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ANO XV Nº 80 VOL. V 2011 ISSN 1678-0965

A REVISTA TÉCNICA DO SETOR GRÁFICO BRASILEIRO

Especial

R E V I S TA te c n o l o g ia g r á f i c a 8 0

Os 40 anos da Escola Senai Theobaldo De Nigris

Entrevista

Walter Vicioni, diretor regional do Senai-SP, fala da formação do profissional do futuro

Tutorial Como construir arquivos no Illustrator para a aplicação de verniz com reserva

Drupa Media Partner

Tendências na impressão de grandes formatos


Volume V – 2011 Publicação bimestral da ABTG – Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica e da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica, Rua Bresser, 2315 (Mooca), CEP 03162030 São Paulo SP  Brasil ISSN: 1678-0965 www.revistatecnologiagrafica.com.br ABTG – Telefax (11) 2797.6700 Internet: www.abtg.org.br ESCOLA SENAI – Fone (11) 2797.6333 Fax (11) 2797.6309 Presidente da ABTG: Reinaldo Espinosa Diretor da Escola Senai Theobaldo De Nigris: Manoel Manteigas de Oliveira Conselho Editorial: Andrea Ponce, Bruno Mortara, Enéias Nunes da Silva, Manoel Manteigas de Oliveira, Plinio Gramani Filho, Reinaldo Espinosa, Simone Ferrarese e Tânia Galluzzi Apoio Técnico: Vivian de Oliveira Preto Elaboração: Clemente e Gramani Editora e Comunicações gramani@uol.com.br Diretor Responsável: Plinio Gramani Filho Redação e Publicidade: Tel. (11) 3159.3010  gramani@uol.com.br Jornalista Responsável: Tânia Galluzzi (MTb 26897) Redação: Letânia Menezes Revisão: Giuliana Gramani Projeto Gráfico: Cesar Mangiacavalli Produção: Rosária Scianci Foto da capa: AGE Fotostock/ AGB Photo Editoração Eletrônica: Studio52 Impressão: Senai Theobaldo De Nigris Acabamento: Stilgraf Laminação, Hot Stamping: (fitas MP Brasil): UVPack Acabamentos Especiais Papel: couché fosco Nevia APP 90 g/m² (miolo) e couché fosco Nevia APP 170 g/m² (capa), fornecidos pela Cathay BR Assinaturas: 1 ano (6 edições), R$ 54,00; 2 anos (12 edições), R$ 96,00 Tel. (11) 3159.3010 Cathay-GuiaEspecialExpoprint-Abigraf247-c.indd 3

5/27/2010 9:00:48 PM

Apoio

Esta publicação se exime de responsabilidade sobre os conceitos ou informações contidos nos artigos assinados, que transmitem o pensamento de seus autores. É expressamente proibida a reprodução de qualquer artigo desta revista sem a devida autorização. A obtenção da autorização se dará através de solicitação por escrito quando da reprodução de nossos artigos, a qual deve ser enviada à Gerência Técnica da ABTG e da revista Tecnologia Gráfica, pelo e-mail: abtg@abtg.org.br ou pelo fax (11) 2797.6700

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Escola Senai Theobaldo De Nigris, 40 anos dedicados à indústria gráfica paulista

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indústria gráfica, em seus 200 anos de atividades no Brasil, tem acompanhado o crescimento da economia nacional, mostrando que também é um setor de grande importância: representa 3% do PIB industrial, sendo responsável pela geração de mais de duzentos mil empregos diretos. Para 2011, a projeção é de que o setor feche o ano com faturamento 3% maior. Animador para o mercado nacional, muito mais para São Paulo, Estado que detém 46% da produção gráfica brasileira. Nossas 6.122 gráficas empregam hoje cerca de 100 mil funcionários. E, só no período de dezembro de 2009 a novembro de 2010, o Estado gerou 5.600 novos empregos no setor. É neste cenário dinâmico e promissor que se inserem as Escolas Senai Theobaldo De Nigris e Felício Lanzara. Essas duas, juntamente com a Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica, ocupam uma área de 16 mil m² e formam um centro tecnológico único no mundo, onde todas as etapas da cadeia de produção gráfica são contempladas, desde a fabricação da celulose até o acabamento e a restauração de documentos em papel. Até aqui, já são quatro décadas dedicadas à indústria gráfica paulista, acompanhando toda a evolução tecnológica do setor e, assim, formando profissionais altamente qualificados, prontos para atuar no segmento e contribuir para o seu crescimento. Assim como é importante olhar para o futuro e continuar investindo em equipamentos e capital humano, almejando sempre o desenvolvimento do País, devemos igualmente olhar para o passado, valorizando a história e observando as nuances que nos trouxeram até o patamar em que estamos hoje. Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.


Sumário 16

Escola Senai Theobaldo De Nigris completa 40 anos

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Walter Vicioni aborda os desafios na formação do profissional do futuro

Especial

Entrevista

24

5 ª‒ Conferência da Abro discute as oportunidades para a impressão rotativa Abro

Etiquetas de identificação por radiofrequência

38

Gestão

Tipografia

48

Normalização

Como Funciona

Produção de matrizes de tipos de metal – Parte II

O que é e para que serve o código QR

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Adaptação de ilustrações através do processo de flocagem

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Verniz reserva no Illustrator

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Notícias Produtos Cursos

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A REVIS TA TÉCNI CA DO SETOR GRÁFI CO BRAS ILEIRO

EspEcia

l Os 40 anos da Escola Senai Theobaldo De Nig ris

Acabamento

Tutorial

IA gRáfIc A 80

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R E V I S TA T Ecnolog

O daltônico no gerenciamento de cor

Entrevis ta

Walter Vicioni, diretor regional do Sena fala da formação i-SP, profissional do do futuro

Tuto rial Como construir arquivos no Illust para a aplicação rator verniz com reser de va

Capa: ilustração de Cesar Mangiacavalli

Drup a Med ia Part ner

Tendências na impressão de grandes formatos


NOTÍCIAS

Nova turma de Planejamento e Produção de Mídia Impressa

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Paulo Skaf homenageia José Mindlin no Senai de Barueri

presidente da ­Fiesp, Paulo Skaf, prestou homenagem póstuma no dia 21 de outubro ao empresário e bi­blió­f ilo José Ephim Mindlin, que se tornou patrono da Escola Senai de Ba­ rue­ri. A ini­cia­ti­va é um reconhe­ cimento à trajetória em­pre­sa­rial e enorme contribuição na área de cultura do advogado que se tornou, na década de 60, um dos mais bem-​­sucedidos em­ pre­sá­rios do País e, mais tarde, um grande incentivador da li­ teratura e cultura. “José Mindlin foi um grande empresário, de sucesso, que esteve à frente do seu tempo. Ele já discutia inova­ ção há 40 anos, e para nós é um orgulho e um privilégio no­mear a Escola Senai de Ba­r ue­r i em sua homenagem porque tudo aquilo que Mindlin simboliza, essa escola do Senai representa para a cultura: educação e espí­ rito inovador”, reconheceu Skaf. “É muito emo­cio­nan­te receber em nome do meu pai essa ho­ menagem tão es­pe­cial. Particu­ larmente acho apro­pria­do a es­ cola receber o nome dele, que 6 TECNOLOGIA GRÁFICA 

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sempre foi uma pessoa volta­ da para a cultura e tecnologia”, afirmou, emo­cio­na­do, Sérgio Mindlin que, ao lado da irmã, Sonia Mindlin, representaram a família do empresário. Pres­ti­gia­ram a cerimônia os alunos do Senai; o prefeito de Ba­rue­ri, Rubens Furlan; a pre­ feita de Jandira, Anabel Sabati­ ne; ve­rea­do­res da re­gião; Car­ los Eduar­do Moreira Ferreira, presidente emérito da ­F iesp e do ­C iesp; e Walter Vi­c io­ni, superintendente ope­r a­cio­nal do Sesi- SP e diretor regional do Senai-SP. José Mindlin exerceu a pro­ fissão de advogado até o início da década de 50, quando, ao lado de outros só­cios, fundou a empresa Metal Leve, dedicada à produção de pistões automo­ tivos. Em 1960, ocupou a vice-​ ­presidência da ­Fiesp. Em 1965, construiu em sua casa o primei­ ro espaço destinado a abrigar sua vultosa bi­blio­te­ca, paixão ini­cia­da quando crian­ç a e ali­ mentada nas li­vra­rias do cen­ tro de São Paulo. Na década de

70, patrocinou a ree­di­ç ão de diversas revistas importantes, como a Revista de Antropofagia, a Revista do Salão de Maio e a Verde, além de livros de arte e literatura. Em 1975, foi no­mea­do secre­ tário da Cultura, Ciên­cia e Tec­ nologia do Estado de São Paulo, atuan­do diretamente na publi­ cação e ree­di­ção de títulos im­ portantes da literatura na­cio­nal. Paralelamente, promoveu me­ lho­rias na Pinacoteca do Esta­ do, no Arquivo Público e na Or­ questra Sinfônica do Estado de São Paulo. Abandonou o cargo no ano seguinte, em protesto contra o assassinato do jornalis­ ta Vladimir Herzog (1937-​­1975), por ele escolhido para ocupar o cargo de chefe do Departamen­ to de Jornalismo da TV Cultu­ ra. Foi eleito membro da Aca­ demia Brasileira de Letras (ABL) em 2006, ocupando a cadei­ ra número 29. Em 2009, doou parte de seu acervo de mais de 40 mil livros para USP. José Min­ dlin faleceu no ano passado, em São Paulo.

s­p e­c ial­m en­t e planeja­ do para profissionais das ­­áreas de produção gráfica, cria­ç ão, publicidade, pro­ paganda, mar­ke­t ing e co­ municação, o programa de pós-​­gra­dua­ção Planejamento e Produção de Mídia Impressa também é de gran­ de valia para quem já atua no segmento gráfico e dese­ ja am­pliar e aprofundar suas com­pe­tên­cias na produção gráfica. Durante o curso o aluno aprende a identificar, planejar e monitorar todas as etapas do fluxo produtivo, adequadas à fabricação dos mais importantes produtos da indústria gráfica; interpre­ tar as ten­dên­cias de evolução tecnológica dos processos de produção; ava­liar a ade­ quação de ma­té­rias-​­primas e insumos para o projeto de produtos gráficos e rea­li­z ar análise de custos e de via­bi­li­ da­de econômica de projetos de produtos gráficos. O programa abrange os mais importantes proces­ sos de produção dos diver­ sos produtos da indústria gráfica e inclui demonstra­ ções práticas na Escola Senai Theo­bal­do De Nigris. Investimento: 18 parcelas de R$ 525,00 Duração: 360h em 18 meses Aulas aos sábados, das 9h às 16h Início: 28/1/2012


Novo curso de Pós‑graduação: Projeto e Produção de Embalagens Flexíveis

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Faculdade Senai de Tecno­ logia Gráfica continua a ex­ pandir sua oferta de cursos de pós-​­gra­dua­ção lato sensu, ago­ ra com um programa es­pe­cial­ men­te desenvolvido para profis­ sionais que ­atuam no segmento de embalagens flexíveis e para es­ tudantes que querem prepararse para ini­ciar carreira nessa área. Desenvolver embalagens, consi­ derando o produto a ser embala­ do, planejar, coor­de­nar e contro­ lar os processos de produção de embalagens flexíveis, no que se refere às etapas de pré-impres­ são, impressão e pós-impressão são com­pe­tên­cias desenvolvidas neste programa. A grade do curso inclui os se­ guintes módulos: ◆◆ Design de embalagens (30 horas) ◆◆ Materiais (45 horas) ◆◆ Processos de conversão (90 horas) ◆◆ Custos e ne­go­cia­ç ão (45 horas)

Gestão da produção (30 horas) ◆◆ Gestão da qualidade (30 horas) ◆◆ Embalagem e sustentabilidade (30 horas) ◆◆ Desenvolvimento de embalagens flexíveis (30 horas) ◆◆ Desenvolvimento e gestão de projetos (30 horas) Contando com corpo docen­ te de alto nível, o curso será de­ senvolvido combinando aulas teó­ri­c as e demonstrações prá­ ticas na Theo­b al­d o De Nigris. Os candidatos devem comprovar a conclusão de um curso de ní­ vel su­pe­rior, em ­­áreas tecnológi­ cas de design, ciên­cias exatas ou de administração ou em outras ­­áreas desde que demonstrem ex­ pe­riên­cia an­te­rior no segmento de embalagens flexíveis. ◆◆

Investimento: 18 parcelas de R$ 525,00 Duração: 360h em 18 meses Aulas aos sábados, das 9h às 16h Início: 4/2/2012

Faculdade Senai abre inscrições para curso a distância

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curso Gestão da Produção na Indústria Gráfica é um programa de extensão universitária que tem como foco a busca da excelência ope­r a­cio­nal, o aumento da produtividade, a redução de custos e o atendimento às necessidades dos clien­tes. Definir es­tra­té­gias de ope­ rações como vantagem com­ petitiva, desenvolver ferra­ mentas de re­la­cio­na­m en­to com clien­tes e fornecedores, tomar decisões na gestão dos processos e ge­ren­ciar mudan­ ças provocadas pela inserção de novas tec­no­lo­gias são al­ gumas das com­pe­tên­cias de­ senvolvidas neste programa, destinado a profissionais do segmento gráfico. O curso está estrutura­ do com base na metodolo­ gia de formação por com­pe­ tên­cias e será desenvolvido a distância, em plataforma

de ensino online. A flexibili­ dade do ensino a distância possibilita que interessados de qualquer re­g ião do País ou do ex­t e­r ior possam ter acesso a este curso. Para se inscrever no pro­ grama os interessados de­ vem comprovar que estão matriculados em um curso su­p e­rior ou que já con­cluí­ ram esse nível. Devem tam­ bém ter acesso à internet e conhecer as ferramentas do pacote Office. Embora a dis­ tância, o programa é condu­ zido por um professor que orien­t a e acompanha todo o desenvolvimento dos es­ tudantes. O número de alu­ nos por turma é limitado, de modo que cada um possa re­ ceber a atenção necessária do docente. Investimento: R$ 1.300,00 Duração: 80h Início: 6/2/2012 Término: 16/4/2012 VOL. V  2011  TECNOLOGIA GRÁFICA

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15º- Congraf discute os desafios impostos pelas mídias digitais

á um consenso em torno do fato de que a indústria gráfica terá de se reinventar para responder às novas demandas de comunicação cria­das a partir da consolidação das mí­dias e tec­ no­lo­gias digitais. E saber exata­ mente como sobreviver a estas mudanças parece ser o grande desafio imposto ao setor. A ver­ dade, entretanto, é que há mais oportunidades do que amea­ças no meio dessa encruzilhada. Esta foi uma das conclusões centrais do 15º‒ Congresso Brasi­ leiro da Indústria Gráfica (Con­ graf), rea­li­z a­do entre os dias 8 e 11 de outubro na cidade pa­r a­ naen­se de Foz do Iguaçu, rea­li­ za­do pela Abigraf Na­cio­nal, em parceria com a Abigraf Re­gio­nal Paraná, com o apoio técnico da ABTG . Nos quase quatro dias de palestras, reuniões e muitas tro­ cas de ex­pe­riên­cias, mais de 500 congressistas puderam refletir so­ bre os rumos da indústria gráfica no Brasil e no mundo. Muito lon­ ge da resignação ou do desânimo que a si­tua­ção poderia suscitar, os sentimentos predominantes du­ rante o encontro foram de u­ nião e de otimismo dian­te das pers­ pectivas para o setor. “A indústria gráfica está numa encruzilhada, e esse congresso capta bem o mo­ 8 TECNOLOGIA GRÁFICA  VOL. V  2011

mento. Porque, como toda en­ cruzilhada, ela pode represen­ tar tanto amea­ças como grandes oportunidades”, resumiu, na aber­ tura do encontro, o presidente interino da Confederação Lati­ no-​­Americana da Indústria Grá­ fica (Conlatingraf), Mário César Martins de Camargo, que liderou a assembleia geral da entidade durante o congresso, com a par­ ticipação de representantes das in­dús­trias gráficas do Brasil, Ar­ gentina, Chile, Paraguai e Uruguai. A própria mudança con­cei­ tual que marcou a concepção do evento refletiu o momento des­ crito por Mário César. Pela pri­ meira vez, a grade de palestrantes deixou as discussões de aspectos co­ti­dia­nos da indústria um pou­ co de lado para olhar de manei­ ra mais abrangente para o futuro de toda a cadeia da comunica­ ção impressa. Para o presiden­ te da ABTG , Reinaldo Espinosa, mais do que apresentar respos­ tas, a proposta do encontro era suscitar a discussão. Quem assistiu à maioria das palestras pôde deixar o Con­ graf com algumas boas conclu­ sões sobre os rumos do setor. Para o consultor gráfico Hamil­ ton Terni Costa, que apresentou uma palestra com o sugestivo

nome de “O futuro da gráfica e a construção de valor nas rela­ ções comerciais”, as empresas que conseguirem ser mais do que for­ necedores estarão a meio cami­ nho do sucesso nesse novo ce­ nário. Nesse sentido, explicou Hamilton, é importante que as gráficas se insiram no processo de comunicação de seus clien­tes. “Ser parte do processo é gerar demanda, inclusive aquelas que não exis­tiam antes, desenvolver produtos e soluções que o clien­ te nem imaginava que precisaria”, exemplifica o consultor. Em meio a tantos de­sa­f ios e oportunidades, o 15º‒ Congraf provou, acima de tudo, a capa­ cidade de mobilização do setor gráfico. Liderado pelo presidente da Abigraf Na­cio­nal, Fabio Arru­ da Mortara, o evento foi promo­ vido pela Abigraf Na­cio­nal em parceria com a Abigraf-PR, e con­ tou com apoio técnico da ABTG. Além do Paraná, representantes de 17 regionais estiveram presen­ tes no congresso: Bahia, Distri­ to Federal, Espírito Santo, Goi­ ás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pa­raí­ba, Per­ nambuco, ­Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Gran­ de do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.

Mortara também presidiu uma reunião com os presiden­ tes das regionais da Abigraf e de sindicatos da indústria gráfica de 15 estados, em plena tarde de domingo. No encontro, os diri­ gentes discutiram soluções para a am­plia­ção do projeto Semana de Artes Gráficas, da ABTG , para todos os estados onde a Abigraf possui representações. O maior exemplo da ­união do setor veio, contudo, da apro­ vação da Carta de Foz do Iguaçu (veja box), que encerrou o con­ gresso. O documento, que apon­ ta os caminhos pelos quais a in­ dústria gráfica brasileira pode contribuir para a erradicação da miséria no Brasil, foi assinado por todos os presidentes regio­ nais da Abigraf presentes no en­ cerramento do evento. A carta traz, ainda, um apelo de toda a indústria gráfica em prol da am­ plia­ç ão dos investimentos em educação no Brasil. Desta for­ ma, a Abigraf tornou-se a pri­ meira entidade representativa da indústria brasileira a apoiar a meta de investimento de 10% do PIB em educação, propos­ ta atual­men­te em discussão no âmbito do Plano Na­c io­nal de Educação, em tramitação no Congresso Na­cio­nal. 


Pensando no futuro? Nós podemos ajudá-lo. Formação inicial e continuada, pós-graduação e extensão universitária

Pós - graduação

Formação inicial e continuada

Projeto e produção de embalagens flexíveis (NOVO)

Meio oficial impressor flexográfico banda larga

Tecnologia de impressão offset: qualidade e produtividade

Impressor flexográfico banda larga

Planejamento e produção de mídia impressa

Fechamento de arquivos

Gestão inovadora da empresa gráfica

Pré-impressão digital para flexografia

Extensão Universitária Gestão da produção na empresa gráfica (Curso a distância) Otimização do processo offset para a qualidade e produtividade Controle de processo na impressão offset Gestão da qualidade na indústria gráfica Green belt estratégia lean-seis sigma Gestão estratégica da indústria gráfica

Colorimetria aplicada aos processos gráficos Tecnologia de embalagens celulósicas Tecnologia de embalagens flexíveis Tecnologia de impressão flexográfica banda larga Preparação de tintas líquidas Gerenciamento de cores Colorimetria aplicada aos processos gráficos

Gestão estratégica de pessoas Marketing industrial

Inscrições abertas! Visite nosso site Faculdade SENAI de Tecnologia Gráfica e Escola SENAI Theobaldo De Nigris Rua Bresser, 2315 - Tel: 2797-6300/6301/6302/6303 - www.sp.senai.br/grafica


Iguaçu o d z o F e d a t r a C

m e a c i f á r g a i r t s dú Manifesto da inlv imento brasileiro prol do desenvo

destes os fornecedores e tr en ão tiç pe ultar a com os para cima. so Bra­ e dific pres­sio­na os preç a º id 5 ‒ Congres  1 ed isentar m no , a , çu os ua m  do Ig is insu à educação seria ria o st ul du tím in , es af eunidos  em Foz de gr a on impostos , Outra medid ria Gráfic a – C por res de todos os la m co ra es va is ro ia sileiro da Indú st ap er s, at ileira por par­ os e m s as re­giões bras ando a compra da os cadern l da lit ia ci c to i­ fa of e de , la o os st ce ic cu an áf u gr mbém, o o se sob a ch Defendemos , ta te documento, m­ ba­ra­tean­d a. es co e nd de re ad o id or iss im en an m om un i­cí­pios compr í­lias de blicas nos mu­n se­ te de fa­m al, em apoio ao pú n ­ us as io c c Ro e­ a­ t ­ a N lio ilm af b ­ D gr bi bi te de A ção  mil ha­ esiden para cada trinta ão a implanta reiterado pela pr a aç iz um an de rg o O im da ín al bater a miséria, Ger 10% do brasileiros, no m 66ª‒ Assembleia iro propõe que ile as br o ic áf gr o. ff na abertura da tembr bitantes . O setor . das, em 21 de se as graves crises te o em educação das Nações Uni an an­te ao as ez rt ce in B seja investid PI de to fator con­di­cio­n n­ en o te tr en om s, ou ia e, d pe ú­ ro Neste m sa eu s da rimos a açõe No âmbito lor os Unidos e em n o da miséria, suge va çã u ca se di ra de er ém de al a fiscais nos Estad iva, met gens dos usão so­cial intens sobre as embala ca­ sucesso da er es m nt de do ci to in en os im st demos que a incl alec dos re­mé­ de impo ribuirá para o fort ­ra­tea­ria o custo ções isenção la ba ci a os id às ed s m ei l ív Ta humanitário, cont et susc gens dos entos. ando-​­nos menos s de medicam lica-se às embala ai ap m io n de í­ c ­ a c io i­ c ­ m ra ô­ do interno, torn n o e­co­ a pesada mesm  ascensão so­cio sta básica. Sem ou a dios . O ce ov a pr m em co põ os m an internacionais. A co os eço dos que asileiros nos últim os produtos s positivos no pr xo em ss fle rá re pe ria su ve e ha qu , 40 milhões de br ia para o objeto carga tributár se, contribuindo elevação tem sid de a . ci 08 ên 20 nd e te correção dessa te  d ise s Nações s, cuja pido e ef icaz a cr Organiz ação da a se­ alimento da es nt ão ç va a­ le p u­ re c ­ as eo de modo mais rá m nte pr ainda tem proble tação (FAO). to­ de cresce Contudo, o País icultura e Alimen ên­cias a serem gr d i­ A v o­ ra pr lha de pa­ pa s as e da tr ni os . Den pro­ U soneração da fo ia de de a ca a, à nd a ai , ad rem sol­u­cio­na­d os lig sé de núme­ Defendem s mais premente alidade um gran ica de bl rm fo pú à ão ria aç va uc madas , uma da le ed :a , que produção, icação impressa s de gamento ­ria os custos de ea do t a­ ta r ­ ili ba ib e ss s po re dutiva da comun im do iros ro de trabalha mais acessíveis. todos os brasile odutos gráf icos qualidade para pr em do ial. Por isso, tin . es fle rticular tro desafio cru­c progra­ re ou s é do da ão vi ç ­ pagar escolas pa lia da p ­ e m juros di­ Qua­li­da­d propomos a am s de crédito, co o em ha nt lin ta s, de ro Nesse sentido, ão liv ç ­ ia de cr as limpa nas omos a entais de compr tos em produção ros. En­ prop en ne im gê st e ve in os ul mas governam ra tít pa ­dos, com isso, e plares , quanto de enta­ fe­ren­cia s, preo­cu­pa-se po em m pl te im já há , , número de exem ão or et us O s sponibilida­ um avanço a incl das gráf ic as . aram. Porém, a di ém ic al l, rif ra ve ge se e já ss tendemos como s re ço te pequenas s avan literatura e de in que milhares de nheci­ muito ria co ta ili do ib e ss ad po da, de obras de id rs os ve curs l, pudessem do, a imensa di para de de re rque em­pre­sa­ria ço pa pa e ss es ne re ia ab didáticas . Contu or o ai ne m do contemporâ stentabilidade. ais gráf icas , a cebam gama m mento no mun ão de casa da su re liç as sa ic es bl ancia a con­ ar pú z i­ l s a­ la re s esco opostas consubst compra pr a as a d ­ ss lia no p ­ que os alunos da de am r to Brasil melhor. O conjun Também deve se a em favor de um s, borra­ ic pi áf lá , gr os ria rn st ampla de livros. de dú in ca saú­de e meio ção da lar básico, como duais e tribui imentado, com al ta o, es ad os uc rn de ma­te­rial esco ed ve , go lto ais racia e do de­ Povo cu gerimos que m ên­cia ­da democ s ­ es a é el cha e régua. Su áv o. ud rç fo iséria . ien­te sa jem-se nesse es r um país sem m po s noss os am­b a do sc to bu a al en municipais enga , n em to cr vimen Abigraf Na­cio­n a para o in pel im­ senvol pa de a Contr ibuiria aind , it ná tr ra es Pa irr Foz do Iguaçu, ionais a ofer ta re cém-​ a , im ss . A 11 padrõe s educ ac l. 20 ia r o­ de se gm ento edi­t 11 de outubro ão para aç rt po im po rt ado para o de ia a de licença prév a. Ao restringir ­adotada exigênci deveria ser revist s éi p ­ pa de os alguns tip

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Empresas de 12 estados concorrem ao conta‑fios dourado

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este ano, 102 empresas, re­ presentadas por 284 pro­ dutos passaram para a segunda fase do Prêmio Brasileiro de Ex­ celência Gráfica Fernando Pini, concorrendo em 60 ca­te­go­rias (dis­tri­buí­das em 11 segmentos). No total, 164 gráficas, de 14 es­ tados, inscreveram 950 peças. Ainda serão dis­tri­buí­dos três prê­ mios de Atributos Técnicos do Processo — chamados de Grand Prix —, que conferem a Melhor Impressão, o Melhor Acabamen­ to Cartotécnico e o Melhor Aca­ bamento Edi­to­rial entre todos os

produtos finalistas. O concurso também entrega prê­mios para fornecedores do setor gráfico em 13 ca­te­go­rias. No ano passado, 1.285 pro­ dutos, inscritos por 175 empre­ sas, participaram da primeira fase do concurso. “As gráficas estão cada vez mais seletivas no momento da escolha dos materiais que en­via­rão ao con­ curso. Podemos perceber isso pela elevação no padrão mé­ dio das peças em todas as ca­ te­go­rias”, afirma Francisco Ve­ loso, coor­d e­na­d or do Prêmio Fernando Pini. Esse aumento na qualidade dos trabalhos per­ meou praticamente todas as

ca­te­go­rias, segundo o coor­de­ na­dor, com destaque para re­ vistas, livros e embalagens, que brilharam em função da diversi­ ficação dos recursos de enobre­ cimento aplicados e do uso de materiais di­fe­ren­cia­dos. Uma novidade no regula­ mento da edição 2011 do con­ curso foi a exclusão da categoria de impressão digital em função da maturidade da tecnologia. “An­te­rior­men­te, havia uma dife­ rença clara entre o que era im­ pressão digital e offset, dispari­ dade que não existe mais. O que fizemos foi só adequar o con­ curso à rea­li­da­de do mercado”, explica Veloso.

Outra inovação foi o uso do tablet da Apple como platafor­ ma de pon­tua­ç ão na primeira fase do julgamento, que ocor­ reu no início de outubro. Cada jurado usou o iPad de forma in­ di­vi­dua­li­za­da, possibilitando que as notas fossem computadas em tempo real, evitando a transcri­ ção das ava­lia­ções e conferin­ do maior segurança e rapidez ao processo. A segunda etapa acon­ teceu nos dias 9 e 10 de novem­ bro. Os vencedores serão conhe­ cidos no dia 22 de novembro, em festa comandada pela jornalista Izabella Camargo no Expo Barra Funda, em São Paulo, e encerrada com show de Lulu Santos.

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PRODUTOS

Impressora de cartões e sistema de corte a laser são as novidades da Akad

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Tidland apresenta suporte eletrônico de facas no ABTCP 2011

urante o ABTCP 2011, 44º‒ Congresso e Exposição In­ ter­na­cio­nal de Celulose e Papel, rea­li­z a­do em outubro, a Tidland apresentou seu novo sistema de corte longitudinal (pa­t en­t ea­d o), o Linking Pin System. O sistema é composto de carros de corte que deslizam sobre guias li­nea­res e conectam-se pneumaticamente às contrafacas. Estabelecida a geo­me­tria de corte, esta não mais se modifica, resultando na redução do tempo de ajuste durante a troca de formatos.

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AIMCAL

Especializada em sistemas para desenrolamento, enrolamento e corte de materiais flexíveis, a Tidland recebeu o prêmio Tecnologia do Ano da As­so­cia­ção Norte-​­Americana de Equipamentos para as In­dús­trias de Conversão (AIMCAL). De acordo com a entidade, os juí­zes ficaram bem im­pres­sio­na­dos com os níveis de produtividade e segurança atingidos e pela redução de intervenção do operador da máquina. www.tidland.com.br

Akad ampliou sua linha de impressoras de cartões PVC com a impressora Datacard SD360. O equipamento possibilita a impressão automática frente e verso (duplex), personaliza até 200 cartões coloridos por hora ou até 830 cartões monocromáticos por hora (frente ou verso) e até 155 cartões coloridos por hora (frente e verso). Ele tem resolução de impressão de 300 dpi, 256 tons, 128 MB de memória, alimentação automática com bandeja de entrada para 100 cartões e de saí­da para 25 cartões (0,76 mm), além de conectividade padrão Ethernet e USB e fácil acesso para troca de suprimentos, o que representa economia de tempo e redução de des­per­dí­cios. A impressora possui um intuitivo painel de LCD para exibição de mensagens de status e prompts úteis com interface interativa, de fácil utilização com controles de toque. A Datacard SD360 também conta com a nova tecnologia de im-

pressão ­TrueMatch, que garante alta qualidade de impressão e cores vibrantes e nítidas. A impressora é ­ideal para quem imprime cartões de identificação para segurança, cartões de fidelidade e cartões de membros de faculdades, escolas, clubes e as­so­cia­ções, entre outros. Outro lançamento é a LaserPro X380 , da GCC , um equipamento de corte a laser que pode ser utilizado para diferentes aplicações. Trata-se de uma alternativa econômica para corte a laser, por ser equipado com tubo de laser CO₂ selado com até 100 W de potência para produção. Ele possui área útil de trabalho de 960 mm × 610 mm. O equipamento conta com abertura dianteira e traseira que aumenta a possibilidade de adequar placas ou objetos com dimensões su­pe­rio­res às da área de trabalho. O foco principal da LaserPro X380 é o corte de materiais como acrílico, MDF, tecidos e couro. www.akad.com.br

Agfa lança solução para fluxo de trabalho em jornais

urante a Ipex Expo 2011, que aconteceu de 10 a 15 de outubro em Vie­na, na Áustria, a Agfa lançou sua nova solução para fluxo de trabalho em jornais, o :Arkitex Graphix RIP 9. Integrada à plataforma :Arkitex (pacote de aplicativos para ge­ ren­cia­men­to de fluxo de traba-

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lho para jornais), a solução traz como novidade o suporte à tecnologia :Sublima, que consiste no uso de retículas em frequência cross modulated que, em linhas gerais, permite que se mesclem as melhores características dos padrões AM e FM (estocástica) para obtenção de imagens

vi­sual­men­te mais atraen­tes, com maior nível de detalhes e qualidade. A gama tonal obtida pode ficar entre as porcentagens de 1 a 99 para ­­áreas de máxima e mínima (tamanhos máximos e mínimos das retículas). O novo :Arkitex Graphix RIP 9 também suporta o tra-

balho aprimorado com dados de cor, rodando em máquinas de 64 bits, podendo trabalhar com vá­rios tipos de documentos PDF. Sua estrutura está toda ba­s ea­d a na consagrada plataforma Harlequin. www.agfagraphics.com


L

Xerox lança multifuncional WorkCentre 7556 no Brasil

ançada em outubro no mercado brasileiro, a nova mul­ti­ fun­cio­nal a cores da Xerox Cor­ po­r a­tion oferece uma série de recursos para ajudar desde es­cri­ tó­rios de médio porte até grandes grupos de trabalho, as­so­cian­ do aumento de produtividade à obtenção de metas sustentáveis. A Xerox WorkCentre 7556 permite fazer impressões coloridas a uma velocidade de 45 e 50 páginas por minuto e de 45 e 55 ppm em preto e branco. Com avançada tecnologia Hi-Q LED e saí­ da de alta resolução para documentos coloridos e profissionais, a mul­ti­fun­cio­nal copia, digitaliza, envia fax e e-​­mails, incluindo ainda ferramentas avançadas para

ge­ren­cia­men­to de documentos e fluxo de trabalho. O equipamento oferece recursos avançados e soft­wares que trazem melhor controle dos ne­ gó­cios e permitem a cria­ção de documentos que tenham qualidade su­pe­rior de cores. A mul­ ti­f un­cio­nal atinge resolução de 1.200 × 2.400 dpi, incorpora ferramenta de edição de cores que permite obter imagens apuradas e com colorido vibrante já na primeira impressão e servidor de impressão op­cio­nal EFI ­Fiery. Os be­ne­f í­cios “verdes” da WorkCentre 7556 in­cluem driver de impressão Earth Smart, que pode ser definido para incluir a impressão frente e verso,

amostra de impressão, sem banners e impressão de 2-up, toner Xerox Emul­sion Aggregate Ultra Low-​­Melt, que permite a fusão por indução de calor, reduzindo

o consumo de energia do equipamento e escâner em LED que consome 1/3 menos energia do que os tradicionais. www.xerox.com

LANÇAMENTO DA MÁQUINA MIRUNA MODELO 3 D2 SEMI AUTOMÁTICA A nova máquina Modelo 3 com dois cabeçotes de grampeação agora possui opção equipada com alimentador automático de revistas e empilhador de produção na saída da grampeação. Esta nova tecnologia alia a qualidade de grampeação já proporcionada pelas máquinas MIRUNA com a velocidade e a facilidade no trabalho do operador, aumentando a produtividade e garantindo maior eficiência no processo de grampeação de sua gráfica. Esta inovação da MIRUNA também contribuirá para o desenvolvimento dos profissionais da área gráfica, formados com excelência pela Escola SENAI Theobaldo de Nigris, parceira da MIRUNA. Entre em contato com os vendedores MIRUNA para saber sobre este lançamento e conheça a máquina também na feira DRUPA 2012, que acontecerá de 03 a 16 de maio de 2012 em Düsseldorf, Alemanha, no Pavilhão 12, Stand D-72.

Indústria de Máquinas Miruna Ltda.

www.miruna.com.br miruna@miruna.com.br Fone: (11) 2711.0844 Fax: (11) 4702.5951 0800.120844 Rua Howard A. Acheson Jr., 295 CEP 06711-280 Cotia SP 131

VOL. V  V2011  GRÁFICA VOL. 2011TECNOLOGIA TECNOLOGIA GRÁFICA


NESTA CAÇA AO TESOURO ENCONTRAMOS ALGO DE MU ITO VALOR: A SUA PARCERIA. AGRADECEMOS NOSSOS PATROCINADORES POR AJUDAREM A FAZER DESSE PRÊMIO UM VERDADEIRO TESOURO. ESPERAMOS QUE PARCERIAS TÃO VALIOSAS SE RENOVEM A CADA ANO. MU ITO OBRIGADO. Patrocinadores:

Realização:

Apoio Institucional:


ESPECIAL

Theobaldo De Nigris acompanha a evolução da indústria gráfica Escola completa 40 anos e projeta aumentar em mais de 50% o número de matrículas nos próximos três anos.

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s Escolas Senai Theo­bal­do De Ni­ gris e Felício Lanzara e a Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica cons­ ti­tuem o mais importante centro de tecnologia gráfica do Hemisfério Sul. São referência no âmbito do Senai, com a função de dar suporte a outras escolas, liderar o processo de inovação de currículos e propor mudanças. Hoje a Theo­bal­do De Nigris vive um ciclo vir­ tuo­so de adequação às demandas do setor e às no­ vas tec­no­lo­gias. O projeto da ­atual rees­tru­tu­ra­ção da escola começou a ser de­li­nea­do em 2006, envol­ vendo a instituição como um todo: reforma pre­dial, aquisição de novos equipamentos, atua­li­za­ção, am­ plia­ção e cria­ção de novos cursos, com investimento da ordem de R$ 30 mi­lhões. Assim como a Theo­bal­

do De Nigris, todas as demais unidades do Senai-SP estão passando por esse processo. A estrutura física da escola está sendo modifica­ da com o intuito de modernizar as instalações, pro­ por­cio­nan­do mais conforto aos alunos e docentes, assim como reduzindo o impacto am­bien­tal da uni­ dade e aproveitando melhor seus recursos. Os no­ vos espaços já estão recebendo equipamentos de última geração. Na área de impressão offset, des­ taca-se um equipamento que emprega tecnologia de secagem ul­tra­vio­le­ta. Em flexografia, uma nova impressora de banda estreita com seis unidades de impressão, para rótulos e etiquetas. O acabamen­ to foi incrementado com linhas de lombada canoa, dobradeiras e máquinas de corte e vinco es­pe­cial­ men­te desenhadas para o segmento de embalagem.


A pré-​­impressão vem recebendo novos soft­wares e os la­b o­r a­t ó­r ios am­p lia­r am sua atua­ç ão com modernos sistemas de medição, ensaios e testes. A renovação das instalações das escolas que cons­ti­tuem o Senai-SP é acompanhada pelo rea­li­ nha­men­to das grades curriculares. Na verdade elas nunca foram estáticas. Ajustes para que os cursos quer a formação de comitês técnicos setoriais, envolven­ do representantes das ativi­ dades industriais, que cola­ boram na definição do perfil pro­f is­sio­nal que o mercado está demandando. A Esco­ la Senai Theo­bal­do De Ni­ gris já adequou o curso de aprendizagem in­dus­trial e o curso su­pe­rior à nova meto­ (E/D): Ignaz Sessler, primeiro presidente da ABTG; João Franco de Arruda, dologia. Em 2012 será a vez diretor da Escola Senai Felício Lanzara; Damiro de Oliveira Volpe, presidente do Sindigraf‑SP; e Josef Brunner, presidente da ABTG, durante formatura dos cursos técnicos. de turmas da Felício Lanzara em dezembro de 1970 Essa mudança deverá re­ sigam os movimentos da indústria fazem parte da forçar ainda mais o alto índice de empregabilidade dinâmica das escolas, todavia o que ocorre agora vai dos cursos técnicos oferecidos pelo Senai-SP. De um além. Trata-se de um ponto de inflexão, uma vez que modo geral, no pe­río­do de um ano após a conclu­ a metodologia de ensino está sendo alterada. são do curso, 86% dos alunos egressos do Senai Partilhando de uma tendência mun­dial no ensi­ estão empregados. Esse resultado é fruto da orga­ no pro­f is­sio­na­li­zan­te, as unidades do Senai-SP estão nização da instituição, dos recursos tecnológicos abandonando a metodologia com base em con­teú­ dos quais dispõe e do fato de os cursos refletirem dos, substituindo-a pela metodologia com base em as necessidades da indústria. com­pe­tên­cias. Essa metodologia baseia-se no con­ Outro patrimônio fundamental das escolas ceito de que formar um pro­f is­sio­nal é muito mais são os docentes, cujo aperfeiçoamento é cons­ do que alimentá-lo de conhecimento. É garantir que tante. Quan­do o Senai busca professores vai ao ele possa mobilizar, além do conhecimento, habi­ mercado à procura de profissionais com profun­ lidades e atitudes. O que passa a nor­tear o desen­ do conhecimento de suas respectivas ­­áreas de volvimento do curso é a solução de problemas que atua­ção. A preparação pedagógica acontece den­ o indivíduo vai enfrentar dentro da indústria, tra­ tro das escolas, e em outras instituições, proces­ zendo a rea­li­da­de da fábrica para a sala de aula. O so que leva anos, acompanhando o professor em ajuste dos currículos dentro desses parâmetros re­ toda sua trajetória na escola.

Industriais italianos visitam as instalações da rua Bresser, na Mooca. Novembro de 1971

Theobaldo De Nigris (1907–1990), quando era presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e do Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo, em 1965. Contribuiu decisivamente para a instalação do Colégio Industrial de Artes Gráficas em 1971, que, em justa homenagem, passou a se chamar Escola Senai Theobaldo De Nigris, em agosto de 1974

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Theobaldo De Nigris apresenta a maquete do complexo escolar do Senai em São Paulo, em 1969, que viria a ser inaugurado em 1971 com o nome de Colégio Industrial de Artes Gráficas. À sua direita, de terno claro, Rubens Amat Ferreira, presidente da Abigraf

Felício Lanzara (1895–1962), fundador da Gráfica Lanzara, foi presidente do Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo no biênio 1938/39. Em novembro de 1962, a Escola de Artes Gráficas do Cambuci, em sua homenagem, passou a ser conhecida como Escola Senai Felício Lanzara

Interesse crescente

Assim como o Brasil diverge de outros paí­ses com relação ao desempenho do segmento de jornais, por aqui a procura pela formação técnica na área gráfica continua alta, diferentemente de nações europeias e dos Estados Unidos, em que a tônica é o desinte­ resse pela carreira. Por oferecer oportunidades reais de trabalho na indústria, o Senai é muito procurado. Ao longo de seus quase 70 anos, que serão comple­ tados em 2012, o Senai consolidou-se no Brasil como a opção de formação que garante empregabilidade, fazendo com que seus cursos tenham, anual­men­ te, mais candidatos do que vagas. É o que aconte­ ce na Theo­bal­do De Nigris. Se em alguns cursos a procura recuou ligeiramente não é porque o inte­ resse pela área caiu, e sim pelo fato de o Senai ter inaugurado novas escolas em São Paulo. O principal agente de divulgação da Theo­bal­do De Nigris é o próprio aluno. Cerca de 80% das pes­ soas que procuram a escola tiveram contato com ex-​­alunos. E esse contingente é bastante heterogê­ neo. Os cursos de aprendizagem in­dus­trial rece­ bem, de forma geral, estudantes indicados por em­ presas para serem contratados como aprendizes. Os cursos técnicos, ministrados nos pe­río­dos ves­ pertino, noturno e integral, acolhem, pela manhã, os jovens que completaram o ensino fundamental no Sesi, Serviço So­cial da Indústria, com o qual o Senai mantém acordo. À noite, o público é forma­ do por pes­soas que já trabalham, nas ­­áreas gráfica e de celulose e papel ou não, e o pe­río­do integral é

Primeira turma de formandos do curso superior de Tecnologia Gráfica, em 2002

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a melhor opção para quem mora fora de São Pau­ lo. O curso su­p e­rior é procurado tanto por pro­ fissionais que ­atuam no setor e buscam melhores colocações quanto por alunos do próprio Senai, en­ quanto a pós-​­gra­dua­ção atrai pes­soas formadas em outras ­­áreas e que procuram adquirir conhecimentos específicos para alçar voos mais altos. Con­cluí­do todo o processo de rees­tru­tu­ra­ção, a Escola Senai Theo­bal­do De Nigris projeta chegar a 2014 com um total de 8.225 matrículas ativas, o que representa crescimento de 57% em relação aos nú­ meros de 2011. Mais do que a expansão quantitati­ va, que não pode ser posta de lado em função da expansão do mercado, a instituição estará qualitati­ vamente mais bem organizada para con­ti­nuar con­ tribuindo para o desenvolvimento da indústria. Escolas Senai Theobaldo De Nigris¹, Felício Lanzara² e Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica Matrículas ativas (2011) Aprendizagem industrial: 145 Cursos técnicos: 1.090 Curso superior: 483 Pós-​­graduação: 172 Formação inicial e continuada: 3.350 Total: 5.240 Projeção para 2014: 8.225 Quadro de pessoal Administrativo: 53 Docentes (efetivos + terceiros): 145 Serviços terceirizados: 33 Alunos formados desde o início das atividades Cursos de aprendizagem industrial: 2.828 Cursos técnicos: 6.922 Curso superior: 514 Formação inicial e continuada: 126.409 ¹ Inaugurada em 1971 ² Inaugurada em 1945


Origens poentes do setor. Sete anos depois, as duas unidades tiveram suas operações integradas nas mesmas

a implantação, em 1998, da Faculdade de Tecnologia Gráfica o Senai tornou-se a primeira institui-

Escola Senai Felício Lanzara, no Cambuci

A primeira escola de Artes Gráficas do Senai foi instalada em 1945 no bairro do Belém, em São Paulo, destinada à formação de aprendizes para atender à demanda dos estabelecimentos gráficos na cidade, que, naquela época, empregavam cerca de 12.000 trabalhadores. Nos anos seguintes o Senai paulista intensificou a oferta de cursos e treinamentos e, em 1951, transferiu a Escola de Artes Gráficas para um novo edifício, no bairro do Cambuci, tra­di­cio­nal reduto da indústria gráfica na capital. Em 1962, essa unidade passou a se chamar Escola Senai Felício Lanzara, em homenagem ao importante líder do setor gráfico. Em 1971, com a coo­p e­r a­ç ão técnica da As­so­cia­ção dos Fabri-

cantes Italianos de Máquinas Gráficas e Afins (Acimga), da Itália, o Senai- SP inaugurou o Colégio In­ dus­trial de Artes Gráficas na Moo­ ca, onde passou a oferecer o curso técnico em Artes Gráficas, incorporando Theo­bal­do De Nigris ao nome três anos depois, em deferência ao empresário, um dos principais ex-

Colégio Industrial de Artes Gráficas no início da década de 70

instalações. Em 1979 teve início a oferta do curso técnico de Celulose e Papel para atender à crescente demanda desse segmento. Com

ção da América Latina a oferecer um curso su­pe­rior nesse segmento. Em abril de 2002, o curso foi reconhecido pelo MEC, tendo sido ava­ lia­do com a menção “A”. Os cursos de pós-​­gra­dua­ção começaram a ser oferecidos em 2005. Atual­men­te, a Escola Senai Theo­bal­do De Nigris e a Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica ­atuam em quatro vertentes de prestação de serviço: educação pro­fis­sio­nal, assessoria técnica e tecnológica, pesquisa aplicada e informação tecnológica. A formação pro­fis­sio­nal é oferecida desde o nível básico até a pós-​­gra­dua­ção.

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GESTÃO Adriana dos Santos e Leandro Robson Marques

O daltônico no gerenciamento de cor

S

erá que um daltônico poderia trabalhar no ge­ren­cia­men­to de cor em uma indústria grá­ fica? Esta questão surgiu em uma discussão entre operadores e produtores gráficos, du­ rante o processo de impressão de um catálogo de produtos de beleza em uma gráfica. Buscando uma resposta, começamos a nos apro­ fundar no tema, considerando que a percepção das cores é diferente para cada ser humano, daltônico ou não. Dentre os fatores responsáveis por essas di­ ferenças destacamos as in­ter­fe­rên­cias das cores do am­bien­te onde a amostra é observada, os diferen­ te níveis de fadiga vi­sual do observador ao longo do dia de trabalho, o tipo de iluminação utilizado durante a observação e eventuais imperfeições no aparelho vi­sual de diferentes observadores. A grande maioria das pes­soas que pertencem a este grupo são homens. De acordo com estatísti­ cas da Organização Mun­dial de Saú­de (OMS), um em cada treze homens é daltônico. Já entre as mu­ lheres, a relação é de uma daltônica a cada trezen­ tas. É importante observar que há diferentes graus de daltonismo e que, não raramente, uma pessoa é daltônica mas não tem cons­ciên­cia disso. Alexandre C. Leão, em sua dissertação Ge­ren­ cia­men­to de Cores para Imagens Digitais, descre­ ve que o olho humano possui uma grande quan­ tidade de células nervosas1, cerca de seis milhões de cones e 120 milhões de bastonetes. Os basto­ netes não distinguem cores, eles apenas são sensí­ veis à luz e são úteis quando existe baixa luminosi­ dade. Os cones são sensíveis às cores. Existem três diferentes tipos de cones, cada um capaz de per­ ceber uma das três cores pri­m á­r ias da síntese aditiva — vermelho, verde e azul. Uma pessoa normal tem a combinação exa­ ta dos três tipos de cones sensíveis às diferentes longitudes de ondas do espectro, portanto pode 1  São células es­pe­cia­li­za­das em transformar sinais visuais em impulsos elétricos para o cérebro

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perceber todas as cores. Já os daltônicos são pes­ soas que apresentam um mau fun­c io­na­m en­to ou ainda a não existência de cones e por isso não conseguem vi­sua­li­z ar determinadas cores. Os daltônicos são classificados, basicamente, em quatro grupos: ◆◆Grupo 1: Os protanopes, que não identificam a cor vermelha ◆◆Grupo 2 : Os deuteranopes, que não identificam a cor verde ◆◆Grupo 3 : Os tritanopes, que não identificam a cor azul ◆◆Grupo 4 : Os acromatopes, que só reconhecem tons de cinza Com base no exposto, a nossa dúvida con­ti­nua­va ainda sem resposta. Como pes­soas que apresentam características tão pe­cu­lia­res po­de­riam trabalhar com ge­ren­cia­men­to de cores na indústria gráfica? Luiz M. Régula explica em sua dissertação Padrões Virtuais e To­le­rân­cias Colorimétricas no Controle Ins­ trumental das Cores que, apesar de muitos profissio­ nais ainda ava­lia­rem a cor vi­sual­men­te, o aumento de exigência do mercado faz com que a utilização de instrumentos para medição de cor torne-se cada

Grupo 1


Grupo 2

vez mais indispensável. Sobretudo porque o ava­lia­ dor pode apresentar de­f i­ciên­cias no campo vi­sual e estas só podem ser supridas com a medição de cor através de equipamentos adequados. Frederico N. Leite, autor do estudo Calibração de Dispositivos de Cores Utilizando uma Câmera Digital, propõe que uma cor só pode ser medida por instrumentos es­p e­cia­li­z a­dos, que pos­suem sensores responsáveis por medir a luz refletida ou

a transmitida. Entre os principais instrumentos de medição utilizados destacam-se o espectrofotô­ metro, o colorímetro e o densitômetro. Esses equi­ pamentos trabalham como contadores de fótons com filtros de valores espectrais definidos. A dife­ rença básica entre eles é a quantidade de filtros que pos­suem e a sensibilidade de seus sensores. O densitômetro não é, rigorosamente falando, um equipamento para medição de cores, uma vez que não indica valores absolutos que representam de forma inequívoca cada cor. Densitômetros per­ mitem a ava­lia­ção comparativa de quantidades de tintas aplicadas na impressão. Medições densitomé­ tricas também permitem controlar outras variáveis de processo, tais como ganho de ponto, contras­ te relativo, a aceitação de um filme de tinta sobre outro (trapping), entre outros. O colorímetro é um equipamento com capaci­ dade de classificar as cores ba­sea­do em três carac­ terísticas que podem definir uma cor: a tonalidade

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Grupo 4

ou matiz (define a cor pelo comprimento de onda), o brilho ou luminosidade (destaca a proximidade do branco ou preto) e a saturação ou croma (grau de pureza da cor). O espectrofotômetro é o aparelho mais eficaz na medição de cores e foi desenvolvido com a ca­ pacidade de cumprir essa tarefa através da medida da transmitância e refletância de uma amostra em função de um comprimento de onda. Conforme afirma Luiz Régula, uma luz policromática e difu­ sa ini­cial­men­te ilumina a amostra. Essa luz refletida passa pelo prisma, grade ou outro dispositivo apro­ pria­do e sofre uma difração. Os componentes mo­ nocromáticos chegam a detectores espectrais, cada um no lugar correspondente ao seu comprimento de onda. Cada um dos detectores manda um sinal correspondente à energia relativa recebida naque­ le comprimento de onda e finalmente o fator de refletância, em porcentagem, fica registrado. Considerando-se que: 1. Mesmo pes­soas “normais” percebem as cores de forma diferente 2. Há diferentes graus de daltonismo e esse proble­ ma afeta uma grande parte da população 3. A padronização do controle de processos exige quantificações e medições consistentes e com grau de precisão conhecido 4. Há equipamentos à disposição que permitem a medição de cores com consistência e alto nível de precisão Podemos concluir que um daltônico pode tra­ balhar em área de ge­ren­cia­men­to de cor na indús­ tria gráfica desde que tenha conhecimento sobre

Grupo 3

colorimetria2 e sobre as normas técnicas que regem essa área e desde que a gráfica onde ele trabalha pos­ sua os equipamentos de medição adequados. 2  Colorimetria é a ciên­cia que estuda a medição da cor.

REFERÊNCIAS BERTOLINI , Cristiano. Sistema para medição de cores utilizando espectrofotômetro. 2010. 95 f. Trabalho de conclusão de curso (bacharel) – Universidade Regional de Blumenau, SC. LEÃO, Alexandre C. Gerenciamento de cores para imagens digitais. 2005. 135 f. Dissertação (mestrado em Artes Visuais) – Curso de mestrado em Artes Visuais, Escola de Belas Artes, Belo Horizonte, MG. LEITE , Frederico N. Calibração de dispositivos de cores utilizando uma câmera digital. 2006. 58 f. Dissertação (mestrado em Engenharia Elétrica) – Curso de pós-​­graduação em Engenharia Elétrica, Universidade de Brasília, DF. MORTARA , Bruno. As imagens de teste SCID ou ISO 12640. Revista Tecnologia Gráfica, São Paulo, SP, v. 6, n. 75, p. 38-42, 2010. RÉGULA , Luiz M. Padrões virtuais e tolerâncias colorimétricas no controle instrumental das cores. 2004. 135 f. Dissertação (mestrado em Metrologia) – Curso de pós-​­graduação em Metrologia, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, RJ. ROSSI , Sergio. Densitometria. Revista Abigraf, São Paulo, SP, v. 24, n. 190, p. 104, set./out. 2000. SANTOS , Adriana dos; MARQUES, Leandro Robson. Os daltônicos nas indústrias gráficas. 2010. 68 f. Trabalho de conclusão de curso (curso técnico) – Escola Senai Theobaldo De Nigris, São Paulo, SP. TORNQUIST, Jorrit. Color y luz: teoria y prática. Barcelona, Espanha: Gustavo Gili, 2008. Adriana dos Santos e Leandro Robson Marques

são ex‑alunos do curso técnico de pré‑impressão da Escola Senai Theobaldo De Nigris. Colaborou Marlene Dely Cruz, do Naipe – Núcleo de Apoio e Incentivo à Pesquisa, na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

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Quem patrocina as fronteiras do futuro vale muito. Mais que agradecer, queremos demonstrar todo o nosso reconhecimento aos nossos patrocinadores. Obrigado por trazer novos horizontes para o futuro da Indústria Gráfica.

Apoio Técnico:

Realização:


ESPECIAL Tânia Galluzzi e Letânia Menezes

Membros da diretoria da Abro, na abertura dos trabalhos (E/D): André Arantes, vice-coordenador do Conselho de Fornecedores; Augusto Dalla Vecchia, diretor de marketing; Claudio Baronni, vice-presidente executivo; Eduardo Gandara Costa, presidente executivo; Carlos Jacomine, diretor administrativo e financeiro e Rodney Casadei, diretor técnico

5ª- Conferência Anual da Abro O evento anual da Associação Brasileira de Empresas com Rotativa Offset (Abro) levou 288 pessoas ao São Paulo Center no dia 17 de agosto. Em pauta, as oportunidades para a impressão rotativa.

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ráficos, fornecedores e profissionais ligados ao setor de impressão rotativa se reuniram em agosto para debater as perspectivas econômicas, o desenvolvimento da mão de obra, a sustentabilidade e novas tec­no­lo­gias. O dia começou com a palestra de Ga­briel Chalita, deputado federal, ex-​­secretário da Educação do Estado e pré-​­candidato à sucessão da prefeitura de São Paulo, que falou sobre o gargalo da educação no Brasil. Enfatizando que a educação não vai nada bem, mencionou os índices internacionais, nos quais o País está em 70º‒ lugar, ou até em colocações pio­res. A capacidade de leitura, que toca diretamente à indústria gráfica, é mínima. “Por que as pes­soas não consomem mais livros? Porque elas não conseguem ler, não conseguem com­preen­ der aquilo que leem”, afirmou Chalita. “A leitura é nosso grande desafio”. Para ele, a educação só vai melhorar no Brasil quando o professor for de fato valorizado. Além disso, criticou a interrupção de políticas públicas ligadas à educação: “Cada ministro da Educação para o que o an­te­rior fez. No pe­río­do de Lula, tivemos vá­rios ministros e propostas educacionais diferentes no mesmo governo. Em São Paulo, foi a mesma coisa”. Como deputado federal, Chalita informou estar tentando ­criar uma Lei de Responsabilidade Edu­ca­cio­nal, nos moldes da Lei de Responsabilida-

de Fiscal, punindo o gestor público que interromper as metas que estão sendo aplicadas. “É importante a lei ser cons­truí­da pelos partidos políticos, pela so­cie­da­de, com instrumentos que garantam que, independente de quem estiver no governo, não haja interrupção do processo”. O desafio da educação no Brasil é imenso, mas o olhar sobre a educação não é só um olhar de governo. É preciso ter um olhar de so­cie­da­de. “O governo precisa ter a responsabilidade de não atrapalhar, de não interromper processos, de não truncar o que o outro desenvolveu. É preciso ter uma continuidade para que as pes­soas possam investir. Não é só uma visão pedagógica, é uma segurança jurídica”. Segundo o deputado, o grande caminho para formar um país de in­cluí­dos é a educação. Depois de Chalita, os participantes da conferência se dividiram para acompanhar dois fóruns, o Estratégico e o Ge­ren­cial. A Copa de 2014 e a iniciativa privada

A primeira palestra do fórum Estratégico foi “Panorama de oportunidades de ne­gó­cios — meio am­ bien­te e Copa do Mundo”, ministrada por Mário Hirose, diretor do departamento de meio am­bien­ te da ­Fiesp, e Rogério Santos, diretor executivo da Value Partners e consultor do Ministério do Esporte. Falando sobre ativos ambientais, Hirose afirmou que no Brasil as empresas vêm se empenhando para


Gabriel Chalita

Mário Hirose

cumprir seu papel na preservação do meio am­bien­ te. Segundo dados da ­Fiesp com relação à gestão am­bien­tal no setor privado em 2009, considerando as empresas responsáveis por 80% do PIB do Estado, 76% dessas com­pa­nhias pos­suem indicadores de consumo específico de energia, 98% mantêm programas de treinamento am­bien­tal aos fun­cio­ ná­rios, 62% têm metas de redução de consumo de água e 56% desenvolvem programas de reflorestamento. E mais: 42% utilizam fontes renováveis de energia, 23% já fecharam ne­gó­cios para a obtenção de créditos de carbono, 46% só contratam fornecedores que empregam procedimentos de gestão am­bien­tal e 48% conta com projetos para reduzir a emissão de gases de efeito estufa. Mesmo apontando falhas na nova Política Na­cio­ nal de Re­sí­duos Sólidos, o es­pe­cia­lis­ta elogiou os esforços das empresas brasileiras para adequarem-se às novas exi­gên­cias. “Na China ainda se produz como no Brasil dos anos 50. Mão de obra escrava sem nenhum tipo de preo­cu­pa­ção am­bien­tal e so­cial. O Brasil, queira ou não, fez sua lição de casa. A China ainda tem um longo caminho a trilhar e mesmo assim é a maior economia do mundo hoje”. Hirose comentou que tudo o que há de mais moderno nessa área chegará aqui até 2014, inclusive aproveitando os bons exemplos de outros paí­ ses-​­sede de grandes eventos. “Tóquio e Barcelona deram exemplo na administração do lixo quando se­dia­r am as Olim­pía­das”. Esse legado será muito importante para o Brasil. “Se tivermos o setor em­ pre­s a­rial envolvido, poderemos resolver grandes problemas sociais e educacionais”. Rogerio Santos centrou sua apresentação nas medidas que o governo brasileiro vem tomando na preparação para a Copa de 2014. “Hoje o País já é respeitado lá fora, mas nos falta relevância. Essa é a oportunidade para elevar nossa relevância econômica”. A Copa de 2014 deverá agregar cerca de R$ 183 bi­lhões ao PIB do Brasil até 2019, dos quais

Rogério Santos

Adalberto Franchin Cavinato

R$ 47,5 bi­lhões virão dos investimentos diretos em in­f raes­tru­tu­ra, dos gastos dos turistas e do incremento no consumo das fa­mí­lias e R$ 135,7 bi­lhões de forma indireta, através da recirculação do dinheiro na economia e do aumento do turismo e do uso dos es­tá­dios após a Copa. O consultor explicou os ciclos de planejamento para a Copa dentro do governo. O primeiro, entre 2009 e 2010, envolveu os projetos de in­f raes­tru­tu­ ra. O segundo e ­atual, de 2010 a 2011, engloba os projetos de in­f raes­tru­tu­ra de suporte e serviços e o terceiro, de 2011 a 2013, as operações e ações específicas. “Há muitas oportunidades de ne­gó­cios para as empresas que se propuserem a prestar serviços durante o evento”. Para integrar o setor privado à organização da Copa, o Ministério do Esporte criou o Acervo de Ex­pe­riên­cias para a Copa do Mundo Fifa 2014. Procurado constantemente por diversas empresas que gos­ta­riam de oferecer seus produtos e serviços para a organização da Copa, o ministério resolveu convidar as com­pa­nhias interessadas para participarem da elaboração de um grande cadastro sobre suas ex­pe­riên­cias. Os cadastros serão disponibilizados para consulta gratuita a todas as organizações interessadas na contratação de produtos e serviços. O acervo está disponível no site http://copa2014.questionpro.com/. Gestão de pessoal

No fórum Ge­ren­cial “Desenvolvimento de Mão de Obra”, Adalberto Franchin Cavinato, psicólogo e consultor as­so­cia­do da MarQ Consultoria, discorreu sobre a importância das pes­soas dentro das organizações, lembrando que sem elas nada pode ser implementado ou rea­li­z a­do. Segundo Cavinato, o tempo médio de recolocação no primeiro semestre de 2007 era por volta de oito meses e meio; no segundo semestre de 2009, seis meses; e agora está por volta de cinco meses. Mais da metade das pes­soas consegue um novo emprego VOL. V  2011  TECNOLOGIA GRÁFICA

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em apenas três meses. “Nunca se teve tanta brevidade em recolocação”, afirma ele. “O motivo é, em 41% dos casos, abertura de novas vagas e, em 59%, substituições. O mercado está muito aquecido, com muita rotatividade”. No primeiro semestre de 2011, houve 500 mil vagas no setor de serviços, 240 mil na indústria, 160 mil na agro­pe­cuá­ria e 150 mil na construção civil. “Os números revelam que os jovens hoje se sentem mais atraí­dos pelo setor de serviços, embora o salário seja menor do que na indústria. A questão que surge, então, é descobrir como apresentar o mundo in­dus­trial de forma a seduzir os jovens”. Um ponto importante é ­c riar mecanismos e ações para atrair pes­soas talentosas. Depois, a empresa precisa saber mantê-​­las e fazer com que cresçam e se desenvolvam, para que agreguem mais valor, permaneçam na empresa e justifiquem o investimento da organização. Para construir e fortalecer o vínculo, é necessária uma política de remuneração e be­ne­fí­cios, com perspectiva de ascensão na carreira e estímulo ao estudo. Assim, em um instante de crise é possível agir sem agravamentos da si­tua­ção. É importante fazer o término do vínculo empregatício com respeito e consideração. Para isso, há necessidade de habilidade ge­ren­cial para o cuidado com todos os procedimentos, como expor claramente os cri­té­rios para a demissão e também explicar para os que ficam os motivos das demissões. A política de es­tá­gios também é es­sen­cial, inclusive para a formação da imagem da empresa no mercado. A comunicação entre os jovens é instantânea e a impressão que cada um tem da empresa é repassada com rapidez. Não se pode tratar mal os es­ta­giá­rios e deixar para eles todas as tarefas desinteressantes. Ao final da palestra, Rodney Casadei, diretor técnico da Abro, informou que a entidade criou um grupo de estudos sobre mão de obra.

Rodney Casadei

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Eduardo Gandara Costa

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Tasso Azevedo

Sustentabilidade

Após o almoço, seguiram-se os fóruns Ge­ren­cial e Tecnológico, envolvendo os temas “Sustentabilidade e GHG Protocol como ferramenta de ge­ren­ cia­men­to da emissão de gases de efeito estufa” e “Novas tec­no­lo­gias para o mercado de rotativas offset”, respectivamente. Para inserir o tema sustentabilidade, Eduar­do Gandara Costa, presidente da Abro, apresentou e convidou as empresas a participarem do grupo de gráficas, lideradas pela Abril, que vem discutindo sustentabilidade desde o ano passado. Na sequência, Tasso Azevedo, engenheiro florestal e consultor do Ministério do Meio Am­bien­te, tratou sobre o impacto das mudanças climáticas nas florestas e as políticas na­cio­nal e estaduais de mudanças climáticas. Bea­triz Kiss, pesquisadora do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas, esmiuçou o Greenhouse Gas Protocol, ou Protocolo de Gases de Efeito Estufa, mostrando como as empresas podem se be­ne­f i­ciar do inventário. O GHG Protocol é a ferramenta mais utilizada in­ter­na­cio­nal­men­te por governos e líderes empresariais para com­preen­der, quantificar e administrar as emissões de gases de efeito estufa. O Programa Brasileiro GHG Protocol adaptou para o cenário na­cio­nal, em uma ação conjunta das 27 empresas fundadoras, a metodologia in­ter­na­cio­ nal. O objetivo do programa, ini­cia­do em 2008, é promover no Brasil uma cultura permanente para o desenvolvimento e publicação de in­ven­t á­rios corporativos de emissões de GEE . A pesquisadora explicou que o inventário divide as emissões de GEE em três escopos. O primeiro envolve as emissões diretas, originadas na própria empresa. O escopo 2 diz respeito às emissões indiretas, originadas nas fontes de energia, e o escopo 3 re­la­cio­na as outras emissões indiretas de gases de efeito estufa, originadas em fornecedores 

Beatriz Kiss


Bernhard Kuchenbaur

Thomas Linkenheil

ou terceiros. Em 2010, 77 in­ven­tá­rios foram publicados no Brasil, envolvendo a emissão de 107 milhões de toneladas de CO2, o que corresponde a 21% das emissões nacionais. Três gráficas figuram entre as 77 empresas que publicaram in­ven­tá­rios em 2010: Abril, Plural e Log&Print. Para fazer o inventário a empresa deve começar ma­pean­do as fontes mais significativas de emissão de GEE . De acordo com as dados dessas três gráficas, as maiores fontes emissoras no setor são o consumo de papel, combustíveis e de energia, seguidas pelo transporte de matéria-​­prima e de produtos. As etapas seguintes do inventário são o levantamento dos dados, o cálculo das emissões e o relato dessas informações. A empresa deve então aderir ao Programa Brasileiro GHG Protocol, capacitando-se na metodologia, tendo acesso ao registro público de emissões e ao suporte técnico. Novas tecnologias

O fórum “Novas tec­no­lo­gias para o mercado de rotativas offset” reuniu profissionais de cinco empresas: Bernhard Kuchenbaur, vice-​­presidente de vendas da manroland, Thomas Linkenheil, diretor de produtos da Trelleborg, Gert Volmer, gerente geral da Procemex, Tommi Hemmilä, gerente de vendas técnicas da UPM , e Bernhard Fritz, gerente de produtos e mar­ke­ting da Sun Chemical. A coor­de­na­ção das apresentações ficou a cargo de Rainer Kuhn, diretor da PrintCity Al­lian­ce, grupo formado por fornecedores do setor gráfico com a finalidade de promover a discussão e o compartilhamento de conhecimento. Com uma abordagem sobre as mudanças climáticas no mundo, Bernhard Kuchenbaur falou de ecologia e rentabilidade na impressão heat­set. “Com a tecnologia moderna de impressão temos a possibilidade de reduzir o consumo de energia e a emissão de dió­xi­do de carbono através da automação”. Ele apresentou pesquisas indicando que em impres28 TECNOLOGIA GRÁFICA  VOL. V  2011

Gert Volmer

soras maiores o consumo de energia por página é 50% menor do que nas máquinas pequenas. “Economizar papel reduz o consumo de energia e consequentemente de custos. Rentabilidade e ecologia são metas que seguem na mesma direção”. A seguir, Thomas Linkenheil analisou os de­sa­f ios da indústria frente ao binômio qualidade e preço. “Pesquisas indicam que 80% dos problemas na impressão são in­f luen­cia­dos diretamente pela blanqueta e seu desempenho e se­riam resolvidos com o uso de blanquetas corretas”. Segundo Linkenheil, “a idade e as condições da blanqueta, bem como sua dureza ou ma­ciez, afetam a qualidade da impressão. Ao fazer a escolha, é preciso pensar não só no preço, mas em todo o processo”. Bernhard Fritz discorreu sobre as múltiplas va­rie­ da­des de tintas e seus efeitos especiais. Para Fritz, os inovadores efeitos das tintas para chamar a atenção podem ser uma técnica ou uma ferramenta para vi­sua­li­zar e convencer pes­soas de ideias, conceitos, emoções. Lembrando que os pa­péis não são iguais, Tommi Hemmilä explicou que o papel é poroso, heterogêneo, com diferentes su­per­f í­cies e fibras. A grande va­rie­da­de de pa­péis aumenta a necessidade de ajustes no processo de impressão, inclusive na escolha da tinta, exigindo um cuidadoso ge­ren­cia­men­to de cores. Antes da palestra de encerramento, Alexandre Marques, da AMSG Consultoria, comentou rapidamente os principais números da Análise Se­to­ rial 2010, pesquisa patrocinada pela Abro que traça o panorama econômico e de mercado do setor de impressão rotativa. Os resultados, bem como o Índice Se­to­rial de Preços, fazem parte do Diretório Abro 2011, publicação ­anual que começou a ser dis­tri­buí­da durante a conferência. O Brasil está preparado para a borrasca

Finalizando o evento, o economista Maíl­s on da Nobrega, ex-​­ministro da Fazenda e sócio da

Tommi Hemmilä


Ten­dên­cias Consultoria, falou sobre as perspectivas da economia brasileira. Otimista, explicou os motivos da ­atual crise e analisou a si­tua­ ção do País. “Estamos ra­zoa­vel­men­te preparados se a borrasca vier. Imune o Brasil não vai ficar. O efeito disso tudo poderá ser uma taxa menor de crescimento”, previu. Maíl­son da Nóbrega citou a crise ini­cia­da no dia 8 de agosto de 2011. “Houve uma decepção com a recuperação americana. Já se projetava um crescimento do PIB americano em 2012 de 3,5 a 4%. Quan­do saí­ram os números, viu-se que o país cresceu apenas 0,8%. A economia americana ainda está num nível in­fe­rior a 2010 e o desemprego continua alto. Em seguida, a crise na Europa começou a ser percebida como muito mais grave, mais até do que nos Estados Unidos”. Depois do colapso de 2008, os governos foram muito bem sucedidos em evitar o risco da depressão, ao agirem em duas frentes, através de ações fiscais e mo­ne­ tá­rias, explicou o ex-​­ministro da Fazenda. “A primeira visava evitar a falência em cadeia do sistema bancário, o que seria um desastre. Geralmente é uma ação que nenhum governo evita, embora seja muito mal com­preen­di­do ao tomar essa medida. Salvar os bancos é ruim, difícil politicamente, mas não salvar é pior”. A outra frente diz respeito à forte queda de con­f ian­ça no futuro. Quan­do os consumidores se con­traem, o mercado estanca, as empresas investem menos. O governo tem que entrar neste momento, dependendo das condições fiscais, para suprir essa lacuna. “Agora em 2011 estamos vivendo os reflexos disso, o que significou um aumento gigantesco de gastos. A relação entre a dívida e o PIB , que é o principal indicador de solvência do setor público, aumentou, em alguns casos de forma dramática”, explicou Maíl­son. “É o caso da Irlanda, que tinha uma dívida pública de 27% do PIB e ago-

Bernhard Fritz

Rainer Kuhn

ra está perto dos 100%. Na Europa, todos estão acima dos 60% do PIB , o que é um indicador de prudência. Os Estados Unidos estão em 95% do PIB ; no Japão é de 230% do PIB”. Agravando esse quadro negativo, a Standard & Poor’s reclassificou os Estados Unidos, o que aconteceu pela primeira vez na história. “Tudo indica que foi uma ação precipitada”, opinou o ex-​­ministro. “Os Estados Unidos não estão insolventes, longe disto. Um país que emite a moe­da de reserva do mundo nunca ficará insolvente”. Ao contrário dos paí­ses ricos, os emergentes estão sólidos, têm gestão ma­croe­co­nô­mi­ca responsável e serão o polo dinâmico de crescimento nos próximos anos. “Este ano calcula-se que os paí­ses emergentes serão responsáveis por mais de 80% da economia mun­dial, que deve ter um crescimento da ordem de 3,5%. O Brasil está até mais preparado do que em 2008 por duas razões. Uma das fortalezas do País em 2008 foi ter reservas internacionais robustas. Havia 200 bilhões de dólares em reservas no Banco Central. Hoje são 350 bilhões de dólares”. Também conta a ex­pe­riên­cia. Em 2008 o Banco Central liberou o compulsório dos bancos, monitorou seu comportamento, deu liquidez para reserva e fez uma operação de troca de moe­da com o banco central americano. A tendência até o final de 2011 é a desaceleração da economia, o que, segundo Maíl­son da Nóbrega, deve ser comemorado, pois significa que o governo está agindo. E concluiu: “Ao pensar o Brasil numa perspectiva de longo prazo, pode-se dizer que o risco para o futuro é de baixo crescimento, e não retrocesso. Nesse sentido, é um país promissor e como tal é percebido por investidores de todo o mundo. Dá para olhar o País com otimismo”. A 5ª‒ Conferência ­Anual da Abro teve como patrocinadores Kodak, Flint Ink, Agfa, Deltagraf, Goss e Müller Martini.

Alexandre Marques

Maílson da Nobrega

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ESPECIAL DRUPA 2012 Cary Sherburne

Tendências na impressão de grandes formatos

M

uitos es­p e­cia­lis­t as da indústria chamaram a Drupa 2008 de “A Drupa do jato de tinta”, e, em muitos aspectos, foi mesmo. Depois da feira, alguns fornecedores lançaram soluções jato de tinta de alta velocidade, que foram mostradas na Drupa como produto ou protótipo, e esses equipamentos ainda estão chegando ao mercado. Conforme nos aproximamos da Drupa 2012, quais são as tec­no­lo­gias que podemos esperar ver e que irão promover mudanças no mercado de impressão? Mais uma vez, ficamos na expectativa de um po­si­cio­na­men­to forte do jato de tinta entre as novas tec­no­lo­gias que serão apresentadas. Desta vez, porém, embora ainda haverá uma presença marcante do jato de tinta no setor de produção, podemos também aguardar uma inserção maciça no segmento de grandes formatos, uma vez que as ofertas digitais nesse setor con­ti­nuam a amadurecer, melhorando seus custos e o desempenho, substituindo os sistemas convencionais no campo da comunicação vi­sual, como a impressão serigráfica, em inúmeras aplicações.

O mercado de grandes formatos

As impressoras digitais de grande formato não são novidades nas ­­áreas de comunicação vi­sual e gigantografia. O que há de novo é o quanto a tecnologia tem avançado em termos de velocidade, qualidade e va­rie­da­de de aplicações para as quais processos digitais — ao invés de analógicos — podem ser

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empregados. Assim como o mercado de impressão offset tem visto a elevação na demanda por tiragens menores, pelo tempo de resposta mais rápido e por con­teú­dos relevantes pro­por­cio­na­dos pela tecnologia digital, a mesma transformação está ocorrendo na área de grandes formatos. E as tec­no­lo­gias para isso já estão disponíveis. A inovação também continua. A EFI, por exemplo, afirma que seu novo sistema de secagem à base de LEDs para a linha Vutek, chamado Cool Cure, opera na mesma velocidade que as lâmpadas UV, mas com menor consumo de energia, com capacidade de imprimir em substrato mais fino e mais barato, devido ao calor reduzido, e com menor custo em função da ausência de necessidade de substituição das lâmpadas. Scott Schinlever, vice-​­presidente sê­ nior e gerente geral de soluções de jato de tinta da EFI , espera ver outros fornecedores chegando ao mercado com soluções em LED na Drupa: “Não há grandes desvantagens no uso de tratamento com LED se for feito sem comprometer as fun­cio­na­li­da­ des básicas do processo”. A FujiFilm Graphic Systems lançou um produto que poderia ser visto como um cruzamento entre a impressão co­mer­cial e o mercado de comunicação vi­sual, a FujiFilm J-​­Press 720, impressora jato de tinta com alimentação a folha, no formato de 73 cm, projetada para aplicações de impressão co­mer­cial. Contudo, o tamanho da folha e a qualidade final a tornam adequada para peças menores de comunicação vi­sual e de outros produtos de grande formato, es­pe­cial­men­te materiais


de ponto de venda. Esse tipo de abordagem pode ser uma abertura para que os impressores comerciais entrem no mercado de comunicação vi­sual e de grandes formatos, já que a impressora também pode ser usada para fazer produtos tra­di­cio­nal­men­ te comerciais e promocionais de pequenas tiragens. Além disso, a FujiFilm é a distribuidora exclusiva de impressoras Inca Onset nos Estados Unidos e oferece sua impressora UV da série Acuity alimentada a bobina ou de mesa plana e a série Uvistar alimentada a bobina em todo o mundo. Grande parte desse avanço é im­pul­sio­na­do pelas necessidades do mercado. Em junho de 2011, a empresa de pesquisa InfoTrends concluiu um estudo desenvolvido para coletar mais informações sobre os compradores de produtos de grande formato1. O estudo visava tanto com­preen­der as exi­ gên­cias do mercado de grandes formatos quanto acompanhar as mudanças nos padrões de compras em relação ao estudo an­te­rior, rea­li­z a­do em 2009. Embora este seja um estudo do mercado norte-​ ­americano, ele destaca as exi­gên­cias dos compradores, que provavelmente são similares ao redor do globo. Mais de 300 compradores responderam à pesquisa, que foi a base para o estudo. Aplicações e padrões de compra

O estudo revelou que banners, cartazes e placas de sinalização con­ti­nuam a ser as principais aplicações em grandes formatos, com a fotografia ganhando uma fatia cada vez maior na comparação com 2009 (em 2011, 42,6% dos entrevistados relataram terem comprado aplicações de fotografia, em comparação com 30% em 2009). Desenhos, provas, bandeiras e têxteis apresentaram de­clí­nios mais acen­tua­dos, com outras aplicações permanecendo relativamente estáveis. Em média, os entrevistados afirmaram comprarem aplicações de grande formato 5,4 vezes por ano, um ligeiro aumento na frequência em relação a 2009. No estudo de 2011, o número médio de impressões por pedido foi de 36,5, um número que favorece a produção digital em comparação com processos analógicos tradicionais. Preço, qualidade e velocidade são os três fatores-​­chave para a seleção de um prestador de serviços de impressão em grandes formatos. Em 2009, o preço foi o principal critério de seleção. Essa mudança também foi notada por Linda Bell, presiden-

te da Inca Digital Printers, que disse: “Houve uma mudança definitiva. Os clien­tes estão mais fa­mi­lia­ ri­z a­dos com a tecnologia e mais exigentes sobre o que eles querem que a tecnologia faça. Eles estão interessados em ter diferentes tipos de impressão e acabamento e qualidade su­pe­rior no resultado comparado ao que vimos no passado. Como já têm certa expectativa sobre a velocidade, eles agora se focam menos na velocidade e mais na qualidade”. Para atender a essas expectativas a Inca introduziu recentemente impressoras de maior qualidade com menor velocidade, os modelos S20 e S40, que também oferecem escolha de acabamento acetinado, brilho e fosco. Bell acrescenta: “se você pode elevar a qualidade até níveis comparáveis ao offset, ela vai abrir um mercado ainda maior para grandes formatos”. A velocidade ainda é importante, mas a maioria dos fornecedores continua a aumentar o rendimento de equipamentos com mesas de impressão maiores e mais velozes. Schinlever, da EFI , afirma: “para as cabeças de impressão e para os pró­prios sistemas de impressão, a relação preço/desempenho está aumentando ex­po­nen­cial­men­te. Para os fornecedores de impressoras, como a EFI , a Durst, a Inca e outros, não é exagero dizer que vamos finalmente ter algo tão ou mais rápido do que uma impressora automática de serigrafia, o que fará com que soluções integradas de fluxo de trabalho passem a ser cada vez mais importantes”. Aprimorando a comunicação visual com códigos QR

Uma das descobertas mais interessantes na pesquisa da InfoTrends foi o fato de que 20% dos compradores de comunicação vi­sual e de outras aplicações em grandes formatos têm usado os códigos QR e outros elementos interativos de mídia em seus displays e que, desses, mais de 90% planejam con­ti­ nuar usando esses elementos interativos. Dentre os entrevistados, 70% con­si­de­ra­riam o uso de códigos QR ou outros elementos interativos em seus banners. Isso representa uma enorme oportunidade para as empresas que oferecem serviços de grandes formatos, tanto para educar os consumidores sobre a importância dos elementos interativos quanto para adi­cio­nar valor aos trabalhos dos clien­tes e gerar mais receita. Displays digitais não ameaçam

1  Who Buys Wide Format 2011 [Quem compra grandes formatos 2011], de Tim Gree­ne, diretor da InfoTrends, 7 de junho de 2011.

Uma amea­ça clara para o segmento de produtos para sinalização e banners é o surgimento da sinalização digital eletrônica, que muitos te­miam que VOL. V  2011  TECNOLOGIA GRÁFICA

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roubasse mercado da sinalização impressa. Porém, essa transição não ocorreu, de acordo com o estudo da InfoTrends. Apenas 11% dos entrevistados tinham comprado displays digitais, embora 38% indicaram que planejam fazê-lo. Essas compras, no entanto, parecem ter pouco impacto sobre impressos de grande formato, com 76% dos respondentes indicando que usam displays digitais juntamente com impressões de grande formato. O mix de tecnologias digitais

Cada vez mais, a dinâmica das tec­no­lo­gias digitais está conquistando uma parte do mercado de trabalhos feitos em serigrafia, e muitas empresas de serigrafia tradicionais estão investindo em tec­no­lo­gias digitais. Assim como no mercado de impressão offset, haverá aplicações adequadas para a impressão serigráfica em um futuro próximo, pois não é rentável rea­li­zar muitos trabalhos com a impressão digital em grandes formatos. Mas a gama de aplicações que agora pode ser produzida digitalmente está aumentando significativamente. Muitos acreditam que as únicas aplicações em serigrafia que não podem ser feitas digitalmente giram em torno do uso de tintas especiais, como metálicas e fluo­res­ cen­tes, que possivelmente não estarão disponíveis para aplicações digitais por algum tempo. Em termos de aplicações específicas, as roupas serão as últimas a fazer a transição para as grandes tiragens digitais. 32 TECNOLOGIA GRÁFICA 

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Tipos de tinta

Uma forma de segmentar o mercado de grandes formatos é examinar os vá­rios tipos de tinta utilizados. A InfoTrends segmenta-as, em três ca­te­go­ rias principais: ◆◆ Base água, que inclui aquosas duráveis como um subsegmento, como as tintas látex da HP. ◆◆ Solvente/ecossolvente, que possui a maior fatia do mercado, mas que está perdendo espaço para a aquosa durável e para as tintas da terceira categoria, de cura UV. ◆◆ Com cura UV, que conquistou o mercado. As impressoras UV com essa tecnologia representam a maior parte das vendas de novos equipamentos de grandes formatos, à medida que os fabricantes deixam de produzir impressoras com tecnologia de tintas à base de solvente. O UV está ganhando terreno mais rapidamente na Europa do que na América do Norte, porém em um ritmo menor em mercados emergentes como a China e América Latina, onde o controle am­bien­tal é menos rigoroso. Tim Gree­ne, da InfoTrends, declara que “na América do Norte, a tecnologia digital de grande formato ainda é um negócio lucrativo em comparação com a China, onde o solvente é a tecnologia preferida e as gráficas compram o litro de tinta por um décimo do preço que pagam os gráficos norte-​­americanos. Os chineses têm im­ pul­sio­na­do o preço para baixo, vendendo grandes


formatos por apenas US$  0,35 por pé quadrado [929,0304 cm²], quando o preço normal seria de US$ 3 a 4 dólares por pé quadrado”. Gree­ne também aponta que as gráficas em mercados altamente regulamentados, como na Europa Ocidental e América do Norte, estão usando o que ele chama de cross-​­shore para atender as necessidades de certos clien­tes, por exemplo, fazendo um pedido de impressão em um país com legislação am­ bien­tal menos rigorosa, como a Polônia, e en­vian­do o produto final para o Reino Unido. Neste caso, a gráfica atende às exi­gên­cias tanto do clien­te quanto da legislação am­bien­tal, uma vez que a impressão não está sendo produzida no Reino Unido. “A China começou com tintas solventes, enquanto a América do Norte e a Europa Ocidental começaram com as tintas base água”, acrescenta Gree­ne. “O solvente parece con­ti­nuar sendo a principal tecnologia na China e em outros mercados emergentes devido ao seu menor custo, enquanto os mercados desenvolvidos estão se afastando das tintas à base de água e de solvente para embarcarem nas tintas de cura UV e, conforme as tec­no­lo­gias evo­ luem, esperamos ver avanços significativos também em tintas base água duráveis”. Uma tecnologia para se observar com atenção é a das tintas base água duráveis. Apesar de a HP ter uma posição de liderança nesse segmento, com suas tintas látex, Gree­ne afirma que formulações similares estão sendo desenvolvidas por empresas como a Sun Chemical e a Se­piax, acrescentando: “Essas tintas são boas para uso em algumas impressoras pie­zo da Epson, assim como muitos equipamentos do mercado, como da Roland DG , Mutoh e Mimaki. Vá­rios desses equipamentos po­de­riam ser modificados para usar tintas duráveis base água, substituindo o ecossolvente simplesmente através da limpeza do sistema e mudando as cabeças de impressão”. Tintas base água duráveis po­de­riam ser uma virada de jogo para retardar o crescimento do UV e acelerar o declínio de tintas solventes. Vale a pena assistir o mercado e observar se os prestadores de serviços entenderão que há valor em migrar seus sistemas para tintas à base de água duráveis à medida que esta tecnologia amadurece. Cu­rio­sa­men­te, em um estudo conjunto da Fespa/InfoTrends rea­li­z a­do em 20112 , o tipo mais comum de equipamento em uso pelas gráficas pesquisadas ainda era solvente, e apenas um terço relatou 2  Fespa/InfoTrends Evo­lu­tion Studes [Estudo de evolução Fespa/InfoTrends], abril de 2011.

ter tecnologia à base de água, apesar de existir uma tendência mun­dial em direção às tintas de cura UV. De acordo com Andrew Oransky, diretor de mar­ke­ting e gestão de produtos da Roland DG , “embora a tecnologia UV prometa even­tual­men­ te substituir a tinta à base de solvente para muitas aplicações, será necessário algum tempo até que os preços das impressoras UV se igualem aos níveis que estamos vendo atual­men­te nas impressoras jato de tinta solvente. Por essa razão, impressoras jato de tinta à base de solvente con­ti­nua­rão a ser ne­ces­sá­rias, es­pe­cial­men­te em gráficas de pequeno e médio porte, nas quais um investimento em tecnologia UV tem um custo proibitivo”. As gráficas não estão acabando até que estejam acabadas!

O acabamento também é um aspecto importante da produção de grandes formatos e pode adi­cio­ nar tanto margem quanto valor a um projeto simples. Por exemplo, os fornecedores es­pe­cia­li­z a­dos em grandes formatos estão partindo para instalações com aplicações de backlight, corte a laser para terminar os materiais de ponto de venda, envelopamento de veí­cu­los, decoração de vitrines e muitas outras. Eles também estão aplicando diferentes acabamentos às peças, através de laminação ou usando tec­no­lo­gias como as oferecidas pela Inca Digital, que permitem uma escolha entre acabamento fosco, acetinado ou brilhante. Embora essas operações mais complexas possam ser mais difíceis de gerir do ponto de vista de custos e lucros do que sob uma ótica de produção “imprimir, embalar e en­viar”, um fornecedor de impressão pode oferecer uma gama completa de serviços para aumentar pedidos e o lucro, crian­do uma di­fe­ren­cia­ção no mercado e fidelizando os clien­tes. Para a maioria das operações, impressão e corte são dois processos distintos. A Roland DG oferece uma plataforma única de impressão com corte pa­ ten­tea­da que combina as capacidades de impressão digital com um mecanismo de corte de contorno para agilizar o processo de produção, permitindo que as imagens sejam produzidas desde a concepção até o produto final de uma forma automatizada, eliminando algumas etapas rea­li­z a­d as de forma ma­nual. Sua nova impressora desktop VersaStudio de 20 polegadas (50,8 cm) possui recorte incorporado e permite aos profissionais gráficos acesso a esta tecnologia por menos de US$ 10.000. Esta máquina é ­ideal para a produção de amostras totalmente acabadas ou provas. VOL. V  2011  TECNOLOGIA GRÁFICA

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Participação de mercado

A classificação das parcelas do mercado global dos fornecedores por tipo de tinta mostra que: ◆◆ Os líderes do mercado global de jato de tinta à base de água ou aquosa são HP, Canon e Epson. A HP é a única grande marca no mercado de látex e já vendeu mais de 5.000 impressoras à base de tinta látex, de acordo com a InfoTrends. ◆◆ Em ecossolvente a Roland DG é a número um, com uma quota de mercado duas vezes maior que todas as outras empresas na América do Norte. A Mimaki e a Mutoh vêm em seguida no ranking, respectivamente. Oransky, da Roland DG , afirma que a participação da empresa no mercado global de ecossolvente é de 41,9%, com uma quota global de mercado UV de 5,6%.3 ◆◆ No campo das tintas UV, a Océ está na liderança no mercado global, seguida pela Mimaki, HP e EFI. Uma vantagem da impressão UV usando um equipamento de mesa é a capacidade de imprimir diretamente em substratos rígidos de até cinco centímetros de espessura, eliminando a necessidade de montar e laminar pos­te­rior­men­te os produtos. As impressoras UV estão disponíveis em modelos de mesa, rolo a rolo ou híbridos, que facilmente se convertem de um para o outro. Esses fornecedores serão bem representados na Drupa 2012, mas os visitantes devem também aproveitar a oportunidade para visitar os pequenos fabricantes, como a Grapo Tech­no­lo­gies, da República Tcheca, bem como procurar produtos inovadores e novas tec­no­lo­gias em exposição em estandes de fornecedores maiores. Mudança guiada por mercados em evolução

Uma coisa fica clara: o mercado de grandes formatos está evoluindo e os participantes bem sucedidos estão rea­li­z an­do as mudanças em dois planos, de acordo com o estudo da Fespa/InfoTrends. O estudo mostra que os prestadores de serviço podem desenvolver es­tra­té­gias para evoluir em duas direções: “De um lado está a capacidade de melhorar a sua eficácia ope­ra­cio­nal, desenvolvendo maior velocidade, melhorando a qualidade de imagem, a efi­ciên­cia de ganho, reduzindo o impacto am­bien­tal e melhorando o padrão de serviço aos seus clien­tes. Do outro lado, as es­tra­té­gias podem ser desenvolvidas para ajudar a ­criar novos serviços, novos produtos, conquistar novos clien­tes e ­criar novos modelos de negócio”. 3  Em 31 de março de 2011, segundo a InfoTrends.

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Direções evolutivas estratégicas

As decisões estratégicas que essas empresas tomam terão impacto sobre o tipo de equipamento, os clien­tes e os aplicativos que elas irão optar por comprar. Além dos dados quantitativos obtidos através de levantamentos com prestadores de serviços de grandes formatos, a pesquisa da InfoTrends também apresentou exemplos de estudo de caso de empresas que optaram por esses caminhos. Dois destes cases, que representam a entrada no mercado de dois pontos de partida diferentes estão resumidos aqui como exemplos da evolução pela qual a indústria está passando em termos de tecnologia e no campo da concorrência. A busca de novas fontes de receita Alderson – A companhia britânica Alderson Print

Group é um exemplo de um concorrente não tra­ di­cio­nal na indústria de vi­sual e banners, um fenômeno cada vez mais comum. No caso dessa gráfica co­mer­cial, em atividade desde 1963, a produção de grandes formatos foi percebida como uma estratégia de crescimento para compensar o declínio das receitas com impressão offset. Em 2009, a empresa estabeleceu uma divisão dedicada ao ponto de venda, combinando a tecnologia KBA em offset plana com diferentes equipamentos jato de tinta digitais de bobina da HP. A Alderson utilizou essa nova divisão para am­ pliar a receita com clien­tes já existentes, tornandose mais um fornecedor integrado, bem como para conquistar novos ne­gó­cios com novos clien­tes. Desde que a divisão foi cria­da, ela vem dobrando suas vendas, que agora são responsáveis por 20% do faturamento da empresa, que é de 30 milhões de libras (83 milhões de reais). Estes 20% são gerados com o trabalho de 30 pes­soas, de um total de 236 fun­cio­ ná­rios. Um desafio fundamental para a Alderson, como para muitas gráficas comerciais que optam pelo caminho dos grandes formatos, é a significativa necessidade de espaço adi­cio­nal para acomodar produção e acabamento, bem como para serviços de atendimento ao clien­te e logística. Massive Graphics – Localizada em New Bruns­ wick, Canadá, a Massive Graphics é uma loja digital com sete fun­cio­ná­rios, comandada por um empresário inovador. A empresa utiliza três impressoras de grandes formatos, duas ecossolventes Mimaki e uma Agfa de mesa, e atende aos mercados de varejo de produtos para sinalização e banners. Em 2010,


a Massive Graphics viu uma oportunidade de integrar códigos QR em suas ofertas. Embora a empresa não venda códigos QR por um custo extra, os clien­ tes reconhecem que o uso desses códigos aumenta os resultados das suas campanhas. O conhecimento es­pe­cia­li­za­do nesta área também po­si­cio­na a Massive Graphics como uma consultoria para seus clien­tes, muitas vezes ajudando-os no design para fazer um uso eficaz dos códigos na impressão de grandes formatos. Os códigos QR também tornam mais fácil fornecer um link para informações sobre produtos na internet em vá­rios idio­mas, uma exigência e, muitas vezes, um desafio no Canadá, em que se fala tanto francês quanto inglês. Os códigos QR também produzem dados de medição de resultados. As empresas querem saber se estão recebendo uma resposta direta e os códigos QR são uma ótima maneira para ava­liar o retorno, já que os acessos a eles são ras­trea­dos. Em um prazo muito curto desde que começou a oferecer códigos QR , a Massive Graphics passou a ser vista pelos seus clien­tes como capaz de produzir campanhas muito mais abrangentes e eficazes, elevando seu valor e com pouco risco, já que a adição de códigos QR exige pouco investimento adi­cio­nal por parte da empresa de impressão.

Grandes oportunidades para grandes formatos

A impressão jato de tinta de grandes formatos é um segmento interessante do negócio de impressão. Ela está crescendo e pode oferecer margens mais elevadas do que muitos outros segmentos e a tecnologia continua a evoluir para permitir ao clien­te soluções ainda mais inovadoras. A Drupa 2012 será uma oportunidade imperdível para os fornecedores de serviços de impressão de todos os tipos investigarem a gama de opções a fim de entrar nesse lucrativo nicho de mercado. Os visitantes devem aproveitar ao máximo a chance de entender mais sobre equipamentos, tintas, soluções de acabamento e aplicativos na busca pelo melhor caminho para o lucro em novas possibilidades de negócio, ou procurar novas formas de melhorar os seus atuais serviços de grandes formatos. Os visitantes devem também olhar para “fora da caixa” e investigar as ferramentas e soluções que irão ajudar a simplificar as suas operações. A maioria dos fornecedores do mercado de grandes formatos, se não todos, oferece uma grande va­rie­da­de de soluções de pré-​­impressão, fluxo de trabalho e acabamento que tornam o processo de impressão de grande formato mais efi­cien­te e rentável.

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35


CADA VEZ

Q U E U M A R E V I S TA

É IMPRESSA. UMA NOVA ÁR VORE

DA INFORMAÇÃO

É P L A N T A D A. . TEM UMA INFORMAÇÃO

A cadeia produtiva do papel e da comunicação impressa vem realizando uma campanha de informação sobre o que produz para a sociedade. Esclarecer dúvidas e, principalmente, trazer à luz da verdade algumas questões ligadas à sustentabilidade.

MUITO IMPORTANTE

SOBRE TODA

A principal delas é deixar claro que, as árvores destinadas à produção de papel provêm de florestas plantadas, e que essas são culturas, lavouras, plantações como qualquer outra.

A INDÚSTRIA GRÁFICA QUE VOCÊ PRECISA SABER:

Somos uma indústria alinhada com a ecologia e a natureza, ou seja, as nossas impressões são extremamente conscientes porque utilizamos processos cada vez mais limpos. E, mesmo assim, buscamos todos os dias novas tecnologias de produção que respeitem ainda mais o equilíbrio do meio ambiente. Somos uma indústria que traz prosperidade para o País e benefícios para todos os brasileiros. Temos imenso orgulho de saber que cada vez que imprimimos um caderno, um livro, uma revista, um material promocional ou uma embalagem, estamos levando conhecimento, informação, democracia e educação a todos. Imprimir é dar veracidade, tornar palpável. Imprimir é assumir compromisso. Imprimir é dar valor. Principalmente à natureza. I M P R I M I R

É DAR VIDA.

ENTIDADES PARTICIPANTES: ABAP, ABEMD, ABIEA, ABIGRAF, ABIMAQ, ABITIM, ABRAFORM, ABRELIVROS, ABRINQ, ABRO, ABPO, ABTCP, ABTG, AFEIGRAF, ANATEC, ANAVE, ANDIPA, ANER, ANL, ARTEFATOS, BRACELPA, CBL, FIESP E SBS.

CAMPANHA DE VALORIZAÇÃO DO PAPEL E DA COMUNICAÇÃO IMPRESSA.

Acesse e saiba mais:

Imagem de Eucalipto

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COMO FUNCIONA

O que é RFID?

Maya Shikida

V

ocê pode até nunca ter ouvido falar em RFID, o que duvido, mas certamente já utilizou códigos de barras e muito pro­ vavelmente já teve problemas com eles em lojas, li­vra­rias ou supermercados, onde a aten­ dente teve que girar o produto até que a leitura de seu código fosse possível. Basicamente, o RFID tem uma função parecida com a dos códigos de barras normais, porém com uma segurança muito melhor e uma infinidade de aplicações. As etique­ tas RFID contêm um chip e uma antena que arma­ zenam informações, pos­te­rior­men­te lidas por um leitor es­pe­cial. RFID é a sigla para Radio Frequency Iden­ti­f i­ca­tion, no português “identificação por ra­ dio­f re­quên­cia”. Ela utiliza frequência de rádio para transmitir e capturar dados e surgiu como forma de complementar a tecnologia de códigos de bar­ ras. Suas utilizações são as mais diversas, poden­ do atender as in­dús­trias, os setores co­mer­cial e de segurança, dentre outros.

mesmo que ainda estivesse distante. Porém, esse sistema não permitia saber se o ­avião era inimi­ go. Os alemães descobriram então que, se os pilo­ tos girassem o ­avião quando estivessem retornan­ do, mo­di­f i­ca­riam o sinal de rádio, permitindo sua identificação. A partir daí, foram desenvolvidos sis­ temas ba­sea­dos nessa tecnologia, como os sistemas antifurto utilizados até hoje, nos quais chips de um bit são colados em produtos. Se o clien­te paga pelo produto, o bit é posto em 0; caso não pague, ele continua em 1, acio­nan­do um alarme. Composição Um sistema RFID é basicamente composto por um leitor e uma etiqueta RF tag. O leitor possui uma an­

tena que é responsável por emitir sinais de rádio que ativam a etiqueta, rea­li­z an­do a leitura. A etiqueta RF tag (transponder) é composta por um microchip e uma antena. As etiquetas podem ser ativas, com ba­te­rias internas, ou passivas, sem ba­te­rias pró­prias, sendo ativadas através da antena do leitor.

História

O primeiro sistema RFID foi utilizado na década de 40, durante a Segunda Guer­ra Mun­dial. O físi­ co escocês Robert Alexander Watson-​­Watt inven­ tou um radar que identificava através de ondas de rádio quando um ­avião estava se aproximando,

Funcionamento

Qualquer etiqueta adesiva comum é composta de frontal, adesivo e liner (1). As etiquetas RFID pos­ suem em seu lado interno uma antena e um chip, responsáveis por armazenar informações sobre os

Etiqueta Adesiva Comum

Etiqueta RFID

Frontal

Imagens: Thiago Sanches

Frontal

Chip

Adesivo

Antena

Liner Encapsulamento

38 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. V  2011

Adesivo


produtos nos quais são coladas, que podem ser ob­ jetos, embalagens, produtos, pes­soas, animais etc. O lado frontal da etiqueta recebe impressão de dados variáveis através de uma impressora térmi­ ca es­pe­cial que também imprime as informações no lado interno (microchip). A antena contida na etiqueta transmite as informações impressas, atra­ vés de ondas de rádio para o leitor, que, por sua vez, converte as ondas em informações digitais que podem ser lidas por um computador. Aplicações

A tecnologia RFID tem como vantagem a diversi­ dade de aplicações, entre elas: Controle de estoque – Com etiquetas RFID coladas em todos os produtos, é possível obter re­la­tó­rios e in­ven­tá­rios de materiais em estoque sem se perder tempo com balanços e evitando erros e re­dun­dân­cias. Ras­trea­men­to – Essa tecnologia permite saber a localização de mer­ca­do­rias em tempo real.

Substituição de códigos de barras – Você já parou para pensar que, quando vai ao supermercado, você tira os produtos da prateleira, coloca no carrinho, tira do carrinho, coloca no caixa, tira do caixa, de­ volve ao carrinho, tira do carrinho, coloca no carro, tira do carro e os leva para casa? Com o RFID, seria possível, por exemplo, colocar os produtos no car­ rinho e simplesmente passar por um receptor na saí­da do estabelecimento, capaz de identificar os produtos e gerar uma fatura. A tecnologia RFID vem crescendo a largos pas­ sos a cada dia que passa. Os es­pe­cia­lis­tas acreditam que ela não vá extinguir o uso dos códigos de bar­ ra, uma vez que ambos podem coe­xis­tir, mas sim am­pliar o mercado de identificação. Maya Shikida é ex‑aluna do Curso Técnico

de Rotogravura e Flexografia da Escola Senai Theobaldo De Nigris, aluna de Engenharia na FEI e assistente de PCP na Adesão Etiquetas.

VOL. V  2011  TECNOLOGIA GRÁFICA

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TIPOGRAFIA

a letra impressa •parte 2 matrizes mecânicas e a fundição de tipos

Claudio Rocha

Nesta série de artigos estão sendo examinados os processos de fabricação de tipos, passando por seus diversos estágios de produção no sistema tipográfico, na fotocomposição e no sistema digital. No primeiro artigo foi apresentado o processo manual de produção de punções e confecção de matrizes. O próximo artigo irá abordar o sistema de composição mecânica desenvolvido pela Linotype. A fonte utilizada no título e legendas deste artigo é a Palatino Sans, criação de Hermann Zapf e Akira Kobayashi, de 2006. Para o texto foi utilizada a Monotype Bembo, versão digital da fonte produzida no século XV por Francesco Griffo sob encomenda do editor Aldus Manutius.

CLAUDIO ROCHA é tipógrafo, editor da revista Tupigrafia e diretor da OTSP, Oficina Tipográfica São Paulo

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Quatro séculos se passaram desde a invenção da arte tipográfica no ocidente, por Gutenberg durante o século xv, até que ocorressem aperfeiçoamentos significativos na técnica desenvolvida por ele. Sua grande contribuição foi o desenvolvimento do molde ajustável, que possibilitou o surgimento da técnica da produção de tipos e a disseminação do ofício do tipógrafo por toda a Europa nos séculos seguintes. Somente no final do século xix – quando os avanços da revolução industrial convergiram para a impressão tipográfica – foi possível a otimização do processo de fabricação de tipos móveis.

comparado com o sistema anterior, limitado pela escassez de punchcutters competentes e pelo longo tempo de produção. Com o novo processo foi possível o estabelecimento de numerosas type foundries. Ainda com essa técnica era possível repor facilmente matrizes danificadas durante a fundição e também reproduzir desenhos complexos de capitulares ornamentadas e letras com linhas delicadas, características do estilo art nouveau. Uma outra importante evolução técnica no sistema produtivo ocorreu em 1885, quando Linn Boyd Benton inventou um equipamento para a gravação de punções, posteriorInicialmente, os antigos tipógrafos conce- mente aperfeiçoado e adaptado também para biam e produziam suas próprias fontes, mas a gravação de matrizes. Nesse mesmo ano foi já no século xvi a fundição de tipos se tor- desenvolvida a primeira máquina automática nou um negócio independente. Essas novas de fundição de tipos, completando a mecatype foundries criavam e forneciam os tipos para editores e impressores. Conforme descrito no artigo anterior, para fabricar um tipo era necessário esculpir manualmente uma punção em metal com o relevo da letra em reverso. Essa punção era batida sobre a superfície de uma barra de latão, gerando a matriz – uma imagem da letra em baixo-relevo – que era então utilizada para fundir os tipos para impressão. Esse procedimento foi o único a ser utilizado até a primeira metade do século xix, quando experiências com o processo eletroquímico da galvanoplastia foram aplicadas à tipografia e ficaram conhecidas por galvanotipia (electrotyping). Por meio de eletrólise (separação de elementos químicos de A fonte Walthari, uma mistura dos estilos um composto através do uso da electricida- art nouveau e gótico, criada em 1899 de) foi possível produzir matrizes em bar- por Heinz König para a type foundry alemã ras de cobre com grande precisão e rapidez Rudhard’Schen, de Offenbah.


Na esquerda, imagem do escritório central da American Type Founders, em Jersey City, publicada no catálogo American Specimen Book of Type Styles, de 1912.

nização do processo de produção, atendendo assim à crescente demanda da indústria gráfica que surgia naquele período. Um fato fundamental para a evolução do mercado foi a formação da American Type Founders Company, em 1892. A proliferação de type foundries inviabilizara economicamente o negócio da comercialização de tipos e a solução encontrada foi a fusão de 23 type foundries independentes, formando a ATF. Em pouco tempo, a nova companhia se tornou a principal empresa mundial na produção de tipos de metal. Foram contratados os melhores talentos da indústria, como Linn Boyd Benton, com seu pantógrafo para a gravação de matrizes, e Henry Barth, com sua typecaster (fundidora de tipos). O pantógrafo de Benton ajudou a solidificar a profissão do type designer, substituindo o trabalho do punchcutter, ou puncionista. Até então, os caracteres de um alfabeto eram necessariamente esculpidos em metal, em um longo e trabalhoso processo, o que podia alterar substancialmente o desenho original. No novo sistema, um primeiro pantógrafo produzia punções a partir do desenho de um caractere, com mínimas interferências. Esse molde em alto-relevo era produzido em latão (uma liga de cobre e zinco). Um segundo pantógrafo era utilizado para produzir as matrizes. A punção era posicionada no berço inferior e a ponta de um pêndulo, conduzida por um operador, percorria o contorno desse caractere. Uma barra de metal posicionada no berço superior recebia a incisão do desenho do caractere por meio de uma ferramenta de corte (router), gravando em baixo-relevo o desenho da matriz do

Ao lado, punção da letra B, em latão, para produção de matrizes no pantógrafo. Abaixo à esquerda, a punção é utilizada como guia para produção da matriz. O operador transferia os contornos dos caracteres para uma ferramenta de corte posicionada na parte superior do pantógrafo. Abaixo, o pantógrafo de matrizes inventado por Linn Boyd Benton.

tipo a ser fundido. O pantógrafo de Benton podia gerar matrizes em diversos tamanhos, a partir de uma mesma punção, ajustando-se a altura do braço telescópico. Também era possível alterar as proporções do desenho original para gerar moldes de letras mais condensadas ou expandidas, mais finas ou grossas ou ainda italizadas, com variação dos graus de inclinação. O pantógrafo de Benton logo se tornou um sucesso e foi adaptado por outras type foundries. Diversos sistemas foram utilizados para transferir os desenhos para os moldes, como a estereotipia (clichês de zinco) e filmes de recorte. VOL. V  2011  TECNOLOGIA GRÁFICA

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o molde para fundição do tipo

Acima, tipo fundido por James Mosley em demonstração no Museu Bodoniano, em Parma. O tipo ainda apresenta o excesso de metal na parte inferior, retirado na etapa de acabamento. Na demonstração, feita em 2009, foram utilizados um molde e uma matriz em corpo 24, utilizados por Gianbattista Bodoni no século xviii. O inglês James Mosley é uma das maiores autoridades em história da tipografia e foi diretor da St. Bride Library de 1995 a 2000. À direita, gravura com equipamentos para a fundição mecânica de tipos na Boston Type Foundry, em 1879.

42 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. V  2011

A fundição dos tipos era feita manualmente, com uma peça conhecida como molde ajustável, que possuia dois parâmetros: as medidas do corpo do tipo a ser fundido (body depth) e da altura do tipo (paper depth). Uma outra medida, ajustável, era a largura do caractere. Com o molde fechado e a matriz posicionada, uma liga de metal em ponto de fusão era despejada com uma concha, através de um orifício. Em seguida, o operador sacudia o molde para cima, fazendo a pressão necessária para que todo o tipo fosse preenchido pelo metal. Em seguida, o molde era aberto para retirar o tipo já fundido e novamente fechado, reiniciando a operação. Fundiam-se em média de 6 a 8 tipos por minuto. Depois de fundidos, os tipos recebiam o acabamento, que consistia em eliminar rebarbas nas laterais e excesso de metal na base, resultantes do processo de fusão. Por fim, era ajustada a medida da altura do tipo. O metal utilizado era uma liga de chumbo, estanho e antimônio em proporções diferentes, adequada ao sistema de composição ao qual o tipo seria destinado: tipos móveis ou composição mecânica. Na composição da liga o chumbo entrava na proporção de 50 a 86%. Era a base do tipo, por ter custo relativamente baixo e por sua facilidade em formar liga com outros metais. O estanho, que tinha ponto de fusão baixo, entrava na proporção de 3 a 20%, dando f luidez e resistência à liga. O antimônio entrava na proporção de 11 a 30%, garantindo dureza e precisão às formas do tipo. As inovações introduzidas no século xix aumentaram a produtividade na fusão de tipos, com máquina que fundiam automaticamente até 175 tipos por minuto, em corpos de até 11 pontos. Algumas instituições preservam punções matrizes e moldes em suas coleções. O Museu Bodoniano em Parma conserva 25.500 punções, 50.000 matrizes e 147 moldes, de Gianbattista Bodoni. A Bélgica abriga uma enorme coleção de punções e matrizes de Claude Garamond, presentes no acervo do Museu Plantin Moretus, na Antuérpia. E na Inglaterra as punções de tipos da H. Caslon & Co. Ltd. estão conservadas na St. Bride Library, em Londres.

Acima, imagem publicada em Descriptions des arts et métiers, de 1698, mostrando um molde para fundição de tipos. O arco de metal na parte inferior era utilizado para pressionar a matriz dentro do molde, fixando-a durante o procedimento de fundição. O metal em ponto de fusão era despejado no orifício (A) na parte superior do molde, que era aberto para retirar o tipo fundido. Os ganchos no alto serviam para puxar o tipo para fora do molde .

obras consultadas: McGrew, Mac, American Metal Typefaces of the Twentieth Century. Oak Knoll Books, New Castle, 1993. Lawson, Alexander. Anatomy of a Typeface. David R. Godine Publisher, Boston, 1990. Smeijers, Fred. Counterpunch. Hyphen Press, Londres, 1996. Baines, Phil & Haslam, Andrew. Type and Typography. Watson-Guptill, N. York, 2002.


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ENTREVISTA

W

alter Vi­cio­ni Gonçalves sempre esteve ligado à educação. Formado em Pedagogia pelo Mackenzie, com pós-​­gra­dua­ção em Administração e Planejamento da Educação pelo In­ter­na­tio­nal Institute for Edu­c a­tio­nal Planning (IIEP-França), está no Senai desde 1970. No Senai-SP já exerceu os cargos de diretor de escolas, diretor de Organização e Planejamento e diretor técnico. No Sesi-SP, foi diretor de operações e na área corporativa das duas instituições foi coor­de­na­dor de Planejamento e Gestão. Atuou ainda como consultor do Banco Mun­dial no Projeto de Reo­rien­t a­ç ão do Sistema de Formação Pro­f is­sio­nal do Marrocos. Hoje, Walter Vi­cio­ni é diretor re­gio­nal do Senai-SP, superintendente ope­ra­cio­nal do Sesi-SP e membro titular do Conselho Es­ta­dual de Educação de São Paulo. Respirando formação pro­f is­sio­nal, ele fala sobre sua passagem pela Escola Senai Theo­bal­do De Nigris, sobre os projetos e de­sa­f ios do Senai e da mio­pia dos que insistem em manter desunidas as políticas edu­ca­cio­nal, in­dus­trial e tecnológica.

Walter Vicioni “Para formar o trabalhador do futuro uma boa base é essencial” 44 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. V  2011

O senhor foi diretor da Escola Senai Theo­bal­do De Nigris entre 1995 e 1996. Como foi sua ex­pe­ riên­cia junto ao setor gráfico? Walter Vi­cio­ni – Na verdade, tive uma rápida passagem an­te­rior, em 1975, durante três meses de licença do diretor na época. Desde então eu sempre acompanhei a escola. De 1975 a 1986 dirigi outra escola, a Suí­ço-​­Brasileira, voltada à mecânica de precisão, que era muito pres­ti­gia­da. Porém, eu apre­cia­ va o estreito re­la­cio­na­men­to que a Theo­bal­do De Nigris tinha com o setor gráfico, com os em­pre­sá­ rios. A mecânica de precisão está presente em vá­ rios setores. Não existe uma as­so­cia­ção que congregue essa indústria, então faltava à Suí­ço-​­Brasileira essa identidade que a Theo­bal­do De Nigris tinha e que facilitava o conhecimento das necessidades do setor, a articulação das ações. Quan­do, em 1994, o Altino Carabolante deixou a diretoria da Theo­bal­do De Nigris logo pensei em me candidatar à vaga. Mas antes fui falar com o Fernando Pini, professor e assessor técnico da escola, pois achava que ele deveria ser o diretor. Formalizei meu pedido junto ao Senai quando ele me


disse que não tinha interesse pela vaga e que me apoiaria junto à escola. Nós dois fomos falar com o Max Schrappe, que era presidente da Abigraf Na­ cio­nal e uma semana depois eu assumi a direção da Theo­bal­do De Nigris.

WV – Não, principalmente pela globalização. Vivemos em um mercado global. Nosso concorrente não é apenas a empresa da cidade vizinha, mas também as que estão em outros continentes. Isso exige mais qualificação, conhecimento da língua inglesa, atua­li­z a­ção constante.

E como foi o ínicio? WV – Fui muito bem recebido pelos fun­cio­ná­ rios e pelos em­pre­s á­rios. Uma das primeiras pes­ soas que recebi foi o Plácido Loriggio, que era vice-​ ­presidente da Abril. Eu sabia que na década de 70 ele havia tentando montar um curso su­pe­rior com o Senai e nesse encontro disse a ele que mon­ta­ría­ mos, como montamos, a faculdade de tecnologia gráfica, como de fato montamos.

Olhando agora para o Senai-SP, a instituição está em fase de investimento e crescimento. Quais são os principais projetos? WV – Não vejo o investimento apenas pelo investimento. Ele é consequência de um modelo de formação pro­f is­sio­nal que estamos seguindo, da necessidade de trabalhar com tec­no­lo­gias e equipamentos com os quais os alunos possam aprender fazendo. Estamos retomanNa sua gestão a escola inten­ do as origens do Senai, que A educação, sificou as par­ce­rias com insti­ nasceu dentro de um procestuições do setor e com as em­ mais do que um direito, so de desenvolvimentismo presas. Em que medida essas que o Brasil estava vivendo é uma ferramenta de par­ce­rias ajudaram a cons­ na década de 40. A educadesenvolvimento ção, mais do que um direito, é truir o que a escola é hoje? econômico. uma ferramenta de desenvolWV – Fiquei pouco tempo na vimento econômico e para escola, mas foi uma fase muito rica. Conseguimos fazer muita coisa porque tanto que ela aconteça, um am­bien­te de aprendizagem o pes­soal da escola quanto o setor acreditou que adequado é es­sen­cial. seria possível. Para citar alguns exemplos, fechamos acordos importantes com fornecedores para Os projetos, então, seguem essa linha? colocar a escola em sintonia com as novas tec­no­ WV – Sim. No passado, a tecnologia caminhava lo­gias digitais. Conseguimos, de forma inédita, levar mais lentamente. Então, a expansão do Senai se mais de 20 profissionais da escola à Drupa. Trouxe- deu através de um modelo reprodutivo. Pegava-se mos uma turma fechada de Minas Gerais, com 32 escolas que davam certo, como a Escola Senai Ropes­soas, que passaram um ano sendo treinados na berto Simonsen, e reproduzia-se sua estrutura, em Theo­bal­do De Nigris para atender as demandas da menor escala, em outras cidades. Mas o ritmo de re­gião. E tudo isso aconteceu através do apoio das atua­li­z a­ç ão tecnológica se acelerou muito, assim empresas e das entidades do setor. como mudou a dinâmica da economia de cada re­ gião. Hoje, ao se estruturar uma escola, o que preComo o senhor vê a Theo­bal­do De Nigris hoje? cisa predominar como referência é a vocação ecoWV – Como uma escola de referência. E como nômica da cidade. Por isso nossos investimentos acreditamos na escola, o Senai-SP está investindo têm sido nesse sentido, objetivando atender a dequase R$ 30 mi­lhões na modernização da unida- manda localmente, transformando cada uma das de. A escola precisa estar adequada à rea­li­da­de do escolas em centros de excelência. mercado. Eu sempre pensei assim e esta também é a visão do presidente da ­Fiesp, Paulo Skaf. Além da formação de mão de obra, o Senai-SP vem dedicando-se à prestação de serviços técni­ Os de­sa­f ios que vivia o pro­f is­sio­nal gráfico há cos e tecnológicos à indústria. Qual a importân­ 15 anos são os mesmo atual­men­te? cia desse trabalho? Ele deve ser am­plia­do? VOL. V  2011  TECNOLOGIA GRÁFICA

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WV – Sim, e muito, sobretudo junto às pequenas e mé­dias empresas. O Senai-SP criou a figura do agente de inovação, que é o pro­f is­sio­nal que vai à empresa para fomentar o processo de inovação. Dentro das escolas também estamos estimulando a cria­ti­vi­da­ de. Os alunos ficam conhecendo problemas específicos da indústria e têm de apresentar soluções. O próprio Senai-SP está fi­nan­cian­do 43 projetos de inovação dentro de empresas, com um investimento de R$ 15 mi­lhões, projetos focados em necessidades concretas. Por meio desse trabalho acredito que as escolas possam ser reconhecidas como centros de inovação e tecnologia. Não se trata de adotar essa nomenclatura e sim fazer por merecer, ­atuar de tal forma que a escola se distinga por isso.

A questão é que as relações de trabalho no Brasil precisam evoluir muito. O empresário está voltado somente para o resultado. Assim, em época de baixa, quando deveria investir no treinamento de suas equipes, acaba demitindo e quando a economia se aquece não está preparado para responder à demanda.

Como o Senai pode ajudar nesse cenário? WV – O Senai tem flexibilidade para atender demandas pontuais. Para citar um exemplo, na década de 70 eu era agente de treinamento em Santo André, pe­río­do em que começava a ser cons­truí­ do o polo petroquímico de Ca­pua­va. Uma empresa procurou o Senai porque estava precisando de soldadores. EstaO apagão está, va recrutando gente em todo o Muito se fala hoje do apagão Brasil, mas era um processo caro na verdade, de mão de obra e da urgên­ e demorado. O curso de soldana mente cia em preparar profissionais dor tinha duração de 24 meses e das pessoas. a empresa não podia esperar. Fipara responder a necessida­ zemos uma análise ocu­pa­cio­nal des ime­dia­tas. É possível res­ ponder a essa carência com rapidez? Está mesmo para verificar o perfil do soldador e as com­pe­tên­cias ne­ces­sá­rias para a execução do trabalho específihavendo um apagão de mão de obra? WV – A formação dessa mão de obra não é só res- co daquela obra. Com base nesse estudo, estrutuponsabilidade do Senai. Mesmo porque em vá­rias ramos um treinamento de sete semanas. Monta­­áreas a necessidade é por pes­soas com formação mos uma escola de solda no canteiro de obra e a su­pe­rior. Mas, por exemplo, eu acho complicado fa- cada sete semanas cerca de 200, 300 soldadores lar em apagão de mão de obra em ­­áreas que têm se eram treinados. E essa tem sido uma prerrogativa mostrado menos atraen­tes ao trabalhador. No ano do Senai: atender sob demanda, respondendo às passado, por exemplo, segundo dados do governo necessidades emergenciais da indústria. federal, foram pagos R$ 24 bi­lhões em salário desemprego. Ou seja, o que acontece é que existem seto- Qual o maior desafio do Senai? res que, pela natureza do trabalho, já não ­atraem WV – O maior desafio é encarar as novas tec­no­ mais tantos profissionais. lo­gias. Até o final do ano, por exemplo, teremos a O verdadeiro apagão de mão de obra existe quan- nanotecnologia na grade curricular na Escola Senai do há um descompasso entre a oferta e a deman- Suí­ço-​­Brasileira e em mais cinco escolas móveis. Teda, e, em consequência disso, o setor atingido co- mos de nos preparar para o futuro da indústria. E a meça a elevar os sa­lá­rios para atrair profissionais. formação pro­f is­sio­nal depende de uma formação Isso está acontecendo com os engenheiros. Há fal- básica de qualidade. Pensando nisso, no Sesi que ta desses profissionais no mercado e as empresas mantém escolas de ensino básico, estamos instajá oferecem sa­lá­rios 20, 30% su­pe­rio­res. lando o regime de tempo integral, pro­por­cio­nan­do Como queremos um país mais competitivo se à crian­ça o contato com a ciên­cia e a tecnologia. temos 27,4 mil cursos su­pe­rio­res espalhados pelo Isso a partir do seis anos. Para formar o trabalhaBrasil, dos quais apenas 2,3 mil formando engenhei- dor do futuro uma boa base é es­sen­cial. Se poderos e tecnólogos? Não há um alinhamento entre as mos fazer a diferença dentro de nossa casa, com políticas de tecnologia, edu­ca­cio­nal e in­dus­trial. os recursos que dispomos, vamos fazer. 46 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. V  2011


II CONFERÊNCIA DE IMPRESSÃO DIGITAL

GEDIGI

A MÍDIA IMPRESSA NO FUTURO

A II Conferência de Impressão Digital Gedigi (Grupo Empresarial de Impressão Digital) foi organizada com o objetivo de manter a discussão, troca de ideias e otimização de recursos para o desenvolvimento das aplicações com impressão digital no mercado gráfico brasileiro.

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11 de junho de 2012 Realização:

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Inscrições e Informações http://www.gedigi.org.br/ Tel.: 11 4013-7979


NORMALIZAÇÃO

Bruno Mortara

O que é e para que serve o código QR?

O

código QR é um símbolo bi­di­men­ sio­nal. Foi inventado em 1994 pela Denso, uma das principais empre­ sas do grupo Toyota, e foi aprova­ do como padrão in­ter­na­cio­nal pela ISO (ISO/IEC 18004) em junho de 2000. Este símbolo bi­di­men­sio­nal era destinado ao uso no controle de produção de peças automotivas, mas acabou se es­ palhando por toda a economia. O código QR é vis­ to agora todos os dias e em todos os lugares pelo mundo, sobretudo por quatro razões: ◆◆Possui características su­p e­r io­res aos códigos de barras li­nea­res, como a possibilidade de agregar muitos dados em alta densidade e dar suporte a caracteres kanji (caracteres da língua japonesa com origem em caracteres chineses) ◆◆Pode ser usado por qualquer pessoa sem custos, uma vez que a Denso abriu mão dos direitos de patente para o domínio público ◆◆A estrutura dos dados não é um requisito padrão para os usos atuais ◆◆A maioria dos telefones celulares no Japão e nos principais paí­ses já é de smartphones, equipados com câmeras que permitem a leitura de códigos QR , acessando ime­dia­t a­m en­te informações na web, SMS ou até chamadas telefônicas. História dos símbolos 2D Em 1970, a IBM desenvolveu os símbolos UPC com­

postos de 13 dígitos de números de computadores 48 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. V  2011

para permitir a leitura automática em sistemas com­ putacionais. São ainda amplamente usados em sis­ temas de ponto de venda (POS). Em 1974 apareceu o código 39, que pode armazenar 30 dígitos alfanu­ méricos. Em 1994, após sucessivos desenvolvimen­ tos, surge o código QR , que pode conter até 7.000 caracteres, incluindo os kanji. Os códigos bidimen­ sionais geralmente contêm quantidade de dados muito su­pe­rior se comparados aos símbolos li­nea­ res, como um código de barras — aproximadamen­ te 100 vezes mais informação — e, portanto, sua lei­ tura é um processo mais complexo que necessita de muito mais tempo de processamento. A norma ISO 18004 A norma ISO 18004 tem como título In­for­ma­tion

technology – Automatic iden­ti­f i­c a­tion and data capture techniques – Bar code symbology – QR code. Segundo a norma, o código QR “é um gra­ fismo ma­tri­cial cons­ti­tuí­do por um conjunto de módulos nominalmente quadrados dispostos em um padrão global quadrado, incluindo um padrão único, localizador encontrado em três cantos do símbolo e destinado a facilitar a localização de sua posição, tamanho e inclinação. Uma ampla gama de tamanhos de símbolo é prevista em conjunto com quatro níveis de correção de erro. As dimen­ sões do módulo são especificadas pelo usuá­rio para permitir a produção de símbolos por uma grande va­rie­da­de de técnicas”.


A evolução dos códigos de dados 10.000

Número de dígitos

Um código QR pode codificar em seu in­te­rior di­ ferentes unidades ou valores. Entre estes pode arma­ zenar dados numéricos (algarismos 0–9); dados alfa­ numéricos (algarismos 0–9, letras maiúsculas A–Z e outros nove caracteres: o espaço, $ % * + – / : . ); da­ dos de 8 bits ou de 1 byte Latim ou Kana; e carac­ teres kanji. Pode também representar dados bi­ná­ rios, em que um módulo escuro é um binário 1 e um módulo branco é um zero binário. Seu tamanho, sem incluir a zona de “silêncio”, pode ser de 21 por 21 módulos até 177 por 177 módulos, correspondendo às versões 1 a 40, com incrementos de 4 módulos para cada lado. Os dados armazenados em um QRC podem ser (para o tamanho máximo – versão 40-L): ◆◆Dados numéricos: 7.089 caracteres ◆◆Dados alfanuméricos: 4.296 caracteres ◆◆Dados de 8 bits: 2.953 caracteres ◆◆Dados em kanji: 1.817 caracteres O QRC tem a capacidade de correção de er­ ros de leitura, através de re­dun­dân­cias. Isso facili­ ta seu uso em celulares e outros periféricos móveis de menor resolução e sua impressão por equipa­ mentos de média resolução. Há quatro níveis de correção de erro que permitem a recuperação de dados: o nível L, com 7%; o nível M, com 15%; o nível Q, com 25%; e o nível H, com 30%.

código 49

1.000 código 39

100

10

código QR

código 16k

código UPC

1970

(c)

1975

1980

1

(a)

(b)

1

(b)

1

1985

3

1

Ano

1990

1

3

1

1

1

(a) 1

(c)

1

3

1

1

Padrões de localização

A alta performance do código QR O código QR tem a capacidade de leitura de alta

velocidade, em todas as direções (360°), pro­por­ cio­nan­d o aplicações até então nunca imagina­ das. Normalmente, a leitura do QR é feita através de um sensor CCD, como o de um celular. Os da­ dos da linha de varredura capturada pelo sensor são armazenados na memória. Em seguida, atra­ vés do soft­ware de interpretação, são analisados os detalhes e encontrados os padrões identifica­ dores, bem como a posição, o tamanho e o ângu­ lo de leitura do código QR . Depois é feita a deco­ dificação do símbolo. Em símbolos bidimensionais, a sua leitura pode demorar muito tempo até de­ tectar a posição/ângulo/tamanho do símbolo, além de problemas de precisão. Com o código QR , o leitor encontra os padrões de po­s i­c io­na­m en­to em três cantos, o que per­ mite uma alta velocidade de leitura em todas as

Y X L

Identificando um QRC VOL. V  2011  TECNOLOGIA GRÁFICA

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direções. A relação entre posições em preto e em branco, numa linha de leitura dos padrões de po­ si­cio­na­men­to, é sempre 1:1:3:1:1, quando lido de qualquer direção. Ao detectar esse po­si­cio­na­men­ to o leitor é capaz de identificar a posição do có­ digo QR , e por consequência o tamanho (L) e o ângulo (θ) (1 e 2). Leituras distorcidas Quan­do o código QR estiver colado em uma super­

fície curva ou o leitor estiver inclinado, a imagem resultante fica distorcida e dificulta sua leitura. Para corrigir esta distorção, esse código tem padrões de alinhamento arranjados com um intervalo regular dentro do intervalo de símbolo. A va­ria­ção entre a posição do centro do padrão de alinhamento, estimada a partir da forma ex­te­ rior do símbolo e da posição do centro real do pa­ drão de alinhamento, é calculada para conter os ma­pea­men­tos a fim de identificar a posição cen­ tral de cada célula, corrigida. Isso tornará legível um código QR praticamente ilegível (3).

Posição estimada central

Ponto central

Correção da variância Correção de símbolos distorcidos

Símbolos danificados

Funcionalidade de correção de erros No código QR há dados para a restauração de sua

fun­cio­na­li­da­de, tornando-o resistente a borrões ou símbolos danificados. Ele possui quatro níveis dife­ rentes de correção de erro — 7%, 15%, 25% e 30% da área do símbolo. A fun­cio­na­li­da­de de correção é im­ plementada de acordo com os borrões ou danos da imagem e são chamados de código Reed-​­Solomon. Estes estão dispostos na área de dados do código QR. Com essa fun­cio­na­li­da­de, os códigos podem ser lidos corretamente mesmo quando estiverem sujos ou danificados até o nível de correção de erro, au­ mentando a sua utilidade e permitindo aplicações inéditas para códigos já existentes (4).

1/4

2/4

3/4

4/4

Marcação direta

Outras funcionalidade do código QR O código QR tem uma fun­cio­na­li­da­de que permi­

te vincular um único símbolo a diversos outros, di­ vidindo-o em até 16 símbolos. O exemplo mostra­ do na Figura 5 é aquele em que um único código QR é dividido em quatro símbolos e cada símbolo tem um indicador que mostra em quantos símbo­ los o original foi dividido. Isso permite que se utili­ ze o código QR e em impressos com pouquíssimo 50 TECNOLOGIA GRÁFICA  VOL. V  2011

Vistas de frente

Vistas do verso

< Células circulares > < Células PB invertidas > < Frente/verso invertida >


espaço. Outra função é o mascaramento, es­sen­cial para leituras em condições de sujeira em mer­c a­ do­rias ou produtos. Para isso, o processamento de um código QR passa por máscaras que permitem distinguir de modo não ambíguo o que é branco e o que é preto. Existem oito padrões de máscara. A ava­lia­ção será feita para cada um deles e aquele com o melhor resultado de ava­lia­ção, juntamente com o resultado do cálculo EX-OR, será armazenado na área de dados. Uma fun­cio­na­li­da­de interessante para algumas aplicações é a encriptação dos dados contidos no código QR . A menos que a tabela de conversão entre o tipo de caracteres e os dados armazena­ dos seja decifrada, ninguém será capaz de ler aque­ le código QR . Finalmente, é importante destacar como fun­cio­na­li­da­de a chamada “marcação dire­ ta” sobre embalagens flexíveis feitas por impresso­ ras laser ou matriciais. Para os símbolos marcados

diretamente, a forma da célula não tem ne­ces­sa­ ria­men­te de ser quadrada, como mostrado na Figura 6. Pode-se ler bem no verso ou pela frente, assim como em substratos de baixa refletância, como plásticos ou vidros transparentes. Perspectivas de adoção do código QR

As oportunidades em mercados desenvolvidos estão literalmente explodindo, ba­sea­das na ado­ ção de smartphones e nas estatísticas de leituras de código QR : ◆◆80% dos consumidores dos Estados Unidos têm celulares ◆◆35% dos celulares são smartphones ◆◆75% dos pro­prie­t á­rios de smartphones têm leito­ res de código QR ◆◆Os consumidores que leem códigos QR são mais velhos, têm maior grau de escolaridade e renda acima da média na­cio­nal.

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Exemplos de aplicações de códigos QR A seguir elencamos alguns exemplos de aplicações do

Mapas

código QR na Austrália, China, Hong Kong, Japão, Co­ reia, Cingapura e Taiwan, paí­s es mais avançados em sua utilização.

Mapas impressos estão utilizando códigos QR para melhor orien­tar os turistas no Japão. Em uma área de montanhas, rios e florestas, com muitos sí­tios naturais termais e tem­ plos, por exemplo, os códigos QR fornecem um link para um site no qual o usuá­rio pode se­le­cio­nar um interesse particu­ lar (por exemplo, história, acomodações, templos, museus), e um mapa do Goo­gle é exibido com as posições relevantes em destaque e a posição do usuá­rio.

Consumo e redes sociais Ralph Lauren Durante o Aberto de Tênis dos Estados Unidos, a Ralph Lauren apresentou códigos QR em seus anún­cios impres­ sos, malas diretas e nas janelas da loja para levar usuá­ rios ao seu site. No site, o consumidor podia comprar produtos da marca.

Códigos QR transformam embalagens em documentos multicanal

Adegas Portuguesas utilizam códigos QR em rótulos para construir uma rede so­cial online de amantes do vinho chamada Adegga.

Consumidores que compram vinho leem o código QR com o celular e são levados a uma página sobre aque­ le vinho no adegga.com. Lá podem ler os co­men­tá­rios de outras pes­soas sobre o produto e verificar os preços.

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Emissão de passes de transporte Desenho do Sistema Na primeira vez a aplicação precisa que se preencha o for­ mulário que leva a informação da aplicação. ◆◆ A aplicação de renovação necessita somente do tempo de duração e o código QR na passagem velha dá as infor­ mações necessárias. ◆◆

Vantagens de se usar o código QR ◆◆

Serviço instantâneo e eficiente de renovação de passes de transporte.

Volume de dados: 200 caracteres Tamanho do símbolo: 15 mm² Conteúdo dos dados: nome do usuário, tarifa do usuário, estações, etc.


Controle de produtos alimentícios Desenho do Sistema

Desenho do Sistema

Os dados do QR no prato de sushi podem sempre ser escaneados. ◆◆ Todo o sushi que durar mais que 55 minutos é descartado. ◆◆

Vantagens de se usar o código QR ◆◆

Controle de alimentos em Taiwan

O controle de qualidade dos pratos de sushi é realizado e sua frescura é garantida.

Cada pacote de vegetais tem um ID único com um código de produto QR rastreável. ◆◆ O código QR no pacote tem o nome do vegetal, nú­ mero de identificação GS1 data de embalagem e código de rastreabilidade. ◆◆ O ministério da Agricultura ( C.O.A. ) de Taiwan desenvolveu uma conexão móvel via web. ◆◆

Vantagens de se usar o código QR O código QR pode facilitar o processo de rastreabi­ lidade e permitir aos varejistas segregar pacotes de vegetais que não estiverem mais frescos. ◆◆ Lojistas podem também obter informações sobre plantadores ao escanear as etiquetas com o có­ digo QR que os levam à fazenda através do siste­ ma móvel via web desenvolvido pelo ministério da Agricultura ( C.O.A. ) de Taiwan. ◆◆

transportador

Volume de dados: 10 caracteres Tamanho do símbolo: 10 mm² Conteúdo dos dados: número de ID

1 Etiqueta agrícola rastreável 2 Nome do produto agrícola 3 Instituição verificadora 4 ID código de barra 5 Código QR 6 Data da embalagem 7 Código agrícola rastreável

Cobrança por empresas em Taiwan Controle de gado na Austrália

Desenho do Sistema

Desenho do Sistema Uma etiqueta código QR grudada no rabo do animal é usa­ da para rastrear os movimentos em fazendas de gado. ◆◆ Se surge alguma doença como ‘vaca louca’ então cada animal tem uma identidade única e as fazendas podem ser controladas melhor. ◆◆

Vantagens de se usar o código QR

Vantagens de se usar o código QR ◆◆

A capacidade de correção de erros ajuda a gestão com sujeira na leitura. ◆◆ Sistemas off-​­line podem ser construídos já que o gado possui identificação. ◆◆

A empresa FarEasTone ( FET ), de Taiwan, codificou o link de pagamento ( URL) na conta do usuário. ◆◆ O cliente lê o código QR impresso na sua conta e o ce­ lular vai direto à página de pagamento de sua conta de celular, através da internet. ◆◆

Isso facilita o pagamento de contas de celulares, sem computadores ou ida a bancos.

Internet Volume de dados: 15 caracteres Tamanho do símbolo: 9 mm² Conteúdo dos dodos: número ID

Bibliografia http://en.wikipedia.org/wiki/Matrix_barcode ISO/IEC 18004: ISO Standard on QR Code 2005 Bar Code Symbology Specification. JIS-​­X0510: Japan Industrial Standard. JAMA-​­EIE001: Japan Automobile Manufacturers Association Standard.

GB/T 18284: China National Standard. KS-X ISO/IEC 18004: Korea National Standard. TCVN7322: Vietnam National Standard. GS1 Japan Handbook 2007. 2D Code and Barcode Image Generator: Denso Wave Incorporated, Japan.

Bruno Mortara é superintendente do

ONS27, coordenador da Comissão de Estudo de Pré-​­Impressão e Impressão Eletrônica e professor de pós-​­graduação na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica. VOL. V  2011  TECNOLOGIA GRÁFICA

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ACABAMENTO

Vivian de Oliveira Preto e Cláudia Matsumoto

Adaptação de ilustrações para livros infantis por processo de flocagem

U

ma pesquisa de mestrado revelou que a maior parte dos livros voltados para os de­f i­cien­tes visuais possui poucas figuras adaptadas e que, na maioria das vezes, durante a adaptação, se perdem informações im­ portantes quanto a volume e textura dos objetos. O processo de adaptação de ilustrações para os de­f i­cien­tes visuais é muito complexo. Algumas ins­ tituições voltadas para a assistência à pessoa cega e o MEC aconselham o designer a utilizar os recursos de ilustração da forma mais simples possível, lem­

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brando que nem sempre o que é “bonito” para os olhos é legível para a percepção tátil. As crian­ç as sentem falta de desenhos nos li­ vros, principalmente porque elas sabem que as ilus­ trações existem! Isso porque, com a inclusão de pes­s oas com de­f i­ciên­cias no ensino regular, elas têm contato com outras crian­ç as, e estas citam as ilustrações, as cores e as formas dos desenhos. A impressão de ilustrações em relevo pode ser feita em serigrafia, com tintas PUF, ou com relevo americano. No que diz respeito à serigrafia há uma


gama de vernizes e tintas que podem vir a pro­por­ cio­nar diferentes sensações táteis para o de­f i­cien­ te vi­sual. No caso da pesquisa citada as figuras fo­ ram adaptadas por meio de impressão serigráfica, com tinta PUF e flocagem. Esses dois processos foram escolhidos porque o livro adaptado foi A Bela e a Fera, que tem uma particularidade no final da história: a transforma­ ção da Fera em uma pessoa. A adaptação dessa metamorfose é de suma importância para o en­ tendimento do contexto da narrativa pela crian­ ça. Dessa maneira, toda a dia­gra­ma­ção do texto e dos elementos compositivos da trama foi projeta­ da levando em conta o processo final de impressão e acabamento, serigrafia e flocagem. Produção

O primeiro passo para a adaptação do livro foi a digitalização de todas as páginas e a vetorização das imagens com a aplicação de cor e sombra. De­ pois os textos foram transformados em braille e as imagens tiveram seu contorno adaptado para a impressão em tinta PUF. O livro foi projetado para que tanto crian­ç as de­f i­cien­tes visuais quanto as

que enxergam pudessem lê-lo. Com isso, a página esquerda do livro foi impressa em processo digi­ tal e a da direita tem as adaptações: os textos em braille e imagens em alto relevo (1 e 2). As letras em braille e os contornos das figuras foram impressos em serigrafia com a utilização da tinta PUF para gerar a altura necessária dos pon­ tos. Contudo, queríamos um di­fe­ren­cial neste pro­ jeto e por isso escolhemos o rosto do personagem Fera para utilizarmos o processo de flocagem, que permite à crian­ç a com de­f i­ciên­cia vi­sual sentir, pelo toque das mãos, que se tratava de um rosto aveludado e macio (3). Flocagem

Depois de impresso, o livro foi levado para a floca­ gem. Este processo tem ampla aplicação na indús­ tria têxtil, calçadista e também tem sido usado em vá­rios produtos do nosso dia a dia, como objetos de decoração, sacolas, capas de caderno, caixas, taças, imagens de santos ou agendas, sempre como agre­ gador de valor, dando às su­per­fí­cies nas quais é apli­ cado uma sensação aveludada. Por conta da grande va­rie­da­de de utilizações, há no mercado máquinas

VOL. V  2011  TECNOLOGIA GRÁFICA

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de flocagem que trabalham com quase todos os materiais, como papel, tecido e plástico. A maté­ ria-​­prima utilizada é composta por fios de nái­lon de vá­rias cores cortados em tamanho milimétrico. O processo fun­cio­na da seguinte forma: na arte fazemos uma cor es­p e­cial somente para as ­­áreas onde serão aplicados os flocos de nái­lon. Dessa cor es­pe­cial será gerado um fotolito e gravada uma tela para serigrafia. Nas páginas que têm a presença dos dois tipos de processo, serigrafia e flocagem, a im­ pressão de tinta PUF não recebeu o termoaqueci­ mento, que tem de ser efe­tua­do após o processo de flocagem para alcançar o registro perfeito (4). Com a tela pronta, acertamos primeiro o re­ gistro por cima do trabalho já impresso com tinta PUF. Coloca-se então a cola na tela e esta é trans­ ferida para o papel. O processo é muito parecido com a impressão em serigrafia com a diferença de que “imprimimos” a cola, e não a tinta. Após a aplicação, o papel é levado para uma máquina es­ pecífica que sopra o nái­lon sobre a cola. No final, onde havia a cola teremos nái­lon colado; a sensação tátil é da textura de camurça. Após impresso e acabado, levamos o trabalho para que crian­ças de­f i­cien­tes visuais fizessem um teste de legibilidade. Elas conseguiram sem dificul­ dades ler os textos em braille e entender o concei­ to de cada imagem. Claro que a imagem que mais 56 TECNOLOGIA GRÁFICA 

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atraiu atenção foi a do rosto da Fera com sua tex­ tura aveludada, provando o ponto que de­fen­día­ mos e mostrando que o uso da serigrafia com o processo de flocagem para esse tipo de reprodu­ ção é extremamente interessante. Outras textu­ ras podem ser utilizadas para um melhor entendi­ mento das imagens e facilitando a assimilação do con­teú­do pelo de­f i­cien­te vi­sual. Por fim, com o livro pronto e testado por crian­ ças com de­f i­ciên­cia vi­sual, a ideia da flocagem mos­ trou-se muito válida, só restando então para sua utilização efetiva a cons­cien­ti­z a­ção e contribuição dos em­pre­sá­rios e técnicos da área dispostos a in­ vestir no aprimoramento da produção desse ma­ te­rial tão importante como recurso edu­ca­cio­nal. Os de­f i­cien­tes visuais também necessitam de li­ vros desde cedo e o mercado gráfico ainda não está preparado para atender essa carência, devido às di­ ficuldades técnicas e altos valores que envolvem os atuais métodos de impressão de literatura brail­ le. Isso torna esse ma­te­rial, tão necessário, escasso e inacessível às classes menos favorecidas. Vivian de Oliveira Preto é coordenadora de

formação inicial e continuada da Escola Senai Theobaldo De Nigris e Cláudia Matsumoto é aluna do curso Técnico em Artes Gráficas da Escola Senai João Martins Coube


SÓ NÃO SABEMOS QUEM GANHOU MAIS COM A SUA PARTICIPAÇÃO, VOCÊ OU A GENTE.

A todos os que participaram da Semana de Artes Gráficas: A sua presença fez toda a diferença e queremos agradecer por cada dia. Em todos os estados por onde passou, o evento trouxe muito conhecimento para o setor. Mais uma vez agradecemos o grande número de pessoas que compareceu e aprendeu com nossos seminários. A todos os participantes, um muito obrigado.

Realização:

Execução:


TUTORIAL

Thia­go Justo

Reserva Verniz reserva no Illustrator

H

oje em dia o enobrecimento das peças gráficas é algo muito comum. Ele é usado principalmente para di­fe­ren­ciar ou agre­ gar valor à peça gráfica. Um dos recursos de enobrecimento mais utilizados para essa finalida­ de é a aplicação de verniz com reserva. Este tu­to­rial esclarece como construir um arquivo no Illustrator que contenha aplicação de verniz reserva. Requisitos: Adobe Illustrator 1

58 TECNOLOGIA GRÁFICA 

Abra o documento ao qual você pretende aplicar verniz reserva, ou seja, em áreas ­­ específicas. A pri­ meira etapa é definir as áreas ­­ que receberão o ver­ niz. Essas ­­áreas podem ser textos, vetores, fo­to­gra­ fias ou apenas uma área específica de uma imagem. Para este tu­to­rial eu escolhi um arquivo com recor­ tes de imagens e textos e nele o verniz será aplicado em uma das imagens e sobre um texto (1). A construção correta de um arquivo com verniz reserva está con­di­cio­na­da ao entendimento sobre o processo de separação de cores na produção gráfi­ ca. Qualquer imagem ou cor é passível de ser repro­ duzida com as quatro cores pri­má­rias de impressão (cia­no, magenta, amarelo e preto). Isto significa que qualquer fotografia, mesmo com diferentes tons e VOL. V  2011

cores, sempre será reproduzida nas quatro cores pri­má­rias de impressão — o famoso CMYK . Para vi­sua­li­z ar a separação de cores no Illustra­ tor vá no menu Window ➠ Se­pa­ra­tions Pre­view. Esta janela mostra as cores que formam seu arqui­ vo. É possível “ligar” e “desligar” as cores separada­ mente. Para isso basta clicar sobre o ícone em for­ mato de olho à esquerda de cada cor. Ini­cial­men­te esse arquivo só possui as quatro cores de impres­ são. Portanto, para reproduzi-lo em uma impresso­ ra offset é preciso con­fec­cio­nar uma matriz/forma para cada uma das quatro cores (2 e 3). Entretanto, as cores pri­má­rias de impressão não conseguem reproduzir todas as cores existentes. Cores metalizadas, por exemplo, não são repro­ duzidas por esse sistema. Para isso existe o que chamamos de cor spot ou cor es­pe­cial, que geram uma nova matriz de impressão. Por isso, se você ­criar uma cor es­pe­cial num arquivo que já possui as quatro cores pri­má­rias de impressão, ela resulta­ rá em uma quinta cor de impressão ou uma quin­ ta matriz de impressão. Nesse caso dizemos que o arquivo possui cinco cores. O verniz reserva pode ser considerado uma cor es­p e­cial, já que para aplicá-lo em offset é preci­


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3

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5

so gerar uma matriz separada, independente das outras cores. Assim, para determinar as ­­áreas de aplicação de verniz reserva é preciso ­criar uma cor es­pe­cial que será impressa com este verniz. Agora vamos ver como ­criar uma cor es­pe­cial no Illustrator. No menu Window abra a janela de Swatches, que é a janela de amostra de cores do Illustrator. Abra o menu e se­le­cio­ne a opção New Swatch (4). Uma nova janela é aberta. Nela você deve escolher a opção spot color. Você também pode dar um nome para essa cor, neste caso “ver­ niz”, e escolher a tonalidade que vai ser vi­sua­li­ za­da no arquivo digital. Lembre-se: não importa a cor que você escolha, pois ela irá gerar uma for­ ma que será impressa com o verniz. Portanto, não é preciso se preo­cu­par em escolher uma cor parecida com o verniz, pois a cor usada pela matriz que esta cor spot irá gerar será determinada na impressão. Eu escolhi uma tonalidade de azul, só para facilitar a di­fe­ren­cia­ção e vi­sua­li­z a­ção da cor (5). Na paleta de Swatches aparecerá sua nova cor. Basta po­si­cio­nar o mouse sobre ela para o soft­ware mostrar o nome da cor. O chanfro na parte in­fe­rior

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direita da amos­ tra de cor indica a sua condição de spot color (6). Agora é a hora de determi­ nar as ­­áreas que receberão o verniz. Es­ colho uma das imagens e vou fazer um retângu­ lo preen­chi­do com essa cor es­p e­cial sobre ela. Ao preen­cher o retângulo com a cor spot, estou determinando que a área do retângulo seja im­ pressa com verniz. Portanto, mesmo que no ar­ quivo digital esta área esteja azul, na gráfica será impressa com verniz (7). Observe que a nova cor também aparece na janela de separação de cores. Se você desligar a vi­sua­li­z a­ção da cor verniz, verá que a fotografia que está abaixo do retângulo não será impres­ sa (8). Para imprimir a fotografia e depois o ver­ niz por cima é preciso aplicar overprint no retân­ gulo da cor spot. No menu Window, abra a janela Atributes (Ctrl + F11) e, com o retângulo se­le­cio­na­ do, se­le­cio­ne a opção Overprint Fill (9). Caso tenha aplicado a cor spot no contorno, a opção Overprint Stroke também será habilitada e você poderá se­le­cio­ ná-la. Repare na mudança da vi­sua­li­z a­ção do arquivo. Isso ocorre caso a opção Overprint Pre­view da janela de separação de cores esteja habilitada (10). Para que um texto seja impresso em verniz, basta se­ le­cio­ná-lo e aplicar a cor spot. Para aplicar o verniz reser­ va sobre um texto com uma cor, faça uma cópia deste texto, cole no mesmo local do texto original usando o

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comando Paste in front (Menu Edit ➠ Past in front ou Ctrl + F) e na cópia aplique a cor spot do verniz. Não esqueça de acio­nar o Overprint, senão somente o verniz será impresso (11). E, por último, caso queira aplicar o verniz em uma parte específica da imagem, é preciso fazer o path (o desenho) da área em que você pretende apli­ car o verniz. Para isso use as ferramentas de de­ senho do Illustrator, como a Pen Tool (P). Trace o desenho, aplique a cor spot e se­le­cio­ne a op­ ção de impressão em Overprint. Deste modo, o vetor que você traçou vai ser impresso em verniz sobre a imagem (12 e 13).

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Thiago Justo é instrutor de pré-​­impressão da Escola Senai Theobaldo De Nigris.

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VOL. V  2011  TECNOLOGIA GRÁFICA

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CURSOS

Senai Aperfeiçoamento Profissional CorelDRAW para pré‑impressão

Carga horária: 32 horas Investimento: R$ 458,00 Sábados: 21/1 a 17/3, 14/4 a 23/6, das 8h às 12h ou das 13h às 17h

PhotoShop para pré‑impressão

Carga horária: 32 horas Investimento: R$ 564,00 Sábados: 21/1 a 17/3, 14/4 a 23/6, das 8h às 12h

Illustrator para pré‑impressão

Carga horária: 32 horas Investimento: R$ 561,00 Sábados: 21/1 a 17/3, 14/4 a 23/6, das 8h às 12h ou das 13h às 17h

InDesign para pré‑impressão

Carga horária: 32 horas Investimento: R$ 510,00 Sábados: 21/1 a 17/3, 14/4 a 23/6, das 8h às 12h ou das 13h às 17h

Montagem eletrônica e operação de equipamentos Computer to Plate (CtP)

Carga horária: 40 horas Investimento: R$ 1.065,00 Sábados: 21/1 a 25/2, das 8h às 17h

Fechamento de arquivos

Carga horária: 16 horas Investimento: R$ 567,00 Sábados:17/3 à 24/3 e 2/6 a 16/6 das 8h às 17h

Gerenciamento de cores

Carga horária: 24 horas Investimento: R$ 513,00 Sábados: 5/5 a 19/5 e 29/9 a 20/10 das 8h às 17h

Produção gráfica

Carga horária: 32 horas Investimento: R$ 480,00 Sábados: 21/1 a 17/3, 14/4 a 23/6, das 8h às 12h ou das 13h às 17h

Produção gráfica digital

Carga horária: 72 horas Investimento: R$ 841,00 Sábados: 4/2 a 14/4 das 8h às 17h

Tratamento de imagens Carga horária: 32 horas

62 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. V  2011

Investimento: R$ 582,00 Sábados: 21/1 a 17/3, 14/4 a 23/6, das 13h às 17h

Diagramação e Ilustração digital

Sábados: 4/2 a 10/3, 5/5 a 2/6, das 8h às 17h

Gestão estratégica da indústria gráfica

Tecnologia de embalagens flexíveis

Carga horária: 30 horas Investimento: R$ 735,00

Carga horária: 70 horas Investimento: R$ 1.015,00 Sábados: 4/2 a 14/7 das 8h às 12h

Carga horária: 32 horas Investimento: R$ 417,00 Sábados: 4/2 a 3/3, 5/5 a 26/5, das 8h às 17h

Colorimetria aplicada aos processos gráficos

Tecnologia de impressão flexográfica banda larga

(32h) — R$ 510,00 Sábados: 21/1 a 17/3, 14/4 a 23/6, das 8h às 12h

Densitometria aplicada aos processos gráficos

(32h) — R$ 510,00 Sábados: 21/1 a 17/3, 14/4 a 23/6, das 13h às 17h

Preparação de tintas pastosas

Carga horária: 20 horas Investimento: R$ 464,00 Sábados: 28/1 a 3/3, das 8h às 12h

Preparação de tintas líquidas

Carga horária: 20 horas Investimento: R$ 464,00 Sábados: 28/1 a 3/3, das 8h às 12h

Impressão offset em máquina bicolor

Carga horária: 60 horas Investimento: R$ 851,00 Sábados: 21/1 a 17/3, 31/3 a 16/6, 21/7 a 15/9 e 29/9 a 8/12 das 8h às 17h Impressão offset em máquina quatro cores (60h) — R$ 1.174,00 Sábados: 21/1 a 17/3, 31/3 a 16/6, das 8h às 17h

Impressão offset em máquinas monocolores com comandos

eletrônicos (40h) — R$ 523,00 Sábados: 4/2 a 10/3, 14/4 à 26/5, das 8h às 17h

Tecnologia de impressão offset

Carga horária: 40 horas Investimento: R$ 753,00 Sábados: 4/2 a 10/3, 5/5 a 2/6, das 8h às 17h

Tecnologia de impressão flexográfica banda estreita

Carga horária: 40 horas Investimento: R$ 753,00 Sábados: 4/2 a 10/3, 5/5 a 2/6, das 8h às 17h

Problemas, causas e soluções em impressão offset

Carga horária: 20 horas Investimento: R$ 380,00 Sábados: 4/2 a 25/2, 5/5 a 19/5, das 8h às 17h

Orçamento de serviços gráficos

Carga horária: 40 horas Investimento: R$ 468,00 Sábados: 21/1 a 25/2, 10/3 a 14/4, 12/5 a 16/6, das 8h às 17h Requisitos de acesso: 16 anos completos, ensino fundamental concluído e comprovar conhecimentos e experiências anteriores referentes à impressão offset, adquiridos em outros cursos, no trabalho ou por meios informais.

Extensão Universitária Green Belt Estratégia Lean‑Seis Sigma (Novo) Carga horária: 80 horas Semana: 9/1 a 15/2 das 19h às 22h — R$ 1.200,00

Controle de processo na impressão offset

Carga horária: 40 horas Investimento: R$ 540,00 Sábados: 4/2 a 10/3, 5/5 a 2/6, das 8h às 17h

Carga horária: 30 horas Investimento: R$ 735,00

Tecnologia de embalagens celulósicas

Gestão da qualidade na indústria gráfica

Carga horária: 40 horas Investimento: R$ 617,00

Carga horária: 30 horas Investimento: R$ 735,00

Gestão estratégica de pessoas Carga horária: 30 horas Investimento: R$ 735,00

Marketing industrial Carga horária: 30 horas Investimento: R$ 735,00

Otimização do processo offset para a qualidade e produtividade Carga horária: 45 horas Investimento: R$ 1.101,00 Requisito de acesso: ensino superior completo. Para todos os cursos: o (a) aluno (a) deverá comprovar ter 16 anos completos e ensino fundamental con­cluí­d o (verificar exceções). Alunos menores de idade deverão comparecer para matrícula acompanhados por responsável. Apresentar cópia do histórico ou certificado do ensino fundamental, RG, CPF, comprovante de residência e comprovantes do pré-requisito para simples conferência. A Escola Senai reserva-​se o di­rei­ to de não ini­ciar o programa se não hou­ver o número mínimo de alunos inscritos. A programação, com as datas e valores pode ser alterada a qualquer momento pela escola. A Escola atende de 2 ‒ª a 6‒ª, das 8h às 21h, e aos sábados das 8h às 14h.

Escola Senai Theobaldo De Nigris Rua Bresser, 2315 (Moo­ca) 03162-030  São Paulo  SP Tel. (11) 2797.6333 Fax: (11) 2797.6307 Senai-SP: (11) 3528.2000 senaigrafica@sp.senai.br www.sp.senai.br/grafica


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Revista Tecnologia Gráfica Nº80  
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