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Viver, C O L E Ç Ã O

Aprender 7 Ensino Fundamental

o

ANO

Vida cotidiana e participação Carolina Amaral de Aguiar • Claudio Bazzoni • Denise Mendes Dulce Satiko Onaga • Fábio Madeira Helena Henry Meirelles • Heloisa Cerri Ramos José Carlos Fernandes Rodrigues • Maria Amábile Mansutti Maria Cecilia Guedes Condeixa • Marina Marcos Valadão Mirella Laruccia Cleto • Roberto Giansanti Rosane Acedo Vieira • Sueli Aparecida Romaniw

EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

VA 7 ano.indd 1

4/16/13 4:48 PM


Hino Nacional Letra: Joaquim Osório Duque Estrada Música: Francisco Manuel da Silva Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

Deitado eternamente em berço esplêndido,

De um povo heroico o brado retumbante,

Ao som do mar e à luz do céu profundo,

E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,

Fulguras, ó Brasil, florão da América,

Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Se o penhor dessa igualdade

Do que a terra mais garrida

Conseguimos conquistar com braço forte,

Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;

Em teu seio, ó liberdade,

“Nossos bosques têm mais vida”,

Desafia o nosso peito a própria morte!

“Nossa vida” no teu seio “mais amores”.

Ó Pátria amada,

Ó Pátria amada,

Idolatrada,

Idolatrada,

Salve! Salve!

Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido

Brasil, de amor eterno seja símbolo

De amor e de esperança à terra desce,

O lábaro que ostentas estrelado,

Se em teu formoso céu, risonho e límpido,

E diga o verde-louro desta flâmula

A imagem do Cruzeiro resplandece.

– Paz no futuro e glória no passado.

Gigante pela própria natureza,

Mas, se ergues da justiça a clava forte,

És belo, és forte, impávido colosso,

Verás que um filho teu não foge à luta,

E o teu futuro espelha essa grandeza.

Nem teme, quem te adora, a própria morte.

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Terra adorada,

Terra adorada

Entre outras mil,

Entre outras mil,

És tu, Brasil,

És tu, Brasil,

Ó Pátria amada!

Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,

Dos filhos deste solo és mãe gentil,

Pátria amada,

Pátria amada,

Brasil!

Brasil!

4/16/13 4:48 PM


Carolina Amaral de Aguiar

Doutora em História Social pela Universidade de São Paulo

Claudio Bazzonni

Licenciado em Letras e professor de Língua Portuguesa para a EJA

Denise Mendes

Mestre em História e professora de História para o Ensino Médio

Dulce Satiko Onaga Licenciada em Matemática e autora de livros didáticos para a disciplina

Fábio Fernandes Madeira Lourenço

Pós-doutor em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas

Heloisa Cerri Ramos

Licenciada em Letras e formadora de professores para a disciplina de Língua Portuguesa

José Carlos Fernandes Rodrigues

Licenciado em Matemática e mestre em Educação Matemática

Maria Amábile Mansutti

Licenciada em Pedagogia, autora de currículos e materiais didáticos de Matemática para o Ensino Fundamental

Maria Cecilia Guedes Condeixa

Licenciada em Biologia e consultora para o ensino de Ciências

Marina Marcos Valadão

Enfermeira, doutora em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo

Mirella Laruccia Cleto

Licenciada em Letras e professora de Língua Portuguesa para o Ensino Médio

Roberto Giansanti

Licenciado em Geografia e autor de livros didáticos para a disciplina

Rosane Acedo Vieira

Licenciada em Arte, formadora de professores e autora de materiais didáticos para a disciplina

Sueli Aparecida Romaniw

Licenciada em Letras e professora de Língua Espanhola para Ensino Médio e Superior

2a edição, São Paulo, 2013


© Ação Educativa, 2013 2a edição, Global Editora, São Paulo 2013 Global Editora Diretor editorial Jefferson L. Alves Gerente editorial Dulce S. Seabra

Ação Educativa Diretoria Maria Machado Malta Campos Luciana Guimarães Orlando Joia

Gerente de produção Flávio Samuel

Coordenação geral Vera Masagão Ribeiro

Coordenadora editorial Sandra Regina Fernandes

Coordenação editorial Roberto Catelli Jr.

Edição e produção editorial Todotipo Editorial Assistente editorial Rubelita Pinheiro Revisão de texto Alexandra Fonseca Enymilia Guimarães Geuid Dib Jardim Hires Héglan Izabel Cristina Rodrigues Sheila Fabre Sirlene Prignolato Teresa Cristina Duarte Silva

Consultoria Denise Delegá (Língua Inglesa) Assistentes editoriais Dylan Frontana Fernanda Bottallo Estagiária em editoração Camila Cysneiros Apoio EED – Serviço de Igrejas Evangélicas na Alemanha para o Desenvolvimento

Pesquisa iconográfica Tempo Composto Ilustrações Llinares Luis Moura Pingado Sociedade Ilustrativa Planeta Terra Design Cartografia Maps World Mario Yoshida Sonia Vaz Capa Eduardo Okuno Mauricio Negro Foto da capa Paulo Fridman/SambaPhoto (Cais do Mercado Ver o Peso, Belém, PA, 2009) Projeto gráfico e editoração eletrônica Planeta Terra Design

Direitos Reservados Global Editora e Distribuidora Ltda. Rua Pirapitingui, 111 – Liberdade CEP 01508-020 – Sao Paulo – SP Tel.: (11) 3277-7999 – Fax: (11) 3277-8141 e-mail: global@globaleditora.com.br www.globaleditora.com.br

Rua General Jardim, 660 – Vila Buarque CEP 01223 -010 – São Paulo – SP Tel.: (11)3151-2333 – Fax: (11)3151-2333 r.: 135 e-mail: acaoeduca@acaoeducativa.org www.acaoeducativa.org.br

Colabore com a produção científica e cultural. Proibida a reprodução total ou parcial desta obra sem a autorização do editor. No de Catálogo (aluno): 3491


Apresentação

E

sta obra é destinada a jovens e adultos que iniciam ou retomam seus estudos no segundo segmento do Ensino Fundamental. A elaboração da coleção parte do princípio de que a educação, além de um direito, é uma chave importante para o exercício da cidadania e para a plena participação na vida social. Dessa forma, a coleção tem o propósito de oferecer livros de qualidade, que atendam às necessidades específicas de aprendizagem de jovens e adultos. O livro compõe um conjunto de quatro volumes integrados, com propostas de leitura e escrita, conhecimentos matemáticos e científicos, além de temas relevantes da área de Ciências Humanas, que possibilitam uma melhor compreensão de aspectos da realidade brasileira e mundial. Como em toda obra didática, não temos a pretensão de esgotar conteúdos. Realizamos uma seleção de assuntos e conceitos que consideramos essenciais para jovens e adultos que buscam ampliar a sua formação acadêmica e prosseguir em seus estudos. As abordagens das diferentes áreas de conhecimento orientaram-se pelo respeito à dignidade humana, à igualdade de direitos, à participação e pela corresponsabilidade pela vida social. Estudar significa aprender em uma multiplicidade de sentidos: aprendemos conceitos básicos das diversas áreas do conhecimento, desenvolvemos habilidades e podemos nos tornar também mais competentes para refletir sobre o mundo que nos cerca, em seus muitos aspectos. Desejamos, assim, que esse material didático seja um meio para que jovens e adultos consigam maior qualificação escolar. Mas, além disso, criamos um material didático com a intenção de proporcionar um conhecimento significativo aos estudantes, que trazem para a sala de aula muitas vivências pessoais e profissionais. Os autores


Sumário UNIDADE 1 – LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 1 – Que texto é este?

9

Capítulo 2 – Contos muito populares

26

Capítulo 3 – Estudando obras de referência

44

Capítulo 4 – Deu no jornal!

60

Bibliografia

83

UNIDADE 2 – ARTE Capítulo 1 – Mas o que isso quer dizer?

87

Capítulo 2 – E onde eu encontro Arte?

106

Bibliografia

123

UNIDADE 3 – LÍNGUAS ESTRANGEIRAS MODERNAS Capítulo 1 – Língua Inglesa – Situando-se

127

Capítulo 2 – Língua Inglesa – English speaking countries

146

Capítulo 3 – Língua Espanhola – ¿Cómo eres? ¿Cuántos años tienes?

165

Capítulo 4 – Língua Espanhola – ¿Cómo es tu rutina?

182

Bibliografia

196

UNIDADE 4 – HISTÓRIA Capítulo 1 – Governos ao longo da História

201

Capítulo 2 – Pensar e fazer política: um mundo contemporâneo

220

Capítulo 3 – Independências e novos dilemas

234

Bibliografia

249


UNIDADE 5 – GEOGRAFIA Capítulo 1 – Um mundo de Estados nacionais

253

Capítulo 2 – Organizações internacionais e de integração regional

272

Capítulo 3 – Brasil, século XXI

288

Bibliografia

309

UNIDADE 6 – CIÊNCIAS Capítulo 1 – Universo, Terra e vida

313

Capítulo 2 – Alimentação e cultura

334

Capítulo 3 – Nutrição e funcionamento do sistema digestório

351

Bibliografia

371

UNIDADE 7 – MATEMÁTICA Capítulo 1 – Números no dia a dia

375

Capítulo 2 – O dia em duas rodas

395

Capítulo 3 – Conectando

413

Capítulo 4 – Mutirão e moradia

429

Bibliografia

447


UNIDADE 1

Língua Portuguesa


Capítulo

1

LÍNGUA PORTUGUESA

Que texto é este?

S

empre que interagimos por meio da linguagem verbal, criamos textos que necessariamente se concretizam em um gênero. Neste capítulo, você vai estudar como os textos se organizam em certas categorias socialmente reconhecidas para possibilitar as atividades humanas. Você vai refletir também sobre a língua usada em um gênero, pois uma língua se manifesta sob várias formas. Para começar, analise a reprodução de uma correspondência. RODA DE CONVERSA

Luz Local

Aviso de Interrupção Programada de Energia Elétrica No Cliente

Instalação

Emissão

Cliente

999000999 ABC 998899 11 JUN 2013 VXY 0019

Tempo Composto

Examine com seus colegas a correspondência a seguir e respondam às questões.

TEODORO RAMOS R. DAS ÁRVORES, 1

Interrupções 23/06/2013 – sábado, de manhã, das 8h30 às 13h30.

Prezado(a) Cliente, Informamos que o fornecimento de energia elétrica para este imóvel será interrompido, no(s) período(s) acima mencionado(s), para a realização de serviços na rede de distribuição. A energia elétrica é muito importante no dia a dia dos clientes. Por isso, realizamos intervenções na rede sem afetar o fornecimento de energia. Porém, em alguns casos, a interrupção de energia é realmente necessária para garantir a segurança de funcionários e clientes. Estamos trabalhando na melhoria de energia para você. Para esclarecer qualquer dúvida sobre este assunto, entre em contato conosco. Atenciosamente, Luz Local

1. Quem enviou a correspondência? A quem ela foi enviada? 2. O que o remetente pretendia informar? 7º ano

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3. E se o remetente, ao contrário de enviar uma correspondência, tivesse decidido telefonar para o 4. 5. 6. 7. 8.

morador? Que inconvenientes haveria nessa escolha? E se o remetente, com o objetivo de informar os moradores, tivesse colocado um aviso na rua (num poste ou num estabelecimento comercial)? Que inconvenientes haveria nessa escolha? Por que você acha que o remetente escolheu enviar uma correspondência? Você saberia dizer que forma textual foi utilizada nessa correspondência? Suponha que você queira contar a alguém de casa que vai faltar energia elétrica durante algumas horas em determinado dia. Como você faria isso? Que outra forma textual você poderia usar?

GÊNERO TEXTUAL Você reparou que sempre que nos comunicamos por meio da linguagem verbal usamos certo gênero de texto? Nossos textos, sempre que se concretizam, aparecem em determinado gênero. A conversa familiar é um gênero de texto; o aviso também. Vamos analisar outras situações. Quando você quer que uma empresa tome conhecimento de sua qualificação para desempenhar uma função e sua experiência profissional naquela área, o que você faz? De modo geral, a pessoa cria um currículo. Às vezes, uma empresa pede que algumas pessoas, pelas quais ela se interessou em ter como funcionárias, compareçam a sua sede. A finalidade é saber pessoalmente de alguns outros detalhes e tirar dúvidas sobre qual delas é a mais indicada para preencher a vaga. Esse procedimento – que é uma forma de texto – é conhecido como entrevista. O currículo é um texto escrito; a entrevista de emprego é um texto oral. Vamos em frente: você às vezes registra num papel o conjunto de produtos que precisa comprar no supermercado, certo? Às vezes um órgão reconhecido pelo estado comprova em uma folha de papel um evento, como o nascimento ou a morte de alguém. No primeiro caso, se faz uso de um gênero de texto chamado lista; no segundo, ele se chama certidão (de nascimento ou de óbito). Ambos os gêneros são constituídos por textos escritos, mas o primeiro é informal e o segundo, formal. A certidão segue um modelo rígido; o currículo profissional nem tanto. Um currículo não tende a explorar a criatividade de seu autor, mas pense em uma telenovela a que já assistiu. Claro que é possível reconhecer traços comuns a várias delas, tanto que você chama todas de “telenovela”, mas cada uma é única, fruto do trabalho criativo de seu autor – diferente, portanto, da certidão e do currículo no que diz respeito à liberdade de composição. E a telenovela? É um gênero oral ou escrito? Ela é concebida em meio gráfico, mas concretizada em meio oral. Em resumo: um gênero pode ser oral ou escrito, mais ou menos formal, mais pessoal ou mais público, de formato mais livre ou mais fixo, pode ser literário ou não. Os gêneros textuais contribuem para organizar as atividades humanas. Por 10

Língua Portuguesa


exemplo, os vencimentos de um funcionário são declarados em um gênero textual denominado holerite, que se torna um documento requisitado em algumas operações, como a abertura de um crediário, de uma conta bancária. Há entidades que dão informações por meio de chat ou bate-papo virtual. Também nesse caso pode-se dizer que o gênero chat organiza as atividades humanas. A essa altura, você já deve ter concluído que gêneros novos podem aparecer. Isso mesmo. Anos atrás, não havia o gênero e-mail, o gênero blog... APLICAR CONHECIMENTOS I

1. Considere a seguinte situação: Maria Cristina Almeida mora na rua dos Pássaros, uma tranquila rua sem saída no Jardim Felicidade. Sua casa é a de número 20. Ela sabe de cor seu CEP: 01122-333. Maria Cristina vai enviar uma carta para a prima, Consuelo Furtado de Almeida. O destino da carta é o apartamento 31 do prédio de número 378, que fica em uma esquina da avenida Rocha Campos. Foi preciso que Consuelo consultasse um guia de endereços para saber o CEP dessa rua, mas não foi difícil encontrá-lo. Lá estava: 03322-111. A carta não vai sair do estado de São Paulo, porém vai viajar da cidade de Rio Manso para a cidade de São Manuel. (Apenas o nome do estado de São Paulo é real. Todos os outros nomes – de cidades, ruas e pessoas – são fictícios). a) A correspondência será enviada em um envelope. O endereço postal é um gênero textual.

Produza esse gênero na ilustração de envelope que segue. Complete a frente com os dados do destinatário e o verso com os do remetente.

Ilustração digital: Planeta Terra Design

O endereço postal é formado pelo nome, logradouro, bairro, CEP, cidade, estado e país. A indicação do bairro não é obrigatória; a do país só é necessária se a correspondência for internacional.

Selo

7º ano

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Ilustração digital: Planeta Terra Design

b) Por que é importante manter determinada ordem e distribuição dos dados no envelope, para

produzir o gênero endereço postal?

c) De que gênero de carta trata-se a carta de Maria Cristina? d) Mencione outros gêneros de carta que você conhece.

2. Leia o texto abaixo, do escritor Luis Fernando Verissimo, publicado no jornal O Estado de S. Paulo.

P erdedor, ve n cedor O perdedor cumprimentou o v encedor. A pertaram-se as mãos por cima da rede. D epois, foram para o v estiá rio, lado a lado. No v estiá rio, enq uanto tirav am a roupa, o perdedor apontou para a raq uete do outro e comentou, sorrindo: – T ambém com essa raq uete...

12

Língua Portuguesa

Era uma raq uete importada, ú ltimo tipo. M uito melhor do q ue a do perdedor. O v encedor também sorriu, mas não disse nada. Começou a descalçar o tê nis. O perdedor comentou, ainda sorrindo: – T ambém, com esses tê nis...


O v encedor q uieto. T ambém sorrindo. Os dois ficaram nus e entraram no c uveiro per dedor examinou o v encedor e comentou: – T ambém, com esse fí sico... O v encedor perdeu a paciê ncia. – Olha aq ui – disse. – V ocê poderia ter um fí sico igual ao meu, se se cuidasse. S e perdesse essa barriga. V ocê tem dinheiro, senão não seria só cio deste clube. Pode comprar uma raq uete igual à minha e tê nis melhores do q ue os meus. M as sabe de uma coisa? Não é eq uipamento q ue ganha jogo.

É a pessoa. É a aplicação, a v ontade de v encer, a atitude. E v ocê não tem uma atitude de v encedor. Prefere atribuir sua derrota à minha raq uete, aos meus tê nis, ao meu fí sico, a tudo menos a v ocê mesmo. S e parasse de admirar tudo q ue é meu e mudasse de atitude, v ocê também poderia ser um v encedor, apesar dessa barriga. perdedor ficou em sil ncio por alguns se gundos, depois disse: – T ambém, com essa linha de raciocí nio... O Estado de S. Paulo, 21 mar. 2010, p. D16.

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Eagleflying/Dreamstime.com

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Alessandro Rizzolli/Dreamstime.com

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Machiavel/Dreamstime.com

a) Assinale a situação que representa aquela em que o vencedor e o perdedor do texto se encontraram.

b) O vencedor consegue convencer o perdedor de que a vitória estava ao alcance dele também?

Explique. c) O que se deve entender por “linha de raciocínio”? Ela pode ajudar alguém a vencer uma par-

tida? Explique. d) O objetivo do texto ao abordar o tema ali presente é:

(

) apresentar em detalhes o que leva alguém a vencer todos os jogos.

(

) divertir o leitor por meio de uma história.

(

) convencer o leitor a acreditar em si próprio, por meio de argumentos objetivos.

(

) receitar estratégias para o leitor conquistar autoconfiança.

e) Escreva V se a declaração for verdadeira e F se for falsa.

(

) O texto apresentado constitui um gênero literário.

(

) O texto é um exemplo de gênero oral.

(

) O texto é mais formal que informal.

(

) O texto segue um modelo bastante rígido de composição.

f) Você sabe a que gênero da esfera jornalística pertence o texto de Luis Fernando Verissimo? Se

sim, responda. 7º ano

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g) Que outros gêneros presentes na esfera jornalística você pode citar? h) Suponha que um leitor de jornal soubesse que, em determinado caderno e página, sempre

é publicado um texto do mesmo gênero que “Perdedor, vencedor”. Você acha que ele vai ter determinadas expectativas antes mesmo de começar a ler? Justifique sua resposta.

LER PARA CONHECER OS GÊNEROS E CONHECER OS GÊNEROS PARA LER A palavra “texto” significa “tecido”, precisamente, “aquilo que foi tecido”. A relação está justamente na ideia de fios que são entrelaçados, tramados, enredados, para criar uma peça. Quando olhamos para o produto final – seja o tecido, seja o texto –, nem percebemos os vários fios; enxergamos uma unidade. Pois bem, para compreender essa unidade, ou seja, o texto, mobilizamos alguns conhecimentos à nossa disposição. Um deles tem a ver com a familiaridade que temos com o gênero daquele texto. Vamos ver como isso acontece. Por que todos que escrevem uma notícia de jornal fazem mais ou menos a mesma coisa? Ora, porque os redatores de notícias têm o mesmo objetivo – apresentar fatos importantes que aconteceram – e é natural que acabem usando as mesmas estratégias para atingir seu propósito. No caso da notícia, por exemplo, as estratégias seriam ouvir todos os lados envolvidos, citar nomes, relatar com objetividade. E qual é a importância desse fato? Isso exerce influência sobre o texto, pois deixa suas marcas sobre ele, o que naturalmente tem implicações na leitura a ser feita. Vamos passar para outra etapa: o que faz o leitor de notícia? Ele pode usar sempre as mesmas estratégias para ler notícias, pois sabe o que pode esperar desse gênero. O que acontece é que, aos poucos, o jeito de produzir um gênero (notícia, por exemplo) vai se cristalizando na sociedade. Aí o gênero se torna um objeto que as pessoas podem aprender a ler e a produzir, tanto os leitores comuns, os estudantes na escola, como os estudantes de jornalismo. Cada um no seu nível de profundidade de leitura. É claro que, se as necessidades da sociedade em relação às notícias mudarem, o gênero notícia vai passar por mudanças. Neste momento, é importante que você saiba que a consciência de estar diante de determinado gênero, e não de outro, já prepara o leitor para determinada reação, que abre caminho para a compreensão. Outro exemplo: se o leitor lê um capítulo de livro de Ciências sobre a fase da puberdade, ele se prepara para obter informações técnicas e sabe que ali as palavras têm um sentido bem preciso. Se lê um conto em que a personagem vive um episódio pessoal relativo às mudanças dessa fase, o leitor está aberto para se emocionar, para viver imaginariamente uma experiência. Ele sabe que as palavras ali podem significar mais de uma coisa ao mesmo tempo e instigam sua sensibilidade. Enfim, sabendo diante de que gênero de texto está, o leitor pode pressupor o que vai “colher”. Isso o ajuda muito na interpretação de textos. 14

Língua Portuguesa


Mais uma observação: é difícil (praticamente impossível) conhecer e dominar todos os gêneros que existem. É mais fácil dominar aqueles que circulam nas esferas sociais das quais participamos.

APLICAR CONHECIMENTOS II

1. Considere a seguinte situação: uma pessoa deseja se informar sobre a dengue. a) Que conteúdos ela pode encontrar a esse respeito no capítulo de um livro de Ciências? b) E em uma notícia de jornal?

Coloque o lixo em sacos plásticos e mantenha a lixeira bem fechada. Não jogue lixo em terrenos baldios.

Jogue no lixo todo objeto que possa acumular água, como embalagens usadas, potes, latas, copos, garrafas vazias etc.

Mantenha o saco de lixo bem fechado e fora do alcance de animais até que ele seja recolhido pelo serviço de limpeza urbana.

Plantas e jardins

Encha de areia até a borda os pratinhos dos vasos de planta.

Remova a água acumulada no pratinho da planta. Lave-o com escova, água e sabão.

Se você tiver vasos de plantas aquáticas, troque a água e lave o vaso, principalmente por dentro, com escova, água e sabão pelo menos uma vez por semana.

Caixas-d’água, calha e lajes

Não deixe a água da chuva acumulada sobre a laje.

Remova folhas, galhos e tudo que possa impedir a água de correr pelas calhas.

Mantenha a caixa-d’água sempre fechada com tampa adequada.

Mantenha bem tampados tonéis e barris com água.

Lave semanalmente por dentro com escova e sabão os tanques utilizados para armazenar água.

Lave principalmente por dentro com escova e sabão os utensílios usados para guardar água em casa, como jarras, garrafas, potes, baldes etc.

Lixos

Tonéis e depósitos de água

Ilustrações digitais: Llinares

2. Examine o folheto a seguir.

a) De modo geral, qual é o conteúdo desse folheto? b) Em um capítulo de um livro de Ciências, esse conteúdo pode ser apresentado apenas por meio

da linguagem verbal em um texto escrito em parágrafos, sem que se utilizem imagens. Por que essa forma de texto não é adequada ao gênero folheto?

A LÍNGUA E O GÊNERO Tanto os gêneros orais como os escritos podem ser mais ou menos formais. Quando escrevemos um bilhete a um amigo, podemos ser informais; porém, quando escrevemos um requerimento para a secretaria da escola, devemos ser mais formais. Algo semelhante ocorre na manifestação oral da língua. Fornecer 7º ano

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informações a uma autoridade e conversar com as pessoas da família são situações que também ilustram, respectivamente, maior e menor grau de formalidade. Isso quer dizer que, em situações formais, tanto oralmente como por escrito, empregamos a norma culta, que é como em geral se denomina a variedade de língua aprendida na escola ou assimilada nos ambientes de pessoas que cultivam o hábito da leitura. A formalidade e a informalidade têm a ver com o gênero que estamos usando, mas também com a situação, com as características pessoais de quem está envolvido. A entrevista ao vivo, por exemplo, é um gênero que pode se manifestar com mais ou menos formalidade, dependendo do entrevistado e do contexto da entrevista. Esses dois registros (formal e informal) fazem parte da variação que a língua apresenta de acordo com a situação em que é usada. A isso se chama variação situacional.

OUTRAS VARIAÇÕES DA LÍNGUA Os falantes de português estão em espaços diferentes, e há uma ligação entre a região de origem e a língua que se usa. Em certas regiões a palavra morango é pronunciada “murangu”; em outras, “morangu”. Em Minas Gerais e no Nordeste se usa a palavra muriçoca; em alguns estados do Sudeste, como São Paulo, para o mesmo inseto, usa-se pernilongo. Ocorrências como essas são consequências da variação regional ou geográfica que a língua sofre. Se considerarmos determinada região, com falantes vindos de camadas sociais diferentes, podemos encontrar outras diferenças. Estamos nos referindo à variedade social. Falantes escolarizados (que empregam o chamado português culto) e não escolarizados (que empregam o que se denomina português popular) constituem grupos que apresentam alguns traços específicos. Esses traços aparecem na pronúncia, na concordância, na escolha de alguns pronomes e em outras ocorrências. Por exemplo, o que se registra por escrito como lh em orelha é pronunciado, no português popular, como uma espécie de “i”. No português culto, a pronúncia se dá com o dorso da língua encostando no céu da boca. Em algumas regiões, no português popular, para indicar a pessoa com quem se fala, a preferência é o pronome lhe: “eu lhe conheço” é uma forma mais usada que “eu o conheço”. Na variedade popular também é mais comum simplificar as marcas de plural (“as criança”), enquanto na variedade culta os dois termos ficam no plural (“as crianças”). Examine estes exemplos: • a pronúncia “falamu” para o verbo que se grafa falamos; • a pronúncia “óclus” em vez de “óculus”, quando se grafa óculos; • a construção “Só sobrou dois pote”, em lugar de “Só sobraram dois potes”; • a construção “Não teve aula”, em lugar de “Não houve aula”. Embora os usos acima possam ser inicialmente associados à variedade popular, em certas ocasiões eles também são constatados em falantes da variedade culta. 16

Língua Portuguesa


Como se vê, em algumas ocorrências, a fronteira na variedade social não é rígida. Além disso, não é só no critério socioeconômico que as diferenças se fazem sentir. Elas também podem se dar quanto à faixa etária e ao sexo, por exemplo. Em outras palavras: jovens não falam como indivíduos da terceira idade; homens nem sempre usam o mesmo vocabulário que as mulheres.

APLICAR CONHECIMENTOS III

1. Os habitantes de Florianópolis são conhecidos por uma maneira típica de falar. Leia alguns exem-

plos dessa variedade linguística. • Minha mãe tem sono minha mãe. • A sopa tá quente a sopa. • Quem fez isso quem? • Quando começa a festa quando? a) O que caracteriza a construção de frases nesses quatro exemplos? b) Assinale o tipo de variação que foi exemplificada.

(

) Situacional

(

) Social

(

) Geográfica

c) Como as frases acima seriam construídas na variedade usada em sua região? 2. O trecho abaixo foi extraído de um romance. Leia-o. 1

5

10

15

20

− Assó, a gente faz o cerco. Não tem caô, maluco! Confia não? Tô aqui, mermão. Limpeza! A voz da fome falando grosso. Quase gritando. Eu tenho medo. Colo o corpo à parede, sob a marquise. Puxo o papelão pra cobrir as costas. Falta papel. Merda, catei a caixa maior. Não dá pra nada. Vou morrer de frio. [...] − Sai dessa, mermão! A voz da fome sempre devolve meus pés ao chão, mas não quero escutá-la. Ainda guardo na memória a última vez que lhe dei ouvidos. Não faz tanto tempo assim, foi na semana passada. Começou como agora, falando, falando, e, com a fala, o desespero dando nó nas tripas. A fome, quando assume o comando, é assim: mistura razão e sentimento, não separa anjo de arcanjo, como a vó me ensinou. Daí, não pensei duas vezes. Vi de longe o casal vindo pelo canto da praça. [...] [...] Tudo parecia a favor. Olhei em volta e me preparei para o cerco, geralmente feito por quatro ou cinco moleques. Mas, daquela vez, decidi fazer a limpa sozinho. [...] Cerquei o casal [...]. O cara sorriu e encarou. Encarou feio. Do alto de meu metro e dez de altura, medrei diante dele. O cara me socou de jeito. GLOSSÁRIO [...] Caô (gíria): problema, encrenca; mentiAcordei no sufoco, com um monte de gente sobre mim, sem ra contada com intenção de enganar. ninguém pra dar uma força, um socorro. [...] Marquise: cobertura na parte externa TEOBALDO, Délcio. Pivetim. São Paulo: Edições SM, 2009. p. 7-10.

de um edifício que serve de abrigo.

7º ano

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a) O narrador é uma personagem da história. Caracterize-a com base no que você leu. b) Nesse trecho, a fome é personificada, isto é, ela é representada como se fosse uma pessoa. Em

que trechos isso pode ser comprovado? c) O que a fome sugere à personagem? Por que ela reluta em seguir a sugestão da fome? d) A personificação da morte é um recurso que o autor do romance usou para representar a rea-

lidade. Que ocorrência possível na realidade esse recurso está representando? e) O narrador emprega termos que são próprios de uma variedade informal. Cite quatro dessas

ocorrências. f) No trecho “não quero escutá-la” (linha 8), o narrador emprega uma variedade formal ou in-

formal? Como é comum construir essa frase na outra variedade? g) Na maior parte do texto, o narrador emprega uma variedade formal ou informal? E a fome? h) A fala da fome é característica de um grupo social. Qual? Cite quatro expressões que caracte-

rizem mais fortemente esse grupo (mesmo não sendo exclusivas dele). i) Pense em grupo social bem definido. Pode ser pela idade, pelo sexo, pela faixa socioeconômi-

ca, pela ocupação profissional. Dê exemplo de uma ou duas falas que permitiriam identificar esse grupo. j) Releia estas expressões usadas pela fome: • Tô. • Não tem [algo]. • Confia não?

– As duas primeiras são exemplos de uma variação situacional que a língua manifesta: o registro informal. Quais as formas correspondentes no registro formal? – A terceira é exemplo de uma variedade regional. Como ela seria formulada em outra variedade regional? k) As expressões “mermão” e “assó” são maneiras de representar, na escrita, como às vezes pronunciamos certas expressões na fala espontânea. – Como essas expressões seriam normalmente escritas? – Qual é a provável razão para elas terem sido grafadas da forma que aparece no romance? 3. No trecho, releia a parte em que o narrador conta sobre sua tentativa de assalto. A apresentação que ele faz dos fatos é adequada ao gênero ficcional romance. Se fossem relatados no gênero notícia de jornal, o texto seria diferente. Escreva um pequeno texto adequado ao gênero da esfera jornalística.

REFLETINDO SOBRE A VARIAÇÃO LINGUÍSTICA Não há um único jeito de falar uma língua. A língua portuguesa (como outras) manifesta-se em muitas variedades. No fundo, não falamos uma língua, mas uma (ou mais) variedades de uma língua. 18

Língua Portuguesa


1.

2.

Ilustrações digitais: Llinares

É comum algumas pessoas associarem certas variedades ao jeito “certo” de falar e outras, ao jeito “errado” de falar. A primeira observação quanto a isso é que não existe o “certo” ou o “errado”. Se a variedade é eficiente para estabelecer comunicação e é reconhecida pelos falantes que a usam, então ela é válida. Veja a analogia que se pode fazer a partir das ilustrações a seguir.

Há algo errado com as peças da ilustração 1? E com as peças da ilustração 2? Possivelmente você pensou que não; nos dois casos, elas cumprem o propósito básico de cobrir e proteger o corpo. Mas seria estranho usar as peças da primeira ilustração para ir a uma festa de formatura, certo? Será, então, que podemos dizer que elas são erradas? Não é bem isso. Segundo nossos costumes, elas são inadequadas para a situação “festa de formatura”. Inversamente, elas são perfeitas para a praia. Vamos voltar à questão da linguagem. Também aqui o que é preciso levar em conta é a questão da adequação. Há situações e gêneros formais que pressupõem o emprego do português culto, em vez do português que usamos espontaneamente. Por um lado, o adequado (poderíamos dizer certo) nesse caso é usar a variedade culta. Por outro lado, interagindo com pessoas do nosso círculo de relacionamento e querendo sugerir proximidade, o mais adequado (ou o mais certo) é ser mais espontâneo. Nesses casos, acabamos empregando algumas formas do português popular. Você percebeu que a variedade popular pode, então, ser “certa”? É isso! Uma variedade não é, em si, “errada” nem “certa”. Dessa forma, podemos afirmar que só fala errado quem não consegue se comunicar. Se pensarmos na variação geográfica, classificar como certo ou errado é ainda mais absurdo. Nenhuma comunidade falante de português é dona da língua portuguesa e pode ditar como se deve falar. O que chamamos de sotaque faz parte da natureza da língua. A língua muda com o tempo e varia num dado momento. O que há por trás do prestígio de certas variedades não é algo de natureza intrinsecamente linguística. Ou seja, uma variedade não é naturalmente superior a outra. Por trás do prestígio de certas variedades, há algo que é de natureza social. 7º ano

19


O trecho transcrito a seguir vai ajudar a observar isso. Ele foi escrito por estudiosos do português brasileiro: o professor Ataliba Castilho e a professora Vanda Maria Elias. [...] Durante o Brasil Colônia, o português padrão brasileiro coincidia com o português padrão lusitano. Até aquela época não havia diferenças entre o português de aquém e de além-mar. Com a independência e a ascensão dos brasileiros a cargos governamentais, configurou-se outra variedade de prestígio, e com isso o português culto do Rio de Janeiro, capital da Colônia, e depois do Império e da República, foi considerado um novo padrão, passando a ser utilizado nos materiais didáticos como a modalidade a ser adotada por quem quer que buscasse prestígio linguístico em sua comunidade. Com a mudança da capital para Brasília e o desenvolvimento de outras regiões, passou a ocorrer no Brasil uma situação de policentrismo cultural, estabelecendo-se mais de um português culto. Ou seja, também a famosa norma culta varia em nosso país. CASTILHO, Ataliba T. de; ELIAS, Vanda Maria. Pequena gramática do português brasileiro. São Paulo: Contexto, 2012. p. 460.

Você percebeu as razões pelas quais uma variedade torna-se uma variedade de prestígio?

A EXISTÊNCIA DE UMA MODALIDADE QUE É REFERÊNCIA Se, como já foi dito, todas as variedades funcionam com eficiência, então qualquer uma poderia ter o status de padrão, modelo. O que garante essa possibilidade a uma variedade e não a outra são critérios externos à língua, como o prestígio que seus falantes têm na sociedade. A variedade usada pelos falantes socialmente prestigiados é a que vai se tornar referência para a modalidade escrita; é a que vai se tornar oficial. Isso quer dizer que é nela que vão ser enunciadas leis pelo Estado, é nessa modalidade que os estudiosos vão publicar seus trabalhos, que a imprensa vai divulgar os fatos. Naturalmente o funcionamento dessa variedade vai precisar ser aprendido por todos – que, todavia, não vão deixar de usar sua variedade de origem e outras variedades situacionais. Essa aprendizagem pode se dar em meio a diversas circunstâncias. Uma delas é, sem dúvida, o contexto escolar. Você já se perguntou por que é importante haver uma variedade que seja referência geral? Entre outras coisas, para favorecer a comunicação. De fato existem muitas variedades, mas convém que todos conheçam uma e a tenham como referência. Isso não significa que as outras variedades deverão ser avaliadas de acordo com os critérios daquela que é a referência. Isso não pode acontecer. Imagine avaliar que bois são animais incompletos, porque não voam! Voar é traço de outra categoria de animal. Em se tratando de linguagem, a língua que um grupo fala (e que é expressa por uma variedade) ajuda a compor a identidade desse grupo. Desprezá-la é uma atitude de preconceito linguístico. 20

Língua Portuguesa


Por questões individuais, podemos ter simpatia pelo sotaque de um lugar e antipatia pelo de outro; podemos achar pitoresco o vocabulário de um grupo e seu jeito de construir frases – ou irritante. Do mesmo modo que preferimos um ritmo musical a outro, um estilo de roupa a outro. Mas, se a situação é a seleção de alguém para um emprego, por exemplo, não podemos avaliar um indivíduo pelo fato de ele usar determinada variedade geográfica. Quanto à variedade culta do português, já vimos que ela é utilizada em determinados gêneros, por isso é importante conhecê-la, para podermos ter acesso ao que é produzido nessa variedade e para produzirmos textos que a exigem. O domínio da variedade culta por parte dos falantes é gradual e vem por diversos caminhos: pela leitura de gêneros que a empregam, pelo contato direto com falantes cultos, pelo ensino formal na escola.

APLICAR CONHECIMENTOS IV

O trecho que você vai ler foi escrito por um importante estudioso da linguagem, o professor Sírio Possenti. Ele foi publicado em uma revista mensal voltada à língua portuguesa. Palavras congeladas [...] No final de uma conferência em Campo Grande, há anos, um dos ouvintes forneceu um dado do português local. Tratava-se da fala de um tropeiro, que, perguntado por que se queixava de pobreza, se tinha uma dúzia de mulas, respondeu: “Pois é, a gente não pode pissuí, mas a gente pissói”. [...] Várias formas do dialeto caipira, longe de serem “corrupções” atuais da língua culta, são formas da antiga língua culta, conservadas no dialeto. Foi a língua urbana que mudou, e formas que eram corretas nos séculos XV e XVI – que a escrita [...] documenta – são hoje associadas aos caipiras, pois só eles ainda as usam. Muitos supõem que são deturpações de formas corretas atuais, mas são as GLOSSÁRIO boas e velhas formas mantidas como tais. Caipira: habitante do interior das O que ocorreu é que perderam prestígio. O leitor estranhará, regiões Sudeste e Centro-Oeste, especialmente São Paulo. mas entre formas caipiras que são do século XVI estão acupá, Corrupção: deterioração, perda das agardecê, dereito, escuitá, fruita, inxúito. E outras do mesmo calibre, características originais de algo. como “alevantar” [...]. Dialeto: variedade geográfica com menor prestígio que o idioma oficial. Um olhar histórico mostra que muitos juízos relativos a línguas Tropeiro: condutor de gado. e falantes podem ser apenas falsos. Revista Língua Portuguesa, n. 80, jun. 2012. Disponível em: <http://revistalingua.uol.com.br/textos/80/palavras-congeladas-260784-1.asp>. Acesso em: 16 ago. 2012.

1. Releia a frase atribuída ao tropeiro, no primeiro parágrafo. Reescreva-a, substituindo as palavras

grifadas por seus equivalentes na variedade culta do português atual. 2. Quando se afirma que certa palavra é uma corrupção de outra, o julgamento que se faz dessa pa-

lavra é positivo ou negativo? Explique.

7º ano

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3. A forma “pissói”, usada pelo tropeiro, costuma ser considerada uma variante indevida da forma

culta atual. O que o autor do texto diz sobre isso? 4. O texto abaixo apresenta, com outras palavras, a explicação que o professor Sírio dá para a fala do

tropeiro. Só que ele está incompleto. Para completá-lo, escolha uma das palavras entre colchetes. No interior de São Paulo, no século XVI, usava-se uma variedade do português considerada

[popular / culta]. Certas palavras dessa variedade não sofreram

mudança e se conservaram até hoje. Já na língua falada no centro urbano, essas palavras sofreram alterações. [popular / culta] falada no interior

Ocorre que a variedade

[ganhou / perdeu] prestígio, e a falada no centro urbano [ganhou / perdeu]

projeção.

Hoje, a variedade que é referência é aquela empregada no centro urbano, por isso fica parecendo que as palavras que não estão de acordo com essa variedade são erradas. 5. De acordo com o texto, em certas regiões as palavras a seguir sofreram mudanças e assumiram

novas formas. Escreva essas novas formas. a) acupá

c) dereito

e) fruita

b) agardecê

d) escuitá

f) inxúito

g) alevantar

6. Discuta com seus colegas e professor: você já teve uma maneira de falar apontada por alguém

como “errada”? Qual foi a sua reação?

PLANEJANDO A FALA

No seu dia a dia você emprega diversos gêneros orais. Alguns exigem mais formalidade e, nesses casos, a fala precisa ser refletida, monitorada. Uma entrevista, por exemplo, pode ser mais ou menos formal, conforme as características do entrevistado e a situação. Você vai inicialmente analisar uma fala de entrevista e depois planejar a sua fala para conceder uma entrevista.

PARTE 1 – ANÁLISE O trecho que será analisado é o de uma entrevista realizada com a atriz Regina Casé no programa Roda Viva, da TV Cultura, em outubro de 1988. Paula Dipp é quem faz as perguntas nessa parte. Primeiro, assista a um trecho do programa que está disponível em www.rodaviva.fapesp.br/ materia/71/entrevistados/regina_case_1988.htm. Em seguida, leia a transcrição feita dessa entrevista. 22

Língua Portuguesa


Paula Dipp: Regina, vou mudar completamente de assunto. Mas eu estou superimpressionada com a sua beleza. Eu quero falar um pouco da sua beleza. Você não tem uma beleza clássica, se a gente olhar para a Regina, a gente não vai dizer: “Ela não tem aquele narizinho, aquela boquinha”. Mas você tem uma coisa muito forte. Como é que você lidou com isso? Com a não beleza e a beleza na sua adolescência? Quando você começou a ser atriz, quando você era pequenininha? Você tinha o dente um pouco para a frente, o nariz assim um pouco assim ou assado? Como é que é isso pra você? Regina Casé: Eu não era feia quando eu era pequena, nem no colégio, nem nada [risos]. Eu sempre arrumei namorado. Tive namorados maravilhosos e lindos.  Até hoje, entendeu? Superlegal, nunca foi aquela infeliz que ninguém tira para dançar, nem que alguém acha feia ou no colégio. Eu só fiquei feia quando eu virei artista e, aí, eu não era a Bruna [Lombardi], não era a Maitê [Proença] e tal. Não tinha aquele olho azul, não era loura. Principalmente loura de olho azul, é o que complica mais, né? A não ser que você seja a Sônia Braga para superar o fato de você não ser loura de olho azul no Brasil. Paula Dipp: Mas você é a musa, né, musa de Caetano [Veloso] e tudo? Regina Casé: Aí acho que veem outros lados, entendeu?  Todo mundo me achava legal, eu também me achava legal, entendeu? Bonita, gostosa [risos]. Aí começou sair um monte de matéria assim: feiosa, magricela, dentuça.  Aí vai saindo tanto, tanto, tanto, que todo mundo fica achando que você é assim, mas, apesar disso, ela é tão engraçada, tão inteligente! [risos] Ela supera isso tudo e não sei o que e tal. Aí, eu fiquei ocupando esse papel, porque não tinha muito outra... Não ia escrever cartas para os jornais: “Gente, vamos reparar, eu tenho um lado legal, tenho meu charme, no fundo eu sou sexy”! [risos] Não dava para eu fazer uma campanha para ficar bonita. Mas, quer dizer, eu também não era bonita quando eu era pequena, isso é verdade. Eu era muito magra, tinha aquele “joelho de biafra” que faz assim [une os joelhos]. Mas logo que eu cresci assim, fiquei adolescente, era legal. Não era bonita nem feia, era normal, entendeu? [...] Disponível em: <www.rodaviva.fapesp.br/materia/71/entrevistados/regina_case_1988.htm>. Acesso em: 16 ago. 2012.

Debata com seus colegas e professor as questões a seguir. 1. Se foi possível assistir ao vídeo, foi mais fácil acompanhar a entrevista lendo a transcrição ou as-

sistindo ao vídeo? 2. Regina Casé é eficiente ao expressar um ponto de vista. Tanto que o público consegue relatar o

que ela disse sobre a própria beleza. Relate brevemente as principais ideias que a entrevistada expôs em suas respostas. Agora, leia algumas observações sobre o texto oral produzido no gênero entrevista. a) Tanto a entrevistada como a entrevistadora produziram seus textos à medida que eles eram apresentados, ou seja, eles não foram previamente escritos para serem lidos. Devido a isso, muitas reformulações ficaram aparentes. Exemplo: • [...] se a gente olhar para a Regina, a gente não vai dizer: “Ela não tem aquele narizinho,

aquela boquinha”. 7º ano

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Do modo como começou, a frase deveria ter terminado assim: • [...] se a gente olhar para a Regina, a gente não vai dizer: “Ela não tem aquele narizinho, aquela boquinha”. O final que a frase recebeu seria coerente se ela tivesse começado de outro jeito: • [...] se a gente olhar para a Regina, a gente não vai dizer: “Ela não tem aquele narizinho, aquela boquinha”.  b) Algumas frases não explicitavam detalhes que estavam implícitos. Exemplo: • Eu não era feia quando eu era pequena, nem no colégio, nem nada [risos].

Essa frase indica: • Eu não era feia quando eu era pequena, nem quando já estava no colégio, nem nada quando fiquei adulta. c) Quando falamos, empregamos expressões próprias da oralidade. Exemplos: • [...] não era a Maitê [Proença] e tal. • Ela supera isso tudo e não sei o que e tal.

Essas ocorrências deram à entrevista um caráter mais espontâneo, informal, mas, conforme concluímos, não comprometeram o que se pretendia dizer. A variedade linguística usada era adequada ao gênero e ao efeito desejado. Não há frases “erradas”! Se os falantes desejassem criar um efeito de mais formalidade, teriam outra atitude. Eles iriam monitorar sua fala. Releia a transcrição, observando o que provavelmente falariam de outro modo. Paula Dipp: Regina, vou mudar completamente de assunto. Mas eu estou superimpressionada com a sua beleza. Eu quero falar um pouco da sua beleza. Você não tem uma beleza clássica, se a gente olhar para a Regina, a gente não vai dizer: "Ela não tem aquele narizinho, aquela boquinha". Mas você tem uma coisa muito forte. Como é que você lidou com isso? Com a não beleza e a beleza na sua adolescência? Quando você começou a ser atriz, quando você era pequenininha? Você tinha o dente um pouco para a frente, o nariz assim um pouco assim ou assado? Como é que é isso pra você? Regina Casé: Eu não era feia quando eu era pequena, nem quando já estava no colégio, nem nada quando fiquei adulta [risos]. Eu sempre arrumei namorado. Tive namorados maravilhosos e lindos. Até hoje, entendeu?. Superlegal, nunca foi fui aquela infeliz que ninguém tira para dançar, nem que alguém acha feia ou no colégio. Eu só fiquei feia quando eu virei artista e, aí, como eu não era a Bruna [Lombardi], não era a Maitê [Proença] e tal., não tinha aquele olho azul, não era loura. ... Principalmente não ser loura de olho azul, é o que complica mais, né? A não ser que você seja a Sônia Braga para superar o fato de você não ser loura de olho azul no Brasil. Paula Dipp: Mas você é a musa, né, musa de Caetano [Veloso] e tudo? Regina Casé: Aí acho que veem outros lados, entendeu? Todo mundo me achava legal, eu também me achava legal, entendeu?. Bonita, gostosa [risos]. Aí começou a sair um monte de matéria assim: feiosa, magricela, dentuça. Aí vai saindo tanto, tanto, tanto, que todo mundo fica achando que você é assim, mas as pessoas pensavam: “Apesar disso, ela é tão engraçada, tão inteligente! [risos] Ela supera isso tudo” e não sei o que e tal. Aí, eu fiquei ocupando esse papel, porque não tinha muito outra coisa a fazer... Não ia escrever cartas para os jornais: "Gente, vamos reparar, eu tenho um lado legal, tenho meu charme, no fundo eu sou sexy"! [risos] Não dava para eu fazer uma 24

Língua Portuguesa


campanha para ficar bonita. Mas, quer dizer, eu também não era bonita quando eu era pequena, isso é verdade. Eu era muito magra, tinha aquele “joelho de biafra” que faz assim [une os joelhos]. Mas logo que eu cresci assim, fiquei adolescente, era legal. Não era bonita nem feia, era normal, entendeu? [...]

PARTE 2 – PRODUÇÃO DE TEXTO ORAL 1. Reúna-se em um grupo de quatro alunos. 2. Suponha que todos estão sendo entrevistados, e a pergunta é:

Alguns setores da imprensa criam uma imagem muitas vezes estereotipada de uma pessoa pública. A Regina Casé contou isso numa entrevista – que ela se tornou feia (na opinião dos outros) depois que virou atriz, porque a imprensa sempre se referia a ela como “feiosa”, “magricela”, “dentuça”. Por que você acha que acontece isso? Você acha que as pessoas acabam seguindo um padrão estético que a imprensa e a opinião pública aprovam, para não ter de lidar com certas classificações? 3. Cada aluno vai responder à questão no seu grupo, como se estivesse em um programa de entrevistas, e os colegas fossem a plateia. 4. O objetivo é que você expresse um ponto de vista consistente. Os colegas podem não concordar,

mas eles precisam ser capazes de relatar a alguém o que você disse, da mesma forma que você conseguiu relatar o que disse a atriz Regina Casé. 5. Você pode escolher o grau de formalidade de sua entrevista, mas o conteúdo precisa ser exposto

com clareza. 6. No final, sorteiem ao menos dois alunos que vão repetir a resposta para toda a classe. 7. Avaliem em cada caso a clareza e o grau de formalidade de seus textos. PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS

Textos

O Brasil das placas

O autor viajou pelo país fotografando placas surpreendentes. Em algumas você pode perceber que a comunicação também se dá fora da norma-padrão. CAMARGO, José Eduardo; SOARES, L. O Brasil das placas. São Paulo: Panda Books, 2007.

Cultura

Essa crônica de Luis Fernando Verissimo explora a questão da adequação de uma variedade linguística à situação de uso e ao gênero. VERISSIMO, Luis Fernando. As mentiras que os homens contam. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000. p. 149-151.

Blog

Blog do Sírio

O linguista Sírio Possenti apresenta semanalmente um artigo no Terra Magazine. Disponível em: <http://terramagazine.terra.com.br/blogdosirio/blog>. Acesso em: 22 out. 2012.

Música

Inútil

A música mostra em que medida o desvio intencional da norma culta contribui para criar sentidos na canção. Ultraje a rigor. Nós vamos invadir sua praia. Warner Music, 1985.

7º ano

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Capítulo

2

LÍNGUA PORTUGUESA

Contos muito populares

O

s contos estão presentes na vida das pessoas desde os tempos mais remotos. Muito antes de serem escritos, eles já viajavam no tempo e no espaço. O que existe nessas narrativas que as torna tão duradouras? Que elementos dão forma a conteúdos tão variados, permitindo que eles conquistem públicos de tantas épocas e lugares? É isso que você vai estudar neste capítulo. Observe a imagem a seguir.

Lady Lever Art Gallery, National Museums Liverpool. Foto: The Bridgeman Art Library/Keystone

John William Waterhouse, Decamerão, 1916. Óleo sobre tela, 101 × 159 cm. Lady Lever Art Gallery, Liverpool.

RODA DE CONVERSA

1. Você já contou ou ouviu histórias? Se sim, especifique como foi essa experiência. 2. Nas experiências que você apresentou (seja como ouvinte, seja como contador), qual era a inten-

ção de quem contava a história? 3. Você acha que o surgimento de novos meios de comunicação (livro, rádio, televisão, internet etc.)

interferiu na experiência de contar e ouvir histórias? 26

Língua Portuguesa


4. Você já encontrou por escrito histórias que são contadas há muito tempo por pessoas que não as

conheceram em livros? Dê alguns exemplos.

UM GÊNERO ANTIGO, UMA FUNÇÃO IMPORTANTE Há muito tempo, nas civilizações mais variadas, os contos fazem parte do cotidiano das pessoas. A experiência de contar histórias está presente nas culturas indígenas do Brasil, mas também a encontramos no Oriente Médio e na Ásia Central, por exemplo. Nesses locais, era comum a presença de contadores de histórias nas casas de chá. Eles narravam contos milenares, de origem indefinida, para adultos e crianças. Vários desses contos resistiram ao tempo e são contados até hoje em muitos lugares do mundo Entre esses contos estão “A história dos dois irmãos” (Egito, aproximadamente século XIV a.C.); as fábulas de Esopo (Grécia, aproximadamente século VI a.C.); as histórias do Pantchatantra (Índia Antiga, aproximadamente século III a.C.); os contos do livro O asno de ouro, de Lucius Apuleio (Roma, século II d.C.); os contos de As mil e uma noites (da literatura árabe, séculos XIII-XVI d.C.). Esses contos são considerados narrativas primordiais, isto é, que estão na origem, são as primeiras, as essenciais. Elas inspiraram grandes autores de muitas épocas e lugares, que costumam “conversar” com elas nos textos que produzem, isto é, buscam inspiração nessas narrativas primordiais ao criar seus textos. Essa “conversa” acontece de muitas maneiras. Às vezes personagens antigos são mencionados, às vezes alguns símbolos são retomados, às vezes a estrutura da história antiga e até mesmo seu enredo se repetem. Os contos tradicionais eram muito importantes para a formação dos futuros adultos. A transmissão oral de uma geração a outra era fundamental, pois os contos, com a sua linguagem figurada e repleta de simbologias, ajudavam as pessoas a entender o que se passava a sua volta, a compreender seus questionamentos, a aprender modos de agir, a assimilar valores. Enfim, todos aprendiam com os contos. Pode parecer, inicialmente, que hoje os contos tradicionais não têm mais a mesma função que tinham antes. Mas isso não é verdade. Não se pode negar que a chegada de outros meios de comunicação, dotados de tecnologia cada vez mais avançada, influenciaram a maneira de viver das comunidades. Porém, mesmo com essas inovações, a prática de ouvir e contar histórias permanece. Em algumas cidades, ainda hoje, as pessoas colocam as cadeiras na calçada para contar histórias sobre os mais variados tipos humanos, sobre bichos que se comportam como gente, as aventuras de Pedro Malasartes, os “causos”... 7º ano

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CONTOS DA TRADIÇÃO ORAL... ESCRITOS Luís da Câmara Cascudo

Folhapress

Importante folclorista brasileiro, nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, em 1898, e morreu em 1986. Escreveu 150 livros, entre os quais Dicionário do folclore brasileiro, História da alimentação no Brasil, História dos nossos gestos. Contribuiu para o registro de inúmeros contos da tradição oral.

Ediouro

Cosac Naify

No século XIX, na Alemanha, dois irmãos (Jacob e Wilhelm Grimm) coletaram e registraram muitas histórias da tradição oral alemã. No Brasil, foi Silvio Romero que publicou a primeira coletânea de contos populares brasileiros, em 1885. Na metade do século XX, aproximadamente, esses estudos ganharam maior estímulo ainda. No Brasil, a figura de destaque é o potiguar Luís da Câmara Cascudo, que recolheu e registrou várias histórias transmitidas por contadores do nosso país. Os contos da tradição oral nunca deixaram de ser contados, mas em alguns momentos chegaram a ser considerados uma produção sem valor, algo fantasioso, de características antiquadas. Atualmente, graças ao trabalho de alguns pesquisadores que se dedicam ao estudo da literatura oral, é possível encontrar uma quantidade significativa de contos populares em obras e antologias que nos possibilitam conhecer a riqueza dessa manifestação popular de vários lugares do mundo.

Histórias da tradição oral encantam leitores infantis, juvenis e adultos. No Brasil, há muitos livros que reúnem contos populares árabes, como As mais belas histórias das Mil e uma Noites (Cosac Naify) e Contos árabes: os clássicos (Ediouro).

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Língua Portuguesa


Quanto a isso, convém atentar para um fato importante. É comum encontrarmos livros de contos da tradição oral (ou contos populares) escritos por diversos autores, todavia eles não são exatamente os criadores daquelas histórias. Eles são os responsáveis por contá-las a seu modo, com as palavras e o estilo que escolheram. Por exemplo, o pesquisador e escritor Ricardo Azevedo registrou em um livro o conto “O homem que enxergava a morte”. Essa história também está registrada por Câmara Cascudo, com o título “O compadre da morte”. O criador desse conto, entretanto, é anônimo. É uma espécie de criação coletiva. É importante observar que, quando os contos da tradição oral ganham registro escrito, eles se tornam mais rígidos. É que a escrita acaba fixando elementos que não existiam antes, quando a história era contada oralmente e o contador podia transformá-los livremente, a cada experiência com a oralidade. Na modalidade escrita, não há os gestos, a expressão corporal, a entonação da fala. Algumas marcas da oralidade podem se perder: os modos de dizer típicos das personagens, as expressões próprias do povo que produziu aquele conto. Desse ponto de vista, a modalidade escrita é desvantajosa, afinal a palavra escrita fixa determinada forma, determinada versão para os contos. Porém, como o hábito de contar histórias mudou bastante ao longo do tempo, é extremamente importante que os contos tenham sido escritos, caso contrário não conheceríamos muitos deles.

O CONTADOR A presença de livros nos quais os contos populares estão registrados não eliminou a presença do contador. Em algumas comunidades encontramos o contador tradicional, normalmente iniciado nesse ofício pela família, mas também há o contador no meio urbano. A atividade de contação de história está presente em diversos espaços urbanos – como livrarias, bibliotecas, praças, clubes, escolas, festas –, principalmente para o público infantil. Mas há encontros de contação voltados para o público adulto, ou para todos os públicos. Os contadores profissionais são artistas ou estudiosos da arte de contar histórias e fazem disso sua profissão. Eles se habilitam por meio de cursos e oficinas técnicas. O trabalho dos contadores ajuda a manter vivas as marcas de oralidade dos contos tradicionais.

O GÊNERO CONTO POPULAR O conto popular é uma narrativa produzida pelo povo e transmitida originalmente por meio da linguagem oral, em situações informais. Essas circunstâncias estão ligadas ao fato de que às vezes quem conta a história a modifica ligeiramente. O conto popular revela costumes, julgamentos, sentimentos e as relações sociais existentes na cultura de um povo. Ao mesmo tempo, ele pode abordar ques7º ano

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tões universais, importantes para todos os seres humanos, de todas as culturas. Algumas vezes, por meio dessas narrativas, é possível perceber a influência que uma comunidade recebeu de outras culturas. No caso do Brasil, por exemplo, muitos contos são adaptações de histórias que vieram da Europa (principalmente de Portugal) e da África; outras nasceram da imaginação do povo brasileiro. Luís da Câmara Cascudo ensina que as características de um conto popular são: antiguidade, anonimato, divulgação e persistência. Em seu Dicionário do folclore brasileiro, vemos também que o conto popular é “o conto folclórico, a estória, o causo (como dizem no interior paulista), que ocorre no contexto do maravilhoso e até do sobrenatural”. No livro Contos tradicionais do Brasil, Câmara Cascudo propõe uma classificação para os contos. Veja algumas delas:

Pantchatantra O conto “Festa no céu”, recontado por vários autores brasileiros, lembra muito o conto “A tartaruga e os gansos”, do Pantchatantra, que é uma coleção de fábulas da Índia Antiga, conhecida em todo o mundo graças a diversas traduções e adaptações. Pantchatantra significa “cinco tratados”. Em sua apresentação, lemos: “O tratado de moral chamado Pantchatantra circula pelo mundo com o propósito de educação dos jovens. Quem estuda sempre este tratado de moral e o conhece de cor jamais é apanhado pela destruição”.

• Contos de encantamento: aqueles em que a solução mágica é indispen-

• • •

• •

sável, em que o auxílio do sobrenatural, que premia o bem e pune o mal, é uma constante. Contos de exemplo: aqueles que apresentam lições da moral vigente, em que fica sugerido “se você fizer isso, vai se dar mal como a personagem do conto”. Contos de animais: são as fábulas. Facécias: contos para fazer rir, que muitas vezes revelam crueldade e preconceitos. Contos etiológicos: aqueles que explicam uma propriedade ou característica de qualquer ente natural, por exemplo, o pescoço longo da girafa, a inimizade entre o cão e o gato... Esses contos muitas vezes revelam valores e preconceitos de uma cultura. Contos de adivinhação: aqueles em que a vitória do herói depende da solução de um enigma. Ciclo da morte: aqueles em que a morte, personificada, sempre vence as artimanhas dos homens.

LER CONTO POPULAR I

Você vai ler um conto da tradição oral que já ganhou várias versões: “O espelho mágico”. Antes de iniciar a leitura, discuta com seu professor e colegas as questões que seguem. A conversa vai criar expectativas em relação ao conto que você vai ler.

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1. O que um espelho reflete? 2. Quais seriam as qualidades de um espelho mágico? 3. Você conhece histórias com espelhos mágicos? Câmara Cascudo nos informa que o tema tratado

no conto é popular na literatura oral da Europa Central, Finlândia, Dinamarca, Rússia, Grécia etc. 4. Qual será o tema do conto? 5. Você conhece outras histórias recontadas por Câmara Cascudo ou outros contos populares, inde-

pendentemente de quem os tenha contado? O Espelho Mágico O rapaz, órfão de pai e mãe, saiu pelo mundo para ganhar a vida. Ia por um caminho quando viu uma pedra tapando a boca de um formigueiro e as formigas lutando para arredá-la. O moço, que tinha bom coração, abaixou-se e tirou a pedra com cuidado para não matar as formigas. Quando acabou, uma formiguinha falou: – Se você se encontrar em dificuldades, diga: Valha-me o Rei das Formigas. O rapaz seguiu sua Estrada e adiante encontrou um carneiro com uma pata enganchada num arame. Soltou o bichinho. O carneiro disse: – Quando você tiver uma dificuldade, diga: Valha-me o Rei dos Carneiros! Lá mais longe o rapaz viu um peixe dentro duma poça d’água rasa, quase se acabando. O peixe estava com o lombo de fora, morrendo. O moço tirou-o da poça e sacudiu numa lagoa perto. O peixe mergulhou, foi embaixo, veio em cima, e falou: – Quando você tiver uma dificuldade, diga: Valha-me o Rei dos Peixes. Quase avistando o reinado, o rapaz encontrou um gavião deitado no chão, seco de sede. Levou-o, deu-lhe um banho, deixou ele beber água e soltou. O gavião voou para um galho de pau e disse: – Quando você tiver uma dificuldade, diga: Valha-me o Rei dos Pássaros! Chegando no reinado, o rapaz soube que a princesa tinha um espelho mágico que mostrava todas as cousas escondidas. O espelho só tinha forças de meia-noite até o primeiro cantar do galo. Quem se escondesse, e a princesa não descobrisse, casava com ela e, se ela achasse, perdia o homem a vida. O rapaz foi se oferecer para essa aventura. Na primeira noite, procurou um canto fora do reinado e disse: Valha-me o Rei dos Carneiros! O carneiro apareceu e o rapaz disse o que queria. – Monte nas minhas costas! – O rapaz montou e o carneiro largou-se correndo, de mato adentro, para umas brenhas fechadas onde havia uma gruta. Deitou o rapaz na gruta e encheu os arredores de carneiros, uns por cima dos outros, que ninguém via outra cousa afora carneiro. À meia-noite a moça puxou o espelho e procurou o rapaz, por todos os lados. Tanto virou que deu com a gruta, e o espelho mostrou o rapaz deitado no chão, coberto de carneiros. A princesa tomou nota e foi dormir. No outro dia o rapaz se apresentou. – Onde eu estava escondido? – Deitado no chão, dentro de uma gruta, rodeado de carneiros! – Era isso mesmo! O rapaz apelou para o peixe. Foi à beira-mar e chamou: Valha-me o Rei dos Peixes! O peixe riscou na praia. O moço contou sua dificuldade. O Rei dos Peixes mandou um tubarão engolir o rapaz e uma baleia engolir o tubarão e foi para o fundo do mar. 7º ano

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Na meia-noite, a princesa foi consultar o espelho. Caçou na terra e nos ares e procurou nos mares, com tanto cuidado que descobriu onde o rapaz estava dormindo. Na manhã, o moço apareceu e perguntou: – Onde eu passei a noite? – Dentro de um tubarão, este numa baleia, no fundo do mar! – Era isso mesmo! Dessa vez o rapaz chamou o gavião e contou sua agonia. O gavião levou-o nas costas até em cima das nuvens e lá apareceu outro gavião ainda maior que cobriu o Rei dos Pássaros com suas asas. À meia-noite a princesa procurou o rapaz nas águas e na terra e não achou. Procurou nos ares e não viu. Tanto olhou e olhou que enxergou um pontinho escuro por cima das nuvens. Botou reparo e descobriu tudo. O rapaz, quando veio ao palácio, perguntou: – Onde dormi a noite passada? – Em cima de um gavião, coberto por outro, em cima das nuvens! – Era isso mesmo! Como era o terceiro dia, o rapaz foi condenado à morte, mas a princesa ficou com pena dele e pediu ao rei para deixar o moço experimentar uma vez mais. O rapaz ficou contente e foi valer-se do Rei das Formigas. Esse ouviu a conversa toda e disse: – O espelho descobriu você na terra, no mar e nos ares. Mas o espelho não pode ver a própria princesa. Eu vou virar você numa formiga e você suba para cima do vestido dela e esconda-se bem. Dito e feito. O rapaz virou formiga, entrou no palácio, foi GLOSSÁRIO ao quarto da princesa e subiu pelo vestido acima, bem devagar Camisa: nome dado em Portugal a uma para ela não pressentir, e escondeu-se na bainha da camisa. peça do vestuário feminino: a camisola. Nesse contexto, camisa é a combinação: À meia-noite a princesa procurou o rapaz em toda roupa íntima feminina, feita de tecido fino, parte, virou e mexeu, e nada de ver onde ele estava dormindo. que lembra um vestido inteiriço e é usada Passou-se a hora das forças do espelho encantado e ela não viu sob o vestido propriamente dito. coisa alguma. Amanheceu o dia e o rapaz voltou a ser gente e veio perguntar onde tinha dormido. – Não sei onde você dormiu! Onde foi? – Não digo enquanto não me casar com você! Fizeram o casamento com muita festa e só depois de casado é que o moço disse onde tinha passado a sua última noite de solteiro. Contado por Cícero Salvino de Oliveira, em Alexandria, Rio Grande do Norte. CASCUDO, Câmara. Contos tradicionais do Brasil. São Paulo: Global, 2003. p. 48-50.

As hipóteses que você tinha antes de ler o conto se confirmaram? A partir de agora, as questões vão ajudar você a recuperar o que constatou na leitura e vão registrar suas primeiras impressões sobre o que leu. 6. Espelho é uma palavra que veio da palavra latina spe-

culum. O elemento spec significa “ver”. Nesse conto, o espelho mágico da princesa permitia ver o quê?

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Língua Portuguesa

Palavras com o elemento spec O elemento spec (ver) deu origem a muitas palavras relacionadas a essa atitude. Conheça algumas: aspecto: o olhar, o rosto, algo que é possível ver. espectador: aquele que vê. especular: observar escondido, considerar. espelho: local onde se olha. expectativa: ato de ficar olhando (esperando). inspecionar: olhar com atenção. respeito: ato de olhar para trás, consideração.


7. A tarefa à qual o rapaz se propôs era difícil. Mesmo assim, o leitor/ouvinte tem a expectativa de

que ele será bem-sucedido. Em que essa expectativa se fundamenta? 8. O rapaz salva primeiro a formiga, depois o carneiro, depois o peixe e por último o gavião. Quando

vai pedir ajuda, ele pula a formiga. Por que ele provavelmente faz isso? 9. O rapaz tinha três chances para conseguir se esconder e, para isso, pede ajuda ao carneiro, ao

peixe e ao gavião. Entre esses animais, há um representante da terra, um da água e um do ar. A presença desses tipos de animais cria alguns sentidos. Quais, em sua opinião?

A ESTRUTURA DO CONTO Os contos populares são narrativas ficcionais. Eles apresentam os mesmos elementos de outros gêneros que também contam fatos – a notícia, por exemplo. Nos dois podemos perceber elementos comuns: quem fez o que, quando, onde, por que e o que decorre disso. A diferença é que a notícia tem um compromisso com a verdade do fato ocorrido, já o conto é produzido com uma intenção diferente, que é a de entreter e ao mesmo tempo ensinar por meio dos fatos vividos pelas personagens. Uma notícia (como outros textos não ficcionais) apresenta explicitamente o tema que vai ser tratado. Os textos narrativos ficcionais deixam o tema escondido por trás do que acontece com as personagens na trama. Cabe ao ouvinte ou leitor identificar esse tema. E o interessante dos textos ficcionais (como os contos populares) é que a compreensão pode ser aprofundada ao longo do tempo, quando repetimos a audição ou a leitura de uma história. Nisso o conto se parece com outros gêneros narrativos de ficção, como o romance e a novela. A diferença que o conto tem em relação a esses outros gêneros é que ele se fixa em um único núcleo narrativo, ou seja, tem apenas um conflito a resolver – e, por isso, tende a ser curto.

CONHECER MAIS

Estórias ou histórias É comum a dúvida se os contos tradicionais são histórias ou estórias. Segundo o Dicionário do folclore brasileiro, de Luís da Câmara Cascudo, estória corresponde à palavra inglesa story, que significa “conto, relato, narrativa, crônica, novela, lenda, história, fábula, romance, anedota”. Segundo o folclorista, essa grafia – estória – foi sugerida pela Sociedade Brasileira de Folclore, fundada em 30 de abril de 1941, pela necessidade de distinguir as narrativas ou contos tradicionais (textos fictícios) dos acontecimentos e fatos da realidade, estudados pela História. Hoje, entretanto, é comum usar a palavra história tanto para os acontecimentos históricos (reais) como para designar as narrativas fabulosas. Mesmo assim, alguns autores fazem questão de continuar usando estória, quando se referem às narrativas de ficção. O argumento que usam para ressaltar a diferença é bem interessante: as estórias acontecem cada vez que são contadas, enquanto os fatos, documentados, fotografados, comprovados pela ciência e escritos com o nome de história, acontecem uma única vez e nunca mais.

ELEMENTOS DAS NARRATIVAS FICCIONAIS Os contos apresentam uma sequência de eventos narrados por alguém, envolvendo personagens. Esses eventos envolvem personagens em determinado lugar e em determinado tempo. Vamos conhecer melhor cada um desses elementos que estão sempre presentes nos textos narrativos. 7º ano

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Uma história conquista o leitor ou ouvinte quando seus fatos são bem contados. Isso quer dizer, entre outras coisas, que esse leitor ou ouvinte vê sentido, coerência entre um fato e outro, entre os personagens e o que eles fazem, entre o que acontece e o lugar onde acontece... Personagens: são as pessoas, animais, coisas inventadas pelo autor que participam da história. Mesmo quando uma personagem nasce inspirada por uma pessoa real, dizemos que é um ser de ficção. O escritor deve conhecer suas personagens minuciosamente e ter uma visão clara da aparência de cada uma, de sua maneira de falar e de seus pensamentos, para poder apresentá-las de forma convincente. Isso ajuda a garantir a impressão de realidade que as histórias de ficção têm. Mesmo dentro do universo maravilhoso, as atitudes das personagens precisam ser internamente coerentes. É importante que o leitor observe como os autores caracterizam as personagens nos textos. Às vezes, com poucas, mas precisas informações, os leitores podem construir a imagem da personagem. A personagem principal é a protagonista. Aquela que se coloca contra ela é a antagonista. As demais, secundárias, são chamadas coadjuvantes. Enredo: é o que acontece às personagens no desenrolar de uma história. O enredo é construído em torno de uma série de acontecimentos que ocorrem dentro de determinado período de tempo. Um enredo, geralmente, tem começo, meio e fim, mas os acontecimentos não precisam ser apresentados necessariamente nessa ordem. O escritor nos conduz de algo (a apresentação de um problema), por meio de algo (o enfrentamento do problema pela personagem), em direção a algo (a superação ou não do problema pela personagem). Assim, os autores têm de apresentar os elementos principais que configuram a história, que criam o suspense (para despertar no leitor o desejo de saber o que vai acontecer em seguida) e que encerram a história com um desfecho. O clímax do texto é o ponto mais intenso do interesse do leitor, é a parte do enredo em que os acontecimentos centrais ganham o máximo de tensão para as personagens envolvidas. Espaço: é onde acontece a história. As personagens literárias atuam em espaços que podem ser reais ou inventados, reagindo ao mundo em que vivem. Esse elemento, então, é importante para mostrar a realidade das personagens. Tempo: é um elemento central na organização de textos narrativos. As marcas temporais do texto indicam, na história, o que aconteceu antes ou depois. Muitas vezes, os autores decidem não apresentar os fatos cronologicamente, isto é, na ordem natural em que eles acontecem. Eles podem, por exemplo, narrar no início do conto um episódio e, somente no final, esclarecer os acontecimentos anteriores a ele e que o justificam. 34

Língua Portuguesa


Narrador: é a voz que conta a história. O narrador não deve ser confundido com o autor; ele é uma criação do escritor. Uma história pode ser narrada em 1a pessoa ou em 3a pessoa. Quando narrada em 3a pessoa, o narrador é onisciente ou observador. O narrador onisciente (ou ciente de tudo) coloca-se acima do que narra, adotando uma espécie de posição divina. Ele conhece o íntimo das personagens, sabe o que cada uma sonha, pensa e normalmente manifesta esse conhecimento. O narrador observador também tem um conhecimento total do que conta, mas não apresenta seus comentários; ele prefere ater-se aos fatos. Esse tipo de narrador é o que predomina nos contos populares. Quando a história é narrada em 1a pessoa, o narrador não tem acesso ao estado mental e sentimental das personagens. Normalmente ele é uma personagem. Quando é a personagem central da história, tem-se um narrador protagonista. Quando ele é uma personagem secundária no desenrolar dos fatos, tem-se um narrador testemunha. Para identificar em que pessoa o narrador assume o discurso, é preciso analisar as marcas presentes no texto, sobretudo os pronomes. Leia estes exemplos: Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu com dezessete, ela trinta. Era noite de natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos à missa do galo, preferi não dormir; combinei que eu iria acordá-lo à meia-noite. ASSIS, Machado de. Contos. São Paulo: Ática, 1996. p. 99.

Temos aí um narrador em 1a pessoa; trata-se de um narrador protagonista. [...] no íntimo sentia-se profundamente humilhada pensando que para toda essa gente que a cercava, ela [...] não merecia uma só das bajulações que tributavam a cada um de seus milhões de cruzeiros. ALENCAR, José de. Senhora. Disponível em: <www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000011.pdf>. Acesso em: 17 ago. 2012.

Temos aí um narrador em 3a pessoa. Trata-se de um narrador onisciente.

LER CONTO POPULAR II

Releia o conto “O espelho mágico” antes de fazer as atividades e consulte-o sempre que julgar necessário. 1. Logo no primeiro parágrafo, o narrador menciona algumas características sobre o protagonista. a) A primeira é o fato de a protagonista ser órfã. E a segunda? b) Que atitude da personagem confirma essa segunda característica? c) Depois de ler o conto, que outras características você atribuiria à protagonista da história?

7º ano

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2. Quando chega ao reinado e toma conhecimento da proposta da princesa, o rapaz aceita o desafio.

No primeiro parágrafo há uma informação que confirma que essa proposta combina com os interesses do rapaz. Que informação é essa? 3. Examine as palavras escolhidas pela pessoa que registrou por escrito esse conto: - com o carneiro: o rapaz disse o que queria - com o peixe: o moço contou sua dificuldade - com o gavião: o rapaz chamou o gavião e contou sua agonia

Que ideia a mudança de palavras sugere ao leitor? 4. Releia estes trechos:

I - “À meia-noite, a moça puxou o espelho e procurou o rapaz, por todos os lados. Tanto virou que deu com a gruta e o espelho mostrou o rapaz deitado no chão, coberto de carneiros.” II - “À meia-noite, a princesa foi consultar o espelho. Caçou na terra e nos ares e procurou nos mares, com tanto cuidado que descobriu onde o rapaz estava dormindo.” III - “À meia-noite, a princesa procurou o rapaz nas águas e na terra e não achou. Procurou nos ares e não viu. Tanto olhou e olhou que enxergou um pontinho escuro por cima das nuvens.” a) Avalie a formulação do narrador em cada momento que a princesa faz a busca. Que progres-

são você constatou? b) Em relação aos esconderijos do rapaz, há o mesmo tipo de progressão. Explique. 5. A princesa concede uma nova oportunidade ao rapaz depois que ele perdeu as três chances, mas

não exige a mesma oportunidade quando é vencida. Por que isso acontece? 6. Considerando a função do espelho no conto, o que se supõe ter acontecido com esse objeto depois

do casamento da princesa? 7. Para a coerência da narrativa, por que você acha que é importante o detalhe de o espelho só ter

forças de meia-noite até o primeiro cantar do galo? 8. Por que você acha que o rapaz resolve contar onde esteve apenas após o casamento?

O CONTO DE CÂMARA CASCUDO E OS ELEMENTOS DAS NARRATIVAS “O espelho mágico” é um conto, uma obra de ficção curta, centrada em torno de um único acontecimento. Tem sete personagens: o rapaz órfão, a formiguinha, o carneiro, o peixe, o gavião, a princesa, o rei. O rapaz órfão participa de toda a história, é ele quem salva a formiga, o carneiro, o peixe, o gavião. É ele quem cumpre a tarefa para se casar com a princesa. É dele o papel principal, por isso ele é o protagonista da história. As personagens que se opõem ao protagonista são chamadas antagonistas. Já as que têm um papel secundário, como a formiguinha, o carneiro, o peixe, o gavião, são coadjuvantes ou auxiliares da personagem principal.

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Observe que o protagonista nesse caso é uma personagem simples, sem maiores complexidades. Diferente de outras narrativas, em que o protagonista pode ter uma personalidade contraditória que, às vezes, surpreende o leitor. O enredo de “O espelho mágico” tem começo, meio e fim bem marcados. Não é difícil perceber essas três partes no conto. Os primeiros oito parágrafos podem ser considerados o começo da história. Neles o leitor se familiariza com o protagonista e observa a maneira como ele age. Quando ele chega ao reino, inicia-se outra parte do conto. Nessa sequência, o protagonista se oferece à aventura e solicita ajuda aos “amigos” que salvou. É aí que acontece o clímax da história: ele é quase condenado à morte. O desfecho está no último parágrafo: a festa de casamento e a confissão do moço. Os lugares onde acontece a história são vários, alguns são inusitados: o caminho para o reino (com animais falantes), o reino, a gruta cheia de carneiros, a barriga de um tubarão que está dentro de uma baleia que está no fundo do mar, as nuvens, a bainha da camisa da princesa. Nesse conto, o fato de haver lugares inusitados é importante, sabe por quê? Se o espelho mágico mostrava todas as coisas escondidas em qualquer lugar e os lugares eram pouco óbvios, então fica muito mais evidente o poder do espelho e, consequentemente, valoriza-se a atuação da pequena formiga. O tempo está bem demarcado por expressões como estas: “o espelho só tinha forças de meia-noite até o primeiro cantar do galo”; “na primeira noite”; “no outro dia”; “como era o terceiro dia”; “amanheceu”; “sua última noite de solteiro”. Repare que, nesse conto, os fatos se sucedem cronologicamente. Quanto ao narrador do texto, podemos considerá-lo de 1a ou 3a pessoa? Observando o início do conto, é possível responder a essa pergunta. A história começa assim: “O rapaz, órfão de pai e mãe, saiu pelo mundo para ganhar a vida.” É um narrador de 3a pessoa, pois ele conta a história que aconteceu com um rapaz que saiu pelo mundo para ganhar a vida. Esse narrador conta os fatos que observa, não conta o que vive; também não conta o que a personagem pensa nem antecipa o que ela vai fazer, por isso é um narrador observador e não onisciente. Para descobrir o tema do texto, é preciso observar atentamente tudo o que acontece na história, o modo como os fatos se encadeiam, como foram organizados; é preciso observar também como as personagens surgem, o que fazem, como ajudam o protagonista a superar as dificuldades. Considerando tudo isso que aconteceu na história, que tema ou temas podemos reconhecer? Em geral, as pessoas têm mais facilidade para enxergar, compreender, descobrir coisas que estão fora delas, distantes delas. Enxergar o que está próximo ou dentro de nós é mais complicado. É mais fácil, por exemplo, identificar atitudes preconceituosas nos outros que em nós mesmos. Por isso, o tema do conto poderia ser a dificuldade de enxergar a si mesmo. Mas há outros temas que poderíamos apontar. A bondade do rapaz e as boas ações que pratica sem desejar nada em troca fazem-nos pensar na importância de 7º ano

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encontrar bons amigos, com quem sempre poderemos contar. A formiga, um inseto ao qual normalmente não damos muita importância, aparece no conto como industriosa, sábia. É ela quem sabe superar o espelho mágico. A mensagem aí poderia ser: não menospreze os mais fracos, os menores.

LER CONTO POPULAR III

As etapas anteriores fizeram com que você relesse o conto de Câmara Cascudo e o analisasse minuciosamente. Agora, as questões ajudarão você a refletir sobre o contexto em que o conto é produzido. 1. Relembre os espaços físicos em que a ação se desenrola: - saiu pelo mundo - seguiu sua estrada - chegou no reinado

Esses espaços são indefinidos; não se sabe ao certo onde ficavam a estrada e o reinado nem por qual parte do mundo exatamente ele andou. Essa ocorrência é comum nos contos populares. Por que você acha que isso acontece? 2. No que diz respeito ao tempo, há algumas indefinições no conto. Por exemplo, não existe indicação sobre quanto durou a viagem ou sobre quando o episódio se passou. Por que você acha que o tempo é indefinido nesses casos? 3. Como se chama o livro de onde foi tirado esse conto? 4. Podemos dizer que os contos desse livro foram criados por Câmara Cascudo? Por quê? 5. Considerando a classificação que Câmara Cascudo propõe para os contos populares, em qual

você incluiria “O espelho mágico”? 6. Que detalhes contribuem para indicar a data de origem do conto? 7. Nos contos populares escritos, a linguagem pode preservar algo da época e do lugar em que as

histórias eram contadas. Podem parecer hoje muito formais ou simplesmente desconhecidas, por serem formas regionais. Procure no conto trechos cujo sentido seja de: a) aparecer ou chegar inesperadamente à praia; b) alcançar ou obter sucesso; c) socorrer; d) reparar; e) até o primeiro cantar do galo.

APLICAR CONHECIMENTOS I

Muitos escritores registraram um famoso conto popular chamado “A sopa de pedra”, que seu professor vai ler para você. Depois de ouvi-lo, responda às questões. 38

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1. Nessa versão do conto, em que atitude de Pedro Malasartes é possível perceber logo de início a

esperteza e a malandragem dessa personagem? 2. Ao longo do episódio, quais comportamentos de Malasartes continuam revelando sua esperteza

e malandragem? E no final? 3. Malasartes, ao iniciar o preparo da sopa, diz que o importante era lavar bem a pedra. a) Por que isso era, de fato, importante? b) A velha podia desconfiar do verdadeiro propósito de Malasartes após ele ter lavado a pedra? 4. Que impressão Malasartes dava ao fazer os pedidos de carne e legumes para a velha? Qual é a

importância dessa atitude dele para o bom andamento do seu plano? 5. Qual é a intenção da velha ao concordar em trazer água e uma panela para Malasartes? 6. Pense na caracterização que foi feita da velha. Qual dos finais é mais coerente com essa caracte-

rização? Explique sua resposta. 7. Quem recontou essa versão da história em livro? 8. Que informação do texto comprova que se trata de um conto popular, transmitido oralmente ao

longo do tempo? 9. Que marcas de oralidade você percebeu mesmo na versão escrita que foi lida para você? 10. Que tipo de narrador há no conto? Explique. 11. Considerando a classificação que Câmara Cascudo propõe para os contos populares, em qual

você incluiria esse conto?

APLICAR CONHECIMENTOS II

Antes de ler o conto a seguir, converse com o professor e seus colegas sobre as seguintes questões: 1. Você já ouviu falar na expressão “ensinar o pulo do gato”? 2. Você costuma usar essa expressão? 3. Você sabe a origem dessa expressão? 4. O que se deve entender pela nota no final do texto (antes da referência bibliográfica)? 5. Examine a referência bibliográfica do texto. Quando foi publicado o livro do qual o conto foi ex-

traído? Que influência você acha que isso pode ter na linguagem usada? Agora leia este conto e, em seguida, responda às questões sobre ele. O pulo do gato Comadre onça encontrou-se com compadre gato e ficou a vê-lo saltar, pasmada de tanta agilidade. Chegou-se com muitos bons modos e pediu-lhe: – Compadre gato, você há de me ensinar a saltar. – Nessa não caio eu, comadre onça – você era capaz de me apanhar e de me engolir de uma vez. A onça pôs-se muito macia: 7º ano

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Este conto foi coligido da tradição oral em Juiz de Fora. Há uma variante coligida por Silvio Romero.

Ilustração digital: Llinares

– Eu, compadre, pois sou lá capaz disso!... Pensa então que me satisfaço com um bichinho tão pequenininho, e quase meu parente como você?! Mais acomodado, mas ainda um pouco ressabiado, o gato começou a lição. Pula daqui, salta dali, recua à direita, avança à esquerda; pinoteia, desce pelos galhos, rola na poeira, grimpa nos troncos, atira-se pro ar, sempre imitado da onça, que vai aprendendo todos aqueles manejos com certa facilidade; o gato termina a lição, dando a discípula por pronta. Vai daí, disse a onça: – Compadre gato, quero agora repetir tudo quanto vi e aprendi, a ver se estou mestra na sua arte. E começou a reproduzir todos os saltos do gato. Em certo momento, deu um pulo sobre o mestre para liquidá-lo de uma vez. Mas o gato, que não nasceu hoje, deu de improviso outro pulo que a onça não o tinha visto dar na lição e com que não podia contar a tempo. A onça, desapontada, disse-lhe: – Este você não me ensinou ainda há pouco, compadre gato. Ensine-me agora, que desejo aprender tudo que você sabe, para vencer meus inimigos. – Desse cavalo magro é que eu não caio, comadre onça. GLOSSÁRIO Não era tão tolo que ao menos não reservasse este pulo para me Óculo: monóculo; luneta. livrar de suas garras. E, dizendo isso, o gato desapareceu, num outro salto de mestre, deixando a onça a olhar por um óculo.

GOMES, Lindolfo. Contos populares brasileiros. 2. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1948.

6. A onça manifesta sua intenção de aprender a pular com o gato. Que outra intenção ela não ma-

nifesta, mas tem? 7. A onça usa algumas estratégias para convencer o gato. a) Como era a linguagem e a atitude dela? Comprove citando trechos do conto. b) Que argumentos ela usa? c) A estratégia da onça deu certo? Explique sua resposta. 8. O leitor sabe que o gato não tinha acreditado completamente na onça. Que trecho comprova isso? 9. O que a história pode ensinar ao leitor? 10. Que provérbio transmite o mesmo ensinamento que o conto? 11. Compare os trechos do quadro. 1 Pula daqui, salta dali, recua à direita, avança à esquerda; pinoteia, desce pelos galhos, rola na poeira, grimpa nos troncos, atira-se pro ar [...]. Vai daí, disse a onça:

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2 [...] sempre imitado da onça, que vai aprendendo todos aqueles manejos com certa facilidade [...]. [...] deu de improviso outro pulo que a onça não o tinha visto dar na lição e com que não podia contar [...].


a) Que coluna apresenta as frases mais formais? E as mais informais? b) Os trechos do quadro são das personagens ou do narrador? c) Quando um escritor resolve registrar um conto, ele escolhe a linguagem que vai usar. E as

escolhas feitas produzem efeitos no texto. Nesse caso, que efeito você acha que ocorreu com a mistura de frases mais formais e mais informais? 12. Leia as frases a seguir. “ficou a vê-lo saltar” “você era capaz de me apanhar” a) Para cada uma, copie do texto uma frase que apresente estrutura semelhante. b) As frases transcritas e as que você copiou apresentam certa diferença em relação ao modo

como registraríamos o conto hoje. Reescreva-as da forma como faríamos hoje. 13. Qual é o significado das expressões grifadas a seguir? o gato, que não nasceu hoje Desse cavalo magro é que eu não caio deixando a onça a olhar por um óculo 14. O que você constatou sobre as indicações de tempo e de espaço? 15. Que tipo de narrador há nesse conto? 16. De acordo com a classificação proposta por Câmara Cascudo, que tipo de conto é esse?

PLANEJANDO A FALA

PROPOSTA Escolha, junto com outros dois colegas, um conto popular. Vocês podem selecionar um que ouviram ao longo da vida ou podem pesquisar um em antologias. Seu trio de trabalho poderá ser escolhido para fazer a contação para outra classe.

PLANEJAMENTO Registre as respostas a seguir no seu caderno. 1. Determinem a sucessão de fatos que são importantes para a história. 2. Determinem as características das personagens e de que maneira elas po-

dem ser mostradas ao público: pelas atitudes, pelas falas, pelas indicações do narrador etc. 3. Determinem o espaço ou os espaços onde a ação ocorre. Eles têm impor-

tância para o que acontece? É preciso caracterizar o espaço com alguns traços específicos? 4. Em quanto tempo a ação se desenrola? É importante explicitar os mo-

mentos, por exemplo, “no inverno”, “à noite” etc. ou não?

7º ano

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5. Que linguagem o contador vai usar? Há expressões típicas que podem

valorizar a narrativa? 6. Vocês vão usar recursos materiais para contar, como figurino e objetos? 7. Vocês vão usar algum instrumento musical ou recursos que produzam

ruídos? 8. Um só do trio vai apresentar e os outros vão dar apoio, ou cada um vai

representar uma personagem?

ENSAIO Contem a história para si próprios, do modo como ela será contada para o público.

APÓS O ENSAIO, AVALIEM OS ASPECTOS A SEGUIR 1. O tom de voz e entonação estão adequados? 2. Os detalhes importantes para a compreensão (quanto às personagens, ao

espaço etc.) estão presentes? É possível prender a atenção de quem vai ouvir a história? 3. O clima criado condiz com o tema da história?

REAPRESENTAÇÃO 1. Repitam a apresentação para um trio da classe, melhorando o que foi

combinado depois da avaliação. 2. Escutem a avaliação feita pelo trio que assistiu à segunda contação. (De-

pois vocês fazem o mesmo com a contação deles.) 3. Sigam as orientações do professor para a apresentação para um público

maior, que inicialmente será a sua classe.

MOMENTO DA ESCRITA

PROPOSTA A classe vai escolher um conto apresentado para registrá-lo por escrito. Siga as orientações do professor para a escolha do conto.

PLANEJAMENTO Escreva em seu caderno as respostas que você daria (em relação ao conto escolhido desta vez) aos aspectos de 1 a 5 que você seguiu no planejamento da contação.

ELABORAÇÃO Registre o conto ouvido, como se você fosse um pesquisador e estivesse coletando histórias da tradição oral para publicá-las em livro. 42

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AVALIAÇÃO Troque de texto com um colega e considere os seguintes aspectos: 1. O conflito está claro? 2. A caracterização das personagens e do espaço contribui para a coerência

dos fatos que geram e solucionam o conflito? 3. A história é apresentada de modo que deixe claro que se trata de uma

facécia ou conto de encantamento ou de adivinhação etc.? 4. A indicação de tempo ajuda o leitor a compreender a sucessão dos fatos? 5. A linguagem do narrador tem um estilo definido, que dá um toque pes-

soal ao conto?

REESCRITA Considerando a avaliação que o colega fez do seu texto, reescreva-o, aperfeiçoando o que for necessário.

PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS

Livros

Histórias da velha Totônia

Leia a apresentação que o próprio autor faz da obra, na página IX: AOS MENINOS DO BRASIL Ainda me lembro hoje da velha Totônia, bem velha e bem magra, andando, de engenho a engenho, contando as suas histórias de Trancoso. Não havia menino que não lhe quisesse um bem muito grande, que não esperasse, com o coração batendo de alegria, a visita da boa velhinha, de voz tão mansa e de vontade tão fraca aos pedidos dos seus ouvintes. Todas as velhas Totônias do Brasil se acabaram, se foram. E outras não vieram para o seu lugar. Este livro escrevi pensando nelas... Pensando na sua velha Totônia de Sergipe, Sílvio Romero recolheu estas mesmas histórias que eu procuro contar aos meninos do Brasil. Quisera que todos eles me ouvissem com a ansiedade e o prazer com que eu escutava a velha Totônia do meu engenho. Se eu tiver conseguido este milagre, não precisarei de maior alegria para minha vida. José Lins do Rego REGO, José Lins do. Histórias da velha Totônia. 17. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2005.

O violino cigano e outros contos de mulheres sábias

O conto “Uma fábula sobre a fábula” é uma linda metáfora do poder que a ficção (em especial os contos) tem. MACHADO, Regina. O violino cigano e outros contos de mulheres sábias. São Paulo: Cia. das Letras, 2004.

Sites

As páginas de internet a seguir oferecem arquivos de áudio que ajudarão a refletir um pouco mais sobre o assunto tratado no capítulo. Para ouvi-los, basta acessar a página e clicar em “Visualizar/Abrir”.

A estética da manifestação oral: parte 1

Apresenta entrevista com o professor José Alaércio Zamuner, que aborda as características da literatura oral e seu trabalho como pesquisador e contador. Cita Guimarães Rosa e Graciliano Ramos. Disponível em: <http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/handle/mec/2713>. Acesso em: 20 ago. 2012. Duração: 5 min.

A estética da manifestação oral: parte 2

O professor José Alaércio Zamuner conta o causo “Uma caçada de onça”. Disponível em: <http://objetoseducacionais2.mec.gov.br/handle/mec/2715>. Acesso em: 20 ago. 2012. Duração: 5 min.

7º ano

43


Capítulo

3

LÍNGUA PORTUGUESA

Estudando obras de referência

I

Paula Giolito/Folhapress, Ilustrada

númeras vezes ouvimos dizer que estudar é importante e que as atividades relacionadas ao ato de estudar (como ler e interpretar textos, fazer e consultar anotações a respeito de assuntos diversos, escrever resumos, pesquisar, participar de debates e de eventos culturais) podem ser um diferencial na hora de exercer atividades ligadas ao mundo do trabalho. O que você acha? Escola e trabalho realmente combinam? Aprimorar o ato de estudar pode interferir em sua vida profissional? Por quê? Mas o que é estudar? Estudando também se aprende? Este capítulo pretende estimular você a refletir sobre a importância do ato de estudar e, principalmente, ajudar a aprimorar suas estratégias de estudo. Por exemplo, é de grande ajuda, quando temos de estudar, saber preparar resumos, fichamentos e esquemas do que se lê.

Biblioteca Mário de Andrade, São Paulo, 2011. Essa biblioteca tem um dos principais acervos de livros e documentos no Brasil: são mais de 3 milhões de obras para consulta e milhares de livros para empréstimo. Você costuma frequentar alguma biblioteca?

RODA DE CONVERSA

Antes dos exercícios de leitura e de escrita que serão propostos, vamos refletir sobre o que significa estudar. Escolha a seguir as alternativas (pode ser mais de uma) que melhor traduzam para você o ato de estudar. 44

Língua Portuguesa


Estudar, para você... ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( (

) é ter de aprender ideias que os outros dizem. ) tem a ver com criar e recriar ideias. ) é apenas memorizar acontecimentos, informações, dados e ideias. ) é desejar saber mais sobre um tema ou assunto. ) é algo que se faz na escola e fora dela. ) é algo que já se nasce sabendo fazer, para o qual se tem o dom. ) é algo só para quem é jovem. ) é um ato que tem a ver com paixão, interesse, amor, afeição pelo conhecimento. ) é ter de ir à escola todas as noites para estudar as matérias que, às vezes, não têm nada a ver com o dia a dia. ) é pesquisar informações práticas e teóricas sobre vários assuntos. ) é ler livros, jornais e revistas, para ficar atualizado. ) serve mais para o enriquecimento pessoal do que para mudar de emprego. ) só é bom porque melhora o currículo.

Compare suas respostas com as de seus colegas e descubra o que cada um pensa sobre o ato de estudar.

ESTUDAR NA ESCOLA No dia a dia de uma escola, o ato de estudar está sempre presente. Professores e estudantes leem, debatem, escrevem, fazem pesquisas sobre diversos temas, para que se possa, de forma mais satisfatória, compreender o mundo e se maravilhar com ele. Em geral, é por meio da leitura − de textos e de imagens − que acessamos, na escola, grande parte dos conteúdos das disciplinas. Por isso, quando lemos para obter informações e ampliar conhecimentos, é muito útil saber e aplicar algumas estratégias de estudo. Vamos aprender algumas estratégias lendo obras de referência, ou seja, dicionários, enciclopédias, almanaques, atlas e outras obras que frequentemente são consultadas por professores e estudantes para iniciar uma pesquisa sobre os mais variados temas. Elas constituem as primeiras referências que podemos ter sobre um assunto. Nas obras de referência, encontramos os verbetes, que são, segundo o Dicionário Houaiss da língua portuguesa, “o conjunto das acepções, exemplos e outras informações pertinentes contido numa entrada de dicionário, enciclopédia, glossário etc.”.

LER OBRAS DE REFERÊNCIA

Vamos ler e comparar três textos que apresentam objetivos de diferentes obras de referência. Antes, responda oralmente às seguintes questões para debater com seus colegas: 7º ano

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1. Você tem o hábito de consultar dicionários? Em que situações? 2. Você já consultou alguma enciclopédia impressa? Com que finalidade? 3. Já consultou alguma enciclopédia virtual? Com que finalidade? 4. Você sabe o significado da palavra “migração”? Para saber o significado dessa palavra, devemos 5. Considerando o que você sabe sobre dicionários e enciclo-

pédias, quais diferenças você imagina haver entre os textos que formam os verbetes dessas obras de referência? Depois de discutir as respostas com seus colegas, leia atentamente os textos a seguir: Texto 1

Biblioteca Nacional da França, Paris

consultar um dicionário ou uma enciclopédia? Justifique sua resposta.

Diderot, um dos responsáveis pela elaboração da Encyclopédie ou Dictionnaire raisoneé des sciences, des arts et des métiers (Enciclopédia ou Dicionário racional das ciências, das artes e dos ofícios) − a primeira enciclopédia moderna que se propõe transmitir os conhecimentos que todo “homem de bem” deveria ter no século XVIII − explica na apresentação da obra: “O objetivo de uma enciclopédia é o de reunir os conhecimentos esparsos na superfície da Terra, expor o seu sistema geral aos homens com que vivemos, a fim de que nossos descendentes, tornando-se mais instruídos, tornem-se ao mesmo tempo mais virtuosos e mais felizes.” Enciclopédia Mirador Internacional. São Paulo, Rio de Janeiro: Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda. 1986. p. 3823.

Texto 2

A Enciclopédia ou Dicionário racional das ciências, das artes e dos ofícios foi organizada por Denis Diderot no século XVIII. É a primeira enciclopédia da história.

Wikipédia: o que é um wiki Wiki é uma coleção de muitas páginas interligadas, e cada uma delas pode ser visitada e editada por qualquer pessoa, o que torna bastante prático a reedição e futuras visitas. Você pode editar esta página, clicando no separador no início da página (ou no link do fim da página, dependendo do modelo que estiver usando). É isso aí... Por exemplo, esta frase que agora está a ler foi acrescentada por alguém que a editou. Wiki é hoje em dia a forma mais democrática e simples de qualquer pessoa, mesmo sem conhecimentos técnicos, contribuir para os conteúdos de uma página Web. Este site é um trabalho colaborativo na Web, em constante expansão e aprimoramento, com os leitores criando páginas acerca de seus interesses, comentando páginas antigas, propondo páginas novas etc. É de suma importância que as pessoas tenham total respeito por este trabalho, tendo em vista sua abrangência. Há várias ferramentas Wiki à nossa disposição. Uma característica notável das ferramentas Wiki é a facilidade de edição e a possibilidade de criação de textos de forma coletiva e livre, assim como se faz na Wikipédia e em outros projetos que utilizam Wikis. Wikipédia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki>. Acesso em: 19 jul. 2012. (Texto adaptado.)

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Língua Portuguesa


Texto 3

Prefácio [...] 1. Pretendeu-se fazer um dicionário médio, ou inframédio, etimológico, com razoável contingente vocabular (bem mais de cem mil verbetes e subverbetes) atualizando (dentro de seus limites), atento não só à língua dos escritores (muito especialmente os modernos, mas sem desprezo, que seria pueril, dos clássicos), senão também à língua dos jornais e revistas, do teatro, do rádio e televisão, ao falar do povo, aos linguajares diversos – regionais, jocosos, depreciativos, profissionais, giriescos... Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Editora Nova fronteira, 1975. p. VI.

GLOSSÁRIO

Depreciativo: desqualificação. Etimológico: refere-se ao estudo da origem e da evolução das palavras. Giriesco: relativo a gíria. Inframédio: um pouco menos do que médio. Jocoso: engraçado. Pueril: infantil. Subverbete: verbete em que se elucidam as divisões, espécies, modalidades etc. do significado do verbete principal.

Agora responda a estas questões sobre os textos lidos. Elas ajudarão você a refletir sobre os objetivos das obras de referência. 6. De acordo com o filósofo Diderot − um dos organizadores dos 28 volumes da primeira enciclopé-

dia moderna (que data de 1747) −, uma enciclopédia é escrita com que finalidade?

7. A Enciclopédia de Diderot apresenta, pela primeira vez, os verbetes organizados em ordem alfa-

bética. Esse tipo de organização − sem divisões em disciplinas ou áreas de conhecimento − facilita o trabalho do pesquisador na hora de buscar informações sobre um tema? Por quê?

8. A Wikipédia é uma enciclopédia digital. Nela, os verbetes são elaborados pelos usuários da inter-

net, ou seja, qualquer pessoa pode acessar um verbete, acrescentar, cortar, modificar e arrumar as informações ali contidas. Qual é a sua opinião sobre essa característica da Wikipédia?

9. Enciclopédia é uma palavra que vem da língua grega. Egkúklios (círculo) e paideia (ensino) sig-

nificam ensino circular, panorâmico. A expressão wiki wiki significa “extremamente rápido” no idioma havaiano. Juntando os dois sentidos (wiki + paideia), como você definiria o significado de Wikipédia?

7º ano

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10. Repare que no texto sobre a Wikipédia há expressões que foram destacadas – link e página Web.

Consulte uma enciclopédia digital e tente descobrir o significado dessas expressões. 11. Uma pesquisa seria completa se apresentasse como única referência informações de um verbete

de uma enciclopédia impressa ou da Wikipédia? Por quê?

12. Os dicionários contribuem de várias maneiras para fixar a língua: eles mostram como a palavra

deve ser escrita e fornecem uma espécie de registro civil das palavras, ou seja, se a palavra não consta no dicionário, é como se ela não existisse. Considerando o prefácio do dicionário, é certo afirmar que um dicionário deve também trazer verbetes da língua viva, que é falada pelas pessoas? Justifique sua resposta.

13. O Novo Aurélio do século XXI, publicado no ano 2000, apresenta por volta de 160 mil verbetes,

milhares de verbetes a mais do que a edição de 1975 do Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Esse aumento no número de verbetes demonstra que o vocabulário do português brasileiro ficou mais rico? Justifique sua resposta.

VERBETES DE DICIONÁRIOS, VERBETES DE ENCICLOPÉDIAS Dicionário é uma palavra que nasce derivada de dictionarium ou GLOSSÁRIO dictionarius, que, em latim, significa repertório de dictiones (frases ou Etimologia: estudo da origem e da evolução palavras). O dicionário é uma compilação de palavras que aparecem das palavras. organizadas em ordem alfabética e que fornecem, além das definições, informações sobre sinônimos, antônimos, ortografia, pronúncia, classe gramatical, etimologia etc. ou, pelo menos, algumas dessas informações. Por isso, ler um verbete de dicionário não é tão simples. Abrimos um dicionário em busca de uma informação e encontramos várias outras, algumas difíceis de decifrar, pois aparecem abreviadas e num código que, em geral, não dominamos.

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Língua Portuguesa


Você conhece ou já ouviu falar em “chave do dicionário”? A chave do dicionário é um texto que mostra como um verbete está organizado. Consultando a chave do dicionário, que em geral aparece nas primeiras páginas dos grandes dicionários, fica mais fácil entender as abreviações, siglas e datas do texto de um verbete. Veja alguns exemplos de abreviações usadas: acp.

Acepção ou acepções

adj.

Adjetivo

ANT

Antônimo

cf.

Confira, confronte

fig.

Sentido figurado

SIN/VAR

Sinônimos e variantes

s.f.

Substantivo feminino

s.m.

Substantivo masculino

Veja como o verbete beleza é apresentado no Dicionário Houaiss. beleza. /ê/ s.f. (1572 cf. IAVL) 1. Qualidade, propriedade, caráter ou virtude do que é belo; manifestação característica do belo. 2. Caráter do ser ou da coisa que desperta sentimento de êxtase, admiração ou prazer através de sensações visuais, gustativas, auditivas, olfativas, etc. <a b. sobre-humana da Missa em Si Bemol menor, de Bach> <aquela bacalhoada estava uma b.> [...] HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.

É preciso consultar a chave do dicionário, para entender as informações que aparecem logo no início do verbete. Observe quantas informações: • O /ê/ mostra que o “e” da palavra beleza é pronunciado fechado, como

em “meu”, “cadeira”, “vê”, e não aberto, como em “mel”, “caderno”, “pé”; • s.f. significa “substantivo feminino”; • as informações que aparecem entre parênteses referem-se à data em que a palavra beleza entrou no português e a fonte da datação (no caso, IAVL é a sigla de Índice Analítico do Vocabulário de Os Lusíadas);

7º ano

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• os números “1” e “2” referem-se aos significados da palavra (no caso

desse verbete, há mais significados que não foram transcritos); • o que aparece entre os sinais < > são exemplos de usos (repare que “b.” representa a palavra “beleza” abreviada). Como você viu, são muitas informações. Não há espaço aqui para colocar todas. Vale lembrar que todo verbete no dicionário aparece na forma não flexionada, ou seja, apresenta as palavras no singular, no gênero masculino, no grau neutro e os verbos no infinitivo. Por exemplo, se em um texto você encontrasse a palavra “balbuciamos”, pela terminação seria possível deduzir que é um verbo. No dicionário você procuraria balbuciar... Confira! As enciclopédias buscam apresentar um balanço dos conhecimentos humanos, refletindo as correntes de ideias e de opiniões, aspirações e tendências, além de registrar realizações. Em uma enciclopédia, geralmente os conhecimentos são expostos de maneira ordenada, metódica, e os verbetes estão dispostos em ordem alfabética, como nos dicionários. Eles aparecem na forma de artigos, de maior ou menor extensão, de assuntos específicos ou de assuntos gerais. Uma equipe de autores, sob uma coordenação ou direção, é quem elabora a enciclopédia. A Enciclopédia ou Dicionário racional das ciências, das artes e dos ofícios, citada anteriormente, contou com a ajuda de diversos especialistas e demorou mais de vinte anos para ficar pronta. Os verbetes das enciclopédias respondem a perguntas de informação imediata: quem, que, qual, como, quando, por quê. São muito úteis como fonte inicial para pesquisas rápidas e como ponto de partida para a aprendizagem de um assunto, pois, além das informações sobre o tema pesquisado, o verbete enciclopédico indica outros verbetes que podem ser buscados para aprofundamento do tema. Nas enciclopédias digitais, os links, como são chamadas essas possibilidades de remissões, aparecem destacados (normalmente na cor azul) e, para acessá-lo, basta clicar em cima da palavra destacada. Vale lembrar que “remissão” tem a ver com “remeter”, “encaminhar” a pesquisa para outros verbetes que aprofundam a pesquisa. As enciclopédias digitais são acessadas por computadores conectados à internet. É preciso ficar muito atento às informações que encontramos na internet, pois chegam em grande número de fontes nem sempre confiáveis. A Wikipédia é chamada “enciclopédia livre”, porque qualquer pessoa, mesmo que não seja um especialista, pode participar na elaboração do texto dos verbetes. Claro que o compromisso que se espera de quem escolhe participar do processo de elaboração de um verbete é o de oferecer a informação mais precisa possível, mas não se pode ter garantia disso, por isso essa fonte de consulta não é totalmente segura. A Wikipédia, como outras enciclopédias digitais, pode ser acessada por qualquer computador conectado à internet. Ela é uma coleção de muitas páginas interligadas e, justamente porque pode GLOSSÁRIO Editado: publicado. ser visitada e editada por qualquer pessoa, é constantemente Metódico: ordenado, organizado. ampliada, sempre recebendo novos verbetes e atualizações. 50

Língua Portuguesa


LER VERBETE I

Vamos ler e comparar três verbetes transcritos de três obras de referência diferentes. Texto 1

Migração História dos movimentos migratórios Migrações são deslocamentos de população de um território para outro, para aí se estabelecerem por tempo indeterminado. As migrações têm sido uma constante na história da humanidade, mas as suas causas, características e consequências têm mudado ao longo do tempo. Calcula-se que nos primeiros anos do séc. XXI cerca de 150 000 000 de pessoas viviam fora de seus países de origem. As migrações acompanharam a humanidade desde os seus inícios, na longa etapa do nomadismo, quando a população se deslocava à procura de alimentos. Com o desenvolvimento da agricultura, a espécie humana tornou-se sedentária, mas os movimentos migratórios continuaram devido a inúmeras causas e manifestando-se por diversas causas. [...]

Consequências das migrações As migrações constituem o fenômeno mais complexo da dinâmica demográfica, devido especialmente às suas inúmeras consequências sociais, econômicas e culturais. • Demogr cas: as consequ ncias imediatas na sociedade emissora s o redução da pressão demográfica, o repentino envelhecimento da estrutura de idade da população e o despovoamento das áreas rurais. Pelo contrário, na sociedade receptora a pirâmide etária revela um súbito rejuvenescimento, causado tanto pelo aumento da taxa de natalidade quanto pela chegada de adultos jovens. • Econ micas: atualmente, a maioria das consequ ncias econ micas associadas aos movimentos migratórios são situações de instabilidade no trabalho, precariedade, vulnerabilidade e desamparo social, muitas vezes relacionada à situação ilegal do imigrante. Nas sociedades emissoras, as consequências positivas são a progressiva redução da pobreza, a tendência para o equilíbrio da balança de pagamentos, com as remessas de divisas que os imigrantes enviam às suas famílias, e a potencial renovação que se manifesta com os retornos. Por outro lado, uma consequência negativa é a perda de pessoal qualificado, que nem sempre é associada a situações de conflito político. Para o conjunto das sociedades receptoras considera-se uma consequência positiva o aumento de mão de obra, quando esta não concorre diretamente com os trabalhadores nacionais, e a sua contribuição para fortalecer o sistema previdenciário da região. • Sociais: o migrante deve se integrar em um novo modo de vida, voltar a se socializar, o que constitui um desafio tanto para ele quanto para a sociedade receptora. No entanto, a realidade da migração mostra frequentemente situações de desamparo, de marginalidade e de discriminação, que podem originar guetos urbanos e atos violentos de caráter xenófobo. • ulturais: nas sociedades emissoras, o movimento de grandes contingentes de população favorece a estagnação dos elementos culturais tradicionais, impedindo a criação de uma nova ordem social e favorecendo a exposição às influências culturais externas. No âmbito das sociedades receptoras, se não houver atitudes xenófobas ou racistas, a aceitação do imigrante tem como consequência um enriquecimento cultural e é um passo importante para a tolerância e para o universalismo. [...] Enciclopédia Barsa Universal. São Paulo: Editorial Planeta, 2007. p. 3 948-3 949.

7º ano

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Biblioteca do Congresso, Washington.

Ilustração do fim do século XIX mostra imigrantes chegando à costa dos Estados Unidos. Publicada em Frank Leslies Ilustrated Newspaper.

Texto 2

Migração humana As migrações humanas tiveram lugar, em todos os tempos, e numa variedade de circunstâncias. Têm sido tribais, nacionais, internacionais, de classes ou individuais. As suas causas têm sido políticas, econômicas, religiosas, étnicas ou por mero amor à aventura. As suas causas e resultados são fundamentais para o estudo da etnologia, história política ou social, e para a economia política. Nas suas origens naturais, podem referir-se às migrações do Homo erectus, depois seguidas das do Homo sapiens, saindo de África, através da Euroásia, sem dúvida, usando algumas das rotas disponíveis, pelas terras, para o norte dos Himalaia, que se tornaram posteriormente a Rota da Seda, e através do Estreito de ering. So a forma de conquista, a press o das migra ões humanas afeta as grandes épocas da história (e.g. a queda do Império Romano no Ocidente); sob a forma de migração colonial, transformou todo o mundo (e.g. a Pré-História e a GLOSSÁRIO história dos povoados da Austrália e Américas). E.g.: abreviatura da expressão em latim exempli gratia, que A migração forçada tem sido um meio de controle social dentro significa “por exemplo”. de regimes autoritários; mesmo sob livres iniciativas, é o mais poderoso

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Língua Portuguesa


factor no meio social de um país (e.g. o crescimento da população urbana). Incluem-se neste caso as migrações pendulares referidas abaixo e também as grandes imigrações, em que os migrantes se fixaram num país diferente, trazendo sua cultura e adotando a do país de acolhimento. Os recentes estudos de migrações vieram complicar esta visão dualista. Como exemplo, refira-se que boa parte dos migrantes, que nos dias de hoje mudam de país, continuam a manter práticas e redes de relações sociais que se estendem entre o país de origem e o de destino, interligando-os na sua experiência migratória. Trata-se de um “transnacionalismo” que transcende os conceitos de migração temporária e migração permanente. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Migração_humana>. Acesso em: 28 jun. 2012.

Texto 3

migração. s.f. (1817 – 1819 cf. Elicomp) 1 movimentação de entrada (imigração) ou saída (emigração) de indivíduo ou grupo de indivíduos, ger. em busca de melhores condições de vida (essa movimentação pode ser entre países diferentes ou dentro de um mesmo país.) Cf. emigração e imigração. 2 ECO deslocamento periódico de espécies de animais de uma região para outra, ger. associado a mudanças cíclicas de características ambientais. Cf. dispersão. ETIM lat. migratio,onis ‘passagem de um lugar para outro, emigração’; ver migraHOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

1. Os três textos contêm informações gerais e dão uma visão ampla do que é “migração”. Dois deles

preocupam-se em esclarecer “migração” como fato e um deles, como termo. Quais realizam a primeira tarefa? Qual realiza a segunda? 2. Qual é a diferença entre “imigração” e “emigração”? Em qual dos três verbetes aparece essa diferença? 3. As pessoas que moravam no Nordeste do Brasil na década de 1960 e se mudaram para o Centro-

-Oeste a fim de trabalhar na construção de Brasília podem ser consideradas imigrantes? Comprove com dados extraídos dos textos lidos. 4. Em que circunstância as pessoas citadas na questão anterior seriam emigrantes? 5. O primeiro verbete foi retirado de uma enciclopédia digital, o segundo verbete, de uma enciclo-

pédia impressa. Essa afirmação está correta? Justifique. 6. Localize nos dois primeiros verbetes informações que sejam similares quanto ao conteúdo. 7. No primeiro verbete, lemos que o desafio do migrante é se integrar em um novo modo de vida,

voltar a se socializar. Você concorda com essa ideia? Por quê?

GRIFAR/SUBLINHAR TEXTOS É comum observar na escola pessoas lendo e destacando trechos dos textos com lápis ou canetas próprias para esse tipo de marcação. Geralmente, quando 7º ano

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grifam/sublinham passagens dos textos, têm a intenção de deixar prontamente ao alcance dos olhos ideias que consideram importantes, ideias que ajudam a lembrar outras, que revelam a maneira como o texto está organizado. Mas, antes de sair grifando o texto, é importante ter clara a razão pela qual você vai grifá-lo/ sublinhá-lo. O que você pretende destacar? Que informação específica deseja encontrar no texto? As ideias principais de um texto são as mesmas para todos?

LER VERBETE II

Vamos fazer uma experiência... Leia novamente o trecho de um dos verbetes estudados na atividade anterior e, usando um lápis, sublinhe as ideias que você considerar mais importantes. Consequências das migrações As migrações constituem o fenômeno mais complexo da dinâmica demográfica, devido especialmente às suas inúmeras consequências sociais, econômicas e culturais. • Demogr cas: as consequ ncias imediatas na sociedade emissora s o redução da pressão demográfica, o repentino envelhecimento da estrutura de idade da população e o despovoamento das áreas rurais. Pelo contrário, na sociedade receptora a pirâmide etária revela um súbito rejuvenescimento, causado tanto pelo aumento da taxa de natalidade quanto pela chegada de adultos jovens. • Econ micas: atualmente, a maioria das consequ ncias econ micas associadas aos movimentos migratórios são situações de instabilidade no trabalho, precariedade, vulnerabilidade e desamparo social, muitas vezes relacionada à situação ilegal do imigrante. Nas sociedades emissoras, as consequências positivas são a progressiva redução da pobreza, a tendência para o equilíbrio da balança de pagamentos, com as remessas de divisas que os imigrantes enviam às suas famílias, e a potencial renovação que se manifesta com os retornos. Por outro lado, uma consequência negativa é a perda de pessoal qualificado, que nem sempre é associada a situações de conflito político. Para o conjunto das sociedades receptoras considera-se uma consequência positiva o aumento de mão de obra, quando esta não concorre diretamente com os trabalhadores nacionais, e a sua contribuição para fortalecer o sistema previdenciário da região. • Sociais: o migrante deve se integrar em um novo modo de vida, voltar a se socializar, o que constitui um desafio tanto para ele quanto para a sociedade receptora. No entanto, a realidade da migração mostra frequentemente situações de desamparo, de marginalidade e de discriminação, que podem originar guetos urbanos e atos violentos de caráter xenófobo. • ulturais: nas sociedades emissoras, o movimento de grandes contingentes de população favorece a estagnação dos elementos culturais tradicionais, impedindo a criação de uma nova ordem social e favorecendo a exposição às influências culturais externas. No âmbito das sociedades receptoras, se não houver atitudes xenófobas ou racistas, a aceitação do imigrante tem como consequência um enriquecimento cultural e é um passo importante para a tolerância e para o universalismo. Enciclopédia Barsa Universal. São Paulo: Editorial Planeta S.A., 2007. p. 3 948-3 949.

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Língua Portuguesa


1. Agora, compare o que grifou com os grifos de um colega. a) Os trechos que você grifou coincidiram com os grifados por seu colega? Conversem sobre as

justificativas que cada um pensou para grifar uma ou outra passagem do texto. b) Há trechos longos grifados? Há palavras soltas grifadas? Isso é bom ou ruim para a posterior

recuperação das informações? 2. Suponha que lhe fosse solicitado localizar e grifar, no verbete, apenas as consequências das migra-

ções para “sociedade emissora”, isto é, para o fluxo migratório relacionado à saída dos indivíduos. Que trechos, a partir do objetivo de leitura proposto, seriam grifados? Para responder, use agora, para sublinhar, uma caneta. Quando terminar, confira se o que destacou coincide com o que seu colega grifou.

ESTRATÉGIAS DE ESTUDO: GRIFAR/SUBLINHAR E FICHAR TEXTO Marcar passagens do texto, tendo um objetivo específico de leitura, como encontrar uma informação, uma definição, um conjunto de argumentos ou conceitos, pode facilitar muito seu diálogo com o que é lido. Reflita sobre algumas estratégias que você pode considerar toda vez que estudar e grifar um texto: • antes de grifar, é fundamental ler o texto inteiro pelo menos uma vez.

Conhecendo o texto, você perceberá como ele está estruturado e o que precisa ser destacado de acordo com seus objetivos de leitura; • evite grifar parágrafos inteiros. Grife o essencial, sempre considerando os objetivos de leitura; • há parágrafos que têm a função de retomar ideias já apresentadas; outros apresentam exemplos. Nesses casos (ou quando há alguma repetição), não é preciso grifar as ideias, mesmo que tenham sido apresentadas de um jeito diferente; • é possível também grifar ou sublinhar apenas palavras-chave, ou seja, termos importantes. Mas, nesse caso, convém escrever na margem do texto as ideias completas representadas pelas palavras. Quando o texto está sublinhado, fica fácil posteriormente recuperar as ideias que foram consideradas importantes, de acordo com os objetivos de leitura. Vamos ver um exemplo no quadro a seguir. Na primeira coluna, aparece um fragmento de “A origem da linguagem”, texto da filósofa Marilena Chaui. Na segunda coluna, aparece o mesmo texto grifado, de acordo com um objetivo de leitura. Na terceira coluna, aparecem as justificativas dos grifos. 7º ano

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Texto a ser estudado

Objetivo da leitura: explicar as origens da linguagem

A origem da linguagem

A origem da linguagem

Durante muito tempo a filosofia preocupou-se em definir a origem e as causas da linguagem.

Durante muito tempo a filosofia preocupou-se em definir a origem e as causas da linguagem.

Uma primeira divergência sobre o assunto surgiu na Grécia: a linguagem é natural aos homens (existe por natureza) ou é uma convenção social? Se a linguagem for natural, as palavras possuem um sentido próprio e necessário; se for convencional, são decisões consensuais da sociedade e, nesse caso, são arbitrárias, isto é, a sociedade poderia ter escolhido outras palavras para designar as coisas. Essa discussão levou, séculos mais tarde, à seguinte conclusão: a linguagem como capacidade de expressão dos seres humanos é natural, isto é, os humanos nascem com uma aparelhagem física, anatômica, nervosa e cerebral que lhes permite expressarem-se pela palavra; mas as línguas são convencionais, isto é, surgem de condições históricas, geográficas, econômicas e políticas determinadas, ou, em outros termos, são fatos culturais. Uma vez constituída uma língua, ela se torna uma estrutura ou um sistema dotado de necessidade interna, passando a funcionar como se fosse algo natural, isto é, como algo que possui suas leis e princípios próprios, independentes dos sujeitos falantes que a empregam. [...]

Uma primeira divergência sobre o assunto surgiu na Grécia: a linguagem é natural aos homens (existe por natureza) ou é uma convenção social? Se a linguagem for natural, as palavras possuem um sentido próprio e necessário; se for convencional, são decisões consensuais da sociedade e, nesse caso, são arbitrárias, isto é, a sociedade poderia ter escolhido outras palavras para designar as coisas. Essa discussão levou, séculos mais tarde, à seguinte conclusão: a linguagem como capacidade de expressão dos seres humanos é natural, isto é, os humanos nascem com uma aparelhagem física, anatômica, nervosa e cerebral que lhes permite expressarem-se pela palavra; mas as línguas são convencionais, isto é, surgem de condições históricas, geográficas, econômicas e políticas determinadas, ou, em outros termos, são fatos culturais. Uma vez constituída uma língua, ela se torna uma estrutura ou um sistema dotado de necessidade interna, passando a funcionar como se fosse algo natural, isto é, como algo que possui suas leis e princípios próprios, independentes dos sujeitos falantes que a empregam. [...]

CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1999. p. 139-141.

CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1999. p. 139-141.

Justificativas O primeiro parágrafo não foi grifado, pois apenas informa que a filosofia sempre se preocupou em definir a origem da linguagem. Mas não há nesse parágrafo nenhuma ideia que explique a origem da linguagem. Já o segundo parágrafo apresenta como a questão da origem da linguagem foi pensada ao longo do tempo. Repare que a expressão entre parênteses não foi grifada, pois repete a ideia do que é “natural”. A conclusão a que os filósofos chegaram séculos mais tarde é informação importante e está relacionada ao objetivo de leitura. Repare que a expressão “isto é” aparece quatro vezes no parágrafo. Essa expressão é usada para esclarecer ou explicar passagens do texto que os autores consideraram de difícil compreensão para o leitor. Isso quer dizer que a mesma coisa está sendo dita de modos diferentes. Nesse caso, o leitor poderia escolher grifar a passagem que considerasse mais clara para ele. Compare. Leia só as ideias grifadas: mas as línguas são convencionais, isto é, surgem de condições históricas, geográficas, econômicas e políticas determinadas, ou, em outros termos, são fatos culturais. Uma vez constituída uma língua, ela se torna uma estrutura ou um sistema dotado de necessidade interna, passando a funcionar como se fosse algo natural, isto é, como algo que possui suas leis e princípios próprios, independentes dos sujeitos falantes que a empregam. Ou mas as línguas são convencionais, isto é, surgem de condições históricas, geográficas, econômicas e políticas determinadas, ou, em outros termos, são fatos culturais. Uma vez constituída uma língua, ela se torna uma estrutura ou um sistema dotado de necessidade interna, passando a funcionar como se fosse algo natural, isto é, como algo que possui suas leis e princípios próprios, independentes dos sujeitos falantes que a empregam. Os trechos grifados são diferentes, mas as ideias são similares.

O exemplo deixa claro que, antes de sair grifando o texto, é importante ter clara a razão pela qual você vai grifá-lo/sublinhá-lo, isto é, o objetivo de leitura. Só assim é possível selecionar algumas ideias e descartar outras. 56

Língua Portuguesa


FICHAMENTO Depois de selecionar as ideias (sempre considerando os objetivos de leitura), você pode reescrever o que foi destacado. Chamamos de fichamento esse registro das ideias destacadas. Fichamento é uma maneira de registrar as informações obtidas na leitura de um texto de forma organizada. Essas ideias são escritas para ser consultadas em estudos posteriores. Importante: em um fichamento constam somente as ideias relacionadas aos objetivos de leitura, ou seja, as informações que você está buscando.

LER VERBETE III

Vamos ler agora outro trecho do verbete Migração da Enciclopédia Barsa Universal. Você vai grifar passagens desse fragmento, considerando um objetivo de leitura que será proposto. Depois, você vai fazer um fichamento. 1. Suponha que numa aula de Geografia o professor tenha solicitado a você que pesquisasse os

processos de migração ocorridos no Brasil. Localize e grife as características desse processo e as consequências para o nosso país. Tendo em mãos o texto a seguir, sublinhe o que julgar importante para cumprir esses objetivos. O Brasil e as imigrações A imigra o teve início no rasil a partir de 5 0, quando come ou a se estabelecer um sistema relativamente organizado de ocupação e exploração da terra. A tend ncia acentuou-se a partir de 5 4, quando o territ rio foi dividido em capitanias heredit rias e se formaram n cleos sociais importantes em S o icente e Pernambuco. Foi um movimento ao mesmo tempo colonizador e povoador, pois contribuiu para formar a população que se tornaria brasileira, sobretudo num processo de miscigenação que incorporou portugueses, negros e indígenas. A marca da imigra o no rasil pode ser perce ida especialmente na cultura e na economia das duas mais ricas regiões rasileiras: Sudeste e Sul. A coloniza o foi o o etivo inicial da imigra o no rasil, visando ao povoamento e à explora o da terra por meio de atividades agrárias. A criação das colônias estimulou o trabalho rural. Deve-se aos imigrantes a implantação de novas e melhores técnicas agrícolas, como a rotação de culturas, assim como o hábito de consumir mais legumes e verduras. A influência cultural do imigrante também é notável. Após a abolição da escravatura, em apenas 10 anos (de 1890 a 1900) entraram no rasil mais de 400 000 imigrantes, o do ro do n mero de entradas nos 0 anos anteriores (1808-1888). Acentua-se também a diversificação por nacionalidades das correntes migratórias, fato que já ocorria nos últimos anos do período anterior. No séc. XX, o fluxo migratório apresentou irregularidades em decorrência de fatores externos – as duas guerras mundiais, a recuperação europeia no pós-guerra, a crise japonesa – e, igualmente, devido a fatores internos. No começo do séc. XX, por exemplo, assinalou-se em S o aulo uma saída de imigrantes, so retudo italianos, para Argentina. a mesma época, verifica-se o início da imigração nipônica, que alcançaria, em 50 anos, grande 7º ano

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significado. No recenseamento de 1950, os japoneses constituíam a quarta colônia no rasil em n mero de imigrantes, com 0,6 dos estrangeiros recenseados. Quanto às emigrações, metade dos brasileiros que vivem no exterior está nos EUA. A estimativa oficial do governo brasileiro é de que a comunidade brasileira em solo estadunidense chegue atualmente a 00 000 de imigrantes, entre legais e ilegais. O número é o maior registrado, segundo especialistas, a crescente emigração de rasileiros é um processo sem volta , residindo no exterior entre 00 000 e 000 000 de rasileiros. Depois dos E A, as principais concentra ões s o no araguai, no Japão e em Portugal. Enciclopédia Barsa Universal. São Paulo: Editorial Planeta, 2007. p. 3 949.

2. Compare os trechos que você grifou com os grifados por seus colegas. 3. Escreva em um quadro as informações que estão faltando, como no modelo a seguir. Escreva os ob-

jetivos de leitura que foram propostos e as ideias que foram selecionadas (grifadas) no exercício 1. Fonte: Título: O Brasil e as migrações

Objetivos da leitura:

Ideias destacadas:

EXPLORANDO O UNIVERSO TEXTUAL O fragmento que você leu na página anterior traz muitas informações sobre o processo de migração no Brasil: informa quando a imigração começou, quando ela se acentuou, como foi o fluxo de entrada dos imigrantes, quais as nacionalidades das correntes migratórias, os dados sobre a migração nipônica e sobre as emigrações. Mas muitas dessas informações não apareceram no fichamento do texto. Os objetivos de leitura propostos no exercício 1 eram destacar as características e as consequências dos processos migratórios no Brasil. Assim, características − como “foi um movimento ao mesmo tempo colonizador e povoador”; “um processo de miscigenação que incorporou portugueses, negros e indígenas”; “diversificação por nacionalidades das correntes migratórias” – e consequências – como 58

Língua Portuguesa


“a implantação de novas e melhores técnicas agrícolas”; “a rotação de culturas”; “o hábito de consumir mais legumes e verduras” – teriam de ser grifadas no texto. Para elaborar o fichamento, foi preciso primeiro selecionar as informações, considerando os objetivos de leitura, e, a partir do texto-fonte, elaborar um segundo texto que servirá de ótimo material de estudo.

APLICAR CONHECIMENTOS

Museu d’Orsay, Paris

A proposta agora é ler outro verbete (fragmento) e praticar os procedimentos de estudo trabalhados neste capítulo: grifar e fazer fichamento. Grife no verbete a seguir as definições de literatura e as diferenças entre os textos ficcionais e não ficcionais. Depois, escreva um fichamento do texto, considerando o que você destacou. LITERATURA, em sentido mais amplo, é tudo aquilo que tenha sido escrito. Inclui livros de histórias em quadrinhos e opúsculos sobre pragas que atacam as batatas, assim como os romances de achado de Assis e as pe as de illiam Shakespeare. Em sentido mais restrito, há várias espécies de “literatura”. Por exemplo, podemos ler literatura escrita numa determinada língua, como a literatura francesa. Estudamos, também, os trabalhos escritos sobre uma comunidade especial – a literatura dos índios americanos. Frequentemente falamos da literatura de um certo período histórico, como a literatura do século XIX. Referimo-nos, ainda, à literatura de um assunto específico, como a literatura da jardinagem. Mas a palavra literatura, no seu sentido mais limitado, significa mais do que palavras impressas. A literatura é uma das artes. Distinguimos entre literatura e livros meramente divertidos, do mesmo modo como distinguimos entre um jogo de futebol profissional e um jogo entre amigos, sem técnica e organização. Quando um trabalho escrito é Pierre A. Renoir. Mulher lendo, 1847. Óleo sobre tela, 35,5 × 27,5 cm. Museu d’Orsay, Paris. considerado obra literária, estamos fazendo essa distinção. A literatura apresenta duas divisões capitais: a ficção e a não ficção. A ficção é a criação literária que o autor produz a partir de sua própria imaginação. Pode incluir fatos da vida real ou acontecimentos reais, mas o autor combina esses fatos com situações puramente imaginárias. A maior parte da ficção é narrativa, como os romances e os contos. A ficção inclui, também, o teatro e a poesia. A não ficção é o escrito acerca de situações reais da vida. As formas principais de não ficção incluem o ensaio, a história, a autobiografia, a biografia e o diário. [...] Enciclopédia Delta Universal. Rio de Janeiro: Delta. 1979. vol. 9, p. 4840-4845.

PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS

Site

Join Us – A história da Wikipédia, a maior enciclopédia do mundo

A história da Wikipédia com base no depoimento de pessoas que participaram da criação dessa enciclopédia. Nos sites indicados há dois curtas-metragens que fazem parte de uma série de filmes sobre colaboração. Disponível em: <www.videolog.tv/video.php?id=442179> e <www.videolog.tv/video.php?id=442185>. Acesso em: 5 nov. 2012.

7º ano

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Capítulo

4

LÍNGUA PORTUGUESA

Deu no jornal!

A

expressão popular “Deu no jornal!” indica que um fato virou notícia. Notícia, de modo geral, é uma informação sobre os últimos acontecimentos. Mas notícia também significa algo mais específico. Neste capítulo, você vai estudar os traços que definem a notícia como um gênero jornalístico. Em especial, a que é publicada em jornais diários, na versão impressa. Para iniciar essa reflexão, leia a letra de uma canção do compositor Célso Viáfora, com música de Vicente Barreto. Ouça a canção na internet. Utilize um site de busca e pesquise o nome dos compositores e o título da canção.

Rubens Chaves/Pulsar Imagens

Favela da Rocinha, localizada na zona sul do Rio de Janeiro (RJ), 2011. A Rocinha é mencionada na canção de Célso Viáfora e Vicente Barreto, que você lerá a seguir. Que tipo de notícia geralmente é veiculada sobre favelas nos jornais impressos e nos telejornais? Será que essas notícias dão conta de informar tudo o que acontece nesses espaços?

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Língua Portuguesa


O New York Times não deu uma linha A BBC de Londres nem uma palavra Mas ontem no Xingu um índio se afogou E um guarda-marinha se atirou nas águas Para salvar a sua vida Na mesma hora um favelado da Rocinha Que tinha sete filhos arrumou mais um Era um menino loiro de olho azul Que tinha sido abandonado nu Numa avenida Gente má, Gente linda Dia vem, Noite finda Em todo lugar

Celso Viáfora e Vicente Barreto Celso Viáfora nasceu em São Paulo em 1959. É compositor, cantor e arranjador elogiado pela crítica. Tem parcerias com Vicente Barreto, Ivan Lins, Guinga, Eduardo Gudin, Elton Medeiros, entre outros, e canções gravadas por conhecidos intérpretes. O músico Vicente Barreto, nascido na Bahia, tem parcerias com Celso Viáfora, Paulo César Pinheiro, Tom Zé, Vinicius de Moraes, Gonzaguinha, Elton Medeiros, entre outros. Com Alceu Valença compôs a conhecida Morena Tropicana. Suas canções também foram gravadas por Elba Ramalho, Ney Matogrosso, Chico César, Vânia Bastos, Tom Zé, Vania Abreu e Mônica Salmaso. Dani Gurgel

A notícia

Vicente Barreto, Mão direita, Dabliú Discos, 1996. Faixa 8. GLOSSÁRIO

BBC: sigla de British Broadcasting Corporation (Corporação Britânica de Radiodifusão), emissora pública de rádio e televisão do Reino Unido, fundada em 1922. Rocinha: bairro localizado na zona sul do Rio de Janeiro, constituído por uma das maiores favelas da cidade. The New York Times: jornal diário da cidade de Nova York fundado em 1851 e distribuído em muitos países.

RODA DE CONVERSA

Reúna-se com seus colegas para debaterem juntos as seguintes questões. 1. Que razão se pode apontar para o fato de a BBC e The New York Times não noticiarem os dois

acontecimentos relatados na letra da canção? 2. Se, em vez de ter acontecido com um índio anônimo do Xingu, o fato tivesse acontecido com um

cantor famoso no Brasil, ele teria sido noticiado? E se tivesse acontecido com o filho desse cantor? 3. De modo geral, que traços um fato deve apresentar para virar notícia na imprensa? 4. De que forma você costuma se inteirar das notícias? 5. Você se interessa por notícias de alguma área específica? Qual(is)? Por quê?

QUE FATOS VIRAM NOTÍCIAS? A palavra notícia está intimamente ligada à palavra notoriedade, que é a característica do que é conhecido, tem fama. Assim, podemos afirmar que são noticiados os fatos importantes, que despertam o interesse das pessoas. Por exemplo, se o governo baixou temporariamente o imposto sobre eletrodomésticos e você estava pensando em comprar uma geladeira, ter conhecimento dessa medida é importante para suas finanças. 7º ano

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Vamos avaliar outro caso. Muitas pessoas morrem diariamente de causas naturais e não ficamos sabendo – a não ser em forma de dado estatístico. Mas e se uma dessas pessoas fosse um escritor conhecido de todos os brasileiros e sua obra fosse relevante para a literatura nacional? É um fato que causa impacto na nossa vida, diferentemente do primeiro (a medida econômica). Interessamo-nos por esses fatos, pois nos dizem respeito como leitores e como brasileiros. Embora não haja consenso em relação ao que é de interesse público, constatamos que em geral há interesse por um fato quando ele causa algum impacto, tem a ver com pessoas importantes e com dinheiro, quando é raro, útil ou trágico, quando constitui invenção, descoberta ou conflito, quando apresenta confidências e até quando provoca humor. Há outro traço facilmente identificável nas notícias: a novidade. Afinal, ninguém precisa ficar sabendo daquilo que já sabe! Em algumas línguas, usa-se a mesma palavra para designar “novo(a)” e “notícia”. É o caso do inglês, que tem a palavra news, e do francês, que tem nouvelle. Então, relatar um fato novo que desperta interesse público é produzir uma notícia? Não exatamente. O fato novo que desperta interesse torna-se notícia se for relatado segundo algumas regras; há um jeito próprio de produzir notícia. Nas próximas seções vamos nos ater a essas questões.

A ESTRUTURA DA NOTÍCIA Diariamente diversos fatos acontecem. Vamos considerar um, contado a seguir. 1. Algumas pessoas embarcaram num pequeno avião para um compromis-

so de trabalho em outra cidade. 2. Pouco antes de chegar ao aeroporto de destino, o avião colidiu com um

fio de alta-tensão e o quiosque de uma pousada. 3. O avião explodiu e as pessoas a bordo morreram.

Essa sequência de eventos (real ou imaginada) poderia ser narrada num romance, num filme, num poema. No romance ou filme, os autores explorariam à vontade aspectos subjetivos, a fim de despertar a emoção do leitor. Eles, por exemplo, narrariam com beleza as coincidências que levaram alguém a embarcar (ou não) no último minuto, comporiam minuciosamente o perfil de um passageiro para dar ideia do sofrimento vivido pelas pessoas próximas a ele. No poema, por sua vez, os autores poderiam até se fixar unicamente na explosão, apenas sugerindo uma bela imagem ao leitor, mesmo sendo de destruição. Quando, porém, um fato como esse acontece na realidade, ele costuma ser imediatamente relatado numa notícia. Aí, a palavra de ordem é ater-se unicamente ao que se passou e apresentar todos os eventos possíveis para o leitor compor um quadro objetivo.

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Língua Portuguesa


Para realizar essa tarefa, a notícia procura responder a algumas questões: quem fez o quê? Quando? Onde? Por quê? Como? Se necessário, são apresentados dados relativos às implicações e consequências do fato. Veja um exemplo. O Ministério da Saúde e a Secretaria de Saúde do Distrito Federal comemoraram ontem o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais com uma ação de vacinação e realização de testes rápidos na Escola Classe do P Norte, em Ceilândia. [...] Correio Braziliense, 29 jul. 2012. Cidades, p. 27.

Quem?

O Ministério da Saúde e a Secretaria de Saúde do Distrito Federal

O quê?

Comemoraram o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais

Quando?

Ontem

Onde?

Na Escola Classe do P Norte, em Ceilândia

Como?

Com uma ação de vacinação e realização de testes rápidos

As razões desse acontecimento (que responderiam à questão “Por quê?”) são de fácil dedução, por isso esse elemento não precisou ser apresentado de pronto. Mesmo assim, em outros três parágrafos da notícia, a motivação para a campanha é esclarecida. Veja. [...] “No DF, estima-se que 25 mil pessoas tenham a hepatite C [...], mas pouco mais de mil casos são conhecidos. [...] [...] “Estamos ampliando o acesso aos testes rápidos e ao tratamento. Sem o teste, os sintomas podem demorar muito a se manifestar. O diagnóstico rápido é o primeiro passo para a cura”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. [...] [...] “Hoje em dia, são tratadas as duas modalidades de hepatite e elas têm cura. O agravamento da hepatite pode levar à cirrose e até à necessidade de transplante”, disse [o secretário de Saúde do DF, Rafael Barbosa]. Correio Braziliense, 29 jul. 2012. Cidades, p. 27.

Além das informações básicas contidas nas respostas às seis questões apresentadas, uma notícia também pode fornecer informações complementares. A notícia citada, por exemplo, indicou também quem foi atendido naquela iniciativa, detalhes sobre o teste, o número de casos no Distrito Federal (estimados e registrados), o atendimento disponível na rede pública (vacinação e tratamento) e a forma de transmissão da doença. As seis perguntas são fundamentais para entendermos como a notícia se estrutura, mas convém destacar o seguinte: esses itens podem ser organizados de diferentes modos, ainda que seja para noticiar um mesmo fato. Observe outras formulações possíveis para a notícia do Correio Braziliense:

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1 - Ontem, Dia Mundial de Luta contras as Hepatites Virais , o Ministério da Saúde e a Secretaria de Saúde do DF realizaram uma campanha de esclarecimento e imunização na Escola Classe do P Norte, em Ceilândia.

Nesse caso, são exploradas as questões quando, quem, o quê, onde. A ideia de comemoração da data não foi tão evidenciada, mas estão presentes basicamente as mesmas informações do texto original. 2 - Em comemoração ao Dia Mundial de Luta contras as Hepatites Virais, o Ministério da Saúde e a Secretaria de Saúde do DF promoveram ontem, em Ceilândia , uma campanha de vacinação e diagnóstico das formas A e B da doença.

Nessa v ersão, percebem-se as q uestõ es “ como” , “ q uem” , “ o q uê ” , “ q uando” , “ onde” . o oi apontado o local espec fico a escola por outro lado especificaram se os tipos de epatite campan a antes inclu da na quest o omo aparece agora incluí da na q uestão “ o q uê ” . 3 - Cerca de 600 alunos da Escola Classe do P Norte, de Ceilândia, e moradores da região participaram ontem de uma ação de esclarecimento e imunização contra as hepatites A e B promovida pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria de Saúde do DF.

Quem? O quê? Quando? Onde?

Como? Quem? O quê? Quando? Onde?

Quem? O quê? Quando?

A q ui, encontram-se respondidas as q uestõ es “ q uem” , “ o q uê ” , “ q uando” , mas a q uestão “ onde” foi indiretamente respondida na primeira delas. A diferença em relação ao texto original é q ue não se fez menção à comemoração da data.

A ORGANIZAÇÃO DA NOTÍCIA As notícias podem ter diferentes tamanhos, conforme o espaço que o jornal pretende dedicar a um fato. Por isso, as seis questões fundamentais (e seus complementos) podem aparecer mais ou menos desenvolvidas. Todavia, qualquer que seja a dimensão da notícia, alguns procedimentos são bem comuns.

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Língua Portuguesa


a) Começar com o que interessa

Para conhecer esse procedimento, retome a “historinha” do avião, mencionada antes (página 62). Em uma notícia, os eventos não seriam contados naquela ordem. Quando se trata de fato pontual, bem delimitado no tempo e no espaço, a notícia começa com o evento principal, aquele que motivou a divulgação. No caso da historinha do avião, fundamental é o acidente trágico. A partir daí pode-se seguir a ordem cronológica ou ainda escolher outra sequência para apresentar os fatos. O Jornal de Brasília deu uma nota sobre esse acontecimento. Veja como o texto foi organizado. Um avião bimotor caiu na manhã de ontem no município de Juiz de Fora (MG), matando oito pessoas. Entre os passageiros, estavam os executivos e funcionários da empresa Vilma Alimentos, de Contagem. Eles participariam de uma convenção interna da empresa. O avião, um bimotor modelo B-200 GT com prefixo PR-DOC, decolou do aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, com destino a Juiz de Fora. Por volta das 8h, o piloto perdeu o controle ao fazer os procedimentos de pouso e, segundo o capitão da Polícia Militar de Minas, Rubens Valério, o avião bateu em um quiosque da Pousada Aconchego e caiu em uma região de mata fechada, onde explodiu. No momento do acidente, havia uma cerração muito baixa na região. De acordo com os bombeiros, uma equipe com vinte homens ainda está no local aguardando a realização da perícia.

queda do avião e morte das pessoas a bordo

decolagem

antecedentes da queda e explosão

situação climática, socorro

Jornal de Brasília, 29 jul. 2012, p. 19.

Mesmo quando o fato não é pontual, como a queda de um avião, o que é relevante aparece primeiro. b) Lide e corpo

O outro procedimento comum na produção da notícia é organizá-la em lide e corpo. Lide é uma palavra que vem do inglês: lead (a pronúncia é “lid”). O termo quer dizer “liderar, guiar, encabeçar”. Trata-se do primeiro parágrafo da notícia, que apresenta resumidamente aquilo que se passou. Ao ler o lide, o leitor já fica informado sobre o acontecimento. Você pode pensar: então, se ele já sabe o que se passou, não precisa ler o resto. De certa forma é isso mesmo. O lide serve para informar rapidamente, de modo que o leitor não precise continuar a ler caso não esteja interessado. Releia o primeiro parágrafo da nota reproduzida anteriormente . Ele conta o básico: caiu um avião em Minas e as pessoas a bordo morreram. 7º ano

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Ele funciona muito bem em um veículo como o jornal impresso, pois dificilmente há tempo para ler tudo que está ali. Contudo, ao contrário do que pode parecer, em vez de acabar com a curiosidade do leitor, o lide pode instigá-la. Quem estava a bordo? O que fez o avião cair? Atingiu alguém no solo? Examine outro exemplo de lide. Pesquisadores reunidos no congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, em Foz do Iguaçu, criticaram ontem o uso de produtos químicos nas ações contra o mosquito da dengue no Brasil. Para eles, é necessário que o setor de saúde busque uma atuação em parceria com outras áreas, como a de saneamento, para o controle da doença, além de alternativas a inseticidas e larvicidas, que, afirmam, põem em risco a saúde humana. LEITE, Fabiane. Pesquisadores criticam ação contra mosquito. In: O Estado de S. Paulo, 15 mar. 2010.

Quem? O quê? Quando? Onde?

Algumas vezes, o lide pode se desdobrar em mais de um parágrafo. Nas notícias em que o fato a ser divulgado não é um acontecimento pontual, mas um processo, o lide pode ser menos convencional. Veja o exemplo a seguir. A fim de chamar a atenção para o trabalho voluntário de um grupo de médicos, o lide apresenta um caso atendido pelo grupo. É o chamado lide suspense. Ortopedistas rodam o país para fazer cirurgias A professora Zuila Nogueira dos Santos tinha 35 anos quando ouviu um diagnóstico que mais parecia sentença: não voltaria a andar. A artrite, que desde os 12 anos lhe provocava dores, havia evoluído para artrose e destruído o osso do encaixe do fêmur com a bacia. Dependente de cadeira de rodas havia quatro meses, não teve outra alternativa senão mandar o filho viver com o pai. Precisava de ajuda para as tarefas mais simples. Zuila conta essa história em casa, aos 42 anos, no município de Porto Valter (AC), a 12 horas de distância da capital, Rio Branco. Sorri ao falar dos momentos de angústia – ao todo, locomoveu-se por um ano e sete meses com a cadeira de rodas. Ao contrário do prognóstico inicial, Zuila voltou a andar. Ela foi uma das beneficiadas pelo projeto Suporte, do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), em que uma equipe com até 15 profissionais se desloca pelo país para realizar cirurgias ortopédicas de alta complexidade. O programa começou como piloto, em 2003, e ganhou fôlego recentemente. THOMÉ, Clarissa. O Estado de S. Paulo, 29 jul. 2012, p. A22.

Tudo que tem a ver com aquele evento brevemente relatado no lide será desenvolvido no corpo da notícia. O corpo tem um número de parágrafos variável, que depende do espaço disponível e do destaque que se pretende dar ao fato. Normalmente cada parágrafo do corpo responde a uma questão (dentre aquelas seis) que ainda não tinha sido respondida no lide. Pode também desenvolver uma que apenas tinha sido indicada de modo sucinto. Também é comum aparecerem no corpo dados complementares que o tema exija. Ao ler uma notícia, é importante observar o arranjo feito com as questões fundamentais. 66

Língua Portuguesa


Você vai ler uma notícia produzida para divulgar a “historinha do avião”. Observe em miniatura a página original na qual a notícia circulou. Veja a notícia destacada. Antes de ler o texto, responda às questões a seguir:

Jornal Correio 24Horas

LER NOTÍCIA I

1. Que parte da página a notícia ocupa? 2. No que diz respeito a tamanho, que posi-

ção a notícia ocupa em comparação com outros textos? 3. De que forma o tipo de letra usado nos tí-

tulos reforça esse destaque? Que outro detalhe também contribui para destacá-la? 4. Em que jornal circulou essa notícia? Em

que dia? De que cidade ele é? 5. Os responsáveis pela notícia foram identifi-

cados nominalmente? 6. A notícia que você vai ler reproduz a notícia

do jornal ao lado e tem como subtítulo “Minas Gerais”. As outras cinco notícias apresentam as seguintes referências em seus títulos ou subtítulos: dois estados; São Paulo; Ribeirão Preto; Rio; Maranhão. Com base nessa constatação, o que você conclui sobre o conteúdo dessa página do jornal?

Avião cai e oito pessoas morrem

MINAS GERAIS A queda de um avião bimotor causou a morte de oito pessoas na manhã de ontem em Juiz de Fora, Minas Gerais. O avião, um bimotor modelo B-200 GT, que pertencia à empresa Vilma Alimentos, decolou do aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, com destino à cidade de Juiz de Fora. Por volta das 8h, o piloto perdeu o controle da aeronave ao fazer os procedimentos de pouso. Segundo o capitão da polícia militar de Minas Rubens Valério, o avião bateu em um quiosque de uma

pousada numa região de mata fechada e terminou explodindo. No momento do acidente havia uma leve neblina na região. Entre os passageiros do bimotor, estavam executivos e funcionários da Vilma Alimentos, que tem sede na cidade de Contagem. Eles participariam de uma convenção da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) em Juiz de Fora. De acordo com informações da Vilma Alimentos, uma das vítimas é o presidente do grupo e conselheiro do time do Cru eiro, omingos Costa. eu filho

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caçula, um garoto de 13 anos, também morreu. O vice-presidente da empresa, Cézar Tavares, a gerente de Recursos Humanos, Adriana Vilela, e outros dois funcionários, além do piloto e do copiloto, foram as outras vítimas. Os nomes destas quatro últimas vítimas não haviam sido

divulgados até o início da noite de ontem. A caixa-preta do avião já foi encontrada e passará por análise. No momento do acidente, havia aproximadamente 50 pessoas na pousada atingida pelo avião, mas ninguém se feriu. Correio 24 horas. Salvador, 29 jul. 2012.

7. Em quantos parágrafos foi escrita a notícia? Que parte equivale a um lide?

GLOSSÁRIO

Caixa-preta: aparelho no qual ficam gravados os dados sobre o funcionamento de uma aeronave e a comunicação entre os membros da tripulação e entre esta e as equipes de terra.

8. Releia o primeiro período da notícia. A queda de um avião bimotor causou a morte de oito pessoas na manhã de ontem em Juiz de Fora, Minas Gerais. • Que respostas esse período dá às questões a seguir. a) Quem?

b) O quê?

c) Quando?

d) Onde?

9. Destaque no texto a parte que fornece detalhes sobre as vítimas do acidente. 10. Que detalhes a notícia fornece sobre o avião? 11. Releia este trecho. O avião [...] decolou do aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte, com destino a Juiz de Fora. Por volta das 8h o piloto perdeu o controle da aeronave ao fazer os procedimentos de pouso. [...] o avião bateu em um quiosque de uma pousada numa região de mata fechada e terminou explodindo. a) Complete a frase a seguir: “Trata-se de um detalhamento sobre como se deu...” b) Ao longo da notícia, fica esclarecido a que horas o avião decolou, por que o piloto perdeu o

controle e se havia alguém no quiosque? c) Por que provavelmente algumas das informações sobre o acidente não foram fornecidas? 12. Releia este trecho. No momento do acidente, havia uma leve neblina na região.

a) De acordo com nosso conhecimento prévio, podemos dizer que a neblina pode comprometer

a segurança do voo, mas a notícia aparentemente não a responsabiliza. Que detalhe dado sobre a neblina diminui sua influência no acidente? b) Se fosse desejável apontar a neblina como responsável pelo acidente, a frase na notícia poderia

ser, por exemplo: Por volta das 8h, em razão da neblina na região, o piloto perdeu o controle da aeronave ao fazer os procedimentos de pouso.

Sugira outra formulação para salientar essa ideia. 13. Que informação é dada sobre a investigação das causas do acidente? 68

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14. Releia estes trechos. Segundo o capitão da Polícia Militar de Minas Rubens Valério [...] De acordo com informações da Vilma Alimentos [...]

a) Em sua opinião, qual é a importância dessas expressões na notícia? b) Quanto às demais informações presentes na notícia, de que outras fontes elas puderam ser

obtidas? Por que você acha que essas fontes não foram todas citadas?

LER NOTÍCIA II

Em outra cidade brasileira, um jornal também divulgou o acontecido com o avião. Observe como a notícia estava disposta na página original.

Arquivo/ Agência Estado/ Estadão Conteúdo

1. Que parte da página a notícia ocupa? 2. Como você avalia essa notícia quanto

ao destaque na página? 3. O texto dessa notícia é maior ou me-

nor que o da anterior? 4. Em que jornal circulou essa notícia?

Em que dia? De que cidade ele é? 5. Os responsáveis pela notícia foram

identificados nominalmente? 6. Quanto ao tema, o que se pode afir-

mar sobre as notícias dessa página? Agora leia o texto da notícia, na página seguinte:

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Avião com 9 pessoas cai em Juiz de Fora e explode Nas primeiras horas das buscas, foram achados oito corpos das vítimas; havia neblina intensa na hora da queda do bimotor. Um avião bimotor que transportava nove pessoas caiu na manhã de ontem no bairro do Aeroporto, em Juiz de Fora, em Minas Gerais. Nas primeiras horas das buscas, oito corpos foram achados. A queda ocorreu em um local de difícil acesso. O bimotor, que explodiu, havia saído de Belo Horizonte e ia para Juiz de Fora. Ele levava funcionários da empresa Vilma Alimentos. Entre os passageiros estavam o presidente da empresa, Domingos Costa, o vice-presidente de Marketing e Vendas, César Tavares, além de outros funcionários, o piloto e o copiloto. Até o início da tarde de sábado, cerca de 20 homens do Corpo de Bombeiros ainda procuravam o último ocupante da aeronave. De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, os representantes da companhia iam para um congresso da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e para uma convenção interna da empresa. O acidente ocorreu quando o piloto se preparava para pousar no aeroporto Serrinha. No momento do acidente havia intensa neblina no local. avião teria atingido um fio de alta-tensão antes de cair sobre o quiosque de uma pousada, explodindo pouco antes das 8 horas. s buscas estavam sendo dificultadas porque o lugar – uma área de mata fechada – é de difícil acesso. Ainda de acordo com os bombeiros, os corpos das vítimas foram encontrados mutilados e carbonizados. A Polícia Militar isolou a região. Uma equipe do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes (Seripa), da

Aline Reskalla ESPECIAL PARA O ESTADO Mariana Durão

Aeronáutica, seguiu do Rio para Juiz de Fora. A equipe vai recolher destroços, avaliar as condições meteorológicas, o trajeto percorrido pela aeronave e informações sobre as licenças do piloto. As causas do acidente só poderão ser identificadas após a reali ação da per cia. Na Vilma Alimentos, com sede em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ninguém foi localizado. De acordo com o registro da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a aeronave, um bimotor King Air modelo B 200, estava com a documentação regular at 2 5. bimotor, de prefixo C, tinha capacidade para transportar até dez pessoas. Ele decolou do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte. Pouso. Segundo o gerente do Aeroporto da Serrinha, Cipriano Magno de Oliveira, o avião tinha o pouso previsto para às 7h45. De acordo com ele, o comandante do bimotor chegou a fazer um contato minutos antes para ter informações sobre as condições de pouso no aeroporto. “Eles conseguiram um contato com um funcionário que estava na torre por volta das 7h50. Neste momento, foi informado que não havia condições de pouso, que o tempo estava fechado com visibilidade vertical de 100 pés (cerca de 33 metros), sendo que o ideal seria de 600 pés (200 metros).” O gerente acredita que é provável que o piloto tenha tentado pousar na pista do aeroporto, sem sucesso. O Estado de S. Paulo, 29 jul. 2012, p. C6. GLOSSÁRIO

Torre: posto de observação nos aeroportos; tem altura elevada.

a) Em quantos parágrafos foi escrita a notícia? b) Qual(is) parágrafo(s) corresponde(m) ao lide?

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Língua Portuguesa

Visibilidade vertical: termo que indica a que distância do chão está a base das nuvens; também chamada de “teto”.


7. Releia o primeiro período da notícia. Um avião bimotor que transportava nove pessoas caiu na manhã de ontem no bairro do Aeroporto, em Juiz de Fora, em Minas Gerais.

Que respostas esse período dá às questões a seguir: a) Quem?

b) O quê?

c) Quando?

d) Onde?

8. Marque no corpo da notícia os trechos que fornecem detalhes sobre: a) as vítimas

b) o avião

c) os procedimentos d) a busca e o resgate

para a investigação do acidente

dos corpos

9. Em relação aos trechos que você localizou na questão anterior: a) Três itens tinham sido abordados no texto da seção Ler notícia I (página 67). Em qual(is) o

detalhamento dado na segunda notícia é maior que o da primeira? ( ) as vítimas

( ) o avião

( ) os procedimentos para investigação do acidente

b) Nas duas notícias mostradas neste capítulo (páginas 67 e 69), que diferença de informação há

quanto ao número de pessoas a bordo? 10. Releia: O avião teria atingido um fio de alta-tensão antes de cair sobre o quiosque de uma pousada [...]. a) Quanto ao modo como se deu o acidente, a segunda notícia apresenta um dado novo em com-

paração com a primeira notícia. Qual? b) Suponha que a notícia apresentasse a seguinte formulação: “O avião atingiu um fio de alta-

-tensão”. O que a forma escolhida revela? 11. Releia este trecho. No momento do acidente havia intensa neblina no local.

Quanto à situação do local no momento do acidente, as notícias mostradas no capítulo (páginas 67 e 69) divergem. Em quê? 12. No final, a segunda notícia apresenta uma parte cujo subtítulo é “Pouso”. a) Nesse trecho, quem fornece as informações para o repórter? b) O que essa pessoa relata quanto à conversa entre o piloto e a torre? c) A pessoa que deu informações ao jornal tem uma hipótese sobre o que deve ter ocorrido após

a resposta da torre. Releia. O gerente acredita que é provável que o piloto tenha tentado pousar na pista do aeroporto, sem sucesso.

Na notícia, essa hipótese é apresentada como hipótese mesmo ou como declaração taxativa, isto é, que não permite objeção? d) Há alguma indicação que explique por que o piloto teria tomado essa decisão? 7º ano

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LER NOTÍCIA III

A notícia que você vai ler faz parte de uma matéria de duas páginas sobre o acidente, publicada por um jornal de Minas Gerais. Observe o jornal e, em seguida, leia a notícia. Jornal Estado de Minas/DAPress

1. Em que jornal circulou essa notícia? Em que dia? 2. Que explicação você pode dar para o espaço que a divulgação do acidente ocupou nesse jornal? 3. Os responsáveis pela matéria foram identificados nominalmente? 4. Que recursos não verbais acompanham os textos? 5. Há nas mesmas páginas matérias sobre outros fatos?

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Língua Portuguesa


Tragédia sob investigação

PAULA SARAPU, VALQUIRIA LOPES, ANA CLAUDIA BRANT Enviada especial

Juiz de Fora. Erro humano, falha mecânica e falta de visibilidade são algumas das hipóteses levantadas para tentar explicar o acidente com o bimotor da empresa Vilma Alimentos que caiu ontem pela manhã em Juiz de Fora, matando oito pessoas. O que já se sabe é que o piloto da aeronave, Jair Barbosa, de 62 anos, uma das vítimas, estava ciente das condições desfavoráveis para pouso no Aeroporto Francisco Álvares de Assis, conhecido como Aeroporto da Serrinha, na cidade da Zona da Mata mineira. A forte cerração na região desde as 6h30 havia impossibilitado voos no terminal, que estava com atividades restritas. “Provavelmente, ao decolar de BH ele sabia que o clima estava complicado em Juiz de Fora, pois é natural se informar sobre as condições do tempo no destino”, disse o gerente do aeroporto, Cipriano Magno de Oliveira. Além do piloto e do copiloto, Rodrigo Henrique Dias da Silva, de 35, havia seis passageiros a bordo, entre eles o presidente da Vilma, Domingos Costa, o vice-presidente de Vendas e Marketing, Cézar Roberto de Pinho Tavares, três funcionários e o filho de omingos, abriel Barreira Costa, de 14. Os corpos foram encontrados parcialmente carbonizados. Cipriano explicou que o aeroporto operava abaixo do limite mínimo previsto para pouso por instrumentos, com teto de 100 pés (30 metros), quando o permitido é 600 pés (180 metros). A legislação aeronáutica não permite esse procedimento para voos regulares e comerciais, mas, no caso da aviação geral, como helicópteros, aeronaves particulares e táxi aéreo, a decisão é de cada comandante. De acordo com Cipriano, o piloto fez contato com a sala de rádio para comunicar sua aproximação às 7h45 e, apesar de os controladores de voo só iniciarem o plantão

às 8h, um dos operadores respondeu, informando sobre as condições climáticas desfavoráveis e a baixa visibilidade. “O teto é a altura que a nuvem está do chão. Ele estava voando a menos de 30 metros, porque senão estaria dentro das nuvens, sem ver nada mesmo. Informamos sobre a instabilidade, mas ele deve ter tentado pousar”, comentou um controlador de voo. O gerente acrescentou que, ao que tudo indica, o comandante já estava em procedimento de descida. “Para aterrissar”, o piloto segue de cinco a seis posições. Ele estava na segunda quando perdemos a comunicação”, declarou Cipriano. DECOLAGEM A aeronave decolou do aeroporto de Pampulha às 7h07, quando o aeroporto da Serrinha ainda estava fechado. O bimotor modelo ing ir 2 , prefixo C, deve ria pousar por volta das 8h10, mas a queda ocorreu entre as 7h45 e as 7h55. A aeronave atingiu o quiosque da Pousada Aconchego de Minas e a rede elétrica da Rua Doutor Décio Guanabarino, no Bairro Aeroporto, antes de arrastar árvores e cair na granja de uma propriedade privada. O bimotor explodiu a cerca de 200 metros da pista do aeroporto. De acordo com o gerente do terminal, caso decidisse não pousar em Juiz de Fora, o piloto teria a opção de arremeter e aterrissar em Guainá, a 40 quilômetros. Conforme Cipriano de Oliveira, a aeronave também deveria ter combustível suficiente para retornar à capital. normal é que antes de decolar o abastecimento seja feito para a ida e a volta”, disse. Técnicos do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa) estiveram no local na tarde de ontem e recolheram destroços do avião e outros materiais,

GLOSSÁRIO

Arremeter: aumentar subitamente a potência dos motores do avião e dirigir o seu bico para cima para distanciar-se do solo, interrompendo a aproximação para aterrissagem.

Pouso por instrumentos/operação por instrumentos: execução de manobras por orientação de equipamentos que dão ao avião orientação precisa de sua localização em relação à pista (nos casos em que não há visibilidade).

Controlador de voo: encarregado de separar o tráfego de aeronaves no espaço aéreo e nos aeroportos de modo seguro, ordenado e rápido.

Sala de rádio: estação dotada de pessoal e equipamentos para controlar o tráfego aéreo e dar apoio à navegação aérea.

7º ano

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incluindo a caixa-preta. O coronel da Aeronáutica aulo rgio antos afirmou que serão levantadas todas as informações sobre as condições climáticas do momento do acidente, e que todo o material recolhido será analisado. or m, ele afirmou não haver como adiantar nenhuma conclusão sobre o que de fato aconteceu. “O que sabemos é que as condições não estavam favoráveis, mas durante uma etapa final de pouso tudo pode acontecer , afirmou, acres centando que o comandante da aeronave foi des-

crito como um piloto experiente, que trabalhava para a empresa desde 2007. Os executivos viajavam para uma conferência onde estariam cerca de 120 pessoas, na Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) em Juiz de Fora. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a aeronave, fabricada em 2009, estava com a manutenção e o certificado de aeronavegabilidade em dia. (Colaboração de Thiago Lemos) Estado de Minas, 29 jul. 2012, p. 25.

6. Releia o primeiro período da notícia. Erro humano, falha mecânica e falta de visibilidade são algumas das hipóteses levantadas para tentar explicar o acidente com o bimotor da empresa Vilma Alimentos que caiu ontem pela manhã em Juiz de Fora, matando oito pessoas.

Encontre no texto acima respostas às questões a seguir. a) Quem?

b) O quê?

c) Quando?

d) Onde?

7. O lide dessa notícia apresenta diferenças em relação ao do texto da seção Ler notícia II (página

69). Aponte algumas. 8. Marque no corpo da notícia os trechos pedidos a seguir. a) Nos parágrafos 1 e 7, a parte sobre as vítimas. b) No parágrafo 4, a parte que descreve o avião. c) No parágrafo 6, a parte sobre a investigação do acidente. d) No parágrafo 1, a parte sobre o resgate dos corpos. 9. Quanto ao modo como se deu o acidente, releia este trecho. A aeronave atingiu o quiosque da Pousada Aconchego de Minas e a rede elétrica da Rua Doutor Décio Guanabarino, no bairro Aeroporto, antes de arrastar árvores e cair na granja de uma propriedade privada.

Que dado novo ele apresenta em comparação com a segunda notícia (página 69)? 10. A notícia apresenta informações que têm a ver com a busca de explicações. a) No parágrafo 7, menciona-se um aspecto relativo à legalidade e à segurança do avião. Trans-

creva esse trecho. b) No parágrafo 6, mencionam-se características do piloto. Transcreva esse trecho. c) Os trechos que você apontou levam a responsabilizar diretamente algo ou alguém pelo acidente?

( ) Sim ( ) Não Na notícia, esses trechos ocuparam uma parte: ( ) grande ( ) pequena

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Língua Portuguesa


d) Ao ler a notícia, quem ou o que o leitor é levado a considerar responsável?

Os trechos que comprovam essa resposta ocuparam na notícia uma parte: ( ) grande ( ) pequena 11. Releia: O que já se sabe é que o piloto [...] estava ciente das condições desfavoráveis para pouso [...]. a) Segundo a notícia, há um momento em que o piloto com certeza sabia das más condições

climáticas. Que momento é esse? Justifique. b) É possível saber com certeza se o piloto sabia das más condições do tempo ao decolar? c) Se o piloto desconhecesse as condições de tempo ao decolar, ele seria isentado de alguma res-

ponsabilidade? Justifique sua resposta. d) Por que, para a notícia, é importante que certas informações sejam atribuídas a uma pessoa

ouvida na apuração dos fatos? 12. Em razão da baixa visibilidade, o pouso no aeroporto de Serrinha é apontado como arriscado, na

notícia. a) Que opção o piloto teria para evitar o pouso? Quem fornece essa informação? b) Se não houvesse combustível suficiente para isso, a escolha do piloto em pousar estaria justi-

ficada? Por quê? c) Quem fornece a informação que você citou no item anterior? d) Quem decidiu apresentar essas falas na notícia?

A LINGUAGEM DA NOTÍCIA Em uma seção anterior, você estudou que, ao relatar um fato, a notícia se atém unicamente ao que passou. Mas não é só a estratégia de responder a seis perguntas bem determinadas que garante a objetividade que o jornalista busca ao redigir uma notícia. A linguagem usada para responder a essas perguntas conta muito. Vamos estudar algumas estratégias que visam à objetividade do texto. a) Precisão ao fornecer dados, como: • a identificação das pessoas envolvidas e das testemunhas; • a data e outras indicações de tempo; • o lugar.

As pessoas citadas são identificadas pelos nomes completos e pela ocupação (ou outro traço que justifique a referência a elas na notícia); às vezes se inclui a indicação de idade. Por exemplo, “a dona de casa Marilda da Silva, 26”. Não se noticia que “o supermercado fica na Penha”, e sim que “o supermercado fica na Penha, zona leste de São Paulo”. 7º ano

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Determinado evento não ocorreu antes ou há algum tempo, e sim “no último sábado”, “na tarde de ontem”, “na véspera da abertura do campeonato”, “às 7h45”. Mesmo quando não se pode dizer com precisão, o dado aproximado é o mais preciso possível: “por volta das 8h” ou “o engraxate, conhecido pelos frequentadores da padaria como Dinei”. b) Escrever aquilo que pode ser atestado.

O produtor da notícia não vai dizer: “o controlador de voo não estava no horário de trabalho, mas achou perigoso pousar naquelas condições e correu para responder ao contato do piloto”. O jornalista não estava no local para ver se o funcionário correu ou não e também não pode garantir as sensações que ele teve. Naturalmente, a notícia apresenta ocorrências que não foram presenciadas pelos jornalistas, mas são casos em que eles nitidamente colheram a informação com alguém autorizado. Por exemplo: “A caixa-preta do avião já foi encontrada”, “Os corpos foram encontrados parcialmente carbonizados”. Do contrário, os jornalistas atribuem a informação a alguém, usando as expressões “segundo Fulano”, “de acordo com Sicrano” etc., além de reproduzir a fala das pessoas e indicar isso por meio das expressões “disse (ou afirmou, completou) Beltrano”. c) Apresentar fatos em vez de sugerir ideias.

O jornalista não diz que “o nível de água do rio vem subindo cada vez mais”; mas que “tinha subido 2 metros até a noite de ontem”. Também evita a formulação: “os casos de malária estão aumentando”, optando por “as autoridades sanitárias registraram outros seis casos nesta semana”. A busca pela exatidão está presente mesmo nas aproximações: “cerca de 600 alunos”, “pouco mais de mil casos”, “aproximadamente 50 metros”. d) Empregar a 3a pessoa.

A notícia é escrita por um indivíduo que pode ter uma opinião a respeito do tema que trata. Todavia, não aparece um “eu” no texto. Tudo é relatado na 3a pessoa. Isso ajuda a criar a impressão de que aquilo que foi dito existe por si só. Soa como uma espécie de consenso, de algo incontestável. Avalie: • Eu acho que a responsabilidade por checar o equipamento é do setor de manutenção. • A responsabilidade por checar o equipamento é do setor de manutenção. Inegavelmente em ambas as versões há um parecer, mas o ponto de vista pessoal fica muito mais ocultado na segunda. 76

Língua Portuguesa


e) Escolher as palavras mais neutras e evitar as que expressam pontos de vista.

Na notícia, é preciso caracterizar seres, lugares, objetos, eventos etc., mas isso deve ser fruto da tentativa de indicar com exatidão, não de fazer avaliações. Por exemplo, nas notícias lidas, você encontrou: mata fechada

convenção interna

neblina leve/intensa

voos comerciais

corpos mutilados

condições desfavoráveis

mas não “piloto negligente”, “viagem arriscada”, “pessoas sem sorte”. A qualificação “experiente” para o piloto (na terceira notícia, página 72) não foi um julgamento do jornalista; ela fazia parte do perfil que provavelmente alguém da empresa passou a respeito do profissional. Relembre o trecho: “[...] afirmou [o coronel da Aeronáutica Paulo Sérgio Santos], acrescentando que o comandante da aeronave foi descrito como um piloto experiente [...].”

Repare que mesmo a pessoa ouvida não faz um julgamento naquele momento. Ela não disse “o comandante da aeronave era um piloto experiente”, mas “foi descrito como”. Além dessas palavras, também não se usam em notícias declarações como “felizmente não houve vítimas”, “os moradores de rua surpreendentemente procuraram os policiais para devolver o dinheiro que encontraram”. Os termos selecionados devem ser os mais neutros e mais comuns. Por exemplo, entre “a mulher”, “a patroa”, “o cônjuge”, “a esposa”, a preferência é usar ou o primeiro ou o último termo. De modo geral, as notícias são lidas com rapidez, por isso suas frases tendem a ser curtas. É uma maneira de facilitar a leitura. Outro procedimento é fornecer todos os esclarecimentos que o leitor pode precisar, para que ele não perca tempo procurando a informação em outra fonte ou deixe de ler a notícia. Você percebe isso no exemplo a seguir, no qual a notícia fornece dados sobre a sigla mencionada e de outras referências (como a do que vem a ser a categoria B de licença para dirigir). O Ministério Público instaurou um inquérito civil para investigar algumas autoescolas de Ribeirão Preto devido ao alto número de reprovações em avaliações para obtenção da CNH (Carteira Nacional de Habilitação) na categoria B (carro). PEDRINI, João A. Folha de S.Paulo, 24 jul. 2012. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/ fsp/ribeirao/56197-delegado-ve-industria-da-reprova-em-autoescolas-de-ribeirao-preto.shtml>. Acesso em: 22 ago. 2012.

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S obre a linguagem usada na notí cia, convé m destacar que se emprega nesse gê nero a va riedade culta, formal. Por isso, mesmo a linguagem da imprensa é apontada atualmente como referê ncia de norma culta.

NOTÍCIA E REPRESENTAÇÃO DA REALIDADE Neste capítulo você leu três notícias que jornais de diferentes cidades publicaram. O fato que motivou todas elas é aquela “historinha” da viagem de avião (página 62). Poderíamos dizer: o fato é um só. Mas cada texto produziu uma impressão no leitor. De certa forma, cada notícia criou um fato sobre a queda do avião. Na primeira (página 67), por exemplo, o avião seguia viagem e enfrentou problemas na hora de pousar; na terceira (página 73) a viagem já começou de forma suspeita e, até quando o problema poderia ter sido contornado, a decisão tomada foi a menos aconselhável e tudo terminou em tragédia. Um ponto importante quando estudamos a notícia é justamente o fato de que ela apresenta ao leitor uma versão do fato. Isso não quer dizer obrigatoriamente que o produtor da notícia inventou algo. Ocorre que, quando fazemos uma representação da realidade, escolhemos palavras, escolhemos (em parte) a ordem em que elas vão estar na frase e uma série de outras coisas. Ao compor uma notícia, o redator terá de escolher a ordem em que cada evento vai aparecer e, para isso, terá de selecionar os depoimentos que vão constar no texto – como você constatou ao ler as três notícias. O resultado também vai depender do que pôde ser apurado. Lembre-se: acontece algo e isso precisa ser coberto depressa, pois a notícia tem de ser escrita e lida por várias pessoas até a noite do mesmo dia, para o jornal sair no dia seguinte. Não há muito tempo. Você pôde constatar informações incompatíveis nas três notícias, desde a idade da vítima mais jovem, o modelo do avião, o cargo de um executivo, o número de pessoas a bordo até algo extremamente importante: havia leve ou forte neblina? Mas avalie uma coisa: você normalmente não lê três jornais diferentes no mesmo dia; também não investiga uma notícia a fundo no jornal que escolheu ler, pelo contrário: lê relativamente depressa. Agora conclua: você, então, não teria três pontos de comparação e daria por verdadeiro o que leu no jornal. Em todo o processo de produção da notícia, convém salientar também que nem sempre ela é escrita pelo repórter que foi cobrir o fato. Às vezes, ele obtém as informações e remete os dados ou um texto inicial a alguém da redação do jornal. Depois de redigida, a notícia passa para um editor – jornalista que dirige determinada seção do jornal – e para o editor-chefe, que é quem supervisiona a elaboração de todo o jornal, seguindo a linha editorial da instituição. Os editores é que vão decidir se vale a pena publicar aquela notícia, se ela deve sofrer cortes porque não há espaço, se ela deve ser mais explorada. 78

Língua Portuguesa


O que sai no jornal é resultado das escolhas de um grupo – e ele naturalmente segue a linha editorial do jornal. A linha editorial é a perspectiva pela qual a empresa que produz o jornal enxerga o mundo, são os valores que ela tem. É essa maneira de pensar que define o que pode ser escrito, o destaque que certos temas terão. Enfim, a neutralidade e a objetividade que costumamos atribuir à notícia não podem ser totais. Essa impressão é motivada pela maneira como o jornal usa a linguagem, conforme você estudou. No entanto, esse gênero é uma importante fonte de informação. Um fato que foi notícia hoje pode se transformar em tema de entrevista, de reportagem, de crônica ou de artigo de opinião nos dias seguintes. É por isso que se costuma dizer que a notícia é a matéria-prima do jornalismo. Ao ler essa importante fonte de informação conhecendo tudo que foi estudado, estamos exercitando nossa capacidade de ler criticamente, ou seja, de não nos deixar convencer facilmente.

APLICAR CONHECIMENTOS

1. Leia os dois parágrafos a seguir. A queda de duas árvores ontem na avenida Nazaré, no Ipiranga, zona sul, provocou dois terríveis acidentes e fez com que o trânsito ficasse entupido no sentido bairro-centro por um tempão. O primeiro acidente aconteceu na altura do número 800, às 15h50 em ponto, quando uma árvore despencou sobre um Gol novinho em folha que passava bem embaixo. Pelo que o motorista falou, ventava e estava a maior chuva quando a árvore, ainda por azar levando a fiação elétrica, acertou o veículo. a) Considere que os dois parágrafos sejam o início de uma notícia. Observe a inadequação dos

trechos grifados e a justificativa correspondente. • Entupido: informal. • Novinho em folha: além de informal, é desnecessário, pois o estado de conservação do carro

normalmente não importa nesse caso. • Estava a maior chuva: informal. • Por azar: revela um julgamento do jornalista. Copie outras ocorrências desse tipo e justifique. b) Orientando-se pelo que foi apontado na atividade acima e na sua resposta, reescreva os dois parágrafos, alterando o que for necessário. O objetivo é que o texto fique de acordo com a linguagem jornalística. 2. Leia o início de uma notícia publicada em um jornal diário. Um deficiente físico de Monte Alto fez uma denúncia ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) em que acusa uma juíza da cidade de se negar a realizar audiência em um local com acessibilidade. [...] Ele diz ainda que, como a audiência acabou ocorrendo na calçada do Fórum da cidade, a situação lhe causou constrangimento.

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A assessoria do CNJ confirmou que a denúncia foi recebida e que está sob análise. Por considerar sigiloso o caso, o órgão não deu detalhes. A juíza, em nota, negou constrangimento e disse que foi o cadeirante quem se recusou a ser carregado por quatro degraus até o piso onde haveria a audiência. O suposto incidente ocorreu em abril, quando Vasconcelos foi ouvido como testemunha em um processo. [...] COISSI, Juliana. CNJ apura se juíza constrangeu deficiente. Folha de S.Paulo, 12 jun. 2012. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br /fsp/ribeirao/48182-cnj-apura-se-juiza-constrangeu-deficiente.shtml>. Acesso em: 22 ago. 2012.

a) O lide responde a duas das perguntas estudadas. Escreva quais e indique a resposta que receberam. b) O lide apresenta um complemento. Qual? c) A linguagem usada no lide apresenta um procedimento comum no gênero notícia. Seu obje-

tivo é facilitar a leitura, evitando dúvidas por parte do leitor. De que procedimento se trata? d) Qual é o sentido da palavra “suposto”, no último parágrafo? Por que ela foi empregada? 3. Suponha que você tenha recebido as informações a seguir para redigir uma notícia. • • • •

Município de Ulianópolis/Pará/400 quilômetros da capital (Belém) Sair da lista dos municípios mais desmatadores do Brasil Lista: tinha 48 cidades/criada pelo Ministério do Meio Ambiente/em 2008 Cidades que já saíram da lista: • Querência (Mato Grosso)/Paragominas (Pará) – em 2010 (as primeiras) • Alta Floresta (Mato Grosso)/Santana do Araguaia (Pará) – em 2012 • Prováveis próximas cidades: Dom Eliseu (Mato Grosso)/Marcelândia (Mato Grosso)

a) Determine respostas para as questões a seguir, conforme o enfoque que você queira dar. • Quem? • O quê?

• Quando? • Onde?

• Como? • Por quê? • Complemento

b) Escreva um lide com base no esquema que você determinou. 4. Leia o conto a seguir, escrito por Ignácio de Loyola Brandão.

O verde Estranha é a cabeça das pessoas. Uma vez, em São Paulo, morei numa rua que era dominada por uma árvore incrível. Na época da floração, ela enchia a calçada de cores. Para usar um lugar-comum, ficava sobre o passeio um verdadeiro tapete de flores; esquecíamos o cinza que nos envolvia e vinha do asfalto, do concreto, do cimento, os elementos característicos desta cidade. Percebi certo dia que a árvore começava a morrer. Secava lentamente, até que amanheceu inerte, sem folha. É um ciclo, ela renascerá, comentávamos no bar ou na padaria. Não voltou. Pedi ao Instituto Botânico que analisasse a árvore, e o técnico concluiu: fora envenenada. Surpresos, nós, os moradores da rua, que tínhamos na árvore um verdadeiro símbolo, começamos a nos lembrar de uma vizinha de meia-idade que todas as manhãs estava ao pé da árvore com um regador. Cheios de suspeitas, fomos até ela, indagamos, e ela respondeu com calma, os olhos brilhando, agressivos e irritados: − Matei mesmo essa maldita árvore. 80

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− Por quê? − Porque na época da flor ela sujava minha calçada, eu vivia varrendo essas flores desgraçadas. BRANDÃO, Ignácio de Loyola. Manifesto verde. São Paulo: Global, 1999.

a) Que relação o narrador e os demais moradores da rua tinham com a árvore? Esse dado apa-

receria em uma notícia, se o fato com a árvore tivesse ocorrido na realidade? Explique sua resposta. b) O caso relatado pelo narrador exemplifica sua opinião de que a cabeça das pessoas seja es-

tranha. Essa opinião apareceria em uma notícia, se o fato com a árvore tivesse ocorrido na realidade? Explique sua resposta. c) Releia o trecho grifado. Os eventos são contados em ordem cronológica. Se esse fato tivesse

ocorrido na realidade e fosse divulgado em um jornal, quais eventos dessa sequência poderiam formar o lide de uma notícia? d) Caso o fato tivesse ocorrido na realidade e se tornasse notícia, alguns dados seriam indicados com

precisão. Por exemplo, em vez de dizer “uma vez”, teríamos que precisar quando o fato ocorreu, indicando a data. Além desse dado, quais outros teriam que ser indicados com precisão?

MOMENTO DA ESCRITA

PROPOSTA A partir do conto “O verde” (reproduzido na atividade 4 do “Aplicar conhecimentos”), você vai produzir uma notícia. Suponha que o fato será noticiado no caderno local de um jornal diário.

PLANEJAMENTO 1. Escreva em seu caderno as seis questões fundamentais a que uma notícia responde e as respostas

que elas teriam no acontecimento com a árvore. 2. Escreva abaixo do esquema informações complementares, como: a) a espécie de árvore; b) as consequências legais de atitudes como essa (se há multa, processo etc.); c) depoimentos supostamente colhidos de moradores sobre a responsável pelo envenenamento; d) a substância usada.

ELABORAÇÃO 1. Escreva o lide respondendo às questões que você levantou ou a algumas delas, por exemplo quem,

o quê, onde e quando.

2. Redija ao menos mais dois parágrafos apresentando questões que não foram exploradas no lide

ou desenvolvendo as que foram. 3. Lembre-se de que a notícia divulga o que acabou de acontecer, não há como, no espaço de um dia,

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haver julgamento e penalização da moradora. A notícia terá como foco a descoberta do envenenamento. Ela pode apenas levantar as prováveis consequências para esse tipo de atitude. 4. Inclua ao menos dois depoimentos de pessoas envolvidas ou testemunhas. 5. Organize a notícia de modo que ela fique de acordo com o foco que você escolheu. Se necessário,

mude a ordem da apresentação, acrescente ou elimine depoimentos, mas fique atento para que a notícia não privilegie apenas um dos aspectos. Deve predominar o efeito de objetividade. 6. Dê um título à notícia, empregando o verbo no presente.

AVALIAÇÃO 1. Troque de texto com um colega e considere os seguintes aspectos em relação ao texto dele: a) A estrutura lide e corpo foi usada? b) O lide apresenta o evento fundamental do fato? c) As informações foram apresentadas em ordem de importância? d) O texto foi escrito na 3a pessoa? e) Os verbos estão predominantemente no passado? f) O tamanho das frases facilita a leitura? g) Siglas e termos técnicos foram esclarecidos? h) Foi empregada a variedade culta? i) A notícia gera impressão de objetividade? j) O título chama a atenção? O verbo está no presente? 2. Se você detectou algum problema, escreva-o abaixo do texto do colega. Se necessário, indique-o

no texto por meio de setas e números.

REESCRITA 1. Leia as observações feitas pelo colega e reescreva o que for necessário. Se houver discordância, explique

o que você pretendia expressar e discuta com seus colegas uma forma de deixar esse objetivo claro. 2. Considerando a avaliação que o colega fez do seu texto, reescreva-o, aperfeiçoando o que for necessário. PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS Livros Histórias de cronópios e de famas

No conto “O jornal e suas metamorfoses”, presente no livro, o escritor aborda a questão de o jornal apenas poder ser visto como tal quando é lido por uma pessoa, do contrário é apenas um monte de folhas impressas. CORTÁZAR, Julio. Histórias de cronópios e de famas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1983.

Os jornais

Nessa crônica, o autor aborda a questão dos temas tradicionalmente presentes nas notícias e da representação que elas fazem da realidade. BRAGA, Rubem. Os jornais. In: A borboleta amarela. 2. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1956.

Notícia

De forma didática, o livro apresenta a história do jornal e da notícia, o contexto de produção desse gênero, sua estrutura e marcas linguísticas. Apresenta bons exemplos e exercícios. BARBOSA, Jaqueline Peixoto. Notícia. São Paulo: FTD, 2001. (Trabalho com os gêneros do discurso.)

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Língua Portuguesa


Bibliografia

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84

Língua Portuguesa


UNIDADE 2

Arte


ARTE

1

Mas o que isso quer dizer?

The Curtis Publishing Company, Indianápolis

Capítulo

Um quadro dentro de outro quadro: o observador está diante de uma pintura abstrata que lembra as obras do artista estadunidense Jackson Pollock. Norman Rockwell. O perito, 1962. Capa do Saturday Evening Post, 13, jan. 1962.

Q

uantas vezes perguntamos “mas o que isso quer dizer?” ao depararmos com representações artísticas? Quando questionamos o que vemos ou ouvimos, procuramos decodificar e interpretar aquilo que observamos, de acordo com o que sabemos e conhecemos. Nós fazemos isso o tempo todo, mesmo sem percebermos. Mas em relação às representações, o questionamento é ainda mais natural. Quando estamos diante de algo que nos é familiar, o estranhamento pode ser menor, porém se nos encontramos diante do novo, do insólito, inevitavelmente surge a pergunta: O que isso quer dizer? Neste capítulo trataremos de questões relacionadas à noção de beleza e à leitura e apreciação de obras de arte. 7º ano

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RODA DE CONVERSA

Guto Lacaz

Guto Lacaz. Auditório para questões delicadas, 1989. Instalação. Parque Ibirapuera, São Paulo.

Imagine a seguinte situação: você está passeando em um parque e, de repente, se depara com cadeiras flutuando sobre a superfície de um lago, como na imagem acima. Qual seria a sua reação? Como você se comportaria diante de um conjunto de cadeiras flutuando sobre um lago? Que pensamentos lhe viriam à cabeça? Provavelmente de espanto, não é mesmo? Trata-se de um arranjo nada usual, afinal, como é possível cadeiras, que tradicionalmente têm a função de nos acomodar sentados e em segurança, se equilibrarem sobre a superfície líquida e instável de um lago? Quem as colocou lá? Com que finalidade? Como se mantêm em pé? Você ainda poderia achar graça ou até mesmo considerar absurdo que alguém tenha pensado e executado tal ideia. Mas o que isso significa? Seria a pergunta mais provável que qualquer um de nós faríamos. E se lhe dissessem que, na verdade, as cadeiras são uma obra de arte e que o artista que a criou lhe deu como título Auditório para questões delicadas. Depois desta informação, você teria a seu dispor mais pistas para a sua interpretação e mais questões a fazer, tais como: que questões 88

Arte


delicadas são essas? Auditório lembra apresentações, mas onde estão os apresentadores? E assim por diante. É dessa forma que nos relacionamos com a arte. Questionando, lendo o que nem sempre tem palavras, tentando decodificar e decifrar símbolos e sentidos. Esse movimento serve para ampliar nossa percepção. A arte pode nos ajudar a sair de nosso cotidiano nos propondo novos olhares sobre a realidade e nos encaminhar para o exercício do sonhar e do imaginar.

PERCEBER, SENTIR E CONHECER A linguagem da arte é carregada de subjetividade, o que nos permite interpretar e reagir de maneiras diferentes perante suas manifestações. Uma mesma música poderá despertar diferentes emoções nas pessoas que a ouvem. Em um museu, diante de uma mesma pintura, cada pessoa pode gostar ou não do que vê. Do ponto de vista de seu conteúdo – mensagem – cada espectador pode interpretá-la de modo diferente. Nós mesmos poderemos mudar nossa forma de ver, conforme a situação em que nos encontrarmos. Nossa admiração por algumas obras poderá ser maior ou menor, dependendo de nosso estado de humor, de ânimo, do conhecimento que temos sobre essas obras, entre outros fatores. O repertório cultural e a sensibilidade de cada um são fatores determinantes para que as leituras sejam diferentes. Esses fatores garantem também que a recepção e opinião crítica sejam distintas. O que vivemos, com quem convivemos e até nosso próprio temperamento, além de outros aspectos, podem nos fazer mais ou menos sensíveis a certas linguagens. Isso explica porque nem todos gostam das mesmas coisas ou se emocionam da mesma forma a partir dos mesmos estímulos. Explica também por que uma obra de arte pode ser vista de muitas maneiras.

VER, SABER E APRECIAR Se nossas experiências, nosso conhecimento e nossa sensibilidade interferem na forma como compreendemos as coisas, poderemos aprender a ver e a apreciar arte? Conhecimento e percepção estão intimamente ligados. Como disse o pintor francês Paul Cézanne: “Sim, eu quero saber. Saber para melhor sentir, sentir para melhor saber.” Assim, ao longo dos processos de aprendizagem, certamente poderemos desenvolver o que chamamos de “percepção estética”. E o que é estética? É um termo de origem grega – αισθητική ou aisthésis – e quer dizer percepção, sensação. Costumamos ouvir que, quando uma coisa é bonita, ela é estética. De fato, estética e beleza andam juntas. Com certeza você já deve ter visto a palavra estética, pois hoje ela aparece bastante em propagandas de tratamento corporal que buscam a beleza, por exemplo. Mas foram os gregos que atribuíram o termo estética ao ramo da filosofia criado para estudar o belo e o prazer que ele provoca nas pessoas. É esse sentido que nos interessa.

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CONHECER MAIS

Guto Lacaz

Auditório para questões delicadas Voltemos à nossa apreciação para descobrirmos mais coisas sobre a obra Auditório para questões delicadas. Trata-se de uma instalação de arte contemporânea, realizada em 1989, no lago do parque Ibirapuera, em São Paulo. A obra é do artista plástico Guto Lacaz, que a criou para homenagear o bicentenário da Declaração dos Direitos Humanos. Essa obra, que nasceu da imaginação do artista, exigiu muita investigação e trabalho para se tornar realidade.

Estudos para a instalação de Guto Lacaz.

Guto Lacaz Fonte: O Estado de S.Paulo. Disponível em: <www.estadao.com.br/arquivo/arteelazer /2000/not20001027p6307.htm>. Acesso em: 3 set. 2012.

Guto Lacaz

“Sempre tive vontade de fazer um trabalho na superfície da água. Sempre gostei de barcos e submarinos. Estudei quais objetos poderiam causar perplexidade e plasticidade se dispostos na superfície da água. Durante dois meses, fiz testes no lago para entender as forças da natureza e para avaliar soluções técnicas e materiais. Contemplar o auditório ajuda a resolver questões delicadas”.

Testes e montagem da instalação de Guto Lacaz.

Guto Lacaz Nasceu em São Paulo, em 1948. É artista multimídia, ilustrador, designer, desenhista e cenógrafo. Estudou eletrônica industrial e arquitetura. Suas obras reúnem engenhosidade e humor, arte e ciência. Inventor e artista, brinca com os objetos do cotidiano, conferindo-lhes sempre qualidades e utilidades que vão além das tradicionais.

PARA REFLETIR I

Discuta com seus colegas as impressões produzidas pela obra Auditório para questões delicadas. Se desejar, baseie-se nas questões seguintes para nortear a discussão: 1. Qual foi a primeira impressão que o grupo teve ao ver a imagem? 2. Que questões vieram à mente ao ver a imagem? 3. Alguém sentiu vontade de compreender melhor a obra e de conhecer seu criador? 4. As informações sobre a obra contribuíram para sua apreciação e compreensão? 5. O que o título da obra sugere? Você teria outro título para a obra? Qual? 6. Como o grupo qualifica a obra: inteligente? Bonita? Esquisita? 90

Arte


Após a discussão, escreva um pequeno texto relatando a um amigo sua experiência imaginária ao ver e apreciar a obra de Guto Lacaz. Comente sobre as diversas opiniões que ouviu de seus colegas e explique por que podemos ter diferentes impressões sobre uma mesma obra de arte.

EU PRECISO GOSTAR? Essa é uma questão que sempre aparece quando apreciamos arte. Mas cada um tem seu gosto e ele pode ser ampliado. Vejamos algumas situações que ilustram isso. Há pessoas que afirmam “isso não é arte”. Sim, porque os objetos artísticos para serem entendidos como arte precisam fazer parte do universo cultural de quem os percebe, vê e aprecia. Apesar de convivermos hoje com grande diversidade de representações – o que nos possibilita uma maior aproximação com as novas tendências da arte –, nem todos assimilam da mesma forma as transformações nesse campo. Hoje em dia, os artistas já não estão mais presos às regras ou padronizações que predominaram até a segunda metade do século XIX e se valem cada vez mais de recursos e materiais inusitados. Isso pode, por um lado, nos colocar em posição privilegiada, se nos comparamos aos nossos antepassados. Por outro lado, exige que nos preparemos para ver e ler muitas informações, desenvolvendo nosso senso crítico e, sobretudo, nos Arte clássica deixando emocionar pela arte, seja ela clássica, modermanifestações artísticas da na ou contemporânea. Grécia e da Roma antigas que permaneceram como referências A melhor maneira de se apreciar arte é se deixar enimportantes e que foram retomavolver pelo que ela provoca em nós. É importante termos das no Renascimento como um consciência daquilo que conseguimos identificar como padrão a ser seguido. agradável ou desagradável; daquilo que nos é familiar ou Arte moderna manifestações artísticas do estranho e do que consideramos bonito ou não em uma final do século XIX, quando muiobra, seja ela visual, musical ou cênica (teatral). Se nos tas regras da arte clássica foram mantivermos atentos ao estímulo da arte, é possível dequebradas e os artistas tiveram a oportunidade de se expressar senvolver formas próprias de apreciar o mundo que nos mais livremente, começando a rodeia. É assim que vai surgindo e se desenvolvendo o que produzir uma imensa variedade chamamos de “senso estético”. de formas e estilos. Arte contemporânea

OUTROS TEMPOS, OUTROS PADRÕES... Conta-se que o pintor francês Henri Matisse (18691954) em uma de suas exposições, deparou-se com uma senhora que criticava um de seus quadros de maneira de-

movimentos de arte ocorridos a partir da segunda metade do século XX, influenciados pelas grandes transformações sociais desse período. A arte contemporânea não reconhece limites para a expressão.

7º ano

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Museu do Louvre, Paris. Foto: Giraudon/The Bridgeman Art Library/Keystone

Czartoryski Museum, Cracóvia, Polônia. Foto: The Bridgeman Art Library/Keystone

bochada. Nele estava representada uma mulher nua com pinceladas verdes em sua barriga. “Nunca vi uma mulher com barriga verde, dizia a senhora.” Ele não se conteve e respondeu-lhe: “Mas, minha senhora, isso não é uma mulher, é um quadro!” Nossa relação com as representações é complexa. Para muitos, é difícil descolar a realidade construída pelo artista, parecendo-lhes de pouca qualidade aquilo que não seja uma representação fiel ou não esteja suficientemente detalhado. De fato, a habilidade de artistas que pacientemente dedicam-se a reproduzir o real em todos os seus detalhes é digna de nossa admiração. Contudo, esse não precisa ser o motivo para desconsiderarmos as representações que não se enquadrem nesse padrão, não é mesmo? Representar a realidade foi sempre um desafio para os artistas de todos os tempos. Na Grécia, por volta do século V a.C., determinou-se que a arte deveria expressar ideais de beleza baseados na harmonia, no equilíbrio e na proporcionalidade. Os gregos nos deixaram inúmeros exemplares de arte – como esculturas e vasos – que se espalharam pelo mundo ocidental inspirando outras culturas e permanecendo como importantes referências até hoje. Trata-se de representações de como deveria ser a realidade e não exatamente de como era ou é a realidade. E, por diversas razões, viraram um padrão, ou seja, um modelo a ser seguido.

Suplicante de Barberini, séc. V a.C. Escultura em mármore, 98 × 105 cm. Museu do Louvre, Paris.

Vaso grego, séc. V a.C. 37 cm de altura. Czartoryski Museum, Cracóvia.

Nos séculos que se seguiram, alguns movimentos artísticos se opuseram à estética clássica grega, retratando objetos/pessoas/cenas disformes, grotescas ou impactantes. Ainda assim, eram obras de grande beleza e valor estético. Entre esses movimentos, dois merecem destaque: o Realismo e o Expressionismo. 92

Arte


O Realismo surgiu na Europa no fim do século XIX. Seus artistas insistiram na representação da realidade tal como ela se apresentava. Os deuses e deusas da Antiguidade não tinham lugar em suas obras. Elas eram dedicadas a retratar a dura vida dos camponeses e demais trabalhadores europeus. Para os artistas, era necessário que a realidade fosse impressa em suas telas de maneira objetiva e sem rodeios. Em suas obras, as pessoas e os ambientes representados podem não ser graciosos ou bonitos, mas o que expressam é indiscutivelmente belo.

The Metropolitan Museum of Art, Nova York

Honoré-Victorien Daumier. O vagão de terceira classe, 1862. Óleo sobre tela, 65,4 × 90,2 cm. The Metropolitan Museum of Art, Nova York.

O Expressionismo surgiu na Europa no início do século XX. Seus artistas queriam expor a dor e a tristeza vividas pelo ser humano em um mundo repleto de desigualdades e guerras. Além disso, procuraram representar os sentimentos e os extremos infortúnios do ser humano e, para isso, recorreram ao uso de traços distorcidos e cores fortes. 7º ano

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Nasjonalgalleriet, Oslo

Edward Munch. O grito, 1893. Óleo, têmpera e pastel sobre cartão, 91 × 73,5 cm. Nasjonalgalleriet, Oslo.

Para os expressionistas não interessava a beleza convencional: o que eles queriam era chocar os burgueses da época que pareciam não se comover com a realidade das pessoas mais pobres. Produziram imagens que não correspondem à 94

Arte


ideia convencional de beleza. Mesmo assim, elas são belas à sua maneira e, muitas vezes, chegam a prender e encantar nosso olhar. O mérito dessas obras não está no assunto que comunicam: o sofrimento das pessoas no mundo moderno. Este é um fato que conhecemos e que é retratado a todo o momento nos jornais ou outros meios de comunicação. O mérito está na maneira pela qual os artistas nos apresentaram seus sentimentos em relação à condição humana. A história da arte ocidental conta com muitos exemplos de rupturas com as tradições. As pinturas realista e expressionista são alguns deles. É preciso notar que as outras modalidades da arte (música, teatro, cinema, dança) e a arte de outras partes do mundo também estão em permanente revolução.

PARA REFLETIR II

1. Destaque as principais diferenças entre a representação realista dos artistas gregos e o Realismo

do século XIX. 2. O que existe em comum entre as obras realistas do século XIX e as expressionistas produzidas no

século XX? 3. Em sua opinião, como seria nossa vida se não existisse uma diversidade de representações artísticas

e os artistas tivessem que obrigatoriamente respeitar padrões estabelecidos pelos governantes?

BELEZA Diante de tanta diversidade como podemos então definir o que é beleza? Alberto Caeiro, um dos poetas inventados por Fernando Pessoa, escreveu: “A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe, que dou às coisas em troca do agrado que me dão.”

Seus versos nos levam a pensar que a beleza está na maneira como nos relacionamos com as coisas. Mas já sabemos que considerar uma coisa bonita é algo relativo, pois o que é bonito para um, pode não ser para outro. Se o julgamento estivesse apenas dentro de nós mesmos, não precisaríamos mais apreciar nada, pois nossa consciência, por si só, produziria beleza. Ela não está, portanto, nem em nós (sujeitos) nem nas coisas que apreciamos (objetos). A beleza está na relação que estabelecemos com o que apreciamos. A essa relação damos o nome de experiência estética. Sobre ela, vejamos o que nos diz João Francisco Duarte Jr.: “[...] o que ocorre numa experiência estética é que nossos sentimentos são tocados, são despertados pelas formas do objeto e então vibram, dando-se a conhecer a nós mesmos. Como em frente a um espelho, onde apreendemos nossa imagem

7º ano

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e desvendamos a aparência de nosso corpo, face ao objeto estético descobrimos aspectos de nossa vida interior, vindo a conhecer melhor nossos sentimentos. Ao revelar-nos o mundo – o artista nos mostra a nós mesmos.” DUARTE JÚNIOR, J.F. O que é beleza: experiência estética. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 1991.

Isso explica porque muitas vezes determinada música nos emociona tanto que acabamos nos identificando com ela e elegendo-a como tema de algum momento importante de nossas vidas. Isso acontece também em relação às demais manifestações artísticas. Essa experiência perante uma obra de arte é diferente das experiências que vivemos em nosso dia a dia ante a realidade. É preciso lembrar que na experiência estética nos encontramos diante de um símbolo e que nossas reações a ele também são simbólicas. A emoção que sentimos diante de uma cena impactante de um filme é diferente da que sentimos na vida real. Por mais que nos emocionemos, em algum momento percebemos de que se trata de ficção, o que contribui para que possamos dar vazão aos nossos sentimentos sem medo. O símbolo de que falamos nos conduz à imaginação e à ilusão, o que nos possibilita “entrar na obra”, ou seja, experimentar sensações. As senhoras que observavam a mulher com barriga verde de Henri Matisse não se permitiram qualquer sensação diante da obra, talvez por estarem tão ligadas à realidade, na qual as mulheres não têm barrigas verdes. Ou seja, não se interessaram em “viajar” nas cores, nas formas e nas linhas tão surpreendentes do pintor. Talvez não conhecessem os códigos de uma pintura modernista, sobretudo o principal deles – esse tipo de pintura não tem comprometimento com os padrões clássicos de representação. E como educamos nossos sentimentos a partir de códigos estéticos que fazem parte de nossa cultura, estranhamentos como esse podem ocorrer. Como estamos mais acostumados a ouvir música ocidental contemporânea, não é muito simples apreciar música japonesa tradicional, por exemplo. Nossos ouvidos não estão familiarizados com seus acordes e seu ritmo, o que pode causar uma rejeição inicial. Assim, é preciso ter algum aprendizado nesse sentido para que possamos apreciá-la. O mesmo vale para outras manifestações artísticas, como o cinema e o teatro. É necessário que nos eduquemos esteticamente para sermos cada vez mais sensíveis ao nosso próprio mundo interior e às múltiplas formas de representações com que convivemos.

QUEM DETERMINA OS PADRÕES DE BELEZA? É a própria sociedade a partir das pessoas que têm influência dentro dela, seja pela posição que ocupam ou pelo conhecimento que têm. É claro que essas pessoas são influenciadas pelos valores da época em que vivem, mas são formadoras de opinião. Você pode imaginar que mulheres magras e esbeltas nem sem-

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Arte


Fürstlich Liechtensteinische Gemäldegalerie, Viena

pre tenham sido consideradas modelos ideias para os pintores? Sim, é verdade, e isso ocorria por elas não estarem de acordo com o padrão de beleza que vigorava em determinada época, como mostraremos a seguir.

Peter Paul Rubens. Vênus ao espelho, 1612-1615. Óleo sobre tela, 124 × 98 cm. Fürstlich Liechtensteinische Gemäldegalerie, Viena.

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No século XVII, o que determinava a beleza das mulheres em Flandres, região norte da Bélgica na época em que Rubens pintou esse quadro, era o que ela representava: opulência. O padrão de beleza estava ligado ao ideal de felicidade e realização. Mulheres ricas não realizavam trabalhos pesados e comiam muito bem. Assim, ganhavam formas arredondadas. Elas também protegiam seus corpos do sol, mantendo sua pele bem clara. Portanto, eram bem diferentes das mais pobres, que se expunham ao sol na lida do campo, comiam mal e, assim, eram sempre muito magras. O estilo do artista, denominado barroco, valorizava as curvas e os excessos. Para Rubens, os ideais da beleza clássica eram distantes demais da realidade. Pintava seus homens e mulheres como seres vivos, tal como os via. Hoje, os valores são outros e também interferem na concepção de padrões. Não apenas aqueles referentes ao corpo, mas ao que consumimos culturalmente. Nesse sentido, os meios de comunicação têm um papel importante na consolidação de padrões estéticos. A televisão, o cinema, o rádio, as revistas e as demais mídias potencializam tendências e as divulgam atingindo grande número de pessoas. Muitas vezes, isso contribui para a adoção de padrões baseados em poucas referências. Como o consumo é muito incentivado, tudo acaba sendo muito passageiro: o que é bom hoje, amanhã poderá ser considerado inadequado ou “fora de moda”. Quanto à arte, o belo resiste ao tempo e às tendências. Embora hoje o padrão de beleza feminino não corresponda ao das modelos pintadas por Rubens, isso não impede que gostemos de suas obras.

DEBATER

Procure lembrar-se de uma manifestação artística que lhe tenha impressionado, seja pelo tema, pela técnica ou por qualquer outro aspecto. Pode ser uma obra visual, musical, cênica ou de dança, de que você goste muito, mesmo que não tenha tido com ela o que chamamos de “amor à primeira vista”. Relembre suas sensações ao apreciá-la e procure identificar na obra os elementos que lhe proporcionaram prazer. Se for possível, traga para a sala de aula referências dessa obra: imagem, gravação, bilhete ou ingresso, recorte de revista ou qualquer outro registro que a identifique. Com base na leitura que você fez deste capítulo, você e seus colegas deverão organizar-se para a apresentação de seus relatos, expondo suas referências e experiências. Os aspectos que os levaram a se aproximar da obra e a se impressionarem com ela devem ser considerados e relatados ao grupo. Durante as apresentações é muito importante que todos se manifestem e deem seus pareceres para que possa haver um debate que leve em conta as seguintes questões: • • • • •

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O que pode ser considerado belo quando falamos de arte? Como os padrões culturais interferem em nossa apreciação? Que diferenças podem ser observadas no grupo em relação à beleza? Qual a importância de ampliarmos nosso conhecimento sobre arte? Após o debate, escreva um breve relato com as informações e as observações trocadas entre o grupo. Arte


LER IMAGEM

Coleção Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand/Masp, São Paulo

Já falamos bastante sobre apreciação e leitura de obras de arte. Agora, vamos exercitar? O objetivo da atividade é o estímulo ao ver, pensar e reagir com sensibilidade diante de uma obra de arte. Sozinho ou em companhia de seus colegas, responda oralmente às questões a seguir, que orientarão sua leitura. Como se trata de uma obra de arte, não se preocupe se suas respostas serão consideradas “certas” ou “erradas”. Na verdade, elas são bastante pessoais: cada um pode ter uma resposta para cada pergunta. Dizemos, nesse caso, que são respostas subjetivas.

Candido Portinari. Retirantes, 1944. Painel a óleo sobre tela, 190 × 180 cm. Museu de Arte de São Paulo.

• O que você vê nesta imagem? Primeiro,

observe-a como um todo, depois permita que seu olhar caminhe pela imagem toda, buscando seus detalhes. • Descreva o cenário no qual as pessoas estão representadas. • Que cores o artista selecionou para fazer essa pintura? • Que dimensões (tamanho) essa obra deve ter?

• As formas humanas correspondem à rea• • • • • •

lidade tal como a conhecemos? Por quê? Que lugar você imagina que o pintor tenha representado? Quem são essas pessoas? O que elas representam? Que emoções ou sentimentos essa obra desperta em você? Qualifique-a com um adjetivo. Você vê beleza nessa obra? 7º ano

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CONHECER MAIS

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Arte

Candido Portinari. Enterro na rede, 1944. Painel a óleo sobre tela, 180 × 220 cm. Museu de Arte de São Paulo.

Coleção Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand/Masp, São Paulo

A obra que você leu chama-se Retirantes e faz parte de uma série pintada pelo paulista Candido Portinari (1903-1962) em 1944. A série conta também com as pinturas Enterro na rede e Criança morta. Essas três obras pertencem ao acervo do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Retirantes foi pintada por Candido Portinari com tinta a óleo sobre tela e mede 192 × 181 cm. O artista pintou essa série de obras de acordo com a estética expressionista para expressar a dramaticidade do tema. No ano em que as obras foram pintadas, o Brasil estava sob a ditadura de Getúlio Vargas e o mundo em plena Segunda Guerra Mundial. Portinari, como muitos artistas de sua época, chocava-se com as injustiças sociais, expressando em suas obras seus sentimentos e desejos de viver em um mundo melhor. As tragédias humanas são temas abordados com frequência pela arte. Mesmo sendo um tema triste, as produções têm o poder de comover e até mobilizar as pessoas. Durante a década de 1930 nos Estados Unidos, a fotógrafa Dorothea Lange comoveu o país, levando todos a olhar para a situação desesperadora daqueles que tinham perdido seus bens e empregos. As pinturas da série Retirantes, de Portinari, e fotos como A mãe migrante, de Dorothea Lange, expõem com rara beleza o sofrimento das pessoas. Ambas se tornaram símbolos das injustiças sociais, ao exporem tanto sofrimento.

Coleção Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand/Masp, São Paulo

Retirantes

Candido Portinari. Criança morta, 1944. Painel a óleo sobre tela, 180 × 190 cm.


© Bettmann/Corbis /Latinstock

A música, o teatro e o cinema também nos oferecem inúmeros exemplos dessa temática. Essas artes também despertam as sensações e os sentimentos humanos por meio da beleza com que retratam cenas e pessoas tristes. Se você já ouviu a música “Asa-branca” de Luiz Gonzaga (1912-1989) ou “Marcha fúnebre”, do compositor polonês Frédéric Chopin (18101849), nome também de uma música da brasileira Chiquinha Gonzaga (1847-1935), saberá do que estamos falando.

Dorothea Lange. A mãe migrante, 1936. Nipomo, Califórnia, Estados Unidos. A foto de Florence Owens Thompson, uma mãe de sete filhos, tornou-se conhecida por simbolizar a pobreza e o sofrimento vividos pelos estadunidenses na década de 1930.

MAS NEM SÓ A TRISTEZA NOS MOBILIZA Falamos de obras de conteúdo dramático para demonstrar que a beleza não se encontra apenas no que é agradável, mas é preciso dizer que muitos artistas, mesmo não seguindo os padrões clássicos, também nos alegram e nos tranquilizam com outras temáticas. É nisso que reside a beleza de suas obras. Henri Matisse é um desses artistas. Apesar de ter vivido em uma época conturbada, sua obra é generosa em detalhes que nos dão a sensação de prazer e felicidade. São dele as seguintes citações: “Sonho com uma arte do equilíbrio, pureza e serenidade, uma arte isenta de temas inquietantes e perturbadores. [...] Quero que minha arte seja como uma boa poltrona em que se descansa o corpo cansado.” “Sempre tentei esconder meus próprios esforços e desejei que minhas obras tivessem a leveza e a alegria de uma primavera que jamais nos deixa fazer ideia do trabalho que aquilo lhe custa.”

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Albright-Knox Art Gallery, Buffalo

Henri Matisse. A música, 1939. Óleo sobre tela, 115 × 115,1 cm. Albright-Knox Art Gallery, Buffalo.

As obras de Matisse são um exemplo de que há várias formas de ver, sentir ou apreciar. Os artistas não seguem regras específicas e tampouco são “engessados”, pois não há um padrão de beleza a seguir. Existe, na verdade, uma certeza: ela está contida na arte que transforma nossas vidas. 102

Arte


PARA CRIAR

INSTALAÇÕES Comunicar, sensibilizar e ousar

Esse é o movimento pretendido no contato com o mundo da arte. Neste capítulo, apresentamos inúmeras maneiras de que os artistas lançam mão para nos sensibilizar e comunicar suas ideias, seus sentimentos e seus pensamentos. Entre elas, estão as instalações, como a do artista Guto Lacaz, que você conheceu no começo do capítulo: Auditório para questões delicadas. As instalações são modalidades de obras de arte contemporânea que nasceram do questionamento dos artistas sobre os suportes tradicionais como pinturas, gravuras e esculturas. Essas obras, que podem ser muito diferentes entre si, têm em comum a interferência nos espaços em que são instaladas, criando composições inusitadas que surpreendem e provocam. Permitem o uso de uma grande variedade de materiais e possibilitam a integração de aparatos tecnológicos. Algumas instalações usam diversos recursos a fim de estimular não só a visão, mas também o tato, o olfato, a audição e até mesmo a gustação do espectador. Recursos como filmes, computação gráfica e encenações permitem que o público interaja, surpreenda-se e experimente sensações com a obra. Em uma instalação, o conceito é parte essencial da obra. O artista a concebe, a projeta, mas nem sempre a constrói sozinho. Muitas vezes, as instalações são efêmeras, ou seja, são feitas para uma exposição e depois são desmontadas. Delas restam apenas os registros fotográficos, como é o caso de Auditório para questões delicadas. Não existe receita ou modelo para confeccionar uma instalação. Suas proporções podem variar muito: ocupam grandes espaços como salas ou paredes ou apenas um cantinho de uma sala. A seguir, apresentamos alguns artistas e suas instalações. O artista brasileiro Tunga tem produzido instalações notáveis. Em True rouge, por exemplo, recipientes de vidro com líquido vermelho estão suspensos em redes penduradas em estruturas de madeira que lembram as usadas na manipulação de marionetes. A obra de Tunga impressiona por sua leveza, ao mesmo tempo que a referência ao sangue é evidente e provoca o espectador. O carioca Cildo Meireles montou uma sala com objetos vermelhos em um instituto de arte contemporânea por onde o público visitante pode caminhar. O vermelho, que lembra sangue/violência ou remete a conotações políticas, satura a visão do espectador provocando reações sensoriais e psicológicas. A proposta é que, em grupos, você e seus colegas projetem uma instalação que seja instigante e provocativa. 7º ano

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Acervo Instituto Inhotim, Brumadinho / Foto: Tibério França

Cildo Meireles. Desvio para o vermelho, 1967-1984. Instalação com materiais diversos. Instituto Inhotim, Brumadinho.

1o passo: a ideia A ideia pode surgir de um tema ou da observação de um determinado espaço a ser ocupado. Às vezes, alguns espaços pedem uma interferência, não é mesmo? O importante é ter o que dizer ou ter objetivos a serem atingidos. Discutam e relacionem alguns assuntos que desejam abordar, como temas sociais, políticos, ecológicos, estéticos ou de qualquer outra natureza. 2o passo: o espaço que receberá a instalação É muito importante que a instalação se ajuste e esteja adequada ao espaço. Procurem espaços – internos ou externos – de dimensão adequada para receber as interferências propostas por vocês. Vale a pena conversar antes com os responsáveis pelo espaço ou com as pessoas que o frequentam para que não haja nenhum tipo de incômodo. 3o passo: o projeto e a definição dos materiais O projeto é muito importante para que a obra tome forma. Ele pode conter desenhos e esboços, além de apontamentos como lista de materiais e outros procedimentos. Quanto aos materiais, vocês poderão utilizar objetos descartados ou mesmo em uso, recicláveis ou o que estiver ao seu alcance. Lembre-se de que a ousadia é fundamental. 104

Arte


4o passo: a montagem e a exposição Feita a montagem, é hora de apresentá-la ao público. A exposição merece ser valorizada, por isso, informe aos espectadores o que é uma instalação: faça um texto explicativo e fixe-o próximo à sua instalação. Não se esqueça de dar um nome à sua obra e de fixá-lo ao lado dela. 5o passo: a reação do público Em algumas exposições que realizou, Guto Lacaz procurou permanecer junto às obras para ouvir o que os visitantes comentavam sobre ela, de maneira discreta e até disfarçada. É interessante que você e seus colegas façam o mesmo, gravando as reações do público em seus telefones celulares, por exemplo. Elas poderão revelar muitos dos aspectos abordados neste capítulo. Bom trabalho!

PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS

Livros

O que é beleza: experiência estética

Nesta obra, o autor discute a beleza e seu significado sob diversos pontos de vista. Sua leitura é importante para o aprofundamento do conceito de experiência estética. DUARTE JR., João Francisco. O que é beleza: experiência estética. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 1991. (Coleção Primeiros Passos)

O que é indústria cultural

As formas de expressão cultural são comuns em todas as civilizações e, no século XX, começou-se a falar em produção de cultura, o que pressupõe a existência de uma indústria cultural. A obra discute essa indústria que transforma a cultura, que antes era manifestação, em produto que pode ser comercializado e consumido de maneira capitalista. COELHO NETTO, José Teixeira. O que é indústria cultural. 16. ed. São Paulo: Brasiliense, 1996.

Sites

Guto Lacaz

O site oficial do artista apresenta seus trabalhos em duas áreas: artes gráficas e artes plásticas.

Disponível em: <www.gutolacaz.com.br>. Acesso em: 3 mar. 2013.

Inhotim – Instituto de Arte Contemporânea e Jardim Botânico

O Inhotim é um importante centro de arte contemporânea localizado no município de Brumadinho (MG), na região metropolitana de Belo Horizonte. O instituto é formado por muitas galerias e seu site convida para uma visita virtual, na qual é possível encontrar muitos exemplares de instalações do instituto. Disponível em: <www.inhotim.org.br>. Acesso em: 26 set. 2012.

Projeto Portinari

O projeto tem catalogadas as obras do pintor paulista Candido Portinari. No site, os trabalhos do artista estão classificados por temas. Disponível em: <www.portinari.org.br>. Acesso em: 26 set. 2012.

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Capítulo ARTE

2

E onde eu encontro arte?

C

Museu de Arte Moderna, Nova York

om o que vimos até agora, percebemos que a arte não é algo isolado das demais atividades humanas. Ela é a linguagem a que recorremos para nos expressar e comunicar de forma sensível com nossos semelhantes. Além disso, percebemos também que, por meio da arte e de suas representações, entramos em contato com o belo e as distintas sensações que ele pode causar nas pessoas. Dessa maneira, percebemos como a arte está inserida em nosso cotidiano. Mas como ter acesso a ela? Até algum tempo atrás, a arte era pouco acessível e estava ligada apenas a museus, salas de concerto ou palcos de teatro. A arte popular e o artesanato eram considerados produções inferiores, distintas das belas-artes, expressão que designava as produções dos artistas já consagrados. Existiam regras e normas que garantiam determinados padrões e que delimitavam o que era considerado arte ou não. A partir do século XX, com o desenvolvimento dos meios de comunicação e o crescimento da indústria cultural, isso mudou radicalmente. Neste capítulo, apresentaremos algumas dessas mudanças e você verá que muitas coisas que estão ao seu redor são produtos artísticos.

René Magritte. O falso espelho, 1928. Óleo sobre tela, 54 × 80,9 cm. Museu de Arte Moderna, Nova York.

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RODA DE CONVERSA

O homem está no mundo e com o mundo... isto o torna capaz de relacionar-se... vai criando, recriando e decidindo. FREIRE, Paulo. Educação e mudança. São Paulo: Paz e Terra, 1982.

Onde você encontra arte no mundo em que vive? Que tipo de arte você aprecia? Pense nas manifestações artísticas que você encontra em seu dia a dia. Relacione-as e busque imagens que as representem. Com o material que coletou, componha um pequeno painel. Organize com seus colegas a apresentação dos painéis e, durante a exposição, observe o que predomina nas montagens de sua turma. Perceba se há diversidade nas manifestações apontadas e se todos têm acesso à arte. Anote suas conclusões em seu caderno.

DESIGN: BELEZA DESDE O INÍCIO

Acervo do Museu Paraense Emilio Goeldi, Belém (PA)/Renato Soares/Imagens Brasil

A busca pela beleza é uma característica humana muitas vezes aliada ao desenvolvimento de técnicas. Tão logo deram conta de fazer potes de cerâmica, os primeiros ceramistas trataram de acrescentar aos seus utensílios formas e detalhes que os tornavam mais bonitos e isso dava aos objetos certa identidade. O mesmo ocorreu com as armas, os artigos religiosos, as vestimentas, os ornamentos e, algum tempo depois, com as moradias. Ou seja, técnica e beleza caminhavam juntas. O termo “técnica” tem origem na palavra grega τέχνη (téchne), que significa arte. Por isso, muitas vezes, chamamos de artistas aqueles que têm relativo domínio técnico de algo: “Fulano é um artista. Domina uma bola de futebol como ninguém”.

Cerâmica santarém conhecida como cariátides. Detalhe da cerâmica. Museu Paraense Emilio Goeldi, Pará. Na cerâmica santarém, esse tipo de peça é chamado de “vaso de cariátides” e apresenta figuras que lembram elementos da arquitetura da Grécia Antiga. O vaso revela a importância que os indígenas atribuem à beleza em seus utilitários.

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De uma forma ou de outra, de acordo com os padrões estéticos de nossa cultura e com os recursos de que dispomos, tratamos de embelezar o que nos cerca. A beleza é uma necessidade do ser humano, mas é também um direito pelo qual podemos lutar. PARA REFLETIR I

Em sua opinião, como podemos garantir, de maneira individual ou coletiva, o direito pela beleza em nosso cotidiano?

Após ter refletido e construído sua resposta, discuta com seus colegas.

DO MANUAL AO INDUSTRIAL Na produção artesanal, o artesão imprime sua técnica e seu estilo às suas peças que carregam em cada uma delas as características de um trabalho manual. Já na indústria, a produção em série obedece a padrões que garantam as mesmas qualidades e características a centenas de peças. Mesmo que o artesão produza peças semelhantes, sua técnica e seu estilo dão identidade às obras, ao contrário do que ocorre com a produção industrial em série. Foi em meados do século XVIII que a produção de bens de consumo passou de artesanal para industrial. Essa mudança foi tão grande e causou tanto impacto que ficou conhecida como Revolução Industrial. Rapidez era a palavra de ordem e as máquinas deveriam produzir em série. Nesse cenário destacaram-se engenheiros e técnicos que se dedicaram a projetar e a construir novas máquinas e a estudar métodos eficazes desse tipo de produção. Com a mecanização, a qualidade, que a princípio sofreu uma queda, precisava ser garantida. Os produtos apresentavam uma função (dada pelos engenheiros e pelos técnicos) e uma forma (projetada pelos artistas ou pelos artesãos). Nascia assim o conceito de desenho industrial ou design e uma nova profissão: projetista industrial ou designer. Na história da arte ocidental, durante um longo período, as artes aplicadas estiveram em lados opostos às belas-artes (pinturas e esculturas produzidas sob as regras e normas das academias europeias nos séculos XVIII e XIX). Mas no final do século XIX, com a industrialização crescente, retomou-se a aproximação entre o trabalho artístico e o artesanal. Foram criadas, assim, escolas de artes e ofícios para a formação consistente de trabalhadores-artesãos. Hoje, contamos com cursos técnicos e superiores para a formação de designers. 108

Arte


Design Embora seja considerada um estrangeirismo por ser originária da língua inglesa, a palavra “design” é bastante comum entre nós e remete a áreas como decoração, moda, joias, gráfica e até informática. É também empregada para designar produtos industriais como automóveis, móveis, utensílios domésticos etc. Nesse contexto, design pode ser definido como “a melhoria dos aspectos funcionais e visuais dos produtos, de modo a atender às necessidades do consumidor, melhorando o conforto, a segurança e a satisfação dos usuários”.

Os objetos que consumimos ou que usamos, do pente ao automóvel, são resultados de um desenho que orientou sua produção. Por sua vez, esse desenho foi fruto de ideias e concepções voltadas ao consumo e à satisfação de desejos. É por isso que a indústria investe sempre na renovação das formas e das embalagens de seus produtos. Para idealizar e concretizar os desenhos que vão servir de base para a fabricação de produtos industriais, os designers recorrem aos elementos da linguagem visual (linha, cor, forma, volume, textura), os mesmos que orientam a produção de obras de arte. O design insere-se no que chamamos de arte aplicada. Fazem parte dessa classificação os objetos criados pela moda, pelas artes gráficas, pela arquitetura e pelo design. CONHECER MAIS Courtesy Everett Collection/Latinstock

Tempos modernos A comédia Tempos modernos, concebida, dirigida e estrelada por Charles Chaplin (1889-1977) aborda a desumanização causada pela produção industrial. No trecho inicial, sua personagem se vê comandada pela máquina e sujeita a situações inusitadas, como quando é literalmente engolida por uma das máquinas. Ao trabalho mecânico são contrapostas cenas em que a personagem é bastante criativa ao encontrar saídas para as situações em que vive. O filme é como um alerta à sociedade da época que via, a cada dia, a substituição do homem pela máquina. Além disso, retratava o operário como uma simples peça ou engrenagem que deveria se contentar em viver com o mínimo, morar em espaços reduzidos e trabalhar por longos períodos. Em contrapartida, os proprietários ou aqueles que tivessem dinheiro para investir em maquinários enriqueciam, desfrutavam de todos os confortos e tinham suas necessidades satisfeitas por completo.

LER DESIGN

As artes aplicadas fazem parte de nosso cotidiano. Olhe ao seu redor e você poderá encontrar uma grande diversidade que vai de automóveis a sapatos, passando por brinquedos e utensílios domésticos. Em nossas casas, nas vitrines das lojas, nas páginas das revistas, deparamos o tempo todo com resultados do trabalho de profissionais do desenho industrial. Escolha um produto para análise. Você poderá analisá-lo a partir de uma imagem, caso não disponha do produto à mão. Faça uma leitura detalhada de suas formas, considerando os seguintes critérios: • beleza – linhas, formas, cores, proporções; • funcionalidade – utilidade, praticidade e facilidade na utilização; 7º ano

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• originalidade – inovação em relação aos produtos da época em que foi lançado e • autoria – quem criou o produto que você está analisando. Esse item é opcional, mas vale a

pena investigar o nome do designer do produto, embora nem sempre seja possível obter os dados desse profissional. Leve para a sala de aula sua análise acompanhada do produto ou de uma imagem que o represente. Apresente-o aos colegas, destacando os aspectos que considerou mais relevantes. CONHECER MAIS

Bauhaus: uma nova concepção do design dades que para lá se dirigiram. Em 1933, a escola foi fechada por determinação dos nazistas e seus professores emigraram para outros países, principalmente para os Estados Unidos, de onde continuaram a divulgar suas ideias e princípios. Museu de Arte Moderna (MoMA), Nova York. Foto: Scala, Florença

Foi no início do século XX, na Alemanha, que Walter Gropius criou a Bauhaus (palavra alemã que significa “casa da construção”), uma escola-laboratório que reunia pintores, escultores, arquitetos e engenheiros de diversos países. O objetivo era que, em conjunto, todos pudessem pensar e criar objetos, casas e prédios práticos, funcionais e bonitos. Acreditavam que, independentemente de sua classe social, o ser humano tinha direito ao conforto e à beleza e que os objetos de arte não deveriam ser apenas exibidos em museus: deveriam também fazer parte de nosso cotidiano. A novidade introduzida pela Bauhaus consistia em oferecer à indústria uma produção de objetos na qual função, forma e realização eram estudadas e planejadas ao mesmo tempo. A forma do objeto não era mais resultado de operações separadas (a engenharia e de técnica e, em uma segunda etapa, a artística). Para a Bauhaus, a forma deveria surgir de um trabalho em grupo no qual cada profissional colaborava para resolver os problemas de funcionalidade, viabilidade técnica e projeto de objetos e edificações cujas formas e funções estavam estreitamente conectadas. Esse novo método de trabalho traduziu a tentativa de fazer as formas dos objetos, casas e prédios ligadas às suas funções e às necessidades do ser humano. O objetivo era proporcionar que ser humano, máquina e natureza vivessem em estado de equilíbrio. A concepção da Bauhaus rompeu com a distinção que havia até então entre artesão e artista, pretendendo formar novas gerações de artistas de diversas nacionali-

Cadeira desenhada por Ludwig Mies van der Rohe, um dos diretores da Bauhaus, 1927. Museu de Arte Moderna, Nova York.

DESIGN ARTESANAL No Brasil, tem se observado um movimento de valorização e revitalização do artesanato por meio do design. Ele é decorrente da iniciativa de comunidades empreendedoras que investem na inovação e no desenvolvimento sustentável. Os artesãos têm produzido peças sofisticadas e inusitadas, algumas com materiais reciclados, que vão de artigos de decoração a acessórios de moda. É a criatividade e a tradição de um povo que, aliada ao conhecimento de técnicas e ao senso esté110

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Delfim Martins/Pulsar Imagens

tico, transforma materiais e produz objetos de arte. Nesse trabalho, a tradição da arte popular é ressignificada com a orientação de designers, resultando na produção de artigos com grande potencial comercial. O artesanato de capim-dourado feito em Tocantins e a cerâmica com motivos rupestres da serra da Capivara, no estado do Piauí, são apenas alguns exemplos. Com essas iniciativas, nosso design ganha identidade e se constitui em mais um elemento de nossa cultura.

Palê Zuppani/Pulsar Imagens

Artesanato de capim-dourado produzido na comunidade de Mumbuca, no Tocantins.

Xícaras de cerâmica produzidas no Piauí com reproduções de arte rupestre da serra da Capivara.

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Irmãos Campana combinados, compõem peças que chamam a atenção pela alegria e pelo bom humor. As peças da dupla fazem parte de acervos de importantes museus nos Estados Unidos e na Europa.

Edra

Os irmãos Humberto e Fernando Campana figuram hoje entre os maiores nomes do design internacional. Suas criações incluem diversos materiais – cordas, EVA, papelão, garrafas pet, retalhos de madeira, fios e mais uma infinidade de objetos – que, combinados e re-

Fernando e Humberto Campana. Cadeira favela (1991), feita com pedaços de madeira recuperados do lixo.

Como podemos ver, o design é uma forma de arte, é uma ferramenta que traz a arte para o nosso cotidiano, tornando-a, assim, mais acessível. Você já tinha pensado sobre isso? 112

Arte


PARA CRIAR I

Museu Van Gogh, Amsterdã

The National Gallery, Londres

Para a criação de design de objetos que usamos em nosso cotidiano não há limites. Uma cadeira ou qualquer outro objeto devem cumprir suas funções, embora seu material e sua forma possam variar bastante. Assim, os designers precisam respeitar a funcionalidade dos objetos na hora em que vão criá-los. O objetivo dessa oficina é que você se aproprie do conceito de design como arte aplicada e trabalhe artesanalmente com os recursos de que dispõe para a criação de um objeto de arte. Em 1888, o pintor holandês Vicent van Gogh (1853-1890) pintou essas duas cadeiras. Elas faziam parte do mobiliário de sua casa, que ficava em Arles, no sul da França. Lá, ele pretendia receber outros pintores, mas o único a aceitar seu convite foi o francês Paul Gauguin (1848-1903). Observe bem as formas das duas cadeiras e identifique as diferenças entre elas.

Vincent van Gogh. Cadeira de Van Gogh em Arles, 1888. Óleo sobre tela. The National Gallery, Londres.

Vincent van Gogh. Cadeira de Gauguin em Arles, 1888. Óleo sobre tela, 90,5 × 72,5 cm. Museu Van Gogh, Amsterdã.

A cadeira mais modesta era dele e a outra, mais sofisticada, de seu amigo Gauguin. Ao representá-las, Van Gogh fez referências a seus respectivos donos. Gauguin era um homem refinado e culto, e Van Gogh o admirava por isso. Sobre sua cadeira de braços, de madeira polida e assento de tecido acolchoado, colocou uma vela e dois livros simbolizando o gosto do amigo. A outra cadeira se assenta sobre um chão rústico, tem linhas bem simples e sobre seu assento de palha trançada estão um cachimbo e uma bolsa de fumo, marcas de Van Gogh, um homem de hábitos modestos.

7º ano

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Ilustração digital: Llinares

Com base nessas informações, a proposta é que você projete sua própria cadeira. 1o passo: a ideia Retomando o sentido simbólico da linguagem artística e as noções de design, você deverá criar uma cadeira que o represente, ou seja, que tenha “a sua cara”. Pense no formato, nas cores e nos materiais que farão parte de sua construção. Lembre-se de que cada elemento da cadeira poderá representar alguma coisa sobre você. Arroje, invente, experimente. 2o passo: a criação Desenhe sua cadeira e, como no exemplo, não se esqueça de indicar em seu projeto as proporções, os materiais que pensa empregar e outros detalhes que julgar necessários.

3o passo: a montagem Com base em seu projeto, construa uma maquete, ou seja, sua cadeira em proporções menores. Ela não precisa ser feita do mesmo material que indicou no projeto, mas use algo que represente bem como a sua cadeira seria se fosse construída em tamanho real. 4o passo: a exposição Dê um título à sua cadeira e organize, com seus colegas, uma mostra das maquetes feitas por toda a turma.

DESIGN TAMBÉM NO TEXTO, E POR QUE NÃO? A relação da escrita com a imagem está em sua própria origem, afinal os alfabetos surgiram dos pictogramas, desenhos estilizados e combinados entre si para designar palavras e expressões. Por exemplo, para se dizer sol, desenhava-se um 114

Arte


círculo. Em seguida, foram usados os ideogramas, desenhos que representavam não só as coisas, mas também as ideias que lhes eram próximas. Nesse caso, o desenho do sol significava também luz. Dos ideogramas surgiram os fonogramas ou letras.

Todd Gipstein/Corbis/Latinstock

Österreichische Nationalbibliothek, Codex Vindobonensis, Viena

Tomemos como exemplo nosso alfabeto ocidental. A letra A, por exemplo, se originou de um pictograma que representava a cabeça de um boi. Esquematizado, passou a ser um ideograma, mantendo a referência à cabeça de um boi. Os gregos adaptaram-no à sua escrita, alterando a posição e os romanos giraram o fonograma originando a letra A como a conhecemos. Até a invenção da imprensa, no século XVI, a escrita era totalmente manual, como mostra a imagem a seguir, e as letras eram desenhadas sobre pergaminhos por pessoas muito habilidosas e treinadas para esse fim.

As letras eram desenhadas, uma a uma, como vemos neste livro de horas do século XVI (à esquerda). Foi Johannes Gutenberg, no século XV, quem inventou os tipos móveis de metal (acima).

Tipos de letra e a informática Na informática, o termo “fonte” é o mais utilizado para se referir ao tipo de letra. Com a invenção dos primeiros computadores, multiplicaram-se as fontes. A fonte Arial, por exemplo, foi encomendada pela Microsoft em 1982 para dri-

blar os altos preços cobrados pelo uso da licença de outras fontes mais tradicionais. Na década de 1990, ainda para a Microsoft, o designer Vincent Connare criou as fontes Comic Sans e Trebuchet e Matthew Carter criou a Verdana.

No Renascimento, a escrita manual simplificou-se e, aos poucos, foram criados diferentes tipos de letras para as máquinas impressoras. Nasceu assim a tipografia (do grego typos – “forma” e graphein – “escrita”) nome dado à arte da composição e impressão de textos. A elaboração dos tipos – desenho das letras –

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que usamos e conhecemos é resultado do trabalho de grandes projetistas como os franceses Claude Garamond (1490-1561) e Frederic Goudy (1865-1947) e o italiano GianBattista Bodoni (1740-1813), entre tantos outros. Em qualquer editor eletrônico de textos você vai encontrar alguma tipologia (que também chamamos de fonte) projetada por um deles, inclusive as batizadas com os nomes de seus autores: Garamond, Bodoni e Goudy. Há também os tipos criados pelos projetistas da Bauhaus. Além de produzir design para objetos, casas e edifícios, eles criaram também desenhos de letras que levam o nome da escola: Bauhaus. “As letras devem ser concebidas por artistas, e não por engenheiros.” Frase do artista gráfico Willian Morris (1834-1896)

Da mesma maneira que roupas entram e saem de moda, as fontes também passam por esse processo. O estilo Art Nouveau, que se desenvolveu entre o fim do século XIX e a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), inspirava-se nas linhas curvas da natureza que ficaram impressas nas casas e nos edifícios, nos figurinos de moda, nos objetos e nos letreiros.

ABCDEFGHIJKLM Exemplo de tipologia Art Nouveau.

O mesmo aconteceu com o estilo que o sucedeu: o Art Déco. Suas formas mais simples e austeras marcaram época.

ABCDEFGHIJKLM Fonte Art Déco criada em 1936, por Cassandre, pseudônimo de Adolphe Jean-Marie Mouron (1901-1968), um dos maiores gráficos do século XX.

Como no caso de design de produtos, nessa área também não há limites para a criação de novos tipos, desde que o símbolo (traçado inicial da letra) seja perceptível.

GOTICA

WESTERN

ALEGÓRICA BLACK LINE Exemplo de tipologias gótica, Western, alegórica e Black Line.

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Arte


PARA REFLETIR II

Compare por um instante os textos a seguir, escritos em fontes diferentes:

Há uma Primavera em cada vida: É preciso cantá-la assim florida, Pois se Deus nos deu voz, foi prá cantar! Florbela Espanca

Há uma Primavera em cada vida: É preciso cantá-la assim florida, Pois se Deus nos deu voz, foi prá cantar! Florbela Espanca

Há uma Primavera em cada vida: É preciso cantá-la assim florida, Pois se Deus nos deu voz, foi prá cantar! Florbela Espanca

• Em sua opinião, qual das três fontes é mais adequada para expressar o poema da portuguesa

Florbela Espanca (1894-1930)? Por quê?

CONHECER MAIS

Letras com personalidade Na imprensa em geral, é muito importante que os periódicos tenham sua identidade visual, o que inclui as fontes dos títulos, dos textos e das matérias que são desenhadas especialmente para esse fim. A fonte Times New Roman foi criada em 1932 para o jornal inglês The Times, de Londres. Não é à toa que as letras de imprensa também são chamadas de caracteres. Elas realmente têm seu próprio caráter ou personalidade: podem ser românticas, austeras, modernas,

informais etc., além de comunicar com maestria o caráter do texto. Assim como a pintura e as demais artes visuais, o design tipográfico tem linguagem própria. Textos escritos em letras maiúsculas (em tipografia, chamadas de caixa alta) têm uma expressão diferente. Experimente escrever parte de uma mensagem eletrônica (e-mail) usando maiúsculas e todos vão concluir que você está gritando.

7º ano

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DESIGN GRÁFICO Este livro é resultado de um projeto gráfico, ou seja, alguém planejou seu formato, escolheu a disposição e a fonte de títulos e de subtítulos, definiu de que maneira as fotos entrariam nas páginas, que partes do texto teriam destaque, entre outras decisões necessárias para dar identidade visual a uma publicação. Além disso, também foi preciso escolher as fontes de todos os outros textos do livro e definiu-se a diagramação, que é a disposição de textos e de imagens sobre uma superfície, no caso a folha de papel. Na diagramação, os elementos da linguagem visual – cor, linha, forma, textura – devem ser considerados, assim como a definição do tipo e tamanho das fontes e dos espaços entre cada elemento gráfico. Enfim, a composição é um elemento fundamental no convite à leitura tanto de textos como de imagens. Nas páginas iniciais do livro, você poderá conferir o nome dos profissionais que participaram de sua produção e o responsável pelo projeto gráfico, o designer gráfico. Esse profissional trabalha também em diversas modalidades, como criação de logotipos, projeto gráfico de cartazes e outras peças publicitárias, revistas, jornais, livros e desenho de embalagens e sinalizações. No caso da criação e produção de cartazes, o designer deve levar em conta a função dessa peça publicitária (que é sempre comunicar alguma coisa), o produto que anuncia e o público a que se destina. A partir daí, ele poderá decidir sobre as imagens e fontes que vai utilizar, bem como a cor de fundo e de outros elementos.

Coleção Particular Coleção Particular Coleção Particular

Projetar uma cédula é um trabalho desafiador. Além de todos os recursos antifalsificações, o design deve conter elementos da identidade da nação que utilizará o dinheiro. Tratase de transformar um pedaço de papel sem valor em algo que possa parecer valioso ao brasileiro, ao europeu, ao japonês etc. Tal transformação apresenta o que lhe é caro e, ao mesmo tempo, próprio. Algumas nações investem também na modernidade, renovando periodicamente o design de suas cédulas, mesmo mantendo seus símbolos tradicionais.

Coleção Particular

Um visual de valor

Notas de cem em reais (Brasil), dólares (Estados Unidos) e euros (União Europeia) e de mil ienes (Japão).

PARA CRIAR II

Com o auxílio da informática, você poderá fazer composições incríveis. Basta que saiba operar um processador de textos ou programa de tratamento de imagens para produzir peças bem interessantes. Se dominar outros programas mais sofisticados, melhor ainda. 118

Arte


Nessa oficina, o desafio consiste em produzir uma página utilizando recursos do design gráfico: escolha do texto e das imagens, das fontes, das cores e a definição da composição/diagramação. Se desejar, poderá ainda fazer um trabalho a partir do recorte e colagem de letras e imagens coletadas em revistas, folhetos ou cartazes, utilizar o scanner e, depois, fazer interferências sobre a imagem resultante. O importante é que você use e abuse dos recursos gráficos que estão à sua disposição para criar e comunicar. 1o passo: a ideia Escolha um tema que pode ser uma frase, um convite, uma página de moda ou mesmo um conteúdo escolar proposto em outra disciplina. 2o passo: a composição Defina a composição. Se desejar, rabisque numa folha de papel as possíveis diagramações antes de usar o computador, mas você poderá utilizá-lo desde o início, pois é possível fazer modificações, como alterações nas formas e cores até obter os resultados almejados. 3o passo: a exposição Salve sua obra para que possa ser exposta e apreciada. Para sua exposição, você poderá imprimi-la, projetá-la com o auxílio de aparelhos próprios ou mesmo postá-la em um blog criado por seu grupo.

SINAIS E LOGOTIPOS A criação de outros produtos visuais inerentes ao design gráfico, como a sinalização, será o tema de encerramento do capítulo. Definimos como sinal uma forma de comunicação entre duas ou mais pessoas, ou entre uma máquina e uma pessoa, com o qual se transmite uma informação. O sinal pode ser acústico (alarme, campainha, buzina) ou visual (gráficos, letreiros luminosos). O que seria de nós se não houvesse os sinais e ícones que guiam nossas ações cotidianas? Dos sinais de trânsito às placas que diferenciam banheiros femininos dos masculinos, diariamente somos informados ou mesmo alertados por meio desses desenhos de formas esquemáticas e de significado preciso. Sim, pois se não houve precisão, a comunicação poderá não ocorrer com sucesso e as consequências serão previsíveis. Você já deve ter parado em frente à porta de toaletes tentando decifrar os sinais que alguém muito criativo usou para identificar os banheiros masculino e feminino. Nesse caso, é preciso que o design leve em consideração se a imagem usada possibilita a clareza da ideia a ser comunicada. Existem símbolos gráficos que por tradição ou convenção acabaram se tornando universais. Uma cruz nos remete logo a um conteúdo de origem religiosa, enquanto cinco círculos entrelaçados, imediatamente, nos lembram os Jogos Olímpicos. 7º ano

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Bjeayes/Dreamstime.com

Símbolo gráfico é um sinal que representa de modo sintético uma ideia ou atividade. Os logotipos e logomarcas são outras modalidades de símbolos gráficos e são destinadas à identificação de um produto ou marca. Sua criação requer elaboração criteriosa e estudos de várias áreas, pois os designers recorrem inclusive à psicologia para obter êxito em seu trabalho. Podem ou não incluir o nome da marca, mas devem conquistar a atenção do público e fixar-se em sua memória. Por isso, uma de suas qualidades é a simplicidade.

Alguns símbolos, porém, dizem respeito à cultura de determinado povo ou local. Símbolos usados no Japão, por exemplo, podem ser incompreensíveis para outras culturas.

LER IMAGENS

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Aprescindere/Dreamstime.com

Marcosborne/Dreamstime.com

Unicef

Os logos, como são popularmente chamados tanto os logotipos como as logomarcas, estampam a identidade do produto ou da marca a que estão associados e, muitas vezes, também revelam a época em que foram criados. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (em inglês United Nations Children’s Fund) – Unicef) foi criado na segunda metade da década de 1940 e seu logo é o mesmo desde então. Impresso na cor azul, ele tem características próprias da época em que foi criado, e revela uma certa tradição, já que foi baseado no logo da Organização das Nações Unidas (ONU). O nome Unicef em letras minúsculas foi acrescentado posteriormente com o intuito de atualizar o desenho da marca.


Comitê Olímpico Brasileiro

Agora observe o logo criado pela agência Tátil Design para os Jogos Olímpicos de 2016, que serão realizados no Rio de Janeiro. O trabalho foi apresentado em duas versões: bidimensional (com duas dimensões: altura e largura) e tridimensional (com a terceira dimensão, que é a profundidade), levando em consideração as diversas aplicações que terá durante o evento.

Que elementos da composição identificam a característica (esportiva) do evento?

O que a imagem lhe sugere?

Em sua opinião, ela representa com propriedade os Jogos Olímpicos? Por quê?

Agora que você já conhece um pouco mais sobre a abrangência da arte e de sua presença no cotidiano, desenvolva seu poder de observação. Veja, analise, admire, questione as informações visuais que receber. Não as deixe passar despercebidas. Para finalizar, retome o painel que construiu na introdução deste capítulo e complete-o com novas descobertas sobre a presença de outras manifestações artísticas em sua vida. Bom trabalho! 7º ano

121


PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS

Livros

Cartas a um jovem designer

Os irmãos Humberto e Fernando falam sobre as alegrias e agruras da profissão e como é exercer um ofício que se alimenta da criatividade e da sensibilidade. CAMPANA, Fernando; CAMPANA, Humberto. Cartas a um jovem designer. São Paulo: Campus, 2009.

Design+artesanato: o caminho brasileiro

Adélia analisa o trabalho conjunto de designers e artesãos no Brasil e destaca a importância e a necessidade de sua valorização. Ricamente ilustrada, a obra mostra a beleza dos objetos e artefatos feitos à mão. BORGES, Adélia. Design+artesanato: o caminho brasileiro. São Paulo: Terceiro Nome, 2012.

Design do século XX

A obra é ilustrada e propõe uma viagem pelas formas, cores e funções do design no século XX. FIELL, Charlotte J.; Peter Fiell. Design do século XX. Rio de Janeiro: Taschen do Brasil, 2005.

Sites

Banco Central do Brasil

Apresenta a criação e a produção das novas cédulas da moeda brasileira, que começaram a entrar em circulação em 2011. Disponível em: <www.novasnotas.bcb.gov.br>. Acesso em: 15 set. 2012.

Irmãos Campana

Apresenta muitos trabalhos dos irmãos Campana, sobretudo as cadeiras que eles produzem. Disponível em: <www.arquitetonico.ufsc.br/osirmaos-campana>. Acesso em: 15 set. 2012.

Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo

Portal da escola fundada na capital paulista para a formação de artesãos. Apresenta um histórico ricamente ilustrado da instituição, revelando a importância da mão de obra qualificada no desenvolvimento da economia da cidade. Disponível em: <www.novosite.liceuescola.com.br>. Acesso em: 15 set. 2012.

Museu de Artes e Ofícios de Belo Horizonte

Portal que apresenta peças do acervo do museu referentes ao trabalho manual que era realizado antes da era da industrialização. Disponível em: <www.mao.org.br>. Acesso em: 15 set. 2012.

122

Arte


Bibliografia

ARTE BARBOSA, Ana Mae Tavares Bastos. A imagem no ensino da Arte: anos oitenta e novos tempos. São Paulo: Perspectiva, 1991. BERGER, John. Modos de ver. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. BORGES, Adélia. Design + artesanato: o caminho brasileiro. São Paulo: Terceiro Nome, 2012. CAMPANA, Fernando; CAMPANA, Humberto. Cartas a um jovem designer. São Paulo: Campus, 2009. COSTA, Cristina. Questões de Arte: a natureza do belo, da percepção e do prazer estético. São Paulo: Moderna, 1999. DONIS, A. Dondis. Sintaxe da linguagem visual. São Paulo: Martins Fontes, 1991. GOMBRICH, E. H. A História da Arte. São Paulo: Martins Fontes, 1998. READ, Herbert. Arte de agora, agora: uma introdução à teoria da pintura e escultura modernas. São Paulo: Perspectiva, 1991. SUDJIC, Deyan. A linguagem das coisas. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2010. WALTER, Ingo. Vincent Van Gogh: visão e realidade. Berlim: Tashen, 1990.

7º Ano

123


UNIDADE 3

LĂ­ngua Estrangeira Moderna


Capítulo LÍNGUA INGLESA

1

Situando-se

A

prender uma língua estrangeira envolve muitas descobertas. É preciso estudo, mas ele pode ser facilitado pela adoção de atitudes favoráveis à aprendizagem. Você vai lidar com as dificuldades e aprender com elas. No começo, pode parecer difícil, mas é necessário persistir e enfrentar riscos: tentar, adivinhar, inventar e comparar sem medo de cometer erros. Essas ações são fundamentais para aprender inglês, um processo longo, mas que pode se tornar gratificante e prazeroso se forem usadas algumas estratégias. Neste capítulo, vamos colocar em prática algumas delas para auxiliar na compreensão de textos em inglês. É sempre bom lembrar que, no decorrer do processo de aprendizagem, você deve prestar atenção ao seu progresso, comparando o que você conseguia fazer no início, quando começou seu estudo, com o que faz hoje, avaliando seu desempenho e seus progressos.

LER EM OUTRA LÍNGUA

Rogério Reis/Pulsar Imagens

Vivemos cercados por textos impressos: placas, anúncios, rótulos, receitas, instruções, recibos, livros, revistas, bilhetes, entre tantos outros. Entramos em contato com diferentes textos dentro de casa, observando rótulos de produtos ou assistindo à televisão; nas ruas ou estradas, observando placas, anúncios e veículos; no trabalho; nas lojas; enfim, em quase todos os contextos de nossa vida. Cada um desses textos cumpre uma função social: comunicar algo a alguém, seja para informar, divertir, convencer, ensinar etc.

Na fronteira entre o Brasil e o Uruguai, uma placa à beira da estrada sinaliza o início do território brasileiro em três línguas distintas (português, espanhol e inglês) e com bom humor (marcado principalmente pela rima). Chuí (RS), 2012.

7º ano

127


Além de variar de acordo com sua função, os textos também se modificam conforme o público a que se dirigem. Um bilhete para um namorado é muito diferente de um bilhete para um professor. Uma revista dirigida ao público feminino é muito diferente de uma revista feita para jovens do movimento hip-hop, por exemplo. Os textos também apresentam diferentes formas e cores, além de variações no estilo, na linguagem e no vocabulário empregado, podendo ser impressos em diferentes suportes, como cartazes, folhetos, livros, revistas etc. Observe o exemplo a seguir. Mesmo que não consiga entender o significado da maioria das palavras, você seria capaz de dizer que tipo de texto é esse? Best chocolate chip cookies Ingredients 1 cup butter, softened 1 cup white sugar 1 cup packed brown sugar 2 eggs 2 teaspoons vanilla extract 3 cups all-purpose flour 1 teaspoon baking soda 2 teaspoons hot water 1/2 teaspoon salt 2 cups semisweet chocolate chips 1 cup chopped walnuts Directions 1. Preheat oven to 350 degrees F (175 degrees C). 2. Cream together the butter, white sugar, and brown sugar until smooth. Beat in the eggs one at a time, then stir in the vanilla. Dissolve baking soda in hot water. Add to batter along with salt. Stir in flour, chocolate chips, and nuts. Drop by large spoonfuls onto ungreased pans. 3. Bake for about 10 minutes in the preheated oven, or until edges are nicely browned. Disponível em: <http://allrecipes.com/recipe/best-chocolate-chip-cookies/detail.aspx>. Acesso em: 21 ago. 2012.

Antes mesmo de ler o texto, já sabemos que se trata de uma receita culinária, pois vemos uma lista de ingredientes e, em seguida, um texto explicativo. O mesmo acontece com outros textos e suportes. Anúncios de empregos, propagandas e artigos de revistas são reconhecíveis como tais antes mesmo de serem lidos, apenas por sua estrutura e apresentação. Reconhecer os diferentes tipos de texto é o primeiro passo, mas há um elemento fundamental envolvido no ato de ler: o objetivo da leitura. O motivo que 128

Língua Inglesa


leva alguém a ler um texto guia suas ações e sua atenção; determina os gestos, as atitudes e o comportamento da pessoa enquanto lê; e determina quais informações ela procura no texto. Quando lemos uma placa para descobrir onde fica a saída de algum lugar, por exemplo, lemos para agir. Para essa leitura, não importa se estamos sentados ou em pé, se há barulho à nossa volta ou pouca luz, basta encontrar a placa e observar para que lado fica a saída. Assim, constatamos que o ato de ler varia de acordo com os objetivos de leitura. Às vezes, é preciso entender o texto todo, detalhadamente; outras vezes, basta selecionar uma informação específica ou ler apenas parte do material, fora da sequência. Isso significa que há diferentes níveis de compreensão de um texto, que variam de acordo com nossos conhecimentos sobre o assunto, interesses, necessidades ou vontades. Ao ler um texto em outra língua, esses elementos colaboram para a compreensão: o conhecimento que temos sobre o tipo de texto, o tema ou o assunto e os objetivos que vamos perseguir durante a leitura. É essa bagagem que apoia as pessoas na seleção de informações e na compreensão do que leem.

DICAS DE LEITURA Ao depararmos com um texto em outra língua, algumas estratégias nos dão pistas para a sua compreensão. Essas estratégias serão abordadas a seguir e vão ajudá-lo a dar os passos iniciais no processo de aprendizagem.

OBSERVE O FORMATO DO TEXTO Os textos têm um formato apropriado para comunicar seu conteúdo. A forma como as informações estão organizadas na página diz muito sobre o conteúdo do texto (o que se quer comunicar) e sobre sua função (para que e para quem ele foi produzido). Vários recursos gráficos são utilizados para isso: o uso de títulos e subtítulos, diferentes tipos e tamanhos de letras, a disposição de ilustrações e fotografias, a presença de esquemas, tabelas e gráficos, a seleção de cores, o uso de sinais de pontuação etc. LER FOLHETO

As imagens a seguir fazem parte de um folheto. Num primeiro momento, observe apenas as fotos, cobrindo o que está escrito. Não se preocupe com as palavras; veja o que elas estão acompanhando, neste caso, as imagens. Essa prática deve ajudá-lo a prever as palavras do texto, o que vai auxiliar na compreensão posterior, na hora da leitura. Trata-se de um exercício de antecipação do texto. Depois de ter analisado as imagens, leia os textos que acompanham as figuras.

7º ano

129


Fotos: ECSantos

Temporary tattoos

1. Cut the design from the stencil sheet.

2. Preparation of the skin: clean the area to be tattooed and remove any impurity.

3. Place the tattoo paper on the skin and press gently.

4. The tattoo is ready.

Na parte superior, há um título e imagens ordenadas em sequência, com legendas e números. Tendo isso em mente, o que você imagina que esse folheto quer comunicar? Qual terá sido o objetivo de quem o produziu?

Observando as fotos, notamos que elas mostram ações para colocar algo sobre a pele e que estão ordenadas em quatro etapas numeradas. O título em inglês também nos dá algumas pistas, pois há palavras que podem ser reconhecidas, como tattoos, que lembra “tatuagens”, e temporary, que lembra a palavra “temporária”. Associando as imagens com o título, podemos ver que se trata de um folheto que explica como aplicar uma tatuagem temporária. Também é possível chegar a essa conclusão porque as imagens mostram que essa não é uma tatuagem tradicional (permanente), feita habitualmente com agulha e tinta. Essas informações iniciais são importantes para entender o que está escrito em cada uma das legendas. 130

Língua Inglesa

CONHECER MAIS

Organizando um glossário Uma boa estratégia para aprender uma língua estrangeira é fazer uma lista com o significado de palavras e expressões que você encontra com frequência, ou que são importantes dentro de um texto específico, e que não podem ser adivinhadas por meio da comparação com a língua portuguesa. Por exemplo: Design: desenho, modelo Skin: pele Clean: limpo, limpar Place: lugar


LER IMAGEM

Ilustração digital: Planeta Terra Design

Observe a imagem a seguir e, depois, responda às questões.

Tel: 01483 555612

uk / WORLDWIDE

DELIVERY

GLOSSÁRIO

Garment: peça de roupa. Worldwide: por todo o mundo.

1. Repare que no interior do desenho de uma camiseta foram inseridos título, subtítulo e um nú-

mero de telefone. Ao observar a imagem e o texto contido dentro dela, você saberia dizer qual é a função do que você viu e leu?

2. Onde essa imagem pode ter sido publicada?

3. Você já conhecia alguma palavra desse texto?

7º ano

131


SOBRE A IMAGEM Por meio de uma observação atenta é possível perceber que: • trata-se de um recorte que parece ter sido retirado da seção de classificados de um jornal ou uma revista; • o texto está dentro de uma figura em forma de camiseta; • há um grupo de algarismos que parece um número de telefone; • aparece a palavra delivery, que é usada no Brasil como sinônimo de “entrega”. Por que o texto foi inserido num contorno de camiseta? E o título e subtítulo, a que se referem? Por que há um número de telefone em destaque? Juntando as pistas, podemos concluir que esse texto é um anúncio de venda de camisetas ou a propaganda de uma empresa que produz camisetas sob encomenda e, provavelmente, foi publicado na seção de classificados de jornais ou revistas. Essa conclusão pode ajudar a decifrar o título do texto, pois nele aparece uma palavra bastante utilizada em revistas de moda: t-shirts, que em português significa “camisetas”. E ainda sweatshirts, que indica outro tipo de vestimenta: blusas ou agasalhos.

LER TEXTO JORNALÍSTICO

Observe, agora, este texto extraído de um jornal:

Brazilian music: diversity of styles

Brazilian music is unique. It encompasses various styles and it is influenced by African, European and Amerindian rhythms. Daniela Mercury concert aniela Mercur has constantl pushed and redefined the boundaries of Brazilian popular music; bold, curious, and endlessly inventive. Her musical style could be described as rockish samba, but the hybrid is imaginatively accomplished in a way that does credit to both traditions. Music from Daniela’s new album Canibália includes a mix of pop, samba, bossa nova, reggae, axé, merengue, salsa and a duet with Brazilian legend Carmen Miranda.

GLOSSÁRIO

Bold: ousado. Boundary: limite, fronteira.

Disponível em: <www.nypost.com/p/entertainment/music/daniela_mercury_concert_8nWmPtURMXztORyt57exoJ?photo_num=1>. Acesso em: 23 jan. 2013.

Faça a atividade a seguir e, depois, continue a leitura com as demais explicações. 1. Observando os elementos que compõem o texto (título, foto, formato etc.), que tipo de texto você

acredita que seja? ( ) entrevista 132

Língua Inglesa

( ) reportagem

( ) propaganda

( ) classificados


2. Justifique a escolha que você fez na questão anterior.

3. Segundo o texto, qual ritmo influencia a música de Daniela Mercury?

4. Onde esse texto parece ser veiculado? 5. Quais palavras do texto você consegue reconhecer? Como elas o ajudaram a saber do que o texto

trata? Que outras características do texto o ajudaram a perceber o assunto tratado?

Reconhecer o tipo de texto, onde ele é veiculado, identificar seu formato e reconhecer o tema utilizando o conhecimento que você já tem são elementos que costumam ajudar muito a compreender textos em outras línguas e também em português.

APLICAR CONHECIMENTOS I

Leia os textos a seguir e observe seus formatos. Texto 1

CHERRY JUICE Ingredients: 1 quart Jamaican cherries 2 ½ quart water 1 lime ¼ cup sugar ¼ cup red syrup

Preparation: Put the cherries in a blender. Pour through strainer into a container. Keep the juice and discard the pulp that remained in the strainer. Squeeze the lime juice, add the syrup and mix them. You can add more sugar based on your taste. Best served with crushed ice. Serves 6-8 people.

7º ano

133


Texto 2

Velvet Jibes 117 High Street London SW12 Tel: (+44 20) 9672456 March 4, 2012 Ms. Annete Jacks 53 Old Coach Rd Tooting London SWI3 67T Dear Ms. Jacks, I am writing to inform you that the CDs you ordered on February 24 arrived this morning. You can collect them from 9 a.m. to 5:30 p.m., Monday to Saturday, at our shop in Wimbledon, or we can post them to you. I would be grateful if you contacted me as soon as possible with your instructions. Yours sincerely, Naveed Chandra

Texto 3 LE BON VEGETARIAN RESTAURANT Menu For a healthy lunch downtown, we serve delicious vegetarian

food,

under

rigorous

gastronomical

and

dietary control. Menu composition — Healthy cold buffet with 10 salads — Delicious creams or soups — Delicious hot dishes — Natural fruit juice, desserts Open from Monday to Friday, from 11 a.m. to 3 p.m. Rua Porto Alegre, 121 We speak English / On parle français Air conditioned, select atmosphere and low prices.

134

Língua Inglesa


1. Agora, indique de que tipo de texto se trata (notícia, comunicado escolar, anúncio etc.).

Texto 1: Texto 2: Texto 3: 2. Responda: a) O que é ensinado no texto 1? b) Qual é o assunto do texto 2? c) No texto 3, quais são os pratos oferecidos pelo restaurante? É possível reservar uma mesa?

3. Leia o texto a seguir, analise-o e complete as frases.

Tennis ball alarm clock – Throw at the wall

This tennis alarm clock is made out of a soft, rubber-like material. When the alarm goes off, it can be turned off by throwing the tennis alarm clock at the wall, or anything else for that matter (animate or inanimate). It is about 4 ½ inches tall and wide and comes with a round plastic plataform. Disponível em: <http://keywords.oxus.net/archives/2005/03/25/snooze/>. Acesso em: 15 jan. 2013.

a) Este texto é do tipo:

.

b) Ele poderia ser encontrado em:

.

c) O assunto de que ele trata é:

. 7º ano

135


IDENTIFICAR PALAVRAS PARECIDAS (COGNATAS) Nos textos anteriores, uma estratégia que o ajudou a extrair informações foi identificar palavras, em inglês, semelhantes a palavras em português. Há muitas palavras em inglês que são grafadas de modo semelhante em português e têm significados próximos. São as chamadas palavras cognatas. Há outras, entretanto, que, mesmo sendo grafadas de modo semelhante, têm significados muito distintos. Por exemplo: • Pretend se parece com “pretender” em português, mas quer dizer “fingir”. • Push se parece com “puxar” em português, mas quer dizer “empurrar”. Palavras como essas são chamadas de falsos cognatos. Assim, é importante estar sempre atento a todo o contexto, e não apenas às palavras soltas. 1. Procure outros exemplos em jornais ou sites de notícias em língua inglesa. Faça uma lista dos cognatos (e falsos cognatos) que encontrar e, depois, compartilhe com a turma. 2. Reúna-se com um colega e escrevam sentenças com algumas palavras da

lista de cada um.

Ilustração digital: Luciano Tasso

LER ANÚNCIO

136

Língua Inglesa


1. Unindo a compreensão de palavras semelhantes às do português à informação de que esse texto é

um anúncio, a que conclusões você chega? Que tipo de anúncio é apresentado?

2. Os anúncios costumam oferecer produtos, serviços, empregos, imóveis, entre outras coisas. Nesse

anúncio, estão relacionadas as condições e qualificações exigidas para determinado posto de trabalho. Tente “decifrar” as qualificações exigidas: a) Excellent references: referências excelentes b) Perfect manners:

c) Good education:

d) Experience in selling useful accessories:

e) CV & photo:

SOBRE O ANÚNCIO Sabendo que esse texto é um anúncio de emprego, podemos então perguntar: a que emprego ou vaga ele se refere? Observe: As palavras sales e person estão no título. Se você procurar essas palavras no dicionário, encontrará esses significados: sales = vendas e person = pessoa. Concluindo, trata-se de um anúncio para vendedores (pessoa de vendas); a informação “30+” refere-se à idade esperada dos candidatos a essa vaga (30 anos ou mais).

ADIVINHAR OS SIGNIFICADOS DE PALAVRAS Outra estratégia que colabora para a leitura e a compreensão de textos em inglês é “adivinhar” o significado de certas palavras desconhecidas e que não se parecem com as do português. Para isso, é preciso prestar atenção ao contexto em que elas aparecem. Os gráficos, por exemplo, trazem informações textuais valiosas para entendermos os números apresentados nele. Observe:

7º ano

137


Ilustração digital: Planeta Terra Design

8.0

Annual Average Inflation (%)

7.0

6.9 6.6

6.0

5.7 4.8

5.0 4.2

4.0

4.5

4.5

4.5

2011

2012

2013*

4.1 3.6

3.0 2.0 1.0 0.0

ANO 2004

2005

*Previsão

2006

2007

2008

2009

2010

Fonte: Disponível em: <http://braziltribune.com/2012/06/01/brazil-economy-disappoints>. Acesso em: 16 jan. 2013.

No eixo vertical do gráfico, encontram-se os valores numéricos da inflação, além de palavras cognatas: annual e inflation, que significam “anual” e “inflação”, respectivamente. No eixo horizontal estão as indicações dos anos. Assim, podemos pensar que se trata de um gráfico que traz informações sobre a taxa de inflação nesse período – de 2004 até 2012 e com previsão para 2013. Tente agora deduzir, adivinhar o significado da frase a seguir: Inflation went down from 6.9 in 2005 to 4.2 in 2006. A inflação

6,9 em 2005

4,2 em 2006.

O que houve com a inflação entre 2005 e 2006? Observando o gráfico anterior, podemos chegar a uma conclusão: o tamanho das barras diminui nesse período. Assim, podemos deduzir que went down deve ser algo relacionado ao movimento de diminuir, decrescer ou baixar. A tradução é essa. Entretanto, nem sempre as coisas se sucedem desse modo. Às vezes não é possível deduzir o significado das palavras, mas essa é uma estratégia necessária para ler textos em uma língua estrangeira.

SELECIONAR INFORMAÇÕES IMPORTANTES Títulos, subtítulos, chamadas, legendas, esquemas, gráficos e tabelas, em qualquer texto, servem para orientar a leitura: explicitam o tema central, oferecem informações sobre a disposição dos assuntos, complementam tópicos abordados no texto, resumem acontecimentos, descrevem processos etc. 138

Língua Inglesa


Ilustração digital: Luciano Tasso

Esses recursos ajudam o leitor a prever o que vai encontrar em um texto, como se pode observar no folheto a seguir.

Veja o título desse folheto: Gellati – Good ice cream, good service. Com a ajuda de um dicionário, podemos traduzi-lo: “Gellati – Bom sorvete, bom serviço”.

7º ano

139


Observando as imagens, deduzindo o significado de algumas palavras e unindo pistas, podemos concluir que Gellatti é uma marca de sorvete. Com base nessas informações, podemos descobrir o que está escrito abaixo do título: Gellati is a famous ice cream shop. There are now over 300 Gellati stores worldwide and over 100,000 people visit the shops every year. So, what is the secret for this success? As palavras em destaque são cognatas, termos parecidos com o português, como já vimos.

D

• famous: famoso

• visit: visita; visitar

• secret: segredo

• success: sucesso

Na primeira frase temos o nome Gellati e a palavra famous (termo cognato). Procurando ice cream e shop no dicionário, descobrimos que Gellati é uma famosa sorveteria. Depois, aparecem números: 300 Gellati stores e 100,000 people (note que, em inglês, dividem-se milhares com vírgulas: 100,000). Por meio da dedução e procurando no dicionário, concluímos que há mais de 300 lojas Gellati no mundo e que mais de 100 mil pessoas as visitam todos os anos. Essa parte termina com um ponto de interrogação. Há uma pergunta a ser respondida: “So what is the secret for this success?”. Ela também serve para chamar a sua atenção. Secret e success são palavras cognatas. Para que a sentença faça sentido, podemos concluir que a pergunta é: então, qual o segredo do sucesso? Observando os nomes das diferentes seções do texto, você entenderá que estes são “os segredos” para o sucesso da empresa: • Price: preço • Advertising: propaganda • Training: treinamento • Close relations with suppliers: relações próximas com os fornecedores • Cultural sensitivity: sensibilidade cultural

Ao entender o título de cada parte do folheto, fica mais fácil compreender o texto, e algumas frases curtas ajudam nessa tarefa.

LOCALIZAR PALAVRAS-CHAVE Palavras-chave são palavras centrais na construção de um texto: elas fornecem sua ideia principal. Em muitos casos, as palavras-chave se repetem no texto. Mas 140

Língua Inglesa


note que algumas palavras que aparecem várias vezes não têm um significado especial que o ajude a compreender um texto. Por exemplo, a palavra and, que significa “e”, aparece repetidas vezes. O mesmo acontece com palavras como the (artigo “o”/“a”, como em the house – a casa) ou of, que significa “de”, e is (do verbo ser).

ATIVIDADE COM ÁUDIO

Vamos iniciar uma atividade de observação de palavras. 1. Primeiro, leia o texto a seguir e veja quais são as palavras que mais se repetem e anote-as. Em seguida,

analise suas anotações: as palavras repetidas ajudaram a ter uma ideia do assunto geral do texto? The Brazilian family network is much larger than in the United States. In Brazil family comes first. Family means parents, children, cousins, aunts, uncles, spouses, husbands, and wives. Most children and adults remain at home until their marriage, and after that they visit home frequently – once a week if possible. Most Brazilians have a strong sense of solidarity towards their family members, and will help them in any possible way. Sunday is the special moment of the week to have lunch together as well as to invite friends for sharing food and friendship. 2. Agora, vamos ouvir o texto que acabamos de ler para verificar como as palavras se juntam ao ler-

mos em inglês. Essa junção de sons em inglês é chamada de linking sounds. Conhecer esses sons é muito importante para compreender o que é dito em inglês porque algumas palavras vão soar como apenas uma ou um pouco diferente da palavra falada individualmente. Aproveite o texto e sublinhe nele as palavras que parecem ter sido faladas como uma só. Então, com um colega, tente praticar os sons, lendo-os em voz alta.

COMENTANDO OS RESULTADOS A palavra que mais se repete no texto é family. Com isso, você já sabe que ele fala sobre família. Outras palavras repetidas, facilmente notadas, são Brazilian, Brazilians e Brazil (brasileiro, brasileiros, Brasil). Ao juntar as pistas, você pode chegar à conclusão de que esse texto fala sobre família, mais especificamente sobre a família brasileira ou no Brasil. A palavra children aparece duas vezes e quer dizer criança ou filhos. Se você ainda usar um dicionário, vai notar que muitas palavras têm a ver com a ideia central: família – cousins (primos), aunts (tias), husband (marido). Atenção: buscar palavras no dicionário também tem suas artimanhas e você precisa aprender a usar o dicionário. A seguir você vai aprender como.

USAR UM DICIONÁRIO Quando encontramos uma palavra desconhecida num texto em língua estrangeira, podemos seguir estes passos: 7º ano

141


• verificar se a palavra é essencial para a compreensão do texto. Caso

não seja, pode-se continuar a leitura (lembrando sempre que os textos podem ser compreendidos mesmo que não se conheça o significado de todas as palavras); • tentar adivinhar seu significado a partir das informações do texto (o

que se sabe sobre o tema, assunto ou o tipo de texto, o que as ilustrações informam etc.); • procurar no dicionário.

O dicionário deve ser utilizado apenas quando a palavra for importante e quando não for possível adivinhar ou inferir seu significado pelo contexto. O contexto é a situação na qual as palavras são usadas. Observe os seguintes exemplos: 1. Ele apagou as velas do bolo. 2. Tenho de limpar as velas do carro. 3. O marinheiro levantou as velas. 4. Eu não vou ao cinema com eles porque não gosto de segurar vela.

Nas quatro frases, uma mesma palavra (vela) é usada com diferentes significados, em diferentes contextos. É interessante notar que, no dicionário Aurélio, encontramos todos esses significados. A palavra “vela” tem mais de uma entrada, cada uma indicada com um número ao lado da palavra: Vela1 – [...] Peça de lona ou de brim destinada a, recebendo o sopro do vento, impelir embarcações ou movimentar moinhos [segue-se uma vasta quantidade de exemplos]. Vela2 – 1. Pessoa que está de vela ou vigília. 2. Peça cilíndrica de substância gordurosa e combustível [...]. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário eletrônico Aurélio versão 6.0. Curitiba: Positivo, 2009.

Embora haja um modo de exibição mais comum, há variações no modo como cada dicionário mostra o significado e as abreviações, mas com a prática de uso você aprenderá isso facilmente. Muitos dicionários de língua inglesa, além do significado, oferecem outras informações. Por exemplo, sobre a palavra computer, podem apresentar: • a divisão silábica: com-put-er; • a pronúncia, isto é, o modo como se fala: \kam-‘pyüt-∂r\ (esses sinais

indicam sons; no início ou no final do dicionário há uma lista explicativa da pronúncia de cada um desses sons, com exemplos); • a função gramatical: s. [s. é abreviação de substantivo]; • os significados: 1. computador m., calculista m., máquina de calcular, f. [m. é abreviação de masculino e f. de feminino e indicam o gênero do substantivo em português]. 142

Língua Inglesa


Veja, por exemplo, como aparece a palavra look no dicionário Landmark Dictionary: para estudantes brasileiros. Look [luk] s. olhar, olhadela; expressão; aspecto – v. parecer; olhar; contemplar; considerar; examinar. Have a look at the picture – Dê uma olhada na foto. Look ahead – considerar o futuro. Look forward to – esperar ansiosamente (por). Look like – parecer(-se) com. Look out! The truck is approaching. – Cuidado! O caminhão está se aproximando. Look through – Passar os olhos em. Look up the word in the dictionary – Procure a palavra no dicionário. She doesn’t look her age – Ela não aparenta a idade que tem. Looker – observador. By the look – ao que parece. Bad looking – de má aparência. I am looking after the kids – Estou cuidando das crianças. I am looking for my money – Estou procurando meu dinheiro. Looking-glass – espelho. Landmark Dictionary: para estudantes brasileiros. 4. ed. São Paulo: Richmond, 2008.

A letra “s”, no início, indica a função gramatical: substantivo; a letra “v” quer dizer verbo. Isso significa que essa palavra pode ser um substantivo (olhadela, aspecto) ou um verbo (olhar, examinar). Conforme explicado anteriormente, os dicionários têm modos de expressão diferentes, mas sempre indicam as abreviações usadas, geralmente nas páginas iniciais do volume. Quando procuramos um verbo no dicionário de inglês, encontramos sua base. Por exemplo: look, work, teach (em português, o verbo está no modo infinitivo: olhar, trabalhar, ensinar). Porém, quando aparecem em textos, os verbos podem estar em diferentes formas: looking, looks, looked. Isso também ocorre em português: não se encontra no dicionário o verbo no passado (comprei), mas no modo infinitivo (comprar). Portanto, é importante aprender a usar o dicionário para que ele seja um instrumento eficiente. APLICAR CONHECIMENTOS II

1. Procure no dicionário o significado da palavra like e traduza-a de acordo com o sentido que apre-

senta nestas frases: a) Like the United States, Brazil is a vast, multiracial country.

b) He does not like home food. He only eats in restaurants.

c) São Paulo looks like a North American metropolis.

7º ano

143


2. Leia estas manchetes sobre o Brasil, publicadas em jornais estadunidenses. Primeiro, tente adi-

vinhar os significados de palavras e estruturas. Depois, pesquise no dicionário as palavras cujo significado você desconhece e traduza as manchetes com suas palavras. a) Brazil plans to quadruple the production and the exports of fruits.

b) Aids situation in Brazil has been stable since 2000.

c) Brazil and China will sign agreements in agricultural area.

d) Agrarian reform plan intends to settle 400 thousand families by 2013.

e) Rural workers’ leaders will discuss National Plan of Agrarian Reform with the president.

f) Government initiates program to include children with special needs in schools.

144

Língua Inglesa


g) Hunger reduced in Brazil.

h) Farmers and Indians dispute land.

i) Brazil’s government announces measures to slow Amazon deforestation.

Balanço final Observe novamente os textos lidos neste capítulo: • Reúna-se com um colega e discutam sobre as estratégias de leitura utilizadas para compreender esses textos (conseguiram deduzir ou adivinhar o significado delas pelo contexto ou precisaram recorrer ao dicionário?). • Façam um levantamento das palavras mais difíceis de serem compreendidas. • Anotem os comentários para organizá-los em uma lista.

7º ano

145


Capítulo LÍNGUA INGLESA

2

English speaking countries

V

ocê sabia que a língua inglesa é falada em diversos países? O que você conhece sobre eles? Neste capítulo, você vai aprender um pouco mais sobre alguns lugares onde se fala inglês.

Ilustração digital: Sonia Vaz

Países de língua inglesa

N O

L

0

2 140

4 280 km

S

Fonte: Parkvall, Mikael. Universidade de Estocolmo. Disponível em: <www.slmc.uottawa.ca/?q=english_world_status>. Acesso em: 18 out. 2012.

ESTRATÉGIAS DE LEITURA Como vimos no capítulo 1, algumas estratégias podem auxiliá-lo na compreensão de um texto em inglês. Lembre-se delas ao longo deste capítulo: • observe os mapas, as fotografias, as legendas e as listas que acompa-

nham o texto, utilizando esses dados (visuais e escritos) para lê-lo; • identifique palavras cognatas, isto é, que se assemelham às da língua portuguesa, como official, continents e different; 146

Língua Inglesa


• descubra o significado de algumas palavras desconhecidas. As infor-

mações tratadas neste capítulo se referem às características físicas e culturais de diferentes países. Portanto, as palavras que compõem os textos pertencem a esse universo temático: dados populacionais, formas de organização política, religiões, medidas que expressam a dimensão dos países, moedas etc.; • use os títulos, os subtítulos e as palavras destacadas no texto para guiar sua leitura, antecipando os conteúdos do texto; • localize as palavras-chave do texto; • se necessário, use o dicionário. Leia os textos a seguir e procure retirar o maior número de dados possível. Observe os números, pois trazem informações fáceis de compreender. Se necessário, veja o glossário para ajudar na compreensão do texto.

LER TEXTO EM INGLÊS

Texto 1 Some facts about the English language According to the British Council, English has official or special status in at least 75 countries. Around 375 million people speak English as a native language and speakers of English as a second language probably outnumber those who speak it as a first language. In the world, around 750 million people speak English as a foreign language. British Council. Disponível em: <www.britishcouncil.org/learning-faq-the-english-language.htm>. Acesso em: 18 out. 2012. (Texto adaptado.)

GLOSSÁRIO

Foreign language: língua estrangeira, que o falante usa em outros países que não seu país nativo. Native language: língua nativa, a primeira com a qual se tem contato no grupo de socialização primária (família ou outros indivíduos). Second language: língua não nativa, mas que também é uma língua oficial do país em que se vive.

Texto 2 Some English speaking countries Australia

Jamaica

Papua New Guinea

Tanzania

Brunei

Kenya

Philippines

Trinidad and Tobago

Cameroon

Lesotho

Seychelles

Uganda

Canada

Liberia

Sierra Leone

United Kingdom

Dominica

New Zealand

South Africa

United States

India

Nigeria

Sri Lanka

Zambia

Ireland

Pakistan

Swaziland

Zimbabwe

These countries are spread all over the world, in different continents. People speak English in these countries because they were colonized by the United Kingdom, just like Brazil was colonized by Portugal. English is also an official language in many other countries.

7º ano

GLOSSÁRIO

Spread: espalhado, distribuído.

147


No mundo, quantas pessoas falam inglês como língua estrangeira? Responda em inglês: What is the native language of Brazil? Do you know which foreign languages students can learn in public schools in Brazil?

VERBO TO BE (WAS) A palavra was significa “ foi” , “ era” ou “ estava” e pode ser usada no inglês de diversas maneiras. Veja os exemplos a seguir, extraídos dos textos que vamos ler neste capítulo. The ceremony of the 2012 Olympics was opened by the queen. His CD Exodus! was voted the album of the century by Time magazine. Canada was colonized by the French and the British.

Nessas sentenças, was está sendo utilizado com o sentido de “ foi” . Além disso, é acompanhado por verbos no particípio passado (opened, voted, colonized) e pela preposição by. Essa estrutura forma o que chamamos de voz passiva. Se notarem bem, quem realizou a ação é apresentado depois da palavra by: the Queen; Time magazine; the French and the British. A função dessa estrutura é destacar o objeto e dar menos importância ao sujeito (que vai para o final da sentença). Agora, veja estes exemplos: The closing ceremony was a huge spectacle. Bob Marley was one of reggae’s strongest voices. Nelson Mandela was the most important leader of South Africa.

Nesses casos, was também está sendo utilizado com o sentido de “ foi” . Porém, dessa vez, seu uso mostra quem foi ou quando e como algo aconteceu. In the end of the 18th century sugar was losing its economic importance.

Observando essa última sentença, podemos notar que was aparece com o sentido de “ estava” , associado a um verbo que traz a partícula -ing no final. Essa partícula, no inglês, substitui as terminações -ando, -endo, -indo e -ondo no português (falando, lendo, rindo, compondo) e é chamada de gerúndio. Portanto, was losing significa “ estava perdendo” . Importante: O plural de was é were e pode ser usado da mesma forma. 148

Língua Inglesa


APLICAR CONHECIMENTOS I

Vamos praticar um pouco o que acabamos de aprender? Classifique as sentenças de acordo com o significado e o uso de was: (A) Foi – destacando o objeto. (B) Foi – definir quem foi ou como ou quando algo aconteceu. (C) Estava – gerúndio

( ) Andray Blat was questioned by police today. ( ) Hurricane Sandy was a hurricane that devastated portions of the Caribbean. ( ) Why London’s first coffee house was opened by someone from Turkey? ( ) As the day was approaching I figured, “why not?” ( ) The event was opened by Ms. Ana Forn. ( ) Climate change was taken seriously by insurance industries. ( ) The event was a success!  ( ) The Queen was explaining the situation to her family at the breakfast table.

PAÍSES DE LÍNGUA INGLESA Prepare-se para ler textos sobre alguns países onde se fala inglês. Observe informações particulares de cada um e faça uma lista com os dados mais importantes sobre cada país. Antes de começar, porém, repare nos usos de algumas palavras importantes e que podem facilitar a leitura.

Ilustração digital: Maps World

THE UNITED KINGDOM Location: Western Europe, North Atlantic Ocean. Area: 244,820 square kilometers. It is slightly smaller than the state of São Paulo. Population: 63,047,162 (July, 2012 est.). Languages: English, Welsh (about 20% of the population of Wales), Scottish form of Gaelic (about 2% of the population of Scotland). Life expectancy: 78 years male; 80 years female (July, 2012 est.) GLOSSÁRIO

Slightly: um pouco.

Fonte: MARTINELLI, Marcello. Atlas geográfico: natureza e espaço da sociedade. São Paulo: Editora do Brasil, 2003. p. 47.

N O

L

0

135

270 km

S

7º ano

149


Facts

Steve Parsons/AP Photo/Imageplus

The United Kingdom (UK) is a political unit comprising England, Scotland, Wales and Northern Ireland. The head of the English monarch is queen Elizabeth II, but the real power is in the hands of the prime minister. The GLOSSĂ RIO industrialization first started in England, and it is still a powerful Comprising (to comprise): nation in the world. abranger, compreender. In 2012, London hosted the Olympic Games, and Huge: imenso, grande. previously in 1908 and 1948. The ceremony of the 2012 Powerful: poderoso. Took part (to take part): no Olympics was opened by the queen and more than 10,000 texto, participaram athletes from 204 nations took part of the games. The closing (participar). ceremony was a huge spectacle with stars of the British music scene like Elton John, Paul McCartney, Rolling Stones, Spice Girls and many others.

The royal family in the Parliament, London, 2012.

150

LĂ­ngua Inglesa


Robert Harding/Imageplus

The Big Ben is one of the landmarks of London, 2012.

APLICAR CONHECIMENTOS II

Quais são os países que formam o Reino Unido? Segundo o texto, quantas vezes Londres sediou os Jogos Olímpicos?

7º ano

151


AUSTRALIA Ilustração digital: Maps World

Location: in the Pacific Ocean, Southeast Asia. Area: 7,741,220 square kilometers. It is slightly smaller than Brazil. Population: 122,015,576 (July, 2012 est.).

N O

L

0

530

1 060 km

S

Fonte: Atlas geográfico escolar. Rio de Janeiro: IBGE, 2007. p. 53.

The continental country GLOSSÁRIO

Average: média. Earn: ganhar.

Daniel Augusto Jr./Pulsar Imagens

Australia is considered a continental country, because it is the biggest country in Oceania. It is also among the world’s least densely populated countries, with less than three people per square mile in average. In statistical terms, Australians have an excellent quality of life. Almost 100% of the population can read and write and their life expectancy is one of the world’s longest. Workers earn from four to six weeks of vacation annually.

Kangaroos in Australia, 1995.

152

Língua Inglesa


Aborigines

Age Fotostock/Imageplus

The first settlers and only inhabitants in Australia were the aborigines. In 2006, they represented 2,5% of the population of Australia.

Shutterstock

Wugularr aboriginal community, Australia, 2008.

GLOSSÁRIO

Hunting: caça. Settlers: colonizadores, exploradores. Strike: atingir. Thrown (to throw): no texto, lançado, jogado (lançar, jogar). The boomerang is a hunting weapon of the aborigines.

The boomerang is known worldwide and the aborigines used it traditionally as a hunting weapon. When thrown correctly, it will return to the person if it does not strike its target on the way.

APLICAR CONHECIMENTOS III

A Austrália é considerada um país-continente. Comparativamente, quem é maior: Brasil ou Austrália?

7º ano

153


Marque verdadeiro (V) ou falso (F): ( ( (

) A Austrália é densamente povoada. ) Os aborígines são a população nativa da Austrália. ) O bumerangue foi criado como um brinquedo.

ATIVIDADE COM ÁUDIO

Alguns dos textos a seguir podem ser ouvidos no CD que acompanha esta coleção. São os textos que falam sobre o Canadá, a Índia e a Jamaica. Ao ouvir, preste atenção à pronúncia do narrador e procure notar as diferenças entre um e outro. Depois, formem duplas, escolham um dos textos e procurem ler em voz alta para praticar a pronúncia.

Ilustração digital: Maps World

CANADA

N O

L

0

480

960 km

S

Fonte: Atlas geográfico escolar. Rio de Janeiro: IBGE, 2007. p. 37.

Location: North America, bordering the Atlantic Ocean in the east, the Pacific in the west, the Arctic in the north, and the United States in the south. Area: 9,984,670 square kilometers. It is a little larger than the United States. Population: 34,300,083 (July, 2012 est.) concentrated along the U.S. border. Language: there are two official languages: English and French, but English is the language of the majority, except in the province of Quebec, where French is the official language.

154

Língua Inglesa


Flávio Florido/Folhapress

The Canadian singer Alanis Morrissette in a concert in Brasília, 2006.

History

Isabel Poulin/Dreamstime.com

A vast land of rich natural resources, Canada was colonized by the French and the British. It became a self-governing dominion in 1867. Economically and GLOSSÁRIO technologically, the nation has developed in parallel with the United States, Head of State: chefe de its neighbor to the south. It is a rich, high-tech industrial society. Because Estado. Neighbor: vizinho. of its great natural resources and skilled labor force, Canada enjoys solid Resource: recurso. economic prospects. Skilled: capacitado. Canada is a member of the Commonwealth, an association of 15 countries; most of them were formerly part of the British Empire. The Head of State is queen Elizabeth II.

Vancouver is located in the west coast of Canada. View of Vancouver, 2012.

7º ano

155


APLICAR CONHECIMENTOS IV

A população canadense está espalhada igualmente por todo o país? Comente.

Quem é o(a) chefe de Estado da Commonwealth, uma associação da qual o Canadá faz parte?

Ilustração digital: Maps World

JAMAICA

N O

L

0

15

30 km

S

Fonte: Biblioteca da Universidade do Texas. Disponível em: <www. lib.utexas.edu/maps/americas/ jamaica_pol_2002.jpg>. Acesso em: 21 out. 2009.

Location: in the Caribbean Sea, in the south of Cuba. Area: 10,991 square kilometers. It is smaller than the states of Espírito Santo or Sergipe, in Brazil. Population: 2,889,187 (July, 2012 est.). Geography: Jamaica is the third largest Caribbean island.

History The Spanish settlers occupied Jamaica from 1494 to 1655 and they used the island as a base for supporting the conquest of the Americas. In 1655 the British captured Jamaica and imported African slaves to work on the sugar plantations. But in the end of the 18th century sugar was losing its economic importance. In GLOSSÁRIO 1838, the slaves were emancipated and the plantation owners had to begin to Owner: proprietário. pay wages to the workers. In 1962, a movement led to political independence Wage: salário. from England. 156

Língua Inglesa


Ruth Peterkin/Dreamstime.com Interfoto/Imageplus

Beach at the Caribbean island of Jamaica, 2011.

Bob Marley was the symbol of the reggae music in 1970s.

Reggae Reggae is the popular music of Jamaican origin that combines native music with elements of jazz and rock’n’roll. Bob Marley was one of reggae’s strongest voices. His CD Exodus! was voted the album of the century by Time magazine. His lyrics caused a great impact around the world, dealing with subjects such as war, poverty and prejudice.

GLOSSÁRIO

Prejudice: preconceito. Subject: tema, assunto.

7º ano

157


APLICAR CONHECIMENTOS V

Onde está localizada a Jamaica? Cite os temas frequentes na música de Bob Marley.

INDIA Ilustração digital: Maps World

Location: southern Asia. Area: 3,287,263 square kilometers. It is about one third the size of Brazil. Population: with a population of over 1 billion, India is the second most populous country in the world (after China). Language: English and Hindi are the two official and administrative languages and there are other 22 recognized languages and about 2,000 dialects.

N O

L

0

485

970 km

S

Two sides of India: one future India has two sides in the same country and it comprises one-sixth of all humankind. The first India – the modern India – is one of the world’s most populous countries and the 10th largest industrial power, with solid and consistent economic growth. It has the third largest scientific and technical workforce and Indian engineers hold top positions in computer corporations on every continent. The second India is an entirely different world. Nearly three-quarters GLOSSÁRIO Growth: crescimento. of the population live in poor rural Nearly: quase. areas. Many people cannot read Workforce: força de and write and few of them have ever trabalho. 158

Língua Inglesa

Bikas Dias/AP Photo/Imageplus

Fonte: MARTINELLI, Marcello. Atlas geográfico: natureza e espaço da sociedade. São Paulo: Editora do Brasil, 2003, p. 49.

Calcutta is one of the biggest cities in India, 2003.


seen a computer. They are locked in an oppressive system of economic exploitation, class division and prejudice. Rural India has a high infant mortality rate and a life expectancy of about 65 years, compared with 73 in urban areas.

GLOSSÁRIO

Exploitation: exploração. Infant mortality: mortalidade infantil. Locked: preso.

APLICAR CONHECIMENTOS VI

Com relação à área, qual é o tamanho da Índia em comparação com o Brasil? Assinale a alternativa correta sobre a Índia: a) É o país mais populoso do mundo. b) A maior parte da população vive na área urbana. c) O analfabetismo é praticamente inexistente. d) É um país dividido: a Índia moderna e industrializada contrasta com a Índia rural e pobre.

SOUTH AFRICA Ilustração digital: Maps World

Location: southern tip of Africa. Area: 1,219,090 square kilometers. It is slightly smaller than the state of Pará (Brazil). Population: 48,810,427 (July, 2012 est.). Language: 11 official languages, including Afrikaans and English. GLOSSÁRIO

Tip: ponta, extremidade.

N O

L

0

190

380 km

S

Fonte: MARTINELLI, Marcello. Atlas geográfico: natureza e espaço da sociedade. São Paulo: Editora do Brasil, 2003. p. 45.

History South Africa was an area inhabited by natives when the Dutch first arrived, around 1800, and later, they were annexed by the British. The discovery of diamonds in 1867 and gold in 1886 increased wealth and immigration. It also intensified the policy of racial separation.

GLOSSÁRIO

Dutch: holandês.

7º ano

159


Arco Images/Imageplus

Louise Gubb/Corbis SABA/Latinstock

In 1948, it was established a racial segregation system known as apartheid. The private life of all non-white people was regulated and controlled. Marriage and relationship between members of different racial groups were prohibited, and racial segregation was introduced in all public institutions and GLOSSÁRIO Private: pessoal, privado. offices, in public transport and even on public toilets and services. The Relationship: relacionamento. prejudice against black people was official until 1994, when Nelson Won (to win): no texto, ganhou Mandela won the presidential election. (ganhar).

Winner of a Nobel Prize, Nelson Mandela was the most important leader of South Africa. Johannesburg, 2002.

The fauna of South Africa is rich and it is still preserved. South Africa, 2007.

APLICAR CONHECIMENTOS VII

O que causou o aumento de riqueza e da imigração no século XIX na África do Sul?

Escolha as palavras que completam corretamente os espaços em branco. O apartheid foi um regime de segregação ca do Sul em 1948. O governo diferentes grupos raciais

160

Língua Inglesa

(da mulher / racial) instituído na Áfri(controlava / ajudava) as pessoas; membros de (podiam / não podiam) se relacionar.


CONHECER MAIS

A escrita de números por extenso Em inglês, assim como em português, os números podem ser grafados por extenso. Os que indicam ordem podem aparecer abreviados, especialmente quando utilizados para medidas de tempo (datas, períodos da história etc.). Cardinal

Ordinal

Cardinal

Ordinal

0 zero

0

20 twenty

20th twentieth

1 one

1st first

21 twenty-one

21th twenty-first

2 two

2nd second

22 twenty-two

22th twenty-second

3 three

3rd third

23 twenty-three

23th twenty-third

4 four

4th fourth

24 twenty-four

24th twenty-fourth

5 five

5th fifth

25 twenty-five

25th twenty-fifth

6 six

6th sixth

30 thirty

30th thirtieth

7 seven

7th seventh

40 forty

40th fortieth

8 eight

8th eighth

50 fifty

50th fiftieth

9 nine

9th ninth

60 sixty

60th sixtieth

10 ten

10th tenth

70 seventy

70th seventieth

11 eleven

11th eleventh

80 eighty

80th eightieth

12 twelve

12th twelfth

90 ninety

90th ninetieth

13 thirteen

13th thirteenth

100 one hundred

100th one hundredth

14 fourteen

14th fourteenth

101 one hundred and one

101st one hundred and first

15 fifteen

15th fifteenth

102 one hundred and two

102nd one hundred and second

16 sixteen

16th sixteenth

200 two hundred

200th two hundredth

17 seventeen

17th seventeenth

1,000 one thousand

1,000th one thousandth

18 eighteen

18th eighteenth

1,000,000 one million

1,000,000th one millionth

19 nineteen

19th nineteenth

1,000,000,000 one billion

1,000,000,000th one billionth

Curiosidades sobre números A escrita de números por extenso pode variar de país para país. Assim, 120 em inglês britânico é grafado como one hundred and twenty, enquanto no inglês estadunidense é one hundred twenty (não se usa o and). Há

também diferença na indicação de milhares. Em português, separamos os milhares com ponto; em inglês, usamos vírgula. Assim, o número 2.509, em inglês, é escrito 2,509.

7º ano

161


O PRONOME IT O pronome it não tem um correspondente em português, por isso pode gerar algumas dúvidas. Ele pode ser usado para indicar coisas, lugares ou animais no singular. Veja estes exemplos: The cat is under the bed. = It is under the bed. Brazil is a multiracial country. = It is a multiracial country. The telephone is ringing. = It is ringing. Em inglês, é obrigatório ter um sujeito na oração, mesmo que em português não se use. Para isso, usamos o pronome it. Exemplo: Está muito frio hoje. (oração sem sujeito) = It is really cold today.

APLICAR CONHECIMENTOS VIII

Reescreva as frases usando o pronome it. In India, the cow is considered sacred. A dog is a man’s best friend. Do you know Australia? Australia is a “continental country”.

MAIS PRONOMES: OS PRONOMES PESSOAIS Os pronomes pessoais são usados para substituir o nome, normalmente como sujeitos das frases (igual ao português). A língua inglesa tem uma particularidade. Usa-se you para “você” ou “vocês” (singular e plural), e they corresponde a “eles” ou “elas” (feminino e masculino). Observe a tabela abaixo para conhecer todos eles: Pronomes pessoais

162

Língua Inglesa

Português

Inglês

Eu

I

Tu / Você

You

Ele / Ela

He / She / It

Nós

We

Vós / Vocês

You

Eles / Elas

They


Vamos ler alguns exemplos de seu uso? • • • • •

What ID do I need to vote in my state? You wanted the best, you got the best! She studies how animals use information and communicate. How did we get here? Some people think that they like music, but they have no idea what it’s really about.

APLICAR CONHECIMENTOS IX

As sentenças a seguir falam sobre a família real inglesa. Vamos completar os espaços em branco com pronomes pessoais e aprender um pouco sobre eles? Prince William is the second in the line of succession;

is the son of prince Charles

and princess Diana. Kate Middleton is married to prince William. Now,

is part of the royal family.

Hillary Clinton and Barak Obama are famous people in the United States.

are

American politicians. You and I are Brazilian.

speak Portuguese.

PESQUISAR

Neste capítulo, conhecemos melhor alguns países de língua inglesa. No entanto, não falamos sobre alguns países importantes: Estados Unidos, Irlanda e Quênia, por exemplo. Dividam-se em três grupos. Cada grupo ficará encarregado de pesquisar um desses países. Procurem informações semelhantes às que vimos nos países estudados neste capítulo: location, area, population, language, além de algum texto em inglês com informações interessantes sobre esses países: história, economia, música, esporte etc. Em um dia combinado pelo professor, cada grupo deve apresentar o que pesquisou para seus colegas.

THERE IS / THERE ARE O verbo “haver” é equivalente a there is (singular) ou there are (plural) em inglês. Observe: There is one official language in the United States. There are two official languages in Canada.

7º ano

163


Para fazer perguntas, invertem-se as posições: Is there a lot of tradition in England? Are there museums in London?

Para fazer a forma negativa, apenas se coloca o not após o verbo: There is not an Indian student in this school. There are not many green areas in New York, but Central Park is a very big one.

Lembre-se de que a forma negativa pode ser usada com a contração, como em outros verbos: There is not = There isn’t There are not = There aren’t

Veja mais exemplos: There are 22,015,576 people in Australia. There are over 1,000,000,000 (one billion) people in India. There is no racism in India. There are two official languages in Canada: English and French.

Palavras como neve, chuva, poluição, água, trânsito, entre outras, não apresentam plural. Exemplos: There is a lot of snow in Canada in the winter. There is a lot of traffic in New York. There is a lot of sun in Jamaica all year long. There is no more apartheid in South Africa, but there is racism.

APLICAR CONHECIMENTOS X

Complete os espaços com there is / there are / is there / are there. many beautiful beaches in Jamaica. How many languages

in South Africa?

a Brazilian flag in that building. elephants in South Africa? a library in the school?

164

Língua Inglesa


Capítulo

3

LÍNGUA E S PA N H O L A

¿Cómo eres? ¿Cuántos años tienes?

R. Gino Santa Maria/Dreamstime.com

Una persona nunca es igual a la otra. Somos todos diferentes. La diversidad hace que el mundo sea más complejo y las relaciones más interesantes.

¿ Cómo eres físicamente? ¿Cuántos años tienes? ¿Y las personas de tu región? ¿Cómo son? ¿Perteneces a una región con un tipo físico específico? ¿Cómo es este tipo? En este capítulo conoceremos un poco los tipos físicos y el carácter de los hablantes de la lengua española.

¡A HABLAR!

¿Cómo imaginas que son los españoles físicamente? ¿Y los bolivianos, argentinos, uruguayos, dominicanos…? ¿Conoces a alguien de estos o de otros países que hablan español?

7º ano

165


LEER POEMA

Vamos a abrir este capítulo con un poema. Y como vamos a hablar de descripciones, ¿qué tema sería más motivador que el amor? Entonces, disfruta de un trecho de este bello poema y luego hablaremos al respecto. Como siempre, encontrarás un glosario que te facilitará la comprensión del texto. Le has robado, amor, su nombre a la ternura ¿Dónde estabas, amor, hace mil años? ¿Qué había antes de tu piel, de tu color, de tu tamaño, de tus ojos negros? ¿Cómo era el mundo cuando tú no habías? ¿Cómo se llamaba el mar antes que tú lo nombres? ¿Y cómo el canto de las aves antes que te canten? ¿De qué estaba hecha la rosa antes de tus besos? ¿Cómo era el jazmín antes de tu olor? ¿Y cómo su olor antes de tu cuerpo? Amor, pequeño amor, amor bello, amor humedecido de silencios, de lluvias mañaneras, de alas blancas, del primer rocío de la noche, de peces, de gaviotas… Amor que nace donde comienzan los caminos y no acaba nunca porque fue inventado por el pulso que engendró el sonido.

GLOSARIO

Alas blancas: asas brancas.

Le has robado, amor, su nombre a la ternura y entre el cielo y el mar sólo existe tu palabra y tu sonrisa Cuando las músicas se juntan para forjar tu voz en pentagramas, y tus manos descansan en mis hombros, y tus labios se duermen en mi boca, le has robado, amor, su nombre a la ternura…

Besos: beijos. Cielo: céu. Engendró: gerou, produziu. Gaviotas: gaivotas. Hecha: feita. Lluvias mañaneras: chuvas da manhã. Olor: cheiro, odor. Peces: peixes. Rocío: orvalho.

UREY, Ruber Carvalho. Canto, Cantum, Cantorum: de tu amor y mi protesta nace un canto. Santa Cruz de la Sierra: s.e. 1991, p. 33-35.

1. Busca en el texto las palabras que se refieren al cuerpo humano. 2. Ahora, haz una lista con los adjetivos usados por el poeta y el sustantivo que están calificando.

166

Língua Espanhola


PARA REFLEXIONAR I

El poema que acabas de leer está dedicado a una mujer. Por las descripciones que hace el autor, ¿cómo imaginas que es esta mujer físicamente? Tienes pistas de que tiene ojos negros. Y los demás detalles, ¿cómo la imaginas? Para ir un poco más allá, ¿cómo imaginas que es la personalidad de esta mujer? ¿Qué características tiene para haber encantado tanto al poeta?

LAS DESCRIPCIONES FÍSICAS Y DE CARÁCTER ¿Sabes cómo describir a una persona en español? Lee la siguiente descripción: El amor de mi vida no es muy alto, no es ni gordo, ni delgado, tiene el pelo corto y algunas canas, es muy atrayente y extremadamente simpático. Si tiene defectos, no lo sé, pues es el amor de mi vida…

Esta es una visión muy particular y romántica, ¿no? a) Desde el punto de vista del aspecto físico una persona… • puede ser: grande

pequeña

alta

baja

fuerte

delgada

gorda

rechoncha

fea

horrible

flaca

asustadora

de estatura mediana guapa

feúcha

regordete

• puede tener / ser / llevar (tu profesor te explicará qué verbo se usa y

el pelo

castaño, negro, rubio, pelirrojo, canoso, teñido, corto, largo, liso, rizado, ondulado, media melena, melenudo, calvo, pelado, pelón, entrecano, abundante, escaso etc.

los ojos

castaños, negros, azules, verdes, grandes, pequeños

7º ano

Ilustraciones digitales: Estúdio Pingado

cuándo):

167


finos, gruesos, delgados, carnosos, rosados, blanquecinos

la nariz

pequeña, grande, alargada, recta, chata, aguileña, respingona

las cejas

gruesas, arqueadas, delgadas, juntas, rectas, separadas

la frente

ancha, estrecha, lisa, arrugada

la cara

ancha, redonda, larga, delgada, ovalada, expresiva, con granos, lunares, marcas, arrugas

• puede llevar: barba

bigote

perilla

gafas

cicatriz

tatuaje

flequillo

b) Desde el punto de vista de su personalidad, ella puede ser o parecer... simpática, antipática, agradable, maja, individualista, seductora, elegante, inteligente, inculta, lista, creativa, alegre, divertida, bienhumorada, optimista, pesimista, altruista, egoista, competitiva, ordenada, desordenada, dedicada, perezosa, estudiosa, trabajadora, tacaña, extrovertida, introvertida, adorable, intolerante, pedante, amable, seria, tranquila, honesta, charlatana, comprensible, tolerante, arrogante, sincera, generosa, grosera, agresiva, paciente, sociable, celosa, vanidosa...

168

Língua Espanhola

Ilustraciones digitales: Estúdio Pingado

los labios


APLICAR CONOCIMIENTOS I

1. Las palabras de los paréntesis están en portugués y necesitas pasarlas al español. Busca las pala-

bras en el recuadro: atrayente

liso

rubio

pelo

bajo

tímido

pelirroja

ojos

barba

largo

desordenado

guapa

rizado

delgado

pecas

!Hola!

Me

llamo

Antonio,

tengo

30

años

(baixo). Soy

Ilustración digital: Estúdio Pingado

y vivo en Madrid, España. No soy ni alto, ni (magro) y mi

(cabelo) es

(loiro), corto y un poco

(crespo). Mis

(olhos) son azules. Dicen

que me parezco a mi padre. No llevo

(barba)

ni bigote. Soy un poco

(tímido), pero creo que soy

simpático y

(atraente). Soy un poco (bagunceiro) pero siempre consigo

terminar mis tareas. Trabajo como ingeniero en una empresa de construcción y también estudio inglés y español durante la semana por la noche. Tengo una novia, que se llama Elena. Ella es (ruiva) , tiene el pelo prido) y

(com(liso), su piel es clara, pero tiene algunas encantadoras

(sardas). Es muy

(bonita), parece una muñeca y vamos a casarnos pronto.

2. Vas a leer una descripción fí sica: No se trata de una persona muy baja. Podemos incluso decir que es alta. Tiene el pelo negro y largo. La boca es grande y carnosa. Sus ojos también son grandes, oscuros y ella no lleva gafas. Tiene la piel clara y la nariz pequeña y muchos dicen que se parece a una actriz de telenovela.

Ahora, marca la figura que corresponda a esta descripción: 7º ano

169


b)

c)

Ilustraciones digitales: Estúdio Pingado

a)

CONJUGACIÓN DE VERBOS Ya estás más familiarizado con la conjugación de verbos, ¿verdad? En la actividad 2, la descripción se hace por medio de los verbos que están destacados. Son los verbos que se usan para describir a personas. Obsérvalos y luego verifica la tabla. Para hacer descripciones físicas y de carácter, usamos los siguientes verbos:

Ser

soy eres es somos sois son

Tener

Llevar

tengo tienes tiene tenemos tenéis tienen

llevo llevas lleva llevamos lleváis llevan

Parecer

parezco pareces parece parecemos parecéis parecen

Verbo parecer • El ver o parecer es irregular en la primera persona de singular: yo parezco. • Se dice que una persona se parece a otra: Yo me parezco mucho a mi tía Laura. Estos niños se parecen a su padre. • Se puede decir que una persona parece o parece ser: Aquel chico parece simpático. Aquellas chicas parecen ser estudiantes de medicina.

MOMENTO DE LA ESCRITURA I

Escribe una descripción de una personalidad muy conocida. Puede ser del mundo del cine, de la televisión o quien te parezca interesante, pero tiene que ser conocida. Después tendrás que leer tu texto para tus compañeros y ellos tendrán que adivinar de quién estás hablando. Recuerda que tienes que utilizar los verbos ser, tener, llevar y parecer. 170

Língua Espanhola


ACTIVIDAD CON AUDIO I

• Escucha el diálogo y responde a las preguntas a continuación: a) ¿Cuántos años tiene Pepito? b) ¿Y Doña Mafalda? c) ¿Con quién está casada Ángela y cuántos años tiene su marido? d) ¿Cuáles son las edades de los hijos de Ángela? e) ¿Cuántos años tiene el hermano de Pepito?

LOS NUMERALES CARDINALES En la actividad anterior viste cómo se dicen algunos núm eros en español . Ahora verás cómo se escriben. 0 cero

10 diez

20 veinte

30 treinta

Usar bien los números en español

• El número dos es invariable en cuanto al 1 2

uno dos

11 once 12 doce

21 veintiuno 22 veintidós

género: dos libros, dos casas.

treinta y uno

• El seis se dice y se escribe igual que en

40 cuarenta

• El cuatro se escribe con la letra c. • Once, doce, trece, catorce y quince se es-

50 cincuenta

• Así se escriben dieciséis, diecisiete,

31

portugués.

criben con la letra c.

3

tres

13 trece

23 veintitrés

dieciocho, diecinueve.

4 cuatro

14 catorce

24 veinticuatro

60 sesenta

5

15 quince

25 veinticinco

70 setenta

6 seis

16 dieciséis

26 veintiséis

80 ochenta

7

siete

17 diecisiete

27 veintisiete

90 noventa

8

ocho

18 dieciocho

28 veintiocho

100

cinco

9 nueve

19 diecinueve 29 veintinueve

cien / ciento

101 ciento uno

• Sólo se usa la letra y entre decenas y uni-

dades. Ejemplo: cuarenta y cinco. Pero: ciento ocho ; doscientos cuatro; dos mil doce. • De 21 a 29, la letra y se convierte en i, componiendo una sola palabra: veintiuno, veintidós, veintitrés etc. • A partir de 30 se escribe separado: treinta y uno; sesenta y cinco; noventa y nueve. • Sólo dieciséis, veintiún (antes de un sustantivo); veintidós, veintitrés y veintiséis llevan tilde (´). • El número es cien, pero cuando va antes de otro, usamos ciento. Ejemplo: ciento diez.

7º ano

171


APLICAR CONOCIMIENTOS II

A partir de las reglas que acabas de aprender, escribe por extenso los números que están en los paréntesis: Hoy es

(17) de mayo y tengo un encuentro a las (4) de la tarde con un profesor de música que me va

a dar clases a partir del día

(18) de junio. Es un hom-

bre muy elegante y puntual, por eso, pretendo estar allí en el café antes de las (15) por garantía. Como es en un centro comercial, puedo aprovechar para hacer unas compritas. Incluso, sé que hay tiendas en promoción y que puedo comprar zapatos bellísimos por menos de

(100)

reales. Mi amiga me contó que compró unas sandalias por y unas chancletas por

(69)

(28). Increíble, ¿no?

LA CULTURA HISPANOAMERICANA

Ilustracíon digital: Mario Yoshida

BOLIVIA

N O

L S

N O

L

0

1 100

2 200 km

S

Fuente: Atlas geográfico escolar. 5. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2009. p. 41.

172

Língua Espanhola

0

380

760 km


En este capítulo retrataremos un país vecino nuestro, del cual todavía sabemos muy poco. Si vives en las regiones brasileñas que hacen frontera con este país, probablemente conoces algo sobre Bolivia. Vas a leer un texto con informaciones que pueden incluso despertar en ti las ganas de ir a conocer este nuestro vecino. Pero antes, piensa en qué tipo de informaciones sobre Bolivia nos llegan aquí a Brasil. ¿Alguna vez pensaste en programar tus vacaciones para ir allí? ¿Qué cosas te resultaron atractivas?

UN VIAJE A BOLIVIA Al programar un viaje de vacaciones, pocos son los brasileños que tienen Bolivia como destino. Sea por falta de información, sea por la poca divulgación. Si eres un viajero interesado en las culturas autóctonas y sobre todo un amante de la naturaleza y si también te gusta conocer la historia colonial, Bolivia puede ser tu próximo destino. Bolivia está entre los ocho países con mayor biodiversidad del mundo y la historia está presente en las iglesias coloniales y misiones jesuíticas del siglo XVIII. Es importante recordar que debido a disposiciones sanitarias, la vacuna contra la fiebre amarilla es obligatoria y por eso se exige certificado de vacunación para ingresar allá. Algunos de los lugares de interés turístico más conocidos de Bolivia: • La Paz. Es la capital más alta del mundo. Allí, puedes visitar museos, como el de oro o el costumbrista, y también ir de compras por los merGLOSARIO cados populares donde seguramente estará presente la cultura indígeAlberga: abriga. na y los valores heredados de los Aymaras y Quechuas. Ancas de rana: coxas • Lago Titicaca. Es el lago más alto del mundo. Allí están varias islas, de rã. asentamientos y también la ruta de piedra de la civilización Inca. PueCulturas autóctonas: culturas nativas. des saborear truchas y, si te apetece, ¿ por qué no probar ancas de rana Hecha: feita que se prepara por allí? Heredados: herdados. • Potosi. Está situada a los pies del Cerro Rico de Potosí que en su inPoblada: povoada. Roca volcánica rojiza: terior alberga las vetas de plata que, durante la explotación de la plarocha vulcânica ta por los conquistadores españoles, hicieron que esta fuera la tercera avermelhada. Ruta de piedra: rota; ciudad más poblada del mundo y una de las más importantes debido a caminho de pedra. su riqueza. Allí puedes visitar minas, la Casa de la Moneda y también Si te apetece: se você tiver vontade. probar una sopa hecha con una roca volcánica rojiza, que se llama KaSiglo: século. lapurca. ¿Te apetece? Truchas: trutas. • Salar de Uyuni. Los salares de Bolivia son muy conocidos y el de UyuVacaciones: férias. ni es el más grande y más alto del mundo. Hay una enorme variedad Vacuna: vacina. Vetas de plata: veios; de cactus, incluso uno que florece cada cien años. Podrás sacar lindas filões de prata. fotos y también visitar los hoteles de sal, además de conocer su proceso de extracción y procesamiento.

7º ano

173


PARA REFLEXIONAR II

Después de leer las informaciones sobre Bolivia, elige uno o más lugares y compáralos, desde tu punto de vista como visitante, comentando tus impresiones con tu profesor y compañeros. Puedes hablar de lo que quieras, pero te ayudamos con algunas preguntas: ¿Cuál de ellos te gustaría conocer? ¿Qué cosas en este lugar te llaman la atención frente a los demás? ¿Crees que en Brasil hay alguna región parecida? ¿En qué aspectos?

LOS COMPARATIVOS Lee a continuación las impresiones de un viajero: Para mí el Lago Titicaca es más interesante que las Misiones Jesuitas, pues me interesa más la naturaleza que la historia. No que las Misiones sean menos importantes que los paisajes naturales, es que me gustan más. A los amantes de la historia, las Misiones pueden ser igual de atractivas que Potosí, por ejemplo. Y a los demás, se puede decir que allí también hay tanta cultura y naturaleza como en otros lugares.

¿ Có mo hacemos comparaciones en portugués? I dentificas alguna semejanza con lo que se hace en español en este texto? Y diferencias, ¿encontraste alguna? Comparar en español es casi como comparar en portugués. Hay solamente pequeñas diferencias. Observa qué se usa para indicar: • Igualdad: tan… como / tanto… como / igual de… que Bolivia tiene paisajes tan bonitos como muchas regiones de Brasil. Bolivia tiene tantos lugares de interés turístico como otros países de Hispanoamérica. Bolivia es igual de interesante y misteriosa que muchos países de América. • Superioridad: más… que La Paz es más conocida que Sucre, pero Sucre también es una ciudad muy importante en Bolivia. • Inferioridad: menos… que Para mucha gente las ancas de rana pueden parecer menos atractivas que las truchas. Las comparaciones de superioridad y de inferioridad en español son iguales que en portugués. En la comparación de igualdad, la diferencia está en usar igual de + adjetivo + que, pues no tenemos esta forma en portugués.

174

Língua Espanhola


APLICAR CONOCIMIENTOS III

1. A partir de las informaciones a continuación, deberás construir frases comparativas, como en el

ejemplo: La niña rubia / su hermano / alta (igualdad) La niña rubia es igual de alta que su hermano. o La niña rubia es tan alta como su hermano a) Este lugar / bello / aquel otro (superioridad)

b) La culinaria boliviana / exótica / la de muchos países de Hispanoamérica (igualdad)

c) El turismo en Bolivia / divulgado / el de otros países de América del Sur (inferioridad)

d) Este niño / inteligente y listo / sus compañeros de clase (igualdad)

Allstar Picture Library/Alamy/Other Images

2. Observa las siguientes descripciones:

Carla Ortiz es una actriz boliviana que nació en Cochabamba, en 1976. Ella es morena, tiene el pelo negro, largo y ondulado, sus ojos son castaños, su boca es grande y carnosa, tiene los dientes muy blancos y una sonrisa bonita. Parece ser simpática y un poco tímida.

7º ano

175


Notimex/Foto/Jorge Arciga/JAA/ESP/Glowimages

Milton Cortez es un cantante y actor, también boliviano, que nació en Trinidad, el año 1962. Él es guapo, tiene el pelo castaño, corto y un poco ondulado. Sus ojos también son castaños, tiene una boca grande, dientes bien blancos y una sonrisa muy seductora y enigmática. Parece ser bastante alegre y extrovertido.

Ahora, monta un pequeño texto comparando a estas dos personajes. Debes usar los tres comparativos.

ACTIVIDAD CON AUDIO II

Es hora de practicar la pronunciación de la tercera letra del alfabeto: la c. 1. Antes de a, o, u, la pronunciación de la letra c es semejante al portugués, o sea, se pronuncia como /k/. cabellos

176

Língua Espanhola

canoso

castaño

corto

cuerpo

cualidad


2. Pero, hay una pequeña diferencia de pronunciación de la c entre los países que hablan español. Y

la forma más diferente de pronunciarla ocurre en algunas regiones de España, donde, cuando se trata de usarla antes de la letra e o de la i, se pronuncia como si fuera el “th” del inglés, o sea, con la lengua entre los dientes.

cejas

cicatriz

parecer

celosa

sincero

3. En otros países la pronunciación se parece a la de la letra s, de sapo y suerte, por ejemplo. cero

once

doce

trece

catorce

quince

dieciséis

diecisiete

dieciocho

diecinueve

4. Para practicarlo, elige la forma como prefieres pronunciar y lee las palabras de los dos úl timos

í tems de acuerdo con la pronunciación que elegiste.

cejas

cicatriz

parecer

celosa

sincero

cero

once

doce

trece

catorce

quince

dieciséis

diecisiete

dieciocho

diecinueve

LEER TEXTO INFORMATIVO

A continuación vas a leer um texto sobre la elaboración de una bebida típica de algunos países de América Latina, como Chile, Perú, Venezuela y también Bolivia. Estamos hablando de la chicha. ¿ A lguna ve z has oí do hablar de esta bebida, sabes cómo se prepara? Lee el texto y luego comenta con tus compañeros tus impresiones. La chicha Chicha es el nombre que se da a las bebidas alcohólicas elaboradas a partir de la fermentación del maíz o del maní, entre otros cereales originarios de América. Se trata de una bebida suave, no muy alcohólica, que ya era consumida en los países de América Latina mucho antes de la llegada de los conquistadores españoles.

GLOSARIO

Maíz: milho. Maní: amendoim.

7º ano

177


Hoy en día ya existe la producción industrial, pero originalmente se fabricaba la chicha artesanalmente. Eso todavía ocurre en algunos lugares, pero ahora en menor escala. En el proceso artesanal, en algunas regiones se obtenía la bebida a partir de los granos de maíz extraídos de mazorcas recién cosechadas que eran masticados y escupidos en grandes recipientes de arcilla. Allí permanecía el líquido durante algunas semanas para que las enzimas presentes en la saliva pudiesen transformar en azúcar el almidón del maíz y así fermentarlo por la acción de las bacterias. Terminado el proceso de fermentación, la bebida era colada y estaba lista para el consumo, que solía y suele ocurrir en diversas ocasiones como fiestas populares y religiosas.

GLOSARIO

Almidón: amido. Arcilla: argila. Colada: coada. Cosechadas: colhidas. Escupidos: cuspidos. Granos: grãos. Lista: pronta. Masticados: mastigados. Mazorcas: sabugos/espigas de milho. Solía y suele: costumava e costuma. Todavía: ainda.

1. Las siguientes afirmaciones están en portugués. Marca V (verdadero) o F (falso) de acuerdo con

el texto. Si eliges F (falso), justifica tu respuesta.

( ) A chicha é uma bebida de forte teor alcóolico muito consumida nos países da América Latina, após a chegada dos colonizadores espanhóis.

( ) Hoje em dia, apesar de já haver a produção industrial, ainda se prepara artesanalmente a chicha em alguns lugares de Bolívia.

( ) No processo industrial a chicha é obtida do processo de fermentação do milho que é mastigado e cuspido em grandes recipientes que depois de cheios, são tampados e permanecem assim por algumas semanas para que as bactérias possam agir.

( ) A principal matéria-prima para a fabricação da chicha artesanal é o amendoim.

2. ¿Hay algún producto típico y exclusivo de tu región que sea preparado de algún modo especial? 3. ¿ Cuá les son tus impresiones sobre la chicha, esta bebida típica de los países de América Latina?

¿ T e gustarí a probarla? ¿ S ueles probar cosas tí picas de los lugares por donde vi ajas?

178

Língua Espanhola


CONJUGACIÓN DE VERBOS Lee el diálogo a continuación: – Hola Pablo, ¡cuánto tiempo! – Sí, Roberta, ¡qué alegría verte! ¿Cómo estás? – Bien, ¿y tú? – Pues muy bien, me casé y tengo dos hijos. No conoces a mi familia, ¿verdad? – No, no los conozco. – Entonces, te muestro una foto. Esta mujer alta, delgada, con ojos claros y pelo rubio es mi esposa y estos son mis hijos que se parecen mucho a ella. – ¡Qué bonita es tu familia! – Gracias. ¿Y tú, te casaste? – Con Ricardo, de la facultad. – Claro, lo conozco. ¿Sigue desordenado y charlatán? – No, ahora está más ordenado y habla un poco menos, pero sigue simpático y está cada día más guapo pues ya está canoso. Tenemos un hijo que se parece a él en todo. – Yo también estoy bastante diferente, ya no conduzco de aquella manera tan irresponsable y por profesión, traduzco literatura. – ¡Qué bueno verte tan bien! A ver si un día vienes a mi casa y os ofrezco una cena preparada por mí. – ¡Vale! Me encantará probar tus talentos culinarios.

¿Notaste que los verbos destacados en el diálogo que acabas de leer están conjugados en el Presente de Indicativo y la primera persona de singular (yo)? ¿Sabes decir si se trata de verbos regulares o irregulares? Lee las explicaciones a continuación y pronto lo sabrás. Los verbos conocer, conducir, traducir y ofrecer son irregulares y se conjugan de manera diferente (ganan Z + CO) en la primera persona de singular (yo) cuando están en Presente de Indicativo. Observa que eso acontece con verbos terminados por -acer, -ecer, -ocer, -ucir. Nacer nazco naces nace nacemos nacéis nacen

Merecer merezco mereces merece merecemos merecéis merecen

Conocer conozco conoces conoce conocemos conocéis conocen

Producir produzco produces produce producimos producís producen

7º ano

179


APLICAR CONOCIMIENTOS IV

Completa las frases conjugando adecuadamente los verbos de los paréntesis: a) Mi novio

(conocer) a muchos puntos turísticos de Bolivia, pero yo no (conocer) ninguno.

b) ¿Y tú? ¿

(conocer) tus derechos como usuario de este servicio turístico?

c) Estoy seguro de que

(merecer) todos los elogios que están haciendo

por tu presentación sobre la chicha. d) Yo sé que los

(merecer), pero soy muy tímido y cómo no sé qué hacer,

simplemente les

(agradecer) a todos.

e) Toda la gente dice que yo me f) Sólo sé decir que yo siento que

(parecer) a mi abuelo. (renacer) cada vez que encuentro a un

hombre como éste: guapo, elegante, sincero y, sobre todo, sensible. g) Siempre que

(producir) un texto así, pienso que no está tan bueno como

debería. h) Vamos, te

(ofrecer) un café y me cuentas un poco de tu viaje.

i) Yo lo

(reconocer) que no sabía que había tantos lugares encantadores allí.

j) Si yo

(reducir) un poco el azúcar, voy a estar igual de delgada que aquellas

actrices famosas.

MOMENTO DE LA ESCRITURA II

Llegó el momento de verificar cuánto has aprendido de los temas de este capítulo. Te proponemos que escribas un diálogo en el que los personajes están de viaje por Bolivia y allí conocen a un(a) boliviano(a) que les va a mostrar los mejores lugares de su país. Durante la conversación, los personajes: • deben hacer comparaciones (de los lugares visitados, de la comida probada, de las personas que conocen etc.); • deben describir a algunas personas que van encontrando por el camino (usando los verbos adecuados para eso); • y también deben aparecer algunos números. Puede ser para hablar de distancias, de edades, de precios. ¿Te gustó el desafío? Entonces… ¡Al trabajo! 180

Língua Espanhola


Lo que hemos aprendido ¿Vamos a reconocer y ordenar los nuevos conocimientos adquiridos en este capítulo? Responde a las siguientes preguntas según la orientación y, si necesitas, haz un comentario para cada una: Después de estudiar los temas de este capítulo, puedes afirmar que:

a)

¿Sabes describir a una persona desde su aspecto físico y también en cuanto a su carácter? ( ) sí

( ) no

( ) un poco

Comentario:

b)

¿Sabes usar adecuadamente los verbos ser, tener, llevar y parecer para hacer una descripción? ( ) sí

( ) no

( ) un poco

Comentario:

c)

¿Sabes decir y escribir los números, de cero a cien, en español? ( ) sí

( ) no

( ) un poco

Comentario:

d)

¿Sabes conjugar y reconocer el sujeto de los verbos irregulares terminados por -acer, -ecer, -ocer y -ucir cuando están conjugados en Presente de Indicativo? ( ) sí

( ) no

( ) un poco

Comentario:

e)

¿Sabes usar los elementos comparativos para hacer comparaciones entre personas, lugares etc.? ( ) sí

( ) no

( ) un poco

Comentario:

f)

¿En los ejercicios de comprensión auditiva ya te sientes más confiante? ( ) sí

( ) no

( ) un poco

Comentario:

PARA AMPLIAR TUS ESTUDIOS

Sitios web

Bolivian

Si quieres conocer más sobre el arte literario en Bolivia, puedes acceder la página y ver qué hay de producción literaria en aquel país. Disponible en: <www.bolivian.com/literatura>. Acceso el: 21 dic. 2012.

Sitio oficial de turismo de bolivia

En este capítulo hablamos bastante de Bolivia y, si te has animado a viajar y conocer este país, puedes buscar más informaciones en la página oficial del turismo boliviano. Disponible en: <www.bolivia.travel>. Acceso el: 21 dic. 2012.

La Prensa

Diario boliviano que trae informaciones del pais e del mundo. Disponible en: <www.laprensa.com.bo>. Acceso el: 21 dic. 2012.

7º ano

181


Capítulo

4

LÍNGUA E S PA N H O L A

¿Cómo es tu rutina?

Martin Zabala/Xinhua Press/Corbis/Latinstock

Personas viajan en uno de los coches de la línea de subte de Buenos Aires (Argentina), en 2013. Utilizar el tren para ir al trabajo es un hábito que forma parte de la rutina de mucha gente que vive en los grandes centro urbanos de América Latina. ¿Forma parte de tu rutina también?

¿Cómo es tu rutina? ¿Todos los días son iguales para ti? ¿Qué haces los fines de semana? “Todo dia ela faz tudo sempre igual...” ¿Quién nunca escuchó la canción llamada “Cotidiano”, de Chico Buarque, que empieza así? En este capítulo hablaremos de cosas que hacemos todos los días, cosas que nos gustan, cosas que hacemos por obligación y también conoceremos los hábitos de la gente que se comunica en español. ¿Serán diferentes sus costumbres? ¿Y los horarios? ¿Serán los mismos los horarios de comida y de trabajo en todos los países? ¿Cómo es en tu región? ¿A qué hora vas al trabajo? ¿Y a la escuela o al banco? A continuación leerás un trecho de un poema del uruguayo Jorge Arbeleche, en el cual se relatan acciones que parecen realizarse un día cualquiera. 182

Língua Espanhola


LEER POEMA

Con Martha en Florencia Comienza a hacer oscuro y es el frío. Intemperie. La tarde entra en el sueño y torna a su pesebre como cansados caballos caminan a su establo al deslizarse la noche por el aire. La noche cubre el aire. La noche cubre al durmiente y al insomne. Ella duerme. Yo velo. Escucho su respirar acompasado su batalla de amor contra los días escucho el palpitar jugoso de sus libros su espada de palabras y sonidos […]

GLOSARIO

Durmiente: quem dorme. Establo: estábulo. Palpitar jugoso: palpitar suculento. Pesebre: presepio. Sonidos: sons. Sueño: sonho. Torna: volta (verbo voltar).

ARBELECHE, Jorge. “Con Martha en Florencia”. Disponible en: <www.caratula.net/archivo/N29-0409/Secciones/poesia/poesia-jorge%20arbeleche.html>. Acceso el: 17 ene. 2013.

1. ¿ En qué época del año e stá n los personajes del poema? ¿ Q ué pistas te dan esta idea? 2. ¿ Q ué hora es cuando comienza el poema? 3. ¿ Q ué sentimientos transmite el poema al indicar la época del año y la noche?

– ¿Qué hora es? – Son las 7 de la mañana. – ¡Madre mía! Ya son las 7:00h y todavía estoy aquí. – ¿A qué hora sale el vuelo? – A las 7:30. – ¡Uy!

Daniela Spyropoulou/Dreamstime.com

LAS HORAS

En este diálogo alguien perdió el vuelo, pero, ¿notaste cómo se pregun¿Qué hora marca el reloj? tan las horas en español? ¿Percibiste que la palabra hora aparece en singular cuando se hace la pregunta? Entonces, pregunta a tu compañero ¿qué hora es? Y vamos a ver cómo te responde… Para preguntar o informar las horas en español, debes saber que: • En la pregunta, la palabra hora va siempre en singular: ¿Qué hora es? ¿Tiene(s) hora? ¿A qué hora te levantas?

7º ano

183


• Para responder, debes usar el verbo ser y el artículo (la / las), o muy

informalmente, sólo el artículo:

Es la una. / La una y cinco. Son las cuatro. / Las cuatro y diez. • Así es: 10:15 → Son las diez y quince. / Son las diez y cuarto. 10:30 → Son las diez y treinta. / Son las diez y media. • En el lenguaje coloquial, después de media hora, se dice la hora si-

guiente menos los minutos que faltan: 8:40 → Son las nueve menos veinte. 22:55 → Son las once menos cinco de la noche. 15:45 → Son las cuatro menos cuarto. / Son las cuatro menos quince. • En el lenguaje formal se dice como en portugués: 8:40 → Son las ocho y cuarenta. 22:55 → Son las veintidós y cincuenta y cinco. 15:45 → Son las quince y cuarenta y cinco.

APLICAR CONOCIMIENTOS I

1. Responde a las siguientes preguntas escribiendo por extenso las horas que están en los paréntesis.

Tus respuestas estarán más completas si usas algunas de las expresiones temporales de la lista a continuación, cuando sean necesarias. Tienes varias opciones incluso de horarios para tus respuestas: siempre

normalmente

nunca antes de

de vez en cuando

a veces

durante la semana

los fines de semana

los sábados y domingos

de lunes a viernes

los sábados

a) ¿Qué hora es? (7:20) b) ¿A qué hora te levantas? (6:00 o 9:30) c) ¿A qué hora empiezan tus clases? (7:30) d) ¿A qué hora vas a dormir? (22:00 o 01:00) e) ¿A qué hora abren los bancos en tu ciudad? (10:00 o respuesta personal)

184

Língua Espanhola


f) ¿Cuál es el horario de las tiendas los sábados? (9:00 a 13:00 o respuesta personal) g) ¿A qué hora comes? (respuesta personal)

Ilustracíon digital: Estúdio Pingado

h) ¿A qué hora descansas? (respuesta personal)

2. Completa los espacios para dar sentido al texto sobre el personaje, D. Jaime:

D. Jaime siempre se levanta a las seis y media de la mañana. Todos los días empieza a trabajar a las ocho y media e, invariablemente, a las nueve y cuarto toma un café en la oficina. La rutina de D. Jaime es siempre la misma, de lunes a viernes. Los fines de semana, descansa en casa con la familia. Pero, ahora, su rutina está diferente. Sólo a las ¡Todo se retrasará! Tanta cosa para hacer… A las

(9:55) suena el reloj. ¡Qué horror! (10:15) tiene que llamar a

para

.

Después, a las

(11:25) va a

y, antes de salir a comer, a las

(12:25),

tiene que

.

Por la tarde no será diferente, a las

(15:10) tiene reunión con

, a las pero esta vez con

(16:40) otra reunión, .

Como hay mucho trabajo por terminar, hoy va a salir sólo a las y no cenará antes de las

(20:30)

(23:00). ¡ Pobre D. Jaime, tan metódico

y ordenado! Hoy no será un día fácil. ¿A qué hora va a dormir?

7º ano

185


ACTIVIDAD CON AUDIO I

1. Escucha la grabación en la que una persona se queja de su rutina sin gracia y marca las expresio-

nes de tiempo que menciona. ( ( ( (

) a menudo ) siempre ) raras veces ) cada semana

( ( ( (

) jamás ) a veces ) raramente ) siempre que

( ( ( (

) nunca ) casi nunca ) casi siempre ) cuando

( ( ( (

) todas las mañanas ) de vez en cuando ) todos los días ) toda vez que

2. ¿Faltó alguna expresión en la lista? ¿Cuál? ¿Podría ser sustituida por alguna de las que están allí?

EXPRESIONES DE TIEMPO Y FRECUENCIA Cuando hablamos de nuestros hábitos cuotidianos normalmente usamos expresiones de tiempo y de frecuencia como las que aparecieron en el ejercicio anterior. ¿Cuáles usas cuando hablas de tu rutina? En español tenemos éstas a continuación. ¿Son muy diferentes del portugués? ¿Hay alguna cuyo significado no conoces? nunca

casi nunca/siempre

a veces

de vez en cuando

a menudo

con frecuencia

frecuentemente

raramente

raras veces

todos los días

todas las mañanas/ tardes/noches

jamás

cada semana

veces al día / a la semana / al mes

por la mañana/tarde/ noche

Ahora, observa el siguiente diálogo: – A ver, a ver… lunes: dentista a las 15:00 y cena con Juan a las 21:00. Miércoles: peluquería a las 11:00 y por la noche, cine con Juan. Jueves: café con Marta a las 17:00 y por la noche, concierto con Juan. ¡Uff! Menuda semana será ésta. ¡Tanto que hacer y tan poco tiempo…! – ¿De qué te quejas? Por lo que veo sólo hay diversión en tu semana… – ¿Sí? Es verdad…

186

Língua Espanhola

Ilustración digital: Estúdio Pingado

siempre


APLICAR CONOCIMIENTOS II

La agenda de la chica del diálogo anterior parece llena de compromisos, pero la mayoría de ellos, agradables. Te damos a continuación una serie de tareas que deben ser cumplidas por una persona cualquiera durante una semana. Hay tareas variadas y tú decides qué cosas hará tu personaje, puedes y debes acrecentar alguna actividad que no haya sido sugerida. Actividades sugeridas: • clases de... • reunión con... • cita con (dentista, médico, psicólogo, abogado etc.) • llevar el perro/gato al veterinario • comida de negocios con… • cena con… • jugar al… con… • ir (al banco/al supermercado/a la feria/a la tintorería) • pagar… • recibir… • recoger a los niños en la escuela Ahora prepara una agenda para tu personaje. Debes darle un nombre, definir su profesión e indicar en la agenda cuáles serán sus tareas durante esta semana. ¡ A l trabajo!

CONJUGACIÓN DE VERBOS

– ¡No aguanto más! Todos los días, todo siempre igual: me despierto muy temprano, me ducho, me visto, desayuno y salgo para el trabajo. Trabajo el día todo y, por la noche, vuelvo a casa, veo la tele y… me acuesto otra vez. El día siguiente… ¡todo igual otra vez! – ¿De qué te quejas? Todos los fines de semana viajas a algún lugar diferente… – Sí, pero también los fines de semana son iguales, ¿no lo ves? – Lo que, sí, veo es que estás con un humor de perros… tómate un café…

Ilustración digital: Estúdio Pingado

Lee con atención el siguiente diálogo:

En el diálogo anterior hay verbos destacados. ¿Te das cuenta de que son verbos de acciones cuotidianas, o sea, verbos de hábito? ¿Y notaste que algunos de ellos tienen colores diferentes? Bueno, los que están destacados con colores son los irregulares y son estas las irregularidades de Presente de Indicativo que vamos a estudiar ahora. Observa: 7º ano

187


E > IE

O > UE

E>I

G+O

Despertarse

Acostarse

Vestirse

Salir

yo

me despierto

me acuesto

me visto

salgo

te despiertas

te acuestas

te vistes

sales

él/ella/usted

se despierta

se acuesta

se viste

sale

nosotros(as)

nos despertamos

nos acostamos

nos vestimos

salimos

vosotros(as)

os despertáis

os acostáis

os vestís

salís

ellos/ellas/ustedes

se despiertan

se acuestan

se visten

salen

Como ves, las tres primeras irregularidades E > IE, O > UE, E > I, ocurren en las tres primeras personas de singular y en la tercera de plural. Y la irregularidad G + O ocurre solamente en la primera persona de singular. Observa a continuación otros verbos de acciones cuotidianas. Entre ellos están destacados los que siguen las irregularidades que acabamos de estudiar:

188

acostarse

despertarse

levantarse

ducharse

vestirse

peinarse

afeitarse

maquillarse

lavarse

desayunar

comer

dormir la siesta

cepillarse

cenar

estudiar

trabajar

leer

ver la tele

fregar

ir de compras

salir de casa

volver a casa

limpiar la casa

ir al cine/teatro

sacar de paseo al perro

Língua Espanhola


APLICAR CONOCIMIENTOS III

Para hablar de hábitos diarios hay verbos específicos (algunos están en la lista anterior). Escribe qué actividades realizan los personajes siguientes en los periodos indicados. a) un(a) brasileño(a) común/por la mañana b) una persona que vive y trabaja en el campo/por la tarde c) alguien que vive en un país de Hispanoamérica/por la noche (tú eliges el país y dices cómo

imaginas que es allí) d) tú/los fines de semana

TIPOS DE VIVIENDAS Ya que estamos hablando de hábitos y que los hábitos normalmente los practicamos en casa, ¿por qué no conocer un poco cómo son las viviendas? En español, los tipos de viviendas tienen nombres variados. Por ejemplo, si se trata de una casa con dos plantas, es un chalé. Si este chalé está pegado a otro, sin espacio entre ellos, es un chalé adosado. Si se trata de una vivienda en un edificio y ésa tiene dos o más habitaciones, es un piso y, si tiene sólo una habitación, se llama apartamento. Cuando el espacio es tan pequeño que está dividido solamente en salón, cocina y cuarto de baño, tenemos un estudio. En algunos países de Hispanoamérica, como Argentina, departamento es la palabra que se usa para piso o apartamento. Y las habitaciones son piezas.

APLICAR CONOCIMIENTOS IV

É sta es una lista con los nombres de las partes de una casa. Tienes que encajar cada nombre en su debido lugar en la planta a continuación.

cocina

habitación

salón

salón comedor

cuarto de baño

despacho

jardín

garaje

7º ano

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Ilustración digital: Estúdio Pingado

ACTIVIDAD CON AUDIO II

Ilustraciones digitales: Estúdio Pintado

Vas a escuchar una grabación en la que se describe un lugar de la casa. Marca la foto que corresponde a cada descripción . Al final debes escribir a qué parte de la casa pertenece. Para esta actividad necesitarás consultar un diccionario.

190

Língua Espanhola


APLICAR CONOCIMIENTOS V

1. A continuación tienes algunas partes de la casa. Para cada una de ellas indica tres cosas que haces

todos los días allí. Para esta actividad, necesitarás usar los verbos de hábito que estás aprendiendo en este capítulo. En la cocina yo... En mi habitación, paso poco tiempo. En ella yo... El salón es el lugar donde paso la mayor parte del tiempo cuando estoy en casa. Es allí donde: Y mi lugar preferido es... 2. Describe cómo es tu casa. Habla de las partes en que está dividida y de las cosas que tiene dentro. • • • •

LEER TEXTO INFORMATIVO I

Y por hablar en hábitos… ¿Sabías que los españoles tienen por tradición echar una siesta después de comer? ¿Y tú? ¿Tienes la oportunidad de descansar un poquito a media tarde, antes de volver a trabajar? ¿Te gustaría hacerlo? ¿Sabes el origen de este hábito? ¿Crees que hace bien a la salud?

Según lo que se cuenta, la siesta surgió gracias al patrono de Europa, San Benito de Nursia o San Benito Abad, como es más conocido, que cuando enseñaba a los monjes a construir relojes para contar las horas, las definía en series dedicadas a las obligaciones, comidas, oraciones y ceremonias que se debería realizar en cada una de ellas. Por la regla creada por el monje, la “hora sexta” estaba dedicada al descanso. De esa manera, se instituyó y se inmortalizó la siesta, que es muy conocida como tradición española, pero que también se practica en países de Hispanoamérica y otros tantos alrededor del mundo. Los españoles incluso celebran el 11 de julio, día de San Benito Abad, el creador de una de sus más conocidas tradiciones. Pero, además de una tradición muy agradable, la siesta aporta beneficios reconocidos científicamente. Según la Agencia Espacial Norteamericana (Nasa), una siesta de 26 minutos puede disminuir los riesgos cardiovasculares, liberar tensiones, aumentar la capacidad de concentración, además de reforzar el estado de alerta. GLOSARIO La tradición recomienda que el descanso no pase Aporta: contribui. de 30 minutos y algunos estudios indican que la siesta Comidas: refeições. se hace efectiva cuando nos despertamos entre los 15 Hechas: feitas. y 20 minutos, evitando caer en sueño profundo. En Riesgos: riscos. 2012, la Nasa, a partir de observaciones hechas por Siesta: sesta; costume de repousar la Junta Nacional de Seguridad en el Transporte de depois do almoço.

Galleria dell'Accademia, Veneza. Foto: Album/akg-images/Cameraphoto/Latinstock

La siesta

Lazzaro Bastiani. San Benito de Nursia. Óleo sobre madera, 100 × 48 cm. Galeria dell'Accademia, Veneza.

7º ano

191


Estados Unidos (NTBS), al supervisar la efectividad de los controladores, concluyó que un sueño de 26 minutos ayudaría a mejorar un 34% el rendimiento de los trabajadores y reforzaría un 54% su estado de alerta. Bueno, con tantos beneficios y como ya sabes el tiempo que debe durar la siesta, ¿por qué no adoptas esta práctica tan sana?

Ahora que ya conoces más sobre la siesta, responde a las siguientes preguntas: 1. Por la regla de San Benito, ¿cuál era la hora destinada al descanso? 2. Además de España, ¿hay otros países que practican la siesta? 3. ¿Cuáles son los beneficios que aporta la siesta? 4. ¿Cuál es el tiempo ideal para la duración de la siesta? 5. ¿Sabías que en Brasil hay algunas regiones donde se practica la siesta también? Y en tu región,

¿cómo es? ¿Cuál es tu horario de trabajo? ¿Crees que tienes tiempo suficiente para comer y descansar un poco antes de volver a tus actividades? ¿Crees que rendirías más si tuvieses un tiempo de descanso a la hora del almuerzo?

CURIOSIDADES DE LA LENGUA

Ilustraciones digitales: Estúdio Pingado

Un buen hábito a cultivar es la ida a eventos culturales, sean ellos espectáculos teatrales, conciertos de música o lo que sea, pero si lo hacemos en otro país, es bueno estar prevenido para no meter la pata con los falsos amigos. En este capítulo veremos algunos que pueden provocar cierta confusión en el mundo de los espectáculos. Observa las siguientes situaciones:

Situación 1: – Cariño, cómpranos entradas para el concierto, pero que sea en el palco. – Está bien, pero creo que serán muy caras.

192

Língua Espanhola

Situación 2: – Mira, aquel maestro va a empezar la clase de Matemáticas. – ¡Hombre!, ¿no debería estar conduciendo la orquesta?


INVESTIGAR I

Con la ayuda de un diccionario, relaciona las columnas según el significado de las palabras en español: (1) maestro (2) cena (3) escenario (4) palco (5) billetero(a) (6) escena (7) director (8) taquillero(a)

( ( ( ( ( ( ( (

) parte de una obra que compone un acto teatral. ) parte de un teatro con forma de balcón, generalmente situado en alto. ) persona que dirige la orquesta durante las presentaciones. ) persona que vende los billetes del espectáculo. ) una de las comidas, la que se hace por la noche. ) lugar del teatro donde actúan los actores. ) objeto que sirve para guardar dinero. ) persona que enseña las primeras letras.

LA CULTURA HISPANOAMERICANA Comenzamos este capítulo con un autor uruguayo, Jorge Arbeleche. ¿Lo conocías? ¿Qué conoces de este país tan cercano a nosotros? ¿Qué sabes de su gente, de su cultura, de sus hábitos? A continuación, tienes este texto sobre la bebida más consumida en Uruguay. ¿Cuál es la bebida más consumida en Brasil? ¿Vives en alguna región que también consume el mate? ¿Cuál es y cómo se consume esta bebida ahí?

LEER TEXTO INFORMATIVO II

El mate, una infusión que identifica el pueblo uruguayo El mate, infusión típica de los países del Cono Sur, legado de los indios guaraníes, tiene en Uruguay un enorme arraigo en todos los niveles sociales, desde el peón rural hasta el presidente, y es una de sus principales cartas de identidad. […] La infusión se prepara con hojas de yerba mate secadas y molidas, que se colocan dentro del porongo o “mate”, se le agrega agua caliente y se bebe con un sorbete metálico llamado bombilla. […] De paseo, camino al trabajo, o a los centros de estudio, es común ver a los uruguayos con las tradicionales “materas”, carteras de cuero cuyo único propósito es cargar el termo, el mate, la yerba y la bombilla. El mate aparece como una suerte de monumento ambulante en las oficinas públicas y privadas, en las emergencias de los hospitales, en las comisarías, cuarteles militares, los despachos, en las casas, en la calle, en todas partes. […] La costumbre de beber mate se arraigó plenamente, y en Uruguay el hábito se convirtió en uno de los principales emblemas de la cultura nacional. Como ha dicho Vidart: el “mate nos identifica como pueblo, como colectivo, como conglomerado nacional, como república de materos”.

GLOSARIO

Cargar: carregar. Carteras de cuero: bolsas de couro. Comisarías: delegacias. Despachos: escritórios. Hojas: folhas. Molidas: moídas. Oficinas: repartições, escritórios. Porongo: cuia. Sorbete metálico: canudo metálico. Termo: garrafa térmica.

Disponible en: <www.clubdelmate.com/informacion-general/el-mate-una-infusion-que-identifica-al-pueblo-uruguayo-habitos-ycostumbres-informacion-general.htm>. Acceso el: 21 ene. 2013.

7º ano

193


1. ¿Qué tipos de personas consumen el mate? 2. ¿Cómo se prepara esta bebida y en qué momento del día es consumida? 3. Tras leer el texto, ¿qué elementos te llevarían a identificar a un uruguayo? INVESTIGAR II

Te proponemos una actividad de investigación con tus compañeros de clase. Pueden dividirse en pequeños grupos o en parejas y cada uno será responsable por la investigación de los siguientes temas, que serán presentados a la clase posteriormente. Quien encuentre informaciones adicionales también puede traerlas y enriquecer la actividad: 1. ¿ Cuá l es la capital de U ruguay? 2. La parrillada es un plato típico de Uruguay, ¿cómo es este plato? ¿De qué está compuesto? 3. ¿ Cuá l es el principal equi po de fút bol uruguayo? 4. ¿ L a selección ur uguaya ya fue campeona del mundo de fút bol? ¿ Cuá ndo y de qui én ganó?

ACTIVIDAD CON AUDIO III

Ahora practicaremos la pronunciación de l y de ll. ¿Cuál sería la diferencia de pronunciación de palabras con ll en Argentina y en España, por ejemplo? Observa que cuando la letra l va al inicio de la palabra o antes de una vocal, se pronuncia igual que en portugués, pero cuando está antes de una consonante o al final de la palabra, ponemos la lengua en los dientes superiores para pronunciarla. Escucha y repite las siguientes palabras: limón

lámpara

luna

limpio

alto

alpino

falta

español

él

piel

La ll tiene diferentes pronunciaciones, dependiendo del país o región. A continuación escucharás dos pronunciaciones, una de Argentina y otra de España. A ver cuál te parece más fácil. llave

calle

lluvia

llenar

rellenar

paella

Sevilla

amarilla

Practica la pronunciación con el trabalenguas a continuación. Después, ¿por qué no inventas con tus compañeros algún trabalenguas con palabras que contienen l y ll? Llovía en la calle amarilla de Sevilla.

194

Língua Espanhola


MOMENTO DE LA ESCRITURA

Te vamos a pedir que inventes un personaje y que nos cuentes: cómo es, dónde vive, cómo es su casa y qué hábitos tiene. Para esta tarea necesitarás consultar los verbos de hábito, las horas y el vocabulario de la casa, o sea, los temas de este capítulo.

Lo que hemos aprendido Para terminar bien el capítulo, vamos a reflexionar un poco sobre las cosas nuevas que aprendiste: • ¿Qué novedades aprendiste sobre el mundo hispánico en este capítulo? • De los temas culturales, ¿cuál te llamó más la atención? ¿Por qué? De una manera general, al final del capítulo ya puedes decir que:

(

) aprendiste muchas cosas nuevas sobre la cultura hispanoamericana.

(

) descubriste que ya tenías bastantes informaciones sobre Uruguay, su cultura y sus costumbres.

(

) ya sabes decir y preguntar las horas en español, con seguridad.

(

) ya sabes conjugar y aplicar bien los verbos en Presente de Indicativo sobre todo cuando necesitas hablar de hábitos, tanto los tuyos como los de otra persona.

(

) ya te sientes seguro para aplicar todo lo que aprendiste hasta ahora.

(

) sientes que tienes dificultades en los siguientes puntos:

PARA AMPLIAR TUS ESTUDIOS

Diccionarios

Señas

Es un diccionario monolingüe en que aparece, al final de cada explicación, la palabra correspondiente en portugués. UNIVERSIDAD DE ALCALÁ DE HENARES. Señas: Diccionario para la enseñanza de la lengua española para brasileños. 3. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes. 2010.

Diccionario electrónico de la real academia española Disponible en: <www.rae.es>. Acceso el: 21 ene. 2013.

Sitio web

Educar.org

Si te interesa el tema del fútbol, puedes acceder esta página y saber más sobre los campeones de la Copa Libertadores, por ejemplo. Disponible en: <www.educar.org/educacionfisicaydeportiva/futbol/copalibertadores/pasadoscampeones.htm>. Acceso el: 21 ene. 2013.

7º ano

195


Bibliografia

LÍNGUA ESTRANGEIRA MODERNA BECHARA, Suely Fernandes; MOURE, Walter Gustavo. ¡OJO! con los falsos amigos: dicionário de falsos cognatos em espanhol e português. São Paulo: Editora Moderna, 1998. CARVALHO, Ruber. Canto cantum cantorum: de tu amor y mi protesta nace un canto. Santa Cruz de la Sierra (Bolivia): Ed. Mavaru. 1991. ________. Manual de historia de Bolivia: una visión desde la llanura. Santa Cruz de la Sierra (Bolivia): Mavaru, 2005. COLLINS ENGLISH DICTIONARY. Collins dictionary of the English language. London: Collins, 1982. DIAS, G. F. Antropoceno: iniciação à temática ambiental. São Paulo: Gaia, 2002. FLAVIAN, Eugênia; FERNANDEZ, Gretel. Minidicionário Espanhol/Português – Português/Espanhol. São Paulo: Ática, 2008. HOLLET, V.; DUCKWORTH, M. Business objectives. Oxford: Oxford University Press, 2003. IANA, G. Impactos ambientais da política de globalização da Amazônia. In: VIANNA, G; SILVA, M.; DINIZ, N. (Org.). O desafio da sustentabilidade. São Paulo: Perseu Abramo, 2001. IRVINE, M.; CADMAN, M. Commercially speaking. Oxford: Oxford University Press, 2003. KRASHEN, S. Principles and practice in second language Acquisition. Oxford: Pergamon, 1982. LIGHTBOWN, P. M.; SPADA, N. How languages are learned. Hong Kong: Oxford University Press, 1993. LINHARES, M. Y.; SILVA, F. C. T. Terra prometida: uma história da questão agrária no Brasil. Rio de Janeiro: Campus, 1999. MADEIRA, F. A comunicação em língua estrangeira mediada pelo computador: o impacto na precisão. Humanidades, n. 2, Série Letras n. 1, p. 49-68, 2003. ________. Diccionario de la lengua española. 21. ed. Madrid: Real Academia Española, 1992.

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Línguas Estrangeiras Modernas


MELLO, Thiago de. Poetas da América de canto castelhano. São Paulo: Global Editora, 2011. ______. O ensino da forma – retomada da discussão entre os pesquisadores na área de aquisição de língua estrangeira. Trabalhos em Linguística Aplicada, n. 41, p. 105-118, 2003. SECO, Manuel. Diccionario de dudas y dificultades de la lengua española. 9. ed. Madrid: Espasa Calpe, 1996.

6º ano

197


UNIDADE 4

Hist贸ria


Capítulo HISTÓRIA

1

Governos ao longo da história

H

Arquivo/Agência Estado/AE

oje o Brasil é uma República presidencialista, mas nem sempre foi assim. Ao longo da nossa história política, já tivemos diferentes formas de governo. Durante o período colonial – entre 1500 e 1822 –, não tínhamos autonomia política, e nosso território era administrado pela Monarquia portuguesa. A partir de 1822, com a Independência, o Brasil começou a traçar sua trajetória política e, desde então, tivemos diferentes governos – passamos, em 1889, de Monarquia para República, e depois por períodos oligárquicos, ditatoriais e democráticos.

Capa do jornal A Província de São Paulo do dia 16 de novembro de 1889 anuncia com entusiasmo a proclamação da República. Você sabe o que significa viver em uma República?

7º ano

201


Qual a origem das diferentes maneiras de governar? O que formas de governo e regimes políticos significam? Vamos ler o que diz o professor e advogado Fábio Konder Comparato: Formas de governo ou sistemas políticos são as modalidades pelas quais é exercido o chamado poder executivo, como monarquia e república. Regime político é a organização das relações entre governantes e governados, podendo ser democráticos ou não. COMPARATO, Fábio Konder. Regimes políticos. Disponível em: <www.escoladegoverno.org.br/ biblioteca/formacao-governantes/162-regimes-politicos>. Acesso em: 9 maio 2012.

CONHECER MAIS

A origem dos três poderes O Brasil adota a tripartição dos poderes do Estado, como o fazem outros países democráticos da atualidade. O que são os três poderes? Qual a sua origem? A existência dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário remonta à Antiguidade, mas foi no século XVIII que a teoria dos três poderes foi desenvolvida, com o objetivo de garantir um modelo de Estado em que o poder não ficasse centralizado nas mãos de uma pessoa ou de um pequeno grupo social. No século IV a.C., o filósofo grego Aristóteles escreveu pela primeira vez na história sobre a necessidade da separação e do equilíbrio entre os poderes. O filósofo francês Montesquieu, em 1748, escreveu a obra Espírito das leis, desenvolvendo a teoria sobre a divisão dos poderes, que deveriam ser exercidos por diferentes pessoas, cada um com sua função específica e independente, não devendo se sobrepor aos demais.

Esse modelo serviu de base para governos modernos e contemporâneos, baseados nos princípios democráticos. O Poder Executivo é exercido pelo chefe de Estado, seja ele presidente ou rei, que tem como função administrar e gerenciar os negócios do Estado e os interesses coletivos. O Poder Legislativo relaciona-se com o congresso nacional, parlamento, assembleia ou câmaras, os quais têm o dever de elaborar as leis em geral, bem como a função de fiscalizar o Poder Executivo. O Poder Judiciário está ligado aos juízes incumbidos de julgar os fatos e conflitos ocorridos, com base nas leis estabelecidas. Disponível em: <www.brasil.gov.br/noticias/arquivos/2011/06/01/ biblioteca-nacional-comemora-dia-da-imprensa-com-exposição-de-impressos-da-geraçãomimeografo>. Acesso em: 28 jul. 2012.

Essa relação entre o povo e suas lideranças foi se estabelecendo ao longo do tempo e se transformou muito desde o surgimento do Estado, que é entendido como um conjunto de instituições políticas voltadas para a administração da vida em sociedade. Vamos ver como diferentes tipos de governo foram exercidos em outros momentos da história?

RODA DE CONVERSA

As imagens a seguir mostram líderes políticos de diferentes países durante o século XX e início do século XXI. No entanto, elas representam formas de governo distintas. Você sabe diferenciar cada uma delas? Analise as imagens e converse com seus colegas sobre os tipos de governo representados. Troquem ideias sobre o que vocês sabem sobre cada um deles.

202

História


John Stillwell/Pool/Reuters/Latinstock Dida Sampaio/Agência Estado/AE

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os caciques Raoni e Akeaboro, em Brasília, 2007.

©Shen Hong/Xinhua Press/Corbis/ Latinstock

Louise Gubb/Corbis SABA/Latinstock

Primeiro-ministro David Cameron e a rainha Elizabeth II, da Inglaterra, no Palácio de Buckingham, em Londres, 2010.

Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, em Johannesburgo, África do Sul, 1993.

Ex-ditador líbio Muamar Kadafi, em Pequim, China, 2009.

7º ano

203


Durante mais de 2,5 milhões de anos, os seres humanos foram nômades, ou seja, viveram em pequenos grupos de caçadores e coletores e, por isso, percorriam longas distâncias em busca de alimentos. Por volta de 10 mil anos atrás, alguns grupos iniciaram um longo processo de domesticação das plantas e dos animais, o qual transformou parte dos seres humanos em sedentários. Essa transformação, chamada de Revolução Neolítica ou Revolução Agrícola, aconteceu em diferentes regiões do mundo, todas elas próximas a rios, que ofereciam água e terra fértil para a agricultura e a produção de alimentos. Veja no mapa as principais regiões onde se iniciou a atividade agrícola e, posteriormente, onde ocorreu a chamada Revolução Urbana, por volta de 3500 a.C., que marcou o surgimento das primeiras cidades, próximas aos vales fluviais. Os vestígios As primeiras cidades arqueológicos mais antigos indicam que as primeiras sociedades urbanas surgiram na região da Mesopotâmia (atual Iraque). A palavra Mes op ot âmia 0 875 1 750 km significa “terra entre rios”. Foi Fonte: A aurora da humanidade. Rio de Janeiro: Time-Life/Abril Livros, 1993. p. 22-23. (Coleção História em Revista.) nela que agrupamentos humanos se fixaram e, mais tarde, se organizaram para garantir uma produção crescente de alimentos. Essa região, banhada pelos rios Tigre e Eufrates, possibilitou o desenvolvimento da agricultura, pois havia terras férteis, mas a produção do excedente agrícola foi conseguida com a centralização do poder de controlar, gerir e organizar os estoques de alimentos e a construção de diques e canais de irrigação. Foi nesse processo que surgiu o Estado. As primeiras cidades eram cidades-Estado, isto é, centros urbanos independentes, com autonomia política. Nelas encontravam-se símbolos de poder, como os palácios e templos religiosos. A forma de governo dessas cidades era a monarquia teocrática. Nela, o rei era também uma representação divina, considerado um intermediário entre as pessoas e os deuses. O poder sagrado atribuído aos reis era muito comum na Antiguidade. Um exemplo foi o rei Hamurábi, da Babilônia, que unificou grande parte da região mesopotâmica e fundou o Primeiro Império Babilônico por volta de 1700 a.C. Ele governava como representante de Deus e organizou o primeiro código de leis escrito, que estabelecia nas cerca de trezentas sentenças algumas regras comerciais, N

O

L

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História

Ilustração digital: Sonia Vaz

ANTIGUIDADE: O PODER DIVINO DOS REIS


de conduta e de justiça para seus súditos. O Código de Hamurábi, como ficou conhecido, defendia o direito à propriedade e a dignidade da família, com punições baseadas na “Lei de Talião”, isto é, no princípio do “olho por olho, dente por dente”, que aplicava ao culpado punição idêntica ao crime cometido. Também no Antigo Egito, os faraós – como eram chamados os rei egípcios – eram considerados divinos e governavam em nome dos deuses. Os monarcas detinham, além do poder militar, também o poder religioso. O faraó era o proprietário de todas as terras, que eram cultivadas pelos camponeses. Estes formavam a base da sociedade e pagavam ao faraó impostos em produtos ou trabalho. Parte do que produziam era entregue aos celeiros do Estado, administrados por funcionários reais. A distinção entre os governantes e os governados refletia a consolidação de sociedades desiguais, com a formação de uma hierarquia entre os diferentes grupos que as compunham. No topo da pirâmide social havia o governante e a nobreza, um grupo intermediário formado por sacerdotes, militares e altos funcionários públicos, seguidos por comerciantes e artesãos; abaixo, estavam os camponeses, grupo mais numeroso da população, e os escravos. A agricultura era a base da economia egípcia. Durante oito meses os camponeses – chamados felás – dedicavam-se ao cultivo de trigo, cevada, linho e verduras. Durante a época das cheias do rio Nilo, os camponeses eram enviados para a construção de grandes obras, como templos, pirâmides, palácios, diques e canais de irrigação. O poder divino atribuído ao faraó colaborava para o recrutamento de milhares de trabalhadores, que dedicavam meses de esforços às obras do Estado. LER IMAGENS

Bridgeman Art Library/Keystone

Gianni Dagli Orti/Corbis/Latinstock

As imagens a seguir são vestígios arqueológicos que representam governos de antigos povos.

À esquerda, o rei Hamurábi está de pé e recebe do deus Marduk o que parece ser um cetro, símbolo de poder real. Parte superior do Código de Hamurábi (c. 1792-1750 a.C.). Estela cilíndrica de 2,25 m de altura. Originária da Babilônia e exposta no Museu do Louvre, em Paris.

Pintura mural do Egito Antigo. À direita, a deusa egípcia Ísis abençoa um faraó. Ísis tem na cabeça os atributos da deusa Hátor: chifres de vaca e o disco solar. As divindades egípcias frequentemente estavam relacionadas a animais e elementos da natureza.

7º ano

205


1. Descreva cada uma das imagens, atentando para os detalhes. O que há em comum entre elas?

2. Que tipo de governo elas representam? Justifique.

3. Em sua opinião, um representante político deve representar também o poder religioso? Por quê?

AS CIDADES GREGAS Os gregos antigos não fundaram impérios como os babilônios e os egípcios, mas estenderam seus domínios para regiões mediterrâneas além da atual Grécia, como sul da Itália, França, Espanha e Turquia. Nos primeiros tempos da história grega, a civilização micênica – assim chamada por causa do poder da cidade de Micenas naquela época – foi governada por reis, que centralizavam o poder político e controlavam o comércio marítimo do Mediterrâneo. Com o fim dessa sociedade, no século VIII a.C., outras culturas surgiram na região. Entre os séculos VIII e V a.C. formaram-se cidades com diferentes formas de governo. No mundo grego não havia um poder único centralizado. Ele era formado por várias cidades-Estado, chamadas em grego de pólis. O termo política origina-se do grego e refere-se às atividades relacionadas à pólis. Durante um período da sua história conhecido como Arcaico, os gregos desenvolveram o comércio e a agricultura, que eram controlados pela nobreza das cidades, uma elite responsável pela defesa militar e pelo governo local. Os nobres formavam uma aristocracia, isto é, um grupo privilegiado, que detinha o poder econômico e político. Essa aristocracia se mantinha no poder, pois sua condição social era herdada pelo nascimento. Dessa forma, eram sempre as mesmas famílias que governavam, excluindo a maioria da população da participação política. O governo aristocrático da pólis foi substituído em algumas cidades-Estado, como Atenas. Durante o século VI a.C., várias reformas abriram espaço para a participação popular nas decisões da cidade. Foi com o legislador Sólon, em 594 a.C., que as camadas desprivilegiadas ganharam alguma representatividade. A tensão 206

História


social, fruto do descontentamento dos mais pobres, foi amenizada pela implantação de leis que garantiam aos atenienses a participação política, dando início à democracia. A palavra grega demos designa genericamente “povo”, e kratos significa “poder”. Portanto, a democracia, o “governo do povo”, passou a ser praticada em Atenas. No entanto, não eram todos os habitantes que podiam participar da política, apenas os considerados cidadãos, ou seja, os homens livres atenienses. Inicialmente, a cidadania ainda era restrita a uma parcela da sociedade, dividida por renda e na qual permaneciam excluídos os escravos, os estrangeiros e as mulheres. Durante a luta dos cidadãos contra a aristocracia, surgiram governos de tiranos, que eram generais de prestígio popular e que tomavam o poder em nome da maioria. A tirania é uma forma de governo conquistada de maneira ilegítima, geralmente com um golpe de Estado. Mesmo atuando em nome do povo, os tiranos centralizavam o poder na sua pessoa e acabavam governando em benefício próprio. A democracia ateniense consolidou-se com o governo de Clístenes em 509 a.C. Com ele, as diferenças sociais baseadas na origem familiar ou na riqueza pessoal foram abolidas, e a lei estabelecia a igualdade entre todos os cidadãos, isto é, homens livres maiores de 18 anos e nascidos de pai e mãe atenienses. O órgão central da democracia em Atenas era a Eclésia, ou Assembleia, onde os cidadãos se reuniam para discutir e aprovar os assuntos militares e civis da pólis. Além da Eclésia, havia também a Bulé, ou Conselho dos 500, formado por quinhentos cidadãos que se reuniam para discutir os assuntos que seriam votados pela Assembleia. As discussões de interesse público aconteciam na ágora, nome dado à praça central, local destinado ao encontro dos cidadãos. O governo ateniense era uma democracia direta, pois os cidadãos participavam diretamente das decisões políticas, expressando suas opiniões. Atualmente, as democracias são representativas, pois os cidadãos escolhem por meio do voto seus representantes políticos.

LER TEXTO ACADÊMICO E TABELA

Leia o texto sobre participação popular e analise a tabela sobre a confiança da população em algumas instituições. Depois, responda às questões. A ideia central é a de que, embora a representação – e a reforma de seus mecanismos – seja um instrumento importante na democracia moderna, a participação direta não pode ser restrita ao momento do voto. Sem contar com um conjunto de instrumentos de participação popular direta, a representação mostra-se insuficiente para realizar a democracia em sua dimensão mais profunda. Daí a importância dos conselhos setoriais, associações civis, orçamentos participativos e outros espaços que podem vir a ser criados, pautados pelo debate de questões morais e éticas, pela discussão e proposição de novas políticas públicas e pelo controle e fiscalização das políticas implementadas, bem como pelos princípios da publicidade, deliberação pública e prestação de contas permanente, que devem informar os governos democráticos. MENDES, Denise Cristina Vitale Ramos. Representação política e participação: reflexões sobre o déficit democrático. Revista Katál. Florianópolis, v. 10, n. 2, p. 143-153, jul.-dez. 2007. Disponível em: <www.scielo.br/pdf/rk/v10n2/a02v10n2.pdf>. Acesso em: 19 ago. 2012.

7º ano

207


Confiança das instituições Instituições mais confiáveis

Confia (%) Não confia (%) Não souberam / Não responderam (%)

Saldo

Forças Armadas

79

16

5

+63

Igreja Católica

72

24

4

+48

Polícia Federal

70

24

6

+46

Ministério Público

60

30

11

+30

Imprensa

58

33

9

+25

Poder Judiciário

56

37

7

+19

Sindicatos de Trabalhadores

55

38

7

+17

Igreja Evangélica

53

38

8

+15

Governo Federal

52

42

6

+10

Governo Estadual

49

44

7

+5

Instituições menos confiáveis

Confia (%) Não confia (%) Não souberam / Não responderam (%)

Saldo

Prefeitura

47

48

5

−1

Empresários

44

45

11

−1

Assembleia Legislativa

39

54

7

−15

Senado

33

61

6

−28

Câmara dos Vereadores

26

68

6

−42

Câmara dos Deputados

24

68

7

−44

Partidos Políticos

22

72

6

−50

ESPIÑEIRA, Maria Victória; TEIXEIRA, Helder. Democracia, movimentos sociais e nivelamento intelectual: considerações sobre a ampliação da participação política. Caderno CRH, Salvador, v. 21, n. 54., set.-dez., 2008. Disponível em: <www.scielo.br/pdf/ccrh/v21n54/05.pdf>. Acesso em: 19 ago. 2012.

1. Segundo a autora do texto, que outras formas de participação popular direta existem e contri-

buem com a democracia? 2. Você concorda com a autora? Justifique. 3. Com base na tabela, quais as cinco instituições mais confiáveis? 4. E quais as cinco instituições menos confiáveis? 5. Em sua opinião, a que se deve a pouca confiança da população em algumas instituições? 6. Você participa de alguma instituição democrática que represente seus interesses? Relate sua experiência. 7. Você acha que esses dados da tabela mudaram ao longo dos últimos anos? Que tal “atualizar” a

pesquisa, fazendo um levantamento em sua comunidade? Escolha dez pessoas de seu convívio (família, trabalho, clube, bairro etc.) e pergunte em quais instituições cada entrevistado confia e não confia. Registre as respostas e some quantos escolheram cada uma das opções dadas. Traga para a aula os resultados e compartilhe com os colegas. Sugestão: reúna as informações e organize um gráfico representando as porcentagens de representatividade. Você percebeu mudanças? Quais?

208

História


A REPÚBLICA ROMANA Se aos gregos devemos a democracia, aos romanos devemos a República. Inicialmente, Roma foi governada por uma Monarquia. Da fundação da cidade, no século VIII a.C. até 509 a.C., os romanos tiveram reis no poder, que, além do comandarem a política, também eram os chefes religiosos e representavam a Justiça. No final do século VI a.C., os reis etruscos – povo que dominava a realeza – foram expulsos, e os romanos de origem latina assumiram o poder e instauraram a república. Qual a diferença entre a Monarquia e a República? Basicamente, na Monarquia o poder é vitalício e hereditário, isto é, o governante exerce o poder durante toda a vida e é sucedido por seus descendentes. Já na República, os governantes são escolhidos para exercer um mandato por tempo determinado. O nome República vem do latim res publica e significa “coisa pública”. O historiador Newton Bignotto comenta a origem desse conceito: Voltando na história, quando falamos de tradição republicana pensamos de imediato em Cícero (106-43 a.C.), que caracterizava “a coisa pública (res publica) como a coisa do povo, e por povo deve-se entender não um agregado de homens unidos de qualquer maneira, como num rebanho, mas um grupo numeroso de homens associados uns aos outros pela adesão à mesma lei e por uma certa comunidade de interesses”. Essa definição antiga foi o ponto de partida para a reflexão sobre o lugar do povo na vida política. Outro ponto importante foi a referência à república como um regime de leis, que valem para todos os cidadãos. Na modernidade, a defesa do estado de direito baseado na soberania popular foi uma arma fundamental na luta contra as monarquias e as tiranias. BIGNOTTO, Newton. Nós, vós, cidadãos. Revista de História da Biblioteca Nacional, n. 5, nov. 2005. p. 25-27. Disponível em: <www.brasil.gov.br/sobre/o-brasil/republica/nos-vos-cidadaos>. Acesso em: 4 jun. 2012.

Com o advento da república, Roma passou a ser governada pela aristocracia romana, formada pelos grandes proprietários de terras, os patrícios. O poder foi concentrado em instituições políticas, como o Senado (conselho de anciãos dominado pelo patriciado), a magistratura (responsável pela administração e desempenhada pelos cônsules, que governavam por um ano) e os comícios centuriatos e curiatos (assembleias que elegiam os magistrados). Essa estrutura de governo mantinha afastada a ameaça de retorno da realeza ao poder e garantia o governo aristocrático de Roma, pois os patrícios eram os únicos a ocupar os altos cargos das instituições republicanas. Já os plebeus, população livre, mas que não tinha participação política, pressionaram a elite governante exigindo direitos de representação na república, o que aconteceu só a partir de 494 a.C., com a instituição dos Tribunos da Plebe. Mesmo com a conquista de alguns direitos, tensões sociais ocorriam entre patrícios e plebeus. Estes desejavam o fim da escravidão por dívida, a garantia de acesso às terras conquistadas militarmente, o direito legal de casar com os patrícios e de participar das votações no Senado. Entre os séculos V e II a.C., 7º ano

209


manifestações populares foram ampliando os direitos dos plebeus e promovendo mudanças na legislação romana. Um marco nesse processo foi a publicação da Lei das Doze Tábuas, em 450 a.C., o primeiro código de leis escritas e válido para todos os romanos. A principal contribuição desse código foi, pela primeira vez no mundo antigo, separar a Justiça da religião. As leis eram obra dos romanos, e não mais atribuídas à revelação dos deuses. Como afirmou o romano Tito Lívio: “Aquilo que os sufrágios do povo em último lugar ordenaram, é a lei”. Segundo o historiador francês Fustel de Coulanges, com a Lei das GLOSSÁRIO Sufrágio: processo Doze Tábuas, o direito romano inovou ao declarar que o legislador rede escolha por votação, eleição. presentava a partir de então a vontade popular, e não mais a tradição religiosa. Para o historiador, tal legislação teve as seguintes consequências: Primeiro, a de a lei já não se apresentar como fórmula imutável e indiscutível. Ao tornar-se obra humana, reconhece-se sujeita a alterações. [...] Outra consequência é: a lei que anteriormente era parte da religião e, por conseguinte, patrimônio das famílias sagradas, tornou-se propriedade comum de todos os cidadãos. O plebeu pode invocá-la e mover ação em justiça. COULANGES, Fustel de. A cidade antiga. São Paulo: Hemus, 1975. p. 247.

LER DOCUMENTO

O texto a seguir foi escrito por Cícero, filósofo e político romano, no século I a.C. Ele fala sobre a conduta de um candidato a cargos políticos na República Romana. Para ganhar o favor popular, o candidato deve conhecer os eleitores por seu nome, elogiá-los e bajulá-los, ser generoso, fazer propaganda e levantar-lhes a esperança de um emprego no governo [...]. A generosidade é um tema amplo. Talvez sua renda privada não possa atingir todo o eleitorado, mas seus amigos podem ajudá-lo a agradar a plebe. Ofereça banquetes e providencie que seus amigos façam o mesmo, procurando atingir os eleitores ao acaso e o eleitorado específico de cada tribo [...]. Quanto à sua imagem, espalhe que você fala bem, que os coletores de impostos e a classe média gostam de você, que os nobres o estimam, GLOSSÁRIO que os jovens se amontoam a sua volta, assim como os clientes que Clientes: categoria social formada por agregados das você já defendeu, e que veio gente do campo e de cidades do interior, famílias patrícias e que manaté Roma, explicitamente para apoiar a sua campanha. Faça com que tinham laços de dependência os eleitores falem e pensem que você os conhece bem, [...] que você fez com elas. promessas para todo mundo e que as cumpriu, realmente, para a maior Tribo: organização social romana que classificava os parte das pessoas. cidadãos de acordo com Sua campanha, na medida do possível, deve levantar contra seus sua origem ou local de residência. adversários suspeitas negativas, apropriadas a suas personalidades, envolvendo crimes, vícios e corrupção [...]. CÍCERO. Notas sobre as eleições, versículos 41, 50, 52, 54. In: FUNARI, Paulo Pedro Abreu. Roma: vida pública e vida privada. São Paulo: Atual, 1993. p. 26.

210

História


1. Descreva os conselhos dados por Cícero aos candidatos romanos.

2. Há semelhanças entre a conduta eleitoral na Roma Antiga e as campanhas de candidatos da

atualidade? Exemplifique.

3. Que postura você considera correta em uma campanha para a eleição a cargos políticos? Por quê?

A República romana caracterizou-se pela expansão territorial por meio de investidas militares. A partir de Roma, estendeu seus domínios para regiões da Europa, da Ásia e da África, consolidando conquistas de outros povos, terras e riquezas. Porém, as guerras de conquista acabaram fortalecendo os generais, responsáveis pelas estratégias nas batalhas, treinamentos dos exércitos e controle das fronteiras. Após conflitos sociais e entre os aristocratas do governo republicano, generais romanos tomaram o poder e instituíram um império. O Senado continuou a existir, porém o poder supremo era do imperador. Tinha fim a República.

Museu do Vaticano, Roma. Foto: Nimatallah/Album/ Akg-Images/Latinstock

NEM TODO IMPERADOR É REI, NEM TODO REI É IMPERADOR

Augusto de Prima Porta, séc. I, cópia de um original de c. 20 a.C. Escultura em mármore, 2,04 m de altura. Museu do Vaticano, Roma. Estátua representando o primeiro imperador romano, Otávio Augusto, que usa uma toga (vestimenta exclusiva dos cidadãos) e um colete militar, indicando que ele é general.

7º ano

211


Ilustração digital: Sonia Vaz

Territórios do Império Romano

N O

L

0

265

530 km

S

Fonte: CATELLI JR., Roberto. História: texto & contexto: Ensino Médio, v. único. São Paulo: Scipione, 2006. p. 113.

O mapa representa os territórios pertencentes ao Império Romano no século II. Roma era a capital do império, que se estendia por regiões de três continentes: Europa, África e Ásia.

Durante cerca de cinco séculos, entre 27 a.C. e 476, os imperadores se alternaram no governo de um vasto território, buscando conter as crises socioeconômicas internas e assegurar a posse dos territórios conquistados anteriormente. O poder dos imperadores estava associado ao poder militar. As tensões existentes entre os grupos sociais romanos (patrícios e plebeus), somadas à chegada de povos germânicos vindos do norte e do leste da Europa, regiões de fora do domínio romano, acabaram desestabilizando o governo centralizado. A unidade política imperial acabou. Na periodização tradicional da história, a chamada queda do Império Romano do Ocidente, em 476, marca a passagem da Idade Antiga para a Idade Média. Nos séculos seguintes, as relações políticas, sociais e econômicas se reorganizaram na Europa ocidental e deram origem a uma nova civilização, a medieval.

212

História


CONHECER MAIS

Períodos históricos logicamente os acontecimentos, mas valoriza principalmente aqueles que estão relacionados com a história europeia. Portanto, tais divisões podem ser questionadas e são apenas referências para estudo. Os processos históricos podem ser vistos a partir de outras relações e aspectos que não os europeus. Para nos localizarmos no tempo, usamos calendários, que partem de um acontecimento considerado fundamental para a contagem da história de um povo. Já existiram muitos calendários que deixaram de ser usados e outros que ainda servem de referência de tempo para diferentes povos da atualidade. Temos o calendário judaico, o muçulmano, o chinês, o hindu e o cristão (ou gregoriano), entre outros. Por tradição cultural, nós adotamos o calendário baseado no Cristianismo, que estabelece a contagem da história a partir do nascimento de Jesus Cristo (ano 1). Por isso, as datas antes desse acontecimento são acrescidas da sigla a.C., que significa “antes de Cristo”, para diferenciar dos acontecimentos da era cristã (d.C., “depois de Cristo”). Ilustração digital: Llinares

Os historiadores costumam dividir a história em períodos, isto é, uma quantidade de tempo que tem características específicas. Essas divisões buscam facilitar a localização dos acontecimentos no tempo e relacioná-los a um contexto histórico mais abrangente. Tradicionalmente, a trajetória humana é dividida entre a Pré-história e a História, tendo como marco divisório o surgimento da escrita na região da Mesopotâmia. Essa divisão foi adotada quando o conceito de documento histórico era restrito aos documentos escritos. Atualmente, considera-se documento todo registro que informe sobre as atividades humanas, seja ele escrito, visual, sonoro, oral ou da cultura material. A História é dividida em quatro períodos: Idade Antiga (ou Antiguidade), Idade Média, Idade Moderna e Idade Contemporânea. Os marcos históricos adotados estão relacionados especificamente com a história política da Europa, portanto, tal divisão do tempo não contempla a história mundial. Assim, a periodização nos ajuda a organizar crono-

PRÉ-HISTÓRIA

IDADE ANTIGA

IDADE MÉDIA

IDADE MODERNA

IDADE CONTEMPORÂNEA

Linha do tempo sem escala

Na Europa, nos territórios do extinto Império Romano do Ocidente, formaram-se reinos que estabeleceram governos monárquicos em territórios que estavam se consolidando. Durante séculos, os europeus presenciaram a formação e a dissolução de reinos e de impérios. Qual a diferença entre reino e império? Basicamente, um reino é um território governado por um rei, enquanto um império é uma unidade política estabelecida a partir de conquistas territoriais (militares, econômicas, culturais). Assim, um rei que conquista outros povos pode se tornar um imperador, mas um imperador não precisa ser rei, como aconteceu durante o Império Romano. Um exemplo de rei que se tornou imperador é Carlos Magno, rei dos francos a partir de 768. Além de governar o Reino dos Francos, ele conquistou novos territórios na Europa e fundou um vasto império, conhecido como Império Carolíngio. 7º ano

213


Com o apoio da Igreja, o soberano expandiu o cristianismo pela Europa, estimulou atividades culturais e artísticas, fundou mosteiros, converteu outros povos à fé cristã e buscou unificar os territórios conquistados, como ocorrera durante o Império Romano. A grande maioria dos reis medievais exercia autoridade dentro dos seus domínios pessoais, ou seja, em suas terras. Eles determinavam as leis, tinham seus exércitos, e seus súditos seguiam as regras e os costumes determinados. Os monarcas buscavam estabelecer seu poder por meio de acordos, tratados, casamentos e guerras, em momentos que alternavam unificação e fragmentação dos domínios das famílias nobres.

MOMENTO DA ESCRITA

Retome os conteúdos estudados no capítulo e escreva um texto comparando os governos criados na Idade Antiga com os implantados na Idade Média. Estabeleça relações de semelhança e diferença entre eles, evidenciando as principais características de cada período. Para completar, releia as imagens da atividade “Roda de conversa” no início do capítulo. Você sabe indicar algumas diferenças e semelhanças entre esses atuais governos e os antigos? Se precisar, troque informações com os colegas ou pesquise os governantes representados nas fotografias.

O PODER ABSOLUTO DOS REIS Entre os séculos XII e XVII, reis governaram na Europa, estabelecendo Estados monárquicos centralizados. Tais governos ficaram conhecidos como monarquias nacionais absolutistas. O Estado absolutista caracterizava-se pelo poder quase ilimitado do rei, que centralizava a autoridade, impondo leis a todos os habitantes do reino. Consolidado no século XVI, o Absolutismo foi um período da história em que a nobreza governou para manter seus privilégios aristocráticos. Por exemplo, a organização política era sustentada pela cobrança de impostos, tanto dos camponeses como da burguesia mercantil, isto é, dos comerciantes que enriqueceram a partir dos séculos XIV e XV. Os nobres, no entanto, ficavam isentos desses pagamentos. O Estado nacional ou moderno foi resultado de um longo processo de unificação política dos territórios, com a criação de leis, impostos, moedas, exército, burocracia, e com um governo soberano. Um exemplo de monarca absolutista foi o rei francês Luís XIV, conhecido como o “Rei Sol”, que governou a França entre 1643 e 1715, e a quem é atribuída a frase “O Estado sou eu”. Ele defendia seu poder absoluto como originário de Deus, portanto, não passível de ser contestado. Ele é tido como o exemplo clássico do poder absoluto, também identificado como um tipo de despotismo, pois o poder concentrava-se na sua pessoa. Mas o Absolutismo variou entre as monarquias europeias da Idade Moderna. Na Espanha, 214

História


Palácio de Versalhes, França. Foto: The Bridgeman Art Library/Keystone

os reis absolutistas governavam com base em um poder estabelecido por princípios legais, e não religiosos, definidos por um contrato entre o rei e a sociedade. Na Inglaterra, desde o século XIII, o Parlamento restringiu o poder dos reis, fazendo com que o Estado nacional e a Monarquia inglesa desenvolvessem outro sistema de governo, a Monarquia parlamentarista. Nela, a figura do rei é mais simbólica, ficando o Poder Executivo nas mãos do primeiro-ministro, escolhido pelo Parlamento. O Absolutismo teve fim com a Revolução Francesa. Muitas monarquias, tanto na Europa como nas terras colonizadas da América, foram abolidas e substituídas por sistemas republicanos.

Pierre-Denis Martin. Vista do Palácio de Versalhes a partir da praça das Armas, 1722. Óleo sobre tela, 139 × 150 cm. Musée National du Château de Versailles et du Trianon, Versalhes. O Palácio de Versalhes foi construído pelo rei Luís XIV, a partir de 1664. Em 1682, ele mudou a sede do governo de Paris para lá, porém, em 1789, com a Revolução Francesa, a família real foi forçada a voltar à capital. Nesse período, Versalhes foi símbolo do poder do Antigo Regime na França. O castelo é um patrimônio da humanidade.

LER TEXTO ACADÊMICO

Enquanto no Oriente Médio e na Europa, durante a Antiguidade e o período medieval, implantavam-se sistemas de governo diversos, o continente africano também desenvolvia maneiras de organizar politicamente suas sociedades. O texto a seguir fala sobre formas de governo em sociedades africanas que se desenvolveram do litoral do Senegal a Moçambique até o século XVI.

7º ano

215


As lideranças nessas comunidades também eram em grande parte sustentadas pelo sobrenatural. Depois de serem reconhecidos como líderes pelos membros dos seus grupos, os chefes tinham de ser confirmados pelos sacerdotes mais importantes, que trabalhavam pelo bem-estar de toda a comunidade. Esses sacerdotes consultavam as entidades sobrenaturais adequadas, fossem elas espíritos ancestrais, deuses locais, espíritos de chefes fundadores de comunidades ou espíritos responsáveis pelos recursos naturais da região. Por meio de ritos apropriados, os chefes eram confirmados pelas forças sobrenaturais e tornavam-se os mais importantes intermediários entre elas e os membros da comunidade. Além de serem a autoridade máxima, eles eram também os mais importantes representantes do além entre os seres vivos. Se considerarmos que a relação com o sobrenatural e todas as crenças e cerimônias necessárias para que ela se estabeleça são formas de religião, podemos dizer que esta era um elemento central em todas as sociedades africanas. MELLO E SOUZA, Marina. África e Brasil africano. São Paulo: Ática, 2006. p. 45.

1. Caracterize o poder político nas sociedades africanas segundo o texto. 2. Compare a relação entre poder e religião nessas sociedades africanas e em outras sociedades es-

tudadas no capítulo. 3. As formas de governo dessas sociedades africanas podem ser consideradas teocráticas? Justifique. 4. Você sabe se atualmente existem governos considerados teocráticos? Faça uma pesquisa sobre o

assunto e compartilhe com seus colegas.

APLICAR CONHECIMENTOS

Martins Fontes

1. Enem (2010)

QUINO. Toda Mafalda. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

Democracia: “regime político no qual a soberania é exercida pelo povo, pertence ao conjunto dos cidadãos”. JAPIASSÚ, H.; MARCONDES, D. Dicionário básico de Filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 2006.

216

História


Uma suposta “vacina” contra o despotismo, em um contexto democrático, tem por objetivo a) impedir a contratação de familiares para o serviço público. b) reduzir a ação das instituições constitucionais. c) combater a distribuição equilibrada de poder. d) evitar a escolha de governantes autoritários. e) restringir a atuação do Parlamento. 2. Enem (2009) O Egito é visitado anualmente por milhões de turistas de todos os quadrantes do

planeta, desejosos de ver com os próprios olhos a grandiosidade do poder esculpida em pedra há milênios: as pirâmides de Gizeh, as tumbas do Vale dos Reis e os numerosos templos construídos ao longo do Nilo. O que hoje se transformou em atração turística era, no passado, interpretado de forma muito diferente, pois a) significava, entre outros aspectos, o poder que os faraós tinham para escravizar grandes contingentes populacionais que trabalhavam nesses monumentos. b) representava para as populações do alto Egito a possibilidade de migrar para o sul e encontrar trabalho nos canteiros faraônicos. c) significava a solução para os problemas econômicos, uma vez que os faraós sacrificavam aos deuses suas riquezas, construindo templos. d) representava a possibilidade de o faraó ordenar a sociedade, obrigando os desocupados a trabalharem em obras públicas, que engrandeceram o próprio Egito. e) significava um peso para a população egípcia, que condenava o luxo faraônico e a religião baseada em crenças e superstições. 3. Enem (2009) O que se entende por Corte do Antigo Regime é, em primeiro lugar, a casa de habitação dos reis de França, de suas famílias, de todas as pessoas que, de perto ou de longe, dela fazem parte. As despesas da Corte, da imensa casa dos reis, são consignadas no registro das despesas do reino da França sob a rubrica significativa de Casas Reais. ELIAS, N. A sociedade de corte. Lisboa: Estampa, 1987.

Algumas casas de habitação dos reis tiveram grande efetividade política e terminaram por se transformar em patrimônio artístico e cultural, cujo exemplo é a) o palácio de Versalhes. b) o Museu Britânico. c) a catedral de Colônia. d) a Casa Branca. e) a pirâmide do faraó Quéops. 7º ano

217


4. Enem (2009) Segundo Aristóteles, “na cidade com o melhor conjunto de normas e naquela dotada de homens absolutamente justos, os cidadãos não devem viver uma vida de trabalho trivial ou de negócios — esses tipos de vida são desprezíveis e incompatíveis com as qualidades morais —, tampouco devem ser agricultores os aspirantes à cidadania, pois o lazer é indispensável ao desenvolvimento das qualidades morais e à prática das atividades políticas”. VAN ACKER, T. Grécia: a vida cotidiana na cidade-Estado. São Paulo: Atual, 1994.

O trecho, retirado da obra Política, de Aristóteles, permite compreender que a cidadania a) possui uma dimensão histórica que deve ser criticada, pois é condenável que os políticos de qualquer época fiquem entregues à ociosidade, enquanto o resto dos cidadãos tem de trabalhar. b) era entendida como uma dignidade própria dos grupos sociais superiores, fruto de uma concepção política profundamente hierarquizada da sociedade. c) estava vinculada, na Grécia Antiga, a uma percepção política democrática, que levava todos os habitantes da pólis a participarem da vida cívica. d) tinha profundas conexões com a Justiça, razão pela qual o tempo livre dos cidadãos deveria ser dedicado às atividades vinculadas aos tribunais. e) vivida pelos atenienses era, de fato, restrita àqueles que se dedicavam à política e que tinham tempo para resolver os problemas da cidade. 5. Enem (2009) No período 750-338 a. C., a Grécia antiga era composta por cidades-Estado, como Atenas, Esparta, Tebas, que eram independentes umas das outras, mas partilhavam algumas características culturais, como a língua grega. No centro da Grécia, Delfos era um lugar de culto religioso frequentado por habitantes de todas as cidades-Estado. No período 1200-1600 d.C., na parte da Amazônia brasileira onde hoje está o Parque Nacional do Xingu, há vestígios de quinze cidades que eram cercadas por muros de madeira e que tinham até dois mil e quinhentos habitantes cada uma. Essas cidades eram ligadas por estradas a centros cerimoniais com grandes praças. Em torno delas havia roças, pomares e tanques para a criação de tartarugas. Aparentemente, epidemias dizimaram grande parte da população que lá vivia. Folha de S.Paulo, ago. 2008 (adaptado).

Apesar das diferenças históricas e geográficas existentes entre as duas civilizações, elas são semelhantes, pois a) as ruínas das cidades mencionadas atestam que grandes epidemias dizimaram suas populações. b) as cidades do Xingu desenvolveram a democracia, tal como foi concebida em Tebas. c) as duas civilizações tinham cidades autônomas e independentes entre si. d) os povos do Xingu falavam uma mesma língua, tal como nas cidades-Estado da Grécia. e) as cidades do Xingu dedicavam-se à arte e à filosofia tal como na Grécia. 218

História


PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS

Livros

A cidade antiga

O livro pretende ser um tratado sobre o desenvolvimento da civilização greco-romana. Disseca o nascimento, a evolução e a queda da cidade-Estado, bem como suas instituições jurídicas, sociais e religiosas. COULANGES, Fustel de. A cidade antiga. Rio de Janeiro: Ediouro, 2012.

Grécia Antiga

O livro oferece interpretações da cultura grega clássica, devotando a mesma atenção aos aspectos sociais, econômicos e intelectuais que à política e à guerra. CARTLEDGE, Paul (Org.). Grécia Antiga. Rio de Janeiro: Ediouro, 2009. (Coleção História Ilustrada.)

Sociedade e política na Roma Antiga

Um panorama das mudanças ocorridas nas instituições e nas práticas políticas romanas desde a Monarquia até o Império, revelando que os diversos conflitos entre os grupos sociais então vigentes estiveram na base da construção da glória de Roma, assim como de sua decadência. CORASSIN, Maria Luiza. Sociedade e política na Roma Antiga. São Paulo: Atual, 2004.

Filmes

Gladiador

Um general romano, transformado em gladiador, luta para sobreviver na arena, onde ocorrem os espetáculos da política do pão e circo do Império Romano. Direção: Ridley Scott. Estados Unidos, 2000, 155 min.

Grandes civilizações

Documentário sobre a formação da Grécia Antiga, com suas principais realizações políticas e culturais. Grandes civilizações: a Grécia Antiga. Documentário da TV Escola. 2 episódios. Disponível em: <http://tvescola.mec.gov.br/index.php?option=com_ zoo&view=item&item_id=1608> e <http://tvescola.mec.gov.br/index.php?option=com_zoo&view=item&item_id=1609>. Acesso em: 10 maio 2012.

Júlio César, imperador de Roma

Documentário que conta a história de um dos mais conhecidos generais romanos. Documentário da TV Escola. Disponível em: <http://tvescola.mec.gov.br/index.php?option=com_zoo&view=item&item_id=6346>. Acesso em: 10 maio 2012.

Spartacus

Um soldado comprado como escravo e treinado para ser um gladiador lidera uma revolta de escravos contra a política romana. Direção: Stanley Kubrick. Estados Unidos, 1960, 185 min.

Site

Regimes políticos

A Escola de Governo, fundada em 1991, oferece cursos a todos os que participam direta ou indiretamente da gestão pública, isto é, os que tomam as decisões e os que as influenciam. Há artigos e notícias disponíveis sobre temas relacionados a formas de governo. COMPARATO, Fábio Konder. Regimes políticos. Disponível em: <www.escoladegoverno.org.br/biblioteca/formacao-governantes/162-regimes-politicos>. Acesso em: 13 jun. 2012.

7º ano

219


Capítulo HISTÓRIA

2

Pensar e fazer política: um mundo contemporâneo

N

©Ervin Sarkisov/Demotix/Corbis/Latinstock

o mundo contemporâneo, frequentemente vemos notícias de conflitos, manifestações e rebeliões. Muitas vezes, elas vêm de países distantes, que nem sabemos ao certo onde se localizam; porém, elas também podem ocorrer na nossa cidade ou até mesmo na nossa comunidade. Em geral, nesses episódios, interesses de grupos diferentes estão em disputa. Seja como for, pode-se dizer que essas manifestações são formas de fazer política. A política está ligada ao fato de participarmos da cidade ou da comunidade onde vivemos. Além dos conflitos e manifestações, existem também outras formas de fazer política, ou seja, de atuar na e para a sociedade da qual fazemos parte. Em todos os casos, trata-se de uma ação coletiva, da qual nenhum ser humano pode abrir mão. O modo como participamos da nossa sociedade, ou seja, de como agimos politicamente, se tornou mais parecido com o do mundo atual a partir do final do século XVIII. Neste capítulo estudaremos alguns episódios e conflitos que colaboraram não apenas para essa forma contemporânea de fazer política, mas também modificaram o jeito como vivemos, pensamos e sentimos. Para isso, começaremos refletindo sobre o que é ser moderno e ser contemporâneo.

Manifestantes ocupam a Praça da Porta do Sol em Madri, Espanha, 2011. O movimento, que se tornou conhecido como Occupy, espalhou-se por diversas cidades do mundo. Esse é um dos modos possíveis de fazer política.

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História


LER TEXTO CIENTÍFICO

A seguir, um fragmento do livro Tudo o que é sólido desmancha no ar, escrito pelo filósofo estadunidense Marshall Berman. Leia o texto e depois responda às questões. Modernidade ontem, hoje e amanhã Existe um tipo de experiência vital — experiência de tempo e espaço, de si mesmo e dos outros, das possibilidades e perigos da vida — que é compartilhada por homens e mulheres em todo o mundo, hoje. Designarei esse conjunto de experiências como “modernidade”. Ser moderno é encontrar-se em um ambiente que promete aventura, poder, alegria, crescimento, autotransformação e transformação das coisas em redor — mas ao mesmo tempo ameaça destruir tudo o que temos, tudo o que sabemos, tudo o que somos. A experiência ambiental da modernidade anula todas as fronteiras geográficas e raciais, de classe e nacionalidade, de religião e ideologia: nesse sentido, pode-se dizer que a modernidade une a espécie humana. Porém, [...] ela nos despeja a todos num turbilhão de permanente desintegração e mudança, de luta e contradição, de ambiguidade e angústia. [...] As pessoas que se encontram em meio a esse turbilhão estão aptas a sentir-se como as primeiras, e talvez as últimas, a passar por isso [...]. Na verdade, contudo, um grande e sempre crescente número de pessoas vem caminhando através desse turbilhão há cerca de quinhentos anos. [...]

GLOSSÁRIO

Ambiguidade: qualidade de algo que tem mais de um sentido, muitas vezes opostos entre si. Desintegração: desagregação; ato de perder a unidade. Fronteiras geográficas: são os limites que separam países vizinhos. Podem ser naturais, como um rio ou uma cadeia de montanhas, ou apenas linhas imaginárias delimitadas pelo ser humano por meio de acordos e tratados. Turbilhão: grande agitação que envolve coisas e pessoas de modo rápido e intenso.

BERMAN, Marshall. Tudo o que é sólido desmancha no ar: aventura da modernidade. São Paulo: Companhia das Letras, 1986. p. 15-16.

1. Grife no texto a frase na qual o autor define o que é ser moderno. 2. De acordo com essa definição, por que o autor afirma que ser moderno pode nos colocar também

em um turbilhão de “angústia”, entre outros sentimentos? Explique sua resposta. 3. Para o autor, a modernidade faz nossa vida passar por muitas mudanças. Isso também ocorre

com você? Para responder, escreva um pequeno texto refletindo sobre as principais mudanças que você viveu nos últimos dez anos. Que acontecimentos você considera positivos e de que coisas do passado mais sente falta?

LER DEPOIMENTO

Leia um depoimento de Maria Elba de Souza Silva, moradora de Juruti (PA), falando sobre as transformações sofridas ao longo dos anos no lugar em que vive. Juruti era só uma casinha aqui, outra casa lá. Onde é essa rua da igreja, era só um caminho e uma igreja pequena. Depois de muitos anos, o Frei Patrício fez a nossa paróquia. E tinha o “nosso” Jará, um lago, em que se tinha a paz de tomar banho. A gente andava pelo igapó, lá onde era o riacho grande, um riacho bonito, a água batia por aqui de fundura, uma areia bem clara. Era muito bonito! A gente tomava banho e pulava na água pra pegar um, pegar outro, era assim. Era divertida mesmo aquela

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brincadeira que a gente fazia! Às vezes, convidava outros colegas, mas era pouca gente, eram três casas que tinha aqui nessa rua – uma lá no canto, a nossa aqui e outra, do nosso tio. Agora tudo isso já é casa por lá, o resto já foi tudo ocupado por casas, casa de taipa... tem cada casa de alvenaria ali! “Não vai lá no Jará?” Agora não existe mais esse nosso Jará. Só tem lá mais pra baixo, mas pra cá pra cima, não tem mais nada. E nós tínhamos um terreno lá no Jará. Era o nosso lugar de trabalhar, de tomar banho. Lá nós plantávamos a mandioca para fazer a farinha, o tucupi que a minha mãe fazia, para o nosso mantimento. Transformações amazônicas. São Paulo: Museu da Pessoa, 2010. Disponível em: <www.museudapessoa.net/amazonia/pdf/educadores2.pdf>. Acesso em: 10 fev. 2012.

1. Quais foram as principais mudanças ocorridas em Juruti, segundo Maria? 2. Na atividade anterior, vimos que uma das características da modernidade é fazer com que as coisas

mudem muito rápido. Em sua opinião, pode-se dizer que Maria é uma pessoa moderna? Por quê? 3. A cidade na qual você nasceu ou foi criado também passou por mudanças como as vividas por

Maria? Se sim, escreva quais foram as principais.

REVOLUÇÃO FRANCESA E UM MUNDO CONTEMPORÂNEO Quando dizemos que alguma coisa é “contemporânea” a outra, quer dizer que as duas pertencem à mesma época. Esse termo pode ser usado também para se referir ao agora. Tudo o que é contemporâneo pertence temporalmente ao presente. Mas, quando falamos de História, o que é a Idade Contemporânea? E por que ela recebe esse nome? A Idade Contemporânea é um período que começa em 1789 e segue até os dias de hoje. Na data que marca o seu início, ocorreu uma série de revoltas que ficou conhecida como Revolução Francesa. Segundo os historiadores, há uma continuidade entre as mudanças que aconteceram a partir desse evento e a época atual. Pode-se afirmar que os ideais presentes nessa revolução espalharam-se pelo mundo, e que alguns de seus aspectos continuam presentes em nossa sociedade. Vale destacar também que a palavra “revolução” é usada na História para se referir a uma grande mudança que ocorre de forma brusca, repentina. Na vida política, por exemplo, os processos considerados revolucionários normalmente são aqueles no qual um regime ou um Estado dá lugar a outro em um período curto, seja por meio de protestos, ou até pelo uso da força. Que transformações rápidas foram essas que ganharam o nome de Revolução Francesa? No século XVIII foram difundidas na Europa ideias iluministas. O Iluminismo pretendia desenvolver a razão, levando o indivíduo à liberdade de escolha sobre os assuntos de sua vida. Seus pensadores exaltavam o progresso e a ciência. Muitos reis da Europa, que tinham poderes absolutos, passaram a compartilhar desse pensamento e governavam com a ajuda de intelectuais. Esse contexto favoreceu grandes mudanças nas sociedades europeias. 222

História


GLOSSÁRIO

Burguesia: nome dado à classe social que surgiu na Europa entre os séculos XI e XII e que vivia nos burgos (cidades), dedicando-se principalmente ao comércio e à prestação de serviços. A partir da Revolução Industrial (século XVIII), os burgueses passaram a ser os donos dos meios de produção, ou seja, da fábrica e das máquinas, opondo-se a outra classe social conhecida como classe operária (os trabalhadores). Atualmente, esse termo ainda é usado para se referir à classe social dominante. Constituição: conjunto de leis fundamentais do país, que regula a forma de governo, a formação dos poderes públicos, os direitos e deveres dos cidadãos, entre outros aspectos. Intelectuais: aqueles que se dedicam a estudar e refletir sobre temas importantes para a sociedade, sendo reconhecidos pelo meio social onde vivem por exercer essa função.

Album/Akg-images/Latinstock

Na França, a sociedade era dividida em três estados: o clero, que possuía muito poder e muita riqueza; a nobreza, dotada de privilégios e propriedades; e o terceiro estado, no qual estava o restante da população. Este último englobava os camponeses pobres, os artesãos e a burguesia. Alguns burgueses, como os grandes comerciantes, possuíam riquezas, mas não exerciam poder político. Os impostos também eram pagos pelo terceiro estado, que não tinha, porém, benefícios por isso. Aliado a esse quadro — no qual a burguesia reivindicava poder e a nobreza não queria abrir mão dos seus privilégios —, a população francesa enfrentava uma grave crise, já que a maior parte do seu sustento vinha do trabalho no campo e as colheitas da década de 1780 foram muito ruins. Assim, grande parte da população passava fome e, como o país ainda era pouco industrializado, não encontrava emprego nas fábricas.

Pierre-Gabriel Berthault a partir de desenho de Jean-Louis Prieur. Demolição da estátua do rei. Gravura em metal, 1795. Neste desenho está representado um episódio da Revolução Francesa, quando os revoltosos derrubaram a estátua do rei Luís XIV na praça da Vitória, em Paris. Esse ato simbolizou a queda da Monarquia absolutista e o começo de uma nova era.

Nessa época, diversas revoltas começaram a ocorrer nas cidades. Pressionado, o rei Luís XVI, que governava a França, marcou para 1788 uma reunião com a participação dos três estados. Mas, como não chegaram a um acordo satisfatório para o terceiro estado, seus representantes, que eram maioria, reuniram-se e exigiram que suas propostas fossem acatadas, ou não pagariam mais impostos. Eles exigiram também que fosse elaborada uma Constituição.

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Os conflitos espalharam-se pelas ruas e a população ocupou um hospital do exército onde armas eram armazenadas. Como acreditavam que as munições estavam escondidas na Bastilha, uma prisão de Paris, os manifestantes se dirigiram para lá e dominaram o lugar. Esse episódio, ocorrido em 14 de julho de 1789, é conhecido como a tomada da Bastilha e marca o início da Revolução Francesa, processo revolucionário que durou mais alguns anos e derrubou o governo absolutista, no qual o rei e a nobreza tinham plenos poderes, proclamando, mais tarde, a República. Um dos episódios da Revolução Francesa mais conhecidos foi a criação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, aprovada em 1789. Nesse documento, foram estabelecidos direitos mantidos até hoje nas sociedades democráticas, como a igualdade perante a lei, o direito à propriedade privada e a garantia de inocência até que se prove a culpa do indivíduo.

CONQUISTAS DA BURGUESIA O marco da Revolução Francesa é o ano de 1789, quando GLOSSÁRIO Absolutismo: sistema de governo no qual o a Bastilha foi tomada pelos revolucionários. Porém, ocorreram poder é absoluto, ou seja, pertence a uma nessa revolução vários outros episódios. Em uma primeira fase, só pessoa, que comanda sem ter de se remeter a um parlamento ou à sociedade o absolutismo foi derrubado. A Monarquia foi mantida, mas em geral. Esse sistema teve origem na ela devia se submeter à Constituição. Numa segunda etapa, em França, baseado em teorias que defendiam o direito divino do rei em exercer o seu setembro de 1792, a República foi proclamada, e o rei Luís XVI, poder. Esteve presente em muitas nações europeias, principalmente entre os séculos que estava no poder, condenado à morte na guilhotina. XVI e a primeira metade do século XIX. A Uma das principais mudanças trazidas por essa revolução Revolução Francesa foi o principal símbolo de combate a esse regime. foi acabar com os privilégios da nobreza, criando leis que garantiam direitos iguais a todos. Porém, as desigualdades econômicas continuaram existindo, e a classe mais privilegiada com as transformações foi a burguesia. O exército também passou a permitir que homens de origem não nobre pudessem alcançar cargos superiores. Isso permitiu, por exemplo, a ascensão nas forças armadas da França de um jovem nascido na ilha de Córsega: Napoleão Bonaparte. Após a vitória dos revolucionários franceses, muitas nações na Europa, como Áustria, Inglaterra, atual Holanda e Espanha, juntaram-se para impedir que os ideais iluministas se espalhassem pelo continente. Ocorreram diversas guerras nas quais Napoleão demonstrou sua capacidade como militar, tornando-se muito popular na França. Isso facilitou que, em 1799, ele organizasse um golpe militar para tomar o poder no país, que ficou conhecido como 18 Brumário. No período em que Napoleão governou a França, a burguesia conseguiu aumentar ainda mais seus privilégios. Algumas medidas, como a criação do Banco da França e investimentos em obras públicas, desenvolveram a economia, favorecendo os interesses burgueses. Além disso, em 1804, passou a vigorar o Código Napoleônico, que, entre outras coisas, reafirmava a igualdade de todos perante a lei, garantia as liberdades individuais e protegia a propriedade privada. Isso colaborou para que o militar francês aumentasse seu poder, transformando-se em imperador. 224

História


Musée de la Ville de Paris, Musée Carnavalet, Paris. Foto: Archives Charmet/The Bridgeman Art Library/Keystone

Museu do Louvre, Paris

Na primeira década do século XIX, as guerras entre as nações continuaram, sobretudo entre França e Inglaterra. Como a Grã-Bretanha é uma ilha, Napoleão proibiu os portos da Europa de comercializar com seus inimigos, impedindo a chegada de alimentos a eles. Essa estratégia de batalha de Napoleão foi conhecida como bloqueio Jacques-Louis David. Consagração do imperador Napoleão e coroação da imperatriz continental. Os países que se Josefine na Catedral de Notre Dame de Paris em 2 de dezembro de 1804. Óleo sobre tela, 6,21 × 9,79 m, 1806-1807. Museu do Louvre, Paris. recusaram a cumprir a determinação do imperador foram invadidos, como Espanha e Portugal. Foi nessa época que a família real portuguesa, para escapar dos ataques de Napoleão, instalou-se no Brasil. Em 1810, a Rússia rompeu o bloqueio francês. Insatisfeito, Napoleão decidiu invadir o país, mas foi vencido em solo inimigo. Em 1815, o imperador foi definitivamente derrotado na Bélgica, na conhecida batalha de Waterloo. Essa grande derrota O bolo dos reis. Escola francesa, gravura, 1814-1815. Musée de la Ville de Paris, Musée restabeleceu a Monarquia na Carnavalet, Paris. Essa caricatura representa o Congresso de Viena. Nela, os líderes aparecem França e a nobreza recupedefinindo o destino dos países, separando a França do resto da Europa. O evento restaurou parte da ordem que existia antes da Revolução Francesa. rou alguns de seus privilégios perdidos. Para impedir novos levantes revolucionários, Áustria, Prússia, Rússia e Reino Unido organizaram um encontro entre 1814 e 1815, o Congresso de Viena. O principal objetivo era restaurar o Antigo Regime (deposto pela Revolução Francesa) e combater nacionalismos, buscando o equilíbrio entre as nações europeias. Após o encontro, algumas dinastias voltaram ao trono. Foi estabelecido também um pacto de repressão a qualquer movimento contrário à ordem restauradora definida no congresso.

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PESQUISAR

Aqueles que pertencem a uma mesma nação geralmente compartilham determinados hábitos culturais, maneiras de agir e de pensar, gostos, idioma, referências históricas etc. Conhecem também alguns símbolos nacionais, como hinos, bandeiras, ritmos musicais ou certos ídolos, por exemplo. Nesse sentido, quais são os principais símbolos nacionais atribuídos ao Brasil? Para investigar isso, reúna-se em grupo e siga o roteiro: 1. Discutam e escrevam quais são os principais símbolos nacionais brasileiros. Elaborem uma lista

com suas hipóteses. 2. Acessem (da escola ou de casa) um site onde seja possível buscar imagens. Digitem o termo “Brasil”

e façam uma lista dos símbolos que aparecem mais vezes associados ao nome de nosso país. 3. Respondam às perguntas: a) Os símbolos encontrados correspondem aos que foram listadas no item 1?

( ) Sim

( ) Não

( ) Alguns

b) Vocês concordam que essas imagens representam o nosso país? Por quê?

NACIONALISMOS E NOVAS IDENTIDADES Quando utilizamos o termo “nação” para definir determinado território, estamos afirmando não apenas a presença de uma identidade política (um governo e leis próprias, por exemplo), mas também de uma identidade cultural. Existem, assim, características que unem seus habitantes, como a língua, uma história em comum, hábitos, crenças, modos de viver etc. Podemos nos afirmar como brasileiros porque, de alguma forma, existe algo que, apesar das diferenças, nos une (como estudamos no primeiro volume desta coleção). Antes da Revolução Francesa, não havia na Europa um sentimento nacionalista desenvolvido. Isso significa que os países não identificavam símbolos e características próprias que os diferenciassem dos demais. Os ideais de liberdade que se espalharam após essa revolução e, principalmente, as guerras ocorridas durante o período em que Napoleão esteve no poder contribuíram para mudar essa situação. 226

História


Bibliothèque de L'Arsenal, Paris. Foto: The Bridgeman Art Library/Keystone

Ao longo do século XIX, ser francês, inglês, espanhol, GLOSSÁRIO Autonomia: independência; direito de se alemão ou italiano, por exemplo, ganhou importância autogovernar pelas próprias leis. para os indivíduos desses Estados. Alguns desses países, Barricada: estratégia usada em enfrentamentos em que manifestantes dispõem objetos nas inclusive, eram constituídos por muitas identidades culturuas formando uma espécie de trincheira. rais distintas, ou seja, povos e regiões que tinham grande Assim, podem se proteger e atacar o inimigo ao mesmo tempo. autonomia. Isso ocorria na Alemanha, que só se consoliLiberal: aquilo que diz respeito ao liberalismo, dou como uma nação única em 1871, e na Itália, que se uma teoria política que defende os direitos individuais à liberdade (econômica e política) e a unificou em 1861 (sendo Veneza e Roma anexadas posigualdade perante a lei. Frequentemente, os ideais dessa doutrina eram defendidos pela burguesia. teriormente). E, mesmo nos demais Estados, pode-se diNacionalismo: sentimento compartilhado por zer que o nacionalismo foi um sentimento que se formou indivíduos que têm consciência de fazerem parte da mesma comunidade por terem uma lentamente no decorrer desse século. língua, hábitos culturais, história e/ou outras O Tratado de Viena combateu nacionalismos e rescaracterísticas que os unem. taurou a ordem do Antigo Regime, enfraquecendo o poder da burguesia. Na O barbeiro de Sevilha França, após a derrota de Napoleão, a A gravura representa Fígaro, personagem principal Monarquia foi restabelecida. Porém, os da ópera O barbeiro de Sevilha, do italiano Gioachino Rossini. Essa obra foi importante no momento de conflitos continuaram e, em 1830, ocorfortalecimento do sentimento nacional na atual Itália, reu uma nova revolução contra o Absoprincipalmente porque fez muito sucesso, apesar de lutismo. A vitória foi possível devido ao escrita em italiano. Nessa época, muitas línguas diferentes (algumas delas ainda hoje existentes) eram grande apoio popular que os burgueses faladas nesse território. conseguiram mobilizar. Na capital, PaA cultura desempenhou papel fundamental no ris, foram realizadas muitas barricadas, fortalecimento das nações europeias durante o século XIX. uma forma de protesto que posteriormente seria utilizada em vários movimentos revolucionários. O conflito se espalhou também para outros países europeus, como Itália, Alemanha, Bélgica, Polônia, Portugal e Espanha. Todas essas revoluções tinham um caráter liberal e trouxeram novamente poder político à burguesia. De alguma forma, elas prosseguiram com as conquistas que essa classe social havia conseguido na Revolução Francesa e romperam com o Absolutismo das monarquias europeias. Assim, foram fundamentais também para reforçar o sentimento nacionalista em toda a Europa. Cada vez mais o ideal de liberdade era visto não apenas como algo deÉmile Antoine Bayard. Fígaro. Gravura, 1876. Bibliothèque de sejado pelos indivíduos, mas também L'Arsenal, Paris. pelas nações.

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Musée de la Ville de Paris, Musée Carnavalet, Paris. Foto: Giraudon/The Bridgeman Art Library/Keystone

OUTRAS REVOLUÇÕES: LIBERDADE PARA QUEM?

Frédéric Sorrieu, A república universal democrática e social: o pacto. Litografia, 1848. Museu Carnavalet, Paris. Essa imagem, que mostra pessoas de diferentes nacionalidades participando de um mesmo movimento, representa a Primavera dos Povos. O internacionalismo desse movimento pode ser percebido pela presença de bandeiras de diferentes regiões, como Alemanha, Itália e França.

Apesar dos levantes burgueses apoiados pelos populares, o rei da França em 1830, Carlos X, deixou o trono, mas colocou um sucessor em seu lugar: Luís Felipe I. Conhecido como o “rei burguês”, ele favoreceu o crescimento econômico da burguesia e defendeu ideais nacionalistas. A economia francesa se industrializava, porém, as condições de vida dos operários eram muito ruins. A Revolução Industrial modificou, a partir do final do século XVIII, a economia e o mundo do trabalho: enquanto os donos das fábricas aumentavam seus lucros, os operários dependiam da venda de sua mão de obra para viver. No final dos anos 1840 a situação se agravou, pois uma crise no campo fez a fome atingir grande parte da população europeia. Além disso, a produção das indústrias também despencou, e muitos trabalhadores ficaram sem emprego, vivendo em situação extremamente precária. Isso favoreceu a divulgação de teorias que pregavam um sistema oposto ao capitalista: o socialismo. Essa insatisfação de muitos setores gerou novos protestos na França, derrubou a Monarquia e transformou a república no regime político do país. No entanto, se no início a burguesia apoiava as revoltas, quando elas se popularizaram essa classe passou a se sentir ameaçada e retirou seu apoio aos protestos. As batalhas, que tiveram principalmente a participação dos pobres, deixaram muitos mortos e presos. Porém, parte das reivindicações dos revoltosos foi atendida. Alguns socialistas passaram a integrar o novo governo francês, e os trabalhadores conseguiram, por exemplo, di228

História


minuir a jornada de trabalho diária de doze para dez horas por dia. O voto passou a ser um direito universal masculino, ou seja, mesmo os mais desfavorecidos podiam votar. As mulheres francesas, no entanto, só conquistaram esse direito em 1944. As rebeliões de 1848 na França se espalharam para os demais países da Europa, que também enfrentavam graves crises econômicas. Muitas revoltas ocorreram principalmente na Áustria, Alemanha, Hungria, Inglaterra e atual Itália. Nesses locais, os trabalhadores também viviam em condições precárias (com moradias inadequadas, falta de alimentação, falta de serviços de saúde etc.), tendo sua mão de obra muito explorada. Esse conjunto de revoluções europeias ganhou o nome de Primavera dos Povos. Pode-se dizer que o movimento atingiu várias nações e, por isso, teve um caráter internacionalista. Apesar de não resolver a situação dos trabalhadores, serviu como exemplo para vários movimentos operários e socialistas de épocas posteriores.

Biblioteca Nacional, Paris

LER IMAGEM I

Monogrammist G.R. Gravura publicada em Paris, 1848. Biblioteca Nacional, Paris. A personagem diz: “Vá para longe daqui!”.

1. Descreva a imagem destacando as características das personagens principais e a ação de cada uma

delas na cena.

2. A que grupos sociais você acredita que esses homens pertencem? Justifique.

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CONHECER MAIS

Socialismo e projetos de sociedade ideal A Revolução Industrial trouxe muitas mudanças para a sociedade. De um lado, com máquinas aprimoradas, a produção alcançou altos níveis, proporcionando o aumento do lucro. Por outro lado, esse lucro se concentrou na mão dos proprietários dos meios de produção (a burguesia), deixando muitos trabalhadores sem recursos para uma vida digna. Essa realidade que se constituía no final do século XVIII se tornou ainda mais evidente no século XIX, fazendo com que alguns pensadores elaborassem modelos para uma nova sociedade. Os primeiros a pensar no socialismo como opção foram os franceses Saint-Simon (1760-1825), Charles Fourier (1772-1837), Robert Owen (1771-1858) e Louis Blanc (1811-1882). Apesar de seguirem ideias distintas, eles tinham em comum projetos de uma sociedade sem distinções de classe. Saint-Simon, por exemplo, pensava que no futuro todos seriam cientistas e que o mundo seria uma espécie de grande fábrica, administrada coletivamente, onde não existiria patrão. Já Fourier imaginou a formação de cooperativas, na qual a liberdade estaria

presente inclusive nas relações afetivas. Owen, por sua vez, tinha uma origem humilde, mas tornou-se proprietário de indústria, implementando medidas benéficas para seus trabalhadores. Por fim, Blanc, participante das rebeliões de 1848, lutou para que o Estado assumisse os meios de produção, colocando-os a serviço de todos. Essas primeiras propostas ficaram conhecidas pelos socialistas que vieram mais tarde como “utópicas”, ou sonhadoras. Ainda em 1848, Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895) publicaram o Manifesto do Partido Comunista, no qual faziam uma análise histórica da formação do capitalismo e identificavam as estratégias de exploração do trabalhador. Para eles, a única solução seria a luta de classes, ou seja, os trabalhadores se juntarem para combater a burguesia e sua própria exploração. Vale lembrar que nesse ano ocorreram enormes revoltas populares em vários países, o que aproximava operários de nacionalidades diferentes lutando por uma mesma causa. Dessa forma, o livro terminava com um chamado que se tornou muito conhecido: “Proletários de todo o mundo, uni-vos!”.

NOVAS FORMAS DE PENSAR E DE SENTIR O MUNDO A Revolução Industrial foi marcada sobretudo pela invenção de máquinas que aceleraram e modificaram a produção das fábricas. Isso contribuiu para que, durante o século XIX, diversas pessoas se dedicassem aos estudos científicos com o objetivo de acelerar o progresso tecnológico. Nesse século, a ciência se desenvolveu em várias áreas, e muitas instituições, como museus e universidades, foram criadas para promover a sua expansão. Muitos indivíduos, porém, faziam experimentos por conta própria e contribuíram para que o mundo se transformasse cada vez mais rápido. Em relação aos transportes, algumas invenções diminuíram as distâncias, permitindo o deslocamento em menor tempo. Em 1804, por exemplo, foi realizada a primeira viagem em uma locomotiva a vapor, desenvolvida por um britânico. Os experimentos de diversos cientistas tornaram possível a utilização da eletricidade não apenas para iluminação, mas também para os meios de locomoção. Os bondes, que no início do século eram movidos por animais, a partir da década de 1880 se tornaram mais rápidos com o uso da energia elétrica. Alguns inventores desejavam também criar formas aprimoradas que permitissem ao ser humano voar. No século XIX surgiram planadores, que sustentavam o voo por algum tempo, e foram realizadas muitas tentativas de construir aviões (o que só foi possível no começo do século XX). Pode-se dizer que a ciência estava na moda, sendo que muitos indivíduos do século XIX dedicaram sua vida a ela. Foi o caso, por exemplo, do estadunidense 230

História


Album Cinema/Latinstock

Thomas Edison. Ao longo de sua vida, ele registrou mais de 2 mil invenções, entre as quais o fonógrafo (equipamento capaz de registrar sons). Ele criou também a lâmpada elétrica e aprimorou o telefone. Nessa época, os cientistas disputavam o pioneirismo na invenção de novas máquinas. Muitos deles trabalhavam em experimentos parecidos e nem sempre era fácil dizer quem havia chegado primeiro a um novo invento. É o caso, por exemplo, do cinema, cuja invenção era disputada entre Edison e dois irmãos da família Lumière, Auguste e Louis. O fato é que as primeiras exibições públicas dessas imagens em movimento ocorreram em 1895, em Paris. Apesar da disputa pelo pioneirismo no cinema, os irmãos franceses são considerados por muitos estudiosos os inventores dessa arte. Engenheiros e filhos de uma família industrial, eles tinham grande interesse pela ciência. Criaram então máquinas para captar e reproduzir imagens em movimento, as quais logo se transformaram em meio de diversão muito apreciado.

Cena de Saída dos operários da Fábrica Lumière, 1895. Esse filme dos irmãos Lumière foi um dos primeiros exibidos.

O século XIX acelerou o ritmo das mudanças, quando comparado aos anteriores. Assim, ele criou também novas formas de viver, novos valores. Entre as classes mais ricas, a moda, tanto nas vestimentas como na cultura, era seguida por homens e mulheres. Entre os mais pobres, as máquinas se tornavam opressoras por causa de sua utilização nas fábricas. Foram criados, então, meios de diversão que usavam os inventos para distrair o povo, envolvendo a população pelas novidades e evitando novas revoltas. Os principais meios eram os parques de diversão e, posteriormente, o cinema. Eles contribuíam também para alterar a percepção do mundo, que se tornava, assim, cada vez mais um espaço em mudança. 7º ano

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LER IMAGENS II

Observe as imagens, leia as legendas e responda às questões:

Imagem 2

Roosevelt Cássio/Folhapress

Álbum/Akg-images/Latinstock

Imagem 1

Barricada durante a Comuna de Paris, França, em 18 de março de 1871.

Moradores do acampamento Pinheirinho fazem protesto contra a falta de atendimento médico local, em São José dos Campos (SP), 2006.

Imagem 4

Arquivo/Agência Estado/AE

Anderson Barbosa / Fotoarena

Imagem 3

Indígena participa de manifestação em frente ao Tribunal Regional Federal contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte. São Paulo (SP), 2011.

Milhares de pessoas se reúnem no centro de Belo Horizonte (MG) em manifestação pelas eleições diretas, 1984.

1. Escreva qual foi a época, o local e o evento retratados em cada uma das imagens. 2. Em qual dessas imagens as pessoas estão fazendo política? Justifique. 3. Em sua opinião, quais dessas ações podem ser eficazes para garantir direitos e reivindicar mudan-

ças na sociedade? Por quê? 232

História


PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS

Livros

1890-1914: No tempo das certezas

O livro aborda inventos e o clima de inovação que marcaram a passagem do século XIX para o XX, com foco na ciência desenvolvida no Brasil. SCHWARCZ, Lilia Moritz; COSTA, Angela Marques da. 1890-1914: no tempo das certezas: reflexões sobre o Brasil da era da ciência. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

A Revolução Francesa explicada à minha neta

Em linguagem acessível, explica os processos que levaram à Revolução Francesa e as consequências desse evento para todo o mundo. VOVELLE, Michel. A Revolução Francesa explicada à minha neta. São Paulo: Unesp, 2007.

Manifesto do Partido Comunista

Redigido em 1848, esse documento é importante para compreender a história do movimento operário e as tensões entre as classes sociais ocorridas durante o século XIX. MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista: 1848. Porto Alegre: L&PM, 2001.

Filmes

Danton: o processo da Revolução

Com foco em Danton, um revolucionário, o filme mostra episódios ocorridos no período do Terror, que se seguiu à Revolução Francesa. Direção: Andrzej Wajda. França/Polônia, 1982, 130 min.

Maria Antonieta

O filme atualiza para o mundo contemporâneo o universo do Absolutismo francês, como as festas e a etiqueta praticada em Versalhes. Colabora para a compreensão desse período, assim como das razões que levaram ao seu fim durante a Revolução Francesa. Direção: Sofia Coppola. França/Japão/EUA, 2006, 123 min.

Oliver Twist

Por meio da história do órfão Oliver Twist, é possível conhecer mais sobre a dura realidade vivida pelos operários na Europa durante o século XIX. Direção: Roman Polanski. República Tcheca/França/Inglaterra/Itália, 2005, 130 min.

Site

Biblioteca virtual dos Direitos Humanos

Vale a pena conhecer o texto completo da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Disponível em: <www.direitoshumanos.usp.br/index.php/Declara%C3%A7%C3%A3oUniversal-dos-Direitos-Humanos/declaracao-universal-dos-direitos-humanos.html>. Acesso em: 24 jul. 2012.

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Capítulo HISTÓRIA

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Independências e novos dilemas

E

m 1822, o Brasil deixou de ser colônia para se tornar um país politicamente independente, assim como outras nações da América Latina. No entanto, a independência não transformou algumas das características da sociedade brasileira: a economia continuou baseada na agricultura para exportação, a escravidão não foi abolida e continuamos a ser governados por uma Monarquia de origem portuguesa. Por outro lado, ao longo do século XIX, foram feitos muitos esforços com o objetivo de modernizar o país por meio do desenvolvimento da ciência e da tecnologia. A vida das pessoas transformou-se com o surgimento da locomotiva, o crescimento de algumas cidades, o início da industrialização, e com outras GLOSSÁRIO mudanças. Esses fatores contribuíram para que, ao final do século, a Monarquia: forma de governo na qual o chefe da nação é escravidão fosse abolida e a Monarquia desse lugar à República. considerado soberano, sendo um Mesmo com a modernização, nem tudo mudou, e alguns problerei, uma rainha ou equivalente; no caso do Brasil, um imperador. mas do século XIX ainda persistem na sociedade atual, como a desiRepública: forma de governo na gualdade entre ricos e pobres e o preconceito étnico. Por isso, muitos qual o povo, por meio de um representante, é considerado historiadores escreveram que, no Brasil, ocorreu uma modernização soberano. O dirigente pode ser conservadora, ou seja, apesar das transformações, as classes domiescolhido por eleições diretas ou indiretas. nantes garantiram a manutenção dos seus privilégios.

Mauricio Simonetti/Pulsar Imagens

Na paisagem urbana, habitações populares contrastam com a opulência de grandes edifícios, em Salvador (BA), 2011. No Brasil, algumas classes sociais se beneficiam com a modernização, enquanto a maioria dos cidadãos permanece sem direitos básicos, como moradia digna, saúde e educação de qualidade.

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História


LER TEXTO JORNALÍSTICO I

Leia o texto a seguir e responda às questões: Se no futuro um historiador fosse nomear as principais mudanças ocorridas na sociedade brasileira e latino-americana na primeira década do terceiro milênio, poderia chamá-la de década da redução da desigualdade de renda. Da mesma forma que a de 1990 foi a da estabilidade para nós (depois dos vizinhos) e a de 1980 a da redemocratização. De 2001 até 2008 a renda real per capita dos 10% mais ricos cresceu 11,2% e a dos 10% mais pobres 72%, puxados como o crescimento e os olhos dos chineses. Existe paralelo entre o cenário e os movimentos do Brasil e da América Latina. Em ambos, o nível da desigualdade é dos mais altos do mundo, mas está em queda. [...] NERI, Marcelo. Desigualdade latina − a maior do mundo − mas em queda. Folha de S.Paulo, 24 jul. 2010. (Adaptado). Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po2407201030.htm>. Acesso em: 20 fev. 2012.

1. De acordo com o texto, como é a desigualdade de renda na América Latina? 2. O que o texto afirma estar ocorrendo com a desigualdade de renda na América Latina? Quais são

os dados que confirmam essa afirmação? 3. Considerando suas observações pessoais, você considera que a diferença de renda entre ricos e

pobres diminuiu no Brasil? Dê argumentos para sua resposta.

CRISE DO SISTEMA COLONIAL Quando afirmamos que o Brasil se tornou independente em 1822, é preciso considerar que esse fato decorreu de outros processos históricos que começaram antes. Existiram no Brasil alguns movimentos que conspiraram contra Portugal e buscaram a autonomia do nosso país, como a Conjuração Baiana (1798) e a Insurreição Pernambucana (1817). Além disso, várias nações da América, como veremos a seguir, já haviam conquistado sua independência. Os Estados Unidos, que se separaram da Inglaterra em 1776 por meio da organização de suas elites, serviram de exemplo para os demais países do continente e influenciaram até mesmo a Revolução Francesa (1789). Os ideais revolucionários que circularam entre a Europa e a América chegaram a alguns brasileiros que participavam dessas revoltas, desejando liberdade. Porém, nenhum desses movimentos conseguiu que o nosso país deixasse de ser uma colônia. Um dos fatores que levaram à independência do Brasil decorreu das guerras travadas por Napoleão Bonaparte na Europa. No episódio em que ele bloqueou o comércio da Inglaterra com o continente europeu, Portugal, aliado dos ingleses, esteve ameaçado de invasão. Diante da aproximação das tropas napoleônicas, a família real portuguesa, o príncipe-regente Dom João e toda a sua Corte embarcaram para o Brasil em busca de segurança, onde passaram a viver a partir de 1808.

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Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro

Nicolas Antoine Taunay. Primeiro passeio de Dom João VI e D. Leopoldina na Quinta da Boa Vista. Rio de Janeiro, c. 1816. Óleo sobre tela, 92 × 146 cm. Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro.

Esse fato foi importante para nossa independência, pois, com GLOSSÁRIO Império: Estado poderoso, a família real, o país passou a ser o centro das decisões políticas que tem sob o seu domínio outros Estados. e econômicas do Império português. Para abrigar a Corte, foram construídas diversas edificações no Rio de Janeiro, já que na comitiva vinda de Portugal havia cerca de 15 mil pessoas. A partir de então, a cidade (que era a capital da colônia) iniciou um processo de modernização com a construção de teatros, bibliotecas, museus e escolas; a fundação do Banco do Brasil; a criação do Jardim Botânico etc. Nesse contexto, em 1815, o Brasil deixava de ser uma colônia para se tornar Reino Unido a Portugal, ou seja, seguia subordinado à metrópole, mas tinha mais autonomia do que antes. Mesmo após o fim da guerra na Europa, em 1814, a Corte portuguesa permaneceu no Brasil. No entanto, em 1820 ocorreu uma revolução em Portugal que, entre outros pontos, exigia a volta da família real. No ano seguinte, Dom João VI retornou ao seu país, deixando seu filho, Dom Pedro, no Brasil, como príncipe regente. Com a volta do rei, os privilégios conquistados por alguns setores da elite brasileira ficaram ameaçados, pois Portugal começou a tomar algumas medidas para restabelecer os laços coloniais. A situação piorou quando a nobreza portuguesa exigiu também o retorno do príncipe, que se recusou a voltar e passou a ser o principal instrumento para a conquista da independência em setembro de 1822.

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História


LER TEXTO JORNALÍSTICO II

No ano de 2008 completaram-se duzentos anos da vi nda da famí lia real para o B rasil. L eia a reportagem a seguir sobre algumas das mudanças na cidade causadas por esse acontecimento. Rio de João GLOSSÁRIO [...] O beco do Telles era um mafuá de mulheres, homens e Entrudos: antigos festejos de bichos de má fama, todos envolvidos pelo halo de podridão resultante carnaval, nos quais as pessoas jogavam água, farinha e tinta da pororoca entre os odores do mar “movimentado por navios que umas nas outras. faziam ali negócios e escalas rumo a outros portos” e da rústica cidade Mafuá: nome dado a uma feira de apenas 60 mil habitantes. ou a um parque de diversões. No sentido pejorativo, como o O Rio de Janeiro que Dom João encontrou ao chegar em 7 do texto, quer dizer confusão. de março de 1808 nem sequer se assemelhava à capital de um dos Pororoca: encontro entre as mais importantes impérios europeus. Mas era nisso que precisava se águas do rio e do mar. No sentido do texto, é metáfora transformar, pelo tempo que o príncipe regente fosse passar nos trópicos. para caracterizar os cheiros do [...] mar (com os maus odores do Os últimos anos da estada de Dom João foram os mais festivos, porto) e os da cidade (também considerados ruins pelo autor). com grandes cerimônias, como a da chegada de Dona Leopoldina, da Áustria, para se casar com Dom Pedro I, em 1817 [...] O povo era estimulado a participar, assim como nos entrudos, os Carnavais arruaceiros dos quais Dom João gostava muito. É consenso que, ao voltar para Lisboa, ele já não queria deixar a cidade tropical com a qual se espantara treze anos antes. O Rio, então, já tinha quase o dobro de habitantes: 112 600. VIANNA, Luiz Fernando. Rio de João. Folha de S.Paulo. São Paulo, 2 mar. 2008. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/fsp/especial/fj0203200804.htm >. Acesso em: 27 maio 2009.

1. Como o autor caracteriza a cidade do Rio de Janeiro antes da chegada da família real ao Brasil?

2. Por que o autor afirma que a cidade precisava se transformar? Explique.

3. O que aconteceu com o número de habitantes do Rio de Janeiro nos treze anos em que a família

real permaneceu no Brasil?

7º ano

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OUTRAS INDEPENDÊNCIAS NA AMÉRICA

Biblioteca Nacional, Paris. Foto: Archives Charmet/The Bridgeman Art Library/Keystone

O século XVIII foi um período de muitas mudanças na Europa. Nele, as ideias iluministas, que defendiam a liberdade do ser humano em fazer as próprias escolhas por meio da razão, espalharam-se. A Revolução Industrial mudou o modo de produzir e de viver, introduzindo cada vez mais a tecnologia no cotidiano. Por fim, a Revolução Francesa modificou a atuação política dos indivíduos e fez surgir uma nova classe dominante, a burguesia. Porém, essas ideias circularam também em outros continentes. Na América, esses ideais geraram grandes transformações.

Retrato de Toussaint Louverture em cavalo. Escola Francesa. Gravura, século XIX. Biblioteca Nacional, Paris. Essa imagem do líder da independência do Haiti foi difundida na França pós-revolução. Isso mostra que as ideias políticas entre América e Europa circulavam, assim como os ideais de libertação.

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História


Algumas delas, inclusive, incentivaram movimentos revolucionários europeus. Foi o caso da Independência dos Estados Unidos. O país, que era dividido em treze colônias, foi colonizado pela Inglaterra. A partir da década de 1750, no entanto, sua metrópole impôs uma série de medidas para aumentar a exploração das suas riquezas. As elites da colônia, então, organizaram-se e travaram batalhas para se tornar independentes. Em 1776, os estadounidenses elaboraram a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América, por meio da qual declaravam não ser mais colônia. Esse documento defendia princípios como o da liberdade individual, que posteriormente estariam presentes na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, escrita na Revolução Francesa. Na América Latina, assim como nos Estados Unidos e em algumas rebeliões no Brasil, as ideias que circularam ao final do século XVIII estiveram presentes em movimentos que lutaram pela libertação dos países. O primeiro a se tornar independente foi o Haiti, em 1804, que era uma ex-colônia da França. Diferentemente do que se passou no resto do continente, onde os chamados libertadores eram principalmente filhos das elites locais, o principal líder desse processo era um negro que nasceu escravizado e obteve a liberdade com 33 anos: Toussaint Louverture. Isso colaborou para que outra liberdade fosse conquistada, a abolição da escravatura. A maior parte dos países da América Latina foi colonizada pela Espanha. No período anterior às independências, o continente era dividido em quatro grandes vice-reinos: Nova Espanha (correspondente hoje ao sul dos Estados Unidos, México e diversos países da América Central), Peru (localizado sobretudo na costa oeste da América do Sul), Rio da Prata (cuja extensão equivalia aos atuais Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia) e Nova Granada (onde atualmente estão Panamá, Colômbia, Equador e Venezuela). De que forma essa divisão resultou nas diversas nações latino-americanas existentes? Para responder a essa pergunta, é preciso conhecer um pouco o processo de independência da América Latina. Entre as figuras de destaque desse processo está Simon Bolívar, que organizou batalhas contra a Espanha para tornar independentes países como Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia. Filho de uma família de elite, ele havia estudado na Europa, onde tomou conhecimento dos ideais da Revolução Francesa. Defendia que as nações latino-americanas deviam ser livres e autônomas, porém, mantendo-se sempre unidas, apoiando umas as outras. Assim, para ele, o melhor seria formar uma federação na América do Sul, assim como ocorria nos Estados Unidos. Da mesma forma que Bolívar, outros líderes se dedicaram a conquistar a independência frente à Espanha. No sul do continente, José de San Martín participou ativamente da libertação do Chile e da Argentina. Porém, suas ideias divergiam das de Bolívar. Ele considerava que a melhor estratégia para garantir que as novas nações se mantivessem independentes seria convidar monarcas europeus para governá-las. A discordância entre esses líderes (conhecidos como libertadores) contribuiu para a divisão dos territórios que estavam sob domínio espanhol em múltiplas

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nações. Além disso, apesar de a independência de muitas dessas nações estar ligada ao mesmo processo histórico, a libertação ocorreu em períodos distintos.

Ilustração digital: Maps World

Independência dos países da América

N O

L

0

640

1 280 km

S

Fonte: DUBY, Georges. Atlas historique mondial. Paris: Larousse, 2003. p. 242.

O PRIMEIRO REINADO E O PERÍODO REGENCIAL: CENTRALIZAÇÃO OU FEDERALISMO Na época da colonização do Brasil, as comunidades ficavam distantes entre si, e os meios de transporte e de comunicação eram precários, o que favorecia que as classes dominantes garantissem influência em suas regiões de origem. Porém, após a Independência, setores dessas elites passaram a ver seu poder ameaçado. 240

História


Arquivo Nacional do Rio de Janeiro

Dom Pedro I tornou-se imperador do Brasil, e o período GLOSSÁRIO Assembleia Constituinte: instituição formada em que ele governou é chamado de Primeiro Reinado, que por parlamentares que têm o poder de fazer ou vai de 1822 a 1831. Esses anos foram caracterizados por uma reformular as leis de uma nação. Federalismo: forma de governo na qual os tensão entre o poder centralizado do governante e os interesestados se unem em uma nação, mas mantêm ses dessas elites regionais. muitos poderes de decisão sobre seus assuntos particulares. O conflito entre projetos para a nação, divididos entre os que defendiam a unidade central (com um único governo forte) e o federalismo, esteve presente na elaboração da primeira Constituição brasileira, responsável por definir os caminhos da nação. Em 1823, foi reunida uma Assembleia Constituinte que desejava um conjunto de leis que limitasse o poder de Dom Pedro I. No entanto, o imperador reagiu, impedindo o trabalho dessa Assembleia e elaborando uma Constituição – a de 1824 – que atendesse à sua vontade centralizadora. Além dos poderes Executivo, Judiciário e Legislativo, instituiu o Poder Moderador. Com o Moderador, o imperador podia dissolver a Câmara dos Deputados e vetar leis, decidindo a legislação do país. Muitos setores da elite, como a de Pernambuco, ficaram insatisfeitos, pois consideravam que do Rio de Janeiro o imperador não poderia conhecer as suas necessidades. Houve protestos, com destaque para a Confederação do Equador, em 1824, que teve início na capital pernambucana. Nessa rebelião, as elites tentaram por meio das armas conquistar a separação de várias províncias do Nordeste em relação ao resto do Brasil e proclamar a República. Porém, os revoltos foram derrotados e um dos seus líderes, Frei Caneca, foi condenado à morte. Fac-símile do Projeto de Constituição para o Império do Brasil.

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Esse cenário de conflito após os primeiros anos de independência se agravou em 1826, com a morte de Dom João VI, em Portugal. Os brasileiros tinham receio de que, como Dom Pedro I era herdeiro direto do trono português, o Brasil voltasse à condição de colônia. Em várias regiões do país, os conflitos entre brasileiros e portugueses aumentaram, assim como a pressão em torno da figura do imperador. Em 1831 ele abdicou do trono brasileiro e voltou para Portugal, deixando no país seu filho, Dom Pedro de Alcântara, que na época tinha 5 anos de idade. Conforme definição da Constituição de 1824, enquanto o imperador não atingisse a maioridade, o Brasil seria governado por uma Regência Trina formada por três nomes indicados pelo Senado. Esse fato gerou conflitos entre os principais grupos políticos, que queriam se ver representados. Em 1834, a Constituição passou por reformas — que resultaram em um Ato Adicional —, estabelecendo uma Regência Una, ou seja, que o Brasil fosse governando por um único regente. Nas reformas de 1834 também constavam garantias de mais poder para as elites regionais. No entanto, fortalecidas, elas passaram a reivindicar uma autonomia ainda maior. O Estado não tinha uma estrutura administrativa para impor seu poder em todo o território nacional. Dessa forma, o período entre a abdicação de Dom Pedro I e a subida ao trono de Dom Pedro II foi marcado por revoltas em várias regiões do país, conhecidas como rebeliões regenciais. Entre elas, podemos destacar a Revolta Farroupilha (no Rio Grande do Sul), a Cabanagem (no Pará), a Sabinada (na Bahia) e a Balaiada (no Maranhão). Em comum, todas elas tinham a insatisfação com o governo central. Alguns grupos políticos resolveram fazer uma campanha para que a maioridade de Dom Pedro II fosse antecipada, como forma de diminuir o clima de instabilidade. Assim, em 1840, foi apresentada à Câmara uma emenda à Constituição que permitia a ele assumir o trono antes de atingir a maioridade. Nesse mesmo ano, Dom Pedro II tornou-se imperador, governando o país aos 14 anos, com o auxílio dos grupos que o colocaram no poder.

PESQUISAR I

Você conhece a Constituição Federal do Brasil? Sabe quando ela foi promulgada? Que direitos ela garante aos cidadãos brasileiros? Esses direitos são respeitados? Para conhecer um pouco mais sobre o conjunto de leis fundamentais que regem a vida dos brasileiros, faça uma pesquisa sobre o assunto em livros e na internet e responda às questões propostas. Registre as respostas em seu caderno. 1. Cites alguns dos direitos sociais previstos na lei. Você acha que eles estão sendo

cumpridos no Brasil? Por quê? 2. Quais são os poderes instituídos atualmente no Brasil? Quem exerce cada um

deles? 242

História

GLOSSÁRIO

Promulgada: lei (ou conjunto de leis) publicada oficialmente; tornada válida.


Coleção particular

Coleção particular

SEGUNDO REINADO: MODERNIDADE E TRADIÇÃO

Daguerreótipo do Paço Imperial com a tropa militar, Rio de Janeiro, 1840.

Dom Pedro II e sua família, 1889.

Ao longo da dé cada de 1840, as revoltas a favor da federalizaç ã o diminuíram. Por volta de 1850, o Império havia conseguido centralizar o poder. Um dos fatores que contribuí ram para isso foi a expansã o do café na província do Rio de Janeiro, tornando-se a principal atividade econômica do Brasil. Com isso, as elites fluminenses cumpriram o objetivo dos políticos que tinham articulado a independência: manter a unidade e a ordem por meio da Monarquia centralizada. No entanto, muitos setores As primeiras fotografias no Brasil continuavam insatisfeitos com A imagem do Paço Imperial é um a centralização do poder. A pardaguerreó tipo – o primeiro tirado no Brasil, tir da década de 1860, os movie na América do Sul, em 1840. O daguerreómentos favoráveis à autonomia tipo foi o precursor da fotografia, registrando a imagem em uma lâmina metálica. das elites regionais se fortaleA imagem de Dom Pedro II e sua ceram novamente. O fato de a família, em 1889, foi a última do imperamaior região produtora de café dor, tirada pouco antes da proclamação da República. Dom Pedro II foi um grande ter se deslocado do Rio de Jaincentivador da fotografia. Ele foi ainda o neiro para São Paulo contribuiu primeiro fotógrafo brasileiro, adquirindo para essa insatisfação, já que o seu primeiro equipamento fotográfico em 1840, um ano após o anúncio da invenção poder político deixou de estar por Louis Daguerre, na França. no mesmo lugar que o poder

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econômico, pois a capital do Brasil continuou a ser o Rio de Janeiro. As elites paulistas encabeçaram, então, os movimentos pela descentralização. Entre os que defendiam a federalizaç ã o, muitos eram favoráveis também à República. Para alguns grupos políticos, a Monarquia impedia que o país rompesse completamente com sua condiç ã o colonial e dificultava o desenvolvimento da naç ã o, pois, com um território tã o grande, o imperador nã o conseguia dar conta de resolver os problemas regionais. Havia ainda alguns monarquistas que também defendiam a federalizaç ã o, considerando-a a única maneira de Dom Pedro II continuar governando. No Segundo Reinado (1840-1889), nome dado ao perí odo em que Dom Pedro II governou, a participaç ã o popular no poder político continuou quase inexistente. Vale lembrar que a escravidã o só foi abolida em 1888, um ano antes da proclamaç ã o da República. Além de grande parte dos trabalhadores ainda ser escravizada, mesmo os homens livres e pobres tinham poucos direitos. O número de eleitores era muito pequeno, pois a Constituiç ã o de 1824 só permitia o voto a quem tivesse determinada renda, o que fazia com que apenas 10% da populaç ã o votasse. A lei eleitoral de 1881 diminuiu ainda mais esse número, para cerca de 1%, ao exigir que os eleitores soubessem ler e escrever. Em 1889, após um golpe militar promovido pelos republicanos e com o apoio dos cafeicultores, o império acabou. Nesse ano, foi proclamada a República. Sem o apoio do setor mais poderoso da economia e incapaz de agradar as elites locais, Dom Pedro II foi deposto. Muitos dos conflitos presentes no começo do sé culo XIX continuavam presentes no final desse século. Porém, principalmente com a expansã o do café, alguns aspectos da sociedade começ aram a se transformar. Apó s a proibiç ão do tráfico negreiro, em 1850, os migrantes europeus foram trazidos para trabalhar na lavoura. As cidades tiveram o seu nú mero de habitantes multiplicado. No fim do sé culo, esses habitantes já conviviam com os bondes, a iluminaç ã o elé trica e o saneamento básico. No campo, a paisagem també m mudou, principalmente na regiã o Sudeste, com a presenç a de trens que levavam o café do interior para os portos, onde o produto era exportado para a Europa e os Estados Unidos. A maior parte das ferrovias era construí da por empresas estrangeiras, principalmente inglesas. Irineu Evangelista de Souza, o barã o de Mauá , era associado a uma dessas empresas. Ele ficou conhecido por suas inú meras empreitadas no mundo dos negó cios, construindo fábricas, fundando bancos e outras empresas. No entanto, parte dessas empreitadas fracassou, em decorrê ncia da falta de apoio das elites, que tinham o poder político e viviam de atividades agrícolas. Esse exemplo é significativo de como o Brasil, no fim do sé culo XIX, continuava a ter uma economia agrária, exportadora e escravista. A indústria havia se desenvolvido muito pouco. 244

História


LER DOCUMENTOS

Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro

Observe a charge publicada na Revista Ilustrada pouco antes da proclamação da República.

Ângelo Agostini. Dom Pedro II “derrubado” do trono. Revista Illustrada, Rio de Janeiro, 1882.

Agora, leia os versos a seguir, que eram recitados no final do século XIX pela população de Canudos, na Bahia. Saiu Dom Pedro Segundo Para o reino de Lisboa. Acabou-se a Monarquia O Brasil ficou à toa. Este povo está perdido, Está sem arrumação, E o culpado disso tudo É o chefe da nação. SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do imperador: Dom Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. p. 498.

1. Descreva a imagem. Em que situação o artista desenhou o imperador Dom Pedro II? 2. Em relação aos versos, responda: a) Relembrando o que você leu neste capítulo, por que o texto diz que Dom Pedro II foi para

Lisboa e o Brasil ficou à toa? b) Na opinião do autor dos versos, em que situação o Brasil ficou após o fim da Monarquia?

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3. Em sua opinião, a charge de Dom Pedro II defende a Monarquia? Por quê? 4. E os versos, defendem a Monarquia? Justifique sua resposta.

APLICAR CONHECIMENTOS

1. Encceja (2006) Leia a declaração a seguir, do folclorista Câmara Cascudo, sobre a festa do Divino,

celebrada ainda hoje em diversas regiões do país. O Imperador do Divino podia ser criança ou adulto, neste caso, uma das pessoas abastadas da localidade [...]. Da popularidade da folia do Divino, basta lembrar que José Bonifácio preferiu o título de “Imperador” ao Rei por aquele ser mais conhecido e amado pelo povo, no hábito de Imperador do Divino. Essa é a razão de Dom Pedro I ter sido Imperador e não Rei do Brasil. CASCUDO, Câmara. Citado por: SCHWARCZ, Lilia Moritz. As barbas do imperador: Dom Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. p. 219.

Segundo Câmara Cascudo, a festa do Divino se relaciona a Dom Pedro I porque: a) começou a ser celebrada após a independência do Brasil. b) sua celebração era restrita aos nobres que viviam na Corte. c) sua popularidade influenciou na escolha do título de Imperador. d) seus festejos foram reprimidos pelo novo Imperador do Brasil. 2. Encceja (2006) Leia os textos a seguir.

Sobre a proclamação da República no Brasil, em 1889: Se, em 1889, as oligarquias monárquicas ocupavam o passado, o presente e o futuro seriam das oligarquias republicanas. CASALECCHI, José Ênio. A proclamação da República. São Paulo: Brasiliense, 1982. p. 98.

Sobre a proclamação da República na França, após a Revolução de 1789: Em agosto-setembro [de 1792], a Monarquia foi derrubada, a República estabelecida e uma nova era da história proclamada [...] pela ação armada das massas sans-culottes de Paris. HOBSBAWM, Eric. A era das revoluções. 9. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1994. p. 84.

A partir dos dois textos, pode-se afirmar que a República brasileira, em comparação com a francesa, a) manteve os interesses das elites que dominavam desde a Monarquia. b) contou com maior apoio das massas sans-culottes para ser proclamada. c) derrubou as oligarquias do poder e iniciou um governo popular. d) passou a defender mais os interesses dos pobres e dos ex-escravos. 246

História


CONHECER MAIS

As ações afirmativas na sociedade atual Neste capítulo você conheceu algumas modificações na sociedade brasileira ocorridas no século XIX, entre as quais a abolição da escravatura em 1888. No entanto, será que a partir dessa data o Brasil passou a ter uma igualdade efetiva entre as etnias? Os dados recentes mostram que ainda hoje vivemos intensas desigualdades, sendo a maior delas entre uma minoria rica e a maioria pobre da população. Porém, a proporção entre as etnias que constituem esses dois extremos nos revela que há muito mais negros em situação de pobreza e muito mais brancos no seleto grupo dos ricos. Tentando diminuir essa desigualdade, para que um dia ela tenha fim, o movimento negro brasileiro passou a lutar pela implantação de ações afirmativas que ampliem as chances de promoção e inclusão de negros nas universidades e no mercado de trabalho. Considerando os processos históricos que, durante séculos, perpetuaram a exclusão e a discriminação étnica, essas ações foram propostas como meio para que pessoas de grupos sociais desfavorecidos pudessem competir igualmente pelas oportunidades. Segundo os professores Kabenguele Munanga e Nilma Gomes, as ações afirmativas: [...] têm como objetivo corrigir as desigualdades historicamente impostas a determinados grupos sociais e/ou étnico/raciais com um histórico comprovado de discriminação e exclusão. Elas possuem um caráter emergencial e transitório. Sua continuidade dependerá sempre de avaliação constante e da com-

provada mudança do quadro de discriminação que as originou. MUNANGA, Kabengele; GOMES, Nilma Lino. Para entender o negro no Brasil de hoje: história, realidades, problemas e caminhos. São Paulo: Global/Ação Educativa, 2006. p. 124.

As ações afirmativas atualmente são debatidas por toda a sociedade, principalmente nos meios ligados à educação e às políticas públicas. Elas propõem, entre outras coisas, bolsas de estudo, cursos de qualificação, cotas de vagas em universidades, cotas de vagas em determinados setores do mercado de trabalho, estímulo a projetos educacionais, isenção fiscal a empresas que adotem medidas de promoção social, entre outras. Todas essas iniciativas visam a diminuir as desvantagens e as desigualdades de oportunidade dos negros ou de outros grupos desfavorecidos (como mulheres, indígenas, portadores de necessidades especiais etc.). Entre as ações implementadas por lei, uma das mais debatidas é a separação de vagas nas universidades públicas para afrodescendentes, o que já é uma realidade em muitas instituições. Outra medida considerada uma conquista pelo movimento negro é a Lei Federal no 10 639, de 10 de janeiro de 2003, que tornou o ensino da História da África e da Cultura Afro-brasileira obrigatório nas escolas públicas e privadas. Muitas outras iniciativas como essas já foram implementadas ou estão em processo de implementação, buscando uma efetiva igualdade de oportunidades entre brancos e negros.

PESQUISAR II

1. Após conhecer o que são as ações afirmativas no quadro acima, faça uma pesquisa em jornais,

revistas e internet buscando descobrir: a) Outras ações afirmativas em vigor na sua cidade ou no seu estado. b) Universidades públicas e particulares que adotam o sistema de cotas em seus vestibulares. c) Setores do mercado de trabalho que adotam cotas para negros (empresas ou concursos

públicos). 2. Que outras ações afirmativas você acha que poderiam ser implementadas para diminuir a desi-

gualdade de oportunidades entre brancos e negros na sociedade brasileira? Justifique.

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PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS

Livros

A independência dos países da América Latina

O livro aborda o processo de independência em alguns países da América Latina, analisando suas consequências para vários grupos sociais, bem como a manutenção de alguns vínculos coloniais. BARBOSA, Alexandre de Freitas. A independência dos países da América Latina. São Paulo: Saraiva, 1997.

A independência e a formação do Império

O livro foca os acontecimentos que levaram à independência do Brasil e as articulações políticas durante o Primeiro Império. OLIVEIRA, Cecília Helena L. Salles. A independência e a formação do Império. São Paulo: Atual, 1995.

Café e modernização

Trata do auge da produção de café no Oeste Paulista, no século XIX, e do processo de rápido desenvolvimento acarretado por ela na região. LUCA, Tânia Regina de. Café e modernização. São Paulo: Atual, 2001.

Filmes

Carlota Joaquina, princesa do Brasil

Apesar de ser uma comédia, o filme narra alguns episódios ligados à vinda da família real para o Brasil, em 1822, e ao período em que o Brasil era Reino Unido a Portugal. Direção: Carla Camurati. Brasil, 1995, 104 min.

Mauá, o imperador e o rei

A história de Irineu Evangelista de Sousa, o barão de Mauá, colaborará para a compreensão do pouco espaço que o projeto modernizador industrial encontrou em um Brasil agrário e exportador no século XIX. Direção: Sérgio Rezende. Brasil, 1999, 134 min.

Sites

Constituição

Nesse link é possível encontrar o texto integral da Constituição brasileira, promulgada em 1988. Disponível em: <www.senado.gov.br/sf/legislacao/const>. Acesso em: 25 jul. 2012.

Memorial da América Latina

No site há inúmeras informações, como dados objetivos e notícias, que permitem conhecer mais sobre os países que compõem a América Latina. Disponível em: <www.memorial.sp.gov.br/memorial/index.jsp>. Acesso em: 25 jul. 2012.

Museu da República

O museu se localiza no palácio do Catete (Rio de Janeiro, RJ), que abrigou o Poder Executivo brasileiro por 63 anos. Oferece atividades educativas e disponibiliza um acervo para consulta de documentos. Disponível em: <www.museudarepublica.org.br>. Acesso em: 25 jul. 2012.

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História


Bibliografia

HISTÓRIA BERMAN, Marshall. Tudo que é sólido desmancha no ar: aventura da modernidade. São Paulo: Companhia das Letras, 1986. BETHELL, Leslie (Org.). História da América Latina: da independência a 1870. São Paulo: Edusp, 2001. v. 3. BOBBIO, Norberto; MATTEUCCI, Nicola; PASQUINO, Gianfranco. Dicionário de política. Brasília: UnB, 2007. CARDOSO, Ciro Flamarion; LIMA, Alexandre Carneiro Cerqueira; MENDES, Norma Musco. Uma trajetória na Grécia Antiga. Rio de Janeiro: Apicuri, 2011. DIAS, Maria Odila Leite da Silva. A interiorização da metrópole e outros estudos. São Paulo: Alameda, 2005. HOBSBAWN, Eric. A era das revoluções: 1789-1848. São Paulo: Paz e Terra, 1996. ______. A era do capital: 1848-1875. São Paulo: Paz e Terra, 2009. MOTA, Carlos Guilherme (Org.). Brasil em perspectiva. São Paulo: Difel, 1969. OLIVEIRA, Cecília Helena de Salles. 7 de setembro de 1822: a Independência do Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2005. PRADO, Maria Lígia Coelho. América Latina no século XIX. São Paulo: Edusp, 2004. SACHS, Ignacy et al. (Org.). Brasil: um século de transformações. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

7º ano

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UNIDADE 5

Geografia


Capítulo

1

GEOGRAFIA

Um mundo de Estados nacionais

O

s capítulos de História deste volume abordam importantes processos de constituição do mundo contemporâneo, que começa a ser erguido, a partir do final do século XVIII, com os episódios da Revolução Francesa e os ideais iluministas. Ali foram estabelecidos os princípios essenciais dos direitos humanos, com a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, aprovada em 1789. Ao lado disso, consolida-se a ideia de nação e de identidade nacional, que vai dar corpo aos países que vão integrar a comunidade internacional. Assiste-se também a uma emergência da burguesia e à gradativa constituição de um mundo urbano-industrial baseado na produção fabril – em especial na Inglaterra do final do século XVIII e início do século XIX. Em outras regiões, como no continente americano, inúmeros povos conquistam sua independência política, formando novos Estados nacionais – entre eles, o Brasil. Novos modos de sentir e pensar a sociedade moderna passam a surgir. Desenvolvem-se teses e movimentos destinados a obter novas conquistas sociais. Esse mundo em que vivemos, um mundo de Estados nacionais, será o objeto de estudo deste capítulo. Vamos examinar alguns aspectos dos processos de constituição dos Estados nacionais modernos e suas funções – cada vez mais amplas e mais complexas. Estarão também em debate o significado da dimensão territorial e das fronteiras nacionais no mundo atual, assim como o surgimento ou desaparecimento de Estados nacionais. Dessa forma, como veremos, o mapa-múndi político não está pronto – e provavelmente não estará no futuro.

UM MUNDO DE ESTADOS NACIONAIS Em 2012, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), existiam no mundo 195 Estados nacionais – ou, simplesmente, países. Eles estão distribuídos por cinco continentes: África, América, Ásia, Europa e Oceania. Do ponto de vista físico ou natural, Europa e Ásia formam um mesmo bloco continental. O sexto continente, a Antártida, é uma área internacional cuja presença humana é marcada apenas por pequenos grupos de pesquisadores que lá permanecem por um determinado período.

LER MAPAS

Observe os mapas a seguir. Eles representam apenas uma forma de apresentar o mundo. Ela pode ser feita também a partir de outro ponto de vista, como os que são vistos a partir do polo Norte. Depois da observação dos mapas, responda às questões propostas. 7º ano

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Geografia

Mapa-múndi político

O S

N L

0

1 500

3 000 km

Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 5. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2009. p. 32.

Ilustração digital: Sonia Vaz


Ilustrações digitais: Sonia Vaz

Mapa-múndi – Divisão em continentes

Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 5. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2009. p. 34.

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4 180 km

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Mapa-múndi – Países mais extensos

N O

L

0

2 090

4 180 km

Fonte: THÉRY, Hervé; MELLO, Neli A. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. São Paulo: Edusp, 2009. p.18

S

1. O que está sendo apresentado nos mapas? O que significam as cores utilizadas neles? 2. Escreva o nome dos dois continentes que possuem o maior número de países.

7º ano

255


3. Cite os cinco países mais extensos e sua localização. Para você, o

que explica as diferenças de tamanho entre os países? 4. Observe o continente americano. Como ele se subdivide? Em que

parte dele o Brasil se localiza? 5. Em qual dos hemisférios está situada a maior parte dos países, no

hemisfério Norte ou no hemisfério Sul? 6. Em sua opinião, o mapa-múndi político sempre teve essa configu-

GLOSSÁRIO

Hemisfério: a palavra significa metade de uma esfera. A Linha do Equador divide a Terra em dois hemisférios, o Norte e o Sul. O meridiano de Greenwich, por sua vez, é a principal referência para a organização dos fusos horários na Terra, e também divide o planeta em dois hemisférios: Ocidental e Oriental. A título de exemplo, pode-se dizer então que o Brasil está situado no hemisfério Sul e no hemisfério Ocidental.

ração ou divisão? Poderão ocorrer no futuro mudanças na divisão dos países? Justifique sua resposta. CONHECER MAIS

O mapa-múndi É uma representação elaborada em escala cartográfica pequena. Isso significa que, como a superfície representada (a do planeta) é muito extensa, teve de ser reduzida muitas vezes para caber numa folha de papel. Assim, no primeiro mapa-múndi apresentado, cada 1 cm equivale a mais de 2 000 km na realidade. Mapas com escalas dessa

ordem não mostram detalhes, tais como a estrutura interna de uma cidade. Neles, as cidades, quando aparecem, são apenas pequenos pontos. Mas é um tipo de representação adequada para examinar distâncias, localização e extensão territorial dos países, fronteiras, distribuição dos continentes e oceanos e outros.

TERRITÓRIOS NACIONAIS Quando observamos o mapa-múndi político, talvez o primeiro aspecto a chamar a nossa atenção seja a diferença de extensão entre os territórios nacionais. Existem países gigantescos, como a Rússia, o maior de todos, com 17 milhões de km2 – o dobro do tamanho do Brasil. Por outro lado, há pequenos países insulares, como as Ilhas Fiji, no Oceano Pacífico, que não chegam a 30 km2 de área, equivalente à área de diversos municípios brasileiros, como Carapicuíba (SP), que tem 35 km2. Destaca-se também a distribuição dos países, pois eles aparecem em maior número em alguns continentes e em menor número em outros. A África é o que conta com o maior número de países: 54. Já a América do Norte, um dos três subcontinentes da América, é formada por apenas três países. É importante assinalar que, com exceção da Antártida, não há um só palmo de terra que não pertença a um Estado nacional. As leis internacionais estabelecem também que os países litorâneos podem considerar como seu território uma extensão de até 200 milhas marítimas (cerca de 370 km) do oceano que banha suas costas. O país tem o direito exclusivo de explorar economicamente essa faixa.

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Geografia


MOMENTO DA ESCRITA

Observe os mapas a seguir. Depois, escreva um texto comparando o Brasil e a Europa quanto às dimensões territoriais e às suas distâncias. No primeiro mapa da Europa, levou-se em conta todos os países menos a Rússia.

Ilustrações digitais: Sonia Vaz

Brasil, um país de dimensões continentais

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580

1 160 km

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1 280 km

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Fonte: THÉRY, Hervé; MELLO, Neli A. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. São Paulo: Edusp, 2009, p. 19.

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A CONSTRUÇÃO DO ESTADOS NACIONAIS: UNIDADE E FRAGMENTAÇÃO Ao longo do tempo, diferentes povos e culturas foram constituindo Estados nacionais. Cada Estado nacional ou país possui autonomia, leis e regime político próprios e um território com fronteiras definidas. Além disso, cada um tem a sua língua oficial (ou línguas oficiais). O Estado já foi estudado por incontáveis pensadores, como Hobbes, Rousseau, Kant, Hegel, Marx e Max Weber. Embora não exista uma definição consensual de Estado, pode-se dizer que ele se refere à organização do poder político por uma sociedade. Ele resulta da necessidade humana de criar uma espécie de pacto social capaz de organizar a vida em comum. Como veremos, são criadas estruturas que pertencem ao Estado (e, portanto, à sociedade como um todo). Fazem parte dessas estruturas os órgãos públicos. A nação refere-se ao conjunto de pessoas que vivem num determinado território e que possui entre si laços comuns, como língua, história, crenças, valores, modos de vida, entre outros. Um indivíduo pertence a uma comunidade nacional na medida em que partilha com seus pares essas características e com elas se identifica. Assim, é possível falar em ser “brasileiro”, “japonês”, “alemão” CONHECER MAIS etc. Uma ou mais nações compõem a O surgimento do Estado sociedade de cada país, com maior ou Não há uma precisão cronológica quanto às orimenor diversidade cultural, dependengens do Estado. Mas se recuarmos alguns séculos, do do país. serão encontradas formas de organização estatal na O Estado nacional, ou Estado-naAntiguidade, como no Egito, China e Índia. O Estado apareceu em sociedades em que ocorriam formas reção, refere-se ao conjunto formado por gulares de trocas de produtos. Significa dizer que, para um Estado e pela nação (ou nações) soque a produção pudesse ser colocada em marcha, a ponto de serem gerados excedentes (agrícolas, sobrebre uma base territorial definida. Cortudo), existia alguma forma de divisão de trabalho. responde, portanto, à ideia de país. Isso sugere também uma divisão do poder político Nesse contexto geral, é preciso e diferenças sociais, como o caso das sociedades escravistas na Grécia antiga e no Império Romano. O entender que o governo diz respeito exercício do poder estatal deveria se sustentar sobre às forças políticas organizadas (por um território sob seu domínio. Entretanto, muitos dos exemplo, em partidos políticos) que Estados antigos não possuíam meios eficientes para controlar grandes dimensões territoriais. Ao contrávão ocupar o poder no Estado por um rio do que ocorre hoje, existiam inúmeras formas de determinado período. Isso ocorre, por organização político-territorial. Por exemplo, na Euroexemplo, quando são eleitos presidenpa havia inúmeros ducados, principados e pequenos reinos, com limites tênues, ao lado de impérios que tes, parlamentares ou governadores procuravam expandir seus domínios. de províncias (no Brasil, chamadas de O que passará a ser chamado de Estado nacional estados). moderno, ou Estado territorial nacional, corresponde a GLOSSÁRIO

Excedentes: a parte que excede ao consumo, que sobra, podendo ser comercializada.

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Geografia

um organismo com funções mais amplas e mais complexas e com um território com limites definidos, participante de uma comunidade internacional, formada por Estados igualmente soberanos.


• A reunificação da Alemanha – Do final

da Segunda Guerra Mundial (1945) até 1989, a Alemanha foi dividida em dois países distintos: a Alemanha Ocidental e a Alemanha Oriental. A primeira permaneceu como integrante do bloco dos países capitalistas do Ocidente, como Estados Unidos, França e Reino Unido; a segunda surgiu e permaneceu em toda a sua existência como área de influência da União Soviética (a superpotência líder do mundo socialista). O marco da reunificação alemã foi a queda do Muro de Berlim, em 1989, que dividia a cidade de Berlim, a capital do país, em uma área capitalista e socialista.

Michael Pladeck/Interfoto/Latinstock

O processo de formação dos Estados nacionais começou a se dar de forma mais intensa a partir do século XVI e, em especial, a partir do final do século XVIII e início do século XIX. De lá para cá, uma infindável sucessão de guerras de conquista territorial ou rupturas das unidades nacionais existentes foi modificando, a cada período, a configuração do mapa-múndi. Assim, como já vimos, o mapa-múndi político que aparece nos atlas e livros didáticos não é definitivo, e talvez nunca vá ser. A seguir há alguns exemplos, identificando as causas do surgimento ou desaparecimento de alguns países. Em geral, tais situações estão associadas a conflitos internos:

Manifestantes sobre o Muro de Berlim em 1989. O muro simbolizava, naquele período, a divisão da Alemanha e a divisão entre o mundo capitalista e o socialista.

• A desintegração da União Soviética – Em 1991, já não podendo mais

se sustentar sob o regime socialista, a própria União Soviética se desintegrou, dando origem a uma constelação de países independentes (Rússia, Ucrânia, Geórgia, Cazaquistão e outros). A maior parte desses novos países ainda está sob a influência da Rússia – que herdou grande parte do poder político-militar da era soviética. • A fragmentação da Iugoslávia e o surgimento

de novos países independentes na Europa – Ainda na Europa, a antiga Iugoslávia, após um longo conflito interno, e muitas vítimas, esfacelou-se, dando origem, entre 1991 e 2006, a seis países independentes: Sérvia, Montenegro, Croácia, Bósnia-Herzegovina, Macedônia e Eslovênia, além da província de Kosovo, que está sob supervisão internacional. A Sérvia ainda não reconheceu a soberania do Kosovo.

CONHECER MAIS

Kosovo Província sérvia com maioria da população de origem albanesa. Após acordo de paz firmado em 1999, o controle militar do território ficou a cargo de forças de paz da ONU. Em 2008, o parlamento de Kosovo proclamou unilateralmente sua independência, o que causou reações da Sérvia e protestos da Rússia.

7º ano

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• A criação do Sudão do Sul – O ano de 2011 iniciou-se com a notícia

da criação de mais um novo país no mundo, o Sudão do Sul, na África. Ele surge da divisão do antigo Sudão após quase meio século de disputas e conflitos. O vizinho do norte ficou sendo chamado apenas de Sudão. O novo país nasce como um dos mais pobres do planeta, apesar de possuir grandes reservas de petróleo. Os exemplos mostram que são inúmeros os casos de povos ou nações com cultura e história próprias que viveram subjugados por outra comunidade nacional que controlava o poder político em um Estado nacional. Isso tem sido um estopim para novas revoltas e conflitos internos, que podem resultar em separatismos e fragmentação da unidade política, bem como na formação de novos países. Também não foram poucas as situações em que traços culturais foram sufocados ou reprimidos com violência, em nome da construção de uma (nova) identidade nacional. Isso já havia ocorrido na Rússia imperial, anterior a 1917, com a imposição do idioma russo, algo que foi reforçado durante a vigência da União Soviética, que durou de 1917 a 1991. Existem muitos povos ou nações que há décadas lutam por sua autonomia política e, portanto, pela criação de seus próprios Estados nacionais. Entre eles estão os curdos, que vivem no Oriente Médio, espalhados pela Turquia, Iraque, Irã e Síria, além das comunidades que vivem na Rússia. É importante salientar também o significado da extensão territorial. Ter um território extenso representa, para um país, a possibilidade de contar com bases naturais e de recursos estratégicos, como minérios, florestas ou mananciais de água, ou ainda, o acesso a mares e oceanos. Não é por outra razão que diversos países entram em conflito quando reivindicam frações de territórios sob domínio de outro Estado nacional. Estamos falando, portanto, do território como um elemento das relações de poder entre os países. GLOSSÁRIO

CONHECER MAIS

As fronteiras do Estado moderno No período moderno, as fronteiras aparecem como as molduras dos Estados-nações, de modo que tanto o seu estabelecimento, como eventuais modificações, manifestam transformações que estão se processando no interior das sociedades, sem se esquecer, é claro, das relações de vizinhança. Essas últimas, por sua vez, são bastante elásticas e mutáveis, podendo variar desde uma situação de amizade crescente que tende para a integração, até a indiferença que aos poucos vai se tornando uma viva hostilidade. [...] Os Estados modernos necessitam de limites precisos onde possam exercer sua soberania, não sendo suficientes as mais ou menos largas faixas de fronteira. Assim, hoje o “limite” é reconhecido como linha, e não pode, portanto, ser habitada, ao contrário de “fronteira”, que, ocupando uma faixa, constitui uma zona, muitas vezes bastante povoada, onde os Estados vizinhos podem desenvolver intenso intercâmbio. [...] Mas a presença do Estado impõe distinções marcantes. Obrigações como o pagamento de impostos e prestação do serviço militar e direitos como os serviços públicos serão diferentes de cada lado da fronteira. MARTIN, André Roberto. Fronteiras e nações. 2. ed. São Paulo: Contexto, 1994. p. 46-47.

260

Geografia

Soberania: refere-se ao poder, autoridade suprema e independência. No caso do Estado, esse poder deverá prevalecer sobre outros, como a igreja, a família ou as empresas. Supõe a não interferência de outras soberanias nacionais nos assuntos internos de um Estado. No plano externo, a soberania se expressa, por exemplo, no direito de um Estado declarar guerra ou reconhecer outros Estados e com eles manter relações diplomáticas e negociar tratados.


PESQUISAR I

Com um grupo de colegas e a ajuda do professor, consulte um atlas geográfico, livros e sites e localize os países e regiões citados no texto anterior “A construção dos Estados nacionais: unidade e fragmentação”. Veja as indicações de fontes para pesquisa ao final deste capítulo. Converse também com a turma e com o professor sobre o significado das fronteiras no mundo em que vivemos.

TERRITÓRIOS COLONIAIS Se um brasileiro que vive no estado do Amapá atravessa a fronteira com a Guiana Francesa, estará ingressando em território francês. Mas como isso é possível, se a França está localizada na Europa, muito distante dali? Isso se explica pelo fato de a Guiana Francesa ser uma das colônias francesas na América. A Guiana Francesa é um território da França; portanto, faz parte do território francês, mesmo estando na América do Sul. O mesmo se dá com quase cinquenta territórios, que ainda hoje pertencem a países que, no passado, dominaram vastos impérios coloniais. É o caso da gigantesca ilha da Groenlândia, a maior do mundo, que pertence à Dinamarca, e de uma série de ilhas da América Central e da Oceania, ainda hoje dominadas pelas antigas potências coloniais, como Reino Unido e França. Entre os países que ocuparam e ainda dominam territórios, mantendo-os como possessões coloniais, estão França, Reino Unido, Estados Unidos, Espanha, Austrália, Nova Zelândia, Portugal e Dinamarca. A presença desses territórios sem autonomia política é uma herança do avassalador período de dominação colonial ocorrido nos séculos passados. É importante destacar que boa parte do mundo, em especial no final do século XVIII e início do século XIX, era formada por uma série de territórios coloniais de potências europeias (sobretudo Inglaterra, França, Espanha, Portugal e Holanda), presentes na África, Ásia e América. O mapa do mundo foi redesenhado no final do século XIX, com a partilha colonial da África por países da Europa, e ao longo do século XX, com as duas grandes guerras mundiais e as lutas contra o neocolonialismo europeu. Examine o mapa a seguir, que mostra a situação da África no início do século XX. CONHECER MAIS

Neocolonialismo Foi uma nova etapa de colonização, exploração econômica e dominação política estabelecida por potências capitalistas como Reino Unido, França, Itália e Bélgica, além de Alemanha, Japão, Estados Unidos e

Rússia, sobre áreas da África e da Ásia. Isso se deu ao longo do século XIX e início do século XX. Daí resultou a partilha – colonização – desses continentes entre aquelas potências.

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Ilustração digital: Sonia Vaz

Presença do colonizador europeu na África – Início do século XX

N O

L

0

600

1 200 km

S

Fonte: SOUZA, Marina de Mello e. África e Brasil africano. São Paulo: Ática, 2007, p. 158.

LER TEXTO DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

Cada país possui uma ou mais línguas oficiais e certa homogeneidade cultural, embora na maior parte dos casos isso resulte da imposição de um grupo sobre os demais. Basta ver o que aconteceu no Brasil, em que inúmeros povos indígenas desapareceram ou perderam suas características culturais originais. Na Índia e na Nigéria, por exemplo, existem dezenas de línguas e dialetos, mas o inglês é o idioma oficial porque a Inglaterra exerceu domínio colonial sobre esses países. Sobre isso, leia o texto a seguir e responda às questões propostas. Quando morre uma língua, desaparece uma cultura O que poderia ser mais solitário do que estar na pele do último falante vivo de sua língua materna? Este, porém, é destino de milhares de seres humanos: segundo os linguistas, até o fim do século XXI, dos quase 7 mil idiomas falados em 2007 metade irá à extinção com a morte de seu derradeiro falante. 262

Geografia


A perda de uma língua muitas vezes começa com a discriminação e termina com a assimilação de seus falantes. Nosso mundo urbano e globalizado é desfavorável a milhares de idiomas locais que antes estreitavam os vínculos de família, tribo e nação. Na época mais interconectada da história, estamos perdendo elos vitais com a história remota. O idioma kallawaya, nos Andes bolivianos, tem hoje menos de 100 falantes. Nos territórios asiáticos da Rússia, havia 42 línguas [nativas], muitas das quais ameaçadas pela assimilação compulsória na época da União Soviética. As principais ilhas do Japão têm apenas três idiomas nativos, [entre os quais] o idioma ainu, gravemente ameaçado. Centenas de línguas indígenas sobreviveram na América do Sul, a despeito de séculos de pressão. Muitas guardam extenso conhecimento sobre plantas medicinais e sistemas naturais. HAYDEN,Thomas (Org.). Dossiê Terra: por uma vida sustentável no século XXI. São Paulo: Abril, 2007. p. 84-85.

1. Com suas palavras, apresente o assunto tratado no texto. 2. Junto com um colega, procurem significados para as palavras “discriminação” e “assimilação”,

ambas citadas no texto. Anotem as descobertas. 3. Com base no texto, responda: por que o desaparecimento de uma língua é um sério problema,

que afeta a humanidade?

O ESTADO NACIONAL MODERNO: ORIGENS, FUNÇÕES, ATIVIDADES Como vimos até aqui, vivemos num mundo constituído por Estados nacionais. Nesta altura, você pode se perguntar: quais funções e atividades estão sob sua responsabilidade nos dias de hoje? Não há respostas simples. Elas devem ser pensadas levando-se em conta acontecimentos históricos e as características das diferentes sociedades e culturas. Destacamos que o Estado refere-se à organização do poder político. A organização desse poder envolve o conjunto da sociedade nacional. O Estado reúne no plano interno instituições como os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e inúmeros órgãos técnicos e administrativos, bem como funcionários públicos. No caso do Brasil e de outros países, esses poderes estão organizados em níveis territoriais de poder: o federal (ou nacional), o regional (os estados, como Rio de Janeiro, Pernambuco etc.) e o local (os municípios). Nas modalidades de Estado conhecidas como Estado federal (é o caso do Brasil e dos Estados Unidos, ainda que haja diferenças entre ambos), cada um desses níveis deverá ter autonomia e recursos suficientes para tomar suas decisões políticas. O acesso ao poder varia conforme o regime político de cada país. Hoje, no Brasil, diversas forças políticas ocupam os diferentes níveis de poder por meio de eleições livres e democráticas – conquistadas no país após intensa luta política e pressão social. É preciso considerar que vivemos no nosso passado períodos de 7º ano

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ditadura, em que liberdades como a de pensamento ou de escolher representantes estavam vedadas. Alguns países ainda enfrentam as consequências de não desfrutarem de liberdades e direitos fundamentais. Vamos examinar a seguir algumas das principais funções e atividades estatais.

LER IMAGENS

As imagens apresentadas mostram diferentes funções e atividades desempenhadas pelo Estado moderno. Elas compõem um amplo e complexo conjunto de atribuições, essenciais para a vida

Delfim Martins/Pulsar Imagens

Gerson Gerloff/Pulsar Imagens

dos cidadãos. Sobre isso, examine as fotografias a seguir e responda às questões.

Fachada da Escola Estadual Euclides da Cunha, na cidade de Boa Vista (RR), 2010.

Luciana Whitaker/Pulsar Imagens

Han Bing/Xinhua Press/Corbis/Latinstock

Trabalhadores da prefeitura fazem manutenção em calçamento, em Ponta Grossa (PR), 2012.

Voto em urna eletrônica durante eleições no Rio de Janeiro, 2010.

Soldados congoleses marcham em Kinkala durante as comemorações do aniversário da independência da República do Congo, em 2012.

1. Anote as atividades ou setores apresentados e os nomes dos lugares. 2. Discuta com os colegas sobre qual nível de poder é o responsável por cada uma das atividades

apresentadas. 264

Geografia


DEBATER

Com alguns colegas, debatam as seguintes questões: • • • • •

Qual nível de governo no Brasil é responsável pela defesa e vigilância das fronteiras? Quem cuida da pavimentação e da iluminação públicas nas cidades? E quem responde pela segurança pública e pelo combate a atividades ilegais ou criminosas? No caso de uma declaração de guerra a outro país, quem será o porta-voz dessa decisão? Os serviços públicos de abastecimento de água e tratamento de esgotos estão a cargo de qual nível de poder?

Para responder às questões, verifique o que ocorre em seu município ou região. Em seguida, discuta os resultados com toda a turma.

FUNÇÕES POLÍTICO-ADMINISTRATIVAS E DE PLANEJAMENTO ECONÔMICO As perguntas da seção “Debater” indicam que, para que cada Estado possa desempenhar suas funções político-administrativas e promover o bem-estar dos cidadãos, é necessária uma organização territorial interna. Em geral, há uma hierarquia de poder e atribuições entre os diferentes níveis territoriais: o nacional (ou federal), o regional e o local. Esses níveis, em regra, têm atribuições complementares, mas que não se confundem. É necessário também existir um certo número de órgãos (secretarias, ministérios, empresas estatais) para atuar nas diferentes áreas, como as de infraestrutura (transportes, energia, comunicações, saneamento básico etc.), educação, saúde, segurança pública, promoção social, entre outras. Vejamos exemplos. Para que suas fronteiras não sejam violadas, os Estados dispõem de forças armadas (Exército, Marinha, Aeronáutica). Em regra, os efetivos militares, responsabilidade do poder central, são os encarregados dos postos de fiscalização e vigilância das fronteiras e, em situações extremas, de promover a guerra. Esses efetivos podem participar também de outras atividades em caráter excepcional, como missões de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) e resgate de vítimas de catástrofes. Nos últimos anos, por exemplo, soldados brasileiros vêm participando das tropas de paz internacionais no Haiti, país da América Central. O governo central dos países pode também planejar e executar empreendimentos em conjunto com seus vizinhos. Um exemplo é o da proposta de integração da rede de rodovias na América do Sul. O Brasil tem especial interesse nisso, pois criaria a possibilidade de exportar bens para a Ásia pelos portos da costa do Oceano Pacífico, situados no Chile e no Peru. Confira a posição dessas regiões num mapa-múndi ou num mapa da América do Sul. Por sua vez, o abastecimento de água, a coleta e o tratamento dos esgotos, o policiamento e o combate a atividades criminosas são, em geral, responsabilida7º ano

265


des dos níveis intermediários ou regionais de poder, como os estados (no caso do Brasil). Em nosso país, alguns municípios também oferecem esses serviços públicos ou participam do seu funcionamento diário. Aos níveis de poder local (municípios) são designadas incumbências como prover a população de serviços de saúde e educação (com os estados) ou oferecer a pavimentação e a iluminação de vias públicas, a coleta de lixo e uma parte dos transportes públicos urbanos. A compreensão dessa divisão de poderes e funções é fundamental, pois, para reivindicar ou garantir direitos, os cidadãos devem saber exatamente de quem cobrar responsabilidades. Há muita confusão nesse campo. É muito comum no Brasil as pessoas acharem que o valor do salário-mínimo é responsabilidade do governo municipal. De outro lado, muitos associam a precariedade da coleta de lixo ao descaso de autoridades federais. O Estado também planeja ou participa diretamente de atividades econômicas. Além das políticas públicas que regulamentam o sistema monetário (o valor da moeda, por exemplo), de crédito e investimentos, o Estado pode também desempenhar − ele próprio − funções econômicas. Entre elas, tomando novamente o Brasil como exemplo, estão as atividades de empresas estatais do setor petrolífero, petroquímico, químico ou de siderurgia. Portanto, parece impensável para o capitalismo dispensar a participação do Estado em seu projeto de acumulação de riquezas. Deve-se ter em mente que o Estado é um promotor do desenvolvimento capitalista quando, por exemplo, cria infraestrutura de transportes, energia e comunicações (rodovias, transmissões via satélite etc.), sem as quais o fluxo de capitais e mercadorias seria impossível. Os capitais, nesse caso, referem-se ao dinheiro e às variadas aplicações financeiras. De outro lado, cabe a ele, sob controle da sociedade, repartir a riqueza produzida socialmente estabelecendo e implementando políticas públicas. Esse é um campo de tensão permanente, pois há sempre disputas entre trabalhadores e empresários para que essa divisão seja a mais equilibrada possível. É aqui que entra mais fortemente o componente político: na hora de votar, os cidadãos devem escolher os candidatos que têm propostas ou iniciativas que possam atender às principais demandas e necessidades da população. Vale a pena lembrar que variou ao longo do tempo a maior ou menor presença do Estado na vida econômica e social dos diferentes países. Citando dois exemplos distintos, nos antigos regimes socialistas, como na antiga União Soviética e na China atual, registra-se a forte intervenção do Estado nessas áreas, que decidia ou decide praticamente tudo. Em países da Europa ocidental, como Alemanha, França e Inglaterra, construiu-se o chamado Estado do bem-estar social. Nesse caso, o Estado arcava com inúmeros benefícios, como os amplos sistemas de previdência e assistência social à população. 266

Geografia


OS SISTEMAS DE REPRESENTAÇÃO POLÍTICA

Roberto Schmidt/AFP/Getty Images

Um dos aspectos mais importantes para o entendimento do Estado moderno e sua ação refere-se ao modo como o poder político se distribui entre o Estado e a sociedade. De modo geral, as sociedades transferem poder aos governos para eles executarem suas funções. Nos regimes políticos chamados de democracias representati- GLOSSÁRIO Democracia: sistema político vas, existem mecanismos de escolha dos representantes por meio em que o poder de tomar decisões políticas está com o de eleições livres e diretas para diferentes cargos da administrapovo, seja por via direta, seja ção pública. Quando acontecem as eleições, pode então haver remediante representantes eleitos. novação das forças políticas que vão ocupar o poder no Estado por determinado período. É o que ocorre no Brasil. Muitos pesquisadores e ativistas apontam que é preciso também implementar a democracia participativa, para que os cidadãos possam controlar e fiscalizar a ação dos representantes eleitos. Alguns assinalam que há distorções em nosso sistema político, como a excessiva centralização do poder no nível federal. Vejamos um exemplo: grande parte da arrecadação de impostos em nosso país fica nas mãos do governo federal, que deve repassar recursos aos estados e municípios. Isso está previsto em lei, mas, muitas vezes, o repasse não acontece imediatamente, ficando vinculado ao apoio político do governo municipal ao governo federal. De outro lado, em regimes políticos fechados, como as ditaduras militares, está vedada a participação da sociedade nos destinos do país. Alguns países africanos viveram, nas últimas décadas, a experiência de golpes de Estado, em que grupos militares tomaram o poder à força e suspenderam os mecanismos de escolha de representantes ou de participação popular. Entre eles estão a Guiné-Bissau, Zimbábue e Libéria. Em outros países, simplesmente vêm sendo destruídas as estruturas que garantiriam o funcionamento do Estado, ainda que de forma reduzida ou precária, como no caso da Escombros em Mogadíscio, capital da Somália, em 2011. Além de uma epidemia de fome, Somália. nos últimos anos o país vem sendo arrasado por conflitos internos.

7º ano

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PESQUISAR II

Com alguns colegas, consulte jornais, revistas ou sites destinados a assuntos internacionais. Procure notícias sobre outros países que abordem assuntos como eleições, conflitos armados, empreendimentos econômicos, exportação e importação de bens, assinatura de acordos e tratados, entre outros. Essas notícias provavelmente apresentarão acontecimentos referentes ao campo das relações internacionais. Essas relações dizem respeito às interações entre países a partir de interesses econômicos, políticos ou estratégicos.

GLOSSÁRIO

Estratégicos: refere-se a atos de elaborar e coordenar plano de ação de forças, em especial políticas e militares, em função de um determinado objetivo ou para a defesa territorial de um país ou grupo de países.

AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS No mundo atual, cada Estado atua no cenário internacional como regulador dos seus fluxos comerciais e das suas transações financeiras ou participando de organizações multilaterais (das quais participam vários países) e de relações diplomáticas em geral. Para isso, todo país mantém embaixadas ou consulados em outros países, que representam o seu Estado perante outros e servem para estreitar relações, intermediar negociações, atender os cidadãos do país no exterior etc. As relações internacionais são regidas por uma série de regras, acordos e leis. Ao longo do tempo, foram também criadas instituições para debater e tomar decisões sobre assuntos de interesse da comunidade internacional. A principal delas é a ONU, fundada após a Segunda Guerra Mundial, que possui uma série de órgãos e agências especializadas em assuntos como população, habitação, educação e cultura, agricultura, ambiente, agências financeiras, refugiados e muitas outras. Existem também diversas organizações humanitárias não governamentais que atuam no campo das relações internacionais, como Cruz Vermelha, Médicos sem Fronteiras e Anistia Internacional. Apesar da existência dessas organizações, sabe-se que alguns Estados nacionais possuem maior influência e peso político e econômico do que outros. Isso se dá em razão da força econômica desses países e também do seu poderio militar. Os mais poderosos costumam até intervir em territórios de outros países mesmo contrariando as regras internacionais ou as recomendações da ONU. Um exemplo é o dos Estados Unidos, que, sob o pretexto de garantir a própria segurança nacional, já invadiram territórios em diferentes partes do mundo, como na América Latina (Cuba, Panamá, República Dominicana e outros), e no Oriente Médio (Iraque, Afeganistão). A Rússia também mantém essa prática. Dona de um gigantesco arsenal bélico-nuclear, já atacou diversos vizinhos, sendo um episódio recente o ataque à Geórgia, em 2008. As guerras e os conflitos armados ou o rompimento de relações diplomáticas são situações extremas entre os países. Dados recentes mostram que houve uma redução no número de conflitos no mundo desde 1990, embora eles ainda ocorram com muita frequência. Os dados 268

Geografia


mostram também que há concentração de guerras, conflitos e situações de instabilidade política na África e na Ásia – no caso desta última, particularmente no Oriente Médio e no sul do continente. GLOSSÁRIO Em parte, isso se deve ao fato de que as estruturas do Estado de Estado de direito: situação política em que há garantia direito ainda estão sendo construídas em vários países. Ainda há imde respeito ao direito dos passes em conflitos territoriais ou de origem étnica e religiosa, caso indivíduos e às instituições para que se exerça plena das questões entre israelenses e palestinos, dos curdos, do Afeganiscidadania em um ambiente democrático. No Estado tão e das disputas entre Índia e Paquistão em relação ao território da de direito, as próprias Caxemira, no norte indiano. Com alguns colegas e a ajuda do profesautoridades políticas estão sujeitas às normas do sor, localize essas áreas em um mapa-múndi ou em mapas regionais. direito, isto é, devem se submeter às leis aprovadas. O campo das relações internacionais pode ser comparado a um tabuleiro de xadrez, em que as “peças” e os movimentos atendem aos interesses dos núcleos de poder do mundo contemporâneo. Como veremos em outros capítulos, esse campo de atuação do Estado moderno não deixou de existir por causa do surgimento da chamada globalização. Muitos afirmam que cada vez mais as atividades capitalistas ultrapassam as fronteiras nacionais sem maiores constrangimentos. Mas isso não significa que não haja participação dos países. Em outras palavras, há um jogo entre o nacional e o global.

APLICAR CONHECIMENTOS

1. Elabore um glossário expressando com suas palavras o significado dos seguintes verbetes: a) Estado

d) governo

g) democracia

b) nação

e) território

h) poder

c) Estado nacional

f) fronteira

i) funções político-administrativas do Estado

2. Observe a lista a seguir. Ela traz algumas funções e obrigações do Estado (ou do poder público).

Tomando-se o Brasil como exemplo, identifique as atribuições dos níveis territoriais de poder em cada uma dessas funções e obrigações. a) Realizar a coleta de lixo e sua destinação adequada. b) Segurança pública e combate a atividades criminosas. c) Declarar guerra a outro país. d) Criar e manter escolas públicas de ensino fundamental. e) Promover a defesa e a vigilância das fronteiras nacionais. f) Reajustar o salário-mínimo. 3. Leia o texto a seguir. A luta dos tibetanos para se tornarem independentes da China há muito vem sendo acompanhada pelo Ocidente. Bem menos gente, contudo, conhece outra mobilização: a dos uigures – povo da Ásia central de língua turcomana que ocupa a Região Autônoma de Xinjiang, no oeste chinês. Rica em carvão, gás e petróleo e

7º ano

269


circundada por altas montanhas, pela região passam caminhos da famosa Rota da Seda. Em 2009, quase duzentas pessoas morreram em conflitos entre uigures e hans, estes a maioria étnica no país. Em 1947, eram 220 mil hans e 3 milhões de uigures, 75% do total da província. Em 2007, graças ao estímulo oficial à migração han para a região, esse grupo atingiu 8,2 milhões de pessoas. Após a adoção do bilinguismo na província, a língua uigur está desaparecendo das salas de aula. TEAGUE, Matthew. O outro Tibet. National Geographic, n. 117, dez. 2009. p. 56-58. (Adaptado.)

A situação descrita revela na China: a) Omissão do poder central em relação à luta dos uigures e outras minorias separatistas. b) Iniciativas do governo central para ampliar o poder de minorias como a dos uigures. c) Ações do poder central para implantar o predomínio da etnia han em províncias do país. d) Esforços do governo central para valorizar e manter a rica diversidade cultural do país. 4. Leia o texto a seguir. Três mulheres – a presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, a ativista Leymah Gbowee, também liberiana, e a jornalista e militante antigoverno Tawakul Karman, do Iêmen – foram agraciadas com o Prêmio Nobel da Paz de 2011. Ellen Sirleaf foi eleita a primeira mulher chefe de Estado em um país africano. Gbowee se notabilizou por fundar um movimento pacifista que ajudou a encerrar a guerra civil na Libéria e Karman tornou-se conhecida por organizar manifestações e acampamentos contra o governo de seu país desde 2007.

Considerando os dados citados, conclui-se que a premiação: a) Coloca em xeque as práticas utilizadas por organizações sociais baseadas no ativismo feminino. b) Reconhece a participação das mulheres na luta pela paz e na conquista de direitos humanos. c) Evidencia a ausência das mulheres em movimentos que estão mudando a vida política dos países. d) Acaba reforçando a criação de preconceitos que atentam contra a condição feminina. 5. Com base no que você estudou no capítulo, escreva um texto que comente as ações do Estado

mencionadas na letra da música a seguir. Estado violência Sinto no meu corpo A dor que angustia A lei ao meu redor A lei que eu não queria Estado violência Estado hipocrisia A lei não é minha A lei que eu não queria Meu corpo não é meu Meu coração é teu Atrás de portas frias O homem está só

Homem em silêncio Homem na prisão Homem no escuro Futuro da nação [repete] Estado Violência Deixem-me querer Estado Violência Deixem-me pensar Estado Violência Deixem-me sentir Estado Violência Deixem-me em paz. Titãs. Cabeça dinossauro. Rio de Janeiro: WEA, 1986. Faixa 5.

270

Geografia


PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS

Livros

Atlas da mundialização

Atlas com cartografia inovadora com temas relevantes do Brasil e do mundo. Consultar unidade sobre impérios e divisão política atual. DURAND, Marie-Françoise et al. Atlas da mundialização: compreender o espaço mundial contemporâneo. São Paulo: Saraiva, 2009.

Atlas da situação mundial/Atlas dos conflitos mundiais

Trazem textos, mapas e gráficos sobre conflitos no mundo, comércio mundial de armas, situação política e econômica dos países, disputas pela água, missões de paz e tratados internacionais e outros. SMITH, Dan. Atlas da situação mundial. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2007. ______. Atlas dos conflitos mundiais. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2007.

Atlas do Brasil

Com cartografia inovadora, apresenta textos, mapas, esquemas e gráficos sobre as dinâmicas naturais e sociais do território brasileiro. THÉRY, Hervé; MELLO, Neli A. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. São Paulo: Edusp, 2009.

Atlas geográfico escolar

Traz mapas do Brasil e do mundo sobre diversos temas. IBGE. Atlas geográfico escolar. 5. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2009.

Filmes

Filha da guerra

Um olhar sobre o legado da Guerra dos Bálcãs, que afetou a vida das pessoas nas repúblicas da antiga Iugoslávia. Direção: Jasmila Zbanic. Áustria/Bósnia-Herzegovina/Alemanha/Croácia, 2006, 90 min.

O jardineiro fiel

O assassinato da esposa de um diplomata inglês em serviço no Quênia revela trama ligada aos interesses dos grandes laboratórios farmacêuticos. Direção: Fernando Meirelles. Estados Unidos/Inglaterra, 2005, 129 min.

Site

Organização das Nações Unidas (ONU)

O portal da organização traz textos, documentos e notícias sobre os países do mundo. Apresenta links de acesso a documentos e relatórios de encontros, convenções e fóruns mundiais diversos. Disponível em: <www.onu-brasil.org.br>. Acesso em: 27 jul. 2012.

7º ano

271


Capítulo

2

GEOGRAFIA

Organizações internacionais e de integração regional

O

Estado nacional é uma das unidades básicas de análise das relações econômicas e políticas no mundo contemporâneo. Para complementar os estudos sobre as relações internacionais, vamos examinar algumas das mais importantes organizações de países existentes. Elas envolvem grupos de países que se reuniram em função dos interesses em comum. Conhecê-las melhor é um passo importante para compreender as relações de poder e de cooperação entre os países.

RODA DE CONVERSA

Luciana Whitaker/Pulsar Imagens

Com os colegas, participe de um debate sobre as organizações internacionais que existem no mundo atual. Quais são elas? Para quais finalidades e em que momento histórico elas foram criadas? A turma já ouviu falar em Mercado Comum do Sul (Mercosul) ou na Organização das Nações Unidas (ONU)? O que seriam essas entidades? Em que elas afetam a vida dos brasileiros? Como as organizações internacionais contribuem para evitar crises econômicas e conflitos armados e para promover a paz e a cooperação entre os países? Elas têm cumprido essas funções? Se for necessário, leve para a sala de aula notícias de jornais, revistas ou sites falando dos países e do papel das organizações. Com a ajuda do professor, elabore um texto coletivo na lousa com as principais conclusões. Bandeiras dos países na entrada de escritório da ONU, em Viena, Áustria, 2011.

COMO CLASSIFICAR OS PAÍSES: VISÕES E PROPOSTAS Percorrendo as notícias de jornais diários, é possível observar que o Brasil ora é apresentado como país subdesenvolvido, em desenvolvimento ou subdesenvolvido/industrializado, ora como país do Terceiro Mundo. Ou, ainda, como tem sido mais comum nos últimos anos, como país “emergente”. Nessa categoria, estariam também Índia, China, México, África do Sul, entre outros. Existiria uma denominação mais correta e adequada para se referir aos conjuntos de países? Todas as denominações são válidas? O que elas significam? Qual deve ser utilizada? 272

Geografia


GLOSSÁRIO

As denominações podem ser explicadas pelo uso de diferentes critérios para agrupar os países. Cada critério está associado a uma visão de mundo e a sistemas de classificação usados em determinados momentos da história. Por exemplo, os termos “desenvolvimento” e “subdesenvolvimento” foram utilizados durante muito tempo – e ainda são – para agrupar países segundo condições diversas de crescimento econômico, níveis de produção industrial, avanço científico e tecnológico, diversificação da economia e situação social (em quesitos como mortalidade infantil, analfabetismo, renda, esperança de vida ao nascer etc.). Nessa visão, seriam considerados “em desenvolvimento” os países que ainda não teriam alcançado o estágio de desenvolvimento capitalista semelhante ao de países ricos e industrializados, como Estados Unidos, Japão e os países da Europa ocidental. Esse é um critério utilizado para agrupar e diferenciar os países. Mas nesse caso, talvez isso não venha a ocorrer, já que cada país ou região do planeta percorre um caminho diferente dos demais. Há muitas críticas a esse tipo de visão: segundo elas, mesmo nos quadros do capitalismo moderno, cada país deve procurar buscar o próprio percurso de desenvolvimento. Portanto, trata-se de recusar modelos externos. Esse é um exemplo que mostra uma determinada classificação dos países. Ela pode ser usada correntemente, desde que se tenha em mente que ela tem limites para apreender a grande diversidade e complexidade das realidades nacionais. Vejamos o exemplo do Brasil. Nosso país é considerado um país “em desenvolvimento” ou “emergente”. Ele não apresenta os mesmos indicadores sociais da Alemanha ou dos Estados Unidos, mas conta com um parque industrial e polos de produção científica e tecnológica respeitáveis e mundialmente reconhecidos. Esse poderia ser apenas o retrato momentâneo ou atual do país. Os “emergentes” seriam assim países que vêm obtendo ganhos quando se trata de crescimento econômico, embora ainda tenham grandes desigualdades sociais e situações de pobreza a enfrentar. A novidade é que passam a ter mais peso político nas decisões que afetam o conjunto dos países em nível global. Tanto é que representantes brasileiros, chineses e indianos, por exemplo, vêm sendo convidados com muita frequência para participar de reuniões de líderes do mundo desenvolvido. Portanto, tais mudanças tornam um pouco mais complexa a divisão e classificação dos países no cenário atual. Outra classificação muito utilizada, embora um tanto mais rara hoje, é a que agrupa os países em Primeiro, Segundo e Terceiro Mundo. Este último seria formado pelos países mais pobres. O primeiro seria composto pelos países mais ricos, e o segundo pelos antigos países comunistas – hoje residuais, após o desmonte da União Soviética e aliados. Tal classificação também tem os seus senões, já que a condição econômico-social dos países tende a variar ao longo do tempo. Vale notar também que cada país apresenta diferenças sociais internas. Há nos países pobres pessoas muito ricas, que desfrutam de um padrão de vida de

Critérios: normas ou fundamentos que servem de base para comparação ou avaliação de pessoas, coisas ou situações.

7º ano

273


“primeiro mundo”, assim como há grupos que vivem em condições precárias nos países ricos. Sobre essa última situação, como afirmou o geógrafo Milton Santos, pode-se dizer que “a periferia está no centro”. Um exemplo é de alguns imigrantes e seus descendentes em países europeus, que em alguns casos vivem em habitações precárias, não têm acesso aos serviços de saúde e não podem votar. Outro dado importante a considerar no mundo atual é que uma série de atividades diz respeito à economia dos países independentemente das fronteiras nacionais ou de sua condição econômico-social propriamente dita. Um bom exemplo é o do sistema financeiro internacional, que em sua atividade diária envolve as bolsas de valores ou os mercados financeiros dos mais diferentes países. Trata-se de um dos elementos-chave da chamada economia global, como veremos nos próximos volumes. Para fazer frente aos grandes desafios que afetam o mundo em que vivemos, os países criaram diversas organizações internacionais ou blocos econômicos regionais. São formas de organização do espaço geográfico que congregam países com interesses e objetivos comuns, sejam eles econômicos, políticos, militares ou estratégicos. Elas podem ter alcance regional ou mundial, a depender de seu histórico de construção e das características dos países-membros. É o que veremos a seguir, com mais detalhes.

LER MAPAS

Observe os mapas a seguir e, depois, responda às questões propostas:

Ilustração digital: Sonia Vaz

Principais organizações internacionais de integração regional (2009)

N O

L

0

2 500

5 000 km

S

Fonte: DURAND, Marie-Françoise et al. Atlas da mundialização. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 46-47.

274

Geografia


Ilustração digital: Sonia Vaz

Organizações geopolíticas

N O

L

0

2 320

4 640 km

S

Fonte: CALDINI, Vera; ISOLA, Leda. Atlas geográfico Saraiva. São Paulo: Saraiva, 2006. P. 78.

1. Converse com alguns colegas e responda: o que significa dizer que uma organização é de caráter

geopolítico ou de integração regional? Explique sua resposta. 2. Qual das organizações internacionais apresentadas envolve a maioria dos países do mundo? 3. Quais são as organizações econômicas e geopolíticas que envolvem países da Europa? E do con-

tinente americano? 4. De quais organizações internacionais e regionais o Brasil participa? 5. Existem organizações regionais ou internacionais com a participação de países africanos? Se sim,

quais são elas? 6. Debata com os colegas sobre quais as vantagens de um país participar de organizações econômi-

cas e geopolíticas. Em seguida, escreva as suas conclusões a seguir.

AS ORGANIZAÇÕES DE PAÍSES: UM PANORAMA Os mapas apresentam diferentes modalidades de organização. Todas elas podem ser chamadas de multilaterais, ou seja, com diversos países participantes. Elas diferem quanto à abrangência espacial. Algumas têm abrangência mundial ou internacional, como a ONU, que contava em 2012 com 193 países-membros – quase a totalidade dos países do mundo. Outras, por sua vez, têm âmbito regional – os chamados blocos econômicos regionais, e envolvem grupos de países de uma dada região do planeta, como a União Europeia (UE) e o Mercosul. 7º ano

275


Outra distinção importante refere-se à natureza de cada or- GLOSSÁRIO Geopolítica: campo do saber ganização. Existem as criadas especificamente para promover a vinculado à elaboração de ideias cooperação econômica e a ampliação das trocas comerciais ene projetos de ação voltados às relações de poder entre os Estados tre os países-membros (e deles, em conjunto, com outros países), nacionais. A geopolítica, assim, está associada à elaboração de como o Mercosul, a União Europeia, o Acordo de Livre-Comérestratégias de controle e domínio cio da América do Norte (Nafta) e o Pacto Andino. Já outras entido território nacional e também se associa a eventuais pretensões em dades referem-se ao campo de atuação político-militar ou, como relação a territórios estrangeiros. preferem alguns estudiosos, da geopolítica. Algumas foram criadas ou concebidas logo após a Segunda Guerra Mundial, como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Sob a liderança política e militar dos Estados Unidos, ela congrega os países do Ocidente e conta com bases militares, tropas e equipamentos instalados estrategicamente nos territórios dos países-membros. Em décadas passadas, seu maior objetivo era confrontar os interesses políticos e militares da ex-União Soviética e aliados. Mas seus objetivos mudaram, uma vez que o antigo bloco soviético desmoronou. Hoje eles integram a Comunidade de Estados Independentes (CEI). Embora a Rússia ainda seja vista como potência militar não subordinada ao controle CONHECER MAIS ocidental (o que de fato é), outros adversários foram escolhidos como o “inimigo” a ser combatido, como o A criação da ONU terrorismo internacional. Depois da Segunda Guerra Mundial [1939-1945], que devastou deEm episódios ocorridos em 2011, por exemplo, as zenas de países e tomou a vida de forças da Otan realizaram intervenção no conflito que milhares de seres humanos, existia se desenrolava na Líbia. Os aviões de caça da Otan na comunidade internacional um sentimento generalizado de que era bombardearam instalações e equipamentos militares necessário encontrar uma forma de do ditador Muammar Kadhafi, que foi deposto e mormanter a paz entre os países. Porém reu durante o conflito. a ideia de criar a ONU não surgiu de uma hora para outra. Foram necessáEntidades como a Associação de Nações do Surios anos de planejamento e dezenas deste Asiático (Asean) constituíram-se inicialmente de horas de discussões antes do surcomo bloco político, envolvendo ex-colônias eurogimento da Organização. O nome Nações Unidas, foi [...] peias na Ásia. Posteriormente, foram criados meutilizado pela primeira vez na Declacanismos para intensificar os laços de cooperação ração das Nações Unidas de 12 de econômica. São países associados a investimentos esJaneiro de 1942, quando os representantes de 26 países assumiram o trangeiros diretos na produção, sobretudo de capitais compromisso de que seus governos originários inicialmente do Japão. continuariam a lutar contra as potências do Eixo [Alemanha, Itália e Japão, Ainda existem outras organizações para mediar aliados na Segunda Guerra Mundial]. conflitos e criar fóruns de diálogo entre as nações, A Carta das Nações Unidas foi como a ONU e a Organização dos Estados Americaelaborada pelos representantes de 50 países presentes à Conferência sobre nos (OEA), embora suas decisões ainda sofram forte Organização Internacional, em São influência de países mais poderosos. Francisco (EUA), entre abril e junho A ONU tem feito um importante trabalho na prode 1945. moção da paz e dos direitos humanos, assim como na Disponível em: <www.onu.org.br/conheca-a-onu/a-historia-daorganizacao>. Acesso em: 28 maio 2012. ajuda a populações de refugiados de conflitos, da fome 276

Geografia


Ernesto Reghran/Pulsar Imagens

e de catástrofes naturais. A entidade conta com uma série de órgãos e agências que desenvolvem ações e publicam regularmente estudos sobre temas diversos, como população mundial, cidades, produção de alimentos, combate ao tráfico de drogas, saúde e muitos outros. De outro lado, a reforma da ONU está em franco debate hoje. Entre outras razões, pela forte influência exercida por Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido em um importante órgão que é o Conselho de Segurança da ONU. Esses países têm assento permanente nesse conselho e é famoso o seu poder de veto em questões como conflitos armados e de bloqueio econômico a determinados países. Estados Unidos e Rússia já lançaram mão desse recurso diversas vezes para impedir a tomada de decisões que contrariavam seus interesses. A Organização Mundial do Comércio (OMC) foi criada em 1995, substituindo o antigo GATT (na sigla em inglês, Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio). A OMC serve para mediar disputas entre os países relacionados ao comércio mundial. Um exemplo comum é quando um dos países-membros (em 2013 são mais de 150 filiados) entra com recurso na entidade para questionar o apoio financeiro de um determinado Estado a suas empresas, chamados de subsídios. Isso feriria as regras do comércio internacional, que deve se basear na livre concorrência entre os setores econômicos. Uma empresa brasileira, por exemplo, já saiu vencedora Militares brasileiros da Força de Paz da ONU distribuem alimentos a habitantes de Porto em disputa na OMC com uma Príncipe, no Haiti, em abril de 2008. Um terremoto devastou o país, e a ação da Força de Paz foi fundamental para amparar as famílias que perderam tudo com a tragédia. empresa canadense. Ambas são concorrentes no setor de fabricação de aviões de pequeno e médio portes. A organização dos Estados nacionais em entidades, blocos ou grupos de interesse permitiu em certa medida o crescimento econômico e o aumento do peso político de muitos países. Entretanto, ela ainda precisa contribuir mais para a melhoria de vida das populações. É necessário aprofundar o combate à fome, às doenças e aos conflitos e o atendimento aos direitos humanos.

7º ano

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AS ORGANIZAÇÕES DE INTEGRAÇÃO REGIONAL: CONFLITO E COOPERAÇÃO A maior parte das organizações de integração regional – ou blocos econômicos regionais – foi criada após a Segunda Guerra Mundial e décadas seguintes. Como já vimos, seu processo de construção se dá a partir de interesses políticos e econômicos dos países-membros. Por exemplo, decidir sobre tarifas de exportação comuns a todos os participantes, ou então criar mecanismos de integração econômica regional, como a livre circulação de mercadorias e pessoas entre os países-membros. Por que os Estados nacionais decidiram criar ou estabelecer sua adesão a organizações desse tipo? Na maior parte dos casos, porque veem nisso uma oportunidade de, coletivamente, obter maior peso político e econômico nas negociações com outros países ou blocos. As organizações de integração regional são associações entre Estados soberanos. Ao criarem ou ingressarem em blocos econômicos desse tipo, os países estão, em alguma medida, transferindo parte de sua soberania para os órgãos intergovernamentais do bloco. Assim, medidas como estipular as tarifas de exportação e importação a serem cobradas de países fora do bloco ou definir os destinos dos bens exportáveis envolvem decisões que já não cabem a um único país, mas ao conjunto dos países-membros. Isso não exclui que um determinado país estabeleça individualmente alguns acordos para trocas comerciais. Das organizações ou blocos econômicos existentes, a União Europeia (UE) conseguiu aprofundar bastante os mecanismos de integração regional. Desde o século XIX, já havia organismos de cooperação regional naquele continente. Mas, nas últimas décadas, a UE criou uma grande área de livre-comércio e circulação de bens, mercadorias e pessoas, uma moeda única (o euro), uma política agrícola com regras que valem para todos, e um parlamento comum, com representantes de todos os países-membros. Tais países também adotam posturas comuns diante do mundo externo. Um exemplo, quase sempre cercado de intensos debates, é a restrição à entrada no continente de imigrantes de países pobres. Outras organizações, porém, enfrentam muitas dificuldades para consolidar sua integração, como o Mercosul ou as organizações existentes no continente africano, como a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADCC). Entre as causas, estão as fragilidades econômicas e a instabilidade política de alguns países-membros. Além das entidades citadas, existem outras articulações de países. Uma delas é o chamado G8, grupo formado pelas oito importantes economias do mundo: Estados Unidos, Japão, Alemanha, Canadá, França, Itália, Reino Unido e Rússia. Outro grupo importante é o chamado BRICS. As letras representam as iniciais dos nomes em inglês de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – que formam o grupo dos maiores países ditos “emergentes”, que vêm tendo grande desempenho econômico nos últimos anos. 278

Geografia


Vale notar que, para criar essas organizações e se ajustar ao competitivo mercado global, muitos países tiveram de deixar de lado suas diferenças políticas e rivalidades históricas. Foi o que ocorreu na Europa, entre França, Alemanha e Reino Unido, que já estiveram envolvidos no passado em confrontos armados. Ou, então, na América do Sul, com as históricas disputas entre Brasil e Argentina, superadas para dar lugar à criação do Mercosul. Portanto, passa-se de um cenário de conflitos (incluindo disputas territoriais) para outro, marcado pelas iniciativas de cooperação e integração econômica.

A UNIÃO EUROPEIA

CONHECER MAIS

Modalidades de integração regional Quanto aos graus de integração, os blocos existentes são muito distintos entre si. Alguns são puramente áreas de livre-comércio (como o Nafta) e outros pretendem realizar a união monetária (como a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental – Cedeao). Do ponto de vista econômico ou mais estritamente comercial, distinguem-se atualmente quatro modalidades de integração regional. Área ou zona de livre comércio – prevê a redução ou eliminação de barreiras ou tarifas alfandegárias entre os países-membros. Porém, cada um deles mantém os próprios sistemas tarifários em relação a terceiros. Exemplos: Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec) e Nafta. União aduaneira (ou alfandegária) – trata-se de um estágio de integração mais avançado que o primeiro, em que os países-membros estabelecem e adotam uma tarifa externa comum, a chamada TEC. Exemplo: o Mercosul no momento atual. Mercado comum – além da TEC e do livre-comércio de bens, existe a livre circulação de fatores de produção (capitais, serviços, mão de obra) no interior do bloco, sem maiores dificuldades. Nessa fase, é importantíssima a coordenação de políticas econômicas mais amplas. A mobilidade de mão de obra também exige que os países tenham regras comuns quanto aos sistemas de contratação de trabalhadores, previdência social, seguro-desemprego e outros. Exemplo: União Europeia na fase anterior à da união econômica e monetária. União econômica e monetária – é o estágio mais avançado de um processo de integração regional. Trata-se de um mercado comum em que se aprofunda a livre circulação e a integração e em que os países adotam políticas de desenvolvimento e intercâmbio comuns e uma mesma moeda, esta sob o controle de um Banco Central único. Nessa fase, há importantes transferências de soberania, dos Estados para organismos políticos do bloco. Um exemplo é o da União Europeia na fase atual. Nela, o Banco Central europeu define as diretrizes e executa políticas monetárias no âmbito do bloco.

Esse quadro citado não exclui problemas e divergências dentro de cada bloco. A União Europeia, apesar de ser o bloco que mais avançou na criação das regras de cooperação, em especial a partir de 2010, viu-se diante de uma crise sem precedentes, gerada pela dificuldade de países como a Grécia de manter seu equilíbrio econômico e honrar seus compromissos financeiros. Sobretudo ao longo de 2011, a estabilidade do euro, a moeda única europeia, esteve fortemente ameaçada. O que isso tem a ver com os demais blocos e países, incluindo o Brasil? Essa situação cria muitas instabilidades no comércio mundial de mercadorias e nas economias capitalistas. Tais turbulências provocam variações nos valores das moedas e dificultam exportações para os países da União Europeia. É preciso considerar que, somados, os países-membros desse bloco constituem o principal mercado mundial. Além disso, em situações de crise, é comum que a primeira medida a se tomar seja cortar gastos públicos, o que afeta diretamente os direitos sociais e a sociedade como um todo. Nesse quadro, o desemprego tende a aumentar. Além da Grécia, verificou-se também dificuldades econômicas na Espanha, Portugal, Itália e Irlanda. Os dois primeiros, em especial, enfrentaram elevadas taxas de desemprego ao longo do ano de 2011 e primeiros meses de 2012. Estima-se que o problema poderá se prolongar por mais alguns anos. 7º ano

279


LER MAPA E TEXTO

Examine o mapa e o texto a seguir. Sobre eles, responda às questões propostas:

Ilustração digital: Sonia Vaz

A construção da União Europeia – 1957-2008

N O

L

0

405

810 km

S

Fonte: BONIFACE, Pascal; VÉDRINE, Hubert. Atlas do mundo global. São Paulo: Estação Liberdade, 2009. p. 75. (Adaptado.)

Grécia, um país em crise

Arno Burgi/DPA/Corbis/Latinstock

A Grécia integra a União Europeia e participa da Zona do Euro, adotando a moeda comum do bloco. Nos últimos anos, em especial após 2008, o país passou a enfrentar dificuldades econômicas em função do seu forte endividamento. Para saldar seus compromissos, a economia grega passou a depender de empréstimos e ajuda econômica do bloco. Em contrapartida, lideranças dos países-membros passaram a pressionar as autoridades gregas a realizar um ajuste em suas contas públicas e evitar novos gastos que poderiam comprometer ainda mais o endividamento. Isso gerou protestos da população grega, já que algumas das medidas são conter novos aumentos de salários e realizar cortes nos benefícios sociais. Não há estimativas de prazos para solução da crise grega, mas os participantes esperam que ela seja Em junho de 2011, manifestantes se reuniram em frente ao solucionada rapidamente para não colocar em risco Parlamento grego, em Atenas, para protestar contra medidas sugeridas pela União Europeia para conter a crise econômica no as instituições políticas e as estruturas econômicas país. A população grega tem organizado muitas manifestações do bloco europeu. desde 2008.

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Geografia


1. Qual é o assunto representado no mapa? O que significam as cores e os símbolos que aparecem nele?

2. Cite o nome de uma potência econômica da União Europeia que não adotou o euro como moeda. 3. Com um colega e a orientação do professor, responda: o que explica a adesão de países como

Polônia, República Tcheca, Romênia e Bulgária apenas a partir da metade da primeira década do século XXI?

4. Vimos que a União Europeia é uma “união econômica e monetária”. No quadro atual, o que se

pode dizer a respeito do papel das fronteiras existentes entre os países-membros?

5. O que contribui para explicar a crise econômica vivida pela Grécia? Em sua opinião, em que isso

poderá afetar os demais países, tanto do bloco como fora dele?

BRASIL E ARGENTINA: UMA RELAÇÃO MUITO ESPECIAL Vimos anteriormente que, para tornar possível a criação de organismos de integração regional e cooperação econômica, os Estados nacionais precisaram deixar de lado antigas rivalidades e disputas. Não é por outra razão que os blocos regionais passam a se tornar uma realidade após a Segunda Guerra Mundial. As gerações de pessoas que viveram os efeitos da guerra estavam mais predispostas a criar modos de vida e sistemas econômicos que afastassem as extremas 7º ano

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N

O

L

S

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Geografia

Ilustração digital: Sonia Vaz

dificuldades e a situação de penúria e destruição vividas em situações de confronto armado. No caso da União Europeia, detecta-se hoje que as gerações mais novas já não têm a mesma predisposição. Entretanto, é aqui que entra a importância de preservar a memória histórica das coletividades, para não repetir erros do passado: a guerra destrói cidades e estruturas econômicas e abala severamente a vida das famílias e dos indivíduos. Com diferenças, o mesmo se pode pensar a respeito do atual contexto político, econômico e social da América Latina e da América do Sul, que dizem respeito diretamente ao Brasil. Como salienta o geógrafo Wanderley Messias da Costa, Brasil e Argentina caminharam em direção à superação de suas diferenças históricas, que perduravam até a década de 1980. Havia, no contexto da época, menor cooperação do que a desejável entre os dois vizinhos. Dali em diante, brasileiros e argentinos substituíram antigas pretensões geopolíticas expansionistas no quadro sul-americano por sistemas de cooperação econômica e política. Um sinal claro dessa virada foi o abandono conjunto das armas nucleares e a instituição de processos de redemocratização nos dois países. Hoje, ambos contam com sistemas eleitorais livres e diretos em todos os níveis. Mas o resultado mais visível das novas políticas de cooperação foi a criação do Mercosul em 1991, reunindo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Em junho de 2012, Brasil, Argentina e Uruguai aprovaram a entrada da Venezuela no bloco. Isso ocorreu após a suspensão do Mercosul Paraguai – motivada pela deposição do então presidente Fernando Lugo pelo Congresso Nacional do país. Indicou-se o retorno do Paraguai aos organismos decisórios do bloco em meados de 2013. Outro resultado positivo foi o significativo crescimento das relações comerciais entre Brasil e Argentina. Dados recentes da OMC indicam que o Brasil é o maior parceiro comercial da Argentina. O país vizinho, por sua vez, é o quarto principal destino das exportações brasileiras – ficando atrás apenas da União Europeia, China e Estados Unidos. Brasil e Argentina hoje são grandes celeiros agrícolas mundiais. 0 725 1 450 km Muitos turistas argentinos costumam passar as férias de verão em praias dos estados da região Sul do Brasil. Em contrapartida, é comum que muitos brasileiros também visitem nosso vizinho, Fonte: COSTA, Wanderley Messias da. O Brasil e a América do Sul: cenários geopolíticos e os desafios da integração. Revista Confins, ano 7, n. 7, 2009. (Adaptado.) em especial a cidade de Buenos Aires.


LER GRÁFICOS

Observe os dados contidos nos gráficos e responda às perguntas a seguir: Importações brasileiras do Mercosul (em US$ milhões)* * Até setembro de 2012.

2 000 1 900 1 800 1 700 1 600 1 500 1 400 1 300 1 200 1 100 1 000 900 800 700 600 500 400 300 200 100 0

2012 2011 Mercosul

Argentina

Paraguai

Uruguai

Exportações brasileiras para o Mercosul (em US$ milhões)*

* Até setembro de 2012.

1 500 1 400 1 300 1 200 1 100 1 000 900 800 700 600 500 400 300 200 100 0

2012 2011 Mercosul

Argentina

Paraguai

Uruguai

Fonte dos gráficos: Brasil. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Balança Comercial – Mercosul 2011/2012. Disponível em: <www.desenvolvimento.gov.br/sitio/interna/interna.php?area=5&menu=2081>. Acesso em: 12 out. 2012.

7º ano

283


1. Qual é o assunto tratado nos dois gráficos? Como estão representados os dados?

2. Com base nos dados, o que se pode afirmar sobre as relações comerciais do Brasil com a Argen-

tina e com o restante do Mercosul?

INTERCÂMBIOS E DIVERGÊNCIAS Os gráficos revelam o quão intensas são as relações comerciais entre Brasil e Argentina. Elas representam a maior parte do fluxo de mercadorias no bloco. Mas quais produtos compõem suas exportações e importações? Segundo a porcentagem de valor exportado, figuram entre os principais bens enviados à Argentina o café, produtos da indústria química, plásticos, materiais têxteis, ferro e aço. O Brasil também exporta calçados, máquinas agrícolas e alimentos industrializados. Mas o principal item são os veículos e seus componentes e acessórios. De outro lado, os argentinos vendem para o Brasil bens como cereais (trigo, em especial), derivados de petróleo, minerais metálicos e seus derivados. Eventualmente, o Brasil também compra energia elétrica argentina. As exportações portenhas ao nosso país também incluem produtos do setor automobilístico. Como se explica que ambos troquem bens desse setor? De forma geral, as trocas são complementares, com certa divisão do trabalho e da produção. Vale lembrar ainda que os dois países integram hoje a complexa cadeia produtiva dos automóveis em nível mundial. Portanto, ambos produzem para os respectivos mercados internos, mas também participam da montagem de diferentes marcas e modelos, destinados a outros mercados. Apesar desse intenso intercâmbio comercial, há diversas disputas e divergências entre os dois países no âmbito comercial. Os gráficos inclusive mostram isso, com queda nas exportações do Brasil para a Argentina. De um lado, 284

Geografia


o governo argentino tem procurado proteger suas indústrias e seu mercado interno. Fez isso, por exemplo, estabelecendo cotas de importação de veículos ou suspendendo licenças de importação de diversos bens enviados pelo Brasil. Este, por sua vez, também adotou medidas de restrição às importações argentinas, como retaliação. Evidentemente, tais ações trazem prejuízos às economias nacionais. Para que uma economia funcione adequadamente nos quadros do sistema capitalista, é preciso realizar a venda dos produtos. De outro lado, economias dinâmicas tendem também a ser grandes importadoras de bens, como máquinas e equipamentos para a própria atividade industrial. Apesar das divergências entre brasileiros e argentinos, a integração econômica parece ser o caminho mais promissor – afastando cenários indesejáveis de conflitos ou rupturas nas relações diplomáticas. Vale notar que, para além do Mercosul e das relações comerciais com ritmos variáveis, estão em marcha uma série de projetos de integração físico-territorial sul-americana. Entre eles, os de ligação entre a bacia amazônica e uma saída para o Pacífico e os de integração no campo energético. MOMENTO DA ESCRITA

A partir do que foi visto no capítulo, escreva um texto que discuta a importância das organizações internacionais e dos blocos regionais para as relações entre os Estados nacionais e as sociedades. Cite exemplos positivos e negativos na atuação dessas entidades. Introduza também fotografias, mapas e outros recursos gráficos em seu trabalho final. Se necessário, solicite apoio de seu professor e converse sobre o tema com seus colegas. APLICAR CONHECIMENTOS

1. Com base no que você estudou no capítulo, escreva com suas palavras o que significam as seguin-

tes expressões: a) organização internacional

f) mercado comum

b) organização de integração regional

g) livre circulação de bens e pessoas

c) geopolítica

h) exportação

d) integração econômica

i) importação

e) cooperação econômica

j) balança comercial

2. Considere as afirmações a seguir. A quais organizações internacionais ou de integração regional

elas se referem? a) Apesar de apresentar o mais avançado grau de integração regional, o bloco vem enfrentan-

do, em especial após o ano de 2008, uma forte crise econômica em alguns de seus países-membros. A intolerância com imigrantes também é comum nesse bloco.

7º ano

285


b) Estabelecido regras comerciais entre os países-membros e uma tarifa externa comum. Carac-

teriza-se pela predominância dos dois países-membros, que são os que mantêm as relações comerciais mais intensas. c) Criada para mediar disputas e divergências entre países no plano comercial. d) Grande área de livre comércio, da qual participa o país com uma das economias mais pode-

rosas do planeta. e) Congrega a maior parte dos países do mundo, criada para promover a paz e a cooperação in-

ternacional. Dada a influência dos países mais poderosos, nem sempre essa entidade consegue atingir seus objetivos. 3. Leia o texto a seguir e indique a qual país ele se refere. Sexto maior exportador mundial de petróleo, o país latino-americano possui reservas de cerca de 77 bilhões de barris. Boa parte da economia do país vem das receitas dessa riqueza natural. Apesar das tensões com Washington, os Estados Unidos compram mais da metade do petróleo exportado pelo país. No plano externo, cresce a aproximação com Rússia, Cuba e China [e com o Mercosul]. Vêm ocorrendo disputas no plano interno, polarizadas pelo atual presidente e as oposições e marcadas por nacionalização de empresas e cassação de concessões nos meios de comunicação. Desafio National Geographic. (Adaptado.)

a) Argentina.

b) Venezuela.

c) Equador.

d) Colômbia.

4. Analise os resultados apresentados no mapa a seguir:

Ilustração digital: Sonia Vaz

Brasil – Exportação de mercadorias (2011)

N O

L

X

1 990

3 980 km

S

Fonte: Organização Mundial do Comércio. Disponível em: <www.wto.org/french/res_f/statis_f/statis_maps_f.htm>. Acesso em: 20 maio 2012.

286

Geografia


PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS

Livros

Atlas da mundialização

Atlas com cartografia inovadora com temas relevantes do Brasil e do mundo. Consultar unidade sobre a constituição de organizações de cooperação regional. DURAND, Marie-Françoise e outros. Atlas da mundialização. São Paulo: Saraiva, 2009.

Atlas da situação mundial

Trazem textos, mapas e gráficos sobre conflitos no mundo e a situação política e econômica dos países, entre outros. Consultar capítulos sobre organizações internacionais e as de cooperação regional. SMITH, Dan. Atlas da situação mundial. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2007.

Atlas do mundo global

Com cartografia criativa e inovadora, trata de temas de interesse da geopolítica do mundo atual. Apresenta visões de mundo na ótica de diferentes países. BONIFACE, Pascal; VÉDRINE, Hubert. Atlas do mundo global. São Paulo: Estação Liberdade, 2009.

Filmes

Diários de motocicleta

Narra a história do líder revolucionário Che Guevara quando ainda era um jovem estudante de medicina. Com seu amigo Alberto Granado, resolve percorrer a América Latina em uma motocicleta. Direção: Walter Salles Jr. Brasil/Argentina/Peru/Chile/Estados Unidos, 2004, 130 min.

Entre os muros da escola

Num retrato da França atual, mostra a difícil relação entre um professor de francês e seus alunos, a maioria filhos de imigrantes, em uma escola pública francesa. Direção: Laurent Cantet. França, 2008, 128 min.

Sites

Mercosul

Apresenta histórico, princípios e mecanismos de funcionamento do bloco, que tem o Brasil como um de seus integrantes. Disponível em: <www.mercosul.gov.br>. Acesso em: 27 jul. 2012.

Ministério das Relações Exteriores. Dados sobre Mercosul, BRICS e outros

Traz informações sobre organizações de cooperação regional e organizações multilaterais das quais o Brasil é um país-membro. Disponível em: <www.itamaraty.gov.br/>. Acesso em: 27 jul. 2012.

Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Balança Comercial – Mercosul 2011/2012 Dispõe dados sobre exportação e importação do Brasil.

Disponível em: <www.desenvolvimento.gov.br/sitio/interna/interna.php?area=5&menu=2081>. Acesso em: 27 jul. 2012.

Organização Mundial do Comércio (OMC)

Traz notícias, publicações e informações sobre temas de interesse para o comércio internacional. Em espanhol, inglês ou francês. Disponível em: <www.wto.org/indexsp.htm>. Acesso em: 27 jul. 2012.

Organização das Nações Unidas (ONU)

Portal com textos, documentos e notícias sobre os países do mundo. Apresenta links de acesso a documentos, publicações e relatórios de encontros, convenções e fóruns mundiais diversos. Disponível em: <www.onu.org.br/conheca-a-onu/a-historia-da-organizacao>. Acesso em: 27 jul. 2012.

União Europeia

Traz notícias, dados atualizados e publicações sobre o bloco europeu. Disponível em: <http://europa.eu/index_pt.htm>. Acesso em: 27 jul. 2012.

7º ano

287


Capítulo

3

GEOGRAFIA

Brasil, século XXI

Delfim Martins/Pulsar Imagens

Usina beneficente de castanha-do-pará em Xapuri (AC), 2008. Atividade pautada pela ideia de combinar crescimento econômico com proteção ambiental.

A

o final da primeira década do século XXI, o mundo se depara com inúmeros desafios, como os de superar crises econômicas, prover o bem-estar social a suas populações e garantir modos de existência compatíveis com os recursos naturais existentes, como água, fontes primárias de energia e solos férteis. Como o Brasil ingressa na segunda década do século XXI? O Censo Demográfico realizado pelo IBGE registrou em 2010 que a população do país era de pouco mais de 190 milhões de pessoas. Ela está distribuída por um território de dimensões continentais, com 8,5 milhões de km2− hoje bastante articulado e integrado. Também segundo o Censo 2010, a maior parte da população nacional (84,3%) vivia em cidades naquele ano.

288

Geografia


Realizam-se periodicamente no Brasil eleições gerais para todos os cargos e níveis do Poder Executivo e Legislativo. Uma série de conquistas sociais e políticas estão assinaladas na Constituição Federal de 1988, a lei maior do país, que ainda está em vigor e é uma referência central para a sociedade. De outro lado, são inúmeros os desafios a enfrentar, em especial no que diz respeito ao campo social e ao atendimento de direitos. A situação do país neste início de século e de milênio será o objeto de estudo deste capítulo. Vamos analisar aspectos da atual organização do espaço geográfico nacional e sua relação com outros países e regiões do planeta. Estarão em destaque indicadores econômicos e sociais e as políticas e ações sociais voltadas à superação de problemas de diferentes ordens.

RODA DE CONVERSA

Como o Brasil ingressou no século XXI, do ponto de vista econômico e social? Quais foram os avanços obtidos até aqui e quais são os desafios que a sociedade nacional tem pela frente? Em quais setores ainda é preciso realizar mais investimentos e melhorias? Como está a oferta de serviços como saúde, educação e transportes? Para você, houve melhoria na renda dos trabalhadores, permitindo o acesso a novos bens e serviços essenciais? Converse sobre esses pontos com seus colegas. Em seguida, com a ajuda do professor, participe da elaboração das principais conclusões da discussão na lousa.

ECONOMIA BRASILEIRA Em 2011, instituições de pesquisa econômica declararam que o Brasil havia alcançado a posição de sexta maior economia do mundo, ultrapassando o Reino Unido, que já ocupou a posição de maior potência mundial. Dados divulgados pelo governo brasileiro indicam também que o Brasil, a China, a Índia e a Rússia – países ditos “emergentes” – respondiam no final da primeira década do século XXI por 18% de todos os bens e serviços gerados no planeta. Como se explica tal desempenho? Quais são os setores responsáveis pelo crescimento da economia nacional? Como esse crescimento econômico se vincula à organização do espaço geográfico e como isso afeta a vida das pessoas? Para começar a responder a perguntas como essas, realize a atividade a seguir.

LER TABELAS

As tabelas a seguir ajudam a traçar um panorama da produção econômica brasileira atual. Com um colega, examine os dados e responda às questões.

7º ano

289


Brasil: exportações e importações (2010) Produtos exportados

% do valor exportado

Produtos importados

% do valor importado

Minério de ferro, ferro fundido e aço

14,3

Petróleo bruto

5,5

Petróleo bruto

8,0

Automóveis

4,7

Soja e derivados

5,4

Medicamentos

3,1

Açúcar de cana, em bruto

4,6

Autopeças

2,8

Carne de frango

2,8

Óleos combustíveis

2,8

Café em grão

2,5

Componentes eletrônicos

2,2

Pastas químicas de madeira

2,3

Nafta*

2,0

Farelos e resíduos da extração de óleo de soja

2,3

Produtos manufaturados de ferro e aço

1,8

Automóveis

2,1

Peças para setor de telecomunicações

1,7

Aviões/Carne bovina

1,9

Motores e geradores elétricos

1,4

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, 2010.

* Derivado do petróleo utilizado na indústria petroquímica, dando origem a plásticos, resinas e solventes.

Brasil: principais destinos das exportações e origens das importações (2010) Principais destinos

% do valor exportado

Principais origens

% do valor importado

China

15,3

Estados Unidos

15,0

Estados Unidos

9,6

China

14,1

Argentina

9,2

Argentina

7,9

Holanda

5,1

Alemanha

6,9

Alemanha

4,0

Coreia do Sul

4,6

Japão

3,5

Japão

3,8

Reino Unido

2,3

Nigéria

3,3 Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, 2010.

1. Quais são os assuntos apresentados nas tabelas? Anote a data e a fonte delas. 2. As exportações referem-se a produtos vendidos. Quais produtos aparecem nas exportações brasi-

leiras? E quais são os principais bens importados? 3. Considerando os tipos de produtos, que setores de atividade econômica mais se destacam nas

exportações brasileiras? E nas importações? 4. De acordo com a segunda tabela, quais países são os principais parceiros comerciais do Brasil? 5. Com os colegas e a ajuda do professor, o que se pode afirmar sobre a produção econômica do

Brasil atual?

O BRASIL EM NÚMEROS O que mostram os dados das tabelas? Elas refletem em boa medida o estágio atual das trocas comerciais entre o Brasil e outros países. Referem-se à produção, exportação e importação de diversos produtos. 290

Geografia


Em primeiro lugar, podemos dizer que o Brasil é um global trader. A expressão em inglês designa países que construíram estruturas econômicas capazes de estabelecer relações comerciais em escala global, com parceiros nas mais diversas regiões do planeta. Uma análise dos dados permite concluir que o carro-chefe das vendas do Brasil ao exterior ainda é o setor de bens primários, conhecidos como commodities: minério de ferro ou bens agrícolas como soja, açúcar de cana, carne bovina e de frango. Seus preços geralmente são menores do que os de produtos industrializados. Em certa medida, pode-se dizer também que, apesar do peso das exportações da agropecuária, há uma diversificação da pauta de bens vendidos ao exterior. Há algumas décadas, o Brasil dependia quase exclusivamente da exportação de um único produto agrícola, o café. Os resultados atuais estão associados ao intenso processo de modernização do campo ocorrido no país, em especial ao longo das últimas três décadas do século XX. Para alguns pesquisadores, trata-se da mais bem-sucedida experiência de implantação da agricultura moderna em áreas tropicais. Assim, não é por acaso que o país é considerado um dos grandes celeiros agrícolas do mundo. A produção agropecuária estimula também pesquisas em novas tecnologias, como variedades de sementes adaptadas aos solos do cerrado e biocombustíveis à base de cana-de-açúcar e outros produtos, como mamona e dendê. Destaca-se no setor a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que possui unidades e centros de pesquisa espalhados pelo território nacional. Observa-se que a participação de bens industrializados nas exportações do país ainda é relativamente pequena. Na tabela aparecem alguns bens semimanufaturados, que passaram por algum processamento industrial, como o ferro fundido e o aço, e dois setores que produzem bens que envolvem sofisticadas tecnologias, como os automóveis e os aviões. No caso dos primeiros, os resultados se explicam pelo fato de existirem no país diversas montadoras de veículos. Criadas em outros países, tais empresas instalam-se no Brasil com unidades encarregadas pela montagem de veículos destinados tanto ao mercado global como ao mercado doméstico. Desse modo, as unidades presentes no território participam de um intenso circuito de compra e venda de peças e componentes e venda de veículos. Tal circuito funciona levando-se em conta a organização da produção e das vendas em escala global – cujo principal símbolo é o chamado “carro mundial”. Outros setores vêm se destacando com base em tecnologias desenvolvidas no país, como a exploração de petróleo em águas oceânicas profundas. Entre as grandes empresas do país estão as que atuam justamente na exploração mineral. Os principais parceiros comerciais do Brasil são as duas grandes economias do mundo, os Estados Unidos e a China – que é uma potência exportadora –, além da Argentina. Com este país vizinho, o Brasil lidera o bloco comercial chamado de Mercosul, o que explica as intensas trocas entre os dois países.

7º ano

291


LER IMAGENS

Paulo Fridman/Pulsar Imagens

Ricardo Teles/Pulsar Imagens

As fotografias a seguir destacam outras atividades importantes para a economia no Brasil.

Cultura de soja na área rural do município de Pedro Afonso (TO), 2011.

Paulo Fridman/Pulsar Imagens

Marcos de Paula/Agência Estado

Operário trabalha em fábrica de transformadores de alta voltagem em Jundiaí (SP), 2012.

Antenas de telecomunicação no Pico do Itapeva, em Pindamonhangaba (SP), 2012.

292

Fabricação de avião em empresa nacional localizada em São José dos Campos (SP), 2012.

Palê Zuppani/Pulsar Imagens

João Prudente/Pulsar Imagens

Plataforma de exploração de petróleo em Campos dos Goytacazes (RJ), 2010.

Geografia

Vista aérea do setor bancário Sul, em Brasília (DF), 2009.


1. Identifique o local e a data das fotografias. Descreva o que aparece em cada uma delas. 2. Localize em um mapa do Brasil as cidades e os estados mencionados nas legendas das fotos. 3. Identifique os setores de atividade econômica retratados nas fotografias. Existem atividades desse

tipo em seu município, estado ou região? Dê exemplos.

ATIVIDADES ECONÔMICAS NO BRASIL As fotos retratam atividades realizadas no território brasileiro. Em parte, a localização dessas atividades está relacionada à proximidade das fontes de recursos naturais, como no caso das jazidas de petróleo da Bacia de Campos, no litoral do Rio de Janeiro. Há também novas jazidas na faixa oceânica de São Paulo e Espírito Santo. O petróleo estimula a economia de pelo menos mil municípios, com a extração e o processamento, o comércio, o transporte de pessoas, equipamentos e matéria-prima (em embarcações e oleodutos). A descoberta de novas bacias reforça a autossuficiência do país nesse campo. As áreas mais antigas de cultivo de cana-de-açúcar estão em São Paulo e no Paraná − estados responsáveis por cerca de ¾ da produção brasileira −, além da Zona da Mata nordestina. Mas a cana vem alcançando novas fronteiras em Mato Grosso do Sul, em Goiás e no Triângulo Mineiro. A soja, que hoje possui maior produtividade que a dos Estados Unidos, ainda o maior produtor mundial, vem conhecendo forte expansão: do sul do país para o Centro- GLOSSÁRIO -Oeste; manchas no oeste da Bahia e no sul do Maranhão e Infraestruturas: instalações e equipamentos de apoio às atividades humanas. do Piauí e no norte do Tocantins. Abrange setores como rodovias, ferrovias, navegação, telecomunicações e ramos Sobre a produção agrícola, vale notar que ela não está sendo industriais como siderurgia, indústria acompanhada pela criação de algumas importantes infraestruenergética e outros. Produtividade: refere-se à utilização mais turas. Desse modo, por exemplo, o aumento da produtividade eficiente possível dos recursos produtivos, na produção de grãos (soja, milho, café) sofre perdas com o tendo como objetivo alcançar a máxima produção em menor tempo e com custos transporte, elevando seus custos. Como veremos adiante, esse mais baixos. crescimento traz também altos custos sociais e ambientais. A indústria automobilística brasileira concentrou-se inicialmente na região do ABC, na Grande São Paulo, nos municípios de São Bernardo do Campo, Santo André e São Caetano. Em 1990, 75% da produção concentrava-se no estado de São Paulo. Hoje, esse percentual está abaixo dos 50%, já que existem montadoras também em Minas Gerais, Bahia, Goiás, Paraná, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Novas unidades de diferentes empresas foram instaladas em Betim (MG), Campinas (SP), Resende (RJ), São José dos Pinhais (PR), Camaçari (BA), entre outras. Em boa parte, são unidades menores, com menos trabalhadores e com uso intensivo de tecnologias. É comum as empresas buscarem locais com isenção de impostos e terrenos baratos, servidos por redes de transporte, comunicação e informação. Municípios e estados disputam essas empresas, gerando a chamada 7º ano

293


“guerra fiscal”. Elas procuram também escapar dos núcleos de forte organização sindical, como é o caso do ABC. Em 2011, diversas montadoras chinesas anunciaram a intenção de construir unidades no Brasil. Por conta dessas transformações, tem ocorrido uma descentralização da atividade industrial. A localização das fábricas não depende da posição das fontes de matérias-primas, pois em sua estratégia espacial as empresas levam em conta a existência de meios de transporte, comunicação e informação para funcionar adequadamente. Muitas delas instalam novas unidades fora do eixo Rio-São Paulo. Polos industriais vêm sendo criados ou fortalecidos no interior paulista e em estados como Bahia, Ceará, Goiás, Paraná, Pernambuco e Santa Catarina. Porém, isso não significa a decadência de um centro econômico e financeiro como São Paulo. Muitas sedes de empresas privadas, bancos e estatais estão na metrópole paulistana, de onde partem os comandos para as atividades. Existem ainda outros setores e atividades com grande potencial de crescimento, como a produção de etanol a partir da cana-de-açúcar e a fabricação e exportação de calçados e têxteis – esta última com forte expansão para cidades do interior do Ceará. Essa nova localização das atividades mostra uma nova divisão territorial do trabalho e da produção entre as diferentes regiões do país. O chamado setor terciário da economia envolve o comércio e os serviços. Assim como ocorre em outros países, no Brasil também é elevada a participação desse setor no conjunto da economia. Trata-se de um setor com grande capacidade de absorver mão de obra, envolvendo desde os serviços públicos até bancos, oficinas de reparos, publicidade, transportes, telecomunicações e muitos outros. Entre os serviços com maiores receitas no Brasil estão os de telecomunicações, transportes e os ligados ao universo da informática. Os principais serviços seguem a tendência verificada em outros países, ou seja, estão cada vez mais centrados no desenvolvimento tecnológico dos setores de transportes, comunicações e informação. Assim, cresce a cada dia no Brasil o uso de computadores pessoais e o acesso à internet. Outro subsetor que vem se expandindo é o dos serviços de turismo. Embora ainda não tenha o mesmo peso que foi alcançado em países como França, Itália e Espanha, há registros de crescimento do turismo no país, em categorias como o chamado turismo “de negócios”, o ecoturismo e o turismo de sol e praia. PIB por setor de atividade BRASIL–2011

MUNDO–2009 5,8% Agricultura

3% Agricultura

26,9% Indústria 67,3% Serviços

294

Geografia

27% Indústria 70% Serviços

Fonte: CIA FactBook/Instituto ILOS; Banco Mundial; IBGE. 2010, 2012.


A capital paulista, por exemplo, vem se especializando em diversos segmentos de serviços. Entre eles, o de turismo “de negócios”, baseado na grande rede de hotéis, dois grandes aeroportos (um deles situado em Guarulhos, na região metropolitana), transportes e espaços para convenções, feiras e exposições presentes na cidade. Apesar do crescimento e da estabilidade econômica atingidos hoje no Brasil, inúmeros pesquisadores apontam que é preciso ter uma visão de longo prazo. Isso implica fazer escolhas acertadas e que possam se sustentar no futuro, mesmo no quadro das economias capitalistas, movidas à base de busca incessante do lucro. Vários estudos indicam que o país deveria investir mais em ciência e tecnologia associada à sua imensa biodiversidade, dada a variedade de plantas e animais presentes no território brasileiro. Muitas delas podem, por exemplo, ser utilizadas para produzir novos e importantes medicamentos. Somado a outras atividades não predatórias, isso também poderia auxiliar no combate ao desmatamento de novas áreas na Amazônia, no Cerrado, na Caatinga ou na Mata Atlântica.

CONHECER MAIS

Cerrado: um drama em silêncio O escritor Carmo Bernardo [...] explicava a incrédulos que “o Cerrado é uma floresta de cabeça para baixo”, pois em muitos lugares há mais matéria vegetal subterrânea, escondida sob o solo, do que exposta. [...] Nos seus mais de 2 milhões de km2 [...] cerca de 24,1% do território brasileiro, predominam mais arbustos e ervas do que árvores. Mas há também matas secas, as chamadas florestas deciduais – aroeiras, perobas, ipês, cerejeiras, cedros – que perdem quase todas as folhas no inverno, uma estratégia para guardar energia e enfrentar a estiagem e o frio. Já foram identificadas mais de 12 mil plantas – os pesquisadores acreditam que possa existir mais de 20 mil. [...] [A área] guarda pelo menos um terço dos 15% a 20% da diversidade biológica do planeta. Em certos pontos, chega-se a encontrar até 28 espécies por metro quadrado. [...] A despeito de tanta riqueza, o desmatamento avança 22 mil km2 por ano (1,1% de sua área total). Como já são mais de 800 mil km2*desmatados, a perda da biodiversidade é acentuada. (*) Dados publicados em 2010 pelo Ministério do Meio Ambiente indicam que a devastação do cerrado atingiu os 970 mil km2.

NOVAES, Washington. Uma paisagem brasileira está morrendo. National Geographic Brasil, São Paulo, Abril, ed. 103, p. 58, out. 2008.

SOCIEDADE BRASILEIRA Vimos até aqui que o Brasil vem tendo um bom desempenho no campo econômico nos últimos anos. Há também uma consolidação do sistema de representação política no país, embora ainda chame a atenção a eleição de mandatários (prefeitos, governadores, senadores e outros) que não cumprem suas funções de modo adequado ou idôneo. Nesse ponto, é preciso perguntar: em que meCONHECER MAIS dida a sociedade brasileira como um todo tem Os direitos sociais no Brasil sido beneficiada pela geração de riquezas? Essas São direitos sociais a educação, a saúde, riquezas são distribuídas e apropriadas de forma o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, equitativa pelos diferentes grupos sociais? Os dia previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamreitos sociais estão sendo atendidos e respeitados parados, na forma desta Constituição. no país? É o que veremos a seguir, com o exame Constituição Federal do Brasil, 1988. Capítulo II — de alguns indicadores sociais. Dos Direitos Sociais.

7º ano

295


LER GRÁFICOS

Observe os gráficos e quadros e responda às questões propostas a seguir. Esperança de vida no Brasil ao nascer

Analfabetismo no Brasil – 2010 (em %) Pessoas com 15 anos ou mais

Em anos Homens 80 70 60 50 40 30 20 10 0

56,1 53,1 54,6

Mulheres

Média

74,3 70,9 70,4 69,4 66,4 67 66,7 63,2 59,9 62,7

77

73,1

77 69,4

73,1

100 80 60 40 20 0

1960

1980

1991

2000

2009

11,2

19,1

7,2

5,5

Norte Nordeste Centro- Sudeste -Oeste

5,1

9,6

Sul

Brasil

2010

Fonte: IBGE. Síntese de Indicadores Sociais 2009; Censo Demográfico 2010.

Fonte: IBGE. Síntese de Indicadores Sociais 2009; Censo Demográfico 2010.

Taxa de mortalidade infantil – 2000 e 2010 2000 Brasil

29,7‰ 15,6‰ 29,5‰

Norte

18,1‰ 44,7‰

Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste

2010

18,5‰ 21,3‰ 13,1‰ 18,9‰ 12,6‰ 21,6‰ 14,2‰ Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2010.

1. Quais são os assuntos tratados nos gráficos? Como os gráficos estão organizados para permitir a

apresentação dos dados? 2. A esperança ou expectativa de vida ao nascer refere-se ao número médio de anos que se espera

que uma pessoa viva desde o seu nascimento. a) Com base nos gráficos, o que se pode afirmar sobre a esperança de vida no Brasil nos últimos anos? b) Na sua opinião, o que contribui para explicar tais resultados sobre a esperança de vida? 3. Responda: a) O que ocorreu no país e nas regiões brasileiras em relação à mortalidade infantil entre 2000 e 2010? b) Qual região possui os melhores indicadores? E qual delas mais precisa melhorar nesses índices? 296

Geografia


4. O que se pode afirmar sobre as taxas de analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais no Brasil?

Há diferenças entre as regiões nesse quesito? Quais? 5. Com base nos dados apresentados, escreva um texto que discuta a condição social atual da po-

pulação brasileira. Indique duas medidas que podem contribuir para melhorias no plano social.

DADOS SOBRE A REALIDADE SOCIAL BRASILEIRA Os gráficos apresentam um breve painel das condições GLOSSÁRIO sociais da população brasileira no atual momento. Os temas Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): índice calculado pela ONU desde 1990 com retratados não foram escolhidos ao acaso: juntamente com a base em dados de analfabetismo, matrículas escolares, renda e esperança de renda, itens como escolaridade e esperança de vida ao nasvida. Vai de zero a 1; quanto mais perto de cer compõem o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), 1, maior é o desenvolvimento humano. um importante indicador social e econômico utilizado hoje. Voltaremos a ele mais adiante. A esperança de vida é um dado importante porque revela as condições de vida existentes nos países ou regiões. Os índices melhoram quando as pessoas passam a ter um bom padrão de alimentação, atendimento à saúde (vacinação e outras medidas preventivas de saúde pública, maior acesso a medicamentos, exames, tratamentos etc.) e saneamento básico adequado. Isso ajuda a prolongar a vida dos cidadãos. Os dados mostram que houve no Brasil uma melhora acentuada nos índices nas últimas décadas, tanto para os homens como para as mulheres. Houve um salto importante entre as décadas de 1960 e 1990, quando a média nacional passou, respectivamente, de 54,6 anos para 67,0 anos. Os dados mais expressivos foram registrados entre as mulheres, em regra menos expostas que os homens a mortes por causas violentas ou mortes precoces em função de ritmos de vida e trabalho. É importante destacar que há, nesse quesito, diferenças regionais: de acordo com dados do IBGE, Santa Catarina e Distrito Federal registraram no Censo de 2010 a maior esperança de vida ao nascer, de 75,8 anos. De outro lado, Alagoas registrou a menor marca, de 67,6 anos. A melhora é expressiva, embora ainda distante de países como o Japão, que é de 80 anos para os homens e 87 anos para as mulheres. Talvez o resultado mais importante no campo social, registrado no Censo Demográfico 2010, tenha sido a queda acentuada nas taxas de mortalidade infantil no Brasil. Isso é um importante indicador de melhoria das condições de vida em um país, já que a redução no número de mortes de crianças está associada à extensão de serviços de: saneamento básico (redes de água, esgotos, coleta de lixo), assistência à saúde reprodutiva das mulheres e atendimento hospitalar. No Brasil, alguns programas de elevação da renda das famílias podem ter contribuído para a melhoria nos índices. Os dados mostram queda nas taxas do país e também entre as regiões. A queda mais acentuada foi na região Nordeste, levando-se em conta que ela ostentava 7º ano

297


os índices mais altos no ano de 2000. Ainda persistem desigualdades regionais nesse quesito: novamente um estado da região Sul conta com os melhores indicadores – no caso, o Rio Grande do Sul, com 12,7 mortes em cada grupo de mil crianças; Alagoas ficou com os índices mais elevados, de 46,4 por mil. Para termos ideia do que ocorre em outros países, no Japão a taxa média de mortalidade infantil é de 2 por cada mil nascidos vivos; em Serra Leoa, na África, chega a 114 por mil nascidos vivos. Os dados sobre o analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais mostram também que ainda existem muitas diferenças entre as regiões brasileiras. Os índices são bem mais baixos no Sudeste-Sul e mais elevados nas outras regiões. É importante assinalar que houve queda nas taxas gerais no país, passando de 13,6% do total desse grupo de população em 2000 para 9,6% em 2010. Entretanto, isso ainda representa um contingente muito elevado, em torno de 14,5 milhões de pessoas. Em alguns pequenos municípios da região Nordeste estão os índices mais elevados: em torno de 28% a 32% da população jovem e adulta dessas localidades. Muitas das pessoas nessas condições tinham em 2010 mais de 60 anos de idade. Desse modo, permanece no país a necessidade CONHECER MAIS de prosseguir com os investimentos na expansão da oferta de escolas e cursos para esse público. Analfabetismo Cabe aos governos garantir o atendimento no EnAs perguntas e respostas sobre o sino Fundamental a todos os brasileiros, de qualque é o analfabetismo vêm mudanquer faixa etária ou condição social. do com o tempo. Existem os analfabetos absolutos, que não puderam É importante mencionar ainda dois imporaprender os fundamentos da leitura tantes componentes da vida social do brasileiro: e da escrita, e os analfabetos funcioa renda e o acesso ao saneamento básico. Dados nais. Segundo o IBGE, este segundo grupo envolve pessoas com menos de 2010 revelam uma redução nas desigualdades de quatro anos de estudo. na distribuição da renda. Houve, assim, um cresEntretanto, recentes pesquisas vão cimento na renda do grupo dos 20% mais poalém dessa concepção, mostrando que há na população pessoas com variadas bres da população. Entretanto, a situação ainda capacidades de uso da leitura, da escrié bastante desigual se observarmos os grupos ta e de conhecimentos matemáticos da vida cotidiana, o que caracteriza o de população segundo a cor: os negros (pretos chamado alfabetismo funcional – muie pardos somados, no caso) compõem 74% dos tas vezes, de forma independente da mais pobres, com renda mais baixa, contra apetrajetória escolar do indivíduo. nas 25% dos brancos. Há também diferenças de renda entre homens e mulheres. Quanto a itens de saneamento básico, vale notar que apenas 55% dos domicílios do Brasil estavam ligados a redes de esgotos em 2010. Essa proporção aumenta quando consideramos as faixas de renda mais baixa e as diferentes regiões do país. Cerca de 80% dos domicílios do Sudeste possuíam rede de esgoto regular naquele ano, contra apenas 14% dos domicílios nessa condição na região Norte. 298

Geografia


Jaqueline Maia/DP/D.A Press

Mauricio Simonetti/Pulsar Imagens

Dessa forma, embora sejam notáveis as melhorias, ainda não há correspondência entre o crescimento econômico, a expansão de atividades modernas, a distribuição de renda e a melhoria das condições de vida de muitos brasileiros. O território nacional mostra essas contradições, revelando que é preciso continuar a formular políticas públicas e realizar grandes investimentos na área social no Brasil.

Estação de tratamento de esgotos em Carapicuíba (SP), município da Região Metropolitana de São Paulo, 2011. Mesmo nessa importante mancha urbana existem muitos domicílios que não estão ligados às redes de coleta ou de tratamento de esgotos.

Sala de aula de curso de Educação de Jovens e Adultos, Recife (PE), 2008. A oferta de escolas e ensino de qualidade para o público com mais de 15 anos ainda é um desafio a ser enfrentado pelos governos e pela sociedade brasileira.

CONHECER MAIS

O Brasil e o IDH O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil avançou de 0,715 em 2010 para 0,718 em 2011, e fez o país subir uma posição no ranking global. Com isso, o Brasil saiu da 85ª para a 84ª posição, permanecendo no grupo dos países de alto desenvolvimento humano. O IDH é uma medida média das conquistas de desenvolvimento humano básico em um país. Entretanto, introduziu-se em 2010 um cálculo sobre o peso das desigualdades verificadas em cada item (educação, renda, esperança de vida).

O IDH do Brasil de 2011 é 0,718. No entanto, quando é descontada a desigualdade do valor, o IDH cai para 0,519. Esta nova leitura do IDH mostra que o cidadão brasileiro médio teria quase 30% de risco de não conseguir alcançar o desenvolvimento humano potencial que o país tem para lhe oferecer em função dos obstáculos que as desigualdades podem lhe impor. Nesta área, o Brasil se insere em um contexto semelhante ao da América Latina, onde a desigualdade – em especial de renda – faz parte de um passivo histórico que ainda representa um grande obstáculo para o desenvolvimento humano.

Fonte: ONU-Brasil. Brasil avança no desenvolvimento humano e sobe uma posição no ranking do IDH 2011, 2 nov. 2011. Disponível em: <www.onu.org.br/rdh2011>. Acesso em: 4 maio 2012.

7º ano

299


PESQUISAR

Com um grupo de colegas e a ajuda do professor, pesquisem sobre as condições sociais da população do seu município ou da sua região. Reúna informações sobre renda, trabalho, saúde, escolaridade e outras. Os dados podem ser encontrados na Prefeitura ou no portal do IBGE. A turma pode complementar o trabalho pesquisando e analisando propostas, soluções e medidas do poder público e da sociedade para melhorar as condições de vida da população local. Apresentem os resultados do seu grupo para a classe e ajudem a elaborar as principais conclusões sobre o assunto em um texto coletivo.

MOMENTO DA ESCRITA

Leia os textos a seguir, que tratam dos direitos dos idosos e das crianças no Brasil. Depois, com um colega, escreva uma redação que discuta as atuais condições de vida da população nacional. Para isso, leve em conta os dados econômicos e sociais analisados no capítulo. Estatuto do Idoso Art. 3o – É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. Lei Federal nº 10.741, de 1º de outubro de 2003. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.741.htm>. Acesso em: 5 maio 2012.

Estatuto da Criança e do Adolescente Art. 3o – A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade. Art. 5o Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais. Lei Federal nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8069.htm>. Acesso em: 5 maio 2012.

TERRITÓRIO BRASILEIRO Para chegar ao tamanho atual, com um território integrado e sem riscos iminentes de fracionamento, muitos conflitos e processos de exploração econômica ocorreram ao longo do tempo no Brasil. Vários fatores contribuíram para o alargamento e a ocupação do território, a partir da chegada dos portugueses, em 1500. Entre eles estão os diversos períodos de produção econômica voltada à ex300

Geografia


portação, sob controle da metrópole colonial (cana-de-açúcar, tabaco, ouro, borracha, café etc.), além de culturas alimentares e da pecuária, em diferentes bases geográficas do território. Colaboraram também para a expansão territorial as expedições para capturar indígenas e buscar pedras preciosas, assim como a criação de aldeamentos e missões religiosas. Os colonizadores conseguiram com isso também reprimir ameaças de invasão. No período regencial, no século XIX, o governo central combateu ferozmente diversas revoltas provinciais, que colocariam em risco a unidade territorial nacional. Por outro lado, a história da construção da unidade nacional significou o massacre sistemático, o deslocamento ou a aculturação dos povos indígenas. A geração de riquezas exauriu também o trabalho dos negros africanos para cá trazidos à força, tratados como mercadoria e explorados de forma violenta e cruel. Uma das heranças desses processos foi a participação diferenciada das regiões brasileiras no cenário político, econômico, social e cultural nacional. Sobre isso, examine os mapas a seguir.

Ilustração digital: Maps World

Brasil: de arquipélago a continente

N O

L

0

650

1 300 km

S

THÉRY, Hervé; MELLO, Neli A. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. São Paulo: Edusp, 2009, p. 43.

7º ano

301


Note que os mapas trazem informações em cores, símbolos (Distrito Federal, cidades, espaços de integração etc.), setas e linhas (frentes pioneiras, correntes migratórias, rotas marítimas ou fluviais). As cores e os símbolos mostram algumas características dos diferentes espaços e regiões; já as setas e linhas, fluxos e movimentos no território. Os espaços econômicos (em amarelo) correspondem às áreas de predominância de determinada atividade, como a cana-de-açúcar no litoral do Nordeste e o café no Sudeste. Nos primeiros mapas, que retratam o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX, os espaços aparecem desarticulados entre si, daí a ideia do território nacional como um arquipélago, como um conjunto de verdadeiras ilhas. O café foi um dos grandes responsáveis pela acumulação de riquezas e pelo início da industrialização do país, tendo como centro o Sudeste, em especial São Paulo e Rio de Janeiro. No mapa mais recente, a maior parte do território está integrada à economia nacional, sob o comando das duas cidades. Os eixos rodoviários permitem visualizar a progressiva interligação do território. Antes, parte das ligações era feita por via marítima e, mais tarde, por ligações terrestres. Em 1890, o fluxo de migrantes do Nordeste para a Amazônia se deu pela emergência da extração do látex para a fabricação da borracha. No século XX, em especial em sua segunda metade, a região Nordeste seguiu fornecendo mão de obra para outras atividades e centros econômicos. Mais recentemente, as setas indicam o avanço da exploração da Amazônia. O que se pode concluir em relação às regiões brasileiras a partir dos mapas? Pode-se afirmar que nesse percurso houve, ao mesmo tempo, processos de integração nacional e diferenciação regional. Assim, o território nacional tornou-se mais integrado e articulado, com um mercado unificado, mas as regiões passaram a participar da vida nacional com diferentes papéis e funções, segundo uma divisão regional do trabalho e da produção. O Sudeste e o Sul, por exemplo, têm forte concentração urbana, econômica e de recursos financeiros e tecnológicos. O Centro-Oeste e o sul da Amazônia são áreas de expansão das fronteiras agrícolas, o que traz um evidente custo ambiental − com a derrubada da floresta − e social/ cultural − com a desestruturação dos modos de vida locais. O Nordeste, de base agropecuária, tem um papel de emissor de força de trabalho. Vimos na primeira parte do capítulo que esse quadro vem se modificando. Por exemplo, existem hoje ilhas de excelência produtiva e desenvolvimento científico e tecnológico na região Nordeste. Exemplos: os polos tecnológicos do Recife (PE), Ilhéus (BA) e Campina Grande (PB) − onde estão interligadas atividades de empresas, universidades e centros de pesquisa. Do mesmo modo, há áreas de agricultura moderna irrigada às margens do rio São Francisco, onde são produzidas frutas para exportação, e as culturas de soja na região de Barreiras, no oeste baiano. Porém, há também áreas deprimidas economicamente no Sudeste, como o Vale do Ribeira, em São Paulo. Entretanto, as recentes mudanças ainda não são suficientes para desfazer o cenário de concentração regional dos recursos no país. Por exemplo, no Sudeste do Brasil, no final da primeira década do século XXI, havia cerca de 67% das maiores 302

Geografia


empresas do país, e eram gerados e consumidos cerca de 68% da energia elétrica. Trata-se da parte do território nacional que mais recebe investimentos, inclusive de corporações empresariais globais. No eixo Rio-São Paulo, ao lado de Brasília, estão as sedes dos maiores bancos e de grandes empresas estatais, como a Petrobras. A rede rodoviária nessa região é quatro vezes mais densa que a do restante do país. Os portos e aeroportos são os mais movimentados. Das instituições de ensino e pesquisa do país, cerca de 65% estão no Sudeste. Nessa região estão também as maiores universidades públicas, que formam o maior número de pesquisadores e professores universitários do país. Em São Paulo e no Rio de Janeiro estão as sedes das grandes emissoras de TV e dos principais jornais. Esse predomínio do Sudeste está evidentemente ligado à formação do território brasileiro. Como vimos, o poder dessa região baseou-se na concentração de riquezas da economia cafeeira e industrial. E também se refere ao forte processo de renovação econômica e criação de um mercado nacional unificado − processo que ocorreu sob o comando particularmente de São Paulo e Rio de Janeiro. O Estado brasileiro também atuou para reforçar essa concentração, estimulando, por exemplo, a migração de mão de obra de outras regiões para o Sudeste, como é o caso do Nordeste.

A DIVISÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA DO BRASIL O Brasil tem hoje 8,5 milhões de km2, e sua divisão político-administrativa expressa em boa medida as diferentes realidades regionais. A organização político-administrativa compreende a União, 26 estados, o Distrito Federal e, segundo o Censo 2010, 5 565 municípios. Como o Brasil é uma república federativa, a Constituição de 1988 estabeleceu que tanto a União como os estados e os municípios são entes federativos. Isso significa dizer que cada um desses níveis territoriais de poder tem autonomia para tomar decisões naquilo que é de sua atribuição específica, com recursos próprios. Apesar disso, ainda não é o que ocorre com muitos pequenos municípios espalhados pelo território nacional. Vários deles dependem quase exclusivamente do repasse de verbas da União para colocar sua “máquina” administrativa em funcionamento. Os estados estão agrupados em cinco grandes regiões: Norte, Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O IBGE utiliza essa divisão regional para elaborar dados estatísticos que servem para planejar políticas públicas. Entretanto, a divisão regional do Brasil evidentemente não foi sempre a mesma. Por exemplo, em 1988, Roraima e Amapá passaram de territórios federais a estados. A Bahia também já mudou de região. Anteriormente, a divisão regional era feita com base em critérios naturais, agrupando-se os estados segundo características naturais comuns. Hoje, prevalecem os critérios socioeconômicos, que destacam grandes blocos ou complexos regionais, extrapolando os limites dos estados ou das regiões oficiais, como Centro-Sul, Amazônia e Nordeste.

7º ano

303


LER MAPAS

Observe os mapas e responda às questões propostas: Brasil – Evolução da divisão regional Ilustrações digitais: Maps World

1940

N O

L

0

460

920 km

S

Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. Rio de Janeiro: IBGE, 2002. p. 100.

1970

N O

L

0

460

920 km

S

Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. Rio de Janeiro: IBGE, 2002. p. 101.

304

Geografia


Ilustrações digitais: Maps World

1980

N O

L

0

410

820 km

S

Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. Rio de Janeiro: IBGE, 2002. p. 101.

1990-2000

N O

L

0

410

820 km

S

Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. Rio de Janeiro: IBGE, 2002. p. 101.

7º ano

305


Brasil – As regiões geoeconômicas Ilustrações digitais: Maps World

Macrorregiões geoeconômicas

N O

L

0

410

820 km

S

Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. Rio de Janeiro: IBGE, 2002. p. 152.

Os “quatro brasis”

N O

L

0

410

820 km

S

Fonte: SANTOS, Milton; SILVEIRA, Maria. Brasil: território e sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001.

306

Geografia


1. Quais estados ou territórios foram criados ao longo do período destacado nos mapas? 2. Quais estados mudaram de região ao longo do tempo? Faça uma lista, anotando as regiões às

quais eles pertenceram. 3. Quais territórios foram transformados em estados? Por que você acha que isso ocorreu? Se neces-

sário, faça uma pesquisa com alguns colegas ou peça ajuda a seu professor para responder. 4. Os mapas mostram a divisão atual do território brasileiro e os grandes complexos regionais. Essa

divisão reflete o desenvolvimento econômico e social do país? Explique sua resposta. 5. Converse com seus colegas e responda: de acordo com aspectos econômicos e sociais, você faria

mudanças na atual divisão regional do país? Quais seriam? Com a ajuda do professor, produza em grupo um novo mapa com a sua proposta de divisão regional e indique os principais investimentos econômicos e sociais a serem feitos em cada grande região do país.

APLICAR CONHECIMENTOS

1. Com suas palavras, escreva o que significam as seguintes expressões: a) esperança de vida b) mortalidade infantil c) analfabetismo d) Índice de Desenvolvimento Humano e) divisão territorial do trabalho e da produção f) integração do território g) concentração regional de recursos 2. Com um colega, escreva um texto que caracterize a economia, a sociedade e o território brasilei-

ros atuais.

Charge de Mariano

3. Com base no que você estudou no capítulo, comente a charge a seguir:

Fonte: Disponível em: <www.barreirasnoticias.com/2011/12/humor-do-dia-somos-6-maior-economia-ja.html>. Acesso em: 8 mai. 2012.

7º ano

307


4. Com base no texto a seguir do IBGE, o que se pode afirmar sobre a situação do saneamento básico

no Brasil hoje? Explique sua resposta. Embora a proporção de domicílios adequados (ligados à rede geral de esgoto ou fossa séptica, abastecidos por rede geral de água e com lixo coletado direta ou indiretamente por serviço de limpeza) tenha subido de 56,5% em 2000 para 61,8% em 2010, nas cidades menores (com até 5 mil habitantes), não chegava a 1/3 (30,8%), enquanto nas maiores (mais de 500 mil habitantes) era 82,5%. IBGE. Indicadores sociais municipais do Censo 2010. Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=2019&id_pagina=1>. Acesso em: 11 maio 2012.

PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS

Atlas

Atlas do Brasil

Com cartografia inovadora, apresenta textos, mapas, esquemas e gráficos sobre as dinâmicas naturais e sociais do território brasileiro. THÉRY, Hervé; MELLO, Neli A. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. São Paulo: Edusp, 2005.

Atlas geográfico escolar

Traz mapas do Brasil e do mundo sobre diversos temas. IBGE. Atlas geográfico escolar. 5. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2009.

Geoatlas

Atlas com diversos mapas e textos para consulta e pesquisa. SIMIELLI, Maria Elena. Geoatlas. São Paulo: Ática, 2012.

Sites

Atlas do Saneamento 2011 (IBGE)

Dados sobre saneamento básico (água, esgotos, coleta e tratamento do lixo) nos municípios brasileiros. Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/atlas_saneamento/default_zip.shtm>. Acesso em: 12 ago. 2012.

Censos demográficos, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad, Indicadores Sociais Municipais) Dados demográficos, econômicos e sociais atualizados do Brasil. Disponíveis em: <www.ibge.gov.br>. Acesso em: 10 jul. 2012.

Organização das Nações Unidas (ONU) (Brasil)

Portal com textos, documentos e notícias sobre os países. Apresenta links de acesso a documentos, publicações e relatórios de encontros, convenções e fóruns mundiais diversos. Disponível em: <www.onu.org.br>. Acesso em: 10 set. 2012.

Organização Mundial do Comércio (OMC) (Brasil)

Mapa interativo de acesso a dados e representações sobre exportações e importações, tarifas, ingresso na OMC e informações sobre o perfil econômico do país. Em espanhol e inglês. Disponível em: <www.wto.org/french/res_f/statis_f/statis_maps_f.htm>. Acesso em: 15 nov. 2012

308

Geografia


Bibliografia

GEOGRAFIA BOBBIO, N.; MATTEUCI, N.; PASQUINO, G. Dicionário de política. Brasília: Editora da UNB, 1995. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Balança comercial: Mercosul 2011/2012. Disponível em: <www.desenvolvimento.gov.br/sitio/ interna/interna.php?area=5&menu=2081>. Acesso em: 12 maio 2012. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Proposta curricular para a Educação de Jovens e Adultos: segundo segmento do Ensino Fundamental: 5a a 8a séries. Brasília: MEC/SEF, 2002. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Geografia. Brasília: MEC/SEF, 1998. CORREA, Roberto L.; CASTRO, Iná E.; GOMES, Paulo C. (Org.). Geografia: conceitos e temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995. COSTA, Wanderley Messias. Geografia política e geopolítica: discursos sobre o território e o poder. São Paulo: Hucitec/Edusp, 1992. 374 p. ________. O Brasil e a América do Sul: cenários geopolíticos e os desafios da integração. Disponível em: <http://confins.revues.org/6107>. Acesso em: 1o mar. 2013. DURAND, Marie-Françoise; COPINSCHI, Philippe; MARTIN, Benoit; PLACIDI, Delphine. Atlas da mundialização: compreender o espaço mundial contemporâneo. São Paulo: Saraiva, 2009. HARLEY, Brian. Mapas, saber e poder. Disponível em: <http://confins.revues.org/ index5724.html>. Acesso em: 1o mar. 2013. MARTIN, André Roberto. Fronteiras e nações. 2. ed. São Paulo: Contexto, 1994. MATIAS, Eduardo P. A humanidade e suas fronteiras: do Estado soberano à sociedade global. São Paulo: Paz e Terra, 2005. MUNANGA, Kabengele (Org.). Dossiê África: desafios da democracia e do desenvolvimento. São Paulo: Le Monde Diplomatique Brasil, mai.-jun. 2011. 98 p. MUNANGA, Kabengele; GOMES, Nilma L. Para entender o negro no Brasil de hoje. São Paulo: Global, 2004. 254 p.

7º ano

309


NOVAES, Washington. Cerrado: uma paisagem brasileira está morrendo. Editora Abril: National Geographic Brasil, São Paulo, n. 103, out. 2008, p. 54-67. OLIVEIRA, Lucia Lipi. Diálogos intermitentes: relações entre Brasil e América Latina. Sociologias, Porto Alegre, ano 7, n. 14, jul/dez 2005, p. 110-129. SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo. Razão e Emoção. 2. ed. São Paulo: Hucitec, 1997. SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record, 2000. SANTOS, Milton; SILVEIRA, Maria Laura. Brasil: território e sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001. ________. Metamorfoses do espaço habitado. São Paulo: Hucitec, 1988. SMITH, Dan. Atlas da situação mundial. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2007. ________. Atlas dos conflitos mundiais. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2007. SOUZA, Marina de Mello e. África e Brasil africano. São Paulo: Ática, 2007. THÉRY, H.; MELLO, Neli A. de. Atlas do Brasil: disparidades e dinâmicas do território. São Paulo: Edusp, 2005.

310

Geografia


UNIDADE 6

Ciências


Capítulo

Universo, Terra e vida

Fabio Colombini

CIÊNCIAS

1

Céu estrelado na Ilha do Cardoso, em Cananeia (SP), 2012.

RODA DE CONVERSA

Para começar nossos estudos sobre Astronomia, vamos trocar ideias sobre fenômenos que ocorrem na Terra e no Universo. Converse com seus colegas sobre as perguntas a seguir. 1. Em que lugar no Universo está a Terra? 2. Como é o Universo? Escolham algumas palavras-chave que o descrevam. 3. Por que há vida na Terra? Há vida fora da Terra?

Ainda em grupo, elaborem duas listas com algumas características da Terra e do Universo. Sobre a possibilidade de vida extraterrestre, procure argumentar de forma realista, pensando nas condições do nosso planeta relacionadas à vida. 4. Coletivamente, apresentem as respostas e comparem as listas dos grupos. Elas se parecem? 5. As características do planeta Terra que foram levantadas pertencem só a ele ou também aos de-

mais corpos do Sistema Solar? Por que não é possível morar em Vênus ou em Marte? Vejam as fotos da página seguinte para mais ideias. Guardem os registros da conversa e os retomem ao final dos estudos ou quando os assuntos debatidos forem lembrados. 7º ano

313


CONHECER MAIS

Vocês já conhecem o Sistema Solar? mina energia. Por causa da energia que libera, o Sol brilha e assim pode ser visto da Terra. Ao entrar em contato com a atmosfera terrestre, parte da energia solar nos ilumina e parte se transforma em calor. Ilustração digital: Luis Moura

O Sol é muito maior que os planetas que giram ao seu redor. Com outros corpos celestes menores, eles formam o Sistema Solar. Nesse sistema, apenas o Sol é uma estrela, um corpo celeste que constantemente eli-

A Terra é um dos menores planetas do Sistema Solar. Você consegue identificar cada planeta da imagem? Faça uma pesquisa e identifique qual dos astros é a Terra.

NASA/Corbis/Latinstock

NASA/Roger Ressmeyer/Corbis/Latinstock

NOSSOS PLANETAS VIZINHOS: VÊNUS E MARTE

Marte, também chamado de planeta vermelho.

Vênus é o planeta mais próximo da Terra.

Na Antiguidade, Marte e Vênus eram consideradas “estrelas fixas”. Marte possui cor avermelhada e é visível somente em certas épocas do ano, em movimentos de vaivém. Já Vênus é o planeta mais próximo da Terra, com brilho branco-azulado e pode ser visto ao amanhecer ou anoitecer, mas não à noite. Portanto, são diferentes das estrelas verdadeiras. Marte e Vênus não possuem luz própria: eles refletem a luz solar. 314

Ciências


PESQUISAR

1. Observe o céu diurno. Se não tivéssemos conhecimentos de Astronomia, seria mais fácil supor

que o Sol gira ao redor da Terra e não o contrário. Afinal, todos os dias ele surge em certa região do horizonte, denominada leste. Até o meio-dia, o percurso segue rumo ao alto do céu, até alcançar uma posição chamada “sol a pino”, que nem sempre está bem acima de nossas cabeças, pois isso depende do lugar do planeta em que estamos. Ao fim do dia, o Sol completa o arco no céu no horizonte oeste, onde acontece o pôr do sol. É fácil supor que, durante a noite, o Sol se esconde em algum lugar além do horizonte ou atrás dele. a) Como são as sombras projetadas pelo Sol de manhã? E quando o Sol está a pino? E as sombras

da tarde, como são? b) Procure descrever o arco do Sol a partir de alguns pontos de referência, como os prédios, a

Ilustração digital: Llinares

torre de uma igreja etc., do lugar onde mora.

Representação do arco do Sol em lugar próximo do Equador. Em localidades mais ao sul, o arco fica mais inclinado. Fonte: Elaborado pelos autores, 2012. (Esquema sem escala, cores-fantasia.)

2. A Lua também pode ser vista durante o dia, já reparou? Isso acontece apenas em certos dias do ciclo

lunar, que tem aproximadamente 29 dias e meio. Procure acompanhar a Lua em seu ciclo e observe as mudanças em sua aparência. Registre suas observações em uma tabela, como a do modelo a seguir. Data/hora

Forma visível da lua

7º ano

315


Cheia

Minguante

Nova

Crescente

3

4

Ilustração digital: Luis Moura

Relacione suas observações com o esquema a seguir, que mostra a Lua em suas quatro fases mais marcantes em seu percurso ao redor da Terra. Verifique, principalmente, as posições da Lua cheia e da nova em relação ao Sol. Você saberia explicar por que, na fase cheia, vemos o círculo iluminado e, na fase nova, a Lua não é vista da superfície da Terra? Fases da Lua 1

2

Luz solar

2

Terra 1

3

4

Fonte: Elaborado pelos autores, 2011. (Esquema sem escala, cores-fantasia.)

3. Procure observar no céu noturno planetas, estrelas e constelações. Se você conhece alguém que

entenda um pouco desse assunto, peça ajuda. • Como é o deslocamento das estrelas no céu durante a noite? • Há alguma constelação sobre a qual você já tenha ouvido falar e seja capaz de reconhecer em

sua observação? • oc consegue identificar algum planeta do istema olar

omo ele

CONHECER MAIS

As fases da Lua Vamos entender melhor o que acontece com a Lua em suas quatro fases. Observe outra vez o esquema apresentado acima. A fase cheia (1) inicia-se quando o Sol ilumina todo o círculo lunar visível das 18h até às 6h. Nos dias seguintes, nosso satélite surge cada vez mais tarde e segue perdendo parte da iluminação, dia após dia, até chegar, sete dias depois, ao quarto minguante (2), quando só um quarto da esfera é iluminada. No hemisfério Sul, a

Lua é vista com a forma da letra D durante a minguante. Na semana seguinte, o nascimento da Lua ocorre após a meia-noite, e podemos vê-la no período da manhã até o momento da Lua nova (3). Quando entra na fase nova, a Lua não é vista, pois está alinhada com o Sol perto do meio-dia: nasce às 6h e se põe às 18h. Na semana seguinte, na fase crescente, ela será vista no período da tarde e da noite em formato de C (4).

O caminho das estrelas Observe as estrelas durante uma noite. Repare que elas parecem se deslocar todas juntas, no mesmo sentido que o Sol se move durante o dia. Faça um teste: escolha algumas estrelas no começo

316

Ciências

da noite. Pode ser mais perto do horizonte, a leste, ou mais no alto do céu. Depois de algumas horas, procure o mesmo conjunto de estrelas: você as encontrará mais a oeste.


Luke Dodd/Science Photo Library/Latinstock

Uma constelação famosa Você já ouviu falar na constelação Cruzeiro do Sul? Consegue identificá-la ao observar o céu durante a noite? Quatro estrelas se distribuem como se estivessem nas pontas de uma cruz cristã e podem nos ajudar na orientação espacial, pois a estrela que fica mais distante do centro da “cruz” aponta sempre para o Sul. Existe ainda uma quinta estrela que forma essa constelação, chamada Intrusa, é menos brilhante e se localiza perto de uma das pontas.

A estrela-d’alva Observe o planeta Vênus, popularmente chamado estrela-d’alva (estrela da manhã, da aurora) ou vésper (estrela da tarde, vespertina). Depois do Sol e da Lua, é o astro mais luminoso no céu. Ele pode ser visto nas primeiras horas da manhã, a leste, ou nas primeiras horas da noite, a oeste, dependendo da época do ano. Seu brilho é diferente do encontrado nas estrelas, que são faiscantes. Vênus e os demais planetas têm brilho fixo, não faiscante.

O Cruzeiro do Sul é a menor de todas as constelações.

Há mais de quinhentos anos, ou mesmo na Antiguidade, você acha que os calendários e relógios eram importantes? Stonehenge é uma estrutura circular de pedras e, apesar de não se saber realmente qual a sua função, acredita-se que era utilizado, entre outras coisas, para observação astronômica, determinação de estações do ano e ciclos agrícolas. Por exemplo, no dia 21 de junho, o Sol nasce exatamente sob a pedra principal. Reflita com seus colegas como alguns povos antigos utilizavam calendários e relógios.

Andrew Parker/Alamy/Other Images

PARA REFLETIR

Stonehenge é o monumento pré-histórico mais importante da Inglaterra. Acredita-se que ele tenha servido para o estudo do céu, dos ciclos agrícolas, além de ter sido um local de rituais místicos. Salisbury, Inglaterra, 2002.

7º ano

317


CONHECER MAIS

Astronomia indígena A arte rupestre pré-histórica é a fonte mais importante de informação que dispomos sobre os primórdios da arte, do pensamento e da cultura humana. A palavra itacoatiara, que em tupi e em guarani significa pedra pintada, é frequentemente utilizada para denominar os rochedos decorados. Existem alguns painéis de arte rupestre que, além do Sol, da Lua e de constelações, parecem representar fenômenos efêmeros, como a aparição de um cometa muito brilhante, um meteoro, uma conjunção de planetas ou um eclipse, que alteravam a ordem do Universo, amedrontavam o povo e, por conta disso, eram registrados. Assim, esses registros podem ser úteis para o astrônomo documentar antigos eventos celestes. Os indígenas observavam os movimentos aparentes do Sol para determinar o meio-dia solar, os

pontos cardeais e as estações do ano utilizando o gnômon, que consiste de uma haste cravada verticalmente no solo, da qual se observa a sombra projetada pelo Sol, sobre um terreno horizontal. Ele é um dos mais simples e antigos instrumentos de Astronomia, sendo chamado de kuarayra’anga, em guarani, e cuaracyraangaba, em tupi antigo. Um tipo de gnômon indígena, que temos encontrado no Brasil em diversos sítios arqueológicos, é constituído de uma rocha pouco trabalhada artificialmente, com cerca de 1,50 metro de altura, aproximadamente, em forma de tronco de pirâmide e talhada para os quatro pontos cardeais. Ele aponta verticalmente para o ponto mais alto do céu (chamado zênite), sendo as suas faces maiores voltadas para a linha norte-sul e as menores para a leste-oeste.

Ilustração digital: Llinares

AFONSO, Germano B. Anais da 61a Reunião Anual da SBPC. Manaus, jul., 2009.

Esquema de um gnômon indígena. Elaborado com base em foto disponível em: <http:// g1.globo.com>. Acesso em 5 jan. 2012.

OS MOVIMENTOS DA TERRA Os movimentos dos astros marcam a passagem do tempo e fornecem localização para quem está na Terra. Além disso, os fenômenos terrestres acompanham os ciclos astronômicos. O movimento de rotação da Terra ao redor de si mesma estabelece o ciclo do dia e da noite, que determina muitos fenômenos, desde a rotina diária dos seres vivos até as marés. Já a volta do planeta ao redor do Sol causa um ciclo anual, que determina as estações do ano, as modificações do clima e os hábitos anuais dos seres vivos, como a época das floradas, dos frutos, do acasalamento e do nascimento de animais. A Astronomia indígena também tem conhecimento desses fatos: a observação dos astros servia para prever a aproximação da época em que alimentos estariam disponíveis. 318

Ciências


COMO O PLANETA DÁ A VOLTA AO REDOR DO SOL? Observe no esquema: o eixo Norte-Sul do planeta é inclinado em relação à sua órbita ao redor do Sol. Assim, durante a trajetória de translação anual, os hemisférios Norte e Sul recebem a energia solar de forma diferente, conforme a época do ano. Quando é verão no hemisfério Norte, é inverno no Sul; quando é outono no Norte, é primavera no Sul. E vice-versa.

2

Ilustração digital: Luis Moura

3

Translação da Terra

4

1 Fonte: Elaborado pelos autores, 2012. (Esquema sem escala, cores-fantasia.)

Examine ao lado a figura da Terra. O Equador é a linha imaginária que divide a Terra em duas metades iguais no sentido transversal: hemisfério Norte e hemisfério Sul. No sentido longitudinal, está o eixo de rotação da Terra. Esse eixo não faz um ângulo reto com a linha do Equador. O eixo de rotação é inclinado em aproximadamente 23,5° em relação à linha imaginária que corta o Equador formando com ele um ângulo reto.

Ilustração digital: Luis Moura

Na posição 2, é verão no hemisfério Norte, pois está mais iluminado. Na posição 4, o verão começa no hemisfério Sul, pois este passa a receber mais energia solar.

Fonte: Elaborado pelos autores, 2012. (Esquema sem escala, cores-fantasia.)

EXPERIMENTAR I RELÓGIO DE SOL

Material: • folha de cartolina; • haste bem reta; • pedaço de isopor; • régua; • caneta grossa colorida. 7º ano

319


Ilustração digital: Luis Moura

Como fazer: Em local a céu aberto, coloque a cartolina no chão de terra e fixe a haste verticalmente. Se o chão for cimentado, vai ser necessário um pedaço de isopor ou similar para fixar a haste. As sombras do meio-dia, sempre as mais curtas, determinam a direção Norte-Sul. Utilizando régua e caneta, marque as sombras no papel. Use a mesma cor nas várias observações de um dia. Volte para seu gnômon um mês depois e marque as sombras nos mesmos horários, com outras cores. O esquema a seguir mostra as sombras em dois horários: 11h15 e 13h15. Com elas, é possível determinar a direção leste-oeste.

Linha leste-oeste

11h15 Norte

12h15

13h15 Fonte: Elaborado pelos autores, 2012. (Esquema sem escala, cores-fantasia.)

O experimento com o gnômon ajuda a compreender de que maneira esse instrumento era utilizado como relógio pelos povos antigos e ainda pode ser útil hoje em dia. Se fizer observações em diversos dias, ao longo de um ou dois meses, verá que as sombras mudam seu comprimento: encurtam-se com a aproximação do verão e alongam-se com a chegada do inverno.

EXPERIMENTAR II

Material: • um soquete com lâmpada; • globo terrestre com suporte como o da figura a seguir ou bola de isopor espetada em um palito de churrasco.

320

Ciências

Ilustração digital: Llinares

SIMULAÇÃO DE TRANSLAÇÃO


Como fazer: A lâmpada será o Sol. Reproduza o movimento da Terra em torno do Sol. Cuidado: mantenha a bola inclinada durante todo o seu percurso ao redor do “Sol”. Veja a incidência da luz solar durante a translação nos dois hemisférios de sua “Terra”, especialmente nos polos Norte e Sul. Converse com seus colegas sobre os itens a seguir. • Como a translação explica a mudança relativa a luz e calor ao longo do ano nos hemisférios? • Por que a região próxima ao Equador recebe mais luz? • Marque o lugar onde fica sua cidade no globo com uma etiqueta branca. Simule o movimento durante o ano para ver como ocorre a iluminação nas épocas de verão e de inverno. • Como são as estações do ano na região onde você mora? Como a atividade que realizamos ajuda a explicar as estações do ano da maneira como você as conhece?

UM ENDEREÇO NO UNIVERSO

The Bridgeman Art Library/Keystone

Ao longo da história da humanidade, muitos olharam para o céu e perguntaram o que existe no Universo, se ele é finito ou infinito, se sempre esteve aí ou se começou em certo momento, se ele passa por transformações ou se tudo que está nele é imutável ou eterno. Questões como essas já estavam presentes desde a Antiguidade, entre os antigos egípcios, indianos, chineses, gregos e romanos. Contudo, por razões religiosas, essas questões se silenciaram na Europa do início da era cristã até o século XVI, quando foi predominante a explicação da Igreja sobre a origem e a organização do Universo. A Terra era colocada no centro do Universo e o Sol giraria ao redor dela. Essa explicação foi chamada de geocêntrica: colocava a Terra (geo) no centro de tudo. A explicação geocêntrica foi negada pelo astrônomo e padre polonês Nicolau Copérnico (1473-1543), ao estabelecer sua teoria do heliocentrismo, que colocava o Sol no centro do Universo. Desse modo, ele conseguiu melhorar os Galileu apresenta seu telescópio para o senado veneziano. Afresco de Luigi cálculos dos calendários e resolver um Sabatelli, Museu de Física e História Natural, Florença, Itália, 1840. problema até então insolúvel sobre o 7º ano

321


movimento dos planetas, chamados de “estrelas fixas”. Copérnico faleceu no mesmo ano em que o livro com suas teorias foi publicado, mas o heliocentrismo foi defendido publicamente por outros personagens da história da ciência. Giordano Bruno (1548-1600) propagou essa e outras ideias contrárias às teorias defendidas pela Igreja católica, sendo condenado e morto na fogueira por isso. A cultura científica ganhou grande impulso na área da Astronomia quando o telescópio, inventado na Europa, foi utilizado por um sábio com mente aberta e com vontade de descobrir mais sobre o Universo. Esse homem foi Galileu Galilei (1564-1643), que viveu em cidades da atual Itália. Foi um sábio muito importante que investigou diversos assuntos: os sons, o calor, o movimento, o Universo, entre outros. Foi um professor admirado, e suas palestras contavam com grande audiência nas cidades onde viveu. Naquele tempo, os cidadãos podiam frequentar livremente as aulas das universidades. Galileu foi corajoso e continuou a defender a tese do heliocentrismo, uma atitude que viria a lhe custar caro, pois faleceu em prisão domiciliar. Galileu defendia o heliocentrismo com base em evidências obtidas com o uso do telescópio. Observando a superfície da Lua, percebeu que ela tinha um relevo irregular, que não combinava com a ideia de Universo perfeito. Percebeu também que Júpiter possuía satélites que o orbitavam, destruindo o ideal da Terra no centro de tudo. Desde Galileu, nunca mais a Astronomia parou de produzir novos conhecimentos, sempre com a ajuda de novas tecnologias e boas perguntas.

APLICAR CONHECIMENTOS I

1. Compare as duas figuras a seguir. Qual delas representa o modelo geocêntrico e qual representa o

Ilustrações digitais: Llinares

modelo heliocêntrico? Justifique.

Fonte: Elaborado pelos autores, 2011. (Esquema sem escala, cores-fantasia.)

322

Ciências


2. Quais as contribuições de Nicolau Copérnico, Giordano Bruno e Galileu Galilei para a teoria

do heliocentrismo?

3. Considerando apenas a observação direta do céu, realizada na vida diária, é possível compreender

porque a teoria do geocentrismo ganhou adeptos na época em que foi formulada. Você concorda com essa afirmação? Por quê?

4. Leia o poema e responda às perguntas a seguir.

A Máquina do Mundo O Universo é feito essencialmente de coisa nenhuma. Intervalos, distâncias, buracos, porosidade etérea. Espaço vazio, em suma. O resto, é a matéria. Daí, que este arrepio, este chamá-lo e tê-lo, erguê-lo e defrontá-lo, esta fresta de nada aberta no vazio, deve ser um intervalo. GEDEÃO, Antonio. In: MOURA, Ildeu de Castro. Poesia na sala de aula de ciências? A literatura poética e seus possíveis usos didáticos. Física na Escola, v. 3, n. 1, 2002.

a) Quais características do Universo estão presentes no poema?

b) Quais emoções o poema transmite?

7º ano

323


ASTRONOMIA NA ATUALIDADE

NASA

Em 1929, o astrônomo estadunidense Edwin Hubble (1889-1953) demonstrou que Andrômeda é uma galáxia e não apenas uma estrela. Isso foi possível graças a um telescópio de 2,5 m de diâmetro situado no Monte Wilson, na Califórnia. Com ele, Hubble pôde observar as estrelas individuais na galáxia de Andrômeda, que parecem uma luz única. Assim, começava a descoberta de que vivemos em uma galáxia formada por bilhões de estrelas e rodeada por bilhões de outras galáxias, cada uma formada também por bilhões de estrelas de muitos tamanhos. Descobrimos que nosso Sol é um corpo celeste pequeno, na periferia de uma galáxia também periférica. Nossa visão do Universo mudou muito com as descobertas de Edwin Hubble. O conhecimento sobre o Universo cresceu de maneira extraordinária nas últimas décadas. Tecnologias e equipamentos são produzidos constantemente. Cientistas da atualidade utilizam vários recursos para buscar informações sobre o Universo: telescópios terrestres e espaciais, sondas robóticas capazes de coletar materiais em lugares remotos do Sistema Solar, entre outros. Telescópios podem captar a luz visível e ondas invisíveis ao olho humano, como o raio X e as ondas infravermelhas. O mesmo raio X que usamos para conhecer nosso corpo por dentro é emitido por certos corpos celestes, além de ondas de calor (infravermelha) e outras formas de energia. Essas ondas cruzam o espaço cósmico e, por meio de sua análise, a partir de cálculos teóricos e simulações, é possível conhecer o que está além da atmosfera terrestre. O telescópio Hubble, colocado em órbita fora da atmosfera terrestre, ficou livre da matéria que interfere nas imagens obtidas através das lentes e espelhos de telescópios que estão baseados na superfície terrestre. O Hubble captou imagens fantásticas de aglomerados de galáxias, em diversos momentos de formação, mostrando a inimaginável vastidão do Universo e seu dinamismo. Nesse mesmo tempo, diversas sondas visitaram planetas e satélites do Sistema Solar, como as sondas Voyager, captando imagens de planetas e seus satélites.

O telescópio espacial Hubble, lançado em 1990, pesa 11 toneladas e viaja a uma velocidade de 28 mil km/h. Seu nome é uma homenagem ao astrônomo Edwin Hubble. Foto de 2002.

324

Ciências


Shery Nodle/Reuters/Latinstock

Sabe-se atualmente que o Universo está em expansão e é o palco do nascimento e da morte de estrelas. As galáxias são agrupamentos de grande número de estrelas, gás e poeira cósmica. A galáxia de Andrômeda é a maior galáxia na nossa vizinhança. A atração gravitacional mantém unido e em movimento todo o conjunto de poeira e bilhões de estrelas. Nós habitamos a galáxia da Via Láctea e podemos vê-la em noites estreladas como uma mancha branca espalhada entre estrelas, em uma faixa do céu. Na verdade, só vemos uma pequena parte da Via Láctea no céu limpo e sem lua, quando é reconhecida como um verdadeiro espetáculo da natureza, pois os bilhões de estrelas distantes parecem ser uma mancha clara contra o céu escuro. Imagina-se que a Via Láctea seja parecida com Andrômeda, que é uma galáxia com formato em espiral. Os buracos negros são corpos celestes conhecidos mais recentemente. Eles atraem toda a matéria em sua volta, mas não emitem luz visível, e sim outras formas de energia, por exemplo, o raio X. Os buracos negros ocupam o centro das galáxias. O renomado físico inglês Stephen Hawking (1942-) tem dedicado sua vida ao estudo dos buracos negros e O físico Stephen Hawkings discursa em cerimônia no Canadá, 2010. do Universo.

APLICAR CONHECIMENTOS II

Preencha a tabela com informações sobre a visão de Universo de acordo com o heliocentrismo de antigamente em comparação com o conhecimento atual Antigamente

Visão atual

Quantidade de planetas e estrelas

Diversidade de corpos celestes

Instrumentos utilizados

7º ano

325


LER NOTÍCIA DE JORNAL

O que queremos de Marte Entenda para que serve mandar um jipe-robô para o planeta [...] O Curiosity é, disparado, o artefato mais complexo que terráqueos já conseguiram botar no chão de outro planeta. Com 17 câmeras, é a primeira sonda interplanetária capaz de fazer imagens em HD. Pode percorrer até dois quilômetros por dia. Trata-se de um laboratório sobre rodas, equipado, entre outras coisas, com canhão laser para pulverizar pedaços de rocha e sistemas que medem parâmetros do clima marciano, como velocidade do vento, temperatura e umidade... A lista é grande. Tudo para tentar determinar se, afinal de contas, Marte já foi hospitaleiro para formas de vida – ou quem sabe até ainda o seja.

Tem mais alguém por aí? [...] Hoje também se sabe que o subsolo marciano, em especial nas calotas polares, abriga enorme quantidade de água congelada. E há pistas de que água salgada pode escorrer pela superfície do planeta durante o verão marciano, quando, em certos lugares, a temperatura fica entre −25 oC e 25 oC.

Mesmo na melhor das hipóteses, são condições não muito amigáveis para a vida como a conhecemos. Mas os cientistas têm motivos para não serem tão pessimistas, ambos baseados no que se conhece a respeito dos seres vivos na própria Terra. O primeiro é que a vida parece ser um fenômeno tão teimoso, ao menos na sua forma microscópica, que aguenta todo tipo de ambiente inóspito, das pressões esmagadoras do leito marinho ao calor e às substâncias tóxicas dos gêiseres. Além disso, se o nosso planeta for um exemplo representativo da evolução da vida Cosmos afora, isso significa que a vida aparece relativamente rápido quando um planeta se forma – mais ou menos meio bilhão de anos depois que a Terra surgiu (hoje ela tem 4,5 bilhões de anos). Ou seja, teria havido tempo, na fase “molhada” do passado de Marte, para que ao menos alguns micróbios aparecessem antes de serem destruídos pela deterioração do ambiente marciano. Será que algum deles não deu um jeito de se esconder no subsolo e ainda está lá, segurando as pontas? E, se a coisa aconteceu duas vezes neste quintal cósmico, quantas vezes não terá ocorrido Via Láctea afora? LOPES, Reinaldo José, revista Serafina, set. 2012, p. 28. Disponível em: <www1.folha.uol.com.br/fsp/serafina/sr2608201205.htm>. Acesso em: 25 set. 2012.

1. Quais fatores levam a crer que Marte abriga ou já abrigou formas de vida?

2. Sob que forma se encontra a água no planeta Marte?

326

Ciências


LER IMAGENS

Foto da Lua em 1969, ano em que o primeiro ser humano pisou em sua superfície.

NASA

Em 1910, a tecnologia permitiu que o cometa Halley fosse fotografado pela primeira vez.

Imagem do planeta Terra feita pelo sensor Modis, da Nasa, em 2001. NASA Marshall Space Flight Center Collection

Imagem do Sol coletada pela sonda espacial Soho, 2003.

NASA

NASA/Solar and Heliospheric Observatory Collection

Harvard College Observatory/Science Photo LibrarySPLDC/Latinstock

Imagens coletadas por sondas espaciais e telescópios robóticos, especialmente o Hubble, possibilitam observar, por exemplo, um cometa, o Sol, a Terra, a Lua e as galáxias.

Galáxia Andrômeda, imagem captada de um telescópio óptico, 2004.

1. Quais são os corpos celestes mostrados nas fotos? Escreva seus nomes do menor para o maior. 2.

estaque o nome dos astros que pertencem ao istema olar

3. O cometa da foto exibe uma bela cauda. Por esse fato, você pode afirmar que o astro está próximo

ou distante do Sol? Pense em uma hipótese, refletindo sobre as características do Sol e a constituição dos cometas, muitos deles formados por substâncias que facilmente se tornam gases mediante o aquecimento.

7º ano

327


O SISTEMA SOLAR Além do que se conhece por meio de telescópios e sondas, são muitas as investigações sobre as rochas que chegam do espaço e que fornecem evidências sobre os fatos do Sistema Solar. Acumulam-se evidências de que todos os corpos celestes do Sistema Solar se formaram juntos, há cerca de 4,6 bilhões de anos, aproximadamente 12 bilhões de anos após o surgimento do Universo com o Big Bang. Segundo essa teoria, acredita-se que o Universo surgiu de um grande estouro (Big Bang). Antes, matéria, energia, tempo e espaço do Universo estariam reunidos em um único ponto. Após o estouro, o Universo começou sua expansão. O Sistema Solar teria se formado a partir de uma nuvem enorme de material cósmico, composta basicamente de átomos de hidrogênio e de hélio, os dois elementos químicos mais leves e mais abundantes no Universo. A maior parte desse material ficou no Sol, apenas 1% nos planetas. A atração gravitacional determinou a formação de planetas e demais corpos celestes. A Lua teria surgido após um choque entre um asteroide, quase do tamanho de Marte, e a Terra primitiva, ainda quentíssima. Entre os planetas, vagam muitas rochas de tamanho menor que os asteroides: os meteoroides. Se rochas do espaço chegam até a Terra riscando a atmosfera, provocam o efeito luminoso chamado estrela cadente ou meteoro. Apenas algumas dessas rochas chegam à superfície terrestre, passando a se chamar meteoritos. O Sol, os planetas, os satélites, os cometas, os asteroides e os meteoroides formam o Sistema Solar. Muitos asteroides e meteoroides acumulam-se em um cinturão entre os planetas Marte e Júpiter. Todos os corpos movem-se ao redor de si mesmos, ou em movimentos mais complexos, e ao redor do Sol. A duração da translação da Terra corresponde ao ano terrestre, com duração de 365 dias e 6 horas. Já os cometas giram ao redor do Sol em órbitas na forma de elipse, chegando mais perto da estrela em uma parte da sua trajetória, momento em que se aquecem, desprendem gases e formam a cauda. Os planetas Júpiter, Saturno, Urano e Netuno são muito grandes e predominantemente gasosos. Esses gigantes gasosos situam-se após o cinturão de asteroides e têm muitos satélites de natureza rochosa. Plutão seria o último planeta, o mais afastado do Sol, mas ele não tem uma órbita exclusiva, como os corpos celestes que são genuínos planetas; assim, em 2006, ele foi desclassificado da categoria de planeta e passou a ser considerado um planeta-anão. Há também outros corpos rochosos que são considerados planetas-anões, entre eles, Eris, cuja órbita é próxima a Plutão e, em certas épocas, fica mais perto do Sol que seu vizinho mais famoso. Marte está mais distante do Sol do que a Terra. Sua atmosfera é muito mais rarefeita que a terrestre, pois a quantidade de ar em Marte corresponde a apenas 10% da existente na Terra. Ela é composta principalmente de gás carbônico. As temperaturas de sua superfície são baixas: a máxima é de 26 ºC e a mínima é de –69 ºC, sendo

328

Ciências


A LUA E OUTROS SATÉLITES

Ilustração digital: Luis Moura

a média de –40 ºC. Durante o verão, a temperatura oscila em torno de agradáveis 10 ºC. Hoje, já se sabe que há gelo em Marte, principalmente nos polos, bem como no subsolo congelado. Por isso, os pesquisadores ainda buscam encontrar alguma forma de vida no planeta, talvez algo parecido com uma bactéria terrestre que consiga viver no gelo. Vênus tem o tamanho parecido com o da Terra e possui superfície árida como um deserto, uma paisagem com crateras rasas, um imenso vale, poucos vulcões gigantes e um monte muito alto. Em sua atmosfera predomina gás carbônico, mas também há nitrogênio, monóxido de carbono, oxigênio, vapor d’água e dióxido de enxofre. Essa atmosfera é muito ácida e 92 vezes mais densa que a terrestre. A pressão na superfície venusiana corresponde ao que na Terra existe a 1 km de profundidade no oceano. O efeito estufa da atmosfera de Vênus é muito intenso. A sua face não iluminada tem temperaturas superiores a 400 ºC. O planeta demora mais de oito meses terrestres para dar um giro ao redor de seu próprio eixo, um moFonte: Elaborado pelos autores, 2012. (Esquema sem escala, cores-fantasia.) Nessa figura, o Sistema Solar é representado do ponto de vista de quem está quase fora dele. Foram vimento que a Terra faz marcadas as órbitas dos planetas rochosos, mais perto do Sol. Veem-se também os planetas gasosos e suas órbitas, bem como as órbitas de Plutão e de um cometa. em 24 horas. CONHECER MAIS

Números da Terra e do Universo A Lua é o único satélite natural da Terra. Já foi encontrada água na forma sólida no interior • Distância da Terra ao Sol: aproximadamente 150 milhões de km. de crateras lunares, mas nem por isso a Lua é • Tempo que a luz solar leva para chegar à menos seca, árida. Não há atmosfera por lá, não Terra: 8 minutos. há líquidos ou gases, e sua temperatura média • Ano-luz: aproximadamente 9,5 trilhões de km. Um ano-luz é a distância percorrida é de –23 ºC. pela luz em um ano. Marte, um planeta rochoso, assim como • Raio da Terra: 6 400 km (da superfície até todos os planetas gasosos, têm satélites. Marte o núcleo). • Espessura da atmosfera terrestre: 600 km. tem apenas duas luas pequenas; Júpiter, quatro luas grandes, de tamanho parecido com a nossa. Saturno, além dos anéis de material congelado, é o que tem mais satélites, de vários tamanhos. Um deles é a lua batizada Europa, considerada uma bola de água congelada no espaço.

7º ano

329


APLICAR CONHECIMENTOS III

1. Escreva um glossário com os termos a seguir. a) Universo

c) estrela

e) satélite

g) rotação

b) galáxia

d) planeta

f) órbita

h) translação

2. Faça no caderno ou em folha separada seu próprio esquema do Sistema Solar. Não se preocupe

em mostrar os tamanhos proporcionalmente, mas sim a ordem dos planetas e outros corpos celestes e sua organização em relação ao Sol.

O PLANETA TERRA: ESTRUTURAS INTERNAS E HISTÓRIA

Manto superior Oceano

Ilustração digital: Luis Moura

Observe a ilustração esquemática da Terra em corte transversal, que mostra as estruturas internas. A crosta é a camada mais externa dos grandes blocos rochosos, que se tornam mais quentes a medida que se aprofundam. Os grandes blocos são as placas litosféricas, equilibradas sobre o manto, uma camada de rochas mais quentes e mais pastosas que as mais superficiais. No interior, está o núcleo terrestre, constituído principalmente de ferro e níquel.

Crosta

Manto inferior

Núcleo externo Núcleo interno 1 220 km

2 250 km

2 200 km

700 km

Continente

Fonte: Elaborado pelos autores, 2012. (Esquema sem escala, cores-fantasia.)

Para alcançar a estrutura atual, bilhões de anos foram necessários e muitos fenômenos ocorreram.

330

Ciências


APLICAR CONHECIMENTOS IV

Observe a linha do tempo a seguir. Ela mostra alguns acontecimentos marcantes da história do nosso planeta, desde sua formação.

4,5

4

3,5

3

Ilustração digital: Luis Moura

Mais antigo cristal de zircônio

Formação da Terra

2,5

2

1,5

Formação de sedimentos e oceanos

1

0,5

0

Bilhões de anos atrás

Primeiras células nucleadas Diversidade animal

Elevação do oxigênio atmosférico

Fonte: Elaborado pelos autores, 2012. (Esquema sem escala, cores-fantasia.)

Agora marque na linha do tempo a letra que corresponde aos seguintes eventos: A - A Terra é uma massa quente, ainda sem núcleo formado em seu interior. B - Com a separação da superfície resfriada, chamada crosta, do núcleo, é possível a formação

de rochas cristalinas. C - Seres unicelulares que vivem na água salgada deixaram os vestígios fósseis mais antigos

que se conhecem após a formação de sedimentos e oceanos. D - Bactérias produziam oxigênio e seu próprio alimento. O oxigênio começa a se acumular

antes do surgimento das células com núcleo.

7º ano

331


Robert Bayer/Dreamstime.com

Essas formações, chamadas de estromatólitos, parecem rochas comuns, mas são fósseis de bactérias em grupos numerosos, rejuntados com areia. Essas bactérias viveram em um tempo em que mares rasos e quentes predominavam no planeta. São considerados responsáveis pela produção do oxigênio que se acumulou na atmosfera, durante bilhões de anos, antes da explosão da biodiversidade.

E - Há 500 milhões de anos, a atmosfera chega à configuração atual: 71% de gás nitrogênio,

18% de oxigênio e 1% de outros gases. Esses valores não consideram o teor de vapor d’água, que é variável. A diversidade da vida teve sua explosão nesse período, quando surgiram inúmeros grupos de animais invertebrados. Antes, a biodiversidade abrangia seres unicelulares e alguns invertebrados mais simples, sem nenhum esqueleto, como as águas-vivas. Na linha do tempo, o momento da explosão da biodiversidade é marcado pelo surgimento do organismo trilobita, antigo parente dos atuais camarões. F - Os ancestrais dos seres humanos surgiram há 4 milhões de anos.

APLICAR CONHECIMENTOS V

1. Este capítulo apresenta três teorias sobre o Universo. Quais são elas e suas principais características?

2. Atualmente, a busca por vida em outros planetas significa localizar os que podem ter água e a

atmosfera oxigenada. Por que esses critérios são importantes? 3. Observe a tabela a seguir e responda: Qual dos planetas é a Terra? Qual é Vênus? E Marte?

Planeta 1

Planeta 3

Temperatura média

470 ºC

18 ºC

–23 ºC

Principais componentes da atmosfera

96% CO2 3,5% N2

78% N2 21% O2

95% CO2 3% N2

1.

332

Planeta 2

2. Ciências

3.


Ilustração digital: Luis Moura

4. Esta imagem apresenta alguns planetas do Sistema Solar, incluindo a Terra.

Terra

A

B

C Fonte: Elaborado pelos autores, 2012. (Esquema sem escala, cores-fantasia.)

A tabela ao lado informa os diâmetros dos planetas do Sistema Solar. Com base nela, responda: Quais são os outros planetas apresentados nas imagens? ABC-

Astros

Diâmetro médio

Mercúrio

4 900 km

Vênus

12 100 km

Terra

12 800 km

Marte

6 800 km

Júpiter

143 900 km

Saturno

120 500 km

Urano

51 200 km

Netuno

50 500 km

5. Assinale a alternativa correta. Fazem parte do Sistema Solar:

a) o Sol e as estrelas b) o Sol e os planetas

c) as estrelas e os planetas d) os planetas e as galáxias

PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS

Filme

Contato

Contato é baseado num livro ficcional do astrônomo norte-americano Carl Sagan. Uma jovem cientista identifica um sinal inteligente de rádio vindo do espaço e busca fazer contato, por meio de uma grande máquina. Dessa forma, ela faz uma curiosa viagem pelo Cosmo. Filme ainda atual que pode mobilizar interessante debate sobre ciência e fé. Mostra a busca da ciência por evidências ou provas. Direção: Robert Zemeckis. 1997, 150 min.

Sites

Programa paideia

Encontre dicas semanais para a observação do céu noturno. Disponível em: <http://programapaideia.wordpress.com/ceu-da-semana/>. Acesso em: 13 ago. 2012.

Sloan digital skysurvey

Grande site de pesquisas, com fotos e explorações em Astronomia. Disponível em: <http://cas.sdss.org/dr7/pt/tools/places/>. Acesso em: 10 ago. 2012.

Stellarium (em inglês)

No site, você pode ter acesso a um aplicativo que funciona como planetário de observação das estrelas. Disponível em: <www.stellarium.org>. Acesso em: 10 ago. 2012.

7º ano

333


Capítulo CIÊNCIAS

2

Alimentação e cultura

A

tubarão-branco e peixe

onça-pintada e capivara

pássaro e gafanhoto

jararaca e rato

coruja-branca e cobra

falcão e lebre

ratos e milharal

rato e gafanhoto

árvore

Fonte: Elaborado pelos autores, 2012. (Esquema sem escala, cores-fantasia.)

334

Ciências

Ilustração digital: Luis Moura

alimentação é uma necessidade de todos os seres vivos que habitam o planeta. Obter alimento é uma das tarefas essenciais para a manutenção da vida. Somente plantas, algas e algumas bactérias são capazes de produzir o seu próprio alimento e, por isso, são denominadas seres autótrofos ou autotróficos. Os animais, entre eles os seres humanos, são organismos heterótrofos ou heterotróficos, isto é, dependem dos outros seres vivos para se alimentar. Observe as figuras. Quais representam predadores com suas presas? Quais mostram organismos heterotróficos? Quais são os seres autotróficos?


RODA DE CONVERSA

Debata com seus colegas as questões a seguir: 1. Por que precisamos comer? Considere os aspectos biológicos e culturais da nossa alimentação. 2. O modo como comemos é parecido com o de outros animais ou é diferente? Dê exemplos. 3. E as plantas? Elas também se alimentam?

PRECISAMOS COMER! Comemos por questão de sobrevivência. Por meio dos alimentos, obtemos a energia e os materiais necessários para o funcionamento do organismo, para seu crescimento e desenvolvimento. O corpo humano − e o de outros animais − promove a todo instante a renovação das células do sangue e de outros tecidos. A menstruação, o suor, o esperma, as lágrimas, a saliva e os sucos digestivos também são produzidos periodicamente. Você sabe, por exemplo, que um osso quebrado se junta novamente porque é preenchido com células materiais produzidos pelo próprio corpo? Todo esse material fabricado pelo organismo vem de outros materiais que foram ingeridos e transformados. Além de ser fonte de materiais, os alimentos também fornecem a energia que gastamos a cada momento. Por exemplo, a temperatura do nosso corpo é mantida a 36,5 ºC porque liberamos energia térmica, o calor. A fome é um aviso do corpo de que precisamos consumir alimentos para renovar nossas energias. Alguns animais comem só vegetais, e são classificados como herbívoros. Outros se alimentam de carne; são os carnívoros. Nós, humanos, somos onívoros, isto é, como os macacos e os roedores, comemos vegetais e também carne. Contudo, diferentes fatores sociais influenciam os hábitos alimentares do ser humano. A cultura de comunidade tem grande influência nos hábitos das pessoas.

APLICAR CONHECIMENTOS I

1. O que os animais retiram do alimento?

2. Dê exemplos de animais herbívoros. 3. Por que o ser humano é considerado onívoro?

7º ano

335


CONHECER MAIS

Como sabemos que as plantas não se alimentam de solo? White Imagens/Scala Florence/Imageplus

Os sábios da Antiguidade acreditavam que as plantas obtinham seu alimento do solo e, ainda hoje, muitas pessoas acreditam nisso. Observamos que as plantas possuem raízes que buscam água no solo e, também, que é possível melhorar seu crescimento utilizando adubo ou estrume curtido. Esses procedimentos levam a crer que as plantas tiram seus alimentos exclusivamente do solo. Há mais de 400 anos, Jan Baptist van Helmont (1577-1644) colocou essa ideia à prova. Plantou uma árvore de crescimento rápido, um salgueiro, dentro de um vaso de barro. Cobriu perfeitamente bem a superfície do solo, deixando espaço apenas para regar a planta. Tomou a medida do peso do solo antes de plantar o salgueiro. Cinco anos se passaram, e o salgueiro tornou-se uma planta adulta. Helmont retirou-a do vaso e pesoua: 74 quilos. Ele verificou que a terra havia perdido apenas 57 gramas e concluiu que a planta não retira a matéria necessária para o seu crescimento apenas do solo.

Panella Coromina. Jan Baptist van Helmont, c. 1877. Litografia.

PARA REFLETIR

1. Releia o quadro “Conhecer mais” com a descrição do experimento feito por Jan Baptist van

Helmont com o salgueiro. A seguir foi feito um experimento semelhante. Complete o esquema usando estas legendas: • Peso final do solo: 89,9 kg

• Planta jovem: 2,5 kg

• Planta adulta: 76,1 kg Ilustração digital: Llinares

• Peso inicial do solo: 90,72 kg

Água

5 anos

336

Ciências

+

Fonte: Elaborado pelos autores, 2012. (Esquema sem escala, cores-fantasia.)


2. Responda: a) O que demonstrou o experimento de Van Helmont citado no quadro? b) Em suas conclusões, Van Helmont creditou o crescimento do salgueiro à água. Ele estava cer-

to? Você sabe de onde vem o material que faz a planta crescer? E como esse material é transformado pela planta? Registre suas hipóteses.

EXPERIMENTAR

Faça um experimento com o objetivo de observar a germinação de sementes em dois ambientes: um iluminado e outro escuro.

Material: • 2 potes pequenos com terra úmida; • feijões com boa aparência, bem lisos. Como fazer: Coloque três ou mais grãos de feijão levemente enterrados em cada um dos potes com terra úmida. Mantenha um dos potes perto da janela, e o outro em algum lugar escuro, dentro de um armário, por exemplo. Mantenha o solo úmido, não deixe de colocar água nos dois potes todos os dias, ou a cada dois dias, cuidando para não encharcar o solo. 1. O que você espera que aconteça com as sementes germinadas no claro? E com as que germinarão

no escuro? Registre sua hipótese. 2. Durante o crescimento das mudas, observe se todas as sementes germinam ao mesmo tempo. Anote

na tabela as transformações que você for observando. Transformações observadas

Data

Semente no claro

Semente no escuro

7º ano

337


3. Reflita sobre o experimento: a) A semente precisa de luz para germinar? Explique sua resposta. b) Quais partes dos vegetais recém-germinados são verdes: a raiz, o caule das plantas em cresci-

mento ou as folhas? c) Para você, qual a importância do verde para as plantas?

Se possível, depois que os vegetais estiverem crescidos, transporte-os para um vaso ou canteiro e continue regando-os. Se você acompanhar o seu crescimento, verá o surgimento de flores, frutos e novas sementes. Para o feijoeiro, esse tempo é de aproximadamente três meses.

Fernando Favoretto/Criar Imagem

A FOTOSSÍNTESE

Ao plantar feijão em ambiente iluminado e no escuro, você observou a diferença: o primeiro se torna verde; o segundo, não. A planta da semente germinada no escuro é mais alta, porém quase sem folhas e de cor branca. Diferentemente dos animais e dos fungos, as plantas fazem fotossíntese. Isso é possível porque a clorofila, um pigmento de cor verde, promove importantes transformações a partir da energia da luz solar. As plantas possuem clorofila. Outros seres vivos, como diversas Brotos de feijão germinando em pedaço de algodão, em ambiente iluminado. bactérias e algas, possuem alguns tipos de pigmentos que fazem o mesmo trabalho da fotossíntese: captar a energia solar e fabricar o alimento. Os materiais necessários para a produção de alimentos na fotossíntese são o gás carbônico do ar, a água e os sais minerais. As algas aquáticas retiram o gás carbônico e os sais minerais que estão misturados na água. As plantas terrestres obtêm esses materiais no solo e no ar que as rodeia. O alimento produzido pela fotossíntese é um tipo de açúcar, a glicose, que serve como base para a produção de muitas outras substâncias que compõem as plantas, por exemplo os óleos de certas sementes e o amido que se acumula em raízes. O amido é uma substância de reserva alimentar das plantas, presente em suas raízes e sementes. A glicose fabricada nas folhas é distribuída pela planta toda, até as raízes, servindo como fonte de matéria e energia. Água e oxigênio também são produtos da fotossíntese. Gás carbônico + água

(luz) clorofila

glicose + oxigênio + água

Assim, por meio da fotossíntese, a energia solar é capturada pelas plantas e algas. Na forma de alimento, a energia fica disponível inicialmente para esses seres vivos. Depois, essa energia é transferida para os organismos que se alimentam das 338

Ciências


plantas chamados herbívoros. Os carnívoros, por sua vez, ao se alimentarem de animais herbívoros, também adquirem a energia solar de forma indireta. Desse modo, a energia solar é a fonte de energia que abastece os mais diversos seres vivos, por meio da fotossíntese ou da alimentação.

APLICAR CONHECIMENTOS II

1. Retome as suas observações no experimento de germinação de feijões. Por que falta a cor verde

aos feijões cultivados no escuro? 2. As plantas podem fabricar diretamente o amido? De onde vem o amido? 3. Complete o esquema, escrevendo nas setas os nomes das substâncias que entram ou saem da plan-

Ilustração digital: Llinares

ta durante o processo da fotossíntese: luz, gás carbônico, oxigênio, água, sais minerais, glicose.

Fonte: Elaborado pelos autores, 2012. (Esquema sem escala, cores-fantasia.)

Considerando que a energia do Sol foi transformada em energia química nos alimentos, podemos representar a transferência dessa energia de um ser vivo para outro. Esse esquema é chamado de cadeia alimentar e nele podemos perceber que a direção das flechas indica o caminho percorrido pela energia de um grupo de seres vivos a outro. Observe o exemplo:

Ilustração digital: Luciano Tasso

CADEIA ALIMENTAR

Fonte: Elaborado pelos autores, 2012. (Esquema sem escala, cores-fantasia.)

7º ano

339


Peixes pequenos

Peixe tilápia

Ser humano

Ilustração digital: Luis Moura

A ilustração anterior mostra que as capivaras obtêm a energia de que precisam para viver comendo partes de vegetais, enquanto as onças obtêm sua energia alimentando-se das capivaras. Esse é um exemplo de cadeia alimentar do Pantanal, onde vivem capivaras e onças. O exemplo a seguir mostra uma cadeia alimentar que começa em uma represa, na qual tilápias comem peixes pequenos, que se alimentam de algas. O consumidor final da tilápia é o ser humano, que participa de inúmeras cadeias alimentares por meio do cultivo de vegetais, da criação de gado, de aves, de caprinos, de ovinos e da pesca.

Algas microscópicas Fonte: Elaborado pelos autores, 2012. (Esquema sem escala, cores-fantasia.)

Nos exemplos anteriores, foram mostradas as sequências que se baseiam na matéria viva ou orgânica. Contudo, como sabemos, todos os seres vivos têm um ciclo de vida e, ao morrer, a matéria orgânica passa a ser alimento de algumas espécies. São os comedores de detritos – baratas, moscas, ou mesmo animais maiores, como ratos e hienas. De modo geral, os fungos e as bactérias, organismos decompositores, completam as cadeias alimentares que envolvem a matéria morta.

APLICAR CONHECIMENTOS III

Um dos perigos do uso de mercúrio em região de garimpo é o acúmulo dessa substância na cadeia alimentar. Peixes pequenos se alimentam de algas e outros pequenos seres vivos que já absorveram o mercúrio. Contudo, os peixes predadores coletam mercúrio dos vários organismos dos quais se alimentam. Por isso, os peixes que devem ser evitados nas regiões de garimpo para impedir a intoxicação por mercúrio são: a) os herbívoros (tambaqui, jatuarana, pirapitinga, pacu), que se alimentam basicamente de sementes e de frutos; b) os detritívoros (bodó, jaraqui, curimatã, branquinha), que se alimentam de matéria orgânica em decomposição e microrganismos associados à lama do fundo de lagos e às margens de rios; c) os onívoros (aruanã, pirarara, cará, mandi, matrinchã, cuiucuiu), que consomem detritos provindos da mata alagada; d) os piscívoros (dourada, filhote, piranha, tucunaré, surubim, pescada e pintado) que se alimentam de outros peixes. 340

Ciências


LER IMAGEM I

1. Observe a ilustração. Nela estão uma mosca, uma aranha e um tico-tico. Que relações alimenta-

Ilustração digital: Luciano Tasso

res e de fluxo de energia as setas estão indicando? Sendo a mosca um organismo detritívoro, sua energia veio do Sol? Explique sua resposta.

2. Na natureza, as relações alimentares podem ser bem complexas. Examine a teia alimentar a seguir

e escreva algumas cadeias alimentares que são parte da teia.

19

9

20

21 22

10

11

13

14

18

8 12

15 16

17

5 4

6 2 1

3

7

Fonte: Elaborado pelos autores, 2012. (Esquema sem escala, cores-fantasia.)

1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. 15. 16. 17. 18. 19. 20. 21. 22.

plantas frutos sementes veado-campeiro tucano periquito pica-pau macaco onça-pintada peixes piranha tuiuiú colhereiro sucuri roedores sapo insetos coruja-do-campo capivara anta jacaré gavião

Ilustração digital: Luis Moura

Quais organismos estão no ápice dessa teia?

COMER E BEBER SÃO ATIVIDADES SOCIAIS E CULTURAIS Todos os seres vivos precisam de alimentos, mas, para os seres humanos, o ato de comer não se limita ao atendimento de necessidades orgânicas, nem é apenas uma resposta a um instinto de sobrevivência. Temos necessidade biológica de comer, mas escolhemos a comida por gosto, costume ou, até mesmo, pela influência de propagandas. Também comemos e bebemos para comemorar ocasiões especiais, pois a refeição é um importante momento de convivência familiar e social. As preferências alimentares e os costumes relacionados à alimentação são tão variados quanto as próprias pessoas, as culturas e os ambientes da Terra. E a culinária 7º ano

341


de cada lugar revela muito da história de seu povo, como se pode verificar pelo texto a seguir. Antes de lê-lo, troque ideias com seus colegas de turma para saber quais são seus pratos favoritos. Há semelhanças e diferenças nas preferências? As diferenças dependem da região na qual cada pessoa nasceu e cresceu ou do lugar de origem de suas famílias?

LER TEXTO

O que faz a cozinha de um país? Não é uma série de receitas compiladas num livro ou uma certa quantidade de alimentos que se convencionou chamar de “cozinha” de cada país. É preciso que exista uma população que coma aquela comida com frequência, que seja especialista em comê-la e cozinhá-la, que tenha prazer em comê-la e em conversar sobre ela. Reconhecem os ingredientes, sabem como foram preparados ou como deveriam ser, e tomam cuidados na compra e na feitura do prato. A cozinha pertence a uma comunidade, maior ou menor, e tem raízes. É o que se chama cozinha regional, em que as pessoas usam os mesmos métodos e receitas no cotidiano e nas festas. Essas diferenças regionais aparecem, é claro, por causa de diferenças ambientais, o frio e o calor, rios e mares, flora e fauna das regiões, influências várias, tanto externas quanto internas. Outros fatores são hábitos diferentes trazidos por imigrantes (sushi, pizza) e a introdução de comidas especiais com muito marketing (hambúrguer, cachorro-quente). [...] Neste imenso país que é o Brasil temos uma rica culinária regionalizada e é quase impossível generalizar sobre o assunto “comida” num território marcado por diferenças tão grandes. Um gaúcho acostumado ao seu charque pode jamais ter provado o tucupi da Amazônia. As frutas nativas são desconhecidas de uma região a outra. Um bebê urbano pode tomar suco de kiwi todos os dias e passar a vida sem provar um mingau de tapioca com açaí, sem ver um araçá, um cambucá, um sapoti, um jenipapo. Nossos colonizadores não descobriram aqui uma cozinha desenvolvida, e os impactos do ambiente e dos novos ingredientes logo se fizeram sentir. O português se junta ao índio e dois vértices culinários se encontram. As mandiocas, as frutas, as pimentas, a caça e a pesca vão se misturando com graça ao azeite de oliva, ao bacalhau seco, aos ensopados e à doçaria. Logo começam a chegar os escravos africanos a Salvador para as plantações de cana-de-açúcar. Imediatamente incorporamos o azeite de dendê, o coco, o camarão seco e muita coisa mais, formando o trio: aborígine, português e africano, que viria caracterizar nossas cozinhas. Cada região fez o que pôde com suas riquezas. No entanto, cortando o Brasil de norte a sul, impera um rio, um fluxo constante, a comidinha de todo dia, a básica, do almoço, do jantar, que varia numa gama muito limitada e que tem como reis o arroz e o feijão, estes, sim, nacionais. [...] E parece que assim chegamos ao novo século. Muita novidade, muito salmão, ovas jamais vistas, verduras nunca dantes sonhadas. Só que isso não caracteriza uma cozinha. Daqui a décadas poderão estar incorporados, aí então é outra conversa. Por enquanto, com uma cabeça de vantagem ganha o arroz com feijão, feijão, arroz, arroz com feijão... HORTA, Nina. Vamos comer: da viagem das merendeiras, crônicas e conversas. Brasília: Ministério da Educação; Secretaria de Educação Fundamental, 2002. p. 49-53.

342

Ciências


Maria do Carmo/ Folhapress

Edu Lyra/Pulsar Imagens

Ricardo Oliveira / Tyba

O texto de Nina Horta ressalta que existem diversas cozinhas regionais no Brasil, e as imagens apresentadas a seguir ilustram essa diversidade. Observe cada uma das cenas e responda às questões.

Arroz com pequi, prato típico da culinária goiana.

Tacacá, iguaria da região amazônica, que leva caldo de tucupi, camarão e jambu.

Walmir Monteiro/FormatoDigital/SambaPhoto

À frente, prato de feijão tropeiro, comida típica mineira.

Fernando Favoretto/Criar Imagem

Ensopado de berbigão, prato típico de Florianópolis (SC).

Acarajé, comida típica baiana.

1. Os alimentos apresentados nas imagens são comuns em estados brasileiros de quais regiões do país?

2. Como é possível explicar essas grandes diferenças regionais nos hábitos alimentares?

3. Na cidade onde você vive, quais elementos (do ambiente, da história e da cultura regional) você

considera importantes para a formação dos hábitos alimentares?

7º ano

343


A CULINÁRIA AO REDOR DO MUNDO Uma viagem pelo mundo permitiria escrever a história da culinária de todos os países, e cada história apresentaria aspectos diferentes uma da outra. Por exemplo, como são os hábitos e as preferências alimentares dos esquimós? Quais são os alimentos encontrados em seu ambiente? Nenhuma população do mundo consome tanta gordura (proveniente especialmente de focas e peixes) como os esquimós. Esse hábito alimentar tem relação com a necessidade de eles se protegerem do frio e com os alimentos disponíveis no meio em que vivem. Assim, cada povo acumula conhecimentos sobre as formas de escolher, preparar e servir os alimentos, transmitindo esse saber de geração a geração.

LER IMAGENS II

Greg Elms/Getty Images

Examine as fotos a seguir e escreva um comentário sobre os hábitos alimentares das culturas retratadas. Se possível, para enriquecer seu comentário, pesquise na biblioteca ou na internet os pratos típicos apresentados. Que relação existe entre os ingredientes e a cultura retratada? Como esse prato é servido? As imagens trazem alguma característica cultural desses povos?

Picture Contact BV/Alamy/Other Images

Casais degustam um prato indiano muito popular, frango tikka masala, em Amritsar, Índia.

Pessoas degustam uma paella, prato típico da culinária espanhola, na província de Granada, Espanha, 2010.

344

Ciências


Phil Hill/Alamy/Other Images

Família comendo sukiyaki, prato japonês preparado à mesa, conforme vai sendo degustado. Japão, 2010.

A ALIMENTAÇÃO NO SÉCULO XXI

Corbis/Latinstock

Diversos fatores estão contribuindo para a ocorrência de profundas transformações nas práticas alimentares da maioria das pessoas. Uma grande ampliação nos sistemas de comunicação e de transporte fez com que muitas informações, muitos produtos e costumes fossem compartilhados entre pessoas de vários lugares. Além disso, diversos alimentos são consumidos em locais muito distantes de onde foram produzidos. Com isso, alimentos que antes eram característicos de apenas um povo, hoje podem ser apreciados em escala global. A propaganda de incentivo ao consumo de alimentos industrializados também contribui de maneira decisiva para a mudança dos hábitos alimentares. Poderosas multinacionais comercializam seus produtos no mundo todo, ampliando a tendência à padronização dos hábitos alimentares, em escala global. Alguns aspectos importantes desse padrão alimentar contemporâneo são o aumento exacerbado do consumo de refrigerantes, produtos industrializados e alimentos de origem animal. Por exemplo, o chamado fast-food (refeição rápida) é um fenômeno importante na mudança dos hábitos de consumo em todo o mundo. Um dos resultados dessa tendência é o número cada vez maior de pessoas com problemas de saúde relacionados ao consumo excessivo de alimentos que engordam, gerando, portanto, um Dave Cutler. Homem de negócios desinflando. Ilustração digital. A imagem aumento significativo das doenças relarepresenta o excesso de consumo de alimentos que só engordam e não trazem benefícios para o bom funcionamento do organismo. cionadas à obesidade.

7º ano

345


Mustafa Quraishi/Ap Photo/Imageplus

Ao mesmo tempo, muitos seres humanos continuam sem acesso a alimentos necessários à sua sobrevivência. A falta de uma boa alimentação ainda é a causa básica de milhões de mortes de crianças em todo o mundo. Muitos afirmam que a causa da fome é o excesso de população ou a falta de terras férteis em algumas regiões do país e do mundo. Entretanto, a humanidade acumulou conhecimentos e tecnologia suficientes para produzir alimentos de qualidade e em quantidade suficiente para alimentar todos os habitantes do planeta. A fome é o resultado da distribuição desigual de riquezas, entre países, regiões e cidadãos. É possível alimentar dignamente todas as pessoas da Terra, preservando o ambiente para que as gerações futuras também possam viver e se alimentar. Desse modo, poderemos continuar reinventando, a cada dia, as “cozinhas” de todos os povos. Para isso, falta, como gostam de dizer os economistas, “dividir o bolo”.

Crianças alimentando-se com restos de comida encontrados na rua, em Nova Délhi, Índia, 2009.

MOMENTO DA ESCRITA

Escreva um texto comentando a desigualdade de acesso aos alimentos, problema que ainda existe nos dias atuais.

Algumas pessoas procuram compensar sua alimentação precária ou seu gasto de energia em atividades esportivas com o consumo de vitaminas e suplementos alimentares. Esse consumo levou ao surgimento de novos produtos, atraentes e muitas vezes caros, mas que não trazem benefícios para a maioria das pessoas. O incentivo ao consumo de suplementos alimentares vem sendo acompanhado pelo uso de outros produtos, como os anabolizantes. Eles não são vitaminas: são drogas à base de hormônios que ajudam a aumentar os músculos do corpo. Seu uso indiscriminado com fins estéticos é perigoso, pois pode trazer graves danos à saúde.

I Mostra de Humor em Vigilância Sanitária.

SURGEM NOVAS MERCADORIAS: COMPLEMENTOS E SUPLEMENTOS ALIMENTARES

Charge de Biratan apresentada na I Mostra de Humor em Vigilância Sanitária, 2006. Ela satiriza o uso, em humanos, de anabolizantes destinados a animais. Essa prática tornou-se frequente entre pessoas que desejam aumentar o volume dos músculos e a força física. Fonte: I Mostra de Humor em Vigilância Sanitária. Anabolizantes. Disponível em: <www.ccs.aude.gov.br/visa/ humordown.html. Acesso em: 8 fev. 2013.

346

Ciências


O QUE É DIETA Quando ouvimos alguém dizer que está “fazendo uma dieta”, pensamos logo em algum tipo de controle alimentar para perder peso. Fazemos essa associação por causa das revistas, da televisão e de outros meios de comunicação que sugerem muitas dietas milagrosas para emagrecer e promovem um modelo ideal de beleza, sugerindo que todos nós deveríamos tentar alcançá-lo. O ideal divulgado pela mídia é de um corpo magro e musculoso, como o de alguns esportistas, artistas ou modelos. O problema é que pouquíssimas pessoas têm esse corpo “ideal”, vendido pela propaganda. Consequentemente, a maioria das pessoas vive insatisfeita com o próprio corpo, em uma busca inútil por um visual que não corresponde à sua estrutura física. Para que não haja confusão, vamos distinguir os dois significados de dieta: • conjunto dos alimentos que comemos e bebemos regularmente e que compõem nossas refeições habituais; • alimentação especial, planejada com alguma finalidade: emagrecer, engordar, controlar a pressão arterial (para prevenir doenças do coração), controlar o nível de açúcar no sangue (para evitar os problemas causados pelo diabetes) etc.

UMA DIETA PARA CADA PESSOA Não é possível estabelecer uma única dieta saudável, ideal e universal. Para isso, seria preciso abolir as preferências pessoais e as influências da cultura e do ambiente na formação dos hábitos alimentares. Outra razão para valorizar as diferenças é que as necessidades alimentares variam de acordo com muitos fatores individuais: a idade, o tipo de atividade que a pessoa faz, o ritmo de funcionamento de seu organismo e a sua saúde. Assim, as dietas têm de ser adaptadas a cada um, em cada momento de sua vida. Um indivíduo pode fazer uma dieta especial por alguns dias porque está com diarreia ou pode fazer uma dieta especial durante toda a vida porque tem diabetes. Combinando os costumes e os alimentos disponíveis em cada lugar, é possível criar inúmeras dietas. Em todas elas, é importante considerar a quantidade e a qualidade dos alimentos, a sua combinação e a higiene na sua preparação. As necessidades alimentares dos seres humanos dependem de características pessoais: idade, sexo, fase da vida e tipo de atividade física que costumam realizar.

A DIETA MUDA COM A IDADE As necessidades nutricionais mudam conforme as fases de crescimento e desenvolvimento pelas quais a pessoa passa. Nos períodos de crescimento rápido, como a infância e a adolescência, é necessário ingerir muitos alimentos que contribuam para a formação das novas células do organismo. Já os idosos precisam de uma quantidade menor de alimentos em relação ao que consumiam em outras

7º ano

347


fases da vida, pois o funcionamento de seus órgãos é mais lento e, geralmente, eles diminuem a intensidade de suas atividades físicas.

ALEITAMENTO MATERNO: NUTRIÇÃO IDEAL PARA O RECÉM-NASCIDO

Petrenko Andriy/Shutterstock

Para os recém-nascidos, nenhum alimento é melhor que o leite materno. No entanto, há algumas décadas, o uso do leite em pó foi muito difundido, porque levava as crianças a engordarem e crescerem mais rápido, além de “liberar” as mães da amamentação. O leite de vaca e outros alimentos foram introduzidos cada vez mais cedo na vida dos bebês; os mais gordos eram considerados os mais saudáveis. Com o passar do tempo, observou-se que as crianças mais gordas no primeiro ano de vida tinham mais chances de se tornarem adultos obesos, e isso se transformou em importante problema de saúde pública. Também foi possível verificar que os recém-nascidos alimentados exclusivamente com leite materno desenvolviam mais resistência às infecções e tinham menos diarreias, dores de ouvido e outros problemas de saúde. Hoje está comprovado que, por meio do leite materno, a mãe transfere para a criança suas defesas contra as doenças infecciosas. Ao mesmo tempo, a criança corre menos risco de ter problemas ocasionados pela falta de higiene na preparação da mamadeira, por exemplo, diarreias e desidratação. Além disso, o contato físico e afetivo que ocorre entre a mãe e o bebê durante a amamentação é positivo para ambos. Só não se recomenda o aleitamento materno quando a mãe é portadora do vírus da aids ou de outras doenças que podem ser transmitidas pelo leite. Com algumas raras exceções, o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade é considerado ideal, pois, nesse período, os outros alimentos não fazem falta ao desenvolvimento da O aleitamento materno facilita o vínculo afetivo entre a mãe e a criança, podendo até prejudicá-la.

criança e ajuda a prevenir a desnutrição e as doenças infecciosas.

APLICAR CONHECIMENTOS IV

Transcrevemos três diferentes sentidos que a palavra dieta pode ter, segundo o Dicionário Houaiss da língua portuguesa. I. Cota habitual de alimentos sólidos e líquidos que uma pessoa ingere. II. Abstenção, com fins terapêuticos, de certos ou de todos os alimentos. III. Predominância, na nutrição, de determinado tipo de alimento. Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa 3.0. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.

Qual dos sentidos descritos acima seria o mais adequado para as situações seguintes? a) Dieta de uma pessoa vegetariana; b) Restrição no consumo de carboidratos para o controle do diabetes; c) Hábito alimentar. 348

Ciências


PARA CRIAR

Elabore um pequeno livro de receitas especiais, reunindo pratos típicos de lugares diferentes: outras cidades, outros estados ou outros países. Para isso, faça entrevistas com pessoas de sua família, vizinhos, amigos, colegas da escola ou do trabalho. Peça a essas pessoas que descrevam uma comida típica de seu lugar de origem, do dia a dia ou de ocasiões festivas. Providencie a receita escrita ou peça ao entrevistado que a dite para você. Caso o entrevistado tenha dúvidas em relação ao preparo, anote o que ele souber e tente descobrir ou confirmar o restante. Anote as receitas em seu caderno, bem como seu lugar de origem e a ocasião em que cada prato é (ou era) servido. Depois, troque suas receitas com os outros colegas. APLICAR CONHECIMENTOS V

1. Responda às questões para resumir o processo de fotossíntese. a) Que materiais são utilizados na fotossíntese?

b) Qual energia é utilizada durante a fotossíntese?

c) Que materiais são produzidos na fotossíntese?

d) O que é clorofila?

2. As sementes das plantas trazem uma reserva de alimento, que nós aproveitamos quando as come-

mos. É o caso do feijão, por exemplo. a) Qual é a função dessa reserva de alimentos da semente? Qual é a sua duração?

7º ano

349


b) Como foi produzida a reserva de alimentos da semente?

3. Leia os textos a seguir e represente a cadeia alimentar correspondente. a) Nos rios da floresta Amazônica encontramos peixes herbívoros que se alimentam de frutos

de árvores que caem nas águas. Muitos desses peixes servem de alimento para outro peixe, chamado piranha, que é carnívoro. As piranhas também têm seu predador, o jacaré. b) Os campos cerrados são habitados por tamanduás, que, com suas línguas compridas, podem

comer centenas de cupins ao mesmo tempo. Cupins alimentam-se de restos de vegetais armazenados por eles nos cupinzeiros, construções feitas com barro, encontradas em grande número no Cerrado do Brasil central. c) As baleias jubartes são notáveis por seu tamanho e pelas “escovas” que possuem na boca, com

as quais filtram animais e algas microscópicas da água do mar, para sua alimentação. 4. Considere uma pessoa que almoçou um bife. Como é a cadeia alimentar que a relaciona ao ali-

mento consumido nessa refeição? 5. Podemos dizer que a energia presente nas cadeias alimentares do planeta vem do Sol? Por quê?

PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS

Livro

Guia alimentar

Este guia, em sua versão de bolso, começa com um questionário no qual a pessoa pode avaliar como está a sua alimentação e apresenta informações práticas e dicas para a composição de uma dieta saudável. Muitos outros materiais para consulta podem ser encontrados no portal do Ministério da Saúde e no site da Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), inclusive programas de rádio com dicas sobre o consumo e a preparação de alimentos. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Coordenação-geral da Política de Alimentação e Nutrição. Guia alimentar: promovendo a alimentação saudável. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. Disponível em: <http://189.28.128.100/nutricao/docs/geral/guia_alimentar_bolso.pdf>. Acesso em: 31 ago. 2012.

Filme

Estômago

Raimundo Nonato, o protagonista, descobre um caminho à parte: ele cozinha. É nas cozinhas de um boteco, de um restaurante italiano e de uma prisão que Nonato vive sua intrigante história. Também aprende as regras da sociedade dos que devoram ou são devorados. Direção: Marcos Jorge. Itália/Brasil, 2008, 112 min.

350

Ciências


Capítulo CIÊNCIAS

3

Nutrição e funcionamento do sistema digestório

A

Rubens Chaves/Pulsar Imagens

nutrição é o processo por meio do qual os seres vivos obtêm, transformam e utilizam as substâncias provenientes da alimentação. É importante observar que a nutrição também inclui a eliminação dos resíduos produzidos nas transformações que acontecem no organismo. A nutrição do nosso organismo, portanto, depende do conjunto de alimentos que ingerimos em nosso dia a dia, isto é, de nossa dieta. Quando você vai à feira ou ao supermercado, como você decide que alimentos vai comprar? E que critérios que você usa para definir sua dieta?

Feira livre do bairro da Gávea, na zona sul do Rio de Janeiro (RJ), 2012.

RODA DE CONVERSA

Debata com seus colegas as questões a seguir: • Qual é a melhor dieta para você? • Quais são os alimentos mais comuns na sua dieta? E nas dietas dos demais colegas da turma? Anote as ideias principais dessa conversa. 7º ano

351


CALORIAS: CONSTANTE PREOCUPAÇÃO Uma das principais dificuldades encontradas hoje pelos brasileiros (e também por boa parte das pessoas que vivem em outros países) é escolher alimentos que forneçam a quantidade de energia adequada à realização das atividades do dia a dia. As calorias dos alimentos são nossa fonte de energia, mas, quando consumidas em excesso, acumulam-se no corpo na forma de gordura, gerando a obesidade. CONHECER MAIS

O que são calorias Caloria, ou quilocaloria (kcal), é uma unidade de medida, assim como o metro, o litro, o quilo etc. A caloria mede a energia que pode se apresentar na forma de calor. Uma caloria é a quantidade de energia − na forma de calor − necessária para aumentar a temperatura de um litro de água de 14,5 ºC para 15,5 ºC. Quando dizemos que os doces são “muito calóricos”, estamos dizendo que eles, depois de digeridos e aproveitados pelo nosso organismo, liberam muita energia. Caloria é, portanto, a unidade de medida da energia encontrada nos alimentos, usada também para medir a energia gasta pelo corpo humano em suas atividades.

O consumo de energia necessário para manutenção da saúde e da boa nutrição varia de acordo com muitos fatores, entre eles, o sexo, a idade e a prática de atividades físicas. O parâmetro geral para a população adulta é a ingestão média diária de 2 mil calorias. Já um atleta ou um trabalhador braçal pode chegar a consumir até 6 mil calorias de energia por dia. O balanço energético é o “saldo” obtido a partir do total de energia ingerida com os alimentos subtraindo-se o total de energia gasta pelo organismo em suas atividades diárias. Portanto, as pessoas em equilíbrio energético não ganham nem perdem peso.

CALCULE O SEU ÍNDICE DE MASSA CORPORAL (IMC) Você acredita que a quantidade de calorias que consome habitualmente está de acordo com o seu gasto energético? O cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) é um dos recursos para avaliar o balanço energético de sua dieta. Para calcular o IMC de cada pessoa, é preciso obter seu peso e sua altura, e efetuar alguns cálculos para comparar o resultado obtido a um padrão geral. A tabela padrão deve ser tomada apenas como um indicador e não como um diagnóstico. Características pessoais (idade, sexo, constituição, atividades físicas habituais, herança genética etc.) devem ser levadas em conta para que se possam tirar conclusões. Obtém-se o IMC dividindo o peso da pessoa pelo quadrado da altura. Multiplique sua altura por sua altura. Se você mede 1,60 m, multiplique 1,60 m por 1,60 m. O resultado é 2,56 m² peso Divida seu peso pelo valor que obteve no item 1. Se você pesa 62 quilos, divida 62 por 2,56. O resultado é 24,21. Seu IMC é 24,21 kg/m²

352

Ciências

IMC = altura × altura


IMC

Interpretação

Menos de 20

Magro

20-24

Normal

25-29

Acima do peso

30-34

Obeso

Acima de 34

Muito obeso

Barbara Reddoch/Dreamstime.com

Para avaliar o IMC, consulte o quadro a seguir.

A balança usada em serviços de saúde geralmente mede a altura e o peso.

Fonte: Núcleo de Informática Biomédica – Unicamp, 2012.

EXPERIMENTAR

Alimentos gordurosos são muito calóricos e facilmente entram em combustão. Quem nunca viu uma frigideira com óleo em chamas por descuido do cozinheiro? De forma segura, faça um amendoim ou uma castanha-do-pará entrar em combustão. Espete a semente em um palito de churrasco ou garfo com cabo de madeira. Aqueça a semente cuidadosamente até pegar fogo. Você pode tentar fazer o mesmo com um grão de feijão ou um fio de macarrão que se transformarão em carvão, sem liberar calorias suficientes para levantar uma chama.

ECSantos

O QUE QUEIMA MAIS FÁCIL: GRÃO DE FEIJÃO OU DE AMENDOIM?

Por que o óleo e a castanha-do-pará pegam fogo? Pense em outro modo de formular a questão título do experimento: “O que queima mais fácil: grão de feijão ou de amendoim?”. Leve em conta as calorias dos alimentos.

Castanha-do-pará em chamas.

PARA REFLETIR

Para calcular a quantidade de energia adequada em uma dieta, é preciso considerar tanto as calorias contidas nos alimentos ingeridos como o gasto de calorias em atividades realizadas habitualmente. Comece a observar a quantidade de calorias dos alimentos que você consome, verificando as informações das embalagens. Você costuma consultar as informações nutricionais apresentadas nos rótulos dos alimentos? Converse com seus colegas sobre o assunto. 7º ano

353


LER DOCUMENTO

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é o órgão responsável pela regulação da rotulagem de alimentos. Cabe a esse órgão estabelecer as informações ao consumidor que todo rótulo deve conter. O Manual de orientação aos consumidores elaborado pela Anvisa busca estimular as pessoas a lerem e entenderem as informações veiculadas nos rótulos dos alimentos. Consulte o quadro, extraído desse Manual, e procure as informações necessárias para responder às questões que virão a seguir.

Porção É a quantidade média do alimento que deve ser usualmente consumida por pessoas sadias a cada vez que o alimento é consumido, promovendo a alimentação saudável.

Medida caseira Indica a medida normalmente utilizada pelo consumidor para medir alimentos. Por exemplo: fatias, unidades, pote, xícaras, copos, colheres de sopa.

INFORMAÇÃO NUTRICIONAL Porção ____ g ou ml (medida caseira) Quantidade por porção % VD (*) Valor energético __ kcal = __ kJ Carboidratos g Proteínas g Gorduras totais g Gorduras saturadas g Gorduras trans g Fibra alimentar g Sódio mg (*) % Valores diários, com base numa dieta de 2 000 kcal ou 8 400 kJ. Seus valores diários podem ser maiores ou menores, dependendo de suas necessidades energéticas

A apresentação da medida caseira é obrigatória. Esta informação vai ajudar você, consumidor, a entender as informações nutricionais.

Modelo de rótulo de alimento, que mostra as informações nutricionais obrigatórias.

% VD Porcentagem de valores diários (%VD) é um número percentual que indica quanto o produto em questão apresenta de energia e nutrientes em relação a uma dieta de 2 000 calorias.

Cada nutriente apresenta um valor diferente para se calcular o VD. Veja os valores diários de referências: Valor energético – 2 000 kcal/8 400 kJ Carboidratos – 300 g Proteínas – 75 g Gorduras Totais – 55 g Gorduras saturadas – 22 g Fibra alimentar – 25 g Sódio – 2 400 mg Não há valor diário para as gorduras trans.

Fonte: Manual de orientação aos consumidores. Brasília: Ministério da Saúde, Anvisa, UnB, 2005, p. 9. Disponível em: <www.anvisa.gov.br/alimentos/rotulos/manual_consumidor.pdf>. Acesso em: 13 fev. 2013.

Qual é a finalidade do Manual de orientação aos consumidores? Que órgão público é responsável pela regulação da rotulagem dos alimentos no Brasil? Quais são os nomes das famílias de nutrientes citados no rótulo? Quais são os tipos de gordura existentes nos alimentos? A qual família de nutrientes pertence o sódio? Responda com uma hipótese. Em que medidas são expressas as calorias contidas no alimento? E as medidas dos nutrientes, quais são? Por que a unidade de medida de sódio é apenas um milésimo da medida dos demais nutrientes? A medida caseira é importante nos rótulos de alimentos? Justifique sua resposta. 354

Ciências


LER TABELAS NUTRICIONAIS

Como você já pôde perceber, cada alimento contém diversos tipos de nutrientes. Por exemplo, o fígado, o feijão e o pão integral contêm proteínas e, ao mesmo tempo, são boas fontes de energia e de vitamina B. Compare os rótulos dos alimentos apresentados a seguir e responda às questões. Feijão Informação nutricional Porção de 60 g ( 12 xícara)

Quantidade por porção

% VD (*)

Valor energético

202 kcal/848 kJ

10

Carboidratos

37 g

12

Proteínas

14 g

19

Gorduras totais

0,6 g

1

Gorduras saturadas

0g

**

Gorduras trans

0g

0

Fibra alimentar

11 g

44

Sódio

7,2 mg

0

(*) Valores diários de referência com base em uma dieta de 2 000 kcal ou 8 400 kJ. Seus valores diários podem ser maiores ou menores dependendo de suas necessidades energéticas. (**)Valores de referência não estabelecidos.

Fubá Informação nutricional Porção de 50 g ( 12 xícara)

Quantidade por porção

% VD (*)

Valor energético

180 kcal/756 kJ

9

Carboidratos

38 g

13

Proteínas

4,0 g

5

Gorduras totais

1,0 g

2

Gorduras saturadas

0

0

Gorduras trans

0

**

Fibra alimentar

1,0 g

4

Sódio

0

0

Ferro

2,1 mg

15

Ácido fólico

75 µg

18

(*) Valores diários de referência com base em uma dieta de 2 000 kcal ou 8 400 kJ. Seus valores diários podem ser maiores ou menores dependendo de suas necessidades energéticas. (**) Valores de referência não estabelecidos.

7º ano

355


Biscoito recheado I nformação nutricional Porção de 30 g ( 3 bi scoitos)

Quantidade por porção

% VD (*)

Valor energético

141 kcal / 592 kJ

7

Carboidratos

21 g

7

Proteínas

2,0 g

3

Gorduras totais

5,7 g

10

Gorduras saturadas

2,8 g

12

Gorduras trans

Não contém

**

Gorduras monoinsaturadas

1,8 g

**

Gorduras poli-insaturadas

0g

**

Colesterol

0 mg

0

Fibra alimentar

0,7 g

3

Sódio

88 mg

4 Fonte das tabelas: Elaboradas pelos autores, 2012.

(*) Valores diários de referência com base em uma dieta de 2 000 kcal ou 8 400 kJ. Seus valores diários podem ser maiores ou menores dependendo de suas necessidades energéticas. (**) Valores de referência não estabelecidos.

Qual ou quais desses alimentos são boas fontes de proteínas?

Qual deles contém a maior quantidade de calorias em cada porção? Algum deles fornece todos os nutrientes necessários para o bom funcionamento do organismo?

Qual deles deve ser evitado para prevenir a obesidade?

PESQUISAR

Vamos juntar, ler e comparar rótulos de alimentos? Traga para a escola alguns rótulos retirados dos alimentos que consome em casa. Com seus colegas, compare a composição nutricional dos alimentos, consultando os rótulos reunidos pela turma. Há muita variação na quantidade de calorias? Agrupem os rótulos de diferentes formas: conforme a quantidade de calorias, de proteínas e de gorduras. O que vocês podem concluir a respeito das diferenças e semelhanças encontradas? Registre as conclusões obtidas na pesquisa. Elas serão úteis para as próximas atividades que você vai realizar. 356

Ciências


TIPOS DE NUTRIENTE Observando as tabelas de informação nutricional dos rótulos, podemos verificar que cada um dos alimentos que ingerimos – arroz, feijão, carne, verduras etc. – é formado por diversas substâncias. Um alimento pode conter minerais, carboidratos, gorduras, proteínas, vitaminas e uma quantidade variável de água. Todas essas famílias de substâncias, chamadas de nutrientes, são indispensáveis ao bom funcionamento do organismo humano. Por isso, um critério importante para escolher e combinar os alimentos que fazem parte da nossa dieta é o seu valor nutricional. Conhecendo os principais nutrientes que cada alimento oferece e a quantidade de cada nutriente presente nesse alimento, podemos saber se ele contribui, ou não, para o nosso bem-estar e a nossa saúde.

CARBOIDRATOS (GLICÍDIOS) Os carboidratos são os principais nutrientes que fornecem energia para o funcionamento do organismo. Usamos essa energia para andar, trabalhar, estudar e até para descansar. Mesmo quando dormimos, continuamos a respirar, o coração continua a bombear sangue, o sistema nervoso continua ativo e o sistema digestório mantém ativas algumas de suas funções. De fato, quase todos os alimentos possuem carboidratos, mas eles diferem na quantidade e no tipo. Os carboidratos são subdivididos em carboidratos simples (açúcares simples ou livres), carboidratos complexos (amidos) e fibras alimentares. Os carboidratos simples (açúcares simples) são fontes apenas de energia. São mais facilmente quebrados no processo digestivo e, por isso, fornecem energia imediata. Eles podem ser encontrados em grandes quantidades nas frutas, no mel, no açúcar e em todos os doces. Os doces e açúcares devem compor a alimentação em quantidades bem reduzidas, porque o seu consumo excessivo está relacionado à obesidade e a outras doenças crônicas não transmissíveis, além das cáries dentais. Os carboidratos complexos são mais lentamente digeridos e devem fazer parte de todas as nossas refeições. Os alimentos com alta concentração desse tipo de carboidratos são grãos (arroz, milho, trigo), pães, massas (macarrão, pães), tubérculos (como as batatas e o inhame) e raízes (como a mandioca). As fibras alimentares correspondem às partes dos alimentos vegetais que resistem à digestão, mas desempenham um papel importante porque reduzem o tempo que o alimento leva para ser digerido e eliminado, prevenindo a constipação, também conhecida como prisão de ventre ou intestino preso. As principais fontes de fibras são os vegetais como grãos, tubérculos e raízes, além de frutas, legumes e verduras. Nenhum alimento de origem animal contém fibra alimentar.

7º ano

357


LIPÍDIOS (GORDURAS) As gorduras e os óleos são produtos de alta concentração energética: fornecem 900 kcal em cada 100 g de alimento. Além da energia, os lipídios transportam as vitaminas A e D. As carnes gordurosas, o toucinho, a manteiga e as sementes, como amendoim, soja e castanhas são exemplos de alimentos ricos em lipídios. As gorduras são distintas em suas propriedades físicas e químicas. É com base nessas características que se classificam as gorduras em saturadas e insaturadas. As principais fontes de gorduras saturadas são os alimentos de origem animal. Essas gorduras são prejudiciais à saúde, pois o consumo de grandes quantidades de carnes, derivados de carne e de leite e laticínios integrais é uma causa importante das doenças cardíacas. É recomendável que o total de energia da alimentação fornecido pelas gorduras saturadas seja menor do que 10%. As gorduras insaturadas dividem-se em dois tipos: monoinsaturadas e poli-insaturadas. Elas estão naturalmente presentes nos óleos vegetais e devem compor a alimentação em todas as fases da vida em quantidades moderadas. Contêm ácidos graxos essenciais e as vitaminas A, D, E e K, que não podem ser produzidos pelo organismo humano, devendo ser fornecidos pela alimentação. Elas não causam problemas de saúde, exceto quando consumidas em grande quantidade. Os ácidos graxos monoinsaturados podem ser encontrados no azeite de oliva, óleos vegetais (girassol, canola e arroz), azeitona, abacate e oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas). As principais fontes de ácidos graxos poli-insaturados são os óleos vegetais (óleos de algodão, milho, soja, girassol e de linhaça) e óleo de peixe. Os peixes em geral também são ricos em ácidos graxos poli-insaturados. Os ácidos graxos trans são um tipo de gordura obtido principalmente do processo de industrialização de alimentos, com a hidrogenação de óleos vegetais. Esse tipo de gordura é tão ou mais prejudicial à saúde que as gorduras saturadas. CONHECER MAIS

Colesterol O colesterol é uma gordura que está presente em alimentos de origem animal e também é produzida pelo fígado. O organismo é capaz de sintetizar o suficiente para cobrir as necessidades metabólicas e, por isso, não há necessidade de consumo de colesterol na alimentação. O colesterol presente no sangue pode ser classificado em vários tipos, de acordo com suas funções e propriedades. Os dois tipos mais importantes são o HDL e o LDL. O HDL é responsável pelo transporte do colesterol dos diferentes tecidos do corpo para o fígado, frequentemente associado a um menor risco de doenças cardíacas.

358

Ciências

O LDL é responsável pelo transporte do colesterol nos diferentes tecidos orgânicos. Ele atua sobre as paredes internas dos vasos sanguíneos, favorecendo a formação de depósitos de gordura nas paredes das artérias, levando ao seu estreitamento, o que prejudica o fluxo sanguíneo. Por isso, o LDL é considerado como o colesterol mau e está associado ao aumento do risco de doenças cardíacas. Esses dois tipos de colesterol são encontrados apenas no sangue e não nos alimentos. A atividade física e a alimentação com baixos níveis de gordura saturada e colesterol favorece a redução no LDL circulante. A atividade física também eleva a quantidade de HDL circulante.


PROTEÍNAS As proteínas são os principais componentes da estrutura e do funcionamento das células. Elas são usadas na construção, na renovação e na manutenção dos tecidos e do sangue, no crescimento e no aumento da resistência do organismo a infecções. As carnes e as leguminosas (feijão, soja, ervilha, lentilha, grão-de-bico), leite e derivados (iogurte, requeijão, queijo, coalhada) são as principais fontes de proteínas em nossa dieta. O leite e seus derivados também são boas fontes de proteínas e vitaminas, além de constituírem a principal fonte de cálcio da alimentação, nutriente fundamental para a formação e a manutenção da massa óssea.

VITAMINAS E MINERAIS Vitaminas e minerais são indispensáveis para o bom funcionamento do organismo, embora sejam necessários em quantidades muito pequenas. Esse é o motivo pelo qual são chamados de micronutrientes. Observe no rótulo dos alimentos que as quantidades de vitaminas e sais minerais sempre são muito inferiores aos demais nutrientes. As frutas, os legumes e as verduras são ricos em potássio, cuja necessidade aumenta proporcionalmente em relação à quantidade de sódio na alimentação. Os minerais – como ferro, cálcio, sódio, iodo e zinco – podem ser encontrados na água e na maioria dos alimentos. No organismo, as mais variadas transformações, que acontecem sem cessar, necessitam de diversos minerais e vitaminas. O cálcio, por exemplo, é um micronutriente importante para a manutenção e o crescimento de ossos e dentes e pode ser encontrado em maior quantidade no leite, em queijos, iogurtes, brócolis, peixes e nozes. O ferro é outro micronutriente muito importante na formação das células vermelhas do sangue, cujo papel é transportar oxigênio dos pulmões para todo o corpo. O oxigênio participa do processo de liberação da energia dos alimentos. Portanto, se há deficiência de ferro na alimentação, a pessoa fica sem energia − que é um dos sintomas de um tipo de anemia. Embora em pequenas quantidades, as vitaminas precisam estar sempre presentes nos alimentos que consumimos, pois o organismo precisa delas para funcionar e ele não consegue sintetizá-las. As vitaminas A e D são solúveis em óleo (lipossolúveis), presentes na gema do ovo, no leite, nas castanhas e outros alimentos gordurosos. Vitaminas hidrossolúveis (complexo B, C e outras) são encontradas em vegetais folhosos, legumes e frutas. Sódio e potássio participam da transmissão de mensagens nos nervos e músculos. O cloro faz parte da digestão das proteínas no estômago. O magnésio é parte essencial da substância vegetal, a clorofila; no corpo humano, participa do processo de liberação da energia para as células.

7º ano

359


APLICAR CONHECIMENTOS I

Faça um resumo sobre os macronutrientes: proteínas, carboidratos e gorduras ou lipídeos, de acordo com o modelo de tabela a seguir. Principal função

Principais alimentos/fontes

Tipos

Carboidratos

Proteínas

Gorduras

Em quais tipos de alimentos as vitaminas e os minerais são encontrados em abundância? Por que esses nutrientes são fundamentais na alimentação?

AS VITAMINAS E SUAS FUNÇÕES NO ORGANISMO Uma refeição “colorida” tem mais chances de oferecer diversas vitaminas. Por isso, a variedade de cores dos alimentos é um recurso muito utilizado para ajudar a compor dietas ricas em vitaminas. A descoberta de cada uma das vitaminas está associada a alguma história curiosa. Na maioria dos casos, essas descobertas resultaram da observação dos problemas de saúde causados pelas avitaminoses (carência de vitaminas). Foi por meio da observação que ficou comprovada a importância da vitamina K na prevenção e no controle das hemorragias, assim como se confirmou a importância de se tomar Sol para que o organismo seja capaz de utilizar a vitamina D. As epidemias de escorbuto que acometiam os viajantes do mar, na época das Grandes Navegações, levaram à descoberta da importância da vitamina C na alimentação. Observou-se que as pessoas que passavam longos períodos viajando por mar apresentavam menor resistência às infecções, sangramento na gengiva e feridas na pele por causa da dificuldade de cicatrização. Com base na observação desses fatos, e em sua associação à alimentação, limões e laranjas passaram a ser incluídos nas provisões dos navios. 360

Ciências


Hoje sabemos que é necessário ingerir vitamina C todos os dias, mas sem exageros, pois o excesso dessa vitamina pode ocasionar problemas como cálculos renais, mais conhecidos como pedras nos rins. O quadro a seguir mostra algumas vitaminas, os principais alimentos que podem fornecê-las, suas funções e as consequências de sua falta no organismo. Tipo de vitamina

Funções que desempenha no organismo

Problemas causados pela carência dessa vitamina no organismo

Alimentos que são boas fontes da vitamina

Exemplos

Olhar imagem

Vitamina A

Essencial à saúde dos olhos e à boa visão. Auxilia na proteção da pele e na prevenção de infecções.

Vitaminas do complexo B

Auxiliam a transformação de carboidratos, gorduras e proteínas em energia útil para o organismo. Contribuem para a saúde da pele, dos dentes e das gengivas.

Retardo do crescimento, problemas de visão e ressecamento da pele.

Leite integral, queijos, manteiga, gema de ovo, pimentão, mamão, abóbora, cenoura, verduras.

Madlen/Shutterstock

Anemia, fraqueza muscular, osteoporose, problemas gastrointestinais.

Cereais integrais, leguminosas (feijão, grão-de-bico, ervilha, lentilha), alho, cebola, miúdos de carnes, pão integral.

Sean Studio/Dreamstime.com

Vitamina C

Contribui para a saúde dos dentes e dos ossos. Protege contra infecções e auxilia a cicatrização.

Vitamina D

Fortalece dentes e ossos, ajudando na absorção do cálcio. É importante para o crescimento das crianças. Tomar sol é importante na formação da vitamina D no organismo.

Anemia, inflamação de mucosas, enfraquecimento dos vasos capilares sanguíneos e maior facilidade de sangramento.

Acerola, limão, laranja, abacaxi, caju, mamão, tomate, goiaba, manga, couve-flor, espinafre, pimentão verde. Thaís Falcão/Olhar Imagem

Fraqueza e má-formação dos ossos.

Fígado, leite, manteiga, ovos, peixes.

7º ano

361


APLICAR CONHECIMENTOS II

Leia as informações apresentadas e relacione as colunas da direita e da esquerda, associando os hábitos e os problemas de saúde. Práticas alimentares

Problemas de saúde

(1)

Consumo de açúcar sem escovar dentes.

( ) Fraqueza e má-formação dos ossos.

(2)

Alimentação pobre em carne.

( ) Carência de vitaminas do complexo B.

(3)

Alimentação rica em gorduras e vida sedentária.

( ) Intestino preso.

(4)

Ingestão deficiente de leite e derivados ou peixes e fígado.

( ) Cansaço, desânimo, anemia.

(5)

Alimentação pobre em vegetais e água.

(6)

Baixo consumo de feijão.

( ) Obesidade. ( ) Cáries dentais e inflamação nas gengivas.

CONHECER MAIS

Diet e light Alimentos dietéticos ou diet são aqueles que não contêm algum ingrediente como açúcar, sódio (sal), gordura ou glúten. São indicados para pessoas que não podem ou não querem consumir algum desses ingredientes, como os diabéticos, hipertensos, alérgicos a lactose ou glúten. Estão incluídos nessa categoria os alimentos identificados como “Zero”. No rótulo, deve ser indicado

o ingrediente que está ausente: “Zero Açúcar”, “Zero Gordura” etc. Alimentos light são aqueles que têm uma redução de no mínimo 25% de calorias ou de algum de seus ingredientes, se comparado com um produto tradicional. Geralmente, são usados para dietas de controle de peso.

MOMENTO DA ESCRITA

Complete as frases a seguir para construir parágrafos. Uma pessoa precisa se alimentar regularmente porque

A alimentação deve ser diferente para cada pessoa, de acordo com

362

Ciências


Uma dieta balanceada deve conter

Em uma alimentação que fornece todos os nutrientes necessários ao bom funcionamento do organismo, a dieta deve conter

VAMOS RECRIAR NOSSA DIETA? Para que possamos escolher com mais facilidade os alimentos de nossa dieta sem precisar calcular, a toda hora, a proporção de cada um dos nutrientes, podemos utilizar o Guia Alimentar para a População Brasileira. Esse guia orienta a composição de uma dieta saudável com base na distribuição dos alimentos em grandes grupos, indicando quantas porções diárias devem ser consumidas para garantir a boa nutrição. Conhecendo essas informações, você poderá compor sua dieta, usando os alimentos disponíveis em sua região e de acordo com as suas preferências alimentares.

GRUPOS DE ALIMENTOS E PORÇÕES DIÁRIAS RECOMENDADAS Cereais, tubérculos e raízes: 6 porções diárias

Esses alimentos devem ser a mais importante fonte de energia e o principal componente da maioria das refeições. Eles são ricos em carboidratos complexos e devem garantir 45% a 65% da energia total diária da alimentação. Incluem os cereais (arroz, milho, trigo e alimentos como pães e massas, preferencialmente na forma integral), os tubérculos (como a batata) e as raízes (como a mandioca). Os alimentos mais ricos em carboidratos complexos são os grãos, principalmente os integrais. Os grãos contêm na sua composição cerca de 70% de carboidrato. Além dos carboidratos complexos, eles são compostos por proteínas e vitaminas − especialmente as do complexo B, minerais, ácidos graxos essenciais. Na sua forma integral, todos os tubérculos e raízes são ricos em fibras alimentares.

7º ano

363


Ilustração digital: Llinares

Porções recomendadas (por dia)

Fonte: Elaborado pelos autores, 2010.

Leite e derivados, carnes e ovos: 3 porções diárias de leite ou derivados 1 porção diária de carnes, peixes ou ovos

Alimentos de origem animal, tais como carne de todos os tipos, ovos, leite e derivados (como iogurte, requeijão, coalhada, queijo) são nutritivos e boas fontes de proteínas completas, que contêm todos os aminoácidos essenciais que compõem as proteínas de que os seres humanos necessitam para o crescimento e a manutenção de todos os tecidos que compõem o nosso corpo. A manteiga e o creme de leite, embora sejam derivados do leite, não são boas fontes de proteínas porque são compostos praticamente só de gordura. Feijões e outros alimentos vegetais ricos em proteínas: 1 porção diária

Os alimentos vegetais mais ricos em proteínas são as leguminosas. No Guia Alimentar para a População Brasileira, elas são chamadas genericamente de feijões. Elas contêm ainda carboidratos complexos (amido) e são ricas em fibra alimentar, vitaminas do complexo B, ferro e cálcio. Exemplos: todos os feijões, lentilhas, ervilha seca, grão-de-bico, soja. Esses alimentos de origem vegetal podem ser ricos em proteínas e têm muito menos gordura que os alimentos de origem animal. Contudo, com exceção da soja, não possuem todos os aminoácidos essenciais ou na quantidade adequada às necessidades do ser humano. Por isso, o melhor é fazer combinações de alimentos que complementam entre si os aminoácidos ou suas quantidades. Por exemplo, as refeições que combinam grãos de cereais e leguminosas (como arroz com feijão) são fontes completas de proteínas. As castanhas (do-pará, de-caju, nozes, nozes-pecã, amêndoas) e as sementes (de girassol, gergelim, abóbora e outras) também estão incluídas nesse grupo de alimentos ricos em proteínas. Frutas, legumes e verduras: 3 porções de frutas 3 porções de legumes e verduras

Esses alimentos são ricos em vitaminas, minerais e fibras e devem estar presentes diariamente nas refeições. Eles regulam todas as funções do organismo, regularizam o funcionamento intestinal e garantem o bom funcionamento do sistema nervoso. 364

Ciências


Gorduras, açúcares e sal: 1 porção de alimentos do grupo dos óleos e gorduras por dia No máximo, 1 porção de açúcares e doces por dia No máximo, 5 gramas por dia (1 colher rasa de chá) de sal

As gorduras e os açúcares simples também são fontes de energia. Entretanto, o consumo frequente e excessivo de gorduras, açúcar e sal aumenta o risco de doenças como obesidade, hipertensão arterial, diabetes e doenças do coração. Uma grande variedade de produtos industrializados e mesmo caseiros, como bolos, tortas, biscoitos e chocolates, é elaborada com uma combinação de gordura e açúcar e deve ter o consumo reduzido e controlado. Assim, o consumo de gorduras não deve ultrapassar 10% da energia total diária, dando-se preferência aos óleos vegetais, azeite e margarinas livres de ácidos graxos trans. Isso significa redução de, pelo menos, 33% (um terço) na média atual de consumo de gorduras pela população brasileira. Alguns óleos vegetais, como o de coco, possuem gorduras saturadas, devendo ser utilizados com moderação e apenas ocasionalmente na alimentação. O açúcar, assim como o amido, é um tipo de carboidrato. As frutas e alguns vegetais contêm naturalmente açúcar do tipo frutose. Essa forma natural não é o tipo de açúcar cujo consumo deve ser reduzido. Essa restrição diz respeito ao consumo de açucar tipo sacarose ou açucar de mesa. O sódio contido no sal de cozinha e em muitos alimentos naturais ou processados é um mineral essencial para a regulação dos fluidos intra e extracelulares, atuando em conjunto com o potássio na manutenção da pressão sanguínea. O sal de cozinha é composto de 40% de sódio, sendo a principal fonte desse mineral na alimentação. Embora essencial, ele deve ser consumido em quantidades bastante reduzidas. O excesso favorece a hipertensão arterial, entre outras enfermidades. Água: 2 litros por dia (6 a 8 copos)

A água é um nutriente essencial à vida. Como você já sabe, o corpo humano é, na sua maior parte, formado por água. Nenhum outro nutriente tem tantas funções no organismo como a água. Todos os sistemas e órgãos do corpo utilizam água. Ela desempenha papel fundamental na regulação de muitas funções vitais do organismo, incluindo a regulação da temperatura, participa do transporte de nutrientes e da eliminação de substâncias tóxicas ou não mais utilizadas pelo organismo, dos processos digestivo, respiratório, cardiovascular e renal. Os alimentos também contêm água em sua composição, em proporções variadas. O peso das frutas é de até 95% ou mais de água e da carne até 50% ou mais, enquanto o açúcar e os óleos não contêm água. Quanto maior o percentual de água no alimento, menor é a sua densidade energética.

7º ano

365


APLICAR CONHECIMENTOS III

Preencha esta tabela com todos os alimentos que você ingere em um dia (em todas as refeições e no intervalo entre elas). Horário

Alimento

Quantidade ingerida (medida em colheres, copos ou xícaras)

Agora, consulte sua tabela e faça as seguintes atividades: Consulte as embalagens dos alimentos ou a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (consulte o site na seção "Para ampliar seus estudos" no fim do capítulo) para calcular quantas calorias cada um deles fornece. Some todas as calorias e obtenha o valor energético de sua dieta ao longo do dia. Some o número de porções de alimentos ricos em carboidratos que você consumiu ao longo de todo o dia. O resultado obtido corresponde ao número de porções recomendadas em uma dieta balanceada? Verifique o número de porções de carboidratos, proteínas, vitaminas e gorduras em sua dieta está de acordo com a sugestão apresentada no Guia Alimentar para a População Brasileira. Você considera que está ingerindo habitualmente o número de porções indicado para cada um desses grupos de alimentos? Agora, faça o mesmo cálculo para avaliar o seu consumo de gorduras. O número de porções de alimentos ricos em gorduras que você consumiu em um dia foi próximo ao recomendado? Avalie se você está consumindo alimentos que são boas fontes de diversas vitaminas necessárias para a saúde. Calcule o número de porções de alimentos ricos em proteínas que você consumiu ao longo do dia. A sua dieta foi suficiente para atender às suas necessidades de proteínas? Algumas mudanças poderiam ser feitas em sua dieta para torná-la mais equilibrada e saudável? Quais medidas você poderia tomar para que essas mudanças acontecessem? 366

Ciências


Se você anotar o total de alimentos consumidos durante um domingo, vai encontrar uma grande diferença em relação à sua dieta habitual? Em caso positivo, quais grupos de alimentos vão aparecer em proporção diferente? Considerando o que você leu sobre as necessidades nutricionais, você acha que seus hábitos alimentares estão influenciando sua saúde? Justifique sua resposta.

O aparelho ou sistema digestório é formado por um conjunto de órgãos responsáveis por transformar os alimentos ingeridos, de maneira que as substâncias sejam separadas e possam ser aproveitadas pelo organismo. O sistema digestório humano é formado por um longo tubo musculoso, de até 9 metros de comprimenSistema digestório to, com as seguintes regiões: boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso, reto e ânus. Cada uma dessas regiões Dentes tem papel diferente no procesLíngua so digestivo. Faringe As glândulas salivares, o Esôfago pâncreas e o fígado são órgãos associados à digestão, mas não fazem parte do tubo que vai da boca ao ânus, de modo que o alimento não passa por dentro deles. São chamados órgãos anexos e possuem caEstômago nais que transportam os sucos digestivos por eles produzidos até o lúmen do tubo digestório. Além das glândulas aneIntestino xas, o estômago e o intestino grosso produzem sucos digestivos Intestino com a função de quebrar o delgado alimento. Consulte o esquema a seguir para identificar a posição Ânus e algumas das características de cada um dos órgãos que Fonte: TORTORA, Gerard J; DERRICKSON, Bryan. Corpo Humano: fundamentos de anatomia e fisiologia. 8 ed. Porto Alegre: Artmed: 2012. (Esquema sem escala, cores-fantasia.) compõem o sistema digestório. 7º ano

Luis Moura

O QUE ACONTECE DENTRO DO CORPO

367


As glândulas salivares são os órgãos anexos que percebemos mais facilmente, pois a saliva chega à nossa boca. A saliva tem várias funções: lubrificar a cavidade bucal, facilitar a mastigação e a deglutição. Ela possui um suco digestivo que inicia a quebra do amido presente, por exemplo, nos pães. Já o estômago conta com ácido clorídrico em seu suco digestivo, atuante principalmente nas proteínas. Na região abdominal localizam-se o fígado e o pâncreas, órgãos muito importantes para a digestão e outras funções do organismo. O fígado produz e lança no intestino delgado um suco chamado bile, que atua na digestão das gorduras. O fígado também tem as seguintes funções: acumular glicose na forma de glicogênio, participar da produção de substâncias do sangue, sendo também fundamental na eliminação de toxinas que circulam no corpo através do sangue. O fígado é um verdadeiro laboratório de quebra das toxinas, como o álcool e as drogas medicamentosas, reduzindo-as a substâncias que podem ser eliminadas por meio da filtragem feita pelos rins. O pâncreas, por sua vez, produz o suco pancreático que participa na digestão de diversos nutrientes, além de possuir as glândulas que intetizam diversas substâncias importantes para o corpo, como a insulina, substância que permite a absorção da glicose pelas células de todo o corpo.

A DIGESTÃO DOS ALIMENTOS E A ABSORÇÃO DOS NUTRIENTES Digerir é dividir, quebrar os alimentos. Por meio da digestão, o organismo extrai os nutrientes dos alimentos, realizando dois tipos de processos: os mecânicos e os químicos. Os processos mecânicos são a mastigação, as misturas e os amassamentos que o bolo alimentar sofre enquanto se desloca pelo tubo digestório com a ajuda de movimentos chamados peristálticos, realizados pelos músculos que envolvem todo o tubo. Esses músculos não respondem ao comando do indivíduo e, por isso, são chamados músculos involuntários. Nesses processos, os alimentos são quebrados em partes cada vez menores. Todos os processos mecânicos envolvem a ação de forças que atuam fisicamente sobre as grandes moléculas de proteínas, lipídios ou carboidratos, tornando-as moléculas menores, nas quais os sucos digestivos podem agir mais facilmente. Os processos químicos são as reações que acontecem quando há mistura dos alimentos com os sucos digestivos presentes na saliva, no suco gástrico (produzido no estômago) e no suco pancreático (produzido no pâncreas). Nesses processos, ocorrem reações químicas nas quais as grandes partículas de proteínas, lipídios e carboidratos presentes nos alimentos são decompostas em outras, mais simples, que podem ser absorvidas pelo organismo. Os dois tipos de processos participam da transformação dos alimentos em partículas mais simples, que são absorvidas no intestino e podem então ser levadas à corrente sanguínea, para alimentar todas as células do corpo. Grande parte da digestão química dos alimentos ocorre no primeiro terço do intestino delgado; nos outros dois terços ocorre a absorção, isto é, a passagem dos nutrientes para a circulação sanguínea. 368

Ciências


Dennis Kunkel/Phototake/Imageplus

A água, a glicose, os sais minerais e as vitaminas não precisam sofrer o processo de quebra para passar ao sangue. Isso porque são formadas por moléculas pequenas. Assim, a sua absorção pode ocorrer desde o estômago. O intestino delgado é a parte mais longa do tubo digestório. Com cerca de 6 a 7 metros de comprimento, encontra-se dobrado sobre si mesmo no interior do abdome. Internamente, as paredes dos intestinos não são lisas, são modificadas de forma que há aumento da área. Formam-se projeções como nos dedos de uma luva, chamadas de vilosidades, como na foto a seguir. CONHECER MAIS

Prisão de ventre ou constipação

Imagem da parte interna do intestino, mostrando vilosidades. (Imagem ampliada; cores-fantasia.)

Esse problema ocorre quando os movimentos peristálticos que acontecem ao longo do tubo digestivo ficam muito lentos, resultando na retenção dos resíduos por muito tempo no intestino grosso e na absorção de muita água. Isso faz com que as fezes fiquem secas e endurecidas. A causa mais frequente da prisão de ventre é a falta de fibras na alimentação. A melhor solução para esse problema é o consumo abundante e diário de alimentos ricos em fibras. O bom funcionamento intestinal depende de três elementos inseparáveis: a ingestão de água, o consumo de fibras e a prática de atividade física. Frutas (entre elas, mamão e laranja com bagaço), legumes, verduras, cereais, como trigo integral, aveia e sementes de linhaça, são ótimas fontes de fibras.

As vilosidades e microvilosidades aumentam a superfície de contato entre os vasos sanguíneos e o alimento digerido, facilitando a absorção dos nutrientes. É por meio dessas estruturas que os nutrientes resultantes da digestão passam do interior do tubo digestivo para o sangue.

APLICAR CONHECIMENTOS IV

Quais são os órgãos componentes do sistema digestório? Indique, para cada um desses órgãos, uma característica ou uma função que ele desempenha no processo digestivo. O que é a digestão? Dois tipos de processos são necessários para que ocorra a digestão dos alimentos. Quais são eles? Explique por que as fibras contidas em alimentos de origem vegetal são importantes para o processo de digestão, apesar de não serem digeridas nem absorvidas pela corrente sanguínea.

7º ano

369


Por que vitaminas são chamadas micronutrientes? O esquema a seguir mostra os dois primeiros eventos da digestão humana, de forma resumida. Consumo de alimento → mastigação na boca → ... Faça um esquema ampliado, escrevendo na ordem correta os eventos destacados a seguir: • • • • • •

vasos sanguíneos recebem nutrientes do intestino; células de todo o corpo recebem nutrientes; nutrientes são absorvidos pelo intestino delgado; proteínas são digeridas no estômago; lipídios, proteínas e carboidratos são quebrados no intestino delgado; sangue com nutrientes circula pelo corpo.

PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS

Livros

Alimentos em pratos limpos

Um interessante livro paradidático, com leituras complementares sobre a conservação de alimentos. TRAMBAIOLLI NETO, Egidio. Alimentos em pratos limpos. São Paulo: Scipione, 2009.

Guia alimentar

Este guia, em sua versão de bolso, começa com um questionário no qual a pessoa pode avaliar como está a sua alimentação e apresenta informações práticas e dicas para a composição de uma dieta saudável. Muitos outros materiais para consulta podem ser encontrados no portal do Ministério da Saúde e no site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), inclusive spots de rádio com dicas sobre o consumo e a preparação de alimentos. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. Disponível em: <http://189.28.128.100/nutricao/docs/geral/guia_alimentar_bolso.pdf>. Acesso em: 31 ago. 2012.

Missão possível: guia de alimentação

Um livro que explica quais as dificuldades dos adolescentes para se alimentarem bem, com informações claras e boas receitas com partes não convencionais de alimentos. SESI. Missão possível: guia de alimentação – alimente-se bem. São Paulo: SESI São Paulo, 2009.

Site

Tabela brasileira de composição de alimentos

Este site traz a composição nutricional do alimentos, inclusive a quantidade de calorias por porção de 100 gramas. Disponível em: <www.unicamp.br/nepa/taco/tabela.php?ativo=tabela>. Acesso em: 13 fev. 2013.

370

Ciências


Bibliografia

CIÊNCIAS AFONSO, Germano B. Anais da 61a reunião anual da SBPC. Manaus, jul., 2009. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Coordenação-Geral da Política de Alimentação e Nutrição. Guia alimentar para a população brasileira: promovendo a alimentação saudável. Brasília: Ministério da Saúde, 2005. Disponível em: <http://dtr2001.saude.gov.br/editora/produtos/livrohttp://bvsms. saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_alimentar_populacao_brasileira_2008.pdf>. Acesso em: 5 fev. 2013. CANIATO, Rodolpho. O céu. São Paulo: Ática, 1990. (Na sala de aula.) DUTRA DE OLIVEIRA, J. E.; MARCHINI, J. Sérgio. Ciências nutricionais. São Paulo: Sarvier, 1998. FARIA, R. P. Iniciação à astronomia. São Paulo: Ática, 2004. (De olho na Ciência.) FIOCRUZ. Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano. Promoção da amamentação e alimentação complementar. s/d. (cartilha). Disponível em: <www.fiocruz.br/ redeblh/media/cartilhasmam.pdf>. Acesso em: 21 fev. 2013. GLEISER, M. A dança do universo: dos mitos de criação ao Big Bang. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. HORTA, Nina. Vamos comer: da viagem das merendeiras, crônicas e conversas. Brasília: Ministério da Educação/Secretaria de Educação Fundamental, 2002. MOREIRA, Ildeu de Castro. Poesia na sala de aula de ciências?A literatura poética e seus possíveis usos didáticos. In: Física na Escola. v. 3, n. 1. São Paulo: Sociedade Brasileira de Física, 2002. MOURÃO, R. R. F. O livro de ouro do universo. Rio de Janeiro: Ediouro, 2000. MUHRINGER, S.; GEBARA, H. O verde e a vida: equilíbrio e desequilíbrio ecológico. São Paulo: Ática, 2005. (De olho na Ciência.) PEZZI, A. C.; GOWDAK, D. O.; SIMÕES DE MATTOS, N. Biologia. São Paulo: FTD, 2010. SBPC. Ciência Hoje: corpo humano e saúde. Rio de Janeiro: Instituto Ciência Hoje, 1999. SESI. Missão possível: guia de alimentação. São Paulo: SESI, 2009.

6º ano

371


SOLOMON, E. P.; BERG, L. R. The World of Biology. Flórida: Saunders College Publishing, 1995. TOWNSEND, C. R.; BEGON, M.; HARPER, J. L. Fundamentos em ecologia. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010. TRAMBAIOLLI NETO, Egidio. Alimentos em pratos limpos. São Paulo: Scipione, 2009. VALADÃO, M. M. Saúde e qualidade de vida. São Paulo: Global/Ação Educativa, 2003.

372

Ciências


UNIDADE 7

Matemรกtica


Capítulo

1

M AT E M ÁT I C A

Números no dia a dia

A

espécie humana tem uma existência estimada em 1,5 milhão de anos. Será que os nossos antepassados já usavam números de forma consciente? Se já usavam números, então que tipo de números seria? Assim como alguns animais, nossos antecessores sabiam, pelo menos, “contar” os membros de suas famílias e “dividir” alimentos. Para “contar”, nossos ancestrais (assim como nós) utilizavam números inteiros:

um, dois, três, quatro, ... Para “dividir”, provavelmente utilizavam algumas frações, tais como:

meio, um terço, um quarto, ...

Gerson Gerloff/Pulsar Imagens

Depois de milhares de anos, alguns grupos humanos criaram símbolos para representar os números.

Gerson Gerloff/Pulsar Imagens

Termômetro digital marca 15 ºC em Curitiba (PR), 2011. Os números estão presentes em muitas situações do cotidiano. Pense no seu dia a dia: em que situações os números aparecem?

7º ano

375


Os indianos, vários séculos depois, ao aprimorarem um sistema de numeração posicional construído para representar números “grandes”, criaram novos símbolos para representá-los: os algarismos denominados indo-arábicos. Entre esses símbolos havia um muito especial, que era usado para representar a ausência de uma quantidade particular: o símbolo para o zero. Sem qualquer exagero, o sistema de numeração posicional, criado pelos indianos e difundido pelos árabes, foi uma criação genial da humanidade. Uma notação posicional próxima da que usamos hoje teve sua origem no século V da era cristã. Modernamente, os números representados por: 0, 1, 2, 3, ...

passaram a ser chamados números naturais (uma nomenclatura frequentemente mais utilizada nos meios escolares e acadêmicos). Com a criação de quantidades negativas, que surgiram relativamente à origem (zero), o conjunto dos números inteiros ficou completo. 0, 1, 2, 3, ... são os números naturais ou números inteiros positivos –3, –2, –1, ... são os números inteiros negativos

Reunindo os números naturais, os números inteiros negativos e o zero têm-se os números inteiros representados por: ..., –3, –2, –1, 0, 1, 2, 3, 4, ...

Sempre que dividimos um número inteiro por um número inteiro diferente de zero obtemos um número racional. Os números racionais positivos e negativos podem ser representados da mesma forma que os números inteiros positivos e negativos. –2,3; –0,777... e – 5 são números racionais negativos 8

NÚMEROS NEGATIVOS E POSITIVOS: SIGNIFICADOS Em nosso cotidiano existem algumas situações que podem ser representadas por meio de números negativos. Podemos destacar, por exemplo: • Extratos de movimentação bancária: −37,00 pode significar um débito de 37 reais. • Balanço de empresas: −35 000,00 pode significar um prejuízo de 35 000,00 reais. 376

Matemática


• Escalas de temperatura: −3 °C significa uma temperatura de 3 graus

Celsius abaixo da temperatura de fusão da água (0 °C), que ocorre quando a água passa do estado sólido (gelo) para o estado líquido. • Altitudes das regiões da Terra: −417 metros é a profundidade do mar Morto, situado no vale do rio Jordão, na fronteira entre Israel e Jordânia. Significa uma profundidade de 417 metros abaixo do nível dos oceanos, que têm altitude 0 (zero). APLICAR CONHECIMENTOS I

Considerando o nível dos oceanos como altitude zero, represente as altitudes seguintes usando números positivos ou negativos: 15,5 metros acima do nível do mar 21,3 metros abaixo do nível do mar Expresse estes valores financeiros na forma de números positivos ou negativos: Depósito de R$ 135,25 Saque de R$ 255,75 Escreva na forma de números positivos, ou negativos, as temperaturas indicadas nas informações: A cidade de Xanxarê (SC) teve temperatura mínima de 11,1 °C abaixo de zero em 20 junho de 1953. Em 24 de julho de 2009, o município gaúcho de Cambará do Sul registrou recorde de frio e a mínima foi de 5,7 °C abaixo de zero. Na capital paulista, a menor temperatura absoluta da história da cidade foi de 1,5 °C acima de zero em julho de 1975.

NÚMEROS OPOSTOS OU SIMÉTRICOS BANCO DINHEIRO S.A. Extrato de conta-corrente especial: Período: 4/12/2013 a 15/12/2013 Data: 16/12/2013 Hora: 19h36 Cliente: Maria Lilás Agência: 1234–4 Conta: 34567-01 Data

Histórico

Documento

Valor

4/12/2013

SALDO ANTERIOR

7/12/2013

CH COMPENSADO

123889

−37,00

7/12/2013

SAQUE

000000

−14,00

10/12/2013

DEPÓSITO

000000

150,00

12/12/2013

CH COMPENSADO

123890

−200,00

14/12/2013

SAQUE

000000

−50,00

14/12/2013

DEPÓSITO

000000

35,00

15/12/2013

SAQUE

000000

−30,00

101,00

Nos extratos bancários, geralmente números negativos representam débitos e números positivos indicam créditos. Observe o extrato ao lado: o número −37,00 significa um débito de R$ 37,00 na conta corrente. Esse número é o oposto do valor R$ 37,00, que significaria um crédito de R$ 37,00 nessa conta. 7º ano

377


Os matemáticos dizem que os números −37 e 37 são números opostos ou números simétricos. Os números –37 e 37 são opostos em relação a quê? Como em algumas situações é melhor ver do que falar ou escrever, observe a figura: –37

0

37

eixo numerado

Nela, a linha reta é denominada eixo numerado ou reta numérica. A seta no eixo numérico indica o seu sentido positivo. Nesse eixo podemos representar, graficamente, os números por meio de pontos, cada número correspondendo a um ponto do eixo. O ponto que representa o número 0 costuma ser denominado origem. Os pontos que representam os números −37 e 37 são simétricos em relação à origem 0: a distância de –37 a 0 é igual à distância de 0 a 37.

É por isso que os números −37 e 37 são denominados opostos ou simétricos: –37 é o oposto de 37 e 37 é o oposto de –37, em relação à origem 0.

Por causa disso, podemos escrever as igualdades: 37 = −(−37)

e −37 = –(+37),

que podem ser lidas assim: 37 é o oposto do oposto de 37 e −37 é o oposto do oposto de –37. Veja outros exemplos: −2,6 é o oposto de +2,6

5 5 é o simétrico de + 8 8

APLICAR CONHECIMENTOS II

Em cada item, determine a situação oposta: O saldo oposto de R$ 255,43 é

.

O saldo oposto de –R$ 57,39 é

.

A temperatura oposta de 25 C é o

378

.

A temperatura oposta de –12,5 oC é

.

A altitude oposta de 8 542 metros é

.

A altitude oposta de –471 metros é

.

Matemática


ADIÇÃO E SUBTRAÇÃO COM NÚMEROS POSITIVOS E NEGATIVOS Veja novamente o extrato bancário de Maria Lilás. Vamos determinar o saldo da correntista por dia, após cada movimentação bancária, no período de 4/12/2013 a 15/12/2013. O saldo em 4/12/2013 era R$ 101,00. O saldo em 7/12/2013 pode ser obtido por mais de uma maneira. A. Realizando a subtração entre os números inteiros positivos (naturais) 101 e 37 e entre 64 (resultado de 101 – 37) e 14. 101 – 37 = 64 e 64 –14 = 50 B. Determinando a soma do número positivo 101 com o número negativo −37,

–37

1 0 1 + 3 7

+/-

Ilustração digital: Llinares

ou seja, 101 mais o oposto de 37. Em seguida, calculando a soma do último resultado com −14. Para calcular 101 + (−37) vamos usar uma calculadora que possui a tecla +/- . A tecla +/- , ao ser pressionada, troca o sinal do número que está no visor da calculadora, exibindo o oposto desse número. Se você digitar 3 7 +/deve aparecer no seu visor o número −37 (em algumas calculadoras, −37 é exibido na forma 37–). Em uma calculadora desse tipo, o cálculo da soma de 101 com −37 poderá ser realizado assim:

=

101 + (−37) = 64

Agora, vamos usar uma representação gráfica para verificar (mostrar) que:

101 + (−37) = 101 − 37

7º ano

379


No eixo numerado a seguir estão representados os números −37; 0; 37 e 101. A seta azul está representando o avanço positivo +37 para a direita e a seta verde está representando o avanço negativo −37 para a esquerda. +37 –37

0

37

64

101

eixo numerado

–37

Avançando −37 para a esquerda a partir de 101 obtém-se: 101 + (−37) = 64

Avançando 37 para a direita a partir de 64 obtém-se: 64 + 37 = 101, ou seja, 101 − 37 = 64

Logo: 101 + (−37) = 101 – 37, ou seja, a soma de 101 com o oposto de 37 pode ser expressa como a diferença entre 101 e 37. Para calcular o saldo final do dia 7/12/2013, as opções são as mesmas anteriores: 64 + (−14) = 64 − 14 = 50

É possível observar que os resultados obtidos nos itens A e B são iguais, mas, essencialmente, as operações são distintas: • no item A, foram calculadas diferenças entre números positivos: 101 – 37 = 64

64 − 14 = 50

• no item B, foram trabalhadas somas de números positivos com núme-

ros negativos: 101 + (−37) = 64

64 + (−14) = 50

A conclusão importante são as igualdades: 101 − 37 = 101 + (−37)

380

Matemática

64 – 14 = 64 + (−14)


C. Trabalhando com o número positivo 101 mais a soma dos números negativos

−37 e −14. Vamos calcular a soma de −37 com −14 utilizando a seguinte representação gráfica: –14 –51

–37 –14

–37

eixo numerado

0

Avançando −37 para a esquerda a partir de 0 obtém-se: 0 + (−37) = −37. Depois, avançando −14 para a esquerda a partir de −37 obtém-se: (−37) + (−14) = −51

Note que: (−37) + (−14) = –51 = –(37 + 14)

ou seja, a soma de dois números negativos é o oposto da soma dos opostos daqueles números negativos. • O saldo em 10/12/2013, 50 + 150, será calculado em sala de aula, com a ajuda do professor. Em 12/12/2013, depois que o cheque de R$ 200,00 foi compensado, o saldo da conta de Maria Lilás era de R$ 0,00, isto é, a conta dela ficou “zerada”. O objetivo, agora, consiste em calcular os saldos da conta de Maria nos dias 14/12/2013 e 15/12/2013. Em 14/12/2013 foram feitas duas movimentações de dinheiro: um saque de R$ 50,00 e um depósito de R$ 35,00. Após o saque, o seu saldo ficou: 0 − 50 = −50 ou 0 + (−50) = −50. Após o depósito, o seu saldo será a soma de −50,00 com 35,00, ou seja: –50,00 + 35,00

Para realizar esse cálculo, vamos fazer uso do eixo numerado: +35 –15

–50

0

eixo numerado

35

–35

Avançando 35 para a direita a partir de −50 obtém-se: −50 + 35 = −15. 7º ano

381


Avançando −35 para a esquerda a partir de −15 obtém-se: −15 + (−35) = −50, ou seja, −50 − (−35) = −15

Há aqui uma conclusão importante e a confirmação de um fato já visto: −50 − (−35) = −50 + 35

A diferença entre –50 e o oposto de 35 pode ser expressa pela soma de −50 com 35. − (−35) = 35

Ou seja, o oposto do oposto de 35 é o próprio 35. No dia 15/12/2013 foi feito um saque no valor de R$ 30,00. Para obter o saldo da Maria Lilás nesse dia, vamos utilizar o eixo numerado: +30 –15

–45

0

–30

Avançando −30 para a esquerda a partir de −15 obtém-se: –15 + (–30) = –45. Avançando 30 para a direita a partir de −45 obtém-se: −45 + 30 = −15, ou seja, −15 − 30 = −45

A conclusão, aqui, é muito parecida com algumas anteriores: −15 + (−30) = −15 − 30 = −45

Ou seja, a soma de −15 com o oposto de 30 pode ser expressa pela diferença entre 15 e o oposto de 30. Veja outros exemplos da aplicação da adição e subtração com números inteiros e racionais: −10 + (−20) = −10 – 20 = −30

25 + (+2) = 25 + 2 = 27

−1,7 + (−2,1) = −1,7 − 2,1 = –3,8

–9 + (+2) = –9 + 2 = −7

13 + (−5) = 13 – 5 = 8

10 – (+14) = 10 − 14 = − 4

−7 + (−4) = −7 − 4 = –11

10 − (−14) = 10 + 14 = 24

–10 – (–14) = −10 + 14 = 4

−0,6 − (−1,2) = −0,6 + 1,2 = 0,6

Matemática

eixo numerado


APLICAR CONHECIMENTOS III

Os movimentos mensais de entrada e saída de dinheiro de uma artesã estão na tabela seguinte. Obtenha o valor do balanço anual da artesã. Se for conveniente, use uma calculadora Mês

Resultado

Usando números positivos e negativos

Janeiro

R$ 150,00 entrada

+150

Fevereiro

R$ 190,00 entrada

+190

Março

R$ 370,00 entrada

+370

Abril

R$ 120,00 entrada

+120

Maio

R$ 200,00 entrada

+200

Junho

R$ 100,00 saída

–100

Julho

R$ 250,00 saída

–250

Agosto

R$ 190,00 entrada

+190

Setembro

R$ 70,00 entrada

+70

Outubro

R$ 120,00 entrada

+120

Novembro

R$ 300,00 saída

–300

Dezembro

R$ 900,00 entrada

+900

Balanço anual

O extrato seguinte é do correntista Mário Lilás, marido de Maria Lilás. BANCO MONEY DE INVESTIMENTO Movimentação bancária Período: 4/12/2013 a 7/12/2013 Data: 16/12/2013 Hora: 20h47 Cliente: Mário Lilás Agência: 4321-0 Conta: 045678–10 Data

Histórico

Documento

Valor

4/12/2013

SALDO ANTERIOR

7/12/2013

REMUNERAÇÃO/SALÁRIO

000091235

723,00 C

7/12/2013

SAQUE CE

000000

50,00 D

7/12/2013

CH COMPENSADO

134747256

150,00 D

7/12/2013

DEPÓSITO

000000

60,00 C

7/12/2013

CREDIÁRIO

000259841

23,00 D

7/12/2013

TARIFA CONTA/MÊS

000000

7,00 D

120,00 D

SALDO: 07/12/2013 (sujeito a alteração até o final do período):

No banco em que Mário é correntista, os créditos são identificados pela letra C à direita dos valores financeiros e os débitos são identificados pela letra D à direita dos valores financeiros. Isto é, 723,00 C significa +723,00, e 150,00 D significa –150,00. Determine o saldo de Mário após a última movimentação do dia 7/12/2013. Se for conveniente, use uma calculadora.

Uma professora de um curso de Educação de Jovens e Adultos (EJA) deu a seguinte lição de casa sobre somas e diferenças entre números positivos e/ou negativos para estudantes de suas turmas: 34,5 + 12,7

–71,5 + 62,8

–35,6 – 63,9

86,4 + (–52,7)

–36,3 + (–57,8)

–43,8 – (–75,1)

26,6 + (–74,2)

48,2 – 23,9

–83,8 – (–25,9)

–19,6 + 23,9

55,1 – 80,7

0 + (–0) 7º ano

383


O critério de correção dos exercícios era: 1 ponto por resposta certa e –0,5 por resposta errada. Veja como foram as respostas de três estudantes. Depois, preencha a tabela com a pontuação e a nota final de cada aluno. Exercício

André

Pontuação

Júlio

Pontuação

Mônica

a

47,2

47,2

46,2

b

33,7

34,7

33,7

c

47,6

–47,6

–47,6

d

4,3

–4,3

14,3

e

–8,7

–18,7

18,7

f

–93,1

–94,1

–94,1

g

24,3

24,3

24,3

h

25,6

25,6

–25,6

i

–99,5

–100,5

–99,5

j

31,3

31,3

32,3

k

–58,9

–57,9

–57,9

l

0

+0

–0

Avaliação final

Avaliação final

Avaliação final

Pontuação

ORDENANDO NÚMEROS INTEIROS E RACIONAIS É possível que você já tenha passado pela experiência de colocar algumas coisas em “ordem”. Por exemplo, se você fosse colocar em ordem um grupo de pessoas, poderia utilizar vários critérios, tais como: idade, peso, altura, ordem alfabética dos seus nomes, entre outros. Escolhido um critério para colocar as pessoas em ordem, então talvez seja possível afirmar qual pessoa vem antes, ou depois de qual, ou se há “empate”. Com os números pode ocorrer a mesma coisa. Por exemplo, é possível colocar em ordem os números inteiros de muitas maneiras. Porém, entre todas elas, uma que se destaca pelo seu uso costumeiro é a seguinte: • Os números inteiros positivos são colocados em ordem crescente ou ordem decrescente da mesma forma que os números naturais: 0 < 1 < 2 < 3 < 4 < 5 < 6 < 7 < 8 < 9 < 10 < ... ou ... > 10 > 9 > 8 > 7 > 6 > 5 > 4 > 3 > 2 > 1 > 0

384

Matemática


Podemos observar essas ordens no eixo numerado: +1 0

+1 1

–1

+1 2

–1

3

4

5

6

8

7

9

10

eixo numerado

–1

É importante perceber que, nesse critério: • Não existe o maior número inteiro positivo. • Todo número inteiro positivo é maior que 0. • Acrescentando ao eixo numerado os números negativos, que são opostos aos números inteiros positivos em relação ao 0, é possível perceber como esses números podem ser ordenados: +1 +1 –10 –9 –8 –7 –6 –5 –4 –3 –2 –1

0

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

eixo numerado

–1 –1

Os números inteiros negativos colocados em ordem decrescente, a partir do 0, podem ser escritos assim: 0 > –1 > –2 > –3 > –4 > –5 > –6 > –7 > –8 > –9 > –10 > ... Portanto, podemos escrever que

... < –10 < –9 < –8 < –7 < –6 < –5 < –4 < –3 < –2 < –1 < 0 < 1 < 2 < 3 < 4 < 5 < 6 < 7 < 8 < 9 < 10 < ...

É importante perceber que, nesse critério: • Não existe o menor número inteiro negativo. • Todo número inteiro negativo é menor que 0. • Todo número inteiro positivo é maior que todo número inteiro negativo. Tendo em vista esses critérios, vamos pensar em uma questão: diante de dois números negativos, como você decide qual é menor ou maior? Por exemplo, imagine que queira decidir qual é a temperatura “mais alta” entre –12 °C e –5 °C. Uma forma de compará-las é representá-las graficamente em um eixo numerado. • Elimine o sinal “–” de cada uma das temperaturas e coloque-as em ordem crescente (ou decrescente): nesse caso, 12 > 5 (ou 5 < 12). • Como 12 está mais afastado do 0 do que 5, ambos à direita do 0 (isto é, como 12 > 5), então –12 está mais afastado do 0 do que –5, ambos à esquerda do 0. –12

–5

0

5

12

eixo numerado

7º ano

385


• A conclusão é que: –12 < –5.

Outra forma de comparar e ordenar esses números é pelo valor absoluto de um número inteiro. O valor absoluto do número –12 é 12, e o valor absoluto do número –5 é 5. O valor absoluto do número +12 é 12, e o valor absoluto do número +5 é 5. Como: (valor absoluto de –12) > (valor absoluto de –5), então, –12 < –5

O valor absoluto do número –12 costuma ser anotado por |–12|, ou seja, |–12| = 12, e o valor absoluto de –5 pode ser registrado por |–5|, ou seja, |–5| = 5. Outro nome que se dá ao valor absoluto de um número é módulo. O módulo de –12 pode ser visto graficamente como a distância entre os pontos A e C: A –12

B

C

D

E

–5 0 5 12 (distância entre os pontos C e A) = |–12| = 12

eixo numerado

Da mesma forma, o módulo de 12 pode ser “visto” graficamente como a “distância” entre os pontos C e E, ou seja: (distância entre os pontos C e E) = |12| = 12

Assim, temos: |–12| = |12| = 12

As observações feitas para –12 valem também para –5. Portanto, como |–12| > |–5|, então –12 < –5.

Para ordenar dois números negativos, será maior aquele que tiver menor valor absoluto (módulo). Os números racionais positivos e negativos podem ser ordenados da mesma forma que os números inteiros positivos e negativos. Por exemplo: se em duas cidades da Europa as temperaturas, em um determinado dia e hora, são –7,4 °C e –9,2 °C, então a menor das duas temperaturas pode ser determinada assim: 386

Matemática


como |–9,2| = 9,2 > |–7,4| = 7,4, então, –9,2 < –7,4

Ou seja, –9,2 °C é uma temperatura menor que a temperatura –7,4 °C. APLICAR CONHECIMENTOS IV

Observe o extrato da correntista Carla Violeta, que tem conta no mesmo banco que Mário Lilás. BANCO MONEY DE INVESTIMENTO Movimentação bancária: Período: 2/12/2013 a 6/12/2013 Data: 7/12/2013 Hora: 21h20 Cliente: Carla Violeta Agência: 4321-0 Conta: 096385–10 Data

Histórico

Documento

Valor

2/12/2013

SALDO ANTERIOR

15,00 C

3/12/2013

SAQUE CE

000000

30,00 D

3/12/2013

CH COMPENSADO

000523668

89,25 D

4/12/2013

REMUNERAÇÃO/SALÁRIO

000085317

810,15 C

4/12/2013

CREDIÁRIO

000000

21,00 D

5/12/2013

DEPÓSITO

000478156

50,00 C

6/12/2013

TARIFA CONTA/MÊS

000000

8,10 D

Em que dia foi registrado o seu maior saldo? E quando foi registrado o menor saldo? Se julgar conveniente, use uma calculadora.

7º ano

387


Explorando matematicamente o conceito de valor absoluto (módulo), determine: |6,9 + 5,4| = |6,9| + |5,4| = Agora, relacione |6,9 + 5,4| com |6,9| + |5,4|.

Observe a reta numérica seguinte: sentido positivo unidade

–2,8

−6 5

–0,6

0

4 5

2,4

1 1,2

Complete as sentenças com o sinal < (menor que) ou > (maior que): –2,8

–0,6

–6 5

+1,2

–2,8

+2,4

+2,4

–0,6

+4 5

+2,4 –2,8

0

Compare com um amigo as respostas dadas no exercício anterior e responda às questões a seguir: Dados dois números racionais, um positivo e outro negativo, qual deles é o “maior”? Qual é a relação de ordem entre um número racional negativo e o zero? Dados dois números racionais negativos, o maior deles é aquele que tem o maior valor absoluto? Quais os números racionais que têm valor absoluto igual a 2,8? Escreva dois números racionais que sejam menores do que – 56 .

MULTIPLICAÇÃO E DIVISÃO COM NÚMEROS POSITIVOS E NEGATIVOS MULTIPLICAÇÃO DE NÚMERO INTEIRO POSITIVO POR UM NÚMERO NEGATIVO Em um dia de inverno, a temperatura de uma cidade da região Sul era de 7,1 °C à meia-noite. A partir desse horário, com a Variação de chegada de uma frente fria, foi reHorário Temperatura (°C) temperatura (°C) gistrada uma variação constante de meia-noite 7,1 temperatura de –2,6 °C, a cada duas horas, até às 6 horas. 2 horas –2,6 4,5 As temperaturas corresponden4 horas –2,6 1,9 tes aos intervalos de duas horas foram registradas na tabela ao lado. 6 horas –2,6 –0,7 388

Matemática


Outra forma de determinar a temperatura às 6 horas é a seguinte: 7,1 + (–2,6) + (–2,6) + (–2,6) = 7,1 + (–7,8) = 7,1 – 7,8 = –0,7

 variação total de temperatura

Às 6 horas, a temperatura era igual a –0,7 oC. A mesma variação total de temperatura, da meia-noite às 6 horas, pode ser expressa na forma de produto do número inteiro 3 pelo número negativo –2,6 da seguinte forma: (–2,6) + (–2,6) + (–2,6) = 3 × (–2,6) = –7,8

ou seja, a variação total de temperatura foi de 3 vezes a variação –2,6. Você também poderia interpretar essa variação total de temperatura afirmando que a variação de temperatura –2,6 ocorreu 3 vezes, ou seja: (–2,6) + (–2,6) + (–2,6) = (–2,6) × 3 = –7,8

Isso quer dizer que: 3 × (–2,6) = (–2,6) × 3

Essa propriedade da multiplicação se chama propriedade comutativa e significa que você pode trocar a ordem dos números envolvidos sem alterar o resultado.

MULTIPLICAÇÃO DE NÚMERO INTEIRO NEGATIVO POR UM NÚMERO NEGATIVO Neste ponto, não serão apresentados casos “concretos” externos à Matemática para justificar os cálculos. O exercício matemático que iremos explorar aqui é, por exemplo, o cálculo de (–3) × (–2,6). Como foi observado anteriormente: 3 × (–2,6) = –7,8

e (–2,6) × 3 = –7,8

Como –3 é –(+3), então utilizaremos, sem justificativas, que: (–3) × (–2,6) = –(+3) × (–2,6) = –[(+3) × (–2,6)] = –[–7,8] = 7,8

7º ano

389


Portanto, a regra a ser aplicada aqui é a seguinte: (–3) × (–2,6) = 3 × 2,6 = 7,8

Se sua calculadora possui a tecla +/- , os procedimentos podem ser:

3

+/-

1 × 2 ∙ 6

Se sua calculadora não possui a tecla (–3) × (–26) podem ser: MC

2 ∙ 6

M–

+/-

+/-

=

, então os procedimentos para calcular

0 – 3 ×

MR

=

Para outros casos de multiplicação com números positivos e negativos, os cálculos tornam-se mais elaborados (mais “difíceis” de ser justificados). Por exemplo, como fazer os seguintes cálculos? • 2,3 × (–3,7)

• (–3,6) × 6,8

• (–4,2) × (–5,4)

Para obter os três produtos anteriores, você pode usar as mesmas regras já mencionadas para a multiplicação de um número inteiro (positivo ou negativo) por um número qualquer. Acompanhe: • 2,3 × (–3,7) = –(2,3 × 3,7) = –(8,51) = –8,51 • (–3,6) × 6,8 = –(3,6 × 6,8) = –(24,48) = –24,48 • (–4,2) × (–5,4) = + (4,2 × 5,4) = +22,68 = 22,68   33 

 2 2 3 3 

6

 ×××   = • (–0,2) ×  –−−55  = +  10 10 5 5 50 • (–0,2) × (–0,6) = + (0,2 × 0,6) = +0,12 = 0,12

Tendo em vista os últimos exemplos, é possível expressar as seguintes regras de sinais: • a multiplicação de dois números com o mesmo sinal tem como resultado

um número positivo; • a multiplicação de dois números com os sinais opostos tem como resultado um número negativo. 390

Matemática


DIVISÃO Qual é o número que está escondido sob a ficha

?

× (–5) = 35

Para descobrir o número escondido dividimos 35 por (–5). 35 ÷ (–5) = –7

Essas regras de sinais da multiplicação valem também para a divisão, pois multiplicação e divisão são operações inversas. • a divisão de dois números com o mesmo sinal tem como resultado um

número positivo; • a divisão de dois números com os sinais opostos tem como resultado um número negativo. Acompanhe: • 18 ÷ (+6) = +(18 ÷ 6) = +3 = 3 4 • ( –4) ÷ 9 = –(4 ÷ 9) = – 9 • ( –48) ÷ (–48) = +(48 ÷ 48) = +1 = 1 • (+ 8,1) ÷ (–0,9) = –(8,1 ÷ 0,9) = –9  3

 4

 3

 7

 3 3 7 7 

21 •  − 5  ÷  − 7  =  − 5  ×  − 4  = +  5×5×4×4  = 20

APLICAR CONHECIMENTOS V

Junte-se a um colega para realizar esta atividade. Uma pessoa estima o resultado de cada multiplicação e assinala o que mais se aproxima da resposta correta, e a outra pessoa confere com uma calculadora e escreve o resultado exato: –3 × 2,9

(

) –9

(

) –6

(

) –9,5

15,8 × (–1,2)

(

) –19

(

) –15,8

(

) 16

–0,5 × (–58)

(

) –29

(

) 29

(

) 2,9

Utilizando as regras de sinais da multiplicação e da divisão de números racionais negativos por números negativos, determine os seguintes produtos e cocientes. Se necessário, utilize uma calculadora. (–1) × (–10) =

(–121) ÷ (–1) =

(–0,5) × (–213,7) =

(–1,44) ÷ (–1,2) =

7º ano

391


Analise os seguintes cálculos que três estudantes efetuaram para obter cocientes. Assinale os que estão corretos e corrija os incorretos. Isabela escreveu: 1 5

– ÷ (

 2  −  3

=+

1 5

×

3 2

) Correto

= (

3 10

) Incorreto

Para efetuar 18,6 ÷ (–0,6), Paulo usou uma calculadora, digitando as teclas:

1 8 ∙ 6 ÷ 0 ∙ 6 = e escreveu 18,6 ÷ (–0,6) = 31. (

) Correto

(

) Incorreto

Renata resolveu assim:  1 –2,4 ÷  − 12  = + 24 ÷ 1 = + 24 × 12 = 288 = 28,8 12 10 10 10

(

) Correto

(

) Incorreto

EXERCITANDO MAIS

Veja a movimentação bancária seguinte: CAIXA DE DINHEIRO Movimento de conta-corrente especial Período: 01/10/2013 a 10/10/2013 Data: 16/12/2013 Hora: 19h36 Cliente: Maria Antônia da Silva Agência: 0123–4 Conta: 34567–1 Limite da conta: R$ 200,00 Data

Histórico

Documento

Valor

01/10/2013

SALDO ANTERIOR

02/10/2013

SAQUE

000000

67,00–

03/10/2013

SAQUE

000000

15,00–

03/10/2013

* CH COMPENSADO

135790

50,00–

04/10/2013

SAQUE

000000

73,00–

06/10/2013

REMUNERAÇÃO/SALÁRIO

000000

600,00+

07/10/2013

SAQUE

000000

43,00–

10/10/2013

SAQUE

000000

500,00–

10/10/2013

* CH COMPENSADO

135791

197,00–

100,00

Saldo em conta corrente:

Matemática

Saldo


A conta de Maria Antônia da Silva é do tipo “cheque especial” e tem o limite adicional no valor de R$ 200,00. Isso significa que ela pode ficar com saldo negativo até R$ 200,00 sem que sua conta seja fechada. No dia 10/10/2013 foi compensado (cobrado) um cheque de R$ 197,00. Qual o valor mínimo que a correntista deve depositar nesse dia para evitar que seu saldo negativo ultrapasse o limite e o cheque seja devolvido?

Uma pequena empresa que produz eventos e festas registrou o seguinte movimento financeiro (saídas e entradas) em setembro para posterior balanço mensal. Dia

Histórico

Valor (em R$)

4/9

Compras

980,00

4/9

Recebimento da 1a parcela do evento de 4/9

4 730,00

5/9

Pagamentos de salários e encargos

1 200,00

5/9

Pagamentos de fornecedores (floricultura: mês 8)

5/9

Pagamentos de fornecedores (bebidas: mês 8)

5/9

Pagamentos de fornecedores (doces: mês 8)

850,00

12/9

Compras

530,00

13/9

Pagamento de terceiros (cinco garçons)

13/9

Recebimento da 2 parcela do evento de 13/9

3 190,00

14/9

Recebimento de bebida consumida: evento de 13/9

1 800,00

20/9

Recebimento da 3 parcela do evento de 20/9

1 120,00

26/9

Compras

490,00

27/9

Pagamento de terceiros (três garçons)

240,00

27/9

Recebimento da 4a parcela do evento de 27/9

2 570,00

30/9

Pagamento de aluguel

2 000,00

30/9

Pagamento de taxas e impostos

1 200,00

a

a

490,00 2 300,00

400,00

Analisando a planilha de movimentação financeira, responda: o saldo da empresa em setembro foi positivo ou negativo? De quanto?

7º ano

393


É comum, em campeonatos de futebol, o uso de números positivos e negativos para registrar o saldo de gols (diferença entre os gols marcados e os gols sofridos). Os gols marcados são representados por números positivos, e os gols sofridos, por números negativos. Registre o saldo de gols das equipes na tabela ao lado.

Equipe

Gols marcados

Gols sofridos

A

49

13

B

35

29

C

30

27

D

31

31

E

22

25

Saldo de gols

Esta tabela registra temperaturas de algumas cidades num mesmo dia e hora. Cidade

Temperatura (°C)

Campos de Jordão

1° abaixo de zero

Florianópolis

10° acima de zero

Rio de Janeiro

21° acima de zero

Salvador

25° acima de zero

São Joaquim

5° abaixo de zero

São Paulo

14° acima de zero

Calcule as diferenças de temperatura entre as temperaturas de: • São Paulo e Salvador: • Rio de Janeiro e Florianópolis: • Florianópolis e Campos do Jordão: • São Joaquim e Campos do Jordão: • São Paulo e São Joaquim: • Salvador e Rio de Janeiro:

Em que cidades foram registradas a maior e a menor temperaturas e quais foram essas temperaturas?

Em uma compra a prazo, Maria Lilás deu ao vendedor da loja cinco cheques (pré-datados) de R$ 25,00 cada um para pagar as prestações mensais. Expresse essa operação financeira na forma de produto de um número positivo por um número negativo, indicando o débito dessa compra na conta corrente de Maria Lilás. PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS

Livros

A invenção dos números GUELLI, Oscar. A invenção dos números. São Paulo: Ática, 1998. (Coleção Contando a História da Matemática.)

Números com sinais GUELLI, Oscar. Números com sinais. São Paulo: Ática, 1998. (Coleção Contando a História da Matemática.)

Números negativos IMENES, Luiz Márcio; JAKUBOVIC, José; LELLIS, Marcelo. Números negativos. São Paulo: Atual, 1992. (Coleção Pra que serve a Matemática.)

394

Matemática


Capítulo

2

M AT E M ÁT I C A

O dia em duas rodas

A

Paulo Fridman/Pulsar Imagens

profissão de motobói é bem recente (essa palavra já está incorporada aos dicionários brasileiros, apesar de a forma mais usada ainda ser a palavra inglesa motoboy). Em 1984, na cidade de São Paulo, surgiram os primeiros entregadores profissionais que usavam motocicletas para prestar esse serviço. Estima-se que, nessa cidade, havia cerca de 800 mil motobóis em 2010, mas os números totais são incertos porque muitos não são registrados. A remuneração mensal de um motobói depende da quantidade de entregas que ele realiza diariamente, pois, quanto mais rápido efetuar a entrega de um pedido, mais tempo terá para um novo serviço. As atividades de consultar guias e mapas e traçar itinerários fazem parte do dia a dia de um motobói.

Motos se deslocam entre duas pistas da av. Vinte e Três de Maio, em São Paulo (SP), 2012. Os corredores improvisados de motos são muito comuns nas grandes cidades brasileiras. É um recurso (nem sempre seguro) usado principalmente por motobóis para escapar do congestionamento e fazer as entregas com rapidez.

7º ano

395


RODA DE CONVERSA

No trabalho de um motobói são utilizadas noções matemáticas e é comum o uso de expressões como “ruas paralelas”, “ruas perpendiculares”, “num raio de 10 quilômetros”, “sentido centro”, “segue nesta direção”, entre outras. Com seus colegas, tente explicar cada uma dessas expressões, de acordo com o que você conhece.

A HISTÓRIA DE DIONÍSIO São seis horas da manhã de uma quinta-feira quando Dionísio, em sua moto, deixa um bairro da periferia de São Paulo e se dirige ao trabalho. Ele trabalha para uma empresa que presta serviço de entregas. A empresa paga valores fixos aos seus motobóis para percursos compreendidos num raio de 50 km de sua sede. Para serviços que ultrapassem essa distância, há um acréscimo por quilômetro percorrido. A região onde não há acréscimo é determinada, portanto, por uma circunferência com centro na empresa e raio de 50 km.

CIRCUNFERÊNCIA A partir de um ponto em um plano (o centro), uma circunferência é uma linha formada por todos os pontos desse plano que estão a uma mesma distância do centro. raio Pode-se usar um compasso para desenhar uma centro circunferência. Todo segmento de reta que une o centro a um ponto da circunferência é um raio da circunferência. circunferência Aqui, a expressão “um raio” significa um segmento que une o centro de uma circunferência a qualquer um de seus pontos, e a expressão “o raio” significa a medida comum de todos os seus raios.

CÍRCULO Um círculo é uma figura formada por uma circunferência e por todos os pontos do mesmo plano da circunferência que distam menos que o raio do seu centro.

centro

raio círculo

396

Matemática


PARA REFLETIR

Você já reparou como os círculos e as circunferências estão presentes nas formas de muitos objetos? Que propriedade dos círculos deve ter chamado a atenção das pessoas na invenção da roda?

RETA Uma reta é uma linha que pode ser traçada com o auxílio de uma régua. Uma linha reta pode ser imaginada como uma figura (ideal) que não tem espessura e é ilimitada nos dois sentidos.

SEMIRRETA Uma semirreta (também uma figura ideal) é uma parte (região) da reta que não tem espessura, é limitada em um sentido por um ponto (origem), e ilimitada no outro sentido.

reta

origem

A

semirreta

SEGMENTO DE RETA Um segmento de reta também é uma figura ideal. É uma parte (região) da reta que não tem espessura e é limitada entre dois pontos da reta.

A

segmento de reta

B

EXPERIMENTAR I Ilustração digital: Luciano Tasso

Observe como usar uma régua para traçar segmentos de retas. A expressão “traçar uma reta” significa “traçar um segmento de reta” que irá representar a reta. a) Em uma folha de papel, desenhe cinco retas de margem a margem, de modo que cada duas delas tenham um ponto comum. Observe, na ilustração, como um estudante desenhou as três primeiras retas.

b) Quando você terminar de desenhar as cinco retas, é possível que vários polígonos tenham sido

formados. Escolha uma cor para pintar os triângulos (polígonos com três lados), outra para os quadriláteros (com quatro lados), e uma terceira para os outros polígonos (com mais de quatro lados). 7º ano

397


PARA CRIAR

Ilustrações digitais: Luis Moura

Observe as imagens. Elas mostram o uso de um compasso.

a) Utilizando um compasso, desenhe: • duas circunferências com raios diferentes, mas com o mesmo centro; • duas circunferências com raios iguais, mas com centros diferentes; • duas circunferências com centros diferentes, mas com pelo menos um ponto em comum. b) Trace uma circunferência com raio igual a 3 cm e, em seguida: • marque um ponto qualquer nessa circunferência; • mantendo a mesma abertura do compasso, coloque a ponta seca nesse ponto e marque um

“novo” ponto na circunferência; 398

Matemática


• a partir desse “novo ponto”, faça o mesmo para marcar outro ponto sobre a circunferência; • repita esse procedimento até marcar seis pontos; • trace seis circunferências tendo como centros os pontos marcados e mantendo a mesma

abertura do compasso (mesmo raio); • use cores para finalizar seu desenho.

USANDO UM GUIA DE RUAS Às oito horas da manhã, o motobói Dionísio recebe o primeiro trabalho do dia: retirar um documento num escritório, levá-lo para reconhecimento de firma no 14o Tabelionato de Notas e entregá-lo em uma empresa. Na ordem de serviço consta: Funcionário: Dionísio

Saída: 8h 20 min

Retirada: Rua Marquês de Itu, 276 – CEP 01223-000 Assinatura:

hora:

Reconhecer firma: Rua Antônio Bicudo, 64 – CEP 05418-010 Entrega: Rua Dr. Siqueira Campos, 10 – CEP 01509-020 Assinatura:

hora:

Retorno:

De posse da ordem de serviço, a primeira providência que Dionísio tomou foi consultar um guia de ruas da cidade. Usando o índice, ele localizou a rua Marquês de Itu, que estava identificada com o seguinte código: 69 T 20. Então, Dionísio soube que devia procurá-la na página 69. Nessa página havia um mapa que oferecia duas informações a ser seguidas de acordo com as informações que Dionísio havia encontrado: • uma letra (T) indicando uma linha (ou faixa horizontal) ; • um número (20) indicando uma coluna (ou faixa vertical). A região da página localizada no encontro dessas duas faixas continha a rua procurada. Nessa região do mapa ele procurou e encontrou a rua Marquês de Itu. A rua, segundo indicação do guia, é de mão única, e seu sentido é centro-bairro. 7º ano

399


Editora Abril

Fonte: Guia Quatro Rodas Ruas Sรฃo Paulo 2011, p. 69.

400

Matemรกtica


SENTIDO Quando consideramos uma reta, ela indica uma direção. Se tomarmos dois pontos, A e B, nessa reta, a direção AB pode ser percorrida em dois sentidos: • de A para B: A B • de B para A: B A Analisando o percurso, Dionísio descobriu também que a rua Marquês de Itu é paralela à rua General Jardim. Ao reconhecer que as duas ruas são paralelas, ele empregou um conceito da geometria associado às posições relativas de duas retas em um plano.

Duas retas contidas em um plano são paralelas quando elas não têm ponto comum.

r

As retas r e s ao lado estão no mesmo plano e são paralelas. Elas não se cruzam. Indicamos esse fato por meio da expressão:

s

r // s plano

Dionísio verificou também que as ruas General Jardim e Bento Freitas se cruzam. Duas retas que se cruzam são denominadas concorrentes. r

Duas retas são concorrentes quando possuem um único ponto em comum. s

As retas r e s ao lado são concorrentes. plano

APLICAR CONHECIMENTOS I

1. Vamos identificar retas no espaço (universo) em que vivemos.

Observe as paredes da sala de aula procurando linhas (no encontro de duas paredes, no encontro da parede com o teto). Identifique os pares de retas que são paralelas, os pares de retas que são concorrentes e um par de retas que não são nem paralelas nem concorrentes. 7º ano

401


2. No quadriculado ao lado, trace: a) duas retas paralelas r e s; b) uma terceira reta t paralela à reta s.

O que você pode concluir da posição da reta r em relação à reta t?

TRAÇANDO ITINERÁRIOS

Editora Abril

Ainda consultando o guia, Dionísio sabe que um dos caminhos para chegar à rua Marquês de Itu é pegar a rua da Consolação até a Igreja Nossa Senhora da Consolação e virar à esquerda na rua Rego Freitas. A terceira travessa à esquerda já é a Marquês de Itu. O número 276 fica no primeiro quarteirão. Dionísio, então, dirige-se ao seu primeiro destino. Lá, a recepcionista lhe entrega o envelope, marca a hora e assina a ordem de serviço. Agora, ele terá que ir até o cartório na rua Antônio Bicudo. O manuseio e o conhecimento do guia podem permitir a Dionísio traçar um itinerário.

402

Matemática


Uma das informações mais importantes em guias desse tipo é que os mapas oferecem uma orientação segundo os pontos cardeais. Na página de um guia existem três informações que mostram como se pode encontrar uma continuação desse mapa: • Para ir ao norte, basta seguir para a página mencionada na parte superior; no caso de Dionísio, página 52. • Para ir ao sul, basta seguir para a página mencionada na parte inferior; nesse caso, a página é a de número 86. • Para ir para oeste, basta voltar para a página anterior; nesse caso, é a página 68. • Para ir a leste, deve-se seguir para a página posterior; nesse caso, a página é a de número 70. Usando as informações do guia, Dionísio fez escolhas sobre o rumo a seguir (norte, sul, leste ou oeste) e verificou em que página do guia estava a continuação das ruas que ele deveria percorrer. Dessa forma, ele traçou o caminho para ir da rua Marquês de Itu, onde estava, até a rua Antônio Bicudo. Toda vez que ele passar de uma rua para uma travessa dessa rua, ele muda de direção. Essa mudança de direção determina um ângulo, formado pela nova direção em relação à direção inicial. Neste texto, ângulo também significa uma das duas regiões planas que é formada por duas semirretas com mesma origem. Veja as figuras seguintes:

Rua Marquês de Itu

ta

irre

sem ângulo

s

reta semir

vértice

ta

rre

i em

ângulo vértice

semirreta

GRAU: UMA UNIDADE DE MEDIDA DE ÂNGULO Existem algumas unidades de medidas de ângulo: a mais conhecida é o grau (representada por º). Uma das maneiras de construir um ângulo cuja medida é 1 grau (1º) é a seguinte: 7º ano

403


• desenha-se um círculo cujo raio pode ser

qualquer número positivo; • a seguir, desenham-se duas retas que se cruzam no centro do círculo e formam quatro ângulos de medidas iguais; • essas duas retas irão determinar quatro pontos sobre a circunferência desse círculo, como mostra a figura ao lado.

B

centro A

C

D

A circunferência ficará dividida em quatro arcos, denominados arcos da circunferência. Nesse caso, cada um desses arcos corresponde a 1 da circunferência. 4 Se dividirmos, por exemplo, o arco AB em 90 arcos iguais, então cada ângulo cujo vértice é o centro do círculo e contém um desses arcos é um ângulo com 1 grau (1º). Qualquer ângulo com 1 grau (1º) é uma unidade de medida de ângulo. Então, 1 da circunferência equivale a um ângulo reto com 90 graus (90º). 4 Quando você observou as retas nas paredes de sua sala de aula, provavelmente verificou que a maioria das retas concorrentes usadas na construção forma ângulos com 90 graus, chamados ângulos retos. Observando parte do mapa da página 402 podemos constatar que, quando Dionísio sai da rua Rego Freitas e pega a rua Marquês de Itu, ele faz um giro de 90 graus, pois a rua Rego Freitas e a Marquês de Itu são perpendiculares. Quando duas retas concorrentes formam ângulos retos, dizemos que elas são perpendiculares. Indicamos que duas retas r e s são perpendiculares com a expressão: r s. s

t

plano

Em uma figura, costumamos marcar um ângulo reto com o sinal . Os motobóis não dependem da medida de ângulos, pois os caminhos a percorrer já estão determinados pela ruas. Porém, navegadores de embarcações, pilotos de aviões e de rali, serralheiros, torneiros mecânicos, ortopedistas, médicos-cirurgiões precisam conhecer medidas de ângulos para praticar suas atividades. 404

Matemática


EXPERIMENTAR II

Pegue um pedaço de papel de qualquer formato.

Faça uma dobra nesse pedaço em qualquer posição e acentue bem o vinco formado.

Dobre mais uma vez o pedaço de papel, sobrepondo o vinco da dobra anterior. A “abertura” obtida corresponde a um ângulo de 90º.

Ilustrações digitais: Estúdio Pingado

Vamos “construir” um ângulo reto. Para isso: Abra o pedaço de papel. Os vincos determinam retas perpendiculares que formam quatro ângulos retos (de 90°).

APLICAR CONHECIMENTOS II

1. Quando o ponteiro de um relógio dá uma volta completa, quantos graus ele gira? 2. Dionísio está percorrendo uma rua num determinado sentido e descobre que errou o caminho.

Ele faz meia-volta e passa a percorrer a mesma rua no sentido contrário. De quantos graus foi a volta que ele fez?

MEDIDAS DE ÂNGULOS E POLÍGONOS Ilustrações digitais: Estúdio Pingado

Um instrumento que pode ser usado para medir ângulos é um transferidor. Para determinar a medida de um Transferidor ângulo, coloque o transferidor sobre ele, fazendo coincidir o vértice do ângulo com o ponto do transferidor identificado na figura por O e colocando a marca de 0o sobre uma de suas semirretas. A outra semirreta deverá estar na 30 região graduada do transferidor. A marca graduada na qual essa semirreta passa é a medida do ângulo. o

A medida do ângulo da figura acima é de 30°.

7º ano

405


Ângulos com medidas menores que 90° são chamados ângulos agudos. Ângulos com medidas maiores que 90° e menores que 180° são chamados ângulos obtusos. Ângulo reto

Ângulo agudo

Ângulo obtuso

Os nomes dos polígonos podem estar relacionados com os respectivos números de seus lados, mas podem estar relacionados, também, com outras características. O nome “triângulo”, por exemplo, indica um polígono com três ângulos. Triângulos retângulos são muito usados em construções de casas, grandes prédios, veículos, móveis, estruturas de engenharia.

QUADRILÁTEROS Entre os polígonos com quatro lados, chamados quadriláteros, alguns possuem lados ou ângulos com características especiais, o que nos possibilita classificá-los. Observe se há paralelismo entre os lados de cada figura e os nomes correspondentes das figuras em cada caso. Nenhum par de lados paralelos

Um único par de lados paralelos

Dois pares de lados paralelos

trapézios

paralelogramos

Observe a existência de ângulos retos: Nenhum ângulo reto

Dois ângulos retos

trapézio retângulo

406

Matemática

Quatro ângulos retos

retângulo

quadrado


Observe a existência de lados com a mesma medida: Apenas dois lados com a mesma medida

Dois pares de lados com a mesma medida

Quatro lados com a mesma medida

losango

trapézio isósceles

quadrado

Quadrados são quadriláteros que têm todos os lados com medidas iguais e todos ângulos com medidas iguais. Todo quadrado é um polígono regular. Em geral, polígonos que têm lados com as mesmas medidas e ângulos com as mesmas medidas chamam-se polígonos regulares. APLICAR CONHECIMENTOS III

1. Os triângulos podem ser classificados de acordo com as medidas de seus lados. Triângulo equilátero: possui os três lados com a mesma medida.

Triângulo isósceles: possui pelo menos dois lados com a mesma medida.

Triângulo escaleno: possui os três lados com medidas duas a duas diferentes.

a) Meça os ângulos de cada um dos triângulos e escreva quais são as suas medidas:

Triângulo equilátero: Triângulo isósceles: Triângulo escaleno: b) O que você conclui sobre as medidas dos ângulos de um triângulo equilátero? c) Para cada um dos triângulos, calcule a soma das medidas de seus ângulos internos: • Soma das medidas dos ângulos internos do triângulo equilátero: • Soma das medidas dos ângulos internos do triângulo isósceles: • Soma das medidas dos ângulos internos do triângulo escaleno: d) Qual é sua conclusão a respeito dessas três somas?

7º ano

407


2. Um triângulo equilátero é um polígono regular? Justifique sua resposta.

EXPERIMENTAR III

1

1

Leve para lá e encaixe

1 Troque as posições

2

3

2

3

2

1

3

Ilustração digital: Planeta Terra Design

Uma importante propriedade dos triângulos é a soma das medidas de seus ângulos internos. Para verificá-la siga as seguintes etapas: • desenhe um triângulo qualquer em uma folha de papel e recorte-o; • recorte os seus três ângulos, preservando suas medidas; • desenhe uma reta em uma folha de papel e coloque sobre ela os três ângulos obtidos na figura anterior, de acordo com a ilustração abaixo; • após o encaixe sugerido, responda: qual é a soma das medidas dos ângulos identificados por 1, 2 e 3?

2

3

1

1

1 3 2

3

2

2

3

1

2

3

Complete a seguinte conclusão: Em qualquer triângulo, a soma das medidas de seus ângulos internos é

SISTEMA DE COORDENADAS CARTESIANAS A leitura de guias de ruas de uma cidade pode ser considerada uma aplicação de um conceito matemático denominado sistema de coordenadas cartesianas, nome que foi dado em homenagem a um de seus criadores, o filósofo e matemático francês René Descartes (1596-1650), cujo nome latino era Cartesius.

PLANO CARTESIANO Dois eixos perpendiculares em um plano determinam um sistema de coordenadas cartesianas, também conhecido como sistema de coordenadas retangulares. Esses eixos costumam receber os seguintes nomes: eixo das abscissas e eixo das ordenadas. As posições desses eixos dependem da escolha de cada um. Veja as figuras a seguir: 408

Matemática

.


eixos das ordenadas

eixos das abscissas

eixos das ordenadas

eixos das abscissas

Em geral, na literatura destinada ao ensino de Matemática, a figura da esquerda parece ter preferência com relação à figura da direita. Por causa disso, manteremos essa tradição. Em um plano cartesiano, cada um de seus pontos pode ser localizado por um par ordenado de números chamados coordenadas cartesianas. O ponto P na figura seguinte tem coordenadas 3 e 4 e pode ser representado pelo par ordenado (3;4).

4

eixos das ordenadas

ordenada do ponto P

P

3

eixos das abscissas

4

eixos das ordenadas P

3

eixos das abscissas

abscissa do ponto P

A abscissa do ponto P é 3, e a sua ordenada é 4. Para representar que as coordenadas do ponto P são os números 3 e 4, nessa ordem, pode-se escrever P = (3;4). O ponto comum aos dois eixos coordenados chama-se origem e costuma ser ordenada abscissa representado pela letra O. O ponto O tem abscissa e ordenada iguais a zero. Pode-se escrever O = (0;0). A estrutura dos guias de ruas de uma cidade apoia-se nesse conhecimento maorigem O temático, pois usa duas informações (um número e uma letra) para que seja possível a localização de uma rua no mapa.

7º ano

409


APLICAR CONHECIMENTOS IV

No plano cartesiano a seguir, estão representados os pontos O, A, B, C e D. O ponto O é a origem do sistema. a) Determine as coordenadas dos pontos A, B, C e D.

B D

b) Localize e marque no plano os seguintes pontos:

C

O

E = (–1;6); F = (0;4); G = (5;–3) e H = (2;3) c) Usando uma régua, desenhe a reta que passa pelo ponto A e pelo ponto B.

A

Essa reta passa por algum ponto que você localizou no item b? Se sim, qual?

EXERCITANDO MAIS

1. Construa um hexágono usando um compasso e uma régua. Para isso: a) Desenhe uma circunferência qualquer. b) Marque um ponto qualquer nessa circunferência e nomeie-o A. c) Mantendo a mesma abertura do compasso, coloque a ponta seca no ponto A e marque um

outro ponto na circunferência. Nomeie-o B. d) A partir do ponto B, marque sobre a circunferência os pontos C, D, E e F usando os mesmos procedimentos anteriores. e) Desenhe os segmentos AB, BC, CD, DE, EF e FA. O hexágono que você desenhou é regular. Por quê? 2. Observe as ilustrações a seguir e determine, em cada uma delas, a medida do menor ângulo formado pelos ponteiros do relógio. Em seguida, classifique esses ângulos utilizando os seguintes símbolos: (A) para ângulos agudos (O) para ângulos obtusos (R) para o ângulo reto a) 6h ou 18h

b) 3h ou 15h

11 10 9 8

7

12

6

1

5

11 10 9

2 3 4

8

( 410

Matemática

)

7

12

6

1

5

2 3 4

(

)


c) 1h ou 13h

d) 5h ou 17h

11 10 9 8

7

12

1

5

6

11 10 9

2 3 4

8

(

7

)

12

6

1

5

2 3 4

(

)

3. Determine a medida x dos ângulos em cada uma das imagens seguintes na unidade grau: a)

b)

40°

60° x°

4. Observe a figura seguinte: a) Determine as coordenadas de cada

eixo das ordenadas

um dos oito pontos destacados. b) Desenhe a reta passando pelos pontos A e B. Veja que ela é paralela ao eixo das abscissas. Sabendo disso, qual é a conclusão sobre as ordenadas de A e B?

F C

A

B

D G O

E eixo das abscissas

5. Usando o quadriculado abaixo, faça o que se pede: a) Localize os três pontos determinados pelos pares de coordenadas (1; 1); (7; 7) e (11; 3).

Nomeie esses pontos usando letras do alfabeto latino.

7º ano

411


b) Usando uma régua, desenhe os segmentos determinados pelos três pontos obtidos no item a.

Que figura você obteve? c) Localize os quatro pontos determinados pelas coordenadas (1;2); (8;7); (11;5); (4;0).

Nomeie esses pontos usando letras do alfabeto latino. d) Usando uma régua, desenhe os segmentos determinados pelos quatro pontos obtidos no item c, na ordem em que foram dados, para obter um paralelogramo. e) O que se pode concluir a respeito das medidas de seus lados e de seus ângulos? eixo das ordenadas

eixo das abscissas

PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS

Livros

Ângulos IMENES, Luiz Márcio; JAKUBOVIC, José; LELLIS, Marcelo. Ângulos. São Paulo: Atual, 1992. (Coleção Pra que serve a Matemática.)

Em busca das coordenadas ROSA NETO, Ernesto. Em busca das coordenadas. São Paulo: Ática, 2001. (Coleção A descoberta da Matemática.)

Geometria IMENES, Luiz Márcio et al. Geometria. São Paulo: Atual, 1992. (Coleção Pra que serve a Matemática.)

Geometria das dobraduras IMENES, Luiz Márcio. Geometria das dobraduras. São Paulo: Scipione, 1992.

Matemática divertida e curiosa TAHAN, Malba. Matemática divertida e curiosa. Rio de Janeiro: Record. 1994.

412

Matemática


Capítulo

3

M AT E M ÁT I C A

Conectando

A

Delfim Martins/Pulsar Imagens

história dos computadores está associada à invenção de máquinas de fazer cálculos. Ábacos, máquinas manuais de calcular e máquinas perfuradoras de cartões podem ser considerados os primeiros computadores construídos pela humanidade. Os computadores atuais, além de fazer cálculos, são usados para processar dados, textos, figuras, gráficos, movimentos, sons. O precursor dos computadores atuais foi construído em 1946, na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Hoje, essas máquinas já fazem parte da vida de jovens como Cláudio, que, aos 17 anos, trocou a mecânica de automóveis pela paixão por computadores. Quando o dono da mecânica em que ele trabalhava GLOSSÁRIO comprou um microcomputador para cadastrar clientes, arInformática: um setor dos conhecimentos humanos que abrange computadores, quivar fichas de serviços, informações sobre os empregados, softwares (pronuncia-se “sóftueres”), compras e contas a pagar, Cláudio passou a se interessar pelo programação, realidade virtual, videogames (videojogos) e tudo o que está trabalho de produção de textos, tabelas, gráficos, desenhos, relacionado com computadores. e começou a ler sobre informática.

Na foto, jovem e instrutor montam computador durante oficina de informática oferecida no Parque da Juventude, em São Paulo (SP), 2010.

7º ano

413


RODA DE CONVERSA

• • • •

Você se interessa por computadores? No local onde você vive as pessoas manifestam interesse pela informática? Na sua opinião, por que isso acontece? No seu município, o acesso à informática é facilitado para a população? Quais são as oportunidades oferecidas?

UM BIT, DOIS SÍMBOLOS

Tela (monitor)

Teclado

Gabinete contendo CPU, disco rígido etc.

Ilustração digital: Luis Moura

Ao avançar nos estudos sobre computadores, um aspecto chamou a atenção de Cláudio: as unidades de medida com nomes estranhos, geralmente escritas em inglês. Ao tentar compreender os significados dessas unidades de medida, ele observou que muitas palavras contêm, em sua formação, a expressão “bit” (binary digit, em inglês, que significa “dígito binário”). O bit é a menor unidade de medida utilizada para medir a quantidade de informações que um computador pode armazenar.

Mouse

Nos computadores atuais, os bits correspondem a microtransmissores que compõem a memória. Bastam um símbolo para representar um bit, por exemplo, 0 e 1. Por isso, podemos considerar que toda informação armazenada na memória de um computador e toda instrução dada para um computador é como uma palavra ou expressão formada apenas com os símbolos 0 e 1. Há apenas duas “palavras” com 1 bit: 0 e 1. Há quatro “palavras” com 2 bits: 00, 01, 10 e 11, cada uma com um único significado. Há oito “palavras” com 3 bits: 000, 001, 010, 011, 100, 101, 110 e 111, cada uma com um único significado. 414

Matemática


Para visualizar os arranjos possíveis com um, dois, três ou mais bits, pode-se contar com um recurso gráfico chamado árvore de possibilidades, apresentado nos esquemas a seguir. 000 00

00

01

01

011 100

3 bits

2 bits

1 bit

10

10

101 110

1

1

1

11

11 Para um bit, são duas possibilidades.

001 010

0

0

0

Para dois bits, são quatro possibilidades.

111 Para três bits, são oito possibilidades.

Observando as árvores de possibilidades, nota-se que, a cada bit acrescentado às “palavras” com 1 bit, com 2 bits, com 3 bits, o número de novas “palavras” dobra em relação ao número de “palavras” anteriores. Para “palavras” com 4 bits, há 16 arranjos; para “palavras” com 5 bits, há 32 arranjos, e assim por diante.

APLICAR CONHECIMENTOS I

Observe a árvore genealógica de Cláudio. Considere que ele é o último elemento da árvore na qual os elementos anteriores representam alguns de seus ascendentes: pais, avós, bisavós. São as gerações passadas de sua família.

Cláudio

Clara

José

Joca

Ana

Francisco

Rosana

Josefina

João

Severino

Alírio

Cláudia

Maria

Lourdes

Cláudio

Com base na árvore genealógica de Cláudio, responda: Quantas gerações de pessoas aparecem nessa árvore? Quantas pessoas estão representadas? 7º ano

415


Faça um levantamento com seus familiares para obter informações sobre seus ascendentes: pais, avós, bisavós paternos e maternos. Com essas informações, construa a árvore genealógica de seus ascendentes, se possível até a geração dos seus bisavós. Registre os nomes das pessoas e, quando houver a informação, o local e o ano em que nasceram. Imagine uma árvore genealógica composta de 15 pessoas. Quantas gerações estarão representadas nessa árvore? Quantas pessoas estarão representadas numa árvore genealógica formada por seis gerações?

BYTE Quando um símbolo qualquer é digitado no teclado de um computador, um byte (lê-se “baite”) da memória da máquina é ocupado por ele. Por exemplo, a palavra “balada”, escrita com seis letras, ocupa 6 bytes de memória. O número 123 ocupa três bytes; o símbolo $ ocupa um byte; o nome Cláudio Manoel de Souza ocupa 23 bytes, ou seja, vinte letras e três espaços em branco. Cada byte é um arranjo de 8 bits. Pensando nos diferentes arranjos que podem ser feitos com 0 e 1, é possível imaginar uma razoável quantidade de expressões que são utilizadas em computadores para representar letras, símbolos, espaços em branco. Veja algumas dessas expressões: 00000000; 0000000100000010; 00000011; 00000100

A lém desses, existem muitos outros arranjos. Por exemplo, qua ndo o núm ero 5 é digitado no teclado do computador, essa ação pode ser expressa na linguagem biná ria como: 00110101.

APLICAR CONHECIMENTOS II

V amos trabalhar com dobraduras. Provi dencie uma folha de jornal e dobre-a ao meio, obtendo dois retâ ngulos iguais. D obre-a uma segunda ve z, para obter qua tro retâ ngulos iguais.

416

Matemática

Número de dobraduras

Número de retângulos iguais

1

2

2

2×2=4

3

2 × 4 = 2 × (2 × 2) = 2 × 2 × 2 =

4

2 × 8 = 2 × (2 × 2 × 2) = 2 × 2 × 2 × 2 =

5


Dobre-a ainda uma terceira, quarta e quinta vezes e registre o número mínimo de retângulos obtidos após cada dobradura. Complete a tabela anterior. Represente, sob forma de produto com fatores iguais a 2, o número de retângulos iguais que podem ser obtidos na quinta dobradura e determine o seu valor. Calcule o número de retângulos que seriam formados após uma sexta dobradura. Com base na tabela, represente, sob a forma de produto com fatores iguais a 2, o número de retângulos iguais que poderiam ser obtidos após a sétima dobradura.

Uma forma possível para eliminar algum impasse é jogar cara ou coroa utilizando uma moeda. Observe o que pode acontecer quando uma moeda é lançada duas vezes seguidas. Complete a tabela ao lado registrando todas as sequências de caras e coroas que podem ocorrer, considerando os resultados de dois lançamentos.

Quantas sequências de caras e coroas podem ocorrer se uma moeda for lançada:

Casos 1o caso 2o caso

Primeiro lançamento

Segundo lançamento

cara coroa

3o caso

• três vezes? • quatro vezes?

NO MUNDO DAS POTÊNCIAS A palavra “potência” possui vários significados e aplicações, tais como: • A potência daquele carro é de 150 cavalos. • A potência daquela lâmpada é de 150 velas. • A potência daquela usina hidrelétrica é de 15 milhões de quilowatts. A palavra “potência” também é usada em Matemática. Para verificar como ela ocorre em matemática, retomemos todos os arranjos possíveis para formar um byte, construindo uma árvore de possibilidades, como foi mostrado com 1 bit, 2 bits e 3 bits. Com 8 bits, a árvore de possibilidades poderá ficar muito grande. Assim, é conveniente encontrar outra forma de obter esses arranjos recorrendo ao conhecimento das potências. Com esses 256 arranjos é possível representar as letras do alfabeto, os algarismos do sistema decimal, os acentos, os pontos, os parênteses, os espaços, e outros símbolos e outras funções que podem ser digitados no teclado do computador. 7º ano

417


Como o produto 2 × 2 × 2 × 2 × 2 × 2 × 2 × 2 possui 8 fatores iguais a 2, então esse produto pode ser representado por 28. A expressão 28 pode ser lida das seguintes maneiras: “dois elevado à oitava potência”, “dois elevado à oitava” ou ainda “dois elevado a oito”. Bits

Número de combinações possíveis

1

21 = 2

2

22 = 2 × 2 = 4

3

23 = 2 × 2 × 2 = 8

4

24 = 2 × 2 × 2 × 2 = 16

5

25 = 2 × 2 × 2 × 2 × 2 = 32

6

26 = 2 × 2 × 2 × 2 × 2 × 2 = 64

7

27 = 2 × 2 × 2 × 2 × 2 × 2 × 2 = 128

8

28 = 2 × 2 × 2 × 2 × 2 × 2 × 2 × 2 = 256

Nesse exemplo, o número 2 é chamado base da potência, e o número 8 é denominado expoente da potência. O número 256 é a potência de base 2 e expoente 8. Potência é o resultado da aplicação da potenciação. A potenciação é uma operação numérica aplicada aos números racionais, assim como a adição, a subtração, a multiplicação e a divisão. Ao mesmo tempo, as potências são uma forma abreviada de escrever números.

Uma potência pode ser considerada um produto de fatores iguais, desde que o expoente seja um número inteiro positivo maior que 1. Acompanhe como podem ser feitas as leituras de algumas potências: • 32: “três ao quadrado” ou “três elevado à segunda potência”. • 33: “três ao cubo” ou “três elevado à terceira potência”. • 34: “três à quarta” ou “três elevado à quarta potência”. De modo semelhante, leem-se 310 como “três elevado à décima potência”, e 315 como “três elevado à décima quinta potência”. Existem potências especiais para as quais os matemáticos também criaram regras especiais. É o caso das potências com expoente zero ou um. Observe as informações que aparecem no quadro a seguir. 418

Matemática


35

35 ÷ 3 = 34

34 ÷ 3 = 33

33 ÷ 3 = 32

32 ÷ 3 = 31

31 ÷ 3 = 30

243

243 ÷ 3 = 81

81 ÷ 3 = 27

27 ÷ 3 = 9

9÷3=3

3÷3=1

÷3

÷3

÷3

÷3

÷3

Pela análise das informações que aparecem na tabela, podemos identificar o símbolo 31 com 3 e o símbolo 30 com 1. Tais indicações podem ser feitas para quaisquer bases, desde que não sejam iguais a 0.

Todo número elevado ao expoente 1 é igual a ele mesmo. Todo número elevado ao expoente zero é igual a 1.

APLICAR CONHECIMENTOS III

Retome a árvore genealógica de seus ascendentes. Utilizando a forma de potência, represente o número de pessoas que aparecem em cada uma das gerações anteriores.

Sandra recebeu pela Internet uma corrente, da qual decidiu participar. Para isso, ela reenviou o e-mail para as amigas: Maria, Gorete e Elisabete. Para

Maria <maria@cicrano.com.br>; Gorete <gorete@cicrano.com.br>; Elisabete <elisabete@cicrano.com.br>

Assunto

Corrente

Corrente do amor Para arrumar namorado, no primeiro dia do mês de junho, acenda uma vela para Santo Antônio e repita três vezes este pedido: “Meu querido Santo Antônio, se você não quiser passar o resto do ano de cabeça para baixo, me arrume um namorado que seja bonito, rico e jovem”. Peça com bastante fervor e envie esta mensagem para três pessoas. Se ninguém quebrar a corrente, a partir de 12 de junho, todas as garotas que entrarem na corrente encontrarão sua cara-metade. Confie! Entre na corrente do amor e comprove seus resultados.

7º ano

419


Veja no esquema a seguir a formação da corrente três dias depois que Sandra a recebeu.

De acordo com o esquema, quantas pessoas participaram da corrente? Sandra representa o primeiro nível da corrente. Maria, Gorete e Elisabete representam o segundo. Complete a soma a seguir com o número de pessoas que representam o terceiro e o quarto níveis e calcule o número de pessoas que participam da corrente até esse nível: 1+3+

+

=

Observe que o número de possibilidades e a escrita matemática correspondente podem ser acompanhados passo a passo na tabela abaixo. Represente a escrita matemática que indica a quantidade de pessoas na terceira etapa da corrente. Etapa

Participantes

Número de participantes da corrente

0

Sandra

1

1

Sandra, Maria, Gorete, Elisabete

1+3=4

2

Sandra, Maria, Gorete, Elisabete e mais três amigas de cada amiga de Sandra

1 + 3 + 3 × 3 = 13

3

As treze pessoas indicadas na etapa 2 da corrente e mais três amigas de cada uma das amigas de Maria, de Gorete e de Elisabete

1+3+3×3+

=

Imagine que houve uma quarta etapa nessa sequência e represente-a por meio de uma escrita matemática. É possível escrever o número de participantes que fazem parte de cada nível da corrente por meio de uma soma cujas parcelas são potências de base 3, exceto na etapa 0. Matemática


Complete as duas úl timas etapas da tabela. Etapa

Número de participantes da corrente

0

1

1

1+3=4

2

1 + 3 + 32 = 13

3

1 + 3 + 32 + 33 = 40

4

1 + 3 + 32 + 33 + 34 = 121

5 6

Observe este “triângulo” numérico. 1 1

1

1 1 1 1 1

6

2 3

1 3

4 5

1a linha

6 10

1 4

10

15

20

1 5

15

1 6

1

Complete-o com as 8a, 9a e 10a linhas. Complete esta tabela calculando a soma dos elementos de cada linha do triângulo numérico. Linha

1a

2a

3a

4a

5a

6a

7a

8a

9a

10a

Soma

Qual é a relação entre a soma dos números de uma linha e a soma dos números da linha seguinte?

7º ano


Como você poderia indicar, em forma de potência, a soma dos elementos da oitava linha? E da décima linha? Como você indicaria a soma dos elementos da décima segunda linha sem escrever a sequência de números?

CÁLCULOS E PROPRIEDADES DAS POTÊNCIAS Observe nos quadros abaixo como são realizados os cálculos de potências com bases inteiras e racionais e com expoentes inteiros e positivos: Potência

22

(–2)2

33

(–3)3

Resultado

2×2=4

(–2) × (–2) = 4

3 × 3 × 3 = 27

(–3) × (–3) × (–3) = –27

Potência

0,52

Resultado

0,5 × 0,5 = 0,25

(–0,5)2

 2   3

Potência

Resultado

2

3

×

2

3

0,33

(–0,3)3

(–0,5) × (–0,5) = 0,25 0,3 × 0,3 × 0,3 = 0,027

2

=

 2  −  3

4 9

2

 2  2 4  −  ×  −  = 9 3 3

 2   5

(–0,3) × (–0,3) × (–0,3) = –0,027

3

 2  −  5

3

8  2  2  2  −  ×  −  ×  −  = − 5 5 5 125

2 2 4 × = 5 5 25

POTÊNCIAS COM EXPOENTES NEGATIVOS Em situações de estudo e pesquisa realizadas em Física, Biologia e outros campos do conhecimento, é possível encontrar potências com expoentes negativos. Acompanhe a regra de formação da sequência numérica a seguir, que mostra o significado de uma potência com expoente negativo. 33

33 ÷ 3 = 32

32 ÷ 3 = 31

31 ÷ 3 = 30

30 ÷ 3 = 3–1

27

27 ÷ 3 = 9

9÷3=3

3÷3=1

1÷3=

÷3

÷3

÷3

1 3

÷3

Analisando a última sequência numérica, observa-se que é possível identificar a expressão 3–1com a expressão 1 , ou seja, 3–1= 1 . 3 3 Ao mesmo tempo, 3–1 e 1 são duas formas de escrever o número: 0,3333... = 0,3. 3

Matemática


O número 1 é denominado inverso multiplicativo do número 3. 3 1 A razão disso é que 3 × = 1. 3 Portanto, o inverso multiplicativo do número 3 também pode ser representado por 3–1. Observe no quadro seguinte uma ampliação da sequência numérica que mantém a mesma regra de formação já mencionada e inclui outras potências com expoentes negativos: 37

36

35

34

33

32

31

30

3–1

3–2

3–3

3–4

3–5

3–6

3–7

2 187

729

243

81

27

9

3

1

1 3

1 9

1 27

1 81

1 243

1 729

1 2187

÷3

÷3

÷3

÷3

÷3

÷3

÷3

÷3

÷3

÷3

÷3

÷3

÷3

Também é possível efetuar cálculos mais elaborados envolvendo números representados na forma de potência. Para compreender como isso acontece, é importante conhecer algumas propriedades da potenciação.

MULTIPLICAÇÃO DE POTÊNCIAS COM BASES IGUAIS O produto de duas potências com bases iguais pode ser escrito como uma só potência, mantendo-se a base e somando-se os expoentes. Você pode verificar a validade dessa regra em alguns exemplos: • Para calcular o produto de 32 por 34, você pode fazer da seguinte forma:

32 × 34 = (3 × 3) × (3 × 3 × 3 × 3) = 9 × 81 = 729

Agora, aplicando a regra, temos:

32 × 34 = 32+4 = 36 = 3 × 3 × 3 × 3 × 3 × 3 = 729

• (–4)2 × (–4)4 = (–4)2+4 = (–4)6 = (–4) × (–4) × (–4) × (–4) × (–4) × (–4) = 4 096 • (–2)3 × (–2)4 = (–2)3+4 = (–2)7 = (–2) × (–2) × (–2) × (–2) × (–2) × (–2) ×

× (–2) = –128 2

2

2 2 2 •   ×   =   3 3 3 2

 1 1  1   × =   5 5 5

2 +1

32 2 2 2

2 2 +212+21+12+1

2+ 2

=

 2   3

322+321+312+31

4

=

3 32+31

 2   3

×

 2   3

×

 2   3

×

 2   3

=

24 34

=

16 81

3

3 3 3 3 3 3 3 3 3 1  111 1 111 11111111111 11111111111111111111 111111 111111111111111111 1 111 1 1 × == = === =× × =  =× ×××== ××=  = =××××===== =×====== ==×× ×==×× ××  ×= ×=× === =3 ×3==3= = = 3 = •=  555=× 5 555 55555555 555 5= 55555555355= 125 555555555×555555 55×5553553535125 553= 125 5125 5125 5 5 5 125 5125 1255 125

7º ano

÷3


DIVISÃO DE POTÊNCIAS DE BASES IGUAIS O cociente de duas potências com bases iguais (diferentes de zero) pode ser escrito como uma só potência, mantendo-se a base e subtraindo-se os expoentes. Essa também é uma regra sempre verdadeira. Veja alguns exemplos: • Para calcular o cociente da divisão de 25 por 23, pode-se fazer o seguinte: 25 ÷ 23 = (2 × 2 × 2 × 2 × 2) ÷ (2 × 2 × 2) = 32 ÷ 8 = 4

Se aplicarmos a regra, temos: 25 ÷ 23 = 25–3 = 22 = 4 • 35 ÷ 37 = 35–7 = 3–2 =

ou • 35 ÷ 37 =

35 37

=

1 32

=

1 9

3×3×3×3×3 3×3×3×3×3×3×3

=

1 3×3

=

1 32

=

1 9

POTÊNCIA DE POTÊNCIA A potência de uma potência pode ser escrita como uma só potência, mantendo-se a base e multiplicando-se os expoentes. Veja alguns exemplos: • Para calcular (23)2, pode-se escrever: (23)2 = (2 × 2 × 2)2 = 82 = 8 × 8 = 64 ou 3 2 3 3 (2 ) = 2 × 2 = 23+3 = 26 = 64

Se você aplicar a última regra, temos: (23)2 = 23×2 = 26 = 2 × 2 × 2 × 2 × 2 × 2 = 64 • [(–5)2]2 = (–5)2×2 = (–5)4 = 625 • [(–3)3]3 = (–3)3×3 = (–3)9 = –19 683 3 33 3 3 3

1121212121212 1 21×321×231×231×321×231×361 6161166116616161116116 1 1 11 1 1 1 = =6=6=6== == = = == = = ==== =  = = =  === 6 =6==6== == 6 6 6= 6 6 6= 3729 3729 729 729 729  3 333333 3 3 3 3 3 3 33 3 33333 333333 3729

APLICAR CONHECIMENTOS IV

Calcule o valor de cada uma das seguintes potências de base 3: 31 =

33 =

35 =

37 =

39 =

32 =

34 =

36 =

38 =

310 =

Matemática


Agora, confira os resultados usando uma calculadora. Dica Para conferir o resultado de 310 usando uma calculadora comum, digite:

3 ×

= = = = = = =

= =

Ao digitar:

3 ×

=

, a calculadora exibe em seu visor o número 9, que é o resultado de 32.

Ao pressionar pela segunda vez a tecla Logo, se você pressionar a tecla visor da calculadora?

=

=

, a calculadora exibe o número 27, que é igual a 33.

9 vezes, estará calculando 310. Será que o resultado dessa potência cabe no

DE VOLTA AO COMPUTADOR No caso dos computadores, também é possível usar a forma de potência para representar as unidades de medida de capacidade de informação em suas placas de memória. Uma unidade utilizada para medir a capacidade de memória disponível num computador é o quilobyte (pronuncia-se “quilobaite”). A palavra de origem grega que costuma ser usada para significar 1 000 é “quilo”, cujo símbolo é k. Daí o nome quilobyte e o símbolo kB ou K. 1 kB = 210 = 2 × 2 × 2 × 2 × 2 × 2 × 2 × 2 × 2 × 2 = 1 024 bytes

pois 1 024 pode ser considerado um valor numérico próximo de 1 000. Entre as unidades de armazenamento de informação que podem ser guardadas em um computador, o quilobyte é considerado uma unidade especial, pois, a partir dele, podem-se obter outras unidades de quantidade de informação, tais como: • megabyte (abrevia-se MG) corresponde a 1 024 kB = 1 0242 bytes = = (210)2 = 220 bytes; • gigabyte (abrevia-se GB) corresponde a 1 024 MB = 1 0243 bytes = (210)3 = = 230 bytes; • terabyte (abrevia-se TB) corresponde 1 024 GB = 1 0244 bytes = (210)4 = = 240 bytes. Porém, as palavras (prefixos) quilo, mega, giga e tera possuem significados tradicionais: • quilo significa um mil ou 1 000; • mega indica um milhão ou 1 000 000; 7º ano


• giga indica um bilhão ou 1 000 000 000; • tera indica um trilhão ou 1 000 000 000 000.

Logo, quando afirmamos que 1 kB = 103 bytes = 1 000 bytes, estamos fazendo uma aproximação adequada, pois trabalhar com potências de base 10 parece ser mais simples do que trabalhar com potências de base 2. No quadro seguinte, podem ser observadas as relações que existem entre os valores precisos das unidades quilobyte, megabyte, gigabyte e terabyte na base 2 e seus valores correspondentes e aproximados na base 10: Unidade

Valor preciso

Valor aproximado

Diferença (em valor absoluto)

quilobyte (kB)

210 = 1 0241 = 1 024

103 = 1 000

24

megabyte (MB)

220 = 1 0242 = 1 048 576

106 = 1 000 000

48 576

gigabyte (GB)

230 = 1 0243 = 1 073 741 824

109 = 1 000 000 000

73 741 824

terabyte (TB)

240 = 1 0244 = 1 099 511 627 776

1012 = 1 000 000 000 000

99 511 627 776

Os números indicados por essas medidas da informática são muito grandes. Eles são bons exemplos de que a aplicação de um conhecimento matemático, no caso, a potenciação, é um valioso recurso para representar quantidades “astronômicas”.

POTÊNCIAS DE BASE 10 Números representados no sistema de numeração decimal podem ser escritos em forma de potências de base 10, conforme observado no quadro a seguir: Relações no sistema de numeração decimal Trilhão 1 000 000 000 000

Bilhão

Milhão

1 000 000 000 ÷ 1 000

1 000 000 ÷ 1 000

Milhar 1 000 ÷ 1 000

1 000 = 10 × 10 × 10 = 103 1 000 000 = 10 × 10 × 10 × 10 × 10 × 10 = 106 1 000 000 000 = 10 × 10 × 10 × 10 × 10 × 10 × 10 × 10 × 10 = 109 1 000 000 000 000 = 10 × 10 × 10 × 10 × 10× 10 × 10 × 10 × 10 × 10 × 10 × 10 = 1012 APLICAR CONHECIMENTOS V

Vamos trabalhar com potências de base 10. Observe como é possível escrever um “número grande” usando a forma de produto e a forma de potência: 900 000 é o mesmo que 9 × 100 000. Ou, ainda: 9 × 10 × 10 × 10 × 10 × 10 = 9 × 105.

Matemática


Com base no exemplo, pesquise os dados perdidos e escreva os números usando potências de base 10. Para isso, faça uma aproximação dos números encontrados. A população da cidade onde você vive: A população do Estado onde você nasceu: A população atual do Brasil: A população do nosso planeta: Vamos trabalhar com potências e unidades de armazenamento de informação. Quantos caracteres podem ser armazenados num pen drive (unidade externa de armazenamento de informação) que tem capacidade livre para 1,4 quilobyte? Quantos quilobytes de memória tem um computador com capacidade de 1 048 576 × 8 bits de memória? É possível instalar um programa com 69 megabytes no disco rígido de um computador cuja capacidade de armazenamento é de 2,1 gigabytes, sendo que 1,8 gigabyte já está ocupado? No caso positivo, qual será a “nova” capacidade de memória livre desse computador? Em caso negativo, quanto faltaria de memória livre nesse computador para instalar o programa? Em um computador que tem 1,1 gigabyte de memória livre, é possível instalar um programa antivírus que ocupa 800 quilobytes e ainda um segundo programa que ocupa 403 megabytes?

EXERCITANDO MAIS

Escreva os produtos na forma de potência: 8×8×8=

5×5×5=

(−4) × (−4) =

12 × 12 =

6×6=

(−2) × (−2) × (−2) × (−2) =

(−1) × (−1) × (−1) =

 2    2 2    22 2    2 2   2   −  ×× − − × ××− −− × ×=− −  ×  −  3 33 333 33 3

7×7×7×7×7×7×7=

(−8) × (−8) × (−8) =

(−1) × (−1) × (−1) × (−1) × (−1) × (−1) =

 1    1 1    11 1    1 1   1  − −− × ×= − −  ×  −   −  ×× − − × ×× 5 5 5  55 5    5 5   5 

Observe os registros e escreva-os na forma de produtos de fatores iguais, quando possível. 33 =

43 =

2

(–4) =

 3   4

610 =

90 =

(–3)1 =

 2   6

91 =

(-3)2 =

(–3)0 =

 3   4

5

1

0

=

=

= 7º ano


Calcule o valor de: 43 + 33 =

22 – 22 =

52 + 42 =

32 + 33 =

(4 + 3)3 =

34 – 32 =

(5 – 4)3 =

(3 + 3)2 =

22 + 22 =

(3 – 2)2 =

Sabendo-se que 25 é igual a 32, como você faria para calcular 26 partindo do resultado de 25?

Q ue núm ero é maior: 3 a o qua drado ou 2 ao cubo?

As regras seguintes são verdadeiras. Confirme-as, registrando dois exemplos para cada caso: Ao calcular o produto entre potências com bases iguais, mantém-se a base e somam-se os expoentes.

Ao calcular o cociente entre potências com bases iguais, mantém-se a base e subtraem-se os expoentes.

Para calcular a potência de uma potência elevada a outro expoente, mantém-se a base e multiplicam-se os expoentes.

Matemática


Capítulo

4

M AT E M ÁT I C A

Mutirão e moradia

V

Rogério Reis/Pulsar Imagens Rogério Reis/Pulsar Imagens

ocê já ouviu falar em mutirão? Mutirão é uma mobilização coletiva conhecida, por exemplo, por construir casas simples e econômicas. Diversas pessoas participam como voluntárias e os familiares dos futuros moradores garantem o material de construção. Dessa maneira, baixa-se o custo da mão de obra, promovem-se o envolvimento e o compromisso das famílias, e incentivam-se as relações solidárias. Você já participou de algum mutirão para a construção de casas? Você tem alguma experiência nesse tipo de construção? Nessas situações, é comum ouvir algumas expressões como: “área do terreno”, “sala de 4 por 3”, “colocar no prumo”, “deixar no esquadro”, “proporção da massa ou masseira”, “volume de areia”.

Você já reparou como a Matemática está presente na hora de construir uma casa? Detalhe de construção civil em Cidelândia (MA), 2008.

RODA DE CONVERSA

Conte aos colegas sua experiência e tente explicar cada uma dessas expressões conforme seus conhecimentos.

7º ano

429


CÁLCULO DE ÁREA Antônio, Severino e Cazuza vivem em Lagarto (SE) em casas alugadas. Como resolveram parar de pagar aluguel, inscreveram-se em um programa de construção de casa em sistema de mutirão. Após um processo de seleção das famílias, cada um conseguiu um terreno. Antônio é mestre de obras e aprendeu muita coisa ajudando sua família na construção de algumas casas. Depois da construção da casa de Antônio e de Severino, chegou a vez de construir a moradia de Cazuza. Inicialmente, ele limpou o terreno de 8 metros de largura por 12 metros de comprimento. — É um bom terreno. Tem 96 metros quadrados de área e 40 metros de perímetro — disse Antônio. — Vamos ver o que é possível fazer. Você conhece o significado das expressões “área”, “metros quadrados”, “perímetro”? Para ter uma ideia do que é área e perímetro de um terreno, vamos representar o terreno de Cazuza pelo retângulo a seguir:

largura

comprimento

Cada na figura abaixo representa um quadrado cujos lados medem 1 metro cada um. Quantos desses quadrados cabem no retângulo sem que haja sobreposição? Se a sua resposta for 96, então ela está correta. Dizemos que a área do terreno de Cazuza é de 96 metros quadrados e a representamos por 96 m2. Um metro quadrado é a área de uma superfície quadrada na qual os lados medem 1 metro. O metro quadrado é uma unidade padrão adotada para medir superfícies e é representada pelo símbolo m2.

430

Matemática


A área do retângulo pode ser obtida multiplicando a medida do seu comprimento pela sua largura. Área do retângulo = comprimento × largura Nesse caso, a área do terreno é 12 m × 8 m = 96 m2. Perímetro é a medida do contorno do terreno. Nesse caso, como temos um retângulo, o perímetro é igual a 12 m + 12 m + 8 m + 8 m = 40 m. Perímetro de um polígono é a soma das medidas dos seus lados.

EXPERIMENTAR

1. Você faz ideia do tamanho de um quadrado com a área de 1 m2?

Sobre dois lados consecutivos das folhas de jornal emendadas, marque dois pontos a 1 m de um vértice.

Faça um vinco unindo esses dois pontos por meio de uma dobradura.

Usando uma tesoura, corte a folha de jornal seguindo os lados do triângulo retângulo isósceles formado (veja figura).

Em seguida, abra o recorte e você terá uma representação de uma superfície com um metro quadrado.

Ilustrações digitais: Planeta Terra Design

Vamos construir um? Para isso, use duas folhas de jornal emendadas e siga os passos abaixo:

1m 1m

2. Desenhe com um giz, no chão da sala de aula ou numa quadra, um quadrado cujos lados meçam

2 metros cada um. a) Pegue o “metro quadrado” que você construiu com jornal e registre quantas vezes ele cabe

nesse quadrado. b) Qual é a área desse quadrado? 3. Sem desenhar: a) determine a área de um quadrado cujos lados medem 3 m cada um. b) determine a área de um quadrado cujos lados medem 10 m cada um. c) explique como você obteve esses resultados.

7º ano

431


4. Complete a frase abaixo com as palavras “quadrado”, “lados” e “área”.

Multiplicando a medida dos a sua Logo:

de um

por ela mesma, obtém-se

Área do quadrado = lado × lado = lado2 5. Vamos medir concentrações de pessoas. Use o seu “metro quadrado” de jornal para desenhar,

com giz, um quadrado no chão. Convide alguns colegas para ficar com os pés dentro dele. Agora, conte quantas pessoas cabem no interior da superfície quadrada e complete a frase abaixo com o número obtido. A concentração de pessoas naquela superfície é de pessoas por metro quadrado 2 (ou pessoas/m ). 6. Baseando-se na informação obtida no exercício anterior, determine quantas pessoas, em pé, po-

deriam caber: a) em sua sala de aula. b) na quadra de esportes de sua escola.

CÁLCULO DE ÁREA POR DECOMPOSIÇÃO Quando você construiu o “metro quadrado” de jornal, fez um vinco ligando dois vértices opostos de um quadrado. O segmento de reta que representa esse vinco é uma diagonal do quadrado. Um quadrado possui duas diagonais. Cada uma delas decompõe um quadrado em dois triângulos. Como os ângulos do quadrado são retos, então cada triângulo obtido é denominado triângulo retângulo. Veja que os dois triângulos retângulos são iguais (por isso, são chamados de triângulos congruentes). Duas figuras são congruentes quando podem coincidir por superposição. Observe que cada um dos triângulos obtido possui dois lados de medidas iguais (congruentes) e dois ângulos de medidas iguais (congruentes). Triângulos que possuem dois lados iguais e dois ângulos iguais são denominados triângulos isósceles. 432

Matemática


APLICAR CONHECIMENTOS I

1. Como calcular a área de cada triângulo retângulo isósceles obtido na decomposição de um

quadrado? a) Desenhe um quadrado cujos lados medem 4 cm e trace uma de suas diagonais.

b) Qual é a área do quadrado? c) Determine a área de cada um dos triângulos determinados pela diagonal.

2. Os lados do quadrado ABCD medem 7 cm.

Observe que as diagonais dos quadrados são iguais (congruentes) e perpendiculares. Obtenha as áreas dos triângulos: APB, BPC, CPD e DPA.

A

D P

B

C

OUTRAS UNIDADES DE ÁREA O metro quadrado não é uma unidade adequada para medir grandes superfícies como de um país, de um estado ou de cidades. Nessa situação, e em várias outras, utilizamos o quilômetro quadrado, que é um múltiplo do metro quadrado. 7º ano

433


Ilustração digital: Sonia Vaz

A expressão quilômetro quadrado é representada pelo símbolo km2.

N

A área de Lagarto é de 969 km2.

O

L S

Fonte: IBGE Cidades @. Disponível em : <www. ibge.gov.br/cidadesat>. Acesso em: 4 mar. 2013.

Por exemplo: 969 km2 = 969 000 000 m2 1 km2 = 1 000 000 m2

Em algumas situações, utilizamos os submúltiplos do metro quadrado. Por exemplo, ao falar de lajotas usadas para cobrir pisos, a área do piso pode ser expressa em centímetros quadrados. A expressão centímetro quadrado é representada pelo símbolo cm2. Existem lajotas quadradas cujos lados medem 30 cm cada um. A área dessas lajotas é igual a 900 cm2. Por exemplo: 900 cm2 = 0,0900 m2 = 0,09 m2

Como 1 cm =

1 100

m, então:

2

11  1  m2 = 0,0001 m2 1 cm =  =  100  10000 10 000 2

434

Matemática

0

25

50 km


APLICAR CONHECIMENTOS II

1. Veja as medidas indicadas, em centímetro, e calcule a área de cada retângulo. a) Área =

b) Área =

2,4 3

4,5 5

2. Ao observar os retângulos I e II ao lado,

qual deles você acredita que possui maior área? Use uma régua para medir os lados dos retângulos e responda: quais são as áreas dos retângulos? Sua previsão se confirmou?

I

II

3. Vamos relacionar centímetro quadrado e decímetro quadrado. Lembre-se: decímetro (dm) é uma

unidade de comprimento e equivale à décima parte de 1 metro, ou seja, 1 dm = 0,1 m ou 10 cm. Desenhe no quadriculado a seguir um quadrado com cada lado medindo 10 cm. 1 cm2 unidade

7º ano

435


a) Utilizando como unidade de medida de área um quadrado cujos lados medem 1 cm, determi-

ne a área do quadrado desenhado: b) Qual é a medida, em dm, de cada lado do quadrado desenhado? c) Determine a área do quadrado desenhado, em dm2: d) Complete com o número adequado:

1 dm2 = cm2 4. Qual unidade de medida do sistema métrico pode ser considerada mais adequada para medir a área da superfície da capa de um caderno? 5. A cozinha de Mário mede 4 m por 3 m. Ele pretende cobrir toda a superfície do piso com lajotas

quadradas com lados medindo 40 cm. a) Imagine que as lajotas são vendidas em caixas com 1 m² de lajotas:

Quantas lajotas cabem em cada caixa? b) Se as lajotas fossem vendidas em caixas com 1,5 m², quantas lajotas caberiam em cada caixa? c) Qual o número mínimo necessário de cada tipo de caixa de lajotas com 1 m2 e com 1,5 m2 para

ladrilhar a cozinha de Mário? d) Geralmente, quando um pedreiro calcula quantos metros quadrados de lajota são necessários

para revestir o chão de um cômodo, ele acrescenta um pouco mais, por conta das perdas que podem acontecer durante o assentamento das peças. Esse cálculo costuma ser de 10% de metros quadrados a mais que a medida da área do cômodo. Nesse caso, quantas caixas de lajotas do mesmo tipo, no mínimo, seu colega terá de comprar para atender ao pedido do pedreiro? 6. A partir da planificação de um cubo, Filomena fez um dado (um cubo) cujas arestas medem 8 cm.

Ilustrações digitais: Estúdio Pingado

Ela usou cartolina e fita adesiva para confeccionar o dado.

436

Matemática


a) Quantas faces tem o dado? Que tipo de polígono é cada face? b) Qual é a área de cada face? c) A área total ou área de superfície do dado (do cubo) é a soma das áreas de todas as faces.

Calcule a área total desse dado.

RAZÃO E PROPORÇÃO Delfim Martins/Pulsar Imagens

Relacionar grandezas é algo importante no cotidiano das pessoas que trabalham na construção civil. Uma das maneiras de relacionar duas grandezas é encontrar a razão entre elas, ou seja, determinar o resultado da divisão entre as medidas dessas grandezas. Por exemplo, para assentar blocos de concreto, Antônio usa o “traço” 1 ÷ 7 para cimento e areia. Isso significa que, para uma mistura de cimento Operários alisam o concreto no canal de transposição do rio São Francisco, em e areia, ele usa 1 saco de cimento para Sertânia (PE), 2012. 7 sacos de areia de mesmo tamanho. A razão entre as quantidades de cimento e de areia que ele usa é 1 para 7. Essa razão também pode ser expressa por 1 ÷ 7 ou por 1 . 7 Se Antônio quiser preparar o dobro da quantidade de mistura e manter a mesma consistência, então terá que usar 2 sacos de cimento para 14 sacos de areia de mesmo tamanho. A razão entre as quantidades de cimento e de areia que ele usa é 2 para 14. Ou seja: 2 ÷ 14 ou 2 . 14

A razão entre grandezas de mesma natureza é a razão entre os números que expressam as medidas dessas grandezas.

7º ano

437


Para relacionar duas grandezas de mesma natureza sob forma de razão, é conveniente que ambas estejam na mesma unidade. A noção de razão é importante para desenvolver a ideia de proporcionalidade. Quando duas grandezas variam na mesma razão, elas são proporcionais. Variar na mesma razão significa obter razões iguais. Por exemplo, 1 1===2 2 . 7 7 1414

Para verificar que 1 1===2 2 , use uma calculadora para obter o cociente entre 1 e 7 7 1414 7 e entre 2 e 14. Observe que a calculadora exibe resultados iguais. Outro modo de verificar essa igualdade é simplificar a fração 2 . 14

2 2÷2 1 = = 14 14 ÷ 2 7

A igualdade entre razões de duas grandezas nos leva à ideia de proporção. Proporção é uma igualdade entre duas razões. 11 22

A igualdade === é uma proporção entre os números 1, 7, 2 e 14, nessa ordem. 7 7 1414 Ela indica que, para conseguir os mesmos resultados da massa para assentar blocos, tanto faz misturar 1 saco de cimento com 7 sacos de areia, como misturar 2 sacos de cimento com 14 sacos de areia. A escolha das quantidades de cimento e de areia depende das necessidades e conveniências. 11 22 A proporção === também pode ser escrita da seguinte forma: 7 7 1414

1 ÷ 7 = 2 ÷ 14

e pode ser lida: 1 está para 7 assim como 2 está para 14. Os números 1, 7, 2 e 14 são os termos dessa proporção. Os termos 1 e 14 são os extremos da proporção e 2 e 7 são os meios. Esses nomes dizem respeito às posições que esses números aparecem na forma: 1 ÷ 7 = 2 ÷ 14 meios extremos

PROPRIEDADE FUNDAMENTAL DAS PROPORÇÕES Vamos verificar uma propriedade importante das proporções: 11 22 1. Na proporção === : 7 7 1414

• multiplicando-se os extremos 1 e 14, temos 1 × 14 = 14; 438

Matemática


• multiplicando-se os meios 2 e 7, temos 2 × 7 = 14.

Podemos observar que: 1 × 14 = 2 × 7 = 14, ou seja, os produtos são iguais. 5 5 2020 2. Na proporção === 3 3 1212

• o produto dos extremos é 5 × 12 = 60; • o produto dos meios é 3 × 20 = 60.

Logo, 5 × 12 = 3 × 20 = 60, ou seja, os produtos são iguais. Nos dois exemplos, foi possível observar que o produto dos extremos é igual ao produto dos meios. Esse modo de verificar que uma proporção é verdadeira é chamado propriedade fundamental das proporções. Em qualquer proporção, o produto dos extremos é igual ao produto dos meios.

APLICAR CONHECIMENTOS III

1. Verifique que a igualdade

7 7 8484 === , 8 8 9696

ou 7 ÷ 8 = 84 ÷ 96, é uma proporção.

2. Pesquisando e comparando os preços dos sacos de ci-

mento, areia e pedra, Cazuza encontrou diferenças entre duas lojas, como mostram os orçamentos ao lado. a) Em qual loja o preço do cimento é maior?

Quanto a mais?

Orçamentos Loja

A

B

Cimento (50 kg)

R$ 20,00

R$ 22,00

Areia (m3)

R$ 120,00

R$ 100,00

Brita (m3)

R$ 90,00

R$ 80,00

Qual foi a operação que você realizou para obter o resultado? b) Podemos comparar esses preços calculando a razão entre eles. É uma comparação relativa. Acompanhe: preçodo docimento cimentona naloja loja BB 22 1 preço = = 1,1 = 1 + 0,1 = 1 + = 1 + 10% 10 preçodo docimento cimentona naloja loja AA 20 preço

Podemos observar que o preço do cimento na loja B é uma vez e um décimo do preço na loja A. É correto afirmar que o preço do cimento na loja B é 10% maior que o preço na loja A? Justifique sua resposta.

7º ano

439


c) Fazendo uma comparação relativa, quanto o preço do m3 de areia na loja A é maior que na loja B?

d) Quantos por cento o preço do m3 de brita na loja A é maior que na loja B?

3. Certa marca de tinta é vendida por R$ 23,00 em latas com 0,9 L, e por R$ 180,00 em latas com

18 L. Qual das duas embalagens é mais econômica para os consumidores? Justifique sua resposta.

4. Um pintor usou uma lata com 20 L de tinta para pintar 50 m2 de parede. a) Se ele mantiver constante a razão entre o volume de tinta e a área a ser pintada, ou seja, se o

rendimento da tinta for o mesmo, quantos litros de tinta serão necessários para pintar 160 m2?

b) Quantas latas com 20 L esse pintor precisará comprar para pintar 160 m2?

440

Matemática


5. Observe as medidas dos lados dos retângulos A e B,

todas elas em centímetro.

1

A

Há uma proporcionalidade entre as dimensões dos dois retângulos. Ou seja, existe uma proporção entre as medidas dos lados do retângulo A e as medidas correspondentes dos lados do retângulo B:

2

B

1 2 = = 0,333... 3 6

6 3

a) Quais são os perímetros do retângulo A e do retângulo B?

b) Qual é a razão entre o perímetro do retângulo A e o perímetro do retângulo B?

c) As medidas dos lados dos retângulos e seus respectivos perímetros são proporcionais?

ESCALAS, PLANTAS E MAPAS Cazuza estava ansioso para começar a construir sua tão sonhada casa. Trocou ideias com a mulher e os filhos e decidiram por uma construção de alvenaria. Procurou os dois amigos que iriam ajudá-lo no mutirão e disse o que pretendia. Como os meninos estavam crescendo, a família gostaria de uma casa com cinco cômodos: sala, cozinha, dois quartos e banheiro. Cazuza pediu que Antônio fizesse um esboço de como ficariam distribuídos os cômodos pela casa. 7º ano

441


banheiro quarto

quarto

cozinha

sala

Planta feita pelo arquiteto na escala 1 : 80.

1

Na planta da casa de Cazuza, a informação é dada pela escala 1 : 80, ou , 80 que significa: cada unidade de comprimento indicada na planta equivale a 80 unidades de comprimento na casa real. 442

Matemática

Ilustrações digitais: Planeta Terra Design

Passados alguns dias, Antônio mostrou para Cazuza seu esboço. Muitas coisas, como uma casa, por exemplo, não podem ser desebanheiro nhadas no tamanho real. quarto quarto Antônio sabia que, para que um esboço mantivesse a forma real da casa, seria necessário fazer uma plancozinha sala ta, isto é, fazer um desenho que conservasse a proporcionalidade entre as medidas da planta e as medidas reais Esboço da casa feito por Antônio. da casa. Como teve algumas dúvidas no momento de projetar a planta, recorreu a um arquiteto, que lhe apresentou a planta a seguir. Como é possível observar, o esboço de Antônio é diferente da planta do arquiteto. A planta nos dá a ideia da forma real da casa. Para que um desenho mantenha a forma do objeto real, reduzimos ou ampliamos suas medidas, conservando a proporcionalidade entre as dimensões. Quando desenhamos a planta de uma casa, fazemos uma redução do seu tamanho real de acordo com uma informação que chamamos escala.


A escala da planta indica a razão entre as medidas do desenho e as medidas reais da casa. Como é possível calcular as dimensões reais da sala de Cazuza? Usando uma régua para medir as dimensões da sala na planta, obtém-se 7,5 cm de comprimento por 4 cm de largura. Em seguida, pode-se escrever duas proporções definidas pela escala 1 e pela: 80

• razão entre a medida do comprimento da sala na planta e a medida real: 1 medida do comprimento da sala na planta 7,5 ou = 80 medida real do comprimento da sala medida real do comprimento • razão entre a medida da largura da sala na planta e a medida real:

1 = 80

medida da largura da sala na planta medida real da largura da sala

ou

4 medida real da largura

Aplica-se, nesse caso, a propriedade fundamental das proporções: o produto dos extremos é igual ao produto dos meios. Com isso, calculam-se o comprimento e a largura reais da sala. 1 × comprimento real da sala = 7,5 × 80 = 600, ou seja, o comprimento real = 600 cm = 6 m 1 × largura real da sala = 4 × 80 = 320, ou seja, largura real = 320 cm = 3,20 m

Ilustração digital: Sonia Vaz

Portanto, as dimensões da sala são: 6 m de comprimento e 3,20 m de largura. Nos mapas, em geral, as escalas informam as equivalências com relação a uma determinada unidade de medida. Por exemplo, a escala do mapa do município que aparece ao lado indica que cada dis0 10 20 tância de 1 cm no mapa representa 10 km da distância real. Fonte: IBGE Cidades @. Disponível em : <www. ibge.gov.br/cidadesat>. Acesso em: 4 mar. 2013. Observação: 1 000 000 cm = Centro da cidade de Lagarto (SE). = 10 000 m = 10 km. Como já foi mencionado antes, para relacionar duas grandezas de mesma natureza sob a forma de razão é conveniente que ambas estejam na mesma unidade. N

O

L

S

7º ano

443


Assim, podemos escrever: 1 cm 1 cm 1 = = ou 1 : 1 000 000 10 km 1 000 000 1 000 000

Nesse mapa, utilizando uma régua, chega-se à distância entre os pontos A e B, que é igual a 1,5 cm Portanto, a distância real entre A e B é calculada pela multiplicação de 1,5 cm por 1 000 000, ou seja: 1 000 000 × 1,5 cm = 1 500 000 cm = 15 km

APLICAR CONHECIMENTOS IV

quarto

sala

banheiro

quarto

Escala 1 : 100 ou 1 . 100

a) O que significa a escala 1 : 100 ou 1 ? 100

444

Matemática

Ilustração digital: Planeta Terra Design

1. Marineide vai casar. Lendo um folheto de propaganda, encontrou a planta da casa que queria.

cozinha


b) Qual é a distância real, em metros, entre dois pontos, se a distância entre eles nessa planta é igual a: • 4 cm?

• 4,5 cm?

• 8 cm?

• 6,25 cm?

c) Utilize uma régua graduada para obter as medidas da planta e determine as dimensões reais

dos cômodos dessa casa. sala: banheiro:

quarto: quarto:

corredor: cozinha:

d) Calcule a área total da casa.

precisão, é conveniente usar instrumentos apropriados. Para medir segmentos de reta podemos usar, por exemplo, os instrumentos ao lado. Quando os segmentos são pequenos, podemos usar uma régua. Procure na sua casa instrumentos de medir segmentos e escolha uma unidade para obter o comprimento e a largura de alguns cômodos. Usando a unidade que você escolheu, preencha a tabela a seguir com o comprimento, a largura e a área da cozinha e de um quarto de sua casa. Cômodo

Ilustração digital: Llinares

2. Para obter medidas com alguma “Metro” articulado Trena

“Metro” de alfaiataria

Fita métrica

(Esquema sem escala.)

Comprimento

Largura

Área

Quarto Cozinha

EXERCITANDO MAIS

1. Qual é a medida de superfície mais adequada para a área: a) do tampo de uma mesa: 4,5 dm2 ou 4,5 m2? b) do Brasil: 8 511 996 m2 ou 8 511 996 km2? c) de um estacionamento: 2 000 m2 ou 2 000 cm2? 2. Um piso com área igual a 9 m2 será revestido com ladrilhos quadrados cujos lados medem 30 cm.

Quantos ladrilhos serão necessários para revestir esse piso?

7º ano

445


3. Observe a medida de uma das arestas do cubo ao lado.

Analise cada uma das afirmações a seguir e assinale a que está correta. Se houver alguma informação incorreta, então reescreva-a, de modo a torná-la verdadeira. a) As arestas desse cubo medem 32 cm. ( ) b) A área de cada face é igual a 1 024 dm2. (

3,2 dm

)

4. A área total de um cubo é igual à soma das áreas de suas

faces. Sabendo disso, faça o que se pede:

a) Assinale a alternativa que mostra o cálculo que possibilita calcular a área total de um cubo

cujas arestas medem 5 cm. (

(

) (5 × 5) cm2

) (5 × 5 × 5) cm2

(

) 6 × (5 × 5) cm2

b) Usando a opção correta do item a, calcule a área total desse cubo. 5. As razões

6 7

e

12 14

formam uma proporção? Justifique sua resposta.

6. Escreva algumas proporções em que o produto dos extremos e o produto dos meios são iguais a 24. 7. Observe as medidas indicadas nos retângulos A e B a seguir.

A

10 cm

15 cm

B

10 cm

20 cm

Há, pelo menos, duas formas para calcular a razão entre as áreas desses retângulos. Uma delas consiste em usar a razão entre suas áreas. Uma outra consiste em obter, primeiramente, as razões entre as medidas correspondentes dos dois retângulos e multiplicá-las. Use as duas formas mencionadas para calcular a razão entre a área do retângulo A e a área do retângulo B. 8. Severino foi a uma loja onde 7 sacos de cimento custam R$ 154,00. a) Qual o número máximo de sacos de cimento que ele poderá comprar com R$ 350,00? b) Sobrará troco? Se a resposta for sim, quanto sobrará? 9. Na planta de uma casa, o comprimento da sala, que é de 6 m, está representado por um segmento

de reta com 1,5 cm. Qual foi a escala utilizada para o desenho?

10. Em um mapa, cuja escala é 1 : 50 000 000, a distância entre duas cidades, em linha reta, é de,

aproximadamente, 2,6 cm. Qual é a distância real entre essas duas cidades? Dê sua resposta em quilômetro. PARA AMPLIAR SEUS ESTUDOS

Livro

Matemática MURRIE, Zuleika de Felice (Coord.). Matemática: matemática e suas tecnologias. Livro do estudante. Ensino fundamental. Brasília: Ministério da Educação; Inep, 2002.

Site

Só matemática Disponível em: <www.somatematica.com.br>. Acesso em: 24 set. 2012.

446

Matemática


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7º Ano

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Matemática

7º ano - Vida cotidiana e participação  

Coleção Viver Aprender - séries finais do ensino fundamental

7º ano - Vida cotidiana e participação  

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