Agir e Calar | Dezembro de 2011

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CONGREGAÇÃO DE SÃO JOSÉ JOSEFINOS DE MURIALDO Ano XXXVII - Nº 2 - Edição 102 Dezembro de 2011

Viver e não ter a vergonha de ser feliz Entrevista: Pe. Carlos Paludo Visita Canônica do Superior Geral

é ordenado bispo e assume no Equador 50 Anos do Colégio Murialdo POA



Entrevista

Leonel Wasem dos Reis

Cotidiano

Editorial PARA E COM OS JOVENS POBRES Caro leitor! Os josefinos, e depois toda a família de Murialdo, nasceram para serem discípulos missionários de Jesus a serviço da educação cristã dos jovens. Atentos aos sinais dos tempos procuram dar respostas adequadas à situação dramática dos jovens no seu tempo e contexto. Para e com os jovens é o tema do encontro mundial (Capítulo Geral) da Congregação dos Josefinos de Murialdo que, em junho, irá eleger as novas diretrizes e os novos dirigentes para os próximos seis anos. No dizer do superior geral da congregação, trata-se de um convite para voltar ao “primeiro amor”, o que nos colocou no caminho, nesta família, para estar nos e com os jovens, especialmente pobres, buscando neles o rosto de Jesus. O sonho é manter a proximidade e convivência, pessoal, comunitária e institucional com os jovens, para compreendê-los mais profundamente e sermos percebidos por eles como amigo, irmão e pai, dizendo-lhes, com grande paixão e generosidade, vem, aqui há lugar para você. Amigo leitor! Nesta edição da revista você vai encontrar diferentes respostas dos josefinos do Brasil que procuram responder com fidelidade à missão de evangelizar os jovens: Mereceu atenção especial o tema da mística do educador murialdino, desenvolvido pelo Superior Geral, durante o Seminário da Criança e do Adolescente, que teve como objetivo qualificar os agentes e fortalecer a rede da ação social; ligada ao mesmo tema, confira a reflexão emergente, Pedagogia do Amor, do afeto aos limites. Para continuar com os jovens e preparando-os para o futuro, nasceu a Faculdade Murialdo, sonho acalentado há mais de dez anos. Agir & Calar traz uma entrevista com um líder leigo, voluntário, identificado com a espiritualidade e missão de Murialdo. Para tratar dos assuntos dos e para os religiosos foi criada a Organização Religiosa Josefinos de Murialdo; Encantador é o artigo da Teologia da Vocação, em que trata daqueles “deixam tudo e o seguem”; conheça o grande número de jovens que ainda hoje, com coragem, seguem Jesus pelos caminhos de Murialdo. Não deixe de ler as conclusões do Mês Murialdino, realizado no México; o Seminário de Estudos sobre o Servo de Deus Pe. João Schiavo e o Encontro Nacional das Mães Apostólicas que reuniu mais de 900 associadas. Outro tema desta edição é o Segredo das Relações Humanas e os preparativos para a celebração do centenário da Paróquia de Ana Rech. Os jovens pobres também têm grandes sonhos, venha conosco e sejamos os guardiões dos seus sonhos. Pe. Raimundo Pauletti Provincial Revista da Província Brasileira Josefinos de Murialdo

Revisão Thaís Nascimento

Ano XXXVII - Edição 102 - Número 2 Dezembro de 2011

Editoração, Pré-impressão (CTP) e Impressão Gráfica Murialdo graficamurialdo@graficamurialdo.com.br Fone: (54) 3221.1422

Provincial Pe. Raimundo Pauletti Equipe Técnica Pe. Joacir Della Giustina Pe. Marcionei M. da Silva

Nosso Endereço Casa Provincial - Rua Hércules Galló, 515 Centro - 95020.330 - Caxias do Sul (RS) Fone: (54) 3221.4711 www.josefinosdemurialdo.com.br

Jornalista Responsável Bernardete Chiesa - MTb 10187

Atendimento ao Leitor imprensa@graficamurialdo.com.br

Projeto Gráfico Júlio César Rodrigues Bernardete Chiesa

Encontro Nacional da AMA X Seminário da Criança e do Adolescente Mês Murialdino no México Pe. João Schiavo é tema de estudos Nasce a ORGMUR

Formação

Faculdade Murialdo Por uma Teologia da Vocação

Capa

A Mística do Educador Murialdino

Marcas do que se foi

Ana Rech - A trajetória histórica

Ponto de Vista

Pedagogia do Amor - do afeto aos limites O Segredo nas relações humanas O pinheiro

Notícias

Capítulo Geral ANALAM realiza Congresso Nacional Josefinos terão dois novos Sacerdotes Primeiros Votos Galeria de Fotos Pe. Ernesto conclui MBA 10º ENPJ Campanha da Fraternidade 2012 Na Casa do Pai - Ir. Augusto Rossi

Dicas

Dica de Filme Dica de Livro

Curiosidades

Você Sabia?

Reflexão

O pote rachado

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Tiragem 2.500 exemplares O conteúdo dos artigos publicados são de inteira responsabilidade de seus autores.

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Foto: Adriano Wizer

Leonel com a esposa Rosinha e os filhos Daniel e Talita

“Sonho com um dia não ter mais necessitados entre nós” Nesta edição, a Equipe de redação da revista Agir&Calar entrevistou o presidente da Associação Nacional dos Leigos Amigos de Murialdo – ANALAM, Sr. Leonel Wasem dos Reis. Ele falou de sua vida, sua família, engajamento comunitário, sonhos, mas, de maneira toda especial, de sua caminhada na Família de Murialdo.

A&C: Leonel, fale sobre sua família e sua infância, o que mais marcou sua vida? Venho de uma família muito simples. Meu pai trabalhava muito para nos dar o sustento e foi uma pessoa que buscou oferecer o melhor para todos nós. Minha mãe não trabalhava fora e cuidava da casa. Eles sempre mantiveram o nosso lar em perfeita harmonia. Somos apenas dois irmãos. O que mais me lembro da minha infância foi a liberdade e as amizades que possuía. O que me traz saudade são as brincadeiras de infância que hoje já não existem mais. Brincávamos de esconde-esconde, jogávamos bola, bolinha de gude e tantas

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outras brincadeiras em meio à natureza, e que faziam nossos pais nos verem na hora da refeição e novamente só no final do dia. O que me marcou muito foi a forma como minha mãe construiu a nossa responsabilidade e o nosso caráter: só estávamos liberados para brincar após acabar os deveres de casa. A&C: Conte um pouco sobre sua família. Sempre sonhei em construir uma família. Este foi um desejo alimentado desde a juventude. Hoje sinto que realizei este sonho e vivo num ambiente onde se constroem diariamente as relações familiares e se alimenta a valorização do


ENTREVISTA com Leonel Wasem dos Reis

outro. Nossa família é bastante unida e nos respeitamos mutuamente. Os meus filhos, Talita e Daniel, sempre me deram muitas alegrias na relação comigo e na forma como conduzem sua vida escolar e pessoal. Minha esposa, Rosinha, sempre foi um complemento em minha vida e acreditamos que só tem sentido vivermos juntos se um completar o outro. Assim, para mim, voltar para casa é voltar para um lugar de harmonia, aconchego e amor, onde recarrego as baterias. A&C: E o Leonel da Escola Primária, do Ginásio, do 2º Grau, da Faculdade? Como foi sua vida escolar? Como disse, meu pai sempre buscou proporcionar o melhor para que pudéssemos ter um futuro promissor. Lembro que ele nos matriculou na melhor escola que havia na cidade onde nasci (Canela – RS), e sempre dizia: “a única herança que poderei deixar para vocês é o estudo”. Assim, ele se privou de algumas coisas para poder pagar nosso estudo. Por reconhecer todo este esforço, eu sempre valorizei e me esforcei muito em toda minha vida escolar. Lembro que, possivelmente, a maior surpresa que tenha vivido foi quando, na primeira série do ensino fundamental, os alunos foram levados ao salão da escola para receberem uma premiação pelo desempenho escolar. Na ocasião, fui chamado como primeiro aluno da sala. Deste modo, sempre me dediquei aos estudos, primeiro porque reconheci o esforço de minha família e segundo porque preciso desfrutar da herança que meu pai me deixou. A&C: Você, em sua infância e juventude, teve alguma ligação com a Igreja? Como fiz toda a formação básica em uma escola Marista, tenho uma influência católica muito grande em minha vida. Quando terminei o ensino fundamental mantivemos, com alguns colegas, um grupo de jovens que resolveram se dedicar, nos finais de semana, a proporcionar recreação às crianças de um bairro pobre da cidade. Esta ação nasceu dos encontros mensais que os Maristas promoviam chamado de “Manhãs de Formação” em que rezávamos, meditávamos e nos comprometíamos com quem mais necessitava. Eu fui o líder deste grupo de jovens por alguns anos e contribuíamos para que o bairro que poderia

virar uma favela se transformasse em um local onde as pessoas colaboravam umas com as outras. Participamos, do que, na época, eram as sementes das Comunidades Eclesiais de Base. A&C: Como os Josefinos de Murialdo apareceram em sua vida? Quando vim morar em Caxias do Sul procurei manter minha ligação com a igreja local. Passei a residir perto da paróquia Murialdo e comecei a me identificar bastante com a forma que os religiosos conduziam aquela comunidade.

Todo cristão batizado tem a obrigação de propagar e anunciar o Reino de Deus Assim, mantive sempre a participação nas missas da paróquia Murialdo. Depois de casado fiz o Cursilho e conheci um amigo que participava dos Leigos Amigos de Murialdo e ele me convidou para conhecer mais os religiosos Josefinos e o trabalho com as crianças e adolescentes empobrecidos do Centro Técnico Social. Depois que mantive contato com eles e com o trabalho com as crianças, me identifiquei com seus valores e, desde então, sinto que fazem parte de minha vida e de minha família. A&C: Como você descreve a experiência de participar das Colônias de Férias e dos passeios a Bombinhas (SC) com as crianças e adolescentes empobrecidos? Dizem que você costuma dar prioridade a essas convivências. Para mim sempre foi uma experiência sem preço poder participar destes momentos de convivência com as crianças e adolescentes atendidos no Centro Técnico Social. São momentos em que nos sentimos úteis e podemos passar um pouco de valores e princípios, mas, com eles, aprendemos muito mais e eles nos ensinam lições muito grandes de bondade, desapego, partilha, perdão... Participei durante muitos anos das Colônias de Férias,

dedicava uma semana para participar de uma turma na Fazenda Estrela como juiz e acompanhar cada passo da gincana realizada com os meninos daquela época. Foram situações inesquecíveis em termos de vida e de diversão. Até hoje dou rizada com fatos acontecidos e me emociono com lições que aqueles que, sem possuir nada, são capazes de compartilhar com os demais. No entanto, de alguns anos para cá, a empresa onde trabalho deslocou o período de férias para uma época do ano em que me impede de participar das colônias de férias. Como tenho a certeza de que Deus alimenta nossa missão, também já faz quase dez anos que participo do passeio para Bombinhas (SC) onde passamos cinco dias entre viagem e passeios com as crianças e adolescentes. É um momento que dou toda prioridade, pois os dias que uso para fazer esta atividade não fazem parte de férias e as horas em que falto ao trabalho tenho de pagar para a empresa. Mas isto não tem peso nenhum para mim porque distribuo e recebo belas lições de vida. A&C: Sua participação na Associação Nacional dos Leigos Amigos de Murialdo faz com que você se sinta Igreja, apóstolo? Como é essa relação com o compromisso cristão? Todo cristão batizado tem a obrigação de propagar e anunciar o Reino de Deus. Minha ação na ANALAM é parte de um objetivo maior onde buscamos fazer com que as pessoas se sintam amadas por Deus e, como consequência, façam alguma coisa para que o mundo seja melhor. Quando buscamos tornar os leigos amigos de Murialdo uma comunidade que reza e que tem no ensinamento de Jesus suas bases de sustentação, estamos ampliando a Igreja povo de Deus. Minha vivência de ANALAM demonstra que, ao sentirmos o amor de Deus e o seu chamado, passamos a nos preocupar e nos movimentar para fazer algo, principalmente pelas crianças, conforme o legado deixado por São Leonardo Murialdo para que cumpramos o que se falava nas primeiras comunidades cristãs: “Tinham tudo em comum e não havia necessitados entre eles”. A&C: Diga algo sobre sua visita à Itália, o encontro com o papa, a ida à cidade a ao museu de Murialdo. Foi muita emoção?


ENTREVISTA com Leonel Wasem dos Reis

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Estar na liderança de uma instituição como a ANALAM é fazer um exercício de doação e voluntariado Entretanto, como é preciso ter alguém que vá à frente e incentive os demais, falando deles estou prestando uma homenagem a todos que construíram esta história. Atualmente, na ANALAM, é um trabalho de manutenção e de incentivo para que o trabalho não pare. Porém, o maior pagamento é o ato como o da manutenção de um grupo de Amigos de Murialdo sem presença física de religiosos (Castelo Branco - PR) em seu meio e outros que na maior pobreza econômica são ricos de coração e se preocupam com aquelas crianças que não têm o que comer, vestir ou calçar, mas que são o rosto de Cristo entre nós.

A&C: Leonel, qual seu sonho que podemos revelar? Sonhos é que não me faltam! Também, se não fosse um sonhador já teria desistido de tudo e ido buscar o que o mundo oferece de maneira fácil. Tenho um grande sonho que sinto que começa a se tornar realidade. Sempre quis formar uma família e poder ver meus filhos lutando para que a vida seja melhor para todos, especialmente aos mais necessitados. Atualmente, já vejo minha filha de 16 anos assumindo compromissos em nossa Associação. Meu filho de 12 anos também vem nas pegadas e demonstra preocupação com os desprovidos. Contudo, meu maior sonho ainda não se realizou e o levo comigo diariamente: um dia não haverá mais necessitados entre nós, um dia as cercas cairão e viveremos em um mundo irmão. Meu sonho é ver acontecer na prática os versos do poeta que diz: “vai ser tão bonito ouvir a canção, cantada de novo, no olhar do homem a certeza do irmão, reinado do povo”. Assim poderei dizer que meu sonho tornou-se realidade!

Foto: Adriano Wizer

A&C: Leonel, você foi eleito presidente da ANALAM pelo segundo m a n d a t o . Va l e a p e n a e s s e voluntariado? Com certeza vale a pena! Estar na liderança de uma instituição como a ANALAM é fazer um exercício de doação e voluntariado. Não se recebe nada financeiramente, pois, o que fazemos é por amor a Deus e à causa das crianças. Porém, hoje, se torna fácil estar à frente desta instituição, pois ela está sólida e organizada. Tenho muito respeito, admiração e dívidas com quem

começou este trabalho. Posso citar os senhores Dirceu de Souza e Tadeu Zulian, que foram os primeiros presidentes e através deles é que esta instituição se alicerçou. Claro que não foram apenas eles que fizeram esta história. Tudo é fruto de um trabalho em equipe que vai desde nossas famílias até àqueles que doaram suas vidas para a ANALAM e hoje se encontram na casa do Pai.

Foto: Poliana Molon

A ida para a Itália foi uma experiência muito especial. Primeiro porque nunca tinha viajado para a Europa, e segundo porque estava participando de um evento mundial onde estavam reunidos pessoas das mais diferentes realidades, mas que buscavam um mesmo fim: reunir-se como FAMÍLIA DE MURIALDO. Fui representando toda a ANALAM que proporcionou minha viagem e minha estadia. Senti-me responsável por absorver cada gota daquela oportunidade e vivenciar cada relato nunca antes presenciado. Foram sentimentos que ficarão para sempre em meu coração e imagens que estarão sempre em minha mente. A ida até a Praça de São Pedro e a presença do Papa naquele evento foi de uma grandeza imensa. Sabendo que estava diante daquele que foi instituído aqui em nosso meio como o representante de Jesus fez-me entender que nossa Igreja se mantém viva até hoje porque uma força divina rege e guia cada passo que damos neste mundo. A visita aos locais onde Murialdo viveu também foi muito gratificante: pude conhecer sua realidade e a forma como ele se converteu. Nada de mágico, tudo de Deus. Para mim, o momento mais forte foi na visita à Capela de São José no colégio dos Artigianelli, local onde Murialdo fundou a Congregação. Naquele local estava testemunhando uma ação que foi o início de tudo o que vivi nestes anos junto com os Josefinos e com a Família de Murialdo. O gesto de coragem de Murialdo foi responsável por uma série de ações em vista do bem a crianças e adolescentes pobres no mundo todo. Sua fé instituiu uma família a qual pertencemos em seu carisma. E minha presença lá também foi fruto da opção de Murialdo feita naquela capela. Realmente, foi muita emoção!


COTIDIANO Foto: Marcelino Pauletti / Volga

Pe. Ricardo Testa

Celebração Eucarística na Igreja Matriz Nossa Senhora da Saúde

Encontro Nacional da AMA

reúne centenas de pessoas FAZENDA SOUZA - RS o dia 30 de outubro, no distrito de Fazenda Souza (Caxias do Sul – RS), aconteceu o Encontro Nacional das Mães Apostólicas – AMA, que contou com 930 participantes de diversas partes do Brasil, além de dezenas de sacerdotes e religiosos. Para a preparação do evento foram visitados mais de 25 municípios e diversas dioceses. O evento teve como tema “Mães Apostólicas Gerando Vocações. Rezai ao Senhor da Messe...” e contou com o Pe. Antônio Lauri de Oliveira Souza, dos Josefinos de Murialdo, e a Irmã Regina Mânica, provincial das Murialdinas de São José, como palestrantes. Após a acolhida das caravanas e palestras, o Provincial, Pe. Raimundo Pauletti presidiu, a Santa Missa, concelebrada por dezenas de sacerdotes, na igreja matriz

Nossa Senhora da Saúde. Após o almoço, organizado pela diretoria da paróquia de Fazenda Souza, os participantes se dirigiram ao túmulo do Servo de Deus, Pe. João Schiavo. Lá, foi rezado o terço e, em seguida, aconteceu o envio das Mães Apostólicas. Na oportunidade, cada mãe recebeu um botão de rosa, simbolizando um vocacionado que está em suas mãos. Obrigado a todos os participantes e aos que se dedicaram para que o encontro fosse um sucesso e um grande momento de fé e renovação do compromisso com a causa vocacional da Igreja, especialmente do carisma de São Leonardo Murialdo. Pe. Ricardo Testa

Coordenador da AMA

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“Filhos do Mundo são eles em busca de paz” foi o tema do X Seminário da Criança e do Adolescente. Coordenado pela Equipe da Criança e do Adolescente dos Josefinos de Murialdo, contando com a participação das Irmãs Murialdinas, aconteceu no Centro de Eventos Murialdo – Fazenda Souza, Caxias do Sul, de 23 a 25 de setembro. No objetivo se desenhava o desejo de qualificar os agentes e fortalecer essa rede de serviços.

s 110 participantes do evento foram contemplados, na palestra de abertura, com a maravilhosa exposição do Superior Geral dos Josefinos de Murialdo, Pe. Mário Aldegani, que abordou o tema “Mística, à luz de Murialdo, de quem trabalha com crianças e adolescentes”. Após breve análise do contexto histórico, apresentando São Leonardo Murialdo, Pe. Mário destacou a dupla e simultânea experiência da vida do Fundador: a plena e clara consciência da sua fragilidade e a certeza do amor misericordioso de Deus. Definiu a mística como “o motor que move”. Disse que ela tem 5 fundamentos: sentir-se amados, a energia educativa (paixão), empatia, capacidade de acompanhar e saber orientar-se. Por fim, o Superior Geral lembrou dos sonhos. Afirmou que os pobres também têm grandes sonhos e que nós somos os guardiões de seus sonhos. O desafio é o de transformar tais sonhos em conquistas. A mística do educador conduz o trabalho na linha da “pedagogia da esperança”, onde o educando é ajudado a memorizar os sucessos para sanar as feridas. Disse ainda que na esfera política é importante atuar na “pedagogia da aliança” tecendo teias de relações com os que se comprometem com os pequenos.

Crianças e Adolescentes no foco A agenda do segundo dia do Seminário pautou as crianças e adolescentes no cenário nacional. O Pe. Marcionei da Silva refletiu sobre a condição de vulnerabilidade

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em que se encontram crianças e jovens. Tanto no mundo quanto no país, os jovens se deparam com requintados cenários de oportunidades, bem como, com a fria e desoladora mola da exclusão social. Existem muitas vidas que vêm sendo construídas sobre a fragilidade e, aliás, o contexto sociocultural em que vivemos é altamente fortalecedor disso, basta ver a expressão de liquidez. Tudo é fruitivo. As falas são frágeis, os encontros fugazes, os amores inconstantes, as famílias no horizonte da incógnita. Diante dessa realidade de vulnerabilidade, todos correm riscos. São 20,12% os jovens brasileiros que se encontram na faixa etária dos 15 aos 24 anos de idade, isto é, mais de 34 milhões de cidadãos. É nesta faixa etária que a situação de vulnerabilidade social atinge boa parte da população jovem brasileira: desemprego, evasão escolar, homicídio, criminalidade, uso abusivo de álcool e drogadição. Falando sobre as novas gerações presentes na sociedade, a Prof. Poliana Carla Molon mostrou que geração é espaço de tempo que separa cada grau de filiação; considera-se como período de tempo de cada geração cerca de 25 anos; a tecnologia é decisiva para marcar épocas de tempo! Pessoas nascidas entre 1946 e 1964 são da Geração Baby Boomers. O Baby Boomer tem padrão de vida mais estável, possui renda mais consolidada, sofre pouca influência da marca no momento da compra; prefere qualidade à quantidade, não se influencia facilmente por outras pessoas e é firme e maduro nas decisões. Pessoas nascidas entre 1965 e 1980 fazem a Geração “X”. Essa é a Geração


COTIDIANO

Foto: Bernardete Chiesa

Pe. Joacir Della Giustina

Participantes aprofundaram a missão junto às crianças

Coca-cola, flexibilidade, facilidade com a tecnologia, busca da individualidade sem a perda da convivência em grupo, mulheres no mercado de trabalho, busca da segurança financeira. Os nascidos entre 1980 e 2000 formam a Geração “Y”. Estão sempre conectados, preferem computadores a livros, digitam ao invés de escrever, preocupam-se com a ecologia e respeito ao meio ambiente, necessitam de reconhecimento positivo periódico, precisam se sentir “fazendo parte do time”. A Geração “Z” é formada pelos nascidos após 2000. Também conhecida como a geração digital, ligados à alta tecnologia, precisam aprender a selecionar e separar o “joio do trigo”. Tem problemas de interação social, apresentam traços de comportamentos das gerações anteriores aliados a uma forte responsabilidade ambiental e preocupação com a sustentabilidade do planeta. O desafio dos educadores está no detalhe: captar a força de cada geração e apostar nela para a construção do caminho do bem.

A Ex-Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome do Governo Lula tratou da Lei Orgânica de Assistência Social. Deu destaque para a inserção necessária dos serviços de atendimento às crianças e adolescentes em vulnerabilidade pessoal e social à legislação pertinente, de modo especial, às Políticas Públicas.

Os pobres também têm grandes sonhos e nós somos os guardiões de seus sonhos Esclareceu sobre o novo marco da legalidade e a gestão de descentralização política e administrativa. Chamou a atenção para a necessidade de inserção nos Conselhos Setoriais e Fóruns de Direitos. É necessário um trabalho articulado e em rede da

sociedade civil, bem como, que essa interaja com a administração pública e suas políticas. O Seminário reservou espaço para a troca de experiências dos congressistas através das seis oficinas temáticas: Elaboração de Projetos, Trabalho em Rede, Aprendizagem Profissional e Adolescente Aprendiz, O Cotidiano de nossas Ações, Mística e Espiritualidade e Gestão Integrada. As avaliações desse momento foram positivas especialmente pelo fato de marcarem o desafio da necessidade de construção de um perfil pedagógico e uma metodologia que sejam a marca do apostolado josefino ou murialdino.

Construindo Compromissos O último dia do Seminário foi reservado para a construção de compromissos. Trabalhando em grupos, os participantes do Seminário sugeriram a continuidade dos Seminários Nacionais a cada três anos. O tema para o próximo evento será “Projeto Educativo da Ação Social Murialdo”. No espaço intermediário deverão acontecer os Seminários Regionais: Regional 1 – RS e SC; Regional 2: PR, SP e RJ, Regional 3: DF e BA; Regional 4 – CE, MA e PA. Os próximos Seminários Regionais terão a tarefa de contribuir na elaboração do Projeto Educativo. Caberá à Equipe da Criança e do Adolescente traçar as diretrizes, articular e elaborar a proposta metodológica de construção desse Projeto.

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COTIDIANO Pe. Joacir Della Giustina

A plenária do Seminário propôs também a ampliação da participação das obras na formação da Equipe da Criança e do Adolescente; ou seja, de cada obra um representante leigo que atua nessa pastoral. A Aprendizagem Profissional ganhou força entre as prioridades escolhidas para o próximo triênio. Tendo em vista a crescente busca do mercado pela mão-de-obra especializada e comprovada a experiência de que a profissionalização é a porta para a empregabilidade e sua estabilidade, as obras sociais buscarão aumentar a organização em rede para a elaboração de projetos e de ações eficazes. Firmou-se a necessidade de manter, ampliar e cultivar práticas da mística e espiritualidade através da formação continuada, que expressem e manifestem a presença carinhosa do amor misericordioso de Deus.

Sentiu-se a necessidade de investir na qualificação de educadores nas instituições com reconhecimento financeiro para evitar a rotatividade de profissionais. Também mereceu destaque a proposta da busca de recursos financeiros atuando-se em rede com o apoio da Central Murialdo de Projetos Sociais como captadora desses recursos. Na bagagem de retorno os participantes carregaram um sonho: mais vida para os pequenos. Nos corações um compromisso: qualificar-se sempre mais e fortalecer a rede para que mais crianças e adolescentes tenham vida digna. Pe. Joacir Della Giustina

Diretor do Centro Técnico Social e membro da Equipe da Criança e do Adolescente da Província Brasileira

TREM DA HISTÓRIA DOS SEMINÁRIOS MURIALDINOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE I - O desafio do menor desassistido no Brasil de hoje - perspectivas de uma resposta: 26-28/07/83 - Araranguá (SC) II - O menor: uma exigência de ações transformadoras: 21-23/07/86 CTS, Caxias do Sul (RS) III - Menor: direitos e inserção comunitária: 17-19/07/89 - CTS, Caxias do Sul (RS) IV - Pedagogia de Direitos: 30.07 - 01.08/92 CTS, Caxias do Sul (RS) V - Identidade e Mística: 27-29/07/95 CTS, Caxias do Sul (RS)

VIII - Protagonismo infanto-juvenil: 09-11/10/2004 Fazenda Souza, Caxias do Sul (RS)

VI - Projeto político no apostolado da Família de Murialdo: 23-26/07/97 CTS, Caxias do Sul (RS)

IX - Mística e Apostolado: 01-03/05/2008 Fazenda Souza, Caxias do Sul (RS)

VII - Mística, carisma e relações: 27-29/04/2001 CTS, Caxias do Sul (RS)

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X - Filhos do mundo são eles em busca de paz: 23-25/09/2011 Fazenda Souza, Caxias do Sul (RS)


COTIDIANO

Mês Murialdino

Pe. Gilberto da Câmara

MÉXICO

uma experiência inesquecível

Mês Murialdino aconteceu de 25 de julho a 10 de agosto, no México – Cidade do México. Relatamos aqui experiências vividas por oito brasileiros. Os participantes foram um casal de Brasília, Sr. José Heliton e Rosa (trabalham no CEMEC – Planaltina - DF), o Sr. Valter Susin e sua esposa Isabel (Leigos de Murialdo em Ana Rech – Caxias do Sul) e suas irmãs, Elídia e Elmira Susin (Caxias do Sul), Irmão Valderes Gonçalves (Fazenda Souza) e eu, Pe. Gilberto da Câmara (Porto Alegre). Chegamos na quinta-feira, 21 de julho, na Cidade do México, à noite, pois levamos mais de 14 horas para chegar ao destino. Fomos acolhidos pelo Provincial Pe. José Rainone e Pe. Valdir Susin (brasileiro que se encontra no México, no Estado de Hermosillo) que também participou do encontro. Os brasileiros ficaram hospedados em casas de família nos dias em que antecedia o Mês Murialdino. Foi uma envolvente experiência poder falar com famílias mexicanas, ou pelo menos tentar se comunicar, pois houve dificuldade no começo. Este foi o primeiro dia. No dia seguinte a Irmã Cecília Dall’Alba (brasileria no México) ficou encarregada de fazer um tour na Capital com os brasileiros e demais estrangeiros, totalizando 21 pessoas andando pelo centro da Capital. Antes do tour, fomos bem recebidos pelas crianças e adolescentes que estavam fazendo um encontro de férias escolares nas obras Josefinas e tivemos a alegria de encontrá-los. Depois dessa acolhida, nossa anfitriã Irmã Cecília nos fez andar de metrô em direção ao Centro Histórico Museu Belas Artes. Foi divertido e cansativo, pois o sol estava quente e tivemos que andar toda manhã. Tiramos muitas fotos da Catedral e museu. Fomos almoçar às 15

horas. Esse horário para almoço é comum no México. A irmã escolheu um restaurante chinês, porém, barato. No começo estranhamos a língua espanhola e a comida, mas aos poucos fomos entendendo o que falavam e experimentamos todo tipo de comida. Eles gostam de pimenta na comida, da qual fazem molho e até utilizam esse tempero em algumas balas e pirulitos. Retornamos no final da tarde para missa na paróquia São Jorge, e, depois, janta. No sábado saímos novamente para visitar o principal museu da Cidade do México: Museu Nacional de Antropologia e Castillo de Chapultepec. Repetimos a aventura de ir de metrô, quase uma hora de viagem, depois complementada a pé até chegar ao museu. Este museu conta a história do México, fazendo ligação com outros povos: aborígenes, astecas, maias... A Capital mexicana é repleta de descendentes indígenas, já em outras cidades encontramos descendentes de espanhóis e várias misturas de outras raças. À noite visitamos o Centro da Cidade para assistir aos Mariaches (grupos que cantam na praça a pedido das pessoas, que pagam por isso). No domingo saíamos cedo para assistir ao Show de Ballet Folclorico Amalia Hernández (nome da diretora da peça). Foram apresentadas várias danças mexicanas no Palácio Belas Artes, bem no centro da Capital. Retornamos e almoçamos na Paróquia São Jorge, onde trabalham os Josefinos e Murialdinas. No final da tarde nos dirigimos ao local do encontro, uma casa chamada Água viva, dos Padres Dominicos. Antes de chegar ao local, visitamos a cidade Amecameca. Ali, tivemos tempo para comprar algumas lembranças e apreciar comidas típicas do local.

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Fotos: Gilberto da Câmara

Chegamos à noite na casa dos Dominicos, rezamos um pouco com todo grupo e fomos jantar. Na janta estavam quase 80 pessoas reunidas para participar da primeira semana de encontro. O tema do Mês Murialdino: nossa Missão carismática de cara com os desafios da cultura atual. O dia iniciava cedo, às 7h30min. Fazíamos as Laudes e a Leitura Orante da Bíblia, com livreto preparado pela equipe. Às 9 horas era o café da manhã e às 10h a primeira conferência. No primeiro dia, o conferencista foi o jornalista Roberto O´Farril, falando sobre os desafios da evangelização nos dias de hoje e as dificuldades que a Igreja católica tem para atualizar algumas práticas para melhor evangelizar o mundo hodierno. O dia terminava com a missa, às 18h30, e em seguida janta. Após a janta havia filmes de santos atuais da igreja para quem quisesse assistir. Um em cada noite. O horário da casa exigia silêncio após as 22h. Os participantes da primeira semana eram comportados e obedientes. No segundo dia de encontro, precisamente 26 de julho, tivemos como conferencista o Sr. Eduardo Sastré de La Riva, também jornalista católico. Ele chamou atenção para os desafios e resistências no caminho eclesial para uma nova evangelização. Minha opinião é que o jornalista tinha uma linha carismática. Nada contra esta linha. Há espaço na Igreja para todos. Ele falou da necessidade da confissão semanal, do catecismo e nos presenteou com um livro de uma Irmã que recebeu a revelação de Deus Pai. A Igreja, depois de 10 anos analisando a revelação, aprovou a publicação da mesma. Depois desse dia, a equipe do evento propiciou em cada semana um dia para confissão. Nada como alguém chamar atenção para tal sacramento. Quarta-feira, 27, terceiro dia, quem nos falou foi o antropólogo Dr. Alfredo Nateras Dominguez. O assunto foi sobre o mundo juvenil hoje, entre luzes e sombras; fraquezas e forças dessa juventude. Ainda, no mesmo dia, iniciou outro conferencista, Padre Benjamin Bravo, muito conhecido na Diocese mexicana e professor na Pontifícia Universidade do México. Abordou o assunto: Aspectos pastorais, Buscando novos métodos de evangelização aqui e agora. Foi o padre que mais falou. Dois dias e meio de conferência sobre métodos de evangelização que dão certo. Métodos experimentados na Diocese e com resultados positivos. Como se trata de grandes centros urbanos pode ser que dê certo também no Brasil. De qualquer forma, comprei um de muitos livros. Enfim sábado, dia de passeio. Visitamos a cidade chamada Teotihuacan, onde tem duas pirâmides, do Sol e da Lua. Conseguimos subir na do Sol e tirar algumas fotos. Foi um passeio muito interessante, dia bonito e de muito

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sol. À tarde, depois do almoço, nos dirigimos para o Santuário de Guadalupe, onde participamos da missa, às 18 horas. Retornamos à comunidade São Jorge, na Capital, para a Noite Mexicana e janta. Foi a despedida de muitos que vieram somente para a primeira semana do Mês Murialdino. Já tarde, retornamos à Casa de Encontro Água Viva. No domingo, 31, saímos novamente para visitar a cidade de Puebla. Chegando lá, pegamos um ônibus que faz um tour nos pontos importantes da cidade. Conseguimos ver muitos locais e tirar muitas fotos. Na volta, participamos de uma missa em uma comunidade. A Igreja estava lotada e todos os padres Josefinos concelebraram, ao todo uns 15. Após, retornamos para Casa de Encontro Água Viva. Iniciamos a segunda semana, com quase 100 participantes, entre eles, muitos jovens. Dois dias seguidos nos falou o Irmão Hector Dessavre, marista. Ele chamou atenção sobre o local onde trabalhamos com jovens; como trabalhamos com eles, com quem trabalhamos. Ele perguntou o que queremos ou o que buscamos nos jovens. Na quartafeira, 3 de agosto, à tarde o Padre Jesus Berrizbeitia, Josefino, falou do itinerário e perspectiva de trabalho com jovens na Congregação. Apresentou um livreto chamado Linhas Interprovinciais de Pastoral Juvenil. Livreto dividido por assuntos: Sonho sobre a juventude. Critérios de formação da juventude: desafio do paradoxo, lógica da atividade para ponte e discernir o essencial. Finalizando com os dez elementos importantes para trabalhar com jovens e 15 linhas operativas. Este livreto foi lido em grupo e foram apresentadas sugestões sobre o que não contribui mais no trabalho com jovens. A partir disso, será feito outro livreto por outra comissão, levando em conta as sugestões dos participantes do Mês Murialdino. Parece que esta comissão já terminou o trabalho e o livreto será aproveitado na reflexão do XXII Capítulo Geral. Ainda na quarta-feira à tarde, tivemos a presença de outro conferencista, este até o final do encontro. Pe. Emilio Lavaniegos da Congregação Obreiros. Ele permaneceu conosco até o final do encontro falando sobre as vocações e o carisma eclesial das congregações. Temas como a comunhão de vocações: ponto de vista eclesiológico e pastoral. Muito interessante e, embora tenha falado de modo geral do carisma Josefino, nos fez refletir sobre o assunto. Chegamos ao final do Mês Murialdino. É sábado, dia 6 de agosto, fizemos uma celebração pela manhã antes de todos voltarem para suas casas. Os estrangeiros continuariam visitando algumas cidades onde os Josefinos e Murialdinas estão presentes. Saímos às 11h em direção a Aguascalientes. A viagem durou mais de 6 horas, devido a paradas em dois lugares durante o percurso. Chegando lá, fomos


COTIDIANO Pe. Gilberto F. da Câmara

recepcionados pelos Josefinos, Murialdinas e comunidade local. O local foi a paróquia São José, onde também jantamos. Após, alguns foram hospedados em famílias, outros no Seminário Josefino e alguns na casa das Irmãs Murialdinas. No domingo nos reunimos para fazer um tour em Aguascalientes, a partir das 9h30min. Retornamos para a missa, às 13h na Paróquia Josefina, e em seguida, almoço. Aqui o grupo era apenas dos estrangeiros, 17 pessoas e o pessoal do local fazendo companhia. Após o almoço fomos visitar a obra Josefina (um colégio de cursos técnicos e término do Ensino Médio, para estudantes que pararam de estudar), o Seminário Josefino (estudantes de filosofia) e a casa das Irmãs Murialdinas (formandas, onde se encontra a Irmã Terezinha Militz). No final do dia tivemos a chamada noite mexicana, com apresentações artísticas, janta e bebida típica da região. Foi uma noite bem divertida. Dia 8 de agosto (segunda-feira) fomos visitar Guadalajara. Não temos casa lá, apenas para conhecer. Retornamos no final da tarde e voltamos às famílias. Preparávamos-nos para voltar à Cidade do México no dia seguinte. Na terça-feira pela manhã fizemos a despedida do pessoal que nos acolheu (Josefinos, Murialdinas e pessoas da comunidade). Tiramos fotos e seguimos viagem. Novamente umas seis horas de viagem. À noite na casa das Irmãs Murialdinas uma irmã renovou os votos. Participamos da missa todos juntos (estrangeiros e convidados) na casa das irmãs. Ali mesmo nos despedimos, pois no dia seguinte (quarta-feira) o vôo estava marcado para 12h30min. Uma longa viagem de volta ao Brasil. O encontro do Mês Murialdino nos fez experimentar realidades diferentes. Talvez a maior experiência seja perceber a mesma fé em Cristo. Em cada igreja e obra Josefina visitadas percebemos nos leigos e leigas o mesmo amor e vivência do carisma Josefino. Experiências são subjetivas, percepções também. São riquezas de dons partilhados. Uma experiência inesquecível. Pe. Gilberto da Câmara

Diretor do Colégio Murialdo de Porto Alegre - RS

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Pe. João Schiavo é tema de estudos De 30 de setembro a 02 de outubro, aconteceu, no Centro de Eventos Murialdo, Fazenda Souza, Caxias do Sul (RS), o Seminário de estudos sobre o Servo de Deus, Pe. João Schiavo. O evento, coordenado pelo Postulador Geral da Causa de Beatificação, Pe. Orides Ballardin, buscou aprofundar o conhecimento da vida e ação do Pe. João no contexto de seu tempo. O evento contou com mais de 70 participantes do Brasil, Argentina e Itália, entre confrades Josefinos, Irmãs Murialdinas, Instituto Secular, ex-alunos do Pe. João, amigos e devotos. Contou também com a presença do Superior Geral dos Josefinos de Murialdo, Pe. Mário Aldegani. Durante o evento foram proferidas quatro conferências: 1. Pe. João Schiavo na sociedade do Rio Grande do Sul no Século XX e devoções. Assessor: Pe. Álvaro Pinzetta 2. A santidade de Igreja, a vocação à santidade e a experiência de santidade do Pe. João Schiavo. Assessor: Pe. Geraldo Hackmann 3 . Pe. João Schiavo, fundador e formador da Província Brasileira dos Josefinos de Murialdo. Assessor: Pe. Geraldo Boniatti 4. Pe. João Schiavo e as Murialdinas de São José. Assessora: Irmã Enedina Smiderle (vicepostuladora) Foram apresentados também cantos, DVDs, e CDs com a vida e virtudes do Pe. João. Igualmente, foram distribuídos cartazes e material devocional. No final foi lançado um novo livro (Suplemento 2) de graças alcançadas pela intercessão do Servo de Deus Pe. João. CONHECENDO PE. JOÃO SCHIAVO: Pe. João Schiavo veio da Itália ainda jovem sacerdote, em 1931, e se santificou em 35 anos de trabalho apostólico nas Obras dos Josefinos de Murialdo na Diocese de Caxias do Sul. A sua fama de santidade era grande já em vida. Sempre disponível a todos, era homem de intensa oração e fé na Providência de Deus, de delicada e atenta escuta de todas as pessoas. Foi educador de milhares de jovens pobres e órfãos, formador de gerações de sacerdotes, de irmãos Josefinos de Murialdo e de Irmãs Murialdinas de São José, de quem foi fundador no Brasil. Morreu santamente dia 27 de janeiro de 1967. Sua causa de Beatificação tramita em Roma desde 02 de outubro de 2001. Una-se aos milhares de devotos que visitam seu túmulo, em Fazenda Souza (Caxias do Sul) no dia 27 de cada mês, onde é rezado o terço e celebrada uma missa. Mais informações sobre o Servo de Deus podem ser acessadas: http://www.youtube.com/user/tvcnroma#p/a/u/1/Q8NYBC5aiQ4 Pe. Orides Ballardin Postulador Geral em Roma

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COTIDIANO Pe. Orides Ballardin

CARTA-COMPROMISSO Nós confrades da Congregação dos Josefinos de Murialdo, Irmãs Murialdinas de São José, Membros do Instituto Secular Murialdo, Leigos Amigos de Murialdo, Mães Apostólicas e devotos do Brasil, Argentina e Itália, reunidos no histórico “I Seminário de Estudos sobre o Pe. João Schiavo”, realizado em Fazenda Souza nos dias 30/09 a 02/10/2011, assumimos unânimes os seguintes empenhos: 1 – Tendo aprofundado mais o conhecimento do exemplo virtuoso do Pe. João Schiavo, queremos viver com gratidão e alegria nossa existência e buscar com novo alento nossa santificação pessoal, encarnando as propostas e verdades do Evangelho nas circunstâncias históricas e concretas da vida como fez o Pe. João Schiavo. 2 – Propomos promover e divulgar o conhecimento de sua vida e virtudes, imitá-lo em nosso proceder e invocar sua poderosa intercessão em nossas necessidades espirituais e materiais. 3 – Procuraremos informar, acompanhar e apoiar, com todos os meios, o Processo de Beatificação e Canonização do Pe. João Schiavo que tramita em Roma na Congregação das Causas dos Santos. Convidamos a todos para unirem-se a nós nesse empenho. Que o Servo de Deus Pe. João Schiavo interceda junto a Deus, Pai Bondoso e Misericordioso, para cada um de nós, nos alcance a graça de usar os meios de santificação que ele nos oferece, obtenha santas vocações para a vida cristã, religiosa e sacerdotal. Cristo Senhor e o Espírito Santo, a proteção de Nossa Senhora, São José e São Leonardo Murialdo nos sustentem no compromisso para a glória de Deus e o bem da Igreja e a construção do Reino de Deus.

Foto: Marcelino Pauletti / Volga

Fazenda Souza, 02 de outubro de 2011. Os participantes

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Nasce a ORGANIZAÇÃO RELIGIOSA JOSEFINOS DE MURIALDO

Foto: Ivo Ballardin

| ORGMUR |

Fundadores da Organização Religiosa Josefinos de Murialdo

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COTIDIANO Geraldo Loch Necker

direito brasileiro tardou, mas reconheceu a personalidade jurídica das congregações religiosas, que já de fato existiam, mas não de direito. As Organizações religiosas são entidades que, no Estado democrático de direito, cingem-se na garantia constitucional da liberdade de culto e de associação (CF/88, art. 5º XVII e VI, respectivamente) para defender-se. Quaisquer que sejam as normas internas destas entidades e seus procedimentos em relação aos direitos e deveres de seus membros, todas elas estão sujeitas às garantias constitucionais básicas, tais como o contraditório e a ampla defesa, a dignidade da pessoa humana, a igualdade, entre outras. Com as mudanças advindas pelo novo Marco Regulatório das Pessoas Jurídicas de Direito Privado, Sem Fins Lucrativos, que teve seu início com o novo Código Civil de 2002, e depois normatizada pela Lei nº 10.825 de 22 de dezembro de 2003, a qual definiu e reconheceu as entidades religiosas não mais como associações, mas sim como Organizações Religiosas, ficando esta Pessoa Jurídica contemplada no Art. 44 do Código Civil Brasileiro, a Organização Religiosa, no Brasil, passa a ter seu direito assegurado como Pessoa Jurídica. As Organizações Religiosas são livres à criação, à estruturação interna e ao funcionamento, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos Atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento. Esta é a razão primordial da criação da pessoa jurídica Religiosa. Selando ainda a nova conjuntura legislativa, pactuou-se o Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e a Santa Sé, ratificado pelo Decreto Federal nº 7.107/2010, onde as Congregações Religiosas, reconhecidas como Instituições Eclesiásticas, passam a ter sua estrutura organizada pelo Direito Religioso e pelo Direito Canônico. Os religiosos brasileiros da Congregação de São José Josefinos de Murialdo, indo de encontro ao que já dizia seu fundador São Leonardo Murialdo, “devemos estar atento aos sinais do tempo”, corajosamente assimilaram o novo marco legal e no dia 19 de outubro de 2011 fundaram a Organização Religiosa Josefinos de Murialdo (ORGMUR). Esta vem atender às necessidades dos religiosos como religiosos e, seu nascimento traz à tona a finalidade real da existência do Josefinos de Murialdo que é a vivência do seu carisma. O Estado agora reconhece e respeita o religioso como religioso. Agora o religioso consagrado tem sua entidade (empresa) voltada para seus interesses e fins, é a segurança jurídica reconhecida aos religiosos. Assim, todos os religiosos pertencentes à Congregação de São José, automaticamente, são membros dessa nova entidade. Agora teremos duas entidades bem definidas: uma que trata dos assuntos dos religiosos e para os religiosos, que é a ORGMUR, sem certificação; e outra que trata da educação e assistência social, que é a entidade filantrópica certificada, o ILEM. Daqui para frente, o Instituto Leonardo Murialdo (ILEM) tem o desafio de se reorganizar estruturalmente no intuito de seguir cumprindo suas finalidades, de acordo com as políticas públicas de governo na área da educação e assistência social. Enquanto que a ORGMUR tem o desafio de se organizar para atender todas as necessidades de seus membros, dando suporte para sua melhor atuação no campo carismático, que é o sentido de ser do Religioso. Geraldo Loch Necker

Contador e Assessor Jurídico do ILEM e da ORGMUR

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FACULDADE

Preparar as pessoas

A

educação ocupa lugar especial na missão da Congregação dos Josefinos de Murialdo por acreditar que ela é um grande meio para evangelizar os jovens. Em quase todos os países onde estão presentes, os josefinos mantêm escolas de educação básica e Profissional. No Brasil, um ano depois de sua chegada na Serra Gaúcha (1929), fundou o Colégio Murialdo de Ana Rech. Posteriormente, foram fundados colégios em Caxias do Sul (1947), em Araranguá - SC (1955) e na capital gaúcha (1960). Atenta aos sinais dos tempos, na década de 90, sob a coordenação da Equipe de Educação, a Província Brasileira, para responder às necessidades e exigências no setor educacional, corajosamente, iniciou um processo de modernização nas pesadas e envelhecidas estruturas físicas dos colégios, qualificação do corpo docente e administrativo, profissionalização das rotinas, atualização do Projeto Educativo. O Planejamento Estratégico, iniciado em 2003, consolidou a Rede Murialdo de Colégios. Os novos ambientes, o clima familiar, a disciplina, o comprometimento dos educadores, a gestão profissional, a vivência da Pedagogia do Amor, bem como, a Educação do Coração e a responsabilidade social geraram crescimento, confiança e maior visibilidade da marca Murialdo. É a credibilidade

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que vem do passado e presente da educação praticados na Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio dos Colégios Murialdo. É nesse contexto que nasce a Faculdade Murialdo, 1ª da congregação fora da Itália, fruto do crescimento, credibilidade e maturidade da Pedagogia de Murialdo. Nasce com mais de 80 anos de experiência. Trata-se, portanto, de uma instituição de ensino com tradição que cresceu, agregando em sua história o Ensino Superior, para atender as novas demandas educativas. A nova faculdade foi sonhada há mais de dez anos e aprovada em assembleia capitular da província em 2006. No ano seguinte, a faculdade Murialdo foi criada e registrada como filial do ILEM. Em 2008 foi elaborada a documentação básica exigida: Projeto Pedagógico da Instituição (PPI), Plano de Desenvolvimento da Instituição (PDI), Regimento, Projetos dos Cursos, Corpo Docente. No final do ano foram encaminhados ao Ministério da Cultura (MEC) quatro processos, um para o credenciamento da instituição e três para a autorização dos primeiros cursos. No ano de 2009 iniciaram as adequações do espaço físico Colégio Murialdo de Caxias do Sul para abrigar a biblioteca da faculdade. No mesmo ano foi definido e adquirido o acervo bibliográfico. No ano de 2010 as atenções foram voltadas para os preparativos finais para receber as visitas das quatro


MURIALDO

FORMAÇÃO Pe. Raimundo Pauletti

é construir o futuro

comissões do MEC que aconteceram entre os meses de julho e setembro. Dia 17 de abril de 2010 a presidência do ILEM nomeou a diretoria da Faculdade Murialdo: Diretor, Pe. Joacir Della Giustina; Vice-diretor, Pe. Ernesto Camerini; Secretário, Pe. Marcionei Miguel da Silva; Tesoureiro, Pe. Renato Fantin; para assessor jurídico e contábil foi destacado o sr. Geraldo Loch Necker. Nas diferentes etapas de criação e implantação da faculdade a diretoria buscou assessoria em profissionais especialistas do setor e manteve constante sintonia com as forças vivas das organizações governamentais e particulares ligadas ao ensino. Depois de três anos de tramitações a Faculdade Murialdo foi credenciada pelo MEC, Portaria nº 1257 de 19 de setembro de 2011. No dia 23 de setembro foi autorizado o Curso Superior de Tecnologia em Agronegócio (3 anos) e Sistema para Internet (2,5 anos), Portaria nº 387 e, dia 24 de outubro foi autorizado o curso de Administração (4 anos), Portaria nº 429. A partir do final de setembro a diretoria retomou e agilizou os preparativos para a divulgação e apresentação da nova faculdade na região de Caxias e entorno, prevendo o processo seletivo (vestibular) para dezembro e início das atividades acadêmicas em março de 2012. A sede da faculdade é o Colégio Murialdo de Caxias do Sul, e o de

Ana Rech será o núcleo que abrigará as atividades práticas (laboratórios) do curso de Agronegócio e, num futuro próximo, outros cursos ligados às ciências naturais. Inicialmente serão oferecidos os três referidos cursos. Porém, em breve, outros cursos, já contemplados do PDI, serão disponibilizados. Concomitantemente, serão oferecidos cursos de Pós-graduação, focados na missão da congregação, nas dependências das obras da Província Brasileira, presente em dez Estados do Brasil. Mais tarde, serão abertos Cursos à Distância. A Faculdade Murialdo, além de atender a demanda, resgatará uma das características marcantes do Colégio Murialdo de Ana Rech que é a oferta de cursos ligados às ciências naturais. Durante boa parte da sua longa trajetória educativa, o colégio foi pioneiro na atenção e formação dos agricultores da região, sobretudo através do Curso Normal Rural e do Curso Técnico Agrícola. Otimizando a excelente estrutura física (colégio e terras) do Colégio Murialdo, a faculdade, além do CST em Agronegócio, em breve quer oferecer à região o curso de Medicina Veterinária, Gestão Ambiental, Enfermagem Veterinária e outros. Pe. Raimundo Pauletti

Provincial dos Josefinos de Murialdo da Província Brasileira

A marca “MURIALDO” ganha um novo adereço Trata-se de dar continuidade ao trabalho qualificado e reconhecido pela comunidade no campo educacional. Sem deixar de lado a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e Médio, a instituição alarga seu campo de atuação para oferecer uma oportunidade superior: isso mesmo, o Ensino Superior. Nossa logomarca se mantém, suas cores são sua dinamicidade. Atinge agora uma nova esfera: a do saber universitário. Essa esfera é seu sol, seu destino: o saber. Junto à logo “Murialdo” se soma um grande sol. Esse sol se desponta como uma nova luz: o conhecimento. Ele aparece num novo amanhecer, brilhante, em tons de amarelo avermelhado. Esse sol ilumina o universo. Sua luz desvela, ou melhor, abre as cortinas de um palco onde se revelam 4 novos horizontes: O horizonte vermelho da educação do coração, do conhecimento comprometido com a humanização das pessoas. O segundo horizonte em amarelo, para resplandecer num saber enraizado em princípios e valores que valem ouro, como são aqueles da ética e da justiça. O azul do terceiro horizonte indica o conhecimento conectado ao cuidado com as coisas do nosso planeta. A ciência e seus avanços, a descoberta e suas novas tecnologias caminham sob

a luz do meio ambiente equilibradamente sustentável. Por fim, no quarto horizonte, da cor prata, se refletem as luzes de um conhecimento que se alia à nobreza humana da responsabilidade social. É o conhecimento que eleva a qualidade de vida e os seus serviços para todos. Escolhemos o slogan “confiança é seu futuro” porque sabemos que quando você confia em nossa instituição, você está confiando em nossos resultados. Esse é o nosso novo compromisso: queremos ajudá-lo a confiar em você e no futuro que se descortina à sua frente.

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A

MÍSTICA DO EDUCADOR MURIALDINO

A presente reflexão é uma síntese realizada por Bernardete Chiesa da equipe de redação do Agir&Calar. Trata-se da palestra que o Superior Geral dos Josefinos de Murialdo, Pe. Mário Aldegani, proferiu na abertura do Seminário da Criança e do Adolescente, que aconteceu em Fazenda Souza, de 23 a 25 de setembro de 2011.

A presente oportunidade me oferece a ocasião de lhes dizer algo mais sobre o nosso sonho que se realiza no mundo e de reafirmarlhes que queremos continuar sonhando juntos. O próximo XXII Capítulo Geral, que acontece em Buenos Aires, de 04 a 22 de junho de 2012, tal como preanuncia, quer construir o programa do novo sexênio fundamentado na missão compartilhada, na paixão educativa que nos irmana e é base da nossa espiritualidade, e enfim, em nossa "consagração", porque, embora de formas diferentes, consagra a esta missão todos aqueles que compartilhamos da obra educativa murialdina. Por isso, penso que este seminário pode ser uma valiosa contribuição para a "temporada capitular" que os Josefinos estão vivendo, em preparação do Capítulo Geral: "Com os jovens e para os jovens pobres, renovamos a nossa consagração de Josefinos, para ter vida em Cristo”. Portanto se fala da missão (os jovens e os jovens pobres), da mística que a sustenta (renovamos a nossa consagração) e do "sentido" que a motiva (ter a vida em Cristo). Que maravilhoso!

MURIALDO NOS FALA O texto de Murialdo mais conhecido sobre a juventude pobre, aquele que contém as famosas palavras "pobres e abandonados, eis os dois requisitos que constituem um jovem como dos nossos” (Escritos, V, p. 6) nos leva a pensar na “mística” do educador murialdino. Ele foi

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escrito para uma conferência aos assistentes e docentes do Colégio Artigianelli em 1869 e, mais tarde, foi re-proposto a eles em 1872. A expressão “pobres e abandonados" deve ser entendida na sua forma original, isto é, destinada a explicar quais eram os meninos acolhidos pela Associação de Caridade e, em particular, no Colégio Artigianelli. Foi inserida no Regulamento da Congregação de São José de 1873, entrando assim no carisma josefino, e com o tempo, na Família de Murialdo. A atualidade do texto daquele apelo é realmente surpreendente! Escutado hoje, é um convite a abrir os olhos, antes de tudo para ver as crianças e os jovens pobres, porque talvez o primeiro truque das sociedades e culturas é tentar torná-los invisíveis ou camuflá-los. Vejamos alguns fundamentos da mística do educador murialdino:

1. SENTIR-SE AMADOS: Exatamente a partir da experiência de Murialdo, aprender a amar profundamente, e acima de tudo, sentir-se amado. Aliás, sentir-se amado por Deus e perdoado por Ele foi a experiência espiritual fundamental da vida de Murialdo. Penso que o segredo misterioso da espiritualidade de Murialdo consiste nessa simultânea percepção: a sua fragilidade e a misericórdia de Deus. Esta percepção de sua fraqueza e do amor de Deus é o fundamento das atitudes espirituais características da vida de Murialdo, que é a mística que sustenta a sua pedagogia. O primeiro alicerce é o que podemos

chamar de "entrega a Deus" ou "confiança em Deus." O segundo é deixar-se guiar pela sua Providência. Se observarmos isso, Murialdo em sua vida realmente deixouse guiar pelas circunstâncias, pelas “chamadas” da vida cotidiana: quase nada do que ele fez partiu de projeto seu. Assim também, a expressão que atribuímos a Murialdo e repetimos tantas vezes, porque também gostamos dela e nos anima, "Estamos nas mãos de Deus e, portanto, estamos em boas mãos", realmente foi para ele muito mais do que um lema ou um programa de vida; foi o tema fundamental da sua vida, consequência do núcleo de sua experiência espiritual.

2. A ENERGIA EDUCATIVA (A “PAIXÃO”) Não é fácil hoje falar com profundidade de educação. Supõe um conceito de homem em um tempo no qual a pessoa humana fragmentou-se e tornou-se "líquida". Envolve a capacidade de cultivar a "consciência do fim" numa época em que tudo se reduz à técnica, exige um empenho longo no tempo e oculto na diuturna ação enquanto em tudo prevalece a rapidez, o passageiro e o show. Ao mesmo tempo, é impossível desinteressar-se da educação, quando nos preocupamos com o crescimento do humano e das novas gerações. Um primeiro problema, que desejo destacar, é a falta de energia educativa. Parece haver uma tendência de desistir


CAPA Pe. Mário Aldegani

do empenho educativo sério. No fundo, temos medo de nos tornar conscientes de que nos falta energia educativa, que só a possuiremos se primeiros nos deixarmos educar verdadeiramente. Passemos para um segundo problema. Para realizar esta capacidade de libertação humana são necessários adultos, adultos verdadeiros, adultos apaixonados. Quem é realmente adulto? Por um lado, de fato, precisamos nos tornar adultos, porém, precisamos permanecer fundamentalmente "como crianças" para não cristalizar a mente e o coração. Onde estão hoje os adultos? Há uma preocupante carência de pessoas capazes de manter a palavra, capazes de disciplina (para si e para os outros), dotadas de sabedoria e coragem. Um terceiro problema decorre do fato de que, sendo adultos, nos deixamos vencer facilmente pela tendência ao ativismo, privilegiando o que é exterior, imediato e fácil. O Padre Pino Puglisi, um pároco de um bairro de Palermo (Itália), morto pela Máfia, denunciou: "A maioria dos jovens rompeu com as velhas certezas e, fazendo saltos mortais, estendem os braços em busca de quem os acolha. Se as duas mãos suplicantes não encontrarem duas mãos prontas a agarrá-lo, o trapezista precipita no solo. É por isso que o nosso tempo requer grande empenho: Sendo que a comunidade eclesial tem seus ritmos e seus problemas a serem resolvidos, há o grande risco de que os jovens não encontrem as mãos prontas a agarrá-los e a acolhê-los. Não há mais tempo a perder, existe o perigo de que os jovens

se esfacelem". Educa verdadeiramente uma comunidade de educadores quem sabe enfrentar as dificuldades, ir a fundo dos problemas e desafios e converter-se, sintonizando-se com Deus que educa com energia e que continua a enviar-nos, sobretudo aos pobres.

3. A EMPATIA Para explicar a empatia do educador murialdino, inspiro-me no ícone evangélico do "Bom Samaritano". Conhecemos o desenrolar da parábola e não a repito aqui. Detenho-me só na atitude do Samaritano em relação ao homem atacado por ladrões e abandonado meio morto à beira do caminho, porque é esta a imagem da parábola sobre o qual quero refletir. Nele eu vejo o que cada um de nós é para os jovens pobres e abandonados: aquele que vai ao encontro, aquele que se acerca. Não com a atitude de quem, do alto de sua segurança ou da solidez de sua posição, se aproxima de quem jaz na necessidade, mas com o espírito do indigente e do necessitado. Por que o samaritano parou? Porque, tal como o homem jogado à beira do caminho, se sentia um pobrezinho, um infeliz: é a consciência de suas próprias limitações que o aproxima daquele homem. É a consciência de sua própria fraqueza e pobreza que desencadeia o amor no sentido evangélico, que nos aproxima do outro, como possível complemento de nossa pobre humanidade. Quem se sente completo em si mesmo, forte e rico, e não precisa de nin-

guém, se acercará do outro de forma errada: com a atitude daqueles que deixa cair a esmola do alto. A proximidade evangélica, que para nós se torna manifesta na relação educativa, nasce do sentimento vivo que o nosso ser se completa nos outros. Quando amamos, nós não damos, mas recebemos. Quando ajudamos, somos ajudados a ser nós mesmos, a realizar-nos como pessoas. Mas a revolução é feita primeiro no coração: eu preciso do outro e aquele ao qual eu restituo a vida é quem me dá vida.

4. A CAPACIDADE DE ACOMPANHAR Murialdo costumava dizer que o verdadeiro mal e o maior problema de muitos jovens não era aquele manifestado pelo seu comportamento, mas aquele, talvez não muito evidente, de não ser aceito, de não ter nunca podido viver uma verdadeira experiência de "sentir-se amado". Murialdo tinha certeza de que os jovens muitas vezes se tornam "infratores" por "não ter encontrado alguém capaz de devolver ou compensar a falta de ternura da mãe e a perda da orientação do pai". A característica da nossa presença de educadores no meio dos jovens é a de ser para eles “amigos, irmãos e pais”. As atitudes que melhor manifestam este estilo pedagógico de acolhida e de acompanhamento são: • A familiaridade: significa que na relação educativa deve haver comprometimento afetivo. Compartilhar sere-

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namente a vida com os jovens, com uma presença vigilante e preventiva. Isso é algo que se pode compreender e vivenciar unicamente no contexto de um amor forte e maduro, puro e sincero. • Simplicidade, afabilidade, firmeza: são o eixo central do conjunto de atitudes que estão subjacentes à pedagogia murialdina. A serenidade da relação, o calor humano, o clima de confiança, a escuta, o respeito mútuo, o bom humor são geralmente as condições de "normalidade" que proporcionam ao jovem a vontade de abrir-se, encontrando um espaço próprio na relação e podendo contar com adultos dispostos a ajudá-lo a sair de situações de dificuldades pessoais e sociais. • A vida cotidiana: é fundamental na relação educativa. Na verdade, é através de uma gestão cuidadosa e equilibrada das coisas ordinárias de todos os dias que se pode estabelecer uma relação positiva com os jovens e que se pode torná-los participes da vida real, para que amadureçam progressivamente no sentido de responsabilidade consigo mesmos, com os outros e com a sociedade. • Tempos de espiritualidade, de oração, de convivência fraterna em que haja partilha: promovem o crescimento dos nossos centros educativos e de suas atividades, não tanto como estruturas de serviço, mas como realidades capazes de dar atenção a todas as modalidades carismáticas murialdinas.

5. SABER ORIENTAR-SE A vida é um caminho feito de percursos, às vezes difíceis, outras fáceis, muitas vezes, alternativos. Ao longo deste caminho é importante pôr sinais significativos, que nos ajudem a não perder o horizonte, especialmente quando surge a escuridão e a confusão, que anuviam os objetivos e a meta. Quero deixar aqui alguns desses sinais proféticos, inevitáveis e essenciais, para o educador. O primeiro sinal é a pessoa. A pessoa é um mundo a ser descoberto, um projeto em contínua evolução, um ser harmonioso que expressa unidade e diversidade. A pessoa é o outro, em contínuo diálogo e devir. É a interação e a troca, a centralidade de cada interesse global, portanto sujeito e objeto de crescimento mútuo. Daí a centralidade da pessoa. Sempre! Portanto, é necessário que a pessoa encontre em nossos ambientes educativos o próprio espaço emocional, afetivo, intelectual, cultural e político. Um lugar onde cada um é ele mesmo e é valorizado pelo que é, e não por aquilo que dá ou consegue dar. O segundo sinal é a humanidade. Isso significa: eu sempre tive respeito, eu sempre pensei com minha cabeça e ensinei a fazer o mesmo. Tentei me libertar e livrar os outros do conformismo, busquei ser crítico, portanto, aberto ao confronto,

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ao diferente, ao debate e à busca do melhor. O terceiro sinal é a solidariedade. "Abra caminho aos pobres sem abrir-te caminho" é o slogan que fez história na Itália há algumas décadas. Continua atual! Os outros não são instrumentos para que eu chegue a algo, mas devo ser instrumento para que os outros cheguem a ser alguém. O problema dos outros é idêntico ao meu. Solucioná-lo junto é a estratégia política. A solidariedade também é justiça. Não há nada que seja tão injusto como fazer partes iguais entre desiguais. O quarto sinal: a política. Este termo, no entanto, assume um significado diferente e mais nobre de como normalmente é entendido. Em um escrito do Padre Milani (“Carta a uma docente”), encontrei uma passagem brilhante: "Aquele que ama as criaturas que estão bem, permanece apolítico e não quer mudar nada. Conhecer as crianças dos pobres e amar a política é uma coisa só. Não se pode amar criaturas marcadas por leis injustas e não pleitear leis melhores: porém para todos e não só para si mesmo”. O quinto sinal: os educadores. Quem é o educador? O Padre Milani escreveu (desculpem se eu cito autores que conheço e que me marcaram): "Os docentes são como os sacerdotes e as prostitutas. Eles se apaixonam rapidamente das criaturas. Se depois as perdem, não têm tempo para chorar". É uma frase de extrema amargura! Ele ainda dizia aos docentes, e pareceme perceber o eco do que Murialdo falava: "Lutareis para a criança mais necessitada deixando de lado a mais afortunada, como acontece em todas as famílias? Acordareis com o pensamento fixo nela, para buscar uma nova forma de dar aula, adaptada a ela? Ireis procurá-la em casa, se ela não voltasse para a escola? Não perderíeis a paz, porque a escola que perde o João não é digna de ser chamada de escola?”. O educador doa para a criança tudo o que ele acredita, ama e espera. E a criança nos oferece algo que ela tem em si, daquilo que com nossa ajuda conseguiu "puxar para fora" (e-ducere). Educar significa acompanhar, orientar. Um autor diz: "O educador é aquele que sabe auto educar-se, como educar e educar ao belo. É uma finalidade que nao se propõe eficiência, por isso é eficaz". Educar é propor a si e ao outro, é busca para si e para o outro, é uma visão diferente pela qual se possa dizer: a vida pode ser bela. O educador é aquele que sabe educarse e educar para o difícil. No campo da vida nos deparamos com muitos obstáculos: é preciso enfrentá-los sozinhos e junto com outros. É aquele que sabe auto educar-se e educar para a aventura, vista como o ir além do já dado e do já feito; aquele que tem sempre a bússola na mão, para ir mais longe. É difícil educar sem julgar, sem esperar

resultados, mas o educador é aquele que dá a fundo perdido. Doa incansável e prontamente a todos, sem qualquer interesse, pensando apenas em fazer o bem ao outro. Os jovens precisam de pais. Infelizmente, jamais como hoje, os jovens vivenciam experiências de orfandade de mãe e de pai. Esta ausência marca seus corações, que não se cansam, porém, de acalentar desejos e aspirações como os de todos os demais. Eles precisam de amor e de atenção. A característica deles é ser extremamente carinhosos, altruístas e generosos: são capazes de arriscar no bem e no mal, mas quando eles conseguem empreender o caminho do bem, podem até se tornar santos!

CONCLUSÃO Até mesmo os "pobres e abandonados" têm sonhos! Nós somos guardiões de seus sonhos. Mas como transformar seus sonhos em realidade? Penso que, em resumo, poderíamos responder que é necessário fazer um trabalho educativo, um trabalho cultural e um trabalho político. Um trabalho educativo que poderia ser chamado de "pedagogia do reconhecimento".Sabemos que nas crianças e nos jovens faltando a confiança, não há educação: Isso no-lo ensina Murialdo. Em cada jovem há uma potencialidade, um ponto de alavancagem, talvez pequeno, mas sempre existente. Os ambientes educativos Murialdinos levam a sério esse desafio: "Vem, aqui há lugar para você". O trabalho cultural consiste na “pedagogia da esperança". Pedagogia da esperança significa ajudar o jovem a "memorizar o sucesso", porque ele tende a memorizar mais a derrota que o sucesso. Memorizar o sucesso quer dizer, de alguma forma, oferecer-lhe a capacidade de acreditar em si mesmo e de capitalizar as coisas bem sucedidas. O trabalho político consiste na "pedagogia da aliança", ou seja, num compromisso de tecer uma teia de relações com todos os que de qualquer modo querem e procuram realmente o bem das crianças e dos jovens. Educar para a responsabilidade cívica e política nas cidades, promover o voluntariado, a captação de recursos educacionais que estão conosco e à nossa volta, e transformá-los em recursos políticos. Bossuet escreveu: "Há paixões sem grandeza, mas não há grandeza sem paixão". Enfim, eu creio que na mística do educador murialdino há uma grande paixão, isto é, um grande amor, altruísta e generoso, para com nossos jovens. Pe. Mario Aldegani

Superior Geral dos Josefinos de Murialdo, em Roma


FORMAÇÃO Pe. Carlos Alberto Wessler

Por uma Teologia da Vocação “...deixaram tudo e o seguiram”

(Lc 5, 11)

esus convida “avance para águas mais profundas, e lancem as redes para a pesca” (Lc, 5,4). Simão Pedro responde “Mestre, tentamos a noite inteira, e não pescamos nada. Mas em atenção à tua Palavra, vou lançar as redes” (Lc. 5,5). Em atenção e obediência à Palavra de Jesus lançaram e o milagre aconteceu. Se não houver confiança em Deus e não houver obediência à sua Palavra, nada se pesca. Se a confiança é só em si mesmo com suas limitações, esquecendo-se de Deus, ficase nas margens. É preciso ousadia em lançar as redes mais uma vez, em atenção à Palavra de Deus e os olhos fixos no Mestre. O importante é lançar as redes, mas quem realiza o milagre é Ele. Essa cena é simbólica. Jesus chama seus primeiros discípulos, mostrando-lhes qual a missão reservada a eles: fazer com que os homens participem da libertação trazida por Jesus e que só pode realizar-se no seguimento dele, mediante a união com ele e sua missão. Eles deixaram tudo e seguiram a Jesus. Largaram as barcas na margem e começaram a viver por uma causa maior, a causa do Reino de Deus. São convidados a doarem-se totalmente. Eles deixaram tudo, inclusive suas limitações. Quando se olha muito para as limitações, esquecendo-se de contemplar a beleza do poder magnífico de Deus, a vocação é enfraquecida. Aquele que não confia em Deus, que não dá “atenção à tua palavra”, não lança as redes, não colhe os peixes, não experimenta o milagre. Está na hora de sair da margem e partir para “águas mais profundas”. É preciso ter coragem, sair e superar as limitações. Retratarei abaixo alguns pontos fundamentais teológicos da vocação de seguimento a Cristo - as “águas profundas” contidas em suas dimensões (antropológica, política, cristã e específica): 1. Sem renúncia não se pode seguir Cristo, porque ela, mesmo em todas as dificuldades que comporta como renúncia, não é um valor negativo, mas eminentemente positivo, porque permite seguir Cristo e consagrar-se totalmente ao Pai. O seguimento de Cristo, portanto, é uma experiência

de desapego de todo aquele tipo de vida baseada em seguranças humanas, feitas de lugares, pessoas, bens, tradições, papéis, tarefas, hábitos, mentalidades, modos de viver... para apoiá-la exclusivamente sobre ele. É necessário, então, superar medos e defesas instintivas e decidir-se por escolhas coerentes com a radicalidade do evangelho, colocando toda a nossa segurança no Senhor. Deixaram redes... barcos... 2. Vocação é fruto da fascinação: O seguimento é fruto de uma fascinação que responde ao desejo de realização humana, ao desejo de vida plena. O discípulo é alguém apaixonado por Cristo, a quem reconhece como o mestre que o conduz e acompanha. Nesse processo destacam-se cinco aspectos fundamentais: encontro com Jesus Cristo, conversão, discipulado, comunhão e missão. Toda vocação tem origem em Deus, tem base teologal. 3. A origem da Vocação é Trinitária: Toda vocação tem base teologal. A origem de toda vocação está na comunhão trinitária. “Cada vocação está ligada ao desígnio do Pai, à missão do Filho, à obra do Espírito Santo. Cada vocação é iluminada e fortalecida a luz do mistério de Deus”. O Deusrelação, no qual cada uma das pessoas procura manifestar a outras seu amor: no qual cada pessoa ama as demais e ao mesmo tempo é amada. O segredo de nossa vocação está na relação, isto é, no encontro da Trindade com a humanidade. 4. A vocação é relacionamento: Existe ligação entre a vocação, a vida e consequentemente a espiritualidade. A vocação passa a ser entendida como relacionamento pessoal com Deus vivido no interior de uma comunidade bem concreta. Deus chama para um encontro com Ele, a partir das solicitações de um povo que sofre (cf. Êx 3,1-10; Jr 11,4-10). A vocação é, pois, uma “sedução” (Jr 20,7), uma “conquista do coração”(Os 2,16) por parte de Deus, para uma vida de intimidade, de comunhão com Ele. É um convite para ficar com Ele, para participar da sua vida (cf. 1 Ts 4,17; Jo

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17,24; 1 Pd 5,1). A vocação primeira e originária do 6. É preciso capacidade de ouvir e entender o chamado de Deus através das mediações – o pobre Cristão tem como fundamento a comunhão e a poderá tornar-se “sacramento do chamado divino: participação na Trindade: Deus se manifesta muitas vezes por mediações: “Eu * Com o Pai, temos uma relação filial, que é o vi a opressão que os egípcios fazem pesar sobre eles. primeiro elemento de nossa vocação cristã. Sem buscar E agora vai, que eu te envio ao Faraó para que libertes a Deus como Pai, o ser humano fecha-se em si mesmo, meu povo, os israelitas do Egito” (Ex 3,9-10). Se em sua autossuficiência, e destrói também a comunhão permitirmos que o submundo dos pobres entre em nós com seus irmãos e irmãs. e nos questione, então ele poderá tornar-se * Com o Filho temos a comunhão e a participação “sacramento” do chamado divino. Se, pelo contrário, em Deus, isto é, Cristo é o ponto de encontro da relação permanecermos insensíveis e indiferentes, nada será da Trindade com a humanidade, e vice-versa. Aí está capaz de nos comunicar a voz daquele que nos chama o ponto fundamental da teologia da vocação: o para a comunhão com Ele. seguimento a Jesus Cristo. O seguimento a Jesus Cristo é, acima de tudo, uma relação profunda e pessoal 7. A Vocação tem uma Dimensão Eclesial: A com Ele que implica uma corajosa ruptura com o resposta ao chamado da Trindade não acontece de passado e o misterioso começo de uma existência maneira isolada, individualista, fechada, mas de forma radicalmente nova. comunitária, já que também a convocação divina é * Com o Espírito Santo temos o “veículo” de dirigida à pessoa humana por meio da comunidade. comunhão com o Pai e o Filho. O Espírito Santo é fonte Por isso toda vocação possui necessariamente uma dimensão eclesial, e a Igreja é considerada o lugar de das vocações, doador de carismas e aquele que suscita comunhão com a Trindade, nossa comunhão e participação. Do expressão do desejo da Trindade Espírito procedem todos os dons de Toda vocação implica de se encontrar com a humanidade. serviço e consagração. Essa Igreja foi definida no Vaticano necessariamente uma II como “o povo reunido na unidade “missio”, um serviço 5. A vocação como comunhão do Pai e do Filho e do Espírito com a Trindade tem uma dimensão Santo” (LG, 4). Para que a Igreja concreto em favor da sacramental, e tem como mediação seja realmente o lugar do encontro evangelização e, o amor. Na primeira carta de João da Trindade com a humanidade, e afirma-se: “Se alguém disser: Amo vice-versa, é preciso que seja consequentemente, a Deus mas odiar o irmão, é “constituída em estado de vocação da humanidade mentiroso. Pois quem não ama o e de missão” (2º CIV, n.8). Para ser realmente lugar de plena realização irmão, a quem vê, não pode amar a da vocação cristã, a Igreja terá de ser imagem ou Deus, a quem não vê” (1Jo 4,8.20). A vocação é um expressão da comunidade trinitária. A visibilidade da chamado ao amor, é um chamado ao serviço (1Jo 4,7comunhão e participação se concretiza especialmente 21; Mc 10,45). na opção preferencial pelos pobres. Tinha então razão quando Murialdo, em seus Manuscritos Autobiográficos, escrevia: “O amor é um contínuo voltar a Deus. É um amor ardente a Deus, 8. A Vocação é um chamado universal à santidade: Sendo convite para um relacionamento de a ao próximo por amor a Deus. É fazer o que Deus intimidade com a Trindade, a vocação aparece também quer... É zelar pela salvação dos irmãos... É construir como chamado à santidade, isto é, à plenitude da vida o Reino de Deus nas almas e sobre a terra. É a união cristã e à perfeição da caridade. Vocação é, pois, nossa com Deus. Quem pode unir os extremos? O comportar-se como o Pai se comporta (Mt 5,48). Nós Amor... Um amor afetivo, terno, generoso, operativo e sabemos que a santidade é uma prerrogativa exclusiva dinâmico” (Testamento Espiritual). de Deus (1Sm 2,2). Deus é santo porque é totalmente Esta visão de vocação como chamado à comunhão diferente das pessoas humanas e do mundo (Os 11,9; e participação nos leva a descobrir, como elemento Is 55,8-9). Ele é santo, diferente, porque ama e acolhe essencial do chamamento, a vida de fraternidade, de as pessoas, especialmente os pequenos, os excluídos sororidade. Isto quer dizer que faz parte da essência e excluídas (Is 41,14). Mas a pessoa humana é da vocação o desejo, a vontade, o compromisso de chamada a participar da santidade divina (Lv 19,2; 1Pd “reproduzir” na Igreja e no mundo o tipo de 1,15-16; 2,9-10). A santidade consiste em ser perfeito relacionamento que existe no seio da Trindade. A no amor (Ef 1,4). O amor é o distintivo dos cristãos e participação na comunhão trinitária exige a comunhão cristãs (Jo 13,34-35; 15, 12-13.17). Ser santo ou santa fraterna entre nós. Não pode ser sincero um significa fazer a diferença, ou seja, responder aos relacionamento de comunhão com Deus quando ele desafios de cada época com um amor sem medidas não se repercute também no relacionamento com os (Jo 15,14-15; Gl 3,25-29). Esta mesma santidade é irmãos e irmãs. Nossa vocação é um chamado para vivida por caminhos diferentes em razão da diversidade dos carismas (1Cor 12,7; Rm 12,4-8; Ef 4,7) dos serviços amar a Deus, mas não ama a Deus quem não ama o e ministérios (1Cor 12,14-21; Ef 4,11-12). seu próximo (1 Jo 4,20).

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FORMAÇÃO Pe. Carlos Alberto Wessler

9. O carisma e a missão estão ligados intimamente ao dinamismo da vocação: Os carismas, segundo a teologia paulina (1Cor 12,4-31) são dons diferentes, serviços diferentes, diferentes modos de agir, suscitados pelo Espírito, e destinados à edificação da comunidade cristã. Sem os carismas não pode existir comunidade cristã, não pode existir a Igreja. Poderíamos então dizer que os carismas são dons do Espírito que tornam o cristão apto para o exercício da própria vocação em favor de toda a comunidade (LG, 12). Os carismas são dons para a execução de serviços concretos, atividades concretas, que possibilitam a vivência de uma determinada vocação específica. Alguns carismas, com o passar do tempo, perdem seu significado, desaparecem, para dar lugar a outros mais atuais, de acordo com a realidade de cada tempo e lugar. Nem tudo é carisma ou, ainda, nem todos os carismas são autênticas manifestações do Espírito de Deus. Podemos ter situações nas quais certos “carismas” chegam a contribuir para que a Igreja se instale um clima de ruptura da verdadeira unidade e autêntica comunhão. Para averiguar a autenticidade do carisma segue-se alguns critérios: se é para edificação da comunidade e se é profético. Uma das funções específicas do Serviço de Animação Vocacional é ajudar o vocacionado ou vocacionada a perceber os carismas que o Espírito está suscitando em sua vida, a fim de que possa descobrir o seu verdadeiro lugar na Igreja. Vocação e carismas não são fins a si mesmos. Existem para a missão. Por isso toda reflexão sobre a vocação requer também algo sobre a missão. Dentro deste contexto de uma teologia da vocação é indispensável destacar a questão da missionariedade da Igreja. Precisamos insistir muito ainda sobre a verdade de que a Igreja inteira, toda ela, todos os batizados e batizadas, são sujeitos da missão. Além disso, é preciso dizer que esta missionariedade deve ser vivida em toda parte, em todos os níveis e em todos os tempos. Sendo serviço à humanidade, a missão, como a vocação, possui uma dimensão comunitária e uma dimensão pessoal. Comunitária porque ela é antes de tudo confiada à Igreja, enquanto ekklesía, isto é, comunidade convocada e reunida pela Trindade. Pessoal, enquanto cada fiel tem o seu jeito de vivenciar a missionariedade da Igreja. 10. Vocação é serviço, é missão: Toda vocação implica necessariamente uma “missio”, um serviço concreto em favor da evangelização e, consequentemente, da humanidade. A missão está ligada ao envio: “ide, pois, fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo quanto vos ensinei” (Mt 28,19-20). A evangelização é o núcleo central da missão da Igreja. Por isso todo o Serviço de Animação Vocacional também deve ser atividade missionária. Isto é, não basta despertar as pessoas para o chamado, é preciso motivá-las para que concre-

tizem a resposta a ele assumindo uma missão da comunidade. A grande missão da Igreja concretiza-se na preocupação com a pessoa humana em sua totalidade. É preciso que o cristão e a cristã levem mais a sério sua missão política, que não se omitam! A Igreja não pode limitar-se à proclamação de doutrinas, de enunciados teóricos, de programas ideológicos e nem mesmo à publicação de uma espécie de manifesto ético, mas deve ser realização na história e desenvolvimento de todas as potências contidas no fato narrado: uma “sequella Christi” que não está somente na ascese e na espiritualidade de cada crente, mas que se torna substância de toda a existência da própria Igreja. A defesa dos direitos humanos, da dignidade da pessoa, não é oportunismo ou comodismo, mas sinal de fidelidade e de autenticidade da missão evangélica da Igreja. Os excluídos são os primeiros destinatários da Igreja.

Algumas indicações práticas para os Serviços de Animação Vocacional - A necessidade de aprofundar o conceito teológico de vocação, avaliando sempre que tipo de teologia sustenta a nossa prática. “Uma correta impostação da proposta deve fundar-se necessariamente numa sólida teologia da vocação e das vocações, em sintonia com a eclesiologia do Vaticano II”. - A p r e s e n ta r s e m p r e a v o c a ç ã o c o m o relacionamento, como comunhão, dando muito valor à experiência e à espiritualidade (Jo 1,39; Mc 3,14). - Trabalhar bem o humano e o cristão antes de partir para a questão das vocações específicas. - Dar mais atenção à questão da inculturação e da pós-modernidade (nossa sociedade passa por transformações rápidas e profundas). - Envolver os leigos na Animação Vocacional. - Usar uma metodologia e linguajar juvenil. - Entender o específico de cada vocação, evitar o “reducionismo vocacional”. - Trabalhar para que o Serviço de Animação Vocacional não seja mais uma “pastoral setorial”, mas a coluna vertebral de toda a pastoral de uma Igreja particular, buscando interação principalmente com a Pastoral da Juventude, a Pastoral Catequética e a Pastoral Familiar. - E, enfim, preparar os(as) animadores(as) vocacionais, não podendo ser improvisados e nem improvisar. Bibliografia: - Teologia da Vocação, José Lisboa de Oliveira Edições Loyola, São Paulo,1999 - Testamento Espiritual de S. L. Murialdo

Pe. Carlos Alberto Wessler Diretor da Epesmel e mestre dos teólogos - Londrina - PR

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ANA RECH A trajetória histórica de sua espiritualidade 1. Imigrantes / tropeiros

A comunidade de Ana Rech pode festejar uma história construída de bravura, trabalho e muita fé, pilares de uma realidade que distingue, não apenas em Caxias do Sul, município a que pertence, mas em toda a Serra Gaúcha. E tem motivos para se orgulhar de uma trajetória que nasceu no distante abril de 1877, quando os primeiros moradores se estabeleceram na então 8° Légua da Colônia de Caxias. Entre eles estava Anna Maria Pauletti Rech, que deixara uma lição de vida e de fé nas páginas da imigração italiana do Rio Grande do Sul. Ana Rech (a ortografia foi alterada em 1930) partiu de Pedavena, Itália, em 12 de outubro de 1876, em direção ao Brasil. A aparente aventura era, na verdade, a opção que restava a uma viúva com 48 anos e sete filhos. Depois de quatro meses de viagem para cruzar o Atlântico, em abril de 1877, Ana Rech se fixava no lote 104 do Travessão Leopoldina, na Colônia de Caxias.

2. Pe. Mariano Rossi - Reitor

A religiosidade sempre foi uma característica do anarrequense. Em 1881, quando apenas algumas famílias estavam instaladas, a fundadora, Ana Rech, doou um lote para que fosse construída a primeira capela. Nesta saga dos imigrantes atuaram o Pe. Giovanni Argenta (1888 a 1893) e o Pe. Ferdinando Manente (1897 a 1900). Vinte anos depois, um novo projeto começou a mobilizar a comunidade: a construção de uma nova igreja. No dia 28 de maio de 1901 o Pe. Mariano Rossi abençoava a pedra fundamental da atual igreja Matriz. Dela se teria uma ampla visão dos Campos de Cima da Serra. A execução da obra foi cercada de muitas dificuldades. Os trabalhos chegaram a parar com a morte de Pe. Mariano Rossi, em abril de 1905.

3. Monges Camaldulenses

Em 1907, porém, chegaram em Ana Rech os Monges Camaldulenses (Padres Brancos), que passaram a organizar a construção, agora com o auxílio de especialistas (Frei Roberto D’ Apprieu). O primeiro projeto de Pe. Mariano Rossi sofreu várias alterações e ganhou um novo estilo romano.

Fotos: Marcelino Pauletti / Volga

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MARCAS DO QUE SE FOI Pe. Bruno Barbieri

Surgiu, assim, um segundo projeto com as formas arquitetônicas apresentadas hoje pelo templo atual, com duas torres (Pórtico de Ana Rech). Lê-se no livro Tombo da Matriz: “Em 27/07/1912 o Curato de Ana Rech é elevado à categoria de Paróquia por D. Claudio José Gonçalves Ponce de Leão, Arcebispo de Porto Alegre”. Isso tudo graças ao zelo e à atuação dos monges Camaldulenses, tendo como primeiro pároco, D. Timóteo Chimenti. Foi um grande acontecimento para a história do povo de Ana Rech. Praticamente uma distinção – glória ao mérito – pelo esforço e sacrifícios ingentes e extraordinários em que monges e povo venceram as provas e dificuldades, tantas vezes, contra a execução desta grande obra – a Igreja Matriz. Continuaram os trabalhos nas torres. Era belo ver aos domingos, 100 a 200 em fila passando de mãos em mãos os tijolos até o alto do morro ou sobre os andaimes. Muitos chegavam na missa carregando sacos de areia. Houve muitas doações. O templo, concluído por D. Timóteo Chimenti, foi solenemente inaugurado em 10/12/1917 por Dom João Becker. Nos atos solenes da inauguração da matriz. D. Timóteo Chimenti mandou pintar na frente da igreja estas palavras em latim: “Virgini Deiparae título a Caravaggio dicatum” (este templo é dedicado a Virgem Mãe de Deus sob o título de Caravaggio). E acrescentou mais estas palavras: “Templum hoc – p.p. camaldulenses – ex informi lápidum acervo – ut DIU iacuerat – Antoni Cremonesi pictoris, - Francisci Meneguzzo, Architecti, Aloysse Segalla, constructoris opera, - necnon admirabili populi cooperatione, hanc adduxerunt forma”. (Os padres camaldulenses, de um informe acervo de pedras, como permanecerá por muito tempo, por obra do pintor Antonio Cremonesi, do Arquiteto Francisco Meneguzzo, do construtor Luís Segala, e pela admirável cooperação do povo, levaram a esta forma). Em 1921 os Camaldulenses de Ana Rech haviam se constítuido na sociedade civil a que deram o nome de Sociedade dos Campos Experimentais.

4. Pe. Ângelo Gialdini - Doação Em 1926 os Monges Camaldulenses, com dificuldade de conciliar sua vida eremítica em Ana Rech, decidiram regressar à Itália. A saída, em 9 de março de 1926, deixou Ana Rech com atendimento religioso esporádico, feito por sacerdotes de Caxias do Sul. A vinda do Pe. Ângelo Gialdini, para assumir a paróquia, teve a perspectiva de iniciar as buscas para a presença de uma Congregação Religiosa que, além de atender a paróquia, se dedicasse à educação. Com esta finalidade foram consultadas diversas congregações.

5. Dr. Celeste Gobatto Mediador

Diante da impossibilidade das congregações consultadas virem para Ana Rech, Dr. Celeste Gobatto, intendente de Caxias do Sul, mantém contato com os Josefinos. Ele os tinha conhecido na Colônia Agrícola de Quinta, em Rio Grande. Em novembro de 1927, Gobatto escreve uma carta ao Pe. Humberto Pagliarini, Pároco de Jaguarão e superior da missão, fazendo o convite para assumir a Paróquia de Ana Rech. Em 11 de fevereiro de 1928, Dr. Celeste Gobatto escreve novamente ao Pe. Humberto dizendo que em breve uma comissão irá propor ao Arcebispo a vinda dos Josefinos de Murialdo. Com a autorização do Arcebispo, trocam-se frequentes cartas e telegramas entre o Dr. Celeste Gobatto e os Josefinos. Envia-se consulta à Roma. Enquanto isto, em 9 de março de 1928, Pe. Agostinho Gastaldo vem tomar conhecimento de Ana Rech, com um questionário a responder. Em 13 de março ele envia um relatório à Itália, onde ressalta: “negócio convém. Doação incondicional, renda suficiente, lugar de grande fé e prática religiosa. Lugar futuroso em si por eventuais vocacionados”. O Padre Geral dos Josefinos em Roma, Girolamo Apolloni, responde positivamente: “Sim, aceitem. São José e Murialdo vos acompanhem na nova fundação”.

6. Pe. Agostinho Gastaldo

Em agosto de 1928, Pe. Agostinho chega a Caxias, ficando hospedado na casa de Canônica do Monsenhor João Meneguzzi. Uma semana depois, no dia 16 de agosto, na carreta de Agostinho Tonella, sentado sobre baús e em sobressaltos pelos atoleiros da estrada Caxias - Ana Rech, chega na vila, às 17 horas. No domingo seguinte, Pe. Agostinho é apresentado aos paroquianos e toma posse em 7 de outubro. No dia 20 de janeiro de 1929 chegaram da Itália os Josefinos, Pe. Girolano Rossi, Irmão Hermenegildo Schiavo e Irmão José Gasparini que vieram para assumir a abertura do Colégio Murialdo. Em 1928 Pe. Agostinho Gastaldo veio substituir os Monges Comaldulenses. Desde então, os Josefinos dirigem a Paróquia Nossa Senhora de Caravaggio. Em 1° de março de 1929 aconteceu a abertura do Colégio Murialdo. Em 1931 chega em Ana Rech o servo de Deus, Pe. João Schiavo, tornando-se Provincial em 1946. Atualmente a Paróquia Nossa Senhora de Caravaggio se compõe de 23 comunidades subdivididas em quatro núcleos. O local se destaca pelo desenvolvimento industrial, atrativos turísticos, valores artísticos e a religiosidade de seu povo. Ana Rech cresce aceleradamente, integrando os aspectos da cultura da imigração italiana com as mais puras tradições gaúchas. Ela é popularmente conhecida como Vila dos Presépios. Do território paroquial de Ana Rech se formaram mais duas Paróquias: Paróquia Nossa Senhora da Saúde Fazenda Souza - 25/12/1959 e Paróquia Menino Deus – Bairro Serrano 10/11/1999. Os Josefinos de Murialdo já estão em Ana Rech há 84 anos, dirigindo a Paróquia Nossa Senhora de Caravaggio e o Colégio Murialdo. Deus determina. O homem cumpre. A história registra. Por tudo demos graças a Deus. Pe. Bruno Barbieri

Pároco da Paróquia Nossa Senhora de Caravaggio de Ana Rech

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a i g o g a d Pe ...

r o m A do omos seres dotados de afetividade e de necessidade de limites. Essa máxima corresponde à condição humana desde sua existência. Alunos e professores interagem através de limites cognitivos, emocionais e afetivos; procurando uma simbiose perfeita de ações. A afetividade, tanto na teoria como na prática, deve levar à formação integral da pessoa. Quando falamos ou discursamos acerca da pedagogia do amor, estamos nos remetendo a um jeito peculiar de educar, proposta vivenciada e categorizada por São Leonardo Murialdo através da educação do coração. Essa premissa educacional tem o caráter de “humanizar o humano”. No Projeto Educativo da rede de Colégios Murialdo, tal relação é pautada na dimensão de favorecer para que a pessoa se transforme e desenvolva suas potencialidades, assuma valores, abra-se para a solidariedade e comprometa-se como cidadã na construção de sua comunidade. Educar através e pelo coração não nos exime de sermos educadores com autoridade, autonomia e construtores de ambientes em que a disciplina (disciplina não enquanto silêncio, mas como condição e postura favorável para o aprender), o respeito, a confiança e a sociabilidade sejam marcas significantes de uma boa e sincera convivência. As professoras e professores têm a responsabilidade de inspirar no aluno o desejo de aprender, a confiança e, fundamentalmente, a cidadania e os verdadeiros valores

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humanos. O poeta Antonio Porchia salienta que “estar em companhia de alguém, não se deve estar com... mas estar em alguém”. É ver o outro no outro, é estar no outro. Numa relação aluno e professor deve-se procurar entender o aluno por meio da ótica do aluno e sentir que ele é dotado de possibilidades e atitudes, ou seja, um educador que vislumbre e vivencie essa dimensão educacional é um mestre da educação do coração. Como já foi salientado, o afeto é uma marca humana. Se é uma marca, é sinal visível de postura e de possibilidades. Sendo “detentores”, enquanto educadores e simpatizantes da pedagogia do amor (apresentada por Murialdo), implica uma série de responsabilidades e atitudes. No Projeto Educativo no item dos princípios e práticas / tema 1- Pedagogia do amor no princípio 2 - salienta que a educação do coração é uma ação de diálogo que atinge as emoções dos educandos e compromete todos os educadores. Comprometerse com a educação do coração é acreditar que o educando é o centro do nosso pensar e agir. Nossa ação deve ser alicerçada em práticas que invistam na formação cognitiva, emocional, afetiva, mas que não abram mão da disciplina, que seja possibilidade de aprendizagens de diferentes saberes. Novos tempos exigem das escolas novos jeitos de ensinar e despertar nos alunos o anseio pela descoberta de novos saberes.


PONTO DE VISTA Alecson Marcon

. . . d o a fe t o ao s l imi tes

Vivenciar a prática da pedagogia do amor favorece a educação na construção de educandos equilibrados no que tange o afeto, o conhecimento, a emoção e a espiritualidade. Uma escola que trata os alunos de forma segmentada e condiciona ou prioriza um princípio ou outro está sujeita a formar “monstrinhos treinados”, salienta o pedagogo Hamilton Werneck. Murialdo dizia: educar pelo coração é acreditar na potencialidade e possibilidade de cada criança, adolescente e jovem. Então, se o cerne de toda nossa ação como herdeiros da pedagogia do amor e promotores da educação do coração são as crianças e adolescentes, nada mais justo e humano do que ouvir deles o que eles entendem e conceituam como afeto e limites. Conforme apresentação desses dois termos a um grupo de 25 educandas e educandos da Educação Infantil e Ensino Fundamental I do Colégio Murialdo de Porto Alegre, buscou-se entender o que essas crianças sentem e vivenciam na prática esses princípios e atitudes, tanto enfatizados pelos educadores. Eis alguns relatos:

“Afeto é ter amizade. Limites é não passar do limite que se tem.” “Afeto é ter fé. Limites é não fazer o que bem entende.” “Afeto é uma coisa muito importante. Limites é não bater nos colegas, não chutar.” “Afeto é uma coisa que ama. Limites é não passar daquilo...” “Afeto é dar abraço, carinho. Limites é respeitar as pessoas, ser amigo.” “Afeto é ter uma amiga ou amigo que nunca brigou contigo e nunca te desprezou. Limites é pedir muito e a pessoa não colabora.” “Afeto é carinho, respeito. Limites é quando a pessoa diz que pode fazer é porque pode e quando a pessoa diz que não pode é porque não pode.” “Afeto é uma pessoa que tem alegria em ajudar os outros. Limites é uma linha, só que você não pode passar.” “Afeto é confiança e amor. Limites é ter regras.” “Afeto é tipo amor. Limites é tipo ir até onde você pode ir.” “Afeto é se adaptar. Limites tudo tem fim.”

Denota que nossas crianças também acreditam e entendem o que é ser educado através da pedagogia do amor. Seus relatos (puros, sinceros e com uma conotação lúdica e de caráter poético, extraído do “coração”) nos ensinam o quanto a pedagogia que Murialdo tanto elencava faz-se necessária na transformação de uma sociedade que prima pela indiferença e frieza nas relações. Continuamos acreditando e apostando na pedagogia do coração, pois ela é a mola que deve impulsionar toda nossa prática e dar suporte para novos paradigmas nas relações sociais fundamentados na ética e na equidade. Alecson Marcon Especialista em Supervisão e Gestão Escolar Coordenador Pedagógico do Colégio Murialdo de POA

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PONTO DE VISTA Pe. Marcionei Miguel da Silva

vida expressa a força de sua história na interatividade das relações humanas. O nosso papel é desconstruir o paradigma individualista imposto pela sociedade, que tanto nos oprime. As pessoas estão com saudades de abraços e sedentas de afetos profundos, serenos e verdadeiros. Humanizar é romper o abismo do preconceito, abrir-se para o amor de Deus, “gastar” tempo para escutar o outro, cultivar a paciência na velocidade do mundo e erguer os nossos olhos para os horizontes de paz. O segredo das relações humanas está pautado na liberdade de nossa espiritualidade. Quanto mais cultivamos uma vida de oração, colocando Deus no centro de nosso coração, mais significativa será nossa personalidade. Queremos nos encontrar com pessoas que nos passam segurança, confiança, paz, alegria e entusiasmo pela vida, não obstante as dificuldades que encontramos em nosso cotidiano. Damo-nos conta de que não precisamos imitar os outros para sermos felizes, mas precisamos, cada vez mais, buscar nossa própria identidade com orgulho e determinação. A humildade desarma as defesas do outro e a caridade nos aproxima dos menos favorecidos. Quando colocamos o outro no centro, somos mais incluídos, compreendidos e ouvidos. Aceite seus limites, tenha boa autoestima, faça um colóquio com

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Deus ao amanhecer, agradeça o dia que lhe foi brindado antes de repousar e acredite nos seus sonhos. Os grandes Projetos de Vida são feitos de “rabiscos” teimosos que se transformam em páginas de ouro ao longo do trajeto, enquanto vamos decifrando a mediocridade de nossas inconstâncias. As relações humanas revelam a força de nossa maturidade, o equilíbrio de nossas atitudes e a nossa capacidade de interagir com a outra pessoa com respeito e dignidade. Somos aprendizes de sonhos, construtores de pontes e incansáveis trabalhadores. Ao invés de fugirmos das multidões, evitar os encontros e cancelar as reuniões, nós convocamos as pessoas para formar lideranças, organizar a sociedade e fortalecer os horizontes de esperanças. Não perdemos quando ajudamos o outro a ser mais, mas ampliamos a nossa capacidade de inclusão e revelamos a maturidade de nossa personalidade. O outro, por mais simples e humilde que seja, sempre tem algo a nos dizer. Preste atenção na expressão de seu rosto, na singularidade de seu sorriso e na força de suas convicções. Isso será suficiente para que o mundo volte a lhe ensinar a viver. Pe. Marcionei Miguel da Silva Conselheiro Provincial, escritor, compositor e poeta


PONTO DE VISTA Pe. Harry Yung

O PINHEIRO

(poema dedicado ao Pe. Cornélio Dall’Alba)

Da janela do meu quarto, contemplo um pinheiro. É ainda jovem. Um ofertório que não cessa de subir ao céu.

O frio o faz tremer. Temporais, granizos o castigam.

Sonha com as estrelas. Fala com a lua e o silêncio. Joga ciranda com as nuvens. Toma seu banho de sol. E carrega nos ombros A canção dos passarinhos.

Está escrito em suas asas O sonho das alturas. Em sua alma, o sonho das estrelas.

E o pinheiro sobe.

E tu, por que não sobes?

E o pinheiro sobe. Bate a chuva em seus braços. Açoita-lhe o corpo, o vento.

Pe. Harry Yung Josefino de Murialdo. Autor de vários livros de Poesias. A presente é da obra “Vozes do Silêncio”, lançado em 2011.

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NOTÍCIAS

CAPÍTULO GERAL:

Novas diretrizes e novos dirigentes De 04 a 20 de junho de 2012, acontecerá, em Buenos Aires na Argentina, o XXII Capítulo Geral da Congregação dos Josefinos de Murialdo. Pela segunda vez fora da Itália, em 2006 aconteceu no Brasil. A Província Brasileira será representada pelo provincial, Pe. Raimundo Pauletti e os delegados, Pe. Antônio Lauri de Oliveira de Souza, Pe. Juarez Murialdo Dalan e Pe. Ernesto Camerini. Trata-se do evento maior, uma vez que, além de avaliar os caminhos percorridos nos últimos seis anos (2006-2012), serão traçadas as novas diretrizes para o próximo sexênio. Também será eleito o Superior Geral e seu Conselho que irão animar e coordenar a missão da congregação fundada por São Leonardo Murialdo, hoje presente em 16 países, atuando em centenas de comunidades e obras. O atual Superior Geral da Congregação, Pe. Mário Aldegani, sintetiza o grande momento da congregação: “Com os jovens e para os jovens pobres renovemos nossa consagração de Josefinos para ter vida em Cristo” foi o tema escolhido para nortear os trabalhos de preparação e realização do Capítulo Geral. O tema incide sobre o carisma fundacional (os jovens e os jovens pobres) como o princípio unificador da vida e da consagração do Josefino e que retrata claramente o “fim” da ação educativa, o “ne perdantur” de Murialdo (“para ter vida em Cristo”), que é a maneira de estar na linha de frente da nova evangelização. “Filho, teu pai e eu, angustiados, te procurávamos" (Lc 2,

48), foi o ícone bíblico escolhido para inspirar e guiar o aprofundamento, a articulação e a reflexão dos trabalhos, referindo-se a um particular momento na vida de São José que, além de patrono, é modelo de como ser educado e de se consagrar a vida no cumprimento da vontade de Deus. O logotipo do XXIICG, além das indicações da data, local e evento, apresenta uma mão grande sobre a qual repousa uma mão pequena (a mão dos jovens/pobres): o gesto representa seja o estar juntos (“com”) seja o servir (“para”), logo, tanto a presença, quanto os cuidados e a educação. As duas mãos cruzadas e enlaçadas pela cruz de Cristo, significam que Ele é o Único capaz de dar a esta união de mãos e vidas, o sentido da consagração e da verdadeira vida. O círculo no fundo representa a Congregação dos Josefinos no mundo, que se sente unida a tantos irmãos e irmãs que compartilham do carisma na Família de Murialdo. O gradiente em tons de azul e branco é uma referência à Argentina, o país anfitrião do Capítulo 2012. O desafio é manter fidelidade à missão, respondendo aos desafios do mundo e da Igreja, buscando equilíbrio dinâmico entre a espiritualidade e o apostolado.

ANALAM realiza Congresso Nacional Foto: Pe. Adelar Francisco Dias

De 29 a 31 de julho de 2011, na Casa de Encontro dos Freis Capuchinhos, Bairro Santo Antônio, em Porto Alegre – RS, aconteceu o Congresso-Assembleia da Associação Nacional dos Leigos Amigos de Murialdo – ANALAM. “Numa sociedade

individualista a espiritualidade é o caminho” foi o tema, a partir do subsídio 11, elaborado pelo Conselho Formativo. Os presentes mostraram-se sedentos por discutir e pensar a respeito do assunto, enquanto membros da Família de Murialdo. O Congresso teve como objetivo “analisar a espiritualidade e a inserção do Leigo Amigo de Murialdo na sociedade, para superar o individualismo egoísta, a fim de propor um novo enfoque de realização humana”. Votadas pela Assembleia, o Setor Financeiro/Coresponsabilidade, Comunicação e Formação e Promessa foram as três prioridades eleitas para a ANALAM, gestão 2011-2013, sendo que Leonel Wasem dos Reis foi reeleito como presidente. Rio de Janeiro foi escolhido como local para o próximo Congresso-Assembleia, que acontece em 2013, com o tema “FELICIDADE: muito além do horizonte”.

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Josefinos terão dois novos Sacerdotes Dois diáconos Josefinos serão ordenados sacerdotes: dia 21 de janeiro, na Paróquia Mulaló, em Latacunga, Equador. Dom Celmo Lazzari ordenará presbítero o diácono Edison Fustillos. No dia 24 de março, José Bispo de Souza, pela imposição das mãos de dom José Valmor César Teixeira, será ordenado sacerdote, em Bom Jesus da Lapa, BA. Ambos concluíram o Curso de Teologia, no PUC/PR, Campus de Londrina.

Votos Perpétuos

No dia 07 de janeiro de 2011, os seis noviços farão o ingresso oficial na Congregação, emitindo os primeiro votos; quatro deles farão o curso de Filosofia na UCB, em Brasília. Foto: Marcelino Pauletti / Volga

Além da renovação de votos de vários jovens religiosos, três deles emitirão votos perpétuos na Congregação. Trata-se de Antônio Oliveira Dju, Cristian Paredes e Deivison Pereira Ribeiro.

Primeiros Votos

Foto: Marcelino Pauletti / Volga

Noviciado Na 2ª quinzena de janeiro cinco postulantes (quatro brasileiros e um argentino) iniciarão o noviciado em Fazenda Souza, Caxias do Sul, com a duração de um ano. O Pe. Antônio Lauri de Oliveira Souza será o novo mestre de noviços. Por sua vez, um bom número de vocacionados ingressará no postulado em Londrina, PR.

“Um dia uma criança chegou diante de um pensador e perguntou-lhe: ‘Que tamanho tem o universo?’ Acariciando a cabeça da criança, ele olhou para o infinito e respondeu: ‘O universo tem o tamanho do seu mundo’. Perturbada, ela novamente indagou: ‘Que tamanho tem o meu mundo?’ O pensador respondeu: ‘Tem o tamanho dos seus sonhos’.” Augusto Cury

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NOTÍCIAS

Fotos: Pe. Raimundo Pauletti

BELÉM - PA

O pároco, Pe. Irineu Roman com líderes da Paróquia Santa Edwiges. Lá, os jovens recebem grande apoio dos Josefinos e lideranças da paróquia. Na foto, à direita, catequizandos com o provincial, Pe. Raimundo Pauletti, por ocasião de visita à comunidade.

Foto: Marcelino Pauletti / Volga

Foto: Pe. Raimundo Pauletti

FORTALEZA - CE

Sob coordenação do Pe. Roberto Mossi, o Centro Social Murialdo acolhe centenas de crianças, adolescentes e jovens da periferia.

Foto: Divulgação A&C

SÃO LUÍS - MA

“A vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la.” Gabriel García Márquez

Fr. Leonardo Lopes com jovens na paróquia Nossa Senhora de Fátima, periferia maranhense.

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Pe. Ernesto conclui MBA na FGV No dia 12 de novembro de 2011, Pe. Ernesto Camerini concluiu o Curso de MBA em Gestão Financeira, Controladoria e Auditoria, com certificado de Pós-graduação Lato Sensu, concedido pelo Centro de Ensino Empresarial de Caxias do Sul e promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Parabéns pela conquista!

Pe. Marcionei Miguel da Silva participará, em Maringá (PR), do 10º Encontro Nacional da Pastoral da Juventude (ENPJ). O evento acontece de 8 a 14 de janeiro. As atividades, além de celebrações, incluem palestras e tarefas em grupo. O Encontro Nacional é um momento em que a Pastoral da Juventude (PJ) se reúne em uma diocese para refletir, partilhar e celebrar a vida e a caminhada dos grupos de jovens. O encontro é realizado a cada três anos e pela primeira vez acontece em uma cidade da região sul do Brasil.

CF 2012

Prioridade à Saúde Com o tema “Fraternidade e Saúde Pública” e o lema “Que a saúde se difunda sobre a terra!” (Eclo, 38, 8), a Campanha da Fraternidade de 2012 visa chamar a atenção para uma questão que afeta diretamente a vida de todos os habitantes. O objetivo principal é promover uma ampla discussão sobre a realidade da saúde no Brasil e das políticas públicas da área, para contribuir na qualificação, no fortalecimento e na consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), em vista da melhoria da qualidade dos serviços, do acesso e da vida da população. Assumida em 1964 pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Campanha da Fraternidade (CF) busca, a cada ano, jogar luzes sobre temas importantes para a sociedade. A ideia nasceu em 1962, a partir de uma iniciativa de padres da diocese de Natal, no Rio Grande do Norte, que desejavam depender menos de ajudas internacionais para seu trabalho social.

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NOTÍCIAS

82 anos de idade e 61 de religioso josefino, foi um dos primeiros confrades irmãos da província Augusto Rossi nasceu na 5ª Légua, Santa Corona, Caxias do Sul, no dia 01 de dezembro de 1928. Foi o 5º dos seis filhos de João Baptista Rossi e Maria Madalosso e gêmeo de Francisco. Com apenas 41 dias de vida ficou órfão de pai e com sete anos perdeu também a mãe. A partir de então, foi educado pela família do tio Carlos Rossi, no Travessão Cremona em Ana Rech. Formação: Depois de conhecer e admirar o trabalho dos Josefinos começou a ajudar o Ir. Ângelo Argenta, no Colégio Murialdo de Ana Rech, nas lidas da roça, parreirais e animais. Um ano após, em 1941, com menos de 12 anos, ingressou no convento Della Santissima Trinitá, 1ª casa dos Josefinos de Murialdo em Ana Rech. Em 1942 foi para o seminário de Fazenda Souza, onde foi recebido pelo Pe. João Schiavo, mais tarde seu confessor e diretor espiritual. Um ano depois, por motivos de doença, suspendeu os estudos, mas continuou sendo o ofice boy do Pe. João e fac-tótum do seminário. Ainda seminarista, com 17 anos, de 1946 a 1947, trabalhou como assistente dos alunos internos no recém-fundado Colégio São José, administrado pelos Josefinos, em Canela, RS. Em 1949 fez o noviciado em Conceição da Linha Feijó, Caxias do Sul. No dia 22 de fevereiro do ano seguinte emitiu os primeiros votos e os votos perpétuos emitiu no Seminário de Fazenda Souza, no dia 15 de janeiro de 1956. Apostolado: 1950 a 1956 - Abrigo de Menores São José, hoje Centro Técnico Social, Caxias do Sul: Lá trabalhou na limpeza e manutenção geral; ajudou na implantação da gráfica e aprendeu e ensinou o ofício das artes gráficas. Nos anos de 1955 e 1956 a instituição viveu momentos muito difíceis, precisando pedir ajuda nas casas e empresas para a manutenção dos meninos pobres internos. 1957 a 1969 - Obra Social de Porto Alegre: Em 1º de março de 1957 foi transferido para a Obra Social de São José de Murialdo de Porto Alegre, RS. Na capital gaúcha, uma das suas primeiras atividades foi colaborar na abertura de uma nova gráfica da congregação, onde, segundo ele, ensinava o ofício da encadernação aos meninos pobres da obra; entre estes estava o atual jornalista Caco Barcelos, com o qual sempre manteve estreita amizade. Durante os 12 anos naquela obra, completou os estudos do Ensino Médio, fez os cursos de Enfermagem, Técnico em Contabilidade e se aperfeiçoou em Artes Gráficas. Em 1963 participou, em Roma, da beatificação de São Leonardo Murialdo e, em 1998, voltou para Itália para um período de formação permanente. 1969 a 2004 - Araranguá, SC: Durante quase 36 anos trabalhou no Colégio Nossa Senhora Mãe dos Homens de Araranguá. Lá, por 27 anos foi tesoureiro e incansável batalhador na busca de recursos nos órgãos públicos para que o colégio pudesse oferecer bolsas de estudos aos alunos pobres. Também exerceu a função de arquivista; nos finais de semana exercia a função de Ministro da Palavra e da Eucaristia. Segundo ele, o longo período vivido em Araranguá foi o mais significativo em sua vida. No dia 25 de novembro de 2004, em reconhecimento pelos seus esforços na instalação do Campus da Universidade do Sul Catarinense (UNISUL), recebeu o título de “cidadão benemérito” de Araranguá. Em 1970, durante um mês, junto com outros dois Josefinos, participou como enfermeiro no projeto missionário chamado “Diáspora”, em diversas localidades de São Geraldo do Araguaia e agrovilas da Transamazônica. 2005 a 2011 - Casa provincial: Desde março de 2005 Ir. Augusto estava na Casa Provincial, em Caxias do Sul, onde era

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arquivista e bibliotecário. Em 2006, ele e o colega, Ir. Valdomiro Tadiello, reuniram os confrades, familiares e amigos para celebrar as Bodas de Ouro de Profissão Perpétua. Doença: Nos últimos seis anos lutou contra um câncer da próstata. Os tratamentos, sobretudo da radioterapia, deixaram-no muito vulnerável. Além das suas atividades normais dedicou-se à coleta de informações para escrever a história da família Madalosso (materna). Anualmente participava e estimulava os encontros dos descendentes da referida família. Jamais deixou de visitar e consolar confrades e amigos enfermos; quando não podia se fazer presente, mandava recados ou telefonava. Devese registrar que o Ir. Augusto, não obstante à idade, estava ingressando nas redes sociais. Sua vontade de viver superou as limitações físicas e as previsões da medicina. Seguia à risca as orientações médicas. Não poucas vezes, diante dos poucos resultados dos tratamentos prescritos, questionava a eficácia da medicação e exigia alternativas. Nos últimos dois anos, quase que diariamente, tinha compromisso marcado, ora com os médicos, ora com os laboratórios e farmácias. A internação hospitalar começou a ser frequente. Enquanto pôde deslocava-se sozinho, depois, quando as forças começaram a faltar, não se constrangia em exigir pontualidade dos confrades que o conduziam às consultas, exames e outros. Para Ir. Augusto, 2011 foi marcante. A precariedade de suas funções fisiológicas exigia uma verdadeira liturgia matinal para poder se deslocar, e outra noturna para o repouso. Para surpresa dos profissionais da saúde inventou uma engenharia própria para suprir as necessidades e sem exigir a presença de auxiliares. Porém, a partir do mês de abril, precisou da presença e ajuda durante a noite. Em julho passou a contar com cuidadores diuturnamente. Hospitalizado desde 31 de agosto, no Hospital Saúde de Caxias do Sul, continuou sendo assistido por confrades, cuidadoras e equipe médica até o dia 24 de setembro, às 23h55min, quando veio a falecer, serenamente, com 82 anos. Seu corpo foi velado na Igreja Matriz de Ana Rech e o sepultamento aconteceu no Jazigo da Congregação dos Josefinos de Murialdo, no Cemitério de Ana Rech, Caxias do Sul, RS. Ir. Augusto Rossi, amigo, irmão e pai dos pobres, soube fazer e cultivar boas amizades; incentivava os vocacionados à vida religiosa e sacerdotal; nutria grande amor pela vida e pelas atividades que exercia. Desafiava as doenças porque gostava de viver; grande devoto de Nossa Senhora, não descuidava das orações diárias. Deus o recompense por tudo o que fez para a Congregação, para a Igreja, e o acolha no seu coração e braços misericordiosos.


DICAS

Dica de Filme O LIVRO DE ELI - o filme mostra um mundo sem leis, onde pessoas devem matar ou ser mortas. Eli (Denzel Washington) é um homem pacífico, mas, depois da guerra, é guiado para um livro escondido e lhe é dada uma missão especial. Em seu poder está a última cópia de um livro que carrega a única esperança para o futuro. A partir dessa nova aventura, Eli se torna um guerreiro com habilidades incríveis e passa a guardar o livro como a sua própria vida. Apenas Carnegie, um senhor da guerra que se auto-proclamou chefe de uma cidade de ladrões e pistoleiros, entende o poder que Eli possui, e, por isso, pretende se apossar dele. Eli tem a missão de cumprir o seu destino e trazer ajuda a uma humanidade desolada, e nada conseguirá detê-lo.

Dica de Livro CAMINHOS DE MUDANÇA (Eugenio Mussak, Editora Integrare, 2008) Seja no campo pessoal ou no profissional as mudanças fazem parte do percurso. É necessário aprender, inovar e modificar atitudes para encontrar o equilíbrio que leva à felicidade. Neste livro, dividido em quatro partes, Eugenio Mussak - um dos principais pensadores da atualidade nas questões relativas ao comportamento humano nos oferece reflexões e considerações que nos permitem percorrer a ponte entre as crenças, atitudes e sentimentos. Os insights do autor proporcionarão a você fôlego e coragem para trilhar os caminhos das transformações, necessários para seu aperfeiçoamento, seja no âmbito corporativo ou em sociedade.

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- O mun do c litros de onsome 4 bilhõ es petróleo por dia? de - Uma o rquestra tem a 90 ins trument de 80 os? - Ovelha

s não be

bem águ

a corren - Cada s te? ílaba qu e põe em movime a pessoa pronu nto nc corpo. P ara sorr 72 músculos d ia ir, ele o músculo s e para usa catorze beijar, 2 9?

- Bater o o mesm carro a 100 km/ ht oi oitavo a mpacto que cai em ndar de r um préd do io? - A cada minuto, 47 ou distr ibuídas bíblias são ven ao redo r do mu didas ndo?

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o human de veias o possui 96.500 km e artéria s? - Em um a come 1 no, uma pessoa tonelada n de alime ormal ntos?

- Os p econom ássaros voam em iza na frent r energia. Aque V para er le ar para o eduzem a resis s que vão tê s se cans outros. Quando ncia do a, el ol outro m e é substituído íder ais desc p ansado? or - O prim eir eletrôni o computador t co su otalm 5 mil so rgiu em 1946. F ente m e pesav as por segund azia a trinta t o onelada s?

ona-dec executa asa percorre 16 r todas as tarefa km diariament - A Micr e para s domés osoft ga t i c a s s ? ta m com pro blemas ais atendendo que pro duzindo ligações de usu ár seus pro gramas? ios Fonte: www.curiosidades10.com

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Um carregador de água na Índia tinha dois grandes vasos que colocava nos extremos de uma vara que ele levava acima dos ombros. Um dos vasos tinha uma rachadura, enquanto que o outro era perfeito e entregava a água completa ao final do largo caminho a pé desde o riacho até a casa de seu patrão. Quando chegava, o vaso rachado só continha a metade da água. Por dois anos completos isto foi assim diariamente. Desde logo o vaso perfeito estava muito orgulhoso de seus resultados, perfeito para os fins para o qual fora criado.

Um vaso carregador de água na Índia tinha dois grandes Porém, o pobre rachado vasos que colocava estava muito envergonhado de sua nos extremos de uma vara que ele própria imperfeição e se sentia levava acima dos ombros. Um dos vasos tinha uma miserável porque só podia conseguir rachadura, enquanto que o outro era perfeito e entregava a metade do que se supunha devia a água completa ao final do largo caminho a pé desde o fazer. Depois de doisaté anos falou de ao seu patrão. riacho a casa aguador dizendo-lhe: "Estou Quando chegava,e o vaso rachado só continha a metade envergonhado de mim mesmo da água. Por dois anos quero me desculpar contigo"... Por completos isto foi assim diariamente. Desde logo vaso perfeito estava muito orgulhoso de seus quê? Lhe perguntou o o aguador. resultados, perfeito para os fins para o qual fora criado.

Porque devido às minhas Porém, o pobre vaso rachado estava muito rachaduras, só podes entregar a envergonhado deàs sua própria imperfeição e se sentia metade de minha carga. Devido miserável minhas rachaduras, sóporque obténssóa podia conseguir a metade do que se metade do valor do quedevia deverias. supunha fazer.ODepois de dois anos falou ao aguador aguador ficou muito enternecido pelo dizendo-lhe: "Estou envergonhado de mim mesmo e quero vaso e com grande compaixão lhe me desculpar contigo"... por quê? Lhe perguntou o aguador. disse: "quando regressarmos a casa Porque do patrão quero que devido notes aasminhas rachaduras, só podes entregar a metade de minha belíssimas flores que crescem aocarga. Devido a minhas rachaduras, só obténs a metade do valor do que deverias. O aguador largo do caminho.

ficou muito enternecido pelo vaso e com grande compaixão

Assim o fez com "quando efeito, viu lhee,disse: regressarmos a casa do patrão quero muitíssimas flores belas ao longo de que notes as belíssimas flores que crescem ao largo do todo o caminho, porém de todo modo caminho. se sentiu muito triste porque ao final só levava a metade de sua carga. O efeito, viu muitíssimas flores belas Assim o fez e, com aguador lhe disse: Te deste conta ao longo de todo o de caminho, porém de todo modo se sentiu que flores só crescem no lado do teuao final só levava a metade de sua muito triste porque caminho? Sempre tenho sabido carga. O aguador de lhe disse: Te deste conta de que flores tuas rachaduras e quis obter só crescem no lado do teu caminho? Sempre tenho sabido vantagem delas, semeei sementese quis obter vantagem delas, semeei de tuas rachaduras de flores ao longo de todo o sementes decaminho flores ao longo de todo o caminho por onde por onde tu vais e todos os tu tu as têm regado. Por dois anos eu tu vais e todosdias os dias as tem regado. Porpodido dois anos eu estas flores para decorar o altar de tenho recolher tenho podido meu recolher estas mestre. Seflores não fosse exatamente como és, Ele não para decorar o altar de meu mestre. teria tido essa beleza sobre a sua mesa. Se não fosse exatamente como és, Ele não teria tido Cada essa beleza um desobre nós tem suas próprias rachaduras. Todos a sua mesa. somos vasos rachados... Cada um de nós tem suas próprias rachaduras. Todos somos vasos rachados...

Autor desconhecido

Autor desconhecido

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Padres e Irmãos a serviço das crianças, adolescentes e jovens em obras sociais, colégios, paróquias e missões.

Serviço de Animação Vocacional

Rua Dante Marcucci, 5335 - Cx. P. 584 - Fazenda Souza - Caxias do Sul (RS) CEP: 95001.970 - Fone (54) 3267.1146 - www.josefinosdemurialdo.com.br