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Órgão Internacional dos Adventistas do Sétimo Dia

Ma i o 201 4

Lembranças das alegrias e desafios do serviço missionário

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Compaixão

Local

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Fora de

Babilônia

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Ref letir

Sua Glória


Ma io 2 01 4

A R T I G O

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D E

C A P A

O Diário

William Robinson

Missionários comprometidos até a morte.

14 Manhã da Ressurreição C R E N Ç A S

F U N D A M E N T A I S

Frank M. Hasel

Quando o último inimigo for vencido.

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V I D A

A D V E N T I S T A

Um Congestionamento Providencial

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V I S Ã O

M U N D I A L

Como Funciona a Igreja – Parte 2

Compreendendo os planos de Deus.

22 Batalha de Serpentes D E V O C I O N A L

Ted N. C. Wilson

Heather e Bill Krick

O auxílio divino no momento da provação.

24 Fora de Babilônia H I S T Ó R I A

11 Compaixão Local

Waldberga Müller

No corpo de Cristo cada membro deve desempenhar sua função.

A R T I G O

E S P E C I A L

A D V E N T I S T A

Bill Knott entrevista Jonathan Duffy, presidente da ADRA (AG).

Eugene Zaytsev

O poder transformador do evangelho entre comunistas e ateus.

SEÇÕES 3 N O T Í C I A S

DO

MUNDO

3 Notícias Breves 6 Notícia Especial

10 S A Ú D E N O M U N D O Cuidando de Familiares Idosos

27 E S T U D O B Í B L I C O O Dia Seguinte ao Amanhã

RESPOSTAS 26 

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PERGUNTAS

A BÍBLICAS

Refletir Sua Glória

www.adventistworld.org On-line: disponível em 11 idiomas Tradução: Sonete Magalhães Costa

Adventist World (ISSN 1557-5519) é editada 12 vezes por ano, na primeira quinta-feira do mês, pela Review and Herald Publishing Association. Copyright (c) 2005. V. 10, Nº 5, Maio de 2014.

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TROCA

DE

IDEIAS


Mais Coragem

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N ot í cias do M u ndo

Evangelismo em Angola

EVANGELISMO ALÉM-MAR: Cooperação entre ministério leigo dos Estados Unidos e liderança da Igreja em Angola resulta em mais de 23 mil batismos. S I D

esde seu início, a missão adventista tem exigido risco, sacrifício e comprometimento. Em 1863, a mulher que se tornou a primeira missionária adventista internacional compreendeu a responsabilidade desse chamado, e partiu da cidade de Nova York (EUA) para Serra Leoa (África). A declaração de bordo do navio Triton, que transportou a americana Hannah More até as tribos Mendi, lista seus pertences pessoais: dois baús, uma caixa com roupas e sapatos e “um caixão” da G & Coffin no valor de US$16.95. Hanna More, crendo na direção do Espírito Santo para servir a Deus longe da terra natal, levou a “mortalha e o caixão” necessários para seu enterro. Ela não esperava sobreviver ao serviço missionário na África. Escreveu para uma amiga rica sobre “a importância de estar preparada para morrer a qualquer hora, sem nenhum temor”. Pela providência de Deus Hannah não morreu. Treze anos depois, quando se tornou adventista ao ler a revista Advent Review and Sabbath Herald (Revista Adventista e Arauto do Sábado, atual Revista Adventista), ela seguiu ganhando conversos e plantando igrejas ao longo da costa ocidental africana. Tudo isso aconteceu uma década antes de John Nevins Andrews (oficialmente, o primeiro missionário adventista) e os filhos partirem para a Europa, para também viverem sua própria história de sacrifício. Para Hannah e milhares de missionários que a sucederam, “tomar” a cruz era algo real, muito mais do que uma metáfora. Em todo o globo, centenas deles jazem em sepulturas obscuras, esperando pelo dia quando o Senhor lhes dará a recompensa que nunca imaginaram durante seus anos difíceis de trabalho. Ao ler “O Diário”, fantástico artigo de capa deste mês, sobre os primeiros anos da missão adventista na Jamaica, ore por duas coisas: 1. Pelos milhares de missionários, voluntários ou assalariados, que trabalham em todo o mundo; 2. Para ter coragem de tomar decisões difíceis e ir aonde o Espírito o guiar.

■■ Em 2013, a Divisão Sul-Africana-Oceano Índico (SID) solicitou cinco contêineres de literatura para o projeto evangelístico em Luanda, Angola. As igrejas precisavam de materiais missionários para 50 mil pessoas, as quais esperavam que participassem da série evangelística. A literatura foi usada na preparação e no pós- evangelismo. O ministério Light Bearers enviou os materiais para Angola e outros oito países. Os obreiros bíblicos usaram o material por oito meses, matriculando milhares de angolanos nos cursos bíblicos. As conferências foram realizadas e culminaram com uma série de colheita no mês de setembro, com a presença de aproximadamente 60 mil pessoas. James Rafferty, um dos oradores, ficou impressionado com o impacto causado pelas literaturas dos Light Bearers. Mais de 23 mil pessoas foram batizadas. Cada contêiner transportou mais de 2 milhões de publicações com a mensagem do evangelho. A quantidade total de literatura enviada, em português, foi de 6,4 milhões de unidades. Cada folheto continha uma mensagem completa, um sermão inteiro. Devido ao sucesso do evangelismo, solicitaram que enviassem outro contêiner de literatura para o pós-evangelismo. Isso foi

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N ot í cias do M u ndo

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UNIDOS EM ORAÇÃO: Tensões políticas e militares na Ucrânia fazem adventistas ucranianos e russos se unirem e pedir orações pela situação em seus países.

Projeto Calebe no Peru

A ç õ e s

■■ Um comunicado divulgado pelos líderes da Igreja na Rússia, Ucrânia e outros países do Leste Europeu “convida os membros e as pessoas de boa vontade, a participar do ‘ministério da reconciliação’”, enquanto não há entendimento político na região. Na Crimeia, separatistas pró-russos votaram recentemente a secessão da Ucrânia para se unir à Rússia depois que milhares de tropas russas começaram a patrulhar a disputada Península do Mar Negro. Mais de 2,3 milhões de pessoas na Crimeia se identificam etnicamente como os russos. A agitação na região começou em novembro de 2013 quando o ex-presidente ucraniano, Viktor Yanukovych, desistiu do acordo comercial com a União Europeia em favor de um empréstimo da Rússia. A decisão estimulou meses de protestos em Kiev, e violentos confrontos entre manifestantes e polícia. Em fevereiro, o parlamento democraticamente eleito da Ucrânia depôs Yanukovych.

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Adventistas da Rússia e Ucrânia Pedem Orações da Igreja

da Divisão Euro-Asiática, União Bielorrussa, União Missão do Cáucaso, União Missão Russa Oriental, União Oriental, União da Moldova, União Missão do Sul, Missão União TransCaucasiana, União Ucraniana e União da Rússia Ocidental. Enquanto isso, a rede de televisão oficial da Igreja na Ucrânia está transmitindo uma maratona diária de oração, ao vivo. “Deus Salve a Ucrânia” vai ao ar no Canal Hope Ucrânia durante o horário nobre, e destaca histórias de unidade e perdão em todo o país. “Somos a única rede de televisão cristã no país a responder diretamente à crise política”, informaram os responsáveis pela mídia adventista. – Equipe da ANN

Viktor Alekseenko, presidente da Igreja na Ucrânia, pediu aos adventistas que orem por seu país, e aconselhou os membros a não enviar comentários inflamados. Alekseenko está entre os líderes das igrejas que assinaram a última declaração, convidando os membros adventistas e a comunidade para ajudar a “restaurar a dignidade humana, a igualdade e a unidade, pela graça de Deus”. Trechos do comunicado : “Apelamos a todos os membros da Igreja Adventista que se abstenham de participar de declarações e ações que possam aumentar as tensões políticas. Convidamos a todas as pessoas de boa vontade para que se unam a nós na manutenção da paz e da oração persistente por uma resolução pacífica de todos os conflitos, bem como para criar uma atmosfera de fraternidade e cooperação, contribuindo assim para a compreensão das diferentes culturas e sistemas ideológicos e para construir boas relações entre pessoas de todas as raças, nacionalidades, religiões e crenças políticas. “Esta é a posição oficial da Igreja. Quaisquer outras declarações que possam aparecer fora dos meios de comunicação oficiais da Igreja devem ser consideradas particulares.” A declaração foi assinada por líderes

M í di a

possível devido ao auxílio financeiro da Federação dos Empresários Adventistas da América do Norte (ASI). – ASI Connections

■■ Entre os dias 6 a 15 de fevereiro, aproximadamente 12 mil jovens voluntários do sul do Peru, comprometidos com a missão de evangelizar as grandes cidades, participaram do projeto evangelístico Missão Calebe 5.0. Esse é o quinto ano consecutivo em que o projeto é realizado. Os participantes dedicam dez dias de suas férias para realizar ações solidárias, visitar famílias e pregar a Palavra de Deus. Neste ano, o alvo da Unión Peruana del Sur (UPS) foi Cusco, uma cidade que atrai muitos visitantes estrangeiros. Os jovens realizaram as seguintes atividades comunitárias: limparam ruas e avenidas principais, participaram da campanha de doação de sangue (“Vida por Vida”), plantaram mais de doze mil pinheiros e reformaram escolas públicas.


Newbold College Passará por “Reestruturação” ■■ A comissão de Ensino Superior do Newbold College votou no dia 10 de fevereiro reestruturar o colégio nos próximos 18 meses. A “proposta modelo” requer um aumento de cem alunos de tempo integral nos próximos dois anos. Bertil Wiklander, presidente da Divisão Transeuropeia (TED) e presidente da comissão, anunciou o projeto recentemente aos membros da comissão e funcionários. “Não haverá grande redução no número de funcionários, custo operacional e apropriações, mas um realinhamento de pessoal para

A R F e e z e r

mas a satisfação que sentimos não pode ser descrita em palavras”, disse um porta-voz dos voluntários. Entre os convidados de honra estavam Armando Miranda, vice-presidente da AG; Areli Barbosa, diretor do Ministério Jovem da DSA e Polycarpo Corimanya, prefeito distrital de San Jerónimo (Cusco), que apoiou a iniciativa e elogiou a dedicação dos jovens a Deus e à sociedade. A Missão Calebe 6.0 será realizada em Huancayo, em 2015.

J o h n

Eles também ofereceram grupos de apoio a clínicas e realizaram um desfile para promover a boa cidadania. Durante o desfile, foram distribuídos 125 mil exemplares do livro missionário La Unica Esperanza. No dia 14 de fevereiro, quando é celebrado o Valentine’s Day (Dia dos Namorados) no país, os participantes foram às ruas distribuindo abraços aos transeuntes. Após o abraço fraternal, os voluntários oravam com as pessoas. Vestidos com trajes amarelo e preto, eles chamaram a atenção da mídia, que promoveu suas atividades. Alguns órgãos de comunicação elogiaram o projeto como “modelo”. A campanha também foi realizada em Ayacucho, Juliaca, Cañete, Tacna e Pucallpa. Os participantes foram encorajados a organizar programas e compartilhar a mensagem de esperança, todas as noites. O trabalho realizado pelos jovens causou tal impacto na população que obteve o reconhecimento e elogio das autoridades desses locais. “Muito obrigado pelo tempo gasto realizando esse trabalho social. Espero que outros jovens também desejem servir como vocês”, disse Edwin Lizarbe, prefeito de Yarinacha (Pucallpa). No encerramento do projeto, líderes adventistas da Associação Geral (AG) e da Divisão Sul-Americana (DSA) relataram que mais de 1.800 pessoas aceitaram a Cristo e foram batizadas. “Esses dias não foram fáceis,

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PLANTANDO PARA O AMANHÃ: Jovens do projeto Missão Calebe 5.0, em Cusco, no Peru, atuando na comunidade, escolas e parques. Armando Miranda, vice-presidente da Associação Geral (esquerda), também participou da campanha.

crescimento. Esta é uma boa campanha de marketing e de recrutamento para alcançar metas ambiciosas”, acrescentou Wiklander. Phillip Brown, diretor do Newbold e secretário da comissão, disse que a parte importante da iniciativa é estabelecer o Centro de Liderança Cristã. “O colégio trabalhará em parceria com a União Britânica (BUC) e a Associação do Sul da Inglaterra, para oferecer oportunidades de desenvolvimento profissional aos pastores, anciãos e outros líderes ministeriais, bem como cursos de formação para leigos e jovens que queiram aprimorar suas habilidades para servir e apoiar sua igreja”, comentou Brown. O colégio também está procurando expandir sua parceria com nossos seminários na Polônia, Hungria, Croácia e Sérvia, e oferecer o diploma de teologia para as regiões bálticas da Europa. O novo projeto para esse verão será

PLANO PARA 18 MESES: Newbold College, na Inglaterra, apresenta planos para aumentar o número de matrículas e oferta de cursos.

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N ot í cias do M u ndo

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N S D

NOTA ALTA: A Escola Adventista de Ensino Médio Daejeon Sahmyook, na Coréia do Sul, alcançou a 12ªposição entre mais de 3.200 escolas do país, em 2013. Seu objetivo é “promover a excelência global e a criatividade nos alunos”.

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■■ Na Coreia do Sul, após a avaliação escolar de 2013, a Daejeon Sahmyook Middle School (Escola Adventista de Ensino Médio) está agora entre as

C o r t e si a

Escola Adventista É Destaque

melhores escolas do país, ocupando a 12ª- posição entre as 3.225 escolas existentes. O objetivo da escola é “promover a excelência global e criatividade nos alunos” por meio da educação adventista, desenvolvimento do caráter e crescimento acadêmico. Acima de tudo, a Escola de Ensino Médio Daejeon Sahmyook promove conhecimento, ética e desenvolvimento físico, baseado no conselho bíblico “ame ao próximo como a si mesmo”. A escola goza de um ambiente educacional excelente. Para criar uma atmosfera de conforto e contentamento, onde os alunos podem se sentir em casa, as salas de aula e corredores foram planejados semelhantes aos de uma casa. Os alunos podem se sentar ou deitar para ler os livros e brincar durante o recreio. Desde 2010, as escolas em todo país tem promovido o lema “escola sem violência”. Mas enquanto outras escolas instalam circuitos fechados de TV e usam outros meios para prevenir o bullying e a violência, a Escola Daejeon Sahmyook se concentra em educar os alunos para uma vida cristã exemplar e um caráter reto, mostrando amor pela humanidade. O desejo da escola é ser a cabeça, não a cauda. Como observado pelo diretor Kim JoonSup: “Nossa escola fará seu melhor para ensinar a compaixão e o amor, levar nossos alunos a ser ativos e criativos por meio de todos os

F o t o :

a Certificação em Saúde e Bem-Estar, oferecida no campus do Newbold, no período de julho a agosto. Os módulos incluem: Princípios de Saúde, Preparo Físico para a Vida, Nutrição, Plano Pessoal de Exercícios e Saúde do Consumidor. “Somos abençoados por ter alguns dos melhores educadores adventistas internacionais na área da saúde e bem-estar, entre eles o Dr. Winston Craig, Dr. Jochen Hawlitschek, Dr. Fred Hardinge, Dominique Wakefield e Dr. Per de Lange. Esses educadores serão apoiados pelos profissionais médicos da BUC, Dr. Chidi Ngwaba e Dr. Christopher Levy”, informou Brown. O colégio também está empenhado em reestruturar seus programas acadêmicos e cursos de curta duração para oferecer uma educação mais ágil e eficaz a todos os interessados, com ênfase específica na educação ministerial e nas necessidades de formação dos vários campos da TED, que inclui a BUC. – Kirsty Watkins, União Britânica

métodos apropriados. Continuaremos a realizar nosso trabalho num espírito de humildade e serviço.”

Líderes e Estudantes Participam de Evento On-line ■■ Líderes da Igreja conversaram com estudantes de teologia das doze universidades no território da Divisão Interamericana (IAD) durante o Webcast, promovido no mês de março. O evento on-line aconteceu no campus da Universidade de Montemorelos, no México, no dia 4 de março, e foi transmitido pelo canal de TV da IAD. “Na medida em que os tempos mudam, como líderes da IAD, também desejamos alinhar nossos objetivos com os pastores, que liderarão a igreja do futuro”, disse Hector Sanchez, secretário ministerial da IAD e organizador do evento. “Outros Campos estão solicitando esse recurso precioso que a IAD está utilizando, a fim de conhecer mais e auxiliar aos pastores que estão iniciando seu ministério.” Quando iniciam a carreira, muitos pastores têm de se mudar para regiões remotas, dirigir várias congregações e constituir uma família, enquanto se familiarizam com o ministério, explica Sanchez. “É fundamental que ele, então, saiba o que esperamos dele quando estiver no campo; qual é o crescimento da igreja na IAD; seu papel como evangelista e líder; e do apoio da esposa; etc.” O programa incluiu palestras, fórum para debates e períodos especiais de oração. – Libna Stevens, Divisão Interamericana


F o t o :

C o r t e si a

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I R L A

Festival de

Liberdade Religiosa

Equipe da ANN

Foi Destaque no Haiti Advogados Propõem Dia Nacional da Liberdade Religiosa

A

realização do Festival de Liberdade Religiosa, em fevereiro, no Haiti, consolidou a Igreja Adventista como uma das principais defensoras da liberdade de expressão no país. Organizado pela União Missão Haitiana e patrocinado pela Associação Internacional de Liberdade Religiosa (IRLA), ligada à Associação Geral (AG), o evento atraiu mais de 3.000 apoiadores à capital, Porto Príncipe, para celebrar a liberdade de crença e promover a liberdade religiosa no Caribe. A cidade de Porto Príncipe ainda está se recuperando do terremoto devastador que, em 2010, causou prejuízos da ordem de 8 milhões de dólares à nação considerada a mais pobre do Hemisfério Ocidental. Dois furacões ocorridos em 2012 complicaram ainda mais os esforços para sua reconstrução. “O povo do Haiti têm demonstrado grande coragem e extraordinária capacidade de sobrevivência […] A

liberdade religiosa é um dos tesouros que os haitianos têm e querem manter”, disse John Graz, secretário-geral da IRLA. O festival fez parte do I Congresso de Liberdade Religiosa no Haiti. Centenas de advogados, ativistas de direitos humanos, líderes governamentais e representantes religiosos, reuniram-se para dois dias de palestras e seminários, destacando a coexistência pacífica entre a maioria dos grupos religiosos no país. Os participantes se comprometeram a organizar uma sociedade haitiana da IRLA e solicitar ao governo uma data no calendário civil para o Dia Nacional de Liberdade Religiosa. – Outras recomendações foram: O congresso pede ao governo para respeitar a separação entre Igreja e Estado. O congresso condena todo ato de intolerância, discriminação e violência dirigida no passado contra indivíduos ou grupos devido a sua religião ou crença. O congresso expressa solidariedade para com todos os grupos e indivíduos que são vítimas de violações da liberdade

FESTIVAL DE LIBERDADE: John Graz, diretor de Relações Públicas e Liberdade Religiosa da Associação Geral (centro); divide o palco com Theart St. Pierre, presidente da Missão Haitiana; Elie Henry, secretário da Divisão Interamericana e outros, no Festival de Liberdade Religiosa realizado em Porto Príncipe, Haiti.

religiosa em todo o mundo. Marie Carmelle Rose Anne Auguste, ministra dos Direitos Humanos do governo haitiano, chamou a liberdade religiosa de “direito essencial”, durante seu pronunciamento. “É por intermédio do livre exercício da consciência que a alma individual e a alma da nação são fortalecidas”, disse ela. François Clavairoly, presidente da Federação Protestante Francesa, e um grupo de líderes religiosos de Paris deram uma “dimensão internacional” ao evento, mencionou Graz. O Haiti é a única nação independente predominantemente de língua francesa nas Américas. Outras denominações protestantes, a Igreja Católica, o Exército da Salvação e algumas religiões sincréticas enviaram seus representantes. Religiões sincréticas como o vodu são amplamente praticadas no Haiti. Outro festival de liberdade religiosa está planejado para 2015, também em Porto Príncipe. n

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V I S Ã O

UM MEMBRO, UM VOTO: A Igreja Adventista do Sétimo Dia adota a forma representativa de administração, significando que cada membro tem voz ativa.

M U N D I A L

Como

Funciona a Igreja

Ted N. C. Wilson

Unidade, Estrutura e Autoridade – Parte 2

N

o mês passado, descrevemos brevemente como a Igreja foi organizada e por que isso é importante. No entanto, se não formos cuidadosos, a organização pode se transformar em um fim em si mesma. Jamais devemos nos esquecer de que o propósito da organização é cumprir efetivamente a missão da igreja – levar Cristo a este mundo que agoniza, proclamar Sua mensagem e anunciar Seu breve retorno. Cristo é o cabeça da igreja. Às vezes, as pessoas pensam que a Associação, a União, ou a Associação Geral sejam a cabeça, mas não são. Todos os que servem em cargos de liderança estão ali para liderar como Cristo liderou, não por ordens autoritárias mas pelo exemplo de bondade e serviço amoroso.

Fundamentados na Bíblia

A organização e as atividades de nossa Igreja estão fundamentadas nos princípios e conselhos da Bíblia e do Espírito de Profecia. “Foi na ordenação dos doze que se deram os primeiros passos na organização da igreja”, lemos no livro Atos dos Apóstolos, p. 18. À medida que a igreja primitiva

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cresceu, tornou-se evidente que os apóstolos precisavam de ajuda. “Não é certo negligenciarmos o ministério da palavra de Deus, a fim de servir às mesas”, disseram eles (At 6:2). Assim, foram nomeados os primeiros diáconos (At 6:1-7). Eles deviam ser homens “de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria” (At 6:3, ARA). Além dos doze discípulos, servindo como líderes espirituais e os diáconos para cuidar das questões mais práticas, a igreja primitiva também ordenou anciãos, como descrito em Atos 14:23. Os anciãos são mencionados também em Atos 11:30 e 15:6, 22. Eles atuavam como líderes espirituais locais. O modelo que seguiram foi o mesmo que Moisés recebeu de seu sogro. Jetro observou que Moisés liderava sozinho, “desde a manhã até a tarde”, então, o aconselhou: “Você e seu povo ficarão esgotados, pois essa tarefa lhe é pesada demais. Você não pode executá-la sozinho” (Êx 18:17-18). E disse: “escolha dentre todo o povo homens capazes, tementes a Deus, dignos de confiança e inimigos de ganho desonesto. Estabeleça-os como chefes de mil, de cem, de cinquenta e

de dez” (v 21). As qualificações desses líderes foram especificadas. Os “princípios de Jetro” certamente ajudaram a igreja primitiva a crescer. “A organização da igreja em Jerusalém deveria servir como modelo para a organização de igrejas em todos os outros lugares em que mensageiros da verdade conquistassem conversos ao evangelho” (Atos dos Apóstolos, p. 91, 92). Ordem e Atividade Harmoniosa

Deus dirigiu o estabelecimento e a organização da Igreja Adventista. Embora a Igreja tenha começado com um pequeno grupo de fiéis, rapidamente aumentou para milhares até o ano em que a Associação Geral foi oficialmente organizada, em 1863. À medida que a Igreja cresceu, sua estrutura e organização também cresceu para que “a ordem e a ação harmoniosa se pudessem manter” (Ibid., p. 92). A razão da existência da Associação Geral, Divisões, Uniões e Associações é oferecer um sistema de serviço, mantendo a ordem e uma ação harmoniosa, enquanto a igreja avança na missão dada por Deus proclamando


Nenhum membro da igreja deve se sentir excluído ou isolado dessa estrutura, como se não tivesse voz.

Sua verdade como revelada na Bíblia (Ap 14) nestes últimos dias. Sistema Representativo

Como Adventistas do Sétimo Dia, cremos na forma representativa de governo. Nossa igreja não está organizada para que as praxes, ações e atividades sejam “ditadas ou impostas” por algum líder, ou líderes da Associação Geral. Estamos aqui somente para facilitar os desejos coletivos da Igreja de Deus como indicado pelos processos representativos regulares. Em cada nível constituinte, o processo seleciona delegados que representam seu grupo. Em nível de igreja local, temos a comissão de nomeações. A igreja local vota aceitar ou não os nomes trazidos por essa comissão. Em nível local também temos a comissão da igreja, onde o pastor e oficiais da igreja eleitos discutem itens pertinentes à sua igreja local. Além disso, há reu­ niões sobre negócios da igreja onde todos os membros podem participar. Em nível de Associação e União temos reuniões por distrito, onde os delegados se reúnem para discutir e f o t o s :

R O B E R T

EA S T

votar itens pertinentes ao avanço da missão da igreja em suas áreas. Em nível de Associação Geral (AG), temos a assembleia da AG a cada cinco anos, onde mais de 2.500 delegados de todo o mundo se reúnem para discutir e votar itens pertinentes à igreja mundial. Entre as assembleias da AG, sua Comissão Executiva se reúne em Concílios Anuais para tratar os negócios da igreja mundial. Mais de 300 representantes de todas as 13 divisões e dos Campos anexos fazem parte dessa comissão. Esses membros representam todos os grupos da Igreja: mulheres, homens, jovens, membros leigos, pastores locais, professores e outros obreiros. A maioria é eleita e recomendada pela comissão executiva de sua Divisão. Todos os líderes de Divisão, presidentes de União, oficiais e diretores de departamentos da AG participam dessa comissão.

Cada nível da Igreja trabalha em harmonia com todos os outros níveis dentro do nosso sistema de serviço. As iniciativas podem vir de qualquer nível e serem avaliadas e discutidas nas comissões. Às vezes, as iniciativas começam no nível mais baixo e se tornam parte das diretrizes. Nosso sistema é muito dinâmico. Nenhum membro de igreja deve se sentir excluído ou isolado dessa estrutura, como se não tivesse voz. Cada membro de igreja tem voz nessa organização. Não deve se sentir inibido pela posição, mas livre para entrar em contado com seus líderes e compartilhar suas ideias, pensamentos e preocupações. No artigo do próximo mês, analisaremos o importante papel da igreja local e abordaremos como se realizam as mudanças dentro da Igreja. n

Ted N.C. Wilson é

presidente mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

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S aúde

no

M undo

Cuidando de

Familiares Idosos

Peter N. Landless e Allan R. Handysides

Tenho uma amiga que cuida de um familiar idoso com problemas cognitivos. Ela se tornou irritadiça e se afastou das pessoas em geral. Penso que está deprimida e precisando de antidepressivos. O que vocês acham?

V

ocê levantou uma questão importante. Cuidar de entes queridos enquanto envelhecem pode ser um grande desafio, e os problemas cognitivos, ou demência, têm se tornado muito comum em todo o mundo. Isso ocorre porque em muitas regiões a longevidade tem aumentado. O problema que sua amiga está enfrentando, no entanto, é o mesmo que muitos que cuidam de familiares e amigos com doenças crônicas, também têm que enfrentar. Os medicamentos não revertem demência estabelecida – por exemplo, o Alzheimer – assim, as pessoas com esse tipo de problema podem chegar ao ponto de necessitar constantes cuidados de enfermagem. Algumas comunidades mantêm instituições especiais, porém, em muitas partes do mundo, são os próprios familiares ou amigos que cuidam de tais pacientes. Os cuidados por parte de um profis-

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sional de enfermagem são de vital importância e requerem a nutrição, higiene e administração dos medicamentos necessários. O paciente pode ter distúrbios de comportamento e medicamentos antidepressivos podem ser úteis quando a depressão estiver presente. É comum que tais pacientes apresentem agressividade e confusão, tanto física como emocional, que é muito difícil de administrar. No cuidado de qualquer doença crônica, há vários fatores que merecem atenção: n O paciente necessita de cuidado n Instituições para um melhor atendimento n Recursos financeiros para apoiar esse cuidado n Cuidar de quem cuida. Os que cuidam de pacientes com doenças crônicas podem ficar deprimidos e esgotados, resultando em efeitos negativos para a saúde. É importante que aquele que cuida: n Aprenda com os profissionais de saúde como melhor cuidar e o que esperar do paciente que, em casa, requer cuidados de enfermagem de longo termo. Infelizmente, essa informação nem sempre está disponível. Procure saber onde encontrá-la. n Cuide de si mesmo, mantendo suas atividades físicas e interesses pessoais. Muitas vezes, por estar tão envolvidos no cuidado de seus queridos, não se permitem tempo para descanso e recuperação. Eles podem não ter ninguém a quem recorrer para obter ajuda, ou estão determinados a cuidar do ente querido não importando a dificuldade. Isso pode ser muito admirável, mas também leva ao burnout (esgotamento psíquico) e à exaustão. Esses três últimos princípios são aplicáveis a todas as doenças crônicas, mas

sistemas de apoio, comunidades religiosas e a família podem ser de grande ajuda. De fato, sua amiga pode estar deprimida, e com razão. Provavelmente, esteja exausta e desanimada. Quem enfrenta tais situações tem pouco tempo para cuidar de si mesmo. Entretanto, antidepressivos não são a resposta. Os amigos e as comunidades, sim. É aí que os membros da igreja podem entrar para ajudar. Aqui está uma oportunidade para que sejamos amigos que apoiem e ajudem. Isso pode ser feito mediante uma “escala” de cuidado, encarregando-nos das compras e providenciando alimento, de maneira a dar um pouco de descanso a quem cuida. Isso dará a eles a oportunidade de descansar, fazer exercício e recuperar um pouco da energia tão necessária. Com simples atos de bondade e cuidado, todos podemos nos envolver ativamente no ministério abrangente da saúde, incluído por Ellen White no significado da “obra médico-missionária”. Cada um pode fazer a diferença, mantendo na mente esse pensamento animador: “Lembremo-nos de que há religião prática em um pão bem feito”.* Não doemos apenas pão, mas, também, a nós mesmos! n * Ellen G. White, Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 251.

Peter N. Landless, médico cardiologista

nuclear, é diretor do Ministério de Saúde da Associação Geral.

Allan R. Handysides, médico ginecologista aposentado, é ex-diretor do Ministério de Saúde da Associação Geral.


A RT I G O E S P E C I A L

HABILIDADES: Jonathan Duffy, presidente da ADRA Internacional, acompanhado pelas participantes de um programa de prevenção de casamentos prematuros, em Niger. Em alguns países, as meninas se casam com a idade de 10 a 12 anos.

Compaixão B

Local

ill Knott, editor da Adventist World, entrevistou Jonathan Duffy, presidente da ADRA (Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais) da Associação Geral (AG). A ADRA atua em mais de 130 países, servindo a milhões de pessoas necessitadas. Jonathan, por mais de 30 anos, você serviu a Igreja como diretor do Ministério da Saúde e diretor da ADRA na Austrália. Qual foi sua reação quando soube da nomeação para presidente da ADRA Internacional?

A primeira vez que fui convidado para exercer tal função, pensei: “Bem, eu acredito na ADRA. Já fiz parte da mesa diretiva da ADRA. Mas sou apaixonado pelo que estou fazendo atualmente, e gostaria de ver as coisas amadurecerem”. Mas quanto mais eu refletia sobre a oportunidade de servir, mais concluía que as paixões que Deus havia posto em meu coração poderiam ser expressas nessa nova função. A F o t o s :

C o r t e si a

d a

A D R A

Igreja precisa estar presente onde as pessoas estão mais necessitadas. Se a ADRA é o braço humanitário da Igreja, será que estamos criando uma consciência social e um meio para que os membros, em todo o mundo, façam a diferença? O objetivo da ADRA não é só ajudar as pessoas do outro lado do mundo, mas espelhados em Jesus, demonstrar compaixão e oferecer ajuda prática nas comunidades onde vivemos e trabalhamos. Foi uma mudança radical de “geografia”. Houve alguma consideração pessoal que o fez questionar sobre se devia ou não se mudar?

Meus pais são bastante idosos; meu pai estava terminantemente enfermo. Mas eu os visitei e dei a notícia. Eles ficaram muito felizes, muito orgulhosos, e disseram: “Veja, se é lá que Deus quer você, estamos felizes por Deus estar lhe chamando. Não se preocupe conosco”. E quando, finalmente, dei meu último adeus, disseram: “Não venha para o funeral. Você tem um grande trabalho. Sabemos que você nos ama e não tem que nos mostrar isso gastando todo seu dinheiro para voltar para casa. Temos orgulho de você. Nós nos veremos no Céu”. Nossos filhos ainda não estavam engajados na carreira profissional, e eu sabia que, assumir esse novo trabalho seria obrigá-los a encontrar rapidamente seu próprio caminho, inclusive encontrar outro lugar para morar! Então, pensei: “Este é o lugar para onde Deus está me levando, mas vou precisar realmente aprender a confiar que Ele cuidará dos meus filhos, porque isso muda tudo”. Minha esposa era farmacêutica na Austrália, cujo sistema de saúde é diferente do sistema nos Estados Unidos. Ela também teve que renunciar seu emprego para aceitar o chamado de Deus. Em funções anteriores você se destacou como construtor de pontes, alguém hábil em fazer alianças. Como espera usar essa habilidade na ADRA Internacional?

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A RT I G O E S P E C I A L

Atualmente, outros grupos assistenciais, até mesmo os religiosos, estão se debatendo, enquanto os principais doadores e agências governamentais estão reavaliando seus compromissos com projetos de desenvolvimento e ajuda humanitária. Para que a ADRA seja bem-sucedida em âmbito internacional e continue sendo efetiva, é vital manter a unidade na organização e também entre suas filiais. Ao longo dos anos, fiquei conhecido como defensor desse tipo de cooperação e parceria, e liderar a ADRA me dá a chance de praticar essas habilidades. Na parceria há uma sinergia entre todas as partes, o momento especial quando realizamos juntos o que nenhum de nós conseguiria sozinho. Uma filial da ADRA pode ter conhecimento técnico em projetos de alimentação. Outra pode contribuir com técnicas de implementação do solo onde há pessoas passando fome. Quando trabalham juntas, superando a competitividade natural que existe entre as partes, mesmo em organizações religiosas, começamos a oferecer o tipo de ajuda que realmente transforma vidas e até comunidades inteiras. Sou apaixonado pela integração e estou dedicando grande parte da minha energia para descobrir como as muitas partes da ADRA podem trabalhar melhor juntas. Você também é conhecido por promover um tipo especial de sinergia entre os ministérios da Igreja e a congregação local. Como pretende alcançar isto na ADRA?

Toda organização que, em última análise ajuda o mundo, o faz, porque realiza isso primeiramente em nível local, lugar onde as pessoas trabalham e vivem. As Escrituras nada dizem sobre coisas grandes, ou organizações de ajuda multinacional para diminuir a pobreza - ela coloca essa responsabilidade nos indivíduos e na igreja local.

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ASSITÊNCIA EM EMERGÊNCIAS: Desde o início dos conflitos no Sudão do Sul, a ADRA tem oferecido ajuda emergencial a refugiados.

Existem mais de dois mil textos na Bíblia que destacam a ação pessoal ou congregacional sobre tratar os outros com justiça e auxiliar os pobres e desfavorecidos. A Bíblia não fala sobre compaixão institucional. Deus quer que, como cristãos, assumamos esse papel. Não é apenas uma questão de conseguir dinheiro dos outros, ou mesmo fazer uma doação pessoal, porque o dinheiro muitas vezes nos isola da compreensão sobre as reais necessidades humanas. Sim, a ADRA precisa fazer bem o trabalho de convencer os grandes doadores a contribuir, mas necessita realizar ainda melhor a tarefa de ajudar cada adventista a compreender seu papel na obra da compaixão. Precisamos ajudar a desenvolver as habilidades dos membros para que se envolvam com a necessidade do próximo, seja em sua cidade ou em uma região distante. Você quer dizer: estabelecer uma conexão forte entre as igrejas e a ADRA.

Exatamente. É preciso unir cada adventista, sua congregação e a ADRA. Quando adequadamente fizermos isso, nossas comunidades não apenas

ouvirão dos milhares de famintos que a ADRA ajuda a alimentar, mas também saberão sobre os programas de melhoria na comunidade local que fazem a diferença em sua cidade. A igreja local deve ser o sistema de compartilhamento da compaixão de Jesus. As verdades doutrinárias que ensina e prega precisam ser expressas na prática, em ações que transformam vidas ao redor. Na Bíblia encontro em Mateus 25 e 28 que devo cuidar “do menor destes” e “Ide, pois, ensinai todas as nações”. As duas coisas fazem parte do evangelho; são obrigações daqueles que levam a sério a fé em Jesus. F o t o s :

C o r t e si a

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A D R A


O que você está descrevendo é muito parecido com a filosofia que o ministério da saúde da Igreja tem adotado, onde a congregação local se torna o veículo de educação para o público, comunidade de bem-estar e assim por diante.

BANCO DE LEITE: No Vietnã, a ADRA mantém o programa Cow Bank Iniciative, permitindo que deficientes visuais sejam treinados para tirar seu sustento com a venda do leite. Esquerda: SAÚDE E HIGIENE: A ADRA tem trabalhado para oferecer acesso a água potável no Yemen e ensinado a população a se prevenir contra doenças causadas pela falta de higiene.

Como o próprio nome diz, a ADRA deve abrigar programas de desenvolvimento e assistência, cultivo e doação de alimentos. Mas a ADRA precisa daquela outra letra do nome, não o “A” de agência, mas o “A” de “adventista”. Espero ajudar a ADRA a fazer parcerias mais efetivas com outros ministérios da igreja, com a Missão Adventista, com o movimento na direção dos “centros de influência” nas grandes cidades, com programas de saúde e bem-estar da comunidade, que resultem em maior reconhecimento de nossas congregações. Nenhum adventista deve achar que, de algum modo, a ADRA está separada ou competindo com outras ações da Igreja. Cada uma tem seu papel específico. Deus nos

Relatório – ADRA Você sabia que a ADRA*: n deu assistência a mais de 12 milhões de pessoas em 2012? n no mesmo período, esteve ativa em mais de 100 países em todo o globo? n em nível mundial, tem 4.603 funcionários, n e mais de 5.900 voluntários engajados em seus projetos? n investiu um total de 72 milhões de dólares em programas de capacitação e auxílio aos necessitados? n fez parceria com 229 ONGs internacionais e agências governamentais, que vão desde a Aktion Deutschland Hilft, passando pela Fundação da AIDS da Nova Zelândia, até a Organização Mundial da Saúde (OMS)? * Estatísticas do último relatório anual da ADRA, 2012.

deu dons segundo Sua sabedoria. Ele sabe do que o mundo necessita. Mas todas essas iniciativas, unidas, devem funcionar melhor do que estão funcionando hoje. Que diferença perceberemos na ADRA nos próximos anos?

Se fizermos o que já deveríamos estar fazendo, veremos a ADRA como uma organização espiritual, e não simplesmente uma agência de assistência social profissionalmente administrada. As duas qualidades, espiritualidade e eficiência, não são opostas. Elas representam o máximo da sinergia, realizando a obra de Jesus com toda a sabedoria do Mestre. Os membros também perceberão que estamos desenvolvendo uma cultura de líderes, homens e mulheres que são apaixonados por ajudar e desejam ser treinados para desenvolver os dons de outros. Descobrirão que aqui na ADRA temos a cultura da oração, que levamos a sério a prática de pedir sabedoria, coragem, discernimento e todos os frutos do Espírito. Particularmente, nos últimos meses, tenho passado pela fase de maior dependência de minha vida. Essa função tem me levado a ficar de joelhos dobrados mais do que qualquer outra coisa. Temos grandes problemas e grandes necessidades para resolver. Estamos tentando realizar mudanças em múltiplas frentes. Algumas manhãs, sento-me aqui, no escritório, e pergunto ao Senhor: “Por que eu aceitei esse trabalho? Deve ter gente muito mais talentosa por aí! Deve haver pessoas que compreendem a ADRA ou o mundo da assistência muito melhor do que eu, que são administradores impecáveis”. Mas, então, lembro-me de que Deus e Sua Igreja me pediram para realizar essa tarefa. Daí, digo ao Senhor: “É melhor que o Senhor o faça, porque não me sinto capaz para fazer tudo o que necessita ser feito.” n

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C renças

F undamentais

A

morte é algo terrível. Qualquer pessoa que já perdeu um ente querido, sabe a intensa dor e tristeza que ela provoca. A morte afeta a todos nós, independente da idade, sexo, raça ou posição social. Ela é universal e tem uma aura de permanência. Ela é irreversível. Isso faz com que a perda de uma pessoa querida seja dolorida, pois a morte é o oposto de relacionamento e vida. É o oposto de amor. A Bíblia nos diz que a origem da morte é o pecado: “O salário do pecado é a morte”(Rm 6:23), escreve Paulo, e todos somos pecadores. No entanto, o Deus eterno é amor (1Jo 4:8, 16) e imortal (1 Tm 6:16). A palavra grega para imortalidade é athanasia, que literalmente significa “ausência de morte”. NEle não existe morte. Porque Deus é amor, Ele vence a morte e dá vida – vida eterna!

Imortalidade

A imortalidade não é algo que os seres humanos possuem inerentemente. Ela é uma qualidade divina. A Bíblia é clara: A imortalidade é uma prerrogativa de Deus (verso 17) e pertence somente a Ele, pois Deus não foi criado. Ele é amor. Ele tem vida em Si mesmo (Jo 5:26). Essa característica divina tem despertado incontáveis desejos no ser humano, que deseja viver para sempre, que busca a juventude eterna! A imortalidade é algo que até o próprio Satanás inveja e não tem. É interessante que na primeira tentação no Jardim do

NÚMERO 26

Éden, por meio da qual Satanás entrou neste mundo, ele insinuou a Eva que ela certamente não morreria, mas seria como Deus, ou seja, viveria para sempre. Todavia, o que Deus lhe havia dito era diferente (Gn 2:16, 17). A desobediência de Adão e Eva provocou uma fatídica separação de Deus, a fonte da vida. Portanto, a independência de Deus não resultou em vida eterna, mas morte eterna, além de sofrimento e dor. Como seres humanos Adão e Eva foram criados para depender de Deus. Sua vida era um contingente sob a condição de amorável obediência a Deus. A insinuação diabólica de que os seres humanos não vão morrer tem provocado o surgimento de muitas práticas ocultistas e espíritas atraentes, em que as pessoas são enganosamente levadas a acreditar que há vida após a morte e que é possível se comunicar com os mortos. Deus adverte enfaticamente contra tal prática (Dt 18:10, 11). A Bíblia diz claramente que os mortos nada sabem (Ec 9:5, 6, 10). A morte é um sono inconsciente (Sl 115:17; Jó 14:12). Satanás obteve sucesso ao fomentar a crença não bíblica de uma alma imortal que se liberta do corpo por ocasião da morte, diminuindo assim o valor de nossa existência corpórea. Magistralmente, ele também usurpou um atributo divino, a imortalidade, pela existência eterna do pecado. Se os pecadores serão atormentados para sempre no inferno, uma qualidade divina está ligada ao pecado. Porém, isso distorce o caráter amorável de Deus, que não tem prazer

Manhã

Frank M. Hasel

da

Ressurreição O que as Escrituras dizem sobre morte e ressurreição

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Satanás tem sido bem-sucedido em diminuir o valor de nossa existência corpórea

Morte e

Ressurreição

O salário do pecado é a morte. Mas Deus, o único que é imortal, concederá vida eterna a Seus remidos. Até aquele dia, a morte é um estado inconsciente para todas as pessoas. Quando Cristo, que é a nossa vida, Se manifestar, os justos ressuscitados e os justos vivos serão glorificados e arrebatados para o encontro de seu Senhor. A segunda ressurreição, a ressurreição dos ímpios, ocorrerá mil anos mais tarde. (Rm 6:23; 1Tm 6:15, 16; Ec 9:5, 6; Sl 146:3, 4; Jo 11:11-14; Cl 3:4; 1Co 15:51-54; 1Ts 4:13-17; Jo 5:28, 29; Ap 20:1-10.) – Crenças Fundamentais dos Adventistas do Sétimo Dia, Nº- 26

na morte no ímpio (Ez 33:11), nem aprecia torturar Seus inimigos. Com o conceito da alma imortal o problema do pecado e do mal neste mundo é intensificado, pois o pecado continua a existir para sempre. Entretanto, a Bíblia declara que o pecado será erradicado para sempre. Ele não existirá indefinidamente. A Terra será purificada de todos os vestígios do pecado e uma nova Terra será estabelecida, onde não haverá mais morte, nem dor, nem sofrimento e lágrimas (Ap 21:3 e 4). A Derrota da Morte

A despeito de nossa habilidade e sofisticação científica, ainda não dominamos a morte. A tristeza e dor provocadas por ela são muito grandes para qualquer solução humana. Precisamos de um remédio divino para a morte. Com a ressurreição de Jesus Cristo, Deus reverte a aniquilação da vida e vence a morte. Ela não é parte da boa criação de Deus. Ela não é amiga, mas é chamada “o último inimigo a ser destruído” (1 Co 15:26). A morte provoca a separação de familiares e amigos queridos. Quando morremos, estamos inconscientes. Mas Deus é consciente por nós. Ele não Se esquece dos que estão dormindo na sepultura. Ele Se lembra. Em Seu amor deseja nos ver outra vez, mesmo quando somos cercados pela morte e nos sentimos perdidos, estamos seguros no amor de Deus. O coração de Deus anseia por Seus filhos com um amor

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mais forte do que a morte, e é devido a esse amor que existe esperança. Esperança na ressurreição. Esperança de que o amor de Deus, doador de vida, nos traga de volta para uma nova vida e conceda vida eterna em Jesus Cristo. Ele é o amor de Deus em pessoa. Por isso, Jesus é a fonte da ressurreição e esperança (Rm 6:23; 2Tm 1:10; 1Co 15:22). No fim, o amor vencerá! O amor triunfará! Como podemos ter certeza? Por que Deus já provou isso poderosamente em Jesus Cristo: Jesus não permaneceu na sepultura. A tumba está vazia. Cristo realmente ressuscitou (Lc 24:34), os discípulos proclamaram alegremente. Ele está vivo! A morte não conseguiu detê-Lo. Até os discípulos ficaram surpresos ao descobrir que Ele estava vivo. Eles não esperavam por isso; nem imaginavam. Mas Deus foi mais forte do que a morte. Para Deus nada é impossível. Os milagres são Sua rotina. Quando Esse Dia Maravilhoso Chegar

A existência humana é uma existência corpórea, a ressurreição é um evento corpóreo. Não voaremos pelo espaço como fantasmas, mas receberemos um novo corpo ressurreto como Jesus recebeu (Lc 24:39, 40). Por isso, acreditamos que Ele voltará do mesmo modo com ascendeu após Sua ressurreição (At 1:11). Sem a ressurreição de Jesus seria vã a nossa fé (1Co 15:14). Se Jesus ainda estivesse morto, não poderia interceder pelos pecadores no santuário celestial, concedendo-nos Seu perdão para vivermos vitoriosamente. Se Jesus ainda estivesse morto, nossa esperança no advento não teria valor. Ele não poderia retornar em glória! Se Jesus ainda estivesse morto, não poderia ouvir nossas orações. Se Jesus ainda estivesse morto, não teríamos Sua ajuda nos tempos difíceis. Se Jesus ainda estivesse morto, não haveria perdão para os nossos pecados, porque Ele mesmo necessitaria de um Salvador (1Co 15:17). Se Jesus ainda estivesse morto, não teríamos esperança em nossa ressurreição (1Co 15:17, 18). Mas a boa notícia é: Ele está vivo! Ele é o caminho, a verdade, e a vida! (Jo 14:6). Ele derrotou a morte e é a fonte de nossa esperança na divina ressurreição. Louvado seja Jesus! n

Frank M. Hasel, Ph.D., é diretor da Faculdade

de Teologia no Seminário Bogenhofen, Áustria. Em 2009, sua esposa morreu de câncer. Desde então ele está aprendendo novas maneiras de confiar no amor de Deus e anseia pela manhã da ressurreição.

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A rtigo de C apa

William Robinson

Uma história de

L

amor, sofrimen

illie Grace Robinson Perrin foi missionária na Jamaica. Neste artigo, publicamos os registros comoventes de seu diário. Em 1895, ela saiu de sua residência, numa colina arenosa da zona rural do Nebraska (EUA), para se encontrar com o noivo, Charlie Perrin, de 21 anos, que também havia sido missionário na Jamaica durante dois anos. – Os Editores

futuro “Sr. Perrin” desceu a escada saltando. Deixo o resto para a imaginação, mas somente as pessoas que ficaram distantes do ser amado compreendem a alegria desse encontro. Charlie e eu descemos para conhecer nossa nova casa. Naquela noite, fomos à reunião em uma tenda, todos os americanos estavam lá e o pastor Richardson pregou.

28 de outubro de 1895 – Passei a noite toda no trem.

7 de novembro – Charlie eu fomos ao parque. Ele me

Não consegui dormir. Pensei muito em minha antiga casa, também na nova casa e em Charlie.

contou que, no sábado anterior, estava em dúvida se eu aceitaria acompanhá-lo, e ao abrir a Bíblia, deparou com o verso “Satisfizeste-lhe o desejo do coração e não lhe negaste as súplicas dos seus lábios” (Sl 21:2, ARA). Nesse momento, ele teve certeza de que eu iria. Ah, se todos tivéssemos a fé de Charlie!

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30 de outubro – Por volta das 16 horas, estava a bordo do navio e partimos da baía de Chesapeake em direção ao vasto mar. Todos permanecemos no convés observando a América sumir de vista. Durante o último olhar de adeus ao país natal, as emoções que conflitavam dentro de nós eram enormes.

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4 de novembro – Esta noite vamos para a cama mais felizes do que de costume, pois nos disseram que pela manhã teremos um vislumbre da Jamaica. Estou muito ansiosa. 

6 de novembro – Estávamos nos aproximando da cidade de Kingston e de Charlie; mas a expressão calma de meu rosto não demonstrava as emoções conflitantes que sentia e a expectativa de, em poucos minutos, encontrar o homem que eu amava, terminando assim uma ausência de dois longos anos. Às 9 horas, após passar pela cidade e admirar as lindas flores nos jardins das casas, nosso motorista estacionou na sede da Missão, na Rua High Holderman, 23. A carruagem mal havia parado, quando a porta se abriu e o

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8 de novembro – Nettie e eu fomos às compras. Compramos um vestido branco para mim, pois não sabíamos se o baú com meu vestido de noiva chegaria a tempo, e Charlie já havia dito que sua preferência era por essa cor. Disse que o lírio (“lily”, em inglês) deveria se vestir de branco.

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Sábado, 9 de novembro – Fomos todos para a sede da Missão e participamos da Escola Sabatina e culto. Charlie era professor dos garotos adolescentes. Fiquei sentada ali, enquanto ele falava. Quão bom era vê-lo e saber que eu estava com ele e que ele era meu. Após a Escola Sabatina, nos assentamos no primeiro banco. O irmão Eastman falou como se repetisse o que Deus disse. “Não é bom que o homem esteja só”. E Charlie disse, “Amém”. Toda alegria, felicidade e gratidão que enchia seu coração foi expressa naquele “Amém”. Todos os presentes riram.


PARCEIROS NA MISSÃO: Charles e Lillie Robinson Perrin, do Nebraska, Estados Unidos, se casaram em Kingston, Jamaica, após dois anos de namoro a distância.

to e dedicação

Fim da Tarde – O Sr. e Sra. Gordon vieram e fizemos o culto juntos. Todos oramos e Charlie agradeceu a Deus pela realização de nossos sonhos e alegrias, e pediu que Ele nos abençoasse. Aquele foi um momento solene, íntimo, era como se Deus estivesse ali.

Recorte de jornal colado no diário: Más Quando chegamos em casa, ele me perguntou se havia me ofendido por ter dito aquilo. Eu disse que não, que me agradou mais do que qualquer coisa que pudesse ter dito ou feito, pois expressou publicamente seu desejo e felicidade para comigo. Depois do jantar, eu podia dizer com certeza que aquele havia sido o dia mais feliz da minha vida. Charlie e eu estávamos tão felizes! Ele era meu e eu dele. O futuro parecia tão brilhante, sem nenhuma nuvem.

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Domingo, 10 de novembro – Nettie e eu fomos à sede da Missão para costurar. Quando voltamos, encontramos Charlie doente. Ele tinha desmaiado quando estava atravessando o jardim. Foi levado para dentro de casa e sofreu terrivelmente por várias horas. Mas à noite melhorou.

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Segunda-feira, 11 de novembro – Charlie se sentia bem melhor e pensamos que devíamos nos casar já que tudo estava pronto. Charlie e o Sr. Gordon caminharam até o escritório do juiz. A Sra. Gordon e eu tomamos o ônibus. Às 15 horas, Charles Perrin e Lilie Robinson se uniram em matrimônio diante do juiz da ilha, tendo como testemunhas o Sr. e Sra. John Gordon. Tomamos, então, o ônibus de volta para a Missão, onde uma recepção nos esperava. Havia aproximadamente 60 convidados. Charlie agradeceu a todos pelos presentes e pela bondade de todos. Ele contou como nos conhecemos e algumas de nossas experiências desde aquele tempo. Recitou alguns poemas que havia escrito para nós pouco antes de deixar os Estados Unidos para ir à Jamaica. Charlie e eu fomos, então, para o novo lar, na rua Lawson, 6. Ah, como estávamos felizes!

Notícias: A triste notícia abaixo, vinda da Jamaica, será lida com profundo interesse pelo povo desta comunidade: “Morreu, em Kingston, Jamaica, no dia 20 de novembro de 1895, Charles N. Perrin.” Essa triste notícia foi enviada por carta pela viúva, Sra. Lillie Robinson, que tinha saído de Cedar Rapids poucas semanas antes para se casar, e com o esposo, trabalharem como missionários da Igreja Adventista do Sétimo Dia na ilha. Ela chegou a Kingston no dia 6 de novembro e encontrou o Sr. Perrin indisposto. No domingo seguinte, ele desmaiou e foi levado para casa. Na segunda-feira, eles se casaram conforme planejado, porém, naquela mesma noite, Charlie foi obrigado a ir deitar-se devido à febre. Ele recebeu todo cuidado possível e o tratamento dos melhores médicos locais. Quando ficou evidente que as habilidades humanas eram inúteis, chamaram os anciãos da igreja para orarem e ungi-lo. Ele ficou consciente até o fim, e entregando-se ao Senhor, descansou em paz. Seus colegas de trabalho lamentam muito sua morte, entre os quais era conhecido como obreiro corajoso.

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20 de novembro – Charlie N. Perrin morreu às 20 horas, na Rua Lawson, 6, Kingston, Jamaica. 

21 de novembro – Charlie foi sepultado às 16 horas, no cemitério May Penburning Ground, Kingston, Jamaica.

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25 de dezembro – Passei o Natal em casa. Esse foi o primeiro Natal “verde” que vi na vida. Na verdade, não se parecia de jeito nenhum com Natal, era como se fosse 4 de julho. Adeus Ano Velho, adeus.

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A rtigo de C apa

Ar q u i v o s

ROSTOS DO PASSADO: C. P. Bollman, cunhado de Lillie Grace, registrou seu obituário na Advent Review & Herald, de 16 de outubro de 1900. Mais tarde, ele se tornou editor assistente da revista. A. J. Haysmer e W. W. Eastman cuidaram de Charlie durante sua doença.

C. P. Bollman

1895 Termina – Neste ano, vivi os dias mais felizes da minha vida, e o mais triste também. Que mudança um ano só fez. Há um ano, eu estava feliz na casa de meus pais, entre parentes e amigos, uma garota loira e despreocupada. Agora, sou viúva em uma terra estranha, entre um povo estranho, mas o Senhor é bom.

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1º- de janeiro de 1896 – O primeiro dia do novo ano terminou e estou sozinha…

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14 de janeiro – Quero minha mãe. Sinto solidão e vou chorar. Quero Charlie, anseio pelo momento quando poderemos ir para o lar celestial onde não haverá mais separações. Oh, Charlie, meu querido, ali você será meu e nunca mais será tirado de mim. Oro para que o Senhor me conforte onde quer que eu esteja, e me ajude a viver e realizar a obra que Ele tem para mim na Terra. Oh, não posso nem pensar em viver por meses e anos sozinha. Estou disposta a suportar qualquer coisa, fome, … qualquer coisa, se Ele for comigo. Jesus me ajuda! 

28 de janeiro – Não tenho me sentido bem e tenho ficado em casa.

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31 de janeiro – Não consegui fazer nada durante a tarde, estou tão desanimada. Pedi ao Senhor para me reanimar e Lhe disse que eu era dEle. Pedi que Ele me dê os sentimentos certos para ser mais útil às pessoas e para honrá-Lo melhor. Então, senti uma paz que não havia sentido desde que deixei Montague. 

5 de fevereiro – Mudei-me para uma casa agradável, espaçosa, chamada Cedar Grove, perto de Claremont. Cada uma de nós tem um bom quarto. Mr. Gordon instalou uma bela estante triangular no canto do meu quarto. Sobre ela coloquei a toalha que minha mãe me presenteou, e logo acima dela, na parede, está a fotografia do Charlie e também seu relógio. Na prateleira está o lindo vaso que a irmã Flecther nos deu de presente de casamento. Lá está minha

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Ar q u i v o s

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A. J. Haysmer

Ar q u i v o s

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W. W. Eastman

caixa para escrever, meu álbum, uma caixa com conchas bonitas que coletei na praia de Santa Maria, e uma caixa com folhas bonitas.

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15 de fevereiro – Essa foi uma semana difícil. Era como se meu fardo fosse realmente pesado. Tudo parecia escuro, tão escuro! Tive tantas saudades de Charlie e foi muito difícil superar o sentimento de que ele havia sido arrancado de mim. Então, quando não podia mais suportar, clamei a Deus e enquanto contava a Ele todas as minhas tristezas, vi como nunca dantes Sua bondade para comigo. Em Sua misericórdia, Ele havia poupado minha vida e me guiado em meio a tantos perigos, sustentando-me com Sua graça nos momentos mais escuros. Aqui estava eu, reclamando contra minha dura sorte, quando Ele está preparando o Céu para mim. Esse sofrimento é para o nosso bem; pois, não diz a Bíblia que todas as coisas contribuem para o bem dos que amam a Deus? E não somos aperfeiçoados por meio do sofrimento? Humildemente, reconheci o meu pecado e pedi perdão a Deus. Não posso dizer com que humildade e sinceridade implorei a Ele para não me abandonar, mas para perdoar e remover de mim, para sempre, o pecado contra Ele. Então me lembrei do texto que diz: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” Eu desejava tanto ficar limpa de toda injustiça! Ele diz que levará o nosso pecado para tão longe quanto o leste está distante do oeste. Quando acreditei nessa promessa, a paz, doce paz encheu meu coração e me senti tão feliz por Deus ter perdoado meus pecados mais uma vez, e me libertado da escravidão de Satanás. Naquela noite, cantei louvores a Deus por Sua bondade e misericórdia para comigo. 

20 de março – Senti-me mal a noite toda. Fazia apenas quatro meses que Charlie me deixara sozinha. Sonhei que estava na casa de meus pais e meus parentes me perguntavam sobre a morte de Charlie. No sonho, contei tudo a eles.


Lillie Grace com a irmã e dois irmãos

Revivi cada detalhe daquelas horas terríveis. O sofrimento foi tão real. Pela manhã, estava tudo fresco na memória e foi tão difícil me separar dele como o foi na época. Eu chorei a maior parte do dia e quase fiquei doente. Como dói chorar.

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4 de abril – Fui caminhar pela praia e chorei. 

Agosto – Não tenho me sentido bem este mês. Nettie e eu fomos a Kingston. Ficamos duas semanas em Spanish Town. Enquanto estava lá, recebi uma carta dizendo que minha mãe estava doente. Senti-me muito mal ao pensar que minha mãezinha estava doente e eu não poderia vê-la ou fazer qualquer coisa por ela. 

21 de setembro – Recebi uma carta de minha mãe: ela disse estar melhor e que estavam de partida para a Campal de Fremont. Eu me senti tão aliviada! Fiquei com a Sra. Morse. Ela tem uma casa bela e grande. Tive sucesso na recolta. Foi a mais fácil que já realizei.

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24 de setembro – Meu 21º- aniversário. Passei o dia an-

John Samuel Robinson, pai de Lillie

Mary Ann Redman Robinson, mãe de Lillie

11 de novembro – Há um ano, estava me casando com Charlie Perrin. Pareceu um longo ano, mas o Senhor me preservou misericordiosamente. Hoje, comecei a recoltar. Desde cedo tenho caminhado no calor, pelas ruas empoeiradas de Montego Bay... estou sozinha e solitária. Ah, que mudança em apenas um ano! Eu estava tão feliz, como uma garota pode estar neste mundo. Para nós, não havia nuvens no futuro. Pelo menos é o que nos parecia; nem sonhávamos com o que estava à nossa frente. Nem imaginávamos que aquela noiva feliz, em nove dias, seria deixada viúva, sozinha, em um país estrangeiro. Há um ano, eu era apenas uma criança. Só havia provado o lado mais doce da vida. Hoje, sou uma mulher que já provou toda a amargura. Sei o que é sofrer no corpo e na mente. Sei, também, o que é fazer a obra do Senhor. Ele tem feito muito por mim até o momento. Tem me ensinado como depender dEle. Ah, mas foi um ano de solidão. O que me trará o próximo ano? Minha única oração é para que sejam coisas que irão me purificar e moldar para o lar eterno. Que Deus me ajude a ser fiel a Ele e eu tenha um lugar junto dEle.

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dando para cima e para baixo pelas ruas de terra de Browns Town. Que contraste com o último aniversário passado em minha querida casa, com papai, mamãe, irmãos, irmãs, amigos e escrevendo para o Charlie.

20 de novembro – Meu Charlie morreu há um ano. Ah, como sinto sua falta. Perdi meu protetor. Também perdi minha mãe. Mas estou feliz porque meu Salvador está comigo, pois prometeu que estaria ao meu lado sempre.

28 de setembro – Silva me acordou dizendo que havia ido ao correio e que trouxe duas cartas para mim. Uma era do Clark (meu irmão). Suas primeiras palavras eram: “Tenho uma terrível notícia, mamãe morreu.” Minha mãe morreu no dia 14 de setembro, mas não recebi a notícia até o dia 28. Ela morreu nas reuniões campais. Eu não estava preparada para suportar o choque da morte de minha mãe, mas vejo mais e mais, como Jesus tem sido bom para mim.

Lillie Grace viveu apenas quatro anos mais e morreu de febre tifoide em 3 de agosto de 1900, em Grannis, Arkansas. Ela ficaria surpresa se soubesse que a primeira igreja organizada em 1894, com 37 membros, atualmente tem 250.000 em todo o país da Jamaica. n

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Sábado, 7 de novembro – Aniversário do dia mais

William Robinson é casado com VelmaJean e mora em Yakima, Washington (EUA). Lillie Grace era sua tia-avó.

feliz da minha vida.

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V ida

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Waldburga Müller

Congestionamento

Providencial Os métodos de Deus podem nos surpreender

Q

uando soube do plano da Associação Geral de levar a mensagem do evangelho a milhões de pessoas em todo o mundo por meio da distribuição massiva do livro O Grande Conflito1, de Ellen White, decidi participar. Orei para que o Senhor abençoasse meus esforços, e Ele respondeu de maneira surpreendente! Em março de 2012, durante minha viagem à Suíça, aproveitei para visitar a Alemanha. Lá, perguntei a um irmão da Igreja de Stuttgart se era possível conseguir 12 exemplares do livro O Grande Conflito. Eu queria doá-los a pessoas que possivelmente encontrasse na viagem. Em vez de 12 livros, o irmão me deu uma caixa com 50 exemplares. Cinquenta livros! Pensei. Como vou conseguir doar 50 livros em tão pouco tempo? Os livros estavam em alemão e eu morava em Portugal, portanto, não teriam utilidade se os levasse para casa. No entanto, eu sabia que para Deus todas as coisas são possíveis, e orei:

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“Querido Deus, mostra-me as pessoas receptivas a esse livro”. Eu não fazia ideia de quão rápido o Senhor iria responder aquela oração! Tráfego Congestionado

Fui dirigindo do sul da Alemanha a Berna, e pouco depois de cruzar a fronteira da Suíça, fiquei presa em um congestionamento. Era um daqueles “mega congestionamentos”, onde tudo fica totalmente parado; daqueles em que as pessoas saem do carro e começam a conversar umas com as outras. Eu não tinha outra opção, senão aceitar a situação; então pensei: “Como posso usar sabiamente o tempo de espera?” Foi quando me lembrei da lição da Escola Sabatina. Tirei-a da bolsa junto com a Bíblia e comecei a estudar. Pouco depois ouvi uma batida na minha janela. Quando abri, um rapaz me perguntou o que eu estava lendo. Respondi que estava lendo sobre o retorno de Jesus Cristo e acrescentei: “Você sabia que Jesus vai voltar logo?”

“Não”, ele respondeu. “Nunca ouvi nada sobre o assunto. Onde é que diz isso? Na Bíblia?” E após uma pausa, acrescentou: “Aquilo no seu painel é uma Bíblia?” Eu disse que sim, e ele perguntou: “Você pode me mostrar onde na Bíblia diz isso sobre Jesus?” Li Mateus 24:30: “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as nações da Terra se lamentarão e verão o Filho do homem vindo nas nuvens do céu com poder e grande glória.”2 Em seguida, citei Apocalipse 1:7: “Eis que ele vem com as nuvens, e todo olho o verá, até mesmo aqueles que o traspassaram; e todos os povos da Terra se lamentarão por causa dEle.” Então Atos 1:22 veio à minha mente e eu li: “Este mesmo Jesus, que dentre vocês foi elevado aos céus, voltará da mesma forma como o viram subir.” O rapaz ouvia com interesse. Então perguntou: “Por que esse Jesus vai voltar? E o que Ele quer de nós?” Respondi o melhor que pude a todas as suas perguntas com a Bíblia. Após


algum tempo, ele me agradeceu e começou a sair. Foi quando me lembrei de que eu tinha 50 livros O Grande Conflito no carro. Chamei o rapaz de volta e lhe dei um exemplar. Havia Mais por Vir

Contudo, o Senhor ainda não havia terminado. Logo depois, ouvi outra batida na minha janela. Era a esposa do rapaz com quem eu falara. Ele contou a ela sobre nossa conversa, e, curiosa, ela

a ajuda veio imediatamente. As pessoas tinham muitas perguntas e eu sempre encontrava o texto certo para apoiar minha resposta. Finalmente, falei a eles sobre o livro O Grande Conflito e mencionei que eu tinha alguns exemplares para dar de presente. Expliquei que nesse livro eles encontrariam a descrição exata da vinda de Jesus e teriam a certeza de que Ele virá em breve. A maioria quis receber o livro. No fim, sobraram apenas três exemplares.

Por que esse Jesus vai voltar? O que Ele quer de nós? quis saber mais. Tinha dúvidas sobre o breve retorno de Jesus. Então, falei sobre os sinais e os eventos finais da história do mundo. Outros motoristas ouviram nossa conversa e se aproximaram. Alguns deles também fizeram perguntas. Em poucos minutos o grupo já estava com dezenas de pessoas. Como nem todos podiam me ouvir, saí do carro e pedi sabedoria a Deus para saber o que dizer. Lembrei-me da promessa de que o Espírito Santo nos ajuda a citar os textos bíblicos apropriados. E, de fato,

Fiquei imaginando qual seria o plano do Senhor para esses três últimos livros. Chegada Inesperada

De repente, um helicóptero da polícia pousou na grama, ao lado da estrada. Um dos policiais desceu e nos disse que a patrulha da rodovia tinha observado por imagens do satélite que havia um grande grupo de pessoas fora dos carros. Eles pensaram que talvez tivesse ocorrido um acidente ou emergência, por isso, enviaram o helicóptero. O meu

“público” explicou o que estava acontecendo, e ele também quis um livro. Eu dei um pra ele e os outros dois para seus colegas no helicóptero. O pouso daquele helicóptero chamou tanto a atenção, que fez com que mais gente se aglomerasse. Todos queriam saber o motivo de a polícia ter vindo e por que havia tantas pessoas ao redor do meu carro. Infelizmente, eu não tinha mais livros, mas cerca de doze pessoas “recém-chegadas” ficaram tão interessadas que me deram seus endereços para receber O Grande Conflito. Uma Lição Sobre o Poder de Deus

A fila de carros vagarosamente começou a se mover. O congestionamento se desfez. Havia durado mais de duas horas. As pessoas retornaram para os veículos, o helicóptero decolou e eu continuei minha viagem sem os 50 livros! Eu me senti “abençoada” pela maravilhosa experiência. A lição foi óbvia para mim: Deus quer que o maior número possível de pessoas leia esse precioso livro. E, se necessário, Ele usará até um congestionamento para realizar Seu propósito. n 1 greatcontroversyproject.adventist.org/about-the-project.html. 2 Todos os textos bíblicos foram extraídos da Nova Versão Internacional.

Waldburga Müller foi membro da Igreja Adventista Mühlacker, na Alemanha. Atualmente, ela e o esposo moram em Portugal. Maio 2014 | Adventist World

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D evocional

M

amãe, o que os cachorros estão cheirando bem ali, atrás da porta?” perguntou Heidi, de sete anos. “Oh, é uma cobra!” Com a ausência do papai, coube à mamãe a tarefa de matar a cobra. Com coragem e alguns golpes do cabo e da lâmina da pá, mamãe despachou a cobra. “Era uma cascavel?” Indagou papai quando retornou da viagem. “Não parei para perguntar!”, respondeu mamãe. Após três dias, a cobra permanecia inerte sob as folhas de um lírio. Papai levantou delicadamente a cauda e descobriu três chocalhos – provavelmente de uma cascavel de um a três anos de idade. (Papai cortou o chocalho como suvenir e prova da façanha da esposa). É claro que a vítima sob nossa planta de lírio tem apenas leve semelhança com os brilhantes e incrivelmente lindos répteis voadores criados por Deus. Em vez de roedores carregados de bactérias, essas cobras de cor dourada se deleitavam com a doçura das frutas frescas.1

Batalha de

Serpentes Vencer a tentação

Bill Krick e Heather Krick

Um Dia Como Nenhum Outro

Mas, em um lindo dia, um desses animais fascinantes foi sequestrado. O dia estava maravilhoso. Talvez do tipo que imaginamos para uma ilha tropical. A natureza exalava frescor, beleza e prazer. O céu sorria com uma tonalidade azul-profundo, sugerindo espaço. Adão e Eva acordaram para mais um dia perfeito, com todos os motivos para desfrutar a felicidade inimaginável. Entretanto, a despeito da explicação do anjo sobre a queda de Satanás e seus gentis conselhos insistindo para que o casal permanecesse unido, Eva se afastou do local onde Adão realizava seu trabalho.2 Seus olhos pousaram na única árvore da qual Deus os havia proibido de comer, então, ela olhou para a intrigante serpente que falava dos seus galhos. A curiosidade venceu,

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e em vez de voltar para salvar a vida, Eva foi em frente, travando um diálogo com a serpente, tocando no que era proibido e – o resto é história. Rapidamente, avancemos milhares de anos. Em lugar do Éden idílico, essa cena acontece no deserto. Em lugar de uma serpente, o inimigo aparece como um anjo magnífico, atrativo, brilhante e com a aparência de santo. O alvo? O Ser humano-divino que jejuara por 40 dias, em íntima comunhão com o Pai. Será que Ele seria facilmente enganado como Eva? Seria vencido pelo apetite, ou resistiria ao engodo daquele anjo? Felizmente, Jesus sempre venceu as batalhas. Ele “como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado” (Hb 4:15, NVI)3. Como isso foi possível?

Não Saia de Perto

Em primeiro lugar, Jesus estava no local a Ele designado. Mateus 4:1 diz: “Então Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo Diabo”. Ele estava onde era o intento de Deus, fazendo o que Deus planejara para Ele. Mesmo estando fisicamente fraco, espiritualmente estava forte. E, Sua experiência no deserto foi coroada com vitórias decisivas sobre as tentações do inimigo. Você sabe qual é o lugar que Deus lhe designou? Há segurança em saber o lugar que Deus intentou para nós e permanecer ocupados com nosso dever, “o trabalho que está mais à mão”.4 Para a dona-de-casa, o dever pode ser lavar a roupa; para o executivo, uma reunião da diretoria; para a criança, fazer fielmente as tarefas e obedecer aos pais.


Enfrente-o e Permaneça Calado

Em segundo lugar, Jesus não dialogou nem tentou discutir com Satanás. Quando este O tentou a transformar pedras em pão (Mt 4:3), Ele não explicou o que estava fazendo no deserto, nem deu desculpas ou ouviu mais sobre as razões de Satanás. Ele não tentou convencê-lo, testemunhar para ele, deixar claro Sua posição, ou disse “Está lindo o dia hoje, não está?” Jesus respondeu com resposta firme, direta e simples, citando a Palavra de Deus. Essa franqueza e simplicidade, não se envolvendo em seus argumentos, desestabiliza o inimigo. “Olhe o tentador firmemente no rosto e diga: ‘Não, eu não vou colocar em risco a minha alma por qualquer atração mundana. Eu amo e temo a Deus’”.5 “É essa a resistência que Satanás teme. Ele sabe melhor do que nós quais são os limites do seu poder e quão fácil ele pode ser vencido se o resistirmos e o enfrentarmos.”6 Você vai se lembrar da Palavra de Deus, reivindicar e recitar seus versos quando for tentado? Guarde Suas Mãos

Em terceiro lugar, Jesus venceu onde Eva falhou: Ele recusou tocar. Vemos Jesus pegando uma pedra e examinando seus contornos e cores quando desafiado a transformá-la em pão? Não. Em contraste, Eva começou a admirar e “tocar” a fruta da qual deveria ter fugido. Como a tocou e não sentiu imediatamente nenhum efeito do mal, o desejo aumentou e ela a mordeu. Para piorar as coisas ainda mais, dividiu seu pecado com alguém a quem amava – Adão, que na hora nem estava com fome.7 Ester almoçou bem e ainda comeu

Em vez de voltar para salvar a vida, Eva foi em frente, travando um diálogo com a serpente, tocando no que era proibido . mais três deliciosos biscoitos. Ela adora biscoitos, especialmente, quando estão mornos e macios. Em seguida, ela precisa limpar a cozinha, mas a vasilha de biscoitos está bem ali. Rapidamente, enfia a mão no pote para pegar outro biscoito. “Por que não comer outro?” sussurra a serpente. “Não faz mal comer a mais dessa vez. Você não é gorda”. “É, é verdade”, raciocina Ester. “Mas sinto-me desconfortável quando como demais, e fico mais propensa a não resistir a outras tentações. Mas os biscoitos estão bem ali, e ninguém vai me ver”. Nesse ponto crítico, lembra-se: “E Deus é fiel; ele não permitirá que vocês sejam tentados além do que podem suportar. Mas, quando forem tentados, ele mesmo lhes providenciará um escape, para que o possam suportar” (1Co 10:13, NIV). Ester faz uma rápida prece pedindo ajuda. Ao tirar a mão do pote, outro pensamento lhe vem à mente: “Deus enviaria todos os anjos do Céu para ajudar a quem depende totalmente de Cristo, a permitir que ele seja vencido.”8 Sim, com Jesus, ela pode vencer o apetite. Amanhã os biscoitos vão estar tão gostosos quanto hoje. Sai da cozinha e vai para a lavanderia, agradecendo a Deus. A vitória é doce, e ela se sente mais perto de Jesus agora. Quando termina de dobrar a roupa, o desejo passou. Ela ri do pote de biscoitos enquanto lava a louça. Devemos manter nossas mãos longe da tentação e, na maioria das vezes, nos afastar daquilo que está nos tentando. Efésios 4:27 diz: “E não deem lugar ao

diabo” – quer dizer, não dê nenhum espaço, porque ele pode se aproveitar daquela pequena concessão para atacar com mais força ainda. 2014

Ao contrário de Eva, o encontro de Jesus terminou com essa simples conclusão: “Então o Diabo o deixou, e anjos vieram e o serviram” (Mt 4:11). Em vez de pão, por um momento, Jesus deu a família humana uma vitória para toda a vida. Estamos em 2014. Será que os milhares de anos cedendo ou resistindo ao pecado nos deixaram mais hábeis para vencer a tentação? Satanás ainda ronda por perto. Ele é muito mais venenoso do que aquela cascavel atrás de nossa porta. Ao ver o inspirador triunfo de nosso Salvador, você está pronto para seguir Seu exemplo? n 1 Ellen

G. White, Sinais dos Tempos, 16 de janeiro de 1879. , Patriarcas e Profetas, p. 53, 54. os textos bíblicos foram extraídos da Nova Versão Internacional. 4 Ellen G. White, Youth’s Instructor, 20 de agosto de 1903. 5 ___________ , The Upward Look (Washington, D.C.: Review and Herald Pub. Assn., 1982), p. 32. 6 ___________ , To Be Like Jesus (Hagerstown, Md.: Review and Herald Pub. Assn., 1982), p. 34. 7 ___________ , Sinais dos Tempos, 4 de abril de 1900. 8 ___________ , Prayer (Nampa, Idaho: Pacific Press Pub. Assn., 2002), p. 239. 2 ___________ 3 Todos

Bill e Heather Krick moram

na Califórnia. Bill é diretor do Ministério de Publicações na Associação da Califórnia Central. Eles têm duas filhas, Savannah e Heidi.

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História Adventista

A

D i v is ã o

Eugene Zaytsev

E u r o - Asi á t ic a

Fora de

Babilônia O Progresso do Adventismo na Divisão Euro-Asiática

E

m outubro de 1917, durante os levantes turbulentos no antigo “império russo”, a Igreja Adventista, bem como todas as outras, deparou-se com novas circunstâncias quando a própria existência da religião foi questionada na Rússia. O comunismo havia chegado ao poder. A mudança do modelo de governo resultou em uma guerra civil (1918-1922), que provocou uma tragédia. O país foi assolado por terrível fome, epidemias de tifo, peste, varíola e cólera. Milhões ficaram desabrigados. A Igreja não ficou à margem do desastre humanitário, organizou uma entidade assistencial mundial para ajudar os necessitados. Foi fundada uma organização de caridade sob a liderança de I. A. L’vov que administrava a distribuição de ajuda humanitária e sopa. A Nova Política Econômica (NPE) introduzida no país testemunhou um abrandamento significativo do governo em relação à religião. A década de 1920 foi de relativa liberdade religiosa e oportunidade para a Igreja desenvolver seu potencial.

A Resposta da Igreja

Em agosto de 1924, Moscou sediou o V Congresso dos Adventistas do Sétimo Dia para toda a Rússia, na antiga União Soviética. Foram criadas novas oportunidades de evangelismo. A maioria das decisões nesse congresso foi de ordem social. Os delegados votaram especialmente pela participação ativa da Igreja na erradicação do analfabetismo, no estabelecimento de instituições médicas e na organização de comunidades agrícolas. Os anos subsequentes foram uma bênção, pois a Igreja dobrou seu número de membros como resultado das iniciativas evangelísticas durante os primeiros dez anos de União Soviética. As publicações se expandiram significativamente. As revistas Voice of Truth [A Voz da Verdade], Evangelist [Evangelista] e Adventbote [periódico adventista editado na Alemanha] eram publicadas regularmente. As casas publicadoras do governo, em parceira com evangélicos e batistas, publicaram duas edições da Bíblia. A Igreja recebeu dez mil exemplares dessas edições. As comunidades agrícolas dirigidas pela Igreja: Trabalho Fraternal,

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Novo Caminho, O Reino de Luz e Amor Fraternal, ajudaram a restaurar a agricultura devastada pela guerra. As Coisas Mudam Outra Vez

A ascensão de Stalin ao governo limitou drasticamente essa liberdade relativa. A nova legislação adotada em 1929 quase anulou a participação da Igreja. Até mesmo o trabalho humanitário ficou proibido. A constituição foi alterada e os cristãos perderam o direito de promover suas ideologias e crenças. Ateístas militantes começaram a lutar ativamente contra a religião. No início dos anos de 1930, o país passou por uma onda de repressão massiva que afetou muitíssimo a Igreja. A organização foi basicamente eliminada (1931) e as atividades das comunidades locais eram estritamente controladas. Durante esse período, os adventistas passaram por muitas provações. Por serem fieis ao quarto mandamento da lei de Deus, foram classificados como “parasitas” e “marginalizados”, perdendo até mesmo seus direitos básicos de receber a racionada comida. Muitos foram presos. Mais de 150 líderes e pastores e aproximadamente 3 mil membros foram torturados. A maioria de nossas congregações foi dissolvida devido à pressão das autoridades. Em 1938, H. J. Loebsack, líder da Igreja, foi torturado e morto na prisão. Suas últimas palavras antes de ser preso, foram: “Irmãos, trabalhem! Não desanimem! A obra de Deus é como um rio que ninguém pode parar!” A II Guerra Mundial salvou a religião na União Soviética. A relação entre Estado e Igreja melhorou e, em 1944, depois da liberação da ocupação alemã, os cultos da Igreja Adventista foram retomados. A Esperança Nasce e Logo Morre

Joseph Stalin morreu em 5 de março de 1953. Com sua morte, esperava-se que a era de perseguição, traição e campos D i v is ã o

E u r o - Asi á t ic a


PALÁCIO DO KREMLIN: Nesse Centro de Convenções (esquerda), construído por Khrushchev para o Partido Comunista, foi realizada uma grande campanha evangelística, em 1992. Mais de 1.300 pessoas foram batizadas em Moscou.

de trabalho forçado também terminasse. A esperança reacendeu no coração dos crentes, e o período de 1955 a 1957 se tornou o mais “liberal” da história do pós-guerra. No entanto, esse período de relativa liberdade não durou muito. No fim da década de 1950 criaram uma nova campanha contra o cristianismo. Os direitos dos cristãos foram, mais uma vez, limitados. Eram acusados de parasitas e corruptores dos jovens. Funcionários do governo interferiam grosseiramente nos assuntos internos da igreja, usando a tática de “dividir para governar”. Em dezembro de 1960, a organização da Igreja Adventista estava praticamente eliminada. Durante as décadas de 1960 e 1970 foi restaurado o contato com a liderança mundial da igreja. Líderes da Associação Geral como Theodore Carcich, A. Lohne, Robert Pierson e Neal C. Wilson, desempenharam papel importante na superação dos conflitos internos e na restauração da unidade. O colapso do regime comunista e da União Soviética no fim dos anos 1980 criou novas oportunidades para a Igreja. Devido à “reestruturação” da vida social, o caráter das relações Estado-Igreja mudou radicalmente. As novas leis de integração religiosa, particularmente o Ato 1990, tornou a liberdade de consciência uma realidade.

PIONEIROS: Delegados participantes do congresso adventista em Moscou, agosto de 1924. 90 ANOS ATRÁS: Participantes do concílio das Uniões (no centro, acima) reuniram-se na Rússia em 1924. Todos foram alvos de perseguição durante a década de 1930. FIEL ATÉ A MORTE: H. J. Loebsack (acima, à direita), líder da Igreja na ex-União Soviética, morreu na prisão, em 1938.

ar. Nos primeiros anos, o programa recebia aproximadamente 300 a 500 cartas de ouvintes por dia. Em 1991, aconteceu algo muito importante para a Igreja em nosso território. Foi inaugurada a primeira editora cristã (adventista) pós-soviética, em Zaokski. Pela primeira vez em muitos anos, nossos membros e os de outras denominações tiveram acesso à literatura religiosa cristã impressa, e não copiada. Nesse período, o evangelho alcançou sucesso sem precedentes. Dezenas de séries evangelísticas foram realizadas em todo o país, e milhares de pessoas voltaram para Deus. Na primeira metade dos anos 1990, a antiga União Soviética teve o crescimento mais rápido a nível mundial da Igreja. Em março de 1992, foi realizada uma série de pregações sob o tema “O Novo Estilo de Vida Segundo a Bíblia”, no Palácio do Kremlin. Foi necessário vender ingressos para que as pessoas pudessem assistir. Uma semana antes do programa todos os 14 mil ingressos estavam vendidos. Nesse contexto, a Divisão precisou reforçar sua infraestrutura, investir na educação cristã e desenvolver novas formas de evangelismo. Ela se envolveu ativamente na defesa da liberdade religiosa, organização de conferências educacionais e abertura de filiais da Associação Internacional de Liberdade Religiosa (IRLA).

O Adventismo Pós-Soviético

A reorganização da Igreja em nossa Divisão, após a derrocada do regime soviético, seguiu o modelo estrutural para todo o mundo. Uniões foram estabelecidas em diversas regiões. O ano de 1988 foi crítico. Pela primeira vez, em nossa longa e dolorosa história, foi criada uma instituição para a formação de pastores, o Seminário Zaokski, localizado na região de Tula, Rússia. Foi o início da formação sistemática de futuros pastores, a qual começou a crescer rapidamente. Na Conferência Geral de 1990, foi votada a criação de uma nova Divisão da Igreja, a Divisão Euro-Asiática, estabelecida nas regiões da antiga União Soviética. Naquele mesmo ano, foi feita a primeira transmissão de rádio, ao vivo, quando o programa A Voz da Esperança foi ao

Conclusão

Atualmente, nossa Divisão enfrenta novos desafios. Mas a maneira como Deus nos dirigiu com segurança em nossa formação e desenvolvimento, em meio a tantas dificuldades, faz com que olhemos para o futuro com esperança. n

Eugene Zaytsev é diretor do Instituto de

Pesquisa Bíblica da Divisão Euro-Asiática.

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R E S P O S T A S

A

P E R G U N T A S

B Í B L I C A S

Refletir Por favor, explique a frase “O Filho é o resplendor da glória de Deus” (Hb 1:3).*

Sua Glória

É difícil explicar a frase que você citou sem considerar seu contexto. Hebreus 1:1 a 3 é a introdução da carta e fornece uma poderosa descrição do papel e da natureza de Cristo. Ele é a revelação final de Deus, nomeado herdeiro de todas as coisas criadas (versos 1 e 2). Duas declarações se referem à natureza do Filho: “o resplendor da glória de Deus” e “a expressão exata do seu ser”; e as próximas duas, ao seu papel: “sustentando todas as coisas” e “realizado a purificação”. Ele é Aquele que é exaltado e que Se assenta como Rei à direita do Pai (verso 3). Vou explicar três dessas quatro declarações. 1. O Resplendor da Glória de Deus: Essa frase é um pouco difícil de entender porque a palavra grega para resplendor (apaugasma) não é encontrada em nenhum outro lugar do Novo Testamento. Na literatura grega, ela pode ter dois significados básicos: “Replendor/brilho” ou “reflexo”. Obviamente a escolha da tradução determina o significado da frase. Se optamos por “resplendor”, a frase se refere à natureza do Filho. “Reflexo” enfatiza Sua função como um meio de revelação. Em nosso contexto as duas ideias dificilmente podem ser separadas. O Filho, por meio de quem o Pai falou conosco, é a revelação final, porque Ele, que revelou a glória de Deus para nós é, por natureza, o próprio resplendor da glória. A glória de Deus é a luz de Sua misteriosa natureza manifesta aos seres humanos (Êx 24:15). Jesus é o resplendor da glória de Deus e esse resplendor é inseparável do Pai. Em outras palavras, não podemos ter glória sem resplendor, embora uma coisa possa ser diferente da outra. Isso pode ser ilustrado olhando para o sol. Não podemos separar a luz do sol, porque a natureza do sol é fornecer luz. Podemos dizer que Jesus, por natureza, é a luz das luzes. Em Sua presença, estamos na presença de Deus. Somente Aquele que por natureza participa da glória de Deus pode revelar o brilho dessa glória. E foi a partir do mistério de sua união indissolúvel com o Pai que Ele veio até nós.

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2. Expressão Exata (grego, charakter) do Seu Ser (hupostasis): Essa frase é paralela com a anterior e nos ajuda a compreendê-la. A palavra grega charakter é usada no Novo Testamento somente nessa passagem. Ela foi empregada na literatura grega para designar o que está encravado em um objeto (por exemplo, em um selo) e a impressão do objeto em cera. Aqui ela é usada juntamente com a palavra “ser” (hupostasis: “substância, natureza”) e se refere às características singulares da própria realidade ou do “ser” de Deus. Jesus, por natureza, tem as marcas características de Deus porque só Deus as pode ter. Isso define quem Ele é, e consequentemente, Ele pode revelar Deus a nós. Jesus e o Pai participam da mesma natureza distinta. Aqui, natureza e função são inseparáveis. 3. Sustentanto (pherein: “levar, suportar”) Todas as Coisas: As declarações anteriores eram principalmente sobre o Filho em relação ao Pai, mas essa é sobre a relação do Filho com o Cosmos, ou com todas as coisas criadas. O verbo grego pode expressar várias ideias como sustentar, liderar, estabelecer. A declaração de que Deus criou todas as coisas por meio do Filho é expressa no verso 2, portanto, identifica o Filho como Criador. Nesse caso, o assunto não é criação, porque o verbo está no presente e a criação é um evento do passado. Aqui, a ideia de sustentar o Universo no sentido de liderar e manter, parece mais apropriada. O Filho não apenas criou, mas sustenta Sua criação e a conduz para o alvo que pretendia para ela. Ele faz isso por meio de “Sua palavra poderosa” (verso 3). O poder que trouxe o Universo à existência é o mesmo que continua a sustentá-lo. n * Textos bíblicos extraídos da Nova Versão Internacional.

Ángel Manuel Rodríguez atuou como diretor do Instituto de Pesquisa Bíblica da Associação Geral por muitos anos. Hoje, aposentado, mora no Texas, EUA.


E studo

B íblico

Mark A. Finley Fr o e lic h

O Dia Seguinte ao

A

s notícias noturnas destacam o que está acontecendo hoje e como esses eventos afetam o amanhã. As notícias são bem desanimadoras. Se não é outro tiroteio em uma escola, é um furacão devastando cidades, o aumento do débito nacional, a crise internacional ou algum ataque terrorista. Atualmente, os que profetizam desgraça já não são mais os pregadores falando de seus púlpitos, mas os apresentadores dos jornais vespertinos reportando os eventos do mundo. Contudo, no meio de tantas más notícias, há esperança. Com visão profética e sabedoria divina, a Bíblia descreve eventos que estão explodindo ao nosso redor hoje. Ela fala não apenas sobre o amanhã, mas do dia seguinte a todos os nossos amanhãs.

1 A vida não era fácil para os cristãos que viviam em Roma, no primeiro século. Eles viviam no meio da idolatria e imoralidade em uma sociedade enlouquecida pelo prazer. Às vezes eram perseguidos por sua fé. Onde encontravam esperança? Leia a resposta em Romanos 15:4. 2

Onde descobrimos a fonte de toda a esperança? Leia Romanos 15:13. Esperança é o anseio interior pela vinda de algo melhor. É o desejo de algo melhor misturado à grande expectativa de que vai se tornar realidade. A esperança é mencionada mais de 125 vezes na Bíblia, sendo que só o apóstolo Paulo usa a palavra 41 vezes. Para os apóstolos, a esperança está sempre enraizada em Deus, o originador de toda esperança. Por meio dEle, nosso coração pode se encher de esperança em todas as circunstâncias da vida, e podemos nos alegrar porque dias melhores virão.

3 O que pode nos dar certeza sobre a esperança que Deus coloca em nosso coração e aceitar Seus planos para nossa vida? Veja Romanos 5:5. Os seres humanos podem nos decepcionar e trair. Mas as promessas de Deus são fidedignas; elas merecem confiança. A esperança que Ele coloca em nosso coração nunca irá nos decepcionar. Ela eleva o espírito e nos alegramos em Sua esperança.

M a r k

L .

Amanhã

4 Leia Romanos 8:24 e 25. Como a esperança impacta a vida? Como podemos crer em algo que não percebemos e ainda não conseguimos ver? A esperança nos permite compreender pela fé a realidade das promessas divinas. Fé é confiar em Deus. Esperança é acreditar que no futuro Deus cumprirá exatamente o que Ele prometeu. A esperança salva do calabouço do desespero. Por meio dela nós aguardamos, confiando que Deus revelará Seu poder e glória no Seu tempo.

5 Como o apóstolo Paulo descreve os cristãos que esperam pelo retorno do Senhor? Leia Tito 2:13 e 14. A esperança está a caminho. Este mundo não será transformado em um terreno baldio termonuclear. Não vai acabar com milhões de pessoas lutando por migalhas de pão. Não será destruído por nenhum terremoto monstruoso ou desastre natural devastador. Embora, talvez, enfrentemos algumas dessas calamidades, o dia seguinte ao amanhã está chegando. A bendita esperança é que Jesus voltará em breve.

6

Leia Colossenses 1:27. Onde podemos encontrar esperança de glória eterna? Só estaremos preparados para o glorioso retorno de Jesus Cristo se “Cristo, a esperança da Glória”, viver em nosso coração. A única maneira de estar pronto para a volta de Jesus é permitir que Ele habite em nós por meio do Espírito Santo. Não é nenhum mistério. Cristo habita em nós por intermédio de Seu Espírito, quando O convidamos para possuir completamente nossa vida.

7 Que conselho o apóstolo Paulo deu a cada crente e o que a esperança em Jesus fará por todos os que nela permanecerem firmes? Leia Hebreus 6:18 e 19. O Espírito Santo está guiando cada um de nós a tomar posse, a aproveitar essa esperança que Cristo oferece. Quando aceitarmos essa dádiva de Deus, ela servirá como âncora para a vida. Como um barco ancorado no porto seguro em noite de tempestade, estaremos ancorados em Jesus. Ele é nosso refúgio. A esperança indica um futuro glorioso e nos alegramos nas circunstâncias atuais sabendo que um dia melhor está chegando, o dia seguinte ao amanhã. n

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TROCA DE IDEIAS

Cartas

Temos segurança no Deus da Bíblia.

P o z n a n

N o w o w i e js k i e g o

– A lexander Perez Rodríguez, Tabasco, México

Moderação?

Escrevo complementando o artigo de Peter N. Landless e Allan R. Handysides, “Moderação?” (AW – março). Existem mais argumentos contra o consumo intoxicante de bebidas do que, certamente, a falta de espaço que limitou o artigo. Por exemplo, drogas mais álcool pode ser uma combinação letal. O álcool age como anestésico. Antes da anestesia, a única maneira de minorar a dor em uma cirurgia era deixar o paciente totalmente “embriagado” antes de realizá-la!

Oraçãow

Há, ainda, outras utilizações muito melhores para o álcool, uma das quais é no tanque do automóvel. No Brasil, o álcool é extraído da cana-de- açúcar e usado como combustível nos veículos. Barry Gowland F ishermead, Milton Keynes, Reino Unido Encontros Radicais

Apreciei o artigo de Frauke Gyuroka, “Encontros Radicais” (AW – fevereiro). Esse artigo destacou o estilo de vida daqueles que estão comprometidos com Jesus (Crenças Fundamentais dos Adventistas do Sétimo Dia, nº- 22, “Vida Cristã”). No Brasil, durante o Carnaval, os jovens de nosso distrito decidiram reafirmar seu estilo de vida, separando-se da folia. O departamento de jovens se esforçou ainda mais para oferecer atividades recreativas e espirituais, levando-os a contemplar Jesus e ser transformados por Ele através do estudo da Bíblia, da natureza, do cuidado do corpo e do relacionamento com outros. Eles participaram de tudo isso

com grande alegria e entusiasmo. Karlla Tathiana Queimadas, Paraíba, Brasil A Trindade

Muito obrigado pelo artigo de Walter Steger, “A Trindade” (AW –janeiro). Esse é um assunto importante e concordo plenamente com o autor: “temos segurança no Deus da Bíblia”. O assunto foi tratado com clareza. Sou grato, também, por publicarem a Adventist World, esta maravilhosa revista é um grande conforto para mim. Sou cubano e era difícil ter acesso à revista. Amigos me presenteavam. Agora estou no México e posso lê-la sem problemas. Alexander Perez Rodríguez Tabasco, México Grandemente Abençoado

Minha família e eu estamos sendo profundamente abençoados com a Adventist World. Muito obrigado por esta revista! Daniel Nsengiyumva Bujumbura, Burundi

GRATIDÃO

Sou infinitamente agradecida a Deus por ter ouvido minhas orações e me ajudado a passar nos exames escolares. Esse milagre serve como testemunho para meus amigos, em outras partes do mundo, que também oraram. Eliana, Venezuela

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Adventist World | Maio 2014

Meus irmãos mais novos são adolescentes e vejo como o mundo os tem influenciado. Ore para que eles entreguem o coração a Cristo e que eu, como irmã, possa estar firmada em Cristo para ser-lhes um bom exemplo. Irene, Dinamarca

Estou sofrendo de falência renal; meus dois rins não estão funcionando bem. Peço aos irmãos que orem por mim. Samuel, Namíbia Suplico orações em favor da situação financeira de minha família e pelo meu futuro. Obrigado. Tonderai, Zimbábue


Que

A Adventist World é editada pela Igreja Adventista do Sétimo Dia e distribuída através de nossas instituições, igrejas e editoras. Ela também pode ser adquirida mediante assinatura (www.cpb.org.br). Na Internet, acesse: www.adventistworld.org. Somos gratos por a revista estar suprindo essa necessidade. – Os Editores Como enviar as Cartas: Por favor envie para letters@ adventist Letters Policy: Please send to: letters@adventistworld.org. world.org. As cartas devem ser escritas com clareza, contendo, Letters must be clearly written, 100-word maximum. Include no máximo, 100 palavras. Inclua na carta o nome do artigo e a the name of the article and the date of publication with your data da publicação. Coloque, também, seu nome, a cidade, o letter. Also include your name, the town/city, state, and country estado e país de onde você está escrevendo. As cartas serão from which you are writing. Letters will be edited for space and editadas por questão de espaço e clareza. Nem todas as cartas clarity. Not all letters submitted will be published. enviadas serão publicadas.

Lugar é

Esse?

RESPOSTA: Adventistas em Maurício posam em frente ao local utilizado como igreja por cinco anos. A outra foto mostra o prédio onde atualmente adoram a Deus. Richard (esquerda), pioneiro de Missão Global, é o líder espiritual do grupo.

É a primeira vez que escrevo para a Adventist World. Recentemente eu estava em um jardim público na área turística de Sliena e vi um exemplar da revista sobre um banco. Era a edição de fevereiro de 2009, sendo o artigo de capa “Escolhi o Sábado”, de Andrew McChesney. Li cuidadosamente a revista, especialmente, a história de Daniel Lisulo, no artigo de capa. Parabéns pelo trabalho que desenvolvem. Gostaria de receber a Adventist World. Estou interessado em aprender mais sobre a Igreja Adventista e suas atividades no mundo. Muito obrigado! Karmelo Magrin Valletta, Malta

Reavivados por Sua Palavra Uma Jornada de Descobertas pela Bíblia Deus nos fala por meio de Sua Palavra. Junte-se a outros membros, em mais de 180 países, que estão lendo um capítulo da Bíblia todos os dias. Para baixar o Guia de Leitura da Bíblia, visite: www.reavivadosporsuapalavra.org, ou inscreva-se para receber diariamente o capítulo por e-mail. Para fazer parte desta iniciativa, comece por aqui: 1 DE JUNHO DE 2014 • Jeremias 32

Por favor, ore por mim. Quero estudar mas não tenho condições financeiras para tanto. Jeredie, Namíbia Minha filha está passando por um momento muito difícil. Ela está sendo obrigada a trabalhar aos sábados. Por favor, peça a intervenção de Deus. Venise, Guadalupe

Minha tia está sofrendo com uma doença nos ossos. Quero pedir que orem para que ela consiga andar novamente sem sentir tanta dor, e possa ir à igreja todos os sábados. Obrigado! Abi, Filipinas

Oração & Gratidão: Envie seus pedidos de oração ou agradecimentos (gratidão por orações respondidas) para prayer@adventistworld.org. As participações devem ser curtas e concisas, de no máximo 50 palavras. Os textos poderão ser editados por questão de espaço e clareza. Nem todas as participações serão publicadas. Por favor, inclua seu nome e o nome do seu país. Os pedidos também podem ser enviados por fax, para o número: 1-301-680-6638; ou por carta para Adventist World, 12501 Old Columbia Pike, Silver Spring, MD 20904-6600, EUA.

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TROCA DE IDEIAS

Adventist World

Transforma Vidas C l a u d e

R ic h li

PR &

P: R:

Qual é o idioma “inventado” mais popular no mundo?

Há mais de 125 anos o polonês L.L. Zamenhof inventou o Esperanto, com a esperança de que esse idioma quebrasse as barreiras da comunicação global. Hoje, estima-se que 2 milhões de pessoas falem o esperanto, embora poucos milhares se considerem fluentes.

Fonte: Smithsonian C l a u d e

R ic h li

E

m uma série evangelística ao ar livre, no Quênia, a delegacia de polícia enviou alguns policiais ao evento para manter a ordem. Sentaram-se na entrada do local das reuniões. Alguém deu a eles alguns exemplares da revista Adventist World. Na última noite das conferências, ao final do sermão, eles se aproximaram do pastor e pediram o batismo. O pastor ficou surpreso, pois ficavam muito longe para ouvi-lo falar. Eles disseram: “Enquanto o senhor pregava, líamos a Adventist World e queremos ser batizados nessa Igreja.” Sabemos que a Adventist World transforma vidas no mundo todo. Se essa revista mudou sua vida ou de algum membro de sua família, queremos saber sua história. Se você encontrou a Jesus, ou voltou para a igreja, ou adotou um estilo de vida mais saudável, ou consagrado, escreva-nos contando. Por favor, escreva em poucas palavras sua história, e entraremos em contato com você para uma entrevista mais detalhada. Onde quer que você more: Pacífico, África, Ásia, Europa ou nas Américas, estamos interessados em sua história. Escreva para worldeditor@gc.adventist.org; 12501 Old Columbia Pike, Silver Spring, Maryland 20904-6600 (Estados Unidos); assunto: Changed Lives.

Todo livro tem um autor em algum lugar, mas o AUTOR da Bíblia está em todos os lugares. – J immie Lee Martin, Baltimore, Maryland, Estados Unidos

Veja, Eles Os cranes são os pássaros mais altos do mundo que conseguem voar. Sua altura varia entre 90 a 176 centímetros e podem pesar até 12 quilos. Eles vivem em todos os continentes, exceto, Antártica e América do Sul. F o t o :

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Adventist World | Maio 2014

J e a n - R a p h a ë l

G u ill a u mi n


P a t rim ô n i o L i t e r á ri o d e Ell e n G . W h i t e

“Eis que cedo venho…”

E

153Anos

m 3 de maio de 1861 foi inaugurada a Associação Publicadora da Igreja Adventista do Sétimo Dia em Battle Creek, Michigan, Estados Unidos, precedendo em dois anos a organização da Igreja. Embora a obra de publicações tenha iniciado em 1849, a primeira impressora só foi adquirida em 1852. Os primeiros passos em direção a oficialização aconteceu em 1860, pois no estado do Michigan, até 1861, não existiam leis para regular esse tipo de instituição. No primeiro artigo da proposta corporativa, lia-se: “Esta Associação será denominada The Advent Review Publishing Association, cujo objetivo será a publicação de periódicos, livros e folhetos com o propósito de oferecer instrução sobre a verdade da Bíblia, especialmente o cumprimento das profecias, os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.” Quando a editora foi transferida para Washington, D.C., em 1903, a Associação Publicadora da Igreja Adventista do Sétimo Dia foi dissolvida e suas ações e ativos transferidos para a Review and Herald Publishing Association, constituída sob as leis do distrito de Columbia. Hoje, 63 editoras adventistas, em todo o mundo, publicam livros, revistas e outras literaturas para pregar o evangelho de Jesus Cristo.

Nossa missão é exaltar a Jesus Cristo, unindo os adventistas do sétimo dia de todo o mundo numa só crença, missão, estilo de vida e esperança. Editor Adventist World é uma publicação internacional da Igreja Adventista do Sétimo Dia, editada pela Associação Geral e pela Divisão do Pacífico Norte-Asiático. Editor Administrativo e Editor Chefe Bill Knott Editor Associado Claude Richli Gerente Internacional de Publicação Pyung Duk Chun Comissão Editorial Ted N. C. Wilson, presidente; Benjamin D. Schoun, vice-presidente; Bill Knott, secretário; Lisa Beardsley-Hardy; Daniel R. Jackson; Robert Lemon; Geoffrey Mbwana; G. T. Ng; Daisy Orion; Juan Prestol; Michael Ryan; Ella Simmons; Mark Thomas; Karnik Doukmetzian, assessor legal.  Comité de coordination de Adventist World

Jairyong Lee, chair; Akeri Suzuki, Kenneth Osborn, Guimo Sung, Pyung Duk Chun, Suk Hee Han

Rédacteurs basés à Silver Spring, au Maryland (États-Unis)

Lael Caesar, Gerald A. Klingbeil (rédacteurs en chef adjoints), Sandra Blackmer, Stephen Chavez, Wilona Karimabadi, Mark A. Kellner, Kimberly Luste Maran

Rédacteurs basés à Séoul, Corée

Pyung Duk Chun, Jae Man Park, Hyo Jun Kim

Editor On-line Carlos Medley Gerente de Operações Merle Poirier Colaborador Mark A. Finley Conselheiro E. Edward Zinke

Alimente-se Como um

Gênio

As doenças cognitivas afetam milhões de pessoas a cada ano. Proteja sua massa cinzenta com os seguintes alimentos: Combata a inflamação e a demência (Alzheimer e Parkinson) com amora, damasco e morangos. Para melhorar o fluxo sanguíneo, ajudar o aprendizado, a memória e o tempo de reação, abasteça-se com suco de uva, abacate, castanhas e azeite de oliva. Crie mais neurônios comendo frutas de cor azul escura e roxa, como amoras, blueberries, cerejas e ameixas. Fonte: Women’s Health

Administrador Financeiro Rachel J. Child Assistentes Administrativos Marvene Thorpe-Baptiste Comissão Administrativa Jairyong Lee, chair; Bill Knott, secretary; P. D. Chun, Karnik Doukmetzian, Suk Hee Han, Kenneth Osborn, Juan Prestol, Claude Richli, Akeri Suzuki, Ex-officio: Robert Lemon, G. T. Ng, Ted N. C. Wilson Diretor de Arte e Diagramação Jeff Dever, Brett Meliti Consultores Ted N. C. Wilson, Robert E. Lemon, G. T. Ng, Guillermo E. Biaggi, Lowell C. Cooper, Daniel R. Jackson, Geoffrey Mbwana, Armando Miranda, Pardon K. Mwansa, Michael L. Ryan, Blasious M. Ruguri, Benjamin D. Schoun, Ella S. Simmons, Alberto C. Gulfan Jr., Erton Köhler, Jairyong Lee, Israel Leito, John Rathinaraj, Paul S. Ratsara, Barry Oliver, Bruno Vertallier, Gilbert Wari, Bertil A. Wiklander. Aos colaboradores: São bem-vindos artigos enviados voluntariamente. Toda correspondência editorial deve ser enviada para: 12501 Old Columbia Pike, Silver Spring MD 20904-6600, EUA. Escritórios da Redação: (301) 680-6638 E-mail: worldeditor@gc.adventist.org Website: www.adventistworld.org Adventist World é uma revista mensal editada simultaneamente na Coreia do Sul, Brasil, Argentina, Indonésia, Austrália, Alemanha, Áustria e nos Estados Unidos.

V. 10, Nº- 5

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*Floyd Morris é cego. A despeito da deficiência, ele é o presidente da Casa Superior (Senado) da Jamaica. Ele se tornou senador aos 28 anos de idade. Também foi ministro do Ministério do Trabalho e Seguro Social.

foto: Jamaica Observer

Todos os meses a Adventist World é lida on-line por esse Senador Uma Família Mundial! Adventist World.

O Senador Floyd Morris*, da Jamaica, se mantêm em contato com a família adventista em todo o mundo graças à Adventist World e à tecnologia. Você também pode ficar em sintonia com essa família. Se a Adventist World não estiver sendo distribuída regularmente em sua igreja, entre em contato com o Departamento de Comunicação ou com a CPB.

Portuguese may 2014  

Portuguese, adventist world, magazine

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