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Akadémicos Suplemento do JORNAL DE LEIRIA, da edição 1246, de 29 de Maio de 2008 e não pode ser vendido separadamente.

FOTO: ANDRÉ MENDONÇA

27 Luís Rosa

Baixista da banda CAIM  

“É um orgulho actuar no Rock in Rio” 06 e 07

Viagem ao Euro

Turistas de relvado

03 e 04

Ilustração Bruno Carvalho

Finalista Comunicação Social e Educação Multimédia ESE–IPL


Vai lá, vai...

Director: José Ribeiro Vieira jose.vieira@movicortes.pt Director Adjunto: João Nazário direccao@jornaldeleiria.pt Coordenadora de Redacção Alexandra Barata alexandra.barata@jornaldeleiria.pt Coordenadora Pedagógica Catarina Menezes cmenezes@esel.ipleiria.pt Apoio à Edição Alexandre Soares asoares@esel.ipleiria.pt Secretariado de Redacção Ângela Duarte Redacção e colaboradores André Mendonça, Andreia Mateus, Bruno Carvalho, Carina Francisco, Cláudia Silva, David Sineiro, Élio Salsinha, Iolanda Silva, Jorge Bastos, Pedro Jerónimo, Sara Vieira, Tiago Gomes, Tiago Santos Departamento Gráfico Jorlis - Edições e Publicações, lda Isilda Trindade isilda.trindade@jornaldeleiria.pt Maquetização Leonel Brites – Centro de Recursos Multimédia ESE–IPL leonel@esel.ipleiria.pt

Abertura Os eventos desportivos e o turismo

E

ste é um ano de grandes eventos desportivos. De imediato lembramo-nos do EURO 2008, dos Jogos Olímpicos, que vão decorrer em Agosto, em Beijing, cidade que acolhe, um mês depois, os Jogos Paraolímpicos. A atractividade da prática desportiva e o espectáculo que pode envolver tem vindo a assumir um peso cada vez maior nas opções de viagem. O movimento de milhões de pessoas cuja motivação principal é assistir a um evento desportivo dá consistência à componente passiva do denominado turismo desportivo. Pela proximidade temporal poderemos destacar o Campeonato Europeu de Futebol - EURO 2008 como exemplo demonstrativo das dinâmicas turísticas que o envolvem. Começando pela indústria turística, uma simples pesquisa na Internet (ou uma simples incursão pelas montras das agências de viagem de Leiria, como a que acabei de fazer) conduz-nos para uma oferta gigantesca e diversidade de opções de viagens. Desde bilhetes diários de ida e volta para assistir apenas a um dos jogos até pacotes organizados para vários dias, são variadíssimas as alternativas criadas por operadores turísticos e companhias aéreas.

Por sua vez, os países organizadores – Suiça e Áustria – montaram uma estrutura logística e de informação turística de apoio ao visitante. O calendário de jogos, as acessibilidades, os transportes públicos disponíveis, os locais e atracções a visitar, os restaurantes e espaços de animação, o alojamento turístico, os eventos paralelos e as informações complementares associadas à segurança e aos serviços de saúde encontram-se disponíveis online e em permanente actualização. Para facilitar e flexibilizar a entrada em território suíço foi criado um novo processo de concessão de vistos permitindo aos visitantes provenientes de territórios Schengen viajarem livremente pela Suíça. As vozes mais críticas questionarão os largos investimentos encetados pelo sector público mas, a verdade é que, eventos como o EURO 2008 têm repercussões económicas elevadíssimas, não só durante o evento mas igualmente nas fases pré e pós evento. Além da criação de emprego e dos milhões de euros de receitas geradas, verifica-se um efeito positivo na projecção internacional da imagem dos países envolvidos.

Fernanda Oliveira, docente ESE–IPL Presidente do Instituto Politécnico de Leiria Luciano de Almeida presidencia@ipleiria.pt

Presidente do Conselho Directivo da ESE José Manuel Silva jmsilva@esel.ipleiria.pt

Directora do Curso de Comunicação Social e Educação Multimédia Alda Mourão amourao@esel.ipleiria.pt

Os textos e opiniões publicados não vinculam quaisquer orgãos do IPL e/ou da ESE e são da responsabilidade exclusiva da equipa do Akadémicos.

akademicos@esel.ipleiria.pt

Uma agenda do mês MÚSICA 3 de Junho, 21:30 Percussão Inserido no 26º Festival de Música de Leiria, Drumming é um grupo de percussionistas que apresenta uma visão original e singular do universo de Frank Zappa. Para ouvir no teatro José Lúcio da Silva. 10 Euros

De 5 a 25 de Junho O Sexo e a Cidade Os cinemas O Paço apresentam a estreia nacional do filme O Sexo e a Cidade. Uma película de Patrick King com Sarah Jessica Parker.

TEATRO Hoje, 21:30 O meu menino Com Tozé Martinho e Luís Zagalo, a peça é uma divertida homenagem a Vasco Santana. No Teatro José Lúcio da Silva. 12 Euros

CINEMA De 16 a 18 de Junho Nunca é tarde de mais O executivo Edward Cole e o mecânico Carter Chambers vivem em mundos diferentes. Um dia as suas vidas cruzam-se num hospital e aí descobrem o desejo de realizarem todos os seus sonhos porque nunca é tarde para aproveitar a vida ao máximo.

02

JORNAL DE LEIRIA 29.05.2008

DESPORTO 7 de Junho, 19:45 Euro 2008 no grande ecrã O Teatro José Lúcio da Silva, o Jornal de Leiria e a 94 FM vão juntar-se à festa do futebol, transmitindo em directo os jogos da fase de grupos de Portugal, quartos de final, meias-finais e final no grande écran do José Lúcio. 1 Euro 31 de Maio, 21h BTT Com partida no Jardim Luís de Camões, realiza-se a primeira prova de resistência nocturna urbana de BTT. Três horas a pedalar no centro da cidade.


Está a dar

Euro de lés a lés ANDRÉ MENDONÇA E ÉLIO SALSINHA

“A selecção tem muito pouco a ver com futebol”, quem o diz é Hugo Santarém, funcionário público de 28 anos, que repetirá neste Euro 2008 a experiência de ir além fronteiras apoiar a equipa portuguesa. Depois de “uma experiência muito boa” na fase final do Mundial, realizado na Alemanha em 2006, este jovem explica que, no fundo, “o jogo é o que menos interessa”. Nuno Rasteiro, ex-aluno no IPL e a trabalhar no ramo hoteleiro no Algarve, também vai à Suíça não só pelos jogos mas, principalmente, “pela oportunidade de viver todo o ambiente em torno do campeonato” pois espera um “ambiente fabuloso”. Hugo Santarém relata a sua experiência anterior, na Alemanha, como “uma atmosfera diferente” em que o convívio entre todos os adeptos a “beber uns copos, a cantar o hino, a apoiar os jogadores ou até o simples vaguear pelas ruas de uma cidade embrulhado numa bandeira” é revelador “do verdadeiro amor à Pátria, do orgulho e do sentimento português e não apenas ao futebol em si”. Também na Alemanha esteve, juntamente com três

amigos que o vão acompanhar de novo, Vítor Marques, 45 anos e gestor comercial da empresa leiriense Sodicel. A forma apaixonada como viveu o Euro 2004 fez crescer a vontade de marcar presença em 2006 no Mundial, onde, diz, ter “vivido um óptimo ambiente”, acrescentando que “a envolvência e a troca cultural com os adeptos dos outros países, antes e depois dos jogos, é fantástica. Sejam eles ingleses, alemães ou suecos”. Mas destaca também a forma “apaixonada” como os emigrantes vivem estas alturas. “Chegámos a jantar em casa de pessoas portuguesas radicadas na Alemanha, que não conhecíamos de lado nenhum, e ao reconhecerem portugueses ficavam felicíssimos. É uma alegria para eles, pois é uma maneira de se reencontrarem um pouco com o seu país”. Mesmo sendo amante desta prática desportiva, Vítor Marques explica que “numa viagem destas o futebol é sempre um acréscimo” sublinhando a oportunidade de “convívio com os outros adeptos”, tenciona, aliás, confraternizar

com os turcos já no primeiro jogo.

Pouca fé

Apesar de não levarem consigo grandes expectativas no sucesso lusitano, “a vontade de acompanhar a selecção” é mais forte para Hugo Santarém e Nuno Rasteiro que esperam ver Portugal a passar a fase de grupos, pois “daí em diante tudo será possível”, consideram. Mas a pouca esperança parece comum aos portugueses. Pelo menos a avaliar pelas palavras de Manuel Brites, proprietário da agência de viagens Albitur em Leiria, que disse não ter, até agora, reservas para as fases eliminatórias do Campeonato da Europa. Apesar de “alguma procura” nos primeiros três jogos, em particular “o último jogo frente à Suíça”, os leirienses não parecem acreditar muito na passagem aos quartos de final, ainda que a reserva de 500 euros seja devolvida caso Portugal não se qualifique.

A estadia

A forma apaixonada como Vítor Marques vive o seu gosto

por futebol fará com que viaje até à Suíça de automóvel. Repete a experiência depois de também ter viajado até a Alemanha por estrada, com as três pessoas que o voltam a acompanhar. Assistirão aos três jogos para “aproveitar ao máximo” e porque a viagem ficará sempre com o mesmo custo pois compraram “os bilhetes antecipadamente”. Curioso é que até existe um que não “liga nada a futebol” mas “vai pelo convívio” porque “já passou pela experiência e sabe como estar num ambiente daqueles nos enche o ego e nos orgulha de ser portugueses”. Dado os hotéis na Suíça serem “muito caros” irão pernoitar em França. Não levam a intenção de visitar nada, apenas “se houver mesmo oportunidade”, pois, dizem não trocar “um jogo de futebol por uma catedral ou um museu”. E até fazem intenção de ir até Berna apenas “para viver o ambiente antes do Holanda – França”, um dos grandes jogos desta primeira fase da competição. Em Genebra, ficará hospedado Nuno Rasteiro, onde irá assistir aos dois primeiros encontros da selecção nacional,

Portugal e a “geração Scolari” partem para o Euro 2008 com a confiança de que à terceira será de vez. Entre a Suíça e a Áustria, a caminhada começa em Genebra e só acaba em Viena. Mas para lá chegar, terão de percorrer outras cidades

Palcos da Selecção Estádio de Genebra País: Suíça Cidade: Genebra Capacidade: 31 mil espectadores Curiosidade: É o estádio do Servette F.C. e receberá o primeiro jogo da selecção portuguesa

Estádio Ernst Happel País: Áustria Cidade: Viena Capacidade: 50 mil espectadores Curiosidade: É partilhado pelas equipas do Áustria Viena e Rapid Viena. F.C. Porto, vencedor em 1987, e Benfica, derrotado em 1990, já lá disputaram finais da Taça dos Campeões Europeus

Estádio St. Jakob-Park País: Suíça Cidade: Basileia Capacidade: 42 mil espectadores Curiosidade: É a casa do F.C. Basileia. Receberá o jogo de abertura do Europeu com o confronto entre a Suíça e a República Checa

JORNAL DE LEIRIA 29.05.2008

03


Grupo A

Está a dar

Quartos de Final

Data

Hora Local

7 de Junho

19:45

Genebra Turquia

11 de Junho

17:00

Genebra República Checa

15 de Junho

19:45

Adversário

Basileia Suiça

Basileia

19 de Junho

1º Grupo A vs 2º Grupo B

Quartos de Final

Viena

Jogo 25

20 de Junho

1º Grupo B vs 2º Grupo A

Meias-Finais

Basileia

Jogo 26

25 de Junho

Vencedor jogo 25 vs Vencedor Jogo 26

Jogo 29

FINAL

Viena

Vencedor Jogo 29 vs Vencedor Jogo 30

29 de Junho Jogo 31

frente à Turquia e à República Checa. Além dos jogos, tenciona “visitar outros locais da Suíça” e tentará “passar pela Áustria”, pois nunca teve oportunidade de conhecer. Por sua vez, Hugo Santarém estará sedeado em Basileia e aproveitará o que “a cidade tem para oferecer”. Leva consigo o objectivo de conhecer Berna, capital suíça e tenciona “fazer um circuito que inclua o Liechtenstein e a parte austríaca e alemã do Lago Constança”.

Além disso, assistirá ao último jogo do grupo A, onde Portugal vai defrontar a selecção anfitriã da Suíça.

Portugal mundial

As ofertas para viajar até às cidades que acolhem os jogos de Portugal são variadas. Consoante o jogo e o adiantamento da prova os preços de bilhete e viagem variam entre os 600 e os 1300 euros. Os bilhetes à venda na Federação Portuguesa de Futebol esgo-

taram rapidamente, logo, não deverá faltar apoio à equipa das Quinas. Mas, segundo Vítor Marques, “em Portugal não temos noção da dimensão e do respeito que Portugal goza lá fora ao nível do futebol”, logo podemos esperar apoios dos quatro cantos do mundo. Foi isso que o gestor comercial presenciou no Mundial da Alemanha, onde diz ter encontrado “chineses e japoneses completamente sozinhos” equipados a rigor com

Calendário da Selecção Nacional

as cores da selecção. “Mais caricato ainda foi no jogo Portugal – México em que dois escoceses, pai e filho, estavam ao meu lado vestidos com a camisola de Portugal”, quando, de repente, “o pai começou a chamar nomes ao árbitro, a dizer coisas que nem pela minha cabeça tinham passado, e sou português”, conta. Afinal, veio a saber, eram imigrantes em Portugal há três anos e tinham-se deslocado à Alemanha só para apoiar a selecção.

Basileia

Esta cidade, palco do jogo inaugural do Euro 2008, acolherá a selecção portuguesa no derradeiro jogo do Grupo A contra a Suíça. Com 160 mil habitantes, faz fronteira com França e Alemanha e é dividida em Pequena Basileia e Grande Basileia pelo Rio Reno. Importante no mercado mundial químico e farmacêutico, a cidade afirma-se igualmente como um grande pólo cultural, com 40 museus que cobrem períodos da arte clássica e moderna. É famosa pelo seu Carnaval de três dias, o Basler Fasnacht e a Catedral de Basileia é o principal cartão de visita da cidade. Quem não sofrer de vertigens pode subir a uma das torres e desfrutar da vista deslumbrante. No centro das atenções dos adeptos do desporto deverá estar o Sportmuseum Schweiz, que divulga toda a tradição desportiva da Suíça. O sorteio ditou que, em caso de vitória no grupo, será esta cidade a casa da comitiva portuguesa até à final em Viena.

Viena

INFOGRAFIA: LEONEL BRITES

Genebra

04

É aqui que começa a aventura da selecção, frente à Turquia. Genebra fica situada junto ao Lago Léman, o maior lago natural da Europa Ocidental. Alberga um grande número de organizações de cooperação internacional, onde se destaca a sede europeia da ONU. Genebra é considerada pela pesquisa mundial de qualidade de vida do planeta a segunda melhor cidade do mundo para se viver. O monumento mais visitado de Genebra é a Catedral de São Pedro, embora o seu ex-líbris seja o Jet d’Eau (jacto de água) no Lago Genebra: a sua coluna de água atinge 140 metros de altura e é visível de muitos pontos da cidade. A 11 de Junho, Cristiano Ronaldo e companhia defrontam também nesta cidade a sua congénere da República Checa, no segundo jogo do Grupo A.

JORNAL DE LEIRIA 29.05.2008

Com 1.5 milhões de habitantes, Viena, capital da Áustria, tornar-se-á pequena para receber, a 29 de Junho, o momento mais esperado por todos os adeptos – a grande final. E atracções não vão faltar, pois não muito distante do estádio Ernst-Happel situa-se o parque Vienna Prater, onde abundam diversões, como a roda gigante com 65 metros de altura, um dos ex-líbris da capital austríaca. Mas qualquer viagem a Viena tem de ter como passagem obrigatória a grande Ringstrasse, a via onde se situam muitos dos principais monumentos da cidade, como o Palácio Imperial de Hofburg, composto por um conjunto de edifícios magníficos. Se há coisa que não falta à capital austríaca é arquitectura monumental. Portugal pode conhecer esta cidade nos quartos-de-final, caso seja segundo no grupo, ou então, se os desejos se realizarem, na Final do evento.


TAK

Tomografia Axial Komputorizada

Medina dos sonhos Entrega das Pastas 2008

PEDRO JERÓNIMO

FOTO: ANDREIA MATEUS

Finalistas pedem bênção

CLÁUDIA SILVA

Os finalistas da ESEL tiveram a sua última cerimónia académica no passado dia 17. Às 9h da manhã já o Parque dos Mortos estava repleto de estudantes e seus respectivos familiares para assistirem à entrega e bênção das pastas, um dos momentos mais aguardados pelos estudantes. A cerimónia decorreu com a presença dos cursos de Educação de Infância, Professores de Ensino Básico – 1º Ciclo, Educação Física, Relações Humanas e Comunicação

Organizacional, Comunicação Social e Educação Multimédia, Educação Social, Serviço Social e Turismo. A marcar as mudanças introduzidas pelo processo de Bolonha, estiveram, este ano, os finalistas de 4ºano (currículos antigos) e os de 3º ano (novos currículos). A parte da tarde foi preenchida com o desfile dos estudantes até à Sé, onde às 16h se iniciou a celebração eucarística. O bispo de Leiria não resistiu a mostrar a sua satisfação

pela multidão de capas negras que o aguardava. Crentes ou não, ninguém ficou alheio à emoção da cerimónia, sentida de forma especial por estudantes e familiares mas também por inúmeros curiosos que assistiram à bênção pela tradição, camaradagem e festa. Foi com satisfação mas também com saudade que, no final, os finalistas levantaram as pastas, símbolo do final de curso e começo de uma nova etapa profissional.

O pai idealizou e ela internacionalizou. Em 1985, cerca de 1,3 milhões de pessoas assistiam, no Brasil, ao nascimento do Rock in Rio. A menina – 6 anos – Roberta Medina adormecia, então, pelos camarotes daquele que se viria a tornar um dos maiores eventos a nível mundial. Actualmente com 30 anos, a filha de Roberto Medina é directora-geral do Rock in Rio Lisboa e presidente da Dream Factory, uma empresa brasileira dedicada à produção de eventos e com representação em Portugal. Empresária de sucesso assume que “nada é impossível.” O primeiro Rock in Rio foi há cerca de 23 anos, no entanto, recorda melhor a segunda edição, em 1991, dado que “estava interessada mesmo era nos New Kids on the Block.” De espectadora a produtora – a sua grande paixão – passaram 6 anos. Com 17, e depois de um evento da Disney em que esteve envolvida, surge uma grande questão: “No processo da organização da 3ª edição, o meu pai colocou-me o desafio de coordenar a produção. Aí foram dois minutos de sim, não, sim, não... e eu como sempre gostei de desafios acabei por aceitar”, revela. Volvidos 7 anos, em 2004, dava-se a primeira internacionalização do evento e a “cidade rock” mudava-se de armas e bagagens do Rio de Janeiro para Lisboa.

FOTO: AGÊNCIA ZERO

FOTO: PEDRO JERÓNIMO

Akadémicos no Rock in Rio

PEDRO JERÓNIMO

“Eu (também) vou!” é o mote para participação de alguns jornalistas do Akadémicos no Rock in Rio – Lisboa, onde vão colocar em prática os conhecimentos que têm adquirido ao longo do curso de Comunicação Social e Educação Multimédia (CSEM). O trabalho pode ser acompanhado na Internet e na próxima edição do jornal.

A ideia partiu do núcleo de CSEM, que decidiu lançar o repto: “procuram-se jornalistas.” O objectivo foi seleccionar dois alunos, a partir de trabalhos apresentados nas categorias de Artigo e Reportagem, para acompanharem outros dois na cobertura jornalística do evento. “Por um Mundo melhor” foi o tema, abordado, na

vertente escrita e fotográfica, por cerca de 20 alunos. Seguem-se as reportagens na “cidade do rock”, nos dias 30, 31 de Maio e 1, 5 e 6 de Junho, que podem ser acompanhadas em www. eutbvou.blogspot.com e na próxima edição do Akadémicos.

Mas nem só de música se faz o Rock in Rio. “Por um Mundo Melhor” sai de uma crença muito pessoal, e nasce mesmo antes do marketing social, até porque eu como filha muitas vezes antes de ir dormir, ficava a filosofar com o meu pai sobre o mundo”, recorda. Entretanto cresceu, mas a determinação permaneceu. É por isso que Roberta Medina pretende, com as diferentes iniciativas associadas ao evento, “que as pessoas se questionem acerca de que mundo melhor é esse que pode existir.” Com formação em Comunicação Social, fixou residência em Lisboa, onde “dizem que já pareço mais portuguesa do que brasileira.”

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Luís Rosa, Baixista da banda CAIM

“Quem quiser ser músico de profissão Sentado no mocho tem de estar preparado”

Começaram em 2001 mas só em 2007 o álbum de estreia sai para as discotecas com 14 originais da banda. Ganham notoriedade e o single Loss chega ao 4º lugar do programa Todos no Top da Rádio Comercial. Agora preparam-se para um dos momentos altos da sua ainda curta carreira com a presença no palco Sunset do Rock in Rio. O baixista Luís Rosa, das Caldas da Rainha, forma com Duarte Arribança, Bruno Lobo, Pedro Fonseca e Nélio Freitas os CAIM

FOTO: TIAGO SANTOS

Sentou, vai ter k explicar

ANDRÉ MENDONÇA E TIAGO SANTOS

Como é que um músico de Caldas da Rainha surge numa banda da Madeira? É uma banda que já existe há cerca de sete anos. Nasceu quando alguns elementos, de férias na Madeira, decidiram participar num concurso de bandas, visto que todos tocavam. A eles juntaram-se o Bruno, que é guitarrista, e um baixista da Madeira. Acabaram por ganhar o concurso e as coisas começaram a ficar mais coesas. Entretanto, vieram todos para o continente, onde há mais oportunidades, à excepção do baixista que preferiu lá ficar. A banda teve então de procurar um novo baixista e, através de amigos comuns, surgiu a oportunidade de trabalhar com eles. A seguir, a música Beg a Dime foi escolhida para os Morangos com Açúcar. Foi um passo importante para a divulgação dos CAIM? Não foi propriamente o boom. O boom foi o lançamento do álbum. A música foi extraída de um EP de quatro faixas que havíamos edi-

06

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tado. Não foi aí o reconhecimento dos CAIM a nível nacional, mas foi um passo importante. Temos até uma outra música, o Crawling, que vai entrar na nova série de Verão dos Morangos com Açúcar. Foi um boa maneira de nos darmos a conhecer, sabendo que a televisão tem o impacto que tem. Qual é o significado de participar num festival com a dimensão do Rock in Rio? O Rock in Rio é importantíssimo para nós. Sermos convidados para tocar no festival no ano de estreia do nosso primeiro CD é um orgulho. Acabamos por ser a banda menos conhecida do Rock in Rio, mas vai dar-nos um impacto importantíssimo, visto que se trata do maior festival do mundo. A nível promocional será muito bom para nós. Vamos tocar no palco Sunset, num dos dias em que se espera que haja uma maior afluência de público jovem. As rádios estão hoje a dar mais oportunidades aos pro-

Se pudéssemos oferecer os CDs, oferecíamos. Mas a música é um meio de sobrevivência e nós ainda não podemos fazer isso

Portugal ser o país da Europa onde se realizam mais festivais, é cada vez mais complicado entrar no meio musical. Antes, quando se gravava um álbum, as editoras assumiam os custos todos. Hoje, já não é assim. Por outro lado, hoje há uma divulgação muito maior. Quando bandas, como os GNR ou os Xutos e Pontapés, começaram era muito mais complicado para se darem a conhecer.

jectos e aos músicos portugueses? Penso que não. Actualmente não se sabe bem o que se passa com a música em Portugal. As editoras estão a ir “por água a baixo”, por já não terem o poder que tinham antes. As pessoas aderem cada vez mais à internet, onde podem comprar as músicas ou a música que preferirem. A nível televisivo, também já não há os programas musicais que existiam no passado. E, apesar de haver leis que impõem uma percentagem elevada de música portuguesa nas rádios e de

É necessário cantar em inglês para se afirmar no panorama musical? Um dos entraves que tivemos no lançamento do nosso álbum foi cantarmos em inglês. Por um lado, a banda identifica-se mais com a língua inglesa, porque temos o objectivo da internacionalização e, para isso, cantar em inglês é fundamental. Por outro lado temos também o objectivo de gravar o primeiro single em português. Penso que, dessa forma, vamos ter uma maior aceitação por parte das rádios. Vamos tentar abranger esses dois lados.


Kultos

DAVID SINEIRO

Vista Pela Última Vez

Já várias bandas optaram por disponibilizar as suas músicas na internet de forma gratuita. Será esse o caminho a seguir ou é prejudicial para as bandas mais recentes que se querem afirmar? As bandas que fizeram isso tinham já um grande

nome. Por exemplo, os Radiohead disponibilizaram as músicas pelo preço que os fãs quisessem. Era possível comprar uma música por um cêntimo. Porém, estamos a falar de milhões de pessoas a descarregar as músicas. Por isso, ganharam ainda mais

Quanto mais conhecimento teórico e prático tivermos de um instrumento, melhor conseguiremos tocar do que pelo meio normal. Para nós seria impensável porque não temos o impacto que têm os Radiohead. Por outro lado, sabemos que um CD em Portugal é caríssimo! É ridículo pensarmos que por um CD, que custa 20 euros, pagamos 21 por cento de IVA e, se comprarmos uma revista pornográfica, pagamos apenas cinco por cento de

IVA. O objectivo de qualquer músico é chegar ao maior número de pessoas. Se for de uma maneira mais simples, em que se paga apenas o que se pode, óptimo. Se pudéssemos oferecer os CDs, oferecíamos. Mas a música é um meio de sobrevivência e nós ainda não podemos fazer isso. Qual é o conselho que dá a quem estiver agora a começar no mundo da música? Para as pessoas que queiram apenas tocar um instrumento como hobby o meu conselho é que se divirtam. Quem quiser ser músico de profissão tem que estar preparado para as dificuldades. O tempo do Rock dos anos 70 e 80, em que eram o espírito e a alma que comandavam e a música saía, já acabou. Ainda para mais, no nosso país é muito difícil singrar na música. É preciso estudar, é preciso dedicação, é preciso ouvir muita e variada música. A escola da rua é muito importante para um músico, mas aprender numa escola é-o cada vez mais. Quanto mais conhecimento teórico e prático tivermos de um instrumento, melhor conseguiremos tocar.

CAIM 2007 FOTO: GONÇALO GAIOSO

KURTAS

DR

A música portuguesa tem qualidade? Por ser tão difícil singrar em Portugal, muitas vezes faz-se música pimba. Não me estou a referir ao pimba como estilo musical. Para mim, música pimba é toda a música que é feita para vender. Em Portugal, os músicos preocupam-se primeiro com vender e, só depois, com a qualidade. Nesse aspecto, o nosso país não é um exemplo. É o reflexo da nossa sociedade, e é por isso também que muitas bandas extraídas de novelas, que misturam músicos e actores, têm tanto sucesso. Fazem músicas dedicadas sobretudo a um público mais jovem, o que pode ser bom pois a música chega a um maior número de pessoas. Mas, por outro lado, têm sempre a imagem e a vertente comercial em primeiro lugar. Em Portugal vende-se primeiro a imagem e depois a música.

A estreia como realizador de Ben Affleck (Armageddon/Pearl Harbor) não podia ter tido mais visibilidade e sucesso. Inspirado num livro de Dennis Lehane, escritor do aclamado Mystic River (adaptado ao cinema por Clint Eastwood), este filme trata de temas tão ou mais intensos e bilaterais. Gone Baby Gone segue a história de Amanda McCready, uma menina pequena que desaparece de casa nos subúrbios de Boston, e põe toda a gente à sua procura. Muita da visibilidade do filme deve-se ao facto de este ter várias semelhanças aparentes com a famosa história de Maddie McCann, no entanto, o filme foi feito antes, e como tal, ao procurar debaixo da capa de semelhanças encontramos uma história completamente diferente. Para actor principal, Ben Affleck escolheu o seu irmão Casey Affleck (Ocean’s Eleven/The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford), mas esta escolha em nada foi um favor; Casey está perfeito, tal como os outros membros do elenco, que inclui Ed Harris (Apollo 13/A History of Violence) e Morgan Freeman (Batman Begins/ The Shawshank Redemption).

Ao ver este filme o espectador é confrontado não só com uma história cativante e motivadora, mas realista. O realismo é evidente quando conseguimos deixar de ver os personagens como personagens, passando a vê-los como pessoas. Os detectives, os familiares, a mãe da menina desaparecida, todos eles são dos personagens mais bem criados dos últimos tempos. O realismo e os temas apresentados vão certamente deixar uma impressão duradora no espectador, que não ficará indiferente ao drama vivido no ecrã. Revelar fosse o que fosse da história seria um crime. Resta dizer que a direcção de Ben Affleck é soberba, não sendo de todo evidente que este é o seu primeiro filme. Com o passar do tempo temos visto cada vez um afastamento maior entre o cinema e a realidade, com personagens estereotipados e unilaterais; é a falta disso que torna Gone Baby Gone único e diferente. 10/10

Uma banda: Red Hot Chilli Peppers Uma música: Chicken – Jaco Pastorious Um intérprete: Stevie Wonder Um instrumento: Piano Um baixista: Jaco Pastorious Um festival: Optimus Alive

JORNAL DE LEIRIA 29.05.2008

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Últimas

A Fechar

CARINA FRANCISCO 

IPL inicia Centro de Novas Oportunidades

Berlenga candidata a reserva da biosfera da Unesco O IPL, através da Escola Superior de Tecnologia do Mar, em Peniche, assinou um protocolo de colaboração com várias entidades, para a elaboração de um dossier de candidatura da Berlenga a Reserva da Biosfera, no âmbito do Programa Man and Biosphere – MAB, promovido pela UNESCO. Esperando o reconhecimento deste organismo internacional, pretende-se com a iniciativa fomentar a preservação do património natural da ilha.

Festival de Teatro Itinerante

A decorrer de 5 a 30 de Junho, o Mercúrio, segundo Festival Itinerante de Teatro da ESAD, visa promover várias iniciativas no campo do Teatro e das Artes Plásticas. Montou, desmontou... e não abortou! , Auto das Regateiras, Flagelados do Vento Leste serão alguns dos espectáculos em cena, num evento que percorrerá Caldas da Rainha, Azambuja, Benedita, Alcobaça, Nazaré e Leiria. Programa disponível em: www. esad.ipleiria.pt

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JORNAL DE LEIRIA 29.05.2008

Arte em movimento TIAGO GOMES

O Caldas Late Night vai voltar às ruas das Caldas da Rainha de 4 a 6 de Junho. Esta mostra anual de arte, realizada pelos estudantes da Escola Superior de Artes e Design (ESAD) promove a partilha de várias manifestações artísticas em diversos locais pouco comuns como casas particulares, bares, ruas e ainda na escola e lugares públicos. O evento que nasceu em 1997, visa aproximar a população dos trabalhos realizados pelos alunos, promovendo desta forma a criação artística. O programa de três dias contará ainda com música ao vivo; emissão em directo da Prova Oral, programa radiofónico da Antena 3 e festa de encerramento na ESAD. DR

O Centro de Novas Oportunidades do IPL é um serviço à disposição da população do Distrito, com o objectivo de contribuir para a melhoria da sua qualificação, permitindo a adultos a valorização e certificação dos conhecimentos (escolares e/ou profissionais) adquiridos ao longo da vida. O serviço, integrando uma rede nacional de Centros de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, foi acreditado a 18 de Fevereiro de 2008 e iniciou a sua actividade a 3 de Maio.

INTERNETES IOLANDA SILVA

útil

Tripela

Docente do IPL apresenta nova modalidade desportiva JORGE BASTOS

Chama-se Tripela e promete revolucionar o panorama desportivo. Esta nova modalidade nasce da iniciativa de Rui Matos, coordenador do curso de Desporto e BemEstar, da Escola Superior de Educação de Leiria. Para já, a Tripela está a dar os primeiros passos, com a definição das regras que irão constituir a base desta modalidade. E o que é a Tripela? A Tripela pretende ser uma modalidade desportiva, onde o uso dos pés e das mãos assume papel de destaque. A Tripela sofre influências de duas das modalidades mais praticadas no panorama mundial, futebol e andebol, mas também de outras modalidades menos relevantes como são os casos do basquetebol, corfebol ou râguebi. Segundo o documento de apresentação, a grande novidade associada a este desporto prende-se com a complementaridade entre os diferentes segmentos corporais. Em traços gerais, a Tripela pressupõe a recepção da bola

com a mão, ficando a sua projecção a cargo do pé. O documento acrescenta ainda que a receptividade da prática desportiva tem sido grande quer por parte de praticantes, quer por professores e outros profissionais ligados ao desporto: “A tripela terá grandes potencialidades lúdicas e pedagógicas que justificarão a sua aceitação e introdução no domínio educativo, passando a constituir mais um recurso à disposição dos professores de Educação Física.”A sessão formal de apresentação da modalidade está marcada para o próximo dia 14 de Junho, no Pavilhão Desportivo da Juventude do Lis, em Leiria, a partir das 15 horas. Frente-a-frente estarão uma equipa de andebol (Juve Lis) e outra de futsal (Núcleo Sportinguista de Leiria).

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