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Outubro–Novembro–Dezembro 2015 (Trimestral) — 3€ (IVA incluído)

ANO XXVI Nº 94

20 16 t segurança empo t econfiança mpo de

de

Revista da Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais – IACA


ALIMENTAÇÃO ANIMAL EDITORIAL

PERSPETIVAS PARA 2016

Ulisses Mota Diretor da IACA

ÍNDICE 03 04

EDITORIAL

06

SEGURANÇA ALIMENTAR

18

SUSTENTABILIDADE

22 32 36 40 46 50

INVESTIGAÇÃO

TEMA DE CAPA

PLANO DE AÇÃO SFPM NOTÍCIAS NOTÍCIAS DAS EMPRESAS AGENDA

Numa altura em que a IACA tem assumido, e bem, a promoção e pedagogia da qualidade, da exigência e da segurança alimentar como reforço da confiança na Fileira da Alimentação Animal, designadamente na Indústria dos alimentos compostos para animais - a generalidade dos artigos desta edição da Revista são dedicados a este tema - vale a pena perspetivar o ano de 2016 e o que dele podemos esperar. Conhecidas as dificuldades ao nível do mercado dos produtos pecuários, acentuadas em 2015 pelas crises no leite e nos suínos, tem vindo a ganhar relevância o setor dos petfood, conquistando uma crescente quota de mercado às importações, criando emprego e valor para a economia nacional. Quando em 2000 se começou a produzir alimento seco para cães em Portugal, poucos acreditavam no potencial e no enorme crescimento que o sector viria a atingir no nosso Pais. Aliás, muitas foram as iniciativas da IACA (que ainda continuam) a chamar a atenção para o problema do diferencial da taxa do IVA entre Portugal e Espanha, como um fator limitante e de grande constrangimento ao seu desenvolvimento, apesar de sempre termos contado com os sucessivos responsáveis dos Ministérios da Agricultura e da Economia para esta causa. Durante alguns anos apenas tivemos 2 fabricantes. No final do primeiro semestre de 2016 vamos dispor de 6 unidades de produção de petfood em Portugal. Ao longo destes 15 anos a evolução foi enorme, grandes investimentos foram feitos, quer nos mais modernos equipamentos de produção, assim como na qualidade e imagem dos produtos. Estes investimentos permitiram estar ao nível dos melhores fabricantes europeus. A primeira extrusora instalada em Portugal apenas produzia 800 kg/hora, atualmente temos extrusoras que produzem desde as 4 toneladas até 12 toneladas/ hora, nas linhas mais recentes, a qualidade da moagem (inferior a 1mm) e a utilização de vacum Cooter, permitem utilizar grandes quantidades de líquidos, (óleos, gorduras e digest), produzindo um produto final de excelente qualidade. Relativamente aos subprodutos de origem animal, matéria-prima fundamental na produção deste tipo de produtos, também existiu uma enorme evolução; dispomos em Portugal de proteína animal transformada de excelente qualidade, em tudo idêntico ao que melhor se produz na Europa, pese embora os preços um pouco mais elevados. Dispomos de unidades dedicadas exclusivamente aos subprodutos de aves, uma especializada em carne de coelho e outras nas restantes espécies (bovinos e suínos). Com a junção de ambos os fatores, Fabricantes de Petfood e matérias-primas, reunimos em Portugal condições para produzir alimentos de grande qualidade. No entanto, devido à crise, os produtores nacionais estão mais focalizados para a produção de alimentos de gamas económicas, em detrimento de produtos Premium, e Super premium. Esta especialização nos produtos económicos permitiu que tenhamos atualmente em Portugal um preço de venda igual ou inferior ao praticado pelos nossos vizinhos espanhóis, dificultando, cada vez mais, a sua entrada em território nacional. Com a entrada em produção de uma nova unidade, e tendo em conta que as marcas de referência continuaram a ser produzidas fora do nosso território, passamos a dispor em Portugal de capacidade de produção instalada superior ao nosso consumo. Para minimizar este problema teremos que introduzir novas referências direcionadas para pequenos nichos de mercado, e encontrar parceiros além-fronteiras de modo a escoar os excedentes de produção. Em muito pouco tempo passamos de uma situação deficitária para uma excedentária, que num futuro próximo poderá colocar em causa a sustentabilidade de um setor tão recente em Portugal. Também por isso, o QUALIACA e o reforço do controlo de qualidade das matérias-primas, onde tudo começa, é tão importante, porque é por aí que ganhamos capacidade competitiva. Que passa por uma estratégia inequívoca de exigência, qualidade e segurança, afirmando os nossos produtos, seja a nível nacional ou nos mercados externos, criando Confiança e Excelência, ao longo de toda a cadeia alimentar. Seja nos produtos alimentares de origem animal, ou nos alimentos para animais de companhia, é a imagem do Setor e do País que está em causa. Só poderemos ser sustentáveis se formos capazes de ir ao encontro das necessidades dos animais, ao nível da saúde e bem-estar animal, e das exigências dos nossos clientes! E esse é o mesmo desafio que se vai colocar a toda a Indústria em 2016 e nos próximos anos. A LI ME N TAÇÃO A N I M A L

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ALIMENTAÇÃO ANIMAL TEMA DE CAPA

Outubro–Novembro–Dezembro 2015 (Trimestral) — 3€ (IVA incluído)

ANO XXVI Nº 94

20 16 t segurança empo t econfiança mpo de

de

Revista da Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais – IACA

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A LIMEN TAÇÃO AN IM A L

TEMPO DE SEGURANÇA… TEMPO DE CONFIANÇA Um ano após o período de assistência económica e

da PAC, como o “greening”; o esforço continuado

financeira, Portugal registou alguma recuperação da

da parte das autoridades nacionais, no sentido da

economia e na redução do desemprego, beneficiando

abertura de mercados externos para os produtos

de uma situação relativamente positiva ao nível

agroalimentares e, finalmente, a cumplicidade

da União Europeia e do mercado mundial, apesar

entre a Administração Pública em muitos dossiers,

da desaceleração do crescimento em algumas

designadamente do Ministério da Agricultura, indo

economias emergentes, como a China e o Brasil.

ao encontro das necessidades e reivindicações

Ao nível mundial e na União Europeia, o ano ficou

do Setor, sobretudo ao nível do QUALIACA e do

marcado pela crise dos refugiados, pelos atentados

dossier dos OGM, que deverão ser prosseguidas

terroristas, tensões e conflitos internacionais que

pelo atual Governo.

condicionaram o crescimento económico global,

Aliás, a criação do Gabinete de Crise para os setores

provocando divisões, desde logo entre os Estados-

do leite e da suinicultura, e a forma como tem sido

-membros, questionando-se a validade do projeto

gerida a crise da carne de porco, na sequência

europeu e de alguns acordos internacionais.

das medidas acordadas em Bruxelas, sobretudo

Numa Europa enredada nas suas incoerências e

facilitando os contactos com a grande distribuição

contradições, num mercado cada vez mais global ou

e com insistências na rotulagem de origem (porque

“glocal”, os objetivos continuam a ser os de afirmar

não também no leite?), permitem concluir que

o crescimento económico e o emprego, sendo

poderemos ter no Ministério um parceiro, em

considerada a internacionalização e os acordos

quem confiar, na defesa dos interesses da Fileira

comerciais, como o terceiro pilar da PAC. Uma

Pecuária e Agroalimentar.

Política que, mal acaba de ser reformada e ainda

Se estes aspetos condicionaram a conjuntura do

não implementada na sua plenitude, já tem agenda

ano passado de uma forma positiva, tivemos outros

de reflexão para o período pós-2020, marcada

que pesaram negativamente e que aumentaram

para o primeiro semestre de 2016, no quadro da

as preocupações: desde logo, a continuidade do

presidência holandesa.

embargo russo, que ao limitar as exportações de

De facto, em 2015, tivemos um conjunto de fatores

leite e carne e porco, com o aumento da oferta des-

muito positivos para o Setor, como a quebra,

tes produtos, criou excedentes na União Europeia

relativamente importante, nos preços das princi-

que não encontraram escoamento em mercados

pais matérias-primas para a alimentação animal,

alternativos, com preços abaixo dos custos de

consequência das condições climatéricas favorá-

produção nestes sectores; a relação euro/dólar

veis e recordes de produção nos cereais (União

que, devido á desvalorização da moeda europeia,

Europeia) e de soja a nível mundial, com impacto na

pese embora a promoção das exportações, não

oferta e na reconstituição de stocks; a tendência

permitiu acomodar, na sua totalidade, a baixa

de baixa de preços das principais matérias-

dos preços das principais matérias-primas na

-primas e maiores disponibilidades forrageiras,

origem; a quebra dos preços do petróleo, com

que permitiu diminuir os custos da alimentação

influência direta em países exportadores, como

animal e tornar a pecuária mais competitiva – em

por exemplo, Angola, que são destinos importantes

particular nos países mais “eficientes” da União

das exportações nacionais; a apresentação de uma

Europeia, sobretudo ao nível do leite e da carne

proposta da parte da Comissão Europeia sobre a

de porco, com um aumento dos efetivos e das

nacionalização das importações de OGM (“opt-out”)

produções europeias; os preços do petróleo, em

relançando o debate europeu sobre a biotecnologia,

baixas sucessivas, bem como a imposição de

a necessidade de assumir responsabilidades da

metas nos Estados Unidos para a produção de

parte dos Estados-membros e a credibilidade

bioetanol, com reflexos favoráveis nos preços do

das aprovações e do consumo destes produtos

milho e das oleaginosas; um aumento da oferta,

na opinião pública; a divulgação sucessiva de

ainda que não significativo, das proteaginosas na

estudos sobre a qualidade do leite e o impacto

União Europeia, o que fica a dever-se, em parte,

do consumo de leite junto da opinião pública e

às medidas implementadas no quadro da reforma

dos consumidores, criando uma perceção errada


quanto às vantagens do consumo de leite;

modernas sociedades e nos mesmos fóruns

claras e precisas. É também por isso que o

no final do ano, a divulgação de um estudo

em que nós participamos.

QUALIACA que iniciámos ainda que numa

do IARC, bastante polémico até do ponto de

Também por isso, temos de mostrar que

forma de teste, a 14 de dezembro, é tão

vista da metodologia e da forma como foram

estamos preocupados com os consumidores,

importante para esta estratégia.

divulgadas as conclusões – postas em causa

que todos os dias trabalhamos para a saúde,

Com o consumidor no “centro do Mundo”

até pela EFSA, – sobre as consequências do

bem-estar e sustentabilidade, para construir

esta é uma abordagem e um conceito que

consumo de carnes vermelhas e de produtos

uma Sociedade mais saudável, mais justa,

não podemos, nem devemos esquecer, muito

transformados na saúde dos consumidores,

mais coerente, sem perder a noção da criação

menos ignorar. É por isso que um tempo de

considerando estes produtos como potencial-

de valor e da dimensão económica. De uma

Segurança é, definitivamente, um tempo de

mente cancerígenas. A mesma entidade que

forma Responsável.

Confiança.

teceu críticas à recente avaliação da EFSA

Numa altura em que as dificuldades dos

Porque queremos estar no Mercado e ter

relativamente ao glifosato, cujo trabalho

mercados se fazem sentir, ainda é mais

um Setor da Alimentação Animal relevante

científico acaba de ser defendido e valorizado

importante a segurança, a qualidade e a

nos próximos anos.

pelo Comissário Andriukaitis.

excelência dos nossos produtos, produzidos

Numa altura em que o sistema de alerta

em Portugal, com identificação e rotulagem

Jaime Piçarra

rápido para a alimentação humana e animal (RASFF) celebra 35 anos de existência e em que se “apuram” os mecanismos de controlo, monitorização e segurança alimentar – mais de 50% dos alertas são devido aos autocontrolos das empresas – a FEFAC (e a própria FAO e Comissão Europeia) propõe uma nova abordagem para a gestão da segurança da alimentação animal, de forma a conter riscos emergentes e evitar crises alimentares, numa crescente partilha de responsabilidades ao longo da cadeia alimentar, envolvendo um trabalho entre as associações e as autoridades oficias dos Estados-membros. As conclusões são evidentes e óbvias: os setores são chamados a participar nos planos de controlo, credibilizando sistemas de garantia de qualidade, sobretudo ao nível dos contaminantes, reduzindo custos ao nível do autocontrolo; as autoridades porque ficam a conhecer melhor a realidade da alimentação animal, com maior transparência e eficácia. Melhora a imagem e a Confiança. Temos ainda o problema das alterações climáticas e as conclusões da recente Cimeira de Paris, em que foram fixadas novas metas relativamente às emissões de gases com efeito de estufa. A resistência antimicrobiana é outro tema relevante e que se liga aos alimentos medicamentosos. Em todos estes casos, falamos de perceção do consumidor e do muito que há a fazer para alterar a imagem que existe hoje da produção animal, confrontada com críticas, ambiguidades e mitos da parte de ambientalistas, de alguns cientistas, de movimentos antiglobalização ou antissistema e que, legitimamente, têm direito a se exprimirem nas A LI ME N TAÇÃO A N I M A L

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ALIMENTAÇÃO ANIMAL SEGURANÇA ALIMENTAR

MATÉRIAS-PRIMAS, SUA QUALIDADE E CRISES ALIMENTARES 1 O tema que me foi proposto abordar sumariamente – impacto da qualidade do milho e da soja no desempenho animal –, poderá talvez dividir-se em duas vertentes: uma respeitante à composição química das referidas matérias-primas e outra relativa ao seu estado sanitário, parecendo-me pertinente trazer também à colação eventuais implicações na biossegurança.

Manuel Chaveiro Soares* Grupo Valouro

A primeira é no seu essencial objecto de contratos comerciais onde se fixam determinadas características do bagaço de soja – e.g. teor de proteína bruta – e do milho – e.g. teor máximo de água, % de grãos partidos. Trata-se de características de relevante interesse do ponto de vista do valor nutritivo da matéria-prima e, por conseguinte, da sua influência no desempenho zootécnico e seu valor comercial. As referidas características são fácil e prontamente determinadas, designadamente nas fábricas que dispõem de resposta laboratorial atempada. Assim sendo, qualquer variação composicional, relativamente ao acordado, pode ser considerada no ajustamento tanto do preço da matéria-prima, como da formulação dos alimentos compostos. Não deixa, todavia, de causar transtornos, designadamente quando se trata de variações acentuadas, como por vezes acontece, nomeadamente no teor de proteína bruta do bagaço de soja, que não raras vezes oscila 2 pontos percentuais ou mesmo mais. Nestas circunstâncias, o pronto ajustamento, de um número mais ou menos elevado de fórmulas, causa perturbação na fábrica. Mas, mais grave será quando a fábrica não dispõe de uma informação pronta e a formulação peca por défice proteico, tendo então consequências gravosas para a performance zootécnica dos animais. Em situações muito excepcionais, como será, por exemplo, o caso de um bagaço de soja submetido a um tratamento térmico inadequado, a matéria-prima poderá ser recusada pelo fabricante de alimentos compostos para animais. A este propósito cumpre acrescentar que, nos controlos laboratoriais efectuados na nossa empresa, não há registo de qualquer não conformidade respeitante ao referido parâmetro. 1

Comunicação apresentada no Seminário ACICO 2015, Tomar, 25 de Junho.

* Engº Agrónomo (PhD, Agreg.)

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ALIMEN TAÇÃO AN IM A L

Mais complexa será, na minha modesta opinião, a vertente sanitária, designadamente a presença de substâncias indesejáveis. E, como todos nos recordamos, este tipo de contaminação esteve na origem de algumas crises alimentares, com consequências muito gravosas, mormente para a fileira pecuária. No que ao tema proposto diz directamente respeito, eu creio que a problemática mais aguda reside na presença acidental de micotoxinas, nomeadamente no milho. Importa reconhecer a eventual dificuldade em obter uma amostra representativa, porque frequentemente é baixa a percentagem de grãos contaminados e estes, em geral, não se encontram distribuídos uniformemente no lote, formando inclusivé bolsas. Também se reconhece que, no caso de milho importado, pode não ser tarefa fácil ter um conhecimento cabal das características que o mesmo irá apresentar aquando da recepção na fábrica de alimentos compostos, pois desde a colheita até à chegada à fábrica o milho está exposto a diversos condicionalismos, nem sempre facilmente conhecidos por parte do importador. Dentre as micotoxinas sobressaem, pelos seus efeitos deletérios, a aflatoxina B1, nos alimentos para animais, e precursora da aflatoxina M1, susceptível de estar presente no leite. Sublinhe-se que a aflatoxina B1 é um dos carcinogénios mais potentes que ocorre na Natureza, correspondendo-lhe designadamente uma LD50 de 0,34 mg/kg peso vivo em jovens patos Pekin. Reconhecendo o que precede, a legislação (Regulamento (UE) Nº 574/2011 da Comissão, de 16 de Junho de 2011) estipula limites máximos para as aludidas aflatoxinas. Mas, parece pertinente acrescentar que as análises, desde há alguns anos regularmente efectuadas no milho utilizado na nossa empresa, têm revelado ausência de aflatoxina B1 e, talvez não menos esclarecedor, fornecendo nós alimentos compostos para grande parte dos patos Pekin criados em Portugal, ainda não se observou naqueles qualquer efeito deletério associado à possível ingestão da aflatoxina B1. Este panorama é, felizmente, completamente distinto do observado entre 1996 e 1999, quando as investigadoras M. L. Martins e H. M. Martins, do LNIV, verificaram, em 217 amostras de alimentos compostos para bovinos, que 25% apresentavam


teores de aflatoxina B1 superiores aos legalmente fixados. Ultimamente, porém, tenho notícia de que tem sido detectada, com alguma frequência, a presença da ocratoxina A em milho e noutras matérias-primas, sabendo-se que os suínos são muito sensíveis à referida micotoxina, que pode provocar a chamada “nefropatia porcina”. Ainda no âmbito das contaminações de origem microbiana e no que respeita à duas matérias-primas em apreço – milho e soja –, parece oportuno fazer uma breve referência às salmonelas – agentes causadores da salmonelose, responsáveis por grande parte das intoxicações alimentares de origem bacteriana. Recordo-me de, há muitos anos, ter chegado a Lisboa um lote de bagaço de soja fortemente contaminado, devido a uma infestação por ratos – importantes reservatórios das bactérias do género Salmonella. Nesta matéria, assim como noutros campos da segurança sanitária dos alimentos, não existe risco zero; mas pode, evidentemente, ser minimizado. Cumpre acrescentar que, há alguns anos, na nossa empresa, foi necessário preparar um alimento composto farinado, sem tratamento térmico, e isento de salmonelas. Este era um requisito sanitário imperativo. Perante esta exigência, procedeu-se a um controlo rigoroso das matérias-primas utilizadas, que incluíam o bagaço de soja, não se tendo então detectado a presença de salmonelas. Ulteriormente e até ao presente, manteve-se o referido controlo analítico, nomeadamente no bagaço de soja, podendo informar que, até hoje, os resultados têm indicado ausência de Salmonella spp. Pessoalmente, estou convicto que as crises alimentares a que aludi anteriormente e que tanto têm prejudicado o sector europeu da produção animal, decorrem em grande parte de uma deficiente análise do risco para o consumidor, mormente no que concerne às componentes de avaliação do risco e de comunicação do risco. A título de exemplo, recorde-se a chamada “crise das dioxinas”, ocorrida na primavera de 1999, na Bélgica, em decorrência da administração aos animais de alimentos contaminados com óleo de transformador rico em bifenilos policlorados, denominados “PCBs de tipo dioxina”. O governo belga tinha decidido ocultar a ocorrência do referido incidente; mas uma fuga de informação

conduziu à sua ampla mediatização e concomitante aproveitamento como arma de arremesso político, de que resultou a queda do referido governo. Tanto quanto é do meu conhecimento, este incidente alimentar não causou, todavia, qualquer doença ou morte humana. O chefe do governo derrubado considerou que se tinha tratado de um “veneno político”. Será talvez pertinente acrescentar que a referida deficiente comunicação do risco serviu de lição aos governantes belgas. Com efeito, no ano seguinte foram detectadas, também na Bélgica, concentrações elevadas de PCBs em alimentos para animais, o que levou ao rápido isolamento de 200 explorações pecuárias – sem que assim se tenha dado origem a nova “crise de dioxinas”, susceptível de arrastar consigo um cortejo de consequências nefastas: intranquilidade para os consumidores, prejuízo económico para os produtores. Não obstante esta lição, posteriormente nem sempre os decisores políticos agiram correctamente na análise de risco para o consumidor. Aliás, no meu modesto entendimento, estes assuntos são da responsabilidade da Autoridade Sanitária Veterinária Nacional – a Direcção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) no caso em apreço – sendo que os agentes políticos, frequentemente, não estão em posição adequada para tratarem da avaliação e da comunicação do risco alimentar. Todos nos recordamos quando os decisores políticos acusaram os industriais portugueses de alimentos compostos para animais da prática de actos dolosos, na sequência da alegada detecção de concentrações vestigiais de um metabolito (sublinho: metabolito) derivado de uma substância antimicrobiana, cuja incorporação tinha deixado de ser autorizada no alimento composto em causa (mantinha-se então ainda autorizada a incorporação do mesmo tipo de antimicrobiano em alimentos compostos destinados a outra espécie animal). De facto, na prática não é possível adquirir metabolitos, designadamente para incorporar nas rações, e, além disso, a presença de um metabolito nas rações em doses vestigiais não tem qualquer efeito zootécnico. Teria competido aos referidos decisores políticos analisar o risco para a saúde pública e investigar a verdadeira origem da contaminação, antes de ofenderem na praça pública, por práticas dolosas, alguns intervenientes na

cadeia alimentar, incluindo os industriais de alimentos compostos e, igualmente grave, originarem um forte alarmismo social, com consequências económicas gravíssimas para a cadeia produtiva, e, no caso vertente, em decorrência de ulteriores justas decisões judiciais, com custos elevadíssimos também para os contribuintes portugueses. A propósito da deficiente comunicação do risco, parece pertinente trazer à colação a atitude do director-geral da Saúde que, perante alguns surtos de gripe aviária ocorridos fora de Portugal, considerou oportuno anunciar ad nauseum que (sic) «dentro de 6 meses a 6 anos ocorrerá uma pandemia em Portugal». Graças a Deus já decorreram mais de 6 anos sem que se tenha verificado qualquer pandemia no País, mas, na verdade, a venda de carne de aves sofreu então um forte declínio, durante cerca de 6 meses. Como consequência da referida atitude, perderam os produtores por razões óbvias e, igualmente, os consumidores, que evitaram o consumo de uma proteína de alto valor biológico e boas propriedades organolépticas. De salientar que, posteriormente, verificaram-se algumas intervenções meritórias da DGAV, no âmbito da análise do risco para o consumidor, nas quais aquela entidade denotou elevada competência profissional e responsabilidade social. A terminar e na minha modesta opinião, a propósito do tema que venho abordando, por afinidade com o comentário anteriormente citado do ex-primeiro ministro belga, acerca do “veneno político”, a análise do risco, mormente nas vertentes da avaliação e da comunicação, é essencial que seja da responsabilidade de uma autoridade sanitária competente, pois no meu entendimento esta matéria, quando deficientemente tratada, tem trazido os maiores prejuízos, quer à cadeia produtiva quer aos consumidores. Por isso e no que concerne à segurança dos alimentos, nomeadamente das matérias-primas agora em apreço, mas não só, considero muito pertinente a intervenção proficiente da DGAV, em articulação coordenada com os actores económicos envolvidos na cadeia alimentar. Neste âmbito, estou convicto que o denominado Projecto QUALIACA poderá vir a estruturar a intervenção dos diversos intervenientes, contribuindo, nomeadamente, para minimizar os riscos sanitários, susceptíveis de originar graves crises alimentares. A L I ME N TAÇÃO A N I M A L

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ALIMENTAÇÃO ANIMAL SEGURANÇA ALIMENTAR

SEGURANÇA DOS ALIMENTOS COMPOSTOS E FORNECIMENTO DE MATÉRIAS-PRIMAS ESTRATÉGICAS Ruud Tijssens Presidente

Os princípios da Lei Geral Alimentar constituem igualmente a base da visão da Gestão da Segurança dos Alimentos Compostos da FEFAC; A responsabilidade pela colocação no mercado é dos operadores e a rastreabilidade do produto será sempre assegurada

Annual Report 2014-2015

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A LIMEN TAÇÃO AN IM A L

Estamos muito gratos pela atenção dada ao Relatório Anual Público da FEFAC 2014/2015. Esta é a primeira edição de uma nova forma de relatórios anuais sobre as nossas atividades em Bruxelas. O nosso objetivo é aumentar a visibilidade pública de todos os sete Comités da FEFAC, permitindo que os parceiros da cadeia e as partes interessadas acompanhem os temas mais relevantes e as ações do ano anterior. Sem a dedicação e o empenho dos presidentes e especialistas dos nossos Comités, a FEFAC não conseguiria atingir os objetivos da sua política. Gostaria igualmente de expressar a minha gratidão a todos os nossos parceiros europeus da cadeia por disponibilizarem o melhor dos seus conhecimentos contribuindo para dar forma à política e às ações da FEFAC, fortalecendo assim a posição da nossa indústria na cadeia alimentar como uma Federação Europeia fiável, responsável e pró-ativa. Enquanto Presidente da FEFAC, os dois pilares fundamentais que receberam a maior parte da minha atenção desde a nossa Assembleia-Geral, realizada em Liège em junho de 2014, foram a remodelada Visão de Gestão da Segurança dos Alimentos Compostos e o enfoque renovado no Fornecimento de Matérias-Primas Estratégicas.

Visão de Gestão da Segurança dos Alimentos Compostos A indústria de transformação de pré-misturas e alimentos compostos para animais é um elemento essencial da cadeia de produção de produtos de origem animal. O setor utiliza ingredientes de um grande espectro de fornecedores e origens geográficas e disponibiliza, a milhões de produtores pecuários, alimentos compostos industriais cruciais que se espera que sejam seguros. Uma série de incidentes de segurança alimentar nos últimos anos provou como a cadeia pecuária pode ser vulnerável em caso de deficiências ao nível do fornecimento de alimentos para animais. Na sua visão sobre a gestão da segurança dos alimentos compostos, a FEFAC exige uma mudança de atitude em toda a cadeia alimentar animal em que a abordagem do «topo da pirâmide» é central. Isto implica uma abordagem pró-ativa baseada no risco no que diz respeito a segurança dos alimentos em cada etapa da cadeia, onde é mais eficaz, acompanhada pela transmissão

voluntária de informações ao longo da cadeia com vista a otimizar os recursos de monitorização. Um verdadeiro marco foi alcançado pela indústria europeia de alimentos compostos em 2014, quando o sistema RASFF (Sistema de Alerta Rápido para os Géneros Alimentícios e Alimentos para Animais) da UE reportou que nada menos do que 50% das notificações RASFF relacionadas com alimentos compostos foram acionadas pelos próprios controlos das empresas, o que ilustra a crescente tomada de consciência da responsabilidade partilhada em termos da segurança dos alimentos compostos. A segurança dos alimentos para animais é tudo menos uma área estática do fabrico de rações, pois existem muitos fatores externos que influenciam a forma de produzir. Por exemplo, as alterações climáticas têm um impacto claro na presença de micotoxinas nos cereais. Além de tudo o mais, existe uma vontade entre os operadores da indústria alimentar de limitar, tanto quanto possível, o desperdício de recursos. Sendo a alimentação animal um destino que preserva perdas no âmbito da cadeia alimentar, os fabricantes de alimentos são incentivados a privilegiarem a saída de alimentos, embora o setor dos «não – alimentos compostos» tenha, muitas vezes, um conhecimento muito limitado dos requisitos da segurança dos alimentos compostos. Aí reside um papel claro para a nossa indústria que é o de intensificar a cooperação com todos os nossos parceiros da cadeia de fornecimento relativamente à complexa matriz de gestão de riscos na alimentação animal em benefício de toda a cadeia alimentar. As propostas legislativas sobre medicamentos veterinários e alimentos medicamentosos têm suscitado um grande interesse político pelo velho tema da resistência antimicrobiana na UE; classificado corretamente como um dos maiores desafios de saúde pública que a sociedade mundial enfrenta atualmente. Na minha função de Presidente da FEFAC, tento sempre deixar bem claro que quando se discute a resistência antimicrobiana em populações de animais, a alimentação animal deverá ser vista como parte da solução, dado que as dietas nutricionalmente equilibradas ajudam a manter os animais saudáveis e contribuem para uma menor necessidade de antibióticos. A proibição de antibióticos promotores do crescimento como aditivos alimentares na UE, quase


há 10 anos atrás, deu origem a inovações na alimentação animal, que muito têm contribuído para aumentar a resiliência dos animais contra as doenças. É, portanto, importante que, se os animais ficarem doentes e os alimentos medicamentosos forem a via preferida de medicamentos veterinários de acordo com o veterinário, os decisores políticos criem o quadro jurídico que torna a sua produção possível. No entanto, não se deve esquecer que o negócio principal dos produtores de rações é produzir alimentos não medicamentosos para animais e a produção voluntária de alimentos medicamentosos para animais é um serviço prestado aos criadores de gado, sujeito a procedimentos muito estritos e a requisitos de controlo oficiais.

Fornecimento de Matérias-Primas Estratégicas Apesar das advertências da FEFAC relativamente à necessidade de garantir o acesso ao mercado da UE das importações vitais de ingredientes de alimentos para animais ricos em proteínas, a Comissão Europeia decidiu apresentar uma proposta altamente controversa sobre a nacionalização das aprovações dos alimentos e rações GM em abril de 2015. Escusado será dizer que esta proposta irá perturbar o comércio internacional, levar à discriminação dos criadores de gado e destruir o funcionamento do Mercado Único para os produtos agrícolas. Caso um Estado-Membro decida proibir ou restringir os seus produtores pecuários de usarem alimentos compostos que contenham matérias-primas derivadas de alimentos GM, essa vontade, por defeito, irá encerrar todo o setor pecuário desse país, devido a uma perda instantânea de competitividade. A UE depende em 75 % das importações para as suas necessidades de ingredientes ricos em proteínas para alimentos compostos. Isto corresponde a 30 a 35 milhões de toneladas por ano, principalmente farelo de soja, para o qual não existe alternativa viável. Continua a ser um mistério para todos os parceiros comerciais, incluindo os países exportadores de matérias-primas para a UE, o facto de a UE prosseguir o seu principal objetivo político de promover o crescimento económico e a criação de emprego, ao mesmo tempo que propõe dividir novamente o seu Mercado Único de comércio agrícola em 28 partes. A FEFAC, juntamente com todos os parceiros da alimentação animal e da cadeia

alimentar da UE, exorta as instituições europeias a rejeitarem esta proposta e a voltarem a uma abordagem de «senso comum», por exemplo, através da aplicação consistente da legislação de aprovação de culturas GM existente com base em avaliações de risco da EFSA. Enquanto isso, a FEFAC alcançou dois marcos significativos sobre a forma de aumentar a sustentabilidade da produção de alimentos para animais e pecuária da UE: Em abril de 2015, a FAO – LEAP aprovou formalmente a primeira versão das linhas de orientação globais de alimentação LCA (Avaliação do Ciclo de Vida) que definem a metodologia para os cálculos de LCA com vista a melhorar as medições da pegada ambiental da produção de alimentos para animais e pecuária. A FEFAC irá utilizar esse instrumento para desenvolver a sua própria orientação do

setor em termos das Regras de Categoria da Pegada Ambiental do Produto (PEFCR) como resultado final do atual projeto-piloto PEF sobre alimentos compostos para animais. Em paralelo, a FEFAC irá juntar-se ao futuro consórcio LEAP para construir uma base de dados global e acessível ao público sobre Alimentação Animal LCA com o objetivo de facilitar a comparação objetiva de medições de LCA a nível global da União Europeia. Os membros da FEFAC também deram um passo significativo no sentido de facilitar o fornecimento convencional de produtos de soja produzidos de forma responsável, em março de 2015 com o lançamento da orientação europeia sobre fornecimento da indústria de alimentos animais. Isto irá conferir maior transparência ao mercado para os nossos membros que estão dispostos a investir em soja responsável.

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| 9 Danisco Animal Nutrition

A LI ME N TAÇÃO A N I M A L


ALIMENTAÇÃO ANIMAL SEGURANÇA ALIMENTAR

PONTO DE SITUAÇÃO DO RASFF EM 2014 Mais um ano se passou para o RASFF (Sistema

informação a outros países e autoridades

de Alerta Rápido para os Géneros Alimentícios

sobre o risco, os resultados analíticos, as

e Alimentos para Animais), 2014 assinala o

medidas tomadas e a rastreabilidade dos

seu 35º aniversário. É, portanto, adequado

produtos em risco.

que em 2014 uma série de iniciativas cruciais

Notificações RASFF 2014 por classe e tipo

com sucesso, encerrando um capítulo e dando início a outro.

Números das notificações O 35º ano do RASFF foi um ano em que se olhou para o futuro e se uniram esforços com outros sistemas para enfrentar os mais recentes desafios no domínio da segurança alimentar

Em 2014, um total de 3.157 notificações originais 751 foram classificadas como alerta, 410 como

Rejeição na fronteira

Notificações para seguimento

Informação para atenção

Informação para seguimento

Notificações originais

Notificações RASFF por base de notificação

informação para monitorização, 623 como informação para atenção e 1.373 como notificação de rejeição na fronteira. Estas notificações originais deram origem a 5.910 notificações para seguimento, o que representa uma média de cerca de 1,9 seguimentos por notificação original. Para notificações de alerta, esta média sobe para uns impressionantes 4,4 seguimentos Comparando com 2013, são percetiveis algumas diferenças importantes. O número de notificações de alerta aumentou em mais de 25%, ao passo que os outros tipos de notificação foram significativamente menos reportados. Os números globais apresentam uma diminuição insignificante de 1,1% nas notificações originais em comparação com 2013, mas um aumento de 14,6% nas notificações de seguimento, resultando num aumento global de 8,7%. A conclusão geral poderá assim ser que, em 2014, o RASFF concentrou-se no seu «negócio principal», permitindo às autoridades competentes retirarem os alimentos ou alimentos para animais que apresentavam um risco significativo para os consumidores do mercado, aumentando assim a eficiência da rede. Os seguimentos dos alertas tornam isto possível através da

ALIMEN TAÇÃO AN IMAL

Alerta

foram transmitidas através do RASFF, das quais

por notificação original.

10 |

Número de notificações

para o RASFF tenham sido levadas a cabo

controlo oficial no mercado controlo oficial em país não membro monitorização dos media intoxicação alimentar queixa de consumidor verificação da própria empresa

controlo na fronteira – remessa controlo na fronteira – remessa disponibilizada controlo na fronteira – remessa retida

As notícias RASFF transmitidas internamente na rede não estão incluídas nos números anteriores nem representadas nos gráficos deste relatório. Registaram-se 41 notícias RASFF enviadas juntamente com 235 seguimentos. Isto significa que as informações transmitidas como notícias RASFF aumentaram 13,6 % em relação a 2013. Após a receção de informações de seguimento, 19 alertas, 26 informações e 15 notificações de rejeição na fronteira foram retirados. As notificações que foram retiradas estão ainda excluídas das estatísticas e dos gráficos. O Ponto de Contacto da Comissão Europeia (ECCP) do RASFF decidiu, após consulta dos países notificadores, não carregar 111 notificações no sistema porque, após a avaliação, concluiu-se que as mesmas não cumpriam os critérios de uma notificação RASFF (notifica-


ções rejeitadas). Isto representa uma diminuição de 108% em comparação com 2013.

1 Desde 2009, incluindo a Suíça. 2 Produtos colocados no mercado num dos países membros, incluindo os países do EEE Noruega, Liechtenstein e Islândia.

Das 3.097 notificações originais contadas no RASFF em 2014, 309 diziam respeito a alimentação animal, cerca de 10 % do total, mas com um aumento em número, pela primeira vez em vários anos. Na imagem a seguir é possível observar que as notificações para a alimentação animal em 2014 são dominadas por microrganismos patogénicos. O segundo motivo, embora significativamente menos importante, corresponde às micotoxinas.

Controlos deficientes ou insuficientes Resíduos de produtos médicos veterinários EET (Encefalopatias Espongiformes Transmissíveis)

Resíduos de pesticidas

Micro-organismos patogénicos

Aspetos organoléticos

Embalagem defeituosa / incorreta

Micotoxinas

Micro-organismos não patogénicos

Rótulos ausentes / incompletos / incorretos

Metais pesados

Contaminantes industriais

Corpos estranhos

OGM / Alimentos novos

Composição

Aditivos para alimentação animal

Biotoxinas (outro)

Contaminação química (outro)

• Notícias RASFF 14-744 – Salmonella Hartford e Salmonella Newport em pó de semente de chia orgânica do Canadá e dos Estados Unidos: O secretariado da INFOSAN (Rede Internacional de Autoridades de Segurança Alimentar) chamou a atenção da equipa da Comissão RASFF para o aviso de chamada da FDA que referia a distribuição para a Islândia e Eslovénia. O aviso de chamada estava relacionado com um surto de salmonelose em curso nos Estados Unidos e no Canadá. Outras informações recebidas do Canadá via INFOSAN identificaram distribuição para a Holanda, que informou através do RASFF sobre a redistribuição para a Grécia, Espanha, Finlândia e Suécia. A FDA informou o secretariado da INFOSAN sobre a distribuição de um produto afetado para as Bermudas, após o que o Secretariado da INFOSAN informou o ponto de contacto de emergência da INFOSAN no Reino Unido. O ponto de contacto do RASFF

Alimentos para animais

Biocontaminantes

Um pequeno número de notificações é despoletado por um controlo oficial num país não membro. Se um país não – membro informa um membro do RASFF acerca de um risco detetado durante os seus controlos oficiais relativamente a um produto que pode estar no mercado num dos países membros, o membro do RASFF pode notificar esse facto à Comissão para transmissão para a rede RASFF. Em 2014, não se registou nenhuma dessas notificações, mas houve duas notícias RASFF dignas de nota transmitidas sobre incidentes ocorridos em países terceiros:

O ponto de contacto do RASFF da Comissão informou o secretariado da INFOSAN que, por sua vez, lançou um alerta INFOSAN. O Reino Unido promoveu uma chamada de produtos do suplemento alimentar implicados e emitiu um Aviso de Informações de Chamada de Produto para os consumidores no seu sítio web. Sensivelmente na mesma altura, o PCN sueco relatou que detetou duas páginas suecas que venderam o produto em causa. O Reino Unido deu informações sobre uma distribuição do Reino Unido para a África do Sul, Grécia, Espanha, Nova Zelândia, Gibraltar, Chipre, Portugal, Suécia, República da Irlanda e Ilha de Man. Todos os países foram informados através dos pontos de contacto do RASFF.

Adulteração / Fraude

A segunda grande categoria de notificações diz respeito aos controlos oficiais no mercado interno (2). Três tipos especiais de notificações são identificados: quando na base da notificação esteve uma queixa do consumidor, uma notificação por uma empresa a informar o resultado de uma verificação própria ou uma intoxicação alimentar.

•  Notícias RASFF 14-763 – Rhizopus oryzae em suplemento alimentar probiótico para lactentes e crianças dos Estados Unidos – o ECDC (Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças) informou o ponto de contacto do RASFF da Comissão sobre uma chamada da FDA (EUA) associada a um caso de mucormicose infantil com menção de distribuição do produto para o Reino Unido.

Número de notificações RASFF

As notificações RASFF são despoletadas por uma série de causas. Pouco menos de metade do número total de notificações diz respeito a controlos nas fronteiras exteriores do EEE (1) em pontos de entrada ou postos de inspeção fronteiriços, quando a remessa não foi aceite para importação («controlo na fronteira – remessa retida»). Em alguns casos, foi retirada uma amostra para análise na fronteira, mas a remessa não foi retida e sim expedida para o seu destino com selos aduaneiros («controlo na fronteira – remessa sob controlo aduaneiro»). Isto significa que deve permanecer armazenada no local até que o resultado da análise esteja disponível. Noutros casos, a remessa foi disponibilizada (»controlo na fronteira – remessa disponibilizada») sem aguardar o resultado das análises, o que significa que a remessa terá que voltar a ser rastreada caso o resultado seja desfavorável e o produto tenha que ser retirado do mercado.

no Reino Unido, que também desempenha o papel de ponto de contacto de emergência da INFOSAN neste País, solicitou de seguida ao ECCP que informasse imediatamente as Bermudas através do RASFF, o que veio a acontecer. Este incidente mostra claramente a importância da interligação entre RASFF e INFOSAN.

Composição A Alemanha notificou três casos de sementes de ambrosia em vários alimentos para animais. As três notificações foram feitas A LI ME N TAÇÃO A N I M A L

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ALIMENTAÇÃO ANIMAL SEGURANÇA ALIMENTAR

devido ao muito elevado teor de flúor em alimentos complemen-

Micro-organismos não patogénicos

tares para animais da Irlanda. Cobre (3), zinco (1) e selénio (4)

A maioria das notificações diziam respeito à não observância dos limites legais de Enterobacteriaceae na legislação relativa aos alimentos para animais. Para garantir a segurança dos géneros alimentícios para animais finais, o Regulamento (UE) n.º 142/2011 estabelece padrões microbiológicos, incluindo critérios para Enterobacteriaceae, que são aplicáveis à transformação e à colocação no mercado de produtos de origem animal utilizados para fins de alimentação animal. 11 notificações foram feitas para ossos de couro, muitas vezes relatadas em conjunto com Salmonella.

foram encontrados em quantidades muito elevados nos alimentos complementares e completos a partir de várias origens.

Alimentos para animais geneticamente modificados não autorizados O arroz GM (Bt63) não autorizado foi encontrado em arroz utilizado em aditivo alimentar de cloreto de colina da China. No total, foram feitas 22 notificações por diferentes países e os produtos foram retirados do mercado. Não foi identificado

Micro-organismos patogénicos

qualquer risco para a saúde em relação a este produto.

Todas, exceto uma, das 151 notificações nesta categoria dizia respeito à Salmonella.

Sementes de algodão da Costa do Marfim foram também identificadas como uma variedade GM não autorizada em 6 notificações de Itália. Concluiu-se que aditivos de vitamina 2 para a alimentação animal continham micro-organismos geneticamente modificados viáveis. As bactérias isoladas eram da espécie Bacillus subtilis. Foram identificadas nas bactérias isoladas sequências de ADN que não ocorrem

EET Desde 2013 que se continuam a registar notificações sob a categoria EET, devido ao relato de ADN de ruminantes (12 notificações), predominantemente na alimentação dos peixes. Para mais informação, consultar o relatório anual RASFF 2013.

naturalmente. A bactéria isolada foi assim considerada como sendo geneticamente modificada.

Contaminantes industriais

Factos e números RASFF Evolução do número de notificações desde 2010 – por classificação de notificação

Foram feitas 15 notificações para dioxinas e PCB do tipo

Notificações originais

dioxina, principalmente em matérias-primas (gordas) prove-

Ano

Alerta

2010

576

1544

nientes de diversas origens. Os níveis de dioxinas observados encontravam-se apenas no intervalo de uns poucos ppt,

Rejeição na Informação fronteira 1167

(21)

Informação para atenção

Informação para seguimento

0

0

exceto para o óleo de peixe. A Irlanda fez uma notificação

2011

617

1821

719

551

para melamina em levedura de cerveja inativa da Polónia

2012

523

1711

680

507

e, em parte, da Lituânia. As investigações na Polónia e na

2013

584

1438

679

429

Lituânia não conseguiram identificar a fonte da contaminação.

2014

732

1358

609

398

Em 2007, foram reportadas matérias-primas com melamina,

% em/ diminuição

+25,3

-5,6

-10,3

-7,2

que foi adicionada intencionalmente para falsificar resultados analíticos para medição do teor de azoto da alimentação animal.

(21)

Nesta tabela não estão incluídas as notificações que foram

retiradas posteriormente. informação para seguimento informação para atenção

Micotoxinas aflatoxinas superior ao limite legal. 12 notificações relativamente ao amendoim, com o Sudão a ser mais frequentemente indicado como país de origem. 10 notificações relativamente ao milho de origens diversas, mas com a Índia indicada 5 vezes e uma vez com um nível muito elevado de 881 ppb, cerca de 40 vezes o limite legal. 12 |

ALIMEN TAÇÃO AN IMAL

Número de notificações RASFF

As 26 notificações relacionavam-se com o nível medido de

informação rejeição na fronteira alerta


Notificações originais com seguimento

(22)

Alerta

Rejeição na fronteira

Informação

2010

2051

1069

2104

0

0

2011

2265

1060

414

480

1126

2012

2312

906

73

665

1325

2013

2376

525

1

763

1493

2

670

1369

-12,2

-8,3

2014

3288

581

% em/ diminuição

+38,4

+10,7

Informação para atenção

Informação para seguimento

Nesta tabela estão incluídos todos os seguimentos, também os seguimentos para notificações que foram posteriormente retirados. (22)

Estas são notificações originais para as quais foi dado, pelo menos, um seguimento.

% de notificações com seguimento

Notificações para seguimento Ano

Número de notificações para seguimento RASFF

alerta informação para seguimento

rejeição na fronteira 2010

2011

informação para atenção informação para seguimento 2012

2013

2014

informação para atenção informação rejeição na fronteira alerta

O gráfico mostra que, embora o número de seguimentos como um todo aumentou significativamente em 2014, registaram-se, na verdade, mais notificações que não foram seguidas. Especialmente na categoria alerta, isto deve levantar algumas preocupações.

A L I ME N TAÇÃO A N I M A L

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ALIMENTAÇÃO ANIMAL SEGURANÇA ALIMENTAR

O PAPEL DA CT 37 COMO COMISSÃO TÉCNICA DE NORMALIZAÇÃO PARA A ALIMENTAÇÃO ANIMAL Ana Cristina Monteiro Assessora Técnica IACA

A CT 37 é a Comissão Técnica de normalização para a área da alimentação animal tendo sido constituída em 1972. Cada Comissão Técnica é gerida por um Organismo de Normalização Setorial (ONS), sendo neste caso a CT 37 da responsabilidade da IACA. O presente artigo pretende explicar, por forma a dar a conhecer melhor esta Comissão Técnica e o seu funcionamento, a importância da atividade normativa, de uma forma geral e na alimentação animal em particular.

A atividade normativa A atividade normativa é regida por regras e procedimentos originados por organismos internacionais (ISO), europeus (CEN-CENELEC) e nacionais (IPQ), e fornece mecanismos para a troca de informação, facilitando o comércio e equipando a sociedade com instrumentos fiáveis para aferir a qualidade dos produtos. Desde 1948 que Portugal desenvolve uma atividade normativa estruturada. A Normalização é a atividade que, de forma organizada, viabiliza a elaboração das normas, sendo no caso do nosso país da responsabilidade do Instituto Português da Qualidade (IPQ). A Normalização nasce da necessidade de dar resposta a problemas de natureza técnica, nomeadamente no que diz respeito à transparência do mercado, assegurando um determinado grau de qualidade do serviço ou produto em questão, assim como da segurança e respeito pelo ambiente. Um dos aspetos primordiais da normalização prende-se com aspetos comerciais, visto que ao reduzir assimetrias de informação entre a procura e a oferta e o acesso a novos mercados, facilitam as trocas comerciais, podendo significar uma garantia de qualidade e prevenr barreiras comerciais. A Normalização permite ainda a redução de custos através da redução de erros e de desperdícios maximizando a eficiência produtiva. As normas são documentos de caráter voluntário que definem requisitos técnicos aos quais respondem a: • Produtos, tais como a segurança de brinquedos-NP EN 71, os capacetes de segurança industrial-NP EN 397 ou os telefones móveis-NP EN 50360; • Métodos de ensaio como a contagem de bactérias termorresistentes-NP 462; • Processo de produção, nomeadamente funções e instrumentação para a medição e controlo de processos industriais-NP ISO 3511-1.

Organismos de Normalização Sectorial O IPQ tem a capacidade de qualificar e reconhecer Organismos de Normalização Sectorial (ONS) para exercer atividades de Normalização num dado domínio, no âmbito do Sistema Português da Qualidade. Os Organismos de Normalização Setorial (ONS) são entidades com estatuto jurídico muito diversificado 14 |

ALIMEN TAÇÃO AN IMAL

(público, privado ou misto), e que abrangem diversos domínios, nomeadamente, ambiente, área alimentar, área ferroviária, brinquedos, calçado, cerâmica, cimentos, comunicações, construção naval, cortiça, edifícios, embalagens, equipamentos de elevação, fotografia, gestão da qualidade, higiene e segurança no trabalho, informação e documentação, manutenção industrial, máquinas, responsabilidade social e ética, segurança, serviços funerários, soldadura, tabaco, entre muitos outros. Estes organismos dinamizam a atividade normativa no domínio para o qual estão qualificados, na coordenação e acompanhamento das Comissões Técnicas (CT). A Comissão Técnica de Normalização (CT) é um órgão técnico que visa a elaboração de documentos e a emissão de pareceres normativos, no qual participam, em regime de voluntariado, entidades interessadas nas matérias em causa.

Comissão Técnica para a Alimentação Animal (CT 37) A Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais (IACA) passou a ser membro da CT 37 em 1978 pela mão do Eng. Joaquim Rebelo Abranches. Mais tarde a Drª Armanda Severo integrou também a CT contribuindo significativamente com a sua experiência para o seu bom funcionamento. Em 1984 foi organizada em Lisboa a Reunião Internacional da ISO – Organização internacional de normalização (International Standard Organization – ISO), entidade máxima responsável pela normalização a nível mundial, reunião essa que foi organizada pela IACA pelo Instituto da Qualidade Alimentar e Direção Geral da Qualidade. Nos anos 90 a IACA foi reconhecida pelo governo português como coordenadora da CT 37, passando esta a funcionar na sede da IACA, em Lisboa. A escolha prendeu-se com o facto de esta associação ser a representante dos industriais de alimentos compostos para animais, estando intimamente ligada à alimentação animal. No entanto, apenas em 2003, a IACA passa a ser reconhecida como ONS, assumindo a responsabilidade do funcionamento deste comissão técnica perante o Instituto Portuguesa de Qualidade (IPQ). Fazem parte integrantes desta CT elementos de associações industriais, laboratórios de empresas/ empresas do sector, instituições do sistema científico e tecnológico, laboratórios prestadores de serviços e organismos da administração pública. Podem ainda fazer parte da CT técnicos de reconhecida competência a título individual. No âmbito da sua atividade a CT 37 deve: • Elaborar Normas Portuguesas de acordo com as Diretivas CNQ 1 e CNQ 3; • Emitir pareceres sobre questões inerentes à publicação e aplicação das Normas Portuguesas;


• Pronunciar-se do ponto de vista técnico sobre os documentos remetidos pelo Organismo de Normalização Sectorial (Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais-IACA), nomeadamente projetos de diplomas legais; • Participar na elaboração de normas de organismos internacionais ou regionais de normalização, como a ISO e o CEN (European Committee for Standardization), através da elaboração de pareceres relativos a documentos técnicos produzidos pelos órgãos técnicos desses organismos, nomeadamente sobre projetos de normas internacionais ou europeias, com vista à preparação do respetivo voto nacional, ou fazendo-se representar nas reuniões desses órgão técnicos e/ou apresentando propostas de conteúdo para projetos de normas internacionais e europeias; • Participar, por intermédio dos seus vogais, em atividades relacionadas com o seu âmbito de trabalho quando for solicitado pelo ONS/IACA.

A importância da CT 37 na Alimentação Animal A normalização assume um papel importante na alimentação animal, nomeadamente na necessidade de existirem metodologias padronizadas nos vários laboratórios nacionais e internacionais, permitindo a comparação de resultados interlaboratoriais. Este aspeto é essencial não só como forma de garantir a fidelidade dos resultados analíticos obtidos, adequação da sensibilidade do método utilizado e da calibração dos equipamentos, mas também em situações de confrontação de resultados, p.e. entre os controlos oficiais e particulares. Atualmente sabe-se que diferentes metodologias podem originar diferentes resultados analíticos, o que

pode ser suficiente para um alimento estar ou não em conformidade com a Legislação vigente. Por outro lado, a utilização de normas evita a duplicação de análises às matérias-primas ou alimentos compostos, diminuindo os custos analíticos e permitindo assim maior eficiência, nomeadamente na gestão dos recursos internos de cada empresa, assegurando também que as empresas agem em conformidade com as políticas de segurança alimentar. As situações em que tal acontece podem ser variadíssimas. Por exemplo, na análise a metais pesados ou compostos organoclorados aos produtos realizadas na origem, evita a necessidade de estas análises serem novamente efetuados no destino. Este aspeto assume primordial importância, por um lado porque permite uma maior rapidez de funcionamento das indústrias e por outro porque a qualidade das matérias-primas é determinante em alimentação animal para se obter produtos finais com qualidade, principalmente géneros alimentícios de origem animal. Por outro lado o mercado confronta diariamente diversos desafios que vão desde a escassez de matérias-primas, aos contantes alertas no sistema RASFF (Rapid Alert System for Food and Feed). Matérias-primas de qualidade são essenciais pois são o início da cadeia alimentar e uma matéria-prima não conforme pode resultar num produto final com risco para a saúde humana. Por este motivo, é de extrema importância o controlo da produção começar o mais cedo possível, nas matérias-primas, evitando a disseminação da contaminação e contribuindo para elevados padrões de segurança alimentar. Para além da garantia de que os perigos são identificados e controlados o outro papel fundamental da normalização e consequentemente da certificação prende-se com a relação com os consumidores transmitindo-lhes confiança e reforçando a imagem no mercado da empresa, do

produto ou do processo. A qualidade alimentar é um assunto sensível para os consumidores, no entanto, nem sempre são tidas em conta. É importante lembrar que um alimento antes de chegar às mãos de um consumidor passa por vários intervenientes ao longo da cadeia alimentar. Este facto torna os intervenientes no processo produtivo mais conscientes das suas responsabilidades e a normalização existe precisamente para ajudar este processo. Trabalhos desenvolvidos durante o ano de 2013-2015 • NP EN ISO 16472 – Alimentos para animais – Determinação do teor de fibra detergente neutra tratada com amilase (aNDF) • NP EN ISO 6492 – Alimentos para animais – Determinação do teor de gordura • NP ISO 5984:2014 – Alimentos para animais – Determinação do teor de cinza total • Norma NP EN ISO 24333:2009 – Cereais e produtos derivados dos cereais – Amostragem (em finalização) Trabalhos a desenvolver durante o ano de 2016 • NP ISO 12099: 2014 – Alimentos para animais, cereais e produtos cerealíferos – Linhas de orientação para aplicação de espetrofotometria de infra vermelho • ISO 6498:2012 – Alimentos para animais – Guia para a preparação de amostras • NP 874:1984 – Alimentos para animais – Determinação do teor em fósforo. Método espectrofotométrico de referência. Constituição da Comissão Técnica Presidente – Maria Ilídia Felgueiras Secretária técnica – Ana Cristina Monteiro Vogais – Clara Cruz (INIAV); Isabel Antão (TNA); Isabel Lopes (Eurocereal); José Manuel Costa (DGAV); Olga Moreira (INIAV); Sofia Silva (Iberol); Anabela Antunes e Cristina Granjo (Calseg).

A L I ME N TAÇÃO A N I M A L

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15


ALIMENTAÇÃO ANIMAL SEGURANÇA ALIMENTAR

AMOSTRAGEM DE ALIMENTOS PARA ANIMAIS * Amostragem A amostragem baseia-se na obtenção de uma parte dos componentes de uma amostra, com o objetivo de que qualquer característica da porção amostrada a represente a nível de composição e qualidade. Desta forma, para que a amostra final seja representativa, é necessário assegurar a correta execução durante todo o processo de amostragem e que não ocorram alterações na composição da amostra entre a amostragem e a análise. Todo o processo de amostragem, desde a sua conceção até à entrega da amostra final em laboratório, são de extrema importância pois, se não efetuada corretamente, a amostra final não corresponde ao produto que se tencionava amostrar.

Reg. (UE) n.º 691/2013 A amostragem para o controlo oficial dos alimentos para animais segundo o Reg. (UE) n.º 691/2013, que altera o Reg. (CE) n.º 152/2009, é efetuada de acordo com a quantidade, natureza do produto a amostrar e controlos a realizar. O Regulamento divide-se em dois anexos. O Anexo I diz respeito aos métodos de amostragem e o Anexo II descreve as disposições gerais relativas aos métodos de análise dos alimentos para animais.

REQUISITOS QUANTITATIVOS DAS AMOSTRAS ELEMENTARES Para uma amostragem correta e representativa, as amostras retiradas do todo – amostras elementares – são retiradas de acordo com uma frequência (que corresponda a vários pontos independentes do lote) e quantidade pré-definidas, que variam de acordo com o objetivo da amostragem. O número de amostras elementares a recolher, é calculado de acordo com a dimensão da porção a amostrar. Se esta tem um máximo de 500 toneladas ou se corresponde a um lote muito grande (maior que 500 toneladas). Dentro destes parâmetros, calcula-se o n.º de amostras elementares, em função de: –S  ubstâncias ou produtos repartidos uniformemente nos alimentos para animais; –S  ubstâncias ou produtos não repartidos uniformemente nos alimentos para animais. Cristina Granjo e Filipa Fernandes 16 |

ALIMEN TAÇÃO AN IMAL

* De Acordo com o Reg. (UE) nº 691/2013

Os produtos alvos de controlo incluem: – Alimentos sólidos a granel; – Alimentos líquidos a granel; – Alimentos embalados; – Alimentos em blocos e pedras minerais para lamber; – Forragens e outros alimentos grosseiros. Consideram-se como produtos não repartidos uniformemente aqueles para: –C  ontrolo de aflatoxinas; – Cravagem do centeio; – Outras micotoxinas e impurezas botânicas prejudiciais nas matérias-primas para alimentação animal; – Controlo da contaminação cruzada por um constituinte, incluindo material geneticamente modificado ou por uma substância suscetível de não estar repartida de forma uniforme.

REQUISITOS QUALITATIVOS DAS AMOSTRAS ELEMENTARES Durante a amostragem é realizada a avaliação macroscópica do alimento, onde se avaliam: – Características organoléticas (cor, odor, homogeneidade da amostra); – Presença de pragas e insetos vivos; – Matéria estranha (poeira, cascas, pedras, entre outros). Quando detetada não conformidade do produto numa amostra elementar, esta é separada das restante amostras elementares.

TIPO DE AMOSTRAGEM De acordo com as condições de amostragem, quantidade e natureza da amostra, a colheita da amostra pode ser realizada de forma: – D  inâmica ou estática, sendo a amostragem dinâmica preferencial pois o produto está em movimento o que confere uma maior


representatividade e melhor acesso a

estar corretamente higienizado de forma

todo os pontos. Quando não é possível

a evitar contaminações cruzadas.

o acesso a parte do produto a amostrar (por exemplo, em silos e armazéns), o n.º de amostras elementares é determinada em função da dimensão do produto possível de amostrar.

OBTENÇÃO DA AMOSTRA FINAL Após a recolha obtêm-se as amostras elementares que, no seu conjunto, representam a amostra global. A dimensão

– Manual ou mecânica, sendo a mecânica realizada por dispositivos mecânicos de recolha de produto e a manual realizada por um técnico de amostragem que recolhe de acordo com a quantidade pretendida e com os equipamentos adequados ao tipo de amostragem.

mínima desta está definida nos requisitos quantitativos. A amostra global é homogeneizada e dividida, em divisor mecânico ou manual ou através do método dos quartos, de forma a obter amostras finais representativas. O equipamento utilizado tem de garantir que as amostras finais são divididas em partes iguais,

Os equipamentos utilizados na amos-

com a mesma composição e quantidade. A

tragem manual encontram-se definidos

amostra é dividida várias vezes, sendo uma

de acordo com a natureza do produto a

das partes rejeitada, até se obter a quantidade

amostrar, dimensão da porção a amostrar

pretendida. A quantidade de amostra final é

e acondicionamento do produto. O mate-

determinada de acordo com a natureza do

rial do equipamento deve ser inócuo e

produto e tipo de análises a realizar.

AF_raporal_anuncio_148x210mm.pdf

É obtida, pelo menos, uma amostra final. A amostra final é armazenada em recipiente próprio, que assegure a integridade da amostra. O recipiente é selado e identificado de forma inviolável.

1

14/04/14

REGISTO DA AMOSTRAGEM Para cada amostragem deve ser apresentado um Relatório de amostragem, que identifica todos os dados associados à amostragem e amostras elementares e finais, assim como qualquer desvio ao método previsto.

18:26

A LI ME N TAÇÃO A N I M A L

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ALIMENTAÇÃO ANIMAL SUSTENTABILIDADE

EL RETO DE ALIMENTAR SOSTENIBLEMENTE A UNA POBLACIÓN CRECIENTE Población creciente y enriquecimiento de las dietas El pasado 29 de julio, Naciones Unidas1 publicaba sus previsiones de población para el resto de este siglo. Sus datos2 son contundentes, desde los actuales 7.349 millones de personas, se estima que Carlos Vicente Alberto

para 2050 se habrá llegado a los 9.725 millones,

Director de Sostenibilidad de Monsanto para Europa y Oriente Medio

y a los 11.213 para 2100. Todavía recuerdo cuando en el colegio estudiaba, en clase de geografía, que éramos unos 4.000 millones de personas en nuestro planeta. En sólo 40 años hemos incrementado la población3 en un 81%. El crecimiento, desde la actualidad hasta 2050, será mayor en las regiones de África (+1.291 millones, +109%), Asia (+873 millones, +20%) y Latino América-Caribe (+150 millones, +24%), coincidentes con las regiones que mayor crecimiento relativo, y absoluto en la mayoría de los casos, están teniendo en el enriquecimiento de sus dietas, y que muestran una brecha más amplia frente a la del resto de regiones. Así, desde 1961 y hasta 2013, el consumo4 de calorías, grasas y proteínas ha crecido respectivamente en rangos que van del

incremento respecto a las 2.770 kcal/cápita/día en 2003/05.

Todo lo anterior explica las previsiones de FAO6, que estima que la producción de alimentos tendrá que incrementarse en un 60% para 2050.

Un entorno retador Este incremento tendrá que llevarse a cabo en un entorno complejo. Los recursos como la tierra de cultivo, el agua y la energía son limitados. El Cambio Climático representa una amenaza para las producciones agrícolas. El desarrollo demográfico es eminentemente urbano y no rural. Y, desgraciadamente, perdemos y desperdiciamos muchos alimentos. Recursos limitados En el año en que yo nací (1961) “me tocaban” 0,4 hectáreas de tierra cultivable, cuando mi hijo tenga mi edad actual, entorno a 2050, “le tocará” menos de una tercera parte de esa superficie7 (< 0,13 ha). Seremos más y, si no queremos impactar en los ecosistemas vírgenes que quedan, deberemos aumentar la productividad en la tierra que culti-

30 al 53%, del 39 al 193% y del 31 al 61%.

vamos. Ésta, unos 1.563 millones de hectáreas,

Las proyecciones5 indican que el promedio de

ha crecido un 14.5% en los últimos 50 años8, sin

energía diaria disponible podría alcanzar las 3.050

embargo la producción agrícola9 ha aumentado

kcal/cápita/día para 2050 (2.970 kcal/cápita/día en

entre 2,5 y 3 veces, gracias al incremento significa-

los países en desarrollo), representando un notable

tivo de la productividad de los principales cultivos

Elaboración propia. Fuente: FAO http://faostat3.fao.org/browse/FB/FBS/E

18 |

ALIMEN TAÇÃO AN IMAL

1

h ttp://www.un.org/en/development/desa/news/ population/2015-report.html

2

http://esa.un.org/unpd/wpp/DataQuery/

6

h ttp://www.fao.org/news/story/es/item/275098/icode/

3

http://esa.un.org/unpd/wpp/DVD/

7

Banco Mundial, FAO-STAT, cálculos internos de Monsanto

4

h ttp://faostat3.fao.org/browse/FB/FBS/E

8

5

h ttp://www.fao.org/fileadmin/templates/wsfs/docs/ Issues_papers/Issues_papers_SP/La_agricultura_mundial.pdf

1 .365 millones ha en 1961 vs. 1.563 millones ha en 2012. Fuente: FAO http://faostat3.fao.org/download/R/RL/S

9

h ttp://www.fao.org/nr/solaw/principales-mensajes/es/


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A L I ME N TAÇÃO A N I M A L

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19


ALIMENTAÇÃO ANIMAL SUSTENTABILIDADE

(en la contribución a este incremento hay que hacer notar que la superficie irrigada se ha duplicado en ese período). Si bien el riego supone un contribuyente clave al incremento de la productividad agrícola, el alto porcentaje del agua dulce dedicada a la agricultura, el 70%, nos indica que debemos optimizar su uso. Se estima que el volumen de agua extraída para el riesgo10 pasará de los 2.600 millones de km3 en el período 2005-2007 a los 2.900 en 2050 (+11,5%), produciéndose este incremento neto, principalmente, en los países de bajos ingresos. En cuanto a la energía, la producción de alimentos y la cadena de suministro consumen actualmente el 30% del total de la energía disponible11, realizándose más del 70% de este consumo fuera de las explotaciones agrícolas. A este ritmo significaría un aumento de un 50% en las necesidades de energía12. Cambio Climático El Cambio Climático, y el incremento en los fenómenos meteorológicos extremos previstos, pondrán bajo presión lo sistemas actuales de producción. Habrá cultivos que tendrán que hacer frente a temperaturas que superen sus umbrales de supervivencia y a fenómenos meteorológicos extremos, como sequías o lluvias excesivas. En algunas regiones el aumento de las temperaturas y los efectos de la fertilización por CO2 podrán beneficiar las producciones, pero se prevé que las consecuencias globales sobre los rendimientos sean adversas13. Los sistemas de cultivo requerirán adaptarse a las nuevas condiciones, mejorando su resiliencia ante las mismas, al tiempo que se alcanza un incremento sostenible de su productividad con una mayor eficiencia en el uso de los recursos, reduciendo la huella de carbono y mejorando el almacenamiento de éste en los suelos. La moderna agronomía, apoyada en el desarrollo de las tecnologías agrarias y las avanzadas prácticas y técnicas de cultivo, tiene un papel esencial que jugar en la Agricultura

10

http://www.fao.org/3/a-i4560e.pdf

h ttp://www.fao.org/post-2015-mdg/14-themes/energy/ es/ 12 http://www.fao.org/news/story/es/item/275098/ icode/ 13 http://www.fao.org/post-2015-mdg/14-themes/cli mate-change/es/ 11

20 |

ALIMEN TAÇÃO AN IMAL

Climáticamente Inteligente14 (ACI) que necesitamos poner en práctica. La ACI se enfoca en tres pilares, aumentar la productividad agrícola, los ingresos y el sustento de los agricultores; crear resiliencia ante el cambio climático; y mitigar los efectos del mismo. La interdependencia de los tres pilares es crítica para alcanzar mayores rendimientos con menos emisiones de Gases de Efecto Invernadero (GEI). La gestión sostenible de los recursos tierra y agua respalda el enfoque de la ACI, incluyendo medidas para reducir la deforestación ocasionada por el cambio del uso del suelo hacia la agricultura comercial.

contribuye a reducir estas pérdidas, y se ayuda a reducir la presión sobre la necesaria producción creciente de alimentos.

Oportunidades y riesgos Innovación y desarrollo tecnológico Aunque muchos son los retos, también lo son las oportunidades que la innovación y el conocimiento, basados en la ciencia, nos ofrecen para la producción agroalimentaria. Innovar es algo que ha venido haciendo el agricultor desde que empezó a serlo hace uno 10.500 años, allá por el Neolítico. Al principio muy despacio, de forma intuitiva, hasta que llegó la agronomía, como ciencia aplicada,

Demografía urbana En 1900 el 13%15 de la población mundial16 (215 millones) era urbana, en la actualidad 17 lo es el 53,6% (3.880 millones), y para 2050 se estima que alcanzará el 66,4% (6.457 millones). La consecuencia es simple, habrá más gente a la que alimentar y habrá menos gente produciendo alimentos por habitante. Si en 1950 un agricultor 18 producía alimentos para casi 4 personas, en 2000 ya lo hacía para cerca de 5, y en 2050 tendrá que dar de comer a un grupo más numeroso. Pérdida y desperdicio de alimentos En este entorno de demanda creciente, no nos podemos permitir perder y desperdiciar alimentos y energía, como ocurre con más de un tercio de lo que producimos19, y con ello el 38% de la energía consumida en los sistemas alimentarios. Alrededor del 24% de esas pérdidas y desperdicios se dan en la fase de producción20. Protegiendo los cultivos ante accidentes climáticos, plagas o enfermedades, se

que ha permitido satisfacer las necesidades alimentarias a las que el hombre se ha ido enfrentando. La agricultura ha evolucionado gracias al desarrollo de tecnologías y técnicas de cultivo que han mejorado los procesos productivos. La integración de soluciones tecnológicas alrededor de los cultivos, permite ayudar a los agricultores a abordar el reto de producir sosteniblemente alimentos para una población en continuo crecimiento. En un entorno abierto con multitud de variables, como es la agricultura, no se trata de una solución única, sino, integrando el conocimiento, buscar cómo llevar a cabo un manejo más preciso de los cultivos, haciendo frente a plagas, enfermedades, a la competencia de las malas hierbas y a estreses climáticos, consiguiendo optimizar el uso de los nutrientes del suelo o de la fertilización aplicada, mejorando la precisión de las operaciones de cultivo, como pueden ser la densidad y profundidad de siembra, sin olvidarnos de proteger a los tan necesarios insectos polinizadores. Afortunadamente hoy en día disponemos de

http://www.fao.org/climatechange/epic/que-hacemos/ que-es-la-agricultura-climaticamente-inteligente/ es/#.VfVidU-qpbc 15 http://www.un.org/esa/population/publications/ WUP2005/2005wup.htm 16 http://www.un.org/esa/population/publications/ sixbillion/sixbilpart1.pdf 14

h ttp://esa.un.org/unpd/wup/CD-ROM/ 18 3.6=2.526 M/700 M 4,7=6128M/1300 M http://esa. un.org/unpd/wup/CD-ROM/ http://www.fao.org/ docrep/x4400s/x4400s10.htm 19 http://www.fao.org/post-2015-mdg/14-themes/ energy/es/ 20 h ttp://pdf.wri.org/reducing_food_loss_and_waste.pdf 17

herramientas para ello, como la mejora genética, los productos de protección de cultivos, la biotecnología de plantas, la agricultura de precisión soportada en soluciones tipo “big data”, o los productos biológicos que incluyen productos microbianos y los derivados de la tecnología del uso del ARNi. Política vs. ciencia Una de las herramientas que ya está ayudando al control de plagas, de malas hierbas, a hacer frente a la sequía o a la mejora de


la calidad de los granos cosechados, es la biotecnología a través de los cultivos modificados genéticamente (MG). El enfoque político21 que se le ha dado en la UE, frente al científico que le corresponde, hace que la agricultura europea no apueste por contribuir a los beneficios económicos, medioambientales y sociales que dichos cultivos están aportando a la producción mundial de alimentos en el complejo escenario que se ha descrito. En el período comprendido entre 1996 y 2013, los beneficios22 han sido tan amplios y diversos como el descenso en un 19% del impacto medioambiental asociado al uso de insecticidas y herbicidas, con una reducción de 550.000 toneladas; la reducción de la superficie necesaria de cultivo que, sólo en 2013, supuso un ahorro de 18 millones de hectáreas; el incremento en los beneficios de los agricultores en 133.500 h ttps://www.boe.es/doue/2015/068/L00001-00008. pdf 22 http://www.pgeconomics.co.uk/pdf/2015globalim pactstudyfinalMay2015.pdf

millones de dólares, por la producción de 441,7 millones de toneladas adicionales de productos agrícolas y el ahorro de costes de cultivo, obteniendo 4,04 dólares por cada dólar invertido en los cultivos MG; así como la eliminación de emisiones de CO2 por ahorro de combustible, que sólo en 2013 supusieron 28 millones de toneladas, el equivalente a retirar 12,4 millones de coches de la circulación durante 1 año. Sin duda ese enfoque político de la biotecnología de plantas va en detrimento del papel de la UE para contribuir a una agricultura más sostenible. Nos encontramos, además, ante una nueva amenaza, la reciente propuesta23 de la Comisión Europea de que se pueda prohibir el uso de cultivos MG por razones no científicas. La ganadería europea, y muy especialmente la española – que tanto depende del suministro de maíz y soja MG – estarían en evidente riesgo ante la pérdida de competitividad que ello conllevaría.

21

Ante un panorama global tan retador como el aquí descrito, no cabe más que potenciar la moderna agronomía y utilizar todas las tecnologías basadas en la ciencia que están a nuestra disposición. Acabaré recordando lo que nos decían24 dos Premios Nobel de la Paz, Norman E. Borlaug25 y Jimmy Carter, que trabajaron juntos durante más de 20 años para llevar una Revolución Verde a la agricultura africana: “La biotecnología responsable no es nuestro enemigo; el hambre y la inanición lo son. Sin un suministro adecuado de alimentos a precios accesibles, no podemos esperar la salud del mundo, la prosperidad, y la paz”.

“Starved for Science”, Robert Paarlberg.Harvard University Press, 2008. 25 http://www.worldfoodprize.org/en/dr_norman_e_ borlaug/about_norman_borlaug/ 24

23

http://europa.eu/rapid/press-release_MEMO-15 -4779_es.htm

A L I ME N TAÇÃO A N I M A L

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21


ALIMENTAÇÃO ANIMAL INVESTIGAÇÃO

RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA Definição: Resistência a antimicrobianos (AMR do inglês, “antimicrobial resistance”) designa a capacidade de desenvolvimento microbiano na presença de substâncias que habitualmente impedem o seu crescimento. Esta designação aplica-se a antibió-

Elisa M. Milheiras Carrilho Médica Veterinária

bios resistentes, que hoje em dia são responsáveis por 25000 mortes em seres humanos anualmente na Europa, traduzido em custos de saúde e de perdas de produtividade animal na ordem dos 1,5 biliões de euros a nível europeu.

antiparasitários.

Nos Estados Unidos, o Centers for Disease Control

Os antimicrobianos são substâncias usadas para

and Prevention, estimou que anualmente cerca de 2

destruir os microrganismos ou para impedir/travar

milhões de indivíduos adquirem infecção enquanto

o seu desenvolvimento e multiplicação. São normal-

estão internados nos hospitais.

mente usados para tratar doenças infecciosas quer

Desde os finais dos anos noventa que a Organização

em medicina humana, quer em medicina veterinária.

Mundial de Saúde (OMS) se tem empenhado na

São também usados na forma de biocidas (em

contenção da AMR. Este procedimento assume hoje

plantas e alimentos) para combater os micróbios

em dia particular relevância, pois o uso exagerado

patogénicos.

ou incorrecto destes fármacos/princípios ativos, tem

antibióticos podem fazê-lo modificando o seu genoma por mutação (resistência intrínseca), ou incorporando elementos genéticos móveis de outros microrganismos que transportam um ou mais genes de resistência (resistência extrínseca).

Um pouco de história: Alexander Fleming descobriu por acaso, em 1928, o efeito bactericida do fungo Penicillium, quando

estado associado ao aparecimento e disseminação de micróbios resistentes, o que origina a ineficácia dos tratamentos de diversas infecções.

Ações desenvolvidas até agora na Europa: Em 2001, a Comissão Europeia lançou uma estratégia para combater a ameaça da resistência a antimicrobianos em humanos, animais e plantas (Community Strategy against Antimicrobial Resis-

este cresceu numa placa de Petri esquecida. Em

tance), com proposta de 15 ações nas áreas de

1940 foi realizado o 1º tratamento com penicilina,

vigilância, prevenção, cooperação internacional

tendo sido largamente usado no tratamento de soldados durante a II Grande Guerra Mundial, e em 1945 foi disponibilizado pela primeira vez para o público. Quando Fleming fez o seu discurso de aceitação do prémio Nobel da Medicina em 1945, avisou que o uso inadequado de penicilina iria torná-la ineficaz, dizendo ele que o perigo era usar uma dose insuficiente para matar as bactérias, mas suficiente para as ensinar a resistir à penicilina e a passar a informação a outras bactérias, inclusive

ALIMEN TAÇÃO AN IMAL

tornarem ineficazes devido à emergência de micró-

ticos ou antibacterianos, antivirais, antifúngicos e

As bactérias quando adquirem resistência aos

22 |

depois estes medicamentos estão em perigo de se

e pesquisa e desenvolvimento de novos agentes antibacterianos. Nesse mesmo ano os Ministros da Saúde da União Europeia adotaram a Recomendação do Conselho sobre o uso prudente de agentes antimicrobianos em medicina humana. Em 2004, um relatório da OMS identificou as infecções causadas por bactérias resistentes como prioridade, dado o impacto na saúde pública e sobretudo se não fossem desenvolvidos novos antibióticos. O relatório sugeria ainda que deveria ser a Europa a ter um papel de liderança a nível

às de outras espécies. A primeira resistência da

mundial.

penicilina foi ao Staphylococcus, e aconteceu

Em 2006, no mês de Janeiro, foram tomadas

pouco tempo depois da sua descoberta, por isso

medidas de gestão de risco na área da segurança

é tão importante tomar a dose certa de antibiótico

alimentar, com a elaboração de regulamentação

durante o tempo necessário para matar a bactéria,

sobre alimentação animal que proibiu o uso de

como prescrito pelo médico.

antibióticos como promotores de crescimento

Desde a descoberta da penicilina, que os medi-

na alimentação animal.

camentos antimicrobianos (como é o caso dos

Em 2007, o ECDC (do inglês, Centre for Disease

antibióticos) se tornaram essenciais para tratamento

Prevention and Control), a EMEA (do inglês,

das infecções humanas e animais. Setenta anos

European Medicines Agency) e o ReAct (do inglês,


A L I ME N TAÇÃO A N I M A L

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23


ALIMENTAÇÃO ANIMAL INVESTIGAÇÃO

International Network Action on Antibiotic

microbianas e a sua disseminação; iii) desen-

saudáveis desta estirpe e perpetuando a sua

Resistance) discutiram a necessidade de

volver novos antimicrobianos eficazes ou

disseminação” (Monchique, 2013).

elaborar um relatório que documentasse o

tratamentos alternativos; iv) cooperar com

hiato existente entre as infecções causadas

parceiros internacionais para conter os riscos

Segundo vários autores as taxas mais eleva-

por bactérias multi-resistentes na UE (União

de AMR; v)melhorar e monitorizar a vigilância

Europeia) e o desenvolvimento de novos

na medicina humana e medicina veterinária;

antibióticos para tratar essas infecções.

vi) promover a pesquisa e a inovação; vii)

Em 2008, um grupo de trabalho de ECDC/

melhorar a comunicação, educação e treino.

EMEA preparou um relatório sobre esta

O Dia Europeu do Antibiótico (18 de Novem-

são efectivamente desnecessárias.

questão e o Conselho Europeu a partir

bro) é uma iniciativa organizada pelo ECDC

Em 2013, e num período de um ano foram

e tem por objectivo fornecer uma plata-

escritos 677 artigos que chegaram a 67,9

forma para campanhas nacionais sobre o

milhões de leitores sobre o Dia Europeu

uso prudente de antibióticos. Ao longo

do Antibiótico. Em Novembro desse ano foi

dos anos o Dia Europeu do Antibiótico deu

publicado um relatório sobre a resistência

origem a uma plataforma de alcance global,

aos antibióticos e concluiu-se que quase

partilhada com muitos países fora da UE

metade dos europeus não sabem que os

bem como importantes parceiros, no sentido

antibióticos são ineficazes contra os vírus,

Os serviços da Comissão Europeia pediram

da abordagem “Uma Saúde” promovida pela

nomeadamente os da gripe, no entanto

à EMEA para liderar a recolha de dados

Comissão Europeia. Desde 2012, que a OMS/

cerca de 84% dos europeus estão cientes

sobre as vendas de agentes antimicrobianos

Europa registou a realização deste evento

que o uso desnecessário dos antibióticos

veterinários nos EM. Para que houvesse

em 44 países europeus.

os torna ineficientes.

Em 2012 foi completada a transferência para

A Comissão realizou a 11 de Dezembro

o ECDC do Sistema Europeu de Vigilância do

de 2013 uma Conferência conjunta sobre

Consumo Humano de Antibióticos, fazendo

a ameaça crescente da resistência aos

agora parte do ECDC no ESAC-Net (do inglês,

antimicrobianos no sentido de realizar uma

das conclusões desse relatório chamou os EM ( Estados Membros) para que fossem tomadas medidas de reforço dos sistemas de vigilância e melhorar a qualidade dos dados sobre a resistência antimicrobiana e o consumo de agentes antimicrobianos em medicina humana e veterinária.

uma abordagem integrada foi pedido à EMEA que consultasse o ECDC, a EFSA (do inglês, European Food Safety Authority) e o EURL-AMR (do inglês, European Reference Laboratory for Antimicrobial Resistance). Entre 2010 e 2012, nos 20 países onde a informação sobre medicamentos antimicrobianos veterinários foi recolhida pelo ESVAC (do inglês, European Surveillance of Veterinary Antimicrobial Consumption), houve um decréscimo nas vendas de cerca de 15%, enquanto a população animal se manteve estável, o que significa que as acções tomadas (restrições ao uso, maior consciência da AMR, implementação de campanhas responsáveis em relação ao uso de antibióticos) tiveram um efeito muito positivo. O ESVAC nos próximos anos vai focar-se sobre a possibilidade de obter

European Surveillance of Antimicrobial Consumption Network). A base de dados do ESAC-Net está disponível no website do ECDC e inclui dados de consumo de antimicrobianos em medicina humana nos EM entre 1997 e 2012. A resistência aos antimicrobianos coloca sérios riscos à saúde humana e animal, sendo um dos exemplos mais preocupantes as bactérias MRSA (meticilina resistente Staphylococcus aureus) que frequentemente são resistentes a várias classes de antibióticos. O género Staphylococcus é responsável por grandes perdas económicas

das de resistência bacteriana parecem surgir nos países que consomem mais antibióticos, reforçando a teoria que o consumo estimula a resistência. De acordo com a OMS cerca de metade das prescrições de antibióticos

revisão intercalar sobre o Plano de Ação da Comissão para um período de 5 anos. Uma das conclusões mais importantes foi a necessidade de equilibrar a eficácia dos antibióticos a longo prazo com a necessidade de tratar as infecções humanas e animais a curto prazo.

Ponto da situação sobre as Resistências aos Antimicrobianos em Portugal: Para acompanhar o desenvolvimento de resistências foi implementado o Sistema EARSS (do inglês, European Antimicrobial Resistance Surveillance Network), uma

dados por espécie animal e ter em conta

em animais de produção.

as diferenças nas doses entre os diversos

“O aumento da prevalência de estirpes MRSA

nacionais, que reúne dados de resistência aos

antimicrobianos e entre as várias formas

na população humana parece ter sido a

antibióticos relativos a estirpes bacterianas

farmacêuticas usadas.

origem da colonização de animais domésticos

isoladas de infecções. A nível nacional este

Em 2011, foi criado o Plano de Ação da

por estas estirpes, devido à proximidade

Comissão contra a ameaça crescente da

entre estes e os humanos (Weese & van

resistência antimicrobiana contendo 12 ações

Duijkeren).” “Animais saudáveis e pessoas que

para implementação nos EM e identificando

contactam diariamente com animais domés-

Resistências aos Antimicrobianos (LNR-RA).

7 objetivos em várias áreas a intervir: i)

ticos podem ser infectados por estirpes

Existem indicações de que resistência aos

assegurar que os antimicrobianos são usa-

MRSP (meticilina resistente Staphylococcus

antimicrobianos nos animais é transmitida

dos apropriadamente tanto nos humanos

pseudointermedius), atuando depois como

aos humanos através das bactérias zoonó-

como nos animais; ii) prevenir as infecções

reservatórios assintomáticos ou portadores

ticas (bactérias transmitidas dos animais

24 |

ALIMEN TAÇÃO AN IMAL

rede internacional de sistemas de vigilância

trabalho é desenvolvido pelo INSA (Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge), através do Laboratório Nacional de Referência das


para os humanos), por contacto direto ou

65% dos isolados apresentaram resistência

estratégias para melhorar o processo de

através da cadeia alimentar, no entanto isso

a estes antibióticos, enquanto nos isolados

elaboração de novos medicamentos.

ainda não está completamente estabelecido,

de aves foi observado uma frequência de

mas considera-se que o uso terapêutico e

resistência de 31% a 21% e em bovinos

O EURL-AMR, financiado pela Comissão, a

não terapêutico inapropriado em animais é

de 22% a 11%.

considerado um dos factores contribuintes para o desenvolvimento da resistência em humanos. Portugal é um dos países da Europa com maiores taxas de prevalência de estirpes MRSA em pacientes humanos em ambiente hospitalar (Conceição et al.,2010). A primeira descrição de MRSA em animais em Portugal foi feita em 2009, em suínos ( Pomba, Hasman, Cavaco, Fonseca & Aarestrup, 2009). Em 2011 foi feita a primeira descrição de estirpes

EFSA e a EMA colaboraram na elaboração do Codex Alimentarius “Guidance for Risk

A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária

Analysis of Foodborne Antimicrobial resis-

(DGAV) assinou em 18 de Novembro de 2011,

tance”, adotado em 2011.

a Aliança Portuguesa para a Preservação do

A cooperação internacional é fundamental

Antibiótico promovendo as boas práticas expressas na Plataforma Europeia para um Uso Responsável de Medicamentos em Animais (EPRUMA). A DGAV colabora com outros Programas Nacionais, nomeadamente o da Prevenção das Resistências Antimicrobianas e de Controlo da

para combater a AMR, assim em Maio de 2014 a Assembleia Mundial de Saúde adotou uma resolução que prevê uma Task Force Global da OMS sobre Resistência Antimicrobiana com a colaboração da OMS, FAO ( do inglês, Food and Agriculture Organisation of the United Nations) e OIE ( do inglês, World Organisation

Infeção, e implementou por sua iniciativa o “

of Animal Health).

Plano de Ação Nacional para a Redução do

Existem ainda outras colaborações inter-

Uso de Antibióticos nos Animais” (PANRUAA),

nacionais, nomeadamente com a China,

a decorrer por um período de 5 anos, a contar

com a Federação Russa e com países em

2011).Quanto à prevalência de estirpes MRSP

de 1 de Janeiro de 2014.

desenvolvimento.

em animais de companhia, foi detetado num

São objectivos do Plano PANRUAA: “ a pro-

Novos antibióticos – Ações mais recentes:

MRSA em cavalos, podendo estes animais funcionar como reservatórios destas estirpes e disseminá-las para humanos e para outros animais ( Couto, Tilley, Simões, Luís & Pomba,

estudo em cães, a prevalência desta estirpe em 6,2% (9 em 146 amostras), sendo que esta prevalência é elevada considerando que estirpes MRSP foram detectadas pela primeira vez em Portugal em 2009 (Couto et al.,2010).

moção e reforço da saúde humana e animal, promoção do recurso a técnicas e meios alternativos aos antibióticos em animais produtores de alimento para consumo humano, a venda responsável, a redução dos riscos associados aos seu uso, armazenamento e

No que se refere à criação de um novo modelo de negócio para o desenvolvimento de novos antibióticos foi lançado em 2012 o Programa ND4BB (do inglês, New Drugs for Bad Bugs) no âmbito do IMI (do inglês,

Num trabalho desenvolvido em Portugal

gestão dos resíduos.”

sobre suscetibilidade a antibióticos de várias

Colaborações internacionais para resolução da Resistência Antimicrobiana:

financiamento da AMR) num empreendimento

A nível internacional, os diferentes países

reúne membros das academias e outros

estirpes de Campylobacter spp isoladas de amostras de frangos recolhidos num matadouro português em 2008, “foi detetada uma elevada frequência de resistência a fluoroquinonas entre as estirpes de Campylobacter spp. testadas, em particular para as estirpes de C. Coli (100% de resistência a norfloxacina, ofloxacina, ácido nalidíxico e ciprofloxacina). Mais de 60% das estirpes isoladas demonstraram resistência a tetraciclinas a ampicilina (Borges, 2008). Outro trabalho realizado em Portugal pelo Centro de Estudos Farmacêuticos, Laboratório de Microbiologia e Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra sobre a resistência a antibióticos em isola-

cooperam para a resolução deste problema através de uma Task Force Intergovernamental da Comissão do Codex Alimentarius onde a Comissão Europeia representa a União Europeia.

Innovative Medicines Initiative – programa de conjunto da Comissão com o EFPIA (do inglês, European Federation of Pharmaceutical Industries and Associations). Este programa parceiros públicos e empresas da indústria farmacêutica. A Comissão e o Banco Europeu de Investimento estão a desenvolver em conjunto novas facilidades financeiras para investimento no tratamento de doenças

A legislação europeia relativa à vigilância das

infecciosas.

zoonoses (caso da salmonelose) obriga os EM

Neste momento a legislação existente não é

a monitorizar os agentes zoonóticos e outros,

suficiente para garantir o menor risco possível

bem como a resistência a antimicrobianos,

para a saúde humana decorrente do uso de

que põem em perigo a saúde pública.

antimicrobianos em animais, pelo que existe

Em 2009 foi criada a TAFTAR (do inglês,

uma proposta de proibição do uso preventivo dos antibióticos, incluindo a alimentação

dos de Salmonella enterica entre junho de

Transatlantic Taskforce on Antimicrobial

2011 e março de 2012, mostrou que oitenta

Resistance) com o objectivo de melhorar a

e sete por cento dos isolados apresentaram

cooperação entre os EUA e a UE, em três

resistência a pelo menos um antibiótico.

áreas chave: i)uso terapêutico apropriado

A maior taxa de resistência foi observada

de medicamentos antimicrobianos;ii) pre-

para animais.

para a tetraciclina (49%), seguido da

venção nos cuidados de saúde em infecções

A EMA propôs algumas medidas de restrição

ampicilina (37%). No caso dos suínos,82% a

associadas a resistência antimicrobiana; iii)

ao uso de antimicrobianos, tendo elaborado

animal medicamentosa. Pretende-se ainda que sejam estabelecidos limites para resíduos de antimicrobianos em compostos de alimentos

A L I ME N TAÇÃO A N I M A L

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25


ALIMENTAÇÃO ANIMAL INVESTIGAÇÃO

uma lista de 45 medicamentos para serem

Os serviços da Comissão irão publicar ainda

-food-safety/docs/communication-amr_2011_745.

submetidos a reclassificação ( referrals),

em 2015 a informação fornecida pelos EM.

en.pdf, acedido em 11.8.2015.

abrangendo 10 classes de antimicrobia-

Os resultados do estudo e das medidas

– Comissão Europeia:”Commission staff working

nos e numerosos produtos veterinários.

adotadas serão apresentados e discutidos em

document – Progress report on the Action

Posteriormente a Comissão autorizará ou

workshops de peritos, sendo que o projecto

plan against the rising the rising threats from

não esses medicamentos para introdução

acabará em 2016.

Antimicrobial Resistance” – Brussels, 11.3.2015”,

Os serviços da Comissão começaram ainda

doc/document/ST-7140-2015-INIT/en/pdf, acedido

no mercado. A EMA recomendou a reintrodução no mercado de algumas classes “antigas” de antibióticos para tratamento de bactérias multirresistentes em humanos, bem como a revisão das autorizações de colocação no mercado de alguns medicamentos. Outra recomendação da EMA é a de limitar o desenvolvimento de AMR ligada ao uso de antibióticos em animais, sobretudo os que são criticamente importantes para a medicina humana. É ainda necessário formar técnicos especialistas em prevenção e controlo de infecções em hospitais ou em outros locais onde sejam prestados cuidados de saúde. A Unidade de Recolha de Dados da EFSA, suportada por uma Task Force de peritos de EM analisa dados sobre resistência antimicrobiana nos géneros Salmonella e

a desenvolver uma abordagem estratégica à poluição da água por produtos farmacêuticos, e em 2017 vão ser publicadas medidas específicas para os possíveis impactos. O novo programa Horizonte 2020 continua

Raquel Oliveira Monchique, Dissertação de

de 2015 um prémio de incentivo sobre “melhor uso de antibióticos” e o mesmo será concedido ao investigador que criar um teste rápido para identificar pacientes com infecções do trato respiratório superior que podem ser tratados em segurança sem antibióticos.

Conclusão: Em resumo, é premente e imprescindível uma

não os zoonóticos, se eles apresentarem um risco para os humanos, tais como E.coli e Enterococcus. Já em Março de 2015 foi elaborado pelos

Mestrado Integrado em Medicina Veterinária, disponível em https: //www.repository.utl.pt/ handle/10400.5/6229, acedido em 13.8.2015. – Organização Mundial de Saúde (2015) – “WHO´s first global report antibiotic resistance reveals serious, worlwide threat to public health”, disponível em Http://www.who.int/mediacentre/ news/releases/2014/amr-report/en/, acedido em 14.08.2015.

abordagem multi-sectorial para enfrentar a

– Direção-Geral de Alimentação e Veterinária –

resistência antimicrobiana porque só a acção

“Plano de Acção Nacional para a redução do uso

animal, agricultura, ambiente, comércio e

antimicrobiana em outros micróbios que

cosResi.aspx., acedido em 11.08.2015.

abrigo do Programa foi lançado em fevereiro

de acordo com a legislação sobre as zoonoses.

Também recolhe dados sobre resistência

insa.pt/sites/INSA/Potugues/Paginas/Antibioti-

Staphylococcus spp” 1999 a 2006 – Claúdia

medicina veterinária, investigação, produção

antimicrobiana, em colaboração com o ECDC.

aos antimicrobianos” disponível em http://www.

doenças infecciosas incluindo a AMR. Ao

origem animal, enviados pelos EM anualmente,

zoonoses, agentes zoonóticos e resistência

– INSA – “Vigilância epidemiológica das resistências

– “Evolução da Resistência aos antibióticos em

concertada nas áreas de medicina humana,

nidade sobre as tendências e fontes das

em 13.8.2015.

a dar prioridade máxima à investigação de

Campylobacter de animais e de alimentos de

A Unidade produz o Relatório Anual da Comu-

disponível em http://data.consilium.europa.en/

comunicação, poderá conter a disseminação da resistência aos antibióticos. A luta contra a AMR só será bem-sucedida se contar com o esforço e compromisso dos EM da União Europeia através de todos os intervenientes na saúde humana e animal, bem como em todos os sectores ligados à resistência aos antimicrobianos, integrada com outros esforços nesta área a nível internacional, nomeadamente sobre a égide da OMS.

de antibióticos nos animais – Relatório 2014”, disponível em http://www.dgav.pt, acedido em 11.08.2015. – Direção-Geral de Alimentação e Veterinária – “Resistência aos antimicrobianos – Estudos de Vectores e Doenças Infecciosas”, disponível em http://www.dgav.pt, acedido em 11.08.2015 – Centers for Disease Control and Prevention (2015), disponível em http://www.cdc.gov/drugresistance/ about.html, acedido em 01.09.2015. – “Technical report – The bacterial challenge: time to react”(ECDC/EMEA), disponível em:http://ecdc. europa.eu/en/publications/Publications/0909_ TER_The_Bacterial_Challenge_time_to_react,

serviços da Comissão um relatório sobre a

Eventos a realizar brevemente:

progressão do Plano de Ação sobre a ameaça

No seguimento das acções referidas que

– “ Resistência aos antibióticos em isolados de Sal-

crescente da resistência aos antimicrobianos.

estão em curso, vai realizar-se em Parma

monella entérica em alimentos de origem animal”

Nesse relatório é feito um ponto da situação

nos dias 12 e 13 de Novembro de 2015 a “5ª

das várias acções desenvolvidas nos últimos

Reunião Científica sobre a resistência aos

anos.

antimicrobianos para monitorização de dados

Relativamente à promoção do uso apropriado

de zoonoses”.

de antimicrobianos na medicina humana,

Bibliografia:

está a ser desenvolvido um projecto cuja finalidade é fazer um estudo para identificar os factores chave que impulsionam as vendas e o uso imprudente de antibióticos obtidos sem prescrição médica em medicina humana. 26 |

ALIMEN TAÇÃO AN IMAL

acedido em 14.08.2015.

– Centro de Estudos Farmacêuticos, Laboratório de Microbiologia e Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra-2013”,disponível em http:// www.fmv.ulisboa.pt/spcv/PDF/pdf12_2013/39-43. pdf, acedido em 04.09.2015. –“ Antibióticos e resistência bacteriana, velhas

– Comissão Europeia: “Communication from the

questões novos desafios” – Drª Margarida Dias, Drª

Commission to the European Parliament and the

Micaela S. Monteiro e Drª Maria Favila Menezes,

Council – Action Plan against the rising threats

médicas do Hospital Cuf Descobertas, Lisboa-

from Antimicrobial Resistance”, Brussels, 15.11.2011,

-2010,disponível em http://www.cadernosorl.com/

disponível em http://ec.europa.eu./dgs/health-

artigos/1/2.pdf, acedido em 11.08.2015.


RAISING LIFE

Nada é mais precioso que a vida, essa é a filosofia de phileo. A população mundial continua a aumentar, o mundo enfrenta uma procura crescente de alimentos e grandes desafios de sustentabilidade. Trabalhando entre a nutrição e a saúde, estamos comprometidos em dar soluções baseadas na evidência para incrementar o estado sanitário e a performance animal. Em todos e em cada um dos países, a nossa equipa se guia pelos resultados científicos mais avançados e pela opinião dos produtores mais experientes. Distribuidor exclusivo para Portugal e Espanha:

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ALIMENTAÇÃO ANIMAL INVESTIGAÇÃO

A EVOLUÇÃO DE SUPLEMENTOS ALIMENTARES FITOGÉNICOS

Bruno Penha Director Técnico da Brandsweet, Lda.

Há já bastantes anos que a alimentação e nutrição animal têm sofrido algumas revoluções e desenvolvimentos. Se bem que anteriormente de uma forma mais silenciosa e hoje em dia mais mediatizada e marketizada, a verdade incontestável é que a alternativa fitogénica está cada vez mais implementada na alimentação e nutrição animal, não só pela sua acção própria, mas também pelos seus benefícios sinérgicos com outros produtos (ácidos orgânicos, probióticos, etc.). Os suplementos alimentares fitogénicos, além das características aromatizantes, possuem aptidões ao nível das performances e sanidade animal. As propriedades bactericidas e fungicidas são reconhecidas desde os tempos antigos, sendo desde a Idade Média que os óleos essenciais ficaram conhecidos como “os antibióticos para os pobres”. Actualmente no mercado, existem uma panóplia de opções no que diz respeito a esta gama de produtos, sendo que os óleos essenciais, podem ser apresentados nas suas versões individualizadas ou misturas, provenientes de extractos naturais ou sintéticos, conjugados de óleos essenciais ou outros produtos. O orégão (Origanum vulgare) para além da sua característica aromatizante, no seu óleo essencial contém substâncias que fazem muito mais do que apenas estimular o apetite. As propriedades inibitórias relativas aos germes têm sido utilizadas há séculos na alimentação, como por exemplo em carne picada onde o orégão permite a inibição do crescimento da bactéria E. coli. O género Origanum inclui 43 espécies, 6 subespécies e 18 híbridos (Skoula e Harbourne, 2002). As espécies mais importantes comercialmente são Origanum vulgare ssp. hirtum nativa de grande parte da Europa, bem como Origanum heracleoticum, que cresce principalmente na Itália, Balcãs e Ásia Ocidental. As folhas secas da planta têm um odor fortemente aromático e sabor característicos, que promovem o apetite e digestão. O óleo de orégão (Figura 1) é obtido das folhas por um processo de destilação vaporizada. A planta florescente contém até 5% de óleos essenciais, sendo que o óleo natural de orégão consiste em mais de 30 substâncias, que podem ser detectadas por cromatografia líquida de alta performance (HPLC). Adicionalmente aos 60-80% da fracção de isómeros fenólicos Carvacrol e

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ALIMEN TAÇÃO AN IMAL

Timol, contém também numerosos hidrocarbonetos monoterpenos e álcoois.

Figura 1

Os rácios de componentes dos óleos essenciais variam bastante dependendo da variedade, área de produção e parâmetros de processamento – por exemplo, em Origanum vulgare, o conteúdo de carvacrol pode variar entre 0,1 e 80%, e o timol entre 0,1 e 50%. Os resultados da administração através da nutrição animal também podem variar da mesma forma. Óleos de menor qualidade, ou aqueles que não cumprem os requerimentos, podem ser enriquecidos com componentes sintéticos, tais como o carvacrol. Misturas totalmente sintéticas também podem ser produzidas, contudo, estudos provam que polifenóis sintéticos podem acarretar riscos, dependendo do processo de fabrico e das matérias-primas utilizadas (geralmente óleo bruto), fenóis podem permanecer no produto final, que podem causar efeitos hormonais, mutagénicos ou carcinogénicos. Podem também acumular-se nos tecidos gordos do organismo. Neste artigo em particular, gostaria de salientar o trabalho pioneiro realizado por uma empresa alemã, iniciado nos finais do século passado, e cujo desenvolvimento nos aditivos fitogénicos, prémisturas e suplementos alimentares permitiu a obtenção de produtos de qualidade que representam uma alternativa credível e eficaz às preparações convencionais. A Dostofarm GmbH especializou-se no desenvolvimento e aplicação do extracto natural de óleo de orégão cuja utilização promove a sanidade animal em distintas espécies, bem como os rendimentos dos produtores. A empresa é o maior fabricante mundial de suplementos alimentares para alimentação animal produzidos à base de óleo de orégão, trabalhando em mais de 40 países. A sua produção baseia-se


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ALIMENTAÇÃO ANIMAL INVESTIGAÇÃO

num sistema totalmente integrado verticalmente, que cobre todas as etapas desde a semente ao produto final. Este processo permite a garantia constante de elevado teor de substância activa. Em Essen a 26 de Junho de 2015, a Dostofarm GmbH foi galardoada com um dos mais prestigiados prémios, TOP100 INOVATOR 2015 na German SME Summit e irá juntar-se a um grupo exclusivo de vencedores dos últimos 20 anos. O prémio é o resultado do intenso trabalho e desenvolvimento científico, tendo o júri considerado que a Dostofarm GmbH mostrou clarividência, numa fase inicial, ao entrar no mercado de aditivos para alimentos naturais há mais de 15 anos e estando já estabelecida neste mercado em crescimento, tanto a nível nacional como internacionalmente. Como a primeira empresa no mundo, Dostofarm GmbH foi capaz de desenvolver um ingrediente activo natural puro – óleo essencial de orégão – que é totalmente padronizado pelo controlo de espécies de plantas, cultivo, extração e processamento de uma integração vertical. Com uma aplicabilidade e sucesso transversais, o sucesso desta gama de produtos nos seus mais distintos formatos (Figura 2), tem-se verificado nas produções de suínos, aves, ruminantes e aquacultura.

Do dia 2 até ao dia 10 após nascimento, os leitões de ambos os grupos foram alimentados com substituto de leite como suplemento ad lib. No grupo de teste, a alimentação foi enriquecida com 500 mg/litro de leite de suplemento de orégão. A partir do dia 10 até ao dia 27, foi fornecido préstarter ad lib. A investigação laboratorial consequente demonstrou que as porcas metabolizaram a substância activa carvacrol contida no óleo de orégão relativamente a outros componentes activos, e passaram-na aos leitões através do incremento da produção de leite. É desde há muito reconhecido que os complexos de substâncias contidas no óleo, incluindo timol e fenóis, têm efeitos positivos sobre a susceptibilidade a diarreias. E isso também foi observado aqui: a diarreia ocorreu apenas com metade da frequência no grupo teste do que no grupo controle convencionalmente alimentado. Um número drasticamente reduzido de células “nocivas” no leite porca impressionantemente refletiu os resultados. A prova da eficácia antimicrobiana do óleo já tinha sido anteriormente fornecida por outras investigações. No seu conjunto, foram observados adicionalmente ao aumento significativo no desempenho especialmente no peso de desmame, uma melhoria da sanidade do úbere nas porcas e um excelente estado geral dos leitões. A preparação orégão utilizado pode ser administrada até ao dia do abate, e não afecta o sabor do produto final de origem animal. De acordo com o fabricante, os efeitos secundários indesejáveis ou resistências não foram observadas até agora.

BENEFÍCIOS PARA AVES Em ensaios realizados com frangos de produção orgânica, produtores franceses obtiveram rendimentos adicionais de 0,69 €/frango, como resultado da utilização de suplementos alimentares à base de orégão. Aos animais foi administrada uma mistura mineral pré-preparada à base de orégão, adequada para a produção orgânica. Foi aplicada uma dose de 750 gramas/tonelada de alimento em todas as fases do ciclo produtivo. O alimento consistia em cereais, leguminosas, soja orgânica, proteína de batata, glúten milho, prémistura vitamínico-mineral.

Figura 2

BENEFÍCIOS PARA PORCAS E LEITÕES Investigações actuais confirmam a eficácia do orégão como suplemento alimentar na produção suína. Com esta garantia, os produtores, podem esperar um incremento de 130 gramas do peso dos leitões ao nascimento e aumento do ganho médio diário em 11 gramas. Quanto ao peso ao desmame, existem crescimentos significativos de 9,7% para 88,9 kg. A taxa de mortalidade em leitões reduziu em 1,7%. Estes valores foram determinados pelo departamento de investigação de nutrição animal da Universidade de Wageningen (Holanda). Este ensaio foi realizado com 39 porcas da raça Topigs30. Foram colocadas em dois grupos com idênticas condições. Contrastando com o grupo de controlo, ao grupo de teste foram fornecidos 750g de um aditivo à base de óleo de orégão natural. As porcas foram separadas no período entre uma semana antes do parto até ao desmame. 30 |

ALIMEN TAÇÃO AN IMAL

Para comparar resultados, um grupo de controlo com 4676 animais da mesma população foi testado. Após o ciclo produtivo completo, verificou-se um acréscimo de 7,5% no ganho médio diário (42,5g), bem como uma melhoria de 1,8% no índice (1:2,71) quando comparados com o grupo de controlo. Felizmente, este ganho não foi obtido às custas da qualidade da carcaça, pelo contrário, o rendimento de carcaças aumentou em 1,5% (69%). Esta simples medida, proporcionou ao produtor um lucro de 6000€. Ensaios em poedeiras também revelaram benefícios. Numa exploração comercial no Japão, utilizando 90 poedeiras DeKalb Gold com 73 semanas de idade, durante 56 dias, a suplementação com orégão permitiu um incremento no índice de conversão (2,38 vs 2,53), incremento da postura (69,8% vs 76,2%) e cascas dos ovos mais fortes (3,54 vs 2,98 µg/cm2). Outros estudos realizados em perús de engorda, permitiram um incremento no lucro em cerca de 1€ por animal. No final do processo de engorda, um produtor holandês atingiu uma vantagem financeira considerável, numa exploração com 27,514 animais, aos quais foi adicionado um suplemento alimentar à base de óleo de orégão.


• Componente de segurança natural em alimento composto para animais jovens, coccidiostático natural e antidiarreico

O esquema de dosificação nas 6 fases foi decrescente: fase 1 (700 g/ ton ração), fase 2 (600 g/ton ração), fase 3 (500 g/ton ração), fase 4 (400 g/ton ração) e as restantes fases sem adição.

• Os ingredientes activos (carvacrol e timol) existentes no extracto de óleo de orégão, (100% natural), possuem propriedades antibacterianas e antifúngicas

Durante todo o tratamento, as fezes mostraram-se consistentes e os animais sem queixas, inclusivamente a plumagem estava em excelentes condições, de acordo com informações do produtor. Juntamente a estes dados, a mortalidade foi reduzida em 15%.

•O  régão é muito eficaz contra diferentes bactérias tais como e. coli, clostridium perfingens, salmonella spp etc.

Em termos de índice de conversão e ganhos diários, as melhorias foram superiores em 3%.

• Alternativa para substituição de medicação na ração e prevenir tratamentos médicos

As tendências positivas continuaram ao nível da qualidade da carcaça. Aqui, a empresa de processamento atestou a redução na proporção de animais rejeitados nuns notáveis 33%.

• Melhorias ao nível da ingestão e conversão alimentar • Sem resíduos e influência nos produtos finais de leite, carne e ovos • Menos mortalidade e melhoria geral nos aspectos relacionados com a saúde dos animais

As partes rejeitadas também foram reduzidas em 17%. Concluindo, resumem-se algumas das vantagens da utilização dos produtos à base de óleo de orégão natural em alimentação animal:

PRODUTOS

SERVIÇOS

• Consideráveis vantagens económicas

QUALIDADE

AMINOÁCIDOS L-Lisina HCL L-Lisina Líquida 50 L-Lisina Sulfato 70 L e DL-Metionina L-Treonina L-Triptofano L-Valina CreAMINO® ÁCIDOS ORGÂNICOS PROBIÓTICOS ÓLEOS ESSENCIAIS CEREAIS EXTRUDIDOS COM SORO DE LEITE BRANDBOND® AGLUTINANTE

SEGURANÇA

REPRESENTAÇÃO MANGRA, SA. Recepção e armazenamento Dosificação de líquidos Controlos de processo Controlos de humidade Sistemas de vapor Bombas e caudalímetros Nutrifeed – misturadores verticais Aplicadores pós-pelleting Transportadores pneumáticos de fase densa

MAIS DE UMA DÉCADA A PROMOVER O SUCESSO DA ALIMENTAÇÃO ANIMAL CONTACTOS Loteamento Industrial Quinta das Rebelas Rua A, Lote 19, Nr 17 B/D 2830-222 BARREIRO Telef: 351.21 214 84 70 Fax: 351.21 214 84 79 e-mail: geral@brandsweet.pt

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ALIMENTAÇÃO ANIMAL PLANO DE AÇÃO

PLANO DE AÇÃO PARA 2016 2015 foi um ano bastante complicado e difícil, com a Comissão Europeia a reconhecer, apenas a partir de setembro, num Conselho Extraordinário, a existência de uma crise na Pecuária, resultado quer do excesso de oferta de alguns produtos que não encontraram escoamento no mercado mundial–desde logo ,o leite, pela redução do consumo mundial–quer da carne de porco, devido ao embargo russo e ao facto da expansão para outros mercados (China, Japão, Taiwan) não ter absorvido as perdas do mercado russo. Aliás, foram decididas algumas medidas de urgência, com um envelope de 500 milhões de € e em que Portugal canalizou uma verba de 4.8 milhões de €, a atribuir ao sector leiteiro na sua totalidade. A nível nacional, apesar das degradações dos preços na produção do leite e carne de porco e das dificuldades nos bovinos de carne, as estimativas apontam para uma relativa estabilização da produção de alimentos compostos, prevendo-se uma relativa estabilidade nos alimentos para aves, um aumento da oferta nos alimentos para bovinos (em grande parte devido á seca que afetou o País) e de suínos, ligado ao incremento dos efetivos mas igualmente ao aumento do peso de abate, com uma retração nos alimentos para outros animais, com destaque para a crise que a cunicultura atravessa mas igualmente a falta de pequenos ruminantes, com impacto na redução da produção de alimentos para estes animais. Em 2015, demos continuidade à discussão do projeto da implementação do QUALIACA, com negociações com os importadores de matérias-primas e com a DGAV, tendo-se assinado um Protocolo apenas com a DGAV, devido às divergências relativamente a um acordo tripartido da parte dos fornecedores de matérias-primas, com o Protocolo a ser assinado em 2 de outubro, antes das eleições legislativas. No entanto, é notória uma melhoria global da qualidade das matérias-primas fornecidas à Indústria. Ficou ainda encerrado o Projeto de alteração de Estatutos da parte da Direção, que irá ser submetido à discussão com os Associados, no sentido de permitir o alargamento da IACA a outras atividades da Fileira, sem perder o seu “núcleo duro” e a identidade de Associação da Indústria. Preocupámo-nos igualmente com a discussão aberta com as empresas associadas sobre diversos temas, abordados quer nas páginas 32 |

ALIMEN TAÇÃO AN IMAL

da Revista, Anuário (em que celebrámos os 25 anos da sua edição) ou em Reuniões Gerais e nas IV Jornadas de Alimentação Animal. A IACA desempenhou ainda uma importante atividade a nível internacional, sobretudo ao nível da FEFAC, sendo chamada a intervir sobre diversos assuntos (mercados, sustentabilidade, OGM, resistência antimicrobiana, alimentos medicamentosos, acordos comerciais…), querem Bruxelas (Comissão e Parlamento Europeu) quer em eventos na Europa, ou fora dela, como os Estados Unidos ou Brasil.

Ações previstas para 2016 Com um novo ciclo político, consequência das eleições legislativas, espera-se que o Governo estimule a procura interna e aposte na continuidade da promoção das exportações, sem perder de vista aspetos essenciais como os compromissos europeus, do qual resulta desde logo o cumprimento do deficit e uma evolução da contratação coletiva que privilegiea competitividade das empresas e a aposta na produção nacional, em que a agroindústria, sobretudo a atividade pecuária, é relevante para uma estratégia de consolidação do crescimento económico e da criação de emprego. As perspetivas da Comissão Europeia apontam para a continuidade da crise na pecuária, com uma recuperação dos preços do leite no primeiro trimestre de 2016 mas o sector da carne de porco não tem uma previsão de subida de preços nos próximos meses, enquanto o embargo russo, um grave estrangulamento para o sector, é sobretudo de natureza política, sendo difícil de prever quando irá terminar. No entanto, talvez as medidas previstas ao nível das ajudas á armazenagem privada possam mitigar as perdas, numa altura em que muitos Estados-membros solicitam á Comissão ajudas para a reestruturação do sector. Neste contexto, pese embora o crescimento esperado do PIB, prevemos um 2016 particularmente difícil para a atividade da Indústria e da Fileira da Alimentação Animal em Portugal, sendo igualmente uma incógnita o que vai passar-se com a propostada Comissão em matéria de importação de matérias-primas geneticamente modificadas, depois da sua rejeição pelo Parlamento Europeu, sendo certo que a IACA se irá bater pela sua retirada e pela implementação de uma polí-

tica responsável e com base nas avaliações científicas da parte da EFSA. Fortemente preocupados com a conjuntura negativa e tendo como grande objetivo a promoção da produção agropecuária nacional e o consumo de produtos de origem animal junto dos consumidores e nos mercados externos – reduzindo a nossa dependência externa – os principais objetivos da IACA passam pela consolidação e reforço da atividade de representação da Indústria, centrados nos seguintes eixos: 1. Reforçar e agilizar a ligação entre a IACA e os seus associados, ao nível dos contactos diretos (Grupos de Trabalho com técnicos das empresas associadas, para acompanhar dossiers relevantes para o Sector e preparar posições junto das autoridades nacionais e em Bruxelas), da informação disponibilizada (IS, Revista “Alimentação Animal”, Notas de Conjuntura, INFO IACA, Notas Semanais, Circulares, website, simplificação da consulta da legislação) e na resolução de problemas que se colocam a cada empresa, bem como no âmbito das Reuniões Regionais da Indústria. Continuaremos a implementar o Programa de visitas às fábricas, para um melhor conhecimento dos problemas e das expetativas das empresas associadas, comum a melhor comunicação e difusão destas reuniões através da Revista “Alimentação Animal”. Procuraremos ainda abordar com mais frequência as empresas com vista a perceber que dificuldades e constrangimentos se deparam, por forma a dirigirmos a nossa ação com maior eficiência. 2. Reforço da Cooperação com as autoridades oficiais, designadamente ao nível da Agricultura, Economia, Ambiente e Emprego, principais áreas com impacto para o nosso Sector, com destaques para o GPP e a DGAV. No quadro da investigação e desenvolvimento, serão privilegiados os contactos como INIAV e as Universidades (ISA, UTAD, Veterinária, Évora, Porto) no sentido de fazer a ponte entre a investigação e as empresas, à semelhança do que aconteceu em 2015. 3. Reforço da articulação entre a IACA e as organizações a montante e a jusante do nosso Sector, quer ao nível das Associações agrícolas (ANPOC e ANPROMIS), de comerciantes e importadores (ACICO), quer


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ALIMENTAÇÃO ANIMAL PLANO DE AÇÃO

pecuárias (representantes dos sectores das carnes, do leite e dos ovos) e da FIPA, consolidando a relação de Fileiras e criando maior lobby e “massa crítica” junto das autoridades nacionais e internacionais na defesa dos interesses comuns: a defesa da produção nacional e do Mundo Rural, o equilíbrio no relacionamento com as cadeias de distribuição, a promoção da alimentação animal, da produção pecuária e do consumo de produtos de origem nacional. 4. Consolidar a imagem da IACA e as suas posições no plano internacional, em particular junto da FEFAC e da Food Drink Europe – potenciando a representação da Indústria em determinados fóruns e em Grupos Consultivos ao nível da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu – e da opinião pública, através dos meios de informação e do meio académico e universitário, intervindo em Jornadas, workshops, Seminários e Conferências. 5. Tendo em vista o reforço da qualidade das matérias-primas, complementando o Plano de Controlo Oficial, e uma estratégia que permita potenciar uma nova relação com os nossos fornecedores, com maiores exigências contratuais, a implementação do QUALIACA será uma realidade. 6. Para além do reforço no quadro da indústria de alimentos compostos para animais e das pré-misturas, a abertura da IACA a novas atividades reforçando o peso e o papel da Instituição como parceiro e a sua capacidade de intervenção na Sociedade será uma outra prioridade para 2016. Para atingir estes objetivos, o Plano de Ação, que se reflete naturalmente na proposta de Orçamento para 2016, contempla um conjunto de iniciativas, das quais destacamos as seguintes: • Realização de eventos ao longo do ano, designadamente as Reuniões Gerais da Indústria, temáticas, e as Reuniões Regionais, mantendo o modelo de convites a representantes das autoridades oficiais a acompanhar os trabalhos,de forma a compreenderem melhor as nossas posições. • Face ao sucesso das edições anteriores, realizaremos as V Jornadas de Alimentação Animal, uma iniciativa que já constitui uma referência anual. • Presença da IACA nos fóruns nacionais e internacionais a que está ligada, designadamente no âmbito da FIPA, GPP, DGAV, Ambiente, FEFAC, Food Drink Europe e Comissão Europeia (DGAGRI, DGSANTE) e 34 |

ALIMEN TAÇÃO AN IMAL

contactos ao nível da REPER, Parlamento Europeu e a Comissão de Agricultura da Assembleia da República. Manteremos a vice-presidência do Comité “Alimentos Compostos” e a representação no Grupo de Diálogo Civil “Culturas Arvenses” (DG AGRI/Comissão Europeia), bem como a coordenação do Grupo PARE (Política Agrícola e Relações Externas) da FIPA. • Para além da presença nos Comités específicos da FEFAC, e da representação no Conselho, a IACA terá uma participação muito ativa no Preasidium, Conselho e no Comité Diretor da nossa organização europeia, através da reeleição da nossa Presidente Cristinade Sousa para o Preasidium, no âmbito do Mandato de 2016/18 nas eleições do XXVI Congresso da FEFAC que se realiza naTurquia em abril de 2016. • Conclusão do processo de negociação dos Contratos Coletivos de Trabalho comum novo CCT que vai ao encontro das necessidades das empresas, cuja denúncia teve lugar em 2015, como início de um novo processo negocial e a implementação de uma nova Convenção. • Acompanhamento do processo legislativo relativo à aprovação de organismos geneticamente modificados, quer para importação, quer para cultivo. • Colaboração no PANRUAA–Plano de Ação Nacional para a Redução do Uso de Antibióticos nos Animais. • Participação na Rede Inovar, e nos Grupos Operacionais do INIAV (efluentes pecuários e proteaginosas), no sentido de valorizar e divulgar a inovação e a investigação criando mais-valia e conhecimento para os seus associados. • Criação de Grupos de Trabalho “ad-hoc” para a discussão de dossiers importantes para o futuro do Sector, em estreita ligação com a FEFAC, tendo em conta os interesses nacionais. • Finalização da elaboração de um guia de rotulagem de alimentos compostos para animais. • Atualização do “Código de Boas Práticas para os Industriais de Pré-Misturas e de Alimentos Compostos para Animais destinados à Produção de Géneros Alimentícios”. • Elaboração de um “Manual para o controlo das principais substâncias indesejáveis e proibidas na alimentação animal”, em conjunto com a DGAV. • Ações de formação respeitantes à implementação dos Planos de HACCP em fábrica e à Realização de teste de homogeneidade e

contaminação cruzada em colaboração com a Direção Geral de Alimentação e Veterinária. • Constituição de uma Plataforma informativa no sítio da IACA relativa aos aditivos, nomeadamente com listagens atualizadas dos aditivos autorizados, alterações legislativas importantes, aditivos órfãos e atualização de assuntos em discussão a nível nacional e comunitário. • Acompanhamento da revisão da legislação sobre os alimentos medicamentosos, substâncias médico-veterinárias e controlos oficiais. • Submissão de uma Candidatura ao Programa COMPETE (Portugal 2020) sobre o Projeto QUALIACA. • Dinamização da CT37 comparticipação em Congressos e diferentes grupos de trabalho, tendo em vista um melhor conhecimento da sua atividade e da importância para a credibilidade da alimentação animal. Atenta às dificuldades que têm caracterizado a evolução da indústria de alimentos compostos para animais, sobretudo nestes últimos anos, em que são constantes os ataques à imagem do Setor e dos produtos animais, com impacto negativo na Fileira pecuária e desde logo na nossa atividade, a Direção da IACA está consciente das dificuldades e das exigências, tendo como principal objetivo a aposta continua e reforçada nas parcerias e na dinâmica da nossa organização, alargando a sua base de apoio e a sua capacidade de intervenção, quer na Fileira, quer junto dos responsáveis e políticos e da Administração Pública. Na certeza de que, pelo seu passado e pela constante adaptação que tem sido possível fazer, com a capacidade de nos adaptarmos a novas realidades, somos uma organização credível e respeitada, quer pelos nossos parceiros, quer pelas autoridades, seja em Portugal ou no quadro da União Europeia. Neste quadro de incerteza global em que vivemos, no segundo ano do nosso Mandato, o que podemos garantir aos nossos Associados é que ambição, vontade, com coerência e espírito de missão, tendo em vista a coesão da Indústria e a sustentabilidade da IACA serão o nosso fio condutor que suportarão as grandes orientações estratégicas no médio e longo prazo. Tal como ao longo destes mais de 40 anos, sempre na defesa dos legítimos interesses dos nossos Associados.


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ALIMENTAÇÃO ANIMAL SFPM

SECÇÃO DOS FABRICANTES DE PRÉ-MISTURAS

SFPM

NOTA DA DIREÇÃO DA SECÇÃO

• Como consequência de políticas europeias que diferenciaram o sector da suinicultura em países exportadores e países importadores, do aumento descontrolado do número de porcos produzidos na UE e de uma cadeia alimentar dominada pela chamada “Grande Distribuição”, que não valoriza e destrói o produto “carne de porco”, Portugal apesar de não ser autossuficiente, tem hoje o preço do porco mais baixo da Europa, muito inferior ao seu custo de produção, atravessando a suinicultura nacional uma crise dramática. • Também o sector leiteiro atravessa uma crise sem precedentes, resultante da conjugação de três fatores: i) aumento mundial da produção leiteira; ii) redução do consumo de leite; iii) diminuição drástica de importações por parte da China e Rússia. • Sem o apoio financeiro da Banca, de ajudas Estatais, do tradicional apoio das fábricas de alimentos compostos (também elas em dificuldades) e com uma descapitalização generalizada dos produtores, os atuais baixos preços da carne de porco e do leite são insustentáveis, estando em risco estes sectores. • Mas estas graves crises, não são apenas um problema das fileiras do porco (produtores, abate e transformação) e do leite. São transversais a um grande conjunto de atividades, nomeadamente à Indústria de Alimentação Animal (aditivos, pré-misturas, alimentos compostos…). • Em 2014, a produção em Portugal de alimentos para suínos foi de 787 milhares de toneladas (27% da produção total portuguesa) e de alimentos para vacas leiteiras cerca de 240 (8,3%). Como os sectores da suinicultura e leiteiro, também estas produções de alimentos estão em risco. Como o futuro das empresas de alimentos compostos e pré-misturas e dos seus trabalhadores.

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ALIMEN TAÇÃO AN IMAL


PROGRAMA DE TRABALHOS PARA 2016 DO COMITÉ DE PRÉ-MISTURAS & MINERAIS DA FEFAC Na última reunião do Comité de Pré-Misturas e Alimentos Minerais da FEFAC, decorrida a 22 de outubro em Bruxelas, foi aprovado o Plano de Trabalhos para 2016, que inclui um conjunto de temas muito importantes para o futuro e presente da Indústria de Alimentação Animal: Como Lider: • Substâncias indesejáveis: limites máximos para metais pesados e dioxinas em aditivos para a alimentação animal, alimentos minerais e pré-misturas e métodos de extração; • Implementação do Regulamento (CE) nº 767/2009: autorização de novas utilizações previstas; atualização dos

Como Conselheiro: • Implementação do Regulamento (CE) nº 767/2009: atualização do diz respeito aos alimentos mine-

real de aditivo que o produto contém. A

rais, monitorização do registo de

FEFAC, FEFANA, EMFEMA e Copa-Cogeca

matérias-primas para a alimentação

concordaram em unir forças com vista

animal (zona cinzenta); alegações

a alcançar regras úteis, simples e mais

relacionadas com os aditivos para a

coerentes na declaração quantitativa

alimentação animal;

de aditivos para a alimentação animal.

• Revisão da legislação dos alimentos medicamentosos: aconselhamento no âmbito das pré-misturas medicamentosas; • Revisão do EFMC (nos assuntos relacionados com pré-misturas);

nutricionais específicos existentes;

(lista de aditivos autorizados na

consistência na rotulagem de aditivos

agricultura biológica);

determinação da vida útil de pré-misturas e alimentos compostos para animais; acompanhamento de alegações; • Assuntos relacionados com aditivos para a alimentação animal: monitorização da reautorização de aditivos para a alimentação animal; criação de novos grupos funcionais/categorias de aditivos; utilização de aditivos na

• Sustentabilidade relacionada com os aditivos e alimentos minerais;

A pedra fundamental deste plano de ação será a elaboração de um documento de trabalho para mostrar que as atuais regras de rotulagem de aditivos para a alimentação animal são inconsistentes ao longo da cadeia. Pretende-se introduzir o conceito de “objetivo” ou “funcionalidade”, o que se destina a refletir que a informação quantitativa mais válida pode não ser sempre a quantidade da própria substância adicionada (sulfato de cobre), mas a fração de substância ativa que

• Monitorização de iniciativas rela-

suporta a função (por exemplo, cobre

cionadas com a harmonização dos

em sulfato de cobre). A FEFANA visa

sistemas nutricionais;

introduzir este conceito no âmbito da

• Estatuto dos auxiliares de processa-

revisão das suas orientações (guidelines)

mento (auxiliares de filtração, etc.);

para a avaliação dos aditivos para a

• Monitorização de incidentes de segu-

alimentação animal que a DG SANTE

rança alimentar relacionados com

acaba de lançar.

aditivos para a alimentação animal, alimentos minerais e pré-misturas.

água; revisão de orientações para a avaliação de aditivos; reavaliação de aditivos para a alimentação animal;

que dificulta a correta identificação, por parte dos nutricionistas, da quantidade

• Legislação da agricultura biológica

da cadeia; rotulagem de pré-misturas;

pré-misturas e alimentos compostos, o

Catálogo de matérias-primas no que

alimentos para animais com objetivos

para a alimentação animal ao longo

diferentes critérios de rotulagem entre

Avaliação pela EFSA do teor em zinco na alimentação animal

• Preparações perigosas: Transporte e

Rotulagem de aditivos ao longo da cadeia

rotulagem de preparações perigosas;

A rotulagem de aditivos ao longo da

e autoridades dos diferentes Estados-

cadeia alimentar tem suscitado bastan-

-membros, propôs reduzir os níveis máxi-

tes críticas por parte da indústria da

mos de zinco permitidos na alimentação

alimentação animal. O problema surge

animal, dependendo se o alimento contém

não só devido ao facto dos Estados-

fitases ou não. A EFSA recomenda ainda

• Aplicação da rotulagem: monitori-

-membros não estarem a seguir as

a não autorização do uso de compostos

zação dos métodos da normalização

mesmas regras de rotulagem, o que

de zinco em água de abeberamento.

CEN, implementação de tolerâncias;

representa um problema nas transações

Os membros do SCoPAFF em reunião

orientações para os controlos oficiais.

comerciais, mas também devido aos

exprimiram diferentes opiniões no que

retirada de aditivos órfãos;

monitorização do estatuto dos aditivos para alimentação animal como substâncias de elevada preocupação no âmbito do REACH; Legislação SEVESO;

A EFSA, após um questionário feito aos operadores do mercado, associações

A L I ME N TAÇÃO A N I M A L

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ALIMENTAÇÃO ANIMAL SFPM

diz respeito à diferenciação do limite

UE responsável pela implementação

máximo de zinco dos alimentos para

do REACH e da legislação CLP), o qual

animais contendo fitases e questionaram

propôs aos Estados Membros para

se esta situação poderá afetar a liberdade

tomarem posição entre duas inter-

Reautorização da utilização de vitamina A na alimentação animal

de escolha dos operadores em usar

pretações possíveis do Regulamento:

O Regulamento (UE) 2015/724, publicado

ou não aquelas enzimas. Os serviços da Comissão Europeia consideram que seria útil encontrar uma maneira de conjugar as recomendações da EFSA com as preocupações ambientais. No que diz respeito ao tamanho das partículas e à segurança dos trabalhadores, a Comissão Europeia pretende seguir a abordagem utilizada para o cobalto e o iodo. Considerando-se a complexidade da questão, a orientação da UE poderá ser de manter os atuais limites máximos mas com requisitos adicionais na coluna “outras provisões” do ato legislativo. Pensa-se que a Comissão Europeia não deverá seguir a recomendação da EFSA de estabelecer limites máximos de zinco diferentes, consoante sejam ou não adicionadas fitases ao alimento.

1 – Na primeira interpretação, o conceito de “estado acabado, destinado ao utilizador final” é entendida de forma ampla, incluindo tanto aditivos como pré-misturas que são preparadas para um utilizador (fabricante de alimentos), apesar de poderem ser ainda objeto de outras operações por um utilizador posterior (por exemplos, adicionar água ou misturar o aditivo/pré-mistura com outros alimentos). Neste sentido, os aditivos e pré-misturas na forma aca-

de junho de 2015 da obrigatoriedade de aplicar esta legislação às misturas (Regulamento (CE) nº 1272/2008 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 16 de dezembro de 2008), a questão foi colocada à Comissão Europeia pelas autoridades francesas. O Regulamento (CE) nº 1272/2008 isenta “os alimentos para animais no seu estado acabado,

retinilo como fontes de vitamina A na categoria de «aditivos nutritivos» e grupo funcional «vitaminas, provitaminas e substâncias quimicamente bem definidas de efeito semelhante», estabelecendo novos teores máximos de utilização e proibindo a sua utilização na água de abeberamento. as pré-misturas que as contenham, que

Regulamento CLP.

tenham sido produzidas e rotuladas

2 – Na segunda interpretação o conceito “no estado acabado, destinadas ao utilizador final” é interpretado mais restritivamente, aproximando este con-

A discussão relativa às pré-misturas

entanto, com a entrada em vigor a 1

palmitato de retinilo e o propionato de

As substâncias especificadas (aditivo) e

encontrada no Regulamento (CE) nº

lling and Packaging) não é nova. No

a utilização de acetato de retinilo, o

e como tal, isentos dos requisitos do

Aplicação da legislação CLP e transportes ADR às Pré-Misturas nutricionais da legislação CLP (Classification, Labe-

vigor a 26 de maio de 2015, autoriza

bada estão cobertos pelo artigo 1(5)(e)

ceito à definição de “consumidor final”

nutricionais poderem estar no âmbito

a 5 de maio de 2015 e, com entrada em

antes de 26 de novembro de 2015 em conformidade com as regras aplicáveis antes de 26 de maio de 2015, podem continuar a ser colocadas no mercado e utilizadas até que se esgotem as suas existências.

178/2002. Esta interpretação sugere que

Os alimentos compostos para animais

um aditivo ou pré-mistura, apenas se

e as matérias-primas para alimentação

encontra no estado acabado, destinadas

animal que contenham as substâncias

ao utilizador final, quando estão prontas

especificadas, que tenham sido pro-

para consumo direto pelos animais.

duzidos e rotulados antes de 26 de

No entanto, em conformidade com o

maio de 2016, em conformidade com

Regulamento 1831/2003, artigo 2(a)

as regras aplicáveis antes de 26 de

e (e), as pré-misturas e aditivos para

maio de 2015, podem continuar a ser

a alimentação animal não podem ser

colocados no mercado e utilizados até

utilizado diretamente na alimentação

que se esgotem as suas existências, se

de animais. Portanto, o CLP aplica-se

forem destinados a animais utilizados

a todos os aditivos e pré-misturas,

na alimentação humana.

incluindo os autorizados, rotulados e embalados em conformidade com o Regulamento 1831/2003. Tendo em conta a 2ª interpretação as pré-misturas nunca se encontram no estado acabado.

Os alimentos compostos para animais e as matérias-primas para alimentação animal que contenham as substâncias especificadas, que tenham sido produzidos e rotulados antes de 26 de maio

destinados ao utilizador final.” A questão

Apenas dez Estados-membros votaram

de 2017, em conformidade com as regras

é se de facto uma pré-mistura deve ser

as interpretações no âmbito de CARA-

aplicáveis antes de 26 de maio de 2015,

considerada em “estado acabado para

CAL, dois na primeira interpretação,

podem continuar a ser colocados no

o utilizador final” ou não, dado que não

7 na segunda e uma abstenção. Este

mercado e utilizados até que se esgotem

existe definição na legislação de utili-

assunto será agora avaliado pelo SCo-

as suas existências, se forem destinados

zador final. Este assunto foi avaliado

PAFF, responsável pela alimentação

a animais não utilizados na alimentação

pelo CARACAL (Comité Permanente da

animal.

humana.

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ALIMEN TAÇÃO AN IMAL


Temos por objetivo apoiar os criadores da Raça Frísia e a produção de leite em Portugal. Pelo melhoramento da raça realizamos e apoiamos: • Registo e certificação genealógica • Classificação morfológica dos efetivos • Emparelhamentos corretivos • Informação e formação profissional... e as solicitações dos associados Av. Egas Moniz, nº 6 - 2º • 2135-232 SAMoRA CoRREIA Tel: 263 651 229 / 31 • Fax: 263 651 228 • E-mail: geral@apcrf.pt

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ALIMENTAÇÃO ANIMAL NOTÍCIAS

FILEIRA DEBATE COMPETITIVIDADE E SEGURANÇA DA ALIMENTAÇÃO ANIMAL No passado dia 15 de dezembro, em Fátima, no Dom Gonçalo Hotel & SPA, com a presença de mais de uma centena de participantes da Fileira da Alimentação Animal, teve lugar mais uma Reunião Geral da Indústria, promovida pela IACA, desta vez subordinada ao tema “Competitividade e Segurança da Alimentação Animal”. Na Sessão de Abertura, centrando-se na importância e relevância do tema, num contexto de volatilidade de preços e inseridos num mercado global, estiveram presentes a Presidente da IACA, Cristina de Sousa, Paula Bico, Diretora de Serviços de Nutrição e Alimentação da DGAV (em representação do Diretor-Geral da DGAV, Prof. Doutor Álvaro Mendonça), e o Presidente da CESFAC, Fernando Antunez, que abordou ainda a relação entre fornecedores e industria em Espanha, bem como alguns aspetos relativos ao controlo de qualidade e ponto de situação do Setor no país vizinho. Moderado por Jaime Piçarra, o primeiro Painel, foi muito abrangente, com um primeiro tema apresentado por Margarida Ramalho, da empresa de consultadoria GTE, que nos falou sobre os fundos europeus e o Horizonte 2020, explorando as diferentes possibilidades de acesso aos apoios comunitários até 2020, centrando-se na Competitividade, Investimento e Financiamento. Seguiu-se Pedro Ramos Caramona, da Alltech, que nos apresentou uma excelente abordagem sobre Avaliação e Evolução do Risco de Contaminação por Micotoxinas em Portugal e na Europa, chamando a atenção para a necessidade de monitorização da qualidade das matérias-primas para a alimentação animal, face aos riscos emergentes. A terminar a parte da manhã, interveio Jorge de Saja, da CESFAC, que abordou o tema dos Desafios para o Futuro do Setor da Alimentação Animal em Espanha e no contexto da

que, ao que parece, não foi sentida da mesma forma pelo

União Europeia, em que caracterizou a indústria, os vários

mercado espanhol.

tipos de mercado e operadores, a importância da atividade

No entanto, temos algumas conclusões a retirar: a Espanha

pecuária em Espanha, o mercado e perspetivas para os

tem, tal como nós, uma capacidade instalada em excesso, são

preços das principais matérias-primas, deixando a convicção

dependentes de matérias-primas (milho e soja), a crise terá

de que o ano de 2016 poderá ser de inversão de tendências

selecionado de algum modo, as empresas, que tendem para a

e algo promissor para o Setor, o que não foi unânime, na

especialização e, tal como em Portugal, o setor demonstra uma

discussão que se seguiu a todas as intervenções. Um debate

notável capacidade de resiliência e resistência. Naturalmente

vivo e muito enriquecedor, com partilhas de pontos de vista

que a Fileira, sobretudo nos suínos, depende muito do setor

e muitas intervenções da parte da audiência, marcadas

exportador mas não era assim há 15-20 anos; Espanha definiu

sobretudo pela conjuntura negativa que se vive em Portugal,

uma estratégia para a Pecuária e implementou-a; talvez seja

com destaque para os setores do leite e da suinicultura e

possível colher alguns ensinamentos, embora existam também

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ALIMEN TAÇÃO AN IMAL


Que aminoácido permite uma redução sem risco dos níveis de proteína nas dietas para leitões?

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ALIMENTAÇÃO ANIMAL NOTÍCIAS

muitas diferenças ao nível dos nossos

segurança alimentar e explicou os obje-

Referiu ainda que o QUALIACA teve

congéneres espanhóis.

tivos do QUALIACA e o funcionamento

o seu início no dia 14 de dezembro,

Da parte da tarde, depois das Assem-

do Protocolo que a IACA assinou com

estando previstas mais iniciativas

bleias Gerais da IACA, teve lugar o

a DGAV, no passado dia 2 de outubro.

em janeiro.

segundo Painel, moderado por Pedro Folque, inteiramente dedicado ao QUALIACA e à sua importância para a segurança da Alimentação Animal. Foram intervenientes, José Manuel Costa, responsável pela Divisão de Alimentação Animal, da DGAV, que abordou a importância dos controlos oficias, a ligação entre as entidades públicas e privadas, e a partilha de responsabilidades ao longa da cadeia alimentar, e Ana Cristina Monteiro, que apresentou os diferentes sistemas de controlo de qualidade existentes em vários países da União Europeia, a visão da FEFAC sobre a gestão da

PATROCINIO

COLABORAÇÃO

PROVIDÊNCIA CAUTELAR CONTRA O QUALIACA Na sequência da assinatura do Protocolo

ridades oficias, cujo objetivo é reforçar

alegados atrasos, e custos acrescidos,

e da sua implementação no terreno, a

e complementar os controlos oficias,

no fornecimento de matérias-primas

ACICO, organização que representa os

garantindo maior segurança alimentar e

para a alimentação animal.

comerciantes e importadores de cereais

prevenindo eventuais crises, tendo em

Preparada a defesa, quer pela IACA,

e oleaginosas, uma parte significativa

vista a confiança dos consumidores nos

quer da parte do Estado português,

dos nossos fornecedores (a que se

produtos de origem animal, fabricados

competirá agora aos Tribunais decidirem

juntaram empresas não associadas

em Portugal. Na sequência de tentativas

da legalidade do Projeto, e aos nossos

daquela entidade), apresentou uma

de descredibilização do QUALIACA no

associados e ao mercado em geral,

providência cautelar contra a IACA e o

mercado, a IACA, sentiu-se no dever e

retirarem, de todo este processo, as

Estado, visando colocar um ponto final

obrigação de prestar todas as infor-

devidas conclusões.

à iniciativa conjunta da IACA e das auto-

mações aos seus associados, face aos

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ALIMEN TAÇÃO AN IMAL


Nos passados dias 18 e 19 de novembro decorreu em Santiago de Compostela o IV Congresso de Alimentação Animal, organizado pela Associação Galega de Fabricantes de Alimentos Compostos (AGAFAC), Fundación Instituto Tecnológico del Pienso, a Xunta de Galicia e o Ministerio de Agricultura, Alimentación y Medio Ambiente (MAGRAMA), no qual a IACA esteve representada a convite da organização. Esta 4ª edição esteve centrada em três temas principais: A Sustentabilidade com as apresentações de Alexander Doring (FEFAC), Carlos Buxadé Carbó (Universidade Politécnica de Madrid) e Gert van Duinkerken (Wageningen UR Livestock Research), os quais deram uma perspetiva da produção de alimentos para animais, produção animal e nutrição sustentável. A aplicação da Legislação sobre os alimentos medicamentosos com as apresentações de Leonor Algarra (MAGRAMA), Vitória Navas (MAGRAMA), Eugenio Cegarra (NUTER FEED e AGAFAC), Paloma Sánchez (FIAB) e Joan Casanay (PROMIC GROUP). Nesta sessão do Congresso foi discutida a nova proposta de alimentos medicamentosos, com ênfase nas contaminações cruzadas, quer do ponto de vista das autoridades quer dos fabricantes de alimentos para animais, assim como a gestão e valorização de coprodutos da indústria alimentar para a alimentação animal. Foram ainda apresentadas no final do primeiro dia temas relacionados com a gestão de alertas (RASFF), do ponto de vista das autoridades, pelo Francisco Javier Piquer (MAGRAMA) e da indústria pelo Raimont Fort (Sant Cugat), e por fim estratégias de comunicação em cenários de crises alimentares pela Loreta Rubio (ESADE). O segundo dia do Congresso foi dedicado aos sistemas de controlo, 3º tema deste congresso,

com a participação de Katrien D’hooghe, que explicou o funcionamento do sistema de controlo de qualidade de matérias-primas para a alimentação animal OVOCOM, Thierry Dagnac (CIAM e INGACAL) que fez uma apresentação relativa aos métodos analíticos para monitorização e controlo de dioxinas e Gerardo Fernández (Universidade da Corunha), com uma apresentação também focada nas dioxinas, mas também noutros contaminantes da cadeia alimentar. Foram ainda apresentados os cinco sistemas de controlo da segurança alimentar em alimentação animal existentes em Espanha, tendo os representantes dos mesmos explicado o respetivo sistema e, apresentado resultados analíticos do seu funcionamento, nomeadamente o sistema gmp.Galis pela Mª Luísa Delgado (Galiza), sistema Qualimac pelo Jordi A. Forés (Catalunha), sistema APLIKA APEA pelo Jabi Urbika (País Basco), sistema SEGACYL por Natalia Maestro (Castela e Leão) e Sistema PIENSA Q pelo Juan Ignacio Conesa (Sudeste de Espanha). Esta última sessão permitiu a colocação de questões aos representantes dos diferentes sistemas de controlo de qualidade, da qual foi notório o sucesso que têm sido, a integração dos vários intervenientes da cadeia alimentar nestes projetos e o esforço de todos eles em colaborarem entre si, de forma a torna-los mais transversais e, evitar barreiras no abastecimento e comercialização de matérias-primas das diferentes regiões autónomas devido aos diferentes Sistema de controlo da segurança alimentar em alimentação animal. Este Congresso que contou com 400 participantes, nos quais se incluem representantes da IACA, da DGAV e da indústria, foi um sucesso pela sua qualidade e importância dos temas apresentados. A 5ª Edição irá decorrer em 2017 em Cordova.

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ALIMENTAÇÃO ANIMAL NOTÍCIAS

ENCONTRO ANUAL DO CIB o objectivo de criar uma agricultura cada

Associações de Agricultores/Sementes/

vez mais sustentável para o agricultor, para

outras, Decisores políticos e Jornalistas.

os consumidores e para a sociedade, para

Sem as dezenas de pessoas que colabo-

a economia e para o ambiente.

raram de forma preciosa não teria sido

De cinco encontros anuais que já organizá-

possível organizar mais este encontro

mos até agora, este foi certamente um dos

anual do CiB – Centro de Informação de

melhores: na qualidade das apresentações

Biotecnologia.

dos oradores (pela variedade e relevância dos temas) e pelo número de participantes. Foi mais um encontro muito importante para partilha de diferentes temas relacionados com a Agrobiotecnologia, com testemunhos fundamentais que demonstraram mais uma vez que não há voltar atrás, mesmo que a União Europeia insista/teime em se atrasar em relação ao resto do mundo nestas matérias. As novas tecnologias

Houve muito mais tempo do que nos anos anteriores para resposta a perguntas e a discussão, pois decidimos convidar apenas 5 oradores (em vez de 6), pois pensamos que esse tempo é fundamental para a qua-

Finalmente um agradecimento especial ao Prof. Jorge Canhoto da FCTUCoimbra e à sua equipa de jovens investigadores e estudantes que estiveram sempre motivados e presentes na organização desde o primeiro momento.

lidade da informação que os participantes levam consigo. Estiveram presentes 110 participantes, entre eles: Estudantes Universitários

de melhoramento de culturas agrícolas

(~55%), Professores Universitários e de

estão à porta e mais tarde, ou mais cedo,

Institutos Politécnicos, Investigadores de

iremos usufruir delas conjuntamente com

Biotecnologia de Plantas, Técnicos Agrí-

muitas outras tecnologias disponíveis com

colas de Empresas e Representantes de

SUINICULTORES APELAM AO CONSUMO NACIONAL Por iniciativa do Gabinete de Crise de

nacionais, a produção nacional irá definhar

Durante a acção, os suinicultores enverga-

Suinicultores, cerca de 200 suinicultores

e uma parte substancial desaparecer nos

ram t-shirts com a inscrição “coma o que é

reuniram-se junto ao Pavilhão de Portugal,

próximos meses.

nosso” e alertaram os consumidores para

no Parque das Nações, para realizar uma

Os suinicultores queixam-se também do

a necessidade de procurarem nos rótulos

acção informativa junto dos consumidores

baixo preço que é pago aos produtores,

o país de criação e abate do animal.

que visava a sensibilização destes para o

quando os custos de produção ascendem

Denunciaram ainda a incorrecta rotulagem

consumo de carne de porco nacional, no

actualmente a 1,50 euros por quilo e esse

presente nalguns produtos de carne de

dia 5 de Dezembro.

mesmo quilo é vendido a um euro.

porco.

Vários factores concorreram em simultâneo

A situação é de tal forma dramática, que

Relembramos que desde o dia 1 de Abril

para a forte crise que se vive na Suini-

se corre o risco de ter de fechar 40% da

de 2015, que o Regulamento comunitário

cultura, como o embargo sanitário russo

produção nacional dentro de dois meses.

1337/2013 está em vigor, o qual obriga a

à carne de porco europeia, o aumento

Os suinicultores quiseram por isso chamar

fazer constar do rótulo a indicação do

generalizado da produção na Europa e a

a atenção dos consumidores para “comerem

Estado-Membro ou país terceiro onde o

quebra do consumo, consequente à quebra

o que é nosso” e pediram mais atenção a

animal foi criado e onde foi abatido.

do poder de compra dos portugueses, o

rotulagem.

Esta foi a primeira acção do Gabinete de

que provocou uma forte depreciação nos

Após a concentração, os suinicultores

Crise criado no seguimento do Plenário de

preços em toda a Europa, e particularmente

dividiram-se em dois grupos: um que se

Suinicultores, havido em Leiria, no dia 17 de

em Portugal.

dirigiu ao Continente do Vasco da Gama

Novembro e foi um sucesso, na medida em

Se ao mesmo tempo a distribuição preferir

e outro que se dirigiu ao Pingo Doce do

que a adesão por parte dos suinicultores

produtos estrangeiros em detrimento de

Strada Outlet.

foi significativa, de norte a sul do país.

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ALIMEN TAÇÃO AN IMAL


Nos próximos dias 12, 13 e 14 de Maio

• O Pavilhão Multiusos, contíguo à

Paralelamente à Feira decorrerão as

realiza-se no Montijo a XXIII Feira Nacio-

zona profissional, onde estarão

Jornadas Técnicas, que abordarão temas

nal do Porco, um certame que reúne todos

empresas representantes de dife-

da actualidade da Suinicultura, com alguns

os agentes da fileira do porco, desde os

rentes áreas como arte, tecnologia,

dos maiores especialistas mundiais em

fornecedores de matérias-primas para

agricultura, construção civil, entre

temas como bem-estar animal, sanidade,

rações, fabricantes de rações, produtos

outras. Poderá visitar os 1300 m2

mercados internacionais e práticas de

veterinários, equipamentos, tratamento

deste pavilhão até às 22 horas.

maneio.

de efluentes, genética, produtores, indústria de carnes e comercialização de carnes.

• O Pavilhão de Produtos Tradicionais,

Mas a XXIII Feira Nacional do Porco

onde se localizam as populares

não será apenas negócios e trabalho.

Tasquinhas, e três restaurantes que

A organização tem programado um extenso programa lúdico, a anunciar

Depois do sucesso da 22ª edição, onde

garantirão que os visitantes da XXIII

estiveram presentes 84 empresas e orga-

Feira Nacional do Porco serão bem

oportunamente.

nizações directamente ligadas ao sector,

servidos e que a animação da Feira

para além de 40 empresas ligadas a

será noite dentro, com os seus

E como a Feira do Porco também é

outras áreas de actividade que ocuparam

produtos de charcutaria, fumeiro,

na totalidade os 218 espaços de exposição

doçaria, bebidas e licores.

disponíveis, a Comissão Organizadora quis ampliar a Feira Nacional do Porco e redimensioná-la à escala ibérica. Com um aumento do espaço de exposição na ordem dos 50%, a edição de 2016 aguarda a presença de mais de 300 expositores e a visita de mais de 20 000 pessoas aos longo dos três dias. A Feira será segmentada em cinco áreas distintas:

• Ao Ar Livre estará exposta a maquinaria pesada e decorrerá o programa lúdico da Feira. A 22ª edição contou com as presenças das mais altas patentes públicas com ligação ao sector, tais como a Sra. Ministra da Agricultura e Mar, o Sr. Secretário de Estado da Alimentação

organização procura sempre levá-la para além dos limites dos seus portões, celebrando parcerias com a hotelaria e a restauração dos concelhos do Montijo, Moita e Alcochete. Por todas estas razões e muitas mais, dias 12, 13 e 14 de Maio, todos os caminhos vão dar ao Montijo, à grande festa da carne de porco, que é a XXIII Feira Nacional do Porco.

e Investigação Agro-Alimentar, que inaugurou a Feira, o Sr. Secretário de

• O Pavilhão Profissional, o coração

Estado da Agricultura e o Director Geral

da Feira, onde estão dispostas por

de Veterinária. A 23ª edição certamente

2800 m2 as empresas ligadas à

não ficará atrás em termos de repre-

fileira da carne de porco. Abrirá

sentação política.

portas às 10.00 horas, podendo ser

A Feira Nacional do Porco não poderia

visitado até às 22.00 horas.

cognominada de Feira do Montijo, a

acontecer sem a prestimosa colaboração

• O Auditório onde decorrerão as

da Câmara Municipal do Montijo. Colabo-

sessões técnicas, nesta edição muito

ração essa que foi reforçada para esta

focadas nos aspectos relacionados

edição, com a interveção da Câmara de

com o acesso ao financiamento por

melhorias nas instalações do Parque de

parte dos suinicultores e hipóteses

Exposições do Montijo que dotarão o

de investimento potenciadas pelo

espaço de melhores condições para os

novo Quadro Comunitário de Apoio.

expositores e visitantes. A LI ME N TAÇÃO A N I M A L

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ALIMENTAÇÃO ANIMAL NOTÍCIAS DAS EMPRESAS

NANTA REÚNE EN MADRID A EXPERTOS PARA PONER EN VALOR EL PAPEL DE LA ALIMENTACIÓN ANIMAL ANTE LA SOCIEDAD a más de 150 actores del sector entre

en gran medida a mantener la seguridad y

industria, empresas, administraciones y

la trazabilidad alimentaria. “De hecho – ha

asociaciones de productores, durante el

comentado Ulloa – la preocupación de este

encuentro “Alimentación animal: respon-

sector por la seguridad alimentaria es

sabilidad y seguridad”. Su objetivo ha sido

tanta o más que la de la propia industria

poner en valor ante la sociedad el esfuerzo

alimentaria. Solo basta con observar las

de los fabricantes de pienso por cubrir las

especificaciones que constan en el etique-

necesidades de los ganaderos, garantizando

tado de un pienso y de cualquier alimento”.

la calidad y seguridad alimentaria a los

Ha destacado además que del sector de

consumidores y constituyendo un motor importante de la economía en nuestro país.

española, como son la agricultura, el trans-

sultoría estratégica de comunicación y de

porte marítimo y por carretera, la actividad

servicios, y primer ponente del encuentro,

portuaria y la industria del metal.

como “uno de los principales actores en la democratización de la alimentación, poniendo al alcance de nuestra sociedad

número de fábricas de pienso (820) y, con 21.000 millones tm, se sitúa como tercer productor a nivel comunitario, y octavo a nivel mundial, exportando a más de 100 países. • Un sector del que dependen a su vez otros fundamentales para la economía española, como son la agricultura, el transporte marítimo y por carretera, la actividad portuaria y la industria del metal. • “La industria de fabricación de piensos es uno de los principales actores en

sectores fundamentales para la economía

Enrique Ulloa, socio director de IDEO, con-

ha reivindicado el papel de esta industria

• España es el país de la UE con mayor

fabricación de piensos dependen otros

actual una alimentación sana y equilibrada”. El experto analista ha ofrecido datos que muestran que esta industria genera en España 21.000 millones de tm de pienso, lo que nos sitúa como tercer productor a nivel de la UE-28, tras Alemania y Francia, y octavo a nivel mundial. Además, las 820 fábricas con que cuenta nuestro país (538 y 527 más que Francia y Alemania respectivamente) dan trabajo 12.237 personas. Por comunidades autónomas, Cataluña aglutina un 25,7% de la producción nacional, con 156 fábricas, seguida de Aragón, con un 15,2% de la producción y 72 fábricas.

Para finalizar, Ulloa ha destacado que el sector adolece de una sobrecapacidad productiva con una media de 25, 28 tm por fábrica, frente a las 77, 6 de Alemania y las 74,75 de Francia. “Esto incide sobre los costes de las fábricas que no están a pleno rendimiento. Es necesario por tanto –ha concluido – regular la capacidad de producción a nivel nacional y modernizar algunas instalaciones”. Por su parte Arnaldo Cabello, subdirector general de Medios de Producción Ganaderos (Magrama), ha incidido en el importante papel de la alimentación animal como primer eslabón de la cadena alimentaria. “De hecho –ha comentado – los principios generales de seguridad alimentaria en la Unión Europea, son los mismos para los

“El sector de fabricación de piensos en

alimentos que para los piensos”. Cabello

España es por tanto – según ha expuesto

ha explicado que, según los datos del

el experto-, un sector muy concentrado que

Sistema rápido de alertas en piensos

genera un negocio de volumen más que de

• Entre los retos futuros esta doblar la

y alimentos de la UE (RASSF – en sus

margen, ya que las compras representan un

producción actual de alimentos para

siglas en inglés-), un 9,86 por ciento de

78% de las ventas netas (8.905 millones de

abastecer a una población mundial que

las incidencias comunicadas se refieren

euros), dejando márgenes que no alcanzan

alcanzará los 9,3 billones en 2050, y

a piensos, frente al 82, 24 por ciento

el 22%”.

hacerlo de forma sostenible.

relacionado con alimentos y al 5,90 por

Se trata además de un sector muy tec-

ciento con los materiales en contacto

Nanta, empresa líder del sector de la

nificado con ventas por empleado 2,7

con estos últimos, destacando además

alimentación animal del Grupo Nutreco

veces superiores a las de la industria

el descenso en el número de alertas por

Iberia, ha reunido en Madrid (15 de octubre)

alimentaria, cuyas inversiones se destinan

piensos en los últimos años.

la democratización de la alimentación, poniendo al alcance de la sociedad actual una alimentación sana y equilibrada”.

46 |

ALIMEN TAÇÃO AN IMAL


Jesús Lizaso, director de Nutrición, for-

Villalón ha explicado que Nutreco destina

Inga Food y a Grupo Sada. Nanta cuenta

mulación y Calidad de Nanta, ha ahondado

el 85 por ciento del gasto directo a su

con veintidós centros de producción

en el tema del control y la seguridad en

Código de Conducta de Proveedores

dotados de tecnología punta en los

la alimentación animal. Ha analizado el

sobre cuestiones medioambientales y

que está implantado el Sistema de

marco jurídico, la definición y alcance del

sociales y ha añadido que, “toda compañía

Aseguramiento de la Calidad, garantía de

concepto de seguridad, y las herramientas

debería abrazar el proyecto de elaborar

calidad de los productos de la compañía.

para garantizar la misma, entre otros.

una política de sostenibilidad que asegure

En su portfolio de más de 200 productos

La jornada se ha clausurado con la interven-

que abordamos las cuestiones relevantes

se encuentran alimentos para porcino

ción de José Villalón, director de Sostenibi-

en los próximos 30 años, y que tenga

blanco e ibérico, para cunicultura y avi-

lidad de Nutreco Corporate y ex Chairman

en cuenta las aportaciones de terceros,

cultura, para vacuno de carne y de leche,

de WWF, que ha hablado sobre el gran reto

como ONG´s, instituciones y proveedores,

ovino y caprino, y para la alimentación

de futuro que supone la sostenibilidad,

entre otros”.

de perros, gatos y caballos.

exponiendo las tendencias globales y los retos que tendrá que afrontar el sector de la alimentación en los próximos 35 años.

Acerca de Nanta

“La población mundial experimentará un gran

Nanta, compañía líder en la fabricación y

crecimiento –ha asegurado-, pasando de los 7 billones a los 9,3 en 2050, concentrándose hasta un 70 por ciento en núcleos urbanos y con un incremento de 3 billones en la clase media de cara a 2030. Por ello necesitaremos

comercialización de piensos compuestos en la Península Ibérica, comenzó su actividad en 1968 y desde sus inicios, la tecnología empleada y sus programas de I+D+I y calidad han supuesto una auténtica innovación

doblar la producción de alimentos para

en este sector industrial.

cubrir la nueva demanda, que será generada

Englobada dentro de la multinacional

especialmente en los países emergentes”.

Nutreco, tiene por empresas hermanas a

Presidente da IACA presente no evento, a convite da NANTA

A L I ME N TAÇÃO A N I M A L

|

47


ALIMENTAÇÃO ANIMAL NOTÍCIAS DAS EMPRESAS

NOVOS PLC´S DA NANTA PARA A ALIMENTAÇÃO AUTOMÁTICA EM EXPLORAÇÕES CUNÍCOLAS A gestão automatizada da alimentação tornou-se uma ferramenta indispensável nas explorações cunícolas. Atualmente, mais de 80% dos cunicultores franceses e italianos limitam a quantidade de ração que administram nas suas engordas de forma a prevenir distúrbios digestivos. Com esta premissa, a Nanta disponibiliza às explorações cunícolas os seus novos PLC´s (Controladores Lógicos Programáveis), computadores industriais especificamente configurados para, com precisão matemática, otimizar a alimentação da exploração, fazer restrição de alimento na engorda, além de poder integrar em apenas um equipamento o

maneio de todos os automatismos da exploração. Entre os benefícios que uma boa gestão da alimentação do coelho nos dá, está o de conseguir a máxima segurança digestiva nas engordas, já que a utilização de modelos intermitentes e perfeitamente quantificados de administração de alimento e jejum tem resultados muito positivos na prevenção e inclusive no tratamento de doenças digestivas na fase de engorda, especialmente a Enteropatia Epizoótica Mucoide. Para além disto, melhoraremos o índice de conversão, pois a restrição de alimento incrementa de forma fisiológica o aproveitamento dos nutrientes ao facilitar o contacto entre a parede intestinal e o alimento.

Finalmente, uma boa gestão da alimentação nas fases produtivas de maior risco é fundamental para conseguir os objetivos de retirada de medicação previstos para 2017. Os sistemas automáticos que visam parâmetros variáveis – incluindo a alimentação – minimizam a possibilidade de cometer erros oferecendo com isso uma tranquilidade adicional e uma maior rentabilidade e eficiência nas explorações. A Nanta, no seu compromisso permanente pela profissionalização do sector cunícola põe os seus novos PLC´s ao serviço dos seus clientes. Os interessados em receber mais informação devem contactar o Serviço Técnico ou o responsável da Nanta na sua zona.

JORNADA TECADI/NORFEED SUD

A Tecadi realizou em parceria com a Norfeed Sud, no dia 6 de Outubro 2015 no Hotel Villa Batalha, uma jornada centrada no tema da resistência antimicrobiana e redução de antibióticos na alimentação animal. Estiveram presentes cerca de 60 participantes das diversas fileiras pecuárias, produtores, industriais de alimentos compostos para animais, fornecedores de aditivos e matérias-primas, e abordaram-se as razões e motivos que estão na origem da perspetiva de alteração do regulamento europeu sobre os alimentos medicamentosos, disposições regulamen48 |

ALIMEN TAÇÃO AN IMAL

tares em vigor e alternativas naturais ao uso do antibiótico. A abertura dos trabalhos foi feita pelo Engº Luis Ferraz e restante equipa da Tecadi, agradecendo a presença de todos e fazendo a apresentação global da jornada. O Dr. Pierre Chicoteau (médico veterinário e CEO da Norfeed Sud) apresentou a empresa. A jornada prosseguiu com a intervenção da Drª Helena Ponte (médica veterinária, assessora do conselho directivo do INFARMED) no sentido de reforçar a importância da “Redução do Uso de Antibióticos nos

Animais por Uma Só Saúde” com o objectivo de minimizar o risco das resistências antimicrobianas na saúde pública, incluído no Projeto Europeu para a Vigilância do Consumo de Antimicrobianos em Animais. No âmbito regulamentar, o Dr. José Manuel Costa (Farmacêutico e chefe de divisão de Alimentação Animal da DGAV) e a Engª Ana Cristina Monteiro (assessora técnica da IACA) falaram-nos de resistência antimicrobiana e perspectivas de alteração da legislação quer do ponto de vista da DGAV, quer do ponto de vista da IACA. A reunião terminou no período da tarde, focada nas soluções e alternativas à utilização dos antibióticos com a “Apresentação Global dos Produtos Norfeed Sud” realizada por Stefan Sitaru (Médico Veterinário, Norfeed Sud), com a “Produção de Suínos sem Antibióticos” por Eric Belz (médico veterinário) e com a apresentação sobre “Produção Animal com Alternativas Naturais” pelo Dr. Pierre Chicoteau.


CERTIFICAÇÃO DIN A D.I.N. Desenvolvimento e Inovação Nutricional, SA desenvolve a sua actividade no âmbito do fabrico de Alimentos para Animais e prestação de Serviços Laboratoriais. O seu laboratório – Laboratório de Investigação e Desenvolvimento da DIN,SA (LID) – que presta serviços analíticos na área da Alimentação Animal, Alimentação Humana e Ambiente encontra-se Acreditado, pelo Instituto Português de Acreditação,

para o Controlo de Qualidade Físico-Químico e Microbiológico (sem esterilidade), no âmbito do fabrico de Pré-Misturas Medicamentosas. Apostando na melhoria contínua, na excelência e diferenciação dos seus serviços, em 2015 o LID obteve a extensão da Acre-

PORTUGUESE ACCREDITATION INSTITUTE

PORTUGUESE ACCREDITATION INSTITUTE

PORTUGUESE ACCREDITATION INSTITUTE

Rua António Gião, 2-5º 2829-513 CAPARICA Portugal Tel +351.212 948 201 Fax +351.212 948 202 acredita@ipac.pt www.ipac.pt

Rua António Gião, 2-5º 2829-513 CAPARICA Portugal Tel +351.212 948 201 Fax +351.212 948 202 acredita@ipac.pt www.ipac.pt

Rua António Gião, 2-5º 2829-513 CAPARICA Portugal Tel +351.212 948 201 Fax +351.212 948 202 acredita@ipac.pt www.ipac.pt

Anexo Técnico de Acreditação Nº L0670-1

Accreditation Annex nr.

D.I.N. Desenvolvimento e Inovação Nutricional, SA Laboratório de Investigação e Desenvolvimento

D.I.N. Desenvolvimento e Inovação Nutricional, SA Laboratório de Investigação e Desenvolvimento

Address

Nr

Rosa Maria Lopes Gomes

Telefone Fax E-mail Internet

232 880 020 232 880 021 laboratorio@din.pt www.din.pt

Produto

Product

Ensaio

Test

Anexo Técnico de Acreditação Nº L0670-1 Accreditation Annex nr.

D.I.N. Desenvolvimento e Inovação Nutricional, SA Laboratório de Investigação e Desenvolvimento Método de Ensaio

Categoria

NP EN ISO 6865:2009

0

NP 872:1983

0

Test Method

Category

ALIMENTOS E AGRO-ALIMENTAR

Zona Industrial da Catraia

FOOD AND AGRI-FOOD PRODUCTS

Apartado 50 3441-909 Santa Comba - Dão

Contacto Contact

desde Maio de 2014. Também em 2014, a Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária concedeu ao LID a certificação BPF (Boas Práticas de Fabrico)

Anexo Técnico de Acreditação Nº L0670-1

Accreditation Annex nr.

A entidade a seguir indicada está acreditada como Laboratório de Ensaios, segundo a norma NP EN ISO/IEC 17025:2005

Endereço

ditação na área da Microbiologia e para a Determinação de Micotoxinas (âmbito flexível global). Ao obter o reconhecimento técnico dos seus serviços, a DIN,SA pretende posicionar-se como parceiro credível de todas as entidades pertencentes ao nosso sector.

1

Alimentos para animais

Celulose Bruta

2

Alimentos para animais

Cinza Total

3

Alimentos para animais

Humidade

Gravimetria

Gravimetria NP 875:1994 (Com exclusão do ponto 8.2.1.3 e 8.2.2)

Gravimetria

Resumo do Âmbito Acreditado

Accreditation Scope Summary

Alimentos e agro-alimentar

Food and agri-food products

Nota: ver na(s) página(s) seguinte(s) a descrição completa do âmbito de acreditação.

Note: see in the next page(s) the detailed description of the accredited scope.

4

Alimentos para animais

Matéria Gorda Bruta

5

Alimentos para animais

Proteína Bruta

6

Carnes e Produtos Cárneos

Nº Nr

Produto

Product

Ensaio

Test

Método de Ensaio

Categoria

Test Method

Category

Este Laboratório possui um âmbito de acreditação com descrição flexível global, a qual admite a capacidade para implementar métodos dentro do enquadramento de competência dado por este Anexo Técnico. Os ensaios abrangidos identificam na coluna “Método de Ensaio” o tipo de flexibilidade aceite de acordo com os seguintes códigos: Tipo A – Capacidade para implementar métodos normalizados e adicioná-los à Lista de Ensaios sob Acreditação Flexível; Tipo B – Capacidade para implementar métodos desenvolvidos internamente ou adaptados pelo laboratório e adicioná-los à Lista de Ensaios sob Acreditação Flexível. O responsável pelo controlo e aprovação da Lista de Ensaios sob Acreditação Flexível é a Eng.ª Salomé Santos e pela aprovação técnica dos métodos a incluir nessa Lista é a Dr.ª Rosa Gomes.

0

NP 876:2001

0

MI-LID-33/Dumas/03

0

NP 1614-1·2009

0

Gravimetria

Leopoldo Cortez Presidente

Dumas

A validade deste Anexo Técnico pode ser comprovada em http://www.ipac.pt/docsig/?OB91-93CV-AL18-0ZV1

The validity of this Technical Annex can be checked in the website on the left.

Os ensaios podem ser realizados segundo as seguintes categorias:

Testing may be performed according to the following categories: 0 Testing performed at permanent laboratory premises 1 Testing performed outside the permanent laboratory premises or at a mobile laboratory 2 Testing performed at the permanent laboratory premises and outside

0 Ensaios realizados nas instalações permanentes do laboratório 1 Ensaios realizados fora das instalações do laboratório ou em laboratórios móveis 2 Ensaios realizados nas instalações permanentes do laboratório e fora destas

Humidade Gravimetria

7

Carnes e Produtos Cárneos

AOAC 992.15 (1992)

0

8

Cereais e derivados, alimentos para animais

Aflatoxinas B1, B2, G1 e G2. Cálculo

MI-LID-43/01

0

9

Géneros alimentícios

Contagem de Listeria monocytigenes

Proteína Bruta

Compass Listeria Agar AFNOR-BKR23/05-12/07

10

Géneros alimentícios

Pesquisa de Listeria monocytogenes

Compass Listeria Agar AFNOR- BKR23/2-11/02

11

Géneros alimentícios e alimentos para animais

Contagem de E. coli β-glucoronidase positiva

ISO 16649-2:2001

0

12

Géneros alimentícios e alimentos para animais

Contagem de microrganismos a 30ºC

ISO 4833-1:2013

0

13

Géneros alimentícios e alimentos para animais

Pesquisa de Salmonella spp

Rapid Salmonella AFNOR- BRD 07/1112/05

0

14

Tipo de produto:

Tipo de ensaio: Determinação de micotoxinas

Acreditação flexível tipo B

0

Cereais e derivados, alimentos para animais

Dumas

0 0

HPLC-uv/vis-Fluorescência FIM END

O IPAC é signatário dos Acordos de Reconhecimento Mútuo da EA e do ILAC

IPAC is a signatory to the EA MLA and ILAC MRA

O presente Anexo Técnico está sujeito a modificações, suspensões temporárias e eventual anulação, podendo a sua actualização ser consultada em www.ipac.pt.

This Annex can be modified, temporarily suspended and eventually withdrawn, and its status can be checked at www.ipac.pt.

Edição n.º 2 • Emitido em 2015-09-25 • Página 1 de 3

Notas: Notes: - MI-LID xx indica procedimento interno

Edição n.º 2 • Emitido em 2015-09-25 • Página 2 de 3

Edição n.º 2 • Emitido em 2015-09-25 • Página 3 de 3

A L I ME N TAÇÃO A N I M A L

|

49


FICHA TÉCNICA ALIMENTAÇÃO ANIMAL Revista da Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais – IACA NIPC­‑ 500835411

TRIMESTRAL ­‑ ANO XXVI Nº 94 Outubro / Novembro / Dezembro

AGENDA DE REUNIÕES DA IACA Data

OUTUBRO 2015

02

Assinatura do Protocolo Qualiaca

Cristina de Sousa

06

Conferência Tecadi (Batalha)

CONSELHO EDITORIAL E TÉCNICO

08

Reunião “Comité “Nutrição Animal” da FEFAC (Itália, Piacenza)

09

Workshop FEFAC/ASSALZOO sobre “Novas Fontes de Proteína” (Itália, Piacenza)

13

Reunião QUALIACA

15

Participação nas Jornadas “Alimentación Animal: responsabilidad y seguridad” (Madrid)

21

CCT – Reunião de Conciliação

22

Comité “Pré-Misturas e Alimentos Minerais” da FEFAC (Bruxelas)

29

Workshop da Rede Agro (Reitoria da Universidade de Lisboa)

30

VII Jornadas da ASPOC (UTAD – Vila Real)

DIRETOR

Ana Cristina Monteiro Germano Marques da Silva Jaime Piçarra Pedro Folque Manuel Chaveiro Soares

COORDENAÇÃO Jaime Piçarra Amália Silva Serviços da IACA

ADMINISTRAÇÃO, SEDE DE REDAÇÃO E PUBLICIDADE (incluindo receção de publicidade, assinaturas, textos e fotos) Amália Silva IACA ­‑ Av. 5 de Outubro, 21 ­‑ 2º E 1050­‑047 LISBOA Tel. 21 351 17 70 Telefax 21 353 03 87

EMAIL iaca@iaca.pt

SITE www.iaca.pt

EDITOR

Data

NOVEMBRO 2015

02

Participação no Evento “Encontro Nacional de Lacticínios (Centro de Congressos de Lisboa)

03

Visita US Grains Council

05

Comité Alimentos Compostos da FEFAC (Bruxelas)

06

Reunião com CONSULAI (PDR2020)

10

CCT – Reunião de Conciliação

12 a 14

VII Conferência Sociedade Cientifica de Suinicultura (CNEMA, Centro Nacional de Exposições em Santarém

13

Reunião da Comissão Executiva Reunião da Direção

17 a 20

Conferência GMCC 15 (Holanda)

21 a 24

Portugal Agro 2015

25

Reunião da CT37 Assembleia Geral Extraordinária da FEFAC (Bruxelas) Reunião do Conselho da FEFAC (Bruxelas) Reunião do Conselho Fiscal

Pedro Moreira da Silva

26

Reunião do Comité Diretor da FEFAC (Holanda)

EXECUÇÃO GRÁFICA

27

Grupo de Diálogo Civil “Culturas Arvenses” (Comissão DGAGRI, Bruxelas)

Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais – IACA

EXECUÇÃO DA CAPA

Sersilito ­‑ Empresa Gráfica, Lda. Travessa Sá e Melo, 209 4471­‑909 Gueifães ­‑ Maia

PROPRIETÁRIO Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais ­‑ IACA Av. 5 de Outubro, 21 ­‑ 2º E 1050­‑047 Lisboa

Data 09

Assembleia Geral da FIPA

10

Reunião DGAV sobre Qualiaca Grupo Operacional Efluentes (INIAV)

11

Participação na reunião do projeto SANFEED (ICBAS – Universidade do Porto)

15

Reunião da Direção Reunião Geral da Indústria “Competitividade e Segurança da Alimentação Animal” Assembleias Gerais da IACA Ordinária (Orçamento para 2016) e Extraordinária (Alteração dos Estatutos da Associação)

17

Grupo de Diálogo Civil PAC (Comissão DGAGRI, Bruxelas)

18

Assembleia Geral do CIB ( ITQB-UNL – Instituto de Tecnologia Química e Biológica)

DEPÓSITO LEGAL Nº 26599/89

REGISTO Nº 113 810 no ICS

50 |

ALIMEN TAÇÃO AN IMAL

DEZEMBRO 2015


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ALIMEN TAÇÃO AN IMAL

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