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ESTE FOLHETO É PARTE INTEGRANTE DO ACERVO DO BEHETÇOHO EM FORMATO DIGITAL, SUA UTILIZAÇÃO É LIMITADA. DIREITOS AUTORAIS PROTEGIDOS.


INFORMAÇÕES SOBRE O PROJETO O Acervo Eletrônico de Cordéis do Behetçoho é uma iniciativa que pretende dar consequências ao conceito de (com)partilhamento dos artefatos artísticos do universo da oralidade, com o qual Behetçoho e Netlli estão profundamente comprometidos.

INFORMAÇÕES SOBRE A EQUIPE A equipe de trabalho que promoveu este primeiro momento de preparação e disponibilização do Acervo foi coordenada por Bilar Gregório e Ruan Kelvin Santos, sob supervisão de Edson Martins.

COMPOSIÇÃO DA EQUIPE Isabelle S. Parente, Fernanda Lima, Poliana Leandro, Joserlândio Costa, Luís André Araújo, Ayanny P. Costa, Manoel Sebastião Filho, Darlan Andrade e Felipe Xenofonte


JOSÉ COSTA LEITE

SATANÁS NA GAFIEIRA


A metade do pessoal Só gosta da bandalheira Catimbó, jogo ciranda Cachaça e mulher calheira Seguindo um sistema novo Vou descrever para o povo Satanás na Gafieira. Quem gosta da corrução Vai gostar da poesia Que tracei neste folheto Servindo de profecia E quero esclarecer Que em toda parte se ver Moça enxerida e vadia. Moça que vive na dansa Nela eu não tenho fé É apalpada e beijada Depois engana o “Mané” Ela se faz de inocente Mas é sabida igualmente A mulher do cabaré.


Porque no salão da dansa Não pode existir respeito Ninguém se lembra de Deus E leva tudo de eito A moça é chumbregada E depois fica falada Não tem jeito que dê jeito. Quem vive em dansa não pode Dizer, que respeita bem E que nõ é pecador Pois quem dansa chem-em-em Encosta pança com pança O pensamento de quem dansa De Deus está muito além. Moça que gosta de dansa Vale menos do que nada Porque toda moça quer Ser beijada e abraçada Eu mesmo posso jurar Que nenhuma vai dansar Para não ser chumbregada.


O rapaz que vai pra dansa Com mau sentido e cautela E lá agarra uma dama Seja casada ou donzela Sai ali se remexendo No outro dia sai dizendo Como é o corpo dela. Ele diz: − Olha, fulano Eu ontem peguei o “pão” Dansei com uma galega Remexí todo salão “Cheirei” no cangote dela E dei tanto acocho nela Que a saia caiu no chão. O outro diz: − Eu dansei Também com uma morena Por nome de Lusinete Acochei que tive pena Mordí na buchecha dela E dei tanto beijo que ela Chorou que só Madalena.


Disse o outro: − Marieta É como cobra de cipó E se remexe na dansa Que o corpo chega dar nó Vendo isso eu aproveito Uma dansa daquele jeito Pra mim já é um forró. Eu vi Jacinto dizer Que dansou no Catolé Do Rocha, com uma moça Que é chamada Zezé Que era a sua paquera Disse que a dansa era Igualmente um cabaré. O satanás vive solto Dando palpite a quem dansa Faz a moça se arrear E encostar pança com pança Esse é seu objetivo O sujeito sendo “vivo” Só dansa com moça mansa.


Pai de família que deixa A sua filha dansar Quer ver sua casa cheia De netos para criar Ela arranja num momento Sem precisar casamento Ver a família aumentar. Moça que gosta de dansa Termina sendo falada Nem casa nem se amiga Fica sem valer mais nada E o pai de família ver Sua filha se perder Com a barriga empinada. Eu mesmo não dou valor A moça que vive em dansa Pois aonde existe baile Não existe confiança E o povo fica falando Moça que vive dansando Termina crescendo a pança.


Satanás vive botando O pessoal no pecado Dentro do arrata-pé Do baião e do xaxado O rapaz puxa, ela avança Tem moça que esfrega a pança No bucho do namorado. Ví Juliana dizer: − Terezinha eu não te digo Dansei ontem com Ramiro Na casa de seu Rodrigo Ele machucou meu seio E me acochou pelo meio Que relei o meu umbigo. A corrução hoje em dia Está em toda região Metade do povo vive Metido na corrução Hoje está de ponta a ponta A corrução tomou conta Do brejo até o sertão.


E devido o pessoal Que vive na corrução Satanás fica contente Dando saltos no salão Vendo o pessoal moderno No caminho do inferno E esquecendo a salvação. Satanás vive também Metido na gafieira Atiçando moça quente E mulher casada galheira, Que sempre vive dansando E os homens lhe abraçando Que ela queira ou não queira. Sastanás anda no mundo Olhando salão de dansa E ele mesmo é quem faz O povo encostar a pança E faz no mesmo sentido O rapaz ficar enxerido E a moça ficar mansa.


Ele faz pai de família Deixar a filha ir dansar Faz a moça ficar “quente” E o rapaz lhe abraçar Pra sair se penerando Beijando e lhe machucando Que a perna chega entrançar. Na dansa a moça perde A vergonha e o respeito A honra ou a virgindade E o rapaz leva o eito Lhe beija e lhe acarinha E ela toda fofinha Cai nos braços do sujeito. Moça que só vive em dansa Nada tem o que ganhar É mais fácil ela perder Tudo o que tem e ficar Metida na corrução Na lama da perdição A vida inteira a chorar.


Moça anda atraz de dansa Como o gato atraz da gata Como o pato atraz da pata E como ódio por vingança Como nem verme por pança Como pinto por monturo Como nem lodo por muro E menino por castanha Como formiga por banha E como ladrão por escuro. Moça anda atraz de dansa Como piaba por gogo Gato por beira de fogo Como rapaz por festança Sertanejo por bonança Como o trem atraz da linha E maribondo por pinha Como moleque por bola Sapateiro atraz de sola E o galo atraz da galinha.


Moça anda atraz de dansa Como mulher por dinheiro Como saguim por coqueiro E pescador por maré mansa Como o ganço atraz da gança Chifrudo por mulher falsa E curandeiro por salsa Velha atraz de catimbó Rapaz atraz de forró E pulga por cois de calça. Moça anda atraz de dansa Como velho por rapé E pulga de bicho por pé E noiva por aliança Como carta por lembrança Como rato atraz de queijo Como sedutor por beijo Como sacristão por sino Papa figo por menino E brejeiro por caranguejo.


Moça anda atraz de dansa Como o cego atraz do guia Como o sapo atraz da jia E pobre por esperança Açougueiro por matança Como menino por pão Cachaceiro por questão Como negro por zabumba Feiticeiro por macumba E sai-assu por mansão. Com moça desembestada O rapaz faz o que quer Só se ele não quiser Topar a sua “fachada” A moça sassaricada Leva a vida no palheio Engana e faz arrodeio Inda mais beija e avança Todo dia vai pra dansa E fica de “bucho” cheio.

FIM



Satanás na gafieira