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COMPLEXO ESPORTIVO

RELATÓRIO DE PESQUISA Arq/Urb/Católica SC

[TCCI]

ADRIAN SCHOLZE

Orientador: THIAGO MASO


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SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO...........................................................................................................................................................2 2 DELIMITAÇÃO DO TEMA......................................................................................................................................3 2.1 JUSTIFICATIVA.......................................................................................................................................................5 3 OBJETIVOS..................................................................................................................................................................8 3.1 OBJETIVO GERAL..................................................................................................................................................8 3.2 OBJETIVO ESPECIFICO .......................................................................................................................................8 4 METODOLOGIA DE DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO..................................................................................................................................................................................8 4.1 PESQUISA BIBLIOGRÁFICA.................................................................................................................................8 4.2 REFERÊNCIAS..........................................................................................................................................................8 4.3 PROGRAMA.............................................................................................................................................................8 4.4 TERRENO..................................................................................................................................................................8 4.4.1 Levantamento socioeconômico.............................................................................................................................8 4.4.2 Levantamento espacial..........................................................................................................................................8 4.4.3 Levantamento Ambiental.......................................................................................................................................9 5 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA...............................................................................................................................9 5.1 DEFINIÇÕES DO ESPORTE...................................................................................................................................9 5.1.1 Esporte educação....................................................................................................................................................9 5.1.2 Esporte participação..............................................................................................................................................9 5.1.3 Esporte performance.............................................................................................................................................9 5.2 INCLUSAO SOCIAL................................................................................................................................................9 5.3 ESPORTE COMO FERRAMENTA DE INCLUSAO SOCIAL.........................................................................10 5.4 INFLUENCIA DA QUALIDADE DOS ESPAÇOS DE LAZER NA COMUNIDADE..................................10 5.5 INFLUENCIA DA QUALIDADE DOS ESPAÇOS ESPORTIVOS COMO PERFORMANCE DE ALTO RENDIMENTO.............................................................................................................................................................10 6 REFERENCIAIS TEÓRICOS E CONCEITUAIS .............................................................................................12 6.1 ESTUDO DE CASOO ARCO BANDAR IMBAY OU.............................................................................................................................12 6.2 ESCENÁRIOS DEPORTIVOS...............................................................................................................................13 6.3 ESTUDO DE CASO COMPLEXO MULTIESPORTIVO ANTONY.....................................................................................................14 6.4 ESTUDO DE CASO O CUBO D’ÁGUA 7 DEFINIÇÃO DO PROGRAMA .............................................................................................................................16 8 DEFINIÇÕES GERAIS DO PROJETO...................................................................................................................20. 8.1 AGENTES DE INTERVENÇÃO E SEUS OBJETIVOS ....................................................................................20 8.2 CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO ..........................................................................................................20 8.3 DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES........................................................................................................................20 9 LEVANTAMENTO DA ÁREA DE INTERVENÇÃO .........................................................................................21 9.1 MORFOLOGIA URBANA E RELAÇÕES FUNCIONAIS, LOCAIS E URBANAS......................................21

9.2 USO DO SOLO E ATIVIDADES EXISTENTES ...............................................................................................23 9.3 POTENCIAIS DINÂMICAS DE TRANSFORMAÇÃO, DEMANDAS E TENDÊNCIAS ..........................23 9.4 SISTEMA DE CIRCULAÇÃO VEICULAR E PEATONAL, HIERARQUIA CAPACIDADE E DEMANDA POR ESTACIONAMENTO..................................................................................................................................25 9.5 QUALITATIVOS E QUANTITATIVOS DE POPULAÇÃO RESIDENTE.....................................................25 9.6 MICROCLIMA E INSOLAÇÃO............................................................................................................................26 10 CONDICIONANTES LEGAIS .............................................................................................................................27 11 REFERENCIAS .......................................................................................................................................................28


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1 INTRODUÇÃO O esporte é uma importante ferramenta social que desempenha papel fundamental no desenvolvimento de um país, pois aproxima pessoas e promovendo exercícios físicos e mental, ensinando-lhe boas maneiras como por exemplo, trabalho em equipe, competitividade e socialização. Entretanto a exclusão social, o lado oposto da inclusão que a pratica de esportes oferece, é um fator decorrente na nossa história, o ato de excluir algum individuo ou um grupo de determinado setor da sociedade é tratado no mundo inteiro. O esporte não somente instiga o desenvolvimento da cidadania, mas também promove é uma via de trabalho, quando atleta ou outro profissional da área do esporte. Em Joinville, capital industrial do estado de Santa Catarina se depara

2 DELIMITAÇÃO DO TEMA com a falta de investimentos no esporte como ferramenta de auxilio na inclusão social e também no alto rendimento, o cenário esportivo da cidade fica aquém dos requisitos mínimos para formar um atleta prata da casa. A pesquisa se desenvolve em uma proposta de implementação de um Complexo de esportes que desenvolva as premissas de proporcionar a busca pela excelência no esporte oferecendo ambientes de treinamentos modernos para preparar um atleta para profissionalismo, e que seja uma alternativa válida ocupacional e de inclusão social, seguindo ou não a carreira no esporte. O ponto de partida do projeto é a integração com a comunidade, amarrando os usos elencados a necessidade da cidade.

Figura: Garoto de Juquiá, comunidade de Joinville. Fonte: Joinville Coletivo Metranca

A exclusão social é um problema decorrente na história, trata-se de uma privação ou um processo de afastamento de algum indivíduo ou um grupo de variados âmbitos da sociedade. A desigualdade econômica e o preconceito generalizado de etnias são exemplos de exclusão, que hoje é um dos principais problemas enfrentados pela maioria dos países. De acordo com Costa (1998), WO resultado é o das pessoas desfavorecidas perderem o estatuto de cidadania plena, ou seja, em outras palavras, de se verem impedidos de participar nos padrões de vida tidos por aceitáveis na sociedade em que vivem. Joinville apesar de ser a cidade com maior população do estado de Santa Catarina e estar no topo do ranking dos municípios catarinenses com o maior PIB, segundo pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE (2010), nas últimas décadas apresentou um índice de desigualdade social melhor do que a média Brasileira. Para medir esse índice, foi utilizado o coeficiente de Gini que é uma medida usada em todo mundo para calcular a desigualdade de distribuição de renda. Ele consiste em um número entre 0 e 1, onde 0 corresponde à completa igualdade de renda, e todos têm a mesma renda, até 1, correspondendo à completa desigualdade, onde

uma pessoa tem toda a renda e as demais nada têm. Joinville apresentou em 2010 0,4919, enquanto no Brasil o índice é 0,544. Sendo assim, Joinville apresenta média menor de desigualdade do que a média brasileira. Entretanto, o município não fica fora da lista das cidades que enfrentam o problema da exclusão social, visto que bairros inteiros sofrem com a exclusão, como por exemplo, o Jardim Paraíso, Paranaguamirim, Morro do Meio, Zona Industrial Norte, Vila Cubatão e Espinheiros, segundo Silva (2016), esses bairros são alguns dos locais onde a renda média é mais baixa em Joinville, existindo ainda comunidades, como a de Juquiá que sequer estão nos mapas das cidades. A alta desigualdade ainda gera outros importantes reflexos sociais, sendo Jardim Paraíso e o Panaguamirim os líderes da lista de homicídios (ANOTICIA, 2015). Diante disso, os moradores sofrem com o preconceito socioeconômico, pois as


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pessoas que possuem uma renda baixa vivem uma realidade onde o acesso aos serviços básicos é dificultado, uma vez que se deparam constantemente com a precariedade no atendimento a educação e a saúde. O lazer dos jovens, geralmente, acontece nas ruas do bairro com suas poucas opções de divertimento. Esta situação continua na vida adulta, por exemplo, na hora de conseguir um bom emprego, por não terem tido a educação de qualidade, são aceitos em trabalhos pesados e com remuneração baixa. Dentre as alternativas de inclusão social, uma delas é o esporte, que tem a capacidade de contribuir com políticas de inclusão social, estimulando o desenvolvimento de uma cidadania ativa e responsável, com atividades

construtivas, desviando crianças do envolvimento com práticas antissociais. Segundo Tubino (2001), existem três classificações para a compreensão da atividade esportiva, a primeira seria o esporte como educação, que auxilia na formação de cidadania do indivíduo; a segunda seria esporte como participação, praticados como lazer e saúde; a terceira é o esporte como performance, que tem tendência de ser praticado por talentos esportivos, que são tidos como exemplos para aqueles que praticam ainda esportes como educação. Apesar da importância do esporte, no Brasil ele só passou a ser reconhecido a partir da década de noventa, com a criação do ministério dos esportes, ou seja, é uma ferramenta pouco desenvolvida e pouco explorada

Foto: Participante do projeto de iniciação no esporte no Ceará Fonte: Socialsporte


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no nosso meio. Ainda assim, vários expoentes no esporte em diversas modalidades se destacaram como atletas, como por exemplo, Gustavo Kuerten no tênis, Cesar Cielo na natação, Oscar Schmidt e Hortência Marcari no basquete e, Rafaela Silva no Judô, medalhista de ouro nas olimpíadas do rio em 2016. Nomes reconhecidos mundialmente, mas no Brasil diminuído na sombra do “País do Futebol”. Em Joinville existem projetos na área do esporte, um deles chamado de Programa de iniciação Desportiva (PID), que por sua vez por falta de incentivos não atende à demanda da comunidade, muito menos tem a premissa de oferecer um esporte como educação ou participação. Por serem núcleos instalados

em diversos locais e estabelecimentos da cidade, como por exemplo, escolas fechadas com muros e portões, que por sua vez exclui a sociedade do que acontece dentro dos seus muros, não apresentando nenhuma. Esses espaços não oferecem muito mais do que apenas esporte, sem outras opções de lazer, e como consequência, as crianças que não se identificam com a atividade e que não tem o potencial competitivo, acabam largando o esporte. Contudo jovens promissores são descobertos todos os anos e em diferentes modalidades em Joinville. A prova disso é o desempenho do município nos Joguinhos Abertos de Santa Catarina, competição estadual das categorias de base que mobiliza cerca de 220 cidades do estado e 13.000 mil adolescen-

Foto: Rafaela Silva após vitória da final olímpica Rio 2016 Fonte: Globoesporte


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tes, criado em 1987, na qual a cidade venceu o título 10 vezes nos últimos 12 anos. Porém a qualidade de espaços para o desporto amador tampouco chega a ser o mínimo necessário para criar um atleta de ponta prata da casa, uma vez que se depara com a falta de um ambiente adequado de treinamentos, quando o atleta sai da base, o caminho para seguir carreira no esporte torna-se bem mais estreito. Na fase adulta, os incentivos não são os mesmos, e muitos atletas precisam mudar de cidade ou então desistir do sonho de ser um atleta profissional. Uma consequência disto é

que Joinville não tem e não teve no passado representante em jogos olímpicos residentes na cidade.

2.1 JUSTIFICATIVA O esporte é um fenômeno sociocultural com diferentes formas de manifestação, de acordo com o sentido e a modalidade da prática. O sentido se define pelo objetivo e significado que os participantes dão à atividade e diferencia-se em

esporte de alto rendimento e atividade de lazer ou educação. Também é um fenômeno heterogêneo e em constante transformação, transmitindo valores e ensinando regras de acordo com suas formas de manifestação, seja qual for sua escala de participação e comprometi-

Foto: Polo de iniciação no judô Associação de pais e amigos de Joinville, Professor Adrian Scholze. (2015) Fonte: Acervo Pessoal

Foto: Apresentação núcleo judo PID nas escolas. (2015) Fonte: Acervo Pessoal


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acesso a pratica de todas as pessoas. O esporte é um direito de todos, como meio de democratização. (TUBINO – M.J.G., 2001).

A relevância de se propor um espaço de inclusão social através do esporte, a partir de um projeto de arquitetura esportiva em bairros onde o índice de exclusão social é maior em Joinville, justifica-se pelo fato de que,

as políticas de inclusão existentes não atendem à demanda e também o fato de que nenhuma das comunidades levantadas dispõe de um projeto dessa magnitude, onde o esporte e a arquitetura serão tratados como um instrumento social. Inserir um espaço esportivo com a responsabilidade de oferecer ocupação, educação e profissão para crianças, jovens e adultos é de suma importância

Figura: integração social por meio do esporte Fonte: Rio lança projeto Cidades da Copa

mento. Assim, percebe-se o esporte como uma ferramenta essencial para a formação social dos indivíduos, além de tirar uma criança da rua, ensina princípios básicos para convivência, é benéfico para a saúde. Segundo Thomassin (2010), existe uma expectativa de que, através de vivências no esporte, crianças e adolescentes aprendam conteúdos simbólicos e

comportamentos sociais para suas vidas, bem como tenham contato com novas perspectivas do futuro. Segundo o autor: O esporte é para todos, tem significado social meio a socialização, desenvolve a consciência comunitária, é uma atividade de prazer e equilíbrio social. A democratização do esporte é assegurar a igualdade de

Foto: apropriação do espaço da quadra de basket locada no campus of De Uithof for Utrecht University, Fonte: De Uithof for Utrecht University


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para a cidade. Segundo o ministério do esporte: O esporte e a pratica regular de atividades físicas são instrumentos de desenvolvimento humano e de melhoria da qualidade de vida de toda a sociedade. O acesso a atividades de esporte e lazer, em nosso país, deve ser assegurado para todas as pessoas, independente de idade, de gênero ou de raça. (MINISTÉRIO DO ESPORTE, 2006).

A inclusão por meio do esporte não pode ser uma mera oferta de oportunidades de diversão e lazer. Mesmo o esporte como participação e o esporte como educação de Tubino (2001) não podem ser apenas compreendidos como atividades lúdicas de recreação, visto que além de uma pratica social, é uma oportunidade de dedicação ocupacional e profissional, caso seja seguido o caminho de atleta, ou outra profissão na área esportiva. Considerando-se que em Joinville o esporte não é tratado como um potencial de inclusão social, o complexo através de sua arquitetura esportiva pode oferecer estrutura adequada de treino e servir como exemplo e motivação para a criança que um dia almeja ser atleta profissional, sendo o exemplo que ela consiga enxergar atletas prata da casa em um mesmo ambiente e motivação para que um dia ela possa ser esse exemplo. Assim além do propósito de ser um meio para alcance de fins sociais, busca a opção de vida de dedicação esporte como meio profissional, uma arquitetura esportiva de pode oferecer as crianças e jovens uma oportunidade efetiva de escolha do esporte como ocupação.

Figura: Michael Phelps incentivando crianças a praticarem esporte Fonte: Uol


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3 OBJETIVOS

tica envolvida. Serão estudadas através de levantamentos bibliográficos as relações arquitetônicas dos 3.1 OBJETIVO GERAL Projetar um Complexo esportivo para espaços em relação a pratica esportiva e ao procrianças, jovens e adultos como alternativa de jeto de espaços para tal prática. inclusão social na cidade de Joinville, Santa Cata4.2 REFERÊNCIAS rina. 3.2 OBJETIVO ESPECÍFICO a) Proporcionar uma arquitetura que seja referência e que traga identidade para comunidade. b) Propor um local de busca pela excelência no esporte. c) Projetar ambientes que proporcionem integração com a comunidade. d) Oferecer uma alternativa válida para a inclusão social por meio do esporte.

4 METODOLOGIA DE DESENVOLVIMENTO DO PROJETO 4.1. P Estudo de conceitos teóricos e históricos específicos relacionados ao tema principal do projeto abordado por temas da área da sociologia e do esporte, são eles: Arquitetura esportiva em comunidades; Inclusão social; Esporte como ferramenta de Inclusão Social. Esta análise será feita com o intuito de conceituar o complexo, para fins de que o projeto justifique a problemá-

ção será em sua maioria jovem.

4.4.2 Levantamento Espacial Análise de critérios espaciais e legais para a ocupação do terreno, buscando um terreno com área e dimensões compatíveis com o uso proposto; seguindo a legislação urbana; levantando seus aspectos viários, de acessibilidade, infra-esAnálise referências para geração de dados proje- trutura e mobilidade. tuais, serão feitas as seguintes analises dos temas: analise de complexos esportivos em relação à 4.4.3 Levantamento ambiental. sua arquitetura e implantação urbana; analise de Análise de aspectos ambientais dos terreprogramas similares; estrutura de grandes vãos; nos levantados no item 3.4.1 da metodologia, tais analise de materiais e técnicas construtivas. como: Topografia do terreno; predominância de ventos; Índices hidrográficos; Levantamento da 4.3 PROGRAMA mata nativa existente no local; Implicações destes Estudos de casos e da coleta de dados fatores no projeto do complexo. serão desenvolvidos programas de necessidades, e o programa do complexo baseado no contexto 4.5 Desenvolvimento de projeto social demográfico e na conceituação do projeto, Desenvolvimento do projeto do Complexo abrangendo itens relevantes para a inclusão social Esportivo, seguindo as etapas explanadas na metodos usuários, a forma com que a comunidade irá dologia, são elas: desenvolvimento do programa; ocupar os espaços projetados e a utilização deles estudos de organização e fluxo; definição do parem diferentes horários. tido; estudos preliminares; desenvolvimento do anteprojeto arquitetônico do Centro Esportivo; 4.4 TERRENO requalificação paisagística e do entorno; requalifi4.4.1 Levantamento Socioeconômico. cação do desenho urbano do entorno imediato. Análise de aspectos econômicos e sociais de Joinville, estabelecendo critérios que irão fornecer os dados para a escolha do terreno, são eles: o local de intervenção terá as características de um bairro carente; será um bairro predomi- 5 FUNDAMENTAÇÃO TEÓnantemente residencial; a faixa etária da popula-


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RICA 5.1 DEFINIÇÕES DO ESPORTE Esporte é uma atividade competitiva institucionalizada que envolve esforço físico vigoroso ou o uso de habilidades motoras relativamente complexas por indivíduos. (BARDANTI, VALDIR, 2006). Segundo Helal (1990) jogar uma partida de final de copa do mundo não é denominado apenas um jogo, mas sim um esporte, porém um a definição para um jogo descomprometido em casa na quadra particular com os amigos é uma brincadeira descompromissada com a bola. Segundo o autor, praticar um esporte é praticar um jogo de alto rendimento, seguindo regras institucionalmente definidas que não estão à disposição de seus praticantes, e além delas, há normas de organização. Dizer que futebol é um esporte não se resume a dizer que futebol é um jogo. Uma partida de futebol na quadra de casa ou do bairro é sempre um jogo, mas ainda não é um esporte. As distinções de Helal tem a capacidade analítica de diferenciar o esporte das práticas lúdicas, mas são incapazes de conceituar outras dimensões da pratica esportiva. Para Tubino (2001), além do esporte como prática institucionalizada, caracterizada pela alta organização orientada à competição e busca do máximo rendimento, há duas outras formas. O autor afirma que o esporte consiste em três dimensões, sendo elas: o esporte como educação, o esporte como participação e

o esporte como performance. Para Tubino (2001), o esporte tem um significado social implícito, e é claro, para todos. O esporte para o autor, desenvolve a consciência comunitária e é uma atividade de prazer e equilíbrio social. Há vantagens na tripla distinção de Tubino (2001). Ela nos permite capturar práticas que, segundo Helal, acham-se agrupadas de forma indistinta sob a categoria única do jogo. Nossos adolescentes, adultos e escolares estariam jogando futebol, mas não estariam, por outro lado, praticando nenhum esporte. Mas um objetivo de Tubino com sua tripla distinção é claramente ético, segundo o autor, quando se fala em direito ao esporte, esporte para todos, ou em inclusão através do esporte, estamos falando da oportunidade de praticá-los sob alguma dessas dimensões. 5.1.1 Esporte Educação No que diz a respeito ao esporte educação, deveria ter um conteúdo fundamentalmente educativo. A prática esportiva como educação social é indispensável no desenvolvimento da personalidade, nos processos de emancipação e na formação da cidadania. 5.1.2 Esporte Participação Já no esporte de participação, o prazer lúdico e o bem-estar social do participante estão mais presentes, nele há relação direta com o lazer e o tempo livre, sem obrigações, com diversão e

empolgação. 5.1.3 Esporte Performance E por fim no esporte como performance, é de suma importante a sua prática, pelos efeitos que exerce sobre a sociedade. Nele a tendência é de ser praticado por talentos esportivos, porém, isso o impede de ser uma manifestação democrática. Apesar disto, esta categoria é muito importante na produção de exemplos para a sociedade, uma vez que é produzido um grande atleta, este é tido como motivação para os demais. Segundo Rubio (2001), em uma sociedade que valoriza o vencedor, a vitória, a ascensão - impondo um padrão de comportamento que reconhece o mais forte e o mais habilidoso, aquele que chegar ao topo servirá como exemplo para os demais. Em alguns casos esse vínculo se torna tão forte que como um fato social, é um dos responsáveis por alimentar o sonho de algum espectador um dia ocupar o lugar que hoje pertence ao ídolo. 5.2 INCLUSÃO SOCIAL Thomassim (2013) defende que toda criança moradora de um bairro carente é potencialmente, um alvo de uma ação social, as atividades são tratadas pelas famílias como alternativa para sanar demandas ligadas aos cuidados e ocupação das crianças. Mas a oferta também estimula a busca das famílias e das crianças por oportunidades de aprendizados, pela realização de projetos pessoais ou ainda por experiências novas em meio aos


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Figura: espaços esportivos na Tailândia, ocupados de forma inusitada. Fonte: World’s First Non-Rectangular Football Field That We Created In Thailand

grupos de amizade. 5.3 ESPORTE COMO FERRAMENTA DE INCLUSAO SOCIAL Conforme Lovisolo (2006), existem alguns modos de inserir um indivíduo na sociedade, promovendo a inclusão social, entre elas, se destacam as atividades esportivas. O esporte é apresentado como fator preventivo da criminalidade, saída da marginalidade, um espaço democrático de igualdade predestinado a possibilitar o aprendizado e exercício da cidadania e também ajuda a manter a ordem social, ensinando o respeito, a obediência e a disciplina, assumindo assim uma função social. Portanto, analisando o esporte como agente educacional, como meio de propiciar uma maior inclusão

dos indivíduos. Um dos fatores que implicam a essa afirmação é que o esporte como agente educacional influência no desempenho escolar, Para Ribeiro (2001), quando alguém muda o corpo, muda também sua cabeça e suas emoções, uma vez que jovens mais ativos, demonstram mais disposição para realização de suas tarefas diárias. Sendo assim, uma maior escolaridade aumenta os salários das pessoas, diminui a propensão ao crime, melhora a saúde e diminui a probabilidade de ficar desempregado. 5.4 A INFLUENCIA DA QUALIDADE DOS ESPAÇOS ESPORTIVOS DE LAZER NA COMUNIDADE. O espaço para a pratica esportiva é uma variável, sendo um local que se materializa de forma inusitada. As praças e parques são ocu-

pados por pessoas que depositam no espaço público uma diversidade de usos, que vão desde o praticar alguma atividade esportiva até o simples e tão necessário descanso. Segundo Dumazedier (1980) uma das principais preferências para execução de atividades ao ar livre têm sido as atividades esportivas. Apesar de, em alguns casos, esta demarcação ser bastante nítida, como uma cancha de futebol ou uma pista de skate, há outros em que o limite não se dá de forma tão precisa. Há espaços livres que permitem sua utilização para uma caminhada, ginástica, andar de bicicleta e jogar bola sem preocupações. Neste sentido, as necessidades de espaços precisam levar em consideração a possibilidade de diversificação de práticas esportivas e a inclusão de outras variáveis como os acessos e a qualidade do espaço material. Ainda a forma dos espaços e da arquitetura do projeto é fundamental para a valorização do espaço, e na maneira com que ele se relaciona com o entorno e com a cultura. 5.5 A INFLUENCIA DA QUALIDADE DOS ESPAÇOS ESPORTIVOS COMO PERFORMANCE DE ALTO RENDIMENTO. Para o esporte de alto rendimento, é importante o desenvolvimento da motivação, visto que os determinantes externos que influenciam o atleta estão relacionados com o meio social em que ele está inserido que se manifestam na forma de incentivos e dificuldades. Segundo Samulski (1992), a motivação consiste na capacidade desenvolvida pelo próprio atleta para a realização de um interesse. Esses determinantes podem ser designados como vontade e determinação, que muitas vezes podem


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contrastar com situações externas que dificultariam seu cumprimento. Como por exemplo, a falta de estrutura ou local adequado para treinamentos. A forma com que a arquitetura transforma o ambiente esportivo deriva das regras do esporte e não modifica as dimensões dos espaços, uma vez que o esporte tem pré-estabelecidas as medidas e geometrias de quadras, campos, tatames, pistas, etc. Entretanto, a arquitetura específica pode se desenvolver em ambientes de apoio às áreas de treinamento como arquibancadas, vestiários ou ambientes externos - espaços onde a arquitetura é o diferencial. A arquitetura passa a exercer a função de segurança do público usuário, uma vez que o projeto tem relação direta com a segurança dos atletas que usam o espaço. Assim, nesse tipo de projeto, todo detalhe precisa ser bem pensado, desde a orientação no terreno com a preocupação de conforto térmico e a incidência de raios solares, o conforto acústico em ginásios ou até mesmo a importância que o piso de uma quadra exerce na segurança dos atletas, se ele for de má qualidade, por exemplo, poderá acarretar lesões ou ferimentos em caso de quedas.


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6 REFERENCIAIS TEÓRICOS E CONCEITUAIS 6.1 O ARCO BANDAR RIMBAYUO Arquitetos: Garis Architects Localização: Periwinkle, Bandar Rimbayu, Selangor, Malásia Ano do projeto:2014 ____O estudo de caso Arco em Bandar Rimbayu, é analisado com o foco na implantação das intervenções paisagística e conceituais do complexo, visto que o projeto é concebido com a intenção de proporcionar abrigos para atividades comunitárias e em paralelo tem a uma função ambiental empregada na concepção do complexo. A solução para a cobertura responde a necessidade de manter o espaço coberto resfriado através de alternativas sustentáveis, sendo assim, a cobertura contém um isolamento térmico com vegetação, substituindo a vegetação original do térreo por um novo ecossistema, isolando e filtrando a água da chuva que é coletada na própria cobertura. A água é canalizada através de cada coluna onde crescem

espécies trepadeiras, promovendo um resfriamento evaporativo à medida que passa o vento. Isso simula o processo da natureza e atua como elemento demonstrativo educativo de como o ambiente natural funciona. Toda essa agua da chuva coletada gera o canal recreativo que podem ser reutilizados como irrigação para o paisagismo. Além disso, a cobertura proporciona espaço aberto para recreação. A abordagem conceitual em relação à sustentabilidade considera pontos de consciência comunitária em relação ao programa, cada solução é projetada para servir não só para o fim construtivo, mas sim o Arco é projetado para ser uma vitrine de educação evolutiva e viva de abordagem sustentável. Fonte: O Arco em Bandar Rimbayu / Garis Architects


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6 REFERENCIAIS TEÓRICOS E CONCEITUAIS 6.2 ESCENÁRIOS DEPORTIVOS Arquitetos: PlanB Arquitetura Localização: Medellín, Colômbia Ano: 2009 Área: 30.694 m2 Como estudo de caso referente a tecnologias de construção e coberturas de grandes vãos, o projeto estudado foi do escritório colombiano PlanB arquitetos. Escenários Deportivos conta com uma implantação dos espaços que possibilita que as atividades funcionem como unidades independentes, uma vez que o programa é fragmentado e amplo, criando também espaços livres onde o público se apropria desse para possíveis atividades de lazer. O complexo define em cada programa e suas zonas de competência respeitando a escala urbana, uma vez que as coberturas se elevam para obter a altura adequada para cada atividade sem necessidade de construir edifícios de grande escala que impactam o con-

texto urbano. A forma dos edifícios provem da definição da estrutura, para isso optou-se por uma estrutura modular que permite otimizar o processo de fabricação e montagem. A estrutura da cobertura é feita de chapas metálicas locadas de cinco em cinco metros fixadas em vigas treliçadas apoiadas em colunas de concreto reforçado localizados nas extremidades que permitem vencer grandes vãos dos ginásios. Cada viga disposta a cada cinco metros tem uma forma e inclinação diferente, criando grandes rasgos que permitem a incidência de luz natural.

Fonte: Cenários Esportivos / Giancarlo Mazzanti + Felipe Mesa (plan:b)


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6 REFERENCIAIS TEÓRICOS E CONCEITUAIS 6.3 COMPLEXO MULTIESPORTIVO ANTONY Arquitetos: Archi5 associados com Tecnova architecture Localização: Rue de l’Annapurna, 92160 Antony, França Área: 3989.0 m² Ano do projeto: 2011 O Complexo Esportivo Antony do escritório francês Archi5, escolhido como referência de técnica construtiva, comtempla um programa esportivo de 3.989 m² projetado no ano de 2011 com os seguintes espaços esportivos: sala de esgrima e de tênis de mesa, sala de dança, sala de artes marciais e um campo de futebol exterior. O projeto também abrange questões interessantes de sustentabilidades como aproveitamento da luz natural, uso de placas de energia solar e reaproveitamento de águas pluviais. Segundo o escritório a estratégia do projeto é fomentar a curiosidade do público visitante, com sua forma de monólito inserido no contexto tradicional. Seu acesso é feito por um

grande rasgo inclinado em uma dos vértices do cubo. Conforme estudo feito sobre as práticas de aproveitamento de luz natural do Complexo Antony, apesar de ser uma forma de um cubo totalmente rígido o projeto contempla alternativas sustentáveis com o aproveitamento da luz natural em grandes aberturas em claraboias fixadas na estrutura metálica da cobertura, e também painéis verticais locados nas janelas refletem a luz permitindo a incidência da luz nos ambientes adaptada aos esportes praticados nos espaços.

Fonte: Complexo Multiesportivo Antony / Archi5 associados com Tecnova architecture


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6 REFERENCIAIS TEÓRICOS E CONCEITUAIS 6.4 CUBO D’ÁGA Arquitetos: PTW Architects Localização: Pequim - China Ano: 2008 Neste estudo de caso foi estudado a relação do público com o uso do projeto após os jogos olímpicos, e a implantação de um programa dessa complexidade em meio ja consolidade e com caracteristicas locais fortes. Segundo o arquiteto o estádio nacional de Pequim foi projetado para receber as provas aquáticas durante os jogos olímpidos de Pequim em 2008, situado em uma área já consolidada sendo a maior dificuldade do projeto é a proximidade com o estádio nacial Birds Nest. O projeto segue uma linha filosófica chinesa que diz que o céu é redondo e a terra é quadrada. Depois de um ano após os jogos olimpicos um novos escritório fo contratado para renovar o projeto e reabrir-lo para o público. Hoje o cubo

d’água é considerado o maior parque aquático da ásia. O que chama atenção na requalificação do complexo são os diferentes usos que um projeto que fora destinado para competições de alto nível, pode também ser destinado para o setor público, com atividades recreativas.

Fonte: Cubo’água/ 390-watercube


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7 DEFINIÇÃO DO PROGRAMA

Seguindo os critérios adotados para a implementação do complexo, as análises feitas nos estudos de caso e levantamento de programas similares na região, foram escolhidos cinco grandes setores esportivos que irão compor o programa. Sendo eles, setor de artes marciais, setor aquático, setor de ciclismo, setor de ginástica e setor de esportes de quadra. Cada setor abrange até 3 modalidades diferentes, essas sendo apenas modalidades olímpicas com carentes de estrutura e locais de treinamento de qualidade na cidade e região. Sendo assim, no setor de artes marciais acontecerá as modalidades de judô, taekwondo e boxe. A escolha dessas atividades justifica-se pelo fato de que em Joinville as atividades de artes marciais relacionadas ao alto rendimento não possuem um

espaço próprio para desenvolver seus treinamentos. As crianças que buscam o esporte encontram dificuldades como falta de estrutura nos polos esportivos onde acontecem a iniciação esportiva. Os polos de treinamento de esportes aquáticos encontram-se localizados concentrados no centro da cidade, ou seja, as pessoas que moram em áreas mais espraiadas tem um difícil as piscinas. Outra problemática é a inexistência de locais adequados para o treino de alto rendimento e a iniciação esportiva em esportes aquáticos na região. Portanto no setor aquático acontecerá as modalidades de natação, nado sincronizado e saltos ornamentais. Já no setor de ciclismo acontecerá as atividades da modalidade de ciclismo de pista. Este pouco desenvolvido no cenário nacional, conse-

quentemente na cidade não se encontra lugares para a prática. Sendo assim, um potencial para se tornar referência em centros de treinamentos da modalidade. Hoje a cidade conta com um centro de treinos vinculado a prefeitura onde lá acontecem os esportes de quadra como handebol, futsal, voleibol e basquetebol, e também a ginastica artística, onde esses dividem o mesmo espaço. Nos dois últimos setores do complexo, a preocupação descongestionar o espaço no centro de treinamento existente trazendo para a proposta do complexo esportivo as modalidades de Handebol, voleibol e voleibol de praia para o setor de esportes de quadra. Já para o setor de ginástica, a ginastica artística oferecendo melhor estrutura de treinamento e o halterofilismo que é uma modalidade olím-

pica pouco desenvolvida na região, onde na cidade não se encontra também espaços para treinamento.


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7 DEFINIÇÃO DO PROGRAMA

22890m²

22890m²

8 anexos de apoio aos setores

22890m² Depósito Performance

1 sala de boxe

Setor de Ginástica

Ginástica

50,47%

1 sala de judo 1 sala de taekwondo

22890m²

Artes Marciais

5 salas de treinamento funcionais

Setor de esportes de Quadra

Esportes de quadra

1 sala de halterofilismo 1 sala de ginástica artistica 1 sala de trampolim 1 piscina olímpica

Setor de Artes Marciais Arquibancada

1 plataforma de saltos olímpicos 1 quadra de voleibol 1 quadra de handebol

Ciclismo

49,53% Administrativo

1 velódromo 1 alojamento 1 escritório 1 deposito de materias 1 ambulatório W1 sala de fisioterapia 5 arquibancadas

Aquático

Programa Base

Vermelho = Esportes

Ciclismo Programa Resultante

Setor Aquático

Setor de Performance Setor Administratico Alojamento

Programa Final

Para a criação do programa final, foram feitos estdos a partir do programa inicial, separando todas as atividades esportivas das áreas de apoio, resultando em praticamento metade da área seja para o setor esportivo, seja para o de apoio. O proximo passo foi separar as atividades por setor para resultar no programa final criando os setores esportivos com seus respectivos anexos necessários.


18/30 Judô

7 DEFINIÇÃO DO PROGRAMA

Voleibol

Taekwondo

Ciclismo

Administrativo

Handebol

Boxe

Setor de Ciclismo: Este setor conta com uma arena para alocação do velódromo com medidas oficiais sendo sua a federação internacional de ciclismo, sendo esse utilizada para treinos e competições. O setor ainda contém uma área destinada para arquibancadas e um anexo de apoio para vestiários, salas de professores e depósito de materiais.

Setor Administrativo: Gerenciamento e controle das atividades do complexo, contendo área destinada para recepção ao púbico, sede adiminstrativa e depósito de materiais de manutenção e limpeza do. O setor administrativo ainda conta com um refeitório para os atletas que residem no complexo, e para atletas visitantes.

Setor de Esportes de Quadra: Para este setor destaca-se as medidas de quadras oficiais de competição, seguindo a normatiza das confederações de seus respectivos esportes. e a área destinada para arquibancadas. Cada quadra contendo um anexo de apoio contendo vestiários, sala de professores e depósitos de materiais.

Setor de Artes Marciais: Cada esporte de luta requer uma dimensão específica para área de competição, seja ela orientada pela área de tatames ou pela área dos ringes. Para o espaço de treinos foram dimencionadas duas áreas de competição mais uma anexo de apoio para vestiários, sala de professores e depósitos de materiais.


19/30 Alojamento

Perfonmance

Natação+Saltos Ornamentais

Setor de Alojamento: Setor voltado para alocar atletas que residem no complexo, e atletas visitantes, o setor contempla um espaço para 50 atletas, sendo 25 masculino e 25 feminino.

Setor de Performance: Este setor comtempla atividades voltadas a melhora do desempenho e da performance dos dos atlétas, com salas de treinos funcionais, Ambulatório e salas de fisioterapia. O setor contempla mais de uma sala de treinamento funcional para atender a demanda de atletas e das modalidades elecandas no complexo.

Setor Aquático: Para este setor relaciona-se 3 piscinas com medidas oficiais para treino e competições, a segunda com medidas oficiais de uma piscina para saltos ornamentais e a terceira uma piscina com medidas menores para crianças, sendo essa usada para iniciação no esporte. O setor ainda contém um anexo de apoio para acomodação de vestiários, salas de professores e depósito de materiais. Por fim destaca-se uma área destinada a locação de arquibancadas.

Ginástica+Halterofilismo

Setor de Ginástica: Neste setor são alocados 3 esportes. Sendo eles, halterofilismo, com uma área equivalente a 8 plataformas de levantamentos de peso olímpicas para treinamentos, a ginástica de trampolim com 4 plataformas de saltos olimpicas para treinamento, e a ginástica artistica com uma área de treinamentos onde estão locados os aperelhos de argolas, cavalo com alças, barra fixa, solo, trave, barras assimétricas, salto e barras paralelas. Visto que setor abrange muitos materias de treinamento elenca-se uma área destinada a depósito desses materiais específicos e mais um anexo de apoio onde contém vestiários, salas de professores e depósito de materiais. Também é destinado uma área para a locação de arquibancadas.


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8 DEFINIÇÕES GERAIS DO PROJETO 8.1 AGENTES DE INTERVENÇÃO E SEUS OBJETIVOS O projeto do Complexo Esportivo parte de uma iniciativa privada com o incentivo do poder público por meio da lei de incentivo ao esporte, que traz como contrapartida a redução do imposto de renda do patrocinador. Como acontecem com a área de cultura, como diz a Lei nº 11.438/06 de incentivo ao esporte, as entidades privadas sem fins lucrativos não recebem diretamente os valores para utilizarem em suas atividades ou em outros fins. As doações devem ser realizadas ao Ministério do Esporte, ou a projetos por ele aprovado, uma vez aprovado o projeto, a entidade estará autorizada a captar recursos junto a pessoas físicas e a pessoas, que se beneficiarão com a dedução do imposto de renda. As pessoas físicas que contribuírem com projetos desportivos poderão deduzir até 6% do imposto de renda, enquanto as pessoas jurídicas poderão deduzir até 1% do tributo. O valor patrocinado será usada para viabilização do projeto, oque se propõe também é que seja feito um acordo com o poder público para que além de deduzir o imposto dos patrocinadores, possa ofertar os lotes da área de projeto, visto que o complexo fornecerá um grande benefício para a comunidade como um todo. 8.2 CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO Caracterizando o perfil do público usuário do Complexo Esportivo, pode-se relacionar três

diferentes escalas de fluxo, sendo eles, o público fixo, esse de funcionários da administração do complexo, o público variável por atividade, relacionado aos participantes de alguma modalidade oferecida a comunidade, e o público de eventos, sendo esse, um fluxo mais esporádico, acontecendo grande parte em eventos esportivos e da comunidade. 8.3 DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES As atividades agregadas ao projeto, elencam as três escalas de esporte abordadas por Tubino (2001), sendo elas, o esporte como educação, lazer e performance. No que diz respeito ao esporte como educação, são elencadas as atividades de oficinas de esporte em áreas específicas do complexo que servirão de polo de iniciação esportiva. Já no que diz respeito ao esporte como lazer, áreas classificadas como livre serão utilizadas para uso da comunidade, como espaços públicos de exercício e lazer ao ar livre. Por último as áreas destinadas ao esporte performance, são áreas específicas de treinamento de alto rendimento, essas áreas destinadas a formação de atletas, onde a arquitetura está diretamente relacionada a segurança e a máxima performance do atleta contemplam espaços e equipamentos projetados a partir dessa premissa.


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9 LEVANTAMENTO DA ÁREA DE INTERVENÇÃO

9.1 MORFOLOGIA URBANA E RELAÇÕES FUNCIONAIS, LOCAIS E URBANAS Para a escolha do local de intervenção foi levado em consideração alguns critérios relevantes para o tema do projeto, um complexo esportivo. Foram levantadas as características de um bairro carente e predominantemente residencial, como também a faixa etária da população em sua maioria jovem. Analisando os mapas de concentração de crianças até 10 anos e o de distribuição de renda de Joinville, conclui-se que a região sul da cidade é a área que corresponde aos critérios levantados para a escolha do terreno. Dando sequência a analise, a região onde a renda é mais baixa é onde também se encontra a maior concentração de crianças até 10 anos. Encontra-se nessa área os bairros, Itaum, Jarivatuba, Boehmerwalt, Paranaguamirim, Parque Guarani, Petropolis e na região central dessa área se

EWFonte: Acervo Pessoal

Fonte: Ippuj


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9 LEVANTAMENTO DA ÁREA DE INTERVENÇÃO

encontra o bairro João Costa, sendo essa contornada à leste pelos trilhos da via férrea, que liga nossa cidade ao Município de São Francisco do Sul. O bairro João costa está localizado em uma posição estratégica na área de interesse, sendo o bairro central. Outra particularidade da sua posição é que nesse bairro também as principais vias da zona sul se cruzam, formando uma importante centralidade, locando os equipamentos urbanos como terminal de ônibus do Itaum e o posto de saúde do Boehmerwald, delimitando assim a área recorte de preojeto. O entorno imediato da área de interesse em sua grande maioria são quadras residenciais onde as edificações não ultrapassam dois pavimentos, em vias de corredores comerciais, como acontece nas vias Monsenhor Gercino e Fátima, o térreo das edificações que possuem dois pavimentos tem predominância comercial e no segundo Fotne: Acervo Pessoal


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9 LEVANTAMENTO DA ÁREA DE INTERVENÇÃO

pavimento a predominância é o uso residencial. Essa tipologia se repete linearmente nas vias. Já nas quadras residências a predominância é de casas térreas seguindo um padrão geométrico de quadras. Grande parte das ruas são pavimentadas, porém as calçada quando existentes, não seguem um padrão nivelado, são desregulares e precárias. Levando em consideração as áreas com potencial de revitalização o perimetro da área de intervenção é delimitado contornando vias e relevos em torno dessas áreas. 9.2 USO DO SOLO E ATIVIDADES EXISTENTES Semelhante a análise da área de interesse, no perimetro da área recorte predomina-se o uso residencial. 9.3 POTENCIAIS DINÂMICAS DE TRANSFORMAÇÃO, DEMANDAS E TENDÊNCIAS. Analisando a área recorte, encontra-se um

Fonte: Acervo Pessoal


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9 LEVANTAMENTO DA ÁREA DE INTERVENÇÃO

grande vazio urbano gerado por uma série de lotes desocupados, a área também é um potencial pelo fato de que dentro desse perimetro fica uma centralidade gerada pelo fluxo intenso de equipamentos urbanos como o terminal de ônibus do Itaum e o posto de saúde do Beohmerwald. Grande parte dos vazios observados no mapa são maciços de vegetação em morros, porém a área que se destaca é a área de projeto, contento vários lotes vazios. A via principal Monsenhor Gercino tem papel fundamental na implantação do projeto, pois além de ser um corredor comercial, por ela que passam as rotas de transporte público. Um potencial acesso seria dado por essa via. A área de projeto hoje é um limite e divisor de espaços, uma vez que algumas ruas que convergem aos lotes ficam sem continuidade. Uma possível proposta de urbanização da área é interligar as quadras por meio de acessos articula-

Fonte: Acervo Pessoal


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9 LEVANTAMENTO DA ÁREA DE INTERVENÇÃO dos ao projeto. Na quadra do projeto observa-se uma unidade de lotes ocupados, são em sua maioria residências similares. Com a proposta de intervenção e a implantação do complexo esportivo, é inevitável que ocorra uma transformação urbana, ocasionando uma valorização do espaço. Com isso, uma forma de evitar a disparidade das escalas do projeto, uma potencial ideia é justamente fragmentar o volume construido do complexo ao longo dos lotes, explorando potenciais paisagísticos formados por vazios urbanos, criando permeabilidade com o entorno imediato. 9.4 SISTEMA DE CIRCULAÇÃO VEICULAR E PEATONAL, HIERARQUIA, CAPACIDADE E DEMANDA POR ESTACIONAMENTO Devido à grande centralidade gerada pelo terminal de ônibus do Itaum e do posto de saúde do Boehmerwald juntamente com o

cruzamento das principais vias do bairro, Fátima e Monsenhor Gercino, sendo essas equipadas com uma ciclo faixa, o fluxo tanto de automóveis particulares e de transporte urbano, quanto de pedestres e ciclistas é mais intenso nas vias arteriais citadas. Entretanto, nas ruas lindeiras a área de projeto – devido à sua característica residencial, o fluxo cai consideravelmente, as vias deixam de ser equipadas com ciclo faixas e algumas ainda não possuem calçamento, dificultando a circulação de pedestres e ciclistas. A demanda por estacionamento da área do recorte é baixa, sendo a maior concentração de estacionamento localizada na paróquia Nossa Senhora de Fátima, contudo são em horários e dias específicos, quando ocorre missa ou reuniões. Já com a implantação do projeto, tende a aumentar a demanda por estacionamentos, em consequências de eventos esportivos de grande escala que o

complexo pode abrigar em alguns períodos. 9.5 QUALITATIVOS E QUANTITATIVOS DE POPULAÇÃO RESIDENTE O Bairro João Costa possui uma população relativamente jovem onde cerca de 45% da população tem menos de 25 anos e apenas 7% tem mais de 60 anos, sendo 24% menor de 14 anos. Existe uma predominância da população que recebe menos de 3 salários mínimos, cerca de 92% da população, sendo a média salarial 1,5 salários mínimo/mês.

Vias Arteriais

Vias Locais

Linhas de Ônibus

Ciclofaixas

Vias Pedestres

Perspectiva

Fonte: Acervo Pessoal


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9.6 MICROCLIMA E INSOLAÇÃO Joinville possui um clima subtropical, ou seja, é uma transição do clima tropical para o temperado, com temperaturas variadas e chuvas bem distribuídas no ano, que acarreta estações bem demarcadas, com um verão quente e inverno frio, já no que se refere a ventilação, os ventos predominantes são os da direção leste, provindos da costa litorânea. egundo Brown e Dekay (2004), para climas como o de Joinville a melhor solução em relação ao conforto térmico das edificações é a ventilação cruzada, sendo essa quando os vãos de um ambiente são postos em paredes opostas ou adjacentes, no sentido dos ventos locais permitindo a entrada e saída do ar. Trazendo assim a higienização dos ambientes através da renovação do ar, e o melhor controle da temperatura interna dos ambientes. Com o programa do complexo esportivo demanda espaços abertos e de grande escala, o conforto térmico é

uma das principais diretrizes projetuais, assim como a incidência de luz natural nos ambientes de treinamento e competições. A área de projeto reslta do remembramento de 38 lotes. Os dois últimos lotes ao sul apresentam desnpivel superior a 10 m.

Trajetória Solar

Fonte: Arcervo Pessoal


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10 CONDICIONANTES LEGAIS localizado na zona AUAS, área urbana de adensamento secundário, no setor AS03, segundo a lei vigente da nova lei de ordenamento territorial a LOT/2017, as zonas de adensamento secundárias são regiões que predominantemente não apresentam fragilidade ambiental, possuem boas condições de infraestrutura, sistema viário estruturado, transporte coletivo, equipamentos públicos comprovadamente capazes de absorver a quantidade de moradores desejada, maior volume de atividades voltadas preponderantemente ao setor terciário, com possibilidade de absorver atividades ligadas ao setor secundário de baixo impacto ambiental, e existência de vazios urbanos. Segundo o Art. 58 da lei Lei Complementar nº 470/2017 (Lei de Ordenamento Territorial – LOT) Serão permitidos usos mistos em todas as Áreas, Setores e Faixas, desde que os diferentes usos estejam em conformidade com os usos admitidos para a Área, Setor ou Faixa em que

se situar. Para a área AUAS, setor SA03 são estabelecidos os seguintes critérios de índices urbanísticos: Coeficiente de aproveitamento: 2 Gabarito máximo: 15 metros Taxa de ocupação do lote: 60%. Ainda se encontram terreno no projeto propostas de faixas viárias comerciais que cruzam o terreno. Sendo essas, faixas viárias faixas onde se concentram prioritariamente os usos comerciais e de serviços, caracterizando-se como eixos comerciais ao longo das principais vias públicas, destinadas ao adensamento habitacional e populacional. A lei complementar nº 470, de 09 de janeiro de 2017 acrescenta que os lotes atingidos pela Faixa Viária somente poderão aplicar o regime urbanístico definido para esta faixa se tiverem sua testada inserida parcial ou totalmente na respectiva faixa. Conforme indica a tabela de usos, não é permitido espaços esportivos de grande

porte nos setores de adensamento secundário. Justifica-se entrar com um pedido na prefeitura para a construção do complexo, pois por ser um projeto de grande escala, ele não só qualifica o entorno, mas vale a pena elencar a falta de espaços para a pratica das atividades que serão desenvolvidas no complexo, são elas, esporte como educação, esporte como lazer, e esporte

como performance. o projeto trará para o bairro uma nova identidade, enlencando assim um papel fundamental da arquitetura na implementação do complexo esportivo.

Fonte: Ippuj


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11 REFERÊNCIAS BARDANTI,VALDIR – Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde: O que é o esporte, 2006. Cenários Esportivos / Giancarlo Mazzanti + Felipe Mesa (plan:b), disponível em: http://www.archdaily.com.br/br/0122504/cenarios-esportivos-giancarlo-mazzanti-mais-felipemesa-plan-b> acesso em: 5 mar. 2017.

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Complexo Esportivo TCCI  

Relatório de Pesquisa: Arquitetura e Urbanismo. Projeto: Complexo Esportivo Acadêmico: Adrian Scholze

Complexo Esportivo TCCI  

Relatório de Pesquisa: Arquitetura e Urbanismo. Projeto: Complexo Esportivo Acadêmico: Adrian Scholze

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