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NÚMERO 36

maio de 2017

SEMANA DAS CIÊNCIAS


editorial

A Semana das Ciências, prática presente na escola, é um momento de divulgação à comunidade escolar dos vários projetos relacionados com a Ciência, onde se desenvolvem diversas atividades em que intervêm a Biblioteca Escolar e os grupos disciplinares do departamento de Matemática e Ciências Experimentais, em parceria com instituições como o Instituto Politécnico de Setúbal (IPS), Instituto Superior Técnico (IST), Faculdade de Ciências e Tecnologia/Universidade Nova de Lisboa (FCT/UNL), Instituto Dom Luiz, Universidade de Lisboa e a SECIL. Realizaram-se palestras, experiências, leituras, mostra bibliográfica sobre Ciência, simulações, jogos, exposições de trabalhos, exposição de instrumentos científicos. Colaboradores Alexina Santos Ana Paula Bento Anabela Ramos Carlos Bico Elisabete Felix Ema Paes Filomena Rodrigues Heitor Matos Isilda Silva Luís Osório Paula Agostinho Paulo Martins Rosa Duarte Sara Rodrigues Susana Carreira 10.º A, B, C, D 11.º B, C 12.º

Equipa responsável Alexandra Cabral Miguel Teixeira

Coordenação Alexandra Cabral

Logotipos André e Joana

jornalsemnome@gmail.com

Associação de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos da Escola Secundária du Bocage http://apesbocage.blogspot.pt/ https://sites.google.com/site/apesbocage/ Novo email da associação associacao.pais.bocage@gmail.com 2


palestras

Palestras e atividades práticas promovidas pela Biblioteca

Hidrocarbonetos da Origem à Exploração” Dr.ª Ângela Pereira e Dr.ª Helga Jordão - Instituto Superior Técnico

Os

hidrocarbonetos são gerados nas bacias sedimentares, a partir da transformação de matéria orgânica acumulada juntamente com os sedimentos inorgânicos em ambientes, em geral aquáticos anóxidos. A matéria orgânica (cadáveres de animais marinhos e algas, restos de plantas...) transforma-se, como resultado de reações químicas complexas e do ataque por bactérias, em gás biogénico (metano) e num material rico em hidrocarbonetos sólidos muito pesados designado por querogénio, que têm potencial interesse. O ciclo de vida de um projeto de Exploração & Produção envolve as seguintes etapas: Conquistar acesso – decisão sobre quais as áreas, a nível mundial que têm potencial interesse; Exploração – inicia-se muitos anos antes que o primeiro poço de exploração possa ser perfurado; Avaliação – estudo das descobertas de hidrocarbonetos na fase anterior; Desenvolvimento – quando uma opção é variável, formaliza-se e executa-se um plano de desenvolvimento; Produção – começa com as primeiras quantidades de hidrocarbonetos comercializáveis; Abandono – nesta fase tenta-se minimizar o impacto ambiental e o custo económico.

“Sismologia na era da comunicação digital” Dr.ª Susana Custódio - Instituto Dom Luiz, Universidade de Lisboa Os cientistas adotam meios digitais de registo de sismos. Os computadores ligados em rede em diferentes locais processam rapidamente a informação recolhida pelos sismógrafos digitais durante um sismo e enviam-na pela internet. O que levava dias, semanas ou mesmo meses a analisar pode ser feito numa questão de minutos, permitindo aos média e às equipas de salvamento reagir o mais depressa possível.

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Atividades práticas

Atividades práticas Instituto Politécnico de Setúbal

As macroalgas e outras espécies da flora marinha existem na nossa costa e podem ser utilizadas em alimentos para animais e humanos. O uso de algas na alimentação ainda se encontra pouco explorado.

Existem diversos organismos aquáticos que podem ser indicadores da qualidade da água doce e salgado. Pretende-se dar a conhecer que organismos são esses e como nos podem ajudar a proteger o ambiente.

As alterações climáticas têm promovido a acidificação dos oceanos devido às emissões de gases para a atmosfera como o CO 2. É muito importante sensibilizar as pessoas para práticas mais ecológicas que reduzam estas emissões e este fenómeno. Pretende-se demonstrar como é importante contribuir para evitar o efeito da acidificação dos oceanos.

Apresentação e recolha de dados de diferentes projetos de investigação em curso na ESS/IPS.

Experiência com o objetivo de sintetizar nanopartículas de ouro por via química. Durante o processo de síntese a solução vai ter várias colorações que estão correlacionadas com a dimensão das nanopartículas. As nanopartículas de ouro são relativamente inertes em ambiente biológico, e têm uma série de propriedades físicas que são adequadas para aplicações biomédicas. 4


Atividades práticas

A competição Shell Eco-marathon Europe reúne mais de 200 equipas e 3.000 alunos de toda a

Europa. Desde 2012 que o IPS participa nesta competição na categoria dos veículos “Prototype” com um motor a gasolina. O objetivo é o desenvolvimento de um veículo económico que consiga percorrer a máxima distância com apenas 1 litro de gasolina. A melhor marca conseguida pela equipa nesta competição foi de 435,3 km, na participação de 2015, na cidade de Roterdão.

Modelo físico que permite simular e visualizar, em circuito fechado, o sistema de elevação de petróleo no interior de um poço de exploração.

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Atividades práticas

Medida de distância com sensor de infravermelhos O sistema inclui um conjunto de dois sensores óticos de distância baseados em LEDs e sensores de infravermelhos (PSD). Os sensores estão ligados a uma placa de aquisição de dados que, por sua vez, interliga a um PC por meio de uma interface USB. Com base nos dois sensores é possível obter-se uma medida, absoluta e diferencial, da distância de um alvo móvel relativamente a cada um dos sensores.

SumoBIT Este dispositivo permite-te controlar um pequeno robot apenas através de gestos. A partir de um Raspberry Pi e de uma pulseira BITalino, o Sistema deteta diferentes gestos (ex: virar à esquerda, virar à direita, seguir em frente) e comunica a ação ao robot. Tanto pode ser utilizado para fins lúdicos como para efeitos biomédicos, em próteses.

Modelo de turbina eólica para produção de energia elétrica a partir da energia do vento. Este modelo permite exemplificar as diferentes conversões de energia desde a energia cinética do vento à energia elétrica que é produzida pelo gerador e que alimenta um pequeno motor elétrico. O ensaio permite demonstrar que a potência elétrica produzida pelo gerador é função da velocidade do ar (produzido por um ventilador doméstico). 6


Semana das ciências

Promovida pelo professor Carlos Bico e destinada a alunos do ensino secundário, realizou-se a Palestra

“Aplicações da Geologia nos dias de hoje”

Engenheira Ângela Nunes – SECIL O desafio colocado à conferencista não era fácil, tendo em conta que, por vezes, os alunos não se sentem motivados para o estudo de uma área que pensam ser muito descritiva e pouco dinâmica. Para contornar esta perspetiva, a Eng.ª Ângela Nunes começou por referir a importância do conhecimento geológico e a sua relação com a geotecnia a vários níveis, desde o estudo das diferentes camadas do solo e a sua relação com as fundações diretas ou indiretas das estruturas a edificar, passando pela consolidação de falhas e de taludes, que permitem a construção em locais que seriam de grande risco em condições naturais, bem como o reforço de edifícios antigos. Estas relações foram ilustradas com casos de obras públicas portuguesas. Aliada a esta dimensão da segurança surgiu ainda a melhoria da qualidade de vida das populações, numa perspetiva de sustentabilidade dos recursos que, para além de permitir a poupança de energia, através da redução da perda de calor das habitações, permite ainda a reciclagem de muitos materiais/recursos minerais que, outrora, depois de utilizados, constituíam entulhos que ocupavam espaço e não tinham qualquer utilidade. Como exemplos, a Engª Ângela Nunes apresentou a reciclagem de betão para fazer novas britas para novo betão, a redução da emissão de CO2 e do consumo de água na produção do cimento e melhorias quanto à sua compressibilidade, nível da resistência/mecânica e durabilidade e ainda soluções inovadoras de cimento para a reabilitação estrutural, antimancha e antipoluição, impermeabilização, selagem, deformáveis, antifungos, autolimpantes que absorvem a poluição do ar, leves, drenantes, antifogo e isolantes térmicos que permitem a reparação de pavimentos, repavimentação e endurecimento rápido. Referiu ainda os pigmentos fotoluminescentes. Fica o agradecimento do Grupo 520 por mais uma oportunidade de ligação entre o conhecimento científico e a sua aplicabilidade na vida do dia-a-dia. Passámos assim do meio “aparentemente virtual/abstrato da sala de aula” (apresentado pelos professores) para o meio “real” (protagonizado por uma técnica experiente) que aplica diariamente o conhecimento que os alunos, por vezes, pensam ser dispensável na sua formação enquanto cidadãos e, quem sabe, no futuro, como técnicos destas áreas. As imagens e as indicações relativas à geotecnia das obras apresentadas, ilustraram, de forma clara e inequívoca, a importância do conhecimento geológico na prevenção e diminuição dos riscos relacionados com a perda de vidas humanas, o que, por vezes, ainda acontece, quando pelas mais diversas razões, se esquece ou ignora esta dimensão.

Em articulação com a Biblioteca Escolar, os alunos da turma 11.º B, nas disciplinas de Biologia e Geologia (professora Isilda Silva) e Física e Química A (professora Ema Paes), efetuaram uma atividade intitulada “Lâmpada de gelo” e “Biodiversidade da manta morta” (inspirada na leitura dos livros “Os mistérios de Casimiro” e “Há um cabelo na minha terra!”) dirigida a alunos de 8.º e 10.º anos que participaram nas atividades práticas realizadas.

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Lâmpada de gelo

“Lâmpada de gelo”

Foi construído um circuito elétrico tendo como gerador duas pilhas colocadas em série. O recetor deste circuito é um LED. O LED é um componente eletrónico designado por Díodo Emissor de Luz, no qual a luz é emitida por transições eletrónicas nos átomos do material que constitui o semicondutor do LED. Este componente eletrónico é mais vantajoso do que as tradicionais lâmpadas de luz incandescentes. A sua robustez confere-lhe a capacidade de poder ser introduzido em água e envolvido por uma grande camada de gelo, que é responsável pelo efeito luminoso observado. O facto de praticamente não aquecer permite que o gelo se conserve durante mais tempo.

A luz emitida pelo LED espalha-se no interior da bola de gelo. O comportamento da luz é idêntico ao que ocorre numa fibra ótica. 8


Semana das ciências

"Biodiversidade da manta morta"

Na manta morta do solo, pode-se encontrar uma comunidade de organismos diversificada que intervém em complexos processos biológicos contribuindo para a formação do húmus. Todos os processos biológicos são condicionados por fatores físicos e químicos do meio. Na atividade prática, recorreu-se a técnicas de laboratório, para separar e identificar os seres vivos (triagem, observação com lupas de mão e uso de chaves dicotómicas).

Promovida pelo professor Heitor Matos e destinada a alunos do ensino secundário, realizou-se a conferência

“O mundo ao contrário”

Prof. Manuel L. Esquível – Faculdade de Ciências e Tecnologia/Universidade Nova de Lisboa

Até há muito pouco tempo a regra era: se tens um EURO depositado no banco hoje, terás 1+r EUROS no banco "amanhã" (em que r>0); este "amanhã" pode significar de hoje a três meses ou, hoje a um ano. E era um tempo de uma regra sem exceções! Nos nossos dias, em 2016, acontece que podes ter um EURO hoje no banco e 1-r Euros depositados no banco "amanhã" (sempre, com r>0, mas com r<1, por ser um depósito). As taxas de juro positivas usuais permitiam aos bancos "criar" dinheiro através da aplicação reiterada do mecanismo "depósito-empréstimo". A noção de progressão geométrica ‐ essencial em Matemática ‐ mostra que a quantidade teórica de dinheiro "criada" depende, fundamentalmente, da quantidade de dinheiro que o banco "reserva" para suprir eventuais incumprimentos. Mas, então, o que acontece com as taxas de juro negativas?

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Laboratório/ palestra

Laboratório aberto O Laboratório aberto foi dinamizado pelos professores de Física e Química. Decorreram atividades de cariz experimental, onde os alunos foram convidados a participar ativamente nas várias propostas, divididas por temas nas áreas da Física e da Química.

Promovida pela professora Anabela Ramos

e destinada a alunos do ensino secundário, realizou-se a conferência

"HIV - A rotina da investigação, possibilidades e dificuldades". Centro de Química-Física Molecular - Complexo Interdisciplinar - Instituto Superior Técnico

Luís Araújo é o nome do jovem investigador que, formado em Bioquímica, se dedica ao estudo da relação de uma proteína "PIT" com a saída do HIV após replicação deste na célula infetada.

Com constrangimentos de ordens diversas (tempo, orçamentos, materiais entre outras) contou a história dos cientistas feita de muito trabalho dia após dia. Os desânimos são frequentes, mas a dedicação e a persistência são essenciais para ultrapassar muitos momentos de frustração face às expetativas que se criam em torno do objetivo definido. "Continuar ou desistir do trabalho em investigação?" Esta foi a pergunta, para a qual, parecia ser lógica a mudança de modo de vida, outros desafios, melhores ordenados, alternativas em aberto a explorar. No entanto, e apesar de muito jovem, já manifesta o fascínio pelo sonho de qualquer cientista - "descobrir o mundo".

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exposições

“Programas informáticos” Disciplina de Aplicações Informáticas B, 12ºAno Dinamizador: Prof. Luís Osório

Exposição de trabalhos Foram expostos trabalhos realizados pelos alunos, com várias temáticas.

“Nanotecnologia” 10.º A, B, C e D – Prof.ª Ema Paes, Prof.ª Elisabete Félix, Prof.ª Ana Paula Bento e Prof.ª Susana Carreira

“Ler Darwin para o conhecer melhor”, no âmbito do projeto "V@mos ler Ciênci@!" 11.º B - Prof.ª Isilda Silva

Exposição de trabalhos, no âmbito do projeto "V@mos ler Ciênci@!" 11.º C - Prof.ª Sara Rodrigues

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mostras

Mostra de livros de Ciência A professora bibliotecária, Rosa Duarte, expôs na nossa Biblioteca Escolar uma "Mostra de livros de Ciência”.

instrumentos científicos Numa iniciativa da professora Filomena Rodrigues, algumas peças de instrumentos científicos do espólio museológico do laboratório de Física estiveram presentes na Biblioteca Escolar.

O empenho e a partilha dos professores e dos alunos contribuíram para que a Semana das Ciências fosse uma forma de divulgar a Ciência através da diversidade de atividades realizadas.

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Jsnome36 semana das ciências  

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