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REVISTA

ISSN 0103•572X

REVISTA ABIGRAF 285 SETEMBRO/OUTUBRO 2016

A R T E & I N D Ú S T R I A G R Á F I C A • A N O X L • S E T E M B R O / O U T U B R O 2 0 1 6 • Nº 2 8 5


ISSN 0103-572X Publicação bimestral Órgão oficial do empresariado gráfico, editado pela Associação Brasileira da Indústria Gráfica/Regional do Estado de São Paulo, com autorização da Abigraf Nacional Rua do Paraíso, 533 (Paraíso) 04103-000 São Paulo SP Tel. (11) 3232-4500 Fax (11) 3232-4550 E-mail: abigraf@abigraf.org.br Home page: www.abigraf.org.br Presidente da Abigraf Nacional: Levi Ceregato Presidente da Abigraf Regional SP: Sidney Anversa Victor Gerente Geral: Wagner J. Silva Conselho Editorial: Denise Monteiro, Fábio Gabriel, Felipe Salles Ferreira, Igor Archipovas, Ismael Guarnelli, João Scortecci, Plinio Gramani Filho, Reinaldo Espinosa, Tânia Galluzzi e Wagner J. Silva Elaboração: Gramani Editora Eireli Av. São Gabriel, 201, 3º andar, conj. 305 01435-001 São Paulo SP Administração, Redação e Publicidade: Tel. (11) 3159-3010 E-mail: editoracg@gmail.com Diretor Responsável: Plinio Gramani Filho Redação: Tânia Galluzzi (MTb 26.897), Ada Caperuto, Denise Góes, Laura Araújo, Letícia Cardoso e Marco Antonio Eid Colaboradores: Claudio Ferlauto, Dieter Brandt, Hamilton Terni Costa, Ricardo Viveiros e Walter Vicioni Edição de Arte: Cesar Mangiacavalli Produção: Otávio Augusto Torres Editoração Eletrônica: Studio52 Impressão e Acabamento: Margraf Capa: Laminação e reservas de verniz, Hot stamping e relevo (com fitas MP do Brasil): Green Packing Assinatura anual (6 edições): R$ 60,00 Exemplar avulso: R$ 12,00 (11) 3159-3010 editoracg@gmail.com

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Léa Dray. Festa das Baianas, óleo sobre eucatex, 35 × 27 cm, 1989

REVISTA ABIGRAF

Naturalmente bela

Criado pelo francês Lucien Finkelstein, o Museu Internacional de Arte Naïf, no Rio de Janeiro, abriga cerca de cinco mil peças de artistas nacionais e estrangeiros que celebram a originalidade e a pureza da arte naïf.

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Sinais de mudança

O Banco Central dá indícios de que pode flexibilizar a política monetária, com possibilidade para o corte de juros.

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Apoio Institucional

Associação dos Agentes de Fornecedores de Equipamentos e Insumos para a Indústria Gráfica

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FUNDADA EM 1965

Membro fundador da Confederação Latino-Americana da Indústria Gráfica (Conlatingraf)

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Os passos da Margraf

Aos 38 anos, gráfica paulista segue no segmento de tabloides e catálogos promocionais, aguardando o melhor momento para investir.


Todos pelo impresso

O 2-º Summit de Comunicação reuniu em São Paulo perto de 500 profissionais para discutir a relevância da mídia impressa para o jornalismo, o marketing e a propaganda.

Crise ofusca a festa do livro

A Bienal Internacional do Livro de São Paulo atraiu 684 mil pessoas, público menor do que a edição anterior. Editoras reduziram investimento. Para a CBL, os objetivos foram cumpridos.

Papelão em alta

Em 2020 a produção global de papelão ondulado ultrapassará 260 bilhões de metros quadrados. Por aqui, o ritmo de crescimento ainda não acelerou, porém o cenário futuro é positivo.

Encontros de Moya

O personagem da seção História Viva é também colaborador antigo da Revista Abigraf, e divide generosamente conosco seu vasto conhecimento sobre histórias em quadrinhos.

As aves de Tony Generico

Em sua nova exposição, Generico usa sua expertise em fotografia de alta velocidade para captar o voo dos pássaros, unindo o movimento das aves com a colisão de porções de tinta.

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ARTE & INDÚS TRIA GRÁFICA • ANO XL • SET EMBRO/OU

TUBRO 2016 • Nº 2 8 5

Editorial/Levi Ceregato.......................... 6 Comunicação Visual ........................... 56 Rotativa ............................................... 8 Olhar Gráfico/Claudio Ferlauto ............ 58 Entrevista/Christian Reinaudo • Agfa ... 14 Ilustração/Álvaro de Moya................... 60 Congresso do Livro Digital .................. 32 Sustentabilidade ................................ 66 REVISTA ABIGRAF 285 SETEMBR O/OUTUB

RO 2016

Metadados ........................................ 34 Jurídico/e-Social ................................ 68 Capa: Hora da Missa, óleo sobre tela e eucatex, 40 × 30 cm, 1986 Autora: Alexandra Latini

Gestão/Hamilton Terni Costa ............... 36 Sistema Abigraf ................................. 74 Educação/Walter Vicioni ..................... 48 Há 30 anos ........................................ 77 Interpack 2017 .................................. 50 Mensagem/Sidney Anversa Victor ....... 78 setembro /outubro 2016

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EDITORIAL

pel A força da tinta sobre o pa

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da eleitoral an ag op pr na s so es pr im s do Prevalência produto gráfico. demonstra importância do

olha lizada em 2014 pelo DataF rea isa squ Pe s s de livros s na propaganda da e, no Brasil, 59% dos leitore qu ou str on O maior gasto dos candidato dem edições convencionais. ano foi com materiais % de revistas optam pelas campanhas políticas deste 56 e l na bu Tri ssá-los em dados do de jornais, 48% preferem ace so ca impressos, seg undo revelaram No e ent am tiv continuam o acaba def ini s, tablets e celulares e 46% ore tad pu Superior Eleitoral (TSE). Iss com . exting uirá o produto fiéis às formas tradicionais com a tese de que o dig ital as É interessante o fato de gráfico. As mídias eletrônic es que 80% dos entrevistados criaram numerosas facilidad m que ler ânea e e-americanos, brasileiros afirmararad rt no s re ito para a sociedade contempor Le ção, mas em papel é mais ag ável es nt ce es ol democratizaram a comunica ad e siv clu ais mídias. in do que em uma tela. o id er não estão matando as dem ef pr m tê , ns ve jo e do Todos esses estudos Vários estudos, do Brasil e s. so es pr im os livros cidade, foram referendados pelos exterior, abordando a publi rso depoimentos e palestras o mercado editorial e o unive s, s ça do de  renomados especialista jornalístico, mostram a for ção edi da rreios, o, cuja seg un impressos. Pesquisa dos Co no Summit de Comunicaçã strou mo , ulo Pa , que reúne o Sã de e ad ro. cid em 4 de outub O evento -se ou liz realizada este ano na rea is ma revistados confia sionais e agências do que a maioria dos 2.400 ent os mais prestigiados profis uer alq qu em e qu central, a importância s do or, confirma, em seu tema nos folhetos e malas direta set a é ta Es . ção Comunicação comunica ça da tinta sobre o papel: “A for outra mídia como forma de a e : -se uem oentes. Seg desde sempre”! preferência de 26,3% dos dep impressa é surpreendente ), ,7% (16 as ist rev rádio e TV (25%), jornais e ,4%) e e-mails (14,1%). divulgação na internet (14 estudos internacionais A nova pesquisa corrobora ade da comunicação que comprovam a credibilid da American impressa, como o relatório (EUA), que abordou University, de Washing ton os Unidos, Japão, 300 universitários dos Estad cluindo: apesar da Alemanha e Eslováquia, con taformas eletrônicas, ampla disponibilidade de pla dos jovens, o livro cujo uso faz parte da rotina nte na preferência dos impresso seg ue muito à fre ias, com 92%. estudantes para leituras sér indicou que o número okS Estudo da Nielsen Bo can nos Estados Unidos de livros impressos vendidos çando 635 milhões de em 2014 subiu 2,4%, alcan stas, esse crescimento unidades. Seg undo especiali os anos, pois os novos deverá manter-se nos próxim fica Bra sileira da Indústria Grá a vez mais do papel. Presidente da Associação ias Gráfica s ústr Ind das to leitores parecem gostar cad dica Sin do e (Abigraf Nacional) ia dos adolescentes digraf-SP) A Nielsen revela que a maior no Estado de São Paulo (Sin s. ssa pre im as obr e fer entre 13 e 17 anos pre

L evi C eregato

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Fusão cria gigante na indústria de rotulagem

Três líderes da indústria de rotula­

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gem — a brasileira Baumgarten e os alemães Grupo Rako e X­label — anunciaram no início de outubro a assinatura de acordo de fusão que cria uma nova potência no setor, capaz de oferecer um port fó lio de produtos mais amplo, proces­ sos mais eficientes e soluções ino­ vadoras para seus clientes. Juntos, constituem um grupo que opera em 30 plantas industriais em todo o mundo, com mais de 3.000 fun­ cionários e mais de 2.000 clientes, registrando um faturamento anual acima dos 500 milhões de dólares. A equipe de liderança global da nova empresa, com a matriz sedia­ da em Witzhave, próxima de Ham­ burgo, na Alemanha, será compos­ ta pelos executivos Matthias Kurtz e Adrian Tippenhauer, da Rako; Tim Fiedler e Jan Oberbeck, da X­ label; e Fernando Gabel, da Bau­ mgarten. Na função de co­ CEO’s, atuarão: Kurtz, em Operações; Ti­ ppenhauer e Oberbeck, em Ven­ das e Desenvolvimento de Negó­ cios; e Fiedler, em Finanças. A fusão está sob análise dos ór­ gãos reguladores da Alemanha e a confirmação final do negócio é es­ perada até o final deste ano. Todas as empresas irão operar dentro de suas estruturas legais até novo avi­ so e a sua integração está em fase de planejamento, com o início e finalização do processo previstos para acontecer durante o ano de 2017. O nome do grupo recém­ criado será anunciado em breve após o fechamento da transação. “A parceria é baseada na con­ fiança e na certeza de que po­ demos criar algo maior e melhor juntos”, ressalta Ronaldo Baum­ garten Júnior. REVISTA ABIGR AF

ENFOQUE

Parceria tecnológica entre Sun Chemical, Videojet e Congraf Solução Inovadora, resultante de iniciativa envolvendo a Sun Che­ mical, a Videojet e a Congraf, é responsável pela produção de có­ digos de identificação digital ba­ seada em laser de alta qualidade para o mercado de embalagens. Na produção da caixa ou embala­ gem é impressa uma área com o verniz SunLase, da Sun Chemical, sobre cuja área é aplicado o laser da impressora Videojet, que revela a cor preta e grava os dados dese­ jados, podendo ser alfanuméricos ou códigos de barras, incluindo GS1/EN128, logos, 2D variáveis e outros códigos de identificação. Com isso, a caixa ou embalagem já sai da gráfica contendo as in­ formações fixas pré­ impressas.

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As informações variáveis são mar­ cadas na linha de produção. De acordo com a Sun Chemi­ cal e a Videojet, a solução foi tes­ tada durante um ano e pode pro­ duzir a identificação para até 25 caixas ou embalagens por minu­ to. “Como os regulamentos para a rastreabilidade continuam cres­ cendo, combinados com as ne­ cessidades de entrega rápida e redução de custos, a nossa abor­ dagem nesta parceria com a Con­ graf nos permitiu combinar a nos­ sa experiência para oferecer uma solução baseada em laser digital, que atende a todas as exigências das aplicações industriais”, explica Michel Vanhems, gerente de pro­ duto SunLase da Sun Chemical.

Segunda edição do Fespa Brasil Fórum em três capitais

spaço totalmente dedicado para o debate de negócios, opor­ tunidades e tecnologias, a segun­ da edição do Fespa Brasil Fórum, iniciativa da Fespa e APS Feiras, está programado para três dife­ rentes datas e locais. Curitiba re­ cebe o evento em 26 de outubro, no Sigep; depois, será a vez de Belo Horizonte, no Senai Cecoteg, em 9 de novembro; a última eta­ pa acontece no Rio de Janeiro, no Senai Maracanã, no dia 22 de no­ vembro. O Fespa Brasil Fórum é a reunião dos empresários do seg­ mento de impressão digital para um debate sobre as tendências, estratégias e o futuro do mercado brasileiro e global. Dois especia­ listas da indústria vão transmitir

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números, conceitos e informa­ ções atuais e relevantes para au­ xiliar na otimização de processos do empresário da indústria de im­ pressão. Diretor da Fespa Brasil, Alexandre Keese aborda o tema “Soluções integradas são tendên­ cia do mercado de impressão”, en­ quanto Luciana Andrade, direto­ ra do Grupo GF e especialista em impressão digital de grandes for­ matos fala sobre “A comunicação visual e o mercado novo”. www.fespabrasil.com.br/forum/

“Tem coisas que o digital não imprime”

FÁBIO BERNARDI, SÓCIODIRETOR DA AGENCIA MORYA

Sob o título acima, a palestra apresentada por Fábio Bernardi no 2º Summit de Comunicação (veja pág. 24) não se referia aos equipamentos de impressão e sim às mídias eletrônicas, que perdem para o impresso em vários quesitos. “Acreditamos durante muito tempo em um falso dilema, o de que a internet e as mídias eletrônicas extinguiriam os impressos. Mas não é isso que está acontecendo. Um exemplo está na queda das vendas mundiais de ebooks, que saíram de US$ 1,7 bilhão, em 2010, para US$ 584 milhões previstos para 2020. Estes números talvez mostrem que as pessoas ainda preferem a experiência sensorial do papel”. Outro argumento em defesa do impresso é a capa do Jornal da Tarde de 1982, com a icônica imagem do garoto chorando com a derrota brasileira na Copa do Mundo de Futebol da Espanha. Com isso, Bernardi coloca em debate a perenidade do impacto provocada pelo impresso, o que não teria o mesmo efeito no digital. “As agências ‘se esqueceram’ de mencionar esses argumentos para defender o uso do impresso em seus planejamentos de mídia. Para qualquer ramo do conhecimento que a gente olhe, as principais referências são o impresso. Pode não ter o alcance ou a repercussão que o digital tem, mas aquele produto ou serviço sempre precisará de um referencial impresso”.


Material plástico R$ 24.339.361 40,17%

Têxtil R$ 1.275.953 2,11%

Estudo da Abre revela números do primeiro semestre A Associação Brasileira de Em­ balagem (Abre) divulgou o Estu­ do Macroeconômico da Embala­ gem Abre/FGV “Retrospectiva do Primeiro Semestre e Perspecti­ vas para o Fechamento de 2016”, que mostra, após seis perío dos de quedas consecutivas, um cres­ cimento na indústria de embala­ gem de 2,54% no segundo trimes­ tre deste ano, em comparação com a média dos três meses ante­ riores, na série com ajuste sazonal. Com valor bruto de produ­ ção previsto para o ano na casa de R$ 60,6 bilhões, o setor apre­ sentou um recuo de 5,1% na pro­ dução física da embalagem no primeiro semestre de 2016. Na se­ gunda metade do ano, a variação

não deverá ser tão negativa, che­ gando a –0,2%, permitindo assim, que o setor encerre o ano com uma redução de 2,6% na produ­ ção física e com perspectivas me­ lhores para 2017, segundo os re­ sultados e estimativas apurados tradicionalmente pela Abre há 19 anos, sob a chancela do Institu­ to Brasileiro de Economia da Fun­ dação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). Para Salomão Quadros, eco­ nomista responsável pelo estudo, “ao que tudo indica o segundo se­ mestre será melhor, dando conti­ nuidade às mudanças de trajetó­ ria já observadas em quase todas as variáveis econômicas. É impor­ tante ressaltar que, muito diferen­ te de 2010, a saída desta crise será

Madeira R$ 1.358.279 2,24% Vidro R$ 2.932.349 4,84%

Papelão ondulado R$ 10.916.824 18,02%

Papel R$ 3.368.685 5,56%

Metálicas R$ 10.477.680 17,28%

Cartolina e papel-cartão R$ 5.929.252 9,78%

bem gradativa e só ganhará velo­ cidade depois que o consumidor ajeitar suas dívidas e retomar de forma segura a confiança”. Por sua vez, a diretora executiva da Abre, Luciana Pellegrino, considera que o resultado negativo previsto para 2016 está calcado principalmente no primeiro semestre do ano, ou seja, tudo indica que o pior já pas­ sou e aos poucos começa a me­ lhorar. A indústria de embalagens, por atender em maior volume o

setor de bens de consumo não duráveis, prevê a sua retomada antes de outros setores como o de bens duráveis ou automóveis. A Abre congrega toda a cadeia produtiva: fabricantes de máqui­ nas e equipamentos, fornecedo­ res de matérias­primas e insumos, agências de design, fabricantes de embalagem, in dús trias de bens de consumo, redes de va­ rejo, instituições de ensino e enti­ dades setoriais. www.abre.org.br

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REVISTA ABIGR AF


(E/D) Ralf Sammeck, CEO da KBA-Sheetfed Solutions, e Jörg Eck, diretor geral da Actega Terra GmbH, após assinatura do contrato em Radebeul

KBA‑Sheetfed e Actega firmam acordo de cooperação

Parceria já existente entre a fa­

Exposição conta a história da arte do século XX

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ocupação da ­atual sede, em edifício no Parque do Ibi­ ra­pue­ra, ini­cia­da em 2012, per­ mitiu ao Museu de Arte Con­ temporânea da Universidade de São Paulo (MAC‑ USP) pro­ por uma nova política de ex­ posições. Dispondo de um es­ paço cinco vezes maior que o existente em suas sedes an­ te­rio­res, finalmente o museu pode mostrar uma parcela sig­ nificativa de seu acervo, com obras que representam a his­ tória da arte mun­dial e brasi­ leira, pon­tuan­do as grandes transformações das artes visu­ ais a partir do século XX até a contemporaneidade. Primeira mostra de longa duração (cin­ co anos) proposta pelo museu, a exposição “Visões da arte no acervo do MAC USP 1900– 2000” ocupa dois andares do edifício, cobrindo os pe­río­dos

de 1900–1950 e 1950–2000, respectivamente. São mais de 160 obras, escolhidas entre as quase 12 mil peças do acer­ vo, de artistas como Di Caval­ canti, Tarsila do Amaral, Flávio de Carvalho, Anita Malfatti, Volpi, Brecheret, De Chirico, Picasso, Kandinsky, Mo­di­glia­ ni, Boc­cio­ni, Matisse, Max Bill e muitos outros. VISÕES DA ARTE NO ACERVO DO MAC USP 1900–2000 Curadoria: Ana Magalhães, Carmen Aranha e Helouise Costa Abertura: 26 de setembro de 2016 Encerramento: Exposição de longa duração (cinco anos) Funcionamento: Terça-​­feira, das 10 às 21 horas; quarta-​­feira a domingo, das 10 às 18 horas Local: MAC USP Ibirapuera Av. Pedro Álvares Cabral, 1301, 6º e 7º andares, São Paulo SP Telefone: (11) 2648.0254 (recepção) – (11) 2648.0258 (educativo) Entrada gratuita www.mac.usp.br

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bricante de impressoras offset KBA -​­Sheet­fed e a Actega Coa­ tings & Sea­lants, divisão do gru­ po in­ter­na­cio­nal de es­pe­cia­li­da­ des químicas Altana, é elevada a um novo patamar estratégico por meio da assinatura de um contra­ to de coo­pe­ra­ção. O novo acordo tem como meta prover um siste­ ma de vernizes de alta qualida­ de para acabamentos em linha rea­li­za­dos nas impressoras offset KBA. A partir da instalação, as má­ quinas irão operar em condições consistentes e com produtos defi­ nidos para c­ riar aplicações padro­ nizadas. Testados nas impressoras

Rapida, os produtos Actega rece­ bem o selo de qualidade “Verniz aprovado e li­cen­cia­do pela KBA”. Dentro do acordo firmado, a KBA e a Actega irão colaborar em nível global. Treinamentos de pro­ dutos e vendas estão planejados conjuntamente com demonstra­ ções na KBA, em feiras e eventos de clien­tes e com entrega de kits de produtos para o início de ope­ ração de novas máquinas. Haverá também testes conjuntos regula­ res nas impressoras Rapida, rea­li­ za­dos no centro de atendimento da KBA. Esta coo­pe­ra­ção diz res­ peito aos vernizes base água, UV, HR-​­UV e LED -​­UV. www.actega.com.br

Nova estrutura comercial e logística da Suzano no RS

Localizado em Cachoeirinha,

re­gião metropolitana de Porto Alegre (RS), foi inaugurado no dia 3 de outubro o novo Centro de Distribuição da Suzano Papel e Celulose, ocupando uma área total de 5.000 metros quadra­ dos, praticamente o dobro da unidade an­te­rior, instalada na re­gião central da capital gaú­cha. A ini­cia­ti­va faz parte do progra­ ma Suzano+, modelo de negó­ cio go-​­to-market, que tem como objetivo oferecer maior proximi­ dade com o clien­te, melhor nível de serviço, maior disponibilida­ de de produtos e maior agilida­ de no tempo de atendimento. Porto Alegre foi a primeira cida­ de do País a receber o Suzano+

e o seu Centro de Distribuição Local (CDL) possui cerca de 20 colaboradores, atendendo todo o Estado do Rio Grande do Sul e parte do sul de Santa Catarina. Além do CDL em Porto Alegre, a Suzano tem outros 19 centros de distribuição espalhados pelo País, os quais ajudam a garantir a capilaridade de abastecimen­ to da companhia. www.suzano.com.br


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Embalagem com papel-cartão Ibema ganha Prêmio Abre

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Indústria florestal reaproveita praticamente todos seus resíduos

egundo os dados da Indús­ tria Brasileira de Árvores (Ibá) e da Poÿry divulgados no Relató­ rio Anual (2016) da associação, a indústria brasileira de árvores plantadas para fins industriais manteve quase 100% de rea­ proveitamento dos resíduos só­ lidos gerados em suas ativida­ des. O setor teve 46,8 milhões de toneladas de resíduos sóli­ dos no último ano, dos quais 33 milhões vieram das ativida­ des florestais, com o elevado índice de 99,7% de reaproveita­ mento dos galhos, cascas e fo­ lhas, que permanecem no cam­ po para proteção e fertilização do solo. Os ínfimos 0,3% restan­ tes, compostos por óleos, graxas e embalagens de agroquímicos, são encaminhados de forma a atender aos critérios legais até a sua destinação final. Na área in dus trial foram 13,8 milhões de toneladas de re­ síduos, com 65,9% aproveitados na geração de energia por meio da queima em caldeiras, que for­ mam vapor e, eventualmente, energia elétrica para o processo produtivo, eliminando a utiliza­ ção de combustível fóssil. “Uma das grandes preocupações do setor de árvores plantadas é am­ pliar a eficiência energética dos processos e adotar fontes reno­ váveis para a geração de ener­ gia. Dentro desse objetivo, as empresas do setor utilizam qua­ se que exclusivamente subpro­ dutos dos seus processos”, ex­ plica Elizabeth de Car valhaes, presidente­executiva da Ibá.

ABSORÇÃO DE CO ₂ – De acordo com o Relatório Anual da Ibá, os plantios florestais no Brasil, representados por uma área de 7,8 milhões de hectares, são responsáveis pelo estoque de aproximadamente 1,7 bilhão de toneladas de dióxido de carbo­ no equivalente (CO²eq)*. Essa contribuição é ainda maior, uma vez que o setor brasilei­ ro de árvores plantadas ganha destaque no cenário internacio­ nal como aquele que mais pro­ tege áreas naturais, destinando 0,7 hectare à conservação para cada hectare plantado com ár­ vores para fins industriais. São mais de 5,6 milhões de hecta­ res na forma de Reserva Legal (RL), Áreas de Proteção Perma­ nente (APP) e Reservas Parti­ culares do Patrimônio Natural (RPPN), que geram e mantêm outros 2,48 bilhões de CO²eq. “Esse armazenamento de car­ bono pelo setor é resultado dos ciclos de cultivo. A cada ano ár­ vores são colhidas e plantadas, o que caracteriza um proces­ so renovável que dá perenida­ de aos estoques de carbono ao longo do tempo. Os produtos de base florestal imobilizam o carbono assimilado duran­ te toda a sua vida útil. Isso ilus­ tra a necessidade de incentivar as atividades econômicas liga­ das à cadeia de produtos flores­ tais sustentáveis, que são fun­ damentais para uma economia de baixo carbono”, enfatiza Eli­ zabeth de Car valhaes. www.iba.org

*CO²eq – medida métrica utilizada para comparar as emissões dos vários ga-

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ses de efeito estufa, baseada no potencial de aquecimento global de cada um.

REVISTA ABIGR AF

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Promovido pela Asso ciação Brasileira de Embalagem, o 16º Prêmio Abre da Embalagem Brasileira contemplou a Ibema na categoria Ouro do Módulo Embalagem de Micro e Peque­ nas Empresas. O prêmio, reali­ zado em São Paulo, no dia 14 de setembro, avalia tecnologia, de­ sign, funcionalidade, inovação e sustentabilidade, entre outros aspectos da embalagem. A peça premiada foi a caixa do sabonete cremoso Dani Fer­ nandes, criada pela Zumba Pro­ paganda. A impressão ficou por conta da Grampel Soluções Grá­ ficas, de Ibitinga (SP), utilizando

o papel­ cartão de alta rigidez Ibema Speciala, que dá susten­ tação e protege o produto sem a necessidade de utilizar um material muito espesso. A caixa foi impressa em off­ set, recebendo recursos de eno­ brecimento como gofragem e hot stamping. No seu desenvol­ vimento foi levada em conside­ ração a facilidade de montagem manual, além de um simples e prático sistema de fechamento. O formato do sabonete facilitou seu acondicionamento na em­ balagem e também a sua sus­ tentação para empilhamento. www.ibema.com.br

Videojet apresenta nova tinta solvente

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ara atender as necessidades dos clientes de melhor aderência da tinta em embalagens não po­ rosas nos mercados de alimen­ tos, consumo e produtos farma­ cêuticos, a Videojet Technologies lançou nova tinta solvente flexí­ vel para sua linha de impressoras de jato de tinta térmico. O pro­ duto foi formulado especifica­ mente para melhorar a aderência em vários substratos de emba­ lagens de consumo, particular­ mente nos materiais comuns em embalagens brilhantes ou filmes

flexíveis, abrindo novas oportu­ nidades para marcar códigos mais duráveis em substratos que eram anteriormente difíceis de marcar, como, por exemplo, polipropile­ no de orientação biaxial (bopp). Essa tinta também é uma opção para quando os clientes precisam que não haja metil­etil­ cetona ( MEK ), caso dos mercados de alimentos e bebidas. O mercado global de embala­ gens flexíveis está crescendo rapi­ damente e estima­se que seu valor chegue a US$ 248 bilhões (217 bi­ lhões de euros) até 2020, devido às crescentes demandas em con­ veniência dos consumidores nas áreas de saúde, cuidados pessoais, alimentos e bebidas, além do mer­ cado de produtos farmacêuticos. www.videojet.com


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ENTREVISTA

Foto: Pedro Guida

Christian Reinaudo

O presidente da Agfa-Gevaert, Christian Reinaudo, esteve no Brasil no início de setembro e encontrou-se com a imprensa para divulgar as estratégias do grupo. Texto: Tânia Galluzzi

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Quando o Brasil sair da crise, haverá um investimento maciço em inkjet

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francês Ch ris tian Reinaudo está há oito anos na AgfaGe vaert. Primeiro como presidente da Agfa HealthCa re e depois, em , como presidente e CEO do Grupo Agfa-Gevaert, que inclui, além da unidade HealthCare, a de Graphics Systems e a Agfa Materials (fabricação de insumos para as áreas de HealthCare e Gráfica). Nascido em , Reinaudo graduou- se pela École

Supérieure de Physique et de Chimie Industrielles de La Ville, de Paris, com doutorado pela University Pierre et Marie Curie. Reinaudo iniciou sua carreira no centro de pesquisa da Alcatel em . Em  assumiu a presidência para a Ásia Pacifico e seu último cargo na companhia foi como presidente para a Europa, período em que liderou o processo de transição após a fusão da Alcatel com a Lucent Technologies.


Nesta entrevista, concedida durante a estada do executivo em São Paulo, no início de setembro, ele dá sua visão sobre impressão digital e fala sobre os planos da companhia para o Brasil e a América Latina. *Qual o objetivo de sua vinda ao Brasil? Estou aqui por diversas razões. Em primeiro lugar, como CEO de uma empresa global, é preciso manter contato regular com os clientes para ter uma visão ampla do que está acontecendo. Em segundo lugar, acredito que um CEO tem de se comunicar. Comunicar-se com a imprensa, com os clientes e com os funcionários. Por exemplo, hoje pela manhã me encontrei com funcionários com menos de três anos de companhia, que serão o futuro da empresa, depois tive uma reunião de revisão de metas com a diretoria e agora esse encontro com a imprensa. Assim garantimos que a mensagem e as estratégias da empresa serão entendidas pelos diversos públicos. E o terceiro objetivo é sentir o pulso da companhia. A beleza de viagens como essa é a imersão. Estou aqui discutindo as questões brasileiras 24 horas por dia. Como o senhor enxerga o crescimento da impressão digital e qual o impacto desse movimento nos negócios da Agfa? Vou lhe contar uma história. Quando eu me tornei CEO da Agfa, em 2011, uma das primeiras perguntas que tive de responder foi com relação à Drupa. O que apresentaríamos na feira em 2012? Devería mos levar equipamentos digitais. Eu estava cheio de ideias, o setor era novo para mim. Fui ouvir o mercado, olhei os números, comparei o volume mundial de páginas impressas digitalmente com o montante produzido em offset e nas demais tecnologias e cheguei à seguinte conclusão: ‘Eu já estarei aposentado quando esse negócio se tornar lucrativo.’ Tínhamos de fazer uma escolha e essa foi a minha decisão: não teremos equipamentos digitais na Drupa 2012 [para impressão comercial]. E nós estávamos certos. Em 2016 a pergunta voltou. O que teremos na feira? Devemos levar impressoras digitais? Nesse meio tempo investimos em soluções inkjet, que é algo bem diferente do que é normalmente chamado de impressão digital. Para decidir o que mostrar na feira fizemos o mesmo, e ouvimos de boa parte dos clientes que usam offset, que a impressão digital ainda se manterá por bom tempo limitada às baixas tiragens. Em se tratando de

break- even point com relação às tiragens, as tecnologias tradicionais continuam mais eficientes. Há muito barulho em torno da impressão digital, porém conversando com os clientes percebemos que eles estão muito envolvidos com a impressão tradicional. Isso não vale para a impressão inkjet e sim para o segmento comercial. Hoje é mais importante investir no desenvolvimento de boas soluções inkjet, em primeiro lugar, e depois em termos as melhores tecnologias em chapas para CtP. Quais são os planos da Agfa para a América Latina e especialmente para o Brasil? A América Latina vem passando por turbu lências no âmbito da economia, como um terremoto que afeta uma região após a outra. Acreditamos que o Brasil está começando a se reerguer. Sabemos que ainda está longe da recuperação, porém os indicadores estão saindo do vermelho.

Em se tratando de break-even point com relação às tiragens, as tecnologias tradicionais continuam mais eficientes. Há muito barulho em torno da impressão digital, porém conversando com os clientes percebemos que eles estão muito envolvidos com a impressão tradicional. Isso não vale para a impressão inkjet e sim para o segmento comercial. Para um grupo como a Agfa há dois tipos de países: os países emergentes, como o Brasil, e os mercados maduros. Nos mercados maduros, nossa meta é ter sucesso nos novos segmentos, como inkjet, uma vez que as tecnologias convencionais estão em queda. Mas na China, na Índia e no Brasil o mercado continua a ser conduzido pelos negócios tradicionais, que se mantinham em evolução até dois anos atrás, como o segmento de chapas no Brasil. Acredito que na setembro /outubro 2016

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hora em que o PIB brasileiro voltar a crescer por volta de 2%, 3%, a demanda por chapas retomará o patamar anterior à crise. E temos de permanecer fortes e presentes para aproveitar as oportunidades. Se não estivermos no Brasil e nos demais países emergentes não teremos combustível para desenvolver as novas tecnologias. A segunda meta é a disseminação das novas tec nologias. Como sempre, depois de enfrentar uma crise profunda como a que o Brasil está vivendo, há um período no qual as pessoas permanecem hesitantes com relação à aplicação de recursos. Passada essa fase há uma bolha de investimento, porque é preciso retomar o que deixou de ser feito nos anos anteriores.

E é preciso aproveitá-la, inclusive ofertando as novas tecnologias. Assim que o Brasil voltar a uma situação de normalidade, haverá um investimento maciço em inkjet e em outras tecnologias. Claro que precisamos estar aqui. Permanecemos no Brasil, inclusive investindo na fábrica em Suzano [SP], e mantendo os demais negócios na área de HealthCare. E no momento em que o Brasil voltar a ser o que era há três anos, ou seja, um dos mercados mais promissores em evolução tecnológica, acredito que partiremos para novas aquisições, projeto que interrompemos em 2011, após a compra da WPD, em Recife [uma das principais empresas de TI em saúde no Brasil].

GRUPO AGFA-GEVAERT ◆ Fundado em 1867 ◆ Sede em Antuérpia, Bélgica ◆ 2,65 bilhões de euros em vendas em 2015 (51,3% Graphics, 41,5% HealthCare e 7,2% Specialty Products) ◆ 10.426 funcionários ◆ Escritórios próprios em mais de 40 países ◆ 21 sites de produção e pesquisa e desenvolvimento Divisão Gráfica ◆ 1,35 bilhão de euros de faturamento em 2015 ◆ 3.683 funcionários ◆ 628 milhões de euros em vendas no primeiro semestre de 2016 (68% pré-impressão digital; 10% pré-impressão analógica; 22% soluções inkjet, software e serviços)

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Jung, suíço que criou a psicologia analítica, os pintores naïfs representam os últimos ecos da alma coletiva em via de desaparecimento. Não é fácil definir o indefinível. Naïfs são artistas de boa-​­fé, livres, originais, sinceros e reais como a vida.

Museu Internacional de Arte Naïf do Brasil

Natural, livre, pura: Arte! 1

Ricardo Viveiros (ABCA-AICA)

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1 Ivonaldo. Vendedor de Jacas, acrílica sobre tela e eucatex, 30 × 40 cm, 1985 2 Fábio Sombra. A Largada da Maratona, acrílica sobre tela, 46 × 38 cm, 2000 3 Ermelinda. Bumba‑Meu‑Boi, acrílica sobre tela, 38 × 46 cm, 2000

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sta é mais uma daquelas incríveis his­tó­rias de pes­soas apaixonadas que sabem, melhor do que se imagina, equilibrar razão e emoção. Porque para elas, indispensáveis seres humanos que fazem história, o desafio está em desequilibrar sentimentos propondo revoluções capazes de mudar conceitos, ­criar paradigmas, transformar o mundo. Em agosto de 1931 nasceu na “Cidade Luz”, Paris, França, aquele que viria, anos mais tarde, iluminar a arte com uma verdade que, muitas vezes, incomoda certas pes­soas conservadoras: a relevância da origem das coisas e sua necessária eternidade no diá­r io renascimento. Lu­cien Finkelstein era para ter sido um atleta olímpico, optou por ser design e joalheiro, mas, acima de tudo, tornou-​­se um cavaleiro-​­andante da mãe de todas as artes: naïf. Para quem produziu joias que conquistaram importantes prê­m ios em todo o mundo, como o cobiçado Dia­monds In­ter ­na­tio­nal Award, de Nova York (EUA), o “Nobel” do setor, e teve peças compradas por governos para presentar personalidades como a rainha da

Grã-​­Bretanha, Elizabeth II, o ponto alto foi merecer de Di Cavalcanti a exclusividade para con­ fec­cio­nar joias ba­sea­d as em desenhos cria­dos pelo artista brasileiro só para essa finalidade. Lu­c ien chegou ao Brasil aos 16 anos, em companhia de tios. A ideia era ficar alguns meses e retornar à França. “Vítima de sucessivas paixões”, como explicava sorrindo, jamais voltou em definitivo à terra natal. Para Lu­c ien, não foi possível fugir ao encanto, alegria e privilégio de ser ca­r io­ca. E foi aqui no Brasil, por amor escolhida sua terra adotiva, que construiu 3


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um importante acervo doa­do pelo co­le­cio­na­dor, em 1985, à Fundação que leva seu nome. Dez anos mais tarde, montou o Museu In­ter­na­cio­ nal de Arte Naïf, no bucólico bairro do Cosme Velho, no Rio de Janeiro (RJ). Hoje, com cerca de 5.000 peças de artistas nacionais e estrangeiros, alcançando todos os Estados do Brasil e mais de 100 paí­ses, o espaço apresenta o melhor do gênero desde o século XV aos dias atuais. O museu é interativo e emprega inovações multimídia, com uso de tec­no­lo­g ias digitais, para desenvolver programas culturais e educativos que envolvem desde bebes até idosos. A instituição rea­li­za exposições, palestras, lançamentos de livros e, regularmente, promove outros eventos ligados à arte naïf. É possível dizer que o naïf surgiu com o próprio homem, nas pinturas rupestres da

4 Lia Mittarakis. Como é Belo o Meu Rio de Janeiro, óleo sobre tela e eucatex, 81 × 100 cm, 1985 5 Magda Mittarakis. Beija‑Flor, acrílica sobre eucatex, 36 × 29 cm, 1994 6 Ermelinda. Rio, Cidade Maravilhosa, acrílica sobre tela, 60 × 40 cm, 2013 7 Agostinho de Freitas. Arcos da Lapa, óleo sobre tela e eucatex, 70 × 100 cm, 1981

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o maior e mais completo museu de arte naïf do mundo. Além disso, publicou inúmeros artigos e vá­r ios livros sobre o tema. Lu­cien descobriu em suas andanças pelo Brasil e ex­te­r ior muitos talentos, artistas n ­ aïfs que com sua ajuda tornaram-​­se conhecidos. A DESCOBERTA DO BELO

Foi exatamente como c­ riam os artistas do gênero, por admiração pelo simples e belo, que Lu­cien, ainda adolescente, comprou a primeira tela naïf. O amor à primeira vista, que se tornou paixão ao longo de vá­r ias décadas, reuniu

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8 Lia Mittarakis. Rio de Janeiro, Gosto de Você, Gosto Dessa Gente Feliz, acrílica sobre tela e eucatex, 4,0 × 7,0 m, 1983–1988 9 Chico da Silva. Amazônia Feérica, guache sobre cartolina e madeira, 120 × 229 cm, circa 1964

Pré-​­história. Como, por exemplo, as paredes da gruta de Lascaux, no su­does­te francês, onde observa-​­se a ingenuidade com que foram pintados animais deixando para a história o testemunho

de uma época. O lugar é conhecido como a “Capela Sistina da Pré-​­história”. Os artistas intuitivos, comprometidos apenas com a emoção de retratar a vida sob um olhar emo­c io­na­do, são, ao longo do tempo, sensíveis repórteres do co­ti­d ia­no. Assim, temos ainda os moais da Ilha da Páscoa, as iluminuras da Idade Média, os mosaicos bizantinos, o mi­nu­cio­so trabalho dos frontais do Taj Mahal e, até mesmo, os ex-​ ­votos re­l i­g io­sos e outras manifestações es­pon­ tâ­neas do nosso povo. Sempre um sentimento verdadeiro, sincero, puro.

No Brasil e no mundo 9

Todas as obras reproduzidas nesta matéria, assim como na capa e no sumário desta edição pertencem ao acervo do Museu Internacional de Arte Naïf do Brasil. MUSEU INTERNACIONAL DE ARTE NAÏF DO BRASIL www.museunaif.com

REVISTA ISSN 010 3•572

A GRÁFIC A • ANO X L • SETEM BRO

/OUTUBRO

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2 0 1 6 • Nº 285

REVISTA ABIGRA F

285 SETEMB RO/OUT

UBRO 2016

ARTE & IN DÚSTRI

Capa

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Alexandra Latini. Hora da Missa, óleo sobre tela e eucatex, 40 × 30 cm, 1986 REVISTA ABIGR AF  julho /agosto 2016

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uito mais pres­ti­gia­da in­ter­na­cio­nal­men­te do que aqui, a arte naïf brasileira teve ponto alto em 1950, na descoberta pelo pintor suí­ço Jean-​­Pier­re Chabloz do artista acrea­no Chico da Silva. Filho de uma cea­ren­se e um índio pe­rua­no, o artista desembarcou ainda menino em Fortaleza, Cea­rá. Se­mia­nal­fa­be­to, da Silva foi sapateiro, fabricante de fogareiros de lata, além de fazer pequenos biscates. Ao mesmo tempo, autodidata, desenhava com giz e carvão pelos muros da praia de Pirambu. Um de seus grafites, pela cria­ti­vi­da­de e beleza, chamou a atenção de Chabloz. A partir daí, o suí­ço lhe ensinou técnicas de guache e óleo. Da Silva ficou famoso, foi “Menção Honrosa” na 23ª Bie­nal de Veneza. Para Chabloz, o artista brasileiro havia “reinventado a pintura”. Antes de se tornar mun­dial­men­te conhecido, Chico da Silva era chamado nas ruas de Fortaleza de “in­dio­zi­nho débil mental”. Suas telas estão em vá­rios acervos públicos e privados em todo o mundo. Al­c óo­la­tra, abandonado

pelo padrinho suí­ço, o artista morreu em 1985 pobre e desacreditado. Há in­dí­cios de que havia montado um esquema de produção terceirizada. No afã de entregar tanta encomenda, teria colocado os filhos e agregados para pintar e apenas assinava as telas. Tra­gé­dias ­pessoais à parte, comuns nas tra­ je­tó­rias de grandes nomes da pintura universal, vale ressaltar que os ­naïfs seguem vivos e produtivos por toda parte do mundo. Desde que Gauguin escondeu-​­se na Ocea­nia para “com os primitivos rea­pren­der a pintar”, passando por Henry Rousseau que, mesmo sem deixar Paris viajou na imaginação pintando florestas fantásticas, ricas em um exotismo jamais visto antes, os ­naïfs são marcante presença na arte. Há quem diga que o re­vo­lu­cio­ná­rio Picasso buscou inspiração no ingênuo Rousseau para pintar o seu célebre quadro “Demoiselles Dávignon”. Rousseau deu dimensão e conquistou respeito para a arte naïf em nível in­ter­na­cio­nal.


A CONSAGRAÇÃO DO

IMPRESSO E Texto: Ada Caperuto

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m , o estudioso de Comunicação norte­americano Philip Meyer lançou o livro “Os jornais podem desaparecer?”. Transcorrida quase uma década, pode­ mos responder a esta pergunta com um sonoro “não”. Nos dias de hoje, a comunicação impres­ sa mantém seu respeitado lugar como relevan­ te canal de mídia para diferentes finalidades e objetivos. E este parece ter sido o consenso de

Na abertura do evento, Armando Ferrentini, presidente da Editora Referência, ressaltou a importância da coexistência entre a comunicação impressa e o meio digital

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Fotos: Agência Riguardare

Segunda edição do Summit de Comunicação confirma a relevância do impresso com uma das mídias mais importantes para a publicidade, o marketing e o jornalismo.

todos os palestrantes que se apresentaram no 2º Summit de Comunicação, rea lizado em 4 de outubro, na capital paulista. A segunda edição do evento promovido pela revista PropMark, Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo (Sindigraf­SP) e Associação Brasileira de Empresas com Ro­ tativas Offset (Abro), com patrocínio do jor­ nal O Estado de S. Paulo, ExpoPrint, Fedrigoni e Plural, e apoio da Abigraf Nacional, ganhou uma repercussão ainda maior, com a presença de quase 500 participantes, entre profissionais de agências de publicidade, clientes e veícu los de mídia. Com o tema “A Comunicação impres­ sa é sur preendente desde sempre”, o 2º Summit de Comunicação teve a proposta de dissemi­ nar informações, tendências, cases de criações gráficas inovadoras e vencedoras, mostrando a relevância do impresso para o jornalismo, o marketing e a propaganda. O evento foi aberto pelo presidente da Edi­ tora Referência, Armando Ferrentini, que des­ tacou a importância de um evento como este, que só tem a contribuir para dissipar dúvidas que ainda pairem sobre a coe xistência entre os meios de comunicação. “As mídias não se subs­ tituem e sim se complementam”, declarou. Para o presidente da Abigraf Nacional e do Sindigraf­ SP, Levi Ceregato, o 2º Summit


de Comunicação foi um evento ex­t raor­d i­n á­ rio. “Reunimos, no mesmo palco, importan­ tes nomes da publicidade, mar­ke­ting, clien­tes, num debate esclarecedor sobre a importância e eficácia da mídia impressa junto ao consu­ midor. A indústria gráfica vê muitas possibi­ lidades com a comunicação impressa. Um dos segmentos mais importantes para o nosso se­ tor, o das embalagens, foi considerado no Sum­ mit a mídia do futuro, já que produto e emba­ lagem, na visão dos consumidores, cons­ti­tuem uma unidade indivisível. Foi interessante cons­ tatar, por diferentes perspectivas — agên­cias, clien­tes, e até a neurolinguística — como a co­ municação impressa é valorizada e transmite credibilidade ao consumidor.” A primeira palestra do dia foi conduzida pelo presidente do Grupo Abril, Walter Longo, que apresentou o painel “Redesenhando o nos­ so papel”. Ele salientou que as mí­d ias eletrôni­ cas devem ser vistas como adicionais à comuni­ cação impressa. Depois de uma revisão sobre as mudanças na forma de se fazer jornalismo nos últimos tempos, Longo salientou a importân­ cia de as empresas cria­rem seu marketplace di­ gital. Essa ferramenta de e-​­commerce permite, por exemplo, que os leitores de revistas e jornais

comprem produtos que vêm nas versões impres­ sas e digitais dos veí­cu­los de comunicação. “Isso também evidencia como é possível e necessária a integração do digital e do impresso”. Ja­naí­na Brizante, diretora de Neurociên­ cia da Niel­sen, com o painel “Neurociência do consumidor: teo­r ia e prática”, tratou dos méto­ dos de pesquisa da empresa voltados à análi­ se das rea­ções das pes­soas para o desenvolvi­ mento de ações pu­bli­ci­tá­r ias, frisando: “Para entender o poder de decisão que resulta do consumo, é preciso conhecer o engajamento emo­cio­nal dos in­d i­v í­duos”. Diretor de Projetos Especiais do Estadão, Ernesto Bernardes apresentou o painel “Branded content: não era só digital?”, que pode ser entendido como “jornalismo patrocinado”. Ele comentou que, a despeito do advento das mí­ dias eletrônicas, “o poder da palavra impres­ sa é decisivo”. As pes­soas, salientou, sempre con­f iam muito no impresso. Fazem pesquisas na internet, mas acabam consultando um jor­ nal ou revista para a tomada de decisão sobre a compra de produtos e contratação de servi­ ços. “O impacto vi­sual e a credibilidade da mí­ dia impressa são muito grandes”. Daí a força e o significado do branded content.

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Walter Longo

Janaina Brizante

Ernesto Bernardes

Fabio Mestriner

Fabio Mestriner, professor coor­de­na­ dor do Núcleo de Estudos da Embalagem da ESPM (Escola Su­pe­r ior de Propaganda e Mar­ke­t ing), falou sobre o tema “Emba­ lagem, mídia do futuro”, destacando sua importância para a propaganda e o mar­ke­ ting. “Noventa por cento dos produtos ex­ postos nos supermercados não têm apoio de publicidade, dependendo unicamente das embalagens como atrativo e sensibili­ zação do consumidor”. O es­pe­cia ­l is­ta tam­ bém enfatizou a possibilidade, cada vez mais utilizada, de as embalagens conecta­ rem-​­se com as mí­d ias digitais. QR codes ou links impressos transportam o consumidor para a web, onde amplia sua interatividade com produtos e serviços. Encerrando a programação matutina, Flavio Waiteman, diretor de cria­ç ão da agência Escala Comunicação e Mar­ke­ting, falou sobre “A busca por um animal chama­ do insight”. “Para se ter um insight, é preciso conhecer bem a empresa clien­te da agência para poder ­criar. Isso é fundamental num mundo em transformação, no qual as mar­ cas seguem as pes­soas e em que as pes­soas falam para as marcas, em vez de ouvi-​­las, como ocorria no passado”, declarou. A SOBERANIA DO CONTEÚDO

Flavio Waiteman

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Fábio Bernardi

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Abrindo a programação vespertina, Fábio Bernardi, sócio-​­d iretor de cria­ção da agên­ cia Morya, de Porto Alegre (RS), falou sobre o tema “Tem coisas que o digital não impri­ me”. Ele apresentou os números que reve­ lam a retração mun­dial na venda de e-b​­­ ooks, afirmando que isso provavelmente ocor­ re porque os livros impressos apresentam qualidades táteis e despertam a concentra­ ção do leitor. Nesse contexto, Bernardi en­ fatizou que a questão do incentivo à leitura deveria ser contemplada na reforma do en­ sino proposta pelo governo. Ele também ci­ tou um dos cases da agência: um dos clien­ tes, em um único final de semana, vendeu 80% de um em­preen­d i­men­to imo­bi ­l iá­r io

apenas com o investimento em um anún­ cio de página dupla em um jornal. “Em qual­ quer ramo do conhecimento, as principais re­fe­rên­cias são o impresso. Ele pode não ter o alcance que o digital tem, mas qualquer produto ou serviço sempre precisará de um re­fe­ren­cial impresso”, disse. Um dos destaques da programação da tarde foi a palestra “Candido Portinari, do cafezal à ONU ”, com João Candido Portinari, presidente da As­so­cia­ção Cultural Candido Portinari e filho do pintor Candi­ do Portinari. Ele fez uma revisão histórica do trabalho artístico de seu pai e apresen­ tou os projetos de inclusão so­cial por meio da cultura e das artes, promovidos pela as­ so­cia­ção que preside. Também falou sobre o Catálogo Raisonné: Candido Portinari – obra completa, composto por cinco volumes im­ pressos, um resultado de 25 anos de pesqui­ sa. Por fim, mencionou o Projeto Guer­ra e Paz, que se refere à restauração do painel duplo do artista. Instalada na sede da Orga­ nização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, em 1957, a obra foi restaurada no Bra­ sil, um processo que levou quatro anos. De­ pois disso, seguiu em turnê pelo País, pas­ sando também por Paris e retornando aos Estados Unidos no ano passado. Foi dis­tri­ buí­da no evento a edição 284 da Revista Abigraf acompanhada de sobrecapa es­pe­cial, uma lâmina no mesmo formato da publica­ ção, desenvolvida pelos es­tú­dios da Leo­graf 3D. A imagem da capa original da revista — a obra “Lavrador de café”, óleo sobre tela de Portinari, de 1934 —, foi transformada em 3D com efeito de profundidade. “Efetividade e impacto na customização de clien­tes” foi o tema da palestra apresen­ tada por Renato Camargo, Head de Fide­ lidade, CRM e Inteligência de Mercado do GPA , que reú­ne algumas das maiores redes varejistas do País, como Pão de Açúcar e Ex­ tra. Ele destacou as três principais es­tra­té­ gias de comunicação impressa do grupo: as ofertas personalizadas (cupons), que visam 


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João Candido Portinari apresentou a palestra “Candido Portinari, do cafezal à ONU”, narrando a trajetória da vida e da arte de seu pai. Ao terminar, exibiu edição da Revista Abigraf, lançada no evento e tendo na capa uma das mais famosas obras de Portinari, acompanhada de uma lâmina reproduzindo‑a com o efeito 3D

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a aumentar a frequência de compras e blin­ dar clien­tes ­f iéis; as malas diretas exclusi­ vas, que têm a proposta de educar a respei­ to dos atributos de um produto/marca; e as malas diretas temáticas, que trabalham a sinergia das marcas para gerar vendas cru­ zadas. “O impresso é o que traz maior efeti­ vidade. A lógica se inverteu, ninguém mais abre e-​­mails. Faz diferença para o clien­te re­ ceber um ma­te­rial personalizado, com ofer­ tas de acordo com o seu perfil”, declarou. Na sequência, Felipe Luchi, CCO da Lew’LaraTBWA , apresentou o painel “Como a impressão de uma embalagem pode sur­ preen­der clien­tes e consumidores”, em que destacou a ação “Capa Pack”, rea­li­za­da para o Café Pelé, que personalizou cinco mil em­ balagens do produto com a capa do jornal O Estado de S. Paulo do mesmo dia em que o produto chegou aos supermercados de São Paulo. A proposta foi mostrar que o produ­ to é fresco e embalado dia­r ia­men­te. “Foi um case que extrapolou a embalagem e pas­ sou a ser um statement do clien­te. As ideias hoje precisam ser performadas em diferen­ tes plataformas. O momento exige que você faça algo real­men­te inovador para so­lu­cio­ nar um problema que, antes, se resolvia sempre com a mesma solução”, completou. “A força da comunicação impressa nos pontos de venda” foi o painel apresentado por Elia­na Cassandre, gerente de propagan­ da do Grupo Petrópolis. Ela destacou que o mercado de cerveja é dependente da comu­ nicação impressa. “Para se ter uma ideia, o grupo imprime anual­men­te 7 milhões de bolachas de chope; 800 milhões de rótulos REVISTA ABIGR AF  setembro /outubro 2016

de cerveja; 4 milhões de cartazetes de PDV; 3,5 bilhões de selos de proteção, além de adesivar 30 mil veí­cu­los de frota. “Tão im­ portante quanto termos os produtos nas mãos dos consumidores é fazer com que as marcas estejam presentes no momento de decisão da compra. E isso só consegui­ mos com o ma­te­r ial impresso”, disse Elia­na. Para responder a pergunta “Por que grandes marcas con­t i­nuam a investir na mídia impressa?”, o 2º Summit de Comu­ nicação convidou a es­pe­c ia­lis­t a em Mar­ ke­ting, Inteligência e Pesquisa de Mercado Andrea Costa. Ela trouxe sua ex­pe­r iên­cia na Editora Abril para defender o impres­ so e ressaltar a importância do con­teú­do de valor. “Quem melhor faz isso é a mídia impressa. Ela só precisa se lembrar que tem de ser inovadora e relevante. Hoje, as mí­d ias se complementam”. Esta também foi a linha de pensamento defendida por Hugo Rodrigues, presiden­ te da Publicis, com o tema “A nova safra de Print & Publishing ­Lions”. Ele citou os cases do Burger King (ação McWhopper) e do SBT (parabéns aos 50 anos da Globo), duas si­tua­ ções que envolvem a “aproximação” com a concorrência e que, embora simples anún­ cios em jornal, geraram enorme repercus­ são. “A discussão sobre qual tipo de mídia e plataforma usar tem de acabar. O que mais importa hoje é tocar o consumidor com uma mensagem relevante”, declarou ele ao encer­ rar o evento, deixando no ar um sentimen­ to sobre algo que já sabemos: os jornais, os impressos e a comunicação em papel estão mais vivos do que nunca.

Renato Carmargo

Felipe Luchi

Eliana Cassandre

Andrea Costa

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MERCADO EDITORIAL

A bienal possível

Realizada entre os dias 26 de agosto e 4 de setembro, a Bienal do Livro de São Paulo marcou os 70 anos da Câmara Brasileira do Livro (CBL) levando 684 mil pessoas ao Anhembi. Texto: Tânia Galluzzi

“C

om a crise, as pessoas estão mais seletivas. O pai deixa de comprar um livro que ele deseja para comprar outro para o filho.” Essa afirmação, feita por Bruno Zolotar, diretor de Marketing do grupo Record, serve para ilustrar a disposição com a qual boa parte dos editores foi para a 24ª Bienal Inter nacional do Livro de São Paulo. Pressionadas pela queda na demanda, as editoras investiram em estandes menores e em títulos voltados para o público jovem, tendência que vem se fortalecendo desde 2010. Com 8.000 títulos em catálogo, um dos mais extensos do

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mercado, a Record levou 2.000 obras para a bienal, das quais 500 para os adolescentes. “A crise tem sim impacto nos nossos negócios, porém um catálogo tão amplo serve como um colchão. E o que tem segurado o faturamento é a literatura infanto-juvenil, além de clássicos como Anne Frank e Paulo Freire”, disse Zolotar na tarde de sexta-feira, dia 2 de setembro. A Senai- SP Editora abandonou o estande institucional, apostando em um espaço menor e focado no varejo. “Estamos dando destaque para os lançamentos em HQ [do selo Sesi-SP Quadrinhos]. Trouxemos mais títulos da Sesi-SP Editora do que da Senai”, comentou Rodrigo de Faria e Silva, editor-chefe. Levantando pontos de uma discussão antiga, que tomou corpo em 2012, com relação ao formato do evento, Rodrigo questionou a presença dos sebos. “A feira está repleta de saldões, o que é uma pena.” Porém, se por um lado é difícil para as editoras competirem com os preços praticados pelos sebos, ele mesmo reconhece o papel dos saldos na venda de estoques remanescentes. Rodrigo lamentou também a descaracterização da Bienal Inter nacional do Livro como uma feira de negócios, com a extinção do dia para visitação apenas de profissionais do setor. Com relação às vendas, ainda sem os números do último final de semana do evento, o editor estimava empatar com a edição anterior.


“Se você colocar os R$  40 do es­ta­cio­na­men­to, mais a alimentação, o passeio não sai por menos de R$ 150 para uma família. Isso sem levar livro nenhum. É muito caro”, afirmou João Scortecci, do grupo edi­to­r ial Scortecci. Crítico contumaz do modelo da feira, Scortecci, que já participou da diretoria da CBL, organizadora da bie­nal, chama para si a responsabilidade de encontrar alternativas. “Em face à crise, foi feito o possível. A decisão de am­pliar os corredores

(Abaixo) Mario Sergio Cortella, filósofo e educador e Moisés Zylberstajn, coordenador de tecnologias educacionais do Colégio Santa Cruz.

VISITA FICA CARA

Queixa recorrente entre os editores ouvidos pela Revista Abigraf, o preço da entrada foi apontado como um dos fatores que podem ter provocado a redução no número de visitantes, que caiu de 720 mil em 2014, para 684 mil neste ano. Na edição an­te­r ior o tíquete custava entre R$ 12 e R$ 14 e em 2016 entre R$ 20 e R$ 25.

Roger Chartier, Robert Darnton e Guiomar de Grammont no debate “A história do Livro e da Leitura possibilita uma melhor compreensão das mudanças do presente?”

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Por dentro da história Uma das atrações, promovida pela Editora

(Abaixo) Daniela Manole, diretora da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Coordenadora da Comissão do Livro Digital; Luís Antonio Torelli, presidente da CBL; Gabriela Prates, bibliotecária, participante do Congresso e Leandro Carvalho, presidente da Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABDL)

foi muito boa. Mas olhe aqui (apontando para um grupo de adolescentes sentados no chão conversando). O que podemos fazer para envolver mais esse jovem? O que é preciso ser feito para que a crian­ça saia daqui com pelo menos um livro?” Incentivos como os do Vale Livro, cus­tea­dos pelo governo, não foram dis­tri­buí­dos neste ano. Ana Rosa Vilches Soprani, diretora Pedagógica e de Ne­gó­cios de Educação Básica da DSOP [Diag­nos­ti­car, Sonhar, Orçar, Poupar], criticou não só o valor do ingresso como a excessiva valorização dos youtubers. “Os escritores deixaram de ser o foco, o que é ruim para quem pensa em educação.” Voltada para a educação financeira, em todas as idades, a DSOP aproveitou a feira para fazer o pré-​­lançamento da Coleção dos Sonhos, destinada ao ensino fundamental e médio, que prega o consumo cons­cien­te como meio para a rea­l i­za­ção dos sonhos da família. Para a Câmara Brasileira do Livro, os objetivos traçados para a edição foram cumpridos. “Prio­r i­za­mos a melhoria da ex­pe­r iên­cia do visitante, rea­li­zan­do uma bie­nal mais confortável, por exemplo, com retirada de senhas online

Dentro da História e pela Maurício de Souza Produções, foi a instalação de totens onde crian­ças, jovens e adultos po­diam c­ riar seus pró­prios personagens (avatares), que depois eram impressos como personagens em livros personalizados da Turma da Mônica. Para tanto, uma gráfica foi montada dentro do estande, numa parceria entre a Heidelberg, que cedeu duas impressoras digitais, e a gráfica Revelação, que já tem a editora como clien­te há cerca de um ano. “A nova geração é fascinada por tecnologia, e essa interatividade é um caminho, uma ponte para trazê-​­la para o universo dos livros. A ex­pe­riên­cia foi ótima e con­ti­nua­re­mos desenvolvendo esse trabalho, prestando todo o suporte à Editora Dentro da História”, afirmou André Calil Jorge, sócio-​­diretor da Gráfica Revelação. Ricardo Vidal, gerente de Mar­ke­ting e de Produtos para Impressão Digital da Heidelberg do Brasil, disse que o intuito de apoiar a Gráfica Revelação nesse desafio foi, também, demonstrar ao mercado a capacidade das impressoras atenderem as exi­gên­cias da impressão sob demanda, incluindo produtos editoriais.

para as sessões de autógrafos, ruas mais largas e aumento das praças de alimentação. Trouxemos também uma extensa programação multicultural que agradou aos diferentes tipos de leitores. Para nossos expositores e patrocinadores, mostramos novamente a importância do evento como vitrine para suas marcas e produtos, atingindo diretamente o consumidor final”, afirmou o presidente da CBL , Luis Antônio Torelli.

24ª– Bienal em números 75 mil m² de área total 280 expositores (650 selos) ◆◆ 684 mil visitantes ◆◆ 118 mil alunos, de 1.710 escolas ◆◆ 388 atrações (370 autores nacionais e 18 autores internacionais) ◆◆ ◆◆

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CONGRESSO

O mundo dos negócios digitais

Historiador e ex-diretor da Biblioteca de Harvard, Robert Darnton, e o country manager da Amazon no Brasil, Alex Szapiro, foram presenças marcantes no Congresso do Livro Digital. Texto: Tânia Galluzzi

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om o tema “O Mundo dos Negócios Digitais”, foi rea li za do no dia 25 de agosto o 6º Congresso Inter nacional CBL do Livro Digital, no Auditório Elis Regina, em São Paulo. Para entender a história do livro nos dias atuais, o congresso reuniu Roger Chartier, historiador francês especia lista em livro e leitura, e Robert Darnton, doutor em história pela Oxford e diretor da Biblioteca da Universidade Harvard até o ano passado. Lembrando que os livros digitais representam menos de 5% das obras vendidas no mundo — 3% na França e 20% nos Estados Unidos, com queda

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de 10% nas vendas em 2015 —, Char tier levantou questões como a manutenção do conceito de identidade literária em um mundo de textos colaborativos. Trazendo uma visão otimista, Darnton afirmou que o livro não está morto. Pelo contrário, nos Estados Unidos, em 2015, foram publicados mais livros do que no ano anterior. Para ele, uma das mais importantes funções da bibliotecas hoje é mostrar como as pessoas podem navegar na internet para encontrar a informação que desejam. Tratando do desenvolvimento do livro digital no País, Alex Szapiro, country manager da Amazon no Brasil, abriu alguns números da gigante do e- commerce. Segundo o executivo, seu catálogo dispõe hoje de 85 mil títulos em português e 4,4 milhões em outros idiomas. “As pessoas não param de comprar as versões impressas quando começam a comprar livros digitais. Passam a consumir 3,8 vezes mais livros.” A demanda também aumenta quando o leitor adere ao modelo de assinatura mensal Kindle Unlimited. A procura cresce cerca de 30%. Assim como o editor alemão Leander Wattig, que falou sobre autopublicação, Szapiro ressaltou o ritmo acelerado desse segmento: 30 dos 100 livros mais vendidos pela Amazon nas últimas 50 semanas vêm da autopublicação.


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METADADOS

Plataforma para mercado editorial chega ao Brasil

O Books in Print Brasil pretende solucionar a gestão de metadados de livros, interligando editoras, distribuidoras, varejistas e livrarias.

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CBL aproveitou o primeiro dia da Bienal Inter nacional do Livro de São Paulo, 26 de agosto, para lançar o projeto Books in Print Brasil (BiP Brasil). Trata-se de uma plataforma para gestão de metadados, desenvolvida e mantida pela MVB, empresa subsidiária da Associação de Editores e Livreiros Alemães, coligada da Feira de Frankfurt, que promete unificar a entrada de dados de editoras, livrarias, distribuidoras e varejistas. “Metadados completos, padronizados e qualificados são fundamentais para que os livros

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sejam encontrados e tenham bons resultados de vendas. O sistema fornecerá ferramentas para auxiliar os trabalhos de marketing e vendas das empresas”, afirmou Ronald Schild, CEO da MVB, que esteve em São Paulo para o lançamento. Na Alemanha, mais de vinte mil editores, quatro mil livreiros e 80 distribuidores, quase a totalidade do mercado, utilizam a plataforma para acessar 2,1 milhões de títulos. “Hoje um editor chega a preencher 20 planilhas diferentes para cada título que produz, com o intuito de abastecer cada cliente dentro do mercado. Com o BiP Brasil o editor preencherá os dados, como informações bibliográficas e sinopse, num só lugar”, explicou Ricardo Costa, diretor da plataforma no País. A ferramenta possui cerca de mil algoritmos, um esquema computacional de resolução de problemas, que conferem os dados e evitam informações incorretas e inconsistentes. Além disso, o Books in Print Brasil conta com uma equipe de “controle de qualidade, cujo trabalho é analisar os metadados, identificar possíveis melhoras e fornecer relatórios para as editoras”, informou Ricardo. Editores, livreiros, atacadistas e distribuidores poderão aderir à plataforma. A plataforma poderá ser acessada, por meio de login e senha, via internet, e também se comunicará diretamente com os sistemas de todos os usuá rios. Em processo de customização para o mercado brasileiro, a ferramenta entrará em operação a partir de janeiro de 2017, quando deverá ser carregada com dados das publicações das editoras que aderirem à plataforma. De acordo com Ricardo Costa, os editores pagarão por título cadastrado e os demais uma assinatura mensal, que variará segundo o porte do negócio. Vários países, como Inglaterra, Espanha e Estados Unidos, adotam plataformas semelhantes, e o Brasil será o primeiro a implantar o modelo alemão.


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Hamilton Terni Costa

A urgência de um novo modelo. E a motivação para isso é essencial.

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oi mais do que comentado que a Drupa mostrou um novo humor da indústria de impressão. Há, em muitos círculos, uma melhor percepção dos diferenciais do material impresso em relação a outras mídias: imprime-se o que é relevante, o que transmite confiabilidade, o que permanece, o que tem apelos sensoriais. A impressão ainda é importante no mix de comunicação das marcas e as alegações ecológicas vão arrefecendo ao se colocar a questão do papel em seu verdadeiro ângulo: recurso renovável e muito menos danoso à natureza que o lixo eletrônico, em especial se usado com menos desperdício. Além disso o universo da impressão se expande a novos limites com sua utilização nos mais diversos materiais, incluindo impressoras D e toda a tecnologia que permite a interação

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do papel com o mundo digital indo dos códigos QR até a Rea lidade Aumentada, agora popular

devido aos Pokemons sendo caçados pelas ruas e parques. Sem falar também de toda a gama de embalagens e rótulos que contêm aspectos de informação, proteção, segurança e marketing. Apesar de tudo isso há também uma rea lidade inequívoca. A força do meio digital é superior à força do meio impresso, por suas características intrínsecas: custo, acesso cada vez mais fácil, rapidez, disseminação e praticidade. O que não leva à extinção do meio impresso como muito se propagou, mas, certamente, o limita e o reduz. Não o destrói. Convive. E essa convivência faz com que, no total, não só se imprima menos do que se imprimia antes ou do que se poderia imprimir. Basta ver os números recentes divulgados pela Ideal liance,


entidade norte-americana que sucedeu à antiga NAPL . Neles, a impressão comercial, não incluindo embalagens, naquele país se reduziu de US 60,3 bilhões no ano 2000 para US 44,5 bilhões em 2014, ainda que contando com o crescimento da impressão digital em mais de 700% ao longo desses anos (ver quadro). Por outro lado, se o mercado mudou, o cliente também mudou. Se tornou mais objetivo, mais crítico e mais criterioso sobre seu material impresso. Quer baixar custos, reduzir estoques, eliminar obsolescência, desperdício e não gastar onde não pode mais. Defini-lo e usá-lo no momento em que precisa. Rapidamente. Em quantidades econômicas e com conteúdo direcionado, menos genérico, mais direto ao ponto. Para os impressos, digamos, convencionais como cartões de visita, folhetos genéricos ou material de uso contínuo, o cliente quer praticidade de compra, conveniência. O que um bom sistema de web-to-print pode resolver, e que é, por si, uma nova forma de venda. Para impressos mais complexos que envolvem mais criatividade ou inteligência de marketing, ele quer ajuda. Primeiro, para mostrar que o desenvolvimento feito internamente na criação desses materiais, apesar da facilidade de se ter programas de design na empresa, nem sempre é compensador, pelo desconhecimento mais aprofundado de sua produção. Segundo, para convencê-lo de que o resultado do seu uso vale a pena apesar do seu custo mais alto que o meio digital. Nada que uma boa venda consultiva e de soluções não possa resolver, uma forma de venda que não a transacional, a habitual no setor. Como consequência dessas mudanças, por um lado, não há espaço para todos no mercado

dada a capacidade instalada e, no caso brasileiro, uma redução ainda maior dada a recessão econômica vigente. Por outro lado, a gráfica cuja concepção de preços está baseada em volume, conteúdo genérico e venda constante sente cada vez mais o peso da concorrência e vê suas margens desabarem, restando para muitos a sensação de que o mercado acabou, que essa indústria acabou. Daí que, por força de todas essas circunstâncias, é preciso, mais do que nunca, rever modelos de negócio e reinventar a empresa. Mudar ou morrer. Ou permanecer algo moribundo, amorfo, atrofiando-se. Se mudar é sempre um sofrimento, não mudar dói muito mais. O difícil é que muitos que estão há muito tempo nesse jogo não sabem como fazê-lo, ou não têm a disposição de fazê-lo. Ou, ainda, se tentam fazê-lo não alteram a visão secular do negócio, seguem raciocinando dentro das regras estabelecidas no mercado e, por consequência, mudam só na aparência e fracassam. Voltar a esse tema me parece sempre importante dada a premência de sua aplicação e ao mesmo tempo em razão da dificuldade de execução pelas empresas. Volto a ele, também motivado por ex periências recentes vivenciadas no Brasil e em feiras e encontros internacionais. Em setembro tivemos a oportunidade de participar de um evento único no setor. Tratouse do planejamento estratégico do setor gráfico carioca para os próximos 10 anos, promovido pela Federação da Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), junto com o Sigraf e Abigraf-RJ. Uma iniciativa interessante e importante promovida pela entidade com alguns dos setores industriais do Rio e a primeira feita com o setor

REVOLUÇÃO DIGITAL A REVOLUÇÃO DIGITAL NA COMUNICAÇÃO DEPRIMIU FORTEMENTE A DEMANDA NO MERCADO GRÁFICO AMERICANO VENDAS

MUDANÇA

2014

2000

%

EM DÓLAR (BILHÕES)

Impressão comercial em Offset

$ 35,8

$ 59,3

– $ 39,6%

– $ 23,5

Impressão Comercial em Digital

$ 8,7

$ 1,0

+ 770%

+ $ 7,7

O crescimento de US$ 7,7 bilhões em impressão digital cobriu somente 32,8% dos US$ 23,5 bilhões do declínio em impressão offset Fonte: Annual Survey Of Manufactures do U.S. Census Bureau. Os dados são somente para o mercado de impressão comercial, não incluindo produção própria, escritórios, lojas de escritórios, fornecedores de serviços de postagens ou outros que ofereçam impressão offset ou digital

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gráfico com esse propósito, reunindo mais de 30 pes­soas entre em­pre­sá­rios gráficos, consultores, professores de dentro e de fora do setor, representantes do Sebrae, do BNDES, profissionais e diretores da própria Federação. Não foi, em si, um exercício simples, dada a amplitude do tema e a diversidade dos participantes, ainda mais tentando chegar a consensos em um único dia de trabalho e procurando olhar todo um setor sob uma esfera es­ta­dual. Ainda assim creio que valeu o esforço, com um trabalho final de cinco grupos formados durante o exercício e cujas conclusões ainda estão em processo de consolidação. Muitas boas ideias surgiram que, se bem elaboradas, poderão dar uma interessante direção a ser passada de forma positiva ao setor. Dessas conclusões, a que mais se enfatizou, não só durante os debates, mas também ao final da primeira consolidação de ideias, foi a de que o principal di­re­cio­na­dor do futuro da indústria é a rea­va­lia­ção do modelo de negócio das empresas. Bingo! Das discussões, guardei uma frase dita por Ricardo Maia, diretor executivo da Firjan, com a qual concordei integralmente: a gráfica tem que dar um passo além na sua cadeia de valor em direção ao clien­te. Perfeito. Romper a inércia de esperar por pedidos; entrar no negócio do clien­te, gerar demanda, assumir processos do clien­te e trabalhar em soluções que gerem ne­gó­cios e crescimento conjunto. Falei acima da força do meio digital e em uma conferência de imprensa da qual participamos na última feira Graph Expo, com o Guy Getch da EFI, ele colocava exatamente isso. Ao invés de lutar contra essa força, a gráfica tem que usá-​­la a seu favor, estimulando e gerando demandas através do digital, na compra online, na customização de produtos, nos processos de customização de massa, ou seja, fabricar e entregar lotes menores com preços de altos volumes. Como? Com as novas plataformas digitais, processos de produção adequados e novos modelos de venda. Na mesma feira tive a oportunidade de trocar ideias com diferentes em­pre­sá­r ios que estão em pleno processo de mudança. Vi uma apresentação de Doug Gant, diretor da Westamerica (www.westamerica.com), gráfica americana do segmento pro­mo­cio­nal que vem se tornando um fornecedor de projetos de comunicação aos seus clien­tes, com design, impressão, mala direta, online, ví­deos e fulfillment. Uma oferta em diferentes meios. Entrevistei John Budington REVISTA ABIGR AF  setembro /outubro 2016

e me encantei com a jornada de transformação da sua Global Printing (www.globalprinting. com), com sua plataforma de serviços de mar­ ke­ting aos clien­tes indo muito além da impressão. Ouvi a entrevista do Joe Qua­d rac­c i, da Quad Graphics, à nossa amiga Cary Sherburne, do WhatTheyThink, contando todo o processo de ajuste da empresa às novas demandas, incluindo o fechamento de diversas plantas, mas crescendo forte com as novas plataformas de integração de con­teú­do dos clien­tes. O que me marcou foi a sua definição de que a Quad era es­sen­cial­men­te uma excelente empresa de impressão, mas, hoje, é um parceiro multicanal do seu clien­te, levando seu arquivo digital onde ele o queira disponibilizar. Novos modelos de negócio. Novas formas de fazer negócio. Novas proposições de valores e be­ne­f í­cios aos clien­tes. Nessa jornada encontrei, como sempre, nosso também amigo e parceiro Dr. Joe Webb que tem, entre suas novas empreitadas, o livro e a metodologia lançados no ano passado junto com Chris Bony e Wayne Peterson chamada de “unsquaring the w ­ heel” (www. usnquaringthewheel.com), algo como desenquadrando a roda, em versão livre. Metodologia para ajudar empresas gráficas a cons­truí­rem modelos de negócio inovadores, que lançaremos no Brasil no próximo ano. Muito apro­pria­do para um setor em transformação como o nosso. Por outro lado, encontrei também em­pre­sá­ rios gráficos brasileiros que desanimadamente confessaram não ter mais ânimo para investir em um mercado que para eles já acabou. Chega. Em suas visões a indústria acabou, ponto final. Sem dúvida, olhando do ponto de vista deles, sim. Acabou da forma que era antes. Estão esgotados os modelos tradicionais. Se só sabemos trabalhar dessa forma e a mudança não nos anima, não há mesmo nada mais a fazer. Os investimentos são fortes, os de­sa­f ios não são pequenos e há que se ter a atitude da mudança, a vontade da mudança. Novos modelos não se cons­troem sozinhos. Exigem um novo olhar, uma nova perspectiva muito além das conhecidas fronteiras setoriais, do sempre fizemos assim. Exigem inovação e atitude. E é disso que precisamos para avançar. Hamilton Terni Costa hterni@anconsulting.com.br, é diretor geral da AN Consulting, www.anconsulting.com.br e diretor para a América Latina da NPES.


ECONOMIA Texto: Departamento de Estudos Econômicos da Abigraf

Selo de qualidade Sinais emitidos pelo Banco Central indicam que está chegando a hora de iniciar uma flexibilização na política monetária.

O

Copom não precisa esperar a inflação chegar mais perto da meta para dar início ao corte de juros. Fosse um BC sem reputação, talvez se tornasse necessário aguardar, afinal a inflação está próxima de 9%, acima do teto de 6,5%. Não é o caso. As expectativas inflacionárias dos analistas e as embutidas nos preços de ativos reduziram de forma satisfatória (para 12 meses adiante, estão em 5,16% e 5,87%, respectivamente, ante 6,9% e 9% no início do ano), indicando a confiança no compromisso e na capacidade do BC de entregar a inflação na meta. Quanto à capacidade de entrega, o que se discute não é a qualificação técnica dos membros do Copom, que é inquestionável, mas a possibilidade real de estar em curso uma mudança do regime fiscal que aumente o poder da política monetária. No quadro anterior, havia o temor de uma espiral inflacionária de origem fiscal que o BC não conseguiria evitar. Isso mudou. Sabemos que a política monetária tem baixa eficácia no Brasil — exigindo taxas de juros elevadas —, em função de fatores como a elevada segmentação do mercado de crédito (metade do crédito bancário tem taxas subsidiadas, o que compromete o canal de crédito da política monetária) e a indexação formal e informal ainda presente na economia. Um exemplo desse último ponto é o mercado de trabalho. Mesmo com taxas de desemprego recordes, os sa lários dos segmentos sindicalizados não recuam em termos reais. Além de ser ruim para a inflação, aumenta o desemprego. Além disso, a estrutura produtiva fragilizada pelo chamado custo-Brasil significa uma oferta agregada menos flexível, o que torna a economia mais vulnerável a

choques inflacionários. Por exemplo, a legislação causa tamanho custo trabalhista na comparação mundial e insegurança jurídica que, diante de um aumento de demanda, o empresário pode preferir elevar seus preços finais a contratar mais mão-de-obra e aumentar a oferta de bens e serviços. Apesar de todas essas questões, que parecem tornar os cortes de juros sempre arriscados no Brasil, há possivelmente um espaço para isso agora. A taxa real de juros (taxa de juros, descontada a expectativa inflacionária) está subindo, em função da queda das expectativas inflacionárias, enquanto o quadro econômico é ainda muito grave: o crédito secou e não há sinais de retomada; a saúde financeira das empresas é preocupante, o que significa risco não desprezível de quebra de empresas; e o desemprego poderá subir bastante, pois muitas empresas ainda estão cortando custos e ajustando o quadro de empregados, principalmente as médias e pequenas. Não estão descartadas novas leituras negativas do PIB trimestral. O ciclo de ajuste do setor real não está completo e há o efeito da política monetária restritiva ainda se materializando, enquanto a economia mundial desacelera, influenciando a dinâmica econômica do País. Pode até ser que ocorra um aumento marginal do investimento, uma vez que houve queda muito expressiva e algumas empresas buscam compensar a depreciação de suas máquinas e equipamentos. Ciclo de investimento já é outra conversa. Não há espaço para isso. Se o fundo do poço pode não ser sólido o suficiente, o que dirá a volta do crescimento. O BC esperar um pouco mais para cortar os juros, de forma a acelerar a convergência da inflação à meta, talvez não seja a decisão mais sábia no momento. Seria prudente o BC considerar o todo (equilíbrio geral, no jargão dos economistas), e não apenas a parte que lhe cabe (equilíbrio parcial), pois o primeiro afeta o segundo. Um quadro econômico mais frágil do que o

esperado pode significar perda de confiança dos agentes econômicos, um ambiente político difícil e mais destruição de crescimento potencial, com contração da oferta. Com tudo isso, o poder da política monetária de controlar a inflação seria afetado, apesar de todas as boas intenções. A agenda fiscal não parece um constrangimento ao BC no momento. Passado o impeachment, o governo se volta novamente para a agenda econômica. Procuram aumentar o diá logo com o Congresso e com a sociedade, e parecem mais atentos a eventos que possam atrapalhar a credibilidade do ajuste fiscal. Parecem ter aprendido a lição com os desdobramentos do ajuste do funciona lismo e o acordo frouxo da dívida dos Estados. Quem ficou de fora, agora reclama. Pensando os próximos meses, é possível afirmar que é mais garantida a aprovação de reformas fiscais do que a retomada efetiva da economia. O início do ciclo de corte de juros, em condições adequadas, poderá ter efeito simbólico importante, além do impacto usual na economia que contribui para a volta cíclica do crescimento. Seria o selo de qualidade do BC para a política econômica e de que a agenda fiscal está bem encaminhada. Um BC que aguarda a aprovação de reformas para iniciar a flexibilização monetária pode acabar alimentando o ceticismo dos agentes econômicos. Ora, se nem a autoridade monetária confia no ajuste fiscal, por que os agentes econômicos confiariam? O movimento do BC poderá ser importante sinal para investidores estrangeiros voltarem a olhar as oportunidades no Brasil, para o mercado de crédito iniciar sua normalização e para empresários repensarem planos de demissão, produção e investimento. Um impulso extra para a volta da confiança, ingrediente essencial para a retomada da atividade econômica. Claro que isso só é válido porque é um BC com credibilidade. Um BC zeloso de sua missão, mas atento aos sinais da economia. setembro /outubro 2016

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SINDIGRAF_BOLETIM_AN 21x28.pdf

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DAS IN DU STRIA S G RÁFIC E D 1.oAS SÃO PA U LO , NO ESTAD O DE SÁO PAULO ÔR

GRÁFICA

or S. FERR AZ, diret D E 1949 D EZEM BRO

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O Boletim da Indústria Gráfica (BIG), teve sua primeira edição em 1949 e, tinha como objetivo divulgar informações pertinentes ao setor gráfico como dados econômicos, cursos, palestras, eventos e anúncios. E agora, a história da Indústria Gráfica contada através desse acervo, está disponível on-line para consulta.

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Fotos: Gilberto Teles

Foto: Álvaro Motta

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erto de completar quatro décadas de atividade, a Margraf continua fiel aos valores seguidos por seu fundador, Vasco Faustino de Menezes: confiança absoluta no trabalho de sua equipe e compromisso com a qualidade e o cumprimento dos prazos. Com essa cartilha, a empresa conquistou papel de destaque no segmento promocional e editorial, produzindo tabloides, livros, catálogos, malas diretas, folhetos, revistas e material de ponto de venda. Do atendimento ao acabamento, todos os processos são realizados no parque gráfico de 20 mil metros quadrados localizado no bairro de Tamboré, no município de Barueri, na Grande São Paulo. Para alimentar um parque capaz de consumir 200 toneladas por dia e escoar a produção, a área de logística e o estoque de matéria-prima ficam em outros 18  mil metros quadrados próximos à gráfica. Com 38 anos de atividade, a empresa continua a valorizar o treinamento de seus

Vasco Faustino de Menezes, fundador e presidente da Margraf


Fotos: Gilberto Teles

340 funcionários, muitos dos quais estão na Margraf desde sua criação. E acompanhando as exigências de mercado, a gráfica vem nos últimos anos adaptando-se aos novos requisitos de proteção ambiental. Em  2012 implantou procedimentos da metodologia P+L (Produção Mais Limpa), que envolve a aplicação contínua de atividades preventivas integradas aos processos, produtos e serviços, para aumentar a eficiência ambiental e reduzir os riscos ao homem e ao meio ambiente. De acordo com Sônia Menezes, responsável pelo atendimento e prospecção de clientes, a empresa deve seguir nessa linha, buscando ajustar a sua estrutura às necessidades do mercado. “Ainda não é hora de investir. Temos de esperar sinais mais consistentes de


Foto: Álvaro Motta

recuperação na economia. Mas a ideia é trabalhar com uma estrutura mais enxuta, preservando a nossa capacidade produtiva, visando a elevação da rentabilidade.” Apesar dos problemas conjunturais, a receita da Margraf se mantém. Atualmente, 60% de seu faturamento vêm dos tabloides de oferta, impressos nas rotativas, com tiragens que superam um milhão de exemplares; e 40% do material promo cional, livros didáticos e paradidáticos, produzidos nas máquinas offset planas em volumes menores, porém de maior valor agregado. Enquanto aguarda ventos mais favoráveis, Sônia e seus irmãos Vasco Júnior, Vânia e Ana Cristina, com os quais divide a direção da empresa, sob os olhares atentos do pai, planejam investir em uma plataforma web-to-print que lhes permita atender os segmentos de tabloides e de catálogos em todas as regiões do País.

MARGRAF EDITORA E INDÚSTRIA GRÁFICA LTDA. Av. Piracema, 1092 (Tamboré) 06460- 030 Barueri SP tel. (11) 4689.7100 www.margraf.com.br


MANTENDO A AGILIDADE COSTUMEIRA NA ENTREGA, EMPRESA AGUARDA SINAIS DE RECUPERAÇÃO NA DEMANDA PARA INVESTIR.

Texto: Tânia Galluzzi

ANO 25 Nº 109 OUTUBRO/2016 Texto: Tânia Galluzzi

ANO 22 Nº 89 ABRIL/2013

Tabloides e catálogos continuam na mira da Margraf


Brainstorm

Parabéns! Nada melhor do que comemorar os vinte anos do Anuário, produzindo o melhor acabamento.

Nós, da GreenPacking, estamos orgulhosos em participar da produção do 20º Anuário Brasileiro da Indústria Gráfica. Com a grande experiência de nossos profissionais, oferecemos um upgrade de excelência e qualidade à altura dessa importante publicação. Conheça você também os nossos serviços: Hot Stamping, Laminação (BOPP Fosco e Brilho, e Soft Touch), Metalizado (Prata Brilho), Verniz (UV Total e Reserva), Serigráficos (UV Especiais, Fosco, Gloss e High Print) e Glitter. De acabamento nós entendemos.

Participaram da produção da capa e embalagem do 20º Anuário Brasileiro da Indústria Gráfica: GreenPacking - Enobrecimento (laminação fosca, verniz UV com reserva, hot stamping e relevo seco) Congraf - Desenvolvimento de facas e Impressão Abril - Acabamento (lombada quadrada e PUR) Suzano - Cartão TP White Plus 300 e 350 g/m2) Prolam - Filmes para laminação Bronz’Art - Clichês para hot stamping e relevo seco MP Brasil - Fitas de hot stamping Brainstorm - Projeto gráfico e arte final

Av. do Anastácio, 50 Parque São Domingos São Paulo SP CEP 05119-000 Fones: (11) 2936.2000 e (11) 2936.2006 greenpacking.com.br jjesus@greenpacking.com.br


EDUCAÇÃO

Walter Vicioni Gonçalves

Conselhos de um lápis

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o mês de outubro, comemora-se no Brasil, o Dia dos Professores. Justa homenagem. Em tempos pretéritos, para os alunos, outubro era o mês do outubrotas ou tu morres, pois as notas estavam ali, gravadas nos boletins ou nas cadernetas escolares e os exames finais batendo à porta no calendário. Em alusão à data, quero compartilhar com os leitores a ideia de um texto lido recentemente, cujo título, insólito, chamoume a atenção de imediato: Conselhos de um Lápis. Esse objeto banal, que faz parte do cotidia no de todos nós, parte integrante do exercício da profissão dos educadores, uma vez que sua história se mistura com a história do ensino e da aprendizagem, que conselhos teria para me dar, pensei. Quem de nós não se lembra de suas primeiras aulas, os lápis pretos apontados e arrumados dentro do estojo e a professora nos ensinando a maneira correta de segurá-los entre os dedos, para que a letra saísse redonda e bonita? Em suas newsletters, Michelle Cummings sempre apresenta sugestões a professores interessados em tornar suas aulas mais atraentes. Foi numa delas que encontrei o referido texto. Nele, a autora relata a história de um fabricante de lápis que, antes REVISTA ABIGR AF

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de colocar cada um na embalagem que os levaria mundo afora, tomava- o nas mãos e, talvez como um professor com seu aluno ao término de um curso, grave e solenemente, ou como eu o faço hoje com vocês, dizia a cada um deles: Como responsável que me sinto por você, queria lhe dizer que há cinco coisas que você precisa saber antes de sair por aí, cinco conselhos, se você preferir. Lembre-se sempre, e não se esqueça de que você poderá se transformar no melhor lápis que você pode ser. Basta que você queira. Descobri depois que outros educadores fizeram uso da parábola do lápis, mas achei oportuno relembrá-la nesta data. 1. Você poderá fazer grandes coisas, mas isso não ocorrerá se ficar sozinho. Precisará das mãos de alguém. Estar ligado aos demais é muito importante e compartilhar seus talentos, precioso. Sem falar que aprendemos melhor uns com os outros. 2. De vez em quando, ao ser apontado, você vi vencia rá ex pe riências doloridas, traumáticas até, mas lembre-se, elas farão de você um lápis melhor. As agruras da vida certamente o transformarão numa pessoa, ou num lápis, mais forte, mais resistente. 3. Você poderá, contudo, corrigir os erros que eventualmente cometer. Uma borracha grande será sempre um luxo, mas na maioria das vezes você terá apenas uma

pequenina borracha em sua extremidade para apagar as falhas. 4. No fundo, o mais importante de tudo, sempre, é o que está lá dentro de você. Um lápis pode ter várias formas e tamanhos, mas a qualidade de seu grafite é o que conta. O grafite, em rea lidade, é constituído essencialmente de carbono, material que forma também os diamantes. Quantos talentos preciosos não existem lá escondidos que poderiam ser úteis às mudanças que desejamos fazer. 5. Você tem de deixar sua marca sobre todas as superfícies em que for usado. Única e exclusiva. E, em quaisquer condições, tem de continuar a escrever, pois de suas ações, mudanças significativas poderão surgir. Acredito que as recomendações daquele fabricante para seu lápis valem para cada um de nós, igualmente. Assim como aquele lápis, somos únicos, nenhum ser humano é igual a outro, sendo a existência de cada um, um fato — e um tesouro — em si. Para Deepak Chopra, cada ser desempenha um papel importante na evolução do cosmos e, na maioria das vezes, nem se dá conta da relevância disso. A existência de cada um nos dá a oportunidade de fazermos algo novo, único e necessário, todos os dias. Temos esse poder de transformar nossa


rea lidade e, como professores, talvez a obrigação de apoiarmos nossos alunos a fazerem o mesmo, a darem um significado à própria existência, lembrando, principalmente, que cada um deles é como um lápis também, repleto de possibilidades. Com toda sua singularidade, com seu grafite, deixando marcas, cometendo erros, “apontados” e desapontados. Mas cada um e somente cada um poderá escrever sua história, deixar suas impressões. Quantas histórias — belas e raras — existem por serem vividas e escritas. Nenhuma delas deveria ser desperdiçada. E como escreveu Elizabeth Gilbert, os tesouros escondidos lá dentro estão esperando que você diga “sim”. Para que você se transforme no melhor que puder ser. Como podemos operar tal mudança — pela qual todos nós ansia mos? Como podemos mudar, sermos melhores e, juntos, nos ajudarmos a transformar o mundo? Acreditem, essa pergunta que lhes faço é a pergunta que me faço todos os dias como educador: como podemos contribuir para a construção de um país melhor? A resposta me parece uma só: tendo a coragem

de ser o melhor que podemos ser e ainda ajudando as pessoas à nossa volta a fazêlo também. Trabalhando juntos, conscientes e comprometidos, corrigindo nossos erros, aprendendo com nossas dificuldades, lapidando nossa essência — nosso grafite — e marcando nossas ações com amor, respeito, solidariedade e compaixão. Fazendo bem feito nosso trabalho de todos os dias. De todos os anos, de toda uma vida. Navegar nunca foi tão preciso. Mas, antes de sairmos mundo afora, lembremo-nos dos conselhos deixados para aquele lápis. Não nos esqueçamos de que, igualmente, podemos nos transformar no melhor profissional que pudermos ser. Podemos tornar nossas vidas plenas de significado e vivermos melhor uns com os outros, pintarmos este país com cores vivas, com a cor da esperança e, juntos, escrevermos uma nova e fantástica história. Há um sonho coletivo que anseia por ser concretizado. E eu bem sei que vocês, caros leitores, podem ser os lápis mais resistentes, brilhantes e preciosos do estojo. Outubro é mês de brotar! Walter Vicioni Gonçalves Diretor regional do Senai-SP, superintendente do Sesi-SP e membro do Conselho Estadual de Educação de São Paulo setembro /outubro 2016

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FEIRA INTERNACIONAL

A apresentação final ficou a cargo de Assunta Camilo, diretora do Instituto de Embalagens. Ela apresentou um histórico da entidade, suas principais ações e falou sobre os fatores econômicos que vêm influenciando o segmento de embalagens. “Um dos principais desafios hoje é reduzir custos sem sacrificar o estilo, a conveniência e a sustentabilidade”, disse. Ela também anunciou o lançamento de um novo livro do instituto durante a Interpack 2017.

Interpack: inovando a cadeia produtiva do setor de embalagens Evento será realizado em maio de 2017, na Alemanha, e contará com mais de 2.600 expositores, de 60 países. Texto: Ada Caperuto

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indústria de embalagens é um motor econômico importante em todo o mundo. De acordo com o Smithers Pira, o mercado global do setor está crescendo a uma taxa anual de 3,5% e, até 2020, um volume de 998 bilhões de dólares será atingido. É um mercado altamente promissor para o qual está voltada a edição 2017 da Interpack, programada para 4 a 20 de maio, em Düsseldorf, Alemanha. A principal feira de soluções para os convertedores de embalagens promete bater todos os recordes de sua história. Esta foi a impressão deixada por Bernd Jablonowski, diretor da Interpack, durante a apresentação oficial da exposição aos parceiros brasileiros. O evento aconteceu no dia 19 de setembro, no Hotel Renaissance, em São Paulo, com a presença do presidente da Abigraf- SP, Sidney Anversa Victor, o diretor de Relações Institucionais da Abigraf Nacional, Reinaldo Espinosa, e o coordenador de relações com o mercado da Abigraf, Rogério dos Santos Camilo. Na abertura, Rico Azeredo, diretor da Emme Brasil, empresa que representa a Messe Düsseldorf no País, explicou REVISTA ABIGR AF

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os objetivos da apresentação especial do evento para o Brasil. Na sequência, Jablonowski falou sobre os principais números da feira, que deverá reunir 2.670 expositores de 60 países, cujos produtos e soluções serão vistos por mais de 170 mil visitantes de 163 nações. O executivo informou que existe uma lista de espera de 250 companhias interessadas em integrar esta edição do evento, mas não há mais espaço nos 19 pavilhões, que ocupam uma área total de 262.400 metros quadrados. “Não se trata de um evento dedicado a embalagens deste ou daquele material. Lá você encontrará toda uma cadeia de valor, no qual a impressão se tornou uma parte muito importante, em particular, como instrumento de comunicação e marketing. Por isso mesmo, cada vez mais a indústria gráfica quer estar presente na Interpack”, declarou. Em seguida, Christian Traumann, diretor da Multivac, apresentou os números do segmento de alimentos e da indústria farmacêutica. Para se ter uma ideia, nos últimos cinco anos as vendas de alimentos embalados em todo o mundo aumentaram em uma média de 2% ao ano, atingindo 750 milhões de toneladas em 2015. De acordo com a VDMA (Federação Alemã de Engenharia), o comércio exterior internacional de processamento de alimentos e máquinas de embalagem aumentou 52% nos últimos 10 anos, atingindo 38 bilhões de euros em 2015.

INOVAÇÃO E EVENTOS PARALELOS

De acordo com os organizadores, a Interpack é uma plataforma única para as empresas que oferecem produtos e soluções em tecnologia de embalagem e processos relacionados, bem como meios de embalagem e materiais para os vários segmentos desta indústria: alimentos, bebidas, confeitos e produtos de panificação, indústria farmacêutica, cosmética, e de bens de consumo não-alimentares e industriais. Em parceria com a VDMA , a Interpack 2017 apresentará o conceito Industry 4.0, uma espécie de Salão Tecnológico que oferecerá soluções em embalagens, máquinas e engenharia de processos, para abrir novas oportunidades de segurança, rastreabi li da de e embalagens personalizadas, entre outras aplicações. Além da lotação esgotada no espaço de exposições, também está concorrida a programação de eventos paralelos. Um deles é o Save Food, que engloba uma área especial de inovações tecnológicas e conferências: o Innovation Park, onde serão apresentadas embalagens e soluções destinadas a reduzir as perdas de alimentos e resíduos. O local incluirá um fórum onde as empresas expositoras poderão demonstrar seus cases e soluções voltadas a este conceito.

INTERPACK 2017 Düsseldorf Exhibition Centre Stockumer Kirchstr. 61 D-40474 Düsseldorf, Alemanha 4 a 20 de maio de 2017, das 10 às 18 h Representante no Brasil Emme Brasil Tel 11 2365-4313 www.emmebrasil.com.br Para mais informações, visite: www.interpack.com


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EMBALAGENS

Foto: Divulgação

Corrugado em alta

Embalagens cada vez mais sofisticadas, diversificação de equipamentos e investimentos na modernização tecnológica fazem do papelão ondulado um segmento promissor. Texto: Ada Caperuto

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ma tendência vem se desenhando atualmente no mercado gráfico europeu: a expansão do segmento de papelão ondulado. De acordo com a Federation of European Screen Printers Associations (Fespa), a produção global deverá ultrapassar os 260 bilhões de metros quadrados em 2020, crescendo a uma taxa de cerca de 5% ao ano. Um levantamento da Smithers Pira denominado “O futuro da impressão digital para a embalagem em 2018” (com dados de 2013), previa que o volume de conversão de papelão ondulado aumentaria em mais de 22 milhões de toneladas entre 2014 e 2019. No Brasil, o cenário ainda não é tão positivo, mas tende a seguir o mesmo caminho.

Números da Associação Brasileira de Papelão Ondulado (ABPO) mostram que o setor possui 90 produtoras de chapas e caixas de papelão ondulado e mais de 400 empresas de cartonagem (convertedoras de chapas em caixas). O faturamento bruto do segmento, em 2015, superou R 12 bilhões, com geração total de impostos de R 3 bilhões. Apesar disso, houve queda de 2,8% no volume de expedição no mesmo período. “Em 2016, considerando-se o acumulado de janeiro a agosto, observamos uma queda de 1,4% no volume, mas crescimento de 3% no faturamento, que totalizou R 7,8 bilhões no período. A expectativa para o fechamento do ano é de uma queda de 1,2% no volume em relação a 2015. Já as projeções futuras


mostram um crescimento de 1,6% em 2017, acima do crescimento de 1,3% do PIB previsto pelo relatório Focus”, informa Sue­l i Gonçalves, gerente executiva da ABPO. De acordo com a gerente, o papelão ondulado é usado em praticamente todos os segmentos da indústria de transformação, com destaque para alimentos, que representam 60% do mercado; químicos e derivados, com 7%; produtos far­ma­cêu­ti­cos e de hi­g ie­ne pes­soal, com 5,2%; e bebidas, com 5,4%. Sue­li também comenta que o desempenho do setor é um importante indicador do comportamento da economia do País. Um dos principais protagonistas do segmento no Brasil é a Klabin. De acordo com Ga­briel­la Michelucci, diretora de papelão ondulado da empresa, houve aumento no volume de vendas de embalagens de papelão ondulado no segundo trimestre de 2016. “Isso demonstra competitividade em um cenário adverso, além da re­si­liên­cia dos mercados atendidos”, afirma a executiva. Esse crescimento pode ser explicado por uma valorização do papelão ondulado na produção de embalagens. Longe de ser aquela caixa de cor parda, quase sem impressão ou outros recursos, o ma­te­r ial vem ganhando visibilidade na “ponta da gôndola” — e também graças ao comércio eletrônico. A impressão gráfica ganha espaço na produção de invólucros mais elaborados, com estruturas di­fe­ren­c ia­d as e atrativos visuais. Ga­brie­la comenta que a Klabin é líder no mercado brasileiro de embalagens de papelão ondulado e desenvolve embalagens para aplicações diversas. “Disponibilizamos também caixas em papelão micro-​­ondulado que ocupam menos espaço e são indicadas para projeto de embalagem-​ ­display que organiza e permite exposição no ponto de venda, com conceito inovador, que reduz o manuseio dos produtos e o tempo de serviço, entre outras aplicações”, explica. LINHA DE PRODUÇÃO

Atentas ao movimento de mercado, as empresas fornecedoras estão investindo em equipamentos de impressão e acabamento com o objetivo principal de aumentar a produtividade das in­dús­t rias gráficas. De acordo com Ernande Ramos, diretor

de vendas para a América Latina da EFI, a empresa oferece um port­fó­l io completo no Corrugated Packaging Suite, com soluções para administração, pré-​­produção, produção e reportes. “O papelão ondulado, por ser uma mídia de aplicação flexível, é muito útil como embalagem já que protege os produtos e bens de consumo, além de ser muito utilizado na produção de displays de ponto-​­de-venda. Ele pode ser customizado para comportar quase todos os tipos de produtos, da linha far­ma­cêu­ti­ca aos alimentos à granel, sendo amplamente utilizado pela indústria. Também é um produto que ajuda a reduzir custos, graças à sua capacidade reciclável”, comenta o executivo. Ramos avalia que o segmento ganhou impulso com a elevada busca por embalagens flexíveis e resistentes para o varejo e o mercado de alimentos processados. “Com a previsão de crescimento de mais de 4% ao ano nos próximos cinco anos, a EFI se preparou para contribuir com a ascensão dos produtores. O segmento de embalagens é um dos mais promissores do mercado de impressão e estamos atentos a esse crescimento, principalmente na América Latina, por conta do aumento da demanda mun­ dial”. Para atender este nicho, a EFI pesquisa e desenvolve diversas soluções com o propósito de auxiliar os clien­tes a trabalhar com automação ra­cio­na­li­za­da de alta efi­ciên­cia e qualidade. “Estamos preparados para oferecer tudo que o produtor precisa, seja em automação, impressão ou serviço. Recebemos um feed­back gratificante dos clien­tes em relação ao nosso port­fó­lio. Isso é um incentivo para con­ti­nuar­mos com as pesquisas oferecendo as melhores soluções nos próximos anos, ajudando os em­pre­sá­r ios a crescer e fortalecer suas produções, com soluções integradas”, acrescenta Ramos. Quem também investe no setor é o Grupo Furnax. De acordo com o gerente co­mer­c ial Rogerio Castilho, a empresa oferece uma linha completa para o segmento de embalagens, da impressão ao acabamento. “Em nosso port­fó­lio contamos com grandes fabricantes, como Sunrise e Komori, dos quais co­mer­cia­l i­za­mos impressoras flexográficas e offset, respectivamente. Em acabamento, a Furnax conta

com equipamentos para corte e vinco automáticos (planas e rotativas), acopladeiras, fechadoras de cartuchos e grampeadeiras”. Castilho explica que a Furnax atende diversos tipos de clien­tes no segmento de caixas de papelão ondulado e micro-​­ondulado, porém há uma necessidade cada vez mais recorrente das empresas de expor, com qualidade e atratividade, embalagens desse tipo no ponto de venda. Ele cita como exemplos os setores de bebidas, brinquedos e eletrodomésticos. “O Grupo Furnax é um grande parceiro dos fornecedores de equipamentos para fabricação de embalagens, segmento que iniciou as atividades da empresa em 1994. Desde então, vem se destacando por sempre trazer novidades tecnológicas para esse mercado e prestar consultoria es­pe­cia­ li­za­da no ramo. Para 2017, as expectativas são as melhores, com aumento significativo de vendas para o segmento e lançamentos de peso para o mercado”, destaca. Outro grande fornecedor do setor é a Bobst. De acordo com Arnobio Freire, responsável pelas vendas dos equipamentos do segmento de embalagens corrugadas, a principal área de atua­ção da empresa é a de máquinas em linha, es­pe­cial­men­te FFG e DRO. “Temos um parque de cerca de 90 equipamentos instalados em todas as re­ giões brasileiras. Estes equipamentos podem ser encontrados nos maiores produtores de embalagens de papelão ondulado do País, assim como nos de médio porte. A Bobst investe constantemente em inovações tecnológicas”, diz. Um exemplo é o lançamento do sistema Plas­ma­t reat para tratamento de embalagens resinadas, que garante uma boa aderência da cola mesmo em embalagens altamente resinadas — até então um desafio para os fabricantes. Freire diz que, mesmo nos últimos anos, recessivos não apenas para o setor, a Bobst fez uma série de instalações. “Contamos com uma equipe exclusiva de vendas e serviço de pós-​­venda, uma ex­pe­riên­cia com mais de 30 anos. Nossa expectativa para o próximo ano é otimista, o mercado está em busca de aumento de produtividade e melhoria de qualidade. Por isso, acreditamos que em 2017 os projetos que estão atual­ men­te parados deverão ser retomados”. setembro /outubro 2016  REVISTA ABIGR AF

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NOVIDADES EM EQUIPAMENTOS

Nozomi C18000, da EFI

EFI

base de água quanto verniz UV). Uma das vantagens do equipamento é a possibilidade de trocar os cilindros de impressão com a máquina em produção. A velocidade máxima de produção é de até 10.000 folhas/hora e este equipamento processa diversos tipos de formato até o tamanho máximo de impressão de 2.800 mm × 1.675 mm. Versátil, ela pode processar desde ma­te­r ial de micro-ondulado até de parede dupla.

FURNAX

Lançada durante a Drupa, a impressora Nozomi C18000 a jato de tinta LED oferece passagem única sobre papelão ondulado, com alimentação por folhas avulsas. Com velocidade maior que os similares empregados nesse nicho, o equipamento atende a transição do mercado analógico para digital e estará disponível para co­ mer­cia­li­za­ção no Brasil a partir de 2017, mas já existem reservas para aquisição. Outras soluções da EFI são os equipamentos da linha Vutek, que imprimem em uma série de substratos, incluindo o papelão ondulado, como a LX3 Pro, a Vutek HS100 e a Vutek HS125 Pro, que apresentam alto nível de produtividade, excelente qualidade de impressão e baixo TCO.

única passagem, agregando o conceito de troca rápida. Ou seja, é possível preparar o próximo pedido enquanto outro está em produção. Ela pode ser configurada

BOBST

com até 8 unidades de impressão e é possível produzir de impressões simples até as mais sofisticadas, como aquelas em policromia com aplicação de verniz (tanto à

Uma das novidades para o segmento é a DRO 1628 NTRS (Rapid set), linha que imprime, corta, vinca e paletiza em uma

DRO 1628 NTRS, da Bobst

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Um dos destaques na linha de impressoras é a Lithrone GX 40 da Komori. Ela cumpre todos os requisitos ne­ces­sá­r ios de impressão de embalagens, tanto na qualidade do

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impresso final como na preo­cu­pa­ção am­ bien­tal, apresentando baixo consumo de energia, redução das emissões de calor e design para economia de espaço na unidade fabril. Para acabamento, o port­fó­lio da Furnax inclui produtos da SBL , como máquinas automáticas de corte e vinco e fechadoras de cartuchos, além de uma linha completa de laminadoras de BOPP e acopladeiras de alta tecnologia. Na impressão flexográfica, destaca-​­se a Flexo Folder ­Gluer Sunrise. Utilizada por grandes empresas do segmento, a Sunrise apresenta baixo custo de manutenção e excelente qualidade de impressão e registro. Mas o seu grande trunfo está no curto tempo de setup, com sistemas para lavagem rápida de tinteiros, troca rápida de lâminas raspadoras e rolos anilox sobressalentes já acoplados no equipamento.


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COMUNICAÇÃO VISUAL

Olimpíadas em grandes formatos Mídia do segmento OOH foi o recurso de comunicação visual utilizado para divulgar as partidas de futebol que ocorreram na cidade de São Paulo, durante os Jogos Olímpicos Rio 2016. Texto: Letícia Cardoso

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pesar de não ser a cidade-sede das Olimpíadas 2016, a capital paulista recebeu alguns jogos de futebol rea li zados na Arena Corinthians, em Itaquera. Não apenas isso, mas também a proximidade com o Rio de Janeiro motivou o investimento em ações publicitárias voltadas à divulgação deste grande evento esportivo que, pela primeira vez em sua história, foi rea lizado em uma cidade da América do Sul. Afinal, no período de 5 a 21 de agosto, os olhos do mundo inteiro estavam voltados para o Brasil. Diversas empresas patrocinadoras do evento prepararam planos de marketing para atingir também os paulistanos. Um desses recursos foi o uso de materiais de comunicação externa, como os banners de grandes formatos. Arnaldo Peres, diretor comercial da gráfica NeoBand X, empresa que participou de algumas das ações desenvolvidas pelos patrocinadores das Olimpíadas na cidade de São Paulo, informa que foram utilizados diferentes materiais no segmento OOH (mídia out of home), para impactar o público que circularia pelos locais onde ocorreram não apenas os jogos, mas outras ações re lacionadas ao evento. “Foram utilizadas lonas, adesivos, papéis, placas e displays. Tudo focado no segmento de OOH, com materiais voltados para a divulgação em mobi liá rio urbano, metrô, shoppings e aeropor tos.” REVISTA ABIGR AF

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As ações tiveram início alguns dias antes do primeiro jogo, que ocorreu em 3 de agosto, com duas disputas de futebol do torneio na Arena Corinthians. Além destes, os gramados do “Itaquerão” receberam mais oito jogos, sendo quatro de futebol feminino e quatro da equipe masculina.

Por este motivo, houve preferência para que as ações ficassem concentradas na linha 3-vermelha, do metrô, que liga as estações Palmeiras-Barra Funda e CorinthiansItaquera. “O metrô recebeu uma decoração especial das Olimpíadas. Nós colocamos materiais de comunicação vi sual em todas as linhas, mas a prioridade foi a linha vermelha, porque é o principal acesso até a Arena. Então houve uma orientação em vários idiomas, sempre respeitando as normas do design do elo Comitê Olímpico Inter nacional (COI) para as Olimpíadas, para que as pessoas que circulassem pelos trens e estações soubessem de informações sobre horários dos jogos”, explicou Peres. Além da divulgação no metrô, Peres acentuou um outro tipo de ação de impacto na cidade. “Em Itaquera, a Coca- Cola fez uma ação especial em uma passarela que liga o shopping, a estação do metrô e o estádio. Quem chegou em Itaquera, viu um corredor inteiro de Coca- Cola. Esse impacto, só a mídia OOH consegue dar.” Um balanço dos Jogos Olímpicos Rio 2016 divulgado pelo COI apontou que a cidade de São Paulo recebeu 1,2 milhão de visitantes durante o torneio. Desse número, 410 mil eram estrangeiros. Um público bastante expressivo para os anunciantes que aproveitaram o bom momento para colocar suas marcas e mensagens em um grande e vistoso formato.


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Área profissional onde não faltam eventos e animada troca de informações é a do design tipográfico. Depois da passagem da trupe da AtypI em 2015, os encontros como o DiaTipo, criado em 2008, proliferaram pelo País, de Porto Alegre a Caruaru; e sites como Tipocracia, de Henrique Nardi, no ar desde 2003, tornaram-se referências para estudantes e profissionais. Exposições pioneiras como Tipografia Brasilis, organizadas entre 2000 e 2003 na FAAP, abriram caminho para eventos maiores como Tipos Latinos, sucesso em quantidade e qualidade tipográfica. Em 2016 o Senac–Campus Santo Amaro, em São Paulo, abriu espaço para a VII Exposição Tipos Latinos, organizada por Delfim Junior e Tadeu Costa, com a coordenação do Comitê Brasil – Tipos Latinos, com os projetos selecionados na edição 2016.

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Atualmente muitos eventos de publicações independentes mostram obras interessantes: são as feiras gráficas, como os eventos Tijuana, Feira Plana e Feira Miolo(s), em São Paulo. Estes encontros de poetas, impressores, editores, escritores, estudantes e designers de todo o Brasil, revelam boas ideias em encontros quentes e emocionantes. Currently there are many fairs of independent publications that show interesting publications: are represented graphical fairs in São Paulo, the events Tijuana, Feira Plana and Feira Miolo(s). These poets meetings and printers, advertisers and publishers, writers and designers from all over Brazil, reveal good ideas in warm and exciting encounters.

Latinos s o p i T Ti ju

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Fernando Díaz falou sobre a história da tipografia no Uruguai.

A segunda edição do DiaTipo, em Porto Alegre, realizada em setembro nas instalações da UniRitter, movimentou os designers e tipógrafos do Sul e de países vizinhos. ¶ A equipe da organização composta por Alexandre Fontes, Alice Neumann, Ana Laydner, Henrique Beier, Mariane Rodrigues, Monike Borsoi e Sauê Burger Ferlauto também foi responsável pela identidade visual do evento,que utilizou as tipografias Tenez do carioca Rodrigo Saiani (typefondry Plau), e a Libertad da TipoType, do uruguaio Fernando Díaz, ambos – com Andrea Kulpas, Daniel Sabino, Fábio Haag, Tereza Bettinardi e Volnei Matté – palestrantes do evento. https://plau.co/shop/tenez/ http://tipotype.com/libertad/ www.diatipo.com.br/rs e-mail rs@diatipo.com.br.

Porto Alegre fica no Extremo Sul do Brasil e é o centro geográfico do Mercosul. A cidade acolheu imigrantes de todo o mundo, tornando-se uma cidade multicultural por natureza.

Fotos Marcelo Curia

Projeto/produto da Membrana, editora independente

Acima Auditório Master do Campus Zona Sul da UniRitter, em Porto Alegre.

http://cargocollective.com/Membrana

À esquerda Rodrigo Saiani, professor de Tipografia e Desenho Tipográfico na Miami Ad School, Rio de Janeiro.

[Membrana é um processo de produção que envolve artes gráficas, edição, fotografia] de Douglas Garcia e Marina Oruê presentes na Tijuana 2016.

Ti juana DIA Tipo RS setembro /outubro 2016

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ILUSTRAÇÃO Texto: Álvaro de Moya

O inimitável J. Carlos Mestre da ilustração, caricatura e artes gráficas, J. Carlos ocupa lugar de destaque na arte brasileira.

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esde cedo, o ca rioca José Carlos de Brito Cunha (1884–1950), que se tornou conhecido como J. Carlos, mostrou talento para o desenho. Mas somente aos 18 anos, no semanário O Tagarela, teve o seu primeiro trabalho publicado. Era uma charge medíocre e saiu com a ressalva de que se tratava de um principiante. Daí para a frente, a transformação foi ex traordi nária e despontava a obra de um grande artista. Em menos de um ano já ilustrava a capa do semanário e, rapidamente, seguiram-se ilustrações para as publicações mais

importantes da então Capital Federal e, depois, de São Paulo. Muito valorizado, seu trabalho apareceu com fre quência em O Malho, O Tico-Tico, Fon- Fon, Careta, A Cigarra, Para Todos, Eu Sei Tudo, Revista da Semana e O Cruzeiro, entre outras. Revelou-se um notável artista gráfico, ilustrador, caricaturista e chargista político. Como se não bastasse, foi também escultor, além de autor e cenógrafo da revista teatral “É do outro mundo”, que permaneceu por muito tempo em cartaz no Teatro Recreio. Apaixonado pelo Rio de Janeiro, retratou a sociedade ca rioca, seus tipos e costumes, na primeira metade do século XX. Na década de 1920, criou as graciosas melindrosas, carioquinhas ao mesmo tempo inocentes, sexy e brejeiras.

Em 1941, por ocasião da visita de Walt Disney ao Rio, após recusar oferta para trabalhar nos Estados Unidos, J. Carlos entregou ao americano o desenho de um papagaio, o qual, certamente, serviu de inspiração para a criação, pouco tempo depois, do personagem Zé Carioca. Uma das melhores definições sobre J. Carlos coube ao grande escritor José Lins do Rego, ao afirmar que ele está para a caricatura brasileira assim como Villa-Lobos está para a música e Machado de Assis para a literatura.

Álvaro de Moya é autor do livro Vapt-Vupt

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HISTÓRIA VIVA

Foto: Álvaro Motta

“Juro que dedicarei toda a minha vida à tarefa de espalhar a paixão pelos quadrinhos pelo Brasil e pelo mundo, lutando com todas as minhas forças contra o preconceito que recai sobre essa arte, contra os textos rasos e às edições mal impressas.” Álvaro de Moya

Com vocês, o mentor dos quadrinhos no Brasil: Texto: Tânia Galluzzi

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H

Álvaro de Moya!

á muitas formas de contar o tempo. Horas, dias, meses, anos, o passar da vida no monótono badalar de um an­ tigo relógio de pêndulo. A duração de uma existência pode ser marcada por feitos, ou desfeitos, viagens, conquistas. E pode também ser contabilizada por encontros. Fortuitos ou planejados, são determinantes na trajetória de qualquer um, construindo pontes, quebrando paredes, erguendo muros. No caminhar de Álvaro de Moya eles fo­ ram tantos que não cabem aqui. Pinçaremos alguns para montar um varal de pequenas his­ tórias dessa figura tão especial para os quadri­ nhos e para a própria Revista Abigraf. E se você ficar insatisfeito, corra os dedos numa tela ou num teclado qualquer, que vai encontrar muita

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coisa sobre o nosso personagem. Melhor, vá a uma livraria ou uma biblioteca e conheça seus livros, leia o muito que ele tem para lhe contar. FLASH GORDON

Álvaro nem sabia ler direito quando folheou pela primeira vez a história de Flash Gordon no Planeta Mongo, de Alex Reymond. “Meu irmão mais velho tinha dois álbuns do Flash Gordon. Eu entrava escondido no quarto dele, pegava os álbuns e copiava os desenhos. Depois colocava milimetricamente no mesmo lugar pra ele não perceber. Fiz isso por muito tempo e um belo dia ouvi ele dizer para um amigo: ‘Meu irmãozi­ nho desenha muito bem’. Aquilo entrou na mi­ nha cabeça e naquele momento decidi que que­ ria ser desenhista de histórias em quadrinhos.”


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JAYME CORTEZ

Antes dos 20 anos Álvaro já adaptava trechos da Bíblia para os quadrinhos ao lado de João Gitahy, desenhista pro­f is­sio­nal que o ensinou a usar o nanquim e os pin­céis. Mas Gitahy não era bom em autopromoção e Álvaro resolveu bater à porta de A Gazeta Juvenil com uma pá­ gina de quadrinhos de fa­roes­te debaixo do bra­ ço. O editor, Mes­sias de Melo, não deu atenção, mas estava lá Jayme Cortez, que viu o ma­te­ rial e convidou Álvaro para encontros sabáti­ cos a fim de falar sobre quadrinhos, cinema e literatura. Nascia aí uma amizade que ren­ deria, na década seguinte, a organização da primeira mostra de quadrinhos do mundo, a

Exposição In­ter­na­cio­nal de His­tó­r ias em Qua­ dri­nhos. “Tínhamos poucas re­fe­rên­cias no Bra­ sil. O quadrinho estava relegado a um plano in­ fe­r ior no mundo das artes. Nós queríamos ver como eram os originais dos grandes nomes dos quadrinhos e escrevemos para muita gente pe­ dindo originais, inventando que fa­r ía­mos uma exposição. Para nossa surpresa todos respon­ deram, muitos igualmente admirados porque nunca ninguém havia feito tal pedido. Quan­ do o ma­te­r ial de mestres como Milton Caniff, Will Eisner, Al Capp e Alex Raymond chegaram, ficamos maravilhados com a qualidade dos de­ senhos. Decidimos que nossa conversa tinha de virar realidade, vimos que era a oportunidade perfeita para provar que a história em quadri­ nhos era arte sim, e ainda muito mais abran­ gente por dia­lo­gar com o cinema e com a litera­ tura.” A exposição materializou-​­se em junho de 1951, no Centro Cultura e Progresso, no bairro do Bom Retiro, atingindo uma repercussão cujo eco Álvaro di­men­sio­na­r ia anos depois. WILL EISNER

“Em 1958, quando eu trabalhava na CBS Te­le­vi­ sion de Nova York, André Le Blanc me apresen­ tou ao meu ídolo Will Eisner. Em 1986, [referindo-​ ­se ao encontro] Eisner escreveria: ‘Nossa simpatia

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1 Lançamento do livro “Anos 50–50 anos – São Paulo 1951/2001”. Escola Panamericana de Arte. 28.6.2001 2 O “mágico” Álvaro por ocasião de encontro com amigos na casa de Juca Chaves. Sabem quem fez a foto?… Mauricio de Sousa. 1981 3 Foto tirada durante depoimento para o livro “50 anos…”, no Espaço Cultural Comix, São Paulo. 30.4.2001 4 Grandes amigos, Álvaro e Will Eisner na exposição realizada em homenagem ao criador do “Spirit”. Senac Lapa, São Paulo. 8.10.1999

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5 Abraçando o apresentador do Prêmio HQ Mix, Serginho Grossman, Álvaro tem nas mãos exemplar de “Vapt-Vupt”, vencedor como Melhor Livro Teórico. À sua esquerda, Cesar Mangiacavalli e Plinio Gramani, respectivamente diretor de arte e editor da obra. 6 Apaixonado por quadrinhos, Álvaro também desenhava. Depois de adaptar e ilustrar “A marcha”, de Afonso Schimidt, e “Zumbi”, fez uma versão de “Macbeth” de Shakespeare, para uma revista de terror, que desenhou a lápis e contou com a ajuda de Jayme Cortez no Nanquim. Julho de 1960

foi instantânea. Não apenas o inglês de Álvaro ti­ nha um estilo muito americano, como seu humor e sua perspectiva eram igualmente universais . . . Foi através dele que percebi o fato de que a essência das minhas histórias, minha visão sobre a condi­ ção humana, podia transcender a barreira linguís­ tica.’ ( . . .) Depois, várias vezes nos encontramos em Lucca, Roma, Paris, Frankfurt, e em outras oportu­ nidades em Nova York e na Flórida. ( . . .) A primei­ ra vez que Will Eisner veio ao Brasil foi em Avaré, no interior de São Paulo, em 1974. Depois, visitou também o Rio, Belo Horizonte, Recife e São Pau­ lo, inúmeras vezes. Quase sempre, como meu con­ vidado. Dizia que teria sido brasileiro na outra en­ carnação.” Will Eisner faleceu em 3 de janeiro de

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2005, enquanto Álvaro, ainda no hospital, se re­ cuperava de um infarto seguido de uma crise de vesícula. “Se eu tivesse morrido, na minha turma iriam dizer que eu era tão fanático por Will Eisner que tinha ido junto com ele . . .” * PLINIO GRAMANI

O editor da Revista Abigraf já conhecia Álvaro de nome e em 1991 entrou em contato para sa­ ber se ele iria à Bienal Inter nacional de Qua­ dri nhos do Rio de Janeiro, encomendando uma entrevista com Will Eisner. “Quando vi o resultado da matéria, fiquei entusiasmado”. Quadrinhos tornou­se uma seção fixa na revis­ ta. “Nesses anos todos, as matérias saíram lin­ díssimas, graças ao talento do diretor de arte Cesar Mangiacaval li. ( . . .) Nunca vi comics sair com tamanha qualidade”, escreveu Álvaro na apresentação do livro Vapt­Vupt, coletânea de seus artigos na Revista Abigraf, publicado em 2003. A obra ganhou o Prêmio HQ Mix no mes­ mo ano, na categoria Livro Teórico. “Graças à in­ dústria gráfica brasileira temos, a cada dois me­ ses, a oportunidade de divulgar essa arte tão popular e tão incompreendida.” A paixão pela arte levou o irrequieto e au­ todidata Álvaro de Moya a outros universos. Jornalista, escritor, professor, roteirista e di­ retor de TV e cinema, ele foi chefe das delega­ ções brasileiras de comics, na Bienal de Lucca, na Itália, por vários anos. Programador de fil­ mes de arte do cine Marachá­Augusta, na dé­ cada de 1970, participou do show de inaugu­ ração da TV Tupi, em 1950, em São Paulo, da qual foi diretor. Também dirigiu as TVs Ex­ celsior, Bandeirantes (onde produziu a novela Os Imigrantes), Cultura e Paulista. Álvaro, 86 anos, continua a escrever para a Revista Abigraf, a ser um exímio contador de histórias e a se emocionar ao falar de filmes, livros e autores que admira.

* Trechos retirados da matéria Meu amigo Will Eisner, publicada na edição 216 da Revista Abigraf (jan/fev 2005)

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3º ENCONTRO NACIONAL DE APARISTAS

Brasil recicla mais de 60% do papel consumido

Evento reuniu quase uma centena de representantes de todo o mercado de aparas, na Fecomércio, em São Paulo. Texto: Laura Araújo

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ntegrantes do setor de aparas se reuniram em São Paulo, no dia 14 de setembro, para o 3º Encontro Nacional de Aparistas. O tema do evento promovido pela Associação Nacional dos Aparistas de Papel (Anap) e pelo Sindicato Nacional do Comércio Atacadista de Papel (Sinapel) foi “Reciclagem de papel e papelão – grandes mudanças e novos caminhos”, e levou para os presentes painéis sobre o mercado de aparas, conjuntura político- econômica nacional, dinâmicas de reciclagem em outros paí ses e a questão da recuperação do ICMS na cadeia. O evento reuniu quase uma centena de representantes do setor, entre empresários aparistas, membros de cooperativas de reciclagem e de empresas de papel e celulose na sede da Fecomércio, na região central de São Paulo.

DO MACRO AO MICRO

Fotos: Yuri Zoubaref

Após a abertura dos trabalhos, a primeira palestra foi comandada pelo consultor empresarial

Eduardo Piedade, que concentrou sua apresentação na política nacional e inter nacional. Alertou, porém, que é preciso ir além do já conhecido ao estudar esse cenário. “É fácil fazer hoje uma palestra falando de crise, mas o resto do mundo vive uma situação parecida”, ponderou, lembrando que a saída do Reino Unido da União Europeia é um dos indicadores dessa instabilidade inter nacional. E o mercado de papel e papelão tem um papel importante nessa dinâmica. “O mundo está em ebulição, e não sabemos como ficará a situação. O mercado de aparas tem uma posição importante porque papel e reciclagem têm tudo a ver com as questões do futuro, como sustentabilidade e reutilização de recursos. “Esse mercado representa uma imperativa necessidade econômica e de sobrevivência para os novos tempos”, ressaltou. Ao comentar que os mercados mundiais estão se alterando, com a criação de novas barreiras, normas e fronteiras, o palestrante explicou qual postura o empresário pode assumir

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(E/D) Ludgero Migliavacca, diretor secretário da Fecomércio-SP, representando o presidente da Fecomércio-SP, Abram Szajman; Vicente Amato Sobrinho, presidente do Sinapel; deputado federal Antonio Carlos Gomes da Silva, presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Cadeia Produtiva da Reciclagem; Fábio Bellacosa, presidente da Anap; e Rui Brandt, presidente do Sinpacel – Sindicato das Indústrias de Papel e Celulose do Paraná.


em momentos como este. “Administrar bem é fundamental, mesmo com esta imprevisibilidade do cenário. É necessário, mais do que nunca, planejar, organizar e controlar”. De acordo com ele, a questão fundamental da administração está em ir além da boa gestão, atuando com mais flexibilidade. “Nosso instinto de sobrevivência é especialmente importante em ciclos de mudança, como o que vivemos hoje”. O consultor Maurício Porto, da Poyry Tecnologia, também tratou de questões internacionais. Segundo ele, a perda do peso dos papéis de imprimir e escrever dentro do mercado é uma tendência mundial. “Isso não significa que seja assim com todos papéis. O segmento de embalagens tem crescido”. Do ponto de vista do volume de aparas, a redução vem ocorrendo também em outros países. Apesar disso, a previsão é que aparas e celulose de eucalipto sejam os produtos de maior crescimento na indústria. “A tendência mundial mostra o crescimento do setor de aparas e de fabricação de papel reciclado, sobretudo devido ao consumo chinês, e que ainda tem muito a crescer”, explicou Maurício. QUEM É O MERCADO?

O painel “Aparas de papel, o agora, novos caminhos e perspectivas” foi comandado por Pedro Vilas Bôas, consultor da Anap. Em um detalhado panorama, ele apresentou dados recentes da indústria. A queda do consumo, causada pela recessão, faz com que as expectativas para 2016 não sejam as mais otimistas, mas, entre 2014 e

2015, ao menos as empresas de aparas de grande porte tiveram bom desempenho, com aumento de 33,5% no volume produzido. Já as médias e pequenas caíram 36% e 38%, respectivamente. As aparas brancas, mais raras no mercado, viram seu preço saltar 14% no período, enquanto as aparas de papelão e cartolina registraram queda de valor em cerca de 20% nos últimos dois anos. A queda global no preço das aparas de papel fez com que, em 2015, a receita do setor caísse 13,9%, frente a altas de 4%, em 2014, e de expressivos 34,7%, em 2013. “A situação é delicada, também, porque compramos aparas a vista e precisamos vender a prazo”, destacou o consultor. Sob outros aspectos, no entanto, o mercado continua bem sustentado: entre 2014 e 2015, os equipamentos se modernizaram, assim como a idade média da frota de caminhões utilizados na cadeia. A Anap calcula que 63% do papel brasileiro é recuperado para reciclagem, graças ao trabalho conjunto de catadores, cooperativas, varejo e aparistas. O maior índice é do papel de embalagem, com taxa de recuperação de 81% em 2015. Além disso, ano a ano o setor tem reduzido a importação de aparas — que, atualmente, alcança 5 mil toneladas por ano — e aumentado sua expressão inter nacional como exportador do insumo: 78 mil toneladas de aparas foram vendidas para outros países em 2015, um salto de 50 mil toneladas comparado com o nível auferido no início da década. A China e a Índia são os principais compradores, correspondendo a 80% e 6% do total, respectivamente.

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JURÍDICO Texto: Fábio Abranches Pupo Barboza, da Honda Estevão Advogados

M

ais conhecido como eSocial, o programa da Receita Federal do Brasil consiste na escrituração digital da folha de pagamento e das obrigações trabalhistas e fiscais relativas a toda e qualquer relação de trabalho contratada no Brasil, tratando-se de mais um módulo no âmbito do Sped que objetiva a efetiva informatização da relação entre o fisco e os contribuintes. Instituído pelo Ato Declaratório da Receita Federal nº 5 de 2013, o objetivo do programa é promover a integração dos fiscos: Federal, Estaduais e futuramente os Municipais, vinculando os principais órgãos mediante o compartilhamento das informações fiscais digitais, bem como integrando as obrigações acessórias em documento eletrônico, que sincronizará as informações de diversos órgãos federais, tais como: Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), da Caixa Econômica Federal (CEF) e do Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), bem como a Justiça do Trabalho, em especial, no módulo relativo ao tratamento das Reclamatórias Trabalhistas das empresas. A adoção ao novo sistema é obrigatória para todas as empresas de pequeno, médio e grande porte, que não mais poderão se utilizar dos meios atuais de transmissão de informações de folha de pagamento, estando prevista a sua implantação a partir de 2018, restando necessário informar que, de acordo com o último cronograma disponibilizado pela Receita Federal, nos termos da

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Resolução nº 2 do Comitê Diretivo do eSocial, as datas de implantação ficaram as seguintes: I – em 1º de janeiro de 2018, para os empregadores e contribuintes com faturamento no ano de 2016 acima de R$ 78.000.000,00 (setenta e oito milhões de reais); e II – em 1º de julho de 2018, para os demais empregadores e contribuintes. A prestação das informações dos eventos relativos a saúde e segurança do trabalhador (SST) será efetuada após os seis primeiros meses das datas de início da obrigatoriedade de que trata o caput. Até 1º de julho de 2017, será disponibilizado aos empregadores e contribuintes ambiente de produção restrito com vistas ao aperfeiçoamento do sistema. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido a ser dispensado às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, ao Microempreendedor Individual (MEI) com empregado, ao Segurado Especial e ao pequeno produtor rural pessoa física será definido em atos específicos em conformidade com os prazos previstos nesta Resolução. Empregadores e contribuintes obrigados a utilizar o eSocial que deixarem de prestar as informações no prazo fixado ou que as apresentarem com incorreções ou omissões ficarão sujeitos às penalidades previstas na legislação específica, sendo que a prestação das informações por meio do eSocial substituirá a apresentação das informações por outros meios. (Resolução nº 2, de 30 de agosto de 2016 – Comitê diretivo do eSocial).


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Beleza ameaçada

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F OTOG R A F I A

Tony Genérico

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á 50 anos, de­sa­f ios têm levado adian­te a paixão de Tony Generico pela fotografia. A obsessão pela resolução de problemas tornou-​­o mestre na fotografia de alta velocidade, sobretudo quando se trata de líquidos em movimento, conhecida como splash. Nessa toa­da surgiu o projeto Beleza Amea­ ça­da. Pensando em aproveitar a movimentação gerada pela Copa do Mundo que aconteceria no ano seguinte, em 2013 Tony decidiu encarar as dificuldades e construir uma série de traquitanas que permitissem fotografar o momento da colisão de duas ou mais porções de tinta de

cores diferentes. Quan­do finalmente conseguiu captar o choque da tinta amarela contra a azul, a imagem obtida mostrava detalhadamente a transição das duas cores formando um terceiro tom, o verde. O resultado, além de abrir um leque de novas possibilidades, fascinou o fotógrafo por remeter ao farfalhar das asas de um pássaro. “Sempre fui atraí­do pelas cores e pela dinâmica do voo das aves e naquele instante surgiu a vontade de fotografar pássaros alçando voo, tirando proveito da mesma técnica e dos equipamentos usados para os splashes”, comenta Tony. O plano seria fotografar as aves no mesmo am­bien­te e com a mesma qualidade

“A desconstrução das cores das aves com os splashes de tinta representa o risco que elas próprias correm. Um paradoxo entre beleza e ameaça.” TONY GENERICO

Texto: Tânia Galluzzi

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TONY GENÉRICO www.tonygenerico.com.br

e direção de luz usada nos splashes, agrupando pos­te­r ior­men­te as duas fotos. Para tal empreitada, foi necessário construir uma tenda para limitar e confinar o voo dos pássaros e dentro dela um sensor de movimento, que disparava o flash, sincronizado à câmera, pré-​­focada na trajetória do pássaro, pronta para captar a imagem em pleno voo. Mas o desafio maior não era tecnológico e sim logístico: como conseguir as aves? A maior parte dos pássaros domesticados tem as asas cortadas para não fugir. Ademais, no Brasil não é permitido fotografar animais silvestres fora de seu habitat natural. Para os primeiros testes, Tony acabou comprando um periquito australiano. Tudo funcionou a contento, porém a ideia era fotografar aves brasileiras. Passaram-​ s­ e seis meses até ele conseguir um casal de jandaias em um petshop es­pe­cia­li­za­do em aves exóticas. Depois uma coruja, uma arara canindé, e finalmente o acesso a um número maior de es­ pé­cies por meio do Complexo Am­bien­tal Cyro Ge­v aerd, o zoo do Bal­neá­r io Camboriú, em Santa Catarina, incluindo algumas amea­ça­d as de extinção como o araçari-poca. O resultado foi uma explosão de cores. “Cada tentativa era uma surpresa, uma nova imagem impossível de ser repetida. Tanto a formação dos splashes quanto a ae­ro­di­nâ­mi­ca do voo pro­por­cio­na­vam

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resultados igualmente imprevisíveis. As duas si­tua­ções integravam-​­se perfeitamente.” Com a ex­pe­r iên­cia no Sul, Tony somou duas dezenas de imagens, rendendo o convite para a primeira exposição do Beleza Amea­ça­d a*. Entre 15 e 18 de setembro, as fotos, reproduzidas em metacrilato, foram apresentadas no Festival Aves de Paraty, no Museu do Forte, evento incorporado ao Paraty em Foco. “A repercussão foi muito boa. Ornitólogos e amantes das aves ficaram encantados, principalmente pela abordagem di­fe­ren­c ia­d a, que chama atenção para a necessidade da preservação das aves de uma nova maneira”, afirma o fotógrafo. “Os muitos contatos que fiz com es­pe­cia­l is­ tas de todo o Brasil devem facilitar o acesso a outras es­pé­cies. Esse é só o começo.” A exposição deve via­jar pelo País. Já há convites para a Semana de Fotografia de Minas Gerais, no segundo semestre de 2017, e para levá-​­la a Curitiba, assim como para apresentá-​­la em shoppings de São Paulo. Isso sem contar o trabalho com morcegos, por meio do Instituto Butantã. Mas essa já é uma outra história. *O projeto Beleza Ameaçada é representado pela ArtShot (www.artshot.com). A  galeria doa uma porcentagem do lucro das vendas das imagens para instituições ou pessoas físicas protetoras das aves fotografadas.


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SISTEMA ABIGRAF NOTÍCIAS

Atividades do Imprint Brasil Fruto da ação integrada Apex‑Brasil/Abigraf Nacional, o Imprint Brasil promove visita e contatos de empresários gráficos nacionais nos EUA e desenvolve programa de capacitação na ESPM‑SP.

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tento aos segmentos de papelaria e ma­te­rial de escritório americanos, o projeto de apoio à exportação da indústria gráfica brasileira, ação conjunta da Abigraf Na­cio­nal, através do Imprint Brasil, e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-​­Brasil), promoveu a participação de cinco empresas brasileiras do setor na ECRM ­S chool & Office Sup­p lies

Sigego obtém vitória contra concorrência desleal A indústria gráfica goiana comemora decisão da justiça.

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2016. Durante os quatro dias do evento, rea­li­za­do de 11 a 15 de setembro, no Hyatt Regency Jacksonville Riverfront (Flórida, EUA), foram organizadas reu­niões pré-​ ­agendadas com os principais compradores americanos de papelaria e ma­te­rial de escritório para as empresas Bignardi, Confetti, Dello, GPK e Plasconny. Capacitação em ne­gó­cios internacionais – Idea­li­z a­d o por seis

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Sindicato das In­dús­trias Gráficas no Estado de G ­ oiás (Sigego) obteve importante decisão para conter a concorrência des­leal gerada pelas gráficas de entidades imunes de impostos. Em decisão liminar publicada no final de junho, o juiz Cláu­ dio Henrique Araú­jo de Castro deferiu a suspensão das atividades comerciais externas das gráficas das editoras regionais da Pontifícia Universidade Católica e da Congregação do Santíssimo

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entidades setoriais, entre as quais a Abigraf Na­cio­nal, o Programa de Capacitação em Ne­gó­cios Internacionais tem o objetivo de motivar empresas brasileiras a ra­ cio­ci­nar criticamente a formulação de es­tra­té­g ias de exportação. Com apoio ins­ti­tu­cio­nal da Apex-​­Brasil, o programa é rea­li­ za­do pela Escola Su­pe­rior de Propaganda e Mar­ke­ting de São Paulo (ESPM‑SP) e conta nesta terceira Redentor. Suas atividades ficam agora limitadas ao seu público interno (docentes e discentes da universidade e re­li­gio­sos ligados à congregação). A Ação de Obrigação de Não Fazer, acolhida liminarmente pelo juiz, foi proposta pelo escritório Mendonça, Moreira & Prado, que presta assessoria jurídica ao Sigego e à Federeção das Indústrias do Estado de Goiás, e pretende coibir o desequilíbrio e pre­juí­zos econômicos causados às gráficas as­so­cia­das

edição com a adesão de outras dez entidades e 34 empresas. Informações – Ini­1cia­t i­v a conjunta da Apex-​­Brasil e da Abigraf Na­cio­nal para incentivar e apoiar gráficas e empresas de papelaria e ma­te­r ial de escritório na promoção co­mer­cial para exportação, o Imprint Brasil atende os interessados pelo telefone (11) 3232.4504 ou pelo e-​­mail imprint@imprintbrasil.com. ao sindicato. Em seu despacho, Castro cita que a imunidade tributária permitia àquelas gráficas a prática de preços mais baixos do que os de seus concorrentes, o que, num cenário de crise na economia, não só gerava riscos de danos a todo o setor gráfico, como até mesmo poderia in­via­bi­ li­zar “a atividade de vá­rias empresas que se dedicam a esse ramo de atividade em­pre­sa­rial”. (Texto publicado na revista ­Goiás In­dus­trial, agosto 2016).


Papel inume: entidades seguem unidas no combate à sonegação fiscal Instituído em 2013 para combater o desvio de finalidade no uso do papel imune, o Recopi Nacional conta com total apoio do Ibá e da Abigraf.

A

Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), em parceria com a Abigraf, segue atuan­do junto aos órgãos responsáveis, para intensificar o combate às fraudes fiscais re­la­cio­na­das ao papel imune e minimizar o pre­juí­zo aos cofres públicos e ao empresário idôneo. A imunidade tributária concedida pela Constituição Federal ao papel destinado à impressão de livros, jornais e pe­rió­di­cos, reduz o preço do produto em até 36%, quando comparado com o papel de uso co­mer­cial. Este benefício, que tem o nobre objetivo de am­pliar o acesso à cultura e o fortalecimento da educação, infelizmente estimula ações ilegais de desvio de finalidade do papel imune, resultando em crimes contra a ordem

tributária e causando sé­rios pre­ juí­zos ao erário público e a toda cadeia produtiva do papel, cumpridora de suas obrigações fiscais e sociais. Estima-​­se que, em 2014, o governo brasileiro deixou de arrecadar mais de R$ 600 milhões em impostos sonegados. Para combater esse desvio de finalidade, foi ins­ti­tuí­do, através do Convênio ICMS nº 48/2013, o Sistema de Registro e Controle das Operações com o Papel Imune Na­cio­nal – Recopi Na­cio­nal. Até agosto de 2015, a adesão ao referido convênio com­preen­ dia 21 Estados, sendo que apenas 52% deles ha­viam regulamentado as suas regras nas respectivas legislações internas (11 unidades da federação: BA, DF, GO, MG, PA, PR, RJ, SC, SP, ES, MS).

Nos últimos 12 meses houve grande avanço neste sentido, com a adesão dos Estados de Rondônia e Rio Grande do Norte ao Sistema Recopi Na­cio­ nal, e a regulamentação de mais oito unidades federadas — AL, AP, CE, PE, PI, RN, RO e SE —, atingindo um per­cen­tual de 83% de Estados sig­na­tá­rios do Convênio com regulamentação em suas legislações internas. Ou seja, atual­men­ te, 23 Estados são sig­na­tá­rios do Convênio ICMS nº 48/2013, dos quais 19 já incorporaram as regras do Recopi Na­cio­nal às suas legislações es­ta­duais (AL, AP, BA, CE, DF, ES, GO, MG, MS, PA, PE, PI, PR, RJ, RN, RO, SC, SE e SP). Neste momento, apenas os Estados do Maranhão, Mato Grosso, Pa­raí­ ba e Rio Grande do Sul aderiram

ao Convênio, mas ainda não editaram decretos re­cep­cio­nan­do as suas regras. A instituição do Recopi Na­cio­ nal, atrelada às ações de controle e fiscalização das Se­cre­ta­rias de Fazenda es­ta­duais, contribuiu significativamente para a redução do volume de operações com papel amparado pela imunidade cons­ti­tu­cio­nal, com pos­ te­rior desvio para fins não imunes. De 2010 a 2014, o desvio de finalidade apresentou queda de 17%, passando de 575 mil para 478 mil toneladas. Se considerarmos que o total de vendas domésticas e importações para este fim tiveram uma queda de 13%, de 1.097 mil para 955 mil toneladas, o resultado, pro­por­cio­nal­men­te, ainda é pequeno. Em 2010, para cada 20 toneladas de papel vendido para fins editoriais 10,5 toneladas tinham sua finalidade des­via­da e em 2014, o índice caiu para 10 toneladas, uma redução absoluta de apenas 5%. De acordo com recente balanço da Secretaria da Fazenda de São Paulo – Sefaz/SP, o Recopi possui 1.411 estabelecimentos paulistas habilitados, com média mensal de 12.640 operações registradas entre junho de 2015 e maio de 2016. No pe­ río­d o, foram blo­q uea­d os 258 contribuintes e outros 76 foram des­c re­d en­c ia­d os, além de terem sido lavrados mais de 300 autos de infração, totalizando aproximadamente R$ 1 bilhão de crédito reclamado.

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SISTEMA ABIGRAF NOTÍCIAS

vote no impresso

Sindigraf-SP é finalista no Prêmio de Melhores Práticas Sindicais Os projetos do Sindigraf‑SP, Digitec e Análise Setorial e Prospecção Mercadológica, foram selecionados.

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Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), por meio da Central de Serviços (Cser), lançou a quarta edição do Prêmio Melhores Práticas Sindicais, que visa a reconhecer as melhores práticas adotadas pelos sindicatos patronais filiados, na busca do fortalecimento e do aumento do associativismo. Dentre os 155 projetos que disputaram os votos da comissão de jurados na primeira fase de votação, o Sindigraf-SP teve dois projetos selecionados para conquistar uma das cinco vagas na categoria Defesa Social. Um dos projetos é o Digitec, que se propõe a disseminar informações do segmento de impressão digital através de capacitação de todos os profissionais do setor: empresários, vendedores, gestores, operadores e estudantes. Trata-se de um grupo aberto, formado por profissionais de toda a cadeia

produtiva que cooperam para apresentar as boas práticas de fabricação e produção e as tendências do mercado. Tem como objetivo partilhar e divulgar tecnologia, e como missão, ser referência técnica no segmento digital no Brasil. O outro finalista é a Análise Setorial e Prospecção Mercadológica, que objetiva disponibilizar aos empresários e aos profissionais das áreas de planejamento de mercado das empresas, que pertencem à indústria gráfica, dados econômicos nacionais e internacionais, índices de custos, projeções econômicas e análises sobre o setor e sobre toda a cadeia produtiva. A solenidade de premiação ocorrerá em 17 de novembro, quando serão apresentadas as ações vencedoras com a entrega dos prêmios aos presidentes e executivos dos sindicatos em cada categoria premiada.

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De acordo com as seguin tes normas: Constituição Federal, Lei Lei 9.504/97 (Lei das Eleiçõ es), Res. TSE nº 23.457/2015 4.737/65 (Código Eleitoral), (Propaganda Eleitoral 2016) .

Números do TSE confirmam estratégia da campanha Vote no Impresso Cerca de 20% da verba total de propaganda nas eleições deste ano foram destinados aos materiais impressos.

I

nformações divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que, nas campanhas publicitárias relativas ao pleito municipal deste ano, os candidatos a prefeito e verea dor investiram principalmente em materiais impressos. Até o dia 22, uma semana antes do encerramento da propaganda eleitoral, haviam sido gastos R$ 174,5 milhões em impressos, cerca de 20% da despesa total de R$ 879 milhões. Esta projeção confirma a expectativa da Abigraf Nacional em relação ao impacto provocado na indústria gráfica com as mudanças nas regras eleitorais. Este foi o motivo para a entidade lançar a campanha Vote no Impresso, composta por uma cartilha orientativa sobre as regras para a produção de material publicitário e uma série de ações estratégicas, com o objetivo de

potencializar o marketing político com peças gráficas. O total investido na comunicação impressa é bem superior ao segundo meio mais utilizado pelos candidatos, os programas de rádio e TV, que consumiram R$ 74 milhões. A publicidade por adesivos somou R$ 64,8 milhões; as atividades de militância nas ruas ficaram com R$ 51,4 milhões; a publicidade por carros de som com R$ 33,7 milhões; e a produção de jingles, vinhetas e slogans com R$ 16 milhões. “Os candidatos têm investido mais na mídia impressa do que em programas de rádio, televisão ou vídeo. Entre os materiais impressos mais solicitados estão cartazes, colas, panfletos e santinhos, sendo que este último somou R$ 38 milhões de investimentos”, comentou Levi Ceregato, presidente da Abigraf Nacional e do Sindigraf-SP.


Modernizar rumo a novas conquistas

Notícias publicadas na Revista Abigraf nº– 107, de setembro/outubro de 1986

Lei Sarney de incentivo à cultura No dia 2 de julho, o presidenSob este título, no seu editorial, o presidente da Abigraf Re gional São Paulo, Luiz Vasone, alertava: “Importar equipamentos para modernizar o parque da indústria gráfica é questão que se reveste de alguns aspectos preo cupantes, a exemplo da grande defasagem tecnológica e seus desdobramentos econômicos entre o Brasil e países da Europa, sem falar dos Estados Unidos. As consequências desse atraso podem ser facilmente localizadas com o fato de a Espanha se constituir no principal fornecedor de livros para toda a América Latina. ( . . . ) Não se chega, evidentemente, a resultado algum satisfatório nesse campo se não for promovida a modernização do parque gráfico brasileiro, que vem com uma diferença, no tempo, de mais ou menos 15 anos de atraso”.

Falta de matéria-prima preocupa o setor A

ausência de uma política adequada de reflorestamento, o aumento subs tancial na demanda de papel e cartão em função do Plano Cruzado, e decisões equivocadas com o tabelamento de preços, geraram problemas de fornecimento de papel e cartão no mercado nacional. Para o presidente da Abigraf Regional São Paulo, Luiz Vasone, faltam quatro mil toneladas de celulose para serem transformadas em cartão e só haverá um suprimento normal em 1987, quando se ampliar a produção de

celulose. O presidente da associação dos fabricantes de papel e celulose (ANFPC), Horácio Cherkassky, lembra que a fixação do preço interno da celulose em 240 dólares foi um erro. Aldo Sani, presidente da associação dos fabricantes de celulose (Abecel), ressalta o absurdo que é a celulose virgem estar mais barata que as aparas no mercado nacional, acrescentando que os fabricantes de celulose preferem exportar pois o preço internacional é de 420 dólares a tonelada, contra os 240 dólares no nosso país.

ELEIÇÕES MOVIMENTAM INDÚSTRIA GRÁFICA Pouco tempo antes das eleições de 15 de novembro, grande quantidade de material impresso e papelão estava depositada nas de pen dên cias do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, aguardando para ser utilizada na votação. Cerca de 520 mil

cartazes explicativos, 2,2 milhões de senhas para eleitores re tardatá rios e 16.800 suplementos do Diá rio Of i cial do Estado foram produzidos como apoio estratégico para a realização das eleições. Sem falar nos 460 mil impressos para a nomeação de

mesários e 1,8 milhão de diversos tipos de impressos, além das urnas de papelão para o recolhimento dos votos. Todo esse volume foi preparado apenas para o tribunal paulista, que representa um colégio eleitoral de praticamente 16 milhões de pessoas.

te José Sarney sancionou a Lei nº 7.505 de incentivo à formação artística e cultural do País, através de bolsas de estudo, prêmios, patrocínios de exposições e feiras, restauração de obras históricas e publicações de caráter cultural. Pela nova legislação, as instituições bancárias e financeiras podem criar uma carteira de crédito espe cial destinada a investimentos para esse fim, voltada à aquisição de ações e títulos de empresas da área cultural, negociáveis após o prazo de cinco anos. Vale apenas para pessoas jurídicas, que poderão abater até 10% de sua renda bruta como doação, sem obter retorno pecuniário de sua iniciativa. A grande maioria dos editores ouvidos pela Revista Abigraf acredita que, com a nova lei, o mercado de livros de arte terá boas perspectivas de crescimento. Para Luiz Carlos Burti, “muitas empresas deixarão de fazer impressões e fotolitos no ex te rior porque, com o tempo, chegaremos a um estágio igual ou melhor que os serviços prestados lá fora”.

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MENSAGEM

Hora da criatividade

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um ambiente propício ia cr re o ic lít po o ri ná ce o ov N ontecer! aos negócios. Vamos fazer ac

eração das mídias, Vamos trabalhar nessa int do nto me lha are ap nossos o, o fim do a como solução inovadora aos ê-l rec Com a mudança de govern ofe vas no s da sso as e o compromi s tecnológ icos da Estado pelas hordas petist clientes e somar aos avanço rio ilíb equ o cer ele tab res pressão em 3D. autoridades econômicas de indústria gráfica, como a im a ad om ret à to an qu vas e efeitos ativas oferece numerosas alternati fiscal, melhoram as expect ta Es são o, ári cen Nesse novo e revistas. do crescimento econômico. especiais em livros, jornais inf lação, da o ent á o talento do cim efe arr o e os todas essas tecnolog ias, est de a im Ac viáveis a queda dos jur . , a experiência estímulo aos negócios capital humano, a confiança fatores importantes para o sário. Essas e a capacidade de cada empre Vamos fazer acontecer, s mitiram s aparente são as virtudes que nos per transformando desvantagen o numerosas Um bom chegar até aqui, atravessand tal não é gi di em diferenciais competitivos. O mia nacional. É hora cia as sim turbulências da econo m exemplo refere-se à concorrên o, ig im in potencial o da criatividade! Há todo um com as mídias dig itais. Nã ta en am rr fe a um ampliado migas, de mercado a ser recuperado, podemos temê-las como ini r ta en m is amplas. para fo favor. xplorado sob dimensões ma e e mas sim usá-las em nosso ãos al negócios e oferecer Fomos eficientes como cidad A internet é um poderoso can uma e ent cam aí está novas soluções para realizar democrati de vendas. O e-commerce nosso em a gráficas. cado. er importante mudança polític m ao para ser usado por todas as eficazes ficos, é país. Agora, precisamos ser Como não tem limites geográ , para armos a também como empresários um instrumento para ampli os açã arm lor nsform o positiva mover uma impactante tra prospecção de mercado e exp pro no e o nic trô clientes e virtual, ele ios. Vamos surpreender os góc ne novos nichos. No ambiente s do as ros bém há nume demos fazer! universo dos aplicativos, tam mostrar o que sabemos e po a rar lho me ra pa ferramentas que contribuem sas mais eficientes. gestão e tornar nossas empre sidney@congraf.com.br unicação com a e qu é , ém por te, tan O mais impor logar com a dig ital. pre im ssa tem tudo para dia os, apostilas e outros Livros, embalagens, cadern exemplo, conter links produtos gráficos podem, por s nos navegadores do passíveis de serem dig itado r, para acessar sites, computador, tablet e celula ações as mais diversas. conteúdos, mapas e inform Code, que, impresso Outra possibilidade é o QR facilmente escaneado numa peça gráfica, pode ser a solução para o pelo celular. Trata-se de bo o e controle de estoque gerenciamento de inventári qualquer lugar onde o em indústrias e comércio, de , jornais e livros, pode usuário esteja. Em revistas s dig itais mais amplos, dar acesso direto a conteúdo eca, até fotografias e fica desde o acervo de uma bibliot Bra sileira da Indústria Grá Presidente da Associação ilita a inserção fac QR o , ita vis ) de f-SP o igra rtã (Ab  ca lo vídeos. No Regional São Pau prio telefone celular. dos dados na agenda do pró

Sidney A nversa V ictor

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Revista Abigraf 285  
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