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ESTE FOLHETO É PARTE INTEGRANTE DO ACERVO DO BEHETÇOHO EM FORMATO DIGITAL, SUA UTILIZAÇÃO É LIMITADA. DIREITOS AUTORAIS PROTEGIDOS.


INFORMAÇÕES SOBRE O PROJETO O Acervo Eletrônico de Cordéis do Behetçoho é uma iniciativa que pretende dar consequências ao conceito de (com)partilhamento dos artefatos artísticos do universo da oralidade, com o qual Behetçoho e Netlli estão profundamente comprometidos.

INFORMAÇÕES SOBRE A EQUIPE A equipe de trabalho que promoveu este primeiro momento de preparação e disponibilização do Acervo foi coordenada por Bilar Gregório e Ruan Kelvin Santos, sob supervisão de Edson Martins.

COMPOSIÇÃO DA EQUIPE Isabelle S. Parente, Fernanda Lima, Poliana Leandro, Joserlândio Costa, Luís André Araújo, Ayanny P. Costa, Manoel Sebastião Filho, Darlan Andrade e Felipe Xenofonte


JOSENIR ALVES DE LACERDA

A SAGA DA MULHER IRIS DO POVO

CRATO 2002


Inspiração é bom senso Ao bom Deus quero rogar Para dizer o que penso E nos meus versos contar A saga de uma mulher Que almeja, busca e quer Ver o mundo melhorar. Para que eu fale dela Não preciso investigar Pois conhecendo de perto Só me basta então narrar Perante a luz da verdade Mostrando a realidade De transparência sem par. Esta mensagem pretende Fazer uma homenagem À geração feminina Que é símbolo de coragem Pois a garra da mulher Só não enxerga quem quer Embaçar a sua imagem.


Maria Iris Tavares É o referencial De toda mulher valente Que quer combater o mal Apesar do “sexo frágil” Já provou ser forte e ágil E que tem potencial. Com o seu avô paterno Foi que tudo começou Patriarca Alagoano Que o Cariri adotou Vindo para o Juazeiro Bravo devoto romeiro Nova cidade abraçou. Seu nome: Zé Anastácio Das Alagoas vivente Fazendeiro e criador Cidadão bom e decente Um dia vê fogo vasto Ameaçar o seu pasto E a fazenda adjacente.


Promessa com a Mãe das Dores Ele fez e foi valido Vender tudo, então partir Caso fosse socorrido E o fogo logo cessou Para o Juazeiro rumou Pra ver seu trato cumprido. Deixou lá em Alagoas Plantio, fazenda e gado Nas terras do Cariri Veio seguir o seu fado Fez do sonho sua luta Com garra, fé e labuta Conquistou o seu legado. Na matriz, a Mãe das Dores Sua prole abençoou E o sábio Padre Cícero O seu caminho indicou Sofreu golpe do destino Mas nunca perdeu o tino Nem nunca desanimou.


Maria Iris herdou Do avô toda virtude Segurança e decisão Firmeza de atitude A busca do ideal O caráter especial E isso não há quem mude. Sua vida tem história Baseada na moral Na família estruturada No elo sentimental Celebrando a união Guardando no coração Otimismo e bom astral. Mas se a vida oferece Também impõe decisão Exige luta e coragem O destemor e a ação Do símbolo da liderança Do sonho e da esperança Cobra a participação.


Não é mais Maria Iris De forma particular Nem Iris tão simplesmente Pessoa no singular É a Iris que o povo quer Anseio feito mulher Esperança popular. Porta-voz e mensageira Do pobre e do oprimido Um Hobbin Wood de saia No espírito destemido Exemplo de consciência Atua com sapiência Sem se valer de alarido. Quando a árvore é frondosa E tem gerado produto Ela é apedrejada E é cobiçado seu fruto Porém sendo abençoada Por Jesus é resguardada Tem proteção e reduto.


Íris é feito essa árvore Frondosa no ideal Os seus frutos são projetos Para os combates do mal E embora perseguida Caluniada e ofendida Forte e seu tronco moral. Porém para se lutar É preciso ter poder Poder que emana do povo Para a ele reverter Na busca de solução Para a cruel precisão Que o povo vive a sofrer. Já chega da mesma história Desse eterno repetir Tem que avivar a memória Para a escolha redimir Chega de ser masoquista Quem luta e busca, conquista Novo horizonte e porvir.


A mulher tão perseguida Sofrida e discriminada Já não compensa esta vida Tá na hora da virada União e movimento Renovará o momento Reconstruindo a estrada. A estrada merecida Que sempre fizeram jus A luta não está vencida Só tem que acender a luz Pra iluminar o destino Desse sonho feminino Que a novo ideal conduz. Em qualquer um idioma A mulher é traduzida A face de cada uma Se reflete em sua vida No ato cotidiano Cada gesto, cada plano Cada vitória ou ferida.


Em cada definição Está contido o anseio De mudança, de ação E que o mundo fique cheio De amor e igualdade Paz e solidariedade Que se tenha e justo esteio. No momento já não cabe A mulher discriminar A humanidade já sabe Que ela tem o seu lugar De amiga e companheira Ou de fiel mosqueteira Que ama e sabe lutar. Se ela é filha dedicada É companheira exemplar Se acaso é mãe solteira Sabe o problema enfrentar Entre o sonho e a ação O amor e a razão Busca se realizar.


E a classe felizmente Anda bem representada Mostrando que é consciente Segura e determinada A antiga submissão Deu lugar a decisão De ser digna e respeitada. Íris é um grande exemplo Dessa representação Seu nome foi indicado Conquistado a região No orgulho de ser mulher Abraçou este mister E fez dele devoção. Gerou um novo horizonte Conquistou a confiança Reluzir em cada fronte Fez de novo a esperança Um fenômeno feminino Que pela mão do destino Fez da tormenta, bonança.


De repente ela surgiu Refletida em cada olhar O povo carente viu Um novo alento brotar Na sua simplicidade Passou certeza e verdade E se fez acreditar. É a força feminina Ganhando voz e espaço Transformando sonho em sina Criando a lei do abraço Unindo força e progresso Sem demagogo sucesso Recriando um novo traço. Sendo escritora e poeta É também forte guerreira Seu verso tem prumo e meta Sua prosa é verdadeira Voz da mulher heroína Que luta, aprende e ensina Lições de uma vida inteira.


É um exemplo imperioso Da mulher e seu poder Não há rico ou poderoso Que possa a fé combater A luta da lealdade Da fé, da dignidade Com certeza há de vencer. Quem era Maria Iris Ou então Iris somente Virou tudo que é Maria Sofia, Ciço, Vicente Tem um cognome novo Agora é Iris do povo Orgulho da nossa gente.

FIM



A saga da mulher iris do povo