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CONGREGAÇÃO DE SÃO JOSÉ JOSEFINOS DE MURIALDO Ano XXXVI - Nº 1 - Edição 99 Junho de 2010

A força da Espiritualidade

Entrevista: Elói e Nilza Gallon 10 anos da Casa Família 50 anos Seminário de Orleans (SC) Pe. Celmo Lazzari é nomeado bispo

FAMILIA DE MURIALDO promove Ano Vocacional


Amigo dos jovens; espírito missionário; zelo pela formação dos futuros sacerdotes e religiosos. No dia 31 de maio de 2010 o Papa Bento XVI nomeou Pe. Celmo Lazzari Bispo do Vicariato do Napo, no Equador. A notícia foi publicada no dia 11 de junho pela imprensa do Vaticano. Sucede a Dom Paolo Mietto, CSJ, que apresentou renúncia por motivo de idade. Pe. Celmo é o primeiro bispo brasileiro da Congregação. Nasceu em Linha Araújo e Souza, Garibaldi (RS), no dia 16 de junho de 1954; é o 7º dos dez filhos do casal Olympio (em memória) e Clementina Cagliari Lazzari. Fez seus primeiros estudos na Escola José de Alencar, próxima da residência da família e depois em Marcorama.

Em 1979 iniciou em Londrina (PR), o curso de Teologia. Emitiu os votos perpétuos na Congregação no dia 09 de janeiro de 1982. Ordenou-se Diácono dia 10 de janeiro de 1982 e no mesmo ano concluíu o curso de Teologia e fez Curso Superior de Pastoral Catequética no Instituto Pio XI em São Paulo. Foi ordenado sacerdote em Marcorama, Garibaldi, dia 18 de dezembro de 1982. Desde sua ordenação prestou serviços de coordenação nas várias obras dos Josefinos no Brasil e na Itália.

Em 1967 ingressou no Seminário Josefino de Fazenda Souza, onde cursou o Ensino Fundamental. Em 1971 foi para Araranguá (SC), cursar o Ensino Médio.

O futuro bispo, de 1984 a 1987, foi diretor do Seminário João XXIII de Ana Rech, Caxias do Sul; e de 1985 a 1987 foi também diretor da comunidade; durante esse período, por breve tempo, assumiu ainda a paróquia Nossa Senhora de Caravággio.

No dia 1º de março de 1975 emitiu os primeiros votos na Congregação dos Josefinos de Murialdo. Nos dois anos seguintes cursou Filosofia em Viamão (RS), residindo em Porto Alegre.

Mestre dos estudantes de filosofia: de 1988 a 1989 em Caxias do Sul e de agosto de 1991 a dezembro de 1994 em Porto Alegre.

Nos anos de 1977 e 1978 fez o estágio pastoral (magistério) no Seminário de Fazenda Souza; durante este período, à noite, concluíu o Curso de Filosofia na Universidade de Caxias do Sul.

No primeiro semestre de 1990 fez o Curso de Formação para Formadores na Pontifícia Universidade Salesiana de Roma e, no ano escolar 1991-1992 frequentou o ano de Espiritualidade (Licenza) no Teresianum de Roma. De 1989 a 1991, secretário provincial; de 1992 a 1994, vice-provincial; de 1994 a 2000, provincial; de 2000 a 2006, conselheiro geral, responsável pelo setor missionário da congregação, residindo em Roma. Desde 2006 é vice-geral da Congregação com sede em Roma, com a missão de coordenar o setor de formação inicial e permanente.


Entrevista

Elói e Nilza Gallon

Cotidiano

Editorial Amigos, Irmãos e Pais para um mundo solidário Este foi o tema que reuniu, na Itália, mais de 400 membros da Família de Murialdo, vindos de quatro continentes, para celebrar os 110 anos da morte e 40 anos da canonização do fundador. Em Roma foram acolhidos pelo papa que lhes recordou os traços marcantes da espiritualidade e vida de Murialdo. Depois, em Turim conheceram os lugares onde Murialdo viveu e fundou a congregação dos Josefinos. Como eles, milhares de outros leigos e religiosos, em número cada vez maior, comungam da mesma missão do fundador, respondem ao amor de Deus, sendo amigos, irmãos e pais dos jovens pobres. Caros leitor e leitora! Está em suas mãos mais uma edição da revista Agir&Calar. Nela você vai conhecer as múltiplas maneiras como essa bem unida família, movida pela força da espiritualidade, acredita e faz acontecer um mundo mais solidário. Com alegria, percebemos que a solidariedade deixa de ser apenas palavra ou boa intenção para se traduzir em gestos e atitudes que transformam o ordinário em extraordinário. É surpreendente a sensibilidade e o comprometimento das crianças, adolescentes e jovens para a necessidade de um mundo mais solidário. Há uma rede sendo tecida que envolve e torna pessoas, famílias, grupos, escolas, solidários com as pessoas em situação de risco e com a defesa do meio ambiente. Nesta edição mereceu destaque a Casa Família Murialdo que comemora dez anos de atendimento aos últimos. Acompanhe também a realização do Congresso Eucarístico, a abertura do Ano Vocacional Murialdino e as novas ordenações, o encontro internacional dos formadores, a celebração dos jubileus sacerdotais, os novos lançamentos literários, uma inquietante reflexão sobre o extermínio da juventude, a igreja e a pedofilia, os 50 Anos do Seminário de Orleans, entre outros. Concluímos com a grande e jubilosa notícia que o Papa Bento XVI nomeou bispo o nosso confrade, Pe. Celmo Lazzari. Agradecidos a Deus por este presente, desejamos ao novo bispo um feliz e fecundo episcopado em terras de missão. É tempo de bendizer ao Senhor e prestar-lhes ação de graças, porque é Ele quem orienta o nosso caminho e nos confirma na certeza de que todos “estamos nas mãos de Deus e estamos em boas mãos”. Pe. Raimundo Pauletti Provincial Revista da Província Brasileira Josefinos de Murialdo

Revisão Pe. Gervásio Mazurana e Bernardete Chiesa

Ano XXXVI - Edição 99 - Número 1 Junho de 2010

Editoração, Pré-impressão(CTP) e Impressão Gráfica Murialdo graficamurialdo@graficamurialdo.com.br Fone: (54) 3221.1422

Provincial Pe. Raimundo Pauletti Equipe Técnica Pe. Joacir Della Giustina Pe. Marcionei M. da Silva

Nosso Endereço Casa Provincial - Rua Hércules Galló, 515 Centro - 95020.330 - Caxias do Sul (RS) Fone: (54) 3221.4711 www.josefinosdemurialdo.com.br

Jornalista Responsável Bernardete Chiesa - MTb 10187

Atendimento ao Leitor imprensa@graficamurialdo.com.br

Projeto Gráfico Júlio César Rodrigues Bernardete Chiesa

Tiragem 2.500 exemplares

50 Anos do Seminário de Orleans Encontro Internacional da FdM Discurso do Papa Bento XVI Uma Escola Premiada Biblioteca Ilê Ará O rosto de Murialdo no RJ

Capa

Ano Vocacional Murialdino

Formação

A força da espiritualidade Murialdo: um homem extraordinário... Encontro dos Formadores Josefinos

Marcas do que se foi

Jubileus de Ouro Sacerdotal XVI Congresso Eucarístico Nacional Campanha contra o extermínio de jovens

Ponto de Vista Igreja e pedofilia Padre Rio Ceará

Flashes

Congressos Regionais da ANALAM Processo de Beatificação do Pe. Schiavo Profissão Perpétua no Instituto Secular Pe. Marcionei lança livro III Encontro dos familiares dos confrades Ordenações Livro do Seminário de Orleans Superior Geral visita Província Brasileira Na Casa do Pai - Pe. Severino Caldonazzo

Dicas

Dica de filme Dica de livro

Curiosidades

O Brasil na Copa do mundo

Reflexão

Os perigos de andar sem rumo certo

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O conteúdo dos artigos publicados são de inteira responsabilidade de seus autores.

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Foto: Arquivo Pessoal

Nilza e Elói com seus filhos Mateus e Maiara

Casa Família Murialdo: 10 anos de acolhida e proteção A redação da Revista Agir&Calar conversou com o casal responsável pela Casa Família Murialdo de Caxias do Sul. Elói e Nilza Gallon, além de relembrar os fatos marcantes da história, falam da missão do abrigo A&C: Quem é o Elói e quem é a Nilza? Como é a história da vida de vocês? Elói nascido em Caibi (SC), filho de agricutores, sendo que trabalhou nessa atividade até os 20 anos de idade. Estudou música, passou seis anos no Seminário dos Freis Capuchinhos, formado em filosofia e pós-graduado em ética e Política e Ensino Religioso Escolar. Nilza nasceu em São José dos Ausentes (RS) e mudou-se cedo, com a família, para Cambará do Sul e depois Caxias do Sul. É graduada em Serviço Social. A ligação com a Família de Murialdo vem

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desde 1987, por causa da participação na Pastoral do Menor, onde os Josefinos de Murialdo têm grande atuação. A&C: E a vossa família: o Mateus e a Maiara? São um presente e uma bênção de Deus. O Mateus nasceu em 1992, em plena campanha pela eleição do primeiro Conselho Tutelar de Caxias do Sul. Cursou do pré ao ensino médio no Colégio Murialdo e fala com saudades do mesmo. Atualmente cursa Medicina Veterinária na UPF – Universidade de Passo Fundo. A

Maiara nasceu em 1997. Cursa a 7ª série do ensino fundamental no Colégio Murialdo. Os dois têm colaborado muito com a nossa opção, mesmo não tendo sido escolha deles residir na Casa Família Murialdo. Temos claro que a opção é do casal e não dos filhos. Porém, eles respeitam a nossa decisão. A&C: Quando vocês receberam o convite para coordenar a Casa Família: foi fácil aceitar o convite? Já tinham experiência em outra? A experiência vinha da atuação (Elói) na Pastoral do Menor, COMAI (Comissão Municipal de Amparo à


ENTREVISTA com Elói e Nilza Gallon

Infância), colégios, Conselho Tutelar e Fundação de Assistência Social. Além de ser pai, obviamente. Nós dois juntos também tínhamos experiência com catequese. A Nilza trazia consigo uma experiência e um belo exemplo de mãe dedicada e atenta às necessidades dos filhos. A decisão não foi fácil, pois pensávamos, sobretudo nos nossos filhos. Outra preocupação era o fato de ser um período eleitoral, em que o Elói era candidato a vereador e viria a crítica (como de fato ocorreu e interferiu no resultado), de abandono do bairro para residir no centro. Mas o desejo de fazer algo mais do que fazíamos e termos uma nova experiência de vida falou mais alto.

queremos para os nossos filhos desejamos também para os outros meninos e meninas. Apesar de a família ser uma instituição antiga e estar passando por vários arranjos diferentes, acreditamos que ela ainda é o que de mais importante um ser humano pode ter em sua vida.

inclusive com necessidade de educador acordado durante toda a noite, o que antes não ocorria. Então, além de administrar as situações com as meninas e meninos, passamos a nos deparar com a necessidade de administrar conflitos com pessoas adultas que passaram a trabalhar na Casa.

É impossível saber até onde vai, pois como diz o ditado, “o futuro a Deus pertence”

A&C: No dia 30 de março de 2000, Centenário de Morte de Murialdo e inauguração da Casa Família, como foi esse fato? Emocionante e preocupante. A presença de muita gente nos encorajou, mas pensávamos no que viria pela frente, não conseguimos curtir o momento. Éramos só nervos. Entretanto, a inauguração foi muito marcante e aquela imagem nos acompanha até os dias de hoje. Na verdade é fato histórico para Caxias do Sul, uma vez que foi a primeira casa de acolhimento desta cidade a contar com um casal residindo no local e com uma proposta diferente dos abrigos tradicionais. Uma das maiores preocupações é que não se tinha “modelo” para nos espelharmos. Na verdade teríamos que construir a proposta baseada no próprio projeto da Casa e nos escritos de Murialdo e seus seguidores, além, obviamente, das orientações e determinações legais. Queríamos que a casa fosse de fato uma família, como Murialdo ensinou.

A&C: Os primeiros meninos que chegaram à Casa: quem, como e quantos eram? Foram cinco os primeiros que entraram na Casa. Três identificados nos próprios programas do Murialdo e outros dois encaminhados pelo Conselho Tutelar. Todos, porém, seguiram o trâmite jurídico-legal, ou seja, tiveram medida aplicada pelo Conselho Tutelar ou pelo Juiz da Infância e Juventude. Como todos os que são acolhidos na Casa, estes se encontravam em situação de extrema vulnerabilidade.

A&C: Trabalha-se com a espiritualidade na Casa Família. Por que e como isso acontece? Nós não acreditamos no resgate e promoção da vida sem forte presença da espiritualidade. Materialmente não é muito difícil encaminhar alguém. Aliás, os governos poderiam resolver isso num estalar de dedos, se quisessem. O difícil é ajudar a pessoa a se libertar dos medos, das inseguranças, das feridas deixadas por um modelo de sociedade excludente, cruel e desumano. De nada adiantará à humanidade libertar-se economicamente, ter bens materiais. Se não houver espiritualidade, as guerras continuarão, o consumo de drogas aumentará, a poluição seguirá a passos largos, a desgraça se anunciará irreversível. Nós desenvolvemos a espiritualidade de várias formas e buscamos respeitar a crença de cada criança ou adolescente que chega à Casa. Contamos para isso com os Josefinos de Murialdo, com educadores comprometidos com a causa, com grupos de apoio como o Grupo de Oração e Intercessão da Paróquia Murialdo e um grupo de jovens do EMAÚS que, quinzenalmente, dedicam a tarde de sábado para trazer mais alegria e reflexão a todos.

A&C: Vocês se achavam preparados para essa missão? Por que vocês aceitaram? Nós acreditávamos que daríamos conta, embora preparados seja um termo forte. Sabíamos que as dificuldades viriam, mas que o apoio também seria certo. Aceitamos mais pelo desejo de fazer algo diferente e pelo desafio novo em nossas vidas. Seria uma oportunidade concreta de vivenciar de fato o que sempre defendemos: a garantia dos direitos das crianças e adolescentes. O que

A&C: Que mudanças aconteceram na Casa e que vocês pensam que foram significativas? O começo sempre é difícil, sobretudo porque não tem como prever quem virá. Até julho de 2006 eram acolhidos apenas meninos entre 7 e 12 anos. Esse fato foi importante, até para adquirirmos um pouco de experiência. A partir de agosto do mesmo ano passamos a atender meninos e meninas, de zero a 18 anos, buscando evitar, sempre que possível e a critério judicial, a separação de grupos de irmãos. Chegaram assim as primeiras meninas e, com elas uma bebê com 10 meses de idade. Desafios novos, desde o cuidado com crianças muito novas, até as mudanças nos espaços físicos da Casa, para oferecer maior proteção. Por outro lado, também trouxe nova vida; acabou a monotonia. Outra mudança significativa é que até então trabalhávamos em apenas três pessoas na Casa e, a partir daí, as exigências se tornaram maiores,

A&C: Atualmente, quantas crianças e adolescentes estão abrigados? E quando eles completam 18 anos? Temos 12 abrigados, porém 04 estão em processo de encaminhamento para adoção ou retorno com familiares. Dos oito que permanecem na Casa, as idades variam entre 10 e 16 anos. A Casa Família tem capacidade para 12 meninos e meninas. Já fomos contatados pela Promotora da Infância e da Adolescência para possíveis novos acolhimentos, assim que se definirem as situações em andamento. Todo o trabalho é desenvolvido na perspectiva de resgate dos vínculos familiares ou de adoção quando não for possível


ENTREVISTA com Elói e Nilza Gallon

reconstituir esses vínculos. Porém, buscamos prepará-los para seguirem a vida de forma autônoma, caso tenham que permanecer até os 18 anos. Contudo, isso não é medida imperativa, ou seja, pode ser que permaneçam um pouco mais. Mesmo assim, após o desligamento, acompanhamos os egressos por um período, até que se estabeleçam.

vocês consideram muito especial? São 40 os que já passaram pela Casa. Temos informações de alguns, não de todos. Sabemos que um deles frequenta o curso de Relações Públicas na Universidade de Caxias do Sul, que outro está casado e já nos deu um “neto” e que todos estão encaminhados, com exceção de dois que foram covardemente assassinados.

A&C: De onde vêm os recursos financeiros? Os recursos para pagamento de pessoal vêm de um convênio com a Fundação de Assistência Social do município. Os demais gastos são assumidos pelo Centro Técnico Social Murialdo, que busca parte deles junto ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.

A&C: Existe algum fato acontecido nestes dez anos de Casa Família e que vocês guardarão para sempre? Perdoem colocarmos um fato triste, mas é impossível esquecer o “Fabianinho”, assassinado por um grupo organizado. Era um menino dócil, com o coração educado. E outro que durante sua passagem pela Casa nunca nos deu grandes preocupações, morto pela polícia. A intolerância e incompreensão das pessoas é que levam a tais fatalidades. Temos certeza de que os dois meninos citados acima estão velando pelos que passam pela Casa Família. Outro fato marcante é a adoção das duas meninas menores, que permaneceram por um período muito longo (4 anos), criando vínculos fortes, ao ponto de chamar a Nilza de mãe e que depois foram embora. É inconcebível que o judiciário cometa esse tipo de violência contra quem devia proteger. Essas meninas deveriam ter saído muito antes ou permanecerem até a idade adulta. Isso seria menos agressivo.

A&C: A interação com a comunidade local acontece? Como isso se dá? Temos bom relacionamento com os vizinhos; participamos da Paróquia São Leonardo Murialdo, onde assumimos a animação de uma celebração eucarística mensal; as crianças e adolescentes frequentam as escolas próximas, como também o Centro Educativo Murialdo, o Centro de Cuidados Nossa Senhora da Paz e o Centro de Aprendizagem Profissional Murialdo. As crianças e adolescentes da Casa Família sempre foram muito respeitadas, assim como as orientamos a tratar bem as pessoas com quem convivem. Buscamos garantir o direito à convivência familiar e comunitária, conforme orienta o Estatuto da Criança e do Adolescente. A&C: Onde andam e o que fazem aqueles que já passaram pela Casa Família? Existe algum caso que

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A&C: Vocês começaram na Casa Família quando ela iniciou sua história. Até onde esse “namoro”

A&C: Mais alguma consideração a ser registrada? Nós temos que agradecer a Deus e a Murialdo pela oportunidade. Estar na Casa Família é uma bênção, não um trabalho. Agradecemos também aos Josefinos de Murialdo pela confiança e pelo apoio. Aos nossos filhos naturais, nossa consideração por entenderem que é importante termos tantos filhos do coração, que não tiveram e não têm o carinho e o amor de seus pais biológicos, que tanto gostariam de ter. O Mateus e a Maiara sabem que Deus tem cuidado especial com eles, quando às vezes temos que deixá-los para atender os que precisam mais naquele momento. Foto: Bernardete Chiesa

A&C: Quem e quantos são os profissionais? Somos o casal, cinco educadores(as), uma psicóloga, uma assistente social e duas profissionais da cozinha e cuidados com a higienização da casa e das roupas. É importante salientar que a carga horária de trabalho semanal é variada. Como exemplo, citamos a psicóloga (12 horas); a assistente social (8 horas) e os educadores (36 horas).

vai ou deve ir? Nós quase desistimos no meio da missão. Estávamos convencidos de que nossa participação estava concluída. Porém, fomos sacudidos pelo Espírito Santo e por São Leonardo Murialdo. Várias coisas aconteceram, que não vem ao caso registrar aqui, mas que nos fizeram repensar a decisão. Hoje estamos convencidos de que foi a mais acertada. Consideramos um chamado e nossa preocupação é com as respostas que damos a isso. É impossível saber até onde vai, pois como diz o ditado, “o futuro a Deus pertence”. Queremos continuar, se depender da nossa vontade, por longos anos e, quiçá, dedicar a vida a esta causa. Poderemos até sair da Casa Família Murialdo, mas jamais abandonar a luta em defesa dos pequenos prediletos de Jesus.

Casa Família Murialdo


COTIDIANO

Foto: Bernardete Chiesa

Pe. Cornelio Dall’Alba

Participantes da carreata junto ao monumento em homenagem ao Pe. João Leonir Dall’Alba

A Carreata dos 50 anos do Seminário São José de Orleans Premissa Antes de entrar na carreata, uma premissa de esclarecimento. O Seminário São José de Orleans foi fundado no dia 15 de março de 1959. Estamos em 2010. Portanto, a rigor, o Jubileu de Ouro deveria ter sido comemorado em 2009. O que é que nos levou a protelar a festa do cinquentenário para este ano? Certamente a falta de uma preparação conveniente para uma data tão marcante para a história de uma instituição. Tínhamos em mente o lançamento de um livro para esta data e o livro precisava de um prazo bem mais longo para vir à luz. O ex-seminarista Eli Cesconetto, odontólogo de Tijucas (SC), assume a ideia do livro e de e-mail em e-mail o livro foi sendo compilado página por página. O Dr. Eli preocupou-se do financiamento desse livro: obtém da Fundação Francesco Zomer de Orleans, patrocinada pelo empresário Francisco Zomer, uma verba (a verba ainda não foi liberada pelo governo do Estado). A Gráfica Murialdo de Caxias do Sul assumiu a impressão do livro. A data para o lançamento do livro foi marcada para o dia do encontro anual dos ex-seminaristas: 16 de maio de 2010; nesta mesma data iríamos então comemorar o Jubileu de Ouro do Seminário São José. Um livro recolhendo a história vivida pelos ex-seminaristas deveria ser o melhor monumento para perpetuar os cinquenta anos de vida do Seminário São José.

O Sr. Nilton Coral, presidente dos ex-seminaristas, foi convocando a turma para o encontro jubilar.

A carreata A ideia de uma carreata não foi totalmente nova, porque quando foi inaugurado o Seminário já havia acontecido uma carreata levando as imagens de Nossa Senhora e São José com o Menino Jesus.

Uma carreata puxada por Jesus, Maria e José O Prof. Valdemar Mazurana, ex-confrade Josefino, conduziu o desfile através do microfone de um carro-som. Para dar a partida da carreata o Pe. Cornélio saudou os presentes, entre os quais vários sacerdotes Josefinos e o Ir. Augusto Rossi e deu um sentido à carreata. Celebrar é reviver algum fato notável pela repercussão que desencadeou na história de uma comunidade. É lembrar pessoas que construíram a história, que criaram condições, que puseram fundamentos e semearam sonhos. Entre esses pioneiros foram lembrados D. Anselmo Pietrulla, Bispo de Tubarão, que nos acolheu na Diocese, Pe. Santos Spricigo, pároco de Orleans, Pe. José Lorencini, Provincial dos Josefinos, a

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A Pensão São José O Seminário não funcionou sempre no prédio atual; não se teve paciência para esperar sua construção. Ao chegar em Orleans a primeira comunidade, formada pelo Pe. João Bonetto, fráteres Navílio Miguel Tres e João Leonir Dall’Alba, alugou uma pensão, antiga casa paroquial, situada na Rua Rui Barbosa: a Pensão São José onde acolheram os primeiros doze seminaristas. Ficaram aí um ano e cinco meses, isto é, do dia 15 de março de 1959 até o dia 6 de agosto de 1960, data em que se transferiram para o Seminário atual já em condições de os acolher. Da pensão não há mais nada hoje. No local há uma área verde que forma a frente de uma casa de propriedade do senhor Valmir Montegutti. C o m o r e p r e s e n ta n t e d o s primeiros seminaristas falou o Prof. José Higino Benedet, evocando sua experiência da pré-história do Seminário São José que o tempo não conseguiu apagar.

Em frente à matriz Santa Otília Com a alegria dos foguetes que começavam a espoucar na manhã nublada pelos céus de Orleans a carreata puxada pela Sagrada Família começou o desfile partindo da Rua Rui Barbosa até a frente da igreja matriz. Aqui o Pe. Lino Brunel, pároco de Orleans, tomou a palavra e depois de apresentar o histórico da vinda dos Josefinos a Araranguá, expôs como acabaram através da mediação de D. Anselmo e do pároco Pe. Santos Spricigo, por se estabelecer neste recanto da diocese. Enfatizou e agradeceu o trabalho de ajuda pastoral em prol da paróquia prestado pelo Seminário ao longo destes anos. Após tomou a palavra o Sr. Jacinto Redivo, prefeito do município que enalteceu o trabalho dos Josefinos em prol da população de Orleans e municípios vizinhos, sobretudo no setor educacional.

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Paulo Antunes, obrigado!

Missa jubilar

Em seguida, a carreata, já mais nutrida de carros, subiu pela rua Aristiliano Ramos até a altura das Bebidas Antunes onde houve mais uma parada, em frente à casa da senhora Cecília Antunes, filha do Sr. Paulo Antunes, já falecido, a quem o Seminário deve a doação de algum hectar de terra para começar sua construção. O Pe. Cornélio agradeceu ao Sr. Paulo Antunes na pessoa dos filhos presentes.

A carreata prosseguiu pela SC 438 até o Seminário; as imagens foram devolvidas à Capela onde se celebrou a Missa Jubilar, presidida pelo viceprovincial, Pe. Joacir Della Giustina, um dos primeiros seminaristas deste seminário e o primeiro sacerdote Josefino do mesmo. Uma equipe de ex-seminaristas dirigiu a liturgia, que quis lembrar a festa da Ascensão, a Festa de São Leonardo Murialdo, o Jubileu do Seminário, a abertura do Ano Vocacional Murialdino (AVOMUR); o canto foi conduzido por Fernando e Márcio Seolin, relembrando as músicas do passado, enquanto Marcelo Lole fazia os comentários. Coroinhas do Seminário, guiados pelo Seminarista Djalma, acolitaram a missa em que não faltou nem o perfume do incenso. No ofertório foi oferecido o número 50 de cor dourada, lembrando especialmente os 1.000 seminaristas que por aqui passaram, os 15 sacerdotes, nem todos Josefinos, dois Irmãos e os 56 confrades que aqui trabalharam durante este tempo, 12 dos quais já falecidos. Foi oferecido também um par de anéis para lembrar as famílias dos ex-seminaristas e o livro ”Os Meninos Sonhadores”, recolhendo a vida do Seminário destes 50 anos.

Orlando e Pompílio Bússolo, obrigado! A carreata foi se dirigindo até a ponte do Rio Belo, pela rua Professor Maya, parando em frente da capela Santa Luzia: ali estavam reunidos os familiares do Sr. Orlando e Pompílio Bússolo, dois benfeitores, que também doaram terra onde o Seminário atualmente se encontra. Entre os familiares destacamos a esposa do Sr. Orlando, a dona Anneta Dalmagro Bússolo que estava radiante de alegria, lembrando os tempos saudosos em que os seminaristas passavam momentos de lazer em sua casa.

A FEBAVE Por fim, a longa procissão de carros, atravessando a SC 438 seguiu pela rua Pe. João Leonir Dall’Alba rumo a UNIBAVE. Diante da estátua do Pe. João Leonir falaram, o vice-reitor da UNIBAVE, Prof. Valmir Bratti, e o Dr. Valdir Bianco, ambos ex-seminaristas, mostrando que a FEBAVE (Fundação Educacional Barriga Verde) foi uma obra na qual teve uma participação decisiva o Seminário São José na pessoa do Pe. João Leonir Dall’Alba. Da FEBAVE foram brotando o Museu ao Ar Livre, o Museu Conde D’Eu, a Escola em todos os níveis de ensino coroada com a UNIBAVE, contando hoje com 2.000 alunos. O Seminário colaborou também doando dois hectares de terra, onde se localiza o Museu ao Ar Livre. O Dr. Valdir Bianco, ao tomar a palavra, enfatizou que a história de Orleans se divide em antes e depois da vinda a Orleans do Seminário São José.

“Os Meninos Sonhadores” No final da Missa, lançamento Foto: Bernardete Chiesa

primeira comunidade dos Josefinos: Pe. João Bonetto, Diretor, e os fráteres Navílio Miguel Tres e João Leonir Dall’Alba e os primeiros doze seminaristas.

Pe. Cornélio e Eli Cesconetto


COTIDIANO Pe. Cornélio Dall”Alba

do livro: “Os Meninos Sonhadores”, uma obra escrita em mutirão pelos exseminaristas que acolheram o convite do Eli Cesconetto, o qual coordenou através de e-mails a confecção do mesmo, além de solicitar a verba para a sua impressão. Obteve-a através da Fundação Francesco Zomer, iniciativa do empresário Francisco Zomer de Orleans. Nesta hora falou o Pe. Cornélio Dall’Alba, expondo como nasceu esse livro; em seguida passou a palavra ao Senhor Francisco Zomer – um mecenas da cultura de Orleans e, por fim, usou a palavra o Eli Cesconetto, a quem se deve o mérito principal desta obra, principal monumento comemorativo deste Jubileu de Ouro do Seminário São José. E o Eli, profundamente emocionado, lançou o livro, agradecendo aos que colaboraram na escrita, no financiamento e em especial à Gráfica Murialdo do Centro Técnico Social de Caxias do Sul, à jornalista Bernardete Chiesa que acompanhou com todo o carinho a arte gráfica até a impressão do livro.

O almoço Sob a coordenação do Pe. Ivo Ballardin a festa foi concluída com um almoço servido na área coberta do Seminário. Participaram umas 250 pessoas entre ex-seminaristas e familiares, convidados do Seminário, benfeitores, Josefinos. Alguns exseminaristas, ao som de violões e com

a apresentação de cantos populares deram um ritmo de festa ao memorável encontro.

O corte do bolo do jubileu Um bolo oferecido pelo senhor Valmir Bratti e Miguel Crozetta coroou os festejos jubilares. Juntos entoamos os parabéns com uma alegria cinquentenária.

Agradecimento Agradecemos ao senhor Jacinto Redivo, prefeito municipal que ofereceu os foguetes e o carro de som. Um agradecimento todo especial vai à Nova Rádio Guarujá de Orleans pela cobertura, não só da missa, mas também pelo programa “Preto no Branco”, que teve lugar na véspera da Festa no próprio Seminário; também o Seminário agradece a Rádio FM Luz e Vida da paróquia de Orleans, pela divulgação e a transmissão da santa missa. Muito obrigado à Polícia Rodoviária de Cocal do Sul, e a Polícia de Orleans pelo trabalho de orientação do trânsito. Obrigado à Jornalista Bernardete Chiesa que acompanhou a edição do livro na gráfica Murialdo e pelo registro do acontecimento em Orleans. Agradecemos neste sentido também à Foto Debiasi de Orleans que fez um álbum fotográfico do acontecimento. O Seminário agradece aos que colaboraram para que esta festa se realizasse: as pessoas que trabalharam

nos bastidores: as cozinheiras Romelânia Baggio Felisbino, Diva Souza, Rosiane Luiz Bardini e a filha Kimberly; os churrasqueiros Tarcísio Baggio, Leo Menegasso, Valmor de Piccoli e os caixas Valentim Bardini e Natanael Antunes. Um agradecimento especial ao condutor do andor das imagens, o senhor Valtenir Mendes (o popular Teno). Um obrigado especial aos ex-professores Bruno Bergamin, Luiz Gallina e José Higino Benedet. Muito nos honraram os confrades que por aqui passaram e que nos visitaram nesta oportunidade: Pe. Ângelo Dall’Alba, Pe. Genuíno Roman, Pe. Etevaldo da Silva. Agradecemos aos demais confrades que confraternizaram conosco: Pe. Orides Ballardin, Pe. Ricardo Testa, Ir. Augusto Rossi, Pe. Vilcionei Baggio e o Pe. Joacir Della Giustina, vice-provincial, que na ocasião representou o provincial, Pe. Raimundo Pauletti. Um especial obrigado ao Nilton Coral, presidente dos ex-seminaristas a quem se deve boa parte do sucesso deste evento. Sei que esta relação de pessoas não é exaustiva, mas pedimos que Deus, que vê os corações, abençoe a todos os que nos ajudaram a escrever a história destes cinquenta anos, desde os seus primórdios, particularmente as Mães Apostólicas, os benfeitores, os festeiros e a comissão permanente de nossas festas juninas. Diretor do Seminário São José de Orleans (SC)

Foto: Bernardete Chiesa

“Os meninos sonhadores!” Éramos doze - mera concidência com aquela seleção da Galileia? Passageiros - esses meninos - cheios de sonhos... também fizeram história, cresceram, e, sobretudo, converteram-se em adultos que têm memória. Murialdo pregava o “Agir&Calar”, temos consciência de que, como ex-Josefinos devemos divulgar o que tivemos de excelente em nossa formação seminarística. Acabaramse os ideais? Defenitivamente, não! “Meninos sonhadores” fizeram história, sonhos se tornaram realidade. Adultos idealistas têm memória e os depoimentos estão gravados para sempre como forma definitiva de gratidão para com a congregação de Murialdo e de todos os seus professores e confrades. José Higino Benedet Ex-seminarista do 1º grupo do Seminário de Orleans. Parte do discurso por ocasião da Festa dos 50 Anos

Pe. Cornelio Dall’Alba

José Higino Benedet

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Foto: Divulgação A&C

Delegação brasileira junto ao túmulo de Murialdo

Encontro Inter nacional da Família de Murialdo Amigos, irmãos e pais por um mundo solidário

s Leigos Amigos de Murialdo do Brasil empreenderam uma viagem magnífica à Itália e Portugal, de 25 de abril a 3 de maio de 2010. Temos que inicialmente agradecer profundamente a oportunidade que nos foi oferecida, única e ímpar, tendo em vista a vasta imensidão de lugares e pessoas que conhecemos. Saímos um tanto incrédulos e descrentes do que veríamos e fomos surpreendidos a cada momento que lá estivemos. Uma verdadeira Família, com proporções que nunca antes tivemos a oportunidade de vivenciar. Tínhamos certo receio e até medo do que encontraríamos num país desconhecido e fomos surpreendidos

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pela compreensão e excelente recepção e acolhida. Os organizadores souberam juntar as culturas, modos e maneiras de 12 países e tornar nossa estada na Itália uma verdadeira família. Em Roma, nosso encontro foi com membros da Família de Murialdo da Itália, Espanha, México, Equador, Argentina, Albânia, Gana, Serra Leoa, Guiné-bissau, Brasil, Chile e Índia. Éramos aproximadamente 450 pessoas irmanadas no espírito de Murialdo. Nosso encontro foi falado em Inglês, português, espanhol e italiano, fazendo com que houvesse um interesse de todos na busca de conhecimentos inerentes a cada país que lá estava. Um destaque especial foram os

Religiosos e Religiosas que sempre estiveram conosco, nos acompanhando, orientando e ajudando para que tivéssemos um conforto especial longe de nossas casas-mãe. Conhecemos Roma, berço da civilização, onde vimos os passos dos primeiros cristãos. Os monumentos, as ruínas e igrejas de Roma nos deixaram deslumbrados com sua pomposidade. Vimos a grandeza da Roma antiga e nos chamou a atenção a preservação mantida até hoje. Realmente, em Roma tivemos uma aula da história antiga e voltamos a nos sentir como adolescentes, revivendo tudo quanto ouvimos e lemos nos livros de história. As praças, os monumentos, as igrejas nos lembram também as dificuldades e


COTIDIANO Carlos Mazzochi

perseguições que os cristãos sofreram pelos incrédulos e imperadores antigos. Enfim, Roma nos deixou marcados pela história e também pela experiência de vermos o berço da civilização ainda intacto e preservado, nos remetendo a um passado cheio de história e acontecimentos nem sempre agradáveis. Estivemos no Vaticano, em audiência pública com o PAPA. A emoção é inexplicável. A praça São Pedro estava lotada para ver o Papa, pessoas de diversos países, aguardando um tempo significativo chamou minha atenção, mostrando que o Representante de Pedro na terra ainda inspira nossa fé e crença em Deus. Sobretudo, o fato de o Papa ter falado especificamente de São Leonardo Murialdo, dos 40 anos da canonização e 110 anos da morte, para todo mundo ouvir, deixou-nos mais emocionados e nos motivou a seguir o carisma deste santo com maior veemência. Visitamos a Basílica de São Pedro, na sua suntuosidade, que é espantosa, deixando-nos atônitos com suas obras e adereços. Aqui vimos que a igreja de Pedro ainda impera e cristãos do mundo todo ficam atônitos vendo tão grandiosa obra. A tumba dos Papas foi outra preciosidade que visitamos e verdadeiramente nos emocionamos vendo isto de perto. Enfim, podemos dizer que é inexplicável a sensação de pequenez que sentimos em ver de perto tão grandiosas obras, nos proporcionando uma experiência única e exclusiva que somente os privilegiados desta ocasião puderam sentir. A Igreja de São Paulo fora dos muros, com seus 150 pilares de mármore, também deixou-nos extaziados ante tão bela preciosidade cristã. Roma deixou-nos deslumbrados ante tão prodigiosas obras que nos levam a refletir muito sobre o que representa a civilização cristã e seu legado que se perpetua até hoje no tempo e por todos quantos visitam e sonham em visitar um chão tão cheio de história. Outra parte marcante foi nossa visita a TURIM. O trajeto de 600 km

de Roma a Turim, feito por ônibus, feznos lembrar muito nosso interior de Caxias do Sul, onde vislumbramos prados, parreirais, plantações e casas frondosas, lugares muito lindos, tudo fazendo-nos lembrar da semelhança e preciosidade que é nossa região. Em PISA ficamos encantados com a Torre Torta, a Igreja e o Batistério. Impressionante estas obras, fora do comum e de uma beleza extraordinária. Em Turim, como primeira tarefa foi visitar o “Santo Sudário”. Este manto misterioso e cheio de “acontecimentos” relacionados a Cristo deixou-nos uma lição bastante séria do sofrimento que Jesus teve para redimir nossos pecados. É uma relíquia especial e inconfundível da representatividade sofrível de Cristo perante os pequenos cristãos que nos sentimos. O mais interessante é que ficou registrado exatamente o que aconteceu com Cristo e faz lembrar que ainda somos muito egoístas em querer ser melhores que nosso semelhante.

Murialdo foi extraordinário no ordinário e, hoje, somos chamados a continuar sua Obra O motivo principal de nossa ida a Turim foi seguir ou fazer os “passos” de Murialdo. Visitamos: a casa onde Murialdo nasceu, no centro de Turim, um lugar muito frondoso, bonito, de classe social elevada; o Santuário da Consolata, onde a Mãe de Murialdo apresentou seu filho a Cristo; a Igreja de São Dalmázio, onde São Leonardo Murialdo ouviu o discurso da sua conversão; a Igreja de Santa Bárbara, onde Murialdo deixou sua marca, e a Igreja de Nossa Senhora da Saúde, onde nosso Santo encontra-se visivelmente intacto e sereno a nos comandar e conduzir na caminhada rumo ao Pai. O Colégio Artigianelli foi o centro culminante de nossa visita. Ali vimos

toda dedicação e atividade que São Leonardo exerceu com as crianças e jovens daquela época. A história contada no museu de São Leonardo, no Artigianelli, mostra toda trajetória deste santo muito precioso e inigualável que conduz nossa Família. Vimos e sentimos toda mística e espiritualidade que São Leonardo trilhou e culminou na sua Santidade. Fomos recepcionados no Colégio São José de Rívoli, com música e calorosa acolhida pelos jovens. Turim nos acolheu como verdadeira família e de lá trouxemos excelentes marcas e lembranças que permanecerão conosco por toda vida. Sentimo-nos no caminho certo, vendo o que Murialdo fez e viveu e ainda sentir seu legado pulsante na Família imensa que se formou a partir de seu carisma. Nossa passagem por Lisboa feznos ver a beleza desta cidade, com praças, monumentos, o povo acolhedor e sua gastronomia, especificamente o bacalhau, e lembrar de nossos “descobridores”. Mas o principal de Portugal foi a visita ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima. Visitamos a casa de Lúcia, Francisco e Jacinta. Vimos que, da simplicidade de 1917, quando da sua aparição, hoje se formou uma cidade bonita e frondosa, como um dos lugares mais visitados por peregrinos do mundo todo. Este Santuário, com sua grandiosidade e sempre visitado por muitas pessoas, nos faz pensar que a Mãe prodigiosa de Cristo ainda desperta muitos corações e lembranos que, como seus filhos, não estamos sozinhos. Uma viagem tão significativa e carregada de emoções deixa-nos pequenos perante a grandiosidade dos lugares que visitamos. Tudo foi tão significativo e marcante que nos deixa com lembranças maravilhosas por toda vida. Acima de tudo, ficou para todos que Murialdo foi extraordinário no ordinário e, hoje, somos chamados a continuar sua Obra. Carlos Mazzochi

Leigo Amigo de Murialdo Núcleo Alambosco (Caxias do Sul) e membro do Conselho Formativo da ANALAM

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COTIDIANO

Papa Bento XVI: “Murialdo é um sacerdote exemplar” No dia 28 de abril de 2010, durante a sua Audiência Geral na Praça de São Pedro, em Roma, o Papa Bento XVI falou de Murialdo para milhares de peregrinos, entre eles mais de 450 participantes do Encontro Internacional da Família de Murialdo, dos quais 27 eram brasileiros. Eis parte de seu discurso: Queridos irmãos e irmãs! Estamos nos aproximando da conclusão do Ano Sacerdotal e, nesta última quarta-feira de abril, gostaria de falar de dois santos sacerdotes, exemplares na sua entrega a Deus e no testemunho de caridade, vivida na Igreja e para a Igreja, pelos irmãos mais necessitados: São Leonardo Murialdo e São José Bento Cottolengo. Murialdo nasceu em Turim em 26 de outubro de 1828: é a Turim de São João Bosco, do próprio São José Cottolengo, terra fecundada por tantos exemplos de santidade de fiéis leigos e de sacerdotes. Leonardo é o oitavo filho de uma família simples. Quando era criança, juntamente com o irmão, entrou no colégio dos Padres Escolápios de Savona para a escola primária, preparatória e secundária; aí encontrou educadores preparados, um clima de religiosidade fundado sobre uma catequese séria, com práticas de piedade regulares. Durante a adolescência viveu, porém, uma profunda crise existencial e espiritual que o levou a antecipar o regresso à família e a concluir os estudos em Turim, inscrevendo-se no biênio de filosofia. O "regresso à luz" aconteceu, como ele narra, depois de alguns meses, com a graça de uma confissão geral, na qual redescobriu a imensa misericórdia de Deus; amadureceu

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então, com 17 anos, a decisão de se fazer sacerdote, como resposta de amor a Deus que o tinha envolvido com o seu amor. Foi ordenado no dia 20 de setembro de 1851. Precisamente naquele período, como catequista do Oratório do Anjo da Guarda, foi conhecido e estimado por Dom Bosco, que o convenceu a aceitar a gestão do novo Oratório São Luís em Porta Nova, que ele geriu até

Amor de Deus e amor a Deus: foi esta a força do seu caminho de santidade, a lei do seu sacerdócio... 1865. Ali entrou em contato com os graves problemas das classes mais pobres e visitou as suas casas, amadurecendo uma profunda sensibilidade social, educativa e apostólica, que o levou a dedicarse autonomamente a múltiplas iniciativas a favor da juventude. Catequese, escola e atividades recreativas foram os fundamentos do seu método educativo no Oratório. Dom Bosco quis que ele estivesse novamente ao seu lado por ocasião da audiência que lhe fora concedida pelo beato Pio IX em 1858. Em 1873 fundou a Congre-

gação de São José, cuja finalidade apostólica foi, desde o início, a formação da juventude, especialmente a mais pobre e abandonada. O ambiente turinês dessa época caracterizou-se pelo intenso florescimento de obras e de atividades caritativas promovidas por Murialdo até a sua morte, ocorrida no dia 30 de março de 1900. Apraz-me sublinhar que o núcleo da espiritualidade de Murialdo é a convicção do amor misericordioso de Deus: um Pai sempre bom, paciente e generoso, que revela a grandeza e a imensidão da sua misericórdia com o perdão. São Leonardo experimentou esta realidade, não no plano intelectual, mas existencial, mediante o encontro vivo com o Senhor. Ele considerou-se sempre um homem abençoado por Deus misericordioso: por isso, viveu o sentido jubiloso da gratidão ao Senhor, a consciência tranquila do próprio limite, o desejo fervoroso de penitência, o compromisso constante e generoso de conversão. Ele via toda a sua existência não apenas iluminada, orientada e sustentada por este amor, mas continuamente imersa na misericórdia infinita de Deus. No seu Testamento Espiritual ele escreveu: "A tua misericórdia circunda-me, ó Senhor... Como Deus está sempre presente, em toda a parte, assim também o amor se encontra sempre presente, em


Foto: Divulgação A&C

toda a parte, e a misericórdia está sempre presente, em toda a parte". Recordando o momento de crise que teve na juventude, anotava: "Eis que o bom Deus queria fazer resplandecer ainda mais a sua bondade e generosidade, de maneira totalmente singular. Ele não só me admitiu de novo na sua amizade, mas chamoume a uma escolha de predileção ao sacerdócio, e isto somente poucos meses depois do meu retorno para Ele". Por isso, São Leonardo viveu a vocação sacerdotal como dom gratuito da misericórdia de Deus, com sentido de reconhecimento, alegria e amor. Escreveu ainda: "Deus escolheu-me! Ele chamoume, chegou até a obrigar-me à honra, à glória e à felicidade inefável de ser seu ministro, de ser "outro Cristo"... E onde eu estava, quando me procuraste, meu Deus? No fundo do abismo! Eu estava lá, e foi ali que Deus veio me procurar; ali me fez ouvir a sua voz...". Ressaltando a grandeza da missão do presbítero, que deve "continuar a obra da redenção, a grande obra de Jesus Cristo, a obra do Salvador do mundo", ou seja, de "salvar as almas", São Leonardo recordava sempre a si mesmo e aos irmãos de hábito a responsabilidade de uma vida coerente com o sacramento recebido. Amor de Deus e amor a Deus: foi esta a força do seu caminho de santidade, a lei do seu sacerdócio, o significado mais profundo do seu apostolado entre os jovens pobres e a fonte da sua oração. São Leonardo Murialdo abandonou-se com confiança à Providência, cumprindo generosamente a vontade divina, no contato com Deus e dedicando-se aos jovens pobres. Deste modo, ele uniu o silêncio contemplativo com o ardor incansável da ação, a fidelidade aos deveres de cada dia com a genialidade das iniciativas, a força nas dificuldades com a tranquilidade do espírito. Este é o seu caminho de santidade para viver o mandamento do amor a Deus e ao próximo.

Encontro com o Papa: Superior Geral dos Josefinos de Murialdo, Pe. Mário Aldegani acompanhando a Família de Murialdo

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COTIDIANO Pe. Joacir Della Giustina

UMA ESCOLA PREMIADA Existem algumas premiações que deixam o Colégio Murialdo de Caxias do Sul-Centro cheio de orgulho e de vontade de seguir o caminho da cidadania solidária. ESCOLA SOLIDÁRIA O “Instituto Faça Parte” é uma organização da sociedade civil, fundada em 2001, com a missão de promover a cultura do voluntariado, estimulando a participação da juventude como parte ativa da construção de uma nação socialmente mais justa. Entre os parceiros do Faça Parte estão o Ministério da Cultura, o UNICEF, a ONU e a UNESCO. Esse Instituto criou, em 2003, o “Selo Escola Solidária” que identifica, reconhece e fortalece as escolas brasileiras como núcleos de cidadania em suas próprias comunidades. Busca valorizar as escolas que promovem a construção de uma aliança arrojada entre os saberes curriculares e a prática social transformadora. O Selo Escola Solidária foi criado em 2003 e acontece a cada dois anos. Até hoje foram quatro edições, totalizando 16.181 escolas reconhecidas. O projeto é voltado para todas as escolas de educação básica (da educação infantil ao ensino médio), públicas e particulares. A partir do momento em que a escola é reconhecida pelo Selo Escola Solidária, ela passa a fazer parte da Rede de Escolas Solidárias. A Rede é um espaço para a divulgação dos projetos e ações de voluntariado educativo. Ao participar da Rede, a escola conhece outras experiências, vê a diversidade de atividades que ocorrem pelo país e encontra soluções para questões semelhantes. O Colégio Murialdo de Caxias do Sul-Centro faz parte do grupo das escolas reconhecidas. Recebeu o selo nos anos de 2005 2007 e 2009. Além de manter 120 crianças e adolescentes empobrecidas em turno integral, estudando gratuitamente junto aos alunos

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Fotos: Bernardete Chiesa

pagantes, desenvolve projetos que criam espírito e atitudes de solidariedade em sua comunidade educativa. O projeto “Sou Murialdo Solidário” é uma das ações e envolve os alunos dos terceiros anos do ensino médio para o desenvolvimento de um projeto que nasce em fevereiro e se encerra em dezembro. Compreende desde a elaboração e aprovação do projeto do grupo; visita a um grupo de periferia; realização da ação solidária e avaliação. Já o projeto “Apadrinhamento”, outra inicitiva, é realizado com a participação da Associação de Pais e Mestres - APM e o Serviço de Assistência Social. Crianças empobrecidas dos Programas Sociais são apadrinhadas por pais do Colégio. Gerenciado pela APM, o projeto é uma demonstração de fraternidade e responsabilidade social.

ESCOLA COM RESPONSABILIDADE SOCIAL O Prêmio Responsabilidade Social da Assembleia Legislativa do RS visa destacar entidades e instituições que desenvolvem projetos de cunho social. A comissão mista analisa e avalia as ações das concorrentes a partir de seus balanços sociais. O Centro Técnico Social do qual faz parte o Colégio Murialdo-Centro recebeu, já por dois anos consecutivos, 2008-09, esse reconhecimento da Assembleia através do Certificado de Responsabilidade Social em concorrida e destacada cerimônia. O prêmio, iniciativa da Assembleia gaúcha, tem o objetivo de incentivar projetos voltados para a promoção do bem-estar social e a preservação do meio ambiente em empresas privadas e sociedades cooperativas. Participam desde hospitais até grandes empresas, como a Marcopolo. No total, 232 instituições, em 2009, foram agraciadas com o certificado de Responsabilidade Social. Os prêmios foram conferidos àquelas que obtiveram o melhor desempenho em cada uma das 11 categorias pré-definidas, além de dois prêmios norteadores nas áreas de sustentabilidade e planejamento familiar. Pe. Joacir Della Giustina Vice-Provincial e Diretor do Centro Técnico Social


a c e t Biblio Ilê Ará “Lá no Alto do Morro, na Esplanada da Cruz, que deu nome à comunidade, agora não faltam histórias, brincadeiras, letras, palavras, livros, aprendizados e fantasias, enfim: Cultura!” Assim está surgindo uma nova realidade com participação de toda a comunidade: crianças, adolescentes, jovens e adultos. ILÉ ARÁ! Por que Ilê Ará? Pois bem! Ilê Ará, em iorubá, significa CASA DO POVO. Portanto, a Biblioteca Ilê Ará é a Casa do Povo: um novo espaço que o Morro da Cruz conquista para se expandir e se integrar na Comunidade humana. Ilê Ará! Casa do Povo! Ela tem uma data significativa: 5 de agosto de 2006, quando de seu nascimento e teria como destino um futuro brilhante para toda a Comunidade. A Biblioteca Ilê Ará é um espaço do Projeto Morro da Cruz para a Vida, executado pelo Instituto Leonardo Murialdo, tendo o Instituto C&A como principal apoiador e a KNH como parceira. Mas, enfim, para quê a Biblioteca Ilê Ará? Ali se encontra um tesouro de centenas de livros de diversos assuntos e para todos os gostos. Ali você se sente bem e tem o prazer de ler. Como? Há tantas formas: mediações de leitura, saraus poéticos, café com letras, barraca Ilê Ará, educação de jovens e adultos, atendimento nas escolas públicas municipais e estaduais, além de creches comunitárias existentes na comunidade. Cabe aqui ressaltar o número mensal de atendidos pela biblioteca, o qual ultrapassa dois mil entre empréstimos, presenças, hora do conto, além das atividades nas escolas. Se você não puder ir à Biblioteca Ilê Ará, ela vai a você. É a Mala de Leitura com livros, revistas, gibis... literatura para você e para toda a família, podendo até partilhar com seus vizinhos e amigos. Só leve em conta que outros também estão apaixonados por leitura e, então, passe adiante. Você tem uns fartos quinze dias para ter pela leitura novas visões de mundo: a Biblioteca Ilê Ará é fonte de cultura, arte e educação através do compromisso com a participação da Comunidade. Que mais a Biblioteca Ilê Ará oferece à Comunidade? Em primeiro lugar: um belo espaço! Salão de

COTIDIANO Pe. Angelo Dall’Alba

atendimento, literatura infantil e infanto-juvenil; sala com acervo geral de livros, cerca de cinco mil; periódicos, sala de estudo e de pesquisa. E o entorno, ecologicamente idealizado: O Jardim Ilê Ará possui sistema de captação da água da chuva, a qual é usada para fins de irrigação das plantas e ervas medicinais, além de possuir um canto temático para mediação e leitura. Em segundo lugar, e aqui está o que a biblioteca oferece de profundamente criativo e inovador: garantia de protagonismo juvenil entre os mediadores de leitura, estímulo à elevação da escolaridade e, acima de tudo a potencialização, produção e criação de autores, escritores e artistas locais. Entre as atividades desenvolvidas é de salientar o convite a célebres escritores e personalidades da literatura brasileira. Ziraldo, cartunista e autor de inúmeros livros infantis. André Neves, recifense, radicado em Porto Alegre, detentor de vários prêmios literários, escritor e ilustrador. Moacir Scliar, filho de Porto Alegre, médico e escritor, membro da Academia Brasileira de Letras. Ele deixou este recado: “Essa biblioteca é especialmente agradável, está situada em um lugar simbólico, porque daqui tem uma vista bonita, e o objetivo da literatura é proporcionar uma nova visão de mundo, então ela está situada em um lugar adequado”. Além destes, outras figuras ilustres como Celso Sisto, Paulo Tedesco, Telma Sherer, Ana Mariano, entre outros, já agraciaram a Biblioteca Ilê Ará com sua presença. E, para finalizar, a conquista que mais entusiasmou a Comunidade do Morro da Cruz através da Biblioteca Ilê Ará foi o Prêmio Fato Literário 2009, que, ao lado de “A Grande Troca” da Bienal do Mercosul, criou uma efervescência e uma empolgação energizantes. Tomo a liberdade de transcrever o que o jornal “Fala Sério”, em seu número de outubro, novembro e dezembro de 2009, escreveu: “A coroação de um trabalho brilhante. Assim pode ser defenida a vitória da Biblioteca Ilê Ará, do Instituto Leonardo Murialdo (ILEM), no Prêmio Fato Literário 2009. A instituição agraciada na categoria Projeto Literário, além do troféu, trouxe para o Morro da Cruz visibilidade...” Pe. Ângelo Dall’Alba

Estudante de Direito, acompanha o trabalho do Instituto Murialdo no Morro da Cruz

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O rosto de Murialdo no

Rio de

Janeiro Rio de Janeiro “cidade maravilhosa, cheia de encantos mil...” já diz a canção de André Filho. É no subúrbio desta cidade maravilhosa que se encontra Murialdo, no bairro Quintino Bocaiúva. Nossa paisagem é de muitos morros, onde sobem muitas casinhas aglomeradas: ambiente, ora chamado comunidade, ora temido como favela. No fundo, trata-se de um bairro que pouco favorece os seus moradores, inclusive os que moram no asfalto. Os serviços públicos são raros, assim como são em tantos outros bairros do Rio de Janeiro. Aqui prefiro falar de comunidade, local onde todos se conhecem, participam das vidas uns dos outros: seja em momentos de aperto, quando a chuva põe abaixo um telhado ou uma casa; ou em um churrasquinho na esquina... na casa do vizinho! Festa de aniversário, almoço de batizado... sempre há alegria, não importa a carência; é preciso “levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima”. Há, contudo, momentos em que cada família se fecha em sua casa e nem mesmo as crianças podem sair para brincar, pois a violência tranca a todos; é a mesma violência que enjaula os condomínios luxuosos da zona Sul da cidade. Somos todos, independente da classe social, apreciadores das belezas de nossa cidade e também expectadores e vítimas da violência. A Obra Social Murialdo no Rio de Janeiro quer intervir nessa realidade. Das muitas missões que nos cabem, uma chama muito a atenção, que é desvendar a existência das belezas da vida. Buscamos mostrar que a vida é boa para se viver:

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nas oficinas de reforço escolar, na sala de leitura, nos momentos de formação humana onde se trabalha ética e conscientização. Nessas oficinas transparece o rosto de Murialdo em sua pedagogia do amor, incentivando, assim, o cuidado com a mente e o coração. Identificamos o “rosto murialdino amigo e irmão” na linguagem recreativa, onde vemos brotar sorrisos, olhares atentos e curiosos através de jogos interativos e

educativos, gincanas e muito movimento, às vezes até com música! A mesma que toca em nosso radinho na hora do almoço, no café da manhã, na oficina de flauta ou de violão. E o “rosto de pai”, numa conversa ou bate papo, num encontro de formação com a equipe, voluntários ou responsáveis. Reconhecer este rosto nos traz grande satisfação. A alegria que silencia nos momentos de espiritualidade é a mesma que faz barulho na hora


COTIDIANO Maria de Fátima Gomes

Foto: Divulgação A&C

do futebol e do vôlei; e também a que batuca no atabaque e no pandeiro da capoeira, mantendo viva a cultura e o gingado brasileiro. Essa alegria brilha no conjunto: josefinos, leigos, equipe de trabalho, voluntários, na criança, no adolescente e nas famílias. A proposta da Obra Social Murialdo no Rio de Janeiro é fortalecer a pessoa humana, resgatar a dignidade. Ser um ponto de partida para a construção da autoestima; tratar a criança e o adolescente como merecem, com prioridade (ECA – art. 4º); acolher a família e inseri-la na caminhada para um futuro onde a vida seja plena, digna e com oportunidades, onde o cidadão seja sujeito de direitos. Sabemos que há ainda muito por fazer. Murialdo é apenas um rosto no meio dos muitos que anseiam por mudanças e transformações. Queremos a cada dia mostrar esse rosto que é a nossa “cara”, nossa gente e o nosso futuro.

Funcionamento da Obra Social Murialdo A Obra Social Murialdo funciona de segunda a sexta, das 8h às 17h, chegando a servir em torno de 390 refeições por semana. Nossos atendidos são 78 crianças e adolescentes, na faixa etária dos 07 aos 14 anos: 43 inscritos em duas turmas

de atenção especial que frequentam todas as atividades. Os integrantes destas turmas, além de passarem por um processo de seleção - onde se avalia a situação social da família – são acompanhados pela assistente social e pela e psicóloga e 35 inscritos que frequentam somente as atividades esportivas. Nossa equipe é assim composta: Diretor - Padre Geraldo Canever; Fráter Tiago da Silva, educadores sociais Jardel Varela e Pâmela Francisco, cozinheira Marileia Francisco, assistente social e 3 estagiárias, psicóloga (voluntária) e mais 7 voluntários e 5 beneficiários

da VEP – Vara de Execuções Penais. Contamos ainda com o apoio das integrantes da AMA – Associação de Mães Apostólicas, da ALAMRIO – Leigos e Amigos de Murialdo e de vários colaboradores que ajudam com doações. Rio mais triste... Nos últimos tempos acompanhamos pela imprensa a incidência de deslizamentos de terra devido a fortes chuvas que ocasionaram mais de 220 mortes e muitas famílias que ficaram desabrigadas no Estado, inclusive algumas na comunidade do Fubá que fica próxima à nossa Obra. A paróquia São Jorge se mobilizou com doações e apoio a estas famílias, e na Obra Social incluimos em nosso atendimento 10 crianças que tiveram suas casas interditadas e estão abrigadas na Igreja de São José Operário situada na comunidade. O povo carioca se mobiliza, demonstrando sua solidariedade e colaborando com doações e apoio às vitimas. Unidos também em orações, rogamos ao criador coragem, força e fé para o recomeço. Maria de Fátima Gomes Assistente Social

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FORMAÇÃO Pe. Marcionei Miguel da Silva

A FORÇA DA ESPIRITUALIDADE nvolto pelo mistério do amor de Deus o ser humano transmite a espiritualidade impregnada em sua vida pelo compasso de seu peregrinar. Movidos pela força do Evangelho, somos capazes de mostrar o rosto de nossa fé quando nos preocupamos com os mais necessitados. Quando uma realidade amada por Deus desperta em nós uma força de compaixão, revelamos a força de nossa espi-ritualidade. O horizonte a ser contemplado está cercado de inocência, fragilidades, pobrezas e esperanças que exigem aproximação. A nossa presença não é apenas caritativa,

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mas transformadora. Levamos o amor de Deus em nosso semblante e temos um compromisso com a vida. Somos propagadores do amor do Pai derramado sobre nós. A espiri-tualidade é o rosto visível de alguém envolvido pela graça do Pai e iluminado pelo Espírito Santo. Trata-se do amorcomunhão. Espiritualidade é muito mais do que música, palavras e gestos. É um modo de ser e de viver. O fato de vincularmos a espiritualidade a Alguém, ou seja, a Jesus de Nazaré, exprime uma certeza da qual não podemos esquecer: a sua força está muito além das animosidades do mercado. Na plataforma de sua essência há uma estrutura


q u e s u s t e n ta o s p é s d o s peregrinos, cansados das longas viagens. A generosidade de nosso coração, movido pela força da fé, nos aproxima do coração da Trindade. Quanto mais nobre o objeto de referência para o cultivo de nossa espiritualidade, maior a sua força. Quando alguém se agarra ao ídolo do mercado nas suas variadas expressões (poder, consumismo, hedonismo, sucesso, fama, dinheiro), transformando essa “paisagem” no objeto de sua contemplação, riscos inevitáveis de perdas irreparáveis ao longo de sua vida se farão presentes em sua história. O olhar de Deus Amor sobre nós será significativo quando tivermos uma intimidade orante. Espiritualidade sem vida de oração não tem vínculo com Deus. Considerando que a força da nossa espiritualidade é exatamente a intimidade com Deus, torna-se fundamental a intimidade com Ele nas diferentes expressões de oração. O diferencial de nossa espiritualidade é o amor misericordioso que resulta numa alegria plena em nosso coração. O grito das crianças, adolescentes e jovens ouvidos por nós devem ser oferecidos a Deus a partir do nosso coração orante. Henri Nouwen comenta sobre o Salmo 46. Esse salmo reflete sobre a centralidade de Deus em nossa

vida. É importante encontrar o Deus que deseja ser encontrado. “Deus é nosso refúgio e nossa força, mostrou-se nosso amparo nas tribulações. Por isso a terra pode tremer, nada tememos; as próprias montanhas podem se afundar nos mares.

A espiritualidade precisa ser cultivada diariamente para que a nossa vivência espiritual seja uma força melhor acolhida Ainda que as águas tumultuem e agitem e venham abalar os montes. Os braços de um rio alegram a cidade de Deus, o santuário do altíssimo... Parai, disse ele, e reconhecei que sou Deus; que domino sobre as nações e sobre toda a terra (Sl 46,1-4.10)”. A espiritualidade precisa ser cultivada diariamente para que a nossa vivência espiritual seja uma força melhor acolhida. Nouwen nos diz que as grandes perguntas como Quem é Deus? A quem estou rezando? Quem é Deus para mim? Podem ser melhor compreendidas, ilustrando essa realidade com uma pequena história, como aquela dos quatro cegos e o elefante. Quatro cegos descobriram um elefante. Como nunca haviam encontrado um elefante antes,

apalparam-no, tentando entender e descrever este novo fenômeno. Um sente a tromba e conclui ser uma cobra. Outro explora uma das patas do elefante e a descreve como uma árvore. O terceiro acha o rabo do elefante e anuncia ser uma corda. E o quarto cego, após descobrir a lateral do elefante, conclui ser uma muralha. No final das contas, quem está certo? Cada um, em sua cegueira, está descrevendo a mesma coisa: um elefante. Então, todos estão certos, mas nenhum está completamente certo. (Cf. p.101 – Nouwen, Henri. Direção Espiritual: sabedoria para o caminho da fé). A força da espiritualidade está na grandeza do bom pastor. Jesus é o caminho, a verdade e a vida. Por essa razão, “os pastores não devem ser duros de coração, mas ir em busca dos que perderam o caminho e se extraviaram, dirigirse aos que ficaram à margem do caminho, trazê-los de volta e saber que justamente isso provoca alegria no céu (Lc 15,3-7)”. (Cardeal Walter Kasper, Servidores da Alegria, p. 70 – Loyola). Como afirma São Marcos, citando as palavras de Jesus: “cumpriu-se o tempo, e o Reino de Deus aproximou-se: convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). Pe. Marcionei Miguel da Silva Conselheiro Provincial e formador no Seminário Josefino de Fazenda Souza - Caxias do Sul (RS)

É fácil trocar as palavras... difícil é interpretar os silêncios! É fácil caminhar lado a lado.... difícil é saber como se encontrar! É fácil beijar o rosto... difícil é chegar ao coração! É fácil apertar as mãos... difícil é reter seu calor! É fácil sentir o amor... difícil é conter a sua torrente!

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ANO VOCACIONAL

MURIALDINO

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Serviço de Animação Vocacional (colegiado) convoca toda a Família de Murialdo para a realização do Ano Vocacional Murialdino de 18 de maio de 2010 a 18 de maio de 2011, festa de nosso Pai São Leonardo Murialdo. Mais um “Ano”? Trata-se de um tempo diferente, repleto de significado, convocando-nos a uma série de compromissos para despertar neste ano o ardor vocacional de discípulos missionários, criando uma cultura vocacional na Família de Murialdo. O Ano Vocacional tem como Tema: Vocação, chamado e missão; e o Lema: Vem e segue-me! Para nos enriquecer e marcar a caminhada vocacional deste ano singular propõe-se como símbolo o Sino, tendo em vista que Murialdo chamava os jovens para participarem no oratório, usando um sino; e o som do sino deverá despertar o chamado que Deus faz a todos os batizados. Todos, na Igreja, pelo batismo, somos povo

sacerdotal, profético, pastor. E para vivermos com consciência esse chamado, tem especial destaque o papel do Serviço de Animação Vocacional, que é muito importante para ajudar e orientar em especial os jovens em processo de crescimento, discernimento e acompanhamento de sua opção vocacional. Entende-se como um serviço que se oferece a cada pessoa para que possa descobrir o caminho para a realização de seu projeto de vida tal como Deus quer e necessita para o mundo de hoje. Jesus, não só anuncia, mas propõe o Reino de Deus e também convida ao seguimento. O período da juventude é o tempo de descobertas, particularmente do “eu” humano e das propriedades e capacidades que ele encerra. O projeto cristão de vida como seguimento de Jesus está desenhado em sua essência a partir do evangelho: “Jesus subiu ao monte e chamou os que desejava escolher. E foram até ele. Então Jesus constituíu o grupo dos doze, para que ficassem com ele e para enviá-los


CAPA Pe. Márcio Benevides

a pregar, com autoridade para expulsar os demônios” (Mc 3, 13-15). A questão vocacional se apresenta como um grande desafio para a Igreja dos nossos dias. Entende-se aqui, Igreja: as Dioceses, que buscam novos Presbíteros, bem como as Congregações Religiosas e Ordens masculinas e femininas. Há alguns anos parecia muito fácil executar a então chamada Pastoral Vocacional; hoje, não se tem a fórmula do como acompanhar os jovens que se apresentam ao Serviço de Animação Vocacional. A sociedade mudou e, mesmo que queiramos, não é possível viver à moda antiga. Muitos paradigmas foram quebrados e, de modo geral, tudo é permitido. Isso implica em um novo jeito de entender, acolher e propor à juventude de hoje um caminho de discernimento vocacional. Assim, a proposta para o Ano Vocacional Murialdino é de reflexão a partir do Texto-Base para estabelecer comunhão com toda a Família de Murialdo em torno do tema proposto. A metodologia usada no Texto-Base é: VER - JULGAR e AGIR. A 1ª parte (VER) consiste em refletir sobre a vocação e a missão diante dos desafios da sociedade, hoje. A análise tem como objetivo encaminhar o questionamento: como despertar vocações que perseverem na fidelidade ao chamado do Senhor na missão, diante dos desafios do mundo de hoje? A 2ª parte (JULGAR) compara os desafios da realidade com os caminhos propostos por Cristo, como vocação e missão de discípulos e discípulas missionários de Jesus Cristo, na Família de Murialdo. A 3ª parte (AGIR) consiste em propostas de

ação para viver o discipulado com ardor missionário e compromisso na construção do Reino, no carisma de Murialdo. Propomos uma celebração de abertura criativa do AVOMUR em cada comunidade onde estão presentes os membros da Família de Murialdo. Teremos também dois Seminários Vocacionais, um em Fazenda Souza - Caxias do Sul (RS), nos dias 14 e 15 de agosto e nos dias 28 e 29 do mesmo mês em Brasília (DF). Para uma boa organização e vivência do Ano Vocacional Murialdino está disponível o Kit AVOMOR: CD de músicas vocacionais com o hino oficial do AVOMUR intitulado “Vem e Segue-me”, Texto-Base, cartaz, folder, folha de cantos, oração confeccionada em forma de sino, e outros materiais que serão enviados gradativamente pela internet, como roteiro para adoração e aulas vocacionais. No decorrer deste Ano Vocacional todos nós da Família de Murialdo somos chamados à ampla renovação interior, para um testemunho evangélico mais vigoroso e incisivo, cada um a partir de seu estado de vida. Com especial proteção de São José e São Leonardo Murialdo, contando com o apoio orante, efetivo e afetivo de cada leigo(a), Sacerdote, Religioso, Religiosa e Mãe Apostólica, e testemunhando o amor de Deus em especial aos jovens pobres, sejamos discípulos missionários a serviço das vocações, cientes de que Deus chama quem, como e quando Ele quer! Bom Ano Vocacional a todos e a todas! Pe. Márcio Benevides

Animador Vocacional da Província Brasileira dos Josefinos de Murialdo

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M u r i a l d o : um homem extraordinário no ordinário Papa Paulo VI, no dia 7 de maio de 1970, dia da canonização de São Leonardo Murialdo, na homilia, usou a expressão que está no título: Murialdo foi um homem extraordinário no ordinário. Esta mesma expressão tinha sido usada em relação a São José Cafasso, um coetâneo de Murialdo, segundo o dizer do Cônego José Allamano. Um elogio como este é bem merecido por Murialdo diante da vida que viveu. São apenas duas palavras, que englobam em si toda uma história vivida por ele ao longo dos 72 anos de existência.

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Nos evangelhos, quando os evangelistas pensaram em dignificar São José, esposo de Maria, não relataram nenhuma palavra do santo, mas acabaram escrevendo que José era um homem justo, que significa santo. Todos entendemos, que São José, o educador de Jesus, se abandonou à vontade da Providência de Deus e viveu toda a vida fazendo o bem que precisava fazer para cuidar de Jesus e Maria. Assim também Murialdo entende desde cedo em sua vida que é preciso viver intensamente bem, pois cada momento traz em si deveres a serem cumpridos e isto basta para alcançar


FORMAÇÃO Pe. Geraldo Boniatti

a perfeição, como está escrito no livrinho Vida de Fé. De fato percorrendo a vida de Murialdo não encontramos praticamente nada de extraordinário, no seu dia a dia. Nada de grandes coisas, que normalmente são citadas na biografia de pessoas importantes, para dar às mesmas um certo destaque. Pois o comum de cada pessoa, no modo cultural de se entender, não conta nada, ou não tem visibilidade. Para Murialdo o trabalho cotidiano tinha um sabor especial, porque era feito com paixão, com amor, partindo da convicção de que cada pessoa é um dom de Deus e este dom deve ser enriquecido sempre mais. Sua paixão pela educação e salvação dos jovens não brota apenas por compaixão, mas pela profunda experiência de que em cada coração de pessoa, sobretudo no coração do jovem empobrecido, está o Deus escondido que deve emergir, que deve brilhar no sucesso da pessoa dentro do mundo. Vejamos algumas ações de Murialdo que se tornaram extraordinárias embora feitas de modo ordinário, sem grande visibilidade ao grande público. Vejo Murialdo extraordinário na sua espiritualidade. É verdade que ele não inventa formas novas de orações, celebrações; vive o momento espiritual, cultural da época. Mas ao mesmo tempo é capaz de viver uma espiritualidade encarnada, passando da oração para atitudes concretas na educação, na orientação, na salvação dos mais necessitados. Quando ele chega a afirmar que o padre não deve ficar fechado na sacristia, mas sair na rua para estar junto ao povo sofrido, é uma proposta extraordinária, pois assim não acontecia com o clero de seu tempo. Quando Murialdo, citando Mun, fazendo próprias as palavras deste autor: Não fique ali de braços cruzados, vendo o trem da história passar... suba nele e busque dar-lhe uma direção, está provocando extraordinariamente a cada indivíduo a sair de si mesmo, não esperar que outros resolvam os problemas, mas que todos devem participar no bem comum das pessoas. O extraordinário em Murialdo se manifesta na compreensão ampla do mundo, da história e sobretudo nas proféticas intuições que tinha e que concretizou em dar condições presentes e futuras para os jovens na construção de uma pátria bem cidadã. Não se pode classificar apenas como ordinário o empenho de Murialdo em cuidar da formação integral de cada jovem, no aspecto moral e espiritual, intelectual e profissional, social e de cidadania. Extraordinária ação de Murialdo está na montagem de uma como grande orquestra em que cada instrumento favoreça a harmonia do todo. Espiritualidade, educação, formação profissional, colocação no trabalho, organização operária, boa imprensa, leis justas, salários condignos para todos, leis eleitorais e participação ativa na formação de bons políticos, envolvimento de todos os setores da sociedade. Extraordinária foi sua ação, qual fermento na massa, que não aparece em primeiro plano, mas estava sempre presente onde acontecesse alguma iniciativa que pudesse trazer benefícios aos jovens mais pobres. Tinha a arte de encantar as pessoas com ações nobres, mas ao mesmo tempo muito pequenas que mantivessem unidas as pessoas, numa

família, num conjunto benéfico para todos. Conversa com todos os que podem ter influência na transformação social, sejam autoridades eclesiásticas, inclusive com diversas visitas e audiências ao papa, sejam empresários da época, sejam políticos. A todos provocava a se unirem para que nenhum dos jovens pudesse se perder na vida e também para a eternidade. Mas um aspecto fortemente extraordinário o podemos ver em Murialdo na sua ação educativa. Sem ser pedagogo, organiza um sistema educativo que ultrapassa o século e chega até nós: educar o coração, formar uma bem unida família, ser bons cristãos e honestos cidadãos, ser apóstolos de outras pessoas mais necessitadas, marcar a sociedade no fazer o bem, fazendo-o bem, crescer na bondade, na ternura, na sensibilidade e no respeito. Porque em cada pessoa está a marca do amor de Deus, infinito, terno, pessoal, atual e misericordioso. O Extraordinário de Murialdo em relação aos intelectuais da época está no fato de buscar em cada um deles grandes linhas de ação e concretizá-las no dia a dia. Não exclui ninguém. A presença da mulher, culturalmente no seu tempo não tanto envolvida na sociedade, é provocada e resgatada por Murialdo em ações sociais, especialmente na divulgação da boa imprensa e catequese. No ordinário de seu ser biológico, sempre muito frágil na saúde, frequentemente adoentado, não deixava de se superar para estar com os mais necessitados. Não só com eles, mas também desafiando suas próprias energias, em galgar as montanhas da época para sentir-se mais próximo de Deus, como costumava dizer. Nada de extraordinário nesta beleza de vida. Um homem que se sente apaixonado pelos outros seres humanos, especialmente os mais desfigurados e que se esquece de si, larga todos os seus sonhos pessoais de fortuna, de estudos, de postos sociais de relevo, para ajudar os jovens a não se perderem na vida. A arte de ser extraordinário no ordinário de Murialdo, foi justamente a capacidade que teve de aglutinar o cotidiano de cada pessoa, numa ação dinâmica, envolvente, esperançosa, conduzida pela mão da providência de Deus. Quando no final do evangelho de S. Mateus encontramos o mandato de Jesus aos apóstolos: Ide por todo o mundo a evangelizar, contar a boa notícia da vida para todos... podemos vislumbrar, no tempo futuro da história, Murialdo, acolhendo o envio e concretizando-o no seu tempo. Ele foi extraordinário porque aceitou o desafio com a certeza da presença de Jesus no seu dia a dia, porque Jesus disse naquela ocasião... eu estarei convoco para sempre. Se deixarmos o Espírito de Deus atuar em nós, todo o nosso ordinário se torna extraordinário. Quem aposta na vida, na vida em abundância, não só para si mas também para os outros, está concretizando o extraordinário no ordinário. Foi assim que um santo escreveu: “Quem um dia se encantou pelo Reino de Deus, não tem mais direito de descansar”. Assim foi Murialdo, um homem extraordinário no ordinário, como o papa Paulo VI o definiu. Que bom ter gente assim no mundo!

Se deixarmos o Espírito de Deus atuar em nós, todo o nosso ordinário se torna extraordinário

Pe. Geraldo Boniatti Diretor do Colégio Murialdo de Porto Alegre (RS)

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FORMAÇÃO

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Pe. Sérgio Murilo Severino

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Formadores Josefinos “Sede perfeitos, como também vosso Pai celestial é perfeito” Mt 5,48. isando concretizar esse mandamento de Cristo Jesus, reuniram-se no Istituto San Pietro di Viterbo - Itália, durante os dias 21 a 27 de abril do corrente ano, alguns representantes das casas de formação da Congregação de São José para o Encontro Internacional dos Formadores que contou com a participação de 16 sacerdotes e um irmão leigo, oriundos de várias partes do mundo, juntamente com o Vigário Geral da Congregação de São José, Pe. Celmo Lazzari – encarregado geral da formação. O encontro deu-se em um clima de serenidade e de fraternidade entre os participantes que, empenhados e iluminados pela luz da fé, buscaram nesses dias de encontro discutir problemáticas e avançar soluções, inspirados pelo Espírito Santo, para a formação carismática josefina. Partindo da realidade dos nossos jovens formandos, com suas perguntas e anseios, dificuldades e resistências, cultura e história, tentou-se delinear um perfil dos formandos confiados por Deus à nossa Congregação. Curvados pela responsabilidade de ter nas mãos filhos queridos de Deus, cada um dos participantes ainda pode voltar-se

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reflexivamente para dentro de si mesmo e expressar seus sentimentos, alegrias e dificuldades como formador explicitando métodos, recursos dos quais dispõe para levar a bom termo a obra de Deus, além da relação com outros formadores e colaboradores. As Linhas de Formação Josefina também foram alvo do empenho dos formadores. Partindo de algumas considerações e reflexões provenientes de vários confrades ligados ou não diretamente à formação, tentou-se delinear e revisar o referido subsídio, inserindo no mesmo novos elementos “que o Espírito Santo e nós”, acreditamos imprescindíveis a um rosto josefino. Nesse aspecto, traçaram-se também algumas considerações acerca das sedes intenacionais de formação e os problemas relativos à cultura, língua e outros elementos importantes em um processo de adaptação e inculturação. Os jovens formandos estiveram presentes a esse encontro por meio de uma pesquisa elaborada pelo vigário geral, na qual muitos dados por eles apresentados foram representativos de seus anseios. Chama a atenção as dificuldades em se falar sobre temas ligados a afetividade e sexualidade; sacramentos,

sobretudo a confissão, e a direção espiritual, este último fato foi alvo de muita discussão no encontro. Durante uma manhã tivemos a presença de um “expert” em acompanhamento de sacerdotes que apresentou algumas considerações a respeito do tema da homossexualidade e da pedofilia. Concluindo, lembramos as palavras de São Paulo: “Aquele que planta não é nada, e aquele que rega também não é nada: Só Deus é que conta, pois é Ele quem faz crescer” (1cor 3,7). Essa é uma das certezas desse encontro: Nós plantamos e rogamos mas a confiança de Deus não pode faltar. Somos meros intrumentos em suas mãos, tentando edificar a sua Igreja por meio da formação, e mais ainda plantando a santidade do nosso carisma josefino nos corações dos jovens, certos de que esse é um dom não apenas para nossa pequena Congregação, mas, sobretudo para a Igreja. Que o bom Deus santifique o empenho dos nossos formadores e que cada confrade possa testemunhar com santa alegria, na vida e na Igreja, nosso carisma e missão. Pe. Sérgio Murilo Severino Formador do Escolasticado Brasília (DF)


MARCAS DO QUE SE FOI

JUBILEUS DE OURO SACERDOTAL

Pe. Raimundo Pauletti

O Pe. Alcides Rech e Pe. Harry Jung têm a mesma idade e percorreram juntos todas as etapas de formação, inclusive a ordenação sacerdotal realizada em Viterbo, Itália, no dia 02 de abril de 1960. Com a diferença de apenas oito dias celebraram o Jubileu de Ouro Sacerdotal na sua terra natal, cercados de familiares, confrades, vocacionados e amigos. Ambas as celebrações foram precedidas por um tríduo vocacional coordenado pelo Pe. Márcio Benevides.

PE. ALCIDES RECH A celebração festiva aconteceu no dia 11 de abril de 2010, na Paróquia São José, Desvio Rizzo, Caxias do Sul. Às 10h foi celebrada missa de Ação de Graças e às 12h almoço de confraternização. Lema jubilar: Que retribuirei ao Senhor por todo bem que me fez? Erguerei o Cálice da Salvação e lhe darei Graças (Sl 115, 12). Mensagem: O cristão, cheio de alegria, “vende tudo” para possuir o Tesouro do Reino de Deus (Mt 5, 44). Ser cristão convertido, amadurecido na fé e atuante na comunidade eclesial é o alicerce da Vocação Sacerdotal ou da Vida Religiosa Consagrada. Pe. Alcides nasceu em Conceição, Caxias do Sul, no dia 03 de dezembro de 1930; é o 5º dos nove filhos de João Rech e Rosina Moretto Rech. Sua mana, Catarina (falecida), foi religiosa da Congregação das Irmãs Murialdinas de São José Formação Inicial: Ingressou no Seminário Josefino de Fazenda Souza com 14 anos de idade no dia 09 de março de 1944. Noviciado: Conceição da Linha Feijó de Caxias do Sul, 1949. Primeiros Votos: Conceição, 22 de janeiro de 1950, continuou no local para complementação de estudos. Filosofia: Seminário dos Jesuítas, São Leopoldo, (RS), de 1951 a 1953. Magistério: Colégio Murialdo de Ana Rech, 1954 a 1956. Profissão Perpétua: 15 de janeiro de 1956. Teologia: Viterbo, Itália, de 1957 a 1960. Diaconato: Viterbo, 06 de dezembro de 1959. Ordenação Sacerdotal: Viterbo, 02 de abril de 1960. Atividades pastorais: Seminário Josefino de Fazenda

Souza: 1960 a 1964, professor, vicediretor. Ana Rech: 1965 e 1966, professor e responsável do grupo de vocacionados. Abrigo de Menores São José (CTS), Caxias do Sul: 1967 a 1972, diretor. Em 1967 conselheiro provincial; em 1973 foi coordenador da pastoral da província e vigário paroquial. Sede Provincial: 1974 e 1975, diretor, secretário, coordenador da CRB (núcleo de Caxias). Ana Rech: 1976 a 1981, diretor do Colégio Murialdo; Seminário João XXIII: 1982 a 1984, diretor e vigário paroquial. OSE (noviciado): 1985, vice-diretor, professor e orientador espiritual. Centro Técnico Social (CTS): 1986 e 1987, vigário paroquial, atendimento Hospital Fátima. Planaltina (DF): 1988 a 1993, diretor, ecônomo, promotor vocacional e vigário. São Paulo: 1994 a 2007, vigário paroquial e Capelão d o A s i l o d a S a n ta C a s a d e Misericórdia. Obra Social Educacional (OSE): 2008 a fevereiro de 2010. Centro Técnico Social: a partir de abril de 2010. PE. HARRY YUNG Pe. Harry celebrou seu Jubileu de Ouro Sacerdotal no dia 18 de abril de 2010, na Paróquia Santa Lúcia, Santa Lúcia do Piaí, Caxias do Sul. Às 10h30min foi celebrada Missa de Ação de Graças na Igreja Matriz e ás 13h os convidados participaram de Almoço de Confraternização. Lema jubilar: Cantarei ao Senhor hinos de Louvor (Sl 26). Mensagem Vocacional: Por ter aceitado o chamado de Deus, sintome feliz. Feliz como pessoa: dignidade de viver a imagem e semelhança de Deus.

Feliz como cristão: compromisso de me integrar à identidade com Cristo. Feliz como religioso e sacerdote: privilégio de consagrar e servir. O Pe. Harry nasceu em Caxias do Sul no 12 de fevereiro de 1930. É o primogênito dos cinco filhos do Edgar Yung e Lúcia Finckler. Formação Inicial: Ensino Fundamental, Seminário Josefino de Fazenda Souza: 1945 a 1948. Noviciado: Conceição, Caxias do Sul, 1949. Primeira profissão: Conceição, 21 de janeiro de 1950, lá continuou para complementação de estudos. Filosofia: Seminário Central dos Jesuítas, São Leopoldo, 1951 a 1953. Magistério (estágio pastoral): Fazenda Souza, 1954; 1955 Ana Rech; Abrigo Menores, CTS, 1956. Profissão Perpétua: Fazenda Souza, 15 de janeiro de 1956. Teologia: Viterbo, 1957 a 1960. Diaconato: Viterbo, 06 de dezembro de 1959. Ordenação Sacerdotal: Viterbo, 02 de abril de 1960. Além de Filosofia e Teologia é graduado em História Antiga pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) 1965 e PUC/RS 1966 a 1969. Atividades pastorais: Ana Rech: 1960 a 1966, professor. Porto Alegre: 1967 a 1976 vigário paroquial, professor, assistente dos escoteiros. São Paulo: 1977 a 1996, pároco. Porto Alegre: 1997 a 2010, pároco. Publicou o livro de poesias: Veredas do Coração (2004). É membro das Academias Literárias Partenon e Castro Alves, ambas de Porto Alegre (RS). Pe. Raimundo Pauletti

Províncial da Província Brasileira dos Josefinos de Murialdo

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MARCAS DO QUE SE FOI Pe. Geraldo Canever

XVI CONGRES SO EUCARÍSTICO NACIONAL DE BRASÍLIA . . . Eu estive lá!!! conteceu em Brasília, de 13 a 16 de maio, o XVI Congresso Eucarístico Nacional, com o tema: “Eucaristia, pão da unidade dos discípulos missionários” e com o lema: “Fica conosco, Senhor!” (cf. Lc 24,29). Brasília esteve em festa, não só pelos 50 anos de fundação cidade, como também pelo Jubileu de sua Arquidiocese e pela realização de um grande evento eucarístico nacional. Eu estive lá! Foi maravilhoso!!! Foram quatro dias de oração, adoração e vivência eucarística; quatro dias de missas, debates, oficinas, conferências, formação, eventos culturais e feiras – tudo centrado em Jesus Cristo. Algumas ideias centrais:

1. A eucaristia foi o ponto central desses dias. Ela é o pão da unidade dos cristãos que os transforma em discípulos e missionários de Jesus Cristo. 2. Aconteceram dois simpósios (Teológico e Bioética). O que tem a ver Eucaristia com a Bioética? Tem tudo a ver. A ética da vida (bioética) necessita de uma política justa e que defenda a vida dos mais fracos, dos pequenos, dos pobres. Todos devemos ser defensores da vida. 3. Sacerdotes, religiosos, leigos(as). Ninguém pode se eximir da missão. A felicidade consiste em cada um, na sua vocação específica, testemunhar a alegria de ser

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bom discípulo e missionário de Jesus Cristo. “Fica conosco Senhor”! Era o grito de todos lá na Esplanada dos Ministérios. Ele quer contar conosco! 4. “É necessário levar o Evangelho a todos os povos. Não basta conservar as comunidades que temos, ainda que isto seja importante. Os destinatários principais da missão são os pobres” (Dom Cláudio Hummes). Desafios a serem enfrentados:

1. Tornar nossas Comunidades mais eucarísticas, isto é, comprometidas com a vida de todos. Devemos estar sempre atentos às Palavras de Cristo. Domingo é o Dia da Comunidade. Não se pode trocar esse dia por qualquer outro programa. 2. Aproveitar o ano eleitoral para votar em candidatos que vivem a política como um ministério em favor da vida. Deixar de fora os “fichas sujas”. 3. Estudar e aprofundar os documentos da igreja relacionados à vida. Há muitas ideias erradas sendo semeadas pelos meios de comunicação a favor do aborto, da eutanásia e de tantos outros aspectos da vida. O próximo Congresso Eucarístico Nacional vai acontecer em Belém do Pará, em 2015. Se Deus quiser, eu estarei lá! Pe. Geraldo Luiz Canever

Diretor da Obra Social do Rio de Janeiro


MARCAS DO QUE SE FOI Pe. Marcionei M. da Silva

Campanha

Nacional contra o Extermínio e Violência de Jovens

O que é a Campanha? É uma ação articulada de diversas organizações para levar a toda sociedade o debate sobre as diversas formas de violência contra a juventude, especialmente o extermínio de milhares de jovens que está acontecendo no Brasil. Com isso, a Campanha objetiva avançar na conscientização e desencadear ações que possam mudar essa realidade de morte. Como começou? A Campanha nasceu da reflexão da 15ª Assembléia Nacional das Pastorais da Juventude do Brasil (ocorrida em maio de 2008), fruto da indignação crescente dos/as delegados/as presentes naquela assembleia e da revolta ante o crescente número de mortes de jovens no campo e na cidade, em todos os cantos do país. Quem promove? As Pastorais da Juventude do Brasil (Pastoral da Juventude, Pastoral da Juventude Estudantil, Pastoral da Juventude do Meio Popular e Pastoral da Juventude Rural). Com o objetivo de unir forças na defesa da vida da juventude, várias outras organizações estão se juntando como parceiras da Campanha. No Seminário Nacional de preparação da Campanha, realizado em maio de 2009, várias organizações estiveram presentes: - Setor Juventude – CNBB - Comissão Brasileira de Justiça e Paz - Conferência dos/as Religiosos/as do Brasil - Conselho Nacional de Leigos e Leigas - Rede Brasileira de Centros e Institutos de Juventude - Campanha Reaja ou será mort@!

- Associação de Familiares e Amigos/as de Presos/as – Bahia - Jornal Mundo Jovem - Via Campesina Quais são as ações da Campanha? As ações serão feitas a partir dos três eixos: Eixo I: “Formação política e trabalho de base” -Ações de conscientização e sensibilização quanto aos debates de segurança pública, sistema carcerário, direitos humanos, outros tipos de violência... -Elaboração de texto-base. -Subsídios preparatórios às Atividades Permanentes das Pastorais da Juventude do Brasil alinhados com a temática da Campanha (Semana da Cidadania, Semana do/a Estudante e Dia Nacional da Juventude). -Organização de Seminários Estaduais de discussão e planejamento da Campanha. -Criação de um site da Campanha para disponibilizar subsídios, informações e possibilitar a interação com todas as pessoas que aderirem à Campanha. Eixo II: “Ações de massa e divulgação” Organização de uma Marcha Nacional (2011), com o objetivo de denunciar a violência e mobilizar a sociedade no que se refere ao extermínio de jovens. Organização de prémarchas locais. Ações a partir das Atividades Permanentes da Pastorais da Juventude do Brasil. Eixo III: “Monitoramento da mídia e denúncia quanto à violação dos direitos humanos” Acompanhamento e denúncia das violações de direitos humanos praticadas pela mídia.

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PONTO DE VISTA Pe. Joacir Della Giustina

IGREJA E PEDOFILIA

Por que as denúncias contra sacerdotes? muito interessante a abordagem apresentada pelo sociólogo e filósofo italiano Massimo Introvigne, publicada pelo Jornal Correio Riograndense, de 21.04.2010, páginas 10 e 11. O autor interpreta o fenômeno na mídia como efeito da “hiperconstrução social”, ou seja, construído com amplificação dos dados reais, para se transformar em pânico moral. Por trás, existem os “empresários morais” cujos interesses nem sempre são claros na criação e gestão desses pânicos. Que existam sacerdotes pedófilos é um dado real. A Igreja não está isenta desse pecado. Quantos? Isso, segundo Massimo, é irrelevante. O que precisa é evitar que esses casos se repitam. Um só é suficiente prá ser preocupante. Existe uma criança vitimizada; não existe como fugir disso. O autor demonstra como se chegou ao pânico moral. Um estudo científico atesta que, nos Estados Unidos, entre 1950 e 2002, 4.392 padres americanos (num total de 109.000) foram acusados de manter relações sexuais com menores (até 16 anos); destes, pouco mais de uma centena foram condenados pelos tribunais civis. Uma das causas: na década de 1990 vários escritórios de advogados perceberam que podiam arrancar altas indenizações na base das simples suspeitas. Os números são menores entre 2000 e 2010. E chega a conclusão que, de fato, o número de sacerdotes acusados de pedofilia, nos EUA, é de 958 em 52 anos, isto é, 18 por ano; as condenações foram 54, um pouco mais de um por ano. E, em se comparando os sacerdotes católicos e os pastores protestantes nos EUA, a presença de pedófilos entre os pastores, dependendo das denominações das

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Igrejas, é de 2 a 10 vezes maior. Outro dado interessante: no mesmo período em que uma centena de sacerdotes era condenada por tais abusos sexuais, 6.000 era o número de professores e treinadores de educação física culpados pelo mesmo delito. Daí que o celibato não é a causa da pedofilia. Vejamos esse outro dado: dois terços desses abusos sexuais nos EUA, não são feitos por estranhos, como sacerdotes ou educadores, mas por membros da família: padrastos, tios, primos, irmãos ou os próprios pais. Então, porque a enxurrada contra a Igreja? Massimo Introvigne explica: Os “empresários da moral” são pessoas e grupos que não estão interessados em proteger as crianças. Mas interessados em calar a voz profética da Igreja. Sim, porque ela é quase a única voz que se levanta para denunciar a eutanásia, as uniões homossexuais, o aborto, a pena de morte... enfim, para defender a vida e a família. Aí grupos de pressão se esforçam para desqualificar tal voz com a acusação mais inflamante: tolerar a pedofilia. Trata-se, muito mais, de “uma Igreja ferida e caluniada porque se recusa a se calar nas matérias que dizem respeito à vida e à família.” Pe. Joacir Della Giustina Vice-Provincial e Diretor do Centro Técnico Social de Caxias do Sul (RS)


PONTO DE VISTA Pe. Cornélio Dall’Alba

PADRE RIO

(Ao neo-sacerdote Pe. Márcio Benevides de Souza)

Hoje teu ser irá ser transformado Caracterizado Pelo fogo do Espírito Santo Não serás Márcio, Serás Pe. Márcio Tua grandeza supera os horizontes, Alcança dimensões estelares Trinitárias Tuas mãos produzirão milagres Ao celebrar, ao perdoar Ao derramar a água lustral do Batismo Ao ungir o enfermo Teus lábios falarão as palavras de Jesus Tu serás outro Cristo O velho rio Chico Que te viu nascer Que te carregou em seus braços Ao te ver sacerdote Enviará uma revoada de ondas Embalando nos lábios A flor de uma espuma Para depô-la aos teus pés Escutarás a alegria dos cardumes Comungando tua festa nupcial Todo o rio de um manto cerúleo Bordado no céu Virá beijar a fímbria De tua sombra santificadora

E o rio franciscano Abrindo seus braços Acolherá teus sonhos Na barca do amor

Cruzou a Samaria, Voltou à Galiléia Foi a Jerusalém Desceu a Jericó

A voz do horizonte Será tua estrela De surpresa em surpresa Teu barco ficará cheio De Eucaristia De misericórdia

Um rio transbordante

Quando despertares Dessa aventura Escutarás a barca Cheia de gárrulas vozes De crianças pobres Tantas que a barca Ameaça afundar. Tu, Márcio, serás um rio sacerdotal Um rio Josefino Samaritano Murialdino Não basta seres fonte É preciso ser rio Jesus foi um rio Um pregador itinerante Percorreu a Palestina

Pregou até do púlpito de uma barca Caminhou sobre o mar Há muito evangelho no caminho E há muito caminho no evangelho. Como o rio é generoso! Ele só serve Lava os pés dos pobres Trata os peixinhos com sua mão É gratuito como Jesus Que passou fazendo o bem a todos. Pe. Márcio serás um rio Um Jordão purificador Um Amazonas de amor Um eucarístico São Francisco Porque um padre Não pode ser um mar morto Jesus, quando se despediu dos apóstolos Não falou Sede lagos mansos Sedentários Disse-lhes: Ide pelo mundo Sede Rios Inundai a terra com minha palavra Levai a minha água Aos desertos infindos da terra Sede Rios Márcio, o rio de tua infância ficou pequeno Diante de tua grandeza porque de teus Lábios jorrará a água cristalina mais Caudalosa que o São Francisco Comunicando a vida à juventude sedenta Que pena nas águas estagnadas Das vielas, das favelas É Jesus que continua gritando Da alto cruz Tenho sede! Orleans, 25 de janeiro de 2010

Pe. Cornélio Dall’Alba

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PONTO DE VISTA Pe. Cornélio Dall’Alba

CEARÁ

(para o Francisco Ricardo Luz, vulgo Ceará) Esta noite quando a noite repousar Sobre o Ceará Tu não serás mais Ceará Mas terás uma grandeza cósmica Com coração amazônico Pulsando a seiva de Cristo Para além dos horizontes.

Ceará, Deus te preferiu Aos poderosos Aos anjos

Tua grandeza será oceânica, Sem meridianos nem paralelos.

Se se apresentassem a mim - dizia Francisco - o Poverello - um anjo e um sacerdote Eu saudaria antes o sacerdote.

Ó árido e frágil Ceará! Como estás mudado Ceará, és sacerdote para sempre! E quem é o sacerdote? Vem os séculos perguntando O sacerdócio não nasceu de ti, é dom O sacerdócio não é para ti, Pois és esposo da Igreja O sacerdócio não é teu, Pois és servo de todos Ceará, tu não és mais tu, porque és Deus. Meu Deus, o que és Ceará? Nada e Tudo! És outro Cristo! Rezarás, pensarás, agirás e Falarás as palavras de Cristo E quando o povo te ouvir Sorrirá feliz: Sabes, hoje escutei a Cristo! Farás os milagres de Cristo. Aquele que te criou Se posso assim falar Te deu o poder de o criar Na consagração, que maravilha, Em tuas mãos se encarna o Verbo Como no seio de Maria! Tuas mãos não são mais tuas Tu as entregaste nas mãos do bispo Que as entregou a Deus Perfumadas pelo óleo santo E depois as abriste para o povo Para abraçar o mundo e te declaraste Prisioneiro de Cristo

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Se olhares a imensidão do céu Tu és mais alto Só a Deus és inferior

Ceará, tu és o vigário de Cristo Porque agora tu fazes as vezes de Cristo. Cristo já celebrou a sua Missa No altar da cruz Com seu corpo e sangue... Tu, sem o drama da dor e do sangue Atualizarás o que Cristo Não pode mais fazer Os sacerdotes antigos Só uma vez por ano Entravam trêmulos no Santo dos Santos Tu diariamente celebrarás... Cada missa é uma nova missa A tua missa vale tanto quanto A morte de Cristo Ceará, tu não és mais Ceará, Tu és vigário de Cristo. A rotina vai degradando As coisas mais santas, Cobrindo-as de pó; Por isso cada dia é preciso Deixar o ouro divino de olhos brilhantes Irradiando sempre novos raios de luz. A primeira pregação do sacerdote É a devota celebração da Eucaristia O sacerdote com seu testemunho Descortina ao povo o mundo divino! A vida é uma peregrinação De fé para Emaús Quando a noite ia enterrando As esperanças Com a descoberta da Eucaristia Os discípulos voltam Para Jerusalém Para a comunidade

E da comunidade partem confortados Para viver o amor samaritano... Todo mundo te delega Para que tu o representes junto a Deus Adorando, implorando o perdão Agradecendo e pedindo! Que alta dignidade a do sacerdote A quem foi dado o poder de consagrar, Abençoar, segurar com suas mãos o Criador do mundo! Oh! Como não devem ser limpas as Mãos do sacerdote Quão santo não deve ser seu corpo Quão imaculado seu coração! Já aos levitas o Senhor exigia a santidade Eles que só tocavam em oferendas Quanto mais o sacerdote Não deve ter mãos limpas! Cristo está presente em sua Igreja Principalmente nas ações litúrgicas Está presente em ti, Ceará Como está presente na Eucaristia Está presente em ti toda vez Que administras sacramentos Se batizas é Cristo que batiza Se perdoas é Cristo que perdoa, Se unges é Cristo que unge No sacerdote se cruzam Todos os caminhos Que unem a humanidade Entre si e com a eternidade Quanta humildade nos ensina Cristo Que se utiliza de um pouco de pão E de um pouco de vinho Para viver conosco Quanta caridade No ágape eucarístico Quanta força para sermos Bons pastores De rosto misericordioso Para os jovens Nossos salvadores! (Orleans, janeiro de 2010)

Pe. Cornélio Dall’Alba


FLASHES

ANALAM realiza Congressos Regionais A Associação Nacional dos Leigos Amigos de Murialdo –ANALAM realiza, entre julho e agosto, os Congressos Regionais com o tema Identidade do Leigo Amigo de Murialdo. Na ocasião acontece o lançamento do Subsídio de Formação nº 11: “Numa sociedade individualista, a espiritualidade é o caminho”. O mesmo é tema do XI CongressoAssembleia Nacional previsto para julho de 2011, em Porto Alegre (RS).

Time de Murialdo

Em ritmo de Copa do Mundo, o “Time de Murialdo” foi clicado durante a Conferência Interprovincial em Viterbo, Itália, de 31/05 a 05/06/2010. A camiseta é bem brasileira, criada e confeccionada em Caxias do Sul (RS). Os atletas: (de pé, da esq. p/ dir.) - Pe.Túlio Locatelli (Provincial da Província da Itália); Pe. Marco Villalba (Conselheiro Geral); Pe. Guiseppe Rainone (Provincial da Viceprovíncia USA-México); Pe. Pablo Cestonaro (Provincial da Província Argentina-Chile); Pe.Giuseppe Locattelli (Secretário Geral); Pe. Celmo Lazzari (Vice-Geral e Bispo Nomeado); (agachados) - Pe. Alejandro Bazan (Conselherio Geral); Pe. Mário Aldegani (Superior Geral); Pe. Mário Parati (Delegado da África); Pe. Aldo Paccini (Ecônomo Geral); Pe. Jaime Bravo (Vice-Provincial da Província Equador-Colômbia); Roberto Landa (Provincial da Vice-província da Espanha) e Pe. Raimundo Pauletti (Provincial da Província Brasileira).

Processo de Beatificação do Pe. João Schiavo O Processo Diocesano sobre o milagre foi entregue no Vaticano no dia 24 de setembro de 2009 pelo Pe. Orides Ballardin, Pe. Agostino Montan, Pe. Celmo Lazzari e Pe. Guido Bassanello e aberto oficialmente no dia 02 de outubro de 2009. O Pe. Montan escreve à redatora da “Positio”, Dra. Francesca Consolini: “No duplo encontro que, na sexta-feira 26 de março de 2010, eu estive na Congregação das Causas dos Santos com o Pe. Ols e com D. Bartolucci, me foi repetido o convite de

apresentar o mais rapidamente possível o texto da “Positio” para nos aproximar daquele “corredor preferencial” no qual poderá ser colocada a Causa do Pe. João Schiavo, graças ao presumível milagre nela contido”. O Pe. Agostino Montan está trabalhando intensamente no caso e acompanha de perto o trabalho de impressão da “Positio”. Prevê-se que, no final do ano, a “Positio” será entregue, já impressa. Com a entrega da “Positio” os Consultores da Congregação das Causas dos Santos começarão o estudo da vida e virtudes do Pe. João. Primeiro passo para o Papa emitir o Decreto sobre a heroicidade de vida e virtudes que conferirá ao Servo de Deus o título de Venerável. Logo em seguida, começará o estudo do milagre, apresentado aos 24 de setembro de 2009. Se este for aprovado, o Papa emitirá o “Breve” (uma espécie de decreto) que anuncia a data da Beatificação.

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FLASHES

INSTITUTO SECULAR:

profissão perpétua de Maria José Rota No Ano Vocacional Murialdino, uma grande alegria foi vivenciada pelas integrantes do Instituto Secular Murialdo - ISMUR: Maria José Rota emitiu sua profissão perpétua. A cerimônia aconteceu no dia 08 de maio de 2010, na Catedral de Caxias do Sul, local da fundação do ISMUR. Estiveram presentes representantes da Família de Murialdo como o Provincial dos Josefinos, Pe Raimundo Pauletti, e diversas Irmãs Murialdinas. Maria José conheceu o ISMUR através da Internet e se comunicou com a coordenador e fundadora do Instituto São Murialdo Moema Muricy, a qual deu início ao ISMUR. Ir Orsola Bertolotto acompanhou seu noviciado em Roma, Moema Muricy foi à Itália em 2004 para receber os primeiros votos de Maria José em Caloziocorte, Paróquia Sacra Famiglia di Nazareth. Maria José exerce o apostolado conforme o carisma específico dos Institutos Seculares, a partir do ambiente de trabalho, pelo testemunho de vida. Ela também é catequista e tem grande sensibilidade pela juventude.

Conferência dos Religiosos do Brasil Núcleo de Londrina (PR) “Eis-me aqui Senhor, para fazer a tua vontade” (Mt 10,5-15). Imbuídos no amor de Cristo e comprometidos com a missão, somos chamados através da nossa consagração religiosa, a sermos sal da terra e luz do mundo. Nós josefinos de Murialdo com muita alegria aceitamos essa missão de estarmos juntos durante este ano de dois mil e dez, para concretizarmos juntos este objetivo da CRB e da Igreja de Londrina. A CRB (Conferencia dos Religiosos do Brasil), núcleo Londrina (PR) tem alegria de, nesse ano de

2010, contar com o apoio dos religiosos locais para compor a coordenação. Nós, Josefinos, aceitamos esta missão. Coordenadora: Ir. Kedma Aparecida Alves Soares (CISAMOR) Vice-coordenadora: Ir. Solange das Graças Martinez Saraceni (ICP) Secretária: Ir. Vânia (IPM) Vice-secretário: Fr. Deivison Ribeiro (Josefino de Murialdo) Tesoureiro: Fr. José Bispo (Josefino de Murialdo) Vice-Tesoureira: Ir. Erenilda Cristal (ICP) Coordenadora do Juninter: Ir. Maria Claus (Franciscana) Coordenador da Formação Inicial: Pe. Ricardo Luz (Josefino de Murialdo) Assessor: Pe. Carlos Wessler (Josefino de Murialdo)

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FLASHES Pe. Marcionei lança o livro “José no Mistério da Encarnação” Pe. Marcionei Miguel da Silva lançou novo livro pela editora Paulus. Tem como título “José no Mistério da Encarnação: aspectos teológicopastorais para a paternidade responsável”. Trata-se de uma rica reflexão sobre São José, fruto da sua pesquisa de dissertação ao mestrado em Teologia da PUC/RS. A paternidade responsável é o tema central deste livro. Considerando a encarnação do Verbo, constata-se que Jesus foi confiado a uma família, cujo pai era José, esposo de Maria. José foi escolhido por Deus para ser o pai legal de Jesus. A sua paternidade torna-se base de apoio para seu filho a partir da

sua condição de esposo. A pesquisa percorre os textos bíblicos, privilengiando os evangelhos da infância: Mateus e Lucas. Considerando-se também os escritos apócrifos e os textos do magistério da Igreja. Diante da teologia sobre a justiça e a paternidade de José, desdobra-se a reflexão sobre a responsabilidade dos pais para os nossos dias. Sugere-se a paternidade responsável como inclusão das diferenças. Onde a paternidade responsável se evidencia, cresce a maternidade responsável em sintonia com o crescimento integrado dos filhos. A reflexão encerra-se nas implicações pastorais.

Seminários Vocacionais

Data: 14 e 15 de agosto de 2010 (Comunidades do RS até Londrina - PR) Local: Fazenda Souza - Caxias do Sul (RS) Assessor: Pe. Reginaldo Lima - Da Comissão Episcopal para Ministérios Ordenados e Vida Consagrada da CNBB Data: 28 e 29 de agosto de 2010 (Comunidades de SP a Belém do Pará) Local: Centro Murialdo - Chácara 103 - Taguatinga - Brasília (DF) Assessor: Pe. Geraldo T. Furtado - Coordenador Vocacional da Revista Rogate

Inscrições até 30 de julho com Pe. Márcio Benevides pelo e-mail: sav.murialdo@hotmail.com

III Encontro dos Familiares dos Confrades No contexto do Ano Sacerdotal e na certeza que a família é a 1ª benfeitora da Congregação e da Igreja, a Província Brasileira programou mais um Encontro dos Familiares dos Confrades. Quer ser um momento de celebração e confraternização entre confrades e familiares. Da parte da Província trata-se de um gesto de gratidão a Deus e aos familiares pela doação do filho à Congregação e à Igreja. São convidados, de preferência, os pais, irmãos(as) cunhados(as) dos confrades. O encontro acontecerá em três datas e lugares diferentes: ORLEANS (SC): Data: 12 de Setembro Familiares de Santa Catarina e Paraná Endereço: SC 438 – Km 52 Bairro Murialdo - Orleans (SC) Fone: (48) 3466.0131

Almoço em Fazenda Souza do II Encontro dos Familiares Almoço

BRASÍLIA (DF): Data: 19 de Setembro Familiares do Rio de Janeiro, Distrito Federal, Bahia, Ceará, Pará e Maranhão Endereço: QE 7 – Bloco Lote “F” – Área Especial - Guará I - Brasília (DF) Fone: (61) 3381.9474

FAZENDA SOUZA-CAXIAS DO SUL (RS): Data: 10 de outubro Familiares do Rio Grande do Sul Caxias do Sul (RS) Fone: (54) 3267.1146

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FLASHES

Votos Perpértuos Três confrades emitiram Votos Perpétuos na Congregação dos Josefinos de Murialdo no ano de 2010. Fr. Edison Fustillos e Franklin Benavides, dia 23 de janeiro e o Fr. Jucinei Vilpert, no dia 21 de maio.

Ordenações Diaconais

No dia 22 de maio de 2010, na Paróquia Cristo Bom Pastor de Londrina (PR), foram ordenados diáconos os fráteres Andrew Dumbuya e Jucinei Vilpert. Dom Orlando Brandes, arcebispo de Londrina foi o bispo ordenante. Os dois jovens são estudantes do 4º ano de Teologia na PUC/PR. A ordenação sacerdotal está prevista para o primeiro trimestre do próximo ano.

Ordenações Sacerdotais No mês de janeiro de 2010 foram ordenados dois novos sacerdotes Josefinos no Brasil. O Pe. FRANCISCO RICARDO DE SOUZA LUZ foi ordenado no dia 23 por Dom Plínio José Luz da Silva, bispo de Picus (PI) em Pacoti, (CE). Oito dias depois, 31 de janeiro, em Ibotirama (BA),

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foi ordenado o Pe. MÁRCIO BENEVIDES DOMINGOS DE SOUZA pelas mãos do bispo da Barra (BA), Dom Luiz Flávio Cappio. Ambos foram ordenados em sua terra natal, com a participação de grande número de paroquianos, sacerdotes, religiosos, vocacionados, familiares, Mães Apostólicas e amigos. Os dois momentos foram precedidos por uma semana de intensa animação vocacional. Pe. Francisco Ricardo Luz iniciou seu sacerdócio na comunidade formativa do Postulado de Londrina (PR). O Pe. Márcio Benevides foi para o Seminário Josefino de Fazenda Souza, Caxias do Sul e é liberado para coordenar o Serviço de Animação Vocacional (SAV) da Província.


FLASHES Livro em comemoração aos 50 Anos do Seminário de Orleans No dia 16 de maio, por ocasião do Encontro dos Ex-Seminaristas do Seminário de Orleans, aconteceu o lançamento do livro “Os meninos sonhadores – 50 anos do Seminário São José de Orleans”. Nas 304 páginas da obra, Eli José Cesconetto e colaboradores resgatam a história da Instituição e sua influência para o desenvolvimento regional, bem como trazem depoimentos de muitos “meninos sonhadores” que passaram pelo Seminário. Segundo Pe. Cornélio Dall’Alba, “o livro foi urdido pelos fios dos sonhos de jovens que fizeram história no Seminário São José ao longo destes cinquenta anos de existência. É um livro ‘quente’ de vida. Escrito com múltiplas mãos; ele forma um mosaico de recordações vividas na experiência de cada protagonista dentro desse mundo único do Seminário, quase uma ilha no contexto da educação escolar. Não é uma história sistematizada, mas no seu conjunto forma um mosaico gostoso de se visitar, montado com pedras vivas de cada um, mostrando a dramaticidade do dia a dia do seminário com suas alegrias, suas agruras, suas vitórias rumo a um eldorado de sonhos acalentados no coração desses meninos idealistas”.

Pe. Nadir Poletto estuda na Itália Desde fevereiro de 2010 o Pe. Nadir Poletto está na Itália para dois anos de Estudos. Inicialmente, frequentará o Curso de Formadores na Pontifícia Universidade Salesiana de Roma. Depois, a partir de outubro, iniciará o Mestrado em antropologia Teológica no Instituto São Pedro de Viterbo. Ele integrará a equipe de formadores daquele Instituto.

Festival Festival da Canção Vá se preparando: no dia 14 de maio de 2011 acontecerá o Festival Nacional da Canção Murialdina. O evento faz parte da programação do Ano Vocacional. Aguardem mais informações!

Superior Geral visita Província Brasileira O superior geral da Congregação dos Josefinos de Murialdo, Pe. Mário Aldegani, prepara a segunda parte de sua visita de 2010 à província. De 04 de setembro a 16 de novembro retorna para visitar as comunidades e participar dos eventos do Plano 2010 da Província, previstos nesse período. No mês de janeiro de 2010, o sacerdote orientou o retiro aos confrades e visitou as comunidades do norte e nordeste do Brasil, participando também de duas

ordenações sacerdotais. . Ele mesmo define o objetivo da visita canônica: “Meu desejo é poder “sentir” o respiro josefino e murialdino da província e das comunidades, preocupado em captar a vida real e quotidiana, em compartilhar este respiro dentro da trama das relações ao redor do carisma, que tornam sólida e significativa a Família de Murialdo dentro da Igreja de Deus”. Seja bem-vindo, Pe. Mário!

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FLASHES

Pe. Severino Caldonazzo Missionário italiano, com 82 anos de idade, 54 de sacerdote e 63 anos de vida religiosa, faleceu em Caxias do Sul (RS), no dia 20 de dezembro de 2009. Nasceu em Montecchio Maggiore (Vicenza), Itália, no dia 16 de dezembro de 1927. Era o primogênito dos quatro filhos de Giovanni Batista Caldonazzo e Augusta Pegoraro. Apesar da distância, mantinha estreita ligação com os familiares. Estes foram também grandes benfeitores, colaborando na construção de igrejas, centros comunitários e obras sociais no Brasil. Entrou no seminário dos Josefinos em sua cidade natal, Montecchio Maggiore; frequentou o Ensino Médio. Fez o noviciado em Vigone e, em 26 de outubro de 1946 ingressou na Congregação, com a Primeira Profissão Religiosa. Realizou os dois anos de magistério (estágio pastoral) em Oderzo e Arcugnano. Emitiu os Votos Perpétuos na Congregação dos Josefinos de Murialdo em 01 de agosto de 1951. Missionário: Com coragem deixou tudo. Após a Profissão Perpétua, com apenas 25 anos de idade, no dia 14 de novembro de 1951, o jovem missionário, embarcou em Gênova para o Brasil, chegando 13 dias depois no porto de Santos (SP). Decidido, deixou a família e a pátria para ser missionário em terras longínquas (da Itália para o Brasil) num tempo em que tudo era difícil. Frequentou o curso de Teologia em Ana Rech e em São Leopoldo (RS), de 1952 a 1955. Foi ordenado sacerdote em Garibaldi (RS), no dia 11 de dezembro de 1955 por Dom Benedito Zorzi. Celebrou sua primeira missa solene em Ana Rech no dia 01 de janeiro de 1956. De 1956 a 1959 foi assistente e professor no Seminário Josefino de Fazenda Souza. Nos quatro anos seguintes (1960 a 1963) foi

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mestre dos escolásticos em Ana Rech e em Fazenda Souza. No ano de 1964 iniciou seu longo e dedicado apostolado paroquial, começando como vigário paroquial em Ana Rech. Foi pároco em várias paróquias: Conceição da Linha Feijó de Caxias do Sul, Paróquia da Imaculada Conceição (1969 e 1970); São Paulo, Paróquia São Benedito (1970 a 1972); Caxias do Sul, Paróquia São Leonardo Murialdo (1980 a 1983); Planaltina (DF), Paróquia São Sebastião (1984 a 1994); Londrina (PR), Paróquia Cristo Bom Pastor (1998 a 2007). Muito zeloso com os paroquianos; forte defensor dos grupos de casais, pastorais integradas, dos jovens; tinha uma dedicação especial pelos doentes e desprovidos de condições sociais; sempre disponível e muito organizado; acreditava e investia na formação das lideranças; ele mesmo buscava atualizar-se e manter-se em sintonia com as diretrizes da Igreja. De 1966 a 1969 residiu na Comunidade do Centro Técnico Social de Caxias do Sul e foi animador vocacional e coordenador da Associação das Mães Apostólicas. Nos anos de 1974 a 1979 foi Ecônomo Provincial e, em diversas comunidades; exerceu o serviço de diretor (CTS 1997), ecônomo (Orleans, SC, 1973) e auxiliar administrativo (Casa Provincial 1995 e 1996). Merece destaque sua ação firme, persistente e metódica na superação de tantos e difíceis entraves jurídicos e econômicos. Nas paróquias por onde andou, com o apoio das equipes administrativas, construíu igrejas-templos e formou novas comunidades comprometidas com a pastoral orgânica. Nos últimos tempos era diretor da comunidade da Casa de Repouso na Obra Social Educacional (OSE) de Caxias do Sul, colaborando também na Pastoral da Saúde do Hospital Fátima e na pastoral das paróquias vizinhas. Pe. Severino foi sepultado na dia 21 de dezembro no jazigo dos Josefinos em Ana Rech, após missa de corpo presente celebrada na Paróquia São Leonardo Murialdo de Caxias do Sul, onde foi pároco (1980 a 1983), presidida por dom Paulo Moretto, bispo diocesano. Os Josefinos de Murialdo agradecemos a Deus e à família Caldonazzo (Itália) pela vida, testemunho e serviços prestados à Igreja e à Congregação nos 63 anos de vida religiosa e 54 de sacerdócio do Pe. Severino. Neste Ano Vocacional Murialdino, pedimos que olhe e interceda a Deus pelos sacerdotes, pelos vocacionados ao sacerdócio e à vida religiosa para que sejam destemidos discípulos missionários de Jesus Cristo. A Província Brasileira entrega ao Pai um grande batalhador, um missionário de primeira hora, um Josefino incansável. Deus o tenha na Santa Paz.


DICAS

Dica de Filme Invictus nos traz a inspiradora história de como Nelson Mandela (MORGAN FREEMAN) uniu forças com o capitão da equipe de rúgbi da África do Sul, F r a n c o i s P i e n a a r ( M AT T DAMON), para ajudar a unir a nação. Recém-eleito, o presidente Mandela sabe que seu país permanece dividido racial e economicamente após o fim do apartheid. Acreditando ser capaz de unificar a população por meio da linguagem universal do esporte, Mandela apoia o desacreditado time da África do Sul na Copa Mundial de Rúgbi de 1995, que faz uma incrível campanha até as finais.

Dica de Livro Disciplina, limite na medida certa: novos paradigmas - Uma versão totalmente atualizada e revisada já vendeu mais de 200.000 exemplares e foi adotado pelo MEC para o Programa de Melhoria e Expansão do Ensino. Após 10 anos da data de sua primeira edição, não foram poucas as mudanças nos conceitos referentes à educação. Por isso, Dr. Içami Tiba resolveu renovar sua obra que, por necessidade, analisa novos paradigmas educacionais.

Nesse longo período, os pais vêm encontrando cada vez mais dificuldade na criação de seus filhos. Dr. Tiba constata que descobrir o limite entre a liberdade e o autoritarismo na relação familiar é muito mais difícil do que alguns anos atrás. "A primeira geração educou seus filhos de maneira patriarcal, a segunda, foi massacrada pelo autoritarismo dos pais. Na tentativa de proporcionar a eles o que nunca tiveram, os pais da segunda geração acabaram caindo no extremo oposto da primeira: a permissividade", declara Dr. Içami Tiba após minuciosa observação dos casos que atende em seu consultório. Este livro, da Editora Integrare pretende ajudar pais e professores a exercer sua autoridade educacional sem culpas, com segurança e bom senso.

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CURIOSIDADES

O Brasil na Copa do mundo O Brasil é o único país que possui uma seleção de futebol pentacampeã. Suas conquistas aconteceram nas Copas do Mundo, realizadas em 1958, na Suécia; 1962, no Chile; 1970, no México; 1994, nos Estados Unidos; e 2002, na Coreia do Sul e Japão. Sua classificação para a copa do mundo de 2010 se deu com a vitória contra o time argentino, pelas eliminatórias da copa. No jogo realizado dia 05 de setembro de 2009, em campo adversário, o Brasil ganhou por 3X1, deixando os “los hermanos” mais uma vez de queixo caído. A vitória quebrou um tabu de invencibilidade há 13 anos. No ranking das copas do mundo, o Brasil participou de dezessete copas, tendo jogado 87 vezes. Dessas, obteve 60 vitórias, 13 derrotas e 14 empates. A soma dos pontos ganhos em todas as copas chega a 147, seguido da Alemanha, a segunda colocada, com 128 pontos. Dos títulos conquistados, Edson Arantes do Nascimento – Pelé, segura o troféu do único jogador do mundo a ter se apoderado de três títulos, enquanto Cafu marcou participação em três campeonatos, sendo o atleta que mais entrou em campo, em 17 partidas. Ronaldo, o Fenômeno, também participou de três copas do mundo, nos anos de 1994, 1998 e 2002, tendo alcançado a marca de Pelé em número de gols numa única copa, 12. Os técnicos brasileiros campeões em copas do mundo são: Vicente Ítalo Feola, 1958; Aymoré Moreira, 1962; Mário Jorge Zagallo, 1970; Carlos Alberto Parreira, 1994; e Luiz Felipe Scolari, 2002. Os Capitães das seleções campeãs do Brasil foram: Hilderaldo Luiz Bellini, em 1958; Mauro Ramos de Oliveira (que recebeu o apelido de Marta Rocha por ser muito elegante), em 1962; Carlos Alberto Torres, em 1970; Carlos Caetano Bledorn Verri (o Dunga), em 1994; e Marcos Evangelista Moraes (Cafu), em 2002. O time da Inglaterra é um dos maiores “fregueses” da seleção canarinho, pois nunca venceu o Brasil em uma disputa de copa do mundo. Uma curiosidade é que das cinco copas ganhas, os times se encontraram em quatro delas, das quais o Brasil se consagrou campeão. Os encontros aconteceram nas copas de 1958, 1962, 1970 e 2002. Dá para se pensar que os ingleses trazem sorte para o time do Brasil!

Copa do Mundo 2010 Entre 11 de junho e 11 de julho de 2010, pessoas do mundo inteiro assistirão aos jogos da Copa do Mundo de Futebol. A escolha da África do Sul foi anunciada em maio de 2004. Para a escolha, os 24 membros do Comitê Executivo da FIFA (Federação Internacional de Futebol) analisaram aspectos como, turismo, segurança, estádios, infraestrutura, transporte, rede hoteleira, entre outros.

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Torneio A seleção que se sagrar campeã terá que jogar sete partidas. Na 1ª fase, as seleções jogam contra as participantes de seu grupo, e as duas que mais obtiverem pontuação, passarão para as oitavas-de-final. A partir daí, os países disputam em caráter eliminatório até a grande final, que será em 11 de julho, no estádio Soccer City. Ingressos: Os sul-africanos pagarão por um preço mais acessível que os estrangeiros para assistirem as partidas. O ingresso mais barato poderá custar cerca de R$ 36,00. Já os turistas poderão pagar mais de R$ 1.600,00, caso queiram assistir ao jogo final com vistas a ocupar o melhor lugar do estádio. Mascote: Um leopardo foi escolhido para ser o mascote da competição. Ele recebeu o nome de Zakumi, sendo ZA em referência à sigla do país e Kumi, significando dez. Bola: Possui 11 cores diferentes, cada uma representando os dialetos e etnias da África do Sul. Recebeu o nome de Jabulani, que significa "Trazendo alegria para todos".

2014 A Copa de 2014 será disputada no Brasil! Fonte: brasilescola.com


REFLEXÃO

Os perigos de andar sem rumo certo Certa vez um Cavalo-Marinho pegou suas economias e saíu em busca de fortuna. Não havia andado muito, quando encontrou uma Águia, que lhe disse: - “Bom amigo. Para onde vais?" - "Vou em busca de fortuna", respondeu o Cavalo-Marinho, com muito orgulho. - "Estás com sorte", disse a Águia. "Pela metade do seu dinheiro, deixo que leve esta asa para que possas chegar mais rápido.” - "Que bom!", disse o Cavalo-Marinho. Pagou-lhe o montante, colocou a asa e saíu como um raio. Logo encontrou uma Esponja, que lhe disse: - "Bom amigo. Para onde vais com tanta pressa?" - "Vou em busca de fortuna" respondeu o Cavalo-Marinho. - "Estás com sorte", disse a Esponja. "Vendo-lhe este meu propulsor por muito pouco dinheiro para que chegues mais rápido". Foi assim que o Cavalo-Marinho pagou o resto de seu dinheiro pelo propulsor e sulcou os mares com velocidade quintuplicada. De repente, encontrou um Tubarão que lhe disse: - "Para onde vais, meu bom amigo?" - "Vou em busca de fortuna", respondeu o Cavalo-Marinho. - "Estás com sorte. Se tomares este atalho", disse o Tubarão, apontando para sua imensa boca, "ganharás muito tempo". - "Está bem, eu lhe agradeço muito", disse o CavaloMarinho, e se lançou ao interior do Tubarão, sendo devorado. Autor Desconhecido

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JOSEFINOS DE MURIALDO:

Padres e Irmãos a serviço das crianças, adolescentes e jovens em obras sociais, colégios, paróquias e missões.

Serviço de Animação Vocacional

Rua Dante Marcucci, 5335 - Cx. P. 584 - Fazenda Souza - Caxias do Sul (RS) CEP: 95001.970 - Fone (54) 3267.1146 - www.josefinosdemurialdo.com.br


Agir e Calar | Junho de 2010  
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