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Ed i ç ã o co m em o r at iva d o an iver sá ri o de 6 0 a no s da Assoc i a çã o Di a c ô ni c a Luteran a (A DL)

A fo n s o C l á u d i o — E s p í r i to S a nto

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ABRIL DE 2016

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Expediente Publicação comemorativa do aniversário de 60 anos da Associação Diacônica Luterana (ADL)

ENDEREÇO Av. Valdemiro Nitz, 285 – Serra Pelada, Afonso Cláudio – Espírito Santo – Cep: 20.603-000 Telefone: (27) 3735-7060 www.adl.org.br CONTATOS Secretaria: secretaria@adl.org.br Setor financeiro, Superintendência e Secretaria: (27) 3735-7060 Equipe Pedagógica: (27) 99821-7060 REDES SOCIAIS twitter.com/adluterana facebook.com/associacaodiaconicaluterana youtube.com/atividadesADL instagram.com/adluterana CONTEÚDO Contatus Comunicação (27) 3089-4100 EDITORA Rita Diascanio REPÓRTERES Dinah Lopes e Lyvia Justino EQUIPE DE APOIO PARA PESQUISA Alzira Ratunde Alex Reblim Braun Nivaldo Geik Volz Paulo Jahnke Siegmund Berger Valdemar Holz Willa Buecker EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Bios (27) 3222-0645 FOTOGRAFIA Arquivos da ADL Fotos cedidas pelos entrevistados

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SUMÁRIO

Editorial Mensagem do Presidente Mensagem do Pastor Sinodal Entrevista com o Superintendente Artigos História Objetivos, Programas e Projetos Exemplos de Oportunidades Infraestrutura e Equipe

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EDITORIAL

60 anos da ADL

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o ano em que a Associação Diacônica Luterana (ADL) completa 60 anos, o tema da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IECLB propõe: “Pela graça de Deus, livres para cuidar”. Uma feliz coincidência! É o que a história da ADL demonstra. Na meditação do Mensageiro Diacônico, em 1972, o pastor Gustavo Schünemann escreveu: “No Cristianismo, o amor ao próximo é sempre resposta, eco, manifestação de gratidão ao amor de Deus”. Foi este desejo profundo de responder ao amor de Deus que levou o pastor Artur Schmidt e sua esposa Käthe a perceberem a necessidade da formação diaconal, em Serra Pelada, município de Afonso Cláudio (ES), cujo início oficial data de 22 de fevereiro de 1956. “O objetivo era conduzir jovens a Jesus Cristo, fortalecê-los na fé e despertar-lhes o amor pelo serviço na Igreja para que mais tarde pudessem servir ao seu Senhor na comunidade, num autêntico espírito diaconal-missionário” (pastor Rodolfo Gaede). O serviço ou o cuidado de amor que vê o ser humano enfermo, solitário, excluído, caído, almeja devolver e manter a dignidade que recebeu de Deus. Esse serviço, que criou corpo com a atual ADL, é fruto da grande sensibilidade para com as necessidades das pessoas no contexto capixaba. O pastor Schmidt, bem como as tantas lideranças que o sucederam nessa instituição, viram e continuam vendo a necessidade desse serviço de amor. Afinal, vivemos num contexto em que irmãs e irmãos nossos estão até mesmo com o semblante desfigurado. Essa visão ultrapassou as fronteiras do contexto capixaba. Ou seja, a sensibilidade e o cuidado de amor em resposta ao amor de Deus por seus filhos e suas filhas tornaram-se semente bendita que o Espírito Santo de Deus esparramou por toda a IECLB. Não por acaso, portanto, o termo Diaconia e, principalmente, as ações diaconais constam no coração do Plano de Ação Missionária da IECLB – PAMI. A ADL despertou um número incontável de jovens para servir e cuidar em espírito diaconal. Carre-

gam a marca da ADL lideranças engajadas em presbitérios, atuantes na política, no ensino, na música, na visitação em asilos e orfanatos, onde pessoas aguardam a mão que ampara e o abraço que sustenta. Expressivo e significativo para toda a IECLB também é o rol de jovens que, tendo passado pela vivência comunitária-diaconal da ADL, ingressaram no Ministério com Ordenação. Ademais, o papel da formação na ADL foi fundamental para que a IECLB tomasse a decisão de nomear e incluir a ação diaconal no Ministério com Ordenação. Portanto, impulsos para o que a Diaconia é hoje na IECLB vieram não somente pela história da ADL, mas a ADL e sua história estão no alicerce da importância e da atuação diaconal em nossa Igreja, bem como na nossa contribuição sobre Diaconia onde participamos. Por ocasião dos 45 anos da ADL, sua diretora, Vera Nunes, observou: “A ADL sempre se manteve com doações e coletas, constituindo-se em testemunho da solidariedade de muitos”. Inicialmente, foi a solidariedade das comunidades do Estado do Espírito Santo que deu suporte para a manutenção da instituição. No período da Região Eclesiástica I, o apoio incluiu as comunidades dos Distritos Eclesiásticos Rio de Janeiro e São Paulo. Hoje, a ADL está no coração da IECLB, pois uma das ofertas nacionais da nossa Igreja é destinada para essa instituição. E a ADL agradece por esse apoio: é uma alegria sermos mencionados em todas as celebrações da nossa Igreja neste dia. Mais uma vez somos gratos pela oferta nacional destinada para a manutenção das nossas atividades. Pela sua morte e ressurreição, Cristo nos liberta, envolve, transforma, sustenta e nos coloca sob os impulsos da gratidão. Pela graça de Deus, livres para cuidar! É gratidão que molda a vida e se expressa no serviço ou cuidado diaconal. Por tudo que a ADL representa nesse serviço de amor na IECLB, nós louvamos o nosso Deus. Nestor Paulo Friedrich Pastor Presidente da IECLB

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MENSAGEM DO PRESIDENTE

Os desafios dos novos projetos

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Associação Diacônica Luterana – ADL tem prestado um serviço importante para as comunidades e para sociedade de uma forma geral. Ao proporcionar essa formação não formal, contribui para que a sociedade seja mais humanizada, com olhar a partir da sensibilidade, e que as comunidades também tenham mais qualidade. Nossos ex-alunos têm mostrado isso na história, porque onde estão, na sua grande maioria, fazem a diferença. Há alguns anos, a instituição passou por um período de crise, tanto financeira como de rumo. Com muito esforço e ajuda de muitos, foi possível impedir que ela fechasse suas portas. Na medida em que foi trabalhando para se recuperar, a ADL também foi se redescobrindo, percebendo a sua necessidade e dinamizando ações para tornar-se novamente uma instituição forte. Para isso, contamos com o apoio de muitas pessoas, principalmente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, do Sínodo Espírito Santo a Belém e das Uniões Paroquiais no seu entorno. Por não receber recursos públicos constantes, exceto por meio de projetos e emendas parlamentares, a ADL depende de doações e de um bom gerenciamento dos recursos. Hoje, com sua credibilidade consolidada e oferecendo uma formação diferenciada nas áreas de música (regência de coral, domínio de instrumentos musicais, musicalização), Educador Social e Cuidador de Idosos, a ADL permite que os jovens concludentes se sintam despertados em seus dons e façam da Diaconia, como prática cristã, seu norteador de vida.

Avançamos muito, mas sabemos que os desafios são inerentes ao trabalho desenvolvido na ADL. Um desses desafios é a viabilização da construção de um Lar de Idosos, unindo teoria e prática visando preparar os jovens para atender aos idosos. A população brasileira está envelhecendo, e os idosos tendem a ser um número expressivo, demandando atenção especial também de forma crescente. Por isso, sabendo do alcance social proporcionado por serviços de atendimento a esse público, a ADL está se antecipando aos fatos, planejando um espaço que, ao mesmo tempo, abrigue os idosos e capacite os seus alunos para atendê-los como cuidadores. O outro desafio que se impõe é a preparação de jovens para auxiliarem no trabalho pastoral na IECLB. O acúmulo de tarefas faz com que Ministros e Ministras não deem conta do seu trabalho, necessitando de um apoio para estudos bíblicos, visitação a idosos e doentes, suporte no Ensino Confirmatório e Encontro com Crianças. Entendemos que a ADL pode contribuir, preparando e disponibilizando jovens qualificados para essa missão tão importante na IECLB. Tanto o Lar de Idosos como a preparação dos jovens para as ações pastorais são projetos que estão sendo elaborados e gestados dentro da ADL. Porém, para alcançar esses objetivos, precisamos de apoio que certamente virá de muitas mãos e muita fé. Assim, poderemos vencer os desafios e realizar os nossos projetos de inegável relevância para as comunidades, para a sociedade e para a Igreja Luterana. Emerson Lauvrs Presidente da ADL

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MENSAGEM DO PASTOR SINODAL

Fazendo a cabeça

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juventude é uma fase de transição em nossas vidas, em que o mundo passa a ser questionado – às vezes de forma até rebelde – e começamos a pensar em nosso futuro. É um período importante para a formação do caráter e da personalidade. Não é à toa que muitas empresas, por exemplo, utilizam de propaganda exclusivamente voltada a esse público para “fazer a cabeça” de seus futuros consumidores. É intrigante pensarmos como jovens são atraídos até mesmo para a prática do terrorismo, que atualmente tem utilizado amplamente as redes sociais para o recrutamento às suas causas. Trata-se, porém, de um reflexo da falta de perspectivas e de esperança de milhões de jovens mundo afora. Mudar a mentalidade das pessoas pelo argumento e pelo convencimento faz parte da vida. A própria Bíblia incentiva a mudança de vida e de pensamento. O apóstolo Paulo escreveu aos romanos: “Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a Deus.” (Rm 12.1). No tempo de Paulo, os romanos mantinham seu império pela força e pela lei. Quem questionasse, era perseguido e até condenado à morte. Assim aconteceu com Jesus, que foi morto por pregar a liberdade, a paz e o amor como o maior mandamento de todos, sem se prender a leis que dominaram e escravizaram. O apóstolo Paulo, entendendo a mensagem cristã, escreve que devemos mudar o pensamento e o jeito de viver, sim, mas para o bem comum, e para fazer a vontade de Deus e o que é agradável a ele.

Nesta direção, a Associação Diacônica Luterana – ADL também tem o compromisso de mudar a mente dos seus alunos, oferecendo formação complementar ao Ensino Médio com o intuito de inspirar os jovens ao exercício do protagonismo, por meio dos cursos de Liderança Comunitária, Liderança em Música, Educação Social e Cuidador da Pessoa Idosa. Com isso, a instituição incentiva a prática da liderança e do voluntariado, promove a reflexão sobre os direitos humanos, fomenta o trabalho diaconal e o respeito com as pessoas idosas, possibilita o domínio básico de música e a prática do canto, além de oferecer a participação em grupos de artes cênicas, artesanato, danças folclóricas e cultivo de produtos naturais. É a ADL “fazendo a cabeça” dos jovens e transformando mentes para a sua inserção na sociedade e vivência da ética, da cidadania e do protagonismo juvenil, tendo em vista a valorização do ser humano e a preservação do meio ambiente, sem perder a confessionalidade luterana e os valores da fé cristã. Parabenizo o pastor Siegmund Berger com toda a sua equipe e a diretoria, pela iniciativa de contar a história da ADL com a publicação desta revista. Resgatar a nossa história é resgatar a nossa identidade e a nossa cidadania. É olhar para o passado e aprender com as experiências vividas, olhar para o presente e localizar onde vivemos, e olhar para o futuro para planejar a missão da Igreja e direcionar para onde vamos, mostrando para nossos jovens um mundo cheio de esperança para a prática do bem comum. Joaninho Borchardt Pastor sinodal do Sínodo Espírito Santo a Belém

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ENTREVISTA

Uma instituição à prova de fronteiras e do tempo Trabalhamos com dois opostos: primeiro, o materialismo e o capitalismo que levam ao individualismo. O segundo oposto é a vivencia de fé. Não acreditamos em uma fé individualizada .

Ao longo dos seus 60 anos, a ADL é procurada pelo interesse em uma formação diferenciada para os alunos

Superintendente da ADL, o pastor Siegmund Berger fala dos desafios atuais e do futuro da instituição. Para ele, a sustentabilidade ao longo do tempo vem da capacidade de adaptar-se às transformações sociais. “Somos uma instituição aberta. Recebemos alunos luteranos e também de outras religiões sem restrição”, afirma o pastor, dizendo que o objetivo é ser útil para a sociedade. Como o senhor avalia a trajetória da ADL e como ela sobreviveu e mantém-se ativa mesmo diante de tantas transformações nestes 60 anos? Siegmund Berger – A ADL se sustentou justamente porque está em constante contato com as comunidades. Se ela se afasta da sociedade, perde o seu próprio objetivo. A sustentabilidade da ADL é esta: é a captação de alunos que se interessam em vir para cá fazer esta formação diferenciada. Hoje, existem muitos lugares que oferecem formação, mas as pessoas continuam preferindo vir para cá, pelo diferencial que oferecemos. Temos um contato mais forte com a comunidade luterana, mas mantemos elos com outras denominações religiosas também. Somos uma instituição aberta. O nosso objetivo é ser útil à sociedade. Quanto à sustentabilidade financeira, buscamos sempre apoio. Por exemplo, no fim de 2014, os pais nos ajudaram

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com a doação de tinta. Em 2016, vão nos ajudar com cerâmica para revestir as salas. As festas que promovemos também têm participação maciça, atraindo até sete mil pessoas por edição. Temos apoio da IECLB com uma coleta anual e projetos. Somos apoiados pelo Sínodo Espírito Santo a Belém, que nos socorre nas dificuldades e ajuda a manter a ADL com uma coleta anual (10% das doações de envelopes das festas da colheita e 1,5% das contribuições dos membros). Também temos projetos apoiados pelo Governo do Estado do Espírito Santo e sempre recorremos a Emendas Parlamentares de deputados amigos da nossa instituição. Além disso, temos sido apoiados com algumas doações da Obra Gustavo Adolfo e de amigos residentes na Alemanha que financiam alguns projetos para a ADL. Isso tudo é resultado e advém da nossa fé. Quando fazemos um trabalho que vai ao encontro ao que Deus espera de nós e quando fazemos da Diaconia a verdadeira prática de amor, Deus coloca a mão. Nós temos que fazer a nossa parte e incentivar as pessoas para que façam a parte delas. Deus espera de nós um olhar diferenciado e uma prática diferenciada para com a sociedade, que hoje é alicerçada no individualismo, onde as tecnologias nem sempre estão a serviço do ser humano e da criação de Deus, mas estão apenas a serviço do capital.

O grande desafio é a ADL continuar sendo esta instituição que se adapta à realidade constantemente .

Como o senhor analisa o momento atual da ADL e como ela está sintonizada com a sociedade contemporânea? Houve alguma mudança na abordagem da fé diante de um mundo tão materialista e consumista como o de hoje? Siegmund Berger – Trabalhamos com dois opostos. Primeiro, o materialismo e o capitalismo que levam ao individualismo. Incentivamos os jovens a dividirem, serem solidários, respeitosos, onde o dinheiro não é o alvo de tudo. Para nós, o voluntariado é importante e valorizado. O segundo oposto é a vivência de fé. Não acreditamos numa fé individualizada, mas sim numa fé coletiva. Deus é Deus para mim, para você e para os outros. Por isso, esse assunto é muito importante. A fé das pessoas deve ser tratada com responsabilidade e respeito. Não somos mercadores da fé. Os mercadores de fé usam todos os artifícios possíveis para que as pessoas sejam cooptadas com o objetivo final de extorqui-las em busca do recurso financeiro. Na ADL, trabalhamos a humildade diante de Deus, o respeito à natureza e ao ser humano, mostrando que a fé é o motivador para que sejamos todos diáconos no dar comida aos que têm fome, dar água aos que têm sede, vestir o nu, visitar os doentes, acolher o forasteiro, visitar os encarcerados e sepultar os mortos. Isso claro, sem assistencialismo. A prática da Diaconia é ensinar a “pescar” e estar junto na luta para que todos tenham espaço e instrumentos para realizar a “pesca” de forma sustentável.

O que os alunos esperam ou procuram na ADL?

Os alunos buscam uma formação para a vida

Siegmund Berger – Eu acho que eles procuram uma formação de vida porque nós não temos nenhum curso oficial. Atuamos no contraturno escolar. Aqui, eles têm formação básica para a vida. O que ajuda muito é o ensino da música, que desperta o interesse deste público. Também oferecemos a formação na área de educador social e estamos empreendendo uma nova ideia de cuidador de idosos. Temos a sensibilidade de perceber o que pulsa na sociedade e de canalizar as nossas atividades para isto.

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Sabemos que faltam pessoas para cuidar de idosos e, futuramente, queremos construir um lar de idosos e dar formação para que os jovens possam desempenhar essa função. Como não oferecemos cursos profissionalizantes oficialmente, o que executamos aqui serve de trampolim. Nossos alunos podem usar esta experiência e formação para o seu trabalho e vida profissional. Eles sabem que a formação que obtêm aqui é uma base para mais adiante. Temos exemplos de ex-alunos que participaram de seleção para emprego e foram escolhidos por terem esta formação diferenciada. Por isso, entendemos que oferecemos uma formação para a vida.

Quais são os maiores desafios e as perspectivas da ADL para o futuro? Siegmund Berger – O grande desafio é a ADL continuar sendo esta instituição que se adapta à realidade constantemente. Pode ser que chegue um momento em que vigore a Escola Viva do governo estadual e inviabilize o nosso trabalho neste formato atual. Teremos que reinventar um novo formato. Hoje, nossos alunos estudam à noite na escola convencional para cumprir o conteúdo exigido pelo Ministério da Educação e, durante o dia, têm as aulas complementares na ADL, em sistema de contraturno. O nosso desafio é ter esta sensibilidade de perceber as mudanças e adaptar a instituição sem perder o próprio objetivo, que é o nosso trabalho a partir da fé, do envolvimento com a comunidade, do olhar diferenciado para a sociedade e a natureza, da formação ética do ser humano. Isso é imutável. É a nossa base. Se sairmos disto, estamos saindo fora daquilo que foi o objetivo da fundação da ADL.

Aonde a ADL deve avançar mais e quais ajustes necessários para que ela continue cumprindo a sua missão? Siegmund Berger – Nós temos que avançar na titulação de filantropia. Fazemos filantropia porque nenhum aluno cobre o seu real custo dentro da ADL. Realizamos um trabalho de apoio aos nossos jovens que o governo não tem capacidade para fazer. Então, deveríamos ter o apoio do governo e precisamos nos preocupar com isso. A titulação de filantropia nos ajudaria na manutenção desse trabalho, porque a cada ano que passa mais jovens nos procuram e dizem que não têm recursos financeiros para contribuir. Outra necessidade é como viabilizar a construção e instalação do lar de idosos. Agora, especificamente para a Igreja, um desafio é preparar jovens para serem apoiadores nas paróquias. Nossos ministros não dão conta do trabalho pastoral. Muitas demandas surgem constantemente. Por isso, seria importante que pudéssemos oferecer uma formação específica para esta área, ou seja, para o trabalho eclesiástico.

Atendendo alunos sem condições de pagar pela formação, a ADL realiza eventos para captação de recursos, tendo boa participação das comunidades

Quando fazemos um trabalho que vai ao encontro ao que Deus espera de nós, Deus coloca a mão .

A ADL atende principalmente jovens do meio rural e da agricultura familiar. Qual a principal contribuição que ela dá para estes jovens? De que forma ela impacta também na família destes jovens? Siegmund Berger – A principal contribuição é a preocupação com a natureza, com o que ela tem, o aproveitamento do que ela oferece e a sus-

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ENTREVISTA tentabilidade. Mostramos que é importante dar prioridade ao que é natural e evitar produtos químicos. No momento em que eles entendem este processo e têm consciência que a química faz mal, eles percebem que o que aprenderam em casa, com o pai e a mãe, tem valor. Eles passam a olhar para seu próprio espaço, dão importância para ele e têm a oportunidade de resgatar os seus valores. Também promovemos muitos cursos em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Senar, que dão suporte às atividades no campo.

A ADL tem alguma estratégia específica para abordar as questões rurais com este público? Siegmund Berger – Temos o trabalho voltado para a agroecologia e a saúde natural. Mostramos as maneiras que a própria agricultura pode ter de alternativas de combate e prevenção de algumas doenças. Com as alternativas existentes na agricultura, há a substituição do agrotóxico por outras opções para tornar a planta sadia, e consequentemente, dá-se a preservação da vida e da natureza.

Há uma forte vinculação da ADL com o povo pomerano, que tem uma presença muito marcante principalmente no município de Afonso Cláudio. Que contribuição a ADL oferece para este povo e para a preservação de sua cultura? Siegmund Berger – Temos em parceria com a comunidade um grupo de danças folclóricas, que é uma das formas de trabalharmos esta parte cultural. Preservamos uma boa parte da culinária (pão de milho = brote, por exemplo) e respeitamos o jeito pomerano de as pessoas serem. Não induzimos os jovens a abandonar suas raízes. Preservamos certos costumes dentro da religiosidade pomerana. Tentamos preservar isso para que os alunos sintam que a ADL é uma extensão de sua família na parte cultural e religiosa.

Do ponto de vista pastoral, esta atividade com jovens também favorece a descoberta de vocações? Siegmund Berger – Na realidade, aqui, os jovens se descobrem vocacionados por causa de toda a nossa metodologia de ensino. Esse pulsar vocacional não é só para áreas pastorais. Nós conseguimos fomentar o despertar de dons em diversas áreas. O próprio trabalho que desenvolvemos é um despertar de dons quando em contato com idosos, jovens, crianças com deficiência, pessoas em situação de risco social, mulheres, comunidade, trabalho eclesiástico, música e outros. Isso tudo pulsa, contribui para acordar o dom que estava adormecido. Muitos se sentem vocacionados pela Teologia. Às vezes, os pais estimulam os filhos com essa ideia. Aqui, sedimen-

Os estudantes já desenvolvem nas inserções atividades com idosos. Próximo passo é criar um centro de acolhimento

tam ou descobrem que não é isto que querem e descobrem que sua vocação não é para lidar com o ser humano. Portanto, além de despertador vocacional, somos também clareadores de dons.

Como o senhor vê a ADL daqui a dez anos? Siegmund Berger – Dinâmica, com um lar de idosos, fazendo a interação dos idosos com os jovens, continuando sendo sensível com toda a questão da realidade. Acho que ela está no rumo certo porque tem sensibilidade de se moldar. Os princípios são preservados, mas a ADL deve se moldar para a realidade. As avaliações e o planejamento são necessários para a ADL, permitindo menor medo de arriscar para novas direções e fazendo com que os projetos sempre estejam em movimento. Eu a vejo daqui a dez anos com os princípios e valores preservados, mas com mais qualidade na formação e no despertar de dons. Se você olhar toda a história da ADL, ela teve altos e baixos. Quando teve poucos alunos é porque se distanciou dos seus valores e da comunidade. Quando recuperamos isso, o número de alunos cresceu. Sonhamos com muito afinco o futuro da ADL. Desejamos que ela seja sempre de grande referência para o Sínodo Espírito Santo a Belém e para a IECLB. Desejamos continuar sendo uma casa de formação complementar para centenas de adolescentes, na qual possam encontrar formação musical de qualidade, vivências artísticas, estudo da educação cristã, Diaconia, sustentabilidade de vida e das práticas sociais. Além da construção de um centro para acolhimento de pessoas idosas, a ADL ainda possui o sonho de tornar o curso de música e educação social em formações técnicas reconhecidas. Esse sonho não pode ser longínquo. Isso é demanda já, agora.

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ARTIGO

Diaconia: um chamado para o serviço

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RODOLFO GAEDE NETO Ex-aluno, ex-Professor e ex-Diretor da ADL; graduado, mestre e doutor em Teologia pela Faculdades EST em São Leopoldo/RS; e atual coordenador do Bacharelado em Teologia da Faculdades EST

esus compara o Reino de Deus com uma grande lavoura. Como sabemos, a lavoura demanda muito trabalho e exige o engajamento de muitas pessoas. É por isso que Jesus pede a seus discípulos: “Rogai ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” (Mt 9.38). O grande volume de trabalho no Reino de Deus deve-se ao fato de haver “multidões aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9. 36). Como no tempo de Jesus, também hoje há muitas pessoas aflitas, desorientadas, doentes, carregadas de ansiedade, deprimidas, famintas, ameaçadas, fugitivas e forçadas à migração. Essas pessoas clamam por ajuda tal qual o cego Bartimeu: “Filho de Davi, tem misericórdia de mim” (Mc 10.46-52). É por isso que existe na Igreja de Cristo o ministério da misericórdia, ou da cura, ou da Diaconia. Este ministério significa serviço de cuidado e de cura das pessoas. Diaconia, porém, é mais do que a realização de algumas boas obras. No seu sentido mais profundo, Diaconia é o que o próprio Cristo realiza em favor da humanidade: “o próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10. 45). Portanto, a Diaconia é, em primeiro lugar, Diaconia de Deus, realizada através da vida, morte e ressurreição de seu Filho. É o serviço de resgate e cura da humanidade. Durante o seu ministério terreno, Jesus deu abundantes amostras do resgate de pessoas, curando-as, acolhendo-as e defendendo sua dignidade. No seu ensinamento, desdobrou esse serviço nas seguintes atividades: dar de comer a quem tem fome, dar de beber a quem tem sede, vestir a quem está nu, acolher as pessoas forasteiras, visitar os doentes e as aprisionadas (Mt 25.31-46). Chamou essas atividades de Diaconia (Mt 25.44). O ministério diaconal existe por causa da Diaconia de Deus e está a seu serviço, ou seja, a serviço do resgate e da cura de pessoas. O próprio Jesus convida as pessoas que o seguem a inspirar-se no seu ministério de serviço: “porque eu vos dei o exemplo para que, como eu vos fiz, façais vós também” (Jo 13.15). A Igreja, no seguimento a Cristo, é chamada ao serviço. A Diaconia não é apenas um departamento da Igreja. Toda Igreja é essencialmente diaconal. A ADL, em sua história de 60 anos de atividades, tem atentado a este chamado e tem sido um testemunho vigoroso de engajamento na lavoura de Deus. Ela tem exercitado a Diaconia de formas distintas, ao acolher, ano após ano, jovens das comunidades, proporcionando-lhes acesso ao estudo; ao preparar pessoas para o serviço de colaboração nas comunidades; ao preparar pessoas para o exercício da cidadania a partir dos valores mais caros da fé cristã, como a ética e a solidariedade; ao encaminhar pessoas para a formação teológica e a preparação para o exercício de um dos ministérios na IECLB. Cabe agradecer a Deus por esta rica trajetória da ADL e também expressar gratidão às pessoas e entidades que ajudam a ADL a cumprir sua missão.

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ARTIGO

Despertando vocações

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DAVI HAESE Ministro da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Gravatá (PE), integrante do Grupo Coordenador da Região Missionária Luterana Nordeste e Belém, membro dos Conselhos Municipais da Criança e Adolescente, Assistência Social e da Paz de Gravatá

ou o caçula de 12 filhos de um casal de agricultores, analfabetos e descendentes de pomeranos, da região de São João do Garrafão, em Santa Maria de Jetibá (ES). Chegar à oitava série na Escola Família Agrícola foi uma conquista. Mesmo diante da distância, das dificuldades financeiras, da falta de prioridade das famílias pomeranas aos estudos e da ausência de políticas públicas, o meu desejo era continuar estudando. A esperança surgiu quando conheci a Associação Diacônica Luterana – ADL, onde fiz o curso Diaconal de 1995 a 1997. Foi um divisor de águas na aquisição de princípios e no despertar para a vocação diaconal. A ADL me ensinou a valorizar a família, a Igreja, a natureza, a vida em sociedade e o próximo. Dali, parti para outros saltos nos estudos e nas atividades religiosas. Entre 1998 e 1999, fiz o curso de Extensão Diaconal pela Escola Superior de Teologia – EST, no Rio Grande do Sul, e ingressei na Comunhão Diaconal – COD, que trabalha em prol do próximo na perspectiva da Diaconia transformadora. A COD foi muito importante na opção pelo Ministério Diaconal, tendo sido ordenado em 2005. Ao aceitar o chamado de Deus, sabia que não seria fácil e jamais poderia me acomodar frente às injustiças. Sou grato pela oportunidade de servir. Em abril de 1999, fui para o Agreste Pernambucano, no município de Gravatá, para a Ação Diaconal do Projeto “O Caminho”. Passei por experiências pelas quais tive vontade de desistir, mas o meu ministério sempre falou mais alto. Presenciei assassinatos, consumo e tráfico de drogas entre crianças e adolescentes, jovens sendo baleados e morrendo no colo das próprias mães, esposa esfaqueando o próprio companheiro, nascimento de bebê no carro a caminho do hospital, sepultamentos de recém-nascidos, prostituição e violência. Enfim, situações que me fizeram mais forte para lutar pela justiça. O trabalho foi se estruturando no intuito de mudar o drama da realidade local. Em 2002, com o interesse de adolescentes e jovens, iniciou-se a formação da Comunidade Luterana Nordestina. Em janeiro de 2005, o projeto “O Caminho” transformou-se na Associação Luterana Pro Desenvolvimento e Universalização dos Direitos Sociais – Pro Ludus o Caminho, que hoje é coordenada por mim. Ela atua junto à comunidade luterana na mobilização comunitária e formulação de políticas públicas e atendimento de crianças e adolescentes. Vários estudantes da ADL já foram voluntários no local, bem como jovens da Alemanha e da Suécia. Essa interação desperta os jovens da comunidade a estudarem também na ADL, um processo iniciado com dois adolescentes em 2015. Acredito que o desafio da Igreja é ser diaconal e missionária em todas as dimensões de sua atuação, o que me faz impulsionar a divulgação do Evangelho e da ação diaconal como alicerces de edificação da vontade de Deus por meio da sua Igreja em todos os lugares e na transformação do mundo. Nesta dimensão, acredito que a ADL é o espaço para despertar vocações para servir.

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HISTÓRIA

60 anos de história e compromisso com os valores cristãos

Corria o ano de 1956, quando, no dia 22 de fevereiro, foi inaugurada uma das mais importantes instituições de formação da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IECLB: a Escola Bíblica Evangélica Luterana do Espírito Santo ou Bibelschule, cravada no bucólico distrito de Serra Pelada ou também chamado de Lagoa, área rural do município de Afonso Cláudio (ES) habitada por descendentes dos imigrantes alemães e pomeranos. Atualmente denominada Associação Diacônica Luterana – ADL, a instituição completou 60 anos no início de 2016 com uma trajetória marcada pela contribuição à qualificação diaconal

da Igreja, ao desenvolvimento comunitário e ao acesso a uma educação diferenciada para várias gerações de jovens do meio rural do Espírito Santo e de outros estados. Funcionando no contraturno escolar dos seus alunos, ela oferece um conteúdo complementar voltado para a formação humana e religiosa, criando bases para um futuro profissional sustentado pela ética, pelo respeito e pelos valores cristãos. Calcula-se que nestas seis décadas, cerca de 1.400 alunos tenham passado pela ADL. Muitos deles, hoje, são pastores, diáconos, líderes comunitários, empresários e profissionais de diversas áreas.

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HISTÓRIA

Em 6 de julho de 1958: na sede da Escola Bíblico Evangélica Luterana, alunos e comunidade luterana de Serra Pelada

Idealizadores A escola foi fundada pelo pastor Artur Schmidt e sua esposa e catequista Käthe Schmidt, que empreenderam os esforços com o apoio dos membros da Igreja Luterana e das comunidades para tornar realidade o seu projeto. O casal veio da Alemanha para as atividades pastorais no Brasil, mas ao chegar no Estado esbarrou na carência de pessoas capacitadas para atuar na Igreja por causa da precariedade das escolas no interior, onde ainda hoje se concentra boa parte dos luteranos. A então Escola Bíblica Evangélica Luterana surgiu com a missão de preencher esta lacuna, de formar lideranças comunitárias com espírito diaconal e também elevar o nível de conhecimento dos membros das Igrejas e colonos da zona rural. A primeira turma foi composta por 12 jovens do interior capixaba. Começavam ali os passos iniciais do que se tornou um importante centro de formação diaconal para homens na IECLB, mas sem excluir as mulheres que, até então, já contavam com a Casa Matriz de Diaconisa, localizada em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, e destinada especificamente para o público feminino. Os jovens, a maioria filhos de agricultores, recebiam orientação bíblico-teológica e eram preparados para o atendimento das paróquias e comunidades. Inicialmente, foi oferecido um curso de dois anos para a capacitação pré-diaconal. Aos alunos que se destacavam era apresentada a possibilidade de continuar os estudos de formação diaconal. Numa época de poucos recursos, a escola teve como sede a velha casa pastoral da paróquia de Serra Pelada. A antiga paróquia da comunidade era utilizada como salas de aula, enquanto o paiol foi adaptado para servir de dormitório dos rapazes e o sótão da escola para abrigar as mulheres.

Em 1956: o paiol da antiga paróquia da comunidade luterana foi adaptado para funcionar como dormitório

Em 1962: Käthe Schmidt dando aula de catequese na Escola Bíblica

PRIMEIRA TURMA Alunos da primeira turma da ADL Alfredo Böhning (Santa Maria de Jetibá); Arnaldo Bautz, Ervino Schuwanz, Helmute Töpfer, Valdermar Holz e Franz Uhlig (Lagoa Serra Pelada, Afonso Cláudio); Lourival Jastrow (filial Barra de Lagoa, Afonso Cláudio); Cristiano Küster (filial de Ribeirão da Costa, Afonso Cláudio); Teodoro Garbrecht (filial de Alto Lagoa, Afonso Cláudio), Siegfried Seibel, Bruno Seibel e Norberto Berger (Laranja da Terra).

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Educação básica e diferenciada Apesar da finalidade de formar colaboradores diaconais para as comunidades e de visar a uma formação específica para o diaconato, a Escola Bíblica Evangélica Luterana do Espírito Santo também já ofereceu uma educação básica. O currículo escolar era abrangente, incluindo disciplinas como Português, Matemática, História e Geografia, Alemão, Inglês, Música, Teatro, Esporte; matérias específicas da Igreja – estudo da Bíblia, Catecismo, História Eclesiástica, entre outras; e estágio em comunidades e instituições diaconais e sociais.

Com o passar do tempo, foi crescendo a procura pela instituição, que ampliou o número de alunos, construiu nova sede, adaptou os seus objetivos e conteúdos programáticos aos desafios surgidos e trocou de nome até chegar à atual ADL. Mesmo distante da sede da Igreja Luterana no país, em São Leopoldo (RS), a ADL tornou-se uma instituição diferenciada e respeitada dentro da IECLB, despertando o interesse dos jovens para as atividades da Igreja. De 1956 a 1998, a entidade preparou uma legião de homens e mulheres para o diaconato na IECLB.

Lançamento da fundação da Casa de Irmãos em Serra Pelada, no dia 2 de junho de 1963

Obras de construção da atual sede da ADL

A partir de 1999, a Escola Superior de Teologia, hoje denominada Faculdades EST, em São Leopoldo, assumiu a responsabilidade de formação para o diaconato, cabendo à ADL redefinir a sua missão para o preparo de lideranças comunitárias com enfoque diaconal. A entidade continuou sendo um centro importante de incentivo a vocações para a Faculdades EST e também para os trabalhos comunitários. Muitos dos ex-alunos da ADL estão engajados como voluntários em suas comunidades ao mesmo tempo em que exercem suas profissões. Outras assumiram um ministério na Igreja ou em instituições e projetos apoiados por ela. A ADL também, ao longo dos anos, tornou-se um Professores e alunos da Escola Bíblica polo de promoção e disseminação cultural e artística, criando possibilidades para que jovens da área rural tivessem acesso a atividades musicais, de teatro, de audiovisual, de dança alemã e pomerana, entre outros, tendo como critérios a qualidade e as reflexões sobre fé, humanismo e responsabilidade social e religiosa. Visita do governador Carlos Lindenberg à Escola Bíblica, em 23 de outubro de 1960

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HISTÓRIA

Artur Gustav Schmidt: um homem e o seu ideal Em 1951, o pastor nascido na Alemanha, Artur Gustav Schmidt, veio para o Brasil com o objetivo de assumir um pastorado no Espírito Santo. Ele estudou Teologia na cidade de Neuendettelsau, onde se formou em 1951. Nesse mesmo ano, também casou-se com a alemã e catequista Käthe Scheuchl (Käthe Schmidt), que o acompanhou em suas missões pastorais. Ao chegar no Brasil, o casal passou um curto período de adaptação na Paróquia de Jequitibá, em Santa Maria de Jetibá (ES). Depois, foi para a Paróquia de Santo Antônio, em Minas Gerais, e em 1955 transferiu-se para a Paróquia de Serra Pelada, em Afonso Cláudio (ES). Em suas atividades, o pastor Schmidt sentiu a necessidade de promover a Diaconia no país, o que levou-o a fundar uma Escola Bíblica em 1956, em Serra Pelada, tendo o apoio de Käthe, que atuou como professora da instituição. Se dividindo entre as funções de pastor da paróquia e diretor-presidente e professor da ADL, Artur Schmidt ficou em Serra Pelada por 19 anos, até que em 1970 pediu seu desligamento definitivo, alegando cansaço e problemas de saúde. Junto com sua esposa, retornou à Alemanha, onde continuou a atividade de pastor e o apoio à ADL, contribuindo para a construção do seu novo prédio e para o pagamento das despesas da escola. Artur Schmidt faleceu em 25 de junho de 2012, na cidade de Augsburgo, aos 87 anos.

O casal Artur e Käthe Schmidt atuou em Serra Pelada por 19 anos. Ele se dividia entre as funções de pastor da paróquia e presidente e professor da ADL. Ela atuou como catequista e professora

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Memórias e muita dedicação

Maria Kalk foi para a ADL a convite do pastor Artur Schmidt, tendo atuado como cozinheira da instituição por 40 anos.

Vizinha à sede da ADL, em Serra Pelada, uma mulher de 80 anos costuma receber visitas de alunos para ouvir as histórias da instituição. Maria Kalk trabalhou como cozinheira da ADL entre 1960 e 1998. Ao longo de quase 40 anos, viu de perto as transformações da entidade, como a construção da sua nova sede, o período de crise na década de 80 que quase levou ao fechamento da ADL e o restabelecimento de sua força educadora mantida até hoje. Por ter acompanhado toda esta trajetória, Maria Kalk é uma fonte de pesquisa. Nascida em Itarana, ela foi para a ADL a convite do pastor Artur Schmidt, que ia a cavalo realizar cultos naquele município e insistiu para que seus pais a deixassem trabalhar na entidade. “Cheguei aqui quando a instituição funcionava numa pequena casa com paiol, tinha somente duas camas e muito pouco espaço”, lembra. No início, ela fazia de tudo um pouco, limpava, lavava e passava roupa, cozinhava e até tirava leite da vaca, aproveitando a sua experiência na roça. Maria tinha 25 anos quando ingressou na ADL e, até então, não sabia ler e nem escrever. Foi alfabetizada na instituição e passou a ler a Bíblia. Ali, também aprendeu sobre o cuidado com a água para não desperdiçá-la e a importância dos alimentos para a saúde. “Isto sempre foi ensinado para os alunos e funcionários”, reforça. Na cozinha, Maria Kalk tinha uma ajudante surda e muda, chamada Renilda Borcadt. Esta, não pôde ser alfabetizada porque, na época, não havia professores capacitados na linguagem Libras. Renilda trabalhou na ADL por 31 anos, até se aposentar. Hoje, Maria Kalk diz ser muito grata por tudo o que aprendeu e pela forma como foi tratada pela instituição. Por causa da idade avançada, ela só vai à ADL em dias de evento. Com emoção, fala da homenagem que recebeu nas comemorações dos 50 anos da entidade: “Fui homenageada pelo apoio e dedicação à ADL”, observa.

Vizinha da ADL, Maria Kalk é saudosista ao contar suas histórias

Maria Kalk (próxima à janela) e a enfermeira da Escola Bíblica, Adelia Krause de Santo Antônio

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HISTÓRIA DEPOIMENTOS

Inácio Felberg, um dos fundadores O meu marido, Inácio Felberg, ajudou na fundação da ADL e atuou como voluntário. Trabalhou como professor e foi responsável pelo internato da instituição já na primeira turma de 12 alunos. O Inácio era como um filho para o pastor Schmidt. Os dois se conheceram em Minas Gerais, na comunidade de Santo Antônio, onde o pastor atuou ao chegar no Brasil. Quando mudou-se para Afonso Cláudio e decidiu construir a ADL, Schmidt chamou o Inácio para vir junto. Ele veio servir a comunidade e, aos poucos, assumiu outras tarefas paralelas.

Eu o conheci nesta época, quando ele trabalhava na paróquia de Serra Pelada. Ficamos casados de 1972 a 1999, quando ele faleceu, e tivemos quatro filhos. Três passaram pela ADL. Trabalhamos com muito suor, mas com muito amor. Em 1959, ele também foi para Alemanha, onde estudou dois anos aperfeiçoando-se em Diaconia. Inácio também foi juiz de paz por 18 anos no cartório de Serra Pelada, ajudando a fazer casamentos e resolvendo muitas encrencas na comunidade. Ele faleceu em 1999, quando tinha 74 anos . Joana Felberg, 68 anos de idade, esposa de Inácio Felberg

Joana Felberg

Inácio Felberg lecionando

O diácono Inácio Felberg, na década de 1960, realizava a cavalo o atendimento nas comunidades luteranas da região

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Humanização da sociedade Conheço a ADL há cerca de 45 anos. Já exerci os cargos de vogal, presidente e vice-presidente da instituição, que é de grande importância para a sociedade. Além de uma formação diferenciada, ela resgata e ensina valores essenciais para uma convivência respeitosa em família e sociedade. A formação busca um olhar diferenciado, onde o critério não é o econômico, mas a humanização e a busca de práticas que refletem uma sociedade mais sensível para consigo mesma. A ADL visa à promoção da vida de forma plena e tem avançado a passos largos nos últimos dez anos, incentivando um olhar criterioso para uma produção sustentável com respeito à natureza e qualidade de vida. O próximo passo será a construção de um lar para o acolhimento de pessoas idosas. É marcante estar junto, não apenas como Diretoria, mas ajudando com tempo, ideias, e, sobretudo, incentivando e divulgando o trabalho realizado pela ADL, o que não deixa de ser um complemento do exercício do meu Ministério Pastoral .

Lourival Ernesto Felhberg Vice-presidente da ADL, teólogo e advogado – Itaguaçu (ES)

Espiritualidade e solidariedade Além de pastor na região, fui professor e diretor da ADL de 1993 a 1996. Nasci no município de Itueta, em Minas Gerais, e cheguei à ADL aos 14 anos para cursar o ginásio. Na sequência, fiz o segundo grau em Ituiti e Teologia em São Leopoldo (RS). A convite do pastor Helmar, retornei à ADL em 1993. Neste retorno, ficou combinado que eu atuaria como pastor nas paróquias de Alto Jabuticabas, em Itarana, e São João do Garrafão, em Santa Maria de Jetibá (ES), além de dar aula de Bíblia e Diaconia na ADL e assumir a diretoria, respondendo por tudo: currículo, ingresso de alunos, eventos e finanças. Foi uma experiência muito marcante na minha vida. Percebi a importância da instituição para as pessoas, abrindo oportunidades para que jovens tivessem acesso ao estudo. Hoje, tudo é infinitamente mais fácil, mas, naquela época, os jovens do interior tinham na ADL a única possibilidade de estudar. A instituição acolhia esses adolescentes e providenciava tudo o que eles precisavam no internato para poderem estudar. Uma prova da competência da ADL está no fato de que muitos estudantes prosseguiram os estudos, tornando-se pastores ou profissionais, empresários ou lideranças consideradas referências em

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DEPOIMENTOS várias áreas. A vida comunitária que a ADL proporciona me marcou muito. Ali, os estudantes, professores, funcionários e diretores fazem as refeições juntos e realizam reuniões para definir atividades e aparar as arestas naturais da convivência em grupo. É também uma vida voltada para a espiritualidade, num clima de Diaconia e solidariedade entre todos. Hoje, passados 20 anos desde em que atuei como diretor, fico feliz em verificar que a ADL, que passou por momentos de dificuldades, encontra-se estruturada e continua prestando educação

e formação de qualidade aos jovens. Aproveito para elogiar o pastor Siegmund Berger, que com habilidade, coragem e determinação tomou decisões importantes para manter a ADL funcionando de acordo com a filosofia e o propósito para os quais foi criada . Rodolfo Gaede Pastor, ex-diretor da ADL, mestre e doutor em Teologia, professor da Faculdades EST para mestrado e doutorado em Teologia e coordenador do Bacharelado em Teologia

Criação da COD, um fato histórico Um momento importante na ADL foi a criação, em 31 de outubro de 1976, da Comunhão de Obreiros Diaconais (COD), hoje chamada de Comunhão Diaconal. Fundada por um grupo de Serra Pelada e de São Leopoldo (RS), ela visa fortalecer a comunhão entre os integrantes, estimular a formação constante e o vínculo com a Igreja. Eu fui responsável pela elaboração da ata, que considero histórica. Ao longo dos anos e até hoje, muitos ex-estudantes da ADL foram e vão estudar Teologia em São Leopoldo e, agora, também Musicoterapia. Isto deve-se ao diferencial na formação educacional na ADL. A instituição possibilita uma convivência muito rica entre os jovens. Até hoje, tenho uma ligação forte com famílias que conheci e fiz amizade na ADL, sendo padrinho de vários filhos de ex-alunos. A instituição também dá oportunidades aos jovens, em grande parte filhos de pomeranos do interior, de viverem e conviverem no internato, recebendo um estudo diferenciado. Outro destaque é a formação diaconal. A ADL sempre se empenhou nesta formação, revelando lideranças para diferentes ministérios da Igreja Luterana. Por onde se vá Brasil afora, encontram-se lideranças diaconais formadas na ADL. A instituição marcou muito a minha vida. Nela, tive a minha primeira atividade profissional. Nasci e formei-me catequista no Rio Grande do Sul. Com 23 anos, fui para Afonso Cláudio, para atuar na então Fundação Diacônica Luterana (FDL) e dar aula em Serra Pelada .

Remi Klein Ex-professor da ADL e atualmente professor de graduação, mestrado e doutorado de Teologia e pró-reitor de Ensino e Extensão na Faculdades EST, em São Leopoldo (RS)

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DIRETORIA ATUAL

DIRETORES EM 60 ANOS

A atual Diretoria da ADL foi eleita no dia 7 de março de 2015, em Assembleia Extraordinária, para um mandato de quatro anos: PRESIDENTE:

Emerson Lauvrs Pastor da Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em Afonso Cláudio (ES).

1956-1970

Pastor Artur Schmidt

Março/1970 a Setembro/1975

Pastor Ervino Schmidt

VICE-PRESIDENTE:

Lourival Ernesto Felhberg Pastor da Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em Palmeira de Santa Joana, Itaguaçu (ES). TESOUREIRO

Jonathan Felberg Taxista em Afonso Cláudio (ES). VICE-TESOUREIRO

Outubro/1975 a maio/1979

Pastor Joachim Dürkop

2° Semestre de 1979 a 1983

Pastor Orlando Stelter

Vanildo Ott

Agricultor em Afonso Cláudio (ES). SECRETÁRIO

Sidney Retz Pastor da Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em São Sebastião, Santa Maria de Jetibá (ES). VICE-SECRETÁRIO

Valdeci Foester

1983-1985

1986-1992

Pastor Henrique Seick

Pastor Helmar Rölke

1993-1996

1997- 2003

Fevereiro a setembro/2004

Desde outubro/2004 – Atualmente

Pastor da Paróquia Evangélica de Confissão Luterana de Santa Maria de Jetibá (ES). VOGAL A

Lorivaldo Kunn Empresário em Domingos Martins (ES). VOGAL B

Genira Kuhn Pothin Agricultora em Domingos Martins (ES).

Pastor Rodolfo Gaade Neto

Vera Nunes

Conselho Fiscal TITULARES Nelson Nass, agricultor em Laranja da Terra (ES); Jeremias Piontkowsky, agricultor de Itaguaçu (ES); e Nivaldo Geick Völz, pastor da Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em Santa Teresa (ES). SUPLENTES Ademilson Lemke, empresário de M. Floriano (ES); Omar Hollunder, agricultor em Afonso Cláudio (ES); e Ervino Reetz, de Serra Pelada, Afonso Cláudio (ES).

Marcélia Klitzke (Interina)

Pastor Siegmund Berger

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HISTÓRIA

Linha do tempo 1956 FEVEREIRO Inaugurada a Escola Bíblica 22 Evangélica Luterana do Espírito Santo, em Serra Pelada, no município de Afonso Cláudio (ES). O evento teve a presença do Cônsul da Alemanha na época, Dr. Labastille Meyer, 14 pastores e um conjunto de trombonistas de São Leopoldo (RS), além de apresentações de filme, teatro e música.

MARÇO

DIA

Realizada a Conferência DIA 23 Pastoral que elegeu Siegmund Wanke como o novo Pastor Regional, durante a inauguração da Escola Bíblica.

DIA

Iniciada a aula com 12 alunos. Quatro meninas também foram admitidas como

alunas.

SETEMBRO A Assembleia Geral da pa30 róquia aprova a construção de um prédio de dois andares para a moradia do pastor, acomodação dos diretores e uma parte da Escola Bíblica. DIA

1970 MARÇO O pastor Artur Schmidt e sua 31 esposa Käthe Schmidt pedem desligamento da FDL, alegando problemas de saúde, e retornam para a Alemanha. DIA

1968 FEVEREIRO DIA

1979

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Inauguração do prédio próprio da FDL em Serra Pelada.

MARÇO A FDL passa a denominar-se 24 Associação Diacônica Luterana – ADL. Como curso regular profissionalizante, o CurDIA 25 so Diaconal passa a formar obreiros diaconais. Os estudantes fazem, paralelamente, dois cursos: Diaconal na ADL e 1° ou 2° graus nas escolas Elvira Barros (até a 8ª série) e Joaquim José Vieira (2º grau). DIA

1995 A ADL passa a oferecer apenas o Curso Diaconal e 2º grau, elevando a idade de seus alunos e sintonizando com os objetivos da casa: o aluno já estava mais maduro para fazer a opção pelo serviço diaconal.

1999 A ADL deixa de formar obreiros e obreiras diaconais para o Ministério Ordenado, mas continua formando líderes diaconais em nível médio.

2005 A ADL inicia o Curso de Agropecuária com enfoque em Agroecologia. Porém, percebeu-se que a maioria dos jovens preferia o curso Diaconal, fechando assim o curso técnico por falta de alunos.

2007 O Curso Diaconal passou a ser chamado Curso de Lideranças, com duas ênfases – Diaconal e Catequética.

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1958

1960

DEZEMBRO A construção é concluída e 6 inaugurada pelo presidente da IECLB na época, pastor Friedrich Wüstner. DIA

1967

1961

Com a fundação da Ordem Caritativa dos Diáconos Evangélico-Luteranos no Brasil, a instituição de Serra Pelada torna-se a primeira casa de formação de diáconos na IECLB.

1965

É adquirida a propriedade em Serra Pelada com recursos da Comunidade Evangélica de Augsburg am Nordrand (Alemanha).

1963

MARÇO

MARÇO

JUNHO

Aquisição de três lotes na Praia de Itaparica (Vila Velha).

A Escola Bíblica é registrada 14 oficialmente como Fundação Diacônica Luterana – FDL. Inácio Felberg é ordenado como primeiro diácono da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil.

Realizado o lançamento da 2 pedra fundamental para a construção da nova sede da Escola Bíblica.

Foi fundado o Ginásio Diacô1º nico Luterano, ampliando a oferta dos cursos: Magistério, Técnico com Contabilidade; Enfermagem, Diácono-aspirante; Catequese; e Sub-diácono. DIA

2008 A ADL redefine a formação de lideranças com ênfases em Diaconia e acrescenta as formações de lideranças com ênfases em Música e Catequese.

DIA

2012 O Curso de Liderança Comunitária ocorre em quatro anos, sendo os três primeiros de formação comum e o quarto com opções de ênfase específica: Diacionia, Catequese ou Música.

DIA

2015 É oferecida nova proposta de formação: nos três primeiros anos, o Curso de Liderança Comunitária tem enfoque para a Diaconia, Catequese e Música e outras práticas artísticas e sociais. No quarto ano, três capacitações: Educação Social; Cuidador da Pessoa Idosa; e Liderança Musical.

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OBJETIVOS, PROGRAMAS E PROJETOS ESPIRITUALIDADE

Alunos e professores em procissão religiosa no cruzeiro de Serra Pelada

Formação cristã para a cidadania Preparar os jovens para atitudes transformadoras baseadas na fé cristã, na ética e na cidadania é a razão da existência da ADL, que atua sintonizada com os anseios do seu público. Dos 70 alunos de 14 a 18 anos que estudam na instituição, cerca de 90% são do meio rural, filhos de pequeno agricultores descendentes de alemães e pomeranos de comunidades de luteranos do interior capixaba e também dos estados de Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rio de Janeiro e Pará. De acordo com o superintendente da ADL, pastor Siegmund Berger, o objetivo da instituição está alinhado com aqueles que buscam a formação humana, os valores, o acompanhamento e o desenvolvimento de lideranças nas comunidades e o compromisso com a sociedade.

“Vivemos numa sociedade que impõe um individualismo muito grande. A gente trabalha na contramão do sistema para ter um olhar diferenciado para a sociedade de uma forma coletiva”, frisa. A ADL oferece cursos de formação em Liderança Comunitária, Liderança em Música, Educação Social e Cuidador de Idosos, todos tendo como pilares a valorização humana, comunitária e artística. Entre aulas práticas e teóricas com conteúdos transversais, os estudantes aprendem a história da Igreja, a leitura e interpretação da Bíblia, os cuidados com a saúde e com o meio ambiente, a comunhão de mesas e a divisão do alimento, os direitos humanos, e, sobretudo, a ter respeito e ser solidário com o próximo de acordo com os princípios do cristianismo.

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Espiritualidade e meditações na capela da ADL

Aluno no coral da ADL

Para isto, as atividades curriculares incluem ações voluntárias em instituições filantrópicas como Lar dos Idosos, Casa do Menino, Apae, creches e hospitais. Sempre orientados por um educador social, eles contam histórias, fazem brincadeiras e trabalhos manuais, cantam e tocam instrumentos, leem a Bíblia, apresentam peças teatrais e dão suporte a campanhas realizadas pelas entidades visitadas. Segundo a educadora social e catequista da ADL, Alzira Ratunde, estas ações contribuem para o contato com a realidade e o exercício do voluntariado, que é muito valorizado pela instituição e base para uma educação cristã. Chamadas de inserções voluntárias, estas visitas também contribuem para a integração e a espiritualidade do público atendido pelas entidades filantrópicas. Para garantir efetividade nas ações, os alunos apresentam um projeto prático na conclusão de cada curso, podendo ser de voluntariado, liderança, música ou outros trabalhos onde exercitam o que aprenderam. Desta forma, eles são estimulados a praticar os conhecimentos adquiridos, seja através da continuidade dos estudos ou se transformando em lideranças em suas comunidades.

Nas inserções voluntárias, os alunos visitam doentes em hospitais

ALOJAMENTO E CONTRATURNO Funcionando em regime de internato, onde os alunos estudam e têm alojamento e refeições, a ADL oferece educação não-formal em sistema de contraturno. Por meio de uma parceria com a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Elvira Barros, no distrito de Serra Pelada, em Afonso Cláudio, os estudantes fazem as matérias obrigatórias do Ministério da Educação, à noite: Português, Matemática, História, Geografia e outras disciplinas oficiais.

CURSOS OFERECIDOS PELA ADL Curso de Liderança Comunitária (1.600 horas) Com três anos de duração, promove vivências e práticas da liderança comunitária e do voluntariado. Formação em Música (400 horas) Com um ano de duração, proporciona conhecimentos teóricos e práticos da música sacra e popular, ins-

trumentos melódicos, harmônicos e rítmicos (flauta, violão, teclado, percussão, piano e outros), além do contato com a regência e canto coral. Formação em Cuidador de Idosos (360 horas) Com seis meses de duração, capacita para a prestação dos cuidados integrais ao idoso.

Formação em Educação Social (360 horas) Com seis meses de duração, instrumentaliza jovens para atuar como Educadores Sociais em projetos sociais com crianças, jovens e adultos, e utilizar instrumentos pedagógicos e artísticos para atuação com públicos vulneráveis.

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OBJETIVOS, PROGRAMAS E PROJETOS

TRADIÇÃO

Grupo Cantando, em 1962

Estudantes que integram o Grupo de Metais

Identidade com a música Quem mora ou transita no entorno da sede da ADL, em Serra Pelada, ouve de longe o ecoar dos sons emitidos pelas flautas, trombones e grupos musicais e coral, num repertório que vai de hinos religiosos da Igreja Luterana às músicas clássicas e sacras. Ali, adolescentes, que raramente teriam acesso ao ensino da música, aprendem a cantar e tocar instrumentos, despertando os seus dons com os sons. A música é uma tradição inerente à ADL e um dos principais motivos para despertar o interesse dos jovens a estudarem na instituição. Assim como a grade curricular dispõe de aulas de Bíblia, boas maneiras, história da Igreja, Diaconia e educação cristã, também oferece aulas de música, canto, coral, regência e prática em pelo menos um dos três instrumentos musicais – flauta, violão ou teclado. A música exerce uma grande influência no ser humano, atingindo o emocional sem passar pelo senso crítico ou pelo critério do certo ou errado. Por esta razão, a instituição aproveita a música como apoio na formação dos jovens como seres humanos com boa personalidade, utilizando um repertório selecionado e focado no coletivo, na responsabilidade humana e na religiosidade. Nos três primeiros anos, os alunos aprendem a leitura das notas musicais e a tocar flauta. Depois, eles precisam dominar pelo menos um instrumento. Como resultado, a ADL tornou-se uma referência na cultura musical, obtendo grande visibilidade. A instituição conta com grupos de trombonistas, flautistas e regentes de coro, formados por estudantes e constantemente convidados para eventos no Estado. Das aulas da ADL, também já saíram músicos famosos

Nos três primeiros anos na ADL, jovens aprendem notas musicais e a tocar instrumentos

como Jameica Mansur, ex-Dallas Company, e Rafael Belling, que tornou-se um expoente da música em São Paulo com mestrado na Unicamp. Atualmente, a responsabilidade de ensinar música aos alunos da instituição cabe ao professor e coordenador do Departamento de Música, Douglas Kalke, licenciado em Educação Musical. Falando do ambiente interno da ADL, ele diz que “a música move tudo aqui. A todo momento, tem um sopro. Ela é tão importante que os jovens veem outros colegas tocando e também se motivam a fazer o mesmo”.

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Douglas Kalke explica que a música na ADL não visa à profissionalização, embora desperte muitos talentos ou sirva de ferramenta para os que vão trabalhar na Igreja. O objetivo é mesmo uma educação diferenciada. Segundo o professor, é feita uma reflexão com alunos sobre a mensagem passada pela música. Por isto, há a preocupação com um repertório de qualidade e que permita uma formação mais humanista e cidadã dos alunos.

O Coral Vozes da Esperança existe há mais de 20 anos e já gravou cinco CDs

CALENDÁRIO MUSICAL A ADL tem um calendário de eventos musicais que já são conhecidos em todo o Estado. Cantatas natalinas – Apresentadas em dezembro pelo coral Vozes da Esperança, em Igrejas Luteranas, prefeituras e centros culturais em todo o Estado. Semana de Canto – Acontece sempre no feriado de Corpus Christi.

Recital – É realizado em dezembro, em diferentes locais, para mostrar o resultado do trabalho com os alunos: grupos de flauta e trombones, além do piano, violão, teclado e coral. Cursos nas comunidades – Uma vez por mês, professores e alunos de música da ADL ajudam no trabalho musical e participam de encontros e cultos da Igreja em todo o Estado.

GRUPOS E ATIVIDADES ARTISTICAS E CULTURAIS DA ADL Coral Vozes da Esperança – Existe há mais de 20 anos. Formado por 40 participantes, entre alunos, professores e colaboradores da ADL, tem como regente Douglas Kalke. O coral participa de eventos em todo o país e tem cinco CDs gravados, com músicas sacras e populares.

exibe curtas e longas metragem na ADL e região. Coro de Metais “PommerBlosas” – Criado em 2011, é formado por alunos da ADL com aptidão para trombone, trompete, tuba e semelhantes. O objetivo é manter a tradição musical da cultura pomerana.

Grupo de Dança Alemã “Land Der Wasserfälle” (Terra de Cachoeiras) – Surgiu em 1987 e, hoje, é formado por filhos dos fundadores do grupo. São alunos e jovens de Serra Pelada.

Teatro do Oprimido Fazendo Arte – A partir de 2009, com o apoio do ex-aluno William Berger, foi adotada a metodologia do Teatro do Oprimido.

Núcleo Audiovisual Lagoa – Criado em 2010, a partir do envolvimento da ADL com a Mostra Capixaba de Audiovisual – MCA. O Núcleo criou e coordena o Cineclube Lagoa, que

Artes plásticas – As artes plásticas sempre foram um importante instrumento para a instituição. O ensino do artesanato, da produção de velas, das pinturas, dos bordados, das cola-

gens e de outras artes incentivam a criatividade, o aprendizado e o senso artístico. Em 2015, recebeu R$ 20 mil por meio do edital 002/2015, da Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo, com a finalidade de enriquecer as atividades do grupo. Grupo de flautistas – Reúne 12 alunos na execução de flautas doces, sopranos, contralto, tenor e baixo. Grupo da Saúde Popular – Realiza oficinas de curta duração com os alunos sobre produção de chás, massoterapia, relaxamento, plantio e cuidados de horta medicinal. Também realiza caminhadas ecológicas para observação e interação com o meio natural.

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OBJETIVOS, PROGRAMAS E PROJETOS

Participantes em apresentação na Semana de Canto

Semana de Canto: palco para a música e a diversidade

Formação em Bíblia e música com Pastor Erich Ruff, em 1960. Este é o primeiro registro de atividade de canto na instituição

Anualmente, sempre no feriado de Corpus Christi, o ambiente musical da ADL chega ao seu ápice. Cerca de 150 pessoas de todas as idades e religiões se deslocam de vários municípios capixabas e de outros estados para participar de um dos mais tradicionais eventos realizados pela instituição, a Semana de Canto, que acontece desde 1966. Consagrada como uma grande oficina e um espaço aberto a todas as idades e credos, o evento tem por objetivo formar lideranças musicais da Igreja Luterana e demais religiões. A programação é vasta, incluindo palestras e oficinas de canto, repertório, interpretação, composição, técnica vocal, musical, flauta doce, educação musical para crianças e saúde do músico, entre outros. Além da formação de um coral durante o evento, também são realizadas apresentações diversas, transformando a semana num grande palco de performances musicais para iniciantes ou talentos já consagrados. “A Semana de Canto é uma rede de troca de conhecimentos, promovendo diálogos entre diferentes áreas como a Teologia, a Diaconia, a arte plástica, a dança, o teatro, o canto, a composição, a música popular e a música erudita, além da saúde como a musicoterapia, a fonoaudiologia e a fisioterapia”, define Vinícius Ponath, que foi coordenador do Conselho de Música do Sínodo para representar a União Paroquial Grande Vitória e teve participação ativa na organização da Semana por vários anos.

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CULTURA

No mundo das artes A ADL tornou-se uma marca em acesso à cultura e ao desenvolvimento artístico para os seus alunos. Na instituição, eles também desenvolvem atividades de teatro, dança, folclore e produção audiovisual, contribuindo para uma formação humanista e complementar ao que as escolas oficiais não proporcionam. Somando-se à sua tradição musical, a ADL vem se destacando no audiovisual, acumulando prêmios em níveis estadual e nacional. Os trabalhos dos alunos realizados pelo Núcleo Audiovisual Lagoa já faturaram seis prêmios em concursos, mostras e festivais, sendo o de maior destaque o curta “A Sétima Arte sobe o Morro”, vencedor de um prêmio do Ministério da Cultura. Conforme o educador social, Alex Reblim, responsável pelo projeto premiado, foram produzidos dois curtas-metragens em duas comunidades tradicionais localizadas em áreas mais elevadas de Afonso Cláudio: os pomeranos residentes na comunidade rural da Mata Fria

(Francisco Corrêa) e um grupo de capoeira no bairro São Vicente, na zona urbana. Os próprios participantes do Núcleo coordenaram e executaram parcialmente o projeto, desde roteiro, gravação até a montagem e edição final, mostrando suas percepções sobre os moradores desses locais. Por meio do Núcleo, a ADL oferece a formação em produção de roteiros audiovisuais, fotografia, filmagens e montagem. Como resultado, em 2010, foi criado o Cineclube, que também vem dinamizando o cinema em Serra Pelada, envolvendo a comunidade no entorno da instituição. Alex Reblim explicou que a intensão é utilizar o audiovisual como linguagem de divulgação, reflexão e lazer, extrapolando os limites da ADL. A cada dois meses, o Cineclube exibe um longa ou curta-metragem para moradores da região, assim como já promoveu festival de filmes de curtíssima duração feitos por novos meios de comunicação digital, como os celulares.

Estudantes em atividade de aulas de audiovisual

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OBJETIVOS, PROGRAMAS E PROJETOS

DRAMATURGIA

Transformação com o Teatro do Oprimido Desde 2009, a prática de exercícios, jogos e técnicas do Teatro do Oprimido faz parte das atividades educativas da ADL, contribuindo para alinhar ainda mais os objetivos da entidade ao evangelho libertador de Jesus Cristo e à formação de jovens conscientes e críticos do seu papel na transformação social. A adoção desta metodologia da dramaturgia, que tem cunho político e libertário, resultou na criação do Grupo de Teatro do Oprimido Fazendo Arte. Formado por alunos e professores da ADL, ele tornou-se famoso e, hoje, realiza apresentações até fora do Estado. A ligação da instituição com o Teatro do Oprimido, criado pelo teatrólogo brasileiro Augusto Boal e mundialmente conhecido, começou por uma oficina realizada pelo ator, ex-aluno e ex-professor da ADL, William Berger, hoje doutorando em Serviço Social pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Na época, o resultado imediato foi a introdução de uma nova disciplina nos três anos do curso de formação de Lideranças Comunitárias oferecido pela ADL. Chamada Corpo em Expressão, a matéria passou a ser ministrada ao lado de uma outra disciplina, denominada Contação de Histórias. As duas usam técnicas teatrais para a instrumentalização dos alunos e também para o trabalho com grupos, instituições e comunidades da IECLB e parceiros. Após a oficina, William Berger também foi contratado pela ADL como professor e diretor do Grupo de Teatro do Oprimido Fazendo Arte, que ele mesmo ajudou a fundar na entidade. Desde esta época, as atividades in-

Aula de teatro na ADL nos dias atuais

Alunos ensaiando teatro nos primeiros anos de funcionamento da instituição

tensificaram-se, multiplicando as apresentações do Teatro Oprimido em eventos, instituições e espaços públicos de vários municípios. Supervisionados por William Berger, os alunos começaram a replicar as oficinas para comunidades pomeranas tradicionais, jovens descendentes de negros e italianos. Os temas são variados, como direito à educação, violência juvenil e contra a mulher, autoritarismo, memória e ancestralidade pomerana, a mulher na comunidade, as drogas, o racismo e o preconceito, entre outros.

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AGRICULTURA E SAÚDE

Mudando a relação de produção com a terra Ao entrar nas instalações da ADL, é comum ver alunos trabalhando em hortas medicinal e agroecológica nas áreas externas da entidade. São aulas práticas sob a orientação do professor Gilmar Hollunder, filho de pequeno agricultor, ex-aluno da instituição e hoje responsável pelo setor de Saúde Popular e Agroecologia do Departamento de Desenvolvimento Comunitário da instituição. Gilmar estudou na ADL de 1994 a 1996, quando existia o curso de Agricultura Alternativa e Saúde Popular. Retornou em agosto de 2010, com o objetivo de resgatar o trabalho da agricultura alternativa que havia se perdido. Estudantes em aula de saúde popularw Desde então, ele vem se dedicando a ensinar aos alunos da ADL a mudar a relação de produção com a terra, por meio de práticas alternativas que combinam saúde, qualidade dos alimentos e preservação ambiental. Já em 2010, Hollunder iniciou o trabalho da Horta Medicinal na entidade e, em 2013, começou o projeto Horta Agroecologia por meio de um convênio da ADL com a Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca – SEAG/ES e FLD. As aulas ganharam novo impulso. Hoje, os alunos têm uma hora por dia de atividades práticas, em especial com o manejo de hortas e os cuidados com a terra, seguindo os prinO manuseio da horta reforça o incentivo à produção e cípios da agricultura orgânica. O objetivo é incentivar a proconsumo saudáveis dução e o consumo de verduras saudáveis. Para isto, os estudantes aprendem o preparo de compostos orgânicos, a partir têm acesso à água. Como atividade prática, os alunos fado aproveitamento de sobras de alimentos, para adubos nas zem visitas a propriedades rurais onde existem nascenhortas e outros plantios, dispensando os aditivos químicos. tes preservadas, para que eles possam entender esta reJá a disciplina Saúde Popular aborda a relação enlação entre natureza e água, o que pode vir a ser inclusive tre alimentos orgânicos e saúde, assim como os cuidados um potencial turístico da região. com a prevenção de doenças e a necessidade do consuNa parte de alimentação, há o incentivo de se como da água, incentivando os alunos a ingerirem líquido. mer menos carboidratos e produtos industrializados para Durante as aulas, que sempre interligam o conteúdo evitar diabetes, colesterol alto e outros problemas. Nas das disciplinas ao meio ambiente, é abordado o problema aulas, Hollunder fala dos alimentos mais destrutivos para dos recursos hídricos, frisando que muitas pessoas não vida e destaca a culinária alternativa.

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OBJETIVOS, PROGRAMAS E PROJETOS DEPOIMENTO

Difusão de conhecimentos e geração de oportunidades Há muitos anos conheço a importância social e educacional da ADL, com formação para jovens e oferta de oportunidades para as pessoas que vivem no campo. Nosso envolvimento estreitou-se mais a partir de 2007, quando ingressei como servidora pública na Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca – Seag, com a tarefa de propor uma política pública estadual para com a juventude do campo. Entre tantas instituições com este foco, encontrava-se a ADL. Formamos coletivos de jovens para, juntos, elaborar um programa visando a um novo conceito que busca descobrir as fontes e as oportunidades de diversificação do tecido social, econômico e cultural do mundo rural. Nesta concepção, o imóvel rural passa a ser uma unidade produtiva, pluriativa, multidimensional e multifuncional, e os jovens rurais, sujeitos de direitos. Assim, criamos novas oportunidades e resgatamos a identidade cultural da juventude do campo, com garantia de seus direitos sociais como parte da conquista do desenvolvimento histórico da cidadania universal. A ADL é protagonista desde a formação cristã até o fortalecimento comunitário, potencializando o repensar e o refazer de vidas. No Programa Valorização da Juventude Rural, o qual atuei desde a concepção, em 2007, até março de 2015, a ADL foi parceira em cinco ações: Fortalecimento dos Núcleos de Jovens Rurais; Qualificação Social e Profissional; Arte do Saber; Unidade Demonstrativa, Produtiva e Sustentável; e Cultura e Juventude Rural. A aposta consistia em discutir a atualidade, um novo contexto da ruralidade e os desafios frente às transformações em cada região. Realizamos eventos de mobilização, organização social e produtiva, debates técnicos, viagens de estudo, cursos, atividades de lazer, esportivas e culturais. Houve intercâmbios com ações de cinema, mú-

sica, teatro e poesia, nas quais a ADL foi multiplicadora com os demais grupos coletivos. Os jovens também foram qualificados para o espírito empreendedor, o associativismo, a gestão de organizações familiares e pequenos negócios, além das novas técnicas de produção de alimentos seguros e saudáveis. Foi oferecido acesso às novas tecnologias e informações. A ADL recebeu um laboratório digital e de multimídia para ações locais de fomento a novas técnicas e tecnologias da produção, disseminação de informações sobre mercado, custo, produtividade e valor, por meio de cursos, seminários e encontros. Também foram realizadas ações de cultura, esporte e lazer nas localidades rurais com o uso de equipamentos e a instalação de salas de cinema, rádios comunitárias, blogs e sites, entre outros. Outra abordagem consistiu no estímulo à iniciação científica, visando despertar no jovem a construção do raciocínio lógico, a explicação racional dos fenômenos naturais, sociais e econômicos, a capacidade de propor novas incursões nas práticas agrícolas e zootécnicas, além de envolvê-lo na recuperação e conservação do meio ambiente. A ADL foi contemplada com equipamentos. Podemos afirmar com total convicção de que os equipamentos cedidos e as formações realizadas foram incorporadas ao cotidiano da ADL com seriedade e competência, associando conhecimentos teóricos-científicos à prática da produção, especialmente agroecológica, impulsionando o desenvolvimento sustentável do meio rural e potencializando a difusão de conhecimentos entre os jovens com reflexo na família e na comunidade. Estamos coletivamente, Seag e ADL, junto com outras importantes entidades, permitindo a elevação da nossa juventude para um tempo de reconhecimento e respeito .

Célia Kiefer Coordenadora Estadual de Relações Institucionais da Vice-governadoria do Espírito Santo

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EXEMPLOS DE OPORTUNIDADES

Abrindo novos caminhos para a vida A ADL tem sido um campo de oportunidades para o desenvolvimento de jovens da área rural. São múltiplos os exemplos de pessoas que saíram da roça para estudar na ADL e, depois, seguiram outros rumos na vida profissional, mas sem perderem a sua história e seus vínculos com a ruralidade e a sua cultura. É o caso de Levi Tesch, ex-aluno da instituição que se transformou num empresário, dono do supermercado e farmácia Schwambach e da fábrica de pães Lekker, em Afonso Cláudio (ES). Ele é taxativo quando diz que “se não fosse a ADL, estaria trabalhando na roça até hoje e não teria passado da quarta série primária”. Filho de pequenos agricultores da zona rural de Laranja da Terra, Levi soube da ADL em 1976, através de um vizinho, e viu ali a única possibilidade de continuar estudando. “Eu havia terminado a quarta série primária, que era o nível máximo que se conseguia chegar na escola da zona rural onde eu morava. Meus pais não tinham recursos para me mandar estudar fora, mas eu queria continuar. Foi quando soube que um vizinho iria para a ADL, e insisti para ir junto”, relembra. Ele passou na prova de seleção e conseguiu bolsa de estudo para mantê-lo na ADL de 1977 a 1983. “Durante a entrevista, eles viram que eu precisava de ajuda e uma senhora da Alemanha pagou os meus estudos em regime de internato. Roupas, alimentos, livros, cadernos, hospedagem, era tudo pago por esta mulher”, explica. Desta forma, Levi realizou o seu sonho. À noite, estudava na Escola Estadual Joaquim José Vieira, em Serra Pelada, e durante o dia tinha aulas na ADL, de onde saiu como assistente diaconal. “Estes sete anos foram a base da minha vida. Aprendi música e sobretudo a ter formação religiosa, ética, respeito pelas pessoas e leis. Dificilmente, alguém que passou pela ADL se envolve com corrupção”, explica. O empresário também lembra, com orgulho, de ter trabalhado voluntariamente nas obras de expansão da ADL: “Fui auxiliar de pedreiro, fazia e carregava massa, lajotas e outros materiais”. Após concluídos os cursos, por indicação de Leonardo Back, um dos diretores da ADL na época, Levi Tesch estagiou na Caixa Econômica Federal, de onde saiu para ser funcionário no Bradesco. Foi quando casou-se aos 19 anos, desligou-se do banco e ingressou no ramo dos negócios, transformando-se em empresário. Atualmente emprega 220 pessoas em suas empresas. Ele mantém os vínculos com a ADL, ajudando financeiramente e participando das atividades da Igreja Luterana no município. Depois de casado, chegou a formar um coral de dez pessoas, chamado Grupo Espaço, regido pela

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EXEMPLOS DE OPORTUNIDADES professora Matilde Ludcke. Além de percorrer o Espírito Santo e o Brasil para representar a instituição em eventos, o coral gravou o CD Diaconia, uma coletânea de hinos da Igreja Luterana. O grupo encerrou suas atividades em 2004, vários anos após a saída de Levi.

Professora Outro exemplo veio da professora Ketrim Dafiny Enghert Borcharddt, que até o final de 2015 foi responsável pelos internatos da ADL e ensinou boas maneiras e flauta doce aos alunos do primeiro ano da instituição. Filha de agricultor e conhecedora das dificuldades de quem vive e sobrevive do campo, ela nasceu em Itaguaçu (ES) e estudou na ADL de 2007 a 2009. Em 2009, por meio de um projeto de intercâmbio, foi escolhida, junto com outros três alunos e três funcionários da Igreja Luterana no Brasil, para uma viagem de um mês à Holanda, visando conhecer como funcionava a Igreja e o trabalho agrícola naquele país. Em 2010, Ketrim foi trabalhar numa serraria da família, onde ficou por quatro anos, até reingressar na ADL como professora em 2013. Atualmente, aos 24 anos, ela também é taxativa quando diz que, se não tivesse estudado na instituição, dificilmente teria boas oportunidades. “Na ADL, se cuida da formação do ser humano como um todo”, afirmou.

DEPOIMENTOS DE ALUNOS

CUIDADO COM O PRÓXIMO Estou na ADL desde 2012, porque tenho o sonho de estudar Teologia e ser pastor. Aqui, tive contato com um mundo novo. Além das atividades bíblicas e musicais, gosto da importância que a instituição dá aos cuidados com as pessoas e à preocupação com o próximo. Aqui se faz com e para as pessoas. Não vivemos sozinhos e ajudamos uns aos ouros. Aprendi a viver melhor .

Paulo Henrique Nass Aluno da ADL – Laranja da Terra (ES)

APOIO E DIREÇÃO Sou da Igreja Luterana. Vim para a ADL atraído pela música, pela educação social e pelas experiências com outras culturas, pessoas e opiniões. Valorizo muito o trabalho social da instituição, que não fica presa apenas ao ensinamento da Bíblia. Gosto das inserções voluntárias. Já participei de uma inserção no Abrigo Rainha Sílvia (RJ) e Lar Ebenezer (PR) e também realizei uma formação musical no Festival Internacional de Música Erudita e Popular. Em 2011, minha mãe faleceu. A ADL foi o apoio para mostrar a direção que eu deveria tomar na vida .

Carlos Eduardo Holz Aluno da ADL – Itarana (ES)

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Resgate de um menino da roça Com a voz calma, jeito fraternal e beirando os 70 anos de idade, o advogado Valdemar Holz tem uma história de vida que sintetiza o potencial transformador da ADL para a realidade das pessoas da zona rural. Ele é filho de pequenos agricultores descendentes de pomeranos e alemães instalados na Barra do Empoçadinho, próximo à Serra Pelada, em Afonso Cláudio (ES). Até os 10 anos, Valdemar só falava o pomerano e o alemão, idiomas praticados pelos pais dentro de casa e predominantes em sua comunidade. Foi nesta idade que o então menino tímido da roça ingressou na ADL, depois que o pastor Artur Schmidt convenceu os seus pais a deixá-lo estudar. Valdemar foi aluno da primeira turma de internos formada pela Escola Bíblica, que mais tarde viria a ser ADL. Ali, ele aprendeu a falar e escrever em português. “Aprendi muita coisa. Era como um segundo grau, com aulas de História, Geografia e outras. Os professores eram pastores”, lembra. Depois da ADL, enquanto os demais colegas foram para o Rio Grande do Sul estudar Diaconia ou Teologia, Valdemar Holz optou por trabalhar no cartório de Serra Pelada. “Meus pais não tinham condições de me mandar para fora”, conta. Ele firmou-se na nova atividade e transformou-se no primeiro tabelião que falava pomerano e alemão, conquistando a confiança de pessoas destas descendências: “Vinha gente até de outros municípios. Alguns chegavam a cavalo. Muitos também não falavam português. Eu atendia no cartório, conversava com eles, dava orientação. Foi uma forma de retribuir o que aprendi na Escola Bíblica”, relata, acrescentando que também se transformou no juiz de paz da comunidade e presidente da paróquia. Dali, Valdemar Holz foi para a Alemanha estudar Administração Hospitalar por indicação da Igreja Luterana em parceria com o governo alemão, visando à administração dos recursos daquele país que fo-

ram aplicados na construção do Hospital Evangélico de Domingos Martins. “Uma das exigências era que um brasileiro fizesse este acompanhamento, e eu fui indicado”, conta. Quando retornou, Valdemar mudou-se para Domingos Martins, assumiu a construção e, depois, a administração do hospital, quando também decidiu cursar a faculdade de Direito. Ele foi ainda secretário municipal da Prefeitura por duas vezes, uma na pasta de Saúde e a outra na de Administração. Para Valdemar, a ADL abriu-lhe o campo de visão e as portas do mundo. Hoje, ele está aposentado e continua morando em Domingos Martins, onde tem por hábito registrar fatos que resgatam a história da ADL.

Aos 10 anos, na ADL, aprendi a falar português .

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EXEMPLOS DE OPORTUNIDADES

Chance para uma vida diferente O casal Armando Saick e Maria Pagung, médico e farmacêutica respectivamente, também estudou na ADL entre 1972 e 1976. Descendentes de pomeranos, filhos de agricultores e originários da zona rural do município de Vila Pavão, os dois viram na instituição a oportunidade de continuar os estudos, já que as escolas de sua região ofereciam no máximo até a quarta série. “A ADL era a chance de uma vida diferente. Era a chance de estudar e de crescer”, afirma Armando Saick, que conheceu Maria Pagung quando eram alunos da entidade. Depois, os dois casaram-se e foram morar no Rio Grande do Sul para continuar estudando e trabalhando, entre 1976 e 1994. Armando Saick cursou Medicina na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS e fez residên-

cia médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital Materno-Infantil Presidente Vargas, em Porto Alegre. Maria, por sua vez, estudou Licenciatura em Letras e Farmácia também na UFRGS. Em janeiro de 1994, o casal mudou-se para Santa Teresa (ES), onde hoje exerce suas atividades profissionais, na clínica Saúde Plena. “A ADL abriu portas para um mundo até então desconhecido. Quando fomos para lá, não sabíamos o que era um internato. Aprendemos a conviver com colegas, a fazer atividades do dia a dia, como a limpeza das salas de aula, plantio de hortaliças e serviços de cozinha. Enfim, aprendemos a ser quem somos hoje”, relata Maria Pagung. “Este começo foi fundamental para nos dar o impulso inicial para seguir estudando e focado em um grande objetivo”, finaliza Armando Saick.

DEPOIMENTO DE EX-ALUNO

A PRÁTICA DA DIACONIA Estudei na ADL de 1999 a 2001. Foi um divisor de águas em minha vida. O meu mundo limitado passou a ter horizontes que apontavam para além das minhas expectativas. A convivência com os colegas e professores, o estudo das disciplinas e a inserção prática foram impactantes no meu desenvolvimento. Muito do que exerço hoje na atividade ministerial, a forma como concebo o mundo e a postura frente à vida, a ADL foi relevante nesse processo. Além do aprendizado, do exercício da espiritualidade e do desenvolvimento, a ADL me deu a oportunidade de uma viagem com um grupo de alunos, acompanhados da Diretora, a comunidades na Alemanha. Depois de ordenado Diácono da IECLB e atuar em dois campos de atividade ministerial, tive outra experiência maravilhosa com a ADL: atuei como educador social de 2011 a 2013. Foi gratificante fazer parte da missão da ADL na formação de jovens. A ADL tem como fundamento a ética cristã que é o amor e o cuidado ao próximo baseado nos ensinamentos de Jesus. Isto é a essência da Diaconia. Desde a sua fundação, a ADL busca exercer seu testemunho e a prática da Diaconia em meio à sociedade. Portanto, a sociedade é beneficiada quando uma instituição visa capacitar seres humanos mais conscientes e potencializa a sua participação na construção de uma sociedade melhor .

Vanderlei Boldt Bacharel em Teologia, Pós-graduado em Pedagogia Social e Ensino Religioso e Diácono da IECLB. Atua como Capelão no Hospital Estatual Dr. Jayme dos Santos Neves – HEJSN na Serra (ES)

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Equipe, democracia e respeito O trabalho em equipe, o exercício da democracia e um projeto com mulheres da roça são algumas das experiências inesquecíveis para a ex-aluna, ex-professora e ex-coordenadora de projetos da ADL, Valdete Berger, que carrega consigo a maior lição aprendida no período em que esteve na entidade: o trabalho com amor e dedicação, valorizando e respeitando o ser humano e a natureza. Atualmente professora em Vila Pavão (ES), onde também atua como diácona ordenada na comunidade religiosa e realiza atividades voluntárias com adolescentes, ela diz que tornou-se uma profissional crítica, criativa e comprometida com o que faz. “Este diferencial, eu devo à ADL”, ressalta Valdete, que é descendente de alemães e pomeranos da região de Vila Pavão. Ela foi estudar Diaconia na ADL em 1987 e, paralelamente, cursar Habilitação ao Magistério na escola pública Joaquim José, em Serra Pelada. Depois, atuou como professora e coordenadora na instituição entre 1990 e 1996. Das recordações daquele período, fala com emoção do projeto “Mulheres ajudam mulheres a se ajudar”, realizado pela ADL em parceria com a Alemanha. “Comecei neste projeto quando era aluna do terceiro ano e continuei por mais seis anos. O foco eram as mulheres trabalhado-

ras da roça e da vila de Serra Pelada, promovendo encontros, oficinas e palestras”, explica a professora. Para ela, foram momentos marcantes com a troca de experiências, reflexões, desabafos e tomada de consciência em relação à violência doméstica e ao machismo. Além de abrir caminhos profissionais, Valdete Berger diz que a ADL também é responsável pela sua participação na Comunhão de Obreiros Diaconais – COD, que integra pessoas que passaram pela ADL (ES) e pelo Seminário Bíblico Diaconal (RS). Enquanto aluna da ADL, ela diz que experimentou o que é viver numa grande família, onde as regras devem ser de fato respeitadas para que a casa funcione. “Lembro das assembleias do Grêmio Estudantil, onde os problemas eram resolvidos coletivamente com alunos e professores. Isso me marcou muito e me ensinou o que é democracia. Aprendi a gostar de política”, destaca. Enquanto professora, o que mais recorda é o trabalho em equipe: “Nossa equipe semanalmente sentava na sala dos professores, onde falávamos abertamente das nossas alegrias e dificuldades. O tempo nunca foi impedimento para que diretor e professores estivessem juntos planejando, executando e avaliando as ações”.

DEPOIMENTO DE EX-ALUNO

VIDA EM COMUNHÃO Estudei na ADL de 2010 a 2013, onde tive embasamento para ingressar na faculdade de Teologia em São Leopoldo (RS). A ADL foi o primeiro passo para realizar o meu sonho de ser pastor. Nela, conheci mais sobre a história da Igreja Luterana e convivi com pessoas de outros estados e culturas diferentes. Aprendi a viver em comunhão e a respeitar a diversidade. Vejo-a no futuro como uma casa que vai formar cada vez mais lideranças para a Igreja Luterana. Ela a ajuda a refletir sobre a vida, a ser uma pessoa crítica enquanto cidadão e como lidar com os erros e acertos nossos e dos outros. A ADL incentiva a viver em sociedade, fazendo a diferença na comunidade e na vida das pessoas . Jeferson Buss Ex-aluno da ADL e atualmente estudante de Teologia em São Leopoldo (RS)

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EXEMPLOS DE OPORTUNIDADES

Alunos e professores (2014): estudantes capixabas e de outros estados

Acolhida além das fronteiras A oportunidade de formação oferecida pela ADL já extrapolou as fronteiras capixabas. A cada ano, cresce o interesse de alunos de outros estados. Atualmente, a entidade abriga estudantes do Mato Grosso, Rio de Janeiro e Pernambuco, entre outros. Um exemplo é Vanessa Zanella Batschke, 17 anos, do Mato Grosso. Ela descobriu a instituição por intermédio de uma pastora de Santa Catarina, que havia estudado na ADL. “Aqui, eu gosto de conviver com as pessoas e do aprendizado nas áreas de educação, saúde e música”, observa Vanessa, que pretende futuramente fazer a Faculdade de Teologia. Para ela, o curso da ADL dá uma base para atingir o seu objetivo de ser pastora, realizando inclusive o sonho de seus pais. A estudante fez o primeiro ano na ADL em 2015 e deseja optar pela música no quarto ano. Já Michele Pereira de Oliveira, 16 anos, veio do Rio de Janeiro e chegou à instituição num momento difícil em sua vida. Ela conheceu o Abrigo Rainha Silva, que abriga mulheres em situação de risco social, e lá ficou sabendo da ADL. “Cheguei à ADL por meio de um pastor, que fez a sugestão à minha mãe”, conta. Michele diz que era muito tímida e que foi muito bem acolhida na ADL, conseguindo, aos poucos, deixar a timidez para trás.

Ela enfatiza que, se não fosse a instituição, não teria a oportunidade de estudar música, uma descoberta em sua vida. “A ADL faz as pessoas crescerem e tem um papel importante para mim”, ressalta, dizendo que, agora, está mais preparada para superar as adversidades devido à vivência na instituição. A estudante já sonha com uma faculdade de dança e artes cênicas. “Na ADL, conheci e me apaixonei pelo teatro”, afirma, frisando que no futuro vai olhar para trás, ver que foi bem encaminhada na vida e que tudo isto se deve à instituição. O estudante José Felipe Fabiano da Silva, 20 anos, é de Pernambuco e em 2015 cursou o primeiro ano da ADL. O seu objetivo é adquirir base para cursar Teologia. “A ADL é uma referência nacional”, frisa, informando que veio para a entidade por orientação de um pastor que conhecia a instituição capixaba. “Adiei a entrada na faculdade para ter esta base”, observa, adiantando que também pretende cursar Psicologia e Serviço Social. “Gosto de ajudar as pessoas”, frisa. Na ADL, para ele, tem sido importante a vivência com as pessoas com suas diferentes histórias de vida. “Aqui, os jovens aprendem a viver e são orientados para os desafios”, ressalta.

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DEPOIMENTO DE PARCEIRO

Instituição modelo com valores essenciais A ADL escolheu trabalhar com nossos adolescentes e jovens, períodos muito vulneráveis na vida das pessoas, pois são as fases de escolhas decisivas para o futuro (profissão, formação, namoro) e para a vida cristã. Isto nos leva a pensar na instrução dos nossos jovens, o que a ADL vem fazendo muito bem ao longo dos seus 60 anos, acolhendo e integrando os futuros pastores, diáconos e catequistas com muito amor. Esses estudantes chegam de toda parte, ficando fora de casa e sentindo falta da família e dos amigos. Porém, a instituição tem profissionais capacitados para momentos de integração e de compartilhamento de um ombro amigo, de palavras de carinho e de incentivo. A ADL tem na sua essência a educação e, em virtude disto, a vejo como escola-modelo, com altos valores que precisam ser mantidos. É aí que entra o trabalho de parceria com a Oase do Sínodo Espírito Santo a Belém, madrinha com muita honra dessa instituição. Por meio de campanhas

de alimentos não perecíveis, materiais de higiene e limpeza, toalhas de mesa e roupas de cama, colaboramos para a manutenção da ADL, além de orações em seu favor, na certeza de que estamos auxiliando na formação de cada estudante que trará retorno para as nossas comunidades e sociedade. Na parceria ADL–Oase, muitos projetos já foram concretizados e muitos ainda poderão ser realizados. São duas instituições a serviço da IECLB, com muito orgulho. A Oase, por meio do seu lema, ‘Comunhão, testemunho e serviço’, sente-se responsável por esta instituição que o criador nos confiou e, em troca, dela recebemos apoio para alegrar nossos encontros com cantos, oficinas, palestras e apresentações teatrais. Como mulheres da Oase, que Deus nos ajude a sermos jardineiras deste imenso jardim que é a ADL .

Evanir Burzelaff Borchardt Presidente Sinodal da Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas – Oase

DEPOIMENTO DE EX-ALUNA

PELO BEM DE TODOS E TODAS Minha história na ADL começou quando eu tinha 14 anos. Sempre gostei de música, participava de muitos grupos em minha comunidade e buscava algo a mais para minha vida pessoal. Isto me motivou a ir para lá. Foram três anos no curso de Liderança Comunitária com ênfase em Diaconia. Na ADL, a convivência é o que mais nos ensina, desde lavar pratos até ajudar no jardim. Nas inserções e assessorias em comunidades, conhecemos pessoas, lugares e compartilhamos saberes. Foi um tempo de mudança e crescimento em minha vida. Passei a dar valor às pessoas e não aos bens, a me preocupar e respeitar, a cuidar e lutar pelo bem de todos. Além disso, tive a oportunidade de trabalhar como professora de flauta e de boas maneiras e na organização da casa. O momento mais marcante na ADL foi o intercâmbio na Holanda. Se hoje sou o que sou, devo muito a esta casa, que me acolheu e me ensinou a viver. A ADL tem papel fundamental em minha vida. Muito obrigada!

Roana Clara Gums Ex-aluna e estudante de Teologia na Faculdades EST, em São Leopoldo (RS)

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EXEMPLOS DE OPORTUNIDADES DEPOIMENTO DE PARCEIROS

Juntas em favor da formação dos jovens A Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas – Oase e a ADL mantêm uma relação de parceria, pois sempre que possível os jovens da ADL participam dos nossos encontros com sua música. A Oase também participa e realiza campanhas para a instituição nas comunidades, visando angariar doações e acolhendo os jovens enviados para estágio nestes locais. A ADL é uma importante referência na formação de jovens e cativa-os com a música, além de incentivar uma melhor qualidade de vida deles e das comunidades capixabas. Vejo um merecido reconhecimento da ADL quanto à formação musical dos jovens que

por ela passam. Isto acrescenta muito na formação dessas pessoas, que se sentem vocacionadas a procurar uma formação teológica e profissional mais específica. Que ela continue atuando com esse olhar diferenciado para a formação dos jovens, principalmente na área da música. E que como a Oase, que procura ser e espalhar o bom perfume de Cristo pelas comunidades, a ADL também continue a ser o bom perfume de Cristo para todos os jovens que por ela passam .

Rejane Beatriz Joahann Hagemann Presidente da Oase Nacional

Marco educacional e em lideranças A ADL é um marco educacional no município de Afonso Cláudio, formando lideranças através da educação. Diversas pessoas que passaram pela ADL, hoje, ocupam posições de destaque na sociedade. Isto é fruto de uma educação mais ampla, que envolve caráter e responsabilidade social. A instituição tem também uma interação muito grande com a comunidade. Os trabalhos desenvolvidos pela ADL com a cultura, a agricultura orgânica e a saúde são extremamente importantes para o nosso município. A ligação com a música é expressada nos corais e nos trombonistas. A instituição contribui para o resgate e a preservação das culturas pomerana e alemã. No campo da saúde, tem o trabalho de prevenção ao câncer de pele. No meio rural, exerce uma

influência muito grande, especialmente na agricultura familiar e orgânica. A maioria dos alunos da instituição são jovens da área rural, que são preparados para exercer a liderança e ter uma nova relação com o campo. Eles aprendem a administrar propriedades, a produzir alimentos mais saudáveis e a buscar novas alternativas de renda, reforçando os seus vínculos com o meio rural e buscando qualidade de vida. Muitos alunos retornam para suas comunidades, onde são multiplicadores dos novos conhecimentos, tornam-se líderes e contribuem para o desenvolvimento e fortalecimento das atividades rurais . Wilson Berger Prefeito Municipal de Afonso Cláudio

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DEPOIMENTO DE PARCEIRO

Fé e ecumenismo A ADL é um orgulho para a Paróquia Evangélica de Confissão Luterana de Serra Pelada, onde a presença da instituição faz toda a diferença. É movimento! Como comunidade luterana, conseguimos ser uma Igreja mais jovem e viva. A espiritualidade perpassa os trabalhos da ADL junto com a comunidade local. Sempre quando a ADL ‘aparece’, o momento é para fortalecer a fé. Uma das contribuições para a Igreja Luterana é a capacitação de lideranças musicais para atuar nas comunidades. Também fortalecemos o ecumenismo. A abertura ecumênica, com diversas celebrações ao pé da cruz no Morro do Cruzeiro, em Serra Pelada, e a Semana de Oração pela Unidade Cristã acontecem com as igrejas Católica e Luterana. Na educação, com a ADL em Serra Pelada, os adolescentes conseguem cursar o ensino médio. Se

não tivéssemos os alunos da ADL, com toda certeza, não haveria aulas de ensino médio na Escola Elvira Barros, por existirem poucos estudantes na região. No município, também temos muitos outros impactos da ADL, com o trabalho dos alunos no Centro de Convivência dos Idosos e no hospital local, os projetos para o desenvolvimento sustentável, o resgate à cidadania e a valorização humana. A contribuição na cultura local é significativa. Além das apresentações musicais e do Teatro do Oprimido, anualmente, a ADL realiza a Wurst Fest (Festa da Linguiça), tendo a parceria da Associação dos Agricultores, do Grupo de Dança e da Escola Elvira Barros, visando manter viva a cultura pomerana . Paulo Marcos Jahnke Pastor da Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em Serra Pelada, em Afonso Cláudio

DEPOIMENTO DE EX-ALUNO

MINHA SEGUNDA E ETERNA CASA O bem mais precioso que aprendi em quatro anos de ADL: oferecer o que temos de melhor é estar em consonância com o próprio Evangelho de Jesus Cristo vivo em nossos dias. Na ADL, se constrói uma família. E quando falo em família me refiro a seres dispostos a servir. A ADL me deu a oportunidade de fazer uma inserção voluntária em Rondônia, na Escola para a Vida, onde atuei como professor de música para crianças humildes. Outro ponto marcante foram os estágios no Centro de Convivência em Laranja da Terra (ES), em nossa mais humilde forma de lidar com idosos. Agora estou em São Leopoldo (RS), cursando Teologia, para num futuro próximo ter o privilégio de anunciar esse Menino Jesus, que deve nascer todos os dias dentro de nossos corações . Gustavo Mundt Klug Ex-aluno da ADL e atualmente estudante de Teologia na Faculdades EST (RS) – Laranja da Terra (ES)

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EXEMPLOS DE OPORTUNIDADES

Mãos estendidas à família Lüdtke Fui professora de música da ADL durante 20 anos. Cheguei na instituição quando tinha 11 anos. Eu morava na roça, meu pai faleceu e minha mãe, na época com 30 anos, ficou em dificuldade com os quatro filhos. Foi quando um pastor da localidade de Crisciúma, no município de Laranja da Terra (ES), aconselhou minha mãe a ir para a ADL com os filhos. Fomos acolhidos e residimos nas dependências da instituição. Minha mãe trabalhou na cozinha. Eu e meus três irmãos estudamos lá. Um dos meus irmãos, o Josias, depois foi secretário da instituição e trabalhou nela até falecer, em 1988. Eu cursei três anos na Faculdade de Música do Espírito Santo – Fames. Neste período, eu dava

aulas de música na ADL e ia a Vitória uma vez por semana para estudar. Deixei a ADL em 2009 e me casei em 2010, indo morar em Iúna (ES), onde hoje continuo como professora de música. Todos estes fatos mostram a importância da ADL em minha vida. É como a minha segunda família. Ali aprendi tudo sobre a vida. A instituição estendeu as mãos para toda a minha família, numa ocasião vital para a sobrevivência de todos. Além disto, os alunos da ADL saem de lá com uma educação incrível . Matilde Lüdtke Ex-aluna e ex-professora da ADL

DEPOIMENTO DE PAI

ESPERANÇA NOS JOVENS DA ADL Minha filha, Veronica Kunn, 16 anos, está há um ano na ADL. Se eu soubesse que seria tão bom, já teria enviado-a antes. Ela já era educada, mas tornou-se ainda mais. Conversa com as pessoas em voz baixa e com respeito, tem um jeito especial de tratar a mim e à mãe. Minha filha está no segundo ano do Curso de Liderança Comunitária. No quarto ano, ela deverá fazer Cuidador de Idosos. Também está aprendendo música. Eu e minha esposa atuamos em mutirões e organização de festas para ajudar a manter a ADL. Para mim, é uma grande alegria ver jovens juntos e fazendo este trabalho num mundo que a gente pensa que está perdido. Ficamos esperançosos com estes jovens .

Lorivaldo Kunn Pai de aluna e empresário de Santa Isabel, Domingos Martins (ES)

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INFRAESTRUTURA E EQUIPE

Alunos da turma de 2015

Espaço confortável abriga até 80 alunos em alojamento A ADL não cobra mensalidades dos alunos, mas pede uma contribuição para auxiliar nas despesas com alimentação e energia. Se a família não tiver condições, é concedida a isenção e também buscado apoio financeiro de parceiros e doadores, a maioria das comunidades luteranas. A Associação tem uma infraestrutura confortável para abrigar até 80 alunos em alojamentos. Num espaço de mais de 36 mil metros quadrados, dos quais 3.361 são de área construída, a sede da entidade é um complexo com 38 quartos, oito salas de aulas, um salão (capela e auditório), uma sala de informática, uma sala de orientação social e diálogo, uma biblioteca com mais de 11 mil livros e um refeitório para até 90 pessoas.

As instalações ainda contam com lavanderia, almoxarifado, padaria e cozinha industriais, estufa com sistema hidropônico para produção de alface e outras verduras e uma moderna sala para cursos e degustação de cafés especiais. Já a área externa é formada por um amplo pátio, jardim e campo de futebol para prática esportiva. Além da formação complementar e da hospedagem, a instituição oferece aos alunos roupa lavada e seis refeições diárias. Divididos em masculinos e femininos, os quartos são compartilhados entre dois ou três estudantes e monitorados por um educador social. A ADL ainda possui uma propriedade rural de 13 hectares, em Serra Pelada. Além do cultivo de café e de frutas, o sítio possui maquinário para beneficiamento do café, realizando secagem, despolpamento e pilagem.

ADL:

Orgulho para o Espírito Santo Há 60 anos nascia um sonho e com ele uma proposta transformadora que marcaria para sempre a vida de centenas de jovens e famílias. Parabéns, ADL, motivo de orgulho para todos os capixabas.

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INFRAESTRUTURA E EQUIPE

A equipe trabalha de forma apaixonada e integrada com os valores da ADL

Equipe pronta para ensinar, ajudar e compartilhar experiências Muito mais do que um espaço físico, a ADL é formada por pessoas. São elas que dão vida à instituição e contribuem com a formação dos adolescentes. São 16 profissionais que atuam nas áreas de Superintendência, Educação Social, Administrativo e Secretaria, atividades de manutenção, cozinha, padaria e lavanderia.

EQUIPE ADMINISTRATIVO: Siegmund Berger (Superintendente e ministro pastor da IECLB), Cristiano Riam Berger (Secretário) e Everton Kalke (Coordenador administrativo). EDUCADORES SOCIAIS: Alex Reblim Braun, Alzira Ratunde, Douglas Kalke, Emikellen Lauvrs, Gilmar Hol-

lunder, Rafael Pagung, Wendel Ponaht Blanck, Willa Buecker e Jeferson Buss (voluntário). APOIADORES: Elzira Bragança Hammer (cozinheira chefe), Tereza Besserte Zibell (cozinha e lavanderia), Rosângela Manske Bragança (padaria e cozinha) e Rodrigo Bull e Zenil Potratz (manutenção e serviços gerais).

ADL prepara-se para obter titulação de Oscip A ADL está se preparando para obter a titulação de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – Oscip, o que facilitará a captação de recursos e parcerias com instituições públicas e privadas em níveis municipal, estadual e federal. Hoje, a instituição é reconhecida como de Utilidade Pública Municipal e Estadual pelas leis nº 853, de 16/06/1980, e nº 3.517, de 29/12/1982, respectivamente. Também está inscrita no Conselho Municipal de Assistência Social de Afonso Cláudio sob o número 010/1999 e no Conselho de Direito da Criança e do Adolescente do município de Afonso Cláudio sob o número 08/2013, além de ter o Título Municipal de Entidade Benemérita, conce-

dida pela Câmara Municipal de Afonso Cláudio no dia 31 de outubro de 2005. A formação oferecida pela ADL é certificada ao aluno e está na categoria de “Curso Livre”, em conformidade com a lei nº 9394/96 e o Decreto nº 5.154/04. Já a manutenção da instituição acontece por meio de doações espontâneas, captação de recursos com a IECLB e organizações patrocinadoras. Os familiares e apoiadores dos estudantes também contribuem para o pagamento de despesas. As receitas patrimoniais e coletas da IECLB são as principais responsáveis pela manutenção da ADL, que ainda realiza festas e tem a produção do seu sítio como reforço no caixa.

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DEPOIMENTOS DE QUEM COLABORA E COLABOROU

Mudanças e alimento Trabalho há 28 anos como cozinheira na ADL. Ela foi muito importante em minha vida, pois me deu emprego num momento de grande necessidade. Eu e meu marido trabalhávamos na roça, quando ele ficou doente. Consegui este trabalho para sustentar a família. Depois de dois anos, a ADL me cedeu uma casa até eu ter condições de adquirir uma. Graças a este trabalho, criei meus três filhos. Um é enfermeiro em Vitória, o outro trabalha como pedreiro e minha filha é merendeira escolar em Afonso Cláudio. Atuando na cozinha, vi muita mudança na ADL. Antigamente, os alunos eram mais tímidos. Hoje, são mais alegres. O alimento tornou-se mais farto e me-

lhor. A escola passou por crises, mas depois que o pastor Siegmund Berger assumiu, muita coisa mudou e melhorou. Hoje, a ADL é bem movimentada, com muito evento. Na Festa da Linguiça, realizada pelos moradores de Serra Pelada, produzimos cerca de 800 quilos de linguiça típica dos pomeranos e usamos o defumador da cozinha. Tenho mais amor pela ADL do que pela minha própria casa .

Elzira Bragança Hammer Cozinheira da ADL, ex-trabalhadora rural e moradora de Serra Pelada

Um caminho diferente Estudei na ADL entre 1989 e 1991 e, nela, também trabalhei como professora entre 1999 e 2000. Lecionei Catequese, Ética, Artes e Teatro. Coordenei o grupo de teatro, a oficina de artes e o Grupo Espaço, participando da gravação do CD ‘Um Caminho Diferente’, cujo nome foi para lembrar a proposta da ADL. Não foi fácil ser professora da ADL e também estudante de nível superior. Durante os dois anos em que lecionei, eu fazia faculdade de Pedagogia em Colatina com aulas presenciais e percorria diariamente 180 quilômetros, além de ser mãe e esposa. Mas tenho muito orgulho de fazer parte desta história e ter incentivando os jovens a estudarem nesta instituição. Minha filha Isabela Abel Gumz, 21 anos, estudou na ADL e, atualmente, o meu filho, Luiz Pau-

lo Abel Gumz, é aluno. A ADL prepara os jovens com projetos de vida. Esta formação faz todo o diferencial na minha personalidade, no meu trabalho como pedagoga, mãe e mulher. As pessoas que passam pela ADL têm um diferencial que é fundamental para a vida: olhar a pessoa na sua totalidade. Eu sou o que sou por causa da ADL .

Nilza Abel Gumz Diácona da IECB, ex-aluna e ex-professora da ADL. Atualmente é pedagoga da EEEFM “Luiz Jouffroy”, em Laranja da Terra (ES)

ADL: 60 ANOS DE COMPROMISSO COM A FORMAÇÃO DOS

JOVENS PARA VIVER E SERVIR A SOCIEDADE

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TRADUÇÃO DA CARTA ENVIADA EM 2012 PELO PASTOR ARTUR SCHMIDT Augsburgo, 14 de fevereiro de 2012. Prezado Valdemar e família, Está passando do tempo para responder a sua carta de 6 de novembro de 2011. Motivo desse atraso foi além de tudo, a turbulenta época de Natal com passagem do ano, problemas de saúde para uma pessoa de quase 87 anos de idade, como também a dificuldade para leitura das escritas, que mesmo com uma lupa se torna difícil para mim. Caso ainda não tenha feito, quero agradecer pelo lindo calendário que mandou. Você dedicou tão apreciáveis saudações, que me alegram e me fazem bem. Estou tão bem quanto é possível para uma pessoa da minha idade. Todos os dias ainda posso levantar e cuidar de mim sozinho. Almoço recebo da casa, o café da manhã e lanche da noite eu mesmo faço. Para a residência, eu disponho de um serviço de limpeza. No mais, me valem os medicamentos para dominar o dia a dia. Em 2011, tive quatro visitas do Espírito Santo, entre elas a Teresa SchwanzBurzlaff e Anselmo Felberg. A próxima visita já está marcada, é a irmã de Madalena Kempin de Califórnia, que se encontra a passeio na Alemanha. Além disso, mantenho bom contato com o Pastor Siegmund Berger, que prezo muito como competente sucessor porque realiza o seu trabalho muito bem. Na próxima semana, dia 22 de fevereiro 2012, pode-se festejar em Lagoa o 56º aniversário da Escola Bíblica, respectivamente FDL/ADL. Entrementes, os primeiros alunos das classes iniciais ainda vivos também estão se aposentando. O que se deu daquele modesto e primitivo começo? Uma Obra Educacional para utilidade da juventude do Espírito Santo e um auxílio para as comunidades espiritosantenses. Deus derramou as suas Bênçãos sobre ela porque por nosso empenho somente, éramos incapazes de realizá-la. Com isso, penso também na minha querida esposa, que se empenhou cem por cento, como também no Inácio Felberg e no casal Lourenço e Alvina Seibel. Não é de se esquecer da Dª Maria Kalk, a fiel colaboradora durante muitos anos. Os 12 alunos da classe inicial vejo vivos na minha frente, eles são inesquecíveis! Muitos de nossos alunos se tornaram multiplicadores quando transmitiram tudo aquilo que aprenderam em Lagoa com sucesso para as suas famílias, como também para os seus concidadãos e, com isto, se transformaram em depositários de Bençãos em favor de muitos. Um deles se chama Valdemar Holz, que pode servir de Benção para muitos. Isto fica especialmente claro através de seu filho Estevão, que se tornou um exemplar empresário, proporcionando emprego e subsistência para muita gente, o que é motivo de muita alegria para mim. Cordiais Bençãos com votos de boa saúde e bem-estar para você e sua família. Saudações. Vosso Pai da Escola Bíblica Artur Schmidt.

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A Associação Diacônica Luterana agradece pelo apoio recebido da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, do Sínodo Espirito Santo a Belém e das Uniões Paroquiais Guandu, Santa Maria e Jucu para a confecção desta revista.

Como ajudar a ADL A ADL é uma entidade sem fins lucrativos e depende de doações materiais (alimentos, material de limpeza, material pedagógico, livros e outros) e ajuda financeira de qualquer valor. Os materiais podem ser entregues na própria sede da instituição. Já as doações financeiras podem ser feitas nas seguintes contas bancárias:

DOAÇÕES NO EXTERIOR Doações/Donations/Geldspenden PARA DEPÓSITOS EM EURO Nome: Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil Conta-corrente – Konto>: 2 318 121 026 Banco: UBS Deutschland – Conta-corrente Ballindamm 33 – 20095 Hamburg – Germany AGÊNCIA: Hamburg – Alemanha

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Código da Agência Bankleitzahl (BLZ): 502 200 85 SWIFT: SMHBDEFF Iban: DE10 5022 0085 2318 1210 26 DOAÇÕES NO BRASIL BANCO DO BRASIL Agência: 0761-7 Conta-corrente: 3005-8 Informar o depósito no e-mail: financeiro@adl.org.br

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Av. Valdemiro Nitz, 285 - Serra Pelada Afonso Cláudio – Espírito Santo – Cep: 20.603-000

(27) 3735-7060 | www.adl.org.br

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Revista comemorativa da ADL - 60 anos  

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