Edição 10 A CASA em revista

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A CASA FOTO ARTE



A CASA EM REVISTA - ed.10


Capa Um sonho pelo desenho e a busca das cores LaĂŠrcio LeĂŁo


Editorial

A CASA em revista é uma publicação virtual de artes visuais com ênfase na fotografia contemporânea. Nasce dentro

do isolamento social necessário para evitar o coronavírus.

Inicialmente voltada para artistas que participam de projetos, encontros ou cursos A CASA, busca dar visibilidade em

tempos de pandemia para a emergente produção destes artistas, também servir de portfólio e ajudar a colocar novos

nomes e trabalhos em circulação dentro do sistema de arte. Além de ensaios fotográficos e trabalhos relacionados à

imagem, cada edição terá uma entrevista com um artista convidado, que apresentará também um ensaio, projeto ou

produção de sua autoria, escolhido e selecionado por ele mesmo.

A favela vai invadir as páginas da Revista. Favela é vida, cultura, gente, complexidade orgânica e chega

poderosamente conduzida pela obra do querido poeta da imagem Ratão Diniz. Ex aluno da Escola de Fotógrafos

Populares da Maré e hoje um dos maiores nomes da

fotografia brasileira, Ratão está aqui entre nós. Que alegria.


Montanha-Russa Andri Costa

“A cura para as saudades de casa é lembrar de onde viemos. É redescobrir a igreja original dentro de si mesmo. É lembrar que as áreas selvagens do mundo são as paisagens da alma e que as criaturas que pertencem a elas são criadoras de almas.”

“Precisamos nos conhecer de novo, ler, compreender e falar a linguagem de uma natureza que nunca parou de se comunicar conosco.”

Ian McCallum









Rompendo Espinhos João Facchinetti

No alto sertão, entre os dedos calejados do vaqueiro, corre o arreio que o guia por entre árvores, galhos retorcidos, espinhos e o que mais houver na caatinga. Numa sôfrega e desabalada corrida, o centauro nordestino desvia-se rapidamente dos mandacarus, xiques-xiques e facheiros e lança-se intrépido sobre o boi perdido no mato. Troféu e glória.











Um Sonho Pelo Desenho e a Busca das Cores Laércio Leão Quem pode dizer que é apenas a realidade? Será que existe mesmo essa imaginação? Não posso afirmar. Naturalmente percebo o desenho dessas imagens, mesmo não sendo reais. Ao abstrair e isolar as cores originais, transformo imagens verdadeiras em abstrações distorcidas da realidade. Agora me vejo no caminho da abstração e certamente, qualquer imagem que atravessar essa realidade o resultado só conseguirei enxergar com o meu imaginário do belo.











Engorda do Aterro Luiz Carlos Lima Por conta da ação antrópica, ambientes já vulneráveis pela força natural sofrem, ainda mais, quando a presença desenfreada do homem altera o ecossistema nativo. O cenário da nova batalha entre o homem x ecossistema foi travado com a ampliação do litoral de mar adentro na faixa de areia, causando desequilíbrio ecológico e prejuízos socioeconômicos.











Antropoceno, Até Quando ? Mauro Land

O mundo passa por grandes transformações climáticas que trazem grandes consequências na vida do planeta e da sua população, como o aparecimento constante de extremos climáticos , as inundações , a extinção de espécies , a crescente migração populacional devido à escassez de alimentos , etc... Esse conjunto de transformações muitos chamam de “Crise Ecológica” . Para Latour “ “falar de crise” seria ainda outro modo de nos tranquilizar , dizendo , “isso vai passar” , a crise “logo estará superada”. Se fosse apenas uma crise!. De acordo com os especialistas melhor seria falar de uma “mutação” “. Para muitos cientistas, como Crutzen, já estamos vivendo uma nova fase na geologia e na ecologia, o “antropoceno”. Esta fase é definida pela influência humana na Terra como uma força geológica que molda a paisagem global e a evolução de nosso planeta. Essa influência é percebida pelas crescentes alterações climáticas e geológicas causadas pela ação humana no nosso planeta. Estamos chegando a um ponto sem volta, se nada for modificado nas próximas décadas, as consequências desta nova fase serão imprevisíveis .









Espelhados Priscila Lira

A beleza está nos olhos de quem vê, na minha primeira saída pós 90 dias em isolamento eu vi pessoas com medo, com máscaras o clima não era bom, tudo me parecia estranho. Então olhei para o chão e vi as mesmas pessoas, mas não via havia mais medo, nem máscaras, ali todos eram iguais. Não havia classe social nem cor, nem dor. Foi então que percebi que já não via mais pessoas eu via linguagem.











Memórias Simone Si Holocausto é o termo como ficou conhecido o genocídio de judeus realizado por ordem dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Também foram perseguidos e executados comunistas, ciganos, homossexuais, testemunhas de Jeová, pessoas com problemas físicos e mentais entre outros. Yad Vashem é um memorial que foi criado em homenagem às vítimas judaicas desse período nefasto. O presente trabalho foi realizado nesse lugar onde essas memórias estão muito presentes através de testemunhos e artefatos que enfatizam as histórias de cada vítima que foi apresentada e que representam todo um povo massacrado naquele período terrível da história. Portanto é uma homenagem a cada ser humano que passou pelas terríveis provações ocorridas naquele momento. É também um grito de alerta para as futuras gerações.









Uma Família Sonia Rummert Agrupamento humano formado por duas ou mais pessoas com ligações biológicas, ancestrais, legais ou afetivas. Grupo social primário que influencia e é influenciado por outras pessoas e instituições. Termo criado na Roma Antiga para designar um novo grupo social que surgiu entre as tribos latinas, ao iniciarem as práticas da agricultura e da escravidão legalizada. Designação de múltiplos laços capazes de manter os membros moralmente, materialmente e reciprocamente durante uma vida e durante as gerações. termo derivado do latim famulus, que significa “escravo doméstico”. Instituição normalizada por uma série de regulamentos de afiliação e aliança, aceites pelos membros, como a exogamia, a endogamia, o incesto, a monogamia, a poligamia, e a poliandria. Subsistemas formados por geração, gênero, interesse e função, havendo diferentes níveis de poder, e onde os comportamentos de um membro afetam e influenciam, de forma positiva ou negativa, os outros membros.







Foto: Francisco Cesar


Artista Convidado

Ratão Diniz UGA UGA, HÁ HÁ - Da Lama ao Bloco


Entrevista A Casa: Um prazer te receber aqui nas nossas páginas Ratão. Conta pra gente como surgiu esse desejo de virar fotógrafo? Ratão Diniz: Sobre o que me moveu a ser fotografo, vou me apropriar de uma fala da Aline Oliveira minha companheira que sempre fala para mim quando eu pergunto se ela é fotografa, vem então a resposta, não sou fotografa, eu fotografo. Porque vou me apropriar dessa fala Porque o que me fez ser fotógrafo foi ter acesso ao acervo do Museu da Maré, um acervo importantíssimo para a história da Maré, e me deparei com o registro fantástico de lugares que eu vivi quando criança e essas paisagens sofreram modificações, que é natural já que a favela é orgânica, ela vai crescendo e se modificando, então esses registros dos anos 80 e 90 mexeram comigo me fazendo refletir sobre esses lugares, esse tempo, trabalhando com minha memória afetiva, memórias de cheiros e sabores da vida. Comecei a fotografar muito instigado por essa experiência, por esse acervo da Maré, com vontade de contribuir e fazer parte imageticamente desse acervo, não só da Maré mas de todos os lugares que ando e andei, deixando registrado


essa memória afetiva. A Casa: Início de carreira sempre é muito complicado para qualquer um, quais os maiores desafios que você foi obrigado a superar para vir a conquistar essa belíssima trajetória na fotografia? Ratão Diniz: No início, enquanto estudava e adentrava nos saberes da fotografia, a maior dificuldade que eu tive foi com a questão financeira, ela sempre me acompanhou, me acompanha até hoje, o que me fez superar esses obstáculos foi a contribuição da minha família de nunca me forçar a trabalhar, o que é muito comum, nesse sentido sou um privilegiado porque minha família não condições das melhores, minha mãe criou quatro filhos sozinha na garra, forte pacas, na guerrilha e ao mesmo tempo ela nunca nos obrigou a trabalhar, o que é uma realidade muito diferente de muitos dos meus amigos e vizinhos obrigados a trabalhar para contribuir na economia de casa, uma realidade. O que me faz superar essa dificuldade do início da carreira foi o apoio dos meus irmãos, da minha mãe que foi super importante, me estimulando mesmo sem condições de comprar um filme, uma revelação, mas sempre me fortalecendo e apoiando para que continuasse acreditando naquilo que me propus a fazer. Essa é a chave, e hoje, mesmo ainda com dificuldade financeira mas eu tenho Aline uma parceirona que acredita também nessa jornada e amigos e amigas que sempre ajudam nesse perrengue financeiro, ligam, estão juntos de alguma forma mesmo nesse momento louco que de ouvir Luiz muitas


a gente vive nesse mundo, obvio que os trabalhos diminuíram, ainda mais nesse governo que atingiu diretamente a cultura, o terceiro setor que é minha área que é atender a documentações de projetos culturais e não diferente de muitos, estou vivendo essa crise financeira e a galera sempre entra em contato pra saber como estou, esse carinho é muito legal, muito importante. Minha mãe e irmãos mesmo sem me ajudar financeiramente sempre me apoiaram não deixando que eu largasse aquilo que acredito, que eu creio, isso é realmente incrível. A Casa: Você acredita que a fotografia pode ser um instrumento de transformação da sociedade, uma ferramenta que ajude a superar dificuldades sociais e políticas? Ratão Diniz: Sem dúvida eu acredito que a fotografia é sim uma ferramenta poderosa, política e de transformação social, diretamente não sei se minha fotografia vai mudar a vida de alguém, mas eu acredito que ela pode contribuir muito, como já disse da questão da memória afetiva, afinal o que me motivou a reafirmar meu pertencimento como morador da Maré foi o acesso ao acervo fotográfico do Museu da Maré, valorizando minha história, minhas raízes, a história do meu pai e da minha mãe que eram do nordeste e se conheceram aqui, casaram, formaram família, e desse casamento tiveram quatro filhos onde sou o caçula. A fotografia trabalhou muito nesse pertencimento do meu lugar, da minha história. Isso é muito forte, não só na Maré, mas nos espaços populares como um todo. A favela, o espaço popular é


marginalizado, ele é tratado como espaço de marginal, não tem como negar, então quando a gente trabalho o lugar de pertencimento, de valorização, contribuímos na mudança do olhar para esse lugar, melhorando e valorizando. Sem dúvida é um instrumento de transformação, ela contribui muito com essa transformação e valorização. A Casa: Quem ou quais artistas, na fotografia ou fora dela, você admira, se inspira e tem como referência? Ratão Diniz: Essa pergunta é muito boa quando fala de inspiração no campo artístico, então vou expandir para o campo artístico da vida, todos somos artistas, então primeiro minha mãe uma figura importantíssima nesse processo de contribuir com minha fotografia, de trazer toda memória afetiva da infância, adolescência dela, da sua juventude, e isso foi criando meu imaginária acerca da cidade natal dela, que é Goianinha, interior do Rio Grande do Norte, minha mãe contribuiu muito, uma artista da vida, mulher incrível. Segundo o trabalho do Ripper que foi e ainda é uma enorme referencia e ainda um professor, grande educador, e que tem um trabalho artístico poderosíssimo. Uma terceira pessoa que é uma grande inspiração principalmente nessa primeira referencia que é minha mãe é Luiz Gonzaga o intérprete, quando viajo para o nordeste ou para o interior do Brasil, gosto muito de ouvir Luiz Gonzaga, que pra mim é um interprete/contador de histórias,


canções, principalmente as versões ao vivo, é o cara e uma sanfona só marcando o tempo ali e ele contando história de personagens, Samarica Parteira, o jumento é nosso amigo, então isso traz elementos que nos fazem, quando viajamos pro nordeste, identificar esses personagens. Conectando com a primeira referência que foi minha mãe, uma grande contadora de histórias que nos trouxe esses personagens nordestinos, então a fotografia que eu faço no nordeste tem a ver com esse banco de imagens que ficou aqui no meu imaginário, e que hoje, viajando para o interior do Brasil, tento traduzir em imagens. Fui tanto na busca de minhas raízes que eu casei com uma paraibana do interior do Brasil. Hoje fico dividido entre Rio de janeiro e a Paraíba onde decidimos ficar com as crianças um ano ou dois. A Casa: Conta pra gente qual foi a importância do projeto educacional conduzido pelo Ripper e pelo Dante na Maré para Ratão Diniz? Ratão Diniz: A Escola de Fotógrafos Populares criada pelo Ripper e pelo Dante foi importantíssima, não só pra mim como morador da Maré, mas pra muitas pessoas, que não necessariamente se tornaram fotógrafos e fotógrafas, mas a fotografia, como já falei, trabalha também com o pertencimento do seu lugar, no sentido de reconhecer o seu lugar, essa experiência que teve na Maré até o ano de 2012, que foi o último ano


da Escola foi importantíssima sem sombra de dúvidas. Não foi uma escola com aquele discurso de coitadinhos que muitos projetos de favela tem, foi um projeto que fez a gente pensar o nosso lugar, isso é muito foda. Essa dedicação foi foda, O Dante trazer a experiência pedagógica da Academia pra dentro da favela desdobrou inclusive a dedicação e estímulo para muitos entrarem na universidade, e sem sombra de dúvidas Dante um grande mestre, uma referencia e grande amigo. Mesmo não tendo mais escola desde 2012, acredito que um dia possa voltar a ter, não sei como esta hoje, me afastei em 2015, a gente continua se encontrando independente da escola, frequentando a casa um do outro, tomando vinho, cerveja, cozinhando um para o outro, isso é muito legal. Portanto a Escola de Fotógrafos Populares vai muito além da sala de aula, quero deixar isso bem registrado, ela ultrapassa esse campo, esse território, ela é vida, ela é prática, vem com a bagagem que cada um traz e descarrega naquele ambiente que vai além da sala de aula, a gente vai se encontrar depois da aula num bar, restaurante, boteco, comer podrão num trailer, ela ultrapassa. A Escola foi fundamental para o que eu sou hoje, não tenho dúvidas, e manter essas relações que foram construídas lá em 2004, mostra o quanto a escola é poderosa.


A Casa: Quais os projetos futuros e quais os sonhos a serem alcançados na fotografia? Ratão Diniz: Pojetos futuros é obvio que a gente sempre tem, é o que nos move. Falar no campo de ter um material, uma publicação. Um projeto que venho me dedicando faz muito tempo que é a documentação do Bloco da Lama que quero poder transformar num livro. Foram 11 anos fotografando, minha ideia inicial eram 10 anos, mas como não fiz nem a boneca ainda, estou me permitindo continuar fotografando mais uns 4 anos, ter 15 no total, e quero muito publicar esse material, é um desejo meu. Quantos a sonhos, quero uma casa no interior com vários quartos e poder receber amigos e amigas, uma cozinha compartilhada no térreo e poder estar reunido com a galera fazendo workshops, ou estar simplesmente se encontrando mesmo com quem quiser frequentar a casa, compartilhando saberes, para quem estiver disponível a viver essa experiência. Estar ali reunido é um sonho de vida, sempre bom estar com pessoas queridas, principalmente num mundo tão doentio, como é bom estar com pessoas saudáveis, querendo contribuir, somar. Isso inclusive era uma ideia para o terreno que temos lá na Paraíba mas, estou quase desistindo por agora, mas o desejo de realizar mesmo em outro lugar permanece. Vivenciar experiências, conversando, cozinhando trocando, porque... tá foda, tá foda.


A Casa: Quais conselhos você daria para jovens artistas que pretendem viver de fotografia? O que Ratão fez certo e o que faria diferente? Ratão Diniz: Conselho é difícil, não existe uma receita pronta, faz isso, faz aquilo. Nem pra bolo tem essa receita totalmente pronta ali, sempre sai diferente, cada forno é único, cada marca. Então assim, o que eu falo, essa pergunta é bem interessante, porque como eu digo que não tem uma receita, mas ela tem uma coisa que me fez refletir muito, o que fez o Marco Portela conhecer o meu trabalho, acredito eu, foi através da fotografia que me propus a fazer, que fotografia é essa? É o meu lugar, fotografar o meu espaço, entender isso esse processo de pertencimento, então acredito que foi isso que fez ele me conhecer. Gosto muito de trocar ideia com a galera, com os estudantes é justamente isso, não existe receita mas existem caminhos a serem explorados, a serem buscados, e sempre falo que é um grande desafio fotografar o nosso lugar, ele é muito comum, e a gente acaba se expondo, a gente como indivíduo, e como também isso é importante para o processo fotográfico, pra você refletir e se colocar no lugar do outro, que somos nós mesmos. Isso é um dos caminhos que eu vejo, buscar essas histórias que é o seu lugar. E quanto o que eu faria diferente, Cara eu estava falando com a Aline hoje, sobre as crises financeiras que a gente esta vivendo, aí eu falei o quanto já ganhei dinheiro com trabalhos, mas as vezes vem um arrependimento, porque não fiz um investimento, porque não guardei dinheiro, mas vou te falar, no final da conversa entre eu e ela


por telefone hoje foi tipo: Não me arrependo de nada. Tudo que eu fiz resultou no que eu sou. Sinceramente eu não sei a dimensão do meu trabalho fotográfico, eu não sei como meu trabalho chega para as pessoas. Um amigo agora lá da Bahia quis comprar umas fotos minhas sobre máscaras, um trabalho que venho me dedicando muito, porra fiquei muito feliz, muito feliz mesmo de poder ver que as pessoas estão vendo e reconhecendo esse trabalho. Falo isso para refirmar que não me arrependo de nada, foi válido, resultou no que eu sou hoje, posso não ter dinheiro, casa, vivo uma vida de cigano, sem endereço fixo, não tenho um lugar, mas estou muito feliz com tudo que conquistei até aqui. Óbvio que a gente idealiza mais, a gente deseja mais. Estou nessas buscas, o livro do bloco da lama, tem esse trabalho que eu tenho me dedicado muito sobre o interior do Brasil sobre as máscaras. Eu estou numa fase muito legal que eu estou deixando de ser urbanoide, de ser cidade, estou fotografando menos favela e menos grafite e entrei nessa segunda fase, num momento bem especial de buscar as minhas raízes, a minha origem e por isso tenho ido ao interior do Brasil, o profundo mesmo, fotografando festas populares, festas focadas nesses personagens das máscaras, personagens do interior do Brasil que tem muito a ver com a história do meu pai e da minha mãe, enfim, esses são meus desejos e minhas buscas.





















Artistas

Andri Costa João Facchinetti Laércio Leão Luiz Carlos Lima Mauro Land Priscila Lira Simone Si

Artista

Convidado

Sonia Rummert

Ratão Diniz


Conselho Editorial Greice Rosa Marcio Menasce Marco Antonio Portela

Projeto Grรกfico Bruno Almeida


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