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Akadémicos« Suplemento do JORNAL DE LEIRIA, da edição 1180, de 29 de Março de 2007 e não pode ser vendido separadamente

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João Lázaro Psicólogo clínico e actor

“Não existe tal coisa chamada inspiração”

Teatro na ESE

Todos ao palco DR

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Vai lá, vai.... Abertura Espaço Aberto FICHA TÉCNICA Director: José Ribeiro Vieira jose.vieira@movicortes.pt Director Adjunto: João Nazário direccao@jornaldeleiria.pt Conselho Editorial: Alexandra Barata, Catarina Menezes, Cristina Parente, Paulo Marques Coordenadora de Redacção Alexandra Barata alexandrabarata@gmail.com Coordenadora Pedagógica Catarina Menezes cmenezes@esel.ipleiria.pt Apoio à Edição Alexandre Soares asoares@esel.ipleiria.pt Redacção e colaboradores Andreia Santos, Denise Pereira, Dejanira Costa, Inês Vieira, Míriam Gil, Paulo Marques, Pedro Jerónimo, Pedro Santos, Rita Ley, Vânia Carvalhais Departamento Gráfico Jorlis - Edições e Publicações, lda Paginação Isilda Trindade, Rita Carlos

Presidente do Instituto Politécnico de Leiria Luciano de Almeida presidencia@ipleiria.pt Presidente do Conselho Directivo da ESE José Manuel Silva jmsilva@esel.ipleiria.pt Directora do Curso de Comunicação Social e Educação Multimédia Alda Mourão amourao@esel.ipleiria.pt

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Numa edição em que se sublinha o desenvolvimento do grupo de teatro da Escola Superior de Educação e a importância deste tipo de formação paralela na construção da aprendizagem, não podemos deixar de fazer uma referência ao próprio Akadémicos. Também este é um espaço de ensaio. Ensaio jornalístico, deontológico e cívico.

Ainda que pensado pelos (e para) os alunos de Comunicação Social e Educação Multimédia, a verdade é que o projecto ultrapassou o palco da ESE e tem vindo a adquirir outras dimensões. Com uma ambição (ainda não completamente cumprida) de ser uma publicação de toda a academia, impõe-se agora a abertura das edições à participação de

Uma agenda do mês EXPOSIÇÕES Até 10 de Abril Humberto Delgado - O general sem medo exposição biográfica na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira, durante toda a semana (segundas-feiras das 13 às 18 horas; terças a sextas-feiras das 10 às 18 horas). Entrada Livre.

Os textos e opiniões publicados não vinculam quaisquer órgãos do IPL e/ou da ESE e são da responsabilidade exclusiva da equipa do Akadémicos.

akademicos@esel.ipleiria.pt

Até 30 de Abril Água com Humor Exposição internacional de cartoons, promovida pelo Museu Nacional da Imprensa. Mostra hábitos, carências e insensibilidades humanas perante a escassez de água no planeta. Patente no Edifício Banco de Portugal, de segunda a sexta-feira, entre as 9 e as 17 horas.

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outros alunos, professores, de outros cursos, de outras escolas. Um jornal não é apenas feito de notícias e há certamente oportunidade para a prática de outros géneros. Enviem informação, escrevam opinião, crónicas, críticas literárias ou cinematográficas. Escrevam. Escrevam-nos. O convite à participação fica feito. O Akadémicos quer ser um palco aberto

Até 4 de Maio Exposição de Cerâmica de Ricardo Casimiro na Livraria Arquivo. Poderá ser vista de segunda-feira a sábado, entre as 9:30 e as 23 horas, e aos domingos e feriados, entre as 14:30 e as19:30 horas. Entrada Livre.

a todos, onde a escrita se ensaia. Aqui, tal como no novo grupo de teatro, o fundamental é “experimentar, fazer, aprender” e, no final, aguardar pelos aplausos mas também pelas críticas, fundamentais à concretização de uma produção que se quer cada vez melhor e mais participada. Catarina Menezes

INÊS VIEIRA

Até 31 de Dezembro Museu escolar: da criação à actualidadeExposição que comemora o décimo aniversário do Museu Escolar dos Marrazes, de segunda a sexta-feira, entre as 9 e as 14 horas. Entrada Livre.

ATELIERS E ACTIVIDADES Até 3 de Abril Abril Juvenil Olaria no Edifício do Banco de Portugal. Dos 5 aos 9 anos - turno1: Hoje, entre as 10 e as 17 horas. Xadrez no Arquivo Distrital de Leiria. Dos 8 aos 12 anos e maiores de 13 anos, hoje e amanhã, entre as 14:30 e as 17 horas. Fotografia na Delegação Regional de Leiria do Instituto Português da Juventude. Dos 10 aos 15 anos, hoje e amanhã, entre as 15 e as 17:30 horas. Jovens Realizadores na Sala de Ensaios do Teatro Miguel Franco. Dos 10 aos 15 anos, hoje e amanhã (10 às 12:30 e das 14 às 17:30 horas). Formas Animadas na Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira. Para maiores de 8 anos - turno1: Até 2 de Abril, entre as 10 e as 12 horas; turno 2: Até 3 de Abril, entre as 10 e as 12 horas.


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FOTOS: MIRÍAM GIL E DENISE PEREIRA

Está a dar

A arte quis, os alunos sonharam e o grupo nasceu. Foi assim que se formou o Piratautomático, o novo grupo de teatro da Escola Superior de Educação (ESE). Com estreia agendada para 14 de Maio, alunos e encenador intensificam os ensaios, arriscam alternativas e testam soluções. Tudo por um mundo de cultura e arte.

Grupo de Teatro

ESE estreia peça MÍRIAM GIL

O grupo de teatro da ESE nasceu da vontade de três alunas que, no início de 2006, numa conversa de café, entenderam que faltava um grupo de teatro numa escola superior tão voltada para as ciências humanas e sociais. Ana Esperança, Daniela Vieira e Sofia Mesquita foram as grandes impulsionadoras da iniciativa. Ao contrário do que se possa pensar, para criar um grupo de teatro não basta colocar alguns cartazes na escola a divulgar a iniciativa. É preciso encontrar uma sala fixa que sirva de sede

ao grupo e na qual possam decorrer os encontros, financiamento para adereços, cenários, encenador, mesa de som. "Até conseguirmos formalizar e arrancar com as coisas, passaram alguns meses. Só em Outubro de 2006 é que começaram, efectivamente, os ensaios", conta Ana Esperança, de 21 anos, estudante de Educação de Infância e elemento da organização. Apesar de o grupo já estar a funcionar, o financiamento ainda não está assegurado. Na Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG) existe já o Grupo de Teatro Académico de Leiria (GTAL), pelo que se propôs à ESE que se fundissem os dois. Enquan-

to não houver uma decisão por parte do Piratautomático relativamente a esse assunto, não haverá financiamento. Segundo Ana Esperança, "quando se formou o grupo da Escola Superior de Educação, o GTAL era ainda divulgado como Grupo de Teatro da ESTG. Se tivesse surgido enquanto Grupo de Teatro Académico de Leiria "a ESE nunca ia sequer pensar em formar o Piratautomático, porque, ainda que funcionasse noutra instituição escolar, se era um grupo de teatro académico englobava todas as escolas do IPL". Mas, neste momento, em que tudo está em pleno funciona-

mento, é muito complicado juntar os grupos. "Agora existe já uma equipa, uma família unida, organizada e coesa. Os membros sentem-se identificados com o projecto e existe um grande sentimento de pertença ao grupo", explica Ana Esperança. E O PIRATA ENSAIA…

Simão Vieira, de 36 anos, é o encenador do Piratautomático. Foi escolhido pelos alunos e assumiu a responsabilidade de formar e orientar o grupo. A Casa dos Barulhos, do Colégio Dr. Luís Pereira da Costa, e a Fauna, da Biblioteca de Instrução Popular de Vieira de Leiria, são mais dois grupos que estão ao

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Está a dar

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encargo de Simão Vieira. "Uma vez que estou a dar aulas de enriquecimento curricular ao 1º ciclo, achei que seria muito interessante trabalhar também com alunos até ao ensino secundário e depois com alunos do ensino superior. Considerei que valia a pena experimentar", confessa o encenador. "Houve empatia, as pessoas identificaram-se com o meu projecto e eu identifiquei-me com aquilo que elas desejavam fazer." Segundo Simão Vieira, "o grupo é bom, tem uma forte base afectiva, que é decisiva para a sua continuidade. As pessoas

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O que pensas sobre a proibição de fumar em todos os lugares fechados do IPL?

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estão despertas, têm hábitos de diálogo, gostam de ver a esquerda das coisas, gostam de testar alternativas, são muito experimentais e têm uma grande apetência pelo desafio". Em Outubro, quando começaram os encontros, "o Simão começou por dar alguma formação", nomeadamente ao nível da dicção e da expressão dramática, "então, quando viu que as pessoas estavam preparadas para trabalhar como equipa foi introduzindo a peça", revela Ana Esperança. A estrear no Teatro Miguel Franco, no dia 14 de Maio, a pri-

meira peça do Piratautomático é um original de Simão Vieira. "Esta peça tem como grande preocupação debater a condição humana, mas de uma forma que esperamos que seja divertida", conta. "É muito visceral, com uma grande preocupação com as palavras, com a narrativa e com o jogo entre as figuras." Nesta primeira peça, revela o encenador, o grupo de teatro optou por "enfrentar uma coisa que vai um bocadinho além daquilo que parece possível fazer. Pelo menos naquele momento inicial, aquilo a que nos propusemos parecia a pontinha da

Inkérito Concordo. A liberdade de fumar mantém-se mas, acima disso, tem de haver respeito por quem não o quer fazer. O tabaco é prejudicial à saúde e, como é de conhecimento geral, as pessoas que contactam com o fumo, os chamados fumadores passivos, também são afectados. É uma questão de respeito pela saúde dos outros. Ema Gomes, 3.º ano de Comunicação Social e Educação Multimédia

impossibilidade". Mas, diz, "ninguém está arrependido, até porque na vida, temos sempre de assumir essa pontinha de impossibilidade como objectivo". Em termos de futuro e de evolução, a ideia é dar continuidade ao projecto e "estrear uma peça e depois outra e outra". Segundo Simão Vieira, "o grupo quer fazer, quer tomar consciência do valor daquilo que fez, corrigir e continuar a partir daí". Essa é a lógica e a identidade do Pirata automático: experimentar, fazer e aprender. "Aprender a ser, dentro do teatro".

DEJANIRA COSTA

É uma boa decisão para as pessoas que não fumam para não terem de levar com o fumo dos outros. Quem fuma, passa a fazê-lo na rua, não prejudicando os demais. E as escolas do IPL sempre ficam com uma melhor imagem.

Consigo perceber o ponto de vista dos não fumadores. Às vezes, nas aulas sente-se o cheiro a tabaco. Mas no tempo de chuva não há nenhum sítio fechado para fumar, o que leva muitos a irem fumar para as casas-de-banho, o que é muito mau. No caso da ESTG, devia criar-se um espaço para fumar em cada bloco.

Cláudio Santos, 2.º ano de Educação Física

Vera Gomes, 4.º ano de Tradução

Acho bem, porque toda a gente sabe que o fumo do tabaco é prejudicial à saúde e as pessoas que não gostam de fumar não têm de levar com o fumo dos outros. Morre muita gente por ano sendo fumador passivo.

Tiago Sintra, 3.º ano de Engenharia Informática e Comunicações


Melhor investimento made in Leiria

Está a dar

Lina Garcia, empresária de Leiria, foi uma das quatro vencedoras do Concurso Empreendedorismo PME 2006, arrecadando o prémio de Melhor projecto de investimento com a sua ideia de negócio de uma empresa de leitura óptica de questionários, que poupa tempo de inserção dos dados dos questionários no computador. Em Setembro, passou da ideia à prática e criou a Optidados - Leitura óptica de questionários. O espírito empreendedor e a necessidade de "colmatar uma lacuna do mercado" foram os motivos que levaram Lina Garcia a conceber o projecto. A Optidados, da qual Lina Garcia é a directora, é uma empresa de estudos de mercados e sondagens de opinião. No entanto, o seu core business é a leitura óptica de questionários,

RITA LEY

RITA LEY

fornecendo depois a base de dados ao cliente e ainda o tratamento e análise dos dados. Para o efeito, conta na sua equipa com dois técnicos de Informática experientes nesta área e dois sociólogos especialistas em análise de dados.

Segundo a empresária, os seus principais clientes são centros de investigação, empresas de formação, empresas de estudos de mercado, mestrandos e doutorandos e, em geral, todas as empresas ou pessoas que utilizem metodologias de investigação quan-

titativas. Realça ainda que a criação da sua empresa teve um apoio financeiro importante do Instituto de Emprego e Formação Profissional de Leiria, que aprovou o seu projecto no âmbito das Iniciativas Locais de Emprego. A empresa disponibiliza informação sobre os seus serviços em www.optidados.pt. O Concurso Empreendedorismo PME 2006 entregou, a par da categoria de Melhor projecto de investimento, os prémios Melhor ideia, Projecto mais inovadore Melhor projecto com potencial exportador. De salientar ainda que os distritos de Leiria e do Porto foram os mais representados e que cerca de 83 por cento dos projectos apresentados foram concebidos por mulheres. Este concurso, desenvolvido pela Associação PME Portugal, contou com a participação de 100 projectos inovadores.

Konsumo obrigatório Amigos e monstros num só DENISE VIEIRA

Marta Belo, de 25 anos, é a proprietária de uma loja de artesanato contemporâneo - a Amigonstro - situada na Rua de Alcobaça. Formada em Educação de Infância pela ESE de Leiria, mesmo antes de terminar o curso, já sabia que não ia exercer a profissão. Abrir uma loja como a Amigonstro, não era o que tinha planeado inicialmente. A primeira ideia foi criar um atelier para crianças. No entanto, com o decorrer do tempo esse projecto acabou por ficar para trás. Começou a fazer os bonecos, a passar do papel para o molde e de seguida para o corte, costura e pintura dos monstrinhos. "Comecei a ver que isto tinha piada e que tinha de se fazer alguma coisa." Foi então que começou a contactar pessoas que estavam no ramo ou que faziam também trabalhos artesanais, para saber se queriam colocar os artigos para venda na Amigonstro. Tudo o que está exposto na loja da Marta é artesanal. O nome da loja, dos bonecos e da marca

- Amigonstro -surgiu por associação de ideias. "Quando eu fiz os monstros olhei para eles e pensei, isto não são monstros, isto não assusta ninguém, são é muito amigos." Cada amigonstro tem um nome específico e, para fazer apenas um, Marta leva cerca de um dia de trabalho. Para preencher a rede expositora com 28 bonecos levou, "a trabalhar

bem", mais ou menos dois meses para criar desde o primeiro corte do tecido até à última pincelada. O preço de cada monstrinho fica entre os 31 e os 37 euros. Havendo, é claro, um ou outro mais caros. Tudo depende do trabalho que cada um leva. "Quando estão a comprar, todos os clientes associam o preço ao facto do artigo ser feito à mão." A maioria dos clientes são estudantes do secundário, apesar de irem à loja pessoas de todas as idades. E, para alegria de Marta, os monstrinhos carinhosos têm tido muita saída. A aceitação da loja tem sido muito boa, mais do que Marta esperava. "O número de pessoas que passam, olham, param e entram, mesmo que não seja para comprarem nada, tem-me surpreendido imenso." Em relação a projectos para o futuro, Marta Belo revela que gostava de divulgar a marca noutras lojas em Portugal e fora do País. Brevemente, garante que vai haver o site da Amigonstro. Por enquanto, a divulgação é feita em blogs de pessoas amigas e junto de pessoas que já conheciam o trabalho.

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FOTOS: INÊS VIEIRA

Sentado no mocho Sentou, vai ter k explicar

João Lázaro, psicólogo clínico e actor

"Em cima do palco, todos nos ouvem" ANDREIA SANTOS, INÊS VIEIRA

Como nasceu o seu gosto pelo teatro, exercendo Psicologia? Porque eu sou muito baixinho, tenho 1.65 metros. Um dia, descobri que em cima do palco se fica um bocadinho mais alto. A partir daí, não quis outra coisa. Consegui ter uma visão mais abrangente das coisas. No palco, vê-se melhor. As outras pessoas ficam mais pequeninas, ouvem-nos, porque são obrigadas a isso, pagaram o bilhete. Achei que era boa ideia ter um sítio onde pudesse ser ouvido.

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Existe alguma ligação entre o teatro e a Psicologia? A Psicologia Clínica é o estudo do comportamento dos sujeitos, da sua personalidade, assente na sua história de vida. Cada caso é um repertório de todas as memórias que as pessoas têm ao longo da vida e as vivências que as diferenciam. O sujeito tem uma história individual dentro de um todo. O teatro tem a ver com a vida das pessoas, com a sua intimidade, com as relações sociais, com aquilo que se passa dentro delas na relação com o mundo. As coisas não são distintas, estão todas ligadas entre si. Está relacionado com a História, com a Psicologia, com a Sociologia e Política. Com todas as artes. É a arte mais global que existe.

Como iniciou a sua carreira no teatro? Começou de uma forma simples. Em 1977, num período ainda pós-25 de Abril, que se encontrava muito presente em todos nós, criou-se um grande movimento associativo no País. As pessoas tinham uma grande necessidade de estar juntas e houve uma explosão de colectividades, associações, teatros, etc. O grupo de teatro Filipe Matias nasceu, por esta altura, nas Cortes. Foi o primeiro grupo de teatro a existir na região e, no qual, me iniciei. A adesão por parte das pessoas foi tão grande que eram mais as pessoas de Leiria a dirigir-se às Cortes do que as pessoas das Cortes a dirigirem-se a Leiria. Isto fez com que mudasses de local e com que daí partissem vários projectos, tais como o Te-ato. Ou seja, estive sempre no mesmo grupo de teatro, o que aconteceu foi uma evolução, originando novos projectos. Onde encontra inspiração para escrever? Não há inspiração para a escrita. Escrever necessita de 98 por cento de transpiração e dois por cento de inspiração. Não existe tal coisa chamada inspiração, o que existe é a observação das coisas. Sou um leitor compulsivo e, como tal, possuo uma observação minuciosa da realidade. É a sensibilidade que me faz escrever. As palavras constroem o

pensamento, mas as emoções são a base de todas as coisas. As palavras dão vida às emoções. Quando não consegue verbalizar as emoções, o ser humano tende a transmiti-las em actos, originando, muitas das vezes, violência e criminalidade. Este fenómeno deve-se aos media, principalmente à televisão, que reduzem cada vez mais o vocabulário, de forma a simplificarem o pensamento das pessoas. A cultura aliada à qualidade, ao contrário do que muita gente pensa, interessa. Muitos são os jovens que aderem ao teatro, mas só quando feito com qualidade. Como é que diferencia a escrita literária da teatral? A escrita dramatúrgica ou ficção têm formas diferentes de serem criadas. A teatral exige muito mais atenção e concentração, pois o texto tem de ser compreendido pelo espectador, exactamente da forma como o autor quer, porque o espectador não tem o texto à sua frente, não podendo analisá-lo. Em teatro não há tempo para reflectir, não podemos utilizar expressões que o espectador não conhece e os textos devem ser elaborados em voz alta. O texto fictício é diferente pela simples razão de poder ser estudado pelo leitor. Porquê a água como tema da sua peça Uma questão azul? Esta é uma peça com carácter emo-


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Tomografia Axial Komputorizada

VÂNIA CARVALHAIS

Natural de Leiria e apaixonado pelo quotidiano, João Lázaro é psicólogo clínico, encenador, director do Te-ato, actor, escritor e professor nas escolas profissionais de Pombal e Ourém. Com 48 anos, assume-se como observador compulsivo e encontra a razão da sua escrita em pormenores dos acontecimentos sociais.

Encontra alguma explicação para os jovens de hoje serem mais precoces? Estamos a perder os rituais de passagem. A transição não é feita como dantes, em que existiam rituais que marcavam os nossos direitos e deveres. Não significa que pense que antigamente é que as coisas eram correctas. No campo do amor, por exemplo, existiam alguns "rituais" para se iniciar uma vida amorosa. Antigamente, as pessoas interessavam-se, depois conheciam-se, andavam juntas, começavam a namorar e, passado muito tempo, casavam. Hoje, as pessoas conhecem-se, passado duas horas dizem "amo-te", depois de mais duas horas vão para a cama e

depois terminam e nunca mais se vêem. Isto acontece não pelo facto das pessoas serem más, ou de não saberem o que querem, mas apenas porque não sabem exprimir as suas emoções. Não conhecem palavras para as explicar. Hoje, falta a utilização de uma palavra, a palavra mais organizadora da vida. Não. Enquanto psicólogo, que conselhos daria a um jovem que está a entrar na vida profissional? Devemos possuir uma maior abrangência do que vemos. Não devemos ser condicionados. O nosso saber é uma mais-valia que nos acompanha para qualquer lado. O saber técnico é a matriz a partir da qual podemos explicar e dar o nosso contributo à sociedade. Cada um de nós tem que ter a capacidade de ser o mais plurifacetado possível. Conseguir fazer várias coisas, integrar-se em várias equipas. Devemos tirar o máximo proveito das possibilidades que o nosso curso nos oferece.

Real D. Dinis quer rever Código da Praxe MÍRIAM GIL

Hoje, as pessoas conhecem-se, passado duas horas dizem "amo-te", depois de mais duas horas vão para a cama e depois terminam e nunca mais se vêem

tivo, não tendo qualquer tipo de intenção pedagógica. A água é o essencial da vida, o que me fez pensar em ensinar as pessoas a amar a água. Não se pode tratar bem de alguma coisa se não aprendermos a amá-la.

Entrou na ESTG em 1998 e é um dos mais antigos alunos do ensino superior em Leiria. Desde sempre comprometido com a vida académica, Nuno Fonseca, de 28 anos, transformou-se no mais alto representante da Academia quando assumiu o cargo de Real D. Dinis. A Ordem D. Dinis, agora com dois anos, surgiu com o intuito de representar todas as escolas de Leiria. Nuno Fonseca, um dos mentores deste projecto, é o elemento que dá a cara pela Academia a nível nacional. O seu grande objectivo é a revisão do Código de Praxe. "É um legado que eu gostaria de deixar para a Academia de Leiria." O jovem nasceu no Porto, mas viveu sempre em Oliveira de Azeméis. Veio para Leiria quando ingressou no curso de Engenharia Informática da Escola Superior de Tecnologia e Gestão. A paixão pelos computadores é antiga e é a área profissional em que, de facto, ambiciona trabalhar. E salienta: "não me importava nada de ficar em Leiria". A vida académica em Leiria é composta por dois grandes eventos: a Recepção ao Caloiro e a Semana Académica. Segundo Nuno Fonseca, "os alunos não aderem a estas iniciativas tanto quanto se gostaria". Apesar de todo o trabalho que se tem, "nota-se sempre o comodismo das pessoas que esperam que tudo apareça feito, sem terem de lutar por nada". A respeito disso, o Real D. Dinis refere o que se passa dentro das próprias escolas com as Associações de Estudantes: "muitas vezes, ninguém se quer candidatar. As pessoas acomodam-se e não querem trabalhar". Em relação à praxe, refere que há muito a mudar, "só é preciso que se queira". Segundo conta, "muitos alunos não sentem a praxe, não percebem o que é. Mesmo tendo consciência que aquilo que lhes foi transmitido estava errado, não querem melhorar e só desejam vingança. Isso já não é praxe. É outra coisa qualquer". O trabalho que tem à noite, em part-time, a vida académica, a boémia e as aulas absorvem-lhe grande parte do tempo. A Ordem veio ocupar o pouco espaço que restava, mas é algo que faz com gosto.

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Reorganização de cursos A oferta formativa do Instituto Politécnico de Leiriavai sofrer alterações. No próximo ano lectivo, o curso de Protecção Civil, ministrado na Escola Superior de Tecnologia do Mar (Peniche), passa para a Escola Superior de Tecnologia e Gestão; Animação Cultural da Escola Superior de Arte e Design (Caldas da Rainha) para a Escola Superior de Educação; e Turismo deixa de ser leccionado na Escola Superior de Educação de Leiria. Os alunos que se encontram inscritos nestes cursos mantêm-se nas escolas onde iniciaram o seu curso até à sua conclusão. Aos alunos inscritos, o IPL garante mais três anos de funcionamento do curso na escola de origem, com o prolongamento de um ano de exames para aqueles que têm disciplinas em atraso.

Juventude em movimento Bolsas para voluntariado, ocupações para férias e SNSJovens são algumas opções disponíveis no Instituto Português da Juventude (IPJ). Além destas, estão acessíveis aos jovens, dos 15 aos 30 anos, muitos outros programas. No âmbito do seminário Juventude em debate, Joaquim Pequicho, delegado regional do IPJ, fez ainda referência ao Juventude em acção, programa em que os jovens podem trabalhar, ou passar férias, no estrangeiro, sem custos adicionais. Durante a iniciativa, promovida pelo Centro de Investigação Identidades e Diversidades (CIID) do Instituto Politécnico de Leiria no dia 6, participaram ainda Ricardo Vieira, director do CIID e professor da ESE e António Oliveira, director da prisão-escola. Inscrições e informações em www.juventude.gov.pt.

A fechar Semana académica 2007 com inovações ANDREIA SANTOS

A cidade de Leiria recebe a Semana académica de 22 a 28 de Abril. Este ano pretende-se inovar em relação aos anos anteriores, apresentando um "aperfeiçoamento", nas palavras de João Neves, presidente da Associação de Estudantes (AE) da Escola Superior de Tecnologia e Gestão. Inserida num tema a divulgar, a semana académica deste ano vai ter uma maior envolvência com a cidade, criar suplementos aos concertos, como actividades diurnas e solidárias, a realizar no recinto. O que se ambiciona é conquistar mais estudantes para este tipo de iniciativas. Pedro Santos, presidente da AE da Escola Superior de Educação, afirma que ainda está tudo em aberto. A grande novidade é a criação do Dia do Estudante, a realizar na terça-feira, dia 17 de Abril. Este dia vai começar com

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actividades desportivas, a tarde vai ser preenchida com o debate Leiria e os estudantes, com a participação de várias entidades da região, e termina com o Band Over Leiria 2007. À semelhança dos

Futebol, futsal e voleibol nas fases finais

anos anteriores, a Semana académica de Leiria é a primeira a realizar-se no País, para não coincidir com as datas das restantes.

INTERNETES

PAULO MARQUES

útil PEDRO JERÓNIMO

IPL persegue títulos nacionais O Instituto Politécnico de Leiria (IPL) continua a dar cartas no desporto nacional. Com a bola nos pés, joga bonito, junto à rede, voa mais alto. As bancadas vibram e a presença nas fases finais dos Campeonatos Nacionais Universitários (CNUs) é já uma realidade para as equipas de futebol 11 (masculino), futsal (feminino e masculino) e voleibol (feminino). Quem se seguirá?

Campeões renascidos Surpresa! Assim se classifica o desempenho da equipa de futebol 11 da instituição, no II Torneio de Apuramento, que decorreu de 13 e 14 de Março, em Viseu. Formado uma semana antes, apenas com o intuito de os atletas se entrosarem para a próxima época, o colectivo leiriense conseguiu o último bilhete de acesso para as fases finais dos CNUs, graças a um brilhante segundo lugar, conquistado no último torneio de apuramento. Na cidade de Viriato, o IPL conseguiu chegar à final, onde perdeu com a Escola Superior de Tecnologia de Viseu (0-1). Depois de ter conquistado e título de campeão nacional universitário, em 2002/03, o IPL pode, agora, repetir o feito nas fases finais.

Com título debaixo de olho

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ARQUIVO/JL

Últimas

"À terceira é de vez!" O povo é quem o diz e o IPL espera que assim seja. A quatro jornadas do fim da fase regular da Liga Universitária de Futsal - Zona Sul, a equipa masculina do IPL já reservou um lugar nos play-off. Nesta fase, vai encontrar, ao que

tudo indica o quarto classificado da Zona Norte, caso se mantenha no comando da Zona Sul. A decisão é a duas mãos e quem passar vai estar na final-four, onde se decide o título nacional. Depois do segundo lugar em 2004/05 e o quarto em 2005/06, o IPL espera, agora, agarrar em definitivo um título que já lhe foge há três anos.

União faz a força Contra tudo e contra todos, a equipa feminina de futsal também já tem o seu lugar nas fases finais dos CNUs. Depois do segundo lugar conquistado no II Torneio de Apuramento, que decorreu em Leiria, nos dias 5 e 6 de Março, bastava-lhe um empate para estarem nas fases finais. Na derradeira fase de apuramento, realizada nos dias 22 e 23 de Março, em Aveiro, o IPL conseguiu logo no primeiro jogo o resultado que precisava: 1-1, frente à Universidade de Aveiro. Um prémio para a equipa, que se viu condicionada por uma série de lesões, antes e durante o torneio.

IPL que voas mais alto… Subiram ao terceiro lugar do pódio por duas vezes e somaram ainda um sexto lugar nos três torneios de apuramento, por isso, são mais uma equipa do IPL na luta pelo título nacional. Apesar de terem ficado no último lugar, no III Torneio de Apuramento, que decorreu nos dias 19 e 20 de Março, em Aveiro, as voleibolistas leirienses conseguiram a qualificação para as fases finais, onde a conquista de uma medalha está agora mais próxima.

YouSendIt [www.yousendit.com] Já alguma vez tentaste enviar um ficheiro por e-mail, mas o ficheiro é grande demais para o limite de anexos que o teu provedor de e-mail te impõe, ou o destinatário tem a caixa cheia?... Pois, eis que chega a alternativa: oYouSendIt. Este serviço apareceu na Internet como uma alternativa ao complicado FTP (file transfer protocol) e aos limites do que podes enviar por e-mail. Explicando em poucas palavras, quando queres enviar um ficheiro "pesado" - até 100Mb na versão gratuita do serviço-, entras no site, escreves o endereço do destinatário, escolhes o ficheiro que desejas enviar a partir do teu computador, e clicas em sendit. Após alguns momentos, o destinatário não recebe o ficheiro directamente, mas sim um e-mail com uma ligação que permite fazer o download do ficheiro enviado. Simples e rápido.

agradável Flickr [www.flickr.com] Fotografias e mais fotografias. Quantos milhares não temos nós nos nossos computadores pessoais? E se pudéssemos mostrá-las a toda a gente? Amigos, familiares, à Internet inteira? No Flickr isso é possível. O site que foi comprado pelo Yahoo! há uns anos tem sido alvo de melhoramentos consecutivos, tornou-se um lugar na Internet fantástico onde podemos carregar as nossas fotografias, organizá-las em álbuns, deixar comentários, atribuir-lhes etiquetas (tags), etc. O grande senão é o limite mensal de 20Mb de tráfego mas, por outro lado, a subscrição anual custa apenas 18.95 euros.

Akadémicos 16  

Edição N.º 16 do Jornal Akadémicos Kapa: teatro na ESE - Todos ao palco

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