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REVISTA

ISSN 0103•572X

REVISTA ABIGRAF 291 SETEMBRO/OUTUBRO 2017

A R T E & I N D Ú S T R I A G R Á F I C A • A N O X L I I • S E T E M B R O / O U T U B R O 2 0 1 7 • Nº 2 9 1

PESQUISA CONFIRMA A PREFERÊNCIA DE LEITURA EM PUBLICAÇÕES IMPRESSAS

RÓTULOS E EMBALAGENS DIFERENCIADOS IMPULSIONAM O MERCADO DE CACHAÇA

MAURICIO DE SOUSA OS NOVOS PROJETOS DO MESTRE DOS QUADRINHOS


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ISSN 0103-572X Publicação bimestral Órgão oficial do empresariado gráfico, editado pela Associação Brasileira da Indústria Gráfica/Regional do Estado de São Paulo, com autorização da Abigraf Nacional Rua do Paraíso, 533 (Paraíso) 04103-000 São Paulo SP Tel. (11) 3232-4500 Fax (11) 3232-4550 E-mail: abigraf@abigraf.org.br Home page: www.abigraf.org.br Presidente da Abigraf Nacional: Levi Ceregato Presidente da Abigraf Regional SP: Sidney Anversa Victor Gerente Geral: Wagner J. Silva Conselho Editorial: Denise Monteiro, Eduardo Franco, Fábio Gabriel, Felipe Salles Ferreira, Igor Archipovas, Ismael Guarnelli, João Scortecci, Plinio Gramani Filho, Tânia Galluzzi e Wagner J. Silva Elaboração: Gramani Editora Eireli Av. São Gabriel, 201, 3º andar, conj. 305 01435-001 São Paulo SP Administração, Redação e Publicidade: Tel. (11) 3159-3010 E-mail: editoracg@gmail.com Diretor Responsável: Plinio Gramani Filho Redação: Tânia Galluzzi (MTb 26.897) e Ricardo Viveiros Colaboradores: Dieter Brandt e Hamilton Terni Costa Edição de Arte: Cesar Mangiacavalli Produção: Otávio Augusto Torres Editoração Eletrônica: Studio52 Impressão e acabamento: Elyon e Leograf Lombada quadrada: Abril Print Capa: laminação, reserva de verniz e hot stamping com relevo (fitas MP do Brasil): GreenPacking Assinatura anual (6 edições): R$ 60,00 Exemplar avulso: R$ 12,00 (11) 3159-3010 editoracg@gmail.com Apoio Institucional

Associação dos Agentes de Fornecedores de Equipamentos e Insumos para a Indústria Gráfica

Festa Junina – Balão Sem Fogo, óleo sobre tela, 60 × 90 cm, 2005

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A visceral Constância Néry

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A pintura de Constância Néry nasce no coração, baseada numa invenção plástica constante. Ela busca na imaginação a justeza cromática e formal, imprimindo aos seus quadros um frescor particular.

26 O que é que a cachaça tem Rótulos cada vez mais sofisticados ajudam a valorizar a bebida genuinamente brasileira, que vem conquistando cada vez mais adeptos em todas as classes sociais.

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Os movimentos da comunicação 4

FUNDADA EM 1965

Membro fundador da Confederação Latino-Americana da Indústria Gráfica (Conlatingraf)

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setembro /outubro 2017

O consultor Hamilton Terni Costa aborda os resultados da pesquisa Two Sides sobre a mídia impressa e a digital, relacionando-os com o livro de Joe Webb e Richard Romano, a Terceira Onda.


Uma vida cheia de ideias e sonhos

Mauricio de Sousa fala com exclusividade à Revista Abigraf sobre sua trajetória, como manter atuais as suas histórias e os vários projetos em andamento, entre eles o filme Laços, com crianças de carne e osso.

ExpoPrint Latin America 2018 A maior feira da indústria da impressão na América Latina tem pela frente um cenário econômico mais favorável, que emoldurará o lançamento de soluções capazes de transformar o setor.

A trajetória de Rubens Marques Braço direito de Luiz Carlos Burti por 28 anos, Rubens evoluiu com o setor gráfico e também contribuiu para sua evolução.

Luz e sombra Esse é o nome da exposição do fotógrafo Christian Cravo que está percorrendo o País. Na mira de suas lentes, uma África inóspita e desprovida do elemento humano.

A mais antiga das regionais Abigraf-RS comemorou meio século de atuação em prol da indústria gráfica gaúcha. Mais de 300 pessoas participaram da festa, reunindo dirigentes atuais e aqueles que ajudaram a construir a entidade.

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TUBRO 2017 • Nº 2 9 1

EVISTA ABIGRA F 291 SETEMB RO/OUT

UBRO 2017

ARTE & INDÚS TRIA GRÁFICA • ANO XLII • SE TEMBRO/OU

PESQUISA CONFI RMA A PREFERÊNCIA DE LEITURA EM PUBLICAÇÕES IMPRESSAS

RÓTULOS E EMBA DIFERENCIADOS LAGENS IMPULSIONAM O MERCADO DE CACHAÇA

MAURICIO DE SOUSA OS NOVOS PROJE TOS MESTRE DOS QUADR DO INHOS

14 44 50 60 66

Capa: A Camponesa do Bananal Paulista, óleo sobre tela, 60 × 40 cm, 2012 Autora: Constância Néry

Editorial/Levi Ceregato........................................6 Rotativa .............................................................8 Bienal Internacional do Livro/RJ ........................34 Convenção ANL ...............................................36 Censo Livro Digital ...........................................38 Itaú – Leia para uma Criança ............................39 Fornecedor/Ahlstrom Munksjo ..........................40

Economia/Sondagem 3-º trimestre .....................42 Congresso Internacional de Tecnologia Gráfica ...54 Gráfica SP/ Escala 7.........................................56 Memória..........................................................58 Sistema Abigraf ...............................................66 Há 30 anos ......................................................69 Mensagem/Sidney Anversa...............................70 setembro /outubro 2017

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EDITORIAL

O

iência sc n co m co o it e ir d u se o a Exerç

s tarefa fácil, mas não podemo a um é o Nã is ucos dias e um dos principa escolher em quem votar po O ano ainda não terminou ra pa r ixa de mbo 18. Seremos há décadas e assuntos já é a eleição de 20 da eleição. Temos feito isso tes an los pe , inteirar eleitoral m o resultado. É preciso se be bardeados pela propaganda os cem he con ssões sobre temas das propostas daqueles debates e inf indáveis discu to. que anseiam por nos relevantes e outros nem tan va conquistar, conhecer a bioCaras conhecidas e gente no os m Podemos e deve grafia de quem mais nos disputarão nossa atenção e, visto, agrada, descobrir se o ser agentes das diante de tudo o que temos algum candidato ou a candidata nosso ânimo para dar-lhes mações que or sf an tr te. está minimamente crédito praticamente inexis tecer. on ac r ve os em er qu alinhado com nossos É bom estarmos preparados. al nt valores e com os projetos Mais do que isso, é fundame esse lizados. nos importarmos com todo que desejamos ver materia eo sse ere int o sem , rém Po a escolha. . processo. Difícil? Sim o se esquive, não delegue su Nã is ma é os em ter tes. , o que posição de meros reclaman da r envolvimento da sociedade sai de s mo Te ente ao Estadão, tes das do mesmo. Em entrevista rec Podemos e devemos ser agen no cia Lu ca, bli pú ecer. Re ções que queremos ver acont o vice-procurador-geral da ma for ns tra al nt me erro monu Mariz Maia, afirmou ser um política como um r lceregato@abig raf.org.b generalizar o ataque à classe nua “Q . rso cu em s çõe todo por conta das investiga presta, são todos ém do você atribui que ningu a si próprio o direito bandidos, você está dando de desrespeitar a de cometer irregularidades, renciarmos peslei. Há a necessidade de dife devem responder soas que cometem ilícitos e e representam.” por eles, das instituições qu as instituições? E como podemos fortalecer é fazer com que Um dos principais caminhos s confiáveis, idôestejam nas mãos de pessoa gos que ocupam neas e preparadas para os car i chegamos ao voto, ou pretendem ocupar. E aqu fica em uma democracia, Bra sileira da Indústria Grá Presidente da Associação instrumento fundamental ias Gráfica s ústr Ind das to dica Sin do e ão que tanto (Abigraf Nacional) digraf-SP) capaz de promover a depuraç no Estado de São Paulo (Sin a. eir sil bra ca líti po na r ece queremos ver acont

L evi C eregato

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setembro /outubro 2017


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ENFOQUE Resíduo gráfico está diminuindo

Concluída a fusão DowDuPont

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onsolidada com sucesso em 31 de agosto, a fusão de iguais entre a The Dow Chemical Company (Dow) e E.I. du Pont de Nemours & Company (DuPont) passa a operar como uma holding sob o nome DowDuPont, com três divisões: Agricultura, Ciência dos Materiais e Produtos Especializados. As negociações das ações da DuPont e da Dow foram encerradas na mesma data na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse) e as ações da DowDuPont, a partir de 1º de setembro, começaram a ser negociadas sob a sigla DWDP. “Este dia representa um importante marco na história das duas companhias”, disse Andrew Liveris, presidente executivo da

DowDuPont. “Estamos muito felizes por concluir essa fusão e avançar rumo à criação de três empresas independentes e líderes em seus mercados. Embora o patrimônio e a força conjunta das duas empresas sejam impressio nantes, o verdadeiro valor dessa fusão reside na pretendida criação de três empresas poderosas que influen ciarão mercados e impulsionarão o crescimento para o benefício de todos os seus públicos. Nossas equipes estão trabalhando há mais de um ano no plano de integração e, a partir de hoje, ini cia re mos a execução desses planos com a intenção de completar as separações o mais rápido possível”.

Os executivos e equipes de integração da Dow e DuPont estão desenvolvendo os futuros modelos operacionais e a estrutura organizacional que apoiarão a estratégia de cada uma das três empresas. Assim que cada divisão estabelecer seus próprios processos, pessoas, ativos, sistemas e licenças para operar de forma independente, a DowDuPont pretende separar as divisões de maneira que passem a operar com as próprias entidades legais, após a aprovação do Conselho de Administração e de outras aprovações regulatórias. A estimativa é que as separações ocorram dentro de 18 meses, a contar de setembro deste ano. www.dow-dupont.com

Paper Excellence inicia aquisição da Eldorado Brasil No dia 25 de setembro a cana-

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dense Paper Excellence informou ter efetivado a aquisição de 13% do capital da Eldorado Brasil, que produz cerca de 1,7 milhão de toneladas de celulose de eucalipto por ano. Isso representa a primeira etapa da transação anunciada em 2 de setembro, data da assinatura do contrato de compra e venda, e ocorre após a adesão da Eldorado ao acordo de leniência da holding J&F e a emissão de certidão pelo Ministério Público Federal. A transferência de 100% das ações ficou definida pelo valor total de R$ 15 bilhões e a operação será finalizada em 12 meses. Até a conclusão do processo de compra, a REVISTA ABIGR AF

Paper Excellence terá posição minoritária na empresa. A próxima etapa da transação resultará em uma participação de até 34% no capital da Eldorado, dependendo do cumprimento de determinadas condições, inclusive da manifestação dos acionistas minoritários da empresa de exercerem seus direitos de preferência ou venda conjunta. Caso os fundos de pensão, que possuem 17% das ações, venham a exercer o “tag along”, os canadenses terão 34% da companhia. Se isso não ocorrer, a Paper Excellence comprará da J&F até completar 30% do capital. O grupo Paper Excellence iniciou suas atividades em 2007, em

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Meadow Lake, no Canadá, expandindo sua atuação por meio da aquisição de outras fábricas de celulose no Canadá e na Europa. Atualmente, produz 2,3 milhões de toneladas de celulose por ano (NBKP, LBPK e BCTMP), empregando mais de 2.000 fun cio ná rios. A companhia é a maior produtora de NBKP no Canadá, onde possui cinco fábricas (Howe Sound P&P, Macken zie, Mea dow Lake, Northern Pulp e Skookumchuck), tendo também as fábricas Saint Gaudens e Tarascon, na França.

http://www.paperexcellence.com/ http://www.eldoradobrasil.com.br/

EDUARDO R. FRANKLIN, PRESIDENTE DA DRUCK CHEMIE BRASIL

Há mais de 10 anos, a Druck Chemie Brasil atua na gestão de resíduos industriais. Eduardo Rodrigues Franklin, presidente da empresa, fala sobre o serviço A quantas anda a demanda pelo serviço de gestão de resíduos? A demanda é crescente, em função do estreitamento das legislações vigentes e fiscalização dos órgãos ambientais. As disposições da Política Nacional de Resíduos Sólidos estão sendo delegadas pela esfera estadual aos órgãos municipais, sendo atreladas também a processos de licenciamento para a própria operação da organização. Essa distribuição facilita a fiscalização e dá forças para o avanço na gestão de resíduos industriais. Em sua opinião, o setor gráfico evoluiu nessa questão? Sim. Quando a Druck Chemie iniciou suas atividades de gerenciamento de Resíduos Classe I, poucos eram os concorrentes ativos nesse setor. Hoje, existem dezenas de gerenciadores que realizam este tipo de trabalho. Apesar do aumento na demanda, o volume do resíduo gráfico tem diminuído  significativamente, uma vez que as organizações e seus representantes passaram a conhecer o processo de maneira mais complexa, reduzindo a fonte. Mas ainda há muito que evoluir nesse setor, principalmente no que diz respeito à logística reversa e homologação de embalagens de produtos químicos no Brasil.


Nova fábrica de embalagens da WestRock no Brasil P

ara atender à crescente demanda de seus clientes, a WestRock anunciou no dia 18 de setembro, na sua sede nos Estados Unidos, em Norcross (GA), a construção de uma nova fábrica de embalagens de papelão ondulado na cidade de Porto Feliz (SP). A construção deverá ser iniciada ainda neste ano, com previsão de conclusão para meados de 2019. Quando em operação, a nova unidade substituirá a atual instalação em Valinhos (SP) e servirá a todos os segmentos da indústria e do mercado, tanto

no Estado de São Paulo quanto em outras áreas em crescimento na região Sudeste. A planta de Porto Feliz será integrada com as operações florestais da WestRock e a Fábrica de Papel de Três Barras (SC), o que elevará o consumo de HyPerform, linha de papéis de alto desempenho da empresa. A WestRock possui 45 mil funcionários, em mais de 300 operações e escritórios na América do Norte, América do Sul, Europa e Ásia. https://www.westrock.com/en/brazil

Lançado papel-cartão para a produção de copos

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rimeira solução desenvolvida e fabricada no País para a produção de copos e potes de papel- cartão, acaba de ser lançado o Ibema Royal Coppa, ideal para projetos com impressão personalizada. Tendo em sua formulação 100% de fibras virgens, o produto é versátil e pode ser utilizado para bebidas quentes e frias, em seis diferentes configurações, com coa ting ou sem coa ting, ótima

printabilidade e baixa absorção lateral. Alternativa ambientalmente consciente, o Ibema Royal Coppa é produzido com matéria- prima de fonte renovável, proveniente de florestas plantadas. “O copo de papel é uma tendência mundial, pois muitos países já baniram as versões plásticas”, ressalta Fabiane Staschower, executiva de Inovação de Embalagens da Ibema. www.ibema.com.br

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Um espaço virtual totalmente dedicado ao papel

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ecém-lançado, o Portal do Papel, concebido por Claudia Ferreira, é a consolidação de um projeto multimídia que tem como proposta falar sobre os papéis nas suas mais diversas configurações. Foi idealizado a partir do fato de que cada espécie de papel tem a sua adequação e é preciso conhecer a diferença entre os seus mais variados tipos a fim de fazer a escolha correta para cada aplicação. O Portal tem como foco profissionais com interesse direto no assunto, a exemplo de designers gráficos, artistas plásticos, artesãos, gráficos e convertedores, mas contempla também usuários em geral, que podem consultá-lo no momento da escolha de materiais do seu uso, como cartões de visita, cardápios, convites e outros.

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Website de fácil consulta, o Portal do Papel está integrado às redes sociais Instagram, Twiter e Facebook. Em setembro estreou também no Youtube, onde apresentará quatro vídeos por mês sob os seguintes temas: # Papéis: características e benefícios # Arte em papel: técnica e criatividade # Projetos gráficos inspiradores # Vitrine. Além disso, o Portal desenvolverá uma série de outras atividades. Claudia Ferreira, apaixonada pelo produto, se dedica ao mercado do papel há 20 anos, com passagens e atividades desenvolvidas pela Arjowiggins, Multiverde, VSP e Antalis. Atualmente, além de administrar o Portal do Papel, coordena um grupo sobre Papéis Finos na Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica (ABTG).

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www.portaldopapel.com

Ação conjunta da Avery Dennison e Polpel

Trabalhar em conjunto para re-

ciclar liners usados em materiais autoadesivos como uma forma de preservar o meio ambiente, foi o objetivo principal do acordo estabelecido entre a Avery Dennison e a Polpel. Segundo cálculos das duas empresas, essa parceria poderá contribuir para a economia de até 98 mil litros de água por tonelada produzida, garantindo a vida útil de 15 a 30 árvores adultas que se riam cortadas para a fabricação de vinis adesivos usados em diversas atividades do mercado de sinalização e comunicação visual. “A ini cia ti va faz parte da meta de eliminar 70% dos resíduos de esqueleto e liner da nossa cadeia de valor. Estamos conectando clientes e usuários finais em todo o País para, assim, retirar toneladas de material dos aterros sanitários e incineradores”, esclarece Roberto Yokoi, gerente de EHS da Avery Dennison na América Latina.

A tecnologia desenvolvida pela Polpel permite a reciclagem de papéis especiais, transformando-os em uma polpa celulósica denominada “celulose polpel”, que é usada como matéria-prima para a produção de papel. Segundo o diretor de Negócios da Polpel, Ailton Alves, a soma de esforços junto à Avery Dennison permitiu que a empresa recebesse em torno de 10% do volume total de liner existente no mercado brasileiro, mas a meta é dobrar esse número. “Aparentemente é um número baixo, se analisarmos o mercado como um todo. Porém, estamos falando de 300 toneladas ao mês de material que não está indo para os aterros, causando um grande impacto na preservação do meio ambiente”, afirma Alves. Ele estima que mais de 20 mil toneladas de resíduos de liner são jogados por ano em aterros no País inteiro. http://www.averydennison.com.br/site/ http://www.polpel.com/

Parceria entre Saraiva e Mercado Livre

Uma das maiores redes varejis-

tas de educação, cultura e entretenimento, a Saraiva firmou acordo de parceria com o Mercado Livre para a venda de livros nacionais e internacionais que integram seu acervo. O objetivo é ampliar o alcance da sua oferta ao público utilizando um canal de vendas que possui a maior audiência online do Brasil, com mais de 50 milhões de usuários por mês. Através do Mercado Livre, a loja oficial da

Saraiva reforça seu compromisso de incentivar a leitura, disponibilizando mais de 20 mil livros de literatura nacional e em língua estrangeira. Os usuários terão acesso a diversas ofertas com mais de 40% de desconto. A seleção dos produtos e o processo logístico são de responsabilidade da Saraiva, contando com a expertise da rede nesse tipo de operação. https://loja.mercadolivre. com.br/saraiva


Campanha sobre conservação ambiental Com o patrocínio da Tetra Pak, o FSC Brasil lançou no dia 28 de setembro sua primeira campanha de comunicação nacional, sob o tema “Florestas para Todos para Sempre”, criada pela agência Giacometti. A principal peça da campanha é um filme de 60 segundos, que está sendo veiculado no canal por assinatura Discovery até novembro. O objetivo é conscientizar o consumidor final sobre a necessidade de conservar as florestas e mostrar que ele pode fazer a sua parte ao dar preferência aos produtos certificados. No vídeo, o ator Elam Lima caminha pela floresta enquanto fala sobre o selo FSC, seu significado e sua importância. De repente, o cenário começa a revelar produtos florestais de diversos tipos, criando um contraste entre a natureza e os artigos manufaturados. Com isso, a ideia é mostrar que a floresta está presente na vida cotidiana e que as escolhas diárias de consumo têm impacto sobre o meio ambiente. https://br.fsc.org/pt-br

Kodak lança novo CtP para jornais D urante a Ifra World Publishing Expo, realizada de 10 a 12 de outubro em Berlim, na Alemanha, a Kodak anunciou o lançamento do seu novo CtP térmico Achieve News para a produção de jornais. Previsto para estar disponível mundialmente em 2018, o Achieve News oferece às gráficas recursos como maior velocidade, controle no processo de gravação e permite criar processos mais econômicos. O novo modelo é ideal para médias e pequenas gráficas. Tem velocidade de até 54 chapas/hora e diversas opções de automação, entre as

quais o sistema Multi- Cassette Unit, que automatiza a entrada e saída de chapas para até 960 unidades, assegurando que os jornais possam otimizar seus ciclos de produção e rodar continuamente. Compacto e compatível com as chapas de livre processamento Kodak Sonora News, o Kodak Achieve News proporciona redução no consumo de energia, operando a somente 400 watts enquanto efetua a gravação, o que equivale ao consumo de poucas lâmpadas. https://www.kodak.com/BR/ pt/corp/default.htm

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Prêmios e exposição nos 30 anos do Museu Casa da Xilogravura D

entro das comemorações dos seus 30 anos, o Museu Casa da Xilogravura, de Campos do Jordão (SP), convidou os xilógrafos residentes no Brasil para participarem de um grande concurso. Acorreram 204 artistas, dos quais 177 ainda não faziam parte do acervo do museu, onde já estão presentes obras de mais de 1.000 outros gravadores. Os novos nomes agora incluídos são, em grande maioria, de artistas com menos de trinta anos de idade. “Os trabalhos por eles enviados revelaram-se surpreendentemente bons e demonstram estar acontecendo no País uma impressionante floração de ótimos xilógrafos, uma geração nova de artistas que estão produzindo xilogravuras com magnífica qualidade estética”, ressalta o xilógrafo, fundador e diretor do museu, Antonio F. Costella. Em razão do alto nível das obras concorrentes, o museu decidiu ampliar o número de prêmios, passando dos quatro prometidos para vinte, com a criação de três novos prêmios especiais e 13 menções honrosas. Estes foram os vencedores: # Grande Prêmio Casa da Xilogravura, Anderson Wilcke, de Embu das Artes (SP) # Grande Prêmio Reencontro, Lucie Maria Schreiner, de Marechal Cândido Rondon (PR) # Prêmio Descoberta, Pedro Sanchez, do Rio de Janeiro (RJ) # Prêmio Descoberta, Diego Santana de Farias, de Fortaleza (CE) # Prêmio Descoberta,

O Projeto de Lei 7752/17, de

Grande Prêmio da Casa da Xilogravura (à esquerda), de Anderson Wilcke, e Grande Prêmio Reencontro (acima), de Lucie Marie Schreiner

Francisco Horta Albuquerque Maranhão, de São Paulo (SP) # Prêmio Singularidade, Márcia Santtos, de Santos (SP) # Prêmio Mantiqueira, Djalma Toledo, de São José dos Campos (SP) # Menção Honrosa: Adriano Gambim Rocha, Angela Leite, Cláudia Sperb, Fernando Gómez Alvarez, Joyce Farias de Oliveira, Luisa Almeida, Maércio Lopes de Figueiredo Siqueira, Maria Angélica Chiang, Marly Calilo Bezerra, Milton Cazelatto, Miriam Aparecida Mendes, Paulo Cesar Lenço e Tiago Costa de Sousa. Obras de 134 artistas residentes no Brasil, que participaram do concurso, formam uma das mais surpreendentes exposições de xilogravura já apresentadas em nosso país, na Casa da Xilogravura, em Campos do Jordão, de 23 de setembro último até 26 de fevereiro de 2018. Durante esse período, o público poderá visitar também as variadas mostras de longa duração nas outras 27 salas do museu.

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www.casadaxilogravura.com.br REVISTA ABIGR AF

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PNLE é aprovada na Comissão de Educação autoria da deputada Fátima Bezerra (PT-RN), que cria a Política Nacional de Leitura e Escrita, foi aprovada no dia 4 de outubro pela Comissão de Educação da Câmara dos Deputados. O objetivo do projeto é assegurar e democratizar o acesso à leitura, ao livro, à literatura e às bi bliote cas para toda a so cie dade, com base na compreensão de que a leitura e a escrita são instrumentos indispensáveis para que o ser humano possa desenvolver plenamente suas capacidades, seja individual ou coletivamente. A proposta foi relatada pelo deputado Waldenor Pereira (PT-BA), que apresentou parecer favorável à iniciativa, sendo o projeto encaminhado para análise da Comissão de Constituição e Justiça e, se aprovado sem alterações no texto, seguirá para sanção presidencial. “Esse é o projeto mais importante para o livro e a leitura; com a aprovação ele deixará de ser uma política de governo para ser uma política de Estado. É preciso a mobilização do setor para que o PNLE vire lei. Essa conquista é muito importante para toda a indústria do livro”, destaca Luis Antonio Torelli, presidente da Câmara Brasileira do Livro. (Fonte: CBL). www.cbl.org.br


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ENTREVISTA Texto: Tânia Galluzzi

Mauricio de Sousa

Com a palavra, o maior formador de leitores do Brasil uando se trata de Mauricio de Sousa, 81 anos, tudo é hiperbólico, a começar por sua fonte de inspiração, os filhos reais. São 10 (um falecido), com quatro mulheres diferentes. Os de papel e tinta são 500, povoando nada menos que um bilhão de revistas já publicadas, três mil produtos licenciados, além dos desenhos no YouTube, que somam 2,2 bilhões de visua lizações. Hoje, entre quadrinhos e tiras de jornais, suas criações chegam a cerca de 30 países e entre as revistas de

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histórias em quadrinhos mais vendidas do País, 10 são de Mauricio de Sousa. Em entrevista exclusiva, o pai da Mônica fala do desafio de acompanhar as mudanças geracionais, a evolução das HQs no Brasil e os muitos projetos para 2018. A sua autobiografia, Maurício – A História que Não Está no Gibi, acaba de ser lançada. Olhando para trás, para tudo o que construiu, o que lhe vem à mente? Que quero continuar essa vida cheia de ideias e sonhos ainda a serem rea lizados.


Sua primeira tira foi publicada em 1959. De lá para cá, muita coisa mudou no universo das crianças e dos adolescentes. Como encara o desafio de acompanhar a mudança de hábitos e costumes? Nós estamos sempre falando a linguagem da vez e da hora. As redes sociais, em um contato quase que imediato com nossos leitores, fazem com que fiquemos conectados e up to date. Assim passamos por mais de quatro gerações, nesses 57 anos, sem deixar de conquistar novos leitores. Vem desse esforço a Turma da Mônica Jovem, correto? Como nasceu a ideia e a que atribui o sucesso dessa série? Logo que percebi que muitas crianças de 12 a 15 anos estavam abandonando a turminha clássica por acharem que era coisa de criança e que já se imaginavam pré-adolescentes, migrando assim para o mangá, achei que era o momento de ousarmos. Criamos então a Turma da Mônica Jovem ao estilo mangá caboclo e deu muito

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certo. Hoje é a revista em quadrinhos que mais 1 vende no ocidente . Na edição anterior da Revista Abigraf falamos sobre o crescimento dos quadrinhos no Brasil e o amadurecimento do público- leitor, processo 1 A tiragem chega a atingir mais de 500 mil exemplares por mês.

no qual a Maurício de Sousa Produções tem um papel decisivo. Como vê o atual momento das histórias em quadrinhos no País? Uma alegria total viver esse momento de muitas publicações e de boa qualidade. Segundo levantamento do Troféu HQMIX , uma espécie de Oscar dos quadrinhos, o número de novos lançamentos por ano é de cerca de dois mil. De nossa parte ajudamos não só criando leitores de quadrinhos aos quatro, cinco anos de idade, mas agora também fortalecendo os leitores adultos 2 com nossa linha de graphic novels MSP . O lançamento de edições mais sofisticadas, com capa dura, por exemplo, deve crescer? Está crescendo a cada ano. Trabalhamos com 27 editoras com diversas publicações que nos fizeram chegar ao segundo lugar em vendas de livros ao ano. Mais de um milhão e meio. Lembrando que isso começou há poucos anos já que nas editoras anteriores em que passei só havia interesse em publicar revistas em quadrinhos.

Foto: Bete Nicastro

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A quantas anda o projeto da versão adulta da Turma da Mônica, já na casa dos 30, 40 anos? É um projeto muito dificultoso pelo que irá envolver. Estou estudando a formatação e com 2 No projeto Graphics MSP autores convidados reinterpretam os clássicos personagens em seus próprios estilos. REVISTA ABIGR AF

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certeza haverá na equipe, jornalista, psicólogo, novelista e um bom estudo de como desenvolver histórias sobre o momento atual da vida em nosso país. Os personagens farão aniversário a cada ano evoluindo junto ao leitor. É para daqui a alguns anos. E a ideia de fazer a maior tira de quadrinhos do mundo? (Risos) Alguém falou isso em algum momento, mas não fomos nós. A maior tira do mundo não é medida em tamanho, mas em quantidade. A Turma da Mônica Toy, por exemplo, vai totalizar mais de 3 bilhões de visua lizações no YouTube pelo mundo. Outra novidade será o filme Laços. Quais têm sido os de safios para a adaptação do quadrinho para crianças de carne e osso? A estreia está confirmada para junho de 2018? Esse primeiro filme live action com a Turma da Mônica está gerando a maior cu riosidade entre os fãs porque querem saber quem serão os atores-mirins escolhidos para representarem a

turminha. A história é uma beleza, criada e desenhada pelos premiados irmãos Lu e Vitor Cafaggi. Logo que li essa graphic novel MSP sabia que viraria filme. As produtoras Quintal Digital e Latina Estúdios estão caprichando e chamaram um grande diretor para o filme que é o também premiado Daniel Rezende. Quais são os outros projetos para 2018? Muitos. Também teremos os filmes live action da Turma da Mônica Jovem em produção. Acabamos de divulgar a atriz que vai representar a personagem Denise, agora na Bienal do Livro do Rio, já que a que vai representar a personagem Ramona já tem até blog no YouTube. Ramona será interpretada pela atriz Amanda Torre e a Denise por Carol Amaral. Agora em outubro de 2017 voltamos para a televisão aberta com as animações da Turma da Mônica e Turma da Mônica Toy na TV Cultura. E nossos shows com a turminha ao vivo farão carreira pelos Estados Unidos. Portanto, 2018 promete.

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ARTE

Constância Nery

A emoção de sonhar a realidade

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mbora eu acredite que o termo “naïf”, ou a denominação “pintura naïve”, mereça primeiro uma reflexão aprofundada sobre a sua pertinência ou não, num texto breve como este entenderemos “naïf” na sua acepção primeira, isto é, a que vem do latim nativus, natural, espontâneo. Pois Constância Nery é uma pintora espontânea e não ingênua, como a tradução da palavra naïf nos faz entender. Ela passou sua infância no campo, em contato com fazendas de café, de algodão, de arroz e com as festas e folguedos populares, razão pela qual guarda um imenso carinho e admiração pelo homem simples, rude, o camponês trabalhador que nunca perde sua dignidade. Mas freqüentou universidades, vive e trabalha em grandes centros urbanos. Há ainda uma outra razão que une Constância à pintura naïve; sua obra é resultado principalmente de sua emoção, mesmo que hoje ela

domine a técnica pictórica, ela ainda conserva a espontaneidade com relação à forma e à cor que são sentidas emocionalmente e não estão à procura do real dos objetos; sua pintura nasce do coração, ela representa o que Wilhelm Uhde chamou de “os pintores do coração sagrado”. Sua pintura se baseia sempre numa invenção plástica constante, buscando na sua imaginação a justeza cromática e formal que produz um frescor particular nos seus quadros. Para o historiador da arte José Pier re, “o artista naïf quer mostrar a verdadeira face das coisas” e por esta razão ele recusa a arte acadêmica que artificializou demais o objeto, mas também não se pretende artista de vanguarda, ele se mantém sempre como “um primitivo de épocas futuras”, pois foi assim que a teoria da “necessidade interior” de Kandinsky, fundadora da arte moderna, nasceu também da redescoberta dos valores primitivos e originais que pertencem ao universo popular.

TEXTO: FERNANDO A.F. BINI PROFESSOR DE HISTÓRIA DA ARTE E CRÍTICO DE ARTE

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1 (página ao lado) A Vila de Santa Luzia – Paraná, óleo sobre tela, 74 × 54 cm, 2012 2 Caju Imaginário Doces Como Mel, óleo sobre tela, 40 × 50 cm, 2011

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Seus enquadramentos também são deliberadamente organizados para valorizar os efeitos emocionais, os personagens são centralizados, seus gestos são tradicionais e acentuam o valor da ação, mesmo quando as figuras que representam movimento são estáticas, como que fixadas, tomadas num momento, que se tornam estereótipos repetidos no mesmo ou em outros quadros. Mas a ausência de rigor na estrutura

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3 Palco para Casamento, óleo sobre tela, 50 × 70 cm, 2010 4 A Moça dos Olhos de Jabuticaba, óleo sobre tela, 70 × 50 cm, 2011 5 Onde Estou, óleo sobre tela, 60 × 100 cm, 2011

Constância Nery busca o poético, ela quer encontrar um mundo que está atrás do nosso mundo; ela questiona a verdadeira natureza da nossa rea lidade (Jorge Luís Borges) ou mesmo as nossas estranhas rea lidades (Gabriel García Márquez). Metaforicamente como um ser transplantado (ela viveu o campo e veio viver na cidade), com gestos líricos e míticos, faz alusão às suas raízes, às suas memórias de infância e dialoga com o seu passado dentro de um universo pictórico ao mesmo tempo mágico.

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uma rígida geometria na construção do quadro, mas não teme a frontalidade ou improvisação de uma perspectiva. Os cabelos esvoaçantes das garotas nos folguedos infantis ou a sinuosidade dos rios e dos caminhos são pura emoção. O trabalho do artista naïf é o de transformar o valor estético em sentimento, em valor ético, quer atingir o espectador pela sua emoção, a mesma emoção que tomou o artista no momento da criação da obra. Como artista latino-americana, Constância Nery é basicamente visceral; a emoção é o meio de que ela dispõe para fazer com que sua imaginação e sua memória a dominem, e assim, na procura da representação objetiva do objeto, ela pode transformar o real pelo sonho ou pela imaginação. 7

6 Fazenda Sta Marta, óleo sobre tela, 50 × 70 cm, 2010 7 Bumba Meu Boi, óleo sobre tela, 27 × 35 cm, 1979

do espaço torna seu rea lismo original, como a grande diagonal do quadro Arrozal Doce, os planos de Amarrando a Cana ou ainda o uso que ela faz dos planos e das cores em Banana Ouro — quando a sua rea lidade é inventada. Ela quer inscrever seu quadro na rea lidade tal qual ela vê, sem recorrer às formas convencionais da arte acadêmica, sem abdicar de

Um breve histórico C

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ARTE & IN DÚSTRI

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RÓTULOS E EMB DIFERENCIADO ALAGENS O MERCADO S IMPULSIONAM DE CACHAÇA

MAURICIO DE SOUSA OS NOVOS PROJ MESTRE DOS ETOS DO QUADRINHO

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Capa

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A Camponesa do Bananal Paulista, óleo sobre tela. 60 × 40 cm, 2012 REVISTA ABIGR AF

onstância Néry nasceu no ano de 1936 em Ipiguá, no Estado de São Paulo. Cursou a Escola Paulista de Propaganda, a atual Escola Superior de Propaganda e Marketing, em São Paulo, e fez carreira como publicitária passando pela J. Walter Thompson, Denison Propaganda e Editora Abril, entre outras. Em 1965 criou sua própria agência, a Constata Propaganda, em parceria com o artista plástico Cássio Mello, com quem se casou, cuja atividade perdurou até 1973, quando nasceu sua filha Andreana. Durante esse período, no Museu de Folclore de São Paulo, sob a direção de Rossini Tavares de Lima, realizou sua primeira exposição em 1969. A partir daí, fez da pintura a sua principal atividade. Suas obras estão no acervo de importantes colecionadores, em publicações didáticas, em livros e dicionários especializados em Arte. A temática de sua pintura se inspira em plantações e colheitas, festas tradicionais e no cotidiano da vida do mundo moderno, rural e urbano. A música clássica e a popular brasileira

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são tão importantes para ela quanto a tinta, o pincel e a tela. Participou de uma exposição coletiva na Galeria Cravo e Canela em 1979 e, desde então, apresenta seus quadros na Galeria Jacques Ardies, que viabilizou suas exposições no Musée d’Art Naïf, de Condom, França, na Gina Gallery, em Israel, e na galeria Jacqueline Bricard, em Lourmarin, no sul da França, entre outras. Mudou-se, em 1994, para Curitiba (PR), seguindo depois, em 2005, para a cidade do Porto, em Portugal, onde fixou residência e vive atualmente. Lá, participou de exposições internacionais na Galeria Vieira Portuense e no Museu Municipal de Espinho (Bienal da Mulher). Constância Néry exerce atividades culturais para o desenvolvimento da Arte e da Poesia, no Brasil e em Portugal, projetando e produzindo eventos que envolvem a Arte e a Cultura em geral. Ela é membro efetivo da União Brasileira dos Trovadores e também da Academia Paranaense de Poesia, ocupando a cadeira número 9.


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MERCADO

Saúde! Bebida genuinamente brasileira, a cachaça vem se sofisticando e ganhando espaço em bares e restaurantes da moda. Para transmitir o requinte do líquido que sai dos alambiques, os produtores têm no rótulo seu maior aliado. Texto: Tânia Galluzzi

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cachaça é a segunda bebida al coóli ca mais consumida no Brasil. Só fica atrás da cerveja. Segundo o Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac) o Brasil produz anualmente cerca de 800 milhões de litros, mas tem capacidade para 1,2 bilhão de litros. No último censo do IBGE, de 2006, eram quase 12 mil estabelecimentos produtores no País. Mas esse número pode chegar aos 40 mil, de acordo com o Centro Brasileiro de Referência da Cachaça, dos quais 98% são micro e pequenos empresários. Devidamente registrados são por volta de dois mil, entregando ao mercado quatro mil marcas e movimentando R$ 1 bilhão por ano. Mesmo ainda vítima de preconceito, a bebida vem conquistando mais e mais adeptos, cruzando os limites das classes sociais no dorso de produtores que investem em itens de maior qualidade. Atentos a todas as etapas do processo, desde o cultivo da cana- de-açúcar até o envase, eles apostam no potencial do mercado interno e já começam a olhar para além do muro, enxergando oportunidades fora do Brasil. Nesse movimento rumo à sofisticação, um dos pilares é o desenvolvimento de embalagens e, principalmente, rótulos diferenciados, capazes de corporificar todo o esforço do produtor em criar uma bebida premium. Tanto as empresas que REVISTA ABIGR AF

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produzem cachaças artesanais1 quanto os fabricantes de cachaças industriais 2 têm trilhado esse caminho, contribuindo para melhorar a imagem do produto. A Companhia Müller de Bebidas, maior fabricante de cachaça do Brasil, embarcou nessa em 2009, criando a linha Reserva 51 em comemoração aos 50 anos da empresa. Em julho de 2016 duas novas va rie dades foram acrescidas à série e os rótulos renovados. Neste ano, a Cia. Müller investiu em uma campanha em todos os meios de comunicação para divulgar suas cachaças especiais. “Elas custam R$ 130, enquanto a cachaça comum R$ 7. São bebidas de alto valor agregado e tudo que permeia o produto tem de refletir isso. Quanto mais personalizado, melhor. As garrafas têm design exclusivo e altíssimo índice de transparência. E com os rótulos não poderia ser diferente. O conjunto tem de ser refinado”, afirma Paula Videira Martins, gerente de marketing da Cia Müller. De acordo com ela, são vendidas entre 100 e 150 dúzias de cachaças especiais por mês, o que para os volumes da companhia é uma soma bem limitada. Mesmo assim, as vendas superaram as expectativas iniciais e em 2018 a empresa conti nua rá confiando no segmento premium, inclusive com o lançamento de produtos com preço inter mediário, por volta de R$ 30,00, e até mais caros que os atualmente praticados para a série Reserva. SOFISTICAÇÃO PREMIADA

Hoje a Cia. Müller exporta para 50 países, mas a gerente de marketing afirma, sem 1 Produzidas em pequenas quantidades — a partir de cana se le ciona da e colhida manual mente —, e destiladas por bateladas em alambiques de cobre. 2 Produzidas em grandes quantidades, a partir de cana cultivada em grandes áreas e colhidas mecanicamente, com destilação contínua em colunas de inox.

revelar números, que apenas 2% da produção seguem para fora do País. “O mercado interno é muito grande”, argumenta. “Para se ter uma ideia, é 10 vezes maior do que o de vodca. ” Entre os principais compradores estão Portugal, que conhece bem o destilado nacional, Espanha, Alemanha, Chile e Argentina. A tiragem inicial de cada rótulo da linha Reserva, com quatro variedades, foi de 10 mil unidades, com retiradas parciais mensais. Um deles ganhou o 5º Prêmio de Excelência Abiea na categoria Impressão Digital Cromia. Produzido pela Mack Color em julho de 2017, o rótulo da cachaça Reserva 51 Rara traz relevo seco, duas fitas de hot stamping e laminação. Marcos Rossi, presidente da Mack Color é um entusiasta da cachaça. Acredita tanto nesse segmento que criou a sua própria branquinha para dar aos clientes e amigos. “Esse é um mercado que vai crescer muito. A cachaça está se tornando uma bebida fina, disputando espaço com a cerveja e com o vinho. Temos outros clientes além da Cia. Müller e a cada mês o consumo aumenta”, afirma o empresário. O rótulo da Reserva 51 Rara foi impresso em uma impressora digital HP 6600 e finalizado nas linhas de acabamento ABG. Desde 2014 a empresa vem se preparando para atender pequenas, médias e grandes tiragens de rótulos autoadesivos. Há cinco anos chegou a primeira impressora digital, uma HP 4050. Agora são dois sistemas, uma HP 6000 e a 6600, rodando 24 horas. Sessenta por cento da produção é composta por rótulos de bebida. Isso muito em função dos rótulos personalizados, criados para eventos e datas comemorativas. Entre sistemas digitais e soluções de pós-impressão para essas linhas, a empresa desembolsou mais de R$ 10 milhões nos últimos três anos. “Se eu não tivesse investido nas máquinas de acabamento não teria feito o rótulo da Reserva 51

Chame como quiser, mas não se engane C achaça, pinga, branquinha. O Dicionário Houaiss registra mais de 300 nomes para o destilado genuinamente brasileiro. Do  conhecido água que passarinho não bebe ao pitoresco otimfim-fim, vale o que a inspiração mandar na hora de se referir ao produto.

Os nomes podem ser os mais curiosos, mas a bebida é uma só, com características bem definidas e especificadas por lei: cachaça é a denominação típica e exclusiva da aguardente de cana produzida no Brasil, com graduação alcoólica entre 38% e 48%, obtida pela destilação do mosto fermentado do caldo de canade-açúcar. Não foi produzida no Brasil, não é cachaça. Tem graduação alcoólica maior que 48% ou menor que 38%, não é cachaça. Misturou limão, mel, ou qualquer outra coisa, não é mais cachaça, vira bebida mista. Simples assim.

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Rara”, diz Marcos Rossi. De acordo com ele, 30% do faturamento da Mack Color vêm dos rótulos de bebida, 40% dos rótulos para alimentos e o restante de adesivos promocionais para pontos de venda. A expectativa é fechar 2017 com crescimento de 20% e ainda neste ano deve chegar mais uma impressora offset UV cinco cores mais verniz, destinada à produção de In Mold Label para a alimentos refrigerados, a qual, segundo o presidente, já tem trabalho para o próximo ano inteiro. CUSTO

Nem só de autoadesivo vive a cachaça. Quando saí mos dos produtos premium, a maior parte usa o chamado rótulo lambelambe (papel e cola fria), mais barato e rápido de ser retirado quando o produtor trabalha com garrafas retornáveis. Para essa necessidade, como comenta Guido Raccah, membro da diretoria da Associação Brasileira das Indústrias de Etiquetas Adesivas

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A Labelexpo Europe mostrou o que há de novo

e 25 a 28 de setembro foi rea li zada em Bruxelas a Labelexpo Europe 2017, maior evento inter nacional dedicado ao setor de etiquetas, rótulos e embalagens flexíveis. A feira deste ano bateu o recorde de expositores, 679, com 198 novas empresas, e de visitantes: 37.724 profissionais, contra 35.739 em 2015. A presença de estrangeiros também foi marcante, e os organizadores destacaram as delegações do Brasil, China, Índia e Japão. A caravana organizada pela Abiea levou a Bruxelas 48 pessoas, de 20 empresas. Um outro grupo formado por uma agência de viagens somou 85 profissionais de cerca de 50 empresas. Confira a seguir alguns dos lançamentos na área de rótulos para bebidas.

DURST

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A novidade é a impressora digital inkjet UV Tau 330 RSC , apresentada em operação, em tempo real, com o sistema Omet Xflex X6 para criação de fluxo híbrido de produção para aplicações web- to-print. Voltada à impressão de rótulos, etiquetas e embalagens com largura até 330 mm, a REVISTA ABIGR AF

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e etiquetas, cartonados etc, além da tecnologia de gerenciamento de fluxo de trabalho Work flow-Label Application Suite, ferramenta modular que inclui aplicações para controle de cores, rasterização, economia de tinta e controle de dados. EFI A EFI levou para a feira as impressoras Jetrion 4900ML e Jetrion 4950LX . A primei-

Tau 330 oferece resolução de 1.200 × 1.200 dpi, com capacidade produtiva até 1.485 m/hora. A configuração com oito cores permite atingir amplo gamut tonal, cobrindo cerca de 98 do universo Pantone. A impressora está disponível em versão individual (stand alone) ou pode ser combinada com o sistema digital de corte laser LFS 330. Suas opções de configuração incluem, ainda, soluções de prétratamento como corona inline, limpador de bordas, aplicação de primer, além de recursos de pós-impressão como verniz, cold foil, laminação, corte e rebobinamento. A Durst lançou também sua nova solução web-to-print para embalagens, rótulos

ra combina impressão com acabamentos digitais a um custo por etiqueta reduzido ao automatizar os processos, do arquivo para o rolo final. Além da rentabilidade, o fabricante destaca a eficiência e a produtividade do maquinário, que roda em um processo de passagem única, com


velocidade de 24 m/min. Com quatro cores em alta resolução e produção de até 48 m/min, a EFI Jetrion 4950LX também se diferencia por sua tecnologia de cura LED, possibilitando a impressão em substratos termossensíveis e especiais. Potencializando a performance das impressoras, a EFI oferece o EFI Metrics Printware, sistema desenvolvido especificamente para a indústria de impressão e embalagens, muito utilizado no mercado de flexografia. HP

Os destaques foram a HP Indigo GEM, solução de acabamento digital one-pass, e o Pack Ready for Labels, ambos apresentados como protótipo na Drupa 2016 e agora prontos para comercia li zação. Como explica André Rezende, gerente do segmento de Labels & Flexible Packaging da HP Indigo Brasil, o foco é a pós-impressão. Acoplada à impressora digital HP Indigo WS6800s, o sistema GEM permite a aplicação de uma série de recursos na mesma passada, como relevo, verniz, laminação e hologramas. Os efeitos são aplicados por duas cabeças de impressão inkjet com

NILPETER

secagem UV. A HP Indigo GEM também suporta o software Mosaic, que gera imagens únicas de acordo com padrões preestabelecidos randomicamente. O sistema acompanha a velocidade da 6.800 (42 m/min). No Brasil há 17 HP Indigo 6800 em operação, de acordo com André Rezende. Opcional para a mesma impressora, o Pack Ready for Labels combina três elementos: um upgrade para a unidade de aplicação de primer em linha, um novo primer e um novo verniz UV de alta performance. Resultando em melhor ancoragem, o alvo do sistema são rótulos que exigem alto desempenho e maior resistência.

Dois foram os lançamentos da Nilpeter. A impressora flexográfica Nilpeter FA , e a impressora digital inkjet UV Panorama. A primeira está disponível em duas larguras de bobina, 14" (370 mm) e 17" (450 mm), com larguras máxima de impressão de 355 mm e 430 mm. O modelo atinge velocidade máxima de 200 m/min, podendo combinar vários processos de impressão e acabamento em linha, entre eles flexografia, rotogravura, inkjet UV, serigrafia, hot stamping e meio-corte. Aceitando papel autoadesivo, filmes plásticos e até alumínio a partir de 20 mícrons, o sistema tem como principal característica a automação. É capaz de salvar os trabalhos, posicionando-a

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(Abiea), já existe a tecnologia wash-off, cujo adesivo permite a fácil remoção do rótulo com a lavagem com água quente. A alternativa, mais resistente que o lambe-lambe, ainda é pouco usada no Brasil em função do custo, exigindo adaptação no processo de envase da bebida. “A crise tem atrapalhado a migração do rótulo em papel para o wash- off e o autoadesivo. Temos clientes que já estavam usando o autoadesivo e voltaram para o papel”, comenta Guido, que é diretor comercial da Novelprint. Cerca de 40% da receita da Novelprint advém dos rótulos de bebida, sobretudo cervejas e destilados. Para atender às demandas desse nicho a empresa adquiriu neste ano uma impressora flexográfica banda estreita com 10 cores e planeja uma máquina ainda maior para 2018. Soluções que barateiem os rótulos estão igualmente na mira da Novelprint, como o uso de liners e frontais mais finos, possibilitando não só economia de matéria- prima como ganhos de logística, com a geração de rolos com maior quantidade de etiquetas.

como a impressora com o menor desperdício durante o acerto, segundo a Nilpeter. Também reunindo vá rias tec nologias de impressão e pós- impressão, a digital Panorama tem largura máxima de 350 mm, resolução de 600 × 600 dpi, cinco cores com a sexta opcional. A máquina pode ser configurada para trabalhar com tintas inkjet UV convencionais ou UV de baixa migração. A máquina dispensa pré- tratamento do material, trabalhando apenas com o tratamento corona que faz parte de sua configuração. OKI

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A empresa mostrou a impressora digital C942, com velocidade até 50 páginas A 4 por minuto e formato máximo A 3. O equipamento suporta papéis adesivos coloridos, adesivo de poliéster metalizado, adesivo PP digital transparente e vinil adesivo. Com um sistema inovador de posicionamento das cores, a impressora C942 pode produzir rótulos em mídias transparentes em uma única passada, uma vez que a cor branca fica posicionada na primeira estação e faz o calço para as outras cores REVISTA ABIGR AF

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CMYK . Segundo a Oki, a C942 é a única

impressora desktop do mercado a oferecer essa tecnologia com a quinta cor. Para a criação de artes mais complexas, o usuário pode contar com o servidor de impressão externo Fiery XF 5.0, capaz de processar grandes volumes de arquivos e gerar rótulos personalizados com dados variáveis e/ ou seriados. A C942 possui capacidade de impressão para até 50.000 rótulos por mês. ROTATEK

A Rotatek tem dois equipamentos voltados para o segmento de rótulos. A digital inkjet UV Letera 330 e a impressora

rotativa de formato variável Omni. A primeira pode trabalhar com papel offset e couché, filme de BOPP e PET, aceitando materiais com largura de 350 mm e rodando a uma velocidade de até 150 m/min. A Letera aceita outros processos como flexografia, laminação e aplicação de verniz. Também híbrida (offset, flexografia e serigrafia), a impressora banda estreita Omni pode ser configurada de acordo com as necessidades do cliente, produzindo de rótulos a malas-diretas. A velocidade é de 300 m/min e a largura do substrato entre 350 e 1.250 mm.


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LIVROS

18ª Bienal do Livro Rio recebe 680 mil visitantes A feira recebeu número recorde de entusiastas dos livros de todas as idades, consagrando-se como experiência cultural para toda a família.

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Texto: Tânia Galluzzi

ntre 31 de agosto e 10 de setembro, o Riocentro serviu de cenário para a celebração da literatura nacional. Com mais de 300 autores e convidados, divididos em 360 horas de programação cultural e 190 sessões, a Bienal Inter nacional do Livro Rio, organizada pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e a Fagga/GL Events Exhibitions, bateu recorde de público e recebeu 680 mil visitantes, superando a estimativa inicial de 600 mil. REVISTA ABIGR AF

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toda a família. É muito bom ver o investimento de todas as editoras em estandes cada vez bonitos e com mais atrações para o visitante”, comenta Tatiana Zaccaro, diretora da bienal.

Leandro Karnal, historiador, participou do evento

Uma das novidades deste ano, a Arena #SemFiltro, fez sucesso entre os leitores e teve 90% de ocupação de sua capacidade. A procura pelo espaço dedicado aos debates de interesse dos jovens reflete o crescimento dessa parcela do público no evento. Enquanto na última edição os visitantes entre 15 e 19 anos representavam 18% do público, agora eles são 33%. A va rie dade de temas discutidos no Café Literário também agradou e o espaço recebeu um público 25% maior que a 17ª edição. O Geek & Quadrinhos, montado pela primeira vez, atraiu entusiastas da cultura pop de todas as idades com as sessões comandadas por Affonso Solano e seus convidados, e em atividades como batalhas medievais, mesa de jogos e área de rea lidade aumentada, que permaneceram movimentadas ao longo de todo o evento. As crianças também tiveram uma área totalmente dedicada a elas, o EntreLetras.

A melhora do acesso ao Riocentro foi um dos fatores que contribuiu para o sucesso do evento, já que 56% das pessoas usaram transporte público para ir à bienal. Cada pessoa que passou pelo Riocentro saiu com 6,6 livros, mantendo a média da última edição, com um gasto médio de R$ 25,18. A nota dada pelos visitantes ao evento subiu de 8,4 para 8,6 e 93% das pessoas disseram que voltariam à bienal. Novos visitantes representaram 24% do público e 76% das pessoas estiveram em edições anteriores. “Estamos muito satisfeitos com os números. Com o crescimento da programação, atingimos nosso objetivo de proporcionar uma ex periência cultural para

(E/D) Tomás da Veiga Pereira, editor, e Bernardinho, treinador de vôlei

PERSPECTIVA MELHOR

Já Mariana Zahar, vice-presidente do Snel, acredita que o evento foi um ótimo termômetro para o mercado editorial. “Se tivemos uma queda em 2016 no mercado como um todo dos livros, 2017 já marca uma retomada e um respiro para as empresas. Certamente a bienal contribui para isso significativamente.”

35 setembro /outubro 2017

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LIVRARIAS

Convenção Nacional de Livrarias recebe toda a cadeia do livro

romovida pela Associação Nacional de Livrarias (ANL), a 27ª Convenção Nacional de Livrarias apresentou um panorama completo do setor, incluindo dados do varejo do livro no Brasil, e aprofundou as discussões sobre temas como distribuição e logística, empreen de do ris mo cultural, formação do livreiro leitor e o Projeto de Lei 49/2015, que trata da Política Nacional do Livro e Regulação de Preços.

Fotos: Immonem Barros

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Com o tema O livreiro, de leitor a gestor, a Convenção Nacional de Livrarias 2017 foi realizada nos dias 29 e 30 de agosto na cidade do Rio de Janeiro, reunindo 140 pessoas, entre líderes do mercado livreiro, editorial, empreendedores e escritores.

Na abertura do evento, Mauricio de Sousa falou sobre sua trajetória pessoal e profissional

Didáticos, literatura brasileira, HQ , re ligio sos, autoajuda e bio gra fias se destacam em 2017. Em volume, no entanto, há uma queda de 1%. “O consumidor não está comprando só aquilo que ele precisa para a sua educação ou para o trabalho, mas está voltando a comprar aquela leitura casual”, apontou o executivo. Os dados da GfK indicam que um terço das compras de livros no País (33,4% em volume e 33,6% em faturamento) são feitas em e- commerce. Parte desse faturamento tem como base o desenvolvimento dos marketplaces. “O marketplace é um grande avanço para o setor, pois é uma forma das pequenas empresas mostrarem seus produtos e acelerarem sua comercia li zação. É fundamental encontrarmos caminhos de comunicação para que o livro chegue ao

Filipe Mori, da GfK Retail and Technology Brasil

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Os números do setor foram apresentados por Filipe Mori, coordenador da área de entretenimento do instituto de pesquisa da GfK Retail and Technology Brasil. Ele destacou os sinais de melhora mostrados pelo mercado. De janeiro a julho, o varejo de livros faturou R$ 1,36 bilhão, crescimento nominal de 1,8% ante R$ 1,34 bilhão apurado em igual período de 2016. Esse crescimento não é igual em todas as categorias. REVISTA ABIGR AF

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(E/D) Os presidentes Bernardo Gurbanov, da ANL, e Antonio Carlos de Carvalho, da AEL-RJ

consumidor”, reforçou Bernardo Gurbanov, presidente da ANL . NOVAS AÇÕES DA ANL

A entidade aproveitou o evento para apresentar oficialmente a pré-proposta do curso de pós- graduação lato sensu Gestão de Livrarias no Século XXI – Conhecimentos & Inovação. Idealizado pela ANL, o curso terá a parceria educacional da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), e traz como proponente o professor doutor José Castilho Marques Neto. Duas outras iniciativas foram lançadas: o Anuá rio Nacional de Livra rias e o Guia das Livrarias Cariocas. Produto único no setor livreiro nacional, além de um extenso banco de dados, o anuário da ANL trará estatísticas e tendências do universo do livreiro. A publicação deve ser lançada no primeiro semestre de 2018, quando a associação completa 40 anos. Já o Guia das Livrarias Cariocas foi lançado e apresentado por Antonio Carlos de Carvalho, presidente da Associação Estadual de Livrarias do Rio de Janeiro (AEL -RJ). Essa é a primeira vez que se edita um guia de livra rias do Rio com a localização de cada uma no mapa, a segmentação do acervo e todas as informações sobre o serviço, como horário de funcionamento.


CENSO

Conteúdo digital representa 1,09% do mercado editorial brasileiro

Texto: Tânia Galluzzi

C

38

om dados inéditos sobre o cenário dos e-books no País, o Censo do Livro Digital foi divulgado no dia 24 de agosto na sede da Câmara Brasileira do Livro (CBL) em São Paulo. O estudo mostra que, das 794 editoras brasileiras investigadas, 294 (37% do setor editorial) produzem e comercia lizam conteúdo digital. A pesquisa aponta, ainda, que a atividade no País está concentrada nas editoras de obras gerais e de livros científicos, técnicos e profissionais (CTP), que respondem, respectivamente, por uma fatia de 55% e 23% no mercado de livros digitais. Rea li zada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) a pedido da CBL e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) o censo coletou dados relativos a 2016. O levantamento revela que foram produzidos e comercia lizados 9.483 novos números de ISBN digitais em 2016. Já o total de e-books (incluindo novos títulos e acervo) vendidos no Brasil até 31 de dezembro do ano passado foi de 2.751.630, dos quais 87% correspondem à produção de obras gerais. O faturamento total com conteúdo digital no País foi de R$ 42.543.916,96, o que representa 1,09% do mercado editorial brasileiro, excluindo-se as vendas ao setor governamental. Dessa soma, as vendas com conteúdo fracionado (capítulos) respondem por R$ 3.619.685,59, enquanto o valor referente a assinaturas de livros (em plataformas ou em bibliotecas virtuais) é de R$ 4.477.636,16. A pesquisa não contabilizou obras produzidas pelo modelo de autopublicação, assim como não entraram livros de acesso aberto. REVISTA ABIGR AF

setembro /outubro 2017

Repercutindo os resultados, Marcos da Veiga Pereira, presidente do Snel, afirmou que para editoras como a Sextante, a qual dirige, tem sim valido a pena investir nos livros digitais, sobretudo como um canal de fidelização dos clientes. Ele assinalou que não houve a entrada de novos leitores com o advento dos e-books. Tanto ele quanto Luís Antônio Torelli, presidente da CBL , acreditam no crescimento do livro digital, porém sem citar em que ritmo isso deve ocorrer. “Quando rea li za mos o primeiro Congresso do Livro Digital, há sete anos, um palestrante americano apontava o dedo para nós, editores de livros impressos, afirmando que mor rería mos em um ano, o que não aconteceu. A convivência continua”, comentou Torelli. SUBSETORES

Levando em consideração as vendas com ebooks + conteúdo fracionado + aluguel ou assinatura de livros, o faturamento total com conteúdo digital das editoras de obras gerais em 2016 foi de R$ 24.971.699,38, o que equivale a 2,38% do mercado geral desse setor. O nicho de livros técnicos faturou R$ 14.977.763,30 no total com conteúdo digital em 2016, representando 1,68%

do mercado de livros científicos, técnicos e profissionais. As obras religiosas ficam em terceiro lugar, com R$ 1.325.588,58 de faturamento em conteúdo digital, o que equivale a 02,5% de seu mercado. E os didáticos faturam R$ 1.268.865,70 com a venda direta ao mercado, o que significa 0,09% do faturamento geral desse segmento. Considerando apenas as editoras de maior porte, com faturamento superior a R$ 50 milhões com livros físicos e acima de R$ 1 milhão com digitais, a representatividade do conteúdo digital do segmento de obras gerais sobe para 4,51% dentro do faturamento total desse setor, que é de R$ 384.854.216,68. Entre as editoras dedicadas aos livros técnicos que mais faturam no País, o conteúdo digital passa a representar 2,28% de seu faturamento total (R$ 397.587.110,84). O acervo total de e-books no País chegou a 49.622 títulos produzidos e vendidos até 31 de dezembro de 2016. Nesse número, a maior fatia é do subsetor de CTP, que responde por 22.305 títulos produzidos. Na sequência, estão as obras gerais, com 20.533 títulos em seu acervo digital. As editoras de religiosos têm 3.454 títulos e as editoras de obras didáticas contabilizam 3.370.


INCENTIVO À LEITURA

Itaú movimenta mercado editorial

A campanha Leia para uma Criança 2018 envolverá a compra de até quatro milhões de exemplares de livros.

Fundação Itaú Social lançou no dia 9 de outubro o edital Leia para uma Criança 2018, que estabelece novo processo de seleção dos livros infantis que farão parte da campanha do próximo ano. Está prevista a aquisição de até quatro milhões de exemplares, de dois títulos distintos, de prosa ou poesia, voltados a crianças de 0 a 5 anos, além de até vinte mil exemplares em braille. “Até o ano passado a seleção era rea lizada por uma consultoria e os títulos indicados por especia listas. Percebemos que, com o crescimento da ação ao longo das edições, é necessário um novo formato de seleção. Por meio de edital, vamos ampliar a abrangência, passando a ouvir também as famílias e dando oportunidade para mais editoras apresentarem seu trabalho, títulos e autores”, explica a coordenadora de assessorias da Fundação Itaú Social, Anna Carolina Bruschetta. A campanha Leia para uma Criança é rea lizada todos os anos, durante o mês de outubro, pelo Banco Itaú e a Fundação Itaú Social, com o objetivo de incentivar a leitura do adulto para a criança como uma oportunidade de fortalecimento dos vínculos fa mi lia res e de participação ativa na educação desde a primeira infância. Em 2017, estão sendo disponibilizados 3,6 milhões de exemplares dos livros O Menino

Azul, de Cecília Meireles, e Em Cima Daquela Serra, de Eucanaã Ferraz. Esse volume representa um quarto do total de livros infantis produzidos em 2016 (16,6 milhões, segundo a pesquisa Fipe/CBL). Desde o início da ação, em 2010, já foram oferecidos cerca de 45 milhões de livros. O edital está aberto para inscrições até o dia 27 de outubro pelo site Prosas (https://islivros2018.prosas.com.br). Podem participar do processo editoras de todo o País, com exceção das que foram contempladas no último ano, com a indicação de até três títulos por selo editorial. Para concluir a inscrição, é preciso fazer o cadastro no site de fornecedores do Itaú e enviar exemplar do livro inscrito. Todos os passos estão descritos no edital, disponível no site. A seleção ocorrerá em cinco fases. A primeira irá conferir se os livros inscritos atendem aos critérios básicos de seleção. São eles: temática abordada na história, características literárias do texto, qualidade do projeto gráfico e autoria, que visa buscar diversidade e representatividade da produção nacional. Os passos seguintes serão a conferência documental, análise jurídica de direitos autorais, ava liação da comissão nacional, etapa com grupos focais e os finalistas seguirão para parecer técnico dos especia listas.

ITAÚ CRIANÇA www.itau.com.br/crianca/

39 setembro /outubro 2017

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FUSÃO

D

esde 2007, quando a finlandesa Ahlstrom começou a operar a fábrica da VCP em Jacareí (SP), o alvo da empresa sempre foram os papéis especiais para o segmento de embalagem. No final de 2013, a sueca Munksjö Oyj finalizou o processo de junção da área de Label and Processing da Ahlstrom no mundo e Jacareí assumiu a nova identidade. Agora, com a fusão da Munksjö Oyj com a Ahlstrom Cor poration, oficia lizada no dia 1º de abril de 2017, a operação brasileira passa a fazer parte de uma companhia líder global em soluções baseadas em fibras especiais, com vendas anuais em torno de 2,2 bilhões de euros. No curto prazo nada muda no que tange aos segmentos gráfico e convertedor, como afirma Luciano Neves, diretor comercial da fábrica de Jacareí. O foco continuará

40

sendo o papel revestido, o couché L1, usado na produção de rótulos, liner para autoadesivos e embalagens flexíveis, nicho no qual a Ahlstrom-Munksjö detém 90% do mercado brasileiro. A planta é capaz de fabricar anual mente 105 mil toneladas de papel, das quais metade é composta pelo couché e os outros 50% pelo offset, destinado à produção de embalagens e ao mercado industrial. Em offset a empresa tem participação de 8%. O que marca a nova fase da empresa é a maior capacidade de investimento. Mais robusta, a Ahlstrom-Munksjö deve trazer a médio prazo novas opções para o mercado nacional. “Estamos agora na fase de aprovação de projetos para o desenvolvimento de novos produtos e implantação de tecnologias visando a eficiência operacional, ações com tempo de maturação entre um ano e meio e dois anos”, comenta Luis Coe lho, diretor de Operações da fábrica de Jacareí. Enquanto aguardam os investimentos estratégicos, a planta segue com sua agenda anual de aplicação de recursos na otimização do portfólio.

(E/D) Luís Coelho, diretor de operações, e Luciano Neves, diretor comercial

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setembro /outubro 2017

Segue também a atenção a necessidades específicas dos clientes. Como explica Luciano, tanto no Brasil quanto no mundo, uma das principais características da companhia é o desenvolvimento de especialidades, de soluções customizadas capazes de criar valor para a cadeia. A empresa pretende expandir sua atuação nessa área, sobretudo para a produção de embalagens biodegradáveis para a indústria alimentícia.

Foto: Wendell Marques

Fusão entre finlandesa e sueca gera companhia de 2,2 bilhões de euros. Por aqui empresa continuará voltada para o mercado de embalagem, principalmente rótulos, liner para autoadesivos e papel para embalagens flexíveis.

Foto: Wendell Marques

Ahlstrom-Munksjö ganha musculatura

Do rótulo ao filtro de ar A Ahlstrom-Munksjö é hoje uma companhia com 41 unidades de produção ao redor do mundo, dois centros de pesquisa e 6.200 colaboradores espalhados em 14 países. Sua atuação divide-se em quatro unidades de negócio: Industrial Solutions, Coa ted Spe cial ties, Fil tra tion & Performance e Decor. Elas respondem por 29%, 26%, 21% e 17% da receita da empresa, respectivamente. No Brasil, além da fábrica em Jacareí, que pertence à unidade Industrial Solutions, a Ahlstrom-Munksjö conta com a fábrica de Louveira, também em São Paulo. Sob o guarda-chuva da divisão Filtration & Performance, produz itens para o segmento automotivo, como papéis para filtros de óleo, combustível e ar. AHLSTROM-MUNKSJÖ www.ahlstrom-munksjo.com


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ECONOMIA Texto e dados: Departamento de Estudos Econômicos da Abigraf

SONDAGEM DA INDÚSTRIA GRÁFICA BRASILEIRA

Microempresa espera

por melhoras

A recente sondagem do Índice de Confiança relativa ao terceiro trimestre, desenvolvida pela Abigraf, revela que, aos poucos, o empresário gráfico está voltando a acreditar no mercado, mas sente uma certa preocupação em relação à qualificação da mão de obra, em especial para a produção.

O

s resultados apresentados pelo levantamento do Índice de Confiança (IC) do Empresário Gráfico Brasileiro, relativo ao terceiro trimestre, mostram uma melhora em relação aos números do período anterior. O patamar atingido pelo IC entre julho e setembro, com a marca de 53,8 pontos, em uma escala de 0 a 100, reverte a queda verificada no segundo trimestre, quando o índice ficou em 48,3 pontos. Essa elevação de 5,5 pontos deixa claro que o empresário começa a ver o ambiente do mercado com um olhar mais confiante. Tal sentimento é percebido também quando se analisa o IC Atual, que assinalou um crescimento de 13,5%, passando de 43,0 pontos no segundo trimestre para 49,7 no terceiro. Outro dado positivo é verificado no IC Expectativa, que subiu de 53,6 para 57,9 pontos, um acréscimo de 8%. No recorte por porte de empresa, contudo, destoando desse quadro, observa-se ainda um certo pessimismo por parte do microempresário. Certamente, por sofrer com maior intensidade os efeitos da crise econômica, a confiança desse grupo tende a oscilar com maior frequência. Porém, quando comparado ao trimestre anterior, passou de 45,2 para 47,4 pontos, um avanço TABELA 1: IC POR PORTE DE EMPRESA (0–100)

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setembro /outubro 2017

Ensino fundamental incompleto

3%

Ensino fundamental completo

13%

Ensino médio incompleto

17%

Ensino médio completo

55%

Ensino técnico

4%

Ensino superior incompleto

3%

Ensino superior completo

3%

Pós-graduação

1%

TABELA 3: QUE NOTA VOCÊ DARIA PARA A QUALIFICAÇÃO MÉDIA DE SEUS COLABORADORES QUANDO VOCÊ OS AVALIA DO PONTO DE VISTA DA APTIDÃO EM EXERCER COM EXCELÊNCIA SUAS TAREFAS? Muito elevada

2%

Elevada

41%

Regular

50%

Baixa

6%

Muito baixa

0%

de 5%, demonstrando que o microempresário também está reagindo e esperando uma melhora no quadro geral para ganhar maior confiança nos negócios. As empresas de pequeno, médio e grande portes continuam mantendo o IC acima da linha de neutralidade (50 pontos), registrando, respectivamente, 56,5, 60,8 e 59,1 pontos. Como se vê, o grupo mais confiante é o de médio porte (Tabela 1).

IC ATUAL

IC EXPECTATIVA

IC

Micro

42,4

52,3

47,4

Pequena

53,1

59,9

56,5

QUALIFICAÇÃO

Média

56,6

65,0

60,8

Grande

56,9

61,2

59,1

IC

49,7

57,9

53,8

Segundo as informações coletadas junto aos respondentes, 55% dos seus funcionários possuem ensino médio completo (Tabela 2). Tomando como base a qualificação

PORTE

42

TABELA 2: QUAL É O PERFIL PREDOMINANTE DE QUALIFICAÇÃO DE SEUS COLABORADORES?


média dos colaboradores com relação à sua aptidão em exercer tarefas com excelência, 50% foram classificados como de capacidade regular e 41% como elevada. Apenas 6% foram atribuídos como de qualificação baixa (Tabela 3). Embora a quase totalidade das respostas (91%) indique a qualificação dos colaboradores como elevada e regular, os empresários (76%) ainda enfrentam grande dificuldade para encontrar mão de obra de qualidade (Tabela 4). Na verdade, esse problema não é exclusivo da indústria gráfica. Infelizmente, ele atinge grande parte das atividades em nosso país. Operacional/produção são, predominantemente, as áreas mais críticas na busca por profissionais qualificados (72%), seguidas pelo comercial, com 21% (Tabela 5). TABELA 4: SUA EMPRESA ENFRENTA DIFICULDADES PARA ENCONTRAR MÃO DE OBRA QUALIFICADA? Sim

76%

Não

24%

TABELA 5: SE SIM, EM QUAL ÁREA O PROBLEMA É MAIS GRAVE? Operacional/produção

72%

Comercial

21%

Gerencial

2%

Outros

4%

TABELA 6: QUE TIPO DE RECURSO FOI UTILIZADO PARA TREINAR/QUALIFICAR SEU FUNCIONÁRIO ESTE ANO? Não utilizei recurso

48%

Cursos e palestras de curta duração

32%

Cursos in company

19%

Cursos de educação continuada, de média e longa duração

2%

No que diz respeito à oferta de capacitação/treinamento por parte da empresa, 53% afirmam investir em qualificação, através de diversos tipos de cursos. O dado preo cupante é a informação de que 47% não destinam qualquer recurso para essa área (Tabela 6). Indagados sobre as dificuldades que encontram para investir na qualificação do trabalhador, os empresários alegam não existirem cursos adequados (23%), pouco interesse dos

ÍNDICE DE CONFIANÇA (0–100) 60

55

50

45

40

35

30 2T14 3T14 4T14 1T15 2T15 3T15 4T15 1T16 2T16 3T16 4T16 1T17 2T17 3T17 ■ Situação atual

■ Expectativas

■ IC (média) ■ Média histórica

Elaboração: Decon/Abigraf

trabalhadores (23%), custos elevados dos cursos (17%), e que a precária educação básica dos trabalhadores prejudica a qualificação (13%). Existem também (9%) os que consideram que esse assunto não é prioritário (Tabela 7). Concluindo, com exceção das microempresas, que aguardam por fatos positivos para ganhar mais confiança, as empresas dos demais portes mostram-se confiantes e vêm apresentando gradativamente manifestações mais positivas. Isso pode representar indícios de uma leve, mas progressiva, melhora no ambiente dos negócios. TABELA 7:QUAIS AS DIFICULDADES PARA INVESTIR NA QUALIFICAÇÃO DO TRABALHADOR? Não existem cursos adequados às necessidades da empresa

23%

Há pouco interesse dos trabalhadores

23%

Os cursos de que a empresa necessita têm custo elevado

17%

A má qualidade da educação básica prejudica a qualificação dos trabalhadores

13%

Não é a prioridade

9%

Ao investir em qualificação, a empresa perde o trabalhador para o mercado

6%

Não é possível liberar o trabalhador para fazer cursos

6%

Existe alta rotatividade dos trabalhadores

2%

43 setembro /outubro 2017

REVISTA ABIGR AF


EVENTO

ExpoPrint Latin America 2018 oferece ferramenta para a transformação do impresso

C

om realização da Afeigraf, promoção e organização da APS Marketing de Eventos, a ExpoPrint Latin America 2018 está chegando. O maior evento de impressão das Américas acontece de 20 a 24 de março, em São Paulo, em um panorama importante de transformação, tanto da indústria de impressão como do País. O momento é o de mostrar uma indústria de impressão forte, renovada, altamente tecnológica e pronta para encarar os desafios impostos pelos cenários internos e externos. E é este o desafio da ExpoPrint: apresentar ao mundo um segmento que se reinventa para levar impressos de alta qualidade ao mercado, sem deixar de lado a busca por otimizar processos para elevar a produtividade e a lucratividade. De acordo com Eduardo Sousa, presidente da Associação dos Agentes de Fornecedores de Equipamentos e Insumos para a Indústria Gráfica (Afeigraf), as expectativas são enormes; e vários fatores levam a isso. “A ExpoPrint tem qualidade e representatividade, indo para a sua quarta edição com o pavilhão praticamente preenchido; estamos em um momento econômico mais favorável, com retomada de crédito e maior confiança do empresário; e uma organização, promoção e divulgação da feira impecável”. Para Ismael Guar nel li, diretor da APS Marketing de Eventos, pelo momento em que ocorre, a feira vai espelhar o otimismo e desenvolvimento da indústria de impressão brasileira e latino- americana. “Estamos trabalhando intensamente para levar uma feira única ao empresário de impressão. Será o grande momento de conhecer soluções inovadoras e fazer o investimento certo visando os próximos anos”. VARIEDADE TOTAL EM IMPRESSÃO

44

Os grandes players globais já confirmaram presença para participar da feira. São empresas que englobam toda a cadeia de produção do mate rial impresso, seja ele voltado para o mercado editorial, promocional, transpromo, têxtil, REVISTA ABIGR AF

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sinalização, comunicação vi sual ou embalagens e rótulos — este último, ampliado com a ConverExpo, feira paralela à ExpoPrint e voltada ao setor de conversão de embalagens e rótulos. Durante seus cinco dias de exibição, o mundo da impressão estará reunido para apresentar lançamentos globais, com a tecnologia mais avançada e preparada para transformar os atuais processos gráficos. São aplicações para pré-impressão, maquinário de impressão em todas as tecnologias e tiragens, equipamentos de acabamento di ferenciados, além de uma infinidade de insumos e substratos, como chapas, papéis e tintas. Os soft wares, que vêm ganhando espaço na impressão, também estarão bem representados, assim como o setor de serviços. Eduardo Sousa considera que há demanda por atua li za ção tecnológica reprimida, o que eleva as oportunidades: “O mercado está em transformação e adequação assim como a indústria de impressão como um todo. Há novos players no mercado, novas tec nolo gias, impressão em diferentes substratos e até em mercados não voltados para o impresso. E, claro,

a própria impressão tradicional em papel se reinventa e se adapta aos novos tempos e hábitos de consumo de produto impresso, conti nuando muito grande e importante dentro do processo de comunicação como um todo”. Quando o profissional está bem informado sobre tecnologia, tendências e processos, a indústria em geral cresce, pois há um aumento na busca por soluções mais eficientes e sustentáveis. Nesse sentido, serão promovidas dentro da ExpoPrint diversas atividades educacionais, como palestras, congressos e outras iniciativas, sempre pensando em agregar opções e deixar a visita à feira mais va liosa. EXPOPRINT LATIN AMERICA 2018 / CONVEREXPO LATIN AMERICA 2018 20 a 24 de março de 2018 Expo Center Norte – Pavilhões Azul e Branco Rua José Bernardo Pinto, 333 – Vila Guilherme Terça a sexta, das 13h às 20h – Sábado, das 10h às 17h São Paulo – SP www.expoprint.com.br www.converexpo.com.br Informações APS Feiras e Eventos APS Marketing de Eventos Tel: (11) 4013-7979 www.apsmarketing.com.br


Brainstorm

Trabalho de Arte REVISTA

REVISTA REVISTA

ISSN 0103•572X

REVISTA

ISSN 0103•572X

*44/t9

ISSN 0103•572X

REVISTA

A R T E & I N D Ú S T R I A G R Á F I C A • A N O X L I I • M A I O / J U N H O 2 0 1 7 • Nº 2 8 9

ISSN 0103•572X

A R T E & I N D Ú S T R I A G R Á F I C A • A N O X L • J U L H O / A G O S T O 2 0 1 6 • Nº 2 8 4

A R T E & I N D Ú S T R I A G R Á F I C A • A N O X L • J U L H O / A G O S T O 2 0 1 5 • Nº 2 7 8

A R T E & I N D Ú S T R I A G R Á F I C A • A N O X L • M A I O / J U N H O 2 0 1 6 • Nº 2 8 3

A R T E & I N D Ú S T R I A G R Á F I C A t  " / 0  9 9 9 7  t S E T / O U T 2 0 1 0 t Nº 2 4 9

ELCIO DE SOUZA FALA SOBRE OS PLANOS DAS ESCOLAS SENAI

CONHEÇA OS LANÇAMENTOS E NOVIDADES DOS EXPOSITORES DA SERIGRAFIA SIGN

REALIDADE AUMENTADA INTERAÇÃO ENTRE O CONTEÚDO IMPRESSO E O DIGITAL

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GESTÃO

Hamilton Terni Costa

As preferências da mídia impressa e as ondas de comunicação

E

ntre setembro e outubro deste ano duas publicações chamaram minha atenção: o novo livro de Joe Webb e Richard Romano, intitulado The Third Wave ou Terceira Onda, e a pesquisa liberada pela Two Sides, chamada Print and Paper in a Digital World ou Impressão e Papel em um Mundo Digital. Passo a comentá-las. A pesquisa da Two Sides é relevante, assim como é muito relevante o trabalho dessa organização, representada no Brasil pelo Fabio Mortara, e que enfatiza as reais dimensões da comunicação entre o digital e o impresso, combatendo o chamado greenwash, ou propaganda enganosa sobre o

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uso do papel como vilão da natureza, sem deixar de reconhecer a importância do ambiente digital. A pesquisa, rea lizada em 10 países, Brasil no meio, foi rea lizada em diferentes partes do mundo, incluindo Europa, Oceania, África e Américas, entrevistando mais de 10.000 pessoas de idades variando de 18 a mais de 55 anos. Com a finalidade de explorar grandes vertentes em relação à obtenção e à credibilidade dos respondentes às informações, notícias e propagandas recebidas através dos diferentes canais de mídia hoje disponíveis e sua comparação. Só senti falta de pesquisa na Ásia, mas a base não deixa de ser importante.


O resultado das respostas-chave obtidas é bastante interessante. Em média, mais de 70% dos respondentes dizem que ler livros e revistas impressas é mais agradável do que ler em forma eletrônica, número que cai para 55% dos leitores de jornais, enquanto somente 33% preferem ver contas de água, luz, etc. impressas, mostrando que as contas online e o uso do celular vão aumentando a confiança nos dispositivos eletrônicos. Mas é mais uma boa notícia para livros e até mesmo revistas e jornais. Tirando livros, no entanto, o duro para esses outros meios é a queda de publicidade nas publicações impressas, obrigando que criem cada vez mais um modelo de oferta em multiplataformas para atingir seu público. As fake news, as chamadas notícias falsas, têm preo cupado 76% dos respondentes. Por isso, imagino, é que 51% dizem ter mais confiança em notícias impressas em jornal do que as divulgadas pelas mídias sociais. Além disso, 65% das pessoas dizem ter melhor entendimento quando leem em papel do que online. Não é um sentimento novo, muito já se tem mostrado de que a leitura estática permite maior concentração. Até já citei aqui em artigos anteriores o fenômeno do finishibility, ou a leitura do começo ao fim de um artigo, menos dispersiva do que as distrações do online. Falando nisso, 43% das pessoas declaram que dedicam menos tempo hoje do que no passado à leitura de livros e mais de 60% delas à leitura de revistas e jornais. São os hábitos que vão mudando, embora os que leem em material impresso regularmente são os que persistem na sua leitura. Mesmo assim, 76% das pessoas leem notícias em mídias online e 50% pretendem ler mais notícias online no futuro. Isso parece contraditório em relação ao que foi dito no parágrafo anterior, mas entende-se que hoje somos envolvidos pelas mídias onde quer que estejamos. Recebemos hoje muitas novas notícias online e eletronicamente e mais tarde as lemos de forma estática, mais ainda, claro, os que estão habituados a essa leitura. O uso dos aparatos eletrônicos preocupa: 52% acreditam que gastam muito mais tempo online do que deviam e 53% estão preocupados com a overdose de uso, que pode lhes trazer danos a saúde. Mais de um terço acham que já estão sofrendo disso. Bom, nem precisamos de pesquisa para saber disso com o que vemos no

dia a dia. As pessoas estão cada vez mais agindo como autômatos concentradas em seus celulares, tropeçando pelas ruas ou batendo seus carros . . . A coisa é séria. Em relação a material de marketing e propaganda, 52% dos respondentes afirmam que preferem ler catálogos impressos a digitais e 45% deles concordam em receber material impresso personalizado entregue em casa, com 46% prestando atenção nele. Esse é um percentual bem acima do visto em propagandas digitais que têm um grau de dispersão muito maior, confirmado pelos 56% que afirmam responder melhor a informações de material impresso do que em email marketing. Uma boa informação a ser divulgada para os marqueteiros, não é? Essas respostas só reforçam os 68% que dizem não prestar atenção a propagandas online e dos 57% que dizem evitá-las. Ainda mais que 60% declaram não se lembrar da última vez em que clicaram nessas propagandas. É o bombardeio nosso de cada dia. Se não nos prende a atenção ou se não estamos envolvidos, apaga. Por fim, 89% dos respondentes afirmam que eles deveriam ter o direito de escolher como receber as comunicações de organizações financeiras e prestadores de serviço, se digitais ou impressas. A verdade é que somos hoje bombardeados por todas as empresas para que aceitemos faturas e extratos digitais, muitas ainda apelando para o lado ecológico do salvamento de árvores quando, na verdade, sabemos que o que querem é mesmo economizar custos de correio. É o que 62% dos participantes da pesquisa confirmam. Nesse aspecto a questão da segurança de informações também vem à tona, sendo que 71% dos participantes da pesquisa afirmam ter preocupações sobre seus dados pessoais estarem guardados eletronicamente e 73% acreditam que manter cópias impressas em casa é o meio mais seguro de guardar informações. Enfim, fiz questão de apontar todos os pontos levantados pois não deixa de ser um resultado interessante, mostrando a preferência de muita gente pelo material impresso. Aliás, como ressaltei em artigo anterior sobre a revanche do analógico, o sucesso hoje em dia das tecnologias digitais está permitindo ressaltar as vantagens comparativas do material impresso em muitas aplicações. Como se dizia que o mundo impresso ia acabar, o sucesso do digital nos permite hoje fazer escolhas. E em muitos casos o setembro /outubro 2017

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papel se sai melhor, é ainda mais crível e preferido em muitas situações, ainda que o digital nos vá envolvendo e modificando a forma como o mundo se comunica. Neste ponto queria fazer relação com a outra publicação que citei no início, o novo livro dos amigos Webb e Romano, a Terceira Onda, que foi lançado na última feira Print em setembro, rea lizada em Chicago. Na verdade eu já havia feito referência a esse tema também em prévio artigo mesta revista quando Joe Webb publicou um texto a respeito no WhatTheyThink!, já um prenúncio do próprio livro. Mas, voltando ao tema, a que ondas eles se referem, ainda mais à terceira? São as ondas das novas tecnologias de informação que vêm modificando a forma como todos nós nos conectamos e nos comunicamos e que vêm afetando a impressão há um bom tempo. Se antes imprimir era imprescindível, hoje seguramente não. Mais do que isso, ainda que tecnicamente imprimir possa ter tido evoluções das novas tecnologias de reprodução, ela não se modificou, mas, sim, a maneira como consumimos e usamos o material impresso e, como efeito, o que trouxe e ainda trará de consequência aos negócios que vivem da impressão e sua evolução. Para então se formar um histórico desse impacto, os autores estabelecem a primeira onda em 1998 com a chegada da internet e a migração online da sociedade. A segunda onda, em 2008, foi o duplo resultado da expansão das mídias sociais e dos aparelhos móveis com a migração da sociedade para os smartphones e as redes sociais. E agora estamos entrando na terceira onda, tendo como marco referencial 2018, trazendo fones móveis ainda mais espertos e mídia social acoplada com inteligência ar tificial e IoT, a internet das coisas, nos tornando ainda mais interconectados com nossos aparelhos, muito mais do que antes. As duas primeiras ondas de disrupção, tecnológica e de mídia, tiveram profundo efeito sobre a demanda de impressão e na indústria gráfica como um todo e a terceira, dizem eles, significa que vai trazer ainda mais impactos, mas não significa que haverá uma destruição do negócio gráfica. Como nas outras ondas, a disrupção irá acontecer, quer se queira ou não e, portanto, o que devem fazer os que estão no mercado é estar na frente da onda e adaptar-se às mudanças que estão a caminho.

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A terceira onda, enfatizam os autores, propõe mudanças arrojadas à maneira como os negócios gráficos são administrados hoje e amanhã. Lidar com os efeitos dessa onda envolverá mudanças na maneira como o negócio gráfico aborda o capital, o investimento, o emprego, a gestão e propriedade, indo até a produtos e serviços oferecidos. Essas mudanças, insistem os autores, permitirão a essas gráficas estar melhor habilitadas para servirem às mudanças de mercado em um futuro não muito distante. Muito se tem falado e escrito sobre a chamada revolução da indústria 4.0 e, no nosso caso específico, com frequência nos referimos à Print 4.0. Automação de fábricas, interligação com clientes, inteligência ar tificial na programação e gestão de produção, equipamentos flexíveis para demandas flexíveis e um ambiente cyber físico, permitindo a formação de produtos físicos junto com serviços que absorvem processos dos clientes, criando uma oferta de valor conjunta e de longo prazo. Essa transformação está em gestação e mesmo em gradual implantação em vá rias gráficas pelo mundo. A mudança de mentalidade para isso está em pleno curso, mas muitos gráficos ainda não a compreendem, o que é natural, porém o tempo se encarregará de mostrála. Em um próximo artigo iremos nos ater mais a esse aspecto de transformação. Por fim, o que essa questão da terceira onda tem a ver com a pesquisa da Two Sides? Que apesar das mudanças e da digitalização do mundo ainda há e haverá espaço para o material impresso. E nem me refiro aqui àqueles com pouca probabilidade de substituição como as embalagens. Muitos tipos de impressos continuarão a ser valorizados em todas as circunstâncias em que suas vantagens comparativas com o digital lhe forem favoráveis, como ressaltado na pesquisa. E sua produção será ainda mais integrada com as necessidades e demandas dos clientes, impactando as empresas na forma de produção e na gestão do próprio negócio. Prepare-se. E que venham as ondas.

Hamilton Terni Costa (hterni@anconsulting. com.br) é diretor geral da AN Consulting (www.anconsulting.com.br) e diretor para a América Latina da NPES


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HISTÓRIA VIVA

Rubens Marques Rubens Marques ajudou a construir a reputação de uma das principais gráficas do segmento promocional no País, acompanhando e muitas vezes liderando a evolução do setor. Tânia Galluzzi

Quarenta e seis anos respirando papel e tinta

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or pouco mais de duas décadas, a Burti foi a grande referência em serviços gráficos para o mercado promocional. Dez entre 10 publicitários queriam ter seus trabalhos produzidos por ela. Sob a batuta irrequieta e arrojada de Luiz Carlos Burti, a gráfica ditou tendências, trazendo para o Brasil as tecnologias mais inovadoras. Não era fácil acompanhá-lo, mas Rubens Marques assumiu o papel de braço direito com distinção. A produção era a sua seara e nos anos em que esteve na empresa ajudou a Burti a dar cada passo, a subir cada degrau rumo à excelência.

Rubens entrou na Burti em 1976, aos 26 anos, quando a gráfica tinha apenas 12 funcionários. Natural de Bocaina, interior de São Paulo, ele começou a trabalhar aos 12 anos no Estabelecimento Gráfico Bignardi, no setor de tipografia. Franzino, ouviu do chefe: “Você está aqui pra brincar ou pra trabalhar? ” Três anos mais tarde já estava operando impressoras offset, permanecendo na empresa até ter de cumprir o serviço militar. Aos 19 anos entrou na Litocromo e em seis meses assumiu o comando da produção. Saiu de lá direto para a Burti como gerente industrial.


“Tenho saudade dos 28 anos que passei na Burti. A empresa se reinventava conti nua mente. Formávamos uma família”, conta Rubens. Pela gráfica ele fez muitos cursos. Viajava com frequência para reciclar- se, correu a Europa, participou de vá rias Drupas. A evolução era constante. “A empresa cresceu somando a determinação do Burti, uma equipe muito boa e tecnologia de ponta. Ele era muito exigente, aprendi demais com o Burti.” Não faltaram desafios e o maior deles foi a mudança da produção para Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, no final da década de 1990. A unidade chegou a ter por volta de dois mil funcionários. Por um período, a pré-impressão permaneceu no bairro da Mooca, na capital paulista, até integrar-se a Itaquá. No capítulo coordenação remota, houve ainda a fi lial em Santa Isabel, outro município da Grande São Paulo, e seus 300 funcionários.

Diretor geral da Gráficos Burti, ainda na Rua do Oratório, no bairro da Mooca, junho de 1998

Rubens, com (E/D) Luiz Carlos Burti, proprietário da Gráficos Burti, e Luis Guardia, diretor da fabricante de tintas Grafinal

Rubens, na Atrativa, em janeiro de 2009

REVIRAVOLTA

Em 2002 o re laciona mento entre o empresário-visionário e Rubens se desgastou e ele decidiu cuidar de sua fazenda em Camanducaia, no extremo sul de Minas Gerais. A ideia inicial era vendê-la, mas Rubens acabou resolvendo lotear uma parte, montando uma imobi liária. O retorno ao meio gráfico aconteceu em grande estilo em 2004, por insistência de seu filho mais novo, Deivison. No início sozinho e

Rubens, com o artista gráfico Tide Hellmeister (já falecido), amigo de longa data, desde os tempos da Burti, no lançamento do calendário 2009 da Atrativa, uma das últimas criações do artista. 17 de dezembro de 2008

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Diretor geral da Gráficos Burti, já instalada no município de Itaquaquecetuba (SP), em fevereiro de 2001

depois com dois sócios, Rubens montou a Atrativa para atender o mercado publicitário. Com boas contas como Petrobrás, Ambev e Souza Cruz, a Atrativa foi instalada numa área de 5.000 m² no Parque Novo Mundo, na capital paulista, empregando 180 profissionais. Ao lado do pai, Deivison e o irmão mais velho, Robson, estavam na linha de frente da área comercial. Em 2005 uma tragédia fa mi liar arrancou páginas e páginas da história de vida de Rubens. Aos 26 anos, Deivison sofreu um infarto na fazenda e não resistiu. Rubens vendeu sua parte na Atrativa aos sócios e dois anos depois a gráfica fechou as portas. Desde então ele e a esposa, Amélia, dedicam-se à fazenda. Além de administrar a venda dos lotes, o casal cuida da criação de gado de corte, revezando fins de semana em São Paulo e boa parte da semana em Camanducaia. “Sinto falta da intensidade da gráfica. Dependendo da proposta, talvez voltasse”, diz Rubens, hesitante. Bagagem ele tem de sobra. Comemorando com o filho, Robson, e a esposa, Amélia, o primeiro troféu Fernando Pini conquistado pela Atrativa, na categoria “Jornais de Circulação Não Diária”, com trabalho executado para o cliente Peugeot do Brasil (acima). Vários profissionais da gráfica subiram ao palco para participar desse momento importante (ao lado). Novembro de 2005

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Congresso Internacional de Tecnologia Gráfica

Criatividade é indispensável

Texto: Tânia Galluzzi

Congresso realizado em São Paulo reúne mais de 200 profissionais interessados em inovar no segmento da comunicação impressa.

Fotos: Divulgação

Texto: Tânia Galluzzi

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eja inovador. Saiba interpretar as necessidades de seus clientes e use as transformações provocadas pelas novas tec nologias a seu favor. Essa foi a principal mensagem do Congresso Internacional de Tecnologia Gráfica, reali zado em São Paulo no dia 24 de agosto no Millenium Centro de Convenções, pela

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Francisco Veloso Filho, presidente executivo da ABTG: “Procuramos apresentar uma evolução do conceito do que é ser gráfico”

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Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica (ABTG), em parceria com a APS Feiras & Eventos. Ao longo de todo o dia, os especia listas convidados se desdobraram para explicar como fazer isso, como abandonar posturas que já não servem mais às empresas que desejam crescer e unir tecnologia e ferramentas de gestão e de marketing para aumentar a rentabilidade de seus negócios. O evento marcou também o reposicionamento da ABTG no mercado gráfico após o desligamento do sistema Abigraf. As entidades continuam a caminhar juntas, porém agora de forma independente. “Esse será o tom da ABTG. Mostrar um futuro possível, onde a tecnologia é importante, mas não o cerne do negócio. Procuramos apresentar uma evolução do conceito do que é ser gráfico”, comentou Francisco Veloso Filho, presidente executivo da ABTG. Pelos depoimentos colhidos pela equipe da APS, os organizadores acertaram a mão. “Foi uma ex periência enriquecedora e que real mente apresentou inovações com criação de valor no sentido mais puro da palavra inovação”, afirmou Edson Cesar dos Santos, diretor executivo da ProText, de Nova Odessa, inte rior de São Paulo.


Em poucas palavras “Se você quer ser disruptivo, seja social. Temos de estar nas redes para ouvir as pessoas e entender suas necessidades” Andreas Weber, especialista alemão

“O e-commerce está mudando o mercado de embalagens” Emilio Corti, diretor mundial da unidade de negócios de equipamentos a folha da Bobst

“O uso criativo de insumos e sistemas pode trazer sofisticação aos rótulos e embalagens e nesse ponto a pré-impressão é muito importante” Sandro Cardoch, diretor comercial para a América Latina da Smag Graphique

Mário Ribeiro, diretor da gráfica Flamar, de Recife (PE), comentou: “o evento teve a capacidade de transmitir informações de forma global, confirmando as tendências de crescimento com a apresentação de números de mercado”. Richard Streck Neto, diretor da Print, de São Paulo (SP), ponderou: “o mercado gráfico vive um momento de profundas transformações, tornando fundamental a participação em eventos como este. Como

a participação do público foi bem grande, espero que a ABTG possa conti nuar promovendo o congresso nos próximos anos”. Para Ismael Guar nel li, diretor da APS, o saldo do evento foi muito positivo. “Ficamos plenamente satisfeitos com os resultados e com a sensação de missão cumprida e já vamos iniciar os preparativos para a segunda edição do congresso. ” As palestras estão disponíveis pelo link http://bit.ly/2iM56m6.

“As soluções tecnológicas têm de ser definidas a partir da necessidade do cliente. O que importa é o modelo de negócio e não a tecnologia” Hamilton Terni Costa, consultor

“O mercado atual demanda por mais trabalhos, porém com tiragens menores e mais personalizadas, com a indústria passando da produção em massa para a personalização em massa” Alexandre Keese, diretor da APS

“O pensamento estratégico é fundamental para ajudar o cliente a vender. Dentro dessa visão, o uso de softwares tem grande importância para agilizar o fluxo de trabalho e possibilitar o desenvolvimento de campanhas diferenciadas” Clóvis Castanho, diretor de operações da Arizona

“O futuro será feito por pessoas” Rainer Wagner, especialista alemão em automação


GRÁFICA/SP

Escala 7 investe em eficiência e produtividade

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Com o objetivo de atender as demandas do segmento de embalagens, gráfica inicia a operação de sua nova offset seis cores mais verniz híbrida.

segundo semestre começou agitado na Escala 7, gráfica paulista voltada para o segmento de embalagens, em atividade desde 1987. Em agosto entrou em operação sua nova impressora offset plana, Manroland 706 Evolution, adquirida no final de 2016. “Os clientes demandam cada vez mais soluções diferenciadas, com o intuito de atrair a atenção do consumidor final no ponto de venda e ainda com redução nos custos. Optamos pelo equipamento com melhor valor agregado para fazer frente a essa necessidade”, afirma Sérgio Brusco, diretor comercial. Ele divide o comando da empresa com os irmãos Antonio Carlos, diretor industrial, e Luiz Roberto, que cuida da área de projetos. O pai, Antonio Brusco, fundador da empresa, continua na ativa, participando diariamente da rotina da gráfica. Ao escolher o equipamento, a Escala 7 foi atraída pela automação, qualidade de impressão e flexibilidade de substratos que podem ser utilizados. Lançada na Drupa 2016, a impressora conta com controle densitométrico e colorimétrico em linha, assim como monitoramento da qualidade de impressão folha a folha, que as compara com o PDF do trabalho que está sendo executado. Trabalhando com velocidade máxima de 18 mil folhas/hora, a troca de chapas é simultânea em paralelo com REVISTA ABIGR AF

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a lavagem das blanquetas, proporcionando tempos de acerto reduzidos. Com a instalação da 706 Evolution, a Escala 7 substitui uma impressora em operação desde a década de 90, elevando substencialmente sua capacidade produtiva, somando-se a outros dois equipamentos do mesmo fabricante. “Temos de ser cada vez mais competitivos, pois os clientes querem se sentir seguros contando com uma empresa sólida, que utiliza equipamentos atua li zados e profissionais qualificados”, comenta o diretor comercial. Atualmente, 60% do faturamento da gráfica vem da produção de embalagens cartonadas, atendendo do mercado far macêutico

(E/D) Sérgio Brusco, diretor comercial; Luiz Roberto, diretor de projetos; Antônio Carlos, diretor industrial; e Antônio Brusco, fundador da Escala 7.

ao automobilístico; 35% vem do segmento de displays; e 5% de pequenos nichos como, por exemplo, bolachas de chope. Respondendo uma demanda do mercado, em agosto, a Escala 7 lançou o Vlinder, um display de montagem automática que reduz acentuadamente o tempo de montagem no PDV. Ime diata mente, importantes clientes, como L’Oreal e Kimberly, entre outros, aderiram a essa inovação. Para Luiz Roberto, “num mercado caracterizado por uma concorrência acentuada, é premente termos criatividade e novas ideias para nossos clientes”. PERSPECTIVA OTIMISTA

Com 160 funcionários, a Escala 7 está instalada desde 2010 numa área de 14 mil metros quadrados às margens da Rodovia Anchieta, zona sul da capital paulista. A mudança representou na época um aumento de 100% no parque fabril da empresa, alçando-a a um outro patamar. Antonio Carlos vê com otimismo o que vem pela frente: “Tradicionalmente, o segundo semestre é melhor que o primeiro, e com a nova impressora esperamos ótimos resultados”.

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MEMÓRIA

Grandes perdas para o setor de Papelaria, em 1985, quatro anos depois encampada pela Francal e transformada na Escolar, hoje Escolar Office Brasil. Em 1990, aos 63 anos, Renato decidiu passar o bastão no comando da empresa aos quatro filhos que teve com sua esposa, Elza: Renato Filho, Ricardo, Roberto e Rosângela. Eles dividem o controle da empresa com os primos Marici e Alberto Júnior, filhos de Alberto Foroni, atual presidente da companhia.

Renato Foroni

vai mudar de endereço e em 2018 seu parque gráfico aumentará de dois mil para seis mil metros quadrados, com a intenção de ser “mais moderna, rápida e eficiente”, como ele sempre quis.

N

o dia 24 de setembro faleceu em São Paulo Renato Foroni, aos 89 anos. Sob o seu comando, a Officina de Encadernação P. Foroni, fundada pelo pai em 1924, transformou-se numa das principais fabricantes de cadernos do País. Além da atuação como empresário, Renato Foroni teve uma intensa vida associativa. Em 1966, ingressou no Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo, aproximando- se da Abigraf, fundada no ano anterior. Em 1971, assumiu a vicepresidência do sindicato, além de participar da diretoria da Abigraf Regional São Paulo. Em várias oportunidades, Renato exerceu interinamente o comando das duas entidades. Uma dessas ocasiões aconteceu durante a inauguração do Colégio Industrial de Artes Gráficas, futura Escola Senai Theobaldo De Nigris. Ele também foi um dos responsáveis pelo programa de interiorização da Abigraf, incentivando a criação de regionais em outros Estados. Eleito em 1984 para a presidência do Sindicato do Comércio Varejista de Material de Escritório e Papelaria do Estado de São Paulo (Simpa), Renato iniciou uma nova fase na entidade, sobretudo com a compra da sede própria e a atração de novos fi liados. Foi igualmente em sua gestão que o Simpa foi reconhecido pela Federação do Comércio, bem como organizou, em parceria com a Lemos Britto, a primeira Feira

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Wanira Salles, 11 de setembro, gerente de

Jorge Nitoli

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uatro dias antes, 20 de setembro, o setor perdeu outro empresário que soube dar continuidade aos negócios da família. Aos 56 anos, vítima de câncer, faleceu Jorge Tadeu Nitoli. Ele lutava contra a doença desde 2012 e deixa saudades aos seus pais Afonso e Lourdes, seus filhos Tatiane, Felipe, Jéssica e Stéphanie, suas netas Manoela e Mariá e sua esposa e companheira Valéria Pena Nitoli. Jorge assumiu a Artes Gráficas Nitoli, fundada pelo pai em 1969, na década de 1980. Acompanhando as mudanças do mercado, nos anos de 1990 começou a migrar dos impressos comerciais para a confecção de embalagens. Em 2000, Jorge investiu no crescimento do parque gráfico e na obtenção de certificações de qualidade. Neste ano o empresário tocava o projeto de uma nova ampliação, plano que agora sua família está levando adiante. A Nitoli

negócios da Francal Feiras, promotora da Escolar Office Brasil. Natural de Franca, onde se graduou em Direito, Wanira dedicou a maior parte de sua vida ao segmento das feiras de negócios, inclusive a Escolar, sendo uma das lideranças da Francal por diversos anos.

André Guper, 3 de outubro, aos 57 anos, fundador da Central Distribuidora de Papéis, importante empresa da área, que funcionou de 1999 a 2016. Filho de Milton Guper e Fanny Feffer, André foi um dos apoiadores do Graacc, Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer.


Christian Cravo

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F OTOG R A F I A

Uma outra África África de Christian Cravo acaba de passar por São Paulo. A Exposição Luz e Sombra esteve em cartaz na Dan Galeria e agora segue para o Museu da Fotografia, em Fortaleza. A mostra revela a “necessidade visceral de absorver paisagens contemplativas”, sentida pelo fotógrafo após o falecimento de seu pai, Mário Cravo Neto, também fotógrafo (além de escultor e desenhista), em 2009. Os destinos na África foram escolhidos ao longo do caminho. “Precisava de espaço para pensar e refletir. A cada etapa as necessidades, físicas, estruturais e emocionais, eram ava liadas. Ao todo, sete países foram incluídos no projeto: Namíbia, Zâmbia, Botsuana, Quênia, Tanzânia, Congo e Uganda.” O resultado são imagens poéticas de uma África inóspita e desprovida do elemento humano, cujo impacto é acentuado pela escolha do preto e branco. “O PB resume a essência do olhar. A cor é aquilo que se vê. Vermelho é vermelho, verde é verde. O  PB permite imaginar e sonhar, pois as cores não estão presentes.” A abstração do Luz e Sombra também representa um contraponto ao trabalho anterior de Christian, Jardim do Éden, que ele considera

o mais profundo que já fez. Por nove anos, em “inúmeras e incontáveis via gens”, o fotógrafo registrou os ritos vodu no Haiti. “Terminei quando houve o terrível terremoto em janeiro de 2010 que abalou o país. Neste momento percebi que havia chegado ao fim. Neste momento me virei para a África.” Ele conta que decidiu ir para o Haiti pela mesma razão que o levou à fotografia documental: o fato de sentir-se sobrecarregado pela presença do pai e do avô (o escultor Mário Cravo Junior) do ponto de vista temático, artistas que se dedicaram a retratar a gente e os cultos religiosos da Bahia.

Aos 43 anos de idade e vinte de fotografia, Christian Cravo está em cartaz com Luz e Sombra, um mergulho na paisagem africana. Tânia Galluzzi

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PAIXÃO PELA FOTOGRAFIA

O interesse de Christian pela fotografia surgiu ainda na infância. Na época a família morava na Dinamarca e os longos invernos e a pouca atividade exterior despertaram seu interesse pelo laboratório fotográfico, onde passava horas e horas depois das aulas. “Quando completei 17 anos, e com o incentivo da minha professora, vim ao Brasil para fazer uma hands on experience com meu pai. Passei dois anos aqui e nesse tempo a fotografia me conquistou. Tive

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CHRISTIAN CRAVO http://www.christiancravo.com REVISTA ABIGR AF

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que retornar à Dinamarca para prestar o serviço militar por dois anos, mas ao completar esse período, voltei ao Brasil, onde estou até hoje.” A fotografia documental veio do espírito viajante da mãe, de descendência nórdica, mas sobretudo como uma alternativa para que ele pudesse se firmar longe do território de trabalho de seu avô e de seu pai, que usaram a Bahia como fonte de inspiração. Christian está agora envolvido com o livro Filhos de Gandhy, programado para junho de 2018. Com texto de Gilberto Gil e do historiador e antropólogo Antonio Risério, a obra trata do mais famoso afoxé da Bahia. Impressa na Ipsis, terá 200 páginas e entre 80 e 95 imagens. Afora o livro sobre as paisagens africanas, o fotógrafo está imerso num trabalho sobre suas três filhas e sua mulher.


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Boa sorte às gráficas brasileiras!

Em breve, divulgaremos os vencedores no site www.theobaldodenigris.com.br

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Premiação 22 de fevereiro de 2018 Centro de Convenções Greater Fort Lauderdale nos Estados Unidos

Realização

Coordenação

Promoção e Coordenação Nacional


SISTEMA ABIGRAF

Fotos: Abigraf-RS

NOTÍCIAS

Ex-presidentes da Abigraf-RS juntaram-se ao atual presidente no momento do “Parabéns a você”: (E/D) Paulo Roberto Borgatti Coutinho, Carlos Evandro Alves da Silva, Angelo Garbarski, Marco Aurélio Vieira Paradeda e Murilo Lima Trindade

PRESIDENTES DA ABIGRAF-RS

Primeira regional do País, fundada dois anos depois da entidade gráfica nacional, a Abigraf Rio Grande do Sul festejou seu cinquentenário em noite de gala. 66 REVISTA ABIGR AF

Gestões 1967 a 1978 e 1978 a 1986

Gestões 1986 a 1992 e 1998 a 2001

Gestão 1992 a 1995

Henry Victor Saatkamp

Marco Aurélio Vieira Paradeda

Murilo Lima Trindade

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ais de 300 pessoas, entre autoridades, empresários, lideranças, parceiros e convidados, compareceram ao Salão de Convenções da Fiergs, em Porto Alegre, na noite de 28 de julho, para participar do evento comemorativo do cinquentenário da Abigraf Rio Grande do Sul. Pioneira entre as 22 regionais instaladas em todo o País, a entidade gaúcha foi cons tituída na mesma data, em 1967, apenas dois anos após a fundação da Abigraf Nacional. Representando todos os empre sá rios gráficos que fizeram parte da Abigraf-RS ao longo de sua história, os quatro últimos presidentes da associação (Marco Aurélio Vieira Paradeda, Murilo Lima Trindade, Paulo Roberto Borgatti Coutinho e Carlos Evandro Alves da Silva) foram convidados a se juntar ao atual presidente, Angelo Garbarski, e outras lideranças durante as homenagens. Ao redor do bolo, especialmente decorado para a festa dos 50 anos, após o tradicional “Parabéns

a você”, todos os presentes participaram de um brinde especial, cujas taças, contendo o selo comemorativo lançado na oportunidade, foram oferecidas como lembrança da data. Em seu discurso, Garbarski, que também preside o Sindigraf-RS, lembrou que há 31 anos se dedica às entidades, sempre exercendo algum cargo de forma ativa nas diretorias. Destacou como um momento marcante de sua primeira gestão (2013--2016) a inauguração da Galeria de ExPresidentes na sede das entidades, em novembro de 2014. Outros dois motivos de orgulho e satisfação foram comandar o Sindigraf- RS na festividade dos 75 anos da entidade, em 29 de agosto do ano passado, e, agora, reeleito para a gestão 2017-2019, presidir a Abigraf-RS no seu cinquentenário. Garbarski agradeceu a participação de autoridades e dos empresários gráficos, lembrando a frase de Luciano de Crescenzo: “Somos todos anjos de uma

Gestão 1995 a 1998

Gestões 2001 a 2007 e 2010 a 2013

Gestão 2007 a 2010

Gestões 2013 a 2016 e 2017 a 2019

Manfredo Frederico Koehler

Carlos Evandro Alves da Silva

Paulo Roberto Borgatti Coutinho

Angelo Garbarski

(E/D) Angelo Garbarski entregou exemplar do livro para Gilberto Petry, presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul

Livro registra a saga da indústria gráfica gaúcha Lançado no dia 17 de agosto pelo Sindigraf-RS e Abigraf-RS, no Salão de Convenções da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), o livro Nossa História narra a trajetória da indústria gráfica gaúcha. A publicação, alusiva aos 50 anos da associação, completados no último dia 28 de julho, e aos 75 anos do sindicato, comemorados em 29 de agosto do ano passado, foi desenvolvida pela empresa portoalegrense Critério, com supervisão do diretor da Abigraf-RS, Silvio José dos Santos. ”Transformar a nossa história em livro foi uma forma de resgatar e eternizar uma trajetória de tantas conquistas”, salientou o presidente das entidades, Angelo Garbarski. A cerimônia contou com um público de cerca de 200 empresários, lideranças e autoridades, entre eles o presidente do Sistema Fiergs, Gilberto Petry, que elogiou a iniciativa dos dirigentes do Sindigraf-RS e da Abigraf-RS, lembrando que poucas instituições chegam a essas marcas em pleno funcionamento. Os presentes tiveram a oportunidade de acompanhar a palestra “Novas competências para o sucesso”, apresentada pelo consultor Anacleto Ortigara. A programação também contou com a exposição dos produtos vencedores do 13º Prêmio Gaúcho de Excelência Gráfica e um coquetel de confraternização.

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SISTEMA ABIGRAF NOTÍCIAS

asa só. E só poderemos voar quando abraçados uns aos outros”. Em seguida, Julião Flaves Gaúna, presidente do Conselho Deliberativo da Abigraf Nacional, manifestou- se sobre a necessidade de todos seguirem lutando para vencer as dificuldades que assolam o Brasil. “Precisamos fazer a cada dia a nossa as so cia ção, o nosso sindicato e a nossa confederação mais fortes, para estarmos juntos, abraçados, e, assim, enfrentarmos as adversidades do mercado, da política e de tudo que nos atrapalha”, prosseguindo: “O aniversário da regional do RS é superimportante, pois consolida o associativismo e a participação de todos para que o segmento siga em frente, fortalecendo a indústria nacional do setor”. O diretor técnico da Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica (ABTG), Manoel Manteigas de Oliveira, afirmou que, para ser forte, um país precisa ter associações sólidas. Ressaltando a importância da mais antiga regional da Abigraf Nacio nal, o dirigente parabenizou a todos aqueles que mantêm o seu fun cio namento. “É muito bom ver que, depois de 50 anos, a entidade está aí forte, ativa e fazendo a diferença”. Encerradas as solenidades comemorativas, realizou-se, no mesmo local, a festa de entrega do Prêmio Gaúcho de Excelência Gráfica (cobertura na próxima edição da Revista Abigraf).

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ATUAÇÃO INTEGRADA Diretamente ligada à história da indústria gráfica gaúcha, desde a sua fundação, a Abigraf-RS busca o bem comum das suas empresas associadas, atuando integrada ao Sindigraf-RS, com o qual divide a sua sede em Porto Alegre. Além REVISTA ABIGR AF

disso, congrega os Sindicatos das Indústrias Gráficas de Pelotas (Singrapel) e da Região Nordeste do Rio Grande do Sul (Singraf). A associação gaúcha também viabiliza o fornecimento dos Atestados de Capacidade Técnica e Técnico para Licitações, mantendo-se ativa em projetos e eventos de interesse da categoria, como o combate às gráficas de pasta e a participação na realização do Seminário Sul- Brasileiro da Indústria Gráfica, entre outros. Promove também o Prêmio Gaúcho de Excelência Gráfica, há treze anos, que é referência para o setor e já figura como um dos principais concursos do gênero no País.

DIRETORIA GESTÃO 2017 a 2019 Presidente: Angelo Garbarski 1º Vice-presidente: Roque Noschang 2º Vice-presidente: Anderson Nunes dos Santos 3º Vice-presidente: José Mazzarollo 1º Diretor Administrativo: Roberto Antonio Jaeger 2º Diretor Administrativo: Evandro Hendler Brambilla 1º Diretor Financeiro: Lourival Lopes dos Reis 2º Diretor Financeiro: Robson André M. de Jesus Diretores Plenários: Ricardo Kalfelz Silvio José dos Santos Andrea Paradeda River Juarês da Rosa José Luis Lermen Marcel Molz Coutinho Marcelo Rahmeier Ulisses Camboim da Silva

GRUPOS EMPRESARIAIS Preparando o futuro

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Grupo Empresarial Novas Lideranças tem trazido gente muito boa à Abigraf para falar sobre assuntos bem relevantes. No começo de setembro, por exemplo, chamamos um representante da Desenvolve SP, agência de desenvolvimento do governo paulista. O especialista falou sobre o São Paulo Inova, programa de apoio a empresas de base tecnológica e com perfil inovador que oferece duas linhas de financiamento, uma delas com juros subsidiados pelo Fundo Estadual de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcet). É uma alternativa interessante às opções oferecidas por bancos e outras instituições financeiras. Antes dele esteve conosco o consultor Domingos Ricca, especialista em governança corporativa. Ele veio à Abigraf para discutir um dos temas centrais do GE Novas Lideranças: sucessão familiar. Já trouxemos também um membro da Fundação Dom Cabral para apresentar o Parceiros para Excelência (Paex). O programa reúne empresas de médio porte interessadas em aumentar sua competitividade e elevar seus resultados. Isso com a construção de um modelo de gestão baseado em ferramentas gerenciais e estratégicas e na troca de experiência e de conhecimento. No final de novembro teremos um novo encontro, retomando um tema já abordado, o chamado Bloco K, tratando das mudanças na transmissão de informações para o governo sobre controle de produção e estoque. É uma questão importante, de interesse para toda a indústria gráfica e que pode gerar problemas com o Fisco se não estiver bem resolvida dentro de cada empresa. A ideia é ampliar cada vez mais o leque de temas. Queremos também expandir o grupo, reunindo as gerações que estão assumindo as gráficas sabendo que precisam inovar. Nosso objetivo é a evolução do mercado como um todo. E para isso precisamos de sua participação. Venha às reuniões, assista às palestras, sugira, questione, critique, colabore! Felipe Salles, diretor setorial do Grupo Empresarial Novas Lideranças

Fonte: Sindigraf-RS Notícias

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Ações do PNBE

Notícias publicadas na Revista Abigraf nº– 113, de setembro/outubro de 1987

Hamburg,20 anos F

O ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser Pereira (centro), no encontro do PNBE, no Anhembi, ladeado por (E/D) Bruno Nardini e Paulo Roberto Butori

Movimento formalizado no dia 9 de junho de 1987, com a presença de 2.500 pessoas no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, o Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE) foi coordenado por sete líderes empresariais — Bruno Nardini, Emerson Kapaz, Fábio Starace, Joseph Michael Couri, Luiz Carlos Delben Leite, Oded Grajew e Paulo Roberto Butori —, acompanhados depois por Cássio J. M. Vecchiatti, Lawrence Pih, Ronaldo Marchese e Salo Seibel. Reunindo empreendedores dos mais diferentes segmentos da economia, o objetivo do PNBE era conquistar um espaço para a participação democrática de empresários de micros, pequenas, médias e grandes empresas, sem distinção, nas decisões políticas ou econômicas do País. Apoiada por cerca de 160 entidades de classe, associações e sindicatos de todo o País e por 37 delegacias regionais do Ciesp, a iniciativa era vista com reticências pela Fiesp, através de manifestações de Mário Amato e Roberto Della Mana, que iam do incentivo à formação de novas lideranças políticas

no meio empresarial à condenação da postura de se valerem de esquemas da Fiesp- Ciesp para criar um movimento à margem das entidades. Em julho, uma delegação do PNBE entregou a Luís Carlos Bresser Pereira, ministro da Fazenda, em São Paulo, um documento pedindo maior transparência no uso do dinheiro público, obtendo dele o compromisso de divulgar trimestralmente os números do déficit público e tomar medidas para contê-lo. Foi uma demonstração de força do movimento, que se confirmou em nova reunião no dia 5 de outubro, também no Anhembi, com a participação de cerca de 1.000 empresários. Segundo o PNBE, foi “a primeira audiência pública registrada na história do Brasil”. O encontro foi considerado pela coordenação do movimento como um diálo go franco e aberto das bases empresariais com o ministro da Fazenda. Para Bresser, “a reunião foi muito produtiva, pois permitiu que, num país como o Brasil, onde há muitas ideias divergentes, se pudesse ouvir o que quer o País e o empresariado”.

undada em 1967 por Wilson Siviero e Ayrto Alberto Schvan, no bairro paulistano do Cambuci, a Gráfica Editora Hamburg se notabilizaria no futuro pela impressão de livros de arte de alta qualidade. A Hamburg operou nos dois primeiros anos com máquinas usadas e de pequeno porte. Em 1969 chegou uma monocolor offset importada. “Foi esta máquina que propiciou condições para que importássemos equipamentos maiores e nos deu condição para a compra, no final de 1972, da Weiss e Companhia Ltda., com todos os seus equipamentos”, afirmou Siviero. Em 1976, depois de importar seus primeiros equipamentos bicolores, a empresa adquiriu o controle acionário da Comepe – Cia. Editorial Paulista. Dois anos depois, consolida seu parque gráfico comprando todos os equipamentos da Prelo, localizada em Teresina, no Piauí. Sócio de Siviero desde 1974, Ariovaldo Capano disse

Wilson Siviero, fundador e diretor da Hamburg

que a fase de modernização e a compra de equipamentos mais sofisticados custaram à empresa um inevitável período de adaptação. A dinâmica de aquisição de equipamentos e atualização do parque gráfico foi incessante na Hamburg que, ao completar 20 anos, já atendia requintados projetos editoriais das mais importantes editoras do País. Em 1986, além da produção de 20 títulos próprios com uma tiragem total de 400 mil exemplares, a gráfica produziu para terceiros uma média de um milhão e 300 mil exemplares, entre livros e revistas. Para 1987 a projeção era de imprimir cerca de 18 milhões de exemplares. setembro /outubro 2017

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MENSAGEM

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to Informação e conhecimen

Sindigraf, é a nossa ex pertise. Abigraf, sa Es e. nt me va no eça a girar antes dessas Finalmente a economia com . Um dos papéis mais relev TG AB s, uro eg ins , mulos inação do Os movimentos ainda são trê tidades é justamente a dissem en a av est em ssos, a qu Além de seminários, congre to. porém enchem de esperanç en cim he con io. bastante sombr palestras e mesas redondas, olhando para um horizonte na temos os cursos, sem falar Mas só confiar nessa na própria Revista Abigraf e recuperação é muito pouco. , ca revista Tecnologia Gráfi Pouquíssimo, na verdade. is pé pa s  do Um s voltadas para a discussão do Se você não aproveitou o s da s te an lev re nicos mais aspectos mercadológ icos e téc período de estagnação para te en am st ju entidades é da indústria da impressão. rever sistemas e processos e ra Informado e atualizado, a disseminação do para colocar suas equipes pa o, s você, empresário ou executiv gastar neurônios com novo nhecimento. co ra terá muito mais condições pa projetos, sinto lhe informar conduzir a empresa rumo a que você terá problemas. adas há Li outro dia, e não me lucro, se não iguais às pratic de ns rge ma os íam tigamente diz manter lembro mais da fonte, que an pelo menos suficientes para os, an s trê , via da is fraco. To da gráfica. que o mais forte comia o ma cuperar a saúde financeira  re ou e qu ido mais ráp essa frase mudou. Hoje é o o. Porém, para ser sidney@congraf.com.br engole o mais lento. Concord as, nd ma de às e nt cie efi ág il e responder de forma uma estrutura é imprescindível contar com bem azeitados. e um time de colaboradores  inexistentes, Não pode haver arestas. De escassas e vão as oportunidades agora são is bem preparadas. aproveitá-las as empresas ma não estou me Quando eu digo preparadas, tecnológ ico. É fato referindo apenas ao aparato zado é muito mais que um parque gráfico atuali er novas soluções, produtivo e capaz de oferec ia. Sem um norte, um contudo o cerne é a estratég mais automatizada plano de ação, a impressora salgada no final do será apenas uma conta bem fica Bra sileira da Indústria Grá quer chegar e quais Presidente da Associação se de on er sab iso ) rec f-SP É p igra s. (Ab lo mê ional São Pau ra ating ir tal objetivo. Reg recursos serão necessários pa

Sidney A nversa V ictor

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