Revista Missão Salvatoriana (Out/Nov/Dez 2022)

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SEJA BEM-VINDO A MAIS UMA EDIÇÃO DA REVISTA MISSÃO SALVATORIANA!

Que alegria chegar até você com mais uma Revista Missão Salvatoriana!

Chamados por Deus, vocacionados ao amor, tendo como grande referência a Trindade, comunidade perfeita, assim a palavra do Provincial abre nosso editorial.

Nós devemos assumir o projeto de Cristo como sendo nosso, é o que nos traz a palavra do Provincial, nos incentivando a um firme testemunho inspirado pelo amor, com aplicação prática da fé nas mais diversas oportunidades que encontramos no dia a dia.

O Caderno Educação apresenta o jovem em busca do seu lugar no mundo e o papel do ambiente educacional e educadores nisso.

Como Matéria Central, o Ano Vocacional propõe profundas reflexões, tratando da relação com o Deus que chama e as consequências missionárias que isso causa.

Esse relacionamento com Deus, que encontra espaço e cresce mediante o hábito da oração pessoal, é o que trata o nosso caderno Espiritualidade.

Confira esses e muitos outros conteúdos que preparamos para você.

Tenha uma boa leitura!

/sumário

/4 Pe. Jordan /6 Aconteceu /8 Educação /9 Comunicação /10 Principal /13 Secundária /14 Espiritualidade /16 Juventude /17 Testemunho /19 Infantil

/expediente

Provincial: Pe. Francisco Sydney de Macêdo, SDS Editor: Pe. Carlos Jobed Malaquias Saraiva, SDS As matérias não assinadas são de responsabilidade do editor.

SUGESTÃO DE CONTEÚDO redacao@agenciaarcanjo.com.br www.agenciaarcanjo.com.br facebook.com/agenciaarcanjo 47 3227-6640

EDIÇÃO

Mario Augusto Arcanjo

DIAGRAMAÇÃO Letícia Sales REVISÃO Ana Luíza Sanches

/editorial 2 REVISTA MISSÃO SALVATORIANA

Vocação: uma resposta dada com e por amor

Caro Leitor,

Fomos criados à imagem e semelhança de Deus e com isto, olhando para o Deus Trino, concluímos que fomos concebidos no seio de uma Comunidade que interage entre si, estabelecendo um ambiente de diálogo marcado pelo amor, respeito, entrega, doação e unidade.

As nossas relações devem ser pautadas na forma como a Santíssima Trindade se apresenta. Para isto é necessário fazermos a experiência do silêncio interior, que nos ajudará a conhecer melhor e responder com mais liberdade à vocação para a qual somos chamados.

A expressão “vocação” vem do latim “vocare”, e podemos traduzir livremente como “chamado”. Para que este chamado/convite possa surtir efeito é necessário uma série de quesitos, como por exemplo: a capacidade de escuta, o respeito à resposta que será dada, o ambiente onde se encontra aquele que vai conceder a resposta. A todo momento recebemos algum convite: seja para fazer algo, para ir a um lugar específico ou mesmo para ficar em silêncio diante do outro. É fundamental que tenhamos discernimento para que a resposta seja dada de maneira consciente e livre.

Para ajudar o ser humano a tomar uma decisão quanto ao seu futuro, a psicologia como ciência possui testes que ajudam a reconhecer quais as áreas em que se tem mais propensão para atuar. É uma ferramenta interessante. No campo religioso, precisamos escutar o chamado de Deus que pode ser manifesto de inúmeras formas. Você já parou para pensar nisso? Como e quando Deus o chamou para uma missão específica? Muitos têm a tentação de perguntar se de fato é um chamado de Deus ou se é fruto de um desejo pessoal atribuído como sendo de

Deus. A questão é muito complexa e mereceria uma maior reflexão. O que podemos adiantar é que Deus concede a graça para a pessoa assumir o chamado.

O Bem-aventurado Francisco Jordan, Fundador da Família Salvatoriana, durante o retiro quando se preparava para a sua Ordenação Presbiteral, escreveu em seu Diário Espiritual: “Acaso o bom Deus já não te deu um sinal inequívoco de tua vocação, concedendo-te no exercício do zelo apostólico a maior alegria espiritual, consolo e paz interior?”. No mesmo ano, isto é 1878, ele volta a escrever em seu Diário Espiritual: “Quero rezar para que se cumpra a vontade de Deus, para que eu reconheça a minha vocação”. O que está em questão não é sua vocação de padre, e sim sobre a vocação de fundar uma Família Missionária. Ele sabia muito bem da responsabilidade que seria tomar esta decisão a ponto de continuar escrevendo: “da mesma forma, a partir de hoje, quero me lembrar também, diariamente, na Santa Missa, daqueles que um dia serão confiados aos meus cuidados”. Demorou anos para que a decisão fosse concretizada.

Faço um convite para que você lembre que, assim como o Bem-aventurado Francisco Jordan fez, somos chamados também a responder o chamado de Deus com e por amor. Escute o chamado de Deus e acredite no sonho de ser missionário do Divino Salvador.

/palavra do provincial 3 PROVÍNCIA SALVATORIANA BRASILEIRA
Pe. Francisco Sydney de Macêdo Gonçalves, SDS Diretor-Provincial

Viver da profundidade das raízes de

Francisco Jordan

Quando seguir alguém significa simplesmente ser um admirador ou fazer “likes” no seu perfil digital, corremos o risco de viver um estilo de vida baseado na superficialidade. O verdadeiro seguimento dinamiza todo nosso ser e se manifesta como chave de leitura de tudo que somos e fazemos. Pois, seguir Jesus é esvaziar o próprio ego, significa encontrar o que dá sentido profundo à nossa existência, o itinerário pelo qual queremos seguir em direção a horizontes de serviço e de compromisso.

Em certo momento de nossa vida, de forma mais ou menos consciente, respondemos a este chamado de ser alguém para os demais. Muitas vezes, nada mais é que o sussurro de Deus se manifestando naquilo que nos faz sentir bem ou que desperta aquilo que de melhor há em nós. Outras vezes, a vocação se manifesta como um desejo de ir além de si mesmo na direção de uma meta a ser realizada.

Por detrás de cada história vocacional, está sempre uma história de amor. Por isso, vale a pena conhecer o caminho vocacional do Bemaventurado Francisco Jordan, pois ele nos inspira a encontrar, a amar e a seguir o caminho de Jesus Cristo. Nele, vemos retratada nossa vocação de conhecer o Deus Vivo e Verdadeiro, de saber confrontar nossas sombras e fragilidades, de pensar grande e fazer de nossa existência uma aventura apaixonante.

Francisco Jordan quando menino viveu muitas horas absorvido com a leitura da história de santos e santas que seguiram a Jesus até o fim. Por certo, essas histórias de grandes figuras da Igreja lhe ajudaram a descobrir Jesus Cristo e despertaram nele o anseio profundo de também seguir seus passos. Como prova dessa experiência, ele escreveu em seu Diário: “Oxalá se reconhecesse a eficácia da leitura espiritual,

particularmente da vida dos santos! (...) Tudo precisa ser cultivado: a leitura espiritual, a oração e a meditação.” (DE II, 49). A leitura espiritual é um meio eficaz que nutre nossa vocação, fazendo vir à tona aquilo que é mais nobre em cada um de nós.

Responder à vocação quase sempre nada tem de muito romântico, porque diariamente precisamos fazer escolhas, que reafirmam ou não, o nosso caminho vocacional. Entre o bem e o mal, geralmente todos nos inclinamos a fazer o bem. Porém, o discernimento vocacional se faz necessário quando precisamos distinguir entre dois (ou mais) caminhos verdadeiros. Qual será o melhor caminho a seguir? Neste caso, em meio ao alvoroço de tantas vozes, se faz necessário afinar nossos ouvidos para a voz do Evangelho de Jesus que nos ajuda a conectar com o nosso ser mais profundo. Para isso, são indispensáveis momentos de silêncio e recolhimento que ajudam a afrontar as dúvidas e melhor compreender os desígnios de Deus. O exemplo de Francisco Jordan nos mobiliza a buscar o auxílio de pessoas de sabedoria espiritual: “Enquanto possível, se tiveres a liberdade de escolher o lugar, procura para ti um guia espiritual bom e experiente!” (DE I, 60). É fundamental ser acompanhado por uma (ou mais) pessoas que nos ajudem no discernimento da vida espiritual.

/Pe. Jordan 4 REVISTA MISSÃO SALVATORIANA

Vale lembrar ainda, que o chamado de Deus abrange todo nosso coração, mente e força. Ele habita em tudo o que somos. Ele conduz nossa existência, muitas vezes sem que nos demos conta. Por isso, os obstáculos e até os fracassos do caminho constituem oportunidades para encontrar-se consigo mesmo e de abrirse à graça do seu chamado, da qual ninguém é excluído. Ele chama todos e cada um em particular a uma vida de comunhão e de serviço aos demais. O Bem-aventurado Francisco Jordan sentiu este chamado de abrir o coração para servir àqueles que vivem esquecidos nas periferias do mundo. Ele viveu uma relação de amor com Deus que transformou sua vida para sempre, com anseios de evangelizar e contagiar outros na missão. Nisso compreendemos seu desassossego: “Sê um verdadeiro apóstolo de Jesus Cristo (...) Qual águia veloz, voa por todo o orbe terrestre e anuncia a Palavra de Deus!” (DE I, 182). Não basta ser batizado, é preciso ir mais além, aprender a doar tempo, assumir a missão de evangelizar.

A vocação supõe ainda, caminhar com os outros, porque, embora seja pessoal, nenhuma vocação se realiza de forma isolada. Ninguém pode seguir a Jesus Cristo senão na Igreja e com a Igreja. Quanto importante é saber que ninguém se realiza sozinho. Caminhar juntos é a vocação fundamental que nos faz descobrir, valorizar e promover a diversidade de dons e serviços na Igreja. Na história do Bem-aventurado

Francisco Jordan sua família, seus amigos e seus professores o acompanharam em seu caminho vocacional. Mais tarde, ele mesmo foi capaz de mobilizar outras pessoas – homens e mulheres – que se uniram ao seu projeto de implementar juntos a Obra Salvatoriana. Na certeza de que Deus pode realizar aquilo que humanamente parece impossível, ele rezava insistentemente para edificar “[...] uma grande família de ambos os sexos ([...] numerosa como a areia do mar e como as estrelas do céu” (DE I, 184/5). A capacidade de unir forças, de colaborar com os outros é um caminho imprescindível para a nossa vida e missão na Igreja.

Por fim, para viver em profundidade, “evita a distração, pois ela é perigosa”, escreveu o Bemaventurado Francisco Jordan (DE IV,13). De fato, de que nos servem todos os nossos dons e talentos se não os colocamos ao serviço dos outros? De que nos servem a fama e os aplausos se no final ficamos sozinhos? De que servem as nossas compras de marca se no final nos deixam mais vazios? De que nos servem todas as nossas viagens, experiências e conhecimentos se não nos tornam mais sensíveis e mais próximos dos outros? Viver da profundidade das raízes do Bem-aventurado Francisco Jordan significa a decisão de dar amplitude à nossa vida, de não se retrair ao próprio ego e ter os ouvidos do coração bem atentos para descobrir a voz que clama: “Siga-me!”.

Pe. Milton Zonta, SDS Superior Geral
/Pe. Jordan 5 PROVÍNCIA SALVATORIANA BRASILEIRA

Jantar Missionário Fortaleza, CE

A família salvatoriana, por meio de seu carisma herdado pelo Beato Francisco Jordan, anuncia incansavelmente Jesus Cristo como único e verdadeiro Salvador. E para lograrmos nosso propósito, Muitos missionários salvatorianos desbravam o mundo anunciando a salvação, com o auxílio de todos os meios e modos que a caridade de Cristo os inspirar. E Para ajudar nossos irmãos missionários salvatorianos, em especial aqueles que estão trabalhando na África, a comunidade religiosa de Fortaleza - CE e o Instituto Mãe do Salvador, também em Fortaleza, se uniram aos leigos Salvatorianos e prepararam um jantar beneficente, no dia 10 de setembro, a fim de arrecadar fundos para ajudar nessas missões salvatorianas. Foi uma noite de muito trabalho, união, fraternidade e muita fé.

Tivemos a participação de aproximadamente 400 pessoas em nosso seminário, que desfrutaram da culinária local e dos momentos culturais com músicas e sorteios. Foi notória a participação das paróquias Bom Jesus dos Aflitos, Paróquia São José e Paróquia Imaculada Conceição, que não economizaram esforços para que esse projeto fosse executado com êxito. E completando a família Salvatoriana, as Irmãs Salvatorianas da comunidade de Fortaleza se fizeram presentes, enriquecendo ainda mais essa bonita noite. Aproveitamos a oportunidade para agradecer a todos os envolvidos nesse projeto, pela dedicação, zelo apostólico e criatividade da qual aplicaram em tudo o que fizeram.

Pedimos a Deus, por intermédio da santa intercessão do Beato Francisco Jordan e da bem aventurada Maria, Mãe do Salvador, que continue abençoando nossa missão e que jamais nos deixe faltar tudo que seja necessário para uma boa evangelização. Afinal, como nos exorta nosso Pai Fundador: “Quem é um verdadeiro salvatoriano? Dois requisitos são particularmente necessários: o espírito apostólico e o espírito religioso.” (Alocuções 149, §03). Muito obrigado! Continuemos nos empenhando com a missão de tornar Cristo conhecido e amado por todos!

Jn. Claudio da Silva Serralheiro, SDS
6 REVISTA MISSÃO SALVATORIANA /aconteceu

Posse do novo Provincialado

Durante a missa vespertina da quarta-feira, dia 19 de outubro de 2022, celebrada na capela principal da Casa de Encontros e Retiros Nossa Senhora Aparecida, em Conchas – SP, dentro da programação do XXXII Capítulo Provincial, aconteceu o rito de posse do Superior-Provincial, e de seu conselho, para o triênio que vai de Outubro de 2022 até Outubro de 2025. O Pe. Francisco Sydney de Macêdo Gonçalves, SDS, foi reeleito em processo realizado via correspondência entre os confrades de voz ativa de nossa província. Conforme as nossas Constituições: “O Superior-Provincial ocupa o cargo mais elevado e tem autoridade sobre toda a Província. Ele anima a Vida Religiosa e Apostólica da Província e o crescimento espiritual dos indivíduos, promove a unidade com a Igreja particular, com o Superior-Geral e com as outras Províncias”. Durante a homilia, o Pe. Milton Zonta, SDS, superior-geral da Sociedade e que presidia a celebração, ressaltou a importância da liderança enquanto serviço e paternidade. Em seguida, No rito de posse, o Pe. Francisco Sydney, SDS, pronunciou perante o Pe. Milton Zonta, SDS, e todos os capitulares, a Profissão de Fé e o Juramento de Fidelidade e em seguida, apresentou e deu posse aos membros do novo conselho provincial. As alterações no conselho provincial para este novo triênio são: a entrada do Pe. Marciel Osvaldo de Souza, SDS, que coordenará a Comissão Provincial de Apostolado Salvatoriano, e o Padre Samuel Alves Cruz, SDS, que com a saída do Pe. Bruno Retore, SDS, passa a ser o novo secretário-provincial. Nos momentos finais da Celebração Eucarística, o superior-provincial empossado Pe. Francisco Sydney, SDS, fez um agradecimento especial a todos os Salvatorianos da província, destacando o trabalho realizado na secretaria provincial pelo Pe. Bruno Retore, SDS. Após a celebração, todos partilharam um delicioso jantar de confraternização.

O novo Provincialado para o triênio Outubro 2022/Outubro 2025, ficou assim constituído:

- Pe. Francisco Sydney de Macêdo Gonçalves, SDS – Superior-Provincial;

- Pe. Cesar Augusto Cordeiro de Barros, SDS – Vice-Superior-Provincial, Conselheiro e CoordenadorProvincial da Comissão de Formação Inicial;

- Pe. Itamar Roque de Moura, SDS – Conselheiro e Coordenador-Provincial da Comissão de Formação Permanente;

- Pe. Marciel Osvaldo de Souza, SDS – Conselheiro e Coordenador-Provincial da Comissão de Apostolado Salvatoriano;

- Pe. Silvio Aparecido da Silva, SDS – Conselheiro, Tesoureiro-Provincial e Coordenador da Comissão Provincial de Finanças;

- Pe. Samuel Alves Cruz, SDS – Conselheiro e Secretário-Provincial.

Desejamos ao novo Provincialado muito sucesso com as bênçãos de Deus, a proteção de Nossa Senhora Aparecida e a intercessão do Bem-aventurado Francisco Jordan.

Secretaria Provincial

7 PROVÍNCIA SALVATORIANA BRASILEIRA /aconteceu

XXXII Capítulo Provincial da Província Salvatoriana Brasileira

De 17 a 20 de outubro de 2022, aconteceu o XXXII Capítulo Provincial dos Salvatorianos do Brasil, na Casa de Retiros e Encontros Nossa Senhora Aparecida, em Conchas – SP. De acordo com as nossas Constituições: “O Capítulo Provincial, quando reunido, é extraordinariamente a maior autoridade na Província” (cf. Constituição 733). No dia 17, o Superior-Provincial Pe. Francisco Sydney de Macêdo Gonçalves, SDS, presidiu a Santa Eucaristia de abertura do Capítulo. Após o jantar, todos os capitulares se reuniram na sala capitular para a chamada e confirmação do quorum mínimo para a realização do Capítulo. Também foi eleita a junta diretora, além dos confrades para ocupar as funções que são necessárias para a realização e registro do Capítulo. No dia 18, o dia inteiro foi dedicado à apresentação dos relatórios do superior-provincial e seu conselho, comunidades religiosas, equipes provinciais, colégios e missão em Moçambique. Na parte da noite, tivemos uma formação com o Pe. Milton Zonta, SDS, nosso superior-geral, que trabalhou o tema do nosso Capítulo Provincial: “Ressignificar a nossa Vocação e Missão Salvatoriana para responder aos apelos de nosso tempo”. Na quarta-feira, dia 19, na parte da manhã, nos dedicamos ao estudo das propostas do Processo de Ressignificação Apostólico Missionária, estudando em grupo os projetos da intra e da extra da Formação de Lideranças. Já na parte da tarde, foi apresentado aos capitulares a proposta do Projeto Social do Centro Salvatoriano Pe. Joel. Ainda na parte da tarde foram apresentados os projetos de construção do Colégio Divino Salvador – Unidade Cabreúva, da construção de uma nova residência para a Comunidade Religiosa Salvatoriana de Fortaleza – CE e uma proposta da Equipe da Juventude Salvatoriana sobre a Jornada Mundial da Juventude, em Lisboa no ano de 2023. No mesmo dia 19, à noite, durante a Celebração Eucarística vespertina, aconteceu a posse do superior-provincial Pe. Francisco Sydney de Macêdo Gonçalves, SDS, e de seu conselho de governo para o triênio Outubro/2022 – Outubro/2025. No dia 20 de outubro, na parte da manhã, nos debruçamos sobre o texto do Protocolo de Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis e sobre a Proposta de adaptação da Ratio Formationis para a formação inicial de nossa Província. Na parte da tarde, foram colocados em votação os projetos apresentados na tarde do dia anterior. Em seguida, foi realizada a assembleia da ABEA e do CEADIS. Antes do encerramento da sessão, foram tratados outros assuntos, tais como a aprovação do calendário provisório de 2023. Durante a missa vespertina deste dia, dentro da qual foi conferido o ministério de Acólito ao Juniorista Yofer Eduardo Mora Adames, SDS, o SuperiorProvincial Pe. Francisco Sydney, SDS, declarou encerrados os trabalhos do XXXII Capítulo Provincial da Província Salvatoriana Brasileira. Rendemos graças a Deus Salvador pela realização de mais um momento tão importante na vida da nossa Província Brasileira, no qual foram dados importantes passos para o enriquecimento da nossa vida consagrada e comunitária, além do fortalecimento do nosso carisma.

Secretaria Provincial
8 REVISTA MISSÃO SALVATORIANA /aconteceu

Encontro Geracional

Sob a coordenação da Comissão Salvatoriana de Formação Permanente, na pessoa do Pe. Itamar Roque de Moura, SDS, foi realizado o Encontro Formativo de Gerações, que contou com a participação dos nossos confrades da Província Salvatoriana Brasileira. O referido encontro teve lugar na Casa de Retiros e Encontros Nossa Senhora Aparecida, em Conchas – SP e foi realizado em duas etapas: a primeira etapa foi voltada aos confrades com idade entre 25 e 50 anos e foi realizada nos dias 14, 15 e 16 de outubro de 2022. Já a segunda etapa, voltada aos confrades com idade a partir de 51 anos, aconteceu entre os dias 21 e 23 de outubro de 2022. Ambas foram assessoradas pelo Sr. Adalto Luiz Chitolina, que trabalhou o seguinte tema: “A vida antes dos 50 anos e depois dos 50 anos”. Foi um momento muito significativo para todos nós, pois tivemos a oportunidade de refletir sobre a nossa humanidade, com todas as suas riquezas e defeitos, a partir da qual fazemos e renovamos o nosso compromisso com o Evangelho e com a Vida Consagrada Salvatoriana.

9 PROVÍNCIA SALVATORIANA BRASILEIRA /aconteceu
Secretaria Provincial

A Educação

Descobertas do jovem sobre a sua identidade, vocação e seu posicionamento no mundo

Cada dia mais o sistema educacional busca conhecer o interesse de cada jovem e, para isso, é necessário que ele seja, desde cedo, incentivado a realizar escolhas que o levem ao autoconhecimento. Boas práticas pedagógicas, o hábito da partilha, metodologias ativas, desenvolvimento de valores, presença do diálogo e o desenvolvimento das habilidades socioemocionais, junto à prática do olhar solidário, contribuem para que o jovem possa encontrar-se e descobrir-se como ser único e amado por Deus. Desenvolver a autonomia e a independência levam o jovem ao protagonismo e a olhar para o próximo desejando ajudar e colaborar com um mundo melhor, percebendo, assim, sua vocação a partir das experiências que já possui. Com as boas referências que lhe são apresentadas, a presença da escuta, do acolhimento, do amor e com maturidade na fé, nasce a descoberta de algo que lhe preenche integralmente, o encontro pessoal com Deus, que lhe proporcionará o autoconhecimento e a formação de sua identidade. A escuta contribui muito para o processo de descoberta da sua identidade. Quando nos colocamos dispostos a escutar, estamos dando ao jovem oportunidade de sentir-se pertencendo à comunidade, fazendo parte do corpo da igreja e, principalmente, sendo protagonista do processo de evangelização de outros jovens.

A escola é um espaço de relações, de construção do indivíduo enquanto ser integral. Por essa razão, deve-se exercer a escuta, o amor e o acolhimento, para que o projeto de vida do jovem possa ser construído por etapas, de forma organizada, consistente e vá amadurecendo para que o transforme em um agente realizado com potencialidade de transformação na sociedade.

Fazer a escolha profissional não é fácil. São

muitas opções de cursos e carreiras, e decidir sem a influência da sociedade é difícil. Muitas vezes a opção é por seguir a profissão dos pais ou ter uma carreira de sucesso financeiro, que, em alguns casos, podem gerar a frustração de não se fazer o que realmente gosta.

O papel do educador é mediar na condução da descoberta para a verdadeira vocação, preparar o jovem para ser um profissional que faça a diferença na sociedade, olhando para o próximo e buscando soluções para um mundo mais fraterno e solidário. E, para auxiliar neste processo, os colégios Salvatorianos Divino Salvador Jundiaí e Itu contam com o apoio do Núcleo de Formação Humana e Apostolado, que ajudam na identidade do carisma Salvatoriano em “tornar Jesus Cristo conhecido e amado por todos”, contribuindo para formar o melhor profissional e também seres humanos melhores.

Que o Bem-aventurado Francisco Jordan ilumine nossos educadores e jovens na escolha da sua vocação.

Kátia Maria Colepicolo Samogim e Maria Eliete de Oliveira Etoh Núcleo de Formação Humana e Apostolado.

/educação 10 REVISTA MISSÃO SALVATORIANA

Colégio Divino Salvador em Jundiaí implementa a Cultura Maker no ambiente escolar

Colégio Divino Salvador – Jundiaí, um dos pioneiros na implantação da Cultura Maker no ambiente escolar.

A cultura maker, ou “faça você mesmo”, permite que os alunos desenvolvam seu conhecimento teórico através da prática.

Com as atividades maker, os alunos aprendem a partir do desenvolvimento orientado de seus projetos, tornando o aprendizado um processo envolvente, desafiante, prazeroso e visível.

Temos como parceiro a Lego Zoom, que nos permite dentro do componente curricular chamado Robótica Educacional, trabalhar com uma proposta de lógica de programação fundamentada em conceitos tecnológicos.

A proposta de programação é graduada de acordo com a série dos alunos. Dimensionada do 2º ao 9º ano, a cada etapa um eixo temático diferente orienta as atividades propostas na ampliação dos processos de aprendizagem.

Nesse ano letivo, 2022, ampliamos mais ainda nosso currículo com a implantação do projeto ZMaker.

11 PROVÍNCIA SALVATORIANA BRASILEIRA

Criamos um espaço para contagiar, inspirar, despertar e incentivar a criatividade e o espírito colaborativo. As novas tecnologias de fabricação, como a impressora 3D, cortadora a laser, plotter para corte de papel e a diversidade de materiais e insumos, propiciaram aos nossos alunos novas possibilidades de prototipação e novos conhecimentos.

O sucesso desse projeto teve seu ponto alto na exposição denominada Feira Maker que ocorreu dia 5 de novembro de 2022, onde nossos alunos apresentaram seus trabalhos, fruto de meses de elaboração. O resultado foi surpreendente!

/educação 12 REVISTA MISSÃO SALVATORIANA

O ministério da Pascom na vida da Igreja

A Igreja evangeliza, sobretudo, por meio de sua ação pastoral, com seus mais diversos ministérios, movimentos e serviços. Isso constitui sua riqueza de carismas e dons, suscitados pela ação do Espírito Santo. O grande legado do Concílio Vaticano II, o qual levou a Igreja a um reavivamento e atualização de sua presença no mundo moderno, tornou a ação do laicato muito mais eficiente e eficaz, considerando a necessidade de uma leitura e análise mais crítica dos sinais dos tempos e da realidade atual. Como nos diz Jesus, no Evangelho de São Mateus, vinho novo em odres novos! (Mt 9,17).

Muito embora tenha sido o Concílio (19621965) que trouxe um boom de mudanças na vida pastoral de nossas comunidades, já em 1957 a Carta Encíclica Miranda Prorsus (Os Maravilhosos Progressos), escrita pelo Papa Pio XII, deu à Igreja um ponto de partida para organizar-se no campo da comunicação. Podemos considerar a Comunicação na Igreja como uma grande dimensão que perpassa todas as suas práticas de evangelização. O anúncio do Evangelho pressupõe em sua essência o ato de comunicar o Querigma, se utilizando dos meios mais adequados e significativos.

Nesse sentido, a Pascom nasceu com o intuito de sistematizar esse trabalho, fazendo uso das novas tecnologias e ferramentas advindas do mundo digital, principalmente da internet. A Pascom tem se projetado como um ministério fundamental. Tivemos a oportunidade de conhecer mais sobre esse trabalho, bem como de sentirmos sua necessidade. Durante a pandemia, por exemplo, a Igreja não podia receber em seus templos os fiéis para a celebração das missas. A Pascom, auxiliada pelos seus

agentes, usava a internet para a transmissão das celebrações por meio das redes sociais, Facebook e YouTube. É claro que o trabalho da Pascom é muito mais do que transmitir eventos ou celebrações. Como nosso espaço é breve, aqui neste artigo vamos nos deter apenas ao que constitui as bases da Pastoral da Comunicação.

Faz-se necessário afirmar que a Pascom enfrenta alguns desafios para sua melhor estruturação e atuação. Um deles é a formação e capacitação dos seus agentes e um melhor aproveitamento das mídias de comunicação. A partir dos seus quatro eixos somos convidados a refletir sobre esses desafios da Pascom. São eles: Formação, Articulação, Produção e Espiritualidade. O Guia de Implantação da Pascom nos traz orientações de como entender esses eixos. Pelo eixo da Formação entendemos a necessidade de formar agentes de pastoral para que desenvolvam e executem projetos teoricamente embasados, tecnicamente atualizados e eticamente comprometidos (p.16). O eixo da Articulação diz respeito ao fortalecimento do trabalho, animando e envolvendo os agentes culturais e pastorais para que conheçam e se comprometam com ações concretas e integradas com os processos e meios de comunicação. Produção e Espiritualidade indicam, respectivamente, a necessidade da Pascom de produzir subsídios que lhe orientem e dê sentido ao trabalho, à luz do Evangelho. Além do Guia de Implantação da Pascom, o Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil é uma importante fonte de leitura e pesquisa.

/comunicação 13 PROVÍNCIA SALVATORIANA BRASILEIRA
Pe. Carlos Jobed Malaquias Saraiva, SDS Coordenador da Equipe de Comunicação Salvatoriana

Na vivência de nossa fé somos convidados, como os discípulos, a respondermos com a própria vida quem é a pessoa de Jesus para nós (cf. Lc 9,20), que desvela a paternidade de Deus que está expressa em seu próprio coração. Nesses novos tempos de arrefecimento da fé e até mesmo outras modalidades de relacionarse com o sagrado, devido à assimilação de “valores” sobrepostos aos ensinamentos de Cristo, tem limitado um posicionamento favorável e claro ao seguimento.

A resposta emerge da relação autêntica que se estabelece como comunicação entre a pessoa humana e o seu Senhor, que não só o é Criador, mas estabelece por meio de sua palavra, uma pedagogia do amor que tem conduzido a pessoa humana até a experiência da sua presença de Pai. Este movimento a que somos chamados a realizar em nossa vida, de chamado e resposta, o conhecemos como vocação, razão mais sublime da dignidade do homem que consiste na sua constante busca de união com Deus (cf. Gaudium et spes nº19).

A fonte e origem de toda vocação é o Senhor: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair” (cf. Jo 6,44,), que nos convida a formarmos a Igreja que é Corpo de Cristo (cf.1cor 12,27), e que está a serviço do Reino de Deus.

A Igreja tem sentido e expressado sua preocupação para um avivamento das vocações, o que faz ao decretar o Ano Vocacional. Trata-

se de uma boa notícia cujo anúncio volta a ressoar vigorosamente nesses novos tempos que exigem de nós, enquanto Igreja, uma maior atenção. O Ano Vocacional surge inspirado no Documento Final dos Bispos sobre: “os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, com o intuito de favorecer a cada pessoa a possibilidade de acolher o chamado de Jesus como graça, em vista da missão que é sempre uma necessidade, não do outro, mas daquele que faz a experiência do encontro com o Salvador e transborda de alegria, de esperança, sentindo a necessidade de compartilhar com os demais.

A vocação trata de um amor sem reservas que nos precede, sustenta e chama ao longo do caminho da vida, tendo sua raiz na gratuidade absoluta de Deus, como nos diz o Papa Francisco: “a vocação brota do coração de Deus”. A relação entre Deus e o homem se realiza no Espírito Santo, a pessoa divina que faz com que o homem participe do amor do Pai, no Filho. Assim, a graça supõe a natureza, mas não a dispensa. E é aqui que somos chamados a colaborar, interpelando-nos a sermos convictos de nossa própria vocação, que diz de maior clareza acerca do que somos, do que fazemos e do que vivemos, buscando nos aproximar do que nos expressa São Paulo: “já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (cf. Gl 2,20). A convicção que em nós coloca a Igreja de Cristo em situação de referência, fazendo com que muitos a procurem para entender a natureza de onde emana tal convicção.

/principal 14 REVISTA MISSÃO SALVATORIANA

Os tempos atuais nos interpelam a rezar como o Salmista (cf. 25,4) “Senhor, mostranos os teus caminhos”, para que saibamos utilizar todos os modos e meios que a caridade de Cristo nos inspira (Pe. Jordan), e assim resgatarmos a sensibilidade, um elemento tão importante, mas obscurecido pela cultura atual. A sensibilidade é aquela orientação emocional e intelectual que encontra seu ponto de equilíbrio na consciência. Progressivamente formada a partir de nossas escolhas, a consciência nos orienta para uma direção particular, fazendo-nos escolher de forma correspondente àquilo que a alimentamos.

Um dos aspectos de nossa cultura que tem amortecido a sensibilidade é a era digital, da comunicação, que com suas demasiadas ofertas atrativas não permitem um discernimento mais claro e conciso do que é proposto, rebaixando a guarda da vigilância e relativizando a capacidade de julgar a realidade tanto interna como externa a nós, o que compromete a compreensão da vocação por carecer de uma reflexão mais sistemática das respostas que damos ao longo de nossa vida.

Hoje, em nossa sociedade difusa, ao tornarmo-nos cristãos, precisamos aprender o exercício da liberdade e responsabilidade nesse processo educativo e formativo, para que essa escolha pessoal se torne uma escolha em conformidade com o que o Senhor nos pede.

Como nos propõe o Ano Vocacional, parece ser esse o caminho que faz os nossos corações arderem na missão que realizamos, convidando-nos a responder: somos convictos de nossa vocação? E que a mesma é um chamado do Senhor?

/principal 15 PROVÍNCIA SALVATORIANA BRASILEIRA
Pe. Ademar Cason, SDS Coordenador da Equipe de Vocações Salvatorianas e Reitor do Instituto Mãe do Salvador

Do berço do amor, a salvação para o mundo

Comunicar bem já é um desafio por si só, e se torna ainda mais desafiador quando se quer comunicar para um grande número de pessoas. Imagine então como seria comunicar algo para todas as pessoas do mundo? Para Deus, o perfeito comunicador, sua mensagem de amor é escrita e ilustrada com sinais e elementos capazes de tocar a compreensão de qualquer povo em lugar desse planeta.

Três reis, de três nações diferentes do mundo, iluminados por um mesmo sinal, seguiram por um mesmo caminho em busca de um mesmo propósito: encontrar e saudar um recém-nascido em torno do qual existia uma grande expectativa, algo novo surgiria com o nascimento desse menino. Eles não queriam perder a oportunidade de conhecê-lo.

Na mesma época, uma jovem virgem chega em Belém junto a seu esposo. Ela está prestes a dar a luz. A cidade estava cheia de viajantes e não havia lugar nas hospedarias para eles, então conseguiram instalar-se em uma gruta que servia de estábulo para animais.

Falando em animais, nas proximidades da gruta estavam pastores de ovelha cuidando de rebanhos. A realidade deles era simples e não muito fácil, trabalhando em noites frias e perigosas. O contexto político da região em que viviam era instável e preocupante.

No centro de tudo isso está o menino que nasceu naquela gruta e foi posto no seu berço improvisado em uma manjedoura. Naquela

noite, um clima divino envolveu aquele cenário, muitos sinais apontaram aquele momento. Os pastores viram coros de anjos cantando glória, os três reis viajantes viram um grande sinal no céu. Todos foram atraídos para uma família sagrada e um menino salvador que acabara de nascer.

Olhar essa bendita cena é receber a mais linda mensagem do Deus perfeito comunicador. Para falar de salvação, Ele ilustrou de um jeito que, do mais simples ao mais poderoso, do mais próximo ao mais distante, todos pudessem entender. No presépio, na estrutura família, nos reis que peregrinaram para encontrar o Rei, nos humildes pastores que foram privilegiados em estarem tão próximos desse acontecimento único, em tudo isso vemos a Deus revelando a salvação para o mundo todo. Em um rústico berço, entre ouro e incenso, palha e animais, pastores e reis, no seio da Sagrada Família, está o menino Jesus, Salvador do mundo inteiro.

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O hábito da oração pessoal

Rezar significa dialogar com Deus. Um diálogo que precisa ser livre, aberto, profundo e sincero. É importante, de início, recordar que dialogar pressupõe duas atitudes importantes: falar e escutar. Sem a junção destas duas posturas fica impossível colhermos os frutos de nossa vida de oração. Considerando que nós somos pessoas de relação, devemos levar em conta que nossa relação com Deus deve ser verdadeira e frutuosa. Deus, como nos diz os místicos na antiguidade, se autorevela a nós em sua infinita bondade, misericórdia e compaixão e, nos faz também compreender, que fomos criados à sua imagem e semelhança, portanto, permite-nos revelar como seres do amor e para o amor. Quanto mais conhecemos a Deus por meio de nossa vida de oração, mais Deus permite que nos autoconheçamos em nossa humanidade. E vice-versa.

No Evangelho de São Mateus, Jesus adverte a seus discípulos sobre a verdadeira forma de se rezar: “Quando rezardes, não sejas como os hipócritas, pois se vangloriam em rezar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Mas tu, quando rezardes, entra no teu quarto e, fechando a porta, reza a teu Pai que está em oculto e Ele te recompensará publicamente” (Mt 6, 5-6) A partir dessa exortação que Jesus dirige à comunidade, principalmente como crítica aos fariseus, desejamos fazer algumas observações que nos ajudam na criação do hábito de sermos pessoas orantes.

Dois elementos se destacam nessa narrativa de São Mateus, no Evangelho. O primeiro é a oração entendida como um encontro silencioso e discreto, onde posso encontrarme com Deus que me acolhe. Recordamos a experiência do profeta Elias quando, vivendo uma profunda crise existencial que abatia seu ministério, sentado embaixo do junípero, se encontra com Deus, não no barulho ou nas grandes teofanias, mas na brisa leve e suave (cf. 1 Rs 19,12).

/espiritualidade 17 PROVÍNCIA SALVATORIANA BRASILEIRA

Esse ponto de São Mateus levanta-nos um questionamento sobre o lugar da oração e a melhor forma de rezar, ou, se quisermos, o método da oração. Muitos pensam que é a força das palavras, ditas de forma erudita e em voz quase estridente, e em lugares suntuosos, que Deus irá nos escutar mais e atender nossas preces. Podemos afirmar que o lugar por excelência da oração é o caminho da vida, isto é, em qualquer situação em que estejamos ou em qualquer lugar pelo qual passemos ao longo da caminhada do dia a dia. Deus sempre está caminhando conosco!

Lembremos outro texto sugestivo do Evangelho, em Lucas, quando encontramos a experiência dos discípulos de Emaús, que voltam cabisbaixos de Jerusalém para seu povoado em Emaús, e no caminho se encontram com Jesus que se revela glorioso em sua ressurreição, resgatando a força da Palavra e da Eucaristia na vida da comunidade. É na simplicidade da vida e em poucas e singelas palavras que conversamos com Deus e somos interpelados por Ele.

O segundo elemento que queremos destacar, extraídos do texto de São Mateus, é a imagem de Deus que invocamos em nossas orações. O Deus de Jesus é o Abbá, ou seja, o paizinho - termo carinhoso que no hebraico nos dá a ideia de um Deus que é Pai amoroso e misericordioso e que deseja estabelecer conosco uma relação filial. Infelizmente, no decorrer da história, por influência de categorias gregas, foi-se criando uma imagem de Deus distante, desencarnada da realidade humana, muito diferente do Deus que Jesus nos revela no Evangelho. Um Deus que julga de maneira implacável, que pune, que defende a todo custo “a pureza moral” e que, em nome dessa mentalidade religiosa, segrega a muitos. É a raiz para o fundamentalismo religioso. Uma oração em que nos encontramos e criamos intimidade e profundidade com o Deus da Vida, nos leva certamente a um crescimento interior. Aprendamos, pois, a criar em nosso cotidiano o verdadeiro hábito de uma vida de oração pessoal onde valorizamos encontros autênticos com Deus, por meio da leitura orante de sua Palavra e dos acontecimentos da vida, os quais nos permitem fazer uma caminhada de fidelidade na construção do Reino de Deus.

/espiritualidade 18 REVISTA MISSÃO SALVATORIANA
Pe. Carlos Jobed Malaquias Saraiva, SDS Coordenador da Equipe de Comunicação Salvatoriana

As JMJ’s como experiência de Deus na vida das juventudes

As Jornadas Mundiais da Juventude iniciaram nos anos 80 com o santo papa João Paulo II, tomou grandes proporções e tornou-se o maior evento católico para as juventudes, atraindo milhões de jovens do mundo inteiro.

O Papa Bento XVI falou sobre a espiritualidade da JMJ, que se resume em cinco pontos essenciais:

A JMJ é uma experiência da catolicidade, da universalidade da Igreja, suscitando nos jovens a profunda convicção de que é bom pertencer à Igreja universal, à Igreja Católica, que o Senhor nos deu;

Dessa experiência nasce um novo modo de viver o ser homem, o ser cristão. Nesse sentido, é muito eloquente, segundo o Papa, a experiência dos voluntários das JMJ: “Estes jovens fizeram o bem simplesmente porque é bom fazer o bem, é bom servir os outros. Uma generosidade de se dar, em última análise, nasce do encontro com Cristo”;

A adoração silenciosa da Eucaristia é um ato de fé por excelência: Ele está ali. Entramos nesta certeza do amor corpóreo de Deus por nós;

No contexto da crise generalizada do Sacramento da Penitência na Igreja, tantos jovens, que durante as JMJ se aproximam da reconciliação sacramental e redescobrem este sacramento, são, segundo o Papa, importante sinal de esperança;

O elemento da alegria como componente importante da espiritualidade da JMJ. Trata-se de uma alegria que brota da certeza proveniente da fé: “Eu sou desejado, tenho uma missão na história; sou aceito, sou amado. Somente a fé me dá esta certeza, porque torna alegre a partir de dentro.”

Substancialmente, as JMJ’s demonstram que falar às novas gerações é possível, em todos os tempos e em todas as latitudes.

/comunidades 19 PROVÍNCIA SALVATORIANA BRASILEIRA

Nossa sociedade também tem despertado o desejo de se fazer presente em meio a esses jovens provenientes de todos os continentes, principalmente entre os jovens vindos de nossas obras, de nossas missões que se espalham no mundo inteiro. Em um de nossos Capítulos Gerais se determinou que:

“El XVIII Capítulo General recomienda que un representante del Generalato en colaboración con el grupo internacional de vocaciones desarrolle encuentros internacionales salvatorianos a nivel global y continental. Se recomienda además que empiecen participando a la Jornada Mundial de la Juventud. A partir de ésta experiencia desarrollaremos ideas para futuros encuentros.”

O XVIII Capítulo Geral recomenda que um representante do Generalato, em colaboração com o grupo internacional de vocações, desenvolva encontros salvatorianos internacionais em nível global e continental. Recomenda-se também que comecem por participar da Jornada Mundial da Juventude. A partir desta experiência desenvolveremos ideias para futuros encontros.

Nossa província tem se mobilizado para se preparar para este momento, convidando nossas obras a divulgarem, animarem, ajudarem os jovens a participarem. Queremos, com isto, avançar como Província e como Sociedade no trabalho Pastoral junto às juventudes, nos fazendo próximos de nossas juventudes e despertando nelas o desejo de seguimento ao Divino Salvador. A próxima JMJ acontecerá em Lisboa – Portugal, em 2023, com o tema: “Maria levantou-se e partiu apressadamente” Lc 1,39. A Igreja espera animar as juventudes a levantar-se de suas poltronas, sofás, camas; de sua situação de comodidade e acomodação. Precisamos ser uma Igreja peregrina, em saída, como bem nos recorda de forma constante Papa Francisco: “O convite para a Jornada é para todos, não há ninguém que fique descartado, excluído, esquecido.” D. Américo Aguiar, Presidente da Fundação.

Papa Francisco começa sua mensagem de convite aos jovens para 2023 assim: “Queridos jovens!

O tema da JMJ do Panamá era este: ‘Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra’ (Lc 1, 38). Depois daquele evento, retomamos o caminho para uma nova meta – Lisboa 2023 –, deixando ecoar nos nossos corações o premente convite de Deus a levantarnos. Em 2020, meditamos nesta palavra de Jesus: ‘Jovem, Eu te digo, levanta-te!’ (cf. Lc 7, 14). No ano passado, serviu-nos de inspiração a figura do apóstolo São Paulo, a quem o Senhor ressuscitado dissera: ‘Levanta-te! Eu te constituo testemunha do que viste’ (cf. At 26, 16). No traço de estrada que ainda nos falta para chegar a Lisboa, caminharemos juntos com a Virgem de Nazaré, que, imediatamente depois da Anunciação, ‘levantou-se e partiu apressadamente’ (Lc 1, 39) para ir ajudar a prima Isabel. Comum aos três temas é o verbo levantar-se, palavra (é bom lembrá-lo!) que significa também ressuscitar, despertar para a vida”.

Acreditamos que será uma rica experiência para todos, e nos ajudará a crescer cada vez mais no trabalho com os jovens. Que o Divino Salvador nos abençoe e que Maria, mãe do Salvador, invocada pelo povo português como a Virgem de Fátima, interceda por nós. Nos vemos em Lisboa!

/comunidades 20 REVISTA MISSÃO SALVATORIANA
Pe. James Oliveira, SDS Coordenador da Equipe de Juventude Salvatoriana

Um formador com coração ardente e pés a caminho

desde

estive envolvido desde sempre. Ao concluir o período em que eu estive como formando nas etapas de Postulantado, Noviciado e Juniorado, e fazer a minha Profissão Definitiva como Salvatoriano, fui designado para acompanhar outros jovens que chegavam em nossas casas.

O ano de 2003 foi muito marcante em minha vida, quando em janeiro fiz a Profissão Definitiva. Em julho fui ordenado Diácono e em dezembro recebi a Ordenação Sacerdotal. Lá se vão quase 20 anos. Nesse mesmo ano, fui enviado a colaborar como auxiliar na formação, em Videira (SC), com os jovens que concluíam o Ensino Médio e estavam no Seminário Menor. De auxiliar assumi como Formador - um susto para mim que não sabia como agir direito e com uma grande responsabilidade. Em Videira fiquei por 3 anos.

Continuei na Formação do Postulantado em São José dos Pinhais (PR) por mais 3 anos, sendo enviado depois para a Formação no Instituto Doze Apóstolos, em São Paulo (SP), para viver com os Junioristas por 5 anos em nossa casa da Vila Monumento. Em 2014, fui a Conchas (SP) acompanhar o grupo dos Noviços.

Foram 12 anos como Formador nas diversas etapas, com muitos formandos, provenientes de diferentes lugares, culturas e intenções. O grande desafio era acompanhá-los com o objetivo de que fossem bons salvatorianos. A maioria deixou o seminário e seguiu outros caminhos. Alguns ainda

tenho contato e mantemos uma certa amizade e saudade, pois foram tempos recheados de alegrias, conquistas e lutas, ao mesmo tempo que não faltaram tristezas e frustrações. Alegro-me ao olhar para trás e ver que alguns desses “meus” formandos continuam conosco, vivendo e lutando dia a dia para serem bons religiosos e sacerdotes salvatorianos.

A vida me ofereceu uma pausa no apostolado da Formação Inicial e fui enviado como missionário em Moçambique por 5 anos. Uma experiência repleta de coisas novas, de profundos desafios e oportunidade de olhar diferente para o mundo e conviver com pessoas que eu nem sequer imaginava. Parece que foi um jeito de Deus me mostrar na prática o que o Padre Jordan nos ensina sobre a Universalidade e o envolvimento das pessoas para que Jesus seja conhecido e amado em todos os lugares.

Em 2020, retornei ao Brasil e fui chamado a colaborar novamente na Formação Inicial. Minha aceitação foi acompanhada da esperança em nossa juventude sedenta de uma causa que os faça vibrar, sentindo-me capaz de ajudar os jovens que nos procuram a fazerem de suas vidas um espaço onde Deus possa agir. Acredito que só conseguiremos essa abertura dos corações dos nossos jovens se formos como “um irmão mais velho” que está constantemente presente, que vive junto os dramas das novas gerações, que acompanha o que o mundo oferece e que tem a capacidade de ajudar no discernimento para que possam fazer boas escolhas.

21 PROVÍNCIA SALVATORIANA BRASILEIRA /espiritualidade

Cada dia que passa, essa missão vai ficando cada vez mais difícil. O que procuramos viver e ensinar em nossas casas de formação são misturadas com o que os jovens formandos aprendem de muitos outros canais formativos, principalmente com acessos a diversos conteúdos na internet. Nessa rede, muita coisa boa se oferece e agrega na formação da pessoa, mas outros são tendenciosos, superficiais e até deslocados da realidade.

Acredito que a formação de religiosos e padres para a Igreja e para os Salvatorianos é sempre reflexo da realidade vivida no ambiente social e familiar dos nossos jovens. Talvez por isso nossos seminários não estão cheios, porque as famílias também não estão. Talvez daí se entenda a dificuldade de se fazer escolhas profundas e permanentes, porque o mundo está cada vez mais líquido e as pessoas se adaptando onde mais lhes convêm e lhes oferecem vantagens. Daí pode-se entender o porquê das normas e regras de vida não precisarem ser observadas, pois as frustrações não são nunca bem vindas e as renúncias perdem espaço para as afirmações pessoais de bem-estar.

Por outro lado, é muito agradável e esperançoso quando me vejo diante de jovens que estão sedentos por encontrar sentido em suas vidas. Afinal, trabalhar na Formação é cuidar da vocação das pessoas, cuidar do maior presente que Deus dá a cada um de nós. Como Formadores Salvatorianos somos responsáveis por “cuidar” da vocação. E cuidar da vocação dos outros exige cuidado com a minha própria vocação.

É nesse sentido que, ao contar um pouquinho da minha trajetória como formador dos salvatorianos, só me resta agradecer a Deus por favorecer a mim a oportunidade de todos os dias repensar minhas atitudes, minhas palavras e minhas escolhas. E por todos os dias escolher e desejar ser um bom salvatoriano.

No ano de 2003, fui ordenado padre e iniciei minha missão como formador. Acontecia no Brasil o Ano Vocacional com o tema “Avancem para águas mais profundas”. De lá para cá não deixei de avançar e fui navegando por mares e encontrando outros que sempre estiveram do meu lado, e navegamos juntos.

Passados 20 anos, entramos em novo Ano Vocacional com o tema “Vocação: Graça e Missão”. Continuo com o coração ardente e com meus pés a caminho, muito feliz pela minha vocação e pela missão que a Igreja e os Salvatorianos me confiam, de cuidar da vocação. Peço ao Salvador que me ajude, esteja comigo e com todos os que vivem esse ministério.

/espiritualidade 22 REVISTA MISSÃO SALVATORIANA
Pe. Cesar Barros, Salvatoriano, SDS Vice-Diretor Provincial e Coordenador da Formação Inicial
/infantil 23 PROVÍNCIA SALVATORIANA BRASILEIRA
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