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Revista do Comercio ACP 2011-12

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CAPA __

_CAUTELA E POSSIBILIDADES O economista confirma a constatação da redução do consumo interno e a queda na taxa de crescimento da economia brasileira. Para ele, as incertezas trazidas pela crise favorecem a especulação cambial e devem valorizar o dólar em relação ao real. As consequências são claras: aumento dos preços das importações, de insumos, matériasprimas e alimentos; transferência desta variação cambial para os produtos e repasse destes custos ao consumidor e redução de vendas no comércio ao longo de 2012, seja pela variação positiva de preços das mercadorias e serviços, como pelas pressões inflacionárias decorrentes. “No âmbito do agronegócio, deve ocorrer uma retração da demanda por alimentos e matérias-primas, promovendo uma redução no valor dos produtos de exportação, como no volume físico das vendas”, completa Saboia Cordeiro. Mas nem tudo está perdido. “Ao que tudo indica, teremos no Brasil a adoção de políticas anticíclicas em 2012, como forma de compensar os efeitos da crise externa”, prevê o economista, acreditando que os recursos disponibilizados pela União serão aplicados em projetos nos setores da construção civil pesada, como portos, aeroportos, usinas e linhas de transmissão, além de infraestrutura para a Copa do Mundo, rodovidas e saúde, entre outros setores. Para os comerciantes, Saboia Cordeiro dá uma dica preciosa: “é recomendável estar atento, restringindo ou reduzindo suas compras e mantendo o mínimo de estoques”. Isso porque o cenário internacional e interno, de acordo com o economista, deve estreitar as possibilidades de investimento. Porém, ao mesmo tempo abrem-se janelas de oportunidades para melhorias do próprio negócio, com foco no aumento da produtividade, novas formas de organização e parcerias, visando crescimento do lucro e aumento da renda.

_ KANITAR AYMORÉ SABOIA CORDEIRO: “TEMOS FORTE EVIDÊNCIA QUE A CRISE EXTERNA JÁ ESTÁ PRESENTE NA ECONOMIA BRASILEIRA”

EM VIRTUDE DO DINAMISMO DA ECONOMIA ATUAL, É IMPORTANTE SALIENTAR QUE ESTA ENTREVISTA FOI CONCEDIDA À REVISTA DO COMÉRCIO EM NOVEMBRO DE 2011.

_GASTAR OU GUARDAR? Uma economia mais lenta, porém não estagnada, demanda cautelas, principalmente porque os efeitos da crise internacional demorarão ainda um longo tempo para permitir a recuperação plena de todas as economias atingidas. “Isso significa que o Brasil continuará tendo que administrar sua economia, exercitando diferentes instrumentos de política fiscal e monetária como forma de minimizar ou neutralizar seus efeitos”, explica Saboia Cordeiro. Entre estas políticas, como ressalta o economista, está a restrição de crédito pelo Banco Central, reduzindo o capital de giro para pessoas físicas e jurídicas. Portanto, lá vem mais uma dica: “gaste nas coisas essenciais, com cautela e moderação. Guardar ou poupar é recomendável, bem como aplicar em investimentos conservadores”.

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