurança nem a garantia da imunidade que estava fornecendo às bezerras. Com a utilização do Colostro Bovino em Pó, percebo resultados muito satisfatórios, sem incidência de doenças. Realmente, uma ferramenta muito importante para quem se preocupa com a imunidade das bezerras.”

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Teodoro Georg Degger, Chácara Geraldo, município de Carambeí (PR) “Com o uso do colostro em pó, o número de animais doentes diminuiu. Como principal vantagem, vejo a melhora da imunidade das bezerras e a diminuição do uso de antibióticos. Hoje, é protocolo na propriedade.” TAXA DE MORTALIDADE (em porcentagem)

8%

7,4

7% 6% 5% Colostro fresco

4%

3,4

3,3

Colostro em pó

3% 2% 1% 0%

0-15 dias

Números de Animais 30

19

16-30 dias

31-45 dias

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30

29

10

46-60 dias 27

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TAXA DE DIARRÉIA (em porcentagem)

25%

23,3 Colostro fresco

20%

15,8

Colostro em pó

14,8

15%

13,3

10% 5% 0%

0-15 dias

Números de Animais 30

19

16-30 dias 30

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31-45 dias 29

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46-60 dias 27

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TAXA DE PNEUMONIA (em porcentagem)

12%

11,1

10% 8%

Colostro fresco 6,7

Colostro em pó 5,3

6% 4%

3,4

2% 0%

0-15 dias

Números de Animais 30

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16-30 dias 30

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31-45 dias 29

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46-60 dias 27

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ALTA NEWS

FILHA DE ALTAMETEOR É CAMPEÃ DO TORNEIO LEITEIRO EM ITABUNA A Exposição Agropecuária de Itabuna (Expoita), no estado da Bahia, apresentou ótimos resultados nos concursos leiteiros. Na categoria Novilha, a campeã, com média de 41,3 litros de leite por dia, é Admirada FIV do Colônia, filha do touro AltaMeteor. Para se ter ideia da qualidade genética e produtiva da novilha, a segunda colocada da categoria Vaca do torneio leiteiro produziu média de 42,3 litros de leite por dia, apenas um litro a mais do que a jovem produtora. De propriedade de José Nogueira Dantas e seu filho

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Carlos Alberto Dantas, da Fazenda Santa Maria, localizada em Itaju do Colônia (BA), a novilha é fruto de um importante programa da Alta, o AltaEmbryo. Esse programa oferece ao mercado embriões

produzidos a partir de oócitos coletados de matrizes rigorosamente selecionadas e acasaladas com os melhores touros provados da bateria Alta pelo processo de Fertilização In Vitro (FIV).


KORO FIV VILA RICA SE TORNA PELA 12º VEZ GRANDE CAMPEÃO NACIONAL

Realizada juntamente com a Expoinel, no Parque Fernando Costa em Uberaba-MG, a 19ª Exposição Nacional do Gir Leiteiro (Expogil) reuniu grandes exemplares da raça. O evento, organizado pela Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGIL) e comandado pelo zootecnista e jurado oficial Fabio Miziara, contou com 213 animais em pista. O Grande Campeão da Raça foi Koro FIV Vila Rica, touro da bateria Leite Nacional da Alta. Filho de Radar dos Poções, em uma das mais especiais matrizes da seleção Vila Rica, Ilhoa TE Vila Rica

(Meteoro de Brasília x Fada Vila Rica), já possui avaliação genética pelo Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos Leite (PMGZ Leite) e traz a sua progênie capacidade de transmissão de 647,95 kg para leite. Koro FIV Vila Rica escreve uma nova história na raça Gir Leiteiro. Com essa maior consagração nacional, coleciona 12 Grandes Campeonatos em exposições, ou seja, um novo recorde na raça. “Koro impressiona qualquer técnico. Possui expressão racial, composto de corpo único, ótimos aprumos e uma garupa feno-

menal. Traz, ainda, um genótipo comprovado paterno e materno – é irmão paterno de touros provadíssimos, como Kalika FIV Vila Rica, Tabu Cal – e linhagens maternas do Gabinete Silvania e Diamante de Brasília, ou seja, uma frequência muito alta para leite. Koro é opção de touro para linhagens Benfeitor Cal, Caju de Brasília, CA Sansão, mas, especificamente, Jaguar do Gavião”, diz o gerente de Produto Leite Nacional, Guilherme Marquez. Koro é touro de alta fertilidade, tendo sêmen convencional e sexado disponível na Alta.

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ALTA NEWS

ALTA CONTRATA PRIMEIRO ACASALAMENTO DA RECORDISTA MUNDIAL DE PRODUÇÃO DE LEITE Ainda durante a 19ª Expogil, o mercado conheceu um novo recorde mundial de produção, batido pela vaca Helga FIV Tol, de propriedade de Maria Tereza Lemos. Filha de Jaguar TE do Gavião com Dalila TE (Nobre Cal), Helga produziu a média de 78.370 kg de leite por dia, tornando-se a vaca de maior produção mundial da raça Gir Leiteiro. A Alta firmou uma parceria com a proprietária do animal para a construção de um futuro reprodutor. Para esse acasalamento, o gerente de Produto Leite Nacional, Guilherme Marquez, escolheu o touro Rilton FIV Vila Rica, jovem reprodutor integrante da safra 2017. Rilton é filho de CA Sansão na Solução de Brasília (mãe do Kalika FIV Vila Rica). “Helga impressionou a todos na sua trajetória de torneio. Na última pesagem, alcançou mais de 30 kg de leite. Uma vaca que, com certeza, possui frequência alélica para leite muito alta. A escolha do Rilton FIV Vila Rica vem agregar, no futuro touro de central, a genética provada do CA Sansão com Kalika FIV Vila Rica. Tenho convicção de que será um futuro produto de muita qualidade”, comenta Marquez.

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Helga, também, é irmã materna do touro Harus FIV (Modelo com Dalila TE), provado com Capacidade Previs-

ta de Transmissão (PTA) Leite, pela Associação Brasileira dos Criadores de Gir Leiteiro (ABCGIL), de 342 quilos.


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ARTIGO

COMO IMPLODIR SUA SELEÇÃO EM 10 LIÇÕES por Luiz Antônio Josahkian

1 - Apenas pense no tipo de gado que gostaria de ter e estabeleça seu critério de seleção com base nisso, confiante em que querer é poder. 2 - Não dê importância ao mercado. Bobagem; cedo ou tarde ele vai se moldar ao seu negócio. 3 - Desista completamente de implantar uma escrituração zootécnica confiável. Afinal de contas, você conhece todo o seu rebanho e não precisa dessa burocracia enorme, criada por um chato de plantão. 4 - Adultere, de vez em quando, alguns dados, se isso lhe trouxer um benefício extra, ainda que momentâneo. Você sabe que é fácil e, afinal de contas, genes nem vão se importar com isso. 5 - Não meça nada do seu rebanho. Não pese, não avalie com nenhum método. Não faça 16

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isso, mesmo! Isso dá muito trabalho e não leva a lugar nenhum. Seria um desperdício de tempo e dinheiro, porque o seu olho, aliado à sua lucidez e inteligência, será capaz de avaliar tudo, durante anos e anos, e fazer comparações complexas e precisas. 6 - Desconsidere a existência de interação-genótipo ambiente. Para a sua tranquilidade, todos os genes funcionam iguaizinhos em todos os sistemas de produção. 7 - Parta do princípio de que as respostas genéticas correlacionadas não existem e selecione somente aquela característica que mais o atrai. Claro, você está seguro de que nada de inesperado vai acontecer e, se acontecer, você resolve fácil (afinal, não foi sempre assim? Ainda que, “estranho” – você pensa –, “tenha ficado um pouco mais difícil ultimamente”. Mas não se preocu-

pe; siga em frente). 8 - Acredite que toda e qualquer tecnologia dever ser incorporada ao seu sistema de seleção o mais rápido possível. Nos negócios, não podemos perder tempo, ponderando custos x benefícios, senão corremos o risco de ficar para trás, fora de moda ou, o que é pior, não vamos ter muito o que falar no próximo encontro com os amigos. 9 - Esqueça que existem leis ambientais. Afinal de contas, elas são produtos da imaginação dos “ecopirados”. 10 - E, por último, mas não menos importante, nunca ceda, em tempo algum, à tentação de descumprir qualquer uma das regras acima, por mais que a ciência, os não amigos, os conhecidos e os parentes lhe digam o contrário. Deixe que falem, você se basta. E discorde frontalmente de quem disse que ninguém é uma ilha. Você sabe que é uma. E de excelência.

Luiz Antônio Josahkian, Superintendente técnico da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ) Zootecnista pelas Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu), especialista em Produção de Ruminantes pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), mestrando em Nutrição Animal pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e professor de Melhoramento Animal da Fazu


Com nossa tecnologia em suplementação nutricional é assim: reproduzimos resultados.

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ARTIGO

CUIDADOS NO MANUSEIO DO SÊMEN CONGELADO por Neimar Correa Severo, responsável técnico pela central da Alta O manuseio adequado do sêmen congelado é essencial para manter ótimos resultados nos programas de inseminação artificial, tanto com sêmen sexado como com o sêmen convencional. Para manter a alta qualidade do sêmen adquirido da Alta Genetics, o técnico inseminador deve prestar atenção em muitos detalhes durante o manuseio do sêmen congelado. Como o sêmen congelado é embalado e armazenado? O sêmen congelado é embalado em palhetas plásticas, conhecidas como palhetas médias, com volume útil de 0,50 mililitros, e palhetas finas, com volume de 0,21 mililitros, para o sêmen convencional. As palhetas são armazenadas em hastes de alumínio chamadas “raques” ou em “globets” plásticos, contendo dez palhetas por haste para o volume de 0,50 ml e 20 palhetas por haste para o volume de 0,21 ml. A parte superior da haste ou raque é identificada com um código de duas letras (raça abreviada) e o número do touro na central. O procedimento para o manuseio é o mesmo para ambos os volumes de sêmen. Os containers de alumínio ou botijões de armazenagem contêm nitrogênio na forma líquida a 196ºC negativos de temperatura. 18

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Como devo manusear o sêmen durante a sua retirada do botijão? Para evitar manuseios desnecessários, deve ser feito um inventário detalhado do sêmen, para que as palhetas possam ser localizadas facilmente e retiradas rapidamente do botijão, evitando exposição demasiada à temperatura ambiente. Toda a raque contém o número de identificação do touro na Alta Genetics, o que facilita a localização do sêmen. A caneca que contém o sêmen deverá ser levantada até no máximo cinco centímetros abaixo da boca

do botijão para que a dose seja retirada. Nesse manuseio é essencial o uso de uma boa pinça para remover a palheta. O tempo total para a retirada do sêmen de seu interior não deve ser superior a dez segundos para qualquer tipo de embalagem (palheta média ou fina). Caso não consiga identificar o sêmen e retirá-lo em dez segundos, deve abaixar a caneca até o fundo do botijão e dez segundos depois recomeçar a operação. Após retirar o sêmen do botijão, nunca o deixe sem a tampa, para evitar evaporação do nitrogênio líquido.

A caneca que contém o sêmen deverá ser levantada até no máximo cinco centímetros abaixo da boca do botijão para que a dose seja retirada


Por que devo evitar a exposição do sêmen à temperatura ambiente? Porque as alterações causadas nos espermatozoides, tanto na motilidade como nas membranas citoplasmáticas, ocorrem acima de 79ºC negativos. Essas lesões não voltam ao normal depois que o sêmen retorna para a temperatura do nitrogênio líquido. A palheta fina é mais sensível e manuseios errados provocam alterações na temperatura interna da palheta, com perda na qualidade e redução da fertilidade. O menor diâmetro a torna mais sensível a erros de manuseio. Lembre-se que a temperatura ambiente afeta o tempo de exposição do sêmen na boca do botijão. Em temperaturas ambientes de 36ºC, os efeitos são mais prejudiciais do que em temperaturas ambientes de 18ºC, por exemplo. Correntes de vento direto na boca do botijão de armazenagem também prejudicam a qualidade do sêmen. Qual a temperatura ideal para descongelar o sêmen? Após remover a palheta do botijão, sacuda-a rapidamente para retirar a bolha de nitrogênio que fica no tampão de algodão no final da palheta e coloque-a na água morna entre 35 e 37ºC, mantendo-a pelo menos 30 segundos mergulhada na água antes de retirá-la para o uso. Utilize a pinça plástica para remover a palheta da raque. É importante checar a temperatura da água do banho antes de descongelar a palheta. Lembre-se sempre que a água deve estar entre 35 e 37ºC.

Eu descongelo o sêmen direto na vagina da vaca. Tem algum problema para a qualidade do sêmen? Sim. O método ideal para descongelar o sêmen é na água morna entre 35 e 37ºC, por no mínimo 30 segundos. Muitos estudos comprovam que nenhum outro método se mostra tão eficiente no campo como o banho na água morna na temperatura indicada acima. Quando o sêmen é descongelado em outros métodos, como no bolso, na vagina da vaca, na mão ou em água na temperatura ambiente,

o tempo de descongelamento do sêmen é maior, provocando danos nas muitas estruturas sensíveis do espermatozoide, pela reorganização dos cristais de gelo durante a reversão do processo de congelamento. Na temperatura entre 35 e 37ºC, por no mínimo 30 segundos, a velocidade de descongelamento é rápida o suficiente para evitar que os cristais de gelo provoquem lesões nas membranas do espermatozoide, promovendo uma sobrevivência maior de células viáveis, com melhor qualidade do sêmen.

Dois modelos de descongeladores de sêmen disponíveis no mercado

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ARTIGO

Nunca devo descongelar mais de uma dose de sêmen ao mesmo tempo? Caso seja necessário, descongele o número de doses que possam ser utilizadas dentro de cinco minutos, no máximo. A vantagem de descongelar em água morna só se mantém se o sêmen for usado logo após o descongelamento. Na verdade, não é o número de doses descongeladas, mas sim a capacidade do inseminador, bem como as condições das instalações de contenção, que vão determinar a quantidade de doses descongeladas ao mesmo tempo. Num programa de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) bem conduzido, podem ser descongeladas até cinco doses por vez. É importante lembrar que isso só pode ser feito em descongeladores eletrônicos com bom volume de água.

Hastes de alumínio (raques) com sêmen convencional e palhetas de 0,25 ml (palhetas finas)

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Posso sacudir a palheta antes de cortar a ponta lacrada? Pode. Sacudir a palheta ajuda a mover a bolha de ar para a ponta lacrada, diminuindo a perda de sêmen em torno de um a cinco por cento, não danificando os espermatozoides. Depois de descongelar o sêmen, não é necessário protegê-lo mais? Errado. Mesmo depois de descongelar o sêmen, devemos proteger os espermatozoides contra o choque térmico. Em ambientes frios, devemos aquecer o aplicador de sêmen, friccionando-o com a mão, e em ambientes quentes, devemos evitar o calor excessivo, porque ambos podem reduzir a fertilidade. Até a aplicação na vaca o sêmen deve ser protegido do choque térmico. Algumas empresas recomendam o descongelamento do sêmen para o transporte na água morna por várias horas. Posso fazer isso? Não. O sêmen congelado só pode ser transportado no nitrogênio líquido. É um erro recomendar o transporte de sêmen na água morna entre fazendas, mesmo que estejam próximas uma da outra. Acontece que os espermatozoides descongelados, quando mantidos na água morna, entre 35 e 37ºC, perdem vitalidade à medida que o tempo passa. Eles gastam sua própria energia e, depois, trocam substratos com o diluente, tornando o ambiente desfavorável para sua sobrevivência. O tempo máximo recomendado para permanecer na água morna é cinco minutos entre 35 e 37ºC.

O sêmen armazenado em “globet” plástico tem mais qualidade que o sêmen armazenado na raque? Sim. O “globet” plástico protege adequadamente o sêmen durante o manuseio nas transferências e retiradas do botijão, pois mantém as palhetas mergulhadas no nitrogênio líquido, com uma boa margem de segurança, desde que obedecidos os dez segundos de exposição no gargalo do botijão, conforme a resposta número dois. Posso avaliar o sêmen na própria fazenda? Não. A avaliação de sêmen é um trabalho difícil, que exige muitos cuidados, antes e durante a análise da amostra, para que dê bons resultados. Se o veterinário não é suficientemente treinado em manuseio de sêmen congelado, estimativa de motilidade, contagem de células em câmaras hematimétricas e morfologia espermática, é provável que ocorrerão erros na interpretação da qualidade da amostra analisada. O melhor é encaminhar a amostra para o laboratório da Alta Genetics, que fará a reanálise do sêmen.

Neimar Correa Severo Responsável técnico pela central da Alta Médico veterinário pela Universidade da Região da Campanha (Urcamp) e especialista em Produção e Reprodução de Bovinos pelo Instituto Qualittas/Universidade Castelo Branco (UCB)


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LEITE

ALTA GESTÃO E SEUS RESULTADOS

PROGRAMA OFERECE CONHECIMENTO DOS ÍNDICES REPRODUTIVOS DE FAZENDAS LEITEIRAS, COM O INTUITO DE MELHORAR A TAXA DE PRENHEZ por Tiago Ferreira, gerente técnico de leite da Alta Ao longo de um ano, o programa de gerenciamento de reprodução da Alta, denominado Alta Gestão, acumulou em sua base de dados informações enviadas por 98 fazendas cadastradas. O programa foi criado para ajudar o produtor rural que possui números em mãos, mas não sabe como utilizá-los de forma estratégica. Para se ter uma ideia, a média da taxa de prenhez das Top 10 do programa é de 16%, enquanto a média geral do programa fica em torno de 10%; um número extremamente baixo. Trazendo esse resultado para um exemplo prático, que impacta

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diretamente no bolso do produtor, podemos simplesmente dizer que, a cada 100 vacas aptas a serem inseminadas, apenas dez emprenharam a cada 21 dias.

“O simples fato de ter os números em mãos pelo Alta Gestão possibilita ao produtor confiança na tomada de decisões” Vamos a uma conta simples,

avaliando os 6% de diferença na taxa de prenhez das fazendas Top 10 e a média geral. Em um rebanho de 100 vacas com a produção de 6.000 quilos de lactação/vaca/ano, esse percentual representa um aumento de três quilos de leite/dia na média, ou seja, quase 110.000 litros de leite em um ano. Basta fazer a conta para repensarmos nossa situação atual. O simples fato de ter os números em mãos pelo Alta Gestão possibilita ao produtor confiança na tomada de decisões. O gráfico abaixo mostra claramente a evolução do programa ao longo desse um ano. As barras cinzas


apresentam os números de vacas aptas; as vermelhas mostram a quantidade de serviços gastos, e as azuis revelam a quantidade de vacas gestantes no período. Repare que as barras vermelhas vão aumentando com o passar do tempo, ou seja, a taxa de serviço está crescendo. Mesmo que a concepção diminua no final do período, o que realmente importa é ter mais vacas prenhas sob o total de vacas aptas, porque, com isso, a taxa de prenhez vai aumentar, como aconteceu neste caso do gráfico. Após um ano do lançamento do programa, surgem os primeiros resultados para mostrar. O Alta Gestão traçou o objetivo de entregar aos clientes o conhecimento dos índices reprodutivos de fazendas leiteiras, com o intuito de melhorar a taxa de prenhez, aumentar a produtividade do rebanho e, consequentemente, a lucratividade da propriedade. “O sistema é muito simples e rápido, podendo ser instalado em qualquer computador; funciona off-line para cadastro das informações reprodutivas da fazenda e on-line para analisar e gerar listas, gráficos e relatórios, que são traduzidos em respostas rápidas, oferecendo confiança e precisão na tomada de decisões”, explica o gerente técnico de Leite, Tiago Ferreira. Participaram desse primeiro levantamento as fazendas que enviaram dados para Web e, assim, puderam acessar todos os recursos do Alta Gestão. Existem nos dados levantados algumas oportunidades. O Período de Espera Voluntário (PEV) vai do parto até liberar a vaca para reprodução. Se

“O sistema é muito simples e rápido, pode ser instalado em qualquer computador, funciona off-line para cadastro das informações reprodutivas da fazenda e on-line para analisar e gerar listas, gráficos e relatórios” a vaca está apta, deve ser inseminada a primeira vez o quanto antes. Na tabela, é possível acompanhar o PEV médio de 44 dias. As vacas são servidas, a primeira vez, somente com 82 dias. “Quanto mais precoce for possível fazer o diagnóstico de gestação, mais rápido as vacas vazias serão identificadas, podendo ser inseminadas novamente”, salienta Tiago.

A taxa de concepção de 34% das fazendas levantadas é realmente expressiva. Em leiterias maiores, que conseguem esse número ou maior, realmente, têm um ótimo resultado. Na taxa de serviço, os 28% levantados oferecem muita oportunidade de melhora. Boas fazendas de leite, hoje, sem levar em consideração o tamanho e o sistema de produção, têm taxa de serviço superior a 55%. “É importante discutir a rotina de trabalho na reprodução, a frequência de visitas do veterinário e o uso de ferramentas de auxílio”, finaliza Tiago.

Tiago Ferreira, gerente técnico de leite Médico Veterinário pela Universidade de Uberaba (Uniube), especialista em Reprodução de vacas leiteiras pela Newton Paiva e Rehagro, Especialista em Nutrição de vacas de leite Faculdades Integradas de Uberaba (FAZU) e Rehagro, jurado oficial da Girolando e presidente do CDT da raça Girolando

98 FAZENDAS ANALISADAS

MEDIA

PEV – Período voluntário de espera

44 dias

DEL – Dias em Lactação – médio ao 1º serviço

82 dias

Intervalo entre DG

43 dias

Serviços em vacas (diagnosticados)

5.551

Serviços em vacas diagnosticados positivos

1.893

Taxa de concepção de vacas

34%

% Taxa de Serviço de Vacas

28%

Taxa de prenhez

10%

IEP – Intervalo Entre Partos – Estimado (dias)

430

PECUÁRIA EM ALTA

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LEITE

QUAIS OS BENEFÍCIOS AO SE RESFRIAR AS VACAS NO PRÉ-PARTO? por Camila Flávia de Assis Lage e Rafael Alves de Azevedo

O estresse térmico é bastante estudado nos animais de produção, especialmente nas vacas leiteiras, as quais possuem perdas produtivas significativas quando submetidas a esse estresse. Os animais possuem uma zona termoneutra, ou seja, uma faixa de temperatura ambiente em que o mínimo esforço é requerido pelo animal para regular sua temperatura corporal, compreendendo conforto máximo para o mesmo. Além da temperatura, qualquer fator que dificulte a troca de calor do animal com o ambiente irá alterar essa zona. Um exemplo disso é a umidade relativa do ar. Em locais em que a umidade é alta, os ani24

PECUÁRIA EM ALTA

mais entram em estresse térmico em temperaturas mais baixas, já que nessa situação o animal reduz a sua efetividade em resfriar por evaporação. A medida em que o animal sai da sua zona termoneutra, maior energia é gasta para dissipar o calor, o que causa redução da produtividade. A seleção genética resultou em animais mais produtivos e com maior metabolismo, o que gera maior produção de calor, tornando-os susceptíveis ao estresse térmico. Existem muitos trabalhos na literatura científica estudando os prejuízos causados pelo estresse térmico agudo nos animais em lactação. Essa categoria possui

metabolismo elevado sendo muito susceptível a elevação da temperatura ambiente, podendo ser observado grande queda de produção de leite em condições de estresse agudo. Porém, outras categorias animais também sofrem com os efeitos do estresse térmico e os efeitos nesses animais tem sido negligenciado. Alguns trabalhos mais antigos na literatura científica já relatavam que animais alojados em condição de resfriamento no pré-parto produziam mais leite na próxima lactação do que animais que não eram resfriados. Mais recentemente, pesquisadores perceberam que efeitos do estresse nessa fase persistem por um tempo e estudos estão sendo realizados com o foco de entender quais são os mecanismos que desencadeiam essas respostas. Ao avaliarem um gráfico de produção de leite versus temperatura média mensal, pesquisadores da Universidade da Flórida perceberam que o mês de pico de temperatura ambiente não coincide com o mês de maior queda de produção de leite (Figura 1) e por isso hipotetizaram que o estresse térmico no pré-parto gera perdas de produção que são carreadas por toda a lactação do animal, sendo comprovado em diversos trabalhos subsequentes.


FIGURA 1 – Produção de leite mensal e temperatura mensal anual na Flórida (Adaptado de Tao e Dahl, 2013)

Podemos observar na figura 2 que bezerras filhas de vacas que não foram resfriadas nasceram mais leves do que bezerras filhas de vacas que foram resfriadas. O final da gestação é um período importante para o desenvolvimento do feto, pois compreende a maior taxa de crescimento sendo que aproximadamente 60% do peso ao nascimento é acumulado durante os últimos dois meses de gestação. Vacas estressadas termicamente durante esse período podem apresentar placenta com menor desenvolvimento, o que prejudica a nutrição e consequentemente o desenvolvimento do feto, justificando o menor peso ao nascimento. Além disso, esses animais tendem a adiantar o parto, o que também contribui para o menor peso ao nascimento dos bezerros.

FIGURA 2 – Peso ao nascimento de bezerros nascidos de vacas em estresse térmico ou resfriadas artificialmente (Adaptado de Tao et al., 2012). Diferenças foram consideradas significativas a p<0,05

PECUÁRIA EM ALTA

25


LEITE

A avaliação das bezerras filhas de mães sob condição de estresse térmico versus filhas de vacas que foram resfriadas no pré-parto mostram que essas condições de estresse alteram o metabolismo das bezerras trazendo prejuízos por toda vida produtiva desses animais. Esses prejuízos já se iniciam na colostragem dos animais uma vez que bezerras filhas de mães estressadas termicamente apresentam menor absorção de imunoglobulinas durante a colostragem, estando em maior risco de sofrer falha na transferência de imunidade passiva. Um animal com falha na colostragem tem maior chance de adoecer durante a vida produtiva e maior chance de ser descartado do reba-

“A seleção genética resultou em animais mais produtivos e com maior metabolismo, o que gera maior produção de calor, tornandoos susceptíveis ao estresse térmico” nho. Além disso, o sistema imune das bezerras filhas de mães resfriadas tem um sistema imune mais ativo do que as bezerras filhas de mães estressadas termicamente durante o pré-parto, aumentando ain-

da mais a chance de adoecerem. Animais filhos de vacas que sofreram estresse térmico durante o pré-parto não recuperam o déficit de peso ao nascimento, ficando mais leves do que os animais filhos de mães resfriadas durante toda a fase de crescimento (Figura 3). Porém, ao parto, filhas de vacas resfriadas ou filhas de vacas que tiveram estresse térmico no pré-parto apresentaram o mesmo peso corporal, porém com uma menor estatura para aquelas filhas de vacas que não foram resfriadas. Isso parece estar relacionado com o metabolismo alterado das bezerras que sofreram estresse térmico no útero, que favorece a obesidade nesses animais.

FIGURA 3 – Peso corporal de novilhas filhas de vacas resfriadas (38 animais) ou não (34 animais) no pré-parto (Adaptado de Monteiro et al., 2013). Diferenças foram consideradas significativas a p<0,05

Dados analisados de 72 novilhas nascidas de vacas em estresse térmico ou resfriadas na Universidade da Flórida, durante 5 anos, demonstraram que novilhas nascidas de mãe que 26

PECUÁRIA EM ALTA

passaram por estresse térmico tiveram maior descarte involuntário (geralmente por doença, má formação ou crescimento retardado), menor probabilidade de completar a primeira lactação,

maior número de serviços para concepção e produziram 5,1 kg a menos de leite por dia na primeira lactação quando comparadas com filhas de mães resfriadas no pré-parto (Figura 4).


FIGURA 4 – Produção de leite na primeira lactação de filhas de vacas resfriadas ou não durante o pré-parto (Adaptado de Monteiro et al., 2016). Diferenças foram consideradas significativas a p=0,03

Como todas as condições de manejo dos animais foram controladas e o peso e a idade das 72 novilhas foram iguais, as diferenças na produção de leite foram atribuídas ao estresse térmico em útero sofrido pelos animais durante o período de gestação das suas respectivas mães. Sugere-se a hipótese de efeitos epigenéticos, as quais são mudanças nas funções dos genes, sem alteração da sequência no DNA dos animais. Em conclusão, o estresse térmico materno no final da gestação causa menor desenvolvimento fetal, menor peso ao nascimento, menor absorção de IgG colostral e alterações no metabolismo e na imunidade dos bezerros após o nascimento. Essas mudanças metabólicas causam menor desempenho produtivo, reprodutivo e maior

chance de descarte até o final da primeira lactação. O resfriamento de vacas no pré-parto não é uma prática adotada frequentemente em fazendas leiteiras sendo que muitos animais estão em estresse térmico durante essa fase. Os danos causados pelo

Camila Flávia de Assis Médica Veterinária formada pela Universidade Federal de Minas Gerais ((UFMG). Mestre em produção animal pelo departamento de Zootecnia da UFMG. Atualmente é Doutoranda em produção animal na UFMG e tem como principais temas de linha de pesquisa: Cria e recria de bezerras leiteiras, desenvolvimento da glândula mamária de bovinos leiteiros, nutrição de ruminantes e qualidade do leite, controle da mastite.

estresse térmico nessa fase tanto para vaca quanto para a bezerra no início da vida e durante toda a vida produtiva sugere que o gasto com o resfriamento dos animais no pré-parto pode trazer bom retorno financeiro para a propriedade leiteira.

Rafael Azevedo gerente de produto colostro da Alta Zootecnista, mestrado em Ciências Agrárias pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com doutorado em zootecnia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e pós-doutorado em Zootecnia pela UFMG

PECUÁRIA EM ALTA

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CORTE E LEITE

MANEJO RACIONAL E SUA IMPORTÂNCIA SOBRE A REPRODUÇÃO por Rodrigo Peixoto, técnico em manejo racional da Alta Estamos vivenciando, na última década, uma intensa busca por desenvolvimento em todos os níveis de produção de leite e carne bovina, desde a reprodução, passando pela cria e recria e setores de produção da porteira para dentro da fazenda, até os setores de beneficiamento do leite e da carne produzida. Toda essa corrida atrás de desenvolvimento é para se ter melhor eficiência na produção, na qualidade e preços mais acessíveis ao consumidor final. Além do supracitado, atualmente existe uma forte onda de

exigência do consumidor por um sistema que respeite o animal. Dessa forma, fazendas que manejam os animais de forma ultrapassada, pensando que os animais são máquinas e podem ser tratados sem carinho, respeito e responsabilidade, terão que passar por treinamentos e transformações para melhorias no bem-estar e manejos ou estarão fora do mercado, em pouco tempo. Assim, surge o manejo racional, em que o bem-estar dos animais e dos homens é estabelecido, em busca da harmonia entre o físico, o fisiológico e o psicológico dos

As cinco liberdades de Brambell (1965) e FAWC (1992)

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PECUÁRIA EM ALTA

animais e de todos os envolvidos na cadeia de produção da carne e do leite. Baseado no conceito das cinco liberdades originado de propostas iniciais contidas no relatório de Brambell, em 1965, e revisado em 1992 pelo Conselho de Bem-estar de Animais de Produção do Reino Unido (FAWC), os animais devem estar livres de fome e sede; livres de desconforto; livres para expressar seus comportamentos naturais; livres de dor, injúrias e doenças, e livres de medo e de estresse. A falta de conhecimento sobre a biologia do bovino e a relutância das fazendas em buscar de forma efetiva o treinamento das pessoas envolvidas no manejo racional dos animais são limitações que precisam ser superadas para que tenhamos sucesso na implementação de um programa de qualidade de produção, conforme as teorias de Mateus José Rodrigues Paranhos da Costa. O bovino é uma espécie que gosta de rotinas e que parece possuir ótima memória. Alguns pesquisadores têm demonstrado que ele possui a capacidade de diferenciar as pessoas envolvidas nas interações, apresentando, assim, reações específicas a cada uma delas, em função do tipo de


experiência vivida, caracterizando um aprendizado associativo. Com o intuito de buscar maior conhecimento das necessidades e comportamento do bovino, várias pesquisas demonstraram que existem ações humanas aversivas e outras amigáveis à percepção do bovino. Como ações aversivas, algumas como elevação da voz, gerando som agudo; pancadas; utilização de ferrão e bastão de choque, e atividades de rotina, como vacinação, marcação, mochação, castração e reprodução. Essas são atividades de rotina que não temos como evitar em uma fazenda. No entanto, podemos minimizar os efeitos negativos se forem feitas com mais técnica, gentileza e responsabilidade. Como exemplo de técnica, podemos fazer um agrado depois de uma atividade aversiva, colocando um alimento atrativo no curral após o término da atividade ou mesmo soltar os animais para um piquete, em que a forragem esteja suculenta. Dessa forma, a última memória que o animal terá por ter passado no curral ou ter sido contido em outro lugar para uma ação aversiva é um delicioso lanchinho, antes de retornar para o pasto ou para seu lote de origem. Assegurar a boa qualidade das interações é um importante passo para aumentar a produtividade e diminuir riscos de acidentes, conforme as teorias de Mary Temple Grandin. Vários trabalhos demonstram a influência negativa do estresse sobre a reprodução. O mecanismo pelo qual o estresse leva à subfertilidade na fêmea bovina está ligado ao aumento

do cortisol plasmático, que induz a supressão da produção de hormônios esteroides, como estrógeno e progesterona. Esse desequilíbrio hormonal desencadeia alteração na secreção de LH (hormônio luteinizante), que é secretado de forma fisiológica pela glândula adeno-hipófise. O principal papel desse hormônio é a maturação final do folículo dominante e sua ovulação. Como consequência, animais estressados suprimem a manifestação comportamental de estro (cio), não produzem folículo e óvulo de boa qualidade e, quando emprenham, não conseguem manter a gestação a termo dentro de uma taxa de normalidade. Sabendo-se disso, principalmente em fazendas de leite, em que a inseminação artificial com observação diária de cio é mais utilizada, deve-se ficar muito atento às interações homem-animal para minimizar o estresse e melhorar os índices reprodutivos. Segundo Susanne Waiblinger, fêmeas que receberam estímulos positivos simultaneamente à inseminação

artificial ou palpação retal exibiram menor frequência cardíaca e se movimentaram menos durante o manejo. Isso indica que os animais se tornam mais dóceis e, com isso, consegue-se reduzir o tempo gasto para o trabalho, o risco de acidentes, tanto com os animais quanto para os funcionários, e melhorar os índices reprodutivos. As ações positivas das pessoas que interagem com os animais tornarão o manejo mais fácil, calmo e seguro, porque os animais não ficarão com medo, não tentarão escapar, nem escoicear, o que, por consequência, deixará as pessoas calmas e sem medo, fechando-se um circuito de retroalimentação positiva. O contrário também é verdadeiro. Em um circuito de retroalimentação negativa, as ações negativas das pessoas envolvidas em um manejo levarão ao aumento da reatividade dos animais, que, por consequência, vão intensificar a reação negativa das pessoas e as ações aversivas para os animais.

Retroalimentação positiva na interação homem-animal

PECUÁRIA EM ALTA

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LEITE

Para fazendas que utilizam a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) com frequência, precisamos ficar atentos às interações homem-animal, já que as fêmeas protocoladas vão ao curral para ser contidas de três a quatro vezes dentro de no máximo 11 dias. Como já citado, essas atividades são aversivas pelo bovino e, se as fizermos sem certa gentileza e técnica de manejo racional, poderemos aumentar o estresse e piorar o temperamento dos animais. Existem vários trabalhos mostrando que a adoção de ações positivas anteriormente à estação de monta e os manejos para IATF minimizam o estresse, melhoram o temperamento dos animais, reduzem o tempo de trabalho por manejo, reduzem acidentes com os animais e os funcionários e melhoram os índices reprodutivos. Paola Moretti Rueda avaliou ações

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PECUÁRIA EM ALTA

positivas (condicionamento) antes da estação de monta e no momento de cada uma das etapas do protocolo de IATF sobre o temperamento e a eficiência reprodutiva de novilhas Nelore e concluiu que as novilhas condicionadas tiveram menos estresse, melhor temperamento e, consequentemente, melhores índices reprodutivos, com taxa de prenhez de 13 pontos percentuais superiores às novilhas não condicionadas. Outro estudo demonstrou que fêmeas condicionadas anteriormente à estação de monta tiveram menos cortisol plasmático e maior taxa de prenhez no início da estação de monta. Portanto, a melhoria do temperamento dos animais de um rebanho, seja por seleção genética ou por métodos de condicionamento, proporciona a redução no estresse e, consequentemente, do tempo para que eles retor-

nem o cortisol secretado a níveis basais. Como resultado financeiro, melhora a eficiência reprodutiva do sistema. A Alta é uma empresa que preza pelo carinho, pela gentileza e pelas técnicas de manejo racional para com nossos bovinos de produção, seja de leite ou de carne. Conte conosco para orientá-lo quanto aos acasalamentos e quanto às técnicas de manejo, que podem melhorar o dia a dia de sua fazenda.

Rodrigo Peixoto, técnico em manejo racional da Alta Médico veterinário graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC/ MG) e mestre em Zootecnia, na área de Produção Animal, com projeto de pesquisa relacionado com Metabolismo e Reprodução de Bovinos de Leite


PECUÁRIA EM ALTA

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PROGRAMAS E SERVIÇOS

FALHAS NA DETECÇÃO DE CIO INFLUENCIAM DIRETAMENTE NOS ÍNDICES REPRODUTIVOS DO REBANHO por Reginaldo Santos, por gerente técnico de Leite e cursos de Inseminação Artificial da Alta A lucratividade nas propriedades rurais é influenciada por diferentes fatores, como nutrição, sanidade, gestão de pessoas, clima, utilização de tecnologia, treinamentos, objetivos, entre outros, mas a cada dia fica mais evidente a importância do gerenciamento dos índices reprodutivos, sejam estes de leite ou de corte. Se esses índices não são monitorados constantemente e as decisões não 32

PECUÁRIA EM ALTA

“Só pelos números nós conseguimos enxergar as falhas. Foi de suma importância. Nos deu direcionamento e foco na atividade”

são tomadas de maneira decisiva e rápida, o trabalho realizado nas demais etapas do processo irá por água abaixo. Na reprodução, vários indicativos servem para monitorar o desempenho do rebanho: Taxa de Concepção, Taxa de Prenhez, Intervalo entre Partos e outros mais. Todos eles indicam se o pecuarista está no caminho certo ou se precisa alterar algo no


manejo reprodutivo da propriedade. A Taxa de Serviço é uma oportunidade para melhorar todos os índices citados acima, ou seja, quantas inseminações são feitas para conseguir emprenhar nossas vacas. Esse índice está diretamente relacionado à detecção de cios nas propriedades. Pode parecer simples, e realmente é, mas, normalmente, essa taxa não é valorizada como merece no dia a dia das fazendas. São conhecidos os sinais de cio, quais horários devem ser reservados para a correta observação dos mesmos, como fazer essa observação, mas o responsável por essas tarefas geralmente acumula outras funções na propriedade e deixa a desejar nessa importante atividade. Nos últimos anos, nota-se extraordinário aumento da Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), sendo que um dos fatores que mais contribuem para isso, além de várias outras vantagens sobre a Inseminação Artificial convencional (IA), é a possibilidade de não precisar observar cios. Dependendo do protocolo, porém, a observação ainda é muito utilizada para os cios de retorno, que vêm em espaço de tempo mais curto e têm fertilidade comprovadamente mais alta. Hoje, há ferramentas que auxiliam bastante o inseminador na observação de cios e vários são os fatores que influenciam no cio das fêmeas, como nutrição, sanidade, idade da fêmea, clima, número de partos, quantidade de produção de leite, piso, etc. Tudo isso interfere na demonstração dos sinais de cios, podendo o animal permanecer menos tempo em aceitação de monta. Qualquer propriedade visitada, se questionada sobre a quantidade de cios perdida, em sua grande maioria vai responder que é entre 30 a 40% dos cios. Na realidade, o percentual

Bons resultados Guilherme Garcia, Fazenda Nossa Senhora de Fátima - Delta (MG) Há cinco anos, a Fazenda Nossa Senhora de Fátima, localizada em Delta (MG), decidiu dar mais atenção aos índices reprodutivos e, com a ajuda de um software de gestão, detectou as falhas da propriedade. Com os números em mãos, o proprietário teve ainda mais confiança na tomada de decisões e as ações corretivas feitas nos pontos identificados elevaram de 12 para 18% a taxa de prenhez. Esses 6% de aumento representaram muito para o rebanho de 150 vacas em lactação: redução de dois meses no Intervalo Entre Partos (IEP) projetado; 32 Dias Em Lactação (DEL) e um Período de Espera Voluntário (PEV) de 60 dias. Tudo isso aumentou consideravelmente a produção de leite anual, que acumulou na receita mais 150 mil litros no ano. Considerando o preço médio pago ao produtor de R$1,42, a receita aumentou em R$211 mil anuais. “Só pelos números nós conseguimos enxergar as falhas. Foi de suma importância. Nos deu direcionamento e foco na atividade”, comenta o proprietário, Guilherme Garcia. Uma das principais falhas na propriedade estava na Taxa de Serviço, ou seja, o número de vacas inseminadas dentre as que estavam aptas à reprodução não era satisfatório. O problema é que a fazenda não estava identificando corretamente as vacas que entravam no cio. Por isso, algumas ações foram implementadas no manejo para melhorar essa situação, dentre as quais a implementação do adesivo nas novilhas. Até agora, 76 novilhas foram inseminadas na propriedade e 45 emprenharam. “O adesivo foi fundamental para elevar meus índices, além de melhorar a observação de cio, o que nos propiciou voltar a utilizar sêmen sexado. Com certeza, vamos ter um incremento de fêmeas nascidas na fazenda e, consequentemente, ao longo dos anos, um incremento na produção de leite, que é o produto final da propriedade”, completa.

PECUÁRIA EM ALTA

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PROGRAMAS E SERVIÇOS

de cios observados de maneira correta está em torno de 35 a 40%, enquanto o restante de cios não é detectado e, consequentemente, a vaca fica mais um ciclo sem emprenhar. Para melhorar esses índices, principalmente a Taxa de Serviço, existe um adesivo chamado Estrotect. Esse produto integra o programa Alta ID, criado para oferecer soluções com ferramentas de auxílio ao pecuarista na melhora da taxa de serviço da propriedade. O Estrotect é colado na garupa das vacas e funciona da mesma maneira que uma raspadinha de loteria. Toda vez que essa fêmea é montada, vai raspando e gastando a tinta da superfície, o que ajuda o inseminador na observação de cio, principalmente

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PECUÁRIA EM ALTA

“O adesivo foi fundamental para elevar meus índices, além de melhorar a observação de cio, o que nos propiciou voltar a utilizar sêmen sexado”

entre aqueles animais que mostram poucos sinais do cio e aceitam a monta por pouco tempo, normalmente na madrugada, quando ninguém está olhando. Esse produto é utilizado hoje pelas Faculdades e Centros de

Pesquisa, nos Estados Unidos, mais para experimentos de eficiência do que para a detecção de cios e está presente em mais de 60 países. Os dados científicos mais precisos do mundo (Ray Nebel VT) para a detecção de cio indicam que, se você puder confirmar duas ou mais montas contra apenas uma, a possibilidade de emprenhar a vaca aumenta em 40%.

Reginaldo Santos, gerente técnico de Leite e Cursos de Inseminação Artificial da Alta Médico veterinário pela Universidade José do Rosário Vellano (Unifenas), pós-graduado em Pecuária de leite


PECUÁRIA EM ALTA

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CAPA

PRECOCIDADE SEXUAL NOS MACHOS QUAL A VANTAGEM? por Eliane Vianna da Costa e Silva e Luiz Carlos Cesar da Costa Filho 36

PECUÁRIA EM ALTA


Quando se busca precocidade sexual em machos bovinos, o primeiro objetivo que vem à cabeça do criador é a seleção indireta para precocidade sexual das fêmeas. Mas qual seria a vantagem para os machos? Considerando que um macho, normalmente, passa a primeira estação de monta pós-nascimento (EM1) ao pé da mãe, a segunda (EM2) na recria e entra em reprodução na terceira estação de monta pós-nascimento (EM3), a perspectiva demonstra que um tourinho que entra em puberdade precocemente pode alcançar sua maturidade sexual em tempo de ser utilizado para reprodução ainda na EM2. Obviamente que a melhor perspectiva para um touro nessa idade será ter o sêmen coletado e criopreservado, possi-

“Mesmo numa raça mais tardia, como a Nelore, podemos, com as ferramentas corretas de seleção, identificar animais com características de precocidade sexual e, em algumas gerações, dar um salto na característica, melhorando a eficiência reprodutiva e econômica” bilitando que, aos 24 meses, esse

animal já tenha filhos nascidos, diminuindo o intervalo entre gerações. Um touro que entra em puberdade após os 15 meses já diminui bastante a possibilidade de sua utilização na mesma EM, uma vez que a maturidade sexual, muito provavelmente, será alcançada ao final da EM2; portanto, mesmo que emprenhe fêmeas nesse período, seriam as mais tardias do rebanho e o número de filhos prováveis, muito menor. Já um animal que entra em puberdade após os 17 meses só poderá ser utilizado na EM3, tendo filhos nascidos apenas após os 36 meses de idade. A possibilidade de eliminar a fase de recria de um touro gera uma economia substancial na produção de touros, além de acelerar o processo de melhoramento genético.

Projeção de utilização de touros de acordo com sua precocidade sexual: SP (em verde, superprecoces, púberes até os 14 meses); P (em azul, precoces, púberes entre 15 e 16 meses) e T (tardios, em laranja, púberes acima de 17 meses)

PECUÁRIA EM ALTA

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CAPA

Para os machos, o principal critério reprodutivo utilizado em programas de melhoramento genético tem sido o perímetro escrotal (PE) aos 365 dias ou 480 dias. Biologicamente, a puberdade pode ser definida no macho quando o ejaculado alcança 50 milhões de espermatozoides totais e 10% de motilidade, segundo especialistas. Todavia, embora a correlação do PE com a alteração dos parâmetros seminais seja alta a partir da puberdade, isso

não retrata a realidade do parênquima testicular, não garantindo, desta forma, que um animal com bom PE em idade precoce terá boa qualidade seminal no período de maturidade sexual. Temos observado no campo vários touros da raça Nelore, dentro da mesma idade e tamanho testicular, que apresentam motilidade espermática diferente, estando alguns púberes e outros, não. Essa variação mostrou que os testículos com tamanhos iguais

podem produzir sêmen tanto de baixa como de alta motilidade. Portanto, essa produção de sêmen se deve à funcionalidade testicular do animal, e não somente ao tamanho do PE. As classes de precocidade sexual não diferem significativamente quanto ao PE. A curva de crescimento testicular e peso inicia-se de médias semelhantes, havendo uma distinção para os animais mais tardios, a partir da segunda coleta, feita no mês de outubro.

Perímetro escrotal (PE) à desmama, crescimento testicular e à puberdade de touros SP (em verde, superprecoces, púberes até os 14 meses); P (em azul, precoces, púberes entre 15 e 16 meses) e T (tardios, em laranja, púberes acima de 17 meses)

Distribuição de Peso médio (kg) e Perímetro escrotal (PE, cm) de machos bovinos Nelore, de acordo com coletas realizadas junto às pesagens do Programa de Melhoramento Genético, sendo a primeira em julho e as outras, intercaladas de três meses

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PECUÁRIA EM ALTA


Observa-se que touros superprecoces, que apresentaram perímetro escrotal à desmama um pouco mais baixos que os precoces, tiveram um ganho maior, mas ainda assim apresentaram em média PE 1 cm menor à puberdade. Na última medida, o PE médio de precoces e superprecoces apresenta-se superior aos dos animais mais tardios. Nos últimos 30 anos, o ganho de PE dos touros da raça e a queda da idade à puberdade foram significativos, mas estávamos estagnados numa idade à puberdade que não nos permitia suprimir a recria, como já vínhamos fazendo nos desafios de precocinhas das fêmeas. O desafio estava lançado. Mas a pergunta era como fazer isso? Como identificar? O Grupo de Pesquisa em Reprodução Animal de Mato Grosso do Sul desenvolve pesquisas nessa área há 10 anos e os frutos desse trabalho começam a aparecer nos Programas de Melhoramento Genético do país. Ao longo desse tempo, aumentamos de 4% para 22% a classe de touros superprecoces (púberes com menos de 14 meses

identificados no primeiro ano), enquanto a de animais precoces cresceu de 25% para 45%. Este ano, já identificamos um primeiro touro Nelore púbere aos nove meses e maturo sexualmente aos 12 meses. Aliadas à nutrição equilibrada desde a desmama, que permita aos animais expressarem a característica da precocidade e manterem o desenvolvimento corporal adequado, são realizadas avaliações periódicas de ultrassonografia testicular, coleta sanguínea para dosagem do Hormônio anti-Mülleriano SP

(AMH) e coletas de sêmen para identificar a idade à puberdade. O AMH tem auxiliado na identificação no sentido de permitir prever a precocidade sexual dos animais quando medido à desmama. Observa-se que touros com níveis de AMH baixos à desmama são mais precoces, sugerindo uma possibilidade de seleção quanto à precocidade. Médias (± desvio padrão) das variáveis Hormônio anti-Mülleriano (AMH) e testosterona (T) de machos Nelore de acordo com a classe de precocidade futura do animal (P < 0,05)

P

Td

AMH (ng/ml)

a 6,13 + - 0,64

b 12,14 + - 2,63

c 47,64 + - 5,74

T (ng/ml)

a 3,10 + - 0,92

b 1,93 + - 0,22

b 1,80 + - 0,43

25,93 + - 1,17a

23,08 + - 0,53b

20,83 + - 0,67c

Vol. testicular (mm )

543,55 + - 70,31a

402,38 + - 34,13b

257,60 + - 37,20c

ECOt (pixel/cm2)

128,69 + - 6,64a

125,64 + - 4,57b

118,95 + - 5,58c

PE (cm) 3

Letras diferentes na linha indicam diferença significativa (P<0,05) para teste t de Student: SP – superprecoces; P – precoce; Td – tardios; HAM – hormônio anti-Mülleriano; T – testosterona; PE – perímetro escrotal; Vol. Testicular – volume testicular; ECOt – ecotextura testicular

PECUÁRIA EM ALTA

39


CAPA

É importante dizer que no primeiro ano de análise de um universo de 360 animais apenas um animal foi identificado como superprecoce, na coleta de outubro. No ano seguinte, iniciou-se, então, um trabalho por toda a safra, vista no gráfico como safra 1. A última safra de bezerros trabalhada mostra a evolução da característica no rebanho, em que obtivemos

“Este ano, já identificamos um primeiro touro Nelore púbere aos nove meses e maturo sexualmente aos 12 meses”

22% de tourinhos superprecoces e 44% de precoces, mostrando que a pressão de seleção tem dado resultados. Observa-se que alguns touros apresentam um percentual muito maior de animais superprecoces e precoces. O efeito de fazenda pode ser notado comparando-se os touros utilizados nas duas propriedades, apresentando expressões diferentes.

Ganhos de seleção para a característica de precocidade sexual de touros Nelore, identificados por meio da ultrassonografia testicular, coleta seminal e dosagens de Hormônio anti-Mülleriano no rebanho da Genética Aditiva, Campo Grande (MS)

Obviamente que a expressão da característica de precocidade sexual demanda uma estratégia de manejo nutricional elaborada, mas, mesmo em fazendas com estratégias 40

PECUÁRIA EM ALTA

diferentes de nutrição, nota-se o efeito da linhagem paterna de forma evidente. Observa-se que o touro dois, na propriedade A, que aplica melhor estratégia nutricional, supera a

dos touros oito e três. Na propriedade B, o touro oito apresenta desempenho superior e o filhos do touro três já não apresentam o mesmo desempenho.


Efeito da linhagem paterna sobre a precocidade sexual dos filhos em duas Fazendas de Mato Grosso do Sul

PECUĂ RIA EM ALTA

41


CAPA

Importante mostrar que, mesmo numa raça identificada como mais tardia como a Nelore, podemos, com as ferramentas corretas de seleção, identificar animais na população com características de precocidade sexual e, em algumas gerações,

dar um salto na característica, melhorando a eficiência reprodutiva e econômica. Desta feita, o produtor pode estabelecer uma estratégia de melhoramento genético a fim de identificar animais mais precoces no seu rebanho, mas, para tan-

to, deve primeiro oferecer uma nutrição adequada para que os animais expressem a característica. Além disso, a busca de touros ou sêmen de animais de rebanhos precoces para o acasalamento com fêmeas do rebanho agiliza o ganho genético.

Genética Aditiva

REM Vokolo - destaque da Genética Aditiva

Desde a década de 90, a Genética Aditiva, uma das referências na seleção de animais da raça Nelore, tem implantado um projeto de precocidade sexual nas fazendas. O objetivo era desafiar bezerras desmamadas, precocemente à reprodução, na mesma estação de monta do ano em que foram separadas de suas mães, com apenas 13 meses em média. Parecia loucura ao olhar da pecuária zebuína tradicional, um mito, já que a precocidade sexual na raça Nelo-

42

PECUÁRIA EM ALTA

re tinha como idade média, ao primeiro parto, quatro anos. Em 1998, a Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP) delineou o protocolo do projeto Precocidade Sexual e criou as normas para adequá-lo às diretrizes do Programa de Melhoramento Genético da Raça Nelore (Programa Nelore Brasil). Um ano depois, Hélio Coelho, proprietário da Genética Aditiva, ergueu essa bandeira e implantou o projeto nas fazendas dele.

Desde então, as características de importância econômica, como peso à desmama e sobreano (crescimento), habilidade materna e perímetro escrotal são traçadas juntamente com a trajetória da precocidade sexual e a identificação de fêmeas superprecoces. As bezerras, pós-desmama, eram agrupadas em lotes de 30 a 50 animais e colocadas com um touro por lote, da safra anterior. As novilhotas diagnosticadas prenhas eram identificadas, a fogo na paleta, com letras SP (superprecoce). Um dos objetivos foi identificar os reprodutores que expressaram essa característica em suas filhas. Os touros líderes foram utilizados na inseminação artificial dentro do rebanho e, com isso, houve o processo de multiplicação desse material genético. Em 2004, juntamente com os demais critérios seletivos do rebanho, iniciaram as avaliações de ultrassonografia de carcaça, cujo intuito era avaliar o crescimento (peso dos animais), o rendimento e a qualidade de carcaça. Essa nova linha de pesquisa trouxe


importantes revelações genéticas para o futuro da raça, como, por exemplo, a correlação genética entre espessura de gordura e precocidade sexual nas fêmeas. Em 2007, uma parceria muito bem-sucedida com a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), por meio da professora Eliane Costa, iniciou–se com pesquisa em ultrassonografia testicular para identificar a puberdade nos machos, logo após à desmama. Ao longo desse processo, surgiram reprodutores que expressaram seu potencial genético para a produção precoce de sêmen e foram massivamente utilizados dentro do rebanho, formando algumas famílias. Como fruto desse trabalho, em 2016, surgiu um jovem reprodutor, REM Espião, que, com apenas nove meses, entrou na puberdade. REM Espião, filho de REM Agortan com REM Constelação (REM Vokolo), trouxe um resultado jamais visto na pecuária brasileira. Teve sêmen congelado e emprenhou 50 vacas, com apenas 14 meses de idade. Após terminar todas as demais mensurações de peso e as avaliações de ultrassonografia de carcaça, seguiu para a Alta Genetics para iniciar sua carreira de multiplicador da precocidade sexual para os rebanhos brasileiros. “A precocidade sexual é uma característica reprodutiva de grande impacto sobre

a produção animal. Os programas de melhoramento genético procuram, cada vez mais, selecionar tanto machos

“A seleção para precocidade sexual tem um enorme impacto na produção, aumentando, principalmente, o índice de desfrute da propriedade”

como fêmeas para essa característica, reduzindo a idade de início da reprodução”, explica o médico veterinário, responsável pelo laboratório da Alta, Neimar Severo. Nos machos, a medição do perímetro escrotal aos 12 meses é um bom indicador de precocidade sexual, relacio-

Eliane Vianna da Costa e Silva, Doutora em Zootecnia Doutora em Zootecnia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), é professora da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (FAMEZ/UFMS) e integra o Grupo de Estudos em Reprodução Animal no Mato Grosso do Sul (GERA-MS/CNPq)

nado à produção de sêmen em idade mais jovem e com boa herdabilidade, avaliado através das DEPs (Diferença esperada na Progênie) dos Programas Genéticos. “Animais precoces produzem sêmen com boas características físicas mais cedo que os animais tardios. Seu impacto está na herdabilidade, tanto para machos como para fêmeas. REM Espião 007 é um ótimo exemplo dessa seleção para precocidade sexual, pois, com menos de 12 meses, já estava produzindo sêmen e, na central da Alta, começou a comercializar material genético com apenas 18 meses de idade. Ele é oriundo de uma família superprecoce. Seu avô, REM Vokolo, também produziu sêmen ainda muito jovem. Espião é filho de uma vaca que emprenhou com 12 meses. A seleção para precocidade sexual tem um enorme impacto na produção, aumentando, principalmente, o índice de desfrute da propriedade”, finaliza.

Luiz Carlos Cesar da Costa Filho, Doutor em Ciência Animal Doutor em Ciência Animal pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (FAMEZ/UFMS), atua na Procriar Assistência Veterinária, em Campo Grande (MS)

PECUÁRIA EM ALTA

43


INFORME TÉCNICO

GERAR.

BENCHMARKING IATF 2017 O GERAR (Grupo Especializado em Reprodução Aplicada ao Rebanho) é um seleto grupo de técnicos que trabalham e discutem inovações e resultados referentes à IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) e TETF (Transferência de Embrião em Tempo Fixo). Os dados são coletados nas fazendas atendidas pelos técnicos, analisados pela equipe da UNESP/Botucatu-SP e apresentados nas reuniões anuais do grupo GERAR. Em 2017, o grupo superou o número de 1.000.000 de dados recebidos em um único ano e agora conta com um banco de dados com 3.972.878 informações de IATF. Esse ano o grupo gerou 1.027.266 dados de IATF que foram analisados e estão apresentados a seguir.

Cidades com pelo menos 1 técnico participante do GERAR

TAXA DE PRENHEZ À IATF (GERAR 2007 a 2017) 1.027.266

900.000 800.000 600.000 49,2%

48,4%

48,7%

48,8%

49,6%

48,8%

400.000 300.000

162.553

200.000 100.000 0

70%

681.496

700.000 500.000

80%

824.486

69.102

29.617

101.142

51,4%

, 51,2%

315.847

353.412

52,0%

60% 51,6%

51,0%

40% 30%

251.230

20%

156.727

10% 0

2007

2008

2009

2010

2011

2012

Total de dados analisados

2013

2014

2015

2016

2017

Taxa de prenhez à IATF

TAXA DE PRENHEZ À IATF - POR RAÇA CRUZADA

44

50%

TAURINA

ZEBUÍNA

2017

53,7%

(n=115.526)

2017

56,5%

(n=32.014)

2017

50,5%

(n=858.628)

2016

55,5%

(n=95.622)

2016

56,1%

(n=27.535)

2016

50,9%

(n=668.880)

2015

56,4%

(n=87.220)

2015

51,8%

(n=16.709)

2015

51,4%

(n=558.784)

PECUÁRIA EM ALTA

Taxa de prenhez à IATF

1.000.000


TAXA DE PRENHEZ À IATF - POR CATEGORIA 2015

2016

2017

2015

2016

2017

NOVILHAS INDUZIDAS*

50,3% (n=10.738)

46,4% (n=27.803)

48,2% (n=54.255)

SECUNDÍPARAS

54,9% (n=9.621)

54,9% (n=12.821)

53,2% (n=28.730)

NOVILHAS

48,4% (n=113.949)

49,1% (n=144.228)

48,6% (n=163.243)

MULTÍPARAS

54,0% (n=382.890)

54,0% (n=428.116)

53,4% (n=560.049)

PRIMÍPARAS

47,1% (n=80.690)

47,4% (n=121.758)

45,9% (148.175)

SOLTEIRAS

51,5% (n=69.734)

51,8% (n=62.446)

50,6% (n=57.917)

*Novilhas que receberam protocolo de indução de puberdade + protocolo de IATF.

PROTOCOLO PREMIUM GERAR E RANKING DAS FAZENDAS 2017 0,3 ml E.C.P. + 1,5 ml Novormon®

O Benchmarking 2017 contou com os dados de 1.288 fazendas; desse total foram selecionadas as 758 fazendas que apresentaram mais de 200 IATFs em vacas Multíparas. As fazendas foram classificadas em ordem decrescente de acordo com a taxa de prenhez e apenas as fazendas TOP 50% (n=379) estão representadas na tabela abaixo:

Top 1%

Top 10%

Top 20%

Top 50%

7

68

76

228

2.430

35.759

46.356

153.241

Taxa de Prenhez à IATF:

76,7%

66,4%

61,4%

56,7%

% Fazendas que usaram Protocolo Premium GERAR*:

85,7%

78,8%

72,0%

64,9%

(6/7)*

((52/66)*

(54/75)*

(146/225)*

Ranking Nº. de Fazendas: Nº. de IATF:

* Não foram consideradas na análise as fazendas especificaram o protocolo utilizado. USO DE VACINAS REPRODUTIVAS PELO GRUPO GERAR - (No.quedenão animais vacinados com CattleMaster) NOVILHAS

TAXA DE PRENHEZ IATF - GERAR POR RAÇA USO DE VACINAS REPRODUTIVAS PELO ÀGRUPO - (Nº. de IATF em animais vacinados com CattleMaster) CRUZADA

NOVILHAS

2017 2016 2015

53,7%

(n=115.526)

55,5%

15.785 (n=95.622)2014

56,4%

TAURINA

110.386 14.022

4.995

2013

2012

(n=87.220)

2017

2015

56,5%

(n=32.014)

56,1% 12.308

(n=27.535) 2017

14.200 15.963 201220162013

ZEBUÍNA

197.489

2016

2015

50,5%

(n=858.628)

2016 261.221 50,9%

(n=668.880)

51,4%

(n=558.784)

2017

127.904

2014

2015 15.963 51,8% 14.200 2013 2012 12.308 2014

Copyright Zoetis Indústria de Produtos Veterinários Ltda. Todos os direitos reservados. Material produzido em julho de 2017. Para informações, consulte o SAC: 0800 011 19 19. Cód. 30000915

48 h

CIDR/DIB ®

(n=16.709)

2015

2015

127.904

PECUÁRIA EM ALTA

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GIRO NO CAMPO

Viaje pelo país e conheça os animais que se destacaram nas diferentes paisagens do Brasil. Os clientes, juntamente com os

técnicos da Alta, apresentam o sucesso dos vários sistemas de produção. E você? Tem algum animal de destaque no rebanho?

Envie uma foto dele para o e-mail da Pecuária em Alta, ela poderá ser o destaque da próxima edição!

Participe e envie sua foto para pecuariaemalta@altagenetics.com.br

Fabiano, que forma dupla com César Menotti, visitou o pavilhão da Alta, na ExpoGenética, e esteve com o gerente de Corte Zebu, Rafael Oliveira, e o gerente regional da Alta, em Itapetininga (SP), Marcio Delfino

Beto Arantes, Rafael Arantes, Marcos Labury, Ayrton Trentin e Francisco (Chico) em mais um dia de trabalho, na Fazenda União

46

PECUÁRIA EM ALTA

A linda Cecília, desde cedo, demonstra seu amor pelos animais

O médico veterinário Kelvin Schuquel, em Pirapó, no Rio Grande do Sul


@calf_genetics

@danillorodr

@frezendes

@girolandonogueiras

@lisguse

@luizamangucci

@marquezguilherme

@rodrigohgpe

@thaysthaciane

PECUĂ RIA EM ALTA

47


CORTE

ALTA E SUA FORÇA NOS SUMÁRIOS por Bruna Quintana, técnica de Corte da Alta Atualmente, no Brasil, existem diversos programas de melhoramento genético, que auxiliam na identificação de indivíduos geneticamente superiores, por meio de avaliações genéticas, publicadas nos sumários. A utilização de animais melhoradores no acasalamento dos rebanhos brasileiros é de extrema importância, pois leva um progresso genético dentro das propriedades, gerando ao produtor maior lucratividade e sucesso na busca por resultados. Por isso, a Alta, empresa líder no mercado de inseminação artificial no Bra-

48

PECUÁRIA EM ALTA

sil, assume a responsabilidade de contratação de reprodutores com alto potencial genético. O trabalho realizado pelos técnicos na captação desses animais é extremamente sério. São analisados vários pontos para que um reprodutor integre a bateria Alta. Além do biótipo, é investigada a avaliação genética do reprodutor, de seus pais e de seus avós, para assegurar sua consistência genética. Juntamente a essas análises, é avaliado o desempenho intrarrebanho do animal, em criatórios de grandes selecionadores. O resultado desse im-

portante trabalho, desenvolvido pela equipe Alta, é refletido nos sumários de cada programa. Em agosto de 2017, durante a Expogenética, realizada em Uberaba (MG), houve o lançamento de três sumários da raça Nelore: da Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP), Programa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, denominado Geneplus (Embrapa/ Geneplus) e Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ). A Alta confirmou, mais uma vez, sua liderança. A empresa assumiu o pódio nos três


sumários impressos, colocando uma trinca de grandes raçadores na liderança. Na ANCP e no sumário Embrapa/Geneplus, contamos com REM Vokolo, REM Armador e REM Torixoréu. No PMGZ, dentre os touros de centrais, novos reprodutores entram em cena: o líder em vendas, REM USP; em segundo lugar, REM Vokolo, e para fechar o pódio, Truck da Alô Brasil. Não só no sumário impresso, mas também na consulta pública, a Alta Genetics coloca, entre os líderes, grandes novos reprodutores, mostrando também a força na contratação de touros jovens. REM Espião 007, touro sensação do Mega Leilão da Genética Aditiva 2017, encontra-se em primeiro lugar na consulta pública da Embrapa/Geneplus, sexto colocado no PMGZ e décimo na ANCP. A mais nova contratação, REM El Dourado, está como segundo colocado na ANCP. REM Dheef, bem posicionado nos dois sumários, está em terceiro lugar no PMGZ e em quarto na ANCP. O líder Vokolo, com MGTe de 26,12, iABCZ de 39,34 e IQGb de 5,45, 1.201 progênies em 43 rebanhos e comprova com sua progênie toda a força genética, mostrando consistência de um touro melhorador. Bem avaliado em todas as caraterísticas do sumário, é indicado para fazer matrizes precoces, longevas e produtivas e, também, machos com altíssimo desempenho em ganho de peso, aliado com carcaça de alto rendimento e acabamento. Líder do PMGZ e líder de vendas da bateria de touro da Alta Genetics, REM USP (MGTe

16,88, iABCZ 41,80, IQGb 4,05), apresenta uma régua de Diferença Esperada na Média das Progênies (DEPs) extremamente equilibrada, com força para as características de habilidade materna, crescimento e precocidade sexual. Touro de alto valor genético, produz animais padronizados, com alto valor agregado. Suas fêmeas emprenham precocemente e seus filhos têm alto desempenho em ganho de peso, sendo bem avaliados nos leilões, com valores acima da média.

“A Alta confirmou, mais uma vez, sua liderança. A empresa assumiu o pódio nos três sumários impressos, colocando uma trinca de grandes raçadores na liderança” Outro destaque é REM Armador, um dos reprodutores mais utilizados pelos rebanhos brasileiros, em 2016. Apresenta as seguintes avaliações nos sumários: MGTe 24,34, iABCZ 34,98 e IQGb 5,38. Armador alia biótipo moderno, consistência genética e régua de DEPs extremamente equilibrada, além de ter o selo Concept Plus como touro acima da média em fertilidade. Possui vários filhos em centrais, que já são destaques na consulta pública dos sumários,

assim como REM Dheef, REM Diablu e Artilheiro FVC. REM Torixoréu (MGTe 21,48, iABCZ 35,64, IQGb 5,20), reprodutor com alto valor genético, que contribui largamente para a pecuária brasileira, está presente no pedigree de excelentes animais, de diversos criatórios nacionais. Sem dúvida, um dos touros de maior potencial genético da raça Nelore, transmitindo altíssimo desempenho, precocidade sexual, rendimento e acabamento de carcaça. Torixoréu torna-se uma linhagem no Nelore atualmente. Fechando a apresentação desses excelentes reprodutores em grande estilo, temos Truck da Alô Brasil (MGTe 18,58, iABCZ 39,15 e IQGb 4,19). Esse reprodutor traz em sua carcaça muita força de estrutura, comprimento e musculatura. Touro provado de ótimo temperamento, é destaque para as características de habilidade materna, precocidade sexual, crescimento e de ultrassonografia, além de levar consigo o selo Concept Plus. Para conhecer mais sobre esses grandes líderes e outras extraordinárias opções para o seu rebanho, entre em nosso site ou venha visitar a Central em Uberaba.

Bruna Quintana, Técnica de Corte da Alta Zootecnista, graduada na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) em Jaboticabal

PECUÁRIA EM ALTA

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CORTE

SELEÇÃO DA PORTEIRA PRA DENTRO E DA PORTEIRA PRA FORA por Rafael Mazão, técnico de Corte da Alta

Amigo selecionador, em boa parte do país já estamos adentrando no período de maior importância do ciclo de produção das propriedades que desenvolvem melhoramento genético, a Estação de Monta. Sábios são aqueles criadores que definiram as matrizes do rebanho, escolheram os reprodutores utilizados na inseminação artificial e os de repasse, de acordo com os objetivos de 50

PECUÁRIA EM ALTA

seleção e produção, analisando as deficiências e fortalezas morfológicas e genéticas, com o objetivo de potencializar os ganhos a cada safra. Esses vão “construir”, ao longo dos anos, um sólido rebanho. Mas como identificar as deficiências do rebanho? Como identificar as melhores e piores matrizes? Como identificar os resultados dos touros utilizados em cada safra? Como identificar os

produtos que se destacaram em cada safra e em cada fase da vida produtiva? De forma geral, essas perguntas foram realizadas poucas vezes pelos selecionadores e, se foram, raríssimas vezes tiveram alguma ação concreta para identificar e selecionar os animais inferiores, os de média e os superiores. Não existe cronologia correta, existe coerência. Portanto, se estamos no início da reprodução,


Da porteira pra dentro

Da porteira pra fora

– Identificar as necessidades (genéticas e fenotípicas) do rebanho, de acordo com o objetivo da seleção. – Estabelecer indicadores para todas as características que envolvem o foco da seleção. – Identificar a genética a ser utilizada (touros de centrais, touros de repasse, touros jovens, matrizes e doadoras). – Identificar as ferramentas para auxílio da seleção (intrarrebanho, programas de melhoramento, genômica, avaliação de carcaça, provas zootécnicas). – Determinar o período da estação de monta. – Formar dos grupos de contemporâneos. – Estabelecer grupos de manejo bem definidos. – Estabelecer cronograma de avaliações.

Ao final da estação de monta, é importante: – Descartar matrizes ineficientes na reprodução (vazias). – Descartar matrizes ineficientes na habilidade materna. Após análise intrarrebanho: – Descartar os produtos inferiores. – Descartar as matrizes com resultados inferiores. – Não utilizar na próxima safra os reprodutores com resultados inferiores. – Descartar os touros de repasse com resultados inferiores.

Quanto maior a intensidade de seleção, maior e mais rápido será o progresso genético. Não esqueça: emoção gera prejuízos; seleção gera melhores resultados!

analise e identifique os melhores reprodutores que atingirão o objetivo da sua produção, corrigindo as deficiências e potencializando as fortalezas do rebanho. No decorrer da produção – à fase materna, à desmama, ao ano e ao sobreano –, por meio da avaliação intrarrebanho, conseguiremos responder as dúvidas geradas relativas a qual é melhor ou pior e, assim, tomar decisões com informações sólidas, ou seja, para descarte dos inferiores ou para multiplicação dos superiores, ao final da safra. A avaliação intrarrebanho é o “raio X” do perfil produtivo de cada safra, em que se podem avaliar matrizes, reprodutores e produtos quanto ao desempenho para as características econômi-

“A avaliação intrarrebanho é o ‘raio X’ do perfil produtivo de cada safra, em que se podem avaliar matrizes, reprodutores e produtos quanto ao desempenho para as características econômicas, que mais influenciam o ciclo de produção”

cas, que mais influenciam o ciclo de produção: peso, precocidade sexual, habilidade materna e características de carcaça. Ainda como ferramenta no intrarrebanho, é fundamental avaliar as características morfológicas, a fim de manter a padronização do tipo funcional, conforme o objetivo do selecionador. É importante identificar, sempre!

Rafael Mazão, técnico de Corte da Alta Especialista em Melhoramento Genético e em Julgamento de Espécies Zebuínas pelas Faculdades de Zootecnia de Uberaba (Fazu) e jurado efetivo da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), desde 2007

PECUÁRIA EM ALTA

51


EVENTOS

EXPOINEL ENCERRA O RANKING DA NELORE DE 2017

Realizada na última quinzena do mês de setembro, a Expoinel marca para a raça Nelore o fim do ano-calendário do Ranking Nacional da Associação Nacional dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB). Considera-

52

PECUÁRIA EM ALTA

da uma das maiores do mundo em número de animais de uma única raça, a edição deste ano reuniu, no Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG), cerca de 900 animais entre Nelore e Nelore Mocho. “A Expoinel re-

úne o que há de melhor da raça Nelore. É neste evento que conhecemos os líderes do ranking, ou seja, os melhores animais da raça. A exposição é fundamental para o criador que deseja se destacar entre as grandes forças da raça no Brasil”, afirma o gerente de Produto Corte Zebu da Alta, Rafael Oliveira. Em pista, importantes representantes do trabalho de seleção e evolução da raça realizado pelos criadores. “A busca por um animal que alia beleza racial, conformação frigorífica e avaliação genética é primordial para o sucesso de uma raça. O que comprova essa busca são os animais premiados este ano”, completa Rafael. Da bateria Alta, vários touros se consagraram, com filhos e filhas, sendo premiados em pista. Dentre eles o Grande Campeão da ExpoZebu, em 2012, Alarme Edto, conhecido pela sua extrema beleza racial e forte avaliação genética, sendo top 4% no Índice da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ). Outro touro destaque foi Nasik FIV Perboni, Grande Campeão da feira, em 2012, além de ser o único touro vivo entre os TOP 5 do ranking geral da raça. “Buscamos sempre atender o mercado


“É um feito histórico muito importante. Kayak vem se consolidando, ano a ano, como uma fábrica de produzir campeões. Essa Expoinel foi a sua consagração” da melhor forma possível e, para isso, temos que ir atrás dos melhores touros em cada segmento. No que diz respeito à pista, a Alta possui os melhores touros do Ranking da ACNB. São touros fazedores de campeões e que não entram apenas nas pistas, mas são utilizados também por criadores, que buscam animais de alta beleza racial e ótimo ganho de peso, principalmente para fazer touros Puros de Origem (PO)”, salienta Rafael. Fechando com chave de ouro os resultados da Expoinel 2017, Kayak TE Mafra apresentou ao mercado os grandes campeões da feira, nas categorias Macho e Fêmea. Seu filho, Rima FIV Magistrado, sagrou-se o Grande Campeão da feira, e Nali IDM, também sua filha, a Grande Campeã. “É um feito histórico muito importante. Kayak vem se consolidando, ano a ano, como uma fábrica de produzir campeões. Essa Expoinel foi a sua consagração. Dois filhos demonstraram todo o potencial genético do pai. São animais com alto padrão racial, carcaça moderna e bem revestida, ótima estrutura e equilíbrio de avaliação genética”, finaliza Rafael.

Touros destaques

Alarme EDTO

Kayak TE Mafra

Alarme EDTO

PECUÁRIA EM ALTA

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54

PECUÁRIA EM ALTA


EVENTOS

ALTA APRESENTA DESTAQUES DA BATERIA NA EXPOINTER 2017 A Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários (Expointer) comemorou 40 edições, de 26 de agosto a 3 de setembro, no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), consagrando-se entre as mais reconhecidas da América Latina. A feira apresentou o melhor da genética e as raças de maior destaque criadas no Estado. A exposição marcou o lançamento do catálogo de Corte Taurino 2017/18 da Alta, com todas as informações da bateria da empresa, incluindo os touros mais produtivos e modernos, adaptados à realidade do produtor. “O objetivo da companhia é levar aos pecuaristas novas op-

ções de touros, com pedigrees modernos, animais consagrados no mercado e com atualização de provas”, explica o gerente de produto Corte Taurino da Alta.

“O otimismo do setor está renovado e isso faz com que o botão de ‘start’ das compras volte a ser ligado” Destaque da Expointer é a diversidade de raças de bovinos, equinos e ovinos. Alta levou seus melhores touros de Corte e Lei-

te. “Para a companhia é uma grande oportunidade de fechar bons negócios e parcerias, tanto para a pecuária de corte como para a de leite. É um dos principais eventos do agronegócio no Brasil e um ponto estratégico de interação entre a nossa equipe e os clientes”, pondera o gerente de Mercado da Alta Brasil, Tiago Carrara. Presente na Expointer há mais de 15 anos, a Alta montou estande, em parceria com a Progen, e ofereceu condições especiais de comercialização aos visitantes. “O otimismo do setor está renovado e isso faz com que o botão de ‘start’ das compras volte a ser ligado”, descontrai o gerente.

Equipe Alta na Expointer 2017 PECUÁRIA EM ALTA

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EVENTOS

ALTA LEVA OS MELHORES PROGRAMAS PARA A AGROLEITE 2017 A equipe da Alta esteve presente na Agroleite, realizada em Castro (PR), reconhecida como Capital do Leite. O evento reuniu produtores de todo o Brasil em seminários, fóruns, leilões, dias de campo, exposição de animais, entre outras atividades relacionadas à cadeia do mercado leiteiro, de 15 a 19 de agosto. A Alta apresentou as raças 56

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Holandesa e Jersey. Segundo o gerente de Leite Importado da Alta, Fábio Fogaça, são touros que proporcionam genética de alta qualidade. “Os produtores que estiveram no evento tiveram condições especiais de preço e negociação”, afirmou. A empresa, também, apresentou o colostro em pó. O produto busca facilitar a vida do produtor,

bem como garantir que os bezerros tenham a chance de expressar todo o potencial genético desde o nascimento. A Alta trouxe para o Brasil o único colostro bovino natural em pó do mercado. O produto é fabricado a partir do colostro desidratado, sem adição de nenhum outro componente, garantindo as características naturais do colostro materno.


“Quando os animais são bem colostrados e adquirem uma correta transferência passiva de imunidade via colostro, ocorrem aumento do ganho de peso dos bezerros e redução de risco de diarreias e de mortalidade nas primeiras semanas de vida”, explica o gerente de Produto Colostro da Alta Brasil, Rafael Azevedo. O colostro é constituído por componentes importantes, como gordura, imunoglobulinas (anticorpos), sólidos totais, vitaminas, minerais e outros nutrientes essenciais, sendo único e imprescindível, pois os bezerros nascem sem defesas imunológicas (devido à estrutura da placenta dos ruminantes) e a ingestão do colostro é o único meio de o recém-nascido receber imunidade passiva pelos anticorpos da mãe. A dificuldade é que nem todas as vacas produzem colostro

“Nem sempre os touros mais ‘famosos’ no mercado serão as melhores escolhas para o objetivo do produtor.” em quantidade e qualidade necessária. Assim, o produto da Alta, além de garantir qualidade e quantidade necessárias para que os animais possam expressar todo seu potencial genético, facilita o armazenamento nas fazendas pela característica em pó. Entre outros benefícios, em fazendas em que não é produzido colostro com qualidade sanitária ou que tenha incidência de doenças que podem ser transmitidas pelo colostro, o uso do

colostro em pó se torna essencial para os programas de prevenção e auxílio na erradicação de doenças. Outro destaque da feira foi o Plano Genético. Os produtores contam com planejamento completo, elaborado por técnicos da Alta, a partir de uma análise minuciosa do rebanho e dos objetivos da propriedade. A análise personalizada considera a localização, o mercado regional e o manejo entre outras particularidades para determinar o melhor perfil de touro para o produtor. “Nem sempre os touros mais ‘famosos’ no mercado serão as melhores escolhas para o objetivo do produtor. Por isso, a Alta preocupa-se em fornecer uma análise minuciosa de cada propriedade, oferecendo a melhor solução para o produtor”, finaliza Fogaça.

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EVENTOS

EXPOGENÉTICA 2017 FEIRA APRESENTA OS AVANÇOS GENÉTICOS DAS RAÇAS ZEBUÍNAS touros da raça Nelore passaram por um Teste de Eficiência Alimentar realizada junto a FAZU, e apenas os que se destacaram passaram para a última fase, a escolha dos técnicos e criadores. Com tudo isso, o PNAT hoje é uma ferramenta muito importante, pois os touros que são selecionados passam pelo crivo de seleção dos técnicos da ABCZ, Criadores e Centrais de Tradicionalmente o mês de agosto marca a realização de uma das principais mostras de zebuínos provados do mundo em Uberaba, MG. A Expogenética, realizada no Parque Fernando Costa, todos os anos apresenta ao mercado uma programação diversificada, que congrega novidades científicas e mostra de animais avaliados. O evento reúne os principais programas de melhoramento genético do Brasil e permite ao público debater os rumos da seleção zebuína. Durante a exposição também, ocorre a última etapa da seleção de candidatos a uma vaga no PNAT (Programa Nacional de Avaliação de Touros Jovens). “O PNAT este ano veio com novidade, pois os 58

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Inseminação, portando touros com características fenotípicas que o mercado busca, além é claro de possuir avaliação genética forte dentro do PMGZ. Um exemplo de sucesso é o touro Logan da Di Genio foi selecionado no PNAT em 2015 e hoje é um destaque dentro da bateria da Alta.”, afirma Rafael Oliveira, Gerente de Produto Corte Zebu.

Mercado valoriza números consistentes A ExpoGenética conta ainda com leilões de animais avaliados pelos programas de melhoramento genético. Vários animais foram destaques na feira. Dentre eles, o touro 1070 da Terra Brava, avaliado em R$ 423.000,00 reais. O reprodutor teve 33% de suas cotas arrematadas pela F.R.M Agropecuária, de Cáceres/ MT, pelo valor de R$ 141.000,00 durante o primeiro leilão da feira, o Leilão da Terra Brava. Outro destaque aconteceu no tradicional leilão da Matinha com o touro Astral. O reprodutor foi destaque absoluto e se tornou o animal mais valorizado da história do leilão, sendo vendido 50% em 30 parcelas de R$ 14.100,00 reais. Os compradores foram Renato Ingracia e Donizete Freitas, criadores no estado de Roraima. Encerrando, no último dia da feira o leilão Naviraí Camparino superou todas as expectativas. O Touro Calibri JHV foi arrematado por 30 parcelas de R$ 13.000,00 totalizando R$ 390.000,00 reais 50% do animal. Os compradores foram José Josias e FRM Pecuária.


Alta promove Fórum de Precocidade Sexual Todos os anos a Expogenética atrai participantes na sede da Alta, com propósito de conhecer de perto o trabalho da Central. Aproveitando essa demanda existente há anos, a Alta resolveu proporcionar debates de qualidade ao setor pecuário nacional. No dia 22 de agosto a Alta reuniu em sua central mais de 250 pessoas em busca de conhecimento sobre os avanços da precocidade sexual da raça nelore. “A Alta traz essa iniciativa inovadora levando informação de qualidade para toda cadeia, pois acredita que o investimento em genética é primordial para produção animal de qualidade”, diz Tiago Carrara, gerente de mercado da Alta Brasil. Entre os palestrantes participaram: José Aurélio Garcia Bergmann, médico veterinário e mestre em zootecnia pela UFMG, além de pós-doutor pela Virginia Polytechnic Institute and State University (Virginia Tech); Manoel Francisco Sá Filho, médico veterinário e pós-doutor

em reprodução animal pela Universidade de São Paulo (USP); e Eliane Vianna da Costa e Silva, médica veterinária, com mestrado em reprodução animal pela UFMG e doutorado em zootecnia pela UNESP de Jaboticabal. O evento foi um sucesso e já está garantido uma próxima edição em 2018.

Lançamento Plano Genético

Plano Genético O futuro do seu negócio garantido A feira também marcou o lançamento do novo programa da Alta, o Plano Genético de Corte. O programa, que já era desenvolvido para produção leiteira, também estará disponível no mercado de corte. Com ele, agora o pecuarista conta com planejamento completo, construído por técnicos da Alta a partir de uma análise minuciosa do rebanho e dos objetivos da propriedade. A análise personalizada considera a localização, mercado regional, manejo, entre outras particularidades para determinar o melhor perfil de touro para o produtor. “O Plano Genético é o

primeiro e mais importante passo para o sucesso do seu negócio”, diz Tiago Carrara, gerente de mercado da Alta Brasil. Carrara explica que nem sempre escolher os touros mais ‘famosos’ significa necessariamente retorno imediato de produtividade e qualidade de produção. “A escolha do reprodutor deve estar alinhada com os objetivos da Fazenda, considerando o tipo de manejo utilizado, a localização, mercado regional, entre outros”, acrescenta o Gerente. O Plano é elaborado após um diagnóstico detalhado da fazenda, onde os técnicos da alta indicam os touros que melhor se encaixam nos planos do produtor, considerando produção, saúde animal e conformação. O objetivo da Alta é maximizar o processo genético e garantir lucratividade nos rebanhos brasileiros.

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RAÇAS

A RAÇA GIROLANDO E SUA HISTÓRIA por Guilherme Marquez, gerente de Produto Leite Nacional da Alta Conversar sobre a raça Girolando sempre me trouxe muito orgulho, talvez por ter sido minha escolha como alternativa para produção de leite ou porque a sua história possui um crescimento muito natural. Natural, pois, durante anos, a população de animais Girolando cresceu enormemente conquistando hoje mais de 80% dos animais produtores de leite do Brasil. Muito disso se deve à sua fácil adaptação aos desafios de nosso clima tropical, favorecendo-a no processo reprodutivo e nas expectativas de produção de leite – dois fatores de muita relevância no descarte de animais em uma propriedade. Os primeiros cruzamentos entre “Bos taurus taurus” com “Bos taurus indicus” datam de 1940, mas foi na década de 80 que a história tomou novo rumo, por meio da criação de um amplo Programa Nacional de Melhoramento Zootécnico (Pronamezo), que incluía um programa de direcionamento de cruzamentos entre raças, de nome Procruza. O Procruza veio com o intuito de orientar o produtor de leite nos cruzamentos entre raças, coordenar o registro, formas de cruzamento e assistência técnica aos produtores. Para isso, contava com associações de raças para efetuar as ações. Surgiu a 60

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Assoleite, que, posteriormente, se transformou na Associação Brasileira dos Criadores de Girolando.

“Nos países com desafios climáticos, a raça Girolando vem ganhando os olhares dos produtores. Esses números são observados pelo aumento das vendas de sêmen para exportação, bem como pelo grande número de estrangeiros que visitam nosso país para verificar o desempenho da raça” O Procruza foi de extrema importância para a formação e o crescimento da raça Girolando, que, anteriormente, se chamava Holangir. O sucesso foi tão grande que, ao término do programa, a Assoleite precisou escolher um cruzamento para continuar o trabalho de certificação. A predominância do Gi-

rolando foi muito maior. Em 1996, a raça Girolando ganhou sua importância oficial pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), sendo reconhecida como raça sintética no grau de sangue intermediário ao meio e ao 3/4 como raça oficial a composição 5/8 Holandês com 3/8 Gir Leiteiro. Em 1997, começou o teste de progênie com uma forte parceria entre Embrapa Gado de Leite (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e a Girolando. No ano de 2007 foi implantado o Programa de Melhoramento Genético do Girolando (PMGG), que permitiu, além da interação com os programas existentes na associação (registro genealógico, controle leiteiro, teste de progênie), a criação do Sistema de Avaliação Linear (Salg). O resultado dessa união vem mostrando uma grande evolução. Em 16 anos do projeto, houve uma melhoria em produção de leite impressionante nas filhas de touros Girolando. Em 2000, a média de produção no PMGG era de 4.137 quilos de leite, e em 2016 contabilizamos 5.239 kg, ou seja, 1.100 kg a mais. A melhoria no processo de seleção e a evolução das raças de origem, tanto Holandês quanto Gir Leiteiro, fizeram o Girolando conquistar ainda mais índices


produtivos espetaculares. Atualmente, contamos com diversas ferramentas de seleção para a raça e os paradigmas estão sendo quebrados junto ao uso do touro Girolando. Já são 1.610.913 animais registrados. A raça conta com 110.234 dados oficiais de lactação e vacas Girolando, que já ultrapassaram a casa dos 112 kg de leite em torneio leiteiro. O touro Girolando passa por um longo processo de seleção e já contamos com a escolha genômica para envio do touro ao Programa de Melhoramento Genético do Girolando. A avaliação de famílias, da fertilidade do sêmen e da conformação gera um índice para a escolha de touros. Hoje, sem sombra de dúvidas, o risco de se usar um touro Girolando Jovem é muito mais baixo do que no passado. No Programa, já são mais de 100 touros avaliados para leite do grau de sangue 3/4 e do touro Girolando 5/8. Muita coisa irá mudar para os próximos anos, devido à veloci-

“A Alta Genetics acredita no Girolando, desde 1996, quando chegaram os primeiros touros à central. Atualmente, contamos com mais de 50% dos touros provados do mercado com sêmen disponível”

dade de nossa tecnologia genética, e a raça Girolando irá, cada vez mais, conquistar os produtores de leite. Nos países com desafios climáticos, a raça Girolando vem atraindo olhares dos produtores. Isso tem sido observado pelo aumento das vendas de sêmen para exportação, bem como pelo grande número de

estrangeiros que visitam nosso país para verificar o desempenho da raça. A Alta Genetics acredita no Girolando, desde 1996, quando os primeiros touros chegaram à central. Comandada pelo zootecnista Ricardo Ramos, a bateria de touros Girolando sempre foi muito respeitada e referência para os produtores de leite. Atualmente, contamos com mais de 50% dos touros provados do mercado com sêmen disponível. Fique atento às nossas novidades.

Guilherme Marquez, gerente de Produto Leite Nacional da Alta Especialista em Pecuária de Leite e em Gestão de Agronegócios pela Reagro – certificada pelas Faculdades Associadas de Uberaba (Fazu) e pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ); possui também MBA em Marketing pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e é Diretor Internacional da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando

Destaques da história do Girolando na Alta

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CASOS DE SUCESSO

GENÉTICA DE SUCESSO AGROPECUÁRIA POLYANA A UNIÃO DA EQUIPE GERA O REBANHO SUPERIOR

Formada por três propriedades nos municípios de Itabela e Guaratinga, na Bahia, a Agropecuária Polyana é composta por 3.500 hectares, destinados à pecuária extensiva, de gado de corte comercial, e para a pecuária seletiva da raça Nelore. Parte da área, também, é para a produção de Café Conilon, uma das paixões dos proprietários. São 120 hectares irrigados, com produtividade de 100 sacos/hectare. A bebida é servida fresquinha aos visitantes, que chegam para observar os animais de destaque da raça Nelore e Nelore Pintado. As atividades de pecuária seletiva tiveram início em 2002, com a aquisição de matrizes na liquidação de rebanho e seleção da Fazenda Cinelândia, em Lajedão (BA). Os pecuaristas optaram por criteriosos investimentos, 62

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como técnicas de multiplicação de plantel por Transferência de Embrião (TE) e Fertilização In Vitro (FIV), além da participação em exposições agropecuárias para concretizar a atividade. “Precisamos selecionar bem para alavancar a pecuária nacional de maneira eficiente. Nós, pecuaristas, devemos ter metas bem definidas, planejadas e mensuradas, para poder, assim, colher os frutos e lucrar. Sou um apaixonado pela pecuária, um apaixonado pelo Zebu”, explica Tácio Ladeia Melhem. Diversas etapas foram vencidas para a evolução, dentro e fora da porteira. Desde 2007, a fazenda é assessorada por profissionais nas áreas de Veterinária, como doutor Ulisses Viana Rodrigues, e de Zootecnia, como Gustavo Ayres Pereira de Almei-

da, da Regional Alta, em Itabuna (BA). “Nosso alvo é ser uma referência na seleção de Nelore eficiente, ganhador de peso, de bom rendimento frigorífico e, principalmente, adaptado e rústico em nosso ambiente”, afirma Gustavo. Fazendo-se valer dessas premissas, a seleção de fêmeas para recria e incorporação de plantel Puro de Origem (PO) como futura matrizes é bem criteriosa. O trabalho inicia-se com a escolha dos reprodutores, avaliados em sumários para habilidade materna, idade primeiro parto e “stayability”. São consideradas, ainda, características fenotípicas de precocidade e musculatura, com foco no mercado. Visando a futura safra de tourinhos, também se levam em conta análises de perímetro escrotal, peso à desmama e sobreano. “Recentemente, utilizamos ferramentas como o Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ) e Geneplus para ajudar a filtrar o rebanho. O objetivo é que sirvam de segurança para nós e para o nosso cliente. É a certeza do profissionalismo que estamos implantando incessantemente em nosso criatório. A comercialização de reprodutores tem crescido, ano após ano. Não existe oferta que atenda a demanda de bezerros”, ressalta Tácio.


Sinergia Há vários anos trabalhando ao lado do proprietário, o zootecnista Gustavo diz que, no início, em sinergia com o mercado e como estratégia de Marketing, havia maior valorização e procura pela beleza fenotípica do animal e por premiações. Mas o perfil foi alterado gradativamente e novas diretrizes, implantadas. “Com maior busca pelo equilíbrio, o criatório reforçou sua análise do sistema de avaliação de bovinos denominado Epmuras. O método de avaliação visual refere-se à estrutura corporal (E), precocidade (P), musculosidade (M), umbigo (U), características raciais (R), aprumos (A) e características sexuais (S). Também foi intensificado o uso das avaliações genéticas. Atualmente, ainda temos algumas barreiras ao sugerir reprodutores em nossos acasalamentos, principalmente no que tange às características raciais, mas, certamente, nos últimos cinco anos a curva foi extremamente crescente para desempenho, acabamento, carcaça, precocidade sexual e reprodutiva. Utilizamos 25% do rebanho em touros jovens e, a cada estação de nascimento, avaliamos animais nascidos e repetimos ou alteramos os reprodutores, sempre utilizando a genética superior que os sumários nos possibilitam”, completa o proprietário. Os índices Com índices de gestação superiores a 86,15% em multíparas e nulíparas e de 78,20% em primíparas, o rebanho comercial vai muito bem. Resultado, principalmente, da utilização de touros

Touros destaque

Druso da CA

Adamo

produzidos no rebanho seletivo e recriados para atuar em rebanho comercial, bem como o uso da Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) e sêmen de reprodutores de alta concepção (Concept Plus). “No rebanho comercial, destacam-se, a olhos vistos, filhos do reprodutor Druso, Nelore Pintado de vermelho. As progênies

chamam a atenção pela carcaça, cobertura muscular e docilidade. Na comercialização de bezerros, a agropecuária bate recordes atrás de recordes, nos mais diversos leilões regionais. Não há produção que sobre. Os clientes chegam a bater na porta”, afirma Ulisses. No rebanho seletivo, os índices não ficam atrás. Com valores PECUÁRIA EM ALTA

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CASOS DE SUCESSO

acima de 88,35% em novilhas e multíparas, os reprodutores são escolhidos a dedo. Os pais das progênies, de 2016 e 2017, são: CEN Adonis, Bibliografo, Druso, Faraó FVC, Ganges COL, Pakayr da EAO, REM USP, Triunfo JHV e Truck da Alô Brasil. “Somos sabedores das dificuldades reprodutivas que um rebanho voltado para exposição e beleza fenotípica possui, devido, muitas vezes, a exagerados manejos nutricionais. Hoje, voltados mais para o tripé de produtividade, precocidade e eficiência, conseguimos grandes resultados, graças às seleções ginecológicas, feitas em avaliações de fêmeas bem jovens, e à constante e criteriosa escolha dos genitores no plantel. Temos evoluído bastante, também, graças à implementação dessas avaliações e ao desafio feito nas gerações iniciais”, comenta o médico veterinário Ulisses. Segundo o zootecnista Gustavo, todo ano são avaliadas as progênies nascidas e, den64

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tro dos destaques, opta-se por manter algumas linhas de acasalamento, os reprodutores consagrados e seus descendentes (touros jovens). “Assim, mantemos uma evolução constante do plantel, ano após ano. Para a estação reprodutiva 2017-2018, temos algumas apostas a definir: Adamo FIV Kubera, Batuck ACFN, Brasil FVC, REM Dulldog, Estuque TE

(CEN), Leroy, Mukesh COL e Toyota Matinha. Pretendemos utilizar quatro ou cinco destes, perfazendo 40% das inseminações”, frisa Gustavo. Acompanhados e avaliados por técnicos da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), os animais destacam-se pela uniformidade de desenvolvimento, beleza racial e pelos ganhos ponderais consideráveis. “A união do profissionalismo dos técnicos que nos assistem com a entrega de nossa equipe de funcionários, mais a qualidade da bateria da Alta Genetics, desde a contratação até a coleta de sêmen, com a criteriosa disponibilização para o mercado, traz a certeza de que estamos no caminho certo. Nosso país tem esta cultura de ser líder no setor primário da economia. Nós, da Agropecuária Polyana, queremos e trabalhamos para ser líderes em nosso Estado e a primeira opção na mente de nossos clientes, fazendo parte do sucesso deles”, finaliza Tácio.

Sobre a regional A regional Itabuna - Nutrigen Nutrição e Genética Especializada - é parceira da Alta, desde 2000. O zootecnista, pós-graduado, Gustavo Ayres Pereira de Almeida, cuida da gestão da macrorregião, compreendida entre Itabela, Santo Antônio de Jesus, Jequié, Itororó e a região cacaueira. Ele é jurado efetivo da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ) e da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando (Girolando). Mantém parceria com vários veterinários, trabalhando com Inseminação Artificial de Tempo Fixo (IATF), acasalamentos dirigidos, escrituração zootécnica, seleção de rebanhos, provas de ganho de peso e formação e implantação de pastejo rotacionado. O telefone de contato é (73) 3617-2773.


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CASOS DE SUCESSO

FAZENDA SERTÃOZINHO UM PROJETO EM BUSCA DE INOVAÇÕES PARA A ATIVIDADE LEITEIRA Localizada em Virgínia (MG), a Fazenda Sertãozinho começou seu projeto leiteiro no ano de 2009, com a compra de 50 novilhas meio-sangue. Inicialmente, foram aproveitadas todas as estruturas existentes na propriedade – os currais antigos e o processo de ordenha manual –, mas, com o passar do tempo, novas metas foram traçadas. Hoje, a fazenda possui um projeto específico para a pecuária de leite, focada no melhoramento genético. Os colaboradores da Fazenda Sertãozinho são treinados e inseminaram 100% do rebanho. Atualmente, são 85 fêmeas em lactação, com a produção média de 2.300 litros por dia. O rebanho é confinado em sistema de “free-stall”, com um manejo eficiente de resíduos e foco total no conforto animal e nas taxas de reprodução. “Busco crescer na atividade em um mercado

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preocupado com os sólidos e com a qualidade do leite. Trabalhamos por alto volume, baixo custo e preço premium”, diz o proprietário da fazenda Sertãozinho, Andres Rojas.

“A Alta não se preocupa somente em vender o sêmen. Tem todo um trabalho de consultoria e pós-venda fundamental para o sucesso” O plano genético da fazenda foi elaborado em parceria com a Alta. O foco, hoje, é o volume de leite, mas sem se esquecer da saúde animal. O plano está ajustado em 60% para produção, 30% para saúde e 10%

para conformação. “O sucesso da atividade está 100% relacionado com a genética. Impossível pensar na atividade leiteira sem melhoramento genético”, comenta o proprietário. O produtor é orientado quanto à escolha do touro ideal para o sistema de produção para que os objetivos sejam alcançados com mais rapidez. A propriedade trabalha, também, com outros serviços disponibilizados pela Alta para aumentar a eficiência e a produtividade. Através do Alta Gestão, um “software” de gestão dos números reprodutivos, implantado recentemente, Andres tem mais confiança na tomada de decisões. “Já temos alguns números, mas, em um futuro próximo, o programa irá nos ajudar muito junto à assistência veterinária, que presta serviço na fazenda. Vamos medir os resultados e tomar as decisões corretas para ter mais rentabilidade”, completa. Outro programa apresentado recentemente para o criador foi o Alta Cria, para gerenciamento dos números e conhecimento dos índices zootécnicos. É uma ferramenta de suma importância para traçar metas, objetivos e estratégias, que definirão o sucesso da criação dos bezerros, bem como auxiliarão na tomada de decisões de manejos na fazenda. “Desde que começamos a parceria na fazenda, iniciamos um trabalho muito forte em treinamentos e inclusão de fer-


Touros destaque

Andres Rojas, proprietário da fazenda Sertãozinho

ramentas para nos direcionar. Constantemente, nós nos reunimos na fazenda para checar o que já foi feito, planejar novas decisões e agir sempre o mais rápido possível. Acredito que esse trabalho, realizado junto aos colaboradores da fazenda, será peça chave para garantirmos o sucesso do negócio em futuro muito breve”, ressalta o gerente regional da Alta, Rodrigo Aparecido Ribeiro. Segundo o proprietário da fazenda, a parceira com a empresa tem sido de extrema importância para o sucesso do projeto. “A Alta não se preocupa somente em vender o sêmen; tem todo um trabalho de consultoria e pós-venda fundamental para o sucesso. Nosso alvo é ser referência na atividade leiteira, sempre buscando inovações, investindo em parcerias e pessoas”, finaliza.

AltaGILCREST

AltaSOUSA

Sobre a regional Localizada na cidade de Itanhandu (MG), a gestão da regional está a cargo de Rodrigo Ribeiro. A área de atuação compreende todo o sul de Minas Gerais. Além da comercialização de sêmen, a regional está preocupada com os índices das fazendas, levando treinamento específico para vários setores e ajudando a compilar e avaliar os números. O telefone de contato é (35) 99700-5445.

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ENTREVISTA

ANDRÉ LASMAR GUIMARÃES UM PESQUISADOR EM BUSCA DO ANIMAL EFICIENTE

“Entre nossos desafios para a próxima década está a expansão do rebanho e a conquista de novos consumidores no mercado externo”

André Lasmar Guimarães é zootecnista formado pelo Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), campus Bambuí. Possui Pós-graduação em Produção Animal Sustentável pelo Instituto de Zootecnia e, atualmente, trabalha como Zootecnista no Instituto de Zootecnia de Sertãozinho (SP). Quais as ferramentas para avaliar a eficiência alimentar? Existem diversas ferramentas para avaliar a eficiência alimentar em bovinos. A diferença entre elas é o tipo de instalação utilizada para obter os dados de consumo individual de alimentos. Podemos utilizar baias individuais, em que o trabalho é todo manual, podendo comprometer a acurácia das 68

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informações, uma vez que o erro, nesse tipo de instalação, é humano. Outra forma de se obter informações do consumo de alimentos é utilizando sistemas automáticos, como o GrowSafe® e o Intergado. Eles registram o consumo de matéria natural cada vez que o animal visita o cocho, além de informações de comportamento ingestivo, como o tempo de permanência no cocho, a frequência de visitas e o consumo de alimentos a cada visita ao cocho. Esses sistemas podem aumentar a acurácia dos dados de consumo alimentar, reduzir o custo com mão de obra e avaliar um número maior de animais em relação às baias individuais. Qual diferença entre con-

versão alimentar e eficiência alimentar? A diferença entre conversão alimentar e eficiência alimentar é que a conversão é a razão entre o consumo de alimentos e o ganho de peso diário, já a eficiência alimentar é a razão do ganho de peso diário pelo consumo de alimentos. Entretanto, a conversão alimentar é uma medida bem fácil de ser compreendida, pois é expressa em quilo de matéria seca consumida por quilo de peso vivo, sendo utilizada, inclusive, para comparar raças e até espécies de animais. Eficiência alimentar tem correlação genética com alguma característica produtiva? Essas correlações dependem da característica de eficiência alimentar considerada. Por exemplo, a conversão alimentar tem correlação genética média com ganho médio diário, ou seja, animal com menor valor da conversão alimentar (desejável) tem maior ganho de peso. Equivalentemente, podemos falar que a seleção para maior ganho de peso resultará em animais mais eficientes em termos de conversão alimentar. Por que essa característica tem tanta importância? Tendo a alimentação como um dos maiores custos na pecuária de corte, utilizar estratégias a fim de aumentar a lucratividade


e diminuir os custos e desperdícios nos sistemas de produção é essencial. Uma estratégia é identificar animais mais eficientes na utilização dos alimentos, o que levará a uma menor demanda de terra para pastagens e agricultura, diminuindo também os impactos ambientais causados pela pecuária. Em longo prazo, a seleção para eficiência alimentar deve representar maior lucratividade, desde que se utilize a característica de eficiência alimentar correta. Entretanto, há a necessidade de avaliar índices econômicos de seleção, nos diversos sistemas de produção no Brasil. De que modo o Consumo Alimentar Residual CAR torna-se um aliado para a eficiência alimentar? O Consumo Alimentar Residual (CAR) é uma característica que se tornou relevante nas estratégias para melhorar a eficiência alimentar dos rebanhos, pois é fenotipicamente independente do peso corporal e da taxa de crescimento do animal. Ele é definido como a diferença entre o consumo de matéria seca observado e o consumo de matéria seca predito, isto é, o CAR é o consumo ajustado para ganho médio diário e peso corporal. Apresenta distribuição normal, pois é uma equação de regressão linear de três variáveis: o consumo de matéria seca, ganho médio diário e o peso metabólico. Os animais mais eficientes possuem valores negativos para essa medida, ou seja, consomem menos alimentos para a mantença e para o ganho de peso, quando comparados aos seus

“Utilizar estratégias a fim de aumentar a lucratividade e diminuir os custos e desperdícios nos sistemas de produção é essencial”

contemporâneos. Entretanto, é muito importante que as características envolvidas nesse cálculo (ganho médio diário e consumo de matéria seca) sejam bem avaliadas em testes de desempenho de, no mínimo, 100 dias (período de adaptação mais período de teste). Quais as relações entre animais de CAR negativo e composição de carcaça? Qual é a herdabilidade desse índice?

Atualmente, existem contradições nas pesquisas quando se trata da relação do CAR com características de carcaça. Provavelmente, as diferenças genéticas na eficiência alimentar podem estar ligadas às diferenças na composição do ganho dos animais, uma vez que o gasto energético para deposição de gordura é maior do que o gasto para a deposição de proteína, ou seja, espera-se que animais mais eficientes apresentem carcaça mais magra. Estudos genéticos conduzidos no Instituto de Zootecnia com a raça Nelore mostraram correlação genética desfavorável, mas de baixa magnitude, entre a eficiência alimentar e a espessura de gordura subcutânea, mostrando baixa relação genética entre eficiência alimentar e qualidade de carcaça. Outros estudos mostraram que animais mais e menos eficientes apresentaram carcaças semelhantes em termos de qualidade de carcaça e carne. A herdabilidade da característica CAR varia entre raças e

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ENTREVISTA

entre populações de mesma raça e está entre 0,15 a 0,30. Um boi eficiente ao comer silagem, milho e farelo de soja, por exemplo, será o mesmo quando estiver a pasto, comendo capim e sal mineral? Pouco se sabe ainda da relação da eficiência alimentar de animais confinados e em condições de pastejo, pois quando se trata da eficiência alimentar a pasto, um dos fatores limitantes nos estudos são as metodologias empregadas para a mensuração do consumo individual de pastagem. Para mensurar o consumo individual do animal a pasto, utilizam-se metodologias (indi-

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cadores), que podem interferir diretamente no ganho de peso e, consequentemente, na estimativa do consumo, o que pode tornar o CAR a pasto pouco confiável. Quando um criador comercial deve incluir eficiência alimentar no seu plano genético para seleção de touros da Inseminação Artificial de Tempo Fixo (IATF)? Na minha opinião, o momento é agora, uma vez que o mercado de carne exige sustentabilidade econômica e ambiental. Há, atualmente, alguns touros com DEPs para eficiência alimentar, deixando ao pecuarista a oportu-

nidade de incluir essa característica na seleção dos touros. Quais trabalhos têm sido desenvolvidos para conciliar as provas de eficiência alimentar com a genômica? O número de animais avaliados para eficiência alimentar no Brasil ainda é relativamente pequeno perante a população sob seleção, o que torna a predição genômica ainda com baixa acurácia para essa característica. Portanto, há necessidade de continuar obtendo os fenótipos de eficiência alimentar por meio dos testes de desempenho, assim como de genotipar, estrategicamente, os animais.


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Edição 15 - Outubro/Novembro Pecuária em Alta  

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