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vNEGOCIAÇÕES

vTRADING

Estudo propõe sugestões para incrementar comércio entre EUA e Brasil P.15

Alpha Sourcing, empresa brasileira com atuação mundial P.8

v ANO 1 Nº 5 . ABRIL/2019

magazine

SECOM DÁ APOIO A EXPORTADORES

Rodrigo Fonseca é o titular do Setor Comercial (SECOM) do ConsuladoGeral do Brasil em Miami P. 12

B&T Global Consulting de Vivian Portella: muito além de uma corretora de câmbio P. 5

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vempreendedorismo

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veditorial

Palavra do Editor

Tempos de incertezas

pontos o governo de Jair Bolsonaro tem errado e onde tem acertado, e como deve corrigir a rota para evitar uma catástrofe. Afinal, o insucesso de sua administração comprometeria não só o governo dele, mas sobretudo o futuro do Brasil, que está passando por uma década inglória. ANTONIO TOZZI antoniotozzi@bizbrazilmagazine.com

v Acompanhar o aumento das iniciativas empresariais de brasileiros em terras americanas não tem sido uma tarefa fácil. O tempo todo há empreendedores constituindo empresas, empresários abrindo negócios, exportadores buscando informações e descobrindo novos caminhos para incrementar suas presenças no Exterior. Dessa maneira, a BizBrazil Magazine tem estado ao lado dos empresários brasileiros em todos momentos, participando de atividades em encontros de câmaras de comércio, networking, abertura de empresas e nas palestras proferidas por convidados que procuram decodificar os movimentos dos governos e prever o futuro. Recentemente, o embaixador Rubens Barbosa, em uma palestra realizada pela BACCF (Brazilian American Chamber of Commerce of Florida), tentou analisar as perspectivas do novo governo brasileiro. Com sua experiência de mais de 40 anos na carreira diplomática, destacou erros e acertos e apontou os rumos que devem ser seguidos para o Brasil prosperar. Mesmo sem ter o cabedal de Rubens Barbosa, também me arrisco a avaliar em que

É patente que Jair Bolsonaro é um sujeito sem carisma. Ele somente foi eleito na esteira do desapontamento da população com o PT no governo e com o discurso anticorrupção, graças à munição dada pelos políticos dos principais partidos envolvidos com falcatruas e propinas com empresários que se esqueceram de seguir os parâmetros do compliance. Pois bem, depois da posse seria de se esperar uma mudança no comportamento do novo presidente. Ou seja, em vez de ficar pregando para convertidos, como vem fazendo atabalhadoamente (com o pernicioso apoio dos filhos), Bolsonaro deveria tentar trazer para seu lado os eleitores que apenas votaram nele por tê-lo visto como o instrumento para retirada do PT do governo. Entretanto, para decepção da maioria, ele continuou com uma agenda de candidato, preocupando-se mais com aspectos morais e comportamentais do que com os problemas da economia e buscar soluções para gerar mais empregos a fim de minorar o sofrimento de milhões de brasileiros. Em vez de formar uma equipe ministerial coesa, Bolsonaro optou pela segmentação. Assim, percebe-se a existência de quatro grupos no poder: os evangélicos radicais, os discípulos do filósofo/astrólogo Olavo Carvalho, os militares da reserva e os

técnicos. Já ficou claro que os dois primeiros grupos têm exercido uma influência nefasta no governo, enquanto os outros dois estão tentando recolocar o Brasil nos trilhos. Um exemplo claro tem sido o apoio envergonhado de Bolsonaro ao projeto de reforma da Previdência, menina dos olhos do ministro da Economia Paulo Guedes, que pretende economizar R$1 trilhão para os cofres públicos. Ora, só se muda o país com a economia pujante e não com discursos moralistas. A fim de corrigir a rota, um estudo encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que a melhoria do relacionamento político e democrático entre Jair Bolsonaro e Donald Trump pode render bons frutos comerciais para os dois países. Ainda nesta linha, vale a pena ler a entrevista com o conselheiro Rodrigo Fonseca, do Setor Comercial (Secom) do Consulado-Geral do Brasil em Miami, que mostra o que os exportadores brasileiros devem fazer para entrar no mercado mais apetitoso do planeta. Por falar em comércio exterior, há que se enfatizar o Road Show promovido pela BACCF, que orienta aqueles que pensam em investir e/ou morar nos Estados Unidos. Alguns empresários, aliás, já estão explorando este mercado, como é o caso da Alpha Sourcing, que atua como intermediadora entre exportadores e importadores em todo mundo, usando o hub de Miami como seu head office. E também da B&T Global Consulting, braço internacional da B&T Corretora de Câmbio, que destacou Vivian Portella, sócia e executiva do grupo, para desbravar esse território.

EXPEDIENTE v

magazine Publisher Jorge Moreira Nunes Diretor Geral e Editor-Chefe Antonio Tozzi Diretora de Marketing Esterliz Mayer Nunes Account Executives Fernanda Maiolini

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Projeto Gráfico André Hippertt Graphic Designer Valdemar Silva Revisora Ana Paula Franco Colaboradores Heliana Deweese Juliana Moraes Mahlmeister Josefina Guedes Jorge Botrel Fotografia Ronira Fruhstuck Demetrius Borges

BIZBRAZILMAGAZINE é uma publicação do Grupo AcheiUSA e suas matérias são de propriedade da editora. A reprodução de qualquer material sem autorização pode infringir os direitos autorais dos autores. A BizBrazil Magazine não se responsabiliza pelo conteúdo de artigos e colunas publicados por colaboradores. BizBrazil Magazine 816 SE 9th Street, Suite E Deerfield Beach, FL 33441 USA. (954) 570-7568 info@bizbrazilmagazine.com


vfinanças

B&T revela como se

transformou na maior corretora de câmbio do Brasil Abertura da B&T Consulting em Miami abre caminho para projeto de internacionalização da empresa ANTONIO TOZZI antoniotozzi@bizbrazilmagazine.com

I VIVIAN PORTELLA I FOTOS: DEMETRIUS BORGES

v Câmbio vem do verbo cambiar. Ou seja, mudar, transferir. Portanto, nada mais justo do que estar presente em diversos lugares do país e do mundo. Em pouco mais de um quarto de século, a B&T Corretora de Câmbio, fundada em 1993 no Rio de Janeiro, se transformou na maior corretora de câmbio do Brasil, com 20 lojas próprias e 170 correspondentes cambiais. Há dois anos, expandiu sua atuação para o exterior ao abrir a B&T Global Consulting em Miami – principal centro da comunidade brasileira nos Estados Unidos. Para comandar essa importante unidade, foi destacada a diretora de Governança, Vivian Portella, também uma das sócias da companhia. No contexto de diversificação de atividades, a B&T Corretora de Câmbio decidiu ampliar os serviços oferecidos e, como diz o próprio nome, oferecer aos atuais e futuros clientes soluções globalizadas em tudo que se refere à transferência de dinheiro entre Brasil e Estados Unidos, atuando também como consultora na democratização dos meios de pagamento e dando suporte às outras operações dos clientes que envolvem moeda estrangeira. Assim surgiu a B&T Global Consulting. Quando se fala em diversificação, isso significa estar antenado com o momento atual dos mercados. Por isto, a B&T Corretora de BIZBRAZILMAGAZINE.5v


vfinanças

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“ A B&T se sobressai oferecendo um atendimento direto, pessoal e customizado de acordo com a necessidade do cliente

câmbio criou a BitBlue, especializada na negociação de criptomoedas – um setor ainda incipiente, porém muito promissor. A fim de entender tudo que a holding de câmbio tem a oferecer aos seus clientes, entrevistamos Vivian Portella, carioca que se mudou com a família para Flórida. Em virtude da similaridade do clima, da metodologia de ensino escolar e do nível de segurança, Vivian admite que, embora adore o Rio de Janeiro, sua família está muito bem adaptada a Miami. Apesar da mudança de cidade, uma coisa não mudou em sua vida: ela continua como executiva dedicada ao crescimento de sua empresa, conforme podemos constatar nesta entrevista concedida à BizBrazil Magazine. v BizBrazil Magazine: Vamos começar pelo início. Quem foram os fundadores da B&T Corretora de Câmbio e qual a experiência deles neste segmento? n Vivian Portella: A B&T foi fundada em 1993 por Túlio Ferreira dos Santos e Benjamin Alves Ruas, ambos profissionais do mercado financeiro que se especializaram em câmbio e tinham o sonho de ter seu próprio negócio. Em 2012, Benjamin deixou de fazer parte da sociedade e eu entrei. Mais à frente, em 2015, entrou Edísio Pereira, quando fizemos a fusão com a Europa Câmbio. v Quais as exigências do Banco Central (Bacen) na época para se constituir uma corretora de câmbio independente? n Na época, a regulamentação era um pouco diferente, mas basicamente era necessário ter a mesma licença exigida atualmente pelo Banco Central para operar no mercado de câmbio, que envolve um plano de negócios estruturado, capital mínimo e atendimento do regulamento de câmbio. Na década de 90, a corretora operava apenas na intermediação de contratos. Posteriormente, o Bacen alterou a legislação, permitindo que as corretoras operassem no câmbio comercial, limitado a 100 mil dólares americanos ou equivalente em outras moedas, por contrato. v Você poderia dizer quais as vantagens de se operar com corretoras

de câmbio independentes no lugar de bancos que também possuem carteiras de câmbio? Muitas empresas de grande porte utilizam os serviços da B&T. Por que preferem operar com uma corretora independente? n A vantagem da corretora é a sua especialização na prestação do serviço. Os bancos prestam diversos serviços, dentre eles o câmbio. Já a corretora presta serviços exclusivamente de câmbio, possuindo os profissionais mais qualificados e especializados na matéria. O atendimento pessoal também é um diferencial muito procurado. Num cenário onde os gerentes de banco muitas vezes são substituídos por centrais de atendimento padronizadas, com discursos prontos e mal qualificados, a B&T sobressai oferecendo um atendimento direto, pessoal e customizado de acordo com a necessidade do cliente. Além disso, devido ao grande volume de operações, competimos igualmente em termos de condições comerciais e taxas de câmbio. v Na cronologia da empresa, fundada em 1993, constata-se que em 2006 a B&T recebeu autorização do Bacen para fazer suas próprias operações. O que isto significou em termos de autonomia e agilização para os clientes? n Assim que iniciamos esse tipo de operação, desenvolvemos uma plataforma interna onde as operações eram transacionadas de forma muito rápida, e aprimoramos os setores de cadastro e análise de documentos, o que nos permitiu sermos rápidos e eficientes durante a operação do cliente. Esse processo ainda hoje é constantemente aperfeiçoado. As operações próprias tomaram uma proporção inimaginável na B&T. Em determinado momento, enquanto observávamos nossos números de operações de intermediação cairem, víamos o número de operações próprias decolando. v O Grupo B&T é o maior do país, com US$ 1.1 bilhão de operações cambiais, com um volume de operações de câmbio intermediadas registrado na ordem de US$ 8.6 bilhões, segundo o ranking do Bacen, ficando atrás apenas da multinacional Western Union. Qual a

diferença em relação aos concorrentes? As operações realizadas se concentram mais nas empresas do que nas pessoas físicas, ao contrário da Western Union? n Como atuamos em mais de um segmento na área de câmbio, dentre eles o varejo e o comercial, conseguimos um volume bastante relevante de operações e negócios. Alguns dos principais concorrentes são corretoras de propriedade de bancos, que podem oferecer a elas uma condição comercial mais vantajosa e uma sinergia de custos, aumentando o resultado dessas instituições. A Western Union no Brasil, por exemplo, possui um banco de câmbio que dá suporte às

VIVIAN PORTELLA, diretora de Governança e uma das sócias da companhia, foi destacada para comandar as operações da B&T Global Consulting


caso, como por exemplo a estruturação de uma operação. Orientamos os clientes sobre a melhor forma de realizar suas operações, damos suporte na análise de documentos e enquadramento da operação e do recolhimento do tributo, caso seja devido. Isso inclui também as outras operações citadas. v De que maneira a abertura da unidade de Miami, que está sob seu comando, pode dar apoio aos clientes que estão em território americano? n Nossa vinda para cá foi justamente com o intuito de apoiar nosso cliente que está aqui e tem negócios no Brasil, bem como toda a comunidade brasileira nos Estados Uni-

“ Nossa tarefa aqui é entender o cenário no qual o cliente se encontra, sugerir a melhor forma para sua transferência de recursos e dar suporte à realização da operação

suas operações. Entretanto, eles operam exclusivamente no varejo, enquanto a B&T possui uma atuação diversificada, com pouco mais de 60% de operações comerciais com empresas. v Vocês dispõem de um serviço próprio para orientar brasileiros em operações nos Estados Unidos no que se refere à compra de imóveis, transferência de dinheiro, investimento no exterior etc.? Em caso positivo, como funciona? n A B&T Consultoria é o braço do grupo para qualquer solicitação dos nossos clientes que não envolva necessariamente uma operação de câmbio ou que envolva uma análise mais detalhada de determinado

dos que colabora para esta transferência de recursos internacionais. Dá para sentir a falta de informação e de apoio por parte dos bancos em relação aos seus clientes. Nossa tarefa aqui é entender o cenário no qual o cliente se encontra, sugerir a melhor forma para sua transferência de recursos e dar suporte à realização da operação. v Além de atuar como base de apoio às operações de câmbio realizadas no Brasil, que outras atribuições a unidade de Miami desenvolve? n Estamos firmando parcerias muito importantes aqui. Uma das nossas missões é apoiar o processo de democratização dos meios de pagamento, descentralizando parte das operações concentradas em grandes instituições financeiras, e essas parcerias fazem toda diferença nesse processo. Em breve, vamos anunciar algumas novidades. v Você poderia explicar mais sobre as vantagens do B&T TravelCard Multimoedas? Ele apenas pode ser usado com dólares e euros ou também com outras moedas? n O B&T Travel Card comporta hoje até sete moedas, incluindo o real. A principal vantagem do cartão para o cliente que está no Brasil é pactuar a taxa de câmbio no ato da contratação em vez de ficar sujeito à taxa utilizada pela instituição onde possui cartão de crédito. Além disso, possuímos um aplicativo onde o cliente pode visualizar sua movimentação, permitindo controle dos gastos, troca de senha, bloqueio e desbloqueio do cartão. v Gostaria que você falasse sobre a BitBlue. Ela já está em atividade ou apenas foi aberta para operações futuras? n  A Bitblue já está operando no mercado de criptomoedas desde o início de 2018. A empresa, que é classificada no mercado como uma exchange, opera uma plataforma de intermediação de compra e venda de criptos como o bitcoin, por exemplo. Nela, os clientes cadastrados previamente colocam suas ofertas de compra ou venda da criptomoeda desejada e o que fazemos é casar as operações entre os clientes de forma segura para ambos os lados. BIZBRAZILMAGAZINE.7v


vcomércio empreendedorismo exterior

Como ALPHA

SOURCING

está se tornando um hub de negócios internacionais v8.BIZBRAZILMAGAZINE

Multinacional está presente na Canton Fair, na China, à frente de um grupo de empresários brasileiros


ANTONIO TOZZI antoniotozzi@bizbrazilmagazine.com

v Entrar no mercado americano não é tão difícil, mas permanecer nele e crescer é tarefa dura. A Alpha Sourcing experimentou a primeira fase e agora está vivenciando a segunda, com a vantagem de ter sabido aproveitar a experiência e assim capitalizar sua presença em território americano. O segredo é usar o escritório de Miami como hub para os negócios internacionais da empresa. Ou seja, atuar no mundo todo sem se preocupar exclusivamente com o mercado interno do país. “Com o conhecimento que tenho de doze anos operando no mercado asiático e dois anos desenvolvendo sourcing, nossa empresa tem todas as condições de oferecer aos clientes as melhores alternativas em termos de negócios”, garante José Carlos Gimenez, presidente da Alpha Sourcing. Dessa forma, a empresa atua como agente intermediador entre importador e exportador, sem no entanto ficar apenas na confortável posição de indicador de negócios. Na verdade, A Alpha Sourcing coloca à disposição das duas partes sua expertise como empresa internacional, com escritórios em várias partes do mundo. Mais do que isto, como empresa de sourcing, atua na pesquisa e desenvolve produtos para abastecer diferentes mercados. Muito além da mera intermediação, a Alpha Sourcing atua efetivamente na cadeia produtiva. Para se ter uma ideia, a companhia conta com o VAT, um instrumento usado pelos próprios exportadores chineses. Este incentivo é uma arma poderosa na guerra comercial, pois concede entre 10 e 17% de desconto de alíquota na pauta dos exportadores do gigante asiático. PRESENÇA LOCAL E BUSCA POR PARCEIROS EM TODO MUNDO Para demonstrar sua efetividade, a Alpha Sourcing tem uma unidade de 550 m2, com dezenas de funcionários, bem em frente à Canton Fair, considerada a maior feira de exportação do mundo. Cantão, para quem não sabe, é há dois séculos considerada a porta de entrada para a China. Ou seja, quem negocia com a companhia tem a certeza de que está em boas mãos, porque tudo é feito com base em pesquisas e com seriedade. Não é à toa que o grupo tem mais de 500 clientes ativos. O objetivo é exatamente educar os clientes: “Queremos que eles entendam que nossa missão extrapola o mero relacionamento

Com o conhecimento que tenho de doze anos operando no mercado asiático e dois anos desenvolvendo sourcing, nossa empresa tem todas condições de oferecer aos clientes as melhores alternativas em termos de negócios JOSÉ CARLOS GIMENEZ

comercial. Nosso posicionamento é o de um parceiro que auxilia na consecução dos negócios e presta assistência para que tudo saia bem”, enfatiza Gimenez. Dentro desta política, a empresa realiza uma auditoria completa junto aos seus fornecedores, com a contratação de uma empresa de auditoria conceituada e terceirizada. “Normalmente, eles verificam todos aspectos na linha de produção, na distribuição e fazem visitas cíclicas para comprovar o padrão de qualidade. Isto nos permite indicar um fornecedor fidedigno que muito provavelmente não deixará nosso cliente na mão, pois a auditoria é efetuada antes do carregamento”, comentou Alberto Suannes, gerente da Alpha Sourcing. Em busca desse diferencial, a companhia

vai pesquisando fornecedores em todos lugares do planeta. Assim, acabaram descobrindo alguns fabricantes na Polônia – país que oferece produtos de qualidade a baixo custo, com mão de obra acessível e meios de produção eficiente. “A Polônia é a China da Europa”, definiu Gimenez. Por falar em China, a Alpha Sourcing estaá presente na Canton Fair, em abril, capitaneando um grupo de empresários brasileiros que desejam usufruir das vantagens disponíveis pelos fornecedores chineses. GRUPO CONSOLIDADO NO BRASIL A presença internacional somente tem sido possível graças à força do grupo no Brasil. Gimenez é sócio do ítalo-brasileiro Ricardo Vulcano na Capital Trading, a segunda maior trading independente do Brasil, que vem crescendo exponencialmente. Para se ter uma ideia, hoje o movimento decorrente de suas operações atinge R$3.8 bilhões. O conhecimento da legislação tributária por parte de Gimenez torna a Capital Trading uma excelente opção, pois ela assume a operação e permite ao cliente escolher a melhor maneira de importar seus produtos. Isso acaba virando uma operação lucrativa para o importador e também para a própria Capital Trading. A fim de baratear os custos, Capital Trading usa os incentivos fiscais do ICMS concedidos pelo estado de Santa Catarina e repassa estes benefícios aos seus clientes. Deste modo, eles pagam apenas 4% de ICMS ao estado em vez de pagar o imposto de 18% de ICMS cobrado por São Paulo. O ganho da Capital Trading advém do gap entre os 4% pagos pelos clientes e o imposto de 1.4% pago por ela aos governos destes estados. “Embora possa parecer pouco, é vantajoso também para o tesouro destes estados por que a quantidade de produtos movimentada é enorme. Portanto, cobram menos, mas ganham no volume”, explicou Gimenez, enfatizando ainda que em muitos casos a Capital Trading assume também o despacho aduaneiro, pois opera com todos os modais de transporte. KG INTER E KG LINE Gimenez tem ainda outras duas companhias: KG Inter e KG Line. Elas operam por encomenda dos clientes e também por compra e venda. Nestes casos, a escolha também recai sobre o estado de Rondônia, que cobra somente 0.6% de ICMS para as duas empresas usarem seu território. "Novamente, por operarmos com todos BIZBRAZILMAGAZINE.9v


vcomércio exterior

A Polônia é a China da Europa JOSÉ CARLOS GIMENEZ

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modais, usamos todos recursos disponíveis: portos, aeroportos, rodoviário e ferroviário. De 2017 para 2018, a empresa cresceu 98%", revelou Gimenez. E o gerente Alberto Suannes completa: "Operamos como importadora, distribuidora e prestadora de serviços". No caso de Rondônia, a lucratividade é ainda maior, pois os clientes pagam 4% de ICMS enquanto KG Inter e KG Line pagam 0.6% ao estado. O forte da KG Inter são os segmentos têxteis, de brinquedos e utensílios domésticos. A KG Line segue os mesmos princípios da KG Inter, mas opera com produtos que têm restrições em Santa Catarina, como vidros e embarcações. O fato de estar distante dos grandes centros atrai poucas empresas para Rondônia, cujo forte é o setor agropecuário. No entanto, serve para trabalhar com estas linhas de produtos. O empresário admite que Santa Catarina é mesmo sua base, até porque dispõe de cinco portos marítimos: São Francisco do Sul, Ibituba, Itajaí, Navegantes e Itapoá. A KG Line registrou um crescimento de 43% de 2017 para 2018.

Mesmo com as dificuldades vividas pelo Brasil, o grupo como um todo vem crescendo com consistência. Com uma carteira de quase 350 clientes (entre eles várias multinacionais) e operando todo tipo de mercadoria, o grupo comandado por Gimenez saiu de R$3 para R$4 bilhões de faturamento e a previsão é atingir R$4.8 bilhões em 2019. Como a maioria dos empresários, Gimenez acredita numa recuepração do Brasil após um período de incerteza. Para isto, no entanto, ele admite que a reforma previdenciária é vital para o país retormar o ritmo de crescimento.

ERRATA: Na matéria publicada na edição de setembro de 2018 sobre Alpha KG Company, algumas informações estavam incorretas. Alberto Suannes e Bruno Zulini foram referidos como funcionários da Capital Trading. Eles trabalham para Alpha Sourcing, e foi publicado Alpha Searching quando na verdade a empresa atua como Alpha Sourcing.


vempreendedorismo apoio diplomático

RODRIGO FONSECA

revela como é possível incrementar o comércio entre Brasil e Flórida

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Responsável pelo Setor Comercial do ConsuladoGeral do Brasil dá informações importantes para quem deseja exportar para os Estados Unidos JULIANA DE MORAES www.sincodiv.org.br

v Formado em Direito pela UnB (Universidade de Brasília) e na diplomacia desde 1992, Rodrigo Fonseca se tornou um especialista em Relações Comerciais. Passou pela Malásia e Guiana, mas destaca sua passagem por Paris, onde trabalhou e conviveu com o embaixador Sergio Amaral – hoje em Washington -, um exigente negociador que atua com especial foco no fomento comercial entre os países. A experiência rendeu um convite para atuar na iniciativa privada brasileira, período em que ele se licenciou da carreira diplomática por seis anos, retornando em 2017 para a posição de Conselheiro do Secom (Setor Econômico e de Promoção Comercial) do Consulado-Geral do Brasil em Miami, na Flórida, atualmente sob o comando do cônsulgeral, embaixador João Mendes Pereira. O desafio não é pequeno. A Flórida é o maior parceiro comercial do Brasil nos Estados Unidos e o principal destino de investimentos brasileiros. Com o recebimento de cerca de duas mil consultas ao ano de empreendedores sobre aspectos comerciais – o maior número dentre todos os consulados


do Brasil no mundo - Fonseca e sua equipe têm como meta melhorar a performance do Brasil nos negócios. Do comércio bilateral de $20.4 bilhões em 2018, a Flórida vende mais do que o dobro ($14.7 bilhões) do que a nação brasileira inteira exporta para a Flórida ($5.7 bilhões). Do total de $2.5 trilhões em importações nos Estados Unidos em 2018, o Brasil contribuiu com $31.2 bilhões, o que representa somente 1.23% do total das importações. Confira a entrevista a seguir e saiba mais sobre o trabalho do diplomata e sua equipe em Miami. Conheça também as oportunidades que ele indica como proeminentes e os canais de apoio que o Consulado-Geral oferece para brasileiros interessados em exportar para os EUA. v BizBrazil Magazine: Fale um pouco sobre sua história e trajetória. n Rodrigo Fonseca: Nasci em Vitória, no Espírito Santo, mas minha família mudou-se para Brasília (DF) quando eu ainda era pequeno, por volta dos oito anos, em função de uma transferência de trabalho do meu pai. Acabei desenvolvendo toda minha trajetória acadêmica por lá, onde cursei Direito na UnB e ingressei no Instituto Rio Branco em 1992. Desde então sigo a carreira diplomática. v Como surgiu a oportunidade de assumir o posto de conselheiro comercial no Consulado-Geral do Brasil em Miami? n  Ao retornar do período de licença, a posição de conselheiro do Secom no consulado foi oferecida para mim pela trajetória que havia desenvolvido até então. O desafio é grande. Nossa meta é, principalmente, melhorar a performance do Brasil nos negócios com a Flórida. Do comércio bilateral de $20.4 bilhões em 2018, o estado americano vende mais que o dobro ($14.7 bilhões) que o Brasil exporta para a Flórida ($5.7 bilhões). v Quais as principais áreas de atuação da Secom? n Trabalhamos fortemente no apoio aos empreendedores interessados em exportar e investir nos Estados Unidos. Recebemos, por meio do contato comercial.miami@itamaraty.gov.br, cerca de duas mil consultas por ano sobre aspectos comerciais – o maior número dentre todos os consulados do Brasil no mundo – e buscamos prover os empresários brasileiros com algumas informações, como potencial de mercado, concorrência, regras tarifárias para produtos e serviços. Para que empresários brasileiros compreendam o contexto do mercado de produtos e serviços aqui na Flórida, elabora-

A promoção de eventos com foco em fomento comercial está entre as nossas prioridades, porque por meio dela realizamos encontros de negócios entre potenciais exportadores e importadores

mos a publicação Como Empreender na Flórida – Um Guia Para a Comunidade Brasileira, disponível online para download. Nela há desde providências para abertura de negócios a regulamentos aplicáveis a mercadorias e informações sobre aquisição de companhias e joint ventures, entre outros assuntos. Trata-se de todo um trabalho de inteligência oferecido sem custo para os empreendedores, porque claramente o Brasil tem muito interesse em que ampliemos nossa participação na balança comercial com os EUA e, claro, que equilibremos as trocas e negócios com o estado da Flórida, um importante polo consumidor norteamericano. Além disso, a manutenção do apoio para a variedade de áreas que já atuam no comércio bilateral é relevante, a exemplo da indústria cafeeira e de aviação, assim como a identificação de segmentos potenciais para empresas brasileiras virem atuar e nos quais encontrem competitividade para lutar diante da forte concorrência. A relação completa de serviços prestados pelo Consulado-Geral de Miami à comunidade brasileira vale a pena ser conhecida, e está disponível por meio do site http:// miami.itamaraty.gov.br/pt-br/setor_comercial.xml. v Que setores econômicos, em sua avaliação, têm potencial de desenvolvimento no estado da Flórida? n Vemos grande potencial para o comércio de bebidas, como vinho e cachaça; rochas ornamentais e startups ligadas à área de cibersegurança, em que temos tecnologia acima da média, em especial devido ao sis-

tema bancário brasileiro. Na Flórida, estima-se que o mercado de construção imobiliária deve continuar crescendo. Com isso, o mercado de rochas ornamentais, por exemplo, pode manterse como um dos itens de grande valia em nossa pauta para o mercado americano. As exportações de granito e rochas ornamentais para os EUA, dominadas por chapas, somaram US$ 673 milhões em 2018, ainda têm potencial de avançar e recuperar terreno. É preciso que trabalhemos na agregação de valores nestes produtos, além de melhorar a infraestrutura de transporte do Brasil para baratear custos e sermos competitivos. Hoje, todas as rochas extraídas no Espírito Santo, que é forte nesse setor, são obrigadas a embarcar por Santos (SP) porque o porto em Vitória não possui calado suficiente (profundidade máxima que os navios podem atingir quando totalmente carregados) para receber navios de transporte desse tipo de produto. Só a distância, o tempo e o custo envolvidos nessa logística tornam nossas rochas mais caras e, assim, perdemos mercado. Já na área tecnológica, o estado da Flórida vem crescendo nesse mercado e vemos que empreendedores brasileiros têm muito a agregar, trazendo para cá seus produtos para área de cibersegurança, mobilidade e gestão. v Em relação a projetos e iniciativas do Consulado-Geral de Miami, quais são aqueles que consideram mais relevantes? n A promoção de eventos com foco em fomento comercial está entre as nossas prioridades, porque por meio deles realizamos encontros de negócios entre potenciais exportadores e importadores. Trazer governadores também é uma boa estratégia na qual trabalhamos. Em geral, os representantes do Poder Executivo trazem com eles uma missão empresarial e organizamos, nessas ocasiões, reuniões de “matchmaking”, rodadas de negócios focadas em trocas comerciais com norteamericanos. No que tange ao segmento de Turismo, vemos a isenção do visto para os americanos como uma estratégia importante. A expectativa é que o número de turistas provenientes dos EUA para o Brasil, podendo dobrar em menos de uma década. Esse número hoje encontra-se na casa de 570 mil turistas americanos. Segundo dados da Embratur, o fluxo de turistas dos EUA para o Brasil deve ter incremento de 25% com a isenção de visto recém-promovida pelo governo brasileiro. v Em eventos relacionados ao grupo de BIZBRAZILMAGAZINE.13v


vapoio diplomático setores de potenciais exportadores, o Consulado-Geral tem buscado estar presente? n Sim. Sob a orientação firme e segura do embaixador João Mendes Pereira, cônsulgeral do Brasil em Miami, nós do Secom em conjunto com a Apex Brasil temos procurado fomentar o crescimento de start-ups e negócios aqui nos EUA em geral e neste estado em particular. Prova disso foi a realização há poucos meses de uma iniciativa da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) junto à qual estamos em contato para apoiar e fazer parte, que é o Projeto Start Out, de fomento ao comércio internacional de serviços tecnológicos de startups brasileiras. v Como empreendedores brasileiros que planejam exportações e investimentos no país podem se manter informados das atividades do Consulado-Geral de Miami? n Além do nosso site (http://miami.itamaraty.gov.br/pt-br/setor_comercial. xml), em que são apresentadas as informações institucionais do consulado e os serviços prestados, elaboramos também um boletim semanal. É necessário solicitar a inclusão de seu e-mail na lista de contatos

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para que o informativo seja enviado. Para realizar este cadastramento, encaminhe uma mensagem para redebrasileirosnaflorida@gmail.com. No boletim, tratamos de todos os temas nos quais o consulado está envolvido. De aspectos comerciais a informações relacionadas à imigração, parcerias educacionais e dados para contato sobre eventos. A ideia é manter a comunidade brasileira de empreendedores e demais grupos atualizados sobre as atividades lideradas por nós. A Flórida reúne uma comunidade que se estima em torno de 400 mil brasileiros, mas pode ser ainda maior. É significativa, considerando que os Estados Unidos abrigam um número que gira em torno de dois milhões de brasileiros. Portanto, somos bastante requisitados e procurados, o que torna o Consulado-Geral de Miami uma importante referência, inclusive para norte-americanos. v Para finalizar, de acordo com sua experiência, como enxerga a evolução da balança comercial brasileira com a Flórida no futuro? n As perspectivas são boas. Penso que te-

mos como alcançar um equilíbrio maior na balança comercial com este estado norteamericano. Passado o período eleitoral, e encaminhadas as reformas necessárias ao desenvolvimento e equilíbrio das finanças públicas do Brasil, teremos condições de retomar o projeto de qualificação da infraestrutura de transporte nacional brasileira e avançar em competitividade internacional. Somos realmente relevantes para este estado americano, assim como também essa região é importante para o Brasil. Cabe a nós olharmos para esse mercado, entender que trazer produtos para cá envolve pesquisa, eventuais adaptações e investimentos, pois espaço existe, mas é necessário estarmos conscientes de que estar presente na Flórida equivale a fazer parte do mercado mais concorrido do mundo. *Juliana de Moraes fez a entrevista para o portal www.sincodiv.org.br do Sincodiv – Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Estado de São Paulo – que gentilmente nos autorizou a reproduzir este material na BizBrazil Magazine.


vnegócios bilaterais

Horizonte mais claro na relação entre

BRASIL E EUA DA REDAÇÃO info@bizbrazilmagazine.com

v A eleição de Jair Bolsonaro como presidente do Brasil pode dar novo alento à intensificação de um relacionamento profícuo entre Brasil e Estados Unidos – as duas maiores economias do continente. Pelo menos, esta é a aposta dos setores empesariais do país. A fim de criar mecanismos que possam facilitar este entendimento, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Câmara de Comércio Brasil-EUA (Câmara) e sua afiliada Brazil-U.S. Business Council (BUSBC) e a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AmCham Brazil) publicaram um relatório em dezembro de 2016 para dar suporte ao lançamento das negociações bilaterais que contemple um acordo comercial abrangente entre as duas nações. Após a posse de Bolsonaro, este relatório foi atualizado com base em consultas com todos os setores econômicos do Brasil e dos Estados Unidos. Dentro deste espectro, esta iniciativa propõe o lançamento de negociações exploratórias com objetivo de assinar um acordo comercial entre os dois países e o estabelecimento de iniciativas bilaterais que levem a negociações comerciais amplas a serem implantadas em curto espaço de tempo. O relatório está dividido em cinco capítulos. No primeiro, são apresentados o relacionamento entre os dois países, as re-

lações econômicas bilaterais, as recentes iniciativas bilaterais, os instrumentos bilaterais e as barreiras existentes. No capítulo dois é demonstrado o impacto previsto em consequência de um acordo comercial, enquanto no capítulo três está um roadmap para o fortalecimento desta parceria econômica, com recomendações sobre temas abordados durante as negociações. No capítulo quatro, as partes sugerem iniciativas importantes a ser tomadas para adoção das relações econômicas rapidamente e, por fim, no capítulo cinco o relatório conclui com o pedido para os dois governos iniciarem as negociações exploratórias em direção a um acordo comercial. Confira os pontos:

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RELACIONAMENTO COMERCIAL E INVESTIMENTOS ENTRE BRASIL E EUA Em termos atuais, a balança comercial de bens e serviços entre EUA e Brasil atingiu $100.4 bilhões em 2017, com vantagem para os americanos, que exportaram $63.7 bilhões e importaram $36.7 bilhões, obtendo um superávit de $27 bilhões. O Brasil foi o 12º parceiro comercial de produtos dos EUA com o total de $66.7 bilhões em 2017, sendo que os EUA exportaram $37.2 bilhões e importaram $29.5 bilhões do Brasil. No setor de serviços, a balança é ainda mais desproporcional, com os EUA exportando um total de $33.6 bilhões e importando $7.2 bilhões do Brasil. As exportações de bens e serviços para

CNI e Câmaras de Comércio dos EUA e Brasil realizam um estudo profundo sobre temas fundamentais na relação comercial bilateral, para incentivar o comércio entre os dois países

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vnegócios bilaterais o Brasil geraram cerca de 308 mil empregos nos EUA, ao mesmo tempo que os EUA também têm sido um mercado relevante para os produtos manufaturados brasileiros. No que tange aos investimentos, está havendo uma tendência positiva, pois em 2017 os investimentos americanos diretos no Brasil (basicamente ações de empresas) atingiram $68.3 bilhões, enquanto os investimentos diretos de brasileiros nos EUA chegaram a $42.8 bilhões no mesmo ano. Durante os anos de 2017 e 2018 diversas iniciativas bilaterais foram adotadas com objetivo de fortalecer a parceria entre as duas nações. As mais significativas foram a assinatura de um memorando para formalizar o compromisso de cooperação conjunta sobre boas práticas regulatórias; um acordo de troca de informação para a Defesa; a assinatura de acordo de cooperação especial entre Brasil e EUA; a renovação de acordo de processo por infringir patentes; a aprovação do acordo de Seguro Social, eliminando contribuições dobradas em impostos previdenciários e,por fim, o acordo de céus abertos entre os dois países. A fim de fortalecer essa parceria, o estudo propõe o engajamento em diálogos e instrumentos bilaterais que possam avançar a pauta em relação ao comércio, investimentos e agenda política ainda em 2019. Dentre estes instrumentos, merece ênfase a Comissão Brasil-EUA sobre relações econômicas e comerciais sob o Acordo de Cooperação no Comércio e Economia (ATEC), constituído em 2011 para explorar uma cooperação mais efetiva sobre uma variedade de temas, como investimentos, direitos de propriedade intelectual e inovação, comércio entre fronteiras em serviços e incentivos para pequenas empresas. Ainda nessa linha, destaca-se o Diálogo Comercial Brasil-EUA, estabelecido em 2006, cujo objetivo é o incremento de relações bilaterais entre os dois governos com foco na facilitação do comércio e nas práticas regulatórias; Diálogo da Indústria de Defesa (DID), assinado em 2016,

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para aumentar os instrumentos de defesa e capacitar ainda mais os segmentos de defesa de ambos países; Diálogo de Energia Estratégica (SED), anunciado em março de 2011, cujo principal foco era no segmento de petróleo e gás; Diálogo de Tecnologia de Informação e Comunicação (ICT), com ênfase em preservar os benefícios de uma internet segura, aberta e interoperável, e o Memorando de Cooperação de Desenvolvimento de Infraestrutura, estabelecido em março de 2016, que prevê investimentos direcionados na melhoria das infraestruturas que necessitam de reparos. Um item espinhoso, destacado pelo estudo da CNI, é a remoção de barreiras que dificultam o fluxo de comércio entre os dois países. Ambos possuem uma lista de proteções e cotas que deveriam ser retiradas ou atenuadas com o objetivo de facilitar o comércio bilateral e os investimentos.

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O IMPACTO ESTIMADO DO ACORDO COMERCIAL ENTRE BRASIL E EUA A Am-Cham Brazil e o Brazil-U.S. Business Council encomendaram dois estudos independentes para avaliar o impacto do acordo nas indústrias brasileiras e americanas, respectivamente. O estudo da Am-Cham Brazil foi encomendado para o Centro de Comércio Global e Estudos de Investimentos da Fundação Getulio Vargas (FGV). Segundo esta análise - que considerou um hipotético acordo entre Brasil e EUA com redução de 40% de barreiras não tarifárias sobre manufatura, agricultura e setores de serviço, juntamente com a eliminação total de tarifas -, a projeção é de crescimento de 1.29% do PIB brasileiro em 2030, com crescimento exponencial de 6.46% no total de importações e 6.94% no total de exportações para os EUA. O BUSBC contratou a Trade Partnership Worldwide, LLC (TPW) para avaliar o impacto econômico de um acordo de comércio bilateral sobre a indústria americana. O

NÚMEROS

$100.4 bilhões

Balança comercial Estados Unidos e Brasil em 2017

$63.7 bilhões Exportações de bens e serviços dos EUA para o Brasil

$36.7 bilhões

Exportações de bens e serviços do Brasil para os EUA

estudo considerou a hipótese deste acordo estar completamente implantado em 2030, eliminando-se as tarifas americanas e brasileiras e cortando 50% das barreiras não tarifárias no comércio de bens e serviços entre as duas nações. Os resultados são positivos para os EUA, com crescimento de 0.11% do PIB, assim como significativo aumento nas exportações (78%) e importações (21.15%). Ambos estudos demonstram que um acordo bilateral geraria ganhos para os dois países. Para finalizar, o estudo de 2018 feito pela CNI, sobre a realização de um acordo de livre comércio com os EUA, demonstra que a assinatura do referido acordo, resultaria no aumento das exportações brasileiras em pelo menos 134 grupos de produtos em setores como alimentos, químicos, automobilístico, maquinários, têxteis e roupas, madeira, couro e sapatos.

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O CAMINHO DAS PEDRAS PARA UM ACORDO COMERCIAL Com base nos estudos, fica claro que a parceria é benéfica para ambos. Portanto, devem ser envidados todos os esforços ainda neste ano de 2019 para o início dos trabalhos.


vnegócios bilaterais O escopo das negociações exige também uma ação política, com engajamento dos Congressos do Brasil e dos Estados Unidos, bem como consultas do Brasil aos seus parceiros do Cone Sul. Evidentemente, os setores privados devem participar fortemente destas negociações, e o instrumento sugerido na área de livre comércio deve ser consenso entre os negociadores e representantes empresariais dos países envolvidos. As sugestões se concentram em temas importantes do provável acordo comercial, como acesso ao mercado de bens, que prevê eliminação de tarifas dentro de 10 anos, não exclusão de produtos e completa eliminação de cotas, inclusão de amplo espectro de taxas e tipos de tarifas; reconhecimento de padrões comuns, consideração de acordo justo com ganho no acesso aos mercados, e permissão e apoio para comércio bilateral de bens manufaturados. Faz-se necessário, ainda, o estabelecimento de regras de origem com procedimentos e certificados válidos para os países. O acordo de facilitação de comércio e administração aduaneira devem ser incentivados, seguindo-se como parâmetros acordos internacionais determinados na Organização Mundial de Comércio (OMC), assim como programas já assinados que visam evitar contrabandos, falsificações e evasões fiscais. Os estudos salientam ser preciso adotar práticas regulatórias saudáveis para destravar a burocracia. Aliás, o Ministério da Economia divulgou em abril de 2019 uma série de medidas para diminuir as exigências e permitir às empresas brasileiras mais rapidez no preenchimento de informações. Devem ainda ser adotadas as harmonizações de medidas sanitárias e fitossanitárias, tema importantíssimo, além das reduções e/ou eliminações das barreiras técnicas para o comércio. No pacote de recomendações, o estudo aborda também as questões relativas aos subsídios, às práticas comerciais injustas; comércio de serviços (criando procedimentos para qualificação, padrões

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técnicos e exigências de licenciamento); investimentos – com proteção para investimentos nos dois países e eliminação de tetos para capital estrangeiro e outras barreiras financeiras; propriedade intelectual; licitações governamentais; ambientes pró-negócios; facilitação no trânsito de cidadãos dos dois países; participação de empresas estatais em licitações; adoção de medidas anticorrupção, mecanismo de resolução de litígios; agricultura, com adoção do Comitê Consultivo de Agricultura (CCA) Brasil-EUA como fórum para resolver as disputas comerciais, e comércio digital, privacidade e proteção de dados.

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INICIATIVAS PARA ADOÇÃO DE RELAÇÕES ECONÔMICAS ENTRE BRASIL-EUA As propostas para iniciativas bilaterais e multilaterais de curto prazo devem incluir o acordo de facilitação de comércio. Sobre esse tema, a sugestão é que os países implantem os compromissos sublinhados no Acordo de Facilitação de Comércio da OMC, além de aprovação pelo Congresso Brasileiro da Convenção de Kyoto. Sobre a taxação, retomada de negociações do Tratado Bilateral de Impostos (BTT) para eliminar a dupla taxação de renda e redução e/ou eliminação sobre royalties, serviços, juros e dividendos. Em relação às barreiras não tarifárias, devem ser seguidas as premissas adotadas no Diálogo Comercial Brasil-EUA. No item de movimento de pessoas, o estudo apoia a participação do Brasil no programa Global Entry a fim de agilizar as viagens de negócios, permitindo ao viajantes brasileiros ser pré-aprovados para serem liberados ao entrar em território americano. No que se refere à propriedade intelectual, o Congresso brasileiro deve aprovar o acesso do país ao Madrid System para registro internacional de marcas. Os regimes e acordos de Defesa são imprescindíveis para tornar o Brasil um “país qualificado” nos EUA, agilizar a conclusão do Acordo de Salvaguarda de Tecnologia Brasil-EUA. Por fim, no item Telecomunicações, a Comissão

Federal de Comunicações (FCC) dos EUA e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) devem seguir as diretrizes contidas na Comissão Interamericana de Telecomunicações (Citel) para fornecer reconhecimento mútuo de conformidade.

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RECOMENDAÇÕES Estados Unidos e Brasil sempre tiveram relacionamento econômico frutífero, mas as iniciativas de cooperação se aprofundaram em 2015, com progresso em várias áreas. Entretanto, os dois países ainda mantêm uma série de barreiras que prejudicam o comércio e os investimentos nos dois países. Diante desse cenário, CNI, Câmara e AmCham estabeleceram um roadmap para expandir os fluxos de comércio e investimentos com foco em duas iniciativas importantes: lançamento de negociações exploratórias direcionadas na assinatura de acordo comercial entre EUA e Brasil, e um conjunto de iniciativas bilaterais que podem ser tomadas em paralelo com amplas negociações comerciais e implantação em curto espaço de tempo. As negociações devem ser abrangentes e focadas em um acordo ambicioso e balanceado que pode ser concluído o mais rápido possível. As partes solicitam que parlamentares nos congressos dos dois países estejam engajados no processo e audiências sejam organizadas a fim de monitorar a implantação do roadmap. Embora o acordo comercial deva ser abrangente e profundo em seu escopo e suas disciplinas, há alguns obstáculos relevantes para o desenvolvimento das relações econômicas que podem ser superados através de acordos de negociação específicos, separados do acordo maior. Os setores privados também devem estar engajados desde o início das conversações bilaterais, em todas essas áreas de cooperação, fornecendo contribuições relevantes e soluções robustas para adoção de parceria melhorada que gerem crescimento econômico, criação de empregos e competitividade global para as duas nações.


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vpalestras empreendedorismo & seminários

FOTO: DEMETRIUS BORGES

ROAD SHOW:

o mapa da mina para se estabelecer nos Estados Unidos Executivos da BACCF orientam interessados sobre como participar do mercado americano DA REDAÇÃO info@bizbrazilmagazine.com

v Os brasileiros que querem investir na Florida têm a possibilidade de contar com apoio em português para orientar sua caminhada rumo ao sucesso nos nev20.BIZBRAZILMAGAZINE

gócios. A Brazilian-American Chamber of Commerce of Florida (BACCF) foi criada em 1981 com a missão de fomentar os negócios entre o Brasil e a Flórida, e desde 1999 é administrada pela sua diretora executiva, Mary Arnaud, que se reporta a um Conselho formado por 23 voluntários, todos executivos, de empresas americanas

e multinacionais, renomados em suas áreas da atuação. A entidade oferece workshops e seminários no Brasil e nos Estados Unidos a fim de orientar empresários brasileiros sobre o mercado americano. No Brasil, a BACCF organiza há 15 anos um Road Show em parceria com entidades de classe locais, como Associações Comerciais e Federações das Indústrias. De acordo com a gerente de Comunicações e Desenvolvimento de Negócios da BACCF, Mayra Souza, responsável pela organização destes eventos, este ano os workshops do BACCF Road Show abordarão assuntos como:  Flórida, porta para o mercado global: A importância do Brasil para a Flórida, os principais produtos importados/exportados, e as oportunidades para brasileiros   Soluções financeiras: Abertura de conta nos EUA, regulamentos e normas, financiamento, e empréstimos comerciais   Recursos para os exportadores: As vantagens dos diferentes modos de transporte, a simplicidade do processo de importação nos EUA, e a agilidade da logística nos EUA  Os benefícios e a segurança de abrir uma franquia: O universo de franquias nos EUA, a importância para economia americana, e exemplos e casos de sucesso  Aspectos legais imigratórios, corporativos e tributários: O processo de vistos de trabalho, estudo, esportista, investimento e green card; Abertura de empresas nos


EUA: Diferenças entre LLCs, corporações e offshores, tributação da pessoa jurídica americana, planejamento sucessório, e renda global  Novas fronteiras e expansão de seus negócios: Diferenças culturais, modelos de negócios, plano de vendas, e desenhando seu projeto de entrada nos EUA PESQUISEM BEM ANTES DE INVESTIR Recomendação da BACCF aos empresários brasileiros: invistam corretamente antes de iniciar um projeto nos EUA, ou seja, obtenham informações de fontes estabelecidas e confiáveis para entender as diferenças e peculiaridades dos EUA e como conduzir seus negócios aqui. Com isso em mente, os workshops de 3 a 4 horas, que podem ter uma pequena variação dependendo da disponibilidade de cada pessoa/empresa, contam com a participação de 4 a 6 palestrantes e colaboradores associados à BACCF que viajam dos EUA para o Brasil, entre eles:  Cassio Segura - ATM Club & Membro do Conselho da BACCF  Carlos Mariaca - Center Group e Membro do Conselho - BACCF  Luiz Flavio Resende Alves - Piquet Law Firm  Jon Aboitiz - FranPassport  Ariel Yaari - Driftwood Acquisitions & Development  Brenner Cavalcante - Banco do Brasil Américas  Mayra Souza - BACCF ROAD DE SHOW NO BRASIL E NOS ESTADOS UNIDOS Este ano a primeira rodada do Road Show no Brasil ocorreu no início de abril e incluiu eventos em Florianópolis, Porto Alegre, Curitiba, Maringá, Londrina, e São Paulo. A segunda rodada está prevista para junho e contará com workshops em Brasília, Fortaleza, Recife, Vitória, Belo Horizonte e Uberlândia. Em maio, entre as duas rodadas pelo Brasil, pelo segundo ano consecutivo a BACCF incluirá na rota do Road Show alguns eventos na Flórida, nas cidades de Miami, Doral, Weston e Orlando. De acordo com Mary Arnaud, “notamos nos últimos dois anos um fluxo crescente de brasileiros se estabelecendo na Flórida que ainda estão vinculados às suas atividades no Brasil, mas que buscam expandir ou iniciar um novo negócio nos EUA, e esse workshop que organizamos para o Road Show foi criado justamente para esse

Imagine que o Road Show é um curso de profissionalização e o seminário é um minimestrado

público, indiferente de estar vivendo no Brasil ou nos EUA”. Ela cita como exemplo casos onde um dos cônjuges se matriculou em uma universidade americana para cursar um mestrado ou programa similar, e com isso a família obteve a permissão para morar nos EUA. “O cônjuge que não está estudando continua com atividades profissionais no Brasil, mas busca uma forma de estabelecer algum negócio que lhe proporcione uma estadia nos EUA além da atual”, afirmou. POR QUE FLÓRIDA? Uma das mensagens principais apresentadas nos workshops é o que a Flórida tem para oferecer aos empresários brasileiros interessados em expandir seus negócios:  Abrir e fechar uma empresa na Flórida é um processo ágil e fácil;  O Estado não cobra imposto de renda da pessoa física (o indivíduo paga apenas os impostos federais);  No caso de uma corporation (similar a uma S.A. no Brasil), o imposto de renda estadual da pessoa jurídica é uma porcentagem fixa e uma das mais baixas do País;  O maior parceiro comercial do Estado da Flórida é o Brasil;  O total de comércio entre o Brasil e a Flórida atingiu US$20.4 bilhões em 2018 (quase o dobro dos US$10.7 bilhões entre a Flórida e o segundo maior parceiro comercial, a China);  O comércio entre a Flórida e o Brasil representa aproximadamente 28,9% de todo o comércio entre os EUA e o Brasil;  A Flórida tem mais de 1000 sedes para a América Latina de empresas multinacionais;  A maior zona franca privada do mundo, o Miami Free Trade Zone, está na cidade de Doral, na Flórida;  As exportações do Brasil para a Flórida em 2018 cresceram 162% se comparados com 2010, e em 2016 e 2017 foram até mais

altas;  O nível de desemprego na Flórida (fevereiro de 2019) é um dos mais baixos da sua história (3,4%), e está abaixo da média dos EUA (3,8%); De acordo com o conselheiro da BACCF, Carlos Mariaca, existem ainda várias organizações, governamentais e privadas, como o Setor Comercial (SECOM) do Consulado-Geral do Brasil em Miami, Enterprise Flórida, The Beacon Council, APEX, e a própria BACCF entre várias outras que oferecem assessoria e informação. “Quanto aos incentivos fiscais, tanto o governo estadual quanto alguns governos locais podem oferecê-los. No entanto, normalmente estes são avaliados por projeto e baseados no escopo e abrangência do mesmo. Vale observar que quanto à crédito e financiamento, estes são oferecidos por instituições privadas nos EUA.” AMBIENTE FAVORÁVEL AOS NEGÓCIOS As conclusões finais do workshop são que, ao mesmo tempo em que os EUA oferecem um sistema simples e pró-negócios onde existem inúmeras oportunidades, o nível de competição é altíssimo, e o empresário brasileiro tem de estar preparar para essa realidade. O maior erro cometido pelos brasileiros que não tiveram sucesso neste mercado foi fazer negócios (ou se associarem) com quem lhes disse o que queriam ouvir, e não com aqueles que lhe disseram o que deveriam ouvir. Justamente por isso é tão importante pesquisar sobre os profissionais que prestarão assessoria e pedir referências. No mercado americano, é muito mais barato investir no início para se organizar e fazer da forma correta do que tentar arrumar algo depois do fato consumado. Portanto, o empresário brasileiro deve se informar e aprender sobre os EUA antes de se aventurar em território americano. Com essa intenção, a BACCF criou o workshop para o Road Show, e para aqueles que realmente querem se aprofundar em seu aprendizado, o Seminário “Como Ingressar no Mercado Norte-Americano”, um evento de três dias, em português, que conta com mais de uma dúzia de profissionais de diversas áreas e visitas técnicas. Este ano o seminário está programado para os dias 30 de setembro, 1 e 2 de outubro na cidade de Doral. Mariaca usa uma analogia para os interessados: “Imagine que o Road Show é um curso de profissionalização e o seminário é um mini-mestrado”. BIZBRAZILMAGAZINE.21v


vconsultoria empreendedorismo

BUSINESS PLAN: Como usar essa ferramenta a favor do seu sucesso JORGE BOTREL* info@bizbrazilmagazine.com

v Provavelmente todos um dia já ouviram falar sobre o tal do business plan, mas talvez nem todos tenham tido a experiência de escrever um que realmente tenha ajudado o seu negócio. Os motivos pelos quais escrevemos um "BP" são os mais variados: a necessidade de organizar as ideias e a estratégia para o lançamento de uma empresa ou linha de negócios, para se ter sucesso na captação de investimentos, obter a aprovação de um visto de negócios, etc. Acima de tudo, tão importante quanto o documento final que sairá desse exercício é o processo de reflexão e de coleta de informações iniciado quando decidimos fazer um trabalho assim. Existe uma fábula que diz: o lenhador que trabalha parando periodicamente para afiar o seu machado produz muito mais do que o lenhador que golpeia a madeira incessantemente, com toda força, sem nunca parar para afiar o seu machado. Fazer um business plan é esse momento em que paramos para afiar o nosso machado, paramos para refletir no que estamos fazendo e como podemos fazer diferente, buscamos novas alternativas, novas abordagens. Mas do que um plano de negócios precisa para ser realmente efetivo?  Tenha bem claro o objetivo do exercício e quem será o seu público-alvo: a maneira de estruturar um business plan para captação de investimentos será bem diferente de quem está fazendo esse exercício para trabalhar com uma equipe interna da empresa para buscar soluções disruptivas para o seu negócio, por exemplo. O documento tem que "conversar" na mesma linguagem do seu interlocutor. Quando o documento for voltado para pessoas v22.BIZBRAZILMAGAZINE

externas à empresa é preciso tomar mais cuidado com a linguagem e a simplicidade com que se descrevem conceitos do que para os próprios funcionários.  Mantenha o documento conciso: O documento precisa ser objetivo, direto e claro. Ele não precisa ser longo para isso. Um documento muito longo está fadado a não ser lido com a devida atenção por quase ninguém.  Comece com impacto: Se for um documento em Word, tenha um excelente sumário executivo de 1 ou 2 páginas. Se for um PowerPoint, tenha um excelente primeiro slide. Algo que capte a atenção de quem está lendo, algo que marque. A primeira impressão é que vai definir se o interlocutor vai ler o documento no detalhe, ou se ele vai dar apenas uma passada de olhos rápida, se ele vai prestar atenção em você ou se ele ficará vendo as mensagens no seu celular.  Obtenha boas fontes de informação externas: Um documento rico não pode ser feito apenas com as informações disponíveis internamente. É preciso buscar fontes externas para trazer uma visão de fora. Podem ser desde pesquisas disponíveis na internet (desde que vindas de fontes confiáveis) até reviews de clientes nas mídias digitais, pesquisas de satisfação de clientes da sua empresa ou dos próprios concorrentes. Traga pessoas de fora da empresa para avaliar e contribuir.  Tenha bem claro com quem você está competindo: Uma empresa de salão de festas infantis não concorre apenas com outros salões, mas sim com os estúdios de artesanato que organizam festas, os parques de trampolim, os parques de fliperama. Analise as ações de marketing do seu concorrente, quais canais de vendas eles utilizam, sua maneira de precificar seus produtos e serviços, quais são os diferenciais que eles estão oferecendo.

Fazer um business plan é aquele momento em que paramos para afiar o machado, paramos para refletir no que estamos fazendo e como podemos fazer diferente

 Modelo de negócio: Qual é o seu diferencial? Qual o nicho de público que você pretende atingir, qual problema o seu produto ou serviço está se propondo a resolver? Como você vai atingir esse público-alvo? Quais são as suas atividades-chave, seus canais de distribuição, seus parceiros de negócio? Esses itens são a base do seu plano de negócios.  Plano financeiro: Apesar desse tipo de documento normalmente apresentar uma visão de cinco anos, que serve apenas como norte, o que realmente é importante são os dois primeiros anos do que buscamos atingir. Como segmentar a receita da melhor maneira, quais serão os custos relevantes do negócio, quanto de capital de giro será necessário para manter o negócio saudável, qual o aporte inicial que será preciso para o negócio não se sufocar até ele se estabilizar.

*JORGE BOTREL é sócio da JBJ Partners, empresa especializada em empreendedorismo, consultoria de negócios e relocação para os EUA


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AGENDA   27 DE ABRIL A 5 DE MAIO

 RIO BOAT SHOW

Horário: De 12PM às 10PM; De 3PM às 10PM (dias de semana) Local: Marina da Glória (Av. Infante Dom Henrique, S/N - Glória, RJ) Contato: info@boatshow.com. br

g O QUE É: Principal evento outdoor da América

Latina chega à sua 22ª edição, sendo mais uma vez celebrado em um dos mais badalados pontos turísticos da cidade: a Marina da Glória. Com vista para a Baía da Guanabara, as principais novidades do Mundo Náutico se apresentam em 9 dias de evento, com lanchas, veleiros, jets, infláveis, caiaques e muito mais. O preço é R$70, R$35 (idosos) e $5 (portadores de necessidades especiais).   9 DE MAIO DE 2019

 BBG - BUSINESS PANEL & FOCUS BRASIL Horário: 9AM às 4PM Local: Broward Center for the Performing Arts (201 SW 5th Ave, Fort Lauderdale) Contato: Tania Meller (561) 206-2643

g O QUE É: Evento de três dias que traz conte-

údo cultural, de negócios, reconhecimento aos empresários e empreendedores da comunidade brasileira. Este dia é dedicado aos homens e mulheres de negócios com palestras das 8AM à 1PM e jantar de confraternização com prêmios concedidos aos empresários mais destacados.   14 DE MAIO DE 2019

 BACCF - CAFÉ DA MANHÃ COM O BEACON COUNCIL Horário: Das 9AM às 11AM Local: Beacon Council (80 SW 8th St #2400, Miami) Contato: BACCF (305) 579-9030 info@brazilchamber.org

instalar no condado de Miami Dade.

Contato: BACCF (305) 579-9030 info@brazilchamber.org

  14, 21 E 28 DE MAIO DE 2019

 BBG ROUNDTABLE

Horário: Das 6PM às 7:30PM Local: Boca Raton, Fort Lauderdale e Miami Contato: Tania Meller (561) 206-2643

g O QUE É: Roundtable são eventos semanais

que acontecem respectivamente em 3 diferentes praças (Boca Raton, Fort Lauderdale e Miami), nas primeiras terças-feiras de cada mês. A ideia, além da oportunidade de networking ativo entre as 3 praças mensalmente, é abrir um espaço especial para cada membro apresentar a si e aos seus negócios no formato de anfitrião do evento, aumentando a visibilidade e divulgação do seu negócio entre os participantes. Além disso, todo Roundtable também traz uma palestra especial de conteúdo de negócios que pode ser ministrada pelos membros ou convidados especiais, garantindo conteúdo rico e diferenciado a cada evento.   22 DE MAIO DE 2019

 FINTECH CONFERENCE, DA STARTSE E ABFINTECHS Horário: Das 9AM às 6PM Local: Promagno Centro de Eventos (Avenida Professora Ida Kolb, 513 - Jardim das Laranjeiras. São Paulo) Contato: Rayane Santos (55 11 9-9206-7993)

g O QUE É: Maior evento do setor da América Latina reunindo os maiores players e empresas do segmento para apresentar as principais tecnologias e oportunidades de mercado para empreendedores, investidores e profissionais. O evento será palco para exposição do ecossistema de tecnologia financeira e debates sobre o impacto positivo gerado por essas empresas no mercado nacional.

g O QUE É: Palestra dos executivos do Beacon

  30 DE MAIO DE 2019

Council e do Aeroporto de Miami sobre os benefícios oferecidos para empresas que queiram se

Horário: Das 7:30PM às 11PM

WWW.iWIINDIGITAL.COM

Local: The East Hotel (788 Brickell Plaza, Miami)

 BACCF EXCELLENCE AWARD

g O QUE É: BACCF Excellence Award é um evento anual que tem orgulho de celebrar líderes de destaque e suas valorosas contribuições para o desenvolvimento das relações corporativas entre Brasil e Estados Unidos. Este ano, o homenageado é Rubens Menin Teixeira de Souza, presidente do Conselho da AHS Residential, nos EUA, e da MRV Engenharia, no Brasil, com 40 anos e experiência no setor imobiliário.   4 A 12 DE JUNHO

 BACCF ROAD SHOW Local: Eventos em Brasília, Fortaleza, Recife, Vitória e Uberlândia Contato: BACCF (305) 579-9030 info@brazilchamber.org

g O QUE É: Devido ao grande potencial de re-

lações comerciais entre os dois países, a BACCF tem promovido uma série de eventos em todo o Brasil, selecionando cidades com alto potencial para investimento e comércio. Esses eventos são apoiados por organizações locais e câmaras de comércio como Federação das Indústrias (SP, RJ, MG), AMCHAM, SEBRAE, CIN e FECOMÉRCIO. Grande oportunidade para promover sua empresa diretamente junto às companhias e empresários, assim como importantes tomadores de decisão e executivos de alto nível nestas cidades brasileiras.   4, 11 E 18 DE JUNHO DE 2019

 BBG ROUNDTABLE

Horário: Das 6PM às 7:30PM Local: Boca Raton, Fort Lauderdale e Miami Contato: Tania Meller (561) 206-2643

g O QUE É: Roundtable são eventos semanais que acontecem respectivamente em 3 diferentes praças (Boca Raton, Fort Lauderdale e Miami), nas primeiras terças-feiras de cada mês.

DIGITAL MARKETING “UMA AGÊNCIA COM DNA BRASILEIRO EM SOLO AMERICANO” Brickell Bayview Building 80 SW 8TH ST, #2000 Miami, FL 33130 +1(305)965-3361 contact@iwiindigital.com www.iwiindigital.com

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Secom dá apoio a exportadores

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