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REVISTA 21 É FINALISTA DO 6O PRÊMIO SEBRAE DE JORNALISMO

REVISTA DA ACIJ

Economia l Negócios l Tendências Joinville, maio/junho 2014. No13 R$ 10

EFEITO

COPA

Analistas refletem sobre o impacto de uma possível vitória da seleção brasileira na cena político-econômica


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Visão Acij

Nem otimismo, nem surpresa Carlos Rodolfo Schneider, vice-presidente da Acij O desencanto dos investidores internacionais com o Brasil após a euforia dos primeiros anos que se seguiram à crise de 2008 demonstra a superficialidade com a qual são analisados os fundamentos econômicos dos países. Tanto o otimismo inicial quanto a surpresa atual são injustificáveis. As políticas anticíclicas adotadas pelo governo após a crise já permitiam enxergar a realidade presente. As decisões foram acertadas, no que estimularam o consumo das famílias, especialmente pelo aumento do crédito até então escasso. Mas era previsível que, em algum momento, seria atingido o limite prudencial de endividamento dessas famílias, quando o Brasil deveria ter disponíveis outros apoios para continuar sustentando o crescimento econômico. Por outro lado, as políticas foram equivocadas no que criaram despesas públicas permanentes, quando o próprio nome diz que esses estímulos deveriam ser transitórios, para aquecer temporariamente a economia. Aumentos de quadros e de salários de servidores, por exemplo, que são incomprimíveis, se ajudaram a evitar a recessão, contribuíram com a criação de um problema que hoje trava o crescimento: excesso de gastos públicos correntes e baixa taxa de investimento. O investimento que deveria ter sido a prioridade para reforçar a competitividade da economia foi sempre sacrificado para fechar as contas nacionais, quando não travado por burocracias intermináveis e corrupção institucionalizada. Ao mesmo tempo em que apostava todas as cartas no consumo da nova classe média, o Brasil beneficiou-se enormemente com a demanda chinesa por commodities. Esse fator nos permitiu acumular um volume inédito de reservas internacionais, cegando as autoridades para um crescente processo de perda de competitividade da economia, que vinha afetando fortemente a indústria de transformação no país. Questões que não se pode perder de vista na campanha eleitoral que vem aí. Nesta edição, a partir da página 32, analistas convidados pela Revista 21 refletem sobre o cenário político-econômico após a Copa do Mundo.

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TAMBÉM NESTA EDIÇÃO

4 Abre aspas

Nova queda do país em ranking de competitividade

18 Objetos do desejo

Bola no pé – e a cervejinha na temperatura ideal

20 Briefing

Certificações atestam segurança hospitalar

30 Em números

Por trás das estatísticas na geração de empregos

40 Performance

Ferramentarias querem ver o Inovar-Auto deslanchar

44 Espaço Acij

Aguiar apresenta balanço da gestão

58 Ponto e contraponto

Qual deve ser o o foco da governança corporativa?

62 Cabeceira

Literatura é tema de programa na TV Sesc

68 Vitae

Luiz Carlos Boebel tem veia de empreendedor

Publicação bimestral da Associação Empresarial de Joinville (Acij)

Conselho editorial: Ana Carolina Bruske, Carolina Winter, Débora Palermo Melo, Diogo Haron, Simone Gehrke. Jornalista responsável: Júlio Franco (reg.prof. 7352/RS). Produção: Mercado de Comunicação. Editor: Guilherme Diefenthaeler (reg. prof. 6207/RS). Reportagem: Letícia Caroline, Ana Ribas Diefenthaeler, Marcela Guther, Karoline Lopes, Mayara Pabst. Diagramação, ilustrações e infográficos: Fábio Abreu. Imagem da capa desta edição: ilustração de Fábio Abreu. Fotografia: Peninha Machado, assessorias de imprensa. Impressão: Impressora Mayer. Tiragem: 3,5 mil exemplares. Contato: revista21@ mercadodecomunicacao.com.br. Publicidade: César Bueno, (47) 9967-2587 e 3801-4897. Correspondência: Av. Aluisio Pires Condeixa, 2550 - Joinville/SC. Site: www.acij.com.br. Twitter: twitter.com/acij. Facebook: www.facebook.com/acijjoinville

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Abre aspas

O evento que é um curso de gestão Guilherme Diefenthaeler Quase um MBA intensivo, em apenas três dias, e com cerca de 20 horas de verdadeiras aulas ministradas por mestres da cena corporativa. Nascida no âmbito da Acij, a Expogestão chegou ao ano 12 consagrada como um dos principais eventos nacionais voltados a refletir sobre os desafios da gestão, reunindo lideranças empresariais dos mais diversos matizes que vêm compartilhar segredos de sua trajetória de sucesso. Em casa nova, no complexo Expoville, o encontro reuniu público de 3.200 pessoas, com muita gente de fora de Joinville – a organização registrou participantes de 115 cidades de 11 Estados – e 6.800 visitantes na feira de negócios paralela ao congresso. O palco se abriu e fechou com chave de ouro. Na primeira conferência, o fundador do Pão de Açúcar, Abílio Diniz, que em 2013 promoveu uma guinada em sua carreira de meio século de varejo ao assumir o comando do conselho de administração da BRF, uma das maiores empresas mundiais de alimentos. Na última, o presidente da BMW, Arturo Piñeiro. Ao todo, 16 renomados palestrantes abordaram temas como empreendedorismo, inovação e competitividade, comportamento, nova geração, design, qualidade de vida e mundo digital. “A Expogestão se destacou pela grade qualificada, o que traz um ‘problema’ para 2015: como superar a programação deste ano”, orgulha-se o presidente da comissão organizadora, Albano Schmidt. Nas próximas páginas, entrevistas com dois convidados que marcaram presença neste ano: o professor Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral (FDC), e o antropólogo Roberto DaMatta. 4


ANDRÉ KOPSCH/DIVULGAÇÃO

Carlos Arruda

“Chegamos a um ponto de urgência” Titular do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral (FDC), uma das mais reputadas escolas de negócios do Brasil, o engenheiro mecânico Carlos Arruda, doutor em Administração Internacional pela Universidade de Bradford (Inglaterra), foi portador de más notícias em sua conferência na Expogestão. No mesmo dia, coincidentemente, a FDC e o International Institute for Management Development (IMD) anunciavam os resultados da versão 2014 do Índice de Competitividade Mundial. A conclusão é desalentadora: pelo quarto ano seguido, o Brasil desce alguns degraus no ranking

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internacional, ocupando o 54º lugar, dentre os 60 países classificados nesse indicador que mescla fatores econômicos e regulatórios com percepções do empresariado para definir patamares de competitividade. “O Brasil está piorando em relação ao próprio Brasil”, lamentou o professor. Nesta entrevista à Revista 21, ele alerta para a emergência de algumas reformas, mas rejeita o “mito” de que o setor público brasileiro é ineficiente por natureza e, mesmo ante o quadro geral traçado pela pesquisa, defende uma atitude empreendedora para substituir o negativismo por uma “agenda construtiva”.

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Os resultados da pesquisa surpreendem? Em que aspectos? Sim, mas não tanto. É o que eu chamo de “fenômeno Argentina”. O que se observou, na Argentina, na Turquia, na Grécia, é que, se os fatores sistêmicos – desempenho da economia e eficiên­cia de governo – não avançam, eles tendem a gerar um retrocesso também nos demais. O que se tem são dois indicadores em declínio. Mesmo que os outros pontos relacionados à competitividade (infraestrutura e eficiência empresarial) estejam sustentando, há tendência de impacto negativo, porque envolvem o próprio modelo, à medida que a atividade empresarial é naturalmente dependente do contexto em que opera. Se não se faz reformas na legislação, não aumenta a eficiên­ cia do processo administrativo público e os fatores econômicos (taxa de juros etc.) não melhoram, isso se reflete na atividade empresarial. Motivação para investir? Com a taxa de juros do jeito que está, com o spread bancário do jeito que está, minha motivação é baixa. Se o custo do trabalho aqui representa 110% do salário, enquanto na China essa proporção é de 30% e no México, 50%, não consigo fazer concorrência com os produtores chineses e mexicanos, por exemplo. Se você olhar, hoje, a linha branca no Brasil começa a ser toda importada, da China ou do México. Temos uma pesquisa em que fornos, coisas pequenas, em Casas Bahia ou Magazine Luiza, ou são chineses ou são mexicanos. Praticamente não se encontra mais nada brasileiro. O que é “brasileiro”, de uma empresa brasileira chamada Suggar, ela produz na China. Não dá para competir. Voltando à pesquisa, o que não esperávamos era o tamanho da queda. Até então, o Brasil vinha caindo gradualmente, uma ou duas posições, mas sustentando a distância em relação 6

aos países mais competitivos. Neste ano, a queda foi mais abrupta. E o que foi que pegou? Por um lado, a queda significativa do comércio internacional na formação do PIB brasileiro. Mas há mais. O relatório da pesquisa se baseia em dados estatísticos e percepções de futuro. E a motivação decaiu muito. Não no geral, mas na perspectiva de crescimento dos negócios. Esse pessimismo de 2015 está tomando conta da agenda das pessoas, e isso é ruim. Já vimos algo assim na Colômbia: lá, houve um momento em que tudo vinha dando certo, o governo agindo corretamente, mas a comunidade empresarial estava pessimista e a economia não conseguia crescer. O Brasil vive isso agora. Então, o indicador de eficiência empresarial teve quedas expressivas nos indicadores de percepção, mais até do que nos estatísticos. E o que provocou essa queda? A falta de melhorias na infraestrutura, que continua ruim. O aumento da preocupação com a questão da energia, que é uma agenda nova – o Brasil sempre esteve entre os piores do mundo no custo da energia para a indústria e, neste ano, somou à questão do custo a perspectiva de disponibilidade de energia no futuro. Também as questões regulatórias (não houve melhorias no sistema trabalhista, tributário etc.), e, para completar, a burocracia continua operando com o mesmo grau de ineficiência, o que gera perda de motivação. O fato de não melhorar em infraestrutura traz perdas de produtividade – porque transfere o problema, como herança. Tome-se o exemplo do setor agrícola: tem altos ganhos de produtividade, processos, produção mais eficiente, equipamentos mais

eficientes, sementes mais produtivas etc., mas, na hora de transportar essa soja para o porto, absorve toda a ineficiência do sistema de logística, quando chega ao porto absorve a ineficiência do sistema portuário etc. Daí que a somatória é baixa produtividade. E foi isso que ocorreu neste ano. O Brasil é pouco competitivo, e a cada ano parece que o cenário vem se agravando. Como é que se explica que o país continue atrativo para investidores internacionais? É fato: são 16 posições que perdemos em quatro anos. Um absurdo. A nossa foi a maior queda, logo atrás veio a Índia. O que explica são 202 milhões de habitantes. Esse é o ponto positivo do Brasil, que, sim, permanece atrativo. O Brasil não tem só coisa ruim, felizmente. Nível de desemprego muito baixo, uma sociedade orientada ao consumo... Há uma “fórmula mágica” na economia doméstica que é perfeita para sustentar as oportunidades de atração de investimentos e crescimento da economia. O problema é que ela é limitada, já chegou ao limite e não consegue mais garantir sozinha o crescimento econômico se não se somar à outra dimensão, que é a economia internacional, internacionalização de empresas brasileiras, ganhando não só na venda de produtos mas no lucro, ganhando capital sobre o que é gerado lá fora. E, nisso, o Brasil está muito fraco, muito pobre. A atuação do governo federal não vem favorecendo possíveis mudanças nesse cenário... A agenda do governo é doméstica. Tem uma agenda muito boa de inclusão social, associada com a geração de oportunidades de emprego. Mas um governo precisa de


OS FATORES QUE AFETAM A COMPETITIVIDADE O Índice de Competitividade Mundial analisa dados de 60 países, anualmente, desde 2010. Os dados, baseados em desempenho econômico, eficiência do governo, eficiência empresarial e infraestrutura, são coletados em pesquisas e estatísticas de organismos internacionais (FMI, Banco Mundial, OCDE, OIT), ins­tituições privadas (CB Richard Ellis, Mercer HR Consulting, PriceWaterhouseCoopers etc.) e fontes nacionais. A partir dessa análise, é criado um ranking, representado no gráfico abaixo. Cada linha representa um dos 58 países do ranking – Latívia e Emirados Arábes Unidos não faziam parte do estudo em 2010. O Brasil ocupava a 38a posição em 2010. Caiu 16 posições desde então. O pior desempenho do período foi em eficiência empresarial, enquanto infraestrutura se manteve estável, num nível baixo. Em eficiência governamental, o Brasil era próximo à Islândia. Em 2014, os islandeses abriram larga margem. BRASIL

PAÍSES SELECIONADOS

RESTANTES DOS PAÍSES

RANKING DO BRASIL

Governo

Infraestrutura

Economia

Eficiência empresarial

Geral

2010 2014

2010 2014

2010 2014

2010 2014

2010 2014

52o

49o

37o

24o

38o

58o

52o

43o

46o

54o

Alemanha

Japão

Lituânia

Islândia

México México Lituânia

múltiplas agendas. Um ponto fraco é a política externa, relações internacionais, exportação etc. Onde está essa agenda? Não se vê que as relações exteriores estejam na pauta de prioridades. Tem a Apex, que é um órgão do Sebrae mantido por custos de impostos, parte dos impostos pagos na folha de pagamento vai para o sistema Sebrae e dali para a Apex. Não sai nada do governo. Passa pelo governo, mas somos nós que estamos pagando. A Apex é a única agência brasileira de fato orientada para apoiar pequenos e micro exportadores.

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No Brasil, comércio internacional é ficção, a pauta de exportações é concentrada em uns poucos grandes players, não vemos um Executivo preocupado com isso. Não existe no Brasil uma política de comércio internacional agressiva, compatível com a política de redução de IPI para aumento do consumo de automóveis. As políticas brasileiras são desequilibradas, totalmente orientadas para a economia doméstica. Isso gera outras distorções. A cadeia do automóvel é toda para o mercado doméstico, o Brasil praticamente não exporta

automóveis. Por quê? Não existe uma Hyundai brasileira, uma Kia brasileira. Um produto intermediário de primeira linha. Equivalente ao que há na Índia, com a Tata, uma empresa nacional orientada ao mercado. A agenda do setor automotivo é de multinacionais, e esta é de maximizar o retorno sobre o capital investido no mercado brasileiro. Não dá para ser muito otimista com relação ao aumento de exportações pelo Brasil, diante do câmbio desfavorável e desse

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Espero que, na campanha presidencial, a agenda seja assertiva. O Brasil precisa de mudanças, de melhoria na infraestrutura, no sistema regulatório etc., independente de quem estiver na liderança cenário todo... Afora que as condições globais estão muito difíceis. Com a redução da importação provocada pelas crises na Europa e nos Estados Unidos, principalmente Europa, aqueles fornecedores ficaram se perguntando “para onde eu vou?”. A resposta foi o mercado latino-americano. Nós estamos sendo deslocados. Se olharmos a pauta de importação de Colômbia, Peru, Chile, Argentina, vamos ver que em muita coisa o Brasil está sendo deslocado, substituído por chineses, coreanos, até vietnamitas, que estão com uma pauta mais compatível aos interesses desse mercado. O sr. falou sobre estes novos números de competitividade em sua palestra na Expogestão. Qual a reação da plateia quando ouve esse tipo de análise? Não dá uma frustração generalizada? Dá um desespero. Mas o empreendedor mesmo não fica desanimado. Ele pensa como pode superar essas deficiências. Como pode transformar essa realidade. Temos que sair da agenda negativa para uma agenda construtiva. É o apelo que eu faço. Mas, claro, a primeira reação das pessoas é de frustração mesmo. No contexto de campanha presidencial, esse tipo de tema vai ocupar maior destaque nas plataformas dos candidatos? O sr. espera que eles estejam mais atentos a essas questões que 8

configuram os atrasos do Brasil? Espero que sim. E espero que eles não vejam esse como um tema político. É um tema administrativo, como venho chamando atenção. A melhoria da competitividade do Brasil não passa pela agenda política, e sim pela administrativa – é ação, não é discussão. Temos compromissos a realizar com investimentos em infraestrutura que estão sendo adiados ou avançando de maneira lenta. Veja o PAC: não implementamos 60% do previsto. Espero que a agenda de discussão seja de pró-atividade, de assertividade. O Brasil precisa dessas mudanças, de melhoria na qualidade da educação, de infraestrutura, do sistema regulatório, independentemente de quem estiver na liderança do país. E isso chegou a um ponto de urgência. Como os movimentos sociais que tomaram as ruas do país desde o ano passado afetam esse cenário? Contribuem ou dificultam? Difícil responder, mas vejo que são de curtíssimo prazo. São mais de reação do que de proposição. Não estão propondo nada em termos de transformar o país. Expressam apenas uma insatisfação. Acho que dificultam, à medida que estão um tanto desordenados, sem uma pauta. Se você voltar em outros tempos, dos caras-pintadas, havia uma pauta, de acabar com a corrupção etc. Quando conseguiram o que queriam, pararam. Hoje, sem

uma pauta, corre-se o risco de se promover manifestação pela manifestação, o que é um fenômeno social interessante. Tem um autor já falecido que fez um estudo sobre isso, esses movimentos de “manada” das populações. Ele mostrava que chega um determinado ponto em que o próprio movimento alimenta o movimento, não tem mais causa. Poderia dizer que isso aconteceu no primeiro movimento no ano passado, quando o fruto dos protestos na Turquia detonou as manifestações no Brasil. Até poderia haver muitos motivos para protesto, mas o que inspirou mesmo foram os movimentos na Turquia. O lado negativo é esse, da retroalimentação. Aí se perde o controle. Retomando a questão da competitividade, existe um discurso recorrente no Brasil que tudo o que vem do setor público é ineficiente e que o setor privado é campeão de excelência por definição. Qual a origem disso? É uma falácia, e isso foi provocado por estudiosos sérios, o próprio Keynes falava que o setor privado tem a força de um leão e que o setor público é um paquiderme. Estudos mais modernos mostram que não é assim. A questão está na eficiência em si. Empresas ineficientes são piores que um setor público ineficiente, porque elas morrem, ao contrário do setor público. O desafio é preservar, buscar a eficiência. Lógico, se você tem uma atividade produtiva que gera resultado, gera lucro, um serviço, talvez ele seja melhor localizado no setor privado porque ali você tem cobrança, premiação, metas e consequência. No setor público, não, há um nível menor de reconhecimento e responsabilidade. Isso preserva um pouco o ambiente menos adequado às transformações. Porque, se uma empresa não


está funcionando de maneira adequada, ela quebra e é substituída por outra. Então esse processo natural do sistema empresarial gera uma ambiente mais favorável. Mas tem atividades como uma agenda de desenvolvimento do país que são de ordem pública. Tenho dúvidas se a segurança e outras afins deveriam ser privadas. Agora serviço, estradas, telefonia, comunicação, não há dúvidas de que são atividades caracteristicamente privadas. Quanto a referências positivas do setor público, o sr. já destacou o caso da Receita Federal. Mais algum exemplo? Há pouco tempo, eu diria o BNDES, mas caiu na minha lista. Em alguns momentos, vi o BNDES buscando ser tão eficiente quanto um banco privado. Mas agências públicas com a força de um BNDES não estão isentas de interesses políticos. Aí, a agenda política interfere nas questões administrativas. A vantagem da Receita Federal é que ela não depende de agenda política. Todo mundo concorda que tem que ser eficiente. O nível de tributação e outros aspectos não são problemas dela, e sim do Executivo. Talvez outras agências – cito a Embrapa, que é semipública – que têm autonomia no seu processo de decisão e que não dependem de jogo político possam ser tão eficientes quanto a Receita Federal. O sr. mencionou o nome do empresário gaúcho Jorge Gerdau, que há anos levanta a bandeira de reproduzir, no setor público, algumas práticas e experiências de empresas privadas. Por que é tão difícil que esse tipo de proposição sensibilize e vá adiante? Por causa da questão política. Ele é um homem que pensa racionalmente, e a cabeça política não é ra-

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A melhoria da competitividade do país não passa pela agenda política, e sim pela administrativa. É ação, não é discussão. Temos compromissos a realizar que estão sendo adiados ou avançando de maneira lenta para as necessidades cional, tem jogo de interesses, jogo de poder. Pelo que sei, o modelo de eficiência administrativa que ele implantou, não só na indústria Gerdau, mas na Santa Casa de Porto Alegre e em alguns outros órgãos, exige isso, independência do processo de decisão, para gerar o resultado proposto para aquela atividade. No sistema público, tem a questão política, tem jogo de influências muito forte. Se a agenda não está integrada, há dificuldades naturais. Em uma empresa, os acionistas buscam maximizar o retorno, valorizar os ativos, e todo mundo está alinhado em torno disso – na atividade pública, isso não é verdade, uns buscam favorecer uma camada ou uma região em detrimento de outra. O que atrapalha um processo racional de desenvolvimento da capacidade de gestão, que é o que vejo o Gerdau pregando, é o fato de estarmos em um contexto muito mais politizado do que o empresarial, que não opera no mesmo diapasão. Se esse tipo de iniciativa fosse adiante, todas as partes sairiam ganhando, não? As chances são de que sim. Mas nos lembremos de que em jogo político nem “todo mundo” sai ganhando. Sai ganhando quem pensa assim. Que papel vêm tendo escolas de negócios como a Fundação Dom Cabral no sentido de disseminar esse tipo de preocupação no meio empresarial?

Primeiro, de melhorar a atividade empresarial no Brasil. Dos anos 1970 para cá, o Brasil deu saltos fenomenais, com sistemas de qualidade e uma gestão mais profissional. Escolas de negócios e serviços de apoio a empresas, de maneira geral, além de associações empresariais, vêm desempenhando esse papel de ganhar eficiência e produtividade na gestão. O professor Michael Porter, que é um dos mentores desse tipo de análise, em um determinado momento chegou a propor que se invertesse a lógica, e, já que o ambiente é improdutivo e as empresas são produtivas, transformássemos o ambiente. Só que isso não funciona. A proposta de se usar a qualidade do setor privado para aprimorar o setor público, no Brasil, na Argentina, em outros lugares, não funcionou. Em alguns países, sim, houve um processo interessante. A Colômbia adotou esse modelo, o Chile... O atual presidente da Colômbia é um executivo, o ex-presidente do Chile foi um empresário. É mais difícil fazer isso em grandes economias, com um ambiente de grandes contradições e jogo político, como o Brasil. Precisaria, talvez, de uma reforma política. O que nós não estamos fazendo, em escolas como a FDC, e faço o mea culpa disso, é formar líderes públicos. Formamos líderes empresariais. É difícil chegarmos lá. Formar líderes para a sociedade é, talvez, o grande desafio das escolas de negócios hoje.

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ANDRÉ KOPSCH

Roberto DaMatta

“O planeta não aguenta este nível de consumo” Um dos mais reconhecidos antropólogos do Brasil, professor titular do departamento de ciências sociais da PUC do Rio de Janeiro e professor emérito da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, quebrou paradigmas ao falar sobre comportamento em meio a uma programação de conferências com sotaque mais corporativo, na Expogestão deste ano. À plateia, afirmou que o modelo de meritocracia adotado por muitas organizações causa inveja à medida que exige padrões de medição da produtividade nos negócios. Ressaltou, também, que as “raízes hierárquicas” vigentes no país estão “fortemente fincadas na colonização portuguesa”, e discorreu sobre as origens do famoso “jeitinho brasileiro”, como uma forma de autoafirmação. Antes da palestra, concedeu entrevista na qual reconheceu que, em geral, o público empresarial ouve com surpresa esse tipo de raciocínio e advertiu para os riscos que o planeta sofre com o consumo excessivo. Autor de duas dezenas de obras, como “O Que Faz o Brasil”, Da Matta lançou em 2010 o livro “Fé em Deus e Pé na Tábua”, com reflexões sobre o trânsito caótico das grandes cidades. Também é colunista dos jornais “O Estado de S. Paulo” e “O Globo”, além da Revista Época. 10

O sr. veio a Joinville, em um evento corporativo, para falar sobre comportamento. Tem percebido o público empresarial mais preocupado com essa temática? O empresariado brasileiro precisa conhecer melhor determinados aspectos da sociedade em que atua. Tive uma experiência interessante quando visitei a Marcopolo e conheci o fundador da companhia, Paulo Bellini, um homem de 87 anos, uma pessoa maravilhosa. Fiz uma palestra para a associação empresarial de Caxias do Sul e ele me recebeu. Falei de marcos da história do Brasil, como o passado escravocrata, que não pode ser esquecido porque explica o nosso populismo político, o messianismo, por que as pessoas se deixam fascinar quando você promete mundos e fundos para quem ganha pouco e por que há um sistema tão absurdo no Brasil. Um sistema com diferenças salariais incrivelmente altas – há uma distância enorme


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O Brasil é um país com possibilidades muito grandes. Essa nossa capacidade de relacionamento, de conjugação das contradições, de adequação de propostas políticas, ideológicas e religiosas, é um aspecto que se sobressai entre o que ganha um professor universitário e o que ele paga para sua empregada doméstica, é absolutamente discrepante. Não valorizamos o trabalho, não valorizamos aquilo que faz a pessoa trabalhar melhor. Já ousei fazer palestra para profissionais de RH. Uma coisa em que eles não prestam atenção, nessa área, é a questão dos rituais. O simbolismo que existe quando você é incorporado em um grupo... Qual a maior inquietação que o sr. percebe por parte do empresariado, nessas palestras? Não diria inquietação, o que às vezes percebo é uma surpresa absoluta com tudo isso, parece que não pensaram nessas questões. Como o sr. analisa a gestão das empresas brasileiras do ponto de vista dos relacionamentos humanos? Percebe uma abertura maior da gestão? Há inúmeras empresas familiares no país e muitas têm problemas, em algum momento se dissolvem. Tanto que uma área bastante desenvolvida no Brasil é a que acompanha processos de sucessão. A resistência de se tratar da questão da herança é enorme. Já os norte-americanos têm uma responsabilidade com o coletivo, com a construção do espaço público, maior que nós. E têm mecanismos do Estado que instigam, que aumentam essa percepção, como o imposto sobre herança, que não existe no Brasil. Assim, o sujeito milionário deixa tudo para a família e

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pronto. A gente não deixa para universidades, por exemplo, porque elas são federais e não aceitam. Lembro um caso que aconteceu na década de 1970, em que a IBM queria dar não sei quantos computadores para a Universidade Estadual de Campinas. Pois houve um movimento na universidade para não aceitar, porque a IBM era americana. Hoje, a mentalidade mudou bastante. A variedade é muito grande na gestão das empresas. Grandes empresas brasileiras são subsidiárias norte-americanas, que trazem modelos dos Estados Unidos e da Europa. Não é à toa que a BMW está aqui em Santa Catarina, tem um componente cultural que é real. Você vai a Nova Friburgo, no Estado do Rio, e é realmente diferente, há uma obsessão por horários que é incrível. Minha experiência com a Marcopolo me deixou impressionado. O carisma do sr. Bellini é a simplicidade, calça jeans, sapato comum, dirige seu próprio automóvel. Ele me levou à fábrica original, onde começou a Marcopolo. Todos os operários falaram com ele, que conhecia alguns pelo nome. Não era a falsa familiaridade dos políticos com os eleitores durante a campanha. Era autêntico. Em Caxias do Sul, existem empresários que chegaram lá com uma mão na frente e outra atrás e construíram suas vidas. O mais importante seria fazer a difusão disso pelo Brasil. É possível se construir um industrial em uma sociedade como o Brasil, desde que você trabalhe. O Brasil é um país com inúmeras possibilidades, essa nossa capacida-

de de relacionamento, de conjugação das contradições, de adequação de propostas políticas, ideológicas e religiosas que em outros países geraram guerra... No Brasil, não houve guerras religiosas. As lutas são por melhores condições de trabalho e, hoje, a questão do transporte público, o grande nó que estamos vivendo e é difícil consertar – porque depende de recursos públicos, de todos nós. Temos uma capacidade de relacionamento muito grande, de aceitação muito grande de tipos intermediários. E isso é um capital empresarial, econômico, social, político, fundamental para este século. Qual a leitura o sr. faz do atual momento econômico no Brasil? Escrevam o que estou falando, este vai ser o século da desmontagem do capitalismo desenfreado de consumo. Não por religião nem por ideo­ logia, mas por circunstâncias ecológicas. O planeta não aguenta este modo de produção capitalista basea­do na ausência total do suficiente. O que é suficiente para um país ser considerado um Estado de bem-estar social? Ele tem que produzir automóveis para abarrotar o mundo? Quantos pares de sapato uma mulher precisa para se sentir feliz? Essas questões não dizem respeito a posições políticas, mas porque o planeta começa a dar sinais de cansaço. A gente fala que o Brasil é um milagre porque os portugueses não davam autonomia para nenhuma capital brasileira, para nenhum tipo de produto ou comércio, para nenhuma independência. E, como vocês, aqui, são especialistas em inovação de engenharia, empresarial, nossa cultura é o contrário da inovação. Somos tradicionalistas. Até que ponto os cientistas sociais estão conseguindo decifrar os movimentos sociais organizados


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através destas novas redes? Que revolução é esta? Ninguém sabe. É como se fosse perguntar para o Lutero, no século 15, quando ele pregou na porta da igreja o famoso manifesto, se aquele era um movimento que iria gerar uma revolução dentro do cristianismo. Os cientistas sociais são “pobres diabos”, faço parte desta confraria diabólica há mais de cinquenta anos, é a única coisa que fiz na minha vida. A vida universitária brasileira é tremendamente pobre em termos de instalações, salários etc. O sistema universitário brasileiro recusa o mercado, o cara da universidade aqui ganha a mesma coisa que em outras grandes cidades. Esse é um entrave imenso para a inovação. Ninguém vai sair de onde tem o pai, a mãe, a família, para ir para outro lugar ganhar o mesmo salário. O sistema de ensino brasileiro do século 21 é do século 19: a escola primária e a secundária, que formam o cidadão que vai fazer pressão para a mudança, são públicas – e o ensino universitário, o “creme”, é federal. Uma das origens desses movimentos foi o protesto por melhores condições para o

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transporte público... Uma decisão governamental acabou com o transporte público brasileiro e com a malha ferroviária, no governo JK. Agora, estão querendo reconstruir. É uma vergonha empresarial e política. O modelo que se escolheu para o transporte brasileiro, para o trânsito, é individualista. Vejo na Ponte Rio-Niterói, onde passo todos os dias, dezenas de automóveis só com um passageiro. Dei aulas na Califórnia, em 1981, e já à época via naquela bela ponte de São Francisco a informação de que, levando quatro pessoas no carro, poderia pagar menos pedágio. A gente não pensou em algo assim no Brasil. Se o pedágio é caro, você pode transformar, pensando nesse cara que dirige o carro sozinho, se ele chamar três vizinhos... Mas o fato é que não gostamos de vizinhos, temos ódio de vizinhos, não temos ideia da comunidade. Vivemos um relacionamento vertical, uma hierarquia. Como estou vendo os movimentos? Existem várias possibilidades. O que se verifica é uma relação de dissonância entre um governo que se mantém há 12 anos, que prometeu correção moral, que prometeu eficiência, que

prometeu ajudar os pobres, e não cumpriu. Uma dissonância que explodiu no elo mais fraco da corrente. Em todas as cidades brasileiras, o trânsito é um nó. Pagamos um preço imenso pelos automóveis, parte dos impostos era para construir melhores rodovias, mas tem mais carros do que ruas. O que se vê é um infarto, as ruas estão infartadas de automóveis. E há uma política de encorajamento para que todas as pessoas tenham carro. Automóvel é o símbolo do sucesso social. Não conseguimos transformar essa mentalidade, é impossível, mas podemos ao menos criar alternativas; posso viajar de automóvel, pegar uma barca etc. A vitória do Brasil na Copa do Mundo vai dar a eleição para a Dilma? Vou torcer pelo Brasil. Se o Brasil ganhar, a gente já viveu outras copas, cria-se um sentimento de bem-estar geral. É uma onda. Quem surfar melhor pode transformar em impacto eleitoral, ou para vender mais automóveis, ou livros etc. Podem ocorrer muitas coisas. Ou nada, como se viu em outros países.


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Painel

ACIJ NA MÍDIA

Parabenizo a Acij e seu Núcleo de Jovens Empreendedores pela realização da 12ª Expogestão, na qual os participantes tiveram a oportunidade de compartilhar informações e estratégias de gestão com os maiores empreendedores do país. A iniciativa merece elogios pela perfeita organização e densa carga de conteúdos. Ingo Rusch Alandt, presidente da Ass.

Empresarial de Campo Alegre (Aciaca)

Agradeço pela oportunidade de participar do treinamento “Como ser persuasivo e eficiente nas negociações”, que abordou de que forma podemos utilizar a linguagem corporal para direcionar as negociações. Maiara Rafaéla de Carvalho, assessora de negócios da Acij

Gostaria de agradecer pela hospitalidade com que nós, da Log-In, fomos recebidos na Acij. Felipe Rossi, analista de marketing e comunicação da Log-In Logística

O 3º Painel de Cases de Gestão foi uma excelente oportunidade para nos aproximarmos ainda mais do empresariado e mostrarmos um pouco mais do nosso projeto. Ricardo Santin, coordenador de projeto

da BMW

O 3º Painel de Cases de Gestão, do qual participei como mediadora, trouxe riquíssimo conteúdo econômico. Parabenizo a entidade pela iniciativa. Estela Benetti, jornalista Errata: Ao contrário do que registrou a edição de março/abril, à página 29, a fábrica da Krona no Nordeste está completando dois anos de atividades.

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Notícias do Dia, 18/4/2014 “Quando a campanha da Acij foi lançada, Joinville tinha cerca de 374 mil eleitores. Ontem, 38 dias depois, eram aproximadamente 383 mil. Isto é, considerando os dados da organizadora da campanha, foram obtidos 237 votos por dia, em média, nesse período.”

Acij. Em busca do fortalecimento do mercado imobiliário, t e m relatos da trajetória dos profissionais que se reuniram em busca de crescimento e um movimento contínuo de evolução, além de entrevistas sobre os desafios de cada gestão e com autoridades que participaram dos anos de história.”

Blog do Loetz, 9/4/2014 “A Acij vai pedir audiência ao governador Raimundo Colombo para tentar melhorar o desempenho da Fatma na região de Joinville. A decisão foi tomada na segunda-feira, depois que o gerente regional do órgão, José Cabral Vicente, admitiu, durante reunião de diretoria da entidade empresarial, ser inviável dar mais velocidade ao trabalho de licenciamento ambiental, dadas as precárias condições.”

A Notícia, 22/4/2014 “Pensando em sustentabilidade, meio ambiente e mobilidade, especialistas da área e empresários se reuniram ontem no 6o Simpósio de Sustentabilidade do Núcleo de Gestão Ambiental da Acij, que trouxe exemplos do Projeto Cidades para Pessoas.”

Noticenter, 8/4/2014 “O Núcleo de Imobiliárias da Acij entregou no dia 1º de abril o livro ‘Uma Década de Evolução no Mercado Imobiliário’ para o prefeito Udo Döhler. O livro marca os 10 anos do Núcleo de Imobiliárias da

Notícias do Dia, 17/4/2014 “Para o presidente da Acij, Mario Cezar de Aguiar, os números (de criação de empregos) apurados pelo Caged são o reflexo da pujança de Joinville. ‘A cidade está muito bem situada – perto de portos e da BR-101 –, possui mão de obra qualificada e ainda uma economia diversificada’, salientou Aguiar.”

TENHO DITO

“Já vivi momentos imensamente mais graves do que vemos hoje. Não há razão para o ceticismo dos empresários brasileiros.” Abílio Diniz

PRESIDENTE DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA BRF, NA ABERTURA DA EXPOGESTÃO 2014


CURSOS & EVENTOS

18 de jun a 9 de jul Curso Estratégias para a Gestão de Recursos Humanos 3461-3344 ou capacitacao@acij.com.br

24 e 25 de junho

Curso Gestão de Conflitos no Trabalho 3461-3344 ou capacitacao@acij.com.br

1o e 2 de julho

Comunicação Integrada de Marketing: Como Planejar e Desenvolver Projetos 3461-3344 ou capacitacao@acij.com.br PORTFÓLIO

O ilustrador convidado para esta edição é Paulo Kielwagen. Formado em design gráfico e pós-graduado em estratégia corporativa, ele já conquistou prêmios como HQMIX e Angelo Agostini, pela história em quadrinhos do Menino Caranguejo. A ilustração selecionada por Paulo retrata o personagem Blue, do seu mais recente livro “Blue e os Gatos”, que registra situações do seu cotidiano com muito humor e referências à cultura pop. A segunda coletânea de histórias do felino está a caminho. Para viabilizá-la, o ilustrador inscreveu o livro no site de financiamento coletivo Catarse. Quem quiser contribuir com o projeto pode acessar catarse.me/pt/blue.

22 e 23 de julho

Curso Liderança e Delegação – Mobilizando Forças na Organização 3461-3344 ou capacitacao@acij.com.br

29 e 30 de julho

Curso Marketing Pessoal e Etiqueta Profissional 3461-3344 ou capacitacao@acij.com.br

4 a 6 de agosto “Trabalhando juntos, conseguimos otimizar os resultados e beneficiar mais pessoas envolvidas no processo. Essa parceria vai proporcionar o turismo pedagógico a mais crianças e ajudar a disseminar a responsabilidade socioambiental.” Raulino Esbiteskoski

PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO TURÍSTICA DE JOINVILLE, SOBRE O TRANSPORTE GRATUITO PARA O TURISMO PEDAGÓGICO

“Muitas vezes, a pessoa acha que não é capaz, fica com medo, acha impossível. Mas tem que superar e acreditar. Ela só vai saber se consegue se um dia tentar.” Rinaldo Puff

Contabilidade Básica para Iniciantes 3461-3344 ou capacitacao@acij.com.br

18 a 22 de agosto

Interplast Feira e Congresso de Integração da Tecnologia do Plástico Expoville, Joinville www.messebrasil.com. br/pt/index.php#sthash. oCwsrcTT.dpuf

CADEIRANTE, ENGENHEIRO SÊNIOR DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DA EMBRACO, DURANTE A 8ª PARAOLIEMBRACO

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Objetos do desejo A CONSUL MAIS tem controle eletrônico de temperatura que varia de 5 a -4ºC

NA TORCIDA, COM ESTILO (1)

O torcedor brasileiro vai ter apoio consistente, nesta Copa do Mundo em casa. E é de Joinville que saem duas novidades diretamente relacionadas ao sublime ato de torcer pela seleção verde-amarela. A cerveja gelada e os sanduíches crocantes estão garantidos – e no ponto! A Consul, uma das marcas fabricadas pela gigante Whirlpool, disponibilizou, no finalzinho de maio, a cervejeira que leva o bar para a casa das pessoas. Isso porque a Consul Mais tem capacidade para armazenar até 75 latinhas. A cervejeira é muito versátil – pode abrigar até um barril de 5 litros, por suas prateleiras removíveis. Além de garantir a cerveja estupidamente gelada, bem ao gosto dos brasileiros, a Consul Mais não congela o produto. Uma novidade que, segundo a fabricante, foi idealizada para merecer lugar de destaque nas varandas gourmets e espaços festivos, em geral. consul.com.br R$ 2.199 O DESIGN é inspirado nas geladeiras de bar. Disponível nas cores vermelha, amarela e titanium

VISTA AMARELO

Camisa da Seleção Brasileira que será usada durante a Copa. Modelos masculino e feminino. Pode ser personalizada www.nike.com.br R$229,90

NA TORCIDA, COM ESTILO (2) O NOVO PRODUTO, também lançado no final de maio, é o único no mercado que vem com uma sanduicheira exclusiva, que não é vendida separadamente e é 100% lavável.

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Junto com a cervejeira, o micro-ondas Consul Mais promete revolucionar as relações entre as pessoas e o tradicional eletrodoméstico. Sua função “Tostex” permite o preparo de sanduíches crocantes e saborosos em poucos minutos. consul.com.br R$ 429


ESTA SÓ COM A AJUDA DO NEYMAR...

Objeto de desejo das 32 seleções que disputam a Copa do Mundo no Brasil, a Fifa World CUP foi criada em 1971 pelo italiano Silvio Gazzaniga para substituir a mítica Jules Rimet, que havia sido conquistada definitivamente pelo Brasil na Copa de 1970. Pesa 6,2 kg e, segundo a Fifa, é de ouro maciço, 18 quilates. O químico inglês Martyn Poliakoff, em entrevista à BBC, duvida: “Com as dimensões que tem, pesaria em torno de 70 kg”. Para a Fifa e os torcedores de futebol espalhados pelo mundo, o valor do troféu não pode ser medido em dinheiro, mas a confecção da taça custou US$ 20 mil.

O TROFÉU representa atletas erguendo o globo terrestre

www.fifa.com Valor inestimável A TAÇA tem 36,5 cm de altura e é pouco maior do que uma garrafa de cerveja

A BASE possui dois anéis de Malaquita. Segundo Gazzaniga, foram usados para quebrar a monotonia da cor e porque os campos de futebol são verdes. Os campeões têm seus nomes gravados na sola do troféu

BOLA INSPIRADORA

Na onda da Copa, a Adidas, patrocinadora oficial da Fifa, fabricante da Brazuca e responsável pelo fornecimento de todas as bolas a ser utilizadas na competição, além dos uniformes dos voluntários, colocou no mercado uma de suas maiores cartas na manga: uma bola de futebol inteligente para quem pretende aprimorar suas técnicas de chute. A miCoach Smart Ball ainda não tem data para chegar ao Brasil, mas já está disponível na Europa e Estados Unidos, tanto nas lojas da Apple quanto via internet. Projetada apenas para treinamentos de cobranças de falta, pênaltis, escanteios e grandes lançamentos, a bola inteligente é dotada de um chip e se conecta a um smartphone via bluetooth, passando informações sobre a performance do jogador. Por enquanto, é compatível apenas com iPhone e iPod Touch. micoach.adidas.com/us/smartball US$ 299 (na Europa e nos EUA) DICAS PARA A NOVA SEÇÃO DA REVISTA 21? ESCREVA PARA REVISTA21@MERCADODECOMUNICACAO.COM.BR

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Briefing PENINHA MACHADO

ACREDITAÇÃO

Excelência hospitalar reconhecida Aprimorar a excelência dos serviços de saúde, para a segurança e o bem-estar do paciente, é o propósito de instituições que vêm buscando o reconhecimento assegurado por processos de certificação e acreditação, sob o aval de organismos internacionais. Acreditação é como se denomina todo um sistema de avaliação da qualidade de caráter educativo e voltado à melhoria contínua. No Brasil, é uma ação coordenada por organizações ou agências não-governamentais. E a trajetória para alcançar esse reconhecimento não é nada fácil, transformando-se em uma conquista bastante comemorada pelos estabelecimentos que chegam lá. Os procedimentos, nacional e internacional, de acreditação obedecem a critérios específicos. No decorrer da avaliação, são considerados, em ambos, serviços prestados desde a área administrativa até a sala de cirurgia. O processo é criterioso, já que os detalhes fazem toda a diferença quando o assunto é qualidade hospitalar. Em Joinville, cinco instituições são acreditadas e apenas uma detém o selo internacional da Joint Commission International (JCI), líder mundial em certificação de organizações de saúde. O Hospital Dona Helena divulgou esse feito no mês de abril, depois de uma caminhada de seis anos. Uma série de mudanças e novos procedimentos foram implantados na unidade, para que tanto a estrutura administrativa quanto o corpo de trabalho se adequassem às diretrizes da avaliação. Grupos como

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Cultura da qualidade: Maria Manuela, da CBA, entregou o reconhecimento ao presidente do Dona Helena, Hilário Wolfgramm o Comitê de Gestão da Qualidade (CGQ), o Comitê de Cuidados Paliativos e o Comitê de Gerenciamento de Riscos foram criados com os objetivos de subsidiar a equipe na organização das atividades que resultariam no selo, aprimorar o atendimento a pacientes que se encontram no fim da vida e identificar pontos que podem gerar problemas institucionais, sugerindo meios para saná-los. A avaliação da JCI se baseia em quatro critérios e mais de 1.100 elementos aplicáveis à unidade de saúde são considerados. No processo, o hospital contou com a parceria do Consórcio Brasileiro de Acreditação (CBA), entidade que representa com exclusividade a JCI no Brasil e auxilia empresas com consultorias e treinamentos. Na solenidade de entrega do certificado, a superintendente do CBA, Maria Manuela Alves dos Santos, sublinhou as evidências que elevam a instituição ao padrão internacional e enalteceu a participação dos funcionários

do estabelecimento, ao longo de todo o processo. “Se não houvesse uma equipe envolvida, não haveria a possibilidade de acreditação. Analisamos se o que está exigido no papel está sendo cumprido na prática, e esse foi o cenário observado no hospital. O envolvimento e a articulação da equipe são perceptíveis, e os pacientes também notam as melhorias”, relata. O Dona Helena é a primeira instituição de Santa Catarina a receber o selo e integra a lista de 26 hospitais brasileiros acreditados pela JCI. “A acreditação é fruto de um trabalho de educação continua­ da que tem como consequência a absorção da cultura da qualidade e segurança. O Dona Helena vem assimilando uma transformação na sua cultura organizacional, influenciada principalmente por uma mudança de comportamento interno”, ressalta Carlos José Serapião, coordenador do Centro de Estudos, Pesquisa, Extensão e Desenvolvimento (Ceped).


“Um processo contínuo” Outras instituições de saúde de Joinville também vêm trabalhando para qualificar seus procedimentos com certificações externas. A Fundação Pró-Rim foi a terceira unidade com processos de hemodiá­lise do país a alcançar o reconhecimento da Organização Nacional de Acreditação (ONA). A certificação é repartida em três categorias. A fundação alcançou a mais alta delas em 2011, depois de seis anos de avanços e preparação. “O objetivo era aprimorar a segurança de procedimentos e o nível de organização de nossos processos internos. No início, foi difícil, precisamos tirar as pessoas de sua zona de conforto, mas conseguimos mobilizar toda a equipe e uma mudança cultural interna muito perceptível foi implantada”, relata Hercílio Luz Filho, presidente da Fundação Pró-Rim. “A qualidade é um processo contínuo e estamos sempre em aprimoramento.” A ONA atua na implantação de um processo permanente de avaliação e de certificação da qualidade dos serviços de saúde no Brasil. A or-

Unimed foi a primeira instituição de Santa Catarina certificada pela ONA: aprimorar processos que envolvem o paciente ganização não-governamental surgiu no país na década de 90, quando iniciativas regionais relacio­ nadas à acreditação começaram a surgir em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul. Em 2010, o Centro Hospitalar Unimed Joinville foi a primeira instituição catarinense classificada com excelência pela ONA. Segundo a coordenadora da

Equipe da Fundação Pró-Rim comemora o diploma da ONA, obtido em 2011: “Precisávamos tirar as pessoas de sua zona de conforto”

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gestão da qualidade, Mariana Castelani, mais que um atendimento exemplar, a certificação é uma maneira de aprimorar os processos que envolvem o paciente. Agora, a unidade parte para uma nova etapa. “Buscamos uma nova acreditação, internacional, para garantir ainda mais a segurança do paciente. A Accreditation Canada comprova a segurança do início ao fim do atendimento”, sublinha Mariana. Certificar a qualidade de processos internos e do atendimento a pacientes não é, ou não deve ser, exclusividade de instituições privadas. Em maio deste ano, servidores do Hospital São José se formaram como auditores internos do Programa de Excelência em Gestão ministrado pelo Centro Brasileiro de Consultoria. O programa padronizou rotinas da unidade, além de melhorar processos de trabalho e definir indicadores de atendimento. A capacitação foi patrocinada pela campanha “Eu Abraço o São José”, organizada pela Acij.

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CIDADES SUSTENTÁVEIS

Joinville planejada a muitas mãos Como será Joinville daqui a 20 anos? Esse é o principal questionamento que norteia a atuação dos integrantes do projeto Cidades Sustentáveis, idealizado pela Câmara Brasileira da Indústria e Construção (CBIC). A iniciativa, lançada no município durante o 6º Simpósio de Sustentabilidade do Núcleo de Gestão Ambiental da Acij, prevê a estruturação de um plano de trabalho para orientar gestores públicos e a própria sociedade na implantação de programas permanentes de planejamento e desenvolvimento sustentável. O grupo, composto por representantes da sociedade civil, empresários, presidentes de associações de moradores e outros interessados, está sendo estruturado para pensar a cidade em um horizonte de duas décadas. Os participantes se comprometem a formular ações, desencadeadas em um planejamento estratégico que contribuirá para o desenvolvimento organizado e rentável. “A partir do momento em que estiver consolidado, o grupo buscará sua própria viabilidade, com

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patrocínios e o apoio do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Joinville (Sinduscon). Os representantes se reunirão mensalmente, concentrando-se na elaboração do planejamento estratégico, para depois apresentá-lo ao poder público”, relata Raquel Sad Seiberlich Ribeiro, assessora da Comissão de Meio Ambiente da CBIC. O Cidades Sustentáveis nasceu em Maringá (PR). Em 1996, representantes da comunidade começaram a se reunir com o propósito de planejar a cidade para os anos seguintes, colocando em prática uma série de ações. Segundo o ex-prefeito de Maringá, Silvio Barros, o engajamen­to da sociedade e do poder público tem funcionado muito bem e, por isso, o município avança. “Primeiro, precisamos planejar a cidade, porque se a gente não sabe para onde está indo é difícil chegar onde se quer. A partir de um interesse inicial, a sociedade foi mobilizada de forma articulada e, a cada ano eleitoral, o novo representante do poder público adota as

Barros, ex-prefeito de Maringá, é um dos mentores da ideia propostas apresentadas pelo grupo. Assim, os projetos têm continuidade e o desenvolvimento ocorre de forma efetiva”, relata Barros. Joinville foi escolhida para o projeto em função da boa receptividade à proposta, à presença atuante do Sinduscon na cidade e, principalmente, ao potencial de crescimento, não apenas demográfico, mas também focado no desenvolvimento sustentável. As outras cidades que participarão do projeto ainda neste semestre são Goiânia (GO), Porto Velho (RO), São Gonçalo do Amarante (RN) e Caxias do Sul (RS).


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ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Menos papéis e mais agilidade Pilhas de documentos nas mesas de trabalho ou nos arquivos da prefeitura de Joinville vão virar coisa do passado. O Sistema Eletrônico de Informações (SEI), inaugurado no início do ano, promete substituir procedimentos que tramitam de maneira física pela via eletrônica, com resultados graduais. O SEI, desenvolvido pelo Tribunal de Justiça Federal da 4ª Região (TRF4) e adotado a partir da assinatura de um termo de cooperação, prevê maior agilidade no andamento de demandas internas, mais facilidade no acesso, transparência e garantia da integridade de informações. Ao diminuir a tramitação física de processos, o sistema permite a adoção de práticas de gestão mais alinhadas aos princípios de sustenta­bilidade, economizando papel. “O SEI substitui a caixa de entrada física e permite que os trâmites internos vigorem eletronicamente. Por meio de assinatura eletrônica, os documentos são aprovados e auten-

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Schüür, da Seplan, garante que todos os trâmites da prefeitura serão por via eletrônica, começando pela assinatura de documentos ticados. Os sistemas existentes atuarão de forma integrada, contribuindo para a resolução mais rápida das demandas”, explica Filipe Schüür, diretor da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplan). No mês de maio, registrou-se a primeira assinatura eletrônica com ato público, na posse do Conselho Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação de Joinville (Comciti). Os encaminhamentos de decretos e ações de descontingenciamento orçamentário também já são eletrônicos. Os procedimentos seguintes a ser incorporados ao SEI são os proje-

tos de lei, sanções e vetos, requisições e compras protocolos administrativos e permissões e acessos aos sistemas de TI. A previsão é de que até o final de 2015 grande parte das ações esteja tramitando eletronicamente. “Estamos promovendo uma mudança cultural na padronização dos encaminhamentos”, relata Schüür. A transparência também aumenta. Um usuário externo pode ter acesso aos documentos do sistema, perante autorização prévia, a partir de um link enviado por e-mail, evitando burocracia dos papéis e até mesmo o deslocamento à prefeitura.

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Aposta na confecção de aromáticos O perfume virou uma forma de identificação de lugares, ambientes e pessoas. Para Lerina Mastruian, aromas servem como ponte de comunicação do passado com o presente, resgatando, por exemplo, lembranças de amores passados e da infância. Pensando nisso, a engenheira química criou a Anirela Aromas, uma empresa focada na criação e confecção artesanal de difusores aromáticos. A ideia surgiu a partir de seu gosto pessoal por difusores, ao observar os preços na hora de fazer compras. Decidiu começar a produzir em sua própria casa – uma forma de aliar conhecimento à paixão por cosméticos e artesanato. “Distribuí amostras para algumas amigas e elas gostaram tanto que a  intenção mais forte partiu do retorno positivo que eu obtinha quando utilizavam meu produto. Percebi que seria um bom mer-

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Lerina, que é engenheira química, mostra um kit de produtos: plano é criar um ateliê para a criação de aromas cado a explorar”, relata a gaúcha de 32 anos. Difusores e lembrancinhas personalizadas para noivas e recém-nascidos são os itens mais vendidos. Além deles, Lerina produz águas perfumadas, sabonetes, escalda-pés e sachês perfumados. Os aromas mais procurados são bambu,  capim cidreira e baunilha. A demanda varia conforme a estação do ano. Apesar de a maior parte do público consumidor ser feminino, homens também procuram a empresa para perfumar o escritório ou o interior de carros. Lerina está satisfeita com a receptividade. “Muitas pessoas elaboram esse tipo de produto,  mas me destaco por entender de quí-

THIAGO E CAMILA FOTOGRAFIA.

EMPREENDIMENTO

mica e porque os meus realmente perfumam.  Por isso, recebo muitos elogios dos clientes. Em 90% das vendas dos difusores que faço, o consumidor realiza a segunda compra, ou seja, é um sinal de que está gostando”. Até agora, a engenheira química toca a empresa com o auxílio de seu marido, que faz a compra de matérias-primas. Mas os planos são de expandir o negócio. “Quero ter um local com um conceito de ateliê para criação de aromas e que seja um ambiente bonito e romântico.  Desejo que a marca seja forte e conhecida nacionalmente por justamente proporcionar alta perfumação”, revela a engenheira.


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Turma do curso que capacitou administradores de condomínios: papel do síndico ganha nova dimensão e cada vez mais relevância GESTÃO

Síndicos vão para a sala de aula Se equilibrar a convivência de quatro ou cinco moradores de uma casa nem sempre é fácil, mais desafiadora ainda é a missão de quem precisa gerenciar os interesses de 2 mil pessoas, em espaços como condomínios residenciais. O papel do síndico ganhou nova dimensão e responsabilidades. Hoje, é encarado como imprescindível para a manutenção do convívio saudável. Precisa tomar decisões, ter noções de contabilidade, gestão financeira e desenvolver competências como disposição para o trabalho em

equipe, habilidades de mediação de conflitos, resolução de problemas e comunicação efetiva. Para atender às expectativas dos condôminos, os síndicos começam a buscar a capacitação. No bairro Vila Nova, o Residencial Vila Germânica é gerido por uma profissional que sabe bem o valor do conhecimento para o bom desempenho de suas funções. Em março, uma semana antes de ser eleita, a síndica Nilsa Martins participou do curso Síndico Gestor Profissional. “O conhecimento transmitido contri-

buiu com meu trabalho. Mudei minha forma de agir e aprendi a tomar atitudes”, relata NIlsa, que antes administrava o Trentino II, um dos maiores empreendimentos habitacionais de Joinville. A função do síndico abrange diversas áreas, como engenharia, psicologia, gestão, legislação e contabilidade. Durante a capacitação, na Acij, os alunos aprenderam noções regulamentação, empreendedorismo, le­gislação, gestão, questões fiscais e de marketing. O curso é dividido em quatro módulos: mercado de condomínios, gestão condominial, legislação e aspectos fiscais. A próxima turma começa em julho. Segundo o consultor Odimar Manoel, os empreendimentos residenciais de Joinville seguem o caminho dos grandes centros urbanos, daí a necessidade de profissionais capacitados. “Os condomínios joinvilenses apresentam as mesmas demandas das maiores cidades do país, pois agregam em suas estruturas as áreas comuns chamadas de home clubs. Quanto mais abrangente a atuação desses residenciais, mais específica deve ser a capacidade de gerenciamento dos profissionais”, relata.

PRÊMIO SEBRAE DE JORNALISMO

Revista 21 é classificada No final de maio, a equipe da Revista 21 recebeu uma boa notícia. Reportagem publicada na edição 10, intitulada “Segredos da escalada”, de autoria do jornalista Guilherme Diefenthaeler, é finalista do 6º Prêmio Sebrae de Jornalismo. De âmbito nacional, o concurso contabilizou 1.395 inscrições de todas as regiões, em seis categorias: jornalismo impresso, TV, rádio, web, fotografia e reportagem cinematográfica. O trabalho da

revista

Revista 21 é o classificado por Santa Catarina em jornalismo impresso e concorre, agora, à premiação nacional, a ser anunciada no dia 12 de agosto, em cerimônia na sede do Sebrae, em Brasília. A reportagem abordava os desafios para o crescimento de pequenos negócios em Joinville, como os entraves burocráticos e a malha tributária, destacando casos de sucesso nesta área e alguns “segredos” que revelaram.

Reportagem sobre desafios das pequenas empresas é destaque

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LINHA DE MONTAGEM

Cinco modelos da BMW serão produzidos em Santa Catarina BMW Série 1

BMW Série 3

BMW X1

BMW X3

BMW Mini Countryman

BMW

Tudo na velocidade certa Desde que a BMW anunciou a vinda de sua fábrica brasileira para Araquari, a expectativa é grande em toda a região. Com o início das operações previsto para outubro, o BMW Group Brasil garante: o cronograma das obras segue rigorosamente em dia. Alguns prédios, como o de montagem e logística, já estão em fase adiantada de construção e o projeto avança na velocidade planejada. Enquanto a unidade localizada às margens da BR-101 não é concluída, a BMW ocupa um bloco do Perini Business Park, em Joinville, onde foi criado um centro de treinamento de alta tecnologia. No local, funciona uma réplica da linha de montagem da futura fábrica, que

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possibilita o treinamento dos profissionais já contratados. A área administrativa e o centro de distribui­ ção de automóveis – de onde sairão todos os carros das marcas BMW e MINI para o restante do Brasil – também já foram instalados. A planta vai ocupar 500 mil metros quadrados de área em um terreno de 1,5 milhão de m²etros quadrados. Sua estrutura produtiva estará dividida em funilaria, logística, pintura e montagem. Serão montados aqui cinco modelos da BMW: Série 1, Série 3, X1, X3 e o MINI Countryman. A planta deve trazer benefícios socioeconômicos para a região e para o Estado. Estima-se que, até o final do ano, 740 novos

postos de trabalho serão ocupados e, até 2015, cerca de 1.300 pessoas sejam empregadas diretamente pela multinacional. O investimento na fábrica ultrapassa a casa dos 200 milhões de euros e resultará em uma unidade com capacidade instalada de 32 mil veículos por ano. A empresa tem participado continuamente de atividades de relacionamento, como na Expogestão deste ano. O CEO do BMW Group Brasil, Arturo Piñeiro, fez a palestra de encerramento. Ele entrou no auditório do evento a bordo do BMW i3, modelo elétrico que será vendido no Brasil, e falou sobre a preo­cupação da empresa em criar produtos tecnológicos e sustentáveis.


VIDA PESSOAL

Lanchinhos naturebas Quem disse que lanchinhos no meio do expediente são sinônimos de gordices ou, no outro extremo, singelas barrinhas de cereal? Se você deseja seguir o velho conselho de se alimentar a cada três horas sem abusar das calorias e sem ter muito trabalho com isso, já há ótimas opções em Joinville que fornecem cardápios saudáveis para aqueles momentos em que bate a fome no escritório e a correria do dia a dia não permite maiores paradas. Dois exemplos bacanas nessa área são a Aloha Alimentação Fit e O Melhor Suco do Mundo. FOTOS: DIVULGAÇÃO

Comida light não precisa ser sem graça

Sanduíches e sucos chegam até de bicicleta

Lanches deliciosos, variados e saudáveis, com amplo cardápio (são 50 itens) que vai de bolos e tortas integrais a frutas, iogurtes, sanduíches, sopas e sanduíches. Tudo entregue na porta da sua empresa com a frequência que você preferir – para um dia, semanal ou mensal – e podendo alternar o cardápio a qualquer hora, via internet. É o que propõe a Aloha Alimentação Fit, aberta há dois anos pela joinvilense Maria Carolina Köpp e sob a responsabilidade técnica da nutricionista Giulya Casas. Farinha e açúcar refinado, queijo ou óleo gordo são ingredientes banidos dos lanches disponíveis. O que não tira o sabor – pelo contrário. “A falta de conhecimento faz com que comida light tenha cara de comida sem graça, o que faz com que a tolerância com lanchinhos diários seja curta”, observa o site da Aloha. O conceito vem agradando a clientela, garante Maria Carolina. Tanto que já são 150 empresas atendidas com esse modelo e uma cartela de produtos cada vez maior, incluindo refeições completas, coffee-breaks, suco verde e alimentos congelados. De janeiro para cá, o faturamento triplicou e a meta, agora, é consolidar o serviço de catering corporativo, com um carrinho tipo serviço de bordo de avião que vai circular por prédios comerciais vendendo lanchinhos frescos. www.alohafit.com.br

Há oito anos, a jornalista Giovanna Locatelli e o empresário Eduardo Wetzel descobriram as maravilhas do suco feito com juicer, centrífuga que extrai o líquido das frutas e hortaliças, dispensando a água. “Foi uma transformação: sentimos mais disposição e reflexos em todo o corpo, da pele ao cabelo”, relata Giovanna. A experiência virou negócio: os dois montaram O Melhor Suco do Mundo na Via Gastronômica de Joinville. São 14 receitas de sucos regulares coloridíssimos, 15 “funcionais” (para ressaca, que faz bem para a pele etc.), sucos verdes e até suco de batata-doce, para atletas de alta performance. Além de uma gama de sanduíches e outras variedades. Com um carrinho de lanches, em uma bike, a equipe de Giovanna vai a locais públicos e eventos frequentados por adeptos de alimentos naturais. Outro serviço é o de encomendas por telefone ou de clientes que passam pelo estabelecimento para buscar seu suco e comer fora. “Desenvolvemos embalagens especiais e práticas para que possam fazer suas refeições em qualquer lugar de forma confortável e organizada.” Entre as estratégias, Giovanna estuda transformar a marca em franquia, abrir uma loja no Uruguai e, em 2015, montar um foodtruck, caminhão com unidade móvel do estabelecimento. www.facebook.com/OMelhorSucoDoMundo

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MARCELO KUPICKI

SUSTENTABILIDADE

Logística reversa gera novo negócio para a Embraco Que destino dar para uma geladeira velha? O volume total de eletrodomésticos de linha branca e refrigeração comercial descartados por ano chega perto de meio milhão de toneladas no Brasil. E a indústria não oferece soluções para reciclar esses produtos. Ou não oferecia. No início de junho, a Embraco anunciou o lançamento de uma nova operação, batizada de Nat.Genius, que vai se concentrar no reaproveitamento de materiais hoje inutilizados. “A partir da coleta de produtos para reciclagem, a inovação que aplicaremos nesses processos possibilitará maior valorização dos materiais, contribuindo para o avanço da economia circular”, explica Reinaldo Maykot, vice-presidente de Negócios e Marketing da Embraco, citando um modelo que repensa as práticas econômicas como um sistema regenerativo, à medida que reaproveita os materiais em outros processos e gera novos produtos. Os benefícios são visíveis: eliminar o desperdício e reduzir o consumo de matérias-primas, além de diminuir o envio de resíduos a aterros. O primeiro passo do Nat.Genius é a operação no Brasil, com 80 funcionários e atendendo a clientes como Whirlpool e Metalfrio, mas já há planos de expansão para EUA, China, México e Europa. “Essa é uma necessidade que crescerá ainda mais com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) –, que prevê responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e o acordo setorial para a logística reversa”, destaca Marcos Fábio Lima, diretor de desenvolvimento de novos negócios.

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Laboratório da Embraco: novos produtos para agregar valor ao que hoje é sucata Em 2012, cerca de 40% dos resíduos sólidos urbanos produzidos no Brasil não foram coletados e tiveram destino impróprio, comprometendo o meio ambiente e a saúde pública. Para ajudar as cidades a implantar, organizar e gerenciar um sistema que assegure destino sustentável aos resíduos é que existe a PNRS, lei desde 2010. Uma das empresas pioneiras nesse campo é a Termotécnica, líder no mercado de embalagens para produtos industriais. Antecipando-se à PNRS, a empresa desenvolveu alternativas inéditas para a reciclagem do EPS (isopor), que era rejeitado nas coletas seletivas. O Programa de Reciclagem de EPS compreende desde a matéria-prima até o produto final, passando pela coleta do material, sua reciclagem e reintrodução no mercado. “Com a logística reversa das embalagens, lideramos todos os envolvidos na cadeia de consumo do EPS, de clientes e varejistas a catadores e consumidores. Uma rede de mais de 1.100 pontos de coletas e 270 co-

operativas”, revela Albano Schmidt, presidente da Termotécnica. “Desde 2007, reciclamos mais de 25 mil toneladas de EPS, superando desafios logísticos, como a extensão territorial do país, e econômicos, como o alto volume e baixo peso do produto”, aponta. O processo evita o descarte anual em aterros de quase seis mil toneladas de embalagens. Integrante da Global Packaging Alliance, que reúne os principais fabricantes do mundo para a troca de tecnologias e soluções em reciclagem, a Termotécnica tem como meta estruturar nas principais regiões do país, em longo prazo, uma logística reversa adequada, com a população sabendo onde e como descartar suas embalagens de EPS. Já foram investidos mais de R$ 10 milhões na instalação de unidades de reciclagem em Manaus, Goiânia, Indaiatuba, Rio Claro, São José dos Pinhais, Joinville e Sapucaia do Sul. A reciclagem gera diversos subprodutos, como rodapés e perfis, vasos, solados e decks de piscina.


Do banner às ações sociais Outra empresa da região que recentemente incrementou a prática da logística reversa é a Tigre. Com projeto lançado em janeiro de 2013, a multinacional brasileira recuperou mais de uma tonelada em materiais de merchandising expostos em lojas de materiais de construção. “Superamos nossa meta de volume recuperado e esperamos engajar ainda mais nossas revendas daqui em diante. Essa iniciativa inédita faz parte de um conjunto de ações de cunho ambiental que a Tigre vem adotando dentro de sua política de sustentabilidade”, explica Maurício Cagnato, gerente de serviços de Mar­keting da Tigre.

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O trabalho recolhe cartazes, faixas de gôndolas, banners, testeiras, displays de balcão, entre outros tantos itens de plástico e papel que constituem suas campanhas, e a equipe Tigre Móvel é responsável por enviar os materiais para reciclagem nas cidades onde a empresa tem unidades fabris, em Camaçari (BA), Joinville e Rio Claro (SP). O valor arrecadado com o processo de logística eeversa é destinado aos projetos sociais do Instituto Carlos Roberto Hansen (ICRH), mantido pela Tigre, que investe em iniciativas voltadas para crianças e adolescentes, nas áreas de educação, cultura, esporte e saúde.

DIVULGAÇÃO

Material publicitário é reciclado

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Em números

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Um excelente mais do mesmo Os 5.917 postos de trabalho criados em Joinville nos três primeiros meses de 2014 estabeleceram um novo recorde: desde 2007 – primeiro ano com dados disponíveis no Caged –, a cidade não via um primeiro trimestre tão positivo. Mas uma análise mais aprofundada dos últimos sete anos recomenda cautela. Em geral, os trimestres subsequentes não acompanham o desempenho do início do ano.

EMPREGOS CRIADOS NO PRIMEIRO TRIMESTRE Pelo terceiro ano consecutivo, Joinville melhora o número de novas vagas no primeiro trimestre. E 2014 superou 2010, quando mais de 5.500 postos de trabalho foram criados na cidade 5.917

5.536

5.241

5.049 4.378

4.029

3.837

228 2007

3

2008

2009

2010

2011

2012

2013

2014

DESAFIO É MANTER O RITMO Apenas 2009, ano da crise econômica global, teve um primeiro trimestre mais fraco que os trimestres subsequentes na criação de vagas. Em todos os outros anos, o primeiro trimestre foi o de maior saldo nas contratações em Joinville

2007

2008

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2013

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1T

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3T

4T

DESEMPENHO NOS PRIMEIROS TRIMESTRES DOS SETORES QUE MAIS GERAM EMPREGOS Nos últimos três anos, o setor de serviços vem consolidando o posto de quem mais contrata na cidade, superando a indústria. Mas é quem mais demite também. Na indústria, as demissões seguem estáveis, com leve tendência de alta ADMISSÕES

DEMISSÕES

Serviços

Indústria

Comércio

Construção civil

16.000 12.000 8.000 4.000

0

30

07

08

09 10 11

12

13 14

07

08

09 10 11

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13 14

07

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12

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07

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09 10 11

12

13 14


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GRAÇAS A FEVEREIRO No desempenho do primeiro trimestre de 2014, chama atenção o mês mais curto do ano. Em fevereiro passado, foi aberta a maior quantidade de vagas desde 2007. No gráfico abaixo, cada ponto se refere a um mês do ano. O recorde anterior era de março/2010, com 2.629 novas vagas

FEV 3.310

0

2007

4

2008

2009

2010

2011

2012

2013

2014

ABRIL REFORÇA A ESPERANÇA O resultado de abril colocou Joinville entre as cinco cidades que mais geraram emprego no Brasil e reafirma as chances de um bom ano. A cidade já criou, nos primeiros quatro meses de 2014, quase 7 mil empregos. O recorde anual é de 2007

Total de novas vagas, por ano. Em 2014, até abril

O desempenho nos meses de abril MÉDIA HISTÓRICA, DE 1.063 VAGAS CRIADAS NO MÊS

10.641

10.455

2.144

7.512

7.365

1.500

6.990

1.298

1.181

1.031

5.895

1.073

4.906 596

2.428 0 -320 2007

2008

2009

2010

2011

2012

2013

2014

2007

2008

2009

2010

2011

2012

2013

2014

QUEM MAIS GEROU EMPREGO Saldo no primeiro trimestre de 2014. Serviços lideram por pouca margem Serviços 2.650 Indústria 2.637 Construção civil

534

Comércio 64 Saldo nos primeiros trimestres dos anos pesquisados. Indústria na frente Serviços 14.352 Indústria 16.149 Construção civil

1.334

Comércio 895

revista

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ILUSTRAÇÕES: FÁBIO ABREU

Conjuntura

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Da bola para as urnas Qual vai ser o efeito real da Copa do Mundo no panorama político e na economia? Especialistas convidados pela Revista 21 analisam o tema

A bola já está rolando, a Copa no Brasil é uma realidade, apesar de toda a polêmica que se avolumou nos últimos meses sobre a conveniência e a capacidade de o país sediar um evento desta envergadura. E depois? Qual será o efeito do Mundial no quadro político, às vésperas das eleições presidenciais? E no campo econômico? Dos estádios, a população segue para as urnas, em outubro, com o compromisso de eleger presidente, governadores, senadores e deputados. Tendo em vista que a Copa se dará em um período de definições de candidaturas e alianças, como uma possível vitória do escrete canarinho pode influenciar nas campanhas e, especialmente, na decisão do voto? Um possível hexa pode incitar o ufanismo em relação ao atual governo? A derrota pode ressaltar os problemas represados e favorecer a oposição? Em 2007, a Fifa declarou oficialmente que o Brasil seria a sede do maior evento de futebol do planeta neste ano. O livro “1950: o Preço de uma Copa” evidencia as principais semelhanças entre a organização da Copa de 1950, primeira vez que o Mundial aterrissou por aqui, e a de agora. A obra mostra que alguns erros estão se repetindo, como os problemas para a conclusão de estádios e a influência política nas obras públicas. O país só começou a decidir as cidades-sedes em 1949 – e praticamente em todas houve atrasos na preparação. Um exemplo foram os embates entre governantes para decidir o lugar em que o Maracanã seria levantado. A sete dias da abertura do Mundial, o estádio ainda não estava pronto. Uma pesquisa do Ministério do Turismo apontou que a Copa das Confederações, em 2013, rendeu R$ 9,7 bilhões ao PIB. Projeta-se que a Copa do Mundo poderá movimentar três vezes mais, alcançando R$ 30 bilhões. Em contrapartida, de acordo com estudo da agência Moody’s, a competição causará pouco impacto na economia brasileira, gerando somente 0,4% do crescimento

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do PIB em um ciclo de dez anos. Os gastos com a infraestrutura, segundo o estudo, representam apenas 0,7% do total de investimentos previstos para o período entre 2010 e 2014. A conta também se abala com a redução da atividade econômica nas empresas: “Teoricamente, a Copa traria benefícios, mas eles serão mitigados pelos feriados nacionais”, apontou o economista Guilherme Mercês, da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), em declaração à imprensa. “A Copa vai ajudar a derrubar ainda mais o PIB. Só o da cerveja é que não cai, porque o governo voltou atrás e adiou o aumento do imposto”, destacou, em entrevista, Paulo Rabelo de Castro, do Movimento Brasil Eficiente (MBE). Mas os principais problemas, dizem os economistas, podem estar no aumento dos preços, na pressão inflacionária e no pagamento de contas: com os gastos do Mundial, o Brasil pode chegar a ter R$ 2,3 trilhões de dívida interna. O governo federal ressalta o lado positivo da Copa, enfatizando a geração de 3,6 milhões de postos de trabalho, um maior consumo do comércio e benefícios para segmentos da economia como hotelaria e logística. Mesmo assim, o empresariado anda cético. Os índices de confiança mais recentes apurados em pesquisas sinalizam, sem exceção, aumento ou permanência do pessimismo. “Normalmente no primeiro trimestre se instaura um sentimento positivo na expectativa para o ano. Em 2014, com Copa do Mundo e ano eleitoral no Brasil, o sentimento negativo se estabeleceu desde o princípio do ano”, registrou o levantamento trimestral realizado pelo Sustentare para a Região Norte de Santa Catarina. Ainda que os protestos que se multiplicaram pelo país desde o ano passado tenham ecoado esse sentimento, o Ibope divulgou que, para 43% da população, a Copa trará mais benefícios que prejuízos. Isso pode gerar implicações político-eleitorais? Estudo do banco suíço UBS, feito para avaliar a macroeconomia e estratégia de investimento, apontou que não existem relações diretas entre o resultado da Copa do Mundo e a avaliação dos governantes no país. Conclusão: o Mundial só poderia influir se ocorresse até duas semanas antes das eleições. Nas próximas páginas, analistas trazem reflexões sobre o tema, em artigos exclusivos para a Revista 21.

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FABIANO DANTAS

Impactos do gramado na economia Com o anúncio da Fifa, em 2007, de que o Brasil havia sido escolhido como a sede da Copa do Mundo, a esperança era de que o evento e as responsabilidades assumidas para recebê-lo servissem como incentivo para a realização de obras que, à época, já eram fundamentais para o país. Passaram-se os anos, o quadro mudou sensivelmente e a percepção geral se alterou no que diz respeito aos benefícios da Copa. Essa situa­ção se agravou a partir do ano passado, por conta principalmente de dois fatores: a insatisfação da população com os problemas do país (saúde, educação, renda, inflação, entre outros) e os atrasos e gastos em obras. Estudos mais otimistas apontam para uma movimentação próxima dos R$ 150 bilhões e geração de mais de três milhões de empregos. O cálculo estaria relacionado aos investimentos feitos e aos ganhos

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indiretos dos envolvidos no evento. Ja os pessimistas apresentam números mais modestos, com a geração de empregos na casa dos milhares e não milhões – e, mesmo assim, temporários. O que é indiscutível em qualquer estudo a respeito desse tipo de evento é que se trata de uma grande festa, que tende a aumentar a sensação de felicidade da população, com destaque, obviamente, para aqueles que gostam de futebol e se sentem privilegiados por acompanhar de perto um torneio de tal porte. A Copa do Mundo pode até trazer alguns impactos imediatos ao país, principalmente nas cidades-sede, mas são as eleições, em outubro, que vão determinar o caminho que o país tomará. Isso ganha ainda mais importância devido ao momento delicado do Brasil, em que se verifica uma pressão social que não era vista há pelo menos 20 anos, e a proble-


RODRIGO KANAYAMA

Passado político e esportivo

mas que parecem demandar medidas consideradas impopulares e normalmente evitadas por muitos governantes. Não é possível desconsiderar completamente o efeito do resultado da seleção brasileira na Copa do Mundo sobre a decisão de voto da população, mas é plausível imaginar que existem diversos fatores envolvidos na escolha de um candidato – e que, apesar de ainda não apresentar a maturidade considerada por muitos como ideal, a conscientização do eleitorado brasileiro tem evoluído neste sentido, de tal forma que provavelmente não se deixaria influenciar a ponto de mudar radicalmente de opinião por conta de uma vitória ou derrota da seleção. FABIANO DANTAS é economista e professor da Sociesc

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Desde a promulgação da Emenda Constitucional de Revisão 5/1994, com a redução do mandato presidencial de cinco para quatro anos, toda eleição presidencial brasileira acontece meses após a Copa do Mundo. Sob a nova regra, as eleições ocorreram em 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010. Em 1994 e 1998, foi eleito Fernando Henrique Cardoso. Em 2002 e 2006, Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2010, Dilma Rousseff. A seleção brasileira venceu as copas de 1994 e 2002. Em 1994, dia 17 de julho, o Brasil jogou a final contra a Itália. Por volta dessa data, Fernando Henrique, que já vinha crescendo nas pesquisas, ultrapassou o adversário, Lula. Não é possível afirmar que a vitória em campo do Brasil promoveu o crescimento. Essa era a tendência, conforme as pesquisas de intenção de voto. Em 2002, a final da Copa do Mundo ocorreu em 30 de junho. Lula estava em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto desde abril. E permaneceu em primeiro até as eleições, quando foi eleito, no segundo turno. Novamente, não há como afirmar que a vitória brasileira no futebol causou efeitos eleitorais. De acordo com o professor Fabrício Tomio, da disciplina de Ciência Política da Faculdade de Direito da UFPR, “as pessoas não mudarão o voto em razão do resultado da Copa”. Segundo ele, “o que poderá interferir nas eleições será o que ocorrer durante o evento”, referindo-se a protestos ou outros fatos. Na mesma linha, os economistas Guilherme Loureiro e Thiago Carlos, em relatório do Banco UBS, afirmaram: “No front político, acreditamos que uma vitória (ou derrota) da equipe brasileira na competição não deverá ter impacto direto significativo no desfecho da eleição presidencial”. Concordo com as duas opiniões. Não creio que o resultado da Copa causará efeitos significativos na escolha presidencial. A derrota da seleção não ajudará a oposição, a vitória não auxiliará a situação. Contudo, outros fatos relacionados direta ou indiretamente à Copa poderão ter efeitos no pleito. No ano passado, logo após os protestos, a popularidade da presidente caiu 27 pontos. Neste ano, os protestos se enfraqueceram. E não sabemos se voltarão ou não, e se terão força. Enfim, podemos esperar qualquer resultado no pleito presidencial deste ano. Porém, não serão os jogadores da seleção brasileira os responsáveis pelo resultado da eleição. RODRIGO KANAYAMA é advogado e professor adjunto do Departamento de Direito Público da Faculdade de Direito da UFPR

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JOSÉ ANTÓNIO BAÇO

A marca-país e o chute de canela A marca-país é um importante ativo econômico e não permite indiferenças. Uma marca forte é essencial para o sucesso de qualquer país numa economia global cada vez mais aberta, fluída e competitiva. Ou seja, é um fator que expõe diferenciais de mercado em relação a outros países, de forma a atrair turistas e investimentos. Mas o que é essa marca-país, afinal? É um conceito estruturado por fatores como a solidez econômica, as condições para investir, o turismo, o esporte, o lazer, o poder público, a democracia, a segurança, a cultura ou mesmo as celebridades (embaixadores da marca). Há outros pontos, mas interessa aqui focar eventos esportivos como a Copa do Mundo. Que benefícios a competição pode produzir e qual a relação com a marca-país? Os investimentos em infraestruturas (estádios, acessibilidades, transportes etc.) estimulam a economia, enquanto o dinheiro dos turistas ou do gigantesco negócio da publicidade, por exemplo, representam importantes aportes de divisas. No entanto, é no plano dos intangíveis que se consolidam ativos duradouros. Mas com uma condição: por trás da marca-país tem que estar uma imagem positiva. No ano passado, a Brand Finance, empresa especializada na avaliação de marcas e intangíveis, lançou um relatório com o ranking das marcas-país mais valiosas do planeta. O Brasil ficou na oitava posição (foi sétimo do ano anterior), atrás de países como os EUA, Alemanha, Japão, França, Canadá ou Reino Unido. É um ótimo resultado, apesar de ser evidente o peso do fator econômico na avaliação da empresa. Quando optou pela candidatura à Copa do Mundo, o governo brasileiro estava a investir nessa marca-país. Os avanços sociais, a estabilidade econômica ou a entrada de novos consumidores para o mercado contribuíram para criar uma percepção positiva em todo o mundo. Mas hoje o calcanhar de Aquiles da marca Brasil está justamente nos intangíveis. Quem está no mercado – em especial no exterior – percebe uma retração nos investimentos, principalmente na publicidade, uma vez que muitas empresas preferiram não comprometer as suas marcas num evento de risco. É de recordar que as manifestações de rua na Copa das Confederações provocaram enorme ruído. Os estrangeiros viram e repensaram os seus investimentos. O que resulta disso? Ora, comprometem-se os esforços para a construção da marca-país. Perde o Brasil. Perdem os brasileiros. Para se ter uma ideia, no ano passado, a norte-americana Advertising Age, revista de referência na comunicação empresarial em todo o mundo, publicou uma capa com uma foto do caos da Copa das Confederações e o seguinte título: “Imagine a sua marca no meio disto”. Muitas marcas imaginaram e desistiram. A Copa do Mundo passa. O Brasil fica. Mas há quem ainda esteja a chutar de canela. JOSÉ ANTÓNIO BAÇO, jornalista e publicitário, mora em Lisboa

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AFONSO IMHOF

Futebol é adesão despolitizada Existe uma ilusão prazerosa comum ou geral às pessoas para estereotiparem os outros como iludidos, alienados, autoenganados ou ainda sem consciência política necessária para mudanças socioculturais. Durante quase todo o período ditatorial, falava-se em “pão e circo” como fator de alienação das classes médias e da massa de eleitores geral. Na prática eleitoral, isso era desmentido. A oposição já era grande e saiu vitoriosa nas eleições livre e diretas em 1965. Por muitas vezes, os que detinham o poder político tentaram, e não tiveram sucesso, a dominação através de ofertas futebolísticas. As tentativas aconteceram principalmente por meio da manipulação das competições classificatórias por certames americanos ou até mesmo em amistosos. Entretanto, a imprensa conseguia levantar o brio nacional, instigar um nacionalismo, fomentando ilusões efêmeras vorazes de emoções embandeiradas e livres de uma racionalidade que valorizasse os princípios humanos de respeito, fraternidade e solidariedade. E agora, na questão político-eleitoral após a Copa? Os candidatos à presidência e aos governos estaduais e legislativos irão se valer da provável vitória? Ou, com uma derrota vexatória ou gloriosa, teremos os aproveitadores eleitorais de plantão? Todas as hipóteses poderão ocorrer, mas o eleitorado em geral se deixará influenciar minimamente. Futebol é futebol. É emoção. É paixão. É adesão despolitizada. São milhões de egos investidos em jogos cheios de amor pelo verde e amarelo e de bullying patriótico aos outros países. A influência do futebol na disputa dos jogos políticos eleitorais não será sentida ou será muito pouco percebida. Infelizmente, eleições são encaradas como adversidades ineficazes para mudanças audazes. AFONSO IMHOF é antropólogo e professor do curso de história da Univille

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EDUARDO GUERINI

Copa do caos O período que antecede um grande evento esportivo internacional como a Copa do Mundo, no país-sede, deveria ser, em tese, momento de júbilo, pela escolha, e de apreensão diante das expectativas criadas em torno da preparação. Porém, a tática governamental não resultou em bons resultados na tabela de aprovação popular. Os brasileiros vivem uma crise de identidade sem precedentes. O pessimismo tomou conta diante do ufanismo “verde-amarelo” de outrora. Nem a seleção empolga, tampouco o governo cumpriu a agenda de compromissos elencados como prioritários para uma Copa do Mundo. A pátria de chuteiras – alusão simbólica de nossa força desportiva – sumiu nas contradições de um governo em curva descendente diante da desaprovação popular frente aos excessivos gastos para construção das chamadas “arenas” de competição. A torcida está dividida. A falta de legitimidade e transparência das ações governamentais diante dos compromissos assumidos com a Fifa colocou novamente o governo Dilma em posição de subserviência. Tal como um time na retranca, o Brasil é um gigante prostrado para a alegada “Copa das Copas”, expressão midiática dos engajados em manter a ordem diante do caos que se transformou o megaevento. Eventos futebolísticos são narrativas simbólicas e legitimadoras de uma alienação que se transformou no “ópio do povo” brasileiro, e no “opróbrio governista” diante de denúncias reiteradas de estádios com obras superfaturadas, desvios de recursos, morte de operários na construção, falta de obras de mobilidade urbana, e, principalmente, a ausência de um “padrão Fifa” para os serviços públicos essenciais. Ante uma população no ataque desde os movimentos de junho de 2013 e a falta de planejamento do governo federal, a propaganda oficial tenta midiatizar o aspecto positivo via consumo emocional, louvando o legado. Nunca um símbolo da Copa foi tão sugestivo. Se a Copa se transformar no caos esperado pelos críticos, faremos tal como o tatu-bola em extinção; nos envolvemos em nossa carapaça, envergonhados pela incompetência gerencial. Caso contrário, as unhas serão usadas pelo governo federal para aniquilar seus inimigos. De toda forma, os fulecos brasileiros serão os fiéis depositários da fatura que pagarão ao final da festa. EDUARDO GUERINI é economista e professor da Univali, no mestrado em gestão de políticas públicas

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JOÃO KAMRADT

O gol não faz o voto Se um título de Copa do Mundo decidisse quem será o presidente do Brasil, teríamos um futuro diferente. Porque, quando Ronaldo venceu Oliver Kahnm, goleiro da seleção alemã em 2002, o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) poderia ficar aliviado, já que a vitória de José Serra (PSDB) estaria garantida. Mas o pentacampeonato não serviu para que o candidato tucano conseguisse desbancar Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Logo, seria ingenuidade ou preconceito de classe esperar que uma bola chutada por Neymar, Hulk ou Oscar sejam as credenciais necessárias para decidir quem será o novo presidente do Brasil nas eleições deste ano. Ao contrário, em vez de se tentar reduzir o entendimento de um fenômeno eleitoral, é preciso olhar para os 108 milhões de batalhadores, como classificou o sociólogo Jessé Souza, que nos últimos 12 anos emergiram de uma condição de pobreza para a conhecida classe média, que abarca todos aqueles que atingem uma renda familiar que varia de R$ 1,4 mil a R$ 4,8 mil. Assim, antes de simplificar o gigantesco evento que


é uma Copa do Mundo e reduzi-lo a uma questão do impacto ou não de uma vitória brasileira na competição, o importante é que tanto os candidatos quanto a mídia tentem compreender por quais motivos esse torneio, tão costumeiramente celebrado pelos brasileiros, passou a ser o alvo de manifestações e ira da população. Se não há respostas prontas, há apontamentos que tornam possível fazer pensar no problema, como mostram os estudos sobre a banalidade da corrupção, feitos por Céli Regina Jardim Pinto, a dificuldade no entendimento da necessidade da redistribuição da riqueza, como mostra o preconceito latente sobre o Bolsa-Família ou a dificuldade de se conhecer quem forma o 1% da camada populacional que detém a riqueza e permanece escondido, como busca rastrear o estudo sobre “Riqueza e Desigualdade Social na América Latina”, de Marcelo Medeiros. Para expor o ponto de vista com mais clareza, a vitória ou derrota da seleção é um discurso em aberto, um ponto nodal ainda não definido, para ficar numa terminologia de Ernesto Laclau. Ou seja, um novo título mundial

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serviria apenas como uma onda no mar de discursos que preencherão os meses que antecedem o pleito eleitoral. Assim, o sentimento de mudança ou de continuidade de um governo entre pré-candidatos tão semelhantes ideologicamente irá depender de como eles conseguirão responder às questões dos 108 milhões de batalhadores, e não como tentarão tirar vantagem de um resultado da seleção. Antes de comemorar, é preciso apresentar soluções para aqueles que exigem que as novas possibilidades que tiveram na última década – com o aumento do crédito, crescimento do salário mínimo e expansão de políticas sociais – passem a ser acompanhadas por uma melhora substancial no que encontram do lado de fora da sua residência, com a urgente melhora nas condições de infraestrutura, sensação de segurança, facilidade de medicalização e diminuição da corrupção, nos processos públicos e nos empreendimentos privados. JOÃO KAMRADT é jornalista e mestrando em sociologia política na UFSC

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Performance

Luzes no fim do túnel

Ferramentarias apostam no Inovar-Auto e na união de forças para vencer concorrentes chineses e se recuperar da quebradeira de 2011 O ano de 2011 não traz boas lembranças para as ferramentarias. Abatidas por problemas de gestão e endividamento, em paralelo à crescente entrada de concorrentes chinesas, cerca de 12% das empresas do setor situadas em Joinville ou fecharam as portas ou foram compradas por outras mais estruturadas. “Foi um ano muito complicado”, relembra Christian Dihlmann, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Ferramentais (Abinfer). Em 2012 e 2013, segundo Dihlmann, a quebradeira continuou alta, mas surgiu o que ele classifica como uma luz no fim do túnel, com o movimento que desembocou no Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e

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Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores (Inovar-Auto). O programa, que entrou em vigor no ano passado, concede benefícios fiscais às montadoras que investirem, no país, em itens como desenvolvimento, inovação tecnológica, capacitação de fornecedores e, eis a boa notícia para o segmento, que contratarem ferramentarias brasileiras. Até o momento, constata o presidente da Abinfer, não houve efeitos práticos do Inovar-Auto. “O programa ainda não decolou, precisa de ajustes finos”, avalia. Um desses ajustes seria estender sua vigência – de cinco para dez anos. “Cinco anos é período insuficiente para formar uma geração de novos

empreendedores e permitir a implantação de melhorias no parque fabril nacional.” Mesmo assim, as perspectivas são favoráveis, em médio prazo. E o pacote governamental tem se acompanhado de uma série de ações e projetos conduzidos pelas entidades empresariais ligadas ao setor, mirando na recomposição das ferramentarias verde-amarelas. A fundação da Abinfer, em setembro daquele mesmo ano de 2011, é uma dessas ações, à medida que mobiliza o empresariado em torno de bandeiras comuns. “Não há futuro se não houver trabalho conjunto, de todas as regiões do país, na articulação de procedimentos e leis que regulem o comércio nacional e internacional de ferramentais”, decreta o presidente da associação. Em palestra sobre as perspectivas atuais do setor, depois de uma panorâmica dos desafios macroeconômicos do Brasil e dos principais mercados internacionais, Dihlmann apresentou as grandes metas do planejamento


estratégico concebido pela Abinfer, a partir de análise que considerou, entre outros pontos, o acirramento da concorrência vinda da China. Reduzir pela metade o déficit na balança comercial brasileira até 2015, gerar nesse mesmo prazo 2 mil empregos qualificados e tornar o país um dos três melhores do mundo no fornecimento de moldes e ferramentas, nos próximos dez anos, são as metas centrais. Com um maior equilíbrio nos negócios globais, estima-se a possibilidade de alcançar um superávit na balança comercial da ordem de US$ 200 milhões até 2026, de modo que, em vez de importar massivamente, o Brasil ganhe o status de exportador de ferramentais. “O trabalho é árduo e intenso. Estamos apenas no começo”, sublinha o dirigente. Na mesma direção, desde 2012, a Abinfer participa da Associação Mundial de Ferramentarias (ISTMA), buscando “a articulação de regras justas para o comércio de moldes e matrizes em nível internacional”, como afirma Dihlmann. Presidente do Núcleo de Usinagem e Ferramentaria da Acij, Daniel Scholze, diretor da BSS Industrial, enxerga que o avanço chinês é, de fato, o problema mais complicado, ao lado da carência de mão de obra preparada e de incentivos fiscais. “A China cresceu consideravelmente em fabricação de moldes para o Brasil a partir de 2009”, situa Scholze. “Hoje, não produzimos mais de 30% dos moldes feitos no país.” Segundo ele, já estaria havendo uma virada, com indústrias que apostaram em parcerias orientais e se arrependeram. “Muitas sofreram um revés em relação à qualidade do material utilizado, chegando ao ponto de ter duplicidade de moldes, sendo copiados pelos próprios chineses”, revela. “Diante de tais situações, o que estamos sempre fortalecendo é a neces-

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FOTOS: DIVULGAÇÃO

No alto, Menezes, da Magna Moldes: entusiasmo com os mercados automotivo e de linha branca; acima, Fix, da Abimaq: “A desindustrialização é notória”

sidade de nos unir cada vez mais e eliminar a ideia de que o concorrente é o seu vizinho.” No comando da Câmara Setorial de Ferramentaria e Modelações da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o empresário Alexandre Fix concorda que a disputa com os rivais asiáticos é desparelha para os brasileiros e aponta um obstá-

culo importante na conjuntura atual. “O governo federal não colabora com a empresa nacional, não tem uma política industrial sadia. A desindustrialização é notória”, reclama Fix, chamando atenção para a dificuldade dos fabricantes em modernizar seus parques produtivos, com a falta de estímulos concretos. Outro ponto, de acordo com o empresário, é a inadimplência por parte de inúmeros clientes de ferramentarias. “O resultado é que o setor está sofrendo”, diagnostica. O cenário mais otimista que chegou a ser desenhado no lançamento do Inovar-Auto, diz ele, ainda não se confirmou. “Era para ser uma ação espetacular, a salvação da lavoura. A associação das montadoras tinha receio até de que não conseguiríamos suprir a demanda, com tantos moldes e peças que seriam feitos no Brasil”, recorda-se o empresário. “Torço que vá adiante, mas parece que só foi anunciado para dizer que o governo estava fazendo alguma coisa.” Se o quadro geral parece desanimador, há exemplos de empresas que vão muito bem, obrigado. É o caso da joinvilense Magna Moldes, que ingressa no quinto ano de existência exibindo crescimento médio de 30% a cada exercício. Entusiasmada com a resposta dos dois principais mercados em que atua, automotivo e de linha branca, a Magna Moldes investiu R$ 2 milhões em 2013, na compra de máquinas, ampliação da fábrica e treinamento. Neste ano, calcula um desembolso de R$ 1,5 milhão, para dar conta da demanda prevista. “Nossos clientes, em geral, são multinacionais de grande porte e lideres em seus segmentos, o que já demonstra a capacidade, qualidade e seriedade da Magna Moldes no trato dos negócios”, orgulha-se o proprietário Júlio de Menezes.

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“O Custo Brasil tem aumentado muito”

Áreas de desenvolvimento e produção da Ferramentaria JN: mesmo sem aumentar receita, empresa mantém plano de investimentos

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Há 27 anos no mercado, com 109 funcionários, a Ferramentaria JN, que trabalha para clientes como Honda, Fiat, Stihl e Bosch, vem encontrando dificuldades para elevar o faturamento, que em 2014 deve se manter na faixa dos dois anos anteriores. A explicação, diz o diretor Jair Bonatti, é o forte aumento da competitividade interna e, principalmente, externa, o que exige preços mais ajustados e margens menores. “O Custo Brasil tem aumentado muito. Perdemos negócios para a Itália em função disso”, relata Bonatti, que ainda não sentiu reflexos do Inovar-Auto nos negócios: “Estamos na expectativa”. A JN produz moldes para injeção de alumínio de até 30 toneladas. Os investimentos em curso são focados na compra de equipamentos para aumentar a eficiência, como scanner para digitalização 3D de peças e componentes, buscando substituir maquinário mais antigo.


Joinville é polo de negócios no setor Santa Catarina é um dos três maiores centros brasileiros de ferramentarias, ao lado do Rio Grande do Sul e de São Paulo. Segundo dados do ano passado, em torno de 450 empresas do gênero têm base no Estado, com destaque às que fabricam ferramentais de injeção para termoplásticos, extrusão e sopro, estamparia, injeção de metais não-ferrosos, fundição de ferro fundido e coquilhas. Em outra conta, que soma o segmento de usinagem, são quase 300 empresas em Joinville, um terço delas vinculada ao núcleo setorial da Acij. “Joinville é um polo importantíssimo. Prestadores de serviços, fornecedores, todo mundo tem escritório ou

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funcionários na cidade”, indica Alexandre Fix, da Abimaq. No Brasil, operam cerca de 2 mil ferramentarias, ante as 18 mil que atuam na China e as 7 mil nos Estados Unidos. Na visão da Abinfer, o negócio se caracteriza pela diversificação de segmentos e falta de foco, mantendo uma boa qualidade, apesar dos prazos de entrega longos e da carência de know-how em algumas tecnologias. Em abril, empresas do setor se encontraram na 7ª Feira de Ferramentaria + Modelação + Usinagem, na Expoville. “Tendo em vista a realidade econômica atual, a feira superou as expectativas, em função da relevância das expositoras e marcas apresentadas, inovação dos

produtos e visitação qualificada”, avalia Walter Khairalla, organizador do evento. O crescimento das ferramentarias em Joinville motivou a abertura de centros de qualificação profissional, como a TK Treinamento Industrial, do ex-professor e engenheiro mecânico Tarcisio Knorst. Fundada em 2001, a TK já diplomou mais de 2.500 pessoas, destacando-se em treinamentos CNC-CAD-CAM. Nos primeiros meses deste ano, registrou salto de 50% na procura por cursos. “Desenvolvemos cursos para suprir a demanda das empresas, que exigem cada vez maior qualificação”, afirma Tarcisio, que é sócio da esposa Luciani na direção da empresa.

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Espaço Acij

BALANÇO DA GESTÃO

“Somos uma entidade reconhecida”, diz Aguiar Desde que assumiu pela primeira vez a presidência da Acij, em 2012, Mario Cezar de Aguiar trabalhou, durante dois mandatos, respeitando a tradição da entidade e atendendo às demandas dos associados e da comunidade. “Somos uma entidade em que a sociedade deposita uma confiança muito grande. Sempre que há uma solicitação de interesse da população, a Acij está presente, com sua força institucional. Isso criou a respeitabilidade que temos, não só em Joinville, mas em toda Santa Catarina e até em alguns Estados vizinhos”, avalia. Prestes a entregar o comando da casa para o advogado João Martinelli, que toma posse no dia 30 de junho, ele faz um balanço da sua gestão e destaca os principais desafios enfrentados ao longo deste período.

CONQUISTAS

As conquistas de nosso mandato foram resultado do trabalho firme de todos os integrantes da diretoria, que foi muito atuante. A Acij se caracteriza por adotar um modelo de gestão participativa, oportunizando a que as decisões e encaminhamentos sejam sempre produto dessa visão. Dentro do que nos propusemos no início do mandato, conseguimos resultados bastante positivos. MELHOR RESULTADO

Sem sombra de dúvidas, uma rea­ lização de grande impacto, e que ainda está apresentando resultados, foi a campanha “Eu Abraço o São José”. Como demonstram as pesquisas feitas com a população, a maior demanda do município é a questão da saúde. Identificamos o hospital como um equipamento extremamente importante, mas que vinha, ao longo do tempo, sendo depreciado, e cada vez com maiores dificuldades. A primeira ideia da campanha era resgatar a atenção da comunidade joinvilense para o São José. Com o apoio de um associado, conseguimos a participação de um consultor especialista em gestão hospitalar, que fez todo um diagnóstico e um relatório de gestão, estabelecendo novos procedimentos dentro do hospital, que estão sendo

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implantados. A campanha ainda não terminou. Mais e mais benefícios estão vindo em função dessa iniciativa. Em termos de comunidade, foi o grande trabalho que fizemos durante a gestão. O QUE PODE MELHORAR

A diretoria decidiu que um representante da diretoria do São José virá prestar contas do trabalho que está sendo desenvolvido. O que ficou mais evidente é que o principal problema do hospital não se trata de gestão interna, mas diz respeito à folha de pagamento. O modelo jurídico do hospital é que deve sofrer alguns ajustes. SERVIÇOS

Nossa gestão pensou na entidade em longo prazo, o que proporcionou um planejamento estratégico e possibilitou a gestão participativa. Houve uma mudança de perfil e organizamos a Acij internamente. O foco na questão dos serviços foi natural. Por exemplo, no meu discurso de posse do segundo mandato, prometemos que iríamos fortalecer a relação comercial entre empresas da cidade e incentivar que os associados fizessem negócios entre si. Outro destaque foi a parceria com a Boa Vista Serviços. Fomos atrás do que havia de melhor nesse campo e conseguimos. É

um grande serviço que oferecemos para os associados e para a comunidade joinvilense. EDUCAÇÃO E SEGURANÇA

A associação vê como base do desenvolvimento a área da educação, por isso apoiou o movimento A Indústria pela Educação, da Fiesc. O tema de segurança pública também foi abordado. Fizemos painéis de discussão e chamamos dirigentes das partes envolvidas para discutir o tema, além de encaminhar pleitos ao governador e, em âmbito local, apoiar a criação da guarda municipal, por exemplo. MOBILIDADE E INFRAESTRUTURA

Na posse do primeiro mandato, provocamos o governador e ele anunciou, à época, que faria a duplicação da Avenida Santos Dumont. A obra está andando, embora não no ritmo desejado, e agora houve a promessa do governador de assinar a liberação dos recursos para a construção do primeiro elevado e da desapropriação de alguns pontos. Da mesma forma, temos a Dona Francisca: é inadmissível que uma via tão importante esteja naquelas condições tão precárias. Nossa Gestão Compartilhada Norte cobrou do governador a nossa solicitação. Colombo se sensibilizou e a prefeitura se comprometeu a fazer o projeto final de


DIVULGAÇÃO

engenharia. Isso não resolve toda a questão da mobilidade em Joinville, mas são ações pontuais que melhorarão em muito a situação atual. AEROPORTO

Sempre foi uma forte bandeira da Acij, é assunto permanente na entidade. A competitividade do município depende muito de um aeroporto com boas condições. E tivemos dois benefícios durante a gestão. O primeiro foi a homologação do RNPAR, que é um procedimento melhor que o ILS, mas que depende de equipamento e treinamento da tripulação das aeronaves. E agora, com a instalação do ILS, que está pronto, prestes a ser homologado. Esse é o ILS categoria 1, e já estamos trabalhando para que ele seja elevado para categoria 2. Precisamos de um equipamento ainda melhor. ECONOMIA

A Acij realiza muitas ações em que as pessoas não percebem a entida-

revista

Empresário presidiu a entidade de 2012 a 2014: “Sempre que há uma demanda da comunidade, a Acij está presente, com sua força institucional”

de atuando. Nasceu aqui o Feirão do Imposto – projeto utilizado em todo o país – e o Movimento Brasil Eficiente. Estamos envolvidos em questões que melhoram o desempenho da economia das empresas e da comunidade. A Acij não pensa apenas no município, pensa regionalmente e em todo o Estado. GESTÃO PÚBLICA

Pelo fato de nosso prefeito ser

membro da classe empresarial, isso nos aproximou bastante. Sempre que o procuramos, ele nos atende, há uma aproximação bastante forte. A Acij reconhece as dificuldades que o município tem em termos de recursos. Acompanhamos as atividades do prefeito e a informação que temos é de que, a partir do mês de junho, Joinville equilibrará as contas. Desde o início da gestão, o município era deficitário. Com esses ajustes, seguramente haverá investimentos para melhorias e atendimento das demandas. Em relação ao governo do Estado, também temos um bom relacionamento. Sempre que há uma demanda, vamos ao governador. E com o governo federal é da mesma forma. Exemplo disso foi quando identificamos que Joinville teria problemas com o abastecimento de energia e num tempo recorde – nove meses – instalamos uma subestação de energia na Zona Norte, que equacionou a questão da energia pelos próximos 30 anos.

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A GESTÃO, EM IMAGENS

Melhorias no aeroporto são bandeira permanente da Acij; ao lado, evento com a presença do prefeito Udo Döhler

A

OPINIÃO

A visão de Martinelli Presidente de uma das mais reconhecidas bancas de advocacia empresarial da Região Sul, a Martinelli Advocacia Empresarial, João Joaquim Martinelli, que assume o comando da Acij, reflete neste artigo sobre a conjuntura econômica brasileira e os desafios que se avizinham.

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s notícias não são alentadoras para a classe empreendedora. A imprensa nos dá diariamente exemplos do dinheiro público sendo gasto, não em obras de infraestrutura tão necessárias ao crescimento do país, mas investimentos de utilidade duvidosa, como, por exemplo, alguns dos estádios da Copa do Mundo. Enquanto esses bilhões foram investidos nos estádios, aeroportos, portos, estradas, ferrovias etc. ficaram em segundo plano, e ninguém saberá quando merecerão a atenção do poder público, agora mais preocupado com a reeleição do que com os interesses da população. Ultimamente, os setores que representam a indústria ou não cresceram ou cresceram abaixo da caderneta de poupança. Ou seja, se o empresário, em vez de gerar emprego e renda, correndo todos os riscos, deixasse o dinheiro na poupança, teria ganho mais e com isenção de todos os impostos possíveis, além de riscos mínimos. Como empresário não é banqueiro, continua firme sua luta contra uma carga tributária que não para de crescer, a falta dos investimentos necessários que fazem com que o “Custo Brasil” seja proibitivo, a concorrência nem sempre leal dos importados, esperando ser olhado com algum carinho e cortesia, algo que só acontecerá quando o governo federal entender que o empresariado não está do outro lado, mas ao seu lado, no esforço de dar dignidade ao cidadão, através da geração dos empregos necessários. Quando se diz que o Brasil tem um dos menores


FOTOS: DIVULGAÇÃO

Acima, à esq., Aguiar com Dinorá Allage e Adriano Silva, que atuaram como diretores: gestão participativa; ao lado, o economista Ricardo Amorim, que apresentou palestra em março, falando sobre conjuntura; realização da campanha “Eu Abraço o São José”, com forte mobilização comunitária, foi uma das principais atividades do mandato que está se encerrando

índices de desemprego do mundo e Santa Catarina pode ser quase comparada a Cingapura, não é porque o poder público tem gerado esses empregos, mas sim a classe empresarial, teimosa como sempre. Considerando que a economia está praticamente parada, será difícil imaginar que as empresas cresçam. No início do ano, previa-se um crescimento de 4%, o que já era considerado insuficiente para a grandiosidade do país. Agora, quando se ouve a autoridade fazendária nos dizer, até com certo ufanismo, que o PIB avançará algo em torno de 1,8%, saber que isso nos coloca entre os piores da América Latina, dá uma tristeza danada. Porque nós fizemos, e bem, a nossa parte, e esperávamos que os demais também o fizessem. Não há como aceitar um crescimento de apenas 1,8% quando o índice médio mundial será em torno de 3,8%. Criou-se a lei anticorrupção e esperava-se que fosse levada a sério. Como levar algo a sério se alguns dos parlamentares estão envolvidos até o pescoço em ambientes de corrupção e ex-integrantes do Executivo se apressam em inocentar culpados declarados? Réus condenados, não apenas pelo Supremo Tribunal Federal, mas por toda a nação, estão sendo considerados, por pessoas influentes, “vítimas do sistema”, pobres coitados, mas que, ricos, apenas esperam o cumprimento do prazo legal para sair e usufruir de todas as benesses conseguidas. Não adianta ir à caça de culpados pelo mau desem-

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penho da economia. A Copa do Mundo ou as Olimpíadas não tem qualquer efeito nisso, a não ser os abusos na concessão dos feriados e dos pontos facultativos. Nada indica que a economia teria um desempenho melhor se esses eventos não fossem realizados ou que os recursos investidos seriam direcionados de forma competente. Os verdadeiros culpados são os gestores da nossa economia, que admitem déficits fiscais recorrentes e que se recusam a fazer as necessárias reformas, sempre pautados sobre índices artificialmente sustentados por retenções de preços de produtos essenciais. Feliz mesmo, apenas a nação corintiana, que ganhou de presente do poder público um belo estádio ao custo de R$ 1,2 bilhão, que ninguém faz ideia de como será tal montante ressarcido ao nosso bolso. O governo federal poderia, em lugar de apenas patrocinar casas de espetáculos, investir dinheiro nas empresas, concedendo financiamentos, em abundância, a juros subsidiados, para aplicar na produção. Já pensaram numa linha de crédito em torno de R$ 10 bilhões, sem juros, apenas atualizados pela inflação, para que as empresas aumentassem sua produtividade? Esse é o valor que se estima gastar na construção dos estádios e que não retornará jamais. Quanto ao empresariado, ele é obstinado e não abandona a luta. Sempre foi assim e assim o será, para todo o sempre.

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VOTE CERTO

Quase 387 mil pessoas aptas a votar em Joinville Finalizado o prazo para alistamento eleitoral, transferência de título ou mudança de local de votação, a meta da campanha “Vote Certo, Vote em Joinville”, promovida pela Acij, ainda não foi atingida. O objetivo da campanha mirava em um contingente de 400 mil eleitores, somando-se novas inscrições, especialmente de jovens, e alterações de domicílio por parte de cidadãos que votam em outras cidades. O total de pessoas habilitadas a participar da eleição só será divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no dia 11 de julho, mas as estimativas são de que Joinville ficará com cerca de 387 mil. De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o número de atendimentos no Estado, nos últimos 10 dias de plantão, alcançou a marca de quase 90 mil requisições. Joinville foi a cidade que mais recebeu eleitores no período: 7.208. Embora os números oficiais ainda não tenham sido apurados, segundo o

último levantamento da 95ª Zona Eleitoral de Joinville, realizado no início de junho, 386.975 pessoas votarão nas próximas eleições. Lançada pela Acij e apoiada pela Justiça Eleitoral, Câmara de Vereadores, prefeitura e entidades como Sesi, CDL, Acomac, Ajorpeme e clubes de Rotary, a campanha teve por meta aumentar a representatividade política de Joinville e incentivar o engajamento e a conscientização para o processo eleitoral. Segundo o presidente da Acij, Mario Cezar de Aguiar, uma percepção foi de que jovens entre 16 e 18 anos participam pouco do processo eleitoral. “Foi realizado um trabalho forte dentro das escolas, estimulando o jovem a ter consciên­cia de como pode se manifestar politicamente exercendo o direito ao voto”, afirma. Mesmo encerrado o prazo para inscrições eleitorais, a campanha prossegue junto aos partidos. “Queremos conscientizá-los da importância de não se ter muitos

PRIMEIRO VOTO

candidatos, para que não haja a diminuição dos votos. O importante é que Joinville, como o maior colégio eleitoral, tenha a maior representação política possível. Isso coloca o município em evidência”, sinaliza. Nesse contexto, a questão dos eleitores jovens é central. Para o professor de Filosofia e Ciências Sociais da Univille, Belini Meurer, a falta de conscientização da juventude ainda é uma das grandes responsáveis pela baixa adesão dessas pessoas ao processo. “Muitos jovens até querem participar, mas não têm consciência política. Eles discutem o que está na moda. Todo mundo diz que é importante falar e discutir política, mas não sabe por que nem como participar”, afirma. Meurer acredita que as pes­soas ainda têm medo de falar sobre o assunto e que o melhor caminho para criar consciência política é pela via da educação. “Não adianta o jovem saber apenas formular frases ou fazer contas. É preciso introduzir políticas partidárias, econômicas e empresariais nas escolas. Provocar uma reformulação. A educação é só uma capa, precisamos preencher com conteúdo”, alerta o professor.

Evolução dos grupos, por número de eleitores

Eleitores menores de 18 anos representavam 1,07% do total de eleitores em maio de 2012. Em maio de 2014, 1,15%. Os dados são do TRE/SC

Até 16 anos 3.844

17 anos Eleição municipal

3.064

2.963

Evolução percentual, por grupo de eleitores De maio/2012 para maio/2014 45,2

1.751

1.381

1.473

951 13,5 4,7 TOTAL DE ELEITORES

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478

3,4 16 ANOS

17 ANOS

MENORES DE 18 ANOS

Maio 2012

Maio 2013

2014


PENINHA MACHADO

Ação em escola para inscrição de eleitores, durante a campanha da Acij

Aprendendo na prática Um projeto interessante que visa à aproximação dos eleitores do futuro com a política é o Câmara Mirim, realizado desde 2003 na Câmara de Vereadores. Ao total, mais de 200 “vereadores mirins” já foram eleitos. Neste ano, outros 19 participam das atividades. Segundo Claudinei Dias, coordenador da Câmara Mirim de Joinville, foi criada uma rotina para motivar os representantes. “Na última segunda-feira de cada mês, ocorrem as reuniões das comissões técnicas e sessão ordinária no plenário da Câmara. A cada mês, também, há visitas culturais a órgãos públicos, entidades da sociedade civil, insti-

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tuições privadas, museus e áreas de preservação ambiental”, revela. Podem participar alunos entre 10 e 15 anos que estejam matricula­dos e cursando do 5º ao 9º ano do ensino fundamental, das redes municipal, estadual e particular de ensino. O processo segue protocolo semelhante ao das eleições oficiais. “Para se tornar um vereador mirim, o aluno tem que se candidatar em sua escola, juntamente com a professora responsável, e a candidatura deve ser inscrita, em data divulgada em edital, na coordenação do estabelecimento junto ao Legislativo. Após, basta iniciar a propaganda eleito-

ral, sempre pautada pela ética, pela discussão madura e profunda dos temas relativos à escola. No dia da eleição, promovida e acompanhada pelo TRE por via informatizada, os alunos de 5º ao 9ª anos das escolas inscritas vão à urna exercer cidadania”, explica Dias. Os jovens participam de atividades culturais, econômicas, sociais e ambientais. Os eleitos recebem, no início do mandato, um kit básico de material escolar, passagem de ônibus para deslocamento até a Câmara e lanche ao término das reuniões. Antes de empossados, participam de curso de oratória e de noções básicas sobre o processo legislativo. Além disso, conhecem o funcionamento do Legislativo Municipal, aprendendo mais sobre cidadania e o papel do vereador. O coordenador ressalta que o projeto auxilia na relação entre os jovens e a política. “Promovemos a interação entre a Câmara de Verea­ dores e a escola, permitindo ao estudante a educação para cidadania, a democracia e a formação política, contribuindo para sua formação e para o entendimento dos aspectos políticos da sociedade brasileira”, finaliza.

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São 82 apartamentos, em dois blocos, na área central de Joinville FEITO EM JOINVILLE

Hotel Sabrina tem clima familiar Aromas e sabores característicos do Mercado Municipal são vizinhos do Hotel Sabrina. Fundado há 19 anos por Raulino João Schmitz e Maria Aparecida Schmitz, o hotel procura fazer com que os turistas se sintam em casa. O clima familiar do estabe-

lecimento está até no nome: Sabrina, a filha do casal, gerencia o negócio. A ideia inicial era construir um prédio comercial. “Meu pai sempre foi muito empreendedor. Até que um dia alguém deu a ideia de abrir um hotel. A família gostou e fomos

pesquisar esse mercado, pois não sabía­mos nem quanto cobrar por uma diária”, lembra. Quando inaugurado, o prédio tinha apenas 13 apartamentos. Hoje, são 82 – quatro deles adaptados para pessoas com deficiência –, distribuídos em dois blocos com arquitetura germânica e que valoriza a sustentabilidade. Todo o lixo do hotel é reciclado, a lavanderia adota sistema de reaproveitamento e tratamento da água da chuva e o segundo bloco utiliza energia solar. “Nossa família sempre teve essa preocupação. Fazíamos isso em casa e trouxemos para o hotel”, aponta Sabrina.

www.hotelsabrina.com.br Rua Ricardo S. Gomes, 234, Centro 3801-9400 reserva@hotelsabrina.com.br contato@hotelsabrina.com.br FOTOS: DIVULGAÇÃO

Panificadora Manchester: atendimento Em busca de maior qualidade de vida, Custódia Goreti Shigeoka e Tetsuya Shigeoka deixaram São Paulo para trás e, em 1984, fundaram a Panificadora Manchester, em Joinville. Destacada pela qualidade como uma das melhores da cidade, dispõe de delicioso bufê de café, além das inúmeras opções de doces e salgados, ao lado de variedades da estação, como o bufê de sopas para o inverno. Segundo Custódia, cada um dos mais de 30 funcionários tem uma importante missão a cumprir na empresa. “Aqui, o trabalho é dividido para juntos alcançarmos os objetivos traçados”, ressalta. “Preparamos produtos de qualidade, aprimoramos nossos conhecimentos e

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Custódia recebeu diploma em homenagem da Acij buscamos novidades para a melhor satisfação dos nossos clientes”, afirma. A panificadora conta também com um amplo espaço de produção e atendimento, assim como um ambiente para eventos, com capacidade para 50 pessoas e acesso a portadores de necessidades especiais. “Prezamos, acima

de tudo, pelo bom atendimento e, consequentemente, pelo bom relacionamento entre nossos clientes e nossa empresa”, finaliza Custódia.

www.panificadoramanchester.com.br Ten. Antonio João, 2233. Bom Retiro 3425-1082. pmanchester@terra.com.br


revista

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MISSÕES EMPRESARIAIS

Próxima parada: Vale do Silício Por meio da Fundação Empreender, a Acij promove, ao longo de 2014, missões empresariais com visitas a empreendimentos, feiras e congressos internacionais relevantes para o mercado. Uma das programações que se destacam, marcada para o mês de novembro, tem como destino o famoso Vale do Silício, nos Estados Unidos. Na agenda, visitas às grandes empresas de informática da região, como Google, Microsoft, You Noodle e Sales Force. Serão quatro dias de contatos e palestras e um dia livre para turismo e compras. Segundo Anamaria Miguel, gerente operacional e responsá-

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vel pelas missões na Fundação Empreen­der, a viagem está aberta a inscrições. “O principal objetivo de nossas missões é proporcionar ao participante a oportunidade de conhecer novas realidades e conceitos empresariais, além de estabelecer novas parcerias e acordos com empresas internacionais”, conta. O silício é a principal matéria-prima dos processadores produzidos por empresas de tecnologia e utilizados em notebooks, tablets e smartphones. Localizada na Califórnia, a região recebeu esse nome por abrigar a sede das maiores companhias do ramo do planeta.

Foi no Vale do Silício que dois estudantes de Stanford, Bill Hewlett e Dave Packard, fundaram a HP, em 1938. Nos fundos da garagem de uma pequena propriedade, a dupla fabricou o primeiro produto da marca: um dispositivo eletrônico que produzia sons, com um investimento de apenas US$ 538. Cinco décadas depois, em 1990, o Vale viu o início do seu processo de industrialização. Informações e inscrições fe@fe.org.br (47) 3461-3364/3373


CALENDÁRIO DAS MISSÕES

l Setembro 14 a 22, Missão Itália Região de Trento/Itália Objetivo: conhecer empresas para estabelecer relação de negócios, conhecer gestão de micro e pequenas empresas na região. Aprimorar relacionamento com a confindústria de Trento

l Novembro 9 a 18, Missão automecânicos Feira Authomecanika em Frankfurt, Munique e Sttutgart/Alemanha Objetivo: conhecer a Escola de Formação de Automecânicos, visita à Câmara de Ofícios de Munique, Innung (Associação) e museus das montadoras

ASSOCIADOS

R$ 2.950

NÃO-ASSOCIADOS (EM APTO. DUPLO)

R$ 4.830

NÃO-ASSOCIADOS (EM APTO. DUPLO)

R$ 3.400

INSCRIÇÕES

ATÉ 30/6

INSCRIÇÕES

ATÉ 11/7

l Outubro 9 a 21, Missão Canton Fair Feira Canton Fair, na China Objetivo: visitar a feira, conhecer fornecedores e empresas do ramo INVESTIMENTO (EM APTO. DUPLO) INSCRIÇÕES

revista

ASSOCIADOS

9a 18, Missão dos cervejeiros Feira Braubeviale (Nürnberg) e Munique/ Alemanha Objetivo: conhecer a feira Brau Beviale, escolas, empresas e fornecedores do ramo ASSOCIADOS

US$ 4.498 ATÉ 1/8

R$ 4.200

NÃO-ASSOCIADOS (EM APTO. DUPLO) INSCRIÇÕES

14 a 23, Missão Vale do Silício Objetivo: conhecer gigantes da informática como Google, Apple e Microsoft ASSOCIADOS

US$ 5.580

NÃO-ASSOCIADOS (EM APTO. DUPLO)

US$ 6.417

INSCRIÇÕES

ATÉ 30/7

22 a 30, Missão Euromold Feira Euromold, Frankfurt/Alemanha Objetivo: conhecer a feira e visitar empresas e entidades do setor ASSOCIADOS

R$ 3.100

NÃO-ASSOCIADOS (EM APTO. DUPLO)

R$ 3.565

INSCRIÇÕES

ATÉ 28/5

R$ 3.320

15 a 23, Missão Big 5 Feira Big Five, em Dubai/Emirados Árabes Objetivo: visitar a feira

R$ 3.810

INVESTIMENTO

ATÉ 29/8

INSCRIÇÕES

US$ 4.980 ATÉ 12/9

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Macaíba e Parnamirim/RN

Moreno/PE

POR QUE ACIJ

O alcance da associação

OS ASSOCIADOS EM OUTROS ESTADOS

A maioria dos associados da Acij provém da Região Norte de Santa Catarina. Mas o alcance da Acij é bem maior. A associação está presente em 19 municípios catarinenses e em seis outros Estados. Quem se associou em abril e maio/2014

ADOBE ENGENHARIA ALBCON ESTRATÉGIA TECNOLOGIA E GESTÃO INKAZA CONSULTORIA E INTERIORES ALIANÇA BRINDES ALICANTE TRAVELMATE JOINVILLE VERSATIL ANDAIMES ABILITY ONLINE QUANTEC LIBES COMUNICAÇÃO LIVRE ABIFA INNOVATE GESTÃO DE MARCAS E COMUNICAÇÃO AUTO TORQUE AZIENDA CONTABILIDADE CASA DE MINAS ACRILICOS BETA BRASIL FIRE TREINAMENTOS CAL COMPONENTES AUTOMOTIVOS SCHOLZ ASSESSORIA CONTÁBIL CENTRUSFER CENTRAL DE USINAGEM E FERRAMENTARIA CM CONSTRUTORA E INCORPORADORA COMÉRCIO DE ARTESANATO ÁUREA CONDOVILLE COBRANCAS GARANTIDAS CONFEITARIA AMOR E CANELA BELAS ARTES TRATTORIA CORAL POLECON SERVICOS CONTABEIS SENAF CURSOS PROFISSIONALIZANTES DOIS IRMÃOS CAÇAMBAS CERVEJARIA DOM HAUS DRIX REPRESENTAÇÃO COMERCIAL EFICONTA ASSESSORIA CONTÁBIL ELFECAR CENTRO AUTOMOTIVO LIA MODAS RESTAURANTE BAVÁRIA BERG PINTURAS FLORA HARDT GERALDO CENTRO AUTOMOTIVO REALIZA IMÓVEIS HF CORTINAS HANG CLIMATIZAÇÃO SALÃO DE BELEZA CARMELITA LIVRARIA NOBEL JOINVILLE HF MULTI FERRAMENTAS HPS DO BRASIL IMOBILIÁRIA NORTE SUL INTERNET ESTACIONAMENTO QUINZE KAUANA MODAS MARIO BORGA DISTRIBUIÇÃO DOHMA COMUNICAÇÃO JNTATEL IMOBILIARIA JLLE OTICA MAY RELÓGIOS

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Vitória/ES Campinas/SP Londrina/PR

São Paulo/SP

Curitiba/PR Passo Fundo/RS Caxias/RS

47 3433.0170 41 4042.5154 47 3804.7609 47 3026.6611 47 3436.5475 47 3227.7570 47 3205.6000 47 3026.5465 47 3422.6741 47 3466.3919 47 3461.3333 47 3422.5474 47 3027.1996 47 3433.1099 47 3903.3104 47 3027.7744 19 3874.9193 47 3145.7000 47 3026.5931 47 3465.2179 47 3432.1952 47 3427.2137 47 3026.5669 47 3425.4505 47 3026.1816 47 3026.4224 47 3435.4747 47 3804.1230 47 3432.0027 47 3433.9764 47 8853.1565 47 3801.2822 47 3028.5505 47 3433.2698 47 3467.5045 47 3463.7546 47 3422.2630 47 3433.9599 47 3034.0321 47 3434.0024 47 3227.5979 47 3043.4800 47 3027.7854 47 3439.4134 47 3027.5225 47 3433.0669 47 3027.6901 47 3027.1447 47 3437.8440 47 3029.5171 47 3635.0901 47 3422.9615 47 3422.0017 47 3028.9955

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47 9636.8787 47 9188.1407 47 3454.4148 47 9703.6440 47 9978.0304 47 3227.8560 47 3425.1153 47 3455.0015 47 3233.6874 47 3435.4299 47 3453.2379 47 9918.8105 47 3207.1377 47 3427.0419 47 9905.9184 47 3437.2429 47 3419.5259 47 3447.1946 47 3473.8544 47 2105.4243 47 3439.4134 47 3433.8170 47 3029.2778 47 3434.2366 47 3017.1722 47 3433.6008 47 3035.6969 47 3207.3623 47 3028.1005 47 3026.6155 47 3027.4002 47 3432.6539 47 9218.2744 47 3463.6784 47 3023.6928 47 3801.4441 47 3425.4333 47 3804.4000 47 3027.2331 47 3422.5747 47 3025.2020 47 3461.3150 43 3028.8989 47 3025.9191 47 3029.5600 47 3023.4204 47 3804.5115 47 3455.0015 47 3461.3102 47 3434.3099 47 3426.1873 47 3205.0050 47 3461.3157


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PALESTRA

Especialista em ética vem falar de confiança Clóvis de Barros Filho foi considerado pela Revista Exame e pelo evento HSM Expo como um dos melhores palestrantes do Brasil, e o melhor das Américas, sobre o tema ética, participando de eventos em países como Argentina, Chile, Uruguai, México, Canadá e Estados Unidos. Dia 21 de agosto é a vez de os joinvilenses assistirem à palestra “Confiar para Liderar Novos Desafios”, no Hotel Bourbon. Doutor pela Universidade de Paris e pela Escola de Comuni-

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cações e Artes da USP, Clóvis atua no mundo corporativo desde 2005, por meio de seu escritório, e tem como clientes algumas das maiores empresas do Brasil. Suas palestras abordam temas contemporâneos que reforçam a compreensão do que acontece no mundo corporativo e na vida de cada um. As apresentações prezam pelo didatismo e pelo aprendizado das questões humanas. O diferencial é a ausência de aparatos tecnológicos e o poder de sua retórica, que utiliza exemplos do cotidiano para passar conteúdos filosóficos de maneira leve. Clóvis é autor de nove livros. O mais recente é “A Vida que Vale a Pena Ser Vivida”, da Vozes. A obra explora a ideia de que cada um tem seus sonhos, ilusões, medos e espe-

ranças, e ninguém pode oferecer ao outro a chave de uma vida “melhor”, pois essa chave deve ser uma busca pessoal. No prefácio do livro, escrito em coautoria com Arthur Meucci, o leitor recebe o curioso aviso: “Este livro não atende às suas expectativas. Sua leitura não trará soluções. Nele você não encontrará nenhuma dica ou artifício para se dar bem. Deixe este exemplar para outro leitor. Mais desconfiado dos programas de excelência existencial. Para ele escrevemos. Oferecendo reflexão crítica sobre os critérios existenciais mais consagrados. Para que possa resistir, cada vez melhor, contra todo tirano que pretenda empurrar-lhe goela baixo a vida que vale a pena”. capacitacao@acij.com.br


Acij participa do Encontro Estadual de Executivos Durante a Expogestão 2014, realizou-se o Encontro Estadual de Executivos, que contou com a participação de representantes das associações ligadas à Federação das Associações Empresariais de SC (Facisc). Diogo Haron, diretor executivo da Acij, representou a entidade e compartilhou suas experiências de sucesso no painel que abordou os benefícios da excelência na gestão das ACIs.

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DIVULGAÇÃO

REPRESENTAÇÃO

Evento se realizou em paralelo à Expogestão: intercâmbio positivo A ideia de conciliar os dois importantes eventos visou aumentar a participação das associações em um dos maiores encontros empresariais do Brasil, além de facilitar o deslocamento dos profissionais. A Facisc também ofereceu dois workshops gratuitos durante a Expogestão e lançou o Balanço Social 2013, que mostra como a federação está empenhada no cumprimento dos Objetivos do Milênio, parâmetros estipulados pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o desen-

volvimento global. A 12ª Expogestão, realizada de 21 a 23 de maio, é um evento que oferece uma oportunidade ímpar para líderes empresariais e gestores trocarem experiências, atualizarem tendências e estreitarem relacionamentos, unindo o pensamento à prática da gestão empresarial. Em paralelo aos painéis e debates, os congressistas puderam aproveitar as oportunidades da Feira de Produtos, Serviços e Soluções Empresariais e participar das sessões de workshops.

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Ponto e contraponto

A governança corporativa e os rumos das organizações

Boas práticas que só trazem benefícios Rolf Brietzig Presidente do Núcleo Jurídico da Acij, sócio da Brietzig Advocacia

Tema recorrente no meio empresarial, a governança corporativa gera dúvidas. O conceito básico pode ser resumido como um somatório de práticas que visam obter o maior desempenho possível de uma companhia ao dar segurança a todas as partes interessadas: investidores, funcionários, credores, entre outros, facilitando o acesso a informações relativas ao funcionamento da sociedade. A governança corporativa tem como principais objetivos: a) transparência/credibilidade, b) igualdade de tratamento dos acionistas e c) prestação de contas transparente e clara. Transparência: significa muito mais do que o comprometimento de disponibilizar para as partes envolvidas as informações que sejam de seu interesse, não se restringindo àquelas impostas por lei, de maneira a gerar a confiança que os investidores necessitam. Igualdade de tratamento: trata-se aqui, sempre, de manter um tratamento justo e igual a todas as partes envolvidas, sejam acionistas minoritários, clientes, fornecedores ou investidores.

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Prestação de contas transparente e clara: proporciona a confiança que as partes interessadas precisam ter para investir na companhia. Ações dos gestores contribuem para a longevidade das organizações. A pergunta que surge nas empresas de administração familiar, em especial naquelas que vêm tendo sucesso sem utilizar as ferramentas da governança corporativa, é: por que mudar? Resposta: se a gestão se concentra numa pessoa somente, a consequência é que haverá diminuição da capacidade de independência funcional da empresa, trazendo possível insegurança e, por conseguinte, uma barreira para a continuação do desenvolvimento dos negócios. Ou seja, não adotar os comportamentos utilizados na governança corporativa, quais sejam, a transparência, a igualdade de tratamento dos acionistas e uma prestação de contas transparente e clara, compromete a perenidade da empresa, além de torná-la perigosamente dependente dos seus próprios gestores, impedindo mesmo o crescimento da corporação. Nesta ótica, o mercado criou uma visão benéfica das empresas que resolvem implantar as melhores práticas de governança corporativa, demonstrando solidez, confiança e, principalmente, amadurecimento na gestão empresarial. Ficam evidentes então os benefícios da adoção das ferramentas e boas práticas da governança corporativa na gestão de suas empresas.


ILUSTRAÇÃO: FÁBIO ABREU

O fundamento está nas pessoas e suas relações Raul Cavallari Sócio da Meta Gestão Empresarial, membro associado do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC)

Das definições para governança corporativa, prefiro a do IBGC: “Sistema pelo qual organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo relacionamentos entre proprietários, conselhos, diretoria e órgãos de controle. Suas boas práticas transformam princípios em recomendações objetivas, alinhando interesses para aumentar o valor da organização, facilitando acesso ao capital e contribuindo para sua longevidade”. A implantação se faz pela identificação dos interesses envolvidos e pela constituição de conselhos com responsabilidades próprias para que o sistema funcione integrado e de forma adequada. Nas empresas familiares, atuam três esferas de interesse: família, sociedade e empresa. A questão é como as decisões do conselho migram para os níveis operacionais, através de soluções equilibradas, harmoniosas e motivadoras. Entendemos a importância e como funciona este sistema, enfatizado na palavra-chave da boa governança: relacionamento. Relacionamento remete a pessoas. É utópico imaginar que todos pensem, sintam e ajam da

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mesma forma. Nosso trabalho consiste em explorar a visão positiva das diferenças culturais e de valores entre as lideranças e as equipes, baseado no tripé para a boa gestão da organização, definindo a estrutura da governança corporativa, a estratégia do negócio e os subsistemas de gestão empresarial, que incluem padrões para informação, comunicação e descrições de o quê, como e quem faz o que na empresa. O fundamento, portanto, está nas pessoas e em suas relações. Buscamos aproximar sonhos individuais com a identidade empresarial, passando pelos processos, e não iniciando por eles, tornando-os eficazes. Definimos, em consenso, os indicadores de desempenho que aliam medidas econômicas a índices de prosperidade, para avaliar os resultados da empresa. Outra consequência é a retenção de talentos alcançada de forma harmônica e convergente, servindo de base para a motivação das equipes. Com essa abordagem, empresários e demais agentes relevantes da organização passam a contar com soluções criativas, nascidas da participação, do comprometimento e da geração de significado pelas equipes. Soluções com resultados de excelência que conduzem ao trinômio crescimento, desenvolvimento e perpetuidade. Assinalamos ainda que governança corporativa é acessível para empresas de qualquer tamanho. Não é preciso ser grande para implantar. Nós sabemos como.

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Resistências limitam crescimento e profissionalização Vladimir Brandão Jornalista, escritor e mestre em sociologia política

Uma das teorias mais influentes para explicar por que algumas sociedades são mais desenvolvidas do que outras é a do institucionalismo. Países com instituições fortes são mais amigáveis ao empreendedorismo, pois contratos são respeitados, leis são aplicadas e a justiça funciona. É o que também se chama de “ambiente favorável aos negócios”, que resulta em desenvolvimento econômico e social. O conceito de governança corporativa se aproxima do institucionalismo, só que aplicado a empresas. Governança corporativa pode ser entendida como um conjunto de orientações e regras de conduta que uma empresa se dispõe a cumprir, e a existência de grupos de controle para garantir o cumprimento. Transparência é fundamental. À semelhança dos poderes em uma democracia, a governança institui sistemas de pesos e contrapesos em que conselho de administração, conselho fiscal, controladoria, diretoria executiva e outras instâncias vigiam-se, avaliam-se e reformam decisões alheias. Serve para proteger os controladores das

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decisões dos executivos, e os minoritários dos interesses dos controladores. Numa visão mais ampla, contempla também os interesses de todos os “stakeholders”. Para muitos empresários, não é fácil mudar a cultura e dividir o poder. Em Santa Catarina, onde grandes empresas atravessam décadas sob controle familiar, há resistência em adotar práticas de governança, o que limita seu crescimento e profissionalização. O expediente é requerido para abertura de capital e oferta de ações em bolsa de valores – o investidor topa correr riscos, mas quer garantias de que o projeto será bem administrado e de que seus interesses serão resguardados. Só que empresários acostumados a mandar sem limites e a não divulgar seus números relutam. Muitos dos que trilharam o caminho não escondem uma ponta de inveja do concorrente que se manteve fechado e mais “livre” para tocar a vida, sem dever satisfações a ninguém. Já esses últimos podem argumentar – não sem razão – que o simples ato de instituir sistemas de governança não garante muita coisa. Artimanhas contábeis, fraudes e falta de transparência de corporações privadas e públicas, dotadas de sistemas de governança corporativa supostamente sólidos, no Brasil, Estados Unidos ou Europa, têm deixado muita gente boa no prejuízo e deflagrado crises de enormes proporções. A lição que deve ficar dessas crises não é de que governança é mera perfumaria, mas que deve ser levada cada vez mais a sério.


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Cabeceira

Gente José Roberto Torero

“Leitura ajuda até no futebol” Raras vezes a televisão brasileira abre espaço para a literatura – quase sempre, quando ocorre, é nos canais por assinatura. Está em gestação um projeto nesse campo que chama atenção pela originalidade no formato, mais dinâmico que os tradicionais programas de entrevistas. À frente da iniciativa, o jornalista, roteirista e escritor José Roberto Torero. Paulista de Santos, vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura pelo livro “O Chalaça”, também autor de títulos infantis e com larga experiência na imprensa esportiva, foi Torero quem propôs a ideia para a TV Sesc. A série, com 52 programas semanais de meia hora, já está em produção, mas só vai ao ar em 2015. Na Feira do Livro de Joinville, Torero falou com a Revista 21 sobre a novidade.

Como será o programa Será um pouco diferente dos programas tradicionais de literatura, que se baseiam em entrevistas com um escritor. Vai ser um programa muito “vinhetado”, muito quebrado. Terá, sim, entrevista com um escritor, mas com foco em algum tema literário. Se fosse com a Ana Miranda, por exemplo, poderia ser romance histórico; com Ziraldo, literatura infantil etc. Mas terá vários outros quadros. A gente vai sempre mostrar, por exemplo, uma biblioteca interessante; o escritor vai falar de como, onde e por que escreve; haverá alguém falando e qual foi o livro marcante da sua vida; um pequeno documentário sobre as profissões em volta do livro (o revisor, o tradutor, o editor, o assessor de imprensa, o gráfico etc.); microbiografias animadas de autores... Enfim, vai ser bem quebradinho, é um programa que terá uma vida interessante na internet. A ideia nasceu quando estava conversando com outras pessoas sobre o que gostaria de ver na televisão se fosse um programa de literatura. Falei justamente que não queria ver um “programa de entrevista”, porque às vezes não gosto do cara e logo perco o interesse. Teria que ser um programa mais ágil e moderno. Aí fui formatando o projeto, gostando da ideia e apresentei ao Sesc. Eles tam-

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bém gostaram da proposta, fomos refazendo algumas coisas, reformatando, até que ficou pronto mesmo. Em síntese, cada programa vai ter um grande tema. Por exemplo, vampiros. Aí, vamos entrevistar um escritor que tem uma obra ligada ao tema. Biografia relacionada a vampiros, uma biblioteca especializada em vampiros, o capista convidado a falar sobre capas naquele dia falaria sobre uma capa de vampiros que fez, e tal. São programas temáticos, unidos pelo tema, não pelo escritor.

Cultura e literatura na TV A TV por assinatura cumpre seu papel e faz coisas interessantes na questão cultural mais ampla, mas a literatura fica meio em segundo plano. O único programa de que me lembro sobre literatura é o do Edney Silvestre, na Globonews. É bem raro, a literatura está ficando para escanteio mesmo. Creio que é porque o brasileiro lê pouco e, consequentemente, pouco se interessa pelo tema. A mudança começaria pela escola, por famílias incentivando a leitura para que faça mais parte do cotidiano. O brasileiro normal não tem o livro como uma fonte de prazer usual – é o futebol, o filme na TV, o programa de auditório, mas o livro não entra na cesta de praze-

res do brasileiro, o que é uma pena. Isso vem mudando lentamente. A literatura infantil até que tem crescido bastante, enquanto a adulta aumenta, timidamente, em um fenômeno que resulta da chegada de grandes sucessos internacionais, Dan Brown, “50 Tons de Cinza”, essas coisas. É um crescimento não muito nobre.

Poucas livrarias, poucas bibliotecas Nossa vizinha Argentina dá uma surra na gente, é triste. Quem visita o país depara com um monte de bibliotecas, leitores muito bons. É um país onde se lê muito na escola, e isso acaba fazendo uma diferença enorme. Com uma população quase dez vezes menor que a nossa, eles fazem um cinema melhor que o nosso, uma literatura tão boa quanto a nossa, um futebol quase tão bom quanto o nosso. Pode parecer que não, mas a questão cultural ajuda até no futebol. Se tem um jogador inteligente, que leu, e tal, ele acaba melhorando algumas coisas, e também o raciocínio. Claro que não é o mais importante... Mas, veja, se o brasileiro Sócrates não fosse tão inteligente, não tivesse lido tanto, talvez não jogasse tão bem. O Raí é outro caso. Ele não tem uma habilidade espetacular, mas joga com inteligên-


cia, usa tão bem que acabou sendo um craque quase tão grande quanto o irmão. Se a gente tivesse jogadores que lessem mais, até nosso futebol melhoria um pouco. A história da Argentina explica essa distinção. Lá havia uma classe média mais sólida e um sistema escolar melhor. Aqui o sistema foi destruído pela ditadura, negligenciado pelos militares, e jamais se recuperou. Mesmo com os governos democráticos, a gente não teve o grande choque que precisava na educação, só melhorou paulatinamente. É triste que essa melhoria seja lenta, o bacana é se fosse mais rápida, como aconteceu em outros países. A Coreia, por exemplo, deu um salto grande. Não sou otimista de que esse ritmo vai aumentar, acho que vai continuar assim mesmo. Não se vê sinais diferentes de ninguém, os grandes candidatos não acenam com isso, com uma revolução educacional. É sempre uma questão de gestão.

Cinco livros de José Roberto Torero l Galantes Memórias e Admiráveis Aventuras do Virtuoso Conselheiro Gomes, o Chalaça l Terra Papagalli

COM MARCUS AURELIUS PIMENTA

l Uma História de Futebol l As Primeiras Histórias de Lelê l Futebol é Bom pra Cachorro WILLIAM DA SILVA

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COM MARCUS AURELIUS PIMENTA

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Para entender a beleza e a complexidade da natureza

A Magia da Realidade – Como Sabemos o que é Verdade Richard Dawkins Companhia das Letras  O livro é uma dessas leituras obrigatórias para todos os que querem entender a complexidade e a beleza da natureza, vista pelos olhos da ciência moderna e descrita por um dos mais respeitados cientistas britânicos da

atualidade. “Magia” aqui se refere à beleza intrínseca ou ao sentido estético, plástico, da realidade, em contraposição ao sobrenatural ou à execução de truques com que grandes mágicos nos extasiam em suas fantasias e apresentações. Surpreendente a forma convincente com que o autor apresenta e desmistifica uma série de eventos que assombraram nossos antepassados e ainda cultivam a imaginação de muitos, desde a (in)existência de um primeiro ser humano, passando por discussões sobre o que é o sol e do que ele é feito, ou por que observamos as intrigantes cores e a forma do arco-íris. Dawkins nos conclama a contemplar a natureza em sua be-

leza revelada através da ciência, das minúsculas e fundamentais partículas elementares que compõem a matéria conhecida ao universo alcançável e além, ainda desconhecido. Numa época em que a informação está literalmente na ponta dos dedos, separar o real do sobrenatural é um exercício contínuo de aprendizado. Fugir às armadilhas das crenças e ideias sem fundamento que nos foram imputadas desde crianças é tarefa que exige profunda reflexão, bom-senso e capacidade de análise. . Luismar Marques Porto, PhD, professor associado do Departamento de En-

genharia Química e Engenharia de Alimentos da UFSC

Seis dicas Ricardo Amorim O economista Ricardo Amorim, apresentador do Manhattan Connection, que esteve em Joinville para palestra, em março, comenta seis livros básicos para quem quer se iniciar nos mistérios da economia. Por que Países Fracassam Daron Acemoglu e James A. Robinson mostram a diferença de estratégia entre os países que ficam ricos e os que não ficam e como ela se deve principalmente a líderes corruptos, sem compreensão da História e que não investem em educação – formação de capital intelectual – e criação de ambientes propícios a negócios. Punidos pelas Recompensas Profunda análise crítica sob a perspectiva da psicologia dos múltiplos efeitos colaterais de um dos pilares de qualquer sistema econômico: seu sistema de punições e recompensas.

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Super-Freakonomics Aplicando a teoria econômica e esmiuçando dados que passam despercebidos pela maioria, o livro desvenda mistérios e desmistifica falsas verdades. Na essência, mostra como os princípios da economia podem ser aplicados a situações que a maioria não imagina ter a ver com economia. Sou suspeito quanto a esse livro. Gostei tanto que até escrevi o prefácio da edição brasileira.

Manias, Pânico e Crashes Panorama histórico da economia mundial desde o Império Romano, ilustrado pelas muitas crises ocorridas desde então. Ajuda a entender que, como na vida pessoal, crises esporádicas são inevitáveis na economia, mas conhecendo seus padrões, podemos nos preparar para com alguma antecedência, em vez de sermos pegos de surpresa.

Economia sem Truques Princípios básicos de forma simples e lúdica e aplicados a questões da realidade brasileira. O mais fácil desta lista. Para quem quer começar a entender o assunto.

Ensaios de Warren Buffett Nada como aprender os princípios que devem reger suas decisões de investimento com o investidor mais bem-sucedido da história.


Desafios e vantagens do mundo virtual

Relações Públicas Digitais Edições VNI Marcello Chamusca e Márcia Carvalhal  Por quais mudanças as relações públicas estão passando? Quais conceitos e ferramentas já se tornaram essenciais? Qual o perfil de profissional mais desejado? Essas são algumas das importantes re-

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flexões respondidas ao longo da obra virtual “Relações Públicas Digitais”, organizada por Marcello Chamusca e Márcia Carvalhal. Dividido em nove capítulos e em mais de 300 páginas, muito bem escritas, o e-book aborda, entre outros pontos, as novas práticas, os desafios e as vantagens de atuar no mundo virtual. Traz densas análises e exemplos reais, contribuindo diretamente para o aprendizado do leitor e também para importantes questionamentos. Os temas são diversos: públicos, conteúdo, comunicação organizacional, cidadão 2.0, mensuração de resultados, manutenção de ambientes digitais, comu-

nicação móvel, blogs, Facebook, YouTube, Twitter e até Orkut. Após ler “Relações Públicas Digitais”, é possível refletir sobre nossas próprias experiências digitais, aperfeiçoando, cada vez mais, os nossos processos e métodos de atuação 2.0. Leitura indicada para profissionais de comunicação, mar­keting e interessados nas últimas tendências do mundo virtual. Link para o trabalho: http:// www.rp-bahia.com.br/biblioteca/ e-books/rpdigitais-chamusca-carvalhal.pdf Rodrigo Capella, diretor da Interview Comunicação. Escritor,

professor universitário e jornalista

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DIVULGAÇÃO

Gente Ricardo Ledoux

Entre os ruídos “Aisthésis”, palavra de origem grega, significa sensações. O nome do álbum, primeiro da carreira solo do joinvilense Ricardo Ledoux, já está definido. Isso se for um CD. Ainda não se sabe qual será o formato, um álbum com 11 músicas ou um EP com cinco – tudo depende dos resultados da busca de recursos para viabilizar o projeto de gravação. Para o artista, músico e produtor cultural independente, o mais importante, no entanto, não é o formato, e sim o acesso do público às suas músicas. “Nem sei se vai ser um CD físico. Pode ser algo virtual, com disponibilização para comprar as faixas com custo baixo para que as pessoas possam ter o material com facilidade”, comenta. As faixas “Caos da Manhã”, “Mágico da Voz” e “Deu Baque” já foram gravadas. A última, nas palavras do cantor/compositor, soa quase como “um trava-línguas nordestino”, aliado a uma pegada meio rock, meio maracatu. Uma das principais diferenças de seu

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Artista, músico e produtor cultural, Ledoux vai lançar o primeiro trabalho, só não sabe o formato: “Importante é o acesso do público” trabalho em relação aos anteriores é justamente a influência de outros estilos musicais, como a MPB. “Deu Baque”, aliás, foi o nome da apresentação que realizou em fevereiro no Teatro do Sesc, onde mostrou uma prévia do repertório, elaborado desde 2007 após a saída de sua última banda, a Gardênia. Uma marca nos trabalhos de Ledoux é a tentativa de ressaltar a realidade urbana de Joinville. “Percebo poesia no concreto, na chuva na umidade, em minhas experiências de infância e experimentações em artes visuais.” Não é à toa que suas influên­cias são diversificadas: Ledoux se expande para além das rotulações e definições musicais. Ele ouve de Paulinho Moska a John

Cage. De Radiohead a Stravinsky. Lê de Jorge Luis Borges a Julio Cortázar. “Sempre fui influenciado pela música que meu pai ouvia: rock clássico, música eletrônica, rock dos anos 80 e pop. MPB veio depois”, detalha. Em suas experimentações artísticas, Ledoux, até então, faz combinações entre ruídos sonoros e visuais, por meio do som e da imagem, a fim de despertar diferentes “aisthésis” no público. Fotografia e vídeo são ferramentas utilizadas. O artista atua como professor de arte em escolas públicas. “Meus projetos futuros são mais voltados para música, mesclando projeções mapeadas e vídeo artes que ainda venho elaborando para usar nos shows”, relata.


Top 5 Filmes sobre futebol Um Time Show de Bola

ANIMAÇÃO, 2013, DIREÇÃO DE JUAN JOSÉ CAMPANELLA

A animação argentina dirigida pelo cultuado diretor Juan José Campanella conta a história de Amadeo, um garoto apaixonado por totó. Um dia, ele é desafiado por Colosso, que vive se gabando por ser um exímio jogador de futebol de verdade. Mas a partida épica de pebolim entre os dois não é vencida por ele. Anos mais tarde, Colosso retorna rico e com seu dinheiro quer transformar a cidade natal em uma espécie de parque temático. Para salvar a cidade, Amadeo tem que aceitar o desafio proposto pelo vilão: enfrentá-lo numa partida de futebol de verdade. É quando algo mágico acontece e os bonecos da mesa de jogo ganham vida para ajudar o companheiro de grandes jogadas. Maldito Futebol Clube

BIOGRAFIA, 2010, DIREÇÃO DE TOM HOOPER

Ambientado nos anos 1960 e 1970, o filme conta a história do legendário técnico de futebol e ex-artilheiro Brian Clough (Michael Sheen). Clough ganhou respeito comandando um pequeno time, que deixou a última posição do campeonato e assumiu a liderança. Apesar de sua antipatia pelo gigante Leeds United, ele aceitou o cargo e mudou o time. O resultado foi uma prova sem precedentes da agressividade e do brilhantismo de Brian em um período de 44 dias.

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Heleno

BIOGRAFIA, 2012, DIREÇÃO DE JOSÉ HENRIQUE FONSECA

O longa conta a história de Heleno de Freitas (Rodrigo Santoro), craque de gênio explosivo e apaixonado e galã charmoso nos salões da sociedade carioca. Seu comportamento arredio, sua indisciplina e a doença (sífilis) foram minando o que poderia ser uma jornada de glória, transformando-a numa trágica história. Hooligans

DRAMA, 2005, DIREÇÃO DE LEXI ALEXANDER

Matt Buckner (Elijah Wood), estudante de jornalismo em Harvard, é expulso da universidade quando descobrem drogas em seu armário. Matt vai então para a Inglaterra, onde encontra Pete (Charlie Hunnam), líder da GSE, a torcida do West Ham United, acaba sendo aceito pelo grupo e conhece os hooligans, grupos que, em vez de torcer, buscam confrontos com torcidas rivais. Linha de Passe

DRAMA, 2008, DIREÇÃO DE WALTER SALLES E DANIELA THOMAS

Quatro jovens precisam lidar com as transformações religiosas pelas quais o Brasil passa, assim como a inserção no meio do futebol e a ausência da figura paterna.

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Vitae

Veia de empreendedor Luiz Carlos Boebel une a vida empresarial à familiar e reafirma o valor das pessoas para o sucesso no mundo corporativo Karoline Lopes Em 1975, internet ainda era coisa de ficção. Bem antes da informatização, os contínuos eram os responsáveis pela movimentação de documentos nas empresas. Foi assim que Luiz Carlos Boebel conseguiu seu primeiro emprego, na Buschle & Lepper, aos 14 anos. Durou pouco na função. “Logo no início, quando entregava os documentos entre os setores, conheci o laboratório químico e me encantei”, diz. “Fui até o RH e disse que, quando houvesse vaga no laboratório, queria trabalhar lá. Logo surgiu a oportunidade”, relembra o proprietário da Aquaplant, empresa especializada

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em equipamentos para tratamento de água e resíduos sólidos. Com a paixão pelo laboratório enraizada, escolher uma faculdade foi simples. Boebel foi para Curitiba, onde estudou engenharia química na UFPR. “Sair de casa traz um sentimento de solidão. Você larga o conforto, fica sozinho. Dá um frio na barriga, mas aconselho todo mundo a fazer isso: você adquire conhecimento técnico e, principalmente, autoconhecimento”, afirma. Foi na cidade paranaense, numa casa de estudantes onde moravam 36 pessoas, que sua “veia empreendedora” começou a aparecer. “Ali, precisávamos organizar as tarefas e cheguei a ser presidente do grupo.

Desde aquela época, já era o líder.” Boebel ressalta que o segredo do sucesso no mundo empresarial está nas pessoas. Um bom líder, diz ele, é aquele que sabe compartilhar e investir nas equipes, para que todos deem o melhor de si mesmos. “Gosto de gente. Adoro estar onde houver um grupo de pessoas, boas conversas e troca de conhecimento. Não busco nada sozinho, busco com o envolvimento dos outros. Se faço um projeto no âmbito individual, envolvo meus filhos. Se é na empresa, chamo os colaboradores.” E é junto com os 36 funcionários da Acquaplant que ele define os valores da empresa, trabalhados internamente e com clientes e fornecedores. “Fé, amor, cooperação e interesse pelo conhecimento” são conceitos que regem as ações da Acquaplant em 2014. “Todo ano, no mês de outubro, fazemos uma atividade com os colaboradores. É nesse dia que definimos os valores que nortearão o ano seguinte. Existe um crescimento da equipe com


FOTOS: PENINHA MACHADO

Dono da Aquaplant, Boebel faz questão de envolver a equipe nos processos e decisões da empresa essa ação. Num primeiro momento, os valores eram voltados para dentro da empresa. Agora, estão olhando para fora”, sublinha. Esse modelo de gestão foi adotado em 2005, quando o proprietário enfrentou uma crise e perdeu o interesse pelo negócio. A mudança começou quando foi apresentado por uma amiga à filosofia metanoica, desenvolvida pelo educador Roberto Tranjan. A metanoia é um processo de educação que tem como objetivo transformar a maneira que os empresários administram seus empreendimentos. O programa se destina a líderes que desejam repensar a forma como se relacionam com suas equipes, com o mercado, com os resultados e realizações. É, em síntese, uma revisão das práticas de liderança e gestão. A história da Aquaplant começou em 1989, na garagem da família, onde ele mesmo fabricava produtos para tratamento de água e saía para revender. A ideia de trabalhar no ramo surgiu quando voltou para a Buschle & Lepper, encerrada a faculdade. “Utilizávamos a água como matéria-prima e foi aí que me interessei”, diz. “Fiz engenharia química para ajudar o mundo, esse era meu objetivo principal”, assegura. Os primeiros investimentos no laboratório são de 1997, com o objetivo de satisfazer o controle de qualidade da fabricação de produtos químicos. “Como o espaço ficava ocioso na maior parte do tempo, decidi vender serviços de análise. Comecei a bater na porta das empresas, mas na época não havia uma legislação sobre poluição. Hoje, a Acquaplant realiza mil análises por dia, em Santa Catarina e no Paraná, com as tecnologias mais desenvolvidas do mercado”, ressalta. “Tenho o maior laboratório do Estado”, orgulha-se.

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Com a esposa Marly, que conheceu no grupo de jovens, e os filhos Ramon e Renan: os dois seguem os passos do pai

Duas paixões: família e culinária Mais velho de quatro filhos, Luiz Carlos Boebel, antes de um empresário bem-sucedido, é um homem de família. Casado há 27 anos com Marly Butzke Boebel, conheceu a mulher no grupo de jovens que os dois frequentavam. “Logo depois, mudei-me para Curitiba estudar e ela foi para Florianópolis. Todo o nosso namoro se deu nesse período, à distância”, conta. O casal tem dois filhos, Ramon e Renan. Ambos seguiram os passos do pai. Ramon, o mais velho, cursa engenharia química, e o caçula Renan estuda engenharia ambiental. “Nós quatro somos bastante unidos. Sou muito família”, revela Boebel. Um dos momentos que mais aproveita com a família e com os amigos é quando está na cozinha. Ele diz que aprendeu na prática, com a mãe e a avó materna. “Cozinhar é uma maneira de fazer algo que não é da minha rotina. E coloco amor naquilo que eu estou fazendo. Existe todo um ritual, uma seleção de ingredientes, carinho com os alimentos. O que adoro também são os temperos. Sempre digo que um bom químico tem uma maneira de diferenciar sabores e cheiros”, revela. Entre as especialidades, marreco com repolho roxo, receita tradicional da família, e hackepeter. Trata-se da tradicional iguaria feita com carne crua, temperada com fortes condimentos e servida com pão. O modo mais tradicional de servir o hackepeter é com a carne bem moída – no Paraná, costumam usar carne de onça – cebola picada, alcaparras, molho inglês, azeite de oliva, sal, pimenta, páprica e, por cima de tudo, uma gema de ovo.

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3 perguntas

Osamu Naito

Presidente da Yamaha Musical do Brasil, Osamu Naito reconhece alguma dificuldade em seu setor, neste ano, em função do que chama de uma certa instabilidade econômica. “O Brasil tem tudo para crescer e se solidificar no mercado mundial, mas ainda não consegue equacionar seus gastos e mantém a taxa de juros muito alta”, interpreta o executivo, que chegou há um ano para administrar uma das mais importantes subsidiárias, entre as cerca de 90 subsedes da maior fabricante mundial de instrumentos musicais. Com 26 mil funcionários ao redor do planeta, produz cerca de 20 mil modelos de instrumentos. Em 2013, completou 40 anos no Brasil e marcou o evento com o início das atividades, ainda em fase experimental, da mais famosa escola de música e mais tradicional método de ensino do mundo. Finalmente, a Yamaha Music School chega ao Brasil. Osamu Naito esteve em Joinville para prestigiar o 3º Encontro Nacional de Grupos de Flautas Doces Sopro Novo Yamaha, que foi realizado no Conservatório Belas Artes.

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A Yamaha Musical do Brasil completou 40 anos no país. Como o sr. analisa esse período? Como o próprio país, vivemos momentos muito bons, outros bastante difíceis. E sobrevivemos. Houve situações bastante críticas em 1985, quando tivemos que interromper a importação de instrumentos musicais, e em 2002. Mas, como todas as empresas que estão aqui, tivemos que usar criatividade para estabelecer alternativas e permanecer no mercado. No nosso caso, uma das grandes dificuldades no Brasil sempre foi a falta de crédito, problema que, entra política econômica, sai política econômica, persiste até hoje. E que nos obriga a operar de forma ainda mais estratégica, considerando que faltam recursos para todos. No nosso caso, o crescimento no setor de áudio profissional, que registramos nos últimos anos, tem sido um grande suporte para a empresa se desenvolver.

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Que estratégias de crescimento a empresa tem estabelecido – e o que mais pretende fazer? Um dos pontos fundamentais é a questão da indústria brasileira, que está em um momento muito importante. Crucial, eu diria. Precisa de extrema atenção para que a situação não se torne irreversível. Entendo que todos devemos crescer juntos – e esse é um ponto delicado, quando se pensa no quadro atual do setor primário brasileiro. Em vários momentos, a Yamaha tentou fabricar aqui. Ainda seguimos pensando, mas não temos, ao menos por enquanto, condição de fazê-lo. Antes de fabricar, é preciso seguir vendendo – e ajudaria bastante se pudéssemos observar um cuidadoso, mas efetivo, aumento do crédito bancário. Na Yamaha, há planos e projetos, sim, mas a ideia central é a de remodelar nosso sistema de trabalho na direção do crescimento contínuo do setor.

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No âmbito educacional, o Brasil tem discutido bastante a adoção da obrigatoriedade do ensino de música nas escolas... A música é o maior agente da harmonia. Cria a sociedade da concórdia. É importante a educação musical para criar mercado para a própria música. No Japão, há educação musical desde a infância. E, embora, sob o aspecto histórico-cultural, tenham origens diferentes, a música é sempre fonte de beleza e de conhecimento. Uma criança que estuda os grandes compositores, que conhece ao menos um pouco de música, vai certamente se tornar um cidadão melhor. É, aliás, esta a nossa inspiração – temos forte atua­ção na educação musical com projetos como o Sopro Novo, que tem iniciativas voltadas exclusivamente à qualificação de professores, além de atender à formação de crianças e adolescentes.


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Revista 21 mai/jun 2014 nº13