Issuu on Google+

CONGREGAÇÃO DE SÃO JOSÉ JOSEFINOS DE MURIALDO Ano XXXIX - Nº 2 Edição 106 - Dezembro de 2013 www.agirecalar.com.br


Entrevista

Pe. Aleixo Susin

Cotidiano

Centro de Aprendizagem Murialdo - Araranguá Projeto Bilioteca Amiga Ordenação Episcopal - Pe. Irineu Roman

Editorial Estimados leitores e leitoras! Acreditamos que vocês esperavam a chegada de Agir&Calar com um misto de alegria e ansiedade. Nós mais ainda! Sem conversar com vocês de vez em quando, o silêncio quase nos sufoca, pois as boas novas que temos a dizer nos impelem ir ao encontro de nossos amados leitores e leitoras. Aqui estamos. A presente edição permitirá que você conheça o Pe. Aleixo Susin, nosso simpático e bem-humorado confrade que passa horas a fio confessando e ouvindo as pessoas, na Paróquia São Paulo Apóstolo, de Guará I (DF). Deus continue abençoando-o, Pe. Aleixo. Ética é o tema de capa, aliás, bem atual e desafiador diante de um ano com muitos eventos importantes como eleições, de Copa do Mundo, entre outros. Paz, pedagogia do amor para trabalhar conflitos e muitas notícias que fazem parte do “ser e fazer” do jeito Murialdo você encontra da editoria “Cotidiano” até a “Notícias”. Lembro, com muita alegria e gratidão, que nossa pequena Congregação recebeu com surpresa um grande presente do Papa Francisco. Ele escolheu nosso confrade, Pe. Irineu Roman, hoje Dom Irineu, para o Episcopado. Seu lema: “Vim para Servir”! Ele será Bispo Auxiliar de Belém, no Pará. Conosco agradeçam, conosco engrandeçam o Senhor! Ah! Mais um pedido: Por favor, além de ler nosso Agir&Calar, solicitamos uma prece especial pelas vocações religiosas, sacerdotais e leigas da Família de Murialdo. O evangelista Matheus nos diz: “Jesus percorria todas as cidades e aldeias e ali ensinava em suas sinagogas, proclamando a Boa Nova do reino e curando toda doença e toda enfermidade. Vendo as multidões, tomou-se de compaixão por elas, porque estavam exaustas e prostradas como ovelhas sem pastor. Então diz aos seus discípulos: ‘A messe é abundante, mas os operários, pouco numerosos; pedi, pois, ao dono da messe que mande operários para a sua messe’.” (Mateus 9,35-38) Não é pedir demais, não é mesmo? Em JMJ Pe. Antonio Lauri de Souza - csj Provincial Revista da Província Brasileira Josefinos de Murialdo

Revisão Roberta Tomé

Ano XXXIX - Edição 106 - Número 2 Dezembro de 2013

Pré-impressão (CTP) e Impressão Gráfica Murialdo graficamurialdo@graficamurialdo.com.br Fone: (54) 3221.1422

Provincial Pe. Antônio Lauri de Souza Equipe Técnica Pe. Joacir Della Giustina Júlio César Rodrigues Bernardete Chiesa Jornalista Responsável Bernardete Chiesa - MTb 10187 Projeto Gráfico Júlio César Rodrigues Marco Rodrigues

Nosso Endereço Casa Provincial - Rua Hércules Galló, 515 Centro - 95020.330 - Caxias do Sul (RS) Fone: (54) 3221.4711 www.josefinosdemurialdo.com.br Atendimento ao Leitor atendimento@agirecalar.com.br

Formação

A paz esteja convosco Conversa com o Pe. Mario Aldegani

Capa

Ética: um salto para a promessa de felicidade

Ponto de Vista

Cálice Episcopal O coração do educador murialdino Crianças e adolescentes são esperanças? Educação do coração na mediação dos conflitos

Marcas do que se foi

Para cada tempo, uma resposta

Notícias

Religiosos renovam Votos Transferência do Noviciado Novos Párocos Primeiros Votos Exercícios espirituais Dez anos dos Josefinos em Fortaleza (CE) Encontro dos religiosos jovens no Chile Leigos Amigos de Murialdo FAMUR realiza curso de Qualificação

Dicas

Dica de Filme Dica de Livro

Curiosidades

Você Sabia?

Reflexão

Uma formiga me levou a orar

4

7 8 10

12 15

18

21 22 24 26

28

30 30 30 30 31 31 31 32 32

33 33

34

35

Tiragem 2.500 exemplares O conteúdo dos artigos publicados são de inteira responsabilidade de seus autores.

3


Foto: Pe. Sérgio Murilo

Aprendi a ser

instrumento vivo

da infinita bondade e

misericórdia de Deus

A presente edição do Agir&Calar apresenta a entrevista com o Pe. Aleixo Susin, religioso Josefino que muito se destaca pelo dom da escuta e orientação às pessoas. Colaborou na realização da entrevista, Pe. Sergio Murilo Severino. A&C: Conte-nos um pouco sobe sua vida familiar. Como foi sua infância? Com quantos anos saiu de casa? Pe. Aleixo: Nasci em Ana Rech aos 24/06/1927. Pais e irmãos maravilhosos. Minha infância: em casa, na matriz, no colégio. Aos 6 aninhos já era coroinha. A primeira vez foi na Bênção do Santíssimo Sacramento. Achei esplêndido. No final, o sacristão me pergunta: Você quer ser padre?

Agradeço a Deus pelo Dom da Escuta. Aprendi na Bíblia Escrita e na Bíblia da Vida

– Ah sim! Sim! – e corri para casa. – Mamãe! Quero ser padre! – Imagine a felicidade da mãe! No mesmo ano entrei no Colégio Murialdo. - Oh! Bendito e Santo Ir. Guerrini! Ótimo educador! Não apenas me alfabetizou, mas me colocou no coral da Paróquia e também no palco fazendo teatro. Aos 11 anos entrei na Cruzada Eucarística. E aos 13 anos entrei no

4

Seminário Josefino de Fazenda Souza recém-inaugurado! Que felicidade! A&C: Como surgiu a ideia de ser Josefino de Murialdo? Pe. Aleixo: Por todo o lado bustos e quadros do Murialdo. Mestres falando dele com tanto carinho. O ambiente todo Murialdino. Só podia me tornar Josefino de Murialdo!

A&C: A sua formação para a vida religiosa onde se deu? Qual fase foi mais marcante e por quê? Pe. Aleixo: Estudei filosofia em São Leopoldo – RS e Teologia na Universidade Gregoriana – Roma. Quanta gratidão devo aos Jesuítas! Mas a fase mais marcante foi em Fazenda Souza, como discípulo do Servo de Deus, Pe. João Schiavo, meu segundo pai, meu mestre de no noviciado, meu diretor espiritual, meu confidente. Quanta Saudade!


ENTREVISTA com Pe. Aleixo Susin

Foto: Dario Soares

A&C: Quais foram as maiores alegrias vividas como religioso Josefino? Pe. Aleixo: Minhas maiores alegrias? Foram como mestre de noviços, 9 anos, e mestre dos escolásticos, 3 anos. Procurei dar o melhor de mim mesmo. Sobretudo amor. Certamente houve lados negativos a deplorar. Naquele tempo o noviciado não só era tempo de formação, mas também de provação. O mestre devia testar o discípulo para ver se tinha vocação. A&C: Sabe-se que o senhor tem um grande carisma para acolher, escutar e orientar as pessoas. Em qual escola, onde o senhor aprendeu? Qual a maior lição de vida que o senhor leva a partir dos atendimentos e da acolhida das pessoas? Pe. Aleixo: Agradeço a Deus pelo Dom da Escuta. Aprendi na Bíblia Escrita e na Bíblia da Vida. Não só na Santa Missa, mas também, e sobretudo, nas confissões. Sinto-me “Alter Cristus”, um outro Cristo! Na Parábola do Filho Pródigo, identificome ora como o filho pródigo, ora como o filho mais velho; mas no confessionário ou na minha sala, sinto-me o PAI DOS DOIS. Aprendi que não devo ser juiz das consciências e sim INSTRUMENTO VIVO DA INFINITA BONDADE e MISERICÓRDIA DE DEUS. Todos me julgam um psicólogo. No entanto, não foi a universidade e sim o povo de Deus que me conferiu o título de psicólogo. E às pessoas que me julgam santo, respondo: – Sim, sou santo... quando estou dormindo, porque aí ninguém me incomoda. Só está faltando que o papa me coloque na GLÓRIA DE BERNINI! Meus pecados e defeitos? Só Deus sabe! A&C: Como o senhor foi parar em Brasília e permanecer na capital federal por tanto tempo?

Pe. Aleixo: No início de 1968 cheguei em Brasília de um modo estranho e não planejado. E foi aqui que “procurei a minha independência...”. Trabalhei 15 anos em Planaltina – DF, onde iniciei a famosa VIA-SACRA AO VIVO, que anualmente acontece no Morro da Capelinha, à tarde de Sexta-Feira Santa, com a participação de mais de cem mil pessoas, evento que está incluído no Roteiro Turístico do DF. E desde 1991 estou em Guará – DF. Sinto-me aqui muito bem com este

povo bom e acolhedor. Um confrade anda dizendo por aí que as duas obras que temos aqui no DF são frutos de pecado do Pe. Aleixo. Sim! Tem toda a razão! Só que desse pecado nunca me arrependi e nem mesmo me confessei. A&C: Corre na Província Brasileira a ideia de que o senhor coleciona fatos inéditos e hilariantes de confrades ou conhecidos. É verdade? O senhor pode contar algumas delas?

5


ENTREVISTA com Pe. Aleixo Susin

Pe. Aleixo: Sim! Tenho três volumes de piadas e fatos hilariantes. É uma verdadeira “RISOSTERAPIA”, rir é o melhor remédio. “EUTRAPELIA” é a virtude de fazer rir os outros sem ofender. Veja alguns flashes no final desta entrevista.

Aprendi que não devo ser juiz das consciências e sim instrumento vivo da infinita bondade e misericórdia de Deus.

A&C: Qual o seu maior sonho, sua maior utopia? Pe. Aleixo: Meu maior sonho, antes de partir, é de publicar, a pedido de amigos, dois livros: SEGREDO DE JESUS – Todos os que o praticam voltam para minha sala felizes, dizendo que reina muita paz lá em casa. AMOR, MARCA REGISTRADA, no intuito de ajudar namorados, noivos e casados a construírem um lar realmente abençoado por Deus, como o lar onde eu tive a Graça de nascer!

Flashes Cotidiano Pe. Aleixo: Pe. Sérgio, supondo que o espiritismo tenha razão, o que você seria na atual reincarnação? Pe. Sérgio: BUDA! Pe. Aleixo: É verdade! Com esse barrigão que você tem aí só pode ser Buda mesmo! No refeitório pergunto aos diversos confrades: - Qual o canto que vocês gostariam de ouvir na hora da morte? - Com minha Mãe estarei ... A montanha de Roberto Carlos ... etc. - E você, pe. José Perona? Pensou um pouquinho e cantando: - Ai! Ai! Ai! Ai! Ah! Está chegando a hora! ...

Foto: Divulgação A&C

A&C: Qual a sua opinião sobre o Papa Francisco?

Pe. Aleixo: Papa Francisco? Um PRESENTÃO que todos nós recebemos de Deus. Na minha sala, quando pergunto o que acham do novo Papa, um largo sorriso e... “é um carismático! Muito simpático. Simples! Humilde! Afável... um santo”!

Paróquia São Paulo Apóstolo: 23 anos de dedicação do Pe. Aleixo

6


Foto: Divulgação A&C

COTIDIANO

ARARANGUÁ - SC

Centro de Aprendizagem Murialdo: uma luz no caminho dos adolescentes Centro de Aprendizagem Murialdo vem beneficiando adolescentes com idades entre 14 e 18 anos por meio do curso de Formação Profissional, aproximando-os da conquista do primeiro emprego. Com o objetivo de ajudar os jovens a entrarem no mercado de trabalho, considerando as dificuldades de inserção e o aumento do desemprego na região, o CAM trabalha com ações educativas oportunizando, além do conhecimento

técnico, atividades vivenciais e valorativas que serão utilizadas no trabalho e na vida. O diferencial do CAM está no olhar dos educadores às necessidades dos adolescentes e isso é retribuído através do carinho e reconhecimento demonstrado ao longo do período de curso e fortalecido mesmo ao seu término. Os laços, os vínculos que foram formados se mantêm para sempre, demonstrando o quão relevantes fomos uns para os outros.

DEPOIMENTOS Para mim, é muito gratificante participar deste projeto que nos auxilia e nos passa tudo que é necessário. E também estar em uma empresa, que nos dá a oportunidade de crescer pessoalmente e profissionalmente. O que tenho a dizer para os que pretendem fazer parte do CAM é que procurem dar o melhor de si nas atividades desenvolvidas, pois vale muito a pena e traz vários ensinamentos.

LARISSA YASMIN STECANELLA MACIEL Durante um ano passei por um processo de aprendizagem para poder me capacitar para o mercado de trabalho. No CAM, fiz vários amigos e tenho a oportunidade de receber ensinamentos dos professores, que a cada aula trazem conteúdos de grande importância, tanto para nossa vida profissional quanto pessoal. Aconselho a todos que tiverem a oportunidade de participar do CAM; valorize-o, pois é de grande valia para seu futuro.

CAROLINI DA SILVA GONÇALVES

O curso foi fundamental, pois ele me preparou para o futuro. Gosto muito de estar aqui e aprender cada vez mais. Hoje trabalho, posso ajudar minha família e adquirir as coisas que sempre desejei. Tenho 16 anos e permaneço na empresa EXTRAMED, agora como profissional efetiva.

ALAN CÚSTÓDIO DE ARAÚJO

Depois que me formei no CAM, as meninas me chamaram para fazer parte desse projeto. Cursar o CAM foi muito bom porque me desenvolvi, aprendi a lidar com minha timidez, só tenho a agradecer a esse projeto. Tenho 17 anos, fui contratada pelo Colégio Murialdo como monitora das Séries Iniciais.

LARISSA SAMARA DE MELO JACOB

7


Projeto “Biblioteca A IBOTIRAMA – BA Centro de Apoio à Criança e ao Adolescente de Ibotirama – Salomão – “CACAIS” é uma instituição filantrópica, não governamental, com princípios cristãos, coordenados atualmente por religiosos da Congregação de São José; está localizado no Bairro São Francisco, em Ibotirama – (BA). O Centro, que iniciou suas atividades em 1995, vem contribuindo muito com o município de Ibotirama, no que diz respeito à promoção educacional e à qualidade de vida de crianças e adolescentes empobrecidas, que vivem em vulnerabilidade social. Apesar das crianças e dos adolescentes Ibotiramenses terem seus direitos assegurados nos marcos normativos do país, a realidade mostra que muitos ainda estão expostos a diversas formas de violação de direitos humanos. Portanto, com sua cidadania comprometida pelo silêncio e pela conivência de uma parte da sociedade, que ainda se omite. No que tange aos fenômenos de vulnerabilidade e risco em segmentos específicos, toma-se como ponto de partida o grupo sócio familiar e a diversidade de seus arranjos na contemporaneidade. No contexto onde as crianças e os adolescentes vivem, em termos de riscos e vulnerabilidade, a droga e a delinquência estão ali, ao seu lado. As figuras com as quais eles se identificam não têm índole e não possuem valores. A maioria das famílias é monoparental ou que tem um homem que, na maioria das vezes, é distante e, como referencial, quase nulo. Nesse contexto e preocupados com o êxodo dos adolescentes que completam 15 anos e são desligados do CACAIS, por não terem mais idade contemplada para o Projeto, estamos propondo a “Biblioteca Amiga”. Para implanta-lá, contamos com a contribuição da Secretaria Municipal de Educação, no custeio de profissionais, na doação de livros, material didático,

8

merenda, entre outros. Nossa instituição está iniciando o Projeto Biblioteca Amiga, porque acredita que ela é um caminho para desenvolver o gosto pela leitura, o aperfeiçoamento profissional e disseminar a cultura entre os cidadãos do município. Nesta, desenvolveremos trabalhos de Contação de Histórias, Oficina de Desenho Livre, Oficina de Artesanato, Escola de Informática , reforço escolar e Teatro (Turma da Leitura), também chamadas de “Oficinas Culturais e Específicas”. Todo trabalho é baseado nas teorias construtivistas, em que os atendidos começam a aprender a partir de suas próprias vivências, na busca pela melhoria da qualidade de vida, nas comunidades de baixa renda, pretendendo tirá-las da faixa de exclusão social. A Turma da Leitura é um grupo formado por adolescentes da comunidade e atendidos em nossa instituição. Esse grupo levará às escolas da rede pública o contato com os livros, fazendo encenações com textos de grandes escritores e declamações de poesia. Serão realizadas várias apresentações, e acreditamos no grande sucesso e na repercussão positiva. Serão tratadas questões como Cidadania, Sexualidade, Drogas, DSTs (AIDS), Família, Estatuto da Criança e Adolescente etc. Além desses pontos, será dada prioridade ao reforço escolar, através de aulas de língua portuguesa e matemática, enfatizando, principalmente, o acompanhamento da frequência e manutenção da média escolar e buscando conter a crescente evasão escolar.


Amiga”

COTIDIANO Sirlene Rodrigues Mourão

O projeto “Biblioteca Amiga” almeja fundamentalmente, um trabalho preventivo, tirando os adolescentes da situação de risco social, criando oportunidades para desenvolvimento pessoal, valorização da identidade, cidadania e autoestima, ajudando também na identificação de suas potencialidades. Num município carente de recursos e de políticas públicas que favoreçam nossas crianças e adolescentes, faz-se necessária a implantação de projetos socioculturais. A falta de bibliotecas é um dos principais motivos para o surgimento desse projeto. Desta forma, pretendemos desmistificar o ensino escolar formal, fazendo com que sejam facilitadas as pesquisas escolares. O projeto Biblioteca Amiga aposta na formação de crianças e adolescentes, para que possam, por seus próprios esforços, lutar por uma melhor qualidade de vida e conquistar sua cidadania. Sirlene Rodrigues Mourão

Coordenadora do CACAIS – Ibotirama (BA)

9


PAPA FRANCISCO NOMEIA PE. IRINEU ROMAN BISPO pequeno município de Vista Alegre do Prata, RS, parou para acompanhar a ordenação episcopal de um filho da terra, Pe. Irineu Roman. Por algumas horas, dia 19 de março de 2014, os 1500 habitantes acolheram outros tantos visitantes, vindos da região, de vários Estados do Brasil e também do exterior. Entre eles estavam 15 bispos, mais 60 sacerdotes, dezenas de religiosos e seminaristas. Da Itália, veio o Superior Geral da Congregação dos Josefinos de Murialdo da qual faz parte o novo bispo; dom Celmo Lazzari, do Equador; da Guiné Bissau (África), esteve presente Pe. Lídio Roman. Além de um bom número de confrades da Congregação dos Josefinos, participaram também dezenas de membros da Família de Murialdo. Dom Alberto Taveira, arcebispo da Arquidiocese de Belém, foi o celebrante principal da ordenação, ladeado por Dom Celmo Lazzari, bispo do Vicariato de Sucumbios, Equador, e Dom Alessandro Ruffinoni, bispo da diocese de Caxias do Sul. Além do arcebispo, do bispo auxiliar, do clero e de lideranças da arquidiocese de Belém, fez-se presente em bom número para acompanhar a ordenação episcopal de Dom

10

Irineu, que atuou naquela Igreja particular, desde 1999, como pároco e, por vários anos, Vigário Episcopal da Região São João Batista; e mais ainda porque será bispo auxiliar da referida arquidiocese. A comunidade local iniciou os preparativos para o grande evento ainda no dia 08 de janeiro de 2014, quando o Papa Francisco nomeou o Pe. Irineu Roman bispo Auxiliar para Arquidiocese de Belém, PA. O pároco, as lideranças da paróquia São José de Vista, a prefeitura municipal deramse as mãos para tornar o dia significativo inesquecível. A ordenação foi antecedida por um grande tríduo vocacional que envolveu escolas e comunidades da paróquia, sempre com a presença do ordenando, Pe. Irineu. Os meios de comunicação deram ampla cobertura, tanto na preparação, como no dia da ordenação. Mas quem é este jovem bispo, como foi seu chamado à vida religiosa e sacerdotal? Dom Irineu nasceu aos 10 dias de agosto de 1958. É o segundo dos sete filhos do casal Marcelino Roman e Idolvina Biasotto Roman. A mãe faleceu no ano de 1991, com apenas 56 anos, logo após a ordenação sacerdotal do

filho Irineu. Sobre a vocação, relata o novo bispo: “Posso afirmar que a vida de oração em família e comunidade, a vida de fraternidade, as boas amizades, como também a intensa participação nos grupos de família e comunidade foi a grande motivação para minha vocação”. Continua Irineu: “Os padres que exerceram o ministério na paróquia São José em Vista Alegre do Prata também incentivavam muito as vocações. A primeira missa do tio, Pe. Genuino Roman, foi de grande incentivo para minha vocação. O primeiro promotor vocacional dos Josefinos de Murialdo que teve contato com minha família foi o Pe. Bruno Barbieri. Este visitou a família e encontrou minha mãe a caminho do tanque de lavar roupas; o entusiasta promotor deu-lhe um santinho de Murialdo e ela trouxe a notícia para nossa casa. Com isso ela passou a incentivar, junto com o pai, a minha entrada no Seminário”. Com 15 anos ingressou no Seminário Josefino de Fazenda Souza, Caxias do Sul. Lá concluiu o Ensino Fundamental; Ensino Médio em Araranguá, SC; Filosofia em Caxias do Sul; Teologia na PUC, Porto Alegre.


COTIDIANO Fotos: Volga

Pe. Raimundo Pauletti

Seminário do Ensino Fundamental, Médio e vocações adultas; diretor e ecônomo de comunidade religiosa, vigário paroquial; e desde 1999, pároco da Paróquia Santa Edwiges, em Belém, PA. Em toda sua atividade pastoral, o novo bispo defendeu, incentivou e procurou formar a Igreja “em saída”, formadora de comunidade de discípulos missionários. Foi, e sempre será, um grande apoiador dos jovens, sendo para eles amigo, irmão e pai. No seu zelo e amor à Igreja, Dom Irineu é um evangelizador que contraiu o “cheiro de ovelha” (Papa Francisco, A alegria do Evangelho, 24). Diz Irineu: “Na Igreja sempre me senti chamado a servir e fazer a vontade de Deu. Isto me faz lembrar Mc 10,45: ´Vim para servir´. Este será meu lema nessa nova etapa de minha vida ministerial”.

Irineu emitiu os votos perpétuos na Congregação dos Josefinos de Murialdo em 1988 e, dia 1º de janeiro de 1990 foi ordenado sacerdote na sua terra natal. Como sacerdote, Irineu desempenhou várias funções: diretor de

Diante do pedido do papa: “Foi com profundo espírito de humildade e total doação de minha vida a Deus e à Igreja que aceitei este pedido do Santo Padre. Minha vida, minha história, minha consagração religiosa, pertencem a Deus para sempre. Desde já, desejo consagrar meu ministério sob o amparo e a proteção de Nossa Senhora, modelo de fé e vida cristã. A primeira lembrança que me veio à mente naquela hora decisiva foi o pensamento do fundador da minha congregação, “Estamos nas mãos de Deus e estamos em boas mãos”. A ordenação episcopal do Pe. Irineu Roman tem um significado especial para a Congregação de São José Josefinos de Murialdo, sobretudo para a Província Brasileira. Enquanto prepara a celebração do centenário (19152015) da presença de Murialdo no Brasil, lembrando a importância dos muitos e abnegados missionários italianos josefinos no sul do país, vive agora o processo inverso, ou seja, se antes recebia missionários, ultimamente, atendendo aos apelos da Igreja do Brasil, a província abriu várias frentes missionárias nas regiões norte e nordeste do Brasil, enviando também missionários brasileiros ad gentes. Esta nova “saída” missionária, além do incentivo vocacional, possibilitou a dilatação do carisma espiritual e apostólico de Murialdo e enriqueceu as igrejas locais nas periferias. Neste contexto de “província em saída” é que, nos últimos anos, foram nomeados os dois

primeiros bispos josefinos brasileiros, Dom Celmo Lazzari (2010) e agora Dom Irineu Roman. Ambos foram nomeados para evangelizar na sofrida Igreja que está na Amazônia. Este, em Belém, PA; aquele, no Vicariato do Napo, na Amazônia equatorial. Estes sinais revelam que a congregação está em perfeita sintonia com a Igreja. Dom Irineu Roman será apresentado oficialmente como bispo auxiliar na Arquidiocese de Belém, dia 06 de abril próximo. Pe. Raimundo Pauletti

Diretor do Colégio Murialdo de Ana Rech e Vice-Diretor da Faculdade Murialdo

São quatro as inspirações do Episcopado de D. Irineu, sustentadas pela cruz e anunciadas no lema “Vim para servir”. As chaves e a flor de Lis: do brasão da Família Roman, indicando que a família cristã é servidora da vida e da união com Deus. JMJ: do emblema da Congregação dos Josefinos de Murialdo, lembrando a íntima unidade da Família de Nazaré, modelo da espiritualidade do amor de Deus, da humildade e da caridade. O livro aberto: a Palavra de Deus é fonte e fundamento para o anúncio da fé, na evangelização, na liturgia e na total missão da Igreja. As mãos abertas: expressam a abertura ao serviço ministerial a Deus e aos irmãos, contidos no lema: “Vim para servir”.

11


A PAZ ESTEJA CONVOSCO Manchetes de guerra e de paz Para justificar a pertinência do tema escolhido pela Redação do Agir e Calar, escolhemos duas revistas de circulação nacional; acessamos dois renomados jornais online que, editorados, são nacionalmente lidos; consultamos um jornal local e outro de alcance de todo o estado do Rio Grande do Sul. Das revistas e dos jornais, selecionamos as manchetes que tinham por tema guerra, paz, conflitos internacionais e suas consequências, bem como sobre as diferentes formas de violência urbana no país, da corrupção ao tráfico e consumo de drogas; dos racismos à violência contra a mulher, violência nas manifestações populares no Brasil e no mundo e outras. Sem contar a repetição do tema do momento, aquele da anexação da Criméia, presente em todos estes veículos de comunicação. Contabilizamos nas Revistas dez notícias sobre violências e guerras no mundo e dez sobre violência urbana em nosso país; nos jornais, foram nove manchetes sobre conflitos mundiais e dez em nível nacional e local. Com semelhante pesquisa, poderíamos conduzir a reflexão para diferentes caminhos. Por exemplo, o título de uma era: “Crianças, antes e depois da guerra da Síria”. Poderia ser este um rico foco de reflexão. Outro asseverava que 85 famílias do mundo retêm 50% da riqueza do planeta. Desponta natural a relação entre paz e guerra, economia e justiça social. Assuntos atuais e carentes de projetos concretos que garantam mais vida e dignidade. Perdoe-nos, caro leitor e cara leitora, uma pequena mudança de rota. Em se falando de paz, pacificação, e de

12

suas antíteses, a guerra e violência, vamos dar um salto às cidades que serão sede da Copa do Mundo. Tomemos, por exemplo, o Rio de Janeiro. Não àquele da Copacabana ou da Barra da Tijuca, e sim o Rio dos morros e das favelas, com suas “pacificações” conduzidas pelo ronco dos tanques e os estampidos das bazucas e metralhadoras para criar UPCs a “ferro e fogo”. Isto é o que se denomina Pax Romana, uma ordem social e jurídica imposta a partir da força do poder. Nestes casos, uma ordem social para atender aos ditames da famigerada Copa do Mundo e aos inconfessados interesses da FIFA. É verdade que existe tráfico e consumo de drogas, é verdade que tem violência! Que políticas foram adotadas a médio e longo prazo? As coincidências destes atuais procedimentos são demais desavergonhadas. A Paz esteja nos morros e nas favelas! E com todos os seus moradores! O tema escolhido para discorrermos tem, portanto, incidência direta na vida das pessoas do planeta. Ao noticiar a guerra e a violência, além de informar, os meios de


FORMAÇÃO Pe. Antônio Lauri de Souza

comunicação apontam para o grande anseio da paz. Na medida em que narram os horrores dos conflitos de toda a ordem, deveriam levar o sonho da paz e de suas matrizes: a justiça social, a solidariedade e, numa palavra, o amor. Seria um grande pecado se, contrariamente, a divulgação conduzisse ao descaso e à indiferença.

Cultura da paz e otimismo sobre o ser humano Por todo o orbe a paz pede socorro, grita quase em desespero pelas vidas ceifadas impune e desapiedadamente. O que estaria passando com o homo sapiens do século XXI ao insultar a própria vida, a vida dos outros e do planeta? As manchetes, como vimos, anunciam os conflitos. Os líderes do mundo se movimentam em diálogos frutíferos ou fracassados, em provocações mútuas, desejosas de intimidar, colocando na vitrine o poder dos seus armamentos convencionais ou de maior sofisticação. Afirma-se que é possível o homem perder o controle, pelo menos de parte das consequências de algum formato de livre mercado, sendo que este se auto-organiza dentro de uma lógica construtiva ou destrutiva. O mesmo se diz da dinâmica da guerra com consequências imponderáveis. O homem tem capacidades quase ilimitadas de construir artefatos que simplificam tarefas, criam comodidades e, facilitam a vida e também pode se ocupar na criação de instrumentos de destruição e morte. Por exemplo, a energia atômica tem este duplo potencial. Depende da livre escolha para o seu uso. Porém, o coração humano, de todos os tempos, raças, culturas e latitudes geográficas, aspirara pela paz. A paz esteja na vida de todos os povos! E no coração de cada homem e de cada mulher! É consenso dizer que os projetos para a paz internacional não se sustentam sem que os seres humanos, como pessoas individuais, adquiram uma mentalidade que aprecie e trabalhe pela paz. Isto é verdade, mas não é total garantia sem a criação ou implementação de estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais nos estados nacionais, hoje com restrito poder, e no contexto das nações. Para perseguirmos a paz é, portanto, necessário abandonar o belicoso existente em nós, transferido às organizações onde atuamos e criar um equilíbrio harmônico consigo, com os demais e com a natureza. A cultura de paz virá com a implantação de um projeto ético, global, fazendo nascer uma nova civilização, a tão sonhada civilização do amor, onde,

por ela, a paz será uma forma criativa de construir a história. Observa-se o perpassar ainda de um forte pessimismo sobre o ser humano. É esta uma atitude que não combina com a aspiração da paz e de nossa própria origem. Por que fomos criados por Deus se Ele próprio não acreditava na sua criatura? Sim, no uso de sua liberdade e limite a criatura pode se rebelar contra o Criador e criar culturas violentas, por considerar os outros como infra-humanos por questões de raça, sexo ou crença. Porém, necessitamos reconstruir constantemente um “creio” no homem e na mulher, em que o fundamental seja o respeito à dignidade original do outro e a confiança no humano. É o que se designa “otimismo antropológico”. Também, porque Deus criou criaturas, que valiam a pena, mesmo apesar dos riscos; somos devedores de um natural “otimismo teológico”.

Os cristãos e a paz Herdamos da cultura hebraica a perspectiva da paz não simplesmente com ausência de guerra. O shalom nos “oferece uma noção de totalidade, plenitude ou bem estar integral que alcance todos os âmbitos da vida humana pessoal, social e política” (Dicionário do Pensamento Contemporâneo). A paz é vivenciada com harmonia consigo, com os outros, com Deus e com a natureza. Jesus proclama: “bem aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8). Estes são os de reta intenção e que não agem com propósitos enganosos. Disse também: “bem-aventurados os promotores da paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9 ). Posteriormente ele foi explicitando o que isto significa na prática diária dos discípulos de todos os tempos: amor aos inimigos (Mt 5,43-47), reconciliação (Mt,5,21-25); servir os pequenos (Mt 18,1-5) tolerância ao diferente (Lc 9,53-55) solidariedade (Lc 10,25-37), não ser escravos do dinheiro (Lc 16, 13). Em suma, é todo o Evangelho que indica o caminho da paz, porque coloca no centro a pessoa, em caminho de reconciliação, tendo Jesus como Mestre e Senhor a ser seguido. “A paz proposta por Jesus consiste em vencer por dentro a lógica interna da violência, caracterizada pela destruição”. Dito de outra forma, o projeto do Reinado de Deus, tema central do Evangelho de Jesus, é uma proposta de paz. Portanto, a presença e o governo de Deus são a garantia da paz. Jesus é a nossa paz. “A minha paz vos deixo, a minha paz vos dou. Não como o mundo a dᔠ(Jo 14,27). Deus é o fundamento da paz, porque Deus é amor.

13


Algumas iluminações da Igreja sobre a paz

A expressão de João Paulo II, acima citada, poderia ser a conclusão de nossa reflexão. Desejamos, todavia, encerrá-la convidando os leitores e leitoras a estenderem as mãos e desejarem a paz uns aos outros como verdadeiros pacifistas ao modo de Jesus e de alguns inconformados de nosso tempo como Gandhi, Martin Luther King, Helder Câmara e milhares de outros. A propósito da busca da paz por meios pacíficos, assim disse Gandhi: “A não violência (não violência ativa, diríamos hoje) é o mais inofensivo e mais eficaz para fazer valer os direitos políticos e econômicos de todos aqueles que se acham explorados”. Toda esta plêiade de homens e de mulheres, de ontem e de hoje foram e são pacifistas “caros”, isto é, não “baratos” porque de piedosos desejos e de considerações em cima dos muros, descompromissados. No dizer do filósofo cristão Mounier, o “caro” pacifismo “repousa em sentimentos fortes e se enquadra no compromisso. A paz é combate, ou seja, combate pacífico, atitude de rebeldia e denúncia frente à injustiça e aos injustos, mediante gestos proféticos”. A paz esteja convosco! Estamos comprometidos com ela! Pe. Antônio Lauri de Souza

Provincial dos Josefinos de Murialdo – Caxias do Sul (RS)

Foto: Reuters

O Papa Paulo VI, na Encíclica O Progresso dos Povos, de 1967, afirmou “A paz não se reduz a uma ausência de guerra, fruto de um equilíbrio sempre precário de forças. A paz se constrói dia a dia, prosseguindo aquela ordem querida por Deus que leva consigo uma justiça mais perfeita entre os homens” ( PP 76). A condição para a paz aqui preconizada é a justiça. João Paulo II, sobre Preocupação Social da Igreja (Sollicitude rei socialis), de 1987, afirma no número 39 “... a solidariedade que nós propomos é caminho para a paz e, ao mesmo tempo, para o desenvolvimento. Com efeito, a paz do mundo é inconcebível se não se chegar, por parte dos responsáveis, ao reconhecimento de que a interdependência exige por si mesma a superação da política dos blocos, a renúncia a todas as formas de imperialismo econômico, militar ou político, e a transformação da recíproca desconfiança em colaboração. Esta última, precisamente, é o procedimento próprio da solidariedade entre os indivíduos e entre as nações. A meta da paz, tão desejada por todos, será certamente alcançada com a realização da justiça social e internacional; mas contar-se-á também com a prática das virtudes que favorecem a convivência e nos ensinam a viver unidos, a fim de, unidos, construirmos dando e recebendo, uma sociedade nova e um mundo melhor”.

Conclusão

100.000 pessoas se reuniram na cidade do Vaticano, na vigília pela paz da Síria

14


FORMAÇÃO

“A qualidade humana das relações se mantém viva na pessoa de fé” Iniciemos nossa conversa com o Superior Geral dos Josefinos de Murialdo, Pe. Mário Aldegani, falando sobre o Papa Francisco. Como o senhor está lendo as palavras-gestos de Francisco? Como estão reagindo os religiosos e o povo em geral? Pe. Mário: Penso que a chegada do Papa Francisco é um dom do Espirito à Igreja e ao mundo. Ele é como um “furacão”; já escreveu muitas encíclicas, não com palavras, mas com os seus gestos proféticos. A primeira encíclica foi a celebração na Quinta Feira-Santa num cárcere juvenil e não na Basílica de São Pedro ou de São João. Ele disse: “Irmãos, hoje eu só poderia ficar aqui com vocês, como um pai com os seus filhos e mais como irmão com os seus irmãos, mais queridos”. O mesmo nome que Ele escolheu não é só um nome. É um projeto de Igreja pobre para os pobres, simples, evangélica. Uma Igreja onde os pastores devem ter “o cheiro de ovelhas”, quer dizer que andam no meio do povo. Pelo que vejo, o povo está totalmente encantado com o jeito de ser do novo Papa. Um modo realmente “novo”. Acredito que o seu exemplo está desafiando os religiosos e os demais ministros da Igreja a viver com simplicidade voluntária e sobriedade partilhada, perto do povo a quem devemos servir, animar e orientar na fé. Francisco assume a Igreja Católica em tempo de crise. E não só de crise interna, mas em tempo de grave crise global. Em suas análises sobre a mesma, o senhor chamou em causa a questão educacional, afirmando o “desaparecimento do projeto educativo”. Acreditamos que isto esteja inserido na chamada “emergência educativa”. O que significa este desaparecimento e o que tem a ver com a nossa missão eminentemente educativa? Pe. Mário: Eu penso que o ponto fundamental da emergência educativa consiste na queda do sentido vocacional da vida. Isso quer dizer que a gente pensa na vida como propriedade particular, não como dom, e procura viver a vida não como um projeto e sim um produto de consumo. Sem dúvidas, em termos gerais, as necessidades mais sentidas pelos jovens de hoje e que atravessam todas as culturas são, entre outras, a precariedade do sentido da vida, a falta de uma cultura vocacional, relações mais significativas de

comunhão e de unidade. Na juventude, crescem as relações virtuais quase preferidas às reais. O uso das tecnologias da informação e da comunicação oferecem imensas oportunidades, não obstante os limites e as interrogações sobre o presente e o futuro das novas gerações. Vemos com preocupação o agravar-se da pobreza que, em nível mundial, afeta, sobretudo, os jovens. E o lado belo que também sempre existe no coração dos jovens? Pe. Mário: É verdade que nós como Josefinos, com alegria, constatamos as imensas capacidades de vida que se aninham no coração dos jovens de hoje; ao nosso redor muitos amadurecem humana e cristãmente a sua vocação no meio de uma sociedade que os desafia. Enche-nos de esperança descobrir neles os reflexos da bondade de Deus. A beleza do coração do jovem e principalmente do jovem pobre, vai além da aparência estética. É preciso outros óculos para perceber o invisível... Pe. Mário: É pelos óculos da fé e fundados no mistério de Deus encarnado que descobrimos nos jovens pobres a pessoa de Jesus Cristo, presente e vivo no meio de seu povo. Eles são o lugar teológico da sua revelação entre nós e profecia de Deus. Quando o Espírito Santo nos mobiliza e transforma, então vemos neles o rosto do Senhor e podemos discernir a sua palavra profética. São Leonardo nos convida a “olhar ao nosso redor para perceber os jovens que vagueiam pelas ruas e pelas praças” (cfr. S. Leonardo Murialdo, Scritti, IX, p. 153). Como os Josefinos reconhecemos nos jovens que educamos o mesmo Jesus Cristo, menino e adolescente, e somos companheiros de São José no seu ministério de ótimo educador. Padre Reffo nos oferece um ícone iluminador: O “bom pastor” defende e conhece individualmente as suas ovelhas, deixa-se conhecer e amar, tratando familiarmente os seus jovens; dá bom exemplo, oferece uma boa refeição (evangeliza) e está disposto a fazer por elas qualquer sacrifício (cfr. Eugenio Reffo, Il fine della Pia Societá Torinese di San Giuseppe, Pinerolo, 1961, p. 124).

15


Aqui, no Brasil, a “Pedagogia do amor e a educação do coração” cada vez mais vêm se tornando nossa marca e estilo pedagógico. O que pensa disso? Pe. Mário: De fato, vivemos a “pedagogia do amor” e a “educação do coração” como características da nossa identidade. Na tradição educativa da congregação, valorizamos o encontro pessoal, a cordialidade simples e respeitosa, a paciência, a doçura e a bondade como atitudes fundamentais e características. Buscamos o modo de transformar os jovens em protagonistas de seu futuro, valorizando as suas capacidades pessoais (cfr. Seminário Pedagógico de Buenos Aires, 2008, e Fórum Pastoral de Londrina, 2009). Pe. Mário, a expressão Nova Evangelização já vem de longa data. Não envelheceu porque vem se renovando e, como disse João Paulo II, com novo ardor, novos métodos e nova expressão. O senhor foi eleito para participar com direito à voz e ao voto no Sínodo sobre a Evangelização, que ocorreu em Roma, em outubro de 2012. Agir&Calar gostaria de ter uma síntese, a viva voz sobre a sua intervenção naquele evento de tamanha magnitude. Pode ser? Pe. Mário: A minha intervenção só durou cinco minutos: essa era a regra para todos! Eu falei da importância das relações humanas no processo da evangelização. A ação da evangelização situase dentro de uma prática de relações humanas. A qualidade e a profundidade das relações são normalmente subestimadas na evangelização ou pensadas em ótica instrumental para conseguir a acolhida da boa notícia.

na pessoa de fé pela consciência de que o coração e a carne de cada homem e de cada mulher carregam a imagen de Deus e a imagen da salvação em Cristo. Isto abre à escuta, a deixar-se alcançar pelos dons do outro, a saber receber, a pensar que Deus vem encontrálo na novidade que vem do outro; ao mesmo tempo, abre a se fazer responsável pelo outro a ponto de fazer com que o outro compartilhe o dom do Evangelho. Quer dizer que é tão grande o envolvimento, a abertura amorosa ao outro e a responsabilidade por ele que não se pode deixar de, explícitamente, oferecer também o conteúdo escrito do Evangelho de Jesus, uma vez que o evangelho vivenciado já se manifestou no trato interpessoal, comunitário e na sociedade? Pe. Mário, e a crise contemporânea interfere no caminho da evangelização? Pe. Mário: Sim, existe uma crise de confiança que atravessa tantos, âmbitos da vida contemporânea e é ainda crise educativa. É também verdade, talvez, que a mesma crise de confiança atravessa também os âmbitos eclesiais e as práticas de evangelização. A evangelização, na realidade, necessita de um espaço de confiança, de uma rede de relações marcadas pela esperança. A ação de Deus, primeiro educador de todo o homem, necesita de confiança; mais ainda, a confiança é o sinal de que Ele já está atuando. Trata-se, mais radicalmente, de que o humano habite na verdade a partir das mesmas fontes da revelação e da redenção que carrega dentro de si. Uma tal inspiração e habitação significam uma presença profética sobre o sentido e a verdade do humano.

A evangelização, na realidade, necessita de um espaço de confiança, de uma rede de relações marcadas pela esperança

Quer dizer, então, que o estabelecimento de relações humanas e relações fraternas já é evangelização e não simplesmente estratégia para atingi-la? Pe. Mário: Sim, viver verdadeiramente uma relação humana significa deixar-se alcançar pelo chamado inscrito na própria vida; é um chamado a compartilhar, a caminar juntos, a acolher, a responsabilizar-se, a sentir que o que se possui pertence também ao outro e é um presente para todos. A qualidade humana das relações se mantém viva

Pe. Mário Aldegani com membros da equipe do Agir&Calar

16

Para os Josefinos e para a Família de Murialdo, a sempre nova evangelização se dá na atuação apostólica do carisma. A partir do ícone capitular “Filho, teu pai e eu, angustiados, te procurávamos” ( Lc 2,48 ), o senhor convidou-nos a meditar, em Fazenda Souza, sobre o Carisma Apostólico. O senhor poderia repetir o que propôs como estilo e ação? A sua proposta está dirigida aos educadores consagrados, mas, sem dúvida, o que o senhor disse serve e toca o coração de todo o educador. Pe. Mário: As palavras de Maria, que foram o ícone do nosso Capítulo Geral 2012, abrem uma brecha para conhecer o coração de José e sua responsabilidade para com Jesus e, talvez, para indicar formas de empenho educativo para nós, filhos de São José, nos desafios educacionais e nos problemas dos jovens de hoje. Como família de educadores consagrados, também nós ‘procuremos o filho’. O empenho de educar consiste no seguinte: que cada jovem seja ajudado a descobrir a sua dignidade de filho no Filho, a sua vocação terrena e eterna. O compromisso de educar é reconhecer, em cada criança e jovem, o rosto do


FORMAÇÃO Filho, e portanto, ter respeito pela sua liberdade e confiança em suas potencialidades: mas também tratar cada criança e jovem como filho, manifestando em nosso modo de ser e de agir a atitude do Pai de que fala Jesus no Evangelho. Como família de consagrados também nós ‘procuremos o filho’. Murialdo foi procurar os pobres! Também nós somos chamados a buscá-los e estar junto a eles, nas dificuldades em que vivem todos os dias, com o perigo de serem abandonados, instrumentalizados ou explorados. Busquemos cada “filho” que se perdeu neste tempo confuso: nascemos e fomos consagrados para essa missão! Busquemo-lo “aflitos”, angustiados, com o pesar de quem assumiu realmente como sua a dor do outro; procuremo-lo com a “compaixão” evangélica. Como uma família de consagrados, também nós “procuremos o filho”. "Seu Pai e eu" ... busquemo-lo juntos, como grupo de educadores na Família de Murialdo e junto com a sua família de origem, porque a reconstrução das “alianças educativas” é um dos mais importantes desafios da emergência educativa. Como família de educadores consagrados, também nós “procuremos o filho”. Busquemo-lo junto com São José: ele é nosso patrono e modelo. Serve-nos de exemplo o seu silêncio, que, porém, é presença. A presença silenciosa de São José diante do filho, manifesta a sua plena responsabilidade, a sua total fidelidade e dedicação. Manifesta, outrossim, a coerência plena entre a palavra e a vida, sumamente necessária ao educador. Indica a necessidade de abandonar qualquer pretensão de protagonismo ou dominação sobre a vida do outro: a responsabilidade consiste em ajudar a iluminar o caminho da obediência filial e, em seguida, saber pôr-se de lado, para que a vida do filho possa florescer livremente. Como família de educadores consagrados, também nós

“procuremos o filho”. Enfim e, sobretudo, através do empenho e a paixão educativa, busquemos o filho que está dentro de nós, o filho que também nós somos. Educar significa deixar-se educar, sentindo-se constantemente em caminho; gerar-nos e deixar-nos gerar cada dia como novas criaturas, todos juntos, filhos no Filho. Pe. Mário, somos muito agradecidos por este batepapo e, desta forma, falamos também com os amigos de Agir e Calar. Por favor, alguma consideração a mais para a nossa Província e para os nossos leitores? Pe. Mário: Queria deixar-lhes os três pensamentos que o Papa Francisco levou aos brasileiros na Missa que celebrou na Igreja de Aparecida: eles resumem muito bem a minha maneira de pensar e o nosso jeito de ser Josefinos na tarefa da educação: “conservar a esperança, deixar-se surpreender por Deus, viver na alegria”. Felicidades para todos!

17


que está acontecendo com o mundo? um mundo em transformação: transformações tecnológicas, ambientais, filosóficas, psicológicas, econômicas e religiosas; e também conservação de registros genéticos e herdados. Há uma avalanche de novidades, mas o ser humano está cada vez mais distante, mais isolado e fechado em si mesmo, mais egoísta, infeliz e violento. As expectativas geradas pelas promessas do mundo pósmoderno deixou o homem em crise, mais distante de seu criador e de seus semelhantes. Há uma crise ética e uma crise da ética. A crise ética é ausência de cumprimento de normas morais; a crise da ética é ausência de clareza racional sobre a identidade dos princípios morais a sustentar. A crise ética depende em boa parcela da crise da ética, ou seja, da perplexidade em que estamos imersos atualmente. A crise ética e a crise da ética permeiam a vida moderna, atingindo a família, as escolas, os costumes, a mídia, as conquistas tecnológicas e, principalmente, as atividades políticas. Na perspectiva política, por exemplo, é o que estamos constatando mais de perto no Brasil, nesse emaranhado vai-evem de denúncias, acusações e defesas, mentidos e desmentidos, com CPIs, Conselho de Ética da Câmara, etc.

Crise ética – Crise da ética Entendemos que a crise ética existente é grandemente influenciada pelo capitalismo, por seu processo de coisificação e mercantilização dos seres humanos e das relações humanas Marilena Chauí ilustra bem esses tempos de transitoriedade das relações humanas: "O pós-modernismo faz a opção pela contingência. E, com ela, opta pelo fragmentado, efêmero, volátil, fugaz, pelo acidental e descentrado, pelo presente sem passado e sem futuro, pelos micropoderes, microdesejos, microtextos, pelos signos sem significados, pelas imagens sem referentes, numa palavra, pela indeterminação que se torna, assim, a definição

18

e o modo da liberdade”1. Há uma crise. A verdade passa a ser relativizada, assim como a convivência familiar perde espaço para os instrumentos tecnológicos (ex.: televisão e internet). As pessoas passam a assimilar conceitos e pensamentos preestabelecidos e massificados, sem a adequada meditação. Artistas e indivíduos ligados à mídia são mitificados e idolatrados. As relações humanas são marcadas pela intolerância às diferenças, e a sociedade se torna imediatista, pois as pessoas dão mais valor para os bens perecíveis ou de pouca duração (ex.: drogas, álcool, culto ao corpo etc.). No plano das relações econômicas, a relativização da ética, oriunda principalmente dos efeitos causados pelo capitalismo, estabeleceu a mercantilização dos prazeres (ex.: sexual, diversão e outros), assim como também as coisas e as pessoas passaram a ser mensuradas pelo que elas valem materialmente. Nas relações políticas, percebe-se uma desideologização dos partidos políticos e o fortalecimento da imagem dos políticos, ao invés de se valorizar as ideias e os planos partidários. Os candidatos a cargos públicos deixam para o plano secundário a discussão ideológica, dando preferência ao engrandecimento de suas próprias “virtudes”, como, por exemplo, a sua honestidade, credibilidade, inteligência e carisma. Por fim, no aspecto das relações jurídico-sociais, a crise ética trouxe consigo a corrupção no serviço público; o uso da “máquina” pública para atender a interesses pessoais e políticos; o enfraquecimento do sistema judicial e legislativo, gerando a sensação de impunidade; o uso da educação como instrumento político, não existindo um interesse de fato na sua melhoria. Tudo é relativizado em uma cultura na qual o consumo, o prazer e o interesse econômico predominam sobre as relações humanas. Há um destaque à liquidez, à superficialidade e à indiferença. José Trasferetti (2006) cita o filósofo Manfredo Oliveira, que aponta uma crise de sentido que afeta, hoje, a estrutura humana. Trata-se de uma crise séria e complexa, envolvendo mudanças


CAPA

Foto: Pe. Joacir Della Giustina

Pe. Carlos Alberto Wessler

profundas que norteiam as ações sociais dos indivíduos. As pessoas estão ficando cada vez mais isoladas, caminhando sozinhas em busca de autorrealização, prazeres que nunca são atendidos e uma felicidade consumista que nunca é totalmente alcançada. Dessa forma, a sociedade organiza o processo de produção e sua vida social em torno de uma ética individualista, não correspondendo a uma vida socializada2.

Causas da violência na pós-modernidade Para o sociólogo Wiewiorka, diferentemente da modernidade, em que a violência encontrava-se no conflito, na pós-modernidade a violência localiza-se na crise. Podemos afirmar que o conflito tem um telos e seu propósito é, em termos hegelianos, chegar a uma síntese. Por outro lado, a crise traz a dimensão do caos, a desordem e nos remete à ideia de imprevisibilidade ou insegurança. Com relação ao sentimento de insegurança, Michaud revela: “Ele corresponde à crença, fundada ou não, de que tudo pode acontecer, de que devemos esperar tudo, ou ainda de que não podemos mais ter certeza de nada nos comportamentos cotidianos”3. Para se compreender a violência de nossa sociedade e da sociedade contemporânea, é desejável que se identifiquem as características que a distinguem de outras épocas. Tal análise deve levar em consideração os aspectos biológicos, psicológicos, sociais, econômicos, religiosos, históricos, políticos, culturais. Cresce a filosofia do “tudo vale e tudo pode”, tornando ambíguo o conceito de integração social. A discriminação de limites entre os mundos individual e coletivo, público e privado está cada vez mais difícil. O excesso de estímulos e a perda das referências internas e externas levam o indivíduo a estados de dissociação, fragmentação e sentimentos de perda do controle da realidade. É a adrenalina que prevalece4. Crescem a ineficácia das instituições públicas, a corrupção e o peculato, os privilégios das minorias, a impunidade dos poderosos, os impostos abusivos e o mau uso do dinheiro público.

São fatores que geram revolta e intensificam a agressividade da população. Essa violência é descarregada no cotidiano e atinge quem não tem culpa. Outra contribuição da sociedade contemporânea para o aumento da agressividade é o consumismo. Uma sociedade que inventa e alimenta desejos impossíveis é uma fonte constante de frustrações que, como sabemos, intensificam os sentimentos hostis. A injustiça gera ódio; a impunidade e a descrença nas instituições estimulam o sujeito a buscar justiça por conta própria.

Cenários que retratam a Crise da Ética5: 1. Reality shows: espelham os ideais éticos contemporâneos. 2. Big Brother Brasil: intrigas, paixões e polêmicas (que ressaltam os instintos incontrolados do “eu”). 3. Acorrentados: um rapaz acorrentado a seis moças por 24 horas (que buscam os extremos do “eu”). 4. Erotização: sodomização coletiva. 5. Incerteza no campo político, social e econômico. 6. Textos de autoajuda: indicam o desespero humano em busca de socorro. 7. Paixão e impulsos internos como paradigma ético irresistível. 8. Sociedade de gratificação imediata. A insegurança reduz a capacidade de antever e de planejar o futuro da vida. As consequências da gratificação imediata são: a) a alteração da concepção de história; b) a perda do referencial e significado da vida; c) a inversão dos polos da esperança escatológica para a imanência do paraíso aqui e agora (paradise now); d) a sociedade deixa de ser um lugar de vivência simbólica da transmissão do infinito – você está sozinho;

19


CAPA Pe. Carlos Alberto Wessler

e) contração do ego e da geografia pessoal: o mundo válido é o da própria pessoa; f) perda das relações tradicionais de comunidade. 9. Precariedade das posses: as pessoas estão sendo adestradas a olhar o mundo como um grande contêiner cheio de objetos à disposição, objetos para usar e jogar fora. O mundo inteiro, inclusive os outros seres humanos. 10. Precariedade dos relacionamentos: compromisso do tipo “até que a morte os separe” transformam-se em contratos do tipo “enquanto a satisfação durar”, contratos temporários por definição e intenção. 11. Depreciação do outro para ascensão própria: um funcionário que espalha boatos negativos sobre o colega para subir na carreira. Facilmente a lógica maquiavélica de que os fins justificam os meios prevalece. 12. Precariedade das Escolas: elas perderam a originalidade de ensinar a pensar, deixaram de ser lugar de crítica social. Transformaram-se em “lugar aberto”, onde circula toda espécie de violência, em continuidade com a sociedade. Miniatura dos reality shows e cenário do movimentar infinito de “feed de notícias”, mensagens, toques, sites, fotos, que se captam nos iphones, celulares e similares, mesmo durante as aulas, sem que o professor se dê conta6.

Várias faces da violência no mundo pós-moderno7: 1. Violência ligada à ideia de força, potência natural. 2. Como transgressão das normas definidas socialmente, que são dinâmicas e se alteram com o tempo. 3. Como declínio de uma instância coletiva, institucional, em detrimento do crescimento da perspectiva individual. 4. Violência como a negação da diferença. O não reconhecimento do outro como pessoa.

propagação de ilusões privadas que jogam com a natureza errática do desejo humano. 7. Violência classe média, fomentada por pais superprotetores; ausência de limites; atenção e cuidado com o outro. 8. Violência dos preços estratosféricos dos artigos de luxo de um consumo.

A religião é um mecanismo essencial para a alteração de comportamentos, para a transmissão e assimilação de valores 9. Violência nas relações familiares (confusão de papéis; perda da autoridade; desestruturação...). 10. Violência da competitividade: nas organizações educacionais, a grande competitividade coloca as pessoas em batalhas sem fim, disputando fatias de mercado, disputando posições de destaque dentro das instituições e fora delas. Na busca desenfreada por reconhecimento, manutenção do “status”, prestígio, lucratividade e poder, muitas vezes, a ética é deixada de lado. É a guerra da sobrevivência patrocinada pelo mercado. 11. Aliciamento de Jovens: no dia 06/02/1014, o jovem Caio Silva de Souza participou de uma manifestação no Rio de Janeiro na qual foi aliciado para soltar fogos, rojões e como consequência acabou matando um jornalista da Band. O mesmo afirmou que recebeu R$ 150,00 da organização do evento e que o objetivo dele de estar ali era para complementar o seu salário, pois trabalhava nos serviços gerais de um hospital8. Diversas: Furtos, tráfico de drogas, tráfico humano, clonagem, assassinatos, porte de armas, trabalho escravo, prostituição, racismo, aborto, terrorismo, poluição.

• Resgate da razão com a cordialidade e a afetividade, porque quando o ser humano se envolve afetivamente começa a repensar suas atitudes. • Cuidado, já que tudo o que cuidamos dura bastante tempo, e sana as feridas existentes e previne feridas futuras. • Cooperação, diferente da lógica da economia e de mercado que é a competição. • Responsabilidade. A religião é um mecanismo essencial para a alteração de comportamentos, para a transmissão e assimilação de valores, uma vez que pode estar presente em todos os espaços da vida, públicos e privados. Daí que, mesmo formalmente, muitos estados tenham se tornado laicos no decorrer desse processo moderno; essa separação da religião é muito mais formal do que efetiva. O evangelizador ético não faz apologia ao fanatismo religioso, pelo contrário, é esclarecido e prudente. Busca ser assertivo e conhecedor da Palavra de Deus e da palavra do magistério da Igreja; por isso, não demoniza o mundo, nem condena com severidade as pessoas, antes quer usufruir do remédio da misericórdia e contribuir com sua fala religiosa na construção de um mundo melhor. Há uma chave de solução da crise que se encontra no evangelho: conversão pessoal e social segundo os critérios éticos dos ensinamentos de Cristo sobre o amor a fraternidade, a solidariedade e a liberdade, a justiça e a paz. Esses ensinamentos Ele anunciou e viveu. Pe. Carlos Alberto Wessler

Diretor da Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (EPESMEL) – PR

1 BITTAR, E. C. B. Curso de ética jurídica: ética geral e profissional. 2. ed. atual. e ampl. São Paulo: Saraiva, 2004. 2 TRASFERETTI, J. Ética e responsabilidade social. Campinas, SP: Editora Alínea, 2006. p. 93-94 3 MICHAUD, Yves. Violência. São Paulo: Ática, 2001, p. 13

5. Violência como o consumismo exagerado que desumaniza e empobrece culturalmente a pessoa humana.

O que fazer diante da Crise Ética?

6. Violência como enfraquecimento da capacidade de transcendência. O indivíduo não tem mais os olhos voltados para o alto, para a transcendência, para a edificação coletiva de um mundo cheio de sonhos e utopias, mas, ao contrário, está muito preso às suas necessidades, à

Investir em educação, com ênfase em 8 pilares fundamentais: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver, aprender a ser, aprender a discernir a vontade de Deus, aprender a amar, aprender a ser lúcido e aprender a cuidar da terra9.

20

Segundo Leonardo Boff, são necessários quatro princípios fundamentais para fundar a nova ética que recupere e preserve a Terra e a vida no planeta10:

4 LEVISKY, Léo David. Adolescência: reflexões psicanalíticas. 2ª. ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1998 5 REGA, Lourenço Stelio - A Crise ética no mundo contemporâneo 6 LIBÂNIO, João Batista – A Arte de Formar-se – Coleção FAJE – Edições Loyola, 6ª edição, SP, 2012 – pg. 36,37 7 ROSÁRIO, Ângela Buciano NETO, Fuad Kyrillos MOREIRA, Jacqueline de Oliveira (organizadores) - Faces da violência na contemporaneidade : sociedade e clínica / EdUEMG 2011 8 http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/02/miseravelcaio-recebia-dinheiro-para-ir-protestos-no-rio-diz-advogado.html 9 João Batista Libânio – A Arte de Formar-se – Coleção FAJE – Edições Loyola, 6ª edição, SP, 2012 – pg. 28,29 10 http://www.ecodesenvolvimento.org/noticias/para-leonardoboff-mundo-vive-crise-de-etica


PONTO DE VISTA Pe. Harry Yung

CÁLICE EPISCOPAL A Dom Irineu Roman, por ocasião de sua Ordenação Episcopal, Londrina (PR), 10 de Março de 2014

A Vista Alegre do Prata descobriu uma nova prata: um seu filho episcopado. Feliz família Roman!, Já o nome diz que é de Roma, deu padres e irmãos à igreja. Festeja agora orgulhosa o sacerdócio supremo de Dom Irineu Roman. Vista alegre, encantadora, tu é um mazzolin di Fiori. Um buquê de riso e festa, onde o encanto e a saúde de mãos abertas eu vi!

O arado da agricultura transformou a terra em prata. O arado de Jesus Cristo não deixou que a vossa fé fosse olhando para trás. Nos sulcos do mesmo arado, semeastes também o céu. Desta leva de imigrantes, ferro e sangue de pioneiros, cimentou-se o cidadão. Cada filho desta terra, benfeitor da nossa pátria. Essa fé, Dom Irineu, tu a bebeste desde o berço. Os Pai-nossos se ajoelhavam. As rosas de Ave-Maria perfumavam os teus lábios para a mãe de Caravaggio.

Gordas matas, generosas deram pães aos milharais. Pedras, urzes, espinheiros, ante o brilho das enxadas, humilharam-se aos trigais. As parreiras bebem vinho. Seus pomares, frutos de ouro, saboreiam maçãs do Éden. Turismo, comércio, indústria ritmam hinos do progresso.

Por teus dedos, cachos de uva, teu cálice episcopal bebe o vinho-sangue-Deus. Na patena da tua alma, alçarás, em ofertório, como hóstia, pão da vida, tua arquidiocese de Belém.

Radicci, polenta d'oro formaggio, brodo, agnolini! O nonna, mi dia ancora um piatto di questra gola, che è um piatto di nostalgia!

Que a virgem de Nazaré te estenda a sua corda, feito um laço de ternura! Enlaçado a esta corda posas mais de atar a ela,

e amarrar a Arquidiocese, repuxando-a para os céus! Também para ver o Peso da fé que os fiéis lá pesam. Verás então que a balança do Reino de Jesus Cristo pesa mais com as boas obras. Que o Círio de Nazaré ilumine as tuas noites quando órfãs das estrelas! Tua bênção seja um sol! Saboroso o pastoreio, como doces, saborosas as castanhas do Pará! Seja firme o teu arado, sulcando almas para o céu! Contigo também semeiam nas vinhas de Nazaré: Murialdo - teu pai, amigo. São José - teu protetor. Teus irmãos - os Josefinos. És prata, Dom Irineu, da Vista Alegre do Prata, para prata de Belém. Pe. Harry Jung

Religioso Josefino, autor de vários livros de poesia

21


O coração Em junho de 2012, o Jornal Zero Hora nos apresentou uma realidade dura e comovente. A jornalista Letícia Duarte, numa brilhante reportagem chamada “Filho da Rua”, trouxe a história de Felipe, um garoto que desde os cinco anos perambulava pelas ruas da cidade. A triste mistura de omissão do Estado, pobreza, desestrutura familiar, esmola e falta de horizontes para o futuro deram à luz um novo menino de rua, Felipe, que antes era filho de Maria, agora é filho de ninguém. Segundo a reportagem, apenas naquele mês, foram encontradas outras 440 crianças vivendo nas ruas de Porto Alegre. Hoje, por volta dos doze anos, Felipe aprendeu a viver longe da família, mas perto do crime e do crack. As perspectivas não são as melhores: fora da escola e da família, Felipe parece não ser capaz de ver o mundo de outra forma, a não ser a vida nas ruas, como mendigo, como usuário de drogas, como infrator. Cinco vezes internado, Felipe ainda não conseguiu se livrar do vício muito menos sair deste estilo bizarro de vida.

É maldito o trabalho que esmaga a vida em botão e quebra a juventude em flor. É maldito aquele trabalho que produz riqueza criando miséria, que dá alma à máquina e a tira do homem 22

Não é preciso muito para chegar a esta conclusão: existem muitas crianças fora da rede de proteção. O mínimo de percepção já nos permite enxergar esta realidade que grita por aí. O que realmente nos desafia não se trata mais de tentar descobrir de quem é a culpa ou onde está o erro, trata-se de descobrir uma resposta praticável para esta situação. O abandono de crianças e adolescentes é diretamente proporcional às estatísticas de criminalidade de uma sociedade. Como educadores, nossa tarefa nesta etapa é imprescindível. Somos formadores da sociedade que nos espera no futuro. Somos direta e indiretamente responsáveis pelos futuros profissionais – ou pelos futuros criminosos – que um dia estarão à nossa frente. Na mesma proporção em que carinho, cuidado e proteção educam a criança para uma vida honesta e equilibrada, esmola, violência e abandono promovem a vida do crime e do tráfico. “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, já dizia Saint-Exupéry em seu famoso livro O Pequeno Príncipe. A resposta para este problema, talvez, esteja contida num modo muito nosso de educar. O educador Murialdino, à luz de seu modelo de pedagogia – Leonardo Murialdo, aventura-se na grande seara da educação como solução. Para não corrermos o risco de tirar os pés do


PONTO DE VISTA Fr. Victor Abreu Ribeiro

do educador murialdino chão e flutuar sobre a utopia do não realizado, é importante que cada educador conheça bem a missão de Murialdo, ou seja, a missão de todos nós. Murialdo foi um padre católico que nasceu e viveu nos meados do séc. XIX, na cidade de Turim, que, como toda a Itália, sofria profundas transformações econômicas e tecnológicas provocadas pelo período das Revoluções industriais. Naquele tempo, talvez em maiores proporções, também havia crianças pelas ruas, baixa escolaridade, trabalho infantil escravo. A sociedade, sem leis trabalhistas delimitadas, permitia longas jornadas de trabalho e dispunha de uma frágil estrutura de apoio aos trabalhadores. E as crianças, assim como idosos e gestantes, não escapavam desta lógica. As crianças eram facilmente inseridas nas indústrias de produção de bens, sem sequer saber a razão. A sociedade parecia não ter tempo de pensar nos mais jovens. Foi neste contexto que Murialdo, à luz da fé cristã, começou a desenvolver suas atividades. Concentrou-se no atendimento aos adolescentes da periferia: aqueles que passavam o dia nas ruas, que não frequentavam as escolas, e aqueles que já estavam envolvidos na ótica do trabalho desenfreado, que enriquecia poucos com o trabalho de muitos. Conta-se que Murialdo frequentemente era visto tocando uma sineta pela cidade em busca de crianças que cresciam perambulando perigosa e ociosamente pelas ruas. Murialdo também promoveu oratórios, casas de formação profissional – dentre estas a casa dos Artigianelli, ou seja, a casa dos pequenos artesãos, – bibliotecas circulantes, uniões de operários, entre outras ações. Sua presença era, de modo geral, voltada à ocupação daqueles que ninguém se importava. Como já é percebido, a situação não mudou muito desde então. Muito do que Murialdo percebeu naquela época vem sendo tragicamente repetido até os dias de hoje. A história ainda parece ser a mesma: crianças e adolescentes numa

realidade injusta e perigosa de abandono. O desafio de Murialdo também se repete. Como educadores, estamos num mundo onde o trabalho virou negócio rentável, e a palavra da vez é o “empreendedorismo”, ainda que à custa dos outros. Estamos envoltos numa realidade que parece reduzir o valor supremo da vida do ser humano ao mero valor comercial. Nossas crianças são bombardeadas por valores invertidos todos os dias: o acesso à tecnologia parece ser superior ao acesso à educação e à saúde; a busca por bens materiais tem se tornado

O amor às crianças menos favorecidas é o elemento primordial que preenche o coração do educador Murialdino prioridade; a família, a igreja e a escola tendem a cair em descrédito na construção de valores, substituídos de imediato pela experiência midiática oferecida pela TV e pela internet. Nossos pequenos não conseguem se defender contra esta invasão de desejos implantados pela propaganda do “sempre compre mais”. É em desacordo com esta dura realidade que nos tornamos educadores verdadeiramente Murialdinos. Nossa prioridade deve ser a ocupação saudável – prévia e pedagogicamente estudada – de nossas crianças. Educar o coração é precisamente isto: educar para a vida, para a liberdade responsável, para a solidariedade e partilha de dons, para uma sociedade mais justa, igualitária e feliz. Ao aceitar educar o coração, o educador Murialdino se torna responsável não só por praticar, mas também por transmitir os valores a que Murialdo se dedicou por toda a sua vida. O educador Murialdino é responsável pelo

cultivo da sensibilidade e da conscientização social, afinal, somos todos iguais. Quem sabe assim encontramos a essência verdadeira do cristianismo. Segundo o Papa Francisco, em um de seus últimos discursos, os cristãos atuais correm o risco de se tornarem uma igreja sem fecundidade, uma igreja parada: “porque [o cristão] perdeu a coragem de ir às periferias, onde tantas pessoas são vítimas da mundanidade, da idolatria, de pensamentos débeis… tantas coisas”. O “Ser” do educador Murialdino fundamenta-se numa pedagogia de profundidade: não basta ensinar, transmitir conteúdos, motivar para a carreira acadêmica. É preciso educar para a alteridade, para a liberdade da partilha. É preciso confrontar a realidade de nossas crianças e jovens diante de um mundo com tantas dificuldades. A pedagogia Murialdina, ao educar o coração, deve transformar o jovem não só num cidadão consciente e bem preparado, mas num cidadão que ama, que se importa com os pequenos e não favorecidos. É claro que para isso temos de ser, como Murialdo, muito generosos. Voltando a mencionar o menino de rua Felipe, cuja história triste ainda nos toca e faz refletir, é possível afirmar que, infelizmente, não passaram muitos educadores generosos na vida de Felipe. Infelizmente, não foi dada a ele a chance de repartir e de receber. Duramente, Felipe, entre muitos outros, sofre as consequências de uma sociedade omissa que não lhe ofereceu bons educadores, educadores Murialdinos. Murialdo, portanto, nos entrega um convite especial, porém desafiador: devemos rever nossa maneira de educar. O amor às crianças menos favorecidas é o elemento primordial que preenche o coração do educador Murialdino. Fr. Victor Abreu Ribeiro

Religioso Josefino, agente de Pastoral Escolar – Porto Alegre (RS)

23


Nossas crianças, nossos adolescentes e jovens são esperanças? uando olho para crianças, adolescentes e jovens, tenho a plena certeza de que a vida é movimento, é esperança, é crença, é desejo e busca por superação diária; por isso, ainda existem pessoas que acreditam e dedicam suas vidas em prol deles, preocupando-se em abrir espaços para o novo, para o inusitado, para o belo... rompendo com o já posto, o solidificado, o estruturado. Estou convicta de que as novas gerações têm muito a oferecer. Na verdade sempre foi assim, pois o nosso acreditar em dias melhores está espelhado neles, verdade esta que nos impulsiona e nos deixa mais confiantes e abertos ao novo. Posto isto, cabe-nos analisar e indagar diariamente como está o nosso acolhimento e acompanhamento, a nossa prática junto a estes meninos e meninas, sobretudo, com aqueles e aquelas que são atendidos nos espaços da Família de Murialdo. Nós realmente acreditamos no novo? Temos esperanças? Estamos confiantes de que a nossa prática, de que o novo pode nos surpreender positivamente? Para nós, adultos, é preciso ver além das interpelações da sociedade consumista onde o outro, muitas vezes, vale pelo que tem e não pelo que é. Diante disso, é fundamental enxergar mais longe e assumir o compromisso com a vida que está emergindo em nosso meio. É verdade que, muitas vezes, somos quase envolvidos na mentalidade de que “não se tem mais jeito” e que o “mundo se

24

transformou em uma bagunça sem volta”. Pois é, tem uma grande corrente que, por medo, insegurança e outros fatores, não acredita que as crianças ainda precisam e podem viver o seu ser criança. O mesmo ocorre com os adolescentes e assim por diante... Para muitos, eles não passam de “projetos de marginais” e outras tantas afirmações negativas. É possível que você já tenha se deparado com pessoas descrentes, afirmando prontamente que não se tem mais jeito e, que nossa prática é em vão e, mais ainda, que perde tempo quem ainda acredita. Venho, humildemente, contestar estas posições, salientando que não, pois práticas têm nos mostrado que existem saídas e soluções. É preciso acreditar, arregaçar as mangas e trabalhar na defesa e no cuidado das novas gerações. Para nós, que estamos à frente de práticas de proteção, das crianças aos jovens, VER e SENTIR deve ir muito além destes medos e incertezas. Se muitos foram parar nas ruas como moradores, cometem furtos, assaltos e não possuem mais limites, alguém tem uma dívida com eles. Muitas vezes somos nós mesmos que os renegamos, os expulsamos de nossas vidas e práticas. Não estou aqui afirmando que é fácil, mas estou certa de que, assim como fomos amparados na nossa infância, é preciso acolher os pequenos, ajudá-los na fase de estudo e colocação no mundo de hoje para termos um amanhã brilhante. Do contrário, assistiremos ao atestado da nossa própria imprudência e incompetência.


PONTO DE VISTA

Fotos: Divulgação A&C

Edilene Souza Santos

Hoje, vivemos a dicotomia, a incoerência, pois nos alegramos ao ver a vida brotar no momento do nascimento de uma criança e, ao mesmo tempo, experimentamos o medo ao encontrar um ser pequeno, desprotegido e sujo nas ruas, em situação de abandono, de mendicância e de tantas outras vulnerabilidades sociais. Pergunto: será que estamos nos sentindo impotentes diante da “vida em flor”? Sabemos que muitas políticas de proteção e cuidado às crianças e aos adolescentes existem, mas e eu as conheço? Tenho interesse em enten-der? Acredito nisso? É preciso superar aspectos sociais que estão acirrados no negativismo, na incoerência, no individualismo e acolher melhor o protagonismo latente nos jovens e adolescentes que desejam marcar seus espaços, nas praças, ruas, nos shoppings desta vida. É verdade que

a expressão deles é bem diferente das nossas, isto é, do nosso tempo, mas elas sempre serão manifestações e buscas.

adolescentes e jovens. Que todos da Família de Murialdo, possam entender que o futuro é hoje e não dá para deixar para depois, pode ser tarde.

Por certo, a primazia da VIDA encontra-se na generosa e gratuita criação divina e, dentre ela, a pessoa que, na sua singularidade, desafia o coletivo e interpela a humanização de todos. Humanização entendida como amor ao próximo, ao cosmos e a si mesmo em um esforço para um bem maior de tudo e todos. Por isso, peço que todos busquem superar o medo e se esforcem em fazer o bem e fazêlo bem feito em prol das crianças, dos

Por fim, é fantástico quando cada um de nós, em nossa pequenez e simplicidade, busca e reconhece que a VIDA tem mais sentido quando o bem está acima de tudo, até mesmo dos nossos receios. Edilene Souza Santos Gestora Social na Associação Protetora da Infância Porto Alegre (RS)

25


EDUCAÇÃO DO CORAÇÃO NA MEDIAÇÃO DOS CONFLITOS s conflitos fazem parte de qualquer grupo humano. Na família, no trabalho, num jogo de petecas e (pasmem!) até na escola. Sim! Este ambiente da educação, onde centenas de crianças e adolescentes se encontram todos os dias, entre si e com seus educadores, talvez seja o local gerador de conflitos por excelência. Delimitaremos nossa reflexão abordando os conflitos do contexto escolar. Os conflitos, aqui o entendemos, são aquelas situações onde há divergência de opiniões. Num primeiro momento, seria interessante nos despir da vontade de julgar como certo ou errado. A melhor maneira de nos aproximarmos deste tema talvez seja entendendo-o como possiblidade de crescimento e aprendizagem. Diariamente nos deparamos com situações conflitantes das mais diversas: entre alunos e escola (uniformes, atrasos, postagens nas redes sociais...); alunos e professores (uso de celular, excesso de conversas na aula, critérios de avaliação...); alunos entre si (desentendimentos, provocações, bullying...). Poderíamos estender os conflitos também para as relações entre família e escola, professores e coordenação, professores entre si. E neste contexto dos conflitos, a pedagogia murialdina nos é inspiradora. Segundo o Projeto Educativo Murialdo (p. 20), “Educar o coração é educar para o humano:

26

é humanizar. É favorecer para que a pessoa se transforme e desenvolva suas potencialidades, assuma valores, abra-se para a solidariedade e comprometa-se como cidadã na construção da sua comunidade.” O mesmo Projeto Educativo afirma na sequência que, na prática, a “Educação do Coração”: a) É um gesto profundo de amor. Os erros são entendidos como possibilidades novas de acolhida e de descoberta, oportunidades para a ação da Graça de Deus. b) Ajuda a clarear os caminhos, apontar saídas; ajuda o educando a perceber-se como uma obra de amor. c) Faz com que os educandos descubram nos educadores alguém que, ao ensinar, quer amar. Assim, a educação passa a ser um processo de aprendizagem mútua, cheio de ternura, de bondade, fundamentada no diálogo. d) Fundamenta-se na certeza profunda, descoberta por Murialdo, de que Deus nos ama com amor "infinito, pessoal, atual, terno e misericordioso". e) Leva o educando a ter um olhar mais cuidadoso para com o próximo e o meio ambiente. Estas práticas dão um bom norte, diante das tantas situações conflitantes na escola. Mas exigem dos educadores um coração muito bem educado. Convido cada leitor, a reler as práticas acima, aplicandoas às situações de conflito vivenciadas cotidianamente.

Numa mediação de um conflito inspirada na educação do coração, a atitude primeira certamente será a de escuta serena dos envolvidos. Deixar que eles exponham seus pontos de vista é um sinal de respeito, e boa técnica para acalmar os ânimos. A postura de onipotência, mesmo quando o educador se coloca para ajudar o aluno, é um modelo inadequado para alcançar soluções. É preciso entender os motivos, os porquês que estão por detrás de cada fala. A prática de Jesus também nos ilumina nesta seara. Ele foi um mediador por excelência e entendia o conflito como algo até necessário: “Não pensem que eu vim trazer paz à terra; eu não vim trazer a paz, e sim a espada” (Mt, 10,34). A título de exemplo, recordemos algumas passagens em que Jesus foi instigado a mediar conflitos: Mulher adúltera “Chegaram os doutores da Lei e os fariseus trazendo uma mulher, que tinha sido pega cometendo adultério. Eles colocaram a mulher no meio e disseram a Jesus: ‘Mestre, essa mulher foi pega em flagrante cometendo adultério. A Lei de Moisés manda que mulheres desse tipo devem ser apedrejadas. E tu, o que dizes?’ (...) Então Jesus se levantou e disse: ‘Quem de vocês não tiver pecado, atire nela a primeira pedra.’ (...) Ouvindo isso, eles foram saindo um a um, começando pelos mais velhos. E Jesus ficou sozinho. Ora, a mulher continuava ali no meio. Jesus então


PONTO DE VISTA Pe. Evair Heerdt Michels

se levantou e perguntou: ‘Mulher, onde estão os outros? Ninguém condenou você?’ Ela respondeu: ‘Ninguém, Senhor.’ Então Jesus disse: ‘Eu também não a condeno. Pode ir, e não peques mais.’” (Jo 8, 3-11) Marta e Maria "Jesus entrou numa aldeia. E uma mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. Tinha ela uma irmã, chamada Maria, a qual, sentada aos pés do Senhor, escutava a sua palavra. Marta, porém, andava atarefada com muitos serviços; e, aproximando-se, disse: ‘Senhor, não te preocupa que a minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe, pois, que me venha ajudar.’ O Senhor respondeu-lhe: ‘Marta, Marta, andas inquieta e perturbada com muitas coisas; mas uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada.’” (Lc 10, 38-42) Quem é o maior “E chegaram a Cafarnaum.

Quando ele estava em casa, perguntou-lhes: ‘O que vocês estavam discutindo no caminho?’ Mas eles guardaram silêncio, porque no caminho haviam discutido sobre quem era o maior. Assentando-se, Jesus chamou os Doze e disse: ‘Se alguém quiser ser o primeiro, será o último, e servo de todos’. E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles. Pegando-a nos braços, disselhes: ‘Quem recebe uma destas crianças em meu nome, está me recebendo; e quem me recebe, não está apenas me recebendo, mas também àquele que me enviou’”. (Mc 9, 33-37) Percebe-se nestes episódios que Jesus não toma partido de um ou de outro. Apenas orienta, ouve os argumentos e ilumina com a sua sabedoria. Não há condenação. Não há julgamento de certo ou errado. O que há é uma aprendizagem para todos os envolvidos. Jesus ouve os argumentos e, com serenidade e firmeza, aproveita o conflito para ensinar. No entanto, sua firmeza não afeta os laço de carinho

e amizade que nutria, seja pelas irmãs seja por seus discípulos. O que o motiva é sempre o amor e o bem ao ser humano que se colocava à sua frente. Em casos como aquele em que os discípulos discutiam quem era o maior, Jesus não se altera e nem fica “magoado” pelo fato de os discípulos ainda não terem entendido a sua proposta. Pelo contrário: mais uma vez senta e, didaticamente, explica e orienta. Desta forma, inspirados na pedagogia murialdina, que visa à educação do coração, e no próprio Jesus de Nazaré, os conflitos na escola não serão vistos somente como erros mas, acima de tudo, como possibilidade de reflexão, amadurecimento e aprendizagem. Pe. Evair Heerdt Michels

Diretor do Colégio Murialdo de Porto Alegre – RS e coordenador da Equipe de Educação da Província

Os conflitos na escola não serão vistos somente como erros mas, acima de tudo, como possibilidade de reflexão, amadurecimento e aprendizagem.

27


Para cada tempo, uma resposta Centenário dos Josefinos de Murialdo no Brasil ão sei se o que estou escrevendo vai ser proveitoso para uma leitura sobre como era vivida a educação desde que comecei a fazer parte da Congregação de São José. Importa-me lembrar de algumas coisas que ficaram profundamente gravadas em mim. Refiro-me ao período que vai dos anos 50 em diante. Então, o professor ensinava e acreditava-se que ele sabia, pois para isto se tinha preparado. Do outro lado estava o aluno que aprendia, se aceitasse o que o professor ministrava. O professor impunha respeito pelo seu comportamento e nisso tinha o apoio total dos pais. O professor "sabia" e tinha o direito de manter a organização em sala de aula. As reprimendas aconteciam e eram severas. Surtiam efeito? Alguns alunos que voltavam ao Muriado de Ana Rech, décadas após terem pa s s a d o p e l o i n t e r n a t o , m e confidenciavam: "Devo tudo ao Murialdo. Se não tivessem sido severos comigo, eu não seria o que hoje sou". Não sei se isto chega a justificar alguns exageros que, de fato, aconteceram. "Non torniamo in dietro", dizia D. Gino, em Viterbo, para significar que o passado nos deve ajudar a construir um futuro melhor. Peço desculpas por essa introdução meio bizarra e atrevida, mas ela propõe uma reflexão diante da qual se deve recorrer a um feedback sempre que se quiser avançar. Pedagogia? Escola? A Congregação de São José, Josefinos de Murialdo, tem como objeto fundacional a santificação de seus membros, embora, com pesar, isso

28

pareça estar um pouco em crise. Esse objetivo se obtém através de um meio fundamental e principal que é a permanência do Josefino entre crianças, adolescentes e jovens; em outras palavras, presença ativa, carinhosa, fiel, atenta no pátio e em outros ambientes. Tanto o Fundador como seus assessores imediatos fizeram disso a regra fundamental. Estamos agora em um tempo em que as mudanças são muito frequentes e rápidas, com quebra de

Vivia-se, de fato, a bem unida família, na divisão das responsabilidades sistemas, novas formas de ética e moral, questionamentos de valores tradicionais e intocáveis; tudo isso, contudo, não tolhe que a criança, o adolescente e o jovem continuem sendo o objetivo operacional do Josefino. Não importa exercer ele as mais diversas funções como administração, economia, direção, ensino, pastoral: a criança, o adolescente e o jovem serão sempre o centro das atenções do Josefino. Pedagogia? Naquele tempo, isto é, até que se tinha apenas o Murialdo de Ana Rech como escola, portanto, até 1955, quando se abriu Araranguá, a pedagogia era praticada no pátio, no acompanhamento constante dos alunos, com aquela sadia vigilância que buscava prevenir possíveis desentendimentos. Disso guardo

exemplos maravilhosos e quero citar três pessoas, três Irmãos: o Irmão Angelo, assíduo, constante, conversando com todos, muito amado pelas crianças com quem se relacionava cordialmente, atento a tudo; o Irmão Guerrini, extraordinário alfabetizador, sempre de terno, gravata e camisa branca, exímio enfermeiro, músico, maestro, tocador de órgão, amigo das crianças, o Irmão Gildo, comediante, contador de histórias e anedotas e cantor do "Prefácio", alegre, poliglota que misturava italia-no, espanhol, vêneto e português, especialista em licores dos mais apreciados, entre as tantas qualidades que tinha. Ao citar esses três irmãos, não quero desmerecer outros, tanto padres, quanto irmãos e fratres que tinham uma verdadeira paixão pela presença no meio da juventude. Pedagogia era, pois, presença, presença constante, tanto que o confrade não dispunha para si sequer de uma hora livre por dia, por estar totalmente ocupado com aulas e assistência, Os alunos nunca ficavam sozinhos; era o que se chamava prevenção, que outros diziam "método preventivo", grandemente valorizado por D. Bosco e Murialdo. Nem sempre, contudo, a vigilância era suficiente para superar a criatividade dos alunos, que se mostravam muito inteligentes. Atualmente, em nossas escolas, é raro encontrar-se um confrade ministrando aulas. Os tempos mudaram. Basicamente é a administração que envolve os confrades disponíveis. A maior parte dos professores daquele tempo era composta por confrades. Disso resultaram consequências muito significativas:


MARCAS DO QUE SE FOI Pe. Cornélio Dall’Alba

1ª: Dificilmente havia períodos vagos: o confrade preparava suas aulas com esmero, passando aos alunos exercícios de aprofundamento e fixação, redações, ambos corrigidos e aos quais era atribuída uma nota. 2ª Era baixo o custo operacional, permitindo-se assim uma boa quantidade de ensino gratuito. 3ª Dava-se grande importância à formação do caráter e dos bons costumes, tanto assim que o Bispo de Caxias do Sul, Dom Benedito Zorzi, por exemplo, ao pregar um retiro de três dias aos normalistas de Ana Rech, afirmou terem eles comportamento similar ao de seus seminaristas.

todos esses recados? A Província se construiu em base a esse trabalho anônimo e feito no silêncio, na constância, na perseverança, na coragem e na abnegação. Durante as férias, e também em outros períodos, de 1955 a 1957, o tempo era ocupado na construção do Colégio, quando foi feita uma ampliação e, especificamente nas férias, em pinturas, reformas, arrumação de salas, limpeza... E tudo culminava, no domingo, com um passeio no caminhão do Senhor Tódero para os lados do Lajeado Grande. Vivia-se, de fato, a bem unida família, na divisão das responsabilidades. Eram outros tempos, válidos para aquele tempo. As exigências hoje são outras, creio que mais desafiadoras e impõem preparo cada vez maior.

4ª Como não havia universidades, os confrades, para poderem lecionar, frequentavam, durante as férias, cursos de aprofundamento na parte teórica e aulas de pedagogia e didática, seguidas de avaliações e exames e, em consequência, dos respectivos registros, com possibilidade de lecionar regularmente onde não houvesse faculdades de filosofia. Ana Rech chegou a sediar um desses cursos. Foi um grande sucesso para aquele tempo. Padre José Lorencini foi incansável incentivador da formação pedagógica dos confrades. Quando é que os confrades arrumavam tempo para dar conta de

Pe. Angelo Dal’Alba Religioso Josefino de Porto Alegre (RS)

ch

as ist

na

e ad

30

em

e aR

An

ad

c dé

r

os

os igi

se

n

efi

s Jo

e os

na mi

l

Re

29


NOTÍCIAS

Religiosos renovam Votos

Foto: Divulgação A&C

Nossa Província se alegrou com a Renovação dos votos religiosos de um expressivo número de confrades. É a paixão por Jesus e pelo carisma da Congregação que continua atraindo jovens decididos e generosos. O primeiro grupo renovou os votos em Brasília, na Paróquia São Paulo Apóstolo, no dia 15 de dezembro de 2013. Foram os Fratres: Luciano Costa pereira, Anderson de Oliveira França, Antônio de Castro Lima, Cristiano Parnahiba de Souza, Elves Soares Bessa e Welton Vieira de Andrade. O segundo (foto), na Capela do Seminário de Fazenda Souza, no dia 8 de janeiro de 2014. Neste dia, renovaram a profissão religiosa os confrades: fratres Joseilton Ramos dos Santos, Severino Lisboa, Tiago da Silva, Ciro João K. Cá, Victor Abreu Ribeiro, Emiliano Dantas Soares e os irmãos Pedro Paulo da Silva Jr. e Alecson Marcon.

Transferência do Noviciado

Sonha-se para a vida religiosa, desde as etapas iniciais, uma inserção popular e missionária. O tempo da “fuga mundi” agora é inverso. Trata-se de estar “em saída” para a realidade. Então, o Noviciado de nossa Província está fazendo um êxodo para a ACEMEN, no Bairro Santa Fé. Nossos três noviços, Antônio Hilton da Silva e Leandro Gonçalves de Freitas, cearenses e Marcos Danilo Lima, paranaense, juntamente com o Mestre, Pe. Geraldo Boniatti, se encaminham para a periferia da cidade de Caxias do Sul. A eles nossa prece!

Novos Párocos

Das 13 paróquias que estão sob os cuidados dos Josefinos de Murialdo, quatro delas têm novos párocos a partir de 2014. Na Santa Edwiges de Belém (PA), o pároco é o Pe. Idair Bonadiman; na N. Sra. da Guia de Ibotirama (BA), Pe. Deivison Ribeiro; Santa Rita de Cássia de Planaltina (DF), Pe. Márcio Benevides de Sousa e na paróquia N. Sra. de Caravaggio de Ana Rech (Caxias do Sul) a Paróquia foi assumida pelo Pe. Roberto Carlos Mossi. A eles os votos de uma missão profícua com muita acolhida e Evangelho. Aos antecessores o nosso fraterno agradecimento pela missão abnegada e votos de alegria nos novos campos de atuação.

Primeiros Votos Com a Primeira Profissão Religiosa dos jovens Ediglê Coutinho de Souza, Gérson Félix do Prado Junior e Luís Antônio da Silva, nossa Província se enriqueceu com pertença de mais três confrades. A cerimônia aconteceu no dia 11 de janeiro de 2014, na Capela do Seminário Josefino de Fazenda Souza, e contou com a presença de confrades, familiares e amigos que rezaram para e com os professandos. Bem-vindos à vida consagrada na Família de Murialdo!

30


NOTÍCIAS Dez anos dos Josefinos em Fortaleza (CE)

Foto: Divulgação A&C

Foto: Divulgação A&C

Exercícios espirituais

Vinte e quatro confrades realizaram os Exercícios Espirituais no Centro de Eventos e Hospedagem Murialdo, em Fazenda Souza, de 3 a 8 de janeiro de 2014. O retiro é um tempo da graça de Deus, para o encontro com Ele e consigo mesmo, fortalecendo, assim, as convicções humano-espirituais tão necessárias ao desafiante cotidiano da missão. Pe. Juarez M. Dalan, Conselheiro Geral, foi quem, de forma simples, direta e profunda instigou os religiosos à meditação e oração. Outro grupo, ainda em dezembro, de nove confrades fez o Retiro em Brasília, no Centro Murialdo da Arniqueira. O pregador foi o Pe. Genuíno Roman, a quem agradecemos pela sua serenidade e clareza carismática.

Faz dez anos que os Josefinos de Murialdo aportaram em Fortaleza, capital das terras cearenses. Os primeiros a chegarem foram o então Fr. Ricardo Luz, o Pe. Antonio Lauri de Souza e Pe. Pedro Acco. Assumimos a Área Pastoral do Conjunto Palmeira englobando também o Parque Santa Maria. Recordate, Pe. Ricardo Luz, dos primeiros tempos da casa, alugada de Seu Pedro e D. Terezinha, na Rua Jamacaru? Foi o Siqueira e a Beth quem providenciaram o aluguel. Para celebrar a data da presença do Carisma de Murialdo em Fortaleza, no dia 9 de março, a atual comunidade dos Josefinos, Pe. Ricardo Luz, Pe. Válber Almeida e os vocacionados e toda a Paróquia receberam o Arcebispo D. José Antônio Aparecido Tosi Marques, que celebrou na Igreja Matriz São Francisco, do Conjunto Palmeiras.

A formação contínua é uma necessidade de todos e por toda a vida. Os jovens sacerdotes e irmãos se colocam nesta fila. Foi pensando neles que o Capítulo Geral indicou e a Conferência Interprovincial de 2013 programou o encontro formativo para Santiago do Chile, de 25 a 31 de janeiro de 2014. Quem recebeu nossos confrades para o encontro foi a comunidade Josefina La Reina. Do Brasil, participaram os padres: Ricardo Testa, Deivison Ribeiro, Márcio Benevides, Ricardo Luz, Válber Almeida, Jucinei Vilpert e José Bispo de Sousa. No total foram 17 jovens confrades das Províncias Argentino-chilena, Equatoriano-colombiana e da nossa. A assessoria esteve a cargo do Pe. Tullio Locatelli, Conselheiro Geral. O Documento Final conta quatro pontos: um olhar sobre

Foto: Divulgação A&C

Foto: Divulgação A&C

Padres e irmãos jovens da América Latina se encontram no Chile

a formação; o hoje de consagrados; projeções para o futuro; propostas e conclusões. Os confrades, apontando luzes e sombras da formação com seus reflexos no hoje da vida religiosa, apontaram pistas de vivência. Entre outras, citaram: viver com coerência a consagração compartilhando com os irmãos a oração, a missão, a pertença à comunidade, a confiança e amizade, o respeito à diversidade, manter alto a essencialidade sem aburguesamento e o estar no meio dos jovens. Indicaram, no final do documento, 12 propostas enfatizando a continuidade da Formação Contínua em nível das Províncias e de Continente Latinoamericano, de maneira tal a “forjar um estilo de vida que com realismo possa integrar os diversos aspectos da vida”.

31


NOTÍCIAS

Leigos Amigos de Murialdo

Ação Social e Famur realizam curso de Qualificação sobre Política de Assistência Social

A Faculdade Murialdo (FAMUR) em parceria com a Ação Social, está promovendo, em três etapas, o curso de qualificação sobre Política Pública de Assistência Social, assessorado pelas professoras Mara de Oliveira, Gisele Carraro, Evelise Lazzari, Daniela Andrade da Anunciação e Ana M. P. Camardelo, para os gestores da Rede Socioassistencial do ILEM e da Organização Religiosa dos Josefinos de Murialdo. O evento busca qualificar os profissionais para atuarem na área da Gestão da Política de Assistência Social, com foco no planejamento, na sistematização das ações e no desenvolvimento de estratégias para o fortalecimento dessa área no âmbito da Rede Murialdo. De 26 a 28 de fevereiro de 2014, aconteceu, no Murialdo

32

Foto: Elo João Back

A Associação Nacional dos Leigos Amigos de Murialdo, com o apoio das Congregação dos Josefinos e das Irmãs Murialdinas, publicou a carta "Apaixonados por um carisma que apaixona", escrita pelo Superior Geral do Josefinos de Murialdo, Pe.Mário Aldegani, por ocasião do cinquentenário da Beatificação de São Leonardo Murialdo, em 03 de novembro de 2013. O material servirá de tema de estudo para os Congressos Regionais, que acontecerão na metade do ano. No dia 08 de março, em Caxias do Sul (RS), aconteceu a 1ª reunião do Conselho Formativo da Associação Nacional dos Leigos Amigos de Murialdo, com a presença da diretoria. "A paixão pelo carisma não é um sentimento, mas uma disciplina, um estilo de vida. Somente apaixonam as palavras impregnadas de paixão. Estas, por sua vez, são apaixonadas porque brotam do coração e são coerentes com as escolhas cotidianas". (Pe.Mário Aldegani)

de Porto Alegre, a primeira etapa do curso e reuniu mais de 30 participantes vindos de Porto Alegre, Caxias do Sul (RS), Londrina (PR), Rio de Janeiro (RJ) e Brasília (DF). Segundo o coordenador de Extensão e Assuntos Comunitários da FAMUR, Ir. Pedro Paulo da Silva, “é uma iniciativa inovadora, que deseja aperfeiçoar ainda mais os serviços na Rede”. O curso estabelece momentos de estudo, discussões e reflexões a partir do aparato legal sobre a política pública de assistência social e as proposições e intervenções nessa área junto aos serviços, programas, projetos e as ações efetuadas pelos participantes. A segunda etapa acontece nos dias 9, 10 e 11 de abril; a terceira no mês de maio.


DICAS

Dica de Filme Uma questão de tempo: Ao completar 21 anos, Tim (Domhnall Gleeson) é surpreendido com a notícia dada por seu pai (Bill Nighy) de que pertence a uma linhagem de viajantes no tempo. Ou seja, todos os homens da família conseguem viajar para o passado, bastando apenas ir para um local escuro e pensar na época e no local para onde deseja ir. Cético a princípio, Tim logo se empolga com o dom ao ver que seu pai não está mentindo. Sua primeira decisão é usar esta capacidade para conseguir uma namorada, mas logo ele percebe que viajar no tempo e alterar o que já aconteceu pode provocar consequências inesperadas.

Dica de Livro Deus não se cansa de perdoar! (Jorge M. Bergoglio - Papa Francisco, Editora Ave-Maria, 2014.)

Com suas homílias repletas de humildade e profundidade espiritual, o Papa Francisco nos relembra que Deus é um Pai misericordioso e que sua essência, como diz a carta do Apóstolo São João, é o amor. E através da vida, das palavras e dos ensinamentos de Jesus, o Santo Padre nos mostra nesta obra que sempre poderemos nos voltar para Deus, pois ele nunca se cansa de nos perdoar. Diz o Papa que “sentir misericórdia, muda o mundo. Um pouco de misericórdia torna o mundo menos frio e mais justo. Precisamos compreender bem esta misericórdia de Deus, este Pai misericordioso, que tem tanta paciência…”.

33


SABIA? VOCÊ

Por que celulares não sintonizam rádio AM? Por razões técnicas e mercadológicas. O sinal de AM, por operar numa frequência baixa, consome mais energia para ser captado do que o de FM. A instalação do receptor aumentaria o consumo de bateria e encareceria o valor do produto. Outro empecilho é que quanto mais baixa for a frequência da onda, maior precisa ser a antena para captá-la.

Como os aviões da Esquadrilha da Fumaça deixam rastros no ar?

Por que o mel não se decompõe? O mel até apodrece, mas demora porque tem pouquíssima quantidade de água em sua composição. O tempo varia de acordo com a excelência no processo de fabricação: o mel ideal tem só 17% de água, o que impede a proliferação de leveduras e microrganismos que deterioram o composto.

Como os aparelhos corrigem os dentes das pessoas? Depende do tipo do aparelho: o fixo direciona os dentes para o rumo desejado; o móvel estimula ou inibe o crescimento do osso da maneira correta. O móvel atua enquanto os ossos da boca crescem - é mais usado em crianças de 6 a 12 anos -, e o fixo pode ser usado mesmo em adultos. Para saber se você precisa de aparelho, a resposta está na ponta da língua: boca saudável significa fechamento ideal. Para isso, a arcada superior deve se encaixar levemente à frente da inferior. O melhor mesmo é consultar um dentista.

O segredo é bem trivial: a fumaça é só óleo queimado. O rastro nasce assim: todas as aeronaves têm um tanque de óleo especial, que passa pelo motor e sai pelo escapamento a altíssimas temperaturas. Em contato com esse calor, o óleo deixa de ser líquido e vira vapor, dando origem aos traços brancos que a gente vê no céu. Com o vapor, os aviões da Esquadrilha da Fumaça fazem diversos desenhos: são 22 manobras, em 35 minutos de apresentação.

É verdade que bebedouros caseiros matam beija-flores? Não, isso não passa de mito. Desde que os bebedouros sejam limpos diariamente, não há qualquer problema em usá-los para atrair e alimentar beija-flores. O problema pode ocorrer apenas se o beija-flor for criado em cativeiro e se alimentar exclusivamente de água açucarada.

Qual é a bebida alcoólica mais forte do mundo? É um tipo de aguardente boliviana chamada cocoroco, que possui 96% de teor alcoólico. Essa é a concentração máxima de álcool que pode ser obtida por meio da destilação (tentar destilar álcool 96% resulta apenas em mais álcool 96%). A cocoroco é produzida artesanalmente com cana-de-açúcar pela comunidade indígena aymara e é consumida pura (arre!) ou com chá.

Fonte: www.mundoestranho.com.br

34


Outro dia, vi uma formiga que carregava uma enorme folha. A formiga era pequena e a folha devia ter, no mínimo, dez vezes o tamanho dela. A formiga a carregava com sacrifício. Ora a arrastava, ora a tinha sobre a cabeça. Quando o vento batia, a folha tombava, fazendo cair também a formiga. Foram muitos os tropeços, mas nem por isso a formiga desanimou de sua tarefa. Eu a observei e acompanhei, até que chegou próximo de um buraco, que devia ser a porta de sua casa. Foi quando pensei: “Até que enfim ela terminou seu empreendimento”. Ilusão minha. Na verdade, havia apenas terminado uma etapa. A folha era muito maior do que a boca do buraco, o que fez com que a formiga a deixasse do lado de fora para, então, entrar sozinha. Foi aí que disse a mim mesmo: “Coitada, tanto sacrifício para nada.” Lembrei-me ainda do ditado popular: “Nadou, nadou e morreu na praia.” Mas a pequena formiga me surpreendeu. Do buraco saíram outras formigas, que começaram a cortar a folha em pequenos pedaços.

Elas pareciam alegres na tarefa. Em pouco tempo, a grande folha havia desaparecido, dando lugar a pequenos pedaços e eles estavam todos dentro do buraco. Imediatamente me peguei pensando em minhas experiências. Quantas vezes desanimei diante do tamanho das tarefas ou dificuldades? Talvez, se a formiga tivesse olhado para o tamanho da folha, nem mesmo teria começado a carregá-la. Invejei a persistência, a força daquela formiguinha. Naturalmente, transformei minha reflexão em oração e pedi ao Senhor: Que me desse a tenacidade daquela formiga, para “carregar” as dificuldades do dia-a-dia. Que me desse a perseverança da formiga, para não desanimar diante das quedas. Que eu pudesse ter a inteligência, a esperteza dela, para dividir em pedaços o fardo que, às vezes, se apresenta grande demais. Que eu tivesse a humildade para partilhar com os outros o êxito da chegada, mesmo que o trajeto tivesse sido solitário. Pedi ao Senhor a graça de, como aquela formiga, não desistir da caminhada, mesmo quando os ventos contrários me fazem virar de cabeça para baixo, mesmo quando, pelo tamanho da carga, não consigo ver com nitidez o caminho a percorrer. A alegria dos filhotes que, provavelmente, esperavam lá dentro pelo alimento, fez aquela formiga esquecer e superar todas as adversidades da estrada. Após meu encontro com aquela formiga, saí mais fortalecido em minha caminhada. Agradeci ao Senhor por ter colocado aquela formiga em meu caminho ou por me ter feito passar pelo caminho dela.

35


JOSEFINOS DE MURIALDO:

Padres e Irmãos a serviço das crianças, dos adolescentes e dos jovens em obras sociais, colégios, paróquias e missões.

SERVIÇO DE ANIMAÇÃO VOCACIONAL

Rua Dante Marcucci, 5335 - Cx. P. 584 - Fazenda Souza - Caxias do Sul (RS) CEP: 95001.970 - Fone (54) 3267.1146 - www.josefinosdemurialdo.com.br


Agir e Calar | Dezembro de 2013