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julho de 2012 :: Nº 16 :: Ano 2

casa & decoração Cuidados ao instalar um piso aquecido

Texturas para paredes e móveis em alta na Casa Cor

Paixão por cores

Conheça os tons em alta na decoração de ambientes e saiba como combiná-los


[editorial

Em clima de Olimpíadas, a Viver Bem Casa & Decoração foi conferir como atletas compõem suas medalhas na decoração da casa. Confira!

Felipe Rosa/Gazeta do Povo

[hall

[na internet

[índice

Pintando o “set”

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C

onforto. Prazer. Calma. Alegria. Uma composição de tons bem elaborada tem o poder de despertar as melhores sensações e criar atmosferas especiais nos ambientes. Mas como traduzir tudo isso numa foto de capa sobre cores na decoração? Confesso que quebramos a cabeça quando decidimos que esse seria o tema principal da edição. Durante a reunião para discutir as matérias que seriam publicadas neste mês (as chamadas reuniões de pauta), toda a equipe debruçou-se sobre o desafio de pensar numa imagem. Em meio a um verdadeiro brain storm, propostas convencionais, como fotografar um ambiente que trouxesse nas paredes todas as cores em alta ou um espaço que destacasse o tom mais em evidência, foram sugeridas e rapidamente descartadas. Foi aí que a repórter Marina Fabri, incumbida de produzir a reportagem, lembrou de uma matéria sobre grafites na decoração, publicada na edição de fevereiro da revista, e expôs a ideia que encantaria a todos: “Que tal pedirmos para um dos artistas entrevistados fazer uma intervenção com cores – pintando e criando objetos – numa foto previamente feita num set com móveis de verdade e uma parede branca?” Voilà! Tínhamos encontrado a proposta para a foto de capa. E a missão de realizar o trabalho ficou a cargo do artista Valdecimples, que criou um cenário que mistura realidade e fantasia (ou melhor, arte!) e mostra como cores em alta na decoração podem fazer toda diferença em um espaço. A mesma intervenção, inclusive, foi usada na foto que abre a matéria e é de encher os olhos. Boa leitura! Roberto Couto Editor viverbem@gazetadopovo.com.br

Capa – Saiba como combinar as cores na sua decoração

Foto com móveis da Kraft e intervenção do artista Valdecimples, que usou cores em alta na decoração.

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Construção – O que você precisa

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Inspire-se – Diversidade de estilos em

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Decoração – Soluções criativas para

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Casa Cor – Mostra apresenta novidades em revestimentos

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Sala de estar – Conheça Renata Rubin, a vencedora do “oscar” do design

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Paisagismo – Materiais diferentes

saber antes de instalar pisos com aquecimento

apartamento projetado pela arquiteta Priscilla Müller

combinar quadros e objetos na parede de casa

valorizam os caminhos de jardim

Expediente A revista Viver Bem Casa & Decoração é uma publicação da Editora Gazeta do Povo. Diretora de Redação: Maria Sandra Gonçalves. Edito­ra Execu­tiva: Andréa Sorgenfrei. Editor: Roberto Couto. Editora Assistente: Larissa Jedyn. Editora Assistente Web: Flávia Alves. Edito­r Execu­tivo de Imagem: Marcos Tavares. Edito­res de Arte: Acir Nadolny e Dino R. Pezzole. Projeto Gráfico: Dino R. Pezzole, Joana dos Anjos e Marcos Tavares. Diagramação: Joana dos Anjos e Allan Reis. Tratamento de Imagem: Edilson dos Santos, Mauro Cichon e Marcos Navarro. Capa: foto de Mel Gabardo, ilustração de Valdecimples e móveis da Kraft The Home Store (almofada, mesa turquesa, enfeite de gralha azul, luminária de chão e cadeira revestida em tecido listrado). Re­da­ção: (41) 3321-5941. Fax: (41) 3321-5472. Co­­mer­­cial: (41) 3321-5904. Fax: (41) 3321-5300. E-mail: viverbem@gazetadopovo.com.br Site: www.gazetadopovo.com.br/viverbem Endereço: R. Pedro Ivo, 459. Curitiba-PR. CEP: 80.010-020. Impressão e acabamento: Gráfica Editora Posigraf. Não pode ser vendido separadamente.

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[pouco de tudo [1]

Casa quentinha Neste inverno, apele para

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tapetes, cobertores, aquecedores e tudo que possa deixar o lar e a vida mais aconchegantes

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Fotos/Divulgação

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1. Para deitar e rolar, o tapete Joy

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Cristal, da Yellowart. Com 1,50 por 2 metros. R$ 656.

2. Em veludo de algodão, a Colcha Eliot tem acabamento em matelassê feito à mão e enchimento em poliéster. Na Capim Limão, R$ 799 (tamanho queen) e R$ 899 (king).

3. Para ler, assistir à tevê, se movimentar pela casa e ficar sempre quentinho, cobertor com mangas de microfibra. Com várias cores, R$ 79. Na Zelo.

4. O Air Cooler Advanced Honeywell

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aquece, resfria, purifica e umidifica o ar. Ajuda a remover impurezas, como poeira, pólen, mofo, pelos de animais e odores desagradáveis. R$ 1.199,78, na Polishop.

5. Os cobertores em microfibra têm toque macio, são leves e quentes. Em diversas cores, na Zelo, R$ 49 (solteiro), R$ 59 (casal) e R$ 75 (queen).

6. A iluminação também é capaz de esquentar a casa, ao dar um ar de aconchego e conforto. Para isso, a luz deve ser amarelada, como nas luminárias da Ideally Iluminação. R$ 806, cada.

7. Tingidos naturalmente e bordados à mão, os tapetes da coleção tribal do Paquistão conferem vida e calor aos ambientes. R$ 800 o m², na Casanova Mercês.

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Serviço Yellowart Tapetes, Alameda Dr. Carlos de Carvalho, 1.237, fone (41) 3233-8560; Avenida João Gualberto, 1.664, fone (41) 3253-3498; Rua Nicolau Maeder, 809, fone (41) 3252-9605. Ideally Iluminação, Rua General Aristides Athayde Júnior, 54, fones (41) 3339-1525 e www.ideally.com.br. Capim Limão, Av. Sete de Setembro, 6.197, fone (41) 3016-9817 (41) 3016-9817, site www.lojacapimlimao.com.br. Polishop, shoppings Mueller, ParkShoppingBarigüi, Estação e Curitiba. Casanova Mercês, Avenida Manoel Ribas, 1.860, fone (41) 3335-3456 (41) 3335-3456. Zelo, shoppings Mueller, Estação, ParkShoppingBarigüi e Palladium.


[capa

Com que cor eu vou? Marina Fabri :: Foi-se o tempo em que o branco e os tons de bege reinavam absolutos nas paredes – hoje, cores fortes e mais divertidas são capazes de trazer vida, alegrar e imprimir nos lares a personalidade de quem os ocupa. Coral, vermelho, azul intenso, vinho, amarelo e outros vêm com tudo para acabar com a timidez de quem tinha medo de ousar na decoração. E é só olhar com atenção: o mundo está mais colorido. É justamente daí que vem a inspiração dos fabricantes de tintas para determinar, por meio de pesquisas, quais as cores que estão na moda. “Fazemos uma pesquisa e análise que abrange o mundo todo e que vai desde o que é apresentado em mostras e exposições de decoração até o que aparece em filmes, novelas e outras mídias para determinar, a partir daí, como está o comportamento do consumidor contemporâneo”,


Na foto, que recebeu a intervenção de cores do artista Valdecimples, mesinha vermelha, enfeite azul de pássaros, abajur amarelo e tapete – todos da loja Kraft.

Escolher um novo tom para cobrir as paredes de casa é uma mudança simples, mas que pode trazer vida nova ao ambiente

explica a colorista e arquiteta Elisa­ beth Wey, que é presidente do Comitê Brasileiro de Cores e responsável pelas tendências de tons da fabricante de tintas Eucatex. Entre os eleitos pelo comitê como tendência até meados de 2014 estão quatro grupos de tons: nostalgia (preto, branco, cinza, prata), naturalis (tons naturais e terrosos), carnaval (tons vivos como magenta, turquesa, e outros mais suaves, como verde pastel, por exemplo) e art in casa (tons fortes, mas um pouco mais sóbrios, como azul Klein, roxo e taupe). Para a fabricante Coral, a cor eleita para 2012 é um tom vivo de coral, que vem acompanhado por uma cartela de cores encorpadas e intensas, como roxos e azuis. “O consumidor está mais otimista – em especial no Brasil, onde de modo geral o uso de cores (com destaque para tons intensos nas fachadas ou combinadas com tons neutros em ambientes internos)

na decoração está aumentando”, explica Paola Vieira, gerente global de colour marketing da AkzoNobel, que fabrica as tintas da marca. A Suvinil também aposta em cores divertidas e vibrantes como laranja e verde – é a volta de tons usados nas décadas de 1960 e 1970, em especial em móveis e utensílios para o lar.

A cara do dono Por outro lado, os arquitetos são unânimes em dizer que, em um projeto, vale mais a personalidade e o gosto de quem vai habitar a casa ou ambiente do que as tendências. “Há alguns anos, tenho notado meus clientes mais ousados no que diz respeito a isso – acredito que tudo influencia nessa questão, as pessoas acabam gostando do que veem nas ruas e mesmo na moda, que está mais colorida, e incorporam isso instintivamente”, explica a arquiteta Calina Mussi. Ela foi a responsável pelo pro-


Divulgação

Todo em tons neutros, o apartamento projetado por Rosa Dalledone ganha ares contemporâneos com a mistura de materiais.

Alessandra Okazaki / Divulgação

Parede pink no apartamento ambientado por André Largura e Giovana Kimak – para balancear, os objetos de decoração são em vidro.

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jeto de uma residência ampla na qual seus clientes – um casal: ela, médica; ele, advogado; mais duas filhas pequenas – queriam adicionar cor aos ambientes de forma a deixá-los confortáveis e aconchegantes. Para isso, a arquiteta trabalhou com uma mistura de tons neutros – o fendi, um bege com um toque de verde, colore as paredes da sala ampla e bem iluminada; e um mix de pistache e vinho foi reservado para o quarto do casal. “O tom de violeta foi usado apenas em um canto do quarto, para não pesar o ambiente”, diz ela. Para quem está pensando em ousar ainda mais e partir para uma cor como um rosa intenso, turquesa, amarelo ou vermelho, o segredo está sempre em saber como equilibrar os demais elementos do ambiente. “Não acredito em cor feia e, sim, em cor mal usada”, diz a designer Giovana Kimak. O uso de tons fortes é marca registrada dos projetos dela em dupla com o arquiteto André Largura, ambos da Ambienta. Para harmonizar um espaço com uma parede com cor intensa, as dicas são abusar de objetos decorativos em vidro e espelhos, que dão leveza. Além disso, a dupla nunca costuma misturar mais do que três tons fortes em um mesmo cômodo, para evitar que a combinação canse o olhar.

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Mexerica, Suvinil

Chá Dançante, Coral – 10YR 21/436

Rosa Chiclete, Suvinil

Taupe, Eucatex


Veleiro, Suvinil

Parede vermelha em um dormitório – todo o restante do ambiente é decorado com cores neutras e bastante branco para não cansar o olhar. A decoração é da arquiteta Rosa Dalledone.

Clássicos As regras são quase as mesmas para quem prefere tons sóbrios e escuros. A dupla de arquitetas Marina Canha­das e Sabina Bottarelli projetou um apartamento para um casal jovem que queria uma sala em cores escuras como verde musgo e preto. “Para equilibrar, colocamos um sofá enorme e branco do lado oposto à parede escura – além disso, o pé-direito do apartamento é alto, do contrário os tons escuros poderiam diminuir o ambiente”, explica Sabina.

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Fotos / Divulgação

Fúcsia, Eucatex

Mesmo quem ainda prefere os tons neutros pode dar um toque contemporâneo ao ambiente por meio do mix de texturas nas paredes, piso e objetos de decoração. “Muita gente associa os beges e tons naturais a pessoas mais conservadoras, mas projetei um apartamento todo em cores neutras para um casal de empresários jovens e recém-casados – o que mostra que a cor tem mais a ver com a personalidade do que com a moda. Para dar um toque moderno, abusei da madeira e espelhos”, conta a arquiteta Rosa Dalledone.

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O amarelo em diferentes texturas foi usado para criar um ponto de atenção no ambiente sóbrio. O projeto é de André Largura e Giovana Kimak.


Alessandra Okazaki /Divulgação

Sala decorada com tons de turquesa, vermelho e roxo por André Largura e Giovana Kimak: cuidado em usar no máximo três cores fortes no ambiente.

Estrela Ardente, Coral – 40YY 64/903

Verde Folha, Eucatex – 030


Erva Mate, Suvinil A mistura de tons pistache e vinho foi escolhida para criar um ambiente aconchegante e alegre ao mesmo tempo. A ambientação é de Calina Mussi.

Fotos: Divulgação

Vinho de Mesa, Coral – 78RR 06/137

Serviço Ambienta, Praça General Osório, 45, fone (41) 3222-7407 e site www.studio ambienta.com.br. Calina Mussi, Rua Jacarezinho, 1.214, sala 102, Mercês, fone: (41) 3336-9105 e site www.calinamussi.com.br. Impermix Tintas, Rua Alferes Poli, 1.199, Rebouças, fone (41) 3213-2244 e site www.impermix.com.br. Marina Canhadas e Sabina Bottarelli Arquitetura, Rua Capitão Souza Franco, 881, cj. 131, fone (41) 3076-0972 e site www.canhadasbottarelli.com.br. Rosa Dalledone

Sabina Bottarelli/Divulgação

Arquitetura, Rua Deputado Antonio Baby, 54, Batel, fone (41) 3244-5660.

O tom de fendi foi escolhido para colorir a sala ampla e bem iluminada da casa idealizada por Calina Mussi.

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Faça você mesmo Confira dicas de profissionais para pintar paredes:

Essa escolha depende das suas necessidades. Para casas com crianças e animais de estimação, as tintas laváveis e antimanchas são boas opções; há também variedades antimofo e antibactericida; para superfícies cobertas de gesso, há produtos específicos, assim como tintas feitas para proteger áreas externas do sol e chuva. Outra questão a ser levada em conta é o acabamento da tinta: as brilhantes acentuam qualquer imperfeição das paredes, mas podem ser usadas para dar amplitude a ambientes com pé-direito baixo; enquanto as versões mais opacas são mais fáceis de se trabalhar.

De quanta tinta vou precisar? Agradecimentos Arte da capa e página de abertura Valdecimples, fone (41) 8885-0082 e site www.lixocontinuo.com; Nomeio Espaço de arte, fone (41) 3203-2852. Móveis da capa e página de abertura Kraft The Home Store, Av. Batel, 1.114, fone (41) 3233-4134 e site www.lojakraft.com.br.

Para quem quer usar cores escuras, o bom é balancear o ambiente com outras paredes e móveis claros, como no apartamento decorado por Marina Canhadas e Sabina Bottarelli.

Para fazer esse calculo, é preciso saber o tamanho da área a ser pintada. Meça a parede e multiplique pela altura do pé-direito (altura do chão ao teto). Em seguida, multiplique essa metragem pelo número de demãos (normalmente, duas a três, dependendo da intensidade da cor). O resultado dessa conta é a metragem total – algumas latas de tinta indicam a área que aquela quantidade cobre ou você pode pedir ajuda na hora de comprar. Lembre-se sempre de que a cor da tinta que aparece no catálogo pode ficar diferente na parede – antes de comprar a quantidade certa, faça um teste em uma pequena área.

Como proteger os móveis e outras paredes que não serão pintadas? É bom forrar o piso com lona, retirar os espelhos dos interruptores, cobrir os móveis e proteger com fita-crepe as maçanetas, os rodapés e os batentes. Passe a massa corrida sobre a fitacrepe para impedir que a tinta penetre e use uma espátula para remover o excesso. Se a superfície a ser pintada tiver irregularidades, tampe os buracos superficiais com massa corrida, usando uma espátula,

Shutterstock

Que tinta escolher?

e tampe os orifícios mais profundos com gesso. Deixe secar por 20 minutos e passe a lixa número 150 para igualar. Não é bom pintar quando os termômetros estiverem marcando menos de 10 °C ou mais de 35 °C, ou em dias chuvosos.

Quando é necessário lavar e repintar a parede? É bom lavar a parede a cada 18-20 meses, com repintura a cada 4-5 anos, no máximo, ou sempre que for notada qualquer situação anormal como descascamento ou umidade.

De que materiais vou precisar?

de proteção • Óculos Luvas de • Lixas borracha • Panos de limpeza • Massa para cobrir eventuais •falhas e imperfeições da parede e desempenadeira de •açoEspátula para passar a massa preparador adequado ao •tipoFundo de superfície de pintura • Rolo Extensor de rolo • Bandeja para a tinta • Lona plásticadespejar qualquer co­ber­­ •tura para protegeroumóveis e piso Fita crepe para proteger ba­ten­tes •e rodapés e para fixar as lonas Trincha (pincel) para pintar os •recortes (quinas e cantinhos) Misturador de tinta. • Fontes: Juli Casellas, gerente da Impermix Tintas; arquiteta Rosa Dalledone; designer Giovana Kimak; Benito Berretta, diretor de marketing da AkzoNobel Tintas Decorativas para América Latina, Ana Kreutzer, designer de cores da Suvinil.

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[construção

Frio longe dos pés Pisos aquecidos garantem um inverno muito mais confortável. Saiba mais sobre a tecnologia Michele Bravos, especial para a Gazeta do Povo :: Nos dias frios, um ambiente clima-

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O piso aquecido garante ambiente mais agradável tanto para Fabienne de Bassi como para o yorkshire Schumi.

A instalação da tecnologia é rápida e não faz muita sujeira. É possível colocar até 100 m² por dia.

Fotos/Divulgação

tizado é mais agradável. E os pisos aquecidos podem ajudar nessa missão. Que o diga a professora francesa Fabienne de Bassi, que mesmo acostumada com o frio europeu, optou por colocar o sistema em sua casa na capital paranaense. “O sistema instalado na minha cozinha gourmet acaba aquecendo até a minha sala e eu nem preciso acender a lareira, sem falar do conforto térmico, que é inigualável.” A arquiteta Cris Lacerda é uma entusiasta do uso da tecnologia em uma cidade como Curitiba, mas lembra que é preciso ficar atento ao consumo de energia. “Para adotar esse sistema, seja elétrico ou por água quente (que exige uma caldeira), devemos pensar em sustentabilidade: gastar o mínimo possível de energia no caso do piso elétrico e usar caldeira preferencialmente aquecida por energia solar, para o piso aquecido por água.” A média de uso do aquecimento do piso é de 8 horas diárias, o que equivale a R$ 0,18/m² por dia. Mas é importante entender que o cálculo de calefação não é feito por m², mas por potência necessária para aquecer o ambiente, uma vez que existem variáveis a serem estudadas, como a altura do pé direito do imóvel e a localização.

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Sistema elétrico com telas e cabos calefatores.

Fique atento Confira as dicas de Scheyla Ciruelos, diretora da Hotfloor; e de Igor Kaufeld, diretor comercial da Tech House, ambos de empresas que instalam pisos aquecidos, sobre instalação da tecnologia: Tipos – Existem opções nacionais e importadas, com aquecimento elétrico ou por água. O sistema elétrico usa telas com cabos calefatores próprios que podem ser de PVC ou de silicone. No aquecimento por água, ela correrá dentro de canos ou serpentinas pela casa. Consumo – Em média, a colocação do sistema em PVC custa R$ 72/m² e o de silicone de R$ 150 a R$ 180/m², conforme informações da Hotfloor. O custo médio de instalação do sistema por água é 50% mais caro do que o elétrico. Revestimentos – O piso aquecido pode ser usado em porcelanato, mármore, granito, piso vinílico, laminados de madeira, pisos de madeira maciça e até carpete.

Serviço Hotfloor, fone (41) 3343-3003 ou http://www.hotfloor.com.br/. Tech House, (41) 3045-3323 ou http://www.techhousesystem.com.br/.

A tecnologia Confira como é feita a instalação do piso aquecido:


[inspire-se

Convite ao bom convívio

Arquiteta Priscilla Müller cumpre a missão de transformar apartamento de 650 m² em um espaço aconchegante para receber amigos e familiares Daniel Batistella, especial para a Gazeta do Povo Fotos: Mel Gabardo :: Um casal de jovens ainda sem filhos. Ele, um empresário. Ela, uma médica. O desejo: um espaço amplo e aconchegante para receber amigos e familiares. E a missão de transformar em realidade o pedido do casal foi dada à 22 GAZETA DO POVO

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arquiteta Priscilla Müller, que pôde usar toda a sua criatividade e experiência num apartamento de 650 m² no bairro Mossunguê, em Curitiba. “Pediram para eu começar o projeto pelo piso da área social, que deveria ser de mármore”, conta a profissional. A partir do revestimento, em tom bege, o imóvel foi decorado com cores neutras, como o preto e o areia, explica Priscilla. Outro pedido do casal foi que toda a casa ti­­vesse o chão aquecido, tanto na área so­­­cial quanto na íntima, que tem como piso lâminas de bambu. Um diferencial a mais da residência é o teto, que foi rebaixado em 30 centímetro para que o sistema de grelhas do ar-condicionado central pudesse ser embutido no gesso.


Sacada No local, foi montado um orquidário para a moradora, que adora flores. Além disso, duas mesas com quatro lugares cada foram colocadas para curtir o visual da cidade.

Living Uma mesa baixa de couro, duas poltronas de linho e um banco de madeira compõem o ambiente. O tapete em patchwork segue uma linha clássica.

Sala de jantar Integrada ao living com tevê, tem uma mesa em laca com pintura automotiva e pode receber até dez pessoas. As cadeiras são de madeira ebanizada com fibra (acabamento que deixa a madeira preta e com os veios naturais marcados).

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Home theater A arquiteta isolou acusticamente o ambiente com vidro duplo na divisa com a sala, material especial no teto e paredes revestidas em tecido. O destaque do ambiente é a poltrona Charles Eames, que foi comprada pelo casal em uma viagem.

Cozinha O revestimento em granito foi colocado no piso e no balcão para facilitar na hora da limpeza. Os bancos e os utensílios domésticos, em vermelho, foram escolhidos pela moradora, apaixonada pela cor.

Quarto do casal Os moradores pediram que a suíte principal fosse ampla e clara. Aproveitando o espaço disponível, foram inseridos um sofá e uma mesa com computador. O revestimento da parede é feito por lâminas de linheiro.

Banheiro da suíte O piso do local foi revestido com mármore e o material também foi usado no acabamento da banheira de hidromassagem.

Sauna e box Uma sauna úmida foi inserida na suíte principal a pedido dos moradores. Nela e no box com chuveiro foram colocadas luzes RGB com cromoterapia.


perfil

Priscilla Müller

Sala de degustação O espaço para a degustação de vinhos tem uma mesa com tampo de vidro. Na base dela, um tronco de madeira natural maciça. O lustre, na família há gerações, passou por um trabalho de limpeza e restauração.

A arquiteta e urbanista Priscilla Müller é pósgraduada em Design de Interiores pela Universidade Politécnica da Catalunya e Máster em Projeto de Interiores e Luminotécnica pelo Instituto Europeo di Design, em Barcelona, na Espanha. Proprietária do escritório PMC Arquitetura, a profissional trabalhou com projetos para instituições comerciais, entre elas, Café y Te, Regia e Colmado Quilez, também em Barcelona. Na cidade espanhola, integrou a equipe de um dos maiores escritórios europeus de arquitetura e interiores, a Gca Arquitectes Associats e executou projetos de luxo para hotéis, restaurantes, empresas de grande porte, entre outros. Além de Curitiba, atua no mercado de arquitetura e interiores em outras cidades do país.

Adega Localizada na entrada do apartamento e com capacidade para 500 garrafas, a adega foi pedida especialmente pelo jovem casal. Climatizada e com iluminação em LED para não aquecer, é revestida por painéis de madeira que também estão presentes no hall e no portal do living, passando assim uma sensação de unidade entre os ambientes.

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[decoração

Miscelânea criativa

Para mudar o conceito de que os quadros devem ficar na altura dos olhos, Katalin optou por apoiar a foto de Dea Fylyk no chão, dando uma impressão de continuidade com a areia da praia. Um jacaré artesanal e um espelho emoldurados, uma estrela de metal escuro e duas máscaras de madeira completam o arranjo.

Composições inusitadas de quadros e objetos valorizam paredes e renovam ambientes Érika Busani :: Esqueça os três quadrinhos do mesmo tamanho e com molduras iguais. Ou a obrigação de juntar foto com foto, tela com tela e colocar apenas objetos em prateleiras ou separálos dos quadros. As composições nas paredes podem ser muito mais inventivas, deixando a monotonia de lado. A arquiteta Katalin Stammer, coordenadora do curso de Design de Interiores do Centro Europeu, aceitou o desafio da Viver Bem Casa & Decoração para montar sugestões de como dispor quadros e objetos nas paredes sem se prender demais a regras. Elas existem, claro, para deixar o conjunto harmonioso. Mas é preciso arriscar para chegar a resultados diferentes. Uma dica de ouro da profissional: “A composição precisa ter valor afetivo. O que faz ter significado é a história das peças”. Serviço Katalin Stammer (arquiteta), contato@katalinstammer.com. Agradecimento Moldura Minuto, Rua Desembargador Costa Carvalho, 300, Batel, fone (41) 3342-1403.

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Poster (foto do rinoceronte, de Barbara Gazola), gravura (vermelha, de Loizel) e telas (de Mariana Schnofen) podem, sim, ser misturados. Completam a composição uma guitarra emoldurada, uma reprodução (com paspatur e moldura pretos), dois apoios de metal para livros e quatro garrafas de água Perrier.


Fotos: Leticia Akemi / Gazeta do Povo

A arquiteta misturou máscaras étnicas, uma placa artesanal de madeira entalhada, um pingente em um cordão, um espelho, um prato e objetos emoldurados com uma foto de Dea Fylyk e uma árvore de chapa de aço cortada a laser também emoldurada. O grande paspatur valoriza a foto. Aqui a predominância dos elementos naturais e artesanais, assim como as cores, garantiram um bom conjunto.

Dicas Outras orientações da coordenadora do curso de Design de Interiores do Centro Europeu: Antes de colocar tudo na •parede, monte o conjunto no chão. Vá mudando a dispo­ sição dos objetos até chegar a um resultado que agrade. Objetos de valor •emocional, como um brinquedo ou a roupinha de seu bebê, ficam interessantes quando emoldurados. Para um efeito mais •“confortável”, siga a mesma paleta de cores. Se quiser ousar mais, aposte em cores contrastantes.

Não é preciso que fique tudo simétrico, confira a proporção no geral.

Siga algum tipo de linha: podem ser as cores, o estilo do ambiente,

as linhas retas ou orgânicas, os materiais etc.

Tente compor com objetos que normalmente iriam para o lixo: garrafas e potes de vidro vazios. em conta a proporção •comLeveo mobiliário próximo e o restante do ambiente.


[evento

Para ver e tocar

Casa Cor Paraná 2012 mostra tendências de estampas e placas para paredes e móveis que apostam na tridimensionalidade Lara Mota, especial para a Gazeta do Povo :: Texturas e placas que proporcionam um efeito tridimensional nas paredes e móveis são destaque na Casa Cor Paraná 2012, que vai até o próximo dia 11, em Curitiba. Na suíte de hóspedes, projetada pela arquiteta Renata Pisani, placa de mármore travertino com resina francesa dá o aspecto de concreto bruto – pura ilusão de ótica. No hall feminino, criado pelas arquitetas Marinha Canhadas e Sabina Botarelli, a sensação é de se estar tocando em camurça, mas na verdade trata-se de papel de parede. Responsável pela Cozinha Outdoor do Espaço Bom Gourmet, o arquiteto Eduardo Mourão aposta num lançamento – uma lâmina de MDF que imita cobre. O revestimento deu um toque sofisticado à parede. As arquitetas Josiane Maria do Nascimento e Viviane Granneman Ribeiro optaram por outra tendência na hora de ambientar o Loggia Bar: a estampa zigue-zague, da marca italiana Missoni. O tecido foi aplicado diretamente sobre o móvel do ambiente e, segundo Josiane, pode ser reaproveitado depois, quando o cliente enjoar. “Basta retirar e aplicá-lo, por exemplo, numa almofada ou poltrona”, diz ela. Josiane recomenda que as pessoas escolham tecidos que não se desgastem facilmente e procurem um profissional para realizar a obra. Aplicar um tecido é mais caro de que um papel de parede mas, segundo a arquiteta, o resultado é melhor.

Nas paredes da Cozinha Outdoor do Espaço Bom Gourmet placas de MDF que imitam cobre.

A parede de renda do Café Picnic, espaço projetado pelo arquiteto André Largura e pela designer Giovana Kimak, é um convite aos sentidos. “As pessoas entram e logo querem tocar”, conta Giovana. A experiência tátil revela o que pouca gente imagina – o efeito foi conseguido com a aplicação de trilhos plásticos de mesa, com estampa que imita renda. “A ideia é revisitar a casa da avó de uma forma atual e mudar o uso que esse trilho teria. Ele remete a essa lembrança”, diz Giovana. A aplicação é simples, rápida e de baixo custo – o trilho é vendido por metro, com preço médio de R$ 3,50. André e Giovana afirmam que a técnica pode ser feita em qualquer lugar da casa, dependendo da proposta. “Dá mais valor ao ambiente”, afirma André, que completa: “Dar um efeito 3D à parede é uma boa forma de conferir indentidade ao ambiente”.

Fotos: Mel Gabardo / Gazeta do Povo

3D


A parede de renda do Café Picnic é feita com trilhos plásticos de mesa.

Faça você mesmo Confira o passo a passo para fazer a textura de renda usada no espaço Café Picnic no

www.gazetadopovo.com.br/viverbem

Serviço

Estampa zigue-zague, da marca italiana Missoni, no Loggia Bar.

Casa Cor Paraná 2012. Até o dia 11 de julho. De terça a sábado, das 13 às 21 horas. Domingos e feriados, das 11 às 19 horas. Local: Casa Cultural União Juventos, Alameda Dr. Carlos de Carvalho, 389, Centro. Bilheteria: ingressos à venda na entrada do evento por R$ 30 (inteira) ou R$ 15 (meia). Mais informações: www.casa cor.com.br/parana


[vitrine Churrasqueira inteligente :: A churrasqueira cooktop, da Scheer, dispensa a construção em alvenaria. É inserida em módulos de móveis planejados ou como extensão de bancadas. São dois modelos: um equipado com espetos giratórios e o outro com uma parrilla, um modelo de grelha. Na EXS, a partir de R$ 4.715.

Ambiente perfumado :: O designer de acessórios de luxo Fabrizio Giannone está lançando sua Coleção Casa. A linha tem spray de ambientes (R$ 128, 100 ml), difusor (R$ 148, 350 ml), vela perfumada (R$ 78, 230 g) e sabonete líquido (R$ 98, 250 ml), todos com aroma suave e refrescante inspirado nos campos floridos e lima do sol.

Serviço EXS Eletrodomésticos, Avenida Vicente Machado, 2.000, fone (41) 3082-7374 e site www.exs.com.br. Fabrizio Gianonne, shoppings Mueller, Crystal e ParkShoppingBarigui, e site www.fabriziogiannone.com.

Fotos/Divulgação

Hestia Import, Av. Sete de Setembro, 6.519, Batel, fone (41) 3244-0919 e site www.hestiaimport.com.br. Mueller, SAC 0800-471692 ou site www.mueller.ind.br.

Toque oriental :: Para quem quer dar um toque oriental na decoração, o gabinete Benji, da Hestia Design, é uma boa opção. O móvel é todo em madeira, com duas portas, pintado a mão, no estilo usado pela Dinastia Ching. As medidas do gabinete são 60 x 40 x 80 centímetros e o preço é R$ 650.

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Facilidade para lavar roupa :: Uma das últimas novidades da Mueller é a Special, uma máquina de lavar front load premium. Entre os diferenciais do produto está o fato de que, além de lavar e secar, o usuá­rio pode colocar e retirar a roupa do cesto sem se abaixar. Os preços são R$ 1.499 (água fria) a R$ 2.199 (especial lava e seca).


[sala de estar

A arte que se faz na superfĂ­cie Praga

Grafismi

Catavento


leia mais Confira a entrevista na íntegra

PERFIL

no www.gazetadopovo.com.br/viverbem

Vencedora do “oscar” de design de produto, o IF Product Design Award, a gaúcha de coração Renata Rubim fala sobre o processo de criação de revestimentos decorativos Flávia Schiochet, especial para a Gazeta do Povo :: Autora do primeiro livro sobre design de superfície no Brasil (Desenhando a Superfície, publicado em 2010 pela editora Rosari), a designer e consultora de co­­res Renata Rubim começou a se interessar por colorir e desenhar estampas e padrões antes mesmo de saber que o ter­mo “design” existia, muito menos o “de superfície”. Carioca de nascimento, mas morando em Porto Alegre desde os anos 1960, Renata só deixou a cidade por longos períodos em duas ocasiões: para estudar no Instituto de Artes e Decoração, em São Paulo; e para aprimorar técnica e conhecimento para tra­­balhar com revestimentos no Rhode Is­­land School of Design, nos EUA. Hoje, suas padronagens estão im­­ pres­sas em revestimentos de parede e piso, tecidos, porcelana e plástico e a lista de clientes do escritório Renata Rubim Design & Cores é formada por empresas como Coza, Termolar, Sanre­ mo, Tok&Stok, S.C.A. e Saccaro. Neste ano, dois trabalhos de sua autoria – os revestimentos Catavento e Praga – receberam o “oscar” mundial do design de produto, o IF Product Design Award, na Alemanha. Nesta entrevista concedida por e-mail à Viver Bem Casa & Decoração, Renata conta um pouco sobre seus projetos, processo criativo e a situação do design no Brasil.

Sua criação não é apenas no campo da padronagem e cores, mas também no formato e relevo do objeto, como podemos observar no revestimento Catavento. O que é mais im­por­tante para você na hora de criar? Criar em design é projetar para um cliente, uma empresa, uma matériaprima, um mercado. Então, a primeira coisa é conhecer profundamente a produção e o foco do cliente. Aí se entra com o processo que compreende criação, testes, análises e muita troca de ideias com as equipes envolvidas. Não existe processo completamente solitário. Na fase de conceituação, que é a primeira após o contato inicial com o cliente, normalmente sigo minha intuição, meus primeiros f lashes de ideias e preciso estar só. Portanto, o que é importante na hora de criar é trazer para mim as necessidades do meu cliente e traduzi-las da melhor maneira. Com cuidado, com foco e em sintonia com o mercado.

Você recebeu dois prêmios do IF Products Design Awards, na Alemanha, inclusive com o revestimento Praga, que já havia sido inscrito em prêmios nacionais, sem êxito. O Brasil demora a reconhecer seus profissionais? Não é só no Brasil. Parece que é do ser humano, a crença de que “santo de casa não faz milagre”. Mas ainda assim vejo que muitos brasileiros fazem sucesso aqui. Talvez tenha mais a ver com o estilo de cada pessoa, as pessoas mais extrovertidas terem mais facilidade, coisas assim. Quem acaba sendo reconhecido lá fora, certamente terá mais visibilidade aqui, mesmo se expondo menos do que deveria.

Com esses prêmios, você espera alguma mudança no cenário brasileiro para o design de superfície? Sim. O que ainda faltava era reconhecer verdadeiramente que projetar superfície não é um trabalho puramente decorativo, estético. No caso dos dois projetos premiados a sustentabilidade é real, não é “superficial”. Precisamos cada vez mais desvincular o glamour do design.

Idade: 64 anos Onde nasceu: Rio de Janeiro Onde vive: Porto Alegre Profissão: designer e consultora de cores Objetivo profissional: tornar o design cada vez mais integrado e acessível a todos. Hobby ou atividade para relaxar: cinema, meditação, estar na natureza e com crianças.

De onde vem essa ideia de que o design é algo glamuroso? Na Europa, antes da Revolução Industrial, os produtos eram manufaturados. Eram de difícil execução e, portanto, inacessíveis à maioria das pessoas. Eram objetos de luxo. Com o surgimento da produção em série houve uma necessidade de se retirar o excesso, de se “limpar” os projetos e o desenho. A escola Bauhaus surgiu e trouxe o conceito de design como projeto, processo e função. O resultado era cada vez mais, e principalmente, utilitário. Essa “limpeza” excessiva provocou nos anos 1980 um movimento contrário, principalmente com o Grupo Memphis, que “radicalizou” agregando o orgânico – quase barroco – e o supérfluo para a produção de design. Enquanto isso, aqui no Brasil, o design como fator cultural ficou à margem, frequentando mais as áreas de arquitetura e um pouco de interiores. Continuávamos com a linguagem opulenta do passado e se confundia design com o glamour, com os objetos de desejo. Poucos setores entenderam que design não se limita a mobiliário, carros, objetos de adorno. O design está embutido em tudo o que convive conosco e deve se propor a contribuir em melhorar a qualidade de vida e de trabalho de qualquer cidadão. Se o projeto for bom ele consequentemente será belo.

E o design de superfície, no mercado em geral, ainda é visto como mera decoração? Certamente que sim. Mas não é um fato isolado, porque no nosso mercado o design em geral ainda é visto com um olhar distorcido do seu real significado e valor. O design é muito mais do que glamour e estética. É refinado na medida em que serve aos mais diferentes aspectos e necessidades da vida em geral. GAZETA DO POVO

Viver Bem Casa & Decoração 35


[paisagismo

Caminhos pelo verde Calçamentos de jardim são soluções bonitas e funcionais

preservar a grama Aline Baroni,

especial para a Gazeta do Povo

:: Um passeio, um almoço, uma tarde na piscina ou simplesmente ler um livro sob uma árvore. O quintal da casa pode ser um ambiente bastante acolhedor e útil se receber um projeto adequado. Para chegar a esse objetivo, o caminho é muito importante – literalmente. Ou seja, constantemente, paisagistas recorrem a calçamentos feitos em pedras, madeira e outros materiais para aumentar a circulação pelos espaços externos. “Caminhos bem resolvidos favorecem o passeio. Assim, é possível desfrutar muito mais do jardim, seja para leitura, contemplação, meditação, aproveitar o tempo com os filhos ou namorar”, afirma o paisagista e engenheiro f lorestal Guto Ciccarino. Tão importantes quanto os locais para onde vão, os caminhos podem ser feitos de diversos materiais, gerando uma infinidade de composições possíveis. Dormen­tes, cruzetas, rodelas de madeiras, pedras como arenitos, granitos apicuados, flameados, limestone, cerâmicas e tijolos de demolição, que colocados no solo, se combinam com as plantas que

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Fotos: Mel Gabardo/Gazeta do Povo

para valorizar espaços e

melhor se adaptarem ao local. Aliados a eles estão recursos de iluminação e até espelhos d’água. Mas é o paisagista que deve indicar o melhor material de acordo com a disponibilidade e necessidades de seu cliente. No entanto, uma recomendação é unânime: “O material deve ser sempre antiderrapante”, alerta Ciccarino. O motivo é óbvio: garantir a segurança de quem passa. A paisagista Heloíza Rodrigues lembra que, com rodelas de madeira, o cuidado deve ser redobrado porque, com o tempo, o limo que se cria pode ser extremamente perigoso. O projeto também deve ser feito respeitando alguns pontos fundamentais, segundo a paisagista Rosângela Sabbag. “Em um jardim grande há de se ter cuidado para eleger a rota mais importante, porque muitos caminhos podem deixar a circulação confusa.” Ela ressalta ainda que um projeto que não leva em con-

Viver Bem Casa & Decoração julho de 2012

sideração as rotas mais usadas pelos moradores tende a não vingar.

Preservação A escolha por um quintal ou jardim com caminhos não é apenas estética. Funcionais, eles têm importância redobrada quando é necessário percorrer um trajeto longo ou quando se quer direcionar a visita a um ponto estratégico da área, sem falar que ajudam a conser var a vegetação. “Caminhos suavizam o impacto físico no jardim, evitando que marcas permaneçam ou apareçam de uma hora para outra”, conta Ciccarino. Rosângela salienta, entretanto, que um calçamento não deve ser encarado como um meio para se evitar a grama, e, sim, para evitar seu desgaste pelo uso constante dos mesmos locais. “Grama é para ser pisada, sim!”, afirma. Para reduzir os custos de instalação, Rosângela recomenda que se


Pedra goiana Ao projetar o quintal desta moradia em Curitiba, Guto Ciccarino quis criar um jardim funcional, dinâmico e de facil manutenção. O caminho, que dá acesso da entrada lateral da casa ao jardim, piscina e área de lazer, é feito de lajes espessas de pedra goiana – um material atérmico, antiderrapante e de fácil manutenção. A forração foi escolhida de acordo com sua necessidade de luz: para os locais onde bate mais sol, optou-se por grama coreana; nas áreas de sombra, foi usada a grama preta. No restante do quintal, palmeiras, moreias, rafis em vasos, kaisukas, buxinhos podados, cicas, heras, bromélias e plumbagos.

Serviço Heloíza Rodrigues, da Prima Flor

A paisagista Rosângela Sabbag criou para esta residência na capital caminhos com pedras de basalto. O calçamento permite aos moradores e visitantes apreciarem a diversidade de plantas do local, com terreno em desnível, como lavanda, azaleia, pitanga anã, lírio da paz e grama preta. A moradia tem, inclusive, um orquidário.

Paisagismo, fone (41) 3023-7076. Guto Ciccarino, fone (41) 3232-6320. Rosângela Sabbag, fone (41) 3363-2985.

alie criatividade e reaproveitamento de materiais interessantes. O uso de retalhos de pedra é uma alternativa, por exemplo. Por serem refugos são muito mais baratos e criam um efeito bonito. As escolhas ficam por conta do que mais se adapta às necessidades e possibilidades do morador. Quanto à manutenção, os caminhos com pisos cerâmicos demandam limpeza quinzenal, os com pedras precisam ser revistos mensalmente e os com pisos de madeira devem ser limpos semestral ou anualmente.

Dormentes Este caminho faz parte da área de recreação de um condomínio em Ponta Grossa, projetado pela Dória Lopes Fiuza Arquitetos Associados. No jardim, criado pela paisagista Heloíza Rodrigues, há quiosques com churrasqueiras e uma praça com espelho d’água. Para chegar neles, os moradores e visitantes seguem por caminhos de dormentes. O calçamento de madeira dá um ar mais natural, combinando com o bosque do local, composto por espécies como pitosporo anão, dianela variegata e cotoneasters.

Divulgação

Basalto


[toque final

Chaves sempre à mão

Fotos: Mel Gabardo / Gazeta do Povo

passo a passo

Materiais

Práticos e muito úteis, os porta-

tubo de cola para decoupagem • 11tubo vermelho escarlate • 1 tubodedetinta verniz acrílico brilhante • 1 goma laca incolor • 1 tudo de tinta branca acrílica • Pincel trincha • Pincel nº 24 (cerdas duras) • Pincelnº24 (pelomacio) • Pincel nº8 (pelo macio) • Lixa de unha • Guardanapo próprio para •artesanato com a estampa de sua

chaves podem se tornar parte da

preferência Porta-chaves em MDF

decoração. A artesã Josy Cardoso

1. Retire com um alicate os pinos do

ensina a criar uma peça em estilo

2. Com o pincel trincha passe uma

cinza, preto e branco, que estão em alta. O custo de fazer o portachaves fica, em média, R$ 15 Serviço Atelier Arte da Josy, fone (41) 8865-7005 ou www.facebook. com/josely.cardoso.7

Dica Quando quiser trocar a decoração da peça ou tentar algo novo, basta lixar o guardanapo e colocar outra estampa. Além do porta-chaves, é possível usar a técnica para outras peças em MDF e formar conjuntos com porta-guardanapos e porta-celular.

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2.

porta-chaves.

provençal, usando cores como

Renata Sguissardi Rosa, especial para a Gazeta do Povo

1.

primeira demão de tinta branca. Se necessário, aplique outra vez para cobrir toda a madeira. Espere secar. Passe uma camada de goma laca no guardanapo e espere secar novamente (isso evita que ele rasgue na hora de colar no porta-chaves). 3. Espalhe a cola por toda a peça com o pincel de cerdas duras e cole o guardanapo. Passe mais uma camada de cola por cima e espere secar. 4. Lixe as bordas para retirar o excesso do guardanapo. 5. Com o pincel fino de pelos macios passe tinta vermelha nas bordas, atrás do porta-chaves e nos pinos. Espere secar. 6. Passe o verniz com o pincel macio em toda a peça. Recoloque os pinos.

6.

3.

4.

5.


Casa e Decoração  

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