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ANO XVI Nº 84 VOL. IV 2012 ISSN 1678-0965

A REVISTA TÉCNICA DO SETOR GRÁFICO BRASILEIRO

R E V I S TA T E c n o l o g I A g R á f I c A 8 4

dores e c e n s for uas armas i a p i c n Os pri presentam s gmento se or a m t e u s r a o t d nquis ansão o c a r pa a exp n e l p em

Entrevista

Presidente da Associação Brasileira de Embalagem discute as mudanças que estão por vir

Gestão Ambiental

Saiba por que e como atender a nova Política Nacional de Resíduos Sólidos

Como Funciona

Vá para a Nuvem sabendo o que o espera

Nanografia

Conheça os detalhes da tecnologia desenvolvida por Benny Landa


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Volume IV – 2012 Publicação da ABTG – Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica e da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica, Rua Bresser, 2315 (Mooca), CEP 03162-030 São Paulo SP Brasil ISSN: 1678-0965 www.revistatecnologiagrafica.com.br ABTG – Telefax (11) 2797.6700 Internet: www.abtg.org.br ESCOLA SENAI – Fone (11) 2797.6333 Fax (11) 2797.6309 Presidente da ABTG: Reinaldo Espinosa Diretor da Escola Senai Theobaldo De Nigris: Manoel Manteigas de Oliveira Conselho Editorial: Andrea Ponce, Bruno Mortara, Enéias Nunes da Silva, Manoel Manteigas de Oliveira, Plinio Gramani Filho, Reinaldo Espinosa, Simone Ferrarese e Tânia Galluzzi Apoio Técnico: Vivian de Oliveira Preto Elaboração: Clemente e Gramani Editora e Comunicações editoracg@gmail.com Diretor Responsável: Plinio Gramani Filho Redação e Publicidade: Tel. (11) 3159.3010 gramani@uol.com.br Jornalista Responsável: Tânia Galluzzi (MTb 26897) Revisão: Giuliana Gramani Projeto Gráfico e Arte da Capa: Cesar Mangiacavalli Produção: Rosaria Scianci e Livian Corrêa Editoração Eletrônica: Studio52 Impressão: Premier AG Laminação, Reserva de Verniz e Hot Stamping: (fitas MP Brasil): Lamimax Serviços Gráficos Assinaturas: 1 ano (4 edições), R$ 40,00; 2 anos (8 edições), R$ 72,00 Tel. (11) 3159.3010 Apoio

Esta publicação se exime de responsabilidade sobre os conceitos ou informações contidos nos artigos assinados, que transmitem o pensamento de seus autores. É expressamente proibida a reprodução de qualquer artigo desta revista sem a devida autorização. A obtenção da autorização se dará através de solicitação por escrito quando da reprodução de nossos artigos, a qual deve ser enviada à Gerência Técnica da ABTG e da revista Tecnologia Gráfica, pelo e-mail: abtg@abtg.org.br ou pelo fax (11) 2797.6700

Sem preconceito

O

utro dia uma amiga contou um episódio que ilustra bem o que estamos vivendo. Ela estava em uma loja de roupas quando uma camisa branca, de um tecido leve e estampado com pássaros muito coloridos, atraiu seu olhar. Rapidamente a vendedora pegou a peça para lhe mostrar. Ao saber do preço da camisa, mais de R$ 200, ela estrilou. E não é que o argumento que a vendedora usou para justificar o custo foi o fato de o tecido ter sido impresso em digital? Sim, a impressão digital não conhece mais fronteiras e nós não podemos ficar simplesmente olhando nossa indústria virar de cabeça para baixo sem tomar partido. Nesse sentido, quero compartilhar com você, leitor, duas iniciativas da ABTG para 2013 que podem ajudá-lo a sair da zona de conforto (se é que ainda há algum conforto) e repensar seu negócio ou sua própria atuação profissional. O calendário das Semanas de Artes Gráficas, que percorrem várias cidades levando treinamento aos que atuam no setor, já está pronto. Mais do que isso, elas trazem agora um novo conceito, baseado no tripé inovação, gestão e tecnologia. A ideia é promover palestras que abordem justamente o que há de mais novo no universo da impressão e da comunicação. Falaremos do desenvolvimento de novos suportes e materiais e do uso criativo das novas tecnologias, sem preconceitos. Porque se não ocuparmos os espaços nos quais a impressão está se infiltrando, outros o farão. Demanda não vai faltar. Mas para ser capaz de absorver o novo e olhar de forma crítica para sua empresa é preciso bagagem e para essa seara estamos lançando o Enac, Exame Nacional de Avaliação para Capacitação Técnica do Profissional Gráfico. Será um exame online através do qual os profissionais poderão determinar seus níveis de conhecimento. Com provas específicas para cada etapa do processo gráfico, desenvolvidas em parceria com o Senai, o exame tem três objetivos diretos: permitir que as empresas, ao avaliarem seus colaboradores, direcionem corretamente os recursos que investem em capacitação; transformar-se em um instrumento de recrutamento e seleção; e permitir a autocapacitação profissional. Além disso, o exame fornecerá informações para as entidades de classe, oferecendo um panorama atualizado da mão de obra do setor. O Enac será gratuito, contará com ferramentas de segurança dos dados e poderá ser acessado por empresas e pessoas físicas, constituindo mais um serviço em prol da disseminação da cultura do treinamento e da formação. Reinaldo Espinosa, presidente executivo da ABTG VOL. IV 2012 TECNOLOGIA GRÁFICA

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Sumário

GRANDES FORMATOS

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Maurício Groke, da Abre, fala dos desafios do setor de embalagem

48

Seja uma gráfica responsável

ENTREVISTA

GESTÃO AMBIENTAL

Especial

A pegada de carbono através dos números

22 26

Nova seção aproxima o gráfico da impressão digital

30

Cloud computing Como Funciona

Spindrift

Digitec

Convergência tecnológica: nem digital, nem offset Impressão

34

O processo nanográfico de impressão

36

Seybold

Texto em perspectiva

54

Tutorial

A letra impressa Parte VI

58

Tipografia

O segredo das imagens anaglíficas Produção Gráfica

Notícias Produtos Literatura e sites Cursos

5 6 51 66

ANO XVI Nº 84 VOL. IV 2012 ISSN 1678-096

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A REVISTA TÉCNIC A DO SETOR GRÁFIC O BRASIL EIRO

edores ais fornec Os princip ntam suas armas ese do setor apr star um segmento para conqui expansão em plena

84

18

IA gRáfIc A

Conferências Trends of Print Latin America e Abro 2012

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R E V I S TA T Ecnolog

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Fornecedores apresentam suas novas soluções para um mercado de muitas oportunidades

Entrevista

Presidente da Associação Brasile ira de Embalagem discute as mudan que estão por vir ças

Gestão Ambiental

Saiba por que e como atender a nova Política Nacional de Resíduos Sólidos

Como Funciona

Vá para a Nuvem sabendo o que o espera

Nanografia

Conheça os detalhes da tecnologia desenvolvida por Benny Landa

ILUSTRAÇÃO DA CAPA: CESAR MANGIACAVALLI


NOTÍCIAS

Carsten Knudsen, presidente da Esko

Prêmio Fernando Pini é disputado por 230 empresas

N

este ano o Prêmio Brasi­ leiro de Excelência Gráfica Fernando Pini registrou recor­ de de participantes: 230 em­ presas, de 18 estados, inscreve­ ram 1.501 produtos. Além do desempenho entre as gráficas, o número de trabalhos inscri­ tos também foi comemorado por representar um crescimen­ to significativo em relação às últimas cinco edições. No ano passado, 164 empresas en­via­ ram 947 trabalhos e, em 2010, 1.285 produtos foram inscritos por 175 gráficas. Para Francisco Veloso, coor­ de­na­dor do prêmio, os bons resultados podem ser atri­buí­ dos a dois fatores: a mobiliza­ ção da própria equipe da ABTG, que intensificou o corpo a cor­ po de divulgação do concur­ so, e o fato de que agora as pe­ ças finalistas dos oito prê­mios regionais de excelência gráfi­ ca, e não somente os vence­ dores, são automaticamente inscritas no prêmio na­cio­nal. Ao longo de 2012, os concur­ sos de excelência gráfica rea­ li­z a­d os no Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Rio de Ja­ neiro envolveram 287 empre­ sas e 3.211 produtos, das quais 121 sagraram-se vencedoras, recebendo 298 tro­féus.

O conta-​­f ios dourado está sendo disputado por 106 em­ presas, de 14 estados, repre­ sentadas pelos 303 produtos finalistas nas 63 ca­t e­g o­r ias contempladas pelo Fernando Pini. Estão em jogo ainda os prê­mios por Atributos Técni­ cos do Processo, chamados de Grands Prix, que neste ano pas­ saram de três para sete. Ago­ ra, dentre os produtos finalis­ tas serão indicadas peças com a Melhor Impressão Digital, Melhor Impressão Offset Pla­ na, Melhor Impressão Rotati­ va Heat­set, Melhor Impressão Flexográfica, Melhor Impres­ são Rotográfica, Melhor Aca­ bamento Edi­to­r ial e Melhor Acabamento Cartotécnico. Entre as gráficas com mais produtos finalistas, uma repe­ tição da disputa do ano passa­ do. Ipsis, FacForm, Log&Print e Plural encabeçam novamente a lista, com 19, 17, 13 e 12 pe­ ças, respectivamente. Os ven­ cedores do Prêmio Fernando Pini serão conhecidos no dia 27 de novembro, em cerimônia que pela primeira vez será rea­ li­za­da no Espaço das Américas, em São Paulo. A festa será co­ mandada por Tadeu ­Schmidt, com show de encerramento por conta do sambis­ ta Jorge Aragão.

C

União Esko Senai completa 10 anos

om o objetivo de celebrar os 10 anos de parceria entre a Esko, fornecedora de soluções em soft­wares para embalagens, impressão co­mer­cial, flexografia e digital, e a Escola Senai Theo­ bal­do De Nigris, foi rea­li­z a­da no dia 4 de outubro uma apresenta­ ção seguida de coquetel no audi­ tório da ABTG, na escola. O even­ to contou com a presença de gráficos, técnicos e membros da equipe da Esko, incluindo o presidente Carsten Knudsen. Na oportunidade, Ma­n oel Manteigas de Oliveira, diretor da Theo­bal­do De Nigris, ressal­ tou a importância das par­ce­rias para a instituição, colaborando decisivamente para que a esco­ la possa acompanhar a evolução tecnológica do setor. O presiden­ te da Esko falou da necessidade de adaptação às novas mí­dias e como os soft­wares podem aju­ dar nesse processo, automatizan­ do e conferindo maior efi­ciên­ cia aos processos. Em seguida,

Heysler Hey, gerente re­gio­nal de soft­ware, apresentou as mais re­ centes inovações da empresa. Entre elas, o Au­to­ma­tion Engi­ ne, sistema de fluxo de trabalho que permite a edição de PDFs e a execução de scripts, e as no­ vas ferramentas para impressão co­mer­cial como o WebCenter 12, plataforma ba­sea­da na web que gerencia a aprovação de pré-​ ­produção, acompanhando todo o ciclo de um projeto. O execu­ tivo destacou também o desen­ volvimento da versão em portu­ guês do Ar­tiosCAD 12, soft­ware para o design estrutural de em­ balagens. A partir da aceitação do mercado, podem ser lançadas versões em português do Plato 12, programa para cria­ção de lay­ outs prontos para impressão de embalagem e etiquetas; do Ar­ tePro 12, editor de pré-​­produção de embalagens para Macintosh; e do DeskPack 12, que transforma o Illustrator e o Pho­to­shop em aplicativos para embalagem.

VOL. IV  2012  TECNOLOGIA GRÁFICA

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PRODUTOS

International Paper investe em papel offset para jato de tinta

em uma alta proporção de matérias-primas renováveis. Como uma tinta à base de óleo vegetal, pode ser usada direto em impressoras de todos os tamanhos, sendo ideal no caso de uma ou mais impressoras abastecidas por uma estação de bombeamento.

In ter na tio nal Paper América Latina (IP) lançou em setembro o Chambril Digital com tecnologia ImageLoK, primeiro papel offset dedicado à impressão digital jato de tinta do mercado brasileiro. “A IP acredita que o mercado de papel para impressão digital na América Latina deve crescer a dois dígitos nos próximos anos, juntamente com a instalação de novos e mais modernos equipamentos de impressão digital jato de tinta”, afirma o diretor comercial da empresa, Nilson Cardoso. O Chambril Digital possui ImageLok, tecnologia já utilizada pela IP nos Estados Unidos que proporciona, quando combinada a tintas pigmentadas, cores mais brilhantes, menor risco de borrões e cor preta mais intensa. Disponível nas versões 75g/m e 90g/m, o Chambril Digital será produzido na fábrica da IP em Luiz Antônio, interior de São Paulo. Ele fará parte da linha de produtos Chambril, que atende o mercado gráfico com pa péis de 45 g/m a 240 g/m nas versões branco, reciclado e off-white.

www.sunchemical.com/brazil

www.internationalpaper.com.br

Chega ao mercado a impressora Novajet Q8 3308

P

rojetada para competir em preço e qualidade de impressão, a impressora solvente de grande formato Novajet Q8 3308 é mais um lançamento distribuído pela Akad para o mercado brasileiro. Com largura útil de impressão de 3,20 metros, a impressora imprime imagens em alta qualidade com até 1.400 dpi (no modo de oito passadas), com alta performance e destaque para a relação custo-benefício. A Novajet Q8 3308 imprime imagens a uma velocidade

máxima de 56 m²/h (no modo 360 × 720 dpi com duas passadas) quando instalada com oito cabeças de impressão Konica Minolta KM512MN de 14 picolitros e a uma velocidade máxima de 28 m²/h (no modo 360 × 720 dpi com duas passadas) quando instalada com quatro cabeças de impressão Konica Minolta KM512MN de 14 picolitros. Ela possui diversos modos de impressão versáteis, que facilitam a adequação da qualidade à velocidade de produção em diversos tipos de materiais.

O sistema de alimentação é rolo a rolo e acompanha rebobinador de mídia (Take-Up). A impressora é recomendada para profissionais que precisam de qualidade de impressão e cores com excelente performance de velocidade, sendo adequada para a produção de painéis, banners, faixas, decoração de ambientes, displays, imagens para pontos de venda, trabalhos para adesivação automotiva e ampliações, entre outros. www.akad.com.br

Nova linha de tintas para offset plana

A

SunLit Crystal, da Sun Chemical, foi projetada para trabalhos em que a impressão visual é de grande importância, pois pro porcio na alto brilho e contraste. Esse efeito pode ser percebido com ou sem verniz sobre impressão. A SunLit Crystal é mais rápida em tira e retira do que a maioria das

6 TECNOLOGIA GRÁFICA

VOL. IV 2012

tintas de impressão padrão e sua rápida secagem pro porcio na um trabalho impresso com excelente resistência mecânica quando um verniz não for aplicado. A nova gama de tintas é totalmente alinhada com as normas de padronização de impressão (ISO 12647:2) e é baseada

A


Konica Minolta apresenta impressora para aplicações de alta produção

A

Konica Minolta anunciou em outubro a am­plia­ção de sua linha de produtos para alta produção, com os novos modelos bizhub Press 1250/1250P. Entre os destaques, afora o hard­ware robusto para suportar saí­da em grandes tiragens, estão as novas ferramentas para

E

ge­ren­cia­men­to e ajuste de cores, assim como novas opções de acabamento em linha. Além disso, o novo equipamento tem capacidade de ­aliar velocidade e produção com flexibilidade no suporte de mídia, podendo trabalhar com gramaturas que vão de 40 a 350 g/m². Já a qualidade

é garantida por um sistema de impressão apto a produzir imagens de alta definição em até 1.200 × 1.200 dpi. A nova impressora oferece vá­r ias opções de recursos de acabamento digital em linha, incluindo furos para aplicação de espiral e impressão em lombada

quadrada com hot melt. O volume total de produção estimado pelo equipamento é de até 3 milhões de páginas A4/mês (125 páginas/minuto). Complementando o pacote de recursos, a bizhub Press 1250 incorpora, ainda, funções de digitalização e cópia. www.konicaminolta.com.br

Heidelberg lança sistema para a criação e gestão de gráficas

m outubro a Heidelberg apresentou o Prinect Webto-​­Print Manager, soft­ware de cria­ção e gestão de gráficas online que permite operar uma ou mais lojas online, com perfis di­ fe­ren­cia­dos para atender tanto consumidores diretos (B2C) como empresas que contratam serviços gráficos (B2B). O sistema inclui funções para o completo processamento e acompanhamento de pedidos, como

carrinho de compras, administração de usuá­rios, controle de qualidade do arquivo, edição de documentos online, inclusão de dados variáveis, sistemas de aprovação e formas de entrega e pagamento, entre outras. Sua interface é de fácil operação, tanto para o controle da gráfica quanto para o clien­te que efetua seus pedidos online. Com a plataforma Prinect Web-to-​­Print Manager, gráficas

de qualquer porte podem oferecer aos clien­tes a facilidade de desenvolver seus materiais personalizados — cartões de visita, envelopes, blocos de anotações, crachás e produtos fotográficos, entre outros — utilizando os templates disponíveis online. Agên­cias e gráficas que terceirizam sua demanda contam com a con­fia­bi­li­da­de e comodidade de acompanhar todas as etapas da produção e previsão

de entrega em tempo real, além de obter orçamentos de forma instantânea. O soft­w are Prinect Webto-​­Print Manager está disponível para demonstrações na Print Media Academy, localizada na Escola Senai Theo­bal­do De Nigris, no bairro da Moo­ca, em São Paulo. Visitas podem ser agendadas pelo telefone 11 2696-​­2900. www.br.heidelberg.com VOL. IV  2012  TECNOLOGIA GRÁFICA

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Impressoras industriais e novo servidor são as novidades da Ricoh

S

ub­si­diá­ria do grupo in­dus­ trial japonês Ricoh Com­ pany, a Ricoh Brasil apresen­ tou em setembro uma nova linha de impressoras indus­ triais: a P7000 , a T4M e a T5000r. Com tecnologia de impressão ma­tri­cial li­near e térmica para grandes volumes de impressão, os novos equipamentos se des­ tacam pela alta con­f ia­b i­li­d a­ de, produtividade, facilidade de manuseio e uso, além de suas soluções ecologicamente cor­ retas. A nova linha de impresso­ ras apresenta alta durabilidade, além de qualidade de impressão su­pe­rior, obtida a partir de tec­

no­lo­gias pa­ten­tea­das. Os no­ vos modelos oferecem conec­ tividade con­f iá­vel, tinta mais durável, tecnologia de ponta, microchip incorporado e novo cartucho com fita, além da al­ ternativa plug&print, que per­ mite que as impressoras se in­ tegrem facilmente a qualquer rede de impressão ba­sea­da em Win­dows pré-​­existente. A nova fita com cartucho das impres­ soras P7000, T4M e T5000r ofere­ ce uma melhoria subs­tan­cial na qualidade, na produtividade e nos custos de impressão. No início de setembro, a Ricoh já havia anun­c ia­d o ao

mercado brasileiro a nova apli­ cação serverless (sem servidor): o Ricoh DocScan. A solução pode ser instalada em todas as multifuncionais da Ricoh, per­ mitindo a digitalização, indexa­ ção e exportação de documen­ tos de maneira prática, rápida e fácil. A solução foi desenvol­ vida com o intuito de rea­li­z ar tais tarefas por lotes ou con­ junto de documentos, que es­ tão veiculados através de algum processo de negócio. www.ricoh.com.br

Xerox amplia família WorkCentre 7500

A

Xerox está trazendo para o Brasil quatro novos mo­ delos da linha WorkCentre que pro­por­cio­nam maior produtivi­ dade para es­cri­tó­rios, pequenas gráficas, agên­cias de mar­ke­ting e os usuá­rios que fazem uso in­ tensivo de cor em volumes mé­ dios de impressão. As novas

multifuncionais coloridas Xe­ rox WorkCentre 7530, 7535, 7545 e 7556 oferecem quali­ dade de impressão e recursos avançados para a produção de aplicações para as mais diversas finalidades, como dados variá­ veis e impressão de imagens de alta resolução para diag­nós­ti­cos

médicos. As velocidades va­riam de 30 a 55 páginas por minuto e alta resolução em cor e pre­ to e branco. As novas multifun­ cionais podem ser equipadas com recursos opcionais como fax, módulos de acabamento e controladora ­Fiery, entre outras ferramentas.www.xerox.com.br

Nova coleção de papéis finos da VSP

A

VSP Pa­p éis Especiais aca­

ba de lançar novas linhas de pa­péis com destaque para a gama de cores e novas texturas, totalizando mais de 50 re­fe­rên­ cias inéditas no mercado. O lan­ çamento inclui as linhas Relux Intense, papel metalizado ago­ ra com cores intensas; Prisma, cartão luminoso fosco com to­ que marcante, macio e ultraliso; Crystal Color, papel translúcido colorido, disponível em sete co­ res com tons pas­téis, vivos e es­ curos; Circle 3D, cartão holográ­ fico que apresenta nuan­ce com movimentos; Kazar, revestimento termossensível com textura pro­ funda e cores vibrantes; Textu­ re TX , pa­péis gofrados em cinco texturas inovadoras; e ­Smooth, papel com toque emborrachado que mantém suas cores em tons pas­téis e acaba de ganhar novas tonalidades vivas e escuras. A nova coleção possui de­ sempenho su­p e­r ior em todas as formas de acabamento e im­ pressão gráfica con­ven­cio­nal e é indicada para a produção de ma­ teriais promocionais, convites, envelopes, pa­p e­la­rias corpora­ tivas, re­la­tó­rios anuais, capas de livros, cartões de visita, sacolas e embalagens de luxo. www.vsppapeis.com.br

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Alimentado por com

Revista GF 210x280.indd 1

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GRANDES FORMATOS Tânia Galluzzi

Grandes formatos, a nova fronteira A impressão digital de grandes formatos está sendo alavancada não só pelas empresas tradicionais no segmento de sinalização e comunicação visual, mas também pelas gráficas convencionais, que veem na tecnologia oportunidades reais para ampliar sua oferta de produtos.

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VOL. IV 2012

ma das áreas nas quais a impressão digital com tecnologia jato de tinta vem encontrando terreno fértil para se expandir é o segmento de grandes formatos. Como afirma Bruno Mortara, superintendente do ONS27 e professor de pós-graduação na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica em seu livro Impressão Digital, as aplicações nessa área estão se diversificando como resultado das novas soluções apresentadas pelos fabricantes, em paralelo aos usos criativos que os gráficos têm conferido a esses equipamentos. Não faltaram lançamentos nesse campo durante a Drupa 2012, com expositores relatando terem alcançado ótimos resultados. Algumas das principais aplicações de grandes formatos, de acordo com Bruno Mortara, são os banners em vinil, a sinalização de varejo, a adesivagem de veículos, os pôsteres, os outdoors e a sinalização digital eletrônica. No segmento de sinalização digital há a área de recorte eletrônico, capaz de produzir vários tipos de sinais, como letras de vinil, sinalização de imóveis, de trânsito etc. No nicho de outdoors, os banners já tomaram conta daquela que era a área de gigantografia, simplificando a aplicação e instalação das peças e ampliando a durabilidade. O sistema predominante entre os equipamentos de grande formato é o jato de tinta, que deve atender à crescente exigência de suportar uma infinidade de substratos. Para tanto, os sistemas podem ser à base de UV, solvente, ecossolvente ou látex, nos quais a tinta é aplicada diretamente no material, tradicionalmente substratos flexíveis que alimentam

os sistemas através de bobinas (rolo a rolo). Uma alternativa são as máquinas de mesa ( flatbed), nas quais a cabeça de impressão, ou o conjunto de cabeças, pode se afastar do substrato, permitindo a impressão sobre materiais de maior espessura, como vidro, metais, madeiras e plásticos rígidos. Com o desenvolvimento da tecnologia digital, a impressão de grandes formatos tornou-se uma das escolhas preferidas dos departamentos de marketing e publicidade em todo o mundo devido à sua rápida execução e baixo custo. Para eles, não faltam inovações tanto na qualidade da impressão e diversidade de suportes quanto na possibilidade do uso de dados variáveis, como descreve Bruno Mortara em seu livro. TINTAS

Na impressão de grande formato as tintas podem variar bastante, de acordo com a aplicação. Diversas máquinas podem trabalhar com tipos diferentes de tinta, desde que a troca da tinta seja feita de forma adequada. As tintas UV podem ser de radicais livres (em que a cura é baseada na ação sobre os radicais livres), amplamente utilizadas nos plotters de mesa em materiais não flexíveis; tintas de meio termo (radicais livres e catiônicas) para máquinas rolo a rolo (materiais flexíveis); e tintas com cura por radiação a partir de diodos LED. As tintas à base de água, com cura UV, têm utilização forte no segmento têxtil, juntamente com as tintas catiônicas. Entre as de base de solvente há as baseadas em puro solvente, agressivas aos seres


humanos e ao am­bien­te, as de ecossolvente, am­bien­ tal­men­te mais corretas, assim como as tintas à base de biossolventes. Há uma nova tinta à base de ál­ cool, na Europa, que imprime em uma va­ria­da gama de su­per­fí­cies e materiais, além da tinta inteiramen­ te à base de água, com nanocorantes, que imprime em uma quantidade ainda maior de substratos, exi­ gindo, contudo, uma camada de revestimento de proteção, aplicada pela própria impressora. De acordo com Ma­nuel Faria, gerente de ven­ das Vutek para o Brasil, o ritmo de crescimento do mercado de grandes formatos no País tende a se acelerar em função dos grandes eventos que es­ tão por vir, como a Copa do Mundo e as Olim­pía­ das. Fernando Schevz, gerente co­mer­cial da Akad, acrescenta outro fator que pode pesar a favor da tecnologia: a queda de preço dos equipamentos. Bruno Vinícius Santos, supervisor co­mer­cial para o departamento de comunicação vi­sual da Mimaki Brasil, partilha desse otimismo: “Tivemos um ano muito bom até agora, im­pul­sio­na­do pelas eleições. O mercado nos surpreendeu e nossas vendas fo­ ram acima do esperado. Claro que ano de eleições municipais é atípico, mas a expectativa para os pró­ ximos pe­río­dos são grandes”. Para alguns fabrican­ tes, o po­ten­cial de crescimento desse setor vem nor­tean­do decisões estratégicas. É o caso da Agfa Graphics, que recentemente comprou a fabrican­ te canadense de impressoras de grande formato Gandi In­no­va­tions, incrementando seu portfólio com máquinas mais produtivas (chamadas de in­ dustriais), como explica Eduar­do Sousa, gerente de mar­ke­ting da Agfa para a América Latina. Tendências

No que se refere à tecnologia, uma das principais ten­dên­cias é a elevação na demanda por impres­ soras digitais jato de tinta com cura UV, sobretu­ do em função da flexibilidade no uso de substra­ tos. “Recentemente houve um salto na procura pela tecnologia UV, que deve con­ti­nuar crescendo nos próximos anos. Mas para que essa tecnologia seja largamente empregada no Brasil ainda é preciso re­ duzir o custo de impressão e aquisição dos equipa­ mentos, que se mantém elevado”, diz Lie Tji Tjhun, diretor presidente da Ampla, fabricante na­cio­nal de impressoras de grande formato.

A secagem UV, aplicada às tintas à base de água e de ecossolventes, respondem também a outro mo­ vimento importante: a preo­cu­pa­ção com o meio am­bien­te, como comenta Thia­go Fabbrini, con­ sultor pré-​­vendas da HP. Pensando nisso, em 2009 a HP lançou a tecnologia de impressão HP Látex, que utiliza tintas à base de água e alcança dura­ bilidade externa de até três anos contra desbota­ mento. “Isso se dá porque durante o processo de impressão as partículas de látex acabam encapsu­ lando os pigmentos de tinta e conferindo maior resistência ao impresso”, explica Is­rael Kenan, dire­ tor de vendas do segmento grande formato in­dus­ trial. Os equipamentos estão, igualmente, cada vez mais rápidos, sem que isso comprometa a resolu­ ção de impressão, como ressalta Evelin Wanke, es­ pe­cia­lis­ta de produtos de impressoras de grandes formatos da Epson. A adoção de tec­no­lo­gias digitais de impressão de grandes formatos tem sido im­pul­sio­na­da não só por empresas tradicionais no segmento de sinaliza­ ção e comunicação vi­sual, mas também por gráfi­ cas convencionais, tipicamente aquelas comerciais ba­sea­das em máquinas offset. As aplicações são as mais va­ria­das, da prototipagem e produção de em­ balagens, rótulos e etiquetas à pintura em madei­ ra, tecido ou metal e aplicações de ponto de ven­ da. “Muitos gráficos já perceberam que esse tipo de tecnologia traz maior flexibilidade, velocidade e rentabilidade, uma vez que a empresa passa a aten­ der o clien­te em formatos maiores, que antes não conseguiam. Isso não só com relação a banners e produtos de PDV, mas também no segmento de embalagens”, afirma Eduar­do Sousa. Para aqueles que estão procurando diversificar seu mix de produtos através da impressão digital de grandes formatos, o gerente da Agfa faz algu­ mas recomendações. Para ele, o digital deve ser en­ carado com um investimento igual aos outros. An­ tes da aquisição do sistema, o gráfico deve analisar seu segmento e fazer as mesmas perguntas que faz ao adquirir qualquer equipamento, acrescentando dois fatores: a possibilidade de produzir peças de alto valor agregado, que lhe permitam di­fe­ren­ciar-se da maioria do mercado, e a oportunidade de responder de forma mais ampla às demandas de seus clien­tes, atuan­do dentro do conceito de one stop shop.

Veja a seguir a tabela

comparativa dos principais equipamentos disponíveis hoje. Legendas

C

Ciano

M

Magenta

Y

Amarelo

K

Preto

LC

Ciano Claro

LM Magenta Claro LY

Amarelo Claro

LK

Preto Claro

W

Branco

S

Prata

O

Laranja

G

Verde

VOL. IV  2012  TECNOLOGIA GRÁFICA

11


LANÇAMENTOS AGFA

A Agfa apresentou na Drupa 2012 as impressoras M- Press Leopard, com tecnologia UV de mesa ( flatbed), e a Jeti 3020 Titan. A M-Press Leopard pode trabalhar com mídias de até 5 cm de espessura, contando com sistema de impressão que inclui 64 AGFA

cabeçotes CMYK e tecnologia Agfa UPH2 de 10 a 16 picolitros (pL). Seu sistema de mesa possui 55 zonas de vácuo para melhor fixação da mídia e 23 pinos de registro. Posicionado pela Agfa como “a” máquina para impressão serigráfica digital em função da alta produtividade, o equipamento está voltado

para a produção de peças para sinalização e displays, além de produtos decorativos, roupas e embalagens corrugadas. A Jeti 3020 Titan foi exposta com dois modelos. Um dos sistemas contava com 36 cabeças de impressão, demonstrando a impressão produtiva em CMYK combinada a

RESOLUÇÃO NOMINAL

LARGURA MÁXIMA (METROS)

ESPESSURA MÁXIMA (MILÍMETROS)

VELOCIDADE (METROS/HORA)

CORES

ALIMENTAÇÃO POR FOLHA, POR ROLO OU AMBAS

PREÇO

1.440 dpi

2,05 m

45 mm

23 m²/h

CMYK +LC+LM+W

Mesa plana + Rolo a rolo

Sob consulta

1.200 dpi

1,20 × 2,40 m

50 mm

60 m²/h

CMYK+W

Mesa plana + Rolo a rolo

Sob consulta

1.260 dpi

1,66 × 2,66 m

50 mm

295 m²/h

CMYK

Folha

Sob consulta

1.140 dpi

2,54 m

4,5 mm

45 m²/h

CMYK+LC+LM+W

Mesa plana

Sob consulta

1.200 dpi

3m

5 mm

232 m²/h

Configurável

Mesa plana e rolo

Sob consulta

RESOLUÇÃO NOMINAL

LARGURA MÁXIMA (METROS)

ESPESSURA MÁXIMA (MILÍMETROS)

VELOCIDADE (METROS/HORA)

CORES

ALIMENTAÇÃO POR FOLHA, POR ROLO OU AMBAS

PREÇO

1.440 dpi

1,54 m

Sob consulta

21 m²/h

CMYK

Rolo a rolo

R$ 44.900,00

1.440 dpi

2,15 m

Sob consulta

42 m²/h

CMYK

Rolo a rolo

R$ 64.900,00

1.440 dpi

3,20 m

Sob consulta

42 m²/h

CMYK

Rolo a rolo

R$ 74.900,00

1.200 dpi

3,17 m

Sob consulta

31 m²/h

CMYK

Rolo a rolo

R$ 64.900,00

720 dpi

1,61 m

Sob consulta

30 m²/h

CMYK+LC+LM

Rolo a rolo

R$ 67.900,00

Anapurna M2050

Jeti 1224 HDC FTR

M-Press Leopard

Anapurna M2540

Jeti 3020 Titan

AKAD

Novajet 1602

Novajet 2202

Novajet 3302

Infiniti SKY330 SW

Seiko V-64s

12 TECNOLOGIA GRÁFICA

 VOL. IV 2012


AMPLA

RESOLUÇÃO NOMINAL

LARGURA MÁXIMA (METROS)

ESPESSURA MÁXIMA (MILÍMETROS)

VELOCIDADE (METROS/HORA)

CORES

ALIMENTAÇÃO POR FOLHA, POR ROLO OU AMBAS

PREÇO

1.200 dpi

3,20 m

5 mm

142 m²/h

CMYK

Rolo a rolo

Sob consulta

1.200 dpi

3,20 m

5 mm

284 m²/h

CMYK

Rolo a rolo

Sob consulta

1.200 dpi

3,20 m e 1,80 m

5 mm

75 m²/h (largura 3,20 m) e 67 m²/h (largura 1,80 m)

CMYK

Rolo a rolo

Sob consulta

1.200 dpi

3,20 m e 1,80 m

5 mm

22 m²/h (largura 3,20 m) e 20 m²/h (largura 1,80 m)

CMYK

Rolo a rolo

Sob consulta

1.200 dpi

1,22 × 2,44 m

5 cm (substratos rígidos)

40 m²/h (CMYK) e 20 m²/h (CMYK +W)

CMYK+W

Mesa de impressão flatbed (cama plana) – Mídia rígidas ou flexíveis em folhas

Sob consulta

RESOLUÇÃO NOMINAL

LARGURA MÁXIMA (METROS)

ESPESSURA MÁXIMA (MILÍMETROS)

VELOCIDADE (METROS/HORA)

CORES

ALIMENTAÇÃO POR FOLHA, POR ROLO OU AMBAS

PREÇO

1.000 dpi

2m

50 mm

186 m²/h

CMYK+LC+LM +LY+LK+W

Folha e Rolo

Sob consulta

1.000 dpi

3,2 m

50 mm

223 m²/h

CMYK+LC+LM +LY+LK+W

Folha e Rolo

Sob consulta

1.000 dpi

3,2 m

3 mm

223 m²/h

CMYK+LC+LM

Rolo

Sob consulta

1.200 dpi

3,2 m

1 mm

87 m²/h

CMYK

Rolo

Sob consulta

1.200 dpi

2m

40 mm

42 m²/h

CMYK+W

Folha

Sob consulta

Targa XT 3208

Samba XT 3216

Rio 8000

Rio 8000 UV

Targa UV

EFI

GS2000

GS3250

GS3250r

R3225

T1000

uma aplicação de tinta branca. A estrutura da mesa, de 2 × 3 m, oferece suporte a materiais rígidos, finos e flexíveis, sendo adequada tanto para materiais opacos quanto transparentes. A segunda Jeti 3020 Titan apresentava 48 cabeças de impressão, garantindo alta produção e qualidade de impressão, com o uso de oito cabeças para cada cor (CMYK, LC, LM). O equipamento imprime com a mesma velocidade para rolo a rolo e materiais rígidos. 14 TECNOLOGIA GRÁFICA VOL. IV 2012

AKAD

AMPLA DIGITAL

As inovações desenvolvidas pela Akad estão presentes na linha de impressoras de grande formato Novajet, compatíveis com cabeças de impressão Epson DX5, quinta geração da tecnologia micropiezo. São três novos modelos que imprimem com qualidade de impressão de até 1.400 dpi, trabalhando com tintas ecossolventes ou sublimáticas (conforme a cabeça de impressão).

Em 2012, a Ampla promoveu uma reformulação no seu portfólio de impressoras. Os modelos da família Targa (Pro, Plus e Elite) foram substituídos pela linha Rio, que conta exclusivamente com impressoras de alta resolução (até 1.200 dpi). A nova linha é composta por três modelos: Rio 8000, Rio 8100 e Rio 8000 UV, todos com versões de 3,20 m ou 1,80 m de largura de impressão.


A Rio 8000 tem quatro cabeças de impressão de 7 pL, que opera com tinta à base de solvente e produz até 75 m² por hora. Já a Rio 8100 tem duas cabeças de impressão de 7 pL, também utiliza tinta à base de solvente e sua produtividade é de até 40 m²/h. A Rio 8000 UV é o primeiro lançamento da Ampla com tecnologia UV. A impressora é equipada com quatro cabeças de impressão industriais de 7 pL e é composta por unidades de cura com tecnologia UV LED, atingindo velocidade de 22 m²/h. Outro lançamento é a Targa UV, o primeiro modelo Ampla de impressora flatbed para impressão em materiais rígidos. A Targa UV traz 12 cabeças de impressão de 7 pL, CMYK , além da cor branca. O equipamento utiliza unidades de cura com tecnologia UV LED, sendo capaz de suportar substratos rígidos de até 400 kg distribuídos em sua mesa de impressão, que conta ainda com o AmplaAir, EPSON

sistema que pode atuar como uma bomba de vácuo para a fixação dos materiais durante o processo de impressão, ou como uma zona de flutuação, que facilita o manuseio dos substratos sobre a mesa. EFI

Para o segmento de grandes formatos, o lançamento mais recente da EFI é a impressora R3225 , rolo a rolo, equipamento cujo investimento permite o acesso de pequenas empresas à tecnologia UV com largura de 3,20 m. Outro lançamento é a HS100 Pro, voltada a empresas com grandes volumes de impressão. EPSON

A Epson aposta suas fichas na SureColor S30670 , impressora com tinta à base de solvente, quatro cores (CMYK), que se destaca pela velocidade: até 57 m²/h. As cabeças

Epson MicroPiezo TFP imprimem gotas de até 4,2 pL. O sistema atinge resoluções de até 1.440 × 1.440 dpi reais. As tintas à base de solvente UltraChrome GS2 não possuem metais pesados em sua composição, garantindo durabilidade de três anos às imagens impressas (sem laminação). HP

Para o segmento de impressão de grandes formatos a HP lançou a Designjet L26500 , desenhada para as empresas que querem entrar no segmento de comunicação visual. É um equipamento com 1,55 m de largura de impressão, capaz de produzir em diversos materiais, como lona, vinil adesivo, papel couché, papel fotográfico, tecido, não tecido, papel de parede e courvin, entre outros. Para clientes que precisam de mais área de impressão e maior velocidade, a HP Designjet L28500 é a mais indicada, conseguindo

RESOLUÇÃO NOMINAL

LARGURA MÁXIMA (METROS)

ESPESSURA MÁXIMA (MILÍMETROS)

VELOCIDADE (METROS/HORA)

CORES

ALIMENTAÇÃO POR FOLHA, POR ROLO OU AMBAS

PREÇO

1.440 dpi

1,62 m

1,0 mm

57 m²/h

CMYK

Ambas

R$ 65.000,00

1.440 dpi

1,62 m

1,5 mm

31 m²/h

CMYK+LC+LM+O+G

Ambas

R$ 60.000,00

1.440 dpi

1,62 m

1,0 mm

51 m²/h

CMYK+LC+LM +O+W+S

Ambas

pré-lançamento

RESOLUÇÃO NOMINAL

LARGURA MÁXIMA (METROS)

ESPESSURA MÁXIMA (MILÍMETROS)

VELOCIDADE (METROS/HORA)

CORES

ALIMENTAÇÃO POR FOLHA, POR ROLO OU AMBAS

PREÇO

1.200 dpi

1,55 m

0,5 mm

22 m²/h

CMYK+LC+LM

Rolo

Sob consulta

1.200 dpi

2,64 m

0,5 mm

70 m²/h

CMYK+LC+LM

Rolo

Sob consulta

600 dpi

folhas rígidas e flexíveis de até 1,65 × 3,20 m

25 mm

500 m²/h

CMYK+LC+LM+W

Folha

Sob consulta

Epson SureColor S30670

Epson Stylus Pro GS 6000

Epson SureColor S70670

HP

HP Designjet L26500

HP Designjet L28500

HP Scitex FB7600

VOL. IV 2012 TECNOLOGIA GRÁFICA

15


MIMAKI

RESOLUÇÃO NOMINAL

LARGURA MÁXIMA (METROS)

ESPESSURA MÁXIMA (MILÍMETROS)

VELOCIDADE (METROS/HORA)

CORES

ALIMENTAÇÃO POR FOLHA, POR ROLO OU AMBAS

PREÇO

1.200 dpi

3,250 m

1 mm

52,9 m²/h

CMYK

Rolo

Sob consulta

1.200 dpi

3,250 m

1 mm

84,6 m²/h

CMYK

Rolo

Sob consulta

1.200 dpi

1,62 m

2 mm

18 m²/h

CMYK+W

Rolo

Sob consulta

1.440 dpi

1.020 mm (impressão e recorte)

1 mm

17,5 m²/h

CMYK+LC+LM+W+S

Rolo e folha

Sob consulta

1.440 dpi

1.030 mm

4 ou 5 mm

17,5 m²/h

CMYK+LC+LM+W+S

Estampa localizada ou rolo contínuo

Sob consulta

RESOLUÇÃO NOMINAL

LARGURA MÁXIMA (METROS)

ESPESSURA MÁXIMA (MILÍMETROS)

VELOCIDADE (METROS/HORA)

CORES

ALIMENTAÇÃO POR FOLHA, POR ROLO OU AMBAS

PREÇO

1.440 dpi

1,6 m

1 mm

49 m²/h

CMYK+LC+LM +LK+Metálica ou W

Rolo e chapas de até 1 mm

R$ 110.000,00 (sujeito a alteração)

1.440 dpi

0,48 m

1 mm

2,8 m²/h

CMYK+Metálica ou CMYK

Rolo

Sob consulta

1.440 dpi

1,615 m

1 mm

23,1 m²/h

CMYK

Rolo

Sob consulta

SWJ320-S2

SWJ320-S4

JV400-160LX/130 LX

CJV30-160BS

TS3

ROLAND DG

XR-640

BN-20

RE-640

alcançar até 2,64 m de largura de impressão e velocidade de até 70 m²/h. Voltada ao mercado de grande formato industrial, a novidade é a impressora HP Scitex FB7600 , que possui elementos de hardware especiais para trabalhar com os mais diversos tipos de mídia, além de sistema de cura gelada, sistema de alimentação 3/4 automática com registro frente e verso e tinta FB225 greenguard especialmente desenvolvida para a indústria alimentícia e escolas/hospitais. MIMAKI

Este ano, só para o segmento de comunicação visual, a Mimaki lançou quatro modelos: SWJ320S2 , SWJ320S4 , JV400160LX e JV400130LX . 16 TECNOLOGIA GRÁFICA VOL. IV 2012

A SWJ320S2 é uma máquina de 3,20 m de boca com alta qualidade de impressão, que tem pontos de até 7pL, atendendo aplicações de gigantografia e demandas que exigem qualidade. A SWJ320S4 é ideal para grandes produções, alcançando até 84 m²/h no modo rascunho e 56 m²/h no modo padrão. A linha JV400160LX e JV400130LX é a primeira no mundo a operar tinta látex branca, tem pontos de até 4 pL e alta qualidade de impressão. Os dois modelos diferenciamse no tamanho: o primeiro com 1,60 m de boca e o segundo com 1,30 m. ROLAND DG

A Soljet Pro 4 XR640 é o mais novo lançamento da Roland DG , com 1,60 m de

largura de impressão/recorte e com três combinações de configuração de tinta. Incorporando a mais nova tecnologia de cabeça de impressão, o equipamento possibilita impressões de alta definição e compatibilidade com o sistema Pantone de padronização de cor, graças ao mecanismo de configuração de cor CMYK + LC LM + LK + metálico ou branco e ao sistema de disparo em três dimensões Roland Intelligent Pass Control (RIPC).

REFERÊNCIA:

MORTARA, Bruno. A Impressão Digital a Serviço da Indústria de Comunicação do Século XXI. 2012 GEDIGI – Abigraf – SP


A UVPACK acaba de lançar a novidade que vai além dos tradicionais acabamentos, o PROMOTION 3D. O PROMOTION 3D traz ao seu impresso o efeito tridimensional perfeito sem a utilização de óculos, e o efeito pode ser percebido acima ou abaixo do impresso.

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TRENDS OF PRINT 2012 Tânia Galluzzi

Gráficos e fornecedores se encontraram no final de setembro para debater as mudanças que estão acontecendo na indústria de impressão.

Como e por que mudar

R

oberto Muy­laert, presidente da Aner, fez a palestra de abertura da Trends of Print La­ tin America 2012, conferência que aconte­ ceu nos dias 20 e 21 de setembro em São Paulo. Depois de breves considerações sobre a difi­ culdade de monetizar as versões eletrônicas das re­ vistas, a maioria das quais continua a ser sustentada pelas publicações impressas, o jornalista disparou: “Não há coisa mais furada do que fazer previsões para os próximos 20 anos”. Certamente ele estava se referindo não só ao fato de a futurologia em si ser uma prática de alto risco, mas sobretudo ao peri­ go de fazer conjecturas neste momento, quando a evolução tecnológica no universo da comunicação apenas começou a mostrar seus efeitos. O futuro pode ser imprevisível, mas as 368 pes­ soas que estiveram no complexo WTC tiveram a chance de discutir o presente para, a partir dele, identificar as principais ten­dên­cias para o segmen­ to gráfico e fazer um planejamento mais consisten­ te. Nada mais ­atual, por exemplo, do que a edição de setembro da Vogue americana, com suas 916 pá­ ginas, 600 das quais ocupadas por anún­cios, mos­ trada pelo presidente da Aner como símbolo do vigor da mídia impressa. Nada mais real do que o aumento de 12% na circulação das revistas no Bra­ sil, que passaram de 387,2 milhões de exemplares em 2005 para 434 milhões em 2011.

18 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. IV  2012

Esta foi a segunda edição de uma conferência pla­ nejada para ocorrer a cada quatro anos, coincidindo com a Drupa. Neste ano, a Afeigraf, promotora da Trends, uniu-se à Abro para a rea­li­z a­ção conjunta da 6ª‒ Conferência da Abro, que ocupou o segundo dia do evento. As palestras e mesas-​­redondas, rea­ li­z a­das por em­pre­sá­rios e profissionais nacionais e internacionais, enfatizaram o fato de o impresso ter se tornado mais um dos elementos da ­atual comu­ nicação multiplataforma, deixando o posto de peça central de uma campanha como muitas vezes acon­ tecia até pouco tempo atrás. E com tantas marcas e publicidade em volta dos consumidores, uma co­ municação crossmedia precisará de um con­teú­do cada vez mais relevante, segmentado e personali­ zado para se destacar. Isso implica a ascensão cres­ cente da impressão digital e suas soluções de dados variáveis para agregar valor aos produtos. Porém, a adoção da impressão digital ainda pas­ sa por vá­rios de­sa­f ios no Brasil. Um deles é a mão de obra es­pe­cia­li­za­da. Uma importante questão le­ vantada na conferência foi a possibilidade de migrar a mão de obra da impressão offset para a digital. Outra forte corrente é a otimização das soluções, refletindo a Drupa 2012, focada em sistemas cada vez mais integrados e fluxo de trabalho efi­cien­te para a redução de custos. Nesse caso, os supor­ tes digitais se mostram como alia­dos, permitindo


o acompanhamento remoto e em tempo real dos processos gráficos, sem contar as oportunidades abertas pela tecnologia web-to-​­print. O primeiro dia da Trends of Print contou com nove palestras e um fórum. Depois da discussão sobre a mídia impressa, Péricles Augusto de Cenço, diretor de operações de jornais do Grupo RBS , falou sobre as es­tra­té­gias de sucesso do grupo (responsável pelo Zero Hora, Diá­rio Catarinense e mais seis pe­rió­di­cos). Em seguida, Fernando Alperowitch, diretor da HP Indigo América Latina, abordou o ­atual momento da impressão digital. Segundo o executivo, uma das principais ten­dên­cias no mundo da impressão é a redução de custos, que se dará através do aumento da efi­ciên­cia, da consolidação das empresas, da via­bi­li­za­ção de tiragens menores e da automação. Une-se ao corte de custos o interesse pelo segmento de embalagens, no qual a personalização através da impressão digital representa um di­fe­ren­cial. Outras ­­áreas nas quais a tecnologia digital tem muito a contribuir são os mercados de fotografia, livros de baixas tiragens e extratos ban­ cá­rios. “O mundo está cada vez mais eletrônico, conectado. Podemos encarar essa rea­li­da­de como uma amea­ça ou uma oportunidade”. Mesmo forjado em um mundo distinto de Alperowitch, Bernhard Schreier, presidente da Drupa, em um de seus últimos compromissos como presidente da Heidelberg (ele foi subs­ti­tuí­do por Gerold Linzbach), levantou pontos semelhantes ao apresentar ten­dên­cias tecnológicas e mercadológicas para o setor. Ele colocou o segmento de embalagem como o de maior po­ten­cial de crescimento, afirmando que os caminhos para o sucesso passam pela redução de custos (premente, uma vez que as margens de lucro con­ti­nuam caindo), pela di­fe­ren­cia­ção e pela es­pe­cia­li­za­ção. Podem ajudar nesse sentido uma linha de produção mais flexível, combinando os processos offset e digital, a aplicação efi­cien­te das ferramentas de web-to-​­print e o uso de equipamentos e sistemas am­bien­tal­men­ te corretos, que, consequentemente, pro­ por­cio­nam menor consumo de recursos como a energia. Ques­tio­na­do sobre alterações na próxima edição da Drupa em função do novo cenário da indústria, Schreier afirmou que a organização está real­men­te pensando em diminuir o intervalo entre as

edições, assim como a própria duração do evento. (Em notícia publicada no site ­PrintWeek em 11 de outubro, Ma­nuel Mataré, diretor da Drupa, confirmou as especulações, afirmando que recomendará ao conselho na reunião a ser rea­li­za­da em novembro que a feira seja trie­nal e dure 11 dias, e não mais 14, a partir de 2015). Cinco palestras e um fórum ocuparam a programação após o almoço. Dragan Volic, vice-​­presidente de mar­ke­ting da Müller Martini, tratou das novidades em soluções de acabamento. O executivo enfatizou o desenvolvimento de sistemas focados em necessidades específicas da impressão digital, não só em termos de equipamentos, mas também ferramentas de fluxo de trabalho que o tornam mais inteligente. “É preciso levar as vantagens da tecnologia digital para a pós-​­impressão”. A abertura de oportunidades sustentáveis através da impressão digital foi o tema levantado por Claudio Gae­ta Jú­nior, da Agfa. As soluções da Goss para a impressão offset rotativa foram apresentadas por seu diretor, Vitor Dragone. Maurício Carlini, gerente de produto da Kodak, discutiu os de­sa­f ios do mar­ke­ting direto digital. Na última conferência da quinta-​­feira, Ralph Nappi, presidente da NPES (As­so­cia­ç ão de Fornecedores de Tec­no­lo­gias de Impressão, Publicação e Conversão), falou dos movimentos da indústria gráfica mun­dial. Comentando as dificuldades do mercado edi­to­rial nos Estados Unidos, Nappi sentenciou: “Para as revistas, o problema não é a concorrência com o meio eletrônico, mas o impacto da crise nas verbas pu­bli­ ci­tá­rias”. Fechando o dia, houve um debate sobre como aumentar a rentabilidade dos sistemas e a qualidade dos produtos por meio das novas tec­

Roberto Muylaert

Péricles Augusto de Cenço

Fernando Alperowitch

Dragan Volic

(E/D): Karl Klökler, ex-presidente da Afeigraf, Ricardo Amorim, economista, e Dieter Brandt, presidente da Afeigraf VOL. IV  2012  TECNOLOGIA GRÁFICA

19


Ralph Nappi

Frank Steingleder

Ricardo Horie Minoru

Paulo Sergio Rosa

Ricardo Amorim

20 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. IV  2012

no­lo­gias, do qual participaram representantes da ABB , GrafiKontrol, Nela e QIPress. O dia 21 teve dois programas distintos: dois fó­ runs e três palestras da Trends of Print e quatro pa­ lestras da Conferência da Abro. As discussões da Trends giraram em torno da convivência entre im­ pressão digital e con­ven­cio­nal e os próximos passos do segmento de embalagem, assuntos levantados pela Agfa, AlphaGraphics, Canon, Laborprint, Scor­ tecci e Wifag, e Bobst, AlphaGraphics novamente, Papirus e SunChemical. As con­fe­rên­cias abordaram produção gráfica, com Frank Steingleder, gerente de produto sê­nior da Heidelberg; web-to-​­print, com Ricardo Minoru, da Bytes & Types; e formatos na impressão offset, com Jânio Coe­lho, da Fer­ros­taal. Segundo Minoru, a tecnologia web-to-​­print é vis­ ta por muitos em­pre­sá­rios gráficos como um mero vendedor e orçamentista que trabalha 24 horas por dia, sete dias por semana e 365 dias por ano. Porém, ela pode ir bem mais além, já que fornece um am­ bien­te propício para ne­gó­cios B2B e B2C, um novo canal de vendas automatizado e self-​­service e uma excelente oportunidade para fidelizar clien­tes. A Conferência da Abro tratou da produtividade e integração através da automação em duas pales­ tras, ministradas por Júlio Coutinho, da Q.I. Press, e Osmar Barbosa, da EFI/Metrics. “É preciso apro­ priar-se dos ganhos efetivos da tecnologia da in­ formação nos nossos ne­gó­cios”, disse o diretor da Metrics, adquirida pela EFI em abril deste ano, ao ressaltar a importância do investimento na gestão da informação. A comunicação como ferramen­ ta para o sucesso nos ne­gó­cios foi o tema discu­ tido pelo consultor Paulo Sergio Rosa; e os de­s a­ fios na formação da mão de obra, pelo mestre em educação João Carlos Wi­ziak. Para encerrar o evento, os organizadores convida­ ram o economista Ricardo Amorim, que detalhou o cenário econômico no Brasil e no mundo. A Trends of Print 2012 foi organizada pela APS Feiras & Even­ tos, sob o patrocínio da Agfa, Heidelberg, Henkel, HP e Kodak e apoio das entidades do setor.

Mercado de impressão rotativa offset cresce 3,7% em 2011 No abertura da 6 -ª Conferência da Abro, o consultor Alexandre Marques apresentou a Análise Se­to­rial 2012, estudo que envolve a indústria gráfica brasileira com rotativas offset, com o objetivo de traçar o perfil e di­men­sio­nar o segmento a partir de indicadores relativos à sua estrutura ope­ra­cio­nal e co­mer­ cial. O universo pesquisado envolveu gráficas que pos­suem rotativas offset com secador. Foram identificadas 64 empresas nesse perfil, 15 das quais se dispuseram a participar do estudo com dados individuais, grupo que responde por 52,02% de toda a capacidade instalada do setor. A análise revelou que o faturamento total do segmento em 2011 foi de R$ 4,71 bilhões, correspondendo a um crescimento de 3,7% se comparado a 2010. Esse montante significa 15,75% do total obtido pela indústria gráfica brasileira como um todo, que atingiu R$ 29,9 bilhões no mesmo pe­río­do, segundo a Abigraf. As 64 gráficas identificadas no estudo equivalem a 0,31% do número total de gráficas no País, que somam cerca de 20.000 empresas. As gráficas pesquisadas demonstraram uma percepção positiva em relação às previsões de crescimento. A expectativa é encerrar 2012 com um faturamento de R$ 4,9 bilhões, e, uma vez confirmadas as taxas de crescimento previstas, a receita das empresas que compõem o setor de rotativas deve ultrapassar o patamar de R$ 5 bilhões em 2013. O mercado mais representativo para as empresas com rotativas offset continua sendo o de livros, com 35,8% de participação no faturamento dessa indústria, seguido pelo de revistas, com 25,1%. O segmento de catálogos manteve sua curva ascendente, alcançando 14,4%, conservando-se à frente do de tabloides, que voltou a cair em 2011, com 10,6% de participação na receita.


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Andrea Ponce

U

A nuvem é o futuro da computação?

ma tendência do mundo tec­ nológico é a computação em nuvem, em inglês cloud computing, assunto muito explo­ rado pelas empresas de tecno­ logia da informação e em alguns estandes na Drupa 2012. A inovação tecnológica é um dos principais fatores da integração mun­dial decorrente do processo de glo­ balização. Dada a evolução das aplicações em direção à portabilidade e à mobilida­ de, os conceitos de no­t e­b ook ou mesmo de desktop já não são su­f i­cien­tes. O mun­ do está em busca de conectividade, integra­ ção, rapidez e agilidade, itens encontrados na computação em nuvem. Além da mobilidade, há também a ques­ tão do espaço de armazenamento. Ao mes­ mo tempo que geram um volume assom­ broso de informação, as pes­s oas querem dispositivos cada vez menores, mais leves e ágeis e a resposta para essa demanda é a cloud computing. Através dessa tecnologia, empresas e usuá­rios têm acesso ime­dia­to a seus arquivos a qualquer hora e em qual­ quer lugar, através de vá­rios tipos de apa­ relhos, como desktops, smartphones, tablets e net­books conectados à internet, com máxima flexibilidade. A tecnologia de computação em nu­ vem é uma rea­li­d a­de em diversos paí­s es. Chegou ao Brasil recentemente e está sen­ do rapidamente adotada tanto no mundo coor­po­ra­ti­vo quanto no dia a dia das pes­ soas. Es­pe­cia­lis­tas a consideram a nova fronteira da era digital. Há uma boa chance de você já ter tido alguma ex­pe­riên­cia com a computação em nuvem. Se você tem uma conta de e-​­mail como Hotmail, Yahoo! ou Gmail, enviou ou recebeu um arquivo pelo Dropbox ou Sendspace, você já utilizou a 22 TECNOLOGIA GRÁFICA  VOL. IV  2012

nuvem. O Dropbox é um dos vá­rios exem­ plos dos serviços de sincronização de ar­ quivos e um dos primeiros a oferecer, gra­ tuitamente, o armazenamento de arquivos em nuvem. A Goo­gle oferece vá­rios aplica­ tivos que permitem o fun­cio­na­men­to e a interação do usuá­rio e rodam diretamente em seu navegador, entre eles Goo­gle Drive, Goo­gle Maps e Gmail. Outro ponto crescente é a demanda por soft­wares na nuvem. Essa abordagem per­ mite que as com­pa­nhias comecem a utilizar as novas versões rapidamente e com redu­ ção de custo em relação aos produtos tra­ dicionais. A Adobe tem feito vá­rias tentati­ vas de serviços na nuvem: a empresa espera que os usuá­rios compartilhem ideias, ima­ gens, ge­ren­cia­men­to de arquivos, recursos da comunidade e aposta na hospedagem de seus soft­wares, entre eles os gráficos, para o modelo de computação em nuvem, o que possibilitará fácil compartilhamento de informações (saiba mais na matéria Adobe vai para a nuvem com aplicativos touch, da Tecnologia Gráfica nº‒ 83). Ba­sea­do nos diversos fatores que envol­ vem a nuvem, os mercados na­cio­nal e in­ter­ na­cio­nal pre­veem para os próximos anos um aumento significativo de postos de trabalho para os setores de comunicação. Conhecendo a nuvem

A computação em nuvem utiliza a internet como uma plataforma, possibilitando o aces­ so remoto a programas, serviços e arquivos sem que seja necessária a instalação dos apli­ cativos no computador: as informações es­ tão na rede, basta estar conectado ao ser­ viço online para usufruir dessa ferramenta. O fato de acessar seus dados em qualquer lugar ou horário e fazer seus backups sem

necessitar de um equipamento específico torna a nuvem muito mais interessante. Na cloud computing, ao invés de os arqui­ vos ficarem armazenados nos computadores locais, utilizam-se servidores remotos com discos rígidos de enorme capacidade para o armazenamento. Com toda a geração do fluxo de dados, esse conjunto de servido­ res interligados requer uma in­f raes­tru­tu­ra específica de ge­ren­cia­men­to, incluindo vá­ rias funções, entre elas equilíbrio dinâmico e monitoramento do desempenho. Para ge­ ren­ciar essa dinâmica, os servidores necessi­ tam de imenso poder de processamento e ocupam espaços físicos gigantescos. Cada aplicação tem seu próprio servi­ dor dedicado, sendo que as aplicações são praticamente ilimitadas. Existe um servidor central que administra o sistema e monito­ ra o tráfego das informações e as demandas do usuá­rio, garantindo que tudo fun­cio­ne sem grandes problemas. O servidor segue um conjunto de regras chamadas protoco­ los e utiliza um tipo es­p e­cial de soft­ware chamado middleware, cuja função é permi­ tir que os computadores em rede se comu­ niquem uns com os outros. As com­pa­nhias que oferecem esse tipo de serviço têm de possuir, no mínimo, o dobro de servidores efetivamente utilizados, para manter todas as informações armazenadas como backup, evitando que falhas em um dos servidores afetem a utilização. A computação em nuvem disponibiliza vá­rios serviços. Atual­men­te, existem apro­ ximadamente 10 empresas com servidores no Brasil que oferecem serviços em nuvens públicas. Os mais comuns são: ◆◆ Servidor cloud ◆◆ Hospedagem de sites na nuvem ◆◆ E-​­mail em cloud


Load balancer na nuvem – processo de distribuição, ba­lan­cea­men­to de carga de trabalho entre os servidores da mesma atividade. A implantação depende da necessidade das aplicações e o acesso está re­la­cio­na­do ao modelo de ne­gó­cios, tipo da informação e a necessidade do nível de visão. Em mui­ tos casos as organizações não desejam que os usuá­rios acessem determinadas informa­ ções do seu am­bien­te. Para tanto, existem vá­rios tipos diferentes de nuvens: Nuvem privada – É cons­ti­tuí­da exclusiva­ mente para um único usuá­rio. A in­f raes­ tru­tu­ra da nuvem e os serviços são forneci­ dos através de um am­bien­te vir­tual seguro, para uso exclusivo da empresa. A nuvem em­pre­sa­rial é blo­quea­da e totalmente ge­ ren­cia­da, normalmente cons­ti­tuí­da por um data center privado. ◆◆

Nuvem pública – É aquela executada por terceiros. A in­fraes­tru­tu­ra da nuvem e os ser­ viços são de pro­prie­da­de de um provedor de serviços e são disponibilizados para as em­ presas públicas ou para múltiplos vizinhos em uma base compartilhada. A falta de pri­ vacidade na nuvem pública é uma questão importante: a maioria dos incidentes de hacking acontece na nuvem dos consumidores, mas a existência de vá­rias aplicações sendo executadas na mesma nuvem é um proces­ so transparente tanto para os prestadores de serviços como para os usuá­rios. Nuvem comunitária – A in­f raes­tru­tu­ra da nuvem e os serviços são compartilhados por diversas empresas com interesses em comum. Pode ser administrada local ou re­ motamente, por empresas ou por terceiros. Nuvem híbrida – É uma composição dos modelos de nuvens públicas e privadas.

A in­f raes­tru­tu­ra da nuvem e os serviços são compostos por duas ou mais nuvens que permanecem únicas, mas são utilizadas em conjunto. Neste caso a nuvem privada passa a ter seus recursos am­plia­dos a partir da reserva de recursos em uma nuvem pública. A computação em nuvem, que pode ter diferentes modelos de serviços, com di­ ferentes configurações, e ser composta de camadas, atual­men­te é dividida em 11 mo­ delos de serviços. As mais populares são Saas, PaaS e IaaS. Saas – Soft­ware as a Service, ou Soft­ware como Serviço. Disponibiliza o soft­ware como um serviço. O soft­ware é executado em um servidor remoto. Não é necessário instalar o sistema no computador pes­s oal, basta acessá-lo pela internet. PaaS – Plataform as a Service, ou Plataforma como Serviço. Utiliza uma plataforma

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como um banco de dados para as aplicações. Permite várias utilizações como: armazenamento, banco de dados, suporte a programação e escalabilidade, entre outros. IaaS – Infrastructure as a Service, ou Infraestrutura como Serviço. Quando se utiliza apenas o espaço de um servidor, normalmente com configuração direcionada a determinada necessidade. A figura exemplifica de maneira simples o cenário composto por camadas:

TaaS – Testing as a Service, ou Ensaio como Serviço. Oferece um ambiente onde os usuários podem testar aplicações e sistemas de maneira remota, simulando o comportamento da execução.

Qualidade na informação – Os dados enviados podem ter grandes fluxos de informação que não perdem qualidade e não se desconectam dos usuários. DESVANTAGENS

VANTAGENS

Escalabilidade – É a capacidade de um sistema de suportar um aumento de carga total quando os recursos (normalmente do hardware) são requeridos. É um importante benefício da computação em nuvem, permitindo que as emIaaS (servidor) presas reduzam custos e, ao mesmo tempo, tenham acesso às mais recentes tecnologias. SaaS (aplicação) Acesso remoto – A possibilidade de acessar dados, arquivos e aplicativos a partir de qualquer lugar, bastando uma conexão com a internet SaaS (aplicação) para tal. Elimina a necessidade de o usuário manter todo o seu conPaaS (plataforma) teúdo em um único computador. Armazenamento – Os documentos são armazenados, na maioria IaaS (armazenamento) das vezes, de maneira automática, dispensando upload local. Este reAs demais vertentes mudam a cada dia. curso prevê que uma cópia de toda a inEm curto prazo outros serviços estarão seg- formação dos clientes seja feita e armazementados; entretanto, o ideal é conhecer nada em outros dispositivos de backup. alguns deles: Fazer cópias de dados como um backup é DaaS – Development as a Service, ou De- chamado redundância. senvolvimento como Serviço. Ferramen- Softwares – As atualizações dos softwares tas compartilhadas de desenvolvimento e são realizadas sem necessidade de intervende serviços baseados em mashup (site per- ção do usuário e sem a instalação no comsonalizado ou uma aplicação web que usa putador. Não é necessário pagar por uma conteúdo de mais de uma fonte para criar licença integral de uso de software; as comum novo serviço completo). Este modelo panhias não têm necessidade de comprar possui maior flexibilidade para compartilhar um conjunto de softwares ou licenças para informações e acesso dos usuários. cada colaborador. CaaS – Communication as a Service, ou Co- Eficiência energética – É substancial a efimunicação como Serviço. Uso de uma so- ciência energética oferecida pela computalução de comunicação unificada hospedada ção em nuvem comparada a servidores trano data center do provedor ou fabricante. dicionais. Isso porque os custos operacionais EaaS – Everything as a Service, ou Tudo são menores, a nuvem possui maiores taxas como Serviço. Quando se utilizam todos os de utilização, consome menos energia, refrirecursos que envolvem a tecnologia da in- geração e espaço físico e, por consequência, formação como um serviço: infraestrutura, contribui para a preservação e uso racional plataformas, software e suporte. dos recursos naturais. 24 TECNOLOGIA GRÁFICA VOL. IV 2012

Uma enorme desvantagem da computação em nuvem é justamente a necessidade do acesso à internet. Sem o acesso o usuário compromete todas as informações, documentos ou serviços oferecidos. Mas esta não é a única preocupação dos especialistas. Velocidade de processamento – Para um complexo fluxo de informações ou para uma grande taxa de transferência são necessárias uma boa amplitude da banda e uma conexão com a internet estável, eficiente e rápida. Custo – Para alguns casos existe um custo para este tipo de serviço. Segurança – O fator mais crítico é a segurança e a privacidade, considerando que os dados ficam online o tempo todo. O conceito de as informações importantes estarem em posse de outras empresas preocupa muitas pessoas. A sensibilidade de informações confidenciais nas empresas obriga a implementação de um controle de acesso dos usuários e da informação. Esse controle deve ser privilégio do administrador, pois a privacidade do cliente não pode ser comprometida. Outro fato preocupante é o de ser alvo dos hackers. A computação em nuvem é uma realidade cada vez mais sólida no mercado. Ela abre novas possibilidades no mundo dos negócios. Para o setor gráfico, a nuvem pode ser parte de um novo modelo de comunicação, a possibilidade de oferecer serviços terceirizados, como diagramação, layout e pré-impressão, além de uma solução estratégica para a expansão de novos mercados, viabilizando, por exemplo, as plataformas web-to-print. Interessou-se? Na próxima edição, saiba mais sobre a tecnologia que está mudando a forma de as gráficas se relacionarem com seus clientes. ANDREA PONCE é coordenadora técnica

e consultora sênior da ABTG.


SUA GRÁFICA PODE ESTAR SAUDÁVEL, MAS É SEMPRE BOM FAZER UM EXAME.

A ABTG está lançando o Exame Nacional de Avaliação para Capacitação dos Profissionais Gráficos - ENAC, uma ferramenta que tem como objetivo revelar o nível de aptidão das atividades que os profissionais de sua gráfica exercem. Com os resultados do ENAC, sua gráfica poderá: aumentar a produtividade, promover treinamentos para melhoria dos pontos fracos identificados, contratar assertivamente e muito mais.

Fale com a ABTG, e saiba como aplicar o ENAC em sua gráfica. Afinal, uma impressão só é boa quando passa pelas mãos dos melhores profissionais.


SPINDRIFT

A pegada de carbono através dos números

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evou um longo tempo, mas estamos final­ mente começando a ver progresso nos cál­ culos da pegada de carbono. Dois dos prin­ cipais fabricantes de impressoras estão agora calculando suas pegadas de carbono com precisão e responsabilidade. O mais importante é que eles parecem estar fazendo isso com certa consistência. A Heidelberg e a HP Indigo investiram somas con­ sideráveis neste trabalho e estão usando seus nú­ meros como base para compensação, com o obje­ tivo de poder entregar máquinas neutralizadas em termos de carbono para seus clien­tes. Isso é es­pe­cial­men­te importante para a indús­ tria gráfica, cujos membros cada vez mais têm fei­ to esforços para diminuir sua pegada de carbono. Sem números certificados, calculados de uma forma consistente para os seus principais equipamentos, as gráficas não podem medir a pegada de carbo­ no de seus ne­gó­cios ou dos produtos que con­fec­ cio­nam. Sem consistência nos métodos e um con­ junto de dados de referência, o esforço coletivo do setor fica incompleto. O mesmo, mas diferente

Uma das partes mais difíceis no cálculo da pegada de carbono da mídia impressa é a disponibilidade e a qualidade dos dados. A Heidelberg e a HP Indigo

A Heidelberg acumulou considerável experiência em cálculo de carbono e está profundamente comprometida com a diminuição de resíduos.

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abordaram o problema a partir de suas pró­prias pers­ pectivas, mas têm conduzido seu trabalho seguin­ do alguns prin­cí­pios comuns. Ambas, por exemplo, trabalham tanto quanto possível com dados pri­má­ rios. Isto é, dados que podem ser diretamente re­ colhidos na fonte das emissões. Ambas obtiveram os dados se­cun­dá­rios do banco de dados do Eco­ Invent Centre para os fatores de emissão. As duas fabricantes querem compensar todas as emissões de carbono de suas impressoras, come­ çando com a lista de materiais de cada máquina, ou seja, as ma­té­rias-​­primas ne­ces­sá­rias para cons­ truir as impressoras. Elas estão calculando as emis­ sões do nascedouro até a saí­da da fábrica (cradle-to-​­gate), o que significa que os cálculos in­cluem todos os materiais e os processos ne­ces­sá­rios para construir a impressora. O modelo cradle-to-​­gate de­ veria levar em conta absolutamente tudo o que é necessário para construir uma máquina. Isto inclui ma­té­rias-​­primas, transporte das ma­té­rias-​­primas para a fábrica, montagem, energia, mídia (papel, plásticos e assim por dian­te), re­sí­duos gerados du­ rante a fabricação, materiais de consumo utilizados no processo de fabricação, materiais de transpor­ te e montagem final da impressora, até o momen­ to em que o equipamento está embalado e pron­ to para o transporte.


Os estudos de pegada incluem a nova impressora Heidelberg XL106.

Talvez a semelhança mais importante na abordagem da Heidelberg e da HP Indigo seja a utilização do banco de dados EcoInvent. Ele é líder mun­dial de in­ven­tá­rios de ciclo de vida (Life Cycle Inventory – LCI). Agora, na versão 2.2, os dados do EcoInvent são uma lista de mais de 4.000 conjuntos de dados de LCI . Esses conjuntos abrangem uma gama de in­dús­trias, mas a parte que interessa à indústria gráfica são as fontes de energia, transportes, produtos químicos, materiais, materiais de embalagem, tec­no­lo­gias da informação e comunicação e eletrônicos. Os dados foram compilados por organizações de renome mun­dial de pesquisa e consultores e pertencem ao Swiss Centre for Life Cycle In­ven­to­ries, estando disponíveis no formato curio­sa­men­te chamado EcoSpold. Ba­sea­do em XML , o formato tornou-se o mais utilizado e completo para a troca de dados LCI. Para adquirir as informações do EcoInvent, o custo do primeiro ano para um único usuá­rio é de 2.500 euros. Os dados estão disponíveis diretamente do EcoInvent ou através de revendedores, tais como Pre Consultants, os desenvolvedores belgas de Sima­Pro, ou Gabi, um desenvolvedor alemão. As duas empresas agregam a licença EcoInvent ao seu soft­ware, que é projetado para sistemas de modelagem e produtos a partir de uma perspectiva de ciclo de vida. Os dados EcoInvent oferecem um ponto de referência comum para os estudos

da Heidelberg e da HP Indigo, o que significa que ambas as empresas estão usando dados comuns como base para seus cálculos. Isto é importante porque fornece para a indústria gráfica como um todo um ponto de partida comum a partir do qual cons­troem conjuntos de dados. Portanto, ao longo dos próximos anos, novos estudos de pegada de carbono surgirão e serão comparáveis. Contudo, deve-se ter em mente que a comparação não é recomendada pelos cien­tis­tas ambientais, pois a pegada de carbono é muito pouco conhecida. A comparação só é possível com estudos de pegada de carbono, e raramente eles são idênticos em todos os aspectos. E as diferenças de qualquer estudo de pegada de carbono significam que as análises devem ser ava­lia­das de forma independente, em vez de comparadas. Os valores da pegada de carbono são complexos e não podem ser tratados da mesma forma como pontos por polegada ou metros por minuto. As diferenças entre as abordagens da Heidelberg e da HP Indigo irão inevitavelmente in­f luen­ciar os cálculos das duas empresas. A HP Indigo inclui, por exemplo, a energia necessária no processo de pesquisa e desenvolvimento de uma determinada impressora em estudo, mas não inclui o transporte da máquina para o clien­te. A Heidelberg faz ava­lia­ções das ma­té­rias-​­primas dos materiais fornecidos e desenvolveu seu próprio VOL. IV  2012  TECNOLOGIA GRÁFICA

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método de cálculo em conformidade com a norma ISO 14040/14044 para a Análise do Ciclo de Vida (ACV). Seu programa foi certificado pela TUV Sud, uma empresa in­ter­na­cio­nal de serviços técnicos que atua com auditoria e certificação. A Heidelberg utiliza o cálculo Gabi em conjunto com a base de dados EcoInvent. A HP Indigo preferiu seguir a PAS 2050 , a especificação disponível publicamente que é a precursora da ISO/DIS 14067. A PAS 2050 e a ISO/DIS 14067 são me­to­do­lo­gias de enquadramento para o cálculo da pegada de carbono de produtos e serviços. Não deve ser preo­cu­pan­te o fato de parecer que a Heidelberg e a HP Indigo possam estar tomando direções diferentes em relação às normas que seguem, uma vez que a norma ISO/DIS 14067 segue os prin­cí­pios da ISO 14040/14044. A HP Indigo tem atua­do com esse projeto desde 2009 e possui seis pes­s oas trabalhando nisso. Eles preferem usar soft­wares existentes ao invés de desenvolver suas pró­prias ferramentas de cálculo. A SimaPro fornece o modelo de LCA , enquanto o impacto das ma­té­rias-​­primas e consumíveis é calculado com base no soft­ware EcoInvent. Esta informação está disponível para os clien­tes que a solicitem. De acordo com Yossi Rosen, gerente do Programa de Liderança Am­bien­tal para Empresas de Soluções Gráficas HP, “todas as informações de materiais baseiam-se em nosso sistema CAD Pro-E, MFG-Pro (sistema E-​­Rip) e HP Smartbu”.

Também há outras diferenças. A Heidelberg faz um cálculo por medida para cada impressora que deixa suas fábricas, porque não há duas máquinas iguais. Elas va­riam em seus aparelhos eletrônicos, número de unidades e recursos. A HP Indigo, por outro lado, não tem de lidar com tantas variáveis e pode fazer um cálculo simples para cada modelo de impressora em seu programa. Estudos de pegada de carbono têm sido feitos para a HP Indigo 7600 , a WS6600 e a W7250 . Estas impressoras têm diferenças em seus pesos devido às va­ria­ções nas quantidades de materiais utilizados na sua construção. No entanto, os tipos de ma­té­rias-​­primas são semelhantes entre os modelos. Compartilhando

Quan­to mais as empresas começam a calcular as emissões de carbono de seus produtos, mais torna-se tentador para os concorrentes van­glo­ria­remse de suas rea­li­za­ções. No entanto, a divulgação da emissão de carbono não é igual à divulgação da velocidade de um automóvel ou do gamut de cor de um monitor. Existem vá­rias formas normalizadas para as divulgações de estudos de pegada de carbono, dependendo de sua finalidade. Mas, apesar da existência dessas formas normalizadas para divulgar pegadas de carbono, os cien­tis­tas ambientais relutam em incentivar a rotulagem e declarações sobre o tema. A ciên­cia é tão jovem e relativamente não testada que comparações justas não

A equipe ambiental da HP Indigo tem trabalhado na pegada de carbono da Indigo desde 2009.

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são fáceis de serem feitas, uma vez que esses cálculos envolvem muitos fatores. Além disso, a pegada de carbono é apenas uma dimensão do impacto am­ bien­tal, o que significa que estes valores po­de­riam ser deturpados. No entanto, na medida do possível, empresas como a Heidelberg e a HP Indigo querem comunicar os seus números, mesmo que seja ape­ nas para demonstrar me­lho­rias de desempenho. Os valores são, naturalmente, a base sobre a qual os créditos de carbono são trabalhados e pagos. Compensando

As compensações da Heidelberg vão para o Proje­ to Togo, na África Ocidental, um projeto para le­ var árvores, água, sa­nea­men­to e educação para as aldeias remotas do país. Desta forma a empresa es­ pera compensar a pegada de seu estande na Dru­ pa, que produziu cerca de 7.000 toneladas de CO2. A Heidelberg também está trabalhando com a Car­ bonFix, uma organização alemã sem fins lucrativos cria­da para desenvolver projetos de reflorestamento. A CarbonFix definiu um conjunto de cri­té­rios para o manejo florestal sustentável e sequestro de CO2. Ela

também está contribuindo com o projeto Togo para reflorestar mais de 1.000 hectares de terras. Cerca de 90% dos fundos que a Heidelberg investe nestes programas alcançam seus be­ne­f i­ciá­rios. Com os seus fundos de compensação, a HP In­ digo criou e gerencia o seu próprio esquema local, que está em conformidade com o programa do go­ verno is­rae­len­se de mitigação da mudança climá­ tica. O custo de créditos de carbono é usado para comprar e instalar painéis solares. Estes painéis são fornecidos para as fa­mí­lias pobres nas aldeias nos arredores da sua fábrica no sul de Is­rael. A Heidelberg e a HP Indigo estão fazendo fortes investimentos, apesar do difícil am­bien­te econômi­ co ­atual. Elas estão abrindo estradas para a indús­ tria de impressão e isso incentivará outras empre­ sas a investirem em programas semelhantes. Este é o início de uma transição importante para a indús­ tria dos meios de comunicação, não apenas para a impressão. A Heidelberg e a HP Indigo devem ser elo­gia­das por seus esforços. Elas levam a indústria para frente em direção a um futuro am­bien­tal­men­te responsável e sustentável.

E ste artigo é parte da série

Verdigris de cases sobre a compreensão do impacto ambiental da impressão. O projeto Verdigris é apoiado pela Agfa Graphics, Canon Europa, Digital Dots, Drupa, EFI, HP, Pragati Offset, Ricoh, Splash PR, Unity Publishing e Xeikon. http://verdigrisproject.com Tradução autorizada

do boletim Spindrift, publicação produzida pela Digital Dots, empresa de consultoria na área gráfica, publicado em junho de 2012.

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partir desta edição, a revista Tecnologia Gráfica terá uma seção fixa sobre impressão digital. Ela será coordenada pelo Digitec, grupo de impressão digital da ABTG, e abordará desde as atividades do grupo até inovações na área digital. Para começar apresentamos o grupo e a própria impressão digital.

O DIGITEC E SUAS ATIVIDADES

Digitec Diretor: 1 Bruno Mortara Coordenadores: 2 Paulo Addair Daniel Filho 3 Wilian Correa Coordenadora técnica: 4 Andrea Ponce

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O Digitec é um grupo técnico de divulgação de tecnologia, no âmbito da ABTG, voltado para promover ações de disseminação de soluções, conhecimento e tecnologias para o segmento digital. Trata-se de um grupo aberto, formado por profissionais de toda a cadeia produtiva que cooperam para apresentar as boas práticas de fabricação e produção e as tendências do mercado. Tem como objetivo partilhar e divulgar tecnologia e como missão ser referência técnica no segmento digital no Brasil.

O grupo tem como base de trabalho uma agenda de reuniões às quais podem comparecer profissionais, representantes de fabricantes, fornecedores, interessados e envolvidos em geral com a tecnologia digital. Todos são bem-vindos para sugerir e participar de atividades que venham a atender os objetivos do grupo. O Digitec promove regularmente cursos, seminários e palestras, além da publicação de cartilhas e artigos em revistas especializadas. Com base no sucesso das ações dos últimos anos, o grupo já dispõe de uma agenda mínima para 2013, que inclui cursos e seminários com destaque para um grande fórum técnico, abrangendo o setor de impressão digital promocional, sinalização, comunicação visual e soluções em soft ware e sistemas. Porém, nas reuniões mensais e com a atuação incisiva dos participantes do grupo, essa agenda pode e será aprimorada durante todo o ano. Caso


tenha interesse em participar do grupo, basta enviar uma mensagem para o e-mail digitec@abtg.org.br. BOAS PRÁTICAS DE IMPRESSÃO DIGITAL

O Digitec lançou recentemente um conjunto de cartilhas com três volumes, nomeado Boas Práticas de Impressão Digital, com os seguintes temas: ◆ Vol.1 – Tecnologias de Impressão Digital ◆ Vol.2 – Boas Práticas para Arte-Finalização e Geração de Arquivos para Impressão Digital ◆ Vol.3 – Papéis para Impressão Digital: Tipos e Boas Práticas. Reproduzimos aqui o conteúdo do Volume 1 – Tecnologias de Impressão Digital, que apresenta os principais aspectos das tecnologias disponíveis para este segmento.

surgiu o Aldus PageMaker, o primeiro aplicativo de editoração eletrônica que reproduzia o trabalho de um diagramador numa prancheta virtual, mais tarde adquirido pela própria Adobe. Com o tempo, todos os aplicativos de ilustração vetorial, tratamento de imagem e paginação do mercado adotaram a linguagem PostScript para dar saída em seus conteúdos, tornando essa linguagem o padrão de mercado. Outras linguagens surgiram, como o PCL (Printer Communication Language), da HP, porém o PostScript continua como o padrão de fato do mercado, permitindo tanto a saída em equipamentos de fotocomposição quanto em impressoras de baixo custo.

REUNIÕES AGENDADAS PARA 2013

O QUE É IMPRESSÃO DIGITAL

as dimensões e especificidades do suporte de impressão, tais como revestimento e gramatura, cores, tipologia, além dos tipos de acabamento. Editoração eletrônica

Etapa em que as imagens são tratadas, as ilustrações vetoriais criadas e os textos diagramados junto com os outros conteúdos do produto nos aplicativos (softwares) de editoração eletrônica. Aprovação

Ciclo de geração das provas de layout, de cor e/ou de contrato para aprovação pelo cliente final. Arte-finalização

Contempla a execução das correções e alterações solicitadas pelo cliente final nas provas e geração dos arquivos que serão enviados para o prestador de serviços gráficos ou departamento de impressão.

Conjunto de tec no lo gias capazes de obter cópias impressas a partir de arquivos digitais.

MÊS

DIA

Fevereiro

20

Março

20

SURGIMENTO

Abril

17

As tecnologias de impressão digital se tornaram possíveis com o surgimento da primeira linguagem de descrição de página, o Post Script, criada por John Warnok, cientista americano fundador da Adobe Systems, que permitiu que o conteúdo digital presente nos computadores pudesse ser reproduzido com qualidade aceitável nas impressoras e máquinas de fotocomposição. Três invenções do início dos anos 80 contribuíram para o surgimento da impressão digital: ◆ A interface gráfica nos microcomputadores (Apple Macintosh) ◆ A impressora laser de baixo custo (Canon) ◆ A linguagem Post Script (Adobe) Na National Computer Conference (NCC) de Las Vegas, em 1984, foi apresentada pela primeira vez uma solução utilizando estes três produtos em conjunto. Logo depois

Maio

15

Junho

19

Aqui acontece a análise dos arquivos de impressão, imposição de páginas e ripagem/ rasterização dos arquivos (processamento e conversão dos arquivos digitais em imagens bitmap), que por fim serão enviados para as impressoras digitais.

Julho

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Impressão

Agosto

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Impressão propriamente dita nos substratos.

Setembro

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Acabamento

Outubro

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Novembro

13

Dezembro

11

FLUXO DE TRABALHO

O fluxo de trabalho típico para produzir materiais impressos por meio da impressão digital é dividido em sete etapas: Criação

Envolve as tarefas de planejamento da peça gráfica, com base nas informações fornecidas pelo cliente final. Nesta fase são definidas

Pré-impressão

Depois de impressos, os materiais seguem para o acabamento, quando são feitas as dobras, colagem, encadernação, plastificação, laminação, refile etc. TECNOLOGIAS DE IMPRESSÃO DIGITAL

De acordo com a estrutura de termos baseada na NBR 14934:2003: Tecnologia gráfica – Terminologia das artes gráficas – Parte 1: Termos fundamentais, as tecnologias de impressão sem forma são subdivididas em dois tipos: ◆ Jato de tinta ◆ Eletrostática VOL. IV 2012 TECNOLOGIA GRÁFICA

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Jato de tinta

Eletrostática

Limpeza

A impressão baseada em jato de tinta é definida como um sistema de impressão que utiliza um jato de microgotas de tinta, controlado por dados digitais, para projetar áreas de grafismo sobre um suporte, empregando processos de impressão como de fluxo contínuo ou sob demanda, aproveitando técnicas térmicas, eletrostáticas e piezoelétricas. A impressão jato de tinta, ou inkjet, pode ser subdividida em quatro sistemas.

A impressão eletrostática utiliza fotocondutores (método de transferência direta) ou portadores fotocondutores, carregados eletrostaticamente (método de transferência indireta) para reproduzir imagens originais latentes tornadas visíveis por meio de toners. Este sistema baseia-se no fenômeno no qual certos materiais são isolantes elétricos quando mantidos no escuro, mas são condutores de corrente elétrica quando expostos à luz, cuja fonte pode ser feixes de laser ou pequenos LEDs (diodos emissores de luz). O processo ocorre em cinco etapas que se repetem continuamente:

Os re síduos de toner que permaneceram no cilindro são removidos aplicando-se uma carga elétrica que neutraliza as partículas de toner remanescentes.

Jatos múltiplos

Um conjunto de bicos ejetores produz a impressão. As gotas formadoras de imagem não são carregadas, mas seguem diretamente para o suporte. As gotas desnecessárias são carregadas e desviadas para o reservatório novamente. Jato único/por demanda

Semelhante à tecnologia anterior, mas conta com um único bico ejetor. Muito utilizada em sistemas de impressão de códigos em linha, numeração e sistemas de endereçamento. Estes sistemas são capazes de imprimir a velocidades de cinco metros por segundo ou até mil páginas A4 por minuto. Térmico

O reservatório de tinta possui uma resistência próxima ao bico ejetor. O sinal (impulso elétrico) recebido aquece a resistência. O calor é então transferido da superfície da resistência para a tinta, a qual é aquecida até formar uma bolha. Quando a bolha é formada, a tinta instantaneamente se expande, forçando sua saída pelo bico ejetor. Tudo isto acontece em frações de segundos. Piezoelétrico

Sistema de impressão no qual impulsos eletrônicos gerados a partir do arquivo digital são aplicados no material piezoelétrico, fazendo que este se expanda. Isso faz que o volume no reservatório de tinta mude, gerando pressão; essa, por sua vez, forma a gota que é então expelida. 32 TECNOLOGIA GRÁFICA

VOL. IV 2012

Geração da imagem

O fotocondutor recebe uma carga elétrica uniforme, mantendo as cargas elétricas recebidas. A seguir, o cilindro é exposto a uma fonte de luz, provocando uma descarga seletiva do fotocondutor, gerando a imagem no cilindro. Aplicação do toner

As partículas de toner carregadas eletricamente são direcionadas para o fotocondutor, que possui carga oposta à da imagem latente formada no cilindro. Essa diferença de cargas faz que a imagem latente seja revelada no fotocondutor. Transferência da imagem

A imagem revelada é então transferida para o suporte. Essa transferência também é feita por atração eletrostática. Atualmente muitos equipamentos transferem a imagem inicialmente para um meio intermediário e depois para o suporte. Fusão da imagem

Após a transferência, a imagem ainda não está fixada ao suporte. Para que isso ocorra, após a transferência de todas as cores, o suporte é encaminhado para a fusão (aquecimento), em que o toner, que é composto por resina termoplástica e pigmento, amolece. Após a saída do sistema de fusão, o toner se solidifica ao entrar em contato com uma temperatura mais baixa (ambiente), fixando-se permanentemente ao suporte.

TIPOS DE TINTAS E TONERS

Define-se como toner um corante orgânico que se apresenta na forma de micropartículas. Composição Toner sólido

Resina termoplástica, polímero que amolece ao ser aquecido e endurece ao ser resfriado ◆ Pigmento orgânico ◆ Outros materiais como modificadores de carga, agentes promotores de fluxo e agentes de limpeza do cilindro ◆ Partículas entre 3 e 10 µm ◆

Toner líquido

Pigmento Óleo mineral ◆ Resina polimérica ◆ Aditivos ◆ Partículas entre 1 e 3 µm ◆ ◆

Tintas para jatos

Corantes. Apesar de serem mais utilizados neste sistema, possuem menor resistência à radiação UV. ◆ Pigmentos. Estes, ao contrário, apesar de terem maior resistência, têm a desvantagem de serem compostos por partículas, o que pode ocasionar entupimentos no cabeçote de impressão. ◆ Solventes, resinas e outros aditivos ◆

MEMBROS DO DIGITEC ELABORADORES DAS CARTILHAS

Autor e editor: Ricardo Minoru Horie, Bytes & Types – minoru@bytestypes.com.br Autor: André Liberato, Konica Minolta – andre.liberato@bs.konicaminolta.com.br Colaboradores: Lara Venegas Vargas, Kodak Brasil – lara.vargas@kodak.com; Paulo Addair, Thomas Greg & Sons – paulo.addair@thomasgreg.com.br


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IMPRESSÃO

Ronaldo Arakaki

Convergência tecnológica: nem digital, nem offset

M

eses antes da Drupa, as discussões que se ouviam no meio gráfico giravam em torno de qual seria o grande mote da feira de 2012. Uma economia mundial em crise e a incerteza sobre o faturamento das empresas dos países desenvolvidos fizeram da Drupa 2012 um evento singular, uma vez que, para muitos executivos, a feira poderia, ou não, marcar a retomada do crescimento para o mercado gráfico mundial. Em parte, as previsões se concretizaram, e países como Brasil, Índia, China, África do Sul e nações do Oriente Médio e Leste Europeu impulsionaram as novas aquisições tecnológicas. O ponto negativo foi a constatação de que a economia norte-americana e da Europa Ocidental permanecem estagnadas. No campo tecnológico, a Drupa 2012 não mostrou grandes lançamentos, mas, sim, soluções que indicam convergência de tecnologias através da parceria entre fabricantes de impressoras offset e digitais, utilizando o que há de melhor em ambas as tecnologias para o desenvolvimento de novos equipamentos e, também, a integração de fluxos híbridos, unindo por meio de fluxos de trabalho (softwares) equipamentos de impressão offset e digital.

34 TECNOLOGIA GRÁFICA

VOL. IV 2012

Gigantes do mundo offset anunciaram parcerias estratégicas com fabricantes de impressoras digitais. A própria Konica Minolta divulgou a parceria com a Komori para o desenvolvimento de um equipamento jato de tinta denominado KM1, formato B2. Trata-se de um projeto com sistema de alimentação por folhas soltas que possibilita de forma rápida a troca de diferentes substratos em comparação com equipamentos alimentados por bobina. Você pode estar se perguntando agora o que a tendência de se construir fluxos de impressão híbridos tem a ver com a crise na indústria mundial. Eu explico. A indústria gráfica chegou a um ponto em que não é mais possível gastar rios de dinheiro para se “reinventar a roda”. Ou seja, não há mais dinheiro sobrando para ser jogado fora, e os investimentos em tecnologias têm de ser empregados com cuidado e precisão. Enquanto, inegavelmente, o segmento de impressão tradicional offset, com suas décadas de história, possui largas vantagens em aplicações de altos volumes para a produção de mídias massificadas, a impressão digital vem surpreendendo ao tornar viáveis aplicações voltadas a nichos de produtos que, em contrapartida, são inviáveis no offset.


Os motivos já são conhecidos. Vale destacar a possibilidade de produzir pequenas quantidades com prazos extremamente curtos e principalmente utilizar dados variáveis, alcançando mercados one-to-one, o que é inacessível no processo offset. Porém havia barreiras. Nos primeiros modelos de impressoras digitais não se tinha qualidade de ponto (nas passagens tonais), muito menos em áreas “chapadas”. Contudo, a cada ano, melhorias de qualidade e velocidade vêm sendo introduzidas na tecnologia digital com toner. Outro passo importante são os custos. Por mais que se agreguem dispositivos para aumentar a automação e qualidade dos processos offset (troca de chapas, lavagem de blanquetas, alimentadores de tinta etc.), imprimir de forma massificada ainda era mais barato do que utilizar a impressão digital, e boa parte desse entrave provinha do preço dos consumíveis. Esse é outro cenário que está mudando. O custo dos consumíveis está caindo à medida que o volume de trabalhos feitos em equipamentos digitais aumenta. A entrada da tecnologia jato de tinta como meio de produção com qualidade viável para as aplicações de impressão digital também teve um impacto significativo. Mais veloz que os equipamentos de toner, e teoricamente com custo mais baixo, a tecnologia jato de tinta pecava na qualidade — fator que, neste ano, em Düsseldorf, começa a ser superado por toda uma nova geração de máquinas de qualidade surpreendente. Ainda assim, ela tem desafios a vencer, pois, em comparação com a tecnologia eletrográfica, existe a necessidade de substratos específicos ou com pré-tratamento. Também é preciso que os fornecedores revejam aspectos de seus nichos de atuação, dedicando mais ou menos atenção a segmentos específicos, já que, dentro do universo da impressão digital, há uma grande heterogeneidade de aplicações — para cada qual existe um ou outro modelo mais eficaz —, tais como necessidade de volume, qualidade, custo-benefício etc. Por fim, o último, mas não menos importante, elemento dessa cadeia é o retorno que se pode obter não somente através da tecnologia digital, porém além: unindo o mundo convencional e digital. Quando me refiro a retorno, penso no foco mais certeiro no público-alvo de uma comunicação impressa. Falar sobre a otimização do retorno proporcionado pela mídia personalizada seria chover no molhado. A maioria dos gráficos já ouviu esse argumento em alguma palestra ou da boca de um vendedor. Refiro-me, portanto, a aplicações reais e que

agregam valor num processo híbrido de impressão. O mundo formado por nossa “aldeia global” não tolera mais tão facilmente posturas etnocentristas ou a subjugação de culturas. Nunca a humanidade deu tanto espaço às diferenças. O impacto sobre a comunicação dessa nova postura é enorme, e é aí que vislumbro a grande vantagem dos processos híbridos. O produto de massa continuará a ter seu espaço, porém as gráficas devem, o quanto antes, estar aptas a oferecer aos clientes a possibilidade de se regionalizar e customizar seus produtos. Isso vale para vários segmentos e aplicações: material promocional de supermercado, agências de automóveis, jornais e cadernos regionais, livros etc. E como tornar esse pensamento, essa nova filosofia de trabalho, viável para que, numa próxima Drupa, vejamos um cenário diferente, um mercado mais pujante e reaquecido? A palavra de ordem é otimizar tecnologias e processos pré- existentes, educar o mercado sobre as novas potencialidades dos hardwares e softwares de impressão e pré-impressão e, com isso, fazer que os clientes (ou seja, gráficas) obtenham lucro. Gráficas saudáveis e lucrativas têm capital para reinvestir. E quando tudo funciona azeitado num parque gráfico, a parceria entre fornecedor e cliente é reforçada. Creio que essa é a nova missão dos fabricantes de soluções: auxiliar seus clientes (gráficas) a crescerem e descobrirem novas potencialidades para seus negócios. Aqueles que seguem o modelo de simplesmente vender equipamentos e se despedir com um sonoro “adeus” estão com seus dias contados. A concorrência é acirrada e, quando falamos em ajudar os clientes a construírem fluxos híbridos, estamos falando num estreitamento de relacionamento, em ajudar as gráficas, passo a passo, a redescobrirem potenciais para seus negócios e abrirem novos leques de aplicações. Sendo assim, 2012 marcou a era da convergência entre offset e digital. Num futuro muito próximo, o melhor desses dois mundos irá ficar e evoluir, trabalhando em conjunto. Do lado dos fornecedores, este ano marcou uma revolução no que tange à mudança de postura. Nosso desafio é, mais do que nunca, fazer as gráficas assimilarem um novo modo de produção, otimizarem o marketing com seus clientes através da impressão personalizada, diminuírem custos e crescerem. Ter um mercado gráfico saudável no futuro depende, mais do que nunca, de nós.

RONALDO ARAKAKI é gerente de marketing e soluções da Konica Minolta. VOL. IV 2012 TECNOLOGIA GRÁFICA

35


SEYBOLD

Nós vimos o futuro . . . e ele é minúsculo: o processo nanográfico de impressão

U

m dos assuntos que mais cha­ maram a atenção durante a Drupa deste ano foi a intro­ dução, pela empresa is­r ae­ len­se Landa Cor­po­ra­tion, daquilo que está sendo descrito como um novo processo de impressão: a nanografia, ou processo de impressão nanográfi­ co. Como o nome implica, essa é uma tecnologia ba­s ea­d a na utilização de corantes extremamente pequenos, es­ pecificamente micropartículas de co­ rante com um veí­cu­lo à base de água. A tinta é aplicada por cabeçotes jato de tinta pie­zoe­lé­tri­cos modificados so­ bre uma blanqueta circular aquecida, onde o veí­cu­lo aquoso da tinta evapo­ Offset Jato de tinta Nanografia ra. As partículas restantes de pigmen­ to formam uma película e aderem ins­ O processo nanográfico de Landa usa partículas tan­t a­nea­men­te quando transferidas de corante muito pequenas. para um substrato. A Landa Cor­po­ra­tion afirma que a nanografia Na Drupa, a Landa Cor­po­ra­tion apresentou seis traz uma série de be­ne­f í­cios para a impressão: impressoras, três planas (utilizando tamanhos de ◆◆ Gama de cores competitiva com o offset folha B1, B2 e B3 (72 × 101 cm, 72 × 51 cm e 35 × 48 tradicional cm, respectivamente) e três rotativas, duas rodan­ ◆◆ Filme de tinta muito fino (metade da do com bobina de 52 cm de largura e a outra com espessura do filme de tinta do offset e um 104 cm. De acordo com a Landa, as planas produ­ pouco mais fina do que o jato de tinta zirão até 11.000 folhas por hora. As rotativas roda­ convencional), evidenciando, teoricamente, rão até 200 metros/minuto. (Gos­ta­ría­mos de con­ uma economia de tinta verter esses valores para impressões por hora, mas, ◆◆ Respeito pelo meio ambiente, uma vez aparentemente, o corte é va­r iá­vel. Em qualquer que a tinta é à base de água e não requer caso, a 200 metros por minuto, embora mais len­ pós‑secagem tas do que as mais rápidas máquinas de produção ◆◆ Bicos que não deveriam entupir, devido offset rotativa, é uma produtividade considerável à pequenez das nanopartículas para o jato de tinta.) ◆◆ Versatilidade com a capacidade de utilizar Resta saber o quão efi­cien­te serão esses equipa­ um mesmo conjunto de tintas para mentos em produção co­mer­cial real. (Ou quão ca­ impressão em papel revestido, papel sem ros. Até o momento, a Landa não está discutindo revestimento, cartão, filme plástico, polietileno os preços.) As primeiras impressoras utilizando a na­ nografia da Landa, de qualquer configuração, não ou qualquer outro substrato que pode ser estarão nas mãos dos clien­tes até o final de 2013. usado em uma impressora.

36 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. IV  2012


As novas impressoras planas de Landa. De cima para baixo, a S5, a S7 e a S10. Elas estão prometidas para o final de 2013.

Enquanto isso, três grandes fornecedores — Komori, Manroland e Heidelberg — anun­cia­ram planos para oferecer a tecnologia nanográfica de Landa nas futuras gerações de suas pró­prias impressoras. O presidente, principal porta-​­voz e força motora da Landa Cor­po­ra­tion é Benny Landa, um inventor futurista mais conhecido pela nossa indústria como o pai da família Indigo E-​­print de sistemas de impressão digital, que fez sua estreia em 1993. A Indigo foi adquirida aos poucos pela Hewlett-​­Packard entre 2000 e 2001, deixando Benny Landa livre para voltar ao laboratório e sonhar com seus próximos grandes projetos, e a nanografia é o seu primeiro resultado público. O problema pode estar na visão de Landa na qual a nanografia é a solução para o que ele chama de “um fosso enorme entre offset e digital, onde ninguém pode trabalhar de forma lucrativa”. Falando na Drupa sobre seus planos para a co­mer­cia­li­za­ ção da sua nova tecnologia, ele disse: “Temos uma estratégia de três etapas. Nós vamos fazer produtos da marca Landa. Nossos parceiros farão produtos combinados: Komori/Landa, e assim por dian­te. Nós forneceremos consumíveis aos nossos clien­tes e vamos fornecê-​­los aos nossos parceiros para que estes forneçam aos seus clien­tes”.

A existência dessas par­ce­rias crian­do produtos combinados po­ten­cia­li­z a amplamente o alcance de mar­ke­ting da Landa Cor­po­ra­tion e sua po­ten­ cial base de clien­tes. Embora reconhecendo tacitamente essas considerações, Landa também fala de um desejo de fazer uma vasta, ou pelo menos considerável, mudança na forma como a indústria faz as coisas. “Nós po­de­ría­mos ter tido um monopólio, mas os mo­no­pó­lios não mudam in­dús­trias. In­dús­ trias mudam quando a maioria dos fornecedores abraça uma tecnologia”. No caso da indústria gráfica, segundo ele, existe uma incrível leal­da­de às marcas: se um impressor com máquinas Heidelberg quiser comprar uma nova impressora, quer comprá-la da Heidelberg. Há também o fator segurança: os gráficos irão se sentir mais confortáveis na conversão para a nanografia se virem que todo mundo está fazendo isso. Pequenas partículas, grandes possibilidades

Quan­to à noção de que todo mundo vai se converter à nanografia, retornaremos ao tema mais tarde neste artigo. Primeiro vamos dar uma olhada em algumas das novas invenções cien­tí­f i­cas de Landa. Para uma ava­lia­ção das reinvindicações de VOL. IV  2012  TECNOLOGIA GRÁFICA

37


As rotativas: W5, W10 e W 500

desempenho cercando a nanografia, falamos com Wil­liam J. Ray, cien­tis­ta chefe de na­no­tec­no­lo­gias da Nth Degree Tech­no­lo­gies Worldwide, que, como ex-​ ­presidente da As­so­cia­ção Técnica das Artes Gráficas, e um observador ex­pe­rien­te da indústria de artes gráficas. “A nanotinta”, afirma Ray, “é basicamente uma suspensão coloidal de nanopartículas e possui algumas possibilidades interessantes. Uma vez que os veí­cu­los de tinta se aproximam mais de fluidos new­to­nia­nos, isto é, como a água, eles se comportam de diferentes maneiras”. Uma destas possibilidades, ele explica, é que a tinta exibe menos tixotropia — uma tendência em va­riar sua viscosidade sob estresse —, o que significa que ela é viscosa em estado normal e, quando agitada, escorre facilmente. (A tinta offset con­ven­cio­nal é tixotrópica.) Essa característica de viscosidade va­riá­vel, em combinação 38 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. IV  2012

com partículas muito pequenas, resulta, entre outras coisas, em um menor risco de entupimento dos bicos de ejeção de jato de tinta. “Todos os problemas as­so­cia­dos às partículas maiores vão embora”, diz Ray. “Então, do ponto de vista do fluido dinâmico, ela [a nanoimpressão] tem po­ten­cial”. Ele também concorda com o fato de que a impressão nanográfica da Landa também tem po­ten­ cial em termos de qualidade de cor. “As tintas inkjet tradicionais são basicamente misturas, suspensões de partículas muito finas”, afirma Ray. Um problema com a impressão jato de tinta é que a tinta desta modalidade de impressão não é tão opaca quanto aquela usada na litografia tra­di­cio­nal. “Uma das maneiras de fazer uma tinta inkjet mais parecida com a tinta litográfica é fazer que as partículas de pigmento se tornem real­men­te pequenas”. Ele explica que,


quando as partículas de pigmento são suspensas ao serem misturadas, uma maior concentração de corante por volume pode ser possível sem entupir os cabeçotes de impressão jato de tinta. Tornar as partículas de tinta muito pequenas significa que elas têm uma alta relação entre superfície e volume. Em uma tinta tradicional, que contém partículas maiores de pigmento, grande parte do pigmento não funciona opticamente porque está escondida no interior das próprias partículas. Ao mesmo tempo, Ray afirma que é possível obter um efeito similar ao das tintas UV, com um elevado teor de sólidos. “Eu não acho que isso seja realmente resultado do alto teor de sólidos, mas a tinta nano se aglutina muito bem. Deve ser possível carregar mais corantes em suspensão e, como resultado, as cores serão mais opacas”. UM SÉRIO COMPROMISSO

Todas as análises de Ray estão de acordo com descrições do novo processo Landa como divulgado antes da Drupa e como discutido em conferências de imprensa, entrevistas e declarações desde o início de maio. Ter feito o que Landa e sua equipe parecem ter feito, observa Ray, é uma realização significativa. “Nós lidamos com nanotecnologias o tempo todo”, diz ele. “Normalmente, a parte mais difícil é conseguir o material em suspensão na tinta. Nestes tamanhos muito pequenos, as forças de van der Waals entram em jogo. Existe um tipo de atração entre as partículas e, nestes níveis minúsculos, as coisas tendem a se aglomerar. Por exemplo, fazemos um condutor transparente a partir de nanofibras de prata. Não é possível apenas fazer as nanofibras em uma tinta, e o resultado são

A E-Print 1000, a primeira Indigo.

aglomerados de nanofibras”. Ele explica que as nanofibras devem ser encapsuladas ou manipuladas de alguma outra maneira para converter as partículas em tinta. Parece que Landa conseguiu isso e ele fala de sua admiração: “Isto não é um processo químico trivial”. A natureza desse processo, ele aponta, tem implicações econômicas. “Nós fazemos impressão de eletrônicos. Em termos de economia, descobrimos que, quando se lida com um material bruto muito caro, como a prata, em nanopartículas, existe uma vantagem. Com a prata, as nanopartículas podem ser feitas tão pequenas que elas farão o que chamamos de sinterização, o que significa, basicamente, que elas se fundem. A condutividade é muito maior, além da capacidade de amperagem — o valor de eletricidade conduzida — para uma determinada área da secção transversal de uma linha impressa”. Em outras palavras, o esforço de tentativa e erro necessário para criar uma nanotinta de prata tem um custo justificado pela economia de matériasprimas. Isto, Ray aponta, não é o caso das tintas gráficas. Pigmentos são baratos, portanto, usando menos deles não se poupa o suficiente para compensar o custo do tratamento especial que os nanomateriais requerem. “Eu acho que vai ser um produto caro. Ele [Landa] vai ter de vendê-la [nanotinta] como tinta inkjet, com um gamut de cores mais amplo e cores mais opacas. A questão é complicada”. A NANOESTRADA À FRENTE

A visão de Benny Landa para sua iniciativa de nanotecnologia é consideravelmente maior do que alguns meros equipamentos de impressão. Como revelado em um artigo publicado em janeiro de 2012 no Ynet News, uma publicação israelense, o objetivo de Landa é criar uma fonte alternativa de energia com a adoção de aquecedores com o uso de materiais condutores em nanoimpressão para gerar eletricidade e calor ambiente. Isso pode ou não ser possível. Um primeiro registro de patente lhe foi negado, uma vez que ele violava a Segunda Lei da Termodinâmica — típica ambição de Landa. De acordo com entrevistas dadas por colaboradores mais próximos de Benny, sua intenção final para a impressão nanográfica é que ela floresça ao ponto de ser capaz de servir como uma fonte garantida de receita para financiar a pesquisa de sua empresa de energia. A questão permanece: mesmo se a nanografia provar ser tudo aquilo que a Landa Corporation promete, a indústria gráfica realmente precisa de, e nesse sentido conseguirá absorver, um produto caro VOL. IV 2012 TECNOLOGIA GRÁFICA

39


Especificações Especificaçõespreliminares: preliminares:impressoras impressorasplanas planas

Impressoras Planas

Landa S 5 B3

Formato

Landa S 7

Landa S10 (para cartonados dobráveis)

B2

(para impressão comercial)

B1

Velocidade máxima de impressão (um lado)

11.000 sph

8.800 / 12.000 sph

Velocidade máxima de impressão (dois lados)

5.500 sph

4.400 / 6.000 sph

CMYK, spot e cores especiais

CMYK, spot e cores especiais

CMYK, spot e cores especiais

4–8

4–8

4–8

600 x 60 0 / 1.200 x 600 dpi

600 x 60 0 / 1.200 x 600 dpi

Nanotintas Landa Número de cores Resolução

6.500 / 13.000 sph 3.250 / 6.500 sph

--

600 x 60 0 / 1.200 x 600 dpi

600 x 60 0 / 1.200 x 600 dpi

com múltiplos níveis de cinza com múltiplos níveis de cinza com múltiplos níveis de cinza com múltiplos níveis de cinza

Tamanho máximo do papel (um lado)

370 x 520 mm

530 x 750 mm

750 x 1.050 mm

740 x 1.050 mm

Área máxima de impressão

360 x 510 mm

520 x 740 mm

740 x 1.040 mm

730 x 1.040 mm

Largura e espessura do papel (um lado)

70-400 µm; 60-350 g/m2

70-400 µm; 60-350 g/m2

200-1.000 µm

60-460 µm; 60 - 400 g/m2

Largura e espessura do papel (dois lados)

70-350 µm; 60-300 g/m2

70-350 µm; 60-300 g/m2

--

60-400 µm; 60 - 350 g/m2

Tipos de mídia

Qualquer tipo de mídia off-the-shelf: revestido, não revestido, sintético espacial (colorido com relevo, metálico)

Qualquer tipo de mídia off-the-shelf: revestido, não revestido, sintético espacial (colorido com relevo, metálico)

Todos os tipos de papelão: virgem e reciclado, revestido dos dois lados, revestido de um lado, metalizado

Entrada e saída da pilha

Entrada: 900 mm Saída: 420 mm

Entrada: 800 mm Saída: 600 mm

Entrada: 1.150 mm Saída: 1.150 mm

4.390 x 3.250 x 1.850 mm

8.650 x 3.665 x 1.850 mm

8. 100 k g

18. 500 k g

Tamanho da 3.220 x 2.280 x 1.850 mm impressora (T x L x A) Peso

5.600 kg

abrangendo tiragens de 1.000 a 10.000 unidades, no qual impressoras tanto digitais quanto as offset rápidas já estão conseguindo ganhar dinheiro? John Hyde, vice-​­presidente sê­nior da Na­tio­nal As­s o­cia­tion for Printing Lea­dership (NAPL), lidera fusões e aquisições na equipe de consultoria da NAPL . Nesta função, ele mantém contato estreito com todo mundo, desde gráficas de grande sucesso até aquelas que mal estão se aguentando. “Tem de haver alguma razão para os clien­tes quererem essa tecnologia”, diz Hyde. “As empresas bem-​­sucedidas em nossa indústria são capazes de satisfazer as expectativas dos clien­tes com base no que as capacidades da gráfica farão para os clien­tes do clien­te, 40 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. IV  2012

Qualquer tipo de mídia off-the-shelf: revestido, não revestido, sintético espacial (colorido com relevo, metálico)

e com um retorno do investimento demonstrável. Se essa nova tecnologia puder ajudar com isso, será bem recebida e será demandada. Mas, se for apenas outra maneira de fazer algo bonito, será difícil de provar o retorno sobre seu investimento”. Nossa opinião

Chegar a uma conclusão definitiva sobre a via­bi­li­ da­de dessa tecnologia, neste momento, é uma tarefa difícil, principalmente pela questão da personalidade envolvida. Se qualquer outra pessoa que não Benny vies­se e dissesse que iria re­vo­lu­cio­ nar a tecnologia de impressão e usar os seus recursos para fi­nan­ciar o que se parece muito com


Especificações Especificaçõespreliminares: preliminares:impressoras impressorasrotativas rotativas

Impressoras Rotativas Formato (largura máxima substrato) Velocidade máxima de impressão (um lado) Velocidade máxima de impressão (dois lados) Nanotintas Landa Número de cores Resolução

padrão Largura da impressão Espessura do substrato Tipos de substratos

Diâmetro da bobina Tamanho da impressora Peso Opções adicionais

Landa W 5

Landa W 10

560 m m

1.020 mm

Landa W 50 560 m m

100 / 200 m /m in.

100 / 200 m /m in.

--

--

--

200 m /m in.

CMYK, spot e cores especiais

CMYK, spot e cores especiais

4–8

4–8

CMYK 4

600 x 600 / 1.200 x 600 dpi

600 x 600 / 1.200 x 600 dpi

600 x 600 dpi

com múltiplos níveis de cinza

com múltiplos níveis de cinza

com múltiplos níveis de cinza

Desbobinador, rebobinador

Desbobinador, rebobinador

550 m m

1. 007 m m

Filme: 12-250 µm Papel: 50-300 µm

Filme: 12-250 µm Papel: 50-300 µm

Desbobinador

550 m m

Papel: 50-350 µm 40-300 g/m2

Plásticos: PE (polietileno), BOPP (polipropileno biaxialmente orientado), CPP (elenco de polipropileno), PET (politereftalato de etileno), PET metalizado Outros: folhas de alumínio, papel, celulose regenerada, vulgo celofane

Revestido, não revestido, peso médio revestido, baixo peso revestido, super calandrados, papel jornal

1. 250 m m

1. 250 m m

1. 250 m m

6.830 x 2.441 x 1.800 mm

9.740 x 3.920 x 1.850 mm

5.980 x 3.920 x 1.850 mm

5. 600 k g

9. 800 k g

6. 700 k g

--

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uma máquina de moto-​­perpétuo, só haveria uma resposta: de jeito nenhum! No entanto, há 19 anos Benny Landa, um homem que já havia se tornado rico por suas invenções, colocou-se dian­te da indústria gráfica mun­ dial e fez promessas com a sua nova tecnologia, a Indigo Print-​­1000, da mesma forma como faz agora com a nanografia. Mais sur­p reen­d en­te ainda porque a indústria não o conhecia até então. Apesar de a Indigo ter seus altos e baixos ao longo dos anos (e junto com ela seus usuá­rios), essa tecnologia mudou as regras do jogo no que se refere à qualidade de impressão digital, assim como para toda a indústria gráfica.

Naquele momento Landa ganhou o benefício da dúvida. Como temos tentado tornar claro, isso pode ser uma grande dúvida. A nanografia não está pronta para o mercado, será cara e ele está entrando no mundo em um momento economicamente muito complicado. Será uma difícil tarefa. Mas, se ela se mostrar como uma alternativa real para os clien­ tes da Komori, Heidelberg e Manroland, e se eles puderem usá-la para agregar valor real ao clien­te, ela poderá obter êxito. Em suma, são muitos “ses” em uma era de muito poucas certezas. Em um ano e meio, quando a tecnologia se tornar produto no mercado, vamos dar uma nova olhada na nanografia.

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Tradução autorizada do

The Seybold Report, volume 12, número 9, de 7 de maio de 2012. VOL. IV  2012  TECNOLOGIA GRÁFICA

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ENTREVISTA Tânia Galluzzi

“Nos próximos quatro anos, viveremos um cenário de grandes mudanças”

F

ormado em engenharia, Maurício Groke, presidente da As so ciação Brasileira de Embalagem (Abre), milita há mais de 20 anos no segmento de embalagem, participando de projetos de logística, armazenamento e distribuição no setor de atacado e varejo de alimentos. Foi diretor comercial da Antilhas por 22 anos e, desde 2011, atua por meio de consultoria junto às empresas e indústrias de todo o País, dando suporte no desenvolvimento de novos negócios e de tecnologias em embalagem através da Integralle, Consultoria e Gestão de Negócios. Nesta entrevista, Maurício fala das perspectivas e desafios da indústria de embalagem no Brasil. O balanço da Abre referente ao primeiro semestre de 2012, divulgado em setembro através do estudo macroeconômico do setor, revelou um ambiente de retração geral na indústria. Esse quadro está se mantendo? A perspectiva de fechamento do ano com um faturamento de R$ 47 bilhões também? Maurício Groke – O resultado será negativo, mas a vertente é de recuperação. Isso porque, apesar da retomada agora no segundo semestre, não devemos zerar essa conta, fechando o ano com recuo de até 1% no volume produzido em relação a 2011. A previsão de faturamento também se mantém conforme o previsto, trazendo um aumento em relação a 2011.

Maurício Groke 44 TECNOLOGIA GRÁFICA

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A mesma análise mostrou que as exportações, por sua vez, cresceram 8,86% em relação ao primeiro semestre de 2011. Essa elevação reflete o movimento da indústria buscando alternativas ao mercado interno menos aquecido?


MG – Não há como detectar claramente as razões para o aumento das exportações em cada segmento da indústria de embalagem. Fazendo uma análise ampla, a indústria está sim buscando alternativas, procurando novos mercados. Como tivemos uma desvalorização do real frente ao dólar, nosso produto tornou-se mais competitivo lá fora. Podemos dizer que foi a soma desses dois fatores, maior competitividade do produto nacional e a busca de novos mercados.

to das embalagens, tanto para atender a demanda por embalagens menores, individualizadas, direcionadas, por exemplo, para pessoas que moram sozinhas, quanto em função de lotes cada vez menores, resultado da necessidade da indústria de acelerar a velocidade de seus lançamentos. Preparar-se para o fracionamento das embalagens é um dos maiores desafios da indústria de embalagem hoje. Não adianta ter a maior e melhor máquina. É preciso ter equipes preparadas para desenvolver novas embalaAs importações seguiram o mesmo caminho de gens com rapidez e ter agilidade e flexibilidade para elevação, com um aumento de 5,42% no mesmo responder às novas exigências dos clientes. O conperíodo. Por quê? sumidor quer novidade, a indústria procura atender MG – Ao olhar para esse número temos de ter esse anseio e precisa que os fabricantes de embalaem mente que ele envolve gens a acompanhem, e a não só a embalagem acabaindústria de embalagem, Preparar-se para o da, mas também a compra por sua vez, fica ensande matérias-primas para a duichada entre os clienfracionamento das confecção da embalagem. tes e seus fornecedores embalagens é um dos Em alguns momentos, o de matéria- prima, que maiores desafios da indústria varejo cresce em função muitas vezes não aprede embalagem hoje. do aumento do consumo, sentam alternativas que mas o setor de embalagem possibilitem esse movinão segue o mesmo ritmo, uma vez que muitos pro- mento. Toda a cadeia precisa se mover nesse sentido. dutos já chegam embalados no Brasil. O crescimento nas importações no mercado de embalagens pode Quais são as perspectivas para 2013? refletir a elevação na importação de papel, pape- MG – A tendência é de melhora. Não esperamos lão e cartão, que entram no Brasil como matéria- nada muito significativo, mas um cenário mais faprima para embalagens. O mesmo pode acontecer vorável. O próximo ano deve ser marcado pelos com filmes plásticos e resinas, que são classificados primeiros impactos da entrada em vigor da Pocomo insumo para embalagens. Esses movimentos lítica Nacional de Re síduos Sólidos e da necessina exportação e importação de embalagens vão dade do envolvimento da indústria no sistema de continuar, sobretudo em função da presença de logística reversa (ver matéria página 48). Nos prómultinacionais de embalagem no País, que, buscan- ximos quatro anos viveremos um cenário de grando os melhores resultados, setorizam a compra de des mudanças. O recolhimento das embalagens insumos e a produção das embalagens. domiciliares elevará o volume de matérias-primas pós-consumo, o que refletirá nos custos das embaO estudo mostrou, igualmente, que os segmentos lagens, assim como as soluções adotadas na reciclade perfumaria e cosméticos e limpeza foram os gem dos resíduos. A reciclagem pode estar dentro únicos com elevação no consumo de embalagem. da indústria de embalagem ou fora, questões que Eles continuarão a puxar a produção? mexerão no custo final da embalagem para cima MG – Não tenho dúvida disso. O hábito do con- ou para baixo, podendo provocar, inclusive, a misumidor brasileiro está mudando, com a amplia- gração para esta ou aquela matéria-prima. Os mateção do público para esses produtos. Vemos a pro- riais cuja reciclagem causar maior impacto no meio liferação de linhas voltadas para o homem, para a ambiente tendem a ficar mais caros. Ao longo de criança, para o adolescente. E a indústria cosmética 2013 serão fechados os acordos setoriais que deterbrasileira está ocupando os espaços. A ascensão da minarão as obrigações de cada integrante da cadeia produtiva e não há como fugir disso, sendo que classe C contribui fortemente para isso. Outra mudança nos hábitos de consumo que im- as metas para o cumprimento das determinações pactará o setor de embalagem será o fracionamen- da lei aumentarão ano após ano. VOL. IV 2012 TECNOLOGIA GRÁFICA

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2012 DEVE FECHAR COM QUEDA DE 1%

Em função das mudanças de mercado, várias gráficas que antes não atuavam no segmento de embalagem estão investindo em equipamentos flexíveis, que as permitam ampliar sua oferta de produtos. Como o senhor vê a aposta da indústria gráfica no segmento de embalagem? MG – A indústria gráfica tem uma grande oportunidade no setor de embalagem. Mas deve haver um entendimento para que o empresário saiba como adequar seu parque gráfico. Ele tem de acompanhar o ritmo acelerado desse mercado, estar ciente de que se trata de uma indústria de prestação de serviço. Um dos cenários que terá de enfrentar é o gargalo de matéria-prima. O Brasil é mal servido nesse assunto quando comparado aos Estados Unidos e à Europa. O senhor está se referindo à quantidade ou à variedade de produtos? MG – À varie dade de produto. O que um gráfico alemão, por exemplo, tem disponível em termos de diversidade e de preço é muito maior que um gráfico no Brasil. Isso limita fortemente a nossa competitividade e a possibilidade de oferecer ao cliente produtos diferenciados. Precisamos de uma base maior de fornecedores. Na lista de 100 produtos com elevação temporária do imposto de importação determinada pelo governo está o cartão. Essa medida não atende a indústria de embalagem. O que tornaria a indústria mais competitiva seria a redução do imposto para insumos sem similaridade nacional. 46 TECNOLOGIA GRÁFICA

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O estudo macroeconômico da indústria brasileira de embalagem, realizado pelo Instituto Brasileiro de Economia ( FGV ) para a Abre, apresentou os reflexos da crise internacional e da desaceleração da economia brasileira no segmento de embalagem no primeiro semestre deste ano. A produção física teve um recuo de 3,49% em relação ao mesmo período de 2011. O crescimento projetado de 1,5% no segundo semestre não será suficiente para equilibrar a balança e o setor deve apresentar retração de 1% em sua produção. Apesar disso, a receita líquida em 2012 deverá atingir R$ 47 bilhões, numa alta de aproximadamente 5% sobre os R$ 44,7 bilhões gerados em 2011. Os plásticos representam a maior participação no valor da produção, correspondendo a 37,08% do total, seguidos por papelão ondulado, com 18,75%, e embalagens metálicas, com 16,79%. Na análise por setor, a produção física de embalagens de vidro, madeira, plástico e metal recuou na comparação com o primeiro semestre de 2011. A principal retração é de embalagens de vidro, que diminuiu sua produção em 10,88%, seguido por madeira (– 8,08%), metal (– 7,10%) e plástico (– 3,77%). O setor de papel/papelão/cartão foi o único a ter um resultado positivo, com um incremento de 1,36% em sua produção. As principais indústrias usuárias de embalagem apresentaram uma retração de produção no primeiro semestre de 2012 em comparação ao mesmo período do ano passado, com exceção das indústrias de perfumaria e cosmético e produtos de limpeza, que tiveram, respectivamente, um crescimento de 6,97% e 4,24%. Vimos na Drupa 2012 o investimento de vários fornecedores no desenvolvimento de impressoras digitais para embalagens. O convertedor já vê a tecnologia digital como uma alternativa viável? MG – Quem não está sensibilizado está preocupado e algumas empresas já pensam em investir. Os sistemas híbridos são os mais atrativos. Eles podem dar maior mobilidade à indústria, viabilizando projetos, e não só na área de papel e cartão. Porém, volto a insistir. O mais importante são os insumos. Quando nos referimos à indústria de perfumaria e cosméticos então, a maior variedade de produtos é fundamental. Precisamos da mobilização de toda a cadeia para que a indústria nacional de matérias-primas para embalagem possa superar essa questão.


A SUA PARTE PODE PARECER PEQUENA, MAS FAZ TODA A DIFERENÇA NO MUNDO

O Prêmio ABIGRAF de Responsabilidade Socioambiental foi criado para estimular e reconhecer práticas corretas e inteligentes nas áreas social e ambiental para toda indústria gráfica brasileira.

REALIZAÇÃO

INFORMAÇÕES www.abigraf.org.br


GESTAO AMBIENTAL

Márcia M. Biaggio

Seja uma gráfica responsável Saiba por que e como atender a Lei 12.305/2010, da Política Nacional de Resíduos Sólidos.

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titudes ambientalmente corretas já fazem parte do dia a dia de parte das gráficas comprometidas com a sustentabilidade, evidenciando uma promissora evolução. Essas empresas adotam práticas como: ◆ Destinação correta dos resíduos sólidos e líquidos. ◆ Substituição dos principais insumos, quando possível, por linhas ambientalmente corretas em todas as etapas do processo. ◆ Prática de coleta seletiva, incentivada pela presença dos coletores coloridos. ◆ Aplicação da Produção Mais Limpa, que visa minimizar qualquer impacto indesejável ao meio ambiente, utilizando técnicas econômicas e ambientais integradas a processos e produtos visando aumentar a eficiência no uso de

matérias-primas, água e energia, minimizando os principais impactos ambientais. Contudo, tanto a quantidade de empresas que estão comprometidas com o meio ambiente quanto as ações citadas não são suficientes para cumprir os requisitos e exigências legais nos âmbitos municipal, estadual e federal. Especialmente porque o mercado gráfico é composto por 96% de empresas de pequeno porte, que certamente não estão preparadas para atender esses requisitos. Pare um momento e reflita: se o seu cliente cobrasse hoje as boas práticas ambientais básicas ou o cumprimento dos requisitos legais (licenciamento ambiental), sua empresa estaria preparada? É com esse enfoque que precisamos estar atentos à importância não só da busca de práticas ecologicamente corretas, mas também da relação das


questões ambientais com os ganhos econômicos, sem contar a necessidade do cumprimento dos re­ quisitos legais para a empresa em todos os níveis. A nova Lei 12.305/2010 (PNRS – Política Na­cio­ nal de Re­sí­duos Sólidos), que entrou em vigor em agosto deste ano, visa regulamentar a questão dos re­sí­duos sólidos através de prin­cí­pios, objetivos, di­ retrizes, metas, ações e instrumentos para sua im­ plementação, além da exigência de elaboração do PGRS – Plano de Ge­ren­cia­men­to de Re­sí­duos Só­ lidos e a prática da logística reversa. A partir dessa lei podemos afirmar que o controle dos re­sí­duos e o li­cen­cia­men­to am­bien­tal serão caminhos sem volta para qualquer empresa que deseja ­atuar cor­ retamente. Cabe ressaltar que, para a indústria ge­ radora de resíduo, a obri­ga­to­rie­da­de do ge­ren­cia­ men­to dos re­sí­duos já estava contemplada na Lei Federal 6.938/1981. Tal lei vem sendo aprimorada com a edição de novas regras, como está aconte­ cendo agora com a Política Na­cio­nal de Re­sí­duos Sólidos (12.305/2010). Em seu Artigo 1º,‒ a nova lei institui a Política Na­cio­nal de Re­sí­duos Sólidos, dispondo sobre seus prin­cí­pios, objetivos e instru­ mentos, bem como sobre as diretrizes relativas à gestão integrada e ao ge­ren­cia­men­to de re­sí­duos sólidos, incluindo os perigosos, além das responsa­ bilidades dos geradores e do poder público e dos instrumentos econômicos aplicáveis. A exigência do Plano de Ge­ren­cia­men­to de Re­sí­ duos Sólidos (PGRS) consiste basicamente na iden­ tificação das fontes geradoras dos re­sí­duos através do ma­pea­men­to dos fluxos operacionais, seus as­ pectos e impactos, promovendo a adoção de boas práticas ambientais, como a redução do consumo de ma­té­rias-​­primas e de recursos naturais, a elimi­ nação de subs­tân­cias tóxicas e a redução dos ris­ cos e custos, objetivando o cumprimento da lei, além do evidente retorno para a empresa e para a comunidade na qual ela está inserida. O que será cobrado da indústria gráfica

No momento, o gráfico deve se concentrar na prá­ tica correta do ge­ren­cia­men­to dos re­sí­duos indus­ triais e perigosos até a destinação final, pois, com a nova lei, a cobrança será mais efetiva, uma vez que a apresentação do PGRS passa a ser obrigatória na renovação da licença am­bien­tal.

O que é o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos

O Plano de Ge­ren­cia­men­to de Re­sí­duos Sólidos (PGRS) é o documento que aponta e descreve as ações relativas aos re­sí­duos sólidos, observadas suas características e riscos, contemplando os as­ pectos referentes à geração, segregação, acon­di­ cio­na­men­to, coleta, armazenamento, transporte e disposição final, bem como as ações de proteção ao meio am­bien­te. Conforme previsto no Artigo 24 da Lei 12.305, para renovar a licença am­bien­tal a empresa terá que apresentar o PGRS. Em contato recente com algu­ mas regionais da Cetesb, Companhia de Tecnologia de Sa­nea­men­to Básico, ligada à Secretaria do Meio Am­bien­te do governo paulista, foi identificado que na cidade de Santo André já é fato a solicitação do PGRS na renovação da licença de operação. A em­ presa que já vem trabalhando com foco no ge­ren­cia­ men­to de re­sí­duos e possui li­cen­cia­men­to am­bien­ tal não terá com o que se preo­cu­par. As empresas que ainda não ini­cia­ram esse processo terão de se adequar rapidamente. Por onde começar

Podemos definir de forma prática e objetiva um passo a passo para a gráfica que necessita se ade­ quar ou simplesmente melhorar a forma como vem atuan­do. 1º- passo – Licenciamento ambiental

O li­cen­cia­men­to am­bien­tal é o instrumento que o poder público possui para controlar a instala­ ção e operação das atividades, visando preservar o meio am­bien­te para as so­cie­da­des atuais e futu­ ras. A principal função desse instrumento é con­ci­ liar o desenvolvimento econômico com a conser­ vação do meio am­bien­te. No Estado de São Paulo, o li­cen­cia­men­to am­bien­tal é obrigatório desde 8 de setembro de 1976, através da Lei 997, regula­ mentada pelo decreto 8.468. A licença am­bien­tal é concedida em três etapas: ◆◆ Licença prévia ◆◆ Licença de instalação ◆◆ Licença de operação O Artigo 66 do decreto federal 6.514/08 trata da multa administrativa para os estabelecimentos em atividade e que não pos­suem a licença am­bien­tal ou VOL. IV  2012  TECNOLOGIA GRÁFICA

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Não geração redução reutilização reciclagem tratamento dos resíduos sólidos disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos

estão em desacordo com a licença obtida. O valor da multa pode variar de R$ 500,00 a R$ 10 milhões. Para a empresa adequar-se a essa etapa é preciso: ◆ Possuir a licença de operação correspondente ao perfil da empresa, determinando os resíduos perigosos existentes na gráfica (classificação conforme ABNT NBR 10.004/2004). ◆ Identificar os processos ou atividades existentes na gráfica e seus componentes. ◆ Conhecer as especificações e a Ficha de Informação de Segurança de Produtos Químicos (FISPQ ). Para tanto, basta solicitar essas informações ao seu fornecedor de insumos no momento da homologação (compra inicial de produtos químicos). ◆ Caracterizar e comparar esses componentes com as listagens de resíduos e substâncias cujo impacto à saúde e ao meio ambiente é conhecido (inflamáveis, tóxicos e corrosivos). 2º- passo – Desenvolver ações para o gerenciamento dos resíduos até a elaboração do PGRS

Em primeiro lugar é preciso compreender o conceito hierárquico, ou seja, a ordem das práticas das ações para iniciar o gerenciamento dos resíduos (Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos – 12.305/2010), como mostra a figura acima. ◆ Identificar os fluxos de resíduos (mapeamento dos aspectos e impactos) e os processos ◆

MÁRCIA M. BIAGGIO

é diretora da EstatBrasil Consultoria e consultora da ABTG.

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operacionais onde se encontram os resíduos classificados como perigosos (classe I): pré-impressão, impressão e pós-impressão. ◆ Adotar um sistema de controle com ações de melhorias (identificação das alternativas de eliminação, redução, reciclagem, coleta seletiva e destino final). ◆ Realizar a medição do desempenho das ações ambientais implantadas. ◆ Elaborar o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos – PGRS. 3º- passo – Logística reversa

A logística reversa é mais um item importante, amplamente abordado na Lei 12.305. Essa política estabelece aos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes a obrigação de estruturar e implantar sistemas que envolvam o retorno das embalagens dos produtos após o uso aos seus fabricantes, independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos. No momento, a preocupação da gráfica com essa etapa deve ser voltada às embalagens geradas a partir dos insumos utilizados nos processos operacionais. A grande maioria é proveniente dos químicos considerados resíduos perigosos (classe I). Então, por que os fornecedores ainda não praticam a logística reversa das embalagens dos insumos utilizados? Isso não acontece de forma obrigatória porque os acordos setoriais de alguns segmentos, determinando como realizar essa logística, ainda não estão definidos. Os fornecedores também terão que achar soluções para se enquadrarem nos requisitos da lei. Enquanto isso não ocorrer, não podemos considerar como obrigatória a devolução das embalagens aos fabricantes. Porém, alguns fornecedores já estão se preparando nesse sentido. Para essa etapa cabe à gráfica, como geradora do respectivo resíduo (embalagens), atuar conforme os requisitos da lei e destinar corretamente, sem poluir. Atuar cumprindo as exigências estipuladas pelos procedimentos do licenciamento ambiental e do gerenciamento de resíduos constitui o alicerce básico para a conformidade ambiental, propiciando a inserção da empresa no mercado competitivo, criando condições para a melhoria de seu desempenho ambiental junto à cadeia de fornecedores e clientes, tornando-se ou mantendo-se como uma gráfica responsável.


SITES

ABRE www.abre.org.br A Associação Brasileira de Embalagem atualizou seu portal. O novo site está mais dinâmico e moderno, abrangendo dados macroeconômicos do setor, informações sobre o mercado, eventos nacionais e internacionais, notícias sobre os comitês de trabalho e serviços prestados pela entidade. Para fazer parte do Universo da Embalagem basta cadastrar-se no novo portal.

LITERATURA

Quer Publicar um Livro? Descubra Como! Ricardo Minoru A obra trata da autopublicação de livros, atendendo diretamente o segmento de impressão digital sob demanda. Assuntos como as tendências do mercado literário, o ciclo produtivo de um livro, impressão sob demanda, aspectos burocráticos, obtenção de patrocínios, técnicas de produção gráfica de livros impressos e autopublicação são tratados de forma direta e objetiva pelo autor. A obra traz capítulos dedicados exclusivamente à distribuição e divulgação, tanto das versões impressas quanto eletrônicas por meio das distribuidoras, agregadoras, lojas físicas e virtuais no Brasil e no mundo. Bytes & Types www.bytestypes.com.br

EDOAUTOR edoautor.com.br A Hub Editorial lançou recentemente a plataforma vir tual edoAutor. O site permite que escritores publiquem seus próprios livros eletrônicos, além de auxiliar na divulgação e venda dessas obras. A plataforma oferece serviços gratuitos e pagos, destacando-se dentre os últimos design de capas e auxílio em etapas burocráticas para registro do livro na Biblioteca Nacional, por exemplo. A intenção é que em breve o edoAutor ofereça também o serviço de impressão sob demanda.

Conceito/Design/Direção Claudio Novaes Ao longo das últimas três décadas o designer Claudio Novaes desenvolveu logos, identidades visuais, projetos gráficos e editoriais, mobiliário, luminárias e comunicação visual para espaços comerciais e exposições. Parte dessa longa jornada visual está reunida no livro Conceito/Design/Direção. São mais de 80 trabalhos comandados por ele e outros colaboradores, divididos em décadas (2000, 1990 e 1980), que ajudam a contar um pouco mais sobre a evolução do design gráfico brasileiro sob a ótica desses trabalhos. No livro o designer demonstra sua busca pelo mais simples, pelas formas mais puras, pelo essencial. Suas criações são limpas, sempre focadas em criar algo essencial no conteúdo e na forma. WMF Martins Fontes www.wmfmartinsfontes.com.br

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TUTORIAL

Thiago Justo

Texto em perspectiva

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manipulação de textos sempre foi um desafio para os designers gráficos. Na era tipográfica, a composição seguia sempre o arranjo ortogonal, só quebrado em alguns momentos, como em trabalhos futuristas e dadaístas. Com a composição fotográfica o designer ganhou muita liberdade para fazer a composição dos textos, experiências com uso de perspectivas, lentes e torções passaram a trazer uma grande inovação ao texto impresso. Atualmente, com os programas de computação gráfica, todos esses procedimentos ficaram muito mais simples de serem feitos. Neste tutorial vou apresentar um exemplo de aplicação de perspectiva em um texto, tudo feito no Illustrator. Confira as dicas. Requisitos: Adobe Illustrator. Para iniciar o trabalho selecionei uma imagem fotográfica com uma casa em perspectiva bem marcada (1). As linhas retas da construção têm grande relação com a arquitetura moderna. Eu pretendo inserir um título nesta foto, aproveitando a perspectiva apresentada nela.

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Antes, para que eu conseguisse fazer isso, foi preciso demarcar os pontos de fuga da imagem e as linhas de força para poder compor o texto dentro dessas guias de composição. Hoje existe no Illustrator uma ferramenta de perspectiva que facilita muito nosso trabalho. Crie um novo documento e traga a imagem que você escolheu para dentro dele (File ➠ Place).


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Posicione a imagem no documento e com um duplo clique da janela de layers do documento faça que esta camada fique com a propriedade de template para que a tarefa de ajustar a perspectiva e o texto fique mais fácil de ser visualizada. Para isso escolha a opção template na propriedade da camada (2). Agora crie uma nova layer para aplicar o texto em perspectiva (3). Em seguida selecione a ferramenta Perspective Grid Tool ou Shift + P. Para poder mudar os tipos de perspectiva disponíveis no programa basta mudar a visualização no

menu View ➠ Perspective Grid. Para minha imagem era preciso uma perspectiva com dois pontos de fuga, mas você pode escolher um, dois ou três pontos de fuga (4).

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Além de escolher os pontos de fuga, você pode modificar o grid de perspectiva movendo os pontos de ancoragem até chegar na perspectiva desejada (5, 6, 7). Eu mexi nos pontos de ancoragem até o grid de perspectiva se ajustar à perspectiva da fotografia escolhida. Digite o texto que deseja aplicar em perspectiva e faça toda a configuração de tipo de fonte e cor (8). Agora é hora de colocar este texto em perspectiva. Selecione a caixa de texto e escolha qual a face da imagem em que o texto deverá ser 56 TECNOLOGIA GRÁFICA

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aplicado. Para isso, clique em umas das faces do cubo que aparece na área 10 de trabalho quando se está usando a ferramenta de perspective grid (9).). Depois, ative a ferramenta Perspective Selection Tool (Shift + V) (10) e com ela arraste a caixa de texto na posição desejada na imagem. Com essa mesma ferramenta você pode diminuir, aumentar e distorcer o texto, com ele sempre em perspectiva (11).

só funciona se você estiver 14 com a ferramenta Perspective Grid Tool ativada (14). Desabilite a opção de template da layer da imagem, nas propriedades da layer (15). Para poder mexer em qualquer outra propriedade do texto (como trocar de cor e aplicar gradientes, entre outros) você pode expandir o texto. Isso irá transformá-lo em curvas (16). Para finalizar 15

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Se le cio ne a outra caixa de texto e aplique na outra face em perspectiva da imagem. Para tanto, clique na outra face do cubo no ícone que aparece na área de trabalho (12). Com os dois textos aplicados em perspectiva, desative a visualização da perspective grid (13), fechando o ícone de cubo da área de trabalho (clique no “x”). Mas isso

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eu inseri uma tarja na mesma cor do texto, usando a Rectangle Tool. Agora aproveite este tutorial e aplique textos, imagens e vetores em perspectiva de um jeito muito mais fácil. THIAGO JUSTO é instrutor de pré-impressão da Escola Senai Theobaldo De Nigris VOL. IV 2012 TECNOLOGIA GRÁFICA

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TIPOGRAFIA

a letra impressa •parte 6 o mundo novo das fontes digitais

Claudio Rocha

Nesta série de artigos foram examinados os processos de fabricação de tipos, passando por seus diversos estágios de produção no sistema tipográfico, na fotocomposição e no sistema digital. Nos artigos anteriores foram apresentados os processos manual e mecânico de produção de punções, a confecção de matrizes, a composição mecânica, a fotocomposição, as fotoletras e o sistema de letras transferíveis. Este artigo sobre a tipografia digital encerra a série. A fonte utilizada no título e legendas deste artigo é a Palatino Sans, criação de Hermann Zapf e Akira Kobayashi, de 2006. Para o texto foi utilizada a Monotype Bembo, versão digital da fonte produzida no século XV por Francesco Griffo sob encomenda do editor Aldus Manutius.

CLAUDIO ROCHA é tipógrafo, editor da revista Tupigrafia e diretor da OTSP, Oficina Tipográfica São Paulo

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Na tipografia digital os tipos deixaram de ser objetos com propriedades físicas e passaram a ser sequências digitalizadas em código binário, com visualização em um monitor e descrições de cur vas vetoriais interpretadas por uma impres­ sora. Nesse contexto, o repertório da informáti­ ca teve de ser incorporado obrigatoriamente pe­ los designers gráficos, para garantir o sucesso no uso, ou pelos type designers, no desenvolvimen­ to de fontes digitais.

to inferior ao corpo 10 é visualizado em monitor, apresentando as compen sações nos traços dos caracteres para evitar pos­ síveis distorções. Já o outline (também conhecida como vetor) é a descrição matemática de linhas retas e cur vas que for mam o contor no de um glifo. Representou um avanço tecnológico, com a possibilidade de ampliar ou reduzir livre­ mente o tamanho de uma letra. Existe uma terceira matriz de fonte digital, conhecida como stroke, que utiliza linhas para definir o “esqueleto” de um glifo, em uma estrutura que permite uma grande economia de pontos para gerar o arquivo e consequentemente, menos espaço de ar­ mazenamento em disco rígido. Esse forma­ to é muito utilizado em celulares ou equi­ pamentos com telas de baixa resolução ou restrições de memória, além de ser de gran­ de utilidade para a produção de fontes nas linguagens asiáticas.

Uma fonte digital é um arquivo de dados eletrônicos composto por um conjunto de glifos – desenhos específicos de signos da escrita, como caracteres, algarismos, sinais de pontuação e símbolos – armazenados na forma de infor mações bitmap, para visuali­ zação em tela, e outline, para impressão. O termo bitmap significa um “arranjo de bits”, sendo bit a abreviação de binary digit, a me­ nor unidade de dados na computação. Em tipografia digital, o bitmap é a matriz de pontos (ou pixels) que representa a imagem de um determinado glifo, em um determi­ Formatos de Fonte nado tamanho. A primeira geração de fon­ tes digitais, produzidas na década de 1990, São codificações específicas das descrições eram fontes bitmap. A principal característi­ outline, desenvolvidas para serem inter preta­ ca de uma fonte bitmap é que ela não pode das pelos sistemas operacionais. Os for matos reduzida ou ampliada sem comprometer a encontrados atual mente são o True Type, o sua visualização no monitor. Geralmente, PostScript e o Open Type. eram produzidas nos corpos 8, 9, 10, 12, 14, TRUE TYPE: foi desenvolvido pela Apple, 18, 24, 36, 48, 72 e 96, de maneira equiva­ mas tem servido principalmente aos usuários do Windows. É um for mato de fonte outline lente à tipografia tradicional. Para uma melhor visualização no monitor que contém as infor mações necessárias para ou em impressoras de baixa resolução, as ampliar caracteres em qualquer tama nho, fontes digitais contêm instruções de pro­ tanto em tela quanto em saída de impres­ gramação, conhecidas como hinting, que são. Ou seja, cada caractere contém instru­ alteram sutil mente as for mas dos caracte­ ções que descrevem sua forma em pontos e res. O hinting é muito útil quando um tex­ em cur vas.

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A fonte bitmap Elementar, vem sendo desenvolvida desde 2002 pelo type designer brasileiro Gustavo Ferreira e foi lançada em 2011 pela Typotheque. É um sistema flexível que inclui um programa de navegação com barras de controle para explorar os diferentes pesos, larguras e estilos da família.

Abaixo, os contornos e os pontos de controle das curvas Bezier da letra ‘a’ em caixa-baixa, no FontLab, programa editor de fontes digitais.

POSTSCRIPT: é marca registrada da Ado­ be e é mais do que um for mato de fonte. É também uma linguagem que gerencia tex­ to e imagem. Essa característica per mite que todos os elementos do layout sejam inter pre­ tados por uma impressora compatível com a linguagem PostScript, na máxima resolu­ ção disponível. Um arquivo de fonte PostS­ cript é representado por dois ícones, um para fonte de tela e outro para fonte de impressão. Fontes PostScript são limitadas a 256 ca­ racteres por fonte e necessitam de um pro­ grama gerenciador de fontes para conver ter em pixels as infor mações outline, nos dife­ rentes tamanhos utilizados no documento. O gerenciador garante melhor visua li za­ ção no monitor, criando fontes de tela em vários tamanhos. Porém, desde 2005 a Adobe não lança fon­ tes no formato PostScript, sinalizando, des­ de aquele momento, o comprometimento definitivo com o formato Open Type. OPEN TYPE: é um for mato de fonte mul­ tiplataforma – compatível com os sistemas operacionais Macintosh, Windows e Unix – desenvolvido em conjunto pela Microsoft e Adobe para impressão e visua li zação em tela. O novo formato foi apresentado em

1996 e as primeiras coleções consistentes foram lançadas em 2001. O catálogo in­ teiro da Adobe foi convertido para Open Type no final de 2002. Uma fonte Open­ Type pode incluir mais de 65.000 glifos em um único arquivo, aumentando em mui­ to o supor te a alfabetos de diferentes lin­ gua gens, como o cirílico e o grego. Tam­ bém pode conter no mesmo arquivo de fonte uma grande variedade de caracteres alternativos, como letras caudais (swashes), ligatu ras, algarismos de texto, versaletes (small caps), frações, letras sobrescritas, al­ garismos superiores e inferiores, sinais ma­ temáticos, variações para títulos (titling let­ ters), caracteres contextuais e estilísticos, além de ornamentos. As fontes Open Type são disponibilizadas com maior ou menor quantidade de glifos. São identificadas com os sufixos pro ou std (de standard) incorporados ao nome da fonte. Um aspecto importante é que esse recurso faz distinção entre caracteres e glifos. Ca­ racteres representam a menor unidade se­ mântica de linguagem, como, por exem­ plo, as letras ou os algarismos, e recebem um valor no Unicode – o sistema interna­ cional de codificação de caracteres, que co­

Acima, a fonte Sevenet, criada pelo sueco Peter Bruhn no início da década de 1990, foi uma das primeiras fontes “pixeladas” a serem colocadas no mercado.

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A Fonte Garoa Bold, dos brasileiros Tony de Marco e Diego Maldonado, de 2012, explora os recursos do formato Open Type, com inúmeros caracteres alternativos e contextuais, além de ligaturas estilísticas, algumas das quais são mostradas ao lado.

O programa FontLab é a ferramenta utilizada pelos type designers profissionais para a criação e geração de fontes digitais. Na imagem acima são mostradas algumas janelas do arquivo da fonte Garoa Bold Inline no FontLab: à esquerda, o conjunto de caracteres na Font Window; ao centro, a Glyph Window, onde são definidos os contornos de cada caractere; à direita, o painel Classes, com a lista de Stylistic Alternates, ou caracteres alternativos “estilísticos”.

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Claudio Rocha6.indd 4

ABCDEFGHIJKLMN OPQRSTUVWXY&Z AAACCODEEGjKLA lo MNntspWWYooss!

bre praticamente todas as linguagens. Já os “caracteres contextuais” permite a substitui­ glifos são as formas específicas que esses ca­ ção automática de glifos, programados para racteres assumem. Um único caractere pode atuar especificamente de acordo com a letra corresponder a diversos glifos. Por exemplo, que vier na sequência. Esse recurso é muito o ‘e’ caixa­baixa, bem como o ‘e’ versale­ útil em fontes caligráficas, para dar ao texto te são o mesmo caractere, mas representam composto o aspecto orgânico da escrita ma­ glifos diferentes. Um glifo pode ser com­ nual. Programas que não têm acesso ao Uni­ posto por mais de um caractere, como a li­ code, ou aos recursos avançados do Open gatura ‘2’ que corresponde a uma sequência Type, acessam apenas os glifos básicos de uma de três caracteres. fonte Open Type Pro, análogos ao conjunto Nos programas profissionais de editoração, de glifos de uma fonte PostScript. que permitem o acesso aos recursos embu­ obras consultadas: tidos nas fontes Open Type, as tarefas que Typefaces for desktop publishing, Alison Black. antes eram executadas manualmente, como Architecture Design and Technology Press, Londres, 1990. a inserção de ligaturas, caracteres alternati­ Tipografia Digital – O impacto das Novas Tecnologias, vos e frações, agora são realizadas automati­ Priscila Farias. Editora 2AB, Rio de Janeiro, 1998. camente, desde que habilitadas no menu de The Macintosh font book, Erfert Fenton. fontes do programa de editoração. O recurso Peachpit Press, Berkeley, 1996.

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PRODUÇÃO GRÁFICA

Anderson Carlos de Souza Macedo e Julio Tadeu de Figueiredo

Enganando o cérebro: o segredo das imagens anaglíficas

U

m recurso bastante utilizado no cinema ­atual é o efeito de três dimensões produzido a partir de imagens anaglíficas. Segundo o ­Houaiss, anáglifo é uma figura obtida por dupla imagem, cada uma de um ponto diferente, impressa em duas cores contrastantes, que produzem, me­dian­te o uso de óculos especiais, a ilusão de profundidade, de relevo. As técnicas de produção de imagens es­te­reos­có­pi­cas1 (3D) existem há quase dois séculos; entretanto, muitos desconhecem que algumas delas permitem a impressão, podendo aplicá-​­las, também, em peças gráficas. Este artigo introduz conceitos básicos de imagens anaglíficas, assim como alguns exemplos de imagens 3D produzidas utilizando ferramentas de soft­ware do mundo gráfico. As imagens es­te­reos­có­pi­cas surgiram na primeira metade do século XIX , junto com o surgimento da fotografia, sendo que o efeito de profundidade era vi­sua­li­z a­do através de um aparelho denominado es­te­reos­có­pio, inventado pelo britânico Charles 1  Imagens estereoscópicas transmitem a sensação de profundidade, através da simulação da visão humana.

Wheats­to­ne. Através dos conceitos básicos do es­ te­reos­có­pio foram cria­das vá­rias outras técnicas de produção de imagens tridimensionais, todas com o mesmo objetivo: simular a profundidade obtida pela visão humana. A visão humana é, por natureza, tri­di­men­sio­nal. Por meio dela o ser humano consegue interagir e se orien­tar no mundo com bastante precisão. Este tipo de visão ocorre principalmente devido à posição dos olhos, localizados na frente da face e separados por uma distância média de 65 mm. Ao simular a visão humana, obtém-se a sua principal característica, a noção de profundidade. Neste sentido, as imagens es­te­reos­có­pi­cas literalmente enganam o cérebro, transmitindo a sensação de profundidade usando imagens planas. Uma das técnicas de produção de imagens es­ te­reos­có­pi­cas, que permite sua impressão, é a técnica anaglífica 2 , sendo bastante conhecida por 2  A técnica anaglífica simula a visão humana através de cores complementares e filtros coloridos, transmitindo a sensação de profundidade por meio de imagens planas. Fonte: Adaptado de Siscoutto et al; 2004.

1

+

Visãodo do Olho olho esquerdo Visão Esquerdo Visão humana.

62 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. IV  2012

=

Visãodo do Olho olho direito Visão Direito

Visão Humana humana Visão


2

Fonte: Adaptado de Siscoutto et al; 2004.

1

2

Deslocamento paralelo

Deslocamento Paralelo

1

2

Deslocamento convergente

Deslocamento Convergente

Posições de câmeras.

possuir baixo custo de produção e não necessitar de equipamentos específicos para esse fim. A pro­ dução de uma imagem anaglífica pode ser dividi­ da nos seguintes es­tá­gios: captura, colorização e fusão das imagens. Produção de imagens anaglíficas Captura das imagens

A posição dos olhos humanos permite a vi­sua­li­ za­ção de uma cena a partir de dois pontos de vis­ ta distintos que, ao serem fundidos pelo cérebro, dão a noção de profundidade da cena. Portanto, para simular a visão humana é necessário capturar duas imagens da mesma cena, uma que correspon­ da ao ponto de vista do olho esquerdo e outra do direito, chamadas de par es­te­reos­có­pi­co (1). A captura das imagens pode ocorrer através da uma câmera fotográfica e um tripé. Primeiro, 3

fotografa-se a cena desejada (imagem do olho es­ querdo), depois desloca-se a câmera 65 mm para o lado direito, distância que corresponde à separa­ ção dos olhos, e fotografa-se novamente (imagem do olho direito). O tripé permitirá que não ocor­ ra deslocamento no sentido vertical. Para isso é importante que se faça uma marcação no chão. O deslocamento pode ser paralelo (2), sem ro­ tação da câmera. No entanto, nesse caso, haverá perda de captura, isto é, áreas ­­ que apenas uma ex­ posição irá capturar e que deverão ser eliminadas no final da produção. O deslocamento das exposições pode também ser convergente, girando a câmera para que o cen­ tro das duas fotos seja o mesmo, porém isso altera a perspectiva da foto, podendo causar distorções verticais e um pequeno desconforto ao se vi­sua­li­zar a imagem final. É interessante testar os dois tipos Fonte: Macedo e Figueiredo, 2012.

Imagem Imagemesquerda Esquerda colorizada colorizadadede“vermelho” “Vermelho”

ImagemDireita direita Imagem colorizadade de “Ciano” “ciano” colorizada

Colorização em camadas no Pho­to­shop. VOL. IV  2012  TECNOLOGIA GRÁFICA

63


4

Fonte: Macedo e Figueiredo, 2012.

utilizar duas câmeras e capturar as duas imagens ao mesmo tempo, contanto que se preserve a distância de deslocamento horizontal e se mantenham as duas câmeras alinhadas verticalmente. Colorização e fusão das imagens

Paleta Layers do Pho­to­shop, com o modo Screen.

de deslocamento para descobrir qual deles produzirá um efeito tri­di­men­sio­nal mais agradável da cena escolhida. A captura das imagens é o grande segredo das imagens anaglíficas, pois, dependendo do nível de precisão com que se consiga capturar os pontos de vista dos olhos humanos, maior será a qualidade final da imagem. Ao se utilizar apenas uma câmera, limita-se o tipo de cena a ser fotografada — apenas cenas estáticas. Para fotografar pes­soas ou paisagens, é mais indicado 5

Imagem anaglífica final.

64 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. IV  2012

De posse das duas imagens produzidas na etapa an­ te­rior, passaremos à sua manipulação. Nessa etapa, será necessário utilizar um soft­ware de manipulação de imagens que possua ferramentas de canais de cores e mesclagem de camadas, por exemplo, o Pho­to­shop. As imagens do par es­te­reos­có­pi­co deverão ser abertas no soft­ware e possuirão três canais de cores: RGB (vermelho, verde e azul), onde será feita sua colorização através da eliminação de alguns desses canais. Na imagem referente ao olho esquerdo, retiram-se o canal verde e o azul, deixando a imagem em tons vermelhos. Já na imagem referente ao olho direito, retira-se apenas o canal vermelho, deixando-a em tons de cia­no (3). Pos­te­rior­men­te, as duas imagens devem ser inseridas no mesmo documento do Pho­to­shop, só que em camadas diferentes, aplicando-se a mescla de camadas no modo ­Screen (4). Além disso, para alinhar as duas imagens, es­pe­cial­men­te em relação Fonte: Macedo e Figueiredo, 2012.


6

Captura das Imagens

Colorização

Captura das imagens

Visualização com Óculos

Fusão

Colorização

Fusão

R

Visualização com óculos RGB

GB

GB

RGB R

Esquerda

Direita

R = do Imagem doesquerdo – Colorizada olho esquerdo - Colorizada Vermelho R = Imagem pontododeponto vistadedovista olho de de vermelho B = Imagem doGB G ponto de vista do olho – Colorizada de ciano = Imagem do ponto de direito vista do olho direito - Colorizada de Cyan

Fonte: Macedo e Figueiredo, 2012.

Fluxo da produção de imagens anaglíficas.

ao elemento central de interesse, deve-se deslocar uma das camadas no sentido horizontal até diminuir ao máximo as manchas coloridas ou até que as cores de um elemento se encaixem perfeitamente. Com as imagens alinhadas, recorta-se a imagem final nas ­­áreas contíguas. Neste ponto a imagem anaglífica está pronta, podendo ser vi­sua­li­za­da no próprio monitor ou ser impressa. Para a impressão é necessário rea­li­z ar a conversão do modo de cor RGB para CMYK , utilizando o perfil e configurações exigidos pelo processo gráfico. Retoques e tratamentos devem ser rea­li­z a­dos antes da colorização, lembrando que tudo que for rea­li­z a­do em uma imagem deve ser rea­li­z a­do também na outra (5). Visualização da imagem anaglífica

Como a imagem anaglífica é formada por duas imagens sobrepostas, os olhos enxergam as duas imagens si­mul­ta­nea­men­te sem o efeito de tri­di­men­sio­ na­li­da­de desejado. Para que a simulação da visão humana se concretize é necessário utilizar os óculos anaglíficos, que têm a função de filtrar a imagem anaglífica, fazendo que cada olho enxergue apenas a imagem que lhe corresponda. Os óculos anaglíficos pos­suem, no lugar das lentes, filtros coloridos transparentes. No olho esquerdo o filtro é vermelho e no direito é cia­no. Por serem transparentes, os filtros permitem a passagem da imagem que possui a sua cor e impedem a passagem da imagem que possui a sua cor complementar (6). O filtro vermelho permite a vi­sua­li­za­ção apenas da imagem em vermelho (esquerda) e o filtro em cia­no apenas da imagem em cia­no (direita). Cada olho enxergará apenas a imagem que lhe corresponde, simulando a visão humana e, consequentemente, gerando a percepção de profundidade, pro­por­cio­nan­do assim a ideia de três dimensões.

Resumindo

A técnica anaglífica utiliza ar­ti­fí­cios ba­sea­dos nas cores complementares para simular a visão humana. Em razão disso, a imagem final, ao ser vi­sua­li­za­da, possuirá perdas tonais, principalmente se a imagem original possuir a cor vermelha muito saturada. Além disso, o uso de óculos anaglíficos implica alguns cuidados: ◆◆ Deve ser utilizado por cima de óculos com lentes corretivas, caso o observador os utilize ◆◆ Deve ser utilizado em locais bem iluminados, devido à perda de luminosidade causada pelos filtros ◆◆ Não deve ser utilizado por períodos muito longos, pois causa de cansaço visual Ao serem impressas, as imagens anaglíficas podem ter uma perda de coloração, devido ao uso de tintas (em contraste com o RGB , que é luz), o que poderá causar, em alguns casos, a passagem do mesmo elemento das duas imagens — a do olho esquerdo e a do direito — pelo mesmo filtro, obtendo uma vi­sua­li­z a­ção duplicada do mesmo. Como visto, a técnica anaglífica pode ser facilmente aplicada, necessitando de uma ou duas câmeras, um soft­ware de manipulação de imagens e um óculos anaglífico, sendo que este último pode ser produzido em casa, com uma armação de papel-​­cartão e os filtros de acetato colorido, por possuirem uma boa transparência. No mundo da impressão, a técnica anaglífica é uma alternativa cria­ti­va e de baixo custo para despertar o interesse do público, adi­cio­nan­do valor através do efeito de profundidade aos produtos impressos, além de utilizar um conceito bastante inteligente para enganar o próprio cérebro. O processo pode ser aplicado em diversos segmentos de impressão, como his­tó­rias em quadrinhos, livros de arte, embalagens e outras aplicações nas quais efeitos cria­ti­vos possam adi­cio­nar valor ao produto final.

Anderson Carlos de Souza Macedo é técnico em pré-​

i­mpressão pela Escola Senai Theobaldo De Nigris. Julio Tadeu de Figueiredo

é instrutor de pré-​ ­impressão da Escola Senai Theobaldo De Nigris, graduado em Tecnologia Gráfica pela Faculdade Senai de Produção Gráfica.

Colaboração do Naipe –

Núcleo de Apoio a Inovação e Pesquisa da Escola Senai Theobaldo De Nigris. Referências

MACEDO, Anderson Carlos de Souza; SANCHETTA, Gabriela Alves; FERREIRA, Gabriele Alves. Interatividade em produtos gráficos: aplicação de dados variáveis e imagens anaglíficas (3D). Orientação: Julio Tadeu de Figueiredo. Trabalho de Conclusão de Curso – Escola Senai Theobaldo De Nigris, São Paulo, 2011. SISCOUTTO, Robson Augusto et al. Estereoscópica. In: KIRNER, Claudio; TORI, Romero. Realidade virtual: conceitos e tendências. São Paulo: Editora Mania de Livro, 2004. Disponível em: <http:// web.tecgraf.pucrio.br/ publications/artigo_2004_ estereoscopia.pdf>. Acesso em: 12 set. 2011. VOL. IV  2012  TECNOLOGIA GRÁFICA

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