abolsamia 127 (jul/set 21)

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EDITORIAL

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o final de março o Governo fez um Anúncio de abertura de candidaturas para a Renovação do Parque de Tratores Agrícolas. Os objetivos do mesmo passavam por: 1 aumentar a segurança dos operadores de máquinas agrícolas e melhorar a eficiência energética dos equipamentos 2 contribuir para o processo de modernização e capacitação das empresas do setor agrícola, 3 melhorar as condições de vida, de trabalho e de produção dos agricultores. Ao mesmo tempo estabeleceu discriminações positivas em face do Estatuto da Agricultura Familiar e por beneficiários cujas explorações agrícolas se situem maioritariamente em zonas de territórios vulneráveis e em zonas desfavorecidas de montanha. Para tudo isto, uma dotação de 15 milhões de euros. Terminado o prazo de candidaturas o que se conclui? EM PRIMEIRO LUGAR, aquilo que parecia óbvio para todos, menos para o Governo (ou talvez não) e o meio urbano: 15 milhões chegariam exatamente para quê? É certo que números fiáveis em relação a tratores usados não parecem existir muitos (responsabilidade de quem?), mas também é verdade que a ministra, quando anunciou com pompa e circunstância (e numa altura em que os acidentes com tratores apareciam constantemente nas notícias) falou em “mais de 80.000 tratores sem estruturas de segurança”. Presume-se que pelo menos estas 80.000 máquinas estivessem na mira do Anúncio. Assim, ou a Ministra não faz ideia de quanto custa um trator ou os 15 milhões eram só para a malta andar entretida a fazer projetos (parece que foram mais de 7000 candidaturas).

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SEBASTIÃO MARQUES Chefe de redação

VA ÇÃO DO PARQUE DE TRATORES AGRÍCOLAS EM SEGUNDO LUGAR, cabe perguntar se é esta a melhor maneira de alcançar os objetivos propostos (nomeadamente os dois últimos, “contribuir para o processo de modernização e capacitação das empresas do

setor agrícola e melhorar as condições de vida, de trabalho e de produção dos agricultores”). Como afirmou, em entrevista que pode ler mais à frente, João Lopes, Gerente da Forte e Sagar, “de todos os tratores que estão a ser abatidos, a maioria deles já não trabalhava, por isso, não eram poluentes e os que vão ser comprados serão tratores sem características nenhumas, em vez de irmos pelo 4.0 estamos a ir pelo 0.0. Não vamos evoluir nada, antes continuar a encomendar os tratores de Espanha e outros países. A nossa ministra, talvez influenciada pelo Ministro do Ambiente, foi pela parte política de retirar tratores obsoletos para substituir... esses tratores estavam parados, não muda o paradigma. Se apostássemos no 4.0, teríamos maior capacidade de exportação num futuro breve e ficaríamos mais ricos e competitivos neste mundo tão agressivo. O nosso País optou por uma questão política, que é uma mentira total.” Para João Lopes, até o conteúdo e a forma da mensagem foram errados: “A forma como foi apresentada a ideia foi em torno da poluição, parecia que estava a ser apresentada para urbanos e não para agricultores. A estes devia ter sido explicado o que é o 4.0.” Em relação à execução propriamente dita, parece que o Anúncio foi “um sucesso”. Nas palavras da Eng.ª Rita Barradas, Gestora do PDR2020, ao “Falar Atual” da AJAP. “Acho que a VGO dos tratores era muito objetiva. Confesso que não esperávamos uma adesão a este anúncio como a que se verificou. Foi um sucesso. A partir do momento em que se exigia o abate de um trator existente e a necessidade deste ter seguro ativo no final do ano anterior fez-nos acreditar que a adesão não seria como acabou por ser. Foi uma adesão imensa e, tal como a Ministra referiu, já lhe foi pedido para duplicar a dotação do anúncio mas esse assunto ainda está em avaliação, não tenho notícias para transmitir”. Neste momento, sugiro que faça como eu: crie uma atmosfera relaxante, vá ao youtube, e disfrute da canção da Ivete Sangalo “Me engana que eu gosto”.

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julho/setembro 2021

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