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Economia l Negócios l Tendências Joinville, Janeiro / Fevereiro 2015 No17 l R$ 10

A solução que vem da parceria Entidades empresariais apostam na multiplicação de negócios via PPP para obras de infraestrutura. Em 11 anos, modelo já soma investimentos de R$ 34 bilhões


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Visão Acij

Como era de se esperar Carlos Rodolfo Schneider, vice-presidente da Acij e coordenador do Movimento Brasil Eficiente (MBE) Mais uma vez, veio a conta para pagar. Conta da irresponsabilidade fiscal, do excesso de gastos e ineficiência da gestão pública, da corrupção, do desvirtuamento da função do poder público. Para continuar prestando sofríveis serviços à sociedade, o governo serviu-se novamente do bolso do contribuinte. Avançamos mais um pouco na dicotomia entre carga tributária de primeiro mundo, ou até acima, e serviços públicos de terceiro. O pacote fiscal (MPs 664 e 665) atacou algumas distorções visíveis dos gastos correntes, mas trouxe mais impostos e contas. A partir de agora, por exemplo, o INSS só pagará o auxílio-doença após 30 dias de afastamento do trabalho, contra os 15 anteriores. O pretexto é fazer as empresas investirem em saúde e segurança no trabalho. Na realidade, a maioria já cuida da integridade dos seus funcionários, até porque quadros qualificados são estratégicos. E aquelas que não o fazem, ou apresentam risco elevado, já são penalizadas pelo Fator Acidentário de Prevenção (FAP) e pelo RAT – Riscos Ambientais do Trabalho. O governo está mandando um recado errado: aqueles que cumprem as suas obrigações devem pagar pelos que não cumprem. No fundo, é apenas mais uma ação arrecadatória. E mais um ingrediente do Custo Brasil. Devemos reconhecer o esforço para corrigir as distorções do seguro-desemprego, que vinha sendo um forte estímulo à rotatividade, à não-busca de emprego e à fraude. E, mais ainda, da pensão por morte. Consumindo R$ 140 bilhões por ano, mais de 3% do Produto Interno Bruto (PIB), esse gasto é 3,5 vezes superior à média dos países da OCDE e 4,5 vezes maior que o das nações latino-americanas. Segundo o economista Samuel Pessôa, do IBPE/FGV, países com pirâmide etária equivalente à nossa gastam o equivalente a 0,5% do PIB. Se conseguíssemos, eliminando privilégios e excessos, chegar a esse patamar, poderíamos mais do que dobrar o investimento público no país. Um detalhe permitiria resgatar a qualidade dos serviços públicos e a nossa combalida infraestrutura. São bandeiras que o Movimento Brasil Eficiente (MBE) vem defendendo há um bom tempo – e que finalmente merecem alguma atenção do governo. As correções, mesmo tímidas, são um bom começo. Esperamos não serem desvirtuadas por pressões setoriais.

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NESTA EDIÇÃO

6 Abre Aspas

A mágica gestão do Circo Tihany

16 Objetos do desejo Livros de primeira em edições de luxo

20 Briefing

Novas tecnologias em segurança virtual

28 Em números

Abertura de vagas diminui em Joinville

30 Especial

Escolas técnicas ampliam estrutura

38 Performance Empreendedores das artes plásticas

44 Negócios

A sigla que é um pacote de oportunidades

50 Case

Marca joinvilense cresce pelo Brasil

54 Espaço Acij Núcleos setoriais fazem balanço

Publicação bimestral da Associação Empresarial de Joinville (Acij)

Conselho editorial: Ana Carolina Bruske, Carolina Winter, Débora Palermo Melo, Diogo Haron, Simone Gehrke. Jornalista responsável: Júlio Franco (reg.prof. 7352/RS). Produção: Mercado de Comunicação. Editor: Guilherme Diefenthaeler (reg. prof. 6207/RS). Reportagem: Letícia Caroline, Ana Ribas Diefenthaeler, Marcela Güther, Karoline Lopes, Mayara Pabst. Diagramação, ilustrações e infográficos: Fábio Abreu. Fotografia: Peninha Machado, assessorias de imprensa. Impressão: Impressora Mayer. Tiragem: 3,5 mil exemplares. Contato: revista21@mercadodecomunicacao.com.br. Publicidade: César Bueno, (47) 9967-2587 e 3801-4897. Correspondência: Av. Aluisio Pires Condeixa, 2550 - Joinville/SC. Site: www.acij.com.br. Twitter: twitter.com/acij. Facebook: www.facebook.com/acijjoinville

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Abre aspas

A gestão vai ao circo Diretor do Tihany revela desafios de administrar um empreendimento cultural que é referência no setor

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Guilherme Diefenthaeler Na missão de conduzir uma empresa em tempos de instabilidade econômica, muito executivo bem que gostaria de alguns toques de magia. Pois o argentino Richard Massone, 63 anos, reúne os talentos de ilusionista e administrador, exercendo as duas funções à frente do Circo Tihany, o maior circo da América Latina. Cabe a ele a gestão de uma

companhia com 140 funcionários – 60 são artistas, de 25 nacionalidades – e seis décadas de história, fundada no interior de São Paulo pelo imigrante húngaro Franz Czeisler, que veio para o Brasil no início dos anos 1950, fugindo do nazismo. O Tihany, que ganhou esse nome em homenagem à cidade-natal de Czeisler, foi o primeiro do mundo a não utilizar animais e a substituir o tradicional picadeiro por um palco.


Richard Massone, em ação como ilusionista: empresa itinerante, com 140 funcionários

DIVULGAÇÃO

Hoje com sede em Las Vegas, nos Estados Unidos, o circo está para encerrar a turnê brasileira do espetáculo intitulado “AbraKdabra”, que começou em 2010 e alcançou público de mais de 2 milhões de pessoas, em uma iniciativa dedicada a revitalizar o circo como espaço cultural. O projeto tem aval do Ministério da Cultura e patrocínio da Sky, operadora de TV por assinatura.

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Na passagem da turnê por Joinville, o diretor conversou com a Revista 21 sobre o desafio de gerenciar um circo de renome internacional e revelou que, quando bate o estresse de tanto lidar com números, gosta mesmo é de subir no palco e fazer mágica. Massone, que responde pela companhia há cerca de dez anos, sucedeu o próprio fundador no comando do empreendimento.

Como funciona o negócio Tihany? Historicamente, o Circo Tihany foi uma empresa com estrutura piramidal. Isso até mais ou menos dez anos atrás, quando o fundador, já com idade avançada, decidiu se afastar da batuta. Durante alguns anos, ele preparou sua sucessão, intensificando um novo sistema, um pouco mais aberto, com diferentes áreas de comando e um líder que dá a última palavra, orienta, para manter as coisas amarradas e em ordem. Tudo para que pudesse se aposentar. A gestão deixaria de ser piramidal, com as decisões sob a responsabilidade do fundador. Aí é que eu entrei em ação, após 35 anos de empresa: fui contratado originalmente para substituir “Mr. Tihany”, que também atuou como mágico. Entrei na companhia co­ mo ilusionista. Como muitas vezes ele tinha que viajar, precisava de um mágico para se apresentar em seu lugar, porque a essência do espetáculo, no Tihany, sempre foi o ilusionismo. Passado algum tempo, pela minha curiosidade – sempre fui muito inquieto, ambicioso, no bom sentido da palavra, atento em acompanhar como funcionava o negócio, não apenas na parte artística –, comecei a me envolver com ele e aprendi a profissão circense, além da magia. Continua­ mos por vários anos comparti-

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lhando a coordenação até que, há dez anos, assumi a direção executiva, que é um termo um pouco grande, eu considero, porque real­ mente o circo está formado por uma equipe de diretores, chefes de área – aqui tem administrador, gerente de operações, relações públicas, chefe de manutenção, mecânica, enfim. Está organizado em setores que, de outra maneira, seria impossível, pelo tamanho do circo: são 140 funcionários, entre artistas e técnicos. E, para coordenar, e garantir que tudo esteja em seu lugar, e que as coisas funcionem 99%, temos que fazer dessa maneira. Assim é que funciona em termos de execução operativa. Ele decidiu abrir mão do comando por causa da idade? Exatamente. Hoje, ele tem 99 anos. Perto dos 90, quis se afastar. Não se envolve mais com as atividades, com o dia a dia, mas o circo continua sendo seu filho, sua vida. E segue perguntando, pesquisando como estão as coisas, sem se meter na parte operacional. Foi a primeira mudança de gestão que ocorreu? Sim, a única. O fundador tinha descendentes, mas nenhum que tivesse o gosto e o prazer de continuar o legado dele – algo que conseguiu comigo. Esse circo, pelas características que tem, é complicado para outros profissionais. Muitos empresários circenses usam nossa estrutura e organização como parâmetros. E, ao mesmo tempo, somos admirados pela organização: nosso modelo é grande para outros circos. Somos referencial no mundo circense, falando dos circos tradicionais. Ao lado do Cirque Du Soleil e do Circo Buglione, da Europa, são três circos com diferentes estilos, mas estruturalmente, em

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nível organizativo e de shows, no mesmo patamar. Como o sr. se sentiu ante o desafio de suceder o fundador? Teve que fazer muita “magia” para encarar esse desafio? Realmente, foi um desafio, mas tudo se deu muito naturalmente, porque fui pouco a pouco assumindo a função, lidando com os problemas operacionais etc. Na parte artística, a administração era mais fácil de levar. O problema é a parte estrutural, logística, que é mais difícil mesmo, especialmente com um circo deste tamanho, que mexe com tantos materiais, necessita de uma superfície tão grande e tantas pessoas na equipe. Temos a obrigação de não só dar trabalho, mas casa para os funcionários. A grande diferença em relação a outras empresas é que a gente “monta a empresa” em cada cidade, e depois tem que desmontar, e montar de novo, tudo em um período de tempo curto. Sempre começando de novo. É o que faz dessa profissão um bicho raro de se levar para frente. Como o sr. se divide entre as duas atividades, de mágico e gestor? A parte administrativa absorveu muito da artística. Primeiro, porque está dominada pelos anos de experiência e pela rotina – sem desmerecer a qualidade, o profissionalismo, a arte. E a parte organizacional não é nada rotineira: são sempre novos problemas. Para conciliar as duas, quando estou saturado da administração, gosto de fazer magia, é a minha terapia. Subo no palco, por 30, 40 minutos, com o público – sempre a magia foi minha paixão, meu hobby, minha profissão. Adoro mágica, adoro o palco, mas às vezes não tenho tempo. Faço meu tempo, não

necessariamente por necessidade histriônica, mas de saúde, porque tenho que relaxar um pouco. A vantagem é que a atividade artística geralmente se dá fora dos horários normais de questões administrativas. Mas isso deixa uma conta: quando acaba uma atividade, tem que começar a outra. É uma espécie de jornada dupla. Mas a segunda jornada não é tão estressante quanto a primeira. O sr. falou deste aspecto itinerante do circo. Mas existe uma matriz da empresa? Onde fica? Sim, funciona em Las Vegas. O Tihany é, hoje, uma corporação norte-americana que viaja por toda a América Latina. Nosso território de negócios vai desde a América do Norte até a América do Sul, passando pela América Central e Caribe. Originalmente, o circo surgiu no Brasil, foi criado em uma cidade do Estado de São Paulo. Após 15 ou 20 anos de sucesso, começou a viajar pela América, chegou aos Estados Unidos e lá se instalou, com seus escritórios, galpões para guardar materiais. É aonde a gente vai quando termina uma turnê – que dura de dez a quinze anos, não voltamos muito seguidamente. No início, a sede funcionava na Flórida, e há uns dez anos se transferiu para Las Vegas. Essa estrutura serve também para guardar os materiais ou preparar o show seguinte. O Tihany não tem férias. É um dos poucos circos que não param nenhum dia do ano. Não quer dizer que os funcionários não tenham férias, claro; todos têm, escalonadas. Mas o circo, não. Isso transforma Las Vegas em uma espécie de sede virtual. Na verdade, o escritório viaja junto com o circo. O circo nasceu em São Paulo... Sim, foi em Jacareí. O fundador é Franz Czeisler, húngaro-judeu. Nos


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O mágico-diretor, com artistas, em um dos pontos altos do espetáculo “AbraKdabra”: turnê pelo Brasil anos 1950, ele viaja para o Uruguai e, depois, para o Brasil, com seu show de magia e uma pequena companhia de três ou quatro pessoas – um cômico, uma cantora, malabaristas. Colegas que haviam fugido da Europa no pós-guerra, que enfrentavam problemas com os nazistas por ser judeus. Quando chegam a São Paulo, não encontram espaço para trabalhar. De casualidade, Czeisler consegue fazer seu ato de magia no famoso Circo Garcia, por um ano, mais ou menos. Sai de lá com intenções de se tornar independente e montar seu próprio espetáculo, mas também não encontra espaço. Os dias passam, o dinheiro acaba. Ele está em São Paulo, caminhando pelo Parque Dom Pedro. Vê uma lona pequena, do tamanho do lobby do nosso circo, hoje. Era um teatro de

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marionetes. Um “palquinho” lá no fundo, umas dez pessoas no público. Acaba convencendo o dono a vender a “loninha”. Assina quatro ou cinco duplicatas. Ele já tinha cortinas e alguns elementos de cenário. Coloca um palco maior e o primeiro nome do circo: “Tihany, o Rei dos Ladrões”. Grande marqueteiro. Por que “rei dos ladrões”? Ele fazia um show de magia chamado pick-pocket. Dos bolsos do público, tirava carteiras, tirava o cinto, a gravata, documentos, óculos, até as meias, em uma paródia muito bonita. Com seu jogo, as pessoas não percebiam. Claro que devolvia no final. Não encontrou melhor slogan. Um sucesso. Fica dois ou três meses no Parque Dom Pedro. Paga todas as duplicatas e logo vê que o caminho era o de um espetáculo mágico dentro do circo.

Manda fazer uma lona maior, prepara um circo maior, traz bailarinas da Europa, forma uma companhia, e escolhe Jacareí para afinar seu show. A partir dali, a história de Tihany caminha a 300 quilômetros por hora. Sucesso atrás de sucesso, faz-se muito grande e importante, percorre todo o Brasil com um show totalmente diferente dos tradicionais, sem picadeiro e sem animais. Era uma estrutura de anfiteatro. Aí, o Brasil ficou pequeno, começou a viajar pelos países limítrofes, e foi quando eu o conheci. Era 1963, ele veio à minha cidade, Rosário. Eu era apaixonado pela mágica e meu avô me levou para ver o espetáculo. Quando o vi, disse que queria ser mágico, como ele. Meu avô me apresentou para ele, que foi muito simpático, com um carisma incrível. Ele é uma


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pessoa muito especial, por isso conseguiu chegar aonde chegou. O circo foi embora, segui crescendo e estudando. Só entrei no Tihany nos anos 1980. Voltando à questão empresarial, gostaria que o sr. me explicasse como funciona o recrutamento e seleção de profissionais e artistas para o circo, além da retenção dessas pessoas. Logicamente, onde se vão conseguir pessoas para trabalhar em um circo senão em outros circos? Existem festivais de circo no mundo inteiro: em Moscou, Monte Carlo, Budapeste, Espanha. Visitamos vários deles, às vezes vejo até dois festivais por ano. Nos festivais, vai sempre o melhor de cada circo, apresentam-se os melhores atores circenses do ano. E nos abastecemos artisticamente desses lugares. Também por meio da internet, muitos artistas postam seus currículos, vídeos de seus atos, o que facilita muito as escolhas. Temos a possibilidade de assistir aos números sem viajar tanto. Todos os nossos artistas são contratados em festivais de circo – o que significa que todos são profissionais e premiados, que já trazem uma qualificação adequada ao nosso espetáculo. Um circo internacional tem que ir atrás de artistas internacionais. Em nível técnico, fazemos pesquisas em outros circos e com a oferta também, mas normalmente vamos a outros circos e, se temos interesse em um profissional em especial, fazemos uma proposta. O mesmo sucede no sentido inverso. Mas somos o “número 1” da América Latina, somos o mais importante circo de todo o continente, fora dos Estados Unidos, em termos de tamanho e importância. Daí que é raro tirarem nossos profissionais para outros circos, porque nosso

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nível de contratação e salário é difícil de bater. Existe alguma formalidade neste processo, como uma entrevista de emprego? Sem dúvida. Tem que haver um mútuo acordo para ser contratado ou contratar. Mas nosso circo é um referencial, como falei. Nosso nome é muito respeitado no meio circense. E há uma relação de camaradagem. Jamais contratamos alguém “por fora”, roubando o profissional. Sempre falamos primeiro com o diretor do circo, dizendo que precisamos de uma pessoa com determinado perfil. Se ele alega que não pode abrir mão daquele profissional, não vamos em frente. A pesquisa com o dono também ajuda a avaliar como é o funcionário. Na etapa seguinte, falamos com ele. Ninguém diz que não. Todo mundo tem como ápice da carreira trabalhar no Tihany. E como se dá a carreira no Tihany? Como é a expectativa de ascensão desses profissionais? Depende das atitudes, de cada pessoa. Tem pessoas que entraram como empregados de limpeza e hoje são capatazes, montam a tenda e assumem responsabilidades. Existem oportunidades de crescer. Entrei como mágico e hoje sou diretor. Tudo depende das qualidades, dos desejos de progredir de cada um, e das atitudes, para que se possa ir para a frente. Normalmente, na parte artística, os artistas entram com o ato que realizam. Chegam aqui já premiados, no alto nível de aperfeiçoamento, não há outro degrau. É difícil que ocorram casos como o meu: o artista leva outro estilo de vida, é dedicado à arte, ao seu corpo, não tem curiosidade para nada disso que envolve a atividade administrativa.

Como fazem a escolha de um novo local para compor uma turnê? Temos uma ideia inicial. Logicamente, esse tipo de espetáculo exige uma turnê organizada. Quando decidimos vir ao Brasil, montamos um roteiro de 18 cidades. Não é possível respeitar os tempos ao pé da letra, mas há uma ordem lógica da geografia, começando pelo Norte e chegando ao Sul, ou vice-versa. Primeiro, é feito um estudo de mercado. A preocupação inicial é a quantidade de habitantes de cada lugar. A segunda, o PIB, a força laboral, qual a base econômica da cidade, se é industrial ou um mix, por exemplo. Escolhemos inicialmente as capitais e as maiores cidades de cada Estado, as que têm força econômica importante. A primeira visita a Joinville foi feita cerca de meio ano antes da estreia. Pesquisamos a cidade, terrenos disponíveis. Nesse momento, ainda não se contratam as pessoas, porque o período de nossa estadia é variável. Depende do público, não existe uma fórmula matemática para isso. É o mistério do show-biz: nunca se sabe se irá bem ou não. Não sabemos detectar aonde realmente está o sucesso ou o fracasso. São muitas as variáveis. Outros paralelos do circo com a estrutura empresarial dizem respeito à logística e aos cuidados com a segurança. Como isso funciona no Tihany? Estamos muito bem estruturados. Somos autossuficientes em energia elétrica, contratamos segurança particular, o circo está bem cuidado, nunca há um espaço aberto: temos 500 metros de cerca de aço inoxidável que, perimetralmente, demarcam um limite em termos de segurança. Temos reservatório de água próprio e, com um siste-


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ma hidropneumático, abastece todos os nossos trailers, usando cisternas de 5 mil litros cada. Geralmente, não usamos água das cidades. Essa autonomia é importante. Também em energia elétrica, temos quatro geradores de 350 e 550 kva. Um deles opera 24 horas por dia. Consumimos por volta de 15 mil litros de diesel por semana. É uma logística bastante cara. No circo, moram cerca de 70 pessoas. Artistas e gerentes administrativos moram em hotel, ocupando cerca de 44 apartamentos. Aqui é como um pequeno condomínio. As refeições são independentes. Temos um refeitório que atende nos horários de almoço, mas é opcional. Além da segurança particular, contratamos permanente-

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mente ambulância, paramédicos, os bombeiros estão presentes. Nosso circo tem instalações que são exemplo em termos de segurança e acessibilidade. Existem nove acessos do público que também funcionam como saídas de emergência. Difícil encontrar um circo com essa condição. A altura dos degraus é de acordo com a regulamentação, rampas de acesso sem travas, temos um espaço de um metro a cada três fileiras. Nos circos-teatro, em geral, há uma fileira atrás da outra. Tiramos uma fileira a cada três, criando espaços, o que facilita o movimento dentro do circo. Reduzimos o espaço para o público, de 2.500 para 1.800 pessoas, mas aumentamos o conforto e a segurança. Tiramos mais de

600 lugares. Poderíamos trabalhar com 2.500, regulamentados, mas preferimos reduzir. E também a segurança para os artistas, toda a parte mecânica, dos aparelhos, ao ponto de que as ocorrências de acidentes são mínimas. Pode alguém virar um pé, por exemplo, mas há sempre um fisioterapeuta que dá atendimento imediato. O circo tem benefício da Lei Rouanet, no Brasil. Como o sr. vê o incentivo a projetos culturais no Brasil? É muito válido. Mundialmente, o circo tem apoio, porque necessita. Mas não existem locais adequados para a instalação de circos. Excepcionalmente, esse terreno de Joinville está bem preparado,


mas geralmente temos que resolver até a terraplenagem. Há muitas complicações para as permissões. O circo não recebe apoio no Brasil. Está estigmatizado, não é visto como cultural. Com a Lei de Incentivo, passou a se sociabilizar, permitiu-se o acesso, ajudando o circo. A lei garantiu maior acessibilidade do público porque ajudou o circo nos seus custos. Mas tudo é muito subjetivo, já que a lei não te dá o dinheiro, e é muito difícil buscar patrocinadores. Não há uma cultura de apoio ao circo. Os patrocinadores preferem um show de um cantor famoso, por exemplo. Nós temos apoio, porque o nosso é um circo grande. A intenção do Ministério da Cultura é boa, mas terminou aí. E exige uma contra-

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partida que prejudica o público. A lei obriga a oferecer a famosa meia-entrada. O que acontece? A se julgar pelo número de pessoas que usam meia-entrada, o Brasil deve ser o país mais culto e educado do mundo, porque parece que todo mundo estuda. Aqui vêm pais de família, e famílias inteiras com carteira de estudante. Essa lei facilitou a armação e os ingressos subiram, para compensar o número excessivo de meias-entradas, que desbalançaram qualquer projeção de custos. Assim, o justo paga pelo pecador, o que é honesto paga 30% mais do que deveria porque 60% do público paga meia. Historicamente, quem deveria pagar meia é a criança, como em outros países. Às vezes, são aposentados

e crianças. Mas aqui é aposentado, criança, bombeiro, doador, militar, professor, estudante, idoso etc. Às vezes, chega a 65% do público. E é cada vez maior essa proporção. Daqui, vamos ao Uruguai. Lá, o preço do ingresso vai cair 20% em dólar, porque não tem meia-entrada. No Brasil, custa um número muito maior de ingressos para manter o circo. A lei encareceu os espetáculos. Temos patrocínio do Cielo, teve Correios também (mas fora da lei de incentivo), Sky (o único que temos agora). Também há uma contrapartida de 10% da capacidade para ingressos gratuitos, para entidades sociais. Mas isso faríamos com ou sem lei, como uma forma de devolver à cidadania o que temos recebido.

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Objetos do desejo

EDIÇÕES DE LUXO NEUROMANCER

Edição comemorativa de 30 anos William Gibson No futuro, existe a matrix: uma alucinação coletiva virtual, na qual todos se conectam para saber tudo sobre tudo. Case, porém, foi banido e sobrevive nos subúrbios de Tóquio até que um dia encontra Molly, uma samurai das ruas que o convoca para uma missão da qual depende toda a existência da rede. O romance é o primeiro volume da “Trilogia do Sprawl”, que ainda inclui os livros “Count Zero” e “Mona Lisa Overdrive”. R$ 79,90 Editora Aleph editoraaleph.com.br

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A edição comemorativa de 30 anos contém extras como prefácio do autor escrito especialmente para o público brasileiro, três contos inéditos no Brasil e ambientados no universo “Sprawl”: “Johnny Mnemônico”, “Hotel New Rose” e “Queimando Cromo” (os contos trazem personagens e eventos presentes no livro) e uma entrevista de Gibson concedida ao escritor e crítico literário Larry McCaffery

A edição especial vem com capa dura, selo dourado em hot stamp e mapa/ pôster exclusivo

O livro tem 556 páginas e ilustrações em cada capítulo

OS GOONIES

A ORIGEM DAS ESPÉCIES

A história de “Os Goonies”, clássico filme infanto-juvenil dirigido por Steven Spielberg nos anos 80, foi adaptada para livro por James Kahn. Crianças que, às vésperas de ser despejadas de seus lares, seguem em busca de um tesouro escondido, em uma fantástica história de amizade.

Considerado como um dos mais inovadores e desafiantes tratados biológicos já escritos, “A Origem das Espécies”, de Charlie Darwin, trata dos processos evolutivos por meio de uma abordagem diferente que, em seu lançamento, em 1859, chocou grande parte do mundo ocidental. A edição especial vem com ilustrações em cada capítulo e o prefácio é de Nélio Bizzo.

R$ 60 DarkSide Books darksidebooks.com.br

R$ 69,90 Martin Claret martinclaret.com.br

Edição comemorativa de 30 anos James Kahn

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Charles Darwin


DAVID BOWIE

É o primeiro livro produzido com acesso irrestrito ao “The David Bowie Archive”, o arquivo pessoal do artista, com letras originais, trajes de espetáculos, materiais, fotos e objetos

Vários autores “David Bowie” é publicado por ocasião da exposição homônima, montada originalmente no Victoria and Albert Museum, em Londres, em 2013, e reapresentada no ano seguinte no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo. O livro traça a carreira do artista desde a juventude, suas influências e decisões, as descobertas durante as gravações dos primeiros álbuns, até se tornar figura mundialmente aclamada. A edição traz textos dos curadores do Victoria and Albert Museum sobre a influência de Bowie no mundo da moda, além de ensaios sobre música, cinema, a questão do gênero, entre outros aspectos. R$ 119,90 Cosac Naify editora.cosacnaify.com.br

SANDMAN

Absolute edition Neil Gaiman

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA

Stefan Jaworzyn

Dirigido por Tobe Hooper, o cultuado “O Massacre da Serra Elétrica”, de 1974, marcou o inconsciente coletivo com seu serial-killer mascarado. Escrito pelo músico e escritor Stefan Jaworzyn, um fã do assunto, o livro reúne histórias dos bastidores dos filmes da série, perfis do diretor e do psicopata que inspirou o longa, críticas da época, além dos relatórios que recomendavam a censura do filme. R$ 39,90 Coleção Dissecando – Filmes Clássicos de Terror, da Darkside Books darksidebooks.com.br A obra é ilustrada com fotografias raras e inéditas da filmagem, além de cartazes do longa feitos mundo afora

Neil Gaiman criou uma das séries mais revolucionárias e inovadoras dos quadrinhos contemporâneos. Mesclando mitologias modernas e fantasia sombria, além de acrescentar elementos atuais, históricos e míticos, Sandman foi considerada uma das séries mais artisticamente ambiciosas dos quadrinhos. A história tem como um dos personagens principais o Morfeus, responsável pelo “Mundo dos Sonhos”, que passou diversas décadas trancafiado, deixando os sonhadores desamparados. A série, em quatro volumes, revela como ele se libertou e como foi capaz de se adaptar ao mundo após tantos anos de ausência. Os volumes têm formatos diferenciados (18,5 por 27,5 cm), totalmente recoloridos (com cores aprovadas pelo próprio autor) e extras. R$ 145 (cada volume) Panini Comics paninicomics.com.br

DICAS PARA ESTA SEÇÃO, ESCREVA PARA REVISTA21@MERCADODECOMUNICACAO.COM.BR

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Painel

TENHO DITO

ACIJ NA MÍDIA

“O Brasil tem três grandes tarefas: a contenção do gasto público, o aumento nos investimentos e o início das reformas. Se o governo, já no primeiro ano, se mostrar disponível para isso, os empresários darão seu voto de confiança.”

Notícias do Dia, 12/12/2014 “Para o presidente da Acij, João Martinelli, a construção de um terminal alfandegário e logístico em Joinville permitiria que boa parte das mercadorias produzidas na cidade fosse desembaraçada no município, ou seja, a produção de Joinville seria exportada pela própria cidade, ao invés de ser destinada a Itajaí e outros portos.”

Marcelo Hack

PRESIDENTE DO PERINI BUSINESS PARK

“A velocidade e os benefícios dessas modernidades, a curto prazo, têm gerado perda de valores antes inquestionáveis, como atitudes de respeito ao próximo, ao meio ambiente e ao patrimônio público.” Moacir Borgo EMPRESÁRIO

ROBERTO STUCKERT FILHO/ PR

A Notícia, Jefferson Saavedra, 23/12/2014 “O presidente da Acij alega ainda não entender os motivos que levaram o governo do Estado a não escolher ninguém de Joinville para o secretariado e só ter Cleverson Siewert no considerado primeiro escalão, logo em momento que a cidade ‘trabalhou bastante’ pela maior representatividade.” A Notícia, 16/12/2014 “Uma pesquisa feita pelo Núcleo de Imobiliárias da Associação Empresarial de Joinville (Acij) e divulgada neste mês mostra o perfil dos compradores de imóveis na cidade. A maior parte – 82% – tem

“A educação tem grande poder de transformação e confere, sobretudo, dignidade aos que a ela têm acesso. Este é o melhor legado que podemos deixar às futuras gerações.” Glauco José Côrte PRESIDENTE DA FIESC

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“Gostei muito da reportagem ‘O cardápio das franquias de alimentos’. Grato pela atenção e profissionalismo da equipe da Revista 21.” Guilherme Batista, diretor executivo da Takeo Pastéis “Quero agradecer o espaço que a Revista 21 proporcionou para divulgar a Industrial Supply South America – Feira Internacional da Indústria Automotiva. Convidamos a comunidade empresarial

entre 18 e 35 anos. E, deste total, 68% ainda estão procurando seu primeiro imóvel. ” Noticenter, 16/12/2014 “Para encerrar mais um ano de muitas atividades, os quatro grupos do Gestão Compartilhada da Associação Empresarial de Joinville (Acij) receberam os seus participantes e convidados para o almoço de confraternização de encerramento de 2014 com a palestra especial de Milton Hobus que compartilhou a sua trajetória pessoal, profissional e política.” Notícias do Dia, 24/01/2015 “Para o presidente da Acij, os números do emprego são o reflexo de um cenário em transformação. Atualmente, segundo o IBGE, 55% da economia da cidade é movimentada pelo comércio e serviços. ‘A verdade é que a própria indústria mudou o seu foco, mantendo nos seus quadros apenas os colaboradores diretamente relacionados ao produto, no processo produtivo ou na venda, optando por terceirizar as demais atividades’, explica Martinelli.”

de Joinville e região a participar da primeira edição da feira, que ocorrerá de 15 a 17 de setembro, na Expoville.” Valério Regente, diretor da Hannover Fairs Sulamérica/ Deutsche Messe “Ser associado de uma entidade como a Acij traz visibilidade para a empresa no mercado, pois a associação é uma marca forte, além de integrar variados serviços que


CURSOS & EVENTOS

23 de fevereiro

Workshop Planejamento de Carreira Sustentare, Joinville (47) 3026-4950

23 a 25 de fevereiro

Curso: Técnicas e Práticas de Vendas que Geram Resultados Acij, Joinville (47) 3461-3344 ou capacitacao@acij.com.br

24 e 25 de fevereiro

Curso: Metodologia de Solução de Problemas – PDCA Acij, Joinville (47) 3461-3344 ou capacitacao@acij.com.br

PORTFÓLIO

A artista convidada para esta edição é Sonia Rosa. Ela apresenta a obra “Joinville, construções antigas”, que retrata alguns símbolos da cidade: a Catedral, a Casa dos Padres, a Malharia Arp, o Hospital São José e o Mercado Municipal. A temática presente no trabalho de Sonia remete à infância e às brincadeiras de outras gerações. “Há 10 anos, eu pesquiso e acumulo objetos. Meu projeto mais importante é a montagem de um Museu do Brinquedo. Tenho uma grande coleção e aceito doações de quem quiser contribuir”, relata a artista. Para mais informações, entre em contato pelo telefone (47) 9126-9417 ou pelo e-mail ssoniarosa@hotmail.com.

uma empresa sozinha não poderia incorporar.” Alexsandra Deonizi Siqueira, analista financeira da Libra Rótulos e Etiquetas “Para a Feuser, estar associada à Acij é, entre outras coisas, transmitir confiança aos nossos clientes, pois aproximamos nossa marca de uma entidade com prestígio e um histórico importante de realizações em Joinville e região. Para nós,

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como empreendedores, demonstra que acreditamos no associativismo como forma de evoluir nossa empresa, nosso segmento de atuação e a comunidade em geral. O trabalho da Acij é muito importante, proporciona uma grande rede de relacionamentos que gera negócios e conhecimento para todos os envolvidos. Muito mais chances do que fazer o trabalho todo sozinho.” Braulio Feuser Junior, gerente comercial da Feuser

15 de abril

4º Meeting Comex Núcleo de Comércio Exterior Acij, Joinville (47) 3461-3344

16 a 20 de março

Workshop Empretec Acij, Joinville (47) 3461-3344 ou capacitacao@acij.com.br

10 a 20 de abril

Feira do Livro de Joinville Centreventos Cau Hansen feiradolivrojoinville.com.br

15 de maio a 12 de julho Bienal Brasileira de Design 2015 Fiesc, Florianópolis bienalbrasileiradedesign. com.br/(48) 3665-4873 ou atendimento@scdesign.org.br

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Briefing

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Antivírus e firewalls básicos não bastam para conter hackers MUNDO VIRTUAL

Novas tecnologias auxiliam na proteção de dados e informações empresariais Problema cada vez mais grave entre empresas dos mais variados portes, o vazamento de informações confidenciais gera enormes dores de cabeça. Recentemente, um escândalo envolveu a Sony, que teve mais de 33 mil documentos hackeados – entre eles, e-mails expondo celebridades de Hollywood. Os dados para a imagem são imensuráveis. Financeiramente, calcula-se que a marca levou prejuízo de nada menos que US$ 100 milhões. Antivírus e firewalls simples já não bastam para conter os “piratas da internet”. Nesse contexto, segurança de dados e informações virou preocupação elementar. Kent Johann Modes, especialista em Segurança da Informação na Teltec Solutions, de Florianópolis, explica que os riscos podem ser letais para uma empresa que não se protege. Além de perdas milionárias que vazamentos de informações confidenciais ou vírus danosos ao banco de dados podem trazer, é preciso levar em conta a imagem da empresa perante clientes e acionistas. “A segurança da informação é obtida com sucesso por meio da combinação de pessoas, processos e equipamentos. No ambiente da internet, com novas tecnologias surgindo a todo instante, é essencial que esse conjunto esteja sempre atualizado”, ressalta. Uma das principais novidades nesse campo é o “Firewall de próxima geração”, constituído por equipamentos capazes de realizar inspeções mais profundas, envolvendo aplicações. A primeira geração de firewalls – que

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checam e filtram o fluxo de dados – é restrita: bloqueia apenas portas e protocolos. Só no protocolo TCP/IP, que faz a comunicação entre computadores em rede, abrem-se mais de 65 mil portas. Com os avanços da área, são comuns vírus e malwares (software que se infiltra de forma ilícita no computador) que procuram as portas para se instalar e destruir um sistema. Os firewalls de próxima geração bloqueiam aplicações e usuários, protegendo contra ameaças conhecidas e desconhecidas, à medida que facilitam o gerenciamento do acesso. Para Kent Modes, também é preciso ficar atento aos dispositivos móveis. Com sua ascensão explosiva, é possível que em pouco tempo se tornem os principais vetores de malwares. A nova tecnologia auxilia ao identificar cada usuário da rede, não importa o dispositivo que esteja usando, localização ou endereço IP. Por ter informações públicas, a Passebus, de Joinville, procurou a Teltec para melhorar sua segurança. Uma falha poderia levar à interrupção nos sistemas, o que impactaria a população que utiliza o transporte coletivo. Com a ferramenta Firewall WatchGuard (Cisco), a empresa otimizou a rede, por meio de acessos restritos e usuários utilizando somente os recursos relacionados à sua atuação. A maior parte das mensagens categorizadas como spam é filtrada antes de entrar na rede e o equipamento fornece mais uma barreira para o vírus, com o antivírus instalado nele mesmo. De acordo com o gerente Aluísio Harger, a mudança foi motivada pela busca de uma gestão mais eficiente, sobretudo do tráfego na internet. “A solução anterior era lenta e formava gargalos. Como prestamos um serviço público, precisamos garantir qualidade e eficácia”, destaca.


DIVULGAÇÃO

INOVAÇÃO

OpenTech lança “jogos sérios” para motivar equipes A indústria da tecnologia tem usado cada vez mais ferramentas atreladas ao entretenimento para dinamizar a transmissão de informações e o aprendizado. São os chamados jogos sérios. Nessa área, a gamificação – que consiste em usar elementos da estrutura de jogos para algo além da mera diversão – tem se destacado. Segundo pesquisa divulgada pela M2 Intelligence, a gamificação movimentou US$ 450 milhões em 2013 e deve chegar aos US$ 5,5 bilhões em 2018. A joinvilense OpenTech se consolida como a primeira empresa brasileira do setor de transportes a investir nesse ramo. Por meio da análise comportamental do processo e da equipe, os gestores chegaram à conclusão de que, para aprimorar o clima organizacional e aumentar o comprometimento dos times, a gamificação seria o caminho ideal. Assim, há seis meses, a OpenTech mantém sete profissionais da área de inovação dedicados exclusivamente ao projeto. No jogo, os funcionários são levados a explorar aptidões, ao mesmo tempo em que despertam a criatividade e têm acesso a mais informações sobre os processos internos da empresa. São previstas recompensas e bonificações de acordo com as metas atingidas e a realização de tarefas. O projeto-piloto foi implantado no departamento de logística. A meta é que até o final do primeiro trimestre todas as áreas estejam integradas ao novo modelo de tra-

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revista

Tela de um dos jogos da empresa: ganho de 20% em produtividade balho. “Nos primeiros testes, já estimamos um ganho de 20% na produtividade. Após a consolidação no processo logístico, o projeto deverá ser implantado no setor de gerenciamento de risco”, revela André Luiz Bachmann, diretor de implantação e infraestrutura de tecnologia da informação. Para Eliezer Tarso, analista de ne-

gócio da OpenTech, além de trazer benefícios ao ambiente corporativo, a ferramenta qualifica o atendimento oferecido aos clientes. “Teremos um time mais motivado e engajado, trabalhando com mais assertividade e comprometimento, mas os ganhos não são apenas internos. Os reflexos positivos serão percebidos também pelo mercado”, comenta.

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DIVULGAÇÃO

Gláucia abandonou a engenharia para se tornar parapsicóloga VIDA

A profissionalização do mercado místico A procura pela verdade espiritual, que caracteriza o misticismo, aponta para um mercado nada oculto, como o assunto pode parecer. Nos últimos anos, com a popularização da internet e o surgimento de serviços, gurus e publicações especializadas no mundo místico, o campo se tornou promissor para profissionais. “A cada ano, mais pessoas se interessam pelos estudos da física quântica e de como a energia pode resolver questões do cotidiano”, diz o quiromante, tarólogo, terapeuta floral e reikiano Marcos Alexandre. Na década de 80, houve uma explosão de serviços esotéricos. Passada aquela onda, quem permaneceu atuante foram os que ganharam credibilidade a partir da constante qualificação e oferta de serviços diferenciados – aqueles que ultrapassam as promessas de soluções imediatas, como a de trazer o amor de volta em três dias. Em outras palavras, aqueles que se profissionalizaram. Marcos, que é formado em comércio internacional, participa constantemente de cursos e seminários, alguns via internet. Insatisfeito com a área de formação original, buscou, como forma de autoconhecimento, a leitura de mãos (quiromancia) e terapias alternativas. Acabou que seus próprios meios de busca viraram uma carreira. “Mais tarde, eu me formei como tarólogo e passei a trabalhar também com consultas de leituras de cartas. É o mesmo caso de atores e estilistas formados em medicina, artistas plásticos formados em engenharia ou professores de yoga formados em economia: nascemos com um propósito de vida e alcançamos sucesso

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quando passamos a trilhar nosso verdadeiro caminho”, compara. Marcos frisa que o aperfeiçoamento não é fácil, pois, além da dedicação aos estudos, exige investimento de tempo e dinheiro. A terapeuta holística, parapsicóloga e pesquisadora da cultura e história egípcia Gláucia Schatzmann também se iniciou no ramo por identificação pessoal e insatisfação com a sua primeira escolha profissional, a engenharia civil. “Fiz alguns estudos para entender a minha sensibilidade e assim começou o aprimoramento das minhas capacidades psíquicas e o aumento do interesse em colaborar de forma mais efetiva para a disseminação desse conhecimento”, conta Gláucia. Na década de 90, ela chegou a abrir, em Joinville, a Cósmica Livraria Esotérica, oferecendo produtos místicos, cursos e consultas. O local sofreu atos de vandalismo: segundo a terapeuta, as pessoas, na época, tinham vergonha de entrar no estabelecimento por achar que se tratava de um local para “macumba”. “Havia um tabu enorme e muita desinformação. Muitos confundiam holismo com religião”, avalia. Por conta de duas gestações seguidas, fechou a livraria, mas continuou promovendo cursos, consultas e encontros sobre a temática, tendo apresentado um quadro sobre o mundo místico em emissora de rádio. Em julho, lançou o seu segundo livro, intitulado “O Faraó e a Pluma de Maat”, pela editora Giostri. “O mercado místico cresceu bastante em 25 anos e a tendência é evoluir ainda mais. O público está buscando alternativas para ter qualidade de vida e novos valores. Com a internet e o acesso à informação, pode-se notar a multiplicação de sites voltados a esses temas. A região de Joinville tem público potencial para o setor”, observa.


Empresários também buscam orientações Marcos Alexandre costuma atender diversos públicos, inclusive empresários. Ele afirma que, por vezes, as questões giram em torno de negócios e de contratações e promoções. “Porém, não categorizo um perfil de clientes como ‘empresários’, pois ninguém é só uma coisa. Um empresário também tem uma vida”, aponta. As terapias energéticas aplicadas, de acordo com ele, “ajudam a compreender e mudar a energia que causou a situação”. O misticismo, a seu ver, pode ajudar na gestão de uma empresa quando é sinônimo de busca pelo bem, sendo capaz de proporcionar informações para tomada de decisões gerenciais e a cura energética de diversas questões. Já Gláucia Schatzmann revela que o perfil socioeconômico habitual das pessoas que a procuram é de classes A e B. “Empresários, profissionais liberais de diversos segmentos, formadores de opinião e funcionários públicos. Todos bus-

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revista

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Marcos Alexandre: terapias ajudam a administrar problemas diversos cam qualidade de vida, além do plano material. Muitos são excelentes gestores, mas a vida familiar e emocional foge do controle. Procuram terapias e técnicas de curas complementares que auxiliam o tratamento médico”, relata. Para isso, propõe cursos motivacionais, vivências junto à natureza, meditação em grupo e viagens místicas, “tudo em prol das boas energias e bem estar”. “Eu já organizei viagens para a Grécia, Turquia, Peru e Egito. Vou também como facilitadora, desenvolvendo algumas atividades em locais apropriados”, informa Gláucia. “Fazer uso dessas técnicas possibilita despertar dons, expandir o potencial de cada um, gerar sentimentos positivos e melhorar a saúde.”

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DIVULGAÇÃO

Embora o automóvel ainda seja predominante, muitas pessoas buscam outros meios para se deslocar PLANO DE MOBILIDADE

Soluções para melhorar seu vaivém Abril é o prazo limite para que o Plano de Mobilidade de Joinville (planMOB) seja enviado à Câmara de Vereadores. Mas, segundo Amanda Carolina Máximo, coordenadora da unidade de planejamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville (Ippuj), a meta é entregar antes. O documento vai apresentar propostas de medidas para a melhoria do sistema viário, infraestrutura e aspectos da gestão da mobilidade. “Inclusive questões que não são físicas, como programas de educação. Serão abordados todos os aspectos que envolvem a elaboração e implantação das ações propostas”, explica. Realizado com participação popular, por meio de consultas públicas, o planMob identificou o excesso de veículos particulares nas ruas como um dos principais

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problemas a ser resolvidos. “Observamos que existe a prioridade ao transporte individual, uma importância excessiva para o carro. Em primeiro lugar, teremos que passar por uma mudança de comportamento. Esse é o nosso maior desafio”, aponta Amanda. Com 550 mil habitantes, Join­ ville enfrenta situações encontradas em grandes centros urbanos: trânsito congestionado, ônibus lotado, falta de ciclovias etc. Para Vanessa Naomi Yuassa Colella, docente do curso de arquitetura e urbanismo da Univille, essas deficiências estão diretamente ligadas ao sistema viário e à infraestrutura aplicada: “Por muitos anos, as cidades ficaram estagnadas. Hoje, todos têm a possibilidade de comprar um veículo motorizado em inúmeras prestações – seja de duas ou de quatro rodas – e isso está im-

plicando em gargalos no sistema viário existente”. Entre as prioridades do plano, destaca-se a ampliação de faixas exclusivas de ônibus, soluções de acessibilidade, implantação de novos bicicletários dentro dos terminais, melhorias nas estruturas dos pontos de ônibus, criação de uma rede de vias cicláveis (ciclovias, ciclofaixas, faixas compartilhadas) e reestruturação administrativa. “A sociedade, de forma geral, sabe da necessidade de uma nova dinâmica urbana a partir da realidade em que vivemos e espera por essas melhorias ansiosamente. Se houver a possibilidade de uma movimentação de maior agilidade em um modal público, sem o estresse da direção de um veículo automotor privado, com certeza muitas pes­ soas optarão por esse tipo de deslocamento”, afirma Vanessa.


INTERNET

Rede social auxilia pacientes com câncer Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 577 mil novos casos de câncer foram descobertos em 2014 no Brasil. De acordo com a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), perto de 10% desse total é representado por algum tipo de câncer no sangue. Para esclarecer dúvidas de pacientes e familiares e desmistificar a doença, a Abrale fundou uma rede social colaborativa, em parceria com a IBM e a empresa de consultoria V&B Officeware. “A ‘Amar a Vida’ foi concebida para todos os interessados no assunto que buscam um ambiente para trocar ideias, conhecimen-

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tos, indicações, além de mostrar e discutir soluções para as diversas perspectivas que envolvem enfermidades graves”, afirma Merula Steagall, presidente da Abrale. Disponível no endereço www. amaravida.com.br, a rede conta com 30 comunidades sobre diversos temas: gravidez, sexualidade e fertilidade; cuidados paliativos; alimentação; direitos dos pacientes com câncer; testemunhos de superação; mães e pais de pacientes; lidando com a perda; câncer e beleza; entre outros. “Buscamos ajudar quem tem que lidar com o desafio de uma doença oncológica

e auxiliar na tomada de decisões. Os pacientes poderão dividir suas histórias e ter acesso às informações sobre o tema. Médicos e profissionais da saúde também terão espaço para trocar conhecimentos”, ressalta Merula. Para colocar o projeto em prática, a A IBM doou o software Connections, uma ferramenta que conecta pessoas, entidades e organizações em diferentes situações, e com objetivos diversos, como parte do programa de cidadania corporativa desenvolvido mundialmente pela companhia. Já a V&B Officeware idealizou e configurou a plataforma para a Abrale.

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ROGÉRIO DA SILVA

Relatório registrou quase 1,5 milhão de metros quadrados de áreas liberadas para obras em 2014 CONSTRUÇÃO

Menos burocracia, mais obras O Projeto Legal, instituído pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) em janeiro de 2014, rendeu bons frutos, segundo relatório elaborado pelo órgão. E provavelmente muitas obras para a construção civil. Foram 1,42 milhão de metros quadrados de áreas liberadas no ano passado – quase 3 mil alvarás para construções, reformas e muros de arrimo – e o mais significativo resultado dos últimos quatro anos. A intenção do projeto, claro, é desburocratizar e promover maior agilidade aos processos administrativos para aprovação de projetos e alvarás, documentos necessários para construções, reformas, ampliações, demolições e vistorias de edificações. Adriana Klein, que coordena a área de aprovação de projetos da Sema, comemora os números e os

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interpreta como produto de uma mudança que incidiu sobre as rotinas do setor e que padronizou a análise dos processos, criando metas para a conclusão dos trabalhos. “Além de reduzir o tempo de análise de cada projeto, diminuímos as reanálises e o prazo médio de emissão do alvará de construção”, revela. Hoje, a Sema demora uma média de 15 dias para aprovar um projeto, embora a liberação do alvará dependa de fatores que envolvem ações sob a responsabilidade do contribuinte e do profissional que executa o projeto. De qualquer forma, trata-se de uma importante ajuda para o setor de construção, na hora de aprovar e legalizar novos projetos. “O projeto representa um passo importantíssimo no sentido da desburocratização”, avalia Francisco Jauregui, diretor

do Sinduscon, sindicato da construção. “Esperamos que esse modelo de gestão seja levado para o licenciamento ambiental e para a fiscalização de posturas, fechando um círculo virtuoso que colocará Joinville como exemplo.” O relatório da Sema mostrou que a maioria das solicitações de obras envolve construções para residências de uma família: 1.378 registros. Prédios de apartamentos tiveram 243 alvarás liberados, além de 190 para construções residenciais/comerciais. Para o comércio, foram 142 alvarás, mais 74 para serviços, 50 para instituições e dois para indústrias. Os números das consultas prévias também são apresentados pela Sema – foram 15.927 consultas em 2014. Detalhe: as consultas online já predominam: foram 13.006 contra apenas 2.921 em papel.


COMUNIDADE

Hospital São José recebe verba para ampliação Uma boa notícia abriu o ano para o Hospital São José. A prefeitura e a Caixa Econômica Federal (CEF) assinaram contrato de repasse de quase R$ 5 milhões do Ministério da Saúde para a construção do prédio de apoio à instituição. Com 2.180 metros quadrados de área construída, o novo bloco vai abrigar a farmácia hospitalar, materiais médico-hospitalares e serviço de nutrição dietética, que hoje funcionam em uma estrutura antiga, em dimensões que não atendem mais a demanda de atendimento e serviços. Além dos investimentos pú-

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blicos, a atual gestão do São José segue apostando em parcerias com o setor privado. “Esse trabalho de captação de recursos vem gerando frutos para o hospital, que passa por diversas melhorias”, diz o diretor-presidente Carlos Alexandre da Silva. Em novembro de 2014, foram iniciadas as obras de reforma e ampliação do ambulatório de oncologia, referência na região – em um investimento custeado por empresário que preferiu não ter seu nome nem os valores divulgados. A previsão de término da primeira etapa, que consiste na ampliação do prédio, é para o se-

gundo semestre de 2015. Também no ano passado foi concluída a revitalização e pintura da fachada do hospital. Além disso, a finalização das obras do Complexo Emergencial Ulysses Guimarães 2 está em fase de licitações. O complexo trará 29 novos leitos de UTI, quatro salas cirúrgicas e 12 leitos de internação. As atuais necessidades são reformas, revitalizações e modernizações na estrutura física, já em discussão no plano diretor, além da modernização de equipamentos de diagnóstico e da atualização da frota de veículos, como ambulâncias.

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Em números

EMPREGOS EM JOINVILLE

53.844 empregos criados entre 2007 e 2014

Criação de vagas encolhe na gestão Dilma

2007 a 2010

33.043

2011 a 2014

21.477

Saldo, ano a ano

Nos útimos oito anos, durante o segundo mandato presidencial de Lula e o primeiro de Dilma Rousseff, Joinville criou 53.844 empregos. Mas o desempenho da cidade sofreu forte queda nos últimos quatro anos: 61,3% das vagas foram abertas no segundo mandato de Lula. Além disso, a média de vagas/mês caiu de 688, entre 2007 e 2010, para 488 nos últimos quatro anos.

Média anual de 6.730 novas vagas

10.455

10.317

8.512 7.365 5.895 4.906

4.642 2.428

2007

2008

2009

2010

2011

Lula x Dilma, no saldo mensal acumulado

2012

2013

2014

33.043

A comparação entre o segundo governo de Lula (linha salmão) e o primeiro de Dilma (linha verde) mostra que apenas os quatro primeiros meses dos dois mandatos apresentaram resultados próximos. O segundo ano de Lula foi bem superior ao de sua sucessora. A crise de 2009 aproximou as linhas, mas, se no último ano de Lula a cidade criou 10.455 vagas (recorde nos últimos oito anos), em 2014 vivemos dos empregos abertos no primeiro quadrimestre.

30.000

25.000

21.477

20.000

15.000

10.000

5.000

0 1o ano

2o ano

3o ano

4o ano

Saldo, mês a mês, entre 2007 e 2014 Dos 24 meses com saldo negativo, 15 ocorreram entre 2011 e 2014. Recorde de criação de vagas ocorreu em fev/2014 2007

1.000 0 -1.000

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2008

2009

2010

2011

2012

2013

2014


Indústria foi o setor mais impactado

Entre os três setores mais representativos na criação de vagas em Joinville – juntos, responsáveis por 85,8% da criação de postos de trabalho no primeiro mandato de Dilma Rousseff –, apenas o de serviços apresentou crescimento entre os dois últimos quadriênios. O comércio foi impactado em quase 50%, e o desempenho da indústria foi trágico: as vagas criadas entre 2011 e 2014 representam 15% do volume do segundo mandato de Lula.

Total de empregos criados em Joinville no segundo mandato de Lula e no primeiro de Dilma, por setor Indústria

Serviços

10.819

11.562

Comércio 13.081 8.855 4.754

1.603 Lula

Dilma

Lula

Dilma

Lula

Dilma

Lula x Dilma, no saldo mensal acumulado, por setor Indústria Sob Lula, o setor apresentou queda em 2009, ano de crise internacional, mas terminou 2010 com forte recuperação. Com Dilma, os empregos não decolaram. Demissões de fim de ano praticamente comeram os saldos criados nos primeiros semestres

Serviços Foi o setor com melhor desempenho dos três. O período de 2011 a 2013 rivalizou com os três primeiros anos de Lula, mas o desempenho espetacular de 2014 proporcionou o saldo positivo de Dilma Rousseff

Comércio O setor, dentre os três estudados, foi o que menos criou vagas nos últimos oito anos. O primeiro ano de Dilma ainda apresentou saldo positivo em relação ao segundo mandato petista, mas os anos posteriores não acompanharam o ritmo 13.081

11.562

10.819

8.855

4.754 1.603 1o ano

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2o ano

3o ano

4o ano

1o ano

2o ano

3o ano

4o ano

1o ano

2o ano

3o ano

4o ano

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Especial

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Corte e costura no Senai: escola terá 27 cursos técnicos e 40 de aperfeiçoamento neste ano

Nos caminhos da profissionalização Cursos técnicos são grande aposta de instituições e empresas para qualificar mão de obra Letícia Caroline e Mayara Pabst “Gostaria de anunciar agora o novo lema do meu governo. Ele é simples, direto e mobilizador. Reflete com clareza qual será a nossa grande prioridade e sinaliza para qual setor deve convergir o esforço de todas as áreas do governo. Nosso lema será: Brasil, Pátria Educadora.” Foi assim que a presidente Dilma Rousseff apresentou uma de suas bandeiras durante o discurso de posse do segundo mandato, em janeiro. Dando ênfase ao ensino técnico, afirmou que o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) oferecerá 12 milhões de vagas até 2018. A promessa bate forte em Joinville, onde a procura por essa modalidade sempre foi grande, devido à vocação industrial: entre 2013 e 2014, as instituições computaram aumento significativo nas matrículas, além de explorarem cada vez mais opções de cursos. No Senai, foram registradas 19.483 inscrições no ano passado, somando ensino técnico e qualificação profissional. Só nos cursos técnicos, a instituição recebeu

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3.272 matrículas, o que gerou incremento de 18% em relação às vagas abertas em 2013. Na qualificação, a procura foi maior, avançando 54% sobre o ano anterior. Na Fundação Municipal Albano Schmidt (Fundamas), as oportunidades também se multiplicaram, passando de 3.971 vagas em 2013 para 6.135 em 2014: um salto de aproximadamente 60%. Um dos principais motivos foi a criação da Universidade do Trabalhador (Unit), que firma parcerias para a promoção de cursos. Para o primeiro semestre de 2015, o Senai se prepara com mais de 27 turmas no técnico, divididos em cursos abertos à comunidade e Pronatec. Além disso, serão mais de 40 cursos de qualificação e aperfeiçoamento profissional para segmentos das indústrias da região, nas unidades Joinville Norte e Sul, Perini, Araquari e São Francisco do Sul. Outras opções envolvem 40 turmas de aprendizagem industrial – em parceria com as indústrias –, quatro cursos superiores e três cursos de pós-graduação latu sensu. “Nossa forte atuação junto às empresas e aos sindicatos em 2014 reflete a ex-

pansão da educação profissional, uma resposta ao compromisso do Sistema Fiesc, por meio do movimento ‘A Indústria pela Educação’, cujas diretrizes apontam a educação como um dos fatores críticos para a competitividade industrial”, ressalta Hildegarde Schlupp, diretora do Senai em Joinville. Na instituição, o Pronatec será voltado a alunos que ainda cursam o ensino médio em escola pública. As formações disponíveis serão edificações, eletrotécnica, fabricação mecânica, informática, manutenção e suporte em informática, mecânica, mecatrônica, eletrônica, produção de moda, segurança do trabalho, manutenção automotiva, logística e eletromecânica. Na Fundamas, a grande novidade são os 66 técnicos profissionalizantes e de qualificação profissional, viabilizados pelo Pronatec. As vagas já estão disponíveis para o primeiro semestre, por meio da Unit. A fundação prevê a inauguração das obras do Cesita, a reabertura da Escola de Panificação Suíça e a modernização do ônibus itinerante. “Foi um ano intenso, caracterizado pelo fortalecimento

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de ações em prol da comunidade. Vamos aumentar a oferta de cursos e qualificar cada vez mais os joinvilenses”, projeta Gilberto Souza Leal, presidente da Fundamas. Estabelecida em dezembro de 2013, a Unit, com a coordenação da Fundamas, centraliza as ações e facilita a interlocução entre quem demanda e quem oferta cursos. “O programa foi idealizado para gerir de forma adequada os recursos do Pronatec, unindo forças com os parceiros”, afirma Gilberto. Também com tradição nessa área, o Senac calcula que, nos últimos três anos, a oferta de vagas evoluiu em mais de 200%, principalmente nos cursos gratuitos oferecidos pelo Programa Senac de Gratuidade e Pronatec. A partir do encaminhamento da Secretaria de Assistência Social, em 2014, foram abertas aproximadamente 700 vagas pelo Pronatec, nas unidades do Senai, Senac, UniSociesc, IFSC, UFSC e Fundamas, em Joinville. Para este ano, mais vagas foram solicitadas e a secretaria aguarda a homologação do Ministério da Educação (MEC), que deve ser divulgada em março, quando terão início as inscrições para as capacitações. Na cidade, os cursos abrangem as mais diferentes áreas de atuação, como idiomas, informática, prestação de serviços, administração, processos industriais, arte e costura. Para o diretor do Senac Join­ ville, Ronaldo Ribeiro, com a possível ampliação das vagas, Joinville e região serão impactadas positivamente. Na unidade, pode-se optar por cursos técnicos presenciais e a distância. Entre as vantagens desse modelo de ensino, as mais evidentes são a menor carga horária, em comparação com um curso superior, e a possibilidade de rápida colocação no mercado de trabalho.

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“Os números demonstram um crescimento gigantesco do ensino a distância. Além de proporcionar flexibilidade nos horários, evita-se o problema de mobilidade urbana que as grandes cidades enfrentam”, explica Ribeiro. Os principais cursos do Senac em Joinville são das áreas de administração, logística, informática, recursos humanos, marketing e saúde, setor no qual a unidade é referência. Scheila Ramos, aluna do Senac no técnico em enfermagem, optou por essa modalidade para descobrir se era real­mente a área na qual gostaria de seguir carreira. A jovem indica o técnico como opção para quem está indeciso na hora de escolher uma profissão e destaca outras vantagens, como a união do conteúdo teórico e prático na medida certa. “Tudo o que aprendemos em sala já me ajudou bastante nas atividades do estágio”, conta Scheila. Antes de pegar o diploma, ela quer estar trabalhando na área. Depois, pensa em fazer faculdade. O caminho da estudante é o mesmo percorrido por milhares de brasileiros que buscam oportunidades a partir da qualificação profissional. Para o vice-reitor da UniSociesc, Wesley de Abreu, esse pode ser o percurso rumo ao sucesso – não só de cada estudante, mas também do país. “A relação entre formação profissional e aumento da competitividade é direta”, ressalta o professor, assinalando que as empresas só conseguirão reduzir custos e elevar a qualidade com equipes qualificadas, “quando as pessoas envolvidas têm boa formação e, por consequência, realizam bem suas atividades, com bom uso de recursos. Uma receita simples, praticada em muitos países de sucesso”, observa Abreu.

Técnica que faz a diferença A formação técnica é, muitas vezes, ponto de partida para uma carreira promissora. O engenheiro Klaus Dieter Hardt, que trabalha na BMW, em Araquari, teve o seu primeiro embasamento nessa área ao se diplomar – com menção honrosa – em mecânica, na UniSociesc. Desde pequeno aficionado pela engenharia, ele fez estágio no último ano. E logo foi efetivado. Depois da formação inicial, começou a cursar a faculdade de engenharia mecânica. Em agosto de 2014, foi contratado como estagiário pela BMW. Hoje, é efetivo, atua como analista de laboratório e planeja seguir carreira na multinacional. Para ele, a formação técnica foi o diferencial que alavan-


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Aulas em cursos técnicos da UniSociesc (foto maior), Senai (ao lado) e Senac (no centro); abaixo, o engenheiro Klaus, que trabalha na BMW

cou sua carreira. “O curso dá uma base para entender o panorama de seu trabalho. A parte prática do aprendizado foi muito bem explorada”, explica. Formado em eletroeletrônica pelo Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), Daniel Alves encontrou no curso técnico uma maior segurança da carreira que queria seguir. Junto com um colega, Daniel conquistou o Prêmio Nacional IEL Melhores Práticas de Estágio, na categoria médio porte. Durante estágio na Fabio Perini, os dois se uniram a uma equipe para produzir a automação do sistema de iluminação da empresa, o que possibilitou a economia de 70% de energia elétrica na área de aplicação e 7% na conta total de energia elétrica da fábrica. “O projeto foi muito importante para minha car-

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reira. Uma grande oportunidade de aprendizado”, conta Daniel. Há 19 anos em Joinville, o IFSC oferta três cursos técnicos em enfermagem, eletroeletrônica e mecânica, e dois superiores de tecnologia em gestão hospitalar e em mecatrônica industrial. Neste semestre, dois estudantes foram selecionados para intercâmbio em Portugal. Maurício Martins Taques, diretor-geral, informa que a unidade vai ser ampliada neste ano, com a construção de um novo bloco, além da ampliação da biblioteca. Outro objetivo é concluir os projetos pedagógicos para viabilizar novos cursos, ao longo dos próximos cinco anos. O Núcleo de Educação Profissional da Acij também tem trabalhado continuamente para o desenvolvimento da área na cidade. Em 2014, entre as ações realizadas,

o destaque ficou por conta do 4º Workshop das Profissões e Empregabilidade, em parceria com o Núcleo de Educação Superior e Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH). “Junto com o 6º Feirão do Emprego, registramos a presença de mais de 6 mil participantes. Além disso, 35 escolas estaduais foram contempladas com palestras, o que abrangeu 5.200 estudantes do ensino médio”, contabiliza Carmem Postol, presidente do núcleo. O novo ano já começou com a capacitação de mais de 200 professores, no dia 2 de fevereiro, com a presença de Celso Antunes, educador, mestre em ciências humanas e especialista em inteligência e cognição. O núcleo também se prepara para comemorar 20 anos de fundação em uma plenária na Acij, com homenagem para os ex-presidentes, e uma palestra com o filósofo Mario Sergio Cortella, em junho. “Queremos focar na Feira das Profissões, programada para setembro, com a meta de visitar 50 escolas públicas de ensino médio, trazendo até 10 mil alunos para visitar o evento”, planeja Carmen

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Práticas das empresas no estímulo à formação Marcela Güther

Educação e qualificação profissional são demandas cada vez mais importantes – tanto por parte de quem trabalha quanto de quem contrata. Apesar de ter melhorado em 2013, a escolaridade do catarinense continuou, em 2014, abaixo do nível nacional. De acordo com o Relatório Anual das Informações Sociais, do Ministério do Trabalho e Emprego, no Brasil, 57,7% dos industriários têm ensino básico completo. Em Santa Catarina, são 55%. Nas regiões Norte e Nordeste do Estado, em 2013, exatos 66,72% dos trabalhadores tinham, no mínimo, ensino médio completo. Melhorar esse quadro é o propósito do movimento “A Indústria pela Educação”, do Sistema Fiesc, que estimula o empresariado a aderir à causa da educação como estratégia competitiva. A Revista 21 identificou organizações do Norte catarinense que adotam outras políticas e programas de incentivo à capacitação e de desenvolvimento do funcionário. Nestas duas páginas, veja um pouco do que fazem a Tuper, de São Bento do Sul, a ArcelorMittal Vega, de São Francisco do Sul, e, de Joinville, as empresas MRV, Termotécnica e Krona.

Academia do Conhecimento A processadora de aço Tuper, de São Bento do Sul, tem um programa de educação continuada intitulado “Academia do Conhecimento”, vencedor do Prêmio Ser Humano 2014, da ABRH-SC. Criado em 2010, oferece cursos customizados com o objetivo de atender às demandas específicas de cada uma das unidades de negócios. As aulas ocorrem na própria Tuper, duas ou três vezes por semana. Além da parte teórica, oficinas e visitas técnicas também são realizadas – as atividades têm duração de aproximadamente um ano e meio. As aulas são ministradas por especialistas da própria Tuper (cerca de 70% dos professores são funcionários com amplo conhecimento na área) e por parceiros, como professores do Senai, instituição que disponibilizou uma unidade móvel de automação para aulas na empresa. Após a conclusão do curso, os alunos – que frequentam as aulas no contraturno, acumulando horas para folgas posteriores – fazem um projeto de melhoria. Uma banca avaliadora premia os dois melhores com viagem técnica ao exterior. Outro programa da empresa é o “Vendedores Técnicos”. Iniciado em

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2014, objetiva valorizar talentos internos, com a finalidade de formar uma equipe de vendas altamente capacitada. Os participantes são afastados de suas funções por dois meses, para dedicação exclusiva ao treinamento. Um mês é destinado a temas teóricos, orientações das áreas técnica, de engenharia, comercial, marketing etc. No mês seguinte, os participantes acompanham as equipes comerciais em viagens e negociações.

Uma semana de aprendizado A siderúrgica multinacional ArcelorMittal Vega, de São Francisco do Sul, promove anualmente uma semana especial para os funcionários, a fim de reforçar as práticas de gestão do conhecimento ao incentivá-los a buscar seu diferencial por meio do aprendizado contínuo e, assim, investir na carreira. As atividades da Semana Mundial do Conhecimento têm como objetivo demonstrar que o profissional pode se desenvolver a partir de diferentes formas (capacitação formal, experiências indivi­ duais, interação com outras pessoas), sendo o próprio empregado o principal

responsável por seu crescimento. A programação conta com palestras voltadas ao tema, oficinas temáticas, seminários técnicos, feira do livro e exibições cinematográficas. A ArcelorMittal também oferece incentivos como bolsa-auxílio educação, programas de pós-graduação e mestrado e aulas de idiomas.

Escola Nota 10 A MRV Engenharia libera seus trabalhadores para estudar três vezes por semana em escola implantada no próprio canteiro de obras. Trata-se do programa “Escola Nota 10”, que, em três anos de existência, já implantou 50 escolas e beneficiou cerca de 800 funcionários, que dedicam duas horas do dia, durante o expediente, para cursos relacionados à alfabetização, ensino básico, ensino médio e de capacitação especializada. A MRV oferece material escolar aos estudantes, lanche após a aula, antes de iniciarem o turno de trabalho, e, ainda, transporte para quem trabalha em outra obra da empresa. A iniciativa, que tem parceria do Sesi, Senai e sindicatos de construção civil, é uma estratégia para elevar a competitividade e uma forma de erradicação do analfabetismo.


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De olho na liderança O elo entre os objetivos estratégicos da empresa e os avanços no desempenho para se alcançar os melhores resultados é a liderança. Pensando em desenvolver a capacidade de gerenciamento, a Termotécnica criou o projeto Desenvolvimento de Gestores, que tem a finalidade de fortalecer o papel do gestor, de modo que ele promova a integração e motivação da equipe. O projeto, que possui módulo de ensino a distância, é dividido em duas ações: o Programa de Desenvolvimento de Dirigentes (PDD), em que, por ano, seis gestores, entre gerentes e coordenadores, passam pelo treinamento de 96 horas para desenvolver a visão estratégica ao conhecer modelos de gestão de várias áreas da empresa; e o curso de Formação de Líderes, que envolve 16 profissionais por ano. A Termotécnica também oferece auxílio-educação e, com o Sesc, supletivo para funcionários.

Aperfeiçoamento profissional

No topo, funcionários da Tuper passam por aula da Academia de Conhecimento, na Unidade de Automoção do Senai. No meio, turma de 2014 do projeto Criar Ação, desenvolvido pela Krona em parceria com o Terra Livre Educação e Treinamento. Na última foto, participantes do curso de Formação de Líderes, promovido pela Termotécnica

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A Krona, em parceria com o Terra Livre Educação e Treinamento, promove o Criar Ação. Trata-se de um treinamento que aprimora as competências das lideranças e gera uma cultura de desenvolvimento organizacional entre os profissionais. Alguns líderes que finalizam essa etapa do Criar Ação participam do processo de coaching, com aconselhamento individual para melhorar ainda mais os pontos positivos e desenvolver competências. A Krona também mantém um programa de desenvolvimento de dirigentes com a Fundação Dom Cabral e oferece bolsas de estudo aos funcionários que tiverem interesse em capacitação técnica.

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Vitae

Toda atenção às causas da comunidade Joinvilense de coração, Moacir Thomazi dirige o Corpo de Bombeiros e acumula longa experiência no meio empresarial

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Thomazi, com a esposa Sylvia; na foto maior, em evento dos bombeiros: corporação presta 100 mil horas de serviço por ano

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Cidadão honorário de Joinville, ex-proprietário do maior jornal do Norte catarinense, empresário de méritos reconhecidos, presidente do Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville (CBVJ) e, há muitos anos, trabalhando pelo associativismo, em diferentes posições na diretoria da Acij. Moacir Thomazi é um homem plural. Acumula responsabilidades e tem uma rotina sempre agitada – herança, talvez, do sangue italiano dos bisavós. A história de sucesso tem origem no Norte do país com formato de bota. “Meus antepassados vieram em 1875, fugindo da falta de comida na Itália. Na época, usavam as árvores da região para fazer lenha. Quando acabou a lenha, começaram a passar frio, não tinham comida e seguiram nessa aventura para o Brasil”, lembra Thomazi. Em terras brasileiras, os bisavós do empresário se estabeleceram na região de Nova Trento. O avô materno era pedreiro, trabalhava em Florianópolis e ajudou a construir o mercado municipal da capital catarinense: “Iam a pé, não havia outra maneira. Ficavam dois ou três meses e depois voltavam”. Da família numerosa – 12 irmãos –, apenas dois estudaram até o segundo grau. “Minha mãe virou professora e se casou com meu pai, que era torneiro mecânico. Criaram nove filhos. Fizeram questão que todos nós estudássemos, com um esforço enorme. Provavelmente se privaram de muita coisa para isso”, relembra. Natural de São João Batista, Thomazi é casado, tem dois filhos, Andréa e Rodrigo, e três netos. Chegou a Joinville na década de 1970, período

que considera o início de sua carreira profissional, primeiro como inspetor regional de educação e, mais tarde, à frente do jornal A Notícia. Fundado por Aurino Soares em 1923 e com apenas quatro páginas, o jornal tinha periodicidade semanal. No final dos anos 1950, descontentes com os rumos da política, os empresários Helmuth Fallgatter, Baltasar Buschle e Wittich Freitag decidiram participar do processo eleitoral joinvilense e fizeram um projeto de médio prazo: cada um seria prefeito uma vez. “Um iria investir em saneamento, o outro em infraestrutura, e assim por diante”, registra Thomazi. Para sustentar a ideia, compraram A Notícia. Com o passar dos anos, Baltasar foi o primeiro prefeito eleito, Falgatter foi o segundo e Freitag só entraria mais tarde na política. Ao mesmo tempo, o jornal ficou meio abandonado. Com o plano em prática, após Thomazi se casar com Sylvia, uma das filhas de Fallgatter, os três sócios o convidaram para fazer um levantamento de materiais antes de fechar as portas: “Quando cheguei lá, acabei me empolgando e vi que havia espaço para crescer. Convenci os três a investir”. E assim foi feito. Em 1978, Thomazi assumiu a cadeira de diretor-presidente do A Notícia, cargo que ocupou por 28 anos, até a venda para a RBS. Hoje, ele atua nos conselhos da Sociesc e da Águas de Joinville. Também é sócio das empresas Agroflorestal Riovillense (apoio à produção florestal), Vip-Invest (condomínios industriais) e Santinvest, instituição financeira com atuação no Sul do Brasil.


O papel do voluntariado

No comando de uma grande obra No período em que Moacir Thomazi presidiu a Acij, entre 1999 e 2001, deu-se início à construção do atual prédio. “Passamos a guardar 10% da receita da casa mensalmente. Também contamos com o apoio dos associados. Fui visitar pessoalmente os dez maiores. Enviamos cartas para aqueles que desejassem contribuir com qualquer quantia. O resultado é essa estrutura atual, infinitamente melhor do que na época em que assumi a presidência”, observa. MInucioso, ele decidiu que as obras começariam no dia 4 de abril de 2004 (04/04/04) e terminariam em 6 de junho de 2006 (06/06/06): “E assim foi feito. Mas, quando eu escolhi essas datas, não olhei o calendário. Dia 4 era domingo. Então nós chamamos o prefeito, toda a diretoria e cravamos a primeira estaca num final de semana”. Nas ações públicas, ao longo de sua carreira, Thomazi é visto como homem atento às questões da comunidade. “Ele sempre pensou nas boas causas”, resume o diretor de redação do jornal Notícias do Dia, Luís Meneghim, que trabalhou com o empresário nos tempos d´A Notícia. “Foi um grande professor, com quem aprendi a lição de enxergar o jornalismo, acima de tudo, como serviço.”

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“Um por todos e todos por um” é o lema do Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville (CBVJ), presidido por Moacir Thomazi. Fundada quando Joinville tinha apenas 18 mil habitantes, a corporação hoje conta com mais de 1.700 homens e mulheres que atendem a maior cidade do Estado. Para manter as 10 unidades – oito nos principais bairros, uma central e uma de comunicação – em funcionamento, a entidade recebe auxílio do governo estadual, municipal e de mais de 35 mil contribuintes. “O brasileiro ainda não se deu conta da importância desses voluntários. Nós prestamos, em média, 100 mil horas de serviço por ano”, sublinha o presidente. Thomazi também se orgulha ao falar do programa Bombeiro Mirim, que atende 380 crianças e adolescentes. “Eles têm atividades todos os sábados, ministradas por voluntários. O pré-requisito é frequentar a escola e tirar boas notas. Temos uma lista com 500 nomes de jovens que querem fazer parte do projeto”, comemora. “Esse é o trabalho que me toma mais tempo, mas é o mais prazeroso de fazer”, garante. Diretor-executivo do CBVJ, Reinaldo João Adriano destaca o perfil do presidente: “Ele sabe como poucos o significado de persistência e determinação. Vai fundo na busca de soluções para os problemas que encontrar nas atividades sob sua responsabilidade. Arregaça as mangas e abre os caminhos”.

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Performance

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A arte transformada em negócio Artistas e empreendedores fomentam cena joinvilense com iniciativas no setor privado

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Marcela Güther Na onda da economia criativa, mutliplicam-se pelo Brasil, fora do eixo das grandes capitais, negócios com foco no desenvolvimento das artes. Em Joinville, novas galerias de arte sob gestão privada foram abertas nos últimos tempos, como a 33 e a El Clandestino. Ainda se consolidam movimentos de incentivo e valorização da produção artística local, como o Inconsciente Coletivo, ao mesmo tempo em que emergem novos centros culturais, que unem diversas manifestações artísticas, e se instituem escritórios de consultoria personalizada para compra de obras de arte. Por fim, escolas de arte investem cada vez mais alto no setor. Um campo efervescente, tanto para os empreendedores quanto para os artistas, que ganham espaço para se aprimorar, apresentar produções e fomentar novos públicos. O artista plástico Therence Mir sente que o joinvilense sempre esteve carente de eventos culturais – e não é de hoje. “Do final da década de 80 até uns três anos atrás, Joinville ficou em um vácuo. Não houve grandes expressões artísticas e muitos museus estavam fechados ou interditados”, observa Mir, proprietário da Mercearia


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ALANA SCHWOELK

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após onze anos longe das telas para se dedicar aos negócios. A decisão de voltar a pintar foi tomada ao acompanhar seu pai, o artista plástico hispano-brasileiro Antonio Mir, em um tratamento pós-operatório. “Peguei meus materiais antigos e decidi pintar uma tela que estava parada havia uns dez anos. Fiz um touro. O quadro era para ser item de decoração na mercearia, mas dias depois um arquiteto visitou o restaurante e quis comprar. Depois, comprei mais tinta, recomecei a pintar e não parei mais”, relata Mir, que largou a carreira de 22 anos na área de tecnologia para empreender como dono de restaurante. A exposição “Kalimotxo”, realizada por ele na Galeria El Clandestino, em 2014, fez com que outro tipo de público – em sua maioria, mais

jovem – passasse a se interessar pelas obras do artista e a frequentar a mercearia. A exposição reuniu gravuras que retratam as tradições da Espanha. Das 100 que expôs, 88 foram vendidas na primeira semana. “A maior parte do público foi de casais jovens, montando apartamento e procurando quadros para decorar seus espaços”, detalha. A parceria com a El Clandestino nasceu antes mesmo de a galeria surgir: Mir é amigo dos proprietários, Sarah Pinnow e João Guilherme da Costa, que dão suporte ao artista para organizar seu trabalho, fazendo a catalogação e identificação de autenticidade. É preciso, de acordo com Mir, que o artista saiba administrar seu negócio ou ter “um braço forte” ao lado. “Esta é uma época de efervescência, um momento mágico. Voltei a pintar não olhando para o mercado, mas vendo a vontade de uma cidade se expressar artisticamente”, frisa Mir. A El Clandestino é expressão

Da esq., Therence Mir, artista plástico e proprietário da Mercearia Sofia; instalações da Galeria 33; Instituto Juarez Machado e seu idealizador; Sarah Pinnow e João Guilherme da Costa, proprietários da El Clandestino Sofia, restaurante e bar focado na cultura e gastronomia espanhola. É ali que ele, com seus pincéis e telas, tem momentos de descontração e expõe suas obras, em contato direto com compradores. O estabelecimento não se restringe à culinária, mas também funciona como espaço de exposição que abarca diversas vertentes, como artes plásticas, fotografia, escultura, dança e grafite. Tanto que seu dono já pensa em transformar o lugar em centro cultural. O restaurante dispõe de uma sala de artes que serve como acervo do próprio Mir. “Eu compro e crio acervo de artistas, eles compram as minhas obras e aumentam o acervo deles. Fazemos essa troca. Ou seja, não estamos só fazendo arte, mas tendo arte”, enfatiza Mir, que voltou a produzir artisticamente em 2011,

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disso. Localizada no Centro de Joinville, em meio a salas comerciais, o espaço é tímido: o que evidencia um ambiente artístico é a fachada personalizada – que, a cada dois meses (o tempo médio de cada exposição), recebe a intervenção de algum artista. Operando desde agosto de 2013, a galeria tinha como ideia inicial privilegiar nomes novos e da região. Mas os sócios quiseram experimentar e variar as expressões artísticas, de modo a entender o público que se formava. Além de Mir, a casa já foi preenchida pelo azul de Viti Grosnam, pelas cores, volumes e densidades de Fábio Pantoni e pelas fotografias analógicas do médico joinvilense Iberê Condeixa, entre outros artistas. Sarah e João, antes de abrirem a El Clandestino, já atuavam na organização do (IN)consciente Coletivo, evento independente e itinerante que une arte, moda, design, gastronomia e música. “O (IN)C passou a ser uma alternativa para novos artistas exporem e venderem seus trabalhos”, conta Sarah. Daí nasceu a ideia da galeria. O objetivo não é ser uma “galeria pomposa, de elite”, e sim um espaço para fomentar a arte, oferecendo obras a preço condizente. A ideia é, ainda, associar as exposições com projetos paralelos, como workshops e música ao vivo. O casal mantém o negócio sozinho. “Somos só nós dois para selecionar os trabalhos, pensar nas exposições, montá-las, divulgar, limpar o chão. Fazemos de tudo porque queremos, gostamos e acreditamos”, ressalta a empreendedora. Desde o início, o método para tocar a galeria foi “aprender fazendo”. “Tempo de gerenciar tudo é a única dificuldade. Claro, dinheiro também. Mas tendo um pouco de criatividade, falando com parceiros e apoiadores, sempre dá”, garante João Guilherme.

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Alexandre e Eduardo Feitosa, os “gêmeos do grafite”, na Galeria 33, com a exposição “Futebol”

“Vamos trazer nomes de fora” Um dos propósitos da Galeria 33, do fotógrafo Alceu Bett, é incentivar novos artistas. Não à toa, uma de suas exposições surgiu, literalmente, das ruas. Alexandre e Eduardo Feitosa, conhecidos como “os gêmeos do grafite”, foram os responsáveis pela exposição “Futebol”, que trouxe, em doze telas de tinta acrílica spray, a arte de rua aliada à principal paixão nacional. Os dois designers paulistas foram finalistas do concurso do centenário do Santos Futebol Clube, ilustraram o livro “Blue e os Gatos”, de Paulo Kielwagen, e participaram do mural “100 Anos de Futebol Arte”, em Santos. Além do grafite, Alexandre e Eduardo trabalham com ilustração, quadrinhos e caricaturas. Mas o forte é o grafite comercial, fazendo artes para decorar ambientes, com bom resultado: a procura pelo trabalho dos dois designers nesse ramo dobrou. “Aqui há um mercado bom para explorar, sem muita concorrência”, aponta Alexandre. As instalações da 33 são amplas, com dois andares e sala de cinema anexa, para 25 pessoas. O segundo piso comporta o acervo dos 25 anos de carreira do proprietário – incluindo, principalmente, imagens que colheu quando morou na Europa, por dez anos. São fotos do mundo da dança e registros do cotidiano, que mostram culturas e tradições dos países que percorreu. Aos poucos, os cliques estão sendo transformados em mostras especiais e exposições. Além do olhar para artistas novos e locais, a ideia da Galeria 33 é maior. “Queremos trazer gente de fora, fugir só do regional”, explica Bett. Também pretende promover eventos paralelos, como lançamentos de livros, apresentações musicais, projeções e performances. Em relação ao público, grande parte são empresários. “A maioria tem de 30 a 40 anos, vindos de outros Estados, moram aqui, já despertaram a cabeça para a arte e estão acostumados à cultura de visitar galerias”, especifica.


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Acervo e centro de promoção das artes. É com essa proposta que surgiu o Instituto Juarez Machado, aberto em novembro de 2014. A exposição inaugural, “A bicicleta na vida e na obra de Juarez Machado”, fica em cartaz até 28 de fevereiro e traz o primeiro quadro pintado pelo artista joinvilense – que lhe rendeu o 2º Prêmio em Pintura no Salão dos Novos e Menção Honrosa no 13º Salão da Primavera, em Curitiba, em 1961. Com mais de 50 anos de carreira, Machado é múltiplo: pintor, escultor, desenhista, caricaturista, mímico, designer e cenógrafo. Mantém ate­ liês em Paris, Rio de Janeiro e Join­ ville. Dividindo seu tempo criativo entre França e Brasil, criou a sede do instituto, com mil metros quadrados de área construída. A obra, realizada a partir de reforma da antiga moradia da família Machado, nos anos 60, foi viabilizada com recursos próprios e parcerias. A iniciativa, sem fins lucrativos, vai abarcar boa parte do acervo do artista: mais de 3 mil quadros, 7 mil desenhos, toneladas de fotos e quilômetros de cartas, bilhetes e textos. Mas a proposta vai além: o local pretende ser referência para capacitação, desenvolvimento e disseminação das artes. “Queremos abrigar iniciativas transversais de caráter cultural, educacional e assistência social, que contribuam para o desenvolvimento humano e a inclusão cultural”, explica Machado. Gabriela Loyola, proprietária do escritório Picta, vê a inauguração do instituto como um dos fatores que garantem a identidade cultural da cidade. Seu escritório, formado em setembro de 2014, tem como objetivo realizar consultoria

ANDRÉ KOPSCH

Novos espaços e serviços artísticos

No topo, Juarez Machado em seu novo espaço cultural; acima, Gabriela Loyola, proprietária do escritório Picta com atendimento personalizado para aquisição de obras – pintura, gravura, escultura, desenho, fotografia, entre outros suportes. “Quando tive a ideia de abrir um negócio voltado às artes visuais, a decisão veio de uma reflexão sobre mim mesma. Como uma pessoa que se interessa por arte faz para comprar uma obra quando não tem acesso fácil a ela? Então, o primeiro passo – definir quem eu quero servir – foi dado”, conta a empreendedora, formada em administração pela Univille, com especialização em Art Business pela Escola São Paulo. A proposta da Picta é fazer a curadoria de obras de arte com a finalidade de atender ao perfil de cada cliente. Após a validação da obra, realiza-se o acompanhamento de todo o processo de aquisição e instalação. “Trabalho em parceria com empresas e profissionais especializados”, informa. Gabriela, que tem o escritório como a primeira experiência no mercado de artes visuais, ainda se propõe a trabalhar a inclusão das artes com crianças da rede escolar na região e a promover diversas exposições para todos os tipos de público, com o intuito de conectar a produção artística visual à população.

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Workshop de desenho promovido em festival realizado pelo Conservatório Belas Artes: artes plásticas também têm espaço na escola

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Arte como modo de vida “Sou a prova real de que é possível sobreviver com artes, nunca fiz outra coisa além de trabalhar com isso”, diz Mirtes Strapazzon, diretora pedagógica do Conservatório Belas Artes. A música foi o seu “carro-chefe” – assim como foi o da escola, que, desde 1995, ano de sua fundação, carrega o segmento como o mais consolidado. No entanto, outros campos artísticos, como as artes plásticas e o teatro, vieram em sequên­cia. “O nome do Conservatório remete justamente a esta ideia: envolver todas as artes”, explica a diretora pedagógica, frisando que, atualmente, há um equilíbrio de demandas em relação à procura pelos cursos – são mais de 30 opções na área musical, teatral e de artes visuais. Mirtes e seu marido, Natalino Strapazzon, diretor financeiro e administrativo, chegaram a Joinville há 21 anos, época em que tiveram o contato inicial com o ensino de música no município. Quando os jovens se formavam, manifestavam interesse em continuar aprendendo música e, dessa forma, surgiram os


primeiros alunos do Belas Artes. A escola foi criada dois anos depois. Desde lá, passou por dois endereços até chegar ao atual, na rua Aubé. A nova sede, um prédio de cinco andares com 40 salas, foi inaugurada em 2014. A obra foi viabilizada com recursos próprios do casal e financiamento do BNDES. Um investimento de aproximadamente R$ 2,3 milhões. Para Mirtes, qualquer ramo pode ser bom se a empresa for bem administrada. “Isso desmistifica a ideia de que um artista não sabe fomentar e comercializar sua arte. Para nós, arte sempre foi um bom negócio”, sustenta a diretora. Como qualquer empresa, há burocracias no campo da arte – que, neste caso, é associada diretamente à educação. “A diferen-

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ça é que, além de empresa, somos escola. Temos uma gestão escolar, com o adendo da parte cultural.” Apesar das iniciativas crescerem no meio artístico, Mirtes continua vendo a arte como algo elitizado. “Não dá para dizer que está acessível a todos, porque não está. É um problema social e econômico”, frisa. O mercado brasileiro de arte contemporânea é jovem, dinâmico e em processo de internacionalização. É o que aponta a Pesquisa Setorial Latitude de 2014. O estudo, conduzido pela Associação Brasileira de Arte Contemporânea (Abact) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), analisou 45 galerias do setor. Delas, 66% têm menos de 15 anos de existência e

71% já venderam fora do Brasil. Esse traço jovem se reflete no universo de aproximadamente 1 mil artistas representados por galerias. Cerca de 15% se lançaram em 2013. Ou seja, pelo que esses números sinalizam, são grandes as expectativas de que o nicho venha a se desenvolver cada vez mais, No Brasil, as primeiras galerias de arte, fundadas principalmente no eixo Rio-São Paulo, consolidaram-se e hoje influenciam iniciativas empreendedoras espalhadas por outras regiões. O mercado vem crescendo em um ritmo de 20% ao ano, com valorização das obras de arte na ordem de 15%, média superior à inflação, e movimentando um volume estimado em pelo menos R$ 300 milhões.

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nonononon Negócios

A Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo é a primeira linha de metrô do Brasil operada por um regime de Parceria Público-Privada

CLÓVIS FERREIRA

O filão das PPPs

Empresas privadas aprimoram serviços oferecidos pelo poder público

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Karoline Lopes O que a Linha 4 do Metrô de São Paulo, o Estádio Mineirão e o Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe, na Bahia, têm em comum? Todos são exemplos de Parcerias Público-Privadas. Conhecidas pela sigla PPP, são um contrato de concessão administrativa estabelecido entre o poder público e a iniciativa privada, a médio e longo prazo (de cinco a 30 anos). Projetadas para funcionar como válvula de escape para a realização de obras públicas, até agora, nenhuma das tais parcerias foi concretizada em Santa Catarina, onde a lei que viabiliza esse tipo de projeto foi aprovada há 11 anos. Mas, em outros Estados, os investimentos já somam R$ 34 bilhões. Entre os segmentos mais atendidos, lideram os de saneamento, transportes e estádios. Ao contrário de outras licitações, nesse modelo, a responsabilidade integral da construção e gestão da obra passa a ser das empresas. Para Bruno Pereira, coordenador do PPP Brasil, portal que tem como objetivo debater, difundir e acompanhar notícias sobre o tema, os principais riscos são dos investidores: “O pagamento é realizado conforme o indicador de desempenho estabelecido no contrato, ou seja, quanto maior a qualidade apresentada, menores os descontos”. Porém, o Estado também se arrisca, conforme Car-


los Sundfeld, fundador da Sociedade Brasileira de Direito Público (SBDP) . “Há o perigo de acumular muitas dívidas no futuro, além do que as contas públicas comportam”, aponta. Dentre as vantagens, ambos destacam a agilidade no atendimento às necessidades básicas públicas. “O concessionário poderá fazer a exploração econômica, enquanto o concedente terá o serviço bem prestado durante anos sem fazer antecipadamente todos os investimentos”, destaca Sundfeld. Pereira complementa: “Ao utilizar a eficiência como um dos indicadores de qualidade, é garantida a funcionalidade dos serviços antes oferecidos pelo governo”. Os investimentos em PPPs podem ocorrer de duas formas: por meio do poder público, que contrata um consultor, faz os estudos e publica a licitação, abrindo a disputa entre as empresas, ou quando o próprio investidor desenvolve o estudo e entrega para os órgãos competentes. Após essa etapa, o procedimento varia e depende da entidade federativa responsável. Os projetos submetidos ao governo federal são enviados às análises do Comitê Gestor (CGP) e Tribunal de Contas da União (TCU). O primeiro, nos termos da Lei n° 11.079/2004, é responsável por autorizar a abertura da licitação e aprovar o edital. O segundo aprecia os estudos que embasarão o contrato. De acordo com dados do PPP Brasil, existem 65 PPPs nos âmbitos federal, estaduais e municipais. Desse total, 25% das obras são de água e esgoto, 17% de tratamentos de resíduos, 14% de equipamentos públicos e 12,5% de saúde. Depois, vêm moradias, arenas e estádios, rodovias, presídios, educação e moradia. Segundo o Ministério do Planejamento, o governo já investiu cerca de R$ 1 bilhão em PPPs e planeja aplicar mais R$ 5,5 bilhões em iniciativas voltadas à melhoria da mobilidade.

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Existem 65 PPPs nos âmbitos federal, estaduais e municipais. Segundo o Ministério do Planejamento, foram investidos cerca de R$ 1 bilhão em PPPs e mais R$ 5,5 bilhões devem ser mobilizados para melhoria da mobilidade urbana. Veja como se configuram esses investimentos – em % de participação no total investido.

Água e esgoto Tratamentos de resíduos Equipamentos públicos Saúde Mobilidade Arenas e estádios Rodovias Presídios Educação Moradia

25,00 17,19 14,06 12,50 10,94 9,38 4,69 3,13 1,56 1,56

O número de PPPs no Brasil ao longo dos anos 13

12 4 0 2005

2006

3 2007

4 2008

4 2009

13

10

2 2010

2011

2012

2013

2014

FONTE: PPP BRASIL

Nenhum projeto em SC O governo de Santa Catarina instituiu a possibilidade de Parcerias Público-Privadas em 2004, quase um ano antes da lei federal que prevê essa forma de concessão. Para incentivar o negócio no Estado, foi criada a SC-Parcerias S/A (SCPAR). Mas, apesar do amplo leque de opções de investimento – infraestrutura rodoviária, aeroportos, saúde, educação, sistemas de transporte público, penitenciárias, centros administrativos, meio ambiente, implantação de gestão de parques tecnológicos, projetos habitacionais, centros de convenção e arenas multiuso, entre outros –, onze anos depois, nenhum projeto foi criado. Para Mario Cezar de Aguiar, vice-presidente da Fiesc, esse modelo ainda não ganhou força no Estado por uma questão cultural. “Não só aqui, mas em toda a Região Sul, as PPPs não se consolidaram como deveriam. Por isso entendemos ser importante que essa possibilidade seja mais divulgada”, diz. Glauco José Côrte Filho, diretor de planejamento e mercado da SC-Parcerias, afirma que a discussão de mais possibilidades de contratos tem aumentado: “Muitos municípios vêm se preparando legalmente para lançar seus projetos”. Os empresários que desejam implantar parcerias podem fazer isso por meio de um Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) ou pela Manifestação de Interesse da Iniciativa Privada (MIP). No PMI, a iniciativa parte do órgão público, que prepara um termo de referência e lança

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FOTOS: DIVULGAÇÃO E PENINHA MACHADO

A partir da esquerda: Bruno Ramos Pereira, coordenador do PPP Brasil; Carlos Ari Sundfeld, fundador da Sociedade Brasileira de Direito Público; Glauco José Côrte Filho, diretor de planejamento e mercado da SC-Parcerias; e Mario Cezar de Aguiar, vice-presidente da Fiesc

um edital de convocação. Na MIP é o setor privado que apresenta as análises do estudo inicial. Com o objetivo de fomentar o debate sobre o tema, a Fiesc lançou a ação “PPP: Uma Alternativa para Investimento na Infraestrutura Catarinense”, em parceria com a consultoria KPMG e apoio da SCPAR e OAB/SC. Serão feitas pesquisas para mapear o potencial do Estado. Já foram realizados seminários regionais em Joinville e Criciúma, e há eventos programados em Blumenau, Lages, Chapecó e Florianópolis. “Por enquanto,não há projetos, mas há PPPs em estudo, focadas na mobilidade urbana e na descentralização do atendimento ao cidadão”, revela Glauco, da SCPAR. Para lançar uma PPP, o valor mínimo é de R$ 20 milhões. O número pode assustar, mas o vice-presidente da Fiesc garante que há potenciais investidores. Além dos benefícios para o governo e empresas, as regiões que recebem PPPs também colhem frutos. “A PPP pode ser um vetor de desenvolvimento. Imagine se Joinville dispusesse de um espaço urbano livre e criassem lá um centro administrativo integrado. Isso incentivaria o surgimento de residências, lojas comerciais e escritórios nas proximidades. Quando um projeto como esse é instalado, inaugura-se uma cadeia de profissionais e empresas em volta”, exemplifica Pereira, do PPP Brasil. Já o advogado Marcelo Harger acredita ser difícil mensurar esse impacto, que oscila de acordo com o valor do contrato: “O impacto estrutural também depende da espécie de concessão. Para que se tenha uma ideia, há casos de PPPs que privatizam presídios. Paga-se um valor mensal por preso”.

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Em Joinville Em 2014, a Fiesc iniciou em Joinville uma série de debates para disseminar informações sobre PPPs. Participaram do encontro representantes da entidade e da KPMG. A consultoria é uma das responsáveis pelos projetos das arenas de Recife, Natal e Salvador, todas entregues dentro dos prazos contratados. “A PPP é um instrumento, adequado para projetos complexos e de longo prazo, do qual a cidade e o Estado podem se beneficiar”, reitera Charles Schramm, sócio da KPMG. Além do debate, a Fiesc também realiza pesquisa com prefeitos para elaborar um diagnóstico do potencial de implantação de projetos na modalidade PPP pelas diversas regiões catarinenses. Estão sendo prospectadas áreas como saneamento, infraestrutura de transportes, saúde, mobilidade urbana e segurança. As conclusões do estudo serão apresentadas às autoridades como sugestão para aprimoramento das políticas públicas.


Minas Arena, em Belo Horizonte

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Obras por todo o Brasil Não há como precisar qual foi a primeira PPP estabelecida no Brasil, pois em 2006 quatro contratos foram assinados: Sistema de Disposição Oceânica do Jaguaribe (Embasa), na Bahia, Ponte de Acesso e Sistema Viário do Destino de Turismo e Lazer Praia do Paiva, em Pernambuco, Linha 4-Amarela do metrô de SP e Afastamento de Esgotos da Bacia do Rio Capivari da Sanasa, SP. Dentre as 65 PPPs pelo Brasil, três podem servir de modelo para Santa Catarina.

Hospital do Subúrbio, em Salvador Foi a primeira unidade hospitalar pública do Brasil a funcionar por meio de PPP. A gestão, operação e aparelhamento da unidade é responsabilidade da empresa Prodal Saúde, vencedora da licitação para concessão administrativa. Localizado no subúrbio ferroviário de Salvador, em uma área que abrange cerca de 1 milhão de pessoas, atende casos de urgência e emergência de pacientes adultos e pediátricos. Inaugurado em setembro de 2010, o hospital conta com 268 leitos e 1.211 funcionários (304 médicos0). A estrutura é composta por um moderno parque de medicina diagnóstica com bioimagem e laboratório de análises clínicas. Também tem centro cirúrgico e ambulatório. A concessionária é responsável pela prestação gratuita dos serviços de atenção à saúde aos clientes, no âmbito do SUS, pela compra e gestão de suprimentos farmacêuticos e hospitalares, mobiliário e equipamentos, além da contratação e gestão de profissionais, entre outros itens.

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Para receber os jogos da Copa do Mundo, o Mineirão foi reformado e modernizado a partir de uma PPP firmada entre o governo estadual e a empresa Minas Arena. O complexo multiuso oferece espaços de entretenimento, cultura e lazer. Os parâmetros mais rígidos de conforto, limpeza, acessibilidade e segurança também são atendidos nas dependências do empreendimento. Um dos mais tradicionais do país, o estádio é patrimônio histórico e arquitetônico. Após sua reforma, tornou-se a mais moderna arena de Minas Gerais e apresentou um aumento contínuo de público – resultado da modernização das instalações, dos serviços e do tratamento diferenciado ao torcedor-cliente.

Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo Operada pela concessionária ViaQuatro, a Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo foi eleita a melhor PPP da América Latina e Caribe pelo Internacional Finance Corporation (IFC), entidade financeira ligada ao Banco Central. Fabricados na Coreia, os trens são modernos, com ar condicionado, passagem livre entre carros e baixo nível de ruí­do. As portas dos carros se abrem em conjunto com as das plataformas e param exatamente no ponto de embarque e desembarque dos usuários, reduzindo riscos de acidentes. É a primeira linha de metrô do Brasil operada por um regime de PPP. O contrato entre a ViaQuatro e o governo do Estado de São Paulo foi assinado em 2006 e tem validade de 30 anos, prevendo investimentos de mais de US$ 2 bilhões para esse período.

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A concessão do aeroporto de Guarulhos (SP), que tem prazo de 20 anos, foi arrematada por R$ 16,2 bilhões

A alternativa das concessões Além das Parcerias Público-Privadas, existe outra modalidade de contrato em que uma empresa privada assume responsabilidades públicas: as concessões. “Nesses casos, o poder público terceiriza a atividade. É o que ocorre, por exemplo, com a coleta de lixo. O serviço, originariamente prestado pelo Estado ou pelo município, é delegado para um particular, por intermédio de um contrato”, explica o advogado Marcelo Harger. O contratado fica obrigado a prestar o serviço de acordo com as normas impostas pelo poder público e, como contrapartida, tem o direito de cobrar tarifas dos usuários, a única remuneração dos concessionários. Já nas PPPs, a administração paga pelos serviços, com ou sem cobrança de tarifa dos usuários. A diferença é a viabilidade financeira. Enquanto as concessões recebem retorno direto

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da população, as PPPs são destinadas a projetos que não cobram nada (presídios, hospitais públicos) ou um valor insuficiente para as ações (administração de rodovias ou ferrovias de baixo movimento). Cinco dos maiores aeroportos do país foram concedidos à iniciativa privada: Cumbica (Guarulhos), Viracopos (Campinas), Brasília, Galeão (Rio) e Confins (Belo Horizonte). E o governo ainda pretende repassar outros três ainda em 2015. Em janeiro, o governador Raimundo Colombo apresentou pedido para a inclusão do Aeroporto Hercílio Luz no programa de concessões. A solicitação se deve aos atrasos nas obras de construção do novo terminal de passageiros, sob responsabilidade da empresa contratada pela Infraero. A inclusão aguarda o aval da presidente Dilma Rousseff. “Esse modelo de parceria tem dado certo. E isso nos anima a fazer o mesmo em Florianópolis. Hoje, nossa estrutura é acanhada e o serviço de turismo perde qualidade”, declarou o governador.

Em Joinville, uma importante concessão foi a da Expoville. A Construtora Viseu e a Caex Empreendimentos e Participações formam o Consórcio Viseu-Caex. Juntas, admi­ nistram o espaço projetado para receber eventos de diferentes formatos e tamanhos. No início do ano, a vizinha São Francisco do Sul concedeu a gestão dos serviços de água a uma empresa pertencente ao Grupo Aegea Saneamento, responsável por 37 concessões de variados portes e que atende a 3,6 milhões de pessoas em oito Estados. O contrato tem prazo de 35 anos, com investimentos de R$ 220 milhões. “A meta imediata é atacar o problema crônico da falta de água nos balneários e levar água tratada para a Praia do Ervino e a Vila da Glória”, explica Ricardo Miranda, presidente da Águas de São Francisco do Sul. “O compromisso é instalar rede, coletar e tratar 52% do esgoto até 2022, avançando gradativamente nos anos seguintes”, aponta Miranda.


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Case

PENINHA MACHADO

De porta em porta, Brasil afora Como uma das maiores redes de produtos de limpeza do país construiu sua trajetória

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Mayara Pabst

“Alô, alô dona de casa! É o carro da Ecoville que está passando aqui na sua rua...” Para muita gente, ouvir essa mensagem bem na frente de casa é sinônimo de solução dos problemas de limpeza doméstica. Com sete anos no ramo, a Ecoville construiu seu nome estruturado sobre a qualidade e eficácia dos produtos. Cada fiel consumidora conquistada assumia o papel informal de divulgadora da marca e, de porta em porta, boca a boca, o negócio se consolidou, tornando-se a rede de lojas que soma, hoje, mais de 100 unidades espalhadas pelo país. O sucesso é fruto de um trabalho árduo que surgiu pela via da parceria familiar, em julho de 2007. Edimar Castelo e seus dois filhos, Leonardo e Leandro, nasceram em São Paulo, mas escolheram Joinville para erguer seu empreendimento. Quando chegaram, já com a intenção de montar um negócio de fabricação e venda de produtos de limpeza, tinham o objetivo em mente, mas poucos recursos. O comércio se iniciou de forma amadora, só que não sem planejamento. Os três perceberam uma oportunidade e optaram pelo município por seu potencial econômico. Nos primeiros dois anos de funcionamento, a equipe de apenas cinco funcionários investiu na concretização do projeto. A fabricação se restringia a atender empresas. Para superar a concorrência, era preciso fazer a diferença. Na expectativa de atender consumidores residenciais, foi adotado um modelo de negócio que corta o canal de distribuição. Itens mais populares passaram a ser vendidos diretamente nas casas. E logo o nome Ecoville passou a se destacar.


O empresário Edimar Castelo (ao centro), junto com os filhos Leandro e Leonardo, transformou o negócio familiar em uma das maiores redes de lojas de produtos de limpeza do país

Aliadas à divulgação espontânea, estratégias de marketing alimentaram o plano dos Castelo, estimulado também pela abordagem dos vendedores junto aos clientes. No contato direto com o consumidor, o representante atua quase como um consultor, indicando o melhor produto para cada situação específica, o que exige treinamentos intensivos sobre detalhes das linhas. Quando a necessidade imediata do cliente não pode ser atendida, a fábrica trata logo de agregar novos produtos, conforme a demanda. Dessa forma é que foi criado um dos itens de maior sucesso na empresa. “Joinville é muita úmida e os consumidores pediam uma solução que não deixasse o ambiente ainda mais úmido. Criamos um produto à base de álcool, com fácil evaporação, e resolvemos o problema”, explica Leonardo.

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A credibilidade, a proximidade com os consumidores, o feedback eficaz e a comodidade do atendimento foram pavimentando a evolução da empresa, que, em abril de 2012, inaugurou sua primeira loja, no bairro Costa e Silva. O conceito de “supermercado de produtos de limpeza”, único no país, chamou a atenção regionalmente e, depois de vencer um concurso da revista Pequenas Empresas, Grandes Negócios, a rede Ecoville ganhou o país. A marca se tornou uma das referências no mercado joinvilense, atuando no posicionamento em preços e brigando com as grandes. O reconhecimento na revista de circulação nacional foi apenas o primeiro: depois, vieram conquistas como o Prêmio Top de Marca, o Prêmio Qualidade Brasil (por três anos consecutivos), Prêmio

Pódium e Master Pesquisa. A rede trabalha com produtos de limpeza da linha automotiva, residencial e institucional. Só em Joinville, está em 12 lojas. A expansão “em espiral” começou por Jaraguá do Sul, Guaratuba, São Bento do Sul e Blumenau, e se estendeu até municípios do Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Cuiabá e Brasília. Os novos mercados são dominados por uma eficiente equipe de atuação externa, empenhada em analisar o potencial de cada região. O negócio se baseia em lojas exclusivas – sistema parecido com o de franquias, mas com um diferencial: sem a cobrança de royalties ou taxa de publicidade. O investimento inicial fica em torno de R$ 100 mil, mais R$ 35 mil em produtos para revenda. Segundo Leonardo Castelo, para embarcar no negócio, o investidor precisa ter perfil empreendedor e vontade de crescer. “O ramo é lucrativo, mas a rentabilidade varia muito e depende do gestor de cada loja. Fornecemos um suporte completo ao proprietário do estabelecimento e damos todo o apoio necessário para que leve o nome da Eco­ville à região onde atua”, explica o empresário. Além das lojas próprias, os produtos podem ser encontrados em lojas multimarcas. Mas o comerciante exclusivo tem vantagens, como o valor mais barato em produtos e o suporte da rede. Para quem procura ainda mais envolvimento, a rede propõe o modelo de loja “macro franqueado”, no qual o investidor monta um centro de distribuição em sua cidade. As unidades abastecem as lojas da região e são responsáveis pela abertura de novas filiais em sua área de abrangência.

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Atenção ao mercado para inovar A meta ousada de lançar dois novos produtos por mês é perseguida dia a dia pelos funcionários, que trabalham por um período de seis meses na preparação e planejamento de cada item. O investimento na aparência é também prioridade. Recentemente, os gestores da Ecoville estiveram na Argentina, Chile e México, em uma pesquisa para reformular embalagens. Além do novo layout, o nome de cada produto também será modificado, com a adição do prefixo “eco”. Segundo Leonardo Castelo, o prefixo não foi incorporado por acaso. Ações como a não-utilização de químicos que agridem o meio ambiente, tratamento de água e o incentivo à conscientização demonstram a preocupação sustentável da empresa que, nos próximos meses, ficará estampada de forma ainda mais evidente em seus produtos. Nas viagens ao exterior, os investidores também buscam prospectar oportunidades. Em 2015, a Ecoville deve inaugurar lojas no Paraguai e Argentina, com produtos adaptados ao perfil desses dois paí­ ses. Uma das metas é fechar 2015 com 200 lojas e, até 2016, alcançar 500 filiais espalhadas pelo Brasil e países vizinhos. Com a produção atual de mais de 1 milhão de litros por mês, para que a Ecoville cumpra o objetivo de se tornar a maior do segmento no país, os colaboradores participam de constantes treinamentos e capacitações que estimulam a busca pelo sucesso coletivo. A atuação da empresa se pauta pelo potencial do mercado, que apresenta crescimento natural de 20% ao ano.

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A sede da Ecoville, localizada no bairro Itinga, em Joinville, que fabrica mais de 1 milhão de litros de produtos de limpeza por mês

Expansão sem perder credibilidade Como meta, a rede Ecoville já estuda a possibilidade de abrir novas unidades fabris, no modelo de microfábricas específicas. Existe, por exemplo, um projeto para a construção de uma unidade especializada em produtos de limpeza para carros, além de outras duas dedicadas à fabricação de produtos em pó e cosméticos. Os lançamentos da empresa acompanham o ritmo e tendências do mercado. Tudo para que o negócio continue com fôlego para concorrer com os produtos de marcas globais comercializados pelas grandes redes. Já o principal objetivo da empresa, transmitido constantemente para cada colaborador e representante, é o conceito de atendimento de qualidade. A Ecoville, costumam frisar seus gestores, preocupa-se em crescer sem perder a confiabilidade dos clientes – conservando, dessa forma, a identidade que a tornou uma das maiores redes de produtos de limpeza do país.


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Espaço Acij

Destaques entre as ações dos núcleos no ano passado: lançamento do Guia das Agências (Agências de Propaganda e Marketing), participação em feiras (Automação) e palestra com Clóvis de Barros Filho (Digital) BALANÇO

Os braços do associativismo

Núcleos comemoram as conquistas do ano passado e apresentam expectativas para 2015

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Criados em 1991, os núcleos setoriais da Acij são resultado de uma parceria entre as associações empresariais de Joinville, Brusque e Blumenau e a Câmara de Artes e Ofícios de Munique e Alta Baviera, na Alemanha. Inicialmente, o projeto tinha como objetivo profissionalizar a gestão das entidades e impulsionar o desenvolvimento das empresas de menor porte. De concorrentes, os empresários passariam a se reconhecer como parceiros, que enfrentam problemas e desafios em comum. Hoje, na Acij, são 26 núcleos, ao lado de quatro grupos de Gestão Compartilhada. “São divididos em setoriais, que atendem empresas do mesmo ramo e buscam soluções; temáticos, que analisam temas pertinentes à cidade; multissetoriais, reunindo empresas de diversos setores que discutem uma bandeira específica; e territoriais, os grupos de Gestão Compartilhada situados em quatro pontos de Joinville para discutir questões como infraestrutura”, explica Marlete Tamasia, coordenadora do setor de consultoria. Segundo Marlete, existem solicitações para a abertura de novos núcleos em 2015: “Isso depende de estudos de viabilidade. Consideramos o número de empresas de cada segmento em Joinville, o que representa para o município, as dificuldades encontradas, entre outros pontos”. Para ela, os grupos materializam uma das bandeiras da Acij. “Problemas e soluções são levantados, fortalecendo a cultura do associativismo”, aponta. A seguir, o balanço de alguns dos principais núcleos empresariais da entidade em 2014.


DIVULGAÇÃO

AGÊNCIAS DE PROPAGANDA E MARKETING

Destaques de 2014 l Prêmio Manchester Catarinense de Propaganda l Prêmio Melhores Fornecedores & Veículos l Guia das Agências Palavra do presidente Gabriel Krieger “2014 foi o ano de consolidação da união do grupo, de novos associados (agora, somos 18 agências), de mudança de gestão, adaptação e continuidade das ações realizadas. Também foi ano de apoio a ações sociais, como a do Outubro Rosa, em parceria com os núcleos de Mulheres Empresárias e Gestores da Saúde. Para 2015, a prioridade será divulgar à sociedade a importância da nossa contribuição, por meio das ações já consolidadas. Temos planejados novos projetos e, com certeza, buscaremos maior integração com outros núcleos da Acij.”

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AUTOMAÇÃO

Destaques de 2014 l Feira de Eletroeletrônica, Energia e Automação Industrial l Circuito de palestras – “Soluções Inovadoras para Automação Industrial” l Feira da Metalurgia Palavra do presidente Ronaldo Schwarz “Para 2015, aguardamos a finalização do projeto do Empreender Competitivo, com a capacitação para a implementação da ISO 9000 e o treinamento de vendas. Temos também a expectativa de fortalecer a presença e a imagem do núcleo, com a realização de seminários técnicos e a participação em feiras.” DIGITAL

Destaques de 2014 l Palestra com Clóvis de Barros Filho: “Confiar para liderar novos desafios”

l Workshops digitais – “Sua marca no Facebook” e “Impulsionando seu negócio com o Google” l Joinville Digital Meeting Palavra do presidente Gabriel Nunes “No ano de 2014, o núcleo focou em eventos para o mercado digital da região – algo que, até então, era pouco explorado. O 2º Joinville Digital Meeting encerrou o ano com chave de ouro. Esperamos que o de 2015 seja ainda melhor. Estamos com alguns projetos em andamento para a realização de mais eventos e ações sociais.” ESCOLAS DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL

Destaques de 2014 l Palestra César Nunes l 4o Workshop das Profissões e Empregabilidade Palavra da presidente Carmem Lúcia Thomé Postól

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Eventos significativos: Painel de Cases de Gestão (Gestão Empresarial), palestras promovidas para empresários (Jurídico), visita à BMW (Meio Ambiente) e plantio de mudas no Dia da Árvore (Postos de Combustíveis) “Para 2015, planejamos algumas ações, entre elas o evento comemorativo dos 20 anos do núcleo, com palestra do filósofo Mario Sergio Cortella. Teremos, também, mais uma Feira das Profissões, em setembro.” GESTÃO EMPRESARIAL

Destaques de 2014 l 3º Painel de Cases de Gestão l Revitalização do Planejamento Estratégico l 50 Anos de Leitura (Projeto de Apoio à Biblioteca Pública de Joinville) Palavra do presidente Cícero Gabriel Ferreira Filho “A grande expectativa que temos para 2015 é a geração de parcerias entre os nucleados. Nosso foco é o 4º Painel de Cases de Gestão Empresarial, para o que estamos empregando a máxima energia, com a criação de um comitê responsável pelo evento.”

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JURÍDICO

Destaques de 2014 l Execução do Programa Empreender Competitivo l Apoio ao pleito da Acij em relação à isenção do ICMS sobre combustíveis utilizados no transporte coletivo urbano l Capacitação dos nucleados por meio de palestras relacionadas às diversas áreas de gestão dos escritórios Palavra do presidente Gleidson Henrique Karnopp “O segundo semestre de 2014, inicio da nossa gestão, foi bastante promissor no sentido de conseguirmos viabilizar treinamentos e debates que, de algum forma, puderam auxiliar na atividade dos nucleados. Para 2015, o maior desafio será a rea­lização do 6º Seminário do Núcleo Jurídico, que dará um salto qualitativo e quantitativo. Paralelamente ao seminário, teremos a 1ª Feira Jurídica de Joinville,

na qual expositores de todo o Brasil estarão mostrando produtos e serviços destinados ao mercado jurídico. Por fim, enviaremos periodicamente aos associados da Acij uma newsletter com informações pertinentes e assuntos jurídicos de relevante interesse do empresariado e da comunidade joinvilense.” MEIO AMBIENTE

Destaques de 2014 l Diagnóstico do licenciamento ambiental em Joinville l Workshop de licenciamento ambiental l Participação em fóruns ambientais Palavra da presidente Letícia Panaro Lunardi “O ano de 2014 foi intenso para o Núcleo de Meio Ambiente. Para 2015, almejamos continuar realizando um trabalho sério e consistente, contribuindo sempre com a Acij, e que esteja alinhado às ne-


DIVULGAÇÃO

cessidades observadas pelos técnicos participantes, que deparam diariamente com desafios na área ambiental – imprescindível para o desenvolvimento da sociedade como um todo.” POSTOS DE COMBUSTÍVEIS

Destaques de 2014 l 3ª edição da Campanha do Dia da Árvore l Natal da Alegria l Debates e discussões nas mesasredondas com autoridades Palavra da presidente Reigiani Souza “Planejamos a busca pelo crescimento do núcleo, fortalecimento das campanhas sociais (Dia da Árvore e Natal da Alegria) e a criação do 1º Seminário, com autoridades importantes do nosso segmento.” USINAGEM E FERRAMENTARIA

Destaques de 2014 l Promoção do desenvolvimento

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sustentável das empresas integrantes l Contribuição para o aumento da competitividade, para a melhoria da qualidade de vida dos profissionais l Articulação de ações que possam aprimorar o ambiente de negócios e das empresas dos setores ferramenteiro e de usinagem Palavra do presidente Edison Dalinghaus “A melhor maneira de se integrar é quando os objetivos estão ao alcance, sendo executados pelos participantes sem que estes prejudiquem a atividade principal, a gestão de suas empresas.” GESTÃO COMPARTILHADA VILA NOVA

Destaques de 2014 l Palestra realizada pela empresária Dinora Nass Allage, sobre associativismo l Reunião com autoridades do

bairro Vila Nova para discutir sobre segurança do bairro l Visita técnica à BMW Palavra da coordenadora Carla Merkle “No ano de 2014, buscou-se o desenvolvimento dos participantes do Gestão Compartilhada, com a realização de palestras, visitas técnicas e apresentação de cases relacionados à gestão, promovendo o associativismo. Para 2015, queremos dar continuidade às etapas iniciadas junto aos órgãos relacionados à segurança publica. Vamos envolver ainda mais os participantes do Gestão Compartilhada na elaboração do nosso calendário, para poder atender a necessidade do empresariado local com novas palestras, novas visitas técnicas e novos cases de sucesso. Tudo isso pensando no envolvimento do empresariado, para que tenha participação não somente nas reu­niões, mas sim com sugestões concretas de ações.”

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POR DENTRO

Consep abrange 21 sindicatos patronais As entidades patronais dos segmentos metalmecânico, têxtil, alimentício, químico, plástico, construção civil, gráfico, saúde, transporte, educação e contábil têm amplo espaço na estrutura da Acij. O Conselho das Entidades Patronais (Consep) é o órgão coordenador das atividades pertinentes aos 21 sindicatos participantes. Entre as atribuições do Consep, destaca-se o planejamento e acompanhamento das ações re-

lacionadas aos conveniados. Além disso, é responsável pela promoção de fóruns de debates e coordenação das ações praticadas em conjunto. Segundo o presidente Marco Antônio Corsini, a finalidade do grupo é a troca de ideias e informações. “Essa união converge na busca por melhorias. E a Acij nos dá todo o respaldo para isso. Muitos associados são ligados aos sindicatos e entidades. Essa troca resulta em um

processo de gestão aprimorado”, afirma. O convênio do Conselho com a Acij inclui serviços de secretaria, contabilidade e assessoria jurídica, com o apoio nas negociações coletivas e na realização de processos eleitorais. Também é responsabilidade do Consep conduzir as ações praticadas em conjunto com a associação e reger as normas relacionadas aos sindicatos e à Acij.

Conheça as entidades patronais que participam do Consep Metalmecânico Sindimet – Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico de Joinville Sindirepa – Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos do Estado de Santa Catarina Sindimec – Sindicato Patronal da Indústria Mecânica de Joinville e Região Sinditherme – Sindicato das Indústrias de Refrigeração, Aquecimento, Tratamento de Ar, Artigos e Equipamentos Odontológicos e MédicoHospitalares de Joinville Sindimaq – Sindicato Nacional da Indústria de Máquinas Sindipeças – Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores Têxtil Sinditextil – Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem de Joinville

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Sindivest – Sindicato da Indústria do Vestuário de Joinville

Material Plástico no Estado de Santa Catarina

Sindimalhas – Sindicato da Indústria de Malhas e Meias de Joinville

Construção civil Sinduscon – Sindicato da Indústria da Construção Civil de Joinville

Alimentação Sindipan– Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria de Joinville

Gráfico Sigraf – Sindicato das Indústrias Gráficas de Joinville

Viva Bem – Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Joinville

Saúde Sindhosp – Sindicato de Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde da Região Norte e Nordeste de Santa Catarina

Sindigêneros – Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios, Carnes Frescas e Derivados de Joinville Químico Sinqfesc – Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de Santa Catarina Sindipetro – Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Santa Catarina Plásticos Simpesc – Sindicato da Indústria de

Transporte Setracajo – Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Operações Logísticas de Joinville Educação Seinvi – Sindicato das Escolas de Idiomas do Norte Catarinense e do Vale do Itajaí Contábil Sescon – Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis, Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas no Estado de Santa Catarina


PONTO DE VISTA

Posições firmes em temas de impacto A diretoria da Acij tem se manifestado com veemência sobre grandes temas nacionais e estaduais que repercutem na vida do empresariado. Editoriais distribuídos semanalmente à imprensa reproduzem a visão da entidade sobre questões com grande impacto na comunidade, em áreas como segurança, infraestrutura e educação. Recentemente a diretoria lamentou a demora na instalação das câmeras de segurança e a promessa não cumprida de aumento do efetivo policial em Joinville. O mesmo texto pedia atenção do governo federal às obras do campus da UFSC, defendendo que este seja desvincu-

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lado de Florianópolis, “condição para que se transforme em um campus de verdade, e não apenas cursos esparramados pela cidade”. Em fevereiro, o editorial abordou as “impressionantes denúncias” de corrupção que frequentam o noticiário. “São tantas que a mais nova acaba substituindo a anterior.” O mesmo artigo, assinado pelo presidente João Martinelli, foi claro em reconhecer que a casa não tem expectativa favorável com o início do segundo mandato da presidente Dilma, citando o “saco de maldades” representado pelas medidas tomadas desde a posse.

PENINHA MACHADO

Textos enviados à imprensa manifestam críticas da diretoria, presidida por Martinelli

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FEITO EM JOINVILLE

Finalista em duas categorias (serviços e inovação) do “MPE Brasil – Prêmio de Competitividade para Micro e Pequenas Empresas”, a Cecyn Arquitetura + Design se destaca há nove anos por dar ênfase ao planejamento, reforçar sua presença no mercado e buscar referências fora de Santa Catarina. “Esse reconhecimento mostra que estamos no rumo certo para chegar à excelência, porém ainda temos que caminhar muito para garantir a satisfação de nossos clientes. É um crescimento contínuo”, avalia Antônio Seme Cecyn, fundador da empresa. Presente no Norte do Estado, no Sul do Paraná e na capital paulista, a Cecyn já contabiliza cerca de 2 milhões de metros quadrados projetados, 200 edifícios, além de diversas residências e obras industriais. “Nossos projetos são criados de forma inteligente, priorizando

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Há 15 anos, a Cecyn é referência de arquitetura em Joinville a racionalidade e a flexibilidade. Um dos diferencias é favorecer elementos como ventilação e insolação. Trabalhamos de dentro para fora, a fim de criar espaços confortáveis e bem aproveitados”, sublinha o diretor Os profissionais que formam a equipe têm formação variada, entre arquitetos e engenheiros, além dos estagiários e profissionais terceirizados. “Todos participam dos processos de criação e desenvolvimento dos projetos. Cada um agrega valor aos produtos entregues ao cliente, o que torna o resultado dinâmico e interessante”,

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Projetos com qualidade e inovação

afirma Cecyn. Associado à Acij há cinco anos, ele aponta a troca de experiências como o principal benefício da parceria: “A entidade trabalha em prol dos empresários de Joinville, fortalecendo a classe. Nossa empresa tem grande oportunidade de crescimento, pois ampliamos os contatos entre as associadas”.

www.cecyn.com.br Rua Padre Kolb, 1290 Bucarein – Joinville (47) 3422-1835 cecyn@brturbo.com.br


CLÁUDIA DE JESUS

Quatenus oferece serviços de monitoramento, controle e gestão da frota

Segurança e soluções em rastreamento Outra empresa finalista do “MPE Brasil – Prêmio de Competitividade para Micro e Pequenas Empresas” foi a Quatenus Rastreamento Inteligente. “Trata-se de uma premiação importante para a credibilidade e visibilidade da marca. Chegamos à final e celebramos o

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resultado, pois foram mais de 2 mil empresas inscritas”, comemora Carmem Pedroso, gestora de mar­ keting e comunicação. Fundada em 1990, a Quatenus faz parte do grupo europeu Sinfic que atua em Portugal, Angola, República Democrática do Con-

go, Moçambique, Guiné – Bissau e Gabão. No Brasil, tem sede em Joinville e escritório em São Paulo. Os produtos oferecidos são compostos por uma plataforma de localização global integrada, que processa automaticamente e fornece informações em tempo real. “Os serviços disponíveis abrangem pessoa física e jurídica. Para pessoa jurídica, o foco é gestão, redução de custos e controle de bens e equipe. A satisfação pelo serviço é percebida logo nas primeiras semanas. Também temos produtos para a pessoa física que busca maior segurança do seu veículo”, afirma. A empresa é associada à Acij desde 2011. Segundo Carmem, os resultados da adesão foram positivos: “Compreendemos a importância do associativismo e acreditamos que o sucesso pode ser alcançado de maneira sólida com a participação ativa em entidades de classe”. www.quatenusonline.com.br Rua Blumenau, 1321 América – Joinville (47) 3034-8600 atendimento@quatenusonline. com.br

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DIVULGAÇÃO

“A Acij é uma marca forte, que enriquece a empresa. Outro ponto importante é a rede de relacionamento estabelecida com os outros associados, pois o nosso foco são os eventos corporativos” Karine Mello, proprietária da Karamellos

POR QUE ACIJ

O seu espaço na Acij Com o objetivo de promover negócios e incentivar o compartilhamento de experiências entre associados, um espaço de 15 minutos é aberto sempre nas reuniões semanais da Acij. Tudo para que empresas apresentem serviços e produtos, além de falar sobre o seu sistema de gestão e outras novidades. Os encontros ocorrem às segundas-feiras, dàs 18h30 às 20h. Logo após, a empresa oferece um coquetel, momento de aproximação e confraternização entre empresári-

os e executivos. Os interessados nesse espaço podem inserir banners e distribuir materiais publicitários no salão nobre da associação. O Salão Tigre, onde ocorrem os coquetéis, também fica disponível para showroom de produtos e outras ações.

(47) 3461-3338 ou entre em contato pelo e-mail sheila@acij.com.br.

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Ponto e contraponto

Por que o planejamento é peça vital do sucesso nos negócios

Conjuntura não permite falhas de gerenciamento Alexandre Santangelo Engenheiro, sócio da CAF, perito judicial e consultor ambiental

Do ponto de vista da engenharia, a Gerência de Projetos é o ramo da ciência da Administração que trata do planejamento e controle de projetos. Planejamento na gestão significa estabelecimento de metas e objetivos, definindo as etapas a ser desenvolvidas, sequenciando as tarefas baseadas nos recursos disponíveis e necessários. Controle na gestão representa a medição do progresso e do desempenho através de um sistema ordenado e preestabelecido, sendo que as “tomadas de decisão” para ações corretivas e preventivas são baseadas nas metas estabelecidas. O treinamento em Gerenciamento de Projetos se torna necessário para que as empresas busquem a eficácia na gestão (com menor custo e prazo) e não somente ser eficientes. O software de Gerenciamento de Projetos é uma ferramenta de planejamento e gestão eficaz com o avanço da globalização e, consequentemente, da competitividade em ambientes dinâmicos que necessitam da prática do usuário. São os usuários: a diretoria, para obter relatórios e gráficos

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dos projetos; a gerência, para planejar e administrar múltiplos projetos; os coordenadores e membros do projeto, para registrar dados do acompanhamento e produzir relatórios de cada etapa. Para o gerenciamento de expectativas, existe uma fórmula de sucesso: 1º) definir expectativas realistas do equilíbrio entre custos, cronograma e qualidade, com todos os participantes do projeto; 2º) gerenciar as expectativas durante o projeto com eventuais correções da linha do tempo; se o equilíbrio estabelecido mudar, certificar-se de que todos conhecem e aceitam o novo equilíbrio. 3º) entregar o produto prometido dentro do prazo e do orçamento, atendendo a expectativa do cliente. Como exemplo, o empreendedor ou gestor de Joinville tem dificuldade em planejar ações pela morosidade do sistema e pelo descumprimento dos decretos e leis estaduais no licenciamento ambiental. A estrutura técnica dos órgãos públicos é incompatível com a demanda de projetos. Uma “tendência” natural e essencial para quem cumpre a lei são ações judiciais para implantação de projetos e empreendimentos. A conjuntura econômica (o cenário) atual não permite falhas e atrasos no gerenciamento dos projetos. Em um ano, muda o mercado e os empreendimentos perdem eficácia. A ineficiência do sistema afugenta investimentos da região e busca alternativas ilícitas.


ILUSTRAÇÃO: FÁBIO ABREU

Conhecimento e liderança aumentam efetividade Wagner Giovani Silva Sócio-gerente na Treinatec, consultor da Pertencer Consultoria e Treinamentos e professor

O planejamento no ambiente organizacional ainda é deficitário quando comparado às nações com maior eficiência nos seus modelos de planejamento. Um ditado dos consultores de empresas faz uma comparação entre os estilos de planejamento americano e brasileiro: “Os americanos planejam durante nove meses e executam em um mês, e os brasileiros planejam em um mês e executam em nove”. Ele não exagera ao abordar a falta de planejamento dos brasileiros. Desde um plano de negócios, no qual o nível de mortalidade de novas empresas é na faixa de 45%, segundo o Sebrae, passando pelos processos organizacionais, percebem-se diariamente erros básicos entre o planejamento e a execução, chegando aos grandes projetos, com vários casos de empresas que quebraram por consequência de falhas no planejamento. Uma empresa que é dona de marca situada entre as mais valiosas do mundo se instalou há pouco no Brasil. Merece destaque o invejável tempo de execu-

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ção da obra de construção da fábrica. Diversos fatores implicam na complexidade de um projeto desse porte, mas ainda assim foram cumpridos os prazos e metas estabelecidos no início do projeto – sem atrasos, tão comuns em projetos brasileiros. Para atingir o máximo de efetividade em um planejamento, estão associados diversos elementos, porém dois aspectos podem aumentar o nível de assertividade, que são o conhecimento e a liderança. Conhecimento para entender o potencial e características do negócio, segmento ou mercado por meio de fontes de informações, sem deixar de atentar para a frase do professor José Carlos Ferrante, que diz: “Quanto mais conhecer o passado, mais será possível prever o futuro”. Liderança deve ser levada em conta para garantir o monitoramento constante e a execução efetiva das etapas, sempre com as devidas validações. No livro “A Arte da Guerra”, Sun Tzu diz que bons governantes deliberam planos e bons generais os executam. Analisando o cenário econômico brasileiro, é comum pensar que é impossível fazer um plano para o futuro. Mas o que dizer dos japoneses, que, após a Segunda Guerra Mundial, encontravam-se com o país quebrado e nenhuma expectativa econômica, e ainda assim, por meio de um planejamento consistente, tornaram-se uma referência mundial?

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Toda atenção ao cenário de mudanças Alessandra Ogeda Colunista de Economia do jornal Notícias do Dia e professora universitária de comunicação

O Brasil está começando a viver um período de reajustes e mudanças de rumo. A nova equipe econômica escolhida pela presidente reeleita Dilma Rousseff promete ajustes profundos nas contas públicas, incluindo revisão nos gastos e corte em benefícios e incentivos para diferentes segmentos produtivos. Se até o governo, com sua histórica máquina pesada e pouco propensa a mudanças, está procurando rever suas práticas e gastos, por que as empresas não fariam o mesmo? Normalmente é o que acontece. Grandes e médias empresas com boas práticas de gestão conhecem bem a necessidade do planejamento estratégico para projetar os negócios de maneira sustentável e buscar, a médio e longo prazo, novas e melhores colocações no mercado. O problema, muitas vezes, está com as pequenas empresas, a maioria dos negócios no país e em Santa Catarina, que nem sempre fazem planejamento a médio e longo prazo de forma eficaz. Em muitos casos, falta ao empresário um conhecimento profundo dos pontos fortes e fracos de sua empresa e do segmento em que atua.

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Apenas com essas informações precisas e atualizadas, é possível fazer um planejamento eficaz. A lição de casa não termina aí. Após estabelecidas metas, planos e ações para chegar aonde se quer, é preciso avaliar diferentes cenários e reações para cada um deles. Especialmente no Brasil, onde nos últimos anos temos assistido a muitas mudanças nas regras do jogo – seja no estabelecimento ou revisão de regulamentações, seja na criação e posterior revogação de benefícios fiscais para diferentes setores econômicos, entre outros. Nesse cenário de regras que mudam e de instabilidade na confiança empresarial, com tantas denúncias de corrupção, é ainda mais vital um bom planejamento empresarial. E isso consiste não apenas em estabelecer ações e projetos coerentes com a missão da empresa e com o patamar que ela quer atingir em um determinado tempo, mas também nos ajustes de direção que o negócio pode ter que tomar em diferentes cenários da economia nacional e internacional. Acompanhando de perto empresários de diferentes portes, segmentos e setores em Santa Catarina, percebo que muitos têm esse difícil dever de casa feito, mas a maioria ainda precisa rever os planos que levavam em conta uma conjuntura mais favorável com crescimento maior do PIB. Em épocas incertas ou difíceis como esta, sobram oportunidades.


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Cabeceira FOTOS: PENINHA MACHADO

Naiara Larsen e Lívia Vieira, as idealizadoras do projeto, esperam agora realizar oficinas com professores (esquerda). Acima, a capa do e-book, que está disponível online LANÇAMENTO

Educação na palma da mão

Jornalistas lançam e-book para auxiliar alunos e professores no ambiente digital “Conectando Saberes: Manual para Gestão de Blogs Escolares.” Esse é o nome do e-book elaborado pelas jornalistas Naiara Larsen e Lívia Vieira. O projeto, rea­lizado por meio de um edital do Bom Jesus/Ielusc, busca orientar alunos e professores no desenvolvimento de conteúdo em ambientes digitais. “A ideia surgiu de uma pesquisa para a faculdade. Percebia que não sabiam usar os blogs para promover a escola e as atividades. Compartilhei minhas impressões com a Lívia e daí surgiu a oportunidade”, revela Naiara. Segundo a dupla, a decisão pelo formato digital foi tomada para facilitar o acesso. “Optamos

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pelo e-book porque ele não existe apenas no formato impresso. E queremos multiplicar esse material, para que qualquer pessoa possa fazer o download. Esse tipo de quebra de barreira é muito importante”, destaca Lívia. Para desenvolver o livro, foram realizadas entrevistas com professores de escolas municipais de Joinville, público-alvo do projeto. As jornalistas explicam que as visitas foram viabilizadas por uma parceria com as secretarias municipais de educação e comunicação: “Queríamos entrar nas escolas, conhecer a realidade e, na etapa seguinte, capacitar os professores. A gente conseguiu entender um

pouco as dificuldades e necessidades do dia a dia”, diz Naiara. Na próxima etapa, a intenção é trabalhar com a capacitação dos educadores. “Pelo que vimos, há uma estrutura com computadores, internet e tablets, mas uma lacuna entre a teoria e a prática. Ainda existe uma distância na maneira com que esses materiais são utilizados”, aponta Naiara. O projeto é o embrião da Casa da Cultura Digital Multiplica, iniciativa de acadêmicos e docentes do Bom Jesus/Ielusc. O espaço se propõe a trabalhar a relação entre comunicação e educação, multiplicando o conhecimento para a comunidade. Dividido em cinco capítulos – “Primeiros passos”, “Caminhando pelo texto”, “Exercitando o olhar”, “Registrando o movimento” e “Outras ferramentas úteis” –, o e-book traz orientações técnicas e de conteúdo para fazer com que o blog escolar seja um espaço de comunicação e aprendizado. Os interessados podem acessar o site www.casadacultura digitalmultiplica.wordpress.com para o download gratuito.


Resenhas

Joinvilense mergulha na história de escultor sueco Obras do Escultor F. Frick na Catedral da Sé Wilson Gelbcke Editora Univille Uma história de oportunidade e rea­lização. O fato é que a história de Ferdinando Frick caiu no colo, e nos ouvidos, do escritor Wilson Gelbcke em uma visita à amiga Vera Ingrid Frick Reu, filha do escultor sueco. Com olhar atento de quem sabe que as histórias pululam por aí, Gelbcke tratou de organizar os documentos e traçar as linhas de uma história tão real quanto fantástica: a vinda de Frick ao Brasil e sua importante contribuição na construção da Catedral da Sé, uma das mais suntuosas do país. O livro nos conta que a maquete esculpida em gesso por Frick, fiel a cada detalhe do estilo gótico, impressionou os gestores da época. O que o levou a ser convidado para reproduzir as estátuas dos profetas e evangelistas que comporiam a imensa igreja. O escultor passou a estudar a vida e os traços de cada um deles e os esculpiu durante anos até que ficassem todos prontos. Ao lado de curiosidades e fatos que redimensionam a trajetória de Frick, Gelbcke apresenta fotografias de suas obras e de sua rotina, além de recortes de jornais da época (início do século 20) e cartas que o escultor enviou a jornais da Suécia, dando conta de uma São Paulo que já abrigava diversas nacionalidades e se mostrava com nuances de grande cidade europeia, como pode ser lido no trecho a seguir: “São Paulo é uma cidade com cerca de 400 mil

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Verbetes de amor pelo país Dicionário dos Apaixonados pelo Brasil

habitantes, de quase todas as nacionalidades. Situada numa área que varia entre altos e baixos, ao lado do pequeno e sujo Rio Tietê. No centro comercial, os prédios são como nas grandes cidades europeias”. Em outro momento, a carta de Frick se assemelha ao texto de Pero Vaz de Caminha, o que nos permite a ideia de que as terras brasileiras continuam admiravelmente férteis séculos depois. Vejamos: “Além do café, também se plantam outros produtos, principalmente arroz, fei­ jão e milho. O clima e a terra dão um crescimento muito rápido da vegetação. Diz-se que se você perde um botão da calça num lugar fértil desses, em curto tempo cresce uma calça no lugar”. Nem só de dados e curiosidades é feito o livro de Gelbcke. Há muito sentimento captado com esmero pelo escritor, quando, por exemplo, Ferdinando Frick, esculpe uma de suas mais importantes obras, “Emigrantes”, uma escultura melancólica e intensa que mostra emigrantes olhando pela última vez sua pátria, antes de partir. A obra viajou para a Suécia e foi instalada na cidade de Gotemburgo. O livro de Wilson Gelbcke nasceu do acaso ou da amarração do destino, que importa? É um marco na literatura catarinense e, por que não dizer?, mundial. O autor documenta e faz justiça a um artista que deixou importantes legados: sua obra, sua história e uma bela oportunidade, muito bem aproveitada pelo escritor joinvilense.

O olhar estrangeiro é uma das formas mais curiosas de conhecer e relativizar nosso sentimento por um lugar. E é o que proporciona este livro. O autor, jornalista francês, mantém uma relação afetiva de mais de seis décadas com o país, uma parte das quais percorrendo profissionalmente diversas re­ giões. A obra reúne temas, objetos pes­soais, história e mitologia. Diferente do que se poderia imaginar, carnaval e caipirinha não estão entre os verbetes com a letra “c”, onde se encontram a cordialidade do povo (considerada um dever e uma regra) e também a crueldade de registrarmos um dos mais altos índices de assassinatos do mundo. Lapouge aborda o “jeito”, resposta ligeira a uma dificuldade, e mostra como ele está presente na cultura que forma as engrenagens essenciais da sociedade e da economia. Também reverencia personagens de origem popular – como Aleijadinho e Chica da Silva – com o mesmo empenho com que destaca dois franceses que ajudaram a contar nossa história: o pintor Jean-Baptiste Debret (período colonial) e o antropólogo Claude Levi-Strauss (século 20). A energia que os brasileiros consagram a matar a saudade é um trecho emblemático da obra.

Jura Arruda, escritor joinvilense

Simone Gehrke, jornalista, diretora executiva da EDM Logos

Gilles Lapouge Editora Amarilys

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A chave é uma equipe de alta performance Com Gente é Diferente – Inspirações Para Quem Precisa Fazer Gestão de Pessoas Eugenio Mussak Editora Integrare

O livro foi escrito por um médico fisiologista que dedica sua vida à educação, principalmente educação corporativa e temas ligados ao comportamento humano. Fiquei apaixonada pela obra. Uma leitura dinâmica, fácil e com estilo simples, permitindo que o leitor viaje com tranquilidade pelos textos. Busquei o livro com uma expectativa de melhorar a gestão de pessoas no sentido de tentar, como líder, motivar mais as equipes e entender o que realmente as motiva, o que faz um grupo de pessoas tão diferentes

andar no mesmo sentido e em busca do mesmo ideal. No decorrer de leitura, Eugenio Mussak fala de equipe, de motivação e da diferença de equipes competentes e de alta performance. A partir daí, mostra a importância de um bom líder para se ter uma equipe de alta performance, destacando o comprometimento, a responsabilidade e o não comodismo. Quando disserta sobre o que chama de “construindo comprometimento”, Mussak cita cinco fatores básicos e essenciais para essa construção: admiração, respeito, confiança, paixão e intimidade. E ressalta que, existindo essas cinco condições básicas, o comprometimento será mera coincidência. Com a leitura, já consegui aplicar algumas “teorias” ao cotidiano das lojas que administro e da clínica

onde atuo. Fui lendo e tentando observar o que ocorre no dia a dia. Foi possível, por exemplo, entender por que algumas coisas não estavam dando certo e, com essa perspectiva, contribuir para o aprimoramento daqueles profissionais que têm maior potencial para dar certo. A chave de tudo, de todo o sucesso, é ter uma equipe de alta performance, mas como chegar lá? Será que nossa equipe está na direção certa? Essas são algumas dúvidas que invadem o pensamento e que o livro ajuda a responder. Sei aonde quero chegar, portanto apenas devo escolher o melhor caminho e definir aqueles que vão trilhar rumo ao sucesso.

Carolina Piccinini de Pinho, formada em medicina e proprietária da loja Capodarte

Contra o padrão inatingível que a mídia impõe A Ditadura da Beleza e a Revolução das Mulheres Augusto Cury Editora Sextante, 2005 Este livro do psiquiatra e escritor Augusto Cury subverte uma ordem estabelecida no “estado de beleza” ao descrever os conflitos, angústias e insatisfações, principalmente das mulheres, quanto ao que ele chama de PIB – “Padrão Inatingível de Beleza”, que seria apregoado pela mídia em prol do exacerbado consumismo baseado em modismos. O autor é implacável ao descrever a obsessão pelo corpo perfeito, a visão distorcida das mulheres (e

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dos homens) de que a vida só será perfeita se o corpo for “perfeito”. A “visão de si mesma” tratada pelo autor demonstra o quanto as mulheres são influenciadas pelo mercado da moda, no qual as modelos são magérrimas, evidenciando um mundo onde se constroem os pensamentos e são geradas a inteligência e a consciência. Isso nos leva a discernir com rigor sobre como podemos, mesmo na democracia, ficar presos a um poder totalitário do mercado, propagado por uma mídia tendenciosa e em busca de um único objetivo: garantir o lucro. A necessidade de resgatarmos a autoestima – trazida de forma complexa e impactante com o fim de difundir um assunto tão complexo – sustenta a tese do autor,

que convence o leitor da dificuldade de viver num mundo que centraliza a beleza em passarelas e expurga, elimina, padrões que não sejam correlatos. A obra relata ainda a coragem de mulheres que iniciaram movimentos de contestação a esse modelo, do culto ao corpo magro, denominado pelo autor de “ psicose social coletiva que assassina a autoestima e autoimagem de crianças e adultos, inclusive homens”. Apesar das mesmas concepções aparecerem em outras obras, diria que o livro de Augusto Cury tem o mérito de levar o leitor a compreender que a beleza está nos olhos de quem vê.

Anemarie Dalchau, economista e professora da Univille


Top 5 Filmes de educação Sociedade dos Poetas Mortos DRAMA, 1989

DIRIGIDO POR PETER WEIR

Em 1959, na Welton Academy, uma tradicional escola preparatória, um ex-aluno se torna o novo professor de literatura. Porém, ele propõe métodos de ensino que incentivam seus pupilos a pensar por si mesmos e apresenta aos alunos a “Sociedade dos Poe­ tas Mortos”. Isso acaba criando um conflito com diretores, que pregam o método antigo e conservador. Fazendo História

COMÉDIA, DRAMA, 2006 DIRIGIDO POR NICHOLAS HYTNER

Oito estudantes turbulentos e talentosos esperam conseguir entrar em uma prestigiosa universidade da Inglaterra. Ajudados por dois professores, um jovem perspicaz e arrogante e um velho excêntrico e entusiasta, os meninos se confrontam com o verdadeiro significado da educação. Olhos Azuis

DOCUMENTÁRIO, 1996 DIRIGIDO POR BERTRAM VERHAAG

O documentário acompanha um dos workshops sobre racismo apresentados pela professora norte-americana Jane Elliott. Durante duas horas e meia, 30 pessoas, entre professores, policiais e assistentes

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sociais, são submetidas a um estranho experimento: os que têm olhos azuis são separados dos restantes e bombardeados por um tratamento discriminatório e ofensivo semelhante ao que os negros e outras etnias oprimidas sofrem cotidianamente nos EUA. Entre os Muros da Escola DRAMA, 2009

DIRIGIDO POR LAURENT CANTET

François Marin (François Bégaudeau) trabalha como professor de língua francesa em uma escola de ensino médio, na periferia de Paris. Ele e seus colegas de ensino buscam apoio mútuo na difícil tarefa de fazer com que os alunos aprendam ao longo do ano letivo. Ao Mestre com Carinho DRAMA, 1967

DIRIGIDO POR JAMES CLAVELL

Mark Thackeray (Sidney Poitier) é um engenheiro que, após ficar desempregado, resolve dar aulas em Londres. Ele começa a ensinar alunos majoritariamente brancos em uma escola no bairro operário de East End. Thackeray depara com adolescentes indisciplinados, determinados a destruir suas aulas. Acostumado com hostilidades, o engenheiro não se amendronta e enfrenta o desafio de ensinar uma turma de baderneiros. Ao receber um convite para voltar a atuar como engenheiro, ele tem que decidir se pretende seguir como mestre ou voltar ao antigo posto.

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3 perguntas

DIVULGAÇÃO

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2 Albertina Tuma Se ela fosse uma música, talvez seria uma expressão de jazz. Fosse um quadro, quem sabe, algo surreal, instigante e lindo, como Salvador Dali. Fosse um filme, seria Luis Buñuel, em sua intensidade avassaladora. Mas ela é uma mulher catarinense em todo seu esplendor. Artista plástica que deixa os pincéis descansarem um pouco mais para se dedicar a trazer toda a arte aos joinvilenses e vizinhos, a produtora cultural Albertina Tuma já quase perdeu a conta de suas façanhas. Além de sua obra mais reconhecida – o Festival de Dança de Joinville, criado por ela e pelo bailarino colombiano Carlos Tafur, em 1983 –, de suas mãos partiram inúmeros e diferenciados eventos culturais. A missão prioritária, desde que se entende por gente, é fazer a arte circular, emocionar as pessoas, traduzir-se em crescimento e em oportunidades de vida para todos – mas muito especialmente para as crianças. Como tem feito ao longo de toda uma vida dedicada à cultura, para 2015, ela reserva mais surpresas aos joinvilenses.

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O que a estimula e o que desanima no cenário cultural joinvilense? Estimula ver o fruto de tudo o que produzimos ao longo de 40 anos na cidade. As plateias formadas, que nos seguem em todos os espetáculos que trazemos, clássicos ou populares. Empresas mais receptivas a colaborar na troca de serviços, apoios e patrocínios. E desestimula a falta de estrutura em casas de espetáculos. Os preços dos aluguéis, a necessidade de contratar tudo, pois poucas oferecem luz, som, climatização e assentos. O pequeno envolvimento do poder público nas produções independentes: o governo precisa entender que, se não fossem os produtores, a população não teria acesso a shows que só vêm a Joinville porque arcamos com todos os riscos. E pagamos alto por isso. Há anos, realizo os Concertos Internacionais, trago músicos eruditos renomados da Europa, dos Estados Unidos e de países da América do Sul. Se não fossem alguns empresários que colaboram, esses artistas jamais pisariam em nossos palcos. Qual a sua maior realização? Sem dúvida, o Festival de Dança, que colocou a nossa cidade no mapa da dança do Brasil e do mundo. Vale lembrar que, antes de sair da coordenação geral, o festival já estava internacionalizado, pois trouxemos o Ballet Lolitá da França, o Ballet Nacional da Colômbia, do Chile, da Suíça, entre outros. Mas a magnitude do festival não diminui a importância de espetáculos como Os Meninos Cantores de Viena, Vienna Art Orchestra, Trio Fado ao Centro, de Coimbra, todas as edições do italianíssimo “I Bricconcello”, o teatro nacional com “A Noviça Mais Rebelde” e, no ano passado, a peça “Callas”. Quais seus principais projetos para 2015? Há 17 anos, coordeno o projeto cultural da Ciser, que mantém um coral- show com as vozes de funcionários, familiares e amigos da comunidade. A surpresa que estamos preparando para 2015 é um espetáculo que vai homenagear um dos ícones mais fortes da cidade, que ainda estamos guardando em segredo. O que posso dizer é que essa produção será sensacional e apropriada aos dias de hoje. Será no segundo semestre e garanto que o público vai amar. E o outro que posso adiantar é o espetáculo de tango, Esquina Carlos Gardel, além de outras produções com que estamos em negociações.


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Revista 21 - Edição 17 - Jan/Fev 15  
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