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AHEAD

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CACHOEIRAS E LAGOS COR ESMERALDA NA CROÁCIA EMERALD-COLORED WATERFALLS AND LAKES IN CROATIA TODA A VERSATILIDADE DO CHÁ NA GASTRONOMIA ALL THE VERSATILITY OF TEA IN GASTRONOMY

A MÚSICA E A POESIA DE MILTON NASCIMENTO THE MUSIC AND POETRY OF MILTON NASCIMENTO Nº. 5/ 2018

DETALHE DE INCENSOS FABRICADOS ARTESANALMENTE EM HANOI, VIETNÃ. PAG. 70 // DETAIL OF HANDMADE INCENSE IN HANOI, VIETNAM. PAG. 70

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A PA I XO N E - S E

P E LO

Confor to

/AviancaBrasil avianca.com.br


Nosso conforto é apaixonante! Oferecemos o maior espaço entre todas as poltronas e WiFi a bordo* para que sua experiência de voo seja inesquecível. Aqui, fazemos tudo pra você se apaixonar. Boa viagem!

*Serviço de WiFi sujeito a disponibilidade.


sumário SUMMARY

38 No coração da Croácia, um parque de cachoeiras e lagos esmeralda // At the heart of Croatia, a park of emerald waterfalls and lakes

LIFESTYLE Quando lascas de madeira viram arte

When wood splinters become art Piscinas com vistas deslumbrantes

Pools with striking views Segredos indispensáveis de três museus clássicos

Essential secrets of three classic museums A nova fase do cantor Milton Nascimento

The new phase of singer Milton Nascimento Imersão sensorial na obra de Gustav Klimt

Sensorial immersion in the art of Gustav Klimt

46 48 54 60 62 69 70

Itens para uma viagem de aventura com classe

Items for a classy adventure trip A moda sem fronteiras da estilista Cris Barros

The borderless fashion of stylist Cris Barros A leveza da arquiteta Debora Aguiar

The lightness of architect Debora Aguiar Móveis que inspiram nossa imaginação

Furniture that inspires our imagination A revolução do chá na gastronomia e na coquetelaria

The tea revolution in gastronomy and mixology O luxo da rede Hyatt chega a Lima

The luxury of the Hyatt chain arrives in Lima A cultura dos incensos no Vietnã

The culture of incense in Vietnam

fotos/photos: Sorin Cicos, Tuomas Uusheimo e Max Lawton

14 16 18 30 36


18 Novos hotéis, restaurantes e exposições pelo mundo // New hotels, restaurants and exhibits around the world

expediente CONTRIBUTORS Diretor Executivo Carlos Koga Editor Felipe Seffrin Marketing Priscila Soares Produção Guiomar Barbuto Gerente de Publicidade Marcelo Simões Executiva de Conta Valéria Alves Financeiro Jane Elaine Assistente de Direção George Tebet Projeto Gráfico Leandro Guima Designer Ana Carol Abreu Revisão TGA Idiomas Tradução Ricardo Moura Assessoria Jurídica Savatore Morello Advogados Colaboradores Dolores Orosco, Eduardo Vessoni, Gustavo Gargioni, Manuel Cunha Pinto, Maria Fernanda Salinet, Marília Marasciulo, Natalia Horita, Raphael Calles, Rodrigo Mora ahead.mag

PARA ANUNCIAR comercial@mediaonboard.com.br (55 11) 5505-0078 Impressão: Maistype

POTENCY

72 82 84 100 104 106

A multiplicação dos carros elétricos

The multiplication of electric cars Inteligência artificial para o dia a dia

Artificial intelligence for daily use Tradições seculares no templo do tênis

Secular traditions at the temple of tennis Como detritos espaciais podem afetar nossa vida

How space debris can affect our lives Valerio Gargiulo indica seu livro favorito

Valerio Gargiulo indicates his favorite book Jornalistas compartilham suas descobertas

Journalists share their discoveries

Errata: Na edição anterior, a foto vinculada à nota "Drinks Botânicos", na página 17, é do restaurante parisiense Les Botanistes. Errata: In the previous edition, the photo linked to the note "Botanic Drinks", on page 17, is from the Parisian restaurant Les Botanistes.

90 Paisagens literalmente de cinema na Oceania // Landscapes worthy of a movie in Oceania

Tiragem: 10.000 exemplares Periodicidade: Bimestral Todos os direitos reservados

Media Onboard   (55 11) 5505-0078 Rua Pensilvânia, 1126 - Brooklin  São Paulo - SP CEP: 04564 003

Distribuição Classe Executiva Avianca Brasil, Lounge VIP Star Alliance, Gran Hyatt, Tivoli Mofarrej, Palácio Tangará, Fasano, Blue Tree Premium Faria Lima, Blue Tree Premium Morumbi, Blue Tree Premium Paulista, Blue Tree Premium Copacabana Palace, Yoo 2 A AHEAD é uma publicação da Media Onboard. As pessoas que não constam do expediente da revista não têm autorização para falar em nome da revista. É necessário uma carta de autorização, atualizada e datada em papel timbrado assinada pelos editores. Os artigos assinados são de exclusiva responsabilidade dos colunistas e fica expressamente proibido a reprodução total ou parcial sem autorização prévia.


LETTER

TRAVESSIAS JOURNEYS A busca por novos pontos de vista faz parte da essência da AHEADMag. Acreditamos que há muitas histórias a serem contadas e lugares incríveis que precisam ser descobertos. E essa obsessão pelo que é fora do comum aparece na nossa matéria de viagem. Fomos até a Croácia, país pouco explorado pelos brasileiros, mas que começa a despontar como destino turístico por oferecer preços acessíveis, possuir excelente infraestrutura e abrigar paisagens surreais, como a do Parque Nacional de Plitvice, com infinitas cachoeiras e lagos em diversos tons de azul e verde. Às vezes, o novo se revela diante de nós. Na matéria de gastronomia, mostramos um pouco da tradição milenar do chá e como a bebida está ganhando diferentes sabores ao ser incorporada em pratos quentes, frios e até em drinks. Também apresentamos ao leitor uma nova fase de Milton Nascimento, uma das vozes mais marcantes da música brasileira e que, aos 76 anos, tem deixado de lado a incorrigível timidez neste retorno aos palcos. Ele está mais falante e até voltou a compor. “Tenho muito que viver”, já dizia o verso da clássica “Travessia”. A busca constante por novas linguagens também move a estilista Cris Barros e a arquiteta Debora Aguiar. Tanto as coleções de Cris quanto os projetos de Debora são reflexos deste incansável e permanente processo de reinvenção. O mundo fica muito mais incrível com essas pequenas ou grandes revoluções, como o crescimento exponencial da oferta de carros híbridos e elétricos que trazemos na seção Engine – em 2019, o Brasil receberá modelos de Jaguar, Nissan e Audi para esquentar o mercado. Ainda há oportunidade para um tema bastante singular. Apresentamos a questão do lixo espacial e debatemos como o acúmulo de material obsoleto no espaço, acredite, pode impactar nossas vidas. Também exploramos as paisagens cinematográficas da Oceania e resgatamos as tradições do centenário torneio de tênis de Wimbledon – por lá, diga-se de passagem, pouca coisa mudou. Que a leitura da AHEAD #5 possa te inspirar para novos caminhos, sempre.

// The search for new points of view is part of the essence of AHEADMag. We believe there are many stories to be told and incredible places to be discovered. Moreover, this obsession for the unusual appears in our travelling article. We visited Croatia, a country little explored by Brazilians, but which starts to emerge as a tourist destination due to affordable prices, excellent infrastructure and surreal landscapes, like that of Plitvice National Park, with countless waterfalls and lakes in many shades of blue and green. Sometimes, the new is unveiled before our very eyes. In the gastronomy article, we show a little of the ancient tradition of tea and how the beverage is gaining different flavors as it is incorporated into hot and cold dishes and even drinks. We also present the reader with a new phase in the career of Milton Nascimento, one of the most significant voices of Brazilian music who, at 76, is leaving his incorrigible shyness behind in his return to the stage. He is more talkative and even started composing again. “I have a lot of things to live,” said the lyrics of the classic song “Travessia”. The constant search for new languages also moves stylist Cris Barros and architect Debora Aguiar. Cris’s collections and Debora’s projects are reflections of this tireless and permanent process of reinvention. The world becomes more incredible due to these small or big revolutions, like the exponential growth in the offer of hybrid and electric cars that we bring in the Engine section – in 2019, Brazil will receive Jaguar, Nissan and Audi models to heat up the market. There is still place left for a unique theme. We present the issue of space debris and debate how the accumulation of obsolete material in space, believe it or not, may affect our lives. We also explore the cinematographic landscapes of Oceania and revive the traditions of the centenary Wimbledon Tennis Tournament – over there, we may emphasize, very little has changed. May the reading of AHEAD #5 inspire you to tread new paths, always.

Felipe Seffrin EDITOR

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PORTRAIT

Caleidoscópio natural NATURAL KALEIDOSCOPE por/by Felipe

Seffrin

Nas mãos da paulista Lara Matana, minúsculas lascas de madeira se transformam em arte. Pedaços de troncos, serragem e lâminas, que seriam facilmente descartados, viram formas caleidoscópicas multicoloridas. A inspiração vem da prática da yoga e da observação da individualidade do ser humano. “Na meditação, a consciência expande e aumenta a nossa percepção de possibilidades do belo, de luz e de amor”, defende. Em Valinhos, no interior de São Paulo, ela mantém um espaço integrado com estúdio de yoga, marcenaria, ateliê e galeria – conectando homem, arte e natureza.

// By the hands of São Paulo native Lara Matana, tiny slivers of wood are transformed in art. Pieces of trunks, sawdust and blades, that would be easily discarded, become multicolored kaleidoscopic forms. The inspiration comes from the practice of yoga and the observation of the human being’s individuality. “In meditation, the conscience expands and heightens our perception of the possibilities of beauty, light and love,” she explains. In Valinhos, in the interior of São Paulo state, she maintains a space integrated with yoga studio, carpentry shop, workshop and gallery – connecting man, art and nature.

Lara Matana Obra da série "Pescador de Luz", 2018 Resíduos de lâminas de madeiras faqueadas Work of the series "Pescador de Luz", 2018 Residues of flaked wood Galeria de Arte Lara Matana

foto/photo: divulgação

Alameda Itatinga, 254, Valinhos – SP laramatana.com

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EXPLORE

PISCINAS FANTÁSTICAS por/by Marília

Marasciulo

À BEIRA DO PACÍFICO On the edge of the Pacific Praticamente dentro do mar, a piscina de 50 metros do Bondi Icebergs Club existe há mais de um século, em Sydney, tem água salgada e, o melhor: é aberta ao público. Além do visual de tirar o fôlego, há um restaurante para beliscar depois do mergulho. // Practically inside the sea, the over 160-foot pool of Bondi Icebergs Club has existed for over a century in Sydney, is filled with salt water and, what’s best: it’s open to the public. Besides the breathtaking view, there is a restaurant where you can have a bite after taking a dive. icebergs.com.au

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fotos/photos: Simon Rae e divulgação

FANTASTIC POOLS


NO TOPO DO MUNDO At the top of the world Do alto de 57 andares, o Marina Bay Sands esbanja uma das piscinas com borda infinita mais icônicas do mundo. Restrita a hóspedes e repleta de palmeiras, exibe uma vista mais que privilegiada do skyline de Singapura e seus arranha-céus envidraçados. // From the top of 57 floors, Marina Bay Sands boasts one of the world’s most iconic infinity pools. Restricted to guests and surrounded by palm trees, it exhibits a more than privileged view of the Singapore skyline and its glass skyscrapers. marinabaysands.com

Mergulho nos Alpes A dive in the Alps Só pela piscina, o hotel The Cambrian já merece a fama de ser um dos melhores da Suíça. Para aproveitar a paisagem estonteante para os Alpes, vá no inverno e curta um mergulho (quase) na neve — a piscina, claro, é aquecida. // From the pool alone, one can tell that The Cambrian hotel deserves the fame of being one of the best in Switzerland. In order to savor the breathtaking landscape of the Alps, go in winter and have fun diving (almost) in the snow – the pool, of course, is heated. thecambrianadelboden.com

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EXPLORE

NOVIDADES por/by Marília

Marasciulo

SUBÚRBIO COM ESTILO Suburb with style O novo hotel The George é uma ótima opção em Nova York, longe da badalação da Big Apple e cheio de personalidade. Localizado em Montclair, subúrbio com restaurantes e boutiques, possui 32 quartos em um casarão de 1902 completamente modernizado. // The new The George hotel is a great option in New York, far from the hubbub of the Big Apple and full of personality. Located at Montclair, suburb with restaurants and boutiques, it has 32 rooms in a completely modernized 1902 mansion. thegeorgemontclair.com

Cheio de sofisticação Full of sophistication O Caulí Lounge Bar faz jus à vizinhança sofisticada em Pinheiros, São Paulo, com uma bela jabuticabeira na entrada. Os drinques são acompanhados por petiscos clássicos de bar com um toque a mais, como as coxinhas com geleia de pimenta. // Caulí Lounge Bar is an asset to the sophisticated district of Pinheiros, in São Paulo, with a beautiful jaboticaba tree right at the entrance. The drinks are accompanied by classic bar appetizers with an extra touch, like coxinhas with pepper jam. caulibar.com.br

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fotos/photos: Rafael Renzo, Tuomas Uusheimo e divulgação

NOVELTIES


SUBTERRÂNEO ARTÍSTICO Artistic underground Um dos novos espaços arquitetônicos mais inovadores da Europa, o museu de arte Amos Rex coloca Helsinque, capital finlandesa, na rota dos amantes de cultura. Na abertura, o coletivo japonês teamLab exibe instalações digitais imersivas e interativas. // One of the new innovative architecture spaces in Europe, the Amos Rex Art Museum puts Helsinki, capital of Finland, in the sight of culture lovers. In its opening, Japanese collective teamLab exhibits digital immersive and interactive installations. amosrex.fi/en

Arte em Toronto Art in Toronto Inaugurado em 1993, o Museu de Arte Contemporânea de Toronto passou por uma longa reforma e ganhou cinco vezes mais espaço. Na mostra inaugural “Believe”, diferentes artistas mostram suas perspectivas sobre valores e comportamentos da sociedade atual. // Inaugurated in 1993, the Museum of Contemporary Art Toronto went through a long renovation and gained five times its original space. In the inaugural exhibit “Believe”, different artists show their perspective about the values and behavior of current society. museumofcontemporaryart.ca

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EXPLORE

Pérolas da arte mundial PEARLS OF WORLD ART

por/by Felipe

Seffrin

Enquanto turistas se apertam para ver as obras mais famosas, aproveite para admirar com mais tranquilidade alguns segredos de três dos museus mais visitados do planeta While tourists knock elbows to see the most famous works of art, take some time to admire with greater ease some of the secrets behind three of the world’s most visited museums

MADRI INFILTRATED DUTCHMAN

O Museu do Prado é o mais importante da Espanha e, logicamente, abriga uma das principais coleções de pintores espanhóis do mundo. Por lá estão obras-primas de Francisco Goya, El Greco e Velázquez. Mas uma das peças que mais chama a atenção é o tríptico “O Jardim das Delícias Terrenas”, do holandês Hieronymus Bosch. O painel de 2,20 x 3,89 metros apresenta o paraíso e o inferno a partir da criação. São tantos detalhes representando a loucura, a luxúria e o pecado que é possível passar horas a fio analisando a obra. A entrada é gratuita das 18h às 20h.

// The Prado is Spain’s most important museum and, logically, houses one of the world’s greatest collections of Spanish artists. There you will find masterpieces by Francisco Goya, El Greco and Velázquez. However, one of the pieces that calls the most attention is the triptych “The Garden of Earthly Delights”, by Dutchman Hieronymus Bosch. The 86 5/8” X 153 1/6” panel presents paradise and hell from the point of view of creation. There are so many details depicting madness, luxury and sin that you can spend hours analyzing the work. Entrance is free of charge from 6 to 8 p.m.

Museu do Prado. Paseo del Prado, s/n - museodelprado.es

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fotos/photos: divulgação

Holandês infiltrado


NOVA YORK

Mistérios No Met MYSTERIES OF THE MET O Metropolitan Museum of Art possui um rico acervo com mestres impressionistas europeus como Claude Monet, Edouard Manet e Paul Cezanne, além de quadros de Vincent Van Gogh e Pablo Picasso. Mas o gigantesco prédio em plena Quinta Avenida, em Nova York, abriga outras relíquias. Considere uma visita à misteriosa e intrigante coleção “Tribos da Nova Guiné”, que reúne itens coletados em expedições de Michael Rockefeller – o colecionador desapareceu sem deixar vestígios em 1961 e há rumores de ter sido comido por canibais. // The Metropolitan Museum of Art has a rich collection of European Impressionists, like Claude Monet, Édouard Manet and Paul Cézanne, as well as paintings by Vincent Van Gogh and Pablo Picasso. However, the huge building on 5th Avenue, New York, houses other relics. Consider a visit to the mysterious and beguiling collection “Tribes of New Guinea”, with items gathered in expeditions made by Michael Rockefeller – collector who disappeared without leaving a trace in 1961, reputedly having been devoured by cannibals. Metropolitan Museum of Art. 1000 5th Ave - metmuseum.org

PARIS

Fuja da Mona Lisa ESCAPE FROM THE MONA LISA Milhares de turistas precisam se acotovelar atrás de um distante cordão de isolamento para ver a Mona Lisa, quadro de apenas 77 centímetros de altura. Para evitar filas quilométricas no Museu do Louvre, compre ingresso antecipado e use a entrada alternativa (e bem mais vazia) da Porte des Lions. Bem mais impactante que a obra de Leonardo Da Vinci, a Grande Esfinge de Tânis é esculpida em um único bloco de granito rosa, possui quase cinco metros de comprimento e data de 2.600 antes de Cristo. Está no 1º subsolo, ala Sully, sala 1. // Thousands of tourists are cordoned off, crowded together at a distance to see the Mona Lisa, a 30” high painting. In order to avoid huge lines at the Louvre Museum, buy the ticket beforehand and use the alternative (and emptier) entrance at Porte des Lions. A lot more striking than Leonardo Da Vinci’s masterpiece, The Great Sphinx of Tanis is sculpted from a block of pink granite, is almost 17 feet long and dates back to 2600 B.C. It is located in the first basement, Sully wing, room 1. Museu do Louvre. Rue de Rivoli, 75001 - louvre.fr

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PREVIEW

Estilo e bom gosto STYLE AND GOOD TASTE

por/by Raphael

Calles

TRENCH COAT THE CHELSEA HERITAGE, BURBERRY Feito na Inglaterra em gabardine resistente à água, com forro interno e o pé do colarinho elaborados no famoso tecido xadrez da companhia.

ÓCULOS RAY BAN EVOLVE

// THE CHELSEA HERITAGE, BURBERRY TRENCH COAT Manufactured in England, in water resistant gabardine, with interior lining and undercollar in the company’s famous check fabric.

O modelo aviador é atemporal e acaba de ganhar lentes transparentes, uma tendência no universo da moda. Na tecnologia Evolve, as lentes fotocromáticas clareiam ou escurem de acordo com a luz do ambiente.

R$ 8.150 / br.burberry.com

// RAY BAN EVOLVE SUNGLASSES The Aviator model is timeless and has new transparent lenses, a trend in the fashion world. In the Evolve technology, the photochromic lenses lighten or darken according to ambient light. R$ 580 ray-ban.com

PANERAI RADIOMIR 1940 ART DECO Apresentado com um mostrador em tom marfim e design vintage, com pulseira em couro cru, o relógio possui robusta caixa de aço com 47 mm de diâmetro. As funções são dadas pelo mecanismo de fabricação própria.

APARELHO DE TRATAMENTO PARA A PELE FOREO LUNA 2 FOR MEN

// TRENCH COAT THE CHELSEA HERITAGE, BURBERRY Presented with an ivory-toned display and vintage design, with raw leather wristband, the watch comes in a robust steel case in 47mm size. The functions are set by the mechanism manufactured by the company.

// FOREO LUNA 2 FOR MEN SONIC FACE BRUSH With T-Sonic technology and 8 thousand vibrations per minute, the device promises a softer shave and greater razor blade duration. Clinical studies also guarantee 99.5% effectiveness in the elimination of skin dirt and oiliness.

R$ 42.900 / panerai.com

R$ 999 / sephora.com.br

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fotos/photos: divulgação

Com tecnologia T-Sonic, com 8 mil vibrações por minuto, o aparelho promete um barbear mais macio e maior duração de lâminas. Além disso, estudos clínicos garantem 99,5% de efetividade na eliminação de sujeira da pele e oleosidade.


PREVIEW

Elegância atemporal TIMELESS ELEGANCE

por/by Raphael

Calles

LENÇO TREE OF LIFE SALVATORE FERRAGAMO Lenço italiano de seda com estampas de flores e folhas. Um leopardo ilustra a parte inferior central. A peça possui 90 x 90 cm. // SALVATORE FERRAGAMO TREE OF LIFE SCARF Italian silk scarf with flower and plant print. A leopard illustrates the lower central portion. The piece measures 35.4 X 35.4 in.

ÓCULOS MIU MIU MANIÈRE

R$ 1.600 ferragamo.com

A armação metálica é leve e possui pedras e cristais em diversos tamanhos. As lentes redondas são apresentadas em tom espelhado com degradê. // MIU MIU MANIÈRE EYEWEAR The light, metal frame exhibits stones and crystals in many sizes. The round lenses are presented in a mirrored gradient tone. R$ 1.660 sunglasshut.com/br

A bolsa pega influência do simbólico Trench Coat da companhia. Nesta versão, combina amarelo, off-white e verde militar em couro. // THE BELT BAG, BURBERRY The bag falls under the influence of the company’s symbolic trench coat. In this version, it combines yellow, off-white and olive green in leather.

A fragrância leva a assinatura das perfumistas Sonia Constant e Louise Turner. O aroma traz um toque floral ácido, combinando tangerina verde, rosa e frésia com um fundo de almíscar e baunilha. // BELLA PERFUME, NINA RICCI The fragrance boasts the signature of perfumers Sonia Constant and Louise Turner. The scent brings a touch of acid floral, combined with green tangerine, rose and freesia, with a background of musk and vanilla. R$ 419 (90 ml) / belezanaweb.com.br

R$ 10.090 / br.burberry.com

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fotos/photos: divulgação

PERFUME BELLA, NINA RICCI THE BELT BAG, BURBERRY


SHOP ON-LINE: WWW.DRYZUN.COM.BR


PREVIEW

Brilho minimalista MINIMALIST GLOW

por/by Raphael

Calles

SHOWER HIDRATANTE LEITE DE BAOBÁ THE BODY SHOP Polímeros de ação condicionante e leite de baobá entregam um filme protetor na pele que proporciona hidratação e perfume. // THE BODY SHOP LEITE DE BAOBÁ MOISTURIZING SHOWER Conditioning polymers and baobá milk deliver a protective film over the skin, providing moisture and perfume. R$ 51 - thebodyshop.com

MÁSCARA DE ARGILA SIMPLE ORGANIC CONTROL A ação adstringente da argila “green” é ideal para peles oleosas, mistas ou com acne. Dentre suas ações, ela atua como cicatrizante e combate edemas. // SIMPLE ORGANIC CONTROL CLAY MASK The astringent action of “green” clay is ideal for oily, combination or acne-prone skin. Among its actions are its healing properties and swelling reduction.

LUMINÁRIA PIRULITO Esta luminária foi criada pelo estúdio de design brasileiro Mula Preta especialmente para a Paris Design Week. Os traços limpos e modernos carregam materiais como papelão e concreto reutilizado.

R$ 62 - simpleorganic.com.br

POMADA MODELADORA K.PRO TWO Esta pomada contém fibras e proteção térmica para modelar, finalizar e texturizar os cabelos. Seu nível médio de fixação fornece um acabamento sem peso.

// PIRULITO LIGHT FIXTURE This light fixture was created by Brazilian design studio Mula Preta especially for Paris Design Week. The clean and modern traces carry materials like cardboard and reused concrete.

// K.PRO TWO STYLING CREAM This cream contains fibers and thermal protection for hair styling, finishing and texturing. Its average level of fixation provides a weightless finishing.

R$ 1.190 - mulapreta.com

R$ 69 - kpro.com.br

// ORIGINAL BLACK MONBENTO LUNCH BOX This lunch box has received a design award. The two independent containers are sealed, have soft touch finishing and a 33.8 ounce capacity. R$ 220 - bentostore.com.br

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fotos/photos: divulgação

MARMITA MONBENTO ORIGINAL PRETA Esta marmita já ganhou até prêmio de design. Os dois recipientes independentes são herméticos, têm acabamento soft touch e comportam 1 litro ao todo.


PREVIEW

Pontualidade extrema EXTREME PUNCTUALITY

por/by Raphael

Calles

01 01 IWC PILOT TIMEZONER CHRONOGRAPH

02

// IWC PILOT TIMEZONER CHRONOGRAPH This model for aviators allows you to be aware of the time in the main city of each one of the 24 time zones of the world, including those that have daylight savings time. Thus, it is almost impossible to be late. R$ 52.500 iwc.com

03

02 JAEGER-LECOULTRE POLARIS CHRONOGRAPH WT

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O modelo Jaeger-LeCoultre traz as funções clássicas de marcação de horas e minutos, possui função cronógrafo e indicação de hora mundial através de um anel posicionado ao redor do mostrador. // JAEGER-LECOULTRE POLARIS CHRONOGRAPH WT The Jaeger-LeCoultre model brings the classic hour and minute functions, has a chronograph and indication of world time through a ring positioned around the display. Preço sob consulta // Price upon request jaeger-lecoultre.com

03 MONTBLANC STAR LEGACY RIEUSSEC CHRONOGRAPH GMT O formato “diferentão” deste mostrador apresenta janela de data, função cronógrafo – onde os discos (e não os ponteiros) giram – e indicação de horas e minutos. Um discreto ponteiro vazado permite saber a hora em um segundo fuso horário. // MONTBLANC STAR LEGACY RIEUSSEC CHRONOGRAPH GMT The unique format of this display presents a date window, chronograph function – where the disks (and not the hands) turn – and indication of hours and minutes. A discreet hollow hand allows for consultation of time in a different time zone. R$ 35.700 montblanc.com.br

04 DRIVE DE CARTIER SEGUNDO FUSO HORÁRIO DIA/NOITE Uma escala de 12 horas na posição de 10 horas do mostrador permite saber a hora em um segundo fuso horário. Para saber se é dia ou noite na referência, basta conferir uma indicação na posição de 4 horas. // CARTIER DRIVE SECOND TIME ZONE DAY/NIGHT A 12-hour scale in the 10 o’clock position of the display allows consultation of time in a second time zone. The day or night indicator at 4 o’clock lets you know if it is AM or PM in the referenced zone. R$ 41.100 cartier.com.br

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fotos/photos: divulgação

Este modelo para aviadores permite saber a hora na principal cidade de cada um dos 24 fusos horários do mundo, inclusive aquelas que contam com horário de verão. Assim, é quase impossível perder o horário.


PLAY

SONHADOR CONVICTO WHOLEHEARTED DREAMER Recuperado de uma depressão que o afastou dos palcos, Milton Nascimento vive a fase mais feliz de sua carreira e celebra grandes sucessos com a turnê “Semente da Terra” Recovered from a depression that kept him away from the stage, Milton Nascimento lives the happiest phase of his career and celebrates his greatest hits in his “Semente da Terra” tour

H

á muito tempo os versos de Milton Nascimento viraram a esquina e ganharam o mundo. Aos 76 anos, no entanto, o cantor parece estar com a energia renovada e com a voz tão marcante – “se Deus cantasse seria com a voz de Milton”, já dizia Elis Regina – mais afinada do que nunca. Plenamente recuperado de uma depressão que o afastou dos palcos, ele tem percorrido o país inteiro revisitando grandes sucessos. Tem falado mais à imprensa sobre sua vida particular, em especial sobre seu amor pelo filho Augusto, e até voltou a compor. A música brasileira agradece. Em entrevista exclusiva à AHEADMag, Milton esbanja vitalidade e alegria. “Nunca estive tão feliz na minha carreira como eu estou agora”, revela. Para alguém que está em atividade desde 1962, já gravou 40 discos, compôs clássicos atemporais, dividiu os palcos com todos os grandes nomes da música brasileira, ganhou o Grammy Internacional e é reconhecido inclusive entre a classe artística como um dos maiores compositores e intérpretes que o Brasil já pôde ouvir, não é pouca coisa. Milton não se cansa de viver nem de cantar. Os óculos escuros que usa para disfarçar a timidez continuam ali, onipresentes. Em suas apresentações, Milton permanece sem se dirigir muito à plateia, incorrigível, mas ninguém ousa reclamar.

Seffrin

// A long time ago, the verses of Milton Nascimento went around the corner and conquered the world. At 76, however, the singer seems to have renewed his energy and the striking voice – “if God sang it would be with Milton’s voice,” Elis Regina used to say – is more in tune than ever. Fully recovered from a depression that kept him away from the stage, he has toured the country revisiting his greatest hits. He has talked more with the press about his private life, and especially about the love for his son Augusto, and even started composing again. Brazilian music appreciates it. In an exclusive interview to AHEADMag, Milton exudes vitality and joy. “I was never as happy in my career as I am now,” he reveals. For somebody who has been active since 1962, has recorded 40 albums, composed timeless classics, shared the stage with every great name of Brazilian music, won an International Grammy award and is recognized, by fellow artists as well, as one of the greatest composers and singers that Brazil ever heard, that isn’t little. Milton does not get tired of living or singing. The shades he uses to hide his timidity are still there, omnipresent. In his shows, Milton does not address the public a lot, but nobody dares to complain. At the same time, the singer shows a lot of vitality and the will to sing his many hits in all corners of Brazil in the “Semente da Terra” concert. A whole different ballgame from that singer who walked away from the stage due to health problems and that, between 2015 and 2016, only played four concerts.

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fotos/photos: Nathalia Pacheco

por/by Felipe


RETRANCA

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PLAY

Milton Nascimento no Festival internacional de Houston: mĂşsica brasileira que transcende fronteiras

fotos/photos: Getty Images

// Milton Nascimento at the Houston International Festival: Brazilian music that transcends borders

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Ao mesmo tempo, o cantor esbanja vitalidade e vontade de cantar tantos sucessos Brasil afora com o show “Semente da Terra”. Algo bem diferente daquele cantor que se afastou dos palcos por problemas de saúde e que, entre 2015 e 2016, só realizou quatro shows. “Nossa, mudou tudo, né? Desde que eu vim com meu filho para Juiz de Fora, as coisas se transformaram completamente. A gente voltou para a estrada com esse show em 2017, retomamos vários projetos, lançamos o clipe de ‘Maria Maria’, um EP, e ainda temos muitas coisas a fazer pela frente”, empolga-se. A energia é tanta que, além de continuar em turnê, Milton deve lançar um documentário sobre o icônico Clube da Esquina. O resultado vai virar um filme e um disco de duetos com Gal Costa, Ney Matogrosso e Lô Borges, entre outros. RECOMEÇAR

Essa nova fase de Milton Nascimento tem tudo a ver com a volta para Minas Gerais, como o próprio cantor reconhece. Desgostoso com a vida e com os palcos, o cantor aceitou o convite de Augusto e trocou o Rio de Janeiro por Juiz de Fora em 2015 para ficar mais próximo do filho adotivo, hoje com 24 anos. Levar uma vida mais pacata fez bem. E foi a convivência diária com Augusto, em uma casa repleta de discos de vinil e com a primeira sanfoninha que Milton ganhou quando tinha quatro anos, que fez o cantor rejuvenescer. Outro fator determinante para a recuperação de Bituca, como o cantor é conhecido, foi a regularização dos documentos da adoção, que só saíram no ano passado, apesar de pai e filho conviverem há mais de uma década. Quando Augusto finalmente virou Augusto Nascimento, Milton voltou a ser Milton. E aí, o que seria apenas um show de teste em Belo Horizonte, em março de 2017, para ver como o cantor se sentiria em seu retorno à ativa, terminou com Milton pedindo na coxia para sua equipe marcar mais shows – enquanto a plateia ainda aplaudia o espetáculo efusivamente.

“God, everything changed, hasn’t it? Since I came with my son to Juiz de Fora, things have been fully transformed. We went back on the road with this show in 2017, resumed many projects, released the music video for ‘Maria Maria’, an EP, and we still have a lot of things to do ahead of us,” he gets excited. The energy is so great that, apart from the tour, Milton should release a documentary about the iconic Clube da Esquina. The result will become a movie and an album of duets with Gal Costa, Ney Matogrosso and Lô Borges, among others. STARTING OVER

Milton Nascimento’s new phase has everything to do with his return to the state of Minas Gerais, as the singer himself assumes. Unhappy about his life and the stage, the singer accepted an invitation from Augusto and traded Rio de Janeiro for Juiz de Fora in 2015, to be closer to his adopted son, currently 24. Leading a more peaceful life agreed with him. Moreover, the daily interaction with Augusto, in a house filled with vinyl records and with the first small accordion Milton received as a gift when he was four, has rejuvenated the singer. Another key factor for the recovery of Bituca, as the singer is known, was the regularization of the adoption papers, which only came through last year, although father and son have been together for over a decade. When Augusto finally became Augusto Nascimento, Milton went back to being Milton. And then, what should have been just a test concert in Belo Horizonte, in March 2017, to see how the singer would feel getting back in action, ended up with Milton asking, backstage, for his crew to schedule more shows – while the public still applauded his performance effusively. NEVER STOP DREAMING

“Right now, our main objective with the tour is to convey a feeling of hope. We need that. Therefore, this show is a direct way of transmitting that message. The songs were chosen to represent everything I have lived, including the future,” analyzes Milton. In the setlist are “Canção de Estudante”, music associated with the Diretas Já (Direct Elections following military rule in the 1980s) Movement, the biographical “Nos Bailes da Vida” and, naturally, “Maria Maria”, since we must always be determined.

“Desde que eu vim com meu filho para Juiz de Fora, as coisas se transformaram completamente. A gente voltou para a estrada, retomamos vários projetos e ainda temos muitas coisas a fazer pela frente” // “Since I came with my son to Juiz de Fora, things have been fully transformed. We went back on the road, resumed many projects and still have a lot of things to do ahead of us”

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PLAY

SONHAR SEMPRE

“Neste momento, nosso objetivo principal com a turnê é passar um sentimento de esperança. Precisamos disso. O que eu mais quero agora é que as pessoas sonhem.” // “Right now, our main objective with the tour is to convey a feeling of hope. We need that. Moreover, what I want most currently is for people to dream.”

With so many striking songs, choosing the tour setlist was a hard task. “When you have had great partners throughout your career, like I had, it is always hard to choose a setlist. After all, forty records are a life!” Milton reinforces. “The only thing I can guarantee is that the greatest hits are all there. Everything is in this show, which for me is like a dream. Moreover, what I want most currently is for people to dream.” Milton’s request has been fulfilled. Since he returned to the stage, his presentations have provoked a sort of epiphany in the public. It is common for them to form a huge and euphoric chorus, including many youngsters who weren’t even born when Bituca released his first album, Travessia, in 1967. The sensation after watching a show of this Milton reborn to music is that it really is worth dreaming. With a career spanning almost 60 years, Milton Nascimento lets his voice out on the road and doesn’t feel like stopping anymore. “I consider all the things I lived through music until today important. I only have to thank for the moments I lived, the friends I made, the cities I knew. It is an incredible privilege,” he cherishes. The boy who lives in Milton’s heart, lucky for us, is full of joy. When I ask Milton what he would say to that small orphan boy who lived in Tijuca, in Rio, Bituca does not hesitate: “Dream, dream, dream. Keep on dreaming, forever!”

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Aos 76 anos, Milton Nascimento recuperou o prazer de cantar e está em turnê com o show "Semente da Terra" // At age 76, Milton Nascimento regained the pleasure of singing and is on tour with the show "Semente da Terra"

fotos/photos: @miltonbitucanascimento e reprodução

“Neste momento, nosso objetivo principal com a turnê é passar um sentimento de esperança. Precisamos disso. Então este show é uma forma direta de passar essa mensagem. As músicas foram escolhidas para representar tudo o que eu tenho vivido, incluindo o futuro”, analisa Milton. No repertório estão “Coração de Estudante”, música associada às Diretas Já, a biográfica “Nos Bailes da Vida” e, é claro, “Maria Maria”, já que é preciso ter gana sempre. Com tantas músicas marcantes, escolher o setlist da turnê foi uma tarefa árdua. “Quando se tem grandes parceiros ao longo da carreira, como eu tive, sempre é difícil montar um repertório. Afinal, quarenta discos são uma vida!”, destaca Milton. “Só que eu posso garantir que os maiores sucessos estão todos aí. Está tudo nesse show, que para mim é como um sonho. E o que eu mais quero agora é que as pessoas sonhem.” O desejo de Milton tem sido atendido. Desde que ele voltou aos palcos, suas apresentações têm provocado uma espécie de epifania na plateia. É comum o público formar um imenso e eufórico coral, incluindo muitos jovens que nem eram nascidos quando Bituca lançou seu primeiro disco “Travessia", em 1967. A sensação após assistirmos um espetáculo deste Milton renascido para a música é que, de fato, vale a pena sonhar. Com quase 60 anos de carreira, Milton Nascimento solta a voz nas estradas e já não quer mais parar. “Considero importantes todas as coisas que vivi até hoje através da música. Só tenho que agradecer pelos momentos vividos, pelos amigos que fiz, as cidades que conheci. É um privilégio enorme”, valoriza. O menino que habita o coração de Milton, para a nossa sorte, está cheio de alegria. Quando pergunto o que Milton diria para aquele moleque órfão que morava na Tijuca, no Rio, Bituca não hesita: “Sonhe, sonhe, sonhe. Continue sonhando, sempre!”


Clássico de Milton, a música "Maria Maria" ganhou em 2018 um clipe estrelado por Simone Mazzer, Jéssica Ellen, Zezé Motta, Camila Pitanga, Sophie Charlotte, Georgiana Góes e Arianne Botelho // Milton's classic, the song "Maria Maria" won in 2018 a clip starring Simone Mazzer, Jessica Ellen, Zezé Motta, Camila Pitanga, Charlotte Sophie, Georgiana Góes and Arianne Botelho

"Se Deus cantasse seria com a voz do Milton”, disse Elis Regina, grande intérprete das composições de Bituca // "If God could sing it would be with the voice of Milton" said Elis Regina, great interpreter of the Bituca's compositions

Capa do disco Clube da Esquina, de 1972, um dos maiores álbuns brasileiros // Cover of the disc Clube da Esquina, from 1972, one of the greatest Brazilian albums

Milton e Augusto Nascimento. A regularização do filho adotivo após 10 anos de espera trouxe mais alegria ao cantor // Milton and Augusto Nascimento. The regularization of the adoptive son after 10 years of waiting brought more joy to the singer


MUSTgo por/by Felipe

Seffrin

Imersão sensorial Sensory immersion

// In the blink of an eye, the Viennese artistic scene of the end of the 19th century comes to life. Only digital art center of Paris, the Atelier des Lumières hosts until January an exhibit of Austrian artist Gustav Klimt. At the museum, located at an old foundry from 1835, projections with sketches of the painter fill every space with color, while we hear pieces by Wagner, Beethoven, Chopin and Rachmaninov. Atelier des Lumières – Gustav Klimt 38 rue Saint Maur, 75011. Paris. atelier-lumieres.com

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fotos/photos: Marina Najjar e divulgação

Em um piscar de olhos, a cena artística vienense do fim do século 19 ganha vida. Único centro de arte digital de Paris, o Atelier des Lumières recebe até janeiro uma mostra do austríaco Gustav Klimt. No museu localizado em uma antiga fundição de 1835, projeções com os traços do pintor colorem todos os cantos, enquanto ouvimos peças de Wagner, Beethoven, Chopin e Rachmaninov.


LIFESTYLE

PAG. 38 INFINITAS CACHOEIRAS E LAGOS NA CROÁCIA INFINITE WATERFALLS AND LAKES IN CROATIA PAG. 48 A NOVA COLEÇÃO DA ESTILISTA CRIS BARROS

THE NEW COLLECTION BY STYLIST CRIS BARROS

PAG. 62 DAS XÍCARAS PARA PRATOS QUENTES E SOBREMESAS FROM THE CUP TO HOT DISHES AND DESSERTS MODA "SEM FRONTEIRAS" 37 | AHEAD mag


fotos/photos: Dominik Lange

JOURNEY

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FABULOSA CROÁCIA FABULOUS CROATIA Parque Nacional dos Lagos de Plitvice concentra incontáveis cachoeiras e lagos de águas em tons de azul e verde no coração dos Balcãs Plitvice Lakes National Park concentrates numberless waterfalls and lakes of waters in tone of blue and green at the heart of the Balkans por/by Eduardo

Vessoni

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JOURNEY

N

em a cenografia fantasiosa de cineastas como James Cameron ou Tim Burton teria dado conta de tão perfeita arquitetura natural. No Parque Nacional dos Lagos de Plitvice, na Croácia, por onde se olhe avistamos cachoeiras de todas as dimensões e potências. É como se “Avatar” se mostrasse em terceira dimensão ou como se o “Jardim do Éden” se concretizasse em uma infinidade de cachoeiras sobre lagos recortados por passarelas de madeira. A sequência interminável de quedas d’água rasga degraus naturais de calcário em direção a lagos em diferentes tons de azul e verde. Diante dos olhos, surge uma caverna escondida, com acesso por rochas esculpidas que circundam a floresta e iluminada por uma claraboia natural. Em vez de turistas atravancando a passagem e consumindo a memória de celulares com inúmeras selfies, o parque se revela silencioso. O principal barulho vem das águas que caem de até 80 metros de altura. Bem no centro montanhoso do país e próximo à fronteira com a Bósnia, o maior parque croata é conhecido por seus 16 lagos conectados por cachoeiras. Entre os mais de um milhão de visitantes que o local recebe por ano, a sensação é a mesma de quem acaba de chegar a um daqueles parques temáticos com cenários fantásticos que todo mundo um dia desejou conhecer.

// Not even the fanciful production design of filmmakers like James Cameron or Tim Burton would have given rise to such perfect natural architecture. At Plitvice Lakes National Park, in Croatia, wherever we look we can find waterfalls of every dimension and force. It is as if Avatar played in three dimensions or if the Garden of Eden became real amidst an infinity of waterfalls overlooking lakes crossed by wooden footbridges. The endless sequence of waterfalls carves natural limestone steps towards the lakes in different tones of blue and green. In front of our very eyes, a hidden cave materializes, with access through sculpted rocks that surround the forest, lit by a natural skylight. Instead of tourists blocking the passage and using up the memory of cell phones with countless selfies, the park is silent. Most of the noise comes from the waters that fall from a height of up to 260 feet. Right in the mountainous center of the country and near the Bosnian border, Croatia’s biggest park is renowned for its 16 lakes connected by waterfalls. Among the more than one million visitors the place welcomes every year, the sensation is always that of someone who has just arrived in one of those theme parks with fantastic backgrounds that everyone dreamed one day of going to. The entrance is through a long earthen corridor, framed by trees that close in in natural tunnels surrounded by beeches and conifers, like firs and spruce trees. In a few yards, the

Passarelas de madeira conduzem os visitantes ao redor de incontáveis lagos e cachoeiras

fotos/photos: Shutterstock

// Wooden walkways lead visitors around countless lakes and waterfalls

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RETRANCA

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fotos/photos: Shutterstock e Eduardo Vessoni

RETRANCA JOURNEY

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As trilhas do parque são bem sinalizadas e a caminhada pode variar de duas a oito horas // The park's trails are well signposted and the trek can range from two to eight hours

A entrada é por um corredor largo de terra batida, emoldurado por árvores que se fecham em túneis naturais rodeados por fagus e espécies coníferas, como abetos e piceas. Em poucos metros, o caminho já revela a paisagem de tirar o fôlego de lagos e cachoeiras. Tudo o que se vê parece não caber no campo de visão ou no ângulo da câmera fotográfica. É monumental, é exagerado e é fabuloso – e como se os adjetivos não bastassem, o parque fundado em 1949 é Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco. No “Nacionalni park Plitvička jezera” – o complexo nome original em língua croata – tudo parece meio selvagem. Mas a estrutura turística é completa. Além das passarelas sobre os lagos para quem quiser se aventurar a pé, o parque conta com trenzinhos elétricos que conectam diversos pontos de interesse, entre os lagos Superiores e Inferiores, enquanto barcos fazem travessias silenciosas pelas águas de Plitvice. Perder-se só se for para contemplar o cenário exuberante. As trilhas de duas a até oito horas de duração são bem marcadas e muitas atrações são contextualizadas com placas informativas ou mapas da região. Tem até três opções de hotéis dentro do parque e que permitem o acesso prioritário aos hóspedes, antes da abertura dos portões para o público em geral – os ingressos variam de acordo com a época do ano e podem custar de 7 a 20 euros para adultos em um dia de visitação.

Como se os adjetivos não bastassem, o parque fundado em 1949 é Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco // As if the adjectives were not enough, the park founded in 1949 is a Unesco World Heritage Site

path begins to unravel the breathtaking landscape of lakes and waterfalls. All you can see seems impossible to fit in your field of vision or in the angle of a panoramic picture. It is monumental, exaggerated and fabulous – moreover, as if the adjectives were not enough, the park founded in 1949 is a Unesco World Heritage Site. At “Nacionalni park Plitvička jezera” – the complex original name in Croatian – everything seems a little wild. However, there is a complete tourist structure. Besides the walkways above the lakes for those who want to face it by foot, the park has electric trains that connect many points of interest, between the Higher and Lower lakes, while the boats silently cross the waters at Plitvice. The only way to get lost is contemplating the exuberant setting. The trails lasting from two to eight hours are well signalized and many attractions are contextualized with informative signs or maps of the region. There are three hotel options inside the park that allow priority access to guests, before the opening of the park to the public in general – and tickets vary according to the time of year and may cost from 7 to 20 Euros for adults on a visiting day.

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Na página ao lado, a paisagem exuberante de Plitvice que atrai um milhão de visitantes por ano // On the next page, the lush landscape of Plitvice which attracts one million visitors per year Cavernas naturais formam camarotes para a observação da paisagem nativa // Natural caves form staterooms for the observation of the native landscape


JOURNEY

No “Nacionalni park Plitvička jezera” – o complexo nome original em língua croata – tudo parece meio selvagem. Mas a estrutura turística é completa // At “Nacionalni park Plitvička jezera” – the complex original name in Croatian – everything seems a little wild. However, there is a complete tourist structure

The only thing one cannot do is enter the lakes, no matter how tempted one feels to throw him or herself into the waters of the park. Its ancient (and delicate) formation was due to the persistence of the waters that still mold the abundant local travertine, a porous rock that gave birth to these lakes in constant geological formation. The color of the water is also a result of a natural process, the release of gases from algae growing and decomposing, guaranteeing diverse tones of blue, green, indigo and even tourmaline that bewilder the eyes. There are so many colors that we almost pass directly by the entrance to Supljara, the roofless, groundless cave. Known as the ‘hollow cave’, this vertical formation was a product of the collapse of its structure, creating three interconnected rooms. Under a constant 10.5° Celsius temperature, one can enter the cave in the same level as the lakes, face the steep rock stairs and reach the top, to view the lakes from a different perspective. The local fauna is shy and rarely appears. However, it is there, present and invisible. The visitation sectors open to the public represent only 1% of a total area of approximately 115 square miles. The landscape beyond the waterfalls and forest makes us imagine unexpected encounters with brown bears, lynxes and wolves that inhabit the region. Popular Adriatic Sea of turquoise blue waters and sailboat trips is only at a distance of 33 miles from Plitvice Lakes National Park. This, however, is another chapter of the fables that are usually told in Croatian lands.

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A cor dos lagos de Plitvice assume diversas tonalidades de azul e verde, dependendo da luz e do local de observação // The color of the Plitvice lakes assumes various shades of blue and green depending on the light and the place of observation fotos/photos: Shutterstock

Só não é possível entrar nos lagos, por mais que a tentação de se jogar nas águas do parque seja grande. Sua formação milenar (e delicada) se deu pela insistência das águas que moldam até hoje o abundante travertino local, uma rocha porosa que deu origem a esses lagos em constante formação geológica. A cor da água também é resultado de um processo natural, a liberação de gases de algas em crescimento e decomposição, garantindo diferentes tons de azul, verde, índigo e até turmalina, que confundem os olhos. São tantas cores que a gente quase passa direto pela entrada da Supljara, a caverna sem teto, nem chão. Conhecida como ‘caverna oca’, essa formação vertical se deu pelo desmoronamento de sua estrutura, criando três salas interconectadas. Sob constantes 10,5°, dá para entrar na caverna no mesmo nível dos lagos, encarar a escadaria íngreme de pedras e sair no alto, para avistar os lagos de outra perspectiva. A fauna local é tímida e raramente dá as caras. Mas ela está ali, presente e invisível. Os setores de visitação abertos ao público representam apenas 1% de uma área total de aproximadamente 300 km² de extensão. O cenário para além das cachoeiras e florestas nos faz imaginar encontros inesperados com ursos-pardos, linces e lobos que habitam a região. O concorrido Mar Adriático das águas azul-turquesa e das viagens de veleiro fica a apenas 54 km do Parque Nacional dos Lagos de Plitvice. Mas isso já é outro capítulo das fábulas que costumam ser contadas em terras croatas.


RETRANCA

Como chegar Plitvice está localizado a 130 km da capital Zagreb e a 120 km da cidade litorânea de Zadar. De carro, o trajeto chega a duas horas. Outra opção é pegar um ônibus que para bem em frente ao parque. A passagem de Zagreb custa a partir de R$ 45 e existem vários horários, tanto de ida quanto de volta. É possível fazer um passeio bate-volta ou se hospedar nos hotéis dentro do parque. Várias agências de turismo também oferecem pacotes, entre elas a Contiki. Consulte a previsão do tempo: um dia com sol faz toda a diferença. Saiba mais: np-plitvicka-jezera.hr e contiki.com

// How to get there Plitvice is located at a distance of 80 miles from the capital Zagreb and 74 miles from the coastal town of Zadar. Another option is catching a bus that stops right in front of the park. The ticket to Zagreb costs around US$ 12 and there are many scheduled buses going there and back. It is possible to go and come back on the same day or to stay at one of the hotels inside the park. Many travel agencies offer packages, among them Contiki. Check the weather forecast: a sunny day makes the difference. For more information: np-plitvicka-jezera.hr e contiki.com

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UPGRADE

DESTINO AVENTURA DESTINATION ADVENTURE por/by Raphael

Calles

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Converse One Star x Carhartt WIP

Jaqueta NB Athletics ‘78

Faca Fish 5 Polegadas Tramontina

// Converse One Star x Carhartt WIP

// NB Athletics ’78 Jacket

A faca possui lâmina de aço inox, cabo emborrachado e capa preta em couro sintético. Dentre suas múltiplas funções, um dobrador de arame, um furo para quebra de espinhas de peixe, escamador e serrilha multiúso.

The jacket in poly is ideal for the practice of sports and outdoor activities. The exterior is resistant, providing high durability. Available in flat colors and in a camouflage print, with hoodie and zipper pockets.

// Tramontina Fish 5” Knife

The sneakers in nylon deliver a streetwear style. Moreover, the adventure concept is in its army green tone. The model combines ropestyle laces, heel pulls and tongue label identifying the partnership.

R$ 499 youridstore.com.br

R$ 479 newbalance.com.br

R$ 65 tramontina.com.br

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The knife has a stainless-steel blade, rubber handle and black case in pleather. Among its multiple functions are a wire bender, a hole for breaking fish bones, a fish scale remover and multiuse serration.

fotos/photos: divulgação

O tênis em nylon entrega uma pegada de street wear. Mas o conceito de aventura está em seu tom verde militar. O modelo combina cadarço estilo corda, puxadores traseiros e etiqueta na língua identificando a parceria.

A jaqueta em poliéster é ideal para a prática de esportes e atividades outdoor. O exterior é resistente, o que proporciona alta durabilidade. Disponível em cores lisas e na estampa camuflada, com capuz e bolsos com zíper.


Anunvio_Vx_Multicategory_TGE_WAT_Revista Ahead _207x275mm_Setembro 2018.pdf 1 03/10/2018 16:23:09

FUNCIONALIDADE FAZ PARTE DA FAMÍLIA MAKERS OF THE ORIGINAL SWISS ARMY KNIFE | ESTABLISHED 1884


FRONT ROW

MODA SEM FRONTEIRAS BORDERLESS FASHION

Em tempos de redefinição do papel feminino na sociedade, Cris Barros faz uma moda em sintonia com a imagem da mulher contemporânea. Força, delicadeza e uma sensualidade nada óbvia se misturam nas criações da estilista Just when the feminine role redefines itself in society, Cris Barros creates fashion in tune with the image of contemporary woman. Strength, delicacy and a subtle sensuality are the ingredients of the stylist’s creations

E

nquanto as novíssimas peças do verão 2019 de Cris Barros chegavam às araras da grife, a vida da estilista paulistana de 46 anos também era tomada por outra grande novidade. Em agosto nascia sua primeira filha, Gaia. “Não à toa essa foi uma das minhas coleções mais intuitivas. Foi toda desenvolvida nesse momento especial e de muita harmonia”, conta a mamãe estreante. “Meu processo criativo girou em torno de tudo o que já experimentei em viagens e em um mundo que sonho, com menos muros e com as pessoas mais integradas à natureza.” Batizada de “Sem Fronteiras”, a coleção se mantém fiel à identidade da marca Cris Barros, que há 16 anos encanta clientes que buscam uma moda cheia de personalidade e delicadeza. Nas roupas de Cris, a força da alfaiataria se mistura aos vestidos fluidos e às sandálias rasteiras. “Crio pensando em uma mulher batalhadora e inteligente, mas que também é extremamente feminina, sem ser frágil. Minhas peças têm uma sensualidade nada óbvia”, explica. Cris diz que não tem um ícone fashion que personifique sua grife – quando a imagem de uma mulher aparece em seu moodboard, geralmente é na foto de uma figura feminina tribal, com vestimentas que representem bem uma cultura específica. No entanto, ela garante que mantém em seu subconsciente uma cena familiar da infância, que

Orosco

// While the brand new summer 2019 Cris Barros pieces arrived at the brand’s racks, the life of the 46year old São Paulo native was also shaken by another great novelty. In August, her first daughter, Gaia, was born. “It isn’t by chance that this is one of my most intuitive collections. It was all developed in this special moment filled with harmony,” tells the new mommy. “My creative process revolved around everything I’ve experienced in trips and in a world I dream of, with less walls and where people are more integrated with nature.” Christened “Borderless”, the collection is faithful to the identity of the brand signed by Cris Barros, who for the last 16 years has charmed clients that searched for fashion full of personality and delicacy. In Cris’s clothes, the strength of tailoring mixes in with the fluid dresses and flat sandals. “I create thinking of a hardworking and intelligent woman, but who is also extremely feminine, although not frail. My pieces have a subtle sensuality,” she explains. Cris says there is no fashion icon that personifies her brand – when the image of a woman appears on her mood board it generally is in the picture of a tribal feminine figure, with garments that represent well a specific culture. However, she guarantees she keeps in her subconscious a familiar childhood scene, which is her first fashion reference. “I think of my mom on her way to Leblon Beach, during our vacations in Rio, with a beach mat under her arm, wearing one of her long, fluttering skirts.”

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fotos/photos: Mariana Maltoni

por/by Dolores


RETRANCA

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Fotos/photos: Divulgação

RETRANCA FRONT ROW

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"Meu processo criativo girou em torno de um mundo que sonho, com menos muros e com as pessoas mais integradas à natureza"

fotos/photos: Mariana Maltoni e Marina Najjar.

// “My creative process revolved around everything I’ve experienced in trips and in a world I dream of, with less walls and where people are more integrated with nature.”

é sua primeira referência de moda. “Penso em minha mãe a caminho da Praia do Leblon, em nossas férias no Rio, com uma esteira embaixo do braço, vestindo um de seus saiões longos e esvoaçantes.” Outra fase importante para a formação de Cris na moda foi a época em que atuou como modelo. A beleza da jovem de 14 anos chamou a atenção de olheiros que buscavam novos talentos entre as meninas do colégio Dante Alighieri, em São Paulo. “Meu primeiro trabalho foi para a revista Capricho. Passei 10 dias na Disney posando para um editorial”, recorda. “Imagine o que era isso para uma adolescente: o auge da vida!” Depois de posar e desfilar para várias marcas e correr o mundo, Cris estudou Desenho de Moda pela faculdade paulistana Anhembi Morumbi. Fez mestrado em Moda pelo Instituto Marangoni, em Milão, e lá também trabalhou no ateliê do estilista francês Stephan Jason, um dos braços direitos do lendário Yves Saint Laurent. “Esses anos na Itália foram decisivos para mim. Amadureci na minha carreira e voltei ao Brasil mais segura do que queria.” Hoje a grife Cris Barros tem sete lojas espalhadas por São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Brasília, além de estar presente nas principais multimarcas do país e no e-commerce. A estilista diz que não é de ficar elaborando grandes planos de expansão. “Vivo muito cada momento”. E o momento atual é mais do que especial para a mais nova mamãe fashion do pedaço.

Another important stage for Cris’s formation in fashion was the time when she worked as a model. The beauty of the 14-year old caught the attention of talent scouts looking for new models among the girls of Dante Alighieri School, in São Paulo. “My first job was for Capricho magazine. I spent 10 days at Disneyworld modelling for an editorial,” she recalls. “Imagine what this represented for a teenager: the peak of life!” After modelling and strolling down the catwalk for many brands around the world, Cris studied fashion design at São Paulo’s Anhembi Morumbi College. She obtained a Masters Degree in fashion at Marangoni Institute, in Milan, where she also worked in the studio of French stylist Stephan Jason, one of the right hand men of legendary couturier Yves Saint Laurent. “The years in Italy were decisive for me. I matured in terms of a career and returned to Brazil a lot surer about what I wanted.” Currently, the Cris Barros brand has seven stores scattered around São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba and Brasília, and is also present in most multi-brand stores in the country as well as in e-commerce format. The stylist says she is not the type of person who elaborates great expansion plans. “I live each moment to the fullest.” Moreover, the moment now is more than special for the new fashion mommy of the block.

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FRONT ROW

OS ELEITOS DE CRIS BARROS:

Livro: “Não consigo citar apenas um, mas entre os meus preferidos estão ‘Equador’, do Miguel Sousa Tavares, ‘O Império é Você’, do Javier Moro, ‘O Retrato de Dorian Gray’, do Oscar Wilde, e ‘A Montanha e o Rio’, do Da Chen”

// Book: “I can’t name only one, but among my favorites are ‘Equador’ by Miguel Sousa Tavares, ‘El imperio eres tú’ by Javier Moro, ‘The picture of Dorian Gray’, by Oscar Wilde and ‘The Mountain and the river’ by Da Chen.”

Filme: “’O Leopardo’, do Luchino Visconti”

Movie: “’The Leopard’, by Luchino Visconti”

Série: “Assisto várias ao mesmo tempo. Agora estou vendo ‘Billions’, além de duas séries de época, ‘Downton Abbey’ e ‘Versailles’”

Series: “I watch many at the same time. Now I’m watching ‘Billions’, as well as two other period series, ‘Downton Abbey’ and ‘Versailles’.”

Restaurante: “Gero”

Restaurant: “Gero”

Drink: “Sou louca por vinhos. Mas se é para tomar um drink, escolho com gim”

Drink: “I’m crazy about wine. But if a drink is in order, I choose something with gin”

Viagem: “Eu me sinto viajando de verdade quando estou no Oriente. Amei conhecer a Índia, o Marrocos e o Camboja”

Trip: “I really feel like I’m on a trip when I go to the East. I loved getting to know India, Morocco and Cambodia”

Queridinho do closet: “Herdei da minha mãe uma coleção de lenços dos anos 70, que é o meu xodó”

Closet favorite: “I inherited from my mom a collection of 1970’s handkerchiefs which I love dearly”

Perfume: “Gosto de perfumes leves. Atualmente uso o L’Eau Serge Lutens”

Perfume: “I like mild perfumes. I currently use L’Eu Serge Lutens”

Preferidos do Instagram: “Sigo diversas contas relacionadas com arquitetura, uma das minhas paixões”

Instagram favorites: “I follow many accounts related to architecture, one of my passions”

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fotos/photos: Mariana Maltoni

// CRIS BARROS’S FAVORITES:


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A LUZ COMO INSPIRAÇÃO

Fotos/photos: Divulgação

LIGHT AS INSPIRATION

fotos/photos: Marco Antonio

LIVING

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Com papel e caneta sempre à mão, Debora Aguiar cria espaços que privilegiam tons neutros e toda iluminação natural que for possível With paper and pen always at hand, Debora Aguiar creates spaces privileging neutral tones with as much natural lighting as possible por/by Maria

Fernanda Salinet

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É

fácil se sentir à vontade em um ambiente projetado por Debora Aguiar. Com a elegância de tons neutros aliados a materiais naturais, a renomada arquiteta paulistana de 48 anos aposta na iluminação como força transformadora. “Uma boa arquitetura oferece soluções inteligentes, combinação de materiais e tecnologia, além de favorecer a iluminação natural”, destaca Debora, prestes a completar 25 anos de carreira. “Gosto de levar a natureza para dentro dos meus projetos.” A combinação entre materiais rústicos e elementos nobres faz um contraponto aconchegante na estética de Debora. Em seus projetos, é comum encontrar madeiras, plantas e fibras naturais, além da valorização máxima da luz natural e de uma paleta quase monocromática – inspirada nos trabalhos do renomado arquiteto americano Richard Meier. A Casa Areia, no topo de uma falésia em Trancoso, sul da Bahia, é um excelente exemplo de como a arquiteta privilegia uma atmosfera descontraída, mas elegante e atemporal. O oásis baiano de quase 800 metros de área construída possui mobiliário minimalista, pé-direito alto, muita palha sintética e, é claro, cores neutras. A sensação de frescor vem do material que imita cimento queimado, usado por todos os lados: no piso, no teto e nas paredes. A luz solar invade todos os cômodos através de imensas ja-

// It is easy to feel at home in a space designed by Debora Aguiar. With the elegance of neutral tones allied with natural materials, the renowned 48-year old São Paulo architect sees lighting as a transforming force. “Good architecture offers intelligent solutions, a combination of materials and technology and favors natural lighting,” highlights Debora, on the eve of celebrating a career of 25 years as an architect. “I like to take nature into my projects.” The combination between rustic materials and noble elements makes for a cozy counterbalance in Debora’s aesthetics. In her projects, one commonly finds wood, plants and natural fibers, as well as the maximum valorization of natural light and an almost monochromatic palette – inspired by the works of renowned American architect Richard Meier. Casa de Areia, at the top of a hillside in Trancoso, south of the state of Bahia, is an excellent example of how the architect favors a relaxed, more elegant and timeless atmosphere. The oasis in Bahia with almost 9,000 square feet of constructed area has minimalist furnishings, high ceiling, lots of synthetic straw and, of course, neutral colors. The sensation of freshness comes from the material imitating burnt cement, used everywhere: on the floor, roof and walls. Sunlight invades all rooms through huge windows and the privileged view of a side terrace, facing a green, preserved area, guarantees balance between dwelling and nature.

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fotos/photos: Marco Antonio

LIVING


“Sou uma arquiteta que pensa com a lapiseira. Para mim, ela significa o começo, o meio e o fim para a realização de um projeto” “I’m an architect who thinks with the pencil. For me, it represents the beginning, middle and end for the creation of a project.”

Na página ao lado, a aconchegante Casa Areia, localizada em uma falésia em Trancoso // On the next page, the cozy Casa Areia, located on a cliff in Trancoso Tons neutros e muita iluminação natural marcam os projetos da arquiteta // Neutral tones and lots of natural lighting mark the architect's designs

nelas e a vista privilegiada do terraço lateral, que dá para uma área verde de preservação, garante o equilíbrio entre moradia e natureza. Debora está à frente de uma numerosa equipe de profissionais em vários segmentos, mas em seu escritório é sempre ela quem dá a palavra final. E mesmo em meio a tantas demandas (são tantos projetos simultâneos que é difícil até contar), ela não abre mão do desenho livre. “Sou uma arquiteta que pensa com a lapiseira. Para mim, ela significa o começo, o meio e o fim para a realização de um projeto.” A arquiteta conta que grandes ideias já surgiram até em guardanapos. “Se me empolgo, sou capaz de desenhar a noite inteira em um voo”, destaca. O escritório de Debora possui forte atuação no exterior desde 2006. Ela já projetou casas e apartamentos em Portugal e Miami, condomínios em Angola e empreendimentos no Uruguai e na Argentina. Mas até hoje a arquiteta não esquece seu primeiro desafio internacional. “Todos os executivos eram estrangeiros e eu era recém-formada. O meu projeto de 11 mil m² era a diretriz de todos os processos e desfrutei uma sensação muito grande de poder e de responsabilidade”, relembra. Ali, ela percebeu o quanto um (bom) projeto é importante.

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Debora is ahead of a large team of professionals in several segments, but in her office the final word is always hers. Moreover, even amidst so many requests (there are so many simultaneous projects it is hard to count them) she still finds time to draw. “I’m an architect who thinks with the pencil. For me, it represents the beginning, middle and end for the creation of a project.” The architect says great ideas have initially been drawn in napkins. “If I get excited, I’m able to spend the whole night drawing in an airplane,” she explains. Debora’s firm has been very active overseas since 2006. She has designed houses and apartments in Portugal and Miami, condominiums in Angola and projects in Uruguay and Argentina. However, the architect has never forgotten her first international challenge. “All the executives were foreign and I had just graduated. My 118,000 thousand square foot project was the guideline for all the processes and I enjoyed a very big feeling of power and responsibility,” she recalls. There and then, she noticed the importance of a (good) project.


ARQUITETURA EM EXIBIÇÃO

ARCHITECTURE IN EXHIBITION

A sofisticação e o dinamismo dos projetos de Debora já marcaram presença em 15 edições da CasaCor e 14 edições da Artefacto, duas das mais importantes mostras de arquitetura do país. Em 2018, após um hiato de cinco anos, ela voltou à CasaCor com o projeto Casa Cosentino. O impressionante espaço de 1,1 mil m² foi projetado para um casal amante das artes, com o intuito de integrar a natureza e todos os cômodos. Novamente, a iluminação natural foi peça-chave no planejamento, já que todos os espaços eram voltados para o jardim. Desafiada a se inspirar na sétima arte para a mostra Artefacto deste ano, Debora recorreu a um ícone da moda para retratar a atemporalidade que tanto preza. Ela escolheu o filme “Coco Antes de Chanel” por evidenciar uma figura que é sinônimo de sofisticação. Em um ambiente de 156 m², a arquiteta traduziu elementos da arte da estilista francesa em superfícies, como veludos, sedas, couros e camurças, além de pontos em madeira clara. Naturalmente, ganharam destaque luminárias, abajures e pendentes de desenho próprio. Porque muita luz nunca é demais.

The sophistication and buoyancy of Debora’s projects have already been present in 15 editions of CasaCor and 14 editions of Artefacto, two of the most important Brazilian architecture shows. In 2018, after a 5-year hiatus, she returned to CasaCor with the Casa Cosentino project. The astounding space of almost 12 thousand square feet was designed for a couple who love the arts, with the aim of integrating nature with all the rooms. Again, natural lighting was a key element in the planning, since every space faced the garden. Challenged to seek inspiration in the seventh art for this year’s Artefacto, Debora invoked a fashion icon to depict the timelessness she so loves. She chose the movie “Coco Before Chanel” for putting into evidence a character that is synonymous with sophistication. In a 1,679 square foot space, the architect translated elements of the French stylist’s art in surfaces, like velvets, silks, leather and chamois, as well as spots in clear wood. Naturally, the focus was on light fixtures, lampshades and drop down lights designed by her. Because there is no such thing as too much light.

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fotos/photos:Evelyn Muller e Marco Antonio

LIVING


TRÊS PERGUNTAS PARA DEBORA AGUIAR

// THREE QUESTIONS FOR DEBORA AGUIAR

A arquiteta paulistana já realizou projetos em países como Estados Unidos, Portugal, Argentina e Angola // The architect from São Paulo has already designed projects in countries such as the United States, Portugal, Argentina and Angola

Depois de tantos anos de carreira, o que você ainda gostaria de fazer? Gostaria de realizar projetos cada vez mais sustentáveis, com design 100% Debora Aguiar. Além disso, fazer uma oficina-escola profissionalizante, que ensine um ou mais ofícios, preparando os jovens para a vida profissional e os inserindo no mercado de trabalho.

// After a career of so many years, what do you still enjoy doing? I would like to design projects increasingly more sustainable, with 100% Debora Aguiar design. In addition, to create a vocational workshopschool, which will teach one or more crafts, preparing youngsters for professional life and inserting them into the job market.

Como você usa peças de artistas nacionais em seus projetos? Gosto de destacar objetos e obras de arte somadas à história particular dos clientes. Valorizo muito as criações de designers brasileiros. Temos muitos que estão sempre presentes, mas cito alguns, como Oscar Niemeyer, Sergio Rodrigues, Joaquim Tenreiro e Claudia Moreira Salles. Ao mesmo tempo, adoro criar peças de mobiliário e iluminação com a minha assinatura para cada projeto também.

How do you make use of pieces by Brazilian artists in your projects? I like to highlight objects and works of art relating to the private history of my clients. I value dearly the creations of Brazilian designers. Many of them are always present, but I can name some like Oscar Niemeyer, Sergio Rodrigues, Joaquim Tenreiro and Claudia Moreira Salles. At the same time, I love to create furniture and lighting pieces with my signature for each project as well.

Quais são os arquitetos que você mais admira e que são fontes de inspiração? Posso citar, entre tantos, o americano Richard Meier pelo purismo de suas formas e a ausência de cor, que eu amo. O japonês Kengo Kuma pelo jogo de formas geométricas que se inserem na paisagem como uma brincadeira. E a iraquianabritânica Zaha Hadid pelas formas mais que inusitadas, que nos instigam a pensar que estamos num futuro distante, em outra galáxia.

What architects do you most admire and that have inspired you? I can mention, among many others, American architect Richard Meier for the purity of his forms and the absence of colors, something I love. Japanese Kengo Kuma for the play with geometrical forms that are inserted into the landscape for fun. As well as Iraqi-British Zaha Hadid for the more unusual forms, that instigate us to think we are in a distant future, in another galaxy.

Interior da Casa Cosentino, projeto de Debora para a CasaCor 2018 //Interior of the Cosentino House, Debora's project for CasaCor 2018


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ONDAS DE CRIATIVIDADE WAVES OF CREATIVITY por/by Raphael

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Mesa de centro Maremoto, Estúdio Mula Preta para Breton

CABdeira, Studio Pedro Galaso

Biombo Pássaros, Pormade

Com estrutura em vidro, possui base multilaminada em nogueira natural, que imita as ondas provocadas por um maremoto. A mesa de centro tem 140 cm de largura, 81 cm de profundidade e 25 cm de altura.

Multifuncional, esta cadeira-cabide se inspira nos emaranhados de fios das grandes metrópoles, funcionando também como suporte para roupas – penduradas, elas criam o efeito de capa. De ponta-cabeça, pode virar um baú de roupas sujas.

// Maremoto Coffe Table,

// Pedro Galaso Studio CABdeira

// Pormade Bird Print Screen

Estúdio Mula Preta for Breton With glass structure, it has a multilaminated base in natural walnut imitating the waves provoked by a tsunami. The coffee table measures 55.1” in width, 31.8” in depth and 9.8” in height.

This multifunctional chair and hanger is inspired by the mesh of wires of great cities, functioning also as a support for clothes – when hung, they create a cover effect. Turned upside-down, it can become a laundry trunk.

Made in HDF, this screen is made up of three sheets of 15.7” width each, with hinges, waterproof finishing on the sides and treatment to avoid termite action. Ideal for interior ambiances.

R$ 19.841 breton.com.br

R$ 4.200 boobam.com.br

R$ 980 pormadeonline.com.br

fotos/photos: divulgação

Feito em HDF, este biombo é composto por três folhas de 40 cm de largura cada, com dobradiças, acabamento impermeabilizante nas laterais e tratamento para evitar a ação de cupins. Ideal para ambientes internos.


SS 2019 | COLEÇÃO OÁSIS

e-store brooksfielddonna.com.br


APPETITE

MUITO ALÉM DO CHÁ DAS CINCO BEYOND THE FIVE O’CLOCK TEA Versátil, a bebida milenar sai das xícaras para ganhar novas propriedades em pratos principais, drinks e até em sobremesas Versatile, the ancient beverage comes out of the cups and gains new properties in main dishes, drinks and even desserts

m 1999, no primeiro ano de funcionamento de A Loja do Chá, em São Paulo, a proprietária Carla Saueressig se viu desafiada. Ao conversar com um cliente vegetariano, ouviu que a maior reclamação dele era ter abdicado da feijoada e sentir saudade dos defumados que acompanham o feijão. Foi então que ela teve uma ideia: resolveu triturar o chá preto chinês lapsang souchong, de acentuado sabor defumado, e adicioná-lo ao feijão para cozinhar com os outros temperos. A ideia dela não só satisfez o cliente, como confirmou algo que Carla já conhecia: a incrível versatilidade do chá. “Meu sonho é que as pessoas parem de chamar as outras para tomar um café e passem a convidar amigos para uma xícara de chá”, conta a entusiasmada teablender, cuja expertise no assunto ela compartilha em cursos, aulas e consultorias que realiza. Carla, assim como diversos especialistas, vê um enorme potencial no chá, bebida ainda pouco explorada pela parcela ocidental do mundo, especialmente na América Latina. A história do chá remonta aos anos 2.700 antes de Cristo, com narrativas lúdicas que variam nos detalhes e envolvem curandeiros, propriedades medicinais e pitadas de mistério. Incontestável, porém, é que foi na China que as primeiras infusões apareceram, dando origem a uma cultu-

Horita

// In 1999, during the first year of the store A Loja do Chá, in São Paulo, owner Carla Saueressig felt challenged. While talking with a vegetarian client, she heard that what he missed most having abdicated from eating feijoada were the smoked meats that accompany the beans. There and then, she had an idea: she decided to grind black Chinese lapsang souchong tea, which has an accentuated smoked flavor, and add it to the beans, to be cooked together with other seasonings. Her idea not only satisfied her client, but confirmed what Carla already knew – tea’s incredible versatility. “My dream is that people will stop inviting each other to have some coffee and start inviting friends to have some tea,” says the excited tea blender, whose expertise in the subject she shares in courses, classes and consultancies. Carla, as well as many specialists, sees a huge potential for tea, a beverage still insufficiently explored by the Western half of the world, especially in Latin America. The history of tea goes back to 2700 B.C., with playful narratives that vary in detail and involve healers, medicinal properties and sprinkles of mystery. Unchallenged, however, is that it was in China that the first infusions appeared, giving birth to a culture that would be taken to Europe by the Portuguese and the Dutch, and from there popularized to the rest of the world.

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foto/photo: Oriento

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por/by Natalia


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APPETITE

Cultivo de chá no norte da Tailândia: as folhas adquirem sabores específicos em cada país // Tea cultivation in northern Thailand: the leaves acquire specific flavors in each country

CHÁ DE TERROIR Ainda que os ingleses tenham se firmado na cultura pop como grandes apreciadores de chá, a camellia sinensis, planta que dá origem à bebida, é de comum cultivo. Há plantações na China, Índia, Indonésia, Sri Lanka e outros países asiáticos, onde consome-se muito chá no cotidiano, além de terras mais inesperadas, como Colômbia, Estados Unidos e até Brasil. “O chá é como vinho: absorve influências do ar, do solo, do adubo. Por isso o chá verde produzido aqui não é o mesmo que o da China”, esclarece Carla. “Toda comida é cultural e adquire traços de onde é feita. O chá preto brasileiro, por exemplo, tem notas de caramelo e de lichia, que são características do solo daqui.” No Brasil, a cidade de São Miguel Arcanjo, interior de São Paulo, concentra uma destacada produção de chá verde. Já em Registro (SP), que foi a “capital do chá” até a década de 90, dona Ume Shimada lidera a colheita manual de chá preto. A senhorinha de 91 anos vende seus produtos na Obaatian, uma pequena loja na Aclimação, em São Paulo, onde prateleiras perfumadas abrigam infusões, kombucha, apetrechos e alguns quitutes.

During the Industrial Revolution, there was a tea boom in the West. Worried about the high number of alcoholics and consequent decrease in the rhythm of production in the United Kingdom, Queen Victoria decided to stimulate the commerce of a non-alcoholic beverage and lowered tea taxation. The consumption also increased substantially and the queen’s country, at least in popular imagination, became the land of “Five O’Clock Tea” and supremely responsible for westernizing the beverage. TERROIR TEA Although the English became entrenched in popular culture as great tea connoisseurs, the camellia sinensis, plant that gives birth to the beverage, is commonly cultivated. There are plantations in China, India, Indonesia, Sri Lanka and other Asian countries, where tea is savored daily in great quantities, as well as in other unexpected territories such as Colombia, the US and even Brazil. “Tea is like wine: it absorbs influences from the air, the soil, the fertilizer. That is why the green tea produced here is not the same as the one from China,” explains Carla. “Every food is cultural and acquires traces from where it is made. The Brazilian black tea, for example, has caramel and lychee notes that are characteristic of the local soil.” In Brazil, the city of São Miguel Arcanjo, in the São Paulo state countryside, concentrates an outstanding production of green tea. In Registro (São Paulo), which was the “tea capital” until de 1990s, Ume Shimada leads the manual harvest of black tea. The 91-year old woman sells her products at Obaatian, a small shop in the district of Aclimatação, in the city of São Paulo, where perfumed shelves shelter infusions, kombucha, gadgets and a few tidbits.

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fotos/photos: Shutterstock

ra que seria levada para a Europa pelos portugueses e holandeses e, de lá, popularizada para o resto do mundo. Na revolução industrial houve um boom de chá no ocidente. Preocupada com o alto índice de alcoólatras e a consequente diminuição no ritmo de produção no Reino Unido, a rainha Vitória resolveu estimular o comércio de uma bebida sem álcool e diminuiu a tributação em cima do chá. O consumo aumentou substancialmente e a terra da rainha, ao menos no imaginário popular, se tornou também a terra do “Chá das Cinco” e grande responsável por ocidentalizar a bebida.


O consumo do chá começou em 2.700 a.C. na China e se popularizou com as navegações europeias // Tea consumption began at 2,700 BC. in China and became popular with European navigation

Para se iniciar no mundo do chá

// For your initiation in the world of tea

·· Tecnicamente, apenas as bebidas feitas à base da camellia sinensis são chás. O chamado chá mate e o chá de frutas vermelhas, por exemplo, são infusões que circulam pelo universo dos chás.

·· Technically, only beverages made based on camellia simensis are considered teas. The so-called mate tea and the red fruit tea, for example, are infusions that transit in the tea universe.

·· O nível de oxidação, processo iniciado quando as folhas de camellia sinensis são colhidas e entram em contato com o ar, é que determina se ele será branco (pouco oxidado), oolong (meio oxidado) ou preto (muito oxidado). ·· Experimente ir tirando o açúcar aos poucos. As bebidas de qualidade, encontradas em lojas especializadas, têm sabor pronunciado e característico, mascarado se misturado ao açúcar.

·· The level of oxidation, the process that starts when the leaves of camellia simensis are picked and enter in contact with air, is what determines if it will be white (less oxidized), oolong (half oxidized) or black tea (more oxidized). ·· Experiment removing sugar gradually. Quality beverages, found in specialized shops, have a pronounced and characteristic flavor, which becomes masked when mixed with sugar.

·· Ao preparar a infusão, use água potável de boa qualidade. Essa dica vale para qualquer bebida, seja café, suco ou drinks.

·· When preparing the infusion, use good quality drinking water. The tip goes for any beverage, whether coffee, juice or drinks.

·· O tempo apropriado para infusionar o chá é entre 3 e 5 minutos. Mais do que isso, acentua-se o sabor amargo.

·· The appropriate time for tea infusion is between 3 and 5 minutes. Over that, the bitter taste becomes sharper.

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// Smoked duck breast with black tea lapsang souchong, in the TonTon restaurant

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fotos/photos: Lucas Terribili e Tadeu Brunelli

Magret de pato defumado com chรก preto lapsang souchong, no restaurante TonTon


VERSATILIDADE A apreciação do chá pode até ter muitas regras e etiquetas, mas alguns chefs, barmen e confeiteiros estão dispostos a questioná-las. Nos cardápios de restaurantes e bares proliferam preparos que envolvem chá. É o caso do restaurante TonTon, em São Paulo, onde o chef Gustavo Rozzino defuma o magret de pato com o chá preto lapsang souchong, e cozinha o camarão da salada com acento tailandês no vapor do chá verde. “É preciso usar chá com parcimônia, ir dosando e experimentando, para não amargar. Chegando ao ponto certo, é uma bebida que dá muita complexidade ao prato”, defende Gustavo Rozzino. No recém-inaugurado Grecco Bar e Cucina, em São Paulo, o barman Vini Lopes infusiona mate-verde por três horas na cachaça, para então misturar o resultado a laranja e mel. Para Uilian Goya, do paulistano Taka Daru, todas as combinações podem aceitar o chá. “É uma questão de costume, porque a culinária oriental incorpora o chá na cozinha quente e fria”, conta. Em seu restaurante, ele serve uma inusitada sobremesa que mistura mousse de chocolate branco feita com matchá (chá verde), molho teriyaki e flor de sal. “Coloquei no cardápio pensando apenas em mim e hoje ela é a mais vendida do restaurante”, se empolga o chef, que acredita que a bebida tem tudo para ser a próxima tendência gastronômica.

VERSATILITY Savoring tea may have many rules and etiquettes, but some chefs, barmen and bakers are willing to challenge them. In the menu of restaurants and bars abound preparations involving tea. It is the case of TonTon restaurant, in São Paulo, where chef Gustavo Rozzino smokes duck magret with lapsang souchong black tea and cooks the shrimp for the Thai-influenced salad in vapor with green tea. “Tea must be used very carefully, it has to be dosed and tasted, in order not to embitter the food.When it reaches the right point, it is a drink that lends complexity to a dish,” defends Gustavo Rozzino. In the recently inaugurated Grecco Bar e Cucina, in São Paulo, barman Vini Lopes brews green mate for three hours in cachaça and then mixes the result with orange and honey. For Uilian Goya, from the São Paulo Taka Daru, all combinations may accept tea. “It is a question of custom, because Oriental cuisine incorporates tea in hot and cold cooking,” he says. In his restaurant, he serves a unique dessert, which mixes white chocolate mousse made with matchá (green tea), teriyaki sauce and salt flower. “I put it on the menu for my benefit only, but currently it is the the restaurant’s best-selling item,” he explains excitedly. The chef believes the beverage has what it takes to be the next gastronomy trend.

PARA PROVAR ALÉM DA XÍCARA EM SÃO PAULO TO TASTE BEYOND THE CUP IN SÃO PAULO Marakuthai Drink com cachaça infusionada com capim-santo, limão-cravo, limãosiciliano, limão-taiti e lima-da-pérsia. // Drink made with cachaça brewed with lemon grass, Rangpur lime, Sicilian lemon, Tahiti lime and Persian lime. Rua Pais de Araújo, 77, Itaim Bibi (11) 3078-3246. Grecco Bar e Cucina Drink de cachaça infusionada com mate verde, laranja e mel. // Drink made with cachaça brewed with green mate, orange and honey Rua Henrique Monteiro, 47, Pinheiros (11) 2369-5440.

// In Marakuthai, tea gets a new version in a drink with cachaça and Sicilian lemon

Rua Costa Carvalho, 234, Pinheiros (11) 3034-0937. Bistrot de Paris Pirarucu na infusão de erva-cidreira, farofa de dendê e arroz de coco. // Pirarucu (Amazon fish) brewed with lemongrass, dendê oil farofa and coconut rice. Rua Augusta, 2542, loja 12, Jardins (11) 3063-1675.

// Drink with gin, house tonic and oolong tea.

TonTon Peito de pato defumado com batata doce assada; salada thai com camarão cozido no vapor de chá. // Smoked duck breast with baked sweet potato; Thai salad with shrimp cooked in tea vapor.

Rua Bela Cintra, 1551, Cerqueira César (11) 3081-8358.

Rua Caconde, 132, Jd. Paulista (11) 2597-6168.

MeGusta Drink com gin, tônica caseira e chá oolong. No Marakuthai, o chá ganha nova versão em um drink com cachaça e limão-siciliano

Taka Daru Mousse de chocolate branco com matchá, molho teriyaki e flor de sal. // White chocolate mousse with matchá, teriyaki sauce and salt flower.

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PAUSA PARA RELAXAR BREAK TO RELAX

por/by Raphael

Calles

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Chaleira elétrica Tramontina Smart

Geleia de Frutas Vermelhas Zero, Casa Madeira

Infusor de chá Paper Boat, Luckies of London

// Tramontina Smart Electric Kettle

// Casa Madeira Zero Sugar Red Fruit Jam

// Luckies of London Paper Boat Tea Infuser

The device offers five temperature options, between 176 and 212 degrees Fahrenheit, to provide ideal aroma and flavor for tea and coffee. Capacity of up to 1.7l and auto shutoff function with boil dry protection.

In this jam, sucrose was substituted by fructose, reducing the amount of calories by 70%. The fruits are doubly checked and the sweetness is achieved by the apple juice, which is added during preparation.

Made out of silicone and shaped like a paper boat, it has small orifices in the base for tea infusion. Besides being playful, the product is reusable and can be cleaned without any problem in the dishwasher.

R$ 1,199 tramontinastore.com

R$ 21 loja.famigliavalduga.com.br

R$ 59 conceitoe.com.br

Nesta geleia, a sacarose foi substituída pela frutose, o que reduziu a quantidade de calorias em 70%. As frutas são duplamente selecionadas e a doçura fica por conta do suco de maçã adicionado ao preparo.

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Feito de silicone em formato de barquinho de papel, possui pequenos orifícios em sua base para realizar a infusão do chá. Além de lúdico, o produto é reutilizável e pode ir sem problemas para a máquina de lavar.

fotos/photos: divulgação

O aparelho oferece cinco opções de temperatura, entre 80 e 100 graus, para entregar aroma e sabor ideais para chás e cafés. Possui capacidade para 1,7 litro e função de desligamento automático contra fervura seca.


PROMO

HYATT CENTRIC SAN ISIDRO LIMA

The first Hyatt hotel in Peru, Hyatt Centric San Isidro Lima is strategically located on Basadre Avenue near leading global corporations, foreign embassies, notable restaurants, Huaca Huallamarca archeological site, and Bosque El Olivar public park. The hotel put guests at the center of the action and encourages exploration and discovery in one of the main gateway cities in South America, full of opportunities, culture and and world-renowned cuisine. The hotel features 254 spacious guestrooms and suites featuring artwork and design celebrating renowned Peruvian artists like Pool Guillén, Manuel Figari and Perci Zorrilla. The rooms offer an eclectic and contemporary atmosphere that reflects the colors and textures of the destination. Each element in the room was specially designed for the hotel, including unique art pieces, like the altarpieces of pre-Co-

lumbian inspiration that represent Machu-Pichu and other Peruvian locations. The hotel’s signature restaurant, Isidro Bistro Limeño, is a Peruvian-French bistro concept created uniquely for the hotel by Corporate Executive Chef Carlos Testino in collaboration with Grupo Aramburu. At sunset, guests can find themselves enjoying tapas and craft cocktails at Celeste Solar Bar, the perfect rooftop bar to admire spectacular city views and lounge at the rooftop pool. If you look at the horizon in a clear summer day, the view might include the Pacific Ocean. Located in the top floor of the building, the Fitness Center is ideal to admire the city while practicing some physical activity. The hotel also offers more than 5,900 square feet of flexible meeting and events space with the latest technology, on-site professionals and creative catering services.

Hyatt Centric San Isidro Lima Jorge Basadre 367, San Isidro, Lima, Peru – Tel: +511 6111234 – hyattcentric.com

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Modern spaces: Relax in spacious rooms and suites featuring Peruvian artwork and craftsmanship The location: Visit local and international retailers at Larcomar shopping center, or see the Huaca Huallamarca, a restored adobe pyramid with an onsite museum The rooftop: Admire panoramic city views as you lounge at the rooftop pool, or grab a craft cocktail at our rooftop bar, Celeste Peruvian cuisine: Experience the local flavor of our on-site restaurant, Isidro


MUSTsee por/by Felipe

Optical illusion

À primeira vista, parecem corais no fundo do oceano ou plantas exibindo uma cor vermelha intensa e hipnotizante. Na realidade, são bastões de incenso secando ao sol em Hanoi. A capital do Vietnã é famosa por seus templos budistas seculares, onde a tradicional queima do incenso vai além do perfume: simboliza prática da moralidade e das boas ações, e ainda representa uma metáfora da existência limitada e efêmera da vida. Hanoi, Vietnã

// At first sight, they look like corals at the bottom of the ocean or plants exhibiting an intense and hypnotizing crimson color. In reality, they are incense sticks drying in the sun at Hanoi. Vietnam’s capital is famous for its millenary Buddhist temples, where the traditional incense burning goes beyond the perfume: it symbolizes the practice of morality and good deeds as well as representing a metaphor for the limited and ephemeral existence of life. Hanoi, Vietnam

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fotos/photos: Getty Images e Shutterstock

Ilusão de ótica

Seffrin


POTENCY PAG. 72 NOVOS CARROS ELÉTRICOS CHEGAM AO BRASIL NEW ELECTRIC CARS ARRIVE IN BRAZIL PAG. 84 WIMBLEDON MANTÉM TRADIÇÕES SECULARES

WIMBLEDON MAINTAINS ITS SECULAR TRADITIONS

PAG. 90 PAISAGENS CINEMATOGRÁFICAS NA OCEANIA CINEMATOGRAPHIC LANDSCAPES IN OCEANIA TÊNIS EM WIMBLEDON


Fotos/photos: foto/photo: Divulgação Shutterstock

ENGINE

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CORRIDA ELÉTRICA ELECTRIC RACE

Marcas multiplicam a oferta de carros elétricos e híbridos no Brasil. Novos modelos chegam ao país em 2019 e a rede de abastecimento também deve aumentar Brands multiply the offer of electric and hybrid cars in Brazil. New models arrive in the country in 2019 and the charging network will also increase.

por/by Rodrigo

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Mora


C

orriam meados dos anos 1970, no auge da crise do petróleo, quando o governo brasileiro lançou o ProÁlcool, campanha que estimulava o consumo do combustível vegetal como alternativa à gasolina, cujo slogan era profético: “Carro a álcool, você ainda vai ter um.” Já estamos em outro século, mas a bravata ainda é atual. Basta apenas trocar o objeto: “Carro elétrico, você ainda vai ter um.” Ok, a oferta atual é minúscula: diante dos cerca de 550 modelos de veículos à venda no mercado nacional, os 16 elétricos e híbridos disponíveis parecem a torcida das Ilhas Cook em um amistoso no Maracanã. No entanto, se nenhum disjuntor cair e paralisar tudo, a oferta de carros com energia sustentável vai se multiplicar até o final de 2019 – e a rede de abastecimento por todo o país também. Recentemente, a Jaguar apresentou o I-Pace, seu primeiro SUV eletrico. Com 394 cavalos de potência e autonomia para 480 km, mostra ao Tesla Model S como aliar eletricidade a luxo. Já a Audi começa a entregar as primeiras unidades do e-tron na Europa no fim do ano, para, em seguida, trazê-lo ao Brasil. O domínio de Porsche, Volvo e BMW acabou. A mobilidade elétrica não será restrita a veículos de luxo – o que é fundamental para o desenvolvimento deste segmento. A partir de 2019, o Nissan Leaf pretende cortejar o público com tecnologia sustentável por um preço acessível. O Zoe, que desde 2014 ensaia se plantar nas concessionárias da Renault, e o Bolt, que nos EUA a Chevrolet vende por US$ 37 mil, tentarão seguir o mesmo caminho.

// It was the mid-1970s and the oil crisis reached its peak when the Brazilian Government launched the ProÁlcool campaign, stimulating the use of vegetable fuel as an alternative to gasoline with the prophetic slogan: “alcohol-fueled car, someday you’ll own one.” We are in another century, but the bravado stands. You only need to change the object: “electric car, someday you’ll own one.” Ok, the current offer is still very small: out of the 550 car models for sale in the Brazilian market, the 16 electric and hybrid available are akin to the supporters of Cook Islands in a friendly match at Maracanã Stadium. However, if no kill switch goes down and paralyzes the whole shebang, the offer of cars fueled by renewable energy will multiply until de end of 2019 – and so will the charging network throughout the country. Recently, Jaguar introduced I-Pace, its first electric SUV. With 394hp and 300-mile range, it shows Tesla Model S how to combine electricity and luxury. Meanwhile, Audi begins delivering the first units of the e-tron in Europe at the end of the year and will bring it to Brazil afterwards. The reign of Porsche, Volvo and BMW is over. Electric mobility will not be restricted to luxury vehicles – an item that is fundamental for the development of this segment. Beginning in 2019, Nissan Leaf hopes to woe the public with sustainable technology at affordable prices. The Zoe, which since 2014 carves a place at the Renault dealerships and Bolt, which Chevrolet sells for US$ 37 thousand in the American market, will attempt to trail the same path.

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ENGINE


ABASTECIMENTO

SUPPLY

É claro que a crescente oferta de carros elétricos exige mais estrutura. Ou seja, pontos de recarga. Estima-se que atualmente o Brasil possua apenas 120 estações, mas pode haver margem de erro: um shopping, um mercado ou um posto de combustível que até ontem não tinha um recarregador pode tê-lo amanhã, sem que o mundo saiba. Hoje, rodar à base de eletricidade é viável, mas exige planejamento. Toda rotina precisa ser pensada em torno dos lugares onde há recarregadores públicos. Com um carro elétrico, o condutor precisa priorizar o shopping com vagas para deixar o carro sugando energia durante as compras, por exemplo. Um aliado indispensável é o aplicativo Plugshare, mapa colaborativo de postos elétricos, disponível para Android e iOS. A boa notícia é que futuramente será mais bem fácil. Porsche e Volvo já confirmaram que também vão espalhar estações de recarga pelo Brasil, fazendo companhia para os postos elétricos da BMW, hoje dominantes. A marca alemã não diz quantos serão, mas os promete para 2020. Já a sueca Volvo promete espalhar 250 postos pelo país até abril do ano que vem. Os pontos serão instalados em todas as unidades dos shoppings da rede Iguatemi, em supermercados Pão de Açúcar, além de hotéis e, veja só, redes de lojas de decoração e salões de beleza. Ao que tudo indica, ter um carro elétrico vai ficar mais barato e ligar o veículo na tomada vai ser mais fácil.

The growing offer of electric cars naturally calls for greater infrastructure. Meaning charging stations. There are an estimated 120 stations in Brazil, but there could be a margin of error: a shopping center, a market or a fueling station that until recently did not have a charger may have one the next day, without disclosing it to the world. Currently, it is viable to cruise around in an electric vehicle, but planning is required. Every routine must be envisioned considering places where there are public chargers.With an electric car, the driver must prioritize a shopping center with parking spaces, to leave the car sucking up energy while shopping, for instance. A vital ally is the app Plugshare, collaborative map of electric charging stations, available for Android and iOS. The good news is that in the future it will be a lot easier. Porsche and Volvo have confirmed that they will scatter charging stations throughout Brazil, adding to the BMW electric stations already operative and currently dominant. The German brand does not disclose how many there will be, but promises them for 2020. Swedish brand Volvo, by its turn, promises to scatter 250 stations throughout the country until April of next year. The stations will be installed in every mall of the Iguatemi chain, in Pão de Açúcar supermarkets, as well as hotels and, check this out, decoration store chains and beauty salons. Apparently, having an electric car will be a lot cheaper and putting the vehicle on the plug a lot easier.

Ter um recarregador da BMW em casa custa R$ 11 mil. O equipamento tem potência de 22kW e pode ser adquirido nas concessionárias // To have a BMW in-house recharger costs R$ 11,000. The equipment has a power of 22kW and can be purchased from dealerships

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ENGINE

A AHEAD JÁ EXPERIMENTOU

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AHEAD HAS ALREADY TRIED OUT

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Volvo XC90 T8 / R$ 439.950 Antes de girar o charmoso botão de cristal que liga o carro, você chega a duvidar que um SUV tão grande pode ser movimentado por um propulsor elétrico modesto, de 87 cv. Embora sozinho ele não vá muito longe – são apenas 35 km de autonomia –, seus esforços dão conta de botar o XC90 em movimento. A bateria acabou e não há recarregador perto? Basta ir ao Sensus, a central multimídia de 9 polegadas que simula um tablet e, com um toque na tela, pedir que o sistema híbrido “trave” o funcionamento do motor elétrico – que somente receberá carga. É quando o 2.0 de 320 cv entra em ação. O XC90 se destaca também pelo belo acabamento que usa alumínio e madeira, sem ostentar.

// Before switching the charming crystal button that turns the car on, you may almost doubt that such a big SUV can be powered by such a modest electric engine of 87hp. Although it will not go too far on its own – the range is only of up to a little over 20 miles -, its efforts are enough to set the XC90 in motion. The battery is dead and there is no charger around? All you have to do is go to Sensus, the multimedia 9-inch central that simulates a tablet and, with a touch on the screen, ask for the hybrid system to “lock down” the functioning of the electric engine – which will only receive charge. That is when the 2.0, 320hp engine heads into action. Another highlight of the XC90 is the beautiful finishing in aluminum and wood, without ostentation.

Toyota Prius / R$ 128.050 A nova plataforma esticou e alargou o Prius, além de baixar sua frente em 70 mm, o que melhorou a visibilidade. Os bancos também são novos, com mais apoio para os ombros e apoio lombar elétrico. É deles que o motorista sente o quão suave e firme é o rodar do novo Prius. O ar futurista da cabine se manteve, mas agora por meio de uma central multimídia alinhada aos novos tempos. Como na geração anterior, monitorar o funcionamento dos motores elétrico e a gasolina e o fluxo de energia entre eles ainda não é tão simples, tomando atenção do motorista. Melhor se concentrar na condução do carro, que anda bem e consome pouco: são 18,9 km/l na cidade e 17 km/l na estrada.

// The new platform stretched and broadened the Prius, as well as lowered its front in 70 mm, increasing visibility. The seats are also new, with a firmer support for shoulders and electric lumbar support. Installed in them, the driver feels how light and firm the new Prius rides. The futuristic look of the cabin was maintained, but now through a multimedia central aligned with the new times. As in the previous generation, monitoring the functioning of the electric engines, the gas and the energy flux between them is still not that simple, requiring the driver’s attention. Better to focus on driving the car, which rides well and consumes little: 18.9 km/l in the city and 17km/l on the highway.

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Único carro elétrico à venda hoje, o i3 tem também o visual mais futurista, tanto externo quanto interno. Na cabine, materiais recicláveis não ofuscam o clima luxuoso. A ergonomia é exemplar, até por conta do tamanho do carro, que deixa até os comandos do rádio próximos do motorista. Não parece, mas uma cadeirinha infantil cabe confortavelmente no banco de trás. Dirigir o i3 é uma experiência singular. Quem nunca guiou um pode se assustar com o ganho de velocidade. E vai estranhar mais ainda quando tirar o pé do acelerador e perceber o carro desacelerando sozinho. Com o tempo, o condutor pega o costume de quase não usar o freio.

// The only electric car on the market currently, the i3 also has the most futuristic look, externally as well as internally. In the cabin, recyclable material do not overshadow the luxurious climate. The ergonomics are exemplary, even taking into consideration the size of the car that leaves even the radio commands next to the driver. It may not seem like it, but a kiddie chair fits comfortably on the backseat. Driving the i3 is a unique experience. Someone not familiar with it may be startled by the velocity buildup. Moreover, he will find it even stranger when, after taking the foot off the accelerator, notices the car slowing down by itself. In time, the driver gets used to practically not using the brakes.

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BMW i3 / R$ 199.950


Jaguar I-Pace / preço sob consulta Acomodada sob o assoalho, sua bateria de 36 módulos e 430 células abastece os dois motores elétricos. Instalados um em cada eixo, os motores produzem 200 cv e 35,5 kgfm de torque cada, fazendo do I-Pace um carro de tração integral e com autonomia de 480 km. Apenas as suspensões são compartilhadas com outros carros do grupo, no caso o Jaguar F-Type e a Land Rover Velar. Sem exageros, é possível dizer que o I-Pace quase alcança o ideal de carro. Mesmo pesando mais de 2 toneladas, acelera como um esportivo compacto. Seu porta-malas de 656 litros e o extenso entre-eixos de 2,99 metros garantem o selo de carro familiar. O interior é luxuoso e tecnológico, com uma grande central multimídia fazendo par com comandos digitais do ar-condicionado e dos modos de condução. E sem emitir um grama de CO2. De quebra, enfrenta desafios off-road e até encara peripécias num autódromo.

// Accommodated under the floorboard, its 36-module battery and 430 cells supply the two electric engines. Installed one in each axis, the engines produce 200hp and 35.5 kgfm torque each, making the I-Pace a car with all-wheel drive traction and 300-mile range. Only the suspensions are shared with other cars of the group, in this case the Jaguar F-Type and the Land Rover Velar. Without exaggerating, we can say that the I-Pace almost reaches a car’s ideal. Even weighing over 2 tons, it accelerates like a compact sports car. Its 656-liter trunk and wide wheelbase of 117.7 inches guarantee the family car seal. The interior is luxurious and technological, with a great multimedia center co m b i n e d w i th th e d i g i ta l commands of AC and driving modes. Moreover, with zero carbon dioxide emissions. As a bonus, it is up to off-road challenges and may even face shenanigans at the racetrack.

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ENGINE

Elétricos e Híbridos no Brasil O i3 da BMW é o único puramente elétrico no país. Todos os outros modelos são híbridos. Conheça alguns modelos disponíveis aqui. // Electric and Hybrid Cars in Brazil The BMW i3 is the only purely electric in the country. All the other models are hybrids. Know some models that are available here.

Porsche Panamera E-Hybrid / a partir de R$ 529.000 In the electric mode, this 16.4-foot coupe is tame, easy to drive and allows the driver to go to work and come back with a literally clean conscience: with 100% cargo, it runs up to a little over 30 miles without asking the gas engine for help. However, do not provoke it. Stepping down on the accelerator means waking up a beast that, with two engines hand in hand sums up to 462hp and 71.4 kgfm torque. Currently, it is the biggest reference insofar as luxury and sports hybrids are concerned in Brazil. If this is the electric future that Porsche envisions for us, brand enthusiasts will have their emotion at the wheel guaranteed.

Volvo XC90 T8: R$ 439.950 / 407 cv XC60 T8: R$ 299.950 / 407 cv S90 T8: R$ 365.950 / 407 cv Lexus CT 200h: R$ 135.750 / 136 cv NX 300h: R$ 229.670 / 194 cv LS 500h: R$ 760.000 / 359 cv BMW i3: R$ 199.950 / 170 cv Ford Fusion Hybrid: R$ 164.900 / 190 cv Toyota Prius: R$ 128.050 / 123 c

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No modo elétrico, esse cupê de 5 metros é manso, fácil de guiar e permite ao condutor ir ao trabalho e voltar de consciência literalmente limpa: com 100% de carga, roda até 51 quilômetros sem pedir ajuda ao motor à gasolina. Mas não o provoque. Afundar o pé no acelerador significa acordar um monstro que, com os dois propulsores de mãos dadas, soma 462 cv e 71,4 kgfm de torque. Hoje, é a maior referência de híbrido luxuoso e esportivo no Brasil. Se o futuro eletrificado que a Porsche promete for assim, entusiastas da marca estão com a emoção ao volante garantida.

Porsche Panamera 4 E-Hybrid: R$ 529.000 / 330 cv Panamera Turbo S E-Hybrid Sport Turismo: R$ 1.212.000 / 550 cv

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UPGRADE

O FUTURO É AQUI THE FUTURE IS HERE por/by Raphael

Calles

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Robô Educativo Ubtech Alpha 1 Pro

Robô aspirador Deebot R95

Travis Touch, Tradutor de bolso

// Ubtech Alpha 1 Pro Humanoid Robot

Este aparelho faz o uso da inteligência artificial para aprimorar resultados de tradução para cada usuário. O dispositivo suporta até 80 idiomas online e 20 offline. A precisão nos resultados é dada por diversas fontes e mecanismos de fala e tradução. // Travis Touch, Pocket Translator

The robot has humanoid movements that can be programmed through computer or app. Movement sequences can be downloaded or the robot can be manually positioned and memorize positions. It reproduces dances, exercises and even yoga movements.

// Deebot R95 Robotic Vacuum The device combines vacuuming and mopping functions. Compatible with smartphones, it maps the surroundings for better adaptation of the need for cleaning. Virtual activation through an app.

This device uses artificial intelligence to refine translation results for each user. The gadget supports up to 80 languages online and 20 offline. The precision in the results is achieved through many speech and translation sources and mechanisms.

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foto/photo: divulgação

Ele possui movimentos humanoides programáveis por computador ou app. É possível baixar sequências de movimentos ou posicioná-lo manualmente e memorizar posições. Reproduz danças, exercícios e até mesmo movimentos de yoga.

O aparelho combina funções de aspirador de pó e esfregão. Possui integração com smartphones e realiza um mapeamento do ambiente para melhor integração e adaptação da necessidade de limpeza. Pode ser acionado à distância por um app.


DA RECEPÇÃO AO EMBARQUE Meet & Greet

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SPORT

SANTUÁRIO DO ESPORTE

fotos/photos: Shutterstock

SPORTS SANCTUARY

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Mais antigo torneio de tênis do mundo, Wimbledon é um templo das tradições do esporte disputado na sagrada grama londrina desde 1877 World’s oldest tennis tournament, Wimbledon is a temple of tradition for the sport played in the holy London grass since 1877 por/by Manuel

Cunha Pinto

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F

inal de junho de 2010. O calor do verão londrino castiga dois tenistas que se enfrentam pela primeira rodada do torneio de Wimbledon, um dos mais tradicionais do circuito profissional. Anatomicamente, não seria absurdo dizer que eram dois gigantes: o francês Nicolas Mahut, com 1,91 metro, e o norte-americano John Isner, do alto de seus 2,08 metros. Só que, naquele momento, a palavra “gigante” ganhava outra definição, quase tão óbvia quanto aquela que descrevia os atributos físicos dos dois atletas. Em nome da tradição do torneio, que estabelece um sistema de desempate no set decisivo, quando um dos jogadores deve, obrigatoriamente, abrir dois games de vantagem para ganhar a partida, Isner e Mahut travaram uma batalha que durou mais de onze horas. Até que Isner finalmente sacramentou a vitória com uma paralela de esquerda, anotando 70 a 68 no placar, no mesmo momento em que caiu na grama mitológica de Wimbledon – com cãibras ou simplesmente satisfeito por ter completado o jogo épico com vida. Exausto, John Isner mal conseguiria finalizar seu próximo jogo no torneio, no dia seguinte, sendo derrotado facilmente por um adversário inferior. Mas a partida contra Mahut, a mais longa da história do tênis, provocou a organização de Wimbledon a fazer o que mais lhe deixa desconfortável: mexer em suas tradições e regras que precisam ser respeitadas pelos tenistas que almejam o cheque de até 2,25 milhões de libras. Em Wimbledon, os atletas devem vestir uniformes obrigatoriamente brancos, o que confere um charme aristocrático à competição. O tema monocromático das vestimentas provavelmente é o item mais conhecido pelo público acerca do “código de conduta” do All England Lawn

// End of June 2010. The London summer heat castigates two tennis players involved in a match of the first round of the Wimbledon tournament, one of the most traditional in the professional circuit. Anatomically, it would not be an exaggeration to say these were two giants: Frenchman Nicolas Mahut, at 6’3” and American John Eisner with his towering 6’10 ½”. However, at that moment in time, the word “giant” gained another definition, almost as obvious as the one that described the physical attributes of both athletes. In the name of the tournament’s tradition, which establishes a tie-break system in the decisive set, when one of the players must open an advantage of two games in order to win the match, Isner and Mahut fought a battle that lasted for over eleven hours. Until Isner finally sealed his victory with a down-the-line left hand shot, annotating 70-68 on the score, while at the same moment collapsing on Wimbledon’s mythological grass – suffering from cramps or just satisfied for having made it through the epic game still alive. Exhausted, John Isner could hardly get through his next game in the tournament, on the following day, being easily defeated by an inferior adversary. Moreover, the game against Mahut, the longest in tennis history, led the organization at Wimbledon to do what it hates the most: meddle with its traditions and rules, which must be respected by tennis players striving for the 2.25 million pound check. At Wimbledon, athletes must wear white uniforms, something that lends an aristocratic charm to the competition. The monochromatic theme of garments is probably the most renowned item to the public concerning the “code of conduct” of the All England Lawn Tennis and Croquet Club, which hosts the tournament since 1877. However, this does not prevent unusual meetings: in the 2007 awards ceremony, Roger Federer exhibited the elegance of a dandy in his custom-made white blazer besides a young Rafael Nadal, whose biceps were hi-

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SPORT


Wimbledon possui uma série de tradições e regras que precisam ser respeitadas pelos tenistas que almejam o cheque de até 2,25 milhões de libras // Wimbledon has a series of traditions and rules that must be respected by tennis players striving for the 2.25 million pound check

Na página ao lado, o cuidadoso reparo da grama de Wimbledon, aparada todos os dias a uma altura de oito milímetros // On the next page, the careful repair of the Wimbledon grass trimmed every day to a height of eight millimeters Por causa das tradições rigorosas de Wimbledon, os tenistas John Isner e Nicolas Mahut travaram um duelo que ultrapassou 11 horas // Because of strict Wimbledon traditions, tennis players John Isner and Nicolas Mahut fought a duel that exceeded 11 hours

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SPORT

Código de vestimenta A obrigatoriedade do traje branco foi adotada em Wimbledon pois no século 19 o tênis era disputado por famílias nobres e roupas com manchas de suor, especialmente em mulheres, não eram bem vistas. Mais de 100 anos passaram e o branco continua obrigatório até nas roupas íntimas. Confira algumas regras da indumentária em Wimbledon: - Os tenistas devem estar vestidos com vestuário apropriado para tênis que seja quase inteiramente branco. E isso aplica-se desde o momento em que o jogador entra em quadra. - Branco não inclui bege, creme ou “quase branco”.

// In the 2007 awards, the difference between the white clothes of Roger Federer and Rafael Nadal caught the attention of the whole world

Tennis and Croquet Club, que recebe o torneio desde 1877. Mas isso não evita encontros inusitados: na premiação de 2007, Roger Federer exibe a elegância de um dândi em seu blazer branco sob medida, ao lado de um jovem Rafael Nadal com os bíceps destacados pela camiseta regata branca. Outro ponto que diferencia Wimbledon de outras competições é o fato de ser jogado em quadras de grama – não uma qualquer, evidentemente, mas aquela da variedade Perennial Ryegrass, aparada todos os dias a precisos oito milímetros do solo. Assim, os fabricantes de material esportivo são obrigados a preparar calçados com pequenos cravos no solado, específicos para esse tipo de superfície e que serão usados por um curtíssimo período. Além disso, a qualidade do piso é garantida pelo uso pouco ortodoxo de um falcão chamado Rufus, que mantém as pombas longe do clube. É de se imaginar que, com esse cuidado todo, tenistas sintam-se menos encorajados a arrebentar raquetes no chão durante explosões de raiva. E a cordialidade não deve parar por aí. Os jogadores devem se curvar ao box reservado à família real britânica na quadra central, que ocasionalmente recebe a rainha Elizabeth II ou o príncipe Charles. Reverência obrigatória mesmo depois de um esforço hercúleo de seis ou, quem sabe, onze horas de pancadas na pobre bolinha amarela.

ghlighted by his white muscle shirt. Another item that distinguishes Wimbledon from other competitions is the fact that it is played in grass courts – not any grass, evidently, but the Perennial Ryegrass strand, trimmed every day at a precise 8 millimeters from the ground. Thus, sports material manufacturers are forced to prepare shoes with small dimpled outsoles, specific for this kind of surface, which will be used for a very short period of time. Besides, the quality of the court is guaranteed by the use of an unorthodox hawk named Rufus, who maintains pigeons at a distance from the club. One can imagine that, with all this care, tennis players feel less encouraged to smash tennis rackets on the ground during outbursts of anger. Moreover, cordiality does not stop there. The players must bow to the box reserved for the British Royal Family, at the central court, which occasionally counts with the presence of Queen Elizabeth II or Prince Charles. Mandatory reverence even after a Herculean effort of six or, who knows, eleven hours hammering at the poor yellow ball.

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- Uma única variação de cor ao redor do pescoço e em torno do punho é aceitável, mas não deve ser mais larga do que 1 cm. - Os sapatos devem ser inteiramente brancos, incluindo as solas. - Roupas íntimas devem ser brancas para evitar contrastes com o uniforme branco.

Dress code White garments have been mandatory at Wimbledon because, in the 19th century, tennis was played by noble families and clothes with sweat stains, especially in women, were not well-regarded. Over 100 years have passed and white is still mandatory, even in undergarments. Check out some of the dressing rules at Wimbledon: -Tennis players must be dressed in clothes appropriate for tennis in tones almost entirely of white. Moreover, this applies from the moment the player enters the court. -White does not include beige, cream or “almost white”. -A single color variation around the neck and around the wrist is acceptable, but it should not be larger than 1 centimeter. -Shoes must be completely white, including the soles. -Undergarments must be white in order to avoid contrast with the white uniform.

fotos/photos: divulgação

Na premiação de 2007, a diferença entre os trajes brancos de Roger Federer e Rafael Nadal chamou a atenção do mundo todo


‘The most rewarding journey’ by Tim Bengel, artist. Himalayan rocks, gold leaf and sand. Original image credit: Tenzing Norgay photo library, © Royal Geographical Society.

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LANDSCAPE

NATUREZA CINEMATOGRÁFICA CINEMATOGRAPHIC NATURE Nova Zelândia e Austrália esbanjam praias, desertos e florestas que fazem da Oceania um destino ideal para as superproduções de Hollywood – e para a sua próxima viagem New Zealand and Australia have lavish beaches, deserts and forests that turn Oceania into an ideal destination for Hollywood blockbusters – and for your next trip

Marasciulo

fotos/photos: Shutterstock

por/by Marília

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oucos países concentram paisagens cinematográficas tão distintas entre si quanto a Nova Zelândia e a Austrália. A dupla ao sul do Oceano Pacífico consegue reunir praias paradisíacas, desertos que parecem Marte, florestas cheias de mistérios e montanhas nevadas que são um parque de diversões natural para diretores de Hollywood, como Peter Jackson, de “O Hobbit” e “O Senhor dos Anéis”. Não é à toa que a Nova Zelândia, terra natal do cineasta, foi eleita em uma enquete da HBO como o destino de filmagens mais desejado no mundo – superando paisagens igualmente espetaculares das locações de “Game of Thrones”, por exemplo. Mas a Oceania consegue ir além das paisagens medievais e até meio místicas da Terra Média de J. R. R. Tolkien. Aonde quer que se vá, existe um cenário digno de Oscar. Exemplo recente foi o novo longa da franquia de ação “Missão Impossível”, lançado em julho e filmado na Nova Zelândia. A equipe de produção do blockbuster passou cerca de cinco semanas na Ilha Sul e gravou cenas com Tom Cruise pilotando um helicóptero pelos Alpes na região de Otago, próximo a Queenstown. A perseguição pelos ares, com a paisagem nevada ao fundo, é literalmente de tirar o fôlego. O encantamento provocado pelo menor continente do mundo nos produtores de Hollywood – e no público, é claro – é antigo. Passa pelas gravações do drama “O Piano”, em 1993, até produções de fantasia, como os filmes da série “Crônicas de Nárnia”, em 2005. Motivos não faltam para ver e rever as belezas da Oceania na tela. E o melhor: não é preciso ser um hobbit para visitar locações tão arrebatadoras.

// Few countries in the world concentrate cinematographic landscapes as distinct among themselves as New Zealand and Australia. The two countries in the South Pacific comprise heavenly beaches, deserts similar to the Martian landscape, forests full of mystery and snowy mountains that make it a natural amusement park for Hollywood directors like Peter Jackson, of “The Hobbit” and “Lord of the Rings”. It is not by chance that New Zealand, the filmmaker’s native land, was chosen, in an HBO survey, as the most sought-after shooting destination in the world – surpassing the equally spectacular landscapes from the locations of “Game of Thrones”, for example. However, Oceania can go well beyond the medieval and even somewhat mystical landscapes of J. R. R. Tolkien’s Middle-Earth. Wherever you go, there is an Oscar-deserving backdrop. A recent example is the new chapter of the “Mission Impossible” action franchise, released in July and filmed in New Zealand. The blockbuster’s production team spent five weeks in South Island and filmed the scenes where Tom Cruise pilots a helicopter through the Alps in the region of Otago, near Queenstown. The air chase, with the snowy landscape in the background, is literally breathtaking. The enchantment provoked by the world’s smallest continent in Hollywood producers – and in the public, of course – is old. It dates back to the filming of the drama “The Piano”, in 1993, as well as fantasy productions, like the films in “The Chronicles of Narnia” series, from 2005. Motives are not amiss to watch over and over the beauties of Oceania on the big screen. Moreover, what is even better: you do not need to be a Hobbit to visit such staggering locations.

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LANDSCAPE


RETRANCA

“O Último Samurai” A região do Vale Uruti, em Taranaki, “The Last Samurai”  The region of Uruti Valley, in Taranaki, in Ilha Norte da Nova Zelândia, se transformou em um vilarejo japonês para o filme de 2004. Nele, o Monte Taranaki fez as vezes de Monte Fuji, símbolo do Japão. Embora tenham restado poucas construções usadas no set, vale a pena dirigir pelos 60 quilômetros de rota cênica da região. Pelas encostas verdes, espere ver muito gado, cabras, porcos silvestres e ovelhas, o animal mais encontrado na Nova Zelândia (existem mais ovelhas do que pessoas, a uma taxa de dez para um). Dirija com cuidado, pois as ruas são estreitas, e vá abastecido: restaurantes e lojas mais próximos ficam em New Plymouth, a 50 quilômetros.

New Zealand’s North Island, was turned into a Japanese village for the 2004 film. In it, Mount Taranaki stands in for Mount Fuji, Japan’s symbol. Although few constructions used on the set are still standing, it is worth driving through the almost 40 miles of the region’s scenic route. Around the green hillsides, you will see cattle, goats, wild boars and sheep, the most populous animal in New Zealand (there are more sheep than people, at a rate of ten to one). Drive carefully, for the streets are narrow, and don’t forget to fill up the tank: the closest restaurants and stores are in New Plymouth, at a distance of 30 miles.

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LANDSCAPE

“Mad Max” As primeiras versões da história pós-apocalíptica foram filmadas na Austrália, próximo a Melbourne e na região de Broken Hill. Para o remake lançado em 2015, chuvas inesperadas fizeram flores crescer no deserto australiano, obrigando a produção a se mudar para a Namíbia. O cenário original de 1979, porém, continua lá. Um dos tesouros nacionais da Austrália, a região mineradora abriga um jardim de esculturas de arenito no deserto. São 12 peças de artistas do mundo todo.

filmed in Australia, near Melbourne and in the Broken Hill region. For the remake, released in 2015, unexpected downpours made flowers grow in the Australian desert, forcing the production to relocate to Namibia. The original 1979 setting, however, is still there. One of Australia’s natural treasures, the mining region houses a sandstone sculpture garden in the desert, with 12 pieces by artists from around the world.

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“Mad Max” The first versions of the post-apocalyptic saga were


“Crônicas de Nárnia” No primeiro filme adaptado dos livros de fantasia de C.S. Lewis, “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa” (2005), a batalha final entre as forças de Aslam e o poderoso exército da Feiticeira Branca foi filmada na Flock Hill, próxima a Christchurch, na Ilha Sul da Nova Zelândia. Com montanhas de 2 mil metros de altitude, riachos que permeiam a paisagem e clareiras com gramados cor de palha, o destino é muito procurado por pescadores e escaladores. A região fica a uma hora de Christchurch e pode ser facilmente acessada de carro. Já em “Príncipe Caspian” (2008), segundo filme da série, o castelo Cair Paravel fica em Cathedral Cove, na Península Hereherataura, Ilha Norte. Para chegar à península, que fica a 177 quilômetros de Auckland, há duas opções: carro ou ferry. Lá é preciso caminhar por uma trilha de cerca de 45 minutos. A paisagem pitoresca, com encostas e uma icônica caverna que divide as duas enseadas, compensa. No verão é possível fazer mergulho com snorkel e avistar jardins de esponjas e arrecifes.

“The Chronicles of Narnia”

In the first installment of the C. S. Lewis fantasy book adaptation, “The Lion, the Witch and the Wardrobe” (2005), the final battle between the forces of Aslam and the powerful army of the White Witch were filmed in Flock Hill, near Christchurch, in New Zealand’s South Island. With over 6,500 feet high mountains, streams that permeate the landscape and clearings of straw-colored grass, the destination is a favorite among fishermen and climbers. The region is located at a distance of about an hour from Christchurch and is easily accessible by car. In “Prince Caspian” (2008), the series second installment, the castle of Cair Paravel is located in Cathedral Cove, in the Hereheratuara Peninsula, in North Island. To reach the peninsula, which is 110 miles distant from Auckland, there are two options: by car or by ferry. Then onto a 45-minute trail. The picturesque landscape, with hillsides and an iconic cave splitting two coves, is worth the trip. During summer, it is possible to go snorkel diving and see the gardens of sponges and reefs.

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LANDSCAPE

praticamente uma instituição da Nova Zelândia. A região rural de Waikato, na Ilha Norte, foi completamente transformada pelos sets de filmagem. Hobbiton, uma fazenda de ovelhas de cinco quilômetros quadrados, é aberta à visitação e tem um visual pitoresco. Há visitas diárias aos sets das 9h às 15h30, a partir de 84 dólares para adultos e 42 dólares para crianças com idades entre 9 e 16 anos. Para os fãs das histórias de J. R. R. Tolkien, a região é uma espécie de Disney, com atrações que incluem festival de cerveja e banquete digno de um hobbit. Mas há outros cenários espalhados pelo país que transportam o turista direto para a Terra Média. Aos mais aventureiros, uma trilha de seis horas pelo Parque Nacional Tongariro, o mais antigo do país e considerado patrimônio mundial da humanidade pela Unesco, reserva vulcões, lagos, picos nevados e cachoeiras. Outras paisagens cinematográficas estão na região de Nelson, repleta de praias e montanhas, ou nos arredores de Canterbury, com lagos glaciais e picos que chegam a quatro mil metros de altitude.

became an institution in New Zealand. The rural region of Waikato, in North Island, was completely transformed by the filming sets. Hobbiton, a 1.9 square mile sheep farm, is open to visitation and has a picturesque look. There are daily visits to the sets from 9 a.m. to 3:30 p.m., costing US$ 84 for adults and US$ 42 for children from 9 to 16. For the fans of J. R. R. Tolkien’s stories, the region is a sort of Disneyland, with attractions that include a beer festival and a banquet fit for a Hobbit. There are also other settings scattered around the country that transport the tourist directly to Middle-Earth. For the more adventurous set, a six-hour trail through Tongariro National Park, the country’s oldest and considered a UNESCO World Heritage Site, where one can see volcanos, lakes, snowy peaks and waterfalls. Other cinematographic landscapes are in the Nelson region, full of beaches and mountains, or in the outskirts of Canterbury, with glacial lakes and peaks that reach up to over 13,000 feet.

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fotos/photos: Shutterstock

“O Hobbit” e “O Senhor dos Anéis” Os filmes viraram “O Hobbit” e “O Senhor dos Anéis” The films practically


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LANDSCAPE

O drama de 1993 é ambientado na Nova Zelândia recém-colonizada, por isso nada foi mais lógico do que filmálo por lá. A produção que garantiu o Oscar de melhor atriz a Holly Hunter e de roteiro original à neozelandesa Jane Campion teve cenas rodadas na praia Karekare, numa reserva natural a uma hora de carro do centro de Auckland. Uma rota em meio à vegetação e estradas pequenas e pouco movimentadas levam até o estacionamento mais próximo, de onde é necessário fazer uma trilha por dunas de areia. Se cansar da água salgada, há uma cachoeira próxima, por outra trilha.

“The Piano” The 1993 drama is set in a recently colonized New Zealand, thus it was logical to film the story there. The production that guaranteed an Oscar for Best Actress to Holly Hunter and for Best Original Screenplay to New Zealand native Jane Campion had scenes shot at Karekare Beach, in the middle of a natural reserve located at an hour’s drive from downtown Auckland. A route in the midst of vegetation and small, quiet roads leads to the closest parking lot, from where one must follow a trail to the sand dunes. If you become tired of the seawater, there is a waterfall nearby, following another trail.

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fotos/photos: Shutterstock

“O Piano”


FÉRIAS INESQUECÍVEIS PARA SEU FILHO! O Sítio do Carroção é o único resort exclusivo para crianças no Brasil. Inspirado em Mark Twain, Júlio Verne, Monteiro Lobato, Steven Spielberg e outros, o Sítio do Carroção criou e produziu lazer e entretenimento educativo de qualidade surpreendente. Durante o ano letivo, recebe alunos das melhores escolas do país buscando aventuras pedagógicas. E é a aventura que atrai todos eles de volta! Nas férias, eles reveem velhos amigos e fazem novas amizades entre acampantes de 5 a 16 anos. Brincando e se divertindo, aprendem naturalmente a conhecer suas melhores habilidades de organização, convivência, autonomia, responsabilidade e criatividade. E o que é melhor: longe de equipamentos eletrônicos! Excelência, inovação e exclusividade fazem do Sítio do Carroção, desde 1971, um mundo só para crianças. Não é por acaso que foi eleito "O Melhor da América Latina" pelo Discovery Channel. Sua infraestrutura impecável, seus profissionais altamente capacitados e sua organização minuciosa são sempre elogiados pelos pais mais exigentes. Mas seu maior prêmio é saber que, para seus filhos, ele é simplesmente inesquecível!

Cada aventura é uma descoberta inesquecível, como o encontro de um enorme Tiranossauro Rex.

Vista aérea do Sítio do Carroção.

Desvendando a Caverna do Lago Azul, com estalactites, cachoeiras e águas aquecidas.

Maior aquário de água doce do Brasil.

Grandes jogos no Labirinto Medieval.

Ficção e aventura, na Caverna do ‘‘Indiana Jones’’.

Descoberta surpreendente de um DC-3.

Mais de 100 metros de muita adrenalina.

Spazukamonaring, muitas pistas em uma só.

Temporadas de Verão 2019: 06 a 12 - 13 a 19 - 20 a 26/01 - Carnaval 02 a 06/03 www.carrocao.com.br +55 15 3305-2000 Tatuí-SP


TECHNOLOGY

DESAFIO ESPACIAL SPACE CHALLENGE Mais de 150 milhões de partículas de lixo espacial circulam aleatoriamente pelo Sistema Solar e podem se tornar um problema e tanto para as telecomunicações na Terra Over 150 million particles of space debris circulate randomly through the Solar System and may become a problem for telecommunications on earth por/by Gustavo

Gargioni

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fotos/photos: divulgação/Nasa

etritos no espaço se tornaram um desafio para a indústria espacial e uma ameaça para a sociedade como a conhecemos. Talvez você pense: por que um problema no espaço seria um risco para o meu estilo de vida? Pense de novo. Imagine um mundo sem celulares, televisão, previsão do tempo, informações de voos e, especialmente, GPS. Se as agências espaciais não conseguirem solucionar o acúmulo de lixo no espaço, em um futuro próximo será impossível enviar novos satélites sem correr o risco de colisões. Quando foguetes são lançados para o espaço eles usam vários estágios para serem mais eficientes e custar menos. O problema é que muitas peças são liberadas pelo caminho. A maioria volta para a Terra e é incinerada antes de entrar na atmosfera, mas algumas peças permanecem em órbita por décadas – como o obsoleto satélite Vanguard 1, de 1958. Essa sucata espacial pode variar de poeiras milimétricas a tanques de 10 andares de altura, viajando em diferentes ângulos a mais de 7 mil quilômetros por hora. Mais de 150 milhões de detritos espaciais com um centímetro ou menos vagam pelo universo sem qualquer rastreamento. E com a indústria espacial em expansão, esse número não para de aumentar. Em 2017, foram lançados 83 foguetes, além de 16 sondas (naves não tripuladas) da Rússia, 31 da China e 255 dos Estados Unidos. Enquanto a corrida espacial avança, detritos se acumulam ao redor da Terra e colisões, como a que atingiu um satélite americano em 2009 e criou 3 mil novas peças, se tornam mais prováveis. Em um cenário pessimista, porém real, o crescimento exponencial do lixo não rastreado no espaço multiplicaria as possibilidades de colisões e poderia ser o fim da exploração espacial, das substituições de satélites e, como consequência, uma crise sem precedentes para as redes de comunicação. Mas há luz no fim do túnel. Algumas ideias estão sendo implementadas para tentar limpar essa bagunça – ainda que não tenham alcançado o sucesso esperado.

Mais de 150 milhões de detritos espaciais com um centímetro ou menos vagam pelo universo sem qualquer rastreamento // Over 150 million space debris with ½ inch or less roam the universe untraced

Se as agências espaciais não conseguirem solucionar o acúmulo de lixo no espaço, em um futuro próximo será impossível enviar novos satélites sem correr o risco de colisões // If space agencies fail to solve the buildup of space debris, in the near future it will be impossible to send up new satellites without running the risk of collisions

// Space debris have become a challenge for the space industry and a threat for society as we know it. You may think: why would a problem in space pose a threat to my lifestyle? Think again. Imagine a world without mobile phones, television, weather forecast, flight info and, especially, GPS. If space agencies fail to solve the buildup of space debris, in the near future it will be impossible to send up new satellites without running the risk of collisions. When rockets are launched into space, they use many stages in order to be more efficient and cost less. The problem is that many parts are released along the way. The majority make its way back to earth and incinerate before entering the atmosphere, but some parts remain in orbit for decades – like the obsolete 1958 Vanguard 1 satellite. This space junk can vary from nearly invisible dust to 10-story high tanks, travelling at different angles and at a speed of over 4.3 thousand miles per hour. Over 150 million space debris with ½ inch or less roam the universe untraced. Moreover, with the space industry in expansion, this number only increases. In 2017, 83 rockets were launched, as well as 16 probes (unmanned ships) from Russia, 31 from China and 255 from the United States. While the space race advances, debris accumulate around the earth and collisions, like the one that hit an American satellite in 2009 scattering 3 thousand new pieces around, become more likely. In a pessimistic, but real scenario, the exponential growth of non-traceable debris in space would multiply the possibilities of collisions and could be the end of space exploration, of the substitution of satellites and, consequently, of an unprecedented crisis for communication networks. Moreover, there is light at the end of the tunnel. Some ideas are being implemented in order to try to clean up this mess – although they have not met with the desired success.

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TECHNOLOGY

A sucata espacial pode variar de poeiras milimétricas a tanques de 10 andares de altura, viajando em diferentes ângulos a mais de 7 mil quilômetros por hora

No ano passado, a Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial lançou uma missão experimental para recolher lixo. A ideia era ativar uma corrente de 700 metros, feita de fios de aço e alumínio, para capturar destroços e trazê-los para a Terra. Só que a missão falhou. Mesmo assim, o Japão continua tentando fazer a sua parte. Recentemente, o vice-secretário-geral do Partido Liberal Democrata, Shinjiro Koizumi, propôs a criação de uma agência governamental para cuidar da sucata espacial. O projeto pode sair do papel até 2020. Nos EUA, é uma exigência para as empresas privadas ou públicas provar que todas as peças voltarão para a Terra em até 25 anos ou poderão entrar em uma órbita de cemitério estabelecida. Caso contrário, as empresas não recebem a licença para lançar novos equipamentos. De qualquer maneira, soluções de engenharia devem ser implementadas antes que seja tarde demais. Felizmente ou não, essa é uma questão que não tem preferência de passaporte, ideologia ou religião – e pode afetar qualquer pessoa em qualquer lugar.

Last year, the Japan Aerospace Exploration Agency launched an experimental mission to retrieve debris. The idea was to activate a 2,300-foot chain, made of steel and alloy strands, to capture debris and bring them back to earth. However, the mission failed. All the same, Japan continues trying to do its part. The Vice-General-Secretary of the Liberal Democratic Party, Shinjiro Koizumi, recently proposed the creation of a governmental agency to take care of space debris. The project could become operational until 2020. In the US, private and public companies must prove that all parts will return to Earth in up to 25 years or could enter into an established “cemetery route”. If they do not comply, companies do not receive licenses to launch new equipment. In any event, engineering solutions must be implemented before it is too late. Happily or not, this is a question that is not affected by passport, ideology or religion – but could affect anyone, any place.

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fotos/photos: divulgação/Nasa

// This space junk can vary from nearly invisible dust to 10-story high tanks, travelling at different angles and at a speed of over 4.3 thousand miles per hour.


LIBRARY

Próxima leitura NEXT READING

CEOs indicam seus livros de cabeceira e contam por que outras pessoas também deveriam ler // CEOs indicate their favorite book and tells us why other people should also read it Seffrin

Valerio Gargiulo diretor da La Roche-Posay no Brasil // Valerio Gargiulo CEO of La Roche-Posay for Brazil

“Quando fiquei sabendo que seria transferido para o Brasil, decidi ler um livro do país estando ainda na Itália. Foi então que li o clássico ‘Dona Flor e Seus Dois Maridos’”, relembra o italiano Valerio Gargiulo, que em 2016 deixou a Europa para se tornar diretor da La Roche-Posay por aqui. A intenção do executivo era conhecer um pouco mais da nossa cultura, e não poderia haver nada melhor que um clássico de Jorge Amado. “Me encantei com a cultura brasileira e com as narrativas do cotidiano da vida baiana. A partir da leitura, já sabia que seria muito feliz no meu novo país.” Lançado em 1966, há mais de 50 anos, “Dona Flor e seus Dois Maridos” é uma das maiores obras da literatura brasileira e foi adaptada com sucesso (e diversas vezes) para o teatro, a televisão e o cinema. O livro faz um recorte nostálgico e detalhado da vida boêmia em Salvador nos anos 40, com um texto repleto de humor, ironia, misticismo e sensualidade, bem ao estilo de Jorge Amado. A obra conta a história de Dona Flor, mulher dividida entre dois amores. Primeiro, a baiana vive uma paixão tórrida com o boêmio Vadinho – até que o malandro morre subitamente em pleno Carnaval. Após um período de luto, Dona Flor se casa com o pacato e religioso Teodoro, mas o farmacêutico não consegue satisfazer a esposa. De tanto sentir falta, Dona Flor começa a enxergar Vadinho pela casa, revive fortes emoções com o espírito do falecido e se vê entre dois relacionamentos absolutamente opostos. Um clássico impagável e indispensável.

// “When I found out I was going to be transferred to Brazil, I decided to read a book from this country, while I was still in Italy. That was when I read the classic ‘Dona Flor and Her Two Husbands,” recalls Italian native Valerio Gargiulo, who in 2016 left Europe to become CEO of La Roche-Posay here. The aim of the executive was to get to know something about our culture and, to that extent, nothing better than a Jorge Amado classic. “I fell in love with Brazilian culture and quotidian narratives of life in the state of Bahia. After reading the book, I already knew I’d be very happy in my new country.” Released in 1966, over 50 years ago, “Dona Flor and Her Two Husbands” is one of the great works of Brazilian literature and was successfully adapted (many times) to theater, television and the movies. The book brings a nostalgic look at Salvador bohemian life in the 1940s, in a text filled with humor, irony, mysticism and sensuality, in the known style of Jorge Amado. The work tells the story of Dona Flor, a woman divided between two loves. First, the Bahia native lives a torrid passion with the bohemian Vadinho – until the scoundrel dies suddenly during Carnival. After a period of mourning, Dona Flor marries Teodoro, an easygoing, religious man, but the pharmacist cannot satisfy his wife. Missing her ex-husband, Dona Flor starts seeing him around the house, relives strong emotions with the deceased man’s spirit and sees herself torn between two diametrically opposed relationships. A hilarious and indispensable classic.

Dona Flor e Seus Dois Maridos Dona Flor and Her Two Husbands

Autor / Author: Jorge Amado Editora / Editor: Companhia das Letras Páginas / Pages : 488 Ano / Year: 1966

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fotos/photos: divulgação

por/by Felipe


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THE END

“Quem mais me impressionou nessa jornada pelos eletrificados foi o I-Pace, pela quebra de paradigmas que a Jaguar se permitiu. Há o luxo esperado, mas de modo nunca visto na história da marca. Foi natural trocar os icônicos seis-cilindros por um elétrico tão poderoso quanto.” // “The vehicle that amazed me the most in this journey through electric cars was the I-Pace, because of the breach with paradigms that Jaguar allowed itself to undergo. There is the expected luxury, but in a way never before seen in the history of the brand. It was natural to trade the iconic sixcylinder for an electric car just as powerful.” Rodrigo Mora dirigiu vários modelos de carros híbridos e elétricos para adiantar a revolução no mercado brasileiro. // Rodrigo Mora drove many models of hybrid and electric cars in order to preview the revolution in the Brazilian Market.

FAIXA BÔNUS BONUS TRACK

Maria Fernanda Salinet conversou com Debora Aguiar para desvendar as inspirações da arquiteta. // Maria Fernanda Salinet talked with Debora Aguiar to unravel the inspirations of the architect.

Jornalistas contam as boas descobertas feitas durante a produção das matérias Journalists share good discoveries made while producing their articles

“Conheci Plitvice em uma viagem para jovens de 18 a 35 anos. Nem mais, nem menos. Quarentão gaiato só eu mesmo. A visita a esse parque nacional é uma das atividades da Contiki, agência especializada em viajantes da Geração Y e presente em todos os continentes.” // “I got to know Plitvice in a trip for young people between the ages of 18 and 35. Exclusively. I was the only person in his 40s. The visit to this national park is one of the activities of Contiki agency specialized, exclusively, in Y generation travelers and present in all continents.” Eduardo Vessoni percorreu as trilhas de um dos parques naturais mais fantásticos da Europa, no coração da Croácia. // Eduardo Vessoni crossed the trails of one of Europe’s most fantastic natural parks, in the heart of Croatia.

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“Embora a ideia de embalar folhas de chá remonte à época medieval, foi o nova-iorquino Thomas Sullivan, no começo dos anos 1900, quem deu a roupagem comercial do sachê (superprático) que conhecemos hoje em dia. A expertise americana para vender nunca decepciona.” // “Although the idea of wrapping tea leaves dates back to medieval times, it was New Yorker Thomas Sullivan, in the early 20th century, who gave it the commercial clothing of the sachet (super practical) that we know currently. American sales expertise never lets us down.” Natalia Horita visitou diversos restaurantes para provar novas versões do chá na gastronomia e coquetelaria. // Natalia Horita visited many restaurants to prove new versions of tea in gastronomy and mixology.

fotos/photos: divulgação

“Debora Aguiar admira criações de vários brasileiros. Entre eles está o ilustre arquiteto e designer Sergio Rodrigues, autor de mais de mil modelos distintos. Algumas de suas peças decoram interiores de órgãos públicos, como o Palácio da Alvorada e o Itamaraty, em Brasília.” // “Debora Aguiar admires creations by many Brazilian designers. Among them is the illustrious architect and designer Sergio Rodrigues, creator of over one thousand different models. Some of his pieces decorate the interior of public agencies, like Alvorada and Itamaraty Palaces, in Brasília.


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