Revista - A Ponte (Edição 1 de 2022)

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SUMÁRIO

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Sumário 04.

Entrevista com Casante, Padre Miguel Tofful

09.

Relato da Madre, Irmã Lucia Bressan

13.

60 anos da Rede Calábria

15.

Fraternidade: amai a todos como irmãos

18.

Missão Calabriana no MS

21.

Profissões Religiosas e Jubileus

23.

O sentido da vida a partir do chamado de Deus: Esperança em tempos de desespero

26.

Oração ao Criador


3 EDITORIAL

editorial É com a alegria do Cristo ressuscitado que apresentamos mais uma edição da Revista A Ponte, destacando esse tempo de esperança renovada em que a vida supera todo e qualquer obstáculo. Aproveitamos para informar que a partir deste ano teremos edições semestrais. Trazemos com exclusividade a entrevista do Casante, Padre Miguel Tofful e o relato da Madre, Irmã Lucia Bressan. Eles encerram seu tempo de governo a frente das Congregações Pobres Servos e Pobres Servas da Divina Providência. A edição traz conteúdos celebrativos, como os 60 anos da Rede Calábria, a primeira atividade da Congregação em solo brasileiro. Inspirados no texto da Fratelli Tutti, Carta Encíclica do Papa Francisco, a revista traz como matéria central e capa o tema “Fraternidade e amizade social” e a sua necessidade para os tempos atuais, abordando essa temática indispensável para nossas relações, abordado pelo Ir. Deivid. Em maio viveremos um tempo muito importante para a Família Calabriana. A celebração dos XII Capítulos Gerais dos Pobres Servos e das Pobres Servas que marca um novo tempo. Pela primeira vez na história serão realizados simultaneamente e com o mesmo tema. Rezemos pelo seu bom êxito. Nossa presença no Regional Mato Grosso do Sul, tem nova configuração. Veja onde estamos agora. No espaço Vocacional, Pe. Adriano reflete sobre “o sentido da vida a partir do chamado de Deus: Esperança em tempos de desespero”. No espaço da Família Calabriana temos a Profissão Trienal do Ir. Josmar e os jubileus de Vida Consagrada dos nossos irmãos e irmãs. Temos ainda outros importantes conteúdo para abastecer a sua fé. Desejamos a todos uma ótima leitura.


ENTREVISTA

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Entrevista com o Casante A Ponte: O senhor foi eleito Superior Geral no X Capítulo Geral que aconteceu em Farroupilha-RS. Conte-nos um pouco de sua história vocacional e missionária. Casante: Antes de mais, gostaria de agradecer à equipe editorial da Revista A Ponte por me oferecer a oportunidade de partilhar com todos os leitores a minha experiência como Casante da Obra nesses 14 anos. Sou grato ao Senhor que me fez conhecer a Obra e me chamou para a Vida Religiosa e Sacerdotal nela. É um grande presente que somente no Paraíso seremos capazes de entender o verdadeiro significado. Quando criança, depois de fazer a minha primeira comunhão, senti algo em meu coração que foi amadurecendo ao longo do tempo no discernimento da vontade de Deus. Entrei na Casa Nazareth, em Reconquista (Argentina), em 22 de fevereiro de 1982, com a convicção de que Jesus me chamava, mas ainda não conhecia claramente a minha vocação. Em 1987, fiz o Noviciado em Farroupilha-RS e, em 1º de janeiro de 1988, fiz a Primeira Profissão Religiosa como Pobre Servo, com apenas 21 anos. Foi um dia significativo na minha vida e me senti muito feliz, porque Jesus tomava toda a minha vida no auge da minha juventude e a consagrava a Si mesmo. Como religioso recém-professo, fui inserido novamente na comunidade de formação de Reconquista. Em 1990, fui a Montevidéu (Uruguai) para iniciar Filosofia e Teologia, ao mesmo tempo em que estive envolvido na educação de crianças de rua na “Obra Don Calabria”. Em 1995, fui ordenado sacerdote, e assim meu coração se tornava cada vez mais de Jesus. Desde o início, olhei para o coração das palavras de São João Calábria: “Sacerdote de espírito apostólico, disposto a tudo”, “Sacerdote, outro Cristo”. O meu lema sacerdotal sempre foi o serviço, identificando-me com a frase do Evangelho: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Em 1999, pediram que eu fosse responsável pela comunidade de Buenos Aires, acompanhando os aspirantes e postulantes,


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A Ponte: Como acolhestes esta missão? Casante: Sinceramente, não esperava uma missão assim tão grande. Eu era muito jovem e não tinha todo o conhecimento da Obra nos diferentes países do mundo. Minha disponibilidade sempre me levou a aceitar a vontade de Deus sem nunca dizer “não” ao seu projeto de amor. Não duvidei em aceitar a vontade de Deus, apesar da minha pequenez e minhas limitações. Sentiame realmente zero e miséria. Imediatamente coloquei-me em uma atitude de humildade, porque entendi que o Senhor e a Congregação estavam me confiando uma missão maior do que eu, que excedia minhas capacidades humanas. Foi com essa atitude de humildade, serviço e disponibilidade que eu aceitei. Sempre que penso no momento da eleição em 2008 e da renovação em 2014, isso não me parece verdade, e sou muito grato ao Senhor por esse grande dom e por quanto é constante a presença Dele em minha vida.

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coordenando a atividade social desenvolvida nessa realidade e me inserindo no trabalho pastoral, principalmente nos finais de semana, na Paróquia “Nuestra Señora de la Paz”. Esses anos também foram lindos, e meu coração como Pobre Servo consagrado e sacerdote crescia cada vez mais no amor a Jesus e no relacionamento com muitas pessoas. Meu sonho, quando escolhi me juntar à Congregação, era a missão. Tinha um grande desejo de dar toda a minha vida na proclamação do Evangelho, mesmo fora da minha terra natal. Chegou o dia em que, no final de 2003, um telefonema do então Casante, Pe. Waldemar Longo, solicitou minha disponibilidade para a missão das Filipinas. Não duvidei nem um momento para dizer: “Sim, aqui estou, estou disponível”. E, assim, na semana anterior à Semana Santa, em abril de 2004, parti com grande alegria para as Filipinas. Eu não conhecia o lugar, não sabia para onde estava indo, mas tinha certeza de uma coisa: o Senhor a quem dediquei minha vida estava lá e essa era a minha força, minha certeza e meu tudo. Uma grande responsabilidade estava me esperando, porque eles me confiaram a tarefa de ser o responsável pela missão. Nos anos em que estive nas Filipinas, tive experiências maravilhosas, além de me dedicar a acompanhar os Irmãos e a Missão. Realizei a missão pastoral na paróquia, acompanhei um grupo de noviços por um ano, fui responsável por atividades sociais nos subúrbios de Manila, e muitas outras coisas que a disponibilidade e o amor por Jesus me levaram a amar o meu próximo e dar a minha própria vida. Eu estava nas Filipinas quando participei do X Capítulo Geral no Brasil, representando a missão, e naquela ocasião fui eleito Casante da Obra, no dia 11 de abril de 2008.


ENTREVISTA

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A Ponte: Quais são os aspectos do Carisma que mais foram trabalhados e evidenciados durante o seu governo? Casante: É muito difícil destacar aspectos do Carisma mais desenvolvidos durante o mandato, porque o Casante tem a missão de vigiar sobre todos os aspectos do Carisma como pai desta grande Família. Apesar dessa dificuldade, poderia identificar alguns aspectos do Carisma que considero importante destacar e que estão particularmente próximos ao meu coração, procurando sempre ser um promotor destes valores essenciais, entre muitos outros: o espírito de fé, confiança e abandono na Divina Providência; a busca da santidade como o único meio de ser Evangelhos vivos; o estilo de vida de simplicidade e amor pelos pobres; redescobrir e conceber cada vez mais a Obra como uma Família; o espírito de pertença; a reparação como um mandato divino para a nossa Obra; o discernimento da vontade de Deus; a Radicalidade Calabriana e a profecia do nosso Carisma no mundo de hoje. Sempre senti a necessidade de confrontar-me com o pensamento do nosso Fundador, São João Calábria, aprofundandome em seus escritos e traduzindo através de minhas cartas no momento atual da Obra. Não repetir o que ele fez, mas encarnálo de um modo novo no mundo atual. Às vezes conseguia, outras vezes encontrei mais dificuldades.

A Ponte: Quais foram os maiores desafios ao longo desses 14 anos de missão à frente da Congregação? Casante: Sou grato a Deus que me e nos conduziu com Seu amor providente e guiou a Obra com amor infinito em todos esses anos, porque é Obra Dele. Sempre me coloquei em uma atitude de diálogo e escuta para poder perceber as necessidades mais profundas que emergiram das diferentes realidades da Obra, mesmo que nem sempre tenha sido fácil. Não faltaram dificuldades e desafios nestes anos que sempre vivi serenamente e confiado nas mãos de Deus Pai. Se eu tivesse que fazer uma lista, destacaria alguns desafios particularmente, entre muitos outros: o desafio dos abandonos da Vida Consagrada e Sacerdotal na Congregação; a dificuldade, apesar dos percursos de formação, de uma autêntica radicalidade Calabriana e de uma autêntica vida espiritual; o desafio da formação em todos os níveis, tanto inicial quanto permanente; a dificuldade, muitas vezes, para levar no coração os “pesos” que fazem parte dos que têm uma


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responsabilidade como essa; a dificuldade em alguns ambientes de ver que algumas escolhas podem nos distanciar do espírito puro e genuíno da Obra; o compromisso de dialogar com todas as culturas em que estamos presentes, sem ter preconceitos com o único objetivo de fazê-las se sentirem amadas; e abordar a questão da dívida e uma reorganização da administração dentro da Congregação com princípios e critérios carismáticos. Os últimos dois anos de pandemia e o adiamento do Capítulo Geral foi difícil no início, mas também um tempo providencial para amadurecer um caminho que hoje estamos vivendo e fazendo juntos como Família Calabriana. Apesar desses desafios, a Divina Providência sempre foi uma mãe carinhosa e nunca falhou. A Ponte: Mensagem aos jovens: Casante: Sou grato a todos os jovens que estão presentes nas diferentes realidades da Família Calabriana. A todos vocês que tiveram a graça de encontrar, conhecer e entrar em contato com o espírito de São João Calábria, encorajo-os a viver sua vida na busca da vontade de Deus. Desde sua juventude, São João Calábria tinha um desejo muito grande de santidade e ajudou muitos jovens a encontrar o caminho e a resposta ao chamado de Deus na Igreja, como religiosos, religiosas, sacerdotes e leigos. O segredo da felicidade de cada pessoa é a descoberta da vontade de Deus, ou seja, aquele que é o sonho de Deus para cada um de nós. Particularmente para vocês, jovens, está em vossas mãos esta possibilidade de colocarvos continuamente à escuta e à busca da vontade de Deus através da oração, ouvindo a Palavra de Deus, e no serviço concreto e generoso aos pobres. Não tenham medo de gastar a vossa vida pelos outros, porque sois corajosos e cheios de potencialidades. Saibam que o amor sempre vence. Nos tantos caminhos e propostas de felicidade que o mundo oferece hoje através dos meios de comunicação em que vocês estão conectados todos os dias, há um espaço de relacionamento e contato não virtual que enche o coração de alegria. É o contato direto com as pessoas, a partilha e a ajuda recíproca. Isso se chama amor verdadeiro. Esse amor verdadeiro nós podemos encontrar no Homem pleno e em Deus, Jesus de Nazaré, em sua pessoa e em seus sonhos para a humanidade. Também você, jovem, é uma pessoa que pode encarnar o seu estilo de vida, a sua paixão e a sua missão pela humanidade.


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A Ponte: Mensagem à Família Calabriana: Casante: Meus sinceros agradecimentos a toda a Família Calabriana pelo amor, pela proximidade e pela oração com que sempre me acolheram e me apoiaram em minha missão. Eu realmente senti isso como um bálsamo de vida interior muito forte que continuamente me confortava e me animava. Pude apreciar e tocar com a minha mão quantos religiosos, religiosas e leigos vivem e transmitem diariamente o Carisma Calabriano nas diferentes culturas em que estamos presentes, e são um sinal visível desse dom que recebemos de graça e que devemos conservar em nossos corações, comunicando-o gratuitamente. Agora, diante de nós, abre-se um caminho a percorrer com o desafio do próximo Capítulo Geral que, através de um estilo sinodal que estamos vivendo e com o tema que enfrentaremos com a profecia da comunhão, nos levará a vislumbrar novos horizontes para a Obra. É muito lindo e maravilhoso poder fazer este caminho juntos, religiosos, religiosas e leigos, para discernir o “sonho de Deus” para a Família Calabriana. Meu convite a todos vocês, membros da Família Calabriana, é de poder conhecer, aprofundar, viver e testemunhar cada vez mais este carisma que é de uma atualidade extraordinária. Isso permite envolver-nos todos na busca contínua de uma maior partilha espiritual entre nós e um testemunho através da atenção à pessoa, que é fundamental para tornar o Carisma cada vez mais vivo e atual. Coragem! Convido todos a não pararem no processo que iniciamos, com a certeza de que Deus faz todas as coisas e nos convida cada dia a viver uma fidelidade criativa ao Evangelho e ao Carisma.

Padre Miguel Tofful


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Relato da Madre, Irmã Lucia Bressan Agradeço esta oportunidade que me foi oferecida de relatar uma experiência tão singular como é a missão da Madre, em suas prioridades e desafios, na responsabilidade confiada para com a Congregação das Irmãs em relação à Obra da qual fazemos parte, e ao contexto social muito particular de hoje.

Desde o início Percebo cada vez mais, como na maternidade biológica, também com a maternidade espiritual, que não se nasce mãe, se torna em um processo contínuo de crescimento, transformação e conversão. Estou profundamente consciente disso, porque aprendi com os fatos da vida e, me parece, também para a missão de “Superiora Geral” de uma Congregação. Trata-se da maternidade espiritual, ou seja, de dar a vida, acompanhar, cuidar, admitir a própria fragilidade, as próprias limitações e as dos outros, dar e aceitar confiança, responsabilidade, colocar-se em atitude de escuta, de pedir e de aceitar ajudar, incentivando a corresponsabilidade, para crescer… e muito mais. Há aqueles que partem com uma bagagem de dons pessoais já em sua posse, e os enriquecem e afinam ao longo do caminho. Há aqueles que confiam, mesmo que não sentem que têm dons particulares, e se põem ao caminho, pedem ao Senhor ajudas especiais, e Ele oferece nas determinadas exigências e responsabilidades. Confia n‘Ele, confia-lhe a cada encontro, cada realidade, cada situação fácil ou complexa, muitas vezes cometendo erros e pedindo desculpas, muitas vezes obtendo com a graça de Deus frutos esperados e até inesperados… Para mim foi um pouco de tudo isso desde que a vontade do XI Capítulo Geral me chamou em 4 de junho de 2015 para a responsabilidade da Congregação.


RELATO

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Imediatamente percebi esta missão como um dom de Deus que eu tinha de acolher antes de tudo, como uma “graça” para guardálo, alimentá-lo e fazê-lo crescer. Depois, teria sido um dom para compartilhar com as Irmãs do Conselho com quem caminhamos juntas, com todas as Irmãs e alargado aos Irmãos, à Família Calabriana, à Igreja. Não escondo o fato de que no início experimentei um grande sentimento de medo. Realmente percebi em mim um sentimento de grande medo diante desse dom pela grande responsabilidade a que fui chamada. Senti-me pequena, despreparada, incapaz. Encontrei a paz experimentando a misericórdia de Deus Pai. Confiando dia após dia as minhas limitações e fragilidades ao Pai, o medo deu lugar, lentamente, à confiança, ao abandono confiante em Deus que está continuamente no “leme do nosso navio”, como escreveu o Pe. Calábria às Irmãs: “A nossa Obra pertence inteiramente a Jesus, ele está no comando, ele é a alma que dá e preserva a vida à Obra” (Carta de 19 de abril de 1952). Só em profunda comunhão com Ele experimentei e continuo experimentando uma grande graça, a de me sentir profundamente amada, curada, ajudada e salva... a graça de não me sentir só.

Início do caminho e estrada percorrida De fato, não estive sozinha a carregar o “peso da responsabilidade”: todas nós, Irmãs do Conselho Geral, o carregamos juntas. Cada uma acolheu a missão de assumir o mandato do Documento Final do XI Capítulo, que chamava a Congregação a “uma fraternidade mística com coração nas periferias do mundo”. O Documento Final inspirou o Projeto de Vida do Conselho Geral que, ao indicar objetivos e prioridades para o sexênio, quis ser um instrumento para o crescimento da Congregação, em vista de um serviço de governo cada vez mais espiritual, orientada para o cuidado das Irmãs, da missão e da comunhão. Além disso, o Programa de Formação Permanente e o Programa do Economato Geral nasceram deste projeto. Os objetivos gerais que propusemos são os sugeridos por nossas Constituições: identificar e estudar adequadamente em conjunto tudo o que interessa ao bem da Congregação; animar a união fraterna entre as diversas comunidades; promover a organização geral da Congregação cada vez mais em harmonia com o seu espírito, para que possa cumprir a sua missão na Igreja e no mundo. Durante os sete anos que passamos, com o desejo de alcançar os objetivos propostos, ouvimos as Irmãs, visitando-as em suas comunidades e realizando a sua missão, entramos em contato com a realidade de cada Território e Delegação e, atentas aos sinais que Deus nos indicava, estivemos abertas ao clamor dos pobres, procurando


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também, juntas com nossos Irmãos e com a Família Calabriana, dar respostas adequadas para que nossas escolhas fossem sinal e testemunho do Amor do Pai. Esses passos nos levaram a abrir novas comunidades no Brasil (Limoeiro); na Índia, no estado de Assam (Hahim); no estado de Odisha (Dhenkanal); a estar presente com uma comunidade no Quênia (Nakuru), até mesmo fechar algumas por falta de forças. Em todas as comunidades, também motivadas pelos acontecimentos ligados à pandemia sanitária da Covid-19, que agravaram a situação de pobreza em todo o mundo, damos origem à novas atividades, como os refeitórios para os pobres (Brasil e Angola); fortalecemos as doações em alimentos e roupas em quase todos os lugares; oferecemos assistência médica e de reabilitação consolidada (Benguela); colaboramos em um centro social para idosos (Laferrere); retomamos o acompanhamento aos presos e suas famílias deixados por nossos Irmãos há algum tempo; realizamos com amor muitas atividades a serviço dos pobres e da Igreja; e continuamos a adoração perpétua ininterruptamente na capela de Salto. Quase todas as nossas presenças nos encontram ao lado dos Irmãos em colaboração nas atividades sociais, pastorais, vocacionais e formativas, a serviço das pessoas desfavorecidas, especialmente menores, adultos e idosos. A Congregação está crescendo com a presença de jovens em formação, cujas vocações florescem graças ao testemunho das Irmãs “mais velhas”, apaixonadas pelo carisma da paternidade de Deus e pelos sofrimentos da humanidade. Tocadas pela graça de novas vocações, o Carisma e nossos rostos são coloridos pelas muitas culturas que compõem a nossa Congregação.


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Rumo ao XII Capítulo Geral Desde março de 2019 trabalhamos intensamente para que a celebração dos Capítulos Gerais de nossas Congregações de Irmãos e Irmãs fosse fruto de um caminho de comunhão e sinodalidade de toda a Família Calabriana: Pobres Servos, Pobres Servas, Missionárias dos Pobres e Leigos. A pandemia fez-nos adiá-los, mas, suavemente, quase nos obrigou a empreender com mais determinação um caminho de reflexão partilhada e, também, de discernimento participativo. Como toda experiência, o início é sempre cheio de esperança para projetos e expectativas. Começamos com muito entusiasmo, com fortes motivações, depois a vida se compromete a ritmar o audacioso empurrão inicial em um passo mais lento, mais paciente. Ao longo do caminho há dificuldades, imprevistos, provações... este sexênio também será lembrado pela pandemia, um acontecimento doloroso que ainda não terminou. Fomos tocados pelo luto de Irmãs e Irmãos importantes, significativos para nossa Família Calabriana... perdemos Irmãs e Irmãos que abandonaram a Congregação por caminhos diferentes. Tudo isso purificou e revigorou nossa fé, alimentou nossa esperança e nossa capacidade de vislumbrar o sonho que Deus Pai tem para a Obra do futuro, e de responder ao chamado que Ele dirige a toda a Família Calabriana para viver “a profecia da comunhão”. Desejo ao Casante e a Madre do próximo sexênio que não tenham medo, porque não estão sozinhos. Somos uma família nascida de um Carisma e o Pai está à frente da Obra.

Madre Lucia Bressan


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CEP São João Calábria No dia 12 de março de 2022, a Obra Calabriana no Brasil celebrou 60 anos de atividades do Centro de Educação Profissional São João Calábria, em Porto Alegre. Nossa história está diretamente ligada à chegada da Congregação Pobres Servos da Divina Providência no Brasil em 1961, pois, no ano seguinte, foi a primeira atividade da Obra no país a ser inaugurada. Nos anos seguintes, o Calábria começa a tomar forma do projeto inicial com a construção da capela, salas de aula e demais locais. Após a fundação, em pouco tempo já funcionava o ginásio esportivo e a escola profissional para alunos do primeiro e segundo grau. Já em 1966 foram iniciados os cursos de Artes Gráficas e de Tornearia Mecânica. Ainda em 66, começou a funcionar o segundo curso profissionalizante no Calábria. O curso de Tornearia Mecânica prepara os alunos para operar tornos mecânicos, furadeiras de bancada e ajustagem manual.

Juntos somos mais: a Rede Calábria A gestão do Centro de Educação Profissional São João Calábria e do Centro de Promoção da Infância e da Juventude (CPIJ) foi integrada em 2016. O CPIJ, que completou 46 anos no dia 08 de março deste ano, também executava diversas iniciativas sociais e coordenava escolas de Educação Infantil em parceria com a prefeitura. Esta união foi o primeiro passo para a criação, em 2020, da Rede Calábria, que incorpora o CEP São João Calábria, o CPIJ, a Educação Infantil e a Associação Beneficente Nossa Senhora da Assunção. Juntas, as atividades atendem mais de 40 mil pessoas com 652 colaboradores. “Além de estarmos interligados enquanto rede, vamos unificar o processo de comunicação, desenvolvimento institucional e engajamento para as causas pelas quais investimos forças, energias e podemos dizer que é nossa contribuição social” – Conselho Operacional.

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Rede Calábria comemora 60 anos


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“A Obra é para os tempos atuais” Da escola regular em 62 e de alguns cursos de qualificação na mesma década, hoje o Calábria tem parceria com o poder público em diversas esferas e implementa projetos inovadores, como a Escola Startup, e atividades inéditas na cidade, como a República de Idosos. Atualmente o CEP São João Calábria aborda projetos e atividades com crianças, jovens, adultos e idosos. Os diversos públicos estão distribuídos em dezenas de projetos como serviços de convivência, educação, casas-lares e redes de proteção. A frase do fundador “a Obra é para os tempos atuais” sem dúvida ilustra como o carisma e a devoção aos ensinamentos de São João Calábria foram decisivos para todas as transformações e adaptações

do CEP São João Calábria aos novos cenários e vulnerabilidades da sociedade que demandam atenção. “Hoje começo de novo” – São João Calábria.

Confira mais sobre o Centro de Educação Profissional São João Calábria com o nosso E-book especial! Faça um cadastro gratuito e baixe o material: https://conteudo.calabria.com.br/ebook60anos Também confira o Relatório de Atividades de 2021 da Rede Calábria no endereço: http://relatoriodeatividades.calabria.com.br/


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O ser humano é um animal social, não se vive só, pois há uma necessidade intrínseca em sua natureza de estabelecer relações. Mesmo quando estamos sozinhos em nossos quartos, se olharmos à nossa volta, estamos rodeados de coisas que outros criaram e fizeram, e que hoje estão sobre nosso uso. Um livro, um lápis, um móvel, um celular... quantas mãos deixaram suas marcas em cada uma dessas coisas. O arroz, o feijão, a carne, o sal, o açúcar... coisas tão rotineiras da nossa vida. Quem os cultivaram? Quem os refinaram? Quem os empacotaram? O celular, algo tão comum e tão necessário hoje; e se você tivesse toda a matéria prima para fazer o próprio celular, conseguiria? Precisamos dos outros para vivermos e sobrevivermos. A questão é ter a humildade para admitir tal coisa. O coração orgulhoso e cheio de si não é capaz de reconhecer esta verdade e, por isso, não é capaz de viver autenticamente uma relação fecunda com o próximo. O Papa Francisco diz que é preciso preparar nossos corações para o encontro com os irmãos, independentemente das diferenças que estes possuem (cf. Fratelli Tutti, n. 254). Da mesma forma que tantas coisas carecem de um preparo, de um esforço, de um exercício, assim também é a relação com o próximo. É preciso purificar-se de qualquer tipo de orgulho, que às vezes se disfarça de “amor próprio”; é necessário revestir-se de humildade e paciência. Amar o próximo é um mandamento e deve ser observado tanto quanto qualquer outro; na verdade, este mandamento, unido ao de amar a Deus sobre todas as coisas, é o resumo de todo o caminho de perfeição evangélica. Estes dois mandamentos da Palavra de Deus estão intimamente ligados. É bem simples de entender, na verdade: Deus é amor, logo, qualquer ação que seja amor, há ali, a presença de Deus; dessa forma, para amar os irmãos verdadeiramente, é preciso amar a Deus, e aprender d’Ele o que significa amar. Da mesma forma que, “se alguém declarar: ‘Eu amo a Deus!’, porém odiar a seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.” (1Jo 4,20) Contudo, amar é exigente. Que ninguém pense que amar é simples, não é só um sentimento; às vezes, sim, o amor surge como uma paixão ardente, mas, antes de tudo, amar é agir. É preciso estar pronto para fazer sacrifícios, diz Nosso Senhor: “Não há maior amor que dar a

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Fraternidade: amai a todos como irmãos


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vida pelos irmãos” (Jo 15,13). Para amar de verdade, é preciso estar disposto a sacrificar-se pelo outro. E aqui a questão não é sobre quem merece ou não ser amado; para amar alguém, não depende do que o outro fez ou deixou de fazer, mas da vontade determinada daquele que deseja amar a todos. Deus ama a todos. Jesus deu sua vida até por aqueles que o caluniaram. Peçamos que a graça de Deus venha em nosso auxílio para vivermos tal objetivo. Enquanto estivermos fanatizados pelo “amor próprio”, pela preocupação exacerbada com o “eu”, mergulhados no “e eu, como é que eu fico?”, “o meu tempo”, “as minhas coisas”, não seremos capazes de amar gratuitamente a ninguém. Para amar, para ir ao encontro do outro, em todos os sentidos, é preciso um certo “esquecimento de si”. Isto é, doar-se, sacrificar-se, isso é amar. Num simples encontro, por exemplo, as pessoas envolvidas estão doando, “sacrificando”, o seu tempo. Sacrificar significa tornar santo, “sacro-ofício”. Se Jesus colocasse a sua vida e seu bem-estar acima de tudo, não teria nos salvado pelo sacrifício da cruz. Soube deixar sua vontade de lado dizendo: “Meu Pai, se é possível, que passe de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas como tu queres” (Mt 26,40). Cada vez mais as nossas relações se tornam “virtuais”, diz o Sumo Pontífice: “As relações digitais, que dispensam da fadiga de cultivar uma amizade, uma reciprocidade estável e até um consenso que amadurece com o tempo, têm aparência de sociabilidade, mas não constroem verdadeiramente um ‘nós’” (Fratelli Tutti, n. 43). Uma verdadeira amizade, símbolo máximo do sentimento amoroso entre os “próximos”, é construída pouco a pouco, com muito empenho de ambas as partes. É válido fazer memória do exemplo usado também no Evangelho, da casa que é construída na rocha. As relações “virtuais”, somente aparentes, são como aquelas casas construídas na areia, com pouco esforço, pouco sacrifício, e que, com a mesma agilidade que foram construídas, se vão; mas aquela construída sobre a rocha, que de fato é de difícil construção, é firme, tem o valor daquelas coisas que são conquistadas com esforço e suor, não se abalam por qualquer coisa, não são “virtuais”, mas “concretas”.


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A fraternidade é necessária. Nós, Pobres Servos da Divina Providência, nestes últimos anos, em preparação para os XII Capítulos Gerais da Obra, estamos refletindo especificamente sobre o tema da fraternidade e sua vital importância, que, para nós, se traduz na frase de São João Calábria: “antes de tudo, olhai-vos como irmãos”. Muito se fala sobre liberdade e igualdade, muito se luta para conseguir tais coisas. Mas não é possível existir um mundo que todos se vejam igualmente livres, se não se verem antes de tudo como irmãos. Ser irmãos é necessariamente notar que se é igual ao outro, e que o outro merece e tem os mesmos direitos que você, apesar de toda e qualquer diferença. Contudo, isso vem com naturalidade, pois, antes de tudo, reconheceram-se como família. A fraternidade edifica e justifica uma sociedade de iguais e livres. O Pai que está nos céus, e em nossos corações, se alegra enormemente quando vê que seus filhos amados se amam, se comportam bem, são educados uns com os outros, e agem com misericórdia, da mesma forma que Ele faz. Ou que, no mínimo, estão se esforçando para amar, apesar de tudo quanto aparece para dificultar este caminho. Que a graça de Deus, e a intercessão da Virgem Maria, nos conduzam para o caminho da vida, o caminho do amor e da fraternidade. Fica o convite para cada um ter um contato direto com o texto da Fratelli Tutti, Carta Encíclica do Papa Francisco, que trata do tema “Fraternidade e amizade social” e a sua necessidade para os tempos atuais. É sempre bom ir às fontes.

“O Pai que está nos céus, e em nossos corações, se alegra enormemente quando vê que seus filhos amados se amam.” Irmão Deivid Ferreira da Silva, PSDP


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MISSãO CALABRIANA TEM NOVA CONFIGURAçãO NO MATO GROSSO DO SUL Desde o início deste ano de 2022, a presença da Obra Calabriana no Mato Grosso do Sul está diferente. A Congregação Pobres Servos não está mais presente na Paróquia Santuário Diocesano Imaculado Coração de Maria, em Nova Andradina, Diocese de Naviraí. Por outro lado, está novamente presente na Paróquia São João Batista, em Bataguassu, na mesma Diocese. A presença da Obra Calabriana em Nova Andradina se deu a partir do ano de 1968, quando o Pe. José Torresan e o Ir. Mário Bonomi vieram em missão para estas terras. A região leste, do então Estado do Mato Grosso, tinha muita necessidade da presença religiosa de padres para o acompanhamento espiritual das famílias que chegavam para tentar a vida. No dia 14 de dezembro de 2021, uma celebração de ação de graças presidida pelo bispo diocesano de Naviraí, Dom Ettore Dotti, marcou a despedida da Congregação em Nova Andradina. Já no dia 12 de fevereiro de 2022, com a celebração de posse do novo pároco, Pe. Éverton dos Santos, e do vigário, Pe. Itacir Gasparetto, a Congregação reassumiu a missão na Paróquia São João Batista, em Bataguassu. Ir. Lucianer Massolini também faz parte desta comunidade religiosa.

HISTóRICO DA PARóQUIA SãO JOãO BATISTA A Paróquia de Bataguassu foi criada no dia 1º de maio de 1954, tendo como primeiro pároco o Frei Luiz Maria Tomás das Flores, Capuchinho. Após alguns anos sendo atendida pelos padres da Diocese de Presidente Prudente, a Congregação assumiu oficialmente os cuidados dessa paróquia no dia 28 de agosto de 1971, tendo o Pe. João Amadori como pároco. Desde então, vários religiosos dedicaram parte de sua vida nessa missão, sendo que o último Pobre Servo que esteve atendendo a Paróquia, até o início do ano de 2001, foi o Pe. Ângelo Maschi. Fato histórico importante é que em Bataguassu foi instalada a primeira comunidade das Irmãs Pobres Servas da Divina Providência na América Latina, em 1974. Hoje elas não


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estão mais presentes no estado, mas todo o trabalho missionário realizado ainda produz muitos frutos. A população estimada pelo CENSO para Bataguassu é de 23.620 habitantes. A Paróquia atende a todo o município e possui 11 comunidades, sendo 6 na zona urbana e 5 na zona rural. O número de pastorais, movimentos, serviços e conselhos corresponde a 24. Na dimensão social, além do acompanhamento às famílias realizado pelos Vicentinos, a Paróquia atende aproximadamente 100 crianças, em duas unidades da Caritas Paroquial. As Pequenas Irmãs da Sagrada Família oferecem o serviço de creche através do Centro de Educação Infantil Irmã Pura Pagani, atendendo cerca de 300 crianças.

A PRESENçA NO MS Paróquia São João Calábria e Centro de Orientação Vocacional Rainha dos Apóstolos (Campo Grande); Paróquia São Vicente de Paulo (Ponta Porã); Paróquia Santo Antônio de Pádua (Batayporã); Paróquia Nossa Senhora Aparecida (Taquarussu); Paróquia São João Batista (Bataguassu). Vale destacar a presença dos Leigos Calabrianos que permanecem na Paróquia Santuário Imaculado Coração de Maria em Nova Andradina, e na Paróquia São João Batista em Anaurilândia, cidade na qual o dia 8 de outubro, dia de São João Calábria, é feriado municipal. Pe. Everton Rodrigues Soares dos Santos, PSDP

Mato Grosso do Sul

Campo Grande Bataguassu Batayporã Ponta Porã Taquarussu


MISSÃO

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DEPOIMENTOS PE. JAIME BERNARDI, PSDP Louvo e agradeço a Deus por ter passado esses últimos anos na Paróquia Santuário Diocesano do Imaculado Coração de Maria em Nova Andradina. Uma Paróquia viva, dinâmica, estruturada e bem organizada, com muitas Comunidades, Pastorais, Movimentos e Serviços. É uma Comunidade Paroquial voltada para os mais necessitados e sempre pronta a ajudar em todas as necessidades da Igreja. Sempre nos sentimos bem, apoiados e estimados. Que Deus e o Imaculado Coração de Maria derramem muitas graças e bênçãos sobre todo o povo de Nova Andradina. PE. ITACIR GASPARETTO, PSDP O melhor agradecimento não passa pelas palavras, mas sim pelas ações. Minha gratidão ao povo de Nova Andradina pelo carinho, incentivo, paciência, atenção, e principalmente pela demonstração de fé durante esses onze anos de vigário paroquial no Santuário Imaculado Coração de Maria. Meus agradecimentos por suportar meus defeitos, tolerar meus humores e, principalmente, por me entender. PE. JOSÉ HAROLDO, PSDP Os dois anos que trabalhei em Nova Andradina foram anos muitos ricos que me ajudaram a fortalecer a fé e a viver meu ministério com mais amor e dedicação. Foram dois anos intensos por causa da pandemia, mas muito gratificantes e desafiadores para levar as pessoas à confiança e à fé em Deus Pai Providente. Eu agradeço por fazer parte desta história.


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Profissões Religiosas e Trienais No dia 12 de dezembro de 2021, aconteceu a Profissão Trienal do Irmão Josmar Ferraz de Souza, no Santuário Imaculado Coração de Maria, em Nova Andradina MS. A Santa Missa foi presidida pelo Casante, Padre Miguel Tofful.

"Alegrai-vos no Senhor, repito, alegrai-vos."


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A Madre Lucia Bressan acolheu os primeiros votos das Noviças, agora Irmãs Pobres Servas da Divina Providência: Angélica Maria Esquievel Ibarra (Paraguai); Juscelia Bessa Santos (Brasil); Laurinda Queta Mateque (Angola); Luzia Antônio (Angola). O lema escolhido pelas Noviças foi: “E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28,20). O Padre Miguel acolheu os Votos Trienais do Irmão Rafael Pedro Susrina, que professou com o lema “Isto é o que ordeno: amaivos uns aos outros.” (Jo 15,17), desejando viver esse mandato de Jesus Cristo, onde for enviado em missão que, nesse caso, continuará na comunidade do Abrigo João Paulo II, em Porto Alegre. Além das Profissões, em Quixadá, Irmã Letícia Souza de Lima e Irmã Arlete Miorelli celebraram 25 anos de Profissão Religiosa, em Missa Solene com Dom Adélio Tomasin, PSPD. O Irmão Roque Kasmirski também celebrou 25 anos de Vida Consagrada. Nossa oração afetuosa e sincera para que nossas Irmãs e Irmãos se tornem cada vez mais “Evangelhos Vivos”.

“E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.” (Mt 28,20)


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“Cristo vive: Ele é a nossa esperança, e a mais bela juventude deste mundo!” Papa Francisco

Vocação é um chamado amoroso de Deus ao meu coração para colocar a minha vida e os meus talentos a serviço da humanidade. Sentido da vida: sou amado por Deus, sou imagem e semelhança de Deus, e tenho um projeto a realizar neste mundo. Quem é de Deus, anuncia GOOD NEWS (boas e verdadeiras notícias, e não difama o outro). Quem não é Deus, propaga FAKE NEWS (falsidade, maldade e difamação).

Qual evangelho precisamos anunciar e praticar hoje? Evangelho do amor, Evangelho da esperança, Evangelho da fé.

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O sentido da vida a partir do chamado de Deus: Esperança em tempos de desespero


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O que a Palavra de Deus diz sobre os jovens no Antigo Testamento? Em uma época em que os jovens contavam pouco, alguns textos mostram que Deus nos olha com outros olhos. Por exemplo: • José era o menor da família (Gn 37,2-3). Mesmo assim, Deus lhe comunicava coisas grandes em sonhos e superou a todos os seus irmãos em importantes tarefas quando tinha 20 anos (Gn 3747). “Vendo os irmãos que o pai o amava mais do que a todos eles, odiavam-no”. • Samuel era um adolescente inseguro, mas o Senhor se comunicava com ele. Graças ao conselho de um adulto, ele abriu o coração para ouvir o chamado de Deus. “Fala, Senhor, teu servo escuta!” (1Sm 3,910). • Davi era um jovem quando foi escolhido por Deus. Ele cuidava das ovelhas (1Sm 16,6-13). “O homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração”. A glória da juventude está no coração, mais do que na força física ou na impressão que alguém causa nos outros. Não era guerreiro, mas confiava em Deus. Com a coragem que encontrou em Deus, ele venceu um gigante (Golias) e depois se tornou rei. • Salomão, quando teve que suceder seu pai, sentiu-se perdido e disse a Deus: “mas eu sou apenas um menino e não sei como proceder” (1Rs 3,7b). No entanto, a audácia da juventude o levou a pedir a Deus sabedoria para assumir sua missão. Algo semelhante aconteceu com o profeta Jeremias, chamado quando muito jovem para despertar seu povo. Em seu temor, disse: “Ah, Senhor Deus, eu não sei falar, sou apenas um jovem” (Jr 1,6). Mas o Senhor pediu-lhe que não dissesse isso (Jr 1,7) e acrescentou: “Não tenhas medo deles, pois estou contigo para te livrar” (Jr 1,8).

O que a Palavra de Deus diz sobre os jovens no Novo Testamento? Jesus, o eternamente jovem, quer nos dar um coração sempre jovem. E, quando explica o que é revestir-se dessa juventude “que se renova”, diz que é ter “sentimentos de compaixão, bondade, humildade, mansidão, paciência: suportai-vos uns aos outros e, se um tiver motivo de queixa contra o outro, perdoai-vos mutuamente” (Cl 3,12-13). Isso significa que a verdadeira juventude é ter um coração capaz de amar. Jesus pedia: “o maior entre vós seja como o mais jovem” (Lc 22,26b). Para Ele, a idade não estabelecia privilégios, e o fato de que alguém fosse menor de idade não significava que valesse menos ou que tivesse menos dignidade. A Palavra de Deus diz que os


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jovens devem ser tratados “como irmãos” (1Tm 5,1), e recomenda: “Pais, não irriteis vossos filhos, para que eles não percam o ânimo” (Cl 3,21). Um jovem não pode estar desanimado: é próprio dele sonhar coisas grandes, buscar horizontes amplos, ousar mais, querer conquistar o mundo, ser capaz de aceitar propostas desafiadoras e querer dar o melhor de si para construir algo melhor. O Evangelho também nos fala de cinco jovens prudentes, que estavam preparadas e atentas, enquanto outras cinco viviam distraídas e adormecidas (Mt 25,1-13). Dois modos de viver a juventude: JUVENTUDE INFELIZ (SAD): a pessoa pode passar sua juventude distraída, voando pela superfície da vida, entorpecida, incapaz de cultivar relacionamentos profundos e entrar nas profundezas da vida. Desse modo, prepara um futuro pobre, sem substância e sem brilho. JUVENTUDE FELIZ (HAPPY): a pessoa pode gastar sua juventude para cultivar coisas belas e grandes, e assim preparar um futuro cheio de vida e riqueza interior. Se você perdeu o vigor interior, os sonhos, o entusiasmo, a esperança e a generosidade, Jesus se apresenta diante de ti como se apresentou diante do filho da viúva que havia morrido e, com todo o seu poder de Ressuscitado, o Senhor te exorta: “Jovem, eu te digo, levanta-te!” (Lc 7,14).

O QUE DEUS ESPERA DE NóS HOJE: A contribuição mais valiosa que podemos dar em nosso tempo de desespero é continuar, por causa da nossa fé, a agir com esperança, e assim sermos um estímulo para aqueles que perderam toda esperança. Falar com sabedoria e educar o nosso coração para o amor, para a paz, para a solidariedade, para a fraternidade.

Pe. Adriano Carminatti, PSDP


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Oração ao Criador Senhor e Pai da humanidade, que criastes todos os seres humanos com a mesma dignidade, infunde nos nossos corações um espírito fraterno. Inspirai-nos o sonho de um novo encontro, de diálogo, de justiça e de paz. Estimulai-nos a criar sociedades mais sadias e um mundo mais digno, sem fome, sem pobreza, sem violência, sem guerras. Que o nosso coração se abra a todos os povos e nações da terra, para reconhecer o bem e a beleza que semeastes em cada um deles, para estabelecer laços de unidade, de projetos comuns e de esperanças compartilhadas. Amém.


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EXPEDIENTE Diretor Geral: Padre Gilberto Bertolini Coordenação, redação e edição: Padre Hermes José Novakoski Conselho Editorial: Irmão Deivid Ferreira da Silva, Heloisa Fernandes, Irmã Justina Danieli, Irmão Rafael Pedro Susrina. Projeto Gráfico e Diagramação: Agência Arcanjo NÃO CONTÉM PUBLICIDADE

A ponte é uma publicação trimestral da Congregação Pobres Servos da Divina Providência, disponibilizada online a exalunos, amigos, benfeitores e a todos os que desejam ter acesso. Está registrada no Cartório de Registro Especial No 147, Livro B, No 1, folha 96. Contribuições espontâneas para a revista devem ser enviadas sempre em nome do INSTITUTO POBRES SERVOS DA DIVINA PROVIDÊNCIA, através da conta: Canta Econômica Federal - AG 0436–7 | Op: 03 CC: 1062-1. Correspondências relativas à Revista devem ser enviadas à REDAÇÃO, no seguinte endereço: Revista A PONTE - Rua Aracaju, 650 - B. Nonoai - Porto Alegre, RS | CEP 91740320 | Telefone/Fax: 51 3237-5061 E-mail: aponte@pobresservos.org.br www.pobresservos.org.br/a-ponte