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Novembro2013

ANO LETIVO 2013 2014

N.º 2 BOLETIM INFORMATIVO - INSTITUTO DIOCESANO DE FORMAÇÃO JOÃO PAULO II

EDITORIAL E depois das fitas cortadas e do arranque do novo ano letivo, eis que já um mês de atividades escolares decorreu. Os dados foram lançados e neste passar de tempo, que parece que não passa, mas que efetivamente já passou, quando olhamos para trás, entre aulas preparadas e lecionadas, atividades desafiantes de rádio, jornal e comemorações de efemérides nacionais e mundiais e os tão temidos e decisivos primeiros momentos de avaliação, os prognósticos são de continuação, porque o ano letivo ainda agora começou. Como escrevia o poeta “no comboio descendente” são muitas as emoções e expetativas e não podemos parar quando há objetivos a alcançar. Estes são, com enorme agrado, apresentados, mensalmente, nas páginas do nosso “Soletrar”. Teremos a nossa coluna histórica de ícones e símbolos que fizeram deste território insular um país singular. As nossas memórias de um passado e presente vividos com lágrimas e risos de mistos sentimentos. A nossa página desportiva com os “chutos” bem e mal lançados que, ora fazem de nós os heróis do dia, ora nos deixam desanimados, porque no instante não pensamos que o importante é participar, partilhar. E falando de partilhas, teremos a oportunidade de ler os misteriosos e interessantes textos que os nossos jovens estudantes elaboram sobre os diversos temas para os quais são convidados a escrever. E porque o dia-a-dia não é feito só de letras, também temos a nossa página de matemática em ação, para os que gostam de desenvolver o raciocínio. Não é por falta de motivos e incentivos que às vezes não se realizam os sonhos, mas porque os astros, por vezes, também se eclipsam.

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A minha opinião...

A minha opinião sobre o dialeto são-tomense “Ta o foro kuma cua sá”

Rapidamente associamos, por exemplo, um habitante que viva em Espanha como espanhol, e sendo espanhol, automaticamente se chega à conclusão que fala espanhol, assim como um inglês fala inglês ou um francês fala francês. Mas e um são-tomense? Para quem sabe um pouco de história, não é segredo que São Tomé e Príncipe era uma colónia portuguesa, e a partir desse facto, qualquer estrangeiro conclui que a língua de um são-tomense é de origem lusitana. E é verdade! Cerca de noventa e cinco por cento dos são-tomenses sabe falar português. Muito bem, até aqui, no entanto algo está a ser esquecido, e cheguei ao ponto onde queria chegar: não há mais línguas que se devam associar a um são-tomense? Em São Tomé e Príncipe, para além do português, temos o “forro”, a língua do povo que para muitos populares é uma marca nacional, temos o crioulo cabo-verdiano, trazido por emigrantes cabo-verdianos, e ainda temos o angolar, um dialeto falado a sudeste da ilha de São Tomé; há também vestígios de mais dialetos falados na ilha do Príncipe, embora falados por uma minoria. Sinceramente, antes de vir para São Tomé, tinha a noção básica de que havia, algures nesta ilha, uma língua nativa falada por pessoas locais, que viviam em cima de árvores no meio da selva. Isto era a minha imaginação a funcionar há dez meses atrás. Chego cá, deparo-me com uma variedade e riqueza linguística apetecíveis! Guloso como sou, quis aprender a falar “forro”, que mais tarde veio a ser-me mais útil que um canivete suíço. Um exemplo: estou a andar na rua, aparece-me uma senhora e diz-me: “Blancoê , dá-me dez mil contos”. Um típico português que viva cá, ou ignoraria, ou dava dez mil, ou ainda responderia mal. Eu respondi “ Tia, qui nova sa hoje? Leve-leve só, dá-me tu a mim dez contos para apanhar motoqueiro.” Claro, não me deu as tais dez mil dobras, mas fiz uma amiga! Agora, sempre que saio do autocarro falamos. Com umas poucas palavras em “forro”, consegui quebrar uma barreira. Na minha opinião, não partilho o mesmo entusiamo com os jovens são-tomenses, a nova geração já só sabe falar português. Atenção, não tenho nada contra isso, aliás, acho muito bem que o português esteja na boca de todos, mas esquecer o resto é um atentado cultural. Vamos lá São Tomé, a nossa maior riqueza é a cultura, a cultura é o que nós somos, é aquilo que define um país! Ia-me esquecendo... um amigo meu traduziu-me de português para “forro “ o título do texto, dedicado a São Tomé e Príncipe: Nunca te esqueças de quem tu és. Alberto Abreu, 11º CTB

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A importância do “santomé” Um dialeto é uma linguagem particular de uma região, característico de um povo e o cartão de identidade de um país. São Tomé e Príncipe, assim como muitos países africanos antes da colonização tinha diversos dialetos tradicionais que com o passar dos anos foram substituídos pela modernização da metrópole. Devido à forte influência dos angolanos no sul da ilha, a cidade de Angolares tem como dialeto o anguené, dialeto este fortemente conservado pela população residente, assim como o crioulo cabo-verdiano que está presente em diversas comunidades agrícolas, a de Agostinho Neto, Monte Macaco, Caldeiras. A ilha do Príncipe tem como dialeto o linguiê, que infelizmente está em vias de extinção. As influências das línguas manifestam-se profundamente na cultura de um povo. Assim sendo, é de salientar que, apesar dos dialetos tradicionais fazerem parte das conversas de muitos são-tomenses, fundamentalmente dos residentes nas comunidades, na cidade, capital, poucos são os jovens que falam fluentemente o santomé, muito menos os que têm um verdadeiro conhecimento da cultura. O pouco interesse dos jovens na aprendizagem do dialeto devese fundamentalmente ao complexo que estes têm, ao se sentirem inferiorizados ou pela vergonha de serem vistos como mais velhos. Este complexo deve-se ainda à influência da globalização no nosso dia-a-dia, uma vez que a camada juvenil absorve e tem preferência por hábitos estrangeiros. Alguns jovens têm-se apercebido da importância do Santomé e têm tido um papel fundamental na sensibilização de outros jovens, alguns grupos musicais como os Vibrados, Leo Boca Copo e Tobias Vaiana que compõem as suas músicas no nosso dialeto.

O dialeto forro de São Tomé é uma língua cada vez menos usada. Apenas algumas famílias sabem falar e usam-na frequentemente. É a língua que nos faz sentir são-tomenses, que nos faz sentir nós mesmos e que marca toda a diferença. Não conservar o dialeto forro é não conservar as nossas raízes, é não falar a mesma língua que os nossos antepassados, é simplesmente não ser são-tomense. Antes de aprendermos a falar inglês ou francês, deveríamos aprender forro na nossa casa e nas escolas, pois assim como o francês e o inglês ser-nos-ão úteis no futuro, aprender a falar o dialeto forro é preservar aquilo que nos foi dado no passado, é preservar a nossa identidade. Ildy Ten Jua, 11ºCTA

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Reflexão ...

Os animais e a violência Os maus tratos contra os animais acontecem diariamente no nosso país, não havendo punição para quem os pratica. A meu ver, isto deve-se ao facto de muitos são-tomenses não lhes darem muita importância, alegando terem assuntos mais importantes para resolver. Como não são criadas leis de proteção para os animais, o que acontece em alguns países, as pessoas acabam por maltratá-los quando e como lhes apetece, uma vez que não sofrerão qualquer tipo de sanção. Algumas pessoas maltratam-nos pelo puro prazer de os ver sofrer, outros descarregam as suas frustrações e raiva batendo nos animais, sem se aperceberem de tamanha crueldade, esquecendo-se que eles tal como nós, sofrem e sentem dor. Muitos são-tomenses ainda têm o conceito de outrora, a ideia de que os animais são seres inferiores a nós e que servem apenas para ajudar na caça, ou para proteger as nossas casas. Atualmente existe outra conceção. Os animais são mais do que simples prestadores de serviços, são nossos companheiros, amigos e demonstram carinho, afeto e dedicação a quem os protege e lhes retribui os mesmos sentimentos. Acho necessário, neste artigo, falar de um animal em concreto, o cão, uma vez que existe uma quantidade surpreendente de cães nas ruas da cidade e não só. Isto deve-se ao facto destes serem constantemente maltratados e abandonados pelos seus donos. Para além de estarem sujeitos aos maus tratos, também estão sujeitos a doenças e acidentes, acabando muitas vezes por morrer, já que não existem veterinários em São Tomé que possam salvar estes animais em pleno sofrimento. Tendo em conta que, os cães que deambulam nas ruas constituem um problema de saúde pública, pois quando ficam doentes podem contaminar os alimentos ao circularem pelo mercado, ou até mesmo propagarem algumas doenças prejudicando gravemente a saúde da população, o governo em consonância com o ministério da saúde deveria criar canis e abrigos para acolher estes animais. Por todas estas razões, considero urgente a implementação de leis para a defesa e proteção dos animais. Em São Tomé, os direitos dos animais não existem, o que dificilmente acontecerá em pouco tempo, mas deve-se ter esperança, mesmo que demore, vale a pena esperar para ter um país em que os animais são protegidos e respeitados, tal como as pessoas. Penso que com o tempo, São Tomé irá evoluir e que questões como esta serão parcialmente resolvidas. Digo parcialmente porque numa sociedade apesar de querermos resolver os problemas a cem por cento, existe sempre ainda qualquer coisa por resolver. Acredito que São Tomé poderá ser um lugar melhor para as pessoas e para os animais.

Alsara Fernandes, 11º CTB

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Memórias

Hoje fiz uma caminhada, para a zona Norte da ilha, mais precisamente para Praia Gamboa, a praia dos pescadores. O caminho foi sendo feito no sentido do Aeroporto Internacional. Passavam carrinhas e motas carregadas de pessoas, deixando para trás o barro em pó. A meio do caminho decidimos perguntar a uma rapariga dos seus dezasseis anos, que balbuciava num português insulo-pescador, se deveríamos seguir em frente. Felizmente, mesmo sem grandes conhecimentos, a língua gestual é universal e o seu indicador rasgou a atmosfera quente e empoeirada no sentido da pista do Aeroporto. Seguimos e fomos recebidos por um fardado que disse que teríamos de atravessar a pista e sair no primeiro portão. Assim acatamos, mas antes, no meio da minha idiotice de criança parei para tirar fotos de braços abertos, cantarolando, na minha cabeça "Asas", dos GNR, remetendo-me para os meus 17 anos, na Beira Alta. Rapidamente voltei à realidade quente e húmida, depois de ser chamado à atenção por outro guarda. Protocolos. Existem! Saímos pelo portão e beirando o muro que é contíguo à pista, demos à dita praia. Antes de sentir o verde azulado, parámos de frente a uma menina dos seus sete anos que vendia frutas. Comprámos 4 mamões por 20.000,00 Dobras. Cerca de 0,80€, portanto. Na cidade de São Tomé cobram-nos 15.000,00 dobras cada um. Doeu-me ver a menina. Apática, sombria, no meio de tanta luz. Postas as pechinchas na mochila, entrámos na praia. Chutámos búzios, pisámos cordas e redes e sentíamos o cheio nauseabundo das vísceras. Estávamos, efetivamente, na Praia dos Pescadores. Homens empurravam canoas e mulheres, amontoadas, limpavam os peixes. Os rapazes que jogavam a bola gritavam "amigos"! Para eles todos somos amigos. Nas suas costas, no meio do azul turquesa, tínhamos o Ilhéu das Cabras, que fica para o próximo fim-de-semana. Retribuímos com sorrisos e seguimos em frente, no sentido da Praia Juventude, perto da Diogo Nunes. Meios perdidos, arriscámos pedir ajuda às crianças, que nos indicaram caminho por dentro da aldeia. Com receio pedi informações a um rapaz, que simpaticamente indicou duas alternativas: pela praia, que teria de ser "leve leve" ou pela estrada, passando pela aldeia. Optámos pela segunda e, de forma sociológica, entrámos por entre os casebres, onde mulheres sentadas respondiam "bom dia" aos que dávamos. Foi, pela segunda vez, doloroso. Um mundo paralelo ao meu. Ao mundo das pessoas com quem me relaciono quotidianamente. Continuámos o caminho por entre galinhas, porcos e crianças. As mulheres ficaram para trás. Talvez as volte a ver. Espero que sim. Nem que seja para saber que continuam simpáticas e educadas no meio de tanta simplicidade. Zarpámos pela estrada. Fazia calor. O raio da estrada não aparecia. Só mamões. Pouca água. Fraquejámos. Voltámos e deixámos as histórias para trás, pois as estórias vieram na minha cabeça e de cá sairão aos poucos. Uma boa semana, a minha será muito melhor, depois do dia de hoje.

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100% IDF—Rádio Jubilar

No dia 19 de outubro de 2013, nós, alunos do 12º CT, participámos no programa 100% IDF da Rádio Jubilar. Um programa dirigido pelos professores Lúcio Carvalho, Nuno Santos e Nilza Pina. Escolhemos como tema, com a ajuda da nossa diretora de turma, a professora Maria Conceição Ferreira, o bullying, uma vez que se tem tornado um aspeto preocupante nas escolas a nível internacional. Tivemos como objetivo alertar toda a comunidade escolar são-tomense sobre este tema, para que não se torne um problema nas nossas escolas. Procurámos apresentar um programa dinâmico, para além de abordarmos o tema do bullying tivemos ainda a oportunidade de selecionar as músicas para o programa e contámos com a participação de todos os elementos da nossa turma. Esperamos que todos tenham entendido a mensagem que transmitimos e que tenham gostado do programa. Lara Espírito Santo, 12º CT

ESPAÇO E CONSCIÊNCIA AMBIENTAL

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Desafio dos 3 R’s

“O Homem é o único animal que cospe na água onde bebe; o Homem é o único animal que mata para não comer; o Homem é o único animal que corta a árvore que lhe dá sombra e frutos. Por isso está condenado à morte.” Palavras do Velho do Rio ( Adaptado)

PARTICIPA! O Desafio dos 3R’s quer saber o que tu entendes com as palavras do Velho do Rio. Qual será o seu significado? Participa neste desafio e entrega a tua resposta por escrito, à professora de ET/EV Nilza de Pina.

IDF Sport Clube O IDF Sport Clube foi criado para colmatar a falta de Desporto Escolar no país e proporcionar aos alunos vivências desportivas e de sociabilização com outras comunidades educativas. A primeira modalidade escolhida no nosso Clube foi o futsal. A existência de um Campeonato Distrital de Futsal contribuiu decisivamente para a inscrição do nosso clube no campeonato. A próxima etapa do nosso Clube é organizar uma equipa de basquetebol masculino e feminino sub-16. Vem apoiar a tua escola, o teu Clube… eles precisam do teu apoio! O calendário de jogos é afixado semanalmente na escola. Prof. Nuno Santos

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Soletra “Matemática!”

Os Números Primos Estes números têm fascinado os matemáticos desde que foram descobertos pelos gregos. Desde Euclides, que viveu na Grécia entre 330 e 275 a. C., que muitos estudiosos da Teoria dos Números têm refletido sobre os números primos, que possuem realmente características muito engraçadas. O que é então um número primo? Um número diz-se primo se tiver dois divisores diferentes, ele próprio e a unidade. E o número 1 será primo? Existe discussão sobre esta questão, alguns autores consideram-no primo e outros não. Segundo a definição anterior não é, pois tem apenas um divisor. Mas que terão estes números de tão interessante? Qualquer número natural, com exceção do número 1, ou é primo ou pode ser decomposto num produto em que os fatores são números primos.

2 é primo

3 é primo

4 = 2 x 2 não é primo

5 é primo

6 = 2 x 3 não é primo

7 é primo

8 = 2 x 2 x 2 não é primo

9 = 3 x 3 não é primo

10 = 2 x 5 não é primo

Goldbach, matemático do século XVIII, conjeturou que qualquer número par maior que 2 é a soma de dois números primos.

PROBLEMA DO MÊS DE NOVEMBRO 2.º CICLO (5.º e 6.º anos)

PROBLEMA DO MÊS DE NOVEMBRO 3.º CICLO (7.º, 8.º e 9.º anos)

Tenho 25 livros que quero arrumar numa estante com 3 prateleiras.

A Iara, a Joyce, o Rafa e o Jeferson, quatro amigos juntaram-se para comer uma piza. A Iara comeu um quarto da piza, a Joyce um oitavo e o Rafa metade da piza. O Jeferson pela parte que comeu pagou 12 euros. Quanto pagou o Rafa pela parte que comeu?

Na prateleira do meio vão ficar mais livros do que nas outras duas em conjunto. Na prateleira de cima vai ficar o dobro de livros da última. Quantos livros colocarei em cada prateleira?

Mostra como chegaste à tua resposta.

Mostra como chegaste à tua resposta.

PROBLEMA DO MÊS DE NOVEMBRO SECUNDÁRIO (10.º, 11.º e 12.º anos) Na rotunda representada na figura entram, ao mesmo tempo, cinco carros vindos de direções distintas. Cada um dos carros dá menos de uma volta à rotunda e não há dois que saiam na mesma direção. De quantas maneiras distintas pode isto acontecer? Mostra como chegaste à tua resposta.

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CO - FINANCIADORES:

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, CULTURA E FORMAÇÃO STP

São Tomé e Príncipe

CAMPO DE MILHO - SÃO TOMÉ CAIXA POSTAL 636 SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE TEL. / FAX (+239) 222 11 94 idf.diretor@gmail.com ||| idf.stp@gmail.com 8

Soletrar  

Jornal "Soletrar" - Instituto Diocesano de Formação João Paulo II - Edição de outubro

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