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Órgão Internacional dos Adventistas do Sétimo Dia

Ou t u b ro 2 01 1

Dentro das

Cidades Ve j a p á g i n a 1 6

11

Muita

tv?

14

O Mosaico de Deus

Para a 26 Glória de Deus


Out ubro 2011 A

IGREJA

EM

AÇÃO

Editorial............................. 3 Notícias do Mundo

3 Notícias & Imagens

Visão Mundial

8 Grande Visão para as Grandes Cidades 10 Igreja de Um Dia SAÚDE

NO

MUNDO

Muita TV? ....................... 11 A R T I G O

D E

C A P A

Por Allan R. Handysides e Peter N. Landless

Dentro das Cidades .................................................. 16 Braços de Amor Por Gary Krause ......................................... 16 Milhões de pessoas, nas maiores cidades do mundo, ainda precisam ser tocadas pelo poder de Cristo na vida dos Seus seguidores.

PERGUNTAS

BÍBLICAS

Para a Glória de Deus ............................ 26 Por Angel Manuel Rodríguez

Jesus Chora pelas Cidades Por Mark Finley .................... 20 As cidades são importantes para nós, porque são importantes para Ele. DEVOCIONAL

A Espera Por Frank M. Hasel .................................................. 12 Todos a experimentam; não deveríamos, então, ser benefeciados por ela? CRENÇAS

FUNDAMENTAIS

O Mosaico de Deus Por Cheryl Doss ................................... 14 Estarmos unidos é mais bonito do que estarmos sozinhos. ESPÍRITO

DE

PROFECIA

O Método de Cristo Por Ellen G. White .............................. 23 Estamos entre eles porque os amamos.

ESTUDO

BÍBLICO

Sobrevivendo aos Dias Escuros ........... 27 Por Mark A. Finley INTERCÂMBIO

MUNDIAL

29 Cartas 30 Lugar da Oração 31 Intercâmbio de Ideias

O Lugar das Pessoas ............................. 32

SERVIÇO

Calçando os Seus Sapatos Por Rick Kajiura ...................... 24 A melhor maneira de alcançar os Navajos é viver como eles.

Adventist World (ISSN 1557-5519) é editada 12 vezes por ano, na primeira quinta-feira do mês, pela Review and Herald Publishing Association. Copyright (c) 2005. Vol. 7, nº 10, Outubro de 2011.

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Adventist World | Outubro 2011

Tradução: Sonete Magalhães Costa www.portuguese.adventistworld.org


A Igreja em Ação EDITORIAL Lágrimas de Justiça

S

endo um adolescente que cresceu em meio aos luxuriantes bosques de uma pequena cidade, lembro-me quão desorientado me senti quando fiz, com o coral ao qual pertencia, minha primeira visita à cidade de Nova Iorque. A trilha sonora constante da metrópole era irritante, como se houvesse amplificadores nos meus ouvidos. Meus olhos procuravam no pavimento quente e nas fachadas lotadas das lojas por um pedacinho daquele mundo verde de que tanto gostava. Eu estava completamente despreparado quando o patrocinador de nosso grupo vocal, um senhor de meia idade, inspirou profundamente a fumaça do ônibus a diesel, saboreando lentamente, para depois exclamar: “Oh, como sinto falta do ar da cidade!” Olhei para ele como se visse algum predador exótico no zoológico, imaginando se ele estava em perfeito juízo. É claro que ele havia crescido naquele ambiente. O lamento das sirenes da polícia já não o assustavam, e as ruas arborizadas que tanto eu amava só o faziam pensar que estava perdido em meio a uma floresta primitiva. Cada um de nós assumia que seu ambiente preferido era normativo para o mundo. Deve ter havido um tempo em que muitos adventistas podiam ser consolados com o fato de que a maior parte

daqueles com quem dividimos este planeta vivia na zona rural ou em regiões suburbanas, mas esse tempo está no passado. Lamentar, como fazem alguns, não vai mudar os fatos: todo ano, milhões de pessoas em todas as partes do mundo estão deixando o estilo de vida agrícola para tentar a sorte em metrópoles de crescimento rápido, como Seul, Cidade do México, Mumbai, Manila e Johanesburgo. Não podemos ousar perder esse movimento ou esse momento. Quando nos unimos a Jesus, chorando pelas cidades, choramos não porque três bilhões de pessoas vivem nelas, mas porque essas pessoas, cada uma delas, é objeto amor e ternura de nosso Salvador, e inevitavelmente, do nosso. O Céu não tem preconceitos contra as cidades: na verdade, se medida como sugere grande parte dos estudiosos, a Nova Jerusalém fará com que a área de todas as grandes cidades do mundo, juntas, pareça pequena. Ela foi projetada em grande escala porque o Céu espera que a multidão que ninguém consegue contar, mostrada em visão ao apóstolo João, ainda habite ali. Nosso desafio, então, é convidá-la a mudar mais uma vez, de uma cidade para outra infinitamente melhor, onde não haverá mais lágrimas. – Bill Knott

D E R I C H A R D P O R F O T O

participantes distribuirão cartões com promessas de paz, solicitando que sejam assinados pelo povo para promover a paz nos bairros. Desde o primeiro anúncio, os líderes da associação limitaram o tamanho do evento por questões de segurança. Um dos líderes declarou: “Qualquer atividade ou serviço comunitário só deve ser realizado na área dos próprios membros; eles não devem sair para

S E C ,

■ Os líderes dos jovens adventistas do sétimo dia, em Londres, planejam realizar duas manifestações pela paz, em meados de agosto, respondendo à onda desenfreada de saques, iniciada no dia 6 de agosto, seguido ao protesto da comunidade devido ao tiroteio da polícia. Os eventos patrocinados pelas igrejas da Associação do Sul da Inglaterra serão usados para promover a paz. Os

A R Q U I V O

Londres: Jovens Adventistas Marcham pela Paz

L I S S E R

NOTÍCIAS DO MUNDO

LÍDERES DA IGREJA: Sam Davis, presidente da Igreja Adventista da Associação do Sul da Inglaterra, participa da marcha dos Desbravadores Adventistas, nas ruas de Londres, no dia 23 de julho, para promover paz, um ano antes das olimpíadas de 2012.

Outubro 2011 | Adventist World

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A Igreja em Ação NOTÍCIAS DO MUNDO

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Adventist World | Outubro 2011

Primeiro Programa da Rádio Mundial Adventista (AWR) é Transmitido no Tibete

O LT H O F / S T O C K . X C H N G

■ Após dois anos de procura por um produtor, a Rádio Mundial Adventista está feliz pelo início da transmissão, em ondas curtas, do primeiro programa em tibetano. A AWR tem programado dois blocos de seis meses de programas, que serão trocados na primavera e outono, e na ocasião da troca, geralmente novas línguas são introduzidas. “Nesse caso, estamos deixando o nosso procedimento usual e começando os novos programas no meio de nossa temporada”, disse Dowell Chow, presidente da AWR. “Há vários anos, desejávamos iniciar os programas em tibetano, e agora que temos um produtor, estamos ansiosos para começar a levar a voz da esperança

F R A N K

outras partes da cidade e se aventurar, mas participar apenas sob direta instrução dos líderes da igreja local que compreendam a situação.” Os saques em vários bairros de Londres e cidades distantes como Birmingham e Liverpoor continuaram incendiando a noite de segunda-feira, 8 de agosto, embora o aumento do número de policiais tenha acalmado a situação, conforme fontes da Adventist World A violência começou na noite de sábado, seguindo ao protesto da comunidade devido ao tiroteio da polícia em Tottenham. Mark Kuggan, residente do local, foi morto e um policial baleado no incidente, noticiaram as agências de notícias. Tottenham, assim como outros bairros onde foi iniciada a violência, tem sido, frequentemente, associado à alta taxa de desemprego e tensões com a polícia. Logo, crimes semelhantes se multiplicaram em vários bairros e cidades, informou a BBC. Segundo a BBC, o Primeiro-Ministro Davi Cameron retornou das férias na Itália para cuidar da situação. “Estamos tristes com o que aconteceu em Tottenham”, disse Sam Davis, presidente da Igreja Adventista no Sul da Inglaterra. “A perda da vida de Mark Duggan mobilizou a comunidade a buscar respostas sobre o que teria acontecido para causar a morte desse jovem. No entanto, isso não justifica a onda de violência, destruição de propriedades, roubo e vandalismo que se seguiu ao protesto.” Davis disse que os departamentos de Jovens e Ministério da Comunidade desejam se unir à comunidade na operação de limpeza e já estão trabalhando em uma área afetada, assistindo famílias desabrigadas. – Rede Adventista de Notícias, com equipe da União Britânica

aos ouvintes o mais rápido possível.” O Tibete é uma província montanhosa ou “região autônoma” na China, onde não há uma estrutura da Igreja Adventista do Sétimo Dia organizada e apenas um punhado de membros em uma população de três milhões de pessoas. Quando a AWR começou a anunciar que estava procurando por um produtor de rádio tibetano, receberam poucos contatos de outros ministérios de apoio. Posteriormente, a AWR entrou em contato, por e-mail, com um homem chamado Nurpu. No ano passado, ele viajou para o Nepal, país vizinho, para se encontrar com Chow na primeira reunião de audição da AWR-Nepal, e começou ser treinado pelos produtores e técnicos de longa data da AWR Nepalesa. Quando aprendeu a lidar com o equipamento e a fazer anúncios, Nurpu retornou para seu país com um

OPORTUNIDADE NO TIBETE: Cena de um templo budista, no Tibete. A província autônoma da China está recebendo os programas da Rádio Mundial Adventista.


T E D – F OTO

suprimento de roteiros de rádio cedidos pela equipe do Nepal. Nurpu começou a traduzi-los, à mão, e a contextualizar para o povo tibetano. Desde então, por três vezes, ele já fez a viagem para Kathmandu, Nepal, para novas gravações nos estúdios da AWR. Assim que os programas eram produzidos, a AWR começava a transmiti-los, uma vez por semana, em uma estação FM, no Nepal, perto da fronteira com o Tibete. As viagens de Nurpu requerem considerável perseverança: uma longa caminhada de sua casa, na encosta das montanhas, até uma cidade maior, viagem de ônibus, pelo menos mais um dia inteiro de caminhada até a fronteira com o Nepal, e outra longa viagem de ônibus até Katmandu. A expedição, em uma direção apenas, pode levar de três a seis dias. A vida de Nurpu, mesmo em sua casa, não é fácil. Embora em sua pequena casa haja eletricidade e ele possa usar o laptop cedido pela AWR para ter acesso aos e-mails, precisa andar montanha abaixo, para uma cidadezinha, no vale, para acessar a Internet. Seus dias são cheios de atividades pois cria alguns animais e cuida de uma plantação para alimentar sua família, e ainda trabalha como pioneiro de Evangelho. “Por favor, ore por Nurpu e pelo seu difícil trabalho de produzir programas para seu povo”, diz Chow, “para que continue animado com esse ministério que ainda está engatinhando.” – Shelley Nolan Freesland, Rádio Mundial Adventista

A Igreja Adventista, na Hungria, deve ser registrada novamente ■ Nos termos controversos da legislação recentemente promulgada, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, na Hungria, é uma das 344 igrejas cristãs e outros

grupos religiosos que perderam sua legalidade e deve se inscrever para registro no Parlamento Húngaro. Apenas 14 organizações religiosas conservaram sua condição prévia à nova lei, a qual defensores dos direitos humanos do mundo todo criticaram como “cruel” e “opressiva”. Tamás Ócsai, presidente da Igreja Adventista na Hungria, expressou seu desalento, pois, a despeito de garantias anteriores por parte dos líderes do governo, a igreja deve agora se submeter a um considerável processo para solicitar ao parlamento a renovação do seu registro. “No momento, estamos discutindo o fato com nossos membros de igreja, advogados da Divisão Transeuropeia e da Associação Geral, e, no mês de setembro, planejamos tomar uma decisão sobre a melhor maneira de seguir avante”, disse Ócsai. “A Igreja Adventista do Sétimo Dia na Hungria preenche todos os requisitos para o novo registro, sob a nova lei”, disse ele. “Pedimos as orações de nossos irmãos em todo o mundo, ao enfrentarmos esse desafio.” Segundo Raafat Kamal, diretor do Departamento de Relações Públicas e Liberdade Religiosa da Igreja Adventista (PARL) na Divisão Transeuropeia, a legislação que foi aprovada pelo parlamento húngaro durante as primeiras horas do dia 11 de julho, é muito diferente da versão mostrada aos grupos religiosos durante as consultas, nos meses de maio e junho deste ano. “O processo de solicitação do novo registro se tornou agora politizado”, disse Kamal. “O resultado dependerá do clima político em um dado momento, e pode expor minorias religiosas a discriminação explícita.” John Graz, diretor da PARL para a Igreja Adventista mundial, diz que a nova lei compromete seriamente a Hungria como um país que respeita e

D E

É NECESSÁRIO REGISTRO AGORA: Tamás Ócsai é presidente da Igreja Adventista na Hungria.

protege os direitos humanos básicos. “Essa lei é incompatível, tanto com os princípios europeus como com os convênios internacionais que protegem a liberdade religiosa”, diz Graz. “Respeitosamente, solicitamos aos legisladores da Hungria a considerar os termos dessa lei, enviá-la para a comunidade internacional e a tomar medidas para proteger suas minorias religiosas.” A legislação, denominada “Lei do Direito e Liberdade a Consciência e Religião, e em Igrejas, Religiões e Comunidades Religiosas”, exige que os grupos que não estão entre os 14 grupos religiosos “aprovados”, se submetam a um processo de solicitação de legalização. A nova lei também limita a definição legal de “atividades religiosas” e impõe condições rigorosas que devem ser preenchidas antes que a organização receba o direito de se autodenominar como “igreja”. A lei entra em vigor no dia 1º de janeiro de 2012. A Igreja Adventista nesse país da Europa central tem mais de cem congregações e cerca de cinco mil membros. Desde a queda do comunismo na Hungria, em 1989, o interesse religioso cresceu e cerca de cinquenta e cinco por cento da população se identifica como Católico Romana. – reportagem de Bettina Krause, IRLA, com Rede Adventista de Notícias

1010NewsBriefs2010_03.jpg – É NECESSÁRIO REGISTRO AGORA: Tamás Outubro 2011 | Adventist World

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A R QU I VO


A Igreja em Ação NOTÍCIAS DO MUNDO

O

s comunicadores adventistas de todo o território cubano se reuniram, recentemente, na Igreja Adventista de La Víbora, Havana, para um seminário de três dias, com o objetivo de aprimorar suas habilidades e aprender melhores métodos de comunicar esperança em suas comunidades. Cerca de cinquenta comunicadores compareceram para aprender como escrever artigos de notícias, para ouvir sobre os deveres e responsabilidades na comunicação, direção de mídia, comunicação prática, a igreja como organização comunicativa e redes sociais. Com praticamente nenhum acesso à Internet e limitação de equipamento de trabalho, a sede da igreja em Havana se esforça para se comunicar com seus líderes regionais que supervisionam mais de 280 congregações nas dezesseis províncias da ilha. “Nosso objetivo com esse treinamento é que fique claro para nossos comunicadores o objetivo de construir pontes de esperança em todo território de nosso país”, disse Dayami Rodríguez, diretora de comunicação da igreja em Cuba. “Todo canteiro de obras necessita de profissionais para obter sucesso; é a mesma coisa conosco, comunicadores da verdade. Devemos ser treinados para cumprir a missão da igreja.” Não é apenas manter a igreja informada, mas, também, alcançar todos os cantos da ilha, diz Rodríguez. Informar e evangelizar ainda é um processo que toma tempo, ela explica. “Trabalhamos com o que temos disponível,” disse Rodríguez. “A melhor maneira de nos comunicar com nossos líderes regionais é por meio de comunicação telefônica e de boletim informativo.” “Podemos promover as iniciativas de nossa igreja, planos, estratégias e atividades dos diferentes departamentos e ministérios, para evangelizar todas as nossas províncias”, acrescentou ela. Rodríguez, que é diretora de comunicação há apenas nove meses, disse que o seminário foi também uma oportunidade de apresentar os comunicadores e estabelecer um intercâmbio e maior diálogo entre eles, a despeito dos desafios. Esses desafios, no entanto, não impediram que essa igreja em crescimento estabelecesse uma estrutura para comunicar e espalhar as boas novas de salvação por meio de boletins informativos e folhetos, disse Rodríguez. Coralia García sempre foi uma comunicadora apaixonada em divulgar esperança em Santa Clara, região central da ilha. Garcia trabalha, há doze anos, produzindo um boletim para informar os membros sobre o que está acontecendo na igreja em sua região e na ilha; transmite histórias de encorajamento que resulta em unidade entre os membros da igreja, tornando-os conscientes do que acontece em uma pequena área ao redor deles. Ela consegue imprimir dezenas desses boletins para os membros e não membros que assinam o periódico.

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Adventist World | Outubro 2011

Igreja Adventista do Sétimo Dia de Recebe Treinamento em

Cuba

Comuni

Número de membros cresce para 31 mil, em vinte anos, apesar da limitação de recursos Por Libna Stevens, da Divisão Interamericana, de Havana, Cuba

Ela está muito entusiasmada em participar do seminário, o primeiro a ser organizado em décadas. “Esse curso realmente ajudou a expandir meu conhecimento e a confirmar que devemos continuar nosso trabalho fazendo o nosso melhor para comunicar nossa mensagem”, disse García. Ela espera que o intercâmbio entre os comunicadores adventistas da ilha resulte em maior alcance. Arnaldo Rodríguez, 30, pastoreia um grupo adventista de trinta membros em Batabano, município ao sul de Havana. Ele também é diretor de comunicação de sua igreja. Rodríguez está admirado com o que aprendeu no seminário, mas, às vezes, sente-se oprimido pela falta de recursos como telefone, computador, câmara e muito mais. “Gostei muito do que aprendi neste seminário”, disse Rodríguez. “Se temos ou não as ferramentas, não é importante; o importante é a mensagem que devemos levar.” Rodríguez, cuja profissão é técnico em sistemas de informação, há dois anos deixou seu trabalho cibernético para se tornar um pastor. Ele salienta que antes trabalhava com ferramentas maravilhosas, mas é confortado pela importância da mensagem que deve propagar. Ele está muito feliz de fazer parte da equipe composta por técnicos, como ele, de todas as igrejas de Havana, que produzem e colaboram nos programas da igreja ou em atividades especiais. Reider Querol, diretor de comunicação da Associação do Leste de Cuba, luta contra a limitação de recursos, mas se esforça para publicar, todos os meses, uma série de panfletos com notícias e informações de cada um dos departamentos e ministérios da igreja.


F O T O S :

cação Yordángel Franco Navarro, que supervisiona a área pertencente à missão recém-organizada no leste da ilha, espera em breve encontrar meios para comunicar melhor em sua região. Como ex-jornalista, sonha um dia poder usar uma câmara para captar imagens do que acontece nas igrejas sob seus cuidados. Ele dispõe de um laptop usado para enviar relatórios sobre o progresso de sua região, para seus companheiros comunicadores, e mantem fotografias impressas de atividades e histórias que aconteceram meses atrás. “Essas fotos foram tiradas e enviadas a mim por um membro da igreja”, disse Franco. Ele admite que suas notícias não são “atuais”, mas, no momento, essa é a única maneira de compartilhá-las. A maioria dos comunicadores, como Franco, não possue uma câmara. Garcia é uma dos poucos; um membro da igreja deu a ela uma câmara digital, de 7.2-megapixel, há vários anos, antes de deixar a ilha. Muitos de seus colegas não tiveram tanta sorte. Rodríguez compreende o desafio que seus comunicadores enfrentam. Ela também se esforça para produzir material com equipamento limitado. Sua pequena equipe tem que trabalhar com uma câmara de vídeo, uma câmara de vídeo caseira doada usada, um duplicador de CD velho e um computador. “É isso o que temos para trabalhar, para produzir programas de vídeo para nossos membros”, disse Rodríguez. Mesmo assim, ela destaca o fato de que o trabalho de propagar a mensagem de esperança e de comunicar as atividades e eventos, está multiplicando e não limitando a igreja. Rodríguez, que também dirige o Departamento de Artes e Cultura, recentemente organizou uma atividade para toda a ilha, onde dezenas de artistas adventistas expuseram suas pinturas e outros trabalhos. Ela planeja organizar uma competição de fotografia para envolver os membros da igreja

L I B N A

S T E V E N S

Direita: APRESENTAÇÃO: Abel Márquez, diretor associado de comunicação para a igreja na Interamérica, apresenta seminário na Igreja Adventista de La Víbora, Havana, Cuba, 1 de julho de 2011. Esquerda: CONGREGAÇÃO: Participantes do seminário de comunicação na Igreja Adventista do Sétimo Dia La Víbora.

de toda a ilha a usar qualquer câmara que tiverem em mãos. “Continuaremos a dar nosso melhor no trabalho de espalhar esperança”, disse Rodríguez. “Nossos comunicadores vão repassar a suas respectivas igrejas e territórios o conhecimento que adquiriram neste seminário.” Rodríguez, como seus colegas comunicadores, sonham em ter acesso online na ilha, para satisfazer sua fome de saber o que está acontecendo na Igreja Adventista em toda a Cuba e no mundo todo. Por enquanto, porém, esperam um futuro melhor e trabalham duro para se comunicar. Aldo Pérez, presidente da igreja em Cuba, fala da visão de comunicação na ilha. Com o crescimento do número de membros para mais de 31 mil, tanto ele como os demais administradores veem o grande impacto que os comunicadores podem provocar na ilha. “Agora, mais do que nunca, vemos a importância de comunicar amor e esperança, e cremos no trabalho que estão fazendo”, ele acrescenta. “Crescemos muito rapidamente, de dez mil membros em 1990 para 31.179 neste ano, e cremos que o papel do departamento de comunicação é inestimável.” “Sabemos quão crucial é termos os membros da igreja bem informados e esperamos que nossos administradores e líderes, em cada um de nossos quatro campos, captem a visão de como a comunicação pode apoiar uma estratégia de evangelismo integrado para compartilhar a mensagem da verdade”, disse Pérez. “A liderança do departamento de comunicação da união e a administração do evento permitiram que eu visse o seu compromisso em compartilhar o amor, usando todos os recursos disponíveis”, acrescentou ele. A Igreja Adventista do Sétimo Dia em Cuba foi estabelecida em 1905. A igreja é formada por três associações, uma missão e um seminário, e mais de 280 igrejas e congregações. ■

Outubro 2011 | Adventist World

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A Igreja em Ação VISÃO MUNDIAL Por Ted N. C. Wilson

O

s historiadores e sociólogos afirmam que a maior parte das pessoas na Terra, nos últimos seis mil anos, morava na região rural, com um estilo de vida agrícola, “próximo da terra”. Em 1800, apenas três por cento da população do mundo morava em áreas urbanas. Em 1900, catorze por cento morava em cidades, embora apenas doze cidades tivessem mais de um milhão de habitantes. Durante o século vinte, o mundo sofreu um crescimento urbano sem precedentes. Em 2008, pela primeira vez, 50 por cento da população mundial morava em cidades. Hoje, mais de 400 cidades acolhem, no mínimo, um milhão de habitantes: 19 delas com população maior do que dez milhões. Já morei ou trabalhei em algumas das maiores cidades do mundo, como Cairo, Washington, D.C., região metropolitana de Los Angeles, Nova Iorque, Abidjan e Moscou. Ao estudar os milhares de rostos apanhados na urgência da vida na cidade, desenvolvi um plano específico na missão da igreja para as grandes cidades. Minha preocupação com essas cidades é parte importante de como sigo a Jesus. Há aproximadamente dois mil anos, Jesus parou no topo de uma colina e olhou para a cidade de Jerusalém. Embora soubesse o que iria acontecer e que seria rejeitado por muitos naquela cidade, Ele chorou sobre Jerusalém com uma das frases mais empáticas das Escrituras (Lc 19:41-44). Seguir a Jesus no mundo moderno significa aprender de Seu coração compassivo por aqueles que vivem nas metrópoles populosas de hoje, compreendendo suas necessidades, estudando seus hábitos e, sim, chorando por sua condição, se não tiverem uma relação salvadora com Ele. É muito fácil permanecer em nossa zona de conforto, em lugar de ir ao encontro das massas nos grandes centros urbanos do mundo.

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Adventist World | Outubro 2011

GrandeVisão para as Grandes

Cidades Cada membro envolvido em todas as formas possíveis de evangelismo

Visão do Quadro Completo

O compromisso com o povo das grandes cidades do mundo não é um impulso da moda hoje, mas algo firmemente baseado no ministério de Cristo como visto nos Evangelhos e claramente explanado nos escritos de Ellen White. Como adventistas do sétimo dia, temos concentrado nossa obra nas áreas rurais e suburbanas, enquanto muitos são ignorados nas grandes cidades. Podemos responsabilizar vários fatores, inclusive a indiscutível dificuldade do ministério urbano, e o fato de que recebemos o conselho inspirado de Ellen White sobre a conveniência da vida no campo. Em Seu plano original, Deus colocou o homem e a mulher em um maravilhoso jardim, não em uma cidade populosa; mas Ellen White é igualmente clara de que devemos aceitar e trabalhar com a situação na qual nos encontramos hoje. O Espírito de Profecia nos oferece uma abordagem balanceada para ministrarmos nas grandes cidades, reconhecendo que muita gente, inclusive muitos adventistas do sétimo dia, necessitam ou escolheram viver nelas. Aconselha aos que ministram nas cidades, um programa de “sair e voltar”, para regularmente recarregar as “baterias” da vida espiritual e física em ambientes rurais, como uma solução realística e restauradora para as duras realidades do ministério urbano.

Como descrito por Ellen White, esses “centros” incluindo escolas para treinamento, instituições de estilo de vida saudável e lares missionários, deveriam ser instalados nos limites das áreas urbanas. Um ciclo evangelístico transfere o missionário para dentro da cidade para que se envolva com as pessoas, em nível de suas necessidades, convidando as que respondem, a ir até esses “centros” para reabilitação e recuperação, e então retornar com eles para continuar a testemunhar. Esse movimento de sair e voltar é essencial para o trabalho especial, porque nunca foi plano de Deus que os crentes gastassem toda a vida no ambiente tumultuado e denso das áreas urbanas do mundo moderno. Essencial, Compreensível e Sustentável

Vamos reafirmar o fato de que os adventistas do sétimo dia entendem que, no momento, a vontade de Deus é que concentremos nossos esforços nas cidades, pois é onde as pessoas estão. Enquanto continuamos trabalhando nas áreas rurais e suburbanas, devemos intensificar nosso trabalho em favor dos milhares que vivem nas grandes metrópoles de nosso planeta. Ellen White escreveu, há mais de um século, que “o trabalho nas cidades é a obra essencial para este tempo. Quando as cidades


K E Y Z O R C A R O L I N E

forem trabalhadas como Deus deseja, o resultado será colocar em operação um poderoso movimento como nunca foi testemunhado.”1 Mesmo concordando que metade da população do mundo, vivendo nas grandes cidades, necessita ser alcançada pelas três mensagens angélicas, a tarefa não é fácil. Nossas estratégias para as grandes cidades frequentemente são espasmódicas, com grandes campanhas evangelísticas seguidas, às vezes, por meses e até anos de silêncio. O modelo do Espírito de Profecia é muito diferente e envolve uma abordagem assistida, bíblica e compassiva na realização do evangelismo urbano. Esse modelo é descrito melhor como “evangelismo urbano integrado”, com ênfase no integrado. O modelo inclui o estabelecimento de unidades de trabalho em cidades que usam as habilidades e os dons da igreja local, dos jovens, pequenos grupos, obreiros, médicos missionários, pastores, assistentes sociais, colportores e todos os canais disponíveis na mídia. O Modelo da Colmeia

Ellen White descreveu os esforços da igreja em São Francisco ao redor do ano 1906, como “atividade de colmeia”.² Ela escreveu isso como exemplo do que mais se assemelhava ao plano

que o Senhor tinha em mente para o trabalho nas cidades; todos trabalhando unidos, cada um com responsabilidades específicas, mas todos integrados com um objetivo comum: evangelizar a cidade. Ellen White elaborou o que chamou de “centros de influência” nas muitas comunidades que formam a cidade. Esses centros de influência podem ser igrejas, livrarias/salas de leitura, vários tipos de ministério nas ruas, restaurantes vegetarianos, instituições educacionais, centros de serviço comunitário, centros de educação em saúde ou clínicas. Pode haver novos e criativos métodos de serviço na comunidade, ou estratégias de testemunho pela Internet, direcionadas a comunidades especiais. A chave do sucesso é a sustentabilidade: como podemos continuar interagindo com a comunidade prestando um serviço cristão útil e evangelizando, em vez de voltar às atividades esporádicas? Esse tipo de evangelismo integrado, pelo poder do Espírito Santo, irá mudar as cidades e nos transformar como famílias da igreja. Ao estudarmos, individualmente, a Bíblia e o Espírito de Profecia, encontraremos plataformas de cooperação e sustentabilidade e, inspirados pelo Espírito, experimentaremos a unidade entre Seu povo pela qual Jesus orou (Jo 17:21). Alcançando a “Big Apple”

Exatamente agora, os líderes da igreja estão concentrados, tentando repetir a “atividade de colmeia” e trabalhar na cidade de Nova Iorque, e então, com o poder de Deus, em muitos outros centros urbanos do mundo. Estão sendo realizadas muitas e maravilhosas atividades evangelísticas adventistas do sétimo dia ao redor do mundo, mas precisamos intensificar nossos esforços usando a abordagem “integrada” descrita aqui. Embora muitas estratégias úteis de testemunhos

tenham sido realizadas em Nova Iorque e em outros lugares durante o último século, nunca conseguimos reunir todos os elementos descritos por Ellen White. Alguns perguntam: “Por que Nova Iorque?” Ellen White declara que essa cidade deve ser o símbolo de como outras áreas urbanas devem ser trabalhadas.3 Nova Iorque é um microcosmo singular da população global, ilustrando a incrível diversidade de pessoas do mundo e os desafios especiais para criar métodos de testemunho que apele a essas pessoas. Nas próximas semanas e meses, os líderes da igreja discutirão como planejar, desenvolver e lançar uma abordagem multidimensional para a cidade de Nova Iorque e outros centros urbanos importantes. O modelo “colmeia” sugere enxame de atividades: são necessários evangelistas, líderes do ministério da saúde e estratégias criativas direcionadas a populações específicas de todas as partes do mundo, se quisermos que esse plano seja bem sucedido. Pela graça de Deus, a igreja então repetirá essa abordagem em cada uma das treze divisões do mundo, concentrando-se nas grandes cidades de cada divisão, união e campo local, com estratégias evangelísticas sustentáveis. Para a iniciativa da cidade de Nova Iorque, a Divisão Norte-Americana, associada às suas uniões e associações na área específica de Nova Iorque, lançará as bases ao longo dos próximos dois anos, para depois coordenar e sustentar a colmeia de atividades que irão além do evangelismo público. A obra de saúde e “médico missionária” (abordagem multidimensional para ir ao encontro das necessidades do povo como exemplificado pelo ministério de Jesus e destacado pelo Espírito de Profecia) deve estar massivamente presente em tudo isso. Posso antever uma tremenda oportunidade de demonstrar ainda maior cooperação com nossos

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A Igreja em Ação VISÃO MUNDIAL

profissionais de saúde adventistas, instituições e com os vários ministérios de apoio que enriquecem a missão adventista do sétimo dia. Vivemos na era da plataforma multimídia, e precisamos usar ao máximo, todos os meios disponíveis ao planejarmos o evangelismo urbano. Quando um morador da cidade ouve algo no rádio, vê a mesma mensagem na TV, encontra a mesma mensagem em diferentes sites da Internet ou Facebook, depois vê a mesma coisa impressa ou em outdoors, esse indivíduo estará muito mais receptivo ao contato pessoal. Aí será quando necessitaremos, especificamente, do apoio energético dos jovens adultos da igreja. Imagine centenas de dedicados jovens adventisttas do sétimo dia indo a Nova Iorque para testemunhar sobre seu amor por Jesus! Esse é o coração do evangelismo nas cidades: temos que fazer e manter contato com as pessoas, usando o método de interação de Jesus (veja o artigo do Espírito de Profecia “O Método de Cristo”, nesta edição, página 23). Agora imagine milhares de jovens adventistas fazendo a mesma coisa em centenas de cidades ao redor do mundo! No próximo mês, meu enfoque será essa população talentosa, esse exército de jovens “devidamente treinado”4, e porque necessitamos motivar e os apoiar ao investirem seu tempo e amor para evangelizar as grandes cidades do mundo. ■ 1 Ellen

G. White, Medicina e Salvação, p. 304. G. White, Beneficiência Social, p. 112. G. White, Evangelismo, p. 384. 4 Ellen G. White, Serviço Cristão, p. 30. 2 Ellen 3 Ellen

Ted N. C. Wilson, é

presidente da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia em Silver Spring, Maryland - EUA.

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Igreja de Um Dia Olanchito, Honduras

A

congregação adventista de Olanchito sabia o que queria: nada complexo, apenas uma pequena reforma, classes de concreto construídas ao redor da nave da igreja. Pensavam em pintar e, talvez, aproveitar a terra e encontrar espaço para construir duas salas de aulas. Esse foi o pedido que fizeram para a associação, união e divisão. Esse também foi o pedido que a Maranatha Volunteers International recebeu. Darrell Hardy, vice-presidente da Maranatha para a América Latina, visitou Olanchito enquanto procurava uma série de locais, em potencial, para construção de Igrejas de Um Dia, em Honduras. “O plano parece bom”, disse Hardy, “mas eu acho que há possiblidade de fazer muito mais. Esse local me parece excelente para uma Escola de Um Dia.” A Igreja Adventista do Sétimo Dia Camelback, em Fênix, Estados Unidos, também sabia o que queria: uma viagem missionária para aproximação de seus membros; uma aventura que os levasse a se concentrar nas necessidades dos outros; algo complexo; não apenas um trabalho de reforma, mas uma escola inteira, com, no mínimo, dez salas. Foi esse o pedido que enviaram para a Maranatha, que rapidamente os colocou em contato com os membros da igreja de Olanchito. Reuniram uma equipe de visitação e voaram para Honduras com os planos cuidadosamente projetados. Antes de falar sobre seus planos, pediram à congregação e líderes da escola para descrever seus sonhos para o ministério em Olanchito. “Temos que reformar a escola, mas o que realmente precisamos é de um campo de futebol”, disse Denora Alvarado, diretora da escola. “Se vamos ser a melhor escola da cidade, precisamos de um novo campo, onde todos virão jogar.” Camelback e Maranatha ouviram. Eles mudaram os planos, ajudaram a encontrar um terreno melhor e construíram o campo de futebol. Depois, construíram a nova escola ao redor dele. Eles também reformaram a antiga escola! Todos sabiam o que queriam. Mas Deus sabia muito mais!

A Igreja de Um Dia é um programa de colaboração entre a Igreja Adventista do Sétimo Dia, Adventist-laymen’s Services e Industries (ASI)[Federação de Empresários Adventistas] e Maranatha Volunteers International. Estas histórias chegam até você, todos os meses, por meio de Dick Duerksen, o “Contador de Histórias” da Maranatha. F O T O S :

D I C K

D U E R K S E N


S A Ú D E

tv?

Muita

N O

M U N D O

Allan R. Handysides e Peter N. Landless

Por muitos anos não tivemos televisão em casa, e agora que temos, estou preocupada com meu esposo e filhos assistindo muito à TV. Ficar sentado em frente à televisão não me parece saudável. O que os senhores aconselham?

N

a verdade, sua pergunta levanta várias questões, todas pertinentes a nós, pais cristãos. Os problemas com a mídia se concentram em algumas áreas. Um deles é o conteúdo; outro é o fator tempo; o terceiro é como a mídia se intromete em sua vida, atrapalhando o relacionamento familiar. Discutiremos essas três áreas e, como sempre, deixo que você tome a decisão, que é o mais difícil. O conteúdo varia tanto que é difícil fazer uma declaração generalizada. Qualquer pessoa que assista à TV comercial, por um pequeno espaço de tempo, fica logo ciente do conteúdo sexual explícito, violência, situações éticas altamente discutíveis que estão sendo apresentados de maneira interessante e explícita. Os documentários, programas educacionais e informativos estão disponíveis, mas precisam ser cuidadosamente pesquisados e selecionados. A sequência rápida de imagens da TV moderna, mudando de uma cena para outra, resultou na diminuição da atenção dos jovens modernos, como grupo. Nosso cérebro é alterado pelo que entra pelos olhos, e estudos recentes sobre a plasticidade do cérebro indicam que as novas conexões e redes neurais, estão centradas em resposta ao que alimenta nosso cérebro. O tempo gasto em frente à televisão foi associado ao aumento da obesidade, embora esteja relacionado com a inatividade chamada “batata do sofá”. Um artigo recente, publicado por Anders Grontved e Frank B. Hu no Journal of the American Medical Association, do dia 15 de junho de 2011, sugere uma correlação, em linha direta, entre o diabetes do tipo 2, ataques cardíacos fatais e toda causa de mortalidade, ao tempo gasto em frente à TV , todos os dias. A inatividade não é o único fator, mas a comida consumida enquanto se assiste TV, é geralmente excessiva, altamente gordurosa, salgada e rica em calorias. É estimado que, em muitos países, cerca de 40 a 50 por cento do tempo livre seja gasto assistindo TV. Isso significa que, em muitas populações, essa é a terceira atividade mais comum, depois do trabalho e do sono. Tais números pressupõem que, na Europa e Austrália, cerca de três horas e meia a quatro horas do dia são gastas em frente à TV. Nos Estados Unidos, estima-se que a média diária chega a cinco horas. Terceira área de preocupação, embora tenhamos certeza de que haja muitas outras, é o rompimento das relações

familiares. Muitos maridos e esposas se tornam “eremitas”, vivendo em isolamento, com consequências desastrosas para os relacionamentos. A melhor atitude protetora contra comportamentos de risco, abuso de substâncias e atividades degradantes é construir forte laços afetivos e um relacionamento de apoio e confiança com os filhos. Quantos jovens e crianças são privados desse tipo de relacionamento com os pais que se imergem “surfando na Net” ou assistindo a seus programas favoritos na TV? Algumas crianças estão empoleiradas, “vegetando”, em frente à “caixa idiota”, ou babá substituta. É tolice insultar as tecnologias modernas; é muito mais importante que regulemos seu uso explorando seu potencial positivo e evitando os perigos. Recomendamos que você selecione cuidadosamente o conteúdo, limitando o tempo gasto assistindo à TV, e intencionalmente envolva sua família em atividades de interação. Você não apenas reduzirá o risco de obesidade, mas incentivará a interação significativa que produzirá benefícios para a vida toda, tanto para você como para sua família. A urbanização das sociedades modernas tem levado a uma maior dependência da TV e da Internet. As dificuldades para ganhar a vida e para pagar pela última tecnologia (que não tem fim) têm feito muitos de nós competirmos para ter o celular do último modelo. Provavelmente deveríamos ter um “blackout eletrônico” todos os dias, estabelecendo um tempo para a família, com dedicação total e inviolável. Suas preocupações procedem, mas terão que decidir mudar juntos e fazer do tempo fora da TV (e da Internet) um tempo muito valioso e especial. ■

Allan R. Handysides, médico ginecologista, é diretor do Ministério da Saúde da Associação Geral.

Peter N. Landless, médico cardiologista nuclear, é diretor

associado do Departamento de Saúde da Associação Geral.

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D E V O C I O N A L

É

comum a todos nós. Todos já a experimentamos, sem exceção. É parte do nosso cotidiano. Tanto crianças pequenas quanto idosos e todas as idades entre eles, estão familiarizados com ela. Não importa se somos estudantes, empresários de sucesso ou desempregados, temos que lidar com ela. Ninguém está isento. Os homens e também as mulheres, solteiros e casados já a experimentaram. Os divorciados têm que conviver com ela, como também os viúvos. Nós a enfrentamos quando estamos saudáveis ou doentes. Não importa onde moramos neste planeta, ou a cor de nossa pele. Ela é um problema humano universal. Não estou falando do pecado, e mesmo assim, não conheço ninguém que esteja ansioso para experimentá-la. O que estou descrevendo por todo esse tempo? Estou falando da espera. Todos Esperam

Todo ser humano espera. Almejamos, sonhamos..., e esperamos. Estamos com fome, com sede..., e esperamos. Almejamos por mudanças, procuramos a felicidade..., e esperamos. Experimentamos o sofrimento e passamos pela dor..., e esperamos por alívio. Estudamos e trabalhamos..., e esperamos pelos resultados. Algumas coisas que esperamos estão atrasadas – e continuamos esperando. Oramos, e esperamos por respostas. Esperamos na fila no supermercado e no posto de gasolina. Esperamos nos congestionamentos do trânsito e nos aeroportos. Esperamos a correspondência chegar. Esperamos que aconteçam coisas boas e que as ruins passem logo. Alguns esperam a noite para dormir e alguns até esperam pela morte. Parece que a vida inteira, desde o nascimento até a morte, está caracterizada pela espera. Algumas esperas parecem pequenas, e o tempo passa rápido. Mas há coisas pelas quais esperamos a

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r s E pe a A

O modo como Deus transforma Por Frank M. Hasel


Todos nós

vida toda. Temos a impressão de que a espera nos conscientiza de que, muitas vezes, as coisas mais importantes, mais essenciais, mais bonitas e mais duradouras em nossa vida, são as que estão além de nosso controle e poder. Por isso, temos de esperar. Tenho refletido na dinâmica da espera na minha própria vida, durante os últimos dois anos; particularmente, após minha esposa ter sido diagnosticada com câncer em estado terminal. Esperei muito nos hospitais, antes que os tratamentos começassem e após terminarem. Tínhamos que esperar pelos resultados e por novas consultas com os médicos. E onde esperávamos? Na sala de espera, como é convenientemente chamado esse lugar. Não sei você, mas detesto esperar. Não gosto de filas longas, de trânsito congestionado ou compromissos atrasados. Não gosto de pessoas tardias e processos prolongados. Gosto de fazer as coisas com rapidez e eficiência. Quero seguir em frente. E normalmente eu sei qual a melhor maneira de fazê-lo. Muitas vezes, a espera se parece com o atraso sem sentido de algo que eu gostaria de realizar rapidamente. Mas enquanto não estivermos no Céu, Deus nos pede que esperemos. Não existe vida humana sem espera. A espera faz parte de nossa existência humana. Ela nos caracteriza como seres que existem no tempo. A espera é parte de nossa história. Não há sucessão histórica sem espera. Não há vida sem espera. Se uma pessoa está viva, ela espera! A pessoa que espera, vive! Esperar em Deus

Até os escritores bíblicos passaram por essa experiência. Os profetas muitas vezes enfrentaram a espera com a pergunta: “Até quando, Senhor?” (veja Hb 1:2; Dn 8:13). Os escritores bíblicos empregaram várias figuras de linguagem que só são compreendidas adequadamente quando a espera serve de base para elas.

esperamos porque a graça de Deus ainda não se esgotou.

A Bíblia fala sobre esperança. A maravilhosa esperança do breve advento (vinda) de Jesus (Tt 2:13). Esperança tem a ver com a espera. A pessoa que tem esperança, espera! Há, também, a paciência dos santos. “Aqui está a perseverança (paciência, ARC) dos santos que obedecem aos mandamentos de Deus e permanecem fiéis a Jesus” (Ap 14:12). Perseverança e paciência têm a ver com espera. A pessoa paciente espera! As Escrituras também falam sobre o anseio do crente para com Deus. “Como a corça anseia por águas correntes, a minha alma anseia por Ti, ó Deus” (Sl 42:1) O anseio tem que ver com a espera. Quem anseia espera! Considere a abordagem bíblica sobre o sofrimento. O sofrimento tem a ver com a espera. Quem está sofrendo pergunta: “Quanto tempo isso vai durar, Senhor Jesus?” A pessoa que sofre espera! Na Bíblia, Deus também nos chama para permanecer acordados e alertas, para estar prontos quando Ele retornar (veja 1Pe 5:8; Lc 12:37). A pessoa alerta espera! Em última análise, todos nós esperamos porque a graça de Deus ainda não se esgotou! Devido à Sua grande misericórdia e paciência, Ele espera. Ele espera por nós. Ele espera por você e por mim. Deus não quer

perder ninguém que pode ser salvo. Por isso, espera para estender Sua graça e misericórdia. A Espera Transforma

Esperar é difícil. Esperar sem esperança e sem propósito é quase insuportável. Somente quem tem em vista um objetivo digno e significativo consegue ser paciente e perseverante enquanto espera por ele. A tentação enquanto se espera é nos concentrar nas coisas pelas quais esperamos. Tendemos a nos concentrar nos obstáculos que precisam ser transpostos, ou nas coisas boas que trarão mudanças. Mas, lembre-se: esperar não tem a ver apenas com o que você espera para o futuro. Na perspectiva bíblica, a espera também está relacionada ao que vou me tornar enquanto espero! Para mim, a espera sempre se apresenta como uma escolha espiritual: Vou me permitir questionar a bondade de Deus pelo que estou passando, ou vou aproveitar a oportunidade para exercitar uma vida de esperança em tempos de espera? Viver com esperança é a esperança que está viva porque está fundamentada na fidelidade de Deus e na confiança de que Suas promessas nunca falham. Se Deus me permitiu viver, Ele está usando minha espera como uma oportunidade para me transformar em alguém que eu nunca seria se não tivesse que esperar. Ao invés de ser um empecilho e um obstáculo, estou aprendendo a compreender que a espera tem a ver, fundamentalmente, com o que me tornarei, enquanto espero. Nesse sentido, a espera é uma expressão da bondade de Deus. É restauradora porque é uma das ferramentas exclusivas de Deus para desenvolver meu caráter, para que eu me torne a pessoa que Ele quer que eu seja. ■

Frank M. Hasel é diretor e

professor do Seminário Teológico no Seminar Schloss Bogenhofen, Áustria.

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C R E N Ç A S

F U N D A M E N T A I S

E

u amo mosaicos.1 Desde o jardim da infância, quando me davam papel colorido e tesoura para fazer uma figura. Os mosaicos representam o desafio de criar algo belo a partir de peças diversas e diferentes. Nada semelhante às minhas criações de papel, que começavam a se desfazer no caminho de volta da escola para minha casa. Muitos mosaicos foram feitos com pedras preciosas e têm resistido por séculos. Há alguns meses, eu estava com um grupo visitando Masada, o refúgio do Rei Herodes, o Grande, no topo de uma montanha. Com vista para o mar e rodeado por deserto, as ruínas de Masada são um lembrete assustador da determinação e do sofrimento do povo judeu. Ao passearmos pelas escavações

O

Mosaico Deus NÚMERO 14

de A maravilha da unidade na diversidade Por Cheryl Doss

dos palácios e casas de banhos, pelos prédios de depósitos e praças, vimos vários mosaicos. Ainda bonitos, formados por milhares de pedaços de pedras de vários formatos, tamanhos e cores, resistiram à devastação da guerra, ao vandalismo e ao tempo. São extraordinários por sua diversidade, criatividade e resistência. Obra-prima de Deus

A igreja, na verdade, toda a criação, lembram-me um mosaico: abundantemente diverso, tremendamente criativo e abençoadamente resistente. Pense no alimento do qual desfrutamos todos os dias, tão variado em sabor, cores e texturas. Considere a maravilhosa criatividade e incrível variedade do reino animal – leões e tamanduás, elefantes e orangotangos, javalis e girafas, e assim por diante. A notável criatividade de Deus também é revelada no modo como Ele faz as pessoas: altas e baixas, de tamanhos variados, olhos castanhos, pretos, azuis, cabelos lisos, cacheados, ondulados e totalmente sem cabelo. Deus compartilhou

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com Seus filhos humanos, algumas das Suas mais incríveis habilidades criativas, permitindo-lhes criar uma impressionante variedade de culturas. Há tantas maneiras diferentes de comer e se vestir, de viver, pensar e trabalhar. A Bíblia afirma que essa diversidade da criação permanecerá até o reino celestial. O leão e o cordeiro e todas as nações da Terra, reconhecidamente distintas, estarão lá, ao se reunirem ao redor do trono (Is 11:6; Ap 7:9). A Hagia Sofia foi a maior igreja cristã por cerca de mil anos. Quando os conquistadores muçulmanos de Constantinopla a transformaram em mesquita, os vários mosaicos que a adornavam foram encobertos. Com o nascimento da Turquia, como nação moderna, a Hagia Sofia foi transformada em museu, e o gesso foi cuidadosamente removido dos mosaicos. Um mosaico da cabeça de Cristo, parcialmente restaurado em umas das galerias superiores, é belíssimo. Com ouro e prata, lápis-lazúli e vários outros materiais preciosos, o artista criou uma obra cuja beleza permaneceu escondida atrás do gesso, por séculos. Quantas vezes, nós, também, queremos


encobrir nossas diferenças, para negar a criatividade das pessoas, para esquecer a natureza da diversidade humana. Diversidade e Unidade

Ao mesmo tempo em que nos alegramos com a diversidade e criatividade de Deus na natureza, a variedade nas pessoas e culturas desafia a unidade da igreja. Ela muitas vezes nos divide. A diversidade humana também foi um desafio no princípio da igreja. Mas a boa notícia do evangelho, diz Paulo em Gálatas 3:28, é que em Cristo essas diferenças não são mais importantes – “não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher” (NVI). Paulo desafia a igreja a cruzar todas as barreiras culturais – religião, sociedade, sexo – para se tornar uma em Cristo. A metáfora do corpo em 1 Coríntios 12, ilustra o que ele queria dizer por unidade. Assim como o corpo necessita de suas diversas partes (“se todo o corpo fosse olho, onde estaria a audição?”),2 assim como o sofrimento em uma parte causa o sofrimento de todo o corpo (verso 26), assim como as partes mais fracas do corpo são indispensáveis (verso 22), do mesmo modo, Paulo nos diz que devemos valorizar as diferenças na igreja e usar todas as partes para o bem de todos. Precisamos de pessoas cuja visão e modo de pensar diferem do nosso. Precisamos de criatividade e diversidade na adoração e no testemunho. Precisamos de apóstolos e profetas, professores, médicos e toda a variedade de dons (versos 27-31). Acima de tudo, ele diz, precisamos do maior dos dons, o dom do amor por todas as pessoas de todos os lugares (1Co 13). A Igreja Adventista do Sétimo Dia reflete a criatividade permanente da diversidade do mundo. Em nossas congregações há pessoas de muitas línguas, culturas e etnias. Há pessoas com dons distintos, com diferentes tipos de criação e com diversas formas de pensamento. Assim como as pedras de um mosaico podem ser distinguidas separadamente, mas só vemos a figura quando todas as pedras do mosaico estão juntas, somente quando nos unimos em amor, aceitando os princípios que permanecem – de fato, a necessidade – de

Unidadede no Corpo cristo

nossas diferenças, poderemos ser um em Cristo. Apenas quando utilizamos criativamente cada parte de nosso corpo e os mais diferentes dons que Deus deu à Sua igreja, podemos compartilhar as boas novas com “toda nação, tribo, língua e povo”(Ap 14:6) e completar o mosaico do Seu reino. “No Concerto do Século”, os artistas gospel Philips, Craig e Dean cantarão, “o grande EU SOU assume o centro do palco.” A parada das nações irá desfilar com saris, ternos, dashikis e kaffiyehs e as nações andarão em Sua luz, e os reis da terra Lhe trarão sua glória” (Ap 21:24). No Concerto do Século os indianos tocarão suas tablas, os ilhéus do Pacífico suas guitarras e os africanos seus pianos de dedo. Os americanos marcharão com suas marching bands, os mexicanos com as mariachis, os filipinos com as bandas anklong. Os chineses tocarão flautas de bambu, os alemães irão com suas acordeões, e, sem dúvida, os escoceses estarão lá com suas gaitas de fole. É por isso que os Adventistas do Sétimo Dia permanecem uma igreja mundial e a criatividade é tão importante para nossa unidade. É por isso que estudamos e adoramos, testemunhamos e servimos de tantas maneiras diferentes. Queremos que todas as pessoas, de todos os lugares, “façam parte daquela grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, de pé, diante do trono e do Cordeiro” (Ap 7:9), louvando a Deus naquele sábado no Céu. Então, juntos, seremos o mais glorioso, diverso, criativo e resistente mosaico celestial. ■ 1 Pequenas 2 1Co

peças de vidro colorido, pedra ou outros materiais, arrumados para formar uma figura. 12:17.

Dra. Cheryl Doss é missionária experiente e

diretora do Instituto de Missões do Mundo da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia. Ela e seu marido Gorden moram em Berrien Springs, Michigan, E.U.A.

A igreja é um corpo com muitos membros, chamados de toda nação, tribo, língua e povo. Em Cristo somos uma nova criação; distinções de raça, cultura e nacionalidade, e diferenças entre altos e baixos, ricos e pobres, homens e mulheres não devem ser motivo de dissensões entre nós. Todos somos iguais em Cristo, o qual por um só Espírito nos uniu numa comunhão com Ele e uns com os outros; demos servir e ser servidos sem parcialidade ou restrição. Mediante a revelação de Jesus Cristo nas Escrituras, partilhamos a mesma fé e esperança e estendemos um só testemunho para todos. Essa unidade encontra sua fonte na unidade do Deus triúno, que nos adotou como Seus filhos. (Rm 12:4, 5; 1Co 12:12-14; Mt 28:19, 20; Sl 133:1; 2Co 5:16, 17; At 17:26, 27; Gl 3:27, 29; Cl 3:10-15; Ef 4:14-16; 4:1-6; Jo 17:20-23) – Crenças Fundamentais dos Adventistas do Sétimo Dia, nº 14

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A R T I G O D E C A PA

Dentro das Cidades

de racos B mor

Usando os métodos de Cristo para evangelizar as maiores cidades do mundo Nossos

Campos

Missionários As maiores cidades (em ordem alfabética) do mundo são: ■ Buenos Aires, Argentina ■ Cairo, Egito ■ Calcutá, Índia ■ Cidade do México ■ Delhi, Índia ■ Dhaka, Bangladesh ■ Guangzhou, China ■ Istambul, Turquia ■ Jakarta, Indonésia ■ Karachi, Paquistão ■ Los Angeles, Estados Unidos ■ Manila, Filipinas ■ Moscou, Rússia ■ Mumbai, Índia ■ Nova Iorque, Estados Unidos ■ Osaka-Kobe, Japão ■ Pequim, China ■ Rio de Janeiro, Brasil ■ São Paulo, Brasil ■ Seul, Coreia do Sul ■ Tóquio, Japão ■ Xangai, China

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N

A

Por Gary Krause

o primeiro final de semana, após os ataques terroristas em Nova Iorque e Washington, D.C., no dia 11 de setembro de 2001, Graydon Carter, editor da Vanity Fair, estava ao telefone com Christopher Hitchens, editor e colaborador da revista. Carter estava em sua casa, próxima à Sétima Avenida, em Manhattan; Hitchens estava retido no aeroporto de Denver, Colorado. Enquanto falavam, ambos ouviram uma banda tocando o “Hino da Batalha”. Intrigado, Carter se dirigiu para a rua e viu uma pequena banda de negros americanos adolescentes, um grupo de adventistas do sétimo dia, alunos do Oakwood College (hoje, Oakwood University). O grupo de Huntsville, Alabama, na cidade de Nova Iorque, havia tocado o coração do editor secular de uma revista secular, no coração de uma das cidades mais seculares do mundo. “Sua nobre postura e a música mantiveram as pessoas ao redor deles, como dois braços amorosos”, escreveu Carter. “Naquele momento, e naquele lugar, era como se um encanto encobrisse os sentimentos mais selvagens.”1

As cidades do mundo necessitam, desesperadamente, de ser envolvidas nos amorosos braços do evangelho. Há mais de cem anos, Ellen White escreveu: “O Senhor tem chamado nossa atenção para as multidões negligenciadas nas grandes cidades, mas tem-se dado pouca atenção para o assunto.”2 O Desafio

Imagine-se em pé, na área do Novo Mercado em Dhaka, Bangladesh, observando os riquixás (carroça de duas rodas, puxada por uma pessoa) descendo pela rua Peelkhana, cada um levando uma pessoa por minuto. Estatisticamente falando, você teria que ficar ali, por, pelo menos, sete dias, até que um riquixá passasse carregando um adventista.3 Em várias áreas urbanas, ao redor do mundo, encontramos cenários similares, e alguns ainda mais dramáticos.4 Foi colocada sobre a Igreja Adventista do Sétimo Dia, na década de 1880, uma alta prioridade na evangelização das cidades dos Estados Unidos. A Associação Geral publicou um relatório anual sobre a missão nas cidades, de 1885 a 1899. Os relatórios de 1886 mostram que havia 36 missões


Adventistas nas Cidades

■ Há, pelo menos,

2O cidades com população de, no mínimo, 10 milhões de pessoas.

empregando um total de 102 obreiros e 224 membros leigos treinados como estagiários.5 Na virada do século 20, um projeto “médico missionário”, em Chicago, patrocinado pelo Dr. John H. Kellogg, incluía “um pequeno hospital, clínicas gratuitas, uma cozinha para fazer sopa, um programa de visitação de enfermeiras, residências de emergência para homens e mulheres e a Missão Barco da Vida, onde era realizado um trabalho social e evangelístico.”6 Quando buscavam a melhor localização para estabelecer uma missão, Kellogg e o irmão Olsen iam até o chefe de polícia e perguntavam onde era o “o lugar pior e mais sujo de Chicago.”7 Poucos anos mais tarde, no entanto, Ellen White disse que a Igreja Adventista do Sétimo Dia havia “negligenciado” as grandes cidades.

Se formos sinceros, temos que admitir que, em cem anos, pouco mudou. Em 1910, a população da cidade de Nova Iorque era cerca de cinco milhões de pessoas; hoje, é quase o dobro. Em 1910, Ellen White declarou o ministério urbano como “o trabalho essencial para este tempo.”8 Qual seria sua declaração hoje? O Caminho a Seguir

Ao enfrentarmos o incrível desafio das cidades, como devemos avançar? Ellen White resumiu o ‘ministério encarnacional’ de Jesus, que ela chamou de “método de Cristo”, em cinco etapas.9 Esse método é fundamental no ministério urbano. 1. Misturando-se. No final da década de 1990, sob a liderança de Mark McCleary, a Igreja Adventista do Sétimo Dia do Sudoeste da Filadélfia

Nosso Maior Desafio na

Missão

As áreas urbanas do mundo são nosso maior desafio por, no mínimo, três razões: 1. Números Absolutos. Em Estocolmo, Suécia, 410 adventistas vivem entre uma população de 1,25 milhão de pessoas, a uma proporção de mais de 3 mil pessoas para cada adventista do sétimo dia. Em Calcutá, Índia, há 558 membros de igreja entre uma população de 15 milhões. Isso significa um adventista para mais de 26 mil pessoas. Nos Estados Unidos, 80 por cento da população vive em áreas urbanas1 – mas, apenas uma em três igrejas adventistas está localizada em área urbana. Em Pittsburgo, Pensilvânia, área metropolitana com 2,4 milhões de habitantes, há menos adventistas hoje do que havia em 1948,

quando George Vandeman dirigiu uma campanha evangelística naquela cidade.2 As áreas urbanas prosperam e crescem em todos os lugares: África, Ásia, no Pacífico, Europa e nas Américas. Na China há cerca de quarenta cidades com mais de dois milhões de pessoas. As cidades mais populosas estão na janela 10/40 e no Ocidente secular. Elas são o futuro do mundo, um futuro que cresce rapidamente. 2. Problemas especificamente urbanos. Em muitas partes do mundo, os esforços evangelísticos dos pioneiros de Missão Global são os maiores eventos no local, tendo presentes quase todos os habitantes da vila. Tente a mesma coisa no centro de Sidney, Austrália, e você estará competindo

plantou três novas congregações. McCleary levou os membros de sua igreja a se misturar com as pessoas de suas comunidades. Eles fundaram uma organização local das Irmãs para Cristo, um programa que preparava as jovens para a vida adulta; ajudava vítimas de enchentes e aconselhava os jovens. O Pr. McCleary era membro da Mesa Administrativa da Philadelphia Partnership, um grupo de parcerias entre organizações para incrementar a vida cívica da comunidade. A igreja estava envolvida em tudo, desde ajudar as pessoas a encontrar emprego, a dedicação de bebês e Escolas Cristã de Férias. Quando McCleary recebeu um chamado para dirigir uma igreja em Washington, D.C., líderes da comunidade pleitearam com o prefeito da Filadélfia para manter McCleary na cidade.10

com os teatros, cinemas, restaurantes, salas de concertos, clubes e muitos outros locais de entretenimento, além das muitas ocupações das pessoas. Para muitos, a igreja é uma peça de museu, uma relíquia de outra época. 3. Adventistas saindo das cidades. Enquanto a maioria das pessoas vive nas áreas urbanas, a maioria dos adventistas do sétimo dia, igrejas e instituições estão localizados fora desse campo missionário. Em muitos casos, as igrejas urbanas estão muito distantes de seus membros, e a maioria deles precisa viajar dos subúrbios para frequentá-la. Sem a proximidade do campo missionário, a igreja é distante, observadora e, na melhor das hipóteses, um visitante ocasional. 1 Stone

and Wolfteich Sabbath in the City, página 2. Sahlin, Mission in Metropolis: The Adventist movement in an Urban World (Lincoln, Nebr.: Center for Creative Ministry, 2007), p. 156. 2 Monte

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Adventistas nas Cidades

■ A proporção entre o número de adventistas e a população das grandes

953:1. fora das maiores cidades do mundo é de 423:1. cidades do mundo é de

■ Se compararmos, a proporção entre o número de adventistas e a população

Jesus deixou o Céu, veio para a Terra e viveu entre nós. Ele Se vestiu com pele humana, sujou Suas mãos, esfregou Seus ombros nos nossos. Os escritores bíblicos registram como Jesus tocava fisicamente as pessoas. Em Mateus 8 e 9, somente, Ele tocou cinco pessoas, inclusive um leproso; e isso O tornou ritualmente imundo, segundo a tradição judaica.11 É muito bom distribuir literatura, apoiar o evangelismo público, o rádio, o evangelismo via Internet. Tudo isso, porém, é um apoio, mas não substitui o ministério pessoal, ‘mão na massa’, misturar-se com as pessoas. Assim como enviamos missionários para outros países e culturas, também precisamos de missionários nas grandes cidades para assumir um compromisso a longo prazo, enraizados no ministério das cidades. 2. Mostrando Simpatia. Falando sobre a cidade de Nínive, Deus pergun-

tou enfaticamente: “Não deveria Eu ter pena dessa grande cidade?”12 Séculos mais tarde, Jesus demonstrou essa mesma preocupação: “Ao ver as multidões, teve compaixão delas, porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor” (Mt 9:36). Wayne Krause é pastor de uma igreja que ele e um pequeno grupo estabeleceram em uma área urbana há cerca de uma hora ao norte de Sydney, Austrália.13 Ela está no centro de uma comunidade de milhares de famílias jovens, cuja vasta maioria nunca colocou o pé numa igreja cristã. Certo dia, uma casal da igreja de Wayne, estava fazendo compras em um centro comercial local, quando um rapaz se aproximou deles e perguntou se poderiam levá-lo a uma clínica de dependentes químicos. Sem pensar duas vezes, eles o levaram imediatamente. Mais tarde, o levaram para casa e lhe serviram uma refeição quente.

Centros deVida com

Esperança

Ellen White teve a visão de colocar o método de Cristo em ação em áreas urbanas, através de centros de ministério integral, denominados “centros de influência”. Eles deveriam oferecer uma variedade de atividades como educação sobre o estilo de vida, reuniões de pequenos grupos, literatura, restaurantes, salas para tratamento, reuniões públicas e ministério de “colheita”. “É pelas relações sociais que a religião cristã entra em contato com o mundo”1, ela escreveu, e insistiu que os adventistas “e nossos obreiros experientes deveriam se esforçar por se colocar onde entrarão em contato direto com os que estão precisando de ajuda.”2

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Aquele jovem começou a frequentar a igreja, todos os sábados, e mais tarde os membros o levaram para a clínica de dependentes. Em uma audiência no tribunal, vários membros da igreja o surpreenderam, comparecendo para apoiá-lo. Poucas semanas mais tarde, toda sua família compareceu à igreja. Vestidos com trajes de heavymetal, com correntes e couro, eles se assentaram do primeiro banco. O namorado de uma das irmãs era o cantor principal de uma banda heavy-metal e tinha todos os dedos, das duas mãos, cobertos com prata. Wayne olhou da plataforma e decidiu mudar seu sermão e falar sobre o grande conflito entre o bem e o mal.

A Missão Adventista está trabalhando para ajudar a estabelecer uma rede de centros de influência autossustentáveis, em áreas urbanas em todo mundo. Eles terão a mesma marca, serão geridos com os mesmos princípios teológicos/espirituais, mas variarão na forma, tamanho e sofisticação, dependendo da cidade. Seu visual e estilo serão acomodados ao local e situação, mas a filosofia e princípios de funcionamento serão consistentes. Esses centros perseguirão o alvo de se tornar autossustentáveis financeiramente, e, sempre que possível, estarão ligados a uma instituição geradora de receita, como clínicas médicas ou dentárias. Serão utilizados os obreiros adventistas locais, voluntários, e farão parcerias com os departamentos da igreja, instituições e organizações leigas. Embora o objetivo primário desses centros seja a semeadura, devem se unir às iniciativas de pequenos grupos e de implantação de igrejas. Devem ser projetos realistas e de longo prazo. 1 Ellen 2 Ellen

G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 496. G. White, Testimunhos para a Igreja, v. 8, p. 76.


Dentro das Cidades Adventistas nas Cidades

■ Em 2010, havia

1 adventista para cada 405 pessoas.

Ninguém da família era cristão, mas após o culto, procuraram Wayne e perguntaram como podiam ficar do lado de Deus na guerra do bem contra o mal. Após lhes explicar o evangelho, todos decidiram colocar Jesus no centro da vida. 3. Suprindo as Necessidades. Sabemos que quando o apóstolo Paulo chegou a Atenas, passou algum tempo como turista. Ele, “andando pela cidade, observou cuidadosamente” o que os atenienses estavam adorando (At 17:23). Como Paulo, temos que parar, olhar e escutar. Há alguns anos, a igreja de Wayne descobriu que alguns estudantes estavam indo para a escola pública local, sem se alimentar adequadamente. Os líderes da igreja começaram a trabalhar com os administradores da escola, e logo, a Igreja Adventista do Sétimo Dia estava suprindo a necessidade dessas crianças famintas. Mais tarde, quando a Escola Pública Wyong Grove decidiu contratar um capelão, procuraram imediatamente a igreja de Wayne. Rochelle Madden, da Igreja da Comunidade da Costa Central, liderada por Wayne, foi admitida como capelã dessa escola pública, totalmente mantida pelo governo australiano. “Meu papel como capelã é ser uma janela para Jesus”, diz Madden. “Realmente desejo que essas crianças, os pais e professores vejam o cristão como alguém que realmente se importa com eles e pelo o que acontece na sua vida.”14 Os adventistas do sétimo dia devem estar à frente na tarefa de fazer das cidades um lugar melhor. No livro de Jeremias, Deus instruiu os judeus exilados no modo como deveriam agir quando chegassem a Babilônia: “Busquem a prosperidade [shalom] da cidade para a qual eu os

deportei e orem ao Senhor em favor dela, porque a prosperidade de vocês [shalom] depende da prosperidade dela [shalom]” (Jr 29:7). A palavra shalom, do hebraico, é uma palavra poderosa e com muitos significados. Ela transmite pensamentos de paz, bem-estar e prosperidade. Os adventistas devem estar na dianteira na tarefa de fazer das cidades um lugar melhor para viver. Cada pessoa na cidade deve ter um amigo porque há adventistas vivendo ali, trabalhando entre eles e orando pela shalom da cidade. Jesus criou um ministério integral, equilibrando perfeitamente o físico e o espiritual: “Jesus ia passando por todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando as boas novas do Reino e curando todas as enfermidades e doenças”(Mt 9:35). Cuidar das necessidades físicas de alguém e permanecer cego para as

oportunidades de compartilhar as boas novas sobre Jesus é vender barato o ministério. Falar sobre as coisas espirituais apenas e negligenciar as físicas é ignorar o exemplo de Cristo e sabotar nosso testemunho. 4. Conquistando a confiança. Em 2004, Andrew Clark foi chamado para Pittsburgh, Pensilvânia, para dirigir o Serviço Comunitário Adventista após a passagem do furacão Ivan e Francis. Foi sua primeira missão após se formar em teologia pelo Columbia Union College (hoje, Universidade Adventista de Washington). Clark e sua equipe ajudaram famílias a reconstruir suas casas e sua vida. Depois que as inundações diminuíram e o comércio já estava quase totalmente normalizado, a Câmara Municipal se reuniu para discutir se deveriam conceder ao Serviço Comunitário Adventista uma licença de permanência. Numa

Vida no Campo O sonho adventista de morar em áreas rurais é baseado no conselho de Ellen White. Seus escritos, porém, revelam uma visão mais ampla de nossa obrigação para com as cidades. Monte Sahlin, diretor de pesquisas e projetos especiais para a Associação da Igreja Adventista do Sétimo Dia de Ohio, EUA, encontrou 107 artigos nos índices dos periódicos de Ellen White, onde ela aborda o assunto do ministério urbano. Ele encontrou 24 artigos dando instruções sobre mudar e estabelecer instituições fora das cidades. Mas 75 por cento dos artigos dão instruções específicas para mudar para as cidades e evangelizar os que ali vivem.1 Ela escreveu, por exemplo: “Haverá leigos que se mudarão para … cidades … a fim de que a luz dada por Deus a eles possa brilhar para outros.”2 “Por que não deveriam as famílias que conhecem a verdade presente se estabelecer nessas cidades?”3 1 Monte Sahlin, Mission in Metropolis: The Adventist Movement in an Urban World (Lincoln, Nebr.: Center for Creative Ministry, 2007), p. 16. 2 Ellen G. White, na Advent Review and Sabbath Herald, 29 de set. de 1891. 3 Ibid.

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Adventistas nas Cidades

■ Em 1880, havia

1 adventista para cada 89,768 pessoas.

poderosa homenagem à nossa igreja, mais de cem pessoas da comunidade compareceram para apoiar Clark e a igreja: pastores de outras denominações, empresários, mães, etc.15 5. Convidando as pessoas a seguiLo. Convidar as pessoas para seguir a Jesus não é uma construção artificial colocada acima de todos os outros degraus. É uma consequência natural. Será que todos aceitarão a Jesus? Não. Isso quer dizer que vamos deixar de estar com eles e os servir? Certamente não. À medida que Clark e sua equipe se misturavam com o povo, mostrandolhes simpatia, suprindo suas necessidades e conquistando a confiança das pessoas, foram muito criticados por outros adventistas. “Vocês estão entre esse povo há meses; onde estão os resultados?” Deus, porém, tem o Seu tempo. Um dia, um adolescente tatuado com o qual Clark estava trabalhando, disse: “Pastor Clark, se eu já não sou um adventista, sou o quê?” Recebi uma mensagem de Clark implorando ajuda para encontrar um obreiro bíblico. Começou a chover pedidos para estudos bíblicos. “POR FAVOR, SOCORRO!!!” Andrew escreveu, no estilo tipicamente entusiasta: “Somos quatro pessoas, nos esforçando ao máximo para liderar 70, até agora!” Ellen White escreveu que o método de Cristo, quando acompanhado pelo poder da persuasão, oração e o amor de Deus, “jamais ficará sem frutos”.16

produto, mas com uma imagem assustadora do povo e das cidades (Nm 13:26-30). O povo era gigante, as cidades “são fortificadas e muito grandes” (verso 28). Somente Josué e Calebe ousaram falar de vitória contra obstáculos tão formidáveis. Hoje, as cidades do século vinte e um também são “fortificadas e muito grandes”. As fortificações não são feitas de pedras; são reforçadas pelas intangíveis fortificações do secularismo, pós-modernismo e consumismo. Será que teremos a fé de Josué e Calebe para dizer que, com a ajuda de Deus, “é certo que venceremos” (verso 30)? ■ 1 Vanity

Fair, novembro de 2011. Advent Review and Sabbath Herald, 11 novembro de 1909. calculado com base nos 730 adventistas do sétimo dia batizados em Dhaka, numa população de 7 milhões de pessoas. Esse é um cálculo conservador; muitas autoridades estimam que a população de Dhaka chegue a 15 milhões de pessoas. 4 É certo que existem notáveis exceções a essa tendência. Muitas igrejas adventistas, no centro das cidades, têm sido faróis das boas novas por muitas décadas. 5 Ivan Warden, “Ellen G. White Speaks on Urban Ministries.” 6 Ibidem. 7 Citado por Amy Lee Sheppard, Doers of the Word: Seventh-day Adventist Social Christianity in Thought and Practice During the Gilded Age (unpublished B.A. honors thesis, Department of History, University of Michigan, Mar. 26, 2007), p. 67 8 Ellen G. White, Medicina e Salvação, p. 304. 9 Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 143. 10 Acesse www.advantagetechsolutions.net/SW2001_html/ history.htm and Monte Sahlin, Mission in Metropolis: The Adventist Movement in an Urban World (Lincoln, Nebr.: Center for Creative Ministry, 2007), p. 128, 129. 11 Ele também percebeu, no meio da multidão, o toque da mulher que estava doente há 12 anos. 12 Textos bíblicos extraídos da Nova Versão Internacional. 13 Para mais informação sobre essa igreja, acesse www.cccc. org.au. 14 Rochelle Madden, “My Ministry Idea”, South Pacific Record, June 4, 2011, p. 12. 15 O vídeo do evento, “Fiding Carnegie”, pode ser assistido no link www.youtube.com/watch?v=htzzdAHs4co. Para assistir outros videos sobre essa iniciativa de plantar igreja, acesse AdventistMission.org e digite “Carnegie” na caixa de busca. 16 Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 144. 2 Na

3 Foi

Temos a Fé Necessária?

Quando Moisés enviou espias para Canaã, instruiu-os a investigar três coisas: (1) a terra, (2) o povo, (3) as cidades. Os espias retornaram com relatórios maravilhosos sobre a terra e o seu

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Gary Krause é diretor da Missão Adventista.

Chor O que vê Jesus

A

cena ficou gravada em minha mente para sempre, tão viva hoje, como há mais de 40 anos. Era um desses dias escaldantes de julho, no verão de 1968. Estávamos no trânsito, esperando que o sinal abrisse, num cruzamento na cidade de Nova Iorque. Frequentemente, íamos de nossa casa, no sul de Connecticut para a cidade de Nova Iorque, visitar Bowery, lugar onde meu pai passou sua infância. Nova Iorque estava no seu sangue. Ele queria, a qualquer custo, que seus filhos conhecessem de onde ele viera. As histórias que papai contava sobre seu passado, crescendo na cidade, era um tesouro familiar, de valor inestimável; herança para ser passada de geração a geração. No final da década de 1960, algumas regiões de Bowery se tornaram o céu para que homens e mulheres usassem o álcool para escapar da vida real. Os apartamentos deteriorados, bares sombrios e sujos, as ruas cheias de lixo, contavam trágicas histórias de vidas quebradas, lares destruídos e futuros arruinados. Enquanto olhava pela janela do carro, pensando sobre a vida daqueles homens barbudos de olhar turvo, deitados na calçada em estupor alcoólico, percebi um homem com o rosto vermelho, usando uma camisa xadrez surrada que vinha em direção ao carro. Ao se aproximar, simplesmente disse: “Você pode me dar um dólar?” Um dólar para comprar mais bebida? Não! Comida, sim! Vasculhamos ao redor, e consegui-


Jesus

Dentro das Cidades Por Mark A. Finley

a pelas Cidades quando olha para as cidades de hoje? mos reunir um pequeno lanche. Quando entreguei o lanche, ele chegou perto da janela aberta, agarrou minha cabeça e puxou meu rosto em direção ao seu. O cheiro de álcool em seu hálito era sufocante. Quando olhei dentro daqueles olhos azul-esverdeados, injetados de sangue, ele sussurrou: “Muito obrigado, Jesus”, virou as costas e se foi. Embora muitos anos tenham se passado desde nosso encontro casual, suas palavras ficaram gravadas em minha mente. Já me perguntei: Se Jesus estivesse aqui hoje, onde estaria? Estaria Ele aquecido, no conforto de Seu lar suburbano, escrevendo livros sobre como alcançar as pessoas das cidades? Estaria Ele preparando um DVD, totalmente ilustrado, ensinando “como” evangelizar as cidades? Ou estaria no contexto das necessidades humanas, ministrando para os pobres, marginalizados e desfavorecidos? Estaria Ele mostrando às pessoas cultas, sofisticadas e ricas o verdadeiro significado da vida? Jesus e as Cidades

Jesus ama as cidades. Ele as ama porque é lá que as pessoas estão, e Jesus ama as pessoas. Nas cidades nunca falta uma coisa, e são as pessoas. Elas estão em todos os lugares. O evangelho de Mateus registra: “Jesus ia passando por todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando as boas novas do Reino e curando todas as enfermidades e doenças” (Mt 9:35).*

O registro do evangelho é muito simples para não ser compreendido: Jesus imergia na vida das pessoas nas cidades. Ele trouxe esperança ao desesperado, paz ao perturbado, perdão para o culpado e poder para o impotente. Seu coração transbordava de amor pelas pessoas quebrantadas, machucadas e desgastadas que vivem nas cidades. Seu ministério nas cidades não era apenas para os que eram desfavorecidos economicamente. Era, também, para os abastados, mas espiritualmente pobres. Os ricos eram atraídos pela Sua autêntica revelação do amor do Pai. Nicodemos, líder religioso correto e respeitado, O procurou secretamente, à noite. Mateus, um coletor de impostos, astuto, respondeu ao Seu chamado. O centurião romano foi transformado no Calvário. Jesus apelou ao jovem e ao idoso, ricos e pobres, cultos e ignorantes, religiosos e céticos. Homem e mulher, judeus e gentios eram atraídos a Ele. Seu cuidado, compaixão e preocupação

com cada indivíduo era inigualável. O Evangelho de Mateus declara que Ele tinha compaixão das multidões (Mt 9:36). Lucas acrescenta: “Quando Se aproximou e viu a cidade, Jesus chorou sobre ela” (Lc 19:41). Você nunca chora a não ser que se aproxime. Seu coração nunca vai ser quebrantado de amor pela cidade até que você a “veja” em sua crueza selvagem. As cidades são lugares de incríveis contrastes. Há lugares de deliciosos prazeres e de profunda tristeza; de pobreza absoluta e inacreditável riqueza; de ganância assustadora e sacrifício altruísta; grande entusiasmo e tédio absoluto; sofisticação cultural e grosseria exposta. Elas estão cheias de corações honestos, crentes comprometidos como também de céticos e daqueles que não se importam com religião. O coração de Jesus transborda de amor por eles, individualmente. Você já chorou pela pobreza de uma criança que não é seu filho, mas dEle? Seu coração já ficou quebrantado por vidas vazias, consumidas pela ganância? Você já derramou “lágrimas da alma” pelos milhões de pessoas nas cidades do mundo, que lutam por uma vida miserável, mas que não conhecem o significado de sua própria existência? Ele tem pouco ou nenhum conhecimento do evangelho eterno de Deus para essa geração do tempo do fim. Ouvindo o Coração de Jesus

Se pararmos, por um tempo suficiente, poderemos ouvir os soluços do coração quebrantado, os gemidos agonizantes de Jesus pelas pessoas perdidas que vivem nas cidades. Ellen White escreveu: “Nosso mundo é um vasto hospital, ou seja, um cenário de miséria em que não ousamos permitir

Quer Saber Mais?

Para saber mais sobre o Centro de Estudos em Secularismo e Pós-Modernismo, por favor acesse www.secularandpostmodern.com. Mais de 50 por cento da população do mundo vive em cidades. Para alcançar as pessoas nessas áreas urbanas, a igreja está criando centros de influência destinado a suprir suas necessidades físicas e espirituais e conduzi-los a Cristo. Para ajudar a manter esses centros de influência, como o projeto da igreja Nova Semente, no Brasil por favor apoie “Project Fund 9730”.

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Dentro das Cidades mesmo que os nossos pensamentos se demorem. Se compreendêssemos o que ele é na realidade, o peso que sobre nós sentiríamos seria terribilíssimo. No entanto, Deus o sente todo” (Educação, p. 264). Um profeta do Antigo Testamento escreveu: “Em toda a aflição do Seu povo Ele também Se afligiu” (Is 63:9). Jesus experimenta a dor do pecado deste mundo de maneira que nem imaginamos. As pessoas perdidas são o objeto de Seu amor. Ele “deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2:4). Ele é “paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento” (2Pe 3:9). A única coisa que importa para Ele, mais do que qualquer outra coisa, são os salvos em Seu reino eternamente. Se temos pouco interesse em alcançar as pessoas perdidas, estamos realmente seguindo Aquele que veio “buscar e salvar o que estava perdido” (Lc 19:10). Se o fardo de Seu coração não for o fardo do nosso, estamos nós

totalmente entregues a Ele? Se formos complacentes para compartilhar o Seu amor com os perdidos, podemos realmente dizer que somos Seus discípulos? O chamado para as cidades é um chamado à oração apaixonada. É um chamado para reunir milhares de adventistas para separar um tempo significativo, todas as semanas, para orar pelos centros mais populosos do mundo, pelo nome. Esse é um apelo para os membros que moram nas cidades a compassivamente testemunhar para seus vizinhos e amigos. Esse é um apelo para os jovens, a que dediquem um ano de sua vida à missão nas cidades. Esse é um apelo para os líderes da igreja, em todos os níveis, para que planejem estratégias definitivas para alcançar as cidades de seu território, com as três mensagens angélicas. Esse é um apelo urgente para que recursos financeiros sejam realocados. O ministério nas cidades não é barato, mas é absolutamente imperativo se a igreja quer causar impacto nas cidades. Esse apelo urgente para a missão

Alcançando os Não Alcançados com Esperança Começou como um sonho … Tudo começou no dia 4 de maio de 2005. Esse foi o dia em que Kleber Gonçalves e sua família retornaram ao Brasil após cerca de nove anos de estudos na Universidade Andrews. Sua missão? Começar uma nova igreja em São Paulo, um dos maiores centros urbanos do mundo, com população de 20 milhões de pessoas. A Nova Semente seria primeira igreja adventista do sétimo dia, na América do Sul, destinada a alcançar pessoas seculares/pós-modernas para Jesus. Gonçalves imediatamente começou a recrutar pessoas de igrejas adventistas estabelecidas para servir como um núcleo inicial para a Nova Semente. “O pré-requisito essencial para os que queriam se unir à nossa igreja”, diz Gonçalves, “era a paixão por Deus e por Sua igreja, e paixão pelas pessoas perdidas.”

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O grupo começou com 16 membros que se reuniam no prédio da Associação Paulistana. Por seis meses, eles se reuniam semanalmente para orar, sonhar e planejar a nova igreja. Durante esse tempo, o grupo cresceu para cerca de 45 pessoas. Decidiram, então, inaugurar a Nova Semente em novembro de 2005. “Desde nosso primeiro culto aberto ao público, o trabalho tem sido intenso e altamente compensador”, diz Gonçalves. Nos primeiros dois meses, a frequência aos cultos, aos sábados, variavam entre 180 e 200 pessoas – de 45 a 60 delas eram pessoas pós-modernas. Mas esse número cresceu rapidamente à medida que as visitas começaram a trazer seus amigos e parentes para os cultos evangelísticos. Em 2006, o crescimento havia sido tal

da cidade é um apelo ao ministério de autossacrifício de Jesus. Nesta hora de crise, vivendo no limiar da eternidade, o status quo não vai resolver. Qualquer que seja o sucesso que a igreja possa ter alcançado evangelizando as pessoas no passado, não é suficiente hoje. Este é um tempo para ação agressiva. Este é um tempo de pensamento criativo. Este é um tempo de compromisso com a ação. Nenhum esforço dividido alcançará as cidades nesta hora final. Deus pede nossos melhores esforços e todo nosso compromisso. À luz de Seu inacreditável amor e imenso sacrifício feito por nós, podemos fazer menos do que isso? ■ *Todos os textos bíblicos foram extraídos da Nova Versão Internacional.

Mark A. Finley é

assistente do presidente da Associação Geral.

que precisaram alugar um centro de convenções próximo. Não demorou muito para que o número de pessoas frequentando os três cultos, todos os sábados, variasse entre 750 a 900. Era hora de mudar outra vez! Em 2010, a Nova Semente alugou um prédio maior, que possibilitasse a realização de dois cultos, aos sábados. E continuaram crescendo. “Durante os últimos anos o Espírito Santo tem transformado muitas pessoas por meio do ministério da Nova Semente”, diz Gonçalves. Mais de 90 pessoas foram batizadas até agora, e outras 60 estão frequentando o curso bíblico que acontece quatro vezes por semana na Nova Semente. “Acredito profundamente que, por meio do estabelecimento de comunidades sensíveis ao pós-modernismo, como a Nova Semente e outras iniciativas apoiadas pela Missão Global, a igreja está sendo conscientizada do enorme desafio e da grande oportunidade que existe de levarmos pessoas seculares/pós-modernas a Cristo.”


E S P Í R I T O

de

P R O F E C I A

O

Método de

Por Ellen G. White

Crısto

Honrar a Cristo significa viver como Ele viveu

O

mundo necessita, atualmente, daquilo que tem sido necessário – já há mil e novecentos anos – a revelação de Cristo. É preciso uma grande obra de reforma, e é unicamente mediante a graça de Cristo que a obra de restauração física, mental e espiritual se pode efetuar. Unicamente os métodos de Cristo trarão verdadeiro êxito no aproximarse do povo. O Salvador misturava-Se com os homens como uma pessoa que lhes desejava o bem. Manifestava simpatia por eles, ministrava-lhes às necessidades e granjeava-lhes a confiança. Ordenava então: “Segue-Me.” João 21:19. É necessário pôr-se em íntimo contato com o povo mediante esforço pessoal. Se se empregasse menos tempo a pregar sermões, e mais fosse dedicado a serviço pessoal, maiores seriam os resultados que se veriam. Os pobres devem ser socorridos, cuidados os doentes, os aflitos e os que sofreram perdas, confortados, instruídos os ignorantes e os inexperientes aconselhados. Cumpre-nos chorar com os

O Salvador misturava-Se com os homens como uma pessoa que lhes desejava o bem. Manifestava simpatia por eles, ministrava-lhes às necessidades e granjeava-lhes a confiança. Ordenava então: “Segue-Me.”

que choram, e alegrar-nos com os que se alegram. Aliado ao poder de persuasão, ao poder da oração e ao poder do amor de Deus, esta obra jamais ficará sem frutos. Muitos não têm nenhuma fé em Deus, e perderam a confiança no homem, mas apreciam os atos de simpatia e prestatividade. Ao verem uma pessoa sem nenhum incentivo de louvor terrestre nem de compensação, ir a sua casa, ajudando ao doente, alimentando o faminto, vestindo o nu, confortando o triste e encaminhando ternamente todos Àquele de cujo amor e piedade o obreiro humano não é senão um mensageiro – ao verem isso, seu coração é tocado. Brota a gratidão. Ateia-se a fé. Veem que Deus cuida deles, e ficam preparados para escutar ao ser-lhes aberta a Sua Palavra. ■

Esse texto foi extraído do capítulo “Ensinando e Curando” do livro A Ciência do Bom Viver. Os Adventistas do Sétimo Dia creem que Ellen G. White (1827-1915) exerceu o dom profético bíblico durante mais de 70 anos de ministério público.

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S E R V I Ç O

V

iaje pelo meio do deserto do centro-norte do Arizona, no sudoeste dos Estados Unidos, e você chegará à cidade de Page. Dali, siga em direção ao sul e você entrará no território da nação Navaja. Essa é a reserva da maior tribo indígena americana nos Estados Unidos. Não há igreja adventista do sétimo dia em Page, pelo menos não ainda. Porém, uma família tem esperado e orado por uma igreja ali. “Os índios americanos originalmente ocuparam esta terra”, diz Dan Jackson, presidente da Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Norte, “todos nós, na verdade, somos imigrantes. No entanto, nossos primeiros habitantes, ou povos aborígenes, estão entre as populações mais carentes em nosso ministério evangelístico na América do Norte.” A igreja adventista mais próxima está a duas horas de carro, de Flagstaff. Em Utah estão as igrejas de Monument Valley (duas horas e meia ao leste) e de St. George (três horas ao norte). Não há nada no lado oeste de Page, a não ser o Grand Canyon.

forma direta com eles e eles não têm nenhuma desculpa para não responder. Isso realmente causa um impacto neles.” Nasceu um Ministério

Logo que os Fowlers se mudaram para Page, moraram num hogan (moradia navajo tradicional). Hoje moram em uma casa, ainda inacabada, porque seu ministério ocupa o primeiro lugar. Allen e Kelley não apenas se mudaram para uma nova cidade, mas encontraram ali um ministério entre o povo navajo. Kelley diz: “O antigo modelo de ir de porta em porta oferecendo estudos bíblicos, não funciona aqui, porque, primeiro, eles precisam ver que você se importa com eles, e que tem em mente o melhor para eles. Só aí, confiam.” Ao perceberem as necessidades ao seu redor, os Fowlers decidiram construir um centro comunitário para ajudar seus novos amigos e vizinhos. “O centro comunitário tem sido uma linda obra em

Calçando os Seus

Sapatos

Por Rick Kajiura

Aproximando-nos das pessoas para servir

Como Voltar ao Lar

Há vários anos, Allen e Kelley Fowler foram com sua família para essa região. Para Kelley e seus filhos, foi uma aventura. Para Allen, um navajo, foi como voltar para casa. Nos anos em que esteve distante, Allen conheceu e se casou com Kelley, começou sua família e se tornou adventista do sétimo dia. A família de Allen esperava que ele voltasse o mesmo de quando saiu. O fato de voltar, sendo cristão, os deixou chocados. Só após três anos, começaram a se acostumar com a ideia. O fato de Allen ser um navajo dá a seu ministério uma perspectiva e compreensão únicas. “Para compreender os navajos, você tem que calçar seus sapatos, participar de suas tristezas e do seu modo de vida”, diz Allen. “Assim, não poderão dizer: ‘Você nunca fez isso; você nunca passou por aquilo’. Como vivi e cresci ali, posso dizer: ‘Eu sei. Sei como aconteceu e por quê. Já passei pelo mesmo que você passou, portanto não tem desculpa para não mudar seu modo de vida’. Posso falar de

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progresso”, diz Kelley. “Para nós, parece que demorou muito, mas, de acordo com o planejamento, está quase pronto; e com a ajuda de todas equipes missionárias que vieram, levou apenas dois anos e meio para construir. “Nosso objetivo para o centro comunitário é oferecer cursos de culinária pelo menos uma vez na semana. Gostaríamos muito de ter a ajuda de outras pessoas, que se mudassem para cá para nos ajudar regularmente; precisamos ter as aulas de culinária toda semana, para que as pessoas tenham certeza de que será nas noites de terça-feira, por exemplo. Precisávamos ter um poço, que já está em construção. Uma vez que estiver funcionando, será mais um motivo para virem, pois as pessoas andam muito para conseguir água.” O centro comunitário está quase pronto, graças à ajuda de voluntários que vieram em viagens missionárias para ajudar Allen e Kelley. Jim Genn é uma dessas voluntárias que usou seu talento


de construção para trabalhar entre os navajos. “Todos têm um talento”, diz ela. “Se você o entregar para Deus, Ele lhe dirá qual é o seu talento. Pode ser aqui carregando areia, pregando pregos, enviando oferta, ou o que for.” Algumas pessoas, como Francis Browning, encontraram seu campo missionário no quintal de sua casa. “Já fui ao México várias vezes, até que ficou muito difícil atravessar a fronteira. Agora, está ficando perigoso ir até lá e começamos a procurar um lugar mais próximo, em nosso país. Aqui não precisamos de passaporte, nem de comprar passagens aéreas para voos longos. Há campos missionários em todos os lugares, se procurarmos.” S E D E

D A

M I S S Ã O

A D V E N T I S TA

A obreira bíblica, Carla Clare, declara: “Estou aqui há algumas semanas apenas, e descobri que temos mais de 200 nomes.” Embora a maior parte de seu ministério seja na reserva onde vivem, Allen e Kelley sentem que Deus os está chamando para iniciar uma igreja em Page, a cidade mais próxima. Para Allen, é voltar para casa em vários sentidos. “É uma sensação reconfortante estar aqui e trabalhar para Deus. Ele o coloca onde você precisa estar, para ganhar experiência, e tudo na vida o prepara para o trabalho que você não sabe, mas Deus lhe mostrará a Seu tempo. Quando caminho por aqui, lembro-me de minha infância. Foi por isso que Deus permitiu que eu passasse por aquela experiência, para que me preparasse para o que estou fazendo agora.” “Ter um casal jovem se mudando para Page, Arizona, e construir um centro comunitário onde haja estudos, cultos, etc., é um projeto maravilhoso”, diz Dan Jackson. “Quando

Da esquerda para a direita: CONSTRUINDO PARA O FUTURO: ALLEN E KELLEY FOWLER esperam que o Centro Comunitário ofereça cursos sobre saúde, família e espiritualidade aos seus amigos. UNIDOS NO SERVIÇO: Allen, Kelley Fowler e seus dois filhos esperam levar a mensagem do amor de Cristo para a nação navaja.

Algo para Cada Um

Por que pessoas como Jim e Francis ajudam projetos como esses? “Esses (projetos) não são meus”, diz Jim, “são do Senhor.” Mesmo não estando totalmente concluído, o centro comunitário já está fazendo a diferença na região de Allen e Kelley. “Agora que está quase pronto, percebemos uma enorme diferença na conscientização da comunidade de que estamos aqui para ajudá-los”, diz Kelley. “Gostaríamos que as equipes missionárias continuassem vindo. Precisamos desses voluntários para quase tudo o que se possa imaginar: médicos, construtores, dentistas e qualquer outra atividade. São todos bem-vindos, pois precisamos de ajuda.” Alguns dos que estão sendo ajudados estão interessados em aprender mais sobre a crença de Allen e Kelley. Eles têm tantos pedidos que solicitaram um obreiro bíblico para vir ajudá-los. F O T O S :

R I C K

K A J I U R A

vemos o nosso trabalho entre os nativos em toda a América do Norte, ficamos animados, pois é um trabalho em crescimento, mas precisamos apoiar esse projeto tão gratificante.” Vinte e cinco por cento da oferta do Décimo Terceiro Sábado ajudará a financiar projetos na América do Norte, inclusive os ministérios entre as comunidades indígenas e a população de imigrantes. Muito obrigado por apoiar a Missão Adventista. Para mais informação sobre a Missão Adventista ao redor do mundo, acesse a página www.AdventistMission.org. ■

Rick Kajiura é escritor e produtor para a sede da Missão Adventista.

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P E R G U N TA S B Í B L I C A S

P E R G U N TA :

Qual é o propósito das normas

da igreja?

A

s normas da igreja respondem a uma importante pergunta: Como devem viver os cristãos? A maior parte do conteúdo da Bíblia é sobre como devemos viver, como devemos nos relacionar com Deus, com os outros seres humanos e com a natureza. A igreja cristã sempre ensinou o valor e a necessidade dos padrões bíblicos e a Igreja Adventista continuou essa tradição bíblica. Quando os adventistas declaram que a Bíblia é nossa única doutrina, quer dizer que tudo o que a Bíblia diz sobre vida cristã deve ser aceito e praticado. Identificamos uma série de normas bíblicas e se espera que sejam vistas na vida cristã daqueles que se unem à igreja, ou que já se uniram a ela. Com isso, demonstramos que aceitamos a Cristo como nosso Salvador e Senhor. 1. As Normas da Igreja e o Evangelho: Embora não devamos equiparar os padrões bíblicos para a vida cristã com o evangelho, eles não o depreciam. Pelo contrário, pressupõem o evangelho, tendo a ele como centro. Em outras palavras, as normas da igreja devem contribuir para revelar o significado da cruz e suas implicações na vida dos crentes. São nossa resposta para o amor de Deus por nós, revelado na cruz de Cristo. Deus não deixou a nosso critério a decisão de como o cristão deve viver. Ele nos informou a respeito do impacto que a obra de Cristo faz em nossa vida diária, pelo exemplo de Jesus, das Escrituras e da direção do Espírito Santo. Quando colocamos isso em prática, as normas da igreja revelam a obra que o Espírito Santo está realizando em nós. 2. Conteúdo das Normas: Os padrões bíblicos são pertinentes a todos os aspectos de nossa vida. Vida Espiritual: Nossa vida espiritual é fortalecida e cresce por meio da oração, do estudo da Bíblia e da proclamação do evangelho, frequência aos cultos na igreja e pela observância do sábado. Vida Moral: Deus está interessado em nossa pureza moral e em nosso compromisso com uma vida santa. Portanto, tudo aquilo a que assistimos, o que lemos, ouvimos e pensamos é importante. Consequentemente, de boa

vontade, submetemo-nos à Sua vontade como revelada nos Dez Mandamentos e, acima de tudo, na vida de Jesus. Vida Física: Deus está interessado em nosso corpo e que este funcione perfeitamente. Logo, é importante a prática dos princípios de saúde. O modo como nos vestimos e nos adornamos é importante, pois revelam os nossos princípios. Praticamos modéstia, simplicidade e pureza na maneira como vestimos e adornamos nosso corpo. Vida Social: Deus está interessado em como interagimos com os outros, em nosso cotidiano. Isso se aplica à família: marido e mulher, filhos e pais, à família da igreja e à sociedade, num plano maior. Recursos Materiais ou Financeiros: Deus está interessado em nos abençoar e nos guiar em relação ao uso apropriado dos recursos financeiros para nos ajudar a vencer nosso egoísmo natural. Consequentemente, aplicamos os princípios bíblicos de mordomia na Ángel Manuel administração de nossos Rodríguez bens e no uso dos recursos naturais. 3. Normas Coletivas e Pessoais: Para que a igreja mundial avance unida em direção a um alvo comum, ela deve concordar não apenas com suas doutrinas e missão, mas também com as normas de vida requeridas de seus membros. Essas normas, aceitas pela totalidade de sua comunidade de fé, é o mínimo, não o máximo, que se espera. Elas são baseadas em passagens ou princípios bíblicos (por exemplo, não fumar, não usar drogas, devem ser baseados nos princípios de saúde encontrados na Bíblia). Tal conexão com a Bíblia os transforma em autoridades na comunidade mundial de crentes. Algumas normas individuais ou pessoais não são necessariamente promovidas ou requeridas pela igreja mundial. Em tais casos, o crente não deve tentar impô-las sobre os outros. Elas são decisões pessoais, apenas (por exemplo, se devemos ou não comer ovos ou queijo, ou ter televisão em casa). As pessoas devem ter cuidado para não desenvolver uma atitude de superioridade e orgulho religioso. Tudo o que fizermos deve ser feito para a glória do nosso Senhor, que é nosso Criador e Redentor. ■

Para a

Glorıa de deus

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Adventist World | Outubro 2011

Ángel Manuel Rodríguez, recentemente jubilado, foi o diretor do Instituto de Pesquisas Bíblicas da Associação Geral.


E S T U D O

B Í B L I C O

Sobrevivendo aos

Dias Escuros

Mark A. Finley

De tempos em tempos, todos nós passamos por dias escuros, dias nos quais gostaríamos de não ter saído da cama. Como uma nuvem escura, o desânimo pesa sobre nós. Incomodamo-nos; entristecemo-nos. Pode ser pelo rompimento de um relacionamento, um fardo financeiro, um problema de saúde ou inúmeras outras coisas. Seja lá o que for, porém, não conseguimos tirar aquilo de nossa mente. Nesta lição, estudaremos princípios que mudam vidas e que ajudam a atravessar os dias escuros. Esses princípios bíblicos farão uma diferença positiva em sua vida. Aqui está uma coisa para ser lembrada: Você não está sozinho com seus sentimentos. Os grandes heróis da fé, os gigantes bíblicos, sentiram a mesma coisa. Se eles descobriram como enfrentar suas dificuldades, você também pode.

1.

Que sentimentos são expressos por Davi no Salmo 6:6, 7?

“Já estou cansado do meu gemido, toda a noite faço nadar a minha cama; molho o meu leito com as minhas lágrimas. Já os meus olhos estão consumidos pela mágoa, e têm-se envelhecido por causa de todos os meus inimigos.”* Esses versos revelam a

2.

de Davi.

Onde Davi encontrou a fonte da sua força? Que novas emoções fluíram de sua alma?

“Bendito seja o Senhor, pois ouviu as minhas súplicas. O Senhor é a minha força e o meu escudo; nEle o meu coração confia, e dEle recebo ajuda. Meu coração exulta de alegria, e com o meu cântico lhe darei graças” (Sl 28:6-8). A fonte da força de Davi era

.

As novas emoções de Davi eram

.

3. Qual é o propósito das provações e das dificuldades pelas quais Deus permite que passemos, de tempos em tempos? “Confiem nEle em todos os momentos, ó povo; derramem diante dEle o coração, pois Ele é o nosso refúgio” (Sl 62:8). “Antes de ser castigado, eu andava desviado, mas agora obedeço à Tua palavra. Tu és bom, e o que fazes é bom; ensina-me os teus decretos” (Sl 119:67, 68). O propósito de Deus com as provações e dificuldades é para: a. b. c.

Não é Deus quem envia tristeza e pesar para nossa vida; Ele deseja o melhor para nós. No entanto, como vivemos num mundo onde existem tanto o bem como o mal, às vezes Deus não impede que as dificuldades cheguem até nós. Mas, apesar das provações, Ele nos fortalece para que cresçamos com elas e nos leva a uma profunda dependência dEle. Outubro 2011 | Adventist World

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4.

Como Paulo, prisioneiro em Roma, num período de grande provação, aconselha os crentes de Filipos? “Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: alegrem-se!” (Fp 4:4). “Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus” (Fp 4:6). Paulo aconselha os cristão de Filipos a:

.

Note que Paulo não encoraja os crentes a se alegrar por estar passando por provações. Ele concentra sua atenção, não nos problemas, mas no Senhor. Ele os desafia a “se alegrar no Senhor” apesar das provações e a apresentar seus pedidos ao Senhor “com ação de graças.” Como disse um aspirante a poeta: “Quando olhamos para nossas lutas, nossos problemas crescem; mas quando olhamos para Jesus, eles se vão.” Jesus provê força para cada provação, e coragem para cada dificuldade.

5.

Que certeza permitia que Paulo se “alegrasse” mesmo nos períodos mais difíceis de sua vida? “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4:13). .

6.

Após a grande vitória sobre os profetas de Baal no Monte Carmelo, Elias estava tão exausto que desanimou e fugiu da perseguição da rainha Jezabel. O que Deus fez para confortá-lo? O que podemos aprender dessa experiência? “Depois se deitou debaixo da árvore e dormiu. De repente um anjo tocou nele e disse: ‘Levante-se e coma’. Elias olhou ao redor e ali, junto à sua cabeça, havia um pão assado sobre brasas quentes e um jarro de água. Ele comeu, bebeu e deitou-se de novo” (1Rs 19:5, 6).

Às vezes, o desânimo se apodera de nós porque estamos exaustos. Esse sentimento tem suas raízes em nosso corpo exaurido. Talvez forcemos nosso corpo ao extremo, e por muito tempo. Talvez precisemos exatamente do que Elias precisava: um pouco de ânimo, uma boa refeição e uma boa noite de sono.

7.

Que promessa nosso Senhor nos dá em cada provação?

“Deus é o nosso refúgio e a nossa fortaleza, auxílio sempre presente na adversidade” (Sl 46:1). Deus é o

na adversidade. O que isso significa pra você?

Deus não promete que nunca teremos tribulações, mas promete que Ele estará conosco em meio a todos os problemas de nossa vida. Ele nos fortalecerá, nos dará coragem, guiará e nos susterá. Podemos nos alegrar por isso. *Todos os textos bíblicos foram extraídos na Nova Versão Internacional.

O título do estudo bíblico do próximo mês será “Lidando com a

Preocupação e o Medo”

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Adventist World | Outubro 2011


Intercâmbio Mundial C A R TA S Sou grata por ter sido lembrada de abrir minha Bíblia. Ali encontrei o antídoto para meus sentimentos naquele dia. Sim! Realmente não há maior paz e conforto do que estar perto de Deus. Mais bênçãos para esse ministério de publicação. Sheena Dawn Louel Edrial Negros Oriental, Filipinas Camporis Adventistas

Vencendo o Medo

Após meu plantão, peguei um exemplar da Adventist World de julho de 2011, na recepção do hospital, onde essa revista também está disponível para os pacientes. Eu estava tão ansiosa naquele dia! Não sabia o que fazer e aonde ir para amenizar minha ansiedade, e temia que Satanás usasse aquele vazio para me induzir a pecar contra o Pai celestial. Coincidentemente, o primeiro artigo que li era intitulado “Vencendo o Medo”, por Victor Samwinga. O subtítulo dizia: “Vivendo, cada dia, a vitória concedida por Cristo.”

Fiquei absolutamente encantado ao abrir a Adventist World de julho de 2011 e ler a reportagem sobre o Campori de Desbravadores da IASD, no México, onde mais de vinte mil desbravadores, vindos de 34 países, fizeram história (ver artigo de Alfredo García-Marenko nas páginas 6 e 7). Como terceiro líder de desbravadores da Igreja Adventista, participei de camporis e feiras da IASD nas décadas de 1970 e 1980. Os números agora são fantásticos! Louvamos a Deus pelo tremendo crescimento do programa de desbravadores na Interamérica e ao redor do mundo. Participei do primeiro Campori da Divisão Norte-Americana em Camp Hale, Colorado, em 1985, onde 17 mil estiveram presentes. Depois veio

Sou grata por ter sido lembrada de abrir minha Bíblia. Ali encontrei o antídoto para meus sentimentos naquele dia. Sim! Realmente não há maior paz e conforto do que estar perto de Deus. — Sheena Dawn Louel Edrial Negros Oriental, Filipinas

Oshkosh, Wisconsin, com mais de 22 mil participantes, em 1999; 32 mil em 2004 e em 2009, mais de 33 mil se reuniram. Pude participar do maior campori da Divisão SulAmericana em Santa Helena, Paraná, Brasil, em 2005, onde 22 mil estiveram presentes. Poderiam ter recebido 30 mil, mas os habitantes da cidade ficaram com medo de receber tantos jovens ali. No final do campori, o prefeito e autoridades da cidade disseram: “Deixeos vir da próxima vez; esses foram os melhores jovens que já conhecemos.” No mesmo dia em que estava lendo a revista, recebi um e-mail dando a triste notícia do falecimento de Henry Bergh, no dia 15 de julho de 2011. Do êxtase da alegria meu coração se entristeceu pela morte de um dos pioneiros do programa dos desbravadores. Entre outras coisas, Bergh foi quem escreveu o hino dos desbravadores. “Nós somos os Desbravadores, os servos do Rei dos Reis” é nossa mensagem ao mundo ao louvarmos o Senhor por essa grande agência da igreja para conduzir meninos e meninas a Jesus. Acabei de ler que no evento no México, 258 foram batizados e milhares mais são batizados todos os anos para a glória de Deus! Leo Ranzolin Estero, Flórida, Estados Unidos Profundamente Tocado

Fui profundamente tocado pelo artigo de Chantal J. Klingbeil intitulado “Bem Aventurada” e a ideia de superar o medo (junho 2011). Klingbeil escreveu: “Deus lida com o medo de um modo estranho. Ele não oferece novas

Outubro 2011 | Adventist World

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Intercâmbio Mundial C A R TA S circunstâncias ou novas possibilidades. Ele simplesmente diz para não termos medo [...] Felicidade significará enfrentar seus temores e, então, escolher obedecer ao mandamento de Deus que ordena não temer. Significa aceitar Deus e Sua Palavra, reclamando Suas promessas.” Fui falsamente acusado, por pessoas da aldeia onde trabalho para um dos projetos da ADRA, em Burkina Faso. Tenho recebido ameaças de ser expulso da aldeia e até mesmo ameaça de morte. Nessa situação estressante, o pastor e minha esposa foram um grande apoio para mim. Agora, aprendi a confiar em Deus, mais que nunca. Musabimana Alexis Bazèga Burkina Faso

Cada Palavra é Lida

Obrigada pela Adventist World! Gosto da revista e leio cada palavra, até a última letra. Não perco nada! Flía Cano Argentina Tenho sido muito abençoado ao ler os artigos da Adventist World! Muito obrigado! Acabo de me mudar dos Estados Unidos para a Austrália, e espero que seja possível receber a revista aqui. Yong Shin Chee Victoria, Austrália

Nosso conselho para este leitor e outros com dúvida semelhante, é que entrem em contato com a divisão ou união da Igreja Adventista do Sétimo Dia da sua região. Somos gratos que a revista esteja suprindo essa necessidade. – Os Editores.

Cartas para o Editor – Envie para: letters@adventistworld.org As cartas devem ser escritas com clareza e ao ponto, com 250 palavras no máximo. Lembre-se de incluir o nome do artigo, data da publicação e número da página em seu comentário. Inclua, também, seu nome, cidade, estado e país de onde você está escrevendo. Por questão de espaço, as cartas serão resumidas. Cartas mais recentes têm maior chance de ser publicadas. Nem todas, porém, serão divulgadas.

LUGAR DE ORAÇÃO Deus é bom! Nossa colheita de trigo estava seriamente afetada por certo herbicida que nos aconselharam a usar. Após orações urgentes e de fazer nosso melhor para amenizar os estragos, os técnicos que vieram examinar a plantação ficaram sem palavras. Está mirrada em comparação a outra área, mas ainda está crescendo bem e viçosa. É muito cedo para saber quanto vai render, mas definitivamente não será perda total. Obrigado pelas orações contínuas. Ronald, Zâmbia Por favor, ore por minha família. Estamos passando por uma situação muito difícil. Por favor, ore por mim e por minha futura profissão. Christiane, França Por favor, ore por meus genros, que não são adventistas. Ore também por meu esposo, para que Deus trabalhe em seu coração e ele volte para Jesus. Petra, Alemanha

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Adventist World | Outubro 2011

Por favor, ore por um amigo que está passando por um grande problema financeiro. Ele está perdendo sua casa e seu negócio está falindo. Stella, África do Sul

a 15 – precisamos que o Espírito seja derramado em nosso coração para nos ajudar a “estar unidos” para evangelizar a comunidade. David, Austrália

Minhas orações hoje são para os compromissos votados pela nossa igreja, para mais um ano. Que possamos viver à altura dos padrões de Deus para sua igreja, e que o ministério seja conforme a Sua vontade. Juanita, Estados Unidos

Minha amiga, mãe solteira de 37 anos de idade, foi recentemente diagnosticada com câncer. Por favor, ore por ela. Serge, via e-mail

Por favor, ore para que meu filho consiga continuar seus estudos do ensino médio, e para que eu consiga um emprego para solucionar nosso problema financeiro. Ulo, Estônia Escrevo em nome de uma pequena igreja no norte da Austrália. A congregação nos últimos 10 a 15 anos caiu de cerca de 60 membros para 10

Sou do Congo, mas estou na Uganda como refugiado. Suplico suas orações, pois estou sofrendo muito. David, Uganda

Pedidos de oração e agradecimentos (gratidão por resposta à oração). Sua participação deve ser concisa e de, no máximo, 75 palavras. As mensagens enviadas para esta seção serão editadas por uma questão de espaço. Embora oremos por todos os pedidos nos cultos com nossa equipe durante a semana, nem todos serão publicados. Por favor, inclua no seu pedido, seu nome e o país onde vive. Outras maneiras de enviar o seu material: envie fax para 00XX1(301) 680-6638, ou carta para: Intercâmbio Mundial, Adventist World, 12501 Old Columbia Pike, Silver Spring, Maryland 20904-6600 EUA.


INTERCÂMBIO DE IDEIAS

és que Meu P SalvadorLavou Os

Neste mês, leitora conta experiência sobre cerimônia da humildade

S

G I L L E S

VA N

L E E U W E N

anta Ceia sábado? Hoje? Essa seria a última coisa que gostaria de ouvir, justo quando estava indo para a igreja com chinelos, salpicando lama em minha saia. Acabara de cair uma tempestade tropical, causando estragos na pequena cidade hondurenha de El Suyatal. Longe de casa, tentei não olhar para meus pés cheios de lama e marcando o chão da igreja. Entre as buzinas estridentes dos carros, cães latindo, galos cantando e o sempre presente autofalante anunciando produtos “frescos”, ouvia o orador informando, em espanhol, em que sala deveríamos entrar para a cerimônia de lava-pés. Lynette, minha querida amiga hondurenha, inclinou-se para perguntar se poderia lavar meus pés. Minha resposta afirmativa e confiante não combinava com o olhar hesitante em meu rosto. Enquanto forçava acomodar meu pé, muito grande, na bacia, não pude evitar a visão de quão rápido a cor da água se tornava barrenta. Esperando a costumeira lavada de dois segundos, fiquei surpresa quando Lynette começou a lavar cuidadosamente meus pés com água, e gentilmente tirar o barro. Ela esfregou entre meus dedos e ao redor das unhas por alguns minutos, até se certificar de que toda sujeira havia sido retirada. Ela não precisava fazer isso! Eu pensei. Não é justo. Eu posso fazer isso! Afinal, quem iria gostar de colocar as mãos sem luvas nessa sujeira? Vagarosamente comecei a sentir que algo mudara. Comecei a engolir minhas lágrimas, quando percebi quanto amor e sacrifício ela estava demonstrando. Naquele momento, tudo começou a fazer sentido. Através daquela água barrenta ao redor dos meus pés, vi uma imagem mais clara de Jesus. Eu me vi como Pedro: autossuficiente, autoconfiante e centrado nas obras. No entanto, o exemplo de Lynette me deu, também, outra lição. Eu não podia deixar de sentir a presença de Deus me dizendo que Ele faz isso e muito mais por mim! Ele não precisava fazer isso, porque eu não mereço — mas Ele me ama! Quando senti as lágrimas começarem a rolar pelo meu rosto, orei a Deus: “Por favor, lava-me completamente! Por favor, dáme, também, um coração amoroso. Senhor, eu me entrego totalmente a Ti.” Eu não queria que aquele momento terminasse; senti Cristo tão perto de mim. Nunca havia percebido antes, como aquela cerimônia pode ser linda! Mas agora eu sei. Desde que voltei de Honduras, tenho honestamente evitado a cerimônia da humildade. A experiência genuína que tive naquela sala de reboco de barro, ainda está fresca na minha mente. Da próxima vez que eu participar, porém, planejo procurar uma desconhecida para lavar seus pés. Não do tipo bem lavado e cuidado por pedicure; mas, bem sujos, como os que tiveram de viajar por muitas estradas difíceis. Você sabe, como os pés que o meu Salvador lavou! –Carissa McSherry, Estados Unidos

“Eis que cedo venho…”

Nossa missão é exaltar a Jesus Cristo, unindo os adventistas do sétimo dia de todo o mundo numa só crença, missão, estilo de vida e esperança. Editor Adventist World é uma publicação internacional da Igreja Adventista do Sétimo Dia, editada pela Associação Geral e pela Divisão do Pacífico Norte-Asiático. Editor Administrativo Bill Knott Editor Associado Claude Richli Gerente Internacional de Publicação Chun, Pyung Duk Comissão Editorial Ted N. C. Wilson, presidente; Benjamin D. Schoun, vice-presidente; Bill Knott, secretário; Lisa Beardsley; Daniel R. Jackson; Robert Lemon; Geoffrey Mbwana; G. T. Ng; Daisy Orion; Juan Prestol; Michael Ryan; Ella Simmons; Mark Thomas; Karnik Doukmetzian, acessor legal. Comissão Coordenadora da Adventist World Lee, Jairyong, presidente; Akeri Suzuki; Kenneth Osborn; Guimo Sung; Chun, Pyung Duk Editor-Chefe Bill Knott Editores em Silver Spring, Maryland, EUA Lael Caesar, Gerald A. Klingbeil (associate editors), Sandra Blackmer, Stephen Chavez, Wilona Karimabadi, Mark A. Kellner, Kimberly Luste Maran Editores em Seul, Coreia do Sul Chun, Jung Kwon; Park, Jae Man Editor On-line Carlos Medley Coordenadora Técnica Merle Poirier Colaborador Mark A. Finley Conselheiro E. Edward Zinke Assistente Executiva de Redação Rachel J. Child Assistentes Administrativos Marvene Thorpe-Baptiste Alfredo Garcia-Marenko Atendimento ao Leitor Merle Poirier Diretor de Arte e Diagramação Jeff Dever, Fatima Ameen Consultores Ted N. C. Wilson, Robert E. Lemon, G. T. Ng, Guillermo E. Biaggi, Lowell C. Cooper, Daniel R. Jackson, Geoffrey Mbwana, Armando Miranda, Pardon K. Mwansa, Michael L. Ryan, Blasious M. Ruguri, Benjamin D. Schoun, Ella S. Simmons, Alberto C. Gulfan Jr., Erton Köhler, Jairyong Lee, Israel Leito, John Rathinaraj, Paul S. Ratsara, Barry Oliver, Bruno Vertallier, Gilbert Wari, Bertil A. Wiklander. Aos colaboradores: São bem-vindos artigos enviados voluntariamente. Toda correspondência editorial deve ser enviada para: 12501 Old Columbia Pike, Silver Spring MD 209046600, EUA. Escritórios da Redação: (301) 680-6638

E-mail: worldeditor@gc.adventist.org Website: www.adventistworld.org Adventist World é uma revista mensal editada

simultaneamente na Coreia do Sul, Brasil, Argentina, Indonésia, Austrália, Alemanha, Áustria e nos

Estados Unidos. Vol. 7, No. 10

Outubro 2011 | Adventist World

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O Lugar das

PESS Q U E

L U G A R

AS

É

E S T E ?

FRASE

DO

MÊS

“A verdadeira missão é ir aonde as pessoas estão e ajudá-las a resolver seus problemas” –Pastor Busi Khumalo é diretor do Departamento de Jovens e Capelania Advenitsta da Divisão África Oceno Índico, enfatizando o importante papel dos jovens envolvendo-se com a comunidade. F O T O

VIDA ADVENTISTA Certo homem estava pregando um sermão, com tradutor. O sermão estava alcançando o seu clímax, quando o pregador disse: “Igreja de Deus, Zacarias subiu numa árvore para ver Jesus!”

E N V I A D A

P O R

N N A D O Z I E

W O G U

Percebendo o equívoco, o tradutor cochichou no ouvido do pregador: “Não foi Zacarias, foi Zaqueu.” O pregador pensou rápido e disse imediatamente: “Está bem! Então Zacarias desceu da

árvore e Zaqueu subiu para ver Jesus.” –Tovimbanashe Sayi, atualmente na Universidade Adventista das Filipinas, relatando um fato ocorrido em um acampamento jovem adventista, no Zimbábue.

CAIXA DE ENTRADA Você sabia que a Adventist World está sendo usada para o evangelismo? Recentemente, descobri o grande alcance de algo que muitos de nós consideramos só internamente. Neste verão, enquanto liderava um grupo de 14 jovens e seus patrocinadores da Associação da Pensilvânia, que foram auxiliar uma campanha evangelística da ShareHim, em Honduras (sou o presidente da associação), observei o pastor distrital local distribuindo revistas Adventist World (em espanhol) para os membros de sua igreja e, especialmente, para os que não são adventistas do sétimo dia. Tive o privilégio de observar como alguns interessados liam, avidamente, toda a revista. Que grande trabalho em prol da mensagem adventista a Adventist World está realizando no mundo! –Ray Hartwell, Reading, Pensilvânia, Estados Unidos

R ESP O S TA : Em Deido, Douala, Camarões, Nnadozie Wogu, estudante de teologia da Universidade Babcock, na Nigéria, posa com seus melhores amigos na igreja a qual serviu, enquanto colportava (vendia literatura evangélica) durante o verão de 2010, em Camarões.


2011-1010AW portuguese