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ANO XVIII Nº 87 VOL. III 2013 ISSN 1678-0965

A REVISTA TÉCNICA DO SETOR GRÁFICO BRASILEIRO

Etiquetas e rótulos

R E V I S TA T E C N O L O G I A G R Á F I C A 8 7

Tecnologias cada vez mais flexíveis incrementam mercado em expansão

Produção gráfica Gestão Conheça os novos recursos da suíte Adobe Creative Cloud

Normalização

Como combater as Os caminhos das seis grandes perdas normas gráficas em de sua gráfica nível internacional

Entrevista

Para José Fernando Tavares, da Simplíssimo, capacitação das equipes é o primeiro passo para quem está pensando em trabalhar com ebooks


E

Apoio

Esta publicação se exime de responsabilidade sobre os conceitos ou informações contidos nos artigos assinados, que transmitem o pensamento de seus autores. É expressamente proibida a reprodução de qualquer artigo desta revista sem a devida autorização. A obtenção da autorização se dará através de solicitação por escrito quando da reprodução de nossos artigos, a qual deve ser enviada à Gerência Técnica da ABTG e da revista Tecnologia Gráfica, pelo e-mail: abtg@abtg.org.br ou pelo fax (11) 2797.6700

Construindo o futuro

ncerramos mais um ano com crescimento do PIB abaixo do que gostaríamos, embora melhor que 2012. E nem chegamos perto de sonhar com os 7,5% registrados em 2010. A verdade é que os ventos não estão favoráveis. Parece que a economia brasileira continua dependendo fortemente da demanda externa por nossas commodities. A crise que a indústria gráfica vem enfrentando tem duas vertentes. Uma, estrutural, refere-se à concorrência das tecnologias digitais, que vêm substituindo, parcialmente, a mídia impressa. Não acredito, como já defendi neste espaço, que essa substituição vá condenar a gráfica editorial à extinção. Longe disso. Mas que atrapalha, atrapalha, não há como negar. A outra vertente é conjuntural, e tem a ver com o baixo crescimento da nossa economia. Sendo otimistas, vamos acreditar que o Brasil voltará a encontrar a rota do crescimento sustentado. Porém, mesmo em um cenário promissor, a indústria gráfica deve manter um ritmo de crescimento inferior ao do PIB em 2014. Como tantos já têm dito, as gráficas têm de se preparar para um novo mundo, e rápido! São necessárias novas maneiras de atender os clientes, novas formas de se mostrar ao mercado, novos serviços, novos nichos de mercado, novas estratégias gerenciais. Não dá para continuar fazendo como sempre se fez. Não existe uma solução pronta, que sirva para a maioria das empresas, mas alguns fatores são críticos, diante dos quais ações têm de ser tomadas: ◆◆ Operar com o máximo de eficiência e produtividade ◆◆ Planejar os investimentos com muito cuidado e a partir de análise rigorosa da estrutura produtiva ◆◆ Buscar novas oportunidades de negócio ◆◆ Agregar novos serviços, complementares à oferta tradicional de impressão (para isso é necessário conversar mais com os clientes e entender o que eles mais precisam) ◆◆ Reforçar a imagem de responsabilidade ambiental da empresa ◆◆ Manter equipe enxuta e capacitada. Ofereço esses temas para reflexão, tanto aos empresários quanto aos profissionais de produção e gestão. Lembrem-se: “a melhor maneira de prever o futuro é construí-lo” (Peter Drucker). Feliz 2014! Manoel Manteigas de Oliveira, diretor da Escola Senai Theobaldo De Nigris e diretor de tecnologia da ABTG


Sumário 14

Impressão digital avança no segmento de rótulos e etiquetas

48

Especialista em livros digitais fala sobre a produção de ebooks

52

A nova suíte do Adobe CC

ESPECIAL

ENTREVISTA

PRODUÇÃO GRÁFICA

24

40

Normalização

32

Spindrift

Selo Qualidade Ambiental privilegia produção mais limpa

35

Cuidados gerais com os revestimentos de borracha

36

Gestão Ambiental

Impressão

Principais resultados da reunião do TC130 na China

Normalização

Spindrift

Photoshop e Lightroom na nuvem

38

Notícias Produtos Literatura e sites

5 9 51

ANO XVIII Nº 87 VOL. III 2013 ISSN 1678-0965

A REVISTA TÉCNIC A DO SETOR GRÁFIC O BRASIL EIRO

Empresa de telecomunicações atinge clientes com impressão digital

46

Cláudio Rocha aborda os tipos de madeira

56

As seis grandes perdas da gráfica

60

Etiquetas e rótu

los

Tecnologias cada mais flexíveis increvez mercado em expa mentam nsão

Seybold

Tipografia

Gestão

87

Fespa celebra a impressão em muitas formas

Digitec

A importância da NBR 15936 para o mercado de impressão

IA GRÁFIC A

20

R E V I S TA T ECNOLOG

Boas práticas no manuseio de papéis – Parte I

Produção gráfic

Conheça os novos recursos da suíte Adobe Creative Cloud

a Gestão

Normalizaç

Como combater ão as Os caminh seis grandes perdas os das normas gráficas de sua gráfica em nível internacional

Entrevista

Para José Fernand Tavares, da Simplíso capacitação das simo, equipes é o primeiro passo quem está pensan para do em trabalhar com ebooks

Capa: Cesar Mangiacavalli Imagem: AGB PHOTO


NOTÍCIAS

C

Senai‑SP amplia apoio financeiro para alunos dos cursos superiores

andidatos às faculdades do Senai-SP contam com diversas facilidades, entre bolsas de estudo, descontos e fi­ nan­cia­men­to estudantil. O curso su­pe­rior em Tecnologia em Produção Gráfica é uma gra­ dua­ção reconhecida pelo MEC que desde 1998 vem formando profissionais para a­ tuar em nível de gestão.

A

Prakolar faz doação de impressora

Theo­bal­do De Nigris recebeu a doa­ção de uma impressora flexográfica Mark Andy MA 2200 , oferecida pela Prakolar. Trata-​­se de um equipamento com oito unidades de impressão, cura UV, módulo Delam/Relam, laminação e quatro estações de meio corte. A máquina foi recebida em perfeitas condições de fun­ cio­na­men­to e conta com recursos tecnológicos de ponta. A Prakolar é uma das principais empresas fornecedoras de rótulos e etiquetas do mercado na­cio­nal. Alexandre Chatziefstratiou, diretor in­ dus­trial, observa que a maioria dos colaboradores da empresa, em diversos cargos e ­­áreas, veio do Senai, e a ideia de doar o equipamento surgiu justamente pelo reconhecimento do alto nível de qualidade

do ensino prestado pela instituição. A impressora pôde ser disponibilizada em função de novos investimentos feitos pela Prakolar em 2012. Segundo Ma­noel Manteigas, diretor da escola, “o Senai tem feito investimentos constantes para atua­li­za­ção de todas as suas escolas, inclusive da Theo­bal­do De Nigris. “Recentemente adquirimos duas novas impressoras de banda estreita, uma modular e outra de tambor central. A doa­ ção de uma Mark Andy, equipamento de primeira linha, vem se somar a esse esforço de equiparmos a escola com o que há de melhor em recursos tecnológicos”. A doa­ç ão teve custo zero para a escola. A instalação do equipamento também foi cedida gratuitamente pela Nilpeter do Brasil.

Bolsas parciais de estudos

Monitoria – confere desconto de 18% no valor da mensalidade. O aluno bolsista deve dedicar quatro horas semanais em atividades de apoio ao ensino. Ini­cia­ç ão cien­tí­f i­c a – confere desconto de 18% no valor da mensalidade. O aluno bolsista deve dedicar quatro horas semanais em atividades de pesquisa de ini­cia­ção cien­tí­f i­ ca orien­ta­do por um professor. Auxílio so­c ioe­c o­n ô­m i­c o – confere desconto de 20% ao aluno que comprovar renda per capita de no máximo um salário mínimo e meio. Sindigraf – válida somente a partir do segundo semestre, confere desconto de 50% ao aluno que comprovar renda per capita de no máximo um salário mínimo e meio (limitada a 10 bolsas por semestre). Além das condições acima, o aluno também deverá apresentar bons resultados de frequência e aproveitamento.

Descontos

No pagamento até o vencimento – 10% do valor da mensalidade. Contribuinte – o aluno que possui vínculo empregatício com empresa contribuinte do Senai tem desconto de 10% do valor da mensalidade. Importante: alguns be­ne­fí­cios são cumulativos; assim, o aluno poderá alcançar até 58% de desconto caso se enquadre nas condições de necessidade so­cioe­co­nô­mi­cas, trabalhar em empresa contribuinte do Senai e tiver disponibilidade de desenvolver atividades de monitoria e ini­cia­ção cien­ tí­fi­ca, pagando seus boletos até a data de vencimento. A partir do segundo semestre do curso, esse desconto poderá chegar a 88%, nos casos em que o aluno atenda aos requisitos exigidos para a concessão de bolsa oferecida pelo Sindigraf. Financiamento

O fi­nan­c ia­m en­to estudantil destina-​­se a alunos com renda per capita de no máximo três sa­lá­rios mínimos. O aluno poderá fi­nan­ciar todo o curso ou re­nun­ciar quando não mais necessitar do fi­nan­cia­men­to. O prazo ini­cial do pagamento é de seis meses após o seu desligamento do curso (abandono, trancamento ou conclusão). Mais informações: senaigrafica@sp.senai.br VOL. III  2013  TECNOLOGIA GRÁFICA

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NOTÍCIAS

Oxiteno e Senai são parceiros em projeto de inovação

C

oe­ren­te com sua missão de contribuir para elevar a competitividade da indústria brasileira, o Senai vem am­ plian­do seu papel em inovação. A própria indústria costuma ser a maior geradora de inovação, pois conhece profundamente as necessidades do ramo em que atua, mas uma parceria com o Senai pode ser decisiva para a via­bi­li­za­ção dos projetos. A Oxiteno, mul­ti­na­cio­nal brasileira, encontrou, na Escola Senai Theo­bal­do De Nigris, um parceiro no desenvolvimento de um novo solvente para tintas flexográficas para impressão de embalagens. “O objetivo da parceria não é simplesmente fi­nan­ciar parte das despesas do projeto, mas principalmente utilizar o know-​­how da equipe técnica e a estrutura física da Theo­bal­do De Nigris para o desenvolvimento”, explica Fábio Rosa, es­p e­cia­lis­t a de pesquisa e desenvolvimento para tintas e revestimentos

da Oxiteno. O lançamento do novo produto aconteceu neste segundo semestre de 2013. A Oxiteno submeteu o projeto no âmbito do Edital Senai/ Sesi de Inovação. Dentre quase trezentas propostas, essa foi uma das escolhidas para receber aporte financeiro e tecnológico. A seleção dos projetos foi feita por es­pe­cia­lis­tas do Senai e consultores externos. Em 2012, o Senai disponibilizou mais de R$ 27 milhões para o desenvolvimento dos projetos aprovados, em todo o Brasil, até o limite de R$ 300 mil para cada um. Para participar dos próximos editais a indústria precisa ter no mínimo um ano de existência e estar com seu CNPJ ativo. Os projetos devem com­ preen­der o desenvolvimento de produtos, processos e serviços e não podem ultrapassar vinte meses de duração. Mais informações: Edital Sesi/Senai de Inovação www.editalinovacao.com.br

Novo curso de pós‑graduação quer atingir os criativos

O

novo programa de pós-​ ­gra­dua­ção lato-​­sensu da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica, Planejamento e Produção de Mídia Impressa, é es­ pe­c ial­m en­te planejado para profissionais das á­­ reas de produção gráfica, cria­ção, publicidade, propaganda, mar­ke­ting e comunicação. O programa também será de grande valia para quem já atua no segmento gráfico e deseja am­pliar e aprofundar suas com­pe­tên­cias na produção gráfica. Contando com um corpo docente de alto nível, o curso abrange os mais importantes processos de produção dos diversos produtos da indústria gráfica. As aulas teó­ri­c as são complementadas por demonstrações práticas nas instalações da Theo­bal­do De Nigris. O projeto do curso foi resultado de cuidadosa análise das necessidades dos profissionais envolvidos no planejamento e na produção de peças gráficas. O currículo leva em conta as profundas transformações pelas quais a indústria da comunicação impressa vem passando, em razão da introdução de inovações tecnológicas, desde a pré-​­impressão, passando pelos sistemas de impressão, até o acabamento. Público-​­alvo: ◆◆

6 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. III  2013

Gra­dua­dos em ­­áreas tecnológicas ou cursos su­pe­rio­res de cria­ção, publicidade, propaganda, marketing e comunicação.

◆◆

Graduados em outras áreas, que já atuam no segmento gráfico direta ou indiretamente.

Objetivo

Capacitar o aluno a: Identificar, planejar e monitorar todas as etapas do fluxo produtivo, adequadas à fabricação dos mais importantes produtos da indústria gráfica; ◆◆ Interpretar as tendências de evolução tecnológica dos processos de produção gráfica; ◆◆ Ava­liar a adequação de matérias‑primas e insumos para o projeto de produtos gráficos; ◆◆ Rea­li­z ar análise de custos e de viabilidade econômica de projetos de produtos gráficos. ◆◆

Organização curricular

Processos de impressão: tipografia, offset e digital – 60 horas Processos de impressão: rotogravura, flexografia e serigrafia – 60 horas Pré-​­impressão – 30 horas Pós-​­impressão – 30 horas Desenvolvimento do projeto gráfico – 30 horas Custos e ne­go­cia­ção – 45 horas Ma­té­r ias-​­p rimas na produção gráfica: suportes e tintas – 45 horas Desenvolvimento e gestão de projetos – 30 horas Normalização – 30 horas Mais informações: posgrafica114@sp.senai.br www.sp.senai.br


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NOTÍCIAS

N Alunos do Senai publicam livro elaborado durante curso

D

eixar a tecnologia de lado para se divertir com um livro? Ainda é possível, e nisso acreditam os autores de Dente de leite, livro pensado e desenvolvido para despertar o interesse das crian­ças e também dos pais. Ju­lia­na Frezarin, Lucas Rodrigues, Tamires Macena e Thainá Ribeiro são ex-​­alunos da Theo­b al­d o De Nigris, na qual, após perceberem a falta de livros de receitas para crian­ças, tiveram a ideia e cria­ ram o livro durante o Trabalho de Conclusão do Curso de Pré-​­Impressão Gráfica. “O TCC pede algo inovador, e foi com esse pensamento que fizemos o livro, sempre buscando deixá-​­lo diferente de tudo o que as pes­s oas já viram”, afirma Tamires Macena. Voltado para crian­ças de 7 a 10 anos, Dente de leite aposta

8 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. III  2013

nas receitas do programa de orien­ta­ção nu­tri­cio­nal “Alimente-​­se Bem”, do Sesi, e em características que sejam atrativas para as crian­ç as: formato de cupcake, desenhos, personagens, plaquinhas para recortar e colar, marca-​­página e perguntas. Na opi­nião da nu­tri­cio­nis­ ta Marcia Contreras, o livro é um excelente instrumento para que as crian­ças sejam estimuladas a experimentar alimentos e interagir com a família. André Lam, instrutor do Senai que orientou o projeto, disse que “é um divertido livro de receitas, com belas ilustrações e, o mais importante, um livro que une a família”. Assim, o livro, que já está nas li­vra­rias pela Editora Sesi-SP, alcança o seu objetivo: pro­por­cio­nar novas ex­pe­riên­cias para as crian­ ças e a ­união entre pais e filhos.

Finalistas de 16 estados concorrem ao Prêmio Fernando Pini

este ano, 232 empresas, de 18 estados, inscreveram 1.523 produtos no 23 º‒ Prêmio Brasileiro de Excelência Gráfica Fernando Pini, superando o resultado da edição de 2012, quando 1.501 peças participaram do concurso, através de 230 empresas. Desse total, 308 produtos, de 112 empresas, passaram pela primeira fase de julgamento e estão na disputa pelos tro­féus. De acordo com Francisco Veloso, coor­de­na­dor do certame, a qualidade dos produtos en­via­dos continua elevada, dificultando o trabalho da comissão julgadora. Ele destacou a excelência dos concorrentes nas ca­te­go­rias Inovação Tecnológica, Cadernos Escolares, Impressos de Segurança e Pôsteres e Cartazes. “A mescla de materiais e de processos rendeu soluções bastante interessantes”. Outro destaque foi a maior adesão às ca­te­go­rias Embalagens Impressas em Suportes Metálicos e Embalagem em Papelão Ondulado, subdivisões que no ano passado acabaram ficando sem finalistas

devido à baixa procura. Neste ano todas as 63 ca­te­go­rias, dis­t ri­b uí­d as por 11 segmentos, têm finalistas. Os produtos concorrem, ainda, aos prê­ mios por Atributos Técnicos do Processo, chamados de Grand Prix, que neste ano sobem de sete para oito: Melhor Impressão Digital, Melhor Impressão Offset Plana, Melhor Impressão Rotativa Heat­s et, Melhor Impressão Flexográfica, Melhor Impressão Rotográfica, Melhor Acabamento Edi­to­rial, Melhor Acabamento Cartotécnico e agora também Melhor Impressão Metalgráfica. Os produtos finalistas ficaram expostos na Escola Senai Theo­bal­do De Nigris entre 16 e 25 de outubro. A segunda fase de julgamento aconteceu na primeira quinzena de novembro. Os vencedores serão conhecidos no dia 26 de novembro, em festa a ser rea­li­z a­d a, como no ano passado, no Espaço das Américas, em São Paulo. Mais uma vez o mestre de ce­ ri­mô­nias será Tadeu S­ chmidt e o show de encerramento ficará por conta de Frejat.


PRODUTOS

Zebra Technologies completa portfólio de impressoras com a ZXP Series 1

A

Zebra Tech­no­lo­gies divulgou em agosto ter completado o seu portfólio de impressoras de cartões com o lançamento da ZXP Se­r ies 1. O novo modelo complementa as soluções da empresa para impressão de cartões, oferecendo aos usuá­rios finais uma impressora básica, de alto desempenho, que atende às necessidades de baixo volume de impressão. I­deal para baixo volume de impressão, a ZXP Se­ries 1 pro­por­cio­na alta qualidade em impressão de cartões com uma única face, como, por exemplo, cartões de fidelidade ou de membros de as­s o­c ia­ções, identificação de empregados e estudantes, cartões de controle de acesso e crachás de visitantes. A impressora ZXP Se­ries

Canon lança escâner com conexão wi-fi

1 requer um suporte técnico mínimo, é fácil de integrar e alocar e seu design compacto permite a utilização em espaços limitados, como mesas de recepção e segurança. Em complementação ao seu portfólio, a Zebra lançou também a nova geração da sua impressora pro­fis­sio­nal ZXP Se­ ries 3, voltada para aplicações de médio a alto volume, para impressão tanto em uma como em dupla face. Os aperfeiçoamentos da nova geração in­ cluem suporte expandido para cartão, introdução de novas fitas inteligentes de maior capacidade e ecologicamente corretas Load-​­N-Go, que utilizam menos plásticos e mais materiais biodegradáveis, e baixo custo por cartão. www.zebra.com.br

A

Canon está lançando o imageFormula P‑208 , escâner portátil com possibilidade de conexão wi-​­f i. O equipamento digitaliza frente e verso, tem alimentação automática de 10

L

Chromedot MicroJet Viper SP 3204 é alternativa para comunicação visual

ançada neste semestre no Brasil pela Povareskim Color Consulting, a impressora in­dus­trial de grandes formatos Chromedot MicroJet Viper SP 3204 tornou-​­se uma nova opção para que gráficas convencionais e digitais possam am­pliar seus ne­ gó­cios para um segmento não explorado: o de comunicação vi­sual. Segundo Oliver Povareskim, diretor da empresa, o equipamento traz como trunfos custo acessível, baixo consumo e alta produção e robustez tecnológica. “A Povareskim está envolvida diretamente na construção da máquina, o que assegura a qualidade confirmada pelo nome e marca que cons­truí­mos em mais de uma década de atua­ç ão no mercado gráfico brasileiro”, afirma. A Chromedot MicroJet Viper SP 3204 está disponível no Brasil em dois modelos: configuração

para impressão com pontos de até 35 picolitros e de até 15 picolitros. Pode operar em padrão de quatro cores CMYK , tem resolução máxima de 1.200 dpi e velocidade estimada em 120 m2/ hora (duas passadas) em alta produtividade, ou 60 m2/hora (em quatro passadas). Há também um modelo de 240 m2/hora com oito cabeças. Está otimizada para trabalhar com tintas solventes MicroInk SP6 , permitindo impressão em mí­dias como vinil, lona ou papel, atendendo a diversas demandas do segmento de sinalização e gráfico, além de oferecer um tempo de secagem menor e de am­pliar o gamut tonal obtido através do conjunto tinta, tecnologia de impressão e sistema de ge­ren­cia­men­to de cores e softwater Chromedot Sign Wide Gama.

folhas e velocidade de oito páginas por minuto. A empresa também conta com outro modelo de escâner portátil da mesma linha, o imageFormula P‑215 , que tem alimentador para 20 folhas

e apresenta velocidade de 15 páginas por minuto. Outra novidade é o acessório WU‑10 para conexão wi-​­f i, que possibilita a digitalização de documentos e envio para dispositivos móveis que operam com os sistemas iOS e Android. Os lançamentos fazem parte da participação da Canon no ECM Show, rea­li­z a­do no início de outubro em São Paulo.

www.povareskim.com.br

www.canon.com.br VOL. III  2013  TECNOLOGIA GRÁFICA

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PRODUTOS

Impressoras bizhub oferecem integração com workflow Agfa e Dainippon Screen

A

Konica Minolta noticiou em agosto a integração dos equipamentos de alta produção de sua série de impressoras digitais bizhub Press aos sistemas de ge­ren­cia­men­to de fluxo de trabalho Agfa:Apogee e Dainippon S­ creen Equios. Os modelos bizhub Press que permitem essa integração são as impressoras digitais coloridas C8000 , C7000P e C6000 e a nova C70 hc. Entre os be­ne­f í­ cios está uma maior facilidade de integrar os sistemas bizhub Press a di­fe­ren­cia­dos fluxos de impressão e de produção gráfica, incluindo aqueles que utilizam, em paralelo, sistemas CtP e de impressão offset. Em termos práticos, a integração entre as impressoras digitais Konica Minolta e os sistemas de ge­ren­cia­men­to Agfa e ­Screen possibilitarão que um mesmo documento rasterizado e en­via­do para impressão (por exemplo, em formato nativo PDF) seja analisado, corrigido e en­via­do para diferentes tipos de saí­da (prova, gravação de chapas ou impressão digital, incluindo, neste último caso, a possibilidade de se trabalhar com con­t eú­d o totalmente va­riá­vel e personalizado).

10 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. III  2013

Particularmente no caso da integração com o sistema Agfa:Apogee, pode-​­s e ainda be­n e­f i­c iar- ​­ s e do sistema de imposição híbrida de páginas, permitindo ajustes de con­teú­do dos arquivos tanto para acomodação das páginas na chapa em um CtP quanto para a saí­da impressa em folhas em um equipamento Konica Minolta bizhub Press. No caso da integração com o sistema ­Screen Equios, é possível trabalhar de modo automatizado e digital com o recurso “Double Page ­Spreads”, ou seja, acomodação de lay­out em páginas espelhadas para diferentes tipos de saí­da, incluindo aplicações web-​­to-print. Em ambos os casos ainda é possível trabalhar com os mais avançados recursos de análise e preflight em documentos PDF, permitindo aos usuá­rios dos sistemas bizhub tirar proveito da tecnologia embutida de verificação e validação desses tipos de arquivos para saí­da gráfica, minimizando erros como imposição incorreta de páginas e conversão inadequada de cores, formato, característica das imagens, resolução etc. konicaminolta.com.br

EFI anuncia impressora digital LED de alta resolução

A

EFI aproveitou a Labelexpo deste ano, que aconteceu no final de setembro, para anun­c iar a impressora EFI Je­trion 4950LX LED, que traz maior resolução, rápida capacidade de processamento e polimerização LED para a linha de produtos EFI Je­t rion 4900 de sistemas de impressão digital modular de etiquetas. Foram apresentados também os novos módulos de acabamento para a linha de produtos EFI Je­t rion 4900 , como o dispositivo de envernizamento/laminação e o cortador a laser de alta potência. A impressora LED EFI Je­trion 4950LX aprimora os recursos

versáteis dos sistemas de impressão digital de etiquetas da EFI e os usuá­rios agora podem produzir mais aplicações pri­má­r ias com uma qualidade de imagem su­pe­rior de até 720 × 720 dpi e texto de dois pontos refinado. Sua avançada tecnologia de polimerização LED permite que cartões finos e tra­di­cio­nal­men­te difíceis sejam impressos, aumentando a flexibilidade geral dessa máquina para a produção de embalagens flexíveis e termorretráteis, e também reduzindo os custos com um menor consumo de energia e maior vida útil da lâmpada. www.efi.com

Gomaq traz nova impressora térmica ao Brasil

A

Gomaq acaba de trazer para o mercado brasileiro a QL 700 , impressora térmica da Brother para a produção de etiquetas para embalagens, envelopes, pastas, CD s e DVD s. Compacto e com design inovador, o equipamento tem velocidade de impressão de até 93 etiquetas por

minuto. A QL 700 tem resolução de até 300 × 600 dpi e conta com as funções Label Col­lec­tion (com opções de etiquetas padronizadas) e Plug & Label (que permite a cria­ção e impressão de etiquetas sem que seja necessário instalar nenhum soft­ware). www.gomaq.com.br


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A MAIOR FEIRA GRÁFICA DA AMÉRICA LATINA EL MAYOR EVENTO DE LA INDUSTRIA GRÁFICA EN AMÉRICA LATINA THE LARGEST EVENT OF THE GRAPHIC ARTS INDUSTRY IN LATIN AMERICA

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APOIO INTERNACIONAL | APOYO INTERNATIONAL | INTERNATIONAL SUPPORT

REALIZAÇÃO | REALIZACIÓN | REALIZATION

ORGANIZAÇÃO E PROMOÇÃO | ORGANIZACIÓN Y PROMOCIÓN | ORGANIZATION AND PROMOTION


PRODUTOS

KBA apresenta diferentes soluções em feira alemã

A

Adecol introduz adesivo semissintético adaptado para o Brasil

Adecol lançou em outubro adesivos semissintéticos adaptados ao clima brasileiro. Fruto de mais de um ano de pesquisas, a linha é composta pelos adesivos C‑1014 e C‑1015 , elaborados es­pe­cial­men­te para operar em equipamentos industriais de rotulagem em alta velocidade no clima brasileiro. Para isso, os produtos têm características particulares de viscosidade, tack e tempo de secagem. A linha terá produtos de alto desempenho para embalagens retornáveis e

A

KBA levou para a World

Publishing Expo 2013, rea­li­z a­d a no início de outubro na Alemanha, desde tec­ no­lo­gias tradicionais até inovações que envolvem sistemas waterless e, ainda, impressão digital. Entre os destaques esteve a Commander CL, impressora flexível de grande aceitação no segmento de jornais, e a KBA Cortina, que, na oca­sião, foi demonstrada com dois sistemas de revestimento para acabamento em jornais, suplementos e outros produtos de alta qualidade que demandem aplicações coldset. A Commander CL possui velocidade de 80 mil ciclos/hora, está equipada com

12 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. III  2013

sistema de operação de cilindros AC Drive, que permite, inclusive, troca de chapas com os trabalhos em andamento (sem necessidade de parar a máquina), e está configurada para versões de até oito torres. Outro destaque da KBA foi a RotaJet 76, lançada durante a Hunkeler In­no­va­tion Days. Trata-​­se de uma impressora digital jato de tinta com configuração rotativa que permite, entre outras fun­cio­na­li­da­des típicas do processo de impressão digital, atingir rapidez e customização na impressão de informações segmentadas, cadernos regionais, baixas tiragens e personalização. www.kba.com

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não retornáveis. “Como a temperatura am­bien­te e a umidade têm grande impacto nesse tipo de adesivo, nossos produtos apresentam melhor performance em comparação aos importados, pensados para a rea­li­da­de europeia ou norte-​­americana”, explica Alexandre Segundo, diretor co­ mer­cial da Adecol. Outra vantagem da linha é a relação custo-​ b­ enefício e a menor in­f luên­cia da va­r ia­ç ão cam­bial no preço, por se tratar de uma empresa 100% brasileira. adecol.com.br

Software de personalização de cartões aposta na facilidade de utilização

uan­do a HID lançou o Asure ID 7 Solo, programa voltado à personalização de cartões de identificação, parecia impossível tornar a tarefa mais simples. Agora, o fabricante volta as atenções a ne­gó­cios que desejam um produto ainda mais fácil de operar, sempre de olho em manter o custo acessível. O Asure ID Express 7, que a Akad acaba de trazer ao País, tem capacidade de impressão em lotes, com recursos avançados para o design de cartões de identificação com foto. Uma de suas características principais continua sendo a facilidade de projetar e en­viar para impressão cartões sem necessidade de abrir e configurar os complexos drivers de impressoras. Com vistas à interoperabilidade e à estabilidade do sistema,

o soft­ware foi cons­truí­do sobre a base tecnológica .NET da Microsoft. A interface do usuá­rio foi aperfeiçoada para tornar ainda mais simples o aprendizado do operador, isso porque a base vi­sual e fun­cio­nal do programa inspirou-​­se no Microsoft Ribbon, já fa­mi­liar para um grande número de profissionais. Além de um banco de dados interno, a ferramenta Live Link traz a possibilidade de en­viar rapidamente para impressão cartões armazenados em outros bancos de dados do Microsoft Access. O soft­ware atinge desempenho máximo com as linhas de impressoras/ codificadoras DTC e HDP da Fargo, mas também fun­c io­na com impressoras de outros fabricantes. www.akad.com.br


A

Colacril desenvolve novas lonas

Colacril apresentou em outubro as lonas Colacril Sign para o segmento de comunicação vi­s ual e impressão digital para aplicações com alta definição de cores e utilização em frontlit, banners e telas. As lonas pro­por­cio­nam ma­ciez e ótimo nível de lisura, garantindo melhor qualidade de impressão digital e instalação perfeita. Elas estão disponíveis em branco fosco e brilho, nas gramaturas que vão

de 280 a 440 g/m2 e nas larguras mais comuns do mercado, de 1,52 a 3,20 m. A Colacril garante durabilidade su­pe­rior do produto quando em exposição ao meio ex­te­rior e alta resistência aos raios UV, chuva, fungos, congelamentos, rasgamentos e des­ fia­men­to, quando recortado ou aplicado com ilhoses. Além disso, essas lonas são compatíveis com a maioria das impressoras jato de tinta. www.colacril.com.br

A

HP exibe Indigo Silver Ink na Labelexpo

HP aproveitou sua participação na Labelexpo (rea­li­z a­da no final de setembro na Bélgica) para lançar a Indigo Silver Ink, tinta prata para a HP Indigo WS6600 Digital Press. A novidade cria possibilidades de impressão digital de alta qualidade para convertedores e prestadores de serviços de impressão, fortalecendo a posição da HP no mercado de rótulos. A fabricante chamou a atenção para o sucesso de vendas

dos equipamentos HP Indigo WS6600 , que superou a marca de 500 unidades, com um crescimento de mais de 25% no volume de etiquetas impressas em impressoras digitais HP Indigo no terceiro trimestre do ano fiscal de 2013. A empresa demonstrou na Labelexpo suas novas soluções para as impressoras digitais HP Indigo 20000 e 30000, voltadas para os mercados de cartuchos e embalagens flexíveis. www.hp.com

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ESPECIAL Tânia Galluzzi

Rótulos e etiquetas, multiplicidade de soluções

Seja para o valorizado rótulo, a cada dia mais nobre como ferramenta de conquista do consumidor, ou para a simples, porém eficiente, etiqueta, a diversidade de tecnologias só aumenta. Combiná-​­las no formato mais conveniente é prática que se renova com a disseminação da impressão digital.

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segmento de etiquetas e rótulos ca­ minha naturalmente atrelado ao se­ tor de embalagens. Não causa sur­ presa, assim, que venha registrando um desempenho su­pe­rior quando comparado a outros nichos da indústria gráfica. De acordo com a As­so­cia­ção Brasileira das In­dús­ trias de Etiquetas Adesivas (­Abiea) são converti­ dos em etiquetas e rótulos cerca de 60 milhões de metros quadrados de papel e filmes plásticos por mês no Brasil. A entidade não dispõe de números detalhados, a­ liás, um dos projetos da as­so­cia­ção é justamente uma pesquisa aprofundada, mas Fran­ cisco Sanches Neto, presidente da A ­ biea e diretor co­mer­cial da Adesão Etiquetas Adesivas, afirma que o papel mantém-​­s e como principal suporte em função do menor custo e maior aplicabilidade. Mas essa composição deve alterar-​­se, à medida que cresce a produção de rótulos, em detrimento das etiquetas. Sofisticados, esbanjando recursos gráfi­ cos e consequentemente com maior valor agrega­ do, os rótulos aproximam-​­se progressivamente de substratos plásticos como o BOPP e o po­lie­ti­le­no, enquanto nas etiquetas, mais simples e basicamente informativas, o papel é soberano. Mesmo atendendo um segmento em expansão, os fabricantes de etiquetas e rótulos não esperam crescimento para 2013, de acordo com Francisco Neto: “2011 foi bom, mas este ano deve se encer­ rar com desempenho pior do que o registrado em 2012”. Além da conjuntura econômica menos favo­ rável, o presidente da ­Abiea assinala como fator de­ terminante a guerra de preços que impera no setor. “Nos últimos cinco anos vendeu-​­se muito equipa­ mento e a demanda por vezes não acompanhou a elevação na capacidade produtiva. O resultado é a queda das margens de lucro, o que dificulta a atua­ li­za­ção tecnológica, principalmente para as micro e

pequenas empresas, que compõem cerca de 80% dos 1.500 convertedores de etiquetas e rótulos em atividade no País”, afirma Francisco Neto. E não há como falar em modernização sem abor­ dar a impressão digital, que se faz presente no uni­ verso dos rótulos. Como no mercado edi­to­rial, aqui ela ajuda o convertedor a adaptar-​­se à fragmenta­ ção dos pedidos, à redução de tiragens e à perso­ nalização. As impressoras digitais, cada vez mais fle­ xíveis não só no processo de impressão em si, mas sobretudo na possibilidade de incorporar dispositi­ vos e módulos de acabamento, reduzem significa­ tivamente o tempo de set up, porém seus insumos con­ti­nuam caros. “O mercado está acostumado a um custo de R$ 0,40 por rótulo impresso em flexo­ grafia. Na digital esse preço sobe para R$ 1,10, o que acaba assustando o clien­te”, comenta o presiden­ te da ­Abiea. Na composição desse preço entram o custo ope­ra­cio­nal, os insumos, a taxa de ocio­si­da­ de da máquina e a amortização do equipamento, que deve se pagar mais rapidamente em função da acelerada obsolescência dos sistemas digitais. Mes­ mo dian­te dessa questão, o empresário acredita que a melhor saí­da é munir-​­se dos dois sistemas, flexo e digital, que podem estar combinados em linhas híbridas de produção, incluindo outros processos como offset e serigrafia. O MELHOR DOS VÁRIOS MUNDOS

Tirar proveito do que cada tecnologia tem de me­ lhor é igualmente a bandeira de Miguel Trocco­ li, gerente geral da PTC Graphic Systems e presi­ dente da Abflexo, As­s o­cia­ç ão Brasileira Técnica de Flexografia. “É um erro pensar que a tecnolo­ gia digital é uma amea­ça à flexografia ou a qual­ quer outro sistema de impressão. O digital tem ca­ racterísticas e aplicações que não são encontradas em outros processos e na verdade o digital deve


ajudar a flexo e o offset, somando forças para aten­ der necessidades específicas dos mesmos clien­tes”. Na opi­nião dele, também não se deve comparar custos e receitas. “Do ponto de vista do custo, por mais simples que seja o digital, sempre será mais caro por produto em comparação aos sistemas convencionais. Seja ele jato de tinta, toner líquido ou sólido. O processo digital embute característi­ cas que não existem ou não são economicamen­ te viáveis nos processos convencionais”. A redução do prazo de entrega e a personalização são dois elementos agregadores de valor. A multiplicação de recursos das impressoras di­ gitais voltadas à confecção de rótulos e etiquetas só se intensifica, como destacam três es­pe­cia­lis­tas da Escola Senai Theo­bal­do De Nigris: Eneias Nunes da Silva, professor e coor­de­na­dor técnico da esco­ la; Ju­lia­na Coe­lho, professora e tecnóloga gráfica; e André Ci­f uen­te Filho, instrutor de práticas profis­ sionais. A gama de substratos aceitos não se res­ tringe aos suportes celulósicos, sem que isso com­ prometa a estabilidade da cor, e as possibilidades de enobrecimento em linha, como hot stamping, saí­ram da fase dos protótipos. A evolução da tecnologia digital torna ainda mais plural a gama de processos disponíveis para a produção de rótulos e etiquetas. Uma importante inovação é a cura da tinta, ou polimerização, com LEDs (dio­dos emissores de luz), sistema que propi­ cia o uso de uma va­rie­da­de maior de suportes e

que carrega forte apelo am­bien­tal por possibilitar economia de energia. A vida útil dos LEDs é maior, quando comparado à secagem UV, contudo o cus­ to dessa tecnologia ainda é mais alto. Os LEDs equi­ pam também as impressoras flexográficas. Miguel Troccoli lista outros be­ne­f í­cios da tecnologia LED em impressoras flexográficas: a desobrigação do uso de sistemas complexos de res­f ria­men­to por água gelada e a possibilidade de dispensar sopradores e exaustores de gás, pro­por­cio­nan­do secagem mais rápida, com maior brilho e durabilidade. Impressoras serigráficas rotativas, máquinas off­ set dedicadas à produção de rótulos e etiquetas, bem como a combinação de processos são opções efetivas. Vale lembrar que quando se pensa em sis­ temas híbridos, as velocidades dos processos va­ riam. “Uma impressora flexográfica que roda a 140 metros por minuto pode ter sua velocidade redu­ zida pela metade se lançar mão de um dispositivo de impressão digital, que trabalha a 60 metros por minuto”, afirma Ju­lia­na Coe­lho. FLEXOGRAFIA, OFFSET, DIGITAL. OPÇÕES NÃO FALTAM EFI – Jetrion A EFI aproveitou a Labelexpo, rea­li­z a­da no final de

setembro, em Bruxelas, na Bélgica, para apresentar a impressora EFI Je­trion 4950LX LED. O novo equi­ pamento traz maior resolução, rápida capacidade

Impressora digital modular EFI Jetrion 4900 VOL. III  2013  TECNOLOGIA GRÁFICA

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de processamento e polimerização LED. A empresa também expôs os novos módulos de acabamento para envernizamento e laminação e um cortador a laser de alta potência, que pro­por­cio­na velocidade e versatilidade para convertedores que trabalham com larguras de 330 mm. A linha modular Je­trion 4900 de impressoras digitais jato de tinta UV para a produção de etiquetas foi lançada em 2007. Com opções de formato 210 mm e 330 mm, está sendo co­mer­cia­li­z a­da no Bra­ sil desde 2009. Atual­men­te, segundo Marcelo Mae­ da, gerente de vendas e desenvolvimento da EFI , há duas Je­trions instaladas no País, ambas na River Print, empresa es­pe­cia­li­z a­da na impressão de rótu­ los e etiquetas, localizada em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A linha tem velocidade máxima de impressão de 24,30 m/min. em resolução comple­ ta, e 36,58 m/min. em modo rascunho, resolução su­pe­rior a 1.000 dpi (aparente), cinco cores (CMYK + branco), trabalhando com papel, filmes, lâminas, etiquetas e materiais especiais. www.efi.com

Heidelberg

Para atender as demandas do mercado de etique­ tas, a Heidelberg lançou em 2010 a impressora offset plana Speed­mas­ter XL 105‑­D, com corte e vin­ co rotativo offline. Esse modelo foi sucedido na Drupa 2012 pela XL 106‑­D, voltada sobretudo para o mercado de etiquetas para IML (in mold label),

processando películas já impressas. O principal be­ nefício é a alta velocidade de produção, que pode ser de até 15.000 folhas por hora, além do curto tempo de acerto. Outra impressora offset que vem sendo usa­ da para a produção de etiquetas é a Speed­mas­ter CX 102 . O equipamento possui uma grande va­rie­ da­de de configurações e pode imprimir substratos desde 0,03 mm até 1,0 mm, com velocidade de até 16.500 folhas por hora. Pode ter uma ou duas uni­ dades de verniz em linha e agregar diferentes aces­ só­rios, como o Foilstar para acabamento em linha com a aplicação de lâmina fria (cold foil) por meio de duas unidades de offset. www.br.heidelberg.com

HP Indigo

Há mais de 10 anos a linha de impressoras digitais de toner líquido (electroink) HP Indigo tem modelos que atendem no segmento de rótulos e etiquetas. Atual­men­te são dois modelos: WS4600 e WS6600 , este último o mais recente, lançado na Drupa 2012. De acordo com Luis Igle­sias, diretor de vendas e mar­ke­ting da Comprint, representante da HP In­ digo no Brasil, hoje há 31 impressoras HP Indigo instaladas no Brasil nesse segmento. A WS6600 imprime a uma velocidade de 30 me­ tros por minuto em quatro cores, com formato má­ ximo de repetição de imagem de 317 mm × 980 mm. A impressora pode utilizar até sete diferentes cores

Impressora offset plana Speedmaster XL106

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Impressora digital HP Indigo WS6600

si­mul­ta­nea­men­te, alcança resolução de 812 e 1.219 dpi a oito bits; e pode trabalhar com substratos au­ toadesivos, filmes, pa­péis e cartões com espessu­ ras entre 12 e 450 mícrons. Na Labelexpo, a WS6600 ganhou um novo di­fe­ren­cial com o lançamento da tinta prata Indigo Silver Ink. www.comprint.com.br www.hp.com/br

Mark Andy

A Mark Andy é um dos principais fabricantes mun­ diais de impressoras flexográficas, líder em equi­ pamentos de impressão e conversão modulares, e todos as suas linhas destinam-​­s e aos segmentos de rótulos, etiquetas e embalagens flexíveis. A fa­ bricante desenvolve três linhas: a 2200, no merca­ do desde os anos 1960; a linha Performance, ven­ dida desde 2010; e a nova VersaMax, lançada em junho deste ano. No Brasil a marca está presente desde a década de 1980 e, de acordo com Miguel Troccoli, da PTC Graphic Systems, representan­ te da marca no Brasil, 120 impressoras estão em fun­cio­na­men­to atual­men­te. A nova linha VersaMax, focada no mercado de alta performance e velocidade, es­pe­cial­men­te o nor­ te-​­americano, trabalha com larguras de 22" (55,88 cm) e 26" (66,04 cm), alcançando velocidade de 366 mpm. Para garantir a secagem a essa velocidade, a empresa desenvolveu um secador de ar com um emissor de ondas de baixa frequência, que multipli­ ca a ação de secagem permitindo que a impressora Impressora flexográfica modular da Mark Andy, da linha Performance

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trabalhe em alta velocidade com tintas à base de água ou solvente. “A VersaMax é a linha que apro­ veita o melhor da tecnologia da Performance, com design horizontal das unidades de impressão, utili­ zando camisas de impressão para as larguras maio­ res. A primeira VersaMax foi instalada em agosto na mexicana Stu­dioCo­lor, para produzir rótulos de re­ frigerantes com alta qualidade, que antes eram im­ pressos em rotogravura”, explica o gerente da PTC . www.ptcgs.com.br www.markandy.com

Nilpeter

Assim como a Mark Andy, todos os equipamentos desenvolvidos pela Nilpeter estão di­re­cio­na­dos à produção de etiquetas e rótulos. Seis linhas aten­ dem os convertedores, FB , FB Next, FA , FA Next, Caslon e MO, incluindo impressoras flexográficas simples, híbridas, inclusive com processo offset, até impressão digital. Os equipamentos aceitam pa­ pel não adesivo e autoadesivo, filmes sem suporte, ma­te­rial ter­moen­co­lhí­vel, cartões e alumínio. Suas mais recentes inovações foram expostas na Labelexpo. A FB Next tem largura máxima de bobina de 350 mm, chegando à velocidade de 228 m/min. Pode ser combinada com serigrafia rotativa, cold stamping rotativo, hot stamping plano ou rotativo e unidade de meio-​­corte em linha. Com os mesmos aces­só­rios, a FA Next é uma impressora flexográfi­ ca do tipo gear­less (sem engrenagens), que alcança largura de bobina 420 mm e velocidade máxima de


operação 175 m/min. Também foram expostas na feira a MO 5, impressora multiplataforma offset que usa camisas ao invés de cassetes (porta-​­chapa/por­ ta-​­blanquetas), podendo ser combinada aos mes­ mos dispositivos já citados, com largura máxima de bobina 520 mm e velocidade máxima de ope­ ração 175 m/min.; e a unidade de rotogravura G4, desenhada para complementar as impressoras FA , FA Next e MO, utilizando tintas à base de solvente. De acordo com Rubens Wilmers, diretor geral da Nilpeter do Brasil, 10 FB Next foram vendidas mes­ mo antes da feira, das quais duas virão para o Brasil. www.nilpeter.com

Rotatek Brasil

Outra marca colada ao segmento de rótulos e eti­ quetas e ao conceito de modularidade, a Rotatek começou a instalar no Brasil máquinas combinan­ do flexografia e offset em 1988. Atual­men­te, de acordo com Antonio Dalama, diretor geral da Ro­ tatek Brasil, são 350 máquinas em fun­cio­na­men­to. Entre suas vá­rias soluções, a mais recente é a im­ pressora híbrida Convert, que pode chegar à lar­ gura de 1.000 mm e destina-​­s e ao segmento de embalagens flexíveis, incluindo rótulos termoenco­ lhíveis. Seu di­fe­ren­cial é a curta passagem do subs­ trato, diminuindo o consumo de matéria-​­prima no ajuste de máquina, alia­do ao sistema de controle do equipamento, que permite memorização dos parâmetros de cada trabalho, reduzindo subs­tan­ cial­men­te o tempo de ajuste. www.rotatek.com.br

Impressora digital de toner sólido da Xeikon, modelo 3030 Plus

Xeikon

A linha de impressoras digitais de toner sólido da Xeikon aplicada à conversão de rótulos e etiquetas é a 3000, que tem como característica a impres­ são em apenas um lado do substrato. São cinco modelos, 3030, 3030 Plus, 3300, 3050 e 3500, com larguras máximas que va­riam de 300 mm a 500 mm, e velocidades entre 15 m/min. e 19,6 m/min. Dentre eles o mais novo é a impressora 3030 Plus, lançada em 2011. Fabricante da primeira impressora digital colo­ rida in­dus­trial, através do desenvolvimento da im­ pressão eletrofotográfica a partir de toners secos, lançada em 1993, a Xeikon começou a ser represen­ tada na América Latina em 2011. De lá para cá, 18 máquinas foram instaladas, sendo quatro no Bra­ sil. Todas as quatro estão atendendo o mercado de impressão de envases rígidos, como potes e baldes plásticos, rotulados com o processo de heat transfer. Como explica Miguel Troccoli, da PTC Graphic Systems, a impressora digital imprime um papel si­ liconado, que com calor transfere a imagem com alta qualidade para o envase. Essas máquinas estão hoje em Recife, Salvador e São José dos Campos. O toner sólido não contém solventes em sua com­ posição, apresenta alta densidade de cobertu­ ra e de cor, facilitando a reprodução de cores Pantone, pro­prie­da­des adequadas à produ­ ção de rótulos, etique­ tas e cartuchos para os segmentos alimentício e far­ma­cêu­ti­co. www.ptcgs.com.br www.xeikon.com

Unidade de impressão digital em impressora híbrida da Rotatek VOL. III  2013  TECNOLOGIA GRÁFICA

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E

Boas práticas no manuseio dos papéis

m sequência à série de manuais, pu­ blicamos nesta edição o volume 3 da Coleção Digitec, que trata de pa­ péis para impressão digital. No caso da impressão digital, os suportes como pa­ péis e outros substratos têm uma impor­ tância muito grande na qualidade dos im­ pressos. O texto que reproduzimos a seguir (dividido em duas partes), trata dos diferen­ tes tipos e boas práticas no manuseio e uso desses materiais. DEFINIÇÃO

Atual­men­te, o suporte mais popular usado ainda é o papel. Este termo se refere a uma folha formada, seca e acabada, produzida a partir de fibras vegetais, que tiveram ou não a adição de outros in­gre­dien­tes, para dar ao produto final características de utilização. Em sua maioria, o papel é fabricado a par­ tir de celulose, misturada com outros com­ ponentes, o que permite fabricar folhas que servem de suporte à escrita ou à impressão. Elementos básicos:

Celulose (75 a 85%) geralmente proveniente de eucaliptos ◆◆ Carga mineral: carbonato de cálcio ◆◆ Aditivos ◆◆

e, em es­pe­cial, de retículas finas. O couché pode ser subdividido em: Couché L1: papel com revestimento em um lado Couché L2: papel com revestimento nos dois lados Couché monolúcido: papel com revesti­ mento em um lado mas liso no verso, para evitar impermeabilidade no contato com a água ou umidade Couché gloss: papel com revestimento bri­ lhante nos dois lados Couché matte: papel com revestimento fos­ co nos dois lados Couché textura: papel com revestimen­ to nos dois lados, gofrado ou texturizado Não revestidos

Conhecidos como offset. Pa­péis que asse­ melham-​­se ao sulfite. Têm superfície uni­ forme livre de felpas e penugem. Sua alta lisura e seu tratamento su­per­f i­cial pro­por­ cio­nam uma excelente qualidade em im­ pressão digital. O offset texturizado tem como características as texturas e gofragem. Existem três tipos de texturas, duas a úmi­ do, ou seja, com o papel ainda na máquina: ◆◆ Com rolo bailarino (por exemplo, o vergê) ◆◆ Com feltro (por exemplo, o Markatto) E outra a seco:

CLASSIFICAÇÃO

Os pa­péis são classificados de acordo com algumas características principais: ◆◆ Revestidos ◆◆ Não revestidos ◆◆ Papel-​­cartão ◆◆ Reciclado ◆◆ Especiais ou finos Revestidos

Conhecidos como couché. Pa­péis com uma ou ambas as faces recobertas por uma fina camada de subs­tân­cias minerais, que lhe dão aspecto cerrado e brilhante, e muito próprio para a impressão de imagens em meio-​­tom, 20 TECNOLOGIA GRÁFICA 

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◆◆

Gofragem: papel é enviado depois de pronto (seco) para uma máquina com cilindros tipo macho-​­fêmea, que fazem uma textura mais pronunciada que as feitas a úmido, mais leves.

Reciclado

A reciclagem é o reaproveitamento do papel não fun­cio­nal para produzir papel reciclado. Há duas grandes fontes de papel a se reciclar: as de pré-​­consumo (recolhidas pelas pró­ prias fábricas antes que o ma­te­rial passe ao mercado consumidor) e as de pós-​­consumo (geralmente recolhidas por catadores de rua,

coo­pe­ra­ti­vas). De um modo geral, o papel reciclado utiliza os dois tipos na sua com­ posição e tem a coloração original creme. O mercado hoje já pode contar com pa­péis reciclados brancos, coloridos e revestidos. A aceitação do papel reciclado é crescente, es­ pe­cial­men­te no mercado corporativo e ór­ gãos públicos. Ele tem um apelo ecológico, o que faz que alcance um preço até maior que o ma­te­rial virgem. Papel-​­cartão

É fabricado diretamente na máquina ou ob­ tido pela colagem e prensagem de vá­rias ou­ tras folhas. Na prática diz-​­se papel-​­cartão se a folha pesar 180 gramas ou mais por metro quadrado; menos que isso, é papel. A diferen­ ça do papel-​­cartão de mesma gramatura com outros tipos de pa­péis está na rigidez. O pa­ pel-​­cartão por ter camadas torna-​­se mais rí­ gido possibilitando usá-​­lo para embalagens. Tipos de papel-​­cartão

Cartão SBS (Solid Blea­ched Sulfate), ou sódio bran­quea­dor: Apresenta todas as suas camadas brancas com cobertura de cou­ ché no forro. É usado em embalagens de cosméticos, medicamentos, hi­gie­ne pes­ soal, fast food, capas de livros, revistas e cartões postais. Cartão duplex: cartão com duas camadas de celulose branca, mio­lo de celulose pré-​ ­bran­quea­da ou fundo creme e cobertura couché em um dos lados (forro). Cartão triplex: cartão com três camadas, duas com celulose pré-​­bran­quea­da e a ter­ ceira de celulose branca com cobertura couché. Suas aplicações são em capas de livros em geral, cartuchos em geral (para produtos far­ma­cêu­ti­cos, ali­men­tí­cios, cos­ méticos, hi­giê­ni­cos), embalagens de disco, embalagens para ele­troe­le­trô­ni­cos, emba­ lagens para brinquedos, ves­tuá­rios, displays e laminações em micro-​­ondulado.


Especiais ou finos

São pa­p éis com alto valor agregado. Pre­ cisam ter algumas características específi­ cas, tais como: Acabamento especial (Fibras/ Flocos/ Pigmentos)

Entende-​­s e por acabamento a sensação vi­sual. Texturas

Sensação tátil. Desenhos em relevo alto ou baixo no papel. Papel sem textura é um papel liso. Pa­ pel texturado pode ser vergê, com marca de feltro, ou gofrado. A textura vergê é pro­ duzida durante o processo de formação da folha de papel, através de rolos bailarinos (cilindros) desenhados. A marca de feltro é a textura específi­ ca para desenho e pintura, porém é tam­ bém muito apre­cia­da para trabalhos grá­ ficos por conferir ao papel uma aparência sofisticada. Esta textura é gerada também através do rolo bailarino, porém este rolo é revestido por um feltro, o qual deixará seu desenho marcado no papel. A gofragem é uma textura produzida no papel após sua fabricação, através de máquinas especiais, que fazem uso de for­ ça e pressão, marcando desenhos diferen­ tes na superfície do papel, por exemplo, imitação de linha, madeira, casca de ovo, tecido, couro etc. Variedade de cores

É a cor do papel. O papel pode ser pinta­ do na superfície ou colorido na massa. Pa­ péis pintados na superfície são produzi­ dos brancos e, depois de prontos, recebem uma camada de tinta. Estes pa­péis perdem a cor com maior facilidade, pos­suem falhas na coloração e apresentam mio­los brancos ao cortá-​­los ou rasgá-​­los, sendo por isso menos apre­cia­dos. Pa­péis coloridos na massa são pa­péis que recebem pigmentos durante a mistura de to­ dos os componentes químicos com a água

e as fibras. Neste processo, os pigmentos unem-​­se às fibras, gerando maior resistên­ cia e durabilidade à cor do papel, além de apresentar a mesma coloração no mio­lo e na face do papel, bem como, homogeneidade. Marca d’água

É uma imagem formada por diferenças na espessura de uma folha de papel, aplican­ do-​­se uma estampa na folha ainda úmida. Pode ser vista apenas quando o papel é co­ locado contra a luz, não interferindo no que está escrito ou impresso. A marca d’água se cria durante o pro­ cesso de fabricação enquanto a folha ain­ da está úmida, me­dian­te compressão de uma ferramenta chamada dandy roll (rolo bailarino), que é um cilindro metálico oco e tem soldado um relevo com os desenhos que se quer aplicar. É utilizada para dificultar a falsificação de documentos, para atestar a autenticidade de origem do papel, como adorno ou como di­ fe­ren­cia­ção entre diferentes fornecedores.

Não revestidos ou com revestimentos especiais

Os pa­péis finos normalmente não são re­ vestidos, mantendo a superfície natural. Quan­do são revestidos, ha­bi­tual­men­te tra­ ta-​­se de revestimento es­pe­cial, com brilhos, iridescência ou metalização. Na próxima edição, a segunda e última

parte do manual sobre papéis para impressão digital. ELABORADORES DA COLEÇÃO Membros Digitec:

Autor e Editor: Ricardo Minoru Horie, Bytes & Types – minoru@bytestypes.com.br Autores: André Liberato, Konica Minolta – andre. liberato@bs.konicaminolta.com.br; Wiliam Corrêa, Alphaprint – wiliam.correa@alphaprint.com.br Colaboradores: Lara Venegas Vargas, Kodak Brasil – lara.vargas@kodak.com; Paulo Addair, Thomas Greg & Sons – paulo.addair@thomasgreg.com.br Projeto Gráfico: Camila Christini Tomás, Rede Senai SP Design E scola Senai Theobaldo De Nigris rededesign114@sp.senai.br

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FINALMENTE A LISTA DE CONVOCADOS PARA A GRANDE FINAL AJIR ARTES GRÁFICAS ANTILHAS EMBALAGENS ARO EXP. IMP. IND. E COM. ARTFIX INDÚSTRIA GRÁFICA ARTLASER GRÁFICA E EDITORA AYMORES EMBALAGENS BELTON BIGNARDI IND E COM DE PAPÉIS E ART BRASILGRAFICA SA INDÚSTRIA E COMÉRCIO BRASPOR GRÁFICA E EDITORA BRAZICOLOR INDÚSTRIA GRÁFICA CARTONAGEM HEGA CARTONDRUCK GRÁFICA CHARBEL GRÁFICA E EDITORA CMP COMPANHIA METALGRAPHICA PAULISTA COAN INDÚSTRIA GRÁFICA COMPANHIA DA COR STUDIO GRÁFICO COMUNICARE CONGRAF - INDÚSTRIA E COMÉRCIO GRÁFICA CONSELHEIRO CONTIPLAN INDÚSTRIA GRÁFICA CORGRAF GRÁFICA E EDITORA CORPRINT DA AMAZÔNIA GRÁFICA E EDITORA CORPRINT GRÁFICA E EDITORA DEGRAFICA IMPRESSOS DELTA PUBLICIDADE S/A DI GRÁFICA E EDITORA DP STUDIO EDITORA SÃO MIGUEL EMPRESA FOLHA DA MANHÃ S/A ESCALA 7 EDITORA GRÁFICA ESKENAZI INDÚSTRIA GRÁFICA ETIQUETAS BRASIL FACFORM IMPRESSOS GEO-GRÁFICA E EDITORA GH COMUNICAÇÃO GRÁFICA GRAFDIL IMPRESSOS GRAFFOLUZ EDIT. E IND. GRÁFICA

GRÁFICA & COPIADORA NACIONAL GRÁFICA AMPARO GRÁFICA E EDITORA GEMAR GRÁFICA E EDITORA JEP GRÁFICA EDITORA AQUARELA S/A GRÁFICA EDITORA PALLOTTI GRÁFICA EDITORA R. ESTEVES TIPROGRESSO GRÁFICA FLAMAR EDITORA GRÁFICA IPÊ GRÁFICA JB GRÁFICA LISBOA GRÁFICA RAMI GRÁFICA REÚNA GRÁFICA SANTO ANTÔNIO GRAFISET GRÁFICA E SERVIÇOS DE OFF-SET GRAFITUSA GRIF RÓTULOS E ETIQUETAS ADESIVAS HALLEY S A GRÁFICA E EDITORA IBEP GRÁFICA IBRATEC ARTES GRÁFICAS IMPRESUL SERVIÇO GRÁFICO E EDITORA INAPEL EMBALAGENS INDÚSTRIA DE EMBALAGEM SANTA INÊS INDÚSTRIA SERIGRÁFICA TEKNE IPSIS GRÁFICA E EDITORA S/A KLABIN S/A LATA DE LUXO LEOGRAF GRÁFICA E EDITORA LISEGRAFF LOG & PRINT GRÁFICA E LOGÍSTICA LUPAGRAF - GRÁFICA LUPATINI MACK COLOR ETIQUETAS ADESIVAS MÁCRON INDÚSTRIA GRÁFICA MAGISTRAL IMPRESSORA INDUSTRIAL MAISTYPE MAKRO KOLOR MAXIGRÁFICA MIDIOGRAF

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Agradecemos a todas as gráficas que inscreveram os seus produtos e os nossos patrocinadores , que mais uma vez tornaram possível a realização, com sucesso, do 23º Prêmio Brasileiro de Excelência Gráfica Fernando Pini.

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Fantástica Fespa!

N

ós geralmente cobrimos as feiras da indústria fornecendo um resumo das no­tí­cias de acordo com os tópicos apresentados. Apesar de ser interessante a apresentação de uma lista daquilo que é novo em hard­ware, soft­ware e fluxos de trabalho, essas informações podem ser encontradas com bastante facilidade nos sites de cobertura online do evento. Nesta matéria olhamos menos para tec­no­lo­gias e mais sobre as evidentes mudanças dessa indústria. A Fespa mudou muito ao longo dos últimos anos, trocando o foco na serigrafia pela emergente impressão digital. Sua evolução bem sucedida reflete como segmentos da indústria gráfica têm lutado contra as dificuldades, abraçando um novo e ousado mundo de me­to­do­lo­gias digitais. O evento, assim como os setores que o apoiam, tornou-​­se multifacetado, de interesse para toda e qualquer pessoa no negócio de mídia. E este é o significado da mídia impressa: inclusão e alcance (do clien­te final).

A Fespa celebra a impressão em muitas formas, indo além da sinalização e vi­sua­li­z a­ção, como demonstrado nos muitos eventos paralelos à feira. Havia concursos de design, debates, workshops e festas, além de lançamentos e demonstrações de produtos novos. Todos esses fatores ajudaram a fazer da Fespa um destino para mais de 22 mil pes­ soas. É uma fórmula vencedora, ba­sea­da na indústria e no engajamento de toda a cadeia produtiva. Contudo, quais significados pode trazer a celebração dos 50 anos da Fespa para o ­atual estado da indústria gráfica? O evento reflete a amplitude do mercado de mí­dias: diverso, fragmentado, altamente local e, ainda assim, universal. Houve uma forte ênfase em sustentabilidade, em particular re­la­cio­na­ da ao sucesso do negócio. Foram apresentados novos fluxos de trabalho, desempenho das máquinas, consumíveis e novas aplicações cada vez mais sofisticadas, para atender às expectativas do mercado. E vá­rios ne­gó­cios foram fechados: até o final do segundo dia, o modelo de demonstração HP Latex 3000 era vendido para a Megaprint, da No­rue­ga,

Apesar do centro de exposições London Excel estar em um lugar remoto, mais de 22 mil visitantes estiveram presentes à Fespa 2013

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assim como a Fujifilm já havia vendido cinco Uvistars. Além do investimento, gráficas e compradores de impressão estavam interessados em ferramentas que os ajudassem a tirar o máximo proveito das tec­no­lo­gias existentes e em sustentabilidade. NEGÓCIO SUSTENTÁVEL & MEIO AMBIENTE

Na conferência de sustentabilidade um tema recorrente foi o da sustentabilidade am­bien­tal e os controles de impacto como “uma maneira de se manter em movimento, prosperando de maneira equilibrada”, exposto pelo consultor am­bien­tal Clare Taylor. Finanças, meio am­bien­te e sustentabilidade so­cial são políticas para redução de desperdício e custos em um negócio. Por exemplo, a maioria das empresas pode reduzir seu consumo de energia em cerca de 20%, sem investimentos adicionais. Vá­rios palestrantes apoiaram esse ponto de vista. A Pureprint, por exemplo, recentemente ganhou o terceiro prêmio The ­Queen’s Award por sua estratégia de sustentabilidade, tendo aumentado o seu faturamento em 61,8%, apesar da batalha financeira dos últimos cinco anos. A Pureprint trabalha para 40 das empresas listadas na FTSE100 e seu diretor, Richard Owers, acredita que “você precisa ser sustentável se você quiser trabalhar com essas empresas”. Quan­do entrevistados, 93,3% dos clien­tes da Pureprint disseram que as credenciais ambientais in­f luen­cia­ram positivamente nas decisões de compra. Richard acredita que a cons­cien­ti­za­ção am­bien­tal, embora não seja predominante em toda a cadeia de suprimentos da indústria gráfica, é um interesse predominante para os principais compradores de impressão. A sustentabilidade deve estar ligada à praticidade. O Prêmio The Q ­ ueen’s Award é dado a empresas envolvidas em “qualquer atividade que garanta uma melhor qualidade de vida para todos, agora e para as futuras gerações”. Isso reflete como a mudança de comportamento pode melhorar as coisas. Sustentabilidade tem a ver com re­la­cio­na­ men­tos e responsabilidade. O Regulamento Madeireiro Europeu (EUTR) teve uma boa apresentação feita por Rachel Butler, alertando o público para verificar as credenciais de certificação nos produtos fabricados. O EUTR ainda é incompleto na medida em que abrange apenas rótulos e embalagens; produtos impressos não são cobertos como uma categoria específica. Um intenso lobby está mudando isso e produtos impressos “estão no topo da lista, em função da China” para a revisão da EUTR em 2015. O Reino Unido tem muitas gráficas que trabalham com uma agenda mais sustentável, mas ainda

representam a minoria. A Greenhouse Graphics, gráfica focada em grandes formatos, tem um compromisso de 20 anos com a sustentabilidade. O diretor Ian Crossley acredita que “isso não é moda”, e tem atrelado a sustentabilidade ao pragmatismo em­pre­sa­rial para entregar resultados e ganhos de efi­ciên­cia ope­ra­cio­nal. Depois da lição de casa ter sido feita, a Greenhouse Graphics recomenda que se trabalhe com parceiros em objetivos como a redução do uso de ál­cool na impressão, reduzido em 90% pela Greenhouse Graphics. Os custos de eliminação de re­sí­duos podem ser transformados em renda quando se trabalha com parceiros que precisam de re­sí­duos como matéria-​­prima. A Greenhouse Graphics utiliza re­sí­duos de papel picado em vez de embalagens va­zias. A Greenhouse Graphics tem uma política de “certo desde a primeira vez”; por isso investe em perfis de tinta e otimização do fluxo de trabalho digital. O controle da qualidade reduz o consumo de energia por unidade de volume de ne­gó­cios e, ao que parece, mais efi­ciên­cia agregada ao desejo dos clien­tes em comprar produtos sustentáveis é uma fórmula de sucesso co­mer­cial. O tema sustentabilidade também esteve fortemente presente na feira. A Mimaki está fornecendo tinta em sacos, usando menos embalagens e reduzindo o desperdício. A HP promoveu a sua nova impressora HP Latex 3000 com base na preo­cu­pa­ ção am­bien­tal com a tinta. A impressora rolo-​­a-rolo Latex 3000 imprime em uma largura de 3,2 metros a 120 m2/hora para aplicações em in­te­rio­res e ex­te­ rio­res. De acordo com um porta-​­voz da HP, as vantagens ambientais “ajudam seus clien­tes a atingirem seus objetivos de sustentabilidade”. A impressora de mesa HP Latex 10000 imprime até 625 m2/hora dedicada a materiais de ponto de venda, cartazes de varejo e displays. Ela possui tecnologia de impressão HP Scitex High Dynamic Range, em que se usam pequenos pontos para maior qualidade e maiores pontos para produtividade, o que dá à HP “maior gama dinâmica”, provavelmente em referência aos tamanhos de pontos que essa máquina pode imprimir.

A Fespa levou o tema “Destino Fespa” em seu estande, que lembrava um check-​­in de aeroporto

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ProofScope é o último módulo lançado pela Hybrid Systems para a sua solução de fluxo de trabalho baseado em nuvem. Ele pode integrar vários RIPs de terceiros e sistemas MIS para fluxos de trabalho integrados e automatizados

FLUXO DE TRABALHO & PRODUTIVIDADE

A automação do fluxo de trabalho tem sido um tema recorrente em feiras da indústria por muitos anos e ainda assim não parece ter sido totalmente resolvido. No fundo, o problema é a fragmentação e diversidade nas cadeias de fornecimento de mídia. A dificuldade de levar as pes­soas a entender como os dados se movem, o que acontece quando eles são processados, bem como a in­f luên­cia do soft­ ware e os de­sa­f ios da gestão de metadados e dados de cor são apenas alguns dos pontos. Os fornecedores estão fazendo o seu melhor para ajudar, enquanto lutam para estabelecer maneiras de usar padrões como indicadores para controle de qualidade. Vá­rios fornecedores de sistemas de fluxo de trabalho, como Agfa, EFI e Esko têm adaptado suas tec­ no­lo­gias para a produção em grande formato. Isso é interessante, visto que es­tú­dios de sinalização geralmente utilizam qualquer soft­ware RIP recomendado ou disponibilizado pelo fornecedor no momento da instalação. O Onyx 5, que ainda é o único fluxo de trabalho 100%­ba­sea­do em PDF para aplicações em grandes formatos, e o RIP Caldera, ainda dominam esse mercado, embora isso esteja mudando. A infinidade de RIPs e a falta de atua­li­z a­ção ao longo do tempo impedem um fluxo de trabalho simplificado integrado com o sistema de gestão e cobrança e o portal web-​­to-print. A existência de diferentes RIPs para cada impressora de grande formato faz com que seja difícil treinar os operadores, podendo levar a erros de produção. Essas dificuldades ainda persistem, mas agora é o momento de reforçar a necessidade de o RIP utilizar fluxos de trabalho mais efi­cien­tes. Seguindo esse tema, uma das estrelas do fluxo de trabalho na Fespa foi o sistema Agfa Asanti PDF para grandes formatos. Ba­sea­do na tecnologia de grande sucesso Agfa Apogee, o sistema Asanti combina a ex­pe­riên­cia da Agfa com o fluxo de trabalho e de cor para ajudar na produção de cores 26 TECNOLOGIA GRÁFICA 

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complexas em grande formato. Os sistemas Asanti Pro­duc­tion e Asanti Storefront espelham seus equivalentes comerciais. Tal como o Apogee Storefront, o sistema Asanti Storefront utiliza ca­te­go­rias de produção pré-​­definidas com modelos personalizáveis que podem ser adaptados para impressoras individuais ou seus clien­tes. Existem também produtos padronizados para diversas aplicações e dados variáveis em sinalização e display, incluindo o preflight de dados. Os bancos de dados de origem (para dados variáveis) são exibidos dentro do Asanti para que os operadores possam verificar seus detalhes. Ainda não é possível classificar ou manipular os dados. No entanto, dá para editá-​­los a fim de que o con­teú­do de dados variáveis possa ser administrado. Essa tecnologia é extremamente promissora para trabalhos complexos de sinalização. Recentemente a Fujifilm tem acenado com uma extensão do seu fluxo de trabalho, o XMF, para aplicações de grandes formatos. A tecnologia ainda está em desenvolvimento em Tóquio, onde algumas reen­ge­nha­rias estão sendo rea­li­z a­das devido ao fato de o XMF ter sido originalmente projetado para produção de livros e revistas. A Durst também implementou uma tecnologia de verificação de impressão no RIP Caldera para fornecer um mecanismo de controle de qualidade para saí­da em grandes formatos com base em cri­ té­rios da ISO 12647‑­2 . A implementação da Durst roda no RIP Caldera e usa o esquema de certificação PSD (Print Standard Digital) da Fogra, que verifica se a tinta e o substrato atendem aos valores do Dataset Fogra39. A EFI suporta os requisitos da ISO 12647 no F­ iery FX RIP, assim como a ColorGate. A Esko continua a apostar na crescente comunidade de impressoras de grande formato com recurso de recorte, com a sua tecnologia Au­to­ma­ tion Engine, porque grande parte da produção em grande formato precisa ser cortada diretamente na impressora, ou em uma máquina de corte digital 


quase em linha. A suite i-​­cut é uma das soluções dominantes para isso, e é também utilizada sob OEM como, por exemplo, no sistema EFI ­Fiery XF. O fato da Esko ter uma parcela considerável do mercado de grandes formatos é outro sinal de que isso está começando a se tornar um mercado mais maduro em termos de adoção de ferramentas digitais profissionais avançadas. A Esko já tem essa reputação no exigente segmento de produção de embalagens e está am­plian­do claramente o seu know-​­how no mercado de sinalização e produção de etiquetas. A Mimaki, um dos poucos fornecedores que não vendem mídia, agora oferece um serviço de cria­ção de uma base de dados de perfis ICC, o que ajudará na produtividade de seus clien­tes. Mais de 20 provedores de substratos estão no programa, e perfis que, ini­cial­men­te, eram feitos apenas para os RIPs Caldera e Onyx, agora são oferecidos para mais fabricantes e estão disponíveis para mais de 2.500 substratos. A Hybrid Systems mostrou o novo módulo Proofs­co­pe, parte de sua solução de fluxo de trabalho ba­sea­da na nuvem que pode integrar diversos RIPs de terceiros e sistemas MIS , crian­do um fluxo de trabalho simplificado. O Proofs­co­pe é ba­sea­do em JavaScript e HTML5, muito semelhante ao XML , e a interface do usuá­rio está disponível através de qualquer navegador web que lide com HTML5 de uma maneira correta. Isso significa que não existem aplicações para serem instaladas para o usuá­rio, o que representa um dos cri­té­rios importantes para qualquer solução moderna ba­sea­da em nuvem. Outra tecnologia-​­chave para as soluções de soft­ ware da Hybrid Systems é o suporte a processamento de 64 bits, multiprocessadores e multitarefa. O Proofs­co­pe pode ser visto como um portal no qual a prova e a aprovação de documentos estão no mesmo lugar. Seu companheiro, Proofs­co­ pe Live, é um editor de PDF real, que não precisa de qualquer outro aplicativo, como o Adobe Acrobat. O Proofs­co­pe Live respeita camadas em arquivos de entrada e analisa o texto de modo que os parágrafos são mantidos intactos e totalmente editáveis. Os  PDFs processados são salvos na mesma versão de PDF do arquivo de entrada original, mas em uma forma mais correta do que a original, de acordo com a Hybrid Systems. O Proofs­co­pe controla as alterações feitas nos arquivos, detalhe importante em uma solução de aprovação. A breve demonstração que tivemos do sistema foi im­pres­ sio­nan­te, mas não menos importante foi a possibilidade de am­plia­ção em nível de pixel. A Hybrid Systems chama isso de “zoom infinito”. Mais recursos e opções devem ser adi­cio­na­dos ao longo do tempo, promete a Hybrid Systems. 28 TECNOLOGIA GRÁFICA  VOL. III  2013

NOVOS EQUIPAMENTOS & MUDANÇA PARA TINTAS UV A mudança nos sistemas UV continua. A EFI Vutek HS100 Pro, com cabeçotes de impressão ba­sea­do

em tons de cinza, imprime em suportes rígidos e rolo-​­a-rolo em uma largura de 3,20 metros. A EFI já instalou mais de 100 Vuteks com cura LED desde o lançamento em 2010. A nova Mimaki UJV500‑160 é uma impressora rolo-​­a-rolo de cura UV‑LED que imprime CMYK + branco, até 100 m2/h, em uma largura de 1,60 metros. A Mimaki ampliou sua gama JV 400 com a adição de modelos SUV, que usam tintas de cura UV solvente para imprimir até 18 m2/h em CMYK com alta qualidade e durabilidade. Os aces­ só­rios também estão aprimorando e melhorando os kits existentes. Por exemplo, o alimentador automático de substrato da Agfa para a Anapurna M2050 alimenta até quatro placas ao mesmo tempo, aumentando a produtividade em 20 a 25%. O empenho da Agfa no setor de grandes formatos está sendo aprofundado com o objetivo declarado da empresa de ter 20% desse mercado UV até 2015. A nova Anapurna M2500 , de 2,50 metros, com um sistema redesenhado de tinta branca é uma versão mais produtiva da Anapurna M2050, de 2,05

A Anapurna M2500, de 2,50 metros, com novidades para maior produtividade

A última novidade da Durst série Rho 1000 mistura velocidade e qualidade. O modelo 1030 imprime a 1.000 m2/hora


Você acha que eles têm esse modelo no meu número? Não é uma ideia improvável se a impressão têxtil DTG (Direct to Garment ou Impressão direta no vestuário) decolar

metros. A Anapurna M3200 tem preço de modelo de entrada, mas é voltada para mé­ dios e grandes mercados rolo-​ ­a-rolo. Ela produz 3,20 metros para aplicações in­te­rio­res e ex­te­rio­res em seis cores em até 116 m2/h e tem duas cabeças de impressão Konica Minolta 1024i adicionais e sistemas de abastecimento de tinta. Ela também conta com um sensor de altura do cabeçote, para “otimização topológica” que compensa a irregularidade da superfície da mesa para melhorar a distância de ja­tea­men­to em diferentes mí­dias. A otimização topológica também é fornecida na nova Jeti TitanX que tem 48 cabeças para impressão CMYK , 32 cabeças para CMYK mais light cia­no e light magenta e ambas podem ser combinadas com a impressão de tinta branca. A Canon apresentou a nova Arizona 600 Se­ries para impressão UV de médio formato, com quatro modelos compostos por quatro ou seis canais e dois tamanhos de mesa. As  GTs imprimem em larguras de 1,20 metro e as XTs imprimem em até 3 metros de largura. Elas imprimem imagens de qualidade fotográfica em uma enorme gama de suportes rígidos e rolo-​­a-rolo, e por isso são adequadas para uma va­r ie­d a­d e de aplicações. Dispõem de tecnologia Océ Va­riaDot e verniz, além de branco com dupla opacidade. A Fujifilm vende esses equipamentos no modelo Acuity Se­ries por 80 mil a 150 mil euros por modelo, com impressão de 50 a 60 m2/h com tintas Fujifilm otimizadas para seu cabeçote de impressão. A Canon tem tido uma abordagem diferente para resolver o problema de topologia com a utilização da tecnologia Active Pixel Placement, que mapeia a geo­me­tria da mesa para ajustar dinamicamente a colocação dos pixels a fim de compensar as va­ria­ ções e alcançar tolerância no nivelamento de 350µ. A Canon considera isso mais rápido do que a abordagem da Agfa, porque medir a distância com um escâner no cabeçote de impressão leva mais tempo. A Canon adicionou um modo de produção CM2 aos novos equipamentos Arizona. Ela duplica a capacidade dos injetores de cia­no e magenta, visando aumentar a produtividade, mas usando menos de 8 ml de tinta por metro quadrado. A densidade dobrada do modo CM preen­che as á­­ reas de retícula que ficam abertas no modo de produção.

O amarelo não foi dobrado porque qualquer mudança seria invisível e o preto não precisa de mais densidade porque as Arizonas já imprimem com pretos em alta densidade. Assim, o modo CM2 é uma maneira econômica e eficaz para aumentar a produtividade sem alterar a capacidade dos injetores do amarelo e preto. A Durst ampliou sua série Rho 500R rolo-​­a-rolo, com cabeçotes de impressão Qua­dro Array 12M , com a nova Rho 512R . Essa máquina pode imprimir com 900 dpi a 350 m2/h e pode imprimir conjuntamente três rolos de 1,60 metro. Há também duas adições à série Rho 1000. O cabeçote Qua­dro Array 12M da Rho 1012 torna o sistema a primeira impressora de cura UV da sua classe que imprime com gotas 12 pl em saí­da a 1.000 dpi. A Rho 1030 tem um cabeçote Qua­dro Array 30M com mais de 65 mil injetores para imprimir até à sur­preen­den­te velocidade de 1.000 m2/h. A Durst também introduziu uma máquina in­ dus­trial dedicada a pequenos formatos e tampografia, ou seja, mostradores e membranas, a Rho IP. A máquina modular suporta até oito canais de tinta e está disponível com dois, quatro ou seis cabeçotes de impressão por canal para que possa ter até 30 mil bicos de impressão a 22 segundos por mesa, no modo de varredura de quatro cores! A produção de dados variáveis também é suportada, mas os detalhes são escassos. Dois modelos estão disponíveis: a Rho IP203 para saí­da A4 e a Rho IP507 para impressão em 500 × 700 mm. A Fujifilm está vendendo uma nova máquina Inca, a Avocet. Essa é uma versão re­no­mea­da da ­Screen True­press JetW3400 . Tal máquina de mesa com produtividade de 94 m2/hora se situa entre a Acuity e a Onset e custa cerca de 200 mil euros. CONSUMÍVEIS

Havia uma enorme quantidade de fornecedores de consumíveis na Fespa divulgando sustentabilidade e velocidade, assim como muitos anún­cios de novos produtos. A Mimaki apresentou as tintas LUS150 (White) e LUS200 (CMYK) para a nova UJV 500‑160 . As tintas podem ser esticadas em até 150%, e têm elevada resistência às condições atmosféricas e não pos­suem qualquer teor de níquel. A Mimaki também introduziu as tintas látex LX101 acrescentando laranja e verde para impressão com gamut de cores estendido. Essa tinta não substitui a LX100 , que é utilizada em sinalização e pôsteres, mas é outra tinta para fo­to­gra­f ias, provas e simulação de cores Pantone. A Epson tem focado em mídia e se ouviu conversas sobre novas aplicações. Preparem-​­se para VOL. III  2013  TECNOLOGIA GRÁFICA 29


ouvir mais da Epson sobre impressão têxtil ao longo dos próximos dois anos, bem como impressão UV em grandes formatos. Os sistemas de provas ainda são mais numerosos em termos de vendas, mas é na tecnologia de sinalização que a empresa quer “tornar-​­se o maior fornecedor do setor”. A Ilford trabalha em estreita colaboração com a Epson e introduziu duas novas tec­no­lo­gias de mídia. A Nanosolvent tem uma camada de revestimento es­pe­cial para backlit e banners vinílicos. O Aquablock é um revestimento de secagem rápida que elimina a necessidade de laminação em produtos ex­te­rio­res. A Agfa está aderindo à gama de tecnologia UV argumentando que as tintas látex ainda pos­suem VOCs e requerem mais energia para cura. A Agfa também afirma que suas tintas têm uma ancoragem melhor, são mais baratas e imprimem em uma ampla gama de substratos de forma mais consistente, produzindo um melhor retorno do investimento. IMPRESSÃO TÊXTIL

Algo que também chamou muita atenção na Fespa foi o tamanho da impressão em tecido, com apresentação de novos dispositivos, tintas e substratos. Agfa, Epson e M‑TEX mostraram novas impressoras para essa finalidade e havia muitos vendedores de tintas e mí­dias demonstrando os be­ne­f í­cios de seus produtos. A Durst afirma que sua impressora Rhotex 322 para impressões de decoração de casa, pa­péis de parede, têxteis e de moda definem o padrão nessa área. Ela tem um cabeçote de impressão Qua­dro Array com três tons de cinza e imprime seis cores em 1.200 dpi em até 140 m2/h com um tamanho de gota de 7‑​­21 pl. Os novatos na impressão têxtil terão um caminho íngreme a seguir para entender as complexidades desse setor. A combinação de tinta e substrato, a secagem do substrato, a fixação da impressão da imagem no substrato, o vapor, a lavagem e a técnica de secagem são algumas das coisas a serem consideradas. A tra­di­cio­nal serigrafia ainda detém a maior parcela desse mercado, mas o interesse e os esforços de desenvolvimento técnico estão mirando na impressão digital. De acordo com a Kornit, a impressão têxtil é um mercado de um trilhão de dólares, servindo sete bilhões de consumidores em todo o mundo. A impressão digital tem apenas 10,3 bilhões de dólares desse total: menos de 1,5% desse enorme mercado. A Agfa quer tornar-​­se personagem central neste negócio. Ela anunciou, mas não mostrou, a Ardeco, uma impressora de super grande formato, 3,20 metros, para impressão direta em tecido e 30 TECNOLOGIA GRÁFICA  VOL. III  2013

sistema de calandragem para impressão em tecidos e sinalização com materiais ma­cios. A Kornit é uma empresa veterana com 10 anos de impressão digital têxtil e com máquinas instaladas em mais de mil locais em todo o mundo. Para a Kornit, têxtil significa roupas, toa­lhas, len­çóis etc., em vez de impressão em substratos ma­cios de sinalização. A impressão digital tem uma penetração de 1% em têxteis e 7% nos artigos de ves­tuá­rio con­ fec­cio­na­dos, na sua maioria camisetas. Na Fespa, a Kornit introduziu uma nova impressora rolo-​­a-rolo grande formato que vai “mudar a forma como as pes­soas imprimem em tecidos”. A impressora digital têxtil Allegro não requer tratamento de tecido, combinando uma linha de impressão inteira em uma única impressora digital. Po­si­cio­na­da para aplicações sob demanda, tais como moda, ela custa “menos de 500 mil euros”. A nova Avalanche 1000 lançada na Fespa é uma máquina DTG (Direct to Garment, ou impressão direta no ves­tuá­rio) com cabeçotes Polaris. Ela utiliza tintas pigmentadas à base d’água, NeoPig­ment, que segundo a Kornit, é mais efi­cien­te que as tintas à base de corante (dye based). Então, o que aprendemos com tudo isso? É claro que feiras devem atrair o interesse a fim de envolver os visitantes. Nisso, a Fespa tem tem tido muito sucesso, com uma va­rie­da­de esmagadora de opções para os visitantes. Eles compareceram à procura de tec­no­lo­gias que podem ser usadas como base para a venda de serviços. Tintas, substratos e máquinas formam a base para isso, contudo a forma como explorá-​­las com ajustes e fluxos automatizados ainda é totalmente desconhecida. Web-​­to-print, serviços em nuvem e fluxos de trabalho integrados são o futuro, mas no momento, para impressão de grandes formatos, ainda importa mais saber como obter o melhor custo-​­benefício com impressoras digitais, produzindo quantidade e qualidade a um preço justo.

Tradução autorizada

do boletim Spindrift, publicação produzida pela Digital Dots, empresa de consultoria na área gráfica, publicado em julho/agosto de 2013.

A Avalanche 1000, da Kornit, líder em impressão no mercado DTG, foi lançada na Fespa 2013


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Photoshop e Lightroom na nuvem: novos recursos

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Porém o que há de novo é o ge­ren­cia­dor de apli­ cativos Adobe Ap­pli­ca­tion Manager (que pode ser encontrado como um atalho na barra de menu su­ pe­rior), e que garante que todos os seus aplicativos e licenças estejam atua­li­z a­dos. Se algum soft­ware Adobe CC precisar ser atua­li­z a­do, este é o lugar onde você será notificado. Não parece ser necessário fazer um backup do soft­w are instalado, pois se o Adobe Ap­pli­c a­tion Manager não reconhecê-​­lo, você deverá fazer o down­load do ge­ren­cia­dor e instalar todos os apli­ cativos novamente. Isto é o que aconteceu conosco — depois do que parecia ser uma instalação bem-​ ­sucedida utilizamos o soft­w are por alguns dias, quando percebemos que o Adobe Ap­pli­ca­tion Ma­ nager não havia registrado nossa aplicação como uma instalação correta. Tivemos de recorrer ao su­ porte da Adobe para entender o que estava acon­ tecendo. Após algum tempo o problema foi identi­ ficado — nós estávamos utilizando o Mac com um sistema ope­ra­cio­nal não atua­li­z a­do. Para que o Adobe Ap­pli­ca­tion Manager fun­cio­ ne corretamente, você precisa utilizar o sistema ope­ ra­cio­nal Mac OSX 10.7, ou su­pe­rior (ou Win­dows 7, ou su­pe­rior para usuá­rios de PC). Embora esteja in­ dicado nas especificações técnicas, isto não é ve­ rificado quando se executa a instalação. Por vá­rias razões nós tínhamos no Mac a versão do sistema 10.6.8, principalmente por ser capaz de rodar o soft­ ware ProfileMaker para tarefas de ge­ren­cia­men­to de cores, mas para esse teste tivemos de atua­li­zá-​­lo para Mountain Lion (OSX 10.8.4). Após a atua­li­z a­ ção, o Adobe Ap­pli­ca­tion Manager comportou-​­se como esperado, contudo ainda tivemos de reinsta­ lar todo o soft­ware. Quan­do se trabalha na nuvem, ter uma conexão rápida com a internet é es­sen­cial! Uma vez superados os problemas iniciais, os pri­ meiros sinais positivos puderam ser observados. Te­ mos a sensação de que a Adobe tem trabalhado para melhorar a performance em geral e o tempo de resposta do Pho­to­shop. Nós não cronometra­ mos o resultado de tarefas, mas ficou clara a sensa­ ção de maior velocidade, em geral contrário ao que acontece quando se atua­li­za para uma nova versão com muito mais recursos. Há algumas novas características interessantes no Pho­to­shop CC, além das mudanças estéticas na


Um novo recurso que acreditamos que será muito utilizado é a opção de redução da agitação (Shake) na seção nitidez (Sharpening Section). Um algoritmo compensa os movimentos da câmera durante a exposição e faz um bom trabalho.

interface do usuá­rio. Há um novo filtro chamado redução de Shake (Agito) que será, provavelmen­ te, muito utilizado por pes­soas que tentam tirar fotos com smartphones ou câmeras SLR que não pos­suem sensor de estabilização embutido. O Pho­ to­shop identifica a direção que a câmera foi mo­ vida durante a exposição, e faz um bom trabalho na tentativa de ­criar uma imagem final muito mais nítida. Esta função não irá ajustar os movimentos

dos objetos que estão sendo fotografados, apenas os movimentos da câmera nas mãos do fotógra­ fo. Você pode aplicar diferentes configurações em diferentes partes da imagem. Outra melhoria é a nova ferramenta de niti­ dez inteligente (Smart Sharpen), que possui muito mais alternativas para alcançar um bom resultado final. Outra característica re­la­cio­na­da à nitidez é a seção para re­di­men­sio­nar imagens, am­plia­ção ou

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A novidade é que as ações do Camera Raw podem ser aplicadas a todas as imagens graças ao novo filtro Camera RAW. A ferramenta de correção de lente foi expandida com uma função acessível e automatizada chamada Upright (Perpendicular) para ajustar a perspectiva das imagens.

Tradução autorizada

do boletim Spindrift, publicação produzida pela Digital Dots, empresa de consultoria na área gráfica, publicado em julho/agosto de 2013. Mais informações sobre

o Adobe CC no artigo Nas nuvens com o novo Adobe CC, na página 52.

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redução. O novo recurso Preservar Detalhes pare­ ce fazer exatamente isso, de uma maneira melhor do que quando se utiliza o algoritmo bicúbico tra­ di­cio­nal. Em conjunto, estes recursos dão alguma margem de manobra para melhorar as imagens nesta atua­li­z a­ção. Além disso, os desenvolvedores da Adobe cla­ ramente prestaram atenção no plugin do Camera RAW. Ao longo dos anos, este é provavelmente o lugar em que a maior parte dos recursos de desen­ volvimento foram gastos, e as me­lho­rias con­ti­nuam. Agora, no Pho­to­shop CC, é possível usar os recur­ sos do Camera RAW em todos os tipos de imagens, incluindo as processadas, uma vez que o novo fil­ tro Camera RAW permite a edição. Isso simplifica consideravelmente o fluxo de trabalho. Outra melhoria da qual gostamos no Camera RAW foi a correção de lente melhorada. Ao tirar fo­ tos de edi­f í­cios, a perspectiva é, muitas vezes, dis­ torcida, ainda mais quando se utilizam lentes gran­ de angular. Isso pode ser corrigido em dois ou três passos, mas com a função Upright (Perpendicular) você tem acesso a uma forma automática, muito efi­cien­te para endireitar perspectivas. Outro recurso interessante do Camera RAW é a capacidade de aplicar seleções radiais ao utilizar filtros. Reforço menor, mas ainda útil é o fato de o Brush ter agora mais opções no que diz respeito à forma utilizada, sem contar a nova função de Spot Hea­ling Brush. Então, apesar de tudo, há um monte de “presentinhos” a se explorar, tanto para fotógra­ fos profissionais e semiprofissionais, como para fotó­ grafos amadores am­bi­cio­sos, se puderem se permi­ tir pagar pela nova versão CC do Adobe Pho­to­shop.

LIGHTROOM CC

Men­cio­na­mos o módulo Camera RAW e isso nos leva a uma nova versão do Adobe Ligh­troom, atua­ li­za­do para versão 5, mas também disponível como uma versão Ligh­troom CC . Seu título completo é Pho­to­shop Ligh­troom, e a estreita ligação com o Pho­to­shop é mais evidente do que nunca. Muitas das novas e interessantes características do Pho­ to­shop também estão refletidas no Ligh­troom e temos a sensação de que eles real­men­te estavam inspirados no desenvolvimento do Ligh­troom. A fronteira entre os dois aplicativos é cada vez mais tênue, uma vez que muitos recursos estão dis­ poníveis no Ligh­troom e no Pho­to­shop. Então, no­ vamente, a maioria dos fotógrafos fará o processa­ mento básico no Ligh­troom e usará o Pho­to­shop para trabalhos específicos que exijam recursos mais potentes. E, embora haja algumas características que são, provavelmente, mais fáceis de ge­ren­ciar no Ligh­troom, outras são melhores no Pho­to­shop. Um dos pontos fortes do Ligh­troom é que ele ajuda a organizar as suas fotos, mas por outro lado, você pode preferir utilizar o Adobe Bridge para isso. No entanto, uma aplicação onde o Ligh­troom oferece ferramentas melhores que o Pho­to­shop é a manipulação de exposições controladas por cabo ou remotas, feitas com uma câmera conec­ tada diretamente ao computador. Esta é uma si­tua­ ção comum para fotografia pro­f is­sio­nal de estúdio, na qual os usuá­rios querem finalizar as imagens, se possível, sem a necessidade de retoques no Pho­to­ shop. Se eles estão satisfeitos com o Ligh­troom até aqui, então estão propensos a permanecerem leais e atua­li­z a­rem-​­se para o Ligh­troom 5 também.


GESTÃO AMBIENTAL

Bruno Mortara

Selo Qualidade Ambiental privilegia produção mais limpa

O

processo acelerado de globalização e o constante crescimento e moderni­ 1 10/06/2013 17:28:32 zação do processo produtivo gráfico e, por consequência, das empresas do setor, trazem aspectos estratégicos que devem ser permanentemente ava­lia­dos. A gestão so­cioam­ bien­tal é, sem dúvida, um desses aspectos, princi­ palmente na a­ tual conjuntura, em que se percebe uma cons­cien­ti­z a­ção crescente da população em relação à preservação do meio am­bien­te. Clien­tes, consumidores ou até mesmo os for­ necedores têm assumido uma postura de cobran­ ça das empresas com as quais se re­la­cio­nam para ações e políticas voltadas à preservação do meio am­bien­te e desenvolvimento sustentável. A indústria gráfica brasileira, que completou 205 anos de existên­ cia em 2013, contribui significati­ vamente para o progresso so­cioe­ co­nô­mi­co do País. Ela emprega em média 200 mil pes­soas, em aproxi­ madamente 19 mil gráficas, espalha­ das por todo o território na­cio­nal. Como em todo sistema produti­ vo, os processos gráficos de im­ pressão e acabamento geram di­ versos re­sí­duos que, se não forem tratados corretamente, podem causar impactos adversos bastan­ te significativos ao meio am­bien­te. O Selo Qua­l i­d a­d e Am­b ien­t al ABTG Certificadora, lançado em junho deste ano, foi desenvolvido como ferramenta de controle am­ bien­tal da gráfica, com foco na pro­ dução mais limpa (P+L). Além de itens re­la­cio­na­dos ao meio am­bien­te, os requisitos para obtenção do selo levam a organização a sistematizar seus proces­ sos, podendo obter maior produtividade e menor Certificadora acredita em um futuro mais sustentável para a indústria desperdício, além de incluir uma cultura am­bien­tal . Por este motivo, acabamos de lançar o Selo de Qualidade Ambiental em seu am­bien­te or­ga­ni­za­cio­nal e de pro­por­cio­nar Certificadora, um símbolo de diferenciação e benéficos reconhecimento às resultados internos e externos à empresa. sas cujas práticas contribuem para a preservação do meio ambiente Diferentemente da norma ISO e14001, o selo am­ qualidade de vida desta e das geraçõesbien­ futuras. tal traz requisitos específicos para o processo gráfico, não deixando dúvidas quanto ao que se

NDÚSTRIA GRÁFICA ESTÁ

ADA VEZ MAIS VERDE

deve atender para a preservação do meio am­bien­te em seus processos produtivos. Para facilitar o atendimento aos requisitos, o selo foi separado por processo de impressão: offset, fle­ xografia, serigrafia, digital e rotogravura. Para cada tecnologia foram definidos seus requisitos, dividi­ dos em adequação ao uso, requisitos legais, substra­ tos, pré-​­impressão, impressão, acabamento e gestão. A obtenção do Selo Qua­li­da­de Am­bien­tal en­ volve um processo de certificação, desenvolvido de acordo com a norma ISO 14024 – Rotulagem Am­bien­tal Tipo I, e tem validade de dois anos. Os passos para obtenção do Selo Qua­li­d a­d e Am­bien­tal são: a. Acessar o procedimento PA 100.13.00 no site www.abtgcertificadora.org.br b. Verificar se a gráfica atende aos requisitos definidos no item 7 deste procedimento c. Solicitar proposta pelo e-mail comercial@abtgcertificadora.org.br d. Realizar auditoria com a ABTG Certificadora para verificação da conformidade com os requisitos e. Receber autorização, após a auditoria, para uso do Selo Qualidade Ambiental ABTG Certificadora. Como resultado dos esforços ambientais no se­ tor, a gráfica Plural é a primeira empresa a obter o Selo Qua­li­da­de Am­bien­tal da ABTG Certificadora, demonstrando seu compromisso com as práticas ambientais em seu parque fabril de Santana de Par­ naí­ba (SP). O Selo Qua­li­da­de Am­bien­tal da ABTG Certificadora representa o que há de mais com­ pleto para ações ambientais na indústria gráfica e, além de di­re­cio­nar para práticas mais limpas, po­si­ cio­na a empresa no mercado como entidade am­ bien­tal­men­te responsável e com a qual as organi­ zações que também se preo­cu­pam com o meio am­bien­te darão prio­r i­d a­de para fazer ne­gó­cios. Sua empresa pode ser a próxima. BRUNO MORTARA é diretor da

ABTG Certificadora, superintendente do ONS27 e professor de pós‑graduação na Escola Senai Theobaldo De Nigris VOL. III  2013  TECNOLOGIA GRÁFICA

FALE CONOSCO E SAIBA O QUE SUA EMPRESA

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IMPRESSÃO

Alexandre Maltez Colaborou: Sonia Marinera

A

Revestimentos de borracha: cuidados gerais

qualidade da rolaria de uma impresso­ ra offset é de fundamental importân­ cia para que sejam garantidos os me­ lhores resultados na impressão. Muitos impressores não dão o devido valor à qualidade e à regulagem da rolaria e, em função disso, acabam enfrentando problemas de impressão, os quais ten­ tam resolver de outras maneiras. Mesmo com os melhores procedimentos, os rolos sofrem um des­ gaste pelo uso e é necessário que seu revestimento seja refeito. Neste artigo vamos explicar como os re­ vestimentos do rolo são subs­ti­tuí­dos e os cuidados que devem ser tomados com a rolaria. COMO É FEITO O REVESTIMENTO DE UM ROLO?

Fotos: Rubbercity

O revestimento de rolos é feito por empresas es­pe­ cia­li­za­das. O primeiro passo para que o revestimen­ to seja feito da melhor maneira possível é a gráfica informar corretamente ao fornecedor desse ser­ viço as características técnicas desejadas — dure­ za da borracha, comprimento e diâ­me­tro do eixo (ferro; sabugo), diâ­me­tro do eixo (ferro; sabugo) e diâ­me­tro e comprimento da borracha (final), além do modelo do equipamento.

Rolos suspensos em cavalete

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O processo inicia-​­se com o desbaste da borra­ cha a ser subs­ti­tuí­da até a sua total extração. Esse procedimento requer cuidados para que o eixo do rolo não seja atingido e danificado. Se isso aconte­ cer, a estrutura deve ser restaurada, já que a quebra do eixo em máquina poderá causar, além de danos à impressora, acidentes de trabalho. A estrutura do rolo é usinada para que alcan­ ce o diâ­me­tro desejado, com medidas uniformes em toda a sua extensão. Na limpeza e usinagem, os eixos dos rolos são limpados com instrumen­ tos adequados, e se even­tual­men­te necessitarem de reparos é nessa fase que acontecerá essa ação, principalmente nas pontas. Após a limpeza e usinagem, é rea­li­z a­do o ja­tea­ men­to com granalhas de aço para que a borracha nova possa ser fixada de forma segura. Segue-​­se a pintura e aplicação de adesivos para a fixação da borracha e de suas camadas pos­te­rio­res. Aplica-​ s­ e então uma fina camada de borracha específica para finalizar a preparação do eixo antes de receber a camada final. A aplicação da borracha “crua” é feita em largas tiras, as quais são submetidas antes a um processo de eliminação de impureza. A composição e a qua­ lidade da borracha a ser aplicada é um fator crítico para o desempenho do rolo em máquina. Existem diferentes tipos de polímeros no mercado, com di­ ferentes pro­prie­da­des físico-​­químicas. Esses políme­ ros são combinados e acrescidos de aditivos, coran­ tes e solventes, obtendo-​­se va­ria­das composições com o objetivo de garantir ao rolo o desempenho e a resistência adequados. A quantidade de borracha aplicada deve con­ siderar um excesso que depois será desbastado e retificado até o diâ­me­tro final. O rolo é então pro­ tegido com papel e enfaixado com tiras de tecido umedecido para manter a envoltura de borracha bem dis­tri­buí­da na superfície. Em seguida, o rolo, já revestido, segue para a vul­ canização em autoclaves, sob temperatura e pressão


controladas. Após essa etapa, a borracha já adqui­ riu suas pro­prie­da­des físico-​­químicas finais. O rolo é então desbastado com rebolos de grana va­ria­da até se obter o diâ­me­tro final aproximado. Na retífi­ ca a usinagem continua, com grande precisão, che­ gando-​­se ao diâ­me­tro correto. Finalmente o rolo é submetido ao controle de qualidade e embalado para remessa à gráfica. ROLARIA NOVA NA GRÁFICA . . . E AGORA?

Pela sua sensibilidade, os rolos devem ser ma­nu­sea­ dos tão cuidadosamente como se fossem de vidro. Uma simples queda ou batida poderá danificá-​­los e prejudicar o seu desempenho. Os rolos reserva devem ser armazenados em lo­ cais com umidade controlada e sem luz direta. A luz excessiva pode provocar rachaduras na superfície da borracha. Na impossibilidade de se evitar a in­ cidência direta da luz, deve-​­se ao menos proteger os rolos embrulhando-​­os com papel. Os rolos de­ ver ser mantidos sempre suspensos em cavaletes, apoiados pelos eixos extremos. Armazená-​­los dire­ tamente sobre alguma superfície, ou mesmo uns sobre os outros, pode provocar danos irreversíveis à borracha. Na ausência de eixo metálico nas ex­ tremidades, recomenda-​­se a introdução de hastes dentro do tubo. Mesmo armazenados de forma correta, em cavaletes e suspensos, os rolos devem ser girados pe­rio­di­ca­men­te para evitar-​­se o abau­ lamento da borracha pela ação da gravidade. A ar­ mazenagem próxima às salas de impressão pode causar danos à borracha, devido ao ozônio libe­ rado pelos motores dos equipamentos e pela alta temperatura próxima às máquinas. Outros cuidados fundamentais devem ser ob­ servados durante o ajuste dos rolos na impresso­ ra e sua operação. É muito importante controlar corretamente a pressão entre os rolos, ajustar as faixas de contato segundo as especificações do equipamento, evitar o uso de solventes agressivos,

Rolo sendo desbastado

incompatíveis com a composição da borracha e lavar adequadamente o equipamento após o uso, entre outros aspectos. Os mancais devem ser ins­p e­cio­na­dos regular­ mente, limpados internamente e trocados se es­ tiverem danificados, antes da colocação dos rolos novos. Da mesma forma, os rolamentos devem ser checados e trocados se necessário, sempre utilizan­ do os que pos­suem proteção lateral. Em máquinas de impressão con­ven­cio­nal, com sistema de molha­ gem a moletom, os rolamentos devem ser prote­ gidos com ma­te­rial sintético nas suas laterais para evitar oxidação e devem ser lubrificados após as lavagens. Rolamentos sem proteção podem soltar suas esferas com o tempo e causar sé­rios danos aos cilindros de impressão do equipamento. DUREZAS RECOMENDADAS FUNÇÃO DO ROLO NA MÁQUINA

DUREZA (SHORE A)

Molhadores

21 a 25

Entintadores

26 a 30

Intermediários

31 a 35

QUAL O MELHOR MOMENTO PARA A TROCA DA ROLARIA?

A troca dos rolos do sistema de tintagem deve ser rea­ li­za­da no conjunto completo. Muitas vezes, por eco­ nomia, a gráfica tende a fazer a troca apenas dos ro­ los aplicadores. Dessa forma, a vida útil dos rolos será reduzida, uma vez que os outros rolos desgastados in­f luen­cia­rão no sincronismo do sistema. Além dis­ so, o sistema não alcançará seu melhor desempenho, comprometendo a qualidade da impressão.

Detalhe do revestimento

ALEXANDRE MALTEZ é instrutor de práticas avançadas em impressão offset na Escola Senai Theobaldo De Nigris. Colaborou Sonia Marinera, da Rubbercity Artefatos de Borracha. VOL. III  2013  TECNOLOGIA GRÁFICA

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NORMALIZAÇÃO

R

A importância da NBR 15936 para o mercado brasileiro de impressão

ecentemente o site Academia da Cor, portal focado na difusão de conhecimento sobre cores para o público es­pe­cia­li­z a­do, entrevistou Bruno Mortara, diretor da ABTG Certificadora, sobre a validade e as aplicações da norma NBR 15936 . A seguir, a reprodução da entrevista.

Qual a importância da NBR 15936-​­1 para o mercado brasileiro? A indústria gráfica precisa, assim como todos os outros segmentos da indústria, ter processos controlados e com resultados previsíveis. Apesar de muitas gráficas já terem ini­cia­do o processo de padronização com normas importantes como a ISO 9001 ou 14001, o processo gráfico em si depende de um conjunto de normas ISO que foi con­ve­nien­te­men­te compilado numa norma na­cio­nal, a NBR 15936 -1. A NBR 15936 certifica que todas as etapas do processo produtivo — provas virtuais, recepção de arquivos, condições de iluminação adequadas, provas digitais, chapas e impressão — estejam atingindo alvos dentro de to­le­rân­cias. Um ponto importante é que essa norma não beneficia apenas as gráficas, mas também os compradores de impressos. Comprar impressos de uma gráfica certificada será muito mais seguro, cômodo e com repetibilidade garantida. Quais as diferenças entre a ISO 12647-​­2 e a NBR 15936-​­1? O conjunto de normas da família ISO 12647 apenas fornece instruções para uma impressão padronizada. A  ISO 12647-2 trata do processo de impressão que está sendo feito naquele momento, e não dos que antecedem a impressão, da recepção às chapas. A  NBR 15936 -1 é uma compilação de vá­r ias normas essenciais ao setor gráfico e certifica a capacidade da gráfica de produzir impressos de acordo com a norma. Na  NBR 15936 -1, a gráfica recebe um certificado garantindo que possui tecnologia e conhecimento para produzir impressos 38 TECNOLOGIA GRÁFICA  VOL. III  2013

padronizados, consistentemente, ao longo do tempo de certificação. Quais etapas do processo gráfico são certificadas pela NBR 15936-​­1? Por ser uma compilação de vá­rias normas, a NBR 15936 abrange todo o processo produtivo gráfico, exceto acabamento. Nela são analisados, na pré-​­impressão, a condição de iluminação do am­bien­te e á­­ reas adjacentes em conformidade com a ISO 3664 , a condição P1, a calibração do monitor em conformidade com a ISO 12646 , a calibração do sistema de provas digitais em conformidade com a ISO 12647-7, simulando a condição Fogra39L, a interpretação de arquivos PDF em conformidade com a ISO 15930 -1 (PDF/X-1A) e a li­nea­ri­z a­ção e manutenção do sistema de gravação de chapas. Na impressão são analisadas a condição de iluminação do am­bien­te e ­­áreas adjacentes em conformidade com a ISO 3664, a condição P1, a impressão em conformidade com a ISO 12647-2, a colorimetria das pri­má­rias e TVI e a estabilidade da impressão/repetibilidade em, pelo menos, sete amostras de 10 sobre uma tiragem de 1.000 folhas. Por que o setor gráfico deve se certificar na NBR 15936-​­1? O setor gráfico passa por grandes transformações, resultado principalmente de transformações na so­cie­da­de, nas tec­no­lo­gias de comunicações, pela internet e pelos e-​ ­rea­ders. Além disso, muitas empresas ainda são in­dús­trias com práticas artesanais e não padronizadas. A adoção da NBR 15936 1 dá às empresas gráficas a robustez necessária para enfrentar as dificuldades e a competição com outras mí­dias com igualdade de condições, passando ao clien­te final con­f ia­bi­li­da­de e resultados previsíveis, sem contar processos e prazos dentro das boas práticas do segmento de comunicação. O resultado da certificação se dá com ganhos em produtividade, minimização de erros, diminuição de custos com menores

tempos de acerto e queda do refazimento, sincronização entre os setores e, finalmente, melhora na relação com o clien­te através de uma maior con­f ian­ç a no fornecedor gráfico. Sendo certificada, a gráfica irá possuir uma vantagem co­mer­cial enorme, pois terá um sistema padronizado com as mesmas regras utilizadas mun­dial­men­te, permitindo atender clien­tes internacionais e, even­tual­men­te, podendo exportar seus produtos sem enfrentar barreiras técnicas. Os setores de impressão digital, comunicação vi­sual, sinalização e outros podem seguir a NBR 15936-​­1? Até o momento, somente a parte 1 da NBR 15936 está publicada. Nesta parte, apenas o sistema de impressão offset poderá ser certificado. A impressão offset foi escolhida para ini­ciar o processo de certificação devido à grande atenção do mercado com as normas ISO 12647-2 e ISO 12647-7. Porém, conforme o interesse da indústria, outros processos serão adi­cio­na­dos e terão seus processos certificados. Quais os requisitos para que uma empresa obtenha a certificação? Antes de solicitar a certificação, a gráfica deve verificar se atende aos requisitos da ISO 15936 citados acima, normalmente com o auxílio de uma consultoria. O consultor irá verificar os materiais utilizados (tinta, papel, chapas, blanquetas etc.), instrumentos como colorímetro ou espectrofotômetro e analisará os procedimentos e registros existentes, fazendo os ajustes e calibrações ne­ces­sá­rios. Qual o prazo de certificação? A certificação é válida por três anos, sendo que a cada ano é rea­li­z a­da, pela ABTG Certificadora, uma auditoria de manutenção a fim de comprovar se os processos con­ti­ nuam padronizados. www.abtgcertificadora.org.br www.aca­de­mia­da­cor.com


A INDÚSTRIA GRÁFICA ESTÁ

CADA VEZ MAIS VERDE

A ABTG Certificadora acredita em um futuro mais sustentável para a indústria gráfica. Por este motivo, acabamos de lançar o Selo de Qualidade Ambiental ABTG Certificadora, um símbolo de diferenciação e reconhecimento às empresas cujas práticas contribuem para a preservação do meio ambiente e melhor qualidade de vida desta e das gerações futuras.

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NORMALIZAÇÃO

Bruno Mortara

Para onde caminham os padrões da indústria gráfica

Conheça as principais discussões e as novas normas discutidas durante a reunião do TC130, que aconteceu em maio, na China. Entre as mais importantes está a publicação da norma de impressão flexográfica.

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E

VOL. III  2013

s­p e­cia­lis­t as de mais de uma dúzia de paí­ ses se encontraram em maio deste ano em Shenzhen, na China, para mais uma reunião do TC130 , que representa o organismo de normalização in­ter­na­cio­nal da indústria gráfica, no qual são feitas as normas gráficas da ISO, In­ter­na­tio­ nal Or­ga­ni­z a­tion for Stan­dar­di­z a­tion, válidas para todos os paí­ses sig­na­tá­rios da OMC , Organização Mun­dial do Comércio. Nesta oportunidade, o Bra­ sil contou com dois participantes: Bruno Mortara, superintendente do ONS27 e chefe da delegação, e Maí­ra de Oliveira, es­pe­cia­lis­ta e também secretária do WG13, grupo de certificação, um dos vá­rios work groups nos quais o TC 130 é dividido. Os trabalhos nos encontros da ISO são extrema­ mente relevantes na medida em que as novas nor­ mas são feitas pelos principais fabricantes do mer­ cado e, uma vez envolvidos na elaboração desses padrões, pautarão o desenvolvimento de seus pro­ dutos ba­sea­dos nas normas existentes e em desen­ volvimento. Além disso, os es­pe­cia­lis­tas brasileiros podem in­f luen­ciar as decisões tomadas no mo­ mento da confecção das normas, tendo a chan­ ce de preparar o mercado local para as ten­dên­cias tecnológicas que se tornarão padrão. Nesse sentido é fundamental que os es­p e­cia­ lis­tas brasileiros, es­pe­cial­men­te aqueles envolvidos em aplicação de normas técnicas, consultores, au­ ditores e certificadoras, conheçam os trabalhos em andamento e seus desdobramentos. A seguir, as principais resoluções em cada um dos grupos de trabalho do TC130.

WG2 – PRÉ-​­IMPRESSÃO PDF/VT – Dados Variáveis usando PDF/X A norma de dados variáveis, a ISO 16612‑2, foi pu­ blicada dando prosseguimento à família 16612, cuja primeira parte era ba­sea­da na linguagem PPML . Ela especifica os métodos para o uso do PDF/X para a

impressão de con­teú­dos variáveis ou transacionais. A norma detalha também as condições de troca de dados fixos, variáveis e metadados ne­ces­sá­rios para as tarefas de impressão. Ela define três níveis de conformidade: PDF/VT‑1, PDF/VT‑2 e PDF/VT‑2S . Um po­ten­cial novo projeto foi discutido como um complemento para o PDF/VT para impressão de dados variáveis online e com segurança. Ele abordaria casos de impressão de alto volume nos quais é um requisito es­sen­cial do clien­te que suas informações sensíveis não sejam jamais gravadas em disco, sen­ do utilizadas somente no momento da impressão. PDF/X – Os recentes integrantes da família ISO 15930 As normas PDF/X‑4 e 5 foram publicadas em 2008 e

após uma revisão das versões em 2010 foram publi­ cadas definitivamente. O PDF/X‑4 (ISO 15930 ‑7) in­ troduziu transparência para a nossa indústria, além de camadas para facilitar o uso de facas, assim como arquivos multilinguísticos. No Brasil, o ONS27 pu­ blicou em 2012 o Ma­nual de PDF/X-4, porém sem considerar as camadas e objetos não CMYK , gray­ scale ou spot. A próxima cartilha, com lançamen­ to previsto para o início de 2014, será uma versão am­plia­da da an­te­rior, já incluindo esses elementos.

WG1 – TERMINOLOGIA

A norma PDF 2.0 ou ISO 32000‑2 Desde que o cronograma da ISO foi excedido, o

O grupo não foi acompanhado pelos es­pe­cia­lis­tas brasileiros, porém teve recentemente normas im­ portantes aprovadas e neste momento está estu­ dando seus próximos passos.

projeto foi cancelado e reiniciado novamente como um novo item de trabalho. Os principais aspectos da versão 2.0 da norma ISO 32000 -2 que afetam o setor gráfico são:


1. Maior facilidade na compensação do ponto preto (Black Point Com­pen­sa­tion) 2. Output intents em nível de página (podem ser diferentes em duas páginas do mesmo arquivo) 3. Incorporação de dados CXF, dados de medição de cores especiais 4. Adição da sequência de impressão, para uma melhor simulação de cores spot 5. Estruturas melhoradas para a acessibilidade universal – PDF/UA 6. Integração de mecanismos de preservação de canal Black Point Compensation (ISO 18619)

Algumas in­con­sis­tên­cias descobertas na especifica­ ção da Adobe para compensação do ponto de pre­ to em conversões de RGB para CMYK fizeram com que o grupo de pré-​­impressão crias­se uma norma especificando os cálculos ne­ces­sá­rios. O grupo, for­ mado por integrantes da ISO e do ICC, esclareceu os cálculos e o documento está em votação CD (etapa in­ter­me­diá­ria de desenvolvimento de uma norma ISO). Após a publicação, espera-​­se que os

diversos CMMs (motores de conversão de ge­ren­ cia­men­to de cores) implementem a compensação do ponto preto, sempre que o Rendering Intent for colorimétrico relativo. Imagens de teste SCID ou ISO 12640‑1, 2, 3, 4 e 5 A família ISO 12640 é um conjunto de imagens de

Grupo de especialistas do TC130 com representantes do Brasil, EUA, Alemanha, China, Grã-Bretanha, França, Itália e Suécia, durante visita às instalações da gráfica LeoPaper, perto de HongKong

teste com diferentes codificações de cor e para di­ ferentes tipos de testes de sistemas de ge­ren­cia­ men­to de cor e de renderização, como monitores e impressoras. As partes 1 a 4 estão publicadas e a parte 5 recebeu votação positiva da ISO. A publica­ ção da norma em PDF juntamente com dois DVDs está programada para o final de 2013. O padrão é composto por 38 imagens de teste naturais e três sintéticas, codificadas como arquivos TIFF‑IT de 16 Bit, com perfil RIMM‑RGB. ISO 28178 – Dados de Caracterização – substitui a antiga ISO 12642 A norma ISO 12642‑1, que definia um formato de troca de dados de caracterização usando tags ASCII

e palavras-​­chave, está sendo subs­ti­tuí­da por um VOL. III  2013  TECNOLOGIA GRÁFICA

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novo padrão, a ISO 28178 . A nova norma foi publi­ cada e define um formato de troca de cores e da­ dos de controle de processo (com os metadados as­s o­cia­dos ne­ces­s á­r ios para a sua correta inter­ pretação) em formato eletrônico, utilizando tanto os arquivos de dados em formato XML ou ASCII . A  ISO está encorajando os fabricantes de equipa­ mentos e instrumentos a implantar essa norma o mais rápido possível. Nova norma para troca de informações de cores usando XML – ISO 17972 A norma ISO 17972 é um novo padrão que es­

tende o armazenamento de dados de caracteri­ zação através de um esquema flexível que facili­ ta a troca de dados de cor e de processo, com os recursos adicionais ba­sea­dos no formato C xF3 da X‑Rite. Pode-​­se encontrar mais documentação so­ bre o CxF3 (Colour Exchange Format) no site www. colorexchangeformat.com. As partes da família de normas ba­sea­das no C xF3 são: Parte 1: Relação com C xF3 Parte 2: Armazenamento de targets de escâner (fornecendo um ma­pea­men­to exato em relação à norma ISO 12641) Parte 3: Dados de caracterização, similar à ISO 12642‑2 (ECI 2002 ou IT.8‑7/4) e ISO 22178 Parte 4: “Spot colour cha­rac­te­ri­za­tion data (CxF/X‑4)” define um formato de troca de dados de medição espectral de tintas para fornecer um meio para caracterizar tintas de cores especiais A votação de DIS ISO 17972‑1 foi fechada e ela entrará na última etapa antes da publicação. As partes 2 e 3 serão en­via­das para votação de CD. A parte 4 foi aceita como um novo projeto e será votada como CD. A norma do gerenciamento de cores ICC ou ISO 15076–1 de 2010 A especificação v4 do ICC , ou ISO 15076 ‑1, já está

em fase final. Em paralelo, um documento idênti­ co será fornecido aos usuá­rios, gratuitamente, na página do ICC, em www.color.org. Arquivamento de longo prazo usando PDF ou PDF/A – família ISO 19005 O PDF/A é uma norma ISO que usa o formato PDF

para arquivamento de documentos de longo prazo 42 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. III  2013

sob a forma digital. Desde a sua publicação em 2005, o PDF/A tornou-​­se o formato preferido por governos, universidades e empresas para o arqui­ vamento de documentos digitais. As duas primei­ ras partes da norma, a primeira ba­sea­da na espe­ cificação PDF 1.4, PDF/A‑1, e a segunda, ba­sea­da na ISO 32000 ‑1, PDF/A‑2, foram publicadas. A especificação de metadados em arquivos/imagens – ISO 16684‑1 A especificação XMP da Adobe, consagrada em ima­

gens digitais e embutidas nas câmeras no momen­ to da captura, se tornou norma ISO, foi submetida à secretaria central e publicada como ISO 16684 ‑1 em fevereiro de 2012. A parte 2 foi votada como CD. Essa parte da ISO 16684 especifica o uso de Re­ lax NG para a descrição de metadados se­ria­li­z a­dos XMP. O uso de XMP é fundamental para os futu­ ros sistemas de work­f low, nos quais poderão ser le­ vadas em conta a pro­prie­da­de in­te­lec­tual, geo­po­ si­cio­na­men­to, remuneração a fotógrafos por área de mídia e tantas outras possibilidades. Fluxo de trabalho em RGB, com controle de visualização – ISO 16760

Essa norma especifica os requisitos para um fluxo de trabalho RGB para impressão gráfica e fornece orien­ta­ções sobre a cria­ção de imagens RGB pron­ tas para impressão e có­pias de simulação. O título da norma é Preparação e vi­sua­li­z a­ção de imagens RGB para serem usadas em fluxos de trabalho de ar­ tes gráficas ba­sea­dos em RGB. A norma estende os formatos TIFF e JPEG de uma maneira similar à ma­ neira pela qual o PDF/X estende o PDF. As impres­ sões serão ava­lia­das por meio da ISO 12647‑7 e ser­ vem como uma referência física para esse arquivo de dados RGB. A norma passou na votação de CD. Proposta para metadados como jobticket para provas virtuais

Um documento de rascunho foi elaborado pelo Ghent PDF Workgroup, instituição ba­sea­da na Euro­ pa com abrangência global, para auxiliar na adoção de normas. A proposta é que se torne um documen­ to ISO com o título Tecnologia Gráfica – Metada­ dos para o fluxo de trabalho de artes gráficas – Par­ te 1: XMP metadados para aprovação de imagem ou documento. Esse rascunho descreve um conjunto de metadados que pode ser usado para comunicar


o status de aprovação de imagens ou documentos que serão usados para as artes do fluxo de traba­ lho de produção de impressão gráfica. A votação de novo item deve ocorrer em breve. ISO 18620 – Curvas de ajuste tonal de RIP para gravação de chapas

Foi decidida a elaboração de um documento, com o objetivo de desenvolver uma norma in­ter­na­cio­ nal que defina um formato de arquivo e um meca­ nismo de codificação de dados de ajuste de curvas de resposta de tons, sob o título: Curvas de Ajustes Tonais. O documento pode ser útil para comuni­ car de forma inequívoca as curvas de ajuste de tons definidas como porcentagem nominal de correção de ganho de ponto, para documentação interna ou intercâmbio com outras plantas.

WG 3 – PROCESSOS E METROLOGIAS Medição de cores de superfície e cores autoluminosas – ISO 13655

A norma foi publicada em 2009 e com­preen­de qua­ tro diferentes modos de medição: M0 para instru­ mentos com fonte de luz A, hoje sendo um pa­ drão de fato na nossa indústria. Para o M0 não há nenhuma exigência em relação ao seu con­teú­do UV. Modo M1 para instrumentos com iluminante D50 e con­teú­do UV igual ao D50 . Modo M2 para instrumentos com iluminante D50 e filtro UV-cut. Finalmente, o modo M3 amplia o M2 com o uso de filtros de polarização. Foi encontrado um erro na definição do white backing e uma errata será publicada em breve. Discutiu-​­se também a inclu­ são do DeltaE 2000 e sua matemática, que será in­cluí­do num futuro breve.

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Norma para o setor de metalgrafia deve entrar em vigor em 2014

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VOL. III  2013  TECNOLOGIA GRÁFICA

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Norma para provas contratuais – ISO 12647‑7

A norma de provas contratuais está em vigor e é uma das mais utilizadas no nosso setor. A fim de re­ solver os problemas de ava­lia­ção de conformidade levantados pela ISO decidiu-​­se fazer uma pequena revisão seguida de uma votação, que foi positiva. A versão atua­li­z a­da já está publicada. Norma para sistemas de provas virtuais ISO/CD 14861 Os co­men­tá­rios dos votos de CD foram todos re­

solvidos. O documento revisado será discutido na próxima reunião em Berlim e, em seguida, subme­ tido à votação. Essa norma trabalha em conjunto com a nova versão da ISO 12646 . Requisitos para monitores de provas virtuais – ISO 12646

A norma se tornou um documento de capacida­ des e recursos de monitores para provas virtuais. No documento votado, todos os co­men­tá­rios fo­ ram resolvidos. O documento revisado será discu­ tido na reunião de Berlim e, em seguida, subme­ tido à votação (que precisa ser ini­cia­da antes de novembro de 2013). ISO 12647‑1/2/3 – na reta final

As votações de todas as três partes foram positivas. Todos os co­men­tá­rios e problemas foram resolvidos de forma quase satisfatória. Num am­bien­te onde o consenso é vital muitas vezes os documentos so­ frem alterações inesperadas ou indesejadas. A vo­ tação final deve ser ini­cia­da em breve e as normas devem ser publicadas ainda em 2014. Impressão de dados digitais, Parte 1: Princípios básicos ISO/DIS 15339 (a futura 12647?)

O resultado da votação foi negativo. A segunda vo­ tação, como discutido na última reunião em Chica­ go, não ocorreu. Foi sugerida uma divisão em duas partes, sendo a primeira de prin­cí­pios e definições e a segunda com os dados de caracterização. Essa norma é extremamente inovadora e recebeu uma saraivada de críticas das delegações mais conser­ vadoras ou que têm ne­gó­cios muito sedimentados nas normas an­te­rio­res (família 12647). ISO 12647‑4 – Revisão da norma de gravura

Todos os co­men­tá­rios da votação positiva foram resolvidos. O documento será publicado em breve. 44 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. III  2013

ISO 12647‑6 – Norma de impressão flexográfica finalmente publicada!

Essa é uma das melhores normas já feitas pelo gru­ po, com um componente de modernidade para o setor: no lugar da norma ter alvos e to­le­rân­cias, ela admite que os envolvidos poderão definir alvos e a norma regula as to­le­rân­cias e me­to­do­lo­gias. Além disso, os valores de tolerância podem ser definidos em DeltaE 2000, muito mais adequado para dife­ renças de cor compatíveis com a sensibilidade hu­ mana do que o padrão utilizado até agora, o Del­ taE 76. Essa norma já está sendo trabalhada pela comissão do ONS27. A previsão é que sua publica­ ção em português saia no início do ano que vem. ISO 15311 – Nova norma de impressão digital A discussão em Shenzhen confirmou que a ISO 15311 é a abordagem correta para a padronização

da impressão digital. Decidiu-​­se con­ti­nuar com a Parte 1 como uma especificação técnica, excluindo esta parte do projeto e ini­cian­do a votação de um novo item de trabalho. Foi sa­lien­ta­do que os atri­ butos de qualidade de imagem de referência não estão restritos à impressão digital e podem ser apli­ cados a todas as técnicas de impressão. Para as par­ tes 2 e 3 foi acordado que as to­le­rân­cias serão re­ movidas, o que significa que elas identificam casos de uso de referência ou aplicações que venham a ser típicos e relevantes para a indústria ou setor de mercado. Isso permite que os usuá­rios comparem suas aplicações contra a aplicação de referência da indústria típica. Cabe, portanto, a outras institui­ ções, como a ABTG Certificadora, propor to­le­rân­cias para as aplicações existentes e fornecer um esque­ ma de ava­lia­ção da conformidade ou certificação. ISO/TS 18621 – Medição da qualidade de imagens

O grupo de trabalho conjunto cria­do entre o TC130 e o JTC1 e o JWG 14 já se reuniu duas vezes, em San Jose, EUA , e em Shenzhen, China. O principal obje­ tivo desse grupo de trabalho é o desenvolvimento da norma ISO 18621 que define os métodos de me­ dição apro­pria­dos para definir a qualidade de ima­ gem e sua permanência ou durabilidade. Os méto­ dos estatísticos M-, L- e P‑Score serão utilizados e o documento deverá ser uma família com outros documentos por vir. O título ini­cial será Tecnologia Gráfica — medição de atributos visuais de materiais


impressos. A norma ISO/TS 18621 representa o pri­ meiro documento padrão, que inclui a ava­lia­ç ão dos atributos essenciais de qualidade da imagem. WG 11 – IMPACTO DE TECNOLOGIAS DIGITAIS NO MEIO AMBIENTE ISO 16759 – Quantificação, cálculo e comunicação da pegada de carbono dos produtos de mídia impressa

Ess norma especifica os requisitos para quantificar a pegada de carbono dos processos, materiais e tec­ no­lo­gias ne­ces­sá­rias para elaborar produtos gráficos utilizando qualquer tipo de tecnologia de impres­ são e que estão dentro do conhecimento e con­ trole do usuá­rio. A votação da norma foi positiva e co­men­tá­rios técnicos e editoriais foram incorpo­ rados. A publicação final já ocorreu, o que deixou todos os envolvidos nos trabalhos muito satisfei­ tos. Foi ini­cia­do neste grupo um novo trabalho, vi­ sando entender como medir a pegada de CO 2 dos meios de comunicação eletrônicos, como ­ebooks. Foi mostrado que o tempo de utilização e o apa­ relho em si são críticos para determinar a sua pe­ gada. Foi feita uma conexão entre esse grupo e o IEC/TC100/TA13 para desenvolver o novo projeto de

nome Quan­ti­f i­ca­ção, cálculo e comunicação da pe­ gada de carbono de e‑mídia”, e que deve ser votado em breve. No Brasil, a comissão dessa área tem acom­ panhando o desenvolvimento da ISO 16759 desde o início do projeto. A previsão é que a adoção des­ sa norma aconteça no primeiro semestre de 2014. WG 13 – ATIVIDADES DE CERTIFICAÇÃO ISO 16761 – Requisitos para sistemas de gestão a serem utilizados para certificar os fornecedores de serviços de impressão

O novo grupo de trabalho de certificação ainda está tentando entender como se po­si­cio­nar entre os in­ teresses dos paí­ses participantes, os das agên­cias e empresas participantes e as visões dos es­p e­cia­lis­ tas, tudo isso condimentado com uma rígida legis­ lação interna da ISO para cria­ção de normas que tra­ tem genericamente de “qualidade”. O grupo discutiu principalmente sobre as exi­gên­cias da ISO e o que pode ou não ser certificado e o que pode ou não ser especificado em uma norma sobre certificação. A norma ini­cial foi re­no­mea­da para Requisitos e con­ dições de teste para fluxos de trabalho de impressão, indicando um re­di­re­cio­na­men­to das atividades.

BRUNO MORTARA

é superintendente do ONS27, coordenador da Comissão de Estudo de Pré‑Impressão e Impressão Eletrônica e professor de pós‑graduação na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

Grupo de especialistas do TC130 com representantes do Japão, Indonésia, Coréia, Noruega, Brasil, EUA, Alemanha, China, Grã-Bretanha, França, Itália e Suécia, durante as reuniões do TC130 na China VOL. III  2013  TECNOLOGIA GRÁFICA

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SEYBOLD

Telekom Shop: falando para empresas muito pequenas

Um estudo de caso de impressão digital da PODi

A

Telekom Shop Ver­triebs­ge­sells­chaft é o braço de varejo da Deutsche Telekom AG , o maior fornecedor de serviços de telecomunicações empresariais e de consumidores da Alemanha. A empresa queria demonstrar as características que definem uma empresa de telefonia celular de classe mun­dial em uma campanha de mar­ke­ting dirigida a empresas muito pequenas: as relações de amizade com os clien­tes e o excelente serviço ao clien­te. OBJETIVOS DO NEGÓCIO

Os objetivos da campanha eram: Atrair novos clien­tes para uma Telekom Shop mais receptiva, objetivando consultá-​­los sobre as necessidades em telecomunicações dos seus ne­gó­cios. ◆◆ Fazer com que os seus clien­tes sentissem que estavam recebendo os melhores conselhos, desde o início, em uma abordagem in­di­vi­dual. ◆◆

RESULTADOS

A campanha de mar­ke­ting direto utilizando mapas personalizados fortaleceu a marca Telekom e sua presença no varejo para pequenas empresas. O uso desses mapas — que mostram uma rota exclusiva entre o endereço do destinatário e a loja mais próxima — garantiu que os dados fossem limpos e in­ di­vi­dua­li­za­dos para cada destinatário. Números exatos sobre a quantidade de consultas de ne­gó­cios geradas na campanha 46 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. III  2013

não foram divulgados, embora o clien­te tenha dito estar muito satisfeito com os resultados. ARQUITETURA DA CAMPANHA

A campanha utilizou uma mala direta grande, feita em impressão digital, com alta qualidade. A mala direta foi dobrada duas vezes para que ficasse com seis páginas no final. A superfície resultante era relativamente grande e permitiu que a agência exibisse a mensagem com bastante destaque, organizando cuidadosamente fotos e no­tí­cias. O in­te­rior da mala direta exibia um mapa quadrado de 20 cm de lado, mostrando uma rota do endereço co­mer­cial do destinatário até a loja Telekom mais próxima. O estilo do mapa foi muito semelhante ao do Goo­gle ou outro mapa ba­s ea­do na web, exceto que o destino foi identificado com o logotipo Telekom “T” e a rota foi destacada em magenta, a cor da marca Telekom Shop.


O lado direito in­cluía um cartão de visita personalizado colado a uma grande imagem de fundo, com os detalhes de uma pessoa de contato na Telekom Shop mostrada no mapa. O cartão de visita apresentava os dados relevantes do clien­te, incluindo um número de identificação único. Se os clien­ tes decidissem responder ao convite para uma reu­ nião pes­soal, eles te­riam acesso ime­dia­to a todas as informações ne­ces­sá­rias em um só lugar. O verso do mapa in­cluía endereços e uma carta personalizada impressa em um papel um pouco mais grosso. A agência que criou a campanha deu uma razão muito prática para isso: o papel mais grosso deu uma aparência de maior qualidade e tornou mais fácil para os clien­tes utilizar o mapa personalizado como um guia durante o trajeto para a loja. PÚBLICO-​­ALVO

12.000 pequenas empresas alemãs em um raio de 15 km da loja Telekom Shop. RAZÕES PARA O SUCESSO

A principal razão para o sucesso foi o grande mapa personalizado impresso em alta qualidade na mala direta. O mapa personalizado preen­che vá­rias funções: ◆◆ Enfatiza que a Deutsche Telekom tem presença no varejo local, algo útil para consultas de negócios presenciais ◆◆ Fornece um con­ve­nien­te auxílio que permite ao clien­te ir à Telekom Shop mais próxima para uma consulta pre­sen­cial ◆◆ Reforça o serviço personalizado e a alta qualidade que os clien­tes podem esperar da Telekom Shop.

Tradução autorizada do The Seybold Report,

volume 13, número 12, de junho de 2013.

PARTICIPANTES DESTE ESTUDO Cliente

Telekom Shop Vertriebsgesellschaft GmbH, www.telekom.de A German Telekom AG é uma das empresas mais importantes do mundo no setor de tecnologia da informação e telecomunicações. Agência de geolocalização

locr GmbH, www.locr.com A locr é líder europeia em mapas individuais e outros produtos geo‑relacionados para marketing direto e acabamento fotográfico. Agência de criação

Mangold & Mangold Unternehmenskommunikation GmbH, www.mangold‑mangold.com Gráfica

Meillerghp GmbH, www.meillerghp.com A Meillerghp é um fornecedor de soluções de marketing direto formado a partir da fusão da Meiller Direct com o negócio de mala direta do correio suíço. A Meillerghp GmbH opera em sete países europeus. HARD­WARE  Xerox iGen3 SOFT­WARE  locr mapas personalizados PÚBLICO-ALVO  Pequenos negócios em um raio

de 15 km de distância das lojas de varejo DISTRIBUIÇÃO  12.000 unidades DATA  Verão 2011 SOBRE A PODI A PODi é uma iniciativa mundial que ajuda empresas

associadas a criar ideias e aplicações interessantes para rentabilizar os negócios em impressão digital. VOL. III  2013  TECNOLOGIA GRÁFICA

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ENTREVISTA Tânia Galluzzi

Quer entrar no mercado de livros digitais? Capacite sua equipe.

C

om formação humanística, José Fernando Tavares cursou Filoso­ fia, Teo­lo­gia e Ciên­cias da Comu­ nicação na Itália, onde viveu por 19 anos, atuan­do como gráfico e dia­gra­ma­ dor. Dedicando-​­se ao mercado de livros di­ gitais e às técnicas de produção do forma­ to ePub há cinco anos, fundou, em 2010, em so­cie­da­de com Eduar­do Melo, a Simplíssimo Livros, focada na produção de ­ebooks para editoras, da qual é diretor de operações e responsável técnico. Ministrando cursos de produção de ­ebooks no formato ePub, já for­ mou mais de 700 profissionais. Nesta entre­ vista, Fernando fala de mercado, dos entra­ ves à disseminação dos livros digitais e das características da produção de um ­ebook. Muitas pes­soas ainda confundem o livro digital, ­ebook , com o próprio dispositi­ vo de leitura, o erea­der. Como o senhor define o ­ebook? José Fernando Tavares – O ­ebook é um li­ vro em uma plataforma diferente do im­ presso. Se você pensar, vai perceber que o livro é digital faz tempo. Em todo o proces­ so produtivo, desde o momento em que o autor começa a escrever o texto, passando pela dia­gra­ma­ção, até o instante an­te­rior ao início da impressão, o livro só existe digital­ mente. Nessa última etapa, ao invés do ar­ quivo seguir para as máquinas impressoras, ele passa a estar acessível a vá­rias platafor­ mas, tendo a tela ao invés do papel como interface entre ele e o leitor. A diferença fun­ damental com relação ao impresso é que no livro digital a vi­sua­li­z a­ção é flexível. Ela muda conforme o aparelho que está sen­ do usado. O con­teú­do é consumido em um dispositivo eletrônico, que pode ser um tablet, um smartphone, um leitor de livros di­ gitais, o erea­der, mudando o modo como usu­f ruí­mos esse con­teú­do. 48 TECNOLOGIA GRÁFICA  VOL. III  2013

­ebook. Além disso, enfrentamos problemas na produção, o que faz com que o núme­ ro de títulos à venda no mercado seja bai­ xo. Entre outras questões temos a do direi­ to autoral, por exemplo, que está longe de ser resolvida. Os novos contratos entre os autores e as editoras começam a contem­ plar o livro digital, mas acordos antigos têm de ser revistos. A produção em si deman­ da tempo. Vá­rias editoras têm problemas em migrar o con­teú­do para a plataforma digital. Faltam profissionais es­pe­cia­li­z a­dos. O que muitas vezes acontece é o seguinte: como as editoras pre­veem um retorno pe­ queno com o livro digital, querem pagar pou­ co para quem faz a produção, o que deses­ timula os designers a investirem nessa área. É um círculo vi­cio­so.

José Fernando Tavares A quantas anda o mercado de livros digitais no Brasil? JFT – Devemos estar perto dos 30.000 títu­ los em português, com um ritmo crescente de lançamentos. Em agosto, a CBL divulgou os números de 2012, e as editoras pesquisa­ das venderam quase 250.000 livros digitais. Considerando que foram vendidos mais de 400 milhões de livros no ano passado, a par­ cela de livros digitais ainda não chega a 1%. Por que o lançamento de novos títulos não avança mais rapidamente por aqui? JTF – Primeiro, você tem de convencer as pes­soas a comprarem um produto cujo pre­ ço médio ainda é alto. Segundo, temos cer­ to “analfabetismo” no que diz respeito à in­ formática. Terceiro, temos dificuldade ou receio em usar o cartão de crédito, que é a forma mais utilizada para a compra de um

Voltando à parte técnica, quais são os principais formatos para os ­ebooks hoje e qual o mais utilizado? JTF – O ePub é o mais popular, sobretudo nas obras onde o texto prevalece. Ele é fle­ xível, adapta-​­se a qualquer formato, ou seja, um arquivo em ePub pode ser dis­tri­buí­do em todas as plataformas. Em 2012 foi lança­ do o ePub3, que possibilita maior interativi­ dade, como a inclusão de ví­deos. O ePub3 desfruta melhor das tec­no­lo­gias da web por­ que usa como base o HTML5 . Mas os edi­ tores ainda não enxergam vantagens em adi­cio­nar áu­dios e ví­deos por representa­ rem um custo maior. Hoje, só a Apple tra­ balha com ePub3. Sei que a Kobo deve pas­ sar a utilizá-​­lo também até o final do ano, assim como o Goo­gle, com a sua loja Goo­ gle Play. As editoras estão usando o ePub e o Mobi, desenvolvido pela Amazon para o Kindle. Além deles, temos o PDF Interativo, que está em declínio, o Folio, da Adobe, vol­ tado para a produção de revistas digitais e que a Adobe está querendo expandir para os


livros didáticos, e ainda um formato pro­prie­ tá­rio da Apple, o ­iBooks, que usa um soft­ ware chamado i­Books Author. Este é um formato bem “amarrado” com o sistema da Apple, mas é muito simples de ser operado. E entre os dispositivos de leitura, qual o mais usado? JFT – Os dispositivos ba­sea­dos no sistema Android, sejam smartphones ou tablets, são os mais utilizados hoje. Mesmo porque te­ mos uma grande oferta de dispositivos que usam Android. Pes­soal­men­te uso um tablet Android para a leitura, o Nexus 7, combina­ do a um soft­ware chamado Mantano Rea­ der. É um ótimo aparelho. Pena que no Bra­ sil vendeu bem pouco. O iPad é su­pe­rior em algumas funções, como por exemplo con­ teú­do interativo. Mas aqui precisamos fazer

Várias editoras têm problemas em migrar o conteúdo para a plataforma digital. Faltam profissionais especializados. um adendo. Na rea­li­d a­de, mais do que o hard­ware, é o soft­ware da Apple, o i­Books, que tem mais recursos. O iPad é pesado quando se quer uma simples leitura. Talvez o iPad mini seja a melhor escolha se que­ remos ler e ter uma aparelho multifunção. No Brasil, os tablets dominam quando se fala em livros digitais. Mas como ficam os leitores de ­e books como o Kin­dle e o Kobo?

JFT – Eu não os colocaria no mesmo pa­ tamar dos dispositivos móveis. Esses leito­ res são pensados para um único fim, a lei­ tura. Ví­deos, por exemplo, não fun­cio­nam. As pesquisas ainda são in­ci­pien­tes nesse campo, mas se por um lado temos uma queda na venda desse tipo de dispositivo, por outro sabemos que os pro­p rie­t á­r ios de leitores de livros digitais compram mais ­ebooks. Porém, de fato há mais tablets do que erea­ders no Brasil. Produzir e converter um livro para a ver­ são digital também são coisas bem dife­ rentes, certo? JFT – Sim. Chamamos de conversão quan­ do a editora já tem o livro pronto, pensado e dia­gra­ma­do para ser impresso, e quer pas­ sá-​­lo para o digital. Esse arquivo vai carregar

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(11) 3159.3010 editoracg@gmail.com VOL. III  2013  TECNOLOGIA GRÁFICA

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todos os ví­cios do impresso, como cabeça­ lhos, cores de fundo, imagens em P/B , limi­ tes que não valem para o livro digital. Quan­ do estamos falando de um livro digital não podemos mais pensar no conceito de pá­ gina. Não há numeração fixa. O leitor pode aumentar ou diminuir a fonte como qui­ ser. Um erro muito comum, por exemplo, é manter as mesmas fontes. Post­Scripts an­ tigas não fun­cio­nam bem. A questão é que a conversão pura e simples é mais barata. Já a produção de um livro digital envolve um projeto gráfico voltado para essa lingua­ gem. Algumas características da versão im­ pressa podem ser mantidas, mas ex­cluem-​ ­se itens que não fazem sentido no digital e, principalmente, acrescentam-​­se elementos que só existem no mundo digital, como links para ví­deos e imagens. E nem estou entran­ do no campo da interatividade, que pode tornar o livro uma ex­pe­riên­cia única. Em ter­ mos de custo, o investimento na produção de um ­ebook é maior do que na conversão pura e simples, porém é mais barato pensar na produção antes do projeto estar pron­ to do que depois. Pode ser até mais produ­ tivo fazer a produção do digital primeiro e depois partir para o impresso.

tabelas no modo correto; o uso correto das fontes, sem itálicos forçados; o uso de fontes OpenType ou TrueTy­pe (não as Post­Scripts); o tratamento das imagens feito pelo Pho­to­ shop. Enfim, detalhes que deixam até mesmo o trabalho impresso melhor e mais rápido.

Qual deve ser a primeira preo­cu­p a­ç ão de uma gráfica que está pensando em oferecer a produção de ­e books para seus clien­tes? JFT – Capacitação. Ter em sua equipe al­ guém que conheça editoração eletrônica e também saiba lidar com códigos de in­ ternet como HTML e XML , pode ajudar a otimizar o processo.

Dream­wea­ver, da Adobe, que é uma ferra­ menta de web design, e o Notepad++, um editor de texto, mas esses não fazem a edi­ ção do ePub. Ainda está faltando no mer­ cado um bom programa, pro­f is­sio­nal, que permita a cria­ção de um arquivo ePub de modo fácil e bem feito.

Com relação ao fluxo de trabalho, o que muda? JTF – Vai acrescentar um setor. Se a gráfi­ ca já adota boas práticas na pré-​­impressão terá poucos problemas. O InDesign já pre­ vê a exportação de arquivos para ­ebook e um fluxo ba­s ea­do no InDesign fun­cio­na bem, desde que o arquivo tenha sido bem preparado. Por bem preparado eu entendo o bom uso dos recursos de estilo de carac­ tere, de parágrafos, de objetos; a cria­ção de 50 TECNOLOGIA GRÁFICA  VOL. III  2013

Além do InDesign, quais são os outros programas mais utilizados na produção de livros digitais? JTF – Esse é um dos problemas. Temos poucos soft­wares profissionais nessa área. O principal é o Sigil, editor de ePub de có­ digo aberto, utilizado depois do InDesign, para os ajustes finais. Alguns utilizam o

Ter em sua equipe alguém que conheça editoração eletrônica e também saiba lidar com códigos de internet como HTML e XML, pode ajudar a otimizar o processo.

Na Simplíssimo, além da produção de ­e books para as editoras, vocês dão cursos técnicos. Como é a procura por parte de profissionais gráficos? JFT – Em geral vejo uma baixa participação das gráficas. A maioria do pes­soal trabalha em editoras ou são designers autônomos, que atendem editoras e gráficas. É um pro­ cesso novo e ainda não consolidado e é cu­ rio­so como, a princípio, o designer se deses­ pera com o fato de as escolhas dele terem de mudar. É preciso pensar no livro líquido, que não tem forma e se adapta aos vá­rios

tipos de re­ci­pien­tes, aprender a lidar com as vantagens e desvantagens dos vá­rios dis­ positivos. Porém, tenho vá­rios casos de de­ signers que enfrentaram essas dificuldades iniciais e hoje estão produzindo os arqui­ vos ePub das principais editoras brasileiras. Com o objetivo de incentivar a formação dos profissionais, estamos organizando uma conferência na­cio­nal sobre produção de ­ebook no formato ePub1. A intenção é tra­ zer os profissionais que estão efetivamente trabalhando neste setor e motivar os desig­ ners a conhecerem melhor essa tecnologia. Durante o 4 º‒ Congresso In­t er­n a­c io­n al CBL do Livro Digital, rea­li­za­do em junho, foi apresentada uma pesquisa rea­li­za­da pela GFK, consultoria es­pe­cia­li­z a­da em pesquisas de mercado, sobre o consumo de livros no Brasil. Ela apontou que dos 10 títulos mais vendidos em 2012, todos tinham versões digitais. Contudo, no seg­ mento de didáticos ocorreu o inverso. Dos 10 mais vendidos, nenhum pos­suía ver­ são digital. Isso parece estar mudando. Em agosto, a FTD entrou no mercado de livros digitais lançando a primeira cole­ ção de livros didáticos brasileiros a ser co­ mer­cia­li­za­da na iTunes Store. Que impac­ to isso pode trazer para esse segmento? JFT – Esse é um dos mercados com maior po­ten­cial e também um dos mais compli­ cados. Certamente é um dos setores que vai jogar para cima o segmento de livros digitais. Por suas pró­prias características, o livro didático se presta muito ao forma­ to digital. A interatividade que o formato digital possibilita é muito útil ao didático. Um dos entraves para o seu desenvolvimen­ to é a indecisão quanto ao formato mais adequado. Enquanto o ePub é uma boa so­ lução para os livros de ficção, de texto, ele não atende às necessidades dos didáticos. O ePub3 está sendo experimentado pelas universidades. Talvez o Folio ou o PDF In­ terativo sejam uma saí­da, mas ainda não há um caminho definido.

1 www.conferenciarevolucaoebook.com.br


NA REDE

LITERATURA

METALGAMICA www.metalgamica.com.br Pensando em dar maior suporte ao clien­te e também maior importância à marca, a Metalgamica lançou em outubro o seu novo website ins­ti­tu­cio­nal. A nova versão convida o clien­te a explorar vá­rias informações sobre a empresa, além de produtos e serviços oferecidos ao mercado e à indústria gráfica em geral. A reformulação resultou em um lay­out mais claro, limpo e atrativo. A nova tecnologia utilizada também possibilita ao clien­te acessar o site através de smartphones e tablets em geral.

PitStop Pro 12: análise e edição avançada de PDFs Ricardo Minoru A obra trata dos recursos da nova versão da solução PitStop Pro 12, da Enfocus, lançada recentemente durante a Print 13. O objetivo é explicar detalhadamente para os profissionais gráficos as vá­rias ferramentas, comandos e opções para rea­li­zar análise em arquivos PDF visando identificar e certificar documentos, assim como edições em elementos de página do PDF, tais como textos, imagens bitmap e ilustrações vetoriais. As sugestões e recomendações de configurações, ajustes nas opções, comandos e recursos foram estudadas para a rea­li­da­de de quem precisa obter fotolitos ou chapas de impressão offset, ou mesmo materiais a partir das impressoras digitais comerciais. Além disso, o livro traz dois capítulos novos: o primeiro, sobre recursos de Smart Preflight, que permite o uso de parâmetros variáveis nos perfis de análise, e o segundo, que trata do Enfocus Connect, uma solução inovadora e simples para que os pró­prios clien­tes gerem e analisem seus PDF s. Bytes & Types www.bytestypes.com.br

CONGRAF www.facebook.com/congrafembalagens C om o objetivo de aprimorar sua comunicação corporativa, desde agosto a fabricante de embalagens Congraf também está presente no Fa­ce­book. A fan­page pretende ser um canal direto de informações sobre a empresa, apresentando produtos, diferenciais, pre­mia­ções e ini­cia­ti­vas.

Celulose MATTAVELLI www.facebook.com.br/GraficaMattavelli O perfil da Gráfica Mattavelli no Fa­ce­book está de cara nova. A fanpage apresenta novo design na capa, logomarca e posts que tornam a página ainda mais atrativa para o público interessado em no­tí­cias do setor gráfico, pro­mo­cio­nal, am­bien­tal e cultural. A mudança visa aprimorar a comunicação e o re­la­cio­na­men­to da empresa nas redes sociais. O novo design leva a assinatura dos pu­bli­ci­t á­rios Omar Caldas, Hugo Amaral e Cris­tia­no Paiva, que também desenvolveram telas especiais para divulgação e valorização de produtos e serviços oferecidos pela empresa.

Com uma linguagem simples e didática, Celulose tem o intuito de facilitar o aprendizado necessário para com­preen­der os fundamentos dos processos industriais de produção de celulose. Valendo-​­se da ex­pe­riên­cia dos docentes do Senai-SP, o livro é destinado a profissionais e estudantes de nível técnico. O Brasil é um dos grandes produtores mundiais de celulose e papel e um dos fatores que contribui para isso é a competência das fábricas brasileiras. Para manter o alto nível de automação que esse processo fabril requer é preciso que os profissionais que ­atuam neste segmento estejam sempre atua­li­za­dos e bem preparados. E a proposta desta obra é oferecer estes sub­sí­dios, com con­teú­do de extrema qualidade. Senai-​­SP Editora www.senaispeditora.com.br

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PRODUÇÃO GRÁFICA

Ana Cristina Pedrozo Oliveira

F

Nas nuvens com o novo Adobe CC

amosos e populares entre operadores de pré-​ ­impressão, os programas da desenvolvedora americana Adobe Systems estão com versões novas e com um novo conceito de uso: o Adobe Crea­ti­ve Cloud. Agora os programas não são mais vendidos como simples produtos. O usuá­rio faz uma assinatura de uso com pagamento mensal que gira entre US$ 9,99 e US$ 49,99, garantindo o uso de todos os programas que fazem parte do pacote Adobe CC. Não há necessidade de estar conectado durante o tempo de uso, somente quando for validar a assinatura. A empresa disponibiliza planos mais interessantes para usuá­rios que pos­suem versões originais dos programas a partir da versão CS3 , para estudantes, professores, equipes e empresas.

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Os principais programas inclusos no Adobe Crea­ti­ve Cloud são: ◆◆ Pho­to­shop (edição de imagem) ◆◆ Illustrator (ilustrações vetoriais) ◆◆ InDesign (lay­out de página) ◆◆ DreamWea­ver (cria­ç ão de sites) ◆◆ After Effects (efeitos visuais em vídeo) ◆◆ Adobe Pre­mier Pro (produção de vídeo) ◆◆ Adobe Muse (geração de site sem programação) ◆◆ Adobe Acrobat (edição de arquivos PDF) ◆◆ InCopy (fluxo colaborativo edi­to­rial) ◆◆ Ligh­troom (edições fotográficas) Outros programas, como Adobe Au­d i­t ion, Bridge, Encore, Fireworks, Flash, Encore, Prelude e


SpeedG­ra­de, também fazem parte do pacote Crea­ ti­ve Cloud. Além dos programas, os usuá­rios receberão todas as atua­li­za­ções dos aplicativos instalados, um espaço para armazenamento e compartilhamento de arquivos em nuvem, que depende do tipo de plano assinado, e também acesso ao Behance ProSite. O Behance é uma plataforma online de exibição e atua­li­z a­ç ão de projetos que permite gerar um portfólio, bem como o compartilhamento e atua­li­z a­ção em comunidades de desenvolvimento de projetos e nas redes sociais mais populares, como Fa­ce­book, Twitter e LinkedIn. Alguns recursos ainda não estão disponíveis, mas parecem interessantes, como o TypeKit, que promete gerar sincronização no uso de fontes digitais. Quan­to aos programas da nova versão, poucos recursos mudaram. Na versão CC o InDesign possui uma interface escura, mudança sofrida pelo Illustrator e pelo Pho­to­shop na versão an­te­rior, CS6 . NOVOS RECURSOS InDesign

O InDesign tem uma nova interface. Agora é escura, para ficar na mesma linha que o Illustrator e o Pho­to­shop. Talvez alguns usuá­rios ainda prefiram

enxergar seus lay­outs de página mais claros. Para mudar as configurações de interface do InDesign utilize a guia Interface, localizada no menu InDesign ➠ Preferences, para usuá­rios de MacOs, ou no menu Edit ➠ Preferences, para usuá­rios de Win­dows (1). Para usuá­r ios de equipamentos Apple com tela de retina, o programa possui dispositivo de vi­ sua­li­z a­ç ão que suporta esta tecnologia, além de rodar em 64 bits. Duas mudanças no InDesign merecem destaque. A primeira é o modo de vi­sua­li­z a­ção das fontes disponíveis para uso. A barra de tarefas, localizada na parte su­pe­rior da tela, permite vi­sua­li­z ar as fontes com um ícone de uma estrela do lado esquerdo. As fontes que pos­suem uma estrela preta são as favoritas. Para escolher uma fonte como favorita, basta clicar na estrela da fonte desejada (2). É possível também listar somente as favoritas, clicando na opção Show Favorite Fonts Only (3). A segunda mudança de destaque é o gerador de QR Code. O recurso é fácil de usar e está localizado no menu Objects ➠ Generate QR Code (4). É possível ­criar vá­rios tipos de QR Code como um endereço de site ou e-​­mail ou até dados de texto ou cartão de visita (5). VOL. III  2013  TECNOLOGIA GRÁFICA

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Além da geração do QR Code, é possível fazer edição das cores, clicando na guia Color (6). O QR Code está pronto para ser usado em qualquer posição da página (7). Illustrator

Finalmente, na parte ve­to­rial, temos uma inovação que acredito que muitos usuá­rios irão gostar: uma ferramenta que edita o texto de uma forma simples e não destrutiva. Essa ferramenta é a ­Touch Type Tool (8). A ferramenta T ­ ouch Type Tool, quando utilizada sobre uma das letras, permite a edição de posição, re­di­men­sio­na­men­to e rotação de forma simples, apenas com o movimento e clique do mouse (9). 54 TECNOLOGIA GRÁFICA  VOL. III  2013

Formatação de fonte, tamanho e kerning, entre outras opções, con­ti­nuam disponíveis, mesmo depois da utilização da ferramenta ­Touch Type Tool. Ainda não existe consenso entre os usuá­r ios quanto ao novo sistema de uso, mas a versão Crea­ ti­ve Cloud já está disponível, pronta para ser testada e ava­lia­da. O que todos concordam é que em muitos casos não existe justificativa para a troca de versão sem uma análise mais profunda e que real­ men­te comprove uma melhora na produtividade de projetos que utilizam esses programas. Como sugestão: experimente a nova versão (a Adobe disponibiliza down­load para testes no site da empresa), faça testes com seus projetos e tire suas pró­prias conclusões.

ANA CRISTINA PEDROZO OLIVEIRA é produtora

gráfica da Fábrica de Ideias Comunicações e ministra treinamentos em instituições como Senai, ABTG, Dabra, Bytes & Types e GraphWork, além de prestar consultoria em empresas por todo o Brasil. Mais informações sobre

o Adobe CC no artigo Photoshop e Lightroom na nuvem: novos recursos, na página 32.


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TIPOGRAFIA

TIPOS DE MADEIRA

Claudio Rocha

(woodtype) Punções de aço e matrizes em latão eram normal- Estes estilos receberam modificações extras, mente usadas para fundir tipos de metal até o corpo com o acréscimo de sombras, filetes e deco72 – tamanho suficientemente grande para a com- rações. Eram apresentados com destaque nos posição de textos em páginas de rosto e títulos. Mas catálogos das type foundries e foram adquiriessa técnica se revelou impraticável para a confecção dos por tipografias comerciais em toda a Eude tipos em tamanhos maiores. A fundição em me- ropa e também nos eua. Foram largamente tal nem sempre resultava satisfatória, pois o resfria- utilizados em cartazes, folhetos e páginas de mento desigual da liga de metal causava uma leve rosto de livros. concavidade na superfície do caractere, gerando pro- A Revolução Industrial, ocorrida no século blemas de impressão. Por outro lado, os tipos produ- xix, causou um profundo impacto nas artes zidos por estereotipia, com finas lâminas de metal gráficas. Em pouco menos de 100 anos, a timontadas sobre uma base de madeira, eram frágeis ragem dos impressos, que chegava em média a 200 folhas por hora, produzidas em prelos e sujeitos a quebras. Esses problemas, somados à questão do custo e do manuais, com textos compostos com tipos peso excessivos, levaram a uma solução muito mais móveis, passou para 20 mil folhas por hora, prática e econômica para a produção de tipos gran- produzidas em impressoras rotativas, com des em série: os tipos de madeira, produzidos com textos compostos mecanicamente em máquinas Linotipo. o auxílio de pantógrafos. As impressoras rotativas e as linotipos, poA demanda por tipos em grandes formatos rém, não eram acessíveis às pequenas tipoera mínima até a primeira década do século grafias comerciais, que se tornaram os princixix. A partir desse período, novos estilos de pais usuários dos tipos de madeira. Entretanto, fonte em corpos grandes começaram a ser esses estabelecimentos também sofreram o produzidos, para fazer frente às exigências liimpacto da revolução tecnológica. A velocigadas à impressão publicitária, principalmendade de impressão foi incrementada por imte cartazes e folhetos. pressoras tipográficas minerva, ou de platina, Naquele momento, estavam na moda os tie por impressoras planocilíndricas (estas úlpos de Didot e Bodoni, que haviam suplantatimas, indispensáveis para a produção de cardo os tipos romanos na produção de livros e eram caracterizados por um grande contras- tazes em grandes formatos), em substituição te de espessura entre as hastes. Assim, os pri- aos tradicionais prelos manuais. A compomeiros caracteres publicitários a serem pro- sição com tipos móveis, porém, continuou duzidos foram derivados desses tipos e, por em uso até a segunda metade do século xx, seu grande peso visual, ficaram conhecidos quando foi suplantada pela tecnologia eletrônica de composição. como fat faces. Em seguida, foram surgindo outros estilos, classificados como egyptienne, com serifas Os pioneiros na América do Norte retangulares, sans serifs e, ainda, derivações curiosamente elaboradas, como as italians O fundador da indústria de tipos de madeira foi o nova-iorquino Darius Wells (1800-1875), e as tuscans (abaixo).

CLAUDIO ROCHA é tipógrafo, editor da revista Tupigrafia e diretor da OTSP, Oficina Tipográfica São Paulo

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ao inventar, em 1827, uma fresa lateral capaz de fabricar letras em alto-relevo em série, em blocos de madeira, reproduzidas segundo um molde em cartão. Em 1834, George Leavenworth associou um pantógrafo à fresa lateral e, juntos, esses equipamentos se tornaram o padrão industrial para a fabricação de tipos de madeira no século xix. Com simples ajustes no pantógrafo, era possível produzir tipos em vários tamanhos, a partir de um único molde de letra. Em seu primeiro catálogo, de 1928, Wells descreve as diversas vantagens dos tipos de madeira, quando comparados com aqueles produzidos em metal. Ele destaca a diferença de custo – os tipos de madeira chegavam a custar metade do preço – e salienta também que eram mais resistentes, mais duradouros e tinham superfície mais regular, garantindo qualidade de impressão superior em tamanhos grandes. Em 1936, um outro personagem, Edwin Allen, reinventou o instrumento que combinava o pantógrafo com a fresa lateral, sem conhecimento do invento de Leavenworth. Allen associou-se a George Nesbitt, iniciando a produção e venda de tipos de madeira. Consta que, em 1840, eles utilizavam máquinas a vapor para fabricar os tipos e contavam com 12 empregados. A mais importante e próspera indústria de tipos de madeira foi a Hamilton Manufacturing Co., fundada em 1880 por James Edward Hamilton (1852-1940) em sua cidade natal, Two Rivers (Wisconsin). Ele era empreendedor e com talento para implementar maquinário para trabalhar a madeira, com alta funcionalidade e custos baixos, não só para produzir tipos, mas também

No alto, tipo em madeira entalhado a mão por Darius Wells, antes de 1826, e uma amostra impressa do mesmo tipo. Acima, instalações da Hamilton Manufacturing Company na cidade de Two Rivers, Wisconsin. A ilustração, do final do séc. xix, foi publicada no catálogo de tipos de madeira da Hamilton, c.1907 . À direita, tipos ornamentais de Luigi Melchiori, impressos a duas cores. A terceira cor é resultante da sobreposição das tintas. Acervo Tipoteca Italiana, s/d. VOL. III  2013  TECNOLOGIA GRÁFICA

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para fabricar cavaletes de tipos e outros uten-

sílios para os tipógrafos. Em 1891 ele construiu uma nova fábrica e contava com 150 empregados. Hamilton aperfeiçoou um sistema alternativo de produção de tipos de madeira que reduziu o preço de venda pela metade. No Acima, “e” comercial em tipo de madeira do início do século xx (da mesma fonte do cartaz à direita). Mais à direita, imagens da fonte Etna, tipo em madeira de inspiração futurista, produzido por Meneghello & Belluzzo, c. 1920. A tipografia realizada pelos artistas italianos do movimento de vanguarda estética conhecido como Futurismo, do início do século xx, revolucionou o desenho dos alfabetos e também rompeu os modelos clássicos do arranjo visual da página impressa (Acervo da Tipoteca Italiana).

novo sistema, conhecido como veneer, o tipo era recortado com 3 mm de espessura e colado em um bloco de pinho. Com a redução dos custos de produção, Hamilton conseguiu se firmar no negócio de tipos de madeira, extremamente competitivo naquele momento. Nas décadas seguintes, ele incorporou outras importantes empresas de tipos de madeira, entre elas a Tubbs, seu único concorrente de peso. Duas outras técnicas de fabricação de tipos de madeira eram utilizadas: a laminação de letras recortadas em celuloide, montadas sobre uma base de madeira, que ficou conhecida como enameled wood type, e a estampagem, die-cut types, com o recorte dos caracteres feito por prensagem. Este último sistema produzia tipos em corpos pequenos, a partir de 24 pontos, até a altura de 192 pontos, com boa qualidade e baixo custo. 58 TECNOLOGIA GRÁFICA 

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Entre os diversos estilos de letras produzidos em madeira, uma categoria chama a atenção: os tipos cromáticos. Seu aspecto decorativo é realçado pela impressão dos componentes separados, a duas cores, com registro o mais preciso possível, dadas as limitações técnicas da impressão tipográfica. Os efeitos obtidos com esse recurso variavam segundo as tonalidades escolhidas e as possibilidades de encaixe. Letras com contornos, volume, facetadas, sombreadas ou simulando a técnica do estêncil foram muito usadas e hoje constituem categorias no design tipográfico.


VOCÊ SABE O QUE ACONTECE CADA VEZ QUE UM LIVRO, UM CADERNO, UMA EMBALAGEM, U M A R E V I STA O U U M F O L H E TO É I M P R E S S O ? UMA NOVA ÁRVORE DA EDUCAÇÃO, DA INFORMAÇÃO E DA DEMOCRACIA É PLANTADA.

A cadeia produtiva do papel e da comunicação impressa vem realizando uma campanha de informação sobre o que produz para a sociedade. Esclarece dúvidas e, principalmente, traz à luz da verdade algumas questões ligadas à sustentabilidade. A principal delas é deixar claro que, as árvores destinadas à produção de papel provêm de florestas plantadas, e que essas são culturas, lavouras, plantações como qualquer outra. Somos uma indústria alinhada com a ecologia e a natureza, ou seja, as nossas impressões são extremamente conscientes porque utilizamos processos cada vez mais limpos. E, mesmo assim, buscamos todos os dias novas tecnologias de produção que respeitem ainda mais o equilíbrio do meio ambiente. Somos uma indústria que traz prosperidade para o País e benefícios para todos os brasileiros. Temos imenso orgulho de saber que cada vez que imprimimos um caderno, um livro, uma revista, um material promocional ou uma embalagem, estamos levando conhecimento, informação, democracia e educação a todos. Imprimir é dar veracidade, tornar palpável. Imprimir é assumir compromisso. Imprimir é dar valor. Principalmente à natureza. IMPRIMIR É DAR VIDA. ENTIDADES PARTICIPANTES: ABAP, ABEMD, ABIEA, ABIGRAF, ABIMAQ, ABITIM, ABRAFORM, ABRELIVROS, ABRO, ABPO, ABTCP, ABTG, AFEIGRAF, ANATEC, ANAVE, ANDIPA, ANER, ANL, BRACELPA, CBL, FIESP E SBS.

C A M PA N H A D E V A L O R I Z A Ç Ã O D O PA P E L E D A C O M U N I C A Ç Ã O I M P R E S S A .

A c e s s e e s a i b a m a i s : w w w. i m p r i m i re d a r v i d a . o r g . b r


GESTÃO

Enéias Nunes da Silva

As seis grandes perdas da sua gráfica e como combatê-las

U

ma pergunta recorrente em eventos sobre novas tec­no­lo­gias é como investir para aumentar a produtividade da gráfica. A resposta para essa pergunta não é fácil. Ini­cial­men­te, é importante que se conheça o índice de produtividade dos equipamentos da gráfica. Quem pensa em aumentar a produtividade parte do pressuposto de que, em princípio, seu parque gráfico chegou a um patamar de efi­ciên­cia e produtividade próximo de 100%. Desta forma, a única saí­da para melhorar a produtividade da empresa seria a aquisição de novos equipamentos. No entanto, antes de se decidir pela aquisição de mais máquinas, é importante conhecer quais equipamentos da gráfica pos­suem maior efi­ciên­cia e, por consequência, produtividade. Além disso, deve-​­se identificar as me­lho­rias que podem ser implementadas nos equipamentos. A metodologia OEE (Overall Equipment Effectiveness, ou Efi­ciên­cia Global do Equipamento) pode ser utilizada para medir a efi­ciên­cia dos equipamentos da gráfica. Essa metodologia parte do pressuposto de que existem seis grandes perdas no processo. Para exemplificar a aplicação do conceito, será utilizada neste artigo uma si­tua­ção de aprendizagem (estudo de caso) que é aplicada aos alunos do Senai nos cursos estruturados pela metodologia por competência. Si­tua­ção de aprendizagem é uma atividade de­sa­f ia­do­ra con­tex­tua­li­z a­da que exige dos estudantes a solução de um problema e tomada de decisão. Para isso, os alunos precisam testar hipóteses e combinar conhecimentos de diferentes áreas. ­­ Nesta si­tua­ção de aprendizagem específica, os alunos são de­sa­f ia­dos a utilizar a metodologia OEE para identificar o índice de produtividade de uma gráfica hipotética. Os problemas apresentados são ba­sea­dos em si­tua­ções reais, comuns em gráficas brasileiras. Segue então a si­tua­ção de aprendizagem:

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A empresa Theo­bal­do possui no seu parque gráfico seis máquinas impressoras com formato 1/2 folha (52 cm × 74 cm). As impressoras são de quatro cores e podem rodar a 15.000 folhas por hora. Porém, os operadores alegam que os trabalhos são muito complexos e, por esse motivo, as máquinas rodam a 8.000 folhas por hora. O setor de impressão produz os trabalhos em três turnos de oito horas. Para não correr o risco de as máquinas quebrarem durante a produção, o gerente in­dus­ trial estipulou manutenções preventivas, três vezes por mês, no pe­río­do de oito horas (sempre aos domingos). Mesmo com as manutenções preventivas, as máquinas costumam parar em média três horas por mês para manutenção corretiva, durante as produções. Um es­ta­giá­rio do Senai percebeu que a tiragem das produções vinha caindo e, por consequência, o tempo de setup estava aumentando. Ele resolveu então mensurar o tempo que as máquinas gastavam por mês em cada troca de serviço. A conclusão foi de que eram gastos em média, por mês, 30 minutos de setup e havia quatro trocas de trabalho por dia. O es­t a­g iá­r io notou também que os operadores deixavam as máquinas paradas 10 minutos por dia, em média, devido a si­tua­ções diversas, como, por exemplo, bate papo com outros operadores e café. O novo chefe do departamento de qualidade identificou, por meio de re­la­tó­rios, que houve no setor de impressão uma perda de 8% no mês devido às devoluções por qualidade insatisfatória, sendo que 2% dessa perda ocorreu com as máquinas em velocidade de produção e 6% no processo de start-u​­ p (partidas) durante a produção.


Com base nas informações descritas na si­tua­ção de aprendizagem, é possível determinar a efi­ciên­cia global (OEE) das impressoras da empresa Theo­bal­ do. A partir desse resultado será possível descobrir se a empresa deverá adquirir mais equipamentos ou prio­ri­zar a otimização de seu processo de produção. RESOLUÇÃO:

Para a resolução da si­tua­ção de aprendizagem é necessário entender quais são as seis grandes perdas, que são a base para o cálculo da efi­ciên­cia global do equipamento (OEE). A fórmula para o cálculo é OEE = ID × IE × IQ, sendo: ID = índice de disponibilidade do equipamento IE = índice de eficiência do equipamento IQ = índice de qualidade do equipamento Por sua vez, o ID é calculado por meio da seguinte fórmula: ID = TO / TTD sendo: TTD = Tempo total disponível (disponibilidade possível – paradas planejadas) TO = tempo de operação TO = TTD – (perda 1 + perda 2) Perda 1 – quebras: quantidade de itens que se deixa de produzir porque a máquina quebrou. É bem conhecida e fácil de contabilizar. Deve ser combatida com manutenção planejada eficaz. Perda 2 – setup (ajustes): a quantidade de itens que se deixa de produzir porque a máquina estava sendo preparada e ou ajustada para a produção de um novo produto. Deve ser combatida com técnicas de redução de setup (trocas rápidas). Portanto, as perdas 1 e 2 definem o índice de disponibilidade (ID). Para calcular esse índice devem ser ex­traí­dos da si­tua­ção de aprendizagem os seguintes dados: ◆◆ Quan­ti­da­de de turnos: três turnos de 8 horas cada, sete vezes por semana ◆◆ Manutenções preventivas: de 8 horas, três vezes por mês ◆◆ Manutenções corretivas: 3 horas por mês com consertos ◆◆ Tempo de setup: 30 minutos por dia, em média. São rea­li­z a­das quatro trocas por dia. Para esse cálculo será considerado o mês com 30 dias. Dessa forma, o TDD será calculado da seguinte forma: TDD = 30 dias × 24 horas (3 turnos) = 720 horas/mês

Devem ser descontadas do tempo disponível as paradas planejadas. Na si­tua­ção de aprendizagem, a parada planejada é a manutenção preventiva. 8 horas × 3 = 24 horas Portanto, TDD = 720h – 24h = 696h Agora pode ser calculado o tempo de operação por meio da fórmula abaixo: TO = TDD – (perda 1 + perda 2) Na si­tua­ção de aprendizagem, a fórmula pode ser aplicada da seguinte maneira: TO = 696h – (3 horas por mês com consertos/ manutenção corretiva) + (média de 30 minutos para cada setup/troca de serviço e por dia foram realizadas quatro trocas) TO = 696h – (3h + (30 min. × 4 × 30 /60)) TO = 696h – (3h + 60h) TO = 696h – 63h TO = 633h Após o tempo total disponível e o de operação serem identificados, é possível calcular o ID com a aplicação da seguinte fórmula: ID = TO/ TTD ID = 633/696 ID = 0,9094 ou 90,94% As perdas 3 e 4 estão re­la­cio­na­das ao índice de efi­ciên­cia (IE) do equipamento. Perda 3 – pequenas paradas / tempo ocio­so: quantidade de itens que se deixa de produzir em decorrência de pequenas paradas no processo para pequenos ajustes ou por ocio­si­da­de diversa. Uma maneira de diminuir esse tipo de perda é pela sensibilização e pelo aperfeiçoamento técnico dos operadores. Perda 4 – baixa velocidade: a quantidade que se deixa de produzir em decorrência de o equipamento ser operado em velocidade abaixo do nominal especificado pelo fabricante. Pode ser minimizado com a padronização de processo, sensibilização e aperfeiçoamento técnico dos operadores. Seguem os dados ex­t raí­d os da si­t ua­ç ão de aprendizagem: ◆◆ Velocidade nominal do equipamento: 15.000 folhas /hora ◆◆ Velocidade de produção do equipamento: 8.000 folhas por hora ◆◆ Paradas de máquina: média de 10 minutos por dia com si­tua­ções diversas, como, por exemplo, bate papo com outros operadores, tomar cafezinho, fumar. . . VOL. III  2013  TECNOLOGIA GRÁFICA

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O índice de efi­ciên­cia de um equipamento pode ser calculado por meio da fórmula: IE = TO – (perda 3 + perda 4) / TO Ba­sea­do no nosso exemplo, teremos, portanto: IE = 633h – (média 10 minutos por dia + diferença entre a velocidade nominal (15.000 folhas por hora) e a velocidade real (8.000 folhas por hora) × TO – perda 3 / 15.000 Logo: Perda 3 = 10 min × 30/60 Perda 3 = 300 min /60 Perda 3 = 5 horas Portanto, a máquina operou efetivamente 633h – 5h = 628h, já que houve diversas paradas por ocio­si­da­des. Perda 4 Se multiplicarmos as 628h pela diferença entre a velocidade nominal e velocidade real, 15.000 – 8.000 = 7.000, teremos a produção de 7.000 × 628h = 4.396.000 folhas no mês. Se dividirmos pela velocidade nominal, que é de 15.000 folhas por hora, teremos o tempo que a máquina deixou de produzir por problema de baixa velocidade: 4.396.000 / 15.000 = 293,06 horas por mês Portanto, o IE é: IE = TO – (perda 3 + perda 4) / TO IE = 633 – (5h+ 293,06h) / 633 IE = 633 – 298,06 / 633 IE = 334,94 / 633 IE= 0,5291 ou 52,91% Perda 5 – qualidade insatisfatória: é a quantidade de itens que são perdidos por baixa qualidade durante a produção. Pode ser di­mi­nuí­do com aperfeiçoamento técnico dos operadores e investimento em equipamentos e instrumentos de controle. Perda 6 – perdas com start-​­up: é a quantidade de itens que são perdidos por baixa qualidade, quando a máquina ainda não entrou em produção. No start-​ ­up (partida), normalmente a perda é maior. Pode-​ ­s e diminuir a perda com automação do equipamento e aperfeiçoamento técnico dos operadores. As perdas 5 e 6 são re­la­cio­na­das ao índice de qualidade do equipamento. Para calcularmos este índice é necessária a utilização da seguinte fórmula: 62 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. III  2013

IQ = quantidade de itens conformes – (perda 5 + perda 6)/quantidade de itens conformes No nosso exemplo os dados são: ◆◆ Houve perda de 8% no mês pro­ve­nien­ te de qualidade insatisfatória, sendo 2% com as máquinas em velocidades de produção e 6% no processo de start-​­up (partidas) Portanto, IQ = 1 – (2% em velocidades de produção + 6% no processo de start-​­up) IQ = 1 – (0,02 + 0,06)/1 IQ = 1 – 0,08 IQ = 0,92 ou 92% Considerando os dados da si­tua­ção de aprendizagem, o OEE da máquina impressora é: OEE = ID × IE × IQ OEE = 0,9094 × 0,5291 × 0,92 OEE = 0,4426 ou 44,26% de índice de eficiência global do equipamento. Performance esperada

100%

Disponibilidade Eficiência

90,94% 52,91%

Qualidade OEE

92% 44,26%

CONCLUSÃO: O valor de OEE apresentado na si­tua­ção de apren-

dizagem é a rea­li­da­de de muitas gráficas que, por não conhecerem essa metodologia de análise, decidem investir em novos equipamentos supondo que a produtividade máxima possível já foi alcançada com os equipamentos atuais. Uma estratégia melhor seria a otimização dos processos. O índice de OEE considerado bom in­ter­na­cio­ nal­men­te é de 85%. A aplicação desse tipo de análise implica ava­lia­ ção prévia, definição de objetivos a serem atingidos e a elaboração de um plano de trabalho. Deve ser considerado como um projeto sistemático da empresa. A metodologia e os recursos ne­ces­s á­rios irão depender da dimensão da gráfica e do grau de automação dos seus equipamentos. Deve-​­se levar em consideração o investimento em soft­wares dedicados ao OEE . ENÉIAS NUNES DA SILVA é coordenador técnico

da Escola Senai Theobaldo De Nigris.


Revista Tecnologia Gráfica 87  
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