Page 1

Akadémicos« Suplemento do JORNAL DE LEIRIA, da edição 1180, de 22 de Fevereiro de 2007 e não pode ser vendido separadamente

15

06 e 07

Ricardo Coelho

JOÃO MATIAS

Vocalista dos Loto

“Não faço downloads de álbuns inteiros”

DR

Arte no corpo

03


Vai lá, vai.... Abertura A participação dos alunos FICHA TÉCNICA Director: José Ribeiro Vieira jose.vieira@movicortes.pt Director Adjunto: João Nazário direccao@jornaldeleiria.pt Conselho Editorial: Alexandra Barata, Catarina Menezes, Cristina Parente, Paulo Marques Coordenadora de Redacção Alexandra Barata alexandrabarata@gmail.com Coordenadora Pedagógica Catarina Menezes cmenezes@esel.ipleiria.pt Apoio à Edição Alexandre Soares asoares@esel.ipleiria.pt Redacção e colaboradores Andreia Santos, Ângela Duarte, Carina Rodrigues, Célia Martins, Dulce Cardoso, João Oliveira, Míriam Gil, Paulo Marques, Pedro Jerónimo, Pedro Santos, Sónia Olaio, Verónica Ferreirinho Departamento Gráfico Jorlis - Edições e Publicações, lda Paginação Isilda Trindade, Rita Carlos

Presidente do Instituto Politécnico de Leiria Luciano de Almeida presidencia@ipleiria.pt Presidente do Conselho Directivo da ESE José Manuel Silva jmsilva@esel.ipleiria.pt Directora do Curso de Comunicação Social e Educação Multimédia Alda Mourão amourao@esel.ipleiria.pt

«

As escolas têm novas Associações de Estudantes (ESE e ESTG). É tempo de enaltecer a participação dos alunos na vida das instituições. Na vivência de um sistema político que se quer democrático, valorizam-se os princípios de educação para a cidadania, apelando à participação consciente dos indivíduos. A realidade do País (e das escolas) não tem mostrado as desejadas boas práticas. Recentemente, assistiu-se à vitória da abstenção, num referendo que nos confrontava com um leque alargado de valo-

res. A opção maioritária foi transferir a responsabilidade de deliberação: “Os outros que decidam”. O baixo índice de participação da juventude não significa que ela seja desinteressada. A sociedade, seguramente, não tem oferecido condições e estímulos para a motivar. Hoje os jovens são vítimas de novas formas de desigualdade social e cultural que interferem na construção da sua identidade e dos seus projectos de vida. O ensino superior encontra-se numa fase de mudança profunda. A todos os níveis. A aposta é inves-

tirmos em retirar o melhor das vias apresentadas. Bolonha veio revelar a inevitabilidade de identificar e partilhar interesses. Neste sentido, nunca a comunidade académica teve tanta conveniência em criar espaços de discussão e coesão. As respostas aos desafios só podem ser encontradas na consciência do bem comum. Às escolas, os jovens pedem que elas conheçam melhor a realidade dos alunos e aperfeiçoem as relações humanas e pedagógicas. A escola de hoje tem de ser construída à medida das necessidades

de toda a comunidade académica. Já não satisfaz a instituição que se limita a formar curricularmente. A escola tem de ser o tecto para o triângulo que envolve formadores, formandos e mercado de trabalho. “A associação [de estudantes] sozinha não faz milagres, não pode carregar num botão e transformar as coisas”, nas palavras de um presidente eleito. Os professores também não.

Alda Mourão

Uma agenda do mês EXPOSIÇÕES

LITERATURA

22 de Fevereiro a 31 de Março O Olhar da fotografia no Cine-Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria.

22 de Fevereiro Sentimentos de Nós, de Manuel Parrinha. A apresentação do livro terá lugar na Livraria Arquivo, em Leiria, pelas 21:30 horas.

Até 24 de Fevereiro El Contemplador Activo é o nome da exposição de 60 gravuras de Picasso, que pode ser visitada na galeria municipal de Torres Vedras. A exposição pode ser vista entre as 9:30 e as 20 horas. A entrada é gratuita.

FORMAÇÃO E WORKSHOPS

Os textos e opiniões publicados não vinculam quaisquer órgãos do IPL e/ou da ESE e são da responsabilidade exclusiva da equipa do Akadémicos.

akademicos@esel.ipleiria.pt

23 de Fevereiro Oficina criativa: A Fala dos objectos no Cine-Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria. Ferloscardo - Novo Circo Ribatejano. Para mais informções, envie um e-mail para cineteatro@teatrojlsilva.pt.

MÚSICA Até 28 de Fevereiro Casa-Museu João Soares: Dez Anos. Exposição evocativa dos dez anos de existência da casa-museu. A exposição pode ser vista às quartas-feiras, de sexta-feira a domingo e feriados, das 10 às 18 horas. A entrada é livre.

23 de Fevereiro Chirgilchin (Mongólia) no Cine-Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, pelas 21:30 horas. Para mais informações, envie um e-mail para cineteatro@teatrojlsilva.pt. 25 de Fevereiro Morangos com Açúcar Ao Ritmo da Amizade, o Musical. Este espectáculo terá duas sessões, às 17 e às 21:30 horas, no Cine-Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria.

Até 1 de Março

Akadémicos«

02

JORNAL DE LEIRIA 22.02.2007

A preto e branco. Exposição de Ana Lousada e Carlos Neto - Cerâmica e Escultura na Livraria Arquivo, em Leiria. Será possível visitar a exposição de segunda-feira a sábado, das 9 às 23 horas, e aos domingos e feriados, das 14 às 19:30 horas. A entrada é livre.

NOVO CIRCO 24 de Fevereiro Ferloscardo - Novo Circo Ribatejano no Teatro Miguel Franco, pelas 21:30 horas.


Piercings e tatuagens

Konsumo obrigatório

Moda para todos

DULCE CARDOSO E JOÃO OLIVEIRA

Vistos como ousados e radicais, os piercingse tatuagens estão na moda. Sara Silva, de 23 anos, afirma ter feito um piercing na língua porque esteticamente sempre achou muito "porreiro".

Jorge Duarte, de 37 anos, é proprietário da Cenas, loja especializada em piercings, situada no Centro Comercial D. Dinis, em Leiria. Jorge abriu a loja como gótico, passou pelo street wear e, só em 1999, é que abriu um estúdio na sua loja, onde um amigo de Lisboa ia fazer piercings todas as semanas. Foi assim que começou a interessar-se pela actividade e que aprendeu as artes de um body piercer. Hoje, Jorge aplica piercings a uma média de 40 pessoas por mês, chegando a atingir as 80 no Verão. Pela Cenas já passou muita gente, mas, de acordo com Jorge, "normalmente é malta mais nova, malta da escola", que requisita os seus serviços. Curiosamente, a pessoa mais velha que já fez um piercing na Cenas foi uma senhora de 52 anos, que fez um furo no umbigo. Entre os diversos locais do corpo onde é possível aplicar piercings, os trabalhos mais solicitados costumam ser o umbigo, a língua, o nariz, o sobrolho e as orelhas. Os mais excêntricos chegam a furar os mamilos e os órgãos genitais. O custo de um piercing dependem do preço dos utensílios usados para a sua realização. Por exemplo, um piercing na língua custa 50 euros, porque "a pinça é mais cara, a agulha é mais cara e a anestesia da língua é mais cara", explica o body piercer. Em relação aos cuidados a ter na aplicação de um piercing, Jorge sublinha: "não furo ninguém com menos de 18 anos, sem a autorização dos pais. As agulhas são descartáveis. É uma para cada um".

FOTOS: JOÃO OLIVEIRA

O body piercer

O tatuador Para Pedro Brandão, de 25 anos, tornar-se tatuador foi um sonho de criança: "O meu avô tinha uma tatuagem e aquilo ficou-me sempre na cabeça", afirma. Pedro é proprietário da Just Tattoos situada na Rua Direita, em Leiria. No princípio foi complicado, porque, apesar de já haver muitas lojas alternativas, "esta rua é um meio muito fechado e os comerciantes têm uma certa idade e até lhes fez uma certa confusão", confessa. Já vai fazer quatro anos que a Just Tattoos está aberta. À semelhança de Jorge Duarte, Pedro também aprendeu a tatuar através de amigos. Em relação a pequenos cursos existentes nesta área, diz que não funcionam. "Aprendes a fazer numa sexta e num sábado aquilo que demorei nove anos a aprender."

O tatuador afirma que já conseguiu estabilizar o negócio, pois quando a loja abriu o trabalho era escasso, mas agora diz diz ter clientes diariamente. "Já tatuei famílias desde a avó ao filho. Desde o juiz ao presidiário", confessa orgulhoso. Quem recorre aos serviços da Just Tattoos é submetido a uma espécie de interrogatório. O tatuador realça que, antes de fazer uma tatuagem, "há uma série de coisas que têm que ser vistas". Desde a idade, se são menores ou não. Se são diabéticos, também saber um pouco do historial clínico. "Também falo em relação à remoção da tatuagem. Uma tatuagem que posso fazer por 50 euros, nunca são menos de 400 euros para a tirar." Em relação a cuidados de higiene, Pedro salienta: "a única coisa que nós esterilizamos é um tubo que seguramos como se fosse a parte mais grossa da caneta. De resto, tudo o que tem contacto com o cliente é destruído. As agulhas são individuais: são abertas à frente do cliente e destruídas à frente do cliente”. Qualquer parte do corpo pode ser tatuada, embora Pedro insista com os seus clientes que, na altura é muito bonito, mas tatuar o pescoço ou as mãos pode trazer complicações no futuro a nível profissional. Apesar de hoje a prática das tatuagens ser mais aceitável, há um tempo era vista como uma coisa de marginais. Mas, de acor-

do com o tatuador, foram as mulheres que ajudaram a dissipar essa ideia. Curiosamente, hoje, as mulheres tatuam-se mais que os homens. Na Just Tattoos, o preço mínimo para fazer uma tatuagem é de 50 euros, o preço máximo é impossível determinar. Pedro afirma já ter feito tatuagens de 800 euros, mas também de cinco mil euros: "quando faço uma tatuagem artística, e não apenas uma reprodução, é o mesmo que ir a uma galeria e dizer ao pintor para me fazer uma tela. A seguir também não discuto o preço", argumenta o tatuador. Dora Andrade, de 28 anos, tem um sol tatuado no fundo das costas, e afirma que optou por esta tatuagem por uma questão estética. "Nunca me arrependi de fazer esta tatuagem. Porém, agora estou grávida e podem não me administrar a epidural devido à tatuagem. Foi a única vez que a tatuagem me atrapalhou". Pedro afirma que o mercado das tatuagens em Leiria está em expansão. Mas, mesmo assim, ainda é necessário quebrar algumas barreiras. De acordo com Jorge Duarte e Pedro Brandão, em Portugal existe uma grande lacuna: a falta de legislação. "Andam por aí muitas esteticistas e ourivesarias a fazer coisas que não deviam", afirma Jorge. Pedro lamenta também que a profissão de tatuador não seja reconhecida.

« Considerados viciantes, as tatuagens e os piercings vieram para ficar. São cada vez mais os jovens (e não só) que recorrem a estas práticas de arte corporal. Várias casas especializadas têm aberto em todo o País. Leiria não é excepção.

Akadémicos« JORNAL DE LEIRIA 22.02.2007

3


Associação de Estudantes

Está a dar

Novos presidentes na ESE e na ESTG Representar os estudantes e defender os seus interesses é o principal objectivo das novas Associações de Estudantes da ESE e da ESTG. Apesar de se assumirem como projectos de continuidade, apresentam as suas propostas e lamentam a falta de participação da comunidade estudantil teremos um Torneio de Bowling, na Gândara." Quanto à semana académica, ainda nada está decidido, mas João Neves defende que, a par de algumas presenças já habituais, deverá haver nova aposta numa série de bandas novas que têm surgido na região.

Dificuldades

FOTOS: VERÓNICA FERREIRINHO

Pedro Santos

João Neves CARINA RODRIGUES E CÉLIA MARTINS

Akadémicos«

04

JORNAL DE LEIRIA 22.02.2007

"Então e se vocês para o ano se candidatassem?" Foi na sequência deste desafio, proposto por Paulo Marques, ex-presidente da Associação de Estudantes (AE) da ESE, que Pedro Santos decidiu concorrer ao cargo de presidente, que ocupa actualmente. "Pensámos nisso e resolvemos avançar", disse. João Neves, que já fazia parte da anterior associação da ESTG, resolveu candidatar-se à presidência, porque os alunos da sua escola não manifestaram interesse em fazê-lo. "Como não vi ninguém a avançar… De certa forma, foi para não deixar morrer todo o trabalho que fizemos no ano passado, todos os projectos que ficaram por fazer. Com o apoio dos antigos elementos e dos elementos que ficaram, decidi que não tinha nada a perder." Ambas as presidências

referem que querem dar seguimento às actividades realizadas pelas anteriores equipas. "Somos, claramente, um projecto de continuidade", assume Pedro Santos. Também não é por acaso que a lista de João Neves era a Lista 'C', de 'continuidade'. Por outro lado, pretendem também pôr em prática as propostas apresentadas aos alunos durante a campanha eleitoral, mas, como tomaram posse há pouco tempo, ainda não conseguiram 'partir para a acção'.

Projectos "Há muita coisa pensada! Estamos, neste momento, a dar os primeiros passos. Já estamos a começar a marcar reuniões com os devidos órgãos para a apresentar os nossos projectos", refere Pedro Santos. As propostas desta presidência estão divididas por quatro áreas: cursos, promoção dos núcleos de curso e criação do «Bibliocurso» (arquivo com trabalhos de alunos dos vários cursos); reforço do espírito académico, como por exemplo a comemoração dos 20 anos da AE ESE; promoção de outras aprendizagens aos alunos, como

as tunas, o Akadémicos, a rádio, o grupo de teatro, torneios desportivos e jogos tradicionais e divulgação dos trabalhos artísticos dos alunos. Pedro Santos tem ainda outras propostas, como o apoio a uma nova edição do «Hospital da bonecada» e do Encontro Nacional de Escolas Superiores de Educação. Refere ainda a recuperação da esplanada exterior. Para o Presidente da AE ESEL, é importante "ter um espaço de convívio onde as pessoas se possam conhecer melhor, de forma a serem mais unidas. Aquilo que nós tentamos traduzir na nossa campanha foi sempre isso, a união". Segundo João Neves, o objectivo principal é dar continuidade às actividades iniciadas pela anterior presidência: "Houve uma série de projectos que foram feitos que correram bem e, por isso, queremos voltar a fazê-los, como é o exemplo da Noite de fados, do Fim-de-semana desportivo na Nazaré, o Torneio de futebol e o Teatro académico". No entanto, existem ideias novas: "Queremos apostar mais na cultura. Teremos um Concurso de Arte, que tínhamos proposto para fazer o ano passado, mas que só vamos conseguir acabar este ano, e, se tudo correr bem,

Por enquanto, as associações ainda não se deparam com grandes contrariedades, pelo que podem apenas prevê-las. Segundo Pedro Santos, a maior dificuldade será "tomar as decisões correctas". A falta de experiência dos membros da AE pode ser um entrave à descoberta do caminho certo. "Quase ninguém que está agora na associação esteve numa associação de estudantes anteriormente e é tudo novo para nós. Penso que há coisas que vão ser complicadas de gerir, como por exemplo decidir se investimos neste ou naquele objectivo", afirma. No caso de João Neves, a experiência adquirida pela presença na AE anterior poderia ser uma mais-valia. Porém, refere, "não há dois anos iguais. As dificuldades são diferentes e este ano acrescidas pela implementação do Processo de Bolonha". Além disso, a particição dos restante alunos parece ser uma preocupação dos novos presidentes. João Neves refere que, num universo de seis mil alunos “nem mil vão votar”. Também Pedro Santos acha que os alunos participam pouco: “se calhar se fossem um bocadinho mais participativos as coisas seriam diferentes, tínhamos outro poder reivindicativo e podiamos exigir mais coisas”. E acrescenta que, “a associação sozinha não faz milagres, não pode carregar num botão e transformar as coisas”.


TAK A Unidade de Ensino à Distância (UED) é uma novidade no IPL e está em funcionamento desde Agosto de 2006. Tem como objectivos a conquista de novos públicos e a exploração de uma nova forma de ensino, o e-learning. A grande ambição é a criação de cursos de graduação numa modalidade à distância.

PEDRO SANTOS

Está a dar

Tomografia Axial Komputorizada

Película de vida PEDRO SANTOS

IPL ensina à distância

MÍRIAM GIL

A funcionar nas antigas instalações da Escola Superior de Enfermagem, a UED assume-se como uma unidade orgânica do IPL, que tem por objectivo coordenar todas as actividades ligadas ao ensinoon-line. Segundo Rogério Costa, director da UED, são duas as grandes finalidades: "complementar o ensino presencial e criar cursos exclusivamente à distância". Enquanto apoio aos cursos a decorrer nas escolas do instituto, a UED responsabiliza-se pela "disponibilização na Internet dos conteúdos das cadeiras", afirma o director. Além disso, no próximo ano espera oferecer, numa perspectiva à distância, algumas disciplinas presentes nos planos curriculares dos cursos presenciais do IPL. Assim, o aluno pode optar entre "frequentar uma cadeira no ensino tradicional ou numa outra modalidade disponível através da Internet", explica Rogério Costa. Mas a grande novidade é a aposta numa vertente que consiste em desenvolver cursos só à distância. Desde Agosto de 2006 que o núcleo de suporte da

unidade, constituído por sete pessoas, está a trabalhar na preparação dos cursos que devem arrancar ainda este ano: Empreendedorismo e Língua Portuguesa para Estrangeiros. Segundo o director, "esta é uma fase experimental em que a UED tenta encontrar o seu modelo, por isso, alunos finalistas e antigos alunos são os grandes destinatários". No entanto, num prazo de três anos a unidade espera oferecer cursos de graduação: "o objectivo é criar cursos de licenciatura ou de pós-graduação numa perspectiva à distância. Essa é a nossa grande meta. Se forem bem formatadas e bem divulgadas, essas graduações poderão chegar a outros países, outros povos. Com o e-learning as barreiras do espaço e do tempo ficam diluídas e ultrapassadas". De modo a facilitar a sua própria aprendizagem, a UED criou protocolos com duas universidade estrangeiras: a Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL), no Brasil, e a Universidad Nacional de Educación a Distancia (UNED), em Espanha. "A UNISUL dis-

ponibiliza uma pessoa que está aqui connosco e que nos apoia na formatação dos conteúdos e dos próprios cursos. Já com a UNED vamos trabalhar numa perspectiva à distância e o apoio vai ser ao nível da formação de tutores", salienta o director. Apesar de contar com um núcleo que se responsabiliza pela "preparação dos materiais numa perspectiva didáctico-pedagógica, a unidade não funciona sem os docentes das várias escolas do IPL". Eles vão ser os tutores que vão acompanhar os futuros alunos. No entanto, "um tutor à distância tem de ser primeiro aluno à distância e é nesse aspecto que a UNED nos vai auxiliar", assegura Rogério Costa. A unidade espera que o curso de Empreendedorismo esteja preparado para arrancar em Maio. Os custos de inscrição serão conhecidos em Abril, mês em que começará a ser disponibilizada informação sobre este primeiro curso na página Internet do IPL.

Antigamente, era uma vinha. Hoje é o renovado teatro, que homenageia o comendador que o financiou e que lhe dá nome – José Lúcio da Silva. É no "novo" espaço cultural da cidade que Eduardo Silva é projeccionista. E quem melhor do que alguém que aí trabalhou toda a vida para destacar neste TAK? Desde os 17 anos que os seus dias são passados entre as películas e os milhares de filmes que projectou. E, até hoje, mesmo depois de reformado, "dá uma perninha" no Teatro José Lúcio da Silva. A sua principal função é trabalhar com as máquinas e projectar os filmes, mas não se pense que é tarefa fácil. Houve vezes em que a luz falhou ou as máquinas avariaram e as sessões foram interrompidas, pelo que as pessoas tiveram que sair da sala. Hoje, as capacidades tecnológicas são outras. As películas já não partem e, como diz Eduardo Silva, o cine-teatro tem “todos os formatos de som que existem". Começou como ajudante de projeccionista no antigo Teatro Dona Maria Pia, que se situava no espaço que hoje tão bem conhecemos: a Fonte Luminosa. Mais tarde, e como se projectava um novo cinema para Leiria, foi transferido para a Praça Paulo VI, e funcionava em instalações provisórias conhecidas como "Barracão". Até à construção do novo teatro, Eduardo Silva foi progredindo e tornou-se projeccionista. “A inauguração foi uma festa para o povo de Leiria, ainda para mais porque esteve cá o Presidente da República, que, na altura, era o Almirante Américo Tomás. No princípio passávamos quase um filme por dia, ao longo do ano chegavam a ser quase 200 filmes", recorda. Hoje, já na nova e mais pequena cabina de projecção, Eduardo Silva fala com orgulho das novas obras. "Faziam muita falta. Havia aí muito espaço mal aproveitado e agora está muito mais funcional." Apesar da sétima arte fazer parte da sua vida, não gosta de ver cinema na televisão. "O ecrã é muito pequeno, justifica".

Akadémicos« JORNAL DE LEIRIA 22.02.2007

05


.

Ricardo Coelho, vocalista dos Loto

"Os subsídio-dependentes fazem-me muita confusão"

Sentado no mocho Sentou, vai ter k explicar

exploração, porque o facto de nos mudarmos de Lisboa para Alcobaça acaba por ser um processo interessante. Beat Riot tem poucos dias e já anda a dar que falar. Se encontrasses alguém numa loja e o visses a mexer no disco... Já aconteceu. E há pouco tempo... Eu passei e disse "Não hesites mais, compra". O disco tem corrido muito bem até agora, mas há aquele problema do segundo disco. No primeiro há sempre a predisposição para ouvir, mas depois no segundo já não somos aquela banda nova. As coisas têm corrido muito bem, porque conseguimos fazer um disco interessante, com "pontes" que nos deixam muito orgulhosos, nomeadamente ter um herói da nossa infância, o Peter Hook, dos New Order, o guitarrista dos Scissor Sisters, ou um coro gospel no disco, que foi algo que sempre quisemos. Portanto, está a correr muito bem.

«

Foi em Alcobaça que encontrámos o vocalista dos Loto, Ricardo Coelho. Natural de Leiria, há 25 anos que tem as moradas divididas entre Lisboa e Alcobaça, mas sempre se identificou como alcobacense. Licenciado em Relações Internacionais, formou os Loto, que em 2004 lançaram o primeiro álbum, alcançando grande sucesso. Com os lucros montaram um estúdio em Alcobaça, onde têm a sua base há dois anos.

FOTOS: JOÃO MATIAS

Como olhas para a Internet, do ponto de vista de um criativo da música? Uma oportunidade ou uma ameaça? Claro que é uma oportunidade. Hoje, com a Internet à disposição, é quase como se nos desse a oportunidade de ser a nossa própria editora, de chegar ao grande público sem intermediário. Não é como há algum tempo atrás. Hoje em dia, através do MySpace, do Hi5, ou de imensos veículos de promoção que existem na Internet, podemos estar em contacto quase permanente com as pessoas que nos querem ouvir. A Internet é um aliado de qualquer banda, mas obviamente tem de ser usada com algum cuidado... Uso bastante a Internet para fazer downloads. Não faço downloads de álbuns inteiros, mas sim de músicas para conhecer e, se gosto, eventualmente compro o disco. Sei que isso hoje se torna difícil, porque os discos estão muito caros. Mas se as pessoas sacam o disco dos Loto, os Loto não vendem e as editoras não apostam em nós... Queremos que nos conheçam, através da Internet, mas há o risco dos downloads ilegais. PAULO MARQUES

Akadémicos«

06

JORNAL DE LEIRIA 22.02.2007

Como é que uma pessoa que vem de uma cidade pequena chega aos tops da música? O facto de seres de um meio mais pequeno não quer dizer nada. Como banda podemos mais visíveis em qualquer lugar, porque temos muitos meios de promoção disponíveis. Alcobaça tem ganho uma certa reputação. Começou com os The Gift, depois os Loto, o Clinic. Portanto, hoje o facto de se ser de uma cidade pequena é

um aspecto que à partida não nos pode inferiorizar. Tem sido gratificante? Valeu o esforço? Sim, o feedback tem sido bom. A nível nacional, já conseguimos ser reconhecidos como uma banda que tem o seu espaço, que tem o seu público, que de alguma forma conseguiu demarcar-se. Agora estamos numa fase interessante, que é começar a receber feedback do estrangeiro, muito devido às colaborações que tivemos no nosso disco, que foram muito importantes. Está a ser um período também de auto-

The Gift, David Fonseca e Loto são nomes sonantes na música portuguesa, todos da mesma região. É coincidência ou Leiria é mesmo um centro produtor de cultura? Há muitos mais... Não acho que seja coincidência. A zona Centro, e não só Leiria (Alcobaça e não esquecer Caldas da Rainha), acaba por fazer parte da zona de acção de Lisboa. O facto de ter havido algumas bandas que "furaram", levou a imprensa a tentar perceber o que é que havia para lá de cada banda, houve curiosidade em entender o que é que impulsionava as bandas. Há uns tempos saiu um artigo num


A oferta cultural de Leiria, de um modo geral, e Alcobaça, em particular, é suficiente? Não entrando em comparações, Alcobaça neste momento apresenta um nível cultural muito interessante, não só com o Cine-teatro, mas também com o Clinic, o Parlatório, etc. Temos um concerto em Alcobaça todas as semanas. Já em relação a Leiria, penso que há menos oferta, o que acaba por ser estranho e curioso: como é que uma cidade tão pequena como Alcobaça consegue ter um nível de oferta cultural que está ao nível de uma cidade como Braga ou Coimbra? O que é que poderia ser feito para melhorar? Em primeiro lugar, embora seja importante existirem pessoas anónimas que queiram fazer algo ao nível da cultura, tem de haver vontade política... Mas, com a crise que estamos a atravessar, a primeira coisa a cortar é na cultura. Em última instância, para lá da vontade política, a vontade pessoal acaba por ser mais forte. Com força de vontade conseguimos sempre trazer um projecto cultural à região... Lembro-me de um movimento que houve em Manchester que, com a vontade de três ou quatro pessoas, a colocaram no mapa mundial da cultura. O que estou a tentar dizer é que qualquer pessoa pode fazer a diferença entre haver ou não haver oferta cultural. O Governo anunciou recentemente que já tem pronto para apresentação o

estatuto do artista. O que pensas desta medida? Este estatuto era há já muito tempo esperado, porque em relação às pessoas que fazem cultura, nunca houve regulamentação. Eu, que sou músico, não faço descontos, não tenho protecção médica, ou seja, há uma grande indefinição quanto à nossa profissão... Todos os esforços para clarificar o estatuto do que é o artista, e de todas as pessoas que fazem "arte" é benéfico, obviamente. Por outro lado também é importante dar um pouco mais de responsabilidade a quem faz cultura, pois por vezes as coisas são tomadas com uma postura muito leviana.

Aconselharias a um recém-licenciado de Leiria mudar-se para um grande centro, como Lisboa ou Porto, ou a tentar a sorte na zona? Essa é mais uma questão que já não se coloca. O meu pai é professor universitário. Dá aulas em Coimbra e Santarém. E ele diz que, hoje, o que Santarém tem para oferecer não é de modo algum inferior a Coimbra. Pode-se ter um nível de ensino bastante contextualizado no mercado de trabalho. E visto que Leiria tem um sector industrial bastante activo, essa é uma grande vantagem, uma vez que uma pessoa que tire um curso cá poderá ter mais facilidade de arranjar emprego na região.

Se fosses ministro da cultura... Se fosse ministro da cultura, uma das sete maravilhas, primeiro que nada, era aqui este mosteiro [Alcobaça]... Fazia um esforço sério de exportação da música e cultura portuguesas. Em Portugal, fazem-se coisas muito interessantes, mas depois não há um movimento para tentar mostrá-las lá fora. Sinto isso como músico. Por exemplo, o Estado norueguês patrocina as bandas e músicos para irem para o estrangeiro, França criou um gabinete de exportação da música francesa, e em Portugal não há nada disso. Acaba por ser uma forma de vincular a nossa nacionalidade, através da música, e para os emigrantes, isso é mais do que importante. Estamos a tentar ir tocar em algumas feiras internacionais de música, mas é tudo pago do nosso bolso. Não me estou a queixar, pois os subsídio-dependentes fazem-me muita confusão. Tem é de haver uma política estruturada de apoio à exportação da cultura portuguesa. Faz falta o querer transpor a cultura portuguesa, a portugalidade, para o exterior.

Se fosses ministro do Ensino Superior... Dava mais transparência ao que acontece na Educação. Tem havido muita confusão, pelo menos visto de fora, no sector da Educação. E tentaria saber, de uma vez por todas, o que é que os alunos e os professores querem. E saber também para onde é que o ensino português está a caminhar.

Falando agora de ensino superior, tirarias um curso no IPL? Sim, o nível de ensino de instituições que estão localizados em cidades pequenas não fica atrás de outro qualquer, e Leiria não é excepção de modo algum.

Em Abril de 2004, os Loto passaram por Leiria, na Semana Académica. Como é que foi esse concerto? Foi uma altura porreira. Estávamos a lançar o nosso disco, mas ficou-me na memória os cães do Pedro Abrunhosa, que andavam a passear ao pé do backstage... Foi um concerto engraçado. A Semana Académica de Leiria tem condições de competir com a Queima de Coimbra? Em muitos aspectos, já compete. Estive a falar com um DJ que vai há três anos a Leiria, que me confidenciou que, em termos de animação, é uma das mais loucas do país. Fui no ano passado ver Rinôcérose, e, nesse ano, foi uma semana académica de grande nível. Concordo com os dias temáticos, um dia para cada gosto, e têm um palco onde podem ter muitas coisas interessantes, não sendo só uma semana académica onde se bebe muito e há pouca qualidade musical.

Em Portugal, fazem-se coisas muito interessantes, mas depois não há um movimento para tentar mostrá-las lá fora. Sinto isso como músico.

jornal que dizia que era da água... Acredito que houve um boost de criatividade e uma tentativa de passar as fronteiras, falando da experiência de Alcobaça. Acredito também que o facto de vivermos num meio pequeno nos deu muita vontade de passarmos as fronteiras. A vontade de fazer um concerto em Lisboa, querer mostrar a nossa música a um maior número de pessoas. Foi isso que nos guiou, a nós, e a muitos grupos culturais da região. Houve sempre um grande desejo de expansão.

Neste momento, temos um concerto em Alcobaça todas as semanas. Já em relação a Leiria, penso que há menos oferta, o que acaba por ser estranho e curioso.

Akadémicos« JORNAL DE LEIRIA 22.02.2007

07


Últimas

A fechar

Mestrados no IPL O Instituto Politécnico de Leiria, em parceria com a Faculdade de Economia da Universidade do Algarve (FEUALG), promove quatro novos mestrados. Gestão empresarial, Marketing, Gestão de organizações turísticas e Gestão e desenvolvimento de destinos turísticos são as opções existentes. Encontram-se em preparação outros mestrados em áreas diferentes. Mais informações em www.ipleiria.pt

SMSfilas faz frente às filas de espera ÂNGELA DUARTE

Dois alunos do curso de Engenharia Informática da ESTG desenvolveram um projecto inovador, que permite rentabilizar o tempo em filas de espera, através de um serviço que funciona por mensagens SMS. Todos já passámos pela situação de estar muito tempo de senha na mão à espera de ser atendido e a pensar em tudo o que se poderia fazer durante essa período. Foi a pensar nisso que surge a ideia, por parte do professor António Pereira, coordenador do Departamento de Engenharia Informática, de desenvolver um projecto que terminasse com as horas perdidas em filas de espera. SMSfilas nasce da mão de dois alunos finalistas do curso de Engenharia Informática – Amílcar Pereira e Pedro Botas

IPL participa em Tradução audiovisual O curso internacional de Tradução audiovisual (TAV) vai decorrer este Verão. Além do Instituto Politécnico de Leiria, institutos da Alemanha, Bélgica, Espanha, Itália e Reino Unido vão participar no projecto. O curso é realizado em Bertinoro (Bolonha, Itália), de 21 de Maio a 2 de Junho, e pretende promover novas competências nos futuros profissionais na área de tradução. Mais informações em www.ipleiria.pt

– e contou com o apoio e coordenação dos professores Rui Bragança e Catarina Reis, além do impulsionador, António Pereira. O projecto consiste num sistema de gestão de filas, que permite ao utente receber, via SMS, um alerta que o informa quando se aproximar a sua vez de ser atendido. Amílcar Pereira explicou que este sistema pode ser implementado em qualquer serviço, nomeadamente bancos, repartições e agências de correios. O modo de funcionamento não poderia ser mais simples: o utente retira uma senha de um quiosque e, se desejar, insere o seu contacto de telemóvel. Quando a sua vez se aproximar, o sistema envia automaticamente uma mensagem para que se dirija ao local de atendimento. Os autores do projecto explicam ainda que o SMSfilas permite uma sincro-

INTERNETES

Desporto universitário de olhos postos em Leiria

IPL recebe II Torneio de Futsal Feminino

Akadémicos«

08

JORNAL DE LEIRIA 22.02.2007

Internet - o útil e o agradável útil Carbono Zero [www.carbono-zero.com] Numa altura em que o aquecimento global e os seus efeitos estão finalmente na agenda política dos governos, surge a empresa Carbono Zero. O desafio é simples: e se pudéssemos substituir as nossas emissões de carbono por árvores? O site disponibiliza diversas calculadoras, onde podemos estimar o nosso consumo anual. De seguida, podemos “anulá-lo”, financiando a plantação de árvores num dos locais referenciados. Este serviço está já a ser utilizado por empresas que usam a marca Carbono Zero para melhorar a sua imagem junto dos clientes.

FOTOS: VERONICA FERREIRINHO

Descontos na Álibi A actual gerência da discoteca reúne esforços, com a Associação de Estudantes da Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG), para "realizar novos eventos" direccionados aos estudantes. Com o cartão de estudante vai ser possível obter descontos em seis bebidas. Os preços são iguais aos da discoteca BeatClub. O staff e o DJ são diferentes, pelo que apenas os seguranças se mantêm.

nização entre todos os postos de atendimento. O utente retira a sua senha e, à medida que o atendimento avança, o tempo é actualizado no sistema para que o utente seja avisado atempadamente de que a sua vez se está a aproximar. Rentabilizar o tempo de espera de cada um, bem como reduzir o número de utentes concentrados no mesmo espaço, são os objectivos principais deste sistema, acabando por criar uma relação mais harmoniosa entre o serviço prestado e o cidadão. O projecto está já pronto a ser implementado há dois anos, tendo sido desenvolvido no âmbito do bacharelato dos dois alunos de Engenharia Informática. Contudo, ainda não saiu das paredes da ESTG. Mais uma vez, os alunos do Politécnico de Leiria dão provas do que sabem fazer.

PEDRO JERÓNIMO

Sabem de bola e querem surpreender. Ficaram em terceiro lugar na edição inaugural, mas agora, em casa, sonham com algo mais. As atletas do IPL entram em campo nos dias 5 e 6 de Março, no II Torneio de Futsal Feminino, que a instituição acolhe e que conta para o calendário da Federação Académica de Desporto Universitário. Os jogos realizam-se no Pavilhão dos Parceiros. Entretanto, e tendo em vista a revalidação do título nacional, a instituição iniciou a preparação para a fase final, com realiza-

ção do I Mini-Torneio de Andebol Feminino do IPL. Presentes no triangular, realizado no dia 14, estiveram as equipas do Colégio João de Barros e da

Juventude Desportiva do Lis. IPL x Col. João de Barros (15-23), Juve Lis x Col. João de Barros (14-17) e IPL x Juve Lis (12-16) foram os resultados.

agradável Last.fm [www.last.fm] Imagina o conceito de um site “social”, parecido com o Hi5, mas cujos perfis são automaticamente actualizados e interligados apenas por ouvires música, comodamente, no teu PC. Ao registares-te, o Last.fm vai guardando no teu perfil todas as músicas que ouves, criando o teu perfil musical, e, ao fim de pouco tempo, começas a ver as pessoas que têm os mesmos gostos dos teus. Através do leitor de rádio do Last.fm, ouves estações de acordo com o teu perfil, e, quem sabe, aquela música que andas há séculos para saber quem canta. Podes mesmo descobrir artistas que desconhecias e que acabas por devorar.

Akadémicos 15  
Akadémicos 15  

Edição N.º 15 do Jornal Akadémicos Kapa: Arte no corpo

Advertisement