Issuu on Google+

CONGREGAÇÃO DE SÃO JOSÉ JOSEFINOS DE MURIALDO Ano XXXIX - Nº 1 Edição 105 - Julho de 2013 www.agirecalar.com.br


Somos uma Rede de quatro escolas. Estamos em Caxias do Sul (RS) com duas unidades - Centro e Ana Rech, Porto Alegre (RS) e Araranguá (SC). Temos mais de 80 anos de história e tradição na educação, pautada na qualidade de ensino, Pedagogia do Amor e responsabilidade social.

www.colegiomurialdo.com.br


Entrevista

Ir. Celeste Roman

Cotidiano

Editorial Em tempos de Propaganda e Marketing, eu me chamo Agir&Calar. Como expressão, ganhei o mundo Josefino e Murialdino a partir do Colégio Artigianelli de Turim, na Itália. Pe. Giovanni Cocchi, fundador do Colégio, foi o meu criador. O Pe. Leonardo Murialdo, hoje São Leonardo Murialdo, me adotou, pois “ele trabalhava incansavelmente, se sacrificava pelo bem do Colégio e da Congregação mais do que para si mesmo. Calava sempre e evitava com cuidado não dar oportunidade a que suas ações fossem comentadas e elogiadas” (Pe. Reffo). Deram o meu nome à Revista Formativa e de Divulgação da Província Brasileira do Imaculado Coração de Maria. Podem crer: não existe contradição entre o nome e o que a revista se propõe. Talvez exista um paradoxo. Meu caro leitor, minha cara leitora: a vida é cheia de paradoxos. Nos Evangelhos, também os encontramos. Disse Jesus: “quem quiser ganhar a sua vida, vai perdê-la ou quem quiser ser o maior, seja aquele que serve”. Paradoxal este Jesus! Seja como for, aqui estou, nesta edição, para conversar com você, mostrando o que se pensa e o que se faz, também no silêncio do cotidiano, em forma de entrevista, artigos e notícias. E olha que a história é feita de muitas mãos! O Papa Francisco continua inspirando questionamentos, reflexões e prática. Ele, na Jornada Mundial da Juventude - JMJ, assumiu o “Bote fé” da Juventude em atitude de acolhida, confiança e aposta nos jovens. Pediu licença para entrar em nossas casas e em toda a sociedade brasileira, desejoso de ser Boa Notícia, sem coagir as pessoas e respeitando as individualidades. Estas e outras ressonâncias chegam até você em ondas escritas desta edição do Agir&Calar. Meu amigo, minha amiga, você não está esperando que diga tudo nesta abertura? Por favor, continue lendo as páginas que seguem. Será um belo e instigante passeio! Porém, antes de dizer adeus, uma pequena nota, cuja inspiração você mesmo vai adivinhar: Na fé, alicerce sua vida; cultive sempre a esperança; viva e compartilhe a alegria! Até a próxima. Em JMJ Pe. Antonio Lauri de Souza - csj Provincial Revista da Província Brasileira Josefinos de Murialdo

Revisão Roberta Tomé

Ano XXXIX - Edição 105 - Número 1 Julho de 2013

Pré-impressão (CTP) e Impressão Gráfica Murialdo graficamurialdo@graficamurialdo.com.br Fone: (54) 3221.1422

Provincial Pe. Antônio Lauri de Souza Equipe Técnica Pe. Joacir Della Giustina Pe. Renato Fantin

Nosso Endereço Casa Provincial - Rua Hércules Galló, 515 Centro - 95020.330 - Caxias do Sul (RS) Fone: (54) 3221.4711 www.josefinosdemurialdo.com.br

Jornalista Responsável Bernardete Chiesa - MTb 10187

Atendimento ao Leitor imprensa@faculdademurialdo.com.br

Projeto Gráfico Júlio César Rodrigues Marco Rodrigues

Encontro Nacional das Mães Apostólicas D. Celmo: experiência na JMJ e no Equador A renovação das Paróquias Encontro dos ex-seminaristas de Orleans Pe. Vilcionei Baggio recebe título

Formação

Murialdo e os menores do Collegio Artigianelli Murialdo e a Formação da Juventude Processo de Beatificação do Pe. João Schiavo Evangelizar a partir do mundo da educação

Capa

Se um Cristão não for revolucionário, não é Cristão

Marcas do que se foi

Conhecendo o Abrigo de Menores Assis Brasil

Ponto de Vista

Eu acredito no protagonismo dos jovens? Com Licença! Deus bota Fé e eu boto Fé!

Notícias

ANALAM realiza Congresso-Assembleia Equipe da Juventude se reúne com Pe. Boran D. Celmo é nomeado Bispo de Sucumbios Superior Geral visita as comunidades brasileiras Frater Iber Sompi Malú renova seus votos Mês Murialdino será no Chile Religiosos participam de Retiro Provincial Pesquisa busca conhecer o perfil das juventudes Pe. Durival Daros comemora Jubileu Sacerdotal Reunião dos Diretores, Ecônomos e Párocos

Dicas

Dica de Filme Dica de Livro

Curiosidades

Você Sabia?

Reflexão

A vista da janela

4

7 8 10 12 14

15 18 23 24

20

26

28 30 32

34 34 34 35 35 35 35 36 36 36

37 37

38

39

Tiragem 2.500 exemplares O conteúdo dos artigos publicados são de inteira responsabilidade de seus autores.

3


Foto: Divulgação

Seguir em frente,

sempre. Esmorecer, nunca!

A presente edição da revista Agir&Calar traz a entrevista com o religioso Josefino Ir. Celeste Roman, que neste ano comemorou seus 50 anos de Vida Consagrada. Bem humorado e com espírito jovial, ele falou sobre sua vida e história. Colaborou para a realização da entrevista, Pe. Gilberto da Câmara A&C: Irmão Celeste, como foi sua infância e sua adolescência? Irmão Celeste: Nasci na comunidade de São Roque, interior de Vista Alegre do Prata (RS), filho dos agricultores Francisco Roman e Antônia Ruggini. Com toda a certeza, minha mãe fazia a tradicional polenta e janta para alimentar a já grande família Roman. Meu nascimento foi assim: minha mãe, pressentindo minha chegada, se dirige ao pai: “Keco, (era assim chamado) vai buscar a tia Amália”, parteira. A cavalo, lá foi ele. Nasci no dia 04 de agosto de 1935, às 23 horas. Sou o 9º filho da família. Como todo o bom filho, naquela época, desde novo, aprendia a trabalhar, e bastante. As dificuldades eram enormes, a terra não favorecia muito e o cultivo era quase que, na totalidade, braçal. Dos sete aos 14 anos, ia à escola e, à tarde, ia para a roça capinar, cortar capoeira, plantar trigo... Ou então, em casa, dar comida à bicharada e limpar os ambientes, tratar as vacas, porcos, levar lenha para a cozinha, entre outras coisas. Tudo isso a gente fazia com alegria porque entendia as dificuldades dos pais e a responsabilidade de cada um em dar a sua contribuição para o desenvolvimento harmo-

4

nioso da família. Era uma integração muito grande como todas as famílias viviam na época. Também devo dizer que, de tudo isso, não restou nenhum trauma. Sempre gostei de trabalhar e sei dar valor às coisas. Nos finais de semana, que para nós era o domingo, após ter ido à missa pela manhã e ao terço (rosário) pela tarde, a turma (uns 20 garotos) se juntava e a “bagunça” era muito grande. Íamos à cata de frutas, tanto domésticas como silvestres (uva, peras, maçãs, laranjas, figos, melancias, pitangas, guabiju, guabiroba)... Depois de bem abastecidos, sempre rolava uma “peladinha” de futebol muito divertida. No verão, a gente aproveitava o rio Nero, lá no tio Pedro. Era uma festa e muita saúde. A turma se divertia muito e o tempo passava depressa. Assim foi minha infância e adolescência. A&C: Como decidiu ir para o Seminário? Irmão Celeste: Olha, naquela época havia vários primos e amigos que já estavam ou tinham ido para o Seminário. As famílias eram numerosas, então os pais facilitavam a saída dos filhos em vista de um futuro melhor. Mesmo que não tivesse muita vocação para ser religioso ou padre, conseguindo estudar, já era um bom motivo para sair. No Seminário, o estudo era muito bom e bem acessível.


ENTREVISTA com Ir. Celeste Roman

Na época, o Seminário possuía um garimpador de vocações. Na ocasião, era o padre Romano Lenzi que andava lá por aquelas paragens. Sabendo que ele vinha visitar os meus primos Aldovino (irmão do padre Genuino Roman) e o Antônio (Tonin), que morava bem perto da gente, marcamos encontro e tratamos de nossa ida para o Seminário. Padre Genuino e eu fomos no mesmo ano. Nós seguimos na Congregação, e eles seguiram outros caminhos. Porém, o Seminário os ajudou muito. A&C: Por que optou em ser Irmão Religioso e não Padre? Irmão Celeste: Bom, antes de tudo, devo dizer que a Congregação Religiosa da qual faço parte é a Congregação de São José, chamada de Josefinos de Murialdo. A nossa Congregação compõe-se de padres e irmãos. Como o carisma apostólico é lidar com crianças, adolescentes e jovens, na minha visão achei que ser irmão seria melhor. Para mim, deu certo. Tive todas as facilidades do mundo para me achegar e me fazer pequeno com os pequenos. Sempre fui adepto da Educação Informal. Nada melhor do que estar junto com eles, participando de suas vidas para semear e implantar, em seus corações, sementes que frutificassem no pre-sente e fossem úteis no futuro. Os resultados, apesar de que não se deve esperar tanto a colheita, apareceram. Os depoimentos de centenas de ex-alunos me deixam muito feliz. De minha parte posso dizer: missão cumprida, ou digamos, tentei cumprila. A&C: Como foram suas atividades no começo da vida Religiosa? Irmão Celeste: Como Irmão Religioso, iniciei em 1958, em Caxias do Sul, no antigo Abrigo de Menores São José, hoje Centro Técnico Social. Era um internato que abrigava crianças e jovens órfãos e abandonados. Chegamos a acolher perto de 100 meninos. Faziam trabalhos manuais num período e, no outro, estudavam. Eu cuidava dos dormitórios e durante o dia dirigia um grupo de uns 25 pela manhã e outros tantos pela tarde, fazendo trabalhos manuais. O trabalho consistia na empalhação de garrafões para o manejo do vinho em diversas Vinícolas de Caxias do Sul. Mais tarde, me formei

em Artes Industriais (marcenaria, tipografia e cerâmica) e passei a lecionar essas matérias o dia todo. À noite, cuidava das quadras de futsal, onde vinha o pessoal de fora jogar e eu treinava minhas equipes. Esse período foi muito bom e decisivo para mim. Aqui nós podemos repetir o ditado: “enquanto descansa, carrega pedras”. Bem, eu tinha apenas meus 20 anos, mas era uma batalha das 6 da manhã à meia-noite, diariamente. Essa carga de atividades era aliviada pelo apoio que recebia por parte dos demais confrades da comunidade.

Se a gente pode colaborar na ajuda mútua para um possível crescimento e felicidade, por que não fazê-lo? A&C: O senhor pode destacar algum sucesso com essas equipes e suas atividades? Irmão Celeste: Eu tinha perto de 100 garotos que treinavam futsal. Tinha uma escolinha, dos 7 aos 18 anos, formada de alunos internos e externos. Participava de campeonatos locais e, por dois anos, participei do campeonato estadual, na categoria juvenil (até 18 anos) e fui duas vezes vice-campeão estadual. Isto até 1966. Em 1967, fui destinado para a comunidade de Araranguá – SC. Em Caxias, também nos destacávamos nos campeonatos e eventos esportivos, como na Festa da Uva entre outros. As atividades esportivas nas dependências do Abrigo eram muito intensas. Todas as noites, os pátios lotavam. Além de equipes que vinham fazer seus joguinhos e suas diversões, eram realizados os campeonatos do SESI e do SESC (Serviço Social da Indústria e Serviço Social do Comércio). Vinham as Rádios Caxias e Difusora transmitir os jogos; a participação era total. Portões abertos e lotação total. Os confrades me apoiavam demais. Padre Rólio, Padre Luiz Bonetto, Irmão Ricieri, Irmão João Bosco, irmão Ghirighini e outros, todos no pátio, participando dos jogos e atendendo o pessoal. Nas minhas atividades, me apoiei

muito no Irmão João Bosco, um santo homem e um verdadeiro religioso. A Comunidade Religiosa daquele tempo era muito grande. Em igual grandeza era o entusiasmo e a dedicação dos confrades. A&C: Como foi sua ida para Araranguá (SC)? Irmão Celeste: Em 1963, surgiu a oportunidade de fazer um curso de Artes Industriais, no Rio de Janeiro. Então, juntamente com o Antônio Lorandi (ex-irmão), partimos para essa empreitada de três meses. O curso era um Convênio que o Brasil mantinha com os Estados Unidos. Como falei acima, eu era formado em Artes Industriais. Na época, era exigida nas escolas a iniciação ao trabalho da 5ª à 8ª séries. Como em Araranguá não tinha professor para essa matéria, fui destinado para essa missão no Colégio Nossa Senhora Mãe dos Homens – hoje, Murialdo. A notícia da troca de Caxias para Araranguá me deixou um pouco contrariado. Em Caxias, eu tinha uma escolinha de futsal. Eram campeonatos e competições de toda sorte. Já estávamos “pegando fama” e Araranguá para mim era uma incógnita. Tinha ouvido falar um pouco do Padre Félix. Até eu tinha passado uma semana no Colégio Mãe dos Homens (Ginásio) em 1960. Mas tudo era meio escuro e não sabia bem o que ia encontrar. Mas obedeci e fui. A&C: E então, o que encontrou? Irmão Celeste: Araranguá para mim foi uma surpresa positiva. Encaixou perfeitamente. Comecei a trabalhar com a gurizada, formando equipes de futebol de campo e de salão. Os campos ficaram lotados. Nos fins de semana, então, não havia lugar para todos. Sintonia perfeita, fomos crescendo e tomando espaços, fazendo sucesso, sempre com o apoio da comunidade religiosa e civil, dos pais e das famílias da garotada. No futsal crescemos tanto que enfrentávamos a AABB de igual para igual. O Murialdo era tão bom que num ano cheguei a emprestar um goleiro (o Jacinto Della Giustina) para eles. No futebol de campo também brilhamos, tanto com a gurizada como com os adultos. A turma por aí sabe bem das façanhas. Como atividades no Colégio, além do setor esportivo, montei a oficina de Artes Industriais e lecionava essa

5


ENTREVISTA com Ir. Celeste Roman

A&C: E depois? Irmão Celeste: Depois, em 1970, veio o JERVA. Comecei a trabalhar, em 1972, no Turvo, com o futebol de campo e de salão, e a maioria dos jogadores pertencia ao Murialdo. Não larguei mais o JERVA. Pelo contrário, com a implantação do CICIAR, juntamente com a Madeca, tinha quase que, na totalidade, a preparação dos atletas. Isto até em 1980 quando me formei em Educação Física e restauramos o nosso sistema de preparação dos atletas envolvendo os professores de Educação Física. Daí para frente foi um abraço. Araranguá não perdeu mais. Aqui cabe dar um destaque todo especial ao belo trabalho que nós fazíamos nas modalidades de atletismo, futebol e handebol feminino. No atletismo, atuavam e comandavam o grupo o professor Celso de Souza e Maria Elenita Clemes, com outros auxiliares. Participávamos de diversas compe-

6

tições, em Timbó. Com o Clube Escolar Murialdo até os JESC e JASC. – Jogos Escolares e Jogos Abertos. O JERVA então era um abraço; deixá-vamos os demais na poeira. Era uma turma muito boa e muito bem treinada. No futebol, me ajudaram muito o Joênio Luchina (Joia), o José Pedro Alves (Vânio), o Luiz Carlos de Souza (navalha) e o massagista, Adão. De todas as equipes, sempre havia um grupo de jogadores que se destacava e colaborava nos treinamentos e na preparação física. No handebol feminino, colaboraram muito comigo e com a equipe a professora Márcia Aparecida Cecconi, com um excelente trabalho na escolinha, Luiz Carlos Pessi, Rogério Henrique Gonçalves, Agnaldo, Solon e outros colaboradores e patrocinadores. Isto foi até 1996, quando me ausentei por longos sete anos. Agora, retornando, já há 10 anos, não opino mais nesse assunto. As coisas mudaram. Outros falarão. Todo esse trabalho no setor esportivo e, de modo especial, com o esporte estudantil e amador nos colégios em Araranguá, no Vale do Araranguá especialmente com o JERVA, repercutindo em todo o estado através das competições, me valeu a honrosa distinção da Comenda do Mérito Desportivo, que teve lugar no dia 10 de dezembro de 2012, na Assembleia Legislativa de Florianópolis. Divido os méritos com todos os que colaboraram comigo. Muito obrigado. A&C: Sua mensagem aos leitores do Agir&Calar Irmão Celeste: Bem, devo confessar

que sou bastante adverso em falar de mim mesmo. Era assim também na comemoração de aniversários e festas. Mas agora vejo com outros olhos. Se a gente pode colaborar na ajuda mútua para um possível crescimento e felicidade, por que não fazê-lo? Mas, eu quero falar da hora da virada... Essa vai dar muito trabalho. Vai ser quando você deixa sua rotina, sua correria, sua agitação. É quando você pensa que não é mais útil para nada. Quando começam as “homenagens” e os “reconhecimentos”, ali tem que se cuidar e não pensar que o fim está próximo. Então, precisamos dar a volta por cima refazendo toda a vida. Trocar os esquemas e as matrizes antigas e partir para uma vida mais centrada no essencial, diminuindo as atividades e aumentando a qualidade, sempre em vista de um futuro perene. A vida é bela e não é difícil de ser vivida. Basta um pouco de sensibilidade e altruísmo. Fazer o bem aos outros é acumular tesouros para si mesmo. As palavras perderam a força. O exemplo fala mais alto e forte. Alguém disse que, atualmente, o mundo não é movido por respostas, mas por perguntas. De fato, as pessoas, e especialmente, os jovens, não são mais “seduzidos” como outrora. Eles exigem mais detalhes, explicações e, por isto, mais perguntas. Nosso exemplo, nosso modo de vida e nossas atitudes devem ser coerentes com aquilo que pregamos. De outra forma serão “palavras que soam” e nossos objetivos ficarão extremamente prejudicados. Seguir sempre em frente. Esmorecer, nunca. Amém. Foto: Divulgação A&C

matéria. Fazíamos trabalhos muito bonitos: conjuntos de cozinha, de varanda, de quarto etc. Apareceram muitos “artistas” e as aulas eram frequentadas com muito prazer e dedicação. Os trabalhinhos que os alunos faziam, cada qual levava o seu para casa. Ficavam com eles ou presenteavam alguém. Em Araranguá, também fiz o segundo grau: Técnico em Contabilidade. Também fiz Faculdade, de férias, de Letras. Comecei em Bagé (RS), na FUNBA, e terminei em Ijuí, na FIDENE. Mas tudo isso não era o que eu sempre quis. Em 1977, comecei a Faculdade que eu queria. Foi a Faculdade de Educação Física. Fiz na ESEDE – Escola Superior de Educação Física e Desportos – da FUCRI, Fundação Educacional de Criciúma (SC). Nessa época, eu já estava dando aula de Educação Física, então era muito bom porque a gente recebia as aulas na Faculdade e trazia “quentinhas” para as do Colégio. Com a professora Madeca, assumimos todas as aulas do Colégio, isto na época do CICIAR – Centro Intercolegial Integrado de Araranguá. Belos tempos e muita saudade. Muitas atividades, participação total, maturidade, compromisso, dedicação, respeito e seriedade. Problemas? Zero. Dificilmente, havia alguém que te incomodasse ou fizesse corpo mole. Era doação total.


COTIDIANO Pe. Antonio Lauri de Souza

Testemunhos de Fé marcam Encontro Nacional das Mães Apostólicas

N

o dia 20 de outubro, no Seminário Josefino de Fazenda Souza - Caxias do Sul (RS), aconteceu o Encontro Nacional das Mães Apostólicas (AMA), com a participação de mais de mil pessoas, entre mães e familiares, vindas de várias partes do Brasil.

Fotos: Volga

Os presentes, convocados pelo Coordenador da AMA, Pe. Ricardo Testa, foram acolhidos pela comunidade religiosa do Seminário, noviços, leigos de Murialdo, Mães Apostólicas do local e tantos outros apoiadores e apoiadoras. Ambos testemunharam a vivacidade desta rica e valiosa Associação trazida para o Brasil pelo Pe. João Schiavo, em 1942.

“Mães Apostólicas, Testemunhos de Fé” foi o tema escolhido para refletir e rezar durante a celebração festiva. Vários religiosos e sacerdotes josefinos se uniram à comunidade do Seminário e às Mães Apostólicas. As Irmãs Murialdinas também tiveram presença ativa em todo o evento. Destacamos a presença do Pe. Geral dos Josefinos, Mário Aldegani, que, juntamente com a Provincial das Murialdinas, Ir. Cecília Ferraz, desenvolveram o tema proposto. A Eucaristia foi presidida pelo Provincial dos Josefinos, Pe. Antonio Lauri de Souza. Descendo pela avenida do Seminário, em direção ao Salão Paroquial, onde aconteceu o almoço festivo, a multidão parou para bênção, dada pelo Pe. Geraldo Boniatti, à estátua de Murialdo, reinaugurada, com novo e sugestivo visual. A cerimônia de envio aconteceu junto ao túmulo do Servo de Deus, Pe. João Schiavo, após o Terço Vocacional. Sonhando com o próximo Encontro Nacional, as caravanas foram se despedindo rumo aos recantos da Serra Gaúcha, Porto Alegre e outros locais do Rio Grande do Sul, às terras de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Pe. Antonio Lauri de Souza Provincial dos Josefinos de Murialdo Província Brasileira

79


Voltar à própria terra, rever a própria gente, falar a própria língua (materna) é sempre muito emocionante. Desta vez foi, particularmente, emocionante voltar ao Brasil e viver dias inesquecíveis participando da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e do encontro com o Papa Francisco. Igualmente significativa foi a Reunião Geral de Coordenação do CELAM, que anualmente se realiza em Bogotá e que, neste ano, foi transferida para o Rio de Janeiro, justamente para facilitar aos bispos participarem da JMJ.

JMJ

Pela primeira vez participei da Jornada Mundial da Juventude com o Papa e foi uma experiência inesquecível, um evento maravilhoso. Ver aquela multidão incalculável de jovens, ocupando praticamente toda a extensão da praia de Copacabana, rezando, cantando, fazendo coreografias, enfrentando a chuva, o frio e longas caminhadas, foi verdadeiramente marcante para mim. Confesso que tinha alguns preconceitos com relação à JMJ, mas que desapareceram como a névoa ao surgir do sol ao mergulhar nessa multidão e deixando-me contagiar pela fé destes jovens, pelo carinho que manifestaram ao Papa, aos bispos, sacerdotes, enfim, a toda a Igreja. Foi uma sacudida em minha fé e um redescobrir a força que é a juventude na Igreja. “Nós vimos Deus agir. Deus atuou no meio de nós. Deus nos surpreendeu. Foi muito além do que planejamos. Temos visto na História como Deus tem atuado. Não tem outra explicação”, destacou Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro. A JMJ é, em minha opinião, o evento eclesial mais universal que temos na atualidade como Igreja Católica. Mais de três milhões de jovens provenientes de 175 países, de todos os continentes, cada grupo falando sua própria língua; foram 644 Bispos inscritos, dos quais 28 são Cardeais. Além disso, foram 7.814 sacerdotes inscritos e

8

632 diáconos, mais de 8.000 religiosas/os e outros tantos seminaristas.

através dos telões e dos potentes altofalantes.

Mesmo com todas as dificuldades da diversidade de línguas, foi possível se entender e partilhar a experiência da fé, viver uma fraternidade que, sem dúvidas, foi uma imagem da comunhão que Deus prepara para seus eleitos no céu e sinal de que um mundo mais fraterno é possível também nos nossos tempos.

Outro privilégio de bispo e, desta vez, como membro da Comissão de Missões e Espiritualidade do CELAM, foi poder desfrutar da familiaridade de nosso Papa, que concedeu uma audiência à coordenação geral do CELAM, um grupo de uns 40 bispos e sacerdotes. Um encontro muito espontâneo, mas também muito iluminativo para nosso trabalho, que é de animação através das diversas comissões da Conferência Episcopal Latino Americana. Sabendo que havíamos transferido a reunião de Bogotá para o Rio de Janeiro para podermos participar também da JMJ, o próprio Papa se ofereceu ao Presidente Mons. Carlos Aguiar Retes (Arcebispo de Tlalnepantla, México) para estar presente na abertura de nossa Reunião. Na entrada e na saída do encontro, saudou a todos de uma forma muito espontânea e familiar. Este foi um dos últimos empenhos do Papa no Brasil. Em seguida, encontrou brevemente os voluntários da Jornada e seguiu para o aeroporto. Creio que Papa Francisco superou em muito nossas melhores expectativas e a todos nos surpreendeu com sua alegria, disposição e propostas bem concretas, também desafiadoras.

Encontro com o Papa

Os jovens que se reuniram no Rio de Janeiro não vieram simplesmente para ver o Papa, mas como o mesmo pontífice disse: vieram atraídos por Jesus Cristo e conduzidos por sua cruz redentora. “Não lhes trago nem ouro nem prata, vim anunciarlhes Jesus Cristo”. E, por certo, Papa Francisco nos anunciou Cristo com suas palavras e, sobretudo, com sua alegria, simplicidade, coragem de quebrar esquemas, com seu desejo de comunicar-se com todos, mesmo que fosse por um olhar, com sua atitude de ir ao encontro das pessoas e feliz de sentirse acolhido em nome de Cristo. Foi muito emocionante estar a menos de 100 metros do nosso Pastor maior (privilégio de bispo e de outros poucos), mas muito mais emocionante foi sentir essa comunhão com os jovens, sabendo que muitíssimos deles estavam a três ou quatro km de distância e só podiam se comunicar

E o Vicariato como vai?

Estou celebrando o terceiro aniversário


COTIDIANO Fotos: Divulgação A&C

D. Celmo Lazzari

como bispo e de presença nesta terra onde me foi confiado o pastoreio dessa porção do povo de Deus que peregrina na Amazônia equatoriana, mais especificamente, no Vicariato Apostólico de Napo. Teoricamente se poderia pensar de já conhecer a realidade; porém, há muito elementos, que ainda fogem à minha compreensão. Por não entender o Kichua, me é difícil compreender a cultura da metade da população descendente desta etnia. Por outro lado, não é que se pode esperar conhecer exaustivamente a realidade para atuar. Aliás, bem cedo as exigências se apresentaram com a necessidade de tomar decisões. Graças a Deus não faltou a paciência e a compreensão por parte dos sacerdotes e religiosas que levam adiante o trabalho pastoral. Também não me faltou o carinho e a acolhida do povo mesmo com minha dificuldade de comunicação. Muito me serviu a presença sábia e humilde de Dom Paulo Mietto, hoje Administrador Apostólico do vizinho Vicariato Apostólico de Sucumbios. Temos um Plano Quinquenal e acabamos de realizar a Assembleia anual de planejamento. É bastante forte ainda o tradicional estilo do missionário que, tendo que dar conta de uma vasta região e muitas comunidades, se torna autônomo com seu próprio estilo sem levar em conta as linhas de programação do Vicariato. A dependência de outras Igrejas e Instituições é ainda determinante, tanto economicamente como em vocações. A vida econômica das paróquias ainda depende dos recursos que o Vicariato consegue cá e lá de instituições

eclesiais e governamentais. São poucas as paróquias capazes de caminhar com os próprios recursos. Vocacionalmente, dependemos de missionários/as que vêm de fora. Temos 9 diocesanos incardinados, um deles estudando na Espanha; um seminarista cursando o terceiro ano de Teologia e outro fazendo o Ano Propedêutico. Os josefinos atuantes são 12 comigo. Graças a Deus, nos ajudam quatro diocesanos fidei donum de outras dioceses: um italiano, um brasileiro e dois de dioceses equatorianas. Cerca de 50 religiosas, contando as 12 Irmãs de Clausura, atuam em escolas, hospitais e outras diretamente na pastoral paroquial. Temos 18 paróquias e todas com a assistência de, pelo menos, um sacerdote. A região está progredindo bastante em termos de comunicação, isto é, em estradas e meios de comunicação social com os benefícios correspondentes e também com os novos problemas que surgem. Infelizmente, há pouco incentivo à iniciativa privada para a geração de empregos. Os empregos no setor público são o que possibilita um razoável salário à boa parte da população urbana: diretamente na administração pública, educação, saúde e em outros setores públicos. Com alguma exceção por parte de criadores de gado, produtores de cacau, a maioria das pessoas se ocupa numa agricultura de subsistência. A região muito acidentada não facilita uma agricultura mais desenvolvida. O desenvolvimento provocado pela melhoria das estradas de acesso às províncias amazônicas, a chegada maciça dos

modernos meios de comunicação como celular e internet, estão provocando mudanças muito rápidas na população e, de modo especial, na juventude: abandono dos valores religiosos e mesmo culturais autóctones; desagregação das famílias... Isto tudo é ajudado por uma ideologia governamental laicista e muitas vezes anticlerical, proibindo qualquer manifestação religiosa nos setores públicos como escola, hospitais e ofícios públicos. A vivência religiosa é marcadamente mariana; uma religiosidade popular com muito devocionismo e tradição, porém pouco empenho numa vivencia da fé mais comprometida. Uma resistência muito forte aos processos de formação em todos os níveis. Assim é minha vida e minha missão nestas terras amazônicas. Aprendendo a ser bispo e, sobretudo Pastor como nos pede o Papa Francisco, com alguns empenhos nesta comissão do CELAM (Missão e Espiritualidade). Na Conferência Episcopal Equatoriana sou o responsável pela Vida Consagrada. Mas minha vida é mais feliz aqui, na minha missão no Vicariato Apostólico do Napo. Novidades são de todos os dias, algumas dificuldades também. Mas, principalmente, é verdadeira e posso experimentar a cada dia a Palavra de Jesus: “Eu estarei com vocês todos os dias...”. Recebo muito mais do que consigo repartir. Continuo contando com a oração de todos vocês. D. Celmo Lazzari (Religioso Josefino, Bispo de Napo - Equador)

9


A renovação das Paróquias passa pelo primado das pessoas evangelização tem desafiado e preocupado a Igreja. Temos dificuldades de entender a cidade, o novo “campus fidei”, de encontrar as pessoas para evangelizá-las, de adequar sua atuação às estruturas próprias da cidade, de elaborar uma proposta nova, corajosa e coerente de evangelização. Hoje temos consciência de que a paróquia não pode ser a única estrutura eclesial a que os fiéis têm acesso. Ela pode deixar-se contagiar por um processo de multiplicação de comunidades, recriando comunidades e pessoas que se conheçam e possam compartilhar suas vidas, em que o Evangelho seja ouvido e anunciado, a salvação possa ser celebrada em íntima união com a vida concreta, os próprios membros assumam responsabilidades ministeriais a partir dos dons do Espírito e das necessidades comunitárias, em que a missão seja abraçada por todos e cada um, no serviço pobre e humilde ao Reino que vem no escondimento e na insignificância. Naturalmente isso não será possível no atual modelo de paróquia. Se a pastoral tradicional esteve centrada no conhecimento e na confissão da doutrina, na observância de bons costumes, a nova pastoral deverá centrar-se na pessoa de fé. Trata-se de deslocar o acento da instituição: guardiã da fé, dos sacramentos e da disciplina para a “pessoa” - com toda sua carga de experiências pessoais, de necessidades, de anseios, de formas de ver o mundo. O que isso exige? Levar a sério a experiência religiosa dos fiéis, ainda que esta se apresente em formas bastante afastadas da doutrina cristã. A experiência religiosa dos fieis será acolhida como ponto de partida. Não será reprimida, recusada ou corrigida, mas trabalhada. O campo da moral, onde a distância entre as orientações da Igreja e a consciência dos fieis é grande, implica um trabalho de formação da consciência e de respeito total ao primado da consciência e à liberdade individual (GS 14,16,17). Os “pastores” têm que tomar cada vez mais consciência de que grande parte dos fiéis necessita de uma verdadeira e própria Iniciação (como alguém vai perseverar se nem iniciou?) e Mistagogia (é a etapa da formação cristã em que se exercita, se experimenta o

10

evangelho mediante a participação, o envolvimento, a prática), ajudando-os a introduzirem-se progressiva e dinamicamente na mensagem, no mistério cristão e numa comunidade cristã. Abre-se para a pastoral uma oportunidade e um desafio: onde a família não estiver em condições de realizar essa função de Iniciação Cristã, caberá à comunidade cristã assumir um eficaz trabalho missionário e pedagógico de iniciação à fé e de educação da fé. Temos de ser capazes de colocar em ação um verdadeiro discipulado em que o anúncio de Jesus e do Reino, o seguimento de Jesus e do seu Evangelho, a inserção vital nele pela fé e pelos sacramentos. Formar o “homem novo em Cristo”, meta central de toda evangelização (Igreja- casa da Iniciação Cristã). Vale perguntar: em quantas paróquias a Iniciação Cristã está funcionando? Estamos formando pessoas para assumir esse trabalho absolutamente necessário se quisermos dar testemunho de Jesus e da sua missão hoje? O que estamos fazendo para que as pessoas se tornem cristãs? “Não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou por uma grande ideia, mas por um encontro com um acontecimento, uma pessoa, que dá um novo horizonte à vida”. Esse encontro é mediado pela ação da Igreja. O pároco e seus agentes não têm direito de privar tantos batizados dessa experiência decisiva. Certamente o Papa não virá, temos de ser nós mesmos. Graças a Deus, em todas as paróquias Josefinas, está sendo implantado


COTIDIANO Pe. Marcelino Modelski

esse método. Os párocos assumiram esse compromisso no II Seminário Nacional, em Brasília, em 2011. A força dessa experiência estará no mergulho definitivo em uma educação da fé vivencial e bíblica. Conversão pastoral supõe conversão pessoal. Por isso, mais importante que as estruturas são as pessoas. As pessoas não podem ser reduzidas à função e à pura representação. Antes de ocuparem um lugar e terem uma função, elas são alguém. As pessoas são mais e valem infinitamente mais do que aquilo que fazem e dos papéis que exercem. O importante é o que faz emergir a capacidade de relacionamentos saudáveis, a pratica da fraternidade, a vida de oração, pois, somente na comunhão real das pessoas e no respeito ao primado das pessoas, as estruturas poderão também ter eficiência. As estruturas devem ser perpassadas pela experiência do encontro com Jesus Cristo, até terem o jeito, as marcas de Jesus. Daí emerge a necessidade de pequenas comunidades. Foi a opção de Jesus. Aí as pessoas se conhecem pelo nome, em suas necessidades, nos seus dons e carismas. Todos são ouvidos, incluídos. A pequena comunidade oferece uma estrutura mais leve e ágil, capaz de ir facilmente ao encontro das pessoas, na qual os leigos podem exercer o seu sacerdócio comum no campo da vida, assumindo responsabilidade por parte da vida da igreja, colaborando para que a comunidade seja mais vibrante e com braços capazes de

alcançar mais longe. Nela os leigos e leigas são capazes de ser verdadeiras testemunhas da fé em Cristo em suas vidas diárias. A oportunidade de encontro se dá na relação com o outro, animando-o e favorecendo a aproximação de tantos que ainda não se dispõem por si a buscar a fé na estrutura paroquial. O protagonismo é despertado, como também a liderança servidora, que faz emergir o discípulo missionário e promov uma comunidade mais comprometida a partir da sua experiência de fé em Cristo. “A comunidade acolhe, forma, transforma, envia em missão, restaura, celebra, adverte e sustenta” (DGAE, nº 56) Poderíamos sonhar com uma Igreja local sem paróquia, totalmente organizada a partir das “comunidades”, formando uma “rede de comunidades”, uma constelação de “Igrejas da casa”? (Igreja – rede de comunidades). Uma Igreja presente no mundo como fermento na massa, como diz o Papa Francisco, “aberta para acolher a todos, mas também para sair e ir às ruas levar a boa nova”. Ir não para visitar, mas para ficar, acompanhar, propor, animar, alegrar, formar comunidades, formar discípulos, dizer às pessoas que Deus nos ama e dizer aos pobres que somos a Igreja de Jesus que cuida deles. O grande evento que forma discípulos é o acompanhamento feito por outro discípulo. Movimentos que não formam discípulos apenas conservam o que sempre se fez. Só formamos, cuidamos, evangelizamos a todos se fazemos um por um. Quando decidirmos olhar para Jesus, aprenderemos. (Igreja em permanente estado de missão). Por fim, a renovação de uma Paróquia Josefina passará por uma resposta adequada às necessidades de nossos jovens. Necessidades humanas e espirituais. Nós, párocos, se colocarmos em prática as indicações do nosso Seminário Nacional, seremos sentinelas seguras na renovação e conversão exigidas pela Igreja, em Aparecida, para as nossas paróquias. É preciso coragem e muito trabalho. Pe. Marcelino Modelski Pároco da Paróquia de São Benedito, São Paulo - SP

11


Encontro dos ex-seminaristas reconhece a educação recebida

Foto: Divulgação A&C

ORLEANS - SC

Seminaristas no início da década de 80

Ex-Seminaristas

Início da década

12

de 90

o de 2013

reunidos em mai


COTIDIANO Pe. Joacir Della Giustina

branças.

ra 19 de maio; um domingo. O dia começa a amanhecer e o Seminário começa a se iluminar. Ilumina-se com o sol que se desponta ao leste, ali bem atrás daqueles morros onde a gente lembra das terras do seu Raulino. Ilumina-se depois Orleans, a cidade das colinas. Nostalgia. Lem-

Aquele dia 19 de maio viu o Seminário São José, depois de se deixar iluminar pelo sol, iluminar-se de sorrisos, de abraços, de carinhos. Os amigos são inesquecíveis. Juntamente com a alegria do reencontro, voltam os fatos, as histórias, as aventuras de uma meninada que carregava na cabeça um desejo de aprender, de vir a ser. E que guardava no coração afeto, estima e admiração pelos padres e irmãos que com eles conviviam. Os mestres da ternura e da firmeza. Moldadores de mentes e corações.

Seminário: Etevaldo da Silva e Joacir Della Giustina. Já o Pe. Evair Michels, também presente, e o grupo dos ex ajudaram nos cantos. O grupo se reuniu na própria capela para fazer algumas combinações necessárias para a continuidade desse movimento. Desde o Prof. José Benedet, passando pelo Dr. Eli José Cesconetto e chegando ao atual prefeito de Orleans, o Dr. Marcos, um único pensamento: “o Seminário marcou a vida e foi algo decisivo em todos nós”. Já o Vensel de Souza, ao enviar aos fotos para essa matéria, nos dizia: “Fiquei muito feliz com esse Encontro, pois tivemos a presença de um bom número dos nossos contemporâneos dos anos 65/69.” Estas manifestações de carinho e apreço, de reconhecimento e de alegria foram já a marca do grupo que se reunira na noite anterior para uma jantar que parecia despretensioso.

A história de Orleans é algo muito próximo, muito ligado à história do Seminário

E o pátio do Seminário São José que fora palco de tanta correria, de tantas brincadeiras, de jogos, de tanta coisa boa, foi se enchendo aos poucos de veículos e de gente. Mas veículos não guardam histórias, não abraçam, não se emocionam. Gente é feita de sentimentos, de gratidão, de reconhecimentos. Porque ética e respeito são coisas da razão e da emoção. Nascem do equilíbrio dessas duas dimensões humanas. Tê-las ou não faz uma diferença tão grande no comportamento das pessoas!

A eucaristia na antiga e bonita capela do Seminário sempre é o ponto alto do encontro. Não participar dela dá a impressão de não ter ido ao Encontro dos Ex-seminaristas. Walter José Debiasi, presidente dessa agremiação (Os Ex-Seminaristas) e mestre em acolhimento, com sua simpatia e seu jeito especial de orador, abria a cerimônia religiosa citando o Salmo 133, 13: “Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união. É como óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Aarão, e que desce à orla de suas vestes. Como o orvalho do Hermon, e como o orvalho que desce sobre os montes de Sião, porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre.” Foi muito feliz o Walter ao trazer essa iluminação bíblica. Feliz mais quando logo trouxe à lembrança de todos a significativa expressão de São Leonardo Murialdo: “Deus nos ama com amor infinito”, para depois lembrar mais forte ainda que “se estamos nas mãos de Deus, estamos em boas mãos”. Dizia que de “meninos sonhadores provindos do grande celeiro humano que é o sul catarinense” o Seminário e aquela capela acabaram por fornecer o “amálgama que solidifica o edifício humano que somos cada um de nós, os exalunos.” Nesse sentido, ele enaltecia a grande e rica semeadura feita pelo Seminário que encontrara terreno fértil nos corações dos meninos que por ali passaram. Isso os tornou de “elevada moral no campo dos valores necessários para a vida”. Pe. Cornélio Dall’Alba, nessa mesma manhã, deixou seu leito de acamado, em razão de alguns já velhos conhecidos não tão amigos de sua saúde, para presidir a celebração. Concelebraram também os Padres Durival, natural de Araranguá, vocação adulta, mais os padres que são ex-seminaristas desse

Ao meio-dia, o tradicional almoço do Seminário regado ao sabor de festa. Sorteios de brindes, apresentações... Tudo faz lembrar... Tantas coisas boas...

É uma verdade incontestável: o Seminário marcou a vida dos “Meninos Sonhadores”. O Seminário direcionou vidas de gente que já era boa somente para o bem. “Vejam, não saiu nenhum bandido desse Seminário. Só saiu gente do bem!”, dizia um dos mais exaltados naquele jantar de sábado à noite. O mesmo e talvez muito mais se tenha que dizer sobre o desenvolvimento do município e da região. O Seminário é muito mais do que um conjunto de terras. É uma história de respeito, de tradição, de compromisso com a cultura. O Seminário é uma história de ética, de transparência, de compromisso com a fé e a vida com dignidade para todos. Não havia excluídos. Éramos todos gente. Tínhamos valor porque éramos crianças. Tínhamos cuidadores porque os padres e irmãos eram nossas famílias que estavam distantes. O Seminário é mais do que um conjunto de terras. É pequeno e mesquinho demais pensar somente assim. A história de Orleans é algo muito próximo, muito ligado à história do Seminário. Basta olhar para o quadro de lideranças da cidade e relembrar seus históricos de infância. Quanta contribuição boa lhes trouxe o velho Seminário. E se isso só não bastasse, vale então lembrar das “Esculturas do Paredão”, da “Unibave”, do “Museu ao Ar Livre”, da “Academia Orleanense de Letras”, etc. Não, não é justo lembrar do Seminário como conjunto de terras e nivelar tantos anos de experiência educacional e espiritual a algumas hectares a mais ou a menos. Cada um de nós, todos, somos mais que os bens materiais. E princípios e valores, não se vendem, não se trocam, não se negociam. Isso é que faz a diferença. É por isso que são felizes os ex-seminaristas e continuam a iluminar essa tão querida cidade. Pe. Joacir Della Giustina Foi Seminarista em Orleans e é diretor do Colégio e Faculdade Murialdo – Caxias do Sul - RS

13


COTIDIANO

Foto: Divulgação A&C

Pe. Gilberto F. da Câmara

ARARANGUÁ - SC

Pe. Vilcionei Baggio recebe título de Cidadão Honorário

P

adre Vilcionei recebeu uma Moção em reconhecimento aos relevantes serviços prestados em benefício da comunidade de Araranguá. Os autores da proposta foram os vereadores Kila Ghellere (PSB) e Lourival João, o Cabo Loro (PMDB). Kila fez um emocionado pronunciamento na tribuna da casa dizendo: “O Padre Vilcionei Baggio deixou uma marca de educador, orientador e conciliador tão forte junto a todos nós, que ela jamais se apagará. Sua trajetória é tão bela que é difícil descrevê-la através de palavras”, afirmou. Por outro lado, o presidente da Câmara Municipal, vereador Ozair da Silva, do (PT), elogiou a trajetória do Padre Vilcionei Baggio. “Ele é uma pessoa querida em toda a comunidade de Araranguá, por isso é justa esta concessão do Título de Cidadão Honorário de Araranguá em reconhecimento ao trabalho religioso e educacional que ele realiza de forma exemplar há mais de duas décadas no Colégio Murialdo”. Como tudo começou Vilcionei revela que sempre achava bonito quando o padre ia rezar missa. Admirava o religioso vestido com aquela roupa branca. Daí nasceu a primeira ideia em querer ser padre. Mas era um sonho muito distante. Até que, em 1974, uma grande enchente fez com que seus pais Estevam e Lucia perdessem tudo na lavoura e não restou outra alternativa se não mudar-se para a cidade. Nesse ano, ele ingressou no Seminário de Orleans (SC). Foram tempos de muita saudade de casa e muito empenho nos estudos. A chegada em Araranguá No ano de 1978, Padre Vilcionei foi transferido para o Seminário de Araranguá, onde cursou o CICIAR. Cidade grande, diferente, com praias. Foi uma época marcante e muito bonita. De que mais ele se lembra dessa época? Dos amigos, grupos

14

de jovens, da vida do seminário (estudo, oração, passeios) e das atividades esportivas. Enfim, a trajetória religiosa foi repleta de capítulos, a maioria deles dedicada à propagação da palavra de Deus. Trabalhos no RS, RJ e PR Em 1986, o Seminarista Vilcionei cursou o Ensino Médio (antigo segundo grau) em Caxias do Sul, onde também trabalhou em projetos sociais com crianças em situação de vulnerabilidade. Depois, mudou-se para o Rio de Janeiro. Na capital carioca desempenhou atividades na Paróquia São Jorge, Bairro Quintino, em benefício dos meninos de rua. Mais tarde cursou Teologia em Londrina (PR), concluindo os estudos necessários para a ordenação presbiteral. Foi ordenado sacerdote em 04 de janeiro de 1992. Depois trabalhou na educação de adolescentes no Seminário São Leonardo Murialdo, em Araranguá. Nesse período, também auxiliou na Paróquia Mãe dos Homens, celebrando eucaristia, ministrando sacramentos do Batismo e do Matrimônio. Já em 1999, Padre Vilcionei foi encarregado de trabalhar na Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (PR). Voltou a atuar junto aos mais necessitados: pessoas de rua, crianças em sua maioria. Lá permaneceu até 2005. O retorno Em 2006, Padre Vilcionei retornou para Araranguá. Após intensificar sua atuação em atividades como a administração do Pólo da Unopar, a evangelização nas Paróquias Sagrada Família e Nossa Senhora Mãe dos Homens, ele assumiu, em 2012, a direção do Colégio Murialdo de Araranguá, onde permanece até hoje. Pe. Gilberto F. da Câmara

Diretor da Comunidade de Ararangúa - SC


FORMAÇÃO Dhian Paulo Paiz

Foto: Arquivo Histórico

Murialdo e os menores do Collegio Artigianelli

Meninos do Artigianelli em 1888

S

ão Leonardo Murialdo transcorreu uma vida relativamente comum e muitas vezes previsível: educador, sacerdote, de profunda espiritualidade. Ao mesmo tempo, nos surpreende quando nos deparamos com a seriedade em que viveu as suas opções apostólicas: escolha aos últimos, persistência no compromisso educativo, fidelidade às crianças e aos jovens pobres e abandonados... Aprofundo esses atributos do nosso santo com base no Registro delle Matricole do Collegio Artigianelli. O citado documento protocolava a entrada das crianças e dos jovens no Artigianelli e traz informações importantes sobre a realidade dos educandos aceitos pelo Instituto. A pesquisa faz parte do meu trabalho de conclusão do curso de Teologia. Por ser um texto breve, decidiu-se não inserir notas e documentos, salvo as citações específicas. Um oportuno reconhecimento se deve ao Pe. Giovenale Dotta, seja pelos escritos de sua autoria, as quais consultei, seja por seu pronto auxílio nas interpretações de informações duvidosas. Conforme ao lado, além do nome e do número, o registro informava situação familiar, lugar de origem, data e motivo da saída, curso técnico ou atividade escolhida, comportamento. Importante lembrar que o Artigianelli iniciou suas atividades no ano de 1849. Murialdo entra como reitor no fim do ano de 1866, ou seja, somente 17 anos depois e permaneceu como reitor por 33 anos, até 1900, ano de sua morte. Se folhearmos o I volume do Registro delle Matricole (que inclui 1102 crianças e jovens inscritos entre os anos de 1849-1883), podemos visualizar essa peculiaridade: além de conhecer os atendidos, podemos realizar um paralelo do “antes do Murialdo como

reitor” (1849-1866), que compreende 451 menores protocolados e “com Murialdo na direção” (1867 em diante), com 651 menores protocolados. Para nós, essas crianças e jovens têm uma importância particular, porque é própria esta experiência educativa no exercício do reitorado no Collegio Artigianelli que Murialdo amadurece, consolida e escreve sobre o agir pedagógico e a pedagogia do amor, que ganha especial atenção ao coração do menor. Podemos concretizar essa análise sociológica dos internos dos Artigianelli em 4 pontos:

15


Foto: Arquivo Histórico

1. A situação familiar dos atendidos

(O número que consta em cada coluna se refere à quantidade de crianças e jovens que entraram com aquela específica situação familiar).

Aquilo que se nota nos primeiros anos de Murialdo como reitor é de um constante e progressivo aumento de menores com os dois pais vivos, enquanto tende a diminuir a quantidade de crianças sem referência dos dois genitores. Notase um aumento nos atendidos com a falta da figura paterna. No conjunto, aquilo que transparece é de uma situação familiar problemática. Dos acolhidos por Murialdo, a metade destes (321 de 651) tinha uma estrutura familiar comprometida com a ausência de um ou dos dois genitores, enquanto outra metade (330 de 651) tinha uma família, ao menos em teoria, tradicional. De fato, o Regulamento de 1850 da Associazione di Carità, órgão pelo qual o Collegio Artigianelli era mantido, afirmava: “Precisamos socorrer tantos pobres jovens que passeiam vagabundeando pelas estradas ou provocando desordem nas praças [...] órfãos ou abandonados, escassamente assistidos dos próprios parentes; e prover a eles seja para a alma que para o corpo” (Regolamento da Associazione di Carità, artigo 2, citado em MARENGO, Murialdo educatore, p.10.).

2. Idade que entravam A tabela mostra que durante o reitorado de Murialdo se tende a acolher crianças com menos idade (entre os 5 e 9 anos).

(O número que consta em cada coluna se refere à quantidade de menores que entraram com aquela específica idade).

16

Colégio Artigianelli


FORMAÇÃO Dhian Paulo Paiz

Chama a atenção que o Artigianelli abrigava crianças e jovens com um arco de tempo grande: o menor que o Registro contabiliza entrou com 5 anos; o mais velho; aos 18 anos. Portanto, são 13 anos de diferença entre os mesmos. De fato, segundo fontes das reuniões do Instituto, essa diversidade na idade comportou dificuldade e necessidade de algumas mudanças como a divisão em dois grupos: dos pequenos e dos maiores. Depois se optou por dividir em três grupos: pequenos, médios, grandes (para ter uma ideia, na época de Murialdo o número dos acolhidos girava em torno de 150 internos). Os referidos grupos tinham horários e atividades distintas. Por exemplo: os pequenos estudavam enquanto os que tinham 14 anos ou mais começavam o curso profissional. Com a divisão em grupos, diminuía o problema das influências negativas dos maiores sobre os menores, mas não solucionava totalmente. Por isso, bem cedo se pensou na abertura de outros institutos ligados aos Artigianelli para abrigar grupos de meninos com idade e necessidades específicas (colônia agrícola, Instituto de Volvera...) e assim oferecer uma estrutura material e educativa mais coerente a cada educando. Outro fator que devemos levar em consideração analisando a idade de entrada dos menores é a finalidade do collegio, ou seja, se um menor, pobre e abandonado batia à porta, independentemente da idade, este vinha aceito e a instituição se tornava uma casa, uma escola, um centro profissional, uma igreja, uma cidade de referências positivas para o seu crescimento.

3. O comportamento Esta é a única coluna do Registro que descreve como a criança agia no interno do collegio. Certamente vinha compilada quando o mesmo saía do instituto e nos permite conhecer, de forma geral, o comportamento do atendido nos anos que transcorria dentro do instituto. Como nas demais tabelas, precisou-se agrupar as informações. Com o máximo de coerência possível podemos classificar em três grupos: Ótima: os menores que receberam comportamento ótimo, exemplar, muito bom... Boa: os menores que receberam comportamento bom, regular, medíocre... Péssima: os menores que receberam comportamento péssimo, ruim, não boa...

(O número que consta em cada coluna se refere à quantidade de menores que entraram com o específico comportamento).

Se girarmos o olhar e vermos as condição em que os menores se encontravam antes de entrar no collegio podemos dizer que o comportamento não era assim desastroso e que o instituto conseguia agir eficazmente na vida dos mesmos. Talvez podemos visualizar uma pequena pérola pedagógica se analisarmos o gráfico dos anos de Murialdo como reitor: uma acentuada diminuição nos números de menores com comportamento péssimo. O comportamento era elemento decisivo para que o menor continuasse no collegio e finalizasse o curso. O Registro confirma que a grande maioria dos meninos com comportamento ótimo conseguia completar o curso e muitos se tornavam educadores, alguns inclusive religiosos e sacerdotes. Enquanto os menores com comportamento mais baixos frequentemente eram expulsos, fugiam, eram enviados ao reformatório ou à prisão de menores já que o Artigianelli não funcionava com caráter corretivo mas, com uma pedagogia voltada à prevenção.

1. Modalidades e motivos da saída do Collegio Artigianelli Podemos distribuir as modalidades de saída em 4 grupos. Grupo 1: reúne as crianças que fizeram um percurso dentro do collegio considerado como positivo ou ao menos neutro, são aqueles que têm como motivo de saída: terminado o curso, retirados pelos parentes, saíram espontaneamente, encontraram trabalho, chamado ao serviço militar. A esses meninos podemos dizer que o collegio conseguiu encaminhá-los na vida ou que os mesmos conseguiram fazer algum percurso formativo. Grupo 2: congrega as crianças que o collegio não obteve retorno positivo na sua formação. A esses o motivo da saída foi: expulsão, fuga, enviados ao cárcere de menores ou instituições similares, aconselhados a sair. Grupo 3: congrega as crianças que não sabemos como e quando saíram, pois foram transferidas a outras obras que colaboravam com o Artigianelli (colônia agrícola, Instituto de Volvera, casa família...) dado a idade ou itinerário específico do menor. Grupo 4: forma levando em consideração dois grupos de crianças: Aquelas que não tinhas condições físicas ou mentais para estar no collegio (doenças mais frequente eram surdez, cegueira). Ou que associado a diversas doenças da época morriam enquanto internas no collegio. Depois da entrada de Murialdo como reitor aquilo que se percebe é de uma leve diminuição do grupo 2, enquanto aumenta consideravelmente os meninos do grupo 3. Se analisarmos com profundidade o grupo 2, levando em conta somente a quantidade de expulsões (fator mais crítico de todos), podemos verificar outra pérola do agir educativo de Murialdo. No seu reitorado

diminuiu para mais da metade a porcentagem média de expulsões: dos 441 entrados antes de Murialdo foram expulsas 72 crianças; dos 614 entrados com Murialdo como reitor foram expulsas 37 crianças.

Conclusão As tabelas são breves e sintéticas, não traduzem toda a riqueza de informações que o Registro guarda, mas nos ajudam a descobrirmos, talvez criarmos uma mentalidade, sobre quem eram os atendidos de Murialdo e o que significava quando repetia: “pobres e abandonados: eis os dois requisitos que constituem um jovem como um dos nossos, e quanto mais é pobre e abandonado, ( tanto mais é dos nossos” S. Leonardo Murialdo, Scritti, vol. V., - Centro Storico Giuseppini del Murialdo, Fonti e Studi, 5-, Libreria Editrice Murialdo, Roma 1995-2009, p. 6.) Sobre aquilo que se visualiza no Collegio Artigianelli depois da entrada de Murialdo é próprio de um santo que fez da vida ordinária uma extraordinária entrega a Deus. Sem grande milagre e prodígios, mas com ações concretas e consistentes, com atenção aos gritos do seu tempo, escolhendo o caminho do auxílio ao outro (as crianças e jovens pobres) o projeto de vida e de sua santificação. Parece-me justo citar as mesmas palavra do discurso do Papa Paulo VI, no dia 03/11/1963, em ocasião da beatificação de Murialdo: “A sua história é simples, não tem mistério, não tem aventuras extraordinárias; se desenvolve em um caminho relativamente tranquilo, no meio de lugares, de pessoas, a fatos bem conhecidos. [...] não é um homem longe e difícil, não é um santo sequestrado da nossa conversação; é um nosso irmão, é um nosso sacerdote, é um nosso companheiro de viagem..” (San Leonardo Murialdo. La Congregazione dei Giuseppini e i Sommi Pontefici (1858-2010), organizado por Giuseppe FOSSATI, Libreria Editrice Murialdo, Roma, 2013).

Dhian Paulo Paiz

Religioso Josefino, estudante de Teologia em Viterbo - Itália

17


Murialdo e a Formação da Juventude

p

arece chover no molhado dizer que Murialdo foi um grande educador e formador da juventude. Mas vale a pena destacar a sua metodologia em apostar na juventude para um mundo novo, um mundo mais fraterno e justo. Era comum se ouvir falar, na época de Murialdo (18281900), que era preciso apostar no desenvolvimento integral da pessoa humana. Hoje se diria procurar dar uma atenção holística a cada ser humano. Holístico vem da palavra hólos, do grego, e significa inteiro; composto. Segundo o dicionário, holismo é a tendência a sintetizar unidades em totalidades, que se supõe seja própria do universo. Na revista Agir&Calar anterior a esta, foi desenvolvido um artigo em que Murialdo, de certa forma, antecipou os tempos da ciência, quando se empenhou, com seus educadores, a cuidar de forma integral da formação dos jovens. No artigo foi destacada a dinâmica entre as várias inteligências e a dimensão biológica, psicológica e espiritual de cada pessoa. Murialdo, por ser sacerdote, em princípio devia se preocupar com a parte espiritual das pessoas. De fato ele sempre esteve atento à origem sobrenatural de cada pessoa. Cada ser humano, bem como todo o universo, tem sua origem no coração de Deus. A vida que brota do coração de Deus é sagrada e deve ser cuidada com muito carinho por todas as pessoas. O próprio Deus se encarnou para cuidar mais de perto de cada pessoa, indicando caminhos de vida e salvação para todos. Murialdo não se preocupou apenas com a formação espiritual dos jovens, mas se dedicou em cuidar da totalidade da vida de cada jovem. Ele mesmo dizia e viveu o princípio de que os sacerdotes devem sair da sacristia para estar perto das pessoas no seu dia a dia, ajudandoas, encorajando-as, apontando caminhos para uma vida digna. Ouvimos isto, nestes tempos do próprio Papa Francisco. O Papa, porém, não falou apenas aos sacerdotes e bispos, mas convidou a todos a sair de si mesmos e caminhar na fé, ha tantas pessoas necessitadas, há de todas as idades: crianças, jovens e anciãos. A atenção na formação integral para Murialdo se manifestava no todo dos jovens que entravam no Artigianelli: na preocupação pela saúde, pela boa

alimentação, pela educação física, pela prática do esporte e outras atenções. O relacionamento entre educadores e educandos devia primar pelo respeito, pela doçura, pela alegria, pelo empenho no estudo para se preparar para uma profissão em vista de um futuro promissor. Humildade, caridade, partilha de vida, pois os mais avançados nos estudos deviam ajudar os colegas em dificuldades, eram as virtudes mais desenvolvidas no dia a dia. Dizia Murialdo aos educadores em 1883: A finalidade de nosso sistema educativo não é apenas o de tornar os nossos jovens inteligentes e operários competentes no trabalho, quase querendo torná-los sabichões, mas queremos antes de tudo formar honestos e valentes cidadãos e sinceros e corajosos cristãos. Junto com as qualidades e deveres de um bom cidadão possam unir o compromisso de se tornarem mestres no ensino a outros cidadãos (Scritti, X, PP 58-59). Em defesa da formação e promoção dos jovens, Murialdo, em 1872, enfrenta dois proprietários de tipografias de Turim que queriam fechar as tipografias dos Artigianelli e também as dos salesianos, porque consideradas concorrentes. Murialdo defende o direito da livre iniciativa e entre as argumentações escreve: Se vão ser fechadas as oficinas qual será o fim dos colégios dos pequenos artesãos? Como ficarão os milhares de jovens, abandonados pelos seus familiares, e que hoje são internos nos colégios? O que vocês irão fazer? Vocês vão mandá-los estudar para que sejam homens letrados? É uma solução que não se afina com sua situação social. Os deixareis todo o dia ociosos? Ou então vocês vão devolvê-los à realidade de onde vieram, jogando-os em pleno abandono, na vagabundagem, no caminho do delito (Scritti, IX, PP. 192-194)? Aparece clara aqui a formação da consciência crítica que Murialdo vivia e divulgava, com coragem, junto à sociedade da época. Na formação profissional específica dos jovens, Murialdo insiste para que não se dê o peixe, mas que se ensine a pescar, dando oportunidades a cada jovem a construir seu caminho com criatividade e responsabilidade. Em 1872, dizia aos educadores dos Artigianelli: “A verdadeira caridade e a verdadeira filantropia não se restringem a dar um pedaço de pão aos famintos, incapazes de conquistá-lo com o suor da própria fronte,

De Murialdo devemos haurir toda a energia para viver e apontar caminhos “esperançados”

18


FORMAÇÃO Pe. Geraldo Boniatti

mas a atitude mais benéfica é a de ajudar aos filhos do povo a superar a pobreza, ensinando a eles um trabalho através do qual possam conseguir o alimento de maneira honrosa, afastando-os do ócio e do abandono e também do perigo de aumentar o número dos que estão na cadeia” (Ep. I, 399 p.296). A formação dos jovens não acontecia somente dentro dos internatos, especificamente nos Artigianelli, onde existiam 17 habilitações diferentes, mas também nos Oratórios. Ali a metodologia proposta era: “Rezar, aprender, jogar, eis o Oratório. Este modo de fazer e de dizer foi usado muitas vezes por Murialdo. Está no discurso do dia 30 de setembro de 1883, no lançamento da primeira pedra do Oratório do Sagrado Coração de Jesus, em Rivoli. A formação passa pela amizade, pela comunicação transparente, pelas informações pontuais sobre cada jovem, sobretudo, sempre querer fazer o bem, bem feito. Num encontro com os jovens e educadores, em fevereiro de 1880, dizia Murialdo: “É muito bonito reunir-se; reunirse para fazer dos encontros um momento de amizade, de fraternidade, de caridade para fazer o bem, fazê-lo bem. Façamos o bem, mas façamo-lo bem (Scritti, IX,PP.234). Nas catequeses noturnas, durante 10 anos, mais de 35 mil jovens puderam aprender a arte de serem cidadãos conscientes e responsáveis. Nestas noites eram ensinados os direitos e deveres da sociedade. Os jovens eram

orientados em sua participação em organizações operárias, em seus posicionamentos civis, sua participação política e sobretudo na busca de sempre melhores conhecimentos para a vida. Nós, os josefinos, os Leigos de Murialdo, toda a Família de Murialdo, nos orgulhamos de ter um formador de opinião como Murialdo. Dele devemos haurir toda a energia para viver e apontar caminhos “esperançados” no dizer de Paulo Freire, pois só esperança não basta, é preciso pôr-se em marcha a cada dia. Não podemos ceder o espaço para outros na formação dos jovens. Se nos omitimos, outros ocuparão este lugar sem saber onde conduzirão os mesmos jovens. Também não podemos esperar que as soluções caiam do céu. É preciso ter coragem e começar. O incêndio do mundo sempre acontece com um simples fósforo. Uma simples ideia, nascida na paixão por Deus, pela vida, sobretudo dos jovens, faz a diferença. Omitir-se é diminuir a própria dignidade.

“Não há pintor, não há escultor, que possa ser comparado àquele que possui a grande arte de modelar o coração dos jovens”. Pe. Geraldo Boniatti

Mestre na formação de pessoas

19


A

frase proferida pelo Papa Francisco durante a Jornada Mundial do Rio de Janeiro, em julho deste ano, apresenta-nos um mandamento incutido nos cristãos desde os primeiros anos do cristianismo. O próprio Jesus Cristo foi um revolucionário frente a uma sociedade desigual e opressora. Jesus mostrou o Caminho e deixou este legado para os seus discípulos. A escolha pelos que eram excluídos, a valorização do amor e do perdão eram conceitos distantes até mesmo dos judeus mais fervorosos. Os discípulos também foram revolucionários ao enfrentarem o poderoso Império Romano para disseminar o evangelho além das fronteiras da Judéia e da Galiléia. Vivenciaram a perseguição em nome de seus ideais, e movidos pelo Espírito Santo “sacudiram” o império. Durante o decorrer dos séculos, muitos santos reacenderam esta chama revolucionária, mas a sociedade, nos mais diversos locais do mundo, sempre se mostrou indiferente. A própria Igreja Católica Apostólica Romana, por muito tempo, parecia se distanciar dos jovens, e nas últimas décadas, na Europa, ela vem sendo conhecida como uma “igreja velha”. Durante a segunda metade do século XX, os jovens foram os vetores de inovações na moda, política e se ambientaram aos novos mecanismos tecnológicos. E a Igreja, como poderia se aproximar dos jovens? Como poderia escutar os jovens? Em meio a essas perguntas, surge a sensibilidade do Papa João Paulo II, que em 1986 idealizou a Jornada Mundial da Juventude.

20

Já dizia o Santo Padre: “Os jovens estão chamados a serem os protagonistas dos novos tempos”. E muitas vezes estes novos tempos estão direcionando as pessoas para ideias e conceitos opostos aos que a Igreja prega, como por exemplo, o consumismo exacerbado e a descrença na família. Por isso a necessidade dos jovens serem chamados; são eles os responsáveis pelas mudanças. A Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro nos mostrou o quanto é grande esse desejo dos jovens. Andando pelas ruas da capital fluminense e, principalmente, na noite da grande vigília, observava-se jovens das mais variadas partes do mundo com o mesmo objetivo: ser enviado. Como dizia o lema da própria jornada: “Ide e fazei discípulos por todas as nações”, mas é necessário ter um coração manso e humilde para buscar os discípulos. Os peregrinos teriam que vivenciar um encontro forte, que causasse uma motivação extra. Em meio a uma sociedade tão descrente em religião, desigual e corrupta, o coração pode rapidamente ver a “chama espiritual” apagar. Por isso este evento foi tão importante na vida de milhões de jovens. A presença do Papa Francisco, com suas palavras de humildade, trouxe um alento a muitos jovens que querem servir, que não estão de acordo com a situação atual do mundo. Em um de seus discursos, ele convocou: “Os jovens têm que sair e fazer valer, sair à luta pelos seus valores”. E essa luta não pode ser sem o fundamento principal: “Bote fé que a vida terá um novo sabor”.


CAPA

Mas o Papa não ensinou apenas pelas palavras. Os seus gestos e suas atitudes deixavam clara sua escolha pelos menos favorecidos. Para os jovens, ver o líder máximo da Igreja Católica negando a utilização de um carro blindado e de última geração para transitar pelas ruas do Rio de Janeiro em um carro popular era uma demonstração de que as nossas palavras devem estar acompanhadas das nossas ações. Outro exemplo importante foi a necessidade que o Santo Padre tinha de tocar as pessoas, de sentir o calor humano do povo. Como fazer discípulos sem o conforto do abraço fraterno? Não poderia ter exemplo melhor quando os milhões de jovens viram o Papa Francisco utilizar um papa-móvel quase todo aberto, abraçando os fiéis, ganhando presentes e até aceitando um chimarrão. Com isso o Papa Francisco mostrou aos jovens que é necessário ser revolucionário, e, por meio de suas ações nada esperadas para um chefe de estado, proporcionou um momento único de aprendizagem.

Fotos: Divulgação A&C

Prof º Daniel Alves Bronstrup

A troca de experiência entre os peregrinos sobre as diferenças e semelhanças culturais também foi uma grande celebração para os participantes da jornada. Foi possível refletir que “não estamos sozinhos”. Mesmo o idioma sendo um grande entrave, as longas horas de trem e metrô entre o subúrbio da cidade, onde muitos estavam alojados, e os locais dos atos centrais com a presença do Papa, transformaram-se em ótimos horários para novas relações, mesmo sendo em alguns casos apenas por meio da música e da dança. Algo que também chamou a atenção de muitos participantes foi o fato de que em meio a 3,7 milhões de

21


CAPA Prof º Daniel Alves Bronstrup

jovens não se observava o uso de drogas, álcool e o famoso “ficar”. Era realmente uma grande festa da juventude católica, não só pelo que a mídia transmitia 24 horas, mas também pelo que presenciávamos nas ruas do Rio de Janeiro. Nem as filas que duravam mais de 2 horas para utilizar o banheiro foram capazes de tirar o ânimo dos peregrinos. E só mesmo sendo jovem (de idade ou espírito) para aceitar passar a noite da vigília dormindo ao relento em meio às areias de Copacabana, à brisa do mar e à calçada gelada.

Mas o Papa não ensinou apenas pelas palavras. Os seus gestos e atitudes deixavam claro sua escolha pelos menos favorecidos A amplitude do evento veio à tona no domingo após a missa final com o Papa, em que estávamos com um ardor no coração em servir e seguir o direcionamento proposto pelo Papa Francisco. Eis o momento de partilhar, por meio das nossas ações e palavras, tudo o que vivenciamos na Jornada Mundial da Juventude. Os jovens foram chamados para serem revolucionários e esta revolução

começa em meio às atividades cotidianas como: ser uma pessoa melhor, um profissional melhor e um cidadão melhor. Por isso muitos jovens cristãos estão engajados em manifestações; sabem que a busca por melhores condições de vida passa pelo bom funcionamento dos serviços públicos. Os revolucionários que o Papa Francisco mencionou já estão espalhados pelo mundo, fazendo suas escolhas e transformando a realidade onde vivem. Pode ser que suas ações não estejam na mídia, mas Jesus também “não esteve na mídia”. E, por meio dessas ações, vai ocorrendo uma revolução silenciosa, que parte do coração dos mais jovens e que cada período de dois ou três anos a Jornada Mundial da Juventude tratará de fortalecer: a revolução do amor. Prof º Daniel Alves Bronstrup

Mestre em História do Tempo Presente Peregrino na JMJ Rio 2013

Professor do Colégio Murialdo de Araranguá - SC

Foto: Divulgação A&C

Foi um momento único, diferente de muita coisa que estávamos acostumados. Conhecemos pessoas das mais diversas classes sociais no Rio, mas todas acolhiam com um sorriso no rosto. Um exemplo foi no alojamento, onde o único chuveiro, que servia para 20 pessoas, parou de funcionar e os vizinhos (inclusive evangélicos) nos cederam seus banheiros para que o banho quente não nos faltasse perante aqueles dias atípicos de temperaturas amenas no

Rio de Janeiro. O próprio fato do Papa Francisco ter demonstrado respeito ao orar junto de dois pastores, quando em visita a uma favela, teve uma repercussão muito positiva entre nossos irmãos protestantes.

22


FORMAÇÃO

Foto: Divulgação A&C

Pe. Orides Ballardin

Processo de Beatificação do Pe. João Schiavo dá novos passos Geral, Mário Aldegani, disse que está confiante que, para 2015 - Centenário da chegada dos Josefinos ao Brasil dos quais Pe. João foi um dos primeiros - , se possa fazer algum passo importante na Causa de sua beatificação. Esse algo poderá ser a determinação da data do Congresso dos Consultores Teólogos encarregados de estudar e dar seu parecer sobre a heroicidade das virtudes do Pe. João. Isso é o máximo que podemos esperar em vista da exiguidade do tempo restante. Assim a Venerabilidade, mesmo que fosse para 2016, será um grande passo (70% da Causa), pois, em seguida, é estudado o milagre. O estudo dos milagres é mais rápido e simples que o da vida e das virtudes... O Pe. Orides, depois de dois anos e oito meses de espera, recebeu de volta a Positio (síntese do processo diocesano sobre a heroicidade das virtudes do Pe. João Schiavo) para correções e acréscimos necessários. O trabalho já foi feito e ainda neste ano serão entregues no Vaticano as cópias necessárias para os estudos do Congresso dos Consultores Teólogos em vista da Venerabilidade. Com as bênçãos do Servo de Deus, Pe. João Schiavo e minhas orações. Foto: Arquivo Histórico

P

e. João Schiavo foi santo e entusiasta promotor de vocações e exímio formador. Sempre contou com o apoio espiritual dos devotos para ter bons candidatos à Vida Religiosa e pela perseverança dos membros na Congregação. Invoquem o Servo de Deus para que interceda junto a Deus para termos bons candidatos, verdadeiros vocacionados e santos religiosos e sacerdotes Josefinos. Peçam também pelas vocações das Murialdinas. Quanto ao andamento da Causa de Beatificação do Pe. João Schiavo, finalmente destravou: no dia 6 de julho fomos recebidos (o Superior Geral dos Josefinos, Pe. Mario Aldegani, a Superiora Geral das Murialdinas, Ir. Orsola Betolotto e eu, Pe. Orides) pelo Cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação das Causas dos Santos. A conversa foi muito proveitosa pelo valor que o cardeal atribui aos encontros e interesse dos Superiores Maiores para com as Causas. Pela esperança que deu, Pe. Mário Aldegani comunicou que a biografia do Pe. Reffo está pronta e será impressa ainda em 2013 e entregue no Vaticano. Isso possibilitará ao Cardeal marcar o encontro dos Cardeais e Bispos da Congregação para dar a última palavra antes de apresentar ao Papa o pedido do Decreto de Venerabilidade. Pensamos isso para 2014. Quanto ao Pe. João, o Pe. Mário Aldegani disse do interesse que há na Causa por parte dos Josefinos e das Murialdinas (duas Congregações) e da continuidade e aumento da devoção popular à intercessão do Pe. João Schiavo. Comunicou que a Positio está na fase de correção também. Ainda em 2013 será impressa, encadernada e entregue há Congregação das Causas dos Santos. O Pe.

Pe. Orides Ballardin

Postulador Geral em Roma

23


EDUCAÇÃO CATÓLICA: evangelizar a partir do mundo da educação

É um tema amplo. Refere-se ao esforço histórico e contínuo da Igreja que sempre acreditou na educação como um importante braço na missão de anunciar Jesus e Seu Reino. Mas é preciso sempre andar. Os novos tempos demandam novas respostas. Agora são os bispos que convocam católicos e pessoas de boa vontade que atuam em todas as instâncias pastorais da Igreja Católica para a Missão Continental. Como discípula missionária, a Igreja pretende estar em estado de missão permanente. “Assumimos o compromisso de uma grande missão em todo o continente, que de nós exigirá aprofundar e enriquecer todas as razões e motivações que permitem converter cada cristão em discípulo missionário. A Igreja necessita de forte comoção que a impeça de se instalar na comodidade, no estancamento e na indiferença, à margem do sofrimento dos pobres.” (DA 362).

Missão. A Escola Católica não está à margem desse chamado; pelo contrário, precisa atendê-lo com responsabilidade e entusiasmo por ter a mesma missão, que é evangelizar a partir do mundo educacional. Através deste texto, procuraremos evidenciar alguns aspectos do compromisso evangelizador da escola católica, a partir do Documento de Aparecida: A América Latina e o Caribe vivem uma particular e delicada emergência educativa. Na verdade, as novas formas educacionais do nosso continente, impulsionadas para se adaptar às novas exigências que vão se criando com a mudança global, aparecem centradas prioritariamente na aquisição de conhecimentos e habilidades e denotam um claro reducionismo antropológico, visto que concebem a educação preponderantemente em função da produção, da competitividade e do mercado. A escola é chamada a ser transformar, antes de mais nada, em lugar privilegiado de formação e promoção integral. (DA 328) Identidade. Um dos primeiros passos da escola católica é atualizar, reforçar ou resgatar sua identidade; tornar Jesus Cristo conhecido, amado, seguido e anunciado com ardor, como homem perfeito e fundamento de tudo, em todos os valores humanos encontrem sua plena realização, para promover e transformar o sentido da existência, para pensar, querer e agir segundo o evangelho (DA 335, 337). Portanto, a escola católica, distinguindo-se

24

das demais, tem os princípios evangélicos como normas educativas e metas a atingir. Sem identidade, ela reproduz as características de qualquer escola, mesmo que seja dirigida ou administrada por pessoas da Igreja: “Deve resgatar a identidade católica de nossos centros educativos por meio de um impulso missionário corajoso e audaz, de modo que chegue a ser uma opção profética, plasmada em uma pastoral da educação participativa” (DA 337). Conversão. Para cumprirem sua tarefa educativa evangelizadora, as comunidades educacionais católicas precisam passar por uma autêntica conversão pastoral: “A conversão pastoral de nossas comunidades exige que se vá além de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária” (DA 370). Neste sentido, a escola católica deve deixar de ser uma escola com pastoral (atividades religiosas e litúrgicas isoladas e pontuais) para ser uma escola em pastoral: “Esta escola desenvolve a educação na fé de maneira integral e transversal em todo o currículo, levando em consideração o processo de formação para encontrar Cristo e para viver como discípulos e missionários e inserindo nela verdadeiros processos de iniciação cristã.” (DA 338). No processo de conversão, segundo os bispos, muitas escolas católicas, entre elas algumas de reconhecida trajetória e merecido

prestígio, devem revisar seus projetos educacionais e responder ao novo chamado da Igreja, porque nem sempre o lugar que ocupam na sociedade e na educação tem como suporte o fundamento, os valores do evangelho em todas as suas dimensões, nem uma proposta de pastoral comprometida com a força da verdade. Cresceram e conquistaram reconhecimento, negociando demandas do mercado, obedecendo políticas incompatíveis com o s critérios educativos da Igreja e sem uma clara definição a respeito dos valores e da cultura contemporânea, com o risco de perder a identidade católica. Lugar privilegiado. No Documento de Aparecida, os bispos recordam ainda que a escola católica constitui um lugar privilegiado de formação integral, favorecendo a maturidade do educando na definição do seu projeto de vida, centralizado na pessoa de Jesus; é igualmente um lugar privilegiado para o desenvolvimento da dimensão ética e religiosa da cultura. Mais que outro, o âmbito escolar é um privilegiado espaço educativo também porque nele os jovens passam boa parte de sua vida. Ensino Superior. Os bispos salientaram também o importante serviço que prestam à Igreja na sua missão evangelizadora, às universidades e aos centros superiores de educação católica, sobretudo, na difícil missão de evangelizar, no contexto da pós-modernidade impregnado pelo secularismo, relativismo, subjetividade e outros desafios:


FORMAÇÃO Pe. Raimundo Pauletti

“Segundo sua própria natureza, a Universidade Católica presta importante ajuda à Igreja em sua missão evangelizadora. Suas atividades fundamentais se realizam através de uma pesquisa realizada à luz da mensagem cristã, que coloquem os novos descobrimentos humanos a serviço das pessoas e da sociedade. Cada vez mais a Igreja quer sentir estes centros mais próximos a ela mesma, e deseja tê-los presentes e operantes na difusão da mensagem autêntica de Cristo” (DA 341). “Estas instituições, por conseguinte, terão que desenvolver com fidelidade sua especificidade cristã, visto que possuem responsabilidades evangélicas que instituições de outro tipo não estão obrigadas a realizar. Entre eles se encontra, sobretudo, o diálogo fé e razão, fé e cultura, e a formação de seus agentes através da Doutrina Social e Moral da Igreja”. “É necessária uma pastoral universitária que acompanha a vida e o caminhar de todos os membros da comunidade universitária, promovendo um encontro pessoal e comprometido com Jesus Cristo e múltiplas iniciativas solidárias e missionárias” (DA 342-342). Agentes. Além de clareza na missão e identidade, é imprescindível para a escola católica o comprometimento de todos os agentes da comunidade educacional, considerados sujeitos e protagonistas da tarefa evangelizadora. A seleção apurada e formação contínua dos educadores deverá ser uma das principais ocupações e preocupações dos gestores de instituições católicas. Aqui reside um dos segredos da fidelidade à missão evangelizadora da educação católica, cuidar daqueles que têm contato direto e frequente com os alunos. Os educadores cristãos, como pessoas e como comunidade, são os primeiros responsáveis por criar o peculiar estilo cristão. A juventude clama por encontrar testemunhos de vida, modelos que iluminam seu caminhar, e esperam que seus processos de formação os ajudem a descobrir o sentido da vida. O projeto educativo, além de elencar os princípios norteadores da instituição, bem como o perfil dos educadores, deverá focar o plano de formação dos educadores em todos os níveis: diretores, docentes, corpo técnico-pedagógico, administrativo e de serviços, estudantes, família e ex-alunos.

Incentivo a prosseguirem. Vale lembrar, no entanto, que enquanto motivam e convocam para uma profunda renovação, o episcopado reconhece e agradece o compromisso e o esforço educacional contínuo que realizaram e realizam bispos, sacerdotes, religiosos, leigos e famílias em todos os países do continente, que atendem a todos os níveis educacionais e aos diversos setores sociais, especialmente os mais carentes, promovendo a educação como instrumento de humanização, socialização e evangelização. É inegável a riqueza educativa da Igreja no continente. Não só a riqueza quantitativa (enquanto número de instituições, de docentes, de estudantes, de ex-alunos e de famílias associadas), mas também quantitativa (pela variedade de obras, carismas e interlocutores). Por sua vez, a V Conferência incentiva as congregações religiosas, as dioceses e as organizações de leigos católicos que mantêm escolas, universidades, institutos de educação superior e da capacitação não formal, a prosseguirem incansavelmente em sua abnegada e insubstituível missão apostólica. (DA346)

Diferentemente de outros tempos, a educação católica atual navega em outros mares Instâncias. A Educação Católica, em âmbito geral de Igreja, busca na Congregação para Educação Católica (Santa Sé) as orientações básicas. Por sua vez, a Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM) anima a ação evangelizadora da Igreja no nosso continente. No Brasil, a tarefa é confiada à Associação Nacional de Educação Católica (ANEC), organismo ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Fundada no ano de 2007, é fruto da incorporação da Associação Brasileira de Escolas Superiores Católicas

(ABESC) e da Associação Nacional de Mantenedoras de Escolas Católicas do Brasil (ANAMEC). A atuação da ANEC caracterizase dentro de três eixos principais: representação política e defesa dos interesses das associadas, assessoria às associadas e apoio na gestão das instituições. Abrange a Educação Básica, o Ensino Superior, as Mantenedoras e obras sociais. Ao todo, são praticamente 400 mantenedoras católicas associadas, cerca de 2 mil escolas, 90 instituições de Ensino Superior e 100 obras sociais. A ANEC está presente em todos os estados da Federação, representa 2,2 milhões de alunos e 100 mil professores e funcionários. No grande universo da Educação Católica no Brasil, está também a Rede de Colégios Murialdo. Fiel à missão do fundador de evangelizar pela educação, há duas décadas, quando centenas de colégios católicos fecharam, a mantenedora decidiu continuar suas atividades, qualificando e profissionalizando os serviços de suas escolas. O Planejamento Estratégico apontou a necessidade de mudanças significativas, sobretudo na gestão, no pedagógico e nos ambientes. Significativa foi também a renovação do seu Projeto Educativo, centrado na Pedagogia do Amor, que visa a Educação do Coração. Atendendo à demanda de acompanhar seus alunos no Ensino Superior, em 2012, a recém-criada Faculdade Murialdo iniciou suas atividades acadêmicas em Caxias do Sul. Evangelizar a partir do mundo da educação, ainda que seja tarefa nobre, ainda que se trate da arte de modelar o coração das novas gerações, ainda que exaltada em belos documentos, trata-se de um grande desafio porque, diferentemente de outros tempos, a educação católica atual navega em outros mares. Vivemos uma mudança de época. Neste contexto a Igreja é convidada a estar em estado de missão permanente, mostrando sua capacidade de promover e formar discípulos missionários de Jesus. Pe. Raimundo Pauletti

Diretor do Colégio Murialdo – Ana Rech (Caxias do Sul – RS) e Vice-diretor da Faculdade Murialdo

25


Foto: Arquivo Histórico

Centenário dos Josefinos de Murialdo no Brasil

CONHECENDO O ABRIGO DE MENORES ASSIS BRASIL DE RIO GRANDE - RS

N

a primeira fase da história de nossa Província (1915-1938) na faixa litorânea meridional do Rio Grande do sul, não se fundaram obras que pudessem fixar aí os Josefinos. Mas veja o que aconteceu: depois de termos deixado aquelas paragens e termos consolidado nossa permanência na região de Caxias do Sul, ainda se tentou voltar para Pelotas e Rio Grande; em Rio Grande, no bairro de Carreiros, foi assumida a direção do Abrigo de Menores Assis Brasil, situado perto da BR 116 e ao lado da estrada de ferro que vinha de Rio Grande. Não tínhamos a propriedade, mas só a direção. Era uma obra bem Josefina porque atendia meninos pobres de Rio Grande. Do ponto de vista de infraestrutura, como prédios, terrenos, era uma obra invejável. Eram várias construções de um único andar que serviam para dormitório, aulas, lazer... Por vários anos, os josefinos trabalharam naquela obra. Lembro em particular do Pe. Francisco Ivaldi, primeiro diretor, Fr. Valdomiro Tadiello, Pe. Luiz Bonetto, Fr. Dario Perondi, Fr. Rafael de Lorenzi, Ir. Arcângelo Razzadori, Pe. Claudino Roglio, Fr. Alberto Peccin. Também eu, que depois do noviciado fora mandado para Fazenda Souza para recompor minha saúde, fui enviado pelo Pe. João Schiavo, provincial, para esse Abrigo para substituir o Fr. Alberto Peccin, que tinha deixado a Congregação. Sou o único confrade sobrevivente daqueles tempos. Fiquei lá uns quatro meses, de setembro até o final do ano.

26


MARCAS DO QUE SE FOI Pe. Cornélio Dall’Alba

Esse Abrigo estava bem equipado Não podia faltar o campo de futebol; perto desse campo havia dunas de areia que o vento vinha empurrando, pois não estávamos muito longe do mar; essa areia era o pior tormento dessa região; quando ventava, vinha no rosto, nos olhos, entrava pelas casas, na comida... infestava tudo. Essa areia não vinha só dessas dunas, pois todo o terreno ocupado pelo abrigo tinha areia do mar. E o vento minuano, indomável, andava solto por aquelas planícies, chicoteando a gauchada com suas rajadas trazidas das regiões polares; por causa dele se inventaram tantos elementos que formam a tradição gaúcha: o fogo de chão, o poncho, o xeripá, o trago de canha para requentar o corpo... Também havia uma extensa lavoura ao lado desse abrigo; os meninos, cerca de 60, tinham missa de manhã e depois frequentavam a escola. Nas quinta-feira se fazia a feira dos produtos produzidos na horta do Abrigo; O Fr. José Perondi levantava às 4h30min. Junto com os alunos maiores, ia vender tudo na cidade; claro que esses alunos perdiam a aula naquele dia; os professores vinham de Rio Grande. Na propriedade do Abrigo, havia criação de vacas de leite, estrebaria. À tarde esses meninos tinham trabalho e recreação, que consistia no jogo de futebol e no banho no arroio Martins; o trabalho era varrer as casas e, sobretudo, cultivar a lavoura ao lado do pátio; cultivava-se especialmente a cebola de cabeça. Havia um empregado que ajudava, mas éramos nós, confrades já experientes porque criados na colônia, que juntos trabalhávamos no plantio, na capina e na colheita. Os canteiros eram retos e compridos. Era um local muito próprio para a cebola, arenoso, plano e adubado com adubo de peixe, fertilizante muito rico, mas que desprendia um tal cheiro de peixe em decomposição que... haja olfato. Mas era um ótimo adubo. Bem ao lado da ampla propriedade, na planície, passava o trem que vinha da cidade de Rio Grande e devia unir cidades e povoados daqueles pampas sulinos. Esse trem era o que nos trazia diariamente o pão e os demais mantimentos, assim como pessoas da diretoria, professores. Os superiores tinham uma casa menor, fazendo parte do conjunto das construções. A cozinheira era a dona Joconda Perondi, natural de Ana Rech; mais tarde se tornou Irmã Murialdina. Outra cozinheira foi a Catarina Dall’Alba, benfeitora de nossa Província. De tardezinha, rezava-se o terço caminhando no pátio. Depois, bênção do Santíssimo, janta, recreio e dormir. As pulgas deram muito trabalho naqueles dormitórios – conta o Dario Perondi... Além do futebol, esses meninos tinham outro lazer. Ali perto, mas fora da propriedade do Abrigo, havia um riacho de planície, o arroio Martins. Não era largo, mas era bastante fundo. Para nadar se escolheu um lugar onde o rio se alargava um pouco e era bastante fundo. Os meninos todos sabiam nadar, mergulhar como peixes. Eu mal e mal conseguia atravessar um lugar de poucos metros de largura. Estava aprendendo a nadar. Foi lá que numa dessas primeiras experiências de travessia desse pequeno espaço, quase me afoguei. Fui salvo pelo José Funchal, um dos alunos maiores do Abrigo... Esse arroio não era somente um balneário, mas era um rio fértil. A pesca melhor era a noturna, com uma lanterna de acetileno. Viam-se os peixes com toda a nitidez se movimen-

tando calmamente na água transparente; os peixes eram fisgados com um garfo bem afiado de cabo comprido. Com bastante facilidade, fazia-se uma pescada de modo que, antes da meia-noite, tínhamos fisgado uma boa quantidade desses peixes. A vida no Abrigo era estafante, mas tinha esse lazer, além dos banhos de mar, pois estávamos perto da praia do Cassino. Um pouco ao norte dessa praia, já na altura da cidade portuária de Rio Grande, havia os dois molhes paralelos, que formam um dique contra as ondas do mar e permitiam aos navios entrarem e saírem tranquilamente do porto. Desse Abrigo, os Josefinos se retiraram no final de fevereiro de 1956. E os últimos confrades que saíram foram o Fr. José Dario Perondi e o Pe. Luiz Bonetto, que vieram de avião da Varig até Porto Alegre. A nossa saída foi muito sentida e lamentada pelas pessoas que acompanhavam o trabalho que lá realizávamos. O motivo da saída, segundo se divulgou na época, era que não tínhamos a propriedade dessa obra, e já tivéramos a experiência amarga de nosso afastamento do Abrigo de Menores de Pelotas. No início do ano 2000, como Mestre de Noviços, tive oportunidade de rever esse Abrigo que continua ainda atendendo crianças carentes. Mas não era o mesmo, cheio de vida e de meninos e jovens como no tempo em que estávamos por lá. Algum prédio já tinha sido demolido; as crianças atendidas eram em menor número. Antes do fechamento do Abrigo de Menores Assis Brasil, fora fechado o Abrigo de Menores de Pelotas, outra obra bem Josefina que a diocese de Pelotas quis assumir e deu continuidade, ampliando muito as construções. O Ir. Ricieri Argenta, no livro “Josefinos no Brasil”, conta o início da história desse Abrigo. Quem o visita hoje se depara com uma construção muito grande, de mais andares. No pátio, há uma linda gruta e, na entrada da gruta, um túmulo; ali foi enterrado o Pe. Carminatti, italiano, que por vários anos dirigiu o Abrigo; certamente deixou muita saudade para os alunos que fizeram questão que ficasse sempre com eles no pátio do Abrigo. Numa oportunidade, alguns confrades fizeram uma viagem visitando esse saudoso Abrigo. O próprio bispo D. Antônio Zattera nos acolheu; tanto prezava essa obra que ali mesmo fizera sua residência; ele com seu carro, nos levou até a praia de Laranjeiras, que fica ali perto, ao longo da Lagoa dos Patos. Nesse local os meninos do Abrigo passavam uma temporada de férias. Anos mais tarde estive com os noviços visitando esse Abrigo e quem o estava dirigindo era um ex-confrade Josefino, José Mattei. Além dessas obras, outras também foram fechadas, como a paróquia de São Paulo Apóstolo, em Muriaé, Minas Gerais; a paróquia de Galópolis e Terceira Légua, na diocese de Caxias do Sul; o Colégio de Canela, cuja construção já estava iniciando. Estas obras foram fechadas por motivos vários: ora por decisão da Congregação, ora por decisão de outras instâncias superiores; é sempre um alerta para discernir com calma e prudência a abertura de novas casas; certamente tudo faz parte dos desígnios da Providência. Pe. Cornélio Dall’Alba

Diretor do Seminário São José de Orleans – SC e Animador Vocacional

27


Eu acredito no

V

ivemos num momento histórico de questionamentos acerca dos rumos que a sociedade brasileira está tomando frente aos desafios que lhe são apresentados. A juventude, por sua vez, revive momentos de mobilização social em prol de um país menos corrupto e mais comprometido com sua população. Entrando na segunda década do ano 2000, os adultos também questionam a condição do jovem no seu convívio social. Fala-se de uma geração marcada pela presença de drogas, desemprego juvenil, violência e criminalidade, abandono dos estudos, maioridade penal branda e, em especial, de como será o futuro desta geração por vezes criticada e marcada como uma geração sem valores. São Leonardo Murialdo cita num de seus escritos pessoais um desafio para todos. Segundo ele, independentemente do tempo em que se vive, devemos “valorizar a sabedoria do passado, mas sintonizar com o tempo atual.” Nesta perspectiva, o Instituto Leonardo Murialdo se inspira e oferece oportunidades aos jovens para que desenvolvam seu conhecimento e fortaleçam valores humanos capazes de provocar uma

28

“revolução de paz” em seu cotidiano. Sendo assim, se olharmos para os jovens e questionarmos sua vida e seu futuro, perceberemos que é preciso cultivar a capacidade de acreditar no seu protagonismo juvenil, n e c e s s á r i o pa r a m e l h o r a r a sociedade. Olhando para esta última década, podemos destacar dois “lemas” difundidos incessantemente em nosso cotidiano: sustentabilidade (em especial no que se refere ao meio ambiente) e protagonismo juvenil (ao tratarmos da presença da criança e do jovem no meio social adulto). Detenho-me a este último, mesmo sabendo que os dois se complementam. Erro de origem foi pensarmos que a nossa juventude desenvolveria um senso crítico e propositor do bem, repassando a ela a responsabilidade de propor os rumos sociais sem a presença educadora dos adultos. Quando entendemos que nós, ‘adultos’, precisávamos contribuir nesta construção cidadã, cometemos o segundo erro: tivemos a prepotência de achar que, se déssemos bons discursos ou as tradicionais “aulas de moral sobre como as coisas funcionavam no nosso tempo”, os jovens, como num toque de mágica, passariam a fazer deste mundo o lugar mais perfeito e bondoso já visto ou ouvido falar.

Murialdo leu os sinais do seu tempo e nos propôs o “agir e calar”. Entendo que muito mais do que humildade, Murialdo nos remete ao ser exemplo. Por que a juventude foi pra rua? Por que a criança e o adolescente, na maioria das vezes, prefere qualquer coisa antes de ter que estar numa sala de aula? Por que em nossas obras sociais uma das principais dificuldades apresentadas pelos educadores é a da agressividade juvenil? Ouso apresentar minha resposta: o exemplo adulto de como viver ou resolver os desafios que a vida apresenta não surtiram mais efeito ao perceberem que a teoria e a prática não condiziam. Precisamos compreender e internalizar o fato de que, ao sermos religiosos, educadores e ou colaboradores josefinos, nos tornamos líderes. Para o bem ou para o mal, nos tornamos referências. Recai sobre nossas frágeis vidas o fardo de termos que ser exemplo. Santos e profetas só o foram pelo seu exemplo de vida, muito mais do que pelas suas palavras. Se olharmos para as nossas leis, o artigo 4 do Estatuto da Criança e do Adolescente inicia assim: “É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar com absoluta prioridade a efetivação dos direitos...”. Em tudo vemos marcado


PONTO DE VISTA Fotos: Divulgação A&C

Joel Lovato

protagonismo dos jovens? o exemplo adulto frente às novas gerações. As crianças e os jovens de hoje são o resultado da geração dos que há pouco eram jovens. Quando apontamos desafios, temos o dever de propor alternativas. Muitos são os críticos, poucos são os promotores de oportunidades dignas. Se a criança e o jovem encontrar um terreno fértil, seguramente deles brotarão esperança e atitudes que marcarão a sociedade positivamente. Sempre que pessoas de bem deixam de oportunizar alternativas para quem mais precisa, pessoas de má índole tomam este espaço e fazem dos nossos jovens meros coadjuvantes de suas pretensões. Não queremos coadjuvantes, queremos protagonistas. Eu “ponho fé” que isto é possível? Eu “ponho fé” que eu posso ser exemplo de cidadão comprometido e ético em minhas relações sociais? Eu “ponho fé” que ser um colaborador nas escolas Murialdo, Obras Sociais e Paróquias é ser uma pessoa diferenciada socialmente pelo cultivo de uma espiritualidade promotora e humanizadora junto à nossa juventude? Eu “ponho fé” que adultos e jovens se completam e não são gerações rivais tentando cada um dizer ao outro que o que fazem é que é o certo?

Obras Sociais, paróquias e colégios inspirados em São Leonardo Murialdo são diferenciais de educação cristã humanizadora em todas as cidades e países que se fazem presentes. “Botamos fé” em nossa juventude sempre que proporcionamos alternativas para que ela seja protagonista: projetos pedagógicos que valorizem e desenvolvam

Crianças, adolescentes e jovens: nossa vida, nossa missão! as habilidades e competências de nossos educandos, espaços de vivência juvenil em nossas paróquias, projetos sociais que incentivem a descoberta profissional, a geração de renda e a melhoria das relações sociais em nossas comunidades de maneira geral. Em 1873, Murialdo fundou a Congregação de São José. Estamos em 2013 e esta iniciativa de fé e trabalho permanece. Permanece porque deu e dá exemplo positivo em nossa sociedade. Somos importantes

pelo que fazemos e pela espiritualidade que vivenciamos. Foi “fazendo o bem e fazendo-o bem” que muitas vidas foram salvas através das mãos de educadores, religiosos e colaboradores de Murialdo no mundo. Dentre outras coisas, quem vivencia a espiritualidade de Murialdo não deixa para os outros ou não se importa com a discussão sobre a Maioridade Penal, o entendimento das diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente, a compreensão do Estatuto das Juventude, a discussão sobre as políticas públicas para a infância e juventude das cidades, estados e países que nos fazemos presentes. Por que não deixamos esta tarefa somente para os outros? Porque somos protagonistas. Porque somos referência. Porque somos líderes. Porque saboreamos a espiritualidade de São Leonardo Murialdo e por isso não nos cansamos de “botar fé” nos jovens. Crianças, adolescentes e jovens: nossa vida, nossa missão! Joel Lovato

Educador Social e professor no Murialdo Porto Alegre

29


Com Licença! Licença. Com voz tranquila e

serenidade no olhar, milhões de brasileiros ouviram o pedido do Papa, em seu primeiro pronunciamento oficial em solo brasileiro, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, e admiraram-se. Um gesto que ficará marcado na memória de nosso povo. Mais do que educação, eis uma das tantas lições que o Santo Padre nos trouxe: peça licença antes de qualquer intervenção que fordes fazer. Peça permissão para partilhar do sentimento do outro, seja ele qual for. Peça permissão para posicionar-se com relação a algo que tem a ver com a vida de outrem, mesmo que você julgue estar muito certo. Em se tratando de relações humanas, talvez precisemos pedir mais licença e invadir menos o território alheio. Francisco pediu para entrar no nosso território e tinha como objetivo tocar o nosso coração. Parece-me que tocou não apenas o coração dos jovens como também do povo brasileiro. Não só obteve a licença pedida como também o carinho e o amor das pessoas, em um momento histórico do Brasil, marcado por insatisfações e protestos. Ele entrou... e por aqui, muitas lições deixou. Outro dia, ouvi uma frase a qual ficou na minha cabeça: “Ensinam a atirar e não ensinam a rezar”. Quem disse foi uma

30

pessoa muito especial, que trabalha em minha casa já há alguns anos e que, aos poucos, tornou-se parte da família. A frase foi dita em um momento em que falávamos de notícias amplamente divulgadas pela mídia, sobre crianças que têm acesso a armas de fogo, por incentivo de seus pró-

A nossa responsabilidade social passa necessariamente por aquilo que estamos fazendo enquanto pais, professores, sacerdotes, políticos, enfim, enquanto cristãos prios pais, e que hoje são suspeitas de cometer barbáries. Falo de uma pessoa muito simples, que não tem muito estudo, mas de uma espiritualidade fantástica. De que precisam nossas crianças e jovens? De armas ou de Deus? Recordo-me, neste momento, de uma fala da santidade, o Papa: “O nosso povo gosta do Evangelho quando é pregado com unção, quando o Evangelho chega ao seu dia a dia”. Estaria aí um dos segredos? No sentido religioso,

a unção é praticada como parte de um ritual com o intuito de exercer influência espiritual, por vezes com a finalidade de abençoar ou mesmo curar. Parece-me que tanto a fala da secretária lá de casa quanto a do Papa têm bastante em comum: a vivência da espiritualidade no cotidiano. Façamos isso: sejamos os mediadores entre Deus e as pessoas que convivem conosco. Para isso, não precisa ser religioso ou religiosa, importa que toquemos o coração de nossos filhos, de nossos alunos, de nossas crianças e jovens, de nossos amigos e de todos aqueles que convivem conosco. Mas como falar de Deus? O Papa Francisco pregou o Evangelho o tempo todo durante sua estadia no Brasil e nós adoramos... admiramos... nos encantamos! Isso mostra que nós gostamos de Deus e temos necessidade de vivermos nossa fé. Poderíamos dizer que o Papa ungiu a cada um de nós com óleo de bondade, humildade e generosidade. Um óleo que não ficou no discurso, na palavra, mas que escorreu e tocou nosso coração e nossa alma. Utilizemos a analogia da unção no cotidiano. Ensinemos nossas crianças a rezarem, a serem gratas a Deus por suas graças, a sentirem-se amadas por Deus e a compartilharem, mesmo que tenham


PONTO DE VISTA Débora Karine Stumpf Ferreira

pouco. Sejamos exemplo para os jovens que protestam, que reclamam, que questionam e que não se conformam facilmente. Falemos de Deus para crianças e jovens, com amor, ternura, respeito e simplicidade. Falemos de Deus por meio de nossas ATITUDES. Um homem qualquer aproxima-se do Papa e lhe entrega um solidéu. Francisco rapidamente retira o seu, entrega ao homem e coloca na cabeça o outro. Em meio à multidão, enxerga uma mulher na cadeira de rodas que parecia suplicar sua bênção. Pede licença para os seguranças e aproximase dela...ele vai ao seu encontro, emociona. Beija com ternura as crianças que lhe são confiadas, toma um chimarrão e sinaliza que está muito bom, visita a comunidade de Varginha e diz que “todos nós somos irmãos”, demonstrando alegria em estar ali. Carrega a própria bagagem e, para surpresa de muitos, disse que isso é normal. Assim é Francisco, simples e generoso. Em seu discurso aos jovens argentinos, pede que “façam barulho, mas também façam ouvir” e diz que “as paróquias, as escolas, as instituições são feitas para sair”. Sair? Sim, sair do altar e do gabinete para chegar. Chegar até o próximo, ir de encontro a quem mais precisa, levar a esperança onde não há. Conheço algo parecido:

Onde houver ódio Que eu leve o amor Onde houver ofensa Que eu leve o perdão Onde houver discórdia Que eu leve a união [...] Que eu seja INSTRUMENTO DE PAZ... oração de São Francisco de Assis. Atitudes de um Papa que quis ser Francisco. Dessa forma, o Evangelho ganha vida no dia a dia da gente. Levemos o que precisa ser levado. E, para finalizar, não esqueçamos da fala aos dirigentes brasileiros: “o segundo elemento que queria tocar é a responsabilidade social. Esta exige um certo tipo de paradigma cultural e, consequentemente, de política. Somos responsáveis pela formação de novas gerações, por ajudá-las a serem hábeis na economia e na política, e firmes nos valores éticos”. O futuro do nosso país e das próximas gerações dependerá do presente e de tudo aquilo que definimos hoje, enquanto valor. A nossa responsabilidade social passa necessariamente por aquilo que estamos fazendo enquanto pais, professores, sacerdotes, políticos, enfim, enquanto cristãos. A nossa responsabilidade social

passa necessariamente pela vivência da nossa fé e, por consequência, por todo o bem que somos capazes de fazer a partir dela. Cuidemos dos futuros políticos, economistas, médicos, professores, etc. Cuidemos deles com ciência e fé. Ou, como já disse o Papa, sejamos pastores “com o cheiro das ovelhas, em meio ao seu rebanho”. Façamos o que tem que ser feito dentro da nossa realidade e dentro das nossas possibilidades. Sejamos instrumentos de paz para o outro e, a exemplo de Francisco, marquemos com amor a vida das pessoas. Assim, nos faremos sempre presentes, ainda que espiritualmente. Ele já voltou para o Vaticano, no entanto suas lições permanecerão vivas em nossas mentes por muito tempo. Lições que se traduziram em gestos, atitudes, olhares e sorrisos. Parece-me que o Papa pediu licença, chegou de mansinho e fixou residência em nossos corações. Rezemos por ele, para que Deus lhe conceda saúde, ânimo e sabedoria para que possa continuar ungindo todos os cantos deste mundo com o óleo perfumado da vida e da esperança. Débora Karine Stumpf Ferreira Coordenadora pedagógica do Colégio Murialdo-Caxias do Sul

31


Deus bota Fé e

eu boto Fé!

Testemunhos de alguns jovens da Paróquia de São Jorge que participaram como voluntários da JMJ Rio2013: “Para mim, a JMJ foi um momento de muita alegria e principalmente esperança. Através do rosto daqueles jovens eu tive a certeza ainda maior de que a juventude tem força, que a juventude não está perdida. Foi uma oportunidade de encontrar amigos da mesma pastoral. Foi muito especial ver a fé de todos”. Thaís Viana Valecillo

"A experiência de encontrar milhões de jovens do mundo inteiro, que professam a mesma fé, é única. E é no encontro que nasce - ou renasce - o chamado e a missão de sermos missionários." Nathalia M. Bertolino

“Foi gratificante descobrir que temos jovens católicos de todo o país, fervorosos, com sede de sabedoria, fé, acolhendo os peregrinos de forma natural. O mais importante foi o espírito santo, que nos envolveu de forma única. Foi maravilhoso”!

“Na JMJ, me senti muito comovida, além, claro, das sábias e profundas palavras do Papa. Eu dormi em plena Avenida Atlântica, passei o maior frio e pude sentir o sofrimento dos moradores de rua. Pude sentir a dor do irmão. Isso mexeu comigo. E a unidade da Igreja também. Ver um lindo Pai Nosso em vária línguas e a Paz de Cristo também”. Ariana Roberta Beltrão

Assessora da Pastoral da Juventude

Mariléia Francisco Ministra da Eucaristia

32

Peregrina de São Paulo que ficou hospedada na Paróquia de São Jorge

Assessora da Pastoral da Juventude


PONTO DE VISTA Fotos: Divulgação A&C

Ana Paula Oliveira dos Santos

A beleza da fé católica celebrada durante a semana da JMJ atraiu muitos irmãos de outras religiões a buscarem a unidade com a Igreja e o Sucessor de Pedro A Jornada Mundial da Juventude também foi uma oportunidade ímpar para a promoção da unidade dos cristãos. Em meio aos 3,5 milhões de jovens que participaram da Missa de envio, no encerramento da Jornada, chamou a atenção um cartaz que dizia: “Sou evangélico, mas amo o Papa Francisco. Reze por nós. Tu és Pedro”. Para quem conhece o mínimo de doutrina, é fácil compreender a enormidade dessa declaração. Reconhecer Francisco como Pedro é confessar a unidade que está na rocha sobre a qual Cristo fundou sua Igreja una, santa, católica e apostólica. A presença de Francisco nas ruas do Brasil levou para fora das sacristias a realidade da Igreja Católica. Unido aos jovens do mundo todo, o Romano Pontífice peregrinou como Pedro, de porta em porta, para anunciar o Evangelho a todas as criaturas. Isso é significativo, pois exige das pessoas o rompimento com a passividade. Com efeito, da boca do Papa não precisou ecoar nenhum anátema ou juízo severo, mas simplesmente a verdade de sempre, ou seja, todos os artigos de fé que compõem o Corpo de Cristo. E isso atrai, pois a beleza do que é verdadeiro atrai! Esse poder de atração da Igreja já era lembrado pelo Papa Emérito Bento XVI. Durante sua homilia da Missa de abertura da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, em 2007, o Santo Padre afirmava: “A Igreja não faz proselitismo. Ela cresce muito mais por “atração”: como Cristo “atrai todos a si” com a força do seu amor, que culminou no sacrifício da Cruz, assim a Igreja cumpre a sua missão na

medida em que, associada a Cristo, cumpre a sua obra conformando-se em espírito e concretamente com a caridade do seu Senhor. A Jornada Mundial da Juventude, sem dúvida, deixou muitos desafios para nós católicos do mundo inteiro. Grandes foram as manifestações de atos de humildade do nosso querido Papa Francisco que, com amor, dedicação e com tamanho ato de fé, saiu pelas ruas da Cidade do Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa e ao mesmo tempo considerada como uma cidade violenta. Que paradoxo, não? Pois é! Aí está o nosso Papa que nos desafiou, dizendo com suas atitudes que é possível e preciso andar pelas periferias de nossa cidade e ir em busca daqueles irmãos carentes, irmãos afastados, descrentes, necessitados. Em busca dos mais pobres. Está aí o Nosso querido e amado Papa Francisco para nos ensinar que Deus realmente é maravilhoso e que continua acreditando no Ser humano, em sua capacidade de ir além das fronteiras para vivenciar junto com tantos outros a mesma Fé. Fé essa capaz de ultrapassar as barreiras linguísticas, que faz todos compreenderem por meio da linguagem do amor o que cada um comunica. Fé essa capaz de fazer o irmão, independente de sua crença, abrir suas portas para acolher o desconhecido. Aquele que vem ao nosso encontro para celebrar conosco a VIDA DA IGREJA CATÓLICA. Ana Paula Oliveira dos Santos

Voluntária da JMJ e paroquiana da Igreja São Jorge – Rio de Janeiro

Mensagem do Papa Francisco no Encontro com os voluntários da JMJ (RJ) "Sejam sempre generosos com Deus e com os demais. Não se perde nada, ao contrário, é grande a riqueza da vida que se recebe. Deus chama para escolhas definitivas. Ele tem um projeto para cada um: descobri-lo, responder à própria vocação significa caminhar na direção jubilosa de si mesmo. A todos Deus nos chama à santidade, a viver a sua vida, mas tem um caminho para cada um. Alguns são chamados a se santificar constituindo uma família através do sacramento do matrimônio. Há quem diga que hoje o casamento está 'fora de moda'; na cultura do provisório, do relativo, muitos pregam que o importante é 'curtir' o momento, que não vale a pena comprometer-se por toda a vida, fazer escolhas definitivas 'para sempre', uma vez que não se sabe o que reserva o amanhã. Em vista disso, eu peço a vocês que sejam revolucionários, que vão contra a corrente; sim, nisto peço que se rebelem; que se rebelem contra essa cultura do provisório que, no fundo, crê que vocês não são capazes de assumir responsabilidades, que não são capazes de amar a verdade. Eu tenho confiança em vocês, jovens, e rezo por vocês. Tenham a coragem de 'ir contra a corrente'.Tenham a coragem de ser felizes! Não tenham medo daquilo que Deus lhes pede! Vale a pena dizer 'sim' a Deus. N’Ele está a alegria! Queridos jovens, talvez alguns de vocês ainda não veja claramente o que fazer da sua vida. Peça isso ao Senhor; Ele lhe fará entender o caminho. Como fez o jovem Samuel, que ouviu dentro de si a voz insistente do Senhor que o chamava, e não entendia, não sabia o que dizer, mas, com a ajuda do sacerdote Eli, no final respondeu àquela voz: 'Senhor, fala que eu escuto'. Peçam vocês também a Jesus: Senhor, o que quereis que eu faça, que caminho devo seguir? O melhor caminho é a oração (O encontro pessoal com o próprio Jesus).”

33


NOTÍCIAS

Nos dias 02, 03 e 04 de agosto de 2013, na casa de retiros Pe. José de Anchieta, no Bairro São Conrado (RJ), aconteceu o Congresso Nacional da Associação Nacional dos Leigos Amigos de Murialdo (ANALAM). O evento reuniu leigos e religiosos de todos os núcleos da ANALAM, de norte a sul do Brasil, para, a partir do subsídio “Felicidade... muito além do horizonte”, aprofundar a respeito da missão da Associação, bem como avaliar e planejar a caminhada para o próximo triênio. Para 2013-2016, foram escolhidas as seguintes prioridades: definir estratégias para inserir mais pessoas, inclusive jovens, aos Leigos Amigos de Murialdo; melhorar e aprimorar os canais de comunicação entre os núcleos e destes com a Diretoria Nacional; consolidar a formação dos Leigos Amigos de Murialdo na mística e espiritualidade de São Leonardo Murialdo, fortalecendo os encontros locais e regionais. Carmelita Masiero Fontanella, de Araranguá (SC), foi eleita a presidente da ANALAM e Ibotirama (BA) foi o local escolhido para o próximo Congresso-Assembleia, que acontecerá em 2016, com o tema “Deixarse surpreender por Deus”.

Foto: Bernardete Chiesa

ANALAM realiza Congresso-Assembleia no Rio de Janeiro

No dia 10 de setembro, em São Paulo, aconteceu o Encontro da Equipe da Juventude da Província Brasileira, juntamente com o Conselho Provincial, sob assessoria do Pe. Jorge Boran, religioso Espiritano, do Centro de Capacitação da Juventude de SP. Em termos de Juventude na Província, deseja-se: a) Uma organização que promova processo de educação na fé. Eventos são importantes e necessários se inseridos nos processos de formação integral. b) Enquanto Josefinos de Murialdo, se quer um serviço qualificado junto à juventude. c) Promover o protagonismo juvenil a partir da experiência do Evangelho e) Definir 2014 como o Ano da Juventude na Província

Conselho Formativo da ANALAM se reúne no Recanto das Murialdinas

D. Celmo é nomeado Bispo de São Miguel de Sucumbios (Equador)

Superfície: 13.287 km População: 143.000 habitantes Católicos: 139.000 fiéis Sacerdotes: 30 Religiosos: 50 Diáconos permanentes: 7

D. Celmo substitui o bispo emérito, também de nossa congregação, D. Paulo Mietto. Desejamos que D. Celmo possa desempenhar sua nova e desafiadora missão com aquela serenidade, alegria e entusiasmo que sempre o caracterizaram.

34

Foto: Volga

No dia 21 de novembro, o Superior Geral dos Josefinos de Murialdo, Pe. Mario Aldegani, comunicou que a Santa Sé nomeou D. Celmo para o Vicariato Apostólico de São Miguel de Sucumbios (Equador), transferido do Vicariato Apostólico de Napo (Equador).

Foto: Divulgação A&C

Foto: Divulgação A&C

Equipe da Juventude se reúne com Pe. Jorge Boran

Nos dias 15, 16 e 17 de novembro, o Conselho Formativo da Associação Nacional dos Leigos Amigos de Murialdo - ANALAM se reuniu no Recanto das Irmãs Murialdinas, em Vila Oliva, Caxias do Sul (RS), com o intuito de conviver, rezar, avaliar e planejar a Formação da ANALAM. Participaram todos os membros do Conselho e suas famílias, Pe. Geraldo Boniatti e Ir. Maristela Galiotto (Religiosos que acompanham o grupo), a Presidente da ANALAM, Carmelita Masiero Fontanella, Pe. Antonio Lauri de Souza, Ir. Cecília Ferrazza, provinciais dos Josefinos e Murialdinas, respectivamente.


Superior Geral visita as comunidades brasileiras O Superior Geral da Congregação, Pe. Mário Aldegani, no período de 02 de outubro a 14 de novembro, visitou todas as Comunidades Josefinas do Brasil. Foi uma visita, como sempre, muito fraterna, em que conversou com os confrades e membros da Família de Murialdo, bem como visitou as Obras e dialogou com os atendidos. Pe. Mário, com seu estilo entusiasta, buscou animar a vida de Josefinos no Brasil a permanecer na esperança, a viver na alegria da consagração e missão, a testemunhar e divulgar o carisma do amor de Deus, de modo especial no meio dos jovens pobres.

Frater Iber Sompi Malú renova seus votos

Foto: Bernardete Chiesa

NOTÍCIAS

Foto: Divulgação A&C

Mês Murialdino será no Chile

No dia 25 de agosto, na Matriz Nossa Senhora de Caravaggio de Ana Rech, durante a celebração Eucarística, o confrade Iber Sompi Malú renovou a sua Consagração Religiosa na Congregação de São José - Josefinos de Murialdo. Parabenizamos o frater Iber, confrade da Vice-Província Africana - Guiné-Bissau. Para o cristão e, particularmente, para o religioso, toda a nação é a sua pátria e toda a cultura é amada e respeitada, pois é berço vivencial, ético e religioso do outro. Assim, se expressa um pouco o fato da Congregação dos Josefinos ser Internacional e Intercultural.

De 06 a 25 de janeiro de 2014, acontece, em Casa Punta de Tralca, no Chile, o Mês Murialdino. O evento é organizado em três semanas, com três temas: Carisma, Pastoral Educativa e Pastoral Juvenil, respectivamente. Da província Brasileira, participarão os padres Ricardo Testa, Marcio Benevides, Deivison Jossy Pereira, Ricardo Luz, Valber Almeida, Jucinei Vilpert e José Bispo de Souza. O Mês Murialdino é uma programação recomendada pelo Capítulo Geral e referendada para a América Latina na última Conferência Interprovincial em Roma.

Vinte e três religiosos dos Josefinos de Murialdo participaram da primeira edição do Retiro da Província 2013-2014, entre os dias 5 a 10 de outubro, no Seminário de Fazenda Souza. A orientação esteve a cargo do Padre Geral de nossa Congregação, Mário Aldegani. Pela manhã, o pregador propunha um tema de meditação e, à tarde, realizava uma conferência sobre temas da Congregação e da Igreja, seguida de partilha. À noite, os participantes puderam conhecer algumas Místicas Modernas, apresentadas em vídeo pela teóloga e professora Maria Clara Bingerman. Como síntese final, Pe. Mário convidou os religiosos – na esteira do papa Francisco – a viver as três posturas: 1ª - Conservar a esperança, não deixando que ninguém venha roubála, e manter uma visão positiva da realidade. 2ª - Deixar-se surpreender por Deus: ele sempre nos reserva o melhor. 3ª - Viver na alegria: o cristão e o religioso não podem ter cara de luto, sabedores de que são amados por Deus.

Foto: Divulgação A&C

Religiosos participam de Retiro da Província

35


NOTÍCIAS Pe. Durival Daros comemora Jubileu Sacerdotal Foto: Julio Rodrigues

Pesquisa busca conhecer o perfil das juventudes A Província Brasileira dos Josefinos de Murialdo, através da Equipe da Juventude, está realizando uma pesquisa para buscar dados reais sobre o perfil das juventudes onde tem a atuação Josefina. Entre as questões sugeridas estão: idade, escolaridade, mundo do trabalho e empregabilidade, cultura, religiosidade, religião, perspectiva vocacional, moral cristã, violência, política, entre outros. A partir das Deliberações do XXII Capítulo Geral, bem como da realidade, as comunidades também são convidadas a elencar pistas de ação e atividades para 2014.

No dia 30 de novembro, o religioso Josefino Pe. Durival Daros comemorou seus 25 anos de Ordenação Sacerdotal, em sua terra natal. A celebração de Ação de Graças aconteceu na Igreja Matriz Nossa Senhora Mãe dos Homens, em Araranguá (SC). O evento foi preparado com um tríduo vocacional. Pe. Durival Daros foi ordenado no dia 3 de dezembro de 1988. Atualmente é ecônomo do Centro Técnico Social Murialdo, em Caxias do Sul (RS).

Reunião dos Diretores, Ecônomos e Párocos Nos dias 3 e 4 de outubro, em Fazenda Souza, aconteceu o encontro com os diretores, ecônomos e párocos da Província Brasileira dos Josefinos de Murialdo. Na ocasião, todas as comunidades estiveram representadas O evento contou com a presença marcante do Superior Geral da Congregação dos Josefinos de Murialdo, Pe. Mário Aldegani. Ele abriu o evento com uma reflexão sobre o tema “Renovação da Consagração - Espiritualidade e Ação Carismática”, antecedida de entusiasta colocação sobre o momento eclesial favorável com o pontificado do Papa Francisco. Os confrades trouxeram importantes contribuições avaliativas e de programação para o próximo ano, a partir das seguintes questões: a) aspectos iluminantes da consagração josefina, vivenciados nas comunidades; b) projetos e ações “para e com os jovens pobres”, realizados nas comunidades” c) desafios e perspectivas para 2014; d) aportes ao Provincial e Conselho.

36

Também foram ricas a análise e a partilha de temas previamente escolhidos pelo Conselho Provincial, acrescidos, pela assembleia, de outros.


DICAS

Dica de Filme O Som do Coração Era uma vez um garoto chamado August Rush. Filho de um encontro casual entre Louis, um guitarrista de rock e Lyla, uma violoncelista clássica, ele cresceu em um orfanato com a determinação de um dia encontrar seus pais. Dono de um talento musical impressionante, August se apresenta nas ruas de Nova York sob o olhar atento de dezenas de pessoas e de Mago. Porém, mesmo se transformando num astro mirim da música, August continua certo de que o encontro com seus pais pode acontecer a qualquer hora.

Dica de Livro Como lidar com as preocupações - Sete passos para impedir que elas paralisem você (Robert L. Leahy, Artmed, 2007)

Este livro oferece ferramentas práticas e eficazes para reverter sua preocupação e transformar sua qualidade de vida. Oferece questionários de auto-avaliação que estreitam os domínios da preocupação pessoal, proporcionando-lhes um estímulo para promover mudanças de alteração de vida. Procedimentos passo a passo, fáceis de compreender, que objetivam vencer as preocupações, proporcionam ferramentas úteis, embasadas em pesquisa.

37


VOCÊ

SABIA?

Por que a caixa-preta dos aviões é laranja? Por que chama mais a atenção. Em caso de acidentes, a caixa-preta – que guarda os dados do voo – precisa ser rastreada em locais de difícil acesso, como o fundo do mar. Por isso, além de ser laranja, ela carrega duas tiras fosforescentes, que refletem a luz. A expressão caixapreta vem da década de 50, quando os circuitos eletrônicos do avião eram agrupados em compartimentos, mas o termo correto é Flight Data Recorder (em inglês, “gravador de dados do voo”). E o apelido pegou justo na única caixa que, por convenções mundiais, é obrigatoriamente da cor laranja. Feita com uma liga de titânio e resina, a caixa suporta temperaturas de até 1100º C.

Como são feitas as lentes para óculos de grau? Depende do material utilizado em sua fabricação. No caso dos modelos de vidro ou cristal, fatias grossas desses materiais são partidas por uma serra especial. Os pedaços são cortados em forma circular e aquecidos até ficarem maleáveis. Depois, são colocados num molde do tamanho e da curvatura que se deseja dar às lentes. Em seguida, as superfícies são lixadas com um composto formado de carbono e silício, ou com um esmeril áspero, para adquirirem o formato final. O polimento fino é feito com uma farinha abrasiva. Por último, as bordas são aparadas para centrar as lentes e dar-lhes o diâmetro correto. As variações na curvatura e na espessura determinam o grau das lentes.

Como os cactos respiram se não têm folhas? Simples: eles fazem isso pelo caule. Para sobreviver em regiões áridas, os cactos passaram por modificações curiosas. Uma delas foi transformar parte das folhas em espinhos para reduzir a perda de água. Ao contrário das folhas, os espinhos não respiram nem fazem fotossíntese. É no caule que estão localizados os estômatos, células que realizam as trocas gasosas e eliminam água em forma de vapor.

Quando inventaram o relógio, como acertaram as horas? O relógio de sol, primeira tecnologia da humanidade para marcar as horas, surgiu por volta de 2000 a.C. e era calibrado no nascer e no pôr do sol. Funcionava assim: erguia-se um obelisco, marcava-se no chão a posição da primeira sombra do dia e a última antes de anoitecer. Depois, dividia-se esse arco entre as marcas em 12 intervalos equidistantes: cada um era uma hora do dia. À noite, "perdia-se a hora". Novas tecnologias exigiram novas calibragens.

Como saber se uma fruta no mato é comestível? A melhor dica é observar o comportamento dos animais selvagens. O que eles consomem pode ser aproveitado pelo homem. Na dúvida, o melhor conselho é não arriscar. Algumas raízes, por exemplo, podem ser ingeridas sem problema quando cozidas, mas são venenosas quando cruas. Já certas frutas que são deliciosas quando maduras se transformam em um prato indigesto se colhidas antes do tempo.

38

Fonte: www.mundoestranho.com.br


A vista da janela

Dois homens, ambos gravemente doentes, estavam no mesmo quarto de hospital. Um deles podia sentar-se na sua cama durante uma hora, todas as tardes, para que os fluidos circulassem nos seus pulmões. A sua cama estava junto à única janela do quarto. O outro homem tinha de ficar sempre deitado de costas. Os homens conversavam horas a fio. Falavam das suas mulheres, famílias, das suas casas, dos seus empregos, dos seus aeromodelos, onde tinham passado as férias... E todas as tardes, quando o homem da cama perto da janela se sentava, passava o tempo a descrever ao seu companheiro de quarto todas as coisas que conseguia ver do lado de fora da janela. O homem da cama do lado começou a viver à espera desses períodos de uma hora, em que o seu mundo era alargado e animado por toda a atividade e cor do mundo do lado de fora. A janela dava para um parque com um lindo lago. Patos e cisnes chapinhavam na água enquanto as crianças brincavam com os seus barquinhos. Jovens namorados caminhavam de braços dados por entre as flores de todas as cores do arco-íris. Árvores velhas e enormes acariciavam a paisagem, e uma tênue vista da silhueta da cidade podia ser vislumbrada no horizonte. Enquanto o homem da cama perto da janela descrevia isto tudo com extraordinário pormenor, o homem no outro lado do quarto fechava os seus olhos e imaginava as

pitorescas cenas. Um dia, o homem perto da janela descreveu um desfile que passava: embora o outro não conseguisse ouvir a banda, conseguia vê-la e ouvi-la na sua mente, enquanto o outro a retratava através de palavras bastante descritivas. Dias e semanas passaram. Numa manhã, a enfermeira chegou ao quarto trazendo água para os seus banhos e encontrou o corpo sem vida do homem perto da janela, que tinha falecido calmamente enquanto dormia. Ela ficou muito triste e chamou os funcionários do hospital para que levassem o corpo. Logo que lhe pareceu apropriado, o outro homem perguntou se podia ser colocado na cama perto da janela. A enfermeira disse logo que sim e fez a troca. Depois de se certificar de que o homem estava bem instalado, a enfermeira deixou o quarto. Lentamente, e cheio de dores, o homem ergueu-se, apoiado no cotovelo, para contemplar o mundo lá fora. Fez um grande esforço e olhou para o lado de fora da janela que dava, afinal, para uma parede de tijolo! O homem perguntou à enfermeira o que teria feito com que o seu falecido companheiro de quarto lhe tivesse descrito coisas tão maravilhosas do lado de fora da janela. A enfermeira respondeu que o homem era cego e nem sequer conseguia ver a parede. Talvez quisesse apenas dar-lhe coragem... (Autor desconhecido)

39


JOSEFINOS DE MURIALDO:

Padres e Irmãos a serviço das crianças, dos adolescentes e dos jovens em obras sociais, colégios, paróquias e missões.

SERVIÇO DE ANIMAÇÃO VOCACIONAL

Rua Dante Marcucci, 5335 - Cx. P. 584 - Fazenda Souza - Caxias do Sul (RS) CEP: 95001.970 - Fone (54) 3267.1146 - www.josefinosdemurialdo.com.br


Agir e Calar | Junho de 2013