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Fome Pelo Proibido A HUNGER FOR THE FORBIDDEN

Maisey Yates

Ao fugir da igreja correndo, Alessia Battaglia é uma visão de branco. Ela abandonou o noivo no altar, e agora reza para que o primo dele, Matteo Corretti, venha atrás dela. Afinal, há duas coisas que Matteo ignora. Alessia está grávida. E a criança é dele! Digitalização: Simone R. Revisão: Mary


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Tradução Ligia Chabú HARLEQUIN 2014 PUBLICADO MEDIANTE ACORDO COM HARLEQUIN BOOKS S.A. Todos os direitos reservados. Proibidos a reprodução, o armazenamento ou a transmissão, no todo ou em parte. Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência. Título original: A SCANDAL IN THE HEADLINES Copyright © 2013 by Harlequin Books S.A. Originalmente publicado em 2013 por MB Sicilian Scandals Título original: A HUNGER FOR THE FORBIDDEN Copyright © 2013 by Harlequin Books S.A. Originalmente publicado em 2013 por MB Sicilian Scandals Projeto gráfico de capa: Nucleo i designers associados Arte-final de capa: Isabelle Paiva Editoração eletrônica: EDITORIARTE Impressão: RR DONNELLEY www.rrdonnelley.com.br Distribuição para bancas de jornais e revistas de todo o Brasil: FC Comercial Distribuidora S.A. Editora HR Ltda. Rua Argentina, 171,4° andar São Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ — 20921-380 Contato: virginia.rivera@harlequinbooks.com.br

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Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates OS CORRETTI DA SICÍLIA Quanto mais poderosa a família, maiores os segredos escondidos! O IMPÉRIO Jovens, ricos e belos, os Corretti são presença constante nos principais veículos sensacionalistas da Sicília! O ESCÂNDALO Entretanto, por quanto tempo a reputação dos Corretti resistirá aos holofotes da fama quando segredos de família se tornarem públicos? O LEGADO Quase destruídos pela sede de poder no passado, a nova geração dos Corretti está de volta e no topo! Nenhum desgraça poderá derrubá-los!

PAIXÃO SAGAS 014 — LEGADO DE SILÊNCIO — Carol Marinelli PAIXÃO SAGAS 014 — CONVITE AO PECADO — Sarah Morgan PAIXÃO SAGAS 015 — SOMBRA DE CULPA — Abby Green PAIXÃO SAGAS 015 — HERANÇA DE DESONRA — Kate Hewitt PAIXÃO SAGAS 016 — SUSSURROS DE TRAGÉDIA — Sharon Kendrick PAIXÃO SAGAS 016 — FRÁGIL FACHADA — Lynn Raye Harris PAIXÃO SAGAS 017 — NOTÍCIAS ESCANDALOSAS — Caitlin Crews PAIXÃO SAGAS 017 — FOME PELO PROIBIDO — Maisey Yates Colecione as 8 histórias lançadas em 4 volumes! Siga nossas redes sociais, conheça nossos lançamentos e participe de nossas promoções em tempo real! Twitter.com/harlequinbrasil Facebook.com/HarlequinBooksBrasil

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Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates

Capítulo 1

Alessia Battaglia ajustou o véu, o tecido fino roçando a pele sensível de seu pescoço. Como o beijo de um amante. Suave. Gentil. Ela fechou os olhos e podia sentir aquilo. Lábios quentes em sua pele desnuda. Uma mão máscula em sua cintura. Abriu os olhos novamente e abaixou-se, ajustando as fivelas delicadas de suas sandálias brancas. As mãos de seu amante em seus tornozelos, removendo seus saltos altos. Deixando-a nua diante dele, nua diante de um homem, pela primeira vez. Mas não havia tempo para nervosismo. Não havia nada além do calor entre eles. Anos de fantasia, anos de desejo. Alessia engoliu em seco e pegou o buquê de rosas vermelhas da cadeira. Roçar os dedos nas pétalas aveludadas despertou outra memória. Uma sensação. A boca de seu amante em seu seio, seus dedos se entrelaçando no cabelo escuro dele. — Alessia? Ela levantou a cabeça e viu a organizadora do seu casamento parada à porta. — Sim? — Está na hora. Alessia assentiu e andou em direção à porta, seus sapatos soando alto no piso de mármore da basílica. Saiu da sala que tinha sido separada para ela se aprontar e entrou no vasto foyer. Estava vazio agora, todos os convidados no santuário, esperando pela cerimônia. Ela deu um suspiro longo, o som alto no cômodo vazio. Então começou a andar em direção ao santuário, passando por pilares incrustados com ouro e pedras. Parou por um momento, esperando encontrar algum conforto, alguma paz nas cenas bíblicas descritas nas paredes. Seus olhos caíram sobre a pintura de um Jardim e Eva dando a maçã a Adão. — Por favor. Apenas uma noite. — Apenas uma, cara mia? — E tudo que eu tenho para dar. Um beijo abrasador, como nada que ela experimentara antes. Melhor do 4


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates que qualquer fantasia. Arfando, ela virou-se da pintura, continuando a andar para a pequena antecâmara do lado de fora do santuário. Seu pai estava lá, o terno elegante e passado. Antonioni Battaglia parecia o cidadão respeitável que todos sabiam que ele não era. E o casamento, tão formal, tão tradicional, era outra declaração de seu poder. Poder que ele almejava aumentar, com a fortuna e status dos Corretti. Aquele desejo era a razão pela qual ela estava ali. — Você está muito parecida com sua mãe. Alessia imaginou se havia alguma verdade nessas palavras, ou se aquela era apenas a coisa certa a dizer. Ternura era algo do que seu pai nunca parecera capaz. — Obrigada — murmurou ela, olhando para seu buquê. — Isso é o que é certo para a família. Ela sabia que era. Sabia que aquilo era a chave para garantir que seus irmãos e irmãs fossem cuidados. Isso era, afinal de contas, o que Alessia vinha fazendo desde que sua mãe morrera, dando à luz. Pietro, Giana, Marco e Eva eram as estrelas brilhantes em sua existência, e ela faria tudo que pudesse para assegurar que eles tivessem a melhor vida possível. Todavia, a tristeza a inundava, e memórias nublavam o presente. Memórias de seu amante. Das mãos, do corpo, da paixão dele. Se ao menos seu amante e o homem esperando atrás das portas do santuário, para se casar com ela, fosse o mesmo. — Eu sei — disse Alessia, lutando contra a desolação em seu interior. O vazio. As portas duplas se abriram, revelando um corredor impossivelmente longo. A música mudou, todos se viraram a fim de olhar para ela... todos os mil e duzentos convidados, que tinham ido assistir à união da família Battaglia com seus rivais mais odiados, os Corretti. Ela levantou a cabeça, tentando respirar. O corpete do vestido ameaçou sufoca-la. A renda que formava o decote alto, as mangas que acabavam em suas mãos, pareciam pesar contra sua pele. As camadas de tecido aderiam-se ao seu corpo, causando-lhe um calor que a deixou tonta. Era um lindo vestido, mas muito espalhafatoso para seu gosto. Muito pesado. Mas o vestido não era sobre ela. O casamento não era sobre ela. Seu pai seguiu-a para dentro do santuário, mas não pegou seu braço. Ele a entregara em casamento quando assinara o acordo com o falecido Salvatore Corretti. Não precisava fazei isso de novo. Ele não se sentou, também, em vez 5


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates disso foi para a lateral da igreja, os passos paralelos ao dela. Aquele era Antonioni Battaglia. Observando os procedimentos, assegurando-se que tudo ia bem. Observando-a. Assegurando-se de que ela lhe obedecesse. Uma gota de suor escorreu por suas costas e outra memória preencheu sua mente. A pele suada dele sob seus dedos. Suas unhas enterrando nos ombros largos. Suas coxas envolvendo os quadris másculos... Alessia piscou e olhou para Alessandro. Seu noivo. O homem com quem estava prestes a fazer seus votos. Que Deus me perdoe. Se ela não estivesse segurando o buquê, teria se benzido. E então, ela o sentiu. Como se ele a tivesse tocado. Olhou para os bancos do lado dos Corretti, e seu coração parou por um segundo. Matteo. Seu amante. O inimigo de seu noivo. Matteo estava lindo como sempre, com o poder de roubar o ar dos seus pulmões. Alto e forte, com o físico delineado à perfeição por um terno feito sob medida. Pele cor de oliva e maxilar quadrado. Lábios que ofereciam prazer de maneira torturante e maravilhosa. Mas esse homem não era o mesmo que tinha compartilhado sua cama, um mês atrás. Ele estava diferente. Os olhos pareciam queimar de raiva, o maxilar estava rígido, o semblante era raivoso. Alessia quase tivera esperança de que ele não se importaria com o fato de ela estar prometida para Alessandro. Que uma noite de paixão com ela seria como uma noite com qualquer outra mulher. Sim, tal pensamento doera, mas tinha sido melhor do que isso. Melhor do que o ver olhando-a como se ele a odiasse. Ela podia lembrar-se daqueles olhos escuros encontrando os seus com um tipo diferente de fogo. Luxúria. Um desejo desesperado que ecoara dentro dela. Alessia olhou para Alessandro, mas ainda podia sentir Matteo observando-a. E teve de olhar para trás. Sempre tinha de olhar para Matteo Corretti. Desde que podia se lembrar, sentia-se atraída por ele. E por uma noite, ela o tivera. Agora... nunca mais o teria. Seus passos hesitaram, seu salto virando de lado. Ela tropeçou, recuperou o equilíbrio, encontrando os olhos de Matteo, novamente. Dio, estava calor. O vestido a estava sufocando agora. O véu pesava em sua cabeça, a renda no seu pescoço ameaçava a asfixiar. Alessia parou de andar, a guerra em seu interior ameaçando a despedaçar. 6


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Matteo Corretti estava fervendo de raiva. Observando-a andar em direção a Alessandro, seu primo, seu rival nos negócios e agora, por causa disso, seu inimigo. Vendo Alessia Battaglia seguir seu caminho para Alessandro, a fim de unirse a ele. Ela era de Matteo. Sua amante. Sua mulher. A mulher mais linda que ele já vira na vida. Não era apenas a perfeição da pele dourada ou as maçãs do rosto incríveis e os lábios rosados carnudos. Era alguma coisa que existia sob a pele dela, uma vitalidade e paixão que o tinham fascinado e confundido, ao mesmo tempo. Cada risada de Alessia, cada sorriso, cada ação mundana eram preenchidos com mais vida, mais alegria do que seus momentos mais memoráveis. Motivo pelo qual, desde a primeira vez que pusera os olhos nela, quando menino, ele ficara hipnotizado. Longe dos monstros que ele tinha sido induzido a acreditar que os Battaglia eram, Alessia parecera um anjo aos seus olhos. Mas Matteo nunca a tocara. Nunca violara o comando, não vociferado, de seu pai e avô. Porque ela era uma Battaglia e ele era um Corretti, a guerra entre as famílias existindo por mais de cinquenta anos. Matteo fora proibido até mesmo de falar com ela, e, quando criança, violara tal ordem somente uma vez. E agora, quando Salvatore pensara que isso poderia beneficiá-lo, ela estava sendo dada para Alessandro quase como gado. Matteo cerrou as mãos em punhos, experimentando uma raiva que não sentia há mais de 13 anos. O tipo de raiva que normalmente escondia. Temia que esta raiva explodisse e sabia o que acontecia quando explodia. Ele podia não ser responsável por suas ações se tivesse de ver Alessandro tocar Alessia. Beijá-la. E, então, Alessia congelou no lugar, os grandes olhos escuros desviando de Alessandro para ele. Aqueles olhos. Aqueles olhos estavam sempre em seus sonhos. A mão de Alessia baixara para a lateral, então ela liberou o buquê de rosas, o som das flores atingindo o chão de pedra, alto no silêncio súbito da igreja. Então, ela virou-se, segurou a frente da saia de renda e correu pelo corredor, para fora da igreja. O tecido branco girava ao seu redor enquanto ela corria. Ela só olhou para trás uma vez. Olhos grandes e assustados encontrando os seus. 7


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Alessia! — Matteo não pôde conter-se. O nome dela explodiu de seus lábios, e então ele estava correndo também. — Alessia! O murmurinho da congregação abafou suas palavras. Mas ele continuou correndo. Pessoas preenchiam o corredor agora, bloqueando seu caminho. Os rostos eram um borrão, e ele não tinha consciência de quem empurrava, a fim de abrir espaço para perseguir a noiva. Quando ele finalmente chegou do lado de fora da basílica, Alessia estava entrando na limusine que levaria os noivos depois da cerimônia, tentando enfiar as camadas da saia do vestido dentro do carro. Quando ela o viu, tudo no seu rosto mudou. Havia uma esperança nos olhos escuros que causou um aperto no coração dele. — Matteo. — O que você está fazendo, Alessia? — Eu tenho de ir. — Os olhos dela revelavam medo agora. Medo do pai, ele sabia. Matteo foi tomado por uma súbita necessidade de lhe tirar os medos para sempre. — Para onde? — perguntou ele. — O aeroporto. Encontre-me. — Alessia... — Matteo, por favor. Eu esperarei. — Ela fechou a porta, e a limusine partiu no mesmo momento em que o pai dela saiu da igreja. — Você! — acusou Antonioni. — O que você fez? E Alessandro apareceu atrás dele, os olhos brilhando com fúria. — Sim, primo, o que você fez? As mãos de Alessia tremiam quando ela entregou o dinheiro para a mulher na loja de roupas. Nunca tivera permissão de entrar numa loja, assim. Seu pai achava que esse tipo de lugar, com artigos produzidos em massa, era comum, não para uma Battaglia. Mas o jeans, a camiseta e os tênis que ela encontrou serviam ao seu propósito, porque eram comuns. Porque qualquer mulher os usaria. Porque uma Battaglia não os usaria. Como se os Battaglia tivessem o dinheiro que queriam mostrar que tinham Seu pai pedira emprestado o que possuía, a fim de manter a ficção de que o poder deles continuava infinito como sempre. Sua posição como O Ministério do Comércio lhe conferia certo poder, poder que era facilmente manipulado, mas que não mantinha o mesmo fluxo de dinheiro que tinha vindo da organização do avô dela. A vendedora olhou-a com curiosidade, e Alessia sabia por quê. Uma noiva tremendo, sem noivo, numa pequena loja turística, ainda usando seu vestido de 8


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates noiva e véu, era realmente uma estranha visão. — Posso usar seu vestiário? — pediu ela depois de pagar pelos itens. Sentia-se mal por usar o dinheiro do pai para fugir e, pior ainda, pelo jeito que obtivera o dinheiro. Devia ter sido uma visão e tanto no banco, em seu vestido de noiva, exigindo uma retirada contra um cartão com o nome no seu pai. — Eu sou uma Battaglia — dissera ela, empregando toda a prepotência que já ouvira de Antonioni. — É claro que tenho direito de acessar o dinheiro de minha família. Dinheiro vivo era essencial, porque ela não queria deixar rastros por onde passasse. Ter uma família que sempre estivera do outro lado da lei ajudou em relação a isso, pelo menos. Assim como ter observado, por uma vida inteira, que extrema confiança levava você a conseguir coisas que não deveria ter permissão de receber. O dinheiro em sua bolsa era um exemplo disso. Alessia entrou no vestiário e removeu seu vestido sufocante. Aquele escolhido por seu pai, porque era tão tradicional. A noiva virgem, de branco. Se ele soubesse. Ela vestiu o jeans e a camiseta e usou a faixa elástica que comprara para prender seu cabelo longo e grosso. Emergiu do vestiário um momento depois, calçando os tênis, então endireitando o corpo. E respirando. Sentindo-se mais ela mesma. Sentindo-se Alessia. — Obrigada — falou ela para a mulher do caixa. — Fique com o vestido. Venda-o, se quiser. Saiu da loja para as ruas movimentadas, finalmente conseguindo respirar. Ela dispensara a limusine no banco, oferecendo uma generosa gorjeta ao motorista, por sua parte na fuga. Levou apenas um momento para pegar um táxi. Sentou-se no banco de trás, agarrando sua bolsa contra o peito. — Aeroporto de Catania, per favore. — Naturalmente.

Matteo não demorara na basílica. Escapara das perguntas furiosas de seu primo e entrara em seu carro esporte, saindo do estacionamento em velocidade e indo em direção ao aeroporto, sem pensar duas vezes. Seu coração estava bombeando forte, adrenalina percorrendo seu sangue. Sentia-se fora de controle hoje, de um jeito que nunca se permitia. De um jeito que raramente se permitia, pelo menos. Houvera alguns rompimentos de seu famoso controle e todos eles estavam ligados a Alessia. E proporcionavam uma janela no que ele poderia se tornar se o frio horrível que 9


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates vivia em seu interior se conectasse com se a chama ardente. Alessia era a sua fraqueza. Uma fraqueza que ele nunca devia ter permitido e uma que não deveria permitir novamente. Olhos escuros colidindo com os seus num espelho pendurado atrás do bar. Olhos que ele reconheceria em qualquer lugar. Ele virou-se abruptamente e a viu, perdendo o fôlego. Colocou seu drinque sobre o balcão do bar e atravessou o salão lotado, para longe de seus colegas de trabalho. — Alessia. — Ele se dirigiu a ela diretamente pela primeira vez em treze anos. — Matteo. — Seu nome soava tão doce nos lábios dela. Fazia um mês desde a noite deles juntos, em Nova York, um encontro por acaso, ele imaginara. Agora, não tinha certeza. Um mês inteiro, e ainda podia sentir o gosto da pele de Alessia em sua língua, as curvas suaves dos lindos seios descansando em suas palmas. Ainda podia ouvir os gemidos dela, enquanto eles escalavam para o topo do prazer. E ele não quisera outra mulher desde então. Eles quase correram para seu quarto de hotel, tamanho o desespero que sentiam um pelo outro. Matteo bateu a porta, trancando-a com dedos trêmulos, pressionando-lhe o corpo contra a parede. O vestido de Alessia era longo, com uma abertura generosa na lateral, revelando pernas bronzeadas e bem torneadas. Ele erguera-lhe uma perna ao redor de seu quadril, acomodando sua ereção contra a suavidade dela. Não foi o bastante. Nunca seria o bastante. Matteo parou num sinal vermelho, a impaciência corroendo-o. Desejo, como só conhecera uma vez, era como uma fera em seu interior, devorando, consumindo. Finalmente, Alessia estava nua, os seios pressionados contra seu peito. Ele precisava tê-la. Seu corpo inteiro tremia com luxúria. — Pronta para mim, cara mia? — Sempre para você. Ele deslizou dentro do corpo apertado, muito mais apertado do que esperara, do que já experimentara. Ela gemeu baixinho, as unhas enterrando em sua carne, não devido ao prazer agora. Uma virgem Sua. Somente sua. Exceto que Alessia não tinha sido sua. Aquilo fora uma mentira. Na manhã 10


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates seguinte, ela sumira. E quando ele retornara para a Sicília, ela estivera lá. Matteo havia sido convidado para uma festa da família, mas não percebera que toda a família Corretti estaria presente. Não percebera que era uma festa de noivado. Para Alessandro e Alessia. Uma festa para celebrar o fim de uma rixa, o começo de uma parceria entre os Battaglia e os Corretti, uma chance de revitalizar a área do cais em Palermo e fortalecer a corporação da família. — Há quanto tempo você e Alessia estão noivos? — ele perguntou para seu primo Alessandro, mesmo enquanto seus olhos estavam fixos nela. — Há um tempo. Mas nós queríamos esperar para fazer o grande anúncio depois que todos os detalhes fossem finalizados. — Entendo. E quando será o evento abençoado? — Em um mês. Não há motivo para esperar. Alguma da velha raiva misturou-se ao desejo que o envolvera. Alessia estivera noiva de Alessandro quando Matteo a levara para sua cama. Ela pretendera, desde o começo, casar-se com outro homem, na noite que se entregara a ele. E Matteo tinha sido forçado a vê-la pendurada no braço de seu primo durante o último mês, enquanto seu sangue fervia em agonia, enquanto via seu maior rival com a pessoa que ele queria mais do que queria respirar. A pessoa que sempre quisera, mas nunca recebera permissão de ter. Ver os dois juntos instigara violência em Matteo. Ele quisera cortar as mãos de Alessandro e mostrar a ele o que acontecia quando um homem tocava o que lhe pertencia. Mesmo agora, o pensamento lhe causava uma onda de náusea. O que Alessia fazia com ele? Despertando essa paixão possessiva, que ameaçava o consumir? E Matteo era um homem racional que abraçava os fatos, o dever e a honra. Quando não fazia isso, quando se entregava às emoções, o perigo era grande demais. Ele era um Corretti, feito do mesmo material de seu pai e avô, um material tecido com ganância, violência e paixão por adquirir mais dinheiro, mais poder do que qualquer homem pudesse necessitar. Mesmo com lógica, ele justificara ações que deixariam a maioria dos homens horrorizados. Detestava pensar no que poderia acontecer se seu controle fosse afrouxado. Então, fugia de paixão, em todas as áreas de sua vida. Exceto em uma. Ele saiu da estrada e pisou no breque, desligando o motor, seus dedos apertando o volante, sua respiração acelerada. 11


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Este não era ele. Não conhecia a si mesmo com Alessia nem nunca se conhecera. E nada de bom poderia resultar daquilo. Passara a vida tentando mudar o homem que parecia destinado a ser. Tentando manter controle, levar a vida para uma direção diferente daquela para qual seu pai o impulsionara. Alessia testara isso. Matteo passou uma mão pelo cabelo, tentando recuperar o fôlego. Então ligou o motor novamente. E virou o carro, indo na direção contrária do aeroporto, para longe da cidade. Apertou um botão em seu painel e conectou-se com sua assistente particular. — Lucia? — Si? — Não me passe ligações até segunda ordem

Fazia três horas. Sem dúvida, a única razão pela qual seu pai e os homens dele não tinham aparecido no aeroporto era porque não podiam acreditar que ela faria alguma coisa tão audaciosa e fugiria, completamente. Alessia se moveu na cadeira de plástico e limpou o rosto novamente, embora suas lágrimas tivessem secado. Tinha mais lágrimas para chorar. Era tudo que fizera desde que chegara. E chorara mais desde que ficara claro que Matteo não ia aparecer. E mais ainda quando, subitamente, precisava correr para o banheiro e vomitar. Então parara, apenas tempo suficiente para entrar numa das farmácias do aeroporto e comprar o que vinha evitando comprar pela última semana. Havia começado a chorar de novo ao ver o resultado positivo do exame de gravidez que fizera no banheiro do aeroporto. Agora, estava esgotada. E completamente sozinha. — Bem, não completamente sozinha. Ia ter um bebê, afinal de contas. O pensamento não a confortou, mas apenas aumentou sua sensação de solidão. Uma coisa era certa. Não havia volta para Alessandro. Não havia volta para sua família. Ia ter o bebê do homem errado. Um homem que claramente não a queria. Mas ele a quisera uma vez. O pensamento deixou-a furiosa. Sim, ele a quisera. Mais de uma vez, 12


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates provavelmente motivo pelo qual a gravidez acontecera. Porque eles haviam usado proteção todas as vezes na cama, mas também tinham tomado banho juntos pela manhã e nenhum dos dois fora capaz de pensar ou de gastar o tempo para ir buscar um preservativo. Uma voz soou no autofalante, a última chamada para seu voo com destino à Nova York. Alessia levantou-se, pegou sua bolsa, a única coisa que tinha consigo, e deu a passagem para o homem ao balcão. — Indo para Nova York? — perguntou ele, verificando. Ela respirou fundo. — Sim.

Capítulo 2 Ele nem sequer abrira os e-mails que ela lhe enviara. Alessia sabia, pois programara suas mensagens de modo que recebesse um aviso de quando o destinatário abrisse uma delas, mas nunca chegou nenhum Ele também não atendia às suas ligações. Não aos telefonemas para o escritório, não ao celular, nem às chamadas para Palazzolo Corretti ou para sua residência em Palermo. Matteo Corretti estava fazendo um excelente trabalho em ignorá-la e vinha fazendo isso há semanas agora, enquanto ela estava hospedada no apartamento de sua amiga, Carolina. Carolina, que organizara sua despedida de solteira, em Nova York, em primeiro lugar. O que significava que ela estava, de certa forma, em dívida com Alessia, uma vez que a tal festa era a fonte de seus problemas e de sua gravidez. Não, isso não era justo. A culpa era sua. Bem, uma boa parte desta, pelo menos. O resto era culpa de Matteo Corretti. Ela desejou que não precisasse dele, mas não sabia o que mais fazer. Estava tão cansada. Tão triste, o tempo inteiro. Seu pai também não atendia seus telefonemas. Seus irmãos, as pessoas mais preciosas em sua vida, estavam proibidos de falar com ela. Isso, mais do que qualquer coisa, ameaçava criar um buraco em sua alma. Sentia-se perdida sem eles por perto, que sempre tinham 13


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates lhe dado propósito, força e responsabilidade. Sem seus irmãos e irmãs, sentia-se em apuros. Havia uma opção, é claro. Terminar a gravidez e voltar para casa. Suplicar o perdão de seu pai e de Alessandro. Mas Alessia não seria capaz disso. Já perdera tanto na vida e, por mais apavorada que estivesse sobre o bebê, não suportaria perder a pequena vida em seu interior. Todavia, logo ficaria sem dinheiro. Então, estaria sozinha e pobre, enquanto Matteo Corretti gastava mais de sua fortuna em carros esportes e hotéis cinco estrelas. Ela não ia permitir mais isso. Não quando já decidira que, se ele não quisesse fazer parte da vida do bebê deles, teria de lhe dizer isso pessoalmente. Teria de parar na sua frente e negar o próprio filho, verbalmente, não apenas ignorando seus e-mails e mensagens. Sim, ela errara ao dormir com ele sem lhe contar sobre Alessandro. Mas isso não dava a Matteo o direito de negar o bebê deles, que não tinha nada a ver com sua estupidez. A criança em seu ventre era a única parte inocente na situação. Ela olhou para a tela de seu celular. Tinha sua conta on-line formatada para ajudá-la a contatar todos os veículos de notícias na área. Respirou fundo e começou a digitar: @theobserver @NYTnews @HBpress Eu estou prestes a fazer uma importante declaração referente a Matteo Corretti & o escândalo do casamento. Hotel Luxe. Então, ela saiu do táxi e andou para os degraus da frente do hotel mundialmente famoso de Matteo, onde rumores diziam que ele estava hospedado, embora ninguém confirmasse aquilo, e esperou. As calçadas estavam lotadas, pessoas empurrando umas às outras, andando de cabeça baixa, ninguém a olhando. Até que equipes da mídia começaram a aparecer. Jornalistas foram chegando sem parar, inclusive alguns que ela não incluíra em sua mensagem A pequena multidão atraía olhares, e transeuntes paravam para ver o que estava acontecendo. Todos tinham presumido que ela fugira com Matteo, mas nada podia estar mais longe da verdade. E Alessia estava prestes a dar uma boa dose da verdade para a mídia. Não levou muito tempo para que eles chamassem a atenção das pessoas de dentro do hotel, o que era uma parte chave de seu plano. Um homem bem vestido saiu do hotel, a expressão cautelosa. 14


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Posso ajudá-la em alguma coisa? Alessia voltou-se para ele. — Farei uma rápida declaração. Se você puder ir chamar Matteo, isso ajudaria. — Sr. Corretti não está hospedado aqui. — Como se eu acreditasse. Ele está aqui, mas não quer que ninguém saiba disso. Os repórteres observavam a troca com atenção, então começaram a fotografar. — Sr. Corretti não está... — Certo, então, se sr. Corretti não está, você pode ficar aqui fora e ouvir o que eu tenho a dizer, depois contar ao seu chefe, quando for levar o jantar no quarto dele. Ela virou-se para os repórteres, e, subitamente, a declaração que passara horas memorizando na noite anterior pareceu se quebrar em seu cérebro, tornando impossível juntar os pedaços, impossível dar sentido às palavras. Alessia engoliu em seco, olhando para a linha do horizonte, sua visão preenchida com concreto, vidro e aço. O barulho dos carros era ensurdecedor, o movimento do trânsito a sua frente fazendo sua cabeça girar. — Eu sei que tem se falado muito sobre o casamento. E que o fato de Matteo ter me seguido para fora da igreja está em todos os jornais. Bem, há mais que isso na história. Flashes a cegaram, gravadores cercaram seu rosto, perguntas foram gritadas. Alessia sentiu-se fraca e perguntou-se, não pela primeira vez, se estava completamente louca. Sua vida na Sicília tinha sido tranquila, doméstica, tão insular que ela dependera da imaginação para poder suportá-la, acreditando que alguma coisa maior pairava em seu futuro. E como resultado, tinha uma tendência para romantizar o grande gesto em sua mente. Para pensar que, por pior que fosse a situação, ela poderia consertá-la. Que, mais cedo ou mais tarde, conseguiria encontrar seu final feliz. Fizera isso na noite da festa de despedida de solteira. Nova York era tão diferente do pequeno vilarejo no qual ela crescera. Apenas estar lá parecera um sonho, portanto, quando fora confrontada com Matteo, tinha parecido uma coisa lógica abordá-lo, seguir o caminho que a atração mútua deles indicava. Aquele era um exemplo de sua tendência a fantasiar, a acreditar em finais felizes sobre bom senso. Este era outro. 15


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Mas apesar de ter planejado bem aquilo, não imaginara como se sentiria, parada ali, com todo o mundo observando-a. Não era o tipo de mulher acostumada a ter olhos sobre si, seu casamento abortado tendo sido a exceção. — Eu estou grávida, e Matteo Corretti é o pai do meu bebê. — Ela declarou a verdade e não o que havia planejado dizer. — Sr. Corretti... — falou o empregado ao celular, a complexão pálida — o senhor precisa vir aqui fora. Alessia exalou o ar que não soubera que estava prendendo. — Para quando é o bebê? — Você tem certeza de que ele é o pai? As perguntas estavam vindo rapidamente agora, mas ela não precisava responder a elas, porque aquilo não era sobre a imprensa. Era para chamar a atenção de Matteo. Para forçar um confronto que ele parecia contente em evitar. — Eu responderei mais perguntas quando Matteo vier fazer sua declaração. — Vocês dois saíram do casamento juntos? Ele negou paternidade? — perguntou um dos repórteres. — Eu... — O que está acontecendo? Alessia virou-se e sua respiração ficou presa na garganta. Matteo. Parecia uma eternidade desde que ela o vira pela última vez, desde que o beijara, o tocara. Ela ansiava por correr para ele, abraçá-lo, usá-lo como uma âncora. Em suas fantasias, Matteo sempre fora seu cavaleiro de armadura brilhante, uma visão simplista do homem que a salvara de um destino terrível. Mas, ao longo dos anos, as coisas tinham mudado, tornando-se mais complexas, mais reais. Ele era seu amante agora. O pai de seu filho. O homem para quem ela mentira. O homem que a deixara sentada sozinha num aeroporto, chorando e segurando um teste de gravidez positivo. — Sr. Corretti, foi por isso que você destruiu o casamento? — Eu não destruí o casamento de ninguém — retrucou ele irritado. — Não, eu fugi do casamento — disse Alessia. — E por que eu destruiria o casamento? — perguntou ele para o repórter, mas os olhos fixos nos dela. — O bebê — respondeu o repórter. Matteo congelou, o rosto parecendo se transformar em pedra. — O bebê. — Ele empalideceu, revelando o choque que sentia. Ele não sabia. Alessia sentiu o impacto dessa realidade como um golpe físico. Ele não ouvira uma única mensagem de voz, não abrira um único e-mail. 16


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Há mais de um? — perguntou outro repórter. — É claro que não — replicou Matteo, os olhos frios como granito. — Apenas este. Ele aproximou-se, parando do lado dela, ainda evitando a olhar. Pôs um braço ao redor de sua cintura, o súbito contato inundando-a de calor. Como ele ainda conseguia afetá-la assim? Depois do jeito que a tratara? — Você tem uma declaração a fazer? — Não neste momento — disse ele. — Mas quando os detalhes do casamento forem finalizados, nós entraremos em contato. Matteo virou-a de costas para os repórteres, conduzindo-o escada acima e para dentro do hotel. Ela se sentiu como se estivesse sendo levada para a jaula do leão. — O que você está fazendo, Matteo? — Tirando-a do circo que você armou. Eu não quero discutir isso com uma audiência. Se ele não estivesse tão zangado, Alessia podia ter pensado que aquela era uma boa ideia. Mas a ira de Matteo Corretti era como água fria num mar negro. Insondável, com a grande ameaça de puxá-la para baixo das ondas. A mão dele apertava mais sua cintura com cada passo em direção ao hotel, o estômago de Alessia começou a enjoar cada vez mais, até que quando eles passaram pelas portas giratórias e entraram no saguão, ela temeu que fosse vomitar no piso de mármore brilhante. Uma foto charmosa para acompanhar as manchetes. Ele a liberou então. — O que significa tudo isso? — Podemos ir para algum lugar mais privado? — perguntou ela. De súbito, sentia que preferia enfrentar a raiva dele a fazer uma cena. Estava tão cansada. Tão vulnerável. Reunir a imprensa não para chamar atenção para si mesma, mas sim para informar a Matteo o que ele não podia ignorar. Não dar ao homem desculpa para ele dizer que não sabia. — Diz a mulher que pediu uma conferência de imprensa. — Você não atendeu os meus telefonemas. Ou retornou as minhas mensagens. E tenho quase certeza de que nem mesmo ouviu nenhuma delas. — Eu estava viajando — disse ele. — Bem, não é culpa minha se você escolheu este momento para tirar férias. E eu não tinha como saber. — Ela suspirou. — Leve-me para sua suíte. — Não estou no clima, Alessia. 17


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Nem eu! — retrucou ela. — Quero conversar. — É só que, da última vez que estivemos aqui, nós não conversamos muito. Alessia enrubesceu. — Verdade. Por isso nós estamos nesta situação. — Parece que não nos comunicamos tão bem — disse ele. — Nossa falta de conversa na última vez que estivemos aqui certamente nos causou problemas. — Mas eu quero conversar agora. — Ela cruzou os braços. Ele inclinou a cabeça para o lado, olhos escuros fixos nela. — Você não está com medo de mim. — Não. — Um erro, alguns diriam, cara mia. — Verdade? — Você não vai gostar de mim quando estou zangado. — Você fica verde e rasga a calça? — Talvez ter essa conversa em algum lugar privado seja uma boa ideia — murmurou ele, segurando-lhe o braço e conduzindo-a em direção ao elevador. Ele apertou o botão e eles esperaram Alessia sentia como se estivesse sonhando, mas enterrou as unhas nas palmas e nada a sua volta mudou. Era real. Tudo aquilo. Quando o elevador chegou, eles entraram. Assim que as portas se fecharam, Matteo perguntou: — Você está grávida? — Sim Eu tentei lhe contar num lugar menos público, mas faz dois meses e foi impossível contatá-lo. — Não por acaso. — Ah, não, eu sei. Foi muito proposital. Você nunca abriu meus e-mails. — Eu bloqueei seu endereço, depois que você enviou os primeiros. — Uh! — murmurou ela, incapaz de emitir um som mais eloquente. — Vejo que isso a ofende. — Sim, me ofende. Não lhe ocorreu que eu poderia ter alguma coisa importante para lhe dizer? — Eu não me importei — replicou ele. O elevador parou no último piso e as portas se abriram — Vai adiantar eu ir mais longe, então? Ou eu deveria voltar para o apartamento de minha amiga Carolina e organizar um chá de bebê? — Você não vai embora. — Mas você acabou de falar que não se importou. — Eu não me importei até descobrir que você estava carregando meu filho. 18


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Ela ficou tanto atônita quanto satisfeita pela certeza de Matteo que o filho era dele. Não poderia tê-lo culpado se ele questionasse aquilo. Ela mentira sobre seu noivado com Alessandro. Por omissão, pelo menos. — Por que achou que eu estava tentando contatá-lo? Para lhe implorar que você me aceitasse de volta? Para suplicar por mais sexo? Porque foi isso o que compartilhamos naquela noite, apenas isso. — A mentira tinha o gosto ácido em sua língua. — Eu dificilmente teria me humilhado tanto apenas por outro orgasmo. — Verdade? Você não seria a primeira pessoa a fazer isso. — Se está falando de você, tenho certeza de que lhe custou muito caro levar uma Battaglia para cama. — Nem valeu o preço no final, eu acho. As palavras dele era designadas a ferir e atingiram seu objetivo. — Eu diria o mesmo. — Agora, eu entendo por que você fugiu do casamento. Uma onda de confusão a envolveu, e Alessia levou um momento para perceber que ela não explicara a ordem da ocorrência dos eventos. Primeiro a fuga do casamento, depois o teste de gravidez, mas antes que pudesse corrigi-lo, Matteo continuou: — E quão convenientemente você fez esse jogo também. Alessandro saberia, é claro, que o bebê não era dele, uma vez que vocês nunca dormiram juntos. Espero que esteja satisfeita pela maneira como tudo isso se desenrolou, porque você conseguiu assegurar que ainda pode se casar com um Corretti, apesar de seu pequeno erro. Uma boa garantia para sua família, uma vez que, graças à sua fuga da igreja, o acordo entre a nossa família e a sua foi para os ares. — Você acha que eu planejei isso? Nem mesmo está falando sério sobre se casar comigo, está? — Não há outra escolha. Você anunciou sua gravidez para o mundo inteiro. — Eu tinha de lhe contar. — E se eu tivesse escolhido não fazer parte da vida do bebê? — Eu ia obrigá-lo e me dizer isso pessoalmente. Ele a estudou. — Estranho pensar que eu já imaginei que você fosse terna, Alessia. — Eu sou uma Battaglia. Nunca tive o luxo de ser terna. — Claramente não. — Matteo a olhou com dureza. — Casamento faz sentido, Alessia. — O tom agora era de um homem de negócios. — Acabará com os rumores e unirá as famílias. 19


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Você não pareceu se importar com isso, antes. — Isso foi antes do bebê. O bebê muda tudo. Porque ele queria formar uma família? A ideia, tão tola e esperançosa, brotou dentro dela. Encontrar sempre esperança em qualquer situação era sua benção e sua maldição. Era a esperança que a movia. Que a ajudara a sobreviver à perda de sua mãe, ao distanciamento de seu pai. A esperança que a ajudara a cuidar de seus irmãos, quando outras garotas de sua idade estavam namorando, se divertindo, realizando sonhos. Ela criara seus próprios sonhos. Trancara-os em seu interior. Nutrira-os. — Muda? — perguntou Alessia num sussurro. — É claro. — Os olhos escuros de Matteo brilharam — Meu filho será um Corretti. Quanto a isso, não existe acordo possível.

Capítulo 3 As palavras de Matteo ecoaram em sua cabeça. Meu filho será um Corretti. Quanto a isso, não existe acordo possível. Era verdade. Nenhum filho seu seria criado como um Battaglia. Os Battaglia tinham armado para destruir seu avô e se tivessem conseguido teriam acabado com toda a linhagem Foi a mágoa no rosto dela que o surpreendeu, e sua resposta a isso mais ainda. Maldita Alessia Battaglia e aqueles olhos escuros comoventes! Olhos que o tinham levado à ruína em mais de uma ocasião. — Porque você não permitirá que seu filho carregue meu nome? — perguntou ela. — Isso mesmo. — E quanto ao meu papel em criar meu filho? — Você estará presente, é claro. — E o que mais? Porque mais do que mera presença, é requerido que uma mãe crie uma criança. — Babás também são requeridas, em minha experiência. — Em sua experiência criando filhos ou sendo criado? 20


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Sendo criado. Eu sou muito responsável em meus encontros sexuais, portanto nunca estive nesta situação antes. — Muito responsável? — perguntou ela, as faces corando. — É assim que você chama fazer sexo com a noiva de seu primo sem preservativo? As palavras dela, tão diretas e zangadas, o chocaram. Alessia sempre lhe parecera frágil. Doce. Mas vendo-a hoje, teve de reconhecer que ela também era uma mulher capaz de ser altamente implacável quando a situação exigia. Algo que ele, relutantemente, respeitava. — Eu não sabia que você estava noiva, uma vez que não me contou. Quanto ao outro problema, isso nunca me aconteceu antes. — Assim você diz. — Não aconteceu. — Bem, não que você parecesse muito consciente disso na ocasião. Matteo sentiu-se envergonhado. — Eu soube. Depois. — Você lembrou e ainda assim não pensou em me contatar? — Eu não achei que fosse possível. — O pensamento não lhe ocorrera, porque ele estivera muito ocupado tentando evitá-la. Alessia não era boa para ele, uma conclusão a qual Matteo chegara anos atrás e reafirmara no dia que decidira não ir atrás dela. E agora estava unido a ela. Unido a uma mulher que mexia muito com seu interior. Que perturbava seu controle. Ele não poderia arriscar perder o controle. — Por quê? Porque somente outras pessoas têm o tipo de sexo que faz bebês? — Você sempre fala o que vem a sua cabeça? — Não. Nunca. Eu nunca falo ou ajo impulsivamente. Você parece despertar isso em mim. — Eu não tenho sorte? — O fato de que o que existia entre os dois não abalava apenas sua existência bem ordenada, mas também a dela, não era um conforto. — Claramente, nenhum de nós está em posse de muita sorte, Alessia. — Claramente — concordou ela. — Eu não permitirei que filho meu seja um bastardo. Vi o que acontece com bastardos. Pode questionar meu primo Angelo sobre isso. — Um primo que se tornara problema seu. Era parte do motivo pelo qual Matteo tinha ido a Nova York. Em sua ausência, Angelo comprara uma grande quantidade de ações das Empresas Corretti e neste exato momento estava sentado no escritório de Matteo, o novo chefe dos Hotéis Corretti. Ele estivera prestes a voltar e a fazer o 21


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates outro homem pagar. Recuperar o poder. Agora, parecia que havia assuntos mais urgentes. — Então, você está fazendo isso para salvar sua honra? — Por que outro motivo? Você quer que nosso filho seja desgraçado? O produto de um caso ilícito entre duas famílias sicilianas guerreando? — Não. Matteo tentou não ler a emoção nos olhos escuros, tentou não se sentir tocado. Sempre, desde o momento em que a vira, sentira-se fascinado. Uma jovem garota com flores no cabelo, correndo no jardim da casa do pai, um sorriso nos lábios. Podia lembrar-se de Alessia dançando na grama, descalça, enquanto os irmãos brincavam ao redor. E ele ficara hipnotizado. Impressionado com a garota que, pelo que todos diziam, devia ser visivelmente má, de alguma maneira. Mas ela era luz. Possuía um brilho e uma alegria que ele nunca vira. Estar perto, observando-a, ajudara Matteo a fingir que aquilo era algo que ele também podia sentir. Ela não o deixava com medo de sentir. Alessia mexera com ele desde o primeiro dia. Ela era uma feiticeira. Não havia outra explicação. O sentimento que ela lhe despertava desafiava a lógica, desafiava todas as defesas que ele construíra em seu interior. E sempre podia lê-la. Facilmente. Ela estava magoada. Ele a magoara. — O que foi? — perguntou ele. Ela desviou o olhar. — Como assim? — Por que você está magoada? — Você acabou de me dizer como somos azarados por eu estar grávida... eu deveria estar feliz? — Não me diga que está feliz sobre isso. A menos que tenha sido seu plano. — Como eu poderia ter planejado isso? Não faz o menor sentido. Matteo passou a mão pelo cabelo. Então suspirou. — Eu sei. Che cavolo, Alessia, eu sei disso. — Eu só queria lhe contar sobre o bebê. Matteo sentiu-se sufocando. Um bebê. Ela ia ter seu bebê. E ele era o último homem na face da Terra que deveria ser pai. Deveria ir embora. Mas não podia. — E este era o único jeito? Os olhos dela brilharam com raiva. — Você sabe muito bem que era! Ele sabia. Evitara todas as tentativas de Alessia de contatá-lo. Permitira que 22


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates sua raiva alimentasse a necessidade de distância entre eles. Permitira que a existência da emoção servisse como um lembrete. E não adiantara nada. Porque agora Alessia estava lá, ameaçando seu controle. — Por que você não me encontrou no aeroporto? — sussurrou ela. — Por quê? — Matteo cerrou os dentes. — Esperava que eu a seguisse como um cachorrinho? Se você acha que pode me ter aos seus pés tão facilmente, Alessia, é uma tola. — E se você acha que eu estou tentando isso é um idiota, Matteo Corretti. Não quero você numa coleira. — Bem, você me tem em uma! — Ele gritou pela primeira vez, seu controle escorregando. — O que eu vou fazer, depois de sua exibição pública? Negar meu filho ou filha? Mandá-la embora sozinha? Altamente improvável. — Como podemos nos casar? Nós não nos amamos. Mal nos gostamos, no momento! — Isso é tão ruim? Você estava disposta a se casar com Alessandro, afinal de contas. E ambos sabemos que você me conhece muito melhor do que o conhecia. — Pare com isso — disse ela, a voz trêmula causando uma onda de culpa em Matteo. Por que ele estava compelido a atacá-la, não sabia. Exceto que nada com Alessia era simples. Nada com ela era controlado. Tinha de ser. — Mas isso é verdade, não é, Alessia? — perguntou ele, o corpo inteiro tenso agora. Sabia, por um fato, que tinha sido o primeiro homem de Alessia e queria saber que tinha sido o único. Que Alessandro nunca a tocara. — Você nunca esteve com ele. Não como esteve comigo. A ideia das mãos de seu primo em Alessia fez Matteo tremer de raiva. Ele engoliu em seco, lutou contra as imagens que estavam sempre tão perto da superfície no que dizia respeito a Alessia. Uma memória da qual não conseguia se livrar. Sangue. Escorrendo para seus cotovelos, a pele das juntas de seus dedos rompida. Uma fera libertada em seu interior. E os agressores de Alessia no chão, imóveis. Ele piscou e reprimiu a lembrança. Uma lembrança que não deveria ser tão persistente. Aquele era um momento de violência numa vida inteira de violência. Entretanto, tinha sido diferente. Tinha sido um ato nascido da paixão, fora de seu controle, fora do pensamento racional. — Conte-me — disse ele. — Você honestamente acha que eu dormi com Alessandro depois do que 23


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates aconteceu? — Você ia se casar com ele. Compartilhar a cama dele. Ela assentiu. — Sim, eu ia. — E então, descobriu sobre o bebê? — Não — respondeu Alessia num sussurro. — Então, o que houve? — Então, eu vi você. — Culpa? — Nós estávamos numa igreja. — Compreensível. — Por que você não me encontrou? — perguntou ela, novamente. — Porque — começou Matteo, visões de sangue em sua mente ainda o lembrando do que acontecia quando ele deixava suas paixões assumirem controle — eu obtive tudo que queria de você naquela noite. Sexo. Era tudo que eu sempre quis de você, querida. Alessia afastou-se como se ele a tivesse golpeado. — Era por isso que você sempre me observava? — Admito... eu era um pouco obcecado pelo seu corpo, mas você também era pelo meu. — Eu gostava de você — disse ela. — Mas você nunca se aproximou de mim depois... — Não há necessidade de desenterrar o passado — interrompeu Matteo, não querendo ouvi-la falar daquele dia. Não queria ouvir o lado dela da história. Quão terrível devia ter sido para uma garota de 14 anos presenciar tanta violência. Ver do que ele era capaz. Todavia, Alessia nunca o olhara com o choque, o horror que ele merecera. Na verdade, ela o olhava como se houvesse alguma coisa nele que ninguém mais via. Alguma coisa boa. E Matteo ansiava por esse sentimento. Era uma das razões pelas quais tinha aceitado o convite dela no bar do hotel naquela noite. Tarde demais, percebeu que ele também não estava no controle do encontro deles naquela noite. Não, Alessia roubava o controle. Sempre. Não mais, disse a si mesmo, novamente. Alessia engoliu as lágrimas. Isso não estava saindo como ela pensara. Parte sua, a parte infantil e otimista, imaginara que os olhos de Matteo se suavizariam. Que ele sorriria. Tocaria sua barriga, alegrando-se porque eles haviam criado uma vida juntos. E então, eles viveriam felizes para sempre. 24


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Era tão tola. Mas Matteo era o cavaleiro em armadura brilhante de suas fantasias por tanto tempo. Então, em sua mente, ele não podia fazer nada errado. Alessia sempre sentira como se o conhecesse. Como se entendesse o jovem sério de olhos escuros que costumava observá-la quando ela estava em Palermo. Que subia no muro da casa dela, quando Alessia estava visitando a avó, e ficava lá enquanto ela brincava no jardim. Sempre parecendo querer participar da brincadeira, mas não se permitindo. E então... quando ela mais precisara dele, Matteo estivera lá. Salvando-a do... Alessia mal sabia de que horror ele a salvara. Graças a Deus, não descobrira o que, exatamente, aqueles dois homens tinham pretendido fazer com ela. Matteo estivera lá. Como sempre. E a protegera. Por isso, quando ela estivera em Nova York, havia sido tão fácil, tão natural, beijá-lo. Pedir que ele fizesse amor com ela. Mas depois disso, ele não fora salvá-la. Alessia o estudou agora, os olhos escuros no rosto rígido como pedra. E ele parecia um estranho. Ela perguntou-se como podia ter se enganado durante todo aquele tempo. — Eu não quero desenterrar o passado. Mas quero saber que o futuro não será de sofrimento. — Se você preferia Alessandro, deveria ter se casado com ele, enquanto ele estava no altar, com um padre esperando. Agora, você me pertence. A escolha foi feita. Então, aproveite isso ao máximo. — Pare de ser tão imbecil! Agora ele parecia chocado, o que, pensou ela, era uma realização e tanto. — Você quer que eu diga o quanto estou feliz? Quer que eu minta? — Não, Matteo. Mas pare... pare de tentar me ferir. Ele praguejou. — Desculpe-me, Alessia, esta não é minha intenção. O pedido de desculpas foi o evento mais chocante da tarde. — Eu... sei que isso é inesperado. Acredite, eu sei. — Quando você descobriu? — perguntou ele. — No aeroporto. — E o que você fez, depois disso? — Esperei você — replicou ela. — Então entrei num avião e vim para Nova York. Tenho uma amiga aqui, a amiga que deu a minha despedida de solteira. — Por que você veio para Nova York? — Por que não? — falou ela como se tivesse sido por acaso. Mas não tinha. 25


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Nova York a fizera se sentir mais perto de Matteo, porque era o lugar onde ela finalmente estivera com ele, do jeito que sempre sonhara. — Por que você veio para Nova York? — Provavelmente pela mesma razão que você — replicou Matteo, mas ela não pediu esclarecimento. Não queria ter a esperança que a decisão tivesse alguma coisa a ver com ela. Alessia estava muito sensível para aguentar mais insultos de Matteo. E estava ainda com mais medo da ternura dele, que a desmoronaria por completo. O que não podia acontecer, não agora. Agora, precisava descobrir o que ia fazer. O que queria. Poderia realmente casar-se com Matteo? Aquilo se aproximava de sua maior fantasia. Aquela que a mantivera acordada por longas noites desde que era adolescente. Matteo. Seu. Somente seu. Uma fantasia tão inocente no começo e que, conforme Alessia ficara mais velha, fora preenchida com calor e paixão, um desejo por coisas que ela nunca experimentara fora de seus sonhos. — E se... nós nos casarmos, minha família ainda se beneficiará da fusão? — Seu pai receberá o dinheiro. A parte dele do império Corretti, como combinado. — Você entrega tudo tão facilmente. — Porque minha família ainda precisa da revitalização do cais. E seu pai tem a chave para isso. — E isso vai beneficiar Alessandro também. — Assim como teria me beneficiado se ele tivesse se casado com você. Ouvi-lo dizer que ele teria se beneficiado se ela tivesse se casado com outra pessoa revoltou-a. — Então, os Corretti saem ganhando de qualquer forma, certo? — Suponho que sim — disse ele. Havia um brilho cruel nos olhos de Matteo, agora. Um que ele nunca lhe dirigira antes. E que Alessia só vira numa outra ocasião. — E se eu negar? — questionou ela, porque precisava saber. Não tinha certeza por que estava explorando suas opções agora. Talvez, porque já tivesse estragado tudo. Seu pai provavelmente a detestava... Seus irmãos... eles deviam estar preocupados. E imaginou se alguém estava cuidando deles propriamente. A mais nova, Eva, tinha 14 anos, e os outros estavam no fim da adolescência, mas Alessia era a única pessoa que cuidava deles. A única pessoa que sempre cuidara. 26


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates A vida que sempre conhecera, a vida que vinha levando nos últimos 27 anos, mudaria para sempre. E agora, sentia-se compelida a questionar suas escolhas. — Você não vai negar — disse Matteo. — Não vou? — Não. Porque se negar, os Battaglia vão falir. Você e a criança serão sustentadas, é claro. Eu não sou o tipo de homem que abandona responsabilidades. Mas e quanto aos seus irmãos? O sustento deles não será problema meu. — E se eu me casar com você? — Eles serão família. E eu cuido da família. Alegria e terror a preencheram em medidas iguais. Porque, de certa forma, estava conseguindo o que queria. Matteo. Para sempre. Mas este não era o Matteo com quem ela tecera fantasias. Este era o Matteo real. Frio. Amargo. Insensível de um jeito que ela nunca percebera antes. Ele lhe dera paixão na noite dos dois, juntos, mas, na maior parte do tempo, as luzes tinham ficado apagadas. Ela imaginou se, enquanto aquelas mãos moviam-se pelo seu corpo com tanta habilidade e calor, os olhos dele estavam vazios e frios. Como agora. Alessia sabia que, ao aceitar aquele casamento, não estaria concordando com a fantasia. Mas era a melhor escolha para o bebê, a melhor escolha para sua família. E, tola como era, ela o queria. Ainda. Todos esses fatos combinados significavam que só havia uma resposta possível. — Sim, Matteo. Eu me casarei com você.

Capítulo 4 O silêncio no saguão do hotel de Matteo em Palermo era pesado, a falta de som mais pronunciada e óbvia do que qualquer grito poderia ter sido. Era cedo, e os empregados estavam andando por ali, preparando as coisas para um casamento e organizando a divisão de quartos e hóspedes. Quando Matteo entrou, grupos se separaram, abrindo espaço para que ele passasse. 27


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Ótimo. Ele não estava no humor de ser confrontado hoje. A luz do sol se infiltrava pelas janelas, refletindo um mar azul. Uma visão que a maioria acharia relaxante. Para ele, aquilo apenas aumentava o nó de tensão em seu estômago. Ir para casa nunca lhe trazia uma sensação de conforto e de pertencer. Para ele, era um cenário de violência, dor e vergonha. Cerrou os dentes e lutou por controle, reprimindo a raiva, que parecia estar sempre presente agora. Ele tinha a impressão, todavia, de que o choque se devia pouco a sua presença e muito mais à mulher que o seguia. Apertou o botão do elevador e as portas se abriram Olhou para Alessia, que ficou parada ali, olhando ao redor. — Entre, cara mia. — Ele pôs as mãos entre as portas, impedindo-as de fechar e gesticulando para que ela o precedesse. — Você não exige que uma esposa ande três passos atrás de você, sempre? — questionou ela em desafio. — Uma mulher tem pouco uso para mim, quando ela está atrás. Curvar-se diante de mim é outra questão, como você sabe bem Alessia corou, mas não era somente de embaraço. Ele a irritara, como pretendera fazer. Não sabia por que queria puni-la. Apesar de zangada, ela não disse mais nada. Entrou no elevador, os olhos fixos no painel digital na parece. As portas se fecharam, e ela ainda não o olhou. — Se você me trouxe aqui para abusar de mim, talvez eu deva voltar para casa do meu pai e arriscar minhas chances com ele. — É isso que você chama de abuso? Não pareceu achar tão desagradável na noite que me deixou fazer isso. — Mas você não estava sendo um imbecil naquela noite. Se estivesse, eu o teria mandado para o inferno. — Teria mesmo, Alessia? De alguma forma, não acho que isso seja verdade. — Não? — Não. — Ele virou-se, pondo a palma aberta sobre a parede de mármore atrás dela, aproximando-se. Sentindo o aroma de lilases e sol. Ela era primavera, vida nova, esperança. Matteo afastou-se, reprimiu o sentimento. — Mostre o que você sabe. — Eu sei muito ao seu respeito. — Apenas porque nós dormimos juntos, você não sabe... — Você tem uma covinha na face direita. Não aparece toda vez que você sorri, somente quando realmente está sorrindo. Você dança sozinha ao sol, não 28


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates gosta de usar sapatos. Cuidou de cada arranhão nos joelhos de seus irmãos e irmãs. E toda vez que me vê, não pode evitar, fica me olhando fixamente. Eu a conheço, Alessia Battaglia. — Você me conheceu, Matteo. Conheceu uma criança. Eu não sou a mesma pessoa agora. — Então por que acabou na minha cama na noite de sua despedida de solteira? Os olhos de Alessia encontraram os seus pela primeira vez na manhã, pela primeira vez desde que seu avião particular tinha tocado o solo na Sicília. — Porque eu queria fazer uma escolha, Matteo. Todas as outras escolhas foram feitas por mim Eu queria... pelo menos decidir sobre quem seria meu primeiro amante. — Você não teve muito tempo para fazer essa escolha? — Quando? Com todo meu tempo livre? Passei a vida me certificando que meus irmãos recebessem os cuidados necessários, que eles não fossem recipiente da ira de meu pai. Passei a vida sendo a filha perfeita, a anfitriã para os eventos dele, sorrindo ao lado de meu pai, enquanto ele era reeleito para uma posição da qual abusa. — Por quê? — perguntou Matteo. — Por causa de meus irmãos. Porque, apesar de nosso pai ser um tirano, ele é nosso pai. Nós somos Battaglia. Tive a esperança... sempre esperei que eu pudesse fazer isso significar alguma coisa boa. Que pudesse me certificar de que meus irmãos aprendessem a fazer a coisa certa. Do contrário, eles teriam apenas a influência do meu pai como exemplo, e nós dois sabemos que Antonioni Battaglia não deveria ser exemplo para ninguém — E quanto a você? — O que sobre mim? As portas do elevador se abriram e eles saíram no corredor vazio da cobertura. — Você vive sua vida inteira em função de outras pessoas? Ela meneou a cabeça. — Não, eu vivo minha vida de um jeito que me permite dormir de noite. Abandonar meus irmãos e irmãs ao nosso pai teria me ferido. Então, não sou mártir. Faço isso porque eu os amo. — Mas você fugiu de seu casamento. Alessia não falou nada, apenas continuou andando ao longo do corredor. Matteo parou e observou-a, seus olhos passeando pelas lindas curvas, o traseiro em formato de coração, delineado tão perfeitamente pela saia justa. 29


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates O traje parecia ser da linha de roupas Corretti. Algo pelo que ele poderia ter de agradecer ao seu irmão Luca. Mas agradecer a ele apenas isso. Especialmente uma vez que os rumores diziam que, na sua ausência, o outro homem ficara tentado a tomar a parte de Matteo nos hotéis da família Corretti. Um caos total, uma vez que o cretino do Angelo já tinha suas mãos nisso, também Um caos que ele deveria ter antecipado. Ele abandonara as negociações com as Empresas Corretti desde o dia em que o casamento de Alessia e Alessandro fora abortado. E os abutres tinham entrado em ação. Matteo deveria tentar impedi-los, sabia disso. E poderia. Tinha seu próprio futuro, seu próprio poder, independentemente dos negócios Corretti, mas no momento, o assunto mais importante era a morena esbelta, que agora estava andando na direção errada. — A suíte é por aqui — disse ele. Ela parou, virou-se e começou a andar na sua direção, passando por ele e seguindo o corredor. Matteo quase riu diante da expressão arrogante no rosto dela. Mas então, passou por ela, pagou o cartão/chave da carteira, colocou-o contra o leitor. — Minha chave abre todas as portas. — Cuidado, caro, isso soa como um eufemismo ruim — Ela deu-lhe um olhar mortal, antes de entrar na suíte. — Tão espinhosa, Alessia. — Eu disse que você não me conhecia. — Então, ajude-me a conhecê-la. — Você primeiro, Matteo. Ele endireitou a coluna. — Eu sou Matteo Corretti, filho mais velho de Benito Corretti. Tenho certeza de que você sabe tudo sobre ele. Meu pai criminoso, que morreu num incêndio, trancado numa rivalidade infinita com o irmão, Carlo. Você deve saber sobre ele, também, uma vez que ia se casar com o filho de Carlo. Eu dirijo a parte de hotelaria da corporação de minha família e tenho minha própria rede de hotéis, num dos quais você está agora. Ela cruzou os braços. — Acho que li isso em sua biografia on-line. E não é nada que eu já não saiba. — É tudo que há para saber. Alessia não acreditou nisso. Nem por um momento. Sabia que havia muito mais em Matteo, porque vira aquilo. 30


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Vira a raiva cega, quando ele fizera tudo que estava em seu poder para protegê-la de um destino que ela não gostava de imaginar. Mas ele não falou sobre isso. Então, nem ela. — Conte-me sobre você — pediu ele. — Alessia Battaglia, signo de peixes, filha mais velha de Antonioni. Meu pai é um político que lida, clandestinamente, com famílias de crime-organizado. É o que o mantém no poder. Mas não o torna rico. É por isso que ele precisa dos Corretti. — Os Corretti não têm mais ligação com o crime organizado. Em relação a isso, meus primos, meus irmãos e eu fizemos coisas boas, independentemente de nossos sentimentos pessoais uns pelos outros. — Vocês podem não ser criminosos, mas são ricos. Por isso, são tão atraentes. Na opinião de minha família, pelo menos. — Atraentes o bastante para que seu pai negociasse a filha. Ela assentiu. Parecia subitamente cansada. Derrotada. Matteo não gostou disso. Preferia tê-la cuspindo veneno nele. — Você poderia ir embora, Alessia. Eu não posso mantê-la aqui. Seu pai não pode prendê-la. Você tem 27 anos e a liberdade para fazer o que quiser. Ora, poderia fazer isso a minha custa, uma vez que eu vou sustentar você e a criança, independentemente de sua decisão. Matteo não sabia por que estava dando tal saída a ela. Mas parte sua desejou que ela aceitasse. Que pegasse sua beleza, a tentação, e o deixasse em paz. Porque Alessia representava perigo para a proteção que ele construíra ao redor de sua vida. Ela não disse nada. Não se moveu. — Alessia, você tem a liberdade de sair por essa porta agora, se quiser. Ele aproximou-se, movido por alguma coisa que não entendia. Que não queria entender. A fera em seu interior estava agitava agora, e Matteo queria calá-la. Queria seu controle de volta. Ele ergueu-lhe o queixo, de modo que ela o fitasse. — Eu não estou prendendo você aqui. Não sou seu pai e nem seu carcereiro. Olhos escuros encontraram os seus. — Não, você não é. Mas é o pai do meu bebê. Nosso bebê. Eu não vou embora, Matteo. Se você quer escapar, terá de fazer isso por si mesmo. Eu sou forte o bastante para enfrentar a situação. Para tentar fazer isso dar certo. — Seria melhor se você fosse embora. — Você realmente pensa assim? 31


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Acha que eu serei um pai participativo? Que eu... serei uma influência na vida de nosso filho ou filha? — O mero pensamento lhe causava repulsa. O que ele poderia oferecer para uma criança, exceto um legado de violência e abuso? Mas não podia ir embora, também Não podia deixar Alessia sozinha. Todavia, temia que seu toque apenas envenenasse uma criança. Seu bebê seria inocente, e Matteo o seguraria com mãos manchadas de sangue? — Você acha que não será? — Como você pode dar o que nunca teve? — Eu mal me lembro da minha mãe, Matteo, mas fiz um bom trabalho com meus irmãos e irmãs. — Talvez, eu ache que a ausência de um dos pais não seja o mesmo que ter ambos os pais ruins. Que lições eu ensinarei para nosso filho, cara? O tipo de lição que meu pai me ensinou? Como encontrar um homem que lhe deve dinheiro? Como quebrar joelhos com eficiência, quando ele não paga? Acho que não. Ele pensara que ela ficaria chocada com isso, mas Alessia nem piscou. — Mais uma vez, você me subestima, Matteo. Esquece a família da qual eu venho. — Você é tão suave — murmurou ele, falando do coração. — Frágil. Como uma flor. Você e eu não somos iguais. Ela assentiu lentamente. — É fácil esmagar uma flor. Mas se for o tipo certo de flor, ela volta, todos os anos, após o inverno. Não importa quantas vezes você destrua a superfície, ela continua vivendo por baixo. Aquelas palavras enviaram uma onda de dor para o peito dele, a força de Alessia mexendo com alguma coisa em seu interior. — Não finja que você foi forçada a isso — disse ele. — Está tendo uma escolha. — E você está tendo a sua. Matteo assentiu e saiu do quarto, ignorando as batidas aceleradas em seu coração, o aperto em seu peito. Tentando banir a imagem de sua mão se fechando sobre uma flor e esmagando as pétalas, deixando-a completamente destruída. Alessia olhou ao redor da suíte luxuosa, no momento vazia, em que ela ficaria até... não sabia até quando. Passara semanas sem conseguir contatar Matteo, sem saber o que faria se não conseguisse, e agora ele estava subitamente em sua vida como um furacão, desenraizando tudo, tomando controle de tudo. 32


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Ela não deveria estar surpresa por isso. Uma coisa que sabia sobre Matteo Corretti era que ele era controlado. Completamente controlado. Duas vezes, ela o vira perder esse controle. Uma, num dia ensolarado na Sicília, enquanto estava na casa de fazenda dos avôs. O dia em que ele fora cimentado em sua mente como seu salvador. E na noite deles em Nova York. Não houvera controle então, para nenhum dos dois. Alessia visualizou como ele tinha sido na época. O jeito que ele a olhara na luz parca do bar. Ela fechou os olhos e estava de volta lá. A memória ainda tão forte, tão dolorosamente doce. — O QUE a traz a Nova York, Alessia? — Minha festa de despedida de solteira. — Você contratou strippers? Ela enrubesceu. — Deus, não, por quê? Você está se candidatando para a vaga? — Quanto você bebeu? — perguntou Matteo, um sorriso no rosto. Era tão raro o ver sorrir. Alessia não lembrava se já vira antes. — Não o bastante. — Eu posso resolver isso, mas gostaria de uma dança e, se você estiver muito bêbada, não conseguirá me acompanhar. — Por que você está falando comigo? — perguntou ela. Soubera que havia uma chance de ele estar lá. E, no fundo, torcera para que o encontrasse. — O que você quer dizer? — Você não fala comigo desde... Há muito tempo. — Tempo demais — concordou ele, com voz rouca. Uma onda de esperança preencheu o coração de Alessia. Ela tentou reprimir o sentimento, sem sucesso. — Então, dança comigo? — convidou Matteo. — Com um velho amigo? — Sim Ela deixou suas amigas à mesa delas e permitiu que Matteo a conduzisse para a pista de dança. Uma banda de jazz estava tocando, a música lenta e sensual. Ele circulou sua cintura e puxou-a contra seu corpo. Calor a inundou. Calor e desejo. Eles se entreolharam enquanto balançavam ao ritmo da música, e Alessia não foi capaz de reprimir à vontade de inclinar-se e beijar-lhe os lábios. A língua de Matteo tocou a ponta da sua, e um desejo voraz a preencheu, fazendo-a tremer. 33


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Ela afastou os lábios, entrelaçando os dedos no cabelo dele. Anos de fantasia adicionaram combustível ao momento. Matteo Corretti era sua grande fantasia. O homem cujo nome ela chamava dormindo. O homem que ela queria, mais do que qualquer coisa. E esta era sua última chance. Alessia aprofundou o beijo, seus movimentos desajeitados. Não sabia como fazer aquilo. Nunca fizera antes. Nunca vivera. Tinha passado a vida inteira no castello Battaglia, cuidando de seus irmãos, de sua família. Sua vida existia para conforto dos outros, e ela precisava de um momento, de uma noite, para fazer alguma coisa diferente. Alguma coisa para si mesma. Matteo afastou-se com um suspiro. — Nós não podemos fazer isso aqui. — Aparentemente não. — O fogo entre eles estava muito ardente, ameaçando sair de controle. — Eu tenho uma suíte. — Ele sorriu. — O hotel é meu. Ela riu, nervosa, ofegante. Flexionou os dedos, em que seu anel de noivado deveria estar. O anel de noivado que não pusera esta noite, enquanto se preparava para a festa. — Por favor. Apenas uma noite — disse ela. — Apenas uma, cara mia? — É tudo que eu tenho para dar. — Talvez, eu a faça mudar de ideia — murmurou ele, com voz rouca. Inclinou-se e beijou-lhe o pescoço, os dentes roçando em sua pele delicada. Sim. Ela queria gritar. Sim, para sempre. Matteo, amo você. Em vez disso, beijara-o novamente, pondo no beijo cada emoção, cada desejo não correspondido por tanto tempo. Cada sonho que nunca seria realizado. Porque Matteo podia ser seu esta noite, mas dentro de um mês, Alessia pertenceria a outro homem para sempre. — Leve-me para seu quarto. Alessia balançou a cabeça, voltando ao presente. Tudo fora tão perfeito naquela noite. Tinha sido a manhã seguinte que partira seu coração. A luz fria do dia, iluminando a verdade, não lhe permitindo continuar se escondendo atrás da fantasia. Podia lembrar-se do corpo másculo de Matteo, a pele bronzeada contrastando com os lençóis brancos. Deixá-lo arrasara Alessia. Quisera tanto beijá-lo de novo, mas não arriscara acordá-lo. Ela nunca se arrependera da noite que suas fantasias haviam se tornado 34


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates realidade. Pelo menos, não até recentemente. O jeito que Matteo a olhava agora... ela detestava. Detestava o fato de que ele a via como uma coleira. No entanto, era tarde demais para voltar atrás. A filha obediente se rebelara, e tal rebelião destruíra tudo em seu caminho. — Você não faz as coisas pela metade, faz, Alessia? — perguntou ela para o cômodo vazio. Previsivelmente, não obteve resposta.

Capítulo 5 — Você não pode simplesmente tomar o que é meu, sem pagar por isso, Corretti. Matteo olhou para Antonioni Battaglia e lutou contra uma onda de raiva. O homem não sabia com quem estava lidando. Matteo era um Corretti, a capacidade de cometer atos horríveis era parte de seu DNA. Mais do que isso Matteo já abraçara a violência antes. Tanto com precisão fria como no calor da ira. A tentação de fazer isso de novo era forte. Mas ele apenas se inclinou para frente e ajustou a estátua de vidro em miniatura que sua avó mandara fazer para ele. Um modelo perfeito de seu primeiro hotel. Não um dos hotéis Corretti, mas o primeiro que ele construíra com sua fortuna pessoal. — E a que você se refere, exatamente? — perguntou Matteo, recostando-se em sua cadeira do escritório. — Minha filha. Você a manchou. Ela é menos valiosa para mim agora, o que significa que você deve se casar com ela e cumprir o acordo que eu fiz com seu avô, ou os Corretti não farão qualquer tipo de negociação na Sicília. — Meu erro. Pensei que o corpo de Alessia pertencesse a ela, não a você. — Eu sou um homem antiquado. — A lei o impede de possuir qualquer pessoa, portanto Alessia não lhe pertence. — Ele cerrou os dentes, pensou nos irmãos de Alessia, em tudo que ela desistira para cuidar deles. — Todavia, a pedido de minha noiva, eu decidi honrar o acordo. — Matteo pausou. — O que seus outros filhos estão fazendo no 35


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates momento? — Eu arranjei emprego para os meninos na companhia da família. — É isso que eles querem? — Você tem de agarrar a oportunidade que aparece. — E se eu criasse uma oportunidade diferente? — perguntou Matteo. — Por que eu faria mais negócios com os Corretti do que o necessário? — Porque eu tenho sua fortuna em potencial na palma de minhas mãos. Não somente isso, mas serei o pai de seu primeiro neto. Principalmente porque é através de minha cortesia que você terá qualquer coisa. As faces de Antonioni ficaram vermelhas. Era óbvio que o velho homem não gostava de receber ordens. — Corretti, eu não tenho de dar a sua família direito de... — E eu não tenho de lhe dar coisa alguma. Sei que você está negociando com Angelo. E sabe como eu me sinto sobre Angelo, o que o coloca em minha lista negra. Mas talvez eu possa fazer vista grossa para tudo, se você agir como eu quero. Sugiro que tome atitudes para me deixar feliz. Envie seus filhos para faculdade. Eu vou pagar os cursos. — Isso não é necessário. Matteo pensou em Alessia, em como ela se sacrificara por eles. — Ouça-me, Battaglia, e lembre-se do que digo. Memorize. Se eu digo que é necessário, então é. Enquanto você atender as minhas demandas, manterá o estilo de vida com o qual se acostumou. O outro homem assentiu. — O dinheiro é seu, Corretti. — Sim, e sua vida agora depende do meu dinheiro. Acostume-se a isso. Se o pai de Alessia não tivesse agido como se a virgindade da filha fosse uma ferramenta de barganha, talvez Matteo não tivesse sentido tanto prazer em informar que o outro homem estava em suas mãos. — Eu paguei por um casamento — disse Battaglia. — Não pagarei por outro. — Acho que eu posso lidar com isso, também — Matteo pegou o hotel de vidro, girando-o na frente da luz. — Você está dispensado. Battaglia não gostou da ordem, mas obedeceu, deixando o escritório de Matteo sem outra palavra. Matteo apertou os dedos em volta da pequena representação de seu império, não parando até quebrar a estátua, enfiando um caco em sua palma. Olhou para baixo, vendo o sangue escorrer para seu pulso. Então colocou a miniatura de volta na mesa, examinando os pedaços quebrados. Impressionado 36


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates com como era fácil destruir aquilo com sua raiva. Tirou um lenço do bolso do paletó e enrolou o tecido na mão, pressionando, até que a seda branca se tornou vermelha. Era tão fácil deixar que emoções arruinassem coisas. Tão assustadoramente fácil. Ele cerrou os dentes, buscando controle novamente. Teria controle em todas as coisas. Alessia Battaglia não tinha permissão de lhe roubar isso. Não mais. Nunca mais. — Eu consegui uma licença de casamento, e nós vamos nos casar no meu palazzo. — Sua herança após a morte de seu pai. Um pedaço de sua infância que Matteo não tinha certeza se queria. Mas que possuía, de qualquer maneira. — Não na casa de sua família? — Eu não tenho utilidade para aquele lugar — replicou ele. — De qualquer forma, está tudo arranjado. Alessia levantou-se da cama, cruzando os braços sobre o peito. — Verdade? E o que eu devo usar? Como devo arrumar o cabelo? Você escreveu meus votos para que eu decore? — Eu não me importo. Quem se importa? E alguém já não escreveu os votos para casamentos centenas de anos atrás? Ela piscou, tentando processar a resposta rápida dele. — Eu... quero dizer, eu não preciso agir de acordo com alguma imagem que você está projetando, ou... algo assim? — Será um evento pequeno. Podemos oferecer uma foto para a imprensa como prova. Ou, talvez, eu apenas lhes envie uma cópia da licença de casamento. Quanto ao traje, use o que quiser. Eu nunca vi você de outra forma senão linda. O elogio, falado de modo tão casual, causou uma onda de prazer em Alessia. — Obrigada. — É a verdade. — Bem, obrigada novamente. Ela não sabia bem o que fazer, com a gentileza de Matteo ou com o fato de ele deixá-la escolher o que vestir no casamento. Uma coisa tão simples, porém era mais do que seu pai lhe dera no casamento com Alessandro. — Contanto que não tenha renda — disse ela. — O quê? 37


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — O vestido de noiva. — O seu último vestido era coberto em renda. — Por isso mesmo. Horrível. E eu não o escolhi. Não escolhi nada daquilo. — O que você teria escolhido? — Alguma coisa simples. Linda. E eu me casaria descalça, ao ar livre. Matteo passou uma mão pelo cabelo. — Então, nós nos casaremos no jardim do palácio, e você pode abrir mão dos sapatos. — Matteo abaixou a mão e ela viu um corte vermelho na palma dele. Franzindo o cenho, aproximou-se. — O que você fez? — O quê? — Ele virou a mão. — Nada. É apenas um corte. — Parece que você entrou numa briga. Matteo enrijeceu. — Eu não entro em brigas. — Não, eu sei. Eu estava brincando. — Tensão permeou o ar enquanto ambos tinham a mesma lembrança. Alessia sabia que ele estava pensando no dia que ela fora atacada. Mas queria saber o que Matteo lembrava, como lembrava, porque obviamente aquilo era algo que ele preferia ignorar. Não que ela adorasse pensar no episódio horrível... com aqueles homens asquerosos tocando-a, apalpando-a, mas no momento em que eles tinham sido arrancados dela, quando Alessia vira Matteo, o alívio fora tamanho, a sensação de paz absolta e a certeza de que tudo ficaria bem haviam tão reais, tão intensas que ela ainda podia senti-las. Ela o abraçara depois. E chorara. E ele alisara seu rosto com uma mão, secando suas lágrimas. Mais tarde, Alessia percebera que Matteo deixara uma mancha de sangue no seu rosto. Sangue da mão dele, que ele derramara por ela. Matteo tinha sido seu herói naquele dia, e todos os dias desde então. Alessia passara sua vida salvando outras pessoas, sendo mãe para seus irmãos, absorvendo a ira do pai, se eles faziam muito barulho. Sempre aquela que recebia o tapa no rosto, para não deixar que ele se aproximasse das crianças menores. Matteo era a única pessoa que a defendera na vida. A única pessoa que já a salvara. E, então, quando a vida se tornava dura ou assustadora, ela imaginava que ele voltaria. Que a puxaria para braços impossivelmente fortes e lutaria seus demônios por ela. Ele nunca voltara. Depois daquele dia, ele parara até mesmo de observá-la. Mas ter esperança, fantasiar, fazia parte de quem Alessia era. Imaginação sempre fora sua fuga, e ela adicionara uma textura mais rica a esta, dando um rosto para seus sonhos em relação ao futuro. 38


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Quando corria descalça no jardim, era alguém inteiramente diferente. Quando ia para cama à noite, lia até o sono chegar, de modo que tivesse pensamentos novos na cabeça, em vez de simples memórias do dia. De modo que tivesse sonhos melhores. Era provavelmente melhor que Matteo não soubesse que lugar ocupava em seus sonhos. Isso lhe daria muito poder. Mais do que ele já possuía. — Eu não sou como meu pai — disse ele. — Eu jamais baterei na minha esposa. Alessia o olhou e percebeu que nunca, nem por um momento, acreditara que ele fizesse isso. Seu próprio pai mantivera a mãe dela “na linha” com o dorso de sua mão e fizera o mesmo com Alessia. Mas mesmo tendo crescido com isso como uma ocorrência normal ela nunca imaginara que Matteo fosse capaz de tal coisa. — Eu sei — disse ela. — Sabe? — Sim — E como você sabe? — Porque você não é esse tipo de pessoa, Matteo. — Tanta confiança em mim Especialmente quando você é uma das poucas pessoas que já viu do que eu sou capaz. Ela vira. Vira a força bruta de Matteo aplicada naqueles que tinham ousado tentar machucá-la. Tinha sido a visão mais bem-vinda de toda sua vida. — Você me protegeu. — Eu fui longe demais. — Eles teriam ido mais longe — disse ela. Ele afastou-se um passo, a tristeza nos olhos escuros subitamente tão profunda que ameaçou a contagiar. — Eu tenho trabalho a fazer. Estarei no meu escritório do centro da cidade. Pedi que emitissem um cartão de crédito no seu nome. — Matteo tirou um cartão preto do bolso e estendeu-lhe. Alessia pegou-o, não pronta para discutir com ele sobre aquilo. — Se você precisar de qualquer coisa, é seu. — Ele virou-se, saiu do quarto e fechou a porta. Ela fizera a coisa errada novamente. Queria tanto fazer a coisa certa por ele. Mas parecia impossível. Alessia gemeu, o som liberando um pouco de sua tensão. Mas não o bastante. 39


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Matteo, por que você está sempre tão fora do meu alcance? ESTE ERA o dia do casamento de Alessia, pela segunda vez. Tecnicamente nunca tivera um namorado, pensou ela, enquanto subia o zíper nas costas de seu vestido. Era de um tecido leve, com mangas soltas, e uma saia que girava ao redor de seus tornozelos. Era cor de alfazema, em vez de branco. Ela era uma noiva grávida, afinal de contas. Não havia muitas pessoas presentes, mas Alessia preferia assim. Seu pai, seus irmãos e irmãs, a avó de Matteo, Teresa, e a mãe dele, Simona. Ela pegou o buquê de lilases que colhera do jardim e olhou-se no espelho. Sua maquiagem não estava nada parecida com a que a maquiadora aplicara no seu rosto no outro casamento, mas, pelo menos, hoje, Alessia parecia ela mesma. Abriu a porta do quarto de hóspedes e tentou controlar as batidas frenéticas do seu coração. Ia se casar com Matteo Corretti hoje. Num jardim ensolarado. Ia ter o bebê dele. Repetiu as palavras, diversas vezes, tentando torná-las reais, tentando agarrar-se aos bons sentimentos que elas lhe causavam Porque, por mais que a situação fosse assustadora, às vezes, também era maravilhosa. Uma chance de uma vida nova. Uma chance de ter um filho, dar a esta criança a vida que lhe fora negada. A vida que fora negada a Matteo. O piso de pedra era frio sob seus pés descalços, o palazzo vazio, todos esperando do lado de fora. Ela optara por abrir mãos dos sapatos, já que era assim que ele dizia que a conhecia. Descalça no jardim. Então Alessia o encontraria como Matteo se lembrava dela. Descalça no jardim, com o cabelo solto. Talvez eles pudessem recomeçar. Iriam se casar hoje, afinal de contas, e em sua mente isso significava que teriam de começar a tentar fazer o relacionamento dar certo. Alessia pôs as mãos no corrimão da escada de mármore, ainda repetindo seu mantra. Atravessou o grande foyer, decorado com móveis tradicionais e ornados, que não se pareciam nada com Matteo, e abriu a porta, saindo no sol. A música já estava tocando. Um quarteto de cordas. Ela esquecera-se de dizer que tipo de música queria, mas esta era perfeita, simples. E, apesar do que Matteo dissera, havia um fotógrafo. Mas tais detalhes desapareceram quando ela viu Matteo, parado perto do padre, o físico revelado à perfeição por um terno cinza impecável. Não havia corredor. Nem o barulho de mármore sob seus saltos, apenas grama sob seus pés. E os convidados estavam de pé, sem cadeiras. Seu pai parecia pronto para agarrá-la, se ela decidisse fugir. Eva, Giana, Pietro e Marco 40


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates pareciam preocupados, e ela não os culpava. Tinha sido a estabilidade deles desde sempre, uma mãe substituta. E não lhes contara que ia se casar com Alessandro por conveniência, o que significava que seu sumiço, seguido por sua reaparição com um noivo diferente e uma gravidez anunciada publicamente, devia parecer bastante bizarro para eles. Ela deu-lhes seu sorriso mais confiante. Este era seu papel. Mostrar-lhes que tudo estava bem, manter tudo em equilíbrio. Seus olhos foram atraídos para Matteo. Sua garganta secou, seu coração disparou. Mas quando ela o alcançou, ele não pegou sua mão. Mal a olhou. Em vez disso, olhou para o padre. As palavras da cerimônia eram tradicionais. Não havia nada pessoal sobre elas. Nada único. E Matteo não encontrou seus olhos uma única vez. Ela temeu que estivesse sozinha em sua resolução de fazer o relacionamento dar certo. De tornar as coisas felizes. Engoliu em seco. — Você pode beijar a noiva. As palavras que Alessia estivera antecipando e temendo. Ela fechou os olhos enquanto esperava. Podia sentir o calor de Matteo se aproximando, e então o roçar dos lábios nos seus era tão suave que ela pensou que pudesse ter imaginado aquilo. E então, nada mais. Alessia abriu os olhos, e Matteo já estava virando o rosto para a pequena audiência. Então, ele a puxou para mais perto, o braço circulando sua cintura. Mas não havia intimidade no gesto. Não havia calor. — Obrigado por terem testemunhado — disse Matteo tanto para seu pai como para sua avó. — Você fez uma coisa boa para a família, Matteo — murmurou Teresa, pondo a mão sobre a dele. E Alessia tentou imaginar o que a família dele estaria pensando sobre aquilo. Sabia que a mídia fizera suposições que eles tinham fugido juntos. Que pena que nada pudesse estar mais longe da verdade. Entretanto, o pai de Matteo, a família dele, devia pensar que aquela era a verdade. Porque agora eles estavam de volta na Sicília, ela estava grávida e eles estavam casados. — Talvez devêssemos entrar para um drinque? — sugeriu o pai dela. — Um bom plano, Battaglia, mas nós não falamos de negócios em casamentos. Simona despediu-se, dando dois beijos no rosto de Matteo e dizendo que 41


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates tinha uma festa na cidade. Matteo não pareceu se importar com o abandono da mãe. Simplesmente seguiu o pai de Alessia para dentro da casa. Ela observou-o entrar, sentindo um peso no coração. Teresa sorriu-lhe. — Vejo que o staff de Matteo achou alguns refrescos para nos servir. — A mulher mais velha virou-se e entrou na casa, também, deixando Alessia com seus irmãos. Foi Eva, emotiva em seus 14 anos, que se jogou nos braços de Alessia. — Para onde você foi? — Nova York — respondeu Alessia, acariciando o cabelo da irmã. — Por quê? — Eu precisava fugir... não podia me casar com Alessandro. — Então, por que você concordou com o noivado? — Isso veio de Marco, de 19 anos. — É complicado, Marco, assim como as coisas normalmente são com nosso pai. Você sabe disso. — Mas você queria se casar com Corretti? Esse Corretti, quero dizer? — perguntou Pietro, seu irmão de 16 anos. Ela assentiu. — É claro. — Não queria preocupá-los. — Eles vão ter um bebê — disse Giana. — Presumo que isso significa que ela gosta, pelo menos, um pouco dele. — Então, voltou-se para Alessia. — Eu estou tão excitada sobre ser tia. — Que bom — murmurou Alessia, brincando com a trança de sua irmã. Eles passaram o resto da tarde no jardim, comendo antepasto, bebendo vinho e limonada. Seus irmãos contaram suas aventuras mais recentes, e todos riram. E pela primeira vez em meses, Alessia se sentiu à vontade. Essa era a sua família, a sua felicidade. A razão pela qual concordara em se casar com Alessandro. E uma das razões atrás de sua decisão de se casar com Matteo. Embora não pudesse negar seu próprio desejo no que dizia respeito a ele. Todavia, feliz não era exatamente a palavra que ela usaria para se descrever no momento. Ansiedade, nervosismo, talvez combinasse mais com seu humor atual. O sol começava a baixar atrás das montanhas, envolvendo o jardim na luz acinzentada do crepúsculo. Seu pai apareceu na varanda, os braços cruzados, os olhos se fixando nos irmãos de Alessia. — Acho que temos de ir — disse Marco. — Eu sei. Voltem e passem um tempo hospedados comigo — convidou ela, 42


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates nem mesmo pensando em perguntar se Matteo concordava. Assim que o pensamento ocorreu-lhe, ela o reprimiu. Se ela estaria casada com o homem, então não pediria a permissão dele para respirar na casa que compartilhariam Seu pai era, sem dúvida, o chefe da casa, mas Alessia era o coração da mesma. Ela a administrava, decidia sobre as refeições, lembrava-se dos aniversários e ajudava com o trabalho doméstico. Seu papel na vida deles não acabava com o casamento, e ela não gostava da ideia de ter um papel passivo numa casa, de qualquer forma. Portanto, Matteo teria de se acostumar com isso. Alessia beijou seus irmãos e irmãs, antes de observá-los subir os degraus para onde o pai deles esperava. Todos, exceto Marco. Ela o abraçou por um tempo maior. — Cuide de todos — pediu Alessia, uma lágrima escapando e escorrendo por seu rosto. — Como você sempre cuidou — murmurou ele suavemente. — E eu continuo aqui. — Eu sei. Marco apertou-lhe a mão, antes de ir se juntar ao resto da família. — E eu também vou deixá-la — despediu-se Teresa. — Foi adorável vê-la novamente, minha querida. Teresa não piscara um olho diante da súbita mudança de noivo, parecendo não ter sido nem um pouco abalada pelos eventos. — Você gosta dele — disse ela, como se pudesse ler os pensamentos de Alessia. Alessia assentiu. — Eu gosto. — É disso que estes homens precisam, Alessia. De uma mulher forte para amá-los. Podem lutar contra a ideia, mas é disso que precisam — Teresa falou com sofrimento nos olhos, um sofrimento que Alessia sentiu ecoar em seu interior. Um nó se formou na garganta de Alessia, impedindo-a de falar. Tentava evitar a palavra que começava com A. Aquela que era mais forte que gostar. Então, apenas assentiu e observou Teresa andar de volta para a casa. Alessia ficou no jardim e esperou. O céu escureceu mais, as luzes artificiais se acenderam E Matteo não apareceu. Ela entrou na casa, subiu a escada. O palazzo estava completamente silencioso, as luzes internas apagadas. Voltou para o quarto de hóspedes, onde se arrumara antes. 43


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Sentou-se na beira da cama e esperou que seu marido chegasse para reivindicar sua noite de núpcias.

Capítulo 6 Matteo não ficava bêbado, como regra. Infelizmente, tinha uma tendência a quebrar regras quando qualquer coisa envolvesse Alessia Battaglia... ou era Alessia Corretti, agora? Nem mesmo depois da morte do pai ele ficara bêbado. Quisera ficar. Quisera incinerar as memórias, destruí-las como o fogo tinha destruído os depósitos, destruído o homem que influenciara tanto sua vida. Mas não bebera. Porque não merecera esse tipo de conforto. Esse tipo de esquecimento. Forçara-se a enfrentar aquilo. Isto... isto ele não podia enfrentar. Deu outro gole do uísque e deixou o líquido queimar sua garganta. Olhou para o copo e franziu o cenho. Então, pegou-o e jogou-o contra a parede, observando o vidro se estilhaçar. Agora, isso era satisfatório. Ele riu e levou a garrafa aos lábios. Dio, em seu estado atual, quase se sentia feliz. Por que não bebia mais? — Matteo? Ele virou-se e viu Alessia parada à porta. Alessia. Ele a queria. Mais do que queria respirar. Queria aquelas pernas longas ao redor de sua cintura, queria a voz rouca sussurrando obscenidades no seu ouvido. Não que Alessia já tivesse sussurrado obscenidades em seu ouvido, mas ele podia imaginar aquilo. — Venha aqui, esposa. — Matteo afastou-se do mar, seus movimentos instáveis. — Você está bêbado? — Eu deveria estar. Se não estiver... há alguma coisa errada com este uísque. Os olhos de Alessia estavam preenchidos com algum tipo de emoção que ele não conseguia decifrar. Não queria decifrar. 44


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Por que você está bêbado? — Porque eu estou bebendo. Álcool. Muito álcool. — Mas por quê? — Eu não sei. Talvez porque hoje eu tenha adquirido uma esposa e não a quisesse particularmente. — Obrigada. Estou tão feliz por ouvir isso, depois da cerimônia. — Você não pode mais mudar de ideia. Está em todos os jornais, nos noticiários do mundo inteiro. Você está carregando um Corretti. Você, uma Battaglia. Não há escândalo maior desde Romeu e Julieta. — Eu não vou me matar por você, apenas porque você se envenenou, portanto, pode parar de fazer esse tipo de comparação. — Venha para mim, Alessia. Ela deu um passo na sua direção, os movimentos inseguros, a expressão séria. — Você deixou o cabelo solto — murmurou Matteo, estendendo a mão e pegando uma mecha de cabelo nos dedos. — Você é tão linda. Um anjo. Essa foi a primeira coisa que eu pensei quando a vi. Ela piscou. — Quando? — Quando nós éramos crianças. Eu sempre ouvira que os Battaglia eram monstros. Demônios. E não pude resistir dar uma espiada. E lá estava você, correndo no jardim de seu pai. Devia ter uns 11 anos. Estava suja, com o cabelo embaraçado, mas pensei que você parecia um anjo. Estava sorrindo. Você sempre sorri. — Ele franziu o cenho. — Não está sorrindo agora. — Não tenho muitas razões para sorrir. — Você teve algum dia? — Não. Mas eu as criei. Porque alguém tinha de sorrir. Alguém tinha de ensinar às crianças a sorrirem — E precisava ser você? — Não havia mais ninguém. — Então, você carrega o peso do mundo, pequena? — Você deveria saber alguma coisa sobre isso, Matteo. Ele riu. — Talvez um pouco. — Ele não sentia que estava carregando peso algum no momento. Ele pegou-lhe o braço e puxou-a para si. — Eu quero você. Sem esperar resposta, beijou-a. Quase com violência. Alessia permaneceu 45


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates imóvel, os lábios rígidos sob os seus, o corpo inteiro rígido. Ele a puxou para mais perto, deixando-a sentir a evidência de sua excitação, deixando-a sentir a frustração e o desejo que vinham se construindo em seu interior nos últimos três meses. — Ele a beijou assim? — perguntou Matteo, beijando-lhe o pescoço, o colo. Ela meneou a cabeça. — Não. — Ótimo. Ou eu teria de matá-lo. — Pare de falar coisas assim. — Por quê? Nós dois sabemos que eu seria capaz, Alessia. Por você, eu seria capaz. Talvez nem conseguisse me conter. — Ele beijou-a novamente, seu coração disparado, sangue correndo quente nas veias. — Matteo, pare — disse ela, afastando-se. — Por quê? Está com medo de mim, Alessia? Ela balançou a cabeça. — Não, mas não está sendo você mesmo. E não gosto disso. — Talvez eu seja eu mesmo e, nesse caso, você é sábia por não gostar disso. Matteo a liberou. E percebeu como apertara Alessia. Arrependimento o inundou. — Eu machuquei você? — Não. — Não minta. — Eu não mentiria. Subitamente, ele teve uma percepção tão forte que quase caiu sentado. Tinha feito aquilo de novo. Tinha permitido que suas defesas abaixassem com Alessia. Permitido? Não permitia nada. Com ela, era apenas uma demolição total, que Matteo parecia incapaz de controlar. — Saia daqui. — Matteo... — Saia! — gritou ele, imagens de violência dançando diante de seus olhos. De ossos se esmagando sob seus punhos, de não ser capaz de parar. Não ser capaz de parar até que tivesse certeza de que eles nunca mais poderiam machucá-la. E tais imagens se misturaram com imagens de seu pai. Seu pai batendo em homens, até os deixar inconscientes. Até que eles não voltassem à consciência. — O que eles fizeram? — Eles não pagaram. 46


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Isso é tudo? — Isso é tudo? Matteo, você não pode deixar ninguém o desrespeitar. Nunca. Precisa fazer deles um exemplo. Qualquer coisa que tiver de fazer para proteger seu poder, faça. E se pessoas têm de morrer para assegurar isso, que assim seja. Casualidades da guerra, figlio mio. Não. Ele não era assim Mas você foi, Matteo. Você é. Então, em sua mente, não era seu pai batendo em alguém. Era ele. — Saia! Os olhos escuros de Alessia se arregalaram, enquanto ela saía de costas, uma lágrima escorrendo pelo rosto. Matteo sentou-se numa poltrona, curvando os dedos em volta da garrafa de uísque, enquanto sua visão escurecia. Che cavolo, o que ela estava fazendo com ele? Alessia bateu a porta do quarto e levou as mãos às costas, chorando enquanto abria o zíper do vestido de noiva e deixava-o cair no chão. Quisera que Matteo removesse o vestido de seu corpo. Mas seu marido estava se embriagando, em vez de estar com ela. — É mais do que isso — disse Alessia em voz alta. E sabia que era. Ele estava se embriagando, em vez de lidar com muitas coisas. Bem, aquilo era injusto, porque ela não podia se embriagar. Estava grávida, e, enquanto Matteo entorpecia a dor, ela apenas tinha de a suportar. Não havia novidade nisso. Alessia teve de sorrir. Deitou-se no meio da cama, dobrando os joelhos contra o peito. Esta noite, não havia fantasia para salvá-la, não havia como evitar a realidade. Matteo tinha sido, por muito tempo, seu salvador da realidade e do sofrimento da vida. E agora ele era sua dura realidade. E não era quem ela acreditara que ele fosse. Alessia o idealizara, pintara-o como um salvador. Nunca percebera o quanto ele precisava ser salvo. A questão era: ela estava disposta ao desafio? Não, a verdadeira questão era: ela possuía uma escolha? NÃO HAVIA um palavrão feio o bastante para ajudar a aliviar a dor de cabeça que Matteo estava sentindo no momento. Então, ele falou todos os que conhecia. Sentou-se ereto na poltrona e olhou para o chão. Havia uma garrafa de uísque quase vazia ao lado da poltrona. E havia uma mancha escura de uísque na parede, cacos de vidro abaixo. Ele lembrou... não muito. O casamento. Estava casado agora. Olhou para a aliança em sua mão esquerda. Sim, estava casado. Fechou os olhos novamente, tentando aliviar a dor na cabeça e visualizou 47


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates um vestido lilás. Cabelo escuro longo. Ele pegara-lhe o braço e a puxara para si, beijando-a de modo brusco. Dio, o que tinha feito? Quando aquilo parara? Ele vasculhou o cérebro, desesperado por uma resposta, tentando descobrir o que tinha feito. O que ela fizera. Levantou-se rapidamente, ignorando a tontura, a terrível dor de cabeça. Praguejou quando deu o primeiro passo, sentindo as pernas bambas. Qual era seu problema? Onde estava seu controle? Sabia que não deveria beber daquele jeito. A primeira vez que bebera tinha sido na noite após o resgate de Alessia. Não conseguira se sentir limpo. Não conseguira tirar as imagens da cabeça. Imagens do que era capaz. Na verdade, não havia sido a agressão que o levara a beber, mas sim o que seu pai lhe dissera depois. — Você é meu filho. Quando Benito Corretti vira o filho manchado de sangue, depois do confronto com os agressores de Alessia, presumira que aquilo significava que Matteo estava finalmente seguindo seus passos. Mas Matteo não estivera fazendo isso. Seis anos depois daquela noite, Benito lhe dissera aquilo novamente. E, dessa vez, Matteo abraçara as palavras e provara que o velho homem estava certo. Ele reprimiu as memórias. Sabia muito bem que era capaz de coisas impensáveis, mesmo sem a perda do controle. Mas quando o controle desaparecia... ele realmente se tornava um monstro. E na noite anterior, tinha perdido o controle com Alessia. Precisava encontrá-la. Seguiu o corredor, seu coração batendo descompassado, seu corpo inteiro pesado. Desceu a escada, a luz natural se infiltrando através das janelas, como se punindo suas ações ridículas. Café primeiro, Alessia depois. Parou ao chegar à sala de jantar. E encontrou as duas coisas ao mesmo tempo. — Bom dia — disse Alessia, a voz suave. — Bom dia. — Suponho que você precisa de café — acrescentou ela, indicando uma garrafa térmica sobre a mesa, com uma xícara ao lado. — Sim 48


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Ela não se mexeu para servi-lo, apenas continuou sentada, bebendo seu chá. Matteo foi para a mesa grande, sentou-se a algumas cadeiras de distância de Alessia e serviu-se de uma xícara de café. Recostando-se, bebeu por um momento, deixando a cafeína operar sua mágica. — Alessia... ontem à noite... eu machuquei você? — De que maneira? — perguntou ela, também se recostando. — Fisicamente. — Não. A onda de alívio que o percorreu foi intensa. — Fico feliz de ouvir isso. — Emocionalmente, todavia, eu não posso dizer o mesmo. — Por quê? — Bem, vamos ver. Meu marido fica bêbado na noite de núpcias, em vez de ir para cama comigo. O que você acha? — Lamento se eu feri seu orgulho. Essa não era a minha intenção. — Seu orgulho não teria ficado ferido, se eu tivesse feito o mesmo? — Eu teria tirado a garrafa de sua mão. Você está grávida. — Consequentemente, o chá de ervas — disse ela, erguendo a xícara. — E a gravidez não é realmente a questão. — Alessia... este não pode ser um casamento normal. — Por que não? — Ela sentou-se ereta. — Simplesmente porque não pode. Eu sou um homem ocupado, viajo muito. Nunca ia me casar... eu nunca teria me casado. — Não vejo por que não podemos ter um casamento normal, de qualquer forma. Muitos homens e mulheres viajam a negócios. Isso não significa que eles não possam se casar. — Eu não a amo. Alessia sentiu como se ele a tivesse esbofeteado. — Eu não lhe pedi que me amasse — replicou ela, porque era a única verdade que poderia falar. — Talvez não, mas uma esposa espera isso do marido. — Eu duvido de que meu pai tenha amado minha mãe, mas se amou não é o tipo de amor ao qual eu gostaria de me submeter. E quanto aos seus pais? — Obsessão, talvez seja uma palavra melhor. Meu pai amava a mãe de Lia, tenho certeza. Não tenho certeza se ele amou a minha. Pelo menos, não o bastante para ficar longe de outras mulheres. E minha mãe era é, na verdade, 49


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates muito boa em fugir de verdades desagradáveis, usando drogas e álcool. — Sua cabeça latejou, lembrando-o de que ele usara álcool pela mesma razão, na noite anterior. — Talvez, os casamentos deles não tenham sido normais. Talvez... — Alessia, pare. Acho que você viu, ontem à noite, que eu não sou um candidato brilhante para marido ou pai do ano. — Então, tente ser. Não fale apenas que não pode ou que não quer. Seja melhor. É o que eu estou tentando fazer. Estou tentando ser mais forte, fazer a coisa certa. — Sim, porque é isso que você faz — disse ele. — Faz a coisa certa, porque se sente bem assim é porque presume que tudo está ótimo na sua vida. Você confia em sua bússola moral. — Sim, suponho que isso seja verdade. — Eu não confio na minha. Quero coisas que não deveria querer. Já tomei o que eu não tinha direito de tomar. — Se estiver se referindo a minha virgindade, eu vou jogar este chá de ervas no seu rosto — retrucou ela, os hormônios da gravidez lhe causando uma onda de raiva. — Eu não sou tão denso, mas sim Seu corpo, você... você não é para mim — Para quem eu sou? Para Alessandro? — Não foi isso que eu quis dizer. — Mentira, Matteo! — gritou ela. — Você é igual a ele. Acha que não posso tomar minhas próprias decisões? Que não conheço minha própria mente? Meu corpo me pertence, não a você, não a meu pai, não a Alessandro. Eu não me doei a você, eu o tomei. Eu o fiz tremer sob minhas mãos e poderia fazer novamente. Não me trate como se eu fosse um bibelô frágil. Não me trate como se você tivesse de me proteger de mim mesma. Ele permaneceu calmo, irritantemente calmo, seu foco na xícara de café. — Não é de você que eu a estou protegendo. — É de você? Um sorriso sem humor curvou os lábios de Matteo. — Eu não confio em mim mesmo, Alessia. Por que você deveria confiar? — Bem, deixe-me tranquilizá-lo, Matteo. Eu não confio em ninguém. Só porque fui para sua cama, não significa que você seja uma exceção. Apenas me sinto atraída por você. — Ela estava minimizando o que sentia. E detestava isso. Mas não pôde conter as palavras. Queria se proteger. Impedir que ele a ferisse. Porque a perda de Matteo em suas fantasias era quase demais para suportar. Conforme ele se tornava sua realidade, ela estava perdendo sua fuga 50


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates nas fantasias e estava zangada por ele lhe roubar isso. Por não ser o homem que ela idealizara que ele fosse. — Estou lisonjeado. — Ele deu outro gole do café. — Como você acha que será este casamento, então? — Eu não quero magoar você. — Presumindo que seja tarde demais, para onde vamos daqui? Matteo inclinou-se para frente. — Para quando é o bebê? — Aproximadamente 22 de novembro. Foi fácil para eles calcularem, uma vez que eu sabia o dia exato que concebi. — Eu me certificarei que você receba os melhores cuidados. E nós arrumaremos um quarto para o bebê. — Bem, considerando tudo, suponho que nosso filho ou filha deveria ter um quarto em sua própria casa. — Eu estou tentando — devolveu ele. — Não sei como lidar com isso. — Bem, seu sei. Sei exatamente como criar crianças. Eu tinha 13 anos quando minha mãe morreu. Quando minha irmãzinha bebê e o resto de meus irmãos se tornaram responsabilidade minha. Bebês dão trabalho. Mas você os ama. Muito. Ao mesmo tempo, eles tomam tudo de você. Quer saber? Eu estou apavorada. — Era uma confissão difícil, mas era verdade. Alessia essencialmente criara quatro crianças, uma delas desde bebê, e por mais que os amasse sabia o custo daquilo. O quanto crianças exigiam de você. E ela estava fazendo isso de novo. Sem encontrar um lugar para si mesma no mundo. Sem ter suas fantasias. Amor verdadeiro. Um homem que cuidasse dela. — Tudo isso, e você ainda quer essa criança? — Sim, Matteo, eu quero. Porque bebês dão muito trabalho, mas o amor que você sente por eles... é mais forte do que qualquer coisa, qualquer medo. Isso não significa que não estou com medo, apenas que sei que, no final, o amor vencerá. — Bem, nós podemos ficar apavorados juntos — disse ele. — Você está apavorado? — Bebês são muito pequenos. Parecem que quebram com facilidade. — Eu lhe ensinarei a segurar um. Eles se entreolharam, calor permeando o ar, e os hormônios da gravidez a estavam fazendo sentir uma coisa diferente de raiva. 51


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Alessia olhou para seu café da manhã. — Como está sua cabeça? — Doendo muito. — Não é menos do que você merece. — Eu a tratarei melhor do que a tratei ontem à noite, isso eu lhe prometo. Não tenho certeza de que outras promessas posso fazer, mas esta... eu cumprirei. Ela perguntou-se quanto do que vira na noite anterior fazia parte do Matteo real. Quanto ele escondia atrás de uma fachada. Sabia como era esconder-se atrás de uma máscara. A diferença era que sua própria máscara era sorridente, e a de Matteo, quase inexpressiva. — Você será fiel comigo? — perguntou Alessia. Matteo olhou para seu café por um momento, então se levantou, a xícara na mão. — Eu tenho algum trabalho para fazer esta manhã, e minha cabeça está me matando. Podemos conversar mais tarde. Alessia irritou-se. — Mais tarde? — Minha cabeça, Alessia. Meu coração, seu idiota. — Ótimo. Bem, talvez possamos ter uma reunião esta noite, ou algo assim — Estaremos ocupados esta noite. — Ah. Fazendo o quê? — Celebrando nosso casamento. De maneira bastante pública, num evento beneficente. — O quê? — Ela estava se sentindo muito frágil para enfrentar o público. — Depois do que aconteceu com Alessandro, nós precisamos apresentar uma frente unida. Seu não casamento com ele foi muito público, assim como o anúncio de sua gravidez. O mundo inteiro está pensando no espetáculo que nós criamos, e agora é hora de mostrar um pouco de normalidade. — Mas nós não temos um casamento normal... ou assim você disse. — No que diz respeito à mídia, nós temos. — Por quê? Com medo de um pequeno escândalo? Você é um Corretti. — Você quer que nosso filho ou filha leia o que, quando crescer? Porque, graças à Internet, esse tipo de coisa não morre. O escândalo seguirá nosso filho para onde ele for. Nós dois sabemos como é ouvir outras crianças falando sobre nossos pais. De nossa parte, não somos criminosos, mas não demos um bom começo para nosso bebê. 52


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Então, nós saímos, fingimos que estamos juntos e felizes, e depois? A imprensa simplesmente esquece o que aconteceu? — Não, mas talvez eles continuem no estilo que começaram. — E como eles começaram? — Ela gastara muita energia evitando as histórias que a mídia tinha escrito sobre o casamento. — Dizendo que nós éramos amantes proibidos, que arriscaram tudo para estar juntos. Aquilo não estava longe da verdade, embora Matteo não soubera verdadeiramente do risco que eles haviam corrido na noite dos dois, juntos. Mas ela soubera. E arriscara tudo pela chance de estar com ele. Olhando-o, lidando com as feridas que ele infligira em seu coração, Alessia sabia que teria feito a mesma escolha agora. Porque, pelo menos, a escolha fora sua. Seu erro. Seu primeiro grande erro. Era como um ritual de passagem — Bem, então acho melhor nos aprontarmos para um show. Todavia, não sei se eu tenho a fantasia apropriada. — Tenho certeza de que eu posso providenciar alguma coisa.

Capítulo 7 “Alguma coisa” acabou sendo um vestido de noite da linha de modas Corretti. Era lindo e muito justo, com o tecido de seda dourada moldando suas curvas e mostrando a pequena barriga que ela quase não notara até que tivesse colocado o traje colado ao corpo. É claro, não fazia sentido esconder a gravidez. Ela quase a anunciara na televisão, pelo amor de Deus. Entretanto, uma vez que ainda não lidara com aquilo, sentia-se nervosa sobre compartilhar o fato com o público. Pôs a mão sobre a barriga, alisando-a. Ia ser mãe. Isso era tão incrível e tão assustador, ao mesmo tempo. Com tudo que acontecera, ela ainda não tivera a chance de pensar no bebê em termos concretos. Olhou-se no espelho mais uma vez, para sua barriga, então de volta para seu rosto. Alessia nunca se importara muito com sua aparência. Sentia-se confortável com esta. Era mais alta do que a maioria das mulheres que conhecia e do que muitos homens, com 1,75m, mas Matteo era mais alto. 53


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Ele conseguia fazê-la se sentir pequena. Feminina. Linda. Na noite que eles haviam passado juntos, ele a fizera se sentir especialmente linda. E então, na noite anterior, Matteo a fizera sentir-se especialmente indesejável. Ela virou-se do espelho e saiu do quarto. Matteo estava esperando-a no corredor, tão lindo num terno preto que o coração de Alessia disparou. — Você está bonito — elogiou ela. — Parece quase civilizado. — Aparências podem enganar. — O demônio em roupas de grife? — Alguma coisa assim. — Ele estendeu a mão, e Alessia hesitou por um momento antes de aceitá-la e lhe permitir conduzi-la escada abaixo, para o foyer. Matteo abriu a porta para ela, suas ações de um marido solícito. O carro esporte estava esperando por eles, a chave na ignição. Alessia esperou até que ele começasse a dirigir, antes de perguntar: — Então, qual é a instituição beneficente? Ele deu de ombros. — É um das minhas. — Você tem instituições beneficentes? — Sim — Eu não sabia. — Eu pensei que você me conhecesse. — Nós temos muitas surpresas um para o outro, não temos? Ainda bem que temos uma vida inteira, juntos, para descobrirmos tais surpresas — disse ela. — Sim. — O tom de Matteo não era convincente. E ela foi lembrada da conversa na sala de jantar, mais cedo. Ela lhe perguntara se ele seria fiel, e Matteo fugira da questão. Alessia tinha a impressão que ele estava fazendo isso novamente. Ela cerrou os dentes para se impedir de falar mais alguma coisa. De continuar fazendo perguntas. Possuía algum orgulho. E se agarraria a este. — Qual é sua instituição beneficente, então? — É uma organização que levanta fundos para a educação, para as escolas daqui. — Isso é ótimo. Eu não estudei muito. — Você queria estudar? — Não sei. Acho que não. Quero dizer... não havia nada que eu quisesse ser quando crescesse. — Nada? — Não havia muitas opções disponíveis. Mas eu sempre achei que queria 54


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates ser mãe. — Esposa e mãe. Gostaria de ter alguém que a amasse, que a adorasse, como os homens em seus romances adoravam suas heroínas. Era um pequeno sonho, um que deveria ter sido alcançado. Em vez disso, ela o trocara por uma noite de sexo selvagem. Pior, ainda não se arrependia disso. — Missão cumprida. — Eu estou, Matteo, como dizem, vivendo o sonho. — Não há necessidade de ser ... — Há toda necessidade — interrompeu ela. — Não aja como se eu devesse lhe agradecer esta situação. — Eu não ia agir. — Você está comigo por um dever moral. Este não é meu sonho. — Peço desculpas, cara, por não ser seu sonho. — A voz de Matteo era zangada, e ela perguntou-se como ele podia ficar zangado, depois do jeito que a tratara. — E eu peço desculpas por não ser o seu. Imagino que se eu tivesse um número de quarto colado a minha testa e uma bolsa com dinheiro na mão, eu chegaria um pouco mais perto. — Agora você está sendo absurda. — Eu acho que não. Matteo dirigiu o resto do percurso em velocidade e parou na frente de seu hotel. — É no seu hotel — afirmou ela. — Naturalmente. — Ele desceu do carro, rodeou-o e abriu a porta para ela. — Venha, minha querida esposa, temos um público para impressionar. Alessia aceitou a mão oferecida e levantou-se, fitando-lhe os olhos. — Obrigada. Um manobrista aproximou-se, trocou algumas palavras breves com Matteo, antes de entrar no carro e levá-lo para o estacionamento. Alessia andou para os degraus do hotel, subindo dois, antes de pausar, a fim de esperar seu marido. Matteo começou a subir a escada, e ela avançou mais um degrau, apenas para manter sua vantagem na altura. Mas ele a alcançou, e os olhos de ambos se encontraram no mesmo nível, graças aos saltos de Alessia. — Há regras esta noite, Alessia, e você vai respeitá-las. — Vou? — Alessia não sabia por que o estava provocando. Talvez porque fosse a única maneira de sentir que ainda tinha algum poder. — Sim, minha querida, você fará isso. — Ele segurou-lhe o queixo, aproximando-se e fazendo-a tremer. Levando-a 55


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates de volta para aquela noite, quando ele finalmente a beijara. Para o momento em que ele fechara a porta de sua suíte de hotel e a pressionara contra a parede, tomando, dando... Matteo traçou seu lábio inferior com o polegar, e Alessia voltou ao presente. — Você precisa parar de me olhar assim — disse ele. — Assim como? — Como se estivesse com medo de mim. — Eu não estou. — Você, às vezes, me olha como se eu fosse o demônio em pessoa. — Você, às vezes, age como se fosse o demônio em pessoa. — Verdade. Mas há outras vezes... — Que outras vezes? — Você não costumava me olhar assim — Como eu costumava olhá-lo? — perguntou ela, seu peito se comprimindo. — Quando você era menina? Com curiosidade. No hotel? Com desejo. — Você me olhava do mesmo jeito. — E como eu a olho agora? — Você não me olha — sussurrou Alessia. — Sempre que pode evitar, não me olha em absoluto. Matteo moveu a outra mão para o rosto dela, o polegar ainda acariciando o queixo. — Estou olhando para você, agora. E havia calor nos olhos dele. O mesmo calor que houvera na noite que eles tinham passado juntos. A noite que mudara a vida de Alessia. — Porque você precisa fazer isso — replicou ela. — Pelos convidados. — Ah, sim, os convidados. Subitamente, um flash interrompeu o momento. Os dois olharam na direção do fotógrafo, que continuava tirando fotos, embora o momento íntimo tivesse sido completamente quebrado. — Vamos entrar? — perguntou ele, colocando sua máscara usual, novamente. Agora seu marido fora substituído por um estranho frio. Alessia adoraria dizer que aquele não era o homem com quem ela se casara, mas era. Este homem reservado, com infinitas camadas de proteção. Ela estivera tão convencida de que tinha visto o homem atrás da ficção. Que vira o verdadeiro Matteo na noite do hotel. Que naqueles olhares roubados que eles haviam compartilhado na juventude, ela enxergara a verdade. Que no momento de violência irrestrita, quando ele se colocara em perigo 56


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates para impedir que ela fosse machucada, vira o homem real. Agora, percebia como aqueles eram momentos pequenos na totalidade da vida de Matteo. E, pela primeira vez, imaginou se estava errada sobre ele. Um sentimento que pesou em seu coração, enquanto eles continuavam subindo a escada para a entrada do salão de bailes do hotel. Havia fotógrafos do lado de dentro, e Alessia fez o possível para manter um sorriso no rosto. Esta era sua força... ser feliz, independentemente do que estava acontecendo. Manter um sorriso no rosto em qualquer evento que estivesse em nome de seu pai, garantindo a seus irmãos e irmãs que ela estava bem, mesmo se tivesse levado um tapa no rosto de seu pai. Mas aquilo não era tão simples. Alessia estava tendo dificuldade em encontrar aquele falso sentimento de esperança que se tornara tão boa em criar para si mesma, a fim de ajudar a preservar sua sanidade. Ninguém podia viver sem esperança, então, ela passara a vida criando esperança em seu interior. Conseguira fazer isso em muitos cenários difíceis. Por que era tão difícil agora? Tão difícil com Matteo? Sabia que já respondera esta pergunta. Era difícil escapar para uma fantasia adorada, quando tal fantasia estava do seu lado e era a fonte de sua angústia. Mas a culpa não era toda de Matteo. A noite de sua despedida de solteira tinha sido a primeira noite que ela tentara parar de encontrar consolo em si mesma, indo à luta pelo que queria, apesar das possíveis consequências. Alessia passou a noite com o braço de Matteo em volta de sua cintura, o toque esquentando-a lentamente, enquanto ela recusava champanhe mais vezes do que podia contar. Seus sentidos pareciam aguçados com a gravidez, e o cheiro delicioso de Matteo a fez aconchegar-se mais ao corpo poderoso. Um fotógrafo aproximou-se. — Sorria para mim — pediu ele. Matteo puxou-a para mais perto, e ela pôs uma mão no peito dele. Sabia que seu sorriso parecia perfeito. Treinara seu sorriso para eventos como este, a fim de mostrar uma boa fachada para a família Battaglia. Era especialista naquilo. Matteo também deveria ter sido, mas o sorriso dele parecia forçado demais. — Uma dança para os noivos? — pediu o fotógrafo enquanto sacava fotos. — É claro — respondeu Matteo, o sorriso se ampliando. Ela era a única que podia ver que nada daquilo era real? O fotógrafo estava sorrindo de volta, assim como alguns dos convidados ao reder, então, eles provavelmente não percebiam a farsa. 57


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Venha. Dance comigo. E então Alessia seguiu-o para a pista de dança ao ritmo da música lenta de piano. Era diferente de quando eles tinham dançado em Nova York. O salão de bailes estava iluminado, com candelabros de cristais acima de suas cabeças, a música tão brilhante quanto às luzes, nada sensual ou sedutor. Entretanto, quando Matteo envolveu os braços fortes ao seu redor, eles poderiam ter sido as únicas duas pessoas no salão. De volta na luz escurecida de uma boate, roubando quantos momentos juntos pudessem, antes que o destino os forçasse a se separar para sempre. Exceto que o destino tivera outras ideias. Alessia passara muito tempo de sua vida acreditando em destino, acreditando que a coisa certa aconteceria no final. Questionava tal noção agora. — Isto dará uma boa manchete de jornal, não acha? — perguntou Matteo, girando-a antes de abraçá-la com mais firmeza, novamente. — Imagino que sim. Você é um bom dançarino, a propósito. Não sei se eu mencionei isso da... última vez. — Não mencionou, mas sua boca estava ocupada com outra coisa. Ela corou. — Sim, suponho que estava. — Minha mãe se certificou de que eu tivesse aulas de dança desde criança. Tudo com a finalidade de me treinar para assumir o comando do império de Benito. — Mas você não assumiu o comando do império de seu pai. — Não exatamente. Nós todos pegamos uma parte deste, mas enquanto isso, trabalhamos para desenraizar os elementos suspeitos dos negócios. De uma coisa meus irmãos e eu não sofremos. Não somos criminosos. — Um fato que eu aprecio. E para sua informação, Alessandro também não é. Eu nunca teria concordado em me casar com ele, do contrário. — Verdade? — Já presenciei negociações duvidosas para durar uma vida inteira. Meu pai, apesar da fachada que põe, não é um cidadão honrado. Pelo menos, seu pai e seu avô tiveram a decência de ser abertos sobre o fato de que não estavam jogando conforme as regras. — Criminosos cavalheiros — disse ele. — Mas vou lhe contar um pequeno segredo... não importa quão bom dançarino você seja, quão bem cortado seu terno seja, não muda o fato de que, quando você bate nas pernas de um homem com uma bengala de metal, quebra os joelhos deles. E não importa a roupa que 58


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates você está usando. Nem as vitrines do homem que você mata. Alessia estava perplexa pelas palavras dele, não pelo conteúdo das mesmas, não tão chocada quanto gostaria de estar. Pessoas geralmente presumiriam que era ingênua, uma flor delicada. Seu sorriso tinha esse efeito. Achariam que não sabia como crime organizado funcionava. Mas Alessia sabia. Conhecia aquela realidade, na qual seu pai estava envolvido até o pescoço. Seu pai era viciado no poder, e sua amizade com chefes de máfias era o que o mantinha nele. Ele não poderia escapar daquilo. Não com seu poder, possivelmente nem com sua vida. Todavia, os Corretti haviam se retirado desse mundo. Homens e mulheres Corretti tinham saído do crime organizado. Não, não foi o conteúdo das palavras de Matteo que a surpreendeu, e sim o fato de ele tê-las falado. Porque Matteo sempre preferia não abordar o assunto de sua família, dessa parte de seu passado. — Mas você não é assim. — Não? — questionou ele. — Eu estou de terno. — E você não faria isso com ninguém — Querida Alessia, você é uma eterna otimista. Não sei como consegue isso. — Sobrevivência. Eu preciso me proteger. — Pensei que fosse preciso ceticismo para isso. — Talvez muitas pessoas precisem ser céticas. Mas, independentemente de como eu me sinto sobre uma situação, nunca tenho controle sobre o resultado. Minha mãe morreu no parto, e nenhuma quantidade de sentimento bom ou ruim sobre isso mudaria tal realidade. Meu pai é um criminoso, que não teve escrúpulos em bater no meu rosto para me manter na linha. — Eles giraram num círculo rápido, Matteo segurando-a com firmeza, alguma emoção perigosa brilhando nos olhos escuros. — Independentemente de como eu me sinto sobre a situação, esta é a situação. Se eu não escolhesse ser feliz, acho que nunca teria parado de chorar, e eu não quis viver assim, também. — E por que você não partiu? — perguntou ele. — Sem Marco, Giana, Eva e Pietro? Nunca. Eu não poderia fazer isso. — Com eles, então. — Sem dinheiro? Com meu pai e seus homens nos seguindo? Se fosse somente eu, então teria partido. Mas nunca fui somente eu. Acho que nós fomos o motivo pelo qual minha mãe ficou, também — Alessia engoliu em seco. — Se ela pôde fazer isso por nós, como eu poderia fazer menos? — Sua mãe foi boa para vocês? 59


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Muito boa. — Alessia lembrou-se do lindo cabelo escuro de sua mãe, do sorriso gentil. Do toque carinhoso, uma mão em sua testa para ajudá-la a adormecer. — Eu queria dar aos meus irmãos tudo que ela me deu. Eu sou a mais velha, a única que lembra bem a nossa mãe. Parecia importante tentar ajudá-los a lembrar. Parecia importante que eu lhes desse o amor que recebi, porque sabia que eles nunca poderiam receber isso de meu pai. — E em Nova York? Comigo? — O que você quer dizer? — Você seguiu as regras sua vida inteira, Alessia. Estava disposta a se casar para garantir a segurança de seus irmãos. Por que arriscou arruinar tudo, dormindo comigo? Aquela era uma boa pergunta. Era a pergunta, na verdade. — Conte-me, cara — pediu Matteo, e ela vislumbrou alguma coisa nos olhos dele. Desespero. E não podia mentir para ele. Não agora. — Você já quis alguma coisa, Matteo, com todo seu coração? Tanto, que parecia estar em seu sangue? Eu o quis. Por muitos anos. Quando nós éramos crianças, eu queria atravessar aquele muro entre as propriedades de nossas famílias e pegar sua mão, fazer você correr comigo na grama, fazer você sorrir. E quando fiquei mais velha... bem, quis uma coisa diferente de você, começando na época que você me salvou, e não quero ouvir o quanto você se arrepende daquilo. Foi importante para mim Eu sonhava sobre como seria beijá-lo e depois sonhei como seria fazer amor com você. Sonhei tanto que quando eu o vi em Nova York, quando você finalmente me beijou, eu senti que sabia os passos da dança. E seguir sua liderança pareceu a coisa mais fácil do mundo. Como eu poderia não seguir? — Eu sou um homem, Alessia, portanto, lamento que há muito pouco romance na minha versão de sua história. Na época que você começou a se tornar mulher, eu sonhei com sua pele contra a minha. Em beijá-la. Em estar em seu interior. Eu não poderia ter impedido o que aconteceu naquela noite, mais do que você. — É bom saber — murmurou ela, calor a envolvendo. Fazendo o vestido parecer subitamente apertado demais. — Eu não entendo o que você faz comigo. — Eu... tinha certeza de que não devia ser tão diferente de todas as suas outras mulheres. — Não houve tantas assim — disse ele. — E você é diferente. 60


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates O fato de Matteo se sentir assim era um bálsamo para a alma de Alessia. Tinha sido fácil para ela, percebeu agora, minimizar a experiência no que dizia respeito a Matteo. Fácil justificar estar com ele, não ser honesta com ele, dar-lhe apenas o caso de uma noite, porque presumira que ele já tivera diversos casos de uma só noite. Tinha sido fácil acreditar que ela era a única a ser ferida ou afetada, porque era virgem Fácil e injusto. E ela podia ver agora, fitando-lhe os olhos, que também não era verdade. — Beije-me — disse ele, toda a civilidade desaparecendo agora. Alessia obedeceu, fechando a curta distância entre eles, beijando-o, realmente beijando-o, pela primeira vez em três meses. Ela abriu mais os lábios, aprofundando o beijo, não se importando se pessoas estivessem olhando ao redor. Matteo era seu agora, seu marido. Ela não esconderia isso, de ninguém Não esconderia seu desejo. Ele gemeu baixinho, o som vibrando através do corpo dela. — Cuidado, Alessia, ou eu não serei responsável pelo que acontecer. — Eu não quero que você seja responsável — replicou ela, beijando-lhe o pescoço. Mordiscando-o de leve. Havia alguma coisa lhe acontecendo. Algo que lhe acontecera uma vez, antes. Uma perda total de controle. E as mãos de Matteo Corretti. Era como se ela estivesse possuída pelo desejo de tê-lo, de torná-lo seu. Fazer Matteo entender o que ela sentia. Fazer a si mesma entender o que sentia. — Nós não podemos fazer isso aqui — disse ele. — Essa frase soa familiar. — Sim. — Matteo afastou-a de seu corpo, entrelaçando os dedos de ambos. — Venha comigo. — Para onde? — Para algum lugar. Ele conduziu-a para fora do salão de bailes, ignorando todos que tentavam lhes falar. Um fotógrafo os seguiu, e Matteo praguejou, conduzindo-os para um caminho diferente, por um corredor e para os elevadores. Em poucos segundos, o elevador chegou, e, no momento em que eles entraram, Alessia foi puxada para o peito largo e beijada com tanta paixão que tremeu inteira. Ela ouviu as portas se fechando, vagamente cônscia do elevador começando a subir. Matteo pressionou-a contra a parede, os lábios vorazes nos seus. — Eu preciso de você — disse ele, com voz trêmula. — Eu preciso de você, Matteo. O desejo de Alessia por ele ofuscara tudo mais... bom senso, autoproteção, 61


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates tudo. Não havia tempo para reflexões. Este era Matteo, o homem que ela queria com cada fibra de seu ser, o homem que perseguia seus sonhos. Seu cavaleiro branco, mas ele era diferente do que ela imaginara. Havia uma intensidade nele que ela nunca fora capaz de imaginar. E descobriu que gostava daquilo. — Este é um lindo vestido — murmurou ele, traçando o V do decote com a ponta de um dedo. Alessia arfou, seu corpo inteiro tenso, esperando pelo que ele faria a seguir. Precisando mais daquilo do que precisava de ar. — Mas não tão lindo quanto você. E no momento, eu preciso ver você. Ele levou as mãos para as costas dela e começou a descer o zíper. — Cuidado para não prender o tecido — disse ela. — Eu o rasgarei, se necessário. O corpete caiu ao redor da cintura de Alessia, revelando seus seios, cobertos por um sutiã transparente, que mostrava o contorno dos mamilos. Matteo levantou a mão e segurou um seio, roçando o polegar no bico rijo. — Quente para mim? — Sim — Molhada para mim? — Ele pôs a outra mão no quadril dela, flexionando os dedos. Alessia não podia falar, apenas assentiu. E ele fechou os olhos, uma expressão de alívio que ela nunca vira antes. Ela pôs a mão entre os seios, abriu o fecho frontal do sutiã e deixou-o cair no chão do elevador. Matteo abaixou a cabeça, tomando um mamilo na boca. Uma onda de prazer a inundou. Ela apertou os dedos no cabelo dele, então, tornou-se ciente do movimento do elevador. — Aperte o botão “pare” — disse ela ofegante. — O quê? — Ele levantou a cabeça, o rosto vermelho, o cabelo despenteado. O coração de Alessia quase parou. Matteo Corretti desalinhado era a coisa mais incrível que ela já vira. — O elevador — murmurou ela. Ele virou-se, apertando o botão vermelho na parede, fazendo o elevador parar. Praguejando, tirou seu celular do bolso. — Só um segundo. — Espero que você não esteja enviando uma mensagem de texto. Matteo pressionou algumas teclas, não tirando os olhos dela. — Não exatamente. — Ele virou a pequena tela para Alessia, e ela viu Matteo. E a si própria. E os seios. — Oh! 62


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Ele apertou mais algumas teclas. — Eu desabilitei a câmera de segurança agora. A menos que você goste da ideia de estar no filme. — Não estou no humor de oferecer divertimento para a equipe de segurança. — Não se preocupe, eu agora deletei aquela pequena extensão de filme. Há vantagens em ser fanático por controle. Ter um aplicativo em seu telefone que lhe permite ver todos os seus seguranças em seus hotéis e fazer o que você quiser com as câmeras é uma delas. Ele descartou o paletó e a gravata então, jogando os itens no chão do elevador e o telefone em cima desses. — Você já usou este truque antes? — perguntou ela, antes que ele abaixasse a cabeça para beijá-la novamente. — Com uma mulher? — Sim — Com ciúme? — Oh, sim — confirmou Alessia, não se preocupando que ele soubesse. — Não, eu não usei. — Ele beijou-a novamente, e ela esqueceu quaisquer preocupações. Esqueceu tudo, exceto a sensação de ter Matteo beijando-a, acariciando-a. — Mais tarde, eu farei isso direito. — Ele abaixou a cabeça e traçou a linha de seu decote com a língua. — Provarei cada centímetro de seu corpo. Saborearei você lentamente. Verei suas lindas curvas. — Matteo mordiscou o pescoço, como ela fizera com ele, antes. — Agora, todavia... eu preciso estar dentro de você. Ele começou a levantar a saia do vestido dela. — Tire a calcinha. Alessia obedeceu, suas mãos tremendo no processo. Ele ergueu-lhe uma perna ao redor de seu quadril e pressionou-lhe as costas contra a parede do elevador. Usou a outra mão para massagear o clitóris de Alessia, enlouquecendo-a de desejo, deixando suas dobras úmidas e escorregadias. — Você não mente — sussurrou ele. — Você me quer. — Sim. — Fale — pediu Matteo. — Eu quero você. — Meu nome. — Eu quero você, Matteo. 63


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Ele abandonou o corpo dela por um momento, abrindo o cinto e abaixando calça e cueca apenas o bastante para liberar sua ereção, de modo que pudesse penetrá-la. Foi um choque... todas aquelas semanas de distância, e ela esquecera como ele era grande. Quanto ele a preenchia. Alessia inclinou a cabeça contra a parede do elevador, prazer a inundando em ondas, seus músculos internos se apertando em volta da extensão rígida. E então, não houve mais conversa. Não houve nada, exceto a respiração ofegante dos dois, Matteo se movendo rapidamente em seu interior, enquanto dedos fortes se enterravam em seus quadris para firmá-la. Ele abaixou a cabeça, capturou um mamilo na boca novamente. Um gemido de prazer escapou dos lábios de Alessia, mas ela não se importou. Não se sentia nem um pouco embaraçada. Porque este era Matteo. O homem que ela sempre quisera. O homem que a salvara, que a deixara zangada e a magoara, o homem que a fizera sentir coisas que ela nunca sentira antes. Matteo a assustava, a confundia, causando-lhe sentimentos que ninguém nunca lhe causara. E no momento, ele a estava levando a um lugar que Alessia nem mesmo imaginara existir, para a extremidade de um precipício tão alto que ela não podia ver o fundo do abismo abaixo. Estava com medo de cair, com medo de liberar o prazer intenso, porque não sabia o que encontraria do outro lado. Não sabia o que aconteceria. E alguma coisa aconteceria. Alguma coisa mudaria. Não havia dúvida quanto a isso. E então ela encontrou os olhos escuros e o viu. Viu o homem, não a máscara. Desejo, desespero e medo estavam estampados no rosto bonito e espelhavam seus próprios sentimentos. Matteo abaixou a cabeça, beijou-lhe o pescoço, as investidas perdendo seu ritmo calculado. E alguma coisa rompeu-se em Alessia. E ela estava caindo, caindo naquele abismo infinito. Mas não tinha mais medo. O clímax veio em ondas, roubando seu fôlego, seus pensamentos, tudo, exceto o momento. E quando ela finalmente alcançou o fundo do abismo, Matteo estava lá, os braços fortes ao seu redor. Ele estava ofegante também, as costas da camisa molhadas de suor, as batidas do coração altas contra seu próprio coração. Ele saiu de seu interior lentamente, passando uma mão pelo cabelo, depois ajustando a calça. Abaixou-se para pegar o paletó, pondo o telefone de volta no bolso. E ela ficou apenas parada ali, encostada contra a parede, o vestido ainda ao redor de seus quadris, o corpete descansando em sua cintura, seu lingerie no 64


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates chão. Matteo pôs a gravata em volta do pescoço e começou a arrumá-la, antes de olhar para ela. — Vista-se. — O quê? — Vista suas roupas — disse ele. — Nós temos de voltar para a festa. — Te... temos? — É meu evento beneficente. Eu tenho um discurso a fazer. — Matteo consultou o relógio. — E parece que não estou muito atrasado, portanto, eu realmente preciso fazê-lo. — Eu... — Vire-se — ordenou ele com voz ríspida. Alessia fez o que ele pediu. Matteo colocou as alças de seu vestido no lugar, subiu o zíper de trás. — Meu sutiã... — Você não precisa dele. — E o que vou fazer com ele? Matteo abriu o paletó e indicou o bolso interno. Ela abaixou-se, pegou seu sutiã e calcinha e entregou-lhe. Ele guardou as duas pequenas peças no bolso, dizendo: — Resolvido. Ele apertou o botão do elevador, que começou a andar. Então apertou o botão do primeiro andar, de modo que eles descessem. Alessia sentia-se... usada. Não, nem mesmo isso. Sentia-se apenas triste. Zangada, porque ele era capaz de fazer aquilo com ela e voltar a parecer intocado em segundos. Talvez ela tivesse dando mais importância àquilo do que deveria. Talvez o episódio não tivesse significado nada mais do que sexo para Matteo, e um homem como Matteo certamente tinha muito sexo. As portas se abriram no primeiro andar. O fotógrafo ainda estava lá, vagando pelo saguão, à espera de uma boa foto, sem dúvida. Matteo pôs o braço ao redor de sua cintura e conduziu-a através do saguão, aquele sorriso falso de volta no rosto. Eles foram em direção ao salão de bailes, e Alessia teve a estranha sensação de déjà vu. Como se eles tivessem voltado para o começo da noite. Como se o interlúdio no elevador não tivessem acontecido. Mas acontecera. O fotógrafo tirou uma foto. E Alessia não se deu ao trabalho de sorrir.

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Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates

Capítulo 8 Matteo não tinha certeza se conseguiria falar diante de uma grande multidão de pessoas. Não quando podia ver Alessia na audiência, a fisionomia serena, os olhos escuros a única janela para a tempestade que se escondia por baixo. Uma tempestade que, sem dúvida, cairia sobre ele, quando eles estivessem a sós. Ele descobriu que não se importava. Que dava boas-vindas à chance de enfrentá-la, porque isso era melhor do que a necessidade absurda de levá-la para o elevador e tê-la novamente. Antes de tê-la mais uma vez em sua suíte. E de novo. Provando-a, dessa vez. Saboreando-a. Sim, brigar era infinitamente melhor do que isso. Ele preferia ter Alessia gritando com ele a sussurrando seu nome no seu ouvido. Porque não sabia o que fazer com ela, com esse desejo intenso que sentia por ela. Não estava acostumado a isso. Sexo era apenas uma necessidade para ser satisfeita, como comer ou respirar. Sim, ele gostava mais de alguns alimentos do que de outros, mas não era um escravo de seus desejos. Acreditava em moderação, em exercer controle em todas as áreas de sua vida. Alessia era o único desejo que ele parecia incapaz de combater, e isso significava que tinha de aprender como. Qualquer outra coisa era imperdoável. — Obrigado por terem vindo esta noite e pelas generosas doações. Fico feliz em anunciar que, graças a sua generosidade, agora a Fundação Educativa Corretti poderá expandir suas atividades, criando faculdades. Eu acredito que uma boa educação pode superar qualquer circunstância, e meu objetivo é que todas as pessoas tenham esta chance. Obrigado novamente. Aproveitem o resto da noite. Ele desceu do pódio, não prestando atenção aos aplausos oferecidos por seu discurso. Mal podia ouvir qualquer coisa sobre o barulho do sangue em seus ouvidos. Mal podia ver qualquer coisa, exceto Alessia. Motivo pelo qual se 66


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates permitiu ser puxado de lado por alguns dos convidados, interrompido no seu caminho para onde sua esposa estava, de pé. Matteo parou e falou com todos que o abordaram, usando isso como tática para se impedir de ter de enfrentar Alessia, sem que sua guarda estivesse firmemente de volta no lugar. Covardemente? Talvez. Mas descobriu que não se importava. Alessia não se moveu para abordá-lo. Em vez disso, conversou com as pessoas ao seu redor. E de vez em quando, ela o fitava com aqueles olhos que faziam promessas de um paraíso sensual, o tipo de paraíso que Matteo não poderia tentar entrar, novamente. Toda vez que ele tocava Alessia, ela derrubava outro pedaço da parede, aquela parede de controle tão necessária, que ele construíra ao seu redor. Pessoas começaram a se dispersar, e, subitamente, o espaço entre os dois começou a diminuir. O sangue de Matteo esquentou com a proximidade. Não importava que ainda houvesse 500 pessoas nos salão. Não importava que ele a tivera contra uma parede, uma hora mais cedo. Alessia ainda o desafiava. Ainda o fazia reagir como um adolescente sem controle de seus impulsos. Sim, pense nisso. Lembre como é. Raiva cega. Dois jovens imóveis, sangue por toda parte. E então, uma calma. Um vazio gelado. Se ele sentisse alguma coisa, era um tipo de satisfação distante. E, então, olhara para Alessia. Para o terror nos olhos dela. E fizera o que jurara que nunca faria. Envolvera-a em seus braços, secando suas lágrimas. Ele a fizera chorar. Assustara-a e não podia culpá-la por estar apavorada. Aquilo não era o que uma garota de 14 anos, ou de qualquer idade, devesse ver. Quando ele tinha se afastado para olhá-la, vira o rosto de Alessia manchado de sangue. O sangue de suas mãos. Matteo respirou fundo, voltando para o presente. O espaço entre eles continuou a diminuir, até que eles se encontraram no meio, no mesmo grupo. E não havia desculpa para ele não a puxar para seu lado e passar uma mão ao redor da cintura dela. Então, fez isso. O corpo de Alessia estava rígido, mas a expressão dela ainda era relaxada, o sorriso fácil. Uma mentira. Por que ele nunca notara antes que o sorriso de Alessia nem sempre era genuíno? Os últimos convidados começaram a sair, deixando Alessia e Matteo no salão de bailes vazio. 67


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Ele olhou ao redor. Este era seu hotel, separado da dinastia de sua família, e, frequentemente, olhar para a arquitetura, para o tamanho amplo, o preenchia com orgulho. Possuía hotéis no mundo inteiro, mas este em particular, na Sicília, um hotel que não pertencia a sua família, sempre lhe causara satisfação. Agora, parecia apenas um grande espaço vazio. Ele pegou seu celular e digitou um número. — Atrase a limpeza até segunda ordem Eu quero o salão de bailes para uso pessoal por um tempo. Alessia o fitou, arregalando os olhos. — Para que você precisa do salão de bailes? Ele deu de ombros. — Para qualquer coisa que eu quiser. — Matteo sentou-se na extremidade do palco. — Este é meu hotel, afinal de contas. — Sim, e você é um homem que se orgulha muito de suas posses — comentou ela. — E por que não? — Ele afrouxou a gravata e abriu os primeiros botões da camisa, tentando não pensar nos dedos de Alessia fazendo isso. — É assim que sempre foi na minha família. Eu saí da cidade, e meu primo bastardo assumiu o comando do meu escritório. Meu irmão mais novo jogou seu charme para conseguir a direção das casas de moda da Corretti. Como vê, para minha família, posse é tudo. E se você tiver de golpear alguém para conseguir isso, melhor ainda. — Golpes metafóricos? — perguntou ela. — Ou golpes literais. Eu lhe disse, minha família tem uma história colorida. — Disse que você e seus irmãos não eram criminosos. — Nós não somos. Não condenados, pelo menos — acrescentou Matteo, incerto do motivo. Talvez, porque, no fundo, soubesse que era um. Sabia que poderia ser condenado por agressão diversas vezes, se evidências fossem levadas a um tribunal. — Por que você está falando isso? — Estou falando a verdade. Foi uma ação legal o que eu fiz naquele dia, perto dos jardins de seu pai? Responda — disse ele, as palavras ecoando no salão vazio. — Você me salvou. — Talvez. — Eles teriam me estuprado. Matteo lembrava aquilo tão claramente. Entretanto, de maneira tão distinta. Porque se lembrava de ter visto Alessia contra uma árvore, uma parede de 68


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates pedra atrás dela, dois homens na frente, pressionando-a contra a árvore, tocando-a, molestando-a. Tinham rasgado a blusa dela. Estavam erguendo a saia. E Matteo soubera o que eles pretendiam fazer. O mal que queriam fazer com seu anjo. E, então, perdera o controle. Levantou-se do palco, andando de um lado para o outro, tentando liberar a energia irrequieta que o preenchia. Ele não parara simplesmente, depois que tirara aqueles dois homens de perto de Alessia. Não tinha parado quando eles desistiram de lutar. Não parara até que Alessia tocara suas costas. Então, Matteo se virara, segurando uma pedra na mão, pronto para terminar o que começara. Pronto para se certificar de que eles nunca mais levantassem, nunca mais pudessem machucar outra mulher. Especialmente não Alessia. Mas, então, fitara os olhos dela. Vira o medo. As lágrimas. E abaixara a mão em sua lateral, deixando a pedra cair no chão. Deixando a ira drenar de seu corpo. Foi quando percebeu o que tinha feito. O que estivera prestes a fazer. E o que assistir àquilo teria feito com Alessia. Mais ainda, aquilo confirmava o que Matteo sempre soubera. Que, se ele se permitisse mais do que uma existência sem emoções, se tornaria um homem que odiava. — Eu fiz mais do que salvar você — disse ele. — Muito mais. — Você fez o que teve de fazer. — Você fala como se eu tivesse pensado. Eu não pensei. O que fiz foi reagir. Raiva cega. E se você não estivesse lá, eu não teria parado até que eles estivessem mortos. — Você não sabe disso. — Este é o problema, Alessia, eu sei. Sei exatamente qual teria sido meu próximo movimento e, acredite, não é alguma coisa da qual pessoas escapam — Eu gostaria de que você pudesse ver o que eu vi. — E eu adoraria que você não tivesse visto nada daquilo — disse ele. — Você estava... eu pensei... pensei que eles fossem escapar ilesos. Que ninguém iria me ouvir. Que ninguém iria detê-los. Eu pensei que eles fariam aquilo. E, então, você veio e os impediu. Tem alguma ideia do que isso significou para mim? Você sabe o que impediu? — Eu sei o que impedi. — Então, por que se arrepende tanto disso? — Eu não me arrependo, não da maneira que você pensa. — Matteo ainda podia lembrar-se do rosto de seu pai, enquanto ele punia os homens que lhe 69


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates deviam dinheiro. A calma absoluta. Mas, pior, podia lembrar-se do rosto de seu pai quando alguém o enfurecia. Como ele se tornava volátil, irracional, em tais situações. E sempre, o velho homem dizia que fizera o que tinha de ser feito. Sentindo-se presunçoso ao justificar cada ação. Como Matteo se sentira depois da agressão à Alessia. Como se sentira depois do incêndio. — Para mim, você foi apenas um herói — murmurou ela suavemente. As palavras o atingiram como uma bala, explodindo em seu interior. Por um momento, ele não conseguiu respirar. — É tão mais complicado do que isso, Alessia. — Não para mim. Não para a garota que você salvou. Você era... você era cada sonho não realizado da minha vida inteira, aparecendo no momento em que eu mais precisei. Como pode não entender isso? — Talvez esse seja o nosso problema agora — replicou ele. — Você conhece um sonho, uma fantasia, e eu não sou este homem Não sou o herói da história. Alessia balançou a cabeça. — Você foi o herói da minha história naquele dia. E nada vai mudar isso. Frieza o preencheu. — Foi isso que a levou para minha cama, naquela noite? Ela não desviou o olhar. — Sim Matteo praguejou. — Então, aquele foi seu agradecimento? — Não! — exclamou ela com veemência. — Não transforme isso em alguma coisa que não é. — Então, o que é, Alessia? Sua fantasia de um príncipe encantado? Esperava que eu fosse seu cavaleiro numa armadura brilhante? — Ele suspirou. — Como deve ter ficado desapontada. Você provavelmente estaria melhor com Alessandro. — Eu não queria Alessandro. — Somente porque mentiu para si mesma sobre quem eu sou. — Quem é você então? — questionou ela. — É meu marido. Acho que deveria me contar. — Pensei que nós já tivéssemos coberto isso. — Sim, você me deu aquela biografia da Internet sobre quem é. Falamos coisas que já sabíamos um para o outro. — Por que precisamos nos conhecer? 70


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Porque... estamos casados. — Não realmente. — Você me levou para aquele elevador e me tomou contra a parede... o que faria o casamento parecer mais real para você? — perguntou ela com irritação. — Isso é sexo, Alessia, e o que nós temos é sexo fantástico e explosivo. Mas esse tipo de coisa não é sustentável. Não é boa. — E você sabe disso porque tem sexo fantástico e explosivo constantemente com estranhas? — Não. — Então, como você sabe? — Não há controle nisso. Nós quase fomos filmados. Quase nos esquecemos de parar o elevador. Nenhum de nós pensa quando sexo está envolvido. — Talvez você pense demais. — E talvez você não pense o bastante. Você sente e olhe aonde todo este sentimento a trouxe. Alessia fez uma careta. — Não ouse me culpar por isso! Não ouse agir como se meus sentimentos infantis e eu nos tivessem conduzido até aqui. Sim, posso ter idealizado você como um herói em minha cabeça, mas o que eu quis aquela noite em Nova York não teve nada a ver com você sendo algum ideal, mas tudo a ver com eu o querendo como uma mulher quer um homem Eu não queria corações e flores, queria sexo. E foi o que obtive. Aquilo não foi conduzido por meus sentimentos, mas sim pelo meu corpo, e fiquei bem feliz com os resultados. — Uma pena que o preço tenha sido tão alto. — Não foi? Alessia olhou para Matteo e, por um momento, quase o detestou. Porque ele estava lutando tão arduamente contra ela, contra tudo. Ou talvez fosse ela quem estivesse lutando. E estivesse zangada com Matteo, por ele não o que ela pensara que ele fosse. E isso não era justo. Ele não tinha culpa de não corresponder à fantasia que ela criara sobre ele em sua cabeça. Mas ninguém em sua vida algum dia estivera presente para ela, não desde sua mãe. Alessia crescera numa casa com um pai criminoso, que mentia e roubava em bases regulares. Ela conhecia a feiura da vida. Tinha perdido sua mãe, passado seus dias pisando em ovos para não despertar a ira de seu pai. Mas durante todo aquele tempo, pelo menos, ninguém se forçara sobre ela sexualmente, e, considerando o tipo de companhia que seu pai tinha, isso 71


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates parecera quase um milagre. E então, alguém tentara lhe roubar sua inocência. Mas Matteo impedira. — Você sabe quanto da minha vida foi decidido por mim? — perguntou ela, respondendo a própria pergunta: — Passei meus dias sendo mãe de meus irmãos e não me arrependo, porque isso tinha de ser feito, mas significou que eu não fui estudar fora. Fiquei em casa, quando muitas garotas da minha idade se mudaram, indo para a faculdade. Eu fui a eventos que meu pai queria que eu fosse, agi como anfitriã de festas em vestidos que ele considerava apropriados. Aquele dia... aquele dia na estrada, aqueles dois homens tentaram roubar outra escolha de mim. Tentaram escolher como eu aprenderia sobre sexo, como seria introduzida a ele. Com violência, dor e força. Tentaram tirar alguma coisa de mim, e não me refiro somente à virgindade, mas ao jeito que eu me via. O jeito que eu via homens. O jeito que eu via pessoas. E você os impediu. Então, lamento se não queria ter sido meu herói, mas foi. Você me permitiu conservar um pouco de minha inocência, algumas partes de uma vida de fantasia. Eu sei como a vida pode ser dura, mas não preciso que todas as coisas horríveis me aconteçam E ia acontecer. — A voz de Alessia estava rouca com lágrimas que ela precisava derramar. Ela virou-se de costas para ele, tentando recuperar o fôlego. — Então meu pai me disse que eu ia me casar com Alessandro. E pude ver mais escolhas sendo feita por mim, mas desta vez, eu não tive saída. Minha amiga Carolina decidiu me oferecer uma despedida de solteira, e, por uma vez, meu pai não me negou alguma coisa. Eu não sabia que você estaria lá. E Carolina sugeriu que nós fossemos ao seu hotel e... bem, então esperei que você estivesse lá. E estava. Foi quando enxerguei outra chance de fazer uma escolha. Portanto, não me peça para me arrepender. Os olhos de Matteo estavam inescrutáveis. — Não vou lhe pedir isso, porque eu teria de me arrepender e não me arrependo. Quando descobri que eu era seu primeiro... você não imagina como fiquei feliz. Ainda me sinto feliz por ter sido eu. — Eu também — murmurou Alessia num sussurro. A honestidade custava a ambos, ela sabia. Olhos escuros encontraram os seus, tão frios, tão enigmáticos. E ela desejou que pudesse entender o homem que ele era e não apenas o que ela criara em sua cabeça. Alessia quase o tocou, então. Quase lhe pediu que deitasse no piso de mármore do salão de bailes e fizesse amor com ela, novamente. Mas então lembrou. Lembrou-se da pergunta que ele não respondera, cuja resposta ela 72


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates estivera determinada a ouvir, antes de permitir que Matteo a tocasse novamente. — Você será fiel a mim? — Alessia repetiu a pergunta que fizera mais cedo. Ele passou os dedos pelo cabelo. — Por que você está sempre me perguntando isso? — Porque é uma pergunta simples para a qual eu mereço resposta. Eu não dormirei com você se não prometer que serei a única mulher em sua vida. — Eu não posso amá-la — disse ele. Não eu não a amo, como falara mais cedo, mas eu não posso amá-la. — Não estou lhe pedindo para me amar. Estou lhe pedindo para não fazer sexo com outras mulheres. As mãos de Matteo se fecharam em suas laterais. — Para responder essa pergunta, eu teria de saber como planejo conduzir o nosso relacionamento e ainda não sei a resposta para isso. — Pretendia me perguntar? Ele meneou a cabeça. — Eu já lhe disse que não teremos um casamento normal. — Por quê? — Ela não pôde esconder a mágoa da voz. — Porque não posso ser um marido para você. Eu não a amarei... Não posso lhe dar o que um marido deve dar a uma esposa. Nem sei por onde começar. Tenho um império para administrar, meus hotéis, o problema de meu primo bastardo, que está instalado nos meus escritórios na corporação da família, sentado a minha mesa como se tivesse trabalhado para merecer o lugar. Não tenho tempo de lidar com você. Se você me tomar como marido, me terá na sua cama e em nenhum outro lugar. Não tenho certeza se quero colocar qualquer um de nós nessa situação. — Mas você é meu marido. Querendo ou não. É o pai do meu bebê. — E nosso bebê tem a proteção do meu nome, a validade de ter pais casados. Eu estou disposto a fechar o negócio referente à área do cais com seu pai, graças a este casamento, e seus irmãos receberão os cuidados certos. Vou mandá-los para escola, acho que não lhe contei. A garganta de Alessia fechou, seu corpo tremendo. — Eu... Não, você não me contou. — A questão é que, independentemente do que acontece atrás de portas fechadas, o que escolhemos fazer em nossa própria casa depende unicamente de nós. E há decisões a serem tomadas. Decisões. Por um lado, a oportunidade de tomar decisões dava a Alessia uma sensação de poder que ela experimentara em poucas ocasiões. Por outro... bem, queria que ele quisesse estar casado com ela. 73


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Você ainda está perseguindo a fantasia, quando tem a realidade com a qual se contentar. Ela precisava parar com as fantasias. Parar de tentar criar um lugar que não existia e enfrentar a realidade. — Então... se eu disser que não quero estar num casamento normal e se você não puder se comprometer em ser fiel comigo, isso significa que eu também posso ter outros amantes? Um músculo saltou no maxilar de Matteo. — É claro — respondeu ele. Tenso. Amargo. — Se eu terei liberdade, então você também terá. Nós teremos de ser discretos em público, é claro, mas o que acontece atrás de portas fechadas não é da conta de ninguém, exceto da nossa própria conta. — Da nossa e das câmeras de segurança do elevador — murmurou Alessia. — Aquilo não vai acontecer de novo. — Não vai? — Uma perda imperdoável de controle, da minha parte. — Você teve algumas dessas, recentemente. — Sim, eu tive — concordou Matteo. — Sempre com você. — Eu não sei como você é em outras áreas de sua vida. Só sei como você é comigo. Os olhos dele escureceram. — Uma pena para você. Eu geralmente sou muito mais agradável do que isso. — Eu faço você se comportar mal. Ele riu sem humor. — Pode-se dizer que sim Nós deveríamos ir para casa. Ela assentiu. — Sim, deveríamos. Eles estavam num salão de bailes vazio, e Alessia teria adorado um momento romântico com ele ali. A chance de dançar, como as únicas duas pessoas no salão. De subir para a suíte de Matteo e fazer amor. De compartilhar um momento que não fizesse parte da realidade. Mas eles tinham tido sua fantasia. Realidade estava lá agora, nua e crua. Ela ainda não queria ir embora. Matteo pegou o celular e digitou números. — Vocês podem mandar a equipe de limpeza agora. Alessia engoliu em seco, sentindo como se tivesse perdido um momento importante. 74


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Vamos — disse ele. Então, virou-se e andou em frente, deixando-a para segui-lo. Matteo não sabia o que queria. E Alessia também não sabia. Não, isso era mentira. Ela sabia o que queria. Mas isso exigiria lidar com Matteo como ele era, e, em algum ponto, ele teria de baixar a guarda e encontrála no meio do caminho. Ela não sabia se qualquer um deles poderia fazer o que precisava ser feito. Não sabia se algum dia eles conseguiriam consertar a confusão que haviam criado. Nem mesmo sabia se Matteo queria isso.

Capítulo 9 Matteo queria se embebedar novamente. Detestava a tentação. Detestava o sentimento de tentação. Antes de Alessia não houvera tentação. Não, isso era mentira. A primeira tentação tinha sido quebrar as regras e ver como os Battaglia eram realmente. E então, ele espiara. E, desde então, cada tentação, cada fraqueza, estivera ligada a Alessia. Ela era sua estrada pessoal para ruína e, às vezes, ele perguntava-se por que se incomodava em ficar fora de tal estrada. Pelo menos, podia ficar em chamas nos braços dela. Pelo menos, calor e fogo podiam ser associados a ela, em vez de à noite que seu pai morrera. Sim, ele deveria seguir a estrada para o inferno e acabar com aquilo. E levá-la com você. Levar o bebê com você. Porca miseria. O bebê. Matteo mal podia pensar no bebê. Não tinha tempo. Às vezes, sentia que estava enlouquecendo. Havia tudo que estava acontecendo com as Empresas Corretti, e ele precisava lidar com aquilo. Deveria tentar tomar as rédeas de Angelo, tirar Luca de sua posição e expor qualquer mentira que ele contara para chegar lá, porque tinha certeza de que o playboy irresponsável não chegara lá por mérito próprio. Em vez disso, Matteo estava confuso por causa de sua esposa. Enfeitiçado pela mulher de cabelo escuro que parecia prendê-lo num aperto mortal. Ela era o motivo pelo qual ele partira, o motivo pelo qual ele tinha ido para 75


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates uma casa isolada que possuía na Alemanha, sobre a qual ninguém sabia. A razão pela qual ele não atendera os telefonemas ou respondera aos e-mails dela. A razão pela qual Matteo não se importara se estava sendo usurpado em sua posição como diretor de sua parte nos negócios da família. Precisava cuidar daquilo e não sabia como. Não quando sentia que estava desmoronando de dentro para fora. Não queria nem pensar no bebê, mas tinha de pensar. Não queria decidir o que fazer com Alessia, que ainda estava dormindo no quarto de hóspedes do palazzo, pelo amor de Deus. Alguma coisa precisava ser feita. Uma ação necessitava ser tomada, e, pela primeira vez na vida, Matteo se sentia congelado. Ele pôs seu copo sobre o balcão, saiu do bar e foi para o corredor, respirando fundo, tentando clarear a mente. Álcool não era a resposta. A perda de controle não era a resposta. Precisava organizar seus pensamentos. Agir. Tinha negócios para tentar consertar, acordos para cimentar. E tudo que podia fazer era pensar em Alessia. Virou-se para a janela que dava vista para o pátio. A luz da lua iluminava o gramado e dava um tom prateado na escuridão da noite. E então, ele viu uma sombra entrando na luz. O brilho da lua iluminava o cabelo da figura, esvoaçando com a brisa. Uma camisola transparente mostrava o corpo abaixo, girando ao redor das pernas delgadas quando ela virou-se num círculo lento. Um anjo. E, então, sem pensar, Matteo estava saindo, indo em direção à mulher que acordava alguma coisa profunda em sua alma. Uma coisa que ele não soubera existir antes que ela entrasse em sua vida. Uma coisa que desejou que nunca tivesse descoberto. Mas era tarde demais agora. Ele abriu a porta dos fundos e saiu no terraço, andando para a balaustrada e inclinando-se para a frente, sua atenção fixa na beleza diante de si. Em Alessia. Ela estava em seu organismo, sob sua pele. De maneira tão profunda que Matteo imaginou se algum dia se libertaria dela. Seria mais difícil agora. Ela era sua esposa, a mãe de seu filho. Ele poderia enviá-la para viver no palazzolo com sua mãe. Talvez sua mãe apreciasse um neto. Dispensou a ideia em seguida. Um neto apenas faria sua mãe se sentir mais velha. E o choro de bebê provavelmente lhe daria rugas de preocupação. 76


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates E você mandaria seu filho viver em algum outro lugar? Sim. Ele estava considerando isso com toda a honestidade. O que sabia sobre crianças? O que sabia sobre amor? Sobre dar amor. Receber. O tipo de elo entre pai e filho encorajado pelo seu pai era um que Matteo queria esquecer. Um elo forjado e terminado pelo fogo. Ele reprimiu as memórias e começou a dar os passos que levava ao gramado. Seus pés estavam descalços, e ele percebeu que nunca tinha saído do lado de fora sem sapatos. Uma percepção estranha, porque se tornou consciente do fato quando sentiu a grama sob seus pés. Alessia virou-se abruptamente, o cabelo castanho cascateando sobre o ombro em ondas. — Matteo. — O que você está fazendo aqui fora? — Eu precisava tomar um ar. — Você gosta de estar ao ar livre. Ela assentiu. — Eu sempre gostei. Detestava ficar fechada na casa de meu pai. Eu gostava de fazer longas caminhadas no sol, longe do... mofo da casa. — Você costumava andar muito sozinha. — Eu ainda ando. — Mesmo depois do ataque? — As palavras escaparam sem a permissão de Matteo. — Mesmo então. — Como? — perguntou ele. — Como você continuou com sua vida, como se nada tivesse mudado? — A vida é difícil, Matteo. Pessoas que você ama morrem. Eu sei que você sabe disso. Pessoas que deveriam amá-lo não a tratam melhor do que tratam uma propriedade que estão tentando vender, para obter lucro. Eu apenas sempre tentei ver o lado bom da vida, pois o que mais eu podia fazer? Podia ficar sentada, sentindo pena de mim mesma, mas isso não mudaria nada. E escolhi permanecer aqui, então, isso seria tolice. Eu escolhi ficar e estar presente para meus irmãos e não me arrependo. O que significa que tenho de encontrar felicidade nisso. E significa que não posso abandonar minhas caminhadas só porque dois homens horríveis tentaram roubá-las de mim. — E é simples assim? — Não é simples, mas eu faço isso. Porque tenho de encontrar um jeito de levar a minha vida. Minha vida. É a única que tenho. E aprendi tentar amá-la 77


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates como ela é. — E você conseguiu? — questionou Matteo. — Ama a sua vida? Ela meneou a cabeça. — Não. Mas não estou infeliz o tempo inteiro. E acho que isso é alguma coisa. E quanto a você, Matteo? É feliz? — Felicidade nunca foi uma das minhas metas principais. Acho que nunca nem mesmo pensei muito sobre isso. — Todo o mundo quer ser feliz. Matteo enfiou as mãos nos bolsos e olhou para a grande parede de pedra que separava sua propriedade do resto do mundo, depois ergueu os olhos para a lua. — Eu quero fazer alguma coisa diferente do que minha família fez. Quero fazer alguma coisa mais do que ameaçar e aterrorizar o povo de Palermo. Além disso... o que mais importa? — Sua felicidade importa. — Eu não estou infeliz — disse ele, então se perguntou se estava mentindo. — E você, Alessia? — Eu tomei uma decisão, Matteo, e isso não me deixa numa situação muito confortável. Este foi meu primeiro grande erro. E não, nada disso tem sido feliz. Mas eu não me arrependo. — Fico feliz que você não se arrepende. — Você se arrepende? — Eu deveria. Eu deveria lamentar minha falta de controle mais do que lamente, mas descubro que não posso me arrepender. — E quanto a esta noite? No elevador. Por que você foi simplesmente embora? — Eu não sei o que fazer com isso — replicou Matteo, falando a verdade. — Por que nós temos de saber o que estamos fazendo? — Porque este não é um simples caso amoroso nem nunca será. — Por causa de como ela o fazia sentir, como o desafiava. Mas ele não falaria isso. Sua honestidade tinha limites, e aquela era uma verdade que ele não gostava de admitir nem para si mesmo. — Você é minha esposa. Nós teremos um bebê. — E se nós não tentarmos, passaremos anos nos tornado cada vez mais amargos. Isso é melhor? — Melhor do que machucar você? Eu acho que sim. — Você já me machucou. — Já? — Não prometeu ser fiel a mim E claramente detesta admitir que me 78


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates deseja, mesmo que assim que nos tocamos... Matteo, nós pegamos fogo, e você não pode negar isso. Você sabe que eu não tenho muita experiência com homens, mas sei que as pessoas normalmente não se sentem assim. — E é exatamente por isso que precisamos ser cuidadosos. — Então seremos cuidadosos. Mas somos casados, e acho que deveríamos tentar... pelo bem de nosso filho ou filha, de nossas famílias... fazer o casamento dar certo. E acho que devemos um ao outro não ser infelizes. — Alessia... — Vamos continuar fazendo caminhadas, Matteo — interrompeu ela com voz rouca. Deu um passo na sua direção, o cabelo brilhando na luz parca. Ele pegou-lhe o braço e puxou-a para mais perto, o coração disparado no peito. — Eu não posso amá-la. — Assim você continua dizendo. — Você precisa entender. Há um limite para o que podemos compartilhar. Eu a terei na minha cama, porém nada mais. Esta não foi minha escolha. — Eu não fui sua escolha? As palavras dela o feririam porque não, ele não escolhera casar-se com Alessia. Mas não porque não a desejava. Se não houvesse uma história familiar, se ele não fosse o filho de um dos chefes de crime mais notórios da Sicília, se não houvesse nada entre ele e Alessia ele a teria escolhido cada vez. Mas não podia apagar o que existia. Seu coração era frio, não somente para ela, mas para todo o mundo. E Matteo não podia permitir uma mudança. Alessia não conhecia os verdadeiros motivos disso. Não sabia do que ele era capaz. O homem sob o controle de ferro era o demônio em pessoa, como ela o acusara de ser, uma vez. Não havia herói debaixo de sua armadura. Apenas feiura e morte. Apenas raiva e a habilidade de destruir aqueles que se colocassem em seu caminho. — Você sabe que não. Ela ergueu o queixo. — E é assim que quer começar? Lembrando-me de que você não me escolheu? — Isso não é para feri-la, nem mesmo para dizer que eu não a desejo. Mas eu nunca a teria unido a mim se não fosse por uma necessidade e não por sua causa, mas pelo que eu sou capaz de dar. Há razões pelas quais eu nunca pretendi ter uma esposa. Sei quem eu sou, mas você não sabe. — Mostre-me — disse ela, com convicção. Mas não podia saber o que 79


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates estava pedindo. Ele lhe dera uma janela em sua alma, apenas um pequeno vislumbre do monstro que morava em seu interior. Mas ela não sabia do que ele era verdadeiramente capaz. Para que seu pai o treinara. E ao que tudo aquilo levara, sete anos atrás, durante o incêndio que tirara as vidas de Benito e Carlo. Foi quando Matteo tinha descoberto que realmente era o homem que seu pai o treinara para ser. E como o controle lhe era necessário. — Sei o que eu gostaria de lhe mostrar — disse ele, aproximando-se, segurando-lhe o rosto com uma mão. Podia sentir o calor, a vida emanando de Alessia. Ela tremeu sob sua mão, como se o toque a tivesse congelado, e Matteo achou aquilo estranhamente apropriado. Se ele a beijasse agora estaria escolhendo arrastá-la para a escuridão consigo. Tomar o que queria e usá-la para seus próprios fins egoístas. Poderia afastar-se dela agora e fazer a coisa certa. Protegê-la, proteger o filho deles. Dar a ambos seu nome e uma casa, seu dinheiro. Tudo que eles precisassem Alessia não precisava dele em sua cama, usando-a para se sentir aquecido. Tentar impedir que o desejo de seu corpo se alastrasse para um desejo do seu coração seria uma tarefa difícil. Mas também seria a única maneira. Ele poderia abraçar o desejo físico e somente o físico. E consigná-la a uma vida com um homem que nunca lhe daria o que ela merecia. Neste caso, Matteo abraçaria a frieza em seu interior. E apenas um canalha faria uma coisa dessas com ela. Então, o fato de ele ser um canalha era bom Ele abaixou a cabeça e pressionou os lábios nos dela. Não foi um beijo profundo, mas apenas um teste. Um teste para ele. Para ver se era capaz de tocá-la sem perder a cabeça. Ela era tão suave. Tão cheia de vida. Um gosto de pura beleza num mundo preenchido com tanta feiura e sujeira. Alessia estendeu a mão para tocá-lo, e acendeu uma luz no interior de Matteo. Nos lugares mais escuros dentro dele. Não. Ele não podia permitir isso. Aquilo era apenas sexo. Apenas luxúria. — Somente eu — murmurou ela quando eles se separaram — O quê? — Você terá somente a mim, ou todas as outras mulheres que quiser, mas antes que me beije novamente, Matteo, precisa tomar esta decisão. O gosto da pele de Alessia ainda estava em seus lábios. — Você. — E ele descobriu que foi uma resposta fácil. 80


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Ela segurou-lhe o rosto e ergueu-se na ponta dos pés. Então, beijou-o com a paixão que ecoava no corpo de Matteo. Ele abraçou-a pela cintura e saboreou a sensação. Deslizou a mão para o traseiro incrível e apertou-o. Ela era tudo que uma mulher deveria ser. Total perfeição. Ela beijou-lhe o maxilar, os lábios quentes e tentadores na sua pele, fazendo-o querer mais, roubando-lhe a paciência. Ele sempre fora um amante paciente, garantindo o prazer de sua parceira antes de tomar seu próprio prazer. Porque podia. Porque mesmo enquanto absorvia prazer com seu corpo, suas ações eram ditadas pela mente. Mas Alessia desafiava isso. Causava-lhe um desejo tão feroz que ele queria se perder. Matteo deslizou as mãos sobre o corpete da camisola, segurou-lhe os seios através do tecido fino e descobriu que ela não usava nada por baixo. Ele podia sentir os mamilos rijos e mal velados pelo tecido transparente. Abaixou a cabeça e circulou um dos botões com a língua, tomando-o inteiro na boca. Não era o bastante. Precisava sentir o gosto dela. Segurou as alcinhas da camisola e puxou-as com força, o corpete cedendo, caindo ao redor da cintura fina, expondo-a para seus olhos. Matteo abaixou a cabeça novamente, provando-a, preenchendo-se com ela. Em seguida, ajoelhou-se e puxou o resto do vestido para baixo, ignorando o som de tecido rasgando. — Eu gostava desta camisola — disse ela. — Era linda. — Ele beijou-lhe a barriga. — Mas não tão linda como você. — Você poderia ter me pedido para removê-la. — Não houve tempo. — Ele traçou uma linha do umbigo até a extremidade da calcinha. — Eu precisava provar você. — Oh. — Em todos os lugares. — Ele removeu-lhe a calcinha e jogou-a de lado. Beijou-lhe o quadril, e ela tremeu. — Acho que você deve se deitar para mim, cara. — Por quê? — Para que eu prove você, cara mia. — Não pode fazer isso de onde está? — Não do jeito que eu quero. Ela obedeceu, os movimentos lentos, trêmulos. O que era um lembrete do quão inocente Alessia ainda era. Você me permitiu conservar um pouco de minha inocência. As palavras dela ecoaram em sua mente, enquanto Alessia se deitava no 81


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates chão a sua frente, descansando sobre os cotovelos, as pernas dobradas na altura dos joelhos. Não, Matteo não se permitiria ser pintado como nenhum tipo de herói. Podia ter salvado a inocência dela na época, mas tinha passado os últimos meses se assegurando de retirar-lhe a inocência restante. E esta noite, continuaria fazendo isso. Era tarde demais para voltar atrás, agora. Ele apartou-lhe as pernas gentilmente, deslizando os dedos sobre a entrada escorregadia do corpo feminino. — Sim — sussurrou, um tremor de desejo percorrendo seu corpo. Abaixou a cabeça para experimentar a doçura, para tentar saciar o desejo que sentia por Alessia. Um desejo que parecia consumi-lo. Inseriu um dedo dentro dela, enquanto continuava provocando-a com lábios e língua. Alessia arqueou o corpo, um gemido rouco escapando dos lábios. Ela entrelaçou os dedos em seu cabelo, puxando-o, a dor dando-lhe a leve distração que ele precisava para continuar. Ajudando-o a conter seu próprio desejo. Matteo penetrou-a com um segundo dedo, e os músculos internos de Alessia pulsaram ao seu redor, o corpo dela enrijecendo, o gemido liberado com o clímax, alto, desesperado. Satisfazendo-o a um nível que ele não queria examinar de perto. Não teve tempo de examiná-lo, porque agora necessitava dela. Necessitava sua própria liberação. Ergueu o corpo, pausando para beijar os lindos seios, antes de tomar-lhe a boca na sua. Então, sentou-se e livrou-se das próprias roupas, rapidamente. — Você está pronta? — perguntou Matteo. — Sim. Sem tirar os olhos dela, Matteo inseriu-se no corpo quente. Quase perdeu o controle então, um suor frio brotando em sua pele, os músculos tensos, enquanto ele tentava se conter. Fazer aquilo durar. — Matteo. Foi a voz de Alessia que o quebrou. O nome dela em seus lábios. Ele começou a investir com vigo, não importava o quanto dissesse a si mesmo para ir devagar. Era um escravo daquele desejo. O controle estava perdido. Ela arqueou-se contra ele, um gemido de prazer escapando dos lábios. Matteo enterrou o rosto no pescoço delicado, inalando o aroma de lilases. E o aroma da mulher que sempre conheceria. Da única mulher que importava. 82


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Unhas afiadas se enterraram em seus ombros, mas, dessa vez, a dor não o trouxe de volta. Matteo deixou o orgasmo tomá-lo completamente. Estava perdido numa onda e queimando. Queimando... sem nada para extinguir aquele fogo, para lhe dar alívio. Tudo que ele podia fazer era tentar sobreviver a um prazer tão intenso que beirava à destruição. E quando acabou, Alessia estava lá, envolvendo-o num abraço suave, o aroma doce o cercando. — Será sempre assim? — perguntou ela ofegante. Ele não tinha uma resposta para ela. Não podia falar. Ou pensar. E rezava para que não fosse sempre assim, porque seu controle não aguentaria isso. E, ao mesmo tempo, sabia que não podia viver sem ela e negar a si mesmo o corpo de Alessia. Manteria o controle. Manteria seu coração separado do corpo. Fizera isso com mulheres durante sua vida inteira. Fizera isso quando seu pai lhe pedira para aprender os negócios da família. Na noite que seu pai o forçara a punir um homem em dívida com a família Corretti. Matteo trancara seu coração em gelo e se impedira de sentir. Suas ações desconectadas de qualquer coisa, exceto de sua mente. Podia fazer aquilo de novo. Faria. — É melhor nós entrarmos — murmurou ele, sentando-se, a respiração ainda ofegante. — Sim. Eu devo estar com grama em certos lugares. Matteo riu. Uma risada sincera. Não podia se lembrar da última vez que tinha rido. — Bem, você deveria estar grata que eu fiz um trabalho rápido de sua camisola, então. — Você rasgou-a — acusou ela, levantando-se e pegando a peça arruinada. — Você gostou. Ele pôde ver o sorriso de Alessia, mesmo na luz parca. — Um pouco. Havia uma estranha leveza no coração de Matteo agora, um sentimento que lhe era totalmente estranho. Como se uma pedra tivesse sido tirada de seus ombros. — Eu estou com fome — declarou ela. Alessia começou a andar de volta para a casa, e Matteo vestiu sua cueca rapidamente, antes de segui-la para dentro. — Você quer comer? — Sim, eu quero. — Ela andou para a cozinha, ainda nua, e ele seguiu. 83


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — E o que você gostaria? — Macarrão. Você tem um avental? — Se eu tenho um avental? — Você tem uma cozinheira, não? — Sim — Ela tem um avental? Matteo abriu a porta da despensa e tirou um avental vermelho de um gancho. Alessia sorriu e colocou o avental pela cabeça, amarrando-o. Ela era muito mais alta do que a pequena mulher rechonchuda que ele contratara para cozinhar suas refeições. O avental batia no topo das coxas de Alessia e era amarrado atrás, expondo o corpo dela daquele ângulo. — Jantar e um show — murmurou ele. Ela deu-lhe um olhar brincalhão, então começou a vasculhar os armários. — Que tipo de macarrão você tem? — Fresco, na geladeira. Alessia abriu a geladeira e abaixou-se, procurando por alguns momentos, antes de pegar um tupperware que continha talharim e outro com molho de tomate. Pôs uma panela de água no fogão, colocou o molho em outra panela para esquentar e inclinou-se contra o balcão, os braços cruzados abaixo dos seios. — Nunca ouviu dizer que uma panela observada nunca ferve? — Não. Quem diz isso? — Pessoas — replicou ele. — Sua mãe lhe dizia isso? — Não. Uma cozinheira que tivemos, eu acho. — Oh, isso é o tipo de coisa que minha mãe provavelmente teria me dito, algum dia. Se tivesse vivido. — Você ainda sente falta dela? — Eu sempre sentirei. Mas você perdeu seu pai, portanto entende. Ele meneou a cabeça. — Não tenho certeza se eu entendo. — Você não sente falta dele? — Nunca. — Eu sei que seu pai era uma pessoa difícil. Sei que ele era... corrupto, como meu pai, mas certamente você deve... — Não — disse Matteo. — Ah. 84


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Você vai sentir falta de seu pai? — Acho que sim, Apesar de tudo, ele é o único pai que eu tenho. — Eu preferiria não ter tido um a ter tido o que tive. Alessia moveu-se para colocar o macarrão na panela. — Você fala isso com tanta certeza. — Acredite em mim, Alessia. Eles permaneceram de pé, até que o macarrão estivesse pronto. Matteo pegou pratos de um dos armários e colocou-os sobre o balcão, e Alessia serviu ambos da massa e do molho. — Nada como uma refeição leve — comentou ela, dando uma garfada, então olhando para o peito nu de Matteo. — Você mal está vestido. — Olhe quem fala — disse ele. Ela olhou para baixo. — Eu estou vestida. — Vire-se. — Alessia obedeceu, mostrando-lhe seu traseiro desnudo. — Isso não é vestida, minha querida esposa. — Você está reclamando? — De modo nenhum Eu prefiro você assim — Bem, o avental é prático. Não dá para rasgar do meu corpo, se você ficar impaciente. — Ela comeu um pouco e deu um sorriso travesso, que tirou o fôlego de Matteo. Havia alguma coisa tão normal sobre aquilo. Mas não era o tipo de normalidade que ele conhecia. Não era o tipo de homem que andava descalço na grama e depois comia macarrão à meia-noite, de cueca. Nunca tivera a chance de ser esse homem — Matteo? — Sim? — Eu o perdi por um segundo. Onde você estava? — Pensando. — Mmm Estou tentada a lhe perguntar sobre o que, mas duvido que você vá me contar. — Sobre meu pai — disse ele, antes que pudesse evitar. — Você realmente não sente falta dele? — Não. — Uma parede de chamas preencheu sua mente. Uma imagem do depósito, queimando. — Nunca. — Meu pai praticamente ignorou minha existência. Ele só me reconhece quando precisa de alguma coisa, ou se está zangado. Raiva percorreu Matteo. 85


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Ele batia em você? — Sim. Não surras ou algo assim, mas se eu falasse alguma coisa que o desagradasse, ele batia no meu rosto. — Seu pai deveria se sentir afortunado por nunca ter feito isso na minha frente. Alessia ficou surpresa pela súbita mudança no comportamento de Matteo. Diante do tom gelado na voz dele. Por um momento, eles tinham se conectado enquanto vestidos, o que era uma raridade. Ele estava disposto a tentar. Tinha lhe dito isso. E seria fiel. Aquelas eram as únicas duas promessas que Alessia exigia dele. Além disso, estava disposta a arriscar. Disposta a arriscar conhecer o homem com quem se casara. Esquecer a fantasia de Matteo como um herói e conhecer o homem que ele verdadeiramente era. — Eu lidei com as situações — murmurou ela. — Foi errado da parte dele. Alessia assentiu. — Eu sei. Mas consegui impedi-lo de bater em qualquer das outras crianças. Sim, eu carreguei a carga mais pesada. Tinha de planejar festas e bancar a anfitriã, tinha de absorver a ira. Mas recebi elogios, também — Eu também, às vezes, recebia elogios de meu pai — disse Matteo, mas o tom era amargo. — Ele passou algum tempo, quando eu estava um pouco mais velho, ensinando-me como fazer negócios como um Corretti. Não os negócios apresentados ao mundo. A fachada limpa, correta. Hotéis, casas de moda. Tudo isso era um disfarce na época. Uma cobertura bem-sucedida, sem dúvida, mas não era a principal fonte de indústria para nossa família. — Eu acho... que todo o mundo sabe disso. — Sim, com certeza. Mas você tem ideia da extensão disso? De quanto poder meu pai possuía? Como ele escolhia exercê-lo? Ela meneou a cabeça, um peso instalando-se em seu estômago. — O que ele fazia, Matteo? O que ele fazia com você? — Comigo? Nada. No sentido que ele nunca me machucou fisicamente. — Há outras formas de machucar. — Lembra que eu lhe disse que não era um criminoso? Apenas porque nunca fui condenado pelos meus crimes. — O que você fez, Matteo? — O estômago de Alessia estava enjoado agora, e ela abandonou o prato de comida, indo para o lado do balcão onde Matteo estava de pé. 86


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Quando eu tinha 15 anos, ele começou a me mostrar o jeito que as coisas funcionavam, levando-me para visitar pessoas que deviam dinheiro para ele. Agora, meu pai só se envolvia pessoalmente na coisa de coletores de débito quando pessoas lhe deviam muito dinheiro. Do contrário, seus brutamontes contratados faziam as visitas. — E ele levou você nessas... visitas? Matteo assentiu, os braços cruzados sobre o peito. Havia um distanciamento no olhar dele que a deixou gelada por dentro. — Nas primeiras semanas, eu tinha apenas de ver. Um chute rápido nas pernas. Um aviso. Um osso quebrado. Mas muito melhor do que o tipo de coisa que ele e seus homens estavam dispostos a fazer. — Dio. Você nunca deveria... Seu pai nunca deveria ter deixado você ver... — Ela parou então, porque sabia que havia mais. E que era pior. Podia sentir a ansiedade emanando de Matteo em ondas. Alessia tocou-lhe o braço, que estava úmido de suor, os músculos tremendo sob seus dedos. — Uma noite, ele me mandou para fazer aquilo. As palavras pesaram no ar, fazendo Alessia entender como ele se sentia. Sujo. Envergonhado. Ela não sabia como tinha tanta certeza de que era assim que ele se sentia, mas tinha. — O que aconteceu? — Alessia manteve a voz firme, tentou parecer pronta para ouvir aquilo. Tentando estar pronta para ouvir. Porque ele precisava falar sem medo de sua recriminação. Sem medo de ouvir que havia alguma coisa errada com ele. — Eu fiz aquilo — confessou Matteo. — Meu pai me mandou quebrar as pernas de um homem, porque ele devia dinheiro à nossa família. E eu quebrei.

Capítulo 10 Matteo esperou que Alessia absorvesse o horror de sua admissão. Que ela fugisse, em desgosto. Ele não a culparia. Também queria desesperadamente que ela ficasse. — Matteo... 87


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Estas mãos — disse ele, erguendo-as, palmas para cima — que tocaram você, foram usadas de maneiras que um homem nunca deveria usar as mãos. — Mas você não é assim Ele meneou a cabeça. — Com certeza, eu sou. — Mas você não gostou do que fez. — Não, eu não gostei. — Ele podia lembrar vividamente como se sentira, do suor brotando em sua pele. Vomitara depois. Os homens de seu pai tinha achado aquilo divertido. — Mas fiz. — O que seu pai teria feito se você tivesse desobedecido à ordem? — Isso não importa. — Sim, importa, Matteo, você era um menino. — Mas com idade suficiente para saber que o que meu pai fazia era errado. — O que ele ameaçou fazer se você não agredisse o outro homem? Matteo temeu, por um momento, que seu estômago se rebelasse. — Ele disse que se eu não pudesse fazer aquilo com um adulto, eu teria de praticar com algumas crianças do vilarejo. O rosto de Alessia se contorceu com horror. — Você teria feito isso? — Eu não sei. Mas não ia descobrir, também — Seu pai obrigou você a tal ato. — Ele me manipulou, mas eu fiz aquilo. — Como? — perguntou ela num sussurro. — É fácil fazer coisas, qualquer coisa, quando você consegue calar a emoção em seu interior. Algo que aprendi. Descobri que existe um lugar dentro de mim tão frio quanto qualquer parte da alma de meu pai. Se eu fosse para lá, não era tão difícil cometer uma maldade. — Somente depois de cometê-la, ele desmoronara. No final, tal fraqueza o salvara. Seu pai decidira que ele não estava pronto. Não queria que o filho mais velho, aquele que assumiria seu império, diminuísse seu poder de liderança mostrando tamanha fraqueza. E, depois, Matteo lidara com o conhecimento de que vivia com um monstro, de que era capaz das mesmas atrocidades, congelando cada emoção. Não se permitia almejar dinheiro ou poder do jeito que seu pai almejava. Paixão, desejo e ganância eram inimigos. Então ele vira Alessia. E permitiu que ela ocupasse um lugar em seu interior, um lugar que era quente e brilhante, onde ele podia se recolher. Via 88


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates felicidade através dos olhos dela, quando a observava. Sua atração por ela não era física, mas emocional. Matteo permitiu que uma parte sua vivesse através dela. E no dia que vira aqueles homens atacando-a, o monstro em seu interior confrontara a paixão que ainda existia em suas profundezas, criando uma violência que estava além de seu controle. Uma que o assustava mais do que aquele momento de violência controlada na presença de seu pai. Até mesmo mais do que aquele ato final, o qual removera a vida de seu pai para sempre. Porque isso tinha sido uma escolha que Matteo fizera. Uma escolha alimentada por sua emoção, por seu ódio, e, independentemente do que aqueles homens tinham merecido... era o que aquilo dizia sobre si mesmo que lhe dava certeza de que ele não podia se permitir esse tipo de sentimento. — Você vê, Alessia? Vê que tipo de homem eu sou? Ela assentiu lentamente. — Sim. Você é um homem bom, com um passado trágico. E as coisas que aconteceram não foram culpa sua. — Quando voltei para casa no dia de seu ataque, ainda havia sangue nas minhas roupas. Eu entrei e meu pai estava lá. Olhou para mim e viu evidência do que tinha acontecido. Então sorriu e me disse: “Parece que você está pronto, agora. Eu sempre soube que você era meu filho.” Aquele momento foi gravado em seu cérebro. Estar parado ali, chocado pelo que acontecera, pelo que fizera. E ter seu pai agindo como se ele tivesse feito algum tipo de passagem para se tornar um homem. Ter causado orgulho no seu pai. — Ele estava errado, Matteo, você não é como ele. Estava me protegendo, não estava tentando extorquir dinheiro daqueles homens. Não é a mesma coisa. — Mas é a evidência do que eu sou capaz. Meu pai tinha convicção absoluta no que fazia. Podia justificar aquilo. Acreditava que estava certo, você entende isso, Alessia? Ele acreditava piamente que tinha direito ao seu dinheiro, que tinha direito de machucar aqueles que não pagavam o que lhe deviam. E tudo que é necessário é a convicção distorcida de um homem — Mas as suas não são... — Não são? — Ele quase lhe contou, então, mas não poderia. As palavras nunca poderiam ser faladas em voz alta. — Honestamente acredita nisso? Todo o mundo é passível de ser corrompido, cara. A única maneira de contornar isso é usando sua cabeça e nunca permitindo que seu desejo transforme o errado em certo dentro de sua 89


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates mente. Porque é isso que desejo faz. O desejo de meu pai por dinheiro, o desejo de seu pai por poder, tornou-os homens que farão o que for necessário para alcançar tais coisas. Independentemente de quem machucam. E eu nunca serei este homem — Você não é este homem. Agiu para me salvar sem pensar em sua própria segurança. Pode ver como isso é bom? Como é importante? — Eu não me arrependo do que fiz — disse Matteo. — Tive um bom motivo para fazer aquilo. Todavia, quantos outros bons motivos eu poderia encontrar, se ficasse imerso em meus próprios desejos? Eu poderia ser como Benito, Alessia. — Não, isso não é verdade. — Por que você pensa assim? — Porque você é bom. Ele riu. — Você tem tanta certeza disso? — Sim, Matteo, eu tenho certeza de que você é bom. Sabe o que me lembro daquele dia? Do jeito que você me abraçou, depois. Sabe quanto tempo fazia que alguém não tentava me confortar? Desde minha mãe. Antes disso, era sempre eu que confortava todo o mundo. E então, quando precisei de alguém, você estava lá. Dizendo que tudo ficaria bem. Mais do que isso, fazendo tudo ficar bem Portanto, não me diga que você não é bom Porque é. Ele não acreditava em Alessia, porque ela não sabia de toda a verdade. Mas queria guardar aquelas palavras em seu coração, agarrar-se à imagem que Alessia tinha dele, não queria que ela o visse de nenhuma outra forma. — Eu coloquei sangue no seu rosto. No dia que sequei suas lágrimas. — Valeu a pena. — Ela o fitou com aqueles lindos olhos escuros e pegou-lhe as mãos nas suas. — Vamos para cama. E Matteo foi impotente para fazer qualquer coisa senão a seguir. Alessia acordou na manhã seguinte com uma profunda sensação de contentamento. Nunca sentira nada como aquilo antes. Nunca sentira como se tudo estivesse certo na vida. Então, tornou-se consciente de um peso quente e sólido as suas costas, de uma mão descansando em seu quadril. E estava nua, o que era incomum, porque geralmente dormia de camisola. Uma camisola que estava rasgada. Sorrindo, ela virou-se para encarar Matteo. Seu marido. Ele ainda dormia, as linhas da testa suavizadas, a expressão muito mais relaxada do que quando ele estava acordado. 90


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Ela inclinou-se e beijou-lhe o rosto, o canto da boca linda. Queria-o novamente. Não importava quantas vezes o tivera no meio da noite, queria-o novamente. Acima de tudo, queria a presença dele, os beijos, a respiração perto da sua. Sonhara com este momento por metade de sua vida. Este momento com Matteo Corretti. Acordara ao lado dele uma vez antes, mas não tivera tempo de saborear aquilo. Seu casamento estivera num futuro próximo, e culpa e medo a tinham feito fugir antes que Matteo acordasse. Mas não esta manhã. Esta manhã, ela ficaria com ele até que ele acordasse. E talvez compartilhasse a cama de Matteo naquela noite, novamente. E todas as noites depois desta. Ele era seu marido, afinal de contas, e parecia certo que eles dormissem juntos. Iam tentar fazer daquele um casamento de verdade. Ele nunca amará você. Alessia ignorou o calafrio que o pensamento lhe causou. Não pensaria nisso. No momento, tinha esperança de ser feliz com ele no futuro. Matteo estava em sua cama. Em sua vida. E ela ia ter o bebê dele. Em algum ponto, tal fato seria absorvido, deixando de ser apenas um vago pensamento assustador e maravilhoso. Matteo se mexeu, abrindo os olhos. — Bom dia — disse ele, o tom de voz tão diferente do cumprimento da manhã seguinte do casamento deles. — Bom dia, lindo. — Lindo? — Você é. E eu sempre quis dizer isso. — Para você. — Alessia... você é uma figura rara. — Eu sei. — Matteo rolou sobre as costas, e ela o seguiu, descansando os seios no peito largo, o queixo apoiado nas mãos. — Ontem à noite, foi maravilhoso. Ele ergueu-a mais sobre seu peito e beijou-a. Alessia fechou os olhos e gemeu baixinho. — Você é tão bom nisso — murmurou ela quando eles se separaram. — Eu sinto como se tivesse um entusiasmo contagiante pós-orgasmo. Isso existe? Matteo virou-se de lado e sentou-se, não se incomodando em se cobrir. — Eu não sei. Não posso dizer que já experimentei isso. — Ah. — Aquilo magoou mais do que deveria. Não porque ela queria que 91


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Matteo tivesse experimentado o entusiasmo pós-orgasmo com qualquer outra pessoa, mas porque desejava que ele tivesse experimentado isso com ela. — O que foi, cara? — Nada. — Ela abriu a palma no peito dele e roçou-lhe os lábios com os seus. Então, o celular de Matteo tocou sobre o criado-mudo. — Eu preciso atender — disse ele, virando-se e pegando o telefone. — Corretti. — O corpo poderoso enrijeceu. — O que você quer, Alessandro? O coração de Alessia disparou. Não queria pensar em Alessandro no momento. Sentia-se mal pelo jeito que as coisas tinham acabado. Ele fora gentil com ela, mesmo que distante. E Alessia esperara até o último minuto para mudar de ideia. Ela saiu da cama e começou a procurar suas roupas. Não encontrou nada além do avental vermelho que não cobria muita coisa. — Eu estou ocupado. Você não pode simplesmente convocar uma reunião e esperar que eu largue tudo e vá ao seu encontro como um cachorrinho. Talvez, esteja acostumado com sua família tratando-o assim, mas não obterá esta deferência de mim Alessia vestiu o avental. Era melhor do que nada. Matteo levantou-se completamente nu, andando pelo quarto. — Angelo? — O nome soou como um palavrão. — O que você quer com aquele bastardo? — Uma pausa. — Foi um comentário sobre o caráter dele, não sobre o nascimento de Angelo. Tudo bem. Ao meio-dia. Na casa de Salvatore. Ele desligou e jogou o telefone sobre a cama, continuando a andar. — Era Alessandro. — Eu percebi. — Ele quer que eu vá a uma reunião na casa de nosso avô. Com Angelo, de todas as pessoas. — Ele é seu primo. É da família, assim como Alessandro. — Eu já tenho muitos membros da família de quem não gosto. Por que acrescentar mais algum? — Você não gosta nem de seus irmãos? — Não. — Por que não gosta de seus irmãos? — Porque se alguma vez eu corri o risco de aderir às tendências corruptas dos Corretti, foi quando nós começamos a fazer jogos estúpidos nos negócios. — Mas eles são sua família. — Minha família é uma piada. Não passamos de criminosos egoístas, que 92


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates venderiam um ao outro pelo preço certo. E todos nós fizemos isso. — Então, talvez alguém tenha de colocar um fim nessa rixa. — Não sei se somos capazes. — Talvez você devesse ser o primeiro a tentar? — Alessia... — Ouça, eu sei que não conheço a dinâmica de sua família, mas se você detesta tanto essas rixas, acabe com elas. — Eu preciso me vestir. — Eu vou preparar o café da manhã — disse ela. — Estou vestida para isso. — Talvez você choque os empregados. — Oh. — Ela enrubesceu. — Pensando bem, vou para o meu quarto. — Certo. E depois, peça a Giancarlo para mudar as suas coisas para a suíte máster. — Você quer que eu mude para cá? — Sim. Voltar para seu quarto de avental, todas as manhãs, seria inconveniente, não acha? Uma pequena esperança brotou no coração de Alessia. — Definitivamente, seria um pouco inconveniente. Eu adoraria me mudar para seu quarto. — Ótimo. — Ele inclinou-se e beijou-lhe os lábios. — Agora, eu preciso me arrumar. Quando Salvatore estivera vivo, Matteo evitara ir à casa de seus avós sempre que podia. O velho homem era um manipulador, e Matteo raramente estava no humor para o tipo de jogos mentais dele. Entretanto, toda vez que sua avó precisara dele, Matteo estivera lá. Assim como todos eles. A casa de Salvatore era o terreno neutro por essa precisa razão. Por Teresa. Significando que era o cenário apropriado para o que eles fariam hoje. Matteo entrou na casa e foi para o estúdio. Não viu sua avó ou algum membro do staff. Apenas um Alessandro de aparência hostil e Angelo sentado numa cadeira, um drinque na mão. — O que era tão importante que você queria falar comigo? — Desculpe-me por interromper sua alegre lua de mel com sua nova esposa. Presumo que ela realmente tenha ido até o fim com o casamento — disse Alessandro. — Ela foi. Angelo recostou-se e olhou ao redor da sala. — Então, é isso que o dinheiro do velho Corretti compra. Acho que eu prefiro minhas casas. 93


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Nós todos preferiríamos não estar aqui — disse Matteo. — O que me faz perguntar novamente, por que estamos? — Você casou-se com Alessia, portanto presumo que fez um acordo com o pai dela? — Comércio dentro e fora da Sicília está assegurado para os Corretti, e a área do cais é nossa. O projeto de revitalização está pronto para começar. — Conveniente. — Angelo inclinou-se para a frente. — Porque eu também fiz um acordo com Battaglia — disse ele, explicando os detalhes do projeto de construção no qual estava trabalhando, facilitado pelas conexões dos Battaglia. — E o que isso tem a ver conosco? — Pode ter muito a ver com você, presumindo que queira dar os passos para unificar a companhia. — Nós precisamos unificar — disse Alessandro. — Do contrário, passaremos os próximos 40 anos destruindo tudo. Como nossos pais fizeram. Matteo riu, um som sem humor. — Você é meu primo, Alessandro, mas eu não desejo morrer num depósito incendiado com você. — Motivo pelo qual isso precisa acabar — argumentou Alessandro. — As pessoas devem ver todos na família com quantidade igual de poder. Isso nos colocará na posição de tornar a família, a companhia, forte, novamente. Sem a necessidade de atividades criminais para isso. Alessandro explicou seu plano. Envolveria todos, incluindo as irmãs deles, dando o mesmo número de ações para todos na companhia e unificando os dois lados, pela primeira vez. — Isso funcionará contanto que este tolo concorde em devolver algumas das ações extras que adquiriu — murmurou Alessandro, indicando Angelo. — Eu disse que faria isso — respondeu Angelo, sua concordância surpreendendo. Igualmente surpreendente era a falta de raiva vinda do outro homem. Ou talvez não. Matteo imaginou se Angelo conhecera uma mulher. Sabia o tipo de mudança uma mulher poderia causar num homem — Ótimo — exclamou Alessandro. — Você está conosco? Matteo pensou no incêndio. Na última vez que vira seu pai. Em tudo que a ganância custara. Esta era a sua chance de colocar um fim naquilo. De recomeçar. O passado nunca poderia ser apagado, mas o futuro poderia ser novo. Para ele. Para Alessia. Para o filho ou filha deles. Ele possuía muitas outras coisas boas em sua vida, para despender esforço alimentando ódio. Estendeu a mão, e Alessandro apertou-a com firmeza. Então, Matteo 94


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates estendeu sua mão para Angelo, e, pela primeira vez, apertou a mão dele. — Suponho que isso significa que você é um de nós, agora — ele falou para Angelo. — Eu não sei se você deveria estar feliz sobre isso ou não. — Eu o informarei — replicou Angelo. — Mas até agora, isso não parece tão ruim — Muito bem, onde eu assino?

Capítulo 11 Matteo estava exausto no momento em que chegou de volta ao palazzo. Lidar com Alessandro, ir à casa de seu avô, o drenara de um jeito que ele não antecipara. Por outro lado, um peso tinha saído de seus ombros. A promessa de um futuro que, pela primeira vez, continha paz, em vez de violência. E havia Alessia o esperando em casa. O pensamento enviou-lhe uma carga de adrenalina, aquecendo-o. Ele deixou o carro parado diante da casa, com a chave na ignição. Um dos membros de seu staff estacionaria para ele, mais tarde. Por alguma razão, precisava ver Alessia com urgência, afirmar quem ele era. Ver o rosto dela se iluminar. Ter alguém o olhando como se não soubesse o que ele era. Alessandro e Angelo não sabiam sobre seu passado, mas sabiam o bastante sobre a família para terem uma ideia. Alessandro certamente não escapara de uma infância com Carlo sem suas próprias cicatrizes. Mas Alessia o fitava como se não soubesse ou não acreditasse em nada daquilo. Isso não é justo. Ela precisa saber. Não, Matteo não queria que ela soubesse. Queria que ela visse o homem que ele poderia ter sido, se não fosse por Benito Corretti. Ele mudaria o que significava ser um Corretti, para seu filho. Nunca o deixaria ver a podridão. Jamais. Um sentimento feroz de querer proteger envolveu-o, como se ele estivesse, pela primeira vez, absorvendo o significado da gravidez de Alessia. 95


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Um filho. Seu filho. Matteo encontrou Alessia numa sala de estar, um livro nas mãos, os joelhos dobrados contra o peito. Ela usava um vestido de verão que escorregara coxas acima. Ele adoraria removê-lo de vez, mas também descobriu que não queria perturbá-la. Queria apenas olhar. Ela ergueu os olhos então, o rosto capturando o sol que se infiltrava pelas janelas. Deu-lhe um sorriso brilhante. — Como foi a reunião? — Nós nos xingamos, insultamos a honra um do outro, depois apertamos as mãos. Portanto, como era esperado. Ela riu. — Isso é bom, suponho. — Sim Decidimos dividir as ações das Empresas Corretti igualmente. Uma maneira de todos obterem sua parte. Isso será bom para todos. Especialmente para a geração depois da nossa. Na qual eu agora tenho interesse pessoal. Alessia sorriu, a covinha na face esquerda aprofundando-se. — Suponho que tem. E fico feliz por isso. Ele sentou-se no sofá, ao seu lado. — Você já pode sentir o bebê? Ela meneou a cabeça. — Não. Mas o médico falou que vai parecer um tremor. — Posso? — Matteo estendeu a mão, bem acima da barriga levemente arredondada. — Claro. Ele engoliu em seco e abriu a palma na barriga dela. A saliência era pequena, mas evidenciava a vida que eles tinham criado. Alessia seria a mãe de seu bebê. Ela merecia saber. Realmente o compreender. Não apenas o olhar e ver uma ilusão. Porque, por mais brilhante que o futuro tivesse se tornado, o passado ainda era preenchido com sombras. E enquanto tais sombras não fossem levadas à luz, o poder delas permaneceria. — Há mais alguma coisa — disse ele, afastando a mão e cerrando-a em punho. — Sobre a reunião? — Não. — Sobre o quê? — Sobre mim. Sobre por que... pode não ser uma boa ideia para você tentar fazer este casamento comigo dar certo. Sobre o limite do que eu posso 96


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates dar. — Matteo, eu já lhe disse como me sinto sobre o que aconteceu com seu pai. — Mas você não sabe o que aconteceu na noite do incêndio no depósito, que matou meu pai e Carlo. — Não. Ninguém sabe o que aconteceu naquela noite. — Isso não é verdade. Eu sei. — Como? — Porque, cara mia, eu estava lá. — Você estava lá? Matteo assentiu lentamente. Visões do incêndio preencheram sua mente. — Sim. Eu estava lá para tentar convencer meu pai a passar todas as ações da Corretti para mim. Eu queria mudar as coisas. Acabar com a extorsão e com as fraudes. Mas ele não me ouvia. Na ocasião, meu pai ainda estava dirigindo esquemas criminosos, usando os hotéis, os quais eu gerenciava, para ajudar a agiotar dinheiro. Para ajudar a colocar notas falsas em circulação nas mãos certas. Ou nas mãos erradas, como poderia ter sido. Eu não queria fazer parte daquilo, mas enquanto meu pai estivesse envolvido na administração da companhia, aquilo nunca ia acabar. Eu queria uma saída. — Ah — sussurrou Alessia, como se soubesse o que viria a seguir. Matteo perversamente queria que ela continuasse agarrada à fantasia do cavaleiro branco e rejeitasse a verdade que ele estava prestes a lhe mostrar. — Eu não sei como o incêndio começou, mas o depósito estava cheio de lâminas falsas e suas máquinas de imprimir. Esse é um jeito de fazer dinheiro, certo? Imprimir seu próprio. Matteo olhou para as mãos, seu coração disparado, um aperto tão forte no peito que ele mal conseguia respirar. — O fogo se espalhou rapidamente. Não sei onde Carlo estava quando começou. Mas eu estava do lado de fora, discutindo com meu pai. E ele virou-se, olhou para o fogo e começou a andar na direção do mesmo. Matteo fechou os olhos, a impressão das chamas queimando atrás de suas pálpebras. — Eu disse a ele que se ele entrasse de novo naquele maldito depósito para resgatar as lâminas, eu o deixaria lá. Pedi que ele deixasse o dinheiro queimar. Que nós recomeçássemos. Falei que, se ele voltasse, eu o deixaria queimar com tudo lá dentro e que então ele continuaria queimando no inferno. — Matteo... não. — Ela balançou a cabeça, os olhos escuros cheios de 97


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates lágrimas. Parecia horrorizada. A luz de Alessia desaparecera. A sua luz. — Sim — confirmou ele. — Pode adivinhar o que meu pai fez? — O quê? — As palavras não passaram de um sussurro. — Ele riu. E disse: “Exatamente como pensei, você é meu filho”. Falou que não importava o quanto eu fingisse que tinha moral, eu era tão sedento por sangue quanto ele. Tão ávido por vingança e por ter o que eu considerava que deveria ser meu. E então, ele voltou a entrar no depósito. — O que você fez? Matteo lembrava-se do momento, vividamente. Tinha esperado por um minuto, observando, absorvendo as palavras de seu pai. Reconhecendo a verdade nelas. E abraçando-as completamente. Ele era filho de seu pai. E se ele, ou qualquer outra pessoa, tivesse uma chance de se libertar, aquilo tinha de acabar. A frente do depósito havia caído, e Matteo ficara olhando, a mão curvada ao redor de seu telefone. Poderia ter ligado para os bombeiros. Poderia ter tentado salvar Benito. Em vez disso, virara-se, uma fagulha caindo em seu pescoço. E ele fora embora, sem olhar para trás. E naquele momento, estava totalmente possuído de tudo que seu pai o treinara para ser. Matteo soubera sobre as mortes de Carlo e Benito pelo telefone, no dia seguinte. E não houvera mais negação. Ele deixara de acreditar que, no fundo, era bom, que tinha uma esperança de redenção. Tal esperança queimara no depósito. — Eu o deixei morrer — disse ele. — Observei meu pai entrar no depósito, vi a frente do prédio caindo. Eu poderia ter chamado socorro, mas não fiz isso. Escolhi ser o homem que ele sempre quis que eu fosse. O homem que sempre fui. Virei-me e fui embora. Fiz o que prometi que faria. Deixei-o queimar, com o maldito dinheiro. E não posso me arrepender da escolha. Meu pai fez a sua, eu fiz a minha. E todos estão livres dele, agora. Dos dois. Alessia estava pálida, os lábios azulados. — Eu não sei o que dizer. — Entende, Alessia? Era isso que você precisava entender. — Matteo estendeu a mão para tocá-la, e ela recuou. Aquilo foi como uma punhalada no seu peito, porém não menos do que ele merecia. — Eu não sou o herói da história. Na verdade, sou o vilão. Ela entendia agora. Matteo podia ver o horror nos grandes olhos escuros. Alessia estava com medo. Com medo dele. — Acho melhor eu esperar alguns dias, antes de mudar minhas coisas para seu quarto — ela falou após um longo momento de silêncio. 98


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Ele assentiu. — Uma decisão sábia. — Matteo cerrou os dentes para esconder a dor. — Eu falarei com você mais tarde? — É claro. — Ele recostou-se no sofá e observou-a sair da sala. Então fechou os olhos e tentou visualizar o sorriso de Alessia, novamente. Aquele que ela lhe dera momentos antes. Mas tudo que pôde ver foi a expressão assustada no rosto bonito, a expressão que ele pusera ali. Alessia sem fôlego no momento em que chegou ao seu quarto. Fechou a porta e colocou uma mão sobre o peito, sentindo seu coração disparado. Matteo deixara Benito e Carlo morrerem Ela começou a andar de um lado para o outro, lutando contra as lágrimas. Reviu na mente tudo que ele dissera. Ele não forçara Benito ou Carlo a entrar no prédio em chamas. Não lhes causara danos com suas próprias mãos. Matteo tinha ido embora, aceitando, naquele momento, quaisquer consequências que pudesse haver. Alessia sentou-se na beira da cama. E tentou comparar o homem no andar de baixo com o homem que ela sempre acreditara que ele fosse. O homem sob a armadura não era perfeito. Era ferido, além da razão. E pela primeira vez, ela realmente entendeu o que isso significava. Entendeu como ele era fechado. Como seria difícil alcançá-lo. E Alessia não tinha certeza se podia fazer isso. Se ela possuía forças para tal tarefa. Havia sido tão mais fácil quando ele era apenas fantasia. Quando ele era um ideal, um homem enviado para resgatá-la. Ela o colocara em tal posição. Desde o primeiro momento em que o vira. Então, depois que Matteo a resgatara, Alessia o idealizara ainda mais. E na noite de sua despedida de solteira, ela usara Matteo como parte de sua fantasia, como parte do pequeno mundo que construíra em sua mente, a fim de não desmoronar. Ela o tomara em seus próprios termos, usara-o para preencher um vazio nem nunca olhara verdadeiramente para o vazio de Matteo. Nunca tentara preenchê-lo. Conhecer Matteo significava saber disso. Saber que ele enfrentara uma terrível decisão e que fizera uma escolha terrível. A escolha errada, pelo menos em termos tradicionais do que era certo e errado. Poucas pessoas o condenariam por não ter corrido para dentro do prédio em chamas, atrás do pai, mas saber que ele não pedira ajuda... Seu amante, seu Matteo, possuía um coração envolto em gelo. Quebrar 99


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates aquele gelo, achar o coração dele, talvez fosse impossível. Alessia encarou esta verdade pela primeira vez. Talvez, Matteo nunca a amasse. O final podia não ser realmente feliz. A verdade era que ela passara a vida em negação. Buscando o contentamento a todo custo. Se isso exigisse negação, Alessia a empregava e sempre fizera isso de maneira efetiva. Andar ao longo da nave da igreja, em direção a Alessandro, tinha sido a primeira vez que ela percebera que, se não fizesse alguma coisa para parar o que não queria, aquilo não pararia sozinho. Cruzou os braços, sentindo frio. Tinha outra escolha a fazer. Uma escolha sobre Matteo. E ela não adocicaria a situação. Não faria vista grossa. Isso era o que as esposas dos homens Corretti, dos homens Battaglia haviam feito. Olhado para o outro lado, enquanto seus maridos mergulhavam na destruição, mas Alessia não faria tal coisa. Se ela ia ser esposa de Matteo, em todos os sentidos, então enfrentaria tudo de cabeça erguida. Era vazio comprometer-se com alguém, se você fingisse que esta pessoa fosse alguém que não era. Era vazio dizer que você amava alguém, se apenas amasse uma miragem. Amor. Temera conectar esta palavra com Matteo por tanto tempo, entretanto, sabia que o sentimento era este. Sempre fora. Pelo menos, ela amara o que conhecera sobre ele. Agora, conhecia mais. Agora, teria de descobrir se amava o ideal ou o homem. Matteo estava deitado na cama. Passava da meia-noite. Horas desde que vira Alessia pela última vez. Horas desde que eles tinham conversado. Seu corpo doía, um ferimento sangrando em seu peito, onde seu coração deveria estar. A ausência do coração não era novidade, mas a dor era. Vivera entorpecido por tanto tempo, e Alessia voltara para sua vida. Então, as coisas haviam começado a mudar. Ele começara a querer, novamente. Começara a sentir. Era como se tivesse aberto uma ferida, como se estivesse recomeçando, olhando para o menino que havia sido. Aquele que fora tomado nas mãos de seu pai e moldado, de maneira dura e cruel, na imagem que o homem mais velho quisera ver. Matteo sentia-se fraco. Vulnerável de um jeito que nunca se sentira na vida. Alessia se afastara, e ele não podia culpá-la. De certa forma, isso o confortava. Porque, pelo menos, ela não mergulhara cegamente na ilusão de 100


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates quem queria que ele fosse. Ouvira suas palavras. E acreditara nelas. Ele deveria estar grato por isso. Feliz que ela sabia. Que não estava comprometida com um homem que não existia. Mas não conseguia se sentir feliz. Egoisticamente, queria-a de volta. Queria a luz, o calor e os sorrisos. Queria a pessoa que o olhava e via esperança. — Matteo? Ele olhou para cima e viu Alessia parada à porta, o cabelo escuro solto ao redor dos ombros. — Sim? — Ele sentou-se. — Eu senti que devia a você pensar sobre o que me contou. — E devia isso a si mesma. Ela assentiu. — Suponho que sim. — E a que conclusão você chegou? — Você não é o homem que eu pensei que fosse. As palavras o atingiram com força total. — Não. Tenho certeza de que em todas as suas fantasias comigo, você nunca sonhou que eu fosse um assassino. Ela meneou a cabeça. — Não sonhei. E ainda não acho que você seja isso. Também não acho que você é perfeito, mas acredito que foi injusto da minha parte tentar fazê-lo perfeito. Você tinha sua própria vida, longe de mim, suas próprias experiências. Meu erro foi acreditar que tudo começava e acabava durante as vezes que nossos olhos se encontravam sobre o muro do jardim Na minha mente, quando você me abraçou depois do ataque, você foi para algum lugar nebuloso, algum lugar que eu não pude visualizar. Eu não pensei na realidade de você voltando para casa, coberto em sangue. Não pensei no que sei pai lhe diria. Eu sabia que Benito Corretti era um homem mau, mas, por algum motivo, nunca imaginei o efeito disso em você. Eu sempre o visualizava no contexto da minha vida, encaixando-o nos meus sonhos. Isso foi meu erro, não seu. — Mas eu não a culparia por nunca ter imaginado isso. Ninguém imaginou. Nem mesmo a minha família, tenho certeza. — Todavia, eu não o olhava como se você fosse uma pessoa real. E você fez bem em me fazer enxergá-lo. — Alessia, se você quiser... — Deixe-me terminar. Eu enxergo você agora, Matteo, não a fantasia que criei. E não quero ir embora. Quero ficar ao seu lado. Quero formar uma família com você. 101


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Você confia em mim para ajudar a criar seu filho, depois que descobriu do que eu sou capaz? — Aquela noite de sua vida não pode ser considerada em isolamento. Está conectada com o resto de sua vida. A quem seu pai era, à história do que ele fez com outras pessoas, do que ele fez com você. — Ele nunca fez nada comigo, apenas... — Ele o forçou a fazer coisas que você nunca teria feito. Ele o levou a violar sua consciência, repetidas vezes, até que esta ficou marcada. Seu pai o teria transformado num monstro. — Ele me transformou num monstro, Alessia. Ela balançou a cabeça. — Você pôs um fim nisso. — Eu tive de fazer isso, porque você não consegue apenas se afastar dos Corretti. Meu pai não teria me libertado. — Eu sei. Eu entendo. — E você me absolve? — Você não precisa da minha absolvição. — Mas eu a tenho? — perguntou ele, querendo tal absolvição mais do que queria respirar a próxima vez. Alessia assentiu. — Se eu tiver a sua. — Pelo quê? — Pelo o que eu fiz. Por não ter lhe contado sobre Alessandro. Por ter concordado em me casar com ele, em primeiro lugar. Por ter prendido você neste casamento. — Você não me prendeu neste casamento. — Você falou... — Alessia, eu fui manipulado a fazer coisas muito piores do que me casar com você. Uma notícia sobre o quanto eu sou patife por não legitimar seu filho dificilmente iria me forçar a um casamento. — Então, por que você se casou comigo? — Para cimentar o acordo. Para dar um nome ao nosso bebê. Por todas as coisas das quais eu poderia ter escapado. — Então, perdoe-me por ter mentido. Por ter deixado você no quarto de hotel. — Eu perdoo. Fiquei zangado, mas somente porque parecia tão errado ver você andando em direção a ele. Saber que Alessandro a teria, e não eu. Se eu soubesse, na ocasião, que um acordo poderia ser assegurado através de um casamento com você, eu teria me oferecido para o trabalho. 102


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Um pequeno sorriso tocou os lábios dela. — Logo que meu pai me falou sobre o acordo com os Corretti, que seria selado pelo casamento, eu disse sim imediatamente. Eu tinha tanta certeza de que seria você. E quando foi Alessandro que apareceu à porta para discutir os termos, no dia seguinte, eu pensei... pensei que fosse morrer. — Esperando que seu cavaleiro a salvasse? — Sim, eu estava. Mas parei de fazer isso agora. Preciso aprender a me resgatar sozinha. A tomar minhas próprias decisões. — Você certamente vem fazendo isso pelos últimos dois meses. — Verdade. E algumas decisões foram tomadas na hora errada, mas foram minhas. E saiba que agora tomei outra decisão. — Qual? — Você é meu marido. E eu o aceitarei como é. Conhecendo seu passado, sabendo o tipo de homem que você pode ser. Quero que entenda que eu não estou adoçando a verdade. Entendo o que você fez. Entendo que... você não sente emoção do mesmo jeito que eu sinto. Do jeito que a maioria das pessoas sente. — Você realmente entende isso? Eu mantenho minhas emoções numa coleira por uma razão, Alessia, uma razão muito importante, e não abrirei mão do controle. Ela assentiu. — Eu sei. — E você ainda quer tentar? Quer ser minha esposa? Permitir que eu ajude a criar nosso filho? — Sim Independentemente de qualquer coisa, você é o pai do meu filho, Matteo, e não existe revelação que possa mudar isso. Eu não quero mudar isso. — Como pode falar uma coisa dessas com tanta confiança? — Porque, apesar do que você fez, não é cruel. Matteo pegou uma mecha do cabelo dela entre os dedos. Tão sedosos. Ele queria senti-lo roçando contra sua pele. Queria afogar sua dor com prazer físico. — Eu não sou? — perguntou ele. — Não. — Você está errada, cara mia. Eu sou um homem egoísta, que pensa no próprio prazer, no próprio conforto, acima de tudo. Por mais que eu finja o contrário. — Isso não é verdade. — Sim, é. Mesmo agora, tudo que posso pensar é no quanto quero me perder em você, no seu corpo. 103


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Então faça isso. — Alessia, não se sacrifique por mim! Não sinta pena de mim — Eu não sinto. — Ela diminuiu a distância entre eles. — Quero estar perto de você. Conhecê-lo. Ser sua esposa em todos os sentidos. — Alessia sorriu. — Eu também não me oponho aos orgasmos que você sempre me dá. Uma atitude altruísta da minha parte — brincou. Matteo sentiu que seria consumido por seu desejo. Experimentava uma paixão que jurara nunca se permitir sentir. Emoção que jurara que nunca sentiria. Todavia, neste momento com Alessia, os olhos dela tão intensos e honestos, ele não podia conter nada. Negar-lhe nada. Ela sabia a verdade e ainda o queria. Não como um cavaleiro numa armadura brilhante, mas como o homem que ele era. Este era um presente que Matteo não merecia. Mas ele falara a verdade. Era egoísta. Egoísta demais para recusar o que estava em oferta. — Mostre-me o que você quer — sussurrou ele com voz rouca. — Mostreme que ainda me quer. — As palavras ecoaram de sua alma, deixando-o vulnerável. Alessia envolveu um braço ao redor de seu pescoço e pôs a outra mão em seu rosto. Beijou-lhe os lábios suavemente. — Sempre. Não havia esperança que ele fosse nobre. Não agora, não esta noite. Mas então, isso não deveria ser uma surpresa. Ele não era nobre. Não era altruísta. Nem começaria a ser hoje. Matteo beijou-a profundamente, puxando-a para mais perto e deleitando-se na sensação que o abraço lhe causava. Tocar Alessia era uma alegria que nunca se tornaria corriqueira. Ele ansiara pelo toque, pela proximidade dela durante tantos anos, e sabia que esse desejo nunca desapareceria. Apenas aumentaria. Ele ergueu-lhe as pernas ao redor de sua cintura e carregou-a para a cama. Alessia começou a desatar o nó de sua gravata, os movimentos trêmulos e sexies. Matteo sentou-se na cama, e Alessia permaneceu em cima dele, agora descansando sobre os joelhos. Depois de conseguir tirar a gravata, ela começou a abrir os botões de sua camisa. Ele continuou beijando-a, erguendo-lhe o vestido, até o remover pela cabeça dela. Os lábios de Alessia estavam inchados dos seus beijos, as faces coradas, o cabelo desalinhado. Ela parecia selvagem, livre, a criatura mais linda que ele já vira. 104


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Ela deslizou-lhe a camisa pelos ombros, os punhos abotoados prendendo nas mãos dele. Um pequeno gemido escapou dos lábios de Alessia. Ele passou uma mão ao redor da cintura delgada para mantê-la firme e deitou-se na cama, abriu os botões o mais rapidamente possível e jogando a camisa de lado. Alessia levantou-se, parando na frente da cama, na sua frente. Encontroulhe os olhos, pôs as mãos atrás das costas, o movimento rápido. O sutiã caiu, expondo os lindos seios. Matteo perdeu o fôlego. Ela sorriu, então enganchou os dedos nas laterais da calcinha e tirou-a. Ele queria dizer como ela era linda, como era perfeita. Mas não conseguia falar. Só conseguia olhar, completamente enfeitiçado. Ela aproximou-se da cama, os dedos hábeis em seu cinto, fazendo um trabalho ligeiro com sua calça e cueca e deixando-o nu. — Você é tão mais... tão mais do que eu imaginava — murmurou ela. — Eu fantasiava com você, mas eram fantasias de menina. Porém, não sou mais uma menina, sou uma mulher. E estou feliz por você não ser apenas aquela imaginação de uma dimensão que eu criei. Estou feliz por você ser quem é. Alessia inclinou-se, deslizando a ponta da língua ao longo de sua ereção. Todos os pensamentos desapareceram da cabeça de Matteo. Lábios sensuais se curvaram num sorriso, enquanto ela o provocava com a boca. — Eu nunca fiz isso antes, então, você tem de me dizer se estou fazendo errado. — Você nunca poderia fazer isso errado — disse ele, ofegante. E Alessia provou que ele estava certo. A boca incrível era uma doce tortura que o deixou em chamas. Mas enquanto outras chamas destruíam, este fogo limpava. Ele entrelaçou os dedos no cabelo dela, precisando de uma âncora. Precisando tocá-la, ser parte daquilo. Não apenas receber o prazer que ela estava lhe dando. Ele precisava de mais. Precisava prová-la, também — Suba na cama. Ela obedeceu, não abandonando sua tarefa, enquanto se ajoelhava sobre a cama. Matteo sentou-se, e Alessia levantou a cabeça, a expressão confusa. Então ele segurou-lhe os quadris e posicionou-a de forma que pudesse prová-la, ao mesmo tempo em que ela o provava. Alessia arfou quando sua língua a tocou. — Não pare — comandou ele, deslizando um dedo para o interior escorregadio, enquanto lhe dava prazer com a língua. Ela arfou, congelou por um momento, antes de tomá-lo inteiro na boca. Matteo jogou a cabeça para trás, um 105


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates gemido gutural nos lábios. — Eu não vou durar muito mais tempo — disse ele. — Nem eu. — Ela mudou de posição, sentando-se de pernas abertas sobre ele. Inclinou-se e beijou-lhe a boca. — Pronto? — Mais do que pronto. Alessia posicionou o corpo de modo que a cabeça da ereção encontrasse sua entrada úmida, então, abaixou-se sobre ele, tão devagar que Matteo pensou que pudesse ser consumido pelo calor que o inundou. Eles se moveram juntos, se entreolhando o tempo inteiro. Ambos alcançaram a extremidade ao mesmo tempo, e tudo que pôde fazer foi agarrar-se a ela enquanto a liberação percorria-o como uma onda, não deixando nenhuma parte sua intocada, nenhuma parte sua escondida. Quando a tempestade passou, Alessia estava com ele. Ela descansou a cabeça no seu peito, respirando contra sua pele. Ele passou os braços ao redor dela, aninhando-a junto a si. Manteria Alessia consigo, independentemente de qualquer coisa. Sim, era um patife egoísta. Mas nesse momento, não podia lamentar o fato. Se isso significasse manter Alessia, ele nunca lamentaria.

Capítulo 12 Alessia acordou algumas horas mais tarde, sentindo frio. Não sabia por quê. Estava uma noite quente, e ela tinha cobertores e Matteo para mantê-la aquecida. Matteo. Ela queria tocá-lo. Realmente o tocar, não apenas suas mãos na pele dele, mas lhe tocar o coração. Sua realidade estava tão próxima do que ela queria. Um bebê. O homem que amava. Dio, amava-o tanto que doía. Não somente por ela, mas por Matteo. Pelo que sabia que eles poderiam ter, se ele abrisse o coração. Uma lágrima escorreu por sua face, e ela saiu da cama e andou para a 106


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates janela. Agora, estava chorando. Não sabia bem por quê. Mas estava. Realmente chorando. De um poço sem fundo que parecia ter se aberto em seu interior. Por que nunca conseguia o que queria? O amor de sua mãe estivera lá, tão brevemente, apenas tempo o bastante para que Alessia o provasse, para que soubesse como era. Só para que pudesse sofrer quando perdesse esse amor? E então havia Matteo. O homem que ela quisera durante toda sua vida. Seu herói. O desejo de seu coração. E quando seu pai dissera que ela se casaria com um Corretti, é claro que tinha sido Matteo que lhe viera à mente. Mas ele a dera para Alessandro. E então, mais uma chance, Matteo no hotel. E ela conseguira estragar tudo. No final, estava com Matteo, mas do jeito mais desonesto possível. Não contando a ele que estava noiva, anunciando para o mundo que estava grávida, forçando-o a um casamento, de certa forma. E, da parte dele, o elo entre os dois não ia além do físico. O amor que estava fazendo um buraco em sua alma nunca seria correspondido. — Alessia? — Ela virou-se e viu Matteo sentando-se, a voz preocupada. — Você está bem? Eu a machuquei? — Não. Eu só estava... pensando. — Não adiantava tentar esconder as lágrimas. Sua voz estava embargada por elas. — Sobre o quê? Alessia mordeu o lábio. Então, optou por honestidade. — Eu estava fingindo. — Como assim? — Minha vida inteira. Pensei que se eu fingisse ser feliz, se valorizasse o que tinha, tudo ficaria bem. Que se eu sorrisse o bastante, superaria a perda de minha mãe. Que o tapa mais recente que meu pai deu no meu rosto não doera mais do que eu queria admitir. Tive de fingir, porque alguém precisava mostrar para meus irmãos que você escolhe como lidar com sua vida. Eu não queria que eles ficassem tristes, ou me vissem triste. Então, eu os protegi da maneira que pude. Tentei carregar o fardo da felicidade de todos, mas não sou feliz — admitiu Alessia, pela primeira vez. — Não quero sorrir sobre minha infância. Foi horrível. Meu pai era horrível. E eu tive de cuidar de meus irmãos, e era tão difícil. — Ela enxugou as lágrimas do rosto, tentou, sem sucesso, fazer as mãos pararem de tremer. — Eu os amo muito, então detesto admitir isso, mas... eu estava disposta a dar tudo por eles. E ninguém... ninguém nunca me deu nada. E lamento se isso faz de mim uma pessoa ruim, mas quero que alguém se importe. Quero que alguém se importe comigo. 107


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Alessia... — Desculpe — murmurou ela. — Este estado emocional deve ser por causa dos hormônios. — Será? Ela assentiu. — Estou com pena de mim mesma, um pouco tarde demais. — Diga-me o que você quer, Alessia. Era um comando, e ela sentiu-se compelida a responder: — Eu quero que alguém me ame. — Seus irmãos e irmãs a amam — Eu sei. Matteo observou Alessia, o corpo dela dobrado em desespero, a expressão desolada, e sentiu como se alguém o estivesse apunhalando. A admissão dela era tão direta, tão dolorosa. Ele percebeu que a colorara numa posição, como seu anjo, sua luz, e que não pensara, uma única vez, se Alessia precisava de alguma coisa. Estava sugando-a, em vez disso. Drenando sua luz. Usando-a para iluminar os buracos escuros em seu interior. Usando-a para aquecer a sua alma. Usando-a para satisfazer suas necessidades egoístas. — Mas não é desse tipo de amor que você fala, é? — É apenas que... não posso ser eu mesma perto de meus irmãos — replicou ela. — Não posso demonstrar meu sofrimento. Não posso... baixar a guarda por um momento, porque eles sentirão que são um fardo, e eu... não quero isso. Não é justo. — Mas e quanto a você? — O que sobre mim? Matteo sentiu um peso no peito. Apenas horas atrás, estivera contente em abraçá-la. Contente em mantê-la, porque ela aceitara quem ele era. Mas entendia agora. Entendia que Alessia aceitava menos do que deveria. Que ela se doava sem receber de volta. E que continuaria fazendo isso, até que sua luz própria se extinguisse. E ele seria o pior ofensor. Porque era muito fechado, muito marcado para oferecer qualquer coisa em retorno. Sexo não substituiria, por mais que Matteo quisesse fingir o contrário. Sexo não supriria a necessidade de Alessia ser amada. — Eu tenho de ir — disse ele com pesar. — O quê? — Preciso ir aos escritórios por algumas horas. — São 4h da manhã. 108


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Eu sei, mas isso não pode esperar. — Tudo bem Por que Alessia tinha de aceitar aquilo? Por que ele tinha de a fazer aceitar? Matteo vestiu-se rapidamente. Alessia continuou parada perto da janela, observando-o. Ele abotoou os punhos da camisa e abriu o armário, pegando um paletó. Então respirou fundo, virando-se de costas para Alessia. — Eu devo chegar tarde esta noite. Fique à vontade para ir dormir. — Aqui? — Talvez fosse melhor se você voltasse para seu quarto. Suas coisas não foram transferidas para cá, afinal de contas. — Mas eu tomei minha decisão. — Talvez eu não tenha tomado a minha. — Você falou que tinha, mais cedo. — Sim, eu falei, e então você decidiu que precisava de mais tempo para pensar sobre o assunto. Agora, eu gostaria de um tempo, também. É justo, não é? Ele pegou seu celular do criado-mudo, e um flashback aconteceu. De como havia sido quando virara as costas para o depósito incendiando, deixando as pessoas do lado de dentro lidarem com as consequências das ações delas, sem a sua ajuda. Mas isso era diferente. Ele estava indo embora por motivos diferentes. Não para se libertar. Mas para libertar Alessia. E quando voltasse para casa, mais tarde, talvez tivesse forças para fazer isso. Para fazer o que precisava ser feito. Alessia não voltou a dormir. Em vez disso, andou pelo palazzo como um zumbi, tentando entender por que tivera uma explosão emocional com Matteo. E por que ele reagira daquela maneira. De súbito, queria mais do que aquele contentamento que se tornara tão boa em cultivar. Não sabia bem por que queria mais. Tinha Matteo. Isso deveria bastar. Mas não bastava. Porque você não o tem, realmente. Não o tinha. Tinha seu nome. Estava casada com ele, compartilhava sua cama e seu corpo, mas não o tinha realmente. Porque o coração de Matteo continuava inalcançável. Não somente para ela, mas para todos. Alessia queria tudo. Porque isso era amor, um sentimento horrível, em sua 109


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates opinião. Porque se ela pudesse pôr um sorriso no rosto e aceitar o que ele estava dando, sem pedir mais, tinha certeza de que poderia encontrar algum tipo de felicidade ali. Mas não haveria felicidade. Não haveria nada profundo e duradouro. E ela estava cansada de se contentar com menos do que merecia. — Buongiorno. Alessia virou-se e viu Matteo parado à porta, o cabelo despenteado, o nó da gravata desfeito, a camisa desabotoada no colarinho. O paletó havia sido descartado em algum outro lugar. — Olá, Matteo. Você teve um bom dia no trabalho? — Eu não fui trabalhar. — Não? — Não. Eu estava fugindo, novamente. Como fiz no dia do seu primeiro casamento. Foi o que eu fiz, sabia? Você me pediu para ir ao aeroporto, e quase fui. Mas, no final, estava muito zangado com você. Por mentir. Por estar disposta a se casar com ele. Então, fui para minha casa na Alemanha, principalmente porque ninguém sabe da existência dessa casa. E eu não queria lidar com acusações. Não queria ter notícias de minha família. Não queria ter notícias suas, porque sabia que você seria uma tentação grande demais para eu resistir. Que se eu lesse seus e-mails ou ouvisse suas mensagens, eu voltaria para você. — Então, você se escondeu? — Foi mais fácil. E hoje pensei que pudesse fazer a mesma coisa. Por que não gosto de ver você chorar. Não gosto de vê-la triste, sabendo que é culpa minha. — Não é culpa sua. — Eu dirigi praticamente o dia inteiro — disse ele, como se ela não tivesse falado. — Um pouco veloz demais, mas é para isso que uma Ferrari serve. — Suponho que sim — Eu cheguei a uma decisão. — Espere, antes que você fale, eu quero dizer uma coisa. — Por que é sua vez? — Porque você partiu essa manhã antes que eu pudesse terminar. Tudo bem, eu não sabia o que ia dizer então. Mas agora sei. — E o que você vai dizer? — Eu o amo, Matteo. Acho que, de certa forma, sempre o amei. Porém, mais nos últimos meses, mais ainda quando você me contou a sua história. Estou apaixonada e quero que você me ame de volta. Estou cansada de não ter tudo e acho que você e eu podíamos ter tudo. Mas você precisa permitir isso. 110


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Alessia... eu não posso. — Você pode, tem apenas que... apenas que... — O quê? Tenho de esquecer uma vida inteira de condicionamento? Tenho de ignorar o fato de que minha perda de controle, se eu abraçar a emoção, pode ter consequências devastadoras, não apenas para você, mas para nosso filho? Devo ignorar o que sei ser verdade sobre mim mesmo, sobre meu sangue, e simplesmente... liberar tudo? Você quer que eu esqueça que sou o tipo de homem que foi embora e deixou o pai morrer num depósito incendiando? Jogar isso fora, como se fossem roupas velhas, e vestir alguma coisa nova? Não vai funcionar. Mesmo se funcionasse, seria perigoso. Eu não posso esquecer. Preciso manter o controle. — Eu não acredito em você — disse ela. — Não acredita em mim? Você não ouviu o que falei? Não entendeu? Tudo aquilo... quebrar as pernas de um homem, deixar meu pai... é do que eu sou capaz quando estou mantendo um controle rígido sobre mim mesmo. O que fiz com aqueles homens que atacaram você? Aquela raiva cega? Não sabia o que estava fazendo. Não tinha controle, e se você não tivesse me impedido... teria matado os homens. Eu os teria matado nem nunca me sentiria culpado por isso. — Então você teria matado estupradores, e eu devo acreditar que isso faz de você uma pessoa má, irredimível? Considerando que você teria feito isso para salvar uma garota? — Esta não é a questão — argumentou Matteo. — Contanto que eu possa controlar... contanto que eu não sinta, não cometerei nenhuma loucura. Mesmo com controle, você viu do que sou capaz? O que eu fiz? Nunca poderei abrir mão do controle... — Eu não acredito nisso. Você está fugindo por medo, Matteo. E não medo de perder o controle, mas medo de que, se sentir, terá de encarar a culpa. A dor. Está se escondendo das consequências de suas ações. Escondendo-se atrás dessa parede de gelo, mas não pode viver aí para sempre. — Sim, posso. — Não, não pode. Porque, pelo menos pelo nosso filho ou filha, Matteo, você terá de quebrar o gelo. — Já lhe ocorreu que eu não quero fazer isso? — questionou ele. — Eu não quero sentir, Alessia. Não quero encarar o que eu fiz. Sentir o impacto total da minha vida. Do que foi feito comigo. Não quero isso. Nem quero você. Alessia deu um passo atrás, seu corpo entorpecido, subitamente. Choque. A defesa de seu corpo, porque, se ela se permitisse sentir a dor, cairia aos pés dele. — Você não me quer? 111


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates — Não. Eu nunca quis. Não fora do quarto. Eu lhe disse que, se você não esperasse amor, poderia dar certo. Avisei que amor era a única coisa que eu não poderia lhe dar. Prometi fidelidade, um lugar na minha casa, na minha cama. O que mais você queria? Eu ofereci tudo! — Você me ofereceu nada — retrucou ela, a voz tremendo. — Nada disso significa coisa alguma, se você está me negando a única coisa que eu realmente quero. — Meu amor é tão importante? Quando amor lhe deu alguma coisa, além de sofrimento, Alessia? — Não sei. Nunca tive tempo o bastante para ver. — Então, por que o tornar tão importante? — Porque eu mereço isso! — Ela explodiu agora, lágrimas escorrendo por suas faces. — Eu não mereço amor, Matteo? Matteo empalideceu e deu um passo atrás. — Sim — Ele suspirou. — Sim, você merece. E não terá isso de mim — Você não pode ao menos tentar? Ele meneou a cabeça. — Eu não posso. — Pare de ser tão nobre. Pare de ser tão reprimido. Lute por nós. Lute por isso. — Não. Eu não a prenderei a mim. Essa é a única coisa que posso fazer por você, a coisa certa. — Acha realmente que me abandonar é a única maneira de solucionar alguma coisa? — É uma gentileza, Alessia. A melhor coisa que eu já fiz, acredite. Ele virou-se e saiu, deixando-a sozinha na enorme sala de estar. Alessia não conseguiu chorar. Não conseguiu emitir o som de dor que a estava dilacerando por dentro. Queria desmoronar. Mas não podia. Porque precisava ser forte por seu bebê. Matteo podia ter ido embora, mas isso não mudava o fato de que eles teriam um bebê. Não mudava o fato de que ela seria mãe em menos de seis meses. Não mudava o fato de que, independentemente de qualquer coisa, ela amava Matteo Corretti com toda sua alma. Mas nunca voltaria atrás e pediria menos. Porque tinha direito de pedir mais. De esperar mais. Estava disposta a se doar inteira para Matteo. Amar a pessoa que ele era. Sem se importar com o que ele fizera. 112


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Mas precisava do amor dele em retorno. Porque não estava brincando de amor, aquilo era real. E recusava-se a fingir felicidade. Alessia sentou-se numa poltrona, uma dor em seu peito se espalhando para o resto de seu corpo. Tinha a impressão de que não haveria felicidade, falsa ou genuína, por um longo tempo.

Capítulo 13 Matteo não se incomodou com álcool dessa vez. Não merecia embotar a realidade das últimas horas para seu próprio conforto. Merecia que tal realidade o partisse ao meio. Mudou de marcha na Quinta Avenida e pisou mais fundo no acelerador. Dirigir sempre o ajudava a pensar e a se distanciar de seus problemas. Mas Alessia não parecia mais distante. Ela estava com ele. Dentro dele. Debaixo de sua pele, e, Matteo temia, além de suas defesas. As defesas que ele fazia de tudo para proteger. Você não tem medo de perder o controle, mas medo de que, se sentir, terá de encarar a culpa. Aquilo era verdade. Ele tinha medo. Muito medo. Temia que, se estendesse a mão e pedisse por rendição, esta estaria fora de seu alcance. Temia que, se deixasse a porta aberta de suas emoções, não haveria nada além de dor e da culpa angustiante por tudo que ele tinha feito, tanto sob a influência de seu pai quanto na noite do incêndio. Tinha medo de se expor, de sentir, e de ainda decepcionar Alessia. Não sabia como ser um marido de verdade, ou um pai de verdade. Tinha medo de querer isso. Medo de tentar. Ela queria que ele lutasse por eles. Nada de bom resultava de Matteo lutando. Exceto da vez que você a salvou. Sim, havia isso. Matteo sempre guardara aquele momento como um lembrete do que acontecia quando ele perdia o controle. Do monstro que se 113


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates tornava. Parou o carro no acostamento, seu coração disparado. Fechou os olhos e permitiu-se visualizar aquele dia, por completo. O medo nos olhos de Alessia. O jeito que aqueles homens a tocavam. O ódio que o percorreu. E soube de uma coisa, com certeza, naquele momento. Que, por mais cego de ódio que estivesse, jamais machucaria Alessia. Jamais machucaria seu filho. Suas emoções, não sua mente, lhe disseram, enfaticamente, que ele morreria antes de deixar que algum dano fosse causado a eles. Estivera tão certo, durante todo esse tempo, que sua mente o protegeria, mas tinha sido seu coração que exigira que ele fizesse o que fosse necessário para salvar Alessia Battaglia do dano. Tinha sido seu coração que demandara que ele passasse aquela noite com ela, em Nova York. E era seu coração que estava se despedaçando agora. Não havia proteção, porque Alessia penetrara suas defesas anos atrás, antes que estas se formassem completamente, e ela as estava destruindo agora, de dentro para fora. Matteo pôs a cabeça sobre o volante, seu corpo inteiro tremendo. Alguma coisa se rompeu em seu interior, tornando cada sentimento, cada desejo, subitamente intenso demais. Porque veio tudo de uma vez. Dor pelo menino que tinha sido, pelo homem que seu pai se tornara e pelo que o fim fizera por ambos. Justificava por que agira daquela forma por sua família inteira. Para libertar todos. Para se libertar. Culpa, angústia, porque, de certa forma, sempre se arrependeria daquilo. E um desejo desesperado de redenção. Um desejo desesperado de que pudesse começar tudo de novo, e tomar o caminho que o tornaria o cavaleiro branco de Alessia. Alessia. Pensou no rosto dela. No sorriso. Nas lágrimas. Lembrou-se de encontrar os olhos dela no espelho de um bar e experimentar uma certeza tão profunda que nem mesmo tentara lutar contra. E sentiu outra coisa. Uma luz, inundando sua alma, tocando tudo. Somente que desta vez, não foi breve. Não foi passageira. A sensação permaneceu. A luz iluminou tudo... o feio, o inacabado e o bom. Mostrou-lhe quem ele era, quem poderia ser. Amor. Amava Alessia. Amara-a durante sua vida inteira. E com amor veio esperança. Uma esperança de que ele podia tentar. Uma esperança de rendição. Uma esperança de um futuro. De cada sentimento sujo que libertara de dentro de si, Matteo libertara o “bom” para combatê-los. 114


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Nunca imaginara isso. Nunca acreditara que houvesse tanta luz em seu interior. Era Alessia. Seu amor por ela. Sua esperança para o futuro deles. Talvez, ele não fosse o homem que ela imaginara um dia. Talvez não fosse o homem que poderia ter sido em diferentes circunstâncias. Mas este era o homem que Alessia merecia, e não menos. Então ele se tornaria este homem. Porque amava Alessia demais para oferecer menos. Matteo pegou seu telefone e discou o número que raramente usava, se pudesse evitar. Mas este era o começo. O começo da mudança. Estava muito cansado para continuar lutando, de qualquer forma. Muito cansado para continuar uma rivalidade na qual não queria estar envolvido. Uma rivalidade criada por seu pai, pelo pai de Alessandro. Ambos odiavam aqueles canalhas, portanto, qual era o sentido de honrar um ódio criado por eles? Não mais. Isso tinha de acabar. — Corretti. — É Matteo. — Ah, Matteo. — Alessandro não soou muito empolgado em ouvi-lo. — Como vai tudo? Em termos da unificação dos negócios? — Bem. — Ótimo. Não foi exatamente por isso que eu liguei. — Por que você ligou, então? Eu estou um pouco ocupado. — Liguei para sugerir que, enquanto unificamos a companhia, unifiquemos a família, também. Eu... não quero manter esta rivalidade viva. Por muito tempo, tenho me prendido a certas coisas das quais preciso me libertar. Essa é uma delas. — Aceitando minha superioridade? — Se isso for necessário. Alessandro pausou por um momento. — Você não está morrendo, está? — Sinto como se estivesse. Mas acho que vai passar. — Tinha de passar. — Não quero continuar as coisas que Carlo e Benito faziam e não me refiro apenas às atividades criminosas. Se nós temos um problema, deveríamos socar um ao outro e resolver na hora, em vez de alimentar uma rixa por gerações. — Parece bom para mim. — Ótimo. Vejo você na próxima reunião. — Ele desligou. Sentia-se pronto para começar a deixar algumas coisas para trás. Para parar de se proteger do passado e abraçar o futuro. 115


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates Um futuro que incluiria Alessia. Alessia olhou para cima quando a Ferrari entrou na propriedade. Ela estava de pé no jardim, tentando apreciar o sol do fim da tarde. Aquilo era melhor do que se dissolver em lágrimas infinitas. Matteo deixou o carro no meio do pátio e andou para o jardim, os olhos fixos nela. Quando a alcançou, puxou-a para seus braços e beijou-a. Um beijo longo, profundo, intenso. Ela envolveu seu pescoço como seus braços e correspondeu, o rosto molhado, com gosto de sal, das lágrimas. Alessia não sabia de quem. Não se importava. Não queria fazer perguntas agora, queria apenas viver o momento. Quando eles se separaram, Matteo enterrou o rosto em seu pescoço e abraçou-a com força. Nenhum dos dois se moveu, nenhum dos dois falou. Emoção a inundou. Emoção tão forte que Alessia mal conseguia respirar. — Eu amo você — declarou ele. — Eu nunca disse isso, Alessia. Para ninguém. Não para uma mulher. Não para ninguém da minha família. Então, quando digo, é verdade. Eu a amo do fundo do meu coração. Um soluço escapou dos lábios de Alessia, e ela o abraçou mais forte. — Eu também o amo. — Ainda? — Sempre. — Você tinha razão. Eu estava com medo. Ainda estou. Mas não posso mais me esconder. Você tornou isso impossível. Quero ser o homem digno do olhar doce que você costumava me dar. Quero ser tudo para você e não apenas a sugar. Eu estava contente em absorver a luz que existe a sua volta, Alessia. A deixá-la me aquecer. Mas você merece mais do que isso. Então, eu serei mais. Não sou tudo que deveria ser. Fiz coisas erradas. Vi coisas que homem algum deveria ver. Mas eu lhe darei tudo que possuo para dar e procurarei mais no fundo de minha alma, porque você merece tudo. E eu a quero, portanto terei de encontrar uma maneira de ser tudo. — Não, Matteo, você não precisa ser tudo. Apenas tem de me encontrar no meio do caminho. — Apenas a encontrar no meio do caminho? — Sim, eu só preciso que você me ame. — Isso eu posso fazer, Alessia Corretti. Tenho feito isso pela maior parte da minha vida. — Você pode não acreditar, Matteo, mas você é meu cavaleiro de armadura 116


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates brilhante. Passou por coisas inimagináveis e ainda ama. Você é tão forte, tão corajoso, tão perfeito. Bem, não perfeito, mas perfeito para mim. É o único homem que eu sempre quis, o único homem que sempre amei. E isso nunca vai mudar. — Como você pode me enxergar e me amar, de qualquer forma? — Isso é o amor. E sabe de uma coisa? Não é difícil amá-lo. Você é corajoso, honrável. Estava disposto a negar sua própria chance de ser feliz para tentar proteger as pessoas ao seu redor. É o homem mais incrível que já conheci. — Um elogio e tanto vindo da mulher mais incrível do mundo. Sua bravura, sua disposição para amar, apesar de tudo pelo que passou, foi o que me tirou da escuridão. Sua luz venceu. Seu amor venceu. — Fico tão feliz por isso. Matteo pôs a mão sobre a barriga de Alessia. — Isso é o que quero. Você, eu, nosso bebê. Eu estava com muito medo para admitir tal desejo. Medo de não merecer, de perdê-la. Ainda tenho medo de não merecer, mas não sou mais frio. — Ele inclinou-se e beijou-lhe os lábios. — Nunca mais — disse ela. Matteo envolveu-a nos braços e girou-os num círculo. Ela riu, e ele também Uma risada sincera. Feliz. Felicidade como Alessia nunca experimentara antes. — Nós concordamos com uma noite. Isso está se tornando muito mais longo que uma noite — disse ele quando eles pararam de girar. Ela sorriu. — Pensando bem, talvez nós queiramos que dure para sempre. — Para sempre está perfeito para mim.

Epílogo OS CORRETTI estavam todos reunidos. Mas, diferentemente dos funerais, que tinha sido a razão mais comum para reuni-los no passado, diferentemente do casamento não realizado entre Alessia e Alessandro, não havia animosidade velada hoje, na celebração do aniversário de Teresa. E não apenas do aniversário de Teresa, mas da regeneração da área do cais. A culminação de um esforço familiar conjunto. Da união deles. Depois da grande cerimônia na área do cais, eles haviam retornado para a 117


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates propriedade da família. Todos tinham jantado juntos, conversando sobre negócios e sobre assuntos pessoais, sem que nenhuma farpa fosse trocada. E não eram apenas os Corretti. Alguns dos Battaglia... os irmãos de Alessia... também estavam lá. Matteo considerava aquilo um sucesso ressonante. Após o jantar, eles se sentaram no jardim iluminado, uma brisa quente os envolvendo. E Matteo sentiu paz. — Ei, querido. — Alessia andou de onde estivera conversando com a irmã dele, Lia, para parar do seu lado, a filha deles, Luciana Battaglia Corretti, sobre o quadril. — As mulheres mais lindas aqui me honraram com sua presença. Eu estou contente — disse ele, acariciando o rosto de Alessia e beijando a cabecinha de Luciana. Matteo olhou para sua esposa e filha, para sua família o cercando. Essa palavra significava alguma coisa diferente agora. Os Corretti não estavam mais em guerra. Ele inclinou-se e pegou Luciana dos braços da mãe, aninhando a filha junto ao peito, a absoluta confiança de sua menininha nele, algo que Matteo nunca trairia. Alessia sorriu-lhe, os olhos brilhando, o semblante feliz. — O jeito que você me olha — disse ele. — Como se eu fosse seu cavaleiro em armadura brilhante. — Você é — respondeu ela. — Você me salvou, afinal de contas. Matteo olhou ao redor mais uma vez, para todas as pessoas em sua vida. Pessoas que ele amava. — Não, Alessia. Você me salvou.

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Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates ENTREVISTA OS BASTIDORES DE OS CORRETTI DA SICÍLIA com Maisey Yates

É um mundo tão grande para se criar, uma dinastia siciliana inteira. Você conversou sobre algumas partes com as outras autoras? Sim, montamos um grupo de discussão, e havia muitos detalhes para decidirmos. E, vez ou outra chegavam mensagens com os assuntos mais engraçados que já vi. Qual a diferença entre fazer parte de uma continuidade e escrever as próprias histórias? Acho que demora um pouco para você se apegar a personagens que não criou do zero, mas, no fim, trabalho tanto para encontrar esse apego, que os personagens de continuidades acabam sendo meus favoritos! Qual foi o maior desafio? E do que você mais gostou? Acho que foi entrar no coração do meu herói. Só porque te dão um esboço com os personagens, não significa que revelam todos os segredos. No caso de Matteo, ele estava escondendo algo muito sombrio, e precisei cavar muito fundo para tirar isso dele. Adoro um herói torturado, então estava na minha área. Alguma coisa no herói e na heroína a surpreendeu durante o processo de escrita? É como mencionei antes. Sim, Matteo me surpreendeu com a intensidade de seu lado sombrio. Acho que Alessia me surpreendeu com sua força. Toda vez que ela abria a boca tinha algo atrevido a dizer. Do que você mais gostou na criação da dinastia siciliana dos Corretti? Adorei as villas de família, a ideia de história do Velho Mundo e beleza. Adoro a paisagem do campo. Se você pudesse dar um conselho à heroína no início do livro, qual seria? Nunca é tarde para reivindicar a própria independência. Mas da próxima vez faça antes de estar a caminho do altar. Qual era o maior segredo do seu herói? Ah, veja bem, não posso falar. Eu teria que matá-la. Mas ele é um ótimo dançarino. O que seu herói mais ama em sua heroína? A força dela, a habilidade de amar e a capacidade de se emocionar apesar de tudo pelo o que passou. Ele se sente de fora, assistindo a toda aquela luz e beleza, incapaz de tocá-la. 119


Paixão Sagas 17.2 - Fome pelo proibido - Maisey Yates O que sua heroína mais ama em seu herói? O homem por trás da fachada fria. O homem que suportou tanta dor e se tornou mais forte. O homem que fez tanto para libertar a família do pai. Qual dos Corretti você gostaria de conhecer, e por quê? Matteo. Porque ele é uma fera sexy, não posso mentir.

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Maisey yates [os coretti 8] fome pelo proibido (paixão sagas 17 2)  
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