Agir e Calar | Junho de 2012

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CONGREGAÇÃO DE SÃO JOSÉ JOSEFINOS DE MURIALDO Ano XXXVIII - Nº 1 Edição 103 - Junho de 2012


Solidariedade Atitude que faz a diferença!

Conheça o Projeto Social mais perto de você e faça a diferença.


Entrevista

Pe. Cornélio Dall´Alba

Cotidiano

Editorial Caminhos e Sinais de Esperança Caros leitores! Estamos de volta. Desta vez, para lhes contar os aspectos significativos que marcaram nossa vida de discípulos missionários de Jesus pelos caminhos de Murialdo, em 2013. Com humildade, olhamos e avaliamos nosso ser e agir nos últimos seis anos; sonhamos e planejamos com confiança os próximos, em âmbito pessoal, comunitário, local, regional e mundial. Com alegria, constatamos que a família de Murialdo continua sendo no mundo um sinal de esperança para muitos jovens. A missão nos torna reconhecidos: é um tesouro acumulado na história e na vida de nossa congregação, que devemos cuidar e fazer crescer com amor para responder às emergências do nosso tempo. Os jovens são a razão e sentido da nossa missão; por isso, vivemos entre eles como amigos, irmãos e pais, abrindo caminhos e sinais de esperança para o seu futuro. Confiram, nesta edição, frutos colhidos na caminhada da congregação neste ano: as novas deliberações emanadas do encontro mundial da congregação; os novos ambientes e os compromissos assumidos pelos colégios e paróquias; os preparativos para a Jornada Mundial da Juventude. Enquanto aplaudimos a chegada de jovens religiosos, celebramos jubileus de ouro sacerdotal de outros: “Educação com Emoção” e “Solidariedade que faz a diferença” são dois temas emergentes e que identificam nossa missão. Vale conferir os primeiros e acertados passos da Faculdade Murialdo no seu primeiro ano de atividades. Amigos, leitores! Com esta edição, concluímos as atividades do sexênio, agradecidos pela sua amizade e companhia, sobretudo pela parceria na evangelização dos jovens mais pobres. Continuem conosco. Somos uma congregação renovada espiritualmente, apaixonada por um carisma que apaixona. Queremos sempre mais abrir caminhos de esperança, com nosso estilo educativo que se identifica na vivência da pedagogia do amor e educação do coração. Tendo a Família de Nazaré como modelo, caminhemos com esperança. Pe. Raimundo Pauletti Provincial Revista da Província Brasileira Josefinos de Murialdo

Revisão Roberta Tomé

Ano XXXVIII - Edição 103 - Número 1 Junho de 2012

Pré-impressão (CTP) e Impressão Gráfica Murialdo graficamurialdo@graficamurialdo.com.br Fone: (54) 3221.1422

Provincial Pe. Raimundo Pauletti Equipe Técnica Pe. Joacir Della Giustina Pe. Renato Fantin

Nosso Endereço Casa Provincial - Rua Hércules Galló, 515 Centro - 95020.330 - Caxias do Sul (RS) Fone: (54) 3221.4711 www.josefinosdemurialdo.com.br

Jornalista Responsável Bernardete Chiesa - MTb 10187

Atendimento ao Leitor imprensa@faculdademurialdo.com.br

Projeto Gráfico Júlio César Rodrigues Bernardete Chiesa

Paróquia Santa Rita de Cássia III Seminário Murialdo de Educação II Seminário Nacional das Paróquias Faculdade Murialdo Capítulo Geral da Congregação Preparando à JMJ

Formação

Um jeito de viver a fé Murialdo em tempos de política

Capa

Educação com emoção

Marcas do que se foi

Jubileu de Ouro - Pe. Carlos e Pe. Cornélio Ana Rech - Celebrando o centenário

Ponto de Vista

Por que ser Josefino de Murialdo hoje? Sacerdote eternamente

Notícias

Ir. Augusto é homenageado Pe. Dirceu é cidadão de Brasília Irmão Celeste é Comendador Esportivo de SC Província Brasileira tem novo Conselho Encontro de ex-seminaristas Londrinha inaugura Centro de Pastoral José Bispo é ordenado sacerdote Retiro e renovação de Votos Revista Social

Dicas

Dica de Filme Dica de Livro

Curiosidades

Você Sabia?

Reflexão

A vida é um ensaio...

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Tiragem 2.500 exemplares O conteúdo dos artigos publicados são de inteira responsabilidade de seus autores.

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Foto: Bernardete Chiesa

“O sacerdócio

preencheu minha vida”

O entrevistado desta edição da revista Agir&Calar é o Pe. Cornélio Dall’Alba que, neste ano, está celebrando o Jubileu de Ouro Sacerdotal. O religioso Josefino nasceu no dia 11 de setembro de 1935, em Flores da Cunha - RS, passando a infância com seus pais e irmãos num ambiente familiar muito religioso. Depois de padre, dedicou grande parte de sua vida à formação de novos religiosos, bem como à promoção vocacional. Pe. Cornélio conversou com a jornalista Bernardete Chiesa sobre vida, trajetória e sonhos. A&C: Com qual idade o senhor passou a pensar no sacerdócio? A minha vocação não foi como a de São Paulo, que de surpresa foi derrubado do cavalo; mas foi como a de Jeremias: desde o ventre materno. “Antes que saísses do seio, eu te consagrei”. Não lembro que tenha havido um momento. Quando notei, eu queria ser padre e basta. Nem lembro de meus pais ou outros terem me influenciado nessa vocação. A&C: Como é sua família? Seus pais, quantos irmãos? Como seus

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pais e irmãos reagiram quando manifestou este desejo de ser padre? Minha família é natural da capela de São Valentim, paróquia de Ana Rech, e município de Flores da Cunha, exatamente onde passa a divisa entre os dois municípios de Caxias e Flores da Cunha. Meu pai chamava-se Albino Dall’Alba, de cepa genuinamente italiana; falava correntemente o dialeto vêneto e nunca chegou a pronunciar adequadamente alguns fonemas da língua portuguesa. Minha mãe chamava-se Jovina Kuser e vinha de uma família do Refugiado, interior de


ENTREVISTA com Pe. Cornélio Dall’alba

Vacaria; descendia de mãe brasileira e pai de origem alemã. Tive oito irmãos; três já faleceram, uma irmã, inclusive, no parto. Nós, irmãos, podemos afirmar que somos como os dedos da mão: diferentes, mas unidos. Quanto à reação dos pais ao meu desejo de ser padre, não houve resistência, mas pleno apoio e alegria. Concretizava-se um sonho de meu pai; desde que nasci, rezou diariamente um Pai nosso para que eu fosse chamado ao sacerdócio e continuou a rezá-lo até a morte.

A&C: Padre Cornélio, o que é o sacerdócio para o senhor? O sacerdócio preencheu minha vida. Carregou-me de responsabilidades. Consumiu meu tempo. Sinto-me sacerdote até debaixo d’água. De um lado, percebo que é uma obra da Trindade: o Pai teve a iniciativa de me chamar por Jesus Cristo, por obra do Espírito Santo. E isso é grandioso demais para eu compreender. Por outro lado, isso exigiu de mim uma resposta. Essa resposta não foi apenas um sim; desde meu ingresso no Seminário Josefino de Fazenda Sousa, em 1946, fiz uma sucessão de “sim”, muitas vezes doloroso. A Igreja, por meio de Dom Ettore Cunial, me consagrou sacerdote para sempre no dia 18 de março de 1962, em Viterbo, Itália. Experimentei a verdade daquelas palavras de Jeremias: “Tu me seduziste, Senhor, e eu me deixei seduzir; tu te tornaste forte demais para mim, tu me dominaste” (Jr 20,7). A minha perseverança até hoje foi uma graça. Nunca duvidei de meu sacerdócio; nunca me passou pela cabeça deixálo. A&C: O que o motivou para fazer esta escolha? Inicialmente era fugir da roça. Lembro como se fosse hoje: uma roça de milho, pedregosa... minha mãe estava junto; além das pedras, aque-

les pequenos cepos que o fogo da coivara não conseguira queimar, rebrotavam, e o pior eram os cipós que a enxada não conseguia estirpar pela raiz. A enxada gritava nas pedras; e o sol dardejando seus raios, e a capina avançava lenta como uma lesma. Suor, sede, cansaço... Esse foi o primeiro lampejo que o Espírito Santo me deu para ingressar no Seminário. Você pensa: Mas isso não é motivo... Para uma criança de dez anos, era motivo justo e suficiente...

Quanto à Igreja, gostaria que houvesse um só rebanho e um só pastor A&C: Para o senhor, qual o maior desafio que encontrou no seu sacerdócio? O rigorismo moral em que fui educado, em que quase tudo era pecado. E eu, como perfeccionista que fui e em parte ainda sou, me encontrei muitas vezes em palpos de aranha; isto desencadeou outros problemas psicológicos que só meus Padres confidentes conheceram. A&C: Quais episódios principais de sua vida e missão o senhor destacaria aos nossos leitores? Sem dúvida, o ano de noviciado: primeiro o Espírito me fez fugir da roça; aqui no noviciado ele fez perceber mais claramente porque ele me fizera deixar a roça. Foi um momento decisivo de minha vida. Nunca mais olhei para trás. Um outro fato que me marcou foi a minha saúde precária: gastrite, febre amarela, hepatite, câncer e, por último, a neuralgia do trigêmeo. Por fim, destacaria a minha missão dentro da congregação: o trabalho de animação vocacional e de formação. A&C: O senhor é um grande

músico, poeta, artista plástico. Isso enriquece o ser padre no mundo atual? Você acha que a abertura da Faculdade Murialdo é uma resposta da Congregação a esse mundo da cultura? Quanto a músico, sou muito pobre. Mas fiz uma série de letras que foram musicadas seja em português e em dialeto vêneto. Pintei uma série de quadros utilizando pedras. Denominei essa arte de “lapiarte”; escrevi e continuo escrevendo poemas. A cultura artística me deu uma sensibilidade mais apurada, e isso certamente me ajudou a ser um instrumento mais dócil para o meu ministério. Quanto à Faculdade Murialdo... é uma instância nova para tornar conhecido e amado São Leonardo Murialdo e seu carisma. Queira Deus que o corpo docente esteja todo imbuído de Murialdo teórica e praticamente. A&C: Por muitos anos o senhor trabalhou na formação de novos religiosos, como no Noviciado. Os jovens lhe trouxeram desafios? O que a Vida Religiosa precisa para lhes dar uma resposta mais coerente? O maior trabalho que realizei foi no campo da animação vocacional na diocese de Tubarão, SC, percorrendo escolas desde Imbituba até Praia Grande. Quanto ao Noviciado, a experiência é desafiadora, mas gratificante, porque você se detém a auscultar pessoas que aspiram a ser os novos filhos da congregação e aprofunda o conhecimento da Regra, que é o coração dos josefinos. Por outro lado, não faltam desafios: o maior é discernir com o noviço sua real vocação, é interiorizar o carisma josefino; outro desafio: na primeira década do ano 2000, começaram a ingressar noviços do norte e nordeste; jovens de culturas, educação e valores diversos. O respeito e a prudência no trato com eles suscitou-me uma série de interrogações.


ENTREVISTA com Pe. Cornélio Dall’alba

Hoje, depois de vários anos de ausência do noviciado, considerando os poucos confrades que continuaram na vida religiosa, vejo que ou o Mestre não era competente ou houve alguma falha no percurso. A&C: O que a Vida religiosa deve fazer hoje para encantar mais jovens para a vida religiosa? É a pergunta que não só eu mas também a Vida Religiosa se faz hoje. A resposta existe: seguir Jesus Cristo sendo fiéis ao carisma. Porém, por outro lado, há uma série de valores e contravalores que descartam a vida religiosa como algo obsoleto, um desvalor. Só fica religioso hoje a pessoa que tiver profunda fé. A&C: São 50 anos de vida sacerdotal. Fale de uma grande satisfação como Padre. É ver que diversos jovens, frutos da animação vocacional, são hoje josefinos e alguns do clero secular.

A minha perseverança até hoje foi uma graça. Nunca duvidei de meu sacerdócio A&C: Em que personalidades mundiais você se inspira e por quê? Em primeiro lugar, um líder vivo: o Papa Bento XVl, porque ele está conduzindo a Igreja com prudência e sabedoria; basta ler suas encíclicas e demais documentos. Os outros líderes do passado são os nossos santos: são do mundo de cá e já pertencem ao mundo de lá, em particular os ligados à nossa

Congregação, porque eles são pistas evangélicas para todos nós, estrangeiros, rumo à pátria. A&C: Que sonhos e expectativas o senhor tem com relação à Igreja e à Congregação no meio das crianças e jovens? Quanto à Igreja, gostaria que houvesse um só rebanho e um só pastor, que o mundo inteiro fosse evangelizado, que tudo o que se gasta para manter as guerras ou se esbanja no luxo fosse gasto para o bem dos pobres. Quanto à congregação e para toda a Família de Murialdo, gostaria que ela crescesse em qualidade e em número e que pudesse entrar na China e demais países orientais. A&C: Que mensagem o senhor deixa para os leitores do Agir & Calar? Que Deus é amor, e que você é filho adotado por Ele no Batismo, a quem Ele cuida no dia a dia com carinho; e, por outro lado, você deve sempre confiar Nele e procurar Sua vontade, irradiando o amor de Deus às crianças, aos adolescentes e jovens mais necessitados.

Foto: Marcelino Pauletti Volga Wizer Foto: /Adriano

A&C: Você faria tudo de novo? Diz o evangelho: “Quem põe a mão no arado, não olhe para trás”. O passado se foi; se eu quisesse refazer minha história, me asseguraria uns

150 anos. É impossível que meus pais voltem a namorar, reconstruir a casinha de madeira que hoje não existe mais. Sem falar do primeiro seminário que foi arrasado e, inclusive, o noviciado de Conceição do qual não ficou pedra sobre pedra; e ainda quantas pessoas deveriam ressuscitar... Prefiro prosseguir de “olhos fixos em Jesus...”

Missa de Ação de Graças em Ana Rech

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COTIDIANO Foto: Divulgação

Pe. Dirceu Rigo

Fachada da nova Igreja Matriz

Um olhar sobre a história da Paróquia Santa Rita de Cássia PLANALTINA – DF sonho se tornou realidade. Tudo começou com um pequeno barraco: quanta alegria e festa em poder se reunir para rezar e louvar o nosso bom Deus. Depois, a comunidade começou a crescer e, em mutirão, construíram uma Igreja maior. No dia 19 de fevereiro de 1995, com a presença do Bispo Auxiliar de Brasília, Dom Jesus Rocha, leu-se o decreto n° 01/95 da criação da Paróquia Santa Rita de Cássia. A mesma é incorporada à Mitra Arquidiocesana de Brasília – DF. Noite de alegria, fogos, pois, agora, a mesma poderia caminhar com mais autonomia. Em 2000, novamente a comunidade percebeu que o espaço se tornara pequeno e a população crescera muito. Nesse mesmo ano, uniu-se novamente para a construção do Centro Comunitário. Quanto trabalho! Já no dia 30 de março de 2007, Pe. Dirceu Rigo assumiu a Paróquia Santa Rita de Cássia como Pároco e, nesse mesmo ano, abraçamos e nos despedimos da Igreja Velha e passamos a rezar e participar das Missas e Celebrações no Salão do Centro Comunitário. O dia 5 de julho de 2009 foi um dia de muita alegria para todos nós: terminamos de pagar a última prestação, e o Centro

Comunitário ficou quase totalmente pronto. Dessa data em diante, começamos a guardar dinheiro para a construção da sonhada Igreja Matriz. Em junho de 2011, chegaram as máquinas para a derrubada da construção e limpeza do terreno. Dias de alegria e tristeza: cada pedaço que era derrubado tinha uma história de cada paroquiano. Em julho de 2011, iniciou-se a construção do Novo Templo, muita alegria para toda a comunidade, e por que não dizer, para toda a cidade de Planaltina. Porém, surgiu a grande pergunta: será que eu vou ter a graça de ver a Igreja Matriz pronta? A construção durou uma gestação, isto é, nove meses. E no dia 28 de abril de 2012 tivemos a grande alegria de anunciar a todos que nós, paroquianos da Paróquia Santa Rita de Cássia, temos a nossa nova Igreja Matriz. Podemos nos orgulhar, pois é a 3° maior Igreja do Distrito Federal, com 1.350 pessoas sentadas. Parabéns, querido povo de Planaltina. Parabéns, queridos paroquianos. Vocês merecem! Que o Bom Deus e a nossa querida Padroeira Santa Rita de Cássia continuem sempre vos abençoando. Pe. Dirceu Rigo Pároco da Paróquia Santa Rita de Cássia - DF

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Nos dias 13 a 15 de julho aconteceu, no Teatro Murialdo, em Caxias do Sul, o III Seminário Murialdo de Educação, com o tema “A educação do século XXI: caminho para relações humanizadas”.O evento, além de oportunizar uma interação entre educadores da Rede de Colégios Murialdo, buscou conhecer o mundo da criança e do adolescente seus valores e suas atitudes, refletindo-os à luz da pedagogia do amor e da educação do coração, buscando ações pedagógicas a partir do Projeto Educativo. Participaram mais de 180 educadores da Rede, composta pelos Colégios Murialdo de Caxias, Ana Rech, Porto Alegre e Araranguá. Palestrantes renomados como Jorge Trevisol e Gustavo Balbinot foram os assessores do II Seminário Murialdo de Educação. A história do Seminário Murialdo de Educação iniciouse em 2006. Naquele ano, nos dias 14, 15 e 16 de julho, em Fazenda Souza, os educadores da Rede Murialdo se reuniram para o I Seminário. Na ocasião, o tema sobre o qual refletimos foi “Pedagogia de Murialdo - O educador que seremos na escola que queremos”. Com o objetivo de “Refletir e internalizar a pedagogia de Murialdo e sua

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relação com os atuais desafios da educação, a fim de fortalecer a identidade e o protagonismo de nossos educadores”, os participantes elaboraram uma cartacompromisso, que seria o guia para as instituições nos três anos seguintes. Em 2009, de 17 a 19 de julho, também em Fazenda Souza, os educadores se reuniram novamente para o II Seminário. O tema da vez foi “A Pedagogia do Amor – Mística e Espiritualidade da ação educativa”. O objetivo a que nos propomos naquela ocasião foi: “Refletir e internalizar a Pedagogia do Amor e sua relação com os atuais desafios da educação, a fim de fortalecer a mística e a espiritualidade nos serviços pedagógicos da Rede de Colégios Murialdo”. Mais uma vez os participantes elaboraram uma carta-compromisso, que balizou nossas ações até 2012. O III Seminário de Educação retomou a cartacompromisso anterior e atualizou-a, a partir dos desafios atuais. Pe. Evair Heerdt Michels Diretor do Colégio Murialdo de Porto Alegre – RS e Coordenador da Equipe de Educação da Província Brasileira


COTIDIANO Foto: Bernardete Chiesa

Pe. Evair Heerdt Michels

Carta-Compromisso Nós, educadores da Rede de Colégios Murialdo, reunidos em Caxias do Sul no III Seminário Murialdo de Educação, acontecido nos dias 13, 14 e 15 de julho de 2012, reafirmamos nossos compromissos de educadores murialdinos, comprometidos com a pedagogia do amor e a educação do coração. Desta forma, estabelecemos cinco estratégias que expressam os compromissos assumidos: ESPIRITUALIDADE Procuramos viver a espiritualidade murialdina, centrada no amor misericordioso de Deus, que ilumina a nossa compreensão do mundo e orienta o nosso relacionamento com Deus, conosco, com as pessoas e com a natureza. Práticas 1. Proporcionar vivências da espiritualidade no cotidiano escolar; 2. Envolver toda a comunidade educativa nos momentos de espiritualidade.

COMPROMETIMENTO Somos sensíveis às necessidades dos outros. Damos atenção especial aos pobres e excluídos. Somos comprometidos com o Projeto Educativo da Rede de Escolas Murialdo, o qual queremos conhecer e vivenciar. Práticas 1. Comprometer-se com os últimos, através de projetos de inclusão; 2. Buscar qualificação permanente nos princípios da educação murialdina; 3. Adequar-se constantemente ao uso das Tecnologias da Informação na educação.

VALORES HUMANOS Adotamos um estilo de vida em que a ética e a justiça são as balizadoras de nossas relações em todos os âmbitos. Buscamos criar um clima de harmonia, cuidado e respeito em toda a comunidade escolar, como elemento importante da pedagogia do amor. Práticas 1. Praticar relações fraternas e transparentes, fundamentadas na ética e na solidariedade; 2. Educar para a liberdade e responsabilidade. 3. Acompanhar e orientar o uso das tecnologias da comunicação na comunidade escolar.

ESPÍRITO DE FAMÍLIA Reafirmamos o valor da família e nossa pertença a uma bem unida família na qual se irradia o amor, a entreajuda e a alegria. Buscamos estabelecer um ambiente de escuta e proximidade. Acolhemos a diversidade, aceitando-nos diferentes e complementares. Práticas 1. Vivenciar práticas de convivência que reforcem o espírito da bem unida família; 2. Envolver as famílias dos educandos no processo de ensino e convivência educativa.

SUSTENTABILIDADE Entendemos que a geração atual deve interagir de tal forma com o meio que não comprometa a vida das gerações futuras. Entendemos ainda que, sem considerar a questão social, não há sustentabilidade: é preciso respeitar o ser humano, a parte mais importante do meio ambiente. Práticas 1. Promover uma cultura de sustentabilidade socioambiental; 2. Envolver as famílias dos educandos no processo de ensino e convivência educativa.

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Foto: Divulgação

PLANALTINA – DF

II SEMINÁRIO NACIONAL DAS PAROQUIAS CONFIADAS AOS

JOSEFINOS DE MURIALDO e 20 a 22 de julho 2012, aconteceu, no Centro Murialdo da Paróquia São Paulo Apóstolo, Guará I– DF, o II Seminário Nacional das Paróquias Confiadas aos Josefinos de Murialdo. O evento contou com a participação das 13 Paróquias Josefinas – 41 participantes – com a assessoria do Pe. Nelito Dornelas, Assessor da CNBB das Pastorais Sociais, sob coordenação do Pe. Lauri de Souza, Conselheiro Provincial. Na ocasião, estiveram presentes os párocos, Pe. Agostinho Adriano Vidor (Anfitrião),Pe Carlos Paludo, Pe. Irineu Roman, Pe. Valber, Pe. Idair Bonadiman, Pe. Marcelino Modelski, Pe. Juarez Murialdo Dalan (Eleito Economo Geral), Pe. Gabriel de Souza, Pe. Luiz Carlos dos Reis, Pe. Gervasio Mazurana, Pe. Bruno Barbieri, Pe. Ivo Balardin e Pe. Dirceu Rigo. Após muita reflexão e análise, foram assumidos compromissos que nortearão o caminhar das Paróquias Josefinas.

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Pe. Antônio Lauri de Souza Mestre de Noviços e membro da Comissão Organizadora


COTIDIANO Pe. Antônio Lauri de Souza

1.Paróquias em permanente estado de missão Nossas paróquias desejam e se comprometem configurar sua ação pastoral como Igreja em estado permanente e missão, voltadas a serem intergentes (acolhida, visitação, anúncio, missão popular, pequenas comunidades...). AÇÕES: conforme Doc. de Aparecida, promover a Conversão Pastoral e a Renovação Eclesial. 2. Paróquias – Comunidade de Comunidades As pequenas comunidades, no território paroquial, a exemplo das CEBs, das Comunidades Eclesiais de Vizinhança e outras modalidades similares serão o modelo privilegiado da ação evangelizadora nas paróquias confiadas aos Josefinos de Murialdo. Ações: - Descentralização, respeitando a experiência de cada comunidade. - Criar espaço para o acolhimento e apoiar a experiência de fé dos migrantes. 3. Igreja em Células ou de Aproximação Assumir em todas as paróquias a implantação do modeloestratégia de evangelização dos pequenos grupos de relacionamento, a fim de favorecer a acolhida, a comunhão com Cristo e entre as pessoas e o compromisso missionário de todos os cristãos. Ações: Garantir, através da agência católicos em célula, a transição do modelo tradicional para a estratégia de igreja em células em todas as nossas paróquias (Pequenos grupos que resgatem a experiência das primeiras comunidades cristãs), que permitam um conhecimento vivencial da Palavra de Deus e o compromisso social. 4. Identidade Carismática: Crianças, adolescentes e jovens no centro a) Propagar e manifestar em nossa ação evangelizadora o amor pessoal, atual, infinito e, sobretudo, misericordioso de Deus. b) Caracterizar, clara e decididamente, a ação evangelizadora com crianças, adolescentes e jovens empobrecidos, e para tanto: - assumir e fortalecer as pastorais sociais voltadas para este segmento da sociedade, disponibilizando recursos e agentes religiosos e leigos preparados para dinamizar estas pastorais; - realizar as ações por projetos, numa ação em equipe e em rede, e com o forte protagonismo dos leigos; - assumir iniciativas para garantir a presença de lideranças leigas nos conselhos e organismos que elaboram,

realizam e avaliam políticas públicas em favor das crianças, dos adolescentes e jovens empobrecidos (fórum de Londrina). Ações: - Preparaçãoe organização da juventude , em vista da JMJ Rio 2013 - Organização e realização do I seminário Nacional da Juventude. 5. Paróquias - Lugar de Animação Bíblica da Vida Cristã Ações: - Incentivar a leitura diária e Orante da Palavra de Deus. - Oportunizar Cursos bíblicos para os diferentes níveis de pessoas. - Instituir as escolas bíblicas assumindo o método do CEBI. 6. Paroquias como Casas de Iniciação à Vida Cristã Ação: Conhecer e aplicar o RICA. 7. Comunicação Interparoquial - Reservar uma página no Agir e Calar. - Aproveitar o site da Província. - Fazer intercâmbios dos Informativos Paroquiais. - Criar o site das Paróquias. - Guia Josefino de Pastoral Paroquial: foi criada uma comissão para atualizá-lo. 8. Regionalização das Paroquias Sul: Rio Grande do Sul e Paraná Sudeste - Centro: São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília Norte e Nordeste: Bahia, Ceará, Maranhão e Pará 9. SEMINÁRIOS DAS PARÓQUIAS Regional: de dois em dois anos; próximo em 2014 Nacional: de três em três anos; próximo em 2016, em Brasília. 10. OUTROS COMPROMISSOS 1. Programa de formação para os párocos – Responsabilidade do Conselho Provincial 2. Atualização do Plano Josefino de Pastoral: Responsáveis: Sul: Pe. Bruno e Daniela; Centro: Pe. Marcelino e Marcia; Norte/Nordeste: Pe. Carlos e Ary 3. Seminário Nacional da Juventude – 2014: Responsabilidade: Pe. Gabriel e paróquia.

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Associando conhecimento à

responsabilidade social om sede em Caxias do Sul-RS e tendo iniciado suas atividades acadêmicas em fevereiro de 2012, a Faculdade Murialdo vem conquistando seu espaço no universo das instituições de ensino superior da região. É evidente que deve ser lembrado que a marca “Murialdo” já possui um reconhecimento com mais de 70 anos de história no campo da educação. Agora, ultrapassando o foco da Rede de Colégios Murialdo que se volta para a Educação Básica, a Mantenedora – Instituto Leonardo Murialdo –

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acredita no espaço do Ensino Superior. Vê aqui um campo desafiador de apostolado, ou seja, um novo areópago de apostolado. Trata-se de ir onde o jovem está. E pode-se constatar: ele está no ensino superior. A instituição leva para o ensino superior sua experiência educacional que a tem consagrado como referência no setor educacional. Sem deixar de lado a temática da responsabilidade social, de sua identidade mística, tem certeza da necessidade de se envolver nesse processo de construção de um novo jeito de viver


COTIDIANO Pe. Joacir Della Giustina

e conviver: da justiça e da harmonia nas relações sociais e socioambientais. A dimensão transcendental presente em cada ser humano o impulsiona para fazer o bem. E fazer o bem é a única chance que esse ser possui para ser feliz. Junto à oferta do conhecimento técnico-científico, a Faculdade Murialdo está disposta e se propõe a apontar caminhos de luz. No primeiro semestre, a Faculdade Murialdo ofereceu três cursos, a saber: Graduação em Administração (4 anos), Tecnólogo em Agronegócio (3 anos) e Tecnólogo em Sistemas para Internet (2 anos e 6 meses). Também ofereceu Curso de Extensão Universitária para Educador Social. A procura superou o número de ofertas de vagas (60). Para 2013, está projetada a implantação de outros três novos cursos. A Instituição está aguardando a avaliação e pronunciamento do Ministério da Educação e Cultura - MEC.

Talvez se possa afirmar que a grande marca do 1º Semestre, além desse espaço familiar de convivência entre docentes e discentes, tenha sido a realização do I Seminário de Empreendedorismo Social. Os alunos das disciplinas de Iniciação à Administração, Produção Textual e Ética, Cidadania e Responsabilidade Social tinham como trabalho a ser apresentado para avaliação semestral a elaboração de um projeto de responsabilidade social. Os trabalhos, na linha da interdisciplinaridade, deveriam prever as possibilidades de implantação e execução. Com visitas e relatos de experiências bem sucedidas, os alunos se envolveram de tal forma que a ideia da responsabilidade social passou a ser um compromisso do cidadão. Pe. Joacir Della Giustina Diretor da Faculdade Murialdo

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Capítulo Ger dos Jo Caminhos Representantes dos Josefinos reunidos em Assembléia

m Buenos Aires, Argentina, de 04 a 23 de junho de 2012, foi realizado o XXII Capítulo Geral da Congregação dos Josefinos de Murialdo. Reuniu 35 religiosos, vindos dos quatro continentes. Trata-se do evento maior da entidade e acontece a cada seis anos. Esse foi o 2º realizado fora da Itália; em 2006, foi realizado em Fazenda Souza, Caxias do Sul. Este momento especial foi preparado com antecedência em todas as províncias e comunidades e obras da congregação. Depois de avaliar o sexênio findante, os religiosos procuraram responder aos múltiplos desafios da evangelização dos jovens em tempos de rápidas e profundas transformações, buscando o equilíbrio dinâmico entre missão e espiritualidade. Seguem alguns tópicos referidos na apresentação do Documento Final e que traduzem o espírito do evento: a) A consciência da riqueza e da atualidade do carisma mostram o quão bem poderemos fazer e, à luz e ao calor do carisma, vivermos um período de profunda renovação pessoal e institucional através de um processo

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Delegados do Brasil com Dom Celmo Lazzari

de formação contínua. b) Nesse sentido, vivemos um capítulo “espiritual”; porque consolidarmos a certeza da renovação espiritual segundo o carisma, é o passo mais importante que somos chamados a dar, e um capítulo “pedagógico” porque, para nós Josefinos, com vocação de educadores, deixar-se educar cada dia por Deus, escutar a sua voz,


Fotos: Divulgação

COTIDIANO Pe. Raimundo Pauletti

ELEIÇÃO DO NOVO CONSELHO GERAL

Além de definir as novas diretrizes, os capitulares elegeram o novo conselho geral (foto):

al da Congregação osefinos de Murialdo de esperança ler os sinais dos tempos à luz da Palavra são compromissos necessários no sentido da nossa vida e do nosso serviço aos jovens. c) O carisma foi a luz que iluminou os nossos pensamentos, aqueceu os nossos corações e indicou as veredas do nosso caminho. Assim, o capítulo foi “carismático”; nele conseguimos absorver o ensinamento de São Leonardo Murialdo. d) A visão para os próximos anos: uma congregação renovada espiritualmente, apaixonada por um carisma que apaixona, internacional e intercultural, aberta aos leigos na Família de Murialdo. e) A missão: com os jovens e para os jovens pobres, renovamos a nossa consagração de Josefinos para ter vida em Cristo. f) Confiamos a São José nosso caminho: seu diligente cuidado de Jesus vele sobre a renovação da nossa família religiosa no contexto da Família de Murialdo; seu exemplo de educador nos ajude a viver a vocação que recebemos.

Pe. Mário Aldegani (italiano) foi reeleito Superior Geral; Pe. Alejandro Bazan (argentino), vice-geral; Pe. Fidel Anton (Espanha) e Túlio Locatelli (italiano), conselheiros; o brasileiro, Pe. Juarez Murialdo Dalan, natural de Fazenda Souza, Caxias do Sul, RS, foi eleito ecônomo, tendo também a missão de coordenar o setor dos projetos solidários da congregação. A Província Brasileira foi representada pelo provincial, Pe. Raimundo Pauletti, Pe. Antônio Lauri de Souza, Pe. Juarez Murialdo Dalan e Pe. Ernesto Camerini. Na abertura do capítulo esteve presente também Dom Celmo Lazzari, bispo do Vicariato do Napo, Equador.

Desafios: Iniciamos o novo sexênio com esperança, e comprometidos na superação dos desafios: diante do envelhecimento e a redução dos religiosos, priorizar a pastoral vocacional; a importância da formação continuada para a renovação da consagração dos religiosos josefinos; a educação cristã dos jovens pobres. Tesouro: Concluímos a síntese das linhas básicas da nossa vida e missão da congregação para os próximos seis anos, com um texto que evidencia a importância do carisma: Constatamos com alegria que nossa pastoral Josefina continua sendo no mundo um sinal de esperança para muitos, permitindo que sejamos reconhecidos como educadores cristãos dos jovens. Cada um de nós carrega em si uma marca carismática que nos torna reconhecidos: é um tesouro, acumulado na história e na vida de nossa congregação, que devemos cuidar e fazer crescer com amor para responder à emergência educativa do nosso tempo. Pe. Raimundo Pauletti Provincial da Província Brasileira e delegado do Capítulo Geral

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COTIDIANO Pe. José Bispo de Souza

BOTE FÉ em preparação à Jornada Mundial da Juventude PLANALTINA – DF

Foto: Divulgação

A Paróquia Santa Rita de Cássia, de Planaltina – DF, também está preparando a Jornada Mundial da Juventude – JMJ. No dia 13 de maio, reuniu uma juventude empolgada, cheia de graça e ansiosa pela presença da Santa Cruz Peregrina e o Ícone da Nossa Senhora. No domingo, por volta das 6h30min, os símbolos sagrados da JMJ chegaram e foram acolhidos por todas as comunidades de Planaltina e Paróquias ali representadas: São Sebastião, Santa Luzia, Nossa Senhora do Calvário, São Vicente de Paula e Nossa Senhora da Aparecida. A chegada dos símbolos foi muito aplaudida. Durante as orações, muitos dos presentes se emocionaram, deixando-se inundar pela força que emana da Cruz. Com a ajuda da Equipe de Apoio da Arquidiocese, todos puderam se aproximar e tocar na Cruz durante a procissão de saída. A acolhida com a bênção do Pe. Zezinho e a rápida passagem dos símbolos da JMJ em nossa Paróquia foram o melhor chamado de Deus aos jovens a participarem da JMJ Rio 2013, um momento de encontro único com Jesus Cristo ressuscitado. Brasília está em festa e, se depender da alegria dos jovens da Capital Federal, a Jornada Mundial da Juventude – Rio 2013 – será irradiante. Irradiante de alegria, fé e orgulho de ser cristão, orgulho de ser de Deus, porque o “Bote Fé” mostrou que muitos jovens buscam a cada dia uma vida plena, na santidade. Confesso que eu senti uma sensação maravilhosa ao tocar a Cruz. Senti a Comunhão com toda a Igreja. Não tenho palavras... É difícil descrever de fato o que eu senti. Senti a presença da juventude, a comunhão com o Papa Bento XVI. Essa cruz, que foi a mesma cruz que o Beato João Paulo II abençoou, já andou por boa parte do mundo e hoje esteve aqui como uma oportunidade única. Para mim, foi uma grande alegria! Padre Zezinho (José Bispo de Souza) Vigário da Paroquial Santa Rita de Cássia de Planaltina- DF

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FORMAÇÃO

Foto: Divulgação

Pe. Marcelino Modelski

“

Mais de 180 mil devotos participaram da homenagem a São Jorge, na Igreja em Quintino (Jornal O Dia 24.04.12)

”

ESPIRITUALIDADE um jeito de POPULAR viver a fé m encontro de teólogos, biblistas, catequistas? Um Congresso Eucarístico? Nada disso. Mas uma romaria, caminhada, devoção, piedade, religiosidade popular, espiritualidade popular. Na festa de São Jorge, em Quintino – RJ, reuniram-se neste ano de 2012 mais de 180 mil devotos. Levaram flores, acenderam velas, muitas velas, fizeram tatuagens no corpo, vestiram a camisa do santo, participaram devotamente da santa missa, fazendo suas ofertas e levaram imagens, fitas. Não saíram sem a bênção com a água benta. Queremos fixar nosso olhar na espiritualidade nascida deste chão. Naturalmente estamos falando da espiritualidade de 98% dos católicos. Esses devotos são todos católicos batizados. A grande maioria esquecida e abandonada pela Igreja. A mensagem do evangelho não chegou até eles. São filhos de uma religião social e de cristandade. Sabemos que se 2% dos católicos quisessem participar da missa dominical, não haveria igrejas suficientes.“Um povo com práticas de religiões naturais primitivas combinadas com a fé católica”. Essa

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prática religiosa e cultual não está centrada em Jesus Cristo e suas exigências, resultado de uma evangelização deficiente.

de culpa, os pedidos de proteção, as promessas, as oblações expiatórias. Trata-se de uma religião de bênçãos e de salvação, onde não interessa, É uma espiritualidade propriamente, a atitude de vida, a conversão, a prática do bem. No cristã que integra o centro não está Deus a ser servido corpóreo, o sensível, e glorificado, mas a pessoa na procura da satisfação das necessidades o simbólico e as básicas da vida: saúde, alimento, necessidades mais proteção, felicidade neste mundo, a salvação eterna”.

Além de pouco cristãos, são, menos ainda, eclesiais. Faltam-lhes uma consciência e uma prática comunitária. São marcados pelo individualismo, pela busca do próprio favorecimento, pouco ou nenhum senso de bem comum e de comunidade. O documento de Medelin já faz esta concretas leitura: “A participação desses não evangelizados na vida do culto oficial é quase nula e sua adesão à organização da Igreja quase escassa”(13). É esclarecedora a definição do Frei Alberto Beckauser:“Esta religiosidade caracteriza-se pela relação com um Deus conceito, um Deus Criador, um Deus distante, vingativo, que deve ser aplacado. Importa estar bem com ele, sobretudo através de intermediários, os santos. Surge uma religião de caráter fortemente penitencial. Manifestam-se intensamente os sentimentos

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das pessoas

A Conferência de Medellin pede um olhar de profunda acolhida da fé que nasce desse rebanho. Diz: “A fé chega ao homem sempre envolta numa linguagem cultural e em sua religiosidade natural podem encontrar-se germes de um chamado de Deus” (13). E convida a Igreja a descobrir “nessa religiosidade a secreta presença de Deus, a luz da verdade que ilumina todos os povos, a luz do verbo presente já antes da pregação do evangelho, e fazer frutificar essa semente. Sem quebrar a cana e sem apagar a mecha fumegante, a Igreja aceita com alegria e respeito, purifica e incorpora


FORMAÇÃO

Fotos: Divulgação

Pe. Marcelino Modelski

ao tesouro da fé os vários elementos religiosos e humanos que estão presentes nessa espiritualidade como semente do Verbo”(14) Não podemos considerá-la como modo secundário da vida cristã, porque seria esquecer o primado da ação do Espírito e a iniciativa gratuita do amor de Deus. A espiritualidade popular contém e expressa um intenso sentido da transcendência: “é a capacidade espontânea de se apoiar em Deus , uma verdadeira experiência de amor, uma expressão de sabedoria sobrenatural, porque a sabedoria do amor não depende de cursos teológicos, conhecimento de doutrinas, mas da ação interna da graça”. É uma espiritualidade cristã que integra o corpóreo, o sensível, o simbólico e as necessidades mais concretas das pessoas. Aparecida nos convida a lançar as redes ao mundo, para tirar do anonimato aqueles que estão submersos nos esquecimento e aproximá-los da luz da fé. Não sendo possível evangelizar o povo católico

senão a partir do que o povo crê, aprecia e pratica como seu, é preciso que os pastores e todos os agentes de pastoral aprendam a conhecer, apreciar e participar das expressões da religiosidade popular. Se assim não for, os discípulos missionários jamais alcançarão o povo com a mensagem do evangelho e muito menos o levarão à vida eclesial, ao discipulado e à missão. Como não considerar procissões a via-sacra, o rosário, como celebrações do mistério pascal? Finalmente, o desafio de uma nova evangelização. Para não acontecer que continuemos a ser um país muito católico, porque batizado, pouco cristão, e menos ainda eclesial, toda a Igreja terá de engajar-se numa nova evangelização. Terá de anunciar Jesus Cristo e iniciar o povo na vida cristã a partir do que o povo crê, aprecia e tem como seu, particularmente, da sua religiosidade e de sua piedade. Pe. Marcelino Modelski Pároco da Paróquia São Jorge – Quintino - RJ

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A alegria n達o chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender n達o pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria. (Paulo Freire)

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CAPA Alecson Marcon

O educador que educa com emoção consegue enxergar no aluno a potencialidade que este carrega em sua essência. Essa é a síntese da missão de educar com amor. Educar é possibilitar ao educando condições de realizar seus objetivos, superar suas limitações e realizar seus sonhos. Quem educa com emoção e amor tende a conduzir o outro à transcendência. O educador é a pessoa que usa de sua plenitude para preparar os educandos para a vida e para os desafios que esta os reserva e exige. São Leonardo Murialdo foi o líder que educou com emoção. E fez da emoção uma arte em profetizar, levando crianças, adolescentes e jovens a dinamizarem seus ideais, superando seus limites e desafios. Que cada educador possa em sua totalidade fortalecer em cada educando a paixão pelo aprender. Quando tratamos e falamos de emoção na arte de educar, faz-se necessário escutar o que os educadores têm a nos ensinar no que tange a educação através da emoção, do carinho e afeto. Em seguida, seguem alguns comentários de professores que fazem de suas aventuras educacionais o viés para uma educação com emoção.

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CAPA Alecson Marcon

Educar exige emoção A filosofia de Murialdo tem como princípio “Educar o Coração”. Ele dizia que “os jovens de hoje serão os cidadãos de amanhã. Como hoje são educados, assim serão na sociedade”. Só amamos o que conhecemos, e cabe ao professor conhecer integralmente cada um de seus alunos. Educar é uma obra de amor e o papel do educador é exercer a sua vocação com emoção, para que os educandos sintam-se contagiados e motivados. Normalmente, no ambiente escolar, temos como prioridade ensinar os conceitos lógicos, mas esquecemos de focar no que rege a aprendizagem: a EMOÇÃO. A emoção é fundamental para a memória e para o aprendizado. A experiência, aliada à emoção, é o verdadeiro conhecimento. Sabemos que nem todas as emoções são prazerosas, mas todas as emoções são válidas e devem ser vividas e apreendidas. Equilibrá-las é a chave para a uma vida com qualidade. Trabalhar com emoção e afetividade em sala de aula não é

simplesmente tratar o aluno como querido, especial, ou simplesmente dizer que o ama constantemente; é conhecê-lo, interagir com ele. Esse conhecimento gera respeito, e isso torna o aluno capaz de sonhar e de pensar, fortalece uma geração que imagina utopias e luta para a concretização delas; que se impõe metas e não tem medo de tentar alcançá-las em qualquer idade. Assim, se quisermos construir um mundo melhor, nós, educadores, pais, familiares, temos um papel muito importante na educação, que vai além de passar conteúdos, pois logo ficarão superados pela rapidez da informação. Precisamos desenvolver habilidades, valores e atitudes, e aprender a usar os recursos que possibilitam este desenvolvimento emocional, pois isso fará a diferença na qualidade do viver e se manterá por toda a vida. Isso está ao alcance de toda a pessoa que queira fazê-lo. O importante é Educar o Coração. (Aurea Maria de Abreu - Coordenadora Pedagógica do Colégio Murialdo de Ana Rech)

Educar com emoção é educar com o coração A emoção está ligada à educação. Mas como pode ser definida a palavra emoção? Segundo Wallon (apud GALVÃO, 1995), entende-se por emoção as formas corporais de expressar o estado de espírito da pessoa, manifestações físicas, alterações orgânicas, como frio na barriga, secura na boca, choro. A emoção, assim como o sentimento e o desejo, é uma manifestação da vida afetiva, um papel fundamental no processo de desenvolvimento humano. Quando nasce uma criança, todo contato estabelecido com as pessoas que cuidam dela é feito via emoção. Uma aula ministrada com emoção é uma aula com entendimento. Nada se realiza se não passar do cérebro para o coração. Como cita Paulo Freire (1998), “Ser sábio é saber que nenhuma mudança é possível sem a magia do amor”. Emoção é fazer com paixão, entusiasmo e alegria a sua prática pedagógica. O professor que prepara a sua aula deve oportunizar situaçõesproblemas dentro do assunto proposto, de forma que os alunos possam pensar, ler, raciocinar, criar, experimentar, descobrir

situações novas para solucioná-las. Dessa forma, o professor trabalha com o emocional dos alunos, proporcionando a eles o espaço de descobertas, onde possam vivenciar inúmeras possibilidades de expressão, internalizar conceitos, verbalizar o seu jeito de ver o mundo, se reorganizar internamente, buscando respostas às suas perguntas e inquietações, compreendendo e refletindo sobre o mundo que os cerca. O maior desafio é exercitar diariamente duas coisas: a nossa humildade e a nossa autodisciplina. As conquistas devem ser apreciadas com gosto, sejam elas do tamanho que forem. As dificuldades deverão ser superadas em conjunto, deixando como resultado sempre uma lição de vida. O sucesso de uma educação com emoção só é possível quando o grupo está comprometido espiritualmente com o todo e com uma total harmonia. São Leonardo Murialdo já praticava a educação com emoção quando acolhia crianças e jovens das ruas de Turim e proporcionava a eles uma educação do coração, envolvendo-os numa formação integral: espiritual, profissional, social e humana. Era, além de educador, amigo, irmão e pai. Educar com emoção é educar com entusiasmo, acreditar na força que as pessoas têm de transformar a própria realidade e o mundo. A educação com emoção deve vir de dentro para fora, brotar do coração de cada um de nós. Educar com emoção é educar para a vida, para o belo, para o singelo, para o humano, para o singular, para o simples, para o que tem significado, para a acolhida. Educador é aquele que cativa, acompanha, cuida e ama. (Adriana Andreazza, Jeanquele Nicolini Speth e Michele Buske – Professoras Murialdo Ana Rech)

Que os educadores, que desenvolveram os textos acima, juntamente com todos os educadores murialdinos, possam ser multiplicadores de sonhos, esperanças e alegrias a cada criança, adolescente e jovem que passar por suas vidas. Que esses educadores tenham, como foco primordial, a arte de educar, a verdadeira e mais contagiante categoria do saber, ou seja, a Pedagogia do Amor! Alecson Marcon (Vice-Diretor – Murialdo Ana Rech)

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FORMAÇÃO Pe. Geraldo Boniatti

São Leonardo Murialdo

em tempos de política no Brasil

Brasil parece ser um país campeão em eleições políticas. De fato, a cada dois anos somos convidados a digitar nosso voto, nas urnas eletrônicas, para eleger presidente, senadores, deputados federais, governadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores. Neste ano de 2012, o convite para exercer nosso direito de voto foi feito para outubro. Embora essa modalidade de convocar os cidadãos para eleições seja sem dúvida uma gasto imenso para a nação, não deixa de ser um especial momento democrático. A Constituição brasileira, aprovada em 1988, descreve em seus particulares não apenas o exercício democrático em si, mas também toda a legislação de como deve caminhar a nação, em todos os seus aspectos, para que cada pessoa

possa gozar de plenos direitos e participar com seus deveres para o bem de todos os cidadãos. A eleição de cidadãos para cargos eletivos é justamente para garantir a harmonia entre todos num crescente progresso, que possa proporcionar vida mais plena. Feita essa breve introdução, bastante incompleta, as eleições se fazem necessárias não apenas para preencher cargos de liderança na nação, mas para encontrar renovadas ideias e concretizar novos projetos para solucionar problemas que envolvem a população. E desses temos muitos: na economia, na saúde, na educação, no trabalho, na comunicação, na proposta de valores que dignifiquem a pessoa humana, nas relações entre os cidadãos e nas

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documento social da Igreja (1891), onde estão descritos relações com as demais nações. os princípios cristãos dos direitos e deveres do mundo do Relendo a história do início da era industrial, na Itália, trabalho. Comunicação, imprensa, organizações sociais, por volta de 1850, encontramos Leonardo Murialdo, um educação, formação profissional, participação de todos, sacerdote, que, além de entender de sua missão como direitos e deveres, eis a atividade diuturna de Murialdo, padre, entende que deve agir junto às forças sociais, não para salvar todas as pessoas, porque são um mistério, apenas no aspecto religioso, mas também com ações nascidas do coração de Deus. Por causa desta origem políticas específicas. Jovem padre, apenas saído da divina, todos devem se empenhar para não desfigurar universidade de Turim, carrega dentro de si ideais novos, nenhuma pessoa, porque estará desfigurando a si mesmo. aproveitando as brechas democráticas da confusão política Mas agora é a nossa vez. Hoje, graças a Deus, não do tempo, para se impor e exigir, em todas as frentes, o nos faltam informações (nem todas corretas), não nos compromisso dos cidadãos para uma Itália mais unida, faltam Redes Sociais, não faltam organizações (sindicatos, mais democrática, mais rica em humanidade. São suas associações...). Mas infelizmente continua faltando boa estas palavras: educação, faltando preparação profissional para os jovens, “A democracia é ascensão da massa popular,dos faltam utopias, princípios cristãos, unidos a outros bons humildes, dos agricultores, dos operários para uma maior princípios que criem uma cultura de paz, de justiça, de instrução e moralidade: uma melhor distribuição dos bens, verdade e de amor. Faltam condições de saúde para nossa e uma maior participação do povo na vida civil e pública, população: doenças físicas, psíquicas e, por que não dizer, na liberdade e na paz. A igreja está com a democracia. O também doenças morais, em que a vida futuro é da democracia; cabe a nós fazer esta democracia ter princípios cristãos Murialdo está entre os é banalizada, descartada, enfeiada, desfigurada, matada. e não demagógicos. Os católicos devem 20 sacerdotes que Eis a necessidade de se entrar nas amar a sociedade e trabalhar para que forçaram o Papa Leão XIII eleições deste ano com consciência a sociedade viva princípios cristãos”. transparente, sem medo, colocando no a publicar a encíclica Ainda que na época não houvesse centro a vida de cada pessoa e escolher proibições para que representantes do RerumNovarum, o os representantes mais dignos para que clero participassem como candidatos, primeiro documento social defendam e concretizem o que a Constieste caminho não foi percorrido por tuição garante para todos os cidadãos. da Igreja (1891) Murialdo; dedicou-se com sabedoria, em Ninguém pode negociar seu voto por todas as frentes da sociedade, para que qualquer banalidade. Não podemos mais continuar fossem eleitos representantes que de fato garantissem convivendo com a impunidade, com a corrupção comuma vida mais digna para todos. Tinha convicção de que provada, com o descaso pela vida, com a falta de os cleros, os eclesiásticos, não deviam empenhar-se oportunidades iguais dentro da sociedade. somente no serviço do altar e da igreja, mas sair da sacristia e dedicar-se com empenho a todas as obras que ajudam O Brasil, no campo internacional, está dando demonsa melhorar a dimensão moral e civil da sociedade. trações de seriedade na condução da economia. Está dando uma lição também de solidariedade interna e externa Murialdo participou, desde 1857, da organização dos na acolhida das pessoas; de política internacional, em não comitês eleitorais, junto aos mais pobres, orientando-os a aceitar todas as imposições externas. Mas existem muitas fazerem boas escolhas em seu direito de voto. Ele se escravidões ainda, justamente no campo econômico, nos envolveu profundamente porque o direito dos operários condicionamentos em campo de pesquisa, na injusta não estava sendo respeitado. A educação não está bem e apenas é oferecida às classes mais elevadas. As crianças, distribuição de bens interna, por causa da imposição externa os adolescentes e os jovens, que são muitos, não têm (produção de alimentos para que os de melhor qualidade, perspectivas para o futuro. Estão abandonados. A imprensa sejam exportados, faltando para nossos irmãos brasileiros). não informa e não forma corretamente. Faltam escolas A ladainha seria muito longa ainda. que preparem profissionalmente os jovens para o futuro. Penso que nós, família de Murialdo, não podemos ficar Faltam organizações sociais que garantam um caminhar em silêncio. Vamos partir do que estamos realizando, menos inseguro entre todos. É preciso criar uma cultura mostrando o trabalho de qualidade junto aos mais pobres que coloque a pessoa no centro e não o lucro. Murialdo e vamos provocar uma maior participação de todos, com dizia:“é maldito o trabalho que esmaga a vida em botão e novos projetos para salvar as pessoas. Se o Carisma de quebra a juventude em flor. É maldito aquele trabalho que Murialdo nos está apaixonando, o dito: “para que ninguém produz riqueza, criando miséria, que dá a alma à máquina se perca” deve fazer parte de nossa oração, ação e e a tira do homem” provocação. O empenho de Murialdo para uma organização social digna para cada pessoa se estendeu até o fim da vida. Ele Pe. Geraldo Boniatti Diretor do Colégio Murialdo de está entre os 20 sacerdotes que forçaram o Papa Leão Ana Rech - Caxias do Sul - RS XIII a publicar a encíclica Rerum Novarum, o primeiro

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FORMAÇÃO Pe. Geraldo Boniatti

Para refletir: - Você lembra em que candidatos votou nas últimas eleições municipais? - Você acha que o eleito cumpriu com o dever de bom cidadão para o bem de todos? - Por que existe tanto dinheiro (euros) para salvar os Bancos europeus e não tem dinheiro para matar a fome em tantas partes do mundo? - Se você fosse candidato e fosse eleito, o que faria de bom e bem? Não dá para propor isto para o seu candidato? - Você acha que se todos os estudantes (também universitários...) saíssem às ruas pedindo o fim da corrupção deslavada (a exemplo dos caras pintadas que derrubaram Collor), poderíamos ter um Brasil mais ético? - Você acha que estamos todos enfeitiçados pelas novas tecnologias, com utopias baratas, com uma proposta de acomodação, zona de conforto, onde a mesmice e o egocentrismo estão destruindo a solidariedade?

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MARCAS DO QUE SE FOI Pe. Cornélio Dall’alba

Pe. Cornélio e Pe. Carlos:

50 Anos dedicados ao Sacerdócio

Pe. Cornélio Dall’Alba Lema jubileu: Deixemos agir a Providência. Ela nos vê melhor do que nós mesmos e faz bem todas as coisas (Murialdo). No dia 19 de agosto, centenas de pessoas, entre familiares, religiosos, amigos e vocacionados, reuniram-se na paróquia Nossa Senhora de Caravaggio de Ana Rech, Caxias do Sul, para celebração do Jubileu de Ouro Sacerdotal do Pe. Cornélio. Primogênito da família de Juvina Cuzer e Albino Dall’Alba, nasceu no município de Nova Trento, hoje Flores da Cunha, capela de São Valentim, paróquia de Ana Rech, dia 11 de setembro de 1935. Passou a infância junto aos avós e tios, os quais colocavam a religião em primeiro lugar. A vocação sacerdotal nasceu e cresceu no ambiente. Aos 10 anos, em 1945, ingressou no Seminário de Fazenda Souza. Em 1951, realizou o noviciado e emitiu os primeiros votos. Devido a problemas de saúde, não realizou o curso de Filosofia com seus colegas, em São Leopoldo. O provincial, Pe. João Schiavo, enviou-o para o Seminário de Fazenda Souza. Lá teve aulas de Filosofia e, nos anos de 1955 a 1957, fez o magistério. No final de 1957, juntamente com Carlos Paludo e outros josefinos, iniciou os estudos de Teologia em Viterbo, Itália. Lá permaneceu por cinco anos. No dia 18 de março de 1962, foi ordenado sacerdote e foi transferido para Ana Rech, no Colégio Normal Rural. De 1963 a 1967, retornou para o Seminário em Fazenda Souza. Em 1968, foi transferido para o Abrigo de Menores de Caxias, onde ficou até meados de 1972. A nova obediência o conduziu ao Seminário São José de Orleans. Aí dedicou grande parte de sua vida aos seminaristas e, durante 20 anos, foi animador vocacional nas escolas do sul de Santa Catarina. Em 1966, foi transferido para Porto Alegre para acompanhar os postulantes. Em 1997, foi enviado para a Itália para o curso de Mestres de noviços. E, em 1999, foi enviado para Caxias do Sul para assumir o noviciado. Em 2008, a obediência o reconduziu para Orleans, onde começou a nova modalidade de Seminário: o Seminário Doméstico. De 2010 a 2011, a Providência o guiou pelo caminho da dor (trigêmeo) e o retirou da vida ativa. Em 2011, retomou suas atividades no Seminário de Orleans.

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Pe. Carlos Paludo e Pe. Cornélio Dall’Alba celebraram o Jubileu de Ouro Sacerdotal em 2012. Ambos foram ordenados em Viterbo, Itália, dia 18 de março de 1962, onde realizaram o curso de Teologia. No mesmo ano, retornaram ao Brasil e, ao longo de meio século, foram e estão sendo discípulos missionários pelos caminhos de Murialdo.

Pe. Carlos Paludo Lema do jubileu: Então Jesus disse-lhes: Vão pelo mundo inteiro e anunciem a Boa Notícia para toda a humanidade (Mc 16, 15). Pe. Carlos celebrou seu Jubileu de Ouro Sacerdotal, no dia 27 de maio, na sua terra natal, comunidade de Nossa Senhora de Caravaggio da Paróquia Nossa Senhora da Saúde, em Cotiporã - RS. Ele nasceu em Cotiporã - RS, no dia 24 de novembro de 1934. Filho de Biasio Paludo e Brígida Sabardelotto, desde cedo descobriu sua vocação para ser padre. Com apenas onze anos, incentivado pela família e pelos professores, ingressou no Seminário Josefino de Fazenda Souza, Caxias do Sul. Emitiu a primeira profissão religiosa no final de 1952 e os votos perpétuos em 1957, na Congregação dos Josefinos de Murialdo. Frequentou o curso de Filosofia no Seminário Maior dos Jesuítas, em São Leopoldo - RS, nos anos de 1953 e 1954, tendo-o concluído no Seminário Maior de Viamão - RS. Em Araranguá - SC, e em Ana Rech, Caxias do Sul, realizou o Estágio Pastoral, até setembro de 1958, quando partiu para a Itália para iniciar os estudos de Teologia, sendo ordenado sacerdote cinco anos depois. No Brasil, celebrou a 1ª missa em sua terra natal, rodeado por familiares e amigos e acompanhado pelo servo de Deus, Pe. João Schiavo. Antes de completar um mês de ordenação, foi enviado para os Estados Unidos, onde, por seis anos, foi professor e orientador de jovens no colégio e seminário. Regressando ao Brasil, realizou diversas atividades em diferentes lugares. Além de Filosofia e de Teologia, graduou-se em Ciências, Matemática e Letras. Foi professor, formador e diretor de Seminário de Fazenda Souza, Araranguá, e Orleans - SC. Dirigiu também colégios, obras sociais e comunidades religiosas. Após seis anos de intensas atividades nas paróquias da Bahia e do Distrito Federal, movido por forte espírito missionário, em 2000 aceitou nova missão, agora na Índia. Por motivos burocráticos, não pôde permanecer no continente asiático. Desde 2005, atua nas novas frentes missionárias da congregação no norte e nordeste do Brasil. Atualmente, com 78 anos, é pároco na periferia da São Luís - MA.

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Fotos: Marcelino Pauletti / Volga

Missa de Ação de Graças do Centenário da Paróquia celebrada no dia 13 de maio de 2012

Ana Rech: celebrando o Centenário

em busca de novos horizontes Paróquia de Nossa Senhora de Caravaggio – Ana Rech completa 100 anos de fundação neste ano de 2012; momento especial para celebrar com alegria e gratidão “100 anos de História, de Trabalho e de Fé” do povo anarequense. Atualmente são 23 capelas que fazem parte desta rede de comunidades, subdivididas em 4 núcleos. A vila de Ana Rech é destaque pelo desenvolvimento industrial, pelas atividades turísticas, pelos valores artísticos (Epopeia do Imigrante) e pela religiosidade de seu povo. Neste centenário da Paróquia, Ana Rech festeja seus 135 anos da fundação e cresce aceleradamente, integrando harmoniosamente os aspectos da cultura da imigração italiana às mais puras tradições gaúchas. Ana Rech é popularmente conhecida como VILA DOS PRESÉPIOS. Do território paroquial de Ana Rech, formaram-se mais duas Paróquias: Paróquia Nossa Senhora da Saúde – Fazenda Souza (25/12/1959) e Paróquia do Menino Deus – Serrano (10/11/1999). As comemorações tiveram início no dia 13 de maio

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de 2012, festa da Padroeira. As festividades prosseguirão até a festa de Cristo Rei. Teremos como ponto culminante a celebração da Pós-Missão, nos meses de agosto a dezembro. A conclusão das festividades do centenário está programada para as festas de final de ano, bem como a festa da Padroeira, em maio de 2013. Ana Rech, em seus 135 anos, já possui o registro de vários centenários em sua história: - Centenário da imigração italiana (1875 – 1975). - Centenário da chegada da fundadora (1877 – 1977). - Centenário da chegada dos monges camaldulenses no Brasil (1899 – 1999). - Centenário da Paróquia (1912 – 2012). - Para 2015, prevê-se o centenário da chegada dos josefinos no Brasil (1915 – 2015). - Também os 50 anos do Concílio Vaticano II (1962), coincidindo com os primeiros 50 anos da Paróquia.


MARCAS DO QUE SE FOI Pe. Bruno A. Barbieri

100 anos é mais que observar o tempo: é contar a história. A Paróquia Nossa Senhora de Caravaggio viveu de perto a saga dos imigrantes Italianos e dos Tropeiros, acompanhou suas lutas e empenhou-se na preservação da fé na família e dos valores cristãos e das tradições. São inegáveis os avanços ocorridos em um século, mas falta romper barreiras nas relações humanas, na dimensão eclesial.

Homenagem aos es paroquianos e às mã

Agradecemos a todos que ajudam e ajudaram a nossa comunidade a crescer, sobretudo na fé. Que o Senhor da Vida, o BOM PASTOR, nos ajude, fortaleça a nossa fé e nos abençoe.

Pe. Bruno A. Barbieri Pároco da Paróquia Nossa Senhora de Caravaggio de Ana Rech – Caxias do Sul - RS Consul italiano, receb do povo de Ana Rechendo a história

“Um povo só é povo e só se mantém povo, se tem uma história. Ana Rech quer sobreviver. Ana Rech tem que manter viva sua história” Pe. João Leonir Dall’Alba

PADRES EM ANA RECH Padres de São José do Hortêncio (1875 a 1884) Padres da Paróquia Santa Teresa (Criada em 20/05/1884) Pe. Giovani Argenta – 12/2/1888 a 1893 Pe. Ferdinando Manente - 25/11/1897 a maio de 1900 Pe. Mariano Rossi - 16/11/1900 a maio de 1902 (Construtor da Pedra Fundamental da Matriz) Pe. Giovani Doberti – 5/7/1902 a outubro de 1902 Pe. Mariano Rossi – 1/3/1903 a 30/4/1905 Pe. Ambrósio Pieratelli – maio de 1905 a julho de 1906 Pe. Mauro Pini – 15/1/1907 Pe. Michele Maria Evangelisti – 1907 a 1/9/1909

PÁROCOS Pe. Timoóteo Maria Chimenti – 1909-1919 Pe. Michele Maria Evangelista – 1919-1923 Pe. Arsênio Renzetti – 1923-1925 Pe. Michele Maria Evangelista – 1925-1926 Pe. Basílio Casadei – 1926

pelo nges Camaldulenses Homenagem aos Mo a em Ana Rech centenário da chegad

Pe. Angelo Gialdini – 1926-1928 Pe. Agostinho Gastaldo – 1928 Pe. Jerônimo Rossi – 1930-1933 Pe. Ulrico Franchi – 1933-1937 Pe. Jerônimo Rossi – 1937-1949 Pe. José Miotto – 1949-1951 Pe. Dario Priante – 1951-1952 Pe. Jerônimo Rossi – 1952-1953 Pe. Ézio Maria Julli – 1953 Pe. Vicente Perón – 1954-1957 Pe. Luís Bonetto – 1957-1960 Pe. Antônio Tomiello – 1960-1966 Pe. Romano Lenzi – 1966-1971 Pe. Lúcio Modelski – 1971-1972 Pe. Gervásio Mazurana – 1972-1978 Pe. Antônio Mattiuz – 1978-1980 Pe. Armando Pietrobelli – 1980-1984 Pe. Celmo Lazzari - 1983 Pe. Valdir Susin – 1984 - 1986 Pe. Pe. Antônio Mattiuz – 1986 – 1995 Pe. Gabriel de Souza – 1996-1997 Pe. Bruno A. Barbieri – 1998...

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PONTO DE VISTA Emiliano Dantas

Por que ser

Josefino de Murialdo hoje? ssa é uma pergunta que não cala e é uma das primeiras interrogações que recebemos quando buscamos abraçar a Vocação Josefina. Certamente, essa mesma pergunta devem fazer para si mesmas as pessoas que nos são próximas ou com quem mantemos algum tipo de contato: Por que esse jovem quer ser religioso, Josefino? Por que não quer ter uma profissão? Uma família? Uma “vida comum”? Tempos atrás, em um retiro, no momento de partilha de vida, sonhos, esperanças e desafios, surgiu entre mim e outro jovem confrade a questão que gostaria de partilhar. Por que ser religiosos Josefino de Murialdo hoje? Estamos no auge de nossas vidas, nossos sonhos, e, ao olhar de quem não compreende muito bem, nos “prendemos” dentro de uma instituição, dentro de um estilo totalmente diferente dos demais jovens da nossa idade. O que nos anima? O que nos motiva? O que nos dá força? Essas perguntas fazemo-nos cotidianamente, e elas nos remetem sempre à mesma resposta. Foi o Jovem de Nazaré, o Galileu, o Carpinteiro, o Filho de José que nos encantou com o seu projeto de vida e salvação, o qual chamou Reino de Deus, e nós compreendemos hoje como a construção de um mundo melhor. Percebemos um sinal explícito deste Reino através da vida e espiritualidade de São Leonardo Murialdo. De alguma forma, Ele nos tocou a ponto de nossa vida não ter mais sentido, senão em uma doação completa por nossos irmãos empobrecidos, jovens e crianças, por vezes, à

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margem desta sociedade. Neles o que chamamos e consideramos “mundo melhor” ganha rosto e atitude. Neles o que chamamos de seguimento e carisma toma forma concreta e humana. Costuma-se dizer que os jovens, também os religiosos, têm ânsia pela revolução, pela crítica, e, simultaneamente, uma enorme dificuldade de se enquadrarem em estruturas hierárquicas, sob ordens e autoridades que firam seus ideais de vida. De nossa parte, compreendemos tudo isso como dinâmica própria da liberdade em novos tempos. Somos jovens livres e, se nos deixamos “prender”, é porque temos consciência de que em comunidade nos fazemos mais fortes, firmes e livres para propormos uma alternativa concretizável de um mundo mais humano, sonho de Deus que assim se fez. Vivemos em plena era de testemunho, mas carentes de profetas, desejosos de humanidade solidária e fartos desta mentalidade de desânimo, relativismo e indiferença. Somos Josefinos de Murialdo, porque temos esperança de que é possível gerar vida ao nosso redor, colocar toda nossa energia a serviço de crianças e jovens empobrecidos, daqueles que não contam para esta sociedade. Somos irmãos! Simplesmente queremos, adequados ao nosso tempo, viver como Jesus viveu, sendo Luz na Vida dos outros nos passos de Murialdo. Emiliano Dantas Noviço


PONTO DE VISTA Pe. Cornélio Dall' Alba

Vou tentar encarnar No corpo de um poema O sacerdote que sou

E enfim o Verbo encarnar-se No meu verbo para estampar o evangelho Nas laudas dos corações?

Dizem que sou outro Cristo Mas como pode ser isto?

Ele é tudo Com o tudo sou tudo também

Como pode brotar tanta vida De um pouco de argila?

Ele é o tronco e eu o raminho Do qual jorram cachos de Eucaristia Ele é o trigo moído transformado em pão Que eu cristifico na consagração

Como podem frágeis palavras Nascer Deus na alvura da hóstia e na fragilidade rubra da uva? Como pode a Trindade proferir o perdão Pelos lábios empurros das mãos? E os meus dedos como pode Elevar até o céu o peso da terra?

Confesso que não sei o que sou Mas sou de Cristo, E com Cristo E em Cristo eu vivo Para o Cristo hoje viver A encarnação.

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NOTÍCIAS

Ir. Augusto Rossi é homenageado com nome em avenida No dia 20 de agosto de 2012, em sessão solene, a Câmara de Vereadores do município de Araranguá - SC, por unanimidade, aprovou projeto que homenageou o religioso Josefino, Irmão Augusto Rossi, concedendo-lhe o nome da Avenida ARA 239. A autoria do projeto foi do vereador mirim Pedro Minari Sprícigo. O atual secretário da câmara e vereador, Eduardo Merêncio, encabeçou, oficializou e apresentou o projeto aos seus pares. “É uma justa homenagem”, discursou Sprícigo. Por sua vez, Merêncio destacou: “estamos agradecendo o trabalho do Ir. Augusto, pois ele era uma referência, viu aquela comunidade crescer”. O prefeito Mariano Mazzuco Neto, presente na sessão, parabenizou a iniciativa. O Ir. Augusto Rossi faleceu dia 24 de setembro de 2011, aos 82 anos. Trabalhou por quatro décadas em Araranguá. Além de eficiente trabalho no Colégio Murialdo, marcou por sua incansável dedicação à Igreja local, sobretudo quando, nos finais de semana, exercia a função de Ministro da Palavra e da Eucaristia em comunidades pobres da paróquia. Foi a segunda vez que o Ir. Augusto recebeu homenagem em Araranguá. Em 2004, ainda vivo, recebeu o título de “cidadão benemérito” de Araranguá em reconhecimento pelos seus esforços na instalação do Campus da Universidade do Sul Catarinense (UNISUL).

Padre Dirceu recebe título honorário de Cidadão de Brasília No dia 22 de maio – Dia de Santa Rita de Cássia –, centenas de fiéis e líderes comunitários lotaram o auditório da Câmara Legislativa do Distrito Federal para a Sessão Solene em homenagem à Santa Rita de Cássia e à concessão do Título Honorário de Cidadão de Brasília ao Padre Dirceu Rigo, Pároco da Paróquia Santa Rita de Cássia em Planaltina - DF. Um dos momentos mais emocionantes da sessão foi quando crianças da Paróquia, vestidas de “Ritinha”, cantaram o hino à Santa. Emocionado, Padre Dirceu agradeceu a homenagem e ressaltou dizendo: “Já me sentia em casa nessa linda terra, Brasília agora é meu berço honorário.” O deputado Raad Massouh, que presidiu a sessão, agradeceu ao religioso pelos serviços prestados à comunidade de Planaltina e ao Distrito Federal. Na função de administrador da Paróquia, Pe. Dirceu conquistou a comunidade por seu carisma, principalmente pela forma responsável com que veio conduzindo a construção da nova Matriz de Santa Rita de Cássia. Ele ganhou notoriedade nacional em 2006, ao entrar para o Guiness Book (Livro dos Record’s) como o primeiro Padre do Brasil a celebrar uma missa em cima do lombo de um cavalo.

Irmão Celeste é “Comendador do Mérito Esportivo-SC” A solenidade de entrega da condecoração aconteceu no dia 10 de dezembro na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. A distinção é em reconhecimento aos relevantes serviços prestados ao desporto catarinense e brasileiro. A indicação do nome do Irmão Celeste foi uma iniciativa da Sra. Michele de Souza Serejo, ex-aluna do colégio Murialdo e atleta do Irmão Celeste. A defesa do nome foi feita com muita emoção pelo professor Rogério Henrique Gonçalves (Chiquinha). Uma delegação, composta de amigos, ex-alunos e admiradores do Irmão Celeste, se fará presente à solenidade para prestigiar o homenageado.

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NOTÍCIAS Deivison é ordenado diácono em Londrina - PR A Paróquia Cristo Bom Pastor de Londrina - PR, no dia 06 de maio, reuniu suas comunidades para a Celebração da Eucarística, durante a qual o Fr. Deivison foi ordenado diácono, pelas mãos do Arcebispo local, Dom Orlando Brandes. No dia anterior, o religioso emitiu votos perpétuos na Congregação dos Josefinos de Murialdo. O novo diácono está concluindo o curso de Teologia na PUC/PR, Campus de Londrina; é formador no Postulado e exerce o diaconato na paróquia onde foi ordenado. Ele será ordenado sacerdote, em Ibotirama, BA, sua terra natal, dia 26 de janeiro de 2013.

Josefinos brasileiros no exterior Diferentemente de outros tempos em que o Brasil recebia grande número de missionários, sobretudo italianos, nos últimos anos percebemos processo contrário. A redução do número de vocacionados e o envelhecimento dos religiosos estão provocando o deslocamento de missionários da América e da Ásia para a Europa. Atualmente, oito religiosos da Província Brasileira estão a serviço de outras províncias: Pe. Orides Ballardin, Itália; Pe. Celso Copetti, Colômbia; Pe. Valdir Susin, México; Pe. Jorge Forini, África; Pe Lídio Roman (foto), África; dom Celmo Lazzari, Vicariato do Napo, Equador; Pe. Nadir Poletto, Itália; Pe. Juarez Murialdo Dalan, Itália. Três deles acabaram de ser eleitos para cargos importantes: Pe. Juarez é ecônomo geral da congregação, reside em Roma, Itália; Pe. Lídio Roman, ecônomo da Província da África, está na Guiné Bissau, África; Pe. Nadir Poletto, mestre do Teologado Internacional da congregação em Viterbo, Itália.

Nos dias 01 e 02 de setembro de 2012,aconteceu o encontro dos ex-seminaristas do Seminário de Fazenda Souza- Caxias do Sul. Foi uma retomada da caminhada, uma oportunidade de matar a saudade e fortalecer a amizade e a espiritualidade. Existe uma memória viva dos tempos de Seminário: colegas de curso, sacerdotes e frateres que marcaram a vida de muitos, experiências vividas, recordações que permaneceram para sempre e valores cristãos que são vivenciados até hoje, mesmo não tendo seguido o sacerdócio. No encontro foi possível alimentar a ideia de produzir algo escrito, como livro ou revista, que possa registrar a história de 70 anos. Estiveram presentes os ex-seminaristas de três gerações: velha guarda, meia-idade e jovens. O encontro proporcionou troca de experiências, esporte e lazer, partilha de vida, celebração da Eucaristia e confraternização através do almoço festivo.

Foto: Marcelino Pauletti / Volga

Encontro dos Ex-Seminaristas de Fazenda Souza

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NOTÍCIAS Londrina inaugura Centro de Pastoral Pe. Severino

Epopeia do Imigrante No dia 23 de abril, foi inaugurada, em Ana Rech, Caxias do Sul, uma grande obra idealizada pelo Pe. João Leonir Dall’Alba. Trata-se da Epopeia do Imigrante, um conjunto de 15 painéis, confecionados pelos artistas plásticos Jesiel Bellini e André Luis Gnatta, com 1m70cm de altura por 2m80cm de largura. Tais obras retratam a trajetória dos primeiros habitantes da vila, entre os anos de 1875 a 1924. A exposição está situada na Rua Leonardo Murialdo, tendo num lado o Colégio Murialdo e no outro o salão da Paróquia Nossa Senhora de Caravaggio. O Primeiro painel destaca a saída da Itália (foto).

O Pe. Cornélio Dall’Alba, no dia 20 de maio, foi homenageado pelos ex-seminaristas e alunos do Seminário de Orleans, reunidos para o encontro anual.

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Foto: Marcelino Pauletti / Volga

No domingo, dia 22 de abril de 2012, aconteceu na Paróquia Cristo Bom Pastor a inauguração do Centro de Pastoral,Pe. Severino Caldonazzo. A inauguração foi realizada pelo Monsenhor Bernardo Gafá (pároco da Catedral de Londrina e Vigário Geral) e pelo Pe. Gabriel de Souza (pároco da Paróquia Cristo Bom Pastor). O evento se deu durante novena da festa do Padroeiro, Cristo Bom Pastor, após a missa das 9 horas, contando com a presença de um grande número de paroquianos e convidados. Após o cerimonial, os presentes foram recepcionados com um coquetel no salão social da paróquia. Essa obra só foi concretizada graças à colaboração dos familiares do Pe. Severino, residentes na Itália, paroquianos, paróquias da Arquidiocese e a Arquidiocese de Londrina. Agradecemos a Deus pelo amor e pela força, ao nosso saudoso Padre Severino, aos colaboradores e a todos que ajudaram para a realização desta obra.

Pe. Cornélio Dal’Alba e Pe. Carlos Paludo, de 11 a 27 de abril, estiveram na Itália para celebrar seu Jubileu de Ouro Sacerdotal, juntamente com colegas de outras províncias da Congregação.


NOTÍCIAS Província tem novo Conselho e ILEM nova diretoria

Conselho Provincial

Diretoria do ILEM

Em Assembleia Capitular, realizada no dia 24 de outubro, em Caxias do Sul, a Província Brasileira dos Josefinos de Murialdo elegeu o provincial e seu conselho para o triênio 20132015. Foram eleitos: Provincial, Pe. Antônio Lauri de Oliveira Souza; Vice, Pe. Carlos Alberto Wessler; Ecônomo, Pe. Renato Fantin (reeleito); Secretário, Pe. Marcelino Modelski. Na oportunidade, foi eleita também a diretoria do Instituto Leonardo Murialdo (filantrópica): Presidente, Pe. Ernesto Camerini; Vicepresidente, Pe. Antônio Lauri de Oliveira Souza; Tesoureiro, Pe. Renato Fantin; Secretário, Pe. Evair Heerdt Michels; Conselheiro, Pe. Adelar Francisco Dias. Ambas as diretorias têm sede em Caxias do Sul e tomam posse no dia 1º de janeiro de 2013 A Congregação dos Josefinos foi fundada em Turim, Itália, em 1873; em 1915 iniciou suas no Brasil, onde atualmente está presente em dez Estados. Atua na área da educação, da assistência social, evangelização em paróquias e missões, priorizando os jovens pobres.

José Bispo de Souza é ordenado Sacerdote No dia 24 de março de 2012, foi ordenado sacerdote o Pe. José Bispo de Souza (Zezinho), em sua terra natal, Paróquia Bom Jesus, em Bom Jesus da Lapa - BA, pelas mãos do bispo diocesano, Dom José Valmor César Teixeira. Pe. Zezinho iniciou sua vida sacerdotal na Paróquia Santa Rita de Cássia, Planaltina, DF, onde exerceu o diaconato. “Fazei tudo o que ele vos disser” (Jo 2, 5) é seu lema sacerdotal. Zezinho nasceu no dia 23 de outubro de 1976, em Bom Jesus da Lapa - BA. É filho de Armando Bispo de Souza e de Alaíde Maria de Souza, ambos falecidos. Sentiu-se chamado por Deus para a vida religiosa e sacerdotal durante sua militância nos grupos de jovens da Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP), em Bom Jesus da Lapa, BA. Em 1996, conheceu a Congregação dos Josefinos de Murialdo na recém-criada frente missionária de Ibotirama - BA. Dois anos depois, ingressou na Casa de Formação Murialdo de Londrina - PR, onde fez o pré-postulado. No ano de 2001, fez o noviciado em Caxias do Sul e, em janeiro do ano seguinte, emitiu os primeiros votos na Congregação. Concluiu o curso de Filosofia em 2003 e, nos dois anos seguintes, realizou estágio pastoral (magistério) em Fazenda Souza, Caxias do Sul. Realizou os estudos teológicos na PUC/PR de 2006 a 2010. Em 2010, participou, em Roma, do curso de Preparação aos Votos Perpétuos, emitidos em janeiro do ano seguinte.

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NOTÍCIAS

Retiro e renovação de votos De 25 a 30 de outubro foi realizado o 1º retiro da província, previsto no Plano 2012; foi orientado pelo Pe. Alejandro Bazan, Vigário Geral da Congregação.

Vida de Fé

Revista em Quadrinhos:

A Província Brasileira reeditou a Revista em Quadrinhos sobre Murialdo. Trata-se da reimpressão de um antigo material sobre a vida de Murialdo, muito atraente e útil para o conhecimento do nosso fundador.

Revista Social: Em 2012 foi também lançada a III Edição da Revista Social apresentando a Ação Social realizada pelo Instituto Leonardo Murialdo e por outras obras ligadas à província.

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Obra divulgada por São Leonardo Murialdo. Em dezembro de 2012, durante o ano da fé, foi reeditado o texto em português - 3ª edição. A primeira foi em 1970 e a segunda, em 2000.


DICAS

Dica de Filme A Invenção de Hugo

Cabret - Hugo Cabret (Asa

Butterfield) é um menino de 12 anos que vive escondido em uma estação de trem na Paris dos anos 30, onde cuida da manutenção de gigantescos relógios, função anteriormente exercida por seu tio desaparecido (Ray Winstone). À noite, usando peças de brinquedos que ele furta de uma loja da estação, o menino tenta consertar um autômato, única lembrança que herdou do pai, para desvendar um enigma. Seus planos, porém, correm perigo quando ele é descoberto pelo dono da loja e pela curiosa Isabelle (Chloë Grace Moretz).

Dica de Livro O COLECIONADOR DE LÁGRIMAS - holocausto nunca mais (Augusto Cury, Editora Planeta, 2012)

Conta a história de um professor que é assombrado todas as noites com terríveis pesadelos da II Guerra Mundial. Mas o pior está por vir quando o homem percebe que seus sonhos podem não ser tão intangíveis assim. Em formato de romance histórico, a edição relata o caso de um professor especialista em Segunda Guerra e que começa a ter pesadelos e insônia, revivendo as atrocidades nazistas. Porém, o protagonista permanece sem reação ao presenciar os horrores propiciados por Adolf Hitler, pois se vê atordoado pelo que acontece. Enquanto este problema se estica pelas noites do professor, de dia, suas aulas passam a ser polêmicas e acaloradas, repletas de debates e exaltações por parte dos alunos e também do professor.

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oddstuffmagazine.com

VOCÊ

SABIA?

O maior violino do mundo é de 4,28 metros de altura, 1,45 metros de largura, e pesa mais de 100 kg; foi fabricado em Markneukirchen, na Alemanha.

Na Cidade de São Paulo, das 15 mil toneladas de lixo recolhidas por dia, cerca de 35% são materiais recicláveis.

Menos de 1% é Reciclado. www.eccosustentavel.com.br

A Coca-Cola teve prejuízo em seu primeiro ano de operação. Nesse período, foram vendidos apenas nove copos por dia do refrigerante. Atualmente, são consumidos 1,4 bilhão de copos de CocaCola todos os dias. ww.maisquecuriosidade.com.br/

- Cerca de 30% do lixo fica nas ruas entupindo boeiros e degradando o meio ambiente.

Era de 400.000 reais o prêmio pela medalha de ouro que cada jogador da seleção brasileira de futebol ganharia pelo título olímpico. Com a prata, foi zero – mesmo José Maria Marin, presidente da CBF, tendo dito publicamente que a segunda colocação “tem um valor enorme”. (Revista Veja, 22.08.2012)

O OMO é a junção das iniciais de Old Mother Owl ("velha mãe coruja"), nome original do produto. ww.maisquecuriosidade.com.br/

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Um jovem de nível acadêmico excelente candidatou-se à posição de gerente de uma grande empresa. Passou a primeira entrevista e o diretor fez a última, tomando a decisão. O diretor descobriu, através do currículo, que as suas realizações acadêmicas eram excelentes em todo o percurso, desde o secundário até a pesquisa da pós-graduação e não havia um ano em que não tivesse pontuado com nota máxima. O diretor perguntou: "Tiveste alguma bolsa na escola?" O jovem respondeu: "Nenhuma". O diretor perguntou: "Foi seu pai quem pagou as suas mensalidades ?" o jovem respondeu: "O meu pai faleceu quando eu tinha apenas um ano, foi a minha mãe quem pagou as minhas mensalidades." O diretor perguntou: "onde trabalha a sua mãe?" E o jovem respondeu: "A minha mãe lava roupa." O diretor pediu que o jovem lhe mostrasse as suas mãos. O jovem mostrou um par de mãos macias e perfeitas. O diretor perguntou: "Alguma vez ajudou sua mãe a lavar as roupas?" O jovem respondeu: "Nunca, a minha mãe sempre quis que eu estudasse e lesse mais livros. Além disso, a minha mãe lava a roupa mais depressa do que eu." O diretor disse: "Eu tenho um pedido. Hoje, quando voltar, vá e limpe as mãos da sua mãe e depois venha ver-me amanhã de manhã." O jovem sentiu que a hipótese de obter o emprego era alta. Quando chegou em casa, pediu, feliz, à mãe que o deixasse limpar as suas mãos. A mãe achou estranho, estava feliz, mas com um misto de sentimentos e mostrou as suas mãos ao filho. O jovem limpou lentamente as mãos da mãe. Uma lágrima escorreu-lhe enquanto o fazia. Era a primeira vez que reparava que as mãos da mãe estavam muito enrugadas e havia demasiadas contusões nas suas mãos. Algumas eram tão dolorosas que a mãe se queixava quando limpava com água. Esta era a primeira vez que o jovem percebia que este par de mãos que lavavam roupa todo o dia tinham-lhe pago as

mensalidades. As contusões nas mãos da mãe eram o preço a pagar pela sua graduação, excelência acadêmica e o seu futuro. Após acabar de limpar as mãos da mãe, o jovem silenciosamente lavou as restantes roupas pela sua mãe. Nessa noite, mãe e filho falaram por um longo tempo. Na manhã seguinte, o jovem foi ao gabinete do diretor. O diretor percebeu as lágrimas nos olhos do jovem e perguntou: "Diz-me, o que fez e que aprendeu ontem em sua casa?" O jovem respondeu: "Eu limpei as mãos da minha mãe e ainda acabei de lavar as roupas que sobraram." O diretor pediu: "Por favor, diz-me o que sente?." O jovem disse: "Primeiro, agora sei o que é dar valor. Sem a minha mãe, não haveria um eu com sucesso hoje. Segundo, ao trabalhar e ajudar a minha mãe, só agora percebi a dificuldade e dureza que é ter algo pronto. Em terceiro, agora aprecio a importância e valor de uma relação familiar." O diretor disse: "Isto é o que eu procuro para um gerente. Eu quero recrutar alguém que saiba apreciar a ajuda dos outros, uma pessoa que conheça o sofrimento dos outros para terem as coisas feitas e uma pessoa que não coloque o dinheiro como o seu único objetivo na vida. Está contratado." Mais tarde, este jovem trabalhou arduamente e recebeu o respeito dos seus subordinados. Todos os empregados trabalhavam diligentemente e como equipe. O desempenho da empresa melhorou tremendamente. A coisa mais importante que os seus filhos devem entender é apreciar o esforço e experiência da dificuldade e aprendizagem da habilidade de trabalhar com os outros para a realização de todos. Quais são as pessoas que ficaram com mãos enrugadas por mim?

Autor desconhecido

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JOSEFINOS DE MURIALDO:

Padres e Irmãos a serviço das crianças, dos adolescentes e jovens em obras sociais, colégios, paróquias e missões.

SERVIÇO DE ANIMAÇÃO VOCACIONAL

Rua Dante Marcucci, 5335 - Cx. P. 584 - Fazenda Souza - Caxias do Sul (RS) CEP: 95001.970 - Fone (54) 3267.1146 - www.josefinosdemurialdo.com.br