A CASA em revista Ed.7

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A CASA FOTO ARTE



A CASA EM REVISTA - ed.7


Capa Melancolia Nadine Bloise


Editorial

A CASA em revista é uma publicação virtual de artes visuais com ênfase na fotografia contemporânea. Nasce dentro

do isolamento social necessário para evitar o coronavírus.

Inicialmente voltada para artistas que participam de projetos, encontros ou cursos A CASA, busca dar visibilidade em

tempos de pandemia para a emergente produção destes artistas, também servir de portfólio e ajudar a colocar novos

nomes e trabalhos em circulação dentro do sistema de arte. Além de ensaios fotográficos e trabalhos relacionados à

imagem, cada edição terá uma entrevista com um artista convidado, que apresentará também um ensaio, projeto ou

produção de sua autoria, escolhido e selecionado por ele mesmo.

Nossa entrevista dessa sétima edicão é com Renan

Cepeda, artista de trajetória lutadora, saindo do jornal para

as paredes de galerias e coleções. Um fotógrafo que ousou quebrar as barreiras do sistema de arte e impor sua obra,

sua arte, seja a mais pictórica e estética, ou mesmo seus trabalhos mais autorais e críticos. Vamos pra revista.


Atroz Ana Barbosa

Atroz é um trabalho em elaboração, iniciado em 2019, sobre a materialidade, o assombro e a monstruosidade do feminino e a natureza. Essa série foi inspirada também na lenda de Pã, uma divindade, metade homem metade animal, guardião das florestas e temido por quem deseja atravessá-las.











África, Origem dos Afetos Ana Zinger

Me encontrei e reencontrei a fotografia nesse continente por onde caminho há mais de vinte anos. Na África ouvi a minha própria voz sussurrar: “cheguei em casa.” “Animais e lugares selvagens remetem a algo indizível, antigo e pertinente sobre nós mesmos: somos animais humanos enredados na teia da vida, e os animais e as paisagens selvagens da África são, ao mesmo tempo, as paisagens e os espelhos da alma.” Ian McCallum











Incorporações Bárbara Copque

Para muitos antropólogos nossa subjetividade está localizada no corpo, este precioso terreno das disputas em torno das novas identidades pessoais, das preservações histórias e lugar dos híbridismos culturais. E o usos de adornos, fios de contas e pinturas são muito significativas na constituição da pessoa e na forma como lidamos com as alteridades. Através da incorporação desses artefatos corporais, que condensam emoções e sentidos, é que agimos, nos relacionamos e existimos no mundo. O presente ensaio é uma prosa fotografia sobre o que carregamos no peito.











Reminiscências Carolina Esch Território de lembranças, onde o impermanente habita, onde me revisito e me consagro ausência, em eterna plenitude.









Homo Selfies: A Inexistência do Ser Herbert Zampier Joan

Fontcuberta,

no

seu

livro

“A

câmera

de

pandora”,

destacou: “Fotografo, logo existo”. Entretanto, os autorretratos da contemporaneidade passaram não só explorar a ideia da inserção do “eu” como testemunha, em primeiro plano, do mundo que se revela ao fundo, mas, por vezes, a inexistência desse “eu”. Quase como um modus operandi da espécie homo selfies, a ação de autorretratar-se envolve a revelação de um ser vazio do seu “eu”. Acreditam que assim, serão aceitos, populares, e até mesmo, provocadores de inveja nas redes sociais... Se distanciando a cada selfie do seu “eu”, em prol de mais seguidores. Produzido em smartphone, com apropriação de imagens do site: thispersondoesnotexist.com









Vertikal Julilah

Nas luzes da cidade No vazio da cidade Eu me perco Eu desapareço (me faço vapor – me desintegro) Na ausência da luz a cidade torna-se vapor (e se dissolve – ascende)











Origem

Mônica Pinto Este ensaio é o resultado de uma busca no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. No Jardim as plantas, as árvores, silenciosamente se comunicam. Elas chamam para revelar de onde viemos e para onde vamos. A câmera é uma intermediária nessas revelações.











Melancolia Nadine Bloise Esta série exprime o contato com memórias. A Melancolia sentida e externada através da natureza. O presente sentimento que carrego, hora mais leve e, por vezes, mais pesado. A natureza e suas formas são refúgio para libertar os sentidos e redescobrir sensações. Sensibilidade à luz, sombra, texturas, cheiros se tornam o caminho de reconexão e retorno para o íntimo.











Foto: Lorena Cepeda


Artista Convidado

Renan Cepeda

Projeto PUNA (Em parceria com a sociรณloga Beatriz Canales)


Entrevista A CASA: Caro Renan bem vindo! Vamos começar nosso bate papo? Conta pra gente como surgiu a fotografia em sua vida, seus primeiros passos? RENAN CEPEDA: Victor Falcão Cepeda era fotógrafo amador, um fotoclubista. Então, desde bem criança as câmeras, filmes e laboratório caseiro me foram bem familiares. Quando eu fiz 11 anos meu pai me deu de presente de aniversário uma Olympus trip 35, câmera que era a coqueluche dos turistas em meados dos anos 1970. Mas, depois de operar meu primeiro Plus-X, clássico filme PB da Kodak, em que eu fotografava coisas ao meu redor como meu apartamento, um cachorro do vizinho, o bonde de Santa Teresa, assim, despretensiosamente, meu pai me tomou a câmera de volta. Se deu conta de que era muito dinheiro para revelar e ampliar fotos de coisas “comuns”. Hoje, depois de mais de 40 anos, ainda tenho emoldurada em minha parede a primeira folha de contato deste primeiro filme que operei. Mas sempre estive atento à fotografia, principalmente através das publicações estrangeiras que meu pai trazia pra casa e todo uma cultura de glamour permeou sobre


minha imaginação. Já adolescente eu observava diariamente as fotografias do Jornal do Brasil e acompanhava a produção de seus fotógrafos, como Ari Gomes, Almir Veiga, Evandro Teixeira, Delfim Vieira, Ronaldo Theobald em um primeiro momento e depois uma segunda geração de Rogério Reis, Cynthia Britto, Agnaldo Ramos e muitos outros. Mas ser fotógrafo, naquele momento, estava fora de minhas aspirações por ser algo inatingível. Alguns anos depois entrei no próprio JB através de uma fotografia exclusiva que levei para a redação. Uma história que não terei espaço para contar aqui. A CASA: Muitos dizem que passar pelo fotojornalismo é quase graduação e pósgraduação em fotografia. Conta o que essa experiência contribuiu para construir o Renan Cepeda artista visual? RENAN CEPEDA:

Fiz um curso básico de fotografia no SENAC em 1987.

Frequentei as aulas somente o suficiente para aprender a expor o filme, revelá-lo e ampliar em laboratório. Um ano depois um cavalo branco selado passou na minha frente e entrei para a equipe justamente do próprio JB através de uma fotografia exclusiva que levei para a redação. Conheci Carlos Hungria depois de telefonar pro Jornal que era fã, para cobrir uma confusão em frente à minha casa. Ele veio de fotógrafo, mas eu já havia registrado o fato, já arrefecido. Ele teve a iluminação de me convidar para a redação e me apresentar a Orlando Brito, editor de fotografia


do jornal em 1988. Brito, o “Papa do Poder” me concedeu um estágio na madrugada e fui efetivado três meses depois. 11 de agosto de 1988 foi um dia abençoado. O fotojornalismo foi minha escola de fotografia, minha faculdade de jornalismo e também meu serviço militar. No dia a dia do jornal, no caso o JB em seus bons tempos, a gente aprende a fotografar de tudo: de moda a policial, de esporte a retrato, de comida a reprodução técnica, etc. E também os jornais te credenciam a situações históricas, fazendo com que vc conheça o poder, por exemplo, sob um outro ângulo. O fotojornalista passa a se inserir em sua cidade profundamente e se torna em pouco tempo uma espécie de sociólogo sem diploma. Só que a vida em jornal te exige muito tempo e dedicação, te desgasta, sua vida pessoal empobrece e o constante contato com a brutalidade de uma realidade seletiva o faz criar uma carcaça cínica de proteção. Isso passou a me incomodar muito. Então depois de década e meia no JB, Folha de SP, Veja, Isto É, Época, Agência SIPA-PRESSE, comecei a pensar em mudar de ramo e pensar naquela chamada “minha fotografia”. Mas ainda hoje às vezes sinto falta dessa vida e das pessoas na redação...

A CASA: Sua vivência no jornal certamente trouxe proximidade e contato com inúmeros fotógrafos geniais. Quais são suas influências, quais artistas e fotógrafos te marcaram e te inspiram?


Como disse, as geracões de fotógrafos do fotojornalismo brasileiro foram meu heróis nacionais em minha infância e adolescência durante a ditadura militar. Depois, estudando a disciplina, gostava muito dos ícones de então: Bresson, Doisneau, Capa, mas um me chamava mais a atenção: Elliott Erwitt, com sua crônica de cotidiano de humor refinado e ácido, que tive a oportunidade de conhecer pessoalmente em 2008 quando ele selecionou meu material sobre os Kalunga do Vão de Almas para o Prêmio SONY em que era um dos jurados com Martin Parr, Mary Ellen Mark e Bruce Davidson. Uma grande honra. Mas influência mesmo, pelo menos na fotografia que faço hoje, eu não identifico ninguém de forma direta. A partir de um momento no final dos anos 1990 eu me auto determinei que só continuaria na profissão de fotógrafo se pudesse desenvolver uma linguagem bem pessoal, inconfundível, uma identidade, assinatura visual que somente eu mesmo poderia imprimir. Acho que esta é a função do artista: criar um mundo único e convidar as pessoas para vivenciarem nele. Isso é muito difícil em fotografia, mais ainda particularmente no fotojornalismo, em que a imagem tem compromisso com a informação. Portanto, tive que me desprender de todas estas influências, de coisas pré-concebidas, que atuavam diretamente em meu olhar de fotógrafo de rua e buscar outros caminhos incomuns na fotografia, os quais, claro. teriam que passar pela adoção de algum apuro técnico.


Casa: Como foi esse seu interesse e quais as dificuldades enfrentadas para dominar de forma tão genial tanto a fotografia infra-vermelho quanto o lighting painting? RENAN CEPEDA: Pertenço a uma geração que aprendeu a fotografar com limite de cliques. Cada aperto no botão fazia soar o sino do caixa de dinheiro: o filme era caro, sua revelação o mesmo preço e as ampliações mais ainda. Sempre pensávamos muito antes da decisão, ainda que as empresas que nos contratavam pagassem por tudo isso. Questão de ética. Hoje, com o mundo digital, se ignora este concernimento, mas foi fundamental para todos os artistas fotógrafos de então para que aproveitassem cada milímetro de material disponível. Bresson, por exemplo, contou várias vezes que operou apenas três ou quatro filmes 35mm em algumas viagens. Esta postura, aliada à minha procura por unicidade, me fez procurar por nichos incomuns na fotografia. Eu sempre pensei esta atividade como uma magia e o fotógrafo como único ser preparado tecnicamente e sensibilizado para trazer ao grande publico esta bruxaria. Fora disso a fotografia não me interessa mais. Como expressão artística, descrever uma cena não tem o menor valor. Porém, se o cara o faz com uma luz que não se vê, que está ali e proporciona um efeito surpreendente e que só um fotógrafo capacitado pode reportar, aí sim o ciclo se fecha e ele enfim se torna um profissional-artista útil


para a sociedade. Daí meu interesse pela fotografia infravermelha em um primeiro momento de busca por esta identidade artística, tão difícil em Fotografia, com “F” maiúsculo. Apliquei esta técnica para separar visualmente esta cidade caótica, maculada, de mau gosto, suja e violenta que é o Rio de Janeiro, da paisagem absolutamente única, luxuriante, idílica, espetacular que é o Rio de Janeiro. este projeto eu estive elaborando há vinte anos e foi aceito pela Anita Schwartz, que até então nunca havia exposto fotografia em sua galeria e também nenhum fotojornalista havia entrado no mercado de arte tradicional. A exposição foi um sucesso tão surpreendente que vários fotojornalistas de minha geração tomaram coragem e começaram também a botar seus projetos em galerias. Considero a exposição “Invisíveis” na galeria Anita Schwartz no Leblon um marco na fotografia brasileira, sem a menor sombra de dúvidas. E de modéstia. A partir dali, comecei a me profissionalizar no mercado de arte e meus ingressos passaram a ser predominantemente advindos de trabalhos pessoais. Com este projeto bem sucedido, tirei da gaveta outra ideia de fotografia lenta, noturna, através do qual - mais do que nunca - eu poderia efetivamente imprimir minha caligrafia em cada foto: a pintura de luz. Pesquisei filmes para luz de tungstênio para operar lanternas Mag Lite com lâmpada de filamento, amareladas. Os temas foram casas abandonadas por algum


motivo. No Vale do Catimbau, no sertão pernambucano, realizei minhas primeiras experiências que deram muito certo e fui selecionado com uma bolsa pelo Salão de Arte Contemporânea de PE para aprofundar o trabalho. Expus o resultado no MAM de Pernambuco e circuito cultural da Caixa pelo Brasil, de forma que o trabalho passou a ser bem conhecido. Miguel Rio Branco o selecionou para o Salão do Pará e ganhou um prêmio da AGFA, projetando-o para a Europa. Os retratos do Vão de Almas e os do Peru apresentados aqui foram consequência natural desta dinâmica de entender que um artista tem que elaborar um mundo próprio, inédito. Essa é sua função social, a meu ver. CASA: Suas fotos são comercializadas pelo mundo. Qual sua relação com o mercado de arte, galerias, colecionadores? RENAN CEPEDA: O chamado “mercado de arte” é apenas uma peça do “sistema de arte”. Neste, é fundamental a boa formação de todos os seus agentes, não só do artista. Infelizmente, no Brasil, colecionadores, críticos, curadores, jornalistas, marchands, galeristas e o público em geral - todos os elementos fundamentais do sistema de arte - ainda têm que comer muito arroz e feijão. No aspecto comercial, o amadorismo, a leviandade e a falta de compromisso das galerias no Brasil, salvo


poucas exceções, é um fator crítico para o desenvolvimento profissional da atividade no país. A maioria dos galeristas são diletantes, cuja atividade é uma ocupação temporária, começando sob o frisson de lidar com os artistas até se aborrirem deste cotidiano, fechando seus espaços. No meu caso, eu tive um pouco mais de sorte (e de cuidado), angariando nos primeiros anos muitos amigos e colecionadores que passaram a comprar diretamente comigo depois de quatro ou cinco galerias que me representavam fecharem por diversos motivos. Mas, além da Anita Schwartz eu salvaria da fogueira a galeria Tempo, as duas são cariocas e únicas em que tive uma parceria de exclusividade longeva, com perfil mais profissional. Marcia Mello é minha amiga até hoje e ainda tocamos muito projetos. E este estigma de que as galerias de São Paulo são mais sérias que as do Rio é completamente furado! tive muitos problemas em SP com todas as galerias que lidei: falta de compromisso, transparência zero, desinteresse… o caso mais escandaloso e recente é o que umaa grande galeria paulistana fez com o Milton Machado, um dos maiores artistas de sua geração, professor titular da EBA-UFRJ, que teve grande retrospectiva recente no CCBB e, no ano seguinte, participou com uma eloquente instalação na Bienal de São Paulo, logo descartado do elenco da galeria nas feiras de arte. Esse tipo de coisa acontece muito e me faz ter dois pés atrás com exclusividade. Se o artista sozinho ou em coletivo com seus colegas, não desenvolver seu próprio “sistema”, não vai sobreviver. E a pandemia pode acelerar uma mudança de paradigma.


A CASA: Você tem fotos incríveis e premiadas mas que não conseguem tanto apelo comercial. Em contrapartida tens também imagens de forte apelo visual e grande aceitação no mercado. É frustrante perceber que o público não consegue se encantar com essas fotos mais conceituais e igualmente belas, da mesma forma que aquelas de grande encantamento visual? O que falta para seus colecionadores intenderem esse rico material? RENAN CEPEDA: Eu tenho sorte de gostarem muito de tudo que faço. Claro que alguns gostam mais das paisagens infravermelhas, outros das noturnas, mas todos gostam de tudo, em geral. Outra coisa é que, por acaso, quase todos os meus projetos têm vocação para decoração e arquiteturas, sejam estas as mais caretas ou mais arrojadas. Pura sorte minha. Deste modo, mantenho sempre algum fluxo de interesse do grande público, em sua múltipla variedade. Minha passagem pelo fotojornalismo foi fundamental para tentar elaborar projetos que pensem no ciclo completo de comunicação: emissor, mensagem, meio, receptor, decodificação. Se isso não fecha, não se completa, não há comunicação e fica sem sentido. Por isso estranho trabalhos em que o artista pretende fazer com que pessoas saibam de intimidades e experiências muito pessoais, que não interessam ao


grande público. Arte de verdade, “útil” se quiser, tem que falar com a galera, tem que reverberar, seja por sua inteligência, seja apenas pela beleza. A beleza para mim é a melhor das ideologias, é o que queremos atingir, é a verdadeira transcendência. Busco o belo, fundamentalmente. Me coloco como um componente na sociedade responsável por produzir o belo, sem punhetações que não interessam e não somam nada nas vidas das pessoas. O artista deveria ser honesto com isso. A CASA: Seu trabalho sobre os quilombolas é um importante e belo registro de um grupo social cada vez mais massacrados pelos detentores do poder e do agronegócio. A fotografia é hoje um poderoso instrumento do ativismo político e social? O que pensa disso? RENAN CEPEDA: O projeto Vão de Almas, particularmente, foi pensado principalmente pelo aspecto formal, estético. Não era propriamente um instrumento de denúncia. Ali eu quis mostrar que felicidade é relativa. Um povo que não usa dinheiro, é o quilombo mais isolado do planeta, produz tudo o que consome, não precisa da sociedade de consumo. Mas o objetivo principal era, novamente, o belo, reforçado por ser um assunto pouco conhecido. Eu não acredito mais na fotografia como instrumento contra as injustiças. Se você quer algum impacto na


sociedade como produtor de imagens documentais, parta para o video. Tem som, depoimentos, música e… fotografia. Atualmente, um frame 4K tem resolução para imprimir em qualquer formato. Numa palestra no IMS em 2009 eu disse isso e quase fui linchado. Meses depois lançaram a Nikon D-90, a primeira DSLR que fotografava em filmava em HD. Observe que, durante as últimas Olimpíadas no Rio, as quatro edições da Sport Ilustrated - a maior revista esportiva do Mundo - tiveram em suas capas - verticais - fotografias a partir de frames horizontais de câmeras 4K e 8K. Atenção: cortes verticais de frames horizontais! imagens espetaculares, com grande resolução, que somente a câmera de vídeo pode registrar com tanta precisão e variedade. Portanto, a pretensão documental na fotografia hoje é tola e obsoleta, Quer documentar? faça em vídeo! faça direito! faça em alta definição. O “momento decisivo” foi morar na ilha de edição, ao escolher qual frame será usado para o caso de se necessitar de imagem parada, gênero que já é minoria nas redes sociais etc. Com o material feito em video seu alcance é imensamente maior, pois pode ser levado para TODAS as plataformas, enquanto que se for só de fotografia vai ficar mais limitado.


A CASA: Qual conselho você daria para o jovem artista que deseja e pretende se arriscar no universo profissional da fotografia autoral e artística? RENAN CEPEDA: Tudo o que o Mundo não precisa é de mais um fotógrafo, mais um artista. Aprenda fotografia como uma expressão de vida, gostosa, pessoal, assim como é bom aprender um instrumento musical, saber cozinhar legal. Não tenha muitas pretensões com fotografia. A humanidade precisa sobretudo de neuro-cientistas e de biotecnologia, mas se você quer mesmo ser artista procure um modo inédito de sê-lo. Ser único. E vai passar por muitas dificuldades econômicas. Para não depender da família ou de um emprego, não tenha filhos.














Artistas

Ana Barbosa Ana Zinger BĂĄrbara Copque Carolina Esch Herbert Zampier Julilah MĂ´nica Pinto

Artista

Convidado

Nadine Bloise

Renan Cepeda


Conselho Editorial Greice Rosa Marcio Menasce Marco Antonio Portela

Projeto Grรกfico Bruno Almeida


acasafotoarte.com


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