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A Revista Eye, a cada mês, vem acompanhada um encarte especial sobre novos artistas que você precisa conhecer. Através de entrevistas, um pouco de seu portfolio e de sua biografia a Eye apresenta, nessa edição, o traço inovador da jovem artista plástica e ilustradora paulistana Anna Anjos.


Conte-nos como você começou a ilustrar profissionalmente. Eu iniciei de fato minha carreira como ilustradora em meados de 2008, quando me desliguei da produtora na qual trabalhava

como colorista e designer, com o objetivo de iniciar minha carreira de ilustradora freelancer, atendendo aos mercados editorial e publicitĂĄrio.


Como é seu processo criativo e como você busca inspiração? Além de desenhar, também sou apaixonada por música, e gosto muito de trabalhar ouvindo um som bacana, porque o trabalho acaba fluindo melhor. A inspiração acontece, ao meu ver, quando há harmonia, sincronismo entre o trabalho que exercemos e nosso estado de espírito. Por isso

procuro sempre ter contato com o que, de alguma forma, me dá prazer: uma boa música, um filme interessante ou algum livro que li em algum momento. Também costumo ficar várias horas na internet pesquisando outros portfolios pra aumentar minhas referências.


Quais são suas referências para a criação do seu trabalho? Identifico-me com o surrealismo. O ludismo e o universo onírico estão quase sempre presentes em meus trabalhos, que ultimamente também têm apresentado

fortemente um vínculo com o religioso, o místico.Também tenho uma forte referência da música nordestina em meus trabalhos.Isso pode ser percebido inclusive pela predominância de cores quentes em minha paleta cromática.


Você acha que o mercado de ilustração está saturado no Brasil? Não só saturado, como também desvalorizado. Eu acredito que o profissional, seja ele de qualquer área vale por sua raridade no mercado. Não interessa se você é médico, advogado ou ilustrador: procure ser o melhor no que faz, sempre. O que acontece é que há

uma falta de profissionais na área de ilustração, que apresentem qualidade, que agreguem valor e que trabalhem por um preço justo. Quando digo “profissional”, não quero me referir à formação em um nível superior – que também é importante -, mas


sim ao empenho, à persistência, ao foco e à vontade de superação constantes, que são, sem dúvida, muito mais importantes que um diploma.


Você chegou a fazer algum curso de desenho/ilustração pois sua formação é de designer gráfica? Não, sou ilustradora autodidata. Em 2006 me formei em Design Gráfico pela Belas Artes/ SP, o que me proporcionou uma visão macro acerca

dos inúmeros caminhos da comunicação visual, através do aprendizado teórico e também mais “técnico” na área de criação.


O que você falaria para aqueles que estão começando a trabalhar com ilustração? A área de ilustração não é fácil (nenhuma o é!), ainda mais quando se está iniciando a vida profissional. O Guia do Ilustrador é sem dúvida uma excelente referência para quem quer iniciar na carreira. Além disso, há três “regrinhas” que considero fundamentais: Não espere que o trabalho bata

à sua porta. Vá a procura, busque, informe-se; Crie um portfolio bacana em versão digital, onde o cliente possa ter acesso ao seus trabalhos mais recentes; Determinação e segurança são pontos muito importantes: saiba onde quer chegar e acredite sempre em você.


Hoje você tem clientes como Ambev, Coca-Cola, Unibanco e Sadia. No início, você chegou a bater na porta das agências para mostrar seu trabalho ou foram elas que a procuraram? Quando se é recém-formado o primeiro contato com as agências geralmente parte do próprio graduado, uma vez que este ainda não tem tanta experiência no mercado e, dessa maneira, ainda não alcançou certa visibilidade.

Comigo não foi diferente: quando me formei busquei trabalho em algumas agências e estúdios como designer. Mas não estava satisfeita, pois sentia a necessidade de me desenvolver mais (artisticamente falando),


onde pudesse atuar também como ilustradora. Percebi que isso só poderia acontecer se eu me tornasse freelancer, onde eu teria a liberdade para trilhar meu próprio caminho. Desde então é o que venho fazendo.


Sobre Anna Anjos Anna Anjos nasceu em março de 1985 em São Paulo, capital. Em 2006 formou-se designer pela Belas Artes de São Paulo. Trabalhou como colorista e designer na Fábrica de Quadrinhos e Hiperquimica, e em 2008 participou da criação do projeto gráfico para o Festival


Latino-americano de Publicidade, o El Ojo de Iberoamerica. Atualmente trabalhando como artista plástica e ilustradora freelancer, atuando para os mercados editorial e publicitário, a paulistana Anna Anjos já revela os traços de uma artista madura, com um estilo original, fazendo prevalecer sua ousadia artística, inventiva e irreverente.


Encarte Anna Anjos  

Proposta de encarte para uma revista de design mostrando um pouco do trabalho da ilustradora Anna Anjos e uma entrevista dela, retirada do s...

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