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Abril - Setembro ANO I • EDIÇÃO ESPECIAL 02 e 03 PERIÓDICO ECUMÊNICO O ALIENISTA é uma publicação sem ns lucrativos, composta inteiramente por colaboradores voluntários e visa estreitar laços religiosos entre as pessoas, não exaltando nenhuma religião como superior à outra. Seu conteúdo explora doutrinas, opiniões, denúncias, biograas e entrevistas. O ALIENISTA não tem responsabilidade editorial pelos conceitos e opiniões emitidos nos artigos assinados.

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Esta edição especial de O Alienista traz uma revista digital que além dos artigos assinados por nossos colaboradores voluntários abre uma sessão especial intitulada: “Nenhuma Crença Está Acima da Lei” onde seitas destrutivas são analisadas à luz da razão e expõe táticas e meios de “lavagem cerebral” e “controle mental” sobre seus membros, além de violações contra as leis brasileiras e os Direitos Humanos. Deixamos aberto um espaço na revista para debate para quem desejar nos escrever. Contatos podem ser feitos através do e-mail descrito na coluna ao lado para serem publicados na próxima edição garantindo assim o direito de resposta.

www.oalienista.com.br /revistaoalienista REVISÃO: Flávia Santos e Marilda Santos

CRIAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO

Allan Aldebram Designer Gráco e Web, Graduando em Filosoa, Pensador Livre, Pesquisador, Crítico, Escritor, Pintor, Violonista; Compositor e Guitarrista da Banda O Chefe da Casa.

aldebram@hotmail.com

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Todos os direitos reservados

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@aldebram

Os ataques terroristas sofridos pelos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001 deram início a uma época de medo e paranóia do povo americano em relação ao inimigo, onde todos os esforços foram realizados na busca pelo líder da Al Qaeda, Osama Bin Laden.


O ALIENISTA

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ÍNDICE GERAL

06 09 12 14 16 18 23 28 29

Renovação Orlando Nussi

A Reencarnação e os Universos Paralelos Allan Aldebram

Deus Excomungado Allan Aldebram

Diksha Benedito José

Igreja em Borgloon Allan Aldebram

Judas | A Face Salvadora de um Traidor Arquitetado Allan Aldebram

O Evangelho de Judas Livros, Música e Outras Mídias PROMOÇÃO Livro “Quem É?”

30 35 36 40

A Bíblia Marcionita Edson Gomes

O Mundo e as Religiões Allan Aldebram

Anal, Deus se Arrepende? Professor Fábio Sabino

Brother Bíblia Marcus Nati


IMAGENS ILUSTRATIVAS

Caderno Especial

42 44 48 52 84 90 92 91

Nenhuma Crença Está Acima da Lei Desassociação - Quando a Intolerância Vem de Casa Paulo Sávio

Abuso Psicológico

Flávio Amaral

ARTIGO DE CAPA São as Testemunhas de Jeová uma Seita Destrutiva? Carlos Fernandes

ABRAVIPRE

Sebastião Ramos

HUMOR Tirinhas

PROMOÇÃO CD O Chefe da Casa

O Alienista na Web

PARTICIPE na próxima edição Você pode participar da revista “O Alienista” enviando sua opinião ou crítica para o e-mail:

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A águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie. Chega a viver 70 anos. Mas, para chegar a essa idade, aos 40 anos ela tem que tomar uma séria e difícil DECISÃO, pois ela está com: As unhas compridas e exíveis, não conseguem mais agarrar as suas presas das quais se alimenta; o bico alongado e pontiagudo se curva, apontando contra o peito; as asas envelhecidas e pesadas. Em função disso, voar é muito duro para ela, então a águia só tem duas alternativas: Morrer ou enfrentar um dolorido processo de renovação, que irá durar 150 dias. Esse processo consiste em voar e se recolher em um ninho próximo a um paredão, onde ela não necessite voar. Então, após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico em uma parede até conseguir arrancá-lo... E, após arrancá-lo, espera nascer um novo bico, com o qual vai depois arrancar suas unhas... E, quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar as velhas penas... E, só após cinco meses sai para o famoso vôo de renovação e viver, então, mais 30 anos. Em nossa vida, muitas vezes temos de nos resguardar por algum tempo e começar um processo de renovação. Para que continuemos a viver e realizar um vôo de vitória, devemos nos desprender de lembranças, costumes e outras tradições que nos causaram dor. Somente livres do peso do passado poderemos aproveitar o resultado valioso que uma renovação sempre traz... Entendeu? Então voe, se preciso for, até o penhasco mais isolado que você quiser, troque seu bico, suas unhas e suas penas e volte a voar! Aceite que você não está conseguindo voar e entenda o PORQUÊ disso. Perdoe-se, arrancando de você os erros cometidos. E, aí sim, volte a ganhar os céus que o Criador reservou para você. Autor desconhecido*

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Conheça outras 652 histórias na coleção de livros FRASES, DICAS E HISTÓRIAS MARAVILHOSAS (coleção com 14 volumes), de Orlando Nussi.

À venda pelo telefone (11) 2095-6466 Toda renda é destinada a Projetos Sociais com crianças carentes. VISITE O SITE:

www.historiasmaravilhosas.com.br E-mail: jnussi@uol.com.br Esta metáfora de autoria desconhecida está presente no volume 2 da coleção FRASES, DICAS E HISTÓRIAS MARAVILHOSAS.

Orlando Nussi Diretor da empresa SPVALE BENEFÍCIOS; Escritor; Trainer em PNL – Programação Neurolinguística; Membro da Coordenação do Grupo de Estudos Idheall; Membro da Coordenação do Projeto Criança Feliz, Ovos de Páscoa e Diretor de Comunicação e Marketing (voluntário) da Casa do Cristo Redentor.


A coleção de livros FRASES, DICAS E HISTÓRIAS MARAVILHOSAS, contendo 14 volumes, assim como o CD HISTÓRIAS MARAVILHOSAS contadas por Orlando Nussi têm os recursos obtidos com o apoio cultural destinados a trabalhos sociais com crianças carentes.

Eventos patrocinados pelos livros FRASES, DICAS E HISTÓRIAS MARAVILHOSAS, de ORLANDO NUSSI BRINQUEDOS – PROJETO CRIANÇA FELIZ: Só em 2015 o Projeto distribuiu cerca de 5.000 brinquedos nas creches e comunidades carentes. Esse trabalho vem sendo desenvolvido desde o ano de 1995 e conta com um grupo de aproximadamente 50 pessoas. O trabalho é feito sempre no domingo que antecede o Natal.

LANÇAMENTO! FRASES, DICAS E HISTÓRIAS

MARAVILHOSAS 14

OVOS DE PÁSCOA: A partir de 2002 o Projeto Criança Feliz iniciou sua campanha de Páscoa. Em 2015 foram distribuídos 1800 ovos de chocolate para crianças em creches administradas pelas Irmãs Marcelina em Itaquera e Casa do Cristo Redentor em São Paulo. Além das crianças da Fraternidade Raio de Sol de Araçariguama.

SOBRE OS LIVROS: A coleção completa, com 14 livros, contendo 652 histórias, além das centenas de dicas e frases que, ao serem interpretadas, poderão mudar a história de vida do leitor. Orlando Nussi tem no seu projeto de vida a meta de lançar um volume inédito a cada ano.

Entrega de 1800 Ovos de Páscoa para Crianças nas Creches em Abril/2015.

SOBRE O CD: Foram selecionadas para esse primeiro CD, 20 histórias que estão também presentes nos livros. A ideia é alcançar adultos e crianças que gostam de ouvir para compreender as mensagens.

CASA DO CRISTO REDENTOR: É uma instituição com títulos de utilidade pública, na esfera municipal, estadual e federal. Atende aproximadamente 800 crianças diariamente, cujos projetos poderão ser conhecidos através do site:

www.casadocristo.org.br

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COMO SURGIU A COLEÇÃO “FRASES, DICAS E HISTÓRIAS MARAVILHOSAS”: Sempre gostei de colecionar metáforas e, constantemente, encontrava uma história adequada para cada situação. O que me levou a escolher essa linha de histórias foi o meu contato com a PNL (Programação Neurolinguística), onde descobri que a metáfora é uma excelente ferramenta de comunicação e muito utilizada em terapias, pois no lugar de oferecer um conselho, podemos contar uma história que, certamente, será muito mais ecaz. SOBRE O APOIO CULTURAL DA COLEÇÃO “FRASES, DICAS E HISTÓRIAS MARAVILHOSAS”: Para a continuidade deste trabalho, eu conto com o apoio das empresas, onde cada patrocinador entra com uma ou mais cotas, tem seu nome divulgado nos livros e recebe a quantidade de exemplares correspondente a sua participação, que poderão utilizar para presentear os colaboradores e parceiros comerciais, como fornecedores, clientes, bancos, prestadores de serviços, familiares, etc. Para o livro 14 o valor de cada cota foi de R$ 1.895,00 para receber 100 exemplares. Caso se interesse em quantidade menor, o valor é o mesmo, porém só não é possível inserir a logo. Cada empresa pode entrar com quantas cotas quiser em qualquer época do ano. Com carinho e gratidão, Orlando Nussi.

As empresas interessadas por esse trabalho poderão entrar em contato através do telefone:

(11) 2095-6466 ou pelos e-mails: Entrega de 5000 brinquedos nas comunidades em Dezembro/2015 (Projeto Criança Feliz).

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jnussi@uol.com.br | nussi@historiasmaravilhosas.com.br SITE:www.historiasmaravilhosas.com.br


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A Reencarnação

e os

Universos Paralelos

Muitas pessoas em nossos dias enrubesceriam se fossem acusadas de acreditar nos magos, nos espíritos, nos fantasmas, mas aceitam perfeitamente acreditar sem hesitar em um mundo diferente, governado por dimensões desconhecidas. Essa nova magia transformou-se na ciência do fantástico, da mesma forma que o “Além Encantado” virou o “Universo Paralelo”.1 Um breve exame supercial nos revela rapidamente a linha estreita que separa a superstição da crença, o mundo espiritual universal de quatro ou cinco dimensões, os novelistas inspirados dos físicos de vanguarda. É possível acreditar que em algumas partes do globo terrestre existam operações de fenômenos sobrenaturais? É lógico crer que um “cérebro cósmico” atue NOTAS 1 Artigo parafraseado do original de Robert Charroux em “O Livro

dos Mundos Esquecidos” – Editora Hemus, páginas 49 – A Magia dos Sábios, 241 – A Reencarnação e os Universos Paralelos, 245 – Quatro... Oito... ou N Dimensões, 247 – Os Universos Paralelos e o Universo Total, 248 – A Matéria Morre e a Alma Fica Disponível. – 1971 – Com acréscimos e comentários de Allan Aldebram.

às custas da criatura humana? A realidade é que a religião e a ciência vêm se misturando e se chocando em um nível aparentemente superior. Fenômenos sobrenaturais espirituais imaginados como impossíveis dentro de nosso universo tridimensional poderia ser comum em universos de quatro ou cinco dimensões. A reencarnação por exemplo, não é admitida entre os lógicos, porém não há nada de insensato na crença da imortalidade da alma. Se por um lado não aceitamos as crenças infantis dos partidários da reencarnação, prestemos atenção à uma forma mais sutil e mais cientíca do fenômeno. Se considerarmos a hipótese de uma interpenetração de universos, o conceito espaço-tempo não mais corresponde às nossas denições terrestres. Pode assim existir uma innita possibilidade de ações, comandadas por uma consciência alienada de nosso encadeamento de tempos, o que signica que ela pode se situar em outras épocas e em outros universos. Esse potencial-consciência poderia facilmente viajar dentro do tempo e se transmitir através dos séculos de nosso mundo perceptível. Assim, um eu em ubiquidade2 ou que, possa se desdobrar de maneira harmoniosa, poderia existir simultaneamente em diferentes universos, em vários encadeamentos de vidas, e entre esses “eus” separados existiria uma indução e uma cumplicidade inconsciente.3

2 Ou que, está presente ao mesmo tempo em todos os lugares. 3 É possível imaginar também vidas paralelas em outras galáxias,

dependendo ou não das leis físicas que existem na Terra. O ALIENISTA

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O Homem nasce, vive, morre dentro de um universo total4 sendo que sua consciência e suas faculdades sensoriais somente podem lhe dar uma imagem incompleta dele, ou seja, a imagem externa, ou talvez, seria até mais exato dizer: a imagem cuja cores e formas externas em geral podem ser vislumbradas pelos seus sentidos primários. Na essência, o interior do universo misterioso e desconhecido, muito provavelmente regido por um sistema de quatro, oito ou N dimensões, é dinamizado por fenômenos que dentro de nosso universo a três dimensões seriam, sem dúvida nenhuma, considerados milagres. Aliás, dentro de um universo a quatro dimensões, assim como nós chegamos a imaginá-lo, um homem trancado em uma prisão hermeticamente fechada, poderia sair dela e voltar, completamente à vontade. Dentro de um universo a cinco dimensões seria provavelmente possível viver consciente e simultaneamente na Idade Média e no século XXI. Com seis dimensões um homem poderia ao mesmo tempo estar morto, estar vivo, caçar auroques5 em um vale pré-histórico e dirigir uma espaçonave a caminho de Sirius6, transmutando-se pela força do seu pensamento. Num universo a oito dimensões tudo poderia ser permitido, a partir de uma viagem dentro do tempo e do espaço, até a integração nos diferentes reinos da natureza.

Universos desse tipo não têm necessariamente a estrutura daquele que conhecemos. É possível que o universo a oito dimensões, por exemplo, seja análogo a uma equação de álgebra ou ao reino da ideia onírica. Especulações desse tipo a respeito do desconhecido têm nomes diferentes. Dependendo da personalidade da criatura que está pensando, podem ser chamadas de ciência, magia, espiritualismo, conhecimento ou loucura. OS UNIVERSOS PARALELOS E O “UNIVERSO TOTAL” Em nosso universo a noção espaço-tempo é dada por um movimento contínuo que parece estar se desenvolvendo do passado ao presente e ao futuro. Essa noção está estreitamente condicionada pelas três únicas dimensões de nosso sistema, e os cientistas e espiritualistas pensam que em um nível mais elevado, ou seja, o dia da inteligência universal ou Deus, o tempo está eternamente no presente. [REPRODUÇÃO]

QUATRO, OITO OU “N” DIMENSÕES

4 Os termos cientícos são cheios de contradições e contrassensos.

O átomo, ou a menor partícula imaginável, ainda comporta subdivisões. O Universo, ou o grande tudo dos físicos, teria um diâmetro de 20 bilhões de anos-luz e seria composto de um sem-m de outros grandes tudos. Por isso usamos o barbarismo: universo total – todos os universos!

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5 O auroque era um bovino que foi extinto em 1627. Tratava-se de

um animal de grandes dimensões e comportamento indócil. 6 Sirius, ou Sírio é a estrela mais brilhante no céu noturno, localiza-

da na constelação de Cão Maior.


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Essa conjetura pressupõe a existência de uma innidade de harmônicas7 do que nós chamamos o presente, com uma innidade de “eu” que vivem simultaneamente todas as fases da vida em outras cadeias de ondas de comprimento innito. É o que, por analogia, aconteceria num aparelho de rádio não seletivo, em que uma transmissão num comprimento de, por exemplo, 100 metros poderia ser captada em todas as múltiplas de 100, teoricamente até o innito. Sobre essa hipótese a respeito da viagem no tem8 po , essas harmônicas são “duplos”, fantasmas da vida real; podem ser captados em radiofonia, mas não são percebidos pelos nossos sentidos, e por causa disso, constituem universos paralelos. O universo total a quatro, oito ou N dimensões, ou Inteligência Suprema, é innitamente mais complexo do que o nosso. Com certeza, ele não é mais vazio de matéria ou de energia, aliás pelo contrário, pois contém nosso mundo e sem dúvida também uma innidade de outros. Precisamos então pensar que esse universo tem sua própria existência e que é povoado por formas de vida e de habitantes que desconhecemos. Nosso conceito das realidades objetivas leva-nos a acreditar que os habitantes – forças, ideias-forças ou criaturas convencionais – daquele universo não são constituídos (como as imagens da televisão ou as ondas de rádio) de uma matéria física de densidade igual à nossa, pois no plano cientíco os estágios da matéria evoluem do mais grosseiro ao mais no. Essa matéria poderia existir até em forma de energia pura, imponderável e etérea. Nesse caso, um universo povoado de almas de natureza sutil que participam de todas as dimensões universais não seria um conceito alienado, mas

7 As harmônicas são ondas com frequências múltiplas da onda ini-

ao contrário, seria dos mais lógicos. Sem sairmos da linha cientíca, chegaríamos então a conceber um eu que é um duplo persistente, vivo dentro de um outro mundo, após acontecer o que costumamos chamar a morte de nosso corpo físico. A MATÉRIA MORRE E A ALMA FICA DISPONÍVEL Quando se verica essa morte e o corpo volta aos elementos que o constituem e à dança dos ciclos universais, não é comprovado que ele arraste para a dissolução todos os princípios sutis que o compõem. Os Espiritualistas têm bons motivos para pensar que as regiões da alma que interferem com os universos paralelos e com o universo total passam para o outro mundo, ou então lá permanecem provisoriamente. Nas harmônicas, que se encontram sempre no tempo presente, os duplos do corpo físico continuam uma existência eternamente viva e presente, mas dentro dos limites de um universo desconhecido onde nosso eu consciente não pode entrar. Em nosso universo a três dimensões a matéria perde qualquer probabilidade de ressuscitar ou reviver, mas a alma continua disponível, indenidamente, suscetível a se deixar captar como uma emissão radiofônica, toda vez que o receptor esteja ligado na frequência certa. Estabelecer uma comunicação entre os outros mundos e o nosso seria abrir o caminho da “reencarnação”. A reencarnação, examinada nesse plano paracientíco, é, portanto, um fenômeno radioelétrico, sendo que nosso corpo no mundo de três dimensões age como transmissor, e as almas são ondas que povoam os universos harmônicos, ou então o universo total. O mecanismo da transferência é, de certa forma, uma viagem dentro do tempo.

cial. 8 História Misteriosa dos Homens depois de 100.000 anos, cap. X.

Allan Aldebram O ALIENISTA

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NOTAS 1 Artigo parafraseado do original de Robert Charroux em “O Livro

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dos Mundos Esquecidos” – Editora Hemus, página 310 – 1971 – Com acréscimos e comentários de Allan Aldebram. Segundo Concílio de Niceia : acessado em 05/03/2016. Página com todos os Concílios já realizados: acessado em 05/03/2016. Ostrogorsky, George. History of the Byzantine State. New Brunswick:Rutgers University Press, 1969. ISBN 0-8135-0599-2. Pág.:178. Gibbon, Edward. The Decline and Fall of the Roman Empire. New York: Random House Inc., 1995. ISBN 0-679-60148-1. Pág.: 1693. Iconoclasta é nome dado ao membro do movimento de contestação à veneração de ícones religiosos que surgiu no século VIII denominado Iconoclastia. O termo iconoclastia signica literalmente “quebrador de imagem” e tem origem no grego eikon (ícone ou imagem) e klastein (quebrar). O signicado de iconoclasta engloba os indivíduos que não respeitam tradições e crenças estabelecidas ou se opõem a qualquer tipo de culto ou veneração seja de imagens ou outros elementos. O termo abrange ainda aqueles que destroem monumentos, obras de arte e símbolos. O ALIENISTA

“Decidimos que as santas Imagens em cores ou de peças trabalhadas, ou de qualquer material conveniente, devem ser expostas nas igrejas, sobre os vasos, nas vestimentas sagradas, sobre os muros, nas casas e nas ruas; de fato, quanto mais frequentemente virmos as imagens de Jesus Cristo, de sua santa mãe e dos santos, mais facilmente poderemos nos lembrar dos originais para amá-los. Essas imagens receberão a saudação e adoração honoríca, mas não a verdadeira latria (adoração) que somente convém, pela nossa fé, à natureza divina. Apesar disso será permitido aproximar daquelas imagens o incenso e as luminárias, como é costume fazer com a cruz, os Evangelhos e os outros objetos sagrados; tudo isso segundo o piedoso antigo, porque a honra é rendida ao original que elas representam. Esta é a doutrina dos santos Padres e da tradição da Igreja católica; ordenamos que sejam depostos os que ousarem pensar de forma diferente, sejam eles bispos ou clérigos, e serão excomungados se forem monges ou leigos”.

Durante o II Concílio de Niceia2, que foi o VII Concílio ecumênico do cristianismo3 4, e o último a ser aceito tanto pela Igreja Católica quanto pela Igreja Ortodoxa, reuniram-se de 24 de setembro a 23 de outubro de 787 em Niceia (atual İznik na Turquia) trezentos e setenta e sete bispos da Grécia, da Trácia, Sicília e da Itália. O Concílio foi presidido pelo patriarca Tarásio5 na catedral de Santa Soa em Constantinopla, e foi baixado o seguinte decreto contra os iconoclastas6:

Iconoclastia é o nome do movimento político-religioso que iniciou no Império Bizantino no século VIII e que rejeitava a veneração de imagens religiosas por considerar o ato como idolatria. No ano de 730, após o édito publicado por Leão III que proibia a veneração de ícones e ordenava a destruição de imagens, os membros da iconoclastia destruíram milhares de ícones religiosos. As destruições cessaram em meados do século IX.


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Sem dúvida alguma, esta foi a mais importante decisão tomada pelos homens, anal declarava Deus deposto e então excomungava, dependendo se fosse considerado clérigo ou leigo! De fato, Deus em seus mandamentos proibia claramente gravar, desenhar ou imprimir qualquer imagem!7 Resta-nos saber se Deus já não existe, ou se foi excomungado pela Igreja! O primeiro concílio de Nicéia foi em 325 e reuniu 2.048 bispos, que, em sua maioria, lá foram para negar ou discutir a divindade de Cristo. O Imperador de Bisâncio, Constantino I, conseguiu embrulha-los e impôs a divindade de Cristo ameaçando os contestadores “de desterro”8 caso insistissem em não querer aceitar “o julgamento da maioria” que somavam 318 Padres; a “minoria” dos contestadores chegava a 1.500, pelo menos no começo. As ameaças conseguiram reduzir o número dos que se opunham para apenas vinte e dois, entre os quais o sacerdote Ário e Eusébio, bispo de Cesaréia, foram excomungados. Os livros de Ário foram queimados e o concílio decretou a pena capital a ser aplicada a todos que continuassem a possuir exemplares deles.

Fragmento de uma estátua monumental de Constantino, que combinava partes em mármore com outras em bronze, representando-o sentado e vestido de couraça. Erguida na chamada Basílica de Constantino, em Roma, foi projetada por Magêncio e completada por Constantino; atualmente está nos Museus Capitolinos.

Ícone do Segundo Concílio Ecumênico de Niceia (Convento de Novodevichy, Moscou).

“O Alienista” entrou em contato com diversos padres entre outras autoridades da Igreja Católica para que comentassem este artigo, mas até o fechamento desta edição (setembro/2016) não obtivemos resposta de nenhum dos 77 contatos que realizamos. Lembramos que “O Alienista” está aberto ao diálogo e em qualquer momento poderá ser requisitado o direito de resposta por quem achar necessário.

O pretexto para a veneração dos ícones foi estabelecido a partir das passagens bíblicas de Êxodo 25:19, Números 7:89, Hebreus 9:5, Ezequiel 41:18 e Gênesis 31:34.

7 Êxodo 20:4-5 8 Exilar, expulsar da pátria, ou apenas colocar o sujeito em

uma condição de quem vive de maneira isolada, só. O ALIENISTA

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VOCÊ SABE O QUE É? As Dikshas, ou bênçãos da unidade, correspondem à uma transmissão de energia divina através das mãos, colocando-nos num processo paulatino de despertar da consciência, o qual atinge o seu ápice no processo de iluminação e realização divina, passando antes pela eliminação do sofrimento, através de uma intensa comunhão com Deus e sem vínculo com instituições religiosas, ou seja, as Dikshas são um presente de AmmaBhagavan, um casal indiano ainda vivo, para toda a humanidade despertar. A Universidade Oneness recebe pessoas do mundo inteiro de todas as raças, religiões e culturas numa celebração incomum de união entre os povos. O processo que acompanha as Dikshas inicia-se com a observação dos pensamentos, a desidenticação com os sentimentos e a aceitação ou compreensão integral da realidade, com o objetivo de destituir o ego em sua luta constante para nos separar de tudo e de todos. Os medos das pessoas são expressões desta ideia falsa de separação. A violência atual na sociedade é fruto desta mesma ideia de separação. Po-

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demos também incluir nesta categoria a manipulação das massas pelos governos corruptos e a falta de respeito e compaixão entre as pessoas. Uma vez destituído o ego, surge um espaço innito para a manifestação de nossa consciência divina. Deus se manifesta em nós pela força do Santo Espírito e nos envolve com a Sua Graça e Sua Luz. Redescobrimos a unidade como nossa constituição natural, pois nascemos da unidade e podemos vivê-la em plenitude também. As Dikshas têm o poder de desativar o lobo parietal do cérebro humano, responsável pelas percepções de sofrimento e depressão, e ao mesmo tempo ativar o lobo frontal, responsável por nossa percepção de unidade com Deus, com a natureza e com todas as pessoas, o que chamamos de mudança ou transformação neurobiológica. Dentro do processo inicia-se a cura emocional de traumas do passado, as possibilidades de experiências místicas e a expansão da consciência, proporcionando-nos uma felicidade sem igual. Todos os participantes iniciados são chamados de Doadores de Diksha e poderão distribuir este presente para toda a humanidade. Além da Diksha pelas


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Perdoar é perceber que não há nada a ser perdoado.

mãos, a Universidade Oneness ofereceu-nos a Diksha dos Olhos onde algumas pessoas de grande elevação nos níveis de despertar fazem esta transmissão de forma mais intensa pelos olhos. Recentemente, assim que os processos evoluem, recebemos a Diksha do Orbe Dourado e esta mesma bênção divina nos é oferecida diretamente pelo coração do iniciado, onde prevalece o amor incondicional pela humanidade. Eu tive o prazer de ir à India quatro vezes para beber na fonte este conhecimento, tornei-me Trainer, iniciando mais de 140 pessoas em Passos-MG e região e recentemente tornei-me Doador da Diksha do Orbe Dourado. As cidades de Passos-MG e São Sebastião do Paraiso-MG realizam reuniões semanais para a doação de Diksha pelas mãos. Milhões de pessoas no mundo inteiro já despertaram a consciência através destes processos de avançada tecnologia espiritual.

Sri Bhagavan, juntamente com sua esposa, Sri Amma, iniciou a entitulada Oneness University na cidade de Chithoor, Índia, nos anos 80.

Sri AmmaBhagavan

Como diz Sri Bhagavan “o coração é a única realidade. O que o coração diz, por si só é a verdade. Essa é a orientação que vem da Consciência Cósmica. Ouvir seu coração signica ouvir o próprio Deus. Não é possível entender porque Deus diz isto ou aquilo. A parte não pode compreender o todo. O todo se manifesta através do coração, e você é parte até que você se torne conscientemente uno com Deus. Os seres humanos hoje não obedecem ao todo. Eles não seguem o coração. Eles só seguem suas mentes. É por isso que o mundo está um caos. Quando você segue o seu coração, que é o mesmo que seguir a vontade de Deus, não há nenhum problema em sua vida. Se todo mundo seguir a vontade divina, não haverá mais problemas sobre a Terra.”

Benedito José Estudou Expansão de Consciência, Dikshaterapia na Instituição de Ensino Oneness University - India. O ALIENISTA

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O grupo de arquitetos, Gijs Van Vaerenbergh, construiu esta igreja em Borgloon, Bélgica. Ela a princípio não parece ter nada de especial, até que você muda o ângulo que olha para ela. A partir de outras perspectivas, a estrutura revelase algo completamente diferente e até um pouco mágica. Uma obra que dá quase totalmente para ver através dela. Ela consiste em 100 camadas de aço empilhado, que estão escalonados de modo equidistante de uma forma que confere esse efeito ilusório na mudança da aparência com base onde o espectador está de pé.

Quatro arquitetos projetam Igreja-invisivel.

{curiosidades}

[FONTE: RAZÕESPARAACREDITAR.COM]

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Igreja parece não ter nada de especial, até vê-la de diferentes ângulos.


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Cortesia de Gijs Van Vaerenbergh Fotograa: Filip Dujardin.

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Ele é conhecido por ser talvez o maior traidor da história, o infame Judas1. Pobre Judas, tão injuriado, vilipendiado, desprezado. Apesar de existirem todas as possibilidades de ele ser inocente ou então de ter sido um herói, contrariando os relatos de todas as falsas testemunhas. Houve até uma estória que o mito da traição fora inventado para permitir a Paulo entrar na roda dos doze companheiros de Jesus. Por isso mesmo teria sido necessário excluir um deles. Seria esse o motivo de uma intriga que, porém, não deu resultado no que diz respeito a Paulo, pois a facção judeu-cristã elegeu Matias em vez dele. Essa armação parece possível pelo fato de Paulo e João, em seus escritos, ignorarem de maneira absoluta a existência de um traidor entre os Apóstolos, como se nada tivesse acontecido. Se a traição realmente foi consumada, poderiam os motivos ter sido outros, de natureza política e muito mais respeitáveis? NOTAS 1 Artigo parafraseado do original de Robert Charroux em “O Livro

dos Mundos Esquecidos” – Editora Hemus, páginas 323 – O Caso Judas; 324 – Judas, O Iniciado; 326 – Jesus se Recusava ser o Salvador; 327 – Judas, O Ruivo. – 1971 – Com acréscimos e comentários de Allan Aldebram. 2 Iscariotes provavelmente foi usado como apelido, em hebraico ish Qeryoth, signica homem de Queriote. (João 6:71; 13:26).

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A Captura de Cristo, mostrando, a partir da esquerda, João, Jesus, Judas, dois soldados, um homem e outro soldado. 1602. Por Caravaggio ou um de seus discípulos, atualmente na National Gallery of Ireland, em Dublin, na Irlanda.

JUDAS, O INICIADO O papel de Judas Iscariotes2, foi extremamente perturbador. A tribo de Judá foi a primeira e a mais famosa das 12 tribos de Israel, e Judas possivelmente foi o mais instruído e o mais inteligente dos discípulos, porque estava encarregado da administração da comunidade. O Apóstolo João arma que se tratava de um ladrão, fato esse que não depõe a favor do discernimento de Jesus. Vamos resumir tudo o que se sabe a respeito de Judas Iscariotes, primeiramente, através dos quatros Evangelhos canônicos.

Também, podia ser designado "lho" ou "descendente" ou "natural" de Queriote. "Queriote" – de acordo com a interpretação inicialmente veiculada por São Jerónimo – seria o nome simplicado da aldeia, ou mais provavelmente um conjunto de aldeias, de Queriote-Ezron (Josué 15:21) – nome que signica "cidades de Ezron" – localizada na província romana da Judeia (no território da Tribo de Judá) e que é comumente identicada com a moderna Qirbet el-Qaryatein, situada a cerca de 20 km ao sul de Hebron.


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O mesmo João nos conta que Marta e Lázaro, o ressuscitado, estavam em Betânia, oferecendo um banquete em honra a Jesus quando Maria, irmã de Marta, despejou sobre os pés de Jesus (Mateus arma que foi sobre a cabeça) “uma libra de óleo perfumado, nardo legítimo, que custava muito caro; ela o despejou sobre os pés de Jesus e em seguida secouo com seus próprios cabelos e a casa inteira cou recendendo pelo perfume”. – João 12:3. “Então um dos discípulos, a saber, Judas Iscariotes que devia traí-lo, disse: Por que esse perfume não foi vendido por 300 moedas que poderíamos ter distribuído aos pobres? ” – João 12:4-5. Mateus escreve: “Quando seus discípulos viram isso, se zangaram e perguntaram: Por que esse desperdício?” – Mateus 26:6-10. E Marcos arma: “Alguns deles caram indignados.” – Marcos 14:3-6. Lucas não menciona o banquete. “Disse isso não porque se importasse com os pobres, mas porque era ladrão e como guardava a bolsa, carregava o dinheiro que nela era colocado.” – João 12:6.3 “Mas Jesus disse: Deixem que ela faça porque ela guardou esse perfume para o dia do meu enterro. Pois sempre haverá pobres em vosso meio, mas eu não carei sempre entre vocês.” – João 12:7-8. Eis então Jesus que, pelo seu insensato orgulho, achou normal que alguém lavasse seus pés com um perfume muito caro, e deixou que uma mulher os enxugasse com seus cabelos.4 A todo instante Jesus se proclama O Filho de Deus, pretende que ninguém pode chegar ao Pai a não ser por intermédio dele e previne que terá imitadores que declararão: “Eu é que sou o Cristo”. – Lucas 21:8. De qualquer forma, sabendo que será preso e justiçado, o próprio Jesus parece perder a fé em si mesmo, em sua coragem, em sua missão e em Deus. Chega então no Monte das Oliveiras e pede aos seus três melhores “discípulos” que o estão acompanhando, para car vigiando enquanto ele pretende rezar durante uma hora. O muito cauteloso João não conta o incidente, e precisamos lembrar que o nome dele não consta do relato de Marcos, no ponto em que Jesus os censura! Que Apóstolos esquisitos! Que Messias estranho este que só sabia encontrar gente daquela espécie! Seus três melhores discípulos, Pedro, Tiago e João fazem algo que nem os piores simplórios fariam: apro-

veitam do fato do Senhor estar se preparando ao suplício, para tirar uma soneca! Só este detalhe, contado por Mateus, Marcos e Lucas (mas silenciado por João!) mostra o pouco caso que os pseudo-discípulos faziam do Mestre, aliás poderíamos dizer até: quanto o desprezavam... se realmente os fatos aconteceram como estão sendo contados! JESUS SE RECUSAVA A SER O SALVADOR Um personagem se sobressai em meio àquela esquisita turminha de doze apóstolos. Ele pertence à mais nobre das tribos hebraicas e sem dúvida é o único que sabe realmente ler, escrever e fazer as contas: seu nome é Judas. Ele é o único que poderia ter escrito o verdadeiro Evangelho. Ele o escreveu, mas o livro desapareceu misteriosamente. Judas não renegará Jesus e será o único a morrer ao mesmo tempo. Se podemos acreditar no que conta João, ele também é o único a car indignado com o pseudo-Mestre que deixa que Maria lhe lave os pés com algo que em nossos dias corresponderia a um perfume de Allure, de Dolce & Gabbana ou de Chanel, ou seja, um produto cujo preço vale muitas vezes o salário diário de um trabalhador comum.

4 Da mesma forma achou normal que uma criatura de vida licen3 Os outros evangelistas não dizem nada a esse respeito. Mas to-

das as observações de João a respeito de Judas são repletas de veneno, de ressentimento e de inverdades como se ele estivesse com ciúmes.

ciosa (Lucas 7:37-38, 44-47) molhasse seus pés de lágrimas enquanto almoçava na casa de um Fariseu, que a coitada os enxugasse com seus cabelos, os beijasse e nalmente molhasse com perfume. O ALIENISTA

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Ele percebe que Pedro, João, Tiago e os outros praticamente suam sangue no esforço – inútil – de compreender Jesus; vê que eles se empanturram de alimentos terrestre, que são para eles os mais digeríveis, para depois roncar como sineiros sob os olhares cheios de desprezo do Mestre. Ele sabe, porque já foi vaticinado, que aqueles odres cheios de lavagem acabarão por traí-lo; sente, ainda mais, que Jesus está fraquejando: talvez ele não tivesse a bra e o gabarito de um Cristo ou, quem sabe, estaria ele reconhecendo seu evidente fracasso com seus discípulos? Em breve, tudo pode dar para trás, e então não haverá Cristo, nem religião cristã e permanecerá o caos. Então Judas, desanimado, indignado, mas consciente, decide forçar a decisão do indeciso em se tornar o Salvador, mas assim mesmo ele se recusa a renegar àquele que ele bem conhece – que ele conhece bem, bem demais! De fato, se considerarmos a situação de maneira honesta, e se ao mesmo tempo nos lembrarmos do comportamento indecente dos discípulos e das reticências evidentes dos evangelistas a respeito da decisão do Mestre em se sacricar, é muitíssimo provável que Jesus, antes de ir para o Monte das Oliveiras, já estivesse decidido a recusar o sacrifício. Compreende-se então, nessa hipótese, porque Pedro, Tiago e João se abandonam ao sono: não há mais nada a temer por ele, eles sabem que ele mudou de ideia, que teve medo! Ele reconheceu – talvez só em Rembrandt Harmensz. van Rijn - 1629

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Judas devolvendo as 30 moedas de prata.

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seu íntimo, mas é possível que o tenha feito até em público – que ele não passa de um pobre iluminado, sem instrução maior que a de seus discípulos, e não mais lho de Deus do que eles próprios! Tudo estava acabado e aquela pequena aventura ia afundar no esquecimento e no tédio. Mas Jesus era uma espécie de Iniciado, e o mundo da antiguidade estava precisando dele; Judas então forçou a mão do destino, foi procurar os soldados e entregou o indeciso ao suplício e à crucicação. Foi por dinheiro? Não, e isso está fora de dúvida! Mesmo os cristãos mais ferrenhos reconhecem que 30 moedas de prata (a décima parte do preço de um frasco de perfume) era uma quantia tão irrisória que não podia tentar ninguém. Como poderíamos, aliás, duvidar do despreendimento dele, já que sabemos – pela tradição – que ele jogou o dinheiro maldito no templo, testemunhou que Jesus era inocente e nalmente, tomado pelo desespero, se enforcou? JUDAS, O RUIVO A análise do ato que se presume ser uma traição prova que os acontecimentos foram mal relatados pelos evangelistas. Jesus nunca zera milagre nenhum, passara completamente despercebido na história da Judeia e era completamente desconhecido por Pôncio Pilatos que, de fato, não tinha motivo nenhum para prendê-lo. Tudo isso está formalmente admitido nos Evangelhos, porque para indicar quem deve ser preso, Judas o identica beijando-o! Ninguém poderia acreditar que Jesus não seria reconhecido em Jerusalém, se de fato ele fosse um perturbador de paz. Parece, portanto, indiscutível que Jesus não era conhecido pelos soldados, mas que suas ideias revolucionárias tinham chegado ao conhecimento dos sacerdotes judeus. Pôncio Pilatos não tem por que censurá-lo; são os “príncipes dos sacerdotes” que o perseguem e o acusam de ser um blasfemo, e, do ponto de vista deles, as coisas estavam assim mesmo. O procurador romano está tão convencido da insignicância do personagem que não lhe presta nenhuma atenção especial e “lava suas mãos” para indicar que não pretende assumir nenhuma responsabilidade sobre o crime que vai ser perpetrado. Em suma, trata-se de um acerto de contas entre sectários religiosos que teria cado ignorado pela história se um século mais tarde os Iniciados não tivessem criado o caso.


Naquela ocasião porém, o Iniciado número um era Judas. Sem Judas, Jesus não teria existido. Judas era de estirpe pura e tinha cabelos ruivos, arma a tradição, e desde o século II os Cainitas5 e outros Gnósticos viram nele o instrumento da Providência, necessário à redenção do Homem. Foi um verdadeiro herói da história que forçou Jesus a se tornar o Salvador e que aceitou o papel de traidor, um papel que é desmentido pelas suas palavras, pelo seu despreendimento, pelos seus escrúpulos e pelo dramático m após cumprir sua missão. Segundo uma tese que encontra uma certa aceitação foi assim que correu o processo de Jesus e foi esse o verdadeiro rosto de Judas. Entretanto, uma revelação encontrada nos Manus-

critos do Mar Morto traz mais um esclarecimento convincente a respeito do pseudo-traidor do Evangelho: os essenianos eram apelidados de Judas pelos seus inimigos gadais, os hebreus, muito tempo antes do nascimento de Jesus. Por isso podemos compreender a confusão que se manifestou no espírito dos cristãos dois séculos após os fatos! Nesse sentido, porém, Judas não teria existido e sua aventura seria pura obra de cção.

5 Para os cainitas, Caim foi a primeira vítima do Demiurgo, uma

divindade intermediária criadora do mundo material, inferior a Deus. Segundo eles, o Deus do Antigo Testamento não poderia ser o mesmo proclamado por Jesus, pois enquanto este último seria piedoso, benevolente, amoroso, aquele seria vingativo e cruel.

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Cavernas de Qumran, na região do Mar Morto.

MANUSCRITOS DO MAR MORTO ONLINE As Autoridades de Antiguidades de Israel em parceria com o Google lançaram recentemente a Biblioteca Digital Leon Levy dos Manuscritos do Mar Morto (www.deadseascrolls.org.il). O público é convidado a ver, examinar e explorar esta coleção de mais de 5.000 imagens, em uma qualidade nunca antes vista. Os visitantes que estiverem em Jerusalém, poderão também ver os originais dos Manuscritos do

Mar Morto no Museu do Livro, uma exposição dedicada aos pergaminhos, no Museu de Israel. Isto possibilita aos estudantes e milhões de usuários em todo o mundo descobrir e decifrar detalhes invisíveis ao olho nu. O site exibe imagens infravermelhas e em cores em uma resolução de 1215dpi, em escala 1:1, equivalente em qualidade aos pergaminhos originais. As peças da cultura e da história que estão sendo disponibilizados hoje por esta biblioteca - os manuscritos dos 10 mandamentos, a história da criação do mundo, e muito mais - são conhecidos por quase toda criança em idade escolar em todo o mundo. Esta parceria é mais um passo no sentido de preservar material cultural ao redor do mundo e permitir que os usuários façam um bom proveito de uma tecnologia extraordinária. O ALIENISTA

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1304-06. Por Giotto, na Capela Scrovegni, em Pádua, na Itália.

O BEIJO DE JUDAS

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Com um beijo, Judas Iscariotes identicou Jesus aos soldados que vieram prendê-lo. Este evento está registrado em Mateus 26:47-50; Marcos 14:43-45 e Lucas 22:47-48. Em João 18:2-9 aparece o evento da traição, mas sem menção a um beijo de Judas. De acordo com Mateus, Jesus respondeu dizendo "Amigo, a que vieste?". Esta frase provocou muita especulação sobre se Jesus e Judas estariam em acordo entre si e que não houve de fato uma traição, pois Judas estaria fazendo algo que lhe fora pedido.6 Lucas apresenta uma história bem diferente: Jesus vê Judas vindo e o interpela perguntando: "Judas, com um beijo entregas o Filho do homem?" Mas, aparentemente, nenhum beijo foi dado. João não diz absolutamente nada a respeito de um “beijo de Judas”.

6 Pagels, Elaine at Karen L. King. (...) "O Evangelho de João sugere

que o próprio Jesus era cúmplice da traição e que, momentos antes de Judas sair, Jesus disse-lhe O que fazes, faze-o depressa. (João 13:27)" -- Reading Judas, The Gospel of Judas and the Shaping of Christianity, Penguin Books, New York, 2007, pages 3–4, ISBN 9780143113164.

JUDAS ISCARIOTES PARTICIPOU DA SANTA CEIA?

João 13:21-30 João se mostra sempre áspero com Judas Iscariotes, neste evangelho ele escreve que durante a última ceia, os doze discípulos estavam com Jesus e em certa hora Jesus diz: “na verdade vos digo que um de vós há de me trair”. Os discípulos insistiram para que Jesus revelasse quem era o traidor. Cristo respondeu: “É aquele a quem eu der o pedaço de pão molhado. E, molhando o pedaço de pão, o deu a Judas Iscariotes, lho de Simão.” Jesus diz as seguintes palavras dirigidas a Judas: “O que fazes, faze-o depressa.” Os discípulos não perceberam o que estava acontecendo, pois logo após receber o pedaço de pão, Judas sai da sala. Em que momento Judas deixa a sala? Considerando que João não relata a instituição da Santa Ceia por Jesus, também não é claro a hora em que Judas deixa o recinto. Mas uma coisa é certa, João negligencia o ritual simbólico de Jesus, concentra-se em relatar a traição de Judas, porém, ca evidente que Judas participou da Santa Ceia, pois outros três evangelistas o colocam na cena, e João, o retira de cena para entrar na história.

Mateus 26:20-30 Os doze discípulos sentaram-se à mesa com Jesus. O Mestre passa então a dizer que um dos doze o trairá. Logo Judas é identicado como o traidor. Jesus dá início ao ritual simbólico que representa sua carne e seu sangue, distribuindo pão e vinho entre os doze. Em nenhum momento o texto menciona a saída de Judas do recinto. Mateus que estava presente também não diz que Judas cou de fora, não participando dos emblemas. Marcos 14:17-26 O relato de Marcos, outra testemunha ocular do evento, repete basicamente as palavras de Mateus. Descreve a presença dos doze discípulos, a menção da traição por Jesus, o pão e o vinho e em nenhum momento é mencionado que Judas deixa a cena.

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Allan Aldebram [REPRODUÇÃO]

Lucas 22:14-22, 39 No relato de Lucas, algo nos chama a atenção. O ritual simbólico instituído por Jesus acontece antes que ele faça o anúncio que um dos doze discípulos o haveria de trair. Assim, após a refeição da Santa Ceia o “traidor” continua na mesa pois Jesus somente anuncia sua presença nesse momento. Assim como Mateus e Marcos, Lucas não coloca Judas fora do cenário da Santa Ceia em momento algum. Mas diferentemente dos dois anteriores, Lucas arma que Judas Iscariotes estava presente na refeição com os outros onze e o Cristo.


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O MINISTÉRIO TERRESTRE DE JESUS Quando Jesus apareceu na Terra, ele executou milagres e grandes maravilhas para a salvação da humanidade. E desde então alguns [caminharam] de maneira reta, enquanto outros tomaram o caminho de suas transgressões, e os doze discípulos foram chamados. Ele começou a falar com eles sobre os Mistérios do outro mundo e o que aconteceria no m. Frequentemente ocorria de ele não aparecer aos seus discípulos como ele mesmo, mas sim como uma criança. CENA 1: Jesus dialoga com seus discípulos: A oração de ação de graças ou eucaristia Um dia Ele estava com seus discípulos na Judéia, e ele os encontrou reunidos e sentados em piedosa prática. Quando ele [se aproximou] seus discípulos, [34] reunidos e sentados, zeram uma oração de ação de graças sobre o pão, [ele] riu. Os discípulos disseram-[lhe], “Mestre, por que estás rindo de [nossa] oração de ação de graças? Nós zemos o que é certo.” Ele respondeu e lhes disse, “Eu não estou rindo de vocês. [Vocês] não estão fazendo isto devido às suas próprias vontades, mas sim porque é através disto que seu Deus [será] louvado.” Eles disseram, “Mestre, tu és […] o Filho de nosso Deus.” Jesus lhes disse, “Como vocês me conhecem? Verdadeiramente [eu] digo a vocês, nenhum membro da geração das pessoas que estão entre vocês, me conhecerá.” OS DISCÍPULOS SE ENCOLERIZAM Quando seus discípulos ouviram isto, começaram a car bravos e enfurecidos, e começaram a blasfemar contra Jesus em seus corações. Quando Jesus observou a falta de [entendimento deles, disse] a eles, “Por que isso os encolerizou? Seu Deus, que está dentro de vocês, e […], [35] provocou a

cólera [dentro] de suas almas. [Deixe] qualquer um de vocês, que seja [forte o bastante] entre os seres humanos, manifestar o humano perfeito, e se levante ante minha face.” Todos eles disseram, “Nós temos a força”. Mas seus espíritos não ousaram car de pé ante [Jesus], exceto Judas Iscariotes. Ele foi capaz de levantar-se ante Jesus, mas não pôde olhá-lo nos olhos, e Judas virou sua face. Judas lhe [disse], “Eu sei quem tu és e de onde vieste. Tu és do reino imortal de Barbelo. E não sou digno de mencionar o nome daquele que te enviou.” JESUS FALA COM JUDAS PARTICULARMENTE Sabendo que Judas estava reetindo sobre algo que era exaltado, Jesus lhe disse, “Afaste-se dos outros e eu poderei te falar sobre os Mistérios do Reino. É possível você alcançá-lo, mas você sofrerá muito. [36] Pois outra pessoa o substituirá, para que os doze [discípulos] possam vir novamente a se realizar com seu Deus.” Judas lhe disse, “Quando tu me contarás estas coisas e [quando] virá o grande dia da luz do amanhecer para a geração?” Mas quando ele falou isso, Jesus o deixou. O ALIENISTA

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CENA 2: Jesus aparece novamente a seus discípulos Na manhã seguinte, depois do que aconteceu, Jesus [apareceu] novamente a seus discípulos. Eles lhe disseram, “Mestre, para onde foste e o que zeste quando tu nos deixaste?” Jesus lhes disse, “Eu fui para uma outra grande e sagrada geração.” Seus discípulos lhe perguntaram, “Senhor, o que é a grande geração, que é superior a nós e mais santa que nós, que não está agora nestes reinos?” Quando Jesus ouviu isto, riu e lhes disse, “Por que vocês estão pensando, em seus corações, na forte e sagrada geração? [37] Verdadeiramente [eu] digo a vocês que ninguém nascido [deste] eon verá essa [geração], e nenhuma hoste de anjos das estrelas regerá aquela geração, e nenhuma pessoa de nascimento mortal pode se associar com ela, porque aquela geração não vem de […] que se tornou […]. A geração das pessoas dentre [vocês] é proveniente da geração da humanidade […] poder, o qual [… os] outros poderes […] pelo [qual] vocês regem.” Quando [seus] discípulos ouviram isto, caram turbados de espírito. Não puderam dizer uma só palavra. Num outro dia Jesus apareceu [a eles]. Eles disseram [a ele], “Mestre, nós o vimos em uma [visão], porque tivemos grandes [sonhos…] noite […].” [Ele disse], “Por que têm [vocês… quando] [ vocês ] foram se esconder?” [38] OS DISCÍPULOS VÊEM O TEMPLO E DISCUTEM O OCORRIDO

JESUS OFERECE UMA INTERPRETAÇÃO ALEGÓRICA DA VISÃO DO TEMPLO Jesus lhes disse, “Por que vocês estão preocupados? Verdadeiramente eu digo a vocês, todos os sacerdotes que estavam de pé ante aquele altar invocavam meu nome. Novamente eu lhes digo, meu nome foi escrito nisto […] das gerações das estrelas através das gerações humanas. [E eles] plantaram árvores sem frutos, em meu nome, de uma maneira vergonhosa.” Jesus lhes disse, “Aqueles que vocês viram recebendo as oferendas no altar — aqueles são vocês. Esse é o Deus que vocês servem, e vocês são aqueles doze homens que vocês viram. O gado que vocês viram sendo trazido para o sacrifício são as várias pessoas que vocês extraviaram [40] diante daquele altar. […] estarão de pé e farão uso de meu nome deste modo, e gerações de piedosos permanecerão leais a ele. Depois disto um outro homem estará lá de pé [pelos fornicadores], e outro se levantará lá pelos assassinos de crianças, e outro pelos que dormem com homens, e pelos que se abstêm, e pelo resto das pessoas de corrupção, e ilegalidade e

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Eles [disseram, “Nós vimos] uma grande [casa com um grande] altar [em seu interior, e] doze homens — eles são os sacerdotes, diríamos — e um nome; e uma

multidão de pessoas está esperando naquele altar, [até] os sacerdotes [… e recebem] as oferendas. [Mas] nós camos esperando.” [Jesus disse], “Como são [os sacerdotes]? Eles [disseram, “Alguns…] duas semanas; [alguns] sacricam seus próprios lhos, outros suas esposas, em louvor [e] humildade entre si; alguns dormem com homens; alguns estão envolvidos em [massacres]; alguns cometem uma innidade de pecados e de ações ilegais. E os homens que estão de pé [diante] do altar invocam teu [nome], [39] e em todas as suas ações decientes, os sacrifícios são concluídos […].” Depois que disseram isto, caram quietos, porque estavam preocupados.

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erro, e os que dizem, ‘Nós somos como os anjos’; eles são as estrelas que trazem tudo à sua conclusão. Pois foi dito às gerações humanas, “Vejam, Deus recebeu vosso sacrifício das mãos de um sacerdote — isso é, de um ministro do erro. Porém é o Senhor, o Senhor do universo que comanda ‘No último dia eles serão envergonhados’”. [41] Jesus [lhes] disse, “Parem de sacr[icar…] o que vocês têm […] sobre o altar, desde que eles estão sobre suas estrelas e seus anjos e já lá chegaram às suas conclusões. Assim, deixem ser [enlaçados] antes de vocês, e os deixem ir [— aproximadamente 15 linhas se perderam—] gerações […]. Um padeiro não pode alimentar toda a criação [42] sob o [céu]. E […] para eles […] e […] para nós e […]. Jesus disse-lhes, “Parem de discutir comigo. Cada um de vocês tem sua própria estrela, e tod[os — aproximadamente 17 linhas se perderam — ] [43] em […] quem veio [… fonte] para a árvore […] deste eon […] durante um tempo […] mas ele veio para banhar o Paraíso de Deus, e a [geração] que perdurará, porque [ele] não manchará o [caminho de vida da]quela geração, mas […] por toda a eternidade.” JUDAS PERGUNTA A JESUS SOBRE AQUELA GERAÇÃO E SOBRE AS GERAÇÕES HUMANAS Judas perguntou a [ele, “Rabb]i, que tipo de fruto esta geração produz?” Disse-lhe Jesus, “As almas de todas as gerações humanas morrerão. Porém, quando estas pessoas completarem o tempo do reino e o espírito as deixar, seus corpos morrerão, mas suas almas estarão vivas, e eles serão levados.” Judas disse, “E o que fará o restante das gerações humanas?” Jesus disse, “É impossível [44] plantar sementes nas [pedras] e colher seus frutos. [Esta] também é a maneira […] a geração [maculada] […] e a Sophia corruptível […] a mão que criou as pessoas mortais, de forma que suas almas vão até os reinos eternos do alto. [Verdadeiramente] eu te digo, […] anjo […] poder poderá ver que […] estes para quem […] gerações santas […].” Depois, que Jesus disse isto, partiu.

Judas lhe disse, “Na visão eu me vi sendo apedrejado pelos doze discípulos, e [45]que estavam perseguindo- [me severamente]. E eu também vim para o lugar onde […] depois de ti. Eu vi [uma casa…], e meus olhos não puderam [entender] seu tamanho. Grandes pessoas estavam cercando-a, e aquela casa [tinha] uma cobertura de folhagem, e no meio da casa havia [uma multidão — faltam duas linhas —], dizendo, ‘Mestre, leva-me juntamente com estas pessoas’”. [Jesus] respondeu e disse, “Judas, tua estrela te extraviou.” Ele continuou, “Nenhuma pessoa de nascimento mortal é merecedora de entrar na casa que você viu, pois aquele lugar está reservado para o sagrado. Nem o sol nem a lua regerão lá, nem o dia, mas o sagrado habitará lá sempre, no reino eterno com os anjos santos. Olhe, eu te expliquei os mistérios do reino [46] e eu te ensinei a respeito do erro das estrelas; e […] envie-o […] nos doze eons.” JUDAS PERGUNTA SOBRE SEU PRÓPRIO DESTINO Judas disse, “Mestre, poderia ser que minha semente estivesse sob o controle dos regentes?” Jesus respondeu-lhe dizendo, “Vem, que eu [—duas linhas que se perderam—], mas isso você sofrerá muito quando você ver o reino e toda sua geração.” Quando Judas ouviu isto, disse, “Qual foi o bem que eu recebi? Pois tu me separaste para aquela geração.” Jesus, respondendo, disse-lhe, “Você se tornará o décimo terceiro, e será amaldiçoado pelas outras gerações — e você regerá sobre elas. Nos últimos dias eles amaldiçoarão sua ascensão [47] para a [geração] santa.” JESUS ENSINA COSMOLOGIA A JUDAS SOBRE: O ESPÍRITO E O AUTOGERADO Jesus disse, “[Venha], para que eu possa te ensinar acerca dos [segredos] que nenhuma pessoa [jamais] viu. Pois lá existe um grande e ilimitado reino cuja extensão nenhuma geração de anjos jamais viu, [no qual] há [um] grande [Espírito] invisível, o qual nenhum olho, de qualquer anjo, jamais viu, nenhum pensamento do coração jamais compreendeu, e nunca foi chamado por qualquer nome.

CENA 3: Judas narra uma visão e Jesus responde

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Judas falou, “Mestre, como tu escutaste a todos eles, agora também escuta-me, pois eu tive uma grande visão”. Quando Jesus ouviu isto, ele riu e disse-lhe, “Você décimo terceiro espírito, por que tenta tão esforçadamente? Mas fala, e eu serei tolerante contigo.” O ALIENISTA

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“E uma nuvem luminosa lá apareceu. Ele disse, ‘Permita que um anjo nasça para ser meu criado.’ “Um grande anjo, o divino iluminado Auto-gerado, emergiu da nuvem. Por causa dele, quatro outros anjos nasceram de uma outra nuvem, e eles se tornaram criados para o angélico Auto-gerado. O Auto-gerado disse, [48] ‘Permite […] nasça […]’, e nasceu […]. E ele [criou] a primeira luminária para reinar sobre ele. Ele disse, ‘Permita que os anjos nasçam para servi-[lo]’, e miríades, um sem número, nasceram. Ele disse, ‘[Deixe] um eon iluminado nascer,’ e ele nasceu. Ele criou a segunda luminária [para] reinar sobre ele, juntamente, com miríades de anjos para servi-lo. Isso é como ele criou o restante dos eons iluminados. Ele os fez reinar sobre eles, e criou para eles inumeráveis anjos, para assistilos. ADAMAS E AS LUMINÁRIAS “Adamas estava na primeira nuvem luminosa, que nenhum anjo jamais viu entre tudo aquilo chamado ‘Deus’. Ele [49] […] que […] a imagem […] e pela semelhança d[este] anjo. Ele fez a incorruptível [geração] de Seth aparecer […] os doze […] os vinte e quatro […]. Ele fez setenta e duas luminárias aparecerem na geração incorruptível, conforme a vontade do Espírito. As setenta e duas luminárias mesmas zeram aparecer trezentas e sessenta luminárias na geração incorruptível, de acordo com a vontade do Espírito, de maneira que o número delas deveria ser de cinco para cada uma. “Os doze eons das doze luminárias constituem o pai delas, com seis céus para cada eon, de maneira que há setenta e dois céus para as setenta e duas luminárias, e para cada uma [50] [delas, cinco] rmamentos, [para um total de] trezentos e sessenta [rmamentos…]. A elas foi dada autoridade e uma [grande] hoste [inumerável] de anjos, para glória e adoração, [e depois disso também] espíritos virgens, para glória e [adoração] de todos os eons e dos céus e dos rmamentos deles. O COSMOS, O CAOS E O MUNDO INFERIOR “A multidão desses imortais é chamada de cosmos — isto é, perdição — pelo Pai e pelas setenta e duas luminárias, que estão com o Autogerado e seus setenta e dois eons. Nele o primeiro humano apareceu com seus poderes incorruptíveis. E o eon que apareceu com sua geração, o eon no qual estão a nuvem do conhecimento e o anjo, é chamado [51] El. […] eon […] depois disso […] dito, ‘Permita que os doze anjos nasçam [para] governar o Kaos e o [mundo inferior]’. E veja, da nuvem apareceu um [anjo], cuja face relampejava com fogo e cuja aparência foi manchada com sangue. O nome dele era Nebro, que quer dizer ‘rebelde’; outros o chamam

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Yaldabaoth. Outro anjo, Saklas, também veio da nuvem. Assim Nebro criou seis anjos — assim como também Saklas — para serem assistentes, e estes produziram doze anjos nos céus, com cada um recebendo uma porção nos céus. OS GOVERNANTES E OS ANJOS “Os doze governantes falaram com os doze anjos: ‘Permite, cada um de vocês, [52] […] e os deixaram […] geração [—uma linha se perdeu—] anjos’: O primeiro é [S]eth que é chamado Cristo. O [segundo] é Harmathoth que é […]. O [terceiro] é Galila. O quarto é Yobel. O quinto [é] Adonaios. Estes são os cinco que regem o mundo inferior e, preponderantemente, o caos. A CRIAÇÃO DA HUMANIDADE “Então Saklas disse aos seus anjos, ‘Vamos criar um ser humano segundo a semelhança e a imagem’. Eles moldaram Adão e sua esposa Eva, que é chamada, na nuvem, de Zoe. Pois por este nome todas as gerações buscam o homem, e cada uma delas chama a mulher por estes nomes. Agora, Sakla não [53] con [trolou…] exceto […] as gera[ções…] isto […]. E o [governante] disse a Adão, ‘Você viverá muito tempo, com seus lhos’”. JUDAS PERGUNTA SOBRE O DESTINO DE ADÃO E DA HUMANIDADE Judas disse a Jesus, “[O que] é uma longa duração de tempo, a qual o ser humano viverá?” Jesus disse, “Por que você está desejando saber isto? Aquele Adão, com a geração dele, viveu seu tempo de vida no local onde ele recebeu seu reino, com longevidade junto com seu regente?” Judas perguntou a Jesus, “O espírito humano morre?” Jesus disse, “Foi por isso que Deus ordenou a Miguel que desse os espíritos das pessoas a elas como um empréstimo, de maneira que elas poderiam oferecer serviço, mas o Altíssimo ordenou a Gabriel que concedesse espíritos à grande geração sem regente sobre ela — isto é, sobre o espírito e a alma. Então, o [resto] das almas [54] [—uma linha se perdeu—]. JESUS DISCUTE A DESTRUIÇÃO DO MAL COM JUDAS E OS OUTROS “[…] luz [—quase duas linhas se perderam—] ao redor […] deixe […] espírito [isso é] dentro de você mora


nesta [carne] entre as gerações de anjos. Mas Deus fez com que o conhecimento fosse [dado] para Adão e aqueles que estavam com ele, de forma que os reis do Kaos e do mundo inferior não poderiam controlar o conhecimento deles.” Judas perguntou a Jesus, “Assim o que farão essas gerações?” Jesus disse, “Verdadeiramente eu te digo, para todos eles as estrelas trazem a conclusão dos assuntos. Quando Saklas completar o período de tempo designado para ele, a primeira estrela deles aparecerá com as gerações, e eles terminarão o que disseram que fariam. Então eles fornicarão em meu nome, e matarão as suas crianças [55] e eles irão […] e [—aproximadamente seis linhas e meia se perderam—] meu nome, e ele irá […] sua estrela sobre o [décimo]terceiro eon.” Depois disso Jesus [riu]. [Judas perguntou], “Mestre, [por que estás rindo de nós]?” [Jesus] respondeu [e disse], “eu não estou rindo [de vocês] mas sim do erro das estrelas, porque estas seis estrelas vagam, aproximadamente, com estes cinco combatentes, e todos eles serão destruídos junto com suas criaturas.” JESUS FALA DOS QUE SÃO BATIZADOS E DA TRAIÇÃO DE JUDAS Judas perguntou a Jesus, “Olha, o que farão os que foram batizados em teu nome?” Jesus disse, “Verdadeiramente eu digo [a você], este batismo [56] […] meu nome [—aproximadamente nove linhas se perderam—] para mim. Verdadeiramente [eu] digo a você, Judas, [aqueles que] ofereçam sacrifícios a Saklas […] Deus [— três linhas se perderam—] tudo que é mau.

“Mas você excederá a todos eles. Pois você sacricará o homem que me reveste. Seu chifre já foi elevado, sua ira foi acendida, sua estrela mostrou-se brilhantemente, e seu coração tem […]. [57] “Verdadeiramente […] seu último […] torna-se [—aproximadamente duas linhas e meia se perderam—], aija [—aproximadamente duas linhas se perderam—] o regente, desde que ele será destruído. E então a imagem da grande geração de Adão será exaltada, previamente para o céu, a Terra, e os anjos, aquela geração, que é dos reinos eternos, existe. Olhe, tudo foi dito a você. Erga teus olhos para cima e olhe para a nuvem e para a luz dentro dela e para as estrelas que a cercam. A estrela que conduz o caminho é a tua estrela.” Judas ergueu os olhos e viu a nuvem luminosa, e entrou nela. Os que estavam em pé no chão ouviram uma voz que vinha da nuvem, dizendo, [58] […] grande geração […] … imagem […] [—aproximadamente cinco linhas se perderam—]. JUDAS TRAI JESUS […] Seus Altos Sacerdotes murmuraram porque [ele] havia entrado no quarto de hóspedes para fazer sua oração. Mas alguns escribas estavam lá observando cuidadosamente para prendê-lo durante sua oração, porque eles tinham medo das pessoas, desde que foi considerado por todos como um Profeta. Eles aproximaram-se de Judas e lhe perguntaram, “O que você está fazendo aqui? Você é um discípulo de Jesus”. Judas lhes respondeu como eles desejavam. E ele recebeu algum dinheiro e ele o entregou para eles.

Tradução Escola Gnóstica, do original em inglês.

Equipe IGB - ABRAGNOSE Igreja Gnóstica do Brasil REDES SOCIAIS: \ABRAGNOSE

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Judas Iscariotes William Etty (1787-1849, United Kingdom) O ALIENISTA

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SPOTLIGHT

assista

trailer legendado!

“Spotlight - Segredos Revelados” (no Brasil) e “O Caso Spotlight” (em Portugal) é um lme estadunidense de drama biográco de 2015. Spotlight trata da investigação, por uma equipe do jornal The Boston Globe, dos casos de abuso sexual e pedolia por membros da arquidiocese católica de Boston. Esta investigação recebeu o Prêmio Pulitzer de Serviço Público em 2003. A obra foi apresentada inicialmente no Festival de Veneza, na Itália, e, em seguida, distribuído mundialmente em novembro de 2015. Conquistou inúmeros prêmios e foi recebido positivamente pela crítica. Um defensor da Igreja Católica criticou o lme no The New York Times armando que “Spotlight é uma deturpação de como a Igreja tratou os casos de abuso sexual”. O lme foi indicado a seis Óscars na premiação de 2016, vencendo em dois: Melhor Roteiro Original e Melhor Filme.

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A HORA MAIS ESCURA Zero Dark Thirty

O CHEFE DA CASA Adoiê (2012)

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Os ataques terroristas sofridos pelos Estados Unidos em 11 de setembro de 2001 deram início a uma época de medo e paranóia do povo americano em relação ao inimigo, onde todos os esforços foram realizados na busca pelo líder da Al Qaeda, Osama Bin Laden. Maya (Jessica Chastain) é uma agente da CIA que está por trás dos principais esforços em capturar Laden, por ter descoberto os interlocutores do líder do grupo terrorista. Com isso ela participa da operação que levou militares americanos a invadir o território paquistanês, com o objetivo de capturar e matar Bin Laden. * Esses ítens estão sujeitos à variações de acordo com a disponibilidade na data da compra em relação à publicação. VOCÊ PODE AJUDAR ESTA COLUNA INDICANDO LIVROS, CDS, REVISTAS, DVDS OU QUALQUER MATERIAL QUE VOCÊ QUEIRA COMPARTILHAR CONOSCO | ENTRE EM CONTATO!


@aldebram

Caracterizado por muitos como uma seita ou segundo o termo politicamente correto um “novo movimento religioso”, as Testemunhas de Jeová introduziram-se no panorama religioso português nos idos anos 20 e desde então têm crescido gradualmente, alcançando agora mais de 50.000 membros ativos no país. Ao redor do mundo, os mais de 8 milhões de crentes seguem de forma leal uma liderança carismática – um Corpo Governante – que determina toda a matéria a ser seguida do ponto vista doutrinal e organizacional. Este pequeno grupo de homens, rege com mão-de-ferro toda a estrutura organizacional da religião a nível mundial e impõe medidas preventivas que impedem que no grupo existam divergências ou questionamentos que coloquem em causa a sua liderança. Uma verdadeira “teocracia” como tanto gostam de se considerar. As cerca de 600 congregações existentes em Portugal, funcionam também totalmente dependentes das orientações providas por este auto-designado “Escravo Fiel e Discreto” (Corpo Governante), impostas pelos corpos de anciãos congregacionistas que as põem em prática localmente. Este livro propõe-se a trazer luz ao mundo pouco conhecido das Testemunhas de Jeová, munindo os cristãos que o lerem, do conhecimento que os poderá auxiliar a não apenas entenderem quem são as Testemunhas de Jeová e aquilo em que crêem, mas especialmente a ter bases doutrinais para ajudar aquelas com quem se cruzam no seu dia-a-dia. Carlos Fernandes

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As Testemunhas de Jeová são um dos mais controversos grupos religiosos nascidos nos Estados Unidos da América. Apesar da intensa e zelosa pregação de porta em porta a nível mundial, muitos são os cristãos que têm um quase total desconhecimento sobre a história e doutrinas deste movimento religioso.

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God the Father

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Bartolomeo Passarotti, Italiano (1529-1592)

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Pensamentos revolucionários de Marcion sobre a identidade de Deus foram acompanhadas por uma idéia tão revolucionária sobre a identidade de Jesus e sua relação com Deus. Embora Jesus tivesse “revelado o Deus do amor e do perdão”, também não acreditava que aqui haveria a ressurreição da carne, a segunda vinda de Jesus ou julgamento por Cristo. Marcion veementemente repudiou a idéia de um julgamento. Segundo ele, o Deus do Antigo Testamento era para ter enviado um messias para recolher o povo escolhido no reino terrestre para governar sobre toda a terra e exercer um juízo sobre os pecadores. Mas neste momento Deus, o Bom, apareceu, mostrando misericórdia de pecadores e liberando tudo dos laços do Deus dos judeus.

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Em outras palavras, enquanto a criação de Deus do Antigo Testamento estava se preparando para enviar um messias que estabeleceria um reino terreno, o Deus Bom agiu mais rapidamente, enviando Jesus para ensinar amor e misericórdia para todos. Não haveria nenhum julgamento, nenhuma ressurreição corporal e nem a segunda vinda de Jesus. O propósito de Jesus era para libertar as pessoas da escravidão do Deus judaico, não dos laços da natureza pecaminosa.

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Marcion de Sinope

BÍBLIA MARCIONITA A Bíblia Marcionita foi montada por Marcion de Sinope, em algum momento no início/meados do século II; um total de 200 anos antes da compilação da Bíblia que temos agora. A Bíblia Marcionita não era dividida em "velho" e "novo" testamento como a Bíblia moderna, ela só tinha 11 livros. Foi dividida em duas partes, o evangelho e as epístolas de Paulo. Marcion só reconheceu um evangelho como legítimo que foi cha-

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Fragmento Muratoriano (AD † 170) • Coríntios (Alexandrinos) • Efésios (Laodicéia) • Filipenses • Colossenses • Gálatas • Tessalonicenses • Romanos

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mado o Evangelho do Senhor, semelhante ao Lucas, mas signicativamente mais curto. A versão Marcionita das epístolas de Paulo, também foram signicativamente menores do que as versões encontradas nas Bíblias convencionais. Os documentos que compõem a Bíblia Marcionita e todas as cópias conhecidas foram destruídos pelas autoridades religiosas, quando os católicos ganharam o poder político, no século IV. Apesar desta destruição a Bíblia Marcionita ainda pode ser restaurada, justamente o que meu amigo Adrian Cozad, historiador americano está tentando fazer a 2 anos . Embora você possa encontrar essas cartas na Bíblia comum de hoje, que vieram até nós a partir da Igreja Católica Romana, houve um tempo quando as igrejas estabelecidas por Pedro não as aceitava, Pedro não aceitava Paulo como apóstolo, pelo motivo que Paulo rompeu com o judaísmo, suas leis e seu deus, mas posteriormente foram anexadas ao Canon Católico. Há três listas primárias do Cânon das Epístolas de Paulo:

Lista de Tertuliano (AD † 207) • Gálatas • Primeira Carta aos Coríntios • Segundo Coríntios • Romanos • Primeira Tessalonicenses • Segunda Tessalonicenses • Laodicéia • Colossenses • Filipenses • Filemom

Lista Epifânio (AD † 310) • Gálatas • Primeira Carta aos Coríntios • Segundo Coríntios • Romanos • Primeira Tessalonicenses • Segunda Tessalonicenses • Laodicéia • Colossenses • Filemom • Filipenses


Defendo a lista, com base no Fragmento Muratoriano (AD † 170). As diferenças mais signicativas entre as versões modernas e as epístolas marcionitas originais são, conforme segue:

GÁLATAS • Verso 1:1 diz que Jesus “levantou-se para fora dos mortos.” • Verso 1:7 é mais forte sobre o Evangelho dizendo: “não pode existir outro evangelho” • Os versículos 1:17-24 [a visita a Jerusalém encontro com Pedro e Judas, seguido de uma viagem para a Síria e Cilícia] não estão na Bíblia Marcionita • Não há menção de “uma revelação” ser a razão para a viagem a Jerusalém nos versos 2:1-2. Nem é “Barnabé” mencionado em Gálatas. • Nenhuma menção da consulta com Judas, Pedro e João, nos versículos 2:6-9. • Os versículos 3:1-5 não estão na Bíblia Marcionita • Apenas partes de versículos 3:7-12 estão no original, que forma um verso: “Saiba, pois, que, o homem justo viverá da sua fé: (cf. 3, 7) Porque todos os que estão debaixo da lei, estão debaixo de maldição: (cf. 3:10) Pois, aquele que faz deles viverá por elas” (cf. 3:12) • Apenas partes de versículos 3:13-14 estão no original, que forma um versículo: “Mas Cristo se fez maldição por nós (Por: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro), para que recebêssemos a promessa do espírito por meio da fé.” • O versículo 4:4 não tem “nascido de mulher, nascido sob a lei”.

ALEXANDRINOS (Coríntios) Estas Epístolas tem uma das percentagens mais baixas de interpolações, ou seja, falsicações. Com isso em mente, parece que “Segundo Coríntios”, em sua maior parte, contém a maior parte da epístola original marcionita aos alexandrinos. • 1 Coríntios 15:1-11, “segundo as Escrituras” (duas vezes), são interpolações. • 1 Coríntios 15:38, em vez de “Deus lhe dá um corpo”, o original tem, “Deus lhe dá um espírito.” • 2 Coríntios 1:3, simplesmente diz: “Bendito seja o Deus de nosso Senhor Jesus.” • 2 Coríntios 1:4 e 2 Coríntios 2:13 não estão no original. • Em 2 Coríntios 3:14 o original diz: “Os pensamentos do mundo, para os seus pensamentos.” • Em 2 Coríntios 3:18 o original tem, “O Senhor dos espíritos.” • Em 2 Coríntios 4:10 a Bíblia Marcionita lê, “trazendo sempre a morte do Senhor, que também a vida de Cristo se manifeste.” • 2 Coríntios 5:17 a Bíblia Marcionita tem, “Se houver qualquer nova criação em Cristo, as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” • Em 2 Coríntios 7:1, em vez de “profanação do corpo e do espírito”, que é “a imundícia da carne e do sangue”, e então ele está conectado ao versículo 11:2, lendo assim, “Vamos limpar-nos de toda contaminação de carne e sangue, para vos apresentar como uma virgem pura a Cristo”.

TESSALONICENSES • 2 Tessalonicenses - Acredita-se que provavelmente é uma falsicação; não-canônico. ROMANOS • “Nasceu da descendência de Davi” não está presente no versículo 1: 3. • Os versos 1:19 a 2:1 [em Deus, o Criador] não estão presentes na Bíblia Marcionita. • Versículos 3:31 - 4:25 [relativo à lei: Abraão, nosso pai: a promessa: a circuncisão] não estão presentes . • Capítulo 9 [falar a verdade em Cristo, etc. Jacob e Esaú: o resto] não está. • Os versículos 10:5 a 11:32 [com as suas muitas citações do Antigo Testamento] não estão.

LAODICÉIANS (Efésios) • Verso 1:21 não está na Bíblia Marcionita.

COLOSSENSES • O único lugar nas versões católicas de epístolas de Paulo que Jesus é referido como um criador é em Colossenses 1:15-16 [o primogênito de toda a criação, pois nele... etc]. Esta é uma interpolação Católica não encontrada no original da Bíblia Marcionita

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FILIPENSES • No versículo 1:15, em vez de ler, “de boa vontade”, lê-se, “pela boa reputação da palavra.” • No verso 1:21 que diz: “Porque para mim o viver em Cristo e morrer é a alegria.”

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É provável que a Septuaginta era apenas uma tradução dos cinco livros de Moisés; a tradução que agrega do Antigo Testamento completo só estariam disponíveis por Aquila de Pontus em 121 AD. Citações excessivas do Antigo Testamento, portanto, são suscetíveis de serem interpolações. • Versículo 12:1 [ofereçais os vossos corpos] não está no original. • Após o versículo 14:23 tem "Graça". • Capítulos 15 e 16 não estão.

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MARCION

136 - 150

136 - 150

UR - MATEUS

MARCOS

G - JAMES

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MATEUS

POLÊMICO

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LUCAS

Fonte: YouTube | Vídeo “Bib15. Mark Versus Marcion”

O EVANGELHO As diferenças conrmadas mais signicativas entre o Evangelho de Lucas e o original Evangelho Marcionita são as seguintes: Todos os evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) mostram dependências ao Evangelho de Marcion, que foi chamado de “O Evangelho do Senhor.” Você vai descobrir que essas seções incluídas no Evangelho Marcionita apresentam um maior grau de concordância dentro de Mateus, Marcos e Lucas do que as seções que não estão presentes no Evangelho Marcionita • A maioria dos quatro primeiros capítulos de Lucas [Natividade, o batismo e a tentação, a genealogia, e todas as referências a Belém e Nazaré] não estão no Evangelho do Senhor. • O Evangelho do Senhor começa assim: “No décimo quinto ano de Tibério César, (cf. Lucas 3:1) Deus desceu para Cafarnaum, cidade da Galiléia. (cf. Lucas 4:31) ” • O versículo 8:19 [a armação de que a mãe e os irmãos de Cristo estavam presentes], não está presente no Evangelho Marcionita.

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• Capítulo 9 não contém nenhuma referência a “Jairo”. • Os versículos 11:29-32 [a referência a Jonas] não está no original. • Os versículos 11:49-51 [a referência à sabedoria de Deus] não está no Evangelho Marcionita. • No versículo 12:8 em vez de, “diante dos anjos de Deus”, lê-se, “diante de Deus.” • Os versículos 13:1-5 [dos galileus assassinados por Pilatos, e os que foram mortos pela torre de Siloé] não estão no Evangelho Marcionita. • Os versículos 13:29-35 [virão do oriente e do ocidente: Ide dizer a essa raposa: ó Jerusalém, Jerusalém] são interpolações. • Os versículos 15:11-32 [o lho pródigo] não está no Evangelho Marcionita. • Os versículos 19:28-46 [a viagem a Jerusalém, a entrada triunfal, e se você soubesse... etc] não estão no Evangelho Marcionita. • Os versículos 20:9-18 [a parábola dos maus lavradores] não está no Evangelho Marcionita. • Os versículos 20:37-38 [referência a Abraão, Isaac e Jacob] não está no Evangelho Marcionita. • Os versículos 21:1-17 [com a referência ao tesouro do templo, duas moedas da viúva, e a pergunta: “Quando sucederão estas coisas?”] Não estão no Evangelho Marcionita. • Os versículos 22:35-38 [”Quando vos mandei”, e “Aqui estão duas espadas”... etc] não estão no Evangelho Marcionita. • Os versículos 22:39-51 [Getsêmani: a prisão: servo do sumo sacerdote] não estão no Evangelho Marcionta . • Em vez de: “Achamos este homem pervertendo a nossa nação, proibindo dar o tributo a César, e dizendo que ele mesmo é Cristo, um rei”, versículo 23:2 diz: “Achamos este homem pervertendo a nossa nação, e destruindo a lei e os profetas e pervertendo mulheres e crianças”. • Verso 23:43 [”Hoje tu deve estar comigo... “, etc] não está no Evangelho Marcionita. • Os versículos 24:26-27 [”começando por Moisés... “, etc] não está no Evangelho Marcionita. • Os versículos 24:48-53 [”E eis que eu envio a promessa... voltou para Jerusalém... bendizendo a Deus “] não está no original.

Edson Gomes Ex-pastor evangélico. Tecnólogo em processos de produção. E-mail: jeusinagem@ig.com.br Página Marcionismo: https://www.facebook.com/Marcionismo-150661391772009


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A maioria dos teólogos cristãos tem armado que Deus é imutável. Em apoio a esta doutrina muitas vezes são citadas várias passagens do Antigo Testamento, como: Números 23:19 | Deus não é homem, para que minta; nem lho do homem, para que se arrependa; porventura diria ele, e não o faria? Ou falaria, e não o conrmaria? 1 Samuel 15:29 | E também aquele que é a Força de Israel não mente nem se arrepende; porquanto não é um homem para que se arrependa. Salmo 110:4 | Jurou o Senhor, e não se arrependerá: tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque. No entanto, muitas outras passagens do Antigo Testamento, armam que Deus normalmente “muda de ideia” ou “arrepende-se” conforme as seguintes passagens:

Jonas 4:2 | ... pois sabia que és Deus compassivo e misericordioso, longânimo e grande em benignidade, e que te arrependes do mal. Amós 7:3,6 | Então, o Senhor se arrependeu disso. Não acontecerá, disse o Senhor. Ou pelo menos assume que Ele muda segundo as seguintes passagens: Jeremias 26:3 | e eu me arrependa do mal que intento fazer-lhes por causa da maldade das suas ações. Jonas 3:9 | Quem sabe se voltará Deus, e se arrependerá, e se apartará do furor da sua ira, de sorte que não pereçamos? Como resolver esta aparente contradição? Alguns dizem que os textos devem ser considerados como “antropomórcos” ou “antropopáticos”, mas atestar apenas isso não se torna uma solução.1 DEFINIÇÃO ETIMOLÓGICA

Geneses 6:6 | Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração. Êxodo 32:14 | Então o Senhor arrependeu-se do mal que dissera que havia de fazer ao seu povo. Jeremias 18:5-10 | ...se a tal nação, contra a qual falar, se converter da sua maldade, também eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe (V.8). Joel 2:13 | E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR, vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benecência e se arrepende do mal. Jonas 3:10 | E Deus viu as obras deles, como se converteram do seu mau caminho; e Deus se arrependeu do mal que tinha anunciado lhes faria, e não o fez.

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Em todos estes casos “arrepender-se” ou “mudar a mente” é a tradução da raiz verbal do tronco Nifal ou Hitpael de ‫ ִנַחם‬e para resolver o problema nada mais justo analisar o vocábulo hebraico. O vocábulo hebraico ‫ ִנַחם‬no tronco Piel relata o signicado de “confortar”, já no tronco Hil e Hitpael o signicado de “encontrar consolação”, “lamentar”, “remorso”, “tristeza”, “arrepender”, etc. NOTAS 1 Stephen Charnock, Discourses upon the Existence and Attributes

of God, 2 vols. (reprint, Grand Rapids: Baker, 1979), 1:340-41. For a survey of the history of interpretation on this subject, see Lester J. Kuyper, “The Suffering and the Repentance of God,” Scottish Journal of Theology 22 (1969): 262-68


b) Existe a forma ‫חם‬ ַ ‫ ַﬠל ִנ‬que signica “lamentar algo”, conforme as seguintes passagens: Êxodo 32:12,14; Isaias 57:6; Jeremias 8:6; 18:8,10; Joel 2:13; Amós 7:3,6; Jonas 3:10; 4:2. No tronco Hitpael se tem os seguintes signicados: “entristecer-se por”, “mudar de ideia” conforme as seguintes passagens: Números 23:19; Dt 32:36; Sal 135:14.4 ANÁLISE TEXTUAL Números 23:19 | Deus não é homem, para que minta; nem lho do homem, para que se arrependa; porventura diria ele, e não o faria? Ou falaria, e não o conrmaria? O oráculo, como tal, fala da presença de Deus com o seu povo (v. 21) e sua invencibilidade através do seu poder (v 22-24). Diversos fatores apontam para a natureza incondicional deste oráculo. O oráculo é designado abençoar e não amaldiçoar. Balaão reconhecia o caráter inalterável da bênção e não poderia altera-la através de uma feitiçaria ou adivinhação. Esta bênção, é uma extensão da promessa incondicional do Senhor para a descendência de Abraão (Gêneses 15:16; 17:8; 22:17), e, portanto, compartilha a qualidade de ligação dessa promessa.5 A fala que Balaão arma que Deus não iria mudar de ideia ou mentir, marca formalmente a bênção como um decreto. O verbo ‫ ִכֵּזּב‬aqui nesse contexto se refere como Deus age normalmente quando é feito um decreto, o princípio aqui se aplica a bênção.6

2 Gordon Textbook §19:1634; Aistleitner 1770, PRU 3:261a, EA in

VAB 2:1562; Campbell in BA 23; 16ff 3 Noth Welt 213; Huffmon Amorite 1ff; Bauer Ostkan, 237f 4 Koehler, Ludwig; Baumgartner, Walter; Richardson, M.E.J;

Stamm, Johann Jakob: The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament. Leiden; New York: E.J. Brill, 1999, c1994-1996, S. 688. 5 Juramento de Deus a Abraão é chamado de uma “bênção” em Gênesis 28: 4 6 Este mesmo sentido se vê no Salmo 89:35, onde Deus decretou uma benção.

[REPRODUÇÃO]

O Ugarítico relata a forma mnhm o mesmo que munahimu e ynhm = yanhamu.2 Já o Amorita registra a forma na/uhm, nihmatum.3 No tronco Nifal o vocábulo é atestado por 48 vezes com os seguintes signicados: a) “Se arrepender” conforme as seguintes passagens: Êxodo 13:17; 1 Samuel 15:29; Jeremias 4:28; 15:6; 20:16; Ezequiel 24:14; Joel 2:14; Jonas 3:9; Zacarias 8:14; Salmos 106:45; 110:4.

1 Samuel 15:29 | E também aquele que é a Força de Israel não mente nem se arrepende; porquanto não é um homem para que se arrependa. Saul não conseguiu destruir os amalequitas, Samuel repreendeu-o por sua rebelião e declarou que o Senhor lhe havia rejeitado como rei (1 Samuel 15:23). Saul implorou por perdão, mas Samuel repetiu a decisão do Senhor (v24-26). Samuel, em seguida, acrescenta as seguintes palavras: “O Senhor tem rasgado o reino de Israel de você hoje, e tem dado ao teu próximo, que é melhor do que você. Também a força de Israel não mente nem se arrepende; pois Ele não é um homem para que se arrependa” (v 28-29). Qual é a relação entre a pronúncia registrada em 1 Samuel 13:13-14 e o decreto em 15:29? Duas opções parecem possíveis. Em primeiro lugar, talvez a profecia no capítulo 13 refere-se apenas a dinastia de Saul (a dupla referência ao “reino” de Saul pode signicar sua dinastia, conforme o uso do termo em 2 Samuel 7:16), enquanto o capítulo 15 se refere especicamente a Saul como a pessoa que reinar sobre Israel (Ele te rejeitou como rei nos v 23 e 26).7 Neste caso, a profecia anterior não necessariamente torna-se incondicional aqui. Em segundo lugar, é possível que ambos 1 Samuel 13:13-14 e 15:29 dizem respeito a Saul pessoalmente. Neste caso, o primeiro discurso poderia ser um decreto informal com o segundo discurso simplesmente esclarecendo a ambiguidade anteriormente. No entanto, se ambos os discursos referem-se a Saul, é mais provável que a primeira declaração era um anúncio implicitamente condicional e que a condenação de Saul não foi selada até o segundo discurso.8 Vários fatores apoiam esta visão. (1) Davi substituiu Saul depois do segundo discurso (1 Samuel 16).

7 Bruce C. Birch, The Rise of the Israelite Monarchy: The Growth

and Development of I Samuel 7-15 (Missoula, MT: Scholars, 1976), 82-83, 102-3. 8 Diana V. Edelman, King Saul in the Historiography of Judah (Shefeld: JSOT, 1991),103-4. O ALIENISTA

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(2) Também a declaração do Senhor em 1 Samuel 15:11 e a resposta de Samuel sugere que a advertência anterior para Saul não tinha sido denitiva.9 Se o destino de Saul já tinha sido decretado, por que o profeta passou a noite inteira clamando por Deus? (3) A presença do vocábulo “hoje” no segundo discurso de Samuel indica que a decisão de Deus foi nalizada nesse ponto, não antes. Salmo 110:4 Nesta passagem, o Senhor fez um juramento de que o rei Davi ocuparia um status real-sacerdotal especial, muito parecido com o de Melquisedeque, o antigo rei de Salém. A declaração de que Deus não vai mudar sua mente, ou retrair sua declaração, refere-se claramente ao pronunciamento especíco que se segue e, em conjunto com a referência a um juramento, assinala a declaração como um decreto. Êxodo 32:12,14 | Por que hão de falar os egípcios, dizendo: Para mal os tirou, para matá-los nos montes e para destruí-los da face da terra? Torna-te da ira do teu furor e arrepende-te deste mal contra o teu povo. Então, o SENHOR arrependeu-se do mal que dissera que havia de fazer ao seu povo. Quando Deus viu os israelitas adorando o bezerro de ouro, ele com raiva anunciou a Moisés sua intenção de destruir o povo e levantar uma nova nação por meio de Moisés (Êxodo 32:10). A fórmula da declaração é a seguinte: imperativo + jussivo + coortativo + coortativo, isso indica que não é um decreto, mas uma expressão de frustração de Deus com o seu povo. Na verdade, isto é exatamente o que aconteceu (v. 1114). Moisés apela a Deus (O que pensarão os egípcios?) e lembrou de seu decreto incondicional aos patriarcas (v. 13). O versículo 14 declara que Deus, de fato, mudou de ideia. E assim Moisés foi capaz de ter sucesso, porque Deus só tinha ameaçado com juízo, mas não decretado.10 9 A declaração no versículo 11 (também 35 v.), não contradiz o

versículo 29, para o verbo ‫ ִנַחם‬pois é usado em diferentes sentidos semânticos com variações neste capítulo. Nos versículos 11 e 35 refere-se a resposta de Deus à desobediência de Saul que por sua vez o levou ao destino decretado. Na verso 29, a palavra é negada e utilizado no sentido de “retrair.” Aqui se refere ao decreto de Deus que Saul será substituído por outro. No primeiro caso se refere a uma ação passada; no outro, diz respeito a um curso futuro da ação (a rejeição de Saul como rei). Para uma linha de argumentação semelhante veja Philips Long, The Reign and Rejection of King Saul (Atlanta: Scholars, 1989), 163. Para uma variação semântica e críticas redacionais veja Kyle McCarter unnecessary (1 Samuel, Anchor Bible [Garden City, NY: Doubleday, 19801, 268). 10 Terence E. Fretheim, The Suffering of God (Philadelphia: Fortress, 1984), 50-51.

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Amós 7:3,6 | Então, o Senhor se arrependeu disso. Não acontecerá, disse o Senhor. (v.6) E o Senhor se arrependeu disso. Também não acontecerá, disse o Senhor Deus. Amós registra um caso semelhante de intercessão profética. O Senhor mostrou a Amós duas visões de julgamento que ele estava planejando contra Israel (v 1-6). Depois de ver as visões, Amós pediu ao Senhor para ser misericordioso. Em ambos os casos, o Senhor se arrependeu do curso planejado da ação e anunciou que o julgamento não iria acontecer. Ele havia simplesmente mostrado a Amós duas visões, mas ainda não havia decretado um curso da ação. No entanto, a paciência de Deus pode se esgotar. Ele mostrou a Amós ainda uma terceira visão, que, em vez de retratar a destruição da nação convidou o profeta para reetir sobre a condição moral de Israel a partir da perspectiva de Deus. Tendo convencido seu profeta da necessidade do julgamento, Deus declara que ele “não passaria” mais por Israel (v.8). Após compreender as palavras de Deus como um decreto, Amós não ofereceu nenhuma objeção. Jeremias 15:6; 18:8,10; 26:3,13,19. Como já observado, Deus veio para o ponto onde Ele decretou através de Jeremias que o julgamento iria cair sobre Judá (Jeremias 4:28). No entanto, Ele emitiu este decreto só depois de muitas advertências. No início do reinado de Joaquim, Deus disse a Jeremias para proclamar a sua palavra no pátio do templo, na esperança de que o povo se arrependesse. Ele declarou: Bem pode ser que ouçam e se convertam, cada um do seu mau caminho; então, me arrependerei do mal que intento fazer-lhes por causa da maldade das suas ações (Jeremias 26:3). Quando o povo ameaçou matar Jeremias, o profeta exortou-os novamente a arrepender-se e mais uma vez prometeu-lhes que Deus iria retrair o anúncio do juízo (v.13). Alguns dos anciãos se adiantaram e lembraram ao povo que Deus havia retraído tal anúncio nos dias de Ezequias, e os que ouviram as palavras de Miquéias e arrependeram-se (cf. Mic 3:12). (Jeremias 26: 17-19). O princípio da mensagem de Jeremias e conselho dos anciãos é que Deus vai mudar de ideia a respeito de um curso indicado da ação, dependendo da resposta que recebe. Este princípio é articulado claramente em Jeremias 18:7-10. Aqui o Senhor explica que uma nação pode evitar seu julgamento e ameaçada se eles se arrependerem quando confrontado com seu pecado. Em tais casos, Ele irá “ceder” e não provocar o desastre anunciado (v. 8). Por outro lado, se uma nação a quem Deus destina-se a mostrar aos seus pecados favor, Ele pode “reconsiderará” ( ‫ ְו ִנ ַח ְמ ִתּ י‬v 10) e reterá a sua bênção.


Judá não respondeu ao chamado de Jeremias para o arrependimento (18:12), o Senhor decidiu julgar o seu povo, declarando que a intercessão profética, mesmo por esses defensores como Moisés e Samuel, não alteraria seu curso (15:1-5). Ele estava cansado de compaixão ( ‫ ִנְל ֵא יִת י ִה ָנּ ֵח ם‬v. 6) e não mais adiar o julgamento.11 O decreto do juízo em 4:28, formalizado pela declaração “Eu não vou ceder”, deve ter esta decisão, é posterior. Joel 2:13-14 | E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor, vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benecência e se arrepende do mal. (v. 14). Quem sabe se se voltará, e se arrependerá, e deixará após si uma bênção, em oferta de manjar e libação para o Senhor, vosso Deus? A praga de gafanhotos vivida pela geração de Joel era um prenúncio de um julgamento ainda mais devastador. O próprio Senhor estava liderando um exército de locustas para Judá, mas talvez o julgamento ainda pudesse ser evitado. Anal, o próprio Senhor estava chamando seu povo ao arrependimento (Joel 2:12). Joel instou as pessoas a responder de forma adequada e encorajou-as com estas palavras: “Quem sabe se se voltará, e se arrependerá, e deixará após si uma bênção.” As pessoas aparentemente tinham tomado em consideração o conselho de Joel. Nos versículos subsequentes arma-se que o Senhor, de fato, teve pena de seu povo (v. 18) e prometeu restaurar o que os gafanhotos tinham devorado (v. 19-26). Esta passagem importante ilustra mais uma vez que Deus é capaz e disposto a retirar anúncios de julgamento. Além disso, no versículo 13 indica no estilo de credo que Deus se arrepende caracteristicamente de mandar anuncios de julgamento. A vontade de mudar sua mente está ligada com outros atributos divinos, como a sua graça, compaixão, paciência e amor.

Jonas 3:9-10; 4:2 Embora o anúncio do julgamento de Nínive de Jonas parecia incondicional, ele foi acompanhado por nenhuma indicação formal que foi um decreto (3:4). Por esta razão o rei de Nínive respondeu adequadamente na esperança de que o julgamento poderia ser evitado (v. 9). Como Joel disse: “Quem sabe se Deus voltará e se arrependerá, e retirará a sua ira ardente, para que não pereça?” Quando Deus viu a sinceridade dos ninivitas, Ele, de fato, mudou de ideia a respeito da calamidade anunciada (v. 10), para desgosto de Jonas. Com palavras quase idênticas às de Joel 2:13, ele observou que Deus é “um Deus clemente e compassivo, lento para a ira e grande em benignidade; e que se arrepende da calamidade” (4:2). CONCLUSÃO

11 Terence E. Fretheim, “The Repentance of God: A Study of

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Jeremiah 18:7-10,” Hebrew Annual Review 11(1987): 87.

Em cada caso, a recusa de Deus em recolher uma declaração refere-se diretamente ou indiretamente a aplicação de um decreto especíco identicado no contexto – Sua bênção a Israel de acordo com o pacto feito com Abraão, sua rejeição pela desobediência de Saul (1 Sam 15:29) (Nm 23:19), seu juramento para tornar o rei Davi um sacerdote real (Sl 110:4), e sua decisão de julgar Judá (Jeremias 4:28; Ezequiel 24:14; cf. Zacarias 8:14). Cada passagem tem indicadores contextuais claros de que a declaração é incondicional. A armação de que Deus não vai mudar de ideia, marca formalmente a proclamação divina como um decreto. O esboço ilustra os tipos de declarações divinas no Antigo Testamento: (a) decretos formais, (b) decretos não informais, (c) declarações explicitamente condicionais de intenção, (d) declarações não implicitamente condicional da intenção. Portanto quando Deus emitiu um decreto, Ele não mudará sua mente ou desviará do mesmo. No entanto, a maioria das declarações de intenção de Deus não são decretos. E Deus pode e muitas vezes se afasta de tais anúncios. Nestes casos, Ele “muda de ideia” no sentido de que Ele decide, pelo menos por enquanto, não fazer o que Ele havia planejado ou anunciado como sua intenção. Em suma a contradição haveria se fossem decretos incondicionais.

Professor Fabio Sabino Professor de hebraico, grego, exegese, escritor e palestrante. Contato: (11) 99693-7519 Skype:

professorfabiosabino

Facebook: https://www.facebook.com/prof.fabiosabino Site: http://www.professorfabiosabino.com.br Blog: http://exegesebiblica.blogspot.com.br Página: https://www.facebook.com/professorsabino O ALIENISTA

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Marcus Nati 39 anos, desenhista, membro da igreja Presbiteriana do Brasil, em Jardim Camburi, Vitória/ES.

Sou o criador da página Brother Bíblia Arte, cujo principais objetivos é gloricar a Deus através da arte e oferecer a igreja, conteúdo bíblico-histórico ilustrado de fácil entendimento.

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FONTE: www.jbhistoriadaigreja.blogspot.com.br

Inácio fora discípulo dos apóstolos Pedro e João. Aprendera desses mestres competentes a sublime ciência do amor de Deus, que fez dele um dos pilares e ornamentos da Igreja Primitiva. Depois dos apóstolos, ele foi um dos homens mais notáveis da igreja: seus contemporâneos, e os pais que viveram nos três séculos seguintes, mencionam-lhe o nome com a maior reverência. Policarpo e Crisóstomo zeram dele o objeto de seu mais eloqüente panegírico. Após uma vida de mais de 50 anos no episcopado de Antioquia, aprouve ao Todo-Poderoso chamálo a receber sua coroa, por uma morte que deveria ser uma glória e um modelo para a Igreja.

“Deixai-me ser alimento das feras; por elas pode-se alcançar a Deus. Sou trigo de Deus, serei triturado pelos dentes das feras para tornar-me o puro pão de Cristo. Rogai a Cristo por mim, para que por este meio me torne sacrifício para Deus”.

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LEI Nº 7.716, DE 5 DE JANEIRO DE 1989 Art. 14. Impedir ou obstar, por qualquer meio ou forma, o casamento ou convivência familiar e social.

[CONSTITUIÇÃO FEDERAL: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7716.htm]

Pena: reclusão de dois a quatro anos.

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As Testemunhas de Jeová estão de mudança. Iniciaram as vendas das propriedades em Brooklyn, New York, EUA. Richard Devine, da Associação anunciou que "apenas um dos imóveis, o da Rua Jay, 85 possui licenças de construção para quase 93 mil metros quadradros."

Vista, ao pôr do sol, da futura entrada principal da nova sede das Testemunhas de Jeová

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Vista aérea do canteiro de obras da nova sede mundial

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Em geral, as pessoas conhecem o grupo religioso Testemunhas de Jeová pelo seu costume de bater às portas dos vizinhos para falar de suas crenças, num intensivo trabalho de proselitismo. A proibição de transfusões de sangue também é bastante mencionada, em especial porque já alcançou o grande público através dos veículos noticiosos. Há, porém, uma coleção de doutrinas distintivas deste movimento que não são do conhecimento da maioria das pessoas. Algumas delas são bastante perigosas, e merecem nossa atenção, visto que ninguém está livre de ver algum amigo ou membro imediato da família ser introduzido nesta comunidade. Uma das mais importantes é a DESASSOCIAÇÃO. O ensino das Testemunhas acerca deste procedimento constitui não só uma aberração do cristianismo, numa clara deturpação das Escrituras, como também uma ameaça ao tecido sócio-familiar, causando trágicos rompimentos e lares desfeitos, com esmagadoras consequências emocionais para os envolvidos. Exemplo claro de como a organização induz seus adeptos a pensar encontra-se em A Sentinela (revista ocial da Torre de Vigia), edição de 15 de Julho de 2011 - pág 31. Ali, sair da organização Torre de Vigia é equiparado a “abandonar a Jeová”, o que, por

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si só, coloca a pessoa sob forte desaprovação dos demais. Daí, o artigo cita o caso hipotético de “um lho único de um casal”, o qual prefere o “usufruto temporário do pecado a uma relação pessoal com Jeová e com seus pais cristãos”. Notem os leitores a gravidade destas palavras, e das consequências por elas ocasionadas. Segundo o artigo, o rapaz é desassociado, e torna-se fundamental responder se os pais devem ou não continuar falando com o lho. Embora o artigo tente parecer “amoroso”, dizendo que “nós nos compadecemos desses pais”, o parágrafo 15 expõe a orientação expressa da organização, a qual se coloca como porta-voz de Deus. Com palavras macias, para não parecerem autoritários ou impositivos, os líderes deixam claro que os pais, por mais que amem seu lho, “não devem desconsiderar o que Jeová (leiase “organização”) vai achar do que farão”. Pouco antes, no início do parágrafo, a revista pergunta: “O que esses pais queridos vão fazer? Obedecerão às claras orientações de Jeová?” De novo, Jeová e organização são termos intercambiáveis. Estas “orientações” cam ainda mais explícitas na pergunta seguinte: “Ou será que vão achar que podem se associar regularmente com o lho desassociado e chamar isso de 'assuntos familiares necessários'”? Devemos levar em conta que os líderes daquela or-


mente das pessoas, como já foi dito, por meio de um intensivo programa de doutrinação. Esta visão particular, bastante radical, visa proteger a organização de qualquer pensamento crítico, isolando seus membros de “inuências externas”. Assim sendo, quando uma pessoa é desassociada (o que equivale a ser “excomungada”) por meio de um tribunal judicativo interno, ou quando ela opta por sair da religião voluntariamente (o que é conhecido como “dissociação”), inicia-se, instantaneamente, a ostracização da mesma. Os membros (inclusive da própria família, como vimos no exemplo) não mais podem conversar com aquele indivíduo, numa espécie de “apartheid” social altamente cruel e desumano. Já foram relatados diversos casos de suicídio de vítimas deste tratamento, o que torna imperioso que a sociedade em geral conheça a doutrina e suas consequências. A organização das TJ defende o estranho ponto de vista de que tal ostracismo é, não apenas cristão, como também amoroso, pois visa o “arrependimento” do errante, e o consequente retorno à “organização de Jeová”. Para isto, valem-se da interpretação de alguns textos bíblicos, os quais, tomados isoladamente, sem a análise do contexto em que se inserem, podem dar margem a esta visão radical e intransigente. ÚLTIMA FOTOGRAFIA DO CORPO GOVERNANTE DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ Em pé, da esquerda para a direita: D. H. Splane, A. Morris III, D. M. Sanderson, G. W. Jackson, M. S. Lett. Sentados, da esquerda para a direita: S. F. Herd, G. Lösch, G. H. Pierce (FALECIDO RECENTEMENTE) As Testemunhas de Jeová dizem que todos os membros do Corpo Governante são cristãos ungidos. [FONTE: JW.ORG]

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ganização armam possuir prerrogativas especiais da parte de Deus, sendo o seu “canal de comunicação exclusivo”. Esta crença, fortemente cristalizada (via técnicas de doutrinação) na mente de cada adepto gera imensurável poder e autoridade, concentrada nas mãos do alto colegiado executivo da Torre de Vigia, o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová. O que estes homens dizem ou escrevem, em caráter ocial, tem força de lei para cada membro ao redor do mundo. Isto simplesmente não pode ser ignorado! Tanto é assim que praticamente nenhuma TJ comum ousa discordar, muito menos questionar, um ensino ocial que lhe é transmitido. O Corpo Governante exerce um controle intelectual de tal magnitude sobre as testemunhas, que não se refreia sequer de fechar seu argumento, no mesmo parágrafo citado, com a seguinte assertiva: “O objetivo de Deus é manter limpa a organização e, se possível, levar transgressores a cair em si.” Ora, esta declaração é simplesmente absurda, sob qualquer ponto de vista, especialmente para religiosos que abraçam a Bíblia como seu guia. Anal, Jesus – de quem armam ser discípulos – jamais colocou a pessoa humana a reboque de qualquer organização. Segundo consta, ele morreu por indivíduos, não por membros de uma instituição religiosa! A declaração de A Sentinela é mentirosa porque exalta a organização a um patamar que não lhe pertence, nem é legítimo. Ao contrário, Jesus armou que “haverá mais alegria no céu por causa de um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam de arrependimento” – Lucas 15:7. Simplesmente, não há espaço para uma suposta “pureza organizacional” aqui, e mais ainda com a alegada primazia. Em geral, a Torre de Vigia (cujos líderes ditam as normas e regulamentos acerca de cada aspecto da vida de seus adeptos) introduz conceitos sectários na

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O principal deles é o de 1 Cor 5:11-13, em que Paulo insta para que os cristãos não mantenham convivência com pessoas crassamente imorais, tais como gananciosos, injuriadores, extorsores. Fala de pessoas empedernidas, que vivem daquela forma objetável sem sinal de mudança, e que são, portanto, uma má inuência. Este conselho foi dado em caráter pessoal, não como imposição de Paulo, sob ameaça de desassociação, nem tinha por objetivo o ostracismo e a morte social. Remover tal indivíduo do convívio com os cristãos signicava não convidá-lo para as reuniões de caráter religioso/social, as quais aconteciam em lares de famílias cristãs. Em momento algum ele fala de “desassociação”, como um procedimento organizacional, institucional. Esta palavra sequer aparece em qualquer relato. No início do cristianismo, os discípulos se reuniam em pequenos núcleos familiares, e amigos, vizinhos ou pessoas próximas eram convidados. Não havia nenhum aparato religioso, nenhum templo especial, muito menos uma “agência reguladora”, com poder centralizado. Não seguiam uma programação de atividades ditadas por líderes, segundo seus escritos particulares. A única autoridade existente era dos apóstolos, homens escolhidos por Cristo, a qual pereceu com eles, a partir do momento em que o cristianismo ganhou impulso. Nem passava pela cabeça daquelas pessoas a ideia de “desassociação”, conforme concebida hoje pela Torre de Vigia, a organização das Testemunhas de Jeová surgida dezenove séculos mais tarde.

Em 2010, após minha saída da organização, produzi uma série de três vídeos em que me propus a analisar cada texto utilizado pelas TJ para, supostamente, dar base à sua doutrina distintiva. Não só a desassociação em si, como também a forma como os ex-integrantes daquela organização são tratados pelos que cam, foram abordados. Contudo, o que importa realmente, é informar as pessoas acerca do elevado preço a ser pago por todos aqueles que, caindo no engodo da seita, um dia se veem fora dela. Somente a informação honesta pode poupá-las dos dissabores de um ensino espúrio, camuado de cristão, a despeito de todos os sorrisos simpáticos, tapinhas nas costas e palavras suaves que ouvem no Salão do Reino (o local onde as TJ se reúnem). A doutrina ocial da Torre de Vigia compara os desassociados àqueles que a Bíblia chama de “anticristos”. Isto os marginaliza perante os demais, mesmo os parentes consanguíneos. Se um membro da família sai da religião TJ, os demais se tornarão frios com ele, falando apenas o estritamente necessário. Alguns, evidentemente, burlam a diretriz, mas estes não são os “exemplares”, muito menos os “fortes” em sentido espiritual, no meio TJ. Se residirem sob o mesmo teto, haverá algum contato social (bastante limitado). Mas, quando o desassociado ou dissociado mora numa casa separada, ele estará “morto” para sua própria família TJ, e o contato praticamente não existirá mais!

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Jesus jamais colocou a pessoa humana a reboque de qualquer organização. Ele morreu por indivíduos, não por membros de uma instituição religiosa.

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o público em geral for informado, mais enxergará além da superfície e da aparência cordial daquelas pessoas simpáticas que batem à sua porta regularmente. Só assim poderão, de fato, proteger a si mesmas e a suas famílias dos terríveis efeitos da desassociação.

Não existe saída honrosa da Torre de Vigia.

Raymond Franz

Raymond Franz (1922-2010), ex-membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová e autor dos livros Crise de Consciência e Em Busca da Liberdade Cristã Direitos humanos são os direitos e liberdades básicas de todos os seres humanos. Seu conceito também está ligado com a ideia de liberdade de pensamento, de expressão, e a igualdade perante a lei. A ONU proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que é respeitada mundialmente.

Artigo 18º

Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público como em privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos.

Almoços em família aos domingos, reuniões sociais com parentes, um lanche, um passeio na orla, uma ida ao cinema, nada disso existirá mais naquele núcleo familiar! O verdadeiro massacre emocional oriundo deste pensamento tem feito com que uma parcela signicativa dos desassociados retorne à organização, para não serem totalmente alijados do convívio com as pessoas que mais amam. E o objetivo da doutrina é este mesmo, prender as pessoas à seita, impedir a evasão de adeptos e manter o grupo em conformidade total, sob o controle dos líderes – o Corpo Governante do Brooklyn, EUA. Como bem disse Raymond Franz – ex-membro do CG e escritor do livro “Crise de Consciência” – “não existe saída honrosa da Torre de Vigia”. Sem dúvida, o preconceito vindo da própria família, bem como o ostracismo orquestrado a que são submetidas estas pessoas, tornam-se a faceta mais repugnante de uma doutrinação religiosa. O sectarismo, o exclusivismo e o fundamentalismo são conceitos presentes no cerne da desassociação. Sem falar na forma como as pessoas são expulsas da Torre de Vigia, por meio de tribunais eclesiásticos a portas fechadas, semelhantes aos tribunais de exceção e às sessões do medieval Tribunal do Santo Ofício. A diferença é que, na Inquisição católica, a religião tinha o poder temporal, concedido pelo Estado, para condenar seus desafetos e “hereges” à morte literal. Impedidos de fazer isso, os tribunais modernos das Testemunhas de Jeová condenam seus réus à morte social, uma prática inconcebível em pleno século XXI. Tenhamos em mente, porém, que a esmagadora maioria das TJ age desta forma por acreditar na validade e na pureza do ensino que lhe foi passado. São também vítimas daquele sistema enganoso, e o perpetuam através do intensivo trabalho de proselitismo, segundo o treinamento que recebem. Felizmente, a escalada da informação nos dias atuais tem livrado muitos deste engodo. Quanto mais

COMO DENUNCIAR VIOLAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS À ONU Procedimentos para realizar denúncias de violações de direitos humanos junto às SAIBA MAIS Nações Unidas.

Assista na íntegra os vídeos “Há base para a desassociação?”

PARTE 1

PARTE 2

PARTE 3

Paulo Sávio Carioca, formado em Odontologia, tem dois lhos, foi Testemunha de Jeová por quase 20 anos, metade dos quais serviu como ancião congregacional. Dissociou-se por questão de consciência e passou a produzir dezenas de vídeos expondo suas descobertas acerca da Torre de Vigia e sua liderança, no canal do YouTube que leva seu nome. O ALIENISTA

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ABUSOPSICOLÓGICO Intolerância Religiosa possíveis: mente (a liberdade para formar as próprias ideias), autonomia (a liberdade para fazer escolhas), identidade (sentir-se íntegro por si mesmo e não como objeto de outrem), dignidade (ser valorizado de maneira igualitária, sem discriminações excludentes). Por motivos óbvios, o abusador evita como pode deixar registros. Abuso não é o tipo de assunto sobre o qual devemos aguardar sentados para que as provas concretas surjam à nossa frente. É uma relação que requer um tipo diferente de sensibilidade para ser identicada. Lembremos da violência doméstica. Não devemos aguardar por um hematoma no rosto da vítima pois, quando este surge, o ato já foi consumado! Um trabalho preventivo deve estar atento a sinais sutis que surgem muito antes, com situações de desrespeito aparentemente inofensivas que testam e empurram os limites da relação para um desnível crescente de poder entre as partes. Quando o hematoma aparece signica que esperamos demais, pois as sequelas psicológicas do desrespeito continuado já podem ter produzido marcas muito mais profundas do que o ferimento físico.

Quando o hematoma aparece signica que esperamos demais.

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A noção de abuso é fundamental para complementar a discussão sobre intolerância religiosa. A palavra intolerância remete-nos a pensar no indivíduo ou grupo que não tolera algo. Mas a intolerância se torna um problema social quando se concretiza em ações destrutivas. É a ideia de abuso que nos leva a olhar para os danos sociais que podem ser provocados por ideologias intolerantes. Em outras palavras, quando pensamos em intolerância, olhamos para as crenças e condutas dos potenciais agressores. Quando pensamos em abuso, olhamos para o ataque promovido. Além disso, o combate à intolerância se situa no campo da educação e da informação. Já o combate ao abuso se situa, também, no campo jurídico. Uma pessoa não pode ser culpada por não tolerar outra. Pode ser, talvez, reeducada. Por outro lado, um agressor pode (e deve) ser investigado e julgado por desrespeitar (ou estimular o desrespeito) aos direitos alheios. Situarei o abuso psicológico dentro da perspectiva de Michael Langone (1992), como sendo o desrespeito ou violação do outro em uma dentre 4 dimensões

no contexto da

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Lembremos também que é muito mais fácil estudar a vítima do que o agressor. Este procurará se ocultar, enquanto aquela tem mais predisposição para buscar auxílio. Este pode ameaçar quem se aproxima de maneira inquisitiva, enquanto aquela tem menos forças para se defender. Assim, também é naturalmente mais fácil encontrar “a culpa da vítima” do que “a culpa do agressor”, além de ser menos arriscado criticar a vítima do que criticar o agressor. Estas são algumas breves razões pelas quais estamos mais predispostos a culpabilizar a parte abusada e proteger a parte abusadora. Não por acaso, ao longo da história, muitas mulheres desestruturadas por situações repetidas de violência sexual foram chamadas de bruxas ou diagnosticadas como histéricas: era mais fácil encontrar a raiz do mal em alguma entidade metafísica ou orgânica do que nos pais, tios, primos, irmãos e maridos que as levaram a uma situação complexa de traumatização (HERMAN, 1992). Por esse mesmo motivo, não é raro a vítima entrar em uma espiral de solidão, ao perceber que pessoas próximas preferem não tocar no assunto, seja por não acreditarem ou minimizarem a importância do que lhe aconteceu, seja por esperarem que o silêncio e a resignação resolvam tudo (um mecanismo psicológico de preservação contra os desgastes de levar a denúncia adiante). Jamais compreenderemos as situações de abuso em contextos religiosos sem desenvolvermos a sensibilidade para ouvir os testemunhos de quem passou por um grupo religioso abusivo.

Os abusadores, para se perpetuarem, precisam de aliados. Sem eles, estariam sozinhos e sofreriam retaliações na primeira tentativa de explorar alguém.

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Também é preciso sabermos que, para cada vítima que se prontica a testemunhar, dezenas ou centenas estão caladas. Algumas ainda estão passando pelo processo de vitimização, não conseguindo se desvincular dos agressores, em uma condição de dependência. Algumas estão sob manipulação psicológica, acreditando que seus agressores são seus defensores, protegendo-os, absorvendo para si a culpa por situações de abuso ou desaando-se neuroticamente a suportarem níveis de tensão cada vez mais fortes. Outras buscam, no silêncio, a tentativa de esquecer ou perdoar, o que lhes é de pleno direito embora contribua para manter a salvo o abusador. Outras ainda estão em situação de paralisia, evitando qualquer denúncia, temendo represálias. Portanto, novamente, precisamos ter consciência de que não apenas os hematomas como os testemunhos chegam tarde! Por m, precisamos levar em conta que o mesmo poder que possibilita alguém explorar outro, o possibilita de construir um colchão de suporte social. Um chefe que explore este ou aquele trabalhador (ou situações de assédio sexual, por exemplo), pode ter centenas de parceiros, clientes, familiares ou funcionários satisfeitos e dispostos a testemunhar em seu favor, contra a palavra de talvez uma ou duas vítimas já marginalizadas ou desestruturadas. Os abusadores, para se perpetuarem, precisam de aliados. Sem eles, estariam sozinhos e sofreriam retaliações na primeira tentativa de explorar alguém. Abusadores sem aliados logo são descobertos ou precisam viver às escondidas. Um líder religioso explorador provavelmente terá milhares de éis, além de colaboradores, parceiros de negócios, advogados, políticos e até canais de rádio ou televisão para os defender. Nessas condições, dotados de um poder social, econômico, teológico e político grande, dentro das quatro paredes pouco scalizadas de suas instituições, não é difícil ultrapassar limites éticos e violar Direitos Humanos. REFERÊNCIAS: HERMAN, Judith Lewis. Trauma and recovery. New York: Basic Books, 1992. LANGONE, Michael D.. Psychological abuse. Cultic Studies Journal, v. 9, n. 2, p.206-218, 1992.Fl

Flávio Amaral Economista, Mestre em Administração de Empresas, Estudante de Parapsicologia, Autor do Livro “Seitas e Grupos Manipuladores: Aprenda a Identicá-los” (2016).


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Se você conhece alguém que, de repente, mudou radicalmente os objetivos de vida, desligou-se do grupo social usual para conviver com um grupo novo e desconhecido, se tornou quase irreconhecível pelas novas ideias e discursos, mudou de hábitos e vem cando mais radical em suas críticas sobre o mundo, saiba que esta pessoa pode ter caído nas tramas de grupos manipuladores, totalistas*, destrutivos, popularmente chamados de “seitas”. Ao contrário do que é divulgado pela literatura mais ortodoxa, o problema das seitas não tem relação com as opiniões religiosas. Muitas seitas sequer entram no mérito da religião, tendo fachadas empresariais, político-partidárias, cientícas, psicoterapêuticas, desportivas, educativas, artísticas etc. Por sinal, vivemos em um mundo laico e democrático, onde todos devem ser acolhidos em suas crenças, gostemos delas ou não. Para avaliarmos se um grupo preenche os requisitos de seita, precisamos observar suas ações. O que torna destrutiva uma seita é o radicalismo com o qual se defende e hostiliza o diferente, a pressão grupal pela conformidade que fragiliza os membros e os deixa obedientes aos líderes, a maneira como desintegra os membros da sociedade como um todo, tornando-os dependentes e suscetíveis da manipulação grupal. Por essas e outras razões, devemos observar o que as seitas têm de mais problemático: o fato de que elas representam um risco à saúde psíquica (e física, em certos casos) dos seus participantes e, em casos mais radicais, até à segurança pública.

O ingresso em uma seita se parece com a trajetória da dependência química. Tudo começa como uma espécie de experimentação inofensiva, com a qual o recémchegado forma um novo círculo de amizades e ameniza frustrações existenciais. Neste caminho a pessoa não se fortalece para enfrentar e superar o que lhe fazia sofrer, mas se afasta, refugiando-se no novo grupo, tornandose dependente dele. Isso a torna cada vez mais enfraquecida para lidar com o mundo, que parece consequentemente mais frustrante e deprimente a cada dia. Em defesa, a pessoa se torna hostil e agressiva à família e sociedade, e defende radicalmente aquele novo grupo, em um círculo vicioso como potenciais catastrócos. Assim como na dependência química, o ingresso em uma seita começa através de pessoas que você considera serem suas amigas. E elas acreditam estarem fazendo o bem. Por isso, envolvido em boas intenções, ca difícil imaginar que se está formando um grupo destrutivo. Saiba, neste livro, como identicar sinais de alerta para não cair nas armadilhas de grupos manipuladores e sectários. Conheça meios de ajudar a pessoa envolvida em uma seita. Aprenda a dar suporte para quem saiu ou está prestes a sair de um grupo sectário, facilitando seu processo de reinserção social e evitando novas “recaídas”. Seitas não são exceção na sociedade. Conforme o critério, as estimativas chegam aos milhares ou dezenas de milhares de grupos sectários, apenas nos Estados Unidos! Algumas seitas crescem, são conhecidas pelo público e conseguem razoável poder político. Entretanto a maioria das seitas são pequenas, não passando de poucas dezenas de participantes; surgem e desaparecem a todo instante e em qualquer lugar. Não raro mudam de nome quando são desmascaradas. Potencialmente, em uma relação de duas pessoas, inclusive dentro do seio doméstico e familiar, é possível formarem-se as estruturas de manipulação e exploração existentes em uma seita. Por isso, após a leitura deste livro você estará mais equipado para lidar e prevenir, não apenas as “seitas” em sentido estrito, mas a formação de qualquer tipo de relação destrutiva com outras pessoas. Este livro foi escrito com linguagem simples, didática, podendo ser lido por qualquer pessoa. O objetivo é trazer ao público falante da Língua Portuguesa conhecimentos essenciais que ajudem a prevenir e tratar este mal social tão comum, mas, ao mesmo tempo, tão negligenciado. Desejo a todos uma boa leitura e co à disposição!

SEITAS E GRUPOS MANIPULADORES APRENDA A IDENTIFICÁ-LOS Flávio Amaral

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Termo usado por Robert Lifton em estudos sobre lavagem cerebral.

DISPONÍVEL EM: h ps://www.amazon.com.br/dp/B01ATYM62G O ALIENISTA

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QUAL É O FIM ESPERADO DE UMA SEITA DESTRUTIVA?

“Ninguém se junta a uma seita. Ninguém se junta a algo que pensa irá magoá-la. Você junta-se a uma organização religiosa, você junta-se a uma organização política e você junta-se a pessoas de quem realmente gosta.”

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Peoples Temple (Templo dos Povos) foi uma organização fundada em 1955 por Jim Jones que, em metade dos anos 1970, possuía mais de doze unidades, incluindo sua sede em San Francisco, Califórnia, EUA. Ficou mais conhecida por causar a morte de 918 pessoas em 18 de novembro de 1978 na Guiana, no Projeto Agrícola do Templo dos Povos, informalmente chamado de Jonestown.

Sobrevivente de Jonestown (Peoples Temple - 1978)

Ordem do Templo Solar - O objetivo da Ordem incluía: criação de "noções corretas de autoridade e poder no mundo", ajudar a humanidade através de uma grande "transição", preparando-a para a Segunda vinda de Jesus como um rei-deus solar, e promover a unicação de todas as igrejas cristãs e o islamismo. Ninguém sabe ao certo quantos dos membros da Ordem participaram de suicídios coletivos mas especula-se um número em torno de 75.

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"Há os que denem seita como um grupo que se desagregou de uma religião estabelecida. Outros aplicam o termo a um grupo que segue determinado líder ou mestre humano. O termo geralmente é aplicado de forma depreciativa. As Testemunhas de Jeová não são uma ramicação de alguma igreja, mas entre elas há pessoas procedentes

de todas as rodas da vida e de muitas formações religiosas. Não consideram nenhum humano como seu líder, mas unicamente Jesus Cristo.” Livro Raciocínios à Base das Escrituras Página 386, § 5 (Publicado pelas Testemunhas de Jeová).

A seita "Verdade Suprema" (Aum Shinrikyo, em japonês) foi criada em 1984, quando seu líder Asahara, cujo nome real é Chizuo Matsumoto, abriu um pequeno seminário de ioga no bairro de Shibuya, em Tóquio. Asahara conseguiu coaptar vários jovens da elite universitária japonesa, o que impulsionou o crescimento da estrutura e transformou a seita em uma poderosa organização subdividida em ministérios, com capacidade para produzir agentes químicos e armas leves, e que inclusive chegou a adquirir um helicóptero militar russo.

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Ramo Davidiano - Um cerco foi realizado pelo governo dos Estados Unidos, começando em 28 de fevereiro de 1993, quando o Bureau of Alcohol, Tobacco, and Firearms tentou cumprir um mandado de busca na sede (denominada "Monte Carmelo" em função do lugar bíblico) do Ramo Davidiano, uma propriedade a 14 km a lés-nordeste de Waco, Texas. Um tiroteio resultou nas mortes de quatro agentes e seis seguidores de David Koresh.

Seguiu-se um cerco de 51 dias, que terminou em 19 de abril, quando um incêndio destruiu o conjunto. Setenta e seis pessoas (24 delas com nacionalidade britânica) faleceram no incêndio, assim como mais de 20 crianças, duas grávidas e o próprio Koresh.

O atentado foi o pior na história do japão. O grupo perfurou vários pacotes de sarin colocados em cinco trens do metrô de Tóquio, em plena hora do rush, matando 13 pessoas e intoxicando 6000. O ALIENISTA

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Esta análise pretende apresentar uma avaliação cientíca e imparcial do que é uma "seita", de modo a perceber se as Testemunhas de Jeová são realmente uma "seita" do ponto de vista cientíco e mais facilmente identicarmos os traços que categorizam qualquer seita com que nos deparemos em nossa vida. Na realidade, qual a informação imparcial existente sobre este assunto por parte de peritos na área da psicologia e sociologia?

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O QUE É REALMENTE UMA SEITA?

Ao longo da minha permanência nas Testemunhas de Jeová por cerca de 40 anos, uma das principais acusações que ouvi contra elas foi de que eram uma "seita". A maioria das pessoas que faz esta acusação nem sabe bem o que esta palavra signica, mas existe a noção de que é uma expressão negativa que se atribui a um grupo religioso que sai fora dos parâmetros "normais" da sociedade onde está inserido, seja pelas suas estranhas doutrinas religiosas, seja pelas suas práticas excêntricas ou diferentes. Na maioria dos casos, tal expressão é usada por membros de outros grupos religiosos que consideram que o grupo religioso catalogado como "seita" promove ensinos distorcidos em relação à ortodoxia geralmente aceita pelas demais religiões e cujas doutrinas promovem entendimentos errados dos ensinos bíblicos. Alguns dos principais pontos mencionados por tais pessoas que acusam as Testemunhas de Jeová de serem uma "seita" é que estas negam a divindade de Jesus, usam uma versão da Bíblia manipulada de modo a encaixar-se nos seus ensinos particulares e promovem uma obediência cega à sua liderança. Este artigo não pretende abordar esta questão do ponto de vista doutrinal, pois se fosse assim, facilmente poderíamos apontar-nos uns aos outros como pertencentes a "seitas", exatamente porque não partilhamos exatamente as mesmas doutrinas ou entendimentos da Bíblia.

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Os dicionários são unânimes em avaliar o signicado da palavra seita. Por exemplo, o dicionário online Priberam diz:

“sei-ta (latim secta, -ae, caminho, linha de conduta, princípios, escola losóca) substantivo feminino 1. Opinião, seguida por um grupo numeroso, que se destaca de um corpo de doutrina principal. 2. [Religião] Grupo que segue uma doutrina que deriva ou diverge de uma religião. 3. [Informal] Grupo organizado que tem ideias ou causas em comum. = BANDO, PARTIDO 4. Grupo organizado de caráter fechado.” O dicionário online da Porto Editora diz:

“seita [ˈsɐj tɐ] nome feminino 1. doutrina ou sistema que deriva ou diverge da crença geral; fação 2. grupo numeroso de pessoas que, no marco de uma determinada religião, adota uma doutrina divergente 3. popular grupo organizado, de caráter fechado, unido por ideias e atuações comuns; bando” Agora usaremos um dicionário brasileiro da língua portuguesa para consultar a denição da palavra seita, o Michaelis do UOL:


O QUE É UMA “SEITA DESTRUTIVA”?

Existem assim alguns traços comuns aos grupos religiosos taxados como "seitas":

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• Grupo religioso que se separa doutrinalmente de outro maior, seguindo doutrinas divergentes; • Grupo que se isola dos restantes, mantendo um caráter fechado e exclusivista.

Do ponto de vista puramente acadêmico, uma seita nada tem de negativo, porque o ser humano tem a liberdade e a capacidade de recriar os conceitos e noções pré-estabelecidos, encontrando novos caminhos na sua relação com o divino. Ao longo da história isso é facilmente vericável, especialmente no movimento cristão que ramicou-se em dezenas de seitas ou grupos separados, especialmente a partir do início do 2º século da Era Cristã. Vários exemplos podem ser vistos [ AQUI ]. Assim, podemos perceber que um grupo ser taxado de "seita" do ponto de vista cientíco, nada tem de pejorativo ou negativo. É apenas uma classicação que ajuda a enquadrar tal grupo num universo social e religioso, onde predominam inúmeros grupos religiosos.

Existem assim, segundo os peritos em "seitas destrutivas", algumas características singulares: • Liderança Autoritária: As seitas destrutivas são grupos autoritários liderados por uma pessoa ou grupo de pessoas, com praticamente absoluto controle sobre seus membros. Um grupo torna-se destrutivo quando seu líder usa ativamente seu poder e autoridade para enganar, manipular e roubar a individualidade de seus membros; • Engano: É comum estes grupos usarem de recrutamento insidioso, de modo a não revelarem abertamente as suas intenções nos contatos iniciais com os prospectivos membros. Enquanto os membros usam de franqueza e sinceridade para com o líder, o mesmo não se passa em retorno e, muitas vezes, essa franqueza e sinceridade é usada para manipulá-los; • Controle Mental: A inuência do grupo é usada para romper com a identidade autêntica da pessoa e substituí-la pela nova identidade. Por imergir a pessoa num ambiente altamente controlado e com imensa pressão social de outros membros, uma seita destrutiva ganha o controle do comportamento, pensamentos e emoções dos membros. É limitado o acesso a informação fora do grupo e toda a informação crítica ao grupo é condenada e proibida. É preciso perceber que tais características estão presentes, não apenas em grupos religiosos, mas também podem estar presentes em grupos políticos, terapêuticos e comerciais. [REPRODUÇÃO]

“sei.ta sf (lat secta) 1 ant Qualquer escola losóca, cujas doutrinas ou métodos divergiam dos seguidos geralmente. 2 Ramo dissidente de uma igreja estabelecida, e portanto considerado herético. 3 Rel Grupo dentro de uma comunhão religiosa principal, cujos aderentes seguem certos ensinamentos ou práticas especiais. 4 Grupo de pessoas que seguem determinados princípios ou doutrinas, diversas dos geralmente aceitos no respectivo meio. 5 Teoria de algum professor célebre, seguida por muitos prosélitos. 6 pop Bando, facção, partido.”

De modo a isolarmos o que é comprovável do ponto de vista claro e inequívoco, do que pode ser uma análise subjetiva daquilo que é uma seita, vamos fazer uma diferença neste artigo entre "seita" e "seita destrutiva". Por quê? Porque enquanto uma "seita" não é necessariamente negativa do ponto vista social, a categorização de "seita destrutiva" é claramente um conceito cientíco que implica características únicas e prejudiciais para os membros do grupo e quiçá para a sociedade onde estão inseridos.

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De modo simples e direto: qualquer pessoa! Na realidade, qualquer um de nós, por mais inteligente, experiente e respeitável que possa ser, pode ser aliciado a integrar tais grupos. Mas existem situações ou características pessoais que podem tornar esse recrutamento mais fácil: • Pessoas com elevado senso de justiça e idealismo, podem ser aliciadas a entrar num grupo que promete lutar contras as injustiças sociais, garantindo ter um plano para o fazer e cujo o líder tem a sabedoria e poder necessários para o por em prática; • Pessoas que sofreram ou sofrem a dor da perda de um ente querido, a perda do emprego ou uma doença permanente ou incurável; • Pessoas que passam por situações atribuladas em sua vida pessoal derivadas de um mau casamento, divórcio, relações familiares instáveis, etc. Uma coisa é clara: tais grupos vivem e subsistem das desgraças ou diculdades pessoais dos seus membros, procurando preencher a lacuna de esperança e sentido de vida que tão necessário é para o ser humano. É verdade que muitas vezes as pessoas ingressam em grupos religiosos exatamente com esses objetivos. A forma como o grupo lida com essas pessoas e o que faz com elas é que determina se pertencem ou não a uma "seita destrutiva".

É preciso ter em mente que numa seita ou grupo “destrutivo” tudo gira em torno do(s) líder(eres).

São eles que estabelecem o que é certo e o que é errado para seus membros. São eles que estipulam quantas vezes os membros têm de se reunir para sessões de doutrinamento, em quantas atividades semanais devem participar de modo ativo e até mesmo decidindo com quem eles podem se associar. São eles que estabelecem regras e critérios pelos quais a pessoa deve viver a sua vida, até mesmo criando normas sobre o que comer, o que ler, com quem casar, o que vestir, etc.. CONHEÇA O MODELO B.I.T.E. [REPRODUÇÃO]

QUEM PODE SER RECRUTADO PARA UMA “SEITA DESTRUTIVA”?

Steven Hassan

Muitas pessoas que não pesquisam o assunto do controle mental exercido por grupos destrutivos, talvez nunca tenham ouvido falar deste modelo criado pelo perito em seitas destrutivas Steven Hassan. É um modelo ecaz que o poderá ajudar a avaliar se a sua organização religiosa promove ou tem características "destrutivas" e de "controle mental" e as usa em seus membros. Visto que a sigla B.I.T.E. é retirada de palavras em inglês, vamos explicar o que signicam cada uma delas: B I T E

• Behavior / Comportamento • Information / Informação • Thoughts / Pensamentos • Emotions / Emoções

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Quando estes quatro elementos estão sujeitos ao controle de um líder ou líderes, pode-se dizer que a pessoa está debaixo de "controle mental" ou "inuência social destrutiva".

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A seguinte lista irá discriminar os vários componentes de cada um destes 4 fatores (B.I.T.E.), que identicam uma "seita destrutiva". É preciso ter em mente que não é necessário que cada item relacionado a cada fator esteja presente num caso em particular. Mas se vários ou a maioria destes estiverem presentes em determinada seita, a probabilidade desta usar de inuência destrutiva aumenta exponencialmente e é um claro indício de que a pessoa está sendo manipulada pela liderança. Tente perceber em cada um deles, aqueles que se aplicam ao grupo a que pertence. Não tente racionalizar essa avaliação, pois cairá no erro de emocionalmente rejeitar certa característica como se aplicando ao seu caso, mesmo que ela realmente se aplique. Tente analisar como se fosse um elemento exterior à situação. Faça uma avaliação objetiva e não subjetiva.

I. Controle do Comportamento 1. Regula a realidade física do indivíduo a. Dita onde, como e com quem o membro deve viver e/ou associar-se/isolar-se. [REPRODUÇÃO]

É a partir da manipulação do comportamento da pessoa que o líder irá condicioná-la a agir do modo que ele estipula como certo. Ao apresentar certa informação como desejável e de leitura/visionamento obrigatórios e colocando livros, vídeos e notícias que apresentam informações negativas sobre o grupo como indesejáveis e prejudiciais ao membro, até mesmo os proibindo, o líder faz o controle de informação a que o membro pode aceder. Um claro exemplo atual disso mesmo pode ser visto na Coréia do Norte. Ao condicionar os pensamentos do membro, fazendo-o acreditar que apenas naquele grupo existe a "verdade", a "salvação" ou a possibilidade de fazer algo realmente grandioso em prol da humanidade, a pessoa cará totalmente dependente do grupo. A doutrinação e a lealdade ao grupo, desenvolverá no membro a emoção de que apenas aquele grupo possui a chave para a felicidade e caso o abandone, cará desprotegido e abandonado sem ter para onde ir. A fórmula muito usada na doutrinação, onde existe uma clara diferenciação entre o "bem e o mal", entre o "nós e eles", promoverá tal dependência e alienação da sociedade em geral, até mesmo da família mais próxima. É característico nestes grupos o desenvolvimento de fobias, que atingem o membro durante e após a saída do grupo. Por exemplo, acreditar que se abandonar o grupo sofrerá a ira divina, uma maldição, uma doença, uma morte agonizante ou a destruição total num evento divino futuro. Isso é feito através da doutrinação em reuniões e estudos pessoais, onde a pessoa é mentalizada de que o "mundo lá fora" é o nosso inimigo e que fora do grupo não existe real possibilidade de salvação. Steven Hassan esclareceu no seu livro Releasing the Bonds que, apesar da seita poder exibir todos os quatro aspectos, nem toda a seita exibe todos os aspectos de cada um dos critérios no mesmo grau. Por exemplo, alguns grupos podem exigir que seus membros a vivam em comunidades isoladas, mas isso raramente é o caso. Ele explica: "É importante compreender que o controle destrutivo da mente pode ser determinado quando o efeito global destes quatro componentes promove a dependência e a obediência a algum líder ou causa. Não é necessário que cada item na lista esteja presente. Membros de seita controlados mentalmente podem viver em seus próprios apartamentos, terem de nove a cinco postos de trabalho, serem casados e com lhos, e ainda serem incapazes de pensar por si mesmos e agir de forma independente."

b. Repressão sexual, anti-gay, celibato, antimasturbação. c. Controle dos tipos de roupa que são permitidas, cores e estilos de cabelo usados pela pessoa. d. Regula a comida e bebida permitida ou rejeitada – jejum. e. Passaportes retirados; rapto; prisão física, tortura. f. Manipulação através do sono – privação. g. Rastreamento com GPS e câmaras remotas. h. Exploração nanceira, manipulação ou dependência 2. A maior parte do tempo é gasto na doutrinação e rituais de grupo ou doutrinação pessoal através das publicações/internet pertencentes à seita. O ALIENISTA

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3. Requer permissão para maiores decisões.

b. Reportar à liderança pensamentos, sentimentos, identidade sexual e ações desviantes.

4. Insistência em que pensamentos, sentimentos e atividades (suas ou de outros), sejam reportadas aos superiores. 5. Recompensas e punições (modicando assim comportamentos, quer positivos, quer negativos).

c. Garantir que o comportamento individual é monitorizado pelo grupo. 5. Uso extenso de informação e propaganda produzida pela seita, incluindo: a. Newsletters, revistas, livros, jornais, gravações de áudio ou vídeo e outras mídias.

6. Individualismo desencorajado, encorajado o pensamento de grupo.

b. Citações incorretas, declarações tiradas fora do contexto de fontes fora da seita, dando a ideia que estas apóiam as armações da mesma.

7. Violação/Exploração sexual, castração, tatuagem. 8. Imposição de leis rígidas e regulamentos. 9. Ameaças contra amigos/família.

6. Uso não-ético da conssão a. Informações acerca de pecados são usadas para dissolver limites pessoais.

10. Instilar obediência e dependência.

b. Pecados passados são usados para manipular e controlar; não há perdão ou absolvição.

II. Controle de Informação 1. Engano a. Informação deliberadamente retida. b. Informação distorcida de modo a torná-la mais aceitável.

7. Uso de vídeos, YouTube e lmes.

III. Controle do Pensamento

c. Mentir sistematicamente ao membro da seita. 2. Minimizar ou desencorajar o acesso a fontes de informação que não sejam da seita, incluindo:

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a. Adoção do “mapa de realidade” do grupo como realidade.

a. Internet, TV, rádio, livros, artigos, jornais, revistas e outras mídias.

b. Instilar pensamento preto e branco.

b. Informação crítica.

c. Decidir entre Bem vs Mal.

c. Membros anteriores.

d. Organizar pessoas em Nós vs Eles (os de Dentro vs os de Fora).

d. Manter os membros ocupados de modo a que não tenham tempo de pensar e investigar. e. Controlar o uso de celulares através de sms, chamadas e rastreamento pela internet. 3. Compartimentar a informação em doutrinas Nós vs Eles. a. Assegurar que a informação não seja livremente acessível. b. Controle da informação em diferentes níveis e missões dentro da pirâmide. c. Permitir que apenas a liderança decida quem precisa de saber o que e quando. 4. Encorajar a espionar outros membros a. Impor um “sistema de parceria”, de modo a monitorar e controlar outros membros.

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1. Ao membro é requerido que interiorize a doutrina de grupo como sendo a “verdade”.

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2. Uso de linguagem própria, como clichês usados para bloqueio do processo de pensamento (Palavras são ferramentas de pensamento. Palavras especialmente escolhidas são usadas para parar ou restringir o pensamento em vez de o expandir. O objetivo é reduzir complexidades em palavras simplicadas que servem de alerta). 3. Apenas os chamados pensamentos puros e próprios são encorajados. 4. Técnicas hipnóticas são usadas para alterar o estado mental, regresso na idade para minar o pensamento crítico e a realidade experimentada (vidas passadas, eventos inventados). 5. Memórias são manipuladas e falsas memórias são criadas.


6. Técnicas de bloqueio de pensamento, que desligam a realidade experimentada, por parar sensações negativas e permitir apenas bons pensamentos, tais como: a. Negação, racionalização, justicação, pensamento positivo. b. Cânticos.

e. A suas relações não são sábias. f. Os seus pensamentos, sentimentos, ações são irrelevantes/egoístas. g. Culpa social. h. Culpa histórica. 5. Excessivo uso do medo

c. Meditação.

a. Medo de pensar independentemente.

d. Oração.

b. Medo do mundo exterior.

e. Falar em línguas.

c. Medo de inimigos.

f. Cantar e zumbir.

d. Medo de perder a sua salvação.

7. Rejeição de análise crítica, pensamento crítico, criticismo construtivo.

e. Medo de deixar o grupo ou de ser ostracizado pelo grupo.

8. Nenhum questionamento crítico acerca do líder, doutrina ou política é permitido.

f. Medo da desaprovação.

10. Repressão sexual, anti-gay, celibato, antimasturbação. IV. Controle Emocional 1. Manipular e limitar a gama de sensações – algumas emoções são encaradas como más, erradas, egoístas – repressão sexual. 2. Bloqueio emocional (assim como bloqueio de pensamento, mas bloqueando sentimentos tais como saudade, raiva, dúvida). 3. Fazer a pessoa sentir que os problemas são culpa sua – nunca culpa do líder ou do grupo. 4. Excessivo uso da culpa: a. Culpa de identidade. b. Você não vive o seu potencial. c. A sua família é deciente. d. O seu passado é suspeito.

6. Extremos de altos e baixos emocionais – Bombardeamento de amor e elogio e em qualquer momento você é chamado de horrível, pecador. 7. Conssão pública e ritualística de pecados. 8. Doutrinação através de fobias: inculcar medos irracionais acerca de deixar o grupo ou questionar a autoridade do líder. a. Nenhuma felicidade ou realização é possível fora do grupo. b. Terríveis consequências se sair: inferno, possessão demoníaca, doenças incuráveis, acidentes, suicídio, insanidade, milhares de reencarnações, etc. c. Ostracização daqueles que saem; medo de ser rejeitado por amigos, companheiros e família. d. Não existe uma razão legítima para sair: aqueles que saem são fracos, indisciplinados, não-espirituais, mundanos, tiveram uma lavagem cerebral da família ou do terapeuta, ou foram seduzidos por dinheiro, sexo, materialismo, etc.

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9. Sistema de crenças alternativo é visto como ilegítimo, mau ou como não sendo prático.

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COMO SÃO TRATADOS OS QUE SAEM DE UMA “SEITA DESTRUTIVA”? Uma das melhores formas de reconhecer se um grupo religioso pertence à categoria de "seita destrutiva" é olhar para a forma como os membros são tratados quando saem dele, seja por livre vontade ou devido a expulsão. Os peritos em "seitas destrutivas" sabem há muito, que não existe saída honrosa para aqueles que desejam abandonar tais grupos. Na Cientologia, por exemplo, tais pessoas são chamadas de "pessoas supressivas", nos Mórmons e Testemunhas de Jeová tais membros são comumente vilipendiados e catalogados de "apóstatas". Coincidência ou não, tais grupos têm origem nos E.U.A., onde grupos religiosos co-

A seita/grupo demonstra zelo excessivo de dedicação incondicional para com o(s) seu(s) líder(es) (esteja ele vivo ou morto) e encara o seu sistema de crença, ideologia e práticas como sendo a “Verdade”, como lei. Questionar, duvidar e dissidência são desencorajadas ou mesmo punidas. Práticas que visam alterar padrões mentais (tais como meditação, cânticos, falar em línguas, sessões de denúncias, ou rotinas de trabalho debilitantes) são usadas em excesso e servem para suprimir dúvidas acerca da seita/grupo e seu(s) líder(es). A liderança dita, por vezes em grande detalhe, como os membros devem pensar, agir e sentir (Membros devem obter permissão para namorar, mudar de trabalho ou casar – ou os líderes prescrevem o que vestir, onde viver, quando ter lhos, como discipliná-los e por aí adiante). A seita/grupo é elitista, armando um especial, exaltado status para si mesmo, o(s) seu(s) líder(es) e seus membros (O líder considera-se o Messias, um ser especial, um avatar – ou o grupo e/ou líder está numa missão especial para salvar a humanidade). A seita/grupo tem uma polarizada mentalidade de Nós vs Eles, causando conito com a maioria da sociedade. O(s) líder(es) não é(são) responsável(eis) perante quaisquer autoridades (ao contrário, por exemplo de professores, comandantes militares ou ministros, sacerdotes, padres, monges e rabis da maioria das denominações religiosas).

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mo os Amish possuem tal forma extremista de tratar os membros que decidem abandonar o grupo, até mesmo ostracizando-os. CARACTERÍSTICAS EXISTENTES EM UMA “SEITA DESTRUTIVA” De forma a facilitar a identicação de grupos religiosos que pertencem efetivamente à categoria de "seitas destrutivas" ou que usam "controle mental", o livro "Take Back Your Life – Recovering from Cults and Abusive Relationships" forneceu uma lista de características a serem assinaladas na sua experiência pessoal. Reita em cada uma delas e assinale aquelas que se comprovam no seu caso particular.

A seita/grupo ensina ou insinua que os seus ns supostamente exaltados justicam o que quer que seja necessário. Isto pode resultar em membros participando em comportamentos ou atividades que eles considerassem repreensíveis ou não-éticos antes de se juntarem à seita/grupo (Mentir à família ou amigos ou angariando dinheiro através de falsa caridade). A liderança induz sentimentos de vergonha e/ou culpa, de modo a inuenciar e controlar os seus membros. Habitualmente isto é feito através da pressão de grupo e formas sutis de persuasão. A subserviência ao(s) líder(es) ou ao grupo requer que os membros cortem relações com família ou amigos fora da seita/grupo e que alterem radicalmente seus objetivos pessoais e atividades que tinham antes de se juntarem ao grupo. A seita/grupo está preocupada em obter novos membros. A seita/grupo está preocupada em fazer dinheiro. Aos membros é esperado que devotem inúmera quantidade de tempo à seita/grupo e a atividades relacionadas com a seita/grupo. Os membros são encorajados ou requer-se deles que vivam e/ou socializem apenas com outros membros da seita/grupo. Os membros mais leais (os “verdadeiros crentes”) sentem que não pode existir nenhuma vida fora do contexto da seita/grupo. Eles acreditam que não existe outro modo de vida correto e é comum sentirem medo de represálias para com eles ou outros, caso saiam da seita/grupo – ou até mesmo considerem sair da seita/grupo.


SERÁ QUE AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ SE ENQUADRAM NA CATEGORIA DE “SEITA DESTRUTIVA”? Em primeiro lugar, é preciso relembrar aquilo que a Organização das Testemunhas de Jeová já escreveu sobre esta temática, mostrando que eles estão por dentro das técnicas usadas para controlar a mente dos seus membros.

Notem o que ela escreveu e foi publicado na revista Despertai! de 22 de junho de 2000, nos artigos: "A Manipulação das Informações" e "Não Caia Vítima da Propaganda" no quadro abaixo.

[Foto da Capa: Flávia Santos]

Após esta breve análise das características existentes em seitas e grupos "destrutivos", voltamos à questão:

BIBLIOTECA DA WATCHTOWER

Despertai! 22 de junho de 2000

"Outra tática de propaganda muito ecaz é a generalização. Por meio dela, tenta-se ocultar fatos importantes sobre as verdadeiras questões em discussão e ela é freqüentemente usada para rebaixar grupos inteiros." "Algumas pessoas insultam quem discorda delas, questionando seu caráter ou suas motivações em vez de se concentrar nos fatos. Tentam colocar um rótulo negativo na pessoa, no grupo ou na idéia que lhe é contrária, um rótulo que seja fácil de lembrar. Sua intenção é que o rótulo pegue. Se outros passarem a rejeitar a pessoa ou a idéia com base nesse rótulo negativo em vez de avaliar as evidências por si mesmos, a estratégia terá sido bem-sucedida." "De modo que a astuta arte da propaganda pode paralisar a mente, impedir o raciocínio lógico e o discernimento, e condicionar as pessoas a seguir a multidão. [...]" "[...] Propagandistas experientes sabem manipular as emoções com maestria, ape-

lando para o lado emocional. Por exemplo, o medo é uma emoção que pode atrapalhar o julgamento. [...]" "HÁ UMA diferença — uma grande diferença — entre educação e propaganda. A educação nos ensina como pensar; a propaganda nos diz o que pensar. Os bons educadores apresentam todos os lados de um assunto e encorajam o debate; os propagandistas obrigam-nos a ouvir seu ponto de vista e desencorajam a discussão. Às vezes, ocultam seus verdadeiros objetivos. Eles peneiram os fatos, explorando os que lhes são úteis e ocultando os outros. Também distorcem e deturpam os fatos, especializando-se em mentiras e meias-verdades. Seu alvo são as emoções, não o raciocínio lógico." “Os propagandistas se asseguram de que a mensagem pareça certa e moralmente aceitável e que faça você se sentir importante. Eles querem fazê-lo acreditar que você é um dos espertos, que não está sozinho, que está tranquilo e seguro." “[...] Assim, precisamos ser seletivos. Precisamos avaliar o que nos é apresentado, decidindo o que aceitar e o que rejeitar." “[...] Também, se possível, tente examinar os antecedentes de quem fala. É conhecido como alguém que fala a verdade? [...]"

O ALIENISTA

[REPRODUÇÃO | FONTE: http://wol.jw.org/pt/wol/lv/r5/lp-t/0/20739 ]

"O propagandista esperto gosta demais desses atalhos, em especial os que fazem com que se deixe de lado o raciocínio. Para isso, a propaganda apela para as emoções, explora sentimentos de insegurança, se aproveita de linguagem ambígua e distorce as regras da lógica. [...]" - Sem dúvida, o melhor truque do propagandista é o uso de mentiras descaradas.

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Será que a própria “Organização” não é culpada de usar tais táticas nos seus membros?

Penso que não é necessário ser um gênio para perceber que os elementos ou características mencionados anteriormente e que estão presentes em seitas e grupos "destrutivos", estão também presentes na sua maioria na religião das Testemunhas de Jeová. Então vejamos... CONTROLE DO COMPORTAMENTO O controle do comportamento relaciona-se em existirem um conjunto de regras e exigências impostas aos membros, regras estas que vão além do que seria expectável. A Organização religiosa das Testemunhas de Jeová é bem conhecida pela sua intrincada legislação interna, que estabelece critérios e normas para praticamente todas as facetas da vida das Testemunhas de Jeová, a maioria das quais nem sequer vêm mencionadas na Bíblia. Coisas como o penteado, uso de barba, vestuário, tatuagens, música, dança, jogo, fumar, envolvimento na política, intimidades entre casais, feriados e entretenimento, emprego, etc., tudo é sujeito a regras e orientações dando pouca margem para o uso de critérios pessoais ou consciência. Se alguém deseja ter "privilégios" congregacionais, deve reportar um mínimo de horas (pelo menos a média da congregação) e estar disposto a servir em todas as funções que lhe sejam entregues. Desde tornar-se publicador, pioneiro, servo ministerial, ancião, betelita, missionário, tudo é objeto de um critério muito restrito e condicionado pela estrita obediência às "orientações" dadas. Tudo isto contribui para que as Testemunhas criem um padrão comportamental enquanto grupo, e todas sejam vistas e avaliadas segundo este. O livro "Brainwashing - A Ciência do controle do pensamento" por Kathleen Taylor (Oxford University Press Inc., New York, 2004) apresenta um excelente resumo da pesquisa atual sobre a biologia e psicologia do cérebro e identica como as organizações usam isso para efeitos de controle.

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A mente é descrita como sendo um rio. À medida que a água ui rio abaixo ela erode o solo; e quanto mais água ui rio abaixo, mais fundo ele se torna. Do mesmo modo, quanto mais um pensamento é repetido mais fortes as sinapses do cérebro que apoiam esse pensamento se tornam. Além disso, assim como um rio se torna maior quanto mais auentes estejam a alimentá-lo, uma crença se tornará cada vez mais forte e mais difícil de largar quanto mais outras crenças se conectem a ele. Por estas razões, a chave para o "controle mental" é a repetição. É por isso fácil de perceber porque uma Testemunha de Jeová (assim como membros de outros grupos religiosos), têm crenças tão arraigadas: • A regularidade e natureza da repetição do calendário de atividades promovido pela Torre de Vigia; • A ampla natureza desta informação, inltrando todas as áreas da crença da Testemunha, desde tópicos relacionados com áreas diversas como a cosmologia, paleontologia, teologia, o passado histórico, a avaliação dos eventos atuais e a esperança do futuro profético. De modo a alcançar o paraíso, as Testemunhas de Jeová são incentivadas a repetir por inúmeras vezes, quer os ensinos da Torre de Vigia, quer as atividades por ela estabelecidas: • • • •

Oração: Orar regularmente a Jeová; Associação: Assistir regularmente às reuniões; Pregação: Pregar regularmente Estudo: Estudo regular de todas as publicações editadas pela Torre de Vigia, apresentadas como estudo bíblico.

[REPRODUÇÃO | JW.ORG: https://www.jw.org/pt/publicacoes/revistas/ws20150215/mantenha-zelo-pela-pregacao/ ]

Torna-se claro que a organização das Testemunhas de Jeová reconhece de modo franco que as pessoas podem-se tornar vítimas de "controle mental" através de certas técnicas que baixam a sua capacidade crítica e as fazem tornar-se dependentes da fonte de informação que passam a aceitar como estando certa ou verdadeira.


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Qualquer Testemunha de Jeová pode atestar que pôr em prática todas as atividades implementadas pela sua liderança, desde estudar as publicações, preparar as cinco reuniões semanais e assistir a elas, juntamente com a pregação, pouco tempo resta para outras atividades ou simplesmente para car relaxado sem ter nada que fazer. Centenas de horas são gastas pelas Testemunhas em todo este processo contínuo e repetitivo, ano após ano. Conforme já foi mencionado, tal processo apenas reforça e aprofunda as crenças e a mentalidade das Testemunhas de que vivem "a verdade", tal como um rio que vai alargando o seu caudal à medida que provoca erosão no solo. Deste modo, o controle mental sobre os membros é facilmente conquistado!

“A pessoa serve ou a Jeová Deus ou a Satanás, o Diabo. [...] Não importa qual a sua resposta, se imitar o comportamento injusto do mundo você não estará servindo o verdadeiro Deus, Jeová.” Poderá Viver para Sempre no Paraíso na Terra - pág. 208

“Você é assim tão diferente da maioria da humanidade que você pode dizer que eles estão servindo ao Diabo, mas você está servindo o Deus verdadeiro? Existe um povo que é tão diferente, e todos sabem que eles são diferentes em toda a parte do mundo. Eles são as testemunhas de Jeová.” A Sentinela de 1º de Março de 1968 - pág. 136 (edição em inglês)

Existem as generalizações feitas pela organização "Torre de Vigia", usadas para diferenciar entre aqueles dentro da organização e os "mundanos", tais como estas:

CONTROLE DO PENSAMENTO

Veja alguns exemplos: “Deixar de apoiar ativamente essa obra signica começar a seguir a Satanás. Não há meio-termo.” A Sentinela de 15 de Julho de 2011 - pág.18

“Quem, hoje, demonstra tal obediência aos mandamentos de Deus a respeito do amor?… apenas as Testemunhas de Jeová.” A Sentinela de 1º de Maio de 1989 - pág. 28

“Se você é uma das raras pessoas que deseja servir ao Criador em nossos dias, que quer dar-lhe devoção exclusiva, quer realizar obras que agradam aos seus olhos, que quer receber a sua aprovação e sua dádiva da vida, então deixe que Jeová, por meio do seu espírito, cultive em si uma boa condição de coração que é a marca do seu povo.” A Sentinela de 1º de Junho de 1966 - pág. 341

O controle de pensamento também é exercido ao limitar-se ou desencorajar-se a discussão interna por parte das Testemunhas. Nenhuma Testemunha de Jeová está autorizada a questionar as doutrinas ou entendi-

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O controle do pensamento está relacionado, por exemplo, com o reforçar a crença de que apenas o grupo ensina a "verdade" ou é o "caminho para a salvação". Isto é mantido através da doutrinação dos indivíduos, em que o seu pensamento é condicionado a ver o mundo a "preto e branco", usando até mesmo linguagem própria dentro do grupo. De modo a que este controle do pensamento não seja desaado, existem punições para aqueles que questionam as doutrinas da liderança ou que promovem pontos de vista alternativos. Não existe margem para dúvidas, diferenças de opinião ou confrontação de ideias. Segundo o conceito ensinado pela Torre de Vigia, se você não seguir a sua liderança então você não pode adorar a Deus.

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Notem como a “Organização” coloca este assunto: “Primeiro, visto que se deve manter a “unidade”, o cristão maduro tem de estar em união e em plena harmonia com concrentes no que se refere à fé e ao conhecimento. Ele não promove opiniões pessoais, nem insiste nelas, nem nutre idéias próprias referentes ao entendimento da Bíblia. Antes, tem plena conança na verdade conforme revelada por Jeová Deus por meio do seu Filho, Jesus Cristo, e do “escravo el e discreto”. Por assimilarmos regularmente o alimento espiritual fornecido “no tempo apropriado” — por meio de publicações cristãs, reuniões, assembléias e congressos — podemos ter a certeza de mantermos com concristãos a “unidade” na fé e no conhecimento.”

Será que as Testemunhas de Jeová também usam "linguagem adulterada"? Sem dúvida que expressões tais como "a verdade", "novo mundo", "mundanos", "outras ovelhas", "restante ungido", "escravo el e discreto", "grande multidão", "Armagedom", etc., são termos e expressões que apenas as Testemunhas de Jeová usam e conhecem o signicado. Ao ouvir tais expressões isso desencadeia na Testemunha um entendimento e emoção associados a essa mesma palavra. Por exemplo, quando uma Testemunha de Jeová ouve a palavra "mundo", automaticamente associa a todos os que estão fora da sua religião e conjugado com textos bíblicos que falam de que este "mundo" passará, isso reforçará a ideia de que apenas as Testemunhas de Jeová serão salvas, visto apenas elas não serem parte do mundo!

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mentos do seu Corpo Governante, e ao contrário do que acontecia no primeiro século, não existe margem para discordância doutrinal sobre assuntos em que a Bíblia não é taxativa.

A Sentinela de 1º de Agosto de 2001 - pág. 14

“Alguns, devido à sua formação e criação, talvez estejam mais inclinados a ter raciocínio independente e vontade própria do que outros. Este talvez seja um ponto em que precisamos disciplinar-nos e ‘transformar a mente’, para poder perceber mais claramente qual é a “vontade de Deus”.” A Sentinela de 1º de Fevereiro de 1987 - pág. 19

“Acautele-se dos que procuram apresentar suas próprias opiniões contrárias.” A Sentinela de 15 de Março de 1986 - pág. 17

“Há alguns que salientam que a organização já antes teve de fazer ajustes, e por isso argumentam: “Isto mostra que temos de decidir por nós mesmos o que devemos crer.” Estas são idéias independentes.” A Sentinela de 15 de Julho de 1983 - pág. 19

CONTROLE DA INFORMAÇÃO “O ponto é que os cristãos têm conança implícita no seu Pai celestial; não questionam o que ele lhes diz mediante sua Palavra escrita e sua organização.” A Sentinela de 15 de Janeiro de 1975 - pág. 49

Algo que faz parte do controle de pensamento e é comum em grupos de alto controle, é a linguagem adulterada. O que é a linguagem adulterada? É o conjunto de termos e expressões que são únicas ao grupo que as usa. Uma pessoa de fora do grupo terá grandes diculdades em entender tal linguagem.

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Não é difícil de encontrar, no passado e no presente, exemplos de religiões e políticas ditatoriais que restringiram os seus membros de verem e discutirem informação crítica ou de expressarem pontos de vista diferentes do grupo. A informação é controlada, de forma a que a imagem do grupo seja sempre positiva e enalteça os feitos e qualidades deste. Que dizer da Torre de Vigia? Tenta ela censurar de alguma forma a informação que não é produzida por ela?


Vejamos o que ela arma: "Eles ‘introduzem quietamente’ ideias corrompedoras. Assim como os contrabandistas, eles operam de modo clandestino, introduzindo sutilmente conceitos apóstatas. [...] Os apóstatas estão mentalmente ‘doentes’ e tentam contaminar outros com os seus ensinos desleais. (1 Tim. 6:3, 4, Bíblia Pastoral) Jeová, o Grande Médico, diz que devemos evitar o contato com os apóstatas. [...] Nós não os recebemos em casa nem os cumprimentamos. Não lemos as suas publicações, não assistimos às suas apresentações na televisão, não acessamos os seus sites na internet nem adicionamos comentários aos seus blogs." A Sentinela de 15 de Julho de 2011 - pág. 16-17

que os justos são socorridos.” Isto não signica dar ouvidos aos apóstatas ou pesquisar os seus escritos. Em vez disso, signica vir a ter um “conhecimento exato do segredo sagrado de Deus” através de diligente estudo pessoal da Bíblia e das publicações bíblicas da Sociedade. Com tal conhecimento exato, quem caria tão curioso a ponto de dar qualquer atenção aos pronunciamentos de apóstatas? Que nenhum homem “vos iluda com argumentos persuasivos!” (Colossenses 2:2-4) Propaganda religiosa falsa de qualquer fonte deve ser evitada como veneno! Realmente, visto que o nosso Senhor tem usado “o escravo el e discreto” para nos transmitir “declarações de vida eterna”, por que deveríamos querer recorrer a qualquer outra fonte?” A Sentinela de 1º de Novembro de 1987 - pág. 20

“É um engano pensar que você precisa ouvir os apóstatas ou ler as publicações deles para refutar seus argumentos. O raciocínio deturpado e venenoso deles pode causar dano espiritual e contaminar a sua fé como uma gangrena que se espalha rapidamente.” A Sentinela de 15 de Fevereiro de 2004 - pág. 28

“Visto que somos servos leais de Jeová, por que deveríamos até mesmo só querer dar uma olhada na propaganda divulgada por estes que rejeitam a mesa de Jeová.” A Sentinela de 15 de Julho de 1994 - pág. 12-13

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“É de interesse que certo superintendente de circuito na França observou: “Alguns irmãos são enganados porque carecem de conhecimento exato.” É por isso que (Provérbios 11:9) declara: “É pelo conhecimento

A Torre de Vigia tenta convencer os seus membros de que a única razão pela qual conhecem a Deus é devido a serem os seus guias ou instrutores: “De modo que aquele que duvida a ponto de se tornar apóstata arvora-se em juiz. Acha que sabe mais do que seus concristãos, também mais do que o “escravo el e discreto”, por meio de quem aprendeu a melhor parte, senão tudo o que ele sabe sobre Jeová Deus e seus propósitos.” A Sentinela de 1º de Novembro de 1987 - pág. 20

“Na organização de Jeová não é necessário gastar muito tempo e energia em pesquisa, pois existem irmãos na organização que estão designados para esse mesmo m...” A Sentinela de 1º de Junho de 1967 - pág. 338 (edição em inglês)

Conforme as Testemunhas de Jeová podem comprovar facilmente, até mesmo a informação dentro da organização é controlada. Por exemplo, os publicadores, até mesmo os servos ministeriais, não têm acesso ao conteúdo de inúmeras cartas que chegam da organização e às quais apenas os anciãos têm acesso. Por vezes, mesmo dentro dos corpos de anciãos, nem todos têm acesso a determinada informação que por vezes ca apenas entre as comissões de serviço de cada congregação. O Manual dos Anciãos (Km) é outra publicação restrita aos anciãos e nem mesmo as suas esposas podem ter acesso a eles. A informação é controlada em absoluto, desde o publicador até ao ancião, e isto aplica-se também ao acesso que estes têm a publicações mais antigas da sociedade que muitas vezes ou já não são publicadas por ela ou estão fechadas a sete-chaves nas bibliotecas congregacionais. O ALIENISTA

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Esta matéria é um claro exemplo de controle de informação, onde o estudo independente é claramente criticado e condenado. O resultado deste tipo de textos, cria por parte das Testemunhas de Jeová uma desconança em relação a tudo o que seja informação externa à organização. Existe a real fobia por parte das Testemunhas, criada pela organização em suas mentes, de que se lerem informação sobre ela fora do que está aprovado pela liderança cairão como presas de Satanás. A organização segue assim as pisadas da Igreja Católica Medieval que condenava a leitura da Bíblia, armando que ela era perigosa pois levava as pessoas a questionar as doutrinas ociais da mesma. Embora

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a organização não vá ao ponto de proibir a leitura da Bíblia, ainda assim esta só pode ou deve ser lida através dos entendimentos promovidos nas publicações da Torre de Vigia. Será que isso é realmente "ler" a Bíblia e "pesquisá-la"? Dicilmente.

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O Ministério do Reino de Setembro de 2007, na caixa Perguntas Respondidas trazia a seguinte matéria: • Será que o “escravo el e discreto” aprova que grupos de Testemunhas de Jeová se reúnam à parte da congregação para realizar pesquisas ou debates sobre a Bíblia? — Mateus 24:45, 47. Não. Mesmo assim, em várias partes do mundo, alguns dos que se associam com a nossa organização formaram grupos para realizar pesquisas independentes sobre assuntos bíblicos. Alguns fazem parte de grupos que pesquisam o hebraico e o grego usados na Bíblia a m de analisar a exatidão da Tradução do Novo Mundo. Outros pesquisam assuntos cientícos relacionados à Bíblia. Esses grupos criam páginas na internet e salas de bate-papo que têm por objetivo trocar idéias e debater seus pontos de vista. Também organizam palestras e produzem publicações para divulgar suas conclusões e complementar o que é transmitido em nossas reuniões cristãs e publicações. Em toda a Terra, o povo de Jeová recebe ampla instrução espiritual e encorajamento nas reuniões congregacionais, nas assembléias, nos congressos e por meio das publicações da Sua organização. Sob a orientação

de seu espírito santo e à base de sua Palavra da verdade, Jeová fornece o que é necessário para que todos os seus servos estejam “aptamente unidos na mesma mente e na mesma maneira de pensar” e permaneçam “estabilizados na fé”. (1 Cor. 1:10; Col. 2:6, 7) Certamente somos gratos pelas provisões espirituais de Jeová nestes últimos dias. Assim, “o escravo el e discreto” não apóia quaisquer publicações, reuniões ou páginas na internet que não sejam produzidas ou organizadas sob a supervisão dele. - Mat. 24:45-47. É elogiável querer usar as habilidades mentais para apoiar as boas novas. No entanto, nenhuma pesquisa pessoal deve desmerecer o que Jesus Cristo está realizando hoje por meio de sua congregação na Terra. No primeiro século, o apóstolo Paulo avisou sobre o perigo de se envolver em assuntos que cansam e que consomem tempo, como as “genealogias, que acabam em nada, mas que fornecem mais questões para pesquisa do que uma dispensação de algo por Deus em conexão com a fé”. (1 Timóteo 1:3-7) Todos os cristãos devem se esforçar para se esquivar “de questões tolas e de genealogias, e de rixas e lutas sobre a Lei, porque são sem proveito e fúteis”. — Tito 3:9. Para os que desejam estudar e pesquisar mais a Bíblia, recomendamos usar as publicações “Estudo Perspicaz das Escrituras”, “Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa” e outras produzidas pelo escravo el e discreto, como as que tratam das profecias encontradas nos livros bíblicos de Daniel, Isaías e Revelação. Elas fornecem muita matéria para estudo da Bíblia e meditação. Por meio delas podemos car ‘cheios do conhecimento exato da vontade de Deus, em toda a sabedoria e compreensão espiritual, para andarmos dignamente com Jeová, com o m de lhe agradar plenamente, ao prosseguirmos em dar fruto em toda boa obra e em aumentar no conhecimento exato de Deus’. — Col. 1:9, 10.


MEDO [REPRODUÇÃO]

Uma das melhores e mais antigas técnicas de coerção usadas pela religião tem sido o medo. A própria organização já o reconheceu: “As igrejas tendem a crer, consciente ou inconscientemente, que o medo — em vez de o amor — conquista a todos.”

O controle de informação vai mesmo ao ponto da organização desincentivar os estudos acadêmicos, até mesmo colocando em jogo as qualicações de anciãos e servos ministeriais que desejem cursar a universidade ou apóiem seus lhos a fazê-la.

A Sentinela de 15 de Julho de 1981 - pág. 32

A organização Torre de Vigia tem feito bom uso deste instrumento criando fobias e paranóias em seus membros. Em vez de conar no amor de seus servos por Deus, prefere usar o medo para os levar a fazer aquilo que ela entende ser o correto. Apresenta assim o mundo como um local sombrio, povoado na sua maioria por pessoas que desejam fazer mal às Testemunhas ou pelo menos desencaminhá-las. Induz também o medo a Satanás e seus demônios, o medo de ser destruído no Armagedom e o medo de ser expulso da organização, perdendo todos os laços sociais e familiares que ainda permanecerem nela. O medo do Armagedom tem sido uma das principais armas de terror usadas pela Torre de Vigia e uma prova disso mesmo são as inúmeras ilustrações usadas em suas publicações. Tais ilustrações criam um profundo impacto na mente das Testemunhas, desde os mais pequenos, aos mais velhos.

“Mas que dizer da educação superior, recebida numa faculdade ou universidade? Isso é amplamente encarado como vital para o sucesso. No entanto, muitos dos que buscam tal educação acabam com a mente cheia de propaganda prejudicial. Tal educação desperdiça valiosos anos da juventude que poderiam ser mais bem usados no serviço de Jeová.” A Sentinela de 15 de Abril de 2008 - pág. 4-5

O desencorajamento dado à pesquisa externa e à educação superior juntamente com informação enganosa dentro das publicações da Torre de Vigia, onde eruditos e cientistas são citados fora do contexto e onde as fontes de enciclopédias e livros não são mencionados de forma a alguém certicar-se do que foi citado, coloca as Testemunhas de Jeová numa posição de desvantagem em relação aos de fora (do "mundo"). Esta manipulação da informação e seu respectivo controle, cria na mente das Testemunhas de que apenas elas têm a "verdade" e que a sua literatura é bem pesquisada e conável. Você pode ver vários exemplos clicando aqui. Se elas soubessem como são enganadas neste aspecto! CONTROLE DA EMOÇÃO O controle emocional faz uso do medo, obrigação e culpa. Vejamos alguns exemplos claros desse uso na organização das Testemunhas de Jeová: • Medo - Armagedom e ostracismo;

• Culpa - Você nunca estará fazendo o suciente e tem de trabalhar arduamente para garantir a salvação futura, nunca tendo a certeza que a obterá.

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• Obrigação - Contribuir para a organização através da doação de tempo, energia e dinheiro por meio da pregação, construção de betéis e salões do reino, donativos monetários e assistência regular às reuniões;

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lipse 16:16).

Mas o medo incutido nas Testemunhas de Jeová por parte da Organização começa bem antes, com outro evento. Algo que as Testemunhas de Jeová têm vindo a temer tanto ou mais do que o próprio Armagedom é a chamada "grande tribulação". A organização escreveu coisas sobre ela tal como: “Devemos estar dispostos a sofrer diculdades também durante a vindoura “grande tribulação”, satisfeitos com a garantia de Jeová: “Talvez sejais escondidos no dia da ira de Jeová.””

“Vendo a tremenda prova nal de nossa delidade surgir diante de nós, com a aproximação da “grande tribulação”, talvez decidamos que não queremos enfrentá-la.” A Sentinela de 15 de Março de 1977 - pág. 187

“Precisa-se dizer-lhe o que deve esperar quando se torna testemunha do Deus verdadeiro, Jeová; que o caminho para a salvação é estreito, apertado e difícil, e que, quanto mais nos aproximamos da “grande tribulação”, podemos esperar maior oposição e perseguição da parte de Satanás e de sua organização iníqua.” A Sentinela de 1º de Outubro de 1970 - pág. 592

Imagens sobre este assunto também têm sido publicadas nas páginas das revistas e livros da organização, de modo a reforçar na mente este medo da eminente "grande tribulação". [REPRODUÇÃO | JW.ORG]

Estas vívidas ilustrações inculcam no subconsciente da Testemunha o verdadeiro horror que poderá ser o Armagedom e como aqueles que forem destruídos nesse dia irão sofrer às mãos de Deus. É interessante que a organização que tanto criticou a Igreja Católica pelo uso do medo para dominar o povo, com respeito ao "Inferno de fogo", passou a usar exatamente a mesma tática com respeito ao Armagedom, criando em torno desta única menção bíblica um verdadeiro espetáculo gráco de horrores (Apoca-

A Sentinela de 15 de Março de 1979 - pág. 30

[LEGENDA ORIGINAL] Durante a “grande tribulação”, precisaremos continuar unidos aos irmãos de nossa congregação.

ATAQUE DE GOGUE DE MAGOGUE (EZE. 38:2, 10-13)

INÍCIO DO REINADO MILENAR DE CRISTO COMEÇA A GRANDE TRIBULAÇÃO [REPRODUÇÃO | JW.ORG]

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GOGUE DE MAGOGUE: Uma coalizão de nações que tentará aniquilar o povo de Deus.

ARMAGEDOM: • Jesus cavalga para proteger o povo de Deus • Gogue de Magogue é destruído (Rev. 16:14, 16) • Satanás e os demônios são lançados no abismo (Rev. 20:1-3)


[REPRODUÇÃO]

[REPRODUÇÃO]

Revista Psychology Today Margaret Thaler Singer, Ph.D.

Janeiro de 1979

(1921-2003)

Infelizmente, tais fobias criadas pelo medo inculcado na mente das Testemunhas através da doutrinação repetitiva da Organização sobre tais assuntos doutrinais, permanece por longo tempo, mesmo após o membro cessar a associação com a religião das Testemunhas de Jeová. No artigo "Saindo das Seitas" (Coming out of the Cults), a revista Psychology Today, de janeiro de 1979, num artigo assinado por Margaret Thaler Singer, uma das mais reconhecidas peritas em seitas e grupos de alto controle, foi feita a seguinte declaração: "A maioria dos grupos trabalham arduamente para prevenir deserções: alguns ex-membros citam avisos de condenação celestial contra eles, seus antepassados e seus lhos. Visto que muitos veteranos de seitas retêm algum resíduo de crença nas doutrinas da seita, apenas isto pode ser um fardo horrível." MEDO DA DESASSOCIAÇÃO O medo da separação da organização é temido. Anal, ser desassociado equivale à condenação eterna na destruição, conforme a doutrina da Torre de Vigia. Visto que existem dezenas de razões pelas quais uma Testemunha de Jeová pode ser expulsa da religião ou pelo menos correr esse risco, as Testemunhas vivem em constante pavor de "pisar a linha" e serem punidos por isso. A desassociação leva a que a pessoa perca o contato com todos os membros da religião, muitos deles amigos de longa data e muitas das vezes, os únicos que a pessoa possui. Visto que a religião determina e impõe o ostracismo em relação àqueles que saem, a pessoa ca voltada ao abandono e "morte social". Até mesmo os parentes devem tomar a peito esta postura ostracizadora. A pessoa que é desassociada (expulsa) e aquela que decide abandonar a religião de livre vontade (dissociada), é encarada como regressando ao mundo de Satanás e merecedora da destruição eterna. “Em primeiro lugar, algumas das publicações dos apóstatas apresentam falsidades por meio de “conversa suave” e “palavras simuladas”... Aqueles que tiverem continuado a se alimentar à mesa espiritual de Satanás, a mesa dos demônios, serão obrigados a

O Artigo “Saindo das Seitas” esclarece que muitos veteranos de seitas retêm algum resíduo das crenças, o que acaba por ser um fardo horrível.

tomar parte duma refeição literal, não como participantes, mas como prato principal — para a sua destruição!” A Sentinela de 1º de Julho de 1994 - pág. 12

"Satanás semeia no seu coração a deslealdade e a traição. Logo caem vítimas da apostasia, e Satanás se regozija." A Sentinela de 1º de Setembro de 1988 - pág. 16

“Desviar-se alguém de Jeová e de sua organização, desprezar a orientação do “escravo el e discreto” e estribar-se simplesmente na leitura e interpretação pessoais da Bíblia é como tornar-se uma árvore solitária numa terra árida.” A Sentinela de 1º de Junho de 1985 - pág. 20

“A desassociação serve como poderoso aviso para aqueles na congregação, visto que poderão ver as consequências desastrosas de ignorar as leis de Jeová. Não conversem com tal ou mostrem reconhecimento de alguma forma... Afastem-se dele. Deste modo, ele sentirá a plena importância do seu pecado.” A Sentinela de 1º de Julho de 1963 - pág. 411 (edição em inglês)

"A inuência de Satanás através de um membro desassociado da família irá causar que outro membro ou membros da família que estejam na verdade possam juntar-se ao membro desassociado no seu proceder ou posição contra a organização de Deus." A Sentinela de 15 de Novembro de 1952 - pág. 703 (edição em inglês)

"Devemos odiar (a pessoa desassociada) no sentido mais verdadeiro, que é o de encarar com extrema e ativa aversão, considerando-os como repugnantes, odiosos, imundos, a detestar." A Sentinela de 1º de Outubro de 1952 - pág. 599 (edição em inglês) O ALIENISTA

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MEDO DAS PESSOAS DO “MUNDO”

SENTIMENTOS DE CULPA

É dito constantemente às Testemunhas de Jeová que o mundo é um local horrível e a ser temido. As pessoas do "mundo" são quase sempre apresentadas como tendo más qualidades, salientando que estas não são felizes sem a orientação divina provida pela organização e que estão debaixo da inuência satânica. Por isso, as Testemunhas temem tanto a associação com tais pessoas.

A culpa é um sentimento comum entre as Testemunhas de Jeová. Estas sofrem este sentimento de culpa por sentirem que nunca fazem o suciente, por lhes ser constantemente lembrado que têm de trabalhar para obter a salvação e que são imerecedoras do dom da vida, a menos que acompanhem o "carro celestial de Jeová", seguindo lealmente a liderança do "escravo el e discreto".

"Embora algum contato com pessoas do mundo seja inevitável — no trabalho, na escola e de outro modo — temos de ser vigilantes para não ser sugados de volta à atmosfera mortífera deste mundo. [...] Que o mundo siga seu próprio rumo, colhendo seus maus frutos na forma de lares desfeitos, lhos ilegítimos, doenças sexualmente transmissíveis, tais como a AIDS, e incontáveis outros males emocionais e físicos."

"Não queremos diminuir o passo e justicar nossa atitude dizendo que estamos sendo razoáveis. Ao contrário, todos nós precisamos ‘nos esforçar vigorosamente’ ao apoiar os interesses do Reino."

A Sentinela de 15 de Setembro de 1987 - pág. 12

A Sentinela de 15 de Junho de 2013 - pág. 16

“No entanto, quem espera ser preservado no “dia da ira de Jeová” precisa ser ajudado a fazer mais do que apenas ser leitor regular de nossas publicações.” Nosso Ministério do Reino de Março de 2005 - pág. 1

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Existe uma constante repetição de experiências de membros que relatam suas terríveis vidas anteriores, antes de se juntarem à organização. É raro o caso em que tais experiências não relatem casos de abuso de drogas, envolvimento com gangues e violência, bem como lares problemáticos, etc.. Tais experiências reforçam nas Testemunhas de Jeová a ideia de que apenas dentro da sua organização religiosa as pessoas encontram a paz e felicidade genuínas. Nem mesmo consideram que outros grupos religiosos possuem tais experiências de conversão similares. Como acontece em todos os grupos religiosos, as pessoas que aderem a estas religiões procuram também um sentido na vida e procuram encontrar e saciar o seu desejo de um relacionamento com Deus. Muitas também abandonaram vidas desregradas, violentas e problemáticas, encontrando na religião algo pelo qual viver. As Testemunhas de Jeová não possuem de modo algum a chave da felicidade.

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O ALIENISTA

"Sim, não podemos esperar que Deus nos recompense com a vida eterna, se nós, como que, não assinamos um contrato de trabalho com ele." A Sentinela de 1º de Novembro de 1978 - pág. 15

Visto que a Torre de Vigia não ensina que os cristãos ao se batizarem estão "salvos" ou têm o "selo de aprovação" divina (muito menos a crença de que "salvos uma vez, salvos para sempre"), as Testemunhas de Jeová sentem que a sua posição perante o Criador nunca está garantida e que o sangue de Jesus, por si só, não é suciente para garantir a salvação (Romanos 5:9). É como se Deus fosse um patrão permanentemente insatisfeito, que requer que seus empregados demonstrem, através do seu trabalho duro e constante, o empenho devido para merecer o ordenado ao m do mês ou mesmo para que não sejam despedidos. Mesmo que as Testemunhas de Jeová não encarem a Deus desta forma de modo consciente, ainda assim sentem que estão sempre em dívida para com ele, tendo que provar através de inúmeras obras, que estão empenhando-se pela salvação. Isto leva a uma permanente pressão para estar sempre disposto a fazer mais e mais na "obra do Senhor", de modo a provar a nível congregacional e organizacional que a pessoa é "espiritual" e está devotada à causa do Reino. Até mesmo para alcançar algum cargo congregacional a pessoa precisa provar por meio de um trabalho dedicado à organização que lhe é leal e está disposto a sacricar os seus interesses pessoais em prol do "Reino".


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A Crucicação, pintado por volta de 1620 por Andrea Vaccaro (1600-1670)

Imagine alguém que é constantemente bombardeado com a ideia de que não é merecedor da "graça" ou "bondade" de Deus! As Testemunhas de Jeová chamam esse conceito de "benignidade imerecida".

As amizades também são monitorizadas, quer as de fora (mundanos), como as "más companhias" internas, em especial pessoas que sejam consideradas fracas em sentido espiritual (1 Coríntios 15:33). “O princípio em que Paulo baseava sua advertência aplica-se às nossas associações tanto fora como dentro da congregação. (1 Coríntios 15:12, 33)” A Sentinela de 15 de Julho de 1997 - pág. 18

Assim, algo a que Testemunha deve dar bastante consideração é com respeito a avaliar se os amigos na congregação são boas companhias ou, por outro lado, devem ser "marcados" (evitados). Outro aspecto relacionado com o que falamos anteriormente, é que é dito constantemente às Testemunhas de que elas não merecem o resgate de Jesus: "O resgate é totalmente imerecido. Mas, por exercerem fé nele, milhões hoje tornaram-se amigos de Deus e têm a esperança de vida eterna numa Terra paradísica. Tornar-se amigo de Jeová, porém, não garante que permaneceremos nessa relação com ele. Para escapar do futuro furor de Deus, temos de continuamente mostrar nosso profundo apreço pelo “resgate pago por Cristo Jesus”." A Sentinela de 15 de Agosto de 2010 - pág. 16

É interessante que esta interpretação doutrinal da bondade imerecida em relação ao resgate de Jesus, é feita com base na tradução errada de 2 passagens:

"...e é como dádiva gratuita que estão sendo declarados justos pela benignidade imerecida dele, por intermédio do livramento pelo resgate [pago] por Cristo Jesus." — Romanos 3:24 "Que tenhais benignidade imerecida e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo." — 1 Coríntios 1:3 Armou-se que estas duas passagens estão erradamente traduzidas, porque a Tradução do Novo Mundo usa a expressão "benignidade imerecida" (TNM Revisada "bondade imerecida"), onde outras traduções vertem a palavra grega χάρις (charis) por "graça". A palavra grega charis pode realmente ser traduzida por "graça", "benignidade" ou "bondade", mas não existe justicação para incluir a palavra "imerecida". Das 7602 ocorrências da palavra "benignidade" na Watchtower Library de 2003, 2296 ocorrências incluem a palavra "imerecida". Imagine o que é alguém estar constantemente a ser bombardeado com a mensagem de que ele não é merecedor da "graça" ou "bondade" de Deus, até mesmo associando a isso a ideia de que para merecer a dádiva da vida através de Cristo, a pessoa tem que provar de todos os modos que realmente deseja receber tal dádiva, especialmente através das obras que a Organização arma serem essenciais para a salvação! O ALIENISTA

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REPORTAR E CONFESSAR

IGREJAS ABUSIVAS

A Torre de Vigia promove a conssão e estimula em seus membros a ideia de que estes devem "entregar" seus irmãos, quando sabem que alguém cometeu algo que viola as normas da religião. Se um membro é "entregue" por outro aos anciãos, em vez de ser ele a confessar o "pecado", será mais provável que venha a ser punido com a desassociação, caindo na categoria de pecador impenitente.

O escritor Ronald Enroth no seu livro "Igrejas que Abusam" (Churches That Abuse"), identica cinco categorias pelas quais se pode identicar uma religião abusiva. À medida que ler, compare com a sua experiência e aquilo que sabe da religião que segue:

"Uma pessoa que tornou-se testemunha de um sério pecado deve encorajar o pecador a reportar o assunto aos anciãos. E pode encorajar o errante a procurar ajuda dos anciãos e confessar; e se o pecador não o zer, a testemunha irá então informar os anciãos." Prestai Atenção a Vós Mesmos e a Todo o Rebanho (traduzido da versão inglesa)

"Jeová opôr-se-á a qualquer um que pecar gravemente e que tente permanecer na sua organização pura sem confessar o seu erro às autoridades visíveis na congregação cristã. A pessoa que cai em pecado, mas que deseja fazer o que é certo, deve ir ao superintendente da congregação e fazer uma conssão honesta da sua transgressão." A Sentinela de 1º de Agosto de 1963 - págs. 473-474 (edição em inglês)

"Portanto, depois de termos concedido ao errante um prazo razoável para se dirigir aos anciãos sobre a sua transgressão, temos perante Jeová a responsabilidade de não ser partícipes nos seus pecados. Precisamos informar os superintendentes responsáveis de que a pessoa revelou uma transgressão séria, que merece ser investigada por eles. Isto está em harmonia com Levítico 5:1, que diz: “Ora, caso uma alma peque por ter ouvido uma imprecação feita em público, e seja testemunha, ou tenha presenciado isso e veio a sabê-lo, então, se não o relatar, terá de responder pelo seu erro.” Naturalmente, temos de evitar qualquer precipitação baseada na mera suposição duma transgressão."

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A Sentinela de 15 de Novembro de 1985 - págs. 20-21

Ronald M. Enroth (1938)

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1. Autoridade e Poder - igrejas abusivas usam mal e distorcem o conceito de autoridade espiritual. O abuso surge quando os líderes de uma igreja ou grupo reclama para si mesmos poder e autoridade o que falha na dinâmica da responsabilidade é a capacidade de questionar ou desaar as decisões feitas pelos líderes. A diferença existe na mudança de um respeito geral, como por exemplo, por um funcionário do estado para algo onde os membros lealmente se submetem sem qualquer direito a dissensão. 2. Manipulação e Controle - Igrejas abusivas são caracterizadas por dinâmicas sociais onde o medo, culpa e ameaças são rotineiramente usadas para produzir obediência inquestionável, conformidade de grupo e rigorosos testes de lealdade para com os líderes, demonstrados perante o grupo. Conceitos bíblicos de relacionamento líder/discípulo tendem a desenvolver em hierarquias onde as decisões dos líderes controlam e usurpam o direito e capacidade do discípulo em assuntos espirituais ou mesmo em rotinas diárias, tais como que emprego, dieta alimentar e vestuário são permitidos. 3. Elitismo e Perseguição - Igrejas abusivas descrevem-se a elas mesmas como únicas nos planos de Deus e têm uma tendência organizacional forte, de modo a estarem separadas de outros corpos e instituições religiosas. O dinamismo social do grupo gira em torno da sua independência ou separação, o que diminui as possibilidades de correção interna e reexão. O criticismo externo e avaliação é rejeitado como sendo esforços perturbadores de pessoas más procurando dicultar ou frustrar os planos de Deus. 4. Estilo de vida e Experiência - Igrejas abusivas fomentam a rigidez no comportamento e na crença, o que requer inabalável conformidade aos ideais e costumes sociais do grupo. 5. Dissidência e Disciplina - Igrejas abusivas tendem a suprimir quaisquer desaos internos e dissidência concernentes às decisões feitas pelos líderes. Atos de disciplina podem envolver humilhação emocional e física, violência física ou privação, intensos atos de punição devido a dissidência e desobediência.


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Leon Festinger (1919-1989)

DISSONÂNCIA COGNITIVA Um estudo importante em psicologia foi realizado por Leon Festinger. Ele centrou-se na forma como o ser humano procura uma coerência entre as suas cognições (conhecimento, opiniões ou crenças). Quando surge uma incoerência entre as atitudes ou comportamentos que a pessoa acredita serem certos ou verdadeiros e aquilo que está a experimentar, ocorre a chamada dissonância cognitiva. "De acordo com a teoria da dissonância cognitiva de Festinger (1957), um indivíduo passa por um conito no seu processo de tomada de decisão e dissonância depois quando pelo menos dois elementos cognitivos não são coerentes. Em outras palavras, quando uma pessoa possui uma opinião ou um comportamento que não condiz com o que pensa de si, das suas opiniões ou comportamentos vai ocorrer dissonância. Quando os elementos dissonantes são de igual relevância ou importantes para o indivíduo, o número de cognições inconsistentes determinará o tamanho da dissonância." [ DISSONÂNCIA COGNITIVA - CLIQUE AQUI ]

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Um exemplo da dissonância cognitiva, é retratado na fábula "A raposa e as uvas" de Aesop [Esopo] (cerca de 620-564 a.C.): Na história, uma raposa vê algumas uvas e quer comê-las. Quando a raposa é incapaz de pensar em uma maneira de alcançá-las, decide que não vale a pena comer, com a justicativa de que as uvas, provavelmente, não estão maduras ou que são azedas (daí a frase comum "uvas verdes"). A moral que acompanha a história é "Qualquer tolo pode desprezar o que não pode ter". Este exemplo segue um padrão: um deseja algo, considera inatingível, e reduz a própria dissonância por criticá-lo.

Esopo (c.d. 620-564 a.C.) Busto de Esopo no Museu Pushkin. Esopo foi um escritor da Grécia Antiga a quem são atribuídas várias fábulas populares.

A Raposa e as Uvas, de Esopo. Mel Shaw “The Fox and the Grapes, Aesop Fable,” 1966. Cortesia "Rick and Janet Shaw and Melissa Couch, © Mel Shaw Studios."

Quando a raposa percebe que não consegue alcançar as uvas, ela decide que não as quer de qualquer modo, um exemplo da formação adaptativa de preferências, com o objetivo de reduzir a dissonância cognitiva.1

Leon Festinger cunhou este termo para descrever aquilo que ele estudou ao pesquisar uma seita que acreditava que os aliens iriam destruir o mundo por um dilúvio. A líder dessa seita, Marian Keech, havia dito aos seus seguidores que estes aliens, habitantes do planeta Clarion, iriam destruir a terra num dia determinado: 21 de dezembro de 1954. Apenas ela e os seus seguidores seriam salvos deste cataclismo mundial para um novo mundo. Esta forte convicção levou a que os membros do grupo deixassem empregos, universidade e até mesmo cônjuges, dando o seu dinheiro e pertences para se prepararem para serem levados num disco voador que os iria resgatar. NOTAS 1 Elster, Jon. Sour Grapes: Studies in the Subversion of Rationality.

Cambridge 1983, p. 123ff. O ALIENISTA

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Como é evidente, a predição falhou. Mas será que isso levou a que seus discípulos percebessem que tinham sido ludibriados? Não! Supostamente, a líder da seita recebeu uma mensagem do "Deus da Terra", dizendo que decidira poupar o planeta da destruição devido à luz emanada por aquele pequeno grupo reunido durante toda a noite.

Convicção Um homem com uma convicção é um homem difícil de mudar. Diga-lhe que discorda e ele se afasta. Mostre-lhe fatos ou guras e ele questiona suas fontes. Apele à lógica e ele não consegue ver o seu ponto.

Festinger armou que cinco condições devem estar presentes para alguém se tornar um crente ainda mais fervoroso depois de uma falha ou desconrmação: • A crença deve ser mantida com profunda convicção e ela deve ter alguma relevância para a ação, isto é, para aquilo que o crente faz ou como ele ou ela se comporta; • A pessoa que tenha a crença deve ter comprometido-se a ela, isto é, por causa de sua crença, ele deve ter tomado alguma ação importante que é difícil de desfazer. Em geral, quanto mais importantes são as ações e quanto mais difíceis são de desfazer, maior é o compromisso do indivíduo para com a crença; • A crença deve ser sucientemente especíca e preocupada com o mundo real para que os eventos possam inequivocamente refutar a crença; • Tal evidência inegavelmente deve ocorrer e deve ser reconhecida pela pessoa que detenha a crença; • O crente deve ter apoio social. É improvável que um crente isolado possa suportar o tipo de provas que tenham sido especicadas. Se, no entanto, o crente é um membro de um grupo de pessoas convictas que podem apoiar umas às outras, a crença pode ser mantida e os crentes podem tentar fazer proselitismo ou persuadir os não-membros que a crença é correta.

Mas a desenvoltura do homem vai além de simplesmente proteger uma crença. Suponha que um indivíduo acredita em algo de todo o seu coração. Suponha ainda que ele tem um compromisso com esta crença, que ele tomou medidas irrevogáveis por causa disso. Finalmente, suponha que ele é confrontado com provas, inequívocas e inegáveis evidências de que sua crença é errada: o que vai acontecer? O indivíduo vai com frequência emergir, apenas não só inabalado, mas ainda mais convencido do que nunca da verdade de suas crenças. De fato, ele pode até mostrar um novo fervor do seu convencimento e converter outras pessoas à sua visão." Quem já dialogou com uma fervorosa Testemunha de Jeová ou outro membro de qualquer outra seita religiosa, percebe claramente como estas palavras se cumprem de modo claro e inequívoco. A maioria dos crentes religiosos, encara a contestação de suas crenças como um ataque espiritual e uma procura de derrubar a sua integridade perante Deus. A pessoa que contesta, até mesmo mostrando provas e evidências daquilo que declara, passa a ser visto aos olhos do crente como se fosse o próprio Diabo encarnado que procura desviar a pessoa da "verdade" ou da "vida eterna", prometida pelo líder religioso ou religião a que pertence.

Festinger armou o seguinte: "Um homem com uma convicção é um homem difícil de mudar. Diga-lhe que discorda e ele se afasta. Mostre-lhe fatos ou guras e ele questiona suas fontes. Apele à lógica e ele não consegue ver o seu ponto. Nós todos experimentamos a futilidade de tentar mudar uma forte convicção, especialmente se a pessoa convencida fez algum investimento em sua crença. Estamos familiarizados com a variedade de defesas engenhosas com que as pessoas protegem suas convicções, conseguindo mantê-los incólumes aos ataques mais devastadores.

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Notem como as palavras de Festinger encaixam-se bem, por exemplo, na forma como as Testemunhas de Jeová encaram o fracasso das profecias emanadas pela Torre de Vigia sobre o que aconteceria em 1914 e outras datas para a vinda do Armagedom:

EFEITOS NA PERSONALIDADE

"Eu era rebelde, e isso cava evidente em minha aparência. Só usava roupa escura. Também tinha barba comprida e deixei o cabelo crescer quase até a cintura." A Sentinela de 1º de Abril de 2012 - pág. 14

"Maneiras extremas de usar o cabelo ou barba também podem facilmente levar alguém ao laço do Diabo e fazer outros tropeçar. Por exemplo, um jovem nos Estados Unidos fazia bom progresso no seu estudo da Bíblia e sentiu-se induzido a acompanhar uma Testemunha experiente na pregação aos outros das boas coisas que aprendeu da Bíblia. Desde cedo na vida, deixara sua barba crescer, e, visto que alguns na comunidade comercial usavam barba, achava que usar uma na pregação aos outros seria em geral aceitável. Mas, ao falar com uma senhora, apenas pôde apresentar-se, quando ela disse: “Eu lamento muito, meu jovem, mas não quero car envolvida na revolta dos estudantes.” Depois disso, nenhuma explicação bastou para desfazer o mal-entendido. Depois de a palestra terminar com o fechar da porta, ele perguntou à Testemunha experiente o que tinha acontecido. Foi convidado a considerar sua aparência em relação ao que armava ser, servo de Deus. Não querendo ser responsável nem mesmo por uma pessoa tropeçar, ao ponto de perder o caminho para a vida eterna, este novo publicador do Reino cortou a barba. Estaria disposto a fazer ajustes iguais ou similares, se a sua aparência desse a impressão errônea em certa localidade?" A Sentinela de 15 de Fevereiro de 1976 - págs. 116-117

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"Alternativamente, a dissonância seria reduzida ou eliminada, se os membros de um movimento efetivamente chegassem a si mesmos perante o fato de que a previsão não se cumpriu. Mas a maioria das pessoas, incluindo os membros de tais movimentos, estão em contato com a realidade e não pode simplesmente apagar de sua cognição um fato tão inequívoco e inegável. Eles podem tentar ignorá-lo, contudo, eles geralmente tentam. Eles podem convencer-se de que a data estava errada, mas que a previsão vai, anal, ser logo conrmada; ou podem até mesmo denir outra data assim como zeram os Milleristas. A racionalização pode reduzir um pouco a dissonância. Para que racionalização seja totalmente ecaz, o apoio dos outros é necessária para tornar a explicação ou a revisão parecer correta. Felizmente, o crente decepcionado geralmente pode voltar-se para os outros do mesmo movimento, que têm a mesma dissonância e as mesmas pressões para reduzi-la. Suporte para a nova explicação é, por isso, desejada e os membros do movimento podem recuperar um pouco do choque da descredibilização. Mas seja qual for a explicação que é dada, ainda é por si só insuciente. A dissonância é demasiado importante e embora eles possam tentar escondê-la até de si mesmos, os crentes ainda saberão que a previsão era falsa e que todos os preparativos foram em vão. A dissonância não pode ser completamente eliminada por negar ou racionalizar a descredibilização. Mas existe uma forma em que a dissonância restante pode ser reduzida. Se mais e mais pessoas forem persuadidos de que o sistema de crença é correto, então é claro que ele deve, anal, ser correto. Considere o caso extremo: se todos no mundo inteiro acreditassem em algo, não haveria nenhuma questão em relação à validade desta crença. É por esta razão que nós observamos o aumento do proselitismo após o falhanço. Se o proselitismo for bem sucedido, então, reunindo mais adeptos e efetivamente cercando-se com apoiadores, o crente reduz a dissonância até o ponto em que ele pode viver com isso."

plenamente leal às doutrinas e práticas da liderança, condicionará todos os aspectos da vida do membro. Por exemplo, é incomum nas Testemunhas de Jeová algum homem usar barba, pêra (bras. cavanhaque), ou algum estilo mais pessoal de aparência. As Testemunhas de Jeová são admoestadas a não trazer a atenção para si com estilos considerados mais "rebeldes" ou "diferentes". Várias experiências de pessoas convertidas à religião, reforçam essa ideia. Veja alguns exemplos e citações de artigos sobre este assunto:

Como é evidente, a manipulação sofrida pelos crentes que estão debaixo de um grupo ou seita de alto controle, irá certamente afetar a sua personalidade. As técnicas mentais usadas pelos líderes, de modo a conformar o grupo a uma unidade indivisa e O ALIENISTA

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Anuário de 1987 - págs. 45-46

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Existem ao longo das publicações editadas pela Sociedade Torre de Vigia, milhares de experiências similares a estas que reforçam na mente do leitor a importância de se vestir e arrumar de acordo com aquilo que o grupo espera dele. Desde o corte de cabelo, uso da barba, passando pela forma de vestir, o membro é levado a seguir exatamente o modelo apresentado como sendo o correto. O mais interessante é que os membros são conduzidos a este proceder acreditando que isso é feito de livre vontade, uma escolha pessoal. Mas será que é bem assim? A psicologia estuda este fenômeno já há muitos anos e aquilo que descobriu pode ajudar-nos a entender que tudo isto acontece devido àquilo que é caracterizado como "conformidade ao grupo".

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"Um ancião em Portugal conta o seguinte sobre testemunho informal: “No intervalo do almoço eu coloquei o livro Criação com um colega. Nós nos víamos só de vez em quando, mas sempre que isso acontecia falávamos um pouco sobre a verdade. Visto que expressou dúvida sobre a inspiração da Bíblia, coloquei com ele o livro É a Bíblia Realmente a Palavra de Deus? Certo dia, uma Testemunha visitou a casa dele numa ocasião em que ele não estava, e deixou o tratado que oferecia o livro Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra. Ele fez questão de me procurar na hora do almoço para pedir essa publicação. Depois disso, foi espantoso observar seu progresso apenas pela leitura do livro. Ele raspou a barba, melhorou a maneira de usar o cabelo e a sua aparência em geral. Daí, ele me surpreendeu por dizer que agora estava convencido de que esta é a verdade e que decidira associar-se com as Testemunhas de Jeová. No domingo anterior ele procurara um Salão do Reino na região onde mora e já assistira à sua primeira reunião. Nessa ocasião iniciou-se com ele um estudo bíblico domiciliar e, depois de apenas três meses, ele assistia regularmente a todas as reuniões e era um zeloso publicador, aguardando ansiosamente ser batizado no Congresso de Distrito ‘Paz Divina’.”

O Poder do Grupo Sobre o Indivíduo Veja [ NESTE VÍDEO ], até que ponto vai a conformidade ao grupo e perceba como funciona a mente humana quando está envolvido num grupo que segue de modo uniforme, determinada ação ou proceder. Podemos assim entender quão poderosa é a inuência exercida sobre a pessoa, quando está envolvida num grupo de alto controle, como acontece com as Testemunhas de Jeová. Os membros são levados pela pressão do grupo a aceitar TODAS as doutrinas e práticas impostas pela liderança, não importando quão estranhas ou descabidas estas possam ser. Percebe-se assim como as Testemunhas de Jeová simplesmente aceitam as "novas luzes" publicadas pela liderança (Corpo Governante), mesmo que na sua mente tais interpretações possam ser contestadas. A pressão do grupo leva a que seja virtualmente impossível que a Testemunha de Jeová questione publicamente tais doutrinas, juntando a tudo isto a possibilidade de ser punida com a desassociação e consequente "morte social" (ostracização). IMPACTO DA SAÍDA DO GRUPO Mesmo depois de alguém saber que está numa seita ou grupo "destrutivo", alguns não têm a força necessária para os abandonar. Outros que saem acabam voltando em breve. Porque isto acontece? Porque sair de uma seita ou grupo "destrutivo" é uma experiência traumática do ponto de vista psicológico. Imagine alguém que dedicou toda a sua vida a essa causa, até mesmo levando outros a aderir a ela. Tal pessoa desenvolveu toda a sua vida social dentro da seita, até mesmo casando e tendo lhos nela. Toda a sua estrutura pessoal, que o identica e enquadra no universo está ligado a ela. Seus padrões cerebrais estão vinculados e treinados para pensar sempre como membro dela e até mesmo as decisões mais simples são tomadas após consultar o que a liderança estipula sobre o assunto.


Embora seja adulto, a pessoa comporta-se como uma criança, procurando a aprovação do grupo e a direção dos líderes. Agora imagine ver-se sozinha! Totalmente abandonada e tendo que decidir por si mesma quem realmente é e o que realmente quer fazer. Nenhum "guia" ou "mapa" para o ajudar e visto que toda a estrutura social cou para trás, nenhum amigo a quem recorrer. Talvez até mesmo muitos dos familiares caram na seita ou grupo e agora o renegaram, recusando ter contato consigo. Pode imaginar o que isso provoca a nível mental? É tão séria esta situação que muitas das vezes, os exmembros de "seitas destrutivas" sofrem de stress pós-traumático. O site Cult Awareness providenciou o seguinte esquema sobre o processo que geralmente uma pessoa atravessa ao sair de uma seita: • Descrença / negação: "Isto não pode estar acontecendo. Não poderia ter sido tão ruim assim"; • Raiva / hostilidade: "Como é que eles/Eu pude estar tão errado?" (sentimentos de ódio); • A auto-piedade / depressão: "Por quê eu? Eu não posso fazer isso"; • Medo / negociação: "Eu não sei se eu posso viver sem meu grupo. Talvez eu ainda possa associar-me com ele numa base limitada, se eu zer o que eles querem"; • Reavaliação: "Talvez eu estivesse errado sobre o grupo ser tão maravilhoso"; • Acomodação / aceitação: "Eu posso ultrapassar esta experiência e escolher novos rumos para a minha vida" ou ...; • Reintegração: "Acho que vou voltar a juntar-me ao grupo". Para aqueles que realmente abandonam o grupo, o Dr. Michael Langone, da American Family Foundation (AFF), listou os sintomas sofridos por 80% dos ex-membros de grupos de alto controle [VEJA AQUI]: • • • • • •

Ansiedade, medo e preocupação; Sentimentos de raiva contra os líderes do grupo; Confusão mental; Lembranças vívidas da experiência no grupo; Baixa auto-conança; Indecisão;

• • • • • • • • • • • • • • •

Diculdade na concentração; Solidão; Necessidade compulsiva em falar do grupo; Desespero, desesperança e impotência; Diculdade em pensar criticamente; Culpa acerca de coisas feitas no grupo; Perturbações por pensamentos dos quais não se consegue livrar; "Flutuação" entre vários estados mentais diferentes; Conitos com entes queridos e família; Desejo em restaurar certos aspectos do grupo; Insônia; Pesadelos; Diculdade em encontrar emprego adequado; Medo de dano físico feito pelo grupo; Doenças médicas.

Após deixar as Testemunhas de Jeová, os ex-membros podem manifestar animosidade contra a religião em geral, visto que a sua experiência nela arrasta consigo tantas emoções fortes. Isto é absolutamente compreensível. É por isso que tantas ex-Testemunhas de Jeová usam por vezes de linguagem forte ao falar com as Testemunhas praticantes e com isso passam uma ideia de algum desequilíbrio e reforçam a propaganda da Torre de Vigia sobre os chamados "apóstatas": "A mesma emoção prejudicial faz com que os apóstatas se tornem ferrenhos odiadores dos que antes eram seus irmãos. (1 Timóteo 6:3-5) Não é de admirar que homens invejosos sejam impedidos de entrar no Reino de Deus! Jeová Deus decretou que todos os que continuam a estar “cheios de inveja . . . merecem a morte”." A Sentinela de 15 de Setembro de 1995 - pág. 7

Anal, os tais "ferrenhos odiadores" são muitas vezes pessoas profundamente marcadas pela experiência de pertencer a um grupo de alto controle. Devido aos sentimentos que aoram ao falar da sua experiência negativa no grupo, existe por vezes a manifestação de uma profunda insatisfação para com a liderança (que consideram culpada por tudo o que passaram), bem como um antagonismo contra os membros que pertencem ao grupo e tentam a todo o custo defender seus líderes, até mesmo chamando de mentirosos e "apóstatas" aos ex-membros. É preciso lembrar que todos os que hoje em dia são categorizados como "apóstatas" e "ferrenhos odiadores dos que antes eram seus irmãos", já foram no passado absolutamente ferrenhos defensores do grupo, tratando na época da mesma forma aqueles que saíram. O ALIENISTA

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COMO A TORRE DE VIGIA TORNOU-SE UMA RELIGIÃO CONTROLADORA A maioria das Testemunhas de Jeová vieram a conhecer a Torre de Vigia há cerca de poucos anos. Poucas são aquelas que conhecem, por experiência própria, a forma como ela era liderada no tempo de Russell, por exemplo. O que conhecem hoje em dia, é uma religião fortemente hierarquizada, em que a liderança - desde o Corpo Governante no topo, até aos anciãos na base - deve ser obedecida inquestionavelmente, e cujas decisões e doutrinas jamais devem ser contestadas ou criticadas abertamente.

Especialmente após a sua prisão em 1918, junto com outros diretores da Sociedade, Rutherford gradualmente veio a banir quase todos os vestígios do "cristianismo" praticado em outros grupos religiosos, tais como o uso da cruz, celebração de datas religiosas do mundo cristão e até mesmo celebrações externas à religião, tais como o Dia das Mães, aniversários natalícios, etc. Para ele, tudo o que tinha origem pagã ou conotações religiosas e políticas foi simplesmente proibido. Adeus à consciência individual mantida até então! Rutherford introduziu o conceito de que existem duas classes de cristãos e que o sacrifício de Jesus apenas benecia aqueles que apoiam aquilo que ele cunhou como "organização terrestre de Jeová" (tal conceito não existia anteriormente). Rutherford tinha uma personalidade carismática, forte e por vezes agressiva. Foi acusado até mesmo por seus colaboradores mais íntimos de ser um tirano e arrogante e de decidir unilateralmente as coisas sem prestar contas a ninguém. É óbvio que com uma personalidade narcísica e profundamente controladora, desenvolveu a imagem da religião que liderava à sua semelhança. Além do que mencionamos, Rutherford passou a proibir o uso da barba, ao que tudo indica de modo a apagar os vestígios de Russell e seus seguidores, que usavam barba. Passou a estabelecer regras para o vestuário e a dar orientações e conselhos médicos através das páginas da revista Idade de Ouro (Golden Age), tais como artigos contra a vacinação e inúmeras charlatanices da época [ SAIBA MAIS ]. Embora Russell tenha sugerido que suas publicações fossem estudadas nas reuniões mantidas pelas "eclésias", foi com Rutherford que o estudo de tais publicações da Torre de Vigia passaram a assumir um

• Não era ensinado que apenas os membros da Torre de Vigia seriam salvos no Armagedom, mas sim uma grande parte da humanidade; • Jesus não era apenas o mediador de uma pequena classe de cristãos, mas sim de toda a humanidade; • Não existia uma desassociação ou ostracização formal e muito menos imposta; • Decisões médicas, tais como com respeito ao uso do sangue e tabaco eram deixadas à consciência dos membros; • Não existia uma forte proibição de associação com "pessoas do mundo" e a prática de celebrações, tais como o Natal e aniversários natalícios. Não, foi apenas após alguns anos de liderança do segundo Presidente da Sociedade Torre de Vigia, J. F. Rutherford, que isso mudou. Foi ele quem introduziu o conceito de uma salvação restrita: a de que apenas as Testemunhas de Jeová seriam salvas.

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Rutherford gradualmente baniu todos os vestígios do “cristianismo” tais como o uso da cruz, datas religiosas, Natal, etc. Também foi banido da religião celebrações como o Dia das Mães, aniversários ou qualquer data que para ele tinha origem pagã ou conotações religiosas e políticas.

O ALIENISTA

(1852-1916) 1º Presidente da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados de Pensilvânia (1884 a 1916).

No tempo do primeiro presidente da Sociedade Torre de Vigia, Charles Taze Russell, por exemplo:

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Charles Taze Russell

Joseph Franklin Rutherford (1869-1942) 2º Presidente da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos EUA) (1916 a 1942).


papel central. Assim, terminaram as reuniões informais onde se discutiam assuntos bíblicos, para passarem a ser reuniões religiosas formatadas onde a recitação das publicações e seu estudo era feito até à exaustão, como acontece até aos nossos dias. Foi também Rutherford que iniciou o movimento proselitista das Testemunhas de Jeová, de modo absolutamente avassalador, organizando os membros para uma "pregação de confronto", porta-a-porta vendendo as suas publicações e fazendo caminhadas públicas com tabuletas e carros sonoros. A história demonstra que a Torre de Vigia, debaixo da liderança de Rutherford, veio a alinhar-se com as características denidas por Robert Lifton para grupos que usam controle mental. Passamos a enumerálas: Controle do meio Controle do ambiente e comunicação dentro do ambiente. Inclui não apenas controlar as pessoas que se comunicam dentro do grupo, mas especialmente a comunicação com o exterior do grupo. Envolve também o modo como o grupo entra na mente da pessoa e controla o seu diálogo interior; Manipulação Mística A engenharia articial de experiências, de modo a criar eventos espontâneos e sobrenaturais. Todos são manipulados para um propósito superior; Demanda de pureza São estabelecidas regras impossíveis de performance de modo a criar um ambiente de culpa e vergonha. Não importa o quanto a pessoa tente, ela nunca é sucientemente boa, sente-se em falta e trabalha ainda mais; O culto da conssão A destruição de barreiras pessoais e a expectativa de que cada pensamento, sentimento ou ação passada ou presente que não se conforme com as regras do grupo deve ser partilhada ou confessada. Esta informação não é esquecida ou perdoada, mas antes, usada para controlar; Ciência sagrada A crença de que o dogma do grupo é absolutamente cientíco e moralmente verdadeiro, sem espaço para questões ou visões alternativas; Linguagem própria O uso de vocabulário para constringir o pensamento dos membros no absoluto, preto-e-branco, clichês mentais usados e entendidos apenas pelos membros;

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Revistas A Sentinela e Despertai! publicadas pelas Testemunhas de Jeová.

Robert Jay Lifton (1926)

Doutrina acima da pessoa A imposição das crenças do grupo acima da experiência individual, consciência e integridade do indivíduo; Distribuição da existência A crença de que as pessoas pertencentes ao grupo têm o direito de existir e todos os ex-membros críticos ou dissentes não. Se analisarmos cada um dos aspectos mencionados na lista, veremos que cada um deles tem aplicações na forma como a Torre de Vigia (e outros grupos), lidam com seus membros, controlando-os e levando-os a abdicarem da sua individualidade e capacidade crítica, ao mesmo tempo que colocam na mão dos líderes até as mais pequenas decisões. Anal, é só pela conformidade ao grupo que os membros podem acreditar numa possibilidade de salvação. Com o terceiro e quarto presidentes da Torre de Vigia (Franz e Knorr), ambos tendo trabalhado intimamente com Rutherford, a estrutura organizacional e funcional da religião aumentou, mantendo e ampliando as características criadas anteriormente de controle mental e manipulação. Debaixo da liderança de Knorr, por exemplo, a desassociação e subsequente ostracização dos membros foi implementada de modo ocial. Isso continuou sendo reforçado ao longo dos anos, chegando ao ponto em que uma Testemunha de Jeová que mantinha contato e intimidade com alguém desassociado, podia sofrer a mesma penalização. Isto continua sendo assim em nossos dias. Como exemplo do que mencionamos anteriormente, veja a forma como a organização das Testemunhas de Jeová tenta controlar os membros até na forma como se vestem, neste caso quando visitam as instalações grácas ou liais mundiais, conhecidas como Betéis (origem na palavra hebraica Beth-El ou Casa de Deus). Para isso, ela produziu um folheto que serve de guia para a Testemunha de Jeová reconhecer qual a vestimenta correta a usar quando visita tais instalações. Isto é apenas uma pequena amostra do que um grupo de alto controle é capaz de fazer com seus membros. O ALIENISTA

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CONCLUSÃO

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É provável que muitas Testemunhas de Jeová, mesmo depois de lerem tudo isto ainda se questionem: "Mas eu não sinto os efeitos negativos de viver numa "seita destrutiva". Custa-me a acreditar que uma religião que tem sido promotora de famílias unidas, abandono de vícios prejudiciais tais como drogas, jogatina, etc., possa ser categorizada como uma "seita destrutiva"." Este argumento é razoável e é muitas vezes um dos fatores principais que dicultam a avaliação imparcial de um membro com respeito ao grupo a que pertence. O próprio Steven Hassan, no seu livro Releasing the Bonds, arma: "Nem todos os comportamentos da seita são negativos. (...) Por exemplo, é comum na maior parte dos grupos de seitas religiosas desencorajarem o uso de álcool ou drogas. Se a pessoa parou de fumar cigarros por causa de ser membro, isto deve ser reconhecido como uma mudança positiva de vida." Ao que tudo indica, não existe um motivo conspirador para que a Torre de Vigia e seus líderes controlem seus membros. Pelo que parece, existe uma crença real por parte destes líderes de que estão realmente a fazer a vontade de Deus e desejam genuinamente ajudar outros a fazer o mesmo. Não nos podemos esquecer que as técnicas exercidas para com as Testemunhas de Jeová atualmente doutrinadas, foram também exercidas sobre os membros do atual Corpo Governante. Eles também foram manipulados e levados a crer que pertencem à "organização terrestre de Jeová" e que agora está sobre os seus ombros conduzir tal organização a bom porto, tendo a orientação e apoio divinos. No entanto, na estrutura e controle que a Organização exerce sobre os seus membros são, efetivamente usadas técnicas-padrão de controle da mente: a pressão de grupo, estudo constante e seletivo das

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publicações da Sociedade e o desencorajar a investigação de alternativas doutrinais, inuencia fortemente as ações e opiniões de uma Testemunha. O medo de sair e o medo do Armagedom têm igualmente uma inuência signicativa. O aspecto mais destrutivo de tudo isto, é o ostracismo que é praticado em dezenas de milhares de famílias e que promove a separação das mesmas. Apenas esta prática já é por si só um forte indicador de que a Torre de Vigia está controlando seus membros através de técnicas destrutivas. Quando uma Testemunha de Jeová consegue reconhecer que a religião em que sempre acreditou ou passou a acreditar, é na realidade uma "seita destrutiva", isso pode ser especialmente avassalador, conforme já mencionamos anteriormente. Imagine alguém que deixou de casar, ter lhos, cursar a universidade, dedicando grande parte dos seus dias, meses e anos a trabalhar como escravo para esta religião, talvez até mesmo tendo familiares morrido devido à doutrinação com respeito à questão do sangue e que agora acorda da letargia em que viveu, passando a encarar os fatos... uma sensação que só pode ser reconhecida por alguém que viveu tal experiência! Para aqueles que viram os lmes Matrix e A Ilha, é talvez mais fácil de encontrar um paralelo (ver aqui um exemplo). Quando a pessoa torna-se consciente dos métodos usados pela Torre de Vigia, é mais fácil entender o seu próprio comportamento e crenças. Também signica que ler os artigos da Organização tornam-se uma experiência mais dolorosa, pois agora que o controle mental foi como que "desligado", a pessoa passa a fazer uma leitura crítica desses artigos, questionando-os e colocando os argumentos sob análise crítica. Como já simplesmente não os aceita como "inspirados", passa a avaliá-los por aquilo que realmente são: um produto da mente humana, destinados a doutrinar e controlar os membros.


É nesta fase que a mente como que se expande, agora de modo inquisitivo, procurando perceber o mundo que a rodeia, sem avaliações pré-concebidas ou preconceitos. Isso pode ser libertador! A pessoa passa a avaliar de modo independente se a organização é realmente aquilo que arma ser, se ensina realmente a "verdade" e se é realmente o único caminho para a salvação e relacionamento com Deus. A diferença entre uma mente fechada e uma mente aberta é que uma mente aberta congratula-se com fatos e informações que substituem equívocos anteriormente mantidos. O fundamentalismo tende a nutrir as mentes fechadas. A mente fechada do fundamentalista é treinada para acreditar no que eles sabem ser a verdade e vai trabalhar fortemente para descartar qualquer informação que contradiz noções preconcebidas.

É verdade que no cristianismo do primeiro século existiam pessoas colocadas em lugares de responsabilidade, mas tais pessoas não tinham autoridade para agir como se fossem "deuses" entre seus irmãos, mandando ou desmandando no que eles poderiam ou não fazer. Eram acima de tudo líderes espirituais que aconselhavam e guiavam seus irmãos e não "governantes" que impunham suas ordens e que esperavam ser obedecidos. Foi por causa desta tendência humana que Jesus Cristo alertou seus apóstolos: “Sabeis que os governantes das nações dominam sobre elas e que os grandes homens exercem autoridade sobre elas. Não é assim entre vós; mas, quem quiser tornar-se grande entre vós tem de ser o vosso ministro, e quem quiser ser o primeiro entre vós tem de ser o vosso escravo.” – Mateus 20:25-27

AS PERGUNTAS QUE DEIXAMOS SÃO: Que dizer de você? Considera-se fundamentalista, alguém de mente fechada? Ou é uma pessoa inquisitiva e de mente aberta? Esperamos que este artigo tenha servido para ajudar pessoas que estão envolvidas em "seitas destrutivas". Estas necessitam perceber que isto não é uma fatalidade e que está nas suas mãos a liberdade que Jesus nos deu (João 8:32). Embora possa ser angustiante reconhecer que a Organização das Testemunhas de Jeová é, de fato, uma seita com características que a enquadram numa "seita destrutiva", ainda assim tal informação pode ser vital para que você possa dar os passos necessários de modo a libertar-se (mesmo que de forma gradual), da sua inuência. A vida está cheia de coisas boas e más. Está nas nossas mãos encontrar as respostas para vivê-la de forma plena e livre, embora debaixo da orientação de Deus por meio do Seu Espírito Santo. Não se esqueça que quando entrega nas mãos de outros a sua vida, você torna-se escravo de homens. Veja o apelo do apóstolo Paulo em 1 Coríntios 7:23:

Reita um pouco... é assim que se comporta a Organização das Testemunhas de Jeová por meio do seu "Corpo Governante"? Dominam ou não dominam sobre as Testemunhas de Jeová? Exercem ou não autoridade sobre elas? A resposta a estas perguntas, juntamente com o conteúdo do artigo que aborda aspectos cientícos que categorizam as "seitas destrutivas" deve servir para abrir os olhos daqueles que ainda duvidam que existam elementos nocivos nesta religião e outras, cujas vidas são manipuladas ao bel-prazer da sua liderança. Que cada um faça uma análise objetiva à sua situação e reita bem na informação contida neste artigo. Embora pudéssemos abordar muito mais sobre este tema*, focamos os aspectos principais a ter em conta ao avaliarmos seitas e grupos que poderão ser categorizados como "destrutivos". O que fazer com esta informação cabe agora a si, caro leitor

Carlos Fernandes

Vocês foram comprados por um preço; parem de se tornar escravos de homens.

Visto que foi Deus que nos comprou através do sangue de seu lho, é somente a Ele que temos de prestar contas e não submetermo-nos a outros humanos tão imperfeitos e falhos como nós.

Lisboa, Portugal

Ex-ancião das Testemunhas de Jeová; Estudante de Psicologia; Ativista na divulgação e esclarecimento sobre os perigos das seitas e grupos "socialmente destrutivos".

Existiria certamente muito mais a dizer sobre estes aspectos das "seitas destrutivas". Por isso, ca o convite para pesquisarem mais sobre este tema. Existem alguns livros que aconselho vivamente sobre esta temática. Acesse: http://extj.net/ e saiba mais! O ALIENISTA

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oalienista.com.br [REPRODUÇÃO]

VISITE O SITE DA ASSOCIAÇÃO:

abravipre.org.br Lisboa, 2 de junho de 2015

União Internacional de Ex-Testemunhas de Jeová Solidariedade | Apoio | Cooperação

ASSUNTO: Reconhecimento do Bom Trabalho da ABRAVIPRE

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A Associação Brasileira de Apoio às Vítimas de Preconceito Religioso, abreviadamente ABRAVIPRE, foi fundada na cidade de Fortaleza, Ceará, em 12 de maio de 2012, e possui personalidade jurídica desde 13 de junho do mesmo ano. Sua missão é apoiar as vítimas de preconceito religioso, bem como promover a conscientização dos cidadãos brasileiros e das autoridades estaduais e federais sobre as consequencias da prática de intolerância e de preconceito religioso.


ABRAVIPRE condena em absoluto todo e qualquer ataque à liberdade de crença religiosa e de expressão. Respeita a Fé de todos os crentes sinceros e honestos. Não defende ou ataca a Fé religiosa de ninguém, não estimula hostilidade, não apóia persecução e nem ódio religioso. Entretanto, ABRAVIPRE não hesita em denunciar uma religião que não respeite os Direitos Humanos - por ilegalmente negar ou restringir os direitos constitucionais dos cidadãos, fazer controle despudorado da informação e por tentar rescrever sua história, por aproveitar-se da vulnerabilidade momentânea do crente ou abusando da sua boa-fé. Sebastião Ramos, cearense fundador da ABRAVIPRE, foi ordenado diácono numa congregação das Testemunhas de Jeová. Ele, como muitos de nós, abraçou a nova Fé com convicção profunda e sinceridade. Quando o seu direito à liberdade de crença começou a sofrer censura, se insurgiu. Tomou consciência do lado mais obscuro da liderança. Admitiu não ter tido percepção disso no período idílico na preparação para o batismo. Veio a intimação ocial - por via interna - para não usar artigos de opinião em jornais para defender a sua Fé. Essa tarefa competia somente ao Gabinete de Informação Pública da sede das TJs no Brasil e aos seus representantes designados. Se não obedecesse, a punição seria a remoção do cargo e desassociação (jargão para excomunhão religiosa e um severo ostracismo - com efeito social e familiar) por criar divisão religiosa. Não adiantava usar o direito de apelar da decisão judicativa. Como experimentou na pele e viveu o drama traumático do severo ostracismo social e familiar, convicto da justeza da sua causa, perante a Lei dos homens e na Lei Divina, resolveu fazer algo. Esta era a sua missão. Ele queria ajudar todas as pessoas que também foram vítimas de intolerância e discriminação religiosa, que têm os seus direitos cerceados, independente da Fé religiosa que professam ou professavam. Quis conscientizar as autoridades brasileiras e a sociedade em geral para as consequências do severo ostracismo social e familiar – que é muito mais do que terminar a liação, toda e qualquer associação religiosa e companheirismo entre as partes. Foi assim que Sebastião tomou consciência da intolerância – aberta ou simulada – para os dissidentes e da forte pressão para o conformismo, a não permissão para questionar ou criticar a liderança sobre os fundamentos religiosos de suas doutrinas singulares, controle amoroso e autoritário sobre o que os crentes pensam, dizem e fazem; o drama traumático vivido pelos batizados que saem da religião por motivo de decisão de consciência e/ou por terem discordância bíblica dos fundamentos de certas doutrinas.

Como foi possível o Sebastião ter sido enganado? Ele, como muitos de nós, caram vítimas de uma regular e intensa doutrinação tendenciosa e com uma visão do mundo muito singular. Alguns de nós, por esse motivo, dedicamos nossas vidas a Deus para fazer serviço religioso por tempo integral. É desejado que TODOS façam uma análise cabal, sem manipulação mental, sobre o sistema doutrinal e as políticas professadas por sua religião. Deve-se vericar antes se são concordantes com todos os princípios, normas e valores do indivíduo. Deve-se perceber se a liderança da religião mantém uma coerência doutrinal ou não. Deve ser uma decisão livre, muito ponderada e ciente das consequências das mesmas. Segundo Sebastião Ramos, a ABRAVIPRE sem prever tornou-se uma referência no campo do ativismo presencial. Ultrapassou as fronteiras do Brasil, expandiu-se pela América Latina, chegou aos EUA, Portugal e Espanha. Revelou ser mais um espinho incômodo da liderança mundial das Testemunhas de Jeová - o Corpo Governante, a partir da denúncia do Ministério Público, nas duas esferas Estadual e Federal, contra os anciãos (ou presbíteros, pastores) locais das Testemunhas de Jeová, diretores da Associação Torre de Vigia de Bíblias & Tratados do Brasil e seus representantes viajantes, e os diretores da sua subsidiária, a Associação Bíblica e Cultural de Fortaleza. Isto sem contar que os representantes da Sede Mundial enviados ao Brasil, “já conhecem” Sebastião Ramos e a campanha publicitária que a ABRAVIPRE vem realizando através de manifestações públicas e ordeiras, panetagem em massa e artigos expositivos nos mais diversos tipos de Comunicação Social. Será ainda objeto de denúncia junto da Organização dos Tratados Americanos (OTA). Esperamos que isso faça jurisprudência contra todas as lideranças religiosas que são autoritárias, que procuram declinar suas eventuais responsabilidades legais, que são manipuladoras da vontade e dos direitos fundamentais dos crentes e que induzem em erro as autoridades competentes. Contudo, o sentido de missão e o fervor típico do Sebastião Ramos tem sido criticado por algumas Ex-Testemunhas de Jeová como fazendo desta causa uma luta pessoal focada apenas nas consequências sociais e familiares da desassociação. Certo é que a autoridade da ABRAVIPRE vem da liderança proativa nas ruas e em participar em ações de informação com fatos. “Ficar pendurado unicamente no ativismo online não é o caminho, muitos não compreendem isso.” – Diz Sebastião Ramos. Portanto, é com prazer que aprovamos e apoiamos o bom trabalho da ABRAVIPRE. Administração da UNIEXTEJ Portuguesa

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O QUE FAZ A ABRAVIPRE? Publicamos artigos em sites e redes sociais, editamos e criamos vídeos informativos. Distribuímos panetos ao público, confeccionamos e exibimos faixas e outdoors. Participamos ativamente de passeatas, discursos, palestras, encontros, entrevistas, manifestações pró liberdade de expressão e religião, sempre de forma pacíca e ordeira. Alertamos as pessoas sobre os perigos de algumas seitas que violam as leis, punem e ostracisam ex membros alegando ser este o desejo de Deus. Assim, denunciamos práticas de intolerância e excessos às autoridades ou encaminhamos a vítima às formas legais de resolver os casos de intolerância religiosa. A ABRAVIPRE PRETENDE SER UMA NOVA DENOMINAÇÃO RELIGIOSA?

A ABRAVIPRE - Associação Brasileira de Apoio às Vítimas de Preconceito Religioso – representa pessoas simples, determinadas e diversas com um objetivo comum: acabar com toda e qualquer forma de intolerância religiosa praticada por pessoas ou organizações que se acham estar acima das leis. Denunciamos e expomos pessoas, líderes religiosos, igrejas e associações religiosas que abusam de seus semelhantes com preconceitos de motivação religiosa. Muitos dos membros que se juntaram e continuam liando-se à ABRAVIPRE sofreram ou sofrem algum tipo de preconceito religioso. O intuito do ajuntamento como “Associação” tem por nalidade somar forças contra a intolerância religiosa, informar e denunciar atos que violam as leis brasileiras. O novo site da ABRAVIPRE agora disponibiliza documentos, informativos, material para distribuição ao público, impressos, entre outras novidades. Criamos espaços para abordar questões sobre abusos e intolerância religiosa que ainda acontecem vitimando pessoas de bem com intuito de adorar seu Deus de forma coletiva ou individual. Esperamos que você se benecie gratuitamente de todos os nossos serviços. Estamos ativos e vigilantes, abertos ao diálogo com instituições, associações e qualquer pessoa que precise de amparo.

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NÃO! Todas as crenças são protegidas por lei e a ABRAVIPRE não acusa ou defende a fé de ninguém, nem pretende reunir dissidentes a m de formar uma nova denominação religiosa. Nosso objetivo é denunciar e proteger o indivíduo com base na Declaração Universal dos Direitos Humanos, caso alguém seja desrespeitado ou tenha sofrido algum abuso, incentivamos que leve à justiça brasileira o agressor ou o grupo religioso abusivo. Não encaminhamos as pessoas a nenhum grupo religioso nem incentivamos a criação de uma nova igreja ou culto. Não exaltamos um grupo religioso ou prossão de fé acima de outros nem os minimizamos. Não incentivamos o indivíduo à anarquia religiosa ou à violência como meio de resolver as intempéries. O QUE O FUTURO NOS RESERVA? Toda pessoa tem o direito de idealizar sua própria busca espiritual sem impedimentos, obstáculos, exclusões ou restrições pelos meios que achar ser conveniente. Somos contra qualquer ataque à liberdade de culto, religião ou formas de expressões garantidas em lei pelo nosso país e órgãos internacionais. No entanto, não hesitamos em denunciar qualquer culto, grupo religioso, órgão, organização ou indivíduos que discriminem, cerceie a liberdade, pratique o isolamento social e familiar


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ou mesmo infrinja os direitos de qualquer cidadão. Apoiamos as pessoas discriminadas que tem ou teve sua liberdade de crença cerceada e ajudamos as mesmas a procurar seus direitos. A ABRAVIPRE é pioneira no Brasil e está se tornando referência em assuntos de proteção à liberdade de crença. Reunimos a cada dia uma farta documentação jurídica e estudo de casos que nos ajudarão a usar melhor as leis e futuramente ampliar o tema a m de que o legislativo crie novas leis contra a discriminação advinda das religiões e de indivíduos intolerantes. Sem dúvida, o objetivo maior da ABRAVIPRE é ajudar a sociedade e o executivo em todas as suas esferas de atuação a cumprirem o que determinam as leis e a constituição. Alie-se à ABRAVIPRE!

ABRAVIPRE na Mídia | Últimas Notícias

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Brasil pode ser condenado por tolerar práticas de discriminação religiosa A Petição inicial acerca da desassociação inquisitória praticada pelas associações promoventes da intolerância religiosa e social contra ex membros da Religião “Testemunhas de Jeová” permanece na OEA Organização dos Estados Americanos esperando a síntese de todas as decisões judiciais e a digitalização dos processos. Obviamente, por se tratar de um trabalho muito criterioso, que está sendo feito por advogados a demora é compreensível. Destacamos aqui a abnegação e altruísmo desses advogados, defensores incansáveis dos direitos humanos, e membros do Ministério Público Estadual e Ministério Público Federal/CE que denunciaram esta tremenda crueldade. Para se ter ideia, a ação por danos morais contém mais de 500 páginas.

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SOBRE AS AÇÕES São três ações: • Ação Civil Pública (MPF/CE) • Ação Penal contra líderes locais. (MPE) • Ação Por Danos Morais (Defensoria Pública) Esta última ação está a caminho do STF - Supremo Tribunal Federal. O Tribunal de Justiça do Ceará, Justiça Federal Cearense, Tribunal Regional Federal, STJ - Superior Tribunal de Justiça julgaram o caso sem resolução de mérito e à margem da lei da liberdade religiosa, ou seja, sem nenhum esforço se percebe que houve um julgamento parcial. Observe apenas um trecho da Ementa do “Habeas Corpus” do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará em defesa de anciãos (pastores) indiciados e denunciados pela Promotoria de Justiça (primeiro processo):

Tais posicionamentos se alinham com os defensores do impeachment na câmara que não votaram pelo senso de cidadania, mas pelos seus próprios interesses meramente egoístas: “Por Deus, pela minha mãe, pelo meu cachorro, pela minha prima Andreia que ainda vai nascer, enm…” CONCLAMAÇÃO AOS DESASSOCIADOS Você pode ajudar a acabar com a intolerância praticada pelas Testemunhas de Jeová. Se você é vítima desta religião, exerça seu DIREITO DE CIDADANIA. Envie uma carta para a OEA relatando como a intolerância afetou a sua relação familiar e social! Todos os que residem no Brasil e em Continente Latino Americano e Caribe, podem ainda enviar sua carta visando reforçar um caso que poderia encerrar esta escravização: e-mail: cdhregistro@oas.org O BRASIL PODE SER CONDENADO?

“Eu creio em Deus e nele me fortaleço. Rezo diariamente a Ele agradecendo mais do que suplicando. Não mereço e nem pretendo ser exceção, mas colaciono nas minhas agendas de trabalho, desde quando assumi a magistratura, esta frase lapidar, colhida do Livro Santo: "Não procures tornar-te juiz se não fores bastante forte para destruir a iniquidade". Desembargador Francisco Pedrosa Teixeira O Desembargador cita também o Capítulo 5 de I Coríntios, Versículos 5 ao 13 muito usado pelo "Corpo Governante" (homens considerados "ungidos" por Deus). Eles usam textos bíblicos mal interpretados para praticar crimes contra qualquer pessoa que decidiu não mais professar a crença Testemunha de Jeová.

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A promulgação da Lei Maria da Penha, contempla e oferece proteção legal às mulheres vítimas de violência doméstica. Essa destemida cearense ousou denunciar o seu marido que tentou eliminá-la com arma de fogo, deixando-a paraplégica, por eletrocussão e afogamento. O seu caso chegou à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), que acatou, pela primeira vez, a denúncia de um crime de violência doméstica. Provavelmente, o Brasil poderá ser condenado outra vez, desta feita, por violação ao direito à liberdade religiosa, e pelo não cumprimento aos tratados internacionais dos quais somos signatários. Sebastião Ramos | Presidente da ABRAVIPRE


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Conformidade Social Como resultado da socialização, a conformidade reete a interiorização de regras e a sua partilha com os outros. Os indivíduos tendem a agir em conformidade com as expectativas do grupo a que pertencem. Para a grande parte dos autores, a conformidade social apenas existe devido à pressão de grupo. Agimos em conformidade com as regras porque aceitamos a sua legitimidade.

ASSISTA AGORA!

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Experimento em uma Sala de Espera

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Massacre Jonestown

Vida e Morte no Templo do Povo

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Jim Jones

* Mensagens Psicofonadas

Muitos por aí se preocupam com a aparência exterior e se esquecem da essência do mais importante do ser que está no espírito. Fuja das aparências e viva uma vida verdadeira, não tenha medo de mostrar quem você é no íntimo, se achar que deve fazer modicações em sua alma, comece desde já com a força de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mantenha a Fé nas coisas espirituais e pratique a caridade sempre. Ore por vossos irmãos!

A quem puder interessar! Estamos mesmo no Limiar dos Tempos? É chegada a última hora? O que a nova geração de crianças Índigos tem a proporcionar para a humanidade? Será que 2019 é uma data nal para os humanos na terra? Ou devemos aguardar maravilhas que ainda estão por chegar? Não vos maravilheis quando virem nos céus o Senhor em Glória! O Cristo já foi anunciado. Paz!

Cristiano Lima | 16/08/2015

Paulo Lopes | 01/08/2015 O ALIENISTA

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{HUMOR}

LOJA: hmmm.com.br/categoria/um-sabado-qualquer

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SITE: umsabadoqualquer.com

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@aldebram

O CHEFE DA CASA Adoiê (2012)

PARA PARTICIPAR é só curtir nossa fanpage no facebook: https://www.facebook.com/bandaochefedacasa/

O RESULTADO DO SORTEIO SERÁ DIVULGADO NA EDIÇÃO 04/2016 E O VENCEDOR RECEBERÁ GRATUITAMENTE O CD “ADOIÊ” DA BANDA O CHEFE DA CASA EM CASA DE PRESENTE DE NATAL!

O Alienista | Ed02e03 2016  

Site: oalienista.com.br

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